Na Capa: Calcário fossilífero da Formação Pirabas.
Mioceno do Estado do Pará.
(Foto de Moacyr Leão).
ATAS DO SIMPOSIO
SÓBRE A
BIOTA AMAZÔNICA
VOL. 1: GEOCIÊNCIAS
Belém, Pará, Brasil, Junho 6-11, 1966
EDITOR: HERMAN LENT
Publicado pelo
CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS
RIO DE JANEIRO, GB
APRESENTAÇÃO
De 6 a 11 de junho de 1966, na cidade de Belém, Estado do Pará,
Brasil, foi realizado o Simpósio sôbre a Biota Amazônica, organizado
pela Associação de Biologia Tropical, com a colaboração do Conselho
Nacional de Pesquisas do Brasil, tendo José Cândido de Melo Carvalho
como Presidente Executivo.
O Simpósio homenageava especiaimente o Museu Paraense “Emilio
Goeldi” que comemorava seu 100.° aniversário .
Ao se iniciarem os trabalhos, achavam-se inscritos no Simpósio 16
países representados por 97 instituições, 256 pesquisadores inscritos para
apresentação de trabalhos que perfaziam um total de 22 conferências
e 198 contribuições originais. Associaram-se como observadores, até êsse
dia, 103 pessoas. Nos dias que se seguiram, até o encerramento, o total
geral de frequência dos inscritos foi a 611 pessoas. As contribuições ori-
ginais também aumentaram para 227 .
Resolvemos editar estas Atas em 7 volumes, cada qual correspon-
dendo a uma das seções do Simpósio; Geociências, Antropologia, Limno-
logia. Botânica, Zoologia^ Patologia e Conservação da Natureza e Recur-
sos Naturais; serão todos publicados pelo Conselho Nacional de Pesquisas
do Brasil, que assumiu a responsabilidade global da edição, da mesma
forma como promoveu-a realização e apoiou a execução do Simpósio.
Em relação ao Programa do Simpósio distribuído na ocasião e,
ainda, ao próprio desenrolar das reuniões de cada Seção, as Atas não
incluem necessàriamente todos os trabalhos, retirados que foram alguns
por motivos vários.
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Êste primeiro volume corresponde à Seção I (Geociências) que teve
como Coordenadores: Aziz N. Ab’Sáber (Universidade de São Paulo) e
Cândido Simões Ferreira (Museu Nacional, Rio de Janeiro, GB); consta
de um total de 484 páginas, 86 figuras no texto, 26 estampas e 5 en-
cartes, e divulga 31 trabalhos, dos quais duas conferências. O índice do
volume aparece a seguir pela ordem alfabética do sobrenome dos autores,
primeiro as conferências e depois as comunicações.
Herman Lent
Junho, 1967
ÍNDICE DO VOLUME 1: GEOCIÊNCIAS
Págs.
Mendes, Josué Camargo
Evolução geológica da Amazônia. Breve histórico das pesquisas
(Conferência) 1
Paula-Couto, Carlos de
Estudos paleontológicos na Amazônia (Conferência) 11
Ab’Saber, Aziz Nacib
Problemas geomorfológicos da Amazônia brasileira 35
Alvim, Paulo de Tarso & Santana, Charles José Leondy de
Diagnóstico das deficiências minerais em solos da região ama-
zônica pelo método das microparcelas 69
Barbosa, Maria Martha
Briozoários fósseis da bacia amazônica 75
Barbosa, Octavio
Tectônica na bacia amazônica 83
Van Boekel, Norma Maria da Costa
Quitinozoários silurianos e devonianos da bacia amazônica e sua
correlação estratigráfica 87
Van Boekel, Norma Maria da Costa
Tasmanáceas paleozóicas da bacia amazônica e sua correlação
estratigráfica 121
Dolianiti, Elias
Uma Licopodiácea do devoniano do Amazonas 141
Duarte, Lélia
Contribuição à paleontologia do Estado do Pará: Flórula fóssil
da Formação Pirabas 145
Falesi, ítalo Cláudio
O estado atuai dos conhecimentos sôbre os solos da Amazônia
brasileira 151
Ferreira, Cândido Simões
Contribuição à Paleontoiogia do Estado do Pará. O gênero
Orthaulax Gabb, 1872 na Formação Pirabas. X. (Mollusca, Gas-
tropoda) 109
Francisco, Benedito Humberto Rodrigues; Silva, Guilherme Galeão da
& Araújo, Giuseppina Giaquinto de
Estudos geológicos e observações geográficas no Baixo Tocantins
(municípios de Tucurui e Baião) , Estado do Pará 187
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Págs.
Freitas, Fernando M. C.
Levantamentos hidrográficos efetuados pela Marinha do Brasil
na Amazônia 199
Grabert, Hellmut
Sóbre o desaguamento natural do sistema fluvial do rio Madeira
desde a construção dos Andes 209
Lance, Frederico Waldemar
Subdivisão bioestratigráfica e revisão da coluna siluro-devonia-
na da bacia do Baixo Amazonas 215
Mabessone, J. M.
Sedimentos correlativos do clima tropical 327
Mendes, Josué C.
Paleobiota carboníferos da Amazônia 339
Paula-Couto, Carlos de
Contribuição à paleontologia do Estado do Pará. Um Sirênio na
Formação Pirabas 345
Price, Llewellyn Ivor
Sôbre a mandíbula de um gigantesco Crocodilídeo extinto do
Alto rio Juruá, Estado do Acre 359
Ramos, J. R. de Andrade
Estratigrafia da região Xingu-Tocantina 373
Ramos, J. R. de Andrade & Barbosa, Rita Alves
Geologia e petrografia de Pôrto Nacional a Miracema do Norte,
rio Tocantins 387
Ramos, Reynaldo Freitas
Um Fusulinideo no carbonífero do Pará 403
Santos, Maria Eugênia C. Marchesini
Equinóides miocênicos da Formação Pirabas 407
Santos, Maria Eugênia C. Marchesini & Castro, Judith de Souza
Moluscos cenozoicos de água doce do Alto Amazonas 411
Santos, Rubens da Silva
Sôbre um Cladodontideo do carbonífero do rio Parauarí, Ama-
zonas 425
Setzer, José
Poucos visualizam como é dificil o solo amazônico 431
SoMMER, Friedrich Wilhelm
Contribuição à paleontologia do Estado do Pará. A presença de
algas coralíneas nos calcários da Formação Pirabas 435
SoMMER, Friedrich Wilhelm & Van Boekel, Norma Maria da Costa
Sôbre alguns fósseis-índice paleozóicos da bacia amazônica . . . 443
Souza, Fausto Luiz de & Barcia e Andrade, Amaro
A propósito da “Ocorrência de fósseis carbonáticos” no rio Ma-
tapí, Amapá 481
Trindade, Nicéa Maggessi
Megásporos carboníferos da bacia Tocantins-Araguaia 469
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 1-9 — 1967
EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DA AMAZÔNIA. BREVE
HISTÓRICO DAS PESQUISAS
JOSUÉ CAMARGO MENDES
Universidade de São Paulo, São Paulo
(Com 3 figuras no texto)
Na segunda metade do século
dezenove, a curiosidade científica
venceu a barreira representada
pela amplitude da terra e a quase
onipresença da Hiléia.
A fascinação dos segredos geo-
lógicos arrastou para a Amazônia
estudiosos do sul do País e atraiu
ilustres pesquisadores de além-
-mar.
O investigador pioneiro da geo-
logia da Amazônia foi João Mar-
tins da Silva Coutinho.
Três famosas expedições cienti-
ficas nos legaram os fundamentos
da estratigrafia regional: a Expe-
dição Thayer, chefiada por Louis
Agassiz, realizada em 1865 e as
duas expedições Morgan, chefiadas
pelo brilhante geólogo Charles
Frederick Hartt e realizadas, res-
pectivamente, em 1870 e 1871.
Participou na segunda Expedi-
ção Morgan o jovem Orville Derby,
cujo nome se celebrizou mais
tarde na investigação da Ama-
zônia.
Pode-se dizer que no início do
presente século, os elementos es-
senciais da constituição geológica
dêsse imenso recanto da Pátria ha-
viam sido determinados.
Merecem destaque as contribui-
ções de Friedrich Katzer, do Museu
do Pará, condensadas, em 1903, no
seu monumental “Grundzüge der
Geologie des unteren Amazonas-
gebietes.”
O antigo Serviço Geológico e
Mineralógico, criado em 1907, exe-
cutou na Amazônia diversos reco-
nhecimentos e algumas sonda-
gens, inicialmente com o propósito
de encontrar carvão paleozóico e,
mais tarde, com interêsse no pe-
tróleo.
Entre os denodados geólogos
dessa fase citam-se: Gonzaga de
Campos, Odorico Albuquerque,
Pedro de Moura, Paulino Franco
de Carvalho e Avelino de Oliveira.
De 1933 a 1938, a pesquisa do
petróleo amazônico estêve em mãos
do Fomento da Produção Mineral.
2
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Datam dessa época as importantes
investigações da Comissão Pedro
de Moura, no Estado do Acre.
A partir de 1939, o Conselho Na-
cional do Petróleo desenvolveu in-
tenso programa de estudos nas
bacias sedimentares amazônicas.
Quando o petróleo amazonense
jorrou no poço de Nova Olinda, a
pesquisa do combustivel liquido já
era privativa da Petrobrás.
Estudos geológicos diversos com
ou sem interêsse imediatista têm
sido feitos também por pesquisado-
res do Departamento Nacional da
Produção Mineral e da Universi-
dade de São Paulo, muitas vêzes
com o estímulo e auxílio do Insti-
tuto Nacional de Pesquisas da
Amazônia e do Museu Paraense
Emílio Goeldi.
O petróleo foi indiscutivelmente
um grande propulsor na investiga-
ção geológica. Estamos, porém,
ainda muito longe de poder consi-
derar satisfatório o conhecimento
da Amazônia.
Muitas surprêsas certamente nos
aguardam, seja no que se refere à
história geológica dessa impor-
tante região do Globo, seja no to-
cante às suas riquezas minerais.
OS GRANDES ELEMENTOS
GEOTECTÔNICOS
Distinguem-se na constituição
geológica da Região Norte quatro
grandes unidades geotectônicas : a
área cratônica conhecida como
Escudo Brasileiro, a área cratônica
designada Escudo das Guianas, a
bacia intracratônica chamada Ba-
cia do Amazonas e a bacia peri-
cratônica que os geólogos denomi-
naram Bacia do Acre.
Os escudos Brasileiro e das
Guianas representam as unidades
geotectônicas mais velhas da Re-
gião Norte e, possivelmente, da
América do Sul. Constituem-nos
rochas metamórficas de diversos
tipos e considerável volume de ro-
chas ígneas plutônicas, entre as
quais se destacam os granitos.
As duas outras unidades geotec-
tônicas correspondem a bacias se-
dimentares.
As informações existentes sôbre
a Bacia do Acre são escassas. Com-
preende-se, portanto, que as suas
delimitações sejam imprecisas. É
possível que, em território brasi-
leiro, além do Estado do Acre, en-
volva a porção ocidental do Estado
do Amazonas. Faz parte da vasta
faixa pericratônica que se interpõe
entre o Crato Guiano-brasileiro e o
Geossinclíneo Andino.
A Bacia do Amazonas situa-se
entre os escudos Brasileiros e das
Guianas e estende-se pelo menos
do centro do Estado do Amazonas
até 0 Atlântico.
Somam as duas bacias uma área
sedimentar estimada em 1.250.000
quilômetros quadrados.
Volume 1 (Geociências)
EVOLUÇÃO DAS UNIDADES
GEOTECTÔNICAS
A os ESCUDOS
As rochas metamórficas consti-
tuintes dos escudos são, em grande
parte, originárias de antigos sedi-
mentos marinhos.
Aqueles sedimentos transforma-
ram-se em metamorfitos sob pres-
são e temperatura elevadas e tam-
bém sofreram amarrotamento, fa-
Ihamento, injeção magmática e
até granitização.
Somente a datação absoluta em
laboratórios especializados escla-
recerá quantos bilhões de anos du-
rou a gênese dos escudos. Até lá,
os geólogos referem-nos à Era Pro-
terozóica; os mais cautelosos da-
tam-nos como pré-silurianos, por-
que 0 mesmo terreno continua-se
no assoalho da bacia do Amazonas
e as camadas sedimentares mais
antigas que aí o recobrem são da-
tadas, paleontològicamente, como
silurianas.
É fora de dúvida, entretanto, que
0 tempo decorrido até que êsses
cratos se tornassem áreas conti-
nentais estáveis deve ser bem su-
perior ao que assistiu a evolução
das bacias sedimentares.
Os dados existentes sôbre o Es-
cudo das Guianas e porção ama-
zônica do Escudo Brasileiro não
permitem ainda a elucidação da
complexa história dessas duas
grandes áreas.
Desconhecemos o número de
fases de metamorfismo ou de do-
bramentos.
Não podemos precisar, igual-
mente, quantos foram os períodos
de subsidência, durante os quais se
acumularam sedimentos marinhos.
Observa-se, porém, que os efeitos
prolongados da erosão desgasta-
ram os escudos tão intensamente
que os granitos, rocha originada
nas grandes profundidades, aflo-
ram hoje em muitos pontos.
É urgente uma investigação in-
tensiva dos terrenos présilurianos,
sobretudo, tendo-se em vista os re-
cursos minerais que podem ofere-
cer. O manganês da Serra do Na-
vio é uma eloqüente prova dessa
riqueza.
B — AS BACIAS SEDIMENTARES
BI — Bacia do Amazonas
Das unidades sedimentares, a
Bacia do Amazonas é a mais an-
tiga.
A rigor, podemos desmembrá-la
da chamada Bacia de Marajó, bem
mais nova e constituída por uma
espêssa seqüência de camadas.
Abrange a Bacia de Marajó a re-
gião da foz do Amazonas.
A Bacia do Acre pode ter surgido
no Carbonífero, pois datam dêsse
período as rochas sedimentares
mais antigas que se conhecem
nessa região.
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Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Fig. 1 — Unidades geotectônicas da parte setentrional da América do Sul
Voltaremos dentro em pouco, à
interessante história das bacias de
Marajó e do Acre.
A Bacia do Amazonas própria-
mente dita é a única em cuja cons-
tituição participam grandes se-
qüências paleozóicas. Estas aflo-
ram próximas às suas margens se-
tentrional e meridional sob forma
de faixas alongadas, quase simé-
tricas, entre os rios Xingu e Negro.
A porção média da bacia é o domí-
nio dos terrenos modernos.
Segundo os dados geofísicos e de
sondagem a espessura dos sedi-
mentitos varia, em geral, entre
2.000 e 2.500 m, podendo, entre-
tanto, avizinhar-se de 4.000 m em
pontos restritos. A maior parte da
espessura refere-se às camadas pa-
leozóicas.
Não sofreram os sedimentitos
qualquer dobramento. Parecem ter
sido afetados por falhamentos, se-
gundo uma tectônica do tipo ger-
mânico; intrusões de diabásio cau-
saram deformação local.
No início do Siluriano, o mar
ocupou a parte média da Amazô-
nia. Documentam a sua presença
cêrca de 200 m de depósitos elásti-
cos com um conteúdo paleontoló-
gico relativamente magro. Repre-
sentam o marco inicial da evolução
da Bacia do Amazonas.
Quanto se perdeu da documen-
tação original no subseqüente in-
tervalo de exondação é impossível
determínar-se. Os atuais aflora-
mentos das rochas silurianas bali-
sam apenas o trato sedimentar re-
sidual. O mar siluriano pode ter
Volume 1 (Geociências)
5
coberto área bem mais ampla. Sua
ligação com os mares da região an-
dina não se acha assegurada pelos
dados paleontológicos. Talvez te-
nha vindo de leste.
Sôbre as rochas silurianas, há
uma seqüência de camadas igual-
mente fossiliferas de cêrca de
800 m de espessura, depositadas
em ambiente marinho, no Devo-
niano. A sua importância para a
gênese do petróleo amazonense é
de todos conhecida.
Bem mais espêssa é a sucessão
de camadas que se formaram
quando da terceira e última in-
gressão marinha na Bacia do Ama-
zonas. Alcançam, em certos pon-
tos, 1.500 m de espessura e consis-
tem, predominantemente, em cal-
cários e evaporitos, precipitados
em águas rasas sob clima árido.
Fig. 2 — Bacia do Amazonas.
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Foram datadas, com base paleon-
tológica, do fim do período Carbo-
nífero. As reservas de halita, ani-
drita e gipsita que constituem os
citados evaporitos são considerá-
veis, embora muito profundas para
fácil aproveitamento.
Parece fora de dúvida uma liga-
ção entre as bacias do Amazonas e
Parnaíba durante o Paleozóico.
Ambas apareceram no Siluriano e
apresentam histórias quase para-
lelas até o Carbonífero e inclusive
similaridades faunísticas em cer-
tos níveis.
Os sedimentitos que na Bacia do
Amazonas se superpõem às cama-
das carboníferas geraram-se em
ambiente continental. Os mais an-
tigos são cretáceos e os mais mo-
dernos cenozóicos, inclusive holo-
cênicos.
6
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Afloram as camadas cretáceas
nas serras da região de Monte Ale-
gre.
Curiosa é a situação dos estratos
mesozoicos denominados Forma-
ção Sucunduri, conhecidos apenas
por testemunhagem de perfuração.
Parecem ter sido aprofimdados por
falhamentos e assim resguardados
da erosão.
Grande parte dos depósitos ce-
nozoicos, constituem as barrancas
avermelhadas dos afluentes do
Amazonas, recebendo a designação
de Formação Barreiras.
A sedimentação holocênica con-
siste, predominantemente, nos de-
pósitos que se acumulam nas vár-
zeas, lagos, braços mortos ou
praias fluviais.
B2 — Bacia do Acre
A Bacia do Acre oferece caracte-
rísticas estruturais ímpares. A se-
qüência basal, como se referiu an-
tes, corresponde aos sedimentitos
carboníferos, que representam uma
extensão das formações carbonífe-
ras da Bacia do Amazonas. Sôbre
elas descansam estratos referidos
ao Cretáceo embora sem base pa-
leontológica. Nem mesmo se sabe
se são marinhos ou continentais.
Em flagrante contraste com o que
se verifica na Bacia do Amazonas,
as duas seqüências referidas apre-
sentam-se dobradas e falhadas.
O dobramento parece ser reflexo
da orogênese andina.
As camadas pós-cretáceas cor-
respondem a sedimentitos conti-
nentais que não apresentam qual-
quer amarrotamento, talvez por
terem sido acumuladas após o clí-
max da orogênese andina que
coincidiu com o início do Terciário.
Até há poucos anos aceitava-se a
existência de camadas terciárias
salobras no Estado do Acre, con-
tendo moluscos e restos de plantas
associados. Simpson (1961) de-
monstrou tratar-se, em realidade,
de depósitos fluviais quaternários.
B3 — Bacia de Marajó
Graças a estudos geofísicos des-
cobriu-se que a região marajoara
correspondia a uma grande fossa
tectônica.
Sondagens realizadas, posterior-
mente, nessa região atravessaram
considerável espessura de camadas
cenozóicas e cretáceas.
Uma perfuração executada na
ilha de Marajó atingiu o embasa-
mento pré-siluriano a 3.858 m de
profundidade; outra perfuração,
levada a efeito no continente, ul-
trapassou 4.000 m sem alcançar o
embasamento.
Concluiu-se do estudo da amos-
tragem obtida que, sôbre o emba-
samento, descansam camadas con-
tinentais cretáceas, predominante-
mente deltáicas, seguidas de ca-
madas cenozóicas, parcialmente
continentais. Pelo menos, em um
caso registrou-se a ocorrência de
Volume 1 (Geociências)
Fig. 3 — Seção transversal hipotética da bacia do Amazonas (C = Carboní-
fero, Cen = Cenozoico, D — Devoniano, K = Cretáceo, S = Siluriano) .
estratos paleozoicos fossilíferos sob
os sedimentitos cretáceos.
Integram a seqüência cenozoica
sedimentitos fossilíferos marinhos
correlacionáveis com a Formação
Pirabas, de idade miocênica, aflo-
rante na costa do Pará. O fato in-
dica que um trato dessa formação
geológica se acha aprofundado por
falha dentro da bacia de Marajó.
SÍNTESE
A evolução geológica do vale do
Amazonas, pode ser sintetizada,
tentativamente, do seguinte modo:
Formaram-se, em primeiro lu-
gar, os escudos Brasileiro e das
Guianas, que podem ter-se manti-
do unidos até o início do Paleo-
zóico.
No Siluriano, o sítio da atual
Bacia do Amazonas sofreu subsi-
dência, talvez acompanhada de fa-
Ihamento. transformando-se em
uma grande calha de direção qua-
se leste-oeste.
Ocupou-a, então o mar, talvez o
mesmo mar que invadiu a Bacia
do Parnaíba. É pouco provável,
mas não impossível, que também
mantivesse conexão a oeste com a
bacia andina.
Deu-se, após, a exondação da
Bacia do Amazonas que perdurou
até o início do Devoniano, quando
houve nova subsidência.
Com grande probabilidade, o
mar devoniano da Amazônia se
continuava na Bacia do Parnaíba
e, aparentemente, lígava-se, a
oeste, com a bacia andina. Entre
as rochas acumuladas figuram as
que geraram petróleo.
Após outro longo intervalo de
exondação, retornou o mar à Bacia
do Amazonas, no fim do Carboní-
fero. Sugerem os dados paleontoló-
gicos que êsse mar se estendia, por
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
um lado, à bacia do Parnaíba e,
pelo outro, ao Peru e Bolívia.
Foi a última ingressão marinha
no interior da Amazônia que pas-
sou ao regime continental.
Se 0 quadro paleogeográfico es-
boçado fôr correto, a presença na
Bacia do Acre apenas do terreno
carbonífero e a prática ausência
dos terrenos paleozóicos na Bacia
de Marajó devem-se à erosão.
A alternativa é a de a Bacia do
Amazonas ter-se comportado como
a única área subsidente até o fim
do Carbonífero, época em que o
mar ocupou as bacias do Acre e
Marajó.
Então os sítios das bacias do
Acre e Marajó ter-se-iam mantido
emersos, até o Carbonífero. No fim
do Paleozóico passaram ao regime
continental tôdas as bacias.
Os sedimentitos cretáceos das
bacias sedimentares, embora não
se possa estar muito certo disso no
caso do Acre, geraram-se de sedi-
mentação fluvial e lacustre. Pelo
menos uma parte dos rios dessa
época demandava o mar a leste,
num arremedo do futuro Amazo-
nas, a julgar pelas grandes espes-
suras dos sedimentitos cretáceos
deltáicos da Bacia de Marajó.
No fim do Mesozóico, os depó-
sitos do Geossinclíneo Andino so-
freram nova fase orogenética. Po-
de ter sido essa a causa do dobra-
mento das camadas basais do
Acre.
Após 0 clímax da orogênese an-
dina, no início do Terciário, for-
mou-se a vasta cobertura sedimen-
tar moderna da Amazônia, en-
quanto as falhas da fossa de Ma-
rajó se reativavam, aprofundando
sucessivos depósitos cenozóicos.
A drenagem que acumulou tais
aluviões deve ter sido muito simi-
lar à hodierna.
O atual Amazonas e seus tribu-
tários alargaram seus vales nesses
antigos depósitos fluviais e passa-
ram, por sua vez, a aluvionar na
imensidão das suas várzeas.
SUMÁRIO
A vasta bacia sedimentar brasi-
leira conhecida como Bacia do
Amazonas, cuja área é estimada
em cêrca de 1.250.000 km^, situa-se
entre dois grandes escudos sul-
-americanos, o Escudo das Guiana s
e 0 Escudo Brasileiro.
Constituem-na três diferentes
unidades: 1) uma bacia intracra-
tônica, que se estende da desem-
bocadura do Xingú até a região
ocidental do Estado do Amazonas,
onde os seus limites são ainda teó-
ricos; 2) uma bacia tectônica, si-
tuada a leste e conhecida como
bacia de Marajó; 3) a região oci-
dental que compreende o Estado
do Acre e parte do Estado do Ama-
zonas, integrante da extensa faixa
pericratônica que se interpõe entre
0 “crato” brasileiro e o Geossincli-
nio Andino.
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Volume 1 (Geociências)
9
A bacia intracratônica abrange,
além do que a literatura consigna
como Região Central, também a
parte média do Estado do Ama-
zonas.
Cada uma das divisões mencio-
nadas possui características dife-
rentes e diferente evolução geo-
lógica.
Sòmente na Região Central é
que se encontra a documentação
da história paleozóica da Amazô-
nia, uns 2.000 metros de espessura
de sedimentos.
O mar estêve aí presente, com
intervalos, no Siluriano, no Devo-
niano e no Carbonífero, não mais
retornando.
O caráter de sinclínio ideal com
eixo este-oeste da Região Central
tem sido pôsto em dúvida por al-
guns autores que acreditam ter
sido a bacia afetada por tectonismo
do tipo germânico, com fossas e
muralhas.
A Bacia de Marajó comporta
considerável espessura (cêrca de
4.000 metros) de sedimentitos mo-
dernos (Cretáceo-Cenoz-óico) , em
parte marinhos e, em parte, con-
tinentais, assentados, diretamente,
sôbre o Complexo Brasileiro. Ori-
ginou-se a referida bacia de falha-
mentos cretáceos, reativados no
cenozóico.
Na faixa pericratônica, aliás a
menos conhecida geologicamente,
os sedimentitos são também rela-
tivamente modernos e mostram do-
bramentcs que possivelmente refle-
tem influência do diastrofismo an-
dino.
O ponto de vista de que o vale
do Amazonas, durante o Terciário
drenava para oeste carece de base
geológica. A suposta ocorrência de
faunas salobras (Formação Pebas)
no Estado do Acre e um levanta-
mento tardio dos Andes foram
os argumentos que favoreceram
aquela teoria. Parece, entretanto,
que a exondação do vale deu-se há
muito tempo e que o mar apenas
penetrou parcialmente na região
Marajoara no decorrer do Terciá-
rio.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geocicncias): 11-34 — 1967
ESTUDOS PALEONTOLÓGICOS NA AMAZÔNIA
CARLOS DE PAULA-COUTO*
Museu Nacional, Rio de Janeiro, Guanabara
Dentro do plano de estudos re-
lacionados com a biota amazônica,
coube-nos a tarefa de resumir,
numa conferência, o que se co-
nhece a respeito da Paleontologia
da Amazônia.
Adotando o sistema de aprecia-
ção cronológica, fazemos uma
apresentação de caráter histórico
dos trabalhos que, direta ou indi-
retamente, se referem aos fósseis
da bacia amazônica. É verdade que
muitos trabalhos de ordem geoló-
gica foram omitidos, por se referi-
rem aos fósseis apenas como argu-
mentos de ordem estratigráfica
ou, mesmo, acidentalmente.
Longe de nós a pretensão de
têrmos realizado um relato com-
pleto, a tal respeito. Certos, porém,
estamos de que os pontos capitais
de tal histórico, por vêzes crítico,
não escaparam à nossa aprecia-
ção, desde os que concernem aos
trabalhos pioneiros, que datam da
segunda metade do século XIX,
até os relativos aos estudos mais
recentes.
Por sua própria natureza (con-
ferência), êste trabalho não pode-
ria fugir à concisão. Os que se in-
teressarem por informações deta-
lhadas, em relação a qualquer dos
tópicos, aqui tratados, poderão ob-
tê-la pela consulta das obras rela-
cionadas na bibliografia, assim co-
mo nas bibliografias citadas por
sua vez nos trabalhos indicados.
HISTÓRICO
Os primeiros trabalhos de coleta
paleontológica intencional e de ob-
servações geológicas na Amazônia
datam, como já dissemos, da se-
gunda metade do século XIX. Pa-
rece ter siáo o major engenheiro
João Martins da Silva o primeiro
a coletar fósseis na bacia, em 1863,
em sedimentos calcários, paleozói-
* Sob os auspícios do Conselho
Nacional de Pesquisas.
12
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
COS, do Carbonífero do baixo Ta-
pajós, a êle seguindo-se W. Chan-
dles, em 1865-66, a quem se deve
coleta de fósseis carboníferos (bra-
quiópodos), em Pedra do Barco,
zona do rio Parauari (Maué-assú)
(série Itaituba), e a citação de
restos de um reptil extinto (mo-
sassauro?) , da bacia do rio Acre ou
Aquiri, coletados por Agassiz.
Sob a direção de Louis Agassiz,
a Expedição Thayer, norte-ameri-
cana, de que participou, entre ou-
tros, Charles Frederick Hartt,
como geólogo, e a que se associou
o brasileiro Silva Coutinho, reali-
zou, em 1865-66, pesquisas geoló-
gicas importantes, na bacia ama-
zônica, de que resultaram conclu-
sões duvidosas e controvertidas sô-
bre a origem do vale respectivo, a
que Agassiz atribuiu origem gla-
cial. Esta expedição, organizada
principalmente por Nathaniel
Thayer, recebeu largo auxílio do
govêrno brasileiro e do imperador,
D. Pedro II.
Em 1867, James Orton, traba-
lhando em Pebas, no Peru, desco-
briu sedimentos cenozóicos, em que
coletou conchas fósseis, que foram
objeto de estudo de W. Gabb, em
1868.
O canadense Charles Frederick
Hartt, em 1870 e 1871, retornando
ao Brasil, explorou a Amazônia, à
frente de duas expedições norte-
-americanas (expedições Morgan),
de cujos trabalhos resultaram es-
clarecimentos muito mais funda-
mentais para a geologia regional
do que os conhecimentos advindos
da expedição Thayer, com a iden-
tificação de terrenos do Devoniano
e Carbonífero (calcáreo), no vale
do Tapajós (vizinhanças de Itai-
tuba. Bom Jardim), e do Devo-
niano e Cretáceo, na zona da cha-
pada da Serra do Ererê, margem
esquerda do Amazonas, Pará.
Com a expedição Morgan ds
1870 vieram também os então jo-
vens Orville Adalbert Derby, Her-
bert Huntington Smith, T. B.
Comstock e W. S. Bamard, alunos
de Hartt, os quais tiveram atuação
brilhante, nos trabalhos realiza-
dos pela mesma. Derby foi o único
a voltar, com Hartt, na expedição
de 1871.
Os terrenos carboníferos do
vale do Tapajós pertencem à série
Itaituba, assim designada por
Hartt, em 1874, constituída por
calcáreo fossilífero, folhelho, are-
nitos e leitos de gipsita. Seus aflo-
ramentos mais conhecidos situam-
-se no vale dos rios Tapajós (Pa-
redão, Bom Jardim, Itaituba e
Monte Cristo) e Trombetas, no
Pará, e dos rios Parauari, Urupadi
e Uatumã, no Amazonas. Seus se-
dimentos apresentam leve mergu-
lho na direção do geosinclinal ama-
zônico.
Fósseis vegetais, braquiópodos,
corais, crinóides, equinóides, os-
tracóides, moluscos (lamelibrân-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
13
quios), trilobitas, escamas de pei-
xes ganóides, do Paleozoico, foram,
então, coletados pelos membros da
expedição Morgan, tendo sido os
braquiópodos do arenito devoniano
do Ererê descritos por Richard
Rathbun, em 1874 e 1878, e os do
calcáreo carbonífero do Tapajós,
por Orville A. Derby, em 1874,
Rathbun descreveu, sob a direção
de Hartt, em 1875, os trilobitas e
os moluscos devonianos. As plantas
fósseis das proximidades de Itai-
tuba foram entregues a W. Daw-
son, para estudo. A Rathbun de-
vem-se as primeiras descrições dos
fósseis devonianos da Amazônia.
Em 1871, T. A. Conrad e Henry
Woodward publicaram estudos so-
bre conchas fósseis, coletadas por
Hauxwell, em Pebas, Peru, o pri-
meiro citado tendo descrito novas
coleções de moluscos, feitas por
Steere, na mesma localidade.
Com a criação, em 1875, da Co-
missão Geológica do Império, diri-
gida por Hartt e, infelizmente, de
curta duração, importantes inves-
tigações geológicas foram realiza-
das na Amazônia por geólogos de
seus quadros, como sejam Herbert
H. Smith, Orville A. Derby, antigos
partícipes das expedições Morgan,
e Francisco José de Freitas, deven-
do-se ao primeiro citado a desco-
berta da faixa setentrional do Car-
bonífero regional e aos outros dois
a identificação de terrenos siluria-
nos, na região do rio Trombetas,
em 1876, com larga coleção paleon-
tológica, em que se incluem es-
ponjas, braquiópodos, lamelibrân-
quios e cefalópodos, estudados por
J. M. Clarke (1897-99), com revisão
de Carlota Joaquina Maury (1929) .
Em 1876, Derby coletou, em fo-
lhelhos silurianos, neríticos, da
série Trombetas, que participa do
geosinclinal amazônico, copiosa
quantidade de fósseis invertebra-
dos, marinhos, dos grupos dos es-
pongiários, braquiópodos, molus-
cos, pterópodos e ostracóides, que
foram descritos, mais tarde, por
Clarke e C. J. Maury, como já foi
dito, acima.
Gigantesco crocodilo fóssil (Di-
nosuchus terror), conhecido por
restos esparsos, procedentes do alto
Amazonas, foi descrito, em 1876,
por Paul Gervais. O horizonte, de
que procede, juntamente com um
roedor de tamanho avantajado,
está na base ou próximo da base
das “Brown beds” (Formação Rio
Branco), de Singewald. A deposi-
ção da série teria começado nos
tempos do Mioceno superior.
A descoberta em 1876, do cal-
cáreo marinho, terciário, do litoral
do Pará, pertencente à hoje deno-
minada Formação Pirabas, deve-se
ao mineiro Domingos Ferreira
Pena, naturalista viajante do Mu-
seu Nacional, radicado no Pará
desde 1858, quem coletou restos
fósseis de moluscos, naquele cal-
cáreo, os quais foram descritos por
14
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Charles A. White, em 1887, e por
êle atribuídos ao Cretáceo (hoje
considerados como do Mioceno in-
ferior). A Ferreira Pena devem-se,
outrossim, valiosas informações
sôbre as condições geográficas e
sôbre a geologia da Amazônia, que
foram muito úteis a outros espe-
cialistas que ali trabalharam. In-
felizmente, grande parte do mate-
rial e observações geo-paleontoló-
gicos, resultantes de suas extensas
excursões, foi perdida.
Ferreira Pena foi o fundador da
Sociedade Filomática Paraense, em
1866, germe do Museu Paraense
cuja organização científica, pro-
movida por Emílio Goeldi, proces-
sou-se em 1894, sob os auspícios do
Estado, na pessoa do governador,
Dr. Lauro Sodré.
Boettger, em 1878, descreveu pei-
xes e moluscos fôsseis do Terciário
de Pebas. E. Etheridge, em 1879,
estudou material paleontológico da
mesma formação, coletado por C.
Barrington nas barrancas dos rios
Solimões e Javari.
Em 1883, W. Dawson deu a co-
nhecer o resultado de seus estudos
sôbre os vegetais fósseis, carboní-
feros, coletados pela Comissão Geo-
lógica do Império, nas regiões
dos rios Trombetas (folhelhos)
e Cururú (arenito), tendo os fós-
seis silurianos, resultantes dos tra-
balhos da mesma Comissão, sido
descritos, em 1899, por J. M.
Clarke quem também descreveu.
em 1896 e 1899, respectivamente,
os trilobitas devonianos da região
do Ererê e Maecurú e os moluscos
fósseis, devonianos, resultantes
das expedições Morgan.
K. von Kraatz-Koschlan (1899)
coletou grande quantidade de fós-
seis, principalmente moluscos, per-
tencentes à Formação Pirabas, na
ilha de Fortaleza, atribuindo, com
dúvidas, a répteis os ossos de ver-
tebrados (provàvelmente sirênios) ,
também ali colhidos, e consideran-
do a formação como cretácea, no
que foi corroborado por Katzer
(1903), quem a colocou no Cretá-
ceo superior.
Êstes pioneiros lançaram os
fundamentos da geologia e da pa-
leontologia da Amazônia, que ser-
viriam de base aos pesquisadores
posteriores, para a ampliação
dêstes conhecimentos. O progresso
feito, de então para cá, neste
campo, foi relativamente grande, a
despeito das dificuldades naturais
da região, coberta por mata vir-
gem, densa, muito desfavoráveis a
pesquisas de campo desta natu-
reza.
Ao explorar a região do vale do
alto Amazonas (Solimões), em
1886, entre o rio Nanai e a pequena
localidade de Lorêto (então pe-
ruana, hoje colombiana), Barbosa
Rodrigues, segundo publicou em
1892, coletou restos fósseis de ver-
tebrados, por êle atribuídos a uma
tartaruga gigante. Os ossos frag-
Volume 1 (Geociências)
15
mentários procedem de uma ca-
mada de argila cinzenta, exposta
numa barranca da margem es-
querda do rio Solimões, na locali-
dade de Lorêto-Yacu, algumas mi-
lhas a oeste de Lorêto.
A descoberta de restos fósseis de
mastodontes e megatérios, pelo
menos, na região do Acre, data dos
primeiros tempos da colonização
da região, pois informa Simpson
(notas de campo) que velhos pio-
neiros, em Cruzeiro do Sul, se re-
cordam de que alguns fósseis fo-
ram coletados ali pelo menos em
1903.
De 1903 data a publicação, em
alemão, de obra de Katzer sôbre a
geologia do baixo Amazonas, com
o primeiro mapa geológico do es-
tado do Pará. Êste trabalho, ver-
tido para o português pelo frei
Hugo Mense, por iniciativa de Dio-
nísio Bentes e Crespo de Castro,
foi publicado no vernáculo, em
1933, pelo Museu Paraense Emílio
Goeldi, em seu Boletim. Nêle des-
creveu Katzer celenterados, equi-
nodermas, briozoários, braquiópo-
dos, moluscos e crustáceos carbo-
níferos, que coletou na bacia do
Tapajós.
Teixeira da Costa, em 1903, co-
letou restos fósseis de mamíferos
do Pleistoceno (mastodontes, to-
xodontes, pelo menos) na região
do alto Juruá, estando parte, pelo
menos, de sua coleção recolhida ao
Museu Goeldi.
J. Bach, em 1904 (e, possivel-
mente, 1907), fêz coleções paleon-
tológicas no Acre para o Museu
Goeldi, onde ainda se encontram
alguns dos espécimes respectivos,
que foram por nós descritos (Paula
Couto, 1956; Simpson & Paula
Couto, 1957).
Com a criação do Serviço Geoló-
gico e Mineralógico do Brasil, em
1907 (Decreto n.° 6.323, de 10 de
janeiro de 1907), sob a direção de
Orville A. Derby, a geologia do
Brasil tomou grande impulso, no
que toca a seu estudo que passou a
ser feito sistematicamente.
Geólogo assistente da Comissão
Geológica do Império, a convite de
Hartt, Derby resolveu fixar-se no
Brasil, após a extinção da Comis-
são e a morte de Hartt, para ga-
rantir a salvaguarda de suas cole-
ções, transferidas para o Museu
Nacional, cuja Seção de Geologia
chefiou, de 1879 a 1890, tendo
ocupado, também concomitante-
mente, a partir de 1886 até 1905,
a direção da Comissão Geográfica
e Geológica de São Paulo.
Muito embora não tivesse, desde
então, voltado à Amazônia, Derby
foi, como já vimos, um dos pio-
neiros em sua exploração geopa-
leontológica, tendo o Museu Pa-
raense publicado, em seu Boletim,
em 1898, a parte inédita de seus
trabalhos sôbre a Amazônia, in-
cluindo também trabalhos de
Hartt e H. Smith.
16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Dilg (1909) fêz menção a restos
fósseis dum sirênio, coletados por
naturalistas do Museu Paraense
numa formação calcárea (provà-
velmente Pirabas) do estado do
Pará, atribuindo-o ao Plioceno e
denominando-o Trachypleurothe-
rium, nome nulo, por carecer de
definição e ilustração.
Hans Baumann realizou, no
mesmo ano, nova coleta de fósseis
na Formação Pirabas, Pará, que
foram enviados a Maury, junta-
mente com material fossilífero do
Piauí e Maranhão, cuja descrição
foi publicada em 1924, tendo sido
o calcáreo de Pirabas correlacio-
nado, então, por mistura de cole-
ções, com a Formação Maria Fa-
rinha, segundo observou Paulo
Erichsen de Oliveira, correlação
esta, portanto, inválida.
André Goeldi, em 1910, citou a
ocorrência de calcáreo fossilífero
da Formação Pirabas na Estação
Agronômica de Peixe-Boi, Pará.
G. Gurich, em 1912, descreveu
restos fósseis dum crocodilídeo, co-
letados na região do rio Purús,
Acre.
Luiz Felipe Gonzaga de Campos,
sucessor de Derby, no Serviço
Geológico, em 1915, e Euzébio
Paulo de Oliveira, seu substituto,
em 1925, não descuraram dos es-
tudos geológicos da Amazônia, de-
signando geólogos, para prospec-
ção na área respectiva. Assim, em
1918-1919, Odorico Rodrigues de
Albuquerque, catedrático de Geo-
logia na Escola de Minas de Ouro
Prêto, comissionado pelo Serviço,
fêz o levantamento geológico da
faixa norte do rio Amazonas,
abrangendo a área dos rios Urubú,
Uatuman, Jatapú, Trombetas, Ere-
pecurú e Curuá de Alenquer, seus
afluentes pela margem esquerda.
Na base da cachoeira Vira Mundo,
coletou restos fósseis de vermes e
graptólitos, em folhelhos sílico-ar-
gilosos, provavelmente silurianos,
tendo os graptólitos sido descritos
por Ruedman, em 1929, na Mono-
grafia VII do mesmo Serviço.
Arenitos quartzosos, de granu-
lação muito fina, coletados ao pé
duma cascata do rio Maecurú, por
João Coelho, contêm espículas de
esponjas e pequenos fragmentos
de graptólitos.
Gonzaga de Campos explorou,
em 1913, a região compreendida
entre os rios Parauari e Madeira,
com 0 propósito de verificar a ocor-
rência de jazidas de carvão mine-
ral, tendo feito boa coleta de fós-
seis carboníferos, em Pedra do
Barco e em outras localidades,
entre as quais Benta de Cima. Se-
guiu-se-lhe, em prospecção na
mesma área, Avelino Ignácio de
Oliveira quem, no ano de 1918, ex-
plorou os jazigos fossilíferos de
Banta de Cima e de Baixo, Pedra
do Barco, Pederneira e Casa da Pe-
dra, onde coletou, em folhelhos
negros, argilosos, do Carboní-
Volume 1 (Geociências)
17
fero, muitos espécimes de bra-
quiópodos fósseis, que foram
enviados para o Serviço Geológico,
entre 1918 e 1920.
Paulino Franco de Carvalho, em
trabalho de reconhecimento geo-
lógico, realizado em 1919, entre
Maracanã, Pirabas e Estação Ex-
perimental, na E. F. de Bragança,
Pará, fêz boa coleta de fósseis in-
vertebrados, no calcáreo de Pirabas
e regiões do rio Pirabas, Axindema,
Ponta de Pirabas, Fazenda da For-
taleza, Pilões, Salinópolis e Esta-
ção Experimental. Os fósseis (mo-
luscos, briozoários e antozoários)
foram descritos por Maury, em
1924, por quem o horizonte geoló-
gico respectivo foi atribuído ao
Mioceno inferior, modificando opi-
niões anteriores, que o colocavam
no Cretáceo.
O mesmo geólogo, explorando os
depósitos fossilíferos do Tapajós,
em 1920-21, fêz rica coleta de fós-
seis carboníferos em Santana,
Monte Cristo, Bom Jardim e Pare-
dão (série Itaituba), estado do
Pará.
Mathias Gonçalves de Oliveira
Roxo descreveu, em 1921, restos
fósseis de um mamífero do grupo
dos toxodontes, atribuindo-os a
uma nova espécie de Toxodon. Os
restos procedem do Plioceno ou
Pleistoceno do Acre.
Mook, em 1921, propôs um nôvo
gênero de crocodilídeo, para restos
fósseis dum indivíduo de grande
tamanho, procedentes do Acre
(Pleistoceno?).
No mesmo ano, Avelino Ignácio
de Oliveira realizou observações
geológicas na região compreendida
entre os rios Maués e Tapajós,
zona limítrofe entre os estados do
Amazonas e Pará.
Em 1924, o Serviço Geológico e
Mineralógico do Brasil deu à pu-
blicidade sua monografia n.° 4, de
autoria de Maury, com a descrição
das coleções de moluscos fósseis do
Mioceno inferior da Formação Pi-
rabas, resultantes de coletas fei-
tas, no Pará, por Paulino Franco
de Carvalho, em 1919, e por outros
geólogos, em anos anteriores.
Mathias Gonçalves de Oliveira
Roxo, estudando as coleções de
moluscos fósseis, feitas em Três
Unidos, margem peruana do Ja-
vari, e Tracoás, cachoeira do rio
Quixito, por Avelino Ignácio de
Oliveira e Paulino Franco de Car-
valho, em 1919, identificou, em
1924, diversas espécies de moluscos
de água doce, salobra ou marinha,
entre lamelibrânquios e gasteró-
podos, assim como peixes. A fauna
em questão é tida como perten-
cente à Formação Pebas, de idade
controvertida entre o Terciário su-
perior e o Recente.
Miranda Ribeiro, em 1927, refe-
riu ao gênero Carolibergia Merce-
rat, na convicção de revalidar o
dito gênero, a parte posterior de
um crânio de Toxodon Owen, pro-
18
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cedente do Acre e recolhido ao Mu-
seu Nacional. Maury (1929) deu-
-nos a conhecer graptólitos do si-
luriano do rio Trombetas.
Kraglievich (1930) refutou a rei-
vindicação de Carolibergia, feita
por Miranda Ribeiro, propondo, ao
mesmo tempo, um nôvo gênero de
toxodontídeo para o fragmento
mandibular, procedente do Plio-
ceno ou Pleistoceno do alto Juruá,
Acre, que Roxo atribuira a Toxo-
don, de que voltou a tratar, em
1931.
Em 1933, Cowper Reed deu à pu-
blicidade seu trabalho a respeito
dos fósseis do Carbonífero da re-
gião do rio Urupadi, ainda resul-
tantes das coletas ali feitas, em
1919, por Avelino Ignácio de Oli-
veira e Paulino Franco de Carva-
lho.
Os braquiópodos fósseis, coleta-
dos pelos mesmos geólogos, num
calcáreo carbonífero da área do rio
Urupadi, que nasce nas vizinhanças
ocidentais do médio Tapajós e de-
ságua no Maué-assú, afluente do
Madeira, ao sul da cidade de
Maués, no Amazonas, foram des-
critos por Aristómenes Duarte, em
1938, quem identificou copiosa
fauna de braquiópodos.
A coleção, feita pelos mesmos
geólogos, no vale do Parauari, em
1918, foi também objeto de estudo,
por parte de Aristómenes Duarte,
em 1938, quem identificou 22 es-
pécies de braquiópodos carbonífe-
ros, muitas delas também presen-
tes no Carbonífero do Urupadi.
O Serviço de Fomento da Pro-
dução Mineral, interessado em
pesquisas de petróleo, na Amazô-
nia, fêz realizar diversas sonda-
gens no Acre, entre 1933 e 1939,
disso encarregando os geólogos
Victor Oppenheim e Pedro de
Moura, os quais, entre 1935 e 1936,
executaram, ali, trabalhos de pros-
pecção que muito contribuíram
para o conhecimento da geologia
daquela região, com ótimas coletas
paleontológicas, cujo material foi
estudado pelos seguintes especia-
listas :
Mathias Gonçalves de Oliveira
Roxo, em 1936, quem identificou
os restos fósseis de vertebrados
cuja idade geológica oscila entre o
Plioceno e o Pleistoceno (vide
Paula Couto, 1956) ;
Paulo Erichsen de Oliveira, tam-
bém em 1936, descreveu um bra-
quiópodo fóssil do Carbonífero do
rio Môa;
Edward Wilber Berry, em 1937,
deu a conhecer plantas fósseis do
Terciário superior;
Carlota Joaquina Maury, no
mesmo ano, descreveu moluscos e
plantas terciários.
Mathias Roxo, em 1935, depois
de fazer um estudo revisório do
material coletado por Avelino
Ignácio de Oliveira e Paulino
Franco de Carvalho, em 1919, e
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Volume 1 (Geociências)
19
por êle próprio, em 1928, no Soli-
mões, atribuiu oito dos gêneros de
moluscos fósseis de Pebas a ambi-
ente marinho, embora alguns com
dúvida, sete a habitat de água
doce, um de água salobra e doce,
três como comuns aos três ambi-
entes ecológicos já considerados e
cinco a habitat duvidoso, sendo o
respectivo material fóssil de diver-
sas procedências geográficas, na
região (argilas cinzentas ou cinza-
-azuladas, plásticas, ao longo do
Solimões; argilas de grão mais
fino, muito arenosas e de colora-
ção mais escura, pouco plásticas,
nas regiões do Içá e Quixito; con-
glomerado duro da cachoeira Tra-
coás, rio Quixito).
Em 1935-36, Pedro de Moura e
A. Wanderley coletaram, na bacia
do alto-Juruá e localidades de
Pôrto Peter, Profeta e rio Jesu-
mira. Acre, restos fósseis de mo-
luscos de água doce ou salobra,
muito afins com os da fauna plio-
cênica do Solimões, no Peru. Êstes
fósseis foram descritos por Maury,
em 1937.
E. W. Berry, recebendo de Maury
as plantas angiospermas, fósseis,
participantes da mesma coleção,
descreveu-as, em 1937, atribuindo-
-as ao Plioceno. Procedem elas de
argilas plásticas, pardacentas, do
rio Amônea e Pôrto Peter.
Bryan Patterson (1936), num
sumário sôbre os crocodilos do
Pleistoceno argentino, teceu con-
siderações sôbre restos fósseis do
mesmo grupo, procedentes da ba-
cia do Purús, identificando como
tal 0 duvidoso Purussaurus de Bar-
boza Rodrigues.
Leonard Greve deu-nos a conhe-
cer, em 1937, nôvo material pale-
ontológico de moluscos da Forma-
ção Pebas, procedente de Iquitos,
Peru. Êste seu trabalho torna evi-
dente a necessidade de um estudo
revisório da sistemática do mate-
rial brasileiro da mesma forma-
ção.
Miranda Ribeiro, em 1938, des-
creveu nôvo gênero e espécie de
cetáceo odontoceto, da familia da
atual Inia, o bôto ou golfinho do
Amazonas e Orenoco, baseado num
dente fóssil, coletado por Pedro de
Moura, nas areias das barrancas
do rio Juruá.
Na década dos 40, as prospecções
geológicas, na Amazônia, embora
não tenham sofrido, pràticamente,
solução de continuidade, trouxe-
ram aportes pouco significativos
aos conhecimentos paleontológicos
regionais.
Friedrich F. von Huene (1944)
identificou, entre os restos fósseis,
coletados por Barboza Rodrigues,
em 1866 (vide acima), em Loreto-
Yacu, alto Solimões, um úmero di-
reito, que atribuiu, erroneamente,
a um reptil anomodonte, triássico.
No mesmo ano, Paula Couto des-
creveu um nôvo toxodonte do ce-
nozóico do Acre.
20
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Deve-se destacar, aqui, o traba-
lho que 0 Conselho Nacional do
Petróleo, em cooperação com o De-
partamento de Geologia e Paleon-
tologia da Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras da Universidade
de São Paulo, iniciou em 1948, na
Amazónia. Naquele ano, Kenneth
E. Caster, ex-diretor daquele De-
partamento, realizou boa coleta de
fósseis paleozóicos no baixo Ama-
zonas.
Josué Camargo Mendes, do
mesmo Departamento, pesquisou,
com auxilio daquele Conselho, em
1951-52, o vale do Tapajós, com
bom rendimento paleontológico,
sôbre cujas coleções publicou tra-
balhos descritivos, concernentes a
braquiópodos carboníferos da série
Itaituba (1956-57).
Sommer, em 1951, revendo mi-
crofósseis do folhelho Barreirinha,
do baixo Tapajós, entre Pauinim e
Barreirinha, estado do Pará, con-
cluiu pela presença de Protosalvi-
nia e Tasmanites naqueles folhe-
lhos, constatando, outrossim, pela
primeira vez, a ocorrência de qui-
tinozoários nos mesmos folhelhos.
Examinando material de micro-
fósseis, coletado no folhelho em
aprêço, no ano de 1926, por Ave-
lino Ignácio de Oliveira e Pedro de
Moura, e lhe remetido por Sommer,
Frederico Waldemar Lange descre-
veu, em 1952, diversos quitinozoá-
rios fósseis, atribuídos ao Devo-
niano.
A Setembrino Petri deve-se, a
partir de 1952, uma série de valio-
sos trabalhos sôbre microfósseis
(foraminíferos) da Amazônia, a
maioria dêles do Carbonífero, al-
guns do Mioceno inferior de Pi-
rabas.
Entre êstes, destacamos sua im-
portante monografia sôbre fora-
miníferos fósseis da bacia de Ma-
rajó (1954), em que são descritos
foraminíferos, separados de teste-
munhos de sondagem e amostras de
calha de sondagem do Conselho
Nacional de Petróleo, no vale do
rio Cururú, ilha de Marajó, em pa-
cote de sedimentos que chega a
mais de 4.000 metros de espessura,
depositados numa fossa. A seqüên-
cia estratigráfica inclui foraminí-
feros do Cretáceo, na parte infe-
rior, e do Eoceno e Mioceno, na
parte superior. Depois de discutir
a estratigrafia da sondagem de
Cururú e as correlações dos sedi-
mentos dos diversos poços, perfu-
rados em Marajó, Petri fêz exaus-
tivo estudo descritivo e sistemático
dos foraminíferos fósseis, dali pro-
cedentes. No furo de sondagem,
executado em Cururú, foram atra-
vessados, entre 4.040 e 3.507 me-
tros de profundidade, folhelhos e
siltitos, cortados por intrusão de
diabásio e atribuídos ao Cretáceo,
pelo menos. A 657 metros acima
dêstes sedimentos, camadas areno-
sas, contendo algas fósseis, foram
consideradas, duvidosamente, como
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Volume 1 (Geociências)
21
cretáceas. 830 metros de folhelho
negro, com foraminíferos que
Petri atribui ao Eoceno, assentam
sôbre aquêles sedimentos arenosos.
Seguem-se 328 metros de silt e ar-
gila, de idade ignorada, sotopostos
a 952 metros de sedimentos mari-
nhos, provàvelmente miocênicos,
aos quais se sobrepõem 495 metros
de sedimentos, ricos em restos fós-
seis vegetais e carvão. Os sedimen-
tos de cobertura, numa espessura
de 245 metros, são do Pleistoceno
e Recente.
Petri, em 1952, e H. Dresser, em
1954, baseados nos fusulinídeos e
braquiópodos fósseis, respectiva-
mente, da série Itaituba, conclui-
ram por situá-la no Carbonífero
superior, mais precisamente, no
Pensilvaniano médio. Petri, ainda
em 1952, descreveu braquiópodos
fósseis de um testemunho de son-
dagem de Nova Olinda, no Ama-
zonas.
Paula Couto, em 1956, publicou
um trabalho revisório, completo,
sôbre os mamíferos fósseis do Ce-
nozóíco da Amazônia, em que re-
descreveu, em ordem sistemática,
os roedores, cetáceos, desdentados,
notoungulados, proboscídeos e si-
rênios fósseis, distribuídos por di-
versas épocas do Cenozóico, a par-
tir do Mioceno ao Pleistoceno e
procedentes do Acre. Fêz, outros-
sim, uma tentativa de correlação
estratigráfica entre os sedimentos
respectivos e os de outros pontos
do continente sul-americano, de
idade geológica já estabelecida.
Em 1956, a “Expedição Geoló-
gica-Paleontológica do alto Rio
Juruá””, sob os auspícios do Ins-
tituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia, com a colaboração do
“American Museum of Natural
History”, de New York, do Museu
Paraense Emílio Goeldi, Belém do
Pará, e do Departamento Nacional
da Produção Mineral, Rio de Ja-
neiro, realizou trabalhos prospec-
tivos e de coleta, em grande es-
cala, nos meses de junho a setem-
bro, na região do alto Juruá, Acre.
De tal expedição participaram,
como paleontólogos, Llewellyn Ivor
Price, da Divisão de Geologia e
Mineralogia do Departamento Na-
cional da Produção Mineral, e
George Gaylord Simpson, do “Ame-
rican Museum”, com os auxiliares
George Whitaker, também do úl-
timo citado museu, e David Bar-
dack, da Columbia University,
New York, e, como ornitólogo, Fer-
nando da Costa Novaes, auxiliado
por Miguel Moreira, ambos do Mu-
seu Goeldi.
A expedição percorreu cêrca de
220 km, em linha reta, no vale do
rio Juruá, de Cruzeiro do Sul até
a foz do rio Breu (limite com o
Peru), tendo sido o trecho, com-
preendido entre Taumaturgo e a
foz do rio Breu, percorrido pela
calha do rio Juruá, numa distância
de, aproximadamente, 180 km; 30
22
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
novas localidades fossilíferas e 3
antigas foram trabalhadas, sendo
coletados restos fósseis de verte-
brados (peixes, répteis e mamí-
feros) de diversas épocas do Ceno-
zóico, compreendidas entre o Mio-
ceno e o Pleistoceno, inclusive, com
determinação da extensão das ro-
chas terciárias na área examinada.
Os restos de peixes (dentes, pla-
cas dentárias e vértebras, princi-
palmente) foram entregues a Ru-
bens da Silva Santos, da Divisão de
Geologia e Mineralogia do
D.N.P.M., para estudo e descrição,
salientando-se, entre êles, placas
dentárias de um predecessor de
grande porte do gênero Lepidosi-
ren ou afim, cuja presença é regis-
trada pela primeira vez nos arqui-
vos paleontológicos brasileiros.
Entre os fósseis reptilianos, pre-
dominam os restos de quelônios,
entre os quais se acham carapaças
das maiores tartarugas de água
doce, conhecidas (1,65 m de com-
primento, somente a carapaça) ,
seguidos de perto pelos de croco-
dilídeos, todos também de tamanho
gigantesco, destacando-se um crâ-
nio de 1,30 m de comprimento, o
primeiro crânio fóssil, completo, de
crocodilídeo, descoberto na Ama-
zônia brasileira e um dos mais per-
feitos da América do Sul. O estudo
dêste material está a cargo de
Llewellyn Ivor Price, da mesma Di-
visão de Geologia e Mineralogia.
As coleções paleontológicas de
mamíferos, que incluem, segundo
Simpson, cêrca de 22 espécies cujo
tamanho varia entre o de minús-
culos roedores até o dos gigantes-
cos megatérios e mastodontes, re-
presentados, na maioria, por den-
tes, principalmente os roedores e
toxodontídeos, nos foram confiadas
pelo “American Museum of Natu-
ral History”, por iniciativa de
Simpson, de quem recebemos tam-
bém tôdas suas notas de campo,
para estudo e descrição. Os grupos
representados são os dos notoun-
gulados toxodontídeos (Mioceno ao
Pleistoceno), perissodáctilos tapi-
rídeos (Pleistoceno) , artiodáctilos
cervídeos (Pleistoceno) , proboscí-
deos mastodontinos (Pleistoceno),
sirênios (Pleistoceno?), desdenta-
dos (gliptodontes, tatus pequenos e
gigantes, megatérios e megalóni-
ces, todos provàvelmente pleisto-
cênicos) e roedores (talvez também
pleistocênicos, pelo menos em
parte) .
É-nos grato salientar que o in-
terêsse de Simpson, em explorar a
região em aprêço, foi despertado
ou, pelo menos, aguçado por uma
comunicação que fizemos ante a
Academia Brasileira de Ciências,
em 1953, em sessão que contou com
sua presença, sôbre os mamíferos
fósseis do Cenozóico da Amazônia.
De 1956 data o início das ativi-
dades de campo de Cândido Simões
Ferreira, do Museu Nacional, com
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23
auxílio do Museu Goeldi e do Con-
selho Nacional de Pesquisas, nos
afloramentos da Formação Pira-
bas, Pará, com a coleta de copioso
material paleontológico do Mio-
ceno inferior, distribuído pelos se-
guintes grupos: Cnidaria, Arthro-
poda (Crustacea), Mollusca (Gas-
teropoda, Scaphopoda, Pelecypoda
e Cephalopoda) , Bryozoa, Echino-
dermata e Vertebrata (Pisces e
Mammalia-Sirenia) , além de ma-
terial paleobotànico, fósseis êstes
confiados a diversos especialistas,
para estudo.
Sob 0 título geral de “Contribui-
ção à Paleontologia do Estado do
Pará”, uma série de trabalhos so-
bre os fósseis da Formação Pirabas,
resultantes de tais coletas, já foi
publicada, a partir de 1952 (Setem-
brino Petri, a respeito dos forami-
níferos) até hoje, como veremos,
adiante.
Josué Camargo Mendes descre-
veu, em 1956, braquiópodos do
grupo Spiriferacea, procedentes da
série Itaituba, vale do rio Tapa-
jós, Pará. A idade é Carbonífero
superior, isto é, Pensilvaniano mé-
dio, provàvelmente, tendo em vista
a cronologia estabelecida por Petri
(1952), para a série Itaituba, com
base nos respectivos fusulinídeos
fósseis, como já vimos.
Llewellyn Ivor Price (1956) de-
monstrou que o úmero, coletado
por Barboza Rodrigues, em 1866,
em Loreto-Yacu, alto Solimões, e
atribuído por Huene, em 1944, a
um reptil anomodonte, triássico,
pertence, de fato, a um mamífero
do grupo Edentata-Xenarthra.
Em 1956, Amaro Barcia e An-
drade e Omir Fontoura, ambos do
Museu Nacional, explorando o cal-
cário carbonífero de Pedreira do
Barro, no rio Parauari, estado do
Amazonas, fizeram boa coleta pa-
leontológica, inclusive de restos de
peixes ctenacantideos.
De 1957 datam três trabalhos de
Cândido Simões Ferreira & Osval-
do Rodrigues da Cunha sôbre mo-
luscos fósseis (gasterópodos e es-
cafópodos), um de Setembrino
Petri, a respeito de foraminíferos,
e um de Maria Martha Barbosa,
concernente a briozoários da For-
mação Pirabas, assim como uma
monografia de Simpson & Paula
Couto sôbre os mastodontes do
Brasil, com extensas referências à
região amazônica. Josué Camargo
Mendes sintetizou, no mesmo ano,
o estado dos conhecimentos geoló-
gicos da bacia sedimentar amazô-
nica até aquêle ano, com breve su-
mário a respeito da geologia geral,
tectônica e estratigrafia, de inte-
rêsse para a paleontologia, além de
um resumo histórico das pesqui-
sas respectivas.
Em 1958, Maria Martha Bar-
bosa, Karl Beurlen, Paulo Erich-
sen de Oliveira, Cândido Simões
Ferreira & Osvaldo Rodrigues da
Cunha e Maria Eugênia Marque-
24
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
sini dos Santos publicaram traba-
lhos descritivos de moluscos, crus-
táceos, moluscos cefalópodos, mo-
luscos pelecípodos e equinóides da
Formação Pirabas, respectivamen-
te. Josué Camargo Mendes descre-
veu, em importante monografia,
braquiópodos fósseis do Carboní-
fero de oito localidades do vale do
rio Tapajós (republicada em 1959) ,
com apresentação de gêneros e es-
pécies novos e tentativa de correla-
ção entre a série Itaituba, do Pará,
e a formação Piauí, do Piauí e Ma-
ranhão.
Também de 1958 é a revisão do
mesmo autor sôbre braquiópodos
pensilvanianos da mesma forma-
ção Itaituba que opina ser, provà-
velmente, correlatável com o Pen-
silvaniano médio do Peru (fauna
Tarma) e ser sua fauna ancestral
da fauna Copacabana, do Peru e
Bolívia.
Petri, em 1958, colhendo mate-
rial de testemunhos de sondagem,
realizada pelo Conselho Nacional
de Petróleo, em Alter do Chão e
Nova Olinda, Pará e Amazonas,
respectivamente, identificou, nos
testemunhos colhidos entre 1.360 e
2.600 metros de profundidade, res-
tos fósseis de braquiópodos, mo-
luscos, crinóides, crustáceos e fo-
raminíferos e, na profundidade de
2.132 a 2.166 m, zona de evapori-
tos, identificou dois fusulinídeos
fósseis. A predominância dos bra-
quiópodos, aliada a seu pequeno
tamanho, e a presença de briozoá-
rios, entroclas de crinóides, fusu-
linídeos e gasterópodos levaram-
-no a concluir que os sedimentos
correspondem a um ambiente ma-
rinho, de salinidade pouco maior
que a normal e de bacia fechada.
Os crustáceos fósseis, descritos
por Karl Beurlen, em 1958, foram
obtidos por F. Ackermann em lei-
tos calcários, intercalados, às
vêzes, por camadas de sedimentos
argilo-arenosos, da Formação Pi-
rabas, município de Capanema,
Pará.
As faunas de crustáceos bra-
quiuros do Terciário centro-ame-
ricano e paraense representam, se-
gundo Beurlen, uma unidade zoo-
geográfica típica, que mostra afi-
nidades com a região pacífica da
Califórnia, México e Equador.
Em 1959, Cândido Simões Fer-
reira & Osvaldo Rodrigues da
Cunha publicaram o resultado de
seus estudos sôbre os moluscos pe-
lecípodos, fósseis, da Formação Pi-
rabas, Pará, revendo antigas des-
crições e apresentando novas espé-
cies fósseis. Maria Martha Barbosa
apresentou-nos um estudo a res-
peito de um nôvo briozoário da
mesma formação, também do
Pará. Llewellyn Ivor Price, ainda
em 1959, deu-nos a conhecer a pre-
sença de fósseis de dinossauros
carnívoros (Theropoda) , mesozói-
cos, testemunhada por dentes, iso-
lados duma amostra de sondagem
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25
do Conselho Nacional de Petróleo,
em Nova Olinda, Amazonas, em se-
dimentos talvez cretáceos, situa-
dos na profundidade de 170 me-
tros.
Continuando seus estudos sôbre
os moluscos fósseis da Formação
Pirabas, no Pará, Cândido Simões
Ferreira fêz, em 1960, uma revisão
da família Pectinidae, com descri-
ção de diversos pelecípodos desta
família. Do mesmo ano data um
trabalho de Rubens da Silva San-
tos & Haroldo Pereira Travassos a
respeito de peixes fósseis da mesma
formação, no estado do Pará, in-
cluindo Chondrichthyes (treze for-
mas de elasmobrânquios) e Ostei-
chthyes (cinco formas de teleós-
teos), concluindo por idade miocê-
nica e por predominância de gru-
pos de distribuição tropical e de
formas de zona litorânea, que te-
riam vivido em águas marinhas,
quentes e relativamente rasas.
Paula Couto, ainda em 1960,
identificou o úmero, coletado por
Barboza Rodrigues, em 1886, em
Loreto-Yacu, alto Solimões, já ob-
jeto de atenção de Huene (1944) e
Price (1956), como de um Edenta-
ta-Xenarthra da família Mega-
lonychidae.
Em 1961, George Gaylord Simp-
son, então do “American Museum
of Natural History”, New York,
qualificou de injustificável a cor-
relação das argilas com fósseis de
plantas e moluscos, do Acre, com a
Formação Pebas, do Peru, feita,
anos antes, por Berry e Maury,
ao descreverem, respectivamente,
aquêles fósseis. Opina êle que al-
guns dos fósseis em questão são
certamente do Pleistoceno mais
superior, época a que pertencem,
também, provàvelmente, todos os
demais, podendo-se, mesmo, supor
que datem do começo do Holoceno.
Josué Camargo Mendes publi-
cou, naquele ano, informações su-
plementares sôbre braquiópodos
pensilvanianos da série Itaituba,
estado do Pará.
Colaborando num programa,
proposto à Divisão de Geologia e
Mineralogia do Departamento Na-
cional da Produção Mineral pelo
Departamento de Exploração da
Petrobrás, voltou Llewellyn Ivor
Price, em 1962, ao oeste do Acre,
como paleontólogo da Turma de
Geologia N.° 2 da Petrobrás, rea-
lizando proveitoso trabalho de
campo, em parte da bacia do rio
Juruá-Mirim, afluente do Juruá
(maio a julho) e pesquisando aflo-
ramentos, ao longo da calha do
Juruá, desde Cruzeiro do Sul até
Porto Pardo, na fronteira peruana
(agosto a outubro). Reexaminou,
então, grande número das 33 lo-
calidades fossilíferas, trabalhadas
pela Expedição de 1956, supra-
considerada, conseguindo descobrir
17 novas localidades fossilíferas,
entre Petrópolis e a fronteira do
Peru, e elevando, assim, a um to-
26
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tal de 50 as localidades fossilíferas,
conhecidas, no trecho acreano do
rio Juruá. As novas coleções, fei-
tas, então, por Price, naquela re-
gião, constam de invertebrados,
peixes, quelônios (tartarugas, cá-
gados), crocodilideos e mamíferos,
cujas idades parecem abranger o
Mioceno superior, o Plioceno e o
Pleistoceno. Os mamíferos distri-
buem-se pelos grupos dos notoun-
gulados toxodontes (inclusive ne-
sodontinos) , perissodáctilos (ta-
pires) , proboscídeos (mastodon-
tes), artiodáctilos (cervos), roedo-
res pequenos e de tamanho médio,
desdentados (megatérios, megaló-
nices, gliptodontes e tatus de pe-
queno e grande porte) , sirênios
(“peixe-boi”) e astrapotérios. En-
tre os mamíferos parece predomi-
narem os de idade pleistocênica,
com alguma representação miocê-
nica e, talvez, pliocênica. Os res-
tos respectivos serão por nós estu-
dados, juntamente com o material
fóssil de mamíferos da Expedição
de 1956.
Nova espécie de quitinozoário
fóssil, baseada em espécimes obti-
dos de testemunho de sondagem
(furo n.o 56), realizada em Bom
Jardim, município de Itaituba,
proximidades do Tapajós, Pará, em
1926, pelo ex-Serviço Geológico s
Mineralógico do Brasil, foi reve-
lada por Friedrich Wilhelm Som-
mer & Norma M. van Boekel, em
1963. Os mesmos autores descre-
veram, em 1964, quitinozoários
fósseis do folhelho devoniano de
Tocantínia, margem direita do To-
cantins, Goiás, resultantes de co-
letas, ali feitas, em 1956, por J. R.
de Andrade Ramos.
Baseado num enorme crânio de
crocodilídeo, coletado no Acre, du-
rante a expedição de 1962, Price
descreveu, em 1964, nova espécie e
nôvo gênero de aligatorino gigan-
tesco.
Cândido Simões Ferreira, reto-
mando 0 estudo dos moluscos gas-
terópodos da Formação Pirabas,
Pará, revelou, em 1964, a presença
duma espécie nova de Xancus, na-
quela formação.
Em 1965, o mesmo autor fêz
uma revisão de moluscos pelecípo-
dos, descritos, originalmente, por
C. White (1887) e C. J. Maury
(1924), para a Formação Pirabas,
Pará. No mesmo ano, Maria Mar-
tha Barbosa apresentou nota pre-
liminar, concernente a briozoários
do Carbonífero superior de Itai-
tuba, vale do Tapajós, Pará, com
base em coleções da antiga Comis-
são Geológica do Império, perten-
centes ao acervo do Museu Nacio-
nal.
Em 1965, Vicente José Fúlfaro,
do Departamento de Geologia e
Paleontologia da Faculdade de Fi-
losofia, Ciências e Letras da Uni-
versidade de São Paulo, baseado
em amostras, procedentes de cinco
localidades, ao longo das margens
Volume 1 (Geociências)
do rio Tapajós, descreveu os pri-
meiros conodontes, descobertos no
Brasil, todos do Carbonífero supe-
rior (Pensilvaniano médio) .
Friedrich Wilhelm Sommer &
Norma M. da Costa van Boekel
deram-nos a conhecer, ainda em
1965, novas espécies de quitino-
zoários do furo de sondagem nú-
mero 56, executado, em 1925-26,
pelo ex-Serviço Geológico e Mine-
ralógico do Brasil, sob a direção
dos geólogos Avelino Ignácio de
Oliveira e Pedro de Moura, em
Bom Jardim, proximidades do Ta-
pajós, município de Itaituba, es-
tado do Pará. Segundo êstes auto-
res, tais fósseis pertencem ao Si-
luriano ou ao Devoniano.
As contribuições sôbre a paleon-
tologia da Amazônia, constantes
do programa dêste Simpósio, atin-
gem um número que nos parece
constituir um marco, ainda não
igualado, de apresentações, dentro
de um ano, apenas, de trabalho.
São, pelo menos, vinte contribui-
ções, diretamente relacionadas com
a paleontologia regional, de auto-
ria dêste conferencista (duas), de
Frederico Waldemar Lange, Elias
Dolianiti, Nicéa Magessi Trindade,
Irajá Damiani Pinto, Norma M. van
Boekel (duas), Rubens da Silva
Santos (duas), Paulo Erichsen de
Oliveira & Maria Eugenia C. Mar-
chesini Santos, Llewellyn Ivor Pri-
ce, Friedrich Wilhelm Sommer
(duas) , Maria Martha Barbosa,
27
Maria Eugênia Marchesini Santos,
Lélia Duarte, Josué Camargo Men-
des, Cândido Simões Ferreira
e Reynaldo Freitas Ramos. Interes-
sam elas a Paleozoologia (inverte-
brados e vertebrados), a Paleobo-
tânica e a Micropaleontologia, sen-
do uma dedicada, particularmente,
à Bioestratigrafia e revisão de par-
te da coluna estratigráfica do Pa-
leozóico, sem contar com a confe-
rência de Josué Camargo Mendes,
a respeito da evolução geológica da
bacia do Amazonas, com as impli-
cações paleontológicas respectivas.
, SUMÁRIO
Nesta conferência, faz-se uma
apreciação de caráter histórico dos
trabalhos que, direta ou indireta-
mente, interessem à Paleontologia
da Amazônia.
Partindo da segunda metade do
século XIX, mais precisamente, de
1863, os trabalhos de coleta pa-
leontológica internacional e as ob-
servações geológicas, na Amazônia,
em que foram pioneiras as expedi-
ções Thayer (1865-66) e Morgan
(1870-71), ambas norte-america-
nas, os trabalhos e prospecções de
tal natureza processaram-se pe-
riodicamente, com intensidade va-
riável, até nossos dias.
A criação do Serviço Geológico e
Mineralógico do Brasil (hoje Divi-
são de Geologia e Mineralogia,
D.N.P.M.), em 1907, deu grande
iELO'o
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13
14
cm
28
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
impulso aos estudos geológicos e
paleontológicos, no Brasil, inclu-
sive no que concerne à Amazônia.
No século XIX, coube a estran-
geiros, principalmente a norte-
-americanos, a primazia nos traba-
lhos e estudos sôbre a geologia e a
paleontologia do Brasil, em geral,
e da Amazônia, em particular.
Tal estado de coisas persistiu
durante as primeiras décadas do
século XX. Os brasileiros foram,
porém, aparecendo, com freqüên-
cia progressiva, neste campo. De
1920 em diante, as contribuições
nacionais à geologia e à paleonto-
logia do Brasil, inclusive da Ama-
zônia, entraram a competir sèria-
mente com os trabalhos de pesqui-
sadores estrangeiros, relativos a
ciência nacional, terminando por
sobrepujá-los amplamente, em nú-
mero, sem perder em qualidade.
A Amazônia vem sendo, ativa e
eficazmente, pesquisada por geó-
logos e paleontólogos brasileiros,
dentro de seus mais diversos cam-
pes de especialização, ao ponto de
se apresentarem neste Simpósio
mais de uma vintena de contribui-
ções geo-paleontológicas, tôdas de
autoria de brasileiros.
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Atas do Simpósio sóbre a Biota Amazônica
Voi. 1 (Geociências): 33-67 — 1967
PROBLEMAS GEOMORFOLÓGICOS DA AMAZÔNIA
BRASILEIRA
AZIZ NACIB AB SABER
Universidade de São Paulo, São Paulo
A região amazônica constitui o
único conjunto de terras baixas
brasileiras de escala realmente
subcontinental. Trata-se de um an-
fiteatro de planícies aluviais e co-
linas tabuliformes apenas passível
de ser visualizado quando carto-
grafado na escala de mapas. Para
se ter uma idéia da sua grandiosi-
dade espacial bastaria lembrar que
foram necessárias mais de uma dú-
zia de quadrículas da Carta do
Brasil ao Milionésimo para abran-
ger todo o conjunto representado
por suas planícies, tabuleiros e co-
linas. Note-se, entrementes, que
para circunscrever o chamado
Pantanal Matogrossense — porção
brasileira das planícies chaco-pan-
taneiras — foram necessárias me-
nos de duas quadrículas da aludi-
da série de cartas.
As grandes planícies e os exten-
sos baixos platôs da Amazônia Bra-
sileira perfazem uma área superior
a 2 milhões de quilômetros qua-
drados, ficando envolvidas pela
concavidade interior das terras an-
dinas e subandinas, e pelo Planalto
das Guianas e Planalto Brasileiro.
Neste conjunto se incluem vastos
trechos de planícies de inundação,
dispostas em largas calhas alu-
viais, nitidamente embutidos em
uma área muito maior ainda de
baixos platôs e de faixas de re-
levos colinosos, parte terciários,
parte paleozóicos.
O núcleo sedimentar do grande
anfiteatro regional de terras bai-
xas equivale a uma bacia sedimen-
tar paleozoica que somente muito
mais tarde foi retomada pela se-
dimentação, tendo sido em grande
parte tamponada e até mesmo ul-
trapassada em área pelas camadas
continentais neogênicas (Série
Barreiras) . Na realidade esta série
detrítica, que é a de maior ampli-
tude existente na província sedi-
mentar amazônica, não deixa dú-
vidas quanto ao seu papel paleo-
geográfico: ela efetuou uma col-
matagem tardia da velha depres-
cm i
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
36
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
são sedimentar regional, desde o
setor centro-ocidental e subandino
até ao setor oriental e atlântico.
Evidentemente, na porção centro-
-ocidental da Amazônia onde o
“embaciamento” neogênico foi
mais pronunciado e onde a cordi-
lheira andina se retrai para o oci-
dente, houve condições favoráveis
para um alargamento excepcional
da grande bacia detrítica moderna
(Terciário Superior?).
Quatro faixas de relêvo, situa-
das em altitudes inferiores a 300
metros e dotadas de diferentes for-
mas de distribuição espacial, assim
como possuidoras de aspectos mor-
fológicos distintos, destacam-se ao
norte e ao sul do grande rio: 1) as
largas calhas aluviais do Amazo-
nas; 2) os baixos platôs terciários
(“tabuleiros”); 3) as faixas coli-
nosas e de relêvo mais enérgico,
ligeiramente cuestiforme, corres-
pondentes às áreas de exposição de
terrenos paleozóicos; e 4) os ter-
renos cristalinos rebaixados pela
pediplanação neogênica e re-enta-
Ihados pela evolução geomorfoló-
gica complexa do Quaternário. A
estas quatro faixas topográficas
principais se agregam alguns seto-
res descontínuos de baixos terraços
e depressões pedimentadas do
Pleistoceno Superior, bem separa-
dos entre si, e de gênese relativa-
mente complexa (Baixo Amazo-
nas, Território de Roraima). Cada
um dos grandes setores do relêvo
regional da Amazônia apresenta
feições peculiares, quer do ponto de
vista morfo-estrutural, como do
ponto de vista morfoclimático e
pedogênico. Pode-se afiançar que
cada um dêles — muito ao contrá-
rio do que geralmente se pensa —
apresenta a sua própria comparti-
mentação topográfica, através
contrastes morfológicos muito bem
marcados e de padrões de drena-
gem muito diferenciados. É assim
que os contrastes de relêvo e de
drenagem das planícies em face
dos “tabuleiros” equivalem a dois
complexos inteiramente diversos,
ao ponto de se poder delimitá-los
em fotografias aéreas, através
meros e rotineiros trabalhos de
laboratório. Identicamente, em
muitos casos, a separação das fei-
ções geomórficas dos terrenos plio-
cênicos em face daquelas que ca-
racterizam os terrenos paleozóicos
— conforme muito bem ficou de-
monstrado por Howard (1965) —
é relativamente simples de ser
feita à custa de métodos aerofoto-
gráficos. Por seu turno, no campo
como através de aerofotos, é per-
feitamente possível caracterizar e
delimitar as áreas cristalinas em
relação às áreas sedimentares an-
tigas ou modernas, dados os notá-
veis contrastes morfológicos exis-
tentes entre as duas províncias
geológicas. Em oposição, porém, a
tais facilidades relativas, grandes
problemas geomorfológicos incidem
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
sôbre o conjunto das duas grandes
áreas de escudos expostos, situados
ao norte e ao sul da bacia sedi-
mentar amazônica. Sobretudo no
que diz respeito ao Escudo das
Guianas existe grande variedade
litológica, estrutural e tectônica,
suficientemente importantes para
condicionar a compartimentação
geomorfológica moderna. Desta
forma, a despeito do baixo relêvo
de alguns setores das áreas crista-
linas que envolvem de imediato a
bacia sedimentar amazônica, êles
apresentam extrema diversificação
litológica, morfológica e pedológi-
ca, conforme ficou muito bem de-
monstrado pelos estudos recentes
de diversos geólogos, geógrafos e
pedólogos (Guerra, 1955; Barbosa,
1958; Ramos, 1956; Beigbeder,
1956, 1959; Ruellan, 1957; Ruel-
lan & Beigbeder, 1955; Barbosa &
Ramos, 1959, 1961).
REVISÃO DA PALEOGEOGRAFIA
MODERNA DO ANFITEATRO
AMAZÔNICO
Desde há muitos anos alguns
pontos mais berrantes das velhas
concepções de Agassiz (1886) a
respeito da gênese do anfiteatro
amazônico já foram plenamente
desacreditados. Entretanto, por
fôrça da tradição, muitos autores
que se interessam pelas reconstru-
ções páleo-geomorfológicas, têm
cometido o pecadilho de fazer re-
montar ao Paleozoico suas consi-
37
derações e especulações retrospec-
tivas, visando explicar a história da
calha amazônica, propriamente
dita. Sobretudo no que diz respeito
ao relêvo da Amazônia, é quase
que desnecessário um tal tipo de
recuo na história geológica regio-
nal, já que a história fisiográfica
da região possui uma grande mo-
dernidade. Note-se, que, por outro
lado, assuntos fundamentais refe-
rentes à atitude tectônica e topo-
gráfica da província sedimentária
amazônica a partir dos fins do Me-
sozoico e durante uma boa parte
do Terciário, são completamente
postos à margem de qualquer dis-
cussão mais objetiva e aprofun-
dada.
A despeito do grande interêsse
que uma paleogeografia fina da
Bacia Paleozoica da Amazônia
apresenta para a geologia econô-
mica da área, tais fatos têm im-
plicações relativamente reduzidas
para o campo exclusivo da discus-
são da geomorfologia regional. De
nossa parte, portanto, faremos re-
montar os problemas básicos da
paleogeomorfologia da região ama-
zônica ao Mesozoico e ao Terciá-
rio.
Tudo indica que durante o de-
correr do Mesozoico, por motivos
páleo-tectônicos complexos, houve
uma multiplicação de núcleos de
sedimentação na metade norte do
território brasileiro, numa réplica
dos acontecimentos similares de-
s
c
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
senrolados à margem de outras
grandes bacias paleo-mesozóicas
do país. Tais extravasamentos da
sedimentação mesozoica realiza-
ram-se em regime de subsidência
múltipla inicial (com posterior re-
corrência sedimentária em alguns
setores, quando já ía longe a sub-
sidência regional). Tratou-se, as-
sim, de transgressões progressivas
(para usar de uma expressão usa-
da por Kegel para fenômenos idên-
ticos observados no Nordeste), se-
paradas por fases diastróficas com-
plexas entre o Trias- Jurássico e o
Cretáceo. Intrusões diabásicas ré-
ticas ou jurássicas se fizeram atuar
em diversas das bacias mesozoicas
regionais (Parecis, Maranhão,
Amazônia, e Parecis). Quatro nú-
cleos principais de “embaciamen-
tos” mesozóicos parecem ter exis-
tido e em parte co-existido: bacia
amazônica, sensu strictu, bacia do
Roraima, bacia dos Parecis e ba-
cia do Maranhão (Oeste do Mara-
nhão e Norte de Goiás). Entre-
mentes, a partir dos fins do Meso-
zoico, uma grande inversão da
movimentação tectônica, veio a se
realizar, com exondação moderada
de alguns trechos (Amazônia) e
soerguimentos brutais de determi-
nadas bacias (sobretudo da bacia
do Roraima) .
Disso tudo decorre que para a
região amazônica aconteceu uma
extraordinária inversão de relêvo
a partir dos fins do Cretáceo e do
Eoceno, quando se definiu de uma
vez por tôdas a atitude global de
soerguimento do Escudo das Guia-
nas e do Escudo Brasileiro. Tal
macro-inversão de posições topo-
gráficas não se fêz apenas por me-
ros arqueamentos epirogênicos ex-
tensivos, mas por uma associação
de movimentos verticais e even-
tuais falhamentos. Note-se que en-
quanto o soerguimento dos núcleos
de escudos, dos restos de cobertura
paleozóica e das bacias cretácicas
matogrossenses e maranhenses, foi
da ordem de centenas de metros,
no Escudo das Guianas e sobretudo
na área da Bacia dos Parecis a as-
censão atingiu níveis de alguns
poucos milhares de metros, o que
certamente obrigou a notáveis des-
locamentos verticais nas margens
das bacias soerguidas. A assime-
tria de tais soerguimentos garan-
tem uma individualidade tectônica
para os dois grandes escudos que
marginam a Bacia Amazônica.
O certo é que do Cretáceo Supe-
rior para a frente, enquanto as ba-
cias mesozóicas marginais foram
alteadas, a região amazônica per-
maneceu em um nível relativa-
mente deprimido, passando a ser
teatro de uma série de aplainações
complexas, as quais reduziram até
mesmo a faixa ocidental deforma-
da da bacia. Os produtos detríti-
cos, de tais períodos de redução to-
pográfica por degradação lenta,
parecem ter sido evacuados, tanto
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Volume 1 (Geociências)
39
para oeste como para leste (bacia
do Acre e bacia de Marajó). Não
nos cabe discutir se houve ou não
sedimentação miocênica marinha
ou lagunar em outros pontos da
Amazônia, mas somos obrigados a
insistir em que durante o Miocê-
nio grandes áreas dos terrenos pa-
leozóicos, assim como extensos
trechos dos núcleos de escudos ad-
jacentes estavam sujeitos a aplai-
nações e rebaixamentos generali-
lizados. Esta longa fase de degra-
dação erosiva pré-pliocênica ainda
recentemente foi discutida e de
uma vez vez por tôdas fixada gra-
ças a um excelente estudo foto-
geológico de Howard (1965).
O citado trabalho de Howard
merece um destaque especial, já
que constituiu um modêlo de pes-
quisa, com base em aerofotos, apli-
cada a uma área-chave de uma ba-
cia sedimentar pouco elevada e ex-
tensiva e continuamente coberta
por florestas pluviais amazôni-
cas. Tendo estabelecido por inter-
médio da foto-análise uma discor-
dância angular indiscutível entre
os terrenos terciários e os terrenos
presumivelmente paleozóicos, do
centro sul da Amazônia (a WNW
do rio Maués) , aquêle notável geó-
logo e geomorfologista norte-ame-
ricano pôde definir a existência de
uma prolongada fase erosiva pré-
Barreiras: “A Pre-Pliocene erosion
interval of considerable duration
is suggested by the unconformity
between the mantle and under
lying formations” (Howard, 1965:
404).
Nesta ordem de idéias, tudo in-
dica que a fossa miocênica orien-
tal (fase do Mar de Pirabas na
Fossa de Marajó) veio a se formar
durante o tempo em que essa de-
gradação denudacional extensiva
estava retocando largos trechos
dos escudos e das bacias paleozói-
cas regionais, em condições certa-
mente subaéreas. No entanto, es-
tava ainda por acontecer a princi-
pal fase de aplainamento ou de re-
-afeiçoamento de aplainações em
processo, a qual se desenvolveu du-
rante a sedimentação da Série
Barreiras (Plioceno?). Entre ou-
tros fatos, estaria destinada a esta
fase dúplice de erosão e retenção
de sedimentos criar uma bacia de-
trítica, notàvelmente ampla, com
eixo principal mergulhando para
leste, e, por essa razão mesma,
criando uma rampa definida para
instalação de um grande rio con-
seqüente-mestre que viria se trans-
formar no Amazonas, durante o
decorrer do Quaternário.
Na verdade, a velha bacia paleo-
zóica regional, após ter passado
por longas fases erosivas, foi por
assim dizer re-“embaciada” ao
término do Terciário, graças ao es-
tímulo de uma epirogênese nega-
tiva moderada e às ações aplaina-
doras dos processos morfoclimá-
ticos intertropicais alternantes
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
neogênicos. A moderada subsidên-
cia regional dos fins do Terciário,
cujo eixo parece ter se guiado pela
reativação do próprio eixo da ba-
cia paleozóica, sobretudo no que
diz respeito à Amazônia Ocidental,
contribuiu para a extensão e o es-
pessamento de uma série detrítica
— dominantemente lacustre —
que em alguns pontos atingiu cen-
tenas de metros de espessura (até
600 metros, em algumas sonda-
gens, segundo nos informa Al-
meida (1964).
Somente a associação entre os
rebaixamentos denudacionais neo-
gênicos e a subsidência moderada
dos fins do Terciário, ao par com
fases agressivas de erosão nas
áreas de escudos expostos e alte-
rados, é que podem explicar a gê-
nese do dominio amazônico da Sé-
rie Barreiras. Tudo indica que a
maior parte dos sedimentos neogê-
nicos regionais tenham sido ori-
undos do arrazamento de regolitos
dos escudos Brasileiro e Guianen-
se. Entendemos, dessa forma, que
a massa geral de tais depósitos de-
penderam de paleo-regolitos (por
argilificação caulinítica das áreas
cristalinas e cristalofilianas ex-
postas) , enquanto que o teatro
deposicional dependeu do retorno
ao caráter de bacia, que afetou
tardiamente a velha sinclinal pa-
leozóica regional. Evidentemente
tratou-se de uma reativação da
subsidência, à custa de uma tec-
tônica de fraturas e falhas, a qual
tendo se iniciado em regime de
fossas no Mioceno prosseguiu du-
rante o Plioceno sob a forma de
uma ampla subsidência regional,
por reativação atenuada da tectô-
nica quebrável. Mesmo após à de-
posição da Série Barreiras, e após
à ligeira consolidação de seus se-
dimentos, houve reativações tar-
dias da tectônica residual, através
de um padrão de diaclasamento
tectônico ortogonal bastante gene-
ralizado (Sternberg, 1950). Em
seu estudo de título bastante im-
próprio (Vales tectônicos na pla-
nície amazônica?), Sternberg
(1950) apontou fato absoluta-
mente verídico, que foi a adaptação
da nervura menor dos igarapés dos
tabuleiros à trama ortogonal do
diaclasamento pós-Barreiras. En-
tretanto, aquêle autor parece ter
extrapolado demais em relação aos
efeitos da tectônica residual sôbre
a planície aluvial, propriamente
dita, conforme já tivemos ocasião
de opinar (Ab’Sáber, 1964; 158-
159). No caso do Pantanal Mato-
grossense a idéia de uma possível
ação de uma tectônica residual
holocênica nos parece muito mais
plausível *.
Ao término dessa rápida re-
visão dos grandes problemas paleo-
* Sôbre as possíveis relações entre a
tectônica e a sedimentação aluvial no
Pantanal Matogrossense vide o próprio
Sternberg (1957) em seu estudo inti-
tulado "A propósito de meandros”
(.Rev. Bras. Geogr., 19 (4): 477-499).
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Volume 1 (Geociências)
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-geográficos modernos que dizem
respeito à gênese do anfiteatro
amazônico, não podemos deixar de
sublinhar que, muito embora ha-
jam motivos para se conceber a
existência de uma pronunciada e
extensiva fase erosiva pré-Barrei-
ras, julgamos ter sido principal-
mente a retomada de pediplanação
pene-contemporânea à sedimenta-
ção da Série Barreiras que possibi-
litou a ampliação dos plainos ero-
sivos neogênicos nas áreas de es-
cudos expostos, ao norte e ao sul
daquela mesma bacia detrítica em
progressão. O fato de as áreas re-
baixadas por erosão nas bordas
setentrionais do Escudo Brasileiro
e meridionais do Escudo das Guia-
nas, presumivelmente terem abran-
gido uma área de centenas de
milhares de quilômetros quadra-
dros de extensão, sòmente pode ser
explicado pela ação conjunta da
subsidência tectônica regional e
da pediplanação intertropical. Em
relação ao setor específico da mo-
dalidade e da dinâmica dêsse tipo
de plainações laterais extensivas,
julgamos que as mesmas foram
realizadas em fases de resistasia,
numa aplicação a mais da consa-
grada teoria de Henri Erhart
(1955) combinada com as exce-
lentes considerações de Jean
Dresch (1959) a respeito da mar-
cha habitual dos aplainamentos
em áreas de escudos intertropicais.
O DOMÍNIO MORFOCLIMÁTICO
AMAZÔNICO
Do ponto de vista morfoclimá-
tico e biogeográfico as imensas
áreas de colinas, tabuleiros e pla-
nícies fluviais da Amazônia Brasi-
leira constituem uma notável
combinação regional de fatos fisio-
gráficos, perfeitamente explicável
pela posição geográfica zonal da
região. Na realidade, as terras bai-
xas equatoriais da região amazôni-
ca constituem o setor sul-america-
no dos climas tropicais do cinturão
de baixas latitudes do Globo. Em
relação aos outros domínios morfo-
climáticos intertropicais brasilei-
ros (Ab’Sáber, 1963, 1966) , a região
amazônica constitui o domínio das
terras baixas equatoriais floresta-
das, ou ainda, o domínio brasileiro
dos “tabuleiros” equatoriais flo-
restados. Opõem-se, desta forma,
ao dominio dos chapadões recober-
tos por cerrados e penetrados por
florestas galerias (Brasil Central),
e ao domínio dos pediplanos inter-
planálticos revestidos por caatin-
gas (Brasil Nordeste), ao mesmo
tempo que extravaza e entra em
coalescência com as áreas cristali-
nas florestadas das Guianas e da
chamada Guiana Maranhense. Se-
para-se do domínio dos cerrados
por faixas de vegetação de transi-
ção gradual ou áreas de vegetação-
-tampão (cerradões, bosques da
faixa de transição, “avaranda-
dos”) . Entrementes, em relação ao
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
domínio das caatingas, separa-se
através a presença de uma vegeta-
ção-tampão de grande individuali-
dade e expressão paisagística, que
é a área dos cocais (florestas de
babaçús). A própria área florestal
que precede o domínio dos cocais
já se apresenta como uma faixa
florestal marginal, diferenciada.
Terras baixas extensivas (tabu-
leiros e planícies), climatologia re-
gional comportando alguns ele-
mentos relativamente homogêneos
(temperaturas médias elevadas,
pequena amplitude térmica anual,
alta nebulosidade, forte umidade
do ar e precipitações abundantes e
relativamente bem distribuídas) ,
ao par com a presença de uma co-
bertura florestal de desmesurada
extensão, e, de uma rêde de dre-
nagem composta de gigantescos
caudais que se opõem à trama fina
dos riachos de pequeno curso
{igarapés) , deram à Amazônia
Brasileira um conjunto de paisa-
gens aparentemente homogêneas e
pouco compartimentadas. Dessa
forma, a despeito das sutis varia-
ções regionais da topografia de
seus terrenos quaternários e ter-
ciários e dos solos a elas correspon-
dentes, assim como da diversidade
das águas de seus rios e igarapés,
e até mesmo dos componentes de
suas florestas, a região amazônica
tem sido erroneamente encarada
como um monótono conjunto de
terras baixas, extensivamente re-
cobertas por florestas equatoriais.
Note-se, entretanto, que se é
que na própria área nuclear do
domínio morfoclimático amazônico
existem diferenças marcantes de
solos, tipos de rios e morfologia
flúvio-aluvial, extraordinárias e
rápidas variações ocorrem nas
áreas de transição entre os terre-
nos sedimentares e os terrenos
cristalinos, cristalofilianos e vul-
cânicos que a envolvem irregular-
mente por quase todos os quadran-
tes. Pode-se afiançar que nas áreas
cristalinas expostas que marginam
a bacia amazônica, pròpriamente
dita, existe uma compartimenta-
ção muito mais rica das paisagens
morfológicas, devido à complexa
interação dos fatores morfo-estru-
turais e dos fatos relacionados com
a evolução morfoclimática quater-
nária. Sòmente as pesquisas leva-
das a efeito no norte e noroeste do
Maranhão, no sul da Amazônia, no
Rio Branco (Roraima) e no Amapá
— assim como na Venezuela e nas
Guianas — nos deram conta dos
notáveis contrastes que incidem
sôbre as paisagens das faixas de
transição do domínio amazônico
com os outros grandes domínios
paisagísticos contíguos (domínio
dos cerrados do Brasil Central, do-
mínio das caatingas nordestinas,
domínio das savanas do Orenoco).
Baseados em estudos que vimos
realizando nas diversas faixas
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transicionais existentes entre os
grandes domínios morfoclimáticos
inter-tropicais brasileiros, pode-
mos adiantar que as faixas de
transição que separam a área
“core” do domínio morfoclimático
e fitogeográfico amazônico em re-
lação aos domínios contíguos,
apresentam exemplos de tôdas as
modalidades mais habituais de
transição, por nós já caracteriza-
das, a saber: transição fitogeográ-
fica com modificações graduais
(centro-oeste do Maranhão, norte
de Mato Grosso); transição com-
partimentada do ponto de vista to-
pográfico e fitogeográfico (norte
de Goiás, sul do Maranhão, setores
do norte de Mato Grosso) ; transi-
ção com áreas de vegetação-tam-
pão, bem definidas (norte e no-
roeste do Maranhão); e, transi-
ção através barreiras topográficas
pronunciadas (Roraima) .
Para se compreender a indivi-
dualidade da área “core” do domí-
nio morfoclimático amazônico há
que ponderar uma série de fatos fi-
siográficos básicos de nossas pai-
sagens intertropicais.
Todos os outros grandes domí-
nios morfoclimáticos intertropicais
do país coincidem com áreas pla-
nálticas dotadas de escudos ex-
postos, por extensões que se me-
dem em centenas de milhares de
quilômetros quadrados de área.
Nêles, por outro lado, o máximo de
tipicidade das feições morfoclimá-
ticas regionais — capazes de ofe-
recer contrastes marcantes entre
suas formas de relêvo quando glo-
balmente cotejadas com a de ou-
tros domínios — aparece exata-
mente nas áreas de exposição de
rochas cristalinas e cristalofilia-
nas. Trata-se de fatos válidos tanto
para a área nuclear dos “mares de
morros” florestados, como para as
áreas dos chapadões centrais re-
cobertos por cerrados e penetrados
por florestas galerias, ou, ainda,
para com a área das depressões in-
termontanas pediplanadas do do-
mínio das caatingas. Na Amazônia
Brasileira, pelo contrário, a área
“core” de maior extensão e indivi-
dualidade fisiográfica coincide em
grande parte com áreas sedimen-
tares pouco soerguidas e sujeitas
apenas a uma compartimentação
rasa e pouco diversificada.
Por tôdas estas razões é impres-
cindível estabelecer que o maior e
mais extenso de nossos domínios
morfoclimáticos e biogeográficos
intertropicais se superpõe a uma
área notavelmente contínua de
terras baixas sedimentares — ta-
buleiros, colinas e planícies — on-
de, de certa forma, há o predomí-
nio franco de feições estruturais
singelas (plainos aluviais, relevos
tabuliformes e topografias discre-
tamente cuestiformes) . Sabe-se
que tais conjuntos litológicos e
morfo-estruturais são exatamente
aqueles que apresentam maiores
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dificuldades para uma exata ava-
liação dos efeitos sutis dos proces-
sos morfoclimáticos intertropicais,
de maior expressão morfológica
areolar. Em outras palavras: pelo
fato de não existirem terrenos cris-
talinos extensamente dissecados e
expostos ao longo do eixo central
da Amazônia Brasileira, não nos é
permitido verificar, com facilida-
de, até que ponto as influências
morfoclimáticas teriam criado fei-
ções geomórficas peculiares na re-
gião.
Pelo principio da analogia pen-
samos que se tôda a área central
da Amazônia fôsse cristalina, de-
veria existir na região formas de
relêvo similares às da zona da mata
nordestina ou daquelas que carac-
terizam os morros cristalinos ma-
melonizados da zona do cacau no
Sul da Bahia. O pouco que se co-
nhece do comportamento morfo-
climático das áreas de afloramen-
tos cristalinos em áreas contiguas
ou relativamente próximas da Ba-
cia Amazônica (tais como, em cer-
tas áreas selváticas das Guianas e
da Venezuela, ou, mesmo, entre
nós, na chamada Guiana Mara-
nhense, ou, nos raros outeirinhos
mamelonizados de Perizes, no pró-
prio Maranhão) nos autoriza a
pensar que as feições básicas do
relêvo regional deveriam tender
para o dominio dos baixos morros
mamelonizados. Observações mais
próximas, nas próprias vertentes
das colinas tabuliformes suaviza-
das — que constituem a topografia
mais comum da faixa central da
depressão amazônica — revelam a
presença muito freqüente de ver-
tentes ligeiramente convexas em
encostas mantidas por siltitos, ar-
gilitos e arenitos. Tais fatos ocor-
rem em áreas tão afastadas entre
si, como a porção interior do tabu-
leiro de Manaus ou os tabuleiros da
região de Belém-Bragança, confor-
me pudemos constatar em diferen-
tes oportunidades. Por outro lado,
as fotografias aéreas tomadas nas
margens da Bacia Amazônica, em
terrenos sedimentares do Paleo-
zóico, ou mesmo, em trechos do
Pré-Cambriano, nos indicam a pre-
sença extensiva de vertentes con-
vexas e de quadros morfológicos
regionais ligeiramente mameloni-
zados.
Julgamos tal ordem de conside-
rações como essenciais para a de-
limitação grosseira da área “core”
do dominio morfoclimático amazô-
nico. De inicio se pode adiantar
que o aludido dominio extravaza
bastante em relação à bacia sedi-
mentar regional, propriamente
dita. Na prática, o dominio morfo-
climático, tipicamente amazônico,
se estende por tôdas as áreas do
grandioso anfiteatro regional de
terras baixas — independente-
mente de sua natureza sedimentar
ou cristalina — até onde as matas
tropicais características da pro-
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víncia fitogeográfica amazônica
são contínuas desde as baixadas
até os interflúvios. Desta forma,
quando se alternam largas galerias
florestais (dotadas de flora tipi-
camente amazônicas) com largos
interflúvios recobertos por cerra-
dos, cerradões ou quaisquer tipos
de vegetação de transição, estamos
em plena área ou faixa de transi-
ção para um outro domínio mor-
foclimático intertropical brasileiro.
Nesse sentido, evidentemente, so-
mos obrigados a considerar como
sendo exteriores à área nuclear do
domínio morfoclimático amazô-
nico, grandes trechos considerados
pertencentes à região amazônica
por Lúcio de Castro Soares e seus
colaboradores (Soares, 1953) . Fato
que não nos impede de julgar ab-
solutamente necessário a conside-
ração de tôdas essas áreas transi-
cionais, como inteiramente vincu-
ladas a qualquer esfôrço de plane-
jamento regional integrado, como
é exatamente aquele que realmente
intere.s-sa à Superintendência do
Plano de Valorização Econômica
da Amazônia.
Do ponto de vista rigorosamente
científico, na delimitação do “core”
da região amazônica, sensu strictn,
há que fazer abstração das faixas
de matas interfluviais extra-ama-
zônicas, efetivamente diferencia-
das pela sua estrutura e composi-
ção florística, tais como, os cerra-
dões e cerrados, as chamadas
matas sêcas, os “avarandados”, e
03 cocais. Se é que nos vales, que
criam soluções de continuidade
para tais interflúvios, existem flo-
restas galerias com flora tipica-
mente amazônica, tal fato é intei-
ramente similar e oposto ao
que acontece na outra margem do
domínio dos cerrados, onde as
matas tropicais atlânticas também
penetram por todos os fundos de
vales regionais, até os confins in-
teriores do mesmo domínio mor-
foclimático e fitogeográfico dos
cerrados. Entrementes, nem por
isso, pode-se considerar o Sul de
Mato Grosso ou o Sul ou o Su-
doeste de Goiás, como pertencen-
tes ao domínio típico da mata
atlântica . . .
Note-se que no caso da Amazô-
nia Brasileira, há que acrescentar
certas áreas que escapam ao qua-
dro mais habitual das terras baixas
regionais, mas que por suas con-
dições morfoclimáticas e clímato-
-botânicas, estão certamente li-
gadas à área nuclear de desenvol-
vimento da província morfoclimá-
tica amazônica, refletindo bem a
associação de climas, águas e solos
amazônicos, propriamente ditos.
Referimo-nos às áreas de revesti-
mento florestal contínuo do Peru,
das Guianas, da Venezuela e da
Guiana Maranhense. Todos êsses
fatos fazem com que a área nu-
clear do domínio morfoclimático
amazônico se disponha sob a forma
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de um vastíssimo polígono de bor-
dos irregulares, o qual abrange
uma área bem maior do que a do
tradicional leque com “cabo vol-
tado para leste”, que simboliza a
forma da bacia sedimentar ama-
zônica. Tal polígono, possuindo o
seu eixo maior paralelo com a
faixa equatorial, constitui a única
grande área morfoclimática e fito-
geográfica brasileira inteiramente
situada em posição zonal.
Na oportunidade em que se
adianta alguns resultados a res-
peito da caracterização do domínio
morfoclimático amazônico (em
aditamento aos estudos do autor a
respeito de outros domínios mor-
foclimáticos intertropicais brasi-
leiros) , é justo que se diga duas pa-
lavras a respeito das paisagens de
exceção existentes no interior da
área nuclear da Amazônia, sob a
forma de “ilhas” ou manchas de
paisagens exóticas. O têrmo “ilha”
de paisagens exóticas, aqui usado,
é mais do que justificável, pois se
trata de verdadeiros “enclaves” de
paisagens morfológicas e fitogeo-
gráficas diferenciadas, inclusas na
massa homogênea e extensiva das
paisagens amazônicas típicas, sob
a forma de cerrados, cerradões,
matas ralas, matas sêcas. Tais “en-
claves” de paisagens localmente
diferenciadas dependem, em sua
maior parte, de fatôres pedológicos
muito especiais, que impediram a
existência das condições ecológicas
mínimas requeridas pela vegetação
florestal. Nesse sentido, ao que pa-
rece, tanto os paleo-solos estéreis
ou quase-estéreis, quanto as man-
chas de sedimentos arenosos mal
edafizados, criaram por fenômenos
eminentemente de convergência,
algumas paisagens de exceção den-
tro da área “core” do domínio mor-
foclimático e da província fitogeo-
gráfica regional. Na realidade,
dentro da área nuclear do dominio
mjorfoclimático amazônico, são
mais os fatôres pedológicos e geo-
hidrológicos superficiais que for-
çam o aparecimento de umas
poucas manchas ou ilhas de pai-
sagens botânicas pertencentes a
outros domínios morfoclimáticos
adjacentes ou representativos de
verdadeiras degradações locais da
vegetação florestal amazônica. Tra-
ta-se de áreas que somadas entre
si não perfazem talvez mais do que
2% do conjunto habitual das pai-
sagens naturais da Amazônia, o
que nos parece uma porcentagem
bem inferior aquela dos “enclaves”
de matas existentes no domínio dos
cerrados ou dos “enclaves” de
matas e cerrados existentes no do-
mínio das caatingas. Entretanto, o
impacto visual provocado pelo en-
contro de uma paisagem de exce-
ção no meio das densas e contínuas
matas amazônicas, possui foros de
uma grande anomalia, que nos
obriga a pesquisas cada vez mais
aprofundadas 'e sutis sôbre a fisio-
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Volume 1 (Geociências)
47
logia das paisagens dêsse grande
domínio morfoclimático e biogeo-
gráfico das terras brasileiras.
SUPERFÍCIES APLAINADAS,
NÍVEIS DE PEDIMENTAÇÃO
E TERRAÇOS FLUVIAIS
NA AMAZÔNIA
As questões relacionadas à ca-
racterização das superfícies aplai-
nadas na região amazônica ainda
apresentam problemas e lacunas
sérias, os quais poderão permane-
cer sem solução ainda por muitos
anos. Não se poderia esperar outra
coisa de um setor que depende de
uma boa cartografia de detalhe e
de estudos de geomorfologia re-
gional efetuados em áreas-chaves,
pràticamente inacessíveis até o
presente momento. No caso especí-
fico das terras baixas da Amazô-
nia Brasileira, a reduzida amplitu-
de topográfica da área dificulta so-
bremaneira a caracterização das di-
ferentes superfícies, já que para a
percepção do seu escalonamento e
das relações topográficas entre
elas, seriam necessárias pesquisas
em itinerários contínuos, em áreas
de grande extensão espacial e, na
maior parte das vêzes, de acesso
muito difícü, senão quase impossí-
vel, nas condições atuais. Desta
forma, a síntese que pretendemos
apresentar, na presente oportuni-
dade, a respeito do assunto, é me-
ramente especulativa e preliminar.
Marbut & Manifold, em seus es-
tudos pioneiros — parte pedoló-
gicos, parte fisiográficos — carac-
terizaram o nível de Marajó, gran-
de área de terraços, elevada de 5
a 12 metros de altitude. Iniciava-
-se, assim, o reconhecimento das
superfícies aplainadas amazônicas,
através da identificação de um
verdadeiro nível de terraços regio-
nais, os quais hoje sabemos estar
relacionados com um nível glácio-
-eustático do Pleistoceno Superior
e com as aluviões de uma antiga
planície deltaica que colmatou o
golfão marajoara num período an-
terior ao das fases estuarinas
atuais. Tais terraços mantidos por
crostas de laterita foram mapea
dos na região das ilhas da embo-
cadura do Amazonas em cinco nú-
cleos, de diferentes ordens de gran-
deza, por Le Cointe e Huber. Denis
(1927), contribuiu para divulgar a
expressão nível de Marajó, quer
reproduzindo o esboço cartográ-
fico dos dois pesquisadores, ante-
riormente citados, como procuran-
do tecer considerações sôbre a pos-
sível extensão do aludido nível na
área continental de Belém e arre-
dores. Hoje sabemos que o nível de
Belém-Marajó é encontrado tanto
no arquipélago marajoara como em
Belém e zonas ribeirinhas do rio
Pará, assim como acima das bar-
rancas de Macapá e em diversos
recantos internos do antigo golfão
marajoara. Moura (1943: 328), a
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48
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
despeito de não possuir na época
noções sôbre a teoria glácio-eustá-
tica, sintetizou müito bem o cará-
ter do nível de Belém-Marajó, nos
seguintes têrmos: “Ligeiramente a
cavaleiro sôbre a planície de inun-
dação, desenvolvendo-se um nível
de cota enxuta, a coberto das en-
chentes e que o habitante regional
mui apropriadamente denomi-
nou “tesos”. É uma planície suave,
com altura média de 6 a 15 me-
tros, sôbre o nível médio das ma-
rés: um terraço de idade geológica
mais antiga que os níveis de vár-
zeas e igapós e que certamente é
do período Pleístoceno” — “O mo-
vimento vertical de levantamento
(sic) que deu origem a êsse nível
de terraços é relativamente recente
e 0 subseqüente ciclo de erosão
atuou nesse terraço ou nível de
Marajó, modelando-o”. Trata-se do
mais baixo dos níveis regionais de
terras firmes da Amazônia Brasi-
leira, fato que não parece ter es-
capado à intuição e perspicácia de
Le Cointe (1922: 169).
Em 1939, Glycon de Paiva, em
seus estudos na bacia do Rio Bran-
co identificou uma área aplainada
e rebaixada à qual designou por
peneplano gnaissico (sic) . Ao redi-
gir, em 1943, a primeira síntese a
respeito do conjunto do relêvo da
Amazônia, Pedro de Moura gene-
ralizou o uso do têrmo peneplano
para tôdas as áreas cristalinas dis-
postas ao norte e ao sul da bacia
sedimentar amazônica. Até a êsse
tempo, por coerência com a apli-
cação do têrmo peneplano, se de-
signava por monadnock todos os
morros cristalinos isolados que se
destacavam acima das áreas aplai-
nadas regionais, independente-
mente de preocupações crono-geo-
morfológicas.
PiERRE Gourou (1949), baseado
em minuciosas observações pró-
prias e na leitura atenta dos tra-
balhos de Glycon de Paiva e de
Pedro Moura, realizou a primeira
tentativa de correlação das super-
fícies aplainadas modernas da
Amazônia, reconhecendo a existên-
cia do “nível de Marajó” e do cha-
mado “peneplano cristalino” e in-
troduzindo a noção do terraço de
Santarém. Além do que, demons-
trou que 0 planalto sedimentário
da Série Barreiras era mantido do-
minantemente por crôstas de late-
ritos, sublinhando o importante
papel morfológico de tais paleo-
-solos.
Enquanto Le Cointe (1922) pro-
curou caracterizar os chamados
lagos de terras firmes, Denis
(1927) encontrou razões para re-
conhecer um tipo de verdadeiras
rias fluviais na seção inferior dos
vales incisos nas beiradas altas dos
tabuleiros: “entre ces lacs de vallée,
la terre ferme s’avance en promon-
toires dans la varzea. La bordure
de la terre ferme, avec son dessin
sinueux et ses profondes articula-
Volume 1 (Geociências)
49
tions, fait penser à une côte à rias:
elle a les mêmes origines; les lacs
intérieurs du bas Amazone, enca-
drés par la terre ferme, sont des
vallées submergées. Au soulève-
ment général, qui avait obligé le
fleuve et ses affluents à entailler
leurs vallées dans le plateau ter-
tiaire, a succédé un mouvement
inverse, beaucoup moins ample,
mais qui a suffi à placer les anciens
thalwegs, dans la zone voisine du
fleuve, au-dessous du niveau de
base”. Entretanto, caberia a Gou-
Rou (1949) a primazia da discussão
da gênese de tais vales fluviais afo-
gados por massas de águas flu-
viais, levando em conta as possí-
veis interferências dos movimen-
tos glácio-eustáticos. Note-se que
somente a partir dos trabalhos pio-
neiros do grande geógrafo francês
é que tais noções passaram a se
amiudar nas discussões sôbre a gê-
nese da calha fluvial do Amazonas,
assim como das “rias” de água
doce e dos baixos níveis costeiros.
O próprio Prof. Francis Ruellan,
que foi 0 pioneiro inconteste na in-
trodução de tais conceitos para o
litoral brasileiro, interessou-se mais
tarde pelos sérios problemas rela-
cionados à geomorfogênese das
“rias” amazônicas, discutindo o
assunto em bela palestra realizada
por ocasião da I Semana de
Estudos Geográficos de Sorocaba
(1955).
Lembramos que mais recente-
mente ainda, o geólogo e pedólogo
japonês Sakamoto (1957) deixou
sua contribuição ao estudo das su-
perfícies aplainadas da Amazônia
centro-oriental, procurando subli-
nhar o caráter embutido dos dife-
rentes escalões do relêvo amazô-
nico na área, e levando suas espe-
culações até o delicado setor das
retomadas de erosão fluvial e col-
matagem flúvio-aluvial decorren-
tes das flutuações glácio-eustá-
ticas. Julgamos que as considera-
ções sedimentológicas e pedológicas
dos estudos de Sakamoto são muito
superiores às de Gourou; entre-
mentes, suas observações a respeito
das aplainações modernas na área
centro-oriental da Amazônia são
muito menos objetivas e aprovei-
táveis do que aquelas registradas e
discutidas pelo seu antecessor.
Antes mesmo de acrescentarmos
ao presente relato notícias sôbre es-
tudos mais recentes a respeito de
superfícies aplainadas na Amazô-
nia queremos deixar bem claro que
somente a partir da objetiva revi-
são sôbre o assunto, contida nos es-
critos de Gourou, é que se poderá
ampliar e aperfeiçoar o esquema
dos conhecimentos sôbre o assun-
to, no que tange ao conjunto da
Amazônia Brasileira. A atenção
dada aos escritos de Gourou por
um dos maiores conhecedores da
geografia amazônica, Lucio de
50
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Castro Soares, nos anima a assim
pensar.
Aproveitamos a oportunidade
para transcrever uma bela síntese
a respeito das conseqüências mor-
fológicas das aplainações recentes
que afetaram os escudos que mar-
ginam a bacia sedimentar amazô-
nica, segundo Soares (1963: 38-
39) :
“Os maciços cristalinos dos escudos
guianenses e sulamazônicos acham-se
bastante rebaixados pela erosão; o pri-
meiro a tal ponto que na bacia do Alto
Rio Negro está tão arrasado que, sob o
manto espêsso e contínuo da floresta,
parece ser a continuação do baixo
platô terciário (comumente conhecido
por planície amazônica (sic), já que
apresenta a mesma altitude média
dêste, muito embora se destaquem do
seu aspecto planiciário muitos “pães
de açúcar” e alinhamentos monta-
nhosos (sic) isolados, cujas alturas ge-
ralmente ultrapassam 100 metros, como
os cerros e as pequenas serras encon-
tradas às margens do rio Uaupés (entre
os quais o Cajubim) e do rio Içana
(cêrro Turrui, 300 metros), bem como
do Alto Rio Negro (serras Curicuriari,
400 metros; Uranari, 260 metros; e, do
Caranguejo, com mais de 100 metros,
em cuja margem esquerda se acha a
famosa pedra Cucuí imponente monó-
lito granítico de paredes abruptas, de
rocha nua e lisa, que se eleva a mais
de 300 metros acima da peneplanície
cristalina coberta de floresta”.
Poucos anos após à publicação
dos estudos de Gourou, diversos
geólogos e geomorfologistas que
realizaram pesquisas na região do
Alto Rio Branco revolucionaram os
conceitos antigos, descobrindo a
presença de pediplanos intermon-
tanos modernos e de depósitos de
baixadas semi-áridas quaternárias
naquelas distantes paragens do
Brasil Setentrional (Beigbeder,
1956, 1959; Ramos, 1956, 1958;
Ruellan, 1957; Barbosa, 1958;
Barbosa & Ramos, 1959, 1961).
Percorrendo a região do Rio
Branco, Guerra (1955) já havia
notado a presença de sedimentos
modernos recobrindo a área aplai-
nada dos campos do Rio Branco,
tomando-os, porém, como rema-
nescentes da Série Barreiras. Re-
vendo as velhas concepções geo-
morfológicas sôbre a região do Alto
Rio Branco e contestando a inter-
pretação do chamado “peneplano
gnaissico”, assim se expressou Bar-
bosa (1958: 17): “No caso trata-se
de uma área típica de pediplana-
ção intermontana, incluindo sedi-
mentos do Quaternário Antigo, só
podendo ter sido formada à custa
de uma certa aridez. A espessura
dêsses sedimentos é de cêrca de
30 metros em alguns pontos, esten-
dendo-se os seus testemunhos até
à divisa das Guianas. Como episó-
dio final dessa fase de pediplana-
ção e sedimentação do Quaterná-
rio Antigo há sedimentos mais mo-
dernos, com depósitos típicos de
áreas de savanas. “Descrevendo os
detalhes do baixo relêvo da série
detrítica regional (Formação Boa
Vista), diz Barbosa: “é na super-
fície dessa última formação que
aparecem lagoas fechadas explicá-
veis pela drenagem subterrânea,
em zona de terrenos muito per-
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Volume 1 (Geociências)
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meáveis e sujeitos a chuvas que
caem em periodos curtos, porém
de forma abundante. A sua super-
fície, pôsto que relativamente raza,
acha-se retalhada, estando os li-
geiros espigões ou interflúvios os-
tentando formas arredondadas.”
Esta mesma área deu motivo,
posteriormente, à feitura de uma
das mais cuidadosas monografias
de geomorfologia regional brasi-
leira, ou seja, a tese de doutorado
de Beigbeder, publicada na íntegra,
em 1959, numa edição conjunta do
Instituto de Altos Estudos da Amé-
rica Latina (Universidade de Pa-
ris) e do Instituto Nacional de Pes-
quisas da Amazônia.
O importante a assinalar é que
as pesquisas efetuadas pelo grupo
de pesquisadores associados a
Ruellan (1957) e aquelas lidera-
das por Barbosa (1959) serviram
para demonstrar a um tempo a
idade da superfície intermontana
do Alto Rio Branco, a estrutura
superficial e subsuperficial das pai-
sagens regionais, assim como a
grande riqueza de documentos se-
dimentários e de feições geomórfi-
cas particulares do Quaternário
brasileiro ao norte da bacia sedi-
mentar amazônica. Isto, natural-
mente, para não falar na impor-
tância dos novos conhecimentos a
respeito do relêvo, da estrutura e
da cronogeologia das escarpas es-
truturais (cuestas e “hogbacks”)
e altas mesas do altiplano sedimen-
tar e basáltico de Roraima (Bar-
bosa & Ramos, 1959). Tais pesqui-
sas possibilitaram, ainda, a defi-
nição da existência de duas provín-
cias vulcânicas no Planalto das
Guianas e não de uma só como até
então se pensava; Vulcanismo Ro-
raima e Vulcanismo Surumu.
Os níveis de “tesos” interiores
dos campos do Alto Rio Branco
passaram a constituir um exemplo
de bacia intermontana equatorial,
elaborada por paleo-climas bem
menos úmidos do que aqueles que
atualmente imperam nesta parte
da Amazônia. A pedimentação pro-
grediu ali — segundo nos parece —
através um ligeiro compartimento
de eversão situado à margem da
área capeada por sedimentos da
Série Barreiras. Aí, em plena área
de gnaisses injetados por materiais
vulcânicos e quebrados por falhas
e fraturas houve um conjunto de
condições litológicas e estruturais
suficiente para determinar um re-
baixamento pós-pliocênico, am-
pliado à custa de fenômenos de pe-
dimentação pleistocênicos e de re-
cheio detrítico por depósitos de
baixadas semi-áridas. Desvenda-
ram-se, assim, os característicos
geomorfogenéticos essenciais dos
famosos “campos de São Marcos”,
os quais de ora por diante poderão
ser compreendidos como uma vasta
área de baixadas intermontanas
coalescentes, criadas por fenôme-
nos de eversão e pedimentação à
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
retaguarda dos tabuleiros terciá-
rios e dos baixos morros cristalinos
florestados. Nesse raso comparti-
mento preferencial para a pedi-
mentação quaternária houve con-
dições climáticas, erosivas e hidro-
gráficas suficientes para reter
parte dos sedimentos que por ali
transitavam — coalescentemente
— trazidos dos altos rios e dos bor-
dos pedimentados do próprio com-
partimento de planalto regional.
Os climas úmidos atuais puderam
realizar apenas uma remodelação
morfoclimática da pequena bacia
detrítica quaternária (Barbosa,
1958). Note-se que as fotografias
aéreas exibidas nos trabalhos de
diversos autores demonstram a
existência de uma espécie de baixo
relêvo mamelonizado no conjunto
dos “tesos” regionais, o que é per-
feitamente condizente com o que
se pode esperar do modelado de
uma antiga baixada semi-árida
dissecada sob as condições do atual
clima amazônico.
EPIROGÊNESE, MOVIMENTOS
EUSTÁTICOS E PALEOCLIMAS
NA GÊNESE DO RELÊVO
AMAZÔNICO
Muitas evidências falam a favor
da idéia de que, após à subsidência
moderna que contribuiu para a for-
mação da Série Barreiras, tenha
sobrevido um período de epirogê-
nese positiva para o território ama-
zônico, com 0 estabelecimento da
primeira calha oeste-leste do ante-
cessor imediato do atual Amazo-
nas. Não há a opôr nenhuma dú-
vida sôbre a modernidade do nas-
cimento da rêde hidrográfica do
grande curso d’água (Barbosa,
1958; Ab’Sáber, 1964). Na realidade
o Amazonas é um rio de idade in-
tegralmente pós-Série Barreiras,
sendo por essa razão mesma, muito
mais moderno do que os setores
fluviais superiores de seus afluen-
tes provindos dos planaltos de
Gciás e Mato Grosso ou das
Guianas.
A existência de um nível inter-
mediário, talhado em sedimentos
da Série Barreiras, sob a forma de
um patamar mediano, de desigual
extensão e distribuição espacial
situado entre 25 e 40 metros de al-
titude — nos leva a conceber a
existência de uma fase de pedi-
mentação exorreica ao término da
primeira fase de entalhamento
fluvial da bacia terciária amazô-
nica. Desta forma os terraços in-
termediários reconhecidos em dife-
rentes pontos dos tabuleiros, em
nível bem inferior ao do tôpo do
baixo planalto sedimentar manti-
do por cangas, não seriam mais do
que remanescentes dos flancos in-
feriores de pedimentos desenvolvi-
dos em fases de transição climá-
tica ao fêcho da primeira fase de
entalhamento fluvial da bacia da
Série Barreiras. As fotografias e os
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cortes geológicos de pequena ex-
tensão, exibidos por diversos auto-
res, nos permite afiançar, com tô-
da a certeza, de que os chamados
terraços de 25 a 30 metros, ou de
30 a 40 metros, não passam de se-
tores de pedimentos muito bem
preservados, os quais têm por bor-
dos de erosão as pequenas escarpas
e os morros testemunhos capeados
por cangas, situados em posição
mais elevada e recuada, em face
da calha atual do grande rio. No-
te-se que algumas vêzes a pedimen-
tação se fêz fora do domínio das
formações terciárias, atingindo a
base das escarpas, dos testemu-
nhos e das messtas das formações
paleozóicas, que restaram salientes
desde o ciclo erosivo pré-pliocênico
(área do dômo de Monte Alegre e
“serra” do Ererê) .
A drenagem do antigo Amazo-
nas, na fase penecontemporânea à
formação dos pedimentos de nível
intermediários deveria ser similar à
de um grande rio de savanas, com
possível anastomose de canais e
largos depósitos de areias e casca-
lhos. As cascalheiras elevadas que
serviram para documentar a exis-
tência de níveis de terraços a 30
ou 40 metros acima do nível de al-
guns rios amazônicos atuais, ser-
vem também para documentar o
porte da carga dos rios que drena-
vam a região durante esta fase de
pedimentação e plainação lateral
irregular.
Em um de seus trabalhos, Sa-
KAMOTO (1957: 43) lembra que “as
idades pré-pleistocênicas foram de
longo e contínuo aplainamento,
enquanto a idade pleistocênica é
de encaixamento. O contraste de
platôs e planícies de inundação,
isto é de “terras firmes” e “var-
zeas”, ao qual é devido as formas
de relêvo apropriadamente chama-
das pelos geógrafos de “rias da
Amazônia”, é a conseqüência dêstes
processos durante as idades geoló-
gicas”. Tais afirmações são plena-
mente justificáveis se completadas
pelos seguintes fatos: 1. que após
à dissecação inicial da Série Bar-
reiras houve uma atenuação da
erosão de talvegue ao tempo em
que se desenvolveram fenômenos
de pedimentação, sendo que os en-
caixamentos mais radicais se pro-
cessaram a partir dos pedimentos
do nível de Santarém; 2. que após
os encaixamentos aludidos, houve
rápidas alternâncias de afoga-
mentos e retomadas de erosão, sob
controle direto dos movimentos
glácio-eustáticos, e com profundas
ccnseqüências para a sedimenta-
ção aluvial ao longo da grande ca-
lha talhada pelo Amazonas nos ta-
buleiros de níveis desdobrados (fato
aliás bem equacionado por Saka-
MOTO (1957) em seu perfil teórico
e esquemático sôbre a evolução
geral do relêvo da Amazônia ori-
ental) .
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Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Após à formação do nível de
Santarém deve ter prosseguido ou
pelo menos se acelerado uma ascen-
são epirogênica para o conjunto da
Bacia Amazônica. Apoiamos tal
assertiva no fato de que os níveis
de pedimentação do Quaternário
Antigo terem sido elaborados so-
bretudo durante a vigência de ní-
veis de mar baixo (rebaixamentos
de nível devido a períodos glaciais) .
Ora, para justificar um encaixa-
mento posterior da ordem de algu-
mas dezenas de metros (30-40 me-
tros abaixo do nível de Santarém
aos quais se acrescentam mais
70-80 metros relativos à base da
espêssa calha aluvial) é lógico
pressupor-se um estímulo epirogê-
nico inicial. O certo é que as reto-
madas de erosão fluvial, forçadas
por outros níveis de mar baixo,
posteriores àquele que restou sus-
penso na área de Santarém, coloca-
ram os antigos talvegues do Ama-
zonas de 50 a 90 metros abaixo do
nível atual, ou seja, de 90 a 120
metros abaixo do nível de Santa-
rém. Não podemos imaginar tal
amplitude de encaixamento sem
fazer intervir obrigatoriamente
um episódio ascensional pós-nível
de Santarém.
Tudo indica, por outro lado, que
após êsse derradeiro episódio as-
censional, passaram a preponderar
as variações glácio-eustáticas e
agir de modo quase que completa-
mente independente das variações
da área continental. Isto fêz com
que 0 golfão marajoara (anterior-
mente à formação dos depósitos
pleistocênicos que iriam dar ori-
gem ao nível de Belém-Marajó) se
mantivesse ativo por quase todo o
Pleistoceno Médio e Superior, ser-
vindo de largo funil para os afo-
gamentos eustáticos da calha infe-
rior e média do Amazonas da
época. Tais fatos respondem pelo
menos parcialmente pelo represa-
mento de águas e espessamento
rápido da pilha de sedimentos alu-
viais pleistocênicos e holocênicos,
até mais de 1.000 km para o in-
terior.
Em sua esquematização para ex-
plicar as interferências dos movi-
mentos eustáticos na história da
calha aluvial do Amazonas o geó-
logo Sakamoto pressupôs que as
fases rápidas de entalhamento flu-
vial — por erosão linear ou de tal-
vegue — sempre estivessem rela-
cionadas com os períodos de mar
baixo (glaciações) , e que durante
os períodos interglaciais além do
afogamento eustático e do preen-
chimento aluvial sempre houves-
sem aplainações parciais. Trata-se
de um raciocínio aparentemente
lógico porém inteiramente falso,
sobretudo se se levar em conta o
conjunto da Amazônia. Tal seria-
ção poderia ser válida para expli-
car fatos estensivos a grandes por-
ções do baixo e médio Amazonas,
na condição de se entender por
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“aplainamentos” certas fases de
plainação flúvio-aluvial restrita,
ativada por meandração e solapa-
mento basal das altas barrancas
dos tabuleiros. É quase certo que
durante a intervenção de tais va-
riações do nível geral dos mares,
outros processos morfoclimáticos
associados a outras ações fluviais,
tiveram atuação marcante no mo-
delado dos confins da Amazônia
Ocidental e nos compartimentos
topográficos evertidos, situados à
retaguarda dos tabuleiros terciá-
rios. Bem para o interior, os pe-
ríodos de nível de mar baixo po-
dem ter coincidido, segundo tudo
indica, com períodos de climas
mais sêcos, comportando retoma-
das de pedimentação e retenção
eventual de detritos em baixadas
semi-áridas intermontanas ou in-
terplanálticas (como de resto cer-
tamente aconteceu no Alto Rio
Branco) . Note-se que tais áreas, no
atual período de nível de mar al-
to, estão sujeitas novamente a cli-
mas úmidos extensivos.
Acreditamos firmemente que o
mosaico de paleoclimas quaterná-
rios da Amazônia, durante as flu-
tuações eustáticas do nível do mar,
tenham comportado retração das
áreas úmidas principais, penetra-
ção das paisagens de savanas e, lo-
calmente, em compartimentos pre-
ferenciais, situados fora da ação
dos ventos úmidos, a intervenção
de climas subúmidos a semi-áridos
moderados. Tal diversificação pai-
sagística parece ter ocorrido sobre-
tudo durante os movimentos eustá-
táticos negativos ou descencionais,
enquanto que as retomadas exten-
sivas dos climas úmidos devem ter
coincidido com os movimentos po-
sitivos ou ascencionais do nível do
mar. As degradações climáticas re-
gionais de climas tropicais úmidos
para climas de savanas devem ter
favorecido a formação de lateritos,
os quais subseqüentemente tive-
ram sempre papel morfológico
ponderável, conforme muito bem o
anotou Gourou (1949). Identica-
mente, a penetração dos climas de
savanas nas áreas de baixadas se-
mi-áridas intermontanas provocou
a formação de crostas e páleo-solos
complexos. Por outro lado, qual-
quer mudança climática direta de
climas tropicais úmidos para cli-
mas semi-áridos, ainda que mode-
rados, redundou em fases erosivas
“agressivas”, equivalentes a um
verdadeiro período de resistasia,
para usar do têrmo proposto por
Erhart (1955).
Em qualquer hipótese, julgamos
extremamente delicada a discus-
são das interferências dos movi-
mentos eustáticos e dos paleocli-
mas na elaboração da estrutura
superficial das paisagens amazô-
nicas. E, de modo algum podemos
aceitar um esquema simplista e
cm i
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
generalizado de variações climá-
ticas para todo o conjunto da
Amazônia Brasileira.
Na história fisiográfica da re-
gião amazônica existem problemas
que ainda estão longe de ser re-
solvidos. Quer no setor dos estudos
básicos como na faixa da ciência
aplicada continuam a existir
enormes lacunas de conhecimen-
tos, alguns dos quais permanece-
rão insolúveis por muito tempo.
No que diz respeito a conhecimen-
tos geomorfológicos básicos, desta-
cam-se, entre outros, os que se se-
guem:
1 . relações entre a paleo-tectò-
nica moderna e residual na bacia
amazônica;
2. discussão sôbre a existência
ou não da tectônica residual e sô-
bre sua possível participação fisio-
gráfica;
3. melhores informações sôbre
a gênese do Grupo Barreiras (do-
mínio amazônico), e relações ge-
néticas e “areolares” entre a sedi-
mentação Barreiras e os aplaina-
mentos a elas correspondentes;
4 . aspectos dos re-entalha-
mentos e plainações laterais res-
tritas pós-Barreiras;
5. idéias mais objetivas sôbre
as paleo-paisagens da calha ama-
zônica (baixo e médio Amazonas)
durante o mínimo das regressões e
o máximo das transgressões ma-
rinhas quaternárias;
6 . flutuações climáticas do
Quaternário e suas conseqüências
gerais e regionais para as paisa-
gens naturais da Amazônia, em
têrmos sul-americanos;
7. relações entre as áreas de
matas, as áreas de cerrados e os
presumíveis quadros de vegetação
mais sêcos (eventualmente semi-
-áridos) , durante as flutuações
climáticas quaternárias intertro-
picais;
8 . conseqüências fisiográficas
e sedimentológicas da intensidade
diferencial das fases erosivas rela-
cionadas com épocas de transição
climática, no decorrer do Plio-Qua-
ternário;
9 . caracterização definitiva dos
diferentes níveis de crostas ferru-
ginosas e horizontes de lateritos,
quer pela sua gênese, sua posição
topográfica e sua idade relativa.
No que tange às aplicações dos
estudos geomorfológicos ao plane-
jamento regional urge completar
as seguintes pesquisas, em caráter
indisciplinar :
1. re-exame das possibilidades
hidroelétricas da “fali line” e “fali
zone” dos afluentes de ambas as
margens da bacia amazônica;
2 . exame crítico incisivo de
alguns projetos de engenharia, tão
grandiosos quanto unilaterais, de-
em i
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baixo do crivo das considerações
inter-científicas;
3 . correlação mais íntima entre
os estudos sôbre compartimenta-
ção da topografia, formas de re-
lêvo e tipos de aptidões agrárias
dos solos amazônicos;
4 . setorização regional da Ama-
zônia Brasileira, sensu-strictu,
(área “core” do domínio morfocli-
mático amazônico), com base em
estudos geomorfológicos, pedoló-
gicos, hidrográficos, climáticos e
fitogeográficos.
RESUMO
As terras baixas florestadas da
Amazônia constituem um domínio
de paisagens naturais de tipo
eminentemente zonal, correspon-
dente a um segmento do cinturão
equatorial e subequatorial do
Globo. A combinação de fatos fi-
siográficos responsável pela rela-
tiva homogeneidade das paisagens
da Amazônia Brasileira inclui os
seguintes elementos; presença de
terras baixas extensivas {tabulei-
ros, terraços e -planícies) relaciona-
das a uma bacia sedimentar, pouco
soerguida, de mais de 2 milhões de
quilômetros de extensão; climato-
logia regional comportando alguns
elementos homogêneos (tempera-
turas médias elevadas, precipita-
ções abundantes e relativamente
bem distribuídas, pequena ampli-
tude térmica anual) -, presença de
uma cobertura florestal contínua
— de tipo tropical — por uma ex-
tensão de escala subcontinental;
área drenada por uma vasta rêde
hidrográfica centrípeta, integral-
mente perene, composta de caudais
gigantes (muitos dos quais alóc-
tcnos), opondo-se à trama fina de
rios de pequeno curso e igarapés
(autóctones) ; e, finalmente, um
quadro de solos de baixa fertilidade
geral, incluindo variações impor-
tantes dentro da categoria dos la-
tolosos até à dos podzóis tropicais,
e comportando íntimas conexões
com a natureza hidrobiológica dos
cursos d 'água autóctones da região
(Sioli) .
Problemas sérios — alguns dos
quais permanecerão insolúveis por
muito tempo — incidem sôbre a
história fisicgráfica da região ama-
zônica. Destacam-se, entre êles:
relações entre a paleo-tectônica e
a tectônica moderna e residual na
bacia amazônica; discussão sôbre
a existência ou não da tectônica
residual recente e sôbre sua
possível participação fisiográfica
(Sternberg); gênese dos depósitos
do Grupo Barreiras (domínio ama-
zônicc) , e relações genéticas e
“areolares” entre a sedimentação
Barreiras e os aplainamentos a
elas correspondentes; aspectos dos
re-entalhamentos e plainações la-
terais restritas pós-Barreiras; pá-
leo-paisagens do baixo e médio
Amazonas durante o mínimo das
cm i
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regressões e o máximo das trans-
gressões marinhas quaternárias;
flutuações climáticas do Quater-
nário e suas conseqüências gerais
e regionais para a Amazônia, em
têrmos sul-americanos; retração e
re-expansão das florestas nas fases
de climas mais sêcos ou mais úmi-
dos do Quaternário na região; re-
lações entre as áreas de matas e
as áreas de cerrados durante as
flutuações climáticas quaterná-
rias; intensidade das fases erosivas
nas épocas de transição climática;
e, problemas do páleo-delta mara-
joara e aspecto do seu re-entalha-
mento recente.
Pelo fato de não existirem terre-
nos cristalinos extensamente ex-
postos ao longo do eixo central da
Amazônia Brasileira (e pela falta
de pesquisas morfológicas nas pou-
cas áreas de sua ocorrência), não
nos é permitido avaliar até que
ponto as influências morfoclimá-
ticas teriam criado feições geomór-
ficas peculiares na região. Pelo
princípio da analogia, acreditamos,
entretanto, de que, se tal ocorresse,
deveria existir por tôda a área
“core” do domínio morfoclimático
regional, formas similares às da
zona da mata nordestina ou àque-
las que aparecem nos morros cris-
talinos mamelonizados da zona do
cacau no Sul da Bahia. Alguns as-
pectos do relêvo de áreas cristali-
nas das Guianas, do Gurupí e dos
outeiros de Perizes, nos autorizam
a pensar desta forma. Na prática,
em função de todos êsses fatos, po-
de-se afirmar que o domínio mor-
foclimático amazônico se estende
por tôdas as áreas de terras baixas
e médias do anfiteatro regional,
até onde as matas tropicais carac-
terísticas da província fitogeográ-
fica amazônica são contínuas des-
de as baixadas até os interflúvíos.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociéncias): 69-73 — 1967
DIAGNÓSTICO DAS DEFICIÊNCIAS MINERAIS EM SOLOS
DA REGIÃO AMAZÔNICA PELO MÉTODO
DAS MICROPARCELAS
PAULO DE TARSO ALVIM e CHARLES JOSÉ LEONDY DE SANTANA
Centro de Pesquisas do Cacau, Itabuna, Bahia
(Com duas figuras no texto)
A agricultura na região Ama-
zônica vem ressentindo-se da falta
de dados básicos que possibilitem
uma produção racional e econô-
mica, tendo em vista que a fertili-
dade da maioria dos seus solos,
ainda constitue fator limitante.
As informações existentes sôbre
a fertilidade de tais solos, consis-
tem em dados análiticos oriundos
de uma série de trabalhos execu-
tados com dedicação por diversos
técnicos, cujos resultados ainda
que insuficientes, melhoraram em
muito a agricultura dessa região.
O objetivo do presente trabalho
consiste em fornecer um diagnós-
tico das deficiências minerais dos
solos da Amazônia, cujos resulta-
tados servirão de subsídios para
planejamentos adequados de ex-
perimentos que visem o uso de
adubes e corretivos, nas mais di-
versas culturas.
MÉTODO DE TRABALHO
Nesse ensaio adotou-se o deli-
neamento de Blocos ao acaso com
quatro repetições, com os seguin-
tes tratamentos: Completo, Menos
Nitrogênio, Menos Fósforo, Menos
Potássio, Menos Cálcio, Menos
Magnésio, Menos Micronutrientes
e Testemunha. Procurou-se com-
parar um tratamento chamado
completo, com tôda uma série de
tratamentos, onde um ou mais nu-
trientes foram omitidos e um úl-
timo tratamento que não recebeu
qualquer fertilizante, chamado
testemunha.
Os nutrientes utilizados em kg
por hectare foram os seguintes:
(1) Nitrogênio — 120 kg; (2) Fós-
foro — 220 kg de P^O^; (3) Potás-
sio — 120 kg de K,0; (4) Cálcio
— 600 kg de CaO; (5) Magnésio —
60 kg de MgO; (6) Zinco — 20 kg
de SO^Zn. 7H,0; (7) Cobre —
cm i
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70
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
15 kg de SO4CU.5H2O; (8) Boro —
10 kg de Borax; (9) Molibdênio —
0,5 kg de Molibdato de Sódio. Em
todos os tratamentos os fertilizan-
tes usados foram: Nitrocálcio Pe-
trobrás, Sulfato de Amôneo, Su-
perfosfato Triplo; Fosfato Monoá-
cido de Sódio, Clorêto de Potássio,
Sulfato de Magnésio, Carbonato de
Cálcio, Sulfato de Zinco, Sulfato de
Cobre, Borax e Molibdato de Sódio.
Para efeito de interpretação são
apresentados no texto do trabalho
5 repetições do ensaio, instaladas
em locais diferentes, numeradas
de 1 a 5.
O local 1 (Ipean) é latosol ama-
relo arenoso, localizado a 800 me-
tros da sede. O local 2 (Ipean) é
também latosol amarelo arenoso,
localizado a 300 metros da sede. O
local 3 (Ananindeua) é latosol
amarelo arenoso, localizado a 50
km de Belém, próximo da estrada
Belém-Brasilia. O local 4 (Santa
Isabel) é latosol amarelo textura
média, localizado a 60 km de Be-
lém, próximo da estrada Belém-
Brasilia. O local 5 (Ipean) é solo
de várzea, localizado a 1.500 me-
tros da sede.
QUADRO 1
Análise Química dos solos estudados
Os adubos correspondentes a
cada tratamento foram mistura-
dos de maneira homogênea e dis-
tribuídos uniformemente em três
sulcos abertos em cada parcela.
Conforme o método, cada par-
cela teve as dimensões de 60 cm x
60 cm, sendo aproximadamente
50 m= a área total ocupada por
cada repetição do ensaio. Utilizou-
-se 0 milho como planta indica-
dora, devido as propriedades extra-
toras que possue. O plantio ocor-
reu logo após a distribuição dos
adubos. Posteriormente foi feito 0
desbaste deixando-se 30 plantas
por parcela.
Foram realizadas regas nos dias
em que não houve queda pluvio-
métrica.
O material foi colhido com 30
dias após a semeadura, sendo de-
terminado o pêso fresco de 30
plantas por parcela.
cm i
SciELO
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Volume 1 (Geociências)
71
No quadro I são apresentadas
algumas características químicas
das amostras da camada arável
(0-20cm) coletadas nos locais aci-
ma citados. As análises foram fei-
tas no laboratório da Seção de So-
los do IPEAN, segundo os métodos
padronizados pela Divisão de Pe-
dologia e Fertilidade do D.P.E.A.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Verificaram-se diferenças signifi-
cativas entre o melhor tratamento
e os demais, quando os ensaios fo-
ram analisados estatisticamente.
No quadro 2 são encontrados os
resultados, correspondentes aos 5
locais estudados.
QUADRO 2
Pêso em gramas de 30 plantas (Matéria Verde)
Nos locais 1 e 2 as diferenças ob-
servadas entre o completo e os de-
mais tratamentos, revelaram acen-
tuadas deficiências de nutrientes,
fornecendo uma idéia geral sôbre
o comportamento dos solos latossó-
licos da Amazônia.
No local 3 os tratamentos Menos
Cálcio e Menos Micronutrientes
deram resultados superiores ao
tratamento Completo; isto é per-
feitamente normal dêsde que a
análise química dêsse solo revelou
uma acidez média.
No local 4 o tratamento Menos
Cálcio ultrapassou o tratamento
Completo, tendo também, a amos-
tra do solo revelado acidez média.
Nessa área havia ocorrido uma
queimada três meses antes da
instalação do ensaio.
No local 5, houve respostas aos
nutrientes pesquizados, se bem que
os resultados dos demais tratamen-
tos quando comparados com o
Completo, revelem uma fertilidade
média, com exceção do elemento
fósforo que apresentou grande de-
ficiência.
Os aumentos de produção de
massa verde, obtidos nos locais 2
e 5, são apresentados gràficamente
nas figuras 1 e 2 .
cm i
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
72
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Fig.
1 — Rendimento médio da planta extratora cultivada no local 5 (solo de
várzea) .
CONCLUSÕES
A deficiência quase total de fós-
foro é sintoma normal no latosol
e alguns solos de várzea, na região
Amazônica. Em segundo lugar des-
taca-se 0 Potássio, elemento bas-
tante deficiente cujas perdas são
sobretudo aceleradas com a erosão
hídrica vertical. O Nitrogênio, Cál-
cio e Magnésio geralmente apre-
cm i
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Volume 1 (Geociências)
73
sentam-se deficientes principal-
mente no Latosol da Amazônia. A
resposta a micronutrientes tam-
bém foi expressiva, sendo difícil
determinar qual o micronutriente
mais carente nos solos estudados,
devido ao fato de haverem sido su-
primidos em conjunto.
Essas conclusões apresentam
uma importância primordial, pois
a finalidade dessa pesquisa, foi co-
roada de pleno êxito, qual seja, for-
necer uma orientação segura para
planejamentos de ensaios e ex-
perimentos agrícolas, de grande
significação para a região.
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pora grignonensis Milne-Edwards,
1838, até então desconhecidas para
o Brasil como fósseis, embora os
gêneros de duas delas {Trigonopora
e Lichenopora) já houvessem sido
tratados em espécies atuais.
Dos exemplares aqui estudados
apresentamos todos os dados que
nos foi possível obter. Os demais
exemplares da coleção que possui-
mos e que ora iniciamos seu estudo
serão tratados posteriormente.
HISTÓRICO
Os Briozoários fósseis do Brasil
foram primeiramente estudados
em 1887 por White, que descreveu
uma forma fóssil denominada Lu-
nulites pileolus e assinalou que essa
forma do Rio Pirabas era associa-
da com numerosas espécies de Mo-
luscos e era muito interessante, es-
pecialmente, por aumentar a seme-
lhança entre a fauna cretácea bra-
sileira e a indiana. Compara Lunu-
lites pileolus à L. annulata de Sto-
licska, do cretáceo da índia Meri-
dional (Pal. Indica, V. IV, n. 2,
p. 22, est. II, figs. 5, 5a) , acrescen-
tando que diferem no arranjo das
células.
Em 1894, Derby, assinalou; Sy-
nocladia biserialis em Itaituba, no
calcário Bom Jardim; Fenestrella
shumardi em Itaituba, na praia e
calcário Bom Jardim e também no
Rio Curuá em Pacoval; Fenestrella
intermedia e Fenestrella sp. no cal-
cário Bom Jardim; Glauconome
trilineata no calcário Bom Jardim;
Polypora submarginata em Itai-
tuba nos matacões silicosos, calcá-
rio Bom Jardim e Pacoval no Rio
Curuá; Polypora sp. no calcário
Bom Jardim; Ptilodictia carbona-
ria no calcário Bom Jardim; Ptilo-
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76
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dictia sp. em Itaituba, na praia;
Stenopora sp. em Itaituba, na
praia; Fistulipora nodulifera em
Itaituba, na praia, calcário Bom
Jardim, Rio Trombetas no L. Ara-
picu e L. Abui; Rhombipora lepido-
dendroides em Itaituba, na praia e
calcário Bom Jardim; Monticuli-
pora sp. em Itaituba, no calcário
Bom Jardim.
Além dessas citações, assim se
refere aos Polyzoa:
“All the Identification in the above
table are given with doubt. because no
opportunity has been had for a com-
parison with specimens nor, in some
cases, with figure. The specimens re-
ferred to Synocladia biserialis, Fenes-
trella shumardi, and Glauconome tri-
lineata agree well with the figures
seen; those referred to Polypora sub-
marginata are probably distinct if that
species is correctly figured; Fenestrella
intermedia and Ptilodictya carbonarin
are identified from descriptions alone,
while a species of Polypora and of
Fenestrella cannot be referred satis-
factorily to any described form known
to me. The former bears considerable
resemblance to Synocladia virgulacea
as illustrated, but appears to differ
generically, while the latter ís some-
what like a species from the Ohio
Corniferous (P. gilberti, Meek). A
species of Fenestrella agrees well
with some from Nebraska referred to,
but probably not identical with, F.
plebeja Mc Coy. A peculiar ramose
form closely resembling, in general
appearance, Rhombipora lepidoden-
droides, but with Escarella like cells
which Show it to be a Polyzoa, cannot
be satisfactorily refered”.
Katzer (1903: 126) cita Lu-
nulites pileolus White, do Se-
noniano do baixo Amazonas. A
p. 150 cita Polypora submargi-
nata Meek e Rhombopora lepi-
dodendroides Meek, estando figu-
rados na Est. IV, do neo-carboní-
fero da região do baixo Amazonas.
À p. 152 acrescenta que os fósseis
do Tapajós até então conhecidos
são entre outros os seguintes Bryo-
zoa: Fenestella sp.; Polypora sub-
marginata Meek; Polypora sp.;
Ptilodicta cf. carbonaria Meek; Sy-
nocladia cf. biserialis Swallom; e
Glauconome cf. trilineata Meek. A
p. 165 — “Tôda a fauna do Trom-
betas atualmente conhecida é, pela
classificação de Derby, a seguinte”:
entre outros fósseis cita Fistuli-
pora nodulifera Meek. À p. 168,
enumerando os fósseis do Curuá,
acrescentando o jazigo de cada es-
pécie, cita Fenestella shumardi
Prout., Polypora submarginata
Meek e Synocladia sp., tôdas de
Pacoval. À p. 171 “Os fósseis que
ficaram conhecidos como proce-
dentes dos estratos calcários do
lago Cujubim, segundo as notas de
Derby são os seguintes:” entre ou-
tros fósseis cita Synocladia cf. bi-
serialis Swall. Do sistema devonia-
no à p. 181: “A fauna do arenito
espirifero no Rio Maecurú é muito
rica e apresentou até agora as se-
guintes espécies: Molluscoidea —
Bryozoa Rhombopora ambigua
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Volume 1 (Geociências)
11
Katzer, Stictopora sp. e Reptaria
stolonifera Rolle. À p. 189, dos are-
nitos do Curuá cita Fenestella pa-
rallela Hall.
Em 1924, Maxiry, de uma coleção
de fósseis do Rio Pirabas e Estação
Agronômica, descreveu aquêle
mesmo Lunulites de White e ainda
Cupularia canariensis, e encontrou
outros gêneros e espécies cujas for-
mas não permitiam ser classifica-
das devido ao péssimo estado de
conservação.
Em 1957 e 1959, Barbosa redes-
creveu Lunulites pileolus White,
1887 de Pirabas, e criou outras duas
(L. pirabicus Barbosa, 1959 e Ste-
ginoporella pirabensis Barbosa,
1959), confirmando a idade Mio-
ceno inferior para a formação Pi-
rabas. Em 1961, o mesmo autor ci-
tou uma nova ocorrência de Bryo-
zoa do Carbonífero superior do
Território do Acre (Polypora
sp.). Em 1965, ainda por Barbosa,
são descritas três novas espécies de
Bryozoa, do Carbonífero do Est. do
Pará: Monticulipora brasiliensis,
Barbosa, 1965; Polypora derbyi
Barbosa, 1965 e Septopcra katzeri
Barbosa, 1965.
Phylum BRYOZOA Ehrenberg, 1931
Sub phylum ectoprocta Nitsche,
1869
Classe GYMNOLAEMATA Allman,
1856
Ordem cheilostomata Busk,
1852
Sub ordem anasca Levinsen,
1909
Divisão MALAcosTEGA Levinseu,
1902
Família hincksinidae Canu &
Bassler, 1927
Gênero biselenaria Gregory, 1893
Biselenaria placentula
(Gregory, 1893)
(Fig. 1)
1867 — Diplotaxis placentula Reuss,
Ueber einige Bryozoen aus
deutschen Unteroligocan,
Sitz. K. Akad. Wissens.,
Wien, 1: 16, in Canu & Bas-
ser, 1920.
1893 — Biselenaria placentula Gre-
gory, Trans. Zool. Soc. Lon-
don, 13: 219-279, pis. 29-32,
in Bassler, 1953.
Descrição — Zoária orbicular
medindo 3 mm de diâmetro. Na
face externa os zoécios são orien-
tados para a margem do zoário. Na
base, os zoécios são orientados para
o centro do zoário.
Localidade — Poço Rast-l-Ap.
Rio Ai'aguari, Bacia do Marajó,
50°W aproximadamente, 1° 12’ N
aproximadamente. Profundidade,
279 m.
Coleção de Lâminas n.° 1, Lam.
II, célula 2 — Coleção de Inverte-
brados fósseis do Museu Nacional,
n.o 4 886-1.
Observações — A ocorrência do
gênero Biselenaria é Eoceno-Oligo-
78
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Fig. 1 — Biselenaria placentula (Gregory, 1893) X 10; fig. 2 — Trigonopora
monilifera (Milne-Edwards, 1836) X 15; fig. 3 — Lichenopora grignonensis
Milne-Edwards, 1838 X 11. Fot. Moacyr Garcia Leão.
ceno. Citado no Brasil, agora pela
primeira vez. Na coleção de lâmi-
nas aqui estudada existem dois
exemplares. Um segundo exemplar
está na lâmina VI, cel. 7 da mesma
coleção do exemplar figurado, de
uma profundidade de 273 m.
Não existem caracteres nos dois
exemplares que possam diferenciá-
-los da B. placentula.
Distribuição geológica — Oligo-
ceno da Alemanha.
Sub ordem ascophora Levinsen,
1909
Familia adeonidae Jullien, 1903
Gênero trigonopora Maplestone,
1902
Trigonopora monilifera (Milne-
Edwards, 1836)
(Fig. 2)
1836 — Eschara monilifera Milne-
Edwards, Ann. Sei. Nat.,
Zool., 5/6: 327, pl. 9, fig. 1.
1845 — Id. Michelin, Iconographie
Zoophytologique, p. 327, pl.
78, fig. 10 (in Vigneaux,
1949) .
1847 — Eschara punctata Reuss.
Haidinger’s naturwiss. Abth.,
Wien, 2 (4) : 691, pl. 8, fig.
25 (in Vigneaux, 1949) .
1859 — Eschara monilifera Busk,
Pal. Soc., Londres, p. 68, pl.
XI, figs. 1-3.
1862 — Id. Stolicska, Litz. K. Akad.
Wiss. Math. Naturw. 45 (1) :
88 (in Vigneaux, 1949) .
1862 — Escharella micropora Gabb
et Horn, J. Acad. Nat. Sei.
Philadelphia, n. s., 5 (2) :
136, pl. 19, fig. 17.
1877 — Eschara monilifera Man-
zoni, Reuk. Math. Natur. K.
Akad. Wiss., Vienne, 37 (2) :
59, pl. 5. fig. 20; pl. 6, fig. 21
(in Vigneaux, 1949).
1880 — Id. Seguenza, R. Acad. Lin-
cei. Mem. ci. Sei. Fis.
Math. Nat., Roma, (3) 6:
131, 208 e 371. (in Vigneaux,
1949) .
1887 — Id. Pergens, Buli. Soc. R.
Malacol. Belgique, 22: 27
(in Vigneaux, 1949).
1891 — Escharoides monilifera Ne-
viani, Boll. Soc. Geol. Ital.,
10: 125 fig. 2 (in Vigneaux,
1949).
cm i
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Volume 1 ( Geociências )
79
1898 — Id. De Angelis, Los primeros
antozoos y briozoos mioce-
nicos recogidos en Catalug-
na, Barcelona, p. 24. (in
Vigneaux, 1949).
1900 — Schizoporella monilifera Ne-
viani, Boll. Soc. Geol. Ital ,
19 (1) : 22 (in Vigneaux,
1949) .
1909 — Monopora gigantea Canu,
Boi. Soc. Geol. Fr., (4), 9:
457, pl. XVIII, fig. 4-5 (in
Vigneaux, 1949).
1912 — Schizoporella monilifera Ca-
nu, Mem. Inst. Egyptien,
6 (3) : 210 (in Vigneaux
1949).
1914 — Metrarabdotos moniliferum
Canu, Buli. Soc. Geol. Fr.,
14: 472.
1920 — Id. Canu & Bassler, Buli.
U. S. Nat. Mus., 106: 533,
pl. 98, íig. 1-10.
1920 — Id. Duvergier, Actes Soc.
Linn. Bordeaux, 72 (2) : 154
(in Vigneaux, 1949).
1923 — Id. Duvergier, Ibid., 75:
152, fig. 2 (in Vigneaux.
1949).
1925 — Id. Canu et Lecointre, Mem.
Soc. Geol. Fr., 4: t. VI, fig.
3, p. 59, pl. VIII, fig. 6-7 (in
Vigneaux, 1949).
1949 — Id. Mem. Soc. Geol. Fr., n.
s. 60 90, pl. VIII, fig. 13.
1953 — Trigonopora monilifera Bas-
sler, Geol. Soc. of America,
part G, p. 214, fig. 162.
Localidade — Poço Cost-l-Pa —
Ilha Camaleão, Bacia do Marajó,
Lat. 0° 12’ 45” S. — Long. 48° 55’
15”, Prof. 498 m.
Coleção de lâminas n.o i, lam. X,
cel. 4, Coleção de Invertebrados
fósseis do Museu Nacional, n.°
4886-1.
Distribuição Geológica — Oligo-
ceno de Alabama, Mississipi (U.S.
A.) e Alemanha. Mioceno de Espa-
nha, França, Hungria e Itália.
Eoceno da Galicia. Plioceno da Itá-
lia, Inglaterra e Bélgica.
Distribuição na Bacia Amazô-
nica — Cost-l-Pa — Ilha Cama-
leão, Bacia do Marajó, Lat. 0°12’
45”S., Long. 48055’15”W.
Prof. 480 m — Lâmina XIII, cel. 4
” 495 m — ” X ” 1
” 498 m — ” X ” 4
e 5 (4 é o figurado) Rast-l-Ap. — Rio
Araguari — Bacia do Marajó, 50° W e
1° 12’ N. aproximadamente.
Prof.
Idade Geológica — Provável-
mente mioceno, pois correlaciona-
mos os poços Rast-l-Ap e Cost-l-Pa
com o poço de Cururú estudado
por Petri (1954), onde o autor ad-
mite como certo a idade mioceno
para o intervalo de 740 a 245 m,
pois ai aparecem fósseis caracterís-
ticos dêsse período. Entretanto, na
coleção de Briozoários agora estu-
em i
SciELO
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80
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dados encontramos exemplares até
1.110 m de profundidade como vi-
mos acima. Podemos fazer restri-
ções a êsse material de 1.110 m por
se tratar de amostras de calha,
apesar de que a referida espécie é
encontrada desde o Eoceno.
Observações — O zoário aqui fi-
gurado mede 2 mm de compri-
mento e 1 mm de largura. Não
existem caractéres que possam di-
ferenciá-lo de Trigonopcra monili-
fera.
Como representantes atuais do
gênero Trigonopora no Brasil, exis-
tem as espécies T. guio Marcus,
1955 e T. unguiculata (Canu &
Bassler, 1928), procedentes do Es-
pírito Santo ao sul de Vitória a
35 m.
Ordem cyclostomata Busk, 1852
Sub Ordem bectangulata Waters,
1887
Familia lichenoporidae Smitt,
1866
Gênero lichenopora Defrance,
1823
Lichenopora grignonensis (Milne-
Edwards, 1838)
(Fig. 3)
1823 — Lichenopora crispa Defran-
ce, Dictionaire des Sciences
naturelles, 26: 257 (ín Canu
& Bassler, 1920).
1838 — TubuliporagrignonensisMil-
ne-Edwards, Ann. Sei.
natur., Paris, 9: 13, pl. 13,
fig. 2.
1845 — Id. Michelin, Iconographie
Zoophytologique, Paris, p.
169, pl. 46, fig. 7 (in Canu
& Bassler, 1920).
1852 — Unicavea grignonensis D’Or-
bigny, Paleontologie jran-
çaise.Terrainscrétacé, Bryo-
zoaires, p. 971.
1852 — Discocavea parnensis D’Or-
bigny, Id., p. 958.
1852 — Radiotubigera grignonensis
D’Orbigny, Id. p. 756.
1852 — Discocavea crispa D’Orbig-
ny, Id. p. 756.
1886 — Discoporella grignonensis
Pergens and Meunier, Les
Bryozoaires du Système
Montien, Louvain, p. 14 (in
Canu & Bassler, 1920) .
1909 — Lichenopora grignonensis
Canu, Ann. Paleontol.^ 5:
134, pl. 17, fig. 3-7.
1920 — Id. Canu & Bassler, Boi.
U. S. Nat. Mus., 106; 818, pl.
129, fig. 1-11.
Localidade: — Poço Cost-l-Pa
— Ilha Camaleão, Bacia do Mara-
jó, Lat. 0° 12’ 45”S. Long. 48° 55’
15” W, Prof. 486 m.
Coleção de lâminas n.° 1, lâm.
XXI, cel. 5, Coleção de Invertebra-
dos fósseis do Museu Nacional, nú-
mero 4.886-1.
Distribuição geológica — Eoceno
de Alabama, Geórgia, Mississipi,
Carolina do Norte, Carolina do Sul,
(U.S.A.), Paris e Bélgica.
cm i
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Volume 1 (Geociências)
81
Observações — Como represen-
tante atual do gênero Lichenopora
no Brasil, existe a espécie Licheno-
pora tónica Marcus, 1955 proce-
dente da Ilha de S. Sebastião, 100
quilômetros a leste de Santos, no
mar razo. Esta espécie até hoje foi
registrada apenas para o Eoceno;
no entanto pela correlação que fi-
zemos do poço Cost-l-pa com o poço
de Cururú (Petri, 1954) seria a
primeira ocorrência no mioceno;
sòmente com estudos posteriores
da coleção ora tratada é que pode-
remos nos referir com certeza
quanto a idade geológica.
Agradecimentos — A coleção de lâ-
mina a que nos referimos no decorrer
do texto, nos foi gentilmente fornecida
pela Petrobrás através o Dr. Carlos
Walter Campos a quem deixamos aqui
consignados nossos agradecimentos. As
fotografias foram feitas pelo Sr. Moa-
cyr Garcia Leão, do Museu Nacional, a
quem também somos gratos.
SUMMARY
i
This paper presents a history of
previous work on Bryozoa in the
Amazonian region, and a study
of three species, Biselenaria pla-
centula (Gregory, 1893) ; Trigono-
pora monüifera (Milne-Edwards,
1836) and Lichenopcra grignonen-
sis Milne-Edwards, 1838, previous-
ly not known as Fossils in Brazil,
though two of the genera (Trigo-
nopora and Lichenopora) had been
know as living species.
All of the available data are
given for the specimens studied.
Other specimens of the same col-
lection are yet to be studied by the
author.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 83-86 — 1967
TECTÔNICA NA BACIA AMAZÔNICA
OCTAVIO BARBOSA
Prospec, Petrópolis, Rio de Janeiro
(Com uma figmra no texto)
1 — A bacia amazônica formou-
-se sôbre um Embasamento crista-
lino que é apelidado de Escudo
Guianense, ao norte, e de Escudo
Brasileiro Central, ao sul. Êsses es-
cudos constam de metamorfitos e
intrusivos. Os metamorfitos são
parametamorfitos ou ectinitos e
metavulcanitos. Merecem destaque
os protomtnérios de manganês do
Amapá e das Guianas Inglesa,
Francesa e Holandesa, onde êles
acusam idade geocronológica de
mais de 2.600 milhões de anos
(Choubert, 1965). Essa idade cor-
responde ao granito Iwokrama, do
sul da Guiana Inglesa. Outros pa-
rametamorfitos posteriores sofre-
ram intrusão do granito chamado
Caraíba na Guiana Francesa e que
tem idade de 1.900 milhões de anos.
Nova série de parametamorfitos,
intrometida de um magma toleí-
tico, data de 1.700 milhões de anos.
No território do Roraima e na
Guiana Inglesa, êsses metamorfi-
tos são essencialmente arenítico-
quartzíticos e constituem o Grupo
Kaieteur. Mais jovens ainda que
êles são os importantes metasedi-
mentos ferríferos do Amapá, do
Surinam e da Venezuela, introme-
tidos de um granito de cêrca de
1.200 milhões de anos. No lado me-
ridional da bacia Amazônica, os
granitos estaníferos mais jovens
(Tapajós e Rondônia) provavel-
mente datam do início do paleo-
zoico, como acontece com os seus
homônimos do Nordeste Brasileiro.
Inoportuno, por falta de dados su-
ficientes, querer deslindar a histó-
ria tectônica do Embasamento das
Guianas e do Brasil Central. Mas o
que se lê nas linhas atrás já indica
quatro episódios dessa história.
2 — A bacia amazônica teve iní-
cio muito cedo, isto é, no eopaleo-
zóico. As rochas do grupo Uatumã,
de idade pré-süuriana, bordejam a
bacia sedimentária marinha, tanto
do lado setentrional como do me-
ridional, e são conhecidas também
em perfurações da Petrobrás. Es-
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84
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
sas rochas constam de sedimentos
elásticos, piroclásticos e vulcanitos
de um magma andesitico-riolítico.
Nuvens ardentes consolidaram-se
em ignimbritos (Tapajós). É de se
supôr que êste vulcanismo marque
o inicio da grande subsidência, de
eixo oeste-leste, que criou a bacia.
O Embasamento cristalino tinha
superficie irregular na época da
sedimentação e vulcanismo Uatu-
mã.
3 — A bacia sedimentária paleo-
zóica amazônica extende-se por
750.000 quilômetros quadrados. Ela
não é um todo contínuo homogê-
neo, como se poderia imaginar. Os
estudos geológicos e geofísicos da
Petrobrás indicam que ela consta
de quatro partes, ou sub-bacias,
separadas por altos do Embasa-
mento (vide figura) . As sub-bacias
são: Acre, Alto Amazonas, Médio
Amazonas e Marajó. Entre as duas
primeiras atravessa-se o Arco de
Iquitos. Entre o Alto e o Médio
Amazonas, apresenta-se soterrado
o Arco de Purús. Entre o Médio
Amazonas e a fossa de Marajó, en-
contra-se o “Horst” Gurupá. A
sub-bacia Marajó separa-se da Ba-
cia Maranhão pelo Arco Tocantins.
Quando se formaram essas unida-
des tectônicas?
4 — A sub-bacia do Alto Amazo-
nas não contém sedimentos mari-
nhos do siluriano inferior (grupo
Trombetas). Então o arco Purús
já fazia saliência separadora das
sub-bacias do Alto e do Médio Ama-
zonas.
5 — Essa saliência ainda preva-
leceu, mas não foi barreira total,
ao mar do Devoniano inferior-mé-
dio. Assim é, porque êsses sedi-
mentos são bem representados no
Médio Amazonas, mas são escassos
no Alto Amazonas. A subsidência
que se seguiu ao hiato temporal
que vai do siluriano inferior ao de-
voniano inferior é marcada por
uma discreta discordância.
6 — Volta o mar a retrair-se da
bacia amazônica desde a época do
carbonífero superior (pensilvania-
no). A transgressão pensilvaniana
se inicia com areias (formação
Monte Alegre), prossegue com se-
dimentos químicos (formação Itai-
tuba) e se termina por uma regres-
são, com lagunas de evaporitos
(formação Nova Olinda) . Desde
então, não mais voltou o mar às
sub-bacias do Médio e do Alto Ama-
zonas. Ainda no paleozôico, conti-
nuava o Acre como terra firme.
7 — No permiano, a área da ba-
cia amazônica é um continente bai-
xo e nela se depositam “red beds”
(formação Sucunduri) . Êsses sedi-
mentos são conhecidos especial-
mente no lado meridional e em al-
gumas perfurações. Apresentam-se
também no fundo da sub-bacia
Marajó (Amaral, 1955), isto é, en-
tre 3.741 e 3.862 metros de profun-
didade na Sondagem de Cururu.
Volume 1 (Geociências)
85
, "MORSfOC
yGURUPA
BACIA DE
MARAjCf
BAÇIAOEJÃO LUir
,>orst"de rosário
BACIA OE 6ARREIRIRHAS
/BACIA DO RIO
GRANDE DO NORTE
^ BACIA DE
SER6IPE-ALAGÔAS
BACIA DO
RECÔNCAVO-TUCANO
BACIA DO
'espirito santo
escala
500 lOOOkrw
Fig. 1 — Bacias sedimentárias brasileiras, conforme Boi. Téc. Petrobrás,
1964, vol. 7, n.° 2.
Nessa sondagem são capeadas por
1? melros de basalto toleítico.
8 — No triássico inferior, provà-
velmente como conseqüência de
falhamentos que retalhavam o
Embasamento, acontece o vulca-
nismo toleitico, representado na
bacia sob forma de derrames, di-
ques e sills. Data de 210 milhões de
anos (Laboratório de Geocronolo-
gia de São Paulo).
9 — Provavelmente o vulcanismo
toleítico era muito vasto na área
amazônica porque extensamente
distribuídas são suas balisas. De-
pois, longo período erosivo desen-
volveu-se até 0 cretáceo superior,
êste representado na bacia por se-
dimentos continentais esparsos em
várias posições: na sondagem de
Nova Olinda, onde se achou um
dente de dinosauro (Price) ; em
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86
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Itauajurí; na fossa Marajó, por ci-
ma do basalto, de 3.729 até 1.463
metros de profundidade. Essa cons-
tatação prova que a tectônica ger-
mânica de falhas que deu motivo
ao aparecimento do “horst” Gu-
rupá e do “graben” Marajó data
da época do neo-cretáceo.
10 — A partir do cretáceo infe-
rior, já a sub-bacia do Acre, até
então terra firme, desde o pré-
Cambriano, recebia sedimentação
do tipo do mesozóico do Ucaiale.
11 — Fora da fossa Marajó, a
bacia amazônica permanece como
terra firme e sofre contínua ero-
são até o terciário superior. Já na
fossa Marajó, sôbre o cretáceo, vão
se depositando sedimentos mari-
nhos do eoceno-oligoceno (Petri,
1954) . Essas camadas se encontram
na Sondagem Cururu entre 465 e
1.468 metros de profundidade.
12 — Depois de longo hiato, do
terciário inferior ao superior, a
bacia sedimentária amazônica e as
terras da orla dos escudos são
avassaladas, no plioceno, pela gi-
gantesca sedimentação continen-
tal das “Barreiras”. É óbvio que
essa sedimentação se deu ecumê-
nica e concomitantemente por tôda
a parte, a partir dos escudos, ao
norte e ao sul. A sedimentação
Barreiras é conseqüente a um clí-
max de arqueamento dos escudos
das Guianas e do Brasil Central.
13 — Nesse clímax de “warping”,
reativam-se antigas falhas, denun-
ciadas no traçado peculiar de
certos tributários do Amazonas
(Sternberg, 1956) e em episódios
de cessação e retomada de aluvio-
namento nos rios Tocantins e Ara-
guaia (Barbosa, 1961).
Classificação tectônica da bacia
amazônica — Segundo M. Kay é
um auto-geosinclíneo, conforme
mostra a sucessão de episódios de
subsidência e emersão no paleo-
zóico, e não um tafro — geosinclí-
neo (um “graben”) , como re-
fere Locsy em publicação recente
(1965).
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geocièncias): 87-119 — 1967
QUITINOZOÁRIOS SILURIANOS E DEVONIANOS DA BACIA
AMAZÔNICA E SUA CORRELAÇÃO ESTRATIGRÁFICA
NORMA MARIA DA COSTA VAN BOEKEL
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 3 figuras no texto e 3 estampas)
Para o estudo da distribuição
dos quitinozoários na Bacia Ama-
zônica e sua possível correlação es-
tratigráfica, analisamos amostras
pertencentes às coleções da Divi-
são de Geologia e Mineralogia do
Departamento Nacional de Produ-
ção Mineral do Rio de Janeiro e
examinamos tôda a bibliografia
referente à êste grupo.
As amostras estudadas perten-
cem às seguintes localidades: 1)
Folhelho de Barreirinha, rio Tapa-
jós, município de Itaituba, Estado
do Pará. 2) Testemunhos da son-
dagem 56 do Serviço Geológico e
Mineralógico do Brasil (1926) em
Bom Jardim, município de Itai-
tuba. Estado do Pará. 3) Aflora-
mentos devonianos do rio Tapajós,
município de Itaituba, Estado do
Pará. 4) Pôrto de Macauarí, mar-
gem esquerda do rio Jatapu, Es-
tado do Amazonas. 5) Cachoeira
da Porteira, primeira cachoeira do
rio Jatapu, margem direita. Estado
do Amazonas.
Para correlação estratigráfica,
estudamos palinofácies de algumas
localidades pertencentes às bacias
sedimentares Tocantins-Araguaia,
Paraná e Tucano-Jatobá.
Na bacia Tocantins-Araguaia fo-
ram estudadas as seguintes locali-
dades: 1) Poço da Cangica, pro-
fundidade 4 metros, município de
Aragarças, Estado de Goiás. 2) To-
cantínia, município de Tocantínia,
Estado de Goiás. 3) Ribeirão do
Monte, município de Caiapônia
(ex-Rio Bonito), Estado de Goiás.
Na bacia Paraná, a bibliografia
indica estudos de Lange (1949), no
folhelho de Ponta Grossa, municí-
pio de mesmo nome. Estado do Pa-
raná.
Pertencente à bacia Tucano-Ja-
tobá, analisamos o testemunho nú-
mero 22 de 2.663 - 2.666 metros
de profundidade, do Poço Imst-1-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Pe, realizado pela Petrobrás em
Ibimirim, Estado de Pernambuco.
REFERÊNCIAS GEOLÓGICAS ÀS
LOCALIDADES ESTUDADAS
NA BACIA AMAZÔNICA
1) Folhelho de Barreirinha, mu-
nicípio de Itaituba, Estado do Pará
Transcrevemos alguns trechos
de Moura (1932: 17), quando
coloca o referido folhelho no De-
voniano :
“Hartt colocou os folhelhos de Bar-
reirinha no carbonífero e Derby — es-
tribado em alguns restos de peixes, e
principalmente por um único fóssil,
Spirophyton typum, Hall, achado perto
da localidade supra-mencionada refe-
riu-os ao devoniano. Investigações pos-
teriores no mesmo lugar, não fornece-
ram a Katzer fósseis nestes paredões
e afloramentos de folhelhos, motivo
pelo qual êste geólogo colocou estas
formações na base do carbonífero su-
perior.
Os nossos trabalhos de sondagens em
Itaituba forneceram-nos, em relativa
abundância, fósseis indubitàvelmente
devonianos, muitos dos quais ocorrem
na faixa norte. A identidade de fósseis,
posição estratigráfica e semelhança li-
tológica são os muitos elementos de
que agora dispomos para colocar defi-
nitivamente no devoniano os discuti-
dos folhelhos de Barreirinha.”
No mesmo trabalho, o autor faz
o seguinte comentário, referente à
situação geográfica desta locali-
dade:
“Folhelhos — De Pauinim à foz do
rio Tapacurá, nota-se um paredão de
folhelho cinzento-argiloso, com pe-
queno mergulho para o norte.
As terras da margem esquerda, a
montante de Samaúma, até a ponta
SO da ilha de Itapocu, são baixas e
não mostram a relação que guardam
entre si as exposições de arenito car-
bonífero e os folhelhos que formam o
chamado paredão de Tajaquara, pare-
dão êste que se encontra perto da ci-
tada ponta SO da ilha de Itapocú.
Êstes talhados naturais recebem o
nome genérico de paredões de Barrei-
rinha, nome que lhes provêm de um
lugar que fica a montante. São os
maiores afloramentos paleozóicos do
baixo Tapajós, com uma altura de 20
metros, ou pouco mais, e constituídos
de folhelhos argilosos cinzento-es-
curos ou quase pretos, de finos leitos e
nos quais se encontram pequenas es-
camas de peixes. Nestas camadas
jazem curiosas concreções calcáreo-
-ferruginosas, às vêzcs de grandes di-
mensões. Êstes folhelhos são betumi-
nosos e ardosianos, estendendo-se até
Barreirinha, em cujas praias existem
muitas concreções. (Sferosideritas) .”
SOMMER (1953) coloca êste fo-
lhelho no Devoniano médio, grupo
Curuá, correspondente ao grupo
Hamilton dos E.U., com base na bi-
bliografia consultada a respeito do
folhelho em foco.
2) Sondagem 56 do Serviço Geoló-
gico e Mineralógico do Brasil
(1926), Bom Jardim, município
de Itaituba, Estado do Pará —
A sondagem 56 foi executada em
1925 26 pelo Serviço Geológico e
Mineralógico do Brasil, sob a orien-
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Volume 1 ( Geociências )
89
tação dos geólogos Avelino Ignácio
de Oliveira e Pedro de Moura. Si-
tua-se a referida sondagem em
Bom Jardim, município de Itai-
tuba, à margem esquerda do rio
Tapajós, altitude local 45 metros
acima do nível do mar. Estado do
Pará.
Esta sondagem revelou nos 445
metros perfurados, 271 metros de
camadas devonianas, filiadas, re.s-
pectivamente, ao grupo Curuá e
Maecurú, além de camadas carbo-
níferas, no tôpo e silurianas na
base.
Dêste furo, estudamos 7 amos-
tras representativas, devonianas e
silurianas, correspondentes às se-
guintes profundidades:
160 m — Folhelho cinzento escuro,
textura compacta, fratura lisa
e brilhante. Grupo Curuá. So-
mente observados nesta pro-
fundidade alguns represen-
tantes de Tasmanáceas.
196,50 m — Folhelho prêto ardo-
siano, dividindo-se em placas
de superfície lisa, ao choque
do martelo, apresentando, às
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
vêzes, cintas estreitas e muito
claras. Ocorrência de um leito
de carvão de côr negra, bri-
lhante, recortado por finos
veios calcários, grupo Curuá.
Além de Tasmanáceas. Obser-
vamos também, neste teste-
munho, o aparecimento dos
Quitinozoários.
333,450 m — Folhelho prêto argi-
loso com inúmeras e finas in-
tercalações de leitos argilosos
e süiciosos brancos, o que lhe
dá uma tonalidade mesclada
cinzenta. Êste testemunho,
correspondente ao grupo Mae-
curu, apresenta grande abun-
dância de Tasmanáceas e Qui-
tinozoários.
340,410 m — Conglomerado de sei-
xos rolados, cimento silicioso,
indicativo da passagem do Si-
luriano ao Devoniano. Além
dos microfósseis observados na
amostra superior, foi consta-
tada também a presença de
representantes de Histricosfe-
rídios.
348 m — Folhelho prêto ardosiano
com finíssimos leitos brancos
argilosos. Siluriano superior.
Ocorrência de Tasmanáceas,
Quitinozoários, Histricosferí-
dios e alguns fragmentos de
Graptólitos.
352 m — Folhelho prêto ardosiano
com numerosos leitos brancos
argilosos e siliciosos. Siluriano.
A palinofácies desta amostra
inclui representantes de Tas-
manáceas, Quitinozoários, His-
tricosferídios e grande quanti-
dade de Graptólitos (sículas).
3) Afloramentos devonianos do
rio Tapajós, Estado do Pará
Em 1951, Dr. Salustiano de Oli-
veira, coletou uma série de amos-
tras de afloramentos, às margens
do rio Tapajós, no município de
Itaituba, identificando-as como lo-
calidades 58, 59, 61, 63, 67 e 71
(vide mapa, fig. 2) .
Estudamos estas amostras ana-
lisando a constelação de microfós-
seis nelas observadas, o que nos
permite sugerir para as mesmas a
idade de Devoniano médio. Foi as-
sinalada a presença de Quitinozoá-
rios nas localidades 58, 59, 61, 67
e 71.
4) Pôrto de Macauarí, rio Jatapu,
Estado do Amazonas
As amostras estudadas desta lo-
calidade, foram coletadas pelo
Dr. Heitor Façanha em 1965, pró-
ximo ao igarapé Macauarizinho,
pôrto de operações do Macauarí,
margem esquerda do rio Jatapu,
aproximadamente a 191 km da foz
do Uatiunã (mapa da fig. 3).
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Volume 1 (Geociências)
91
Albuquerque (1922) faz a se-
guinte referência aos folhelhos
desta localidade:
“No fim do estirão do Taperebatuba,
próximo à barranca Santa Maria (de
seringueira) aparecem os primeiros fo-
lhelhos ardosianos, horizontais, e so-
bre êles, esparsas, concreções de argi-
lito residual, pela erosão da argila ter-
ciária. Êstes folhelhos passam a ver-
dadeiras ardósias betuminosas no es-
tirão de Macauary, que é o seguinte a
montante. São paredões semelhantes
aos de Uatumã e o local tem o seu
nome. Estas ardósias são apenas vistas
até junto à bôca jusante do Paraná,
que cerca a Praia Grande, ao pé da
primeira cachoeira do Jatapu, e con-
sideramo-las devonianas por serem as
mesmas do Capu-Capu, e pelas razões
expostas quando relatamos a explora-
ção dêste rio.”
Êste folhelho apresentou-se ex-
tremamente rico em Tasmanáceas
e Quitinozoários e o estudo siste-
mático e analítico dêstes microfós-
seis permitiu-nos indicar para o
mesmo a idade de Devoniano mé-
dio — grupo Curuá, em habitat to-
talmente marinho.
5) Cachoeira da Porteira, margem
direita do rio Jatapu, Estado
do Amazonas
Desta localidade foram estuda-
das amostras de um arenito silici-
ficado, coletado pelo Dr. Heitor Fa-
çanha em 1965, à margem direita
do rio Jatapu, próximo ao pôsto de
S.P.I., na primeira cachoeira do rio
Jatapu a cêrca de 193 km da foz
do Uatumã.
Referente a esta localidade Al-
buquerque (1922:43), faz os se-
guintes comentários:
“As ardósias são apenas vistas até
junto à bôca jusante do Paraná, que
cerca a praia Grande, ao pé da pri-
meira cachoeira do Jatapu.
Acima da Cachoeira o rio corre na
direção média N.S.; os arenitos se su-
cedem ininterruptamente até a ca-
choeira do Pica-Pau, que se acha a 27
km, a montante. São arenitos nor-
mais, algumas vezes intercalados de
folhelho argiloso, formando um com-
plexo sedimentar, sem notável dife-
rença entre os membros. Ora são friá-
veis, ora tenazes e duros nas arestas
que formam os rápidos, onde tomam,
como na longa corredeira do Anamã,
na cachoeira da Batata e na do Ta-
maquaré, o aspecto de silex; apresen-
tam-se então em camadas delgadas.
Quando em camadas espessas são ge-
ralmente mais friáveis como as que
forma os campos sujos a montante da
cachoeira do Sapo. São geralmente
grãos finos, e êste caráter se acentua
principalmente para o fim da sua ex-
posição na cachoeira do Urubú e suas
adjacências, onde são muito friáveis,
desfazendo-se ao choque do martelo
em uma areia amarela, semelhante à
das dunas.
Caráter muito notável nestes are-
nitos são as concreções ferruginosas
sóbre as superfícies de sedimentação,
realçando-as e deixando ver suas im-
pressões de ondas e, portanto, sua qua-
lidade e formação de águas pouco pro-
fimdas. Estas concreções protegem a
rocha contra a erosão do rio, formando
assim carapaças ferruginosas sóbre o
92
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Fig. 2 Mapa de um trecho do rio Tapajós, com as localidades estudadas.
arenito friável. Não encontramos fós-
seis nestes arenitos, quase horizontais,
mas consideramo-los devonianos por-
que em arenitos semelhantes, no rio
Uatumã, julgamos vêr nesta mesma
constância de concreções ferruginosas
realçando a estrutura da rocha o que
0 Dr. Derby observou nos arenitos do
devoniano inferior do Trombetas.
Êste complexo forma alguns apara-
dos na margem esquerda do rio, como
a montante da primeira cachoeira e o
do fim da serra do Batata, alto de
75m e de dificílimo acesso. Aqui o are-
nito é de grã finíssima e friável alter-
nando com folhelhos argilosos brancos
ou vermelhos, finalmente lamelares.
Esta formação sem os leitos argilosos
é encontrada no Uatumã, onde a pri-
meira vista supuzemos serem dunas
consolidadas com cascões de ferro,
mas os leitos finos e paralelos exclue
esta hipótese. Representam pela hori-
zontalidade que ainda têm suas linhas
de estratificação as testemimhas de
formações muito desnudadas, pois, se
bem que seja notável que êstes apara-
dos se encontrem sòmente na margem
esquerda, não vimos nenhuma evi-
dência de falhas.”
Apesar de Albuquerque naquela
ocasião não ter podido assinalar a
presença de fósseis neste arenito,
atualmente podemos citar a ocor-
rência de variada constelação de
microfósseis representada por gran-
de número de esporos e Quitino-
zoários.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
gênero Pterochitina Eisenack, 1955
P. perivelata Eis., 1955
LAGENOCHITIXIDAE Eisenack,
1931
“Morfologia lageniforme. Larga-
ra maior próximo ao meio do eixo
longitudinal. O bôjo passa, paula-
tinamente para o segmento do pes-
coço. Bòca lisa.”
Lagenochitina Eisenack, 1931
“Apresenta os mesmos caracteres
da familia”.
Lagenochitina avelinoi Lange,
1952 (Est. I, fig. 1)
Descrição original: “Organismos
cilindricos, alongados, claviformes,
completamente lisos e desprovidos
de espinhos, de côr prêta passan-
do a ambar escuro na região pos-
terior mais delgada e transparen-
te; o corpo ocupa dois terços do
comprimento total e é ligeiramen-
te entumecido, com a região ante-
rior arredondada e completamen-
te fechada, passando em direção
posterior gradativamente a um tu-
bo basal, cujo diâmetro correspon-
de à metade da largura do corpo,
e cuja abertura basal é circunda-
da por uma dilatação da membra-
na em forma de gola. Em geral os
espécimes se encontram compri-
midos, e a margem basal apresen-
ta um aspecto franjado e irregular
devido à ruptura do tubo; obser-
va-se uma certa variabilidade en-
tre a relação do comprimento do
corpo e do tubo, a qual, no entan-
to, não apresenta qualquer dife-
rença especifica, pois é em parte
devida à maior ou menor compres-
são dos individuos, ou então à di-
ferente altura em que se deu a
ruptura do tubo.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 363 u, diâmetro maior
do bôjo 87 u, diâmetro do pescoco
40 n.
Localidade - tipo: Folhelho de
Barreirinha, paredão de Tajaqua-
ra, margem esquerda do rio Tapa-
jós, entre Bom Jardim e Barreiri-
nha, município de Itaituba, Esta-
do do Pará (Devoniano médio) .
Ocorrência na Bacia Amazô-
nica: Folhelho de Barreirinha,
município de Itaituba, Estado do
Pará (Devoniano médio) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
Lagenochitina brevicollis Taug
& Jek., 1960 (Est. I, fig. 4)
Tradução da descrição original:
“Bôjo variável, ovóide, globuloso,
por vêzes apresentando um con-
torno anguloso; pescoço muito
curto, alargandose na abertura
oral.”
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Volume 1 (Geociências)
95
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 200 diâmetro maior
do bôjo 130 Li.
Localidade-tipo: Sondagens Af 2
e AbI, norte do Sahara, África do
Norte (Ordoviciano) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Esta-
do do Pará. Profundidade 352 me-
tros (Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ribeirão do Monte, muni-
cípio de Caiapônia (ex-Rio Bonito) ,
Estado de Goiás (Devoniano infe-
rior) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano — Devoniano in-
ferior.
Lagenochitina sphaerica Coll. &
Schw., 1955 (Est. I, fig. 3)
Tradução da descrição original:
“Bôjo esférico a sub-esférico, ter-
minando orahnente por um colari-
nho reto na extremidade de um
curto pescoço. O bôj,o apresenta
aboralmente uma proeminente pa-
pUa fendilhada; parede do l?ôjo es-
pessa e opaca; superfície externa
finamente revestida de tubér-
culos.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 270 u, diâmetro maior
do bôjo 220 p.
Localidade-tipo: Furo 1, Burr
Lambert Co., município de Jack-
son, Illinois, Estados Unidos. Pro-
fundidade 2.500 - 2.505 pés (Clear
Creek chert — Devoniano médio) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Esta-
do do Pará. Profundidade 196,50
metros (Devoniano médio) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica
Brasil: Devoniano médio.
no
Lagenochitina sommeri (Lange,
1952) Grig. & Mant., 1964
(Est. I, fig. 2)
Descrição original: “Até o mo-
mento não foram encontrados
agrupamentos ou cadeias dêstes
chitinozoários, motivo porque a
descrição é baseada em espécimes
isolados. Êstes microfósseis apre-
sentam a forma de um balão alon-
gado, com 0 maior diâmetro no
primeiro terço anterior do corpo,
adelgaçando-se daí gradativamen-
te para traz em curva contínua,
sem chegar a formar um tubo vi-
sivelmente destacado do corpo; na
base geralmente ocorre uma ligei-
ra constrição, cuja largura corres-
ponde à metade do maior diâme-
tro do corpo. Em muitos espécimes
a margem basal é circundada por
uma dilatação da membrana em
cm i
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96
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TRECHO DO RIO JATAPU (AMAZONAS)
sirwA^
tras
Fig. 3 Mapa de um trecho do rio Jatapu onde foram coletadas as amos-
estudadas.
forma de estreita orla ou gola. Em
espécimes tornados transparentes
por maceração, verifica-se que a
base se encontra obstruída por um
tampão cilíndrico, o qual tanto
pode estar inteiramente inserido
na região basal, como parcialmen-
te projetado para fora. Até agora
não foi encontrado um agrupa-
mento de L. sommeri, mas a pre-
sença do tampão basal, caracterís-
tico dêste gênero, sugere que tam-
bém esta espécie chegava a formar
cadeias, as quais podem se ter rom-
pido durante a preparação ou mes-
mo antes ou durante o transporte
e a deposição dêstes organismos. O
tampão é em parte responsável
pela constituição da gola basal. A
côr dêstes organismos é preta, e
a sua superfície é completamen-
te lisa e desprovida de espinhos.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 162 u, diâmetro maior
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
97
do bôjo 102 |i, diâmetro do pesco-
ço 48 u.
Localidade -tipo \ Folhelho de
Barreirinha, paredão de Tajaqua-
ra, margem esquerda do rio Tapa-
jós, entre Bom Jardim e Barreiri-
nha, município dè Itaituba, Esta-
do do Pará (Devoniano médio) .
Ocorrência na Bacia Amazôni-
ca: 1) Barreirinha, rio Tapajós,
município de Itaituba, Estado do
Pará (Devoniano médio) . 2) Pôrto
de Macauarí, margem esquerda do
rio Jatapu, aproximadamente a
191 km da foz do Uatumã, Estado
do Amazonas (Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Poço da Cangica, muni-
cípio de Aragarças, Estado de
Goiás. Profundidade 4 metros (De-
voniano inferior). 2) Ribeirão do
Monte, mimicípio de Caiapônia
(ex-Rio Bonito), Estado de Goiás
(Devoniano inferior) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior — mé-
dio.
Angochitina Eisenack, 1931
“Morfologia externa semelhante
à Lagenochitina, porém com super-
fície revestida de espinhos.”
Angochitina bifurcata Coll. &
Schw., 1955 (Est. I, fig. 9)
Tradução da descrição original:
“Bôjo piriforme terminado oral-
mente por um colarinho sub-cilín-
drico, longo, fino e transparente,
na extremidade de um pescoço
conspícuo que se alarga na extre-
midade oral. Bôca simples. Parede
do bôjo fina e transparente, su-
perfície externa provida de finos
espinhos bifurcados.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 120 [1, diâmetro maior
do bôjo 50 u.
Localidade-tipo : Furo Bassler
n.o 1, Little Egypt Oil. Co., muni-
cípio de Union, Estados Unidos.
Profundidade 270 a 335 pés (Clear
Creek chert — Devoniano médio) .
Ocorrência na Bacia Amazônica :
Afloramento n.° 59, margem direi-
ta do rio Tapajós, município de
Itaituba, Estado do Pará (Devonia-
no médio) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
Angochitina capUlata Eis., 1937
(Est. I, fig. 7)
Tradução da descrição original:
Angochitina capUlata tem mais
ou menos a forma de Lagenochi-
tina baltica, é entretanto menor e
possui bôca mais larga. Superfície
revestida densamente de finos e
curtos espinhos, que se tornam
mais resistentes na região media-
na do corpo e menores a medida
cm i
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
98
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
que se aproximam da região oral,
onde podem estar totalmente au-
sentes.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 130 j.1, diâmetro oral
50 ji.
Localidade-tipo : Sedimentos do
Báltico, calcário “Ostseekalk” (Si-
luriano) .
Ocorrência na Bacia Amazôni-
ca: 1) Sondagem 56 do Serviço
Geológico e Mineralógico do Brasil,
Bom Jardim, municipio de Itaitu-
ba. Estado do Pará. Profundidade
340,410 metros (conglomerado de
passagem do Siluriano ao Devo-
niano). 2) Afloramento n.° 61,
margem esquerda do rio Tapajós,
município de Itaituba, Estado do
Pará (Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano superior — Devo-
niano médio.
Angochitina devonica Eis., 1955
(Est. II, fig. 14)
Tradução da descrição original:
“Parte inferior quase cilíndrica,
cêrca de 1/2 a 2/5 do comprimen-
to total. Escassamente provida de
espinhos, em geral não ramifica-
dos, ocasionalmente muito longos;
parte superior em forma de clava,
provida de espinhos mais ou menos
numerosos, simples a fortemente
ramificados, em parte semelhantes
a chifres e muitas vêzes de formas
esquisitas. Êstes espinhos podem
alcançar diâmetro desproporcional
na sua base. A bôca é recortada
de modo reto, podendo aparecer es-
pinhos na sua proximidade”.
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 146 |.i, diâmetro maior
do bôjo 71 n.
Localidade-tipo: Bacia de Ge-
roldstein, Devoniano de Eifel.
Ocorrência na Bacia Amazôni-
ca: 1) Sondagem 56 do Serviço
Geológico e Mineralógico do Brasil,
Bom Jardim, município de Itaitu-
ba, Estado do Pará. Profundidade
333,450 metros (Devoniano infe-
rior). 2) Afloramento n.° 61, mar-
gem esquerda do rio Tapajós, mu-
nicípio de Itaituba, Estado do Pa-
rá (Devoniano médio) . 3) Cachoei-
ra do Porteira, margem direita do
rio Jatapu, aproximadamente a
193 km da foz do Uatumã (Devo-
niano médio) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Poço da Cangica, municí-
pio de Aragarças, Estado de Goiás.
Profundidade 4 metros (Devonia-
no inferior) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior mé-
dio.
Angochitina mourai Lange, 1952
(Est. I, fig. 6)
Descrição onginal: “Êstes micro-
fósseis apresentam um corpo em
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
99
forma de um globo ou bulbo alon-
gado, que termina posteriormente
em um tubo cilíndrico relativa-
mente curto e largo, bem destaca-
do do corpo. A superfície dêstes or-
ganismos está inteiramente cober-
ta de minúsculos espinhos, os
quais, no entanto, se desprendem
com grande facilidade, motivo por-
que a maioria dos espécimes pre-
parados aparecem lisos, mas um
exame com grande aumento reve-
la os restos dos espinhos ou as ci-
catrizes da sua implantação, que
permanecem na superfície como
pequenos nódulos. Os espinhos em
geral são lisos, e só raramente se
encontram formas que terminam
em uma bifurcação; êstes espinhos
são relativamente curtos, o seu
comprimento variando entre 1/10
e 1/20 do diâmetro do corpo. A re-
gião anterior do corpo é arredon-
dada e completamente fechada; o
tubo termina em uma abertura ba-
sal cuja margem varia entre lisa
e irregularmente franjada. Alguns
espécimes contém espinhos até
nesta margem posterior, os quais,
no entanto, podem aparecer aqui
acidentalmente pelo dobramento
em direção posterior dos espinhos
que circundam a margem da aber-
tura. A côr dêstes fósseis é preta,
passando a ambar escuro na re-
gião basal onde a membrana é mais
delgada e transparente. Quase to-
dos os espécimes se encontram
achatados por compressão em con-
seqüência ocorrendo ligeiras varia-
ções de forma, as quais, no entan-
to, se mantém dentro de um certo
limite e não autorizam qualquer di-
ferenciação específica”.
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 216 n, diâmetro maior
do bôjo 120 Li, largura do pesco-
ço 58 u.
Localidade - tipo: Folhelho de
Barreirinha, margem esquerda do
rio Tapajós, entre Bom Jardim e
Barreirinha, município de Itaituba,
Estado do Pará (Devoniano mé-
dio).
Oçorrência na Bacia Amazôni-
ca: Barreirinha, município de Itai-
tuba, Estado do Pará (Devoniano
médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
CONOCHITIXIDAE Eisenack, 1931
“Geralmente em forma de cone;
diâmetro maior próximo a termi-
nação distai.” Esta família é rica
em formas e apresenta afinidades
com as famílias Desmochitinidae
e Lagenochitinidae.
Conochitina Eisenack, 1931
“Quitinozoários em forma de
cone invertido (por vêzes de ângu-
lo muito íngreme) cuja base (Pla-
no polar) passa com margem arre-
100
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dondada para a superfície do man-
to. Parede lisa, ou revestida de nu-
merosos espinhos mais ou menos
curtos, os quais em geral são mui-
to desenvolvidos na sua metade su-
perior.”
Conochitina brevis Taug, & Jek.,
1960 (Est. I, fig. 8)
Tradução da descrição original:
“Forma atarracada, cônica, a sub-
cilíndrica, ligeiramente mais gros-
sa na porção inferior. O engrossa-
mento não é visível nos indivíduos
achatados. Fundo pouco abaulado,
abertura indiferenciada.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 200 n, diâmetro maior
do bôjo 100 p.
Localidade-tipo: Sondagens Tb I,
Or. I e Af. 2, norte do Sahara, Áfri-
ca do Norte (Ordoviciano-Gothlan-
diano) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 352 metros
(Siluriano) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica. no
Brasil: Siluriano.
Conochitina conulus Eis., 1955
(Est. I, fig. 12)
Tradução da descrição original:
“Forma de cone a partir da bôca.
de modo que a parte cilíndrica
acha-se fracamente representada.
Base do cone achatada ou ligeira-
mente abaulada com beirada arre-
dondada. Bôca ligeiramente mais
larga que o pescoço, reta, lisa ou
provida de delgadas franjas, rara-
mente de formação mais robusta.
Parede lisa.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 114 n, diâmetro maior
do bôjo 67 n.
Localidade - tipo : calcário de
Echinosphaerites, Reval, Estônia
(Ordoviciano) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 352 metros
(Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Poço da Cangica, mvmicí-
pio de Aragarças, Estado de Goiás.
Profundidade 4 metros (Devonia-
no inferior).
Distribuição estratigráfica tio
Brasil: Siluriano — Devoniano in-
ferior.
Conochitina djalmaí Sommer &
van Boekel, 1965
Descrição: Organismos de forma
conóide, claviformes, com tegu-
mento espêsso no bôjo, tornando-se
mais delgado e transparente pró-
ximo do tubo oral. Côr de âmbar
escuro. Bôjo cônico, com base li-
em i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
101
geiramente convexa. Flexura pou-
co marcada, tornando difícil o re-
conhecimento do limite bôjo-pes-
coço. O diâmetro maior do animal
é observado no bôjo, próximo à
zona aboral e diminui gradativa-
mente até atingir o diâmetro me-
nor, no tubo oral. Pescoço curto,
alargando-se próximo à bôca, com
colarinho longo provido de nume-
rosos pêlos longos e delgados.
Na zona aboral, na parte supe-
rior do bôjo, nota-se interessante
tipo de apêndices. Possui a espé-
cie, nas partes laterais da base,
dois apêndices reduzidos e, na par-
te central, outros dois, pequenos e
divergentes (em forma de V), de
natureza diversa dos laterais e for-
mados por tegumento transparen-
te. Excetuando-se êsses apêndices
aborais e os pêlos do colarinho, o
corpo do animal se apresenta des-
provido de ornamentação. Prosso-
ma não visível. Dimensões do holó-
tipo: comprimento total 370 u, diâ-
metro maior do bôjo 85 n, diâme-
tro do pescoço 60 h.
Localidade-tipo: Sondagem 56 do
Serviço Geológico e* Mineralógico
do Brasil, Bom Jardim, município
de Itaituba, Estado do Pará. Pro-
fundidade 352 metros (Siluriano).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológi-
co e Mineralógico do Brasil, Bom
Jardim, município de Itaituba, Es-
tado do Pará. Profundidade: 352
metros (Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
Conochitina edjelensis Taug., 1963
(Est. I, fig. 5)
Tradução da descrição original:
“Forma geralmente cônica, subci-
líndrica com perfil retilíneo, bôjo
indiferenciado, levemente mais
largo na base invaginada forman-
do um fundo arredondado. Colari-
nho muito pequeno, presença fre-
qüente do prossoma, e as vêzes do
opérculo.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 150 |i, diâmetro maior
do bôjo 95 n.
Lccalidade-tipo: Região de Édje-
lé, Sahara, África do Norte (Silu-
riano inferior) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Esta-
do do Pará. Profundidade 333,450
metros (Devoniano inferior) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior.
Conochitina pellucida Taug., 1961
(Est. III, fig. 26)
Tradução da descrição original:
“Bôjo ligeiramente cônico, pescoço
cm i
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
102
Atas do Simpósio sóbre a Biota Amazônica
largo cilíndrico (3/4 da largura),
abertura indiferenciada, colarinho
mais ou menos longo podendo
atingir 2/3 do pescoço; base inva-
ginada com entumecimento peri-
férico”.
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total do corpo 225 n, diâme-
tro maior do bôjo 90 u.
liccalidade-tipo : Sondagem Av.
101 — Avensac (40 Km NE de
Auch) , Região de Aquitânia, sul da
França. Profundidade 1.867 a
2.134 metros (Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
Cyathochitina Eisenack, 1955
“Quitinozoários providos de par-
te inferior em forma de cilindro e
parte superior em forma de cone a
campânula, a qual forma margem
destacada com a superfície polar,
geralmente plana. Forma seme-
lhante a um cálice. A margem do
plano polar pode formar borda es-
treita e transparente. Parede lisa
ou provida de delicados tubérculos
ou ainda ocasionalmente de estrias
ou sulcos longitudinais.”
Cyathochitina cônica Taug., 1961
(Est. I, fig. 10)
Tradução da descrição original:
“Forma geralmente cônica, não
apresentando pràticamente pesco-
ço diferenciado; bôca ligeiramente
alargada. O corpo é recoberto de
pêlos mais ou menos dispersos, ca-
renas bastante marcadas.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 300 !i, diâmetro maior
do bôjo 130 n.
Localidade-tipo: Sondagem Av.
101 (Avensac 101), 40 km NE de
Auch, Região de Aquitânia, sul da
França. Profundidade 1.867 a...
2.134 metros (Siluriano).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Esta-
do do Pará. Profundidade 352 me-
tros (Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
Ancyrochitina Eisenack, 1955
“Diâmetro maior na proximidade
da terminação aboral; a parte abo-
ral apresenta 1/2 a 1/3 do compri-
mento total, estreitando-se em for-
ma de cone, mais raramente em
esfera; margem da superfície abo-
ral provida de 4 a 10 apêndices for-
tes, simples, bifurcados ou irregu-
larmente esgalhados.”
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
103
Ancyrochitina ancyrea Eis., 1955
(Est. I, fig. 11)
Tradução da descrição original:
“Parte inferior aproximadamente
cUindrica, desprovida ou escassa-
mente provida de espinhos mais
ou menos longos; parte superior
alargada geralmente em cone,
apresentando as vêzes forma esfe-
róide, provida de plano polar ge-
ralmente plano ou ligeiramente de-
presso. A margem do plano polar
é ornamentada de 4 a 10 (na maio-
ria 6 a 8) braços relativamente
compridos que afinam na extremi-
dade e se dividem em forma de ân-
cora nas pontas, podendo se rami-
ficar em forma de galhos. Super-
fície do manto desprovida de espi-
nhos.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 138 n, diâmetro maior
do bôjo 63 u.
Localidade-tipo: Calcário Beyri-
chia (seixos rolados originários da
Suécia). SUuriano.
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Sondagem 56 do Serviço Geoló-
gico e Mineralógico do Brasil, Bom
Jardim, município de Itaituba, Es-
tado do Pará. Profundidades:
340,410 metros (conglomerado da
passagem do Siluriano ao Devonia-
no) , 333,450 metros (Devoniano in-
ferior). 2) Afloramento 61 do rio
Tapajós, município de Itaituba, Es-
tado do Pará (Devoniano médio) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Poço da Cangica, mu-
nicípio de Aragarças, Estado de
Goiás. Profundidade 4 metros (De-
voniano inferior). 2) Tocantínia,
município do mesmo nome. Esta-
do de Goiás (Devoniano inferior).
3) Ibimirim, Estado de Pernambu-
co, Poço Imst-l-Pe (Petrobrás) ,
Test. 22, profundidade 2.663 —
2.666 metros (Devoniano médio).
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano superior — De-
voniano médio.
Ancyrochitina cornigera Coll. &
Scott, 1958 (Est. II, fig. 22)
Tradução da descrição original:
“O bôjo cônico desta espécie mede
2, 3 do comprimento total do cor-
po. A extremidade aboral é acha-
tada ou levemente côncava. O diâ-
metro máximo está próximo a re-
gião aboral que é ornamentada
com grossos e curtos espinhos
simples que pedem ser retos ou le-
vemente curvados. A cavidade do
bôjo estende-se até o interior dos
espinhos. O pescoço é longo, cilín-
drico ou levemente alargado na
bôea, contornada por um colari-
nho. O comprimento do pescoço va-
ria de 36 a 50 u. Além da fileira de
espinhos basais o pescoço pode ter
um ou dois espinhos pequenos e
curtos. Superfície lisa”.
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 199 u, diâmetro maior
do bôjo 109 }i.
104
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Localidade-tipo: Membro Solon,
Formação Cedar Valley, próximo a
Milan, Illinois, Estados Unidos
(Devoniano médio) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Cachoeira da Porteira, margem di-
reita do rio Jatapu, aproximada-
mente a 193 km da foz do Uatu-
mã, Estado do Amazonas (Devo-
niano médio).
Ocorrência tora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
Ancyrochitina erichseni Sommer &
van Boekel, 1963 (Est. II, fig. 17;
Descrição: “Espécimes razoável-
mente grandes, cujas dimensões
variam de 210/115/48/40 jx a 230/
140/80 /65 u. Côr castanha escura,
bastante opaco, tegumento mais
transparente no pescoço que no
bôjo. Devido a opacidade dos
exemplares, nada pode distinguir-
-se da sua morfologia interna. Base
do bôjo pouco abaulada. Os apên-
dices basais, dispostos em corôa em
tómo do bôjo, são curtos, em geral
de tamanho uniforme, na sua
maioria bifurcados na terminação,
podendo ocorrer apêndices, não ra-
mificados, terminando em ponta.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 218 n, diâmetro maior
do bôjo 140 u.
Localidade-tipo: Sondagem 56 do
Serviço Geológico e Mineralógico
do Brasil, Bom Jardim, município
de Itaituba, Estado do Pará. Pro-
fundidade 340,410 metros (conglo-
merado de passagem do Siluriano
ao Devoniano).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológi-
co e Mineralógico do Brasil, Bom
Jardim, município de Itaituba, Es-
tado do Pará. Profundidade
340,410 metros (passagem do Si-
luriano ao Devoniano).
Ocorrência tora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigrática no
Brasil: Siluriano superior — De-
voniano inferior.
Ancyrochitina túmida Taug. &
Jek., 1960 (Est. II, fig. 16)
Tradução da descrição original:
“Bôjo cônico com base chata, ân-
gulo apical 60°. Pescoço curto re-
duzido ao colarinho finamente pi-
loso, ligeiramente alargado na ex-
tremidade oral. Processos (6 a 8)
longos, delgados, ramificados, dis-
postos em corôa em tómo da
base.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 130 u, diâmetro maior
do bôjo 80 n.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
105
Localidade-tipo: Sondagens Bg.l
e Tb.l, norte do Sahara, África do
Norte (Gothlandiano — Devoniano
inferior) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Afloramentos ns. 61, 67 e 71 do
rio Tapajós, município de Itaituba,
Estado do Pará (Devoniano mé-
dio). 2) Cachoeira da Porteira,
margem direita do rio Jatapu,
aproximadamente a 193 km da foz
do Uatumã, Estado do Amazonas
(Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
Sphaerochitina Eisenack, 1955
“Quitinozoários providos de par-
te inferior quase cilíndrica e par-
te superior em forma de cone, es-
fera ou de cogumelo. Parede lisa
ou revestida de minúsculos tubér-
culos ou espinhos muito pequenos,
densamente distribuídos, sendo
destituídos de espinhos ou acúleos
maiores”.
Sphaerochitina cuvillieri Taug.,
1962 (Est. II, fig. 19)
Tradução da descrição original:
“Bójo sub-esférico regular, pescoço
curto (13 a 2/5 do comprimento),
cilíndrico; bóca apenas marcada,
ligeiramente coberta de pequenos
tubérculos com tendência a se
agruparem de 5 a 6 em pequenas
fitas vermiculares.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 220 p, diâmetro maior
do bôjo 120 u.
Localidade-tipo: Sondagem Ta.l,
região de Édjelé, Sahara, África
do Norte (Devoniano superior).
Ocorrência na Bacia Amazônica :
1) Sondagem 56 do Serviço Geoló-
gico e Mineralógico do Brasil, Bom
Jardim, município de Itaituba, Es-
tado do Pará. Profundidade 196,50
metros (Devoniano médio). 2)
Afloramentos ns. 59, 61 e 67 do rio
Tapajós, município de Itaituba, Es-
tado do Pará (Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ribeirão do Monte, muni-
cípio de Caiapônia (ex-Rio Bonito) ,
Estado de Goiás (Devoniano infe-
rior) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior — mé-
dio.
Sphaerochitina lucianoi Sommer
& van Boekel, 1965 (Est. II, fig. 20)
Descrição : Organismos de forma
cilíndro-esferóide, bôjo esférico com
base convexa e pescoço cônico. Côr
de âmbar claro; tegumento espês-
so no bójo, tornando-se transparen-
te no tubo oral.
O bójo apresenta no seu interior
uma sühueta escura, mais ou me-
nos cordiforme; trata-se provàvel-
mente, de um vestígio do opistos-
106
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
soma. Apresenta também duas
fendas, de situação simétrica na
sua base e uma outra, próxima à
flexura. Estas fendas foram obser-
vadas em grande número de indi-
víduos, razão pela qual as consi-
deramos como caráter diferencial.
A localização das fendas varia, po-
rém, de acôrdo com a posição to-
mada pelo organismo ao sofrer de-
positação, mas, na maioria dos ca-
sos, observamos a localização ci-
tada.
O bôjo esférico sofre pronuncia-
da flexura que torna nítido o li-
mite bôj o-pescoço. Êste, bastante
longo, ocupa 2/3 do comprimento
total do indivíduo, e é cônico na
região oral, alargando-se próximo
à bôca. Apresenta o pescoço, no
seu interior, um prossoma nítido
de cêrca de 95 u de comprimento,
por 30 n de diâmetro. Colarinho li-
so, reto e dilatado. Superfície lisa,
inteiramente desprovida de orna-
mentação ou apêndices.
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 280 u, diâmetro maior
do bôjo 90 u.
Localidade - tipo : Sondagem 56
do Serviço Geológico e Mineralógico
do Brasil, Bom Jardim, município
de Itaituba, Estado do Pará. Pro-
fundidade 340,410 metros (conglo-
merado da passagem do Siluriano
ao Devoniano).
Ocorrência na Bacia Amazônica :
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 340,410 me-
tros (passagem do Siluriano ao
Devoniano) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano superior — De-
voniano inferior.
Rhabdochitina Eisenack, 1931
Forma cilíndrica; terminação
distai em geral achatada, rara-
mente semi-esférica”.
Rhabdochitina claviformis Taug.,
1961 (Est. III, fig. 28)
Tradução da descrição original:
Forma curta, sub-cilíndrica, ligei-
ramente cônica, colarinho mais
delgado, mais ou menos longo, base
bastante achatada.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 530 n, diâmetro maior
do bôjo 90 p.
Localidade - tipo: Sondagem Av.
101 (Avensach 101) , 40 Km NE de
Auch; região de Aquitânia, França.
Profundidade 1.867 a 2.134 metros
(Siluriano) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 352 metros
(Siluriano) .
cm i
SciELO
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Volume 1 (Geociências)
107
Ocorrência jora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
Rhabdochitina magna Eis., 1931
(Est. II, fig. 23)
Tradução da descrição original:
“Comprimento de 500 p até 1.000 n.
Diâmetro maior do bôjo variando
de 80 a 100 u. Forma cilíndrica
com bôca ocasionalmente franjada.
Terminação distai na maioria cor-
tada reta. Êste corte pode ser
brusco ligado ao corpo cilíndrico
em ligeira curvatura, ou o corpo
cilíndrico passa paulatinamente a
cônico tornando-se depois trunca-
do, quando naturalmente apresen-
ta menor diâmetro. Em alguns
casos esta terminação distai é se-
mi-esférica.
Nos exemplares achatados fre-
qüentemente observa-se uma de-
pressão, e nos de terminação se-
mi-esférica esta depressão passa
paulatinamente para formar um
curto cilindro formando uma pe-
quena abertura.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 500 a 1.000 (i, diâmetro
maior do bôjo 80 a 100 u.
Localidade - tipo : Seixos rolados
do Báltico (Siluriano) .
Ocorrência Tia Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidades: 352 e 348
metros (Siluriano) ; 340,410 metros
(conglomerado de passagem do Si-
luriano ao Devoniano) , 333,450
metros (Devoniano inferior) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano — Devoniano in-
ferior.
Rhabdochitina virgata Taug., 1961
(Est. II, fig. 13)
Tradução da descrição original:
“Pequena forma regularmente ci-
líndrica, alongada com base he-
misférica, colarinho longo e del-
gado.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 590 p, diâmetro maior
50 [i.
Localidade - tipo : Sondagem Av.
101 (Avensac 101), 40 Km NE de
Auch, região de Aquitânia, França.
Profundidade 1.867 a 2.134 metros
(Siluriano).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 352 metros
(Siluriano) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
cm i
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
108
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
DESMOCHITINIDAE (Eisenack,
1931) Eisenack, 1962
“Quitinozoários em forma de
vaso ou cântaro. Formas que fre-
qüentemente se estreitam próximo
à bôca. Pescoço reduzido a um co-
larinho curto cilindrico ou em for-
ma de aba. Êste colarinho pode ser
nitido, diferenciado do bôjo, ou
pode ser totalmente indiferen-
ciado”.
Desmochitina Eisenack, 1931
“Apresenta os caracteres da fa-
mília. Podem ser encontradas for-
mas isoladas ou podem formar ca-
deias ou agrupamentos”.
Desmochitina cingulata Eis., 1931
(Est. III, fig. 27)
Tradução da descrição original:
Quitinozoários em forma de cân-
taro. A metade distai do bôjo
apresenta uma forma mais ou me-
nos esférica que passa paulatina-
mente para um curto pescoço ci-
líndrico com bôca bastante larga.
O mucro é muito pequeno e del-
gado, de modo a não ser visí-
vel nos indivíduos coloniais. As ve-
sículas ajustam-se umas as outras
pelo mucro, de modo que o polo
distai de uma, se comunique com a
bôca da vesícula anterior. Assim, o
mucro só pode ser observado nas
vesículas isoladas, ou na inferior,
de uma colônia. Há ausência de dis-
cos de fixação. Caracteriza a espé-
cie um nítido aro que contorna o
polo distai. Devido a opacidade dos
exemplares, só é observado à luz
refletida, ou devido a uma pequena
saliência lateral ponteaguda. As
colônias apresentam-se formadas
por 3 a 4 indivíduos, podendo no
entanto, serem formadas por maior
número de indivíduos.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total do indivíduo isolado
100 Ll.
Localidade - tipo: Rocha com
Graptólitos do Báltico (errati-
kum) , Siluriano.
Ocorrência na Bacia Amazônica :
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 352 metros
(Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não observada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
Desmochitina erratica Eis., 1931
(Est. III, fig. 24)
Tradução da descrição original:
“Espécies observadas em formas
isoladas ou em colônias de 2, 3 e 4
indivíduos. Forma de lagena ou ci-
lindro com pequeno colarinho li-
geiramente mais largo na extremi-
dade oral. Diâmetro do bôjo pouco
maior que o diâmetro do pescoço.
Bôjo sempre mais comprido que o
cm i
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Volume 1 (Geociências)
109
pescoço (2/3 ou mais). Na região
aboral encontra-se freqüentemente
um delgado e curto pedúnculo”.
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 110 a 140j,i.
Localidade - tipo : Cascalho com
Graptólitos do Báltico (errati-
kum), Siluriano.
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 333,450 me-
trcs (Devoniano inferior).
Ocorrência fora da Bacia Amazô-
nica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior.
Desmochitina margaritana Eis.,
1937 (Est. III, fig. 29)
Tradução da descrição original:
“Colónias formadas por vesículas
esféricas de cêrca de 85 a 90 n de
diâmetro, sendo ligadas entre aí,
por pedúnculos delgados, bastante
nítidos, de cêrca de 15 ii de com-
primento e de idêntica espessura.
São comuns colónias de 3 ou 4 in-
divíduos, como também formas iso-
ladas. Nos indivíduos isolados o
pescoço não é nítido como o é em
Desmochitina nodosa ou D. minor.
Em alguns indivíduos, observa-se
(antes da inclusão em bálsamo)
um opérculo abaulado que quase
não se destaca do bójo esférico. No
polo distai desenvolve-se o pedún-
culo de ligação com a próxima ve-
sícula.”
Localidade - tipo : Rocha com
Graptólitos do Báltico (errati-
kum), Siluriano.
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidade 333,450 me-
tros (Devoniano inferior) .
Ocorrência fora da Bacia Amazô-
nica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior.
Desmochitina minor Eis., 1931
(Est. III, fig. 25)
Tradução da descrição original:
“Somente observada em formas
isoladas, mas como foram encon-
tradas formas primárias e secundá-
rias que se diferenciam pela pre-
sença de um disco de fixação, su-
põe-se que originalmente tenham
formado colônias que se desfizeram
durante a preparação, ou mesmo
em vida.
A forma em corte longitudinal é
oval. Base as vêzes achatada, bôca
formada por um colarinho que se
assemelha a um tronco de cone.
Reentrância nítida de ângulo ob-
tuso, onde o colarinho se separa do
bójo. Superfície externa granu-
losa.”
Dimensões do holótipo: Compri-
mento total 70^1. Obs.: Os nossos
cm i
SciELO
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110
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
exemplares desta espécie são
maiores e colocados dentro de Des-
mochitina minor var. grandicollis
Eis.
Localidade - tipo : Seixos rolados
do Báltico (Siluriano) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, municipio de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidades: 348 me-
metros (Siluriano) , 340,410 metros
(conglomerado de passagem do Si-
luriano ao Devoniano) e 333,450
metros (Devoniano inferior).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano — Devoniano in-
ferior.
Pterochitina Eisenack, 1955
“Quitinozoários com eixo longi-
tudinal de mesmo comprimento,
ou menor que o diâmetro transver-
sal. Providos de anel marginal.”
Pterochitina perivelata Eis., 1955
(Est. III, fig. 30)
Tradução da descrição original:
“Forma mais ou menos esférica ou
semi-esférica, ou semelhante à um
chapéu de aba, com parede dupla.
Bóca situada no centro com aber-
tura circular. Base ligeiramente
abaulada.”
Dimensões do holótipo: Diâme-
tro transversal total 135 u, diâme-
tro transversal sem a membrana
81 n, diâmetro da bóca 47 [^i. Obs.:
Os exemplares por nós estudados,
somente foram observados em
compressão dorso-ventral e a mem-
brana que forma a aba não se en-
contra bem conservada, restando
apenas alguns vestigios da sua exis-
tência.
Localidade - tipo : Calcário Bey-
richia do Báltico (seixos rolados),
Siluriano.
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Sondagem 56 do Serviço Geológico
e Mineralógico do Brasil, Bom Jar-
dim, município de Itaituba, Estado
do Pará. Profundidades 348 e 352
metros (Siluriano).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano.
CONCLUSÕES
1) As formas silurianas da Bacia
Amazônica, assemelham-se muito
às formas descritas do Siluriano de
Aquitânia, África do Norte e Bál-
tico. O Siluriano amazônico tem em
comum com a região da Aquitânia
as seguintes espécies: Conochitina
pellucida, Cyathochitina cônica,
Rhabdochitina claviformis e R.
vir gata. Com o Norte da África:
Conochitina brevis, Desmochitina
cingulata, D. erratica, D. margari-
tana e Rhabdochitina magna; e
com 0 Siluriano do Báltico Cono-
cm i
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Volume 1 (Geociências)
111
chitina conulus, Rhabdochitina
magna, Desmochitina cingiãata,
D. margaritana, D. minor, D. errá-
tica e Pterochitina perivelata.
2) Assemelham-se bastante às
formas do Devoniano amazônico e
às descritas do Devoniano dos Es-
tados Unidos, referentes as seguin-
tes espécies: Lagenochitina sphae-
rica, Angochitina bifurcata, Ancy-
rochitina cornigera e Sphaerochiti-
na collinsoni.
3) Os exemplares estudados em
Cachoeira da Porteira, e Pôrto de
Macauarí, rio Jatapu, Estado do
Amazonas se identificam com as
espécies descritas em Cedar Valley,
Devoniano médio de lowa, Estados
Unidos. Esta semelhança não se
restringe à morfologia específica,
mas também ao estado de conser-
vação dos exemplares. Em ambas
as localidades, êstes encontram-se
bastante fragmentados e em mau
estado de conservação. Identifi-
cam-se, as espécies: Sphaerochiti-
na collinsoni, Angochitina comi-
gera e A. devonica.
4) ScHucHERT (1906) comenta os
trabalhos de Hartt, Derby e
Katzer, sôbre a geologia do Baixo
Amazonas. Com base em macro-
fósseis, aponta a ligação do mar
Devoniano brasileiro com o de New
York (América do Norte), e do ou-
tro lado com a África do Sul (co-
lônia do Cabo) , em virtude da fau-
na destas áreas ser muito seme-
lhante. Sugere a correlação dos de-
pósitos Maecuru e Curuá com o
Oriskaniano do Devoniano inferior.
Mostra também que a fauna do
Ererê não tem a mesma face de
Onondaga e Hamilton. Finalmente,
indica a razão porque as faunas do
Devoniano inferior do norte da
Europa, América do Norte e Amé-
rica do Sul apresentam tanta se-
melhança, sugerindo para êste fato
uma intercomunicação dos respec-
tivos oceanos.
Devemos ressaltar que nos nos-
sos estudos, baseados em microfós-
seis, apresentamos semelhanças de
palinofácies entre a América do
Sul (Brasil), América do Norte
(Estados Unidos) , Norte da Europa
e África do Norte. Os quitino-
zoários, assunto do presente traba-
lho, tanto quanto é do nosso co-
nhecimento, ainda não foram as-
sinalados na África do Sul, razão
pela qual não fazemos referências
a esta localidade.
5) Estudamos para efeito de
comparação geocronológica algu-
mas localidades pertencentes às
demais bacias sedimentares devo-
nianas do Brasil e nelas assinala-
mos algumas espécies de Quitino-
zoários não observadas nos sedi-
mentos amazônicos. São as seguin-
tes:
a — Bacia Tocantins-Araguaia
I — Estado de Goiás, Aragarças,
Poço da Cangica. Profundidade 4
cm i
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.0 11 12 13 14 15 16
112
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
metros (Devoniano inferior) : An-
cyrochitina aculeata, A. spinosa e
Sphaerochitina acanthifera.
II — Ribeirão do Monte, municí-
pio de Caiapônia, Estado de Goiás;
Lagenochitina macrostoma, L. tar-
fayensis, Angochitina dimorpha, A.
filosa, A. globosa, Concchitina
campanulaeformis e Ancyrochitina
spinosa. (Devoniano inferior)
III — Tocantínla, Estado de
Goiás (Devoniano inferior) : Ancy-
rochitina langei e Ramochitina ra-
mosi.
b — Bacia Paraná
Folhelho Ponta Grossa, municí-
pio de Ponta Grossa, Estado do Pa-
raná (Devoniano inferior) : Cono-
chitina biconstricta.
c — Bacia Tucano-Jatobá
Ibimirim, Estado de Pernam-
buco, Poço Imst-l-Pe (Petrobrás).
Profundidade 2.663 — 2.666 me-
tros (Devoniano médio) : Lageno-
chitina crassa e Sphaerochitina
sphaerocephala.
6) Pôrto de Macauarí, margem
esquerda do rio Jatapu, Estado do
Amazonas, apresenta constelação
de microfósseis idêntica à observa-
da em Barreirinha, município de
Itaituba, Estado do Amazonas,
margem esquerda do rio Tapajós.
O estudo posterior de outras lo-
calidades da margem esquerda do
rio Amazonas, possibilitará uma
melhor comparação das palinofá-
cies de ambas as margens dêste
rio.
Agradecimentos — Ao Conselho
Nacional de Pesquisas, pela bólsa que
nos é concedida, permitindo-nos maior
dedicação à pesquisa. Ao Sr. Diretor da
D. G. M., D. N. P. M., Dr. José Raymun-
do de Andrade Ramos, pelo incentivo e
interêsse nos nossos trabalhos e ao
Dr. Friedrich W. Sommer pelo constan-
te apoio e orientação em nossa pesqui-
sa. Aos colegas Gilberto Williams e
Mário Carnaval pela colaboração no
acabamento gráfico e fotomicrográfico
do presente trabalho.
SUMÁRIO
Continuando o estudo das cons-
telações de microfósseis do Siluria-
no e Devoniano da Bacia Amazô-
nica, apresentamos no presente
trabalho a distribuição dos Quiti-
nozoários em afloramentos e teste-
munhos de sondagens desta região.
Algumas das espécies assinaladas
na Bacia Amazônica, ocorrem tam-
bém nas demais bacias sedimenta-
res brasileiras de mesma idade geo-
lógica. As espécies estudadas neste
trabalho pertencem aos seguintes
gêneros; Angochitina, Ancyrochi-
tina, Conochitina, Cyathochitina,
Desmochitina, Lagenochitina, Rha-
bdochitina, Sphaerochitina e Pte-
rochitina.
SUMMARY
This paper presents a review of
the Chitinozoa found in outcrop
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
113
and bore bole samples from the
Amazon basin studiei by the au-
thor. Some of the species comment-
ed here also occur in the other
Brazilian Sedimentary basins of
the same age (Silurian — Devo-
nian). Of the following genera,
representative species are com-
mented here: Angochitina, Ancy-
rochitina, Conochitina, Cyathochi-
tina, Desmochitina, Lagenochitina,
Rhabdochitina, Sphaerochitina
and Pterochitina.
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Estampa I
Fig. 1 — Lagenochitina avelinoi
Fig. 2 — Lagenochitina sommeri
Fig. 3 — Lagenochitina sphaerica
Fig. 4 — Lagenochitina brevicollis
Fig. 5 — Conochitina edjelensis
Fig. 6 — Angochitina mourai
Fig. 7 — Angochitina capülata
Fig. 8 — Conochitina brevis
Fig. 9 — Angochitina bifurcata
Fig. 10 — Cyathochitina cônica
Fig. 11 — Ancyrochitina ancyrea
Fig. 12 — Conochitina conulus
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 87-119 — 1967
Estampa II
Fig. 13 — Rhabãochitina virgata
Fig. 14 — Angochitina devonica
Fig. 15 — Conochitina djalmai
Fig. 16 — Ancyrochitina túmida
Fig. 17 — Ancyrochitina ericseni
Fig. 18 — Sphaerochitina schwalbi
Fig. 19 — Sphaerochitina cuvillieri
Fig. 20 — Sphaerochitina lucianoi
Fig. 21 — Sphaerochitina collinsoni
Fig. 22 — Ancyrochitina comigera
Fig. 23 — Rhábdochitina magna
i secção)
cm 1
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências) : 87-119 — 1967
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Vol. 1 (Geociências): 87-119 — 1967
EST. III
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 121-139 — 1967
TASIVIANÁCEAS PALEOZOICAS DA BACIA AMAZÔNICA
E SUA CORRELAÇÃO ESTRATIGRÁFICA
NORMA MARIA DA COSTA VAN BOEKEL
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 3 figuras no texto e uma estampa)
O presente trabalho tem por fi-
nalidade apresentar uma sinopse
das Tasmanáceas paleozoicas da
Bacia Amazônica e sua possível
correlação estratigráfica no Bra-
sil.
Estudamos na Bacia Amazôni-
ca, as seguintes localidades: 1) Fo-
lhelho de Barreirinha, rio Tapajós,
município de Itaituba, Estado do
Pará. 2) Testemunhos da sonda-
gem 56, do Serviço Geológico e Mi-
neralógico do Brasil (1926) de Bom
Jardim, município de Itaituba, Es-
tado do Pará. 3) Afloramentos de-
vonianos do rio Tapajós, municí-
pio de Itaituba, Estado do Pará.
4) Pôrto de Macauari, margem es-
querda do rio Jatapu, Estado do
Amazonas.
Para correlação estratigráfica,
fora da Bacia Amazônica, estuda-
mos as seguintes localidades:
1) Poço da Cangica, Profun-
didade 4 m, município de Ara-
garças. Estado de Goiás. 2) Po-
ços PMst-l-Ma, IZst-t-l-Ma e.
Pmst-l-Ma, (Petrobrás), bacia do
Maranhão, Estado do Maranhão.
3) Poço Imst-l-Pe (Petrobrás) , ba-
cia Tucano-Jatobá, Ibimirim, Esta-
do de Pernambuco. 4) Folhelho
Ponta Grossa, município de Jagua-
riaíva. Estado do Paraná.
REFERÊNCIAS GEOLÓGICAS ÀS
LOCALIDADES ESTUDADAS NA
BACIA AMAZÔNICA
1) Folhelho de Barreirinha, mu-
nicípio de Itaituba, Estado do
Pará.
A amostra em aprêço é um
folhelho cinza escuro de granu-
lação fina, coletada em 1925,
pelos Drs. Avelino Ignácio de Oli-
veira e Pedro de Moura.
Da bibliografia consultada a res-
peito desta localidade, transcreve-
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
mos alguns trechos de Mouba
(1932:17), quando coloca os folhe-
lhos de Barreirinha no Devoniano:
"Hartt colocou os folhelhos de Bar-
reirinha no carbonífero e Derby — es-
tribado em alguns restos de peixes, e
principalmente por um único fóssil,
Spirophyton typum, Hall, achado perto
da localidade supra-mencionada — re-
feriu-os ao devoniano.
Investigações posteriores no mesmo
lugar, não forneceram a Katzer fósseis
nestes paredões e afloramentos de fo-
lhelhos, motivo pelo qual èste geólogo
colocou estas formações na base do
carbonífero superior.
Os nossos trabalhos de sondagens em
Itaituba fomeceram-nos, em relativa
abundância, fósseis indubitàvelmente
devonianos, muitos dos quais ocorrem
na faixa norte. A identidade de fósseis,
posição estratigràfica e semelhança li-
tológica são os muitos elementos de
que agora dispomos para colocar defi-
nitivamente no devoniano os discutidos
folhelhos de Barreirinha.”
Quanto à situação geográfica e
posição estratigràfica, o autor no
mesmo trabalho, faz o seguinte co-
mentário:
“Folhelhos — De Pauinim à foz do
rio Tapacurá, nota-se um paredão de
folhelho cinzento-argiloso, com pe-
queno mergulho para o norte.
As terras da margem esquerda, a
montante de Samaúma, até à ponta
SO da ilha Itapocu, são baixas e não
mostram a relação que guardam entre
si as exposições de arenito carbonífero
e os folhelhos que formam o chamado
paredão de Tajaquara, paredão èste
que se encontra perto da citada ponta
SO da ilha Itapocu.
Êstes talhados naturais recebem o
nome genérico de paredões de Bar-
reirinha, nome que lhes provêm de um
lugar que fica a montante. São os
maiores afloramentos paleozóicos do
baixo Tapajós, com uma altura de
20 metros, ou pouco mais, e constituí-
dos de folhelhos argilosos cinzento-es-
curos ou quase pretos, de finos leitos
e nos quais se encontram pequenas es-
camas de peixes. Nestas camadas ja-
zem curiosas concreções calcáreo-fer-
ruginosas, às vézes de grandes dimen-
sões. Êstes folhelhos são betuminosos e
ardosianos, estendendo-se até Barrei-
rinha, em cujas praias existem muitas
concreções (Sferosideritas)
SoMMER (1953) que estudou
amostras desta localidade, e nelas
encontrou e descreveu várias espé-
cies de Tasmanáceas, com base na
bibliografia consultada, referiu o
folhelho de Barreirinha ao Devo-
niano médio, grupo Curuá, corres-
pondente ao Hamilton dos E.U.
O estudo por nós efetuado des-
ta localidade, revelou além de Tas-
manáceas, a presença de Quitino-
zoários e Histricosferídios.
2) Sondagem 56 do Serviço Geoló-
gico e Mineralógico do Brasil
(1926) de Bom Jardim, municí-
pio de Itaituba, Estado do Pari
A sondagem 56 foi executada em
1925-26 pelo Serviço Geológico c
Mineralógico do Brasil, sob a orien-
tação dos geólogos Avelino Ignácio
de Oliveira e Pedro de Moura. Si*
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Volume 1 (Geociências)
123
MAPA DE LOCALIZACÂO DAS XREAS ESTUDADAS
Fig. 1 Mapa de localização das áreas estudadas na Bacia Amazônica.
tua-se a referida sondagem em
Bom Jardim, municipio de Itaitu-
ba, à margem esquerda do rio Ta-
pajós, de altitude local 45 metros
acima do nível do mar, Estado do
Pará.
Esta sondagem revelou nos 445
metros p>erfurados, 271 metros de
camadas devonianas filiadas, res-
pectivamente, ao grupo Curuá e,
sob reserva, ao grup>o Maecuru,
além de camadas carboníferas no
tópo e silurianas na base.
Dêsse furo, estudamos 7 amostras
representativas, devonianas e silu-
rianas, e nelas analisamos as cons-
telações de microfósseis, referentes
às seguintes profundidades:
160 m — Folhelho cinzento escuro,
textura compacta, fratura lisa
e brilhante. Grupo Curuá. Nes-
ta profundidade sòmente foi
constatada a presença de Tas-
manáceas.
196,50 m — Folhelho prêto ardosia-
no, dividindo-se em placas de
superfície lisa, ao choque do
martelo, apresentando, às vê-
zes, cintas estreitas e muito
claras. Ocorrência de um lei-
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124
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
to c’e carvão de cór negra, bri-
lhante, recortado por finos
veios calcários. Grupo Curuá.
Além de Tasmanáceas assina-
lamos a ocorrência de Quiti-
nozoários, nesta amostra.
333,450 m — Folhelho prêto argilo-
so com inúmeras e finas inter-
calações de leitos argilosos e
siliciosos brancos, o que lhe dá
uma tonalidade mesclada cin-
zenta. Grupo Maecuru. Micro-
fósseis encontrados; Tasmaná-
ceas e Quitinozoários.
340,410 m — Conglomerado de sei-
xos rolados, cimento silicioso.
Passagem do Siluriano ao De-
voniano. Além de Tasmaná-
ceas e Quitinozoários, observa-
mos também a presença de
Histricosferídios.
348 m — Folhelho prêto ardosiano
com finíssimos leitos brancos
argilosos. Siluriano superior.
Constelação de microfósseis re-
presentada por: Tasmanáceas,
Quitinozoários, Histricosferi-
dios e fragmentos de Graptó-
litos.
352 m — Folhelho prêto ardosiano
com numerosos leitos brancos
argilosos e siliciosos. Siluriano
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Volume 1 (Geociências)
125
TRECHO 00 RIO JATAPU (AMAZONAS)
i
CocA. Comoleâo
Coch Pico Poy
'CoeA. Pâ
j CocA. do Porteiro
Porto Atocooori
$00 to Atorio^^
0^
Borrotro do Totoio
^ogo Uoooco
A
Logo
Bodattiri
Fig. 3 Mapa de um trecho do rio Jatapu.
sup>erior. Palinofácies seme-
lhante a da profundidade aci-
ma mencionada, apresentando
porém grande quantidade de
fragmentos de Graptólitos.
3) Aforamentos devonianos do rio
Tapajós, Estado do Pará
Estudamos uma série de amos-
tras de afloramentos devonianos
coletados por Dr. Salustiano de Oli-
veira, em 19Õ1, às margens esquer-
da e direita do rio Tapajós, no mu-
nicípio de Itaituba. As amostras es-
tudadas são folhelhos pertencen-
tes às localidades assinaladas pelo
coletor como: localidades n.° 58,
59, 61, 63, 67, 69 e 71. À margem
direita do rio Tapajós: localidades
58, 59, 69 e 71 e à margem esquer-
da: localidades 61, 63 e 67. O mapa
fornecido pelo próprio coletor, das
amostras em apréço destas locali-
dades, é representado na fig. 2.
A constelação de microfósseis
déstes afloramentos permite-nos
sugerir para os mesmos a idade de
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126
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Devoniano médio. Grupo Curuá.
Assinalamos a presença de Tasma-
náceas e Quitinozoários em quase
tôdas as localidades. Observamos
nas localidades 58 e 59 somente re-
presentantes de Tasmanáceas, e a
69 revelou-se completamente afos-
silifera.
3) Porto de Macauari, rio Jatapu,
Estado do Amazonas
A amostra por nós estudada, des-
ta localidade, foi coletada pelo
Dr. Heitor Façanha em 1965. É um
folhelho pirobetuminoso fossilífe-
ro, constituído de sericita, óxido de
ferro, algum quartzo com impreg-
nação de óleo. Próximo ao igarapé
Macauarizinho pôrto de opera-
ções do Macauari, margem es-
querda do rio Jatapu, aproximada-
mente a 191 km da foz do Uatumã,
próximo a primeira cachoeira do
rio Jatapu (fig. 3) .
Albuquerque (1922) faz a se-
guinte referência aos folhelhos des-
ta localidade:
"No fim do estirão do Taperebatuba,
próximo à barranca Santa Maria (de
seringueira) aparecem os primeiros fo-
lhelhos ardosianos, horizontais, e sôbre
éles, esparsas, concreções de argilito re-
sidual, pela erosão da argila terciária.
Êstes folhelhos passam a verdadeiras
ardósias betuminosas no estirão do
Macauary, que é o seguinte a mon-
tante. São paredões semelhantes aos do
Uatumã e o local tem o seu nome.
Estas ardósias são apenas vistas até
Junto à boca jusante do Paraná, que
cerca a Praia Grande, ao pé da pri-
meira cachoeira do Jatapu, e conside-
ramo-las devonianas por serem as
mesmas do Capú-Capú, e pelas razões
expostas quando relatamos a explora-
ção deste rio.”
A análise micropaleontológica
desta amostra revelou grande
quantidade de representantes de
Tasmanáceas e Quitinozoários, o
que levou-nos a indicar para a mes-
ma um ambiente totalmente mari-
nho. A análise sistemática e estra-
tigráfica dos microfósseis permi-
tiu-nos sugerir a idade de Devo-
niano médio — Grupo Curuá.
Estudamos também, outra loca-
lidade do rio Jatapu — Cachoeira
da Porteira — situada na margem
oposta de Pórto de Macauari, cêr-
ca de 2 km acima, em amostras
também coletadas pelo Dr. Heitor
Façanha em 1965. Esta localidade
apresentou uma constelação de mi-
crofósseis bastante diferente da
primeira, indicando um habitat
grandemente influenciado pelo
meio continental, evidenciado por
razoável número de micrósporos e
completa ausência de Tasmaná-
ceas, embora também pertencente
ao Devoniano médio.
SISTEMÁTICA
Êste grupo foi estudado, no Bra-
sil a partir de 1953, por Dr. Frie-
drich W. Sommer nos sedimentos
brasileiros e somente assinalado
em terrenos devonianos e siluria-
nos. Em 1965 (An. Acad. Bros. CL,
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Volume 1 (Geociências)
127
vol. 37, n.o 3-4) sofreu uma geral
reclassificação, obedecendo atual-
mente à seguinte sistemática:
Classe Chlorophyceae
Ordem Tasmanales Sommer, 1960
Familia Tasmanaceae Sommer &
van Boekel, 1963
Gêneros Tasmanites (Newton,
1875) Schopf, Wilson & Ben-
taU, 1944
Tapajonites Sommer & van
Boekel, 1963
Tasmanales Sommer, 1960
“Organismos globóides que po-
dem apresentar-se deformados por
depositação. Superfície desprovida
de apêndices”.
Tasmanaceae (Sommer, 1956)
Sommer & van Boekel, 1963
“Organismos unicêntricos, origi-
nalmente mais ou menos esféricos,
em geral, comprimidos em disco.
Estruturas haptotípicas ausentes.
Ornamentação, em geral, sem alto
relêvo; onde existe alguma escul-
tura, esta não é exagerada em de-
talhes de ornamentação e tama-
nho, como por exemplo; espinhos,
clavas ou pêlos dos esporos, ou
apêndices multiformes como os his-
tricosferídios.”
Tasmanites (Newton, 1875)
Schopf, Wilson & Bentall, 1944
“Unicêntricos, originalmente es-
féricos, porém alguns, devido a
compressão transformaram-se em
discos providos ou não de dobras.
Superfície lisa e brilhante, despro-
vida de ornamentação externa com
exceção de pontuações regular-
mente espaçadas. Tamanho variá-
vel de 100 a 600 n.”
Tasmanites avelinoi (Sommer,
1953) Sommer & van Boekel,
1965
(Est. I, fig. 13)
Descrição da espécie: Organis-
mos circulares de 310 a 710 n de
diâmetro, providos de aro mais ou
menos nítido. Ornamentação cons-
tituída de “acúleos”, isto é, pontua-
ções conspícuas que, formando re-
tas mais ou menos inclinadas, atra-
vessam vários planos. A pequeno
aumento, produzem a imagem de
espinhos, razão da expressão acima
usada, a qual encontramos, tam-
bém na bibliografia. A aumento
maior, se resolvem em delgados ca-
nais de luz obturada. São de dis-
tribuição escassa, quase regular,
bem mais delgadas do que os ca-
nais de T. roxoi, representando o
único ornamento dêsses esporos. A
còr, à luz transmitida, é laranja-
-saturado até avermelhado. O aro
sem ornamento, a superfície res-
tante provida de poucos detalhes,
a côr saturada dão a êsses esporos
o asp>ecto de peças muito limpas
e conservadas, contrastando com a
ornamentação movimentada de ou-
tras. Apenas na margem interna do
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
aro há uma estreita faixa de ex>
cavações sinuosas, visiveis a au-
mento maior.
Localidade-tipo: — Barreirinha.
margem esquerda do rio Tapajós,
a montante de Itaituba. Estado do
Pará (Devcniano médio).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Folhelho Barreirinha. município
de Itaituba. Estado do Pará (De-
voniano médio). 2) Afloramentos
ns. 59. 61. 63 e 67 do rk) Tapajós,
município de Itaituba. Estado do
Pará (Devoniano médio). 3) Pórto
de Macauarí. margem esquerda do
rio Jatapu. Estado do Amazonas
(Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: I) Folhelho Ponta Grossa.
Jagxiarlaiva. Estado do Paraná
(Devcniano inferior).
Distnbuiçúo estratíçráfica no
Brasú: Devoniano inferior — De-
voniano médio
Tasmanitrs derbyi (Sommer. 1953)
Sommer êc van Boekel. 1965
(Est I. ftg. 9)
Descriçdo da etpêcte: Discos ar-
redondados. de 370)1 a 520 |i de
diâmetro, de contòmo irregiilar.
Ornamentação constituída de es-
treitos canais penetrantes, inclina-
dos em várias direções; de poros
semelhantes aos de T. tapafonm-
sis de dobras distribuídas em ar-
ranjo irrefular. A lua transmitida.
os espécimes se apresentam cór de
laranja claro, realçando as dobras
mais escuras, de côr castanho aver-
melhado.
Localidade-tipo: Folhelho de
Barreirinha. margem esquerda do
rk) Tapajós, a montante de Itaitu-
ba. Estado do Pará (Devoniano
médio) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Folhelho de Barreirinha. muni-
cípio de Itaituba. Estado do Pará
(Devoniano médio). 2) Afloramen-
tos ns. 61. 63 e 67 do rio Tapajós,
município de Itaituba. Estado do
Pará (Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Bacia Tucano-Jato-
bá. Ibimirlm, Poço Imst-I-Pe (Pe-
trobrás). Test. n.o 22. Profundida-
de 2.663 — 2.666 m. Estado de
Pernambuco (Devoniano médk>).
Distribuição estratíçráfica no
Brasil: Devoniano médio
Ta^nuiniten erirh«mii Sommer h
van Boekel (Est. I. fig. 3)
Descrição da espécie: Organis-
mos ovais, de 370 H a 520 H de diâ-
metro maior. Alguns espécimes pa-
recem fragmentos superpostos de
uma esfera desintegrada. A "cas-
ca*' tem aproximadamente 1 10 de
diâmetro de espessura. Essa casca
ou envólucro externo, raramente
apresenta as configurações que se
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Volume 1 (Geociéncias)
129
poderiam esperar (raios escuros,
isto é, canais atraressando-a). A
côr da casca, à lus transmitida, é
uniíormemente laranja claro; a
parte interna, irregularmente cas-
tanho a castanho avermelhado.
Localidade-tipo: Folhelho de
Barreirinha. margem esquerda do
rio Tapajós, a montante de Itaitu-
ba. Estado do Pará (Devoniano mé-
dio).
Ocorréncui na Bacia Amazônica:
1) Folhelho de Barreirinha. muni-
cípio de Italtuba. Estado do Pará
(Devoniano médio). 2) Sondagem
56 do Serviço Geológico e Minera-
lógico do Brasil. Bom Jardim. Pro-
fundidades: 196.50 m (Devoniano
médio), 333.450 m (Devoniano in-
ferior), 346 m e 352 m (SUuriano),
rounlcipio de Italtuba. Estado do
Pará. 3) Afloramento n.® 59, rio
Tapajós, municipto de Italtuba, Es-
tado do Pará (Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacui Amazô-
nica: 1) Bacia Tucano-Jatobá. Ibi-
nürbn. Poço Imst-l-Pe (Petrobrás),
Test. n.® 22. Profundidade 2.663 —
2.666 m. Estado de Pernambuco
(Devoniano médio) .2) Bacia Mara-
nhio. Poço Pmst-l-Ma (Petrobrás).
Test 34. Profundidade 1.034 —
1.037 ro. (Devoniano superior). Es-
tado do Maranháo 3) Poço da C^an-
gica. munlciplo de Aragarças. Pro-
fundidade 4m (Devoniano Uife-
rior). Estado de Odás 4) Folhelho
Ponta Grossa, município de Jagua-
riaíva. Estado do Paraná (Devo-
niano inferior).
Distribuição estratiçráfica no
Brasil: SUuriano — Devoniano su-
periw^.
Tasmanites harttii (Sommer. 1953)
Sommer Sc van Boelcel. 1965
(Est. I. flg. 1)
Descrição da espécie: Discos ar-
redondados. de 352 H a 460 (t de diâ-
metro. Ornamentação constituída
de poros nítidos, porém, não mui-
to abundantes que. sob o microscó-
pio. com aumento maior, se apre-
sentam como escavações rasas, dis-
tribuídas. principalmente pela par-
te central do disco. Aparecem ain-
da. alguns ralos estreitos (canais)
de distribuição irregular. Também
situados. preferetKialmente. na
parte central. Côr à luz transmi-
tida. laranja saturado.
Localidade - tipo: Folhelho de
Barreirinha. margem esquerda do
Rio Tapajós, a montante de Itai-
tuba. Estado do Pará (Devoniano
médio).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Folhelho de Barreirinha. munlci-
pio de Italtuba. Estado do Pará
(Devoniano médio).
Ocorrência fora da Baeta Ama-
zônica: 1) Bacia Maranhão — Po-
ço Zst-l-Ma (Petrobrás), Test. 356.
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Atas do Simpósio sóbre a Biota Amazônica
Profundidade 1.436 m. Estado do
Maranhão (Devoniano superior).
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Deroniano médio — supe-
rior.
, Tasmanites lamrgoi Sommer, 1956
(Est. I, ílg. 2)
Descrição da espécie: Organis-
mos mais ou menos circulares, de
150(1 a 250(1 de diâmetro. Orna-
mentação consistindo de um aro
externo, em geral nítido, de cérca
de 10 (1 de largura. No campo inter-
no do disco, obserram-se espaços
desprovidos de camada externa e
ostentando o ornamento particular
desta espécie. Trata-se de configu-
rações que. sob o microscópio, com
aumento maior, surpreendente-
mente. recordam o desenho bem
conhecido dos traços foliares da
córtice de Sigülaria. quando Ji na-
quela fase descorticada. comparan-
do uma imagem morfológica com
a outra. Junto com essas configu-
rações. encontram-se. em razoável
número de espécimes estudados,
aqueles estreitos canais centrípe-
tos, já assinalados em T. avelhtoi.
A cór dos discos, à luz transmiti-
da. varia de amarelo claro a laran-
ja. Apresentam as córes. um aspec-
to limpo, conseqüéncla de superfí-
cie rneiM» corroida da camada ex-
tenui. enquanto a segunda cama-
da. devido à sua superfície irregu-
lar. parece mais desgastada, con-
trastando conspicuamente da pri-
meira. Nesta primeira camada apa-
recem somente os canais centrípe-
tos como elementos de ornamenta-
ção. As configurações, por nós cha-
madas de “traços foliares”, distri-
buem-se mais ou menos regular-
mente. Sua forma é oval. até 5(i
de comprimento, por 2 a 3 (i de lar-
gura. com os eixos maiores parale-
los ao arco externo.
Localidade-tipo: Afloramento nú-
mero 59. margem direita do rio Ta-
pajós cérca de 5 km a montante de
Itaituba. Estado do Pará (Devo-
niano médio).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Aflmamentos ns. 59, 61. 63. 67
e 71 do rio Tapajós, municipio
de Itaituba. Estado do Pará (De-
vonlano médio). 2) Sondagem
56 do Serviço Geológico e Mi-
neralógico do Brasil, Bom Jardim,
municipio de Itaituba, Profundi-
dade 340,410 m (Passagem do Silu-
rlano ao Devoniano). Estado do
Pará. 3) Pórto de Macauarí. mar-
gem esquerda do rio Jatapu, Es-
tado do Amazonas (Devoniano
médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Bacia do Maranhão.
Poço IZst-l-Ma (Petrobráj), Test.
356. Profundidade 1.456m (Devo-
niano méilo). Estado do Mara-
nhão. 2) Bacia Tucano-Jatobá. Ibi-
mlrtm. Poço Irnst-l-Pe (Petrobrás).
Test. 22. Profundidade 2.663 —
cm i
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Volume I (Geociéncias)
131
2.666 m (Deroniano médio). Esta-
do de Pernambuco. 3) Poço da
Cangica. município de Aragarças,
Profundidade 4 m. Estado de Goiás
(Deroniano inferior).
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Deroniano inferior — su-
perior.
Tasmanite<( mourac (Sommer,
1953) Sommer Sc ran Boekel,
1965 (Est. I. fig. 11)
Descrição da espécie: Organis-
mos arredondados, achatados, de
370 a 490 H de diâmetro, de con-
tòmo irregular, caracterizados pelo
aspecto desgastado, enrugado e
corroido. Ornamentação constituí-
da de certo número de pontuações
conspícuas, isto é. de poros que. a
aumento maior, realçam pelo con-
tõmo irregular. Os poros, em ge-
ral escuros, contrastam bem da su-
perfície normalmente clara; encon-
tram-se reunidos em agrupamen-
tos mais densos. Dobras de cte mais
escura atraressam a superfície,
produzindo arranjos irregulares.
Cõr â luz transmitida, amarelo
claro.
Localidade-tipo: Folhelho de Bar-
reirlnha. município de Itaituba,
margem esquerda do rio Tapajós,
Estado do Pari ( Deroniano mMio).
Ocarréncui na Bacia Amasónica:
1) Folhelho de Barreirinha. muni-
cípio de Itaituba. Estado do Pará
(Deroniano médk>). 2) Afloramen-
tos ns. 59, 61, 63 e 67 do rio Tapa-
jós, município de Itaituba, Es-
tado do Pará (Deroniano médio).
3) Sondagem 56 do Serviço Oe<dó-
gico e Mineralógico do Brasil, Bom
Jardim, município de Itaituba,
Profundidades: 160 m (Deroniano
médio), 333,450 m (Deroniano in-
ferior), 333,410 m (conglomerado
de passagem do Siluriano ao De-
voniano) e 352 m (Siluriano). 4)
Pórto de Macauaii, margem es-
querda do rio Jatapu, Estado do
Amazonas (Deroniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Bacia Maranhão, Poço
PMst-l-Ma (Petrobrás), Test. 34,
Profundidade 1.034 — 1.037 m.
Estado do Maranhão (Deroniano
superior). 2) Bacia Tucano-Jato-
bá, Ibimirim, Poço Imst-l-Pe (Pe-
trobrás), Test. 22. Profundidade
2.663 — 2.666 m. Estado de Per-
nambuco (Deroniano médio). 3)
Poço da Cangica, município de
Aragarças, Profundidade 4 m. Esta-
do de Goiás (Deroniano inferior).
4) Ftdhelho Ponta Grossa, municí-
pio de Jaguarialra, Estado do Pa-
raná (Deroniano inferior).
Distribuição estratigráfica no
Brasü: Siluriano — Deroniano mé-
dio.
TasmaniUs roxoi (Sommer, 1953)
Sommer Sc ran Boekel. 1965
(Est. I. fig. 4)
Descrição da espécie: Organis-
mos circulares, de 370 a 520 h de
cm i
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
132
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
diâmetro. Consiste a ornamenta-
ção em circulos de cêrca de 8 u de
diâmetro que ocupam a parte cen-
tral da superfície, deixando livre
um aro de cêrca de 50 de largu-
ra, onde se observam, à luz trans-
mitida, raios centripetos que, a au-
mento maior, produzem imagem
de canais retos, irregularmente
ocupados por substância opaca. Ês-
tes canais refletindo seu tamanho
natural no aro marginal, onde apa-
rentam raios, tornam-se, em dire-
ção ao centro, cada vez mais apro-
ximados. A principio, é possível
acompanhá-los por vários planos
óticos, mas, no centro, fornecem a
imagem de um pequeno círculo.
Com aumento maior, os círculos
tomam forma de cones escavados
pela superfície, com ápice dirigido
para o centro do disco (ou esfera)
continuando como canais retos
cheios de substância opaca. A côr
do material, à luz transmitida, é
um saturado castanho avermelha-
do de que os raios marginais, os ca-
nais inclinados, os pequenos cir-
culos com seus pontos negros, con-
trastam nitidamente. À luz refle-
tida, apresenta a superficie côr uni-
forme irisada.
Localidade - tipo: Folhelho de
Barreirinha, margem esquerda do
rio Tapajós, a montante de Itaitu-
ba. Estado do Pará (Devoniano
médio) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Folhelho de Barreirinha, muni-
cípio de Itaituba, Estado do Pará
(Devoniano médio). 2) Sondagem
56, do Serviço Geológico e Minera-
lógico do Brasil, Bom Jardim, mu-
nicípio de Itaituba, Profundidade
160 m (Devoniano médio) , Estado
do Pará.
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Folhelho de Ponta Gros-
sa, município de Jaguariaíva, Esta-
do do Paraná (Devoniano inferior) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior — mé-
dio.
Tasmanites salustianoi (Sommer,
1953) Sommer & van Boekel, 1965
(Est. I, fig. 6)
Descrição da espécie: Organis-
mos mais ou menos circulares, de
160 u a 210 11 de diâmetro. Aro mar-
ginal nítido. Alguns poucos canais
delgados penetram no disco, são
porém de fraca visibilidade. Côr à
luz transmitida, amarelo brilhan-
te, contrastando o aro por ser de
côr mais saturada.
Localidade - tipo: Folhelho de
Barreirinha, margem esquerda do
rio Tapajós, a montante de Itai-
tuba. Estado do Pará (Devoniano
médio) .
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Folhelho de Barreirinha, muni-
Volume 1 (Geociências)
133
cípio de Itaituba, Estado do Pará
(Devoniano médio). 2) Sondagem
56 do Serviço Geológico e Minera-
lógico do Brasil, Bom Jardim, mu-
nicípio de Itaituba, Profundidade
348 m (Siluriano) , Estado do Pará.
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica'. Ainda não assinalada.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Siluriano — Devoniano mé-
dio.
Tasmanites sommeri van Boekel,
1963 (Est. I, fig. 10)
Descrição da espécie: Os espéci-
mes são ovais a fusiformes, varian-
do 0 eixo maior de 120/230 [.t a
240/ 440 ii, sendo a maioria mais ou
menos de 130,'320 u. Como em
T. euzebioi, os espécimes recordam
partes superpostas de uma esfera
desintegrada. Côr amarelo claro,
alguns, amarelo mais intenso. Aro
externo não observado, caráter di-
ferencial para com T. euzebioi,
provido de nítido aro. Sem orna-
mentação externa, margem lisa.
Localidade - tipo: Afloramento
n.o 59, à margem direita do rio Ta-
pajós, cêrca de 5 km a montante
de Itaituba, Estado do Pará (De-
voniano médio).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
Afloramentos ns. 59 e 61 do rio Ta-
pajós, município de Itaituba, Es-
tado do Pará (Devoniano médio).
2) Pôrto de Macauarí, margem es-
querda do rio Jatapu, Estado do
Amazonas (Devoniano médio).
Ocorrência fora da Bacia Amazô-
nica: Ainda não assinalado.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
Tasmanites tapajonensis (Sommer,
1953) Sommer & van Boekel, 1965
(Est. I, fig. 5)
Descrição da espécie: Organis-
mos arredondados, de 200 a 500 u
de diâmetro, em média, cêrca de
300 i-i. Ornamentação constituída
exclusivamente por pontuações,
isto é, poros que a aumento maior
produzem a imagem de depressões
rasas. As pontuações se distribuem
uniformemente por tôda superfície,
por vêzes mais concentradas na
parte central, neste caso, dando a
impressão da existência de aro ex-
terno mais claro. Côr à luz trans-
mitida, laranja claro a laranja
escuro saturado.
Localidade - tipo : Folhelho de
Barreirinha, margem esquerda do
rio Tapajós, a montante de Itaitu-
ba. Estado do Pará (Devoniano mé-
dio).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Folhelho de Barreirinha, muni-
cípio de Itaituba, Estado do Pará
(Devoniano médio) . 2) Afloramen-
tos ns. 59 e 67 do rio Tapajós, mu-
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
134
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
nicípio de Itaituba, Estado do Pará
(Devoniano médio). 3) Pôrto de
Macauarí, margem esquerda do rio
Jatapu, Estado do Amazonas (De-
voniano médio) .
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Bacia Tucano-Jatobá,
Ibimirim, Poço Imst-l-Pe (Petro-
brás) Test. 22, Profundidade 2 . 663
— 2 . 666 m, (Devoniano médio) ,
Estado de Pernambuco. 2) Poço
da Cangica, município de Aragar-
ças. Profundidade 4 m. Estado de
Goiás (Devoniano inferior) .
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior — mé-
dio.
Tapajonites Sommer & van
Boekel, 1963
Discos unicêntricos, originalmen-
te esféricos, diâmetro de menos de
100 p a mais de 200 p. A ornamen-
tação é constituída por verrugas
arredondadas, bossas ou escudos
que avançam além da superfície do
disco, podendo ser visíveis somen-
te quando o espécime é manipula-
do sob microscópio de pequeno au-
mento, colocado “de pé”, oferecen-
do silhueta lateral.
O gênero Tapajonites se diferen-
cia do gênero Tasmanites pela pre-
sença de ornamentação em alto re-
lêvo, no primeiro. Parede de cêr-
ca de 1/25 de diâmetro, compacta,
não membranosa.
Tapajonites mosesii (Sommer,
1956) Sommer & van Boekel,
1963 (Est. I, fig. 8)
Descrição da espécie: Discos ar-
redondados de 100 a 175 p de diâ-
metro. Côr amarelo claro. A orna-
mentação consiste em configura-
ções redondas ou irregulares e
maiores, de cêrca de 20 u de diâ-
metro, nos primeiros espécimes
examinados, de 3 a 15 i^i de diâme-
tro. Em geral, situadas na mar-
gem, e ocasionalmente na parte
central do disco. Providas de côr
intensa, de amarelo saturado, con-
trastando da superfície de côr
amarelo pálido e de aspecto cor-
roído.
Localidade - tipo: Afloramento
n.o 59, margem direita do rio Ta-
pajós, cêrca de 5 km a montante
de Itaituba, Estado do Pará (De-
voniano médio).
Ocorrência na Bacia Amazônica:
1) Afloramentos ns, 58, 59, 63 e 71
do rio Tapajós, município de Itai-
tuba. Estado do Pará (Devoniano
médio) . 2) Sondagem 56 do Serviço
Geológico e Mineralógico do Brasil,
Bom Jardim, município de Itaitu-
ba. Profundidade 160 m (Devonia-
no médio) , Estado do Pará.
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: 1) Bacia Maranhão, Poço
SLst-l-Ma (Petrobrás), Test. 76,
Profundidade 2 . 394 m (Devoniano
superior). Estado do Maranhão.
2) Bacia Tucano- Jatobá, Ibimi-
rim, Poço Imst-l-Pe (Petrobrás;,
Volume 1 (Geociências)
135
Test. 22, Profundidade 2.633 —
2 . 666 m (Devoniano médio) , Esta-
do de Pernambuco. 3) Poço da
Cangica, municipio de Aragarças,
Profundidade 4 m, Estado de Goiás
(Devoniano inferior).
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano inferior — mé-
dio.
Tapajonites roxoi Sommer & van
Boekel, 1963 (Est. I, fig. 12)
Descrição da espécie: Discos ar-
redondados, cêrca de 140 p de diâ-
metro. Côr amarela, mais clara no
aro marginal (o qual não é muito
conspicuo) e mais escura no cen-
tro, onde há ainda, numerosas
manchas na superficie. Ornamen-
tação, na margem, nitidamente
avançada além do contorno onde
aparecem bossas de arranjo regu-
lar de côr amarelo claro; pela su-
perfície distribuem-se, irregular-
mente, numerosos pequenos discos,
de cêrca de 10 p de diâmetro, de
amarelo intenso e matiz mais ala-
ranjado.
Localidade-tipo: Sondagem 56 do
Serviço Geológico e Mineralógico
do Brasil, Bom Jardim, município
de Itaituba, Profundidade 160 m
(Devoniano médio) , Estado do
Pará.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
136
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Ocorrência na Bacia Amazônica :
1)' Folhelho de Barreirinha, mu-
nicípio de Itaituba, Estado do Pará
(Devoniano médio). 2) Sondagem
56 do Serviço Geológico e Minera-
lógico do Brasil, Bom Jardim, mu-
nicípio de Itaituba, Profundida-
de 160 m (Devoniano médio) , Esta-
do do Pará.
Ocorrência fora da Bacia Ama-
zônica: Bacia Maranhão, Poço
PMst-l-Ma (Petrobrás), Test. 44,
Profundidade 1.411 m (Devoniano
médio). Estado do Pará.
Distribuição estratigráfica no
Brasil: Devoniano médio.
CONCLUSÕES
1) Até a presente data, encon-
tramos as mesmas constelações de
microfósseis, no Devoniano e Silu-
riano de ambas as margens do rio
Amazonas.
2) As espécies Tasmanites salus-
tianoi, T. scmmeri e T. erichsenii,
até 0 presente, são exclusivas da
Bacia Amazônica.
3) Tasmanites mourae é encon-
trado em todos os sedimentos si-
lurianos e devonianos, estudados
no presente trabalho, o que eviden-
cia a sua larga distribuição paleo-
geográfica.
4) Representam as Tasmanáceas
fósseis-índices de manejo relativa-
mente fácil e de certa segurança
para as camadas do Devoniano in-
ferior, médio e superior. Até o mo-
mento não foram observados re-
presentantes dêste grupo, acima do
Devoniano superior, no Brasil.
5) Das cinco espécies de Tasma-
náceas encontradas no Devoniano
de Tucano- Jatobá, quatro coinci-
dem com as de Aragarças {Tasma-
nites lamegoi, T. mourae, T. tapa-
jonensis e Tapajonites mosesii).
A profundidade estudada em
sondagem da Bacia Tucano-Jato-
bá, é assinalada pela estratigrafia
local como Devoniano médio, ao
passo que Aragarças (Goiás), com
base em megafósseis é Devoniano
inferior. Sommeh (Tese para Li-
vre Docência da Faculdade de Fi-
losofia, Ciências e Letras da Uni-
versidade do Estado da Guanaba-
ra, 1965), sugere para a referida
localidade de Aragarças a idade de
Devoniano médio, baseado em ex-
celente constelação de esporos.
6) Segundo Sommer {An. Acad.
Bras. CL, vol. 27, n.o 2, 1955), os
exemplares de Tasmanáceas obser-
vados em amostra do folhelho de-
voniano do Oriente da Bolívia são
semelhantes aos estudados pelo
mesmo autor no Folhelho de Ja-
guariaíva, em Ponta Grossa, Estado
do Paraná.
Agradecimentos — Ao Conselho Na-
cional de Pesquisas, pela bôlsa conce-
dida, que nos permite maior dedicação
à pesquisa. Ao Sr. Diretor da Divisão
de Geologia e Mineralogia do D.N.P.M.,
Dr. José Raymundo de Andrade Ramos,
Volume 1 (Geociências)
137
pelo incentivo e constante interêsse
nos nossos trabalhos e ao Dr. Friedrich
W. Sommer pelo apoio e orientação da
nossa pesquisa. Ao Sr. Gilberto
Williams pela confecção dos mapas que
ilustram o presente trabalho.
SUMÁRIO
O presente trabalho estuda a dis-
tribuição das Tasmanáceas na Ba-
cia Amazônica e sua correlação
com as Bacias Sedimentares do Ma-
ranhão, Tucano-Jatobá e Paraná.
Algumas espécies de Tasmanáceas
são fósseis-indice dentro do Devo-
niano brasileiro, e outras têm lar-
ga distribuição cronológica, desde
0 Siluriano ao Devoniano superior.
Até a presente data não foram en-
contrados representantes de Tas-
manáceas no Carbonífero do Brasil.
SUMMARY
This paper is an abstract of the
research done up to the present,
on Tasmanaceae found in samples
from the following sedimentary
basins, as known to the author;
Amazon basin. Maranhão basin.
Tucano- Jatobá basin and Paraná
basin. The taxonomy of 13 species
is presented up to date and their
merit as guide-fossile discussed. In
the Brazilian Paleozoic strata the
Tasmanaceae are found from the
Silurian to Upper Devonian but
were never met with in Carbonife-
rous sediments.
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VAN BOEKEL, N. M., 1963, Uma nova es-
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do Pará. An. Acad. Bras. Ci., 35
(3) : 353-356.
Estampa I
Tasmanites harttii
Tasmanites lamegoi
Tasmanites erichsenii
Tasmanites roxoi
Tasmanites tapajonensis
Tasmanites salustianoi
Tasmanites euzebioi
Tapajonites mosesii
Tasmanites derbyi
Tasmanites sommeri
Tasmanites mourae
Tapajonites roxoi
Tasmanites avelinoi
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociêneias): 121-139 — 1961
EST. !
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências) : 141-144 — 1967
UMA LICOPODIACEA DO DEVONIANO DO AMAZONAS
ELIAS DOLIANITI
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com duas figuras no texto)
Em uma viagem que realizamos
há alguns anos à Amazônia, rece-
bemos para estudo, da direção da
Petrobrás em Belém, alguns teste-
munhos de uma sondagem execu-
tada nas proximidades do Rio Aba-
caxis, no Amazonas, onde se en-
contram vários exemplares de uma
licopodiácea. Êsses testemunhos
provêm, segundo informes dos téc-
nicos dessa emprêsa, de sedimen-
tos do Devoniano Médio, ou seja
do Grupo Curuá.
O Grupo Curuá é composto de
sedimentos marinhos, alguns pro-
vàvelmente costeiros, o que possi-
bilitou a acumulação de restos ve-
getais. Os testemunhos com os res-
tos de plantas são da profundidade
de 2.041-2.044 metros, e se consti-
tuem de folhelhos carbonosos algo
conglomeráticos.
Os restos vegetais que se apre-
sentam são todos de uma mesma
espécie e constituem-se de hastes
delgadas com folhas longas, tendo
0 aspecto geral semelhante ao das
Taxáceas, o que aliás, já havia si-
do observado por Dawson (1873)
com relação à Lycopodites plu-
mula.
Essas plantas fósseis ora em es-
tudo podem ser comparadas às do
gênero Lycopodites, cuja ocorrên-
cia é assinalada, pelo menos para
algumas espécies, desde o Devo-
niano Inferior ao Cenozoico. Lyco-
podites é um gênero de licopodiá-
ceas que não apresenta heterofilia,
com folhas simples, cujas cicatri-
zes foliares ao longo da haste são
simples e arredondadas não apre-
sentando lígula.
Nossos espécimes apresentam fo-
lhas lineares, bem desenvolvidas,
com base constricta e algo decur-
rente, mostrando cicatrizes folia-
res pequenas, dispostas de modo
espiral a pseudo-verticiladas, não
se notando nenhum detalhe nas
cicatrizes que apresentam um con-
torno arredondado. As hastes me-
dem de 0,008 a 0,013 cm de largura
e as fôlhas têm no maior tamanho
142
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
0,01 cm de largura e 0,12 cm de
comprimento. As folhas não apre-
sentam nervura central, mostrando
uma extremidade arredondada.
Encontramos estreita seme-
lhança entre a forma brasileira e
Lycopodites plumula Dawson que
ocorre no Carbonífero Inferior do
Canadá, não só pelo aspecto geral
da planta, mas, principalmente
nha, que as cicatrizes foliares são
simples e arredondadas, não ligu-
ladas. Efetivamente, nossos espé-
cimes apresentam diminutas cica-
trizes simples e arredondadas ou
algo ovaladas no sentido vertical,
como podem ser vistas na figura
de detalhe que damos (fig. 2), cuja
comparação com as formas ale-
mãs são entretanto vagas, pois es-
Lycopodites amazônica sp. n. — Fig. 1: X 1; fig. 2: detalhe das cicatrizes
foliares, X 35.
pela haste relativamente delgada
suportando fôlhas longas com base
levemente constricta e decurrente.
Apenas não pudemos fazer a com-
paração com as cicatrizes foliares
dessa espécie canadense, que é obs-
cura. Mas, Krãusel & Weyland
(1937) registram para uma outra
espécie desse gênero, Lycopodites
ocensis do Devoniano da Alema-
tas apresentam cicatrizes foliares
com contornos bem definidos, en-
quanto nas nossas são apenas va-
gamente definidos.
Lycopodites amazônica é uma
nova espécie que creamos para es-
tas licopodiáceas do Grupo Curuá
do Amazonas, muito embora con-
sideremos esta forma brasileira
com características bem evoluídas
Volume 1 (Geociências)
143
em relação as primitivas licopodiá-
ceas, principalmente com respeito
ao desenvolvimento das folhas,
que, embora vagamente, lembram
até as de alguns vegetais mais su-
periores, comuns em sedimentos do
Paleozoico Superior e Mesozoico,
como por exemplo as do tipo Ptilo-
phyllum. Apezar de considerarmos
a sua inclusão no gênero Lycopo-
dites acertada, não podemos dei-
xar de admitir a possibilidade des-
sas formas pertencerem a outros
gêneros de vegetais devonianos,
mas, é por demais ampla a litera-
tura, e não dispomos de meios para
esclarecimentos nesse sentido. A
disposição das folhas e seu aspecto
rígido deixam-nos em dúvidas.
Lycopodites amazônica sp.n.
Vegetal herbáceo, com hastes
delgadas, folhas simples lineares,
longas, de base constricta e leve-
mente decurrente, dispostas ao
longo do caule de forma espiral a
pseudo-verticilada. As cicatrizes
foliares são bem pequenas, de for-
ma arredondada ou levemente ova-
ladas, não apresentando lígula.
Holótipo n.° 1.194 Pb — Coleção
DGM-DNPM
Localidade — Sondagem da Pe-
trobrás — Rx-4-Am — margem di-
reita do Rio Abacaxis, afluente do
Rio Madeira, município de Maués,
Amazonas.
Horizonte — Grupo Curuá, De-
voniano Médio.
Nossos agradecimentos à direção da
Petrobrás, nas pessoas do Engenheiro
Carlos Walter Cunha e Octavio Mello,
em Belém, e ao Doutor Frederico
W. Lange, no Rio de Janeiro, que nos
permitiram com a cessão do material,
0 presente estudo. Ao Sr. Mario Carna-
val, pelo auxilio técnico na obtenção
da fotografia que ilustra o trabalho.
Ao Conselho Nacional de Pesquisas
pela bôlsa de pesquisas que nos pro-
porciona, e com a qual nos tem sido
possivel dar nossos esforços para um
melhor conhecimento da nossa flora
fóssil.
SUMÁRIO
Em uma viagem que realizamos
há alguns anos à Amazônia, rece-
bemos para estudo, da direção da
Petrobrás em Belém, Pará, alguns
testemunhos de uma sondagem
executada nas proximidades do rio
Abacaxis, Amazonas, onde se en-
contram vários exemplares de uma
licopodiácea.
Êsses testemunhos provêm, se-
gundo informes dos técnicos dessa
emprêsa, de sedimentos do Devo-
niano Médio, ou seja de Grupo
Curuá.
Através todo o Devoniano, as li-
copodiáceas são comuns, algumas
com características bem evoluídas.
144
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Nossos espécimes, apresentam
folhas bem desenvolvidas, com
base decurrente, cicatrizes peque-
nas, dispostas de modo espiral a
pseudo-verticiladas, não se notan-
do nenhum detalhe nas cicatrizes.
Nossos espécimes assemelham-se
aos do gênero Lycopodites, princi-
palmente por sua espécie Lycopo-
dites plumula do Carbonífero infe-
rior do Canadá, mas, cujo gênero
tem uma distribuição desde o De-
voniano Inferior ao Cenozoico.
Lycopodites amazônica é uma
nova espécie que creamos para es-
tas licopodiáceas do Grupo Curuá
do Amazonas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Dawson, J. W., 1873, Report on the
Fóssil Plants of the Lower Car-
boniferous and Millstone Grit
Formations of Canadá. Geol. Surv.,
Canadá.
Grierson, J. d. & Banks, H. P., 1963,
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York State. Palaeont. Amer., 4 (31) :
JONGMANS, W., 1930, Fossilium Cata-
logus, Lycopodiales, III.
Krãusel, R. & WEYL.AND, H., 1937, Pflan-
zenrest aus dem Devon. X. Senc-
kenbergiana, B. 19 (5-6).
Ãtas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 145-149 — 1967
CONTRIBUIÇÃO A PALEONTOLOGIA DO ESTADO
DO PARA: FLÓRULA FÓSSIL DA FORMAÇÃO
PIRABAS
LÉLIA DUARTE
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com duas figuras no texto)
A presente nota contém os resul-
tados preliminares dos estudos efe-
tuados numa coleção de folhas de
vegetais coletadas num calcáreo
em Caieira (Olaria), Capanema, a
5,4 SW de Capanema. Em 1956, re-
cebemos, através de Cândido Si-
mões Ferreira, o's dois primeiros
exemplares desta Flórula. Poste-
riormente, em 1962, Fritz Acker-
mann nos remetia a totalidade da
coleção. O calcáreo que contém
êsses fósseis examinado por E. P.
Scorza, Chefe da Seção de Petro-
grafia da D.G.M.-D.N.P.M., “reve-
lou-se constituído de calcita, mate-
rial argiloso e em quantidade muito
pequena de óxido de ferro. A cal-
cita apresenta-se em cristais finís-
simos”. A textura do calcáreo per-
mitiu a conservação do material
com certa quantidade de detalhes
que nos facilitaram a sua classifi-
cação.
O material consta quase exclu-
sivamente de folhas que na sua
maioria se acham completas. São
elas de tamanhos variados indo de
3 até 16 centímetros de compri-
mento. A maior parte destas fôlhas
são de Dicotyledoneae e apenas
duas de Monocotyledoneae.
Até o presente momento foram
identificadas doze famílias, a sa-
ber: Lauraceae, Caryocaraceae,
Nyctaginaceae, Rosaceae, Melia-
ceae, Sapindaceae, Myrtaceae, Me-
lastomataceae, Rhyzophoraceae,
Ebenaceae, Rutaceae e Rubiaceae.
A maior parte dos gêneros iden-
tificados, em número de quinze,
são de vegetais do tipo arbóreo,
evidenciando o tipo de vegetação
pluviisilvae testemunhado pelos
fósseis. Trata-se de mata tipica-
mente tropical úmida, a julgar
pelos elementos identificados se-
melhantes aos componentes de
146
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
matas tropicais hoje existentes co-
mo, por exemplo, a mata amazôni-
ca. Aliás, muitas das espécies com-
paradas com o nosso material vi-
vem ainda hoje naquela mata. Ês-
se caráter, quente e úmido, é tam-
bém evidenciado por cicatrizes e
orifícios que se encontram num
grande número de fôlhas (fig. 1),
provocados por insetos ou fungos
que teriam existido nessas matas
indicando condições climáticas tro-
picais. Êsses orifícios acham-se de-
marcados por “callus” cicatricial
conservado no processo de fossili-
zação.
Os gêneros até o momento iden-
tificados nessa flórula acham-se
relacionados geo-cronològicamente
no quadro abaixo. Os números in-
dicam as espécies conhecidas. As
assinaladas com um asterisco são
pela primeira vez citadas em esta-
do fóssil.
O levantamento acima parece si-
tuar esta flórula no período Mioce-
no, onde seus representantes apre-
sentam um número maior de espé-
cies.
A área ocupada pelos sedimentos
da Formação Pirabas ainda não se
acha perfeitamente delimitada.
Segundo as observações efetuadas
pelos vários autores que a têm per-
corrido e pesquisado, ela “ocupa
uma área de 80 km ao longo do li-
toral, na direção E.-O. por cêrca
de 90 km do litoral para o interior,
na direção N-S” (Petri, 1957). A
região da margem direita do Rio
Guamá seria a antiga borda do
mar de Pirabas (Petri, 1957: 7;
Ferreira & Cunha, 1959) .
Os sedimentos com as fôlhas
fósseis, localizados em Capanema,
constituíam os depósitos limítrofes
da bacia. As rochas componentes
dessa Bacia são calcáreos duros e
Fig. 1 _ — Fólha fóssil perfurada por insetos ou fungos; fig. 2 — aspecto
de uma fôlha da Formação Pirabas, notando-se também as perfurações no
limbo por insetos ou fungos.
grosseiros, talvez recristalizados, e
calcáreos puros, de grã fina, claros,
dispostos em leitos espessos e fà-
cilmente desintegráveis, como os
que conservam o material estuda-
do. Os calcáreos mais grosseiros,
com maior abundância de fósseis
(principalmente invertebrados) ,
são assinalados nos pontos mais
afastados dos limites da bacia. As
diferenças litológicas citadas acom-
panham a distinção nesta bacia de
determinados fácies, indicados por
associações faunísticas (foraminí-
feros, corais, moluscos e outros).
O ambiente de depositação dos
sedimentos que afloram nos pontos
mais afastados da bacia (Castelo,
Salinópolis, Marapanim, etc.) “se-
ria o nerítico, de mar aberto e de
águas rasas (profundidades provà-
velmente até 30 m) quentes e lím-
pidas” (Petri, 1957: 12) e o dos
que afloram na borda da bacia
(Estação Agronômica, Timboteua,
Japerica, Tauari, Caieira etc.) se-
ria marinha de águas bem rasas,
profundidade em tôrno de 10 m e
salinidade um tanto abaixo da nor-
mal (Petri, 1957: 12; Ferreira &
Cunha, 1959: 63, 64).
Volume 1 (Geociências)
147
cm
148
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Considerando a diminuição de
salinidade nas proximidades da
bacia, influenciada por desagua-
mentos oriundos do continente,
Ferreira & Cunha (1959; 52,53),
vêem a possibilidade de “em algu-
mas partes da orla da bacia ter-
se-iam formado pequenas lagunas
ou braços de mar, cuja comunica-
ção com o mar principal seria
maior ou menor de acordo com a
intensidade das marés, acarretan-
do, assim, modificações no ambi-
ente ecológico, principalmente oca-
sionados pela diminuição do teor
de salinidade”.
As condições de fossilização do
material vegetal de Capanema são
muito significativas; as folhas de
um modo geral estão completas
(fig. 2), indicando que não foram
danificadas pelo movimento das
águas, devendo a depositação se ter
verificado de modo calmo e não
carreadas de muito longe, por fatõ-
res eólicos ou aquáticos, que teriam
ocasionado fragmentação, o que
não é constatado. Portanto, a loca-
lização dessa mata, de caráter tro-
pical, na paisagem terciária de Pi-
rabas, seria muito próxima do seu
local de depositação, evidenciando-
-se, assim, um ambiente de terra
firme. Não dispomos de dados com-
pletos da coleta indicando a dispo-
sição direcional das folhas em re-
lação às camadas, por vêzes muito
indicadoras da direção do trans-
porte do material. Infelizmente, os
sedimentos que contêm êsse mate-
rial não afloram; têm sido retira-
dos de escavações, o que impede um
maior desenvolvimento de pesqui-
sas fossilíferas, que poderiam tra-
zer à luz a presença de outras for-
mas de vida terrestres, como inse-
tos, aves e outros relacionados com
a vida na mata. Aliás, dêsse aflo-
ramento Ackermann (1964) fi-
gura um exemplar de pena de ave
fossilizada.
O caráter tropical dessa flórula
é também muito significativo por-
quanto vem de encontro às opi-
niões de ser o mar de Pirabas um
mar de águas relativamente quen-
tes.
Uma análise da distribuição geo-
-cronológica dos gêneros até agora
definidos nesta flórula parece ra-
tificar a idade Mioceno para aquê-
les sedimentos.
SUMARIO
“Flórula fóssil da formação Pi-
rabas” inclui os primeiros estudos
de fósseis vegetais da Formação
Pirabas. O material consta de res-
tos de folhas preservadas em cal-
cário mais ou menos argiloso cole-
tados por Fritz Ackermann e Cân-
dido Simões Ferreira nas localida-
des de Olaria, Capanema, Estado
do Pará.
Volume 1 (Geociências)
149
Os fósseis são testemunhos de
uma flórula tropical incluindo re-
presentantes de Sapindaceae, Cary-
ocaraceae, Rubiaceae, Meliaceae,
Melastomataceae, Lauraceae, Ebe-
naceae, Rutaceae, Rosaceae, Com-
bretaceae, etc., classificados em
gêneros recentes e com espécies
afins às da região, evidenciando
uma correlação dessa flórula, de
idade mioceno inferior, com a
flórula atual.
A coleção é constituída de mais
de cento e cinqüenta exemplares.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ackermann, F. L., 1964, Geologia e fi-
siografia da região Bragantina (Es-
tado do Pará) . Caderno da Ama-
zônia, Manaus, 2; 60, figs. 20-21.
Ferreira, C. S. & Cunha, O. R., 1959,
Contribuição a Paleontologia do
Estado do Pará. Novas considera-
ções sôbre a Formação Pirabas e
descrição de novos Invertebrados
fósseis V. Boi. Mus. Paraense E.
Goeldi, Geologia, n. s., 8: 48.
Petri, S., 1957, Foraminiferos Mio-
cênicos da Formação Pirabas. Boi.
Univ. S. Paulo, 216, Fac. Fil. Ci.
Letr., Geologia, 16: 6.
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 151-168 — 1967
O ESTADO ATUAL DOS CONHECIMENTOS SÔBRE
OS SOLOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
ítalo CLÁUDIO FALESI
Instituto de Pesquisas e Experimentação
Agropecuárias do Norte, Belém, Pará
A Amazônia Brasileira para
efeito de planejamento econômico,
abrange os Estados do Pará, Ama-
zonas e Acre, os Territórios Fede-
rais do Amapá, Roraima e Rondô-
nia e ainda a parte do Estado de
Mato Grosso (Norte do paralelo
16°) , a do Estado de Goiás (Norte
do paralelo 13°) e do Maranhão
(Oeste do meridiano de 44°) re-
presentando assim, 2/3 do Terri-
tório Nacional. Trata-se portanto
de uma região que tem uma super-
fície de aproximadamente
5.000.000 de quilômetros quadra-
dos. Excetuando-se as áreas onde
se localizam os núcleos populacio-
nais, a quase totalidade de suas
terras acham-se revestidas pela lu-
xuriante floresta amazônica.
A região é de difícil acesso, prin-
cipalmente por escassez de rodo-
vias que ligue os diversos pontos
de população existentes. Talvez
devido a êste fator associado a ou-
tros é que até hoje poucos foram
os especialistas que estudaram os
recursos naturais da Amazônia
Brasileira.
Trabalhos exploratórios de na-
tureza pedológica outrora efetua-
dos, muito generalizados davam
uma idéia um tanto discutida sô-
bre os solos da região.
Sentindo esta deficiência, o Ins-
tituto de Pesquisas e Experimenta-
ção Agropecuárias do Norte
(IPEAN) vem desenvolvendo há
aproximadamente 10 anos, pesqui-
sas do solo em áreas escolhidas e
comprovadamente de maior impor-
tância, tanto do ponto de vista
econômico como agrícola.
Desta maneira, estudos pedoló-
gicos visando a confecção da Carta
de Solos da Amazônia, vem sendo
feito tendo por base o tipo de le-
vantamento de reconhecimento em
se tratando de grandes áreas e de-
talhado quando em pequenas
áreas.
152
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
De acordo com a natureza geo-
lógica do terreno, a grande planí-
cie amazônica pode ser dividida em
duas paisagens distintas:
1. planície de inundação prò-
priamente dita, denominada co-
mumente de várzea ou terreno
Quaternário Recente.
2 . terra firme, de formação
Terciária constituindo o baixo
platô.
A denominação “Terra Firme”,
na Amazônia identifica áreas de
terras que se situam em nivel to-
pográfico fora do alcance das en-
chentes das águas dos rios. É um
têrmo muito generalizado e que
abrange um grande número de so-
los das mais diversas formações ge-
néticas.
Iniciaremos êste estudo pela
Zona Bragantina que apresenta a
m.aior densidade populacional da
Amazônia e bem como o maior vo-
lume de produção agrícola, princí-
palmente com culturas de subsis-
tência.
A Zona Bragantina está locali-
zada a Nordeste do Estado do Pará
nas latitudes de 1° 26’N e 1°40’ S
e longitude de 47° 24’ E W. GW e
48° 30’ O. W. gW. Ocupa uma área
de 16.428 km= correspondendo a
1,3% do Estado.
Apresenta uma densidade demo-
gráfica de 33,5 habitantes por qui-
lômetro quadrado sendo portanto
uma das áreas mais povoadas da
Amazônia.
Há aproximadamente 50 anos
que a Zona Bragantina vem sendo
intensamente cultivada e devido a
uma colonização mal orientada, a
exuberante floresta primitiva an-
tes dominante, deu origem a uma
vegetação heterogênea formada
principalmente por capoeiras em
vários estágios de desenvolvimen-
to. É nestas áreas com vegetação
secundária que o colono atualmen-
te implanta suas culturas de sub-
sistência. A capoeira primária
sempre produz um pouco mais, por
conter maior teor de matéria or-
gânica que nas outras formações
subseqüentes. São necessários apro-
ximadamente 10 anos para que
uma capoeira secundária venha a
fornecer, pela deposição de mate-
rial orgânico, elementos em quan-
tidade para suportar uma cultura
e, diga-se de passagem, com baixo
rendimento econômico.
Os solos de Terra Firme encon-
trados nesta Zona pertencem aos
seguintes grandes grupos de solos:
Latosol Amarelo, Latosol Concre-
cionário (Concrecionário Laterí-
tico) e Regosol, êste normalmente
associado ao Podzol Hidromórfico.
O Latosol Amarelo é uma uni-
dade de mapeamento de maior re-
presentação da Zona Bragantina,
ocupa uma área de cêrca de
13.000 km- o que compreende a
78,5% da superficie total.
São solos que apresentam boas
características físicas, tais como
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Volume 1 (Geociências)
153
boa profundidade, boa aeração.
São bem drenados e possuem com-
posição granulométrica predomi-
nantemente de areia grossa e fina,
sendo que o teor de argila varia de
8% a 23% no horizonte A e de 15%
a 37% no horizonte B, sendo por-
tanto incluídos dentro da classe de
textura média.
Êstes solos na Zona Bragantina
encontram-se em áreas planas e
ligeiramente onduladas, propícios
portanto para a instalação de cul-
tivos mecanizados.
Sob o ponto de vista químico,
tratam-se de solos que apresentam
baixa fertilidade, o que é eviden-
ciado pela baixa saturação de ba-
ses que o colóide argila apresenta.
Possuem também baixo conteúdo
de P2O5 assimilável e bem como
baixo a médio teor de carbono e ni-
trogênio. O potencial em hidrogê-
nio iônico (pH) é em média de 5
no horizonte A e de 4,5 no hori-
zonte B.
A baixa fertilidade dêstes solos
é resultante de seu processo dia-
genético pois derivam da evolução
dos sedimentos cauliníticos do Ter-
ciário e Quaternário.
Tais solos apresentam, portanto,
baixo teor de elementos químicos,
e, no entanto, devido às boas pro-
priedades físicas que possuem são
perfeitamente agricultáveis, desde
que a técnica agronômica, se faça
presente, principalmente com em-
prêgo de adubos orgânicos e quí-
micos e também sistemas de rota-
ção de cultivos.
Salientamos que 0 Latosol Ama-
relo é predominante na região
amazônica, com variação princi-
palmente no que diz respeito ao
conteúdo de argila apresentado.
E’ oportuno chamar a atenção
para um fato muito difundido, que
diz respeito a atribuição da quali-
dade de fértil aos solos amazôni-
cos, em função da aparência luxu-
riante e frondosa apresentada pela
floresta. Esta é uma conclusão in-
verídica, pois a mata amazônica
em sua grande parte repousa em
solos de fertilidade baixa. A exube-
rância da selva, neste caso, é fru-
to tão-sòmente de equiíbrio bioló-
gico solo-planta-solo ali predomi-
nante.
Quebrado êste equilíbrio, o des-
gaste nestes solos torna-se rápido
baixando em pouco tempo os teo-
res em elementos nutritivos neces-
sários ao desenvolvimento normal
dos vegetais. Os resíduos vegetais,
como fôlhas, galhos, frutos, tron-
cos, etc. e também a fauna, forne-
cem elementos minerais indispen-
sáveis ao desenvolvimento dos ve-
getais. Aliado a êstes fatôres, a ele-
vada umidade relativa da região
condicionada pela alta queda plu-
viométrica e a temperatura reinan-
te criam condições favoráveis ao
crescimento da população vege-
tal.
154
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
A outra unidade taxonômica en-
contrada na Zona Bragantina é o
Latosol Concrecionário (Concrecio-
nário Laterítico). Trata-se de solo
que possue como caráter mais cons-
picuo a presença de concreções la-
teríticas (piçarra) distribuídas pelo
perfil. Estas concreções podem apa-
recer nos perfis na forma de are-
nito ferruginoso onde o teor de fer-
ro é sempre mais elevado que o de
alumínio, sendo também muito co-
mil no perfil, a variedade que con-
tém quartzo e argila, interligados
com depósitos de ferro sob formas
mais ou menos hidratadas.
O Latosol Concrecionário (Con-
crecionário Laterítico) assemelha-
-se muito ao Latosol Amarelo, di-
ferenciando-se principalmente pela
ocorrência das concreções lateríti-
cas. Devido a presença das concre-
ções não devem ser indicados para
fins agrícolas, uma vez que o sis-
tema radicular das plantas encon-
tra dificuldade de penetração no
solo, causando, muitas vêzes, não
só a atrofia das raízes e retardan-
do o desenvolvimento do vegetal,
como o seu tombamento por defi-
ciência de fixação no solo.
No que diz respeito a reserva na-
tural de nutrientes os solos concre-
cionários assemelham-se também
ao Latosol Amarelo, apresentando
fertilidade quase sempre baixa, evi-
denciada pelo grau de saturação
de bases (valor V) muito baixo.
Possuem acidez elevada (pH 4,5-5)
e apresentam variação de textu-
ra em função da oscilação dos teo-
res de argila respectivos.
O Latosol Concrecionário não
ocorre sòmente na Zona Bragan-
tina, mas inclusive em algumas
áreas onde há ondulação do ter-
reno e que apresentam declive em
relação aos cursos de água. Essa
situação pode ser explicada, devi-
do a processos de erosão que há
muito vêm sofrendo os terrenos da
região.
Outro solo de terra firme encon-
trado na região Bragantina é o Re-
gosol, que compreende áreas res-
tritas e esparsas.
O Regosol é um solo azonal, mal
desenvolvido, com seqüência de ho-
rizontes A — Ce predominante-
mente constituídos por areia quart-
zosa.
Apresenta um horizonte A mui-
to arenoso, escurecido pela maté-
ria orgânica, abaixo do qual segue
0 horizonte C formado essencial-
mente de areia branca.
São solos que pelas más pro-
priedades físicas e químicas não
são recomendáveis para utilização
agrícola. Normalmente são apro-
veitados como fonte de areia bran-
ca a ser utilizada em construções
civis.
A região atingida pela rodovia
BR-14 no trecho compreendido en-
tre Belém — Imperatriz (616 km)
consiste principalmente de um pia-
Volume 1 (Geociências)
155
tô sedimentar (planalto) antigo,
cujas camadas superiores são cons-
tituídas por argilas pesadas de côr
amarelada .
Nas partes nordeste e sudoeste
da área, encontram-se diversos ter-
raços relativamente jovens, forma-
dos por sedimentos de textura mé-
dia e que estão situados em um ní-
vel inferior ao planalto.
Os solos da BR-14, portanto, em
grande parte procedem da evolu-
ção dos sedimentos do Plioceno e
Pleistoceno constituindo áreas de
solos latossólicos e “íntergrades”
dêstes para podzólicos.
A variação textural nestes solos
vai desde os de textura média ....
(17 — 35% de argila no horizon-
te B) a muito pesada (70% de ar-
gila), sendo que os solos que apre-
sentam esta última classe textu-
ral formam-se sempre em terraços
mais elevados.
Sendo os solos da BR-14 predo-
rninantemente latossólicos e de
procedência de sedimentos cauli-
níticos do Plioceno e Pleistoceno,
apresentam potencialidade quími-
ca baixa, advindo com isto um es-
gotamento rápido quando sob os
efeitos de um cultivo irracional,
principalmente usando-se cultura
de subsistência.
Tratando-se de solos latossólicos
são por isso mesmo providos de ca-
racterísticas físicas boas, o que per-
mite o seu uso agrícola com gran-
des possibilidades de sucesso.
Solos de procedência calcárea
(Grumossólicos) localizados na...
BR-14 logo após Imperatriz, Esta-
do do Maranhão, possuem poten-
cialidade química natural elevada,
devido o seu material originário li-
berar constantemente nutrientes
minerais.
Êstes solos possuem composição
granulométrica com predominân-
cia da fração argila, são portanto
pesados, fertéis, sendo por isso re-
comendáveis para uso agrícola in-
tensivo.
O material originário-calcáreO'
-localiza-se a aproximadamente
1,20 m de profundidade, e apresen-
ta um teor médio de 80% de
COoCa. No momento procede-se a
sua extração para a obtenção de
cal a ser usado no preparo de arga-
massa em construção civil.
Solos de procedência básica são
encontrados em vários locais da re-
gião amazônica, já tendo sido lo-
calizados em Alenquer, Monte Ale-
gre, Altamira, na BR-29 Setor Ron-
dônia principalmente à altura dos
quilômetros 225,292,317 e 352 par-
tindo de Pôrto Velho; em Fordlân-
dia e no Território de Roraima.
Êstes solos de origem diabásica
ou basáltica, alguns conhecidos
como “Terra Roxa”, possuem fer-
tilidade alta, comparando-se aos
melhores solos do Brasil.
São solos cuja origem básica lhes
dá potencialidade química suficien-
te para uma exploração agrícola a
156
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
longo prazo, devido a constante li-
beração de nutrientes pela intem-
perização dos minerais primários
encontrados no perfil.
São solos profundos, porosos,
permeáveis, de boa estrutura, bem
drenados, apesar de serem argilo-
sos em todo o perfil. O conteúdo
em elementos nutritivos é elevado
e apresentam um indice de pH em
tôrno de 6,5.
São solos que não possuem limi-
tações para a agricultura e podem
ser usados indistintamente, atra-
vés de trabalhos agrícolas mecani-
zados. As produções das culturas,
tanto de ciclo curto como perene.s
são altas, mesmo em áreas já culti-
vadas por diversas vêzes.
Em Altamira (Xingu) e no
T. F. de Rondônia, presume-se que
êstes solos ocupem áreas relativa-
mente extensas, havendo necessi-
dade de se fazer exploração agríco-
la racional, com implantação de
culturas tècnicamente planejadas
e orientadas.
Calculamos em cêrca de
25.000 km- as áreas conhecidas
dêstes solos.
Outra unidade taxonômica de
alta fertilidade na região Amazôni-
ca é a “Terra Preta do índio” (La-
tosol Amarelo Húmico Antropogê-
nico). A Terra Preta do índio, lo-
caliza-se principalmente em todo
o bordo do planalto da margem di-
reita do Rio Tapajós, em forma de
manchas circulares descontínuas e
bem como na ilha de Marajó. Como
característica importante, dêstes
solos, temos a ocorrência notável
de fragmentos de cerâmica indíge-
na, o que motiva freqüentemente
discussões a respeito de sua gênese.
São solos de origem sedimentar,
de média a alta fertilidade natu-
ral, com elevado teor de cálcio e
fósforo e bem como de soma de ba-
ses permutáveis. Possuem o pH em
tôrno de 6 sendo que nos primei-
ros horizontes está sempre acima
dêste valor, portanto próximo do
neutro.
Uma constante no perfil dêstes
solos é a espessura do horizonte A
(camada arável) que varia de 20
a 180 cm, êste encontrado no mu-
nicípio de Oriximiná.
O horizonte A é prêto, proemi-
nente, espessura variando de 20 a
180 cm, humoso, com elevado teor
de carbono e nitrogênio o que tra-
duz também elevado teor de maté-
ria orgânica.
São solos bem drenados, porosos,
profundos e estão assentes sôbre
sedimentos do Terciário.
No município de Monte Alegre
— Baixo Amazonas — ocorrem so-
los de origem calcárea com ele-,
vada fertilidade, o que é justifica-
do pela presença de subsolo calcá-
reo próximo à superfície.
Os solos desta procedência, Gru-
mosol, substrato calcáreo, têm teor
elevado de cálcio e magnésio com
pH sempre acima de 6. A soma de
Volume 1 (Geociências)
157
bases permutáveis e o valor V (ín-
dice de saturação) são muito ele-
vados, o que demonstra o caráter
de alta fertilidade dêstes solos.
São perfeitamente agricultáveis
dado a sua elevada fertilidade. Tra-
tando-se, no entanto, de uma re-
gião em que o calcáreo prática-
mente encontra-se aflorando, ne-
cessário se torna um estudo deta-
lhado para aproveitamento racio-
nal do subsolo.
Na ilha de Marajó a paisagem é
típica. Uma parte da ilha é for-
mada de solos bem drenados altos
e cobertos de florestas e outra por
solos imperfeitamente ou mal dre-
nados formando os campos. A zona
onde se procede a criação de gado,
localiza-se em áreas de solos hidro-
mórficos de baixada, pesados, mui-
tas vêzes compactos, que sofrem
constantemente fenômenos de oxi-
redução no perfil, devido a oscila-
ção do lençol de água, oxidando e
reduzindo o ferro livre dando assim
um aspecto mosqueado ao perfil.
São solos que apresentam variação
de uma unidade para outra, como
por exemplo, variação do conteú-
do de matéria orgânica à superfí-
cie, acumulação de bases e sais no
subsolo, presença de horizonte Ao
arenoso proeminente, além de ou-
tras características.
De um modo geral são solos que
têm médio a alto teor de matéria
orgânica (no horizonte A), baixo
conteúdo de bases trocáveis e, na
quase maioria, muito baixo fósfo-
ro assimilável na forma de P2O5,
além de possuírem pH muito ácido
em tôrno de 4,5.
Os campos de Marajó apresen-
tam um contraste bem nítido du-
rante duas épocas do ano:
1. época das cheias
2. época da sêca
Ambas prejudiciais ao desenvol-
vimento normal dos vegetais, difi-
cultando em grande maioria a for-
mação de boas pastagens, consti-
tuindo o grande problema do Ma-
rajó.
No Território Federal do Amapá,
há predominância dos solos latos-
sólicos e lateríticos pertencentes
aos grandes grupos Latosol Amare-
lo e Latosol Concrecionário ou Si-
milar, ocorrendo também áreas de
solos podzólicos.
As áreas de Latosol Amarelo de
cerrado ou de floresta possuem re-
lêvo plano a ligeiramente ondula-
do, sendo os solos, de fertilidade
natural baixa, tendo no entanto
características físicas boas o que
o tornam perfeitamente agricultá-
veis.
A baixa fertilidade dêstes solos,
não significa que esta região deva
ser legada ao abandono, pelo con-
trário, apesar dos solos não pos-
suírem reservas nutritivas necessá-
rias a cultivos intensivos em con-
dições naturais, apresentam boas
propriedades físicas, podendo com
158
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
isto serem perfeitamente trabalha-
dos, desde que sejam escolhidas
culturas comprovadamente rendo-
sas que justifiquem o emprêgo de
corretivos e fertilizantes químicos.
As áreas de Concrecionários, são
extensas no Território do Amapá.
Nestes solos há predominância de
concreções lateríticas distribuídas
no perfil, o que é fator limitante
de seu uso na agricultura, dificul-
tando o emprêgo de maquinárias e
implementos agrícolas.
As ocorrências de Podzólicos Ver-
melho-Amarelo, são notados em re-
lêvo constituído por conjunto de
colinas e outeiros revelando uma
paisagem movimentada à área.
Os solos podzólicos tem proprie-
dades químicas melhores que os la-
tossólicos, no entanto devido ao re-
lêvo têm certas restrições quan-
to ao uso de maquinárias agríco-
las.
Os campos cerrados do Amapá
ocupam presumivelmente menos
de 1/10 da área total do território.
São constituídos de um modo
geral de solos latossólicos vermelho
amarelo e amarelo com várias
fases texturais, ocorrendo desde a
leve à fase pesada.
São normalmente de boas pro-
priedades físicas e as característi-
cas químicas revelam teores bai-
xos e mesmo muito baixos de ele-
mentos nutritivos, principalmente
no tocante ao potássio.
Em dois perfis de Latosol Ver-
melho Amarelo fase cerrado, ob-
servou-se que o pH em água varia
de 4,7 a 5 no horizonte A e de 5,0
a 5,3 no B, havendo assim um pe-
queno acréscimo, com a profundi-
dade do perfil.
As bases trocáveis, matéria or-
gânica e saturação de bases, no
entanto decrescem de valores con-
sideràvelmente do horizonte A para
o B.
No Estado do Acre, os solos apre-
sentam comparativamente, carac-
terísticas químicas melhores que os
verificados na Zona Bragantina no
Estado do Pará.
Nas partes de relêvo baixo pre-
dominam a laterita hidromórfi-
ca, solo imperfeitamente drenado
a mal drenado, subsolo semi-imper-
meável ou impermeável devido a
presença de uma camada compacta
de oxi-redução denominada de
“Plinthite”. São solos de fertilida-
de média a baixa e a acidez é em
tôrno de 4,5 — 5.
Nas partes elevadas e bem dre-
nadas há dominância dos Latosol
Vermelho Escuro, fase floresta e o
Podzólico Vermelho Amarelo. Sob
o ponto-de-vista morfológico e de
fertilidade o primeiro pode ser si-
tuado entre a terra rôxa e o Lato-
sol Vermelho Amarelo. E’ portanto
um solo de média fertilidade na-
tural aliado a suas muito boas pro-
priedades físicas. São solos profun-
dos, friáveis, porosos, de boa drena-
Volume 1 (Geociências)
159
gem e de difícil diferenciação en-
tre os horizontes.
A outra unidade de solo mais co-
mumente encontrada no Estado do
Acre é o Podzólico Vermelho- Ama-
relo que apresenta uma seqüência
de horizontes A — B — C, bem di-
ferenciados, com profundidades
variáveis, sendo porém menos pro-
fundos que os Vermelhos-Escuros
já citados. São solos ácidos, com sa-
turação de bases média a baixa,
moderadamente drenadas e com B
textural. A textura é geralmente
argilosa e a estrutura é moderada,
pequena e média, blocos subangu-
lares.
Êstes solos foram observados com
cultivo de banana, arroz, milho,
além de outros, todos com bom as-
pecto vegetativo. São solos no en-
tanto que necessitam de aplicação
de adubos e corretivos para produ-
zirem maiores colheitas.
O Território Federal de Rondô-
nia é ainda uma região pouco ex-
plorada. Com a construção da ro-
dovia BR-29 ligando Pôrto Velho a
Cuiabá, os seus solos foram estu-
dados preliminarmente, em caráter
exploratório. Existem áreas, muitas
vêzes extensas, de Latosol Verme-
lho Amarelo predominantemente
de textura pesada e intergrades
dêstes para Podzólicos Vermelho
Amarelo.
Há no entanto faixas presumi-
velmente extensas de solos de ori-
gem básica como o Reddish Brown
Lateritic Soil e a Terra Rôxa Estru-
turada, que são encontradas prin-
cipalmente no lugar denominado
Seringal Nova Vida e após o rio
Jarú, além de ocorrência em outras
áreas. A vegetação dominante é a
floresta amazônica e o relêvo va-
ria de plano a ondulado.
Observa-se no Território Federal
de Roraima, em direção noroeste a
cidade de Boa Vista, uma extensa
área plana, com vegetação de cer-
rado, os Latossolos Amarelos de
Textura média a pesada, com pro-
priedades físicas boas e baixa re-
serva de nutrientes. Associam-se
também a êstes solos com relativa
freqüência Areias Vermelhas Ama-
relas.
Nas áreas planas e de drenagem
imperfeita desenvolve-se a Laterita
Hidromórfica com plinthite brando
ou não.
Apesar da dominância de solos
de fraca fertilidade, há ocorrência
no entanto de Terra Rôxa Estrutu-
rada, proveniente da decomposição
e evolução do diabase.
A sudoeste da cidade de Boa Vis-
ta, percorrendo-se a rodovia BR-17
Boa Vista — Caracaraí, também há
predominância de solos latossóli-
cos, a laterita hidromórfica, em
campo cerrado. A partir do Km 50
dessa rodovia, surge vegetação da
floresta amazônica.
Estas áreas citadas pertencem
a região do peneplano rio-bran-
quense.
160
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
No Estado do Amazonas a região
compreendida entre Manáus e Ita-
coatiara também tem predominân-
cia de solos latossólicos.
Êstes solos foram formados a
partir da evolução de sedimentos
do Terciário representado pela for-
mação “Barreiras”.
A região está incluída no Baixo
Platô Amazônico, apresentando
terraços com altitudes variáveis ge-
ralmente de pequenas extensões e
baixa altitude o que condiciona um
relêvo ondulado.
O clima que influencia a forma-
ção dêstes solos é segundo Kõppen,
o tipo Am de monções, que apre-
senta precipitações elevadas, ten-
do no entanto uma estação sêca de-
finida com um mês pelo menos
chovendo abaixo de 70 mm.
A vegetação predominante é re-
presentada pela floresta equatorial
úmida amazônica, além de capoei-
ras em vários estágios de formação,
pequenas áreas de “campinas”,
além da vegetação em solos hidro-
mórficos.
O solo predominante é o Latosol
Amarelo, com várias fases textu-
rais, sendo o de maior ocorrência
o de textura muito pesada, ou seja,
que contém teor de argila superior
a 70% no horizonte B.
Sendo o Latosol Amarelo textu-
ra muito pesada o solo predomi-
nante nesta região descreveremos
em seguida as suas características :
são profundos, fortemente desgas-
tados, muito forte a excessivamen-
te ácidos, bem drenados e de tex-
tura muito pesada em todo o per-
fil. A côr dominante é a amarela.
O horizonte superficial é restrito e
apresenta elevado conteúdo de ma-
téria orgânica, variando de 5% a
8% decrescendo consideràvelmen-
te com a profundidade do perfil.
São solos de potencialidade quími-
ca muito baixa evidenciada pelos
teores de saturação de bases e soma
de bases permutáveis que são mui-
to baixas. Êste fato se deve princi-
palmente ao seu material forma-
dor que é constituído de sedimen-
tos pobres cauliníticos do Terciá-
rio.
O Estado do Maranhão possue
10 zonas fisiográficas distintas;
Zonas do Pindaré, Baixada, Médio
Mearim, Vale do Itapecuru, Vale
do Munim, Sertão, Alto Sertão,
Vale do Paraiba, Litoral e Zona
Amazônica.
A zona do Pindaré onde se acha
localizado o núcleo de povoamen-
to da SUDENE no Maranhão, en-
contram-se principalmente forma-
ções Pré-cambrianas da série Gu-
rupi. Cretáceas da formação Ita-
pecuru, Terciários e Quaternários,
êstes marginando os cursos de
água.
O relêvo apresenta-se com topo-
grafia plana a ondulada com alti-
tude inferior a 60 m, tendo tam-
bém área de relêvo movimentado
evidenciado por formas escarpa-
Volume 1 (Geociências)
161
das, resultante de antiga erosão
dos tabuleiros e que chegam a atin-
gir alturas superiores a 300 metros,
êstes encontrados na serra do Pi-
racambu .
Os solos são predominantemen-
te latossólicos, arenosos, profundos,
ocorrendo também grandes áreas
de Laterita Hidromórfica.
Os Latossolos arenosos desta
zona fisiográfica possuem pH bai-
xo, necessitando de calagem para
o uso agrícola racional.
O valor do índice de saturação
de bases (V) aumenta do horizon-
te A para o B e o teor de magnésio
é muito baixo, como o é em gran-
de parte dos solos da região ama-
zônica. Os teores de carbono e ni-
trogênio variam de médios a altos
nos horizontes superiores decres-
cendo com a profundidade do per-
fil. O teor de P-Oj assimilável dês-
tes solos é muito baixo necessitan-
do de adubações fosfatadas para o
cultivo de plantas perenes.
A zona da Baixada Maranhense
é formada por uma grande exten-
são de solos hidromórficos, mal dre-
nados, alagáveis durante a época
das chuvas e bastante sêco duran-
te a estiagem.
Os solos predominantes apresen-
tam-se com os horizontes superio-
res muito arenosos, com areia fina
assente sôbre um horizonte B plin-
thitico ou não, porém argiloso e
rico em mosqueados devido a oxi-
dação do ferro existente em esta-
do reduzido.
Alguns dêstes solos possuem teo-
res de bases trocáveis, principal-
mente cálcio e magnésio, elevados,
bem como o subsolo com acidez
pouco pronunciada.
São no entanto solos fisicamen-
te ruins pois ficam durante a épo-
ca das chuvas parcialmente inun-
dados, devido a má drenagem, oca-
sionando assim difícil escoamento
das águas através dos perfis.
Esta zona é utilizada para a pe-
cuária extensiva e abrange vários
municípios maranhenses.
A zona do Médio Mearim, com-
preendendo os municípios de Pe-
dreiras, Bacabal, Ipixuna, Vitorino
Freire, D. Pedro, Presidente Dutra,
etc. têm os seus solos formados
principalmente de material prove-
niente da evolução de sedimentos
do cretáceo, onde aparecem solos
podzolizados mais antigos, locali-
zados nas partes mais elevadas do
relêvo e solos aluviais mais recen-
tes constituindo as baixadas, nor-
malmente férteis.
Os solos das partes altas são pre-
dominantemente pertencentes ao
grande grupo Podzólico Vermelho
Amarelo, que apresentam textura
argilosa, perfis medianamente pro-
fundos, transição entre os horizon-
tes nítida e estrutura bem desen-
volvida.
As propriedades químicas são
boas, evidenciadas pelo médio a
162
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
alto índice de saturação de bases,
bem como pelo valor considerável
da soma de bases permutáveis.
Ocorrem êstes solos em relêvo
ondulado formando pequenas ele-
vações do tipo colinas e outeiros.
Na zona de Itapecuru, que com-
preende os municípios de Itape-
curu - Mirim, Vargem Grande,
Chapadinha, Coroatá, Timbiras,
Peritoró, etc. são também em gran-
de parte provenientes de formação
cretácea.
Os solos são em alguns luga-
res fortemente lateritizados como
acontece em parte do Município
de Itapecuru - Mirim. Nos muni*
cípios de Coroatá e Peritoró os so-
los são predominantemente perten-
centes ao grande grupo Podzólico
Vermelho Amarelo e solos aluviais
de fertilidade média, êstes encon-
trados como na zona do Médio
Mearim, formando baixões.
Nestes baixões aluviais, o culti-
vo de arroz é tntensamente reali-
zado com resultados animadores.
Êstes solos aluviais são forma-
dos principalmente pela deposição
recente de sedimentos trazidos em
suspensão nas águas das chuvas e
que são arrastadas através das en-
costas de elevações vizinhas. Como
os solos destas elevações normal-
mente se apresentam com teores
em elementos nutritivos médios a
altos formam-se assim aluviões
férteis.
E’ necessário no entanto salien-
tar aqui, que grande parte dêstes
solos aluvionais durante a época
chuvosa ficam com o lençol de água
próximo a superfície.
De uma maneira geral podemos
dizer que os solos do Estado do Ma-
ranhão em sua maioria possuem
fertilidade natural média a alta,
mas no entanto são severamente
prejudicados pelas propriedades fí-
sicas que muitas vêzes ocasionam
dificuldade ao uso agrícola.
SOLO DE VÁRZEA
O têrmo várzea é usado na Ama-
zônia para identificar terras bai-
xas que marginam os rios apresen-
tando extensões variáveis, chegan-
do em alguns lugares a atingir al-
guns quilômetros (Baixo Amazo-
nas). São planas, de formação re-
cente e sedimentar.
De acordo com a formação des-
tas terras distinguem-se três tipos
distintos de terrenos; a várzea alta
(dique marginal), a baixa (bacA
swamp) e o igapó, estando todos
êles diretamente relacionados com
o processo de sedimentação das
partículas em suspensão nas águas
dos rios.
Nas várzeas altas as partículas
mais grossas sedimentam primei-
ro, portanto próximo ao rio, fican-
do aqui com nível topográfico mais
alto. A composição granulométrica
dêstes solos é constituída predomi-
Volume 1 (Geociências)
163
nantemente pelas partículas mais
grosseiras do solo, sendo por isso
melhor drenados. A medida que en-
tram para o interior as partículas
que sedimentam vão se tornando
mais finas e o terreno apresenta-se
com nível topográfico mais baixo
formando a várzea baixa e por úl-
timo 0 igapó.
Denomina-se de igapó aos bai-
xios que apresentam água constan-
temente estagnada, com material
em suspensão, matéria orgânica se-
mi-decomposta e a reação muito
ácida.
As principais várzeas da Ama-
zônia são aquelas formadas pelos
rios de água branca ou barrenta,
rica em sedimentos organo-mine-
rais. As várzeas do rio Amazonas e
do estuário são as que apresentam
maior importância por serem as
mais conhecidas e utilizadas, quer
para a pecuária quer para os tra-
balhos agrícolas.
Fisicamente a várzea alta do rio
Guamá (estuário) apresenta teores
elevados da fração limo e argila,
vindo a areia fina como partícula
mais grosseira.
A análise dos elementos quími-
cos evidenciou a presença de cál-
cio e magnésio, principalmente
dêste último como teores altos; o
potássio apresenta teores baixos e
0 sódio com valores médios. A aná-
lise da matéria orgânica revela teo-
res médios nos horizontes de super-
fície decrescendo consideràvelmen-
te com a profundidade do perfil.
O pH nestes solos é muito forte-
mente ácido (pH 4,5 — 5).
A potencialidade da várzea do
estuário é devido as periódicas de-
posições dos sedimentos trazidos
nas águas dos rios, renovando com
isso constantemente o conteúdo em
elementos nutritivos.
Em experimentos realizados com
a cana de açúcar e arroz em solos
de várzea, alta e drenada com
cultivo sucessivo de uma mesma
área obteve-se resultados decres-
centes para cada cultura, porém
todos êles muito compensadores.-
Assim a cana de açúcar com ape-
nas o trato cultural da capina,
produziu no primeiro cultivo 170
toneladas/ha, no segundo ano
(soca) 85,5 toneladas/ha, no ter-
ceiro ano (ressoca) 72 tonela-
das/ha.
O arroz nas mesmas condições
da cana de açúcar deu os seguin-
tes resultados; primeiro ano 6 to-
neladas/ha, segundo ano 5 tonela-
das/ha, terceiro ano 4 tonela-
das/ha.
Se compararmos êfeses resulta-
dos com os obtidos em solos de ter-
ra firme — Latosol Amarelo, ve-
rificaremos que a diferença é bas-
tante acentuada.
E’ necessário no entanto escla-
recer que a área utilizada para o
experimento daqueles cultivos foi
em solos de várzea alta e drena-
da, do rio Guamá. A drenagem dês-
164
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tes solos é sempre um trabalho
muito oneroso e de difícil execução
por particulares.
A várzea formada pelo rio Ama-
zonas é morfologicamente seme-
lhante a do estuário, porém par-
te de seus solos possuem o conteú-
do em elementos químicos mais
elevados.
São da mesma maneira solos de-
senvolvidos em relêvo plano, inun-
dáveis pelas águas do rio Amazo-
nas por um período aproximado de
6 meses o que deixa depositado com
isso material sedimentar. Êsse ma-
terial constitue-se principalmente
de partículas finas de limo e argila
e outros minerais, além de elemen-
tos orgânicos.
A várzea do Amazonas é também
de formação recente. Quaternária
do período Holoceno. É imperfei-
tamente a mais drenada e de tex-
tura pesada (argila pesada), com
percentagem alta da fração limo.
O pH é da ordem de 5,5 ocorrendo
porém valores abaixo dêste.
O perfil é constituído de um ho-
rizonte A organo-mineral, pouco
profundo seguindo-se de horizon-
tes profundamente gleizados (acin-
zentado) com abundância de mos-
queados. Estas condições de gleiza-
ção são ocasionadas pela oscilação
do lençol freático, fazendo com que
se processem reduções e oxidações
nas diversas camadas dêstes solos.
Quando estas camadas ou horizon-
tes estão molhadas, falta o ar e
conseqüentemente o oxigênio: o
ferro livre trivalente é reduzido.
Quando o lençol freático baixa, o
ar e o oxigênio podem entrar nas
diversas camadas através dos po-
ros e 0 ferro é oxidado. Esta oxi-
dação no entanto, não é homogê-
nea; diversas partes especialmen-
te próximas às raízes e também nas
fendas, é oxidado enquanto em ou-
tras partes ainda permanece redu-
zido. Temos então como conseqüên-
cia, um mosqueado com matiz cin-
za e manchas amareladas e aver-
melhadas.
Nas partes melhor drenadas, ge-
ralmente as que apresentam nível
topográfico mais elevados, a estru-
tura é mediamente desenvolvida
sendo a consistência plástica e pe-
gajosa, 0 que permite uma eleva-
da saturação de água durante o in-
verno.
Êstes solos, ao contrário com os
de terra firme, não apresentam
boas propriedades físicas, no en-
tanto devido as sucessivas deposi-
ções dos ricos sedimentos trazidos
pelas águas do rio Amazonas, são
considerados como solos de poten-
cialidade química acima da média.
Para a utilização econômica dês-
tes solos, necessário se torna, no
entanto, um estudo racional, para
o planejamento de um sistema de
drenagem e possivelmente de irri-
gação, êste último para o período
de estiagem.
Volume 1 (Geociências)
CONCLUSÕES
1 . A região amazônica compre-
ende uma extensa área, abrangen-
do cêrca de 42% da superfície do
Brasil. O relêvo, o clima e a vege-
tação caracterizam esta grande re-
gião.
2. Das paisagens tipicamente
amazônicas distinguem-se perfeita-
mente: a terra firme ou “baixo pla-
tô” e as áreas de várzeas cuja
idade geológica se deve ao Quater-
nário.
3. Os solos de “Terra Firme”,
constituídos por vários grandes
grupos de solos, são de uma ma-
neira geral, bem drenados, porosos,
profundos, de textura muito variá-
vel e normalmente com fertilida-
de natural média a baixa, com ex-
ceção dos solos de origem básica,
calcárea ou a Terra Preta do índio,
que apresentam fertilidade natural
acima da média.
4 . Os solos latossólicos de proce-
dência sedimentar Terciária (Lato-
sol Amarelo) devido as boas pro-
priedades físicas que apresentam,
quando cultivados racionalmente
podem ser perfeitamente utilizados
para a agricultura industrial.
Êstes solos, porém, não devem
ser utilizados em culturas de ciclo
curto, mas perenes, devido a baixa
potencialidade química que pos-
suem.
165
5. As áreas onde existem solos
com fertilidade elevada (Terra Rô-
xa. Terra Preta do índio. Solos Cal-
cimórficos etc.) devem ser encara-
dos com maior interêsse visando a
implantação, tanto de culturas de
de subsistência como também pe-
renes.
6. Os terrenos de várzea apesar
de possuírem potencialidade quí-
mica que oscila de média a alta,
tem uma utilização agrícola bas-
tante limitada devido a inundação
total ou parcial a que são subme-
tidas em determinadas épocas do
ano, em face da má drenagem que
apresentam, ocasionada pelo baixo
relêvo.
7. O uso agrícola racional das
várzeas só poderá ser feito por ini-
ciativa do govêrno ou grandes em-
prêsas devido as práticas agríco-
las necessárias a sua utilização se-
rem muito onerosas.
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Vol. 1 (Geociéncias): 169-185 — 1967
CONTRIBUIÇÃO À PALEONTOLOGIA DO ESTADO DO PARA.
O GÊNERO ORTHAULAX GABB, 1872 NA FORMAÇÃO PIRABAS. X.
(MOLLUSCA, GASTROPODA)
CÂNDIDO SIMÕES FERREIRA
Museu Nacional, Rio de Janeiro, Guanabara
I
(Com duas estampas)
Como parte da revisão que esta-
mos procedendo na malacofauna
da Formação Pirabas (Mioceno in-
ferior), damos ênfase especial ao
curioso gastrópodo Orthaulax, por
ser êste representante extinto da
família Strombidae, um bom fóssil
guia. Seu registro nos sedimentos
marinhos componentes da Forma-
ção Pirabas, que ocupam hoje
grande área da chamada zona Bra-
gantina e do litoral do Estado do
Pará, foi sem dúvida, um dos fa-
tores decisivos para que Maltry
(1924) estabelecesse com seguran-
ça a idade Mioceno inferior para
tais sedimentos.
Orthaulax, foi um gênero endê-
mico da província malacológica
Caribeana e seu aparecimento deu-
-se súbitamente no Oligoceno supe-
rior, não tendo sido até hoje regis-
trado acima do Mioceno inferior.
DESCRIÇÃO SISTEMÁTICA
Ordem : Ctenobranchiata
Família: Strombidae
Orthaulax Gabb, 1872
Orthaulax Gabb, Proc. Philadelphia,
Acad. Nat. Sei. 24:272, 1872. Tipo (por
monotipia) : Orthaulax inomatus Gabb,
da Formação Baitoa (Mioceno infe-
rior) da República de São Domingos.
“Shell rounded-fusiform, canal mo-
derate, straight and regularly tapering;
adult Shell enveloped over the whole
spire by the extention of the inner lip;
posterior canal fissure-like, formed by
the continued edge of the outer lip
and running directly to the apex.
Outer lip apparently sharp and simple;
anterior notch obliqúe and broad.”
Vários autores, entre os quais
destacamos, Heilprin (1887), Dall
1890; 1915), Maury (1920; 1924),
CooKE (1921), WooDRiNG (1925;
* Sob o regime de tempo integra]
pela Univ. Fed. do Rio de Janeiro.
170
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
1959) e Gaedner (1945; 1947) con-
tribuíram com excelentes dados sô-
bre a taxonomia, sistemática, pa-
leoecologia e estratigrafia do gêne-
ro Orthaulax.
Dentre os diversos gêneros que
a família Strombidae suporta,
Strombus Linnaeus, 1758, Rostel-
laria Lamarck, 1799, Rimella Agas-
siz, 1840 e Calyptraphorus Conrad,
1857, independente dos caracteres
gerais da família, guardam estrei-
tas relações com o Orthaulax, que
entretanto, pode ser fàcilmente
destacado daqueles, pelo processo
envolvente da última espira que
cobre tôdas as demais, tornando a
concha bastante sólida e maciça.
Esta expansão do bordo da última
espira é contínua da adolescência
até a maturidade, o que não acon-
tece com os gêneros acima citados.
Êste crescimento peculiar do Or-
thaulax, permitiu a alguns autores
situá-lo dentro de uma linha evo-
lutiva, ora como uma forma de
transição entre Strombus e Rostel-
laria (Dall, 1890: 169) ou entre
Calyptraphorus e Rimella (Maury,
1924: 110). Segundo Woodring
(1959: 190), Orthaulax presumi-
velmente descende do gênero Oos-
trombus Sacco, 1893, estrombóide
êste registrado no Terciário infe-
rior da Europa (Itália) e também
na Formação Gatuncillo (Eoceno
médio) da zona do Canal do
Panamá. Anteriormente ainda,
Maury (1912: 90) descreveu da
Formação Soldado Rock (Paleoce-
no) de Trinidad, um nôvo subgê-
nero de Rostellaria que denominou
de Veatchia, colocando-o numa po-
sição intermediária entre Orthau-
lax e Calyptraphorus.
Paralelamente a estas tentati-
vas de melhor esclarecer a linha
evolutiva, outras informações, su-
gestões ou mesmo deduções sôbre
o gênero em pauta, vieram à luz,
dando ao mesmo grande valor no
fornecimento de dados paleoecoló-
gicos. Segundo vários autores, Or-
thaulax teria vivido em ambien-
tes de águas rasas, quentes, lím-
pidas e bastante agitadas. Seu apa-
recimento súbito e sua larga dis-
tribuição na faixa de transição
Oligo-miocênica da província Ca-
ribeana, segundo Woodring (1959:
190) , coincide também com o igual-
mente largo desenvolvimento dos
recifes de corais da mesma pro-
víncia, nos quais, Orthaulax tinha
seu “habitat” preferido. Davies
(1935: 266) sugeriu uma evolução
adaptativa para aquêle curioso gas-
trópodo, isto porque, o processo en-
volvente da última espira tornando
a concha bastante sólida e maciça
dotaria a mesma de melhores con-
dições de resistência a ação hostil
das ondas sôbre os recifes, onde o
Orthaulax estaria agregado.
Volume 1 (Geociências)
171
Todos os dados paleoecológicos
acima referidos, são confirmados
na Formação Pirabas, e nós mes-
mo, Ferreira & Cunha (1959) ad-
mitimos com reservas, que nas zo-
nas do antigo mar de Pirabas cor-
respondentes hoje aos afloramen-
tos do atual litoral do Pará, as
condições seriam propícias a edi-
ficações de recifes ou biohermos.
Destas localidades do litoral, cida-
de de Salinópolis e ilha de Forta-
leza na baía de Pirabas, coletamos
vários exemplares do gênero Or-
thaulax representado por duas es-
pécies de larga distribuição na pro-
víncia paleomalacológica Caribea-
na, ou sejam: O. inornatiis Gabb e
provàvelmente O. pugnax (Heil-
prin) .
Quanto é do nosso conhecimen-
to, são conhecidas apenas sete es-
pécies e uma subespécie do gênero
Orthaulax que daremos a seguir,
com as respectivas distribuições
geográficas e cronológicas, já com
a inclusão da Formação Pirabas.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E GEOGRONOLÓGICA
DAS ESPÉCIES DE ORTHAULAX
Algumas dessas espécies foram
também registradas em camadas
Oligomiocênicas da Jamáica, Gua-
temala e Venezuela.
172
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Endossamos plenamente a opi-
nião de WooDRiNG (1959; 190)
quando admite que das 12 espécies
e subespécies conhecidas, (neste
número provàvelmente, estão in-
cluídas espécies e subespécies colo-
cadas em sinonimia), algumas de-
las são puramente nominais, o que
provàvelmente é o caso da subes-
pécie Orthaulax inornatn^ altilis
Pilsbry, 1921, que de propósito não
incluímos no quadro acima. Esta
opinião deve ser acatada, principal-
mente se levarmos em considera-
ção as modificações operadas no
Orthaulax quanto ao processo en-
volvente e contínuo da última es-
pira, que poderá morfològicamente
diferenciar uma mesma espécie nos
seus vários estágios de crescimen-
to. Acreditamos que tais diferen-
ciações poderão levar mesmo um
pesquisador experimentado, quan-
do dispõe de um ou dois espéci-
mes, jovens ou adultos, o que é nor-
mal em paleontologia, notadamen-
te para um gênero pouco comum
como 0 Orthaulax, a incorrer no
êrro de criar uma nova espécie com
base num espécime cujo estágio de
maturidade fôsse diferente de uma
espécie anteriormente descrita. Os
vários exemplares, embora frag-
mentados, que coletamos nos cal-
cários da Formação Pirabas e, que
classificamos sob reserva, como
Orthaulax pugnax (Heilprin), pa-
recem comprovar o que acima foi
dito, como veremos adiante.
Orthaulax inornatus Gabb, 1872
(Est. I, figs. 1-3)
Orthaulax inornatus Gabb,
Proc. Acaã. Nat. Sei. Philadelphia,
24; 272, pl. 9, figs. 3, 4, 1872; Trans.
Amer. Philos. Soc., 15: 234, 1873.
Dali, Proc. U.S. Nat. Mus. 90: 86, pl.
11, fig. 4, 1915; idem, 51: 509, pl.
88, fig. 9, 1916. Maury, Amer. Pa-
leont., 5 (29) : 285, pl. 47, fig. 11,
1917. Pilsbry, Proc. Acad. Nat. Sei.
Philadelphia, 73 (II) : 368, pl. 30,
figs. 13-15, 1921. Cooke, U.S. Geol.
Survey, Prof. Paper, 129-B: 28, pl.
II, figs. 2-6, 1921.
Orthaulax inornata Guppy,
Quart. J. Geol. Soc. London, 32: 520,
pl. 28, fig. 8, 1876.
Localidade tipo: Formação Bai-
toa (Mioceno inferior). República
de São Domingos.
Tipo: Depositado na Phüadel-
phia Academy of Natural Sciences.
Descrição original:
“Shell broadly rounded-fusiform.
Young Shell with the spire a little
shorter than the aperture, suture im-
pressed, whorls numerous, nuclear
whorls three, the subsequent ones
showing faint traces of occasional
thicknings disposed lik the varices of
Triton; surface smooth; anterior end
of body whorl marked by a few faint
revolving lines, no posterior canal.
Volume 1 (Geociencias)
173
Adult Shell more distinctly fusiform,
the spire covered by a longitudinally
striated incrustation covering the
sutures and extending to the extreme
apex. Aperture elongated, acute be-
hind and prolonged into a very narrow
posterior canal running straight to
the apex; in advance it is gradually
narrowed, the anterior notch broad
and shallow; inner lip thinly incrusted;
outer lip thin in all my specimens, and
apparently thin, straight, and entire
in the perfect adult. Size of largest
specimen, length 3.75 inches, width 1.5
inches.”
Observações gerais: Alguns mol-
des internos e externos, embora in-
completos, coletados nos aflora-
mentos da Formação Pirabas no
litoral paraense, não deixam a me-
nor dúvida quanto a sua cor-
reta classificação como Orthaulax
inornatus. Aliás, nós (Ferreira &
Cunha, 1959: 7), já havíamos re-
gistrado a sua presença em cará-
ter provisório, nos calcários de Pi-
rabas. Esta espécie se destaca das
demais conhecidas, por ser fusifor-
me e alongada, bem como, o seu
ângulo apical bastante agudo,
características estas, bem eviden-
tes nos espécimes da Forma-
ção Pirabas. A sua secção axi-
al mostrada no corte de um molde
interno incompleto recristalizado
(Est. I, fig. 3), apresenta as câ-
maras preenchidas pelo calcário
da matriz, ligando-as pela dissolu-
ção completa da columela, mas
contudo, o suficiente para mostrar
o seu estreito parentesco com o
gênero Strombus. Os moldes inter-
nos apresentam um contôrno cir-
cular, o que é também caracterís-
tico para O. inornatus. Outros de-
talhes específicos da espécie, tais
como: abertura, impressão do
callus parietal e natureza do canal
sifonal, não são bem visíveis em
nossos espécimes.
Dimensões: Molde externo (im-
pressão do lado oposto a abertura,
faltando a parte inferior), altura
55 mm e diâmetro 31 mm; molde
interno (faltando as primeiras
voltas e parte inferior correspon-
dente ao canal sifonal) , altura
60 mm e diâmetro 35 mm; outro
molde interno nas mesmas condi-
ções que o anterior, altura 54 mm
e diâmetro 33 mm.
Material estudado: Molde ex-
terno n.o 4.877-1, dois moldes in-
ternos números 4.878-1 e 4.879-1.
Todos os exemplares estão deposi-
tados na D.G. do Museu Nacional.
Distribuição geocronológica e
geográfica: Mioceno inferior —
Formação Pirabas, localidades Cas-
telo e Fazenda da ilha de Forta-
leza, baía de Pirabas, Distrito de
São João de Pirabas, Município de
Primavera (aquêle Distrito deixou
de pertencer ao Município de Sa-
linópolis, como era até então con-
siderado), Pará, Brasil. Formação
174
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Baitoa (loc. tipo) , margem do rio
Yaqui do Norte até Baitoa, provín-
cia de Santiago, República de São
Domingos. Formação Tampa, Bal-
last Point, Tampa Bay, Florida,
U.S.A.
Orthaulax cf. O. pugnax (Heilprin,
1887) (Est. II, figs. 1-6)
Wagneria pugnax Heilprin,
Trans. Wagner Free. Inst. ScL, 1;
106, pl. 15, figs. 36, 36a, 1887.
Rostellaria {Orthaulax) pugnax
Dali, Trans. Wagner Free Inst.
Sei., 3 (1) : 170, pl. 8, figs. 5 e 8,
1890.
Orthaulax pugnax Dali, Buli.
U.S. Nat. Mus. 90; 87, pl. 15, figs. 5
e 10, 1915. Dali, Proc. U.S. Nat. Mus.
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Orthaulax cf. O. pugnax
Woodring, U.S. Geol. Survey, Prof.
Paper, 306-B: 191, 1959.
Orthaulax brasiliensis Maury,
Monogr. Serv. Geol. Min. Brasil, 4:
110, est. 4, fig. 10, 1924. Oliveira &
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Serv. Infor. Agríc., ser. Didática 2:
657, est. 30, fig. 29, 1943. Magalhães
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Dep. Nac. Prod. Mineral, Memória
1; est. 16, fig. 29, 1964.
Localidade tipo: Formação Tam-
pa (Mioceno inferior) , Flórida,
USA.
Tipo: Depositado no Museum of
the Wagner Free Institute of Sci-
ence, Philadelphia.
Descrição original:
“Shell irregularly oval, obconical,
llattened, the flattened appearance
being due to three irregular swellings
or knobs, one of which immediately
adjoins the anteriorly-directed fissure
of the aperture; aperture narrow, pro-
jected forward (in its upper course)
as a closely compressed fissure, which
in a crescential curve ascends to
within a comparatively short distance
of the apex of the spire; outer lip?
(broken in specimen) ; inner lip largely
developed, completely concealing the
whorls of the spire, and duplicating
for a very considerable extent the outer
lip; spire freely enclosed in a pointed
superstrueture, or dome, built over it
by an extention of the mantle; surface
covered with longitudinal lines of
growth, which extend continuously
from the apex to the base.
Length (of imperfect specimens,
lacking probably upward of an inch),
2.7 inches; width 1.75 inches.”
Observações: Maury (1924;
110), descreveu Orthaulax brasili-
Volume 1 ( Geociências )
175
ensis, baseada na impressão exter-
na da parte oposta a abertura, cor-
respondente aproximadamente a
1/3 da concha. Segundo aquela
autora, a espécie de Pirabas, guar-
da estreita semelhança com o Or-
thaulax gabbi Dali, 1890, da For-
mação Chipola (Mioceno inferior)
da Flórida. Comparando o tipo de
Maury com vários espécimes que
coletamos nos afloramentos da
Formação Pirabas na cidade de
Salinópolis e na ilha de Fortaleza,
baía de Pirabas, concluímos que
existe uma perfeita identidade en-
tre êles, e que todos se identificam
muito mais com O. pugnax (Heil-
prin) do que O. gabbi Dali ou mes-
mo, O. aguadillensis Maury, 1920,
outra espécie que lhe é muito afim
e, muito bem distribuída por di-
versas Formações do Mioceno in-
ferior das Antilhas. Infelizmente,
devido ao estado precário de con-
servação dos nossos espécimes, pre-
ferimos por uma questão de cau-
tela, enquadrá-los provisòriamente
como a espécie descrita por Heil-
prin, até que tenhamos melhores
exemplares. Entretanto, podemos
com segurança dizer, que êsses es-
pécimes representam diversos está-
gios de maturidade, pondo assim
em realce, a variabilidade de for-
mas que a espécie em questão pode
apresentar, seja ela uma concha
jovem, intermediária ou adulta.
Êste evidente polimorfismo do Or-
thaulax pugnax, tem causado cer-
tos embaraços na sua correta de-
terminação por diversos paleonto-
logistas, ora confundindo-o com •
suas espécies afins, O. gabbi e O.
aguadillensis, ou então, criando
uma nova espécie. De um modo
geral, os espécimes jovens e inter-
mediários da Formação Pirabas,
apresentam um contôrno circu-
lar, enquanto que nos indivíduos
adultos, êste contôrno tende para
triangular, devido a três intu-
mescências em forma de nódulos
que se formam sôbre o ombro da
concha, que segundo WooDarNG
(1959: 191), tais intumescências
são produzidas pelo callus parietal
e dois callus primitivos almofada-
dos que foram encobertos pelo pro-
cesso envolvente da última espira.
O nosso espécime da Estampa II
fig. 3, provavelmente uma forma
adulta, apresenta esta caracterís-
tica e é muito semelhante ao O.
pugnax figurado por Cooke (1926:
pl. 97, fig. 6), da Formação Glen-
don (Oligoceno superior), Coffee
County, Alabama, podendo-se ain-
da notar tanto neste último como
no nosso espécime, a nítida sepa-
ração das primeiras espiras envol-
vidas, do ombro da última espira
envolvente, tornando ainda, bas-
tante afinado o ápice da concha.
Alguns dos nossos espécimes, inclu-
176
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
sive o que serviu a Maury para
descrever “Orthaulax brasiliensis” ,
são esculturados na parte inferior
da concha, correspondente a pare-
de externa do canal sifonal, por
linhas espirais não muito profun-
das e pouco separadas. Esta orna-
mentação pode ser considerada
como um caráter de distinção
entre O. pugnax e seu afins O.
gabbi e O. aguadillensis, pois se-
gundo alguns autores, as duas úl-
timas espécies não são escultura-
das tão profusamente como na pri-
meira espécie. Êste caráter orna-
mental do O. pugnax só é bem
visível nas formas jovens, do mes-
mo modo que hoje observamos nas
conchas imaturas de Strombus
pugilis Linnaeus, espécie vivente
da província malacológica Caribe-
'ana, abundantíssima em tôda a
costa do Brasil.
Dimensões: Molde externo, altu-
ra 50 mm e diâmetro 27 mm; mol-
de externo com parte do interno,
altura 60 mm e diâmetro 29 mm;
parte superior de um molde exter-
no, diâmetro 35 mm; molde inter-
no, altura 35 mm e diâmetro
23 mm.
Material estudado: Molde inter-
no e externo n.° 764-1 da col. de in-
vert. fósseis da D. G. do Mu-
seu P. E. Goeldi; molde externo
(“O. Brasiliensis”) n.° 510 da
D. G. M. do D. N. P. Mineral; nú-
mero 756 (parte superior de um
molde externo) da D. G. M. do
D. N. P. Mineral; molde externo e
interno (parte superior) número
4.880-1; molde externo n.° 4.881-1
e fragmento de um molde externo
n.o 4.882-1 da col. da D. G. do Mu-
seu Nacional.
Distribuição geocronológica e
geográfica: Oligoceno superior —
Bainbridge, Geórgia e Forma;ção
Glendon, Coffee County, Alabama,
U.S.A.; Tamaulipas, México; For-
mação Bohio (parte superior).
Barro Colorado Island, Formação
Caimito (membro médio) área de
Gatun Lake e parte inferior da
mesma Formação em Madden Ba-
sin. Zona do Canal do Panamá;
Antigua, Antilhas Menores. Mio-
ceno inferior — Formação Tampa
(loc. tipo) , Ballast Point, Flórida,
U.S.A.; Formação Pirabas, localida-
des de Castelo e Fazenda, ilha de
Fortaleza, baía de Pirabas, muni-
cípio de Primavera e cidade de Sa-
linópolis, município do mesmo no-
me, Estado do Pará, Brasil.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A presença do gênero Orthaulax
na Formação Pirabas é de grande
valor estratigráfico, como aliás, foi
ressaltado por Maury em 1924,
quando estabeleceu com precisão
a idade Mioceno inferior para a re-
Volume 1 (Geociências)
177
ferida Formação, não havendo pois,
nenhuma possibilidade de ser colo-
cada acima daquela idade. A pos-
sibilidade de se admitir a idade Oli-
goceno superior, como insinuou
Beurlen (1958: 43-44) com base
apenas na fauna de crustáceos bra-
quiúros por êle estudado, achamos
inviável, a luz de uma análise em
conjunto da paleofauna do antigo
mar de Pirabas. Há um grande nú-
mero de gêneros e espécies de di-
versos grupos de animais marinhos
que viveram em perfeita associa-
ção naquele antigo mar, que nun-
ca foram registrados abaixo do
Mioceno inferior. Estão neste caso,
apenas para exemplificar, entre
gastrópodos e pelecípodos, os gêne-
ros: Crucibulum, Fasciolaria, Tra-
chicardium, Echinochama, Sca-
pharca, Chione e seu subgênero Li-
rophora. Ainda em favor da idade
Mioceno inferior para os sedimen-
tos da Formação Pirabas, pode ser
invocada a estreita correlação que
existe, com um grande número de
espécies comuns, entre a Formação
Pirabas e as Formações Tampa e
Chipola na Flórida, Baitoa em São
Domingos, Culebra no Canal do Pa-
namá e outras das Antilhas.
A ausência do gênero Orthaulax
nos sedimentos da ciiamada zona
Bragantina, não tem significado
estratigráfico, mas sim, puramen-
te ecológico. Em nossas considera-
ções sôbre a paleoecologia da For-
mação Pirabas, Ferreira & Cunha
(1959: 48), traçamos em linhas ge-
rais as condições ambientais que
teriam existido naquele mar preté-
rito, tomando por base as diversas
associações faunisticas encerradas
nos calcários daquela Formação.
Tais condições, naquela zona que
corresponderia a proximidade da
antiga borda da bacia, seriam pois,
no que diz respeito a salinidade,
temperatura e principalmente a
movimentação das águas, bastan-
te diferente das condições reinan-
tes da zona que hoje corresponde
ao litoral paraense, onde são en-
contrados os restos do gênero Or-
thaulax. Para essa zona, que seria
pois, de águas bastante agitadas,
limpidas e quentes com uma sali-
nidade normal, apresentando ain-
da uma percentagem muito gran-
de de animais sésseis, alguns dêles
característicos de zonas de recifes,
admitimos a edificação de Bioher-
mos, o que viria plenamente sa-
tisfazer, de acordo com as idéias
expostas por Davies (1935) e
WooDRiNG (1959), quanto ao “habi-
tat” do peculiar Orthaulax.
Agradecimentos — Deixamos aqui,
os nossos agradecimentos aos Drs. Pau-
lo Erichsen de Oliveira, Chefe da Seção
de Paleontologia da D. G. M. do Depar-
tamento Nacional da Produção Mine-
ral, pelo acesso as coleções daquela
178
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Seção, Llewellyn I. Price, da mesma
Seção, pela versão em inglês do nosso
resumo; ao Dr. Dalcy O. Albuquerque,
Diretor do Museu Paraense Emílio
Goeldi, pelas facilidades e auxílio aos
nossos estudos sôbre a Formação Pira-
bas; bem como, pelas mesmas razões,
ao Conselho de Pesquisas da Universi-
dade Federal do Rio de Janeiro. Final-
mente, somos gratos ao Sr. Moacyr
Garcia Leão, pelas fotografias que ilus-
tram 0 presente trabalho.
SUMÁRIO
Como parte da revisão que es-
tamos procedendo na malacofau-
na da Formação Pirabas (Mioce-
no inferior) , damos ênfase especial,
ao curioso Orthaulax, por ser êste
representante extinto da família
Strombidae, um bom fóssil guia,
sendo êle, um dos fatores decisivos
para que Carlota Maury em 1924
estabelecesse com segurança a ida-
de supra referida para os sedimen-
tos marinhos componentes da For-
mação Pirabas, que ocupam hoje
grande parte da chamada zona
Bragantina e litoral do Estado do
Pará.
Orthaiãax, foi um gênero en-
dêmico da província malacológica
Caribeana e, seu aparecimento deu-
-se subitamente no Oligoceno supe-
rior, não tendo sido até hoje, regis-
trado a sua presença acima do Mio-
ceno inferior. As suas 8 espécies vá-
lidas já foram registradas em sedi-
mentos Oligo-miocênicos da Geór-
gia, Alabama e Flórida (E.U.A.) ;
Cuba; Jamaica; São Domingos;
Haiti; Porto Rico; Anguilla e An-
tigua (Antilhas Menores) ; México;
Zona do Canal (Panamá) ; Guate-
mala; Venezuela e Brasil. Esta lar-
ga distribuição horizontal e a res-
trita distribuição vertical daquele
representante estrombóide, justifi-
ca plenamente a sua condição de
excelente fóssil índice.
Maury em 1824, em sua mono-
grafia sóbre a paleofauna da For-
mação Pirabas, descreveu Orthau-
lax brasiliensis, baseada em um
molde incompleto, chamando a
atenção para a notável semelhan-
ça com a espécie O. gabbi Dali, 1890
da Formação Chipola, Mioceno in-
ferior da Flórida.
Das várias excursões que fize-
mos a área da Formação Pirabas,
coletamos diversos moldes do pe-
culiar Orthaulax, com duas espé-
cies bem distintas, ou seja, O inor-
natus Gabb, 1872 e O. pugnax
(Heilprin, 1887), ambos com boa
distribuição, cujas localidades ti-
pos são respectivamente : Formação
Baitoa, Mioceno inferior da Repú-
blica de São Domingos e Formação
Tampa, Mioceno inferior da Fló-
rida.
Após acuradas comparações com
os nossos espécimes e o holótipo de
Maury e ainda, com base nas des-
Volume 1 (Geociências)
179
crições de vários autores com mui-
tas figuras, achamos que o Orthau-
lax brasiliensis Maury é muito
mais afim de O. pugnax (Heilprin)
do que o O. gabbi Dali, possivel-
mente sinônimo da espécie de
Heilprin.
Para os locais em que foram co-
letados, o referido gênero, ofere-
ce dados paleoecológicos que retra-
tam alguns aspectos ambientais
daquele mar pretérito que deu ori-
gem a Formação Pirabas.
SUMMARY
As part of the revision which
we have undertaken of the malaco-
fauna of the Pirabas Formation
(Lower Miocene) we give special
emphasis to the curious Orthaulax
because this extinct representative
of the Strombidae is a good Guide
fóssil, and because it was utilized
by Maury in 1924 to establish with
certainly the Lower Miocene age
of the marine sediments of the Pi-
rabas Formation which covers a
large part of the Bragantina zone
and the coast of the State of Pará.
Orthaulax was an endemic genus
of the Caribbean malacofauna. Its
appearance was sudden, during
the Upper Oligocene, and its pre-
sence above the Lower Miocene has
not been as get recorded. Its seven
valid species have been recorded in
Oligo-Miocene sediments in Geór-
gia, Alabama and Florida (E.U.A.) ;
Cuba; Jamaica; San Domingos;
Haiti; Porto Rico; Anguilla and
Antigua (Lesser Antilles) ; México;
Canal Zone (Panama) ; Guatema-
la; Venezuela and Brasil. The wide
horizontal distribution and the re-
stricted vertical ocurrence of this
Strombid justify its condition as an
excellent index fóssil.
Maury (1924), in her mono-
graph on the palaeofauna of the
Pirabas Formation, described Or-
thaulax brasiliensis based on an in-
complete mold and called attention
to its notable similarity with. O.
gabbi Dali, 1890, of the Chipola
Formation of the Lower Miocene of
Florida.
On various excursions we have
made in the area of the Pirabas
Formation we have collected sever-
al molds of the peculiar Orthaulax
belonging to two distinct especies,
O. inornatus Gabb, 1872, and prob-
ably O. pugnax (Heilprin, 1887),
both with good distribution and
whose type localities are respec-
tively: Baitoa Formation, Lower
Miocene of the Republic of San Do-
mingos, and Tampa Formation,
Lower Miocene of Florida.
After careful comparison of our
specimens with the holotype ob
Maury, and based on descriptions
of various authors with many il-
lustrations, we find that Orthaulax
180
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
brasiliensis Maury shows much
greater affinity to O. pugnax (He-
ilprin) than to O. gabbi Dali and
that is possibly a synonym of the
species of Heilprin.
For the localities where the spe-
cimens have been collected this ge-
nus offers paleoecological data re-
garding the environment of the
sea which gave origin to the Pira-
bas Formation.
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239, pis. 24-38.
Estampa I
Orthaulax inornatus Gabb, 1872
Figs. 1, 2 e 3
Fig. 1 — Molde externo em gesso, de
um espécime incompleto,
faltando a parte inferior.
Altura 53 mm e diâmetro
33 mm. Fazenda, ilha de
Fortaleza, baía de Pirabas,
município de Primavera,
(n.o 4.877-1, D.G. do Museu
Nacional) .
Fig. 2 — Moide interno, faltando as
primeiras espiras e a parte
final da concha. Altura
60 mm e diâmetro 32 mm.
Mesma localidade da fig. 1.
(n.o 4.878-1, D.G. do Museu
Nacional) .
Fig. 3 — Molde interno incompleto,
em secção paralela a colu-
mela. As partes preenchidas
correspondem as câmaras
que eram ocupadas pelo
animal. Mesma procedência
e número da fig. anterior.
Altura 55 mm e diâmetro
35 mm.
Fig. 4 — Strombus pugilis Linnaeus,
1758. Corte em secção para-
lela a columela, para com-
paração com a fig. 3. Aitura
76 mm e diâmetro 40 mm.
Baia de Guanabara, Rio de
Janeiro.
SciELO
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 169-185 — 1967
EST. I
cm 1
SciELO
estampa II
Orthaulax cf. O. pugnax (Heilprin,
1887)
Fig. 1 — Molde externo em latex, de
um espécime intermediário,
contorno circular, mosfran-
do as primeiras espiras des-
cobertas e a escultura ca-
racterística no final da con-
cha. Altura 46 mm e diâ-
metro 27 mm. Fazenda, ilha
de Fortaleza, baia de Pi-
rabas, município de Prima-
vera. (n.o 764-1, D.G. do
Mus. P. E. Goeldi) .
Fig. 2 — Molde interno incompleto
do espécime da fig. 1. Altura
35 mm e diâmetro 25 mm.
Fig. 3 — Reprodução da parte supe-
rior de um molde externo,
de um espécime adulto, mos-
trando 2 intumescências so-
bre 0 ombro da concha. Al-
tura 355 mm e diâmetro
34 mm. Castelo, ilha de For-
taleza, baía de Pirabas, mu-
nicípio de Primavera, (nú-
mero 4.880-1, D.G. do Museu
Nacional) .
Fig. 4 — Molde interno do espécime
da fig. 3. Altura 28 mm e
diâmetro 23 mm.
Fig. 5 — Impressão em latex do es-
pécime “Orthaulax brasili-
ensis”. Altura 45 mm e diâ-
metro 26 mm. Fazenda, ilha
de Fortaleza, baía de Pira-
bas, município de Primavera.
(n.° 510 da D.G.M. do Dep.
Nac. Prod. Mineral.) .
Fig. 6 — Molde externo e parte do
interno, sôbre o calcário
original. Altura 50 mm e
diâmetro 29 mm. Cidade de
Salinópolis, município de
Salinópolis. (n.° 4.881-1 da
D.G. do Museu Nacional) .
*
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
cm
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 187-197 — 1967
ESTUDOS GEOLOGICOS E OBSERVAÇÕES GEOGRÁFICAS
NO BAIXO TOCANTINS (MUNICÍPIOS DE TUCURUÍ
E BAIÃO), ESTADO DO PARA
BENEDICTO HUMBERTO RODRIGUES FRANCISCO, GUILHERME GALEÃO
DA SILVA e GIUSEPPINA GIAQUINTO DE ARAÚJO*
MiLseu Paraense “Emílio Goeldi”, Departamento Nacional da Produção
Belém, Pará Mineral, Rio de Janeiro, Guanabara
(Com uma figura no texto)
Com o presente trabalho damos
a conhecer um resumo dos estudos
geológicos realizados na região do
Baixo Tocantins (municípios de
Tucuruí e Baião), complementado
por observações geográficas que ti-
vemos oportunidade de efetuar.
Os trabalhos de campo proces-
saram-se em junho de 1965 e além
dos dois primeiros autores, tiveram
a participação ativa de J. M. San-
tana Santos, do IDESP (ex-CON-
DEPA) . As análises petrográficas
foram feitas por Giuseppina Gia-
quinto de Araújo, da DGM do
DNPM.
O Baixo Tocantins é o trecho que
vai da foz à Tucuruí (ex-Alcobaça) ,
no qual a navegação é franca e
êste rio corre em grande parte, em
terrenos do Terciário e Quaterná-
fio. Daí para montante apresenta
obstáculos de corredeiras, traves-
sões, rápidos e cachoeiras.
Nossos estudos nessa parte do
Estado do Pará, estenderam-se ao
longo do rio Tocantins, entre a ilha
Grande de Jutaí e Tucuruí; nos ar-
redores desta cidade, na Estrada de
Ferro Tocantins (Km 0 ao Km 27) ,
e em algumas elevações da serra do
Trucará.
Apresenta numerosas ilhas per-
manentes (de terra firme) e tem-
porárias (praias).
A navegação fluvial de maior ca-
lado é feita até Tucuruí. Daí para
montante as cachoeiras e corredei-
ras pràticamente impedem o trá-
fego. Por ali transitam apenas os
barcos de carga especialmente
construídos para vencer as “pan-
* Bolsista do C.N.Pq.
188
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cadas” e que são usados na região
para o transporte de castanha-do-
pará.
Nossa área de estudos apresenta
um clima equatorial (quente e úmi-
do) correspondente ao tipo Am de
Kõppen, segundo as cartas de zo-
nas climáticas do Brasil. Contudo,
tal como Belém e arredores, apre-
senta uma diversificação para Aw’,
com chuvas de verão-outono con-
centradas em fevereiro-março e
com estação sêca de inverno-pri-
mavera.
Por insuficiência de dados não
iremos dedicar, como seria natural,
um capitulo à parte às considera-
ções de ordem estrutural, mesmo
porque, em se tratando de uma
área relativamente restrita, não
podemos fazer inferências de or-
dem mais geral, mais ampla. Para
uma idéia da tectônica da Bacia
Tocantins-Araguaia consulte-se os
trabalhos da relação bibliográfica,
mormente os de Lamego.
Aqui diremos apenas que as ca-
madas mais antigas encontradas
na área (série Araxá) são as mais
perturbadas, apresentando inúme-
ros dobramentos locais e alguns
mergulhos bem acentuados. As ca-
madas da série Tocantins acham-
-se menos perturbadas, apresentan-
do, com raras exceções, margu-
Ihos bem suaves. A única possível
falha observada no campo encon-
tra-se na fazenda Nôvo Mundo,
com direção aproximada NW-SE.
RECURSOS MINERAIS DA
REGIÃO
Nossa área de estudos é pobre
em recursos minerais conhecidos.
A rigor, apenas o diamante, obtido
nos garimpos locais, pode ser
considerado como tal. Não há ga-
rimpos de ouro.
Em se tratando de zona de ro-
chas metamórficas, das séries To-
cantins e Araxá, é possível que ain-
da venha a ser constatada a pre-
sença de outros bens minerais em
condições de serem explorados.
O diamante é encontrado nos
cascalhos do rio Tocantins e ou-
tros cursos menores e em depósitos
de antigos rios, ora abandonados.
GEOLOGIA
OBSERVAÇÕES LOCAIS
Dentro da área estudada apare-
cem formações Pré-Cambrianas da
série Araxá e da série Tocantins,
que são predominantes, poucos
afloramentos de rochas suposta-
mente carboníferas e depósitos
mais recentes do Terciário e Qua-
ternário.
Percorremos a E. F. Tocantins
até o Km 27, o rio Tocantins, en-
tre Tucuruí e a ilha Grande do Ju-
taí, e fizemos incursões à serra do
Trucará, por três direções distin-
tas (N, E e SE), sendo a primeira
pelo igarapé Itacoroá e as duas úl-
timas por picadas na mata.
Volume 1 (Geociências)
189
ESTRADA DE FERRO TOCANTINS
Na estrada de ferro, do Km 27 a
Tucuruí, fazemos as seguintes ob-
servações :
Entre o Km 27 e o Km 26 en-
contramos um grande campo na-
tural, com areia clara à superfície
cobrindo cascalhos fluviais.
Do Km 26 ao Km 24 encontramos
ainda muita areia, agora mais
amarelada. Uma excavação ao lado
da estrada mostra uma profundi-
dade de 4 metros. No Km 23, à
margem esquerda da estrada, dis-
tando cêrca de 3 km para NE, en-
contra-se 0 garimpo Janauquara.
Ali aflora um folhelho de côr cre-
me, passando a um folhelho escuro,
piritoso, localmente dobrado.
Entre os Km 15 e 14, aflora um
folhelho de coloração variada:
amarelo, vermelho e marrom.
Apresenta-se em alguns pontos
mais síltico passando a um arenito
ferruginoso.
No barranco do igarapé do
Km 13 aflora um siltito muito
duro, jazendo sôbre uma rocha de
côr cinza -escura, classificada como
metagrauvaca, com quartzo, felds-
pato, epidoto e material argiloso.
Entre os Km 11 e 12 aparece um
arenito grosseiro, conglomerático,
seguindo-se um siltito argiloso.
No igarapé do Km 11 (Caripé),
aflora novamente metagrauvaca,
idêntica a do Km 13.
A partir do Km 9 aparecem
grandes blocos de uma rocha es-
verdeada, classificada como meta-
basito, originalmente um basalto.
TUCURUÍ E ARREDORES
A rocha predominante em Tu-
curuí e arredores é um basalto es-
verdeado, alterado pelo metamor-
fismo regional (metabasito) , apre-
sentando-se muitas vêzes cortado
por veios de quartzo.
Aflora no igarapé dos Santos,
onde se acha bem diaclasado, e nas
proximidades do campo de avia-
ção. A mesma rocha aparece nos
terrenos do Sítio São João, cêrca
de 2,5 km NW da cidade. No ca-
minho que leva aos chamados
“campos de Tucuruí” (terrenos la-
teríticos) , na serra do Trucará, en-
contramos em vários trechos aflo-
ramentos dessa rocha. Aparece ain-
da, como dissemos anteriormente,
desde Tucuruí, ao longo da estra-
da de ferro, até pelo menos o Km 9;
junto ao rio Tocantins, margem es-
querda, ao Norte da cidade (lugar
Mangai); ao Sul, numa barranca
do igarapé Santana, próximo a foz;
em frente à cidade, margem direi-
ta do rio Tocantins e no lugar
Muru, jazendo imediatamente aci-
ma dos quartzitos da margem di-
reita do Tocantins.
Sob 0 metabasito, em Tucuruí e
arredores, jazem metassedimentos
(metassiltitos e metagrauvacas) .
190
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ILHA GRANDE DO JUTAÍ-TUCURUÍ
(rio TOCANTINS)
Entre a ilha Grande de Jutaí e
Nazaré dos Patos, encontramos
apenas sedimentos recentes: argi-
la, silte, areia e cascalho.
Cêrca de 1 km acima de Nazaré
dos Patos, margem direita do To-
cantins, aflora um conglomerado
de coloração parda. Os seixos são
principalmente de quartzo, mas
aparecem também os de quartzito.
No lugar Muru aflora um quart-
zito claro, muito duro (semelhan-
te ao quartzito encontrado no con-
glomerado) , entrecortado por veios
de quartzo. Apresenta-se muito
diaclasado. Acima do quartzito
aparece um metabasito bastante
decomposto.
Pouco antes de Tucuruí, na fa-
zenda Nôvo Mundo, margem direi-
ta do Tocantins, aflora um filito
escuro mergulhando para Leste. Ao
Norte da Fazenda, cêrca de 500 a
600 metros, no tôpo de uma ele-
vação encontramos uma formação
ferrífera com canga limonítica e
hematita. Pouco abaixo, no sopé
desta elevação, aflora uma rocha
metamórfica, entrecortada por vê-
nulos de sílica, apresentando ban-
das claras alternando com bandas
de tom mais escuro, classificada
como leptito silicificado.
SERRA DO TRUCARÁ
Próximo ao igarapé Itacoroá
aflora um micaxisto (quartzo-mus-
covitaxisto) , com atitude geral
N 45° W e 70° SW (direção e mer-
gulho) . A xistosidade é concordan-
te com o acamamento. Apresenta-
se localmente dobrado e é cortado
por veios pegmatíticos. Encontra-
mos ainda no Igarapé Seringueira,
afluente do Itacoroá-Mirim, um
quartzito de granulação fina, com-
pacto, de côr cinza avermelhada.
Trata-se do ortoquartzito, produto
do metamorfismo de s edimento
tipo arenito. Já em terras da Fa-
zenda São Pedro da Piranheira,
uma incursão pelo flanco Leste da
serra do Trucará, encontramos no
tôpo de uma elevação um conglo-
merado pouco consolidado de ci-
mento ferruginoso e seixos de ta-
manho variado. Em posição topo-
gràficamente inferior afloram res-
tos de folhelho bastante decom-
posto.
Em outra incursão, chegamos
aos chamados campos de Tucuruí,
onde observamos um laterito for-
mado de material argiloso, rico em
óxido de ferro e nódulos de limoni-
ta. Uma capa ferruginosa, delgada
e muito dura protege a formação
laterítica.
CONSIDERAÇÕES SÔBRE
A ESTRATIGRAFIA
PRÉ-CAMBRIANO
Não encontramos em nossa área
nenhum afloramento de rochas ar-
queanas, a não ser aquelas perten-
Volume 1 (Geociências)
191
ESTADO DO para'
BAIXO TOCANTINS
ILMA GRâNOC 00 JUTAI — TUCURUt*
1190 000 >nh»,l9S«
My$Eu ^ARACHSfCMlUO 6O€L0r-l9«t
Fig. 1 Mapa modificado do municipio de Tucuruí.
192
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
centes à série Araxá, isto se a con-
siderarmos como de idade arquea-
na. O fato é que as rochas mais
antigas encontradas por nós (mi-
caxistos, certos quartzitos) , perten-
cem provàvelmente a série Araxá e
não a formações mais velhas.
A maior parte das rochas meta-
mórficas encontradas parecem fa-
zer parte da chamada série To-
cantins (Moraes Rêgo, 1933).
Quando, em 1933, Moraes Rêgo
definiu o que êle chamou “série
do Tocantins”, êle o fêz de maneira
um tanto ampla, considerando
um “conjunto de rochas mais
ou menos metamorphicas” que
são “cortadas por eruptivas aci-
das” aflorando “desde abaixo de
Alcobaça até Marabá e além”. Po-
rém pressentiu Moraes Rêgo que
aquêle conjunto talvez compor-
tasse mais de uma unidade e a
sua “série do Tocantins” poderia
ser separada por uma discordância
em dois grupos distintos. Sugeriu
mesmo que o superior poderia ser
Gotlandiano. Mais adiante afirma
que a “série do Tocantins” tanto
poderia ser ordoviciana, cambria-
na, algonquiana, por ser muito di-
ficil fixar sua idade precisa. Pos-
teriormente a série Tocantins foi
aceita como sendo algonquiana,
bem como outras formações seme-
lhantes no resto do Brasil. O pró-
prio Moraes Rêgo, em publica-
ção posterior (1936), comparava a
“série do Tocantins” com outras
metamórficas do sul do pais, vale
dizer com a conhecida série Minas.
O citado autor se refere a um con-
glomerado formado por grandes
seixos arredondados com cimento
ferruginoso, não mais citado na li-
teratura. Suspeitamos tratar-se do
conglomerado de Nazaré dos Pa-
tos, possivelmente Plio-pleistocê-
nico, não justificando sua inclusão
na série metamórfica do Tocan-
tins.
Lõfgren (1936) talvez aceitan-
do a sugestão de Moraes Rêgo,
considerou silurianas as rochas
aflorando a montante de Tu-
curui. Foi 0 primeiro a observar
as eruptivas de Tucurui, que ago-
ra sabemos, são basaltos levemen-
te metamorfosiados.
Leonardos (1940), a par de
inúmeras observações de caráter
litológico, no que concerne a es-
tratigrafia, aceita preliminarmente
os conceitos dos autores anteriores.
Mas já na sua “Geologia do Brasil”
(1943), com Oliveira, Leonardos
distingue duas séries, uma algon-
quiana e outra possivelmente cam-
briana. As rochas aflorando en-
tre Tucurui e Marabá êle as
considera como pertencentes à série
Uatumã. Não conhecemos os aflo-
ramentos localizados acima de Tu-
curui, a não ser aqueles da Estra-
da de Ferro Tocantins até o Km 27,
onde também afloram metagrau-
vacas. Amostras colhidas por Mo-
raes Rêgo e Arrojado Lisboa, res-
cm 1
SciELO
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Volume 1 (Geociências)
193
pectivamente no rio Tocantins
e na Estrada de Ferro Tocan-
tins, foram mais recentemente
(1959) analisadas por Ferreira
e classificadas como grauvacas,
sendo consideradas como perten-
centes a série Uatumã.
Shearer & Souza (1943), nas
suas apreciações sôbre as rochas
aflorando em Alcobaça (atual
Tucuruí), consideram-na também
pós-algonquianas. Êles observaram
uma formação “constituída por
uma argila amarela e averme-
lhada, decomposta, mas apesar dis-
so ainda apresenta sinais de sedi-
mentação sensivelmente horizon-
tal” (p. 24).
Constatamos que ali ocorre um
metabasito esverdeado sobrejacen-
te a uma metagrauvaca de colora-
ção avermelhada. A decomposição
aliada ao diaclasamento dão ao
conjunto a nítida impressão de ca-
madas horizontais.
Trabalhos mais recentes foram
executados para o chamado “Pro-
jeto Araguaia”, executados pela
Prospec S/A, e supervisionados
pela D.G.M. do Departamento Na-
cional da Produção Mineral.
Consideramos pertencentes à sé-
rie Araxá os micaxistos e alguns
quartzitos encontrados. Não obser-
vamos migmatitos nem calcários e
dolomitos mencionados na literatu-
ra, embora possam ocorrer. Sobre-
põe-se à série Araxá um conjunto
de rochas de baixo grau de meta-
morfismo. E’ uma sucessão de me-
tagrauvacas, metassiltitos, filitos,
quartzitos, calcários e metabasitos,
que, segundo Barbosa, ocorrem
desde São João até Itaboca e Tu-
curuí. Os trabalhos do “Projeto
Araguaia” estenderam-se apenas
até Tucuruí mas podemos afirmar
que tais rochas ocorrem até as pro-
ximidades de Nazaré dos Patos e
talvez ainda a juzante.
Não encontramos calcário nem
diques de diabásio, que, segundo
vários autores ocorrem a montan-
te de Tucuruí. Encontramos porém
rochas básicas alteradas em xistos
verdes (metabasitos), que em Tu-
curuí e arredores são sobre jacentes
às metagrauvacas e metassiltitos,
além de filitos, quartzitos e lepti-
tos. A êste conjunto atribuímos
idade algonquiana, constituindo a
série Tocantins.
Consideramos, portanto a série
inferior como de possível idade ar-
queana, tendo por base principal-
mente o fato de ter havido ultra-
metamorfismo com formação de
migmatitos, (série Araxá) , enquan-
to a série superior seria algonquia-
na (série Tocantins), tendo sofri-
do um metamorfismo de baixo
grau (fáceis xisto-verde).
PALEOZÓICO
As rochas sedimentares que po-
dem ser consideradas paleozóicas,
encontradas em nossa área de es-
194
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tudo, foram alguns poucos arenitos
e folhelhos da Estrada de Ferro
Tocantins e restos de um folhelho
na serra do Trucará (flanco Les-
te). Encontramos muitos seixos de
arenitos e de “chert” em leitos de
igarapés e depósitos de aluvião do
rio Tocantins, tanto na incursão ao
igarapé Itacoroá, como na Estrada
de Ferro Tocantins e ainda nas
ilhas de praias formadas pelo To-
cantins em seu curso.
Infelizmente não encontramos
fósseis. Dêste modo dois fatôres nos
levam a admitir que êste conjun-
to de rochas sedimentares perten-
çam à formação Piauí, Carbonífe-
ro da bacia Maranhão-Piauí. Em
primeiro lugar levamos em consi-
deração trabalhos anteriormente
efetuados. Tanto o “Mapa Geológi-
co do Brasil”, D.G.M. — D.N.P.M.
(1960) como 0 recente mapa do
“Projeto Araguaia”, apresentam
naquela região faixas de carbonífe-
ro (f. Piauí), de um lado e de ou-
tro do rio Tocantins, abrangendo
parte da área estudada. Em segun-
do lugar concluímos existir uma
semelhança litológica entre os
afloramentos observados e as des-
crições encontradas em outros tra-
balhos sôbi-e a hacia Tocantins-
-Araguaia (Barbosa & Gomes,
1957).
Desta maneira, embora não te-
nhamos encontrado fósseis, fomos
levados a considerar a seqüência
sedimentar sôbrejacente às forma-
ções pré-cambrianas da nossa área
de estudo como pertencentes à
formação Piauí do Carbonífero Su-
perior da bacia Maranhão-Piauí.
CENOZÓICO
Encontramos na região em aprê-
ço formações cenozóicas de idade
provàvelmente plio-pleistocênica e
holocênica. Consideramos como
depósitos plio-pleistocênicos as ar-
gilas e siltes de côres variadas que
formam barracas ao longo do To-
cantins e ilhas de terra-firme, como
a ilha Grande do Jutaí, Tauá e ou-
tras. Também os conglomerados de
cimento ferruginoso encontrados
em Nazaré dos Patos, subjacentes
a camadas de silte e argila e na
fazenda São Pedro da Piranheira,
proximidades da serra do Trucará,
assim devem ser considerados
Lamego, 1959: 40).
Os depósitos holocênicos são re-
presentados por argilas, siltes,
areias e cascalhos subatuais, sobre-
jacentes aos depósitos plio-pleisto-
cênicos e material igualmente in-
consolidado, depositado nos canais
e nos terrenos baixos das várzeas
e igapós.
No rio Tocantins as ilhas de
praias, constituídas de areias e sil-
tes, são depósitos atuais, sendo ver-
dadeiras “ilhas móveis”. Sua loca-
lização é temporária, causando na-
turalmente dificuldades à navega-
ção.
cm 1
SciELO
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*
IDADE
Holoceno
Plio-pleistoceno
Carbonífero Superior
Algonquiano
Volume 1 (Geociências)
PROVÁVEL COLUNA
ESTRATIGRÁFICA
FORMAÇÃO
195
Formação Piauí
S. Tocantins
Arqueano
S. Araxá
LITOLOGIA
Argilas, siltes, areias e
cascalhos atuais e
subatuais
Argilas coloridas, sil-
tes, areias, conglome-
rados basais
Arenitos, siltitos,
folhelhos
Metabasitos,
metagrauvacas,
metasiltitos,
filitos,
quartzitos,
leptitos,
Micaxistos,
quartzitos.
Agradecimentos — Agradecemos ao
Conselho Nacional de Pesquisas pela
bôlsa que nos foi concedida. Ao Museu
Paraense “Emílio Goeldi’’, na pessoa de
seu Diretor, Dr. Dalcy de Oliveira Al-
buquerque e ao então CONDEPA (atual
IDESP) , na pessoa do seu ex-Secretá-
rio Geral, Dr. Roberto Barboza de Oli-
veira, que possibilitaram a execução
desta viagem de estudos. Também
agradecemos a tôdas as pessoas e en-
tidades que com sua colaboração nas
fases de campo e laboratório auxilia-
ram nossos trabalhos.
SUMÁRIO
No presente trabalho os autores
apresentam inicialmente observa-
ções de caráter geral sôbre o tre-
cho do Baixo rio Tocantins, no Es-
tado do Pará por êles percorrido em
junho de 1965, destacando-se as
considerações sôbre a floresta, o rio
Tocantins e a serra do Trucurá. Te-
cem ainda breves considerações sô-
bre os recursos minerais da região.
Apresentam a seguir uma sínte-
se das observações geológicas efe-
tuadas. Em Tucuruí e arredores
constataram a presença de meta-
basitos, metagrauvacas e metassil-
titos. Na E. F. Tocantins ocorrem
depósitos recentes de areias e cas-
calhos; folhelhos, siltitos, arenitos,
filitos, metagrauvacas e metabasi-
tos e entre a ilha Grande do Jutaí
e Tucuruí, quartzito, filito, meta-
basito, leptito, além de sedimentos
recentes. No flanco N da serra do
Trucará, aflora um ortoquartzito e
quartzo-muscovitaxisto cortado por
veios pegmatíticos; no flanco E
aparecem restos de folhelhos e con-
glomerado recente. Destacam-se na
SciELO
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cm
196
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
serra do Trucará os terrenos late-
ríticos formando “ilhas” de campos
na floresta.
Os autores consideram rochas
arqueanas da série Araxá, micaxis-
tos e quartzitos da serra do Truca-
rá e como algonquianas, da série
Tocantins, as demais rochas meta-
mórficas: metagrauvacas, metaba-
sitos, metassiltitos, filitos e leptitos
encontrados. Os arenitos, siltitos e
folhelhos seriam do Carbonífero
Superior, formação Piauí. Os depó-
sitos cenozóicos (cascalhos, areias,
siltes e argilas) são em parte plio-
pleistocênico e em parte do Holo-
ceno.
SUMMARY
The purpose of this paper is to
present a summary of observations
about the lower Tocantins area,
State of Pará. It includes also some
considerations about the forest,
the Tocantins river, Trucará hill
and mineral resources of the area.
Field Work was done June, 1965.
A synthesis of geological obser-
vations includes: the presence of
metabasite, metagraywacke and
metasiltstone around Trucará; de-
posits of sand and pebbles (Re-
cent), shale, siltstone, sandstone,
phyllite, metagraywacke and me-
tabasite along the Tocantins rail-
road; quartzite, phyllite, metaba-
site, leptite and Recent sediments
between the Grande do Jutaí
island and Tucuruí. On the North
side of the Trucará hill were
found an outcrop of orthoquartzite
and quartz-muscoviteschist with
pegmatite veins. Of relevance, in
the Trucará hill are lateritic ter-
rane forming “island” of savanna
within the forest.
The mica-schists and quartzites
of the Trucará hill are considered
by the authors, Archean rocks of
the Araxá series, and the remain-
ing metamorphic rocks as Algon-
kian of the Tocantins series (me-
tagraywacke, metabasite, meta-
siltstone, phyllite and leptite) .
The shales, sandstones and silt-
stones could be classified of the Up-
per Carboniferous, Piauí forma-
tion; some of the Cenozoic deposits
(sands, pebbles, silts and clays),
were found to belong to the Plio-
Pleistocene and some to the Ho -
locene.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 199-208 — 1967
1.EVANTAMENTOS HIDROGRÁFICOS EFETUADOS PELA
MARINHA DO BRASIL NA AMAZÔNIA
FERNANDO M. C. FREITAS
Ministério da Marinha. Diretoria de Hidrografia e Navegação
1 — Introdução
1.1 — Propósito — O propósito
desta palestra é divulgar entre os
participantes do Simpósio sôbre a
Biota Amazônica as atividades da
Marinha do Brasil em assuntos de
levantamentos hidrográficos e car-
tografia naútica, a fim de que êsse
conhecimento possa ser útil de al-
guma forma, servindo de subsídio
às pesquisas de zoologia, botânica,
antropologia e demais ciências
aplicáveis ao estudo dos seres
animais e vegetais desta região.
Desejamos também ressaltar que
algumas vêzes temos tido a honra
de receber em nossos navios-hidro-
gráficos botânicos, zoólogos e ou-
tros cientistas que aproveitam a
oportunidade das campanhas hi-
drográficas para a coleta de dados
de seu interêsse. Essa cooperação
poderá prevalecer nas futuras co-
missões na Amazônia ou em ou-
tros trechos da costa.
1.2 — Caminhos de Acesso — O
tráfego marítimo tem acesso à
Amazônia por duas entradas que
envolvem a ilha do Marajó: Rio
Pará, via Belém e estreitos de
Boiossu, Breves e os furos, e pelo
Braço Norte do Rio Amazonas. Du-
rante muitos anos o acesso se fêz
quase que exclusivamente por Be-
lém e furos. Entravam pela Barra
NE-Norte apenas poucas embarca-
ções de reduzido porte cujos mes-
tres eram conhecedores da região.
1.3 — Necessidades do Comércio
Marítimo — Com a criação do Ter-
ritório Federal do Amapá, e a pos-
terior descoberta de manganês na-
quela área, sentiu-se a necessidade
inadiável de desenvolver a nave-
gação pelo Canal Norte, agora jus-
tificada pela importância econô-
mica da exportação do manganês.
Na época em que surgiu o pro-
blema da exportação do man-
ganês, sabia-se que, comparativa-
mente à entrada pelo Rio Pará, o
Canal Norte apresentava as se-
guintes características que são de
200
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
fundamental interêsse para o co-
mércio marítimo da região:
— permitia o acesso a navios
de maiores calados, enquanto que
a passagem pelos estreitos vindo
de Belém era limitada a 26 pés;
— os navios procedentes dos
portos do norte do continente, da
Europa e da África economizariam
cêrca de 2,5 dias de viagem, en-
trando pela barra norte; mesmo
para aqueles que vinham do sul, o
acesso pelo norte seria ainda o
mais conveniente.
Os altos custos operativos do
transporte marítimo justificavam
plenamente um maior interêsse
pela via mais econômica de acesso
à Amazônia.
Essas ponderáveis razões de or-
dem econômica determinaram que
a Marinha, através de seu órgão
incumbido da Segurança da Na-
vegação Marítima do País — A Di-
retoria de Hidrografia e Navega-
ção — incluísse em seus progra-
mas de trabalho a partir de 1952
e levantamento do Braço Norte do
Rio Amazonas.
2 — Braço Norte do Rio Ama-
zonas
2.1 — Da ilha do Bailique à San-
tana — 1952 — Navio-Hidrográ-
fico Rio Branco.
■m
Para o levantamento inicial do
Braço Norte foi designado o Navio-
Hidrográfico Rio Branco, uma pe-
quena unidade adaptada para o
serviço hidrográfico e com mais de
40 anos de idade. Naquela época
ainda não existiam os modernos
navios Sirius e Canopus construí-
dos no Japão e os três menores
Argus, Orion e Taurus construídos
no Arsenal de Marinha do Rio de
Janeiro, todos projetados especial-
mente para levantamentos hidro-
gráficos. Diante das necessidades
do comércio marítimo de manga-
nês, a Diretoria de Hidrografia e
Navegação decidiu iniciar imedia-
tamente o levantamento do Braço
Norte com os precários recursos de
que dispunha na ocasião.
No período de maio de 1952 a
abril de 1953, o Navio-Hidrográ-
fico Rio Branco executou o levan-
tamento do trecho compreendido
entre a Ilha do Bailique, na barra,
até o pôrto de Santana, onde es-
tava sendo construído o terminal
de minério de maganês. Dêste
trabalho resultou a Carta n.° 220
mostrada aqui e, em escala mais
detalhada as cartas 202, 203, 204,
205 e 206. Restava ainda levantar
a barra norte que era a zona mais
desconhecida e que apresentava
grandes dificuldades de ordem téc-
nica, dada as suas dimensões, ca-
racterísticas hidrográficas, natu-
reza da costa e, especialmente, no
que respeita ao apoio logístico à
operação: falta de recursos da re-
gião para abastecimento e reparos
de um navio que apresentava
deficiências de inadequabilidade
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
201
para o serviço e agravadas pela
decrepitude.
2.2 — Barra Norte — Navio-Hi-
drográfico Rio Branco — 1954-55
Mas o levantamento do Braço
Norte e sua barra era uma tarefa
a ser realizada a qualquer preço.
Voltou o Rio Branco à região onde
permaneceu de outubro de 1954 a
dezembro de 1955. Nesse período
foi efetuado o levantamento do
Braço Norte do Rio Amazonas, no
trecho compreendido entre a foz
do Rio Branco e a Ilha do Bailique.
Nesse trabalho foi utilizado pela
primeira vez no serviço hidrográ-
fico brasileiro o equipamento ele-
trônico Raydist para determinação
precisa das posições de sondagem,
independente das condições de vi-
sibilidade ou de tempo. Obtem-se
com êsse aparelho uma precisão de
mais ou menos 36 metros na de-
terminação da posição do navio.
O Raydist estava ainda em fase de
implantação como sistema e apre-
sentou deficiências que prejudica-
ram o rendimento da operação,
apesar da assistência de um enge-
nheiro da fábrica, tentando remo-
ver as dificuldades. Os alcances
máximos obtidos foram da ordem
de 30 milhas e foram constatadas
fortes perturbações locais de propa-
gação e interferência de estações
rádio das Antilhas e Americanas.
Êsses fatôres somados aos proble-
mas do próprio navio determina-
ram 0 baixo rendimento da opera-
ção e exigiram da tripulação uma
alta dose de espírito de sacrifício
no período de quase 14 meses de
permanência do navio na área para
concluir a tarefa. Mas a partir
dessa etapa, os navios de minério
passaram a demandar o caminho
mais conveniente aos interêsses
econômicos do País e da região. Ca-
lados próximos de 30 pés já foram
adotados para o trânsito na barra.
Havia ainda por realizar o aperfei-
çoamento de trabalho; estender as
sondagens além dos bancos e ca-
nais da barra e determinar os ex-
tremos da rota de demanda do
Canal Norte. A carta náutica nú-
mero 201 mostra em detalhe a hi-
drografia da Barra Norte do Ama-
zonas.
O Rio Branco encerrava a sua
brilhante carreira na hidrografia
do País e ao voltar ao Rio de Ja-
neiro teve baixa do serviço da Ma-
rinha. A tripulação do Rio Branco
tinha a lamentar o falecimento de
um dos oficiais em um acidente
com uma baleeira na Baia de Ma-
capá e 0 avião de fotogrametria da
Diretoria de Hidrografia e Nave-
gação acidentou-se de regresso ao
Rio, perdendo a vida os dois Ofi-
ciais e um Sargento da FAB que
o tripulavam, um Cartógrafo e um
Fotógrafo da Diretoria de Hidro-
grafia e Navegação.
2.3 — Barra Exterior. Revisão
do Braço Norte — Navio Hidro-
gráfico Sirius — 1958.
202
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
O Rio Branco dava baixa do ser-
viço no momento em que uma
nova fase se abria para a hidro-
grafia brasileira: dois navios hi-
drográficos, Sirius e Canopus, do-
tado dos mais aperfeiçoados recur-
sos da técnica, unidades das mais
modernas em seu gênero — esta-
vam em final de construção em um
estaleiro de Toquio e no Arsenal de
Marinha do Rio de Janeiro eram
lançados ao mar três unidades me-
nores também especificamente de-
senhadas para levantamentos hi-
drográficos: Argus, Orion e Tau-
rus.
Desde o primeiro contato do Rio
Branco com a região em 1952 já
se havia evidenciado a necessida-
de de rever periodicamente o le-
vantamento do Canal Norte do
Amazonas, em vista do caráter ex-
tremamente mutável de suas con-
dições hidrográficas. Em um pe-
ríodo de 5 anos, bancos se desfa-
ziam e onde uma vez houve canais
surgiam bancos e altos-fundos. A
pororoca nas violentas marés de
sizigia provocava variações no con-
torno da costa, em alguns pontos
de até uma milha.
Incorporado à Marinha do Bra-
sil em 1958, nesse mesmo ano foi
atribuída ao Sirius a sua primeira
comissão : o levantamento da Barra
Exterior e revisão geral do Canal
Norte. Agora com helicóptero e
Raydist de maior alcance e preci-
são, 0 Sirius executou nos meses
de outubro e novembro de 1958 a
sondagem na barra exterior do ca-
nal norte, cobrindo uma área de
60 milhas de comprimento por
cêrca de 7 de largura. Efetuou tam-
bém a revisão do trecho levantado
em 1952, encontranao alterações
em canais e bancos. Alguns oficiais
do Sirius que pertenceram à tri-
pulação do Rio Branco nas duas
etapas anteriores puderam sentir
fortemente o contraste dos meios
disponíveis nas 2 fases de trabalho.
Dêsse levantamento resultaram
grandes correções e novas edições
das cartas do canal norte já publi-
cadas. Navios com 33 pés de cala-
do passaram a sair do Amazonas
pela Barra Norte e alguns petro-
leiros investiam pelo canal norte
— 0 caminho mais curto e de
maior possibilidade para acesso à
Amazônia.
2.4 — Revisão do Braço Norte e
Barra — Navio-Hidrográfico Ca-
nopus — 1966.
Depois do levantamento do Si-
rius mencionado anteriormente, as
alterações da hidrografia do canal
norte foram se acentuando pro-
gressivamente e no ano passado já
começaram a correr algumas per-
turbações no tráfego marítimo da
barra norte.
O Navio-Hidrográfico Canopus,
irmão gêmeo do Sirius, acha-se em-
penhado desde o início de 1965,
no levantamento da região de
Abrolhos na costa sul da Bahia,
Volume 1 (Geociências)
203
outra passagem marítima de gran-
de importância em nossa costa.
Mas em vista das alterações ocor-
ridas na bai'ra norte, a Diretoria de
Hidrografia e Navegação determi-
nou ao Canopus interromper a sua
tarefa em Abrolhos e dirigir-se ao
norte do País, a fim de proceder à
revisão da hidrografia do canal
norte do Amazonas. Êsse trabalho
foi executado nos meses de março
e abril do corrente ano, tendo sido
constatadas alterações radicais no
canal da barra e em muitos trechos
da parte interior, até o pôrto de
Santana. Uma cópia do estudo pre-
liminar das atuais condições hi-
drográficas do Canal norte, resul-
tante do trabalho do Canopus, já
se acha em poder do superinten-
dente do pôrto de Santana, a fim
de que sejam orientados os car-
gueiros de minério que entram e
saem pelo canal norte, até que se-
jam publicadas as novas edições
das cartas náuticas da área, o que
se dará nos próximos meses.
3 — Rio Pará
3.1 — De Salinópolis a Belém —
Navio Hidrográfico Sirius — 1958/
. 1961
Após concluir a sua missão no
canal norte nos meses de outubro
e novembro de 1958 como mencio-
namos anteriormente, o Sirius, na
primeira quinzena de dezembro do
mesmo ano deu partida no levan-
tamento do Rio Pará, executando
as operações preliminares de ob-
servação de coordenadas astronô-
micas, medida de base observação
de maré, todos êsses serviços efe-
tuados em Salinópolis, na barra do
Rio Pará. A entrada sul da região
amazônica não podia também ser
deixada em segundo plano nos
programas de trabalho da Direto-
ria de Hidrografia e Navegação. O
grosso do comércio marítimo da
região ainda flue ao sul da ilha de
Marajó.
No primeiro semestre de 1959,
foi executado o levantamento do
trecho que vai da Ponta do Areião
até o Canal do Espadarte, onde es-
tá a barra prôpriamente dita do
Rio Pará. Ainda no mesmo ano foi
publicada a carta correspondente
ao trecho levantado — a de n.° 302
— Salinópolis ao Baixo do Espa-
darte na escala de 1.100.000 e mais
três em escala maior contidas em
seus limites.
No segundo semestre de 1959, o
levantamento foi estendido até a
vila de Colares, já na parte inte-
rior do Rio Pará e durante 1960 e
nos dois primeiros meses de 1961,
foi concluído o levatamento até o
pôrto de Belém.
Dos serviços efetuados pelo Si-
rius no Rio Pará, resultaram 11
cartas náuticas em diversas esca-
las, cuja publicação se foi fazendo,
à medida em que os trechos iam
sendo levantados.
3.2 — De Belém a Abaetetuba e
Ilha do Capim — 1963/1964.
204
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Nesse período, uma equipe de
Oficiais e praças da Diretoria de
Hidrografia e Navegação avançou
com 0 levantamento do Rio Pará
até a fóz do Rio Tocantins, chegan-
do à vila de Abaetetuba e à Ilha do
Capim. Foram empregados nesse
trabalho o Telurômetro, equipa-
mento eletrônico para medidas de
distância em uma poligonal, base
de triangulação ou em trilatera-
ção, e 0 Hydrodist que é a versão
do telurômetro destinado à locali-
zação precisa das embarcações de
sondagem. Participou da comissão
a Corveta Iguatemi da Flotilha do
Amazonas.
Para a execução do levantamen-
to dêsse trecho, a Diretoria de Hi-
drografia e Navegação contou com
a valiosa colaboração da CIVAT —
Comissão Interestadual do Vale do
Araguaia e Tocantins — que se in-
teressava por estudos prelimina-
res para melhoria da navegabili-
dade e aproveitamento do poten-
cial hidroelétrico do Rio Tocan-
tins.
A Carta n.° 304 — de Mosqueiro
a Abaetetuba e Ilha do Capim,
acha-se em fase final de constru-
ção na Diretoria de Hidrografia e
Navegação e deverá ser publicada
dentro de um mês.
4 — Navegação Interior na Ama-
zônia
4.1 — Cartas Existentes até
1963 — A navegação nas águas in-
teriores da Bacia Amazônica, até
bem pouco tempo, tem dependido
apenas do conhecimento local de
práticos da região. A Diretoria de
Hidrografia e Navegação já havia
publicado, de 10 anos para cá, car-
tas em pequena escala — 1:300.000
— resultantes da compilação de
elementos diversos, e que mostram
com insuficiência de detalhes as
principais rotas fluviais no Ama-
zonas e Solimões, desde Belém até
Tabatinga. Umas poucas compa-
nhias de navegação, cujos navios
freqüentam assiduamente a re-
gião, possuíam croquis e desenhos
de trechos esparsos.
4.2 — Levantamento das Cartas
de Praticagem pela Flotilha do
Amazonas — As cartas de Pratica-
gem nasceram diante da impossi-
bilidade de serem construídas car-
tas náuticas regulares da Bacia
Amazônica dentro de um futuro
previsível e da necessidade de ser
obtida uma solução de emergência
que concedesse à Flotilha do Ama-
zonas um mínimo de liberdade
operativa, para lhe permitir o
cumprimento de sua missão.
Em 1963 o Comando da Flotilha
do Rio Amazonas iniciou um tra-
balho intenso de levantamento das
rotas de praticagem na calha
principal e nos afluentes navegá-
veis e é oportuno ressaltar que to-
dos os trabalhos incluindo a coleta
de dados que resultaram na con-
fecção das Cartas de Praticagem
da Bacia Amazônica, foram feitos
Volume 1 (Geociências)
205
durante as viagens normais dos
navios da Flotilha, navegando nas
derrotas normais, sem que, em ne-
nhum momento, houvesse sido
adotados percursos especiais ou
mesmo reduzida a velocidade de
cruzeiro para que fôssem colhidos
os dados para as cartas. Atualmen-
te, as Corvetas, em suas importan-
tes missões de assistência aos bra-
sileiros desprovidos de recursos das
vilas ribeirinhas e de apoio às or-
ganizações federais e estaduais na
Amazônia, navegam com segu-
rança valendo-se das Cartas de
Praticagem por elas próprias le-
vantadas em escala adequada. Êsse
importante trabalho prossegue não
sòmente no levantamento de tre-
chos ainda não conhecidos, mas
também na atualização das cartas
levantadas.
Está em fase final de elaboração
a edição das Cartas de Praticagem
do Rio Amazonas, compreendendo
0 trecho de Belém a Manaus. Tão
logo sejam recebidos e processados
os dados que estão sendo obtidos
em outros trechos pelas Corvetas
da Flotilha do Amazonas, essas in-
formações serão publicadas.
4.3 — Pôrto de Manaus — Após
concluir sua missão de verificar a
hidrografia do Canal Norte, o Ca-
nopus se dirigiu ao pôrto de Ma-
naus onde se encontra presente-
mente efetuando o levantamento
da área. Duas de suas lanchas hi-
drográficas estão empregadas em
sondagens e pesquisas de perigos à
navegação; o helicóptero está em-
penhado em auxiliar as operações
de reconhecimento e topografia e
na sala de cálculos e desenhos do
navio, está sendo estudada e cal-
culada a carta n.° 4.110 — Pôrto
de Manaus que, ainda êste ano,
deverá ser publicada pela Direto-
ria de Hidrografia e Navegação.
Essa carta resultará do primeiro
levantamento hidrográfico regular
até hoje efetuado no Estado do
Amazonas.
Em viagem de ida e volta de Be-
lém e Manaus, o Canopus está
também verificando e complemen-
tando as informações da Carta de
Praticagem dêsse trecho.
5 — Sinalização Náutica
5.1 — Serviço de Sinalização
Náutica do Norte
A importância econômica da re-
gião amazônica e o conseqüente
incremento de sua atividade marí-
tima justificaram a criação em
maio de 1956 do Serviço de Sinali-
zação Náutica do Norte, subordi-
nado à Diretoria de Hidrografia e
Navegação, e com as atribuições
de instalação e manutenção do
balizamento do Pará e Amapá,
produção e fornecimento de gás
acetileno para o balizamento lumi-
noso dos estados do Pará, Mara-
nhão, Piauí, Amazonas e do Terri-
tório Federal do Amapá.
Êsse órgão regional opera atual-
mente na Amazônia 2-rádio faróis
206
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
marítimos, 55 faróis, 23 bóias lu-
minosas, duas bóias cegas e 5 ba-
lizas.
5.2 — Balisamento da Barra
Norte.
Mas isso ainda é muito pouco
para atender às necessidades da
região em assuntos de segurança
da navegação marítima e fluvial.
As forças da natureza em ação
no canal norte do Rio Amazonas
criam condições particularmente
adversas ao estabelecimento e ma-
nutenção de um adequado sistema
de sinalização náutica naquela
área. O fenômeno da pororoca e
outras manifestações das violentas
marés em épocas de sizígia, exer-
cem um acentuado efeito destrui-
dor sôbre as margens e acarretam
alterações nos canais e acidentes
hidrográficos. O eixo do Canal
Grande do Curuá, por exemplo,
principal via navegável da barra
— corre hoje com fundos de 25
metros em local onde em 1958 exis-
tiam bancos de areia e lama, com
profundidades de 1 metro e me-
nores. Grandes trechos da costa fo-
ram reduzidos por ação do rio, ou-
tros mostram acumulação e ilhas
foram desfeitas ou sensivelmente
diminuídas em suas dimensões.
Pudemos constatar recentemen-
te durante as operações do Cano-
pus na área, que árvores arranca-
das às margens, com 20 a 30 me-
tros de comprimento, trazendo ain-
da raízes e copa, algumas vêzes
prendiam na amarra e nos hélices,
enquanto o navio permanecia fun-
deado junto aos bancos e canais.
Os faróis estabelecidos nas mar-
gens freqüentemente são ameaça-
dos de destruição pelo solapamento
do terreno, os faroletes instalados
em bancos são abalados pelo im-
pacto dos inúmeros troncos que
deslizam nas correntezas de 5 a 7
nós e as dispendiosas bóias lumi-
nosas e cegas são arrastadas da po-
sição ou partem as amarras pelo
efeito dos movimentos incessantes
das ondas acelerados pelas corren-
tes de maré.
Essas duras condições locais exi-
gem elevado custo para instalação
e operação do sistema de baliza-
mento do canal norte e no estágio
atual de desenvolvimento econômi-
co da região, não tem sido possível
manter-se um eficiente sistema em
quantidade e qualidade que aten-
da às reais necessidades de segu-
rança da navegação marítima.
6 — Programa de Trabalhos Para
os Próximos Anos
Êste País possue cêrca de 4.009
milhas de costa marítima e por
volta de quatro vêzes essa exten-
são em lagoas, rios e canais inte-
riores navegáveis. Há uma imensa
tarefa para atender às suas neces-
sidades em cartas náuticas e de-
mais providências de segurança da
navegação. Evidentemente, é im-
prescindível para o êxito de sua
cm 1
SciELO
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Volume 1 (Geociências)
207
missão que a Diretoria de Hidro-
grafia e Navegação estabeleça uma
criteriosa seleção de prioridades na
elaboração de seus programas de
trabalho. Além da região ama-
zônica, passagens marítimas co-
mo Abrolhos, costas norte e nor-
deste, a Lagoa dos Patos, a La-
goa Mirim, os grandes rios Paraná,
Paraguai, Uruguai, São Francisco
e muitas outras vias navegáveis
são também objetivos de relevante
importância em nossa missão.
No que respeita à região Amazô-
nica, a Diretoria de Hidrografia e
Navegação, seguindo a política que
formulou desde alguns anos, tem
procurado se fazer presente à ne-
cessidade de novas cartas ou de
atualização das existentes. Dentro
dêsse espírito, é sua intenção m-
cluir no Plano Básico de Hidrogra-
fia para os próximos anos os se-
guintes projetos relativos à Ama-
zônia :
— sediar um dos navios-hidro-
gráficcs da classe Argus em Belém
com a missão de executar levanta-
mentos e revisões na hidrografia
da região, a fim de aperfeiçoar
progressivamente a navegação na
Amazônia;
— continuação do levantamen-
to do Rio Pará desde a Ilha do Ca-
pim, até a entrada dos estreitos de
Boiossu e Breves;
— continuação do levantamen-
to e atualização das cartas de pra-
ticagem dos rios Amazonas, Soli-
mões e afluentes navegáveis; e
— revisão qüinqüenal do Braço
Norte do Rio Amazonas.
7 — Conclusões
Vimos anteriormente que as
características hidrográficas do
Canal Norte do Rio Amazonas
estão sujeitas a constantes e ra-
dicais transformações. Além da ne-
cessidade de revisão periódica do
levantamento, resultam também
sérias dificuldades para instalação
e manutenção de balizamento, exi-
gindo para sua eficiente operação
sistemas custosos cujo emprêgo, no
momento, os recursos econômicos
em exploração, não são suficien-
tes para justificar. Vimos também
que a Amazônia é um vasto mun-
do a ser conhecido e explorado. É
uma das áreas potencialmente
mais ricas do mundo, mas nos dias
atuais, apenas um interêsse eco-
nômico — o manganês do Amapá
— justificou os elevados investi-
mentos em trabalhos hidrográficos
no Canal Norte.
Como exemplo da dependência
dos sistemas de segurança da na-
vegação diante do grau de desen-
volvimento de uma região podemos
citar que a Marinha Inglesa recen-
temente incorporou ao seu serviço
três navios hidrográficos mo-
dernos, especialmente construídos
para manter a revisão do levan-
tamento e a atualização da carto-
grafia náutica da barra do Rio
208
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Tamisa, área igualmente compli-
cada sob o ponto-de-vista hi-
drográfico e sujeita à freqüentes
variações, mas altamente desenvol-
vida. <
Vemos assim que o sistema de
balizamento e segurança da nave-
gação na Amazônia dependerão
do desenvolvimento econômico da
região que, em sua maior parte,
ainda permanece em estado poten-
cial, se bem que extraordinària-
mente promissor. Uma refinaria de
petróleo de certo vulto que fôsse
instalada em Manaus, por exem-
plo, significatria mais uma impor-
tante participação econômica na
área e inevitàvelmente acarretaria
o incremento do tráfego de petro-
leiros pela Barra Norte — ca-
minho mais curto, mais profundo
e, conseqüentemente, de maiores
possibilidades econômicas, ao mes-
mo tempo em que justificaria o
aperfeiçoamento dos levantamen-
tos e do balizamento no restante
do rio. Como em um processo ca-
talítico, êsse acréscimo nas condi-
ções de segurança da navegação
na Amazônia atrairia outros in-
terêsses do comércio marítimo para
o progressivo aperfeiçoamento do
sistema.
RESUMO
Êste trabalho descreve os aspec-
tos essenciais dos levantamentos
hidrográficos efetuados pela Ma-
rinha do Brasil na Amazônia e as
cartas náuticas publicadas em es-
calas diversas que resultaram dês-
ses levantamentos. Embora os le-
vantamentos hidrográficos aqui
tratados digam respeito precipua-
mente à cartografia náutica e de-
mais aspectos da segurança da na-
vegação marítima, é certo que mui-
tas das informações obtidas serão
de utilidade às pesquisas de geo-
morfologia, zoologia, antropologia
e demais ciências aplicáveis ao es-
tudo dos seres animais e vegetais
desta região. E’ importante tam-
bém ressaltar que algumas vêzes
temos tido o prazer e a honra de
receber a bordo de nossos navios-
hidrográficos, zoólogos, botânicos e
outros cientistas que aproveitam a
oportunidade das nossas comissões
para a coleta de dados de seu in-
terêsse. Esperamos que essas opor-
tunidades se repitam nos próximos
trabalhos hidrográficos da Marinha
na Amazônia.
A palestra sintetisa algumas ca-
racterísticas dos principais trechos
levantados, os navios empregados,
cartas publicadas e as implicações
econômicas das operações hidro-
gráficas que, como muitos outros
pré-investimentos imprescindíveis
ao desenvolvimento dêste País, são
altamente onerosas e dependentes
de um planejamento global.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 209-214 — 1967
SÔBRE O DESAGUAMENTO NATURAL DO SISTEMA
FLUVIAL DO RIO MADEIRA DESDE
A CONSTRUÇÃO DOS ANDES
HELLMUT GRABERT
Krefeld, Alemanha
(Com uma figura no texto)
Supomos que depois do período
triássico, 0 bloco de Mato Grosso-
-Goiás, como parte central do Es-
cudo Brasileiro, foi continental e,
porisso, sempre uma região de de-
nudação. A parte central do escudo
possivelmente, tinha o seu desa-
guamento de forma radial em di-
reção aos mares, que estavam por
volta. A região ocidental acolhia
as águas do Rio Madeira, destacan-
do-se aqui a região de Rondônia.
A drenagem mostrava um ali-
nhamento em direção à geosincli-
nal dos Andes. A construção tetô-
nica dos Andes resultou no meio
da formação terciária, e também al-
gumas fases da construção andina
começaram mais cedo. Por outra
parte, a morfologia das montanhas
dos Andes se modelou talvez no
pleistoceno. O litoral préterciário
chegava à linha onde os sedimen-
tos da geosinclinal andina passam
ao leste, a sedimentos fluviais e la-
gunares. Transmitimos êstes fatos,
que se podem ver no Peru, à região
oeste do cristalino de Rondônia,
então observamos uma linha, da
qual ao oeste se encontram sedi-
mentos marinhos situados mais ou
menos ao oeste do Rio Guaporé.
Esta linha deve ser aproximada-
mente o velho litoral da geosincli-
nal andina, ela limita a região oes-
te do Escudo Brasileiro.
A antiga linha hidrográfica do
Escudo Brasileiro, entre o Pacífico
e o Atlântico, passava, naquele
tempo, provàvelmente na parte
oeste do Escudo, que ainda hoje é
uma região montanhosa no Brasil,
como também ainda é uma linha
hidrográfica. Esta linha se encon-
tra entre o Rio Guaporé, e o Rio
Madeira e passava sôbre a Serra
dos Parecis e de Pacaás Novos. Ela
consiste de um arenito mesozoico
do tipo Roraima, o qual também
se pode observar entre o Jaraú e
âio
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
0 Mutúm-Paraná, cruzando o Rio
Madeira e acompanhando a mar-
gem norte dêste rio. Depois da es-
truturação andina, o Rio Madeira
dominou esta velha linha hidrográ-
fica. De nenhum modo existia na-
quele tempo, isto é, no mesozoico
e no terciário, uma ligação à rêde
fluvial do Amazonas e, com isto,
um alinhamento da parte central
do Escudo Brasileiro ao Atlântico.
A linha divisória de águas entre as
rêdes fluviais daquêle tempo, pois
entre os rios orientados ao Atlân-
tico e ao Pacifico, marca-se ainda
hoje com nitidez, na dita serra de
arenito mesozóico e isto também se
pode observar no Rio Madeira.
Até Abunã, depois do acolhi-
mento do Rio Abunã, o Rio Madei-
ra corre em direção Sul-Norte (su-
deste a noroeste) e, em Abunã,
vira de repente bem para o este
(nordeste) e ganha, com isto, liga-
ção à rêde fluvial do Amazo-
nas. E, agora num trecho de quase
100 km, 0 Rio Madeira se carac-
teriza por inúmeras cataratas e
saltos, entre as quais se encontram
algumas rochas formadas pelo are-
nito mesozóico; a maior parte, po-
rém, consiste de rochas cristalinas
do précambriano. Estas cataratas
e saltos, que fazem impossível .a
navegação fluvial neste trecho e
que deram a motivação para cons-
truir a linha de ferro Madeira —
Mamoré, dão a reconhecer que o
leito é relativamente jovem e pou-
co amadurecido. Além disso, está
em centraste aos largos meandros
nas partes superior e inferior do rio
nesta região. Vê-se também, que na
região onde passa o rio Madeira,
existe uma coberta de laterito de
desagregação profunda. Esta desa-
gregação alcança uma profundida-
de de 40 m. Para desagregar rochas
cristalinas até a esta profundidade
é necessário um clima conseqüen-
temente equilibrado. Êste fato,
pois, não concorda com a evolução
do jovem leito. Enquanto a região
dos Andes, durante milhões de
anos, era uma base de erosão da
parte oeste do Escudo Brasileiro, a
drenagem ia ao Oceano Pacífico. O
bloco cristalino, era sempre está-
vel e não estava submetido às va-
riações da história da geologia,
assim pôde amadurecer a um pe-
destal continental de denudação
permanente. Em conseqüência dis-
to, originou-se uma desagregação
profunda com um relêvo equili-
brado.
Ainda hoje poderosas camadas
de laterito, com um relêvo de su-
mamente pouco declive, indica
uma evolução equilibrada do clima
por milhões de anos. Mas isto, ti-
nha que mudar, depois da estrutu-
ração dos Andes. A base de erosão
para o ocidente desapareceu. Não
sabemos de que modo o clima, de-
pois da estruturação, se modificou.
Em todo caso, se as altas monta-
nhas saem do mar, podem causar
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Volume 1 (Geociências)
211
Pig. 1 — Desaguamento natural do sistema fluvial do Rio Madeira desde a
construção dos Andes (1 = linha litoral durante o periodo pré-andino; 2 =
linha divisória das águas no período pré-andino; 3 = linha divisória das águas
no tempo presente; 4 = ocupação da drenagem do Pacifico pelo sistema amazô-
nico, desde a construção dos Ândes; 5 = A. Porta de Abuna, B, Porta do Rio
Purús) .
enormes mudanças meteorológicas.
Com certeza também as chuvas se
repartiam antes de outra forma e,
supõe-se que as quantidades de
chuva subiram, ao menos para a
bacia do Amazonas. Há indícios de
que a selva tropical do Amazonas,
pôde nascer sòmente depois das
quantidades de chuva acima de. . .
2 . 000 mm por ano.
212
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Estas condições possivelmente, se
originaram depois do tempo plu-
vial, equivalente a formação qua-
ternária da Europa. Antes disso a
região do Amazonas estava cober-
ta por uma savana, da qual, ain-
da hoje, encontram-se vestígios em
alguns lugares da selva amazôni-
ca. Depois da perda do Oceano Pa-
cífico, a rêde desaguadora corria
paralelo à geosinclinal dos Andes
e, com o aumento das chuvas, bus-
cou um nôvo caminho; isto sòmen-
te foi possível em direção oriental,
isto é, ao Oceano Atlântico. Para
êle conseguir isto, tinha que cortar
a antiga linha divisória de águas.
Um desaguamento para o sul, isto
é, uma ligação para a região do
Pantanal, para a rêde fluvial do
Prata, não foi possível, pois aí ha-
via um barreira cristalina de
-j- 800 m. Igualmente, um desa-
guamento para o norte, à região do
Ucayali, foi impedida pela estru-
turação subandina e por uma bar-
reira plana constituída por um
quartzito supraalgônquico.
O lugar de ruptura foi a barrei-
ra de Abunã ao Rio Madeira. A sua
altura atual sôbre o nível do mar
consta de -{- 120 m e foi medida
com um barômetro. O leito atual
do rio entre Abunã e Pôr to Velho
mostra, por muitos saltos e cata-
ratas, que 0 processo de erosão pro-
funda ainda não terminou e so-
mente pode ser visto equilibrado,
quando desaparecerem estas ro-
chas, que provocam estas catara-
tas. O processo de aprofundamen-
to do leito caminha rio acima, con-
tra a torrrente, pois já está agre-
dindo o trecho de Abunã e Guaja-
rá - Mirim. Outras observações
deixam ver, além disso, que a co-
municação à rêde fluvial do Ama-
zonas — depois da perda da base
de erosão ao Pacífico — foi neces-
sário o desenvolvimento de um lago
de água doce, isto é, entre a antiga
linha hidrográfica e a crescente es-
truturação dos Andes. Êste lago
primeiramente acolheu águas das
regiões vizinhas. Ao sul limitava-se
pelas montanhas do sul da Bolívia
e ao norte pelo subandino mesozoi-
co de Ucayali.
Há indícios de que os sedimentos
fluviais e límnicos na região de
Abunã pertencem à um lago. Numa
viagem de Pôrto Velho à Mutum-
-Paraná, que até aí é de um relê-
vo plano acidentado, formado por
arenitos mesozóicos, entra-se numa
região de relêvo quase absoluta-
mente plano, em parte pantanoso,
pouco povoado e coberto pela pal-
meira Buriti. Esta palmeira encon-
tra a sua melhor condição de vida,
à altura do nível das águas subter-
râneas. Neste pantanal, a Estrada
de Ferro Madeira - Mamoré, cor-
re um trecho de 48 km, quase em
linha reta. O solo consiste de uma
areia de quartzo, possivelmente
com um pouco de caolim. O grão
é limpo e bem miúdo. Cortes mais
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Volume 1 (Geociências)
213
profundos do rio dentro do relêvo,
como por exemplo o do Rio Madei-
ra em Abunã. deixam ver em sua
base, estratos de areia cruzada. Es-
tas areias são de grão fino e gros-
so. Vê-se a inclinação dos estratos
em direção ocidental, isto é, em di-
reção ao lago, que surgiu no supra-
terciário. As areias grossas estão
muitas vêzes grudadas por um li-
monito secundário. O material dês-
te sedimento consiste, sobretudo,
de areias mesozoicas e de compo-
nentes cristalinos.
RESUMO
A parte central do Escudo Brasi-
leiro era a partir do paleozoico,
mas com certeza a partir do triá-
sico, uma região montanhosa e
continental, submetida continua-
mente a denudação. A camada de
laterito, que às vêzes alcança espes-
suras de 40 metros, indica um cli-
ma equilibrado de desagregação
continental. Êste bloco desaguava
durante o supra mesozoico, em to-
dos os mares por volta.
A parte ocidental do bloco tinha
0 seu desaguamento ao ocidente,
isto é, à geosinclinal dos Andes.
Com a estruturação dos Andes
no meio terciário, esta base de ero-
são desapareceu. As crescentes
montanhas andinas fecharam o
caminho de desaguamento, para o
ocidente. O desvio dos rios para o
sul, isto é, à rêde fluvial do rio da
Prata não foi possvel, porque a bar-
reira cristalina das montanhas no
Sul da Bolívia fechava também o
caminho. O desaguamento para o
norte, também foi impossível, por-
que aí se encontrava a barreira de
quartzito e a estruturação suban-
dina de Ucayali.
O rio Madeira somente pôde
cortar as montanhas de Abunã, a
antiga linha hidrográfica entre o
Atlântico e o Pacífico. Ela consistia
de baixas serras formadas pelo are-
nito mesozoico (Serra dos Parecís
e dos Pacaás Novos). Por meio da
erosão regressiva do antigo rio Ma-
deira, que vinha de leste, foi picado
um jovem lago. Êste lago se for-
mou no período supraterciário e
ocupava a região dos Andes bolivia-
nos, depois acumulando mais água,
ultrapassou a barreira de Abunã,
que até êsse momento era uma li-
nha hidrográfica. Pode-se ver hoje,
que as cataratas e os saltos entre
Pôrto Velho e Guarajá-Mirim mos-
tram a fase de juventude do leito
do rio Madeira. As montanhas na
Bolívia eram tão baixas, que po-
diam ter permitido a invasão do
rio Madeira, mas possivelmente a
erosão regressiva do rio Madeira
antigo, conseguiu escavar-se para o
rio Amazonas, cruzando a barrei-
ra. Além disso, o rio Madeira rece-
beu maior quantidade de águas do
que antes, porque agora a região
leste dos novos Andes Bolivianos
214
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
também lhe fornecia água. Assim,
o pequeno rio Madeira se desenvol-
veu em um grande e forte afluente
do rio Amazonas. Com as grandes
massas de água, que estavam à sua
disposição, poude aprofundar o seu
leito.
ZUSAMMENFASSUNG
Der zentrale Teil des Brasilianis-
chen Schildes war seit dem Pa-
lãozoikum, sicher aber seit der
Trias, kontinentales Hochgebiet
mit stãndlger Abtragung gewesen.
Die oft bis 40 m máchtige Laterit-
Decke ist das sichtbare Zeichen
für eine klimatisch gleichbleiben-
de, kontinentale Verwitterung.
Die Entwãsserung dieses Konti-
nent-Blockes war wãhrend des
spãteren Mesozoikums allseitig zu
den umgebenden Meeren hin aus-
gerichtet gewesen, und so wurde
der Westteil des Blockes auch nach
Westen in die damals noch beste-
hende, zum Pazifik jedoch ge-
hõrende Anden-Geosynklinale ent-
wãssert.
Mit der Ausfaltung der Anden
im mittleren Tertiãr ging jedoch
diese Erosionsbasis verloren. Das
entstehende andine Hochgebirge
versperrte den Abfluss nach Wes-
ten. Ein Ausweichen nach Süden
zum Laplata-System scheiterte an
der Kristallin-Barre des südbolivia-
nischen Hügellandes und ein Ab-
fluss nach Norden war wegen des
dort liegenden Quartzit-Riegels
und des gefalteten Subandins im
Ucayali-Gebiet nicht mõglich. Nur
bei Abunã am Rio Madeira war die
ehemalige Wasserscheide zwischen
dem Pazifik und dem Atlantik, die
über die Serren aus triadischem
Sandstein (Serra dos Parecis, Ser-
ra dos Pacaás Novos) verlief, so
niedrig, dass hier ein Durchbruch
erfolgen konnte. In rückschreiten-
der Erosion zapfte ein damaliger
Ur-Madeira den inzwischen gebil-
deten jungtertiãren Binnensee an,
okupierte das bolivianische Anden-
gebiet und zog die angesammelten
Wassermassen dürch die Abunã-
Pforte über die bisherige Wassers-
cheide. Hier lãsst sich durch ’ie
Wasserfãlle und Stromschnellen
zwischen Pôrto Velho und Guaja-
rá-mirim noch heute die Unreife
des Madeira-Flussbettes ablesen.
cm 1
SciELO
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
SUBDIVISÃO BIOESTRATIGRÁFICA E REVISÃO
DA COLUNA SILURO-DEVONIANA DA BACIA
DO BAIXO AMAZONAS
FREDERICO WALDEMAR LANGE
Petróleo Brasileiro S.A. — Petrobrás,
Laboratório de Micropaieontoiogia, Ponta Grossa, Paraná
(Com 2 figuras no texto, 12 estampas e 4 anexos)
Nota explicativa — O presente tra-
baiho tinha originalmente sido enca-
minhado à Divisão de Exploração da
Petrobrás, em forma de relatório téc-
nico. O Dr. Cândido Simões Ferreira,
Coordenador de Paleontologia Geral do
Simpósio sôbre a Biota Amazônica,
tendo há pouco tempo tomado conhe-
cimento dêste relatório, houve por
bem sugerir fôsse o mesmo apresen-
tado quando da realização do Simpó-
sio, em Belém, interessando-se ainda
pessoalmente para conseguir a para tai
fim necessária autorização da Direto-
ria Executiva da Petrobrás.
Em virtude da exigüidade de tempo,
não nos foi possivel introduzir quais-
quer modificações no texto, que é as-
sim apresentado na forma original do
relatório. Neste, em virtude de se tra-
tar de um trabalho de escopo essen-
cialmente prático, as diferentes formas
de microfósseis, que serviram de base
para estabelecer as unidades bioestra-
tigráficas, encontram-se identificadas
apenas por algarismos, em conformi-
dade com o código empregado em
nossos laboratórios. Teria, talvez, sido
oportuno substituir nesta apresentação
os referidos simbolos pela correspon-
dente classificação sistemática. Como,
no entanto, na maioria dos casos se
trata de espécies novas, a formaliza-
ção da nomenclatura dependeria de
uma concomitante descrição detalha-
da de cada uma das muitas dezenas de
espécies, e da inclusão de uma série de
figuras adicionais para demonstrar a
variabiiidade das formas, o que viria
acarretar uma substanciai ampliação
do relatório, por si só já bastante vo-
iumoso. Por êste motivo consideramos
como mais aconselhável deixar a des-
crição sistemática para pubiicação fu-
tura em um trabalho complementar.
Aproveitamos a oportunidade para
externar ao Dr. Cândido Simões Fer-
reira o nosso reconhecimento pelo in-
terêsse demonstrado na divulgação
desta pesquisa, e para apresentar ao
Dr. José Cândido de Melo Carvalho,
Coordenador Geral dêste Simpósio, os
nossos agradecimentos pelas facilida-
des concedidas para a publicação
dêste trabalho.
Publicação autorizada pela Direto-
ria Executiva da Petrobrás (SETEX/
DESUL-310) .
216
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
I . INTRODUÇÃO
O programa de trabalho apro-
vado pelo Departamento de Explo-
ração da PETROBRAs provla a elabo-
ração de uma coluna subdividida
em unidades bioestratigráficas, em
base micropaleontológica, como
elemento prático para a correla-
ção do Paleozoico Inferior da Ba-
cia Sedimentar do Baixo Amazo-
nas, assim compreendida a bacia
que se estende desde o Arco do Pu-
rús até o Arco de Gurupá.
Visando conseguir uma amostra-
gem representativa da coluna silu-
rodevoniana, selecionamos para es-
tudo a seção que se estende desde
os afloramentos do rio Urubu, no
flanco norte, através dos poços de
Autás Mirim, Nova Olinda, e rio
Abacaxis, na região central, até os
afloramentos do rio Urupadi, no
flanco sul da bacia (v. Mapa ín-
dice, Anexo I). A fim de obter os
elementos para a execução dos tra-
balhos, procedemos ao processa-
mento de tôdas as amostras desta
seção; os microfósseis recuperados
foram montados em lâminas e em
seguida determinados sistematica-
mente. Conseguimos reunir assim
apreciável coleção contendo repre-
sentantes de Acritarcha, Chitino-
zoa, Foraminifera, Algae, Escoleco-
dontes, espículas de Esponja, Es-
poromorfos, e outros de menor in-
terêsse imediato. Computando a
freqüência da ocorrência e a am-
plitude da distribuição vertical dos
diversos grupos de microfósseis, ve-
rificamos que principalmente os
Chitinozoa apresentavam formas
que aliavam uma larga distribui-
ção geográfica a uma extensão ver-
tical restrita, representando, assim,
ótimo elemento para a definição
das zonas ou unidades. Procuran-
do evitar fôsse a subdivisão da co-
luna baseada em apenas um gru-
po de microfósseis, e visando obter
dados para a comparação dos re-
sultados obtidos, computamos tam-
bém a distribuição dos Leiofusi-
dae (Acritarcha Netromorphitae).
Os esporomorfos recuperados das
amostras foram entregues ao setor
de palinologia do laboratório, mas
até agora só foi computada a dis-
tribuição em um dos poços; com
êsse resultado parcial não se pode
formar um juízo sôbre o valor prá-
tico dêstes microfósseis, e não se-
ria aconselhável incluir êsse exame
isolado na presente análise.
Conforme mais detalhadamente
descrito no Capítulo VII, prepara-
mos tabelas de distribuição tanto
para os Chitinozoa como para os
Leiofusidae e, em base da distri-
buição dos tipos representativos,
procedemos a uma delimitação das
unidades bioestratigráficas. Para a
definição dos intervalos estéreis em
microfósseis dêstes dois grupos,
aproveitamos os dados fornecidos
pelos demais grupos e pela macro-
fauna, utilizando ainda os elemen-
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Volume 1 (Geociências)
217
tos litológicos e da perfilagem elé-
trica dos poços.
Comparando as unidades bioes-
tratigráficas assim estabelecidas
com a coluna litoestratigráfica en-
tão em uso verificamos que ocor-
ria uma acentuada quebra na dis-
tribuição vertical dos microfósseis
em um ponto que coincidia com o
meio da Formação Maecurú da co-
luna. Procurando averiguar o mo-
tivo desta patente incoerência
constatamos que o que moderna-
mente se chamava de “Formação
Maecurú” incorporava uma outra
unidade, antigamente considerada
e descrita como formação distinta.
A fim de esclarecer melhor o as-
sunto, vimo-nos obrigados a proce-
der a uma exaustiva pesquisa bi-
bliográfica para estabelecer em que
elementos se baseara a primitiva
subdivisão estratigráfica da coluna
da bacia e para determinar a pro-
cedência das modificações introdu-
zidas posteriormente. Para tanto,
consultamos os trabalhos pioneiros
sôbre a geologia da região, bem
como os relatórios preparados pe-
las equipes do Conselho Nacional
do Petróleo e da petrobrás. Mais
diretamente, serviram-nos as expe-
riências pessoais, adquiridas quan-
do, lotados em 1956 no laboratório
de Belém da petrobrás, coube-nos
examinar as amostras coletadas na
região de Monte Alegre/Ereré e em
diversos afluentes do Amazonas,
entre outros, nos rios Curuá e Mae-
curú (v. Lange, 1956 e 1957) , e as
visitas que posteriormente nos foi
possível fazer aos afloramentos pa-
leczóicos de Ereré e dos rios Trom-
betas e Tapajós.
Em base dêstes elementos, e con-
siderando que os relatórios em que
foram introduzidas modificações
são na sua maioria inéditos, julga-
mos oportuno consubstanciar to-
dos êstes dados no presente tra-
balho, procedendo, quando neces-
sário, a uma revisão ou redefinição
de algumas das unidades estrati-
gráficas. Procuramos, nesta revi-
são, manter ou revalidar as desig-
nações antigas, propondo novas de-
nominações formais somente nos
casos omissos ou para os quais até
agora se vinha empregando têrmos
informais ou em desacôrdo com o
Código de Nomenclatura Estrati-
gráfica.
Assim, antes de entrarmos no
assunto da subdivisão bioestrati-
gráfica, apresentaremos um histó-
rico do desenvolvimento das pes-
quisas geológicas e uma diagnose
das unidades litoestratigráficas da
coluna siluro-devoniana da Bacia
do Baixo Amazonas, descrevendo,
em ordem ascendente, as caracte-
rísticas das diferentes formações.
Como complemento, tentaremos
esclarecer a idade geocronológica
das diferentes formações, também
de há muito objeto de discussões.
Agradecimentos — Desejamos exter-
nar 0 nosso reconhecimento aos res-
218
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
pensáveis pela Divisão de Exploração
da PETROBRÁS, engenheiros Pedro de
Moura e Franklin de Andrade Gomes,
pela oportimidade que nos concederam
para a realização do presente estudo, ao
Engenheiro José Carlos Braga, Super-
visor do Setor de Geologia de Subsuper-
ficie da mencionada Divisão, pelo in-
centivo e pelas proveitosas discussões a
respeito de alguns dos problemas rela-
cionados com êste trabalho, ao Enge-
nheiro João Bosco Ponciano Gomes,
antigo chefe do Setor de Exploração da
Bacia do Paraná, e ao Dr. Adriano Nu-
nes Ramos, atual chefe dêste setor, por
tôdas as facilidades concedidas para a
execução das pesquisas, aos colegas do
Laboratório de Belém pela sua ajuda
na separação das amostras, ao Dr. L.
I. Price, paleontólogo do D.N.P.M., bem
como aos funcionários da biblioteca do
referido departamento, pelas valiosas
informações e pela ajuda que nos pres-
taram durante a consulta da literatura
especializada sôbre a geologia da Bacia
do Amazonas, e ao Professor Ayrton de
Matos, Diretor do Instituto de História
Natural do Paraná, pelo empréstimo de
publicações. A todos, os nossos sinceros
agradecimentos.
II. REVISÃO DA COLUNA
SILURIANA
FORMAÇÃO TROMBETAS
1 . Nome e Seção Tipo
A designação de trombetas para
a formação siluriana da Bacia do
Amazonas deve-se a Derby (1878,
1897, 1898) , segundo a descrição do
qual as camadas no rio Trombetas
se apresentam em uma extensão
de 4 ou 5 milhas, formando a pri-
meira cachoeira e parte da segun-
da (Viramundo), sendo ainda ob-
servadas em um morro de cêrea de
100 metros de altura (Outeiro do
Cachorro) situado na margem do
rio Cachorro, um pouco acima da
sua desembocadura no rio Trom-
betas.
A litologia da seção do Trombe-
tas, de acordo com Derby, princi-
pia na base, sôbre um sienito, por
camadas silicosas, folhetadas, com
5 a 6 metros de espessura, acima
das quais se desenvolvem arenitos
duros, argilosos e micáceos, dispos-
tos em lajes finas intercalando ca-
madas maciças de arenito puro.
Nestes arenitos, ao pé da Cachoei-
ra Viramundo e no Outeiro do Ca-
chorro, foram encontrados os fós-
seis correlacionados com formas do
Siluriano Inferior (Landoveriano)
da América do Norte.
Recentemente Ludwig (1964),
alegando que não observou discor-
dância entre a Formação Trombe-
tas e a Formação Maecurú, do De-
voniano, reuniu tôda a seqüência
estratigráfica, desde a base da For-
mação Trombetas até o tôpo da
Formação Ereré, em um “Grupo
Trombetas”, subdividido em “For-
mação Trombetas Inferior”, “For-
mação Trombetas Médio”, e “For-
mação Trombetas Superior”.
Em notas anteriores
(DEBSP/L-15/63, de 4-12-63, e...
DEBSP/LM-3/64, de 24-4-64) já ti-
vemos oportunidade de nos mani-
festar contra êsse agrupamento
que eliminou a designação de Mae-
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Volume 1 (Geociências )
219
curú da coluna, e contra a propos-
ta nova designação e subdivisão es-
tratigráfica baseada apenas no
exame das pequenas estruturas in-
ternas dos sedimentos. A propósito,
lembramos apenas que: a) a uti-
lização do mesmo nome — Trom-
betas — tanto para o “Grupo”
como para as “Formações” em que
0 mesmo foi subdividido está em
franco desacordo com o que esta-
belece o Código de Nomenclatura
Estratigráfica em seus artigos ll.c
e 16.d; b) a divisão da coluna es-
tratigráfica clássica da Bacia do
Amazonas em Formação Trombe-
tas, do Siluriano Inferior, e em
Formação Maecurú, do Devoniano
Inferior, foi baseada em sólidos ele-
mentos paleontológicos; c) o nome
da Formação Maecurú é de há
mais de 80 anos consagrado na li-
teratura geológica internacional e
não pode nem deve ser abandona-
do por uma suposta simples seme-
lhança dos seus sedimentos com os
da Formação Trombetas subjacen-
te. Além disso, a alegada ausência
de uma discordância entre as for-
mações Trombetas e Maecurú —
principal argumento utilizado por
Ludwig para eliminar a designação
de Maecurú da coluna e para in-
cluir a correspondente seqüência
no seu Grupo Trombetas — é ape-
nas aparente, pois, como veremos
adiante, existe acentuada discor-
dância paralela entre estas duas
formações, disconformidade essa
representada por um hiato deposi-
cional que se estende desde a par-
te superior do Siluriano Inferior,
através tôda a duração do Siluria-
no Superior, até o inicio do Devo-
niano Inferior.
Em resumo, consideramos como
inteiramente justificado respei-
tar-se a tradição mantendo-se o
emprêgo da nominação Trombetas
no seu sentido restrito para desig-
nar apenas a formação do Siluria-
no (Gotlandiano) Inferior, devida-
mente caracterizada e definida em
base paleontológica, litológica e es-
tratigráfica.
2 . Subdivisão da Formação
Trombetas
Estudos realizados após a des-
crição de Derby revelaram que em
outros rios do flanco norte da Ba-
cia do Baixo Amazonas a Formação
Trombetas apresenta um desenvol-
vimento maior que o da seção tipo,
e, em conseqüência, julgou-se con-
veniente subdividir esta formação
em membros. Três dêstes membros
foram descritos em relatórios iné-
ditos da PETROBRÁs, motivo porque
julgamos oportuno repetir e com-
pletar aqui a sua diagnose; um
quarto membro é proposto no pre-
sente trabalho para acomodar ca-
madas distintas que ocorrem na
base da formação. Estas unidades
são descritas a seguir, em ordem
descendente.
220
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
a) Membro Pitinga
1 . Nome e Seção Tipo
O nome pitinga foi proposto por
Breitbach (1957, inédito) para
destacar o membro superior da
Formação Trombetas. A designa-
ção foi derivada do rio Pitinga,
afluente da margem esquerda do
rio Nhamundá, Estado do Pará,
próximo à divisa com o Estado do
Amazonas, no flanco norte da ba-
cia. Neste rio, a seção tipo do mem-
bro se encontra exposta ao longo
do meridiano 57° 45’ Oeste, aproxi-
madamente entre 1°07’42” e
08’ 39” de latitude Sul.
2. Litologia
No rio Pitinga o membro prin-
cipia na base por delgadas cama-
das alternantes de arenitos muito
finos e de siltitos, cinzentos a es-
verdeados, as quais passam, para
cima, até o tôpo, a siltitos e folhe-
lhos cinza a cinza-esverdeados, nos
quais se encontram intercalados di-
versos leitos de silex leitoso (chert)
amarelado. No rio Nhamundá não
se encontrou os arenitos e siltitos
da base, e o membro principia aqui
por um leito de chert, acima do
qual se desenvolvem os folhelhos e
os siltitos laminados com diversas
intercalações de silex.
Na subsuperficie a unidade con-
siste principalmente de folhelhos,
com siltitos e arenitos subordina-
dos, contendo localmente leitos si-
deríticos e hematita no tôpo. Na
perfilagem dos poços nota-se um
gradual aumento da Resistividade,
e uma nítida quebra da curva de
raios-gama no contato com as uni-
dades encaixantes (v. Anexo II) .
3 . Distribuição e Espessura
Seções semelhantes às dos rios
Pitinga e Nhamundá foram encon-
tradas, no flanco norte, nos rios
Urubu e Maecuru, sendo que nes-
te último o Membro Pitinga se
apresenta mais arenoso, embora
ainda intercalando siltitos e folhe-
lhos com leitos de chert. No flan-
co sul da bacia a parte superior da
Formação Trombetas não foi de-
positada, ou então foi erodida, mas
também aqui o membro Pitinga,
pelo menos na sua parte inferior,
encontra-se representado por fo-
lhelhos e siltitos, intercalando are-
nitos subordinados.
Na subsuperficie, nos poços da
seção considerada neste relatório,
encontramos as seguintes espessu-
ras para a Unidade III, correspon-
dente ao Membro Pitinga;
AM-1-AZ=150 m; NO-3-AZ=240 m,
e RX-2-AZ=180m.
4. Relações Estratigráficas
A base do Membro Pitinga, em-
bora jazendo em contato normal
sôbre os arenitos do Membro Nha-
mundá, encontra-se evidenciado
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Vohime 1 (Geociências)
221
por pronunciada quebra na curva
de perfilagem de raios-gama. O
tôpo do membro encontra-se em
contato discordante com as forma-
ções devonianas sobrejacentes; essa
disconformidade é evidenciada pela
superfície da erosão alterada e li-
monitizada dos folhelhos Pitinga,
pela erosão da parte superior do
membro, principalmente no flan-
co sul da bacia, pelos conglomera-
dos que assinalam essa superfície
de erosão, pela transgressão das
formações devonianas sôbre o
Membro Pitinga, constatada em di-
versos rios do flanco sul, e pelo
hiato deposicional que separa a
Formação Trombetas das forma-
ções devonianas.
5 . Origem
O ambiente marinho da deposi-
ção do Membro Pitinga é eviden-
ciado pelo seu conteúdo fossilífero.
Os folhelhos e siltitos sugerem zona
infranerítica de deposição.
6 . Paleontologia
a) Macrofósseis
E’ comum a ocorrência de grap-
tolitos no Membro Pitinga, e Cli-
macograptus innotatus brasiliemis
Ruedemann (1929) tem sido en-
contrado nos folhelhos desde a base
até o tôpo do membro. Katzer
(1897, 1899, 1903) ainda faz
referência a outros graptolitos
encontrados na Cachoeira Panca-
da Grande do rio Maecurú. Nos fo-
lhelhos cinza-escuros a pretos en-
contramos representantes de Lin-
gula sp. e, nos leitos arenosos
intercalados, impressões de Ar-
throphycus harlani (Test. 40 do
poço AM-l-AZ).
b) Microfósseis
Chitinozoa
A tabela de distribuição (Ane-
xo III) demonstra que o Membro
Pitinga contém grande número de
espécies de Chitinozoa restritas a
êste membro, o que nos permitiu
estabelecer e delimitar a unidade
bioestratigráfica III, dividida em
3 subunidades. Na discussão da co-
luna trataremos do assunto com
mais detalhe.
No Furo 56, praticado pelo Ser-
viço Geológico e Mineralógico em
Bom Jardim, Itaituba, rio Tapajós,
foi encontrado na profundidade de
340,41 m um “conglomerado de sei-
xos rolados, com cimento silicoso’’,
no contato do Siluriano com o De-
voniano; como êste conglomerado
jaz na capa dos folhelhos pretos do
Membro Pitinga, é provável que
contenha resíduos dessa unida-
de siluriana. Dêsse conglomera-
do SOMMER & VAN BOEKEL (1961)
comunicaram em um resumo a
ocorrência de representantes dos
gêneros Ancyrochitina, Angochiti-
na, Desmochitina, Lagenochitina,
222
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Rhahdochitina e Sphaerochitina,
sern identificação das espécies. No
mesmo resumo é ainda comunica-
da a ocorrência, no mesmo poço,
em amostras de 348 m e de 352 m
de profundidade, representadas por
folhelhos do Membro Pitinga, de
representantes de diversos gêneros
de Chitinozoa, também sem identi-
ficação específica.
Em trabalho posterior, Sommer
& VAN Boekel, 1963 b) descreveram
dêste Furo 56, do conglomerado de
340,41 m, a nova espécie Ancyro-
chitina erichseni, e ainda em ou-
tro trabalho, os citados autores
descreveram dêste mesmo conglo-
merado a nova espécie Sphaerochi-
tina lucianoi, e dos folhelhos de
352 m de profundidade, a espécie
Conochitina djalmai Sommer &
Van Boekel (1965 a).
Acritarcha
Na tabela. Anexo IV, indicamos
a ocorrência e a distribuição dos
Leiofusidae no Membro Pitinga.
Além dêsses, encontramos nas ca-
madas dêste membro apreciável
quantidade de representantes dos
gêneros Baltisphaeridium, Dictyo-
tidium, Micrhystridium, Polyedry-
xium, Veryhachium (v. Lange,
1963 b e 1963 c).
Sommer & van Boekel (1961)
referem-se em um resumo à ocor-
rência de Acritarcha nos folhelhos
Pitinga do Furo 56, Bom Jardim,
sem entrarem em detalhe sôbre a
classificação sistemática das for-
mas encontradas.
Esporomorfos
É comum a ocorrência de espo-
romorfos no Membro Pitinga, prin-
cipalmente nos folhelhos. Neste la-
boratório até 0 momento só foi fei-
ta a pesquisa sistemática na se-
ção Pitinga, do poço AM-l-AZ, e
teremos que aguardar a comple-
tação de maior número de análi-
ses para se poder aquilatar o va-
lor estratigráfico dêsses microfós-
seis.
Sommer & van Boekel (1961),
em um resumo a respeito do já ci-
tado conglomerado e dos folhelhos
Pitinga do Furo 56 de Bom Jardim,
comunicam a ocorrência nos mes-
mos de representantes de Tasma-
nites euzebioi, T. mourai, T. lame-
goi e T. salustianoi, espécies essas
que já tinham tôdas elas sido des-
critas anteriormente da Formação
Curuá; essa larga distribuição ver-
tical, do Siluriano Inferior até o
Devoniano Médio ou Superior, re-
duz de muito o valor dêsses micro-
fósseis como elemento para a cor-
relação estratigráfica .
Outros Microfósseis
Nos folhelhos do Membro Pitin-
ga temos encontrado diversos esco-
lecodontes, foraminíferos de pare-
de arenácea, e prosiculas de grap-
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Volume 1 (Geociências)
223
tolitos. O chert intercalado nos fo-
lhelhos dêste membro localmente
está repleto de espículas de espon-
ja. Todos êstes microfósseis, seja
pela raridade da sua ocorrência,
seja devido à sua ampla distribui-
ção vertical na coluna, represen-
tam elemento de reduzido valor
prático para a correlação.
b) Membro N hamundá
1 . Nome e Seção Tipo
O nome nhamundá foi proposto
por Breitbach (1957 a, inédito)
para o segundo membro da Forma-
ção Trombetas. A denominação
provém do rio Nhamundá, afluen-
te da margem esquerda do rio Ama-
zonas e que, na faixa de afloramen-
tos do flanco norte da bacia, cons-
titui a divisa entre os Estados do
Amazonas e Pará.
A seção tipo do membro encon-
tra-se no referido rio entre as esta-
ções 73 e 79 do mapa Breitbach,
correspondentes aproximadamente
às coordenadas de 1° 12’ 35” a
1° 13’ 55” de latitude sul, e de 57°
53’ 37” a 57° 54’ 11” de longitude
Oeste.
2. Litologia
Segundo descrição de Breitbach,
0 Membro Nhamundá consiste de
arenitos acinzentados a amarela-
dos, de granulação fina, localmen-
te quartzíticos; na parte superior
encontram-se leitos de ondulação
irregular, seguidos para baixo por
arenitos dispostos em camadas lar-
gas e cuja parte inferior também
exibe estratificação ondulada. Na
subsuperfície o membro é arenoso
em tôda a sua extensão, pelo me-
nos na maioria das seções; em al-
guns poços a seção arenosa, prin-
cipalmente na sua parte superior,
contém delgadas inclusões de fo-
lhelho, uma das quais é bastante
persistente e foi encontrada repe-
tida em diversas seções (Subdivi-
são Provisória 5 do Perfil, Ane-
xo II) . Além da litologia, esta uni-
dade é fàcilmente identificada pe-
las características de perfilagem
elétrica, que apresenta uma eleva-
da Resistividade associada a uma
linha bastante uniforme de baixa
Radioatividade.
3. Distribuição e Espessura
Salvo uma pequena interrupção
no flanco sul, o Membro Nhamun-
dá se encontra exposto ao longo
das faixas de afloramento em am-
bos os flancos da bacia, e a êle per-
tencem os arenitos fossilíferos do
rio Trombetas, a jusante da Ca-
choeira Viramundo, descritos por
Derby (1878) . Na subsuperfície
esta unidade se estende por mais
de 1.300 km, desde o Arco de Gu-
rupá até o Arco de Purús, arquea-
mentos êsses que delimitam a Ba-
cia do Baixo Amazonas.
224
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Na seção tipo do Nhamundá a
espessura do membro foi estimada
em 95 metros. Nos poços da seção
aqui considerada foram encontra-
das as seguintes espessuras : ....
AM-l-AZ = 283 m; NO-3-AZ =
237 m sem atingir a base; ....
RX-2-AZ = mais de 300 metros.
4. Relações Estratigráficas
O tôpo do Membro Nhamundá se
encontra em contato normal com
os folhelhos e siltitos do Membro
Pitinga; na subsuperficie êste con-
tato é fàcilmente determinado pela
abrupta passagem dos elásticos
finos daquele membro para os are-
nitos Nhamundá, passagem essa
muito bem evidenciada nas curvas
da perfilagem elétrica. Nas seções
completas a unidade jaz concor-
dantemente sôbre os folhelhos e
siltitos do Membro Cajarí, adiante
descrito.
5. Origem
A posição intercalada dos areni-
tos Nhamundá entre folhelhos com
fósseis marinhos sugere tratar-se
de sedimentos de igual origem, de-
positados em zona epineritica pró-
xima à costa.
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
Derby (1878) coletou uma série
de fósseis nos arenitos do Membro
Nhamundá ao pé da Cachoeira Vi-
ramundo. Rio Trombetas. Êstes
fósseis foram posteriormente estu-
dados por Clarke (1899), o qual
descreveu as seguintes formas;
Brachiopoda: Lingula sp. cf. L.
oblata Hall
Lingulops derbyi Clarke
Orbiculoidea hartti Clarke
Pholidops trombetana Clarke
Orthis callactis amazônica
Clarke
Orthis (Dalmanella) freitana
Clarke
Orthis {Dalmanella) smithi
Clarke
Chonetes sp. cf. C. nova-scotica
Hall
Anabaia paraia Clarke
Gastropoda: Bucanella trilobata
viramundo Clarke
Murchisonia sp.
CoELENTERATA : Conularia amazô-
nica Clarke
Pelecypoda; Anodontopsis putilla
Clarke
Anodontopsis austrina Clarke
Tellinomya pulchella Clarke
Tellinomya subrecta Clarke
Clidophorus brasilianas Clarke
Cephalopoda: Orthoceras sp.
Cyrtoceras? sp.
Incertae; Tentaculites trombeten-
sis Clarke
Crustacea; Primitia minuta Ei-
chwald
Bollia lata brasiliensis Clarke
Derby e Clarke ainda se referem
à ocorrência de impressões de Ar-
em 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
225
throphycus harlani Conrad nos
arenitos sílticos do Outeiro do Ca-
chorro; impressões fósseis seme-
lhantes foram posteriormente en-
contradas em outros afloramentos
do Membro Nhamundá, inclusive
no flanco sul da bacia, no Rio Ta-
pajós (Silva, 1951).
b) Microfósseis
Os arenitos do Membro Nha-
mundá pouco se prestam para a
preservação de microfósseis, e o
próprio ambiente da sua deposi-
ção foi pouco propício ao desenvol-
vimento da microfauna. Em al-
guns dos folhelhos intercalados
nos arenitos encontramos raros
Acritarcha, representados princi-
palmente pelas formas lisas de
Leiosphaeridia, alguns esporomor-
fos ainda indeterminados, frag-
mentos de cutícula e pequenos bas-
tonetes pretos.
c) M embr o C a j ar í
1 . Nome e Seção tipo
O nome cajarí foi proposto por
Breitbach (1957 b, inédito) para
um terceiro membro da Formação
Trombetas. O nome foi derivado
do Rio Cajarí, afluente da margem
esquerda do Rio Amazonas, no
Território do Amapá.
A seção tipo se encontra ex-
posta no Rio Cajarí em uma exten-
são de aproximadamente 1.500
metros, entre as estações 217 e 223
do mapa que acompanha o relató-
rio de Breitbach e que correspon-
dem às coordenadas de aprox.
0° 23’ 55” e 0° 24’ 35” de latitude
sul, aproximadamente ao longo do
meridiano 52° 10’ de longitude
Oeste.
2 . Litologia
O Membro Cajarí consiste prin-
cipalmente de siltito laminado,
cinza-esverdeado a amarelado, com
planos de estratificação altamente
micáceos (sericita) ; intercala are-
nitos muito finos, argilosos, lami-
nados, lentes de quartzíto, e leitos
de folhelho síltico. Localmente o
siltito se encontra silicificado,
como na Cachoeira Viramundo do
Rio Trombetas. As camadas mos-
tram estratificação ligeiramente
ondulada a irregular e lenticular.
Na perfilagem a unidade mantém
uma baixa radioatividade, mas o
correspondente registro é muito
mais irregular que o do Membro
Nhamundá, superposto.
3. Distribuição e Espessura
No flanco norte da bacia, além
da localidade tipo, foram consta-
tadas ocorrências do Membro Ca-
jarí nos rios Jauarí, Maecurú,
Curuá, Trombetas e Urubú. Na
faixa de afloramentos do flanco
sul a ocorrência do membro foi
constatada apenas na região ori-
226
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ental da bacia, no Rio Xingú e no
Igarapé Penatecaua, as camadas
da unidade terminando em cunha
antes de atingir as regiões média e
ocidental da faixa. Na subsuperfí-
cie, na seção aqui considerada, o
membro foi penetrado no poço
AM-l-AZ na profundidade de 1.943
metros, no NO-3-AZ não foi atin-
gido, terminando em cunha antes
de atingir o RX-2-AZ (v. Seção,
Anexo I) .
Na seção tipo a espessura do
membro foi indicada com 55 m; no
poço AM-l-AZ a espessura é de
aproximadamente 164 metros.
4. Relações Estratigrá ficas
O tôpo do Membro Cajari encon-
tra-se em contato concordante com
os arenitos Nhamundá, o contato
na subsuperfície sendo evidencia-
do pelas características da curva
da perfilagem, sendo que a da Re-
sistividade diminui abruptamente,
enquanto a curva da Radioativh
dade se torna acentuadamente
mais irregular em comparação com
a do membro sobrejacente. Na base
o membro jaz concordantemente
sôbre os arenitos do Membro
Urubú, ou, na ausência dêste, em
franca discordância sôbre a For-
mação Uatumã ou mesmo direta-
mente sôbre o embasamento cris-
talino. No flanco norte da bacia,
onde em geral os afloramentos se
encontram mais desenvolvidos, o
Membro Cajari pode faltar nas se-
ções de alguns rtcNS, o que demons-
tra uma topcg'i’afla muito irregu-
lar quando da deposição dos sedi-
mentos silurianos.
5 . Origem
O conteúdo fossilífero evidencia
a origem marinha do Membro Ca-
jarí. Segundo Ludwig (1964) tra-
ta-se de depósitos de planícies de
maré.
6. Paleontologia
Graptolitos
Albuquerque (1922) encontrou
abundantes graptolitos nos siltitos
silicificados da base da Cachoeira
Viramundo no Rio Trombetas, fós-
seis êsses que foram posteriormente
determinados como Climacograp-
tus innctatus brasiliensis Ruede-
mann (1929) . Representantes da
mesma forma foram ainda encon-
trados em camadas do Membro Ca
jarí no Rio Jauarí.
Chitinozoa
O Membro Cajari contém nume-
rosos quitinozoários, conforme se
verifica pela tabela de distribuição
(Anexo III).
Acritarcha
A ocorrência e distribuição de
Leiofusidae encontra-se indicada
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
227
na correspondente tabela, Anexo
IV. Nas amostras do Rio Urubú en-
contramos numerosos representan-
tes dos gêneros Baltisphaeridium e
Veryhachium (Lange, 1963 b), e
em amostras dos siltitos silicifica-
dos que coletamos na Cachoeira
Viramundo, no Rio Trombetas, en-
contramos apreciável quantidade
de Acritarcha representados por
espécies de Baltisphaeridium, Leio-
fusa, Veryhachium, Cymatiosphae-
ra, Micrhystridium, e outros.
Esporomorjos
Em amostras dos rios Urubú e
Trombetas encontramos numerosos
esporomorfos, ainda não determi-
nados sistemàticamente.
Outros Microfósseis
Nos folhelhos e siltitos do Mem-
bro Cajarí encontramos alguns es-
colecodontes do tipo de Paulinites,
sem valor prático devido à ampli-
tude da sua distribuição vertical.
Nos leitos silicif içados é comum a
ocorrência de espículas de espon-
ja, aos quais já se referiu Clarke
(1899), quando da descrição dos
fósseis do Rio Trombetas.
d) Membro Urubú
A. Justificativa
Nas faixas de afloramento da
Bacia do Baixo Amazonas, a For-
mação Trombetas tem o seu maior
desenvolvimento na região ociden-
tal do flanco norte, especialmente
ao longo do curso do Rio Urubú,
Estado do Amazonas. As amostras
que, em parte, serviram de base
para a elaboração do presente tra-
balho, foram coletadas no mencio-
nado rio pelo geólogo A. G. Swan,
0 qual descreveu a geologia da re-
gião em seu relatório inédito da
Petrobrás (Depex-859, de 12-57).
Na coluna estratigráfica do Rio
Urubú, apresentada por Swan, a
Formação Trombetas foi dividida
em dois membros, a saber: Membro
Nhamundá (correspondente às
amostras AGS 514 a 539) , e Mem-
bro Pitinga (amostras AGS 540 a
552). Em trabalho anterior (Lan-
ge, 1963) tivemos oportunidade de
mostrar que o Membro Pitinga se
estende mais para cima, até a
amostra AGS-555; além disso, ve-
rificamos que tanto a amostra
AGS-514, como as AGS-513 e 512,
de leitos subjacentes, consistem de
folhelho argiloso a síltico, com
abundantes microfósseis, folhelhos
êsses que neste rio representam o
Membro Cajarí. Constatamos, ade-
mais, que abaixo dêste membro, a
amostra AGS-511 consiste nova-
mente de arenito, verificando-se
pelo mapa que arenitos ainda se
estendem rio acima por cêrca de
12 km (amostras 510 a 501) sem
atingir o contato com a Formação
Uatumã, subjacente. Examinando
outras seções do flanco norte.
228
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
constatamos a ocorrência de are-
nitos infra-Cajarí ainda nos rios
Maecurú, Erepecurú, Jatapú e Ca-
pucapú.
Considerando que o Membro Ca-
jarí foi definido como caracteriza-
do litològicamente por folhelhos e
siltitos laminados, não caberia in-
cluir aí êsse arenito basal, motivo
porque destacamos o mesmo como
membro distinto, para o qual pro-
pomos a designação de Urubú.
1. Nome e Seção Tipo
A denominação foi derivada do
Rio Urubú, Amazonas, no qual o
membro se encontra exposto em
larga extensão. A seção tipo cor-
responde a tôda a extensão ma-
piada por Swan (1957), desde a es-
tação GS-1 (amostra AGS-501),
aprox. 20 01’ 37” de latitude Sul e
em 60° 10’ 27” de longitude Oeste,
até a estação GS-22 (amostra
AGS-511), aprox. 2° 04’ 43” de la-
titude Sul e 60° 05’ 18” de longi-
tude Oeste.
Como localidade tipo pode ser
considerada a estação 22, local de
coleta da amostra AGS-511.
2. Litologia
O arenito do Membro Urubú se
apresenta na superfície com uma
coloração variegada, com granula-
ção grosseira, classificação pobre,
localmente com traços de silicifica-
ção secundária, incluindo um ou
mais leitos de chert amarelado pas-
sando a branco na alteração. Nas
exposições examinadas o arenito se
apresenta com estratificação plana
e em disposição horizontal, pràti-
camente sem mergulho. Na subsu-
perfície, na parte mais profunda
da bacia, encontram-se leitos de
folhelhos e de siltitos intercalados
nos arenitos. Na perfilagem dos
poços, à medida que se desce na
seção, nota-se um gradual aumen-
to da radioatividade com simultâ-
nea redução da resistividade.
3. Distribuição e Espessura
Devido à posição horizontal dos
arenitos na seção tipo do Rio
Urubú não foi possível medir a sua
espessura com precisão. Arenitos
semelhantes, também incluindo
leitos de silex e ocupando a mesma
posição estratigráfica, foram ainda
observados, no flanco norte, no Rio
Maecurú, com espessura de 33 me-
tros, no Rio Erepecurú com aprox.
20 metros, e nos rios Jatapú e Ca-
pucapú com espessura não deter-
minada. Nenhum afloramento é
conhecido no flanco sul da bacia.
Na subsuperfície, na seção aqui
considerada, apenas o poço
AM-l-AZ possivelmente cortou o
Membro Urubú no intervalo de
2.107 a 2.220 metros de profundi-
dade, não se tendo, todavia, encon-
trado qualquer elemento paleonto-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
229
lógico para confirmar a correlação.
Da mesma forma, sem controle
paleontplógico, referimos tentati-
vamente ao Membro Urubú os in-
tervalos indicados nos seguintes
poços: Bist-l-AZ= 1600 a 1636 m
Profundidade Total; Just-1-AM=
1236 a 1330 m P.T.; Mnst-l-AZ=
1410 a 1502 m P. T.; Must-l-AZ=
1514 a 1624 m P.T.; Umst-1-AM=
1770 a 1805 metros: contato com a
Formação Uatumã.
4. Relações Estratigráficas
Os arenitos Urubú jazem em con-
tato normal sob os folhelhos e sil-
titos do Membro Cajarí, encon-
trando-se em discordância sôbre a
Formação Uatumã, ou, na ausên-
cia desta, sôbre o embasamento.
5 . Origem
O chert com espículas de es-
ponja incluído no arenito sugere
que 0 mesmo é de origem marinha,
com deposição em zona litorânea,
correspondendo aos primeiros sedi-
mentos depositados pela trans-
gressão siluriana na bacia.
6. Paleontologia
Os arenitos do Membro Urubú
até agora não forneceram fósseis.
No silex alterado do Rio Urubú en-
contramos apenas espículas de es-
ponja, semelhantes às dos membros
superiores. Em amostras de chert
do Rio Maecurú encontramos espí-
culas de esponja e alguns fragmen-
tos de Chitinozoa, indetermináveis.
3. Idade da Formação
Trombetas
Quando da definição da Forma-
ção Trombetas por Derby (1878) e
da descrição dos fósseis por Clarke
(1899), o têrmo “Siluriano” então
empregado abrangia tanto o Silu-
riano S.S., ou Gotlandiano, na época
denominado de “Siluriano Supe-
rior”, como 0 Ordoviciano, então
designado por “Siluriano Inferior”.
(A propósito, veja-se a nota de
Maury, 1929). Como a referência
aos têrmos antigos tem causado, e
pode continuar a suscitar confu-
sões, empregaremos na discussão
que se segue as denominações geo-
cronológicas atualizadas.
Derby (1878) referiu os fósseis
do Trombetas ao Siluriano (=Go-
tlandiano) Inferior, comparando,
mais especificamente, as impres-
sões de Arthrophycus com a forma
A. harlani Conrad do Andar Medi-
na da América do Norte.
Clarke (1899) concorda com
Derby quanto à identificação de
Arthrophycus harlani e à sua cor-
relação com a forma do Medina.
Quanto ao conjunto da fauna do
Trombetas, computando-se as com-
parações de Clarke, verifica-se que
do total de 23 espécies descritas, 6
não têm indicação de idade, 8 fo-
ram comparadas com formas do
230
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Ordoviciano, as 9 restantes com
formas do Siluriano, mais preci-
samente, 2 com 0 Andar Medina, 3
com o Clinton, e 4 com o Niagara.
Embora reconhecendo tratar com
uma associação de formas tanto do
Ordoviciano como do Siluriano, e
não obstante a predominância de
formas mais antigas, Clarke, inex-
plicàvelmente, concluiu por referir
tôda a fauna ao Andar Niagara
(Llandovery Superior a Wenlock).
SCHUCHERT (1906) tece comentá-
rios a respeito das interpretações
de Derby e de Clarke sôbre a idade
da Formação Trombetas. Referin-
do-se à ocorrência de Arthrophycus
harlani nesta formação, e à sua
correlação com o Andar Medina,
assinala que Ulrich, em base das
suas pesquisas na América do Nor-
te, concluira que êste andar per-
tenceria mais provàvelmente ao
Ordoviciano Superior do que ao Si-
luriano. Concluiu Schuchert por
assinalar que a fauna do Trombe-
tas é intimamente ligada com a do
Richmond Superior (Cincinnatia-
na= Ordoviciano Superior) .
Maury (1929) traz um resumo
dos trabalhos relativos à Formação
Trombetas, refere-se às interpreta-
ções paleontológicas e geocronoló-
gicas de Derby e Clark, apresenta
uma tabela comparativa entre a
antiga e a nova subdivisão do Or-
doviciano e do Siluriano, e traça
considerações a respeito da idade
atribuída por Clarke à fauna do
Trombetas, concluindo por correla-
cionar a mesma com o Andar Me-
dina, referido ao Llandovery Infe-
rior.
No mesmo trabalho, Ruedemann
(1929) apresenta um estudo dos
graptolitos procedentes da Cacho-
eira Viramundo, classificando as
formas do Trombetas como uma
variedade de Climacograptus inno-
tatus Nicholson (1869), para a
qual propõe o nome de C. innota-
tus brasiliensis. Referindo-se às
relações estratigráficas, conclui
que o horizonte com graptolitos do
Trombetas corresponde ao Llando-
very. Em anexo, ao proceder a uma
revisão dos demais fósseis do are-
nito da Cachoeira Viramundo,
Ruedemann conclui por concordar
com Derby quanto à correlação
desta fauna com o Andar Medina
da América do Norte.
Atualmente, segundo o “Lexicon
of Geological Names” (1938), o
têrmo Medina é pouco usado na
América do Norte por se ter veri-
ficado que sob essa designação se
encontram incluídas formações
pertencentes a dois sistemas dis-
tintos, a saber, os Arenitos Albion,
do Siluriano Inferior, e o Folhelho
Queenston, do Ordoviciano Su-
perior.
De acordo com Bulman (1955),
o gênero Climacograptus apresenta
uma distribuição que vai do Arenig
(Ordoviciano Inferior) até o Llan-
dovery (Siluriano Inferior) . O tipo
Volume 1 (Geociências)
231
de C. innotatus Nicholson (1869)
foi originalmente descrito de cama-
das então referidas ao Llandeilo
Superior (Ordoviciano) , mas, se-
gundo a revisão efetuada por Elles
& WooD (1907), esta espécie se en-
contra restrita às zonas graptolí-
ticas 16 a 19, correspondentes à
parte basal do Llandovery Inferior.
JACKSON & Lenz (1962), ao pro-
cederem ao zoneamento dos grap-
tolitos ordovicianos e silurianos de
Yukon, Canadá, referem-se à ocor-
rência de uma variedade de C. in-
notatus, próxima a brasiliensis, no
Ashgill (Ordoviciano Superior) das
Montanhas Ogilvie.
De interêsse mais imediato para
a correlação e datação das cama-
das Trombetas são dois trabalhos
relativos ao Paraguai. No primeiro
dêstes, Turner (1960), ao proceder
a uma revisão das faunas graptolí-
ticas da América do Sul, concorda
com a idade Landoveriana atribuí-
da por Ruedemann ao material do
Trombetas, e descreve a ocorrên-
cia de Climacograptus innotatus
brasiliensis Rued. no Cerro Aparipí
e em Vargas Vila, Paraguai, loca-
lidades essas cujas camadas, pela
associação faunística que contém,
foram referidas ao Valentiano In-
ferior (= Llandovery Inferior).
No segundo dos mencionados
trabalhos, Wolfart (1961) des-
creve a ocorrência de C. innotatus
brasiliensis nas argilas de Vargas
Pena, Paraguai, referidas à parte
basal do Llandovery Inferior. Nes-
tas argilas encontraram-se ainda
dois outros fósseis inicialmente des-
critos por Clarke da Formação
Trombetas, a saber, Anabaia pa-
raia e Tentaculites trombetensis,o
que veio consubstanciar a correla-
ção, e, conseqüentemente, a defi-
nição da idade desta formação.
A ocorrência de C. innotatus
brasiliensis na Formação Trombe-
tas foi constatada desde o Membro
Cajarí (nos rios Trombetas e Mae-
curú), até o membro superior, Pi-
tinga (rios Nhamundá, Maecurú,
Urupadí, e nos testemunhos 28 e
29 do poço NO-3-AZ, e test. 26 do
Ur-l-Az). Verifica-se, assim, que a
unidade superior da formação, o
Membro Pitinga, contém êste fós-
sil-guia tanto em afloramentos, em
ambos os flancos, como na subsu-
perfície, na região central, mais
profunda, da Bacia do Baixo Ama-
zonas. Em conseqüência, a idade
da Formação Trombetas não pode
ser mais recente que o Llandovery
Inferior, com possibilidade da
transgressão marinha, representa-
da pelos arenitos do Membro Uru-
bú, ter-se iniciada ainda no Ordo-
viciano Superior.
III. ESTRATIGRAFIA DO DEVO-
NIANO DA BACIA DO
AMAZONAS
Resumo Histórico
Os primeiros trabalhos sistemá-
ticos sôbre a geologia do Paleozói-
232
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
CO do Baixo Amazonas foram rea-
lizados pelos componentes das Ex-
pedições Morgan (1870 e 1871) e
da Comissão Geológica do Impé-
rio do Brasil (1875 a 1878).
Em base dessas investigações,
Derby (1878) apresentou um re-
sumo sôbre a geologia da região,
no qual dividiu o Devoniano da
bacia em três grupos, assim defi-
nidos, em ordem ascendente:
GRUPO MAEcuRÚ — Arerütos gros-
seiros, brancos ou amarela-
dos, cuja abundante fauna foi
correlacionada com a do Gru-
po Cornífero dos Estados Uni-
dos.
GRUPO ERERÊ — Arenito micáceo de
granulação fina (siltito em
parte) disposto em leitos del-
gados, com leitos subordinados
de folhelho prêto que altera
para branco; na base do gru-
po ocorrem alguns leitos de
arenito compacto silicificado
(cherty) ; fósseis mais ou me-
nos abundantes em todos os
leitos, os do folhelho sendo di-
ferentes dos encontrados no
arenito. O grupo foi correla-
cionado com 0 Hamilton de
N. York.
GRUPO cuRuÁ — Consistindo na ba-
se de folhelho prêto, bem la-
minado, quase ardosiano, con-
tendo na parte inferior con-
creções de calcário azulado,
quase prêto, e também con-
creções arenosas. Acima dêste
folhelho prêto jaz um folhelho
avermelhado ou côr de choco-
late, matizado de côr mais es-
cura e listrado de branco,
amarelo ou prêto; a rocha
consiste de argila misturada
com porção considerável de
mica e areia fina, formando
a última, às vêzes, camadas
com espessura de algumas po-
legadas. Os únicos fósseis até
então encontrados nestes fo-
lhelhos foram impressões do
gênero Spirophyton, conside-
radas como semelhantes às
formas descritas do Hamilton
de N. York, e pequenos corpos
achatados (mais tarde referi-
dos a Protosalvinia por Daw-
son).
Esta é a subdivisão clássica da
coluna devoniana da Bacia do
Amazonas, e adiante trataremos
das diversas unidades com mais de-
talhe.
Hartt (1870-1898) descreveu,
entre outras, a geologia da região
de Ererê, trabalhos êsses a que te-
remos oportunidade de nos referir
adiante.
Smith (1879) estudou a geolo-
gia do rio Curuá, indicando a se-
guinte sucessão das camadas paleo-
zóicas, em ordem ascendente:
1 — Arenito cinza ou vermelho,
duro, em leitos largos; espes-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
233
sura desconhecida, mas ca-
madas correspondentes no
rio Maecurú foram seguidas
por espessura de algumas
centenas de pés.
2 — Arenitos, alternância de ca-
madas macias e duras, com
fósseis do Devoniano Infe-
rior, expostos na Cachoeira
Lontra. 30 pés.
3 — Estratos de arenito púrpuro
claro, duro, muitas vêzes
com fratura de pederneira,
resistente à ação do tempo
e formando blocos angulosos
ao longo das margens do rio.
Sem fósseis. 30 pés.
4 — Folhelho escuro, mais ou
menos arenoso. 15 pés.
5 — Sucessão de folhelhos es-
curos e arenitos. 50 pés.
6 — Folhelho prêto, fino, passan-
do para o n.° 5. Contém
grandes concreções de rocha
dura, cinzenta, argilosa. 30
pés.
7 — Folhelhos vermelhos, areno-
sos, repletos de Spirophy-
ton. Em certos leitos ocor-
rem pequenos corpos nodu-
losos que podem ser orgâni-
cos. Espessura 10 pés.
8 — Semelhante ao n.° 7, porém
sem Spircphyton. 50 pés.
9 — Arenito amarelo, duro, gros-
seiro. 7 pés.
10 — Rocha irregular, concrecio-
nária, argilosa, avermelha-
da. 75 pés.
11 — Camadas possantes de are-
nito, fino e homogêneo a
grosseiro.
12 — Folhelhos finos, duros, are-
nosos. A superfície muitas
vêzes aparece matizada, e as
fraturas mostram bonita la-
minação de côr esverdeada,
amarela, preta e branca.
100 pés.
13 — Arenito grosseiro, muitas vê-
zes se decompondo em curio-
sas formas arredondadas.
50 pés.
Smith assinala que nenhum dos
leitos 9 a 13 forneceu fósseis, não
havendo indicação sôbre a sua ida-
de, e que acima ocorre uma la-
cuna na seção, correspondendo a
uma espessura de aproximadamen-
te 300 pés, seguida de rochas do
Carbonífero, arenitos e folhelhos,
com um leito de calcário, represen-
tado no rio Curuá apenas por
fósseis silicificados e fragmentos
da matriz encontrados na Praia
Grande.
Pelas descrições de Derby,
Smith, e Albuquerque (1922), e
em base dos levantamentos feitos
no rio Curuá por equipes da pe-
TROBRÁs, cujas amostras nos coube
examinar, concluímos que as aci-
ma descritas camadas de Smith
pertencem às seguintes formações
da coluna de Derby: 1 — Trombe-
tas, 2 — Maecurú, 3 a 5 — Ereré, 6
*
234
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
a 12 — Curuá, e 13 — Formação
Monte Alegre, do Carbonífero.
Posteriormente Katzer (1903),
baseado nas informações de Derby
e Smith, apresentou a seguinte su-
cessão das camadas no rio Mae-
curú, em ordem descendente:
1 — Folhelhos argilosos pretos.
2 — Rochas laminadas, areno-mi-
cáceas, avermelhadas. Hori-
zonte fossilífero superior.
3 — Arenito escuro.
4 — Hornstone (Corneíto).
5 — Arenito de Spirifer, repleto de
fósseis . Principal horizonte
fossilífero.
6 — Arenito quartzítico, em ban-
cos delgados, entremeado de
folhelhos.
Estas unidades correspondem às
seguintes subdivisões de Derby ;
1 = Curuá, 2 a 4 = Ereré, 5 e 6
= Maecurú.
Katzer, na Fig. 128 do seu tra-
balho, apresentou uma seção do
rio Maecurú, que reproduzimos na
anexa Fig. 1. Nesta seção, Katzer,
repetindo um engano de Smith e
Derby, trocou entre si a posição das
cachoeiras Panacú e Taconhamui-
ra, inversão essa já assinalada por
Moura (1938) e por Oliveira
& Leonardos (1943) e que foi
corrigida na reprodução anexa.
Além disso, na explicação da sua
Fig. 128, Katzer referiu os folhe-
lhos arenosos listrados, que aflo-
ram entre a Cachoeirinha e a Ca-
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SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Volume 1 ( Geociências )
235
choeira Panacú, ao Carbonífero,
quando ainda se trata de folhelhos
devonianos da Formação Curuá,
em parte recosidos pela intrusiva
básica que ocasionou a formação
das cachoeiras; também êsse enga-
no de Katzer foi retificado na fi-
gura anexa. De qualquer maneira,
0 trabalho de Katzer em nada al-
terou a coluna de Derby, apenas
definindo com mais detalhe a su-
cessão litológica do Devoniano.
Clarke (1913), baseado na ocor-
rência do braquiópodo Schizobolus
truncatus Hall nos folhelhos pretos
de Ereré, referiu os mesmos ao De-
voniano superior, sem entrar em
detalhes sôbre a estratigrafia da
região, cuja sucessão ignorava. Em
nota adicional a êste trabalho
Derby (1913) menciona que o fo-
lhelho prêto aparentemente se en-
contra sotoposto ou intercalado no
arenito da Formação Ereré, mas
que a aparente inversão — que co-
locou representantes do Devoniano
Superior abaixo ou intercalados
aos de uma fauna do Devoniano
Médio — eventualmente poderia
ter sido ocasionada por falhamen-
tos.
A suposta inversão da seqüên-
cia das camadas, que na época não
foi devidamente esclarecida, ocasio-
nou mais tarde uma modificação
da coluna estratigráfica inicial-
mente proposta por Derby. Neste
sentido. Moura (1933) manifes-
tou-se da seguinte maneira:
“Derby nas suas ‘Contribuições para
a geologia do Baixo Amazonas’ divide
0 Devoniano em três grupos: Maecurú,
Ereré e Curuá. É preciso chamar a
atenção, para evitar confusões, que
dos três grupos de Derby, neste traba-
lho (de Moura), o Maecurú apresenta
o mesmo nome; os dois outros —
Ereré e Curuá — estão englobados no
Devoniano Médio sob a denominação
de Andar Curuá, e para o Devoniano
Superior reservamos o nome de Andar
Ereré, proposto pelo Dr. Euzébio de
Oliveira, por ser nesta localidade des-
coberto 0 fóssil que mostra o caracter
do Devoniano Superior para o folhelho
onde foi encontrado: Schizobolus
truncatus” .
Inverteu-se, assim, a denomina-
ção das unidades superiores da co-
luna devoniana, cuja sucessão as-
cendente passou a ser considerada
como sendo Maecuru — Curuá —
Ereré.
Mendes (1957), ao se referir ao
Devoniano do Amazonas, assinala
que;
“Reina grande confusão atualmente
na literatura, não só a respeito da es-
tratigrafia, como da cronologia dêsse
terreno, motivo pelo qual nos inclina-
mos a propor a designação de série
Amazonas para os mesmos, genérica-
mente, em vez de insistir nas desig-
nações inseguras de grupos ou andares
Maecurú, Curuá e Ereré”.
Embora Moura (1938) tivesse
proposto a modificação da coluna
236
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
supostamente para evitar confu-
sões, essas, posteriormente, só fo-
ram aumentadas, pois, enquanto
Moura incluiu a fauna mesodevo-
niana do Grupo Ereré de Derby no
seu Andar Curuá, nos relatórios da
PETROBRÁs a correspondente se-
ção litológica do Ereré passou a ser
incluída na Formação Maecurú,
sob a designação de Membro Ari-
ramba!
Além disso, nos trabalhos da
PETROBRÁS (e. g. Morales, 1960)
foi abandonada a referência ao
Ereré, seja em qualquer das posi-
ções, considerando-se o Devoniano
da Bacia do Amazonas como con-
sistindo apenas das formações
Maecurú e Curuá, a primeira com-
posta dos membros Jatapú e Ari-
ramba, e o Curuá representado pelo
membro basal, Barreirinha, e ou-
tro, superior, sem designação pró-
pria.
Recentemente Ludwig (19 6 4)
ainda aumentou a confusão, não
só por eliminar a designação de
Maecurú da coluna, mas ainda por
incluir a correspondente seção li-
tólógica, bem como a do Grupo
Ereré de Derby, em seu “Grupo
Trombetas”, sob a designação de
“Formação Trombetas Superior”.
Em vista destas discrepâncias,
julgamos oportuno e mesmo neces-
sário proceder a uma análise mais
detalhada do assunto. Conforme
teremos oportunidade de mostrar
adiante, verifica-se que, respeitada
a prioridade das denominações an-
tigas — as quais, diga-se de pas-
sagem, estão de há muito consa-
gradas na literatura geológica in-
ternacional e por isso mesmo não
devem, sem razões justas e bem
fundamentadas, ser modificadas,
muito menos eliminadas — e ana-
lisando-se as características lito-
lógicas e paleontológicas das diver-
sas unidades, não é difícil estabele-
cer-se uma coluna estratigráfica,
atualizada em base dos trabalhos
mais modernos, coluna essa que,
em suas linhas gerais correspon-
de à subdivisão clássica instituída
há quase um século para o Devo-
niano da Bacia do Amazonas.
A subdivisão da coluna propos-
ta por Derby baseou-se na litologia
e na posição estratigráfica das ca-
madas, tendo os fósseis, quando
presentes, servido para determinar
a sua idade. Trata-se, portanto, de
unidades essencialmente litoestra-
tigráficas. Seguindo o Código de
Nomenclatura Estratigráfica ....
(1961), cujo emprêgo foi aconse-
lhado pelo Departamento de Ex-
ploração da PETROBRÁS, passaremos
a denominar as unidades da coluna
de Formação, e as suas subdivisões
de Membro. Mantendo as denomi-
nações tradicionais, e acrescentan-
do as informações obtidas pelos le-
vantamentos geológicos posterio-
res, pelas sondagens e pelos ele-
mentos paleontológicos, propomos
a seguinte coluna estratigráfica
Volume 1 (Geociências)
237
para a sucessão das camadas de-
vonianas :
FORMAÇÃO CURUÁ;
Membro Faro
” Curirí
” Panacú
” Barreirinha
FORMAÇÃO ERERÉ:
Membro Ariramba
” Cachoeira
FORMAÇÃO MAECURÚ:
Membro Lontra
” Jatapú.
As diferentes unidades desta co-
luna serão descritas a seguir, em
ordem ascendente.
FORMAÇÃO MAECURÚ
1. Nome e Seção Tipo
A denominação de Maecurú para
a unidade estratigráfica basal do
Devoniano da amazônia foi propos-
ta por Derby (1878), o qual men-
cionou que o nome foi derivado do
rio Maecurú, Pará, em cujo curso
a unidade até então fôra melhor
estudada. Neste trabalho não foi
indicada localidade ou seção tipo,
mas pelos trabalhos de Smith ....
(1879), Derby (1897), Bastos &
Moura (1928), e Cook (1955),
verifica-se que no rio Maecurú, na
17.^ cachoeira (Teuapixuna) , ocor-
re o arenito fossilífero da Formação
Ereré, sob o qual, rio acima e for-
mando as cachoeirinhas, jaz a ca-
mada de corneíto da base do Ere-
ré, e, a montante, na 19.^ cachoei-
ra, aflora o arenito fossilífero da
Formação Maecurú. Êste arenito,
cuja espessura, segundo Derby, não
ultrapassa 10 metros, jaz sôbre are-
nitos estéreis que por sua vez pou-
sam sôbre camadas silurianas que
se estendem até o Salto Pancada
Grande, e além. A localidade tipo
da Formação Maecurú encontra-se,
pois, restrita aos arredores do que
Smith denominou de “19.° Cachoei-
ra” (Unidades 2 e 3 do perfil. Figu-
ra 1, anexa).
2. Subdivisão da F or ma-
ção M aecurú
Conforme já mencionamos, nos
trabalhos da petrobrás a For-
mação Maecurú tem sido conside-
rada como consistindo dos mem-
bros Jatapu e Ariramba. Êste úl-
timo, como teremos oportunidade
de mostrar adiante, faz parte da
Formação Ereré.
Quanto ao primeiro, verifica-
mos que Bischoff (1957, inédito)
primeiramente empregou o têrmo
“Formação Jatapú” para desig-
nar sedimentos residuais, de ida-
de ignorada, encontrados por Frey-
DANK (1957, inédito) no rio Jata-
pú, acima de uma crista de rochas
238
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cristalinas que aí delimitam a ex-
tensão setentrional dos sedimen-
tos paleozoicos da Bacia do Baixo
Amazonas. Trata-se de arenitos e
de chert que, segundo a opinião de
Bischoff, são inteiramente diferen-
tes dos sedimentos da bacia, e que,
embora incluindo arenitos de as-
pecto muito antigo, podem repre-
sentar camadas do Cretáceo depo-
sitadas sôbre o Escudo Brasileiro.
No mesmo relatório, Bischoff divi-
diu a formação Maecurú em dois
membros: um inferior, sem deno-
minação própria, referido apenas
como “arenito basal do Maecurú”
(que corresponde à Formação Mae-
curú no seu sentido restrito, na
definição de Derby e de Katzer) , e
um membro superior, Ariramba,
considerado como unidade de tran-
sição entre o Maecurú e os folhe-
lhos Curuá (êste “Membro Ariram-
ba” de Bischoff corresponde em
realidade à Formação Ereré de
Derby) .
Em resumo, Bischoff (1957)
designou como “Formação Jata-
pú” sedimentos de idade ignorada
e considerados como estranhos à
Bacia do Amazonas.
Breitbach (1957 a, inédito)
aparentemente foi o primeiro a
empregar a denominação de “Mem-
bro Jatapú” na coluna estratigrá-
fica para designar os arenitos ba-
sais da Formação Maecurú, práti-
ca essa que depois se generalizou
e que foi seguida em todos os re-
latórios posteriores da petrobrás,
passando a designação, nesse sen-
tido, mesmo a ser empregada
em publicações, sem que alguém
se tivesse preocupado com a for-
malização do têrmo.
Pelo exposto, verifica-se que o
têrmo “Formação Jatapú” de Bis-
choff tem significado diferente da
designação “Membro Jatapú” de
Breitbach; não obstante a priori-
dade do primeiro, a denominação
de Jatapú como membro do Mae-
curú acha-se generalizada e consa-
grada pelo uso, merecendo ser
mantida desde que formalmente
individualizada.
Nas colunas dos rios Pitinga e
Nhamundá, Breitbach (1957 a)
designou como Membro Jatapú
uma seqüência de arenitos, na base
da Formação Maecurú, correspon-
dendo, em posição estratigráfica, à
unidade 6 da subdivisão de Katzer.
Nas mesmas colunas, o chamado
Membro Ariramba consiste de um
pacote de arenito na parte inferior,
superposto por siltitos e folhelhos;
êstes últimos já pertencem à For-
mação Ereré, enquanto o arenito
subjacente corresponde à unidade
5 de Katzer, ou seja, ao Arenito de
Spirifer, horizonte fossilífero prin-
cipal da Formação Maecurú. Já vi-
mos que êste horizonte foi primei-
ramente descrito da 19.^ cachoei-
ra do rio Maecurú, cachoeira essa
sem designação própria. Derby
(1897) designou êsses arenitos de
Volume 1 (Geociências)
239
“grés de Maecurú”, mas como o
nome Maecurú abrange tôda a for-
mação, não pode ser empregado
também para a denominação de
um dos seus membros.
Smith (1879), ao proceder ao
levantamento do rio Curuá, encon-
trou camadas idênticas, litológica
— como paleontològicamente, na
Cachoeira da Lontra. Katzer. . .
(1903) igualmente correlacionou os
arenitos da Cachoeira Lontra do
rio Curuá com a unidade 5 (Areni-
to de Spirifer) do Maecurú, e os
arenitos subjacentes com a unida-
de 6.
Pelo exposto, julgamos que deve
ser mantida a denominação de
Membro Jatapú para os arenitos
basais (unidade 6), e propomos a
designação de Membro Lontra para
os arenitos fossilíferos superiores
da Formação Maecurú (unidade 5
de Katzer). Estas duas unidades
podem ser definidas da seguinte
maneira, em ordem ascendente:
a) Membro Jatapú
1 . Nome e Seção Tipo
Pelo que nos foi possível verifi-
car, 0 nome de jatapú como mem-
bro da Formação Maecurú foi pri-
meiramente usado na coluna es-
tratigráfica por Breitbach (1957
ai, inédito) , o qual, para tan-
to, se baseou no levantamento geo-
lógico do rio Jatapú, Amazonas,
feito por Freydank (1957, inédi-
to) ; êste último descreveu uma se-
qüência de arenitos que no men-
cionado rio se estende desde um
pouco a jusante da Cachoeira Ana-
mão, até um pouco abaixo da Ca-
choeira Manguirana, aproximada-
mente entre as estações 223 e 230
do mapa que acompanhou o rela-
tório Freydank. A propósito da geo-
logia do Jatapú veja-se, também,
Albuquerque (1922).
2 . Litologia
A litologia desta seção foi des-
crita por Freydank como consistin-
do de arenitos esbranquiçados a
amarelados, de granulação fina a
média, seleção pobre, cimento sili-
ccso, matriz argilosa, micáceo, com
marcas de ondas, localmente in-
cluindo siltito cinzento. Nas seções
de outros rios, e na subsuperfície,
ocorrem intercalações mais espes-
sas de siltitos e de folhelhos, o que
se encontra evidenciado pelas irre-
gularidades das curvas da perfila-
gem elétrica dos poços (v. perfil
do AM-l-AZ, Anexo II).
3. Distribuição e Espessura
O Membro Jatapú encontra-se
exposto em grande extensão no
flanco norte da bacia, desde o rio
Urubu, no oeste, até os rios Jari
e Braço do Cajarí na parte orien-
tal da faixa de afloramentos. Na
subsuperfície o Jatapú foi encon-
trado em todos os poços da bacia
240
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
que penetraram até a profundida-
de da sua ocorrência.
A espessura dos arenitos na se-
ção tipo foi estimada em 250 me-
tros, valor êsse que tem que ser
aceito com reservas e que provà-
velmente é muito exagerado, visto
que na subsuperfície, na região
mais profunda da bacia, tôda a
Formação Maecurú dificilmente
atinge essa espessura. Nos po-
ços da seção aqui considerada
encontramos as seguintes espes-
suras para o Membro Jatapú;
AM-l-AZ = 58 m, NO-3-AZ = 95m,
e RX-2-AZ = 56 metros. E’ possí-
vel que ocorra um adelgaçamento
da Formação Maecurú da região
central para o flanco sul da bacia,
conforme discutiremos quando da
discussão do Membro Lontra (ve-
ja-se, a propósito, a seção, Ane-
xo I).
4. Relações Estratigráficas
O Membro Jatapú jaz em discor-
dância sôbre a Formação Trombe-
tas, discordância essa evidenciada
pelo acunhamento das suas cama-
das em direção ao flanco sul da
bacia, onde o contato da Formação
Trombetas com o Devoniano é ca-
racterizado por conglomerados re-
siduais (Furos 56 e 88 do rio Ta-
pajós), pela superfície erodida e
em parte limonitisada do Trombe-
tas, e pelo grande hiato deposicio-
nal que, entre as formações Trom-
betas e Maecurú, compreende todo
o Siluriano Superior e uma parte
do Devoniano Inferior, conforme
se demonstra quando da discussão
da idade destas formações. Para
cima, o Membro Jatapú passa em
contato normal para os arenitos
fossilíferos do Membro Lontra. Na
perfilagem elétrica o membro é fà-
cilmente identificado pelas pro-
nunciadas quebras, tanto na cur-
va de raiós-gama como na da re-
sistividade, no contato com as uni-
dades encaixantes.
5. Origem
Os microfósseis encontrados nos
siltitos e folhelhos do Membro Ja-
tapú evidenciam a sua origem ma-
rinha. Os arenitos com marcas de
ondas correspondem a depósitos li-
torâneos, enquanto a gradual mu-
dança de fácies para siltitos e fo-
lhelhos indica para êstes uma de-
posição em zonas epineríticas e in-
franeríticas.
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
As camadas do Membro Jatapú
até agora têm fornecido poucos
elementos macropaleontológicos, os
quais, na maioria, consistem de
traços e de perfurações de vermes
ou de outros organismos.
Volume 1 (Geociências)
241
b) Micropaleontologia
Chitinozoa
Pela tabela, Anexo III, verifica-
-se que no Membro Jatapú ocor-
rem diversos quitinozoários, alguns
dos quais com distribuição restrita
a esta unidade.
Acritarcha
Além dos Leiofusidae, cuja dis-
tribuição é indicada na tabela,
Anexo IV, encontramos nas cama-
das Jatapú numerosos represen-
tantes de outros Acritarcha perten-
centes aos gêneros Baltisphaeri-
dium, Cymatiosphaera, Dictyoti-
dium, Linotolypa, Micrhystridium,
Polyedryxium, e Veryhachium.
Esporomorfos
Na amostragem do Membro Ja-
tapú do poço AM-l-AZ foram en-
contrados vários esporomorfos, al-
guns restritos a esta unidade.
Como, todavia, se trata no caso de
um perfil isolado, a restrição obser-
vada pode ser fortuita, devendo
oportunamente ser examinada a
amostragem das demais seções
para se formar um juízo sôbre o
valor prático dêstes microfósseis
para a correlação.
Outros Microfósseis
Além dos grupos acima mencio-
nados, encontramos nas camadas
Jatapú alguns escolecodontes e
fragmentos isolados de cutícula.
b) Membro Lontra
1 . Nome e Seção Tipo
Conforme já mencionamos atrás,
a designação de “grés de Maecurú”,
proposta por Derby para os areni-
tos fossilíferos do rio Maecurú, não
pode ser aproveitada para identi-
ficação de um dos membros da for-
mação de denominação homônima.
A 19.^ cachoeira do rio Maecurú,
onde afloram êstes arenitos, não
tem designação própria. Por êste
motivo propomos chamar a esta
unidade estratigráfica de Membro
Lontra, nome derivado da Cachoei-
ra da Lontra, no rio Curuá, na
qual, segundo descrição de SMITH
(1879), aflora um arenito idênti-
co — em conteúdo fossilífero, lito-
logia e posição estratigráfica — ao
da 19.^ cachoeira do Maecurú, cor-
relação essa posteriormente con-
firmada no trabalho de Katzer
(1903). O “Membro Ariramba”, in-
dicado em alguns relatórios como
unidade superior da Formação
Maecurú, não pode ser incluído
nesta formação visto que a seção
litológica característica dêste mem-
bro pertence à Formação Ereré.
Pelos mapas e pelas descrições
de Albuquerque (1922) e de Krau-
SE (1955, inédito), verifica-se que
a Cachoeira da Lontra se en-
contra em uma volta do rio
242
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Curuá, no qual, a montante, os
arenitos Lontra ainda formam as
cachoeiras Bemfica e Mãe Isabel.
Nesta volta do rio Curuá localiza-
-se, pois, a seção tipo do Membro
Lontra. Rio acima, os mesmos are-
nitos ainda formam as cachoeiras
Mundurucú e do Brigadeiro, am-
bas também abundantemente fos-
silíferas, conforme descrição de Al-
buquerque e conforme tivemos
oportunidade de constatar pelo
exame das amostras aí coletadas
por Krause.
2. Litología
Na localidade tipo da Cachoeira
da Lontra, o arenito apresenta uma
coloração amarelada, passando a
avermelhada na superfície exposta,
granulação fina a média, classifi-
cação pobre, grãos subangulosos
a subarredondados, matriz argilo-
sa, micáceo, com estratificação em
largos leitos horizontais. Na subsu-
perfície, onde o membro apresen-
ta maior espessura, arenito de ca-
racterísticas semelhantes local-
mente contém intercalações de sil-
tito e mesmo de folhelho arenoso,
principalmente na sua parte supe-
rior, 0 que se manifesta em acen-
tuada quebra das curvas da perfi-
lagem elétrica dos poços.
3. Distribuição e Espessura
Tanto no rio Maecurú como no
rio Curuá o arenito fossilífero Lon-
tra apresenta uma espessura de
aproximadamente 9 metros. Para
0 rio Urubu foi estimada uma es-
pessura de 80 metros (intervalo
das amostras AGS-574 a 577) que
deve ser aceita com reservas, pois,
além de nem sempre ter sido pos-
sível traçar os limites da forma-
ção no campo, a estimativa basea-
da em afloramentos esparsos, de
leitos pràticamente sem mergulho,
pode induzir a enganos de consi-
derável monta.
No poço Am-l-AZ o Membro
Lontra ocorre com uma espessura
de 30 metros, entre 1.418 e 1.448
metros de profundidade. No
NO-3-AZ com 41 metros, no inter-
valo de 2.976 a 3.017 m; no....
RX-2-AZ com 37 metros, entre
1.711 e 1.748 metros.
No flanco norte da bacia o mem-
bro aflora desde o rio Urubu até
o Braço do Cajari. Na subsuperfí-
cic a sua ocorrência foi registra-
da em tôdas as sondagens que
atingiram a Formação Maecurú.
Na faixa de afloramentos do
flanco sul da bacia ocorre, sob os
folhelhos da Formação Curuá, uma
seção de folhelhos e arenitos ja-
zendo sôbre a Formação Trombe-
tas no rio Tapajós, e diretamente
sôbre o cristalino no rio Curuá-
Una. Como na época da descrição
da geologia dêstes rios (Leite,
1958 b. Silva, 1957, inéditos) a co-
luna devoniana do Amazonas era
dividida em apenas duas unidades.
Volume 1 ( Geociências )
243
Maecurú e Curuá, a seqüência are-
nosa, sotoposta aos folhelhos
Curuá, foi referida à Formação
Maecurú. Também na descrição
das sondagens praticadas pelo Ser-
viço Geológico e Mineralógico nas
margens do Rio Tapajós, em Bom
Jardim e Itaituba, a seção compre-
endida entre os folhelhos Curuá e
a Formação Trombetas foi designa-
da de Maecurú, embora com reser-
vas, por falta de dados palentoló-
gicos para justificar tal decisão (a
propósito, veja-se Moura, 1932;
20).
Há a considerar, todavia, que
nestas sondagens do rio Tapajós
a litologia do que se chamou de
Maecurú encontra-se representada
por cêrca de 28 metros de arenito
na parte superior e 22 metros de
folhelho na parte basal da seção,
sucessão essa de posição invertida
em comparação com a seqüência
estratigráfica Maecurú - Ereré en-
contrada na região central e nas
seções tipicas do flanco norte da
bacia; além disso, nesses folhelhos
basais, imediatamente sobrepostos
à Formação Trombetas, ocorrem
braquiópodos dos gêneros Derbyina
e Orbiculoidea, segundo Moura. . .
(1932). No Devoniano da Amazô-
nia, Derbyina é uma forma carac-
teristica, representada por D. ja-
mesiana (Hartt) restrita à For-
mação Ereré. No rio Curuá - Una
também encontrou-se Orbiculoidea
nos leitos imediatamente sobrepos-
tos ao embasamento cristalino;
êste gênero, na coluna da amazô-
nia, também só foi registrado a
partir do Ereré. Além disso, há a
assinalar que nenhum fóssil carac-
terístico da Formação Maecurú foi
encontrado na mencionada seção
de arenitos e folhelhos do flanco
sul.
Atendendo-se a êste conjunto de
observações estratigráficas e pa-
leontológicas, é-se levado a consi-
derar a possibilidade de pertencer
tôda esta seção à Formação Ereré,
não existindo, então, ocorrência da
Formação Maecurú, a qual, neste
caso, teria se adelgaçado a partir
da região central da bacia para
terminar em cunha antes de atin-
gir esta região do flanco sul. Os
conglomerados encontrados nos
poços do rio Tapajós no tôpo da
Formação Trombetas também su-
gerem uma prolongada fase de ero-
são e retrabalhamento.
No rio Xingú, na região oriental
dos afloramentos do flanco sul,
ocorre, acima da Formação Trom-
betas, uma seção de arenitos ca-
peados por folhelhos; como ainda
não foram identificados fósseis
nesta seção, não se pode precisar
se também aqui se trata de cama-
das Ereré, ou se eventualmente os
arenitos, que aqui ocorrem na base,
representam a Formação Maecurú.
244
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
4. Relações Estratigráficas
Nas seções completas, os areni-
tos fossilíferos do Membro Lontra
jazem em concordância sôbre os
leitos do Membro Jatapú, e se en-
contram em contato normal com
as camadas silicosas do Membro
Cachoeira, sobreposta.
Na perfilagem dos poços os li-
mites do Membro Lontra encon-
tram-se bem evidenciados por
acentuada quebra tanto na curva
de radioatividade como na de re-
sistividade (v. Anexo II).
5 . Origem
Os fósseis recuperados dos are-
nitos do Membro Lontra eviden-
ciam a sua origem marinha. Os
arenitos expostos no flanco norte
da bacia correspondem a depósitos
da zona litorânea e epineritica;
para a região central, mais pro-
funda, ocorre uma gradual mudan-
ça de fácies, encontrando-se silti-
tos e folhelhos intercalados entre
bancos de arenito muito fino, indi-
cando assim uma passagem da de-
posição epineritica para a infrane-
ritica.
6. Paleontologia
Os braquiópodos do Membro
Lontra foram inicialmente descri-
tos, mas não figurados, por Rath-
BUN (1878). Clarke (1895) des-
creveu as trilobitas, e, posterior-
mente (Clarke, 1899), os peleci-
podos e gasterópodos dêste mem-
bro, apresentando, no mesmo tra-
balho, uma tabela e fazendo uma
análise de todos os fósseis até en-
tão conhecidos, discutindo ainda a
relação dos mesmos com faunas
de outras regiões. Katzer (1903)
descreveu alguns fósseis novos e
tentou completar ou retificar a
descrição e apresentar figuras dos
braquiópodos anteriormente des-
critos por Rathbun, no que nem
sempre foi bem sucedido (veja-se,
a propósito, nota de Derby, 1913:
241). Clarke (1913) discute as re-
lações estratigráficas da fauna
Maecurú.
Estas são as principais descri-
ções sistemáticas antigas dos fós-
seis do Membro Lontra. Não cabe
aqui reproduzir tôda a lista da ma-
crofauna, já que a mesma se en-
contra detalhada nas tabelas aci-
ma referidas de Clarke e de Kat-
zer.
Microfósseis
Chitinozoa
Conforme se verifica pela tabe-
la de distribuição. Anexo III, e pela
respectiva discussão, o Membro
Lontra é caracterizado por diversas
espécies restritas de Chitinozoa.
Acritarcha
A distribuição dos Leiofusidae no
Membro Lontra encontra-se indi-
Volume 1 (Geociências)
245
cada na tabela, Anexo IV, e na cor-
respondente discussão.
Além dos Leiofusidae, encontra-
mos no Membro Lontra ainda re-
presentantes dos gêneros Baltis-
phaeridium, Micrhystriãium e Ve-
ryhachium, cuja distribuição, nas
seções do rio Urubu e do poço
NO-3-AZ, é encontrada nas tabe-
las de Lange (1963 b e 1963 c, re-
latórios inéditos).
Esporomofos
No poço AM-l-AZ, único até ago-
ra submetido à análise palinológi-
ca, a seção do Membro Lontra não
foi testemunhada. Os esporomor-
fos recuperados de amostras dês-
te membro de outras seções até
agora não foram determinados.
Outros Microfósseis
Nas amostras do Membro Lontra
temos encontrado escolecodontes,
fragmentos de cutícula e pequenos
bastonetes, microfósseis êsses de
reduzido valor estratigráfico.
FORMAÇÃO ERERÉ
1 . Nome e Seção Tipo
A denominação de ereré, para
a segunda unidade estratigráfica
do Devoniano da Bacia do Baixo
Amazonas, foi proposta por Der-
by (1878), o qual a definiu ape-
nas como ocupando “uma área
considerável, na planície central,
entre as montanhas de Ereré”, pas-
sando a se referir aos trabalhos
realizados na região por Hartt e
por Smith. Examinando-se êstes
trabalhos, verifica-se que Hartt
(1870, reimpressão de 1896) apre-
senta a seguinte definição da cha-
pada ao norte de Ereré: “A planí-
cie que fica ao norte está composta
de camadas horizontais de folhe-
lhos arenosos, folhelhos argilosos e
de um quartzito de grão tão fino
que parece jaspe ou pederneira.
Conservam a sua horizontalidade
mesmo a uma pequena distância
do pé da serra”. Nos trabalhos se-
guintes, Hartt (1871 e 1872) re-
fere-se principalmente à litologia,
aos fósseis e à idade das camadas
de Ereré. Em trabalho posterior,
Hartt (1874) apresenta um ma-
pa esquemático da região e descre-
ve algumas localidades fossilíferas
de Ereré. Finalmente em 1898
Hartt apresenta um resumo das
observações anteriores e adiciona
a descrição da seção levantada por
Smith, trabalho êsse ao qual te-
remos oportunidade de nos referir
adiante.
Katzer (1903) dá uma descri-
ção mais detalhada da geologia da
região e adiciona um perfil geoló-
gico entre Monte Alegre e a Ser-
ra de Santa Helena, seção essa
que reproduzimos na anexa Fig. 2;
nesta reprodução modificamos ape-
nas a numeração das unidades a
246
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
fim de as mesmas concordarem
com a da Fig. 1.
Em Oliveira & Leonardos
(1943) a região é definida da se-
guinte forma: “A chapada de Mon-
te Alegre é uma planície cercada
de montanhas, entre as quais se
destacam Ereré, Aroxí, Maxirá,
Paituna, Santa Helena e Itauajurí.
A altitude da planície varia entre
20 a 50 metros. . . De Itauajurí a
nordeste para Ereré a sudoeste,
mede cêrca de 20 km”. Neste tra-
balho ainda se encontra um mapa
e um corte geológico da chapada
de Ereré, desde o rio Amazonas até
a Serra de Itauajurí.
Mapas geológicos e seções encon-
tram-se ainda nos relatórios inédi-
tos do Conselho Nacional do Petró-
leo (Dixon, 1950) e da petrobrás
(Kremer, 1956; Kroemmelbein,
1957).
2. Litologia e Sucessão Estrati-
gráfica
Derby (1878), ao propor a de-
nominação de Ereré, escreve que
esta unidade: “ocupa uma área
considerável, na planície central,
entre as montanhas de Ereré, mas
tão subdividida, desnudada e per-
turbada por deslocações e erupções
de trap, que oferece grandes difi-
culdades ao estudo, dificuldades es-
tas, porém, que foram vencidas
com admirável perspicácia pelo
Sr. Smith que, em 1876, conseguia
fazer uma seção geológica comple-
ta e, por meio de fósseis, provar a
unidade do grupo. O Sr. Smith cal-
culou a espessura total em 50 a
60 metros, dividida entre treze ca-
madas distintas, a maior parte das
quais consiste em grés micáceo, de
grão fino, disposto em leitos folhe-
tados ou xistosos, com camadas su-
bordinadas de folhelho argiloso
prêto. O grés é geralmente bran-
co, ou amarelado; cumpre, porém,
notar que, exposto ao tempo, tor-
na-se avermelhado, e o folhelho do
mesmo modo torna-se branco. Al-
gumas camadas, na base do gru-
po, são muito compactas e de ca-
ráter silicoso (cherty), quebran-
do-se com muita regularidade em
massas de forma cúbica”.
Em trabalhos sucessivos, Hartt
(1870, 1871, 1872) esclarece que a
planície de Ereré é composta por
uma série de arenitos argilosos, fo-
lhelhos e leitos silicosos, camadas
essas que, embora cortadas por
uma rêde de diques de intrusivas,
continuam jazendo em posição ho-
rizontal e não se mostram pertur-
badas, e que aparentemente foram
depositadas em uma bacia, limita-
da pelas serras que circundam a
planície, ao pé das quais as cama-
das devem terminar, uma vez que
não viu evidência de mergulharem
sob as mesmas.
Em trabalho posterior Hartt
(1898) traz um resumo das obser-
vações anteriores e assinala que:
Volume 1 (Geociências)
cn
247
“Devido à horizontalidade geral
das camadas, às suas perturbações
bruscas e locais, e à falta de boas
superfícies expostas, é muito difí-
cil determinar a sucessão das ro-
chas em Ereré”; continua Hartt
que em vista destas dificuldades
incumbiu o Sr. Herbert H. Smith
a fazer um exame cuidadoso do
terreno, e em seguida transcreve o
resultado dêsse levantamento em
que Smith dividiu as camadas de
Ereré em uma sucessão designada
pela série de letras de “A” a “N”.
Abstemo-nos de reproduzir aqui
a referida coluna, uma vez que a
suposta sucessão das camadas, na
interpretação de Smith, não foi ba-
seada no levantamento de uma
seção contínua, mas sim, pelas di-
ficuldades já apontadas, em obser-
vações de afloramentos isolados e
afastados entre si, tendo o próprio
Hartt confessado não lhe ter sido
possível determinar as relações es-
tratigráficas entre os diversos aflo-
ramentos. Também outros autores,
que posteriormente visitaram a
região de Ereré (e. g., Katzer e
Roxo), não conseguiram reconhe-
cer a sucessão sugerida por Smith.
O ponto importante a conside-
rar é que Hartt, em seus trabalhos,
insistiu na horizontalidade das ca-
madas, sugerindo mesmo tratar-se
de depósitos em uma bacia limi-
tada pelas serras que circundam a
planície de Ereré, quando, como
foi amplamente demonstrado por
íELO
11
12
13
14
cm
248
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
trabalhos posteriores, esta região
se apresenta largamente dobrada,
em forma de suave anticlinal ou
domo, em cuja região central, mais
elevada, afloram as camadas mais
antigas, enquanto as camadas
mais recentes encontram-se nos
flancos da planície em posição es-
tratigráfica mais elevada mas to-
pogràficamente mais baixas e mer-
gulham sob as serras visinhas (v.
reprodução do perfil de Katzer,
Fig. anexa n.° 2) Como esta fei-
ção estrutural tinha escapado a
Hartt e Smith, a coluna dêste úl-
timo provàvelmente registra ca-
madas contemporâneas em posi-
ções diferentes, sendo também pro-
vável que Smith inverteu a ordem
de sucessão de algumas das ca-
madas.
Katzer (1903) assinala que as
camadas da planície de Ereré for-
mam uma elevação suavemente ar-
queada, cortada por numerosos di-
ques de diabásio e freqüentemente
perturbadas por falhas, acrescen-
tando não lhe ter sido possível re-
conhecer a sucessão estratigráfica
proposta por Smith. Levando em
consideração a estrutura domifor-
me da região, Katzer faz uma nova
descrição, mais aproximada da
realidade, da seqüência estratigrá-
fica da Formação Ereré. Demons-
tra assim que as camadas que aflo-
ram na região central, mais ele-
vada, da planície, representam efe-
tivamente, devido ao arqueamento.
a base da formação, sendo consti-
tuídas por margas altamente sili-
cificadas (Hornstoqe =r corneíto),
de coloração escura, fratura con-
choidal, as quais, pela sua resis-
tência, formam corredeiras e ca-
choeiras nos rios em que afloram;
estas camadas foram correlaciona-
das com a unidade 4 da coluna do
Rio Maecurú (v. figs. 1 e 2, ane-
xas), e a sua espessura foi estima-
da em 10 m.
Jazendo sôbre as camadas cor-
neanas segue uma série, com aprox.
20 metros de espessura, de areni-
tos escuros, quartzíferos, de matriz
argilosa, com intercalações de fo-
lhelhos escuros, carbonosos a bi-
tuminosos, e, em seguida, o hori-
zonte fossilífero principal da For-
mação Ereré, constituído de areni-
tos finos a siltitos laminados, de
coloração avermelhada (hematí-
tica) predominante, matriz caolí-
nica, mais ou menos micáceos, com
alguns bancos altamente fossilífe-
ros, e cuja espessura total foi es-
timada em 25 metros. Êste hori-
zonte corresponde à unidade 5 das
figuras 1 e 2, e representa o tôpo
da Formação Ereré, uma vez que
acima dêle jazem os folhelhos, pre-
tos da Formação Curuá. (Katzer
não incluiu na sua descrição os fo-
lhelhos variegados e listrados, ca-
mada 7 da Fig. 2, por considerá-
-los como já pertencentes ao Car-
bonífero) .
Volume 1 (Geociências)
249
Em 1956, quando lotados no La-
boratório de Belém, coube-nos exa-
minar as amostras coletadas na re-
gião de Monte Alegre - Ereré pela
equipe Kremer (1956). Tendo an-
teriormente examinado as amos-
tras coletadas nos rios Maecurú e
Curuá, foi-nos possível estabelecer
uma correlação entre estas três
seções (v. Lange, 1956 a); verifi-
ca-se por esta correlação que tanto
as colunas dos rios Maecurú e
Curuá, como a da planície de
Ereré, concordam em suas linhas
gerais com a sucessão estratigrá-
fica descrita por Katzer. Posterior-
mente ainda nos foi possível visitar
os afloramentos de Ereré, quando
tivemos oportunidade de confirmar
as interpretações sôbre a estrutura
e a seqüência das camadas.
Esta sucessão das camadas da
Formação Ereré nem sempre foi
bem compreendida, principalmente
pelos autores que não considera-
ram devidamente as feições es-
truturais resultantes do arquea-
mento da região. Devido a êsse do-
bramento, a parte central da pla-
nície, onde aflora a camada basal,
silicificada, da formação, encontra-
-se em cota igual ou mesmo mais
elevada que a margem da planí-
cie, como, por exemplo, na base da
Serra do Ereré, onde já afloram os
folhelhos pretos pertencentes à
Formação Curuá.
Conforme já mencionamos, Der-
by baseou a sua descrição princi-
palmente nas observações de Hartt
e Smith. Como para êstes últimos
as camadas de Ereré jaziam em po-
sição horizontal, qualquer aflora-
mento isolado, topogràficamente
mais baixo, deveria também cor-
responder a camadas mais baixas
na coluna estratigráfica. Esta in-
terpretação errônea ocasionou a
confusão que se verifica na litera-
tura moderna sôbre a sucessão, a
subdivisão e a idade das formações
superiores do devoniano amazô-
nico. Como êstes enganos vêm sen-
do perpetuados em publicações re-
centes, a sua origem merece ser
esclarecida para, em seguida, se-
rem retificados.
Rathbun (1874) correlacionou os
braquiópodos da Formação Ereré
com formas do Grupo Hamilton,
Devoniano Médio da América do
Norte; no mesmo trabalho, toda-
via, descreveu algumas espécies de
Lingula e uma de Orbiculoidea, en-
contradas em um folhelho prêto
procedente das proximidades do
Igarapé de Ereré, comparando a
última com Orbiculoidea lodensis
Hall dos folhelhos de Genesee, re-
feridos ao Devoniano Superior.
Mais tarde Clarke (1908) estudou
alguns fósseis provenientes de um
folhelho prêto, coletado por Fran-
cisco de Paula Oliveira em um poço
aberto no sopé da Serra do Ereré,
cêrca de 750 metros a sudeste da
Vila Ereré. Pela sua importância,
Clarke assinalou a ocorrência, en-
250
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tre êstes fósseis, de representantes
do braquiópodo Schizobolus trun-
catus Hall, espécie essa só conhe-
cida dos folhelhos Genesee.
Em trabalho posterior Clarke
(1913) confirmou a identidade es-
pecífica e a idade dêste braquió-
podo, acrescentando que nada lhe
fôra comunicado quanto à relação
estratigráfica dêsse folhelho prêto,
do Devoniano Superior, com os
arenitos Ereré, do Devoniano Mé-
dio.
Procurando esclarecer o assunto,
Derby (1913) acrescentou uma
nota ao trabalho de Clarke, expli-
cando que, pela descrição verbal
do Dr. Oliveira e pelas suas pró-
prias recordações, o poço de onde
procedeu o folhelho prêto com
Schizobolus acha-se situado a pou-
cas centenas de metros de distân-
cia da área que forneceu a maioria
dos fósseis do arenito Ereré, em ní-
vel de poucos metros abaixo dessa
área, concluindo que “de modo que
o folhelho prêto parece ser soto-
posto ao arenito ou a ser interca-
lado nêle”. Em seguida, na mesma
nota, Derby refere-se aos esforços
de Hartt e Smith para decifrar a
sucessão estratigráfica das em
parte mal expostas camadas fossi-
líferas da região de Ereré, à então
estabelecida coluna com a apa-
rente sucessão de 14 camadas, de
cuja metade superior provieram os
fósseis descritos dos arenitos Ereré,
e à provável relação estratigráfica
entre os arenitos e os folhelhos da
formação. Conclui Derby que: “O
distrito acha-se cortado por nume-
rosos diques pequenos que suge-
rem fortemente a possibilidade de
falhas que não foram reconhecidas;
estas, no caso de existir, podiam
ter produzido a inversão aparente
da verdadeira ordem paleontoló-
gica, colocando representantes de
uma fauna devoniana superior
abaixo ou misturados com os de
uma fauna devoniana média”. Der-
by achou que eventuais falhas não
teriam deixado de ser registradas
por Smith, mas, em que pese a sua
opinião favorável, não só as falhas,
como também o arqueamento das
camadas, escaparam à observação
do referido técnico.
Moura (1938), ao descrever a
região de Monte Alegre - Ereré, sa-
lienta que: “Não é bem clara a su-
cessão de camadas e os caractéres
paleontológicos obscurecem mais
estas relações, porquanto abaixo
do horizonte em que foi encontra-
da a fauna médio-devoniana o Dr.
Oliveira achou em folhelho prêto,
fósseis típicos do néodevoniano,
correspondendo ao Andar Gene-
see. O mesmo fóssil foi encontrado
pelo Dr. Roxo na planície devo-
niana, na bôca do furo de sonda-
gem, no Campo Malhada Grande,
e só estudos posteriores, com le-
vantamento topográfico detalha-
do da região, localização das ca-
madas fossilíferas e sua coordena-
Volume 1 (Geociências)
251
ção sistemática, com pacientes pes-
quisas de fósseis poderão elucidar
a sucessão de rochas que existem
em afloramento e decidir da colo-
cação nos andares”.
Com respeito à subdivisão do de-
voniano amazônico em andares, o
Dr. Moura cita a divisão em três
grupos — Maecurú, Ereré e Curuá
~ proposta por Derby; na sua des-
crição, conserva a designação de
Maecurú para a unidade basal,
mas, em vista da suposta confu-
são relativa à posição estratigrá-
fica das duas unidades superiores,
Ereré e Curuá, de Derby, e em vir-
tude da referência de ambas ao
Devoniano Médio, propõe englobar
as mesmas sob a designação de
“Andar Curuá”, reservando para o
folhelho prêto com Schizobolus
truncatus, do Devoniano Superior,
o nome de “Andar Ereré”.
Em conseqüência dessa modifi-
cação, a sucessão das três unidades
da coluna devoniana, que durante
60 anos tinha sido empregada com
as denominações, em ordem ascen-
dente, de Maecurú-Ereré-e-Curuá,
ficou invertida, com respeito às
Unidades superiores, passando-se a
usar, a partir de 1938, a seqüência
Maecurú-Curuá-Ereré.
Há a acrescentar ainda que
muitos autores, que não se deram
ao trabalho de averiguar a origem
desta inversão e que apenas se ba-
searam na suposta semelhança ou
mistura das faunas Ereré e Curuá,
eliminaram mesmo inteiramente o
têrmo Ereré da coluna devoniana
da bacia, passando a considerar a
mesma como consistindo somente
das formações Maecurú e Curuá,
com a agravante de que, enquanto
Moura (1938) incorporara a fauna
Ereré no seu Andar Curuá, em
muitos trabalhos a correspondente
seção litológica do Ereré passou
a ser incluída na Formação Mae-
curú. Essa confusão culminou com
o recente trabalho de Ludwig
(1964), 0 qual eliminou também a
designação de Maecurú da coluna,
propondo uma nova divisão, na
qual as seções litológicas do Mae-
curú e do Ereré passam a figurar
sob a denominação de “Formação
Trombetas Superior”.
Reportando-nos à sucessão das
camadas e à estrutura da planície
de Ereré, atrás resumidas, verifica-
mos que na região central do ar-
queamento afloram as camadas si-
licosas basais da Formação Ereré
(Unidade 4 da Fig. 2), subindo-se
gradativamente na coluna estrati-
gráfica à medida que se desce topo-
gràficamente para as margens,
principalmente para o sul, em di-
reção à Serra do Ereré. Segundo
Moura (1938), nas Águas Sulfuro-
sas, onde afloram as camadas ba-
sais, a altitude é de 12 metros, e
de 8 a 10 metros nos campos de
Ereré, na região de afloramento
dos arenitos fossilí feros, estrati-
gràficamente superpostos. De acôr-
252
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
do com a descrição das sondagens
na planície de Ereré, a bôca do
poço n.o 78, localizado logo ao sul
das Águas Sulfurosas, está na al-
titude de 24,56 metros, enquanto o .
poço aberto para pesquisa de car-
vão e do qual o Dr. Oliveira retirou
as amostras de folhelho prêto com
Schizobolus, segundo Roxo (1930),
encontra-se a cêrca de 750 metros
a sudeste da Vila de Ereré, no sopé
da Serra do Ereré, na cota de
23,82 m, isto é, topogràficamente
um pouco mais baixo que a região
central.
Compreende-se, agora, porque
Derby (1913), admitindo a hori-
zontalidade das camadas preconi-
zada por Hartt, e considerando o
desnível entre os afloramentos fos-
silíferos, foi levado a admitir o fo-
lhelho como sotoposto ou interca-
lado no arenito, quando em ver-
dade êste folhelho prêto se encon-
tra estratigràficamente acima do
arenito Ereré e já pertence à For-
mação Curuá, como bem demons-
tram os cortes geológicos apresen-
tados por Katzer e por Oliveira &
Leonardos. Aliás, a sucessão das
camadas Maecurú-Ereré-Curuá en-
contra-se claramente evidenciada
nos rios Maecurú e Curuá, sem as
perturbações estruturais que se
verificam na região de Ereré.
Levando na devida consideração
todos os fatos acima apontados, so-
mos de opinião de que deve ser
mantida a ordem e a denominação
das formações como propostas por
Derby (1878), conservando-se o
têrmo Ereré, na sua concepção
original, para designar a formação
intermediária entre a Formação
Maecurú, basal, e a Formação
Curuá, unidade superior da coluna
devoniana da Bacia do Baixo Ama-
zonas.
Aceitas estas considerações, a
referida coluna voltará então a ser
constituída por três unidades, na
ordem ascendente de Maecurú-
Ereré-Curuá, em conformidade
com a classificação primitiva.
Restabelecida, desta forma, a de-
nominação da Formação Ereré as-
sim como a sua posição na coluna
estratigráfica, podemos voltar à
análise mais detalhada da sua li-
tologia e da sua subdivisão.
Derby (1878), ao definir a For-
mação Ereré, assinalou que a base
da formação é constituída de ca-
madas muito compactas e de ca-
ráter silicoso (cherty); posterior-
mente, o mesmo autor (Derby,
1897) descreveu a ocorrência de
uma camada de chert semelhante,
e ocupando a mesma posição es-
tratigráfica, na seção devoniana
do Rio Maecurú, e Smith (1879)
refere-se a camadas correlacioná-
veis no Rio Curuá. Esta é a camada
que Katzer (1903) destacou como
4.^ unidade, sob a designação de
“Hornstein” (corneíta ou cornea-
na), na seção do Rio Maecurú,
descrevendo com mais detalhe os
Volume 1 (Geociências)
253
seus afloramentos na planície de
Ereré.
Levantamentos posteriores reve-
laram que a mesma unidade ocorre
em idêntica posição estratigráfica
também em diversos outros rios do
flanco norte, tendo também sido
identificada por sondagens na
parte central da bacia. Em vista da
sua larga distribuição geográfica e
da persistência dos seus caracteres
litológicos, essas camadas repre-
sentam um excelente horizonte-
guia para determinar a base da
formação, horizonte êsse que me-
rece ser destacado como unidade
basal autônoma da base da For-
niação Ereré e para a qual propo-
mos aqui a denominação de Mem-
bro Cachoeira, adiante definido.
a) M emb r o Cachoeira
1. Nome e Seção Tipo
Designamos como localidade
tipo, na planície de Ereré, Estado
do Pará, o afloramento de cama-
das corneanas ao norte das águas
sulfurosas, mais precisamente um
quilômetro a noroeste do poço nú-
mero 78, local em que a estrada de
Monte Alegre ao Campo Agrícola
atravessa o Rio Cachoeira. O nome
dêste rio foi utilizado para deno-
minar a nova unidade, designação
essa aliás bastante apropriada visto
que as camadas silicificadas, pela
sua maior resistência ao desgaste.
costumam formar cachoeiras nos
cursos dos rios em que afloram.
2 . Litologia
Na localidade tipo, bem como em
outras ocorrências de Ereré, o
principal componente do Membro
Cachoeira consiste de uma rocha
amorfa, silicificada, com aspecto
de jaspe ou corneíta, de coloração
cinza escura que se torna cinzento
avermelhada nas superfícies alte-
radas; a rocha é bastante densa,
com fratura conchoidal e disjunção
em blocos, apresentando-se em ca-
madas delgadas, de 20 a 50 centí-
metros de espessura, intercalando
folhelhos e siltitos argilosos lami-
nados, também parcialmente sili-
cificados.
Litologia semelhante é encontra-
da nas demais localidades da ba-
cia em que aflora a unidade. Na
subsuperfície, o Membro Cachoeira
encontra-se representado por silex
ou pederneira, por siltitos argilo-
sos silicificados, ou então por are-
nitos quartzíticos, caracterizados
na perfilagem dos poços por curvas
de baixa radioatividade e de ele-
vada resistividade (v. perfil, Anexo
II).
3 . Distribuição e Espessura
Na planície de Ereré, além da lo-
calidade tipo no Rio Cachoeira,
afloramentos de camadas do mem-
254
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
bro foram constatados no Igarapé
Cachoeirinha e no corrego Airí. No
flanco norte da bacia o Membro
Cachoeira apresenta uma larga
distribuição, tendo a sua ocorrên-
cia sido registrada desde a margem
ocidental, nos rios Uatumã, Capu-
capú, e Jatapú, nos rios Curuá e
Maecurú na região central, até o
Rio Cajarí, no extremo oriental da
faixa de afloramentos.
As camadas silicificadas se es-
tendem para o centro da bacia,
tendo, entre outros, sido encontra-
das nos poços de Autás Mirim, de
Nova Olinda, e no PEst-2-AM
(Prêta da Eva) .
No flanco sul da bacia ainda não
foi constatada a ocorrência dos
leitos silicificados do Membro Ca-
choeira, sendo possível que, a
exemplo do que ocorre com a For-
mação Maecurú, também êstes lei-
tos basais da Formação Ereré ter-
minem em cunha antes de atingir
a faixa de afloramentos, encon-
trando-se aí apenas a parte supe-
rior desta formação.
A espessura do membro, tanto
em Ereré como no Rio Maecurú, é
de aproximadamente 10 metros.
Na subsuperfície, na ausência de
uma testemunhagem contínua,
não foi possível precisar a espes-
sura total atingida pelo Membro
Cachoeira. No poço AM-l-AZ as
curvas da perfilagem elétrica indi-
cam uma espessura de aproxima-
damente 28 metros, no intervalo de
1.390 a 1.418 metros de profundi-
dade (vide perfil. Anexo II) .
4. Relações Estratigráficas
Conforme já fôra definido por
Derby, êste membro basal da For-
mação Ereré ocorre imediatamente
sobreposto ao arenito fossilífero
Lontra da Formação Maecurú,
sendo por sua vez capeado pelos
siltitos e folhelhos do Membro Ari-
ramba, adiante definido.
5 . Origem
O ambiente deposicional mari-
nho do membro encontra-se evi-
denciado pelo seu conteúdo fossi-
lífero. Ainda não foi bem esclareci-
da a origem da silica que empresta
cunho tão característico às cama-
das Cachoeira; a acentuada silici-
ficação, e a sua larga distribuição,
podem eventualmente encontrar-se
relacionadas a extrusões magmáti-
cas submarinas.
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
Segundo Hartt (1898), as cama-
das folhetadas do Membro Ca-
choeira contém algumas formas
semelhantes às que ocorrem nos
horizontes fossilíferos Ariramba.
Até agora só encontramos nas
mesmas, pistas e perfuração atri-
buíveis a vermes.
Volume 1 (Geociências)
255
b) Microfósseis
Chitinozoa
Conforme se verifica pela tabela,
o Membro Cachoeira é caracteri-
zado por diversas espécies de Chi-
tinozoa, entre as quais algumas de
distribuição restrita a esta uni-
dade.
De uma amostra de arenito sili-
cificado do Membro Cachoeira, co-
letada na Cachoeira da Porteira
do rio Jatapú, por Costa (1965,
amostra n.° 5) , Sommer & van
Boekel descrevem a ocorrência dos
seguintes quitinozoários: Ancyro-
chitina cornigera Collinson &
Scott, Angochitina devonica Eis.,
e Sphaercchitina collinsoni Dunn.
Acritarcha
Pela tabela de distribuição de
Leiofusidae, Anexo IV, verifica-se
que o Membro Cachoeira encon-
tra-se bem definido pelo limite in-
ferior de uma série de formas.
Esta tabela também demonstra o
acêrto em considerar o Cachoeira
como membro basal da Formação
Ereré, e não como tôpo da Forma-
ção Maecurú, pois nenhuma das es-
pécies desta última formação che-
ga a penetrar no Cachoeira, en-
quanto grande parte das formas
dêste membro estende-se para
cima, demonstrando associação
hiais íntima com as unidades su-
perpostas. O fato mais notável é
a brusca quebra da sucessão fau-
nística entre as formações Mae-
curú e Ereré, as quais, sob a de-
signação de membros Jatapú e Ari-
ramba, foram durante algum tem-
po, em relatórios recentes, reuni-
dos em uma só formação.
Além dos Leiofusidae, encontra-
mos no Membro Cachoeira nume-
rosos representantes dos gêneros
Baltisphaeriãium, Cymatiosphae-
ra, Dictyotidium, Micrhystridium,
Polyedryxium e Veryhachium.
Outros Microfósseis
Esporomorfos
Conforme já foi mencionado, a
distribuição dos esporomorfos na
bacia até agora só foi analisada sis-
tematicamente em uma única se-
ção (poço AM-l-AZ) , havendo ne-
cessidade de se examinar um maior
número de perfis a fim de se po-
der avaliar o valor prático dêsses
microfósseis para o zoneamento e
para as correlações estratigráficas.
Da acima referida amostra n.° 5
de Costa (1965), procedente do
rio Jatapú, Sommer & van Boe-
kel registram a ocorrência e in-
dicam a distribuição conhecida dos
seguintes gêneros: Archaeotriletes
(Devoniano Médio), Hymenozono-
triletes (a partir do Devoniano Mé-
dio) , Leiotriletes (Devoniano Supe-
rior), e Calamospora (Devoniano).
Além dos esporomorfos, encon-
tramos nas camadas do Membro
256
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Cachoeira alguns escolecodontes e
fragmentos de cutícula.
b) M e mb r 0 Ar ir amb a
1 . Nome, Seção Tipo e Litologia
Segundo a definição da Forma-
ção Ereré por Derby (1878), as
camadas da mesma consistem na
sua maior parte de arenito micá-
ceo, de granulação fina, disposto
em leitos folhetados ou xistosos,
com camadas subordinadas de fo-
lhelho argiloso, e com leitos sili-
cosos na base. Na descrição acima
destacamos êstes últimos como
Membro Cachoeira e, na discussão
inicial dêste capítulo, demonstra-
mos que os folhelhos pretos super-
postos aos arenitos já pertencem
à Formação Curuá. Resta, portan-
to, da Formação Ereré, além do
Membro Cachoeira, a seqüência de
arenitos micáceos e siltitos com lei-
tos de folhelhos intercalados.
Quando da discussão sôbre a
subdivisão da Formação Mae-
curú mencionamos que Bischoff
(1957, inédito) propôs o nome
“Ariramba” para um membro con-
siderado como unidade de transi-
ção entre os arenitos Maecurú e
os folhelhos Curuá, e isto porque,
na época, já não constava da colu-
na a Formação Ereré, à qual, em
litologia, posição estratigráfica, e
conteúdo fossilífero corresponde o
Membro Ariramba, pelo menos em
parte, conforme revisão que se se-
gue.
Em dois relatórios seguidos da
Petrobrás, ambos inéditos, Bis-
choff (1957 a e 1957 b) definiu
o Membro Ariramba como exposto
ao longo de 15 km do rio Ariram-
ba, afluente do Erepecurú, Estado
do Pará, e consistindo, em ordem
ascendente, de 50 m de siltito com
lentes de arenito, seguido de um
banco de 1 a 3 metros de espessu-
ra de arenito médio a fino, fossi-
lífero, contendo fauna igual à des-
crita do arenito Maecurú, motivo
porque incluiu todo o Membro Ari-
ramba na Formação Maecurú. Ti-
vemos oportunidade de examinar
as amostras de Bischoff e consta-
tamos a procedência da correlação
da fauna dêste banco de arenito
com a do Maecurú; por êste moti-
vo concluímos que na seção do rio
Ariramba o citado banco de are-
nito fossilífero (amostra GOB-8)
representa o Membro Lontra da
Formação Maecurú, ficando a For-
mação Ereré, neste rio, restrita à
seção superposta, também ainda
incluída na descrição do Membro
Ariramba por Bischoff, a saber:
acima dêste arenito fossilífero
Lontra — Maecurú a seção do Ari-
ramba continua com siltitos cin-
za contendo pequenas lentes argi-
losas, com espessura de 50 metros,
0 tôpo do membro sendo constituí-
Volume 1 (Geociências)
257
do por um banco com 10 metros de
espessura de arenito fino contendo
Spirifer (amostra GOB-11).
Esta última seção, constituída
de siltitos capeados por um areni-
to, corresponde aos afloramentos
compreendidos entre as estações
120 e 202 do mapa Ariramba de
Bischoff. No correspondente rela-
tório não se encontra referência
aos leitos basais silicificados do
Membro Cachoeira, tão comuns nos
outros rios do flanco norte da ba-
cia; como Bischoff não coletou
amostras na parte inferior da For-
mação Ereré, não possuímos ele-
mentos para determinar se êste
membro efetivamente não está re-
presentado neste rio, ou se as suas
camadas, por falta de afloramen-
to, escaparam à observação.
Em todo caso, a seção tipo do
membro no rio Ariramba fica res-
trita aos siltitos escuros com lei-
tos argilosos e aos arenitos fossilí-
feros da capa.
Para a região de Ereré — desde
que a seqüência das camadas indi-
cada por Smith parece não corres-
ponder à verdadeira ordem na su-
cessão estratigráfica — a melhor
descrição foi dada por Katzer ....
(1903), cuja descrição resumimos
abaixo, em ordem descendente,
acrescentando as correspondentes
unidades, a saber;
4 . na capa, folhelhos pretos
(Formação Curuá) ;
3. arenitos finos a siltitos lami-
nados, avermelhados, hori-
zonte fossilífero principal da
Fm. Ereré (Mb. Ariramba) ;
2 . arenitos escuros com interca-
lação de folhelhos (Mb. Ari-
ramba) ;
1. camadas silicificadas (Mb.
Cachoeira, Fm. Ereré).
No “Estudo da Bacia” (Bou-
MAN et al., 1960) , o Membro Ari-
ramba foi descrito como consistin-
do principalmente de siltito, com
intercalações de folhelhos escuros
e com arenitos finos subordinados,
a seção sendo micácea em tôda a
sua extensão. Verificou-se também
uma gradual mudança de fácies, de
oeste para leste, onde o membro
se torna mais síltico-arenoso, en-
quanto na região central, mais
profunda, da bacia, aumenta o ín-
dice de argila.
Na perfilagem dos poços a curva
de raios-gama do Membro Ariram-
ba apresenta uma posição interme-
diária entre a elevada radioativi-
dade dos Folhelhos Barreirinha e
a seção pouco radioativa, mas de
maior resistividade, do Membro Ca-
choeira.
2. Distribuição
O membro superior da Formação
Ereré encontra-se em tôda a exten-
258
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
são das faixas de afloramento, em
ambos os flancos da bacia, bem
como na subsuperficie, ao longo de
tôda a bacia sedimentar.
3. Espessura
A espessura do membro, na se-
ção tipo do rio Ariramba, foi cal-
culada em 50 metros de siltitos e
10 metros de arenitos. Pela descri-
ção de Katzer, a unidade na região
de Ereré não ultrapassa a espessura
de 45 metros. No poço AM-l-AZ
(perfil. Anexo II) o membro se
apresenta com uma espessura de
73 metros, no intervalo de 1.317 a
1 . 390 m de profundidade, e no poço
NO-3-AZ com um total de 137 me-
tros, no intervalo de 2 . 806 a 2 . 943
metros.
4. Relações Estratigráficas
Jazendo em contato normal sô-
bre os leitos silicosos do Membro
Cachoeira, o Membro Ariramba é
por sua vez coberto em aparente
concordância pelos folhelhos da
Formação Curuá.
5. Origem
Os fósseis encontrados nos leitos
Ariramba evidenciam a sua origem
marinha; a litologia e a estrutura
dêstes leitos sugerem deposição em
zona infraneritica.
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
O Membro Ariramba em certos
leitos é abundantemente fossilífe-
ro e contém a clássica fauna Ere-
ré, descrita por Hartt, Rathbun,
Katzer, e Clarke, representada por
braquiópodos, gastropodos, peleci-
podos e trilobitas. No capitulo re-
lativo à idade das formações devo-
nianas trataremos com mais deta-
lhe da associação faunistica dêste
membro.
b) Microfósseis
Chitinozoa
Pela tabela anexa e pela corres-
pondente discussão verifica-se que
0 Membro Ariramba apresenta a
sua base bem definida pelo limite
inferior de extensão de 7 espécies
de quitinozoários, constatando-se
também que a maioria das espécies
dêste membro estende-se para
cima, penetrando na Formação
Curuá.
Acritarcha
A tabela de Leiofusidae demons-
tra que 2 espécies definem a base
do membro, 4 encontram-se restri-
tas ao mesmo, 8 procedem do Ca-
choeira, e as demais penetram na
Formação Curuá.
Volume 1 (Geociências)
259
Além dos Leiofusidae, encontra-
mos ainda no Membro Ariramba
representantes de Baltisphaeri-
dium, Cymatiosphaera, Micrhys-
tridium, Polyedryxium e Veryha-
chium.
Esporomorfos
A maioria dos esporomorfos re-
cuperados neste laboratório das ca-
madas Ariramba ainda não foi de-
terminada sistemàticamente. Som-
Mer & VAN Boekel (1963 a) des-
creveram a nova espécie Tasmani-
tes erichseni de uma amostra da
profundidade de 333,45 metros da
Sondagem 56 de Bom Jardim,
amostra essa que provàvelmente
pertence ao Membro Ariramba da
Formação Ereré.
Outros Microfósseis
Em camadas dêste membro te-
mos encontrado representantes de
Ostracoda, escolecodontes e co-
nodontes, todos por demais raros
para servirem de elemento de cor-
^■elação ou subdivisão bioestratigrá-
fica do Ariramba.
FORMAÇÃO CURUÁ
1 . Nome e Seção Tipo
A denominação de curuâ foi
proposta por Derby (1878) para
os folhelhos que constituem a uni-
dade superior da coluna devoniana
da Bacia do Baixo Amazonas. O
nome foi derivado da ocorrência
dêstes folhelhos no rio Curuâ, Es-
tado do Pará, sem que neste tra-
balho fôsse indicada a seção tipo.
Smith (1879), na sua descrição
do rio Curuâ limita-se a indicar a
sucessão das camadas, em nota de
rodapé, sem detalhar as localidades
de afloramento.
Katzer (1903) apresenta ape-
nas um resumo dos levantamentos
geológicos realizados no rio Curuâ,
e por falta de bases paleontológi-
cas, refere ao Carbonífero a parte
superior dêstes folhelhos, agora
identificados como devonianos.
Uma boa descrição da seqüência
devoniana do rio Curuâ é encontra-
da em Albuquerque (1922) e em
Moura (1938).
Posteriormente este rio foi le-
vantado por Krause (1955, iné-
dito) cabendo-nos examinar as
amostras então coletadas. Em base
dêstes trabalhos verifica-se que no
rio Curuâ os folhelhos desta for-
mação encontram-se superpostos
aos siltitos da Formação Ereré,
cêrca de um quilômetro a jusante
da ilha Cachoeirinha, na altura
da estação n.° 100/104 do mapa
Krause, desenvolvendo-se rio abai-
xo até as proximidades de Limão
(aprox. estação 145) ; o exame das
amostras revela que na estação
Krause-148, um pouco a montante
da ilha Martinica, já se encontram
260
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
os arenitos carboníferos Monte Ale-
gre capeando os folhelhos Curuá.
A seção tipo da formação encon-
tra-se, portanto, limitada entre as
acima citadas localidades.
2. Litologia e Subdivisão
Segundo definição de Derby . . .
(1878), a parte inferior da Forma-
ção Curuá consiste de folhelhos
pretos, bem laminados, quase ar-
dosianos, contendo na sua parte in-
ferior concreções arenosas e de cal-
cário prêto-azulado; acima dêstes
folhelhos pretos desenvolvem-se
folhelhos avermelhados a variega-
dos, consideràvelmente micáceos,
incluindo na sua parte superior lei-
tos mais arenosos e mesmo delga-
das camadas de arenito.
Posteriormente a Formação
Curuá foi investigada com mais de-
talhe, na maioria dos afluentes do
Baixo Amazonas e, principalmen-
te, nas seções atravessadas pelas
sondagens, constatando-se que nes-
tas, praticadas na região central,
mais profunda, da bacia, a forma-
ção, além de apresentar maior es-
pessura, incorporava a sua parte
superior unidades litológicas adi-
cionais, desconhecidas de aflora-
mentos. Nos relatórios internos da
PETROBRÁs estas unidades superio-
res passaram a ser englobadas sob
a designação de “Curuá Superior”,
considerando-se como “Curuá In-
ferior” a seção em parte já conhe-
cida pelos afloramentos nos flan-
cos da bacia.
Os resultados das pesquisas en-
contram-se consubstanciadas nos
relatórios inéditos de Wooldridge
(1960) e de Bouman, Mesner &
Padden (1960 = Estudo da Bacia),
nos quais, em base da litologia e
das características da perfilagem
dos poços, a formação se encontra
subdividida da seguinte forma, em
ordem descendente:
CURUÁ superior:
5 — “Blanket Shale Unit”
4 — “Clean Sand Unit”
CURUÁ inferior:
3 — “Rafted Pebble Unit”
2 — “Spirophyton Unit”
1 — “Radioactivo Shale Unit”.
Damos a seguir a definição resu-
mida destas unidades, seguindo a
descrição dada nos relatórios dos
acima-citados autores.
Blanket Shale Unit: Folhelhos ma-
cios e físseis, cinza a cinza-
escuro, piritosos.
Clean Sand Unit: Arenito de grãos
bem arredondados, limpos, ci-
mentação silicosa, geralmente
porosos, intercalando leitos de
folhelho e de siltito.
Volume 1 (Geociências)
261
Rafted Pebble Unit: Folhelhos cin-
za-escuros a pretos, com silti-
tos intercalados na parte supe-
rior, abaixo dos quais a unida-
de é caracterizada pela inclu-
são de numerosos seixos trans-
portados, de origem glacial (ti-
lito) .
Spirophyton Unit: Folhelho cinza-
-escuro a prêto, geralmente
micáceo, caracterizado pela
ocorrência de impressões de
Spirophyton, localmente in-
cluindo siltitos e arenitos síl-
ticos.
Radioactive Shale Unit: A unida-
de basal consiste de folhelho
marrom-escuro a prêto, físsil,
carbonoso a betuminoso, com
abundantes esporomorfos; na
perfilagem dos poços êste fo-
lhelho é caracterizado por uma
radioatividade muito elevada.
Ludwig (1964), em base das pe-
quenas estruturas internas dos
sedimentos, considerou os supostos
tilitos do Rafted Pebble Unit como
representando turbiditos. No mes-
hio trabalho, Ludwig propôs uma
nova divisão da coluna, na qual
consta um “Grupo Curuá”, com
três formações, igualmente deno-
minadas Curuá (Inferior, Médio, e
Superior), cada uma ainda subdi-
vidida em membros sem designa-
ção própria. Como o emprêgo do
mesmo têrmo — Curuá — para ca-
tegorias diferentes, isto é, para
grupo e para formação, é contrário
ao estatuído no Art. 11. c e Art. 16.d
do Código de Nomenclatura Estra-
tigráfica (1961), esta nova divisão,
da forma como foi proposta, não
pode ser acolhida.
Salvo uma única exceção, pelo
que nos foi possível verificar, nas
faixas de afloramento, em ambos
os flancos da bacia, encontram-se
expostas apenas as duas unidades
basais: os folhelhos radioativos e
os folhelhos com Spirophyton. En-
contramos a única referência a um
afloramento da unidade “Rafted
Pebble” no relatório em que Ro-
BERTs (1960, inédito) descreve a
geologia do Igarapé Curiri, afluen-
te do rio Urupadi. As demais ocor-
rências desta unidade, bem como
as das unidades superiores, são co-
nhecidas apenas de sondagens.
As diferentes denominações das
unidades nos citados relatórios de
Wooldridge e de Bouman et al. são
meramente litológicas e, em con-
seqüência, informais (Art. 7 letra n
do Código). Para sanar esta defi-
ciência e para facilitar futuras cor-
relações, julgamos oportuno reva-
lidar as designações geográficas
existentes na literatura, e, para os
casos omissos, propor novas desig-
nações formais.
Neste sentido, verifica-se que
apenas a unidade basal, “Radioac-
tive Shale”, possui a designação
262
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
formal de barreirinha, proposta
por Carvalho (1926); para a se-
gunda unidade, “Spirophyton Sha-
le”, existe a designação de panacú,
utilizada de forma provisória por
Derby (1897) e que propomos re-
validar; para a terceira unidade,
“Rafted Pebble”, propomos a desig-
nação formal de curiri, único lo-
cal em que o seu afloramento foi
registrado; para o chamado Curuá
Superior (Blanket Shale e Clean
Sand), conhecido apenas por son-
dagens, propomos a designação de
FARO, baseada na região de loca-
lização dos poços em que esta uni-
dade apresenta o seu maior desen-
volvimento.
Desde que, pelos motivos expos-
tos, o Curuá é aqui tratado como
categoria de formação, as unida-
des em que foi subdividido corres-
pondem a membros, descritos a se-
guir, em ordem ascendente.
a) Membro Barreirinha
1 . Nome e Seção Tipo
Carvalho (1926), ao descrever
a geologia do rio Tapajós, assinala
que na margem direita dêste rio,
“acima do local denominado Paui-
nim, aparece o primeiro aflora-
mento de folhelho cinzento que se
estende nesta margem até a bôca
do rio Tapacuré-assú. Para facili-
tar a exposição, passaremos a cha-
mar êste folhelho, que às vêzes se
torna betuminoso, de “Folhelho de
Barreirinha”, por ser nesta locali-
dade o último ponto em que êle
aparece a montante”. Em vista dis-
so, cabe ao Dr. Paulino Franco de
Carvalho a autoria da designação
formal de Barreirinha para esta
unidade estratigráfica.
Em trabalhos anteriores, Hartt
(1870, 1872), e Katzer (1903) já
se tinham referido aos folhelhos
fossiliferos dos arredores de Bar-
reirinha, camadas essas que, no en-
tanto, consideraram como perten-
centes ainda às formações do Car-
bonifero. Carvalho (1926) se re-
fere a estas interpretações, mas
conclui que Derby e Clarke, em
base da presença de Spirophyton
nos Folhelhos Barreirinha, referi-
ram os mesmos ao Devoniano.
Coube a Moura (1932) fixar de-
finitivamente a idade devoniana
dos Folhelhos Barreirinha e a sua
referência à Formação Curuá, em
base dos fósseis encontrados em
afloramentos dêstes folhelhos no
Igarapé de São Florêncio, afluen-
te do Tapajós. No mesmo trabalho
o Dr. Moura também dá uma des-
crição detalhada dos afloramentos
do Membro Barreirinha no rio Ta-
pajós e em outros tributários.
Nos relatórios da petrobrás esta
unidade tem sido designada “Ra-
dioactive Shale”, mas como se tra-
ta de designação litológica, infor-
mal, propomos revalidar a denomi-
nação de Barreirinha para êste
membro.
Volume 1 (Geociências)
263
2. Litologia
Dkrby (1878), ao definir a For-
mação Curuá, assinala que a par-
te inferior desta formação — cor-
respondente ao Membro Barreiri-
nha — consiste de folhelhos pretos,
bem laminados, tendo quase a es-
trutura de ardósia, e contendo nu-
merosas concreções de calcário
azulado, quase prêto, com estrutu-
ra de “cone-in-cone” bem desenvol-
vida e que exalam forte cheiro de
petróleo ao choque do martelo; nos
mesmos folhelhos ocorrem também
concreções arenosas.
Katzer (1903) apresenta uma
detalhada análise dessas concre-
ções. As amostras por nós exami-
nadas consistem quase que exclu-
sivamente de folhelho prêto, car-
bonoso a betuminoso, finamente
laminado, bem litificado, fissil,
contendo pirita, e com grande
quantidade de esporomorfos que,
em algumas amostras, cobrem prà-
ticamente tôda a superfície de de-
terminados planos de estratifica-
ção. Além das já citadas concre-
ções calcárias e arenosas, encon-
tram-se localmente delgadas inter-
calações de síltito laminado.
Os mesmos característicos são
encontrados na subsuperfície, em
sondagens. Na perfilagem dos po-
ços os Folhelhos Barreirinha são
caracterizados por uma radioativi-
dade muito elevada, e simultâneo
aumento da curva de resistividade.
características essas que permitem
uma fácil identificação da unidade.
3 . Distribuição e Espessura
O Membro Barreirinha tem am-
pla distribuição ao longo das fai-
xas de afloramentos, em ambos os
flancos da bacia. No flanco norte
êste membro corresponde ao que
Albuquerque (1922) denominou
de “folhelhos ardosianos negros”,
descrevendo os seus afloramentos
desde o rio Urubu até o rio Curuá.
Derby (1878, 1897, 1898, 1913) des-
creveu os folhelhos pretos dos rios
Trombetas, Curuá, Maecurú, e da
planície de Ereré.
Para leste, a faixa de afloramen-
tos do flanco norte dêstes folhe-
lhos se estende até o rio Braço do
Cajari, passando daí a ser enco-
berta pela transgressão de sedi-
mentos terciários.
No flanco sul, o Membro Barrei-
rinha se estende do oeste, desde o
rio Parauari, de onde os folhelhos
pretos ardosianos foram descritos
por Oliveira (1926), até o rio Xin-
gu, no extremo oriental do baixo
Amazonas (Oliveira, 1928, e Leite,
1958, inédito).
Na subsuperfície o membro se es-
tende por mais de 1.100 km, em
forma de oval alongado, desde o
Arco de Gurupá até um pouco a
oeste do poço Iost-1-AM (Igarapé
do Paratarazinho) .
264
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Para os afloramentos do Mem-
bro Barreirinha nos flancos da ba-
cia alguns relatórios indicam es-
pessura acima de 100 metros, o que,
no entanto, tem que ser aceito com
reservas, pois as maiores espessu-
ras encontradas nas partes mais
profundas da bacia raramente
atingem ou ultrapassam êsse va-
lor. Uma das maiores espessuras
foi encontrada com 123 metros, no
intervalo de 2.855 a 2.978 m de
profundidade, no poço LFst-l-AM
(Lago do Faro — v. perfil, Ane-
xo II). Nos poços da seção Urubu
— Urupadí, as espessuras do Bar-
reirinha são as seguintes:
AM-l-AZ = 35 m, NO-3-AZ = 70 m,
RX-2-AZ = 65 metros.
4. Relações Estratigráficas
Os folhelhos pretos do Membro
Barreirinha jazem em contato nor-
mal sôbre os siltitos e folhelhos do
Membro Ariramba da Formação
Ereré, passando no seu tôpo nor-
malmente aos folhelhos cinzas a
variegados do Membro Panacú.
5. Origem
Os fósseis encontrados nos Fo-
lhelhos Barreirinha evidenciam a
sua origem marinha. No “Estudo
da Bacia” (Bouman et al., 1960)
é indicado ambiente redutor res-
trito em bacia subsidente profun-
da; segundo Ludwig (1964) tra-
ta-se de depósitos batiais.
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
Dos Folhelhos Barreirinha do
rio Tapajós Hartt (1870 e 1872)
menciona a ocorrência de espinhas
de peixe, moluscos, restos de plan-
tas e cápsulas de esporos. Derby
(1878) refere-se à ocorrência de
Spirophyton nestes folhelhos.
Dos Folhelhos Barreirinha da
planície de Ereré Rathbun (1874)
descreveu os seguintes braquiópo-
dos: Orbiculoidea lodensis Hall,
Lingula gracana Rathbun e Lin-
gula stautoniana Rathbun. De
amostras do mesmo folhelho prê-
to, do sopé da Serra do Ereré,
Clarke (1908 e 1913) descreveu
o braquiópodo Schizobolus trunca-
tus Hall, os pelecípodos Nuculites
parai e Palaeoneilo sculptilis, am-
bas espécies novas, e um fragmen-
to de gasterópodo semelhante a
Loxonema, observando ainda que
todos os fragmentos de folhelho se
acham carregados de esporos ve-
getais. Roxo (1930) relaciona uma
série de fósseis encontrados nos fo-
lhelhos pretos de um poço aberto
para água, no local da sondagem
84, em Malhada Grande.
b) Microfósseis
Chitinozoa
Há alguns anos descrevemos
duas espécies de Chitinozoa {Lage.
nochitina avelinoi e Angochitina
Volume 1 (Geociências)
mourai (Lange, 1952) dos Folhe-
lhos Barreirinha do Paredão Ta-
jaquara, rio Tapajós. Em uma
amostra dos mesmos folhelhos, co-
letada na Lage de Macauari, no rio
Jatapú, por Costa (1965, amos-
tra n.o 9), Sommer & Van Boekel
encontraram representantes de
Desmochitina sommeri Lange, . . .
1952 (os mencionados autores se-
guem o engano de Crignani &
Mantovani (1964) ao referirem
esta espécie a Lagenochitina) . Na
tabela. Anexo III, encontra-se in-
dicada a distribuição dos Chitino-
zoa no Membro Barreirinha da se-
ção Urubu — Urupadi, a forma
mais característica dêste membro
sendo C-125.
Acritarcha
A tabela anexa indica a distri-
buição dos Leiofusidae no Membro
Barreirinha. Além dêstes Acritar-
cha, temos encontrado represen-
tantes dos gêneros Baltisphaeridi-
um e Veryhachium nos folhelhos
dêste membro (v. Lange, 1963 b,
inédito) .
Algomicetes
Dawson (1883, 1884, 1886) des-
creveu duas espécies de Protosal-
vinia — P. brazüiensis e P. biloba-
ta — de amostras coletadas por
Derby nos rios Trombetas e Curuá;
as do Trombetas procedem do Lago
265
Tapagem e consistem de folhelho
vermelho do Membro Panacú; no
rio Curuá, segundo Dekby (1878),
êstes fósseis ocorrem tanto nos fo-
lhelhos amarelos (Panacú) como
nos folhelhos pretos da base (Bar-
reirinha). Nos Folhelhos Barreiri-
nha do Igarapé São Florêncio ocor-
re P. brazüiensis, segundo Mouha
(1932), e também P. bilobata, se-
gundo Sommer (1962).
Esporomorfos
Dos Folhelhos Barreirinha do rio
Tapajós, Sommer (1953) descre-
veu as seguintes espécies novas de
Tasmanites: T. tapajonensis, hart-
ti, mourai, derbyi, roxoi, salustia-
noi, euzebioi e avelinoi. De um aflo-
ramento do mesmo folhelho, cêr-
ca de 5 km a montante de Barrei-
rinha, Sommer (1956 b) descre-
veu as novas espécies Tasmanites
lamegoi e T. mosesi; esta última es-
pécie foi posteriormente transferi-
da para o nôvo gênero Tapajonites
(Sommer & van Boekel, 1963 a).
Desta mesma localidade do rio Ta-
pajós, VAN Boekel (1963) descre-
veu a nova espécie Tasmani-
tes sommeri. Da acima referida
amostra n.° 9 de Costa (1965),
Sommer & Van Boekel registraram
a ocorrência de Tasmanites aff. ta-
pajonensis Som., T. avelinoi Som.,
T. mourai Som., T. sommeri Van
Boekel e Tapajonites mosesi Som-
mer & Van Boekel.
íELO
11
12
13
14
cm
266
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Conforme já mencionamos, os
folhelhos do Membro Barreirinha
são extremamente ricos em espo-
romorfos; o material recuperado
por ocasião da preparação das
amostras ainda se encontra em
fase de estudos, e oportunamente
será relatado em um trabalho à
parte.
Outros Microfósseis
Escolecodontes são relativamen-
te freqüentes nos folhelhos do
Membro Barreirinha, e em algumas
amostras encontramos também
alguns Conodontes, microfósseis
êsses que, pela raridade da sua
ocorrência, pouco interêsse apre-
sentam para os trabalhos práticos.
b) Membro P an a c ú
1. Nome e Seção Tipo
Derby (1878), ao propor a de-
nominação de Curuá para a uni-
dade superior do Devoniano da Ba-
cia do Amazonas, apenas mencio-
nou que a mesma consiste de fo-
lhelhos pretos na base, e de folhe-
lhos avermelhados ou amarelados
na parte superior, sem entrar em
detalhe sôbre a sua distribuição
geográfica. Em trabalho posterior,
Derby (1897), ao traçar a suces-
são das camadas no rio Maecurú,
assinala que acima dos folhelhos
pretos Barreirinha estende-se en-
tre as cachoeiras Panacú e Taco-
nhamuira um folhelho côr de cho-
colate, listrado de cinzento, para
o qual propôs a designação provi-
sória de “Série de Panacú”.
Pelas descrições adicionais de
Derby verifica-se que se trata nes-
tes folhelhos da segunda unidade
do Curuá, designada por “Spiro-
phyton Shale” nos relatórios da
PETROBRÁs. Como esta designação é
informal, propomos revalidar para
êste membro a designação de Pa-
nacú. E’ verdade que Derby tro-
cou entre si os nomes das Cachoei-
ras Panacú e Taconhamuira, mas,
como os folhelhos desta unidade se
estendem de uma até a outra des-
tas cachoeiras, essa inversão não
implica em uma invalidação do
nome.
Katzer (1903), baseado nas in-
formações de Derby e de Smith, na
Fig. 128 do seu trabalho e na des-
crição da geologia do rio Maecurú,
igualmente inverteu a posição das
cachoeiras. Além disso, Katzer con-
siderou os folhelhos listrados do
Membro Panacú, entre as Cachoei-
rinhas e a Cachoeira Panacú, como
pertencentes ao Carbonífero, como
aliás já fizera com relação aos fo-
lhelhos com Spirophyton dos rios
Curuá e Trombetas, por analogia
com os Folhelhos Barreirinha do
Rio Tapajós, os quais igualmen-
te incluiu provisòriamente no Car-
bonífero, “por motivos estratigrá-
ficos”, não admitindo valor crono-
lógico aos Spirophyton e às duas
espécies de Protosalvinia, tão co-
Volume 1 (Geociências)
267
muns nestes folhelhos. Na explica-
ção do desenho de Katzer, que re-
produzimos na anexa Fig. 1, corri-
gimos êstes enganos.
Pela descrição de Bastos & Mou-
ra (1929) constata-se que os fo-
lhelhos Panacú se estendem até
os diabásios que ocasionaram as
Cachoeirinhas do rio Maecurú. No
mapa de Cook (1955, inédito), a
seção tipo do Membro Panacú se
estende desde a estação 143, a mon-
tante da Cachoeira Panacú, até as
Cachoeirinhas, estação 187, de onde
0 diabásio continua até a estação
193, aflorando, já na estação 194,
a jusante, os arenitos carboníferos
da Formação Monte Alegre.
2. Litologia
Na subsuperfície, na região cen-
tral da bacia, o Membro Panacú
consiste quase que exclusivamente
de folhelhos argilosos, cinzas a cin-
za-escuros, carbonosos a bitumino-
sos, geralmente micáceos, finamen-
te laminados, com sütitos subordi-
nados. Nos flancos da bacia, nas
regiões de deposição mais rasa, co-
meçam a aparecer delgadas inter-
calações de arenito fino, e o folhe-
lho, exposto às intempéries, perde
a sua côr original e se apresenta
com coloração variegada, amarela-
da, avermelhada ou esverdeada,
matizado de côr mais escura e lis-
trado, paralelamente à estratifica-
ção, de cinzento-claro, amarelo,
cinza escuro a prêto.
Na perfilagem elétrica dos poços
0 Membro Panacú é caracterizado
por acentuada diminuição das
curvas, tanto da resistividade como
da radioatividade, distinguindo-se
fàcilmente dos membros encaixan-
tes, Barreirinha e Curirí.
3. Distribuição e Espessura
O Membro Panacú aflora em
ambos os flancos da bacia. No flan-
co norte, devido à cobertura trans-
gressiva pelos arenitos Monte Ale-
gre e mesmo pelos depósitos ter-
ciários, os folhelhos Panacú não
têm extensão tão ampla como
os do Membro Barreirinha; o aflo-
ramento mais ocidental dêstes fo-
lhelhos no flanco norte parece ser
o do rio Capúcapú, afluente do Ja-
tapú; daí, estendem-se para leste,
com exposições assinaladas nos
rios Trombetas, Curuá, Maecurú,
e na região de Ereré. No flanco sul
os folhelhos Panacú se encontram
ao longo de tôda a faixa de aflo-
ramentos, desde o rio Parauarí,
afluente do Maués, até um pouco
além do rio Xingu.
Na subsuperfície o Membro Pa-
nacú se estende desde a margem
oriental da bacia até o poço
Iost-1-AM, Igarapé Paratarazinho,
Manacapurú, em oval alongado que
atinge 370 km na sua maior lar-
gura.
Na região do Arco de Gurupá,
no poço BCst-l-PA (B, Caxiuana)
268
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
o Membro Panacú ultrapassa 250
metros de espessura, atingindo 290
metros no poço MA-l-PA (Monte
Alegre) ; daí para oeste as espessu-
ras diminuem gradativamente, re-
gistrando-se 120 metros no poço
LFst-l-AM (Lago do Faro, per-
fil II, anexo), 75 m no NO-3-AZ
(Nova Olinda), 50 m no Tnst-l-AZ
(rio Tupana) e 10 m no Ost-l-AZ,
na margem ocidental da bacia.
4. Relações Estratigráficas
Na seção tipo do rio Maecurú o
Membro Panacú jaz em contato
normal sôbre os folhelhos Barreiri-
nha, o seu contato superior sendo
mascarado pelas intrusivas básicas
das Cachoeirinhas. Nas seções
completas no centro da bacia os
folhelhos argilosos Panacú passam
para cima gradativamente aos fo-
lhelhos sílticos com seixos do Mem-
bro Curiri.
Na perfilagem dos poços o Pa-
nacú é caracterizado por uma re-
duzida curva de resistividade e
concomitante curva de radioativi-
dade mais baixa em comparação
com as curvas dos membros vizi-
nhos, Barreirinha e Curiri, confor-
me se verifica pelo perfil composto
reproduzido no Anexo II.
5 . Origem
Os fósseis encontrados nos fo-
lhelhos Panacú evidenciam o am-
biente marinho de sua deposição.
Trata-se ainda de depósitos batiais,
segundo Ludwig (1964).
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
O membro Panacú é caracteri-
zado pela abundância de impres-
sões fósseis, de origem problemá-
tica, designadas Spirophyton Hall,
1863 (Correspondente a Taonu-
rus Fisher - Ooster, 1858). Albu-
querque (1922) menciona a enor-
me quantidade de impressões de
Spirophyton encontradas no rio
Curuá, em um barranco de folhe-
lhos, a jusante de Puraquê. Devido
à abundância dêsses fósseis esta
unidade foi denominada “Spiro-
phyton Shale” nos relatórios da
PETROBRÁs. Embora impressões fós-
seis semelhantes também tenham
sido encontradas nos Folhelhos
Barreirinha, aí ocorrem apenas es-
poradicamente. Nos relatórios de
poço encontram-se ainda referên-
cias a restos de plantas, e a raros
outros fósseis, indeterminados, en-
contrados nos Folhelhos Panacú.
b) Microfósseis
Chitinozoa
Na seção Urubu - Urupadi, a que
se refere o presente relatório,
no intervalo correspondente ao
Membro Panacú foi coletada ape-
Volume 1 (Geociências)
269
nas uma amostra (CAA-261, rio
Urupadí) , a qual não forneceu qui-
tinozoários. Há tempos descreve-
mos a espécie Desmochitina som-
meri Lange (1952) encontrada em
uma amostra da profundidade de
188,43 m do Furo 70, Bom Jardim,
rio Tapajós, pertencente ao Pa-
nacú. Do Furo 56, da mesma re-
gião, de uma amostra de 196,50 m
que também cabe na seção Panacú,
SOMMER & VAN BOEKEL (1961) deS-
crevem a ocorrência de represen-
tantes de Angochüina, Lagenochi-
tina, Rhabdochitina e Sphaerochi-
tina, sem identificar as espécies.
Acritarcha
Na única amostra Panacú da se-
ção (CAA-261 do rio Urupadí) en-
contramos diversas espécies de
Baltisphaeridium, Hystrichosphae-
ridium, Ptercspermopsis e Veryha-
chium; esta amostra não forneceu
representantes de Leiofusidae, mas
em amostras de Folhelhos Panacú
de outras localidades tivemos
oportunidade de constatar a ocor-
rência dos mesmos.
Algomicetes
As duas espécies de Protosalvinia
— P. braziliensis e P. bilobata —
ocorrem nos folhelhos variegados
do Membro Panacú, sendo que uma
parte do material descrito por Daw-
son procede dos folhelhos verme-
lhos do Lago Tapagem, rio Trom-
betas.
Esporomorfos
SoMMER (1956) registra a ocor-
rência de Tasmanites lamegoi e
Tapajonites mosesi em amostras
de 178 a 193 metros de profundi-
dade do Furo 68 de Bom Jardim,
intervalo êsse pertencente ao Mem-
bro Panacú. Sommer & van Boe-
KEL (1961), em um resumo, co-
municam a ocorrência de Tasma-
nites mourai e de T. euzebioi, além
de outras espécies não identifica-
das, bem como de Tapajonites mo-
sesi, em amostras de 160 e de 196,50
metros do Furo 56 de Bom Jardim,
pertencentes ao Panacú. Da mes-
ma sondagem, da amostra de 160
metros, Sommer & van Boekel
(1963) descrevem a nova espécie
Tapajonites roxoi. Em uma amos-
tra do Folhelho Panacú do Lago
Tapagem, rio Trombetas, Sommer
(1962) encontrou Tasmanites cf.
salustianoi, associada a Protosalvi-
nia braziliensis.
c) Membro C ur ir í
1 . Nome e Seção Tipo
O nome Membro Curirí é pro-
posto aqui para substituir a desig-
nação litológica de “Rafted Peb-
ble Unit” até agora empregada nos
relatórios internos da petrobrás.
270
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Pelo que nos foi possível verifi-
car, o único afloramento positiva-
do dêste membro, nos flancos da
bacia, encontra-se restrito à região
do rio Urupadí, com melhor expo-
sição no curso do Igarapé Curirí, no
flanco sul da bacia. Nos demais
rios pesquisados esta unidade en-
contra-se encoberta pela transgres-
são dos arenitos carboníferos ou
por formações mais recentes. Na
subsuperfície a unidade acha-se
largamente distribuída, mas como,
para possibilitar ulterior verifica-
ção, é preferível utilizar-se de uma
seção exposta para definir uma
unidade litológica, indicamos como
seção tipo a exposição do Igarapé
Curirí e propomos o nome do mes-
mo para designar o nôvo membro.
O Igarapé Curirí é afluente do
rio Urupadí, no Estado do Pará,
próximo à divisa com o Estado do
Amazonas, na faixa de afloramen-
tos do flanco sul da bacia.
A geologia da região do Urupadí
encontra-se descrita no relatório
de Roberts (1960, inédito); por
essa descrição, e pelos mapas e per-
fis que acompanham o relatório,
verifica-se que o Membro Curirí
(designado de “Rafted Pebble” no
relatório) aflora no Igarapé Curirí
em uma extensão de aproximada-
mente 6 km, entre a estação 59
(40 29’ 16” lat. sul e 57« 09’ 17”
long. oeste) e a estação n.o 53 (4°
32’ 13” lat. sul e 57° 10’ 37” long.
oeste) ; a estação 59 se encontra a
cêrca de 12 km, em linha reta, a
montante da fóz do igarapé. A base
do membro está exposta ainda em
um reduzido afloramento no pró-
prio rio Urupadí (estações 17 e 18
de Roberts), onde a sua parte su-
perior se encontra encoberta pelos
arenitos Monte Alegre; outro aflo-
ramento foi registrado em uma
picada a leste do Urupadí.
A maior extensão dos afloramen-
tos do membro no Igarapé Curirí é
devida a uma pequena estrutura
local que elevou as camadas a
oeste do rio Urupadí, ocasionando
assim uma maior erosão dos are-
nitos carboníferos e uma mais
larga exposição dos leitos devo-
nianos. Esta elevação estrutural
acha-se associada a falhas para-
lelas, e o próprio rio Urupadí en-
contra-se em um bloco regional-
mente abatido, motivo porque so-
mente os metros basais do Membro
Curirí encontram-se expostos aí
sob a cobertura do arenito Monte
Alegre.
2 . Litologia
Na seção tipo do Igarapé Curirí
a unidade consiste na sua parte
superior de um folhelho prêto, are-
noso, que se apresenta em leitos
com cêrca de 30 cm de espessura,
contendo lâminas de aprox. 1 cm
de estratificação lenticular. Para
baixo desenvolvem-se argilitos e
siltitos argilosos a arenosos, micá-
Volume 1 (Geociências)
271
ceos, cinzas, de laminação indis-
tinta a irregular, retorcida, inter-
calando lâminas de arenito cinzen-
to, e contendo localmente grande
quantidade de seixos e até de pe-
quenos blocos de quartzo, felds-
pato, granito, e outras rochas pre-
existentes, e mesmo de arenito e
de folhelho, inclusões essas irre-
gularmente espalhadas pela ma-
triz argilo-síltico-arenosa.
Litologia semelhante, sòmente
com maior espessura, é encontra-
da na subsuperfície, na região cen-
tral da bacia; também ai a unida-
de é caracterizada pela inclusão de
seixos, cujo número diminui gra-
dativamente ao se subir na se-
ção, desaparecendo ao se atingir o
tôpo do membro, constituído de
siltitos e folhelhos arenosos; toda-
via, em algumas sondagens mais
próximas às margens da bacia,
como por exemplo, nos furos pra-
ticados no rio Tapajós, verificou-
-se que os seixos persistem até o
tôpo da unidade.
No poço LFst-l-AM (Lago do
Paro, V. perfil. Anexo II) a parte
superior do Membro Curirí (Sub-
divisão Provisória 24) é represen-
tada por uma alternância de fo-
lhelhos e siltitos, e na perfilagem
a curva de resistividade apresen-
ta-se reduzida em comparação com
a das unidades encaixantes. O in-
tervalo sotoposto (Sub. Prov. 23) ,
consistindo de siltitos argilosos
com seixos transportados, mostra
uma característica ampliação da
curva de resistividade, acompa-
nhada de um pequeno aumento da
curva de radioatividade.
3 . Distribuição e Espessura
Na seção tipo do Igarapé Curirí
a unidade consiste de cêrca de 15
metros de siltitos com seixos trans-
portados, capeados por 5 metros de
folhelhos e siltitos arenosos.
Na subsuperfície o Membro
Curirí encontra-se largamente dis-
tribuído, apresentando-se em for-
ma de oval alongado, com uma
largura máxima de aproximada-
mente 360 km, estendendo-se por
mais de 1.000 km, desde o poço
Gust-l-PA, na margem oriental
(Arco de Gurupã) , até o poço
Tnst-l-AZ, Rio Tupana, no oeste
da bacia.
São as seguintes as espessuras
encontradas em alguns dos poços:
LFst-l-AM= 192 m, NO-3-AZ=:
200 m, AM-1-AZ=: 75 m, Md-l-AZ=
30 m, e Tnst-l-AZ= 15 metros.
4. Relações Estratigráficas
Na seção tipo o membro é ca-
peado discordantemente pelos are-
nitos pensilvanianos da Formação
Monte Alegre. Na subsuperfície,
onde existe uma seção devoniana
mais completa, observa-se uma
brusca mudança litológica dos sil-
titos e folhelhos Curirí para os are-
nitos basais do Membro Faro; êste
272
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
contato superior entre as duas
unidades é fàcilmente identificado
na perfilagem dos poços pela pro-
nunciada quebra da curva de re-
sistividade. A base do membro é
determinada litològicamente pela
passagem, em contato normal, dos
folhelhos argilosos Panacú para os
argilitos e siltitos com seixos do
Curiri; na perfilagem, êste contato
é evidenciado por um acentuado
aumento da curva de resistividade
na base do Curiri.
5. Origem
O ambiente marinho de deposi-
ção dos leitos Curiri é evidenciado
pelo seu conteúdo fossilífero. Os
seixos transportados que caracte-
rizam esta unidade foram durante
muito tempo considerados como
uma origem glacial, sugerindo-se a
possibilidade de se tratar de um
tilito (Moura, 1938) ou de um
drift (Oliveira & Leonardos,
1943). Segundo Ludwig (1964),
trata-se de turbiditos, sendo o con-
junto classificado como depósito
de flysch.
6. Paleontologia
O Membro Curiri é caracteriza-
do por diversas espécies de Chiti-
nozoa e de Leiofusidae, conforme
se verifica pelas anexas tabelas de
distribuição. Além dêsses micro-
fósseis, encontramos ainda entre
os Acritarcha diversas espécies per-
tencentes aos gêneros Baltisphae-
ridium, Cymatiosphaera, Hystri-
chosphaeridium, Polyedryxium,
Pterospermopsis, Pulvinosphaeri-
dium e Veryhachium (Lange, 1963
c) , uma nova alga, escolecodontes,
e esporomorfos.
Do poço n.o 56 de Bom Jardim,
em uma amostra da profundidade
de 71 metros — horizonte perten-
cente à parte superior do Membro
Curiri, sem seixos — Sommer &
VAN Boekel (1961) e Sommer
(1962), descreveram a ocorrência
de Protosalvinia bilobata Dawson.
d) Membro Faro
1. Denominação
O nome faro é proposto aqui
para substituir a designação gené-
rica de “Curuá Superior”, com-
preendendo as unidades litológicas
informais designadas “Blanket
Shale” e “Clean Sand” nos relató-
rios internos da petrobrás. A de-
nominação foi derivada da área de
Faro, Rio Nhamundá, na divisa
entre os Estados do Amazonas e
Pará, onde se encontram localiza-
dos os poços Faro (Fa-l-AZ) e Lago
do Faro (LFst-l-AM) , nos quais
até agora foi encontrado o melhor
desenvolvimento da unidade.
2. Seção Tipo e Litologia
Como seção tipo é indicada a
cortada pelo poço LFst-l-AM, Lago
do Faro, localizado em 01° 57’ 20”
de latitude sul, e em 56° 58’ 17”
Volume 1 (Geociências)
273
de longitude oeste, com mesa ro-
tativa na altitude de 16 metros
sôbre o nível do mar. Êste poço foi
perfurado pela petrobrás, iniciado
em 28 de maio de 1962 e terminado
em 22 de março de 1963 na pro-
fundidade total de 3.152,3 metros;
foi feita a perfilagem elétrica e de
raios-gama.
A seção tipo do Membro Faro
ocorre neste poço com a espessura
de 414 metros, compreendida no
intervalo de 2.129 a 2.543 metros de
profundidade (v. perfil composto.
Anexo II). Nesta seção foram cor-
tados os testemunhos números 12
a 56, e recolhidas amostras de
calha cada 3 metros, amostragem
essa que se encontra armazenada
nos depósitos da petrobrás em Be-
lém, Pará.
No correspondente relatório do
poço encontra-se uma descrição de-
talhada da litologia desta seção,
que pode ser resumida da seguinte
forma :
2129 a 2178= 58 m Folhelho cinza
médio a claro, ar-
giloso, micromicá-
ceo, intercalando
folhelho arenoso,
cinza escuro, folhe-
lho argiloso prêto,
físsil, siltito cinza,
e arenito folhetado
(Subdivisão Provi-
sória 27 do Anexo
II).
2187 a 2240= 53 m Arenito bran-
co a cinzento, va-
riando de fino, si-
licoso, a médio e
grosseiro, poroso
(SP 26, bem carac-
terizado no perfil).
2240 a 2543= 303 m com alter-
nância de arenitos,
folhelhos e siltitos,
litològicamente se-
melhantes aos aci-
ma descritos, com
predominância de
arenitos nos 60 me-
tros basais (SP 25) .
No poço de Faro (Fa-l-AZ) foi
encontrado seção semelhante; com
espessura de 375 metros, no inter-
valo de 2.865 a 3.240 metros de
profundidade.
3. Distribuição e Espessura
A ocorrência do Membro Faro
até agora foi registrada apenas em
sondagens; em direção aos flancos
da bacia a unidade termina por
acunhamento, ou então é encober-
ta pela transgressão das formações
mais recentes.
Na subsuperfície da Bacia do
Baixo Amazonas as camadas dêste
membro têm larga distribuição, es-
tendendo-se desde o poço Gust-1-
-PA (Gurupá), localizado em Ol^^
20’ 30” de latitude sul e 51° 22’ 30”
de longitude oeste, por cêrca de
1.000 km em direção oeste-sudoeste,
274
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
até o poço Md-l-AZ (Madeirinha=:
04° 01’ 32” lat. sul e 59° 51’ 40”
longitude oeste) , em forma de oval
alongado, com uma largura máxi-
ma de aproximadamente 260 km.
Na linha acima indicada, a es-
pessura do Membro Faro, em al-
guns poços selecionados, é a se-
guinte: Gust-l-PA, Gurupá= 200
metros, MA-l-PA, Monte Alegre=
218 m, Fa-l-AZ, Faro= 375 m,
LFst-l-AM, Lago do Faro= 414 m,
Ar-lA-AZ, Arari= 302 m, NO-3-AZ,
Nova 01inda= 92 m, Md-l-AZ, Ma-
deirinha= 55 metros.
Pelas espessuras da seção aci-
ma, nota-se um gradual adelgaça-
mento da unidade, do centro da
bacia para o oeste. Na região orien-
tal, no poço Gust-l-Pa, o Membro
Faro ainda apresenta a considerá-
vel espessura de 200 metros, mas
logo adiante, cêrca de 50 km para
leste, a continuação das camadas
devonianas é abruptamente inter-
rompida pelas falhas associadas ao
arqueamento de Gurupá, estrutura
essa que constitui o limite orien-
tal da Bacia do Baixo Amazonas.
4. Relações Estratigráficas
Os arenitos pensilvanianos da
Formação Monte Alegre jazem em
aparente discordância sôbre êste
membro superior da Formação
Curuá; esta discordância encon-
• tra-se evidenciada pela erosão do
tôpo do Devoniano nos flancos da
bacia, pela natureza transgressiva
dos arenitos carboníferos, local-
mente conglomeráticos na base, e
pelo hiato deposicional, correspon-
dente a parte do Devoniano Supe-
rior e a todo o Mississipiano, entre
as formações Curuá e Monte Ale-
gre. Na perfilagem dos poços, êste
contato é evidenciado pelo au-
mento da radioatividade e da resis-
tividade dos folhelhos superiores
do Curuá.
O contato com o membro subja-
cente, Curirí, é normal e concor-
dante, mas fàcilmente identificado
litològicamente pela abrupta pas-
sagem dos arenitos basais Faro
para a espêssa seqüência de folhe-
lhos e siltitos Curirí, passagem essa
registrada principalmente pelas
características da curva de resisti-
vidade nas perfilagens.
5 . Origem
O conteúdo fossilífero evidencia
o ambiente marinho da deposição
do Membro Faro. Segundo Ludwig
(1964), os folhelhos correspondem
a depósitos litorâneos, em planícies
de maré, e os arenitos são conside-
rados como epineríticos, com depo-
sição paralela à costa. Na interpre-
tação de Wooldridge (1960, inédi-
to) , os arenitos teriam sido deposi-
tados em um mar que se tornou
mais raso, ou então, devem a sua
origem ã elevação dos flancos da
bacia e à subseqüente erosão da
Volume 1 (Geociências)
275
unidade “Rafted Pebble”, com re-
deposição da areia residual na re-
gião central da bacia; um posterior
abatimento teria causado maior
expansão do mar e a conseqüente
deposição dos folhelhos.
6. Paleontologia
a) Macrofósseis
Em folhelhos prêtos, pertencen-
tes ao Membro Faro, recuperados
pelos testemunhos números 21 e 22
do poço RX-4-AZ (Rio Abacaxis),
encontrou-se plantas fósseis bem
preservadas, rastos de vermes, e al-
guns espécimes do braquiópodo
Schizobclus truncatus Hall.
No “Estudo da Bacia do Amazo-
nas” (Bouman et al., 1960) faz-se
referência, sem maior identifica-
ção, a “raros fósseis de aspecto
carbonífero”, encontrados nos fo-
lhelhos Faro do poço Ar-lA-AZ.
b) Microfósseis
No poço NO-l-AZ (Nova Olinda)
encontramos nos folhelhos do
Membro Faro, cortados pelos tes-
temunhos números 851 a 867, os
seguintes microfósseis: Chitinozoa
(v. tabela. Anexo III), Acritarcha,
representados pelos gêneros Baltis-
phaeridium, Cymatiosphaera e Ve-
ryhachium, escolecodontes, e espo-
romorfos, ainda não determinados
sistemàticamente.
No poço RX-l-AZ (Rio Abaca-
xis) encontramos nos folhelhos
Faro diversos Acritarcha represen-
tados pelos gêneros Hystrichos-
phaeridium, Pterospermopsis e Ve-
ryhachium.
Nas demais seções do perfil aqui
considerado, o Membro Faro não
ocorre no poço AM-l-AZ e nem nos
rios Urupadí e Urubú, não tendo
sido testemunhado no poço NO-3-
-AZ.
IV. IDADE E CORRELAÇÃO DAS
FORMAÇÕES DEVONIANAS
INTRODUÇÃO
Quando da descrição dos fósseis
da Bacia do Baixo Amazonas, fo-
ram os mesmos comparados prin-
cipalmente com formas da Amé-
rica do Norte, onde a coluna devo-
niana era então dividida da forma
abaixo (veja-se, por exemplo,
Katzer, 1897 b) :
Devoniano
Superior: 10. Catskill Group
9. Chemung Group
8. Portage Group
7. Genesee Shales & Tully Limestone
Médio: 6. Hamilton Group: Hamilton Shales
5. Marcellus Shales
Inferior: 4. Upper Helderberg Gr: 4. Corniferous Limestone
3. Onondaga Ls. & Schoharie Grit
2. Oriskany Sandstone
1. Lower Helderberg Group
276
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Algumas destas designações fo-
ram posteriormente modificadas,
ou mesmo abandonadas, passando
a coluna americana a ser assim di-
vidida, segundo Cooper (1942) :
Devoniano
Superior: “Catskill” red beds
Chemung sandstone
“Portage” = Naples Group
Genesee Group
Médio: Tully shale & limestone
Hamilton Formation
Marcellus shale
Médio ou Onondaga Limestone
Inferior: Shoharie Shale
Esopus Shale
Inferior: Oriskany Sandstone
Helderberg Stage
Mencionamos aqui apenas as
unidades comparáveis às da coluna
anterior, visto não ser possível
transcrever tôda a sinonímia apre-
sentada por Cooper.
Verifica-se, pelos exemplos aci-
ma, que foi abandonada a de-
signação de “Upper Helderberg
Group”, evitando-se assim a con-
fusão com 0 “Lower Helderberg”.
Também deixou-se de usar o têrmo
“Corniferous Limestone”, muito
empregado nas correlações do De-
voniano da amazônia. Segundo o
“Lexicon of Geologic Names of the
U.S.” (1938) o Corniferous corres-
ponde à parte média dos Calcários
Onondaga.
Na coluna de Cooper a seqüên-
cia Esopus-Schoharie-Onondaga fi-
gura em destaque, com dúvidas sô-
bre se pertence ao Devoniano Mé-
dio ou Inferior; a propósito. Cooper
menciona que, de acôrdo com a
classificação americana, o Helder-
berg e 0 Oriskany constituem o De-
voniano Inferior, formando o
Onondaga e o Hamilton o Devo-
niano Médio, mas que, em compa-
ração com a coluna européia, uma
disposição um pouco diferente in-
cluiria o Onondaga no Devoniano
Inferior.
Em tabela posteriormente apre-
sentada por Brinkmann (1948), as
unidades Schoharie e Onondaga
figuram no Devoniano Médio. De-
vido à comparação dos andares
americanos com os europeus, re-
produzimos abaixo a tabela de
Brinkmann, apenas na parte refe-
rente ao Devoniano Superior, as-
sim dividida;
Volume 1 (Geociências)
277
Com relação ao Devoniano Mé- tes divisões é encontrada em Pa-
dio e Inferior, uma das mais recen- vlides et al. (1964), a saber:
Devoniano
Andares = Europa América do Norte
Médio
Inferior
mans
Verifica-se aí que o Onondaga
foi correlacionado com o Eifel, do
Devoniano Médio, mas Saul et al.
(1963) esclarecem que o Schoharie,
do Devoniano Inferior, inclui ain-
da uma zona “B” do Onondaga
(Calcário Onondaga dos Apala-
chianos meridionais).
Computando-se os trabalhos aci-
ma citados, verifica-se que, com
relação ao Onondaga, existem duas
unidades distintas : O Andar Onon-
daga, da região central de N. York,
correspondente ao Eifeliano, e o
Calcário Onondaga, da região oci-
dental de N. York, equiparado ao
Andar Schoharie = Emsiano.
As revisões e modificações acima
apontadas foram levadas na devi-
da consideração na análise cro-
noestratigráfica apresentada a
seguir.
a) Formação Maecurú
Analisando os braquiópodos das
formações Maecurú e Ereré, do Es-
tado do Pará, Rathbun (1878) con-
cluiu que as espécies do Ereré con-
cordavam perfeitamente com for-
mas do Hamilton, e que os braquió-
podos da Formação Maecurú, em-
bora tendo várias espécies comuns
com aquela formação superposta,
também deixavam reconhecer afi-
nidades com formas do que então
se chamava de “Helderberg Supe-
rior”.
Derby (1878), ao se referir às
espécies mais abundantes e mais
278
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
características da Formação Mae-
curú, assinalou que dentre as es-
pécies restritas a esta formação e
comuns aos Estados Unidos e ao
Brasil, “duas, a Amphigenia elon-
gata e a Spirifer duodenaria, são
limitadas ao Devoniano Inferior
ou Corniferous Group, o qual aliás
se acha na mesma relação estrati-
gráfica e paleontológica com o so-
brejacente Devoniano Médio ou
Hamilton Group, em que o Grupo
Maecurú está com o de Ereré.
Êstes últimos podem, portanto, ser
considerados os equivalentes bra-
sileiros das formações norte-ameri-
canas”.
Katzer (1897), após minuciosa
análise comparativa, concluiu que
a fauna do Maecurú “pertence à
parte inferior do Devoniano Médio
(Hamilton Group) , mas pelas suas
muitas reminiscências do Devo-
niano Inferior constitui em certo
modo um intermediário entre os
dois andares do Devoniano Infe-
rior e Médio”.
Clarke (1895) descreveu as tri-
lobitas de Ereré e Maecurú, e em
trabalho posterior (Clarke, 1899)
procedeu a uma análise crítica de
tôda a fauna devoniana amazônica
até então conhecida, apresentando
em anexo uma tabela comparativa
indicando a distribuição das for-
mas brasileiras e a sua provável
correlação com formas do Devonia-
no da América do Norte e da Eu-
ropa. Além dos andares Oriskany
e Hamilton, cuja denominação e
posição permanece inalterada nas
colunas modernas, na lista compa-
rativa de Clarke consta o “Lower
Helderberg”, correspondente ao
moderno Andar Helderberg, e o
“Upper Helderberg”, abrangendo
as unidades Schoharie Grit, Onon-
daga Limestone e Corniferous Li-
mestone, atualmente incluídos no
Andar Schoharie. Na comparação
com a coluna européia, na tabela
de Clarke constam ainda o Herci-
niano e o Spiriferensandstein.
0 Herciniano, segundo Credner
(1887) compreendia então os An-
dares F, G, e H de Barrande, e cor-
respondia aos Andares Helderberg
e Oriskany. O “Spiriferensands-
tein”, utilizado para comparação
com a fauna Maecurú tanto por
Clarke como por Katzer, era então
equiparado ao Coblenciano (Em-
siano-Schoharie) .
Com referência às trilobitas da
Formação Maecurú, na tabela de
Clarke encontram-se indicadas as
seguintes afinidades (mas nenhu-
ma identidade específica) :
1 espécie semelhante a formas
do Helderberg e Oriskany
Volume 1 (Geociências)
279
3 idem Helderberg, Oriskany e
Schoharie
2 idem Oriskany e Schoharie.
Analisando esta comparação das
trilobitas da Formação Maecurú,
Clarke (1899) assinala que; “A
associação é especial. Não há as-
sociação análoga de espécies trilo-
bíticas nas faunas norte-america-
nas, com as quais se tem achado
tantas semelhanças a outros res-
peitos. Ali o desenvolvimento mais
recente de Odontochüe é no Hel-
derberg Inferior, onde está asso-
ciado com Homalonotus e Phacops
tendo as particularidades mencio-
nadas, e o último aparecimento
desta associação é na fauna do
grés de Oriskany. Não obstante,
esta fauna do Maecurú tem uma
expressão tão distinta que é difí-
cil achar base satisfatória para a
comparação de qualquer uma das
suas espécies com os fósseis norte-
-americanos, exceptuando apenas
Phacops brasiliensis, forma abun-
dante que é muito semelhante ao
Phacops anceps Clarke, membro
excessivamente raro da fauna da
parte inferior do Helderberg Supe-
rior da Província de Ontário, Ca-
nadá. As relações dos caracteres
genéricos que aqui encontramos
com a fauna hercyniana da Amé-
rica do Norte são igualmente apa-
rentes na fauna hercyniana das
Montanhas Hartz e Bohemia. De-
ve-se portanto admitir que a ex-
pressão do elemento trilobítico da
fauna do Maecurú, indicativa da
primeira parte do Devoniano, in-
flui sôbre o valor temporal de tôda
a associação faunal”.
Verificamos pela lista compara-
tiva uma maior tendência Oriska-
ny-Schoharie, e, pela discussão,
que a única espécie que permitiu
uma comparação mais estreita foi
relacionada a uma forma do Upper
Helderberg/Schoharie. Clarke, to-
davia, preferiu considerar a fauna
trilobítica da Formação Maecurú
como indicativa da “primeira par-
te do Devoniano”, e em trabalho
posterior (Clarke, 1913) tam-
bém mencionou que as trilobitas do
Maecurú sugeriam uma correspon-
dência com 0 Helderberg-Oriskany.
Esta correlação, não obstante
estabelecida em base confessada-
mente insatisfatória, foi não so-
mente adotada como ainda esten-
dida a tôda a fauna do Maecurú por
diversos autores posteriores. No en-
tanto, com referência aos demais
fósseis da Formação Maecurú, e
considerando apenas as espécies
280
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
idênticas às da América do Norte, ção na lista comparativa de
encontramos a seguinte distribui- Clarke:
Espécies Helderberg Oriskany Schoharie Hamilton
Chonetes? nucleata + +
Stropheodonta perplana + -f
Spirifer duodenarius +
Rhynchonella sappho -t-
Amphigenia elongata -f
ITropidoleptus carinatus +
IVitulina pustulosa +
Reptaria stolonifera +
Fenestella parallela -t-
(§= formas que ocorrem também na Formação Ereré)
Verificamos, então, que das espé-
cies identificadas como iguais, a
distribuição é a seguinte; Helder-
berg = nenhuma; Oriskany e Scho-
harie = 1; Oriskany ao Hamil-
ton = 1; restrita ao Schoharie == 5;
restrita ao Hamilton = 2.
Nesta comparação de Clarke há,
portanto, nitida predominância de
elementos Schoharie na composi-
ção da fauna Maecurú; além dis-
so, entre as formas conspecíficas,
não se encontra um só elemento
Helderberg, e apenas 2 espécies que
se estendem do Oriskany para os
andares superiores, não se justifi-
cando, pois, face a êstes dados apre-
sentados pelo próprio Clarke, a
correlação da Formação Maecurú
com o Helderberg-Oriskany da
América do Norte.
Diversas das espécies restritas à
Formação Maecurú foram poste-
riormente objeto de estudos adicio-
nais, merecendo ser destacadas as
seguintes :
Spirifer duodenarius (Hall, . . .
1843), em uma revisão de Caster
(1939) foi incluída no gênero Bra-
chyspirijer e considerada como in-
timamente aliada ou mesmo idên-
tica à espécie B. palmarae Caster
da fauna de Floresta, Colômbia, re-
ferida ao “early Onondaga”.
Amphigenia elongata (Vanu-
xem, 1842) é uma das formas de
maior importância para a correla-
ção da Formação Maecurú. A iden-
tificação desta espécie na fauna
Maecurú foi confirmada por. . .
Cloud (1942), o qual indica uma
distribuição restrita ao Onondaga
Limestone. Trata-se de uma espé-
cie muito característica do Devo-
niano da América do Norte onde,
segundo Cooper (1942) é empre-
gada para definir o Schoharie-Lo-
wer Onondaga.
Volume 1 (Geociências)
281
Em base de uma minuciosa aná-
lise sôbre a distribuição páleo-geo-
gráfica dos braquiópodos durante o
Devoniano, Boucox (1960) con-
clui que a presença de Amphige-
nia na Formação Maecurú do Ama-
zonas, e de Prionothyris na fauna
Floresta da Colômbia, sugerem que
as correspondentes bacias seten-
trionais da América do Sul estive-
ram ligadas à bacia Apalachiana
durante a última parte do Devo-
niano Inferior (Emsian).
Saul, Boucot & Finks
(1963) assinalaram textualmente
que: “There is a possibility that the
Devonian on the northern side of
the Amazon Basin may be as
young as early Eifelian, because of
the presence of Amphigenia. In the
Appalachian Mountains, of the
northeastern United States, Am-
phigenia with a well developed me-
dian septum has a known range
from beds of early Emsian (Cam-
den chert, zone “B” of the Onon-
daga limestone) to Eifelian (More-
house formation of the Onondaga
limestone)”.
Abstração feita às trilobitas,
cuja correlação peca por falta de
identidade específica, verifica-se
pela discussão acima que no con-
junto da fauna fóssil da Formação
Maecurú predominam os elementos
correlacionáveis com formas do
Andar Schoharie, correspondente
ao Emsiano, andar superior do Eo-
devoniano, com possibilidade des-
ta formação se estender até o
Onondaga/Eifeliano, andar infe-
rior do Devoniano Médio. Esta aná-
lise veio confirmar as primitivas
interpretações de Derby, Rathbun
e Katzer sôbre a posição da For-
mação Maecurú próxima ao limite
entre o Devoniano Inferior e o De-
voniano Médio.
b) Formação Ereré
A referência da Formação Ereré
ao Devoniano Médio (Andar Ha-
milton) parece ser ponto pacífico.
A íntima relação da fauna Ereré
com formas do Hamilton já foi as-
sinalada pelos autores antigos,
como, por exemplo, por Rathbun
(1874), Haett & Rathbun (1876),
Derby (1878), Ulrich (1893), e ou-
tros.
Na lista comparativa de Clar-
KE (1899), as seis espécies restri-
tas à Formação Ereré e identifica-
das com espécies da América do
Norte, aí são representadas por for-
mas exclusivamente do Hamilton.
Ao discutir as afinidades das fau-
nas devonianas da amazônia, Clar-
ke assinala que: “A opinião de Der-
by e Rathbun, que os grupos Mae-
curú e Ereré têm entre si cêrca da
mesma relação estratigráfica e pa-
leontológica que existe entre o do
Helderberg Superior e o Hamilton,
acha-se sustentada por tôda a evi-
dência agora acessível”. No mes-
mo trabalho, referindo-se à fauna
282
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
da Formação Ereré, Clarke assim
se exprime; “A composição devo-
niana média desta fauna, determi-
nada originàriamente pelo estudo
dos braquiópodos, é certa. Ela pode
ser considerada a êste respeito
como uma miniatura da fauna Ha-
milton”, concluindo que “em ou-
tras palavras, com tôda a sua se-
melhança ao Hamilton, ela é uma
fauna devoniana média mais típi-
ca e mais bem definida do que
esta”.
A mesma interpretação foi man-
tida pelos autores mais modernos,
encontrando-se a referência da
Formação Ereré ao Devoniano Mé-
dio nos trabalhos de Kozlows-
Ki (1923), Cloud (1942), e Cas-
TER (1952), para só citar alguns
dos que se ocuparam com a revi-
são e a correlação da fauna Ereré.
Verifica-se, pois, que pràticamen-
te existe unanimidade na correla-
ção da Formação Ereré com o An-
dar Hamilton da América do Nor-
te. Segundo a revisão de Pavli-
DEs et al. (1964), cuja tabela com-
parativa reproduzimos na parte in-
trodutória dêste capítulo, o Andar
Hamilton corresponde na coluna
européia à metade superior do An-
dar Eifeliano e à totalidade do An-
dar Givetiano, ou seja, aos dois
terços superiores do Devoniano
Médio.
A êste respeito, merece ainda ser
considerado o fato seguinte, mais
diretamente relacionado com o pre-
sente estudo.
Pela tabela de distribuição dos
Chitinoza, Anexo III, verifica-se
que o Cachoeira, membro basal da
Formação Ereré, encontra-se carac-
terizado pelo tipo C-1, que perten-
ce ao gênero Alpenachitina Dunn
& Miller (1964). Êste gênero de
Chitinozoa até agora só era conhe-
cido dos Calcários Alpena de Mi-
chigan, pertencentes ao Andar Ha-
milton e ocupando, segundo Coo-
per (1942), uma posição corres-
pondente à parte inferior do An-
dar Givetiano. Se a restrição de
Alpenachitina a esta posição estra-
tigráfica vier a ser confirmada, te-
ríamos então limitado o início da
deposição Ereré ao Givetiano.
Aceitando-se o Devoniano da Ba-
cia do Amazonas como represen-
tando uma deposição contínua, te-
ríamos, neste caso, a Formação
Maecurú estendendo-se desde o
Emsiano, através de todo o Eifelia-
no, até a base do Givetiano, o que
se nos afigura pouco provável em
vista da reduzida espessura dessa
formação. Como alternativa, e uma
vez confirmada a correlação e a
fixação cronológica do início da de-
posição Maecurú e Ereré, poder-
-se-ia pensar na ocorrência de um
hiato deposicional entre estas duas
formações, semelhante à disconfor-
midade entre os Andares Schoharie
e Onondaga assinalada na revisão
Volume 1 (Geociências)
283
da coluna americana por Pavlides
et al. (1964) .
Até o momento, todavia, os ele-
mentos disponíveis são insuficien-
tes para se tomar uma decisão de-
finitiva sôbre o assunto, e, em con-
seqüência, apenas se pode regis-
trar a correlação da Formação Ere-
ré com o Andar Hamilton da Amé-
rica do Norte, sem comparação
mais precisa com os andares euro-
peus.
c) Formação Curuá
Rathbun (1874) comparou uma
Orbiculoidea dos folhelhos Barrei-
rinha, da planície de Ereré, com
Orbiculoidea lodensis Hall dos fo-
lhelhos Genesee de N. York.
Derby (1878) referiu-se à ocor-
rência de Spirophyton tanto nos
folhelhos pretos do Membro Bar-
reirinha como nos folhelhos varie-
gados do Membro Panacú e con-
cluiu que se trata de forma apa-
rentemente idêntica à descrita por
Hall do Grupo Hamilton de New
York, motivo porque não aceitou
as idéias de Hartt e de Katzer, os
quais tinham considerado os men-
cionados folhelhos como pertencen-
tes ao Carbonífero. Posteriormen-
te, todavia, verificou-se que S. cau-
dagalli, espécie semelhante à forma
brasileira, estende-se na América
do Norte desde o Devoniano Infe-
ferior até o Mississipiano, carecen-
do, portanto, de significação para
as determinações cronoestratigrá-
ficas.
A comparação, por parte de Der-
by, do Spirophyton dos folhelhos
Curuá com uma forma do Hamil-
ton, levou Dawson (1883-1886) a
atribuir igual idade às duas espé-
cies de Protosalvinia que ocorrem
associadas ao referido fóssil nos fo-
lhelhos desta formação. Na ausên-
cia de uma identidade específica
com formas de outras regiões é di-
fícil precisar a posição das espécies
brasileiras. Há, no entanto, a con-
siderar que representantes de Pro-
tosalvinia na América do Norte
(P. furcata, P. ravenna e P. arnol-
dii) são reconhecidas como formas
características do Devoniano Su-
perior (veja-se, a propósito, Kids-
TON & Lang, 1924; Kraeusel, 1941;
e Bharadwaj & Venkatachala,
1960).
O fóssil mais importante para a
correlação é o braquipodo Schi-
zobolus truncatus (Hall), cuja
ocorrência na Formação Curuá foi
constatada desde o seu membro ba-
sal, Barreirinha, até os folhelhos
superiores do Membro Faro. A
identificação da forma brasileira
foi feita por Clarke (1908 e
1913) , 0 qual a comparou à espécie
largamente distribuída nos folhe-
lhos Genesee de N. York. Segundo
Cooper 1942), Schizobolus trun-
catus surgiu no tôpo do Devoniano
Médio (Tôpo do Hamilton) desen-
284
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
volvendo-se no Devoniano Superior
pelos grupos Genesee e Naples
(=: Andar Frasniano) . Distribuição
semelhante é indicada por Shi-
MER & Shrock (1944), os quais
assinalam que a espécie é princi-
palmente desenvolvida nos folhe-
lhos Genesee e seus equivalentes.
Computando-se as comparações
acima, deve-se admitir a possibili-
dade da deposição dos sedimentos
Curuá já se ter iniciado no final do
Devoniano Médio, desenvolvendo-se
depois durante o Frasniano, pri-
meiro andar do Devoniano Supe-
rior.
Uma vez estendida a pesquisa
micropaleontológica à Bacia do
Maranhão/Piauí, é bem provável,
encontrar-se uma estreita relação
entre as formações Curuá e Longá.
Segundo Kegel (1953) a parte
inferior da Formação Longá “di-
ficilmente pode ser mais moderna
que o Frasniano, ao passo que a
parte superior pode ser mais recen-
te”. Também Mueller (19 6 2,
1964, inéditos), em base da análi-
se palinológica, correlacionou a
parte superior da Formação Curuá
(Membro Faro) com a parte infe-
rior a média da zona palinológica
“O”, correspondente na coluna do
Maranhão à parte superior da For-
mação Longá, zona essa que Muel-
ler referiu ao Devoniano Superior
ou ao Mississipiano Inferior.
RESUMO
Verifica-se, pela discussão acima,
que cada uma das três formações
devonianas da Bacia do Baixo
Amazonas é caracterizada por uma
associação fossilífera peculiar e que
permite uma boa separação das
unidades. Além de uma série de
formas novas, sem utilidade para
os estudos comparativos, essas as-
sociações faunísticas contém algu-
mas espécies que permitem uma
correlação com formas conhecidas
de outras regiões; nem sempre, to-
davia, estas espécies correlacioná-
veis apresentam uma distribuição
vertical limitada nas colunas estra-
tigráficas estabelecidas em outros
países, 0 que dificulta a fixação da
idade cronológica exata das forma-
ções brasileiras em que ocorrem.
Aliás, dificuldades semelhantes são
encontradas na tentativa de corre-
lação de outras bacias, afastadas
das bem estudadas colunas da
América do Norte e da Europa,
como ainda recentemente foi cons-
tatado por Saul, Boucot & Finks
(1963) ao procurarem determinar
a posição das camadas devonianas
de Ghana, África Ocidental.
De qualquer maneira, em base
da análise comparativa, somos le-
vados a admitir que a deposição
das camadas devonianas na bacia
amazônica provàvelmente se desen-
volveu no transcorrer e dentro dos
limites da seguinte sucessão cro-
nológica ascendente;
Volume 1 (Geociências)
285
Formação Maecurú = do Emsiano
ao Eifeliano,
Formação Ereré = do Eifeliano ao
Givetiano, e
Formação Curuá = do Givetiano
ao Frasniano.
Não encontramos, nesta bacia,
qualquer evidência da presença de
camadas pertencentes à parte in-
ferior do Devoniano Inferior, ou
seja, ao Helderberg/Gediniano-Sie-
geniano, ou à parte média e supe-
rior do Devoniano Superior, cor-
respondentes na coluna americana
ao Chautauquan-Chemung, e na
coluna européia ao Fameniano-
Struniano.
V . SUBSÍDIO PARA A GEOLOGIA
DO PETRÓLEO
Quando da descrição da Forma-
ção Maecurú, no Capítulo III,
mencionamos a possibilidade des-
ta unidade vir a terminar por
acunhamento antes de atingir a
faixa de afloramentos no flanco sul
da bacia. Nesta região do Baixo
Amazonas encontram-se mapeadas
diversas falhas — veja-se, por
exemplo, a descrição da área do
rio Urupadi — e como estas fa-
lhas na sua maioria são do tipo
normal, encontrar-se-ão na subsu-
perfície os folhelhos Ariramba ou
mesmo Barreirinha, dependendo
da amplitude do rejeito, frente aos
arenitos Maecurú; isto permitiria
uma migração do óleo da rocha
matriz para o reservatório. Como
os arenitos Maecurú se encontram
aqui intercalados entre rochas im-
permeáveis — folhelhos Pitinga na
base e folhelhos Ariramba na capa
— a sua terminação em cunha,
mergulho acima, oferece ótimas
possibilidades de acumulação por
alçaponeamento estratigráfico.
A ser correta a nossa interpre-
tação, as antigas sondagens pra-
ticadas pelo Serviço Geológico em
Bom Jardim e Itaituba, nas mar-
gens do rio Tapajós, encontram-se
ao sul, aquém da terminação dos
arenitos Maecurú, tendo encontra-
do os folhelhos Ariramba da For-
mação Ereré jazendo diretamente
sôbre os folhelhos Pitinga da For-
mação Trombetas. O arenito em
que se constatou a ocorrência de
gás nestas sondagens provàvelmen-
te corresponde ao arenito superior
do Membro Ariramba, eventual-
mente colocado bacia-a-dentro em
contigüidade com os folhelhos Bar-
reirinha pelo mesmo sistema de
falhas; êste arenito, todavia, não
apresenta características reserva-
tórias tão boas como as do arenito
Maecurú.
Face ao exposto, merecem ser
exploradas as possibilidades de
acumulação ao longo da linha de
acunhamento da Formação Mae-
curú no flanco sul da bacia.
286
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
VI. SUBDIVISÃO BIOESTRATI-
GRAFICA DA COLUNA SILURO-
DEVONIANA DA BACIA DO
BAIXO AMAZONAS
Um dos principais objetivos do
presente trabalho consistia na de-
terminação de zonas paleontológi-
cas bem definidas, capazes de as-
segurar a identificação de horizon-
tes-chaves na coluna siluro-devo-
niana e de permitir a sua correla-
ção entre seções afastadas. Exa-
minando a amostragem disponível
verificamos que os microfósseis, e,
entre êstes, os quitinozoários, alia-
vam uma ocorrência freqüente e
uma larga distribuição horizontal
a uma extensão estratigráfica res-
trita, satisfazendo assim às condi-
ções exigidas para se atingir o ob-
jetivo previsto.
No transcorrer dos trabalhos iso-
lamos mais de uma centena de ti-
pos representativos de Chitinozoa,
conforme se verifica pela tabela de
distribuição. Anexo III. Uma par-
te destas formas pertence a espé-
cies já conhecidas e descritas, mas
a maioria é representada por es-
pécies novas. Como o presente tra-
balho é de escopo essencialmente
prático, não caberia estendê-lo de-
masiadamente pela inclusão de
uma elaborada descrição sistemáti-
ca para cada uma das novas espé-
cies, cujos nomes formais, além
disso, só alcançariam status ofi-
cial depois de publicada a corres-
pondente descrição. Por êste moti-
vo resolvemos designar os diferen-
tes tipos por um simples código,
seguindo o método empregado para
tais casos pelas emprêsas de pe-
tróleo. Em conseqüência, a coluna
bioestratigráfica não fbi dividida
em “zonas” — pelo menos não no
sentido da definição formal dês-
se têrmo pelo Código de Nomencla-
tura Estratigráfica — e sim, em
unidades e subunidades informais.
Somente de futuro, depois de for-
malizada a designação de tôdas as
espécies pela publicação da sua
descrição sistemática, poder-se-á
proceder a uma revisão ou redefi-
nição da coluna bioestratigráfica,
empregando-se então na sua sub-
divisão têrmos como “Zona de am-
plitude Angochitina mourai”, ou
Zona concorrente Lagenochitina
avelinoi — Desmochitina som-
meri”, etc.
Para não basear a coluna em
apenas um grupo de microfósseis,
e para controle dos resultados obti-
dos, computamos também a distri-
buição dos Acritarcha/Leiofusidae,
empregando para a identificação
dos mesmos o mesmo método uti-
lizado para os Chitinozoa, e sub-
dividindo a correspondente colu-
na, Anexo IV, igualmente em uni-
dades informais.
Para se conseguir os elementos
necessários para a subdivisão bio-
estratigráfica da coluna siluro-de-
voniana da bacia, foram em pri-
Volume 1 ( Geociências )
287
meiro lugar preparadas tabelas in-
dividuais da distribuição dos mi-
crofósseis para cada uma das se-
ções locais consideradas neste re-
latório. Em seguida procedeu-se à
correlação destas seções, compu-
tando-se para tal fim os limites da
extensão vertical das diferentes es-
pécies. Reuniu-se depois todos êsses
dados em uma tabela de distribui-
ção relativa máxima de tipos re-
presentativos e, em base dos limi-
tes estabelecidos, procedeu-se a
uma subdivisão em unidades pro-
visórias.
Para os intervalos da coluna es-
téreis em microfósseis dos mencio-
nados grupos, foram aproveitados
os dados paleontológicos forneci-
dos pelos demais grupos de micro-
fósseis e pelos macrofósseis, utili-
zando-se para a definição das uni-
dades ainda os elementos litológi-
cos bem como os da perfilagem elé-
trica dos poços.
Utilizando-se em primeiro lugar
a tabela de distribuição dos Chiti-
nozoa, foram demarcados os inter-
valos correspondentes à extensão
estratigráfica máxima de tipos re-
presentativos e que constituiriam
as unidades bioestratigráficas prin-
cipais. Comparando esta subdivisão
bioestratigráfica com a coluna li-
toestratigráfica então em uso,
constatamos uma pronunciada
quebra da sucessão faunística no
meio do que então se designava de
“Formação Maecurú”. Isto nos le-
vou a proceder à revisão das uni-
dades, detalhada nos capítulos an-
tecedentes e que resultou na re-
definição da Formação Maecurú e
no restabelecimento da Formação
Ereré. Com o retôrno à coluna li-
toestratigráfica clássica da bacia
verifica-se uma boa concordância
dos limites da mesma com a sub-
divisão, baseada nos microfósseis.
Neste sentido, as unidades I a
III da coluna bioestratigráfica, ca-
racterizadas pela extensão total do
quitinozoário tipo C-29, correspon-
dem à Formação Trombetas; a uni-
dade IV, caracterizada pela forma
C-106, corresponde à Formação
Maecurú; a unidade V correspon-
de à Formação Ereré, sendo de no-
tar que não obstante não se ter
encontrado nas poucas seções exa-
minadas um tipo de Chitinozoa de
amplitude coincidente exatamente
ao intervalo Ereré, o mesmo acha-
-se devidamente definido pelo li-
mite de extensão das formas que
caracterizam as unidades encai-
xantes; a Formação Curuá com-
preende as unidades VI e VII, a
primeira caracterizada pela for-
ma C-33, a segunda pela extensão
máxima do tipo C-112.
a) Chitinozoa
Para o estabelecimento das sub-
unidades foi utilizada a distribui-
ção restrita de tipos representati-
vos de Chitinozoa, e, na ausência
288
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dêstes, os demais elementos paleon-
tológicos e litológicos disponíveis,
procedendo-se da seguinte forma;
Partindo da Subdivisão Provisó-
ria (SP-), verificamos que a SP-1
corresponde à Formação Uatumã,
que até agora não forneceu fósseis
capazes de definir a sua idade; na
coluna das unidades esta forma-
ção é indicada pela sigla “U”.
A SP-2 compreende o arenito
com intercalações de silex com es-
pículas de esponja, destacado sob
a designação de Membro Uru-
bu; embora tivéssemos encontrado
fragmentos de quitinozoários em
amostras procedentes de outras lo-
calidades, nas seções a que se re-
fere êste relatório as amostras têm
se mostrado estéreis quanto a êstes
microfósseis, motivo porque não
julgamos justificado destacar êste
membro como unidade bioestrati-
gráfica autônoma, preferindo in-
cluí-lo na Unidade I como subuni-
dade A.
Na SP-3 registra-se a primeira
ocorrência de Chitinozoa na seção
Urubu-Urupadí. O intervalo repre-
senta a subunidade I.B, correspon-
dente ao Membro Cajarí da For-
mação Trombetas. Êste intervalo é
caracterizado pela ocorrência res-
trita dos tipos C-50 e C-49, e pela
associação das formas adicionais
C-4, 5, 7, 8, 29, 43, 48, 55, 67, 72,
74, 95, 101, 102, 103, 104, 109 e 110.
A Unidade II até agora tem se
mostrado estéril em Chitinozoa,
mas encerra a rica macrofauna do
Membro Nhamundá, à qual já nos
referimos quando da descrição dês-
te membro. Esta unidade tem o
seu limite superior bem definido
pelo surgimento de uma série de
formas novas que identificam a
base da unidade subseqüente.
A Unidade III é caracterizada
pela extensão total da forma C-105.
Verifica-se pela tabela que esta
unidade encerra um total de 48
formas restritas, dentre as quais
algumas de amplitude limitada a
determinados intervalos, o que per-
mitiu proceder-se a uma divisão
em subunidades, a saber: Subuni-
dade A, caracterizada pela forma
C-89, Subunidade B, caracterizada
pelo tipo C-90, e Subunidade C, ca-
racterizada pela forma C-23. Os li-
mites desta Unidade III coincidem
com os do Membro Pitinga, unida-
de superior da Formação Trombe-
tas na coluna litoestratigráfica da
bacia.
Nas seções examinadas, alguns
tipos de Chitinozoa se estendem por
tôda a seção fossilífera da Forma-
ção Trombetas; entre estas formas
de larga extensão uma das mais
características é representada pelo
tipo C-29.
O tôpo da Unidade III coincide
com o tôpo da Formação Trombe-
tas e é indicado pelo limite supe-
rior da extensão das formas C-23,
C-29, C-76, C-104 e C-105; além
Volume 1 (Geociências)
289
disso, verifica-se pela tabela que
das 70 espécies de Chitinozoa en-
contradas na Formação Trombe-
tas, apenas quatro (menos de 6%)
ultrapassam o seu limite superior,
as 66 restantes tendo a sua distri-
buição restrita a esta formação; a
quebra na sucessão faunística é
ainda mais acentuada pela série
de formas novas que surgem na
base da unidade subseqüente. Esta
quebra muito pronunciada eviden-
cia a existência de um largo hiato
deposicional entre as formações
Trombetas e Maecurú, o que cor-
robora as considerações que tece-
mos quando da discussão da su-
cessão estratigráfica destas forma-
ções.
A Unidade IV é caracterizada
pela amplitude de distribuição da
forma C-106, e corresponde à For-
mação Maecurú da coluna litoes-
tratigráfica. Nesta unidade ocor-
rem 11 formas restritas, das quais
a forma C-80, associada aos tipos
C-14, 15, 35, 36, 85, 88 e 107 cons-
tituem a subunidade IV. A, que
corresponde ao Membro Jatapú,
enquanto as formas C-16, C-17 e
C-38 constituem a subunidade
IV. B, correspondente ao Membro
Lontra da Formação Maecurú.
Do total de 17 espécies encontra-
das na Formação Maecurú (Unida-
de IV), onze se encontram restri-
tas a esta formação, três provém
da Formação Trombetas e atraves-
sam o Maecurú ascendendo às for-
mações superpostas; das formas
que surgiram no Maecurú, duas pe-
netram na Formação Ereré, e uma
terceira se estende até a Formação
Curuá. Abstração feita às 3 formas
de grande amplitude que atraves-
sam o Maecurú, verificamos que
esta formação se encontra bem ca-
racterizada por cêrca de 80% de
formas restritas.
Como já assinalamos, na seção
Urubu-Urupadí não encontramos
uma forma de Chitinozoa corres-
pondente em extensão total à Uni-
dade V, Formação Ereré. Todavia,
a subunidade V. A, Membro Ca-
choeira, é perfeitamente caracte-
rizada pelas formas restritas C-1,
19, 20 e 111. O Membro Ariramba
tem a sua base evidenciada pelo
surgimento das formas C-18, 24,
25, 121, 122, 123 e 124, conta com
a forma restrita C-92, e encontra
o seu tôpo limitado pelas formas
novas que aparecem na base da
Unidade VI.
Proporcionalmente nota-se uma
quebra muito mais acentuada en-
tre as formações Maecurú e Ere-
ré (anteriormente englobadas em
uma só formação litoestratigráfi-
ca) do que entre o Ereré e o Curuá,
pois, abstração feita às formas co-
muns a mais de duas formações,
verificamos que apenas 2 das for-
290
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
mas que surgiram no Maecurú se
estendem até o Ereré, enquanto
das formas que apareceram no Ere-
ré, oito continuam até o Curuá.
(Como veremos adiante, a quebra
entre o Maecurú e o Ereré é ainda
mais pronunciada na distribuição
dos Leiofusidae) .
A amplitude total de distribui-
ção da forma C-33 identifica os li-
mites da Unidade VI. A subunida-
de VI. A, Membro Barreirinha, é
caracterizada pela ocorrência res-
trita da peculiar forma C-125 e tem
o seu tôpo assinalado pelo limite
superior da extensão do tipo C-28,
enquanto a sua base coincide com
o aparecimento das formas C-33 e
C-112.
Nas seções do perfil Urubu-Uru-
padí apenas uma amostra, a . . . .
CAA-261 Urupadí, foi coletada no
intervalo correspondente ao Mem-
bro Panacú, amostra essa que se
revelou estéril quanto à presença
de quitinozoários. A ausência de
formas características na tabela de
Chitinozoa é, pois, devido à falta de
amostragem neste intervalo. Quan-
do da definição do Membro Pa-
nacú mencionamos, na discussão
da parte paleontológica, a ocorrên-
cia, além do característico Spiro-
phyton, de diversos quitinozoários,
bem como de muitos outros micro-
fósseis, encontrados em amostras
dêste membro procedentes de ou-
tras localidades; a fim de se man-
ter a uniformidade do trabalho,
julgou-se preferível não se incluir
nas tabelas de distribuição Uru-
bu-Urupadí formas alheias a esta
seção. Todavia, pela própria tabe-
la de distribuição de Chitinozoa
desta seção, verifica-se que muitas
das formas que surgiram nas uni-
dades infra-Panacú se estendem
para as unidades superpostas, sen-
do razoável admitir a sua presen-
ça no Panacú de outras localida-
des.
As subunidades VI. C e VI. D,
que correspondem ao Membro
Curiri da Formação Curuá, são ca-
racterizadas pelas formas concor-
rentes C-108 e C-115; êste intervalo
contém ainda as formas restritas
C-32, C-37 e C-39, e o seu tôpo se
encontra assinalado pelo limite su-
perior da extensão das formas C-33,
18, 26, 82 e 115.
A Unidade VII, correspondente
ao Membro Faro, é caracterizada
pelo tipo C-112. Na seção em aprê-
ço, êste intervalo se encontra re-
presentado pela testemunhagem de
apenas um poço.
b) Leiofusidae
No transcorrer dos trabalhos se-
paramos uma grande quantidade
de tipos de Leiofusidae (Acritar-
cha/Netromorphitae na classifica-
Volume 1 ( Geociências )
291
ção de Downie, Evitt & Sar-
JEANT, 1963), de cujo estudo mono-
gráfico tínhamos sido encarrega-
dos, a título de colaboração, pela
Comissão Internacional da Micro-
flora do Paleozoico. Para melhor
identificação das formas recupera-
das, submetemos as mesmas a uma
análise estatística, cujos resulta-
dos permitiram uma boa separação
em diversas espécies e subespécies.
Aproveitando parte dos resulta-
dos desta pesquisa, preparamos
uma tabela de distribuição dos
Leiofusidae recuperados nas seções
do perfil Urubu-Urupadí, principal-
mente para comparar a extensão
estratigráfica dêstes microfósseis
com a dos Chitinozoa. Esta tabe-
la, Anexo IV, foi preparada pelo
mesmo método empregado quando
da elaboração da tabela dos qui-
tinozoários.
Comparando-se estas duas tabe-
las, verifica-se que existe uma boa
concordância na delimitação dos
intervalos estabelecidos em base da
distribuição dêstes dois grupos de
microfósseis. Observa-se, todavia,
que em comparação com os Chiti-
nozoa, os Leiofusidae apresentam
maior tendência em atravessar o
limite entre as formações Trombe-
tas e Maecurú. Assim, enquanto de
um total de 70 formas de Chitino-
zoa apenas 4 atravessam o limite
superior do Trombetas, das 22 for-
mas de Leiofusidae do Trombetas 9
ultrapassam êste limite. Há a con-
siderar, no entanto, que é bem pos-
sível que dêstes Leiofusidae se tra-
te, pelo menos em parte, de fósseis
silurianos redepositados nos sedi-
mentos devonianos; enquanto os
Chitinozoa, maiores e mais quebra-
diços, foram destruídos durante os
processos de alteração, erosão e
transporte das camadas superfi-
ciais do Trombetas, os Leiofusidae,
menores e muito mais resistentes,
poderiam muito bem ter suporta-
do o retrabalhamento e a sua re-
deposição nos sedimentos Maecurú.
A delimitação entre as formações
Maecurú e Ereré encontra-se muito
bem definida na tabela de distri-
buição dos Leiofusidae, sem uma só
das formas atravessando êste li-
mite. Como a deposição dos sedi-
mentos devonianos nesta bacia se
processou de forma contínua, não
houve hiato com ciclo erosivo tão
pronunciado como o verificado en-
tre o Siluriano e o Devoniano; isto
evitou 0 retrabalhamento e a rede-
posição dos fósseis, e explica a me-
lhor definição dos limites na dis-
tribuição dos Leiofusidae devonia-
nos.
Outro fator que ressalta a que-
bra entre as formações Maecurú
e Ereré na tabela de distribuição
dos Leiofusidae, é que, com exce-
ção dos tipos 412, 413 e 445 — já
292
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
por si exóticos — tôdas as demais
formas providas de processos ter-
minais encontram-se restritas ao
intervalo da sucessão Trombetas-
-Maecurú, enquanto as formas
alongadas ou ovaladas, destituídas
de apêndices, têm a sua ocorrên-
cia restrita ao intervalo das for-
mações Ereré e Curuá.
À semelhança do que se verifi-
cou na distribuição dos Chitinozoa,
observa-se que também nos Leio-
fusidae um elevado número de for-
mas atravessa o limite Ereré-
-Curuá; isto evidencia relações cro-
nológicas mais estreitas entre es-
tas duas formações e, em parte,
também pode ser atribuído à maior
semelhança do ambiente deposi-
cional.
Além das formas que atravessam
0 limite formacional, observa-se
que ocorrem muitos tipos de Leio-
fusidae restritos às diversas unida-
des; entre êstes, os tipos mais ca-
racterísticos foram aproveitados
para designar os intervalos na co-
luna das unidades bioestratigráfi-
cas.
Nas seções do perfil Urubu-Uru-
padí a Unidade VII contou apenas
com a amostragem do poço
NO-l-AZ, na qual não encontramos
representantes dos Leiofusidae. To-
davia, quando da discussão da
paleontologia do correspondente
Membro Faro, mencionamos a
ocorrência nestas amostras de ou-
tros Acritarcha, associados a Chiti-
nozoa, escolecodontes e esporomor-
fos.
Em resumo, verifica-se pela ta-
bela que a distribuição dos dife-
rentes tipos de Leiofusidae veio
consubstanciar a delimitação das
unidades bioestratigráficas estabe-
lecidas em base dos Chitinozoa.
E’ possível que, quando se esten-
der a pesquisa micropaleontológi-
ca à região oriental da bacia, uma
ou outra das formas aqui conside-
radas venha a demonstrar uma ex-
tensão estratigráfica mais ampla
que a indicada nas tabelas desta
seção, mas isto por certo não in-
fluiria de modo sensível nas divi-
sões estabelecidas em um conjunto
de fatores. Neste sentido cumpre
adicionar que muitos outros micro-
fósseis desta seção concordam na
sua distribuição com os limites das
unidades aqui propostas, as quais,
em que pese o seu caráter infor-
mal, podem portanto ser conside-
radas como elemento de valor prá-
tico adequado para as correlações
estratigráficas.
RESUMO
Visando estabelecer um zonea-
mento bioestratigráfico, em base
micropaleontológica, da coluna si-
luro-devoniana da Bacia do Baixo
Volume 1 ( Geociências )
293
Amazonas, foram estudados os
Chitinozoa e Leiofusidae recupera-
dos de amostras de uma secção
que se estende desde os afloramen-
tos do Rio Urubú, no flanco norte,
através dos poços de Autás Mirim,
Nova Olinda, e Rio Abacaxis, até
os afloramentos do Rio Urupadí,
no flanco sul da bacia. Elaborou-se
uma coluna, cujas unidades foram
baseadas tanto na distribuição dos
microfósseis como, na ausência
dêstes, nos dados macropaleontoló-
gicos, utilizando-se, ainda, para os
intervalos estéreis, os elementos
litológicos e os da perfilagem dos
poços. Comparando-se as unidades
assim estabelecidas com a coluna
litoestratigráfica últimamente em
uso, constatou-se a ocorrência de
algumas divergências, a mais pro-
nunciada dizendo respeito a uma
acentuada quebra da sucessão fau-
nística no meio do que se vinha de-
nominando de Formação Maecurú.
Procurando elucidar o motivo des-
sa discrepância, constatou-se que a
Formação Maecurú das colunas
modernas incorporava uma outra
unidade, antigamente considerada
como constituindo uma formação
distinta. Para determinar a proce-
dência desta e de outras modifica-
ções introduzidas na coluna paleo-
zoica da bacia, procedeu-se a uma
análise dos trabalhos pioneiros e
dos relatórios mair, recentes. Como
êstes relatórios na sua maioria são
inéditos, julgou-se oportuno reunir
as suas informações no presente
trabalho. Com fundamento nestes
dados, revalidando-se algumas das
designações antigas e introduzin-
do-se denominações novas para os
casos omissos, foi proposta a sub-
divisão abaixo para a coluna silu-
ro-devoniana do Baixo Amazonas,
indicando-se ainda os prováveis li-
mites geocronológicos em que se
deu a deposição das unidades:
294
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
SUMMARY
The principal objective of this
study was the establishment of a
biostratigraphic zonation, based on
the range of microfossils, of the
Silurian and Devonian formations
of the Amazon Basin in northern
Brazil. In order to base the study
on representativo sections from
different parts of the basin, sam-
ples were processed from a line
which crosses the basin, starting
with surface samples from the
Urubu river section in the north-
western flank, thence to cores of
deep Wells in the Autás-Mirim,
Nova Olinda, and Rio Abacaxis
areas, terminating with surface
samples from the Urupadí river in
the Southern flank of the basin.
In the course of the investigation
it was found that among the recov-
ered microfossils the Chitinozoa
provided the most adequate ele-
ment for the accomplishment of
the project since, in addition to
their relative abundance, they were
represented by many forms which
combined a large geographic range
with a restricted vertical exten-
sion. For comparison of the results,
the distribution of the Leiofusidae
(Acritarcha/ Netromorphitae) in
the same sections was also com-
puted. Since this paper had origi-
nally been prepared as a report for
internai use in petrobrás, the
different microfossils were identi-
fied only by a code number; the
systematic description of the cor-
responding species will be publish-
ed in another paper.
The vertical extensions of the
microfossils in the different sec-
tions were compared and correlat-
ed, and the range limits thus ob-
tained provided the basis for the
establishment of a preliminary
subdivision. For those parts of the
section which had yielded no mi-
crofossils, the division into unlts
was based on macropaleontological
data or, for the barren intervals,
on the llthology and on the ele-
ctric log characteristics of the
Wells. The probable geologic age of
the units was determined by their
fóssil content.
Comparing the thus established
composite columnar section with
the lithostratigraphic section used
at the time, several divergencies
were noticed, the most striking
one represented by a marked
break in the faunal succession
coinciding with the middle part of
what was then called the Maecurú
Formation. Attempting to deter-
mine the cause of this apparent
discrepancy, it was found that the
Maecurú, as defined in more re-
cent papers, included another stra-
tigraphic unit which formerly had
been regarded as distinct. In order
to evaluate the validity of this and
Volume 1 (Geociências)
295
of some other modifications propo-
sed in modern revisions, all the
pertinent literature was carefully
examined, the corresponding com-
ments and conclusions being pre-
sented for each case in detailed
discussions. The integration of all
the obtained data resulted in the
establishment of the following co-
lumnar section:
Lithostratigraphic Section Units
Unconformity
UATUMÃ U
Geochronofígic Limits
Stages
Frasnian
to
Givetian
Givetian
to
Eifelian
Eifelian
to
Emsian
Lower Llandovery
Pre-Silurian
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I — Correlação das unidades bioes-
tratigráficas através da região
ocidental do Baixo Amazonas,
e Mapa de Situação.
II — Perfil composto mostrando
características da Formação
Curuá (Poço LFst-l-Am) e das
formações Ereré, Maecurú e
Trombetas (Poço AM-l-AZ) .
III — Subdivisão Bioestratigráfica da
Coluna Siluro-Devoniana do
Baixo Amazonas em base da
distribuição de Chitinozoa.
IV — Subdivisão Bioestratigráfica da
Coluna Siluro-Devoniana do
Baixo Amazonas em base da
distribuição de Leiofusidae.
lyfr
cm 1 2 3 4 5 6 7
9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
SciELO
34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63
SECÇÕES E
mostras
DISTRIBUIÇÃO RELATIVA MA'XIMA DE
TIPOS
f^^PRESENTATIVOS DE LEIOF
U S I D A E
.-[E-
ITr
-lir
.lE-
-lE
Jj
- — ai.
'TE
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■iiJ
■iij
iiiiij
ANEXO rz
■LlJ
m'
lE.
.-J]
p£ TROLEO eRôSILEIROS.A - P£TRO0Ra's
SETEX/DESUL - PONTA GROSSA - PR.
LABORATORIO de micropaleontologia
SUBDIVISÃO BIO-ESTRATIGRA'ficA
DA COLUNA SILURO- DE VONI ANA
DO BAIXO AMAZONAS EM BASE
da DISTRIBUIÇÃO DE LEIOFUSIDAE
■ ÇIIOÜSA.PAH^^
V» . t A N G E ReioTÒrK
AGO S to OE 1965
O esenhodo por ;
NAEL N. ROCHA
A RQUIVO
CO
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I 4
I 3
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intervalos
Extensão estrotigro-
ficQ de tipos repre
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f u s í d 0 e
u
UN IDADES
BIO-
ESTRATIGR.
COLUNA
LITO-
ESTRATIGR
ESTAMPAS
ESTAMPA 1
Observações: 0 número das figuras concide com o número do tipo de Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50/»”.
SciELO
cm i
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
EST. 1
4.b,
iw. H
ESTAMPA 2
Observações: O número das figuras concide com o número do tipo de Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50m”.
SciELO
cm i
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
16.b
EST. 2
ESTAMPA 3
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo de Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50/j”.
ESTAMPA 4
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo de Chitinozoa da tabela,
Anexo III.
“Aumento; traço junto às figuras corresponde a 50;j”.
cm i
SciELO
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
EST. 4
37.«
45
ESTAMPA 5
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo do Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50m”.
Fig. e
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
EST. 5
52.a
cm
ESTAMPA 6
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo de Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50^”.
6
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Voi. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
EST.
cm
ESTAMPA 7
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo de Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50n”.
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica EST 7
Vol. 1 (Geocièncias): 215-326 — 1967
SciELO
cm i
96-a
92.1»
I
94. b
91.b
1
ESTAMPA 8
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo de Chitinozoa da Tabela,
Anexo III.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50;í”.
ESTAMPA 9
Observações: O número das figuras coincide com o número do Tipo do Chitinozoa da Tabela
Anexo III.
‘‘Aumento: o traço junto às figioras corresponde a 50/i”-
SciELO
cm i
122.a
120
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
EST. 9
118
11 z
122.b 123
t 1
ESTAMPA 10
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
EST. 10
SciELO
ESTAMPA 11
Observações: O número das figuras desta estampa coincide com o número dos Tipos de Leio-
fusidae da Tabela, Anexo IV.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a óO/jl".
SciELO
10 11 12 13 14 15
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica EST 11
Vol. 1 (Geociências): 215-326 — 1967
SciELO
cm i
1
‘V.
*
•Sè
403. A
<405. B
ESTAMPA 12
Observações: O número das figuras desta estampa coincide com o número dos Tipos de Leio-
fusidae da Tabela, Anexo IV.
“Aumento: o traço junto às figuras corresponde a 50/r”.
Fig. e
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 215-32G — 1967
EST. 12
cm i
SciELO
<i23
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
'^ol. 1 (Geociências): 327-337 — 1967
SEDIMENTOS CORRELATIVOS DO CLIMA TROPICAL
J. M. MABESSONE
Escola de Geologia da Universidade Federal
de Pernambuco, Recife
(Com 8 figuras no texto)
O problema da origem e deposi-
ção dos sedimentos correlativos
tem sido objeto de muitos estudos
fios últimos anos. No Brasil, espe-
cialmente, foram publicados vários
fesultados que se referem a tais
ãepósitos nos climas sêcos (vide
Bigarella & Andrade 1964; Biga-
flELLA, MOUSINHO & SiLVA 1965;
Mabesoone 1966). Sôbre a região
amazônica ainda não dispomos de
dados suficientes para apresenta-
ção de um estudo, ainda que resu-
mido.
Na presente contribuição quere-
mos apenas dar um esbôço do
problema numa região tropical e
umida. Para os tipos de sedimen-
tos a serem encontrados, baseamo-
■iios em estudos feitos em áreas li-
mítrofes, como por exemplo, Suri-
name (Bakker 1957; Bakker &
Müller, 1957) , principalmente
sobre formações recentes.
EXPOSIÇÃO DO PROBLEMA
Desde o conhecido trabalho de
Cadisch (1928), foram realizados
na Europa estudos sôbre depósitos
correlativos aos pés das cordilhei-
ras, interpretando-se os sedimentos
grosseiros como conseqüências de
um levantamento tectônico com
uma considerável erosão vertical,
e os sedimentos finos até argilosos
como conseqüências de um relêvo
aplainado num período tectônica-
mente tranqüilo. Porém, nesta teo-
ria quase sempre foram esquecidas
as influências climáticas sôbre a
formação e deposição dos sedimen-
tos. Assim é que Birot (1937)
chamou a atenção para os proble-
mas da geomorfologia climática,
depois de achar sedimentos dito
correlativos, os quais não eram ex-
plicáveis pela teoria corrente. Isto
levou Bakker (1957) a uma recon-
sideração do problema, dando ên-
fase aos climas tropicais com
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
328
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
exemplos de Suriname, onde êste
autor teve a oportunidade de fa-
zer amplas pesquisas. Êle estabe-
leceu alguns pontos indispensáveis
para o estudo, e que são;
(1) 0 clima e a variação estacio-
nai dos rios;
(2) as rochas mães e a composi-
ção dos produtos de intempe-
rismo das mesmas in situ;
(3) o relêvo e a sua influência sô-
bre a decomposição das rochas
e a formação dos solos;
(4) os tipos de sedimentos flu-
viais;
(5) a influência dos “talvegs” sô-
bre a formação dos sedimen-
tos mais ou menos grosseiros;
(6) a comparação dos sedimentos
fluviais grosseiros com aquê-
les da região costeira (Bax-
KER, 1957: 13).
Tratando várias destas exigên-
cias e também levando em consi-
deração a região amazônica, Bak-
KER & Müller (1957) chegam
à conclusão de que a antiga teo-
ria não é aplicável às regiões tro-
picais e equatoriais. Há de se le-
var em conta para tais áreas, mais
0 tipo de intemperismo e formação
dos solos, do que os movimentos
tectônicos. E, por serem os depósi-
tos correlativos geralmente não-
íossilíferos, será necessário aplicar
métodos puramente sedimentoló-
gicos para resolução do problema.
Nota-se nesta lista de exigências,
a importância dada ao ambiente
fluvial. Dêste modo é necessário es-
tudar, em primeiro lugar, os sedi-
mentos dêste ambiente, para apli-
car os resultados aos depósitos an-
tigos, por exemplo: aquêles descri-
tos por Amaral (1954).
ORIGEM DOS SEDIMENTOS
RECENTES
Os climas da região amazônica,
segundo a classificação de Kõp-
PEN, são: Af — na área fronteiri-
ça com o Peru e Colômbia; Aw —
aproximadamente no Território de
Rorãima, e na zona costeira do
Amapá e Pará; Am — no resto da
região (Andrade, 1964). Trata-se
de climas equatoriais e tropicais,
com muita precipitação, com (Am,
Aw) ou sem (Af) estação sêca.
Principalmente a presença de tais
estações sêcas, como ocorrem na
maior parte da região, causa as va-
riações estacionais dos rios, resul-
tando em períodos de estiagem e
enchente, sendo os últimos, às vê-
zes, desastrosos como, por exem-
plo, aquêle do ano 1953 em Ma-
naus (Magalhães, 1962) . Tais
diferenças no regime dos rios fa-
zem sentir-se especialmente nos
desfiladeiros e nas cachoeiras. A
zona destas cachoeiras, as quais
ocorrem em quase todos os afluen-
tes do rio Amazonas (fig. 1 A) , é
de maior importância para a dis-
Volume 1 (Geociências)
329
tribuição dos sedimentos fluviais
no interior da área. Mais perto da
costa o regime é diferente, encon-
trando-se, como nas Guianas, zo-
nas de estuários e pântanos com
seus tipos de transição.
Fig. lA — Principais áreas de ca-
choeiras dos rios Amazonas e Orinoco
com seus afluentes f segundo Bakker &
Müller, 1957).
O fornecimento de material a ser
transportado e, posteriormente,
depositado, depende do tipo de in-
temperismo que ocorre nas rochas
mães. Nos climas equatoriais e
tropicais, êste intemperismo é de
caráter dominantemente químico,
0 que implica uma alteração pro-
funda e um resíduo bem fino: os
solos vermelhos e os lateritos. Po-
rém, esta formação dos solos per-
dura muito tempo num clima es-
tável, atingindo um desenvolvi-
mento máximo {biostasia de Er-
hart, 1955), sem serem os pro-
dutos do intemperismo erodidos e
transportados. Apenas o desapare-
cimento da cobertura vegetal por
uma ruptura do equilíbrio (resis-
tasia) causa um transporte e uma
sedimentação intensa. Mas, até na
fase biostática, os rios e riachos
produzem uma certa erosão late-
ral, levando assim o material dis-
ponível que é sempre areia fina
até argila.
No entanto, nem tôda região
dentro dos climas tropicais está co-
berta por uma floresta, especial-
mente as partes mais elevadas
(por exemplo: os inselberge) sob o
regime de um clima com estação
sêca, assim como as barreiras ao
longo dos vales dos rios. Os produ-
tos destas áreas constituem a
maior parte da carga transporta-
da pelos rios. Quanto a êstes ma-
teriais, trata-se, no caso das bar-
reiras, de sedimentos antigos, tal-
vez correlativos de outros climas,
porém com poucos depósitos ma-
croclásticos (Amaral, 1954) . Os
produtos do intemperismo das ro-
chas cristalinas são comumente do
tipo “bifásico”, no sentido de Bak-
ker & Müller (1957), isto é, uma
distribuição granulométrica com
uma certa falta nas frações sílti-
cas, dominando a fração arenosa
(fig 2 A) . Segundo êstes autores, o
quartzo encontra-se principalmen-
te na fração areia, enquanto a ar-
gila é o produto da decomposição
dos feldspatos que nestas condições
se desintegram muito ràpidamente.
O fator mais importante, como
já foi dito, é o ambiente fluvial.
330
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Morfològicamente, pode-se dividir
um rio na zona tropical nos se-
guintes setores (Bakker, 1957) ;
1) setor das cachoeiras; 2) setor
dos estuários; 3) zona de transi-
ção entre (1) e (2) ; e 4) zona dos
pântanos com comunicações trans-
versais.
A causa da origem das cachoei-
ras, nas quais as variações estacio-
nais das águas podem ultrapassar
até 6 metros em alguns casos, pode
ser muito diversa. Algumas origi-
nam-se na linha entre o vale qua-
ternário e o platô mais antigo; ou-
Fig. IB — As cachoeiras do rio Ta-
pajós no Estado do Mato Grosso, se-
gundo Bakker & Müller (1957) . Os nú-
meros 2, 3, 4 e 5 referem-se às amostras
coletadas por Zimmerman, cujas curvas
cumulativas são apresentadas na fig.
2B.
tras são conseqüências dos veios
de rochas mais resistentes que cru-
zam o leito do rio. No entanto, a
influência sôhre o regime do rio
fica a mesma. Por exemplo: elas
causam uma certa anastomose da
corrente com tôdas as conseqüên-
cias para a sedimentação, como
erosão no leito e deposição na vár-
zea simultaneamente. Os sedimen-
tos serão também de caráter bifá-
sico, a parte grosseira devida à cor-
rente, a parte fina ao peneiramen-
to pela vegetação e à velocidade
da corrente diminuindo até zero.
Bakker & Müller (1957) distin-
guiram três grupos de tais sedi-
mentos :
grupo A: com 10 — 30% argila
(fração menor que 2p) ,
” B: com 30 — 50%,
” C: com 50 a mais que 70%.
As amostras coletadas por Zim-
merman (perto da missão de São
Francisco no rio Tapajós no Es-
tado de Mato Grosso — am. 2 até 5,
e perto de Santarém no Estado do
Pará — am. 1), e estudadas por
Bakker & Müller, representam
claramente êstes três grupos (fig.
2B: A — am. 2, 5; B — am. 3;
C — am. 1). A amostra 1, perten-
cendo ao grupo C, provém da zona
pantanosa do rio. No entanto, nes-
te setor das cachoeiras não faltam
totalmente os depósitos macroclás-
ticos, por se encontrarem até cas-
calhos nos terraços e no leito do
Volume 1 (Geociências)
331
rio. Às vêzes, o primeiro máximo
dos sedimentos bifásicos acha-se
nas frações maiores que 2 mm.
Nas outras três zonas dos rios,
as diferenças entre enchentes e es-
tiagens, e as mesmas causadas pe-
las marés, não são tão grandes. Os
elementos distinguíveis dêste am-
biente são apresentados na fig 3.
No leito do rio principal, nos di-
ques marginais e nos terraços, os
sedimentos são também bifásicos,
comumente do grupo C (fig. 2 B,
am. 1). Nos lagos permanentes e
temporários e nos igarapés com
seus diques marginais, encon-
trami-se depósitos muito argilosos,
parecidos àquêles das enseadas.
A influência do mar na zona cos-
teira do rio Amazonas não pare-
-3 f -2 -I 0 fl «2 »3 +4 -fS +6 *7 » 8 *9f
Pig. 2A — Curvas cumulativas de vários produtos de intemperismo de rochas
cristalinas em Suriname. Fig. 2B — Curvas cumulativas de sedimentos fluviais
de clima tropical. (Dados segundo Bakker & Müller (1957)).
332
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ce ser grande. As amostras estu-
dadas por Ottmann (1959) indi-
cam uma influência bem grande
do rio para o mar, implicando
assim uma influência de pouca im-
portância no sentido inverso.
ORIGEM DOS SEDIMENTOS
ANTIGOS
Comparando agora os dados ob-
tidos pelos estudos da sedimenta-
ção moderna, com aquêles provis-
Fig. 3 — Elementos do ambiente fluvial na zona das planícies (segundo Soares,
1956).
As associações de minerais nos
sedimentos tropicais mostram tam-
bém algumas características espe-
ciais. Em primeiro lugar, há a fal-
ta de feldspatos, os quais chegam a
ser transportados apenas depois da
sua alteração em argila. O quartzo
mesmo não fica bem arredonda-
do, mas, por causa do intemperis-
mo intenso, pulveriza-se fàcilmen-
te, assim diminuindo de tamanho.
Finalmente, os minerais pesados
menos estáveis, como o epidoto, até
não chegam a ser transportados
por alterarem-se ou desaparecerem
no próprio solo (Bakkee, 1958).
tos por Amaral (1954), pode-se
concluir o seguinte. Como já foi
notado por êste autor, os depósi-
tos mostram um caráter nitida-
mente fluvial, macroscópica tam-
bém como microscopicamente. A
composição granulométrica (figu-
ra 4 A) dá resultados quase idên-
ticos aos dos sedimentos recentes.
As amostras arenosas a, b, c, per-
tencem ao grupo A de depósitos bi-
fásicos no sentido de Bakker &
Müller (1957), as amostras g, n,
o são do grupo B, e as amostras c,
d, do grupo C. Os sedimentos cha-
mados de siltitos por Amaral po-
dem representar essas partes dos
Volume 1 (Geociências)
333
vales fluviais, onde se encontram
os lagos e igarapés, também como
a zona pantanosa mais perto da
costa. As lentes conglomeráticas
podem ocorrer neste ambiente flu-
vial no clima tropical, como foi
explicado acima. Tais depósitos não
indicam necessàriamente um cli-
ma sêco.
Os minerais pesados encontrados
nas amostras estudadas, são prin-
cipalmente os mais estáveis, como
turmalina, zircão e alguns outros.
Isto pode ser originado sob o in-
temperismo intenso do clima tropi-
cal úmido, não sendo necessária
a sua origem como sedimentos
mais antigos retrabalhados. Se a
-3f -2 -I O +1 +2 -«“3 -í-4 <f6 *7 +8
Fig. 4A — Curvas cumulativas de algumas amostras do Grupo Barreiras na
área amazônica. Dados segundo Amaral (1954) . Fig. 4B — Curvas cumulativas
de algumas amostras típicas do Grupo Barreiras em Pernambuco.
Dados segundo Mabesoone (1966) .
334
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
deposição fôose ocorrida sob um
clima mais sêco, seriam encontra-
dos mais minerais de menor esta-
bilidade.
As côres vermelhas dos sedimen-
tos, sendo de origem primária, pro-
vém claramente dos produtos dos
solos vermelhos tropiciais e dos la-
teritos.
Desta maneira pode-se concluir
que os depósitos correlativos anti-
gos na região amazônica, grupa-
dos no Grupo Barreiras, poderão
muito bem ser sedimentados sob
circunstâncias iguais às atuais.
Pelo menos, os dados sedimentoló-
gicos, fornecidos por Amaral
(1954) , são em favor desta opinião.
A conseqüência é então, que a re-
gião amazônica não sofreu mudan-
ças climáticas importantes duran-
te o Cenozóico.
COMPARAÇÃO COM OUTRAS
REGIÕES TROPICAIS DO
BRASIL
Os climas tropicais do tipo A
(w, w’, w”, s, s’) extendem-se ain-
da muito mais para o sul, até mais
ou menos 20°S com pequenas ex-
ceções. A única região fora dêste
tipo é 0 Nordeste semi-árido (BSh) .
Desta maneira pode-se esperar fe-
nômenos de sedimentação pareci-
dos à região amazônica. Dada a im-
possibilidade de considerarmos
tôda esta extensa região tropical,
limitamo-nos à área nordestina, da
qual possuímos alguns dados.
Estudos de sedimentos fluviais
recentes são poucos. Poderiam ser
aproveitados os dados de algumas
amostras do rio Capibaribe (Reci-
fe, Pernambuco) da zona de cli-
ma As’, disponíveis no Instituto
Oceanográfico da Universidade Fe-
deral de Pernambuco. As curvas
destas amostras são apresentadas
na fig. 5.
Mostra-se, que os depósitos flu-
viais da área costeira são, em sua
maioria, também bifásicos, do ti-
po C. Mais próximo da costa, os
depósitos são do tipo estuarino,
grosseiros e bem selecionados, de-
vido às correntes de maré. Nas
margens encontram-se as argilas.
No interior semi-árido, porém, os
sedimentos fluviais são muito mal
selecionados e de nenhuma manei-
ra bifásicos. Devido ao intemperis-
mo fisico desta área, os feldspatos
não desaparecem das frações are-
nosas e sílticas, e o quartzo não se
desagrega tão rapidamente. Assim,
a distinção entre os diversos depó-
sitos fluviais dos climas A e B fica
relativamente fácil.
A conhecida série de sedimentos
do Grupo Barreiras do Nordeste
brasileiro reflete os mesmos fenô-
menos, porém como “no espêlho”
no sentido de Cadisch (1928) .
É fato conhecido que, durante o
Cenozóico, os periodos mais úmi-
dos e mais sêcos se alternaram pe-
riodicamente (Andrade & Lins,
1963; Bigarella & Andrade, 1964),
Volume 1 (Geociências)
335
no Pleistoceno até com intervalos
bem pequenos devido às glaciações
das zonas temperadas e frias.
Assim, durante os períodos úmi-
dos formaram-se os solos ver-
melhos tropicais até lateríticos,
com produtos de intemperismo bi-
fásicos. No seguinte período semi-
árido, êstes produtos foram erodi-
dos, transportados e sedimentados,
também como depósitos bifásicos.
Na fig. 4 B são representadas algu-
mas curvas típicas dêste tipo de
amostras do Grupo Barreiras (se-
gundo Mabesoone, 1966). Porém,
nem todos os sedimentos desta
série são bifásicos, encontrando-se
muitas camadas cujo meio de
transporte foi o característico do
clima sêco, isto é, a corrente de la-
ma ou areia. Os sedimentos bifási-
cos são encontrados atualmente
nas proximidades dos vales dos rios
e riachos, indicando seu transporte
por meios fluviais.
A comparação dos dados até ago-
ra conhecidos sôbre os sedimentos
correlativos antigos, principalmen-
te sôbre o Grupo Barreiras, mostra
a grande diferença entre as unida-
des na região amazônica e na re-
gião costeira nordestina. E o que
vale para esta última região, vale
também para as regiões costeiras
tropicais mais para o sul (vide Bi-
GARELLA & Ab’SÁBER, 1964). OS
depósitos correlativos sedimenta-
dos como conseqüência das mudan-
ças climáticas de períodos secos e
úmidos, representam claramente o
rompimento do equilíbrio, sendo os
produtos do intemperismo do pe-
ríodo úmido transportados duran-
te o período sêco. Entre as diver-
sas unidades existem assim discor-
dâncias de erosão, distinguindo-se
Fig. 5 — Curvas cumulativas de algumas amostras fluviais do rio Capibaribe
(Pernambuco) . Dados disponíveis no Instituto Oceanográfico
da Univ. Fed. Pernambuco.
336
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
formações. Na região amazônica,
porém, a situação será diferente,
sendo mais possivelmente essas
mudanças climáticas menos impor-
tantes. Para provar isto torna-se
necessário um estudo mais amplo
da sedimentação recente e antiga
na região do Amazonas.
SUMMARY
The problem of correlated sedi-
ments in tropical areas has been
discussed, giving special attention
to the Amazon region and to north-
eastern Brazil. The study of the
recent deposits shows the impor-
tance of the fluvial environment
and of the tropical soil formation
processes. The ancient sediments
of the Barreiras Group in the Ama-
zon region seem, by comparison,
to be deposited under similar cli-
matic conditions. Those of north-
eastern Brazil, however, were form-
ed as tropical soils during humid
periods, and transported and de-
posited during dry periods.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 339-344 — 1967
PALEOBIOTA CARBONÍFEROS DA AMAZÔNIA
JOSUÉ C. MENDES
Universidade de São Paulo, São Paulo
Procuraremos fornecer uma idéia
sôbre o estado atual do conheci-
mento dos paleobiota carboníferos
da Amazônia sem preocupação com
os pormenores da Sistemática Pa-
leontológica.
Os primeiros fósseis carbonífe-
ros foram descobertos há cêrca de
um século pelo Major Silva Couti-
nho no baixo Tapajós.
Exploraram o vale dêsse rio, em
1870 e 1871, as Expedições Morgan
chefiadas por Charles Frederick
Hartt. Ampla coleção de fósseis foi
então obtida e o terreno carboní-
fero recebeu o nome de Série Itai-
tuba, tomado da vila homônima.
A Universidade Cornell, do Esta-
do de Nova Iorque, onde lecionou
0 Prof. Hartt, guarda, até hoje, o
acêrvo daquelas expedições.
Um pouco a montante de Itaitu-
ba, desemboca no Tapajós o pito-
resco igarapé de Bom Jardim, de
onde saiu grande parte dos fósseis
carboníferos descritos da Amazô-
nia.
Embora diversas outras localida-
des fossilíferas, tanto no Estado do
Pará como no Estado do Amazonas,
tenham ampliado, ulteriormente, a
documentação paleontológica do
terreno carbonífero, os seus paleo-
biotas são conhecidos principal-
mente através das coleções do vale
do Tapajós.
Coube a Derby, discípulo de
Hartt, a glória do estabelecimento
da idade dos fósseis e a sua parcial
descrição, em 1874. Diga-se, ou-
trossim, que êsse estudo pioneiro,
feito em época remota, impressio-
na pela meticulosidade e revela a
argúcia do jovem cientista.
O trabalho versou os braquiópo-
des. acompanhando-se de farta
ilustração dos espécimes. Em 1894,
Derby apresentou nôvo trabalho
sôbre a paleofauna carbonífera.
O artigo representa um inventá-
rio faunístico geral, mas infeliz-
mente, não traz nem descrições e
nem ilustrações.
Por isso, os autores que deseja-
ram, subsequentemente, apreciar o
340
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
acêrto daquela classificação, tive-
ram que recorrer ao exame da co-
leção original na Cornell, identifi-
cando os taxa assinalados com o
auxílio das velhas etiquetas. Foi o
que nós próprios fizemos.
A composição geral da paleofau-
na carbonífera acha-se prática-
mente estabelecida desde o segundo
trabalho de Derby.
Em ordem decrescente de impor-
tância, integram-na os seguintes
grupos, braquiópodes, lameibrân-
quios, gastrópodes, corais, crinói-
des, equinóides, briozoários, cefaló-
podes, trilobites, foraminíferos, es-
cafópodes, esteriídeos e ostracó-
dios.
Diversos pesquisadores nacionais
e estrangeiros ocuparam-se da pa-
leofauna carbonífera da Amazônia :
Katzer (1903), Duarte (1938),
Reed (1933),Kegel (1951),Petri
(1952; 1956), Dresser (1954),
Mendes (1956, 1957, 1958, 1959,
1962 e 1965), Strimple (1960),
Lane (1964), Barbosa (1965), Ful-
FARo (1965) e Pinto (1966).
Petri dedicou-se ao estudo dos
foraminíferos tendo situado a pa-
leofauna, com maior precisão, no
Carbonífero Superior, em vista da.
presença de Fusulinella. Strimple
e Lane descreveram crinóides. Ful-
FARo descobriu a ocorrência de co-
nodontes. Barbosa determinou al-
guns briozoários.
Pràticamente, nada se sabe dos
equinóides, cefalópodes, esteriídeos
e ostracódios. Os briozoários são va-
riados e relativamente abundantes,
mas somente umas poucas formas
foram descritas até agora.
O grupo mais estudado é o dos
braquiópodes. De acordo com as
nossas revisões comportam 32 es-
pécies. Os representantes mais fre-
qüentes são os productáceos, espi-
riferáceos e dolmaneláceos, citan-
do-se, entre os gêneros comuns,
Linoproductus, Brasilioproductus,
Buxtonioides, Neospirifer e Rhipi-
dcmella.
Até o nosso recente trabalho sô-
bre os moluscos otidos nas Expe-
dições Morgan, apenas alguns ele-
mentos da malacofauna haviam
sido ilustrados por Katzer (1903)
e por Duarte (1938). Dos lameli-
brânquios são comuns Allorisma,
Myalina e Astartella; dos gastrópo-
des, Euomphalus e Pharkidonotus.
Subdividem os geólogos da Pe-
trobrás o terreno carbonífero em
três unidades estratigráf icas : For-
mação Monte Alegre, Formação
Itaituba e Formação Nova Olinda.
A primeira corresponde a sedimen-
titos elásticos afossilíferos; a se-
gunda a uma seqüência predomi-
nantemente de calcários fossilífe-
ros. Finalmente, a Formação Nova
Olinda consiste em uma grande es-
pessura de sedimentos químicos,
principalmente evaporitos, como
gipsita, halita e anidrita.
O conhecimento paleontológico
sôbre a Formação Nova Olinda é
Volume 1 (Geociências)
341
paupérrimo e quase restrito às pou-
cas informações obtidas em sonda-
gens.
De sorte que os dados sôbre a pa-
leofauna carbonífera amazônica,
confinam-se, pràticamente, à For-
mação Itaituba. Em outras pala-
vras, são os procedentes do vale do
Tapajós. Acham-se ainda essencial-
mente na fase do inventário, como
acontece a todos os paleobiota pa-
leozóicos da Amazônia.
Ocorrem os fósseis, em geral, sob
forma de silicificações. Sendo a
matriz calcária a mais freqüente
é possível isolá-los por ataque de
ácidos, obtendo-se espécimes bem
completos. Entretanto, os aflora-
mentos da Formação Itaituba são
muito espaçados e baixos, como
soe acontecer com os terrenos pa-
leozóicos na Amazônia, tornando-
-se difícil a realização da bioestra-
tigrafia.
Mau grado as tentativas exis-
tentes, muito trabalho de campo
será necessário para se conseguir
um zoneamento paleontológico sa-
tisfatório. Dada a predominância
das formas bentônicas, faz-se mis-
ter não tomar por bioestratigrafia
o condicionamento ecológico.
Não se pode considerar a paleo-
fauna da Formação Itaituba prò-
priamente como endêmica, apesar
dos vários gêneros novos propos-
tos e da presença de apenas pou-
cas espécies comuns à fauna con-
temporânea do Peru. Mas, indubi-
tàvelmente, as sucessivas revisões
enfraqueceram as supostas vin-
culações íntimas com as faunas
carboníferas da América do Norte.
O parentesco com a fauna do
Grupo Tarma do Peru, parece acei-
tável. Apesar do mau conhecimen-
to da fauna da Formação Piauí,
também neocarbonífera, da bacia
do Parnaíba, é altamente provável
o parentesco.
Duas palavras, para encerrar, sô-
bre os paleoambientes.
A predominância de calcário na
Formação Itaituba e as enormes es-
pessuras de evaporitos da Forma-
ção Nova Olinda indicam que as
águas do mar neocarbonífero fo-
ram quentes. Os evaporitos somen-
te se formam em climas áridos,
concentrando-se os sais, por eva-
poração, em bacias rasas, mais ou
menos confinadas. Já a presença
de esteriídeos em amostras de son-
dagem, sugere ambiente parálico
com a interferência de água doce.
As faunas típicas dos evaporitos
das regiões clássicas são depaupe-
radas ou aberrantes. Infelizmente,
carecemos dos elementos necessá-
rios à boa apreciação do caráter das
faunas da Formação Nova Olinda.
Mas a constatação em sondagens
da ocorrência, por exemplo, de cal-
cários com fusulinídeos, de per-
meio aos evaporitos, indica que im-
peraram ambientes marinhos per-
feitamente normais nos intervalos
342
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
entre as sucessivas fases de inten-
sa evaporação.
Com o progresso do conhecimen-
to paleontológico e geológico, a
análise paleoecológica poderá ir
muito além do simples reconheci-
mento de uns poucos litótopos.
Significativos nesse particular são
os dados que se referem à qualida-
de da matriz; à posição relativa
dos fósseis dentro dela; ou sôbre o
modo de ocorrência das valvas dos
lamelibrânquios, se dissociadas ou
não; sôbre o estado de apresenta-
ção das conchas, se fragmentárias,
desgastadas ou incólumes; sôbre
direção de corrente; estruturas se-
dimentares; etc. Permitirão êsses
dados inferir, entre outras coisas,
se as águas foram limpas ou tur-
vas, se foram calmas ou agitadas,
as direções principais de transpor-
te e se houve ou não exposições
periódicas do fundo.
A presença de espessuras abnor-
mais de evaporitos na bacia Ama-
zônica sugere que, no fim do Pe-
ríodo Carbonífero a posição do
Equador deveria ser pràticamente
a mesma de hoje, num autêntico
desafio aos wegeneristas.
SUMÁRIO
Há pouco mais de um século
(1863) João Martins da Silva Cou-
tinho descobriu fósseis carbonífe-
ros nas margens do rio Tapajós. Os
primeiros trabalhos paleontológi-
cos dedicados à fauna carbonífe-
ra da Amazônia são os de Orville
Adalbert Derby (1874; 1894), se-
guidos dos de Friedrich Katzer
(1903).
A. G. Duarte (1928) , F.R.C. Reed
(1933), S. Petri (1952; 1956),
H. Dresser (1954), J. C. Mendes
(1956, 1957, 1958, 1959, 1962 e
1965), H. L. Strimple (1960),
G. Lane (1964), M. Barbosa (1965)
e V. J. Fulfaro (1965) ampliaram
o conhecimento paleontológico des-
sa fauna carbonífera.
A fauna é relativamente rica e
variada, associando-se principal-
mente aos sedimentos de origem
química (calcários). Inclui macro-
fósseis (braquiópodes, moluscos,
corais, trilobites, equinóides) e mi-
crofósseis (foraminíferos, conodon-
tes, etc.). Os briozoários e corais
são pouco conhecidos; os equinói-
des estão ainda por se estudar.
A idade neocarbonífera é com-
provada pelos fusulinídeos (Zona
Fusulinella) .
Não se ultrapassou a fase do in-
ventário puro e simples, faltando
dados bioestratigráficos.
Mostra a fauna aparentes vin-
culações com a neocarbonífera da
bacia do Parnaíba e também com
a do Grupo Tarma do Peru.
Por outro lado, não apresenta
claros vínculos com as faunas per-
Volume 1 (Geociências)
343
mo-carboníferas marinhas pobres
do Brasil Meridional.
Em vista da predominância na
seqüência carbonífera amazônica
do calcário e das grandes espessu-
ras de evaporitos, o ambiente de
deposição deve ter sido o de mares
rasos e quentes.
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Vol. 1 (Geociências): 345-357 — 1967
CONTRIBUIÇÃO A PALEONTOLOGIA DO ESTADO
DO PARA. UM SIRÈNIO NA FORMAÇAO PIRABAS
CARLOS DE PAULA COUTO
Museu Nacional, Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 3 figuras no texto)
Entre o excelente material pa-
leontológico, coletado, em sucessi-
vas oportunidades, a partir de . . .
1956, pelo geólogo Cândido Simões
Ferreira, do Museu Nacional, no
calcáreo fossilifero da Formação
Pirabas, Estado do Pará, Brasil, fi-
guram alguns restos esparsos, na
maioria fragmentários, de mamí-
feros da ordem Sirenia, todos, pro-
vavelmente, de um só gênero. Êste
material constitui o principal ob-
jeto do presente trabalho.
Dilg (1909) faz menção a restos
fósseis de um sirênio, que teriam
sido coletados numa grêda calcá-
rea, no Estado do Pará (Formação
Pirabas, provavelmente), por na-
turalistas do Museu Paraense,
atribuindo-os ao Plioceno. Sem,
sequer, esclarecer a que parte ou
partes do esqueleto aquêles fósseis
se referiam e sem definir ou des-
crever, mesmo sumàriamente, ou
figurar os restos em questão, pro-
pôs, para o gênero respectivo, o
nome Trachypleurotherium, no-
men nudum segundo as regras in-
ternacionais de nomenclatura zoo-
lógica.
O que se conhece da história pa-
leontológica do grupo permite-nos
concluir, com alto grau de proba-
bilidade, que os sirenianos abun-
daram ao longo das costas orien-
tais da América, da Flórida até a
latitude do Rio da Prata, pelo me-
nos, assim como nos grandes rios
que desembocavam no Atlântico,
durante as épocas do Cenozóico,
posteriores ao Oligoceno.
SiMPSON (1932) fêz um bom su-
mário do que até então se conhe-
cia a respeito da história dos si-
renianos fósseis de nosso conti-
nente.
Reinhart (1951) descreveu 0 Tri-
chechidae Potamosiren magdale-
Sob os auspícios do Conselho
Nacional de Pesquisas.
346
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
nensis, com base em restos fósseis,
procedentes das areias e argilas
fluviais de El Libano, membro da
Formação Honda (Mioceno supe-
rior) da Colômbia.
Ainda Reinhart (1959), numa
revisão geral dos Sirenia e Desmos-
tyla, deu-nos a conhecer Caribosi-
ren turneri, um Dugongidae, pro-
cedente de um depósito marinho,
calcáreo-arenoso, da Formação San
Sebastian (Oligoceno médio) , Pôr-
to Rico, além de Halianassa van-
derhoofi, outro Dugongidae, êste,
porém, da costa ocidental, norte-
-americana, baseado em excelente
material fóssil, coletado num depó-
sito de areia grosseira. Formação
Santa Margarida (Mioceno?) , Cali-
fórnia. No mesmo trabalho, redes-
creveu o Dugongidae Prorastomus
sirenoides Owen, 1855, do Eoceno
da Jamaica.
Pascual (1953) , voltando ao Tri-
chechidae Ribodon limbatus Ame-
ghino, retificou a idade desta es-
pécie argentina para o Mesopota-
miense (Mio - Plioceno) , fazendo
nova descrição do respectivo ma-
terial e concluindo com a afirma-
ção da probabilidade de ser Pota-
mosiren indistinguível de Ribodon,
embora admitindo a possibilidade
de serem as espécies da Colômbia
(P. magdalenensis Reinhart) e da
Argentina (R. limbatus Ameghino)
distintas entre si.
Do que vem de ser exposto, con-
clue-se que a familia Trichechidae,
até há pouco mais de 20 anos pas-
sados, conhecida apenas por um
gênero recente {Trichechus Lin-
naeus, 1758, a que pertence o atual
manati ou “peixe-boi”), sobrevi-
vente do Pleistoceno, vem, pelo me-
nos, do Mioceno inferior. Potamo-
siren e Ribodon, talvez indistinguí-
veis entre si, do Mioceno superior
sul-americano, eram, até o momen-
to, os gêneros mais antigos, atri-
buíveis a esta familia. O nôvo gê-
nero {Sirenotherium) , aqui descri-
to, do Mioceno inferior da Forma-
ção Pirabas, constitue, pois, o re-
gistro paleontológico mais antigo
da familia Trichechidae.
Mauey (1924, 1934), estudan-
do os moluscos fósseis da mesma
formação, foi a primeira a atribui-
-la ao Mioceno inferior, com base
em bons fósseis indices, no que foi
corroborada por Ferreira & Cunha
(1959), que reforçaram esta opi-
nião de Maury e de outros autores,
com novos e importantes argumen-
tos paleontológicos.
Significado das siglas usadas —
M.N.R.J. = Museu Nacional, Rio
de Janeiro; M.P.E.G. = Museu Pa-
raense Emilio Goeldi, Belém do
Pará.
SISTEMÁTICA
Ordem sirenia Illiger, 1811
Subordem trichechiformes Hay,
1923.
Familia Trichechidae Gill, 1872.
Volume 1 ( Geociências )
Sirenotherium g. n.
Espécie Tipo — Sirenotherium
pirabensis sp. n.
Diagnose — A mesma da espécie
tipo, enquanto outra ou outras es-
pécies não forem atribuídas a êste
gênero.
Distribuição — Mioceno inferior
sul-americano.
Sirenotherium pirabensis sp. n.
Holótipo — M.N.R.J. número
2.761-V, corôa de dente molar su-
perior, esquerdo. Coletada por Cân-
dido Simões Ferreira, na ilha de
Fortaleza, litoral do Pará.
Hipodigma — M.N.R.J. núme-
ro 2 . 762-V, uma corôa de dente mo-
lar inferior, incompleta, uma vér-
tebra dorsal, quase completa, um
fragmento de axis, 52 fragmentos
de costela e uma costela, quase
completa, um fragmento de osso
de antebraço (?) e um fragmento
de osso pélvico, pertencentes, pro-
vàvelmente, a diversos indivíduos;
M.N.R.J. n.o 2.763-V, uma vérte-
bra lombar, quase completa;
M.N.R.J. n.o 2.764-V, 16 fragmen-
tos de costelas e um fragmento de
vértebra; M.N.R.J. n.° 2.765-V,
3 fragmentos de costelas; M.P.E.G.
n.o 46 V G — M, 6 fragmentos de
costelas e uma diáfise de metacar-
piano. Os espécimes do M.N.R.J.
foram coletados por Cândido Si-
mões Ferreira; os de ns. 2. 762-V e
2.763-V procedem da ilha de For-
347
taleza, litoral do Pará; os de nú-
mero 2.764-V foram coletados em
Salinópolis, litoral do Pará; os de
n.° 2.765-V procedem de Sítio Cas-
siano. Nova Timboteua, E.F. de
Bragança, Pará. Os espécimes do
M.P.E.G. foram coletados por Gui-
lherme G. da Silva, Benedito Fran-
cisco, Otávio Ferreira Silva e Pe-
dro Lowenstein, na ilha de Forta-
leza, litoral do Pará.
Horizonte e Localidade — Mio-
ceno inferior. Formação Pirabas,
Estado do Pará, Brasil. As locali-
dades de coleta são; 1) ilha de For-
taleza, baía de Pirabas, distrito de
São João de Pirabas, município de
Primavera (localidade tipo) ; 2) fa-
lésia da cidade de Salinópolis, mu-
nicípio do mesmo nome; 3) Colô-
nia Pedro Teixeira, município de
Capanema; 4) caieira (olaria) a
5,4 km a SW da cidade de Capane-
ma; 5) Sítio Bonfim, a 2,5 km de
Nova Timboteua. Segundo Simões
Ferreira (comunicação verbal),
restos de sirênios (fragmentos de
costelas e de vértebras, principal-
mente) abundam em tôda a For-
mação Pirabas.
Diagnose — Tamanho aproxima-
damente uma vez e meia maior
que Trichechus manatus adulto,
jovem. Molares superiores bilobu-
lados, lembrando Ribodon limba-
tus, mas cúspides acessórias, ante-
riores, comprimidas, antero-poste-
riormente, em crista transversal,
pouco distintas entre si e pouco
S
ciELO
11
12
13
14
cm
348
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
mais baixas que as três cúspides
principais do lóbulo anterior; vale
intermediário profundo, estreito,
sem acidentes secundários; lóbu-
lo posterior pouco mais baixo e es-
treito que o anterior, hipocône
comprimido lateralmente contra o
lado interno do metacônulo, pro-
longado em crista, posteriormente,
até se encontrar, em ângulo reto,
com curta crista transversal, pos-
terior, mais baixa, separada do me-
tacônulo e da base postero-inter-
na do metacône por um vale trans-
versal, aberto externalmente.
DESCRIÇÃO E DISCUSSÃO
Dentes (Fig. 1) — O dente mo-
lar, superior, tipo, assemelha-se
muito aos de Ribodon (exemplo:
lám. III, fig. 7, em Pascual, 1953).
Além de ser, porém, menor, em to-
dos os sentidos, que os de Ribodon
limbatus, apresenta dissemelhan-
ças estruturais consideráveis. A
disposição de suas cúspides princi-
pais, tôdas nitidamente bunóides,
em dois lofos transversais, é mais
ou menos idêntica com o que se vê
em Ribodon limbatus. Assim, o lofo
anterior é formado pela aglutina-
ção do protocône, protocônulo e pa-
racône, justapostos entre si, em li-
nha reta, e de altura decrescen-
te, do primeiro para o último cita-
do; 0 lofo posterior é constituído,
da mesma maneira, pelo hipocône,
metacônulo e metacône, destacan-
do-se, por seu maior volume e por
estar ligeiramente mais adiantado,
o metacônulo, sendo, porém, o hi-
pocône a mais alta das cúspides
posteriores. O vale transverso, in-
termediário entre os dois lofos, é
relativamente estreito e profundo,
sem a pequena cúspide interlobu-
lar, na face interna, presente em
Ribodon. O lóbulo anterior do den-
te é bem mais largo que o posterior.
Em Ribodon, o lofo anterior é pre-
cedido por três cúspides acessórias,
amplas, justapostas pelas bases, em
nível correspondente à metade da
altura da face anterior da corôa
que é, pelas mesmas, conspicua-
mente prolongada para a frente, ao
ponto de quase formar um outro
lofo anterior, de menor altura. O
lofo posterior, mais baixo que o an-
terior, ainda em R. limbatus, é se-
guido por duas pequenas cúspides
acessórias, baixas, dispostas trans-
versalmente, lado a lado, como as
anteriores, e formando ligeira con-
vexidade posterior. Em Sirenothe-
rium, as cúspides acessórias ante-
riores, também em número de três,
são, porém, tão comprimidas an-
tero-posteriormente e tão intima-
mente justapostas entre si que
quase se tornam indistinguíveis,
formando, pràticamente, estreita
crista anterior, transversa, com
duas ligeiras chanfraduras inter-
mediárias, separada do lofo ante-
rior por estreito e pouco profun-
do vale intermediário, fechado em
sua extremidade interna (lingual) ;
Volume 1 (Geociências)
349
^ 1 cm
6 cm
B
Sirenotherium pirabensis, g. n., sp. n. — Fig. 1: Corôa de dente molar superior,
esquerdo, M.N.R.J. n.° 2.761-V, tipo (A, vista oclusal; B, vista lateral, inclinada;
h, hipocône; m, metacône, me, metacônulo; pa, paracône; pl, protocônulo; pr,
protocône) ; fig. 2: axis incompleto, M.N.R.J. n° 2.762-V,
(A, visto de frente; B, visto de baixo) .
as cúspides acessórias posteriores
são substituídas, em Sirenothe-
rium, por curta e estreita crista
transversal, também mais baixa
que o lofo posterior, de que é se-
parada por um vale mais amplo e
bem mais curto que o anterior e
fechado, do lado interno, pela alta
crista posterior do hipocône, com-
primido transversalmente, com a
qual esta crista posterior se encon-
tra em ângulo reto, no canto pos-
tero-interno da corôa.
Comparado com os molares su-
periores de Trichechus, êste dente
distingue-se, à primeira vista, por
350
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
seu tamanho muito maior, por suas
cúspides muito mais bunóides, seus
lofos bem mais amplos, no sentido
antero-posterior, por sua crista
posterior bem mais curta e pela
ampla abertura externa do vale
que a separa do lofo posterior, que,
em Trichechus, é fechado por uma
cúspide acessória, dividindo o dito
vale em duas metades, das quais a
interna forma profundo poço.
A corôa de molar inferior, bem
mais estreita que a do superior,
como também ocorre em Triche-
chus, está incompleta, com falta
de seu talonido. Está com suas
cúspides muito desgastadas, mas
sem dentina à mostra. Difere mui-
to de Ribodon, por seu aspecto ta-
piróide, com dois lofos transversais,
comprimidos antero-posteriormen-
te, separados entre si por vale
transversal pouco profundo e rela-
tivamente amplo, e sem a projeção
em fôlha de trêvo, que se extende,
obliquamente, em Potamosiren, Ri-
bodon e em outros gêneros, do hi-
pocônido para o meio do vale
transversal principal. Êste dente é
duvidosamente atribuível a Sireno-
therium.
A corôa de dente molar superior,
tipo (M.N.R.J. n.o 2.761-V) teve a
sua cobertura de esmalte aciden-
talmente arrancada no ápice das
cúspides principais, na face lingual
do protocône e do hipocône e no
têrço superior da face posterior.
As principais medidas dêstes
dentes (em mm) são:
M.N.R.J. n.o 2.761-V, molar su-
perior esquerdo, tipo:
Diâmetro ântero-posterior ... 16
Diâmetro transverso, no ló-
bulo anterior 15
Diâmetro transverso, no lóbu-
lo posterior 13,8
Altura da corôa, no protocône 12,4
Altura da corôa, no paracône 10
M.N.R.J. n.o 2.762-V, molar in-
ferior, incompleto:
Diâmetro ântero - posterior.
cálculo aproximado 12
Diâmetro transverso 11
Altura da corôa 7,3
Vértebras (Figs. 2 e 3) — Da co-
luna vertebral restam um axis in-
completo, um fragmento de outra
vértebra cervical, uma vértebra
dorsal, pràticamente completa, e
uma vértebra lombar, quase com-
pleta.
O axis, a que falta, por fratura,
o arco neural, reduzido a seus pe-
dículos, é forte. O corpo do osso,
ligeiramente opistocélico, é um
tanto comprimido dorso-ventral-
mente, embora muito menos que
em Trichechus. O processo odon-
tóide é conspícuo. As duas facêtas
articulares, anteriores, laterais,
para o atlas, ligeiramente conve-
xas, são de contôrno subquadran-
Volume 1 (Geociências )
351
Fig. 3 — Sirenotherium pirabensis, g.n., sp.n. Vértebra dorsal, quase completa,
M.N.R.J. n.° 2.762-V. A, vista lateral esquerda, salientando-se as facêtas arti-
culares, para a cabeça e o tubérculo da costela; B, vista anterior; C, vista
posterior, salientando-se a chanfradura posterior da apófise neural.
guiar - alongado, com seu eixo
maior vertical; uma terceira facê-
ta articular, para o atlas, de con-
torno elíptico-arredondado, situa-se
na face antero-inferior do corpo do
csso, imediatamente atrás da base
da apófise odontóide, como em
Trichechus. A facêta articular, pos-
terior, do corpo do osso, um tanto
côncava, em todos os sentidos, é
de contôrno subelíptico, de diâme-
tro transverso bem maior que o
vertical. O forâme transverso, la-
teral, que, em Trichechus, perfura
a base do processo transversal, é
aqui, aparentemente, reduzido a
352
Aras do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
amplo e raso canal, pela ausência
do mesmo processo.
Medidas principais do axis,
em mm:
Diâmetro ântero - posterior
máximo 40
Diâmetro transversal máximo 60,7
Diâmetro dorso-ventral máxi-
mo do corpo do osso 33,9
Uma vértebra dorsal anterior
(M.N.R.J. n.o 2.762-V), aparente-
mente a segunda, a que falta qua-
se todo 0 arco neural, exceto sua
parte lateral esquerda, presente e
um tanto fragmentada, distingue-
-se das de Trichechus apenas por
seu maior tamanho. O corpo ver-
tebral é achatado dorso-ventral-
mente e de pequeno diâmetro ân-
tero-posterior.
Uma vértebra dorsal, mediana
(M.N.R.J. n.o 2.762-V), prática-
mente completa, apresenta curtos
e relativamente largos processos
transversais, providos de pequena
facêta articular, ligeiramente côn-
cava, para o tubérculo da costela,
facêta esta que se comunica, por
um istmo, com a facêta destinada
à cabeça da costela, côncava, situa-
da sob a apófise transversal, na
face latero-superior do corpo ver-
tebral. Aparentemente, cada cos-
tela se articulava apenas com a
vértebra correspondente, pelo me-
nos a partir de certo ponto da co-
luna vertebral, para trás, pois a fa-
cêta articular para a cabeça da cos-
tela se acha bem afastada do re-
bordo anterior do corpo vertebral,
nada se distinguindo do que pode-
ria ter sido a semi-facêta articular,
posterior. O corpo vertebral é for-
te e bem desenvolvido, de seção li-
geiramente cordiforme-arredonda-
da. O estado de conservação da
vértebra não permite a verifica-
ção da existência da quilha (hipa-
pófise) que, em Trichechus, é pre-
sente sob 0 corpo das vértebras
dorsais, a partir da quinta (Qui-
RiNG & Harlan, 1953) , embora per-
mita a hipótese de sua antiga exis-
tência. A apófise neural é bem de-
senvolvida, um tanto inclinada
posteriormente, apresentando for-
te chanfradura posterior, em que,
provàvelmente, se inseria a aresta
anterior da apófise neural da vér-
tebra seguinte, dando, assim, maior
rigidez à coluna vertebral. As pós-
-zigapófises, situadas sob a parte
posterior da base da apófise neu-
ral, uma de cada lado, são muito
estreitas, transversalmente, a que
deviam corresponder pré-zigapófi-
ses análogas. O arco neural é am-
plo e de contôrno interno subelíp-
tico.
Principais medidas da vértebra
dorsal (em mm) :
Altura da apófise neural ... 48,5
Comprimento total da vérte-
bra (no corpo) 43,5
Volume 1 (Geociências)
353
Diâmetro transversal do cor-
po (centro vertebral) apro-
ximado 54
Diâmetro transversal do ca-
nal medular 30
Altura do mesmo 23
Altura máxima do centro
(sem a hipapófise) 37
Diâmetro transversal máximo
da vértebra 81
A vértebra lombar, disponível, re-
lativamente bem conservada, com
as apófises neural e transversas
incompletas, é bem maior que a
dorsal, supra-descrita, tendo per-
tencido, provàvelmente, a outro in-
dividuo. O centro vertebral é mui-
to desenvolvido, de seção subelípti-
ca e com as faces articulares an-
terior e posterior ligeiramente côn-
cavas, principalmente no sentido
dorso-ventral; seu diâmetro trans-
versal excede, em muito, os diâme-
tros ântero-posterior e dorso-ven-
tral. O canal neural é de seção sub-
triangular-arredondada. As apófi-
ses transversas, partindo do meio
da altura do centro vertebral, te-
riam sido idênticas às de Triche-
chus, mas ligeiramente inclinadas
para baixo. A apófise neural, for-
te e aparentemente mais baixa que
a das vértebras dorsais, devia as-
semelhar-se também à de Triche-
chus, sendo, porém, aproximada-
mente vertical. As prézigapófises
faltam, por fratura, sendo as pós-
zigapófises representadas apenas
por parte da lateral esquerda, alon-
gada e estreita.
Medidas principais da vértebra
lombar (em mm) :
Comprimento total (no cor-
po ou centro) 50
Diâmetro transversal do cen-
tro 67,2
Diâmetro transversal máximo
do canal medular 27,3
Altura do mesmo 16,1
Altura máxima do centro ver-
tebral 47,5
Diâmetro transversal máximo
da vértebra, aprox 197
Costelas — As costelas preserva-
das, quase tôdas reduzidas a frag-
mentos, apresentam a estrutura
compacta (paquiostose) , típica do
grupo. Uma delas está quase com-
pleta, faltando-lhe, apenas, por fra-
tura, a cabeça (capitulum) arti-
cular. Morfologicamente, não se
distingue das do atual Trichechus,
terminando em ponta romba, pelo
menos a última citada, cujo com-
primento, acompanhando sua cur-
vatura, pela face externa, é, apro-
ximadamente, de 430 mm.
Cintura pélvica — À cintura pél-
vica, reduzida, nos Sirenia, a um
par de pequenos ossos, laterais à
coluna vertebral, representando,
provàvelmente, em forma vestigial,
0 que resta do ílio, ísquio e pubis,
coalescentes, atribuímos, com dú-
vida, um fragmento distai de osso,
que nos parece ser parte do que tal-
354
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
vez tenha sido um pubis. Êste frag-
mento, muito rolado, apresenta
uma superfície articular semi-lu-
nar, cuja medida ântero-posterior,
acompanhando a curvatura arti-
cular, é de 55 mm, aproximada-
mente.
Ossos dos membros — Um frag-
mento, muito pouco expressivo,
aparentemente distai, de um osso
longo, com pequena parte da fa-
cêta articular, côncava, conserva-
da, é atribuído, com dúvida, a um
dos ossos do antebraço (rádio ou
ulna), a despeito da falta de in-
dicação de antiga soldadura com
a parte correspondente do outro
csso do antebraço (como se sabe,
ráàio e ulna são soldados entre si,
nas extremidades, em Trichechus) .
O metacarpiano preservado. . . .
(M.P.E.G. n.o 46 V/M) está reduzi-
do à sua diáfise. A falta de soldadu-
ra das respectivas epífises demons-
tra proceder êle de indivíduo jo-
vem. É um osso alongado e um tan-
to fino, de diáfise estreitada na
parte média, com as extremidades
mais largas, pràticamente idêntico
aos ossos correspondentes de Tri-
chechus. Por seu comprimento (sò-
mente a diáfise) , 120 mm, talvez
possa ser considerado como o McIV
ou 0 McV.
ECOLOGIA
Petri (1957), estudando os fora-
miníferos da Formação Pirabas,
ccncluiu que os seus sedimentos fo-
ram depositados em águas bem ra-
sas, de profundidade oscilante en-
tre 0 e 30 metros, distinguindo duas
fácies que atribuiu a uma mesma
fase sedimentar, a saber: 1) fá-
cies Castelo, correspondente aos se-
dimentos que afloram ao longo do
litoral paraense, atual, relativa-
mente afastados, topogràficamen-
te, da borda da bacia primitiva (lo-
calidades de Fazenda, Castelo, Sa-
linópolis, etc.), cujo ambiente de
deposição teria sido nerítico, de
mar aberto e de águas rasas (de
profundidade não maior, provavel-
mente, que 30 m) , quentes e lím-
pidas; 2) fácies Canecos (ou Capa-
nema, de Ackermann), cujos sedi-
mentos corresponderiam a ambi-
ente ainda marinho, mas de águas
bem mais rasas (uns 10 m de pro-
fundidade) e de salinidade um tan-
to abaixo da normal, com uma
fauna anã de moluscos, adaptados
a ambiente pouco favorável a seu
desenvolvimento (Estação Agronô-
mica, Timboteua, Peixe Boi) , a que
se agregam os sedimentos do aflo-
ramento Baunilha Grande, que
corresponderiam às proximidades
da borda da bacia, com fôlhas de
dicotiledôneas e restos de caran-
guejos, e correspondentes a am-
biente provàvelmente semelhante
ao de mangue.
Enquanto os calcáreos da fácies
Castelo são maciços, muito duros,
dificilmente desintegráveis, gros-
seiros ao tato, com restos de con-
Volume 1 (Geociências)
355
chas quebradas, geralmente repre-
sentadas por seus moldes internos,
os da fácies Canecos são de grão
fino, geralmente bem claros, facil-
mente desintegráveis na água,
ocorrendo em leitos espêssos, com
poucos macrofósseis, mas tão ricos
em microfósseis quanto os da fá-
cies Castelo. No afloramento de
Baunilha Grande, ainda ligado à
fácies Canecos, o calcáreo é fina-
mente estratificado, abundando em
concreções cinza-escuras, geral-
mente envolventes de restos de ca-
ranguejos.
Ferreira & Cunha (1959), refe-
rindo-se à Formação Pirabas, em
geral, concluem, pelo estudo de
seus moluscos fósseis, que seus se-
dimentos, que, no municipio de Ca-
panema, pelo menos, repousam di-
retamente sôbre o complexo crista-
lino, situado a pequena profundi-
dade, teriam sido depositados em
águas rasas, limpidas e tépidas de
uma transgressão marinha, ocor-
rida no fim do Oligoceno ou nos
tempos do Mioceno inferior. Tais
depósitos são, provavelmente, es-
tuarinos.
O sirênio, aqui descrito, cujos
restos são encontradiços em tôda
a Formação Pirabas, segundo Si-
mões Ferreira (comunicação ver-
bal), pertence a um grupo de ma-
miferos aquáticos, que vivem em
ambiente marinho (costeiro) , es-
tuarino e fluvial, não fornecendo,
portanto, elementos para a carac-
terização de fácies ambientais, es-
pecificos, de habitat e de sedimen-
tação.
SUMÁRIO
Entre o interessante material
paleontológico, coletado, em suces-
cessivas oportunidades, no calcá-
reo marinho da Formação Pirabas,
Estado do Pará, Brasil, pelo geó-
logo Cândido Simões Ferreira, dc
Museu Nacional, a quem já deve-
mos importantes trabalhos sôbre
os moluscos fósseis daquela for-
mação, acham-se restos fósseis es-
parsos e fragmentários de um ma-
mífero da ordem Sirenia e família
Trichechidae, que são descritos
pelo presente autor, em compara-
ção com 03 representantes extin-
tos, já conhecidos, e recentes, do
grupo.
O Trichechidae mais antigo, até
há pouco conhecido, era Potamosi-
ren magdalenensis Reinhart, 1951,
do Mioceno superior (fauna de La
Venta, Formação Honda) da Co-
lômbia, que Pascual (1953) iden-
tifica, genèricamente, com Ribodon
Ameghino, 1883, cujo tipo é R. lim-
batus Ameghino, 1883, tido, até há
pouco, como do Pleistoceno e inse-
parável de Trichechus, mas que
Pascual afirma ser do Mesopota-
356
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
miense (Mio-Plioceno) da Argen-
tina e distinto dêste gênero re-
cente.
Os parcos restos fósseis que de-
ram motivo a esta nota (um den-
te molar superior, um dente molar
inferior, incompleto, algumas vér-
tebras e costelas, na grande maio-
ria, fragmentárias, etc.) revelam a
presença indubitável de um sirênio
Trichechidae, de gênero nôvo, na
Formação Pirabas.
Como a formação em apreço é, no
máximo, do Mioceno inferior, de
acôrdo com a fauna malacológica
fóssil, cujos testemunhos contém
(Simões Ferreira & Rodrigues da
Cunha, 1959) , conclui-se que a pre-
sença do Sirenia-Trichechidae, em
consideração, na aludida formação,
constitue o registro paleontológico
mais antigo do grupo em apreço.
SUMMARY
A SIRENIA IN THE PIRABAS
FORMATION
This paper deals with the des-
cription of a new genus, and a new
species of manatee {Sirenotherium
pirabensis) , based on scattered fós-
sil remains (crown of an upper
left molar tooth, incomplete verte-
brae, fragmentary ribs, and a me-
tacarpal bone) , from the lower
Miocene of the Pirabas Formation,
State of Pará, Brazil.
This is the oldest known paleon-
tological evidence of the family
Trichechidae.
Potamosiren magdalenensis Rei-
nhart, 1951, from the upper Mio-
cene of Colombia, and Ribodon
limbatus Ameghino, from the up-
per Miocene or lower Pliocene of
Argentina, follow it in the paleon-
tological record.
The other known genus of this
family is the Recent Trichechus
Linnaeus, 1758, survivor from the
Pleistocene.
Sirenotherium pirabensis, g. n.,
sp., n., was probably an inhabitant
of shallow, temperate, marine wa-
ters of a large, transgressive estua-
ry, in the coast of the State of Pará,
during lower Miocene times.
I
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CROCODILIDEO EXTINTO DO ALTO
RIO JURUA, ESTADO DO ACRE
LLEWELLYN IVOR PRICE
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com duas figuras no texto)
A reconhecida carência de cole-
ções paleontológicas e, portanto,
a falta de conhecimentos da pa-
leofauna de vertebrados da Ama-
zônia, de nosso interêsse imedia-
to, se explica pelo quase total aban-
dono que esta vasta região tem so-
frido quanto à pesquisa desta na-
tureza por técnicos habilitados. De
modo geral, os fragmentados restos
de fósseis da Amazônia brasileira
que chegam às mãos dos paleontó-
logos, resultam de achados fortui-
tos por parte de leigos inexperien-
tes nessa faina. Como é de se es-
perar, não são feitas observações
estratigráficas do local de encon-
tro, que muitas vêzes acaba se tor-
nando totalmente desconhecido
quando o achado passa por diver-
sas mãos. Entretanto, a êstes lei-
gos devemos um voto de gratidão,
pois é através desta sua curiosida-
de e desejo de saber que muitas
amostras fósseis nos alcançam e
sôbre as quais fundamentamos ho-
je, grande parcela do que conhece-
mos da paleontologia Amazônica.
São êstes fragmentos que virão
nortear futuras pesquisas de campo
nesta vasta região ainda encober-
ta por quase interminável mata.
Ocasionalmente, o geólogo, em suas
pesquisas nesta região, contribui
com informes sôbre problemas es-
tratigráficos, às vêzes associados
diretamente a restos paleontológi-
cos. Entretanto, dado aos seus afa-
zeres, não pode se deter para uma
coleta mais adequada que poderia
trazer melhores esclarecimentos ao
paleontólogo.
* Com 0 auxílio do Conselho Na-
cional de Pesquisas. Publicação auto-
rizada pelo Diretor da Divisão de Geo-
logia e Mineralogia do Departamento
Nacional da Produção Mineral.
360
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Na última década, iniciou-se a
pesquisa paleontológica sistemá-
tica na Amazônia brasileira que,
se tiver continuidade, preencherá
esta lacuna de tão longa duração
com o conhecimento da sua paleo-
fauna de vertebrados. Referimo-nos
a duas campanhas realizadas no
alto rio Juruá, no Estado do Acre.
A primeira “Expedição Geológico-
Paleontológica e Zoológica ao Alto
rio Juruá”, realizada em 1956 sob
os auspícios do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia, com a
participação da Divisão de Geolo-
gia e Mineralogia do Departamen-
to Nacional da Produção Mineral,
do Museu Paraense “Emílio Goel-
di” e do American Museum of Na-
tural History, New York, (Price,
1957) à qual cabe a primazia de
empreendimentos bem sucedidos
de interêsse especialmente paleon-
tológico. Esta Expedição colheu
fósseis em 33 localidades, com as
devidas observações estratigráficas.
A segunda campanha, efetuada
através de um programa de “Cola-
boração em Pesquisas Paleontoló-
gicas” da Petróleo Brasileiro S.A.,
com a Divisão de Geologia e Mine-
ralogia do Departamento Nacional
de Produção Mineral, foi realizada
em 1962 (Price, 1964) . Esta repi-
sou o caminho da Expedição de
1956 no rio Juruá, acrescentando
mais 17 novos locais fossilíferos, es-
tendendo o reconhecimento paleon-
tológico para a bacia do rio Juruá-
Mirim, afluente do Juruá, na qual
se registrou mais 6 novas localida-
des. O acêrvo científico destas cam-
panhas é grande e seu éstudo, ora
em andamento, muito contribuirá
para o desvendamento da paleon-
tologia e geologia Amazônica.
A presente comunicação versa
sôbre um dos espécimes por nós en-
contrado no decorrer da segunda
campanha — de 1962. Trata-se da
mandíbula de um crocodilídeo de
proporções gigantescas, dos maio-
res conhecidos até agora no mun-
do, e que vem confirmar um gêne-
ro até hoje problemático, funda-
mentado num mal conservado
fragmento descrito por Barbosa
Rodrigues em 1892, sob a deno-
minação de Purussaurus brasilien-
sis.
E’ nosso intuito tão-sòmente de-
finir êste gênero em têrmos mais
adequados, e assim torná-lo um
elemento útil para a melhor com-
preensão dos crocodilídeos de gran-
de porte que habitaram a Amazô-
nia.
Pelo auxilio que recebemos du-
rante a preparação do espécime
por parte de Otávio da Silva San-
tos, preparador da Seção de Pa-
leontologia, pelo trabalho fotográ-
fico de Mário Carnaval, contribuí-
do no decorrer da pesquisa, e pelo
auxílio prestado por Gilberto Wil-
liam nos desenhos, todos da Divi-
Volume 1 (Geociências)
361
são de Geologia e Mineralogia, re-
gistramos nossos melhores agrade-
cimentos.
Purussaurus brasUiensís Barbosa
Rodrigues, 1892
O espécime sôbre o qual Barbo-
sa Rodrigues (1892) fundamentou
0 gênero Purussaurus proveio de
alguma localidade nas barrancas
do rio Purus no Estado do Ama-
zonas. Seu coletor bem como
quaisquer outros informes referen-
tes ao fragmento são desconheci-
dos. O paradeiro do tipo com o qual
temos nos ocupado, é ainda desco-
nhecido. Desde o encerrar das por-
tas, em 1890, do Museu Botânico
do Amazonas, em Manaus, onde
Barbosa Rodrigues descreveu o es-
pécime, e onde êste estava de-
positado, nenhuma referência con-
creta tem sido encontrada a seu
respeito. Patterson (1939) refe-
rindo-se a êste material, conside-
rou-o possivelmente perdido. En-
tretanto, é de nosso conhecimen-
to, que um cidadão italiano estêve
em Manaus após o fechamento do
Museu, conseguindo mandar parte
das coleções ainda existentes para
a Itália, e que, em 1945, uma neta
de Barbosa Rodrigues, ao escrever
a sua biografia, se referiu especial-
mente ao espécime em questão,
tendo acrescentado em nota de ro-
dapé, que era de sua propriedade.
Apesar do resultado infrutífero de
nossa pesquisa, guardamos ainda
alguma esperança quanto ao en-
contro dêste tipo.
Visto dispormos sòmente da des-
crição e ilustração de Purussau-
rus apresentadas por Barbosa Ro-
drigues, em 1892, numa revista
bastante rara, achamos oportuno
transcrever no vernáculo a parce-
la descritiva referente a êste cro-
codilídeo a fim de tornar mais cla-
ras as considerações que se seguem
a seu respeito. Os destaques em
colchetes são nossos.
“O osso de que aqui me ocupo é a
parte anterior da mandíbula direita
onde estão implantados os dentes;
falta o osso que forma a parede interna
[esplenial]. O osso apresenta clara-
mente, a sínfise que o liga a parte es-
querda. Êste osso tem o comprimento
de 0,57 até ao ponto em que se acha
quebrado, e pesa 15 kg e 660 g. Tem
três faces; superior, externa e interna.
No bordo da face superior acham-se os
alvéolos dentários. O osso está limpo
na face superior da mandíbula; a face
externa é coberta em alguns pontos
por massas regulares de mamilos de
carbonato de cálcio que deixa ver nos
intervalos a escultura correspondente
aos pontos de aderência à pele escami-
forme. Na face inferior, todo o canal
constituído pela união dos dois ossos
que formam a mandíbula está cheia de
mamelões calcários. Em alguns lugares
a primeira camada de osso está que-
brada e mostra nas fendas assim for-
madas, mamilas, o que nos dá a enten-
der que as massas mamilares tiveram
origem no osso e não constituem uma
aglomeração ou conglomerado estranho.
Percebem-se em outras fendas grupos
362
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de cristais de sulfato de ferro do sis-
tema cúbico.
A parte da mandibula de que trato
é perfeitamente branca, salvo algumas
manchas de óxido de ferro, e apresenta
9 alvéolos, dos quais 3 de dentes incisi-
vos, um canino, e 4 molares. O pri-
meiro, 0 do maior incisivo está quase
fechado pelo calcário mamilar de que
falei; mede 0,075 de diâmetro.
O segundo alvéolo está completa-
mente livre e suas paredes podem ser
seguidas até ao fundo. Êste alvéolo
mede 0,048 (ou 0,037) de diâmetro; é
transversalmente alongado e tem 0,115
de profundidade.
O terceiro alvéolo está completa-
mente obstruído pelo carbonato de cál-
cio que contorna a corôa do segundo
dente. O quarto alvéolo, ou do dente
canino, está igualmente cheio de cal-
cário, todavia deixa ver do lado externo
um pedaço da parede do primeiro den-
te. Tem 0,055 de diâmetro. O alvéolo do
quinto dente ou do primeiro molar,
tem 0 fundo cheio de calcário, e aqui
no se pode distinguir traços do dente.
Êste alvéolo mede 0,035, e o outro 0,030
de diâmetro. O alvéolo do quarto molar,
onde se deu a ruptura do osso está
também fechado por calcário.
O plano da sínfise, irregularmente
oblongo, mede 0,20 por 0,13. Êste plano,
na parte inferior, está coberto de óxido
de sulfeto de ferro disposto em cristais
de uma bela formação.
Nota-se, inferiormente, no plano da
sinfise, um buraco que nos aligatores
atuais é substituído por um canal
aberto, que se prolonga internamente,
e é formado pelo osso da parte interna
da mandíbula.
A conformação da mandíbula do in-
divíduo de que se trata comparada com
a do Yakaré uaçú. (.A. sclerops) [Me-
lanosuchus niger, provavelmente] apre-
senta diferença. A parte que forma o
mento é chata e alongada nos Yakarés
atuais, ao passo que na espécie fóssil é
curta e mais arredondada; e o plano
da sínfise é muito oblongo na espécie
viva e quase redondo no fóssil.
Não se poderia negar que êste se
aproxima do Yakaré uaçú, e, por con-
seguinte, do gênero Alligator...
Creio contudo poder incluí-lo num
nôvo gênero, distinguindo as espécies
fósseis das espécies vivas e propondo,
conseqüentemente, encaixá-lo no gê-
nero que eu chamarei Purussaurus, rio
do mesmo nome, em cujas margens foi
encontrado o fóssil, e, de saurus — la-
garto!”
O espécime está ilustrado na es-
tampa 16, em reprodução fotográ-
fica, que 0 documenta com bastan-
te fidelidade. Três aspectos da peça
são apresentados: Fig. 1, em aspec-
to dorsal; Fig. 2, em aspecto ven-
tral, conquanto na explanação da
estampa se lê “interno”; e, Fig. 3,
em aspecto interno, conquanto na
explanação se lê “ventral”. Quanto
à observância na orientação da
peça para a apresentação dos pla-
nos anatômicos de referência nada
podemos dizer.
O exame das ilustrações mostra
ter 0 espécime sofrido estrago. Des-
tacam-se as extremidades da su-
perfície sinfisial, arredondadas e
escavadas, faltando-lhes considerá-
veis extensões. No plano dorsal, a
área anterior, ocupada pelos pri-
meiros alvéolos bem como a área
posterior ao sétimo alvéolo, estão
aparentementç desbastadas a um
Volume 1 ( Geociências )
363
mesmo nível. A face lateral, mos-
tra regular deformação de seu con-
torno posterior, devido à incrusta-
ção do calcário mamelonar descri-
ta pelo autor. Outros detalhes se-
rão abordados junto à comparação
dêste dentário com o nôvo espécime
que ora descrevemos.
O NÔVO ESPÉCIME DE
PURUSSAURUS
O espécime DGM. n.° 527-R, Loc.
Fos: 43 foi encontrado numa ter-
ra firme do lado esquerdo do alto
rio Juruá no Acre, no local deno-
minado Petrópolis, entre Pôrto
Walter e a bôca do igarapé Ouro
Prêto. Esta terra firme forma uma
barranca vertical de mais de 250
metros de extensão à beira do rio,
é baixa, com exposição vertical
de cêrca de 15 metros acima do ní-
vel da água na época da estiagem.
A Expedição de 1956 examinou êste
afloramento sendo negativo o re-
sultado, pois a exposição inteira-
mente vertical, encoberta de mus-
gos e vegetação ribanceira não ofe-
recia condições favoráveis para o
encontro de fósseis. Entretanto,
nos anos que se passaram, até 1962,
as sucessivas cheias e a poderosa
correnteza que acarretam remove-
ram a mata e rebaixaram um tre-
cho no início (rio acima) da bar-
ranca exposta, criando assim um
afloramento vivo. Neste afloramen-
to em forma de terraço, cêrca de
quatro metros acima da água da
estiagem, os sedimentos são cons-
tituídos principalmente de argilas
finas, friáveis, de côres predomi-
nantemente rosa-avermelhados dis-
postas em faixas indicando fraco
Fig. 1 — Aspecto parcial da man-
díbula de Purussaurus. Comprimento
da série dental — 870mm. No alto, à
esquerda, contorno do plano da sín-
fise mandibular, comprimento máximo
270mm. A linha A-B representa o
plano de referência horizontal. DGM.
número 527-R.
364
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
acamadamento. A formação do ter-
raço propriamente é devida a uma
camada de arenito argiloso, fino,
calcaroso, de côr cinza clara tam-
bém friável mas oferecendo maior
resistência à erosão. Êste arenito,
intercalado na seção de argilas
avermelhadas, representa aparen-
temente um remanescente de praia
fluvial, e é a camada portadora dos
fósseis de nosso interêsse. Onde se
pôde observar, o arenito é de es-
pessura bastante variável, de 1 m
a 2,50 m, pois foi depositado num
fundo muito irregular da argila
subjacente. O depósito em seu con-
junto faz parte do capeamento
Plio-Pleistoceno, composto de sedi-
mentos essencialmente retrabalha-
dos provenientes do complexo do
“red-beds” Terciário mais antigo
(Price, 1964).
A mandibula foi encontrada já
completamente exposta em cima
do terraço com somente a região
sinfisial ainda engastada ao areni-
to. Provenientes do mesmo arenito,
recolhemos ainda, uma placa dér-
mica (DGM.N0.528-R) de grande
tamanho e possivelmente do cro-
codilideo ora descrito, uma vérte-
bra e uma placa dérmica de um
crocodilideo muito menor, um fê-
mur esquerdo e da metade distai
de outro fêmur de Artiodactyla —
um cervídeo de grande tamanho,
que, de acordo com informação
fornecida pelo nosso colega Car-
los de Paula Couto, parecem in-
dicar preferencialmente idade Ple-
istocênica. Na preparação da por-
ção sinfisial da mandíbula, à qual
aderia ainda regular pedaço de
arenito, foram encontrados os mol-
des de um gasterópodo e de um
molusco bivalvo.
Os fósseis encontrados neste
afloramento que não mostram des-
gaste algum devido a carreamen-
to, e mesmo a grande mandíbula
que teria sido exposta em estado
completo com os ramos ainda ar-
ticulados, atestam à sincronia da
depositação dos sedimentos com ês-
tes elementos da fauna contempo-
rânea.
A mandíbula, que impressiona de
relance pela sua possança, com
quase dois metros de comprimen-
to, e pela sua construção maciça,
apresenta excepcional estado de
fossilização, tanto pela dureza da
peça como pela preservação dos de-
talhes da superfície óssea. Consis-
te do ramo esquerdo inteiro e da
metade anterior do ramo direito
articulados na sínfise. A dentição
completa, em ambos os lados, se
acha representada pelos alvéolos,
alguns dos quais contém ainda re-
manescentes de dentes. Do ramo
esquerdo foi destruído um segmen-
to central da arcada suprangular
sôbre a fenestra mandibular exter-
na, a parte anterior com a facêta
para a cartilagem de Meckel do ar-
ticular, e dêste osso ainda o bordo
mesial da superfície glenóide, bem
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
365
como do bordo mesial do processo
retroarticular. Os remanescentes
da dentição estão restringidos aos
dentes da região sinfisiária: o pri-
meiro alvéolo direito contém a raiz
de um dente imaturo; o 2P alvéolo,
dos dois lados, contém as raízes e
bases das coroas de seus dentes; o
3.0 alvéolo, do lado esquerdo, con-
tém a raiz de um dente imaturo; o
4.0 alvéolo, do lado direito, contém
a raiz de um dente funcional; e, o
5.0 alvéolo, em ambos os lados, con-
tém as raízes com bases das coroas
de dentes funcionais.
A semelhança desta mandíbula
à dos caimans é evidente em tôda
sua forma e estrutura, mas é pro-
porcionalmente muito mais maci-
ça correspondendo naturalmente
ao seu gigantesco tamanho. As re-
lações entre os ossos são de modo
geral também às observadas nos
caimans. Existem, entretanto, ca-
racterísticas que a distingue da dos
caimans recentes e fósseis conhe-
cidos.
A parte de suas grandes dimen-
sões, a mandíbula se assemelha
mais de perto, entre os caimans, à
do Melanosuchus niger (Spix).
Pertence a uma forma com crânio
braquicéfalo, talvez com proporções
como as do Melanosuchus, porém
teria o focinho mais largo e arre-
dondado. A região sinfisial é rela-
tivamente raza, e vista de cima, seu
contorno anterior é quase semi-cir-
cular até ao nível do 4.° alvéolo
após o qual o bordo se restringe.
A sínfise é forte e se estende pos-
teriormente até ao nível do centro
do 5.0 alvéolo. O esplenial não atin-
ge a sínfise.
A fenestra mandibular externa
é muito grande, pràticamente do
mesmo comprimento da extensa
fossa mandibular. A fenestra infra-
Meckeliana é normal em suas pro-
porções. O processo retroarticular
é robusto, proporcionalmente cur-
to, e se dispõe em posição essencial-
mente horizontal. A lâmina inter-
na dêsse processo, é dirigida acen-
tuadamente para baixo.
A escultura da mandíbula é fra-
ca, limitando-se, quase inteiramen-
te, à forames do sistema vascular,
ou às impressões dêsse sistema na
superfície. Os forames no têrço an-
terior do ramo são bastante gran-
des e freqüentes, constituindo a
única ornamentação; o têrço me-
diano é quase totalmente liso; no
têrço posterior, o angular e o su-
rangular mostram de maneira
muito fraca a escultura que os cai-
mans têm nesta região. Do lado
interno da série dental, na super-
fície do osso dentário, observa-se
uma fieira de forames do sistema
vascular.
A série dental ocupa a metade
do comprimento total do ramo de
mandíbula. E’ composta de 21 den-
tes com forte diferenciação em ta-
manho como é indicado pelos diâ-
metros dos respectivos alvéolos. O
366
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Fig. 2 — Representação gráfica da dentição de Purussaurus. Os valores
da escala vertical estão multiplicados 3 vêzes a fim de acentuar a diferen-
ciação dental. DGM. n.° 527-R.
OSSO esplenial atinge a altura do
nível alveolar atrás do 14.° dente
e torna efetivo seu apoio à fileira
dental a partir do 16.° dente. Vis-
to de lado, o dentário apresenta o
bordo festonado que obedece à di-
ferenciação da dentição. Êste bor-
do se eleva na área do l.° alvéolo,
do 4.0 alvéolo, e na área do 13.o e
14.0 alvéolos; as áreas baixas estão
situadas entre o 2.o e 3.o alvéolos
e entre o 6.o e 7.o alvéolos. O fes-
tonado é relativamente pouco
acentuado, menos do que se pode-
ria esperar numa forma com den-
tes de diâmetro tão diferenciados.
Visto de cima, os alvéolos l.o a
5.0 acompanham a margem exter-
na do dentário; do 6.o alvéolo para
trás, e em linha quase reta até ao
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
367
último alvéolo, a fileira passa gra-
dualmente para a metade mesial
da superficie mandibular. De modo
geral as aberturas alveolares são
circulares e não demonstram com-
pressão lateral das raízes dos den-
tes. O 2.0 alvéolo difere dos demais
por ter uma circunferência oval,
com 0 eixo mais longo disposto de
maneira um tanto diagonal. Os
bordos dos alvéolos mostram pou-
co ou nenhum desenvolvimento de
paredes externas para o apoio das
raízes dos dentes, o que tanto acen-
tua o desenho festonado de um
dentário. O espaçamento entre os
alvéolos anteriores da região sin-
fisial é muito reduzido, devido às
grandes proporções de seus dentes;
as divisões inter-alveolares no ca-
nal alveolar, atrás do 16.° dente,
são bem formadas e espessas, se-
parando consideravelmente os res-
pectivos alvéolos.
A disposição e tamanho relati-
vos dos alvéolos podem ser melhor
observados na fig. 1, e, a interpre-
tação do provável comprimento dos
respectivos dentes, na fig. 2, em
forma de gráfico (Veja Simpson,
1937: 8, e Langston, 1965: 70
a respeito da utilização desta for-
ma de apresentação gráfica). No-
ta-se na região sinfisiária a con-
centração dos maiores alvéolos, e
assim dos maiores dentes, que se
destaca num conjunto, em nível
muito acima do resto da dentição.
O 1.0 dente, de tamanho marcan-
te, seria seguido pelo 4.°, também
de grande tamanho, e pelos 2.o e
3.0, menores, porém todos maiores
do que os restantes da dentição,
como indicado pelos respectivos al-
véolos. O gráfico demonstra, tam-
bém, a variação encontrada na
dentição entre os ramos mandibu-
lares do mesmo indivíduo.
Dimensões
mm
Comprimento máximo da
mandíbula, ramo esquerdo 1750
Comprimento articular da
mandíbula 1580
Largura máxima da mandí-
bula, na região articular 1070
Comprimento da s í n f i s e
mandibular 270
Espessura máxima da sínfi-
se mandibular 125
Comprimento da fenestra
mandibular externa 380
Comprimento da fossa man-
dibular 360
Comprimento da fenestra
mandibular interna 100
Altura do ramo na extremi-
dade anterior da fenestra
externa 275
Altura do ramo no 8.° al-
véolo 125
Largura do ramo no 15.° al-
véolo 115
Comprimento da série alveo-
lar (igual em ambos os la-
dos) 870.
368
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
A fim de permitir uma compa-
ração mais adequada entre o tipo
de Purussaurus e o nôvo exemplar,
aumentamos a ilustração (Est. 16,
fig. 1) apresentada por Barbosa
Rodrigues ao tamanho natural
(570 mm) e acrescentamos a pro-
vável reconstrução — baseando-nos
para isso nos contornos ainda pre-
servados. A superposição dos de-
senhos mostrou serem os dois
exemplares pràticamente do mes-
mo tamanho, e ainda, a perfeita
coincidência quanto à posição e
proporções dos alvéolos anteriores
(1.0 — 5.0) como também, o es-
paço ocupado pela dentição em re-
lação ao limite posterior da sínfi-
se mandibular. Pequena diferença
foi encontrada quanto ao compri-
mento da sínfise, o do nôvo espé-
cime medindo 30 mm a mais. Jul-
gamos que se possa explicar esta
diferença pequena levando em con-
sideração o mau estado de conser-
vação do tipo e a impossibilidade
de examiná-lo para melhor recons-
tituição, sendo possível a pequena
variação no tamanho dos espéci-
mes, e mesmo a diferença de va-
riação individual. As medidas para
o comprimento da sínfise dadas por
Barbosa Rodrigues são as do
espécime erodido, não correspon-
dendo ao comprimento real. A re-
gião posterior à sinfisiária mostra
igual coincidência em largura do
ramo quando se desconta do exem-
plar tipo a incrustação calcárea
evidente na ilustração. Quanto à
dentição posterior ao 7.° alvéolo
nada de concreto pode ser obser-
vado visto o mau estado de con-
servação da região. Aceitamos
como critério seguro para a identi-
dade dos dois espécimes, principal-
mente, a coincidência completa dos
alvéolos, seus respectivos tamanhos
e posições e o espaço que ocupam
em relação à sínfise mandibular, a
forma oval-alongada da sínfise e o
grande tamanho demonstrado pe-
los espécimes.
Diagnose — Aligatorino atingin-
do grande tamanho, com focinho
presumivelmente largo e arredon-
dado. Mandíbula de construção
maciça com região sinfisiária re-
lativamente baixa, forte, e com sín-
fise de forma oval-alongada. Fenes-
tra mandibular externa muito
grande e fossa mandibular muito
extensa. Festonado não pronuncia-
do. Série dental, representada pe-
los alvéolos, com 21 dentes bastan-
te diferenciados, quanto ao tama-
nho, ocupando a metade do com-
primento da mandíbula. Dentição
da região sinfisiária (l.° — 5.°)
destacada tôda do resto da denti-
ção pelo seu grande tamanho. O
1.0 dente, notàvelmente o maior da
série, é seguido, em tamanho, pelo
4.0, também muito grande, pelo 2P
e 3.0, às vêzes iguais, e pelo 5.o res-
pectivamente. A sínfise estende
posteriormente ao nível do centro
do 5.0 alvéolo. A dentição pós-sin-
Volume 1 (Geociências )
369
fisiária apresenta um “ápice” em
tamanho de dentes, na região dos
alvéolos 13.° — 14.°. Processo re-
troarticular robusto, curto, em po-
sição essencialmente horizontal.
Escultura fraca.
Os dois exemplares conhecidos
são da capa Plio-Pleistocena que
recobre a região acreana e parte do
Estado do Amazonas.
A semelhança do tipo de Purus-
saurus aos caimans, foi observa-
da por Barbosa Rodrigues, co-
mentando que “Não se pode negar
que êste se aproxima de Yakaré
uaçu...’’. Patterson (1936, 1943)
colocou-o na sinonímia mesmo
de Caiman (Spix) achando, po-
rém, que 0 gênero poderia ser vá-
lido se material em melhores con-
dições viesse a confirmar, princi-
palmente, o tamanho excessivo do
l.° dente. Mook (1941) achou que
0 gênero estaria relacionado à Cai-
man. A nova mandíbula que per-
mite a interpretação adequada do
tipo de Purussaurus vem esclare-
cer estas observações anteriores e
confirmar a associação do gênero
aos caimans.
Langston (1965) na sua va-
liosa contribuição sôbre os croco-
dilídeos sul-americanos, registra o
encontro de mandíbulas incomple-
tas provenientes do Mioceno da Co-
lômbia com características remi-
niscentes das de Purussaurus. Nas
suas considerações aborda o pro-
blema da dentição de Purussaurus
em relação a sua possível defini-
ção. Langston considera o gê-
ro válido, porém aguardando con-
firmação quanto a sua dentição
aberrante.
O único gênero aligatorino da
bacia Amazônica baseado em ma-
terial que permite comparação
ccm Purussaurus é Brachygnatho-
suchus braziliensis (Mook, 1921). A
peça principal sôbre a qual foi de-
finido êste gênero consiste de um
segmento anterior do ramo de uma
grande mandíbula, com 8 alvéolos
completos e mais 2 indicados. Fal-
ta quase tôda região sinfisiária com
os dentes anteriores. A peça mos-
tra considerável deformação pato-
lógica na região da sínfise (Pat-
terson, 1936; Langston, 1965) e
a ilustração de maior interêsse,
a que mostra os alvéolos, não obe-
dece um plano de referência cor-
reto (Langston, 1965). A inter-
pretação dada aos alvéolos é que o
segundo alvéolo preservado, de diâ-
metro muito grande, seria o 4.° da
série dental, portanto um ponto de
referência quanto ao comprimento
da sínfise mandibular. A superpo-
sição dos desenhos dos dois gêne-
ros mostra uma grande diferença
na extensão posterior da sínfise,
pois em Purussaurus esta se esten-
de ao nível do centro do 5.° alvéo-
lo, conquanto em Brachygnathosu-
chus o seu limite posterior está an-
terior ao 4.° alvéolo o que indica
uma sínfise extremamente curta.
370
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Outrossim, a espessura do ramo
mandibular nesta região é tôda
muito maior do que em Brachy-
gnathosuchus . Esta comparação
com Brachygnathosuchus, nas con-
dições em que êste espécime se
acha preservado, não deixa dúvi-
da quanto a diferença existente.
A mandíbula de Purussaurus ora
descrita representa um aligatori-
no, que em vida, teria cêrca de
13 metros de comprimento, colo-
cando-o entre os maiores crocodi-
lídeos do mundo.
RESUMO
Entre as principais descobertas
de fósseis vertebrados efetuadas na
bacia Amazônica em 1962 está a
de uma mandíbula, quase comple-
ta, de um gigantesco crocodilídeo
da Subfamília Alligatorinae, aqui
descrita preliminarmente.
A excepcional preservação dêste
achado vem fornecer esclarecimen-
tos sôbre um espécime fragmentá-
rio constituído da parte anterior
da mandíbula de um crocodilídeo,
também de grandes proporções e
de proveniência Amazônica, des-
crito em 1892 sob a denominação
Purussaurus brasiliensis por Bar-
bosa Rodrigues.
O nôvo espécime foi descoberto
no decorrer dos trabalhos de cam-
po do autor, na região Terciária-
Quaternária do alto rio Juruá, Es-
tado do Acre, realizados em 1962,
em atenção à um programa de co-
laboração em pesquisas paleonto-
lógicas da Divisão de Geologia e
Mineralogia do Departamento Na-
cional da Produção Mineral com a
Petróleo Brasileiro S. A.
SUMMARY
Among the principal discoveries
of fóssil vertebrates in the Brazi-
lian Amazon basin in recent years
is that of a nearly complete man-
dible of a gigantic crocodilian of
the Sub-Family Alligatorinae. The
new specimen confirms the validi-
ty of Purussaurus brasiliensis Bar-
bosa Rodrigues, 1892, and furnishes
new Information regarding this
hitherto poorly known genus.
The mandible was found in Plio-
Pleistocene beds in the upper Ju-
ruá river in the State of Acre, Bra-
sil, in the course of field work un-
dertaken by the writer, in 1962,
and made possible through a pro-
gram of collaboration in paleonto-
logic research established by Petró-
leo Brasileira S.A. and the Divisão
de Geologia e Mineralogia do De-
partamento Nacional da Produção
Mineral.
The similarity of the structure
of the mandible of Purussaurus to
that of the caimans, especially to
that of Melanosuchus (Spix), is
observed, as well as the peculiar
dentition of the symphyseal region
with its very large teeth and the
Volume 1 (Geociências)
markedly larger first tooth. Pu-
russaurus with a jaw measuring
little under 2 meters (1750 mm)
and with a probable body-length
of 13 meters may be included
amongst the largest of the known
Crocodilia.
Diagnosis — Alligatorine attain-
ing great size, with snout presum-
ably broad and rounded. Mandi-
ble of massive construction with
symphyseal region relatively low,
strong, and an elongate-oval sym-
physis. Externai mandibular fenes-
tra very large and mandibular fos-
sa very extensive. Festonation not
pronounced. Dental series, as re-
presented by the alveoli, with 21
well differentiated teeth as to size,
and occupying half the length of
the mandible. Dentition of the
symphyseal region, as a unit, (Ist-
-5th) with teeth all larger than
remaining dentition. The Ist tooth,
notably the largest of the series, is
followed in size respectively by the
4th, also very large, by the 2nd
and 3rd, which may be of the
same size, and by the 5th. The
symphysis extends posteriorly to
the levei of the center of the 5th
alveolous. The post-symphyseal
dentition with a secondary peak in
the region of the 13th-14th
alveoli. Retroarticular process
robust, short, essentially horizontal
Sculpture weak.
The two known specimens are
from the Plio-Pleistocene beds
371
which spread over the Acre region
and part of the State of Amazo-
nas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Vol. 1 (Geociências): 373-386 — 1967
ESTRATIGRAFIA DA REGIÃO XINGU-TOCANTINA
J. R. DE ANDRADE RAMOS
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
Com o objetivo de divulgar, nes-
te Simpósio, a estratigrafia da re-
gião Xingu — Tocantina, compre-
endida entre êsses rios e os para-
lelos de 5° e 12° Lat. Sul, extrai-
mos da Monografia n.o XIX, da
DGM^ intitulada “Geologia Estra-
tigráfica. Estrutural e Econômica
da Área do Projeto Araguaia”, de
autoria de O. Barbosa, F. A. Go-
mes, R. Helmbold, e do autor des-
ta comunicação, a qual se encon-
tra em fase final de impressão,
uma descrição sumária das unida-
des estratigráficas mapeadas nesse
bloco, que totaliza 423.000 quilô-
metros quadrados.
Uma unidade proterozóica foi
acrescentada à coluna estratigrá-
fica regional, contida naquela Mo-
nografia, a qual foi definida por
J. M. Parada, J. Albuquerque For-
man, J. Rache Ferreira e J. Fer-
reira Leal, em Boletim da Divisão
de Geologia e Mineralogia do
DNPM, intitulado “Pesquisas Mi-
nerais no Estado do Pará”, presen-
temente no prelo, e que resume tra-
balhos de campo executados em
1963 e 1964.
PRÉ-CAMBRIANO
Nesse bloco em foco, o Pré-Cam-
briano encontra-se exposto em vá-
rias áreas, formando o complexo
basal da região, e representado por
quatro unidades distintas: o Pré-
Cambriano Indiferenciado, a Série
Araxá, a Série Tocantins e a For-
mação Tocandera.
PRÉ-CAMBRIANO
INDIFERENCIADO
Esta unidade é encontrada em
grandes extensões da mesopotâmia
Araguaia — Xingu e em pequena
área a sudeste da região, próxi-
ma ao rio Tocantins.
Na grande área arqueana (?)
Araguaia — Xingu são encontra-
dos migmatitos, granitos, escassas
áreas com paragnaisses e alguns
dioritos.
374
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
No alto vale do rio Fresco a ro-
cha dominante é um granito róseo,
no qual ocorrências de dioritos e
anfibolitos são freqüentes. Já no
baixo rio Fresco e Xingu ocorrem
migmatitos com paleosoma de me-
tabasito, e quartzitos cortados por
veios e lentes de quartzo-pegmati-
tos.
As rochas mais comuns nas pro-
ximidades do Tocantins são para-
gnaisses com delgadas intercala-
ções de metabasitos. Migmatitos e
granitos são também freqüentes.
Intrusivas básicas, na forma de
gabros e anortositos, ocorrem nes-
ta parte sudeste do bloco, tendo si-
do o trecho de exposição do anor-
tosito e granitos (entre Pôrto Na-
cional e Miracema do Norte, no rio
Tocantins) objeto de um trabalho
petrográfico-geológico, apresentado
neste Simpósio.
SÉRIE ARAXÁ
Os micaxistos característicos da
Série Araxá extendem-se desde a
localidade-tipo desta unidade es-
tratigráfica, através esta região,
até 0 rio Itacaiunas.
A série consta predominante-
mente de micaxistos e subordina-
damente de quartzitos. Alguns
quartzitos poderiam ser classifica-
dos como paragnaisses quartzíti-
cos, por serem algo feldspáticos.
Uma das características notáveis
da Série Araxá, na região Xingu
— Tocantina, é a extraordinária
abundância de veios de quartzo, em
muitos dêles encontrando-se o
quartzo hialino.
Os quartzitos da série aparecem
muitas vêzes isolados sob a forma
de sinclinais recumbentes, outras
vêzes formando possantes lentes
nos micaxistos, como os domos e
braqui-anticlinais de Lontra e
Xambioá, e o sinclinal recumben-
te da serra dos Martírios.
Apenas em dois locais foram en-
contrados calcários na Série Ara-
xá. Tratam-se de delgadas cama-
das intercaladas em xistos.
Além dos citados veios de quart-
zo dos micaxistos e quartzitos da
série encontram-se também peg-
matitos, êstes sempre situados nas
proximidades do contato da série
com o embasamento arqueozóico
gnáissico.
SÉRIE TOCANTINS
Duas faixas que se estendem na
região em questão, constituídas de
epimetamorfitos, formam a cha-
mada Série Tocantins, assim deno-
minada em 1933 por Moraes Rêgo.
Consta esta série essencialmen-
te de filitos verdes-claros, quando
frescos, e amarelados quando de-
compostos. São intercalados por
quartzitofilitos listrados, calcários
e quartzo-itabiritos.
Ao longo do rio Tocantins, a par-
tir da confluência dos rios Tocan-
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tins e Araguaia, a típica Série To-
cantins de Moraes Rêgo consta de
cálcio-filitos até Marabá, predomi-
nando depois grauvacas, às vê-
zes conglomeráticas, aparecendo
quartzitos com intercalações del-
gadas de calcários.
Esta série distingue-se inconfun-
divelmente da Série Araxá pelo seu
grau de metamorfismo muito me-
nor. Litològicamente os filitos da
Série Tocantins assemelham-se aos
da Série Cuiabá, sendo provável
que a sua idade seja algonquiana
superior.
FORMAÇÃO TOCANDERA
Esta formação, descrita por J.
M. Parada e outros, em traba-
lho que se acha no prelo, poderia
vir a ser, depois de melhor estu-
dada, incluída na Série Tocantins.
Entretanto, referimo-nos a ela, in-
dividualizada, para completar a co-
luna estratigráfica da região.
Esta formação é constituída por
itabiritos intercalados em quartzi-
tos.
Os itabiritos, na serra da Tocan-
dera, apresentam uma espessura de
400 metros, com dobramentos in-
tensos. Os quartzitos superiores
apresentam-se silificados, com uma
granulação de média a grosseira.
Os quartzitos inferiores apresen-
tam-se silicificados ou, às vêzes,
com aparência de arenitos, corta-
dos freqüentemente por veios de
quartzo.
375
Esta formação intercala-se no
Pré-Cambriano Indiviso, podendo
ser correlacionada com a Série To-
cantins, conforme sugestão dos
seus próprios autores.
FORMAÇÃO RIO FRESCO
Esta formação consta de uma es-
pessa série de sedimentos marinhos
associados a um vulcanismo an-
desítico. A sucessão sedimentar
precedeu o vulcanismo, expondo-se
muito bem ao longo do rio Fresco.
A sucessão sedimentar começa
com uma ardósia prêta carbonosa,
com cêrca de 10 metros de espes-
sura. Seguem-se ardósias côr de
cimento ou cinza-azuladas, inter-
caladas de inúmeras camadas e
bancos de arcózios, cinzento-es-
verdeados a cinzento-escuros, às
vêzes micáceos. Estas camadas ar-
cozianas variam entre alguns decí-
metros de espessura até algumas
dezenas de metros. Intrusões de
diques de diabásios e andesitos tor-
nam freqüentemente muito duras
estas rochas.
Pode-se estimar uma espessura
real da ordem de 2 . 800 metros para
a parte sedimentar da formação.
Entretanto, em virtude da presen-
ça de numerosas falhas paralelas,
essa espessura pode vir a ser mui-
to reduzida. Não deixará, porém,
de atingir muitas centenas de me-
tros de espessura.
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A ausência de microfósseis nas
ardósias e arenitos da formação e
as pesquisas palinológicas negati-
vas feitas no chamado “antracito”
da formação e na sua ardósia car-
bonosa, não permitem fixar uma
idade segura para a formação. Po-
de-se afirmar, entretanto, que ela
é pré-carbonífera, pois a Formação
Piauí (Carbonífero Superior) as-
senta discordantemente sôbre ela.
Comparando litológicamente a
formação com camadas marinhas
da parte meridional da bacia ama-
zônica, tanto poderia ser a Forma-
ção Rio Fresco do Siluriano Infe-
rior como do Pré-Siluriano. Entre-
tanto, como o Siluriano Inferior
amazônico é indeformado, ao con-
trário das camadas rio Fresco, si-
tuamos estas estratigràficamente
como cambro-ordovicianas, não
sendo, entretanto, descabido faze-
rem elas parte da Série Trombetas.
FORMAÇÃO GOROTIRE
Esta formação é constituída de
importantes e altos maciços de are-
nitos e quartzitos representantes
de uma transgressão marinha de
idade pré-siluriana, talvez cambro-
-ordoviciana, e seguramente pós-
-Tocantins. A formação expõe-se
na bacia do rio Fresco, em restos
isolados, e de um e de outro lado
do rio Xingu, entre os paralelos
de 6° e 10° Lat. Sul.
A formação é transgressiva sô-
bre rochas do embasamento pré-
-cambriano (tanto o Pré-Cambria-
no basal como as Séries Araxá e
Tocantins) e da Formação Rio
Fresco.
As camadas Gorotire constam de
arenitos grossos a médios, caulíni-
cos, em parte duros e silicificados,
podendo ser chamados ortoquart-
zitos. Os sedimentos basais da for-
mação são mais caulínicos e sei-
xosos.
Na escarpa da serra de Gorotire
encontram-se algumas intercala-
ções lenticulares de poucos decí-
metros de espessura, de arenito
fino, arenito micáceo e lentes de
ilmenita.
A espessura da formação é, apro-
ximadamente, a da serra de Goro-
tire, isto é, de 300 metros. Nos 90
a 100 metros superiores o arenito
da formação apresenta-se conglo-
merático. Os seixos são predomi-
nantemente de quartzo, bem rola-
dos, de tamanho médio de 2 a 7
centímetros, atingindo até 10 cen-
tímetros. Há seixos de quartzito e
de jaspilito.
As características da Formação
Gorotire indicam ser ela uma co-
bertura transgressiva marinha, em
que 0 mar Gorotire deu origem a
plataforma de abrasão no emba-
samento, conforme demonstra a in-
terpretação fotogeológica.
A Formação Gorotire foi dobra-
da segundo eixos de direção SE-NO,
os quais também afetaram o em-
basamento.
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FORMAÇÃO CUBENCRANQUEM
Esta formação depositou-se sôbre
dobramentos da Formação Goroti-
re, ocorrendo na forma de braqui-
sinclinais e de cubas.
Sua constituição litológica, de
baixo para cima, consta de arcó-
zios finos, arenitos muito finos,
alguns jasperóides, calcedonitos
(chert) e siltitos.
Os arenitos finos apresentam
marcas onduladas, simétricas, do
tipo marinho e os arcózios da base
exibem estratificação diagonal em
extensas lâminas. As camadas da
metade inferior da formação são
muito bem estratificadas, em con-
traste com as do tôpo da formação
em que não se nota a estratifica-
ção. A espessura máxima da for-
mação é seguramente superior a
400 metros, mas, é difícil estimar
com precisão, pois, ela é dobrada
em sinclinório, dentro das bacias
em que se encontra.
A Formação Cubencranquém
discorda da Formação Gorotire, po-
dendo-se afirmar que depois de um
certo dobramento desta, começou
a sedimentação daquela, a qual
posteriormente foi dobrada em
conjunto com a Formação Goro-
tire. Por isso, em certos lugares
elas são aparentemente concordan-
tes.
As características gerais da For-
mação Cubencranquém indicam
um ambiente marinho recebendo
apreciável carga de areias feldspá-
ticas ràpidamente transportadas.
Trata-se de um arcózio tectônico,
próprio de bacia ràpidamente sub-
sidente.
Quanto à sua idade, sendo ela
dobrada e ocupando extensa área
da bacia amazônica meridional, é
lícito admitir que seja pré-siluria-
na. Há, ainda, uma certa probabi-
lidade de corresponder às camadas
Uatumã.
FORMAÇÃO SERRA GRANDE
A sedimentação da bacia Piauí-
-Maranhão (do Meio-Norte) ini-
cia-se por uma série de camadas de
arenitos e conglomerados claros,
grossos, invariàvelmente caulíni-
cos, que repousam numa platafor-
ma de abrasão marinha em área
provàvelmente pediplanada prèvia-
mente.
A espessura da formação não é
muito superior a 80 metros, na re-
gião de Pôrto Nacional. Para no-
roeste adelgaça-se bastante, não
tendo sido observada no rio Ara-
guaia, onde muitas vêzes a Forma-
ção Pimenteira cobre diretamente
o Pré-Cambriano. A área mapeável
da formação é muito insignifican-
te, em virtude da generalizada co-
bertura da Formação Pimenteira.
A formação tem-se apresentado
afossilífera. Sua idade tem sido
considerada devoniana, por supor-
tar camadas sobrepostas dessa ida-
378
Atas do Simposio sôbre a Biota Amazônica
de, da Formação Pimenteira, a ela
associada. Uma idade siluriana,
entretanto, não seria descabida
para a formação.
FORMAÇÃO PIMENTEIRA
As camadas da Formação Pimen-
teira são fossilíferas, de idade devo-
niana inferior, e apresentam notá-
vel expressão areal.
A formação consta de folhelhos
cinza-esverdeados que se apresen-
tam freqüentemente castanho-ar-
roxeados, por decomposição, sílti-
tos cinzentos, micáceos, castanho-
avermelhados pela ação do intem-
perismo, e arenitos claros, amare-
los e pardos, micáceos e argilosos,
dominando os sedimentos finos.
Os caracteres litológicos da for-
mação indicam que ela transgre-
diu sôbre o Pré-Cambriano numa
transgressão lenta, em virtude da
ausência de conglomerado basal e
da presença de arenitos grosseiros,
às vêzes pedregulhosos. Camadas
oolíticas (algas?) de côr pardo-es-
verdeada ou pardo-chocolate, argi-
losas são peculiares desta forma-
ção.
Importante têrmo, como signifi-
cado paleogeográfico, da formação,
é um tilito que ocorre a 20 quilô-
metros do rio Tocantins, na meso-
potàmia Tocantins-Araguaia. Ao
longo dêsse rio o tilito aparece um
pouco abaixo da cidade de Tocan-
tínia, e é superposto por siltitos
com cutículas de Spongiophyton.
Êste tilito, conhecido como tilito
Tocantínia, contém seixos de gra-
nito, de paragnaisses, de anfibolito,
de filito, de quartzo, quartzito e
micaxisto. Sua espessura é superior
a 6 metros. Trata-se, sem dúvida,
de um drift glacial, produzido por
uma geleira alpina penetrando e
se estendendo pelo mar devoniano.
Em vários níveis desta formação
há conglomerados intraformacio-
nais indicativos de águas rasas e
agitadas. Os fósseis mais freqüen-
tes nas camadas Pimenteira são a
talófita Spongiophyton, formas de
braquiópodos característicos do
Devoniano Inferior sul-americano,
como Spirifer, Derbyina, Orbiculoi-
dea, Tentaculites, Chonetes, Aus-
tralocoelia, Connularia, e Lingula.
FORMAÇÃO CABEÇAS
Na área do projeto a Formação
Cabeças não foi encontrada aflo-
rando, mas, na sondagem de Ca-
rolina, W. Kegel reconheceu os
seus três membros: Passagem,
Oeiras e Ipiranga.
O membro inferior é constituído
de arenitos grosseiros na base,
com intercalações síltico-arenosas.
Assim também o membro superior,
Ipiranga, que apresenta intercala-
ções de siltitos e folhelhos. Êste
membro é bastante fossilífero, com
Bellerophon, Connularia, Tenta-
culites, Pterinopecten, Amphineu-
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379
ra, Derbyina, Chonetes, Eodevona-
ria, Spirifer, crinóides, plantas, os-
tracóides, esporos e peixes.
A idade da formação pode estar
compreendida entre a parte supe-
rior do Devoniano Inferior e o De-
voniano Médio, segundo Kegel.
FORMAÇÃO LONGA
É representada na área em ques-
tão pelo tilito Carolina, ao qual so-
brepõe-se arenitos finos intercala-
dos de folhelhos cinzentos e capea-
dos por folhelhos escuros listrados,
alguns coloidais. A espessura des-
sas camadas, na vertical de Caro-
lina, é de 160 metros, mas, apenas
uma parcela restrita está exposta
ao longo do rio Tocantins. Nos are-
nitos finos desta cobertura encon-
tram-se Spirifer.
O tilito Carolina tem uma espes-
sura máxima, verificada no terre-
no, de 30 metros, mas, na sonda-
gem da cidade de Carolina, êle tem
67 metros.
A idade da formação é devonia-
na inferior, segundo Kegel.
FORMAÇÃO POTI
Esta formação aflora no rio To-
cantins, em poucos quilômetros de
extensão, representada por um
conglomerado basal, seguido de
arenitos rosados, grosseiros a mé-
dios, e arenitos finos argilosos, no
tòpo, intercalados com argilitos.
Nenhum dêstes têrmos é calcífero,
característica que os distingue da
Formação Piauí, imediatamente so-
breposta.
Na vertical de Carolina a espes-
sura da formação é de 68 metros,
segundo Kegel, o qual estabeleceu
ainda uma idade carbonífera infe-
rior para a mesma.
FORMAÇÃO PIAUÍ
Esta formação transgride sôbre
Poti e sôbre tôdas as formações ma-
rinhas do Paleozoico, anteriormen-
te descritas, e também sôbre o com-
plexo pré-cambriano, apresentan-
do uma seqüência sedimentar me-
gaciclotêmica, depositada em am-
biente deltáico. A maior parte da
sedimentação é continental mas há
intercalações marinhas com as
mesmas características da sedi-
mentação marinha isócrona da ba-
cia amazônica.
A Formação Piauí, nesta borda
ocidental da bacia do Meio-Norte,
inclui as camadas denominadas de
“Pedra de Fogo”, por Plummer,
Kegel e outro.';.
Foi muito erodida nos tempos
pré-triássicos, antes da deposição
da Formação Pastos Bons e, por
isso, mostra espessuras muito va-
riáveis desde o Estado do Piauí
(borda oriental da bacia) até o rio
Araguaia. Na mesopotâmia Tocan-
tins-Araguaia ela varia de poucos
metros, no rio Araguaia, até 450
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
metros, na vertical de Carolina. Ao
longo do Tocantins acham-se ex-
postos cêrca de 180 metros dessa
sucessão. Na região de Marabá e
na bacia do Itacaiunas, sua espes-
sura máxima atinge 80 metros.
Consta a formação de uma sé-
rie de ciclotemas, em arenitos cal-
ciferos, calcários, margas, siltitos
calciferos, numerosos niveis de
calcedonito {chert) , intercalações
pouco importantes de folhelhos e
delgadas camadas de caustobióli-
tos (carvão e folhelhos betumino-
sos).
Os calcários são delgados, creme-
acinzentados, amarelos ou rosados,
às vêzes ooliticos, e os siltitos, mui-
to dominantes no alto da forma-
ção, são de côres esverdeadas ou
acinzentadas. Diversos níveis de
arenitos conglomeráticos ou gros-
seiros, não calciferos, e de côres
claras, esverdeadas ou acinzenta-
das, marcam inícios de ciclotemas.
A idade da formação varia do
westfaliano ao estefaniano supe-
rior. Dentre os seus jazigos fossilí-
feros destacam-se os de Bacurizi-
nho, com malacofauna marinha,
no baixo Araguaia, e os de siltitos
com Psaronius, na região de Caro-
lina.
FORMAÇÃO AQUIDAUANA
Na área do Projeto Araguaia,
os sedimentos dessa formação
afloram no divisor Araguaia-Xin-
gu, isto é, no divisor Liberdade-Ta-
pirapé. Na interpretação fotogeo-
lógica esta formação não ultrapas-
sa 40 metros. Sua expressão areal
é relativamente pequena, no can-
to sudoeste do bloco.
Tratam-se de camadas arenosas,
superpostas pelo Terciário plúvio-
fluvial e sobrepostas aos filitos da
Série Tocantins.
A idade da formação é carboní-
fera superior.
FORMAÇÃO PÃSTOS BONS
Caracteriza esta formação um
ambiente desértico, representando
na bacia do Meio-Norte a extensão
setentrional do vasto deserto Bo-
tucatu, da bacia sedimentar do Pa-
raná.
A fácies Motuca, desta formação,
com sedimentos predominante-
mente lacustrinos, mas, com im-
portantes intercalações próprias de
oueds desérticos, apresenta-se com
60 metros de espessura máxima.
Esta sucessão sedimentar cons-
ta de um conglomerado basal, pie-
montês, côr de tijolo, sotoposto a
arenitos finos, que predominam,
avermelhados, alguns calciferos, a
siltitos, verdes a púrpura, e a fo-
lhelhos verdes.
Torrentes de oueds desérticos são
representados por delgados conglo-
merados piemonteses. Massas de
calcários, claras e lenticulares, com
gipso, são freqüentes. Arenitos eó-
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licos, rosados, com estratificação
diagonal característica, expõem-se
na seção. Apenas nos folhelhos ver-
des, dessa fácies, encontram-se os-
tracóides.
Nas diáclases e superfícies de
escorregamento tectônico, ocorre
atapulgita, num característico ex-
clusivo desta fácies, nessa região.
A fácies Motuca poderia ser in-
terpretada como uma sedimenta-
ção na planície de expansão do
deserto, predominando a sedimen-
tação lacustrina, eventualmente
perturbada pela sedimentação tor-
rencial, conseqüente a monumen-
tais chuvaradas de deserto, que ar-
rasaram as terras altas circunja-
centes, de idade carbonífera. E’
uma fácies, portanto, tipicamente
continental, como provam os ostra-
cóides, semelhantes aos dos lagos
da fácies Santana do deserto Bo-
tucatu, na bacia Paraná.
E’ de salientar a notável incon-
formidade angular e erosional en-
tre as Formações Piauí e Pastos
Bons. Da erosão pluvial daquelas
camadas, à época da sedimenta-
ção Motuca, resultou um pedipla-
no cujos restos são vistos junto
das mesas e cuscuzeiros da Forma-
ção Pastos Bons.
A fácies Sambaiba segue-se àque-
la, constituída por sedimentos are-
nosos, representativos de dunas do
deserto Pastos Bons. Trata-se de
uma sucessão de 220 metros de
areias eólicas avermelhadas, com
381
algumas intercalações de sedimen-
tos aquosos.
Na parte inferior da sucessão de
dunas Sambaiba, encontram-se
bombas de um vulcanismo basál-
tico, dentro do próprio arenito. O
arenito Sambaiba encontra-se, ain-
da, empelotado ao redor das bom-
bas, 0 que indica que elas pene-
traram na areia eólica, quando caí-
ram ao solo. Êsse vulcanismo ini-
ciou-se, portanto, quando estava
ativa a deposição eólica.
Algumas bombas chegam até a
2 metros de diâmetro.
Na sondagem da Petrobrás, em
Imperatriz, foram encontrados, de
cima para baixo: 181 metros de
basalto, 7 metros de arenito Sam-
baíba, 7 metros de basalto, 8 me-
tros de arenito Sambaiba, 11 me-
tros de basalto e, finalmente, 46
metros de Sambaiba. Para o sul de
Imperatriz a espessura do Sambaí-
ba aumenta e a do basalto dimi-
nui.
Não há discordância no tempo
entre a fácies Sambaiba e a fácies
vulcânica, mas, apenas, uma su-
perfície irregular de deposição da
lava, fato aliás também verificado
na bacia Paraná. Assim, a fácies
vulcânica deve fazer parte da For-
mação Pastos Bons.
O vulcanismo basáltico apresen-
ta-se em forma de derrames pre-
enchendo depressões, em áreas co-
bertas pelas dunas Sambaiba. Es-
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tas dunas foram vitrificadas até a
profundidade de 60 centímetros, a
partir do contato com a lava, tor-
nando-se o arenito vitrificado um
verdadeiro quartzito duro, de fra-
tura conchoidal. O derrame infe-
rior tem superfície rugosa, vesi-
cular e repleta de zeólitas.
FORMAÇÃO CORDA
Esta formação é representada na
região Tocantins - Araguaia pelos
Membros Itaguatins e Grajaú.
O Membro Itaguatins consti-
tui-se de arenitos vermelho-arro-
xeados, sanguíneos ou côr de vi-
nho, quando úmidos. Os sedimen-
tos são algo argilosos e calcíferos,
e atingem a 50 metros de espes-
sura, com magnífica e predominan-
te estratificação plano-paralela,
mas com bancos intercalados de es-
tratificação diagonal.
Testemunham um ambiente sê-
co, de vegetação escassa ou ausen-
te, podendo-se imaginar um am-
biente de planície aluvial, sob re-
gime semi-árido, em que as areias
viriam predominantemente da ero-
são dos arenitos Sambaíba.
A idade das camadas Itaguatins
é admitida como cretácea, em vir-
tude de pegadas de dinossaurios.
O Membro Grajaú é conhecido
na extensão de poucos quilômetros
no rio Tocantins, pouco abaixo da
cidade de Itaguatins. São conglo-
merados e arenitos grosseiros, cla-
ros, feldspáticos, e com estratifica-
ção diagonal. Não atingem mais
que 6 metros de espessura.
FORMAÇÃO CODÓ
Esta formação tem uma expres-
são areal muito restrita, no bloco
Tocantins-Araguaia. Pode ser ob-
servada, ao longo do Tocantins,
num trecho de 36 quilômetros, aci-
ma e abaixo de Imperatriz.
Representa uma sedimentação
lacustrina, isto é, de um grande
lago interior, confinado e salôbro.
Numa seção de 20 metros desta
formação, encontraram-se siltitos
verdes e roxos, com restos de pei-
xes; arenitos cinzentos, esverdea-
dos, calcíferos, micáceos, com res-
tos de plantas; folhelhos cinza-es-
verdeados, com ostracóides; e cal-
cário fétido, cinzento, em parte
brechóide, com restos de plantas,
ostracóides, dentes e outros restos
de peixes, intercalado de folhelhos
escuros e negros, betuminosos, em
parte papiráceos. O banco calcário
mais espêsso, com mais de 1,5 me-
tros, é um bioherm resultante de
construção algóide. Os calcários
são lenticulares e de superfícies on-
deadas. Gipso ocorre em lentes nos
calcários inferiores.
Sua idade é admitida como cre-
tácea inferior. Restos de gramíneas
parecem confirmar essa idade.
As camadas Codó são ondeadas
em anticlinais e sinclinais em tôda
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 1 (Geociências)
a extensão aflorante, nos arredores
de Imperatriz, com mergulhos até
de 15.0, porém comumente meno-
res que 5.0. ,
FORMAÇÃO URUCUIA
Começa esta formação sempre
por um conglomerado basal, acom-
panhado de arenitos grossos, pe-
dregulhosos, feldspáticos.
A seqüência litológica da forma-
ção inclui, ainda, arenitos médios
e finos, alguns argilosos, e siltitos
vermelho-arroxeados, com dois lei-
tos de chert, côr de mel. Dois ou
três niveis de conglomerados, ge-
ralmente silicificados, ocorrem na
formação.
É comum a estratificação cru-
zada aquosa e, talvez, em parte eó-
lica, no alto da seqüência. Esta for-
mação apresenta escarpas de ero-
são escalonadas, decorrentes da
presença de camadas duras {chert
e conglomerados silicificados).
As características da Forma-
ção Urucuia indicam um am-
biente continental, predominante-
mente fluvial, com episódios plu-
viais e outros lacustres. A forma-
ção é transgressiva sôbre tôdas as
unidades anteriormente descritas,
o que é um característico específi-
co do Cretáceo continental sul-
americano.
Na imensa extensão centro-ori-
ental da América do Sul, represen-
383
ta esta formação uma época de
clima semi-árido ou de savana mui-
to sêca.
TERCIÁRIO
Depois do Cretáceo, o Brasil pas-
sou por elevações diferenciais mo-
tivadas por arqueamentos do em-
basamento cristalino, entrando,
desde então, em franco período ero-
sivo na quase totalidade de seu ter-
ritório. Estabeleceu-se, então, por
quase todo o País, inclusive na vas-
ta bacia amazônica, um clima de
savana, cujas grandes chuvaradas
ocasionais produziram uma pedi-
planação generalizada e conse-
qüente sedimentação, depósitos
plúvio-fluviais nas atuais chapadas
interfluviais e depósitos fluviais no
Tocantins e no Araguaia.
A sedimentação terciária plúvio-
fluvial, já bastante dissecada pela
atual drenagem, apresenta-se em
grandes extensões ao largo do rio
Tocantins e, especialmente, na me-
sopotâmia Araguaia-Xingu.
Houve duas épocas de sedimen-
tação terciária, uma mais antiga,
assentada sôbre a Formação Aqui-
dauana, e formando escarpas, com
cêrca de 80 metros de espessura, e
outra mais nova, talvez pliocênica,
que muito se assemelha à Forma-
ção Barreiras, que se expõe de Ser-
gipe à Paraíba, com uma espessura
máxima de 80 metros, mas, comu-
mente com 10 a 30 metros.
S
ciELO
11
12
13
14
cm
384
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Estas camadas pliocênicas foram
chamadas de Formação Araguaia,
iniciando-se por um conglomerado
basal, contendo seixos sempre mal
rolados e de litologia heterogênea.
Cobre êsse cascalho uma sucessão
de síltes e areias siltosas, mal es-
tratificadas, de granulometria mal
classificada, de côres rosadas, ama-
reladas ou acastanhadas.
Ao longo do rio Araguaia essas
camadas pliocênicas aparecem em
altos paredões avermelhados, cons-
tituídos de sedimentos tipicamen-
te fluviais. Nos interflúvios dos
afluentes dos três grandes rios a
sedimentação pliocênica é em ge-
ral espêssa apenas de poucos me-
tros. Ela assenta em pediplano que
aplainou o Arqueano e as Séries
Araxá e Tocantins. Ao longo do
médio Tocantins ela se depositou
também sôbre sedimentos paleozoi-
cos e mesozoicos.
A distribuição dessas camadas
ao largo dos rios Tocantins e Ara-
guaia demonstra que êsses rios são
pré-pliocênicos e que, à época da
formação dêsses depósitos, êsses
rios eram muito mais potentes e
sua planície de inundação era mui-
tas vêzes mais larga que o seu lei-
to maior.
A presença da superfície da
Formação Araguaia, representada
por canga hematítica constituin-
do crostas, blocos e amêndoas, é
um característico geral e indicati-
vo do clima de sua época.
Duas ocorrências morfològica-
mente peculiares aparecem na me-
sopotâmia Araguaia-Xingu. Uma
nas cabeceiras do rio Inajá, afluen-
te do Araguaia, que consta de uma
depressão quase circular, de cinco
quilômetros de diâmetro, no sopé
de uma montanha de quartzito e
cercada por uma delgada sedimen-
tação terciária. Pode ser que essa
morfologia corresponda a uma cha-
miné vulcânica. A outra ocorrên-
cia aparece na bacia do alto rio
Campo Alegre, também afluente
do Araguaia. Observam-se morros
muito semelhantes a vulcões ero-
didos, numa zona de migmatitos
arqueanos.
PLEISTOCENO
Na bacia do rio Araguaia a ex-
tensão dos depósitos pleistocênicos
é colossal e, dêles, a expressão mais
importante é a ilha do Bananal.
A sedimentação pleistocênica
está embutida em sedimentos plio-
cênicos, havendo assim um degrau
na passagem de uma para outra
formação.
Inicia-se esta sedimentação por
um conglomerado de cimento limo-
nítico, castanho-escuro e brilhan-
te, com seixos de rochas duras
(quartzo, quartzito e jaspilito),
muito bem rolados. Sua espessura
pode atingir 2 a 3 metros. Reco-
brem-no areias amareladas ou
acastanhadas, siltosas, ferrugíneas.
Volume 1 ( Geociências )
385
firmes, de espessura às vêzes maior
do que 10 metros.
Quando entalhado pelo rio, o
Pleistoceno forma barrancos verti-
cais firmes, como observara Loef-
gren, em 1936.
HOLOCENO
Os depósitos recentes dos rios To-
cantins, Araguaia e Xingu são de
dois tipos; sub-atuais e atuais.
Aqueles constituem as planícies
alagadiças, cheias de lagoas, late-
rais a êsses grandes rios. Os depó-
sitos atuais só são encontrados na
calha dessas correntes.
As camadas subatuais são em-
butidas nos depósitos pleistocêni-
cos. São constituídas de areias ar-
gilosas, com níveis de restos vege-
tais, côr de café com leite e cinza-
amareladas, micáceas às vêzes, com
espessura de 6 a 7 metros.
Os depósitos atuais constituem-
-se de areias muito grossas até
muito finas. E’ comum a sedimen-
tação diagonal, e as areias são lim-
pas, claras, raramente amarelas.
Insignificantes depósitos areno-
sílticos, de côr de chocolate, derra-
mados como lamas pelas encostas
dos barrancos, das ilhas de areia ou
das praias, constituem o excelente
solo das roças marginais ao rio.
Na superfície das praias e das
ilhas arenosas, o vento remove a
sua parte superficial e produz mar-
cas onduladas características.
RESUMO
O presente trabalho, realizado
pela Divisão de Geologia e Minera-
logia, contou com a participação
dos geólogos OcTÁvio Barbosa,
Franklin de Andrade Gomes, Rei-
NHARD Helmbold, da companhia
Prospec, e do autor desta palestra,
o qual de 1954 a 1959 trabalhou na
região setentrional do Estado de
Goiás e nas regiões sudeste e nor-
deste dos Estados do Pará e Mato
Grosso, respectivamente. Esta área,
com cêrca de 423.000 quilômetros
quadrados, corresponde à área do
chamado “Projeto Araguaia”.
Nesta palestra são descritas as
unidades estratigráficas aflorantes
nessa região amazônica e tecidas
considerações de ordem tectônica
e estrutural acêrca dessas mesmas
unidades.
O complexo arqueozóico brasilei-
ro é representado na área do “Pro-
jeto Araguaia” por um Pré-cam-
briano Indiviso e pela série Araxá.
O Protorezóico é representado pela
série Tocantins e pela formação
Tocandera.
A posição estratigráfica dessas
unidades, assim como das unidades
eo-paleozóicas, é duvidosa e aten-
de apenas a analogias com outras
unidades estratigráficas brasilei-
ras, dentro dos conceitos usual-
mente admitidos.
As formações rio Fresco, Goroti-
re e Cubencranquém, tidas como
386
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cambro-silurianas, são descritas
pelos seus aspectos litológicos, tec-
tônicos e estruturais. Carecem, en-
tretanto, de uma mais rigorosa da-
tação, representando suas idades
apenas sugestões que parecem as
mais lógicas.
A formação Serra Grande, tida
como siluriana superior ou devo-
niana inferior, serve de base, na
região, à sedimentação típica da
bacia sedimentar do Meio Norte
(bacia Parnaíba ou Piauí — Mara-
nhão) .
Sôbre ela estendem-se as forma-
ções Pimenteira (de idade devonia-
na inferior), Cabeças (devoniana
média) e Longá (devoniana supe-
rior) .
Seguem-se as formações carbo-
níferas Poti e Piauí, na parte se-
tentrional do projeto, e Aquidaua-
na, na sua parte sudoeste .
São descritas, entre as camadas
mesozoicas dessa região as forma-
ções Corda, Codó e Urucuia. Estas
unidades são pormenorizadamen-
te descritas e tecidas referências e
comentários sôbre o seu conteúdo
paleontológico.
Seguem-se descrições das unida-
des cenozoicas, que capeiam vastas
áreas do projeto, sendo criada a
formação Araguaia, de idade plio-
cênica.
Finalmente, são descritas as ca-
madas quaternárias, de pequena
expressão areal.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 387-401 — 1967
GEOLOGIA E PETROGRAFIA DE PÔRTO NACIONAL
A MIRACEMA DO NORTE, RIO TOCANTINS
J. R. DE ANDRADE RAMOS e RITA ALVES BARBOSA
Departamento Nacional da Produção Mineral
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 6 figuras no texto e 1 mapa)
O trecho encachoeirado do rio
Tocantins, entre a Carreira Com-
prida, cêrca de 10 km a montante
de Pôrto Nacional, e Miracema do
Norte, no setentrião goiano, numa
extensão norte-sul de mais de 140
quilômetros, por 25 de largura, me-
receu um trabalho petrográfico
descritivo de 5 amostras de rochas
magmáticas, ocorrentes ao longo
dêsse trecho.
Dentre as rochas descritas na
presente comunicação, cabe desta-
car o anortosito, por sua relativa
raridade no Brasil. Por se tratar
de uma rocha magmática cuja ori-
gem, durante muito tempo, foi mo-
tivo de controvérsia, foi acrescen-
tado ao trabalho um breve históri-
co da mesma.
As outras amostras estudadas
são variedades de granito, duas de-
las com textura pegmatítica e duas
com textura granular. Êstes grani-
tos apresentam apenas variação de
granulação, sendo a composição
mineralógica dos mesmos muito se-
melhante. Em virtude dessas ro-
chas não exibirem ortoclásio e por
apresentarem cristais de quartzo
fraturados e com extinção ondu-
lante, conforme se verá adiante na
descrição pormenorizada das ro-
chas, podemos supor que não se-
jam intrusivos.
No embasamento arqueozóico in-
diferenciado (Arqueano Indiferen-
ciado do mapa), que melhor seria
chamar de embasamento pré-cam-
briano inferior, evitando-se assim
uma datação geocronológica usual
no Brasil, baseada unicamente na
intensidade do metamorfismo, en-
caixam-se aquelas referidas rochas
magmáticas.
É nesse trecho focalizado que
afloram, ao longo do Tocantins, os
primeiros sedimentos paleozoicos
da bacia Piauí-Maranhão, repre-
sentados pelas formações Serra
388
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Grande e Pimenteira (de idade de-
voniana inferior) e Piaui (de idade
carbonífera) .
Completando o trabalho petro-
gráfico, são descritas sumàriamen-
te essas unidades paleozoicas aflo-
rantes, assim como as unidades ce-
nozoicas.
O mapeamento geológico da fai-
xa em questão foi feito com base na
interpretação fotogeológica de fo-
tografias aéreas obtidas na escala
tíe 1/45.000, e nos caminhamentos
feitos ao longo do rio e das estra-
das, figuradas no mapa, e em pe-
quenas incursões esclarecedoras. O
trabalho de campo foi feito em
1956 e 1957 por J. R. de Andrade
Ramos, coletor das amostras, estu-
dadas petrogràficamente por Rita
Alves Barbosa. Êsse mapeamento
geológico é parte do “Projeto Ara-
guaia”, executado pela DGM, e
cujo relatório final acha-se no pre-
lo. Nesse projeto participaram vá-
rios geólogos da companhia Pros-
pec, além do geólogo co-autor da
presente comunicação.
TRABALHOS ANTERIORES
Loefgren, fazendo parte de uma
comissão de estudos dos rios To-
cantins e Araguaia, chefiada pelo
Eng.o Cândido Lucas Gaffrée, pu-
blicou em 1936 um reconhecimen-
to geológico das proximidades de
Miracema do Norte e ao longo do
Tocantins, no trecho em questão.
em que apresenta algumas infor-
mações litológicas.
Em 1938, Leonardos, descendo os
rios Maranhão e Tocantins, em
companhia de Américo Barbosa de
Oliveira, fornece outras informa-
ções litológicas, referindo-se ao
anortosito descrito neste trabalho.
Campbell, Almeida & Silva, do
Conselho Nacional do Petróleo, re-
velam, em 1949, muitos dados sôbre
a estratigrafia da mesopotâmia To-
cantins-Araguaia, obedecendo aos
padrões estabelecidos por Plum-
MER em 1947.
Os trabalhos de Kegel relativos
aos sedimentos paleozóicos da ba-
cia Piauí-Maranhão, tanto os da-
dos publicados (1953), como suas
descrições inéditas sôbre as sonda-
gens de Carolina e Riachão, no Ma-
ranhão, permitiram uma melhor
compreensão da estratigrafia do
trecho em questão.
O EMBASAMENTO PRÉ-CAM-
BRIANO INDIFERENCIADO
No trecho focalizado, as rochas
basais, que constituem a unidade
mapeada como Arqueano Indife-
renciado, são gnaisses, migmatitos
e granitos, e afloram ao longo do
Tocantins e nas rodovias ribeiri-
nhas, parcialmente cobertas por se-
dimentos cenozóicos ou paleozói-
cos.
As rochas mais freqüentes, em
todo êsse trecho, são paragnaisses
19 20
SciELO
42 43
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388
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Volume 1 (Geociências)
389
com intercalações delgadas de me-
tabasitos. Isto ocorre, principal-
mente, no embasamento situado
nas proximidades de Pôrto Nacio-
nal.
Nas vizinhanças dos corpos gra-
níticos ocorrem freqüentes migma-
titos. No trecho entre Miracema do
Norte e Lajeado, extremo setentrio-
nal da faixa em foco, ocorre o mais
importante corpo granítico, de gra-
nulação média a fina. De Jaüzinho
para o sul o granito torna-se peg-
matóide. Todos êsses corpos graní-
ticos acham-se cortados por nume-
rosos diques paralelos e venulações
de aplitos rosados e, por vêzes, por
duas gerações de pegmatitos.
Tanto nas vizinhanças de Pôrto
Nacional, como no trecho de Jaü-
zinho ao Lajeado, êsse embasamen-
to pré-cambriano apresenta-se bas-
tante falhado, encontrando-se, al-
gumas vêzes, faixas miloníticas
nessas zonas cizalhadas.
Entre a Carreira Comprida e
Pôrto Nacional, numa extensão de
quatro quilômetros, afloram intru-
sivas básicas encaixadas nos pa-
ragnaisses locais. A rocha predo-
minante é o anortosito, adiante
descrito. No canto sudeste da fai-
xa, alinha-se com direção NE-SO
uma estreita faixa de quartzitos,
mergulhando para NO, integrada
ho complexo arqueozóico basal.
Todo o pré-cambriano da faixa
apresenta-se muito aplainado, des-
tacando-se na topografia aquela
faixa quartzítica referida, resisten-
te à pediplanação.
OS SEDIMENTOS PALEOZÓICOS
a. Formação Serra Grande
A sedimentação paleozoica da
bacia inicia-se por uma série de ca-
madas de arenitos e conglomera-
dos claros, grosseiros, algo caulíni-
cos, que repousam numa platafor-
ma de abrasão marinha. Poder-
-se-ia, ainda, admitir a existência
de uma superfície de aplainamen-
to anterior à abrasão marinha, de-
corrente de uma pediplanação pré-
devoniana, mal conhecida.
Ê s t e s sedimentos psamíticos
constituem a formação Serra Gran-
de e não excedem de 80 m de espes-
sura, adelgaçando-se bastante para
o norte. Sotopõe-se esta formação
à formação Pimenteira, a qual,
muito freqüentemente, assenta di-
retamente sôbre o embasamento
pré-cambriano.
A formação Serra Grande é niti-
damente ondulada, ondulações
essas que acompanham as irregu-
laridades do embasamento. Por isso,
ora ela aflora ao nível do rio, ora
250 m acima. Sua área de ocorrên-
cia é muito restrita.
Esta formação é afossilífera, e
tem sido considerada devoniana in-
ferior por se associar com camadas
seguramente dessa idade, daquela
referida formação Pimenteira. Po-
deria ser, também, siluriana supe-
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
390
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
rior, uma vez que aquela associa-
ção não implica em conformidade,
havendo mesmo discordância en-
tre elas.
b. Formação Pimenteira
As camadas da formação Pimen-
teira têm grande expressão areal.
Esta formação é fossilífera e foi da-
tada, com segurança, como devo-
niana inferior. Consta de folhelhos
cinza-esverdeados a castanho-arro-
xeados, de sílitos micáceos, casta-
nho-avermelhados e de arenitos
claros, amarelos e pardos, por de-
composição, micáceos e argilosos.
Dominam os sedimentos finos.
À montante de Miracema do Nor-
te ocorrem duas camadas ooliticas
(algas?), de côr pardo-esverdeada
ou pardo-chocolate, argilosas, com
1,2 e 1,5 m de espessuras. Êste ho-
rizonte é encontrado em outros lu-
gares, geralmente a poucos metros
acima da base da formação, mas,
na serra do Lajeado êle foi encon-
trado a 30 m acima dessa base.
Cutículas de Spongiophyton são
os mais freqüentes fósseis desta
formação, ocorrendo geralmente
em siltitos. Cêrca de 80 m acima
da embocadura do rio dos Man-
gues, no Tocantins, ocorrem os gê-
neros Spirifer, Derbyina e Orbi-
culoidea (?). Nas proximidades de
Tocantínia foram encontrados es-
pécimes de Tentaculites, Orbiculoi-
dea, hastes de crinóides e um
exemplar de pelecípodo. Nas pro-
ximidades do Lajeado, além de
colitos, foram reconhecidos os gê-
neros Orbiculoidea, Connularia e
Australocoelia (?). Todos êsses bra-
quiópodos são característicos do
Devoniano Inferior da América do
Sul.
A espessura da formação Pimen-
teira não ultrapassa 80 m. Geral-
mente, ela é mais espessa na par-
te meridional.
Em vários níveis desta dormação
há conglomerados intraformacio-
nais, o que indica águas rasas e
agitadas.
c . Formação Piauí
É representada a formação Piauí
por sedimentos continentais com
intercalações marinhas, numa se-
dimentação de ambiente deltáico.
Transgrediu esta formação sôbre
as formações sotopostas, assentan-
do discordantemente sôbre elas.
Consta a formação de arenitos
calcíferos, calcários, margas, sílti-
tos calcíferos, numerosos níveis de
calcedonito (chert) , intercalações
pouco importantes de folhelhos e
delgadas camadas de caustobióli-
tos (carvão e folhelhos betumino-
sos).
Ocorre esta formação apenas em
área sem grande expressão, no
canto noroeste da faixa em foco.
OS SEDIMENTOS CENOZOICOS
a. O Terciário \ formação
Araguaia
cm 1
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Volume 1 (Geociências)
391
Depois do Cretáceo estabeleceu-
-se por quase tôda a vasta bacia
amazônica, um clima de savana
cujas grandes chuvas ocasionais
iriam produzir uma generalizada
pediplanação e conseqüente sedi-
mentação. Daí, terem tido lugar
uma sedimentação plúvio-fluvial
nas atuais chapadas interfluviais
e uma sedimentação fluvial no rio
Tocantins.
A sedimentação pluvial foi obser-
vada nas chapadas ao longo do To-
cantins, numa seqüência muito se-
melhante à da formação Barreiras,
de Sergipe à Paraíba. Daí, ter-se
sugerido uma idade terciária plio-
cênica para esta cobertura. Sua es-
pessura, no trecho em aprêço, é da
ordem de uma a três dezenas de
metros.
Estas camadas iniciam-se por um
conglomerado basal, contendo sei-
xos mal rolados e de litologia he-
terogênea. Sobrepõe-se uma suces-
são de síltes e areias sílticas, mal
estratificadas e mal classificadas,
de côres rosadas ou amareladas.
Esta unidade foi chamada por
O. Barbosa, J. R. de Andrade Ra-
mos, F. A. Gomes e R. Helmbold,
de formação Araguaia.
A lateritização da superfície des-
ta formação, representada por can-
ga hematítica em crostas, blocos e
amêndoas, é um característico ge-
ral e indicativo do clima da sua
época.
Notáveis terraços arenosos plio-
cênicos estendem-se a leste e ao
norte de Pôrto Nacional, elevan-
do-se 35 a 40 m acima do nível do
Tocantins.
b. O Quaternário
A sedimentação pleistocênica
inicia-se por um conglomerado de
cimento limonítico, com seixos
muito bem rolados. Sua espessura
pode alcançar até 2 a 3 m. Reco-
brem-no areias amareladas ou
acastanhadas, sílticas, ferrugino-
sas, de espessura, às vêzes, supe-
rior a 10 m.
Quando entalhados pelo rio To-
cantins, os sedimentos pleistocêni-
cos formam barrancos verticais
firmes.
Os depósitos recentes do Tocan-
tins são sedimentos aluviais, cons-
tituindo os subatuais, planícies
alagadiças, cheias de lagoas, e os
atuais constituindo os depósitos en-
contradiços na calha do rio.
As camadas subatuais são em-
butidas nos depósitos pleistocêni-
cos. Constituem-se de areias argi-
losas, côr de café com leite ou cin-
za-amarelada, micáceas, às vêzes,
com 6 a 7 m de espessura.
Os depósitos atuais constituem-
-se de areias muito grossas até mui-
to finas, conforme as variações de
regime do rio.
cm i
SciELO
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392
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
CONSIDERAÇÕES GEOLÓGICAS
SÔBRE AS CACHOEIRAS
No trecho encachoeirado, imedia-
tamente a jusante da cachoeira do
Lajeado, o rio Tocantins corre
numa estreita fossa tectônica, ve-
rificando-se ai uma flagrante di-
ferença litológica entre uma e ou-
tra margens do rio. O granito lo-
cal, descrito adiante, apresenta-se
no leito e na margem esquerda. Na
margem direita afloram arenitos
consistentes da formação Serra
Grande. A cachoeira do Lajeado
tem apenas 600 a 700 m de exten-
são, mas, o desnível respectivo é
da ordem de 6 m.
As corredeiras que se estendem
a montante do Lajeado, conheci-
das como cachoeiras dos Mares, Pi-
lões e Todos os Santos, ocorrem em
leito granítico, de granulação mé-
dia a fina. Na sêca é muito difícil
passar no Lajeado. Nas outras cor-
redeiras, a montante, a navegação
é extremamente trabalhosa, mes-
mo para barcos de 10 toneladas.
Na altura de Jaüzinho, o Tocan-
tins encaixa-se parcialmente nas
falhas ocorrentes nesse trecho, as
quais originam um grande núme-
ro de blocos de falha, desnivela-
dos.
A cachoeira do Jaú é de arenito
Serra Grande mergulhando para
sudoeste.
A Carreira Comprida é um obs-
táculo marcante na navegação do
Tocantins. Daí, para montante, o
rio corre sôbre anortosito, grani-
to, migmatito, metabasitos e para-
gnaisses, rochas constituintes do
embasamento pré-cambriano.
Para se avaliar o gradiente mé-
dio do Tocantins, no trecho foca-
lizado, atente-se para as cotas de
Pôrto Nacional (253 metros) e Mi-
racema do Norte (170 m).
DESCRIÇÃO DAS ROCHAS
Dentre as rochas descritas no
presente trabalho, cabe destacar o
anortosito, por sua relativa rari-
dade no Brasil. Por se tratar de
uma rocha magmática cuja origem
durante muito tempo foi motivo de
controvérsia, por parte de vários
petrógrafos, julgamos conveniente
incluir um pequeno histórico da
mesma.
a. Histórico
O nome anortosito foi original-
mente aplicado por Hunt (1863)
para um certo tipo de rocha cuja
origem êle supunha serem sedi-
mentos metamorfisados. De acordo
com Hunt, os anortositos são: “The
rocks which compose the Lauren-
tian Mountains were shown ... to
consist of a series of metamorphic
sedimentary strata underlying the
fossiliferous rocks of the province...
Great vertical thicknesses of the
series are composed of gneiss con-
taining chiefly ortoclase or potash
feldspar, while other great portions
are destitute of quartz and compo-
cm 1
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Volume 1 (Geociências)
393
sed chiefly of a lime-soda feldspar,
varying in composition from ande-
sine to anorthite and associated
with pyroxene or hypersthene.
This rocky we shall distinguish by
the name anorthosite”.
O termo é derivado da palavra
anortósio (usada pela primeira vez
por Delesse para designar feldspa-
tos triclínicos) . A classificação de
Hunt com 0 decorrer dos tempos
foi modificada, pois, vários fo-
ram os petrógrafos que estuda-
ram êste tipo de rocha e por não
concordarem com a classificação
original emitiram opiniões a êsse
respeito. Cushing chega mesmo a
afirmar em determinado trecho do
seu trabalho The derivation of the
rock name “anorthosite”:
“ . . . Time has clearly shown that
name was unfortunalely chosen”;
niais adiante êle acrescenta:
“The name was properly given the
mineralogy of the rock was perfect-
ly understood, the name properly
indicated the mineralogy, and was
transferred to the group of igneous
rocks of which the Canadian oc-
currences are the types when their
igneous origin was recognized”.
Além de Cushing vários outros
petrógrafos fizeram considerações
a respeito do têrmo anortosito, den-
tre êles: Kolderup, Bowen, Mil-
ler, Turner, etc.
JoHANNSEN condiciona ao anor-
tosito a presença de labradorita ou
bytowmita, como mineral essencial
sendo os minerais escuros prática-
mente ausentes.
Trõger classifica os anortositos,
segundo a percentagem de anorti-
ta do plagioclásio, em : oligoclasito,
andesinito, labradito, bitownitito e
anortitito. De acordo com Trõger
0 anortosito aqui descrito deveria
ser classificado como andesinito.
que nada mais é do que um ande-
sina-anortosito; ao passo que Wil-
liams, Turner & Gilbert conside-
ram o andesinito como pertencen-
te à família dos dioritos.
Atualmente, segundo Johannsen,
têm-se empregado o têrmo anorto-
sito para designar rochas da famí-
lia do gabro, as quais apresentam
o plagioclásio como mineral essen-
cial; quartzo ausente ou no máxi-
mo até 10% e cêrca de 5% de má-
ficos.
Leonardos, no Relatório da Dire-
toria da Divisão de Fomento da
Produção Mineral, Boletim n.° 41,
assim se refere a esta rocha:
“Na corredeira do Barreiro, 5 lé-
guas aquém de Pôrto Nacional, en-
contram-se blocos de diabásio em
apreciável extensão. Logo depois
granito de grã grossa cortado por
diques de diabásio. Êste granito vai
até o alto da corredeira do Cachim-
bo. No pé da corredeira os grandes
boulders são de uma rocha gábrica.
Essa eruptiva básica se estende até
a grande cachoeira da Carreira
Comprida, muito difícil de fran-
quear durante a estiagem”.
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394
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
b . Anortosito
Amostra — Go. 173.
Lâmina — 10.867.
Procedência — Fazenda Carrei-
ra Comprida, cachoeira Carreira
Comprida, rio Tocantins (Afl. 1).
Exame macroscópico — Rocha
granular, mesocrática, de côr cin-
za. Ao exame microscópico verifi-
camos que o índice de côr de
Shand, exibido pela amostra (que
prevê de 30% a 60% de máficos)
não é confirmado, pois, a quanti-
dade de minerais escuros é muito
pequena. Atribui-se a coloração es-
cura que a amostra apresenta, à
grande quantidade de epidoto e
clorita (sòmente distinguidos ao
microscópio, em virtude de sua gra-
nulação fina) . Na fotografia da su-
perfície polida (fig. 1) notam-se
tig. 1 — Anortosito, fotografia da
superfície polida.
grandes cristais de feldspatos, com
nítidos sinais de alteração e par-
cialmente envoltos por u’a massa
escura constituída de clorita e epi-
doto.
Exame microscópico — Textura
xenomórfica granular. Apresenta
a seguinte composição mineralógi-
ca: plagioclásio, quartzo, óxido de
ferro, granada, zircão; tendo como
minerais secundários: epidoto, clo-
rita e sericita. O plagioclásio, mine-
ral predominante, é do tipo oligo-
clásio-andesina, com cêrca de 28%
de An. Não foi possível determinar
precisamente a percentagem em
anortita, pelo método de Michel-
-Levy, por não apresentar a lâmi-
na seções favoráveis a esta deter-
minação. De uma maneira geral,
mostra-se alterado. O quartzo ocor-
re em cristais por vêzes desenvolvi-
dos e com extinção ondulante, for-
mando aglomerados em determina-
dos pontos. Não é muito freqüente,
não excedendo a quantidade de
10%. Dos minerais acessórios, que
comumente aparecem no anortosi-
to, nesta sòmente foram observa-
dos 0 óxido de ferro, a granada e
o zircão. Devido ao grau avança-
do de alteração que a rocha apre-
senta, os minerais de origem secun-
dária são bem freqüentes. Assim é
que a clorita encontra-se forman-
do massas que envolvem quase to-
talmente os fenocristais de plagio-
clásio. A clorita é fracamente pleo-
cróica, exibindo côres de interfe-
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Volume 1 ( Geociências )
395
rência anômalas conhecidas como
“Berlin blue”. Trata-se de uma côr
de interferência que não faz parte
da tabela de côres conhecidas, pois,
é um azul muito forte. A clorita é
do tipo peninita (ou penina). Ou-
tro mineral secundário também
muito freqüente é o epidoto, o qual
se apresenta em agregados coluna-
res, com côr de interferência azul-
escura, tratando-se, portanto, de
uma zoisita. São comuns os cris-
tais de zoisita no interior do pia-
do, com extinção ondulante e
planos de contato curvos. Estas úl-
timas observações correspondem às
feitas por Williams, Turnee &
Gilbert, sôbre o plagioclásio dos
anortositos.
c . Granito pegmatóide
Amostra — Go. 174
Lâmina — 10.868
Procedência — 3 km ao norte da
Fazenda Tajuari, cêrca de 50 km
Fig. 2 — Anortosito exibindo cristais de plagioclásio bem desen-
volvidos e com planos de contato curvos. Nota-se também a pre-
sença de grande quantidade de epidoto. Lâmina 10.867, N.C., 180 X.
gioclásio (vide fig. 2). A sericita é
também de origem secundária, po-
rém é escassa. Os minerais se-
cundários são produtos de alte-
ração do plagioclásio. Apresen-
ta, ainda, plagioclásio tritura-
ao norte de Pôrto Nacional
(8 km do rio Taquaruçu) (Afl. 2)
Exame macroscópico — Rocha
leucocrática, de côr rosa-acinzenta-
da e de granulação grosseira. Exi-
be cristais de microclina com di-
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cm
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
396
mensões superiores a um centíme-
tro. Apresenta, além do feldspato
potássico, quartzo, biotita e anfi-
bólio.
Exame microscópico — Textura
pegmatítica. Constituída essencial-
mente de: microclina, plagioclásio,
quartzo e biotita; tendo como aces-
sórios: hornblenda, tremolita, óxi-
do de ferro, apatita e zircão. A mi-
croclina é 0 mineral mais abundan-
te; exibe cristais desenvolvidos al-
apresentando inclusões microscópi-
cas de óxido de ferro e inúmeras
bolhas de ar e extinção ondulante.
Há dois tipos de anfibólio nesta
rocha: hornblenda e tremolita; não
são abundantes, porém a horn-
blenda exibe cristais desenvolvidos
e a tremolita geralmente mostra-se
com inclusões de zircão e óxido de
ferro e por vêzes associada à horn-
blenda (fig. 4). A pertita e a mir-
mequita são relativamente comuns.
Fig. 3 — Grande cristal de microclina com inclusões de plagioclásio
geminado. Granito pegmatóide da Fazenda Tajuari.
Lâmina 10.868, N.C.
guns dos quais contendo inclusões
de plagioclásio geminado (vide fi-
gura 3) . Ocorre também plagioclá-
sio com inclusões de microclina. O
plagioclásio é do tipo oligoclásio,
com cêrca de 23^ An. O quartzo é
encontrado em grandes cristais,
d . Granito pegmatóide
Amostra — Go. 175
Lâmina — 10.869
Procedência — Jaüzinho, mar-
gem direita do rio Tocantins
(Afl. 3).
cm
Volume 1 (Geociências)
Exame macroscópico — Trata-se
de um granito leucocrático, de gra-
nulação grosseira. Os fenocristais
de microclina têm cêrca de
1 cm X 1,5 cm. Além do feldspato
ocorrem quartzo, biotita e alguma
muscovita.
397
25%, tratando-se, portanto, de um
oligoclásio. Os fenocristais de oli-
goclásio não são abundantes. Apa-
recem cristais de plagioclásio com
planos de contato curvos e serici-
tizados. A biotita exibe halos pleo-
cróicos. A muscovita é bem menos
Fig. 4 — Na mesma lâmina da figura anterior, vemos cristais de
tremolita associada à hornblenda. Lâmina 10.868, N.C., 180 X.
Exame microscópico — Textura
pegmatítica. Apresenta a seguinte
composição mineralógica : micro-
clina, quartzo, plagioclásio, biotita,
óxido de ferro, zircão; tendo como
minerais secundários : muscovita,
clorita e calcita. O feldspato po-
tássio é muito freqüente; exibe
cristais desenvolvidos e geminados
pela lei de Carlsbad. Ocorre uma
quantidade regular de quartzo.
Pelo método de Michel-Levy obti-
vemos para o plagioclásio a per-
centagem de anortita em tôrno de
freqüente que a biotita; aparece
sob a forma de palhetas brilhante-
mente coloridas, entre nicóis cruza-
dos. O óxido de ferro é escasso.
Ocorrem alguns intercrescimentos
micropertiticos e mirmequiticos.
e. Microgranito
Amostra — Go. 176
Lâmina — 10.870
Procedência — 9 km ao norte de
Jaüzinho, margem direita do rio
Tocantins (Afl. 4).
cm
Fig. 5 — Microgranito mostrando alguns cristais de microclina
e quartzo mais desenvolvidos que os demais.
Lâmina 10.870, N.C., 180 X.
Exame microscópico — Textura
granular fina. Minerais presentes:
microclina, quartzo, plagioclásio,
biotita, granada, óxido de ferro e
apatita. A microclina é o mineral
predominante; exibe cristais gemi-
nados pela lei de Carlsbad e mos-
tra-se parcialmente sericitizada e
caulinizada. O quartzo apresenta-
-se fraturado e por vêzes incluso
na microclina. O plagioclásio é do
vêzes aparecem concentradas em
determinados pontos. Percebe-se
um início de cloritização em alguns
cristais de biotita. Aparecem vários
grãos de granada. Os intercresci-
mentos micropertíticos não são
muito freqüentes. De uma manei-
ra geral a granulação é fina, em-
bora ocorram grãos de microclina,
quartzo e biotita um pouco desen-
volvidos (vide fig. 5).
398 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tipo oligoclásio; não foi possível
determinar a percentagem em
anortita pelo método Michel-Lévy,
por não apresentar seções favorá-
veis a esta determinação. A biotita
ocorre sob a forma de palhetas bem
desenvolvidas, as quais algumas
Exame macroscópico — Rocha
leucocrática, granulação de média
a fina; composta de microclina
(que empresta à rocha coloração
levemente rosada) , quartzo e bioti-
ta. A biotita não é abundante, po-
rém ocorre formando massas.
cm
Volume 1 (Geociências)
399
f. Granito
Amostra — Go. 177
Lâmina — 10.817
Procedência — 10 km ao sul de
Lajeado, rio Tocantins. (Afl. 5) .
Exame macroscópico — Rocha
leucocrática, de coloração rósea, de
granulação grosseira, porém, em
certos pontos passa a granulação
média. Constituída de microclina
(feldspato róseo), quartzo e bio-
tita.
média. E’ composta dos seguintes
minerais: microclina, plagioclásio,
quartzo, biotita e clorita. A micro-
clina é abundante e aparece sob a
forma de cristais desenvolvidos. O
plagioclásio é do tipo oligoclásio,
com 28% An; é pouco freqüente e
mostra-se parcialmente alterado
para sericita. O quartzo exibe con-
torno irregular e extinção ondulan-
te (vide fig. 6). A biotita apresen-
ta-se, às vêzes, cloritizada e com
Fig. 6 — Notam-se, nesta fotomlcrografia, cristais de microclina
com inclusões de quartzo, feldspato sericitizado, quartzo com
extinção ondulante e mirmequita. Granito, lo quilômetros ao sul
de Lajeado. Lâmina 10.871, N.C.
Exame microscópico — Textura
granular. A lâmina confeccionada
foi retirada de um dos pontos em
que a rocha apresenta granulação
inclusões de zircão (dando origem
à formação de halos pleocróicos) .
Os intercrescimentos mirmequíti-
cos são comuns.
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400
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
RESUMO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Êste trabalho versa sôbre a geo-
logia do trecho encachoeirado do
rio Tocantins, entre a Carreira
Comprida, a 10 km a montante de
Pôrto Nacional e Miracema do Nor-
te, totalizando uma faixa longa e
estreita de cêrca de 140 km de ex-
tensão.
O embasamento arqueozóico in-
diferenciado é cortado por intrusi-
vas ácidas e básicas, que são des-
critas pormenorizadamente.
Os sedimentos devonianos são
descritos sumàriamente assim
como as coberturas cenozóicas.
Quanto aos dados petrográficos,
foi feito um estudo macroscópico e
microscópico detalhado de cinco
amostras de rochas magmáticas,
dentre as quais, um anortosito,
curioso por sua relativa raridade
no Brasil. As demais rochas são va-
riedades de granito que diferem en-
tre si apenas na granulação. Tan-
to os granitos como o anortosito
têm por rochas encaixantes os
gnaisses e migmatitos tipicos ao
nosso embasamento arqueozóico.
Completando a parte geológica,
está incluído neste trabalho, o his-
tórico do têrmo anortosito, como
também a descrição pormenoriza-
da das rochas referidas, com suas
respectivas fotomicrografias.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
A'ol. 1 (Geociências): 403-406 1967
UM FUSULINIDEO NO CARBONÍFERO DO PARÁ
REYNALDO FREITAS RAMOS
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 17 figuras no texto)
O gênero Millerella Thompson,
1942 foi criado para denominar no-
vas formas de fusulinideos do Pen-
silvaniano do Nôvo México e áreas
adjacentes.
Millerella é conhecido na Amé-
rica do Norte em rochas que vão do
Mississipiano superior ao Pensil-
vaniano. Êle é abundante no Pen-
silvaniano inferior e médio, raro
no Pensilvaniano superior.
Pethi (1952) descreveu êste gê-
nero em amostras de afloramentos
da região de Cruz Alta, Paraná do
Castanho nas proximidades de
Itaituba.
Em 1956 0 mesmo autor cons-
tatou a presença do mesmo fóssil
nas seguintes localidades da bacia
Amazônica; 1) Sondagem de Nova
Olinda, margem direita do rio Ma-
deira; e 2) Afloramentos do rio Ta-
pajós (Bom Jardim, Paraná do
Castanho, Cruz Alta e Barreiras).
Em 1958, Petri cita a ocorrência
de Millerella associado ao gênero
Fusulinella e outros grupos, em
sondagens efetuadas pelo Conselho
Nacional de Petróleo nas localida-
des de Nova Olinda e Alter do
Chão..
Millerella está bem representa-
do em sedimentos procedentes da
localidade de Monte Alegre, Estado
do Pará, coletados por Heitor Fa-
çanha DA Costa. O gênero indica
idade Carbonífera.
A rocha matriz é um calcário
melanocrático de aspecto orgâni-
co, indicando que o ambiente de
sedimentação seria de águas razas
e quentes, com grande contribui-
ção de matéria orgânica.
Nas lâminas estudadas foram en-
contrados ainda, restos de corais.
Êste trabalho será completado com
a inclusão da parte de geologia feita
por Heitor Façanha da Costa.
cm i
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404
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
seções de carapaças de outros fo-
raminíferos, assim como seções cir-
culares de oolitos (águas movimen-
tadas) .
SISTEMÁTICA
Ordem Foraminiferida
Subordem Fusulinina
Super-Familia Fusulinacea
Família Ozawainellidae
Gênero Millerella Thompson,
194?,
Millerella cf. marblensis
Descrição: Carapaça pequena de
forma semi-discoidal, com as mar-
gens periféricas arredondadas va-
riando a subangulares.
O eixo de enrolamento é bastan-
te curto e a carapaça é inteiramen-
te planispiral.
Nas seções tangenciais e axiais
pode-se observar que eis voltas in-
ternas variam de acordo com o ta-
manho (maturidade) do exemplar.
Nos exemplares menores as voltas
são em número de três, indo até
cinco. As voltas internas, mais ou
menos três, são involutas enquan-
to que as duas mais externas são
ligeiramente evolutas.
Espiroteca fina com suas cama-
das obscuras, pouco perceptíveis
mesmo em grande aumento.
Na seção sagital o proloculum
está bem marcado correspondendo
ao estreitamento central do disco
das seções tangenciais e axiais.
As câmaras constituintes da ca-
rapaça aumentam de tamanho
numa proporção constante e uni-
forme. As mesmas estão delimita-
das por septos bem nítidos, com
curvatura para frente.
As figuras 1-17 são seções axial,
tangencial e sagital de Millerella
cf. marblensis do Carbonífero de
Monte Alegre, Estado do Pará. As
lâminas estão depositadas nas co-
leções da D.G.M. do D.N.P.M.
RESUMO
Calcário fossilífero coletado por
Heitor Façanha da Costa, em Mon-
te Alegre, Estado do Pará, apre-
senta, em lâminas delgadas, seções
típicas do gênero Millerella.
A ocorrência dêste fóssil, no Bra-
sil, já foi constatada em outras lo-
calidades da bacia Amazônica (Pe-
TRi, 1952, 1956, 1958) situadas na
margem direita do rio Amazonas.
Os fósseis em estudo foram loca-
lizados em amostras da margem es-
querda do mesmo rio.
Trata-se de uma ocorrência nova
na localidade, com características
indicando idade paleozoica supe-
rior.
SUMMARY
This contribution concerns the
identification of typical thin sec-
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Volume 1 (Geociências)
405
Millerella cf. -marblensis — Figs. 1 a 4: Seção sagital, lâminas B2A, Bl, B2A e ,
respectivamente; figs. 5 a 8: seção tangencial, lâminas 2, 1, 2 e Bl, respectiva-
mente; fig 9: seção axial, lâmina B2; figs. 10 a 13: seçao tangencial, laminas
1, B2 A, Bl e BIA, respectivamente; fig. 14: seção sagital. Iam na , g. .
seção axial, lâmina BIA; figs. 16 e 17: seção tangencial, laminas Bl e BIA.
tions of the genus Millerella in li-
mestone from Monte Alegre, State
of Pará, collected by Heitor Faça-
nha da Costa.
The occurrence of this fóssil in
Brazil has already been recorded
in other localities in the Amazon
basin (Petri 1952, 1956, 1958), on
the right margin of the Amazon
river. The fossils now described
are from the left margin. This
is a new occurrence in Monte
Alegre and indicates Upper Pa-
leozoic age.
2 3 4
5 6
10 11 12 13 14
406
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol 1 (Geociências): 407-410 — 1967
EQUINÓIDES MIOCÉNICOS DA FORMAÇÃO PIRARAS
MARIA EUGÊNIA C. MARCHESIM SANTOS
Departamento Nacional da Produção Mineral
Rio de Janeiro, Guanabara
O primeiro estudo sistemático de
equinóides da Formação Pirabas,
foi baseado em antigas coleções
realizadas por Paulino Franco de
Carvalho. Os exemplares, pouco
numerosos, apresentavam os deta-
lhes morfológicos em satisfatório
estado de conservação, permitindo
identificar 5 espécies, incluídas nas
famílias Echinolampadidae, Cly-
peasteridae e Scutellidae (Santos,
1958).
Trabalhos de campo posteriores,
realizados por Ferreira & Cunha
(1956) e Ackermann (1964), nos
municípios de Salinópolis e Capa-
nema; ampliaram o conhecimento
desta variada fauna, evidenciando
a participação saliente dos equinói-
des. Foram acrescidos o número de
exemplares de espécies descritas e
suas áreas de ocorrência. As novas
formas pertencem às famílias C?-
daridae, Schizasteridae e Brissidae.
Os fatores envolvidos no proces-
so de sedimentação e fossilização.
como demonstra Acer (1963; 185)
influíram para a descoberta de
poucas carapaças. Nestas tanato-
cenoses, principalmente, nos aflo-
ramentos do litoral, há indícios de
desgaste e transporte mecânicos.
Pelos testemunhos existentes veri-
ficamos que os equinóides estive-
ram bastante diversificados na
constituição desta comunidade ma-
rinha.
Os fragmentos de placas de Ci-
aarídeos e a grande quantidade de
radíolos primários, coletados no
calcário de Pirabas, constituem o
fato paleobiológico mais interes-
sante.
A sistemática da família Cidari-
dae foi organizada por Mortensen
(1928), utilizando diagnose de pe-
dicelárias na distinção genérica. Os
autores posteriores a aceitaram,
pois representa a aproximação
mais natural.
Para material fóssil produz sé-
rias dificuldades, pois as pedicelá-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
rias são raramente conservadas, e
quando isto acontece, estão desas-
sociadas das carapaças.
Pela morfologia de placas e ra-
diolos primários, os exemplares têm
acentuada semelhança com gêne-
ros da província Indo-Pacífica, que
na época atual são caracterizados
por isolamento e endemismo defi-
nidos (Fell, 1954: 15).
Referimos as nossas formas à
Phyllacanthus Brandt, que é res-
trito à Australásia e ao Oriente
Médio, com espécies litorâneas, ha-
bitantes de recife.
Os radíolos primários, com for-
mas variadíssimas, cilíndricos ou
achatados, com serrilhados longi-
tudinais, espinhos conspícuos, ter-
minação em cálice, são compará-
veis a representantes desta região.
As seções transversais realizadas,
para tentar estabelecer relações ge-
néricas pela microestrutura, não
produziram resultados, pois os de-
talhes diferenciais não estão clara-
mente individualizados.
Estas evidências são insuficien-
tes para uma correlação zoogeográ-
fica ampla. Embora a América
Central, que impediria a migração
entre o Pacífico e Atlântico esti-
vesse submersa, durante o Ceno-
zóico Inferior; as profundas águas
do Pacífico agiriam como uma bar-
reira eficiente, com poucas opor-
tunidades para êstes organismos de
águas razas, de ultrapassá-las. Ou-
tro fato importante nestas consi-
derações, é a distribuição atual dos
cidarídeos na costa oeste das Amé-
ricas; não foram encontrados do
Equador para o sul e em dire-
ção ao norte, as informações à res-
peito ainda são limitadas.
Nas costas brasileiras ocorre ape-
nas uma espécie de Eucidaris, gê-
nero da zona tropical do Atlântico
e Pacífico, que é o único represen-
tante em comum com a Australá-
sia.
As relações com gêneros euro-
peus, não estão esclarecidas ainda,
e as faunas cretácicas e terciárias
têm assinalado Prionocidaris, que
possivelmente encontra-se repre-
sentado na formação Pirabas por
radíolos primários apenas.
As placas de cidarídeo referíveis
à Phyllacanthus, devem ser utili-
zadas apenas como indicador es-
tratigráfico, um procedimento si-
milar ao de CooKE (1959: 11) em
relação ao equinóide do leste dos
Estados Unidos — Phyllacanthus
mortoni (Conradi).
Os outros componentes da fau-
na, cujas relações foram analisa-
das no trabalho anterior citado, e
as novas descobertas, confirmam as
estreitas relações, entre as forma-
ções terciárias das Caraíbas e a
Formação Pirabas.
Espécimes referidos à Anisope-
talus oliveirai Santos (op. cit.: 10,
est. II) são representantes de Echi~
nolampas, constatamos pelo exame
de novas carapaças completas, que
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mostram um periprocto transver-
so, inframarginal; êste fato foi co-
municado por correspondência a
Kier (1962:107) que o incluiu na
sua revisão dos Cassiduloidea.
Pequenas carapaças, procedentes
do município de Capanema, são
referidas à Agassizia, gênero de im-
portância zoogeográfica no Oligo-
ceno e Mioceno das Antilhas, com
poucas espécies atuais, nos mares
americados, são tropicais e litorâ-
neas.
Um fragmento identificado como
Plagiobrissus, é mais um elemento
para reafirmar os conceitos ante-
riores de paleoecologia da Forma-
ção Pirabas. Atualmente, com cin-
co espécies de águas rasas e tropi-
cais (Mortensen, 1951:496), foram
freqüentes na região caraíbica, e
são conhecidos a partir do Eoceno.
Dois exemplares não classificá-
veis, um pequeno eqüinóide regu-
lar e um espatangóide demonstram
as possibilidades de encontrar-se
novas formas na Formação Pira-
bas.
Agradecemos ao Dr. Paulo Erichsen
de Oliveira, chefe da Seção de Paleon-
tologia, da Divisão de Geologia e Mine-
ralogia do DNPM e ao Dr. Cândido Si-
mões Ferreira, do Museu Nacional do
Rio de Janeiro, o estimulo ao nosso tra-
balho; ao Sr. F. Ackzrmann, da SPVEA.
o envio para nossa instituição, de im-
portantes coleções de fósseis da Forma-
ção Pirabas; ao Conselho Nacional de
Pesquisas, o apoio financeiro que nos
tem prestado.
RESUMO
O primeiro estudo sistemático de
equinóides da Formação Pirabas, já
foi objeto de publicação anterior
da autora; o material coletado pos-
teriormente, amplia o conhecimen-
to desta rica fauna marinha.
Novos exemplares de Clypeaster
lamegoi e Anisopetalus oliveirai
possibilitam, pelo seu estado de
conservação, novos estudos de de-
talhes estruturais.
Provenientes do município de
Capanema, são descritos espécimes
de um schizasterídeo, referido ao
gênero Agassizia, que é pela pri-
meira vez assinalado em sedimen-
tos brasileiros.
Constituindo uma nova ocorrên-
cia, são realizados estudos de cida-
rídeos coletados nas localidades de
Castelo, ilha Fortaleza e Capane-
ma. Associados a estas carapaças
e distribuídos com bastante fre-
qüência encontram-se espinhos de
formas variadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ackermann, F. L., 1964, Geologia e K-
siogeografia da Região Bragantina
(Estado do Pará), Cad. Amazónia,
Manaus, 2: 1-90.
ACER, D. V., 1963, Principies of Paleoco-
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CooKE, W., 1959, Cenozoic Echinoids of
Eastern United States. U. Stat.
Geol. Surv., Prof. Pap., 321: 1-106,
43 pis.
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410
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Fell, H. B., 19õ4, Tertiary and Recent
Echinoidea of New Zealand, Cida-
ridae. N. Zeal. Geol. Surv., Páll.
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Ferreira, C. S. & Cunha, O. R., 1956,
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Estado do Pará. Boi. Mus. Para-
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Kier, M. P., 1962, Revision of the Cas-
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Mortensen, T., 1928-1951, A Monograph
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cênicos da Formação Pirabas. Boi.
Div. Geol. Miner. 179: 1-24, 5 ests.
cm 1
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 411-423 — 1967
MOLUSCOS CENOZOICOS DE ÁGUA DOCE
DO ALTO AMAZONAS
MARIA EUGÊNIA C. MARCHESINI SANTOS e JUDITH DE SOUZA CASTRO
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 11 figuras no texto)
A delimitação da geologia de su-
perfície do extremo oeste brasilei-
ro, não está completamente escla-
recida, e dados paleontológicos po-
derão contribuir na elucidação
dêste problema.
As dificuldades naturais da ex-
tensa região são os fatores princi-
pais de pesquisas descontínuas, e
programas organizados como os
que realizaram o Instituto de Pes-
quisas da Amazônia em colabora-
ção com o Departamento Nacional
da Produção Mineral, Museu Goel-
di e American Museum of Natural
History em 1956, e a Petrobrás e
Departamento Nacional da Produ-
ção Mineral em 1962, permitirão
ampliar o seu conhecimento.
Êstes esforços se têm demonstra-
do profícuos, com a divulgação
dos primeiros resultados, principal-
mente os que se referem à verte-
brados.
No presente trabalho, separamos
as ocorrências de moluscos de água
doce do Cenozóico do Alto Amazo-
nas, em três capítulos:
I — Formação Pebas, na faixa
fronteira oriental do Estado do
Amazonas e Peru;
II — Depósitos recentes do rio
Juruá, no Estado do Amazonas e,
rio Jesumira, no Acre, de idade du-
vidosa;
III — Novos registros em sedi-
mentos, provàvelmente pleistocê-
nicos.
O material pertencente ao Catá-
logo de Invertebrados da Seção de
Paleontologia da Divisão de Geolo-
gia e Mineralogia do Departamen-
to Nacional da Produção Mineral,
tem por abreviatura I DGM,
DNPM.
Extensas camadas de origem
de água doce, predominantemente
continentais, com intercalações sa-
em i
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412
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
lobras, denominadas “Capas Ro-
jas” (Williams, 1949), foram de-
positadas através o Terciário. Re-
cobrem o Estado do Acre, parte do
Estado do Amazonas; os países vi-
zinhos; sul da Colômbia, Peru e no-
roeste da Bolívia. São capeadas por
sedimentos, que a retrabalharam;
e produtos de aluvião descontínuos.
Os rios componentes da rêde lo-
cal, formam meandros e sacados
intensamente, que recortados em
estágios posteriores, expõe nas
margens diferentes fases do ciclo
sedimentar.
FORMAÇÃO PEBAS
A fauna de moluscos da Forma-
ção Pebas é conhecida há um sé-
culo aproximadamente, e as ocor-
rências mais características são
nas localidades de Pebas e Iquitos,
no Peru; e nos rios Javari e Qui-
xitos, no Estado do Amazonas.
Os estudos realizados nestas co-
munidades fósseis revelaram a pre-
sença de formas de água doce e gê-
neros de origem marinha mas, euri-
halinos, além de gêneros que são
restritos à esta formação. Sua ida-
de não foi precisada, existindo cer-
to acòrdo entre os autores que a
colocam no Plioceno.
As sucessivas publicações rela-
cionadas a esta fauna e sua pa-
leoecologia estão citadas em biblio-
grafia anexa. As coleções brasilei-
ras foram estudadas por Roxo
(1924, 1935), e estão depositadas
na Seção de Paleontologia da Di-
visão de Geologia e Mineralogia do
Departamento Nacional da Produ-
ção Mineral.
Por observações de campo em
Iquitos, no Peru, Ruegg & Rosen-
zwEiG (1949:15), considerando os
trabalhos paleontológicos e o estu-
do da fauna desta localidade fei-
to por Greve (1937) definem o fá-
cies de sedimentação como límni-
co-lacustre, num clima subtropical
e tropical. Os movimentos orogêni-
cos sucessivos da região no Terciá-
rio, originaram ambientes salobros
com posteriores depositações sali-
nas (Formação “Capas Rojas”).
Êstes movimentos persistiram, até
o Quaternário, gerando lagos isola-
dos interiores em condições conti-
nentais extremas, onde a salinida-
de poderia ser aumentada por vá-
rios fatôres (movimento de bloco,
invasão de água marinha ou salo-
bra, dissolução de salgema e coloi-
dal das “Capas Rojas” subjacen-
tes) . Refutam opiniões de um
grande estuário e proximidades do
mar, fato também destacado por
Gardner (1927:508) que não ad-
mitiu que o Oceano Atlântico tives-
se penetrado até as fraldas dos An-
des no Plioceno, sugerindo para os
rios da bacia amazônica durante
o Terciário Superior, um compor-
tamento semelhante ao atual, for-
mando meandros e oxbows que
eventualmente aumentariam sua
salinidade.
Volume 1 ( Geociências )
413
A revisão taxonômica de bivalvos
e moluscos de Pebas, procedida por
Greve (op. cit.) compreende a aná-
lise dos trabalhos anteriores e in-
terpretações paleocológicas.
Concluiu êste autor que os gê-
neros que poderiam indicar cará-
ter marinho para os depósitos, fo-
ram mencionados sem o suporte
sistemático necessário. Enquanto
que considerar os depósitos, salo-
bros pela existência de Dreisseni-
dae, Hydrobia e Neritina, não é
prova suficiente, pois os mesmos
podem adaptar-se à água doce.
Sintetizou considerando que no
conjunto há dominância de habi-
tantes de água doce, com formas
marinhas, eurihalinas.
Desta fauna, duas formas refe-
ridas duvidosamente à gêneros ma-
rinhos, Cerithium coronatum Ethe-
ridge e Purpura woodwardi Roxo,
sáo representantes dos melanideos.
Adotamos a sistemática de Morei-
SON (1954) e Taylor & Sohl. . . .
(1962).
Classe GASTROPODA
Subclasse streptoneura
Ordem mesogastropoda
Super-família cerithiacea.
Família Thiaridae
Os representantes da família
Thiaridae (África, Asia e Américas)
são distinguíveis dos Melanopsidae
(Europa) e Pleuroceridae (África,
Asia e Américas), principalmente
pelos caracteres reprodutivos.
Há grande semelhança na mor-
fologia de concha, rádula e opér-
culo, por evolução concorrente ou
convergente.
Gênero Aylacostoma Spix, 1827
Aylacostoma (Longiverena)
coronatum (Etheridge, 1879)
(Figs. 4-6)
Cerithium coronatum Etheridge, H.,
1879, Quart. J. Geol. Soc. London, 35: 7,
est. VII, fig. 5; Roxo, M. G. O., 1924.
1924, Boi. Serv. Geol. Min. Brasil, U;
46; Gardner, J„ 1927, J. Wash. Acaã.
Sei., 17 (20) : 508; Roxo, M. G. O., 1935,
Ann. Acad. Bras. Sei., 7 (1) : 54; Greve,
L„ 1938, Abd. Schw. Pal. Gesel, 61: 106,
est. rv, fig. 13-16.
Descrição: Concha de tamanho
médio, forma globosa cônica, com
ângulo apical de cêrea de 30°. Es-
pira do maior exemplar com cêrea
de oito voltas. Em geral, os ápices
estão destruídos. As voltas estão
delimitadas por suturas bem pro-
nunciadas.
A volta corporal corresponde a
1/3 da altura total da concha.
Abertura elítica e ampla.
A ornamentação é constituída de
3 cordões espirais finos, de interes-
paços maiores. Na parte superior
da volta há um quarto cordão es-
piral que é ornamentado por tu-
bérculos conspícuos. Estrias de
crescimento fortemente sinuosas.
O lábio interno liso é refletido e sol-
em i
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dado à parede, e o externo está des-
truído em todos os exemplares.
As primeiras voltas, principal-
mente nos indivíduos mais jovens,
é lisa, aparecendo gradativamente
a ornamentação descrita acima. Os
tubérculos em outros exemplares
podem apresentar um maior de-
senvolvimento, recobrindo os cor-
dões espirais adjacentes.
Material: Ex. n.° 2.375-2.382-1,
DGM, DNPM e 3.774-1 DGM,
DNPM.
Dimensões: Ex. 3.774b I DGM,
DNPM: compr.: 12 mm; alt.:
29 mm.
Procedência: Três Unidos, rio Ja-
vari (margem peruana).
Observações: A população de
Aylacostoma (Longiverena) coro-
natum, é razoàvelmente uniforme.
Mesmo com a abertura destruída,
é perceptível que não se forma ca-
nal anterior, como afirma Etherid-
ge, na descrição original.
Os nossos espécimens pela ex-
pansão da volta corporal; escultu-
ra longitudinal e cordões espirais,
foram incluídos no subgênero Lon-
giverena PiLSBRY & OLSSON
(1935:11); que é encontrado atual-
mente no noroeste da América do
Sul.
Esta espécie difere pelo tipo de
ornamentação daquelas que vi-
vem atualmente no rio Amazo-
nas (Morhetes, 1949:76) e de ou-
tras representantes de formações
terciárias da região.
Assemelha-se a Melania liebre-
chtsi (Dautzenberg) (in Pilsbry-
Bequaert, 1927: 259), da fauna
atual do Congo Belga, o que indi-
ca apenas paralelismo de formas.
Aylacostoma (Verena) woodwardi
(Roxo) (Figs. 1-3)
Purpura woodwardi Roxo, M. G. O.,
1924, Est. I, fig. C,C’ e D, Boi. Serv.
Geol. Min. Brasil, 11: 49; Roxo, M. G.
O., 1935, Ann. Acad. Bras. Sei., 7 (1) :
66; Greve, L., 1938, Ab. Schw. Pal. Ge-
sel., 61: 119.
Descrição: Concha de tamanho
médio, ângulo apical de 76°. Espi-
ra curta com quatro voltas, que
aumentam ràpidamente de tama-
nho. A volta corporal é grande,
ocupando três quartos da altura.
Abertura elítica alongada, lábio in-
terno liso, refletido; canal sifonal
curto e curvado.
As paredes das primeiras voltas
são lisas e arredondadas. A partir
da terceira volta, com delimitação
nítida, a ornamentação é consti-
tuída por fortes cordões espirais
com interespaços proporcionais e
costelas longitudinais onduladas.
Às mesmas corresponde a uma fi-
leira de tubérculos salientes que
na volta corporal, situam-se na re-
gião superior, próximo à sutura.
O segundo exemplar (n.° 2.389
— I, DGM, DNPM) , está parcial-
mente destruído, conservaram-se a
volta corporal e a última volta da
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espira, que é proporcionalmente
maior do que no primeiro exemplar
descrito. As costelas longitudinais
são muito pronunciadas ocupando
tôda a volta corporal. Canal sifo-
nal fletido. Abertura destruída.
Material: Síntipos, Ex. n.° 2.388
e 2 . 389, I DGM, DNPM.
Dimensões: Ex. n.o 2.388, I
DGM, DNPM. Comp.: 22 mm; alt:
16 mm. — Ex. n.° 2.389, I DGM,
DNPM. Comp.: 10 mm; alt.: 7 mm.
Procedência: Três Unidos, rio Ja-
vari (margem peruana).
Observações: O principal obje-
tivo do reestudo desta espécie, foi
situá-la entre formas de água doce.
O Ex. 2.389,1, DGM, DNPM, tem
forma e escultura muito semelhan-
te à Aylacostoma (Verena) creno-
carina (Moricand) (Reeve, 1860,
Hemisinus, sp. 16, pl. VI) e que
ocorre em Pernambuco, atual-
mente.
Os Thiarideos são partenogêni-
cos, portanto sua expansão pelas
áreas geográficas é muito facilita-
da. Mas, por esta característica re-
produtiva não há controle da va-
riação individual, pela ausência de
herança cruzada.
Os dois exemplares da nossa co-
leção exibem diferenças morfológi-
cas, porém são mantidos sob a mes-
ma denominação, pois não é pos-
sível com material tão escasso, es-
tabelecer os limites de variação, re-
sultante da ancestralidade unilate-
ral.
RIO JURUÁ
A juzante da foz de Tarauacá, no
pôrto do seringal Aquidaban, fo-
ram coletados por Moura & Wan-
DERLEY (1938: 93) conchas de mo-
luscos, em sedimentos expostos na
margem esquerda do rio Juruá, Es-
tado do Amazonas.
Os autores descrevem a seção se-
guinte :
3.5 — argila avermelhada sem
estratificação.
4.5 — argila vermelha castanha
sem estratificação, às vê-
zes amarelada.
2.5 — argila, plástica, muito fos-
silífera.
2,2 — argila mais silicosa, pou-
co plástica, predominando
côr chocolate-esverdeado,
às vêzes variegada, muito
fossilífera.
2,46 — segue-se até abaixo do ní-
vel da água, calcário par-
do argiloso.
Roxo (1937) identificou neste
material, Hyria corrugata Lamar-
ck, Ecuadorea (?) minor Roxo, Pi-
sidium (?) sp., Stenogyra maritima
Spix, Helix (?) sp., Ampullarius
sp., Hydrobia sp., Hemisinxis sp.,
Hemisinus septicinus Roxo, desta-
cando seu caráter bastante recen-
te, pela existência de espécies
atuais da região, e correlacionan-
do-o com faunas do Terciário do
Equador e Colômbia.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Procedentes do Igarapé Jesumi-
ra, na vertente oriental da Serra
do Moa, Estado do Acre, e coleta-
dos na mesma campanha de reco-
nhecimento geológico para pesqui-
sa de petróleo, foram determinados
por Maury (1937) pequenos bival-
vos, referidos à Pachydon Gabb
(= Anisothyris Conrad) ; esta ocor-
rência seria equivalente à Forma-
ção Pebas.
SiMPsoN (1960: 622) expõe ob-
servações sôbre os fenômenos geo-
morfológicos do Juruá e seus tri-
butários, que produzem meandros
com relativa freqüência, e quando
se isolam do curso principal for-
mam lagos em meia lua, denomi-
nado localmente de sacado (“ox-
bow”). Sua duração é muito bre-
ve e os sedimentos que os preen-
chem, em geral incluem restos or-
gânicos. Num ciclo posterior o rio
volta a ocupar o seu antigo leito,
e êstes sedimentos são expostos nas
suas margens. Os diversos estágios
de formação de “oxbow” são co-
muns através dêstes cursos flu-
viais.
Pondera Simpson, que o material
paleontológico é insubstancial para
extender até o Acre a Formação Pe-
bas, declarando que as supostas
formações pliocênicas reportadas a
êste Estado, são depósitos isolados
do tipo “oxbow”, provàvelmente
recentes, não mais antigos do que
0 Pleistoceno Superior.
Os moldes descritos por Maury
(Ex. 2.527 a 2.538 — I, DGM,
DNPM) , sob a denominação de
Anisothyris acreana Maury e Ani-
scthyris c/. ovata Conrad não con-
servam os detalhes da charneira,
que são de fundamental interêsse
na caracterização do gênero, mas,
as conchas aparentam uma leve
desigualdade nas valvas, são trian-
gulares alongadas no sentido da al-
tura e com uma carena distinta
na região posterior, portanto dife-
rente de Corbiculidae como sugeriu
Taylor (in Simpson, op. cit.: 622).
Cem os atuais conhecimentos sô-
bre a fauna recente, não são fac-
tíveis revisões taxonômicas, res-
tando-nos apenas concordar com
Simpson, que o material é muito
precário para estabelecer correla-
ções estratigráficas.
No conjunto de Aquidaban, pre-
dominam espécies atuais, fato ob-
servado por Roxo, que no entanto
o relacionou com formações ter-
ciárias de Biblos, no Equador e Ma-
dalena na Colômbia, pela presença
de dois gêneros criados por Mar-
shall & Bowles (1932:3,5) Ecua-
dorea e Sheppardiconcha.
Alguns gêneros de moluscos flu-
viais do noroeste da América do
Sul, são conhecidos a partir do Ter-
ciário, sem alterações morfológi-
cas apreciáveis; e só tem utiliza-
ção como indicadores estratigráfi-
cos, restrita regionalmente; apli-
cando-se, contudo na zoogeogra-
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Figs. 1 e 3 — Aylacostoma (Verena) woodwardi (Roxo) (1 e 2; Ex 2388-1
DGM, DNPM-2; 3: Ex. 2389-1 DGM, DNPM-2) ; figs 4-6 — Aylacostoma
{Longiverena) coronatum (Etheridge) (4; Ex 377a I DGM, DNPM-2; 5:
Ex. 3774b I DGM, DNPM-2; 6: Ex. 3774c I DGM, DNPM-2) ; figs. 7 e 8 —
Ampullarius (Effusa) sp. (Ex. 4951 I DGM, DNPM-1) .
fia, origem e migração das faunas
e paleoecologia.
O parentesco das faunas é evi-
dente, com disseminação pelo sis-
tema de drenagem dos rios.
Sheppardiconcha é um repre-
sentante da familia Pleuroceridae e
Morrison (1954: 367) o situa na
sinonimia de Doryssa, gastrópodo
típico da região, habitando o rio
Amazonas e seus tributários na
época presente, com várias espé-
cies conhecidas (Morretes, 1949:
76).
Ecuadcrea definida por orna-
mentação em forma de V foi refe-
rida por seus autores como forma
intermediária entre Hyria e Triplo-
don, e detalhes de charneira não
são conhecidos. Na família Unioni-
cm i
SciELO
418
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dae, subfamília Hyriinea, esta or-
namentação é bastante comum,
não constituindo fator preponde-
rante portanto, para diferençar
gêneros.
Hyria e Triplodon constituem
exemplos de bivalvos que atraves-
saram estas épocas mais modernas
sem evolução e são encontrados
também na bacia amazônica atual-
mente (Morretes op. cit.: 26).
NOVAS OCORRÊNCIAS DE
MOLUSCOS
Esta feição do rio Amazonas e
seus afluentes de expor nas mar-
gens restos de plantas e conchas,
aparentemente fossilizados, criou
contradições no estudo da Paleon-
tologia das épocas mais modernas,
que é agravado pela dificuldade de
coleções de moluscos recentes com
sistemática atualizada.
Na compreensão do conjunto
faunístico é imprescindível a de-
terminação dos horizontes. Price
(1964), da Divisão de Geologia e
Mineralogia tem pesquisado no al-
to Amazonas, principalmente no
Estado do Acre, e os registros fós-
seis foram interpretados com ob-
servações de campo.
Junto aos vertebrados foram en-
contrados restos de moluscos, e sua
aplicabilidade está ligada aos es-
clarecimentos que podem ser for-
necidos pelo conjunto de outros
vertebrados, principalmente os ma-
míferos que são bem conhecidos na
A. do Sul.
As camadas de onde provêm os
exemplares estudados, de acôrdo
com Price (op. cit.) , fazem parte do
manto, de idade compreendida pelo
Neogeno-Piaistoceno, que recobre
os “red-beds”.
Classe BivALviA
Ordem eulamelibranchia
Família Mutellidae
Gênero Anodontites Bruguiè-
re, 1792.
Anodontites sp.
(Fig. 11)
Descrição: Concha muito grande,
de maior comprimento que altura,
fortemente inequilátera. As suas
paredes são espessas. Devido a
compressões dorsoventrais, as val-
vas são aparentemente assimétri-
cas.
Umbo grande e proeminente, si-
tuado na parte média anterior da
margem dorsal, que é bem desen-
volvida. Margem anterior pouco ar-
queada, extendendo-se suavemen-
te para a margem ventral. A re-
gião posterior está parcialmente
destruída. Superfície da concha
marcada por linhas de crescimen-
to grosseiras e irregulares.
Material: Ex. n.° 4.947 a 4.949
— I, DGM, DNPM.
Dimensões: Ex. 4.947 I DGM,
DNPM: compr. 125 mm; alt.
91 mm.
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Volume 1 (Geociências)
419
Procedência: Estado do Acre,
próximo ao desembocadouro do
Igarapé Escondido, rio Chandless,
afluente do rio Purus.
Coletor: Francisco Mota Bezer-
ra da Cunha, Geólogo da Petrobrás
(1962).
Observações: Êste gênero é co-
nhecido em formações Terciárias
da região zoogeográfica em aprê-
ço. Anodon batesi Woodward, ...
(1871) da Formação Pebas e Ano-
dontites laciranus Pilsbry (in-
ClaSSe GASTROPODA
Família Ampullaridae
Gênero Ampullarius Montfort, 1819
Representantes dêste gênero são
conhecidos no sul da América do
Norte e América do Sul, e sua dis-
tribuição vem do Plioceno ao Re-
cente.
São característicos de águas pa-
radas e fluviais da zona tropical e,
anfíbios, capazes de suportar sêcas
‘SíWÍ! ./V
^ V
10
M
Pigs. 9 e 10 — Ampullarius sp. (Ex. 4950 I DGM. DNPM-1) ; fig. 11 — Anodontites
sp. (Ex. 4947 I DGM, DNPM-1) .
Pilsbry & Olsson, 1935: 18, pl. 5.
fig. 1, la) da Formação La Cira na
Colômbia, de idade oligocênica, são
evidências da dispersão do gênero.
Êstes exemplares estavam reuni-
dos a fragmentos de crocodilídeos
ainda não estudados, e no interior
do Ex. 4.947-1, DGM, DNPM., en-
contramos cristais de gipsita, por
uma provável influência do manto
“red-beds” subjacente que por vê-
zes é atravessado por veios dêste
mineral.
(parte direita da cavidade cuti-
cular traz brânquias, parte esquer-
da serve de pulmão) (Wenz, 1938;
498).
Ampullarius sp.
(Figs. 9 e 10)
Descrição: Concha de tamanho
grande, de enrolamento dextrógiro.
Espira curta composta de quatro
voltas, com cêrca de um têrço do
tamanho da volta corporal, que é
volumosa, mais alta do que larga.
cm i
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420
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
marcada por linhas longitudinais.
Abertura destruída.
Material-, Ex. 4.950 — I DGM,
DNPM.
Dimensões: Compr.: 56 mm;
alt.: 71 mm.
Procedência: Estado do Acre, Pe-
trópolis, alto do rio Juruá.
Coletor: L. I. Price (DGM,
DNPM) em trabalhos associados
com a Petrobrás, 1962.
Observações: Os subgêneros de
Ampullarius (Wenz, 1938: 451)
que mostram a volta corporal mais
alta do que larga, são Ampullarius
s. str. e Limnopomus Dali, distin-
guíveis por presença ou não de
umbílico. Esta região do fóssil não
está conservada, dificultando com-
parações subgenéricas e específi-
cas. Entre ocorrências fósseis dês-
te gênero na Amazônia, destaca-
mos Ampullarius sp. descrito por
Greve (1937: 115) na Formação
Pebas e Ampularia (?) gigantea
Nob., cuja presença foi registrada
por Rodrigues (1892: 52) no Es-
tado do Amazonas em associação
com vertebrados.
O exemplar estudado foi encon-
trado associado à mandíbula do
réptil referido por Price à Purus-
saurus brasiliensis Rodrigues nes-
te Simpósio.
Ampullarius (Effusa) sp.
(Figs. 7 e 8)
Concha de tamanho médio. Da
mesma, está conservada a volta
corporal que é mais larga do que
alta e provida de umbílico bem
pronunciado.
Material: Ex. 4.951 e 4.952 — I
DGM, DNPM.
Dimensões: Ex. 4.951-1 DGM,
DNPM: compr.: 27 mm; alt.: ....
28 mm.
Procedência: Estado do Acre, alto
do rio Juruá, próximo ao local de-
nominado Cantagalo, rio acima do
Igarapé Acuriá.
Ccletor: L. I. Price (1956).
Observações: Os exemplares são
moldes internos, constituindo an-
cestrais das espécies viventes na
região. Foram coletados com verte-
brados ainda não estudados.
CONCLUSÕES
A fauna de Pebas tem um cará-
ter endêmico bem definido, e como
sugere Simpson não há evidên-
cias paleontológicas concretas para
considerá-la extendendo-se até o
Acre e Amazonas. Maiores pesqui-
.sas possibilitarão precisar o proble-
ma com exatidão.
Estudos sistemáticos dos molus-
cos atuais de água doce, principal-
mente formas pequenas, amplia-
riam o conhecimento de uma rica
e variada comunidade límnica,
muito pouco divulgada, e que se-
riam de útil aplicação para cor-
relações faunísticas com os fósseis
cenozóicos, além de emprestar ele-
mentos seguros quando houvesse
cm 1
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Volume 1 (Geociências)
421
dúvidas sôbre idades de sedimen-
tos, condicionadas à peculiaridade
do rio Amazonas e componentes de
sua bacia, de formar sacados, cujas
idades são indefinidas.
O material escasso, a nós acessí-
vel, demonstra o caráter moderno
da fauna que é constituída de gê-
neros típicos da região e novas
descobertas seriam proveitosas pa-
ra interpretações paleozoogeográ-
ficas.
Seria oportuno, que a orga-
nização de um plano visando ês-
tes objetivos, fôsse incluído no pro-
grama de desenvolvimento e pes-
quisas, que vem sendo elaborado
pelas instituições interessadas na
região amazônica.
Agradecimentos — Destacamos nosso
reconhecimento ao Dr. Paulo Erichsen
de Oliveira, Chefe da Seção de Paleon-
tologia da DGM, pelo constante estí-
mulo ao nosso trabalho.
Ao Dr. Llewellyn I. Price, pelos opor-
tunos esclarecimentos sôbre a geologia
das áreas estudadas.
Ao Dr. Arnaldo Campos Coêlho, do
Museu Nacional do Rio de Janeiro, pelo
empréstimo de bibliografia, e ao Senhor
Mário Carnaval, pelas reproduções fo-
tográficas, expressamos nossa gratidão.
Ao diretor da Divisão de Geologia e
Mineralogia, do DNPM, Doutor J. R. de
Andrade Ramos e ao Conselho Nacio-
nal de Pesquisas, agradecemos o apoio
que nos tem prestado.
SUMÁRIO
A principal ocorrência de molus-
cos está na faixa fronteira orien-
tal do Estado do Amazonas e Peru,
com formas muito típicas e os de-
pósitos constituem verdadeiras co-
munidades fósseis. São considera-
dos originários de água doce e de
idade pliocênica provável, caracte-
rizando a Formação Pebas.
A identificação de material es-
parso permite comprovar a presen-
ça, em épocas modernas anteriores,
de uma fauna semelhante a que
habita os rios amazônicos atual-
mente. Divulgamos duas novas for-
mas de gastrópcdos referidas à
Ampullarius sp. e um bivalvo do
gênero Anodontites sp.
SUMMARY
The frontier region of Eastern
Peru and the Western part of the
Amazonas State has a fauna oí
very typical molluscs and the de-
posits they are found in constitute
real fóssil communities. They are
considered cf fresh water origin
and probably, of Pliocene age. Pe-
bas Formation.
The Identification of the scant
material permits to assure the
existence of a fóssil fauna, in the
recent past which is similar to
that of the modern Amazonas
waters. We present two new forms
of gastropods referred to Ampulla-
rius sp. and a pelecypod, or the
genus Anodontites sp.
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422
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
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SÔBRE UM CLADODONTlDEO DO CARBONÍFERO DO RIO
PARAUARÍ, A3LAZONAS
RUBENS DA SILVA SANTOS
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 5 figuras no texto)
O dente de cladodontídeo obje-
to de estudo do presente trabalho
provém da localidade Pedra do
Barco, rio Parauari, município de
Maués, Estado do Amazonas. A ro-
cha que contém êsse fóssil é um
calcário, cinzento-claro, que aflora
nas margens daquele rio (fig. 1).
Foram seus coletores, em 1961,
Omir Fontoura e Amaro Barcia de
Andrade, do Museu Nacional do
Rio de Janeiro.
Êste é o primeiro indício de ver-
tebrado no Carbonífero da Bacia
Amazônica e o primeiro dente de
Selachii, do tipo cladodonte, en-
contrado nas rochas do paleozóico
do Brasil. Na mesma rocha fo-
ram encontrados abundantes res-
tos de branquiópodos, um cefalópo-
do, poucos gasterópodos e lameli-
brànquios, já coletados, em outras
ocasiões, naquelas camadas.
Para melhor exame o dente foi
destacado da rocha, verificando-se
que faltava uma parte do bordo
pcsterior da raiz. Essa fragmenta-
ção teria ocorrido, entretanto, an-
tes da sua fossilização o que faz
atribuir que teria sido rolado ou
transportado do local onde o ani-
mal 0 perdera ou morrera.
Agradecemos àquêles técnicos do
Museu Nacional, pela oportunidade que
nos deram de examinar e estudar o
fóssil em questão, cuja ocorrência nas
rochas da Série Itaítuba é de especial
interêsse para melhor conhecimento e
interpretação da sua estratigrafia. As
fotos do material fossilifero foram exe-
cutadas por Mário Carnaval, chefe do
Laboratório Fotográfico da Divisão de
Geologia e Mineralogia do Departa-
mento Nacional da Produção Mineral.
Ordem cladoselachiformes
Família Cladoselachidae
Gênero Cladodus Agassiz, 1843
Cladodus parauariensis sp. n.
(Figs. 2-5)
Descrição — Dente forte com a
coroa relativamente baixa disposta
426
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
no bordo anterior da raiz. Cinco
dentículos cônicos compõem a co-
roa, um grande e mediano, de base
muito larga, e quatro bem meno-
res situados dois de cada lado do
denticulo mediano. Os dois dentí-
culos mais externos são maiores e
mais fortes que o par interno. To-
dos são falciformes em direção pos-
terior e ornamentados por fortes
cristas, partindo da base para o
ápice, dando um aspecto anguloso
à superfície denticular. A despeito
da forma cônica e da ornamenta-
ção diferenciam-se, em cada den-
tículo, uma face anterior e outra
posterior delimitadas por um bor-
do cortante. A base ou raiz distin-
gue-se da coroa pela superficie não
esmaltada, fibrosa e pela forma
achatada e larga. Em vista inferior
é aparentemente reniforme, com a
margem anterior côncava e a pos-
terior convexa. O bordo anterior é
escavado no limite da região ínfe-
ro-mediana do denticulo principal
e sua margem inferior sinuosa,
apresenta forte reentrância abaixo
dessa escavação. Posteriormente a
raiz é menos espessa devido a in-
clinação da superficie superior.
Essa superficie parece se elevar,
um pouco adiante do denticulo
mediano numa pequena protube-
rância arredondada como se veri-
fica em muitas espécies de Clado-
dus. A superfície mesial é escavada
com acentuado pronunciamento da
margem inferior do bordo anterior.
Holótipo: n.o 2.766-V M.N.R.J.,
dente completo.
Localidade: Brasil, Estado do
Amazonas, Mun. de Maués, rio Pa-
rauari. Pedra do Barco.
Horizonte estratigráfico: Carbo-
nífero Superior, Série Itaituba.
Observações e Afinidades: Den-
tes do tipo cladodonte consistindo
de um grande denticulo mediano e
dois ou mais dentículos laterais são
comuns em muitas formas de Se-
lachii que viveram do Devoniano
médio ao Cretáceo superior. São
fàcilmente distinguíveis os dentes
cladodontes das formas paleozoicas
daqueles das formas mesozôicas,
por ex., dos hibodontídeos, pela
raiz larga e achatada e pelo cará-
ter dos dentículos laterais que são
maiores a medida que se distan-
ciam do denticulo mediano. Entre
as formas do paleozôico com den-
tes cladodontes encontramos Cia-
doselache (Dev. sup.), Cladodus
(Dev. med. — Perm. sup.), Denea
(Carb.) , Symmorium (Carb.) , Cte-
nacanthus (Dev. sup. — Perm.
inf.) e Goodrichia (Carb.). A dis-
tinção entre essas formas apenas
pela dentição é, por vêzes, um tan-
to precária, muitas espécies origi-
nalmente classificadas num mes-
mo gênero, baseadas nesse caráter,
foram separadas em gêneros dis-
tintos, com a descoberta posterior-
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Volume 1 (Geociências) 427
mente de outros elementos esque-
letais. A natureza cartilaginosa dos
Selachii torna difícil a sua fos-
silização, de maneira que, muitas
formas continuarão a ser conheci-
das e classificadas apenas pelas
partes que mais fàcilmente se con-
servam, dentes, e, às vêzes, espi-
nhos que protegem as nadadeiras
doselache esta camada não está
presente (Dean, 1909) e além dis-
so, nesse gênero, como em Ctena-
canthus, os dentículos são mais
delgados e retos. Em Denea four-
nieri (Fouenier & Pruvost, 1928) ,
com dentes muito pequenos, há
grande desenvolvimento dos den-
tículos laterais externos em relação
Fig. 1 — Aspecto do afloramento do calcário Carbonífero na localidade
Pedra do Barco, Rio Parauari, Estado do Amazonas.
Foto Omir Fontoura .
dorsais. Nesses elementos, todavia,
há características de ordem estru-
tural que podem permitir a distin-
ção entre as formas que os pos-
suem.
O dente de Parauari indubitável-
mente não pertence a Cladoselache
especialmente pela presença da
capa de esmalte na coroa. Em Cla-
ao mediano, e a margem inferior
do bordo anterior da raiz é prática-
mente reta o que não se verifica
no nosso material. Em Symmorium
reniforme (Cope, 1895), ao contrá-
rio do que se verifica no dente de
Parauari, a face anterior do den-
tículo mediano é achatada e nos
dentículos laterais não há delimi-
cm
428
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tação das faces anterior e posterior
por um bordo cortante. Os dentes
de Gocdrichia (Moy-Thomas, 1936)
têm a coroa completamente lisa ou
com poucas e grossas cristas prin-
cipalmente nos ápices dos dentí-
culos, além disso, a margem infe-
rior do bordo anterior da raiz é
como em Ctenacanthus, pràtica-
com pronunciamento da margem
inferior do bordo anterior, a pre-
sença de uma protuberância sôbre
a superfície superior da raiz um
pouco adiante do dentículo media-
no, são caracteres observáveis
em Cladodus gomphoides, Clado-
dus intercostatus, Cladodus bellifer
(St. John & Worthen, 1875) dos
Cladodus parauariensis sp. n„ n.° 2.766-V M.N.R.J. — Fig. 2: Vista
anterior; fig. 3: vista mesial; fig. 4; vista lateral; fig. 5:
vista posterior. x4.
mente reta, sem a sinuosidade que
se verifica no fóssil estudado. Êste
parece ter mais semelhança com
certos dentes descritos de Clado-
dus. A convexidade das faces ante-
rior e posterior do dentículo me-
diano, 0 contôrno da raiz, a for-
te sinuosidade do seu bordo an-
terior, a concavidade da face mesial
calcários de Burlington, Mississi-
piano, lowa, U.S.A. A escultura da
coroa do dente de Parauari é, en-
tretanto, diferente da dos dentes
das espécies citadas e, além disso,
a curvatura do dentículo mediano
no fóssil estudado é bem mais
pronunciada. Cladodus mirabilis
(Agassiz, 1843), uma espécie do
SciELO
cm
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Volume 1 (Geociências)
429
Carbonífero superior e inferior da
Europa, tem também alguma se-
melhança com 0 nosso material no
que se refere as proporções entre
os dentículos e sua ornamentação.
Na espécie de Agassiz a ornamen-
tação é, entretanto, mais delicada
e os dentículos, especialmente o
mediano, são dispostos obliqua-
mente em relação a raiz. As pro-
porções entre os dentículos nem
sempre podem ser consideradas
como um caráter de diferenciação,
pois êste tipo de dente sofre modi-
ficações em diferentes partes da
bòca, em geral, o dentículo media-
no é mais pronunciado nos dentes
próximos a região sinfisial e os den-
tículos laterais nas regiões laterais
da bôca.
Classificamos provisòriamente o
dente de Parauari como uma nova
espécie de Cladodus com maiores
afinidades com as espécies citadas
do Carbonífero. O calcário de Pa-
rauari onde foi coletado o fóssil,
pertence a Série Itaituba, cuja ida-
de geológica é atribuída, baseado
nos invertebrados fósseis, ao Carbo-
nífero superior. O fóssil estudado
evidentemente não pode por si só,
dar maiores informes ao problema
da idade daquele calcário parecen-
do, entretanto, confirmar a idade
Carbonífera. Todavia constituirá
mais um elemento de correlação
para aquelas camadas.
RESUMO
Um dente de Protoselachii en-
contrado em uma amostra de cal-
cáreo procedente da Pedreira do
Barco, no rio Parauari, Município
de Maués, Estado do Amazonas
constitue o objeto da presente co-
municação. Coletaram o material
Omir Fontoura e Amaro Barcia e
Andrade, do Museu Nacional do
Rio de Janeiro, em 1956. Êsse fós-
sil constitue o primeiro indício de
um vertebrado do Carbonífero do
Amazonas e o primeiro dente de
Ctenacantídeo encontrado nas ca-
madas geológicas do Brasil. Com o
dente ocorrem restos de Braquió-
podos.
SUMMARY
This paper records the discovery
of a cladodont tooth, Cladodus pa-
rauariensis sp. n., found in the li-
mestones of the Rio Parauari, at
the locality of Pedra do Barco, mu-
nicipality of Maues, State of Ama-
zonas, in 1961, by Omir Fontoura
and Amaro Barcia de Andrade of
the Museu Nacional of the Rio de
Janeiro.
This is the first indication of a
vertebrate in the Carboniferous
sediments of the Amazon basin,
and also the first Selachian tooth
of the cladodont type to be found
in the Paleozoic of Brazil.
430
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
BIBLIOGRAFIA
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cm 1
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências); 431-434 — 1967
POUCOS VISUALIZAM COMO É DIFÍCIL
O SOLO A3IAZÒNICO
JOSÉ SETZER
Conselho Nacional de Geografia
O maior problema é o do fósfo-
ro assimilável. O teor encontrado
nos 10 cm superficiais é baixíssimo,
da ordem de 0,50 ME (ME = milie-
quivalentes por 100 g de solo sêco
ao ar e peneirado) . A um palmo de
profundidade reduz-se a 0,02 ME e
a Vzmé pràticamente nulo.
Sòmente no contato do líter flo-
restal com a superfície do solo,
onde os detritos vegetais mortos
são transformados em húmus, é
que se pode constatar teor apre-
ciável, correspondente a boa terra
de cultura (cêrca de 0,20 ME) , mas
a espessura dessa camada é de ape-
nas um, no máximo 2 cm.
Esta é a camada de solubilização
do fósforo. Acima dela êste elemen-
to está ocluído na massa de detri-
tos vegetais ainda não decompos-
tos. Abaixo dela já está insolubili-
zado pelas argilas ácidas e eletro-
positivas.
Geoquimismo idêntico sofre o
molibdênio, tão essencial quanto o
fósforo, apesar de necessário em
quantidades cêrca de mil vêzes me-
nores.
Enquanto os fosfatos e molibda-
tos são insolubilizados pelo solo
mineral, os catiônios trocáveis são
lixiviados depois da sua substitui-
ção pelo hidrogênio e alumínio de-
vido à extrema acidez do solo. O
único colóide eletronegativo que
lhes possibilita estabilidade, é a
matéria orgânica, mas nos detri-
tos não decompostos êles não são
disponíveis, e no solo mineral não
são estáveis. Os aniônios nitrato e
sulfato não são retidos pelo solo,
sendo lixiviados apesar de serem
aniônios num colóide eletropositi-
vo. Justamente por ser o único co-
lóide eletronegativo do solo é
que a matéria orgânica é mais
preciosa nas terras amazônicas que
em quaisquer outras do Brasil, pois
estas geralmente apresentam cer-
to teor de sílica coloidal ou de ar-
gilas ilíticas.
Assim a riqueza do solo amazôni-
co é proporcional ao teor de hú-
432
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
mus, que é a matéria orgânica ple-
namente decomposta ou o colóide
orgânico do solo.
Êste quadro do geoquimismo
edáfico amazônico resulta cas aná-
lises já existentes, das pesquisas
agronômicas havidas e dos estudos
idênticos realizados em outras
áreas do mundo, de clima equato-
rial super úmido sem estiagem, em
baixas altitudes.
Tal clima significa que o solo é
constantemente percorrido pela
água de cima para baixo. E’ a ero-
são química. As altas tempera-
turas apressam-na sobremaneira,
ao mesmo tempo que ativam ex-
traoráinàriamente os colóides ele-
tropositivos, principalmente os ses-
quiôxidos hidratados de ferro e
alumínio.
A água que percola através do
solo depois de cada chuva, como
êmbolo descendente nos capilares,
atrai novas porções de ar, cujo po-
der de oxidação abaixa fortemen-
te 0 pH apesar do caráter redutor
da camada de detritos orgânicos
que cobre o solo, pois tôda oxida-
ção resulta em acidificação no solo.
Êste arejamento do solo e a aci-
dificação promovida pela lavagem
que descalcifica e permuta todos
cs catiônios úteis por H e Al, re-
sultam em valôres de pH que va-
riam de 4 a 4y2- Não descem a 3^2
que é típico de climas super úmi-
dos frios, só porque os microorga-
nismos aeróbios do clima quente
deixam húmus residual menos
ácido.
Vê-se que o cultivo do solo ama-
zônico deve se basear na conserva-
ção da matéria orgânica a fim de
manter o fósforo no estado assi-
milável, reduzir ferro férrico a fer-
roso e dar estabilidade aos catiô-
nios úteis, nas aplicações de cal-
cário para atenuar a acidez e for-
necer Ca e Mg, e na adubação com
potássio, amõnio, sulfatos, boro,
zinco e cobre. Ao mesmo tempo é
preciso drenar os alagadiços, man-
tendo o nível de água ao menos
uns 30 cm abaixo das pontas das
raízes em crescimento.
Portanto o solo deveria ser utili-
zado sem qualquer queimada. Para
isto seria preciso começar cortan-
do tôda a vegetação herbácea, der-
rubando todos os galhos de árvo-
res e arbustos, e deixando por uns
meses secar tôda a parte da mata
que possa se humificar, mesmo a
longo prazo. Depois seria preciso
derrubar tôdas as árvores retiran-
do as toras e usando para a lenha
os ramos finos e os troncos de ar-
bustos e cipós. Seguir-se-ia desto-
camento podando a raizama mais
fina antes de retirar do terreno os
tocos e a parte mais dura das raí-
zes mais grossas.
Tôda a massa vegetal deixada
sôbre o terreno deve ser polvilhada
com fosfcrita e calcário antes de
ser enterrada com o arado. Quan-
cm 1
SciELO
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Volume 1 (Geociências)
433
to mais difícil a aração, tanto mais
lucrativa a longo prazo, contanto
que a dificuldade provenha do en-
terrio de massas vegetais. Será pre-
ciso gastar assim cêrca de Vz t de
fosforita e 3 t de calcário por hec-
tare. Êstes pós insolúveis, aderen-
tes à massa orgânica, seriam solu-
bilizados lentamente com a fer-
mentação da mesma no solo. Gra-
ças à riqueza em fósforo e cálcio,
haveria seleção dos melhores mi-
croorganismos, os que transfor-
mam em nitrato o nitrogênio at-
mosférico, e 0 ritmo da decompo-
sição seria apressado com notável
aumento da estabilidade dos catiô-
nios úteis e microelementos liber-
tados da massa vegetal.
Sabemos perfeitamente que tal
trabalho só se costuma pôr em prá-
tica em países dos mais densamen-
te povoados do mundo, dos mais
desenvolvidos, mecanizados e ele-
trificados, cujas terras agrícolas
são das mais caras e onde o ho-
mem aprendeu a trabalhar assim
por questão de sobrevivência.
A Amazônia, com Vz hab./km-, é
0 último lugar do mundo onde
conselho desta natureza pudesse
ser posto em prática, mas achamos
necessário não deixar de lembrar
que, mesmo não se podendo traba-
lhar bem, é preciso ao menos saber
qual deveria ser o trabalho ideal.
Assim cometeremos ao menos erros
nores e saberemos que, estando lon-
ge do ideal, não devemos nos iludir
com grandes resultados. Outro en-
sinamento proporcionado por tais
conhecimentos é que se lucra mais
trabalhando bem em áreas peque-
nas do que mal em áreas grandes.
Dever-se-ia, portanto, desbravar
apenas pequenas áreas de mata,
das terras menos pobres e mais
bem feitas pela topografia e cons-
tituição física (não muito argilosas
e nem muito arenosas), inclusive
boa situação geográfica de proxi-
midades de vias de comunicação
e de mercado consumidor.
O solo da mata amazônica só
possui 3 riquezas; matéria orgâni-
ca, umidade e calor. Nas condições
virgens o calor faz a água traba-
lhar ao máximo permitido pela
pobreza química do solo, de mo-
do que anualmente grande mas-
sa de detritos vegetais é de-
composta por hectare pelos mi-
crorganismos libertando relati-
vamente pequena bagagem quí-
mica, a qual, porém, produz tra-
balho prodigioso de crescimento de
nova massa vegetal. É comércio
muito ativo que com pouco capital
faz enorme movimento graças à ra-
pidez deste.
Mas, queimada a mata, êste cir-
cuito biológico é interrompido. O
que o solo esperava de volta é
transformado em fumaça e dis-
perso pelos ares. Morrem de inani-
ção os microorganismos edáficos.
O solo perde o seu único colóide ele-
tronegativo e a pequena bagagem
434
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
química é lavada para o lençol freá-
tico. Sobra colóide eletropositivo
que empedra o fósforo e o molibdê-
nio com sesquióxidos de ferro e alu-
mínio. Não adianta adubações com
superfcsfatos, pois êstes são ràpi-
damente insolubilizados enquanto
os demais adubos são prontamente
lavados. O solo se cobre com ervas
e gramíneas inúteis, absolutamente
impróprias para pastagem, pois só
crescem em obediência ao princí-
pio: “haja chuva e sol que sempre
aparecerá um vegetal capaz de tole-
rar as condições mais adversas”. As
plantas mais lucrativas para o ho-
mem são as que exigem solos ricos.
Assim, nas condições amazôni-
cas, queimar a mata não significa
apenas desistir de alta produtivi-
dade e da conservação do solo, mas
arruiná-lo totalmente. As condições
amazônicas são extremamente di-
fíceis: ou se faz enorme investi-
mento de capital e de trabalho para
conseguir em pequenas áreas re-
sultados dos melhores do mundo,
pois em terras ricas teríamos o ca-
lor equatorial e o clima super-úmi-
do promovendo movimento bioló-
gico, ou se arruina o solo em pou-
cos anos com recuperação posterior
extremamente problemática, pois
exigiria no futuro muito mais tra-
balho e capital do que o desbrava-
mento racional das matas de hoje.
Não adianta escolher meio têr-
mo, pois os resultados seriam muito
mais próximos do mau trabalho do
que do bom: no mundo inteiro o
amanho da terra só é lucrativo a
longo prazo quando ela vai melho-
rando com o uso.
Enterrando o máximo de massa
vegetal prèviamente polvilhada
com fosforita e calcário (é claro
que o plantio não pode ser feito
imediatamente devido à prolifera-
ção explosiva dos microorganis-
mos), fazemos trabalhar a chuva
e o calor a nosso favor, podendo
produzir duas e mesmo 3 colheitas
por ano no mesmo hectare, e com
o solo enriquecendo-se cada vez
mais com o uso.
Arrasando a mata a fcgo e quei-
mando sempre a cobertura vegetal
para “facilitar a aração”, fazemos
a chuva e o calor trabalhar contra
nós, pois insolubilizam o fósforo
com maior rapidez e lixiviam o solo
transformando-o em resíduo de la-
vagem, inerte e estéril, com o mo-
vimento biológico reduzido quase a
zero.
Como o ambiente atual é decidi-
damente contrário à primeira des-
tas duas alternativas, desejamos
chamar a atenção para o perigo de
se cair na segunda, a qual conduz
inexoràvelmente ao deserto em cli-
ma úmido, isto é, ao campo-cerra-
do, em que só a saúva sobrevive.
Não haja no futuro quem diga
que por pura ignorância transfor-
mamos em desoladores campos es-
téreis 0 maravilhoso oceano verde
da bela Amazônia.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 435-441 1967
CONTRIBUIÇÃO A PALEONTOLOGIA DO ESTADO
DO PARA. A PRESENÇA DE ALGAS CORALÍNEAS
NOS CALCÁRIOS DA FORMAÇÃO PIRABAS
FRIEDRICH WILHELM SOMMER
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com duas estampas)
O professor Cândido Simões Fer-
reira, do Museu Nacional do Rio de
Janeiro, coletou sedimentos em um
poço aberto no local Fazenda, da
Ilha de Fortaleza, Baia de Pirabas,
distrito de São João de Pirabas, do
município de Primavera. Trata-se
de um calcário cinzento escuro, re-
tirado de 4 metros de profundidade,
sem vestígios fósseis visíveis a ôlho
desarmado. Entretanto, o exame de
lâminas delgadas, feitas de duas
amostras, revelou rica microfauna
com representantes de corais, fo-
raminíferos, briozoários, fragmen-
tos de gastrópodes, equinodermas
etc. O que chamou a atenção so-
bremodo é a persistente presença
de pequenos fragmentos, verda-
deira farinha, de algas coralíneas,
assinalando o que se pode chamar
de presença compacta, no ambi-
ente palecológico, dêsses constru-
tores de recifes.
O autor, não estando familiari-
zado com 0 grupo, apresenta a
ressalva de ter em mente, em pri-
meiro lugar, a divulgação do acha-
do. Pôsto isto, passa a comentar as
fotomicrografias.
A lâmina delgada não nos ofe-
rece um caráter importante na
classificação das algas coralíneas,
a saber, seu hábito ou forma de
crescimento. Como já se observou
acima, as amostras estudadas apre-
sentam aspecto de sedimento com-
pacto, sem diferenciação que possa
ser interpretada como morfologia
de crescimento. Observada a lâmi-
na sob aumento adequado, surgem
os fragmentos de algas, em grande
número, na verdade, mas despro-
vidos daquela morfologia que se
usa, no grupo em foco, para seu ar-
436
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ranjo sistemático. Resta-nos tentar
a orientação taxonômica com base
nos fragmentos dos tecidos que as
lâminas revelam.
Lithophyllum sp.
(Estampa I, figs. 1, 2 e 3)
As figuras 1 e 3 são do mesmo
espécime; a figura 2 é de outro
fragmento; ambos os espécimes são
da lâmina 17 c, Micropaleontolo-
gia, D.G.M., D.N.P.M., Rio de Ja-
neiro.
Corallium sp.
(Estampa II, fig. 2)
Interpretamos a figura como
corte transversal por fragmento de
alga, de talo roliço, razão da su-
gestão aqui apresentada do gê-
nero.
Lithothamnium sp.
(Estampa II, fig. 1)
Interpretamos a figura como
corte vertical de um ramo com
suas zonas de crescimento irregu-
lar e conceptáculos no tecido pe-
ritálico.
O fragmento da fig. 3 também
interpretamos como pertencente
ao gênero Lithothamnium pela
forma e tamanho das células e ar-
ranjo das mesmas.
Sugerem os gêneros propostos
aqui para o páleo-ambiente, uma
zona de água relativamente raza,
movimentada, límpida, de salini-
dade normal para água marinha.
Consideramos, portanto, a possi-
bilidade de ter passado no local
acima referido um cinto de recife
de “coral” e, com isso, as respecti-
vas ilações possíveis quanto ao
avanço e recuo da faixa de arre-
bentação e estabilidade ou não da
linha de costa, no que tange o mo-
mento geocronológico que marca a
formação Pirabas.
Agradecimentos — O autor agradece
ao prof. Cândido Sinlões Ferreira a
oportunidade de estudar o material e,
com isso, p>oder contribuir na interpre-
tação daquele fascinante paleo-am-
biente que é a formação Pirabas. O co-
lega Mário Carnaval, da D.GJkl
D.N.P.M., do Rio, como sempre, valo-
rizou o estudo com a excelente do-
cumentação fotomicrográfica.
RESUMO
O prof. Cândido Simões Ferreira,
do Museu Nacional, coletou em um
poço aberto no local Fazenda da
Ilha de Fortaleza, Baía de Pirabas,
Distrito de São João de Pirabas,
atualmente pertencente ao muni-
cípio de Primavera, amostras de
um calcário cinza escuro, a 4 m de
profundidade. Êste calcário, é des-
provido de macrofósseis ou seus
fragmentos, visíveis a olho desar-
mado. Feitas algumas lâminas
delgadas e estudadas por meio de
luz transmitida, revelou a rocha
excelente microfauna com repre-
sentantes de foraminíferos, brio-
zoários, corais, gastrópodes de pe-
queno porte, etc. e ainda, uma
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Volume 1 (Geociências)
437
substancial quantidade de algas
coralineas, sob reserva, filiadas aos
gêneros; Lithothamnium, Litho-
phyllum e Corallina.
A presença destas algas nos cal-
cários da Formação Pirabas, con-
tribue com dados bastante efe-
tivos para um melhor conheci-
mento da paleocologia da referida
Formação.
SUMMARY
The author, having the opportu-
nity to examine thin sections of a
sample of Pirabas limestone in
which Professor Cândido Simões
Ferreira had discovered vestiges of
coralline algae, suggests the exis-
tence of three genera, viz., Litho-
phyllum, Corallina and. Litho-
thamnium. These and the other
microfragmens found suggest the
existence of an ancient coral reef
at the locality cited and the cor-
respondent implications as to
changes of shore lines and uplift
or sinking — or stability of the
corresponding stretch of coast.
BIBLIOGRAFIA
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Lithothamnium and its fóssil re-
presentatives. Quart. Colorado
School Miner., 57 (1).
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M., Handbuch der Palãobotanik,
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 435-441 — 1967
EST. I
\ \ 1
0 500}j^
SciELO
10 11 12 13
ESTAMPA II
1 — Lithothamnium sp.
2 — Corallium sp.
3 — Lithothamnium sp.
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 435-441 — 196"
EST. II
h-
0
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociéncias): 443-459 — 1967
SÒBRE ALGUNS FÓSSEIS-ÍNDICE PALEOZOICOS
DA BACIA AMAZÔNICA
FRIEDRICH WILHELM SOAEVIER e NORMA MARIA DA COSTA VAN BOEKEL
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 5 estampas)
Os autores do presente trabalho,
há algum tempo, já, ocupam-se
com o estudo de microfósseis em
sedimentos paleozoicos, notada-
mente devonianos. O manejo do
material e o simultâneo manuseio
da bibliografia geológica corres-
pondente chamou-lhes a atenção ao
fato de não existirem figuras nem
tratamento sistemático atualizado
dos seguintes fósseis paleozóicos da
Bacia Amazônica: Protosalvinia,
Spirophyton, Arthrophycus, Clima-
cograptus, Sporangites e Archaeo-
calamites. Acresce ainda o fato de
a bibliografia paleontológica mo-
derna alienígena desconhecer, ao
que parece, a pesquisa científica
quase secular dos estratos paleozói-
cos da Amazônia. Justifica-se, as-
sim, o comentário que segue e a
correspondente complementação
pictórica.
1 PROTOSALVINIA
Trata-se de um excelente fóssil-
-índice do Mesodevoniano, grupo
Curuá, que aparece citado 9 vêzes
em Oliveira & Leonardos (1943),
sem merecer figuração gráfica. Ve-
jamos sua situação sistemática
atualizada, de acordo com os co-
nhecimentos dos autores dêste tra-
balho:
classe Algomycetes Krãusel, 1941
Talófitos providos de pseudote-
cido (Scheingewebe) semelhante
aos micélios dos fungos; possuem,
simultaneamente, caracteres de
fungos e algas, mas não se ajus-
tam, nitidamente, em nenhum dos
dois grupos.
ordem 1 — Protosalviniales Som-
mer, 1962
(Foerstiales Krãusel, 1941)
444
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Com os caracteres da classe: té-
trades de esporos presentes.
família — Protosalviniaceae
Sommer, 1962
(Foerstiaceae Krãusel, 1941)
Tétrades de esporos presentes,
dentro do talo.
gênero — Protosalvinia Dawson,
1884, emend. Sommer & van
Boekel
espécie-tipo — Protosalvinia bra-
ziliensis Dawson, 1884
Corpos talóides providos de tétra-
des de esporos que podem ser visí-
veis ou não; revestimento ceroso
presente ou não; variável em ta-
manho e forma, pode a superfície
imitar ornamento celular poligo-
nal.
A — corpos talóides que mostram
as cavidades dos esporos reunidas
na parte superior, situadas em de-
pressões de subsuperfície, com as
tétrades visíveis sem qualquer tra-
tamento de laboratório; as paredes
não se acham revestidas de subs-
tância cerosa; as cavidades dos es-
poros podem encontrar-se escondi-
das sob um “tampo” (est. 1, fig. 5,
6) que se destaca fàcilmente sem
qualquer aplicação de recursos es-
peciais.
a — desprovidos de lobos, nem di-
vididos; corpo talóide “sés-
sil”, de forma esférica, oval
ou reniforme.
Protosalvinia
Dawson, 1884
braziliensis
(Est. 1, figs. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8,
10 e 11; est. 2, fig. 3; est. 4,
fig. 2).
b — providos de 2 ou mais lobos;
corpo talóide mais ou menos
oval a reniforme, “séssil” a
pedunculado.
Protosalvinia bilobata Daw-
son, 1884 emend. Sommer,
1962
(Est. 1, figs. 7, 9, 12, 13, 14,
15 e 16; est. 2, figs. 1 e 2).
Observação: Desde Derby (vi-
de Dawson, 1886: 105-108), desco-
bridor dos fósseis, e confirmado na
Memoir 65 (1956: 26), os estratos
que abrigam as espécies brasileiras
de Protosalvinia são do grupo
Curuá, Devoniano médio da Bacia
Amazônica. A distribuição verti-
cal, de acordo com o material es-
tudado pelos autores, sugere para
P. braziliensis as camadas inferio-
res do Curuá e para P. bilobata, as
médias e superiores. Como ocorrên-
cia de P. braziliensis, do nosso co-
nhecimento, citamos o material
coletado, mui provàvelmente, pelo
próprio Derby (Comissão Geoló-
gica do Império) no rio Trombetas,
lago da Tapagem, Estado do Pará
— amostras: Museu Nacional 219
P, 230 P e 247 P. Protosalvinia bi-
lobata encontramos em amostras
do rio Curuá de Alenquer, Igarapé-
cm 1
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Volume 1 (Geociências)
445
-açu São Florêncio e furo 56 de
Bom Jardim — Itaituba, do teste-
munho de 71 m de profundidade
(sendo o nível local 45 m acima do
nível de mar). P. braziliensis foi
achado, também, no rio Ariramba,
afluente do rio Erepecuru, por
J. C. Troelsen, 1958, no tôpo do
folhelho Curuá. Interessante, tam-
bém, é a observação que no Brasil,
0 gênero jamais foi encontrado, até
a presente data, fora da Bacia
Amazônica; entretanto, o Devo-
niano da América do Norte assi-
nala 3 espécies, para as quais apre-
sentamos a continuação da chave:
B — corpos talóides que não osten-
tam tétrades e cavidades de espo-
ros, sem auxílio de tratamento de
laboratório; revestimento ceroso
presente.
3. — corpos talóides providos de
lobos apicais que circundam
conjuntos de cavidades de es-
poros (visíveis depois de tra-
tamento de laboratório).
Protosalvinia ravenna (Whi-
te & Stadnichenko, 1923) Ar-
nold, 1954.
b — corpos talóides peduncula-
dos, bilobados, cavidades dos
esporos, em geral numa só
fila sob sulco apical (visível
depois de tratamento de labo-
ratório) .
Protosalvinia furcata (Daw-
son, 1888) Arnold, 1954.
c — corpos talóides pedunculados,
de cabeça entumescida, cavi-
dade de esporos, em geral,
uma só, com uma única té-
trade situada na base de uma
depressão apical afunilada no
ápice da cabeça. Protosalvinia
arnoldii Bharadwaj & Ven-
kachala, 1960.
grupo — Vestígiofósseis Hantzs-
CHEL, 1962.
2 — SPIROPHYTON
Oliveira & Leonardos (1943) as-
sinalam 16 vêzes o gênero acima,
ao tratarem dos estratos devonia-
nos da Bacia Amazônica. No mais
das vêzes, é comentado junto com
Protosalvinia. E’ outro fóssil de des-
coberta quase secular, a respeito do
qual os dois autores acima citados
(1943: 292) discorrem do seguinte
modo: “Descreveu (Hartt) igual-
mente os folhelhos pretos de Bar-
reirinha, a jusante de Goiana,
como carboníferos. Abaixo de Bar-
reirinha, colheu fósseis Spirophy-
ton e esta ocorrência levou Derby
a colocar a formação Barreirinha
no devoniano”. Na obra de Olivei-
ra & Leonardos, o gênero aparece
acompanhado de duas denomina-
ções específicas — typum e cauda-
galli. Mais tarde, Katzer, que co-
nhecia formas semelhantes do
Flysch austríaco, negou-lhes valor
como fósseis-índice; simultânea-
mente, situou os folhelhos que os
abrigam no Carbonífero. Seja como
fôr, fóssil vegetal, animal ou pseu-
446
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dofóssil, são seus vestígios, nos fo-
lhelhos devonianos bons índices e
na Bacia Amazônica, quanto é do
nosso conhecimento, jamais foram
observados em outra situação geo-
cronológica. Seu status sistemáti-
co atualizado é o sgeuinte:
Zoophycus Massalongo, 1855.
1844 — Fucoides brianteus Villa,
1811 — Wmbellularia longimana
Fischer de Waldheim,
1858 — Chondrites s c op ar iu s
Thiollière,
1858 — Taonurus Fischer-Ooster
1863 — Spirophyton Hall,
1867 — ? S ag minaria Trau-
TSCHOLD
1869 — Alectorurus Schimper
— Physophycus ”
— Zoophycus ”
1873 — Cancellophycus Saporta
1881 — Glossophycus Saporta &
Marion
1890 — ? Flabéllophycus Squina-
BOL
1904 — ? Myelophycus Ulrich
1925 — Physiophycus Fritel
1953 — Zoophycus Wassoje-
WITSCH
1955 — Zoophycus Lessertisseur
Hãntzschel (1962: 220) apresen-
ta a seguinte definição genérica
para o fóssil em foco: “Lâminas de
morfologia variável, providas de
um centro (tubo) e raio amplo e
variável de curvatura, sem separa-
ção nítida das margens e vértice
(com isso, diferençando-se de Rhi-
zocorallium) ; a lâmina consiste de
delgada camada de contôrno va-
riável, em parte com morfologia
helicoidal. As formas são interpre-
tadas como vestígios da atividade
de vermes: tratar-se-ia de sulcos
de ingestão progressiva de sedi-
mento recém-depositado em busca
de alimento. Assinalados do Devo-
niano ao Terciário; ocorrendo na
Europa, América do Norte e África
(o tratado não menciona o Brasil,
apesar da citação quase secular,
sob o nome de Spirophyton na li-
teratura norte-americana dos tra-
balhos de Dawson). o material
brasileiro classificamos sob a se-
guinte denominação genérica e es-
pecífica :
Zoophycus {Spirophyton) cauda-
galli Hall, 1863
(Est. 2, figs. 4 e 5)
Do nosso conhecimento são as
seguintes ocorrências: (1) Rio
Curuá, col. Odorico de Albuquer-
que, 1919; (2) rio Ariramba, afl. do
Erepecuru (formação Curuá infe-
rior), col. J. C. Troelsen, 1958 —
junto com Protosalvinia brazilien-
sis; (3) Lago da Tapagem, rio
Trombetas, Comissão Geológica do
Império — junto com P. brazilien-
sis. Tôdas as ocorrências são do Es-
tado do Pará.
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Volume 1 (Geociências)
447
3 — ARTHROPHYCUS
Outro fóssil da Bacia Amazônica,
assinalado duas vêzes por Oliveira
& Leonardos (1943), é Arthro-
phycus — indicador do Siluriano,
cuja sistemática surpreende pela
notável estabilidade, quase secular,
contrastando com o antes comen-
tado, embora também se trate de
um “problematicum”. Sua situação
sistemática é a seguinte:
Arthrophycus Hall, 1852
Fucoides alleghaniensis Harlan,
1831
Fucoides harlani Conrad, 1838
? Raufella palmipes Ulrich, 1889
Harlania Goeppert, 1852
Arthrophicus Pacheco, 1908
Arthrichnites (autor e data des-
conhecidos) .
“Talomas” curvos, isolados, ou,
em geral, em grupos. A superfície
mostra, em distâncias regulares,
cristas transversais comumente
providas de depressão mediana. Os
talomas podem chegar a 60 cm ou
mais de comprimento. Sua inter-
pretação vai de arranjos inorgâni-
cos, a algas, canais ou rastros pro-
duzidos por artrópodes ou vermes.
Do Siluriano, ? Devoniano da Amé-
rica do Norte, América do Sul, Nor-
te da África e ? Europa.
Arthrophycus harlani (Ulrich)
Hall (Est. 3, figs. 3 e 4)
A Seção de Paleontologia da
D.G.M., D.N.P.M., possui duas
amostras, aqui reproduzidas, cole-
tadas pelo Dr. Salustiano de Oli-
veira, no rio Tapajós (outros da-
dos desconhecidos).
4 — CLIMACOGRAPTUS
Fornecem os graptólitos fósseis-
índice por excelência. Definem
para os estratos que os abrigam
ambiente marinho. Sua fidelidade
morfológica e distribuição cosmo-
polita permitem correlação a lon-
ga distância. As zonas dos clássi-
cos folhelhos negros de graptólitos,
bem estudados há muito tempo,
ocupam 0 pacote geocronológico
que vai do tôpo do Cambriano ao
tôpo do Siluriano.
Assinalam Oliveira e Leonardos
(1943) a ocorrência de graptólitos
uni e bisseriados, dos quais um foi
definido genèricamente — Clima-
cograptus, mencionado duas vêzes
na obra citada, sem acrescentar do-
cumentação gráfica. Nossa contri-
buição, neste sentido, é reproduzir
o desenho do trabalho original, de
Maury (1929), executado por Rue-
DEMANN, o mesmo que definiu e de-
senhou 0 material.
Assinalamos graptólitos do gêne-
ro Climacograptus de amostras da
Bacia Amazônica, da Cachoeira
Vira-Mundo, rio Trombetas e fu-
ro 56 de Bom Jardim, Itaituba, rio
Tapajós, ambas as localidades do
Estado do Pará. É digno de nota
que a bacia sedimentar do Mara-
nhão, na coluna elaborada pela Pe-
448
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
trobrás, assinala camadas siluria-
nas; nas listas dos fósseis, salvo en-
gano dos autores do presente estu-
do, não há menção de graptólitos.
A situação sistemática, do fóssil
em estudo, ao que parece, continua
inalterada, a saber:
Classe GRAPTOLITHINA
Família Diplcgraptidae Lap-
worth, 1873
Subfamüia Clima cograptinae
Frech, 1897
Climaccgraptus innotatus var. bra-
siliensis Ruedemann, 1929
(Est. 3, figs. 1 e 2; est. 4, fig. 1)
5 — ARCHAEOCALAMITES
Quanto a êste fóssil, o comen-
tário pode ser resumido no seguin-
te: Archaeocalamites (non Archeo-
calamites) merece em Dolianiti
(1948: 15) a observação que segue:
“O Dr. Euzébio de Oliveira (49)
diz ter reconhecido entre testemu-
nhos de uma sondagem no rio Ta-
pajós, Pará, restos de Archeocala-
mites, em camadas do Devoniano
Médio”. Dêste fóssil não podemos
oferecer reprodução gráfica por se
achar desaparecido.
6 SPORANGITES
Trata-se de nome genérico pro-
posto por Dawson em 1863, para
“esporângios”. Significa da “Geo-
logia do Brasil de 1943” ora repre-
sentantes de Protosalvinia ora de
Tasmanites (gênero que não se cita
na dita obra) .
Com isso acabamos de apresen-
tar a breve resenha sôbre fósseis-
índice paleozóicos que, até a pre-
sente data, não tiveram figuração
gráfica mais recente, específica
do material brasileiro. Outrossim,
comprovamos pesquisa geológica
quase secular, de alto gabarito, por
vêzes ignorada pelas gerações no-
vas.
Agradecimentos — Com satisfação,
assinalam os autores o apoio recebido
do Conselho Nacional de Pesquisas, em
forma de bôlsa, que possibilita intensi-
ficação dos trabalhos, portanto maior
rendimento na produção científica; a
convincente docmnentação fotográfica
devem ao colega Mário Carnaval; a
oportimidade de tomar parte no Sim-
pósio sôbre a Biota Amazônica, aos seus
superiores, notadamente ao Diretor da
D.G.M., Dr. José Raymundo de An-
drade Ramos.
SUMÁRIO
Na clássica “Geologia do Brasil”
de Oliveira & Leonardos (1943),
há numerosas citações dos seguin-
tes fósseis: Protosalvinia, Spirc-
phyton, Arthrophycus, Climaco-
graptus, Archeocalamites e Spo-
rangites, sem serem acompanhadas
das respectivas documentações
gráficas. Alguns dos fósseis enume-
rados acima são excelentes fósseis-
índice, apesar de serem considera-
dos “problemática”. Acresce ainda
0 fato de a pesquisa de dois grupos
de fósseis vegetais — Protosalvinia
e Tasmanites ter-se iniciada, prà-
ticamente, há quase 100 anos, com
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SciELO
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Volume 1 (Geociências)
449
material da Bacia Amazônica, jus-
tificando, assim, sua reapresenta-
ção atualizada e completada cora
figuras, neste Simpósio.
SUMMARY
Oliveira & Leonardos (1943) in
their standard work on Brazilian
geology, quote the following fos-
sils without reproducing them;
Protosalvinia, Spirophyton, Arthro-
phycus, ClimacograptiLS, Archeo-
calamites and Sporangites. Some
of them are excellent index-fossils
and need to be brought up to date
with their taxonomic status. This
one of the reasons of this paper.
The other is to show now long al-
ready geological research is going
on in the Amazonas basin, a fact
which seems to be ignored by some
of the modern geologists. A third
argument we pursue here is that
research on the two lines of plant
fossils viz., Protosalvinia and Tos-
manites began practically a hun-
dred years ago to be studied, when
Hartt in 1871 sent, for the first
time, samples of “Erian shales” to
Dawson to be investigated and af-
ter Hartt’s tragic death, in Brazil,
Derby sent a second collection to
Dawson.
BIBLIOGRAFIA
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Some mother plants of petroleum
in the Devonian black shales, Econ.
Geol., 18.
ESTAMPA 1
Fig. 1 — Protosalvinia braziliensis,
cópia da figura de texto 1, in: Krau-
SEL 1941 — espécime desenhado de
uma amostra do rio Trombetas, de
acordo com a etiqueta do próprio
punho de Dawson.
Figs. 2, 3 e 4 — Protosalvinia brazi-
liensis, desenho a câmara lúcida de es-
pécimes situados, respectivamente, nas
amostras 247 P, 230 P e 219 P, da Co-
leção paleobotânica do Museu Nacio-
nal do Rio de Janeiro; as amostras
foram coletadas pela Comissão Geoló-
gica do Império (mui provavelmente
pelo próprio Derby) no lago da Ta-
pagem, Pará.
Figs. 5 e 6 — “Tampos” dispersos
no sedimento, catados após a dissolu-
ção do mesmo com HF.
Figs. 8, 10 e 11 — Protosalvinia bra-
ziliensis, cópias de Dawson, 1886.
Fig. 9 — Protosalvinia bilobata, cópia
de Dawson, 1886.
Figs. 7, 12 — 16 — Protosalvinia bi-
lobata, de Curuá de Alenquer (mate-
rial topotípico àquele mencionado por
Dawson como de “Curua river”). As
figuras são desenhadas em várias es-
calas; sirva de têrmo de comparação
o diâmetro dos esporos que vai de 200
a 250 n, aproximadamente; represen-
tando uma tétrade mais ou menos 500 u
de diâmetro.
cm 1
SciELO
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EST. 1
Atas do Simpósio sôbre a Bíota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 443-439 — 1967
cm
ESTAMPA 2
Fig. 1 — Protosalvinía bilobata, com-
pressão lateral, no substrato, realça os
dois lobos.
Fig. 2 — Protosalvinía bilobata, os
dois lobos, em realce, protegem a de-
pressão onde se encontram os dois cír-
culos, cada um dos quais abrigava uma
tétrade de esporos.
Fig. 3 — Protosalvinía braziliensis,
hábito freqüente da espécie; corpo
talóide circular, de forma abaulada,
com cinco pequenos círculos vazados,
cada qual abrigando, originalmente,
uma tétrade de esporos — in situ.
Fig. 4 — Zoophycus (Spirophyton)
caudagalli, próximo ao algarismo 4,
encontra-se o que é interpretado como
“centro”, por volta do qual se arru-
mam as lâminas, em hélice, como que
imbricadas.
Fig. 5 — Zoophycus (Spirophyton)
caudagalli, o “centro” provido de lâ-
minas por volta. Os pontos escuros so-
bre campo mais claro, na margem da
peça, são corpos talóides de Protosal-
vinia braziliensis.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 443-459 — 1967
EST. 2
cm
ESTAMPA 3
Figs. 1 e 2 — Sículas de Climaco-
graptus.
Flgs. 3 e 4 — Arthrophycus harlani.
SciELO
ESTAMPA 4
Fig. 1 — Climacograptus innotatus,
var. brasiliensis.
Fig. 2 — Protosalvinia braziliensis.
SciELO
10 11 12 13 14 15
estampa 5
Climacograptus innotatus var. bra-
siliensis — cópia do desenho da es-
tampa da monografia VII (Maury,
1929) (1 = rabdossoma de 18 mm de
comprimento; 2 = rabdossoma com a
testa conservada, 11 mm; 3 = sícula,
2 mm) .
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
V^ol. 1 (Geocièncías): 443-459 — 1967
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências): 461-467 — 1967
A PROPÓSITO DA “OCORRÊNCIA DE FÓSSEIS
CARBONÁTICOS” NO RIO MATAPI, AMAPÁ
FAUSTO LUIZ DE SOUZA e AMARO BARCIA E ANDRADE
Museu Nacional, Rio de Janeiro, Guanabara
(Com uma figura no texto e uma estampa)
Tendo-se em vista a realização
do Simpósio sôbre a Biota Amazô-
nica, consideramos oportuno apre-
sentar aigumas notas a respeito
dos “Fósseis Carbonáticos do rio
Matapi”, cujo material, recente-
mente, chegou-nos às mãos para
ser examinado e incluido no acer-
vo cientifico do Museu Nacional.
Através do Geólogo Wilson Scar-
pelli, a Indústria e Comércio de Mi-
nérios S. A. — ICOMI — encami-
nhou à Divisão de Geologia do Mu-
seu Nacional, um volume conten-
do peças calcárias e minucioso re-
latório do citado geólogo, datado
de abril de 1965. Dêsse relatório,
reproduzimos um dos perfis esque-
máticos da área de ocorrência
(Lat. 0°20’ N) dos pseudofósseis e,
também, transcrições referentes às
condições geológicas e fisiográficas
da região.
Destarte, observa Scarpelli no
seu relatório: “Desde sua desem-
bocadura no Amazonas até os lo-
cais das ocorrências dos fósseis car-
bonáticos, o rio Matapi corta sedi-
mentos Cenozóicos (Terciários e/ou
Quaternários) compostos de cama-
das de argilas, arenitos e argilas
arenosas com poucas lentes de con-
glomerados. Nenhum calcário foi
encontrado. A atitude dêsses sedi-
mentos é, pràticamnete, horizontal.
O Matapi corre aproximadamente
no limite entre as zonas de sava-
na, a leste e a da floresta amazô-
nica, a oeste. O vale do rio é
baixo e plano, alagando-se nas
estações chuvosas. Êsse plano ter-
mina abruptamente no contato
com as “terras firmes”, formando
ombros topográficos com aproxi-
madamente 20 metros de altura. O
declive do rio é pequeno, chegando
a haver o fenômeno de marés até
na área onde foram feitas as pes-
quisas. De 6 em 6 horas o rio inver-
te o sentido do seu fluxo de água.
462
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ora correndo para as cabeceiras,
ora para a desembocadura.
Na área dos fósseis, 45 km em li-
nha reta da desembocadura do rio,
a diferença entre a “maré baixa” e
a “maré alta” era aproximadamen-
te 1,5 metros na época da expedi-
ção.” Observa, ainda, Scarpelli
que 0 material carbonático ocorre
entre 15 e 25 cm de profundidade,
próximo da margem do rio em área
alagadiça, concentrado em pontos
esparsos. Os sedimentos são argilo-
sos de côr amarelo-clara, com pe-
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Volume 1 (Geociências)
463
quena porcentagem de silte e que
os sedimentos das “terras firmes”
são argilo-arenosos avermelhados e
sem o material carbonático. Final-
mente, o Relator considera de in-
terêsse a determinação da idade do
material admitido como fóssil e dos
sedimentos encaixantes, sugerindo,
inclusive, o contato com institui-
ções científicas interessadas no seu
estudo.
DESCRIÇÃO DO MATERIAL
Exame megascópico — O mate-
rial em estudo é tufo calcário.
Constitui-se de 10 peças de forma e
tamanho variados que se asseme-
lham a fragmentos de pélvis e al-
véolos maxilares (Est. I, figs. 1 e
2), epífises de ossos longos, etc., de
animais gigantescos. Externamen-
te, 0 tufo reveste-se de fina cama-
da, mais ou menos homogênea, de
aspecto fluidal, de coloração bran-
co-cinzento com manchas negras
esparsas e, às vêzes, dendríticas,
como frequentemente ocorre nos
ossos fósseis de mamíferos pleisto-
cênicos. Internamente, a estrutura
é a comum dos tufos calcários.
Observam-se abundantes insinua-
ções de raízes de vegetal recente
nos alvéolos e fraturas de tôda a
massa, inclusive, acúmulo de sedi-
mentos humosos. Estruturalmente,
o tufo calcário (pseudofóssil) não
possui orientação alguma, como se
pode observar nas lacunas que são
irregulares na forma, dimensão e
disposição, qualquer que seja a se-
ção observada (Est. I, fig. 3), ao
contrário do osso fóssil que conser-
va as suas características estrutu-
rais (Est. I, fig.4) .
Exame microscópico — Foram
feitas oito lâminas delgadas repre-
sentando seções diversas do mate-
rial calcário (M.N. n.° 5.523, lâ-
minas 1 a 4) e de ossos fóssil e
atual (M.N. n.° 5.524, lâminas 5
a 8) para estudo comparativo.
As lâminas dos tufos calcá-
rios apresentam massa constituída,
principalmente, por argila e calci-
ta envolvendo pouco quartzo. Em-
bora microgranulares, êstes mine-
rais são fàcilmente identificáveis
pelas suas características óticas
contrastantes. As lacunas são de
forma e tamanho variados, muitas
vêzes revestidas de calcita, à seme-
lhança de um geodo, no qual se
percebe, nitidamente, o contato en-
tre a calcita precipitada e a massa
calcária da concreção. As lâminas
ósseas, aqui estudadas, represen-
tam seções transversais e longitu-
dinais de tecido ósseo esponjoso,
retiradas, respectivamente, de um
fragmento de osso longo de mamí-
fero pleistocênico (Est. I, figs. 4 e
5) e de um corpo de vértebra de
mamífero atual. Notamos que am-
464
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
bos os ossos guardam as mesmas
características estruturais e, tam-
bém, oticamente, são anisotrópicos.
O material fóssil distingue-se do
atual por apresentar as cavidades
intersticiais das trabéculas ósseas
preenchidas com material, também
anisotrópico, porém estranho à es-
trutura óssea, e, além do mais,
apresenta-se mais escuro em decor-
rência da impregnação de óxido de
ferro e matéria orgânica no pro-
cesso de fossilização.
Exame químico — Os testes quí-
micos feitos no tufo calcário deram
os seguintes resultados: cheiro típi-
co de argila quando umedecido,
desprendimento de fumos brancos,
resíduo alcatroado, odor empireu-
mático, formação de água e enegre-
cimento quando aquecido em tubo
de ensaio; resíduo argiloso e orgâ-
nico em solução clorídrica diluída,
na qual foi precipitado oxalato de
cálcio; precipitado quantitativa-
mente insignificante em relação
aos obtidos, em idênticas condi-
ções, nas soluções nítricas dos ossos
atual e fóssil; as quantidades de
óxidos de ferro e manganês são in-
significantes .
CONCLUSÃO
Sem dúvida, pelo aspecto exter-
no, o material estudado confunde-
-se com restos fósseis de mamífe-
ros pleistocênicos, de ocorrência
muito comum no Brasil. No entan-
to, trata-se de tufo calcário simu-
lando estrutura óssea — pseudo-
fóssil. Essas concreções são atuais
e resultantes de precipitação quí-
mica superficial, provàvelmente,
por efeito de capilaridade e poste-
rior subtração de solvente, depen-
dentes de condições locais. Do ex-
posto, não se exclui a possibilidade
de a região ser fossilífera.
Agradecimentos — Somos gratos
à Indústria e Comércio de Minérios So-
ciedade Anónima — ICOMI e, especial-
mente, ao Geólogo Wilson Scarpelli pelo
cuidado e atenção no encaminhamento
do material, objeto dêste trabalho, à
Divisão de Geologia do Museu Nacio-
nal; ao Doutor José Cândido de Melo
Carvalho pela nimia gentileza da in-
clusão, em tempo, das presentes notas;
aos Srs. Moacyr Garcia Leão e Raul
Back Garcia Penha, respectivamente,
pelas fotografias e desenho que servem
de ilustração.
SUMARIO
Os autores apresentam algumas
notas sôbre concreção calcária con-
siderada como uma ocorrência de
osscs fósseis no rio Matapi, Amapá,
Brasil. Os ensáios químicos quali-
tativos, as observações megascópi-
cas e microscópicas sôbre o mate-
rial mostraram tratar-se de tufo
calcário.
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Volume 1 ( Geociências )
465
SUMMARY
The Authors present some notes
about a limestone concretion from
Rio Matapi, Amapá, Brazil, which
was, at first sight, believed to be a
fóssil bone occurrence. Qualitativo
Chemical tests, megascopic and mi-
croscopic observations on the ma-
terial proved it to be a tufa.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ScARPELLi, W., 1963, Ocorrência de Fós-
seis Carbonáticos no Curso Médio
do Rio Matapi. Relatório interno
da Icomi, com um mapa.
ESTAMPA I
Fig. 1 — Tufo calcário procedente do
Rio Matapi, Amapá (M.N. N.° 5.523) .
Pseudofossíl assemelhando-se a frag-
mento de pélvis.
Fig. 2 ■ — Idem, idem, assemelhando-
-se a fragmento de alvéolos dentários.
Fig. 3 — Idem, idem, aspecto inter-
no, ampliado.
Fig. 4 — Estrutura interna de frag-
mento ósseo de mamífero pleistocêni-
co, procedente de S. Vitória do Pal-
mar, RS (M.N. N.o 5.524).
Fig. 5 — Desenho evidenciando te-
cido compacto e esponjoso visto na
fig. 4.
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Atas do Simposio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 CGeociênclas): 461-467 — 1967
EST. I
cm i
SciELO
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociéncias): 469-484 — 1967
MEGÁSPOROS CARBONÍFEROS DA BACIA
TOCANTINS-ARAGUAIA
NICÉA MAGGESSI TRINDADE
Departamento Nacional da Produção Mineral,
Rio de Janeiro, Guanabara
(Com 10 figuras no texto)
Nosso trabalho consiste na deter-
minação específica de megásporos
oriundos de amostras de “folhelhos
betuminosos”, procedentes de Cin-
zeiro, localidade situada à margem
do rio Araguaia, coletadas pelos
geólogos O. Barbosa & F. A. Go-
mes, em 1957, no Pará, e do rio
Manoel Alves Grande, afluente do
rio Tocantins, próximo à barra do
rio Sereno, pelo Geólogo E. Dolia-
niti, no Maranhão.
O presente estudo reune, pela
primeira vez, dados sôbre êstes mi-
crofósseis vegetais da flora boreal
brasileira, há muito já conhecidos
nas amostras das coleções do labo-
ratório de Micropaleontologia da
Divisão de Geologia e Mineralogia
— MME, Rio de Janeiro, e agora,
pelo oportuno da ocasião, dados a
publicar.
De acôrdo com a bibliografia
consultada, ambas as procedências
são idênticas no que diz respeito à
Bioestratigrafia, pois os mesmos
fósseis, quer animais ou vegetais,
aparecem nas duas localidades. To-
davia há uma certa discordância,
entre os coletores quanto à idade.
Barbosa & Gomes consideram-nas
pertencentes ao Carbonífero Supe-
rior, formação Piauí; Dolianiti já
as inclui no Carbonífero Inferior,
formação Poti. As razões apresen-
tadas pelos mencionados geólogos
encontram-se, respectivamente, em
Barbosa & Gomes (1957) e Dolia-
NiTi (1962). Esperamos, em estu-
dos próximos, podermos colaborar
com os autores nas conclusões às
quais desejam chegar.
HISTÓRICO
Em 1914, em seu trabalho ‘The
Permian Geology of Northern Bra-
zü”, Miguel Arrojado Lisboa refe-
re-se à observação feita por seu as-
sistente Hans Baumann, a um afio-
470
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ramento de material betuminoso,
na barra do rio Sereno com o Ma-
noel Alves Grande, quando ambos
faziam viagem de verificação da
ocorrência de Psaronius no Piauí,
ao realizarem reconhecimentos
geológicos nas regiões norte e nor-
deste do país.
No relatório de Leonardos (1940:
108) 0 autor diz o seguinte ao se
referir às formações areníticas de
Pôrto Nacional: “A idade provável
dessas rochas é a carbonífera su-
perior. Elas se tem mostrado até
agora infossilíferas, mas parecem
jazer sob as camadas com Psaro-
nius brasiliensis, de Carolina, do
permiano superior (série Parnaí-
ba, de Lisboa) . Poderão todavia ser
mais antigas”.
A pág. 112, o autor, no mesmo
trabalho, faz o seguinte comentá-
rio: “Goiás divide com o Maranhão
pelo Tocantins e seu afluente Ma-
nuel Alves Grande. Carolina, cida-
de maranhense, acha-se sôbre um
barranco elevado 20 a 40 metros sô-
bre o rio, constituído de camadas
finas de folhelho e arenito de côres
variadas. Estas camadas incluem,
aqui, troncos de vegetais silicifica-
dos — Psaronius brasiliensis e co-
níferas — sobremaneira abundan-
tes em qualquer ponto da cidade e
bem assim na vila fronteira, goia-
na, que é Filadélfia. Os fragmentos
de madeira silicificada se encon-
tram ora envolvidos por uma ar-
gila verde, ora no folhelho branco.
ora ainda no arenito. São por vê-
zes tão abundantes, que dão im-
pressão de um depósito alóctone.
Só a madeira sofreu silicificação.
A rocha envolvente é, no mais das
vêzes, um folhelho mole,. quase um
argilito”. “Há também, no meio da
formação de Carolina, camadas de
silex, que correspondem com pro-
babilidade a calcáreos silicifica-
dos”. “O nosso auxiliar. Engenhei-
ro Romeu Curado Fleury, teve
oportunidade de examinar aflora-
mentos de folhelhos betuminosos
no rio Itapicurú-mirim, entre Ca-
rolina e Riachão. Êsses mesmos fo-
lhelhos aparecem no rio Sereno,
onde foram examinados pelo geó-
logo Hans Baumann e identifica-
dos pelo Dr. Arrojado Lisboa nos
folhelhos betuminosos de Codó”.
Andrade Ramos diz o que se se-
gue sôbre o Carbonífero da região
(in Rei. Dir. 1958, DGM: 39-40),
quando trata das unidades estrati-
gráficas observadas e mapeadas
para o seu trabalho sôbre o “Pro-
jeto Araguaia”: — “Carbonífero,
representado pelas duas formações
da bacia do Meio Norte, Poti e
Piauí”, “a — Carbonífero Inferior:
formação Poti. Aparece na margem
direita do Tocantins, pouco abaixo
da barra do rio Manoel Alves Pe-
queno. Se tem expressão areal para
SSE, na região dêsse rio e da bacia
do rio do Sono, não foi possível dis-
tingui-la na interpretação fotogeo-
lógica. Apresenta espessura de pou-
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Volume 1 (Geociências)
471
cas dezenas de metros. Constitui-se
de arenitos rosados e conglomerado
basal delgado, representando dis-
cordância erosiva relativa à forma-
ção Longá. “b — Carbonífero Supe-
rior: formação Piaui. Aparece com
grande expressão areal na área em
apreço. Isso, relaciona-se direta-
mente com a sua grande espessura:
450 metros em Carolina e 740 me-
tros em Riachão, Estado do Mara-
nhão. Trata-se de um conjunto me-
gaciclotêmico de ambiente deltái-
co, constituído principalmente de
calcário, arenitos e niveis de calce-
donito (chert) . Observa-se inter-
calação de arenito marinho, calcí-
fero próximo da base. Ocorrem vá-
rios níveis de ostracóides, pelecípo-
dos e filópodos de água doce. Car-
vão e folhelho carbonoso ocorrem
cêrca de 150 metros abaixo do tôpo
da bacia do rio Manoel Alves Gran-
de. Encontram-se restos de plantas
fósseis da flora euro-americana, c
restos de elasmobrânquios e anfí-
bios. Madeiras petrificadas de co-
níferas e Psaronius são também
encontradas. A formação Piauí é
bem distinta das demais nas foto-
grafias aéreas; mostra relêvo tabu-
lar e freqüentes quebras de decli-
ve nos níveis duros. Diversas falhas
de gravidade foram observadas na
área dessa formação, e na serra da
Cangalha, no divisor de águas en-
tre os rios Formiga e Patis, da alta
bacia do Manoel Alves Grande, ob-
serva-se uma chaminé cujo núcleo
é provavelmente constituído de ro-
chas básico-alcalinas. Esta é uma
área prospectiva para minerais ra-
dioativos e niobíferos. Observa-se
uma tectônica variscana de folhe-
lhos, êstes freqüentemente cheios
de ostracóides”.
Idade do ambiente de sedimen-
tação, segundo Barbosa & Gomes
— Barbosa & Gomes (1957: 30-31)
apresentam o seguinte comentário
a respeito do material paleobotâni-
co da região em estudo: “Passemos
a considerar os documentos fitopa-
leontológicos da formação Piauí. Já
referimos que os restos vegetais dos
níveis com carvão e folhelhos car-
bonosos são muito fragmentados,
macerados e amassados. Entretan-
to, por um rápido exame no campo,
julgamos reconhecer fragmentos
de Cálamites e as espécies Pecov-
teris unita e Sphenopteris thonii
dos “coai measures” euramerica-
nos. P. unita é uma forma do este-
faniano inferior e médio, e S. thonii
ocorre no estefaniano médio e su-
perior (Bertrand, 1937). Daí ser
admissível concluir que o carvão
dos níveis C e D pode ter idade es-
tefaniana média. E as ocorrências
carbonosas próximas da base da
formação Piauí observadas nos
afloramentos 145 e 149 no rio Ara-
guaia, teriam idade westfaliana
as faunas Bacurizinho e Mo-
cambo”.
“Finalmente, algo deve ser dito
sôbre Psaronius, a bela madeira
472
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
fóssil que deu motivo aos primeiros
estudos da formação ora em consi-
deração. O gênero Psaronius dis-
tribui-se do westfaliano ao permia-
no inferior (Hirmer, 1927 — Se-
WARD, 1933). A espécie brasileira
Psaronius brasiliensis Brongniart
foi sempre atribuída ao permiano
inferior, porque a maioria dos
exemplares de Psaronius já estuda-
dos é encontrada, em camadas des-
sa idade na Europa (e também do
autuniano). P. brasiliensis é uma
forma polística que trazia frondes
em verticílios alternados e o estu-
do anatômico de seu lenho mostra
uma ligeira diferença com os Psa-
ronius tetrásticos. As formas menos
evoluídas de Psaronius são dísticas
e as mais evoluídas, as polísticas
espiraladas (disposição das frondes
em helicóides) . Embora se te-
nha encontrado uma forma es-
piralada no westfaliano da In-
glaterra (ScoTT, 1920), o estágio
evolutivo intermediário de P. bra-
siliensis poderia indicar preferivel-
mente idade carbonífera superior
(estefaniana) ”.
“Em síntese, a consideração dos
biotas vegetais das camadas da me-
tade superior da formação Piauí
parece indicar uma idade estefa-
niana. Essa formação teria tido
origem, portanto, no westfaliano e
fim do estefaniano. A identificação
precisa dos fósseis coletados dirá
melhor”.
Idade do ambiente de sedimen-
tação, segundo Dolianiti.
Dolianiti (1962: 480) diz o se-
guinte: “Os outros restos fósseis
que se encontram associados ao
material ora em estudo são megás-
poros de licopodiaceas e de equise-
taceas; carófitas, que provàvelmen-
te incluem mais de uma forma e
restos de peixes, constando de es-
camas e também de um espinho
cefálico de Pleuracanthus que, se-
gundo o nosso colega Rubens da
Silva Santos, deverá ser de uma
nova espécie. Convém acentuar que
êste gênero de peixes é conhecido
desde o Devoniano Inferior ao Per-
miano Inferior da América do Nor-
te, e do Mississipiano ao Permiano
Inferior da Europa”.
“Não servem, portanto, quais-
quer dêsses restos fósseis para as-
segurar uma idade precisa para as
camadas em que ocorrem, como
também não destroem a possibili-
dade de se tratar de sedimentos do
Carbonífero Inferior, como mais se-
guramente indicam os vegetais es-
tudados”.
“Apenas o gênero Cyclostigma
define estratigràficamente os sedi-
mentos em que ocorre. A compara-
ção com as espécies do gênero que
citamos acima, não deixa margem
de dúvida quanto à idade das ca-
madas que afloram nos rios Ma-
noel Alves Grande e Araguaia, nas
localidades indicadas.”
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Volume 1 (Geociências)
473
TÉCNICAS USADAS
Os megásporos aqui apresenta-
dos foram isolados do sedimento
por meio do HF. Depois de decan-
tados foram selecionados com au-
xílio da binocular de pequeno au-
mento. Posteriormente, foram de-
senhados os melhores e montados
em lâminas próprias para micro-
fósseis, sem inclusão.
MATERIAL ESTUDADO
As amostras estudadas são de
afloramento, oriundas de Cinzeiro,
localidade situada à margem es-
querda do rio Araguaia, Pará e de
próximo à barra do rio Sereno, à
margem esquerda do rio Manoel
Alves Grande, afluente do rio To-
cantins, no Maranhão. Ambos os
afloramentos são representados pe-
las letras B e E, respectivamente no
mapa anexo ao trabalho de Bar-
bosa & Gomes (1957) (fig. 10) .
Os autores fazem o comentário
que se segue sôbre os afloramen-
tos aos quais pertencem os megás-
poros aqui estudados; “O carvão do
afloramento C, no rio Tocantins,
situa-se num nível estratigráfico
abaixo de mais ou menos 70 me-
tros de contato do paleozóico com
0 mesozóico sobrejacente, conforme
indica o nosso levantamento da se-
ção do morro dos Patos, que se si-
tua próximo e a jusante dêsse aflo-
ramento, à margem direita do rio.
Mas, não pudemos determinar
quantitativamente qual o nível
certo dêsse carvão. Entretanto, por
comparação, sabemos que nos aflo-
ramentos B e D, o carvão está as-
sociado ao gipso. Por isso parece
que a sua posição estratigráfica
corresponde ao nível de gipso,
isto é, 97 e 118 metros abaixo da
bôca do poço CL-1 (obs: na cita-
ção, os autores se referem a CL-1,
de Carolina, Maranhão), ou 296-
-317 metros acima do contato
Piauí-Poti” .
Quanto ao afloramento E, dizem
os autores: “No baixo rio Araguaia,
imediatamente acima dos bancos
de arenitos calcíferos carminados
contendo a fauna Mocambo, vem
um nível de folhelhos, siltitos e
arenitos escuros, contendo abun-
dantes restos de plantas fragmen-
tadas. Tratam-se dos afloramentos
números 145 (P no mapa anexo)
e 149 (E, no mesmo) . Esta última
localidade é conhecida por Cin-
zeiro.”
Nas duas amostras por nós tra-
balhadas foram encontrados cêrca
de 70 exemplares de megásporos, a
maioria mal conservada. Sendo um
número relativamente pequeno
para um levantamento estatístico,
sòmente as formas que se apresen-
taram bastante convincentes fo-
ram determinadas genèricamente,
após terem sido desenhadas e foto-
grafadas.
474 Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
Passamos a apresentar algumas
considerações gerais sôbre os me-
gásporos encontrados, antes de
tratarmos da proposta sistemática.
É a primeira vez que sedimentos
carboníferos de afloramentos ren-
dem razoável quantidade de me-
gásporos de estratos ligados à pa-
leoflora boreal. O material chegado
às nossas mãos, das duas localida-
des em estudo. Cinzeiro e rio
Manoel Alves Grande, consiste de
sedimentos idênticos, isto é, folhe-
lhos sílticos com restos vegetais
(as amostras estudadas, em virtu-
de da pequena quantidade de ma-
téria vegetal fóssil não se enqua-
dram na definição de “folhelhos
betuminosos” da literatura citada) .
Consideramos o estado de con-
servação do material dependente
da natureza da rocha-matriz. Por
se tratar de folhelho síltico, a nos-
so ver, sofreram os megásporos
Tocantinosporites araguaiensis — Fig. 1: Rio Manoel A. Grande; fig. 2: Cinzeiro;
fig. 3: Cinzeiro; fig. 4: Rio Manoel A. Grande. Tocantinosporites paraensis —
Fig. 5: Rio Manoel A. Grande; fig. 6: Cinzeiro.
/OOO
cm
Volume 1 (Geociências)
475
maior desgaste e poucos são os es-
pécimes perfeitos. A maioria se en-
contra quebrada ou fendida nas
suas cristas trirradiadas. É digno
de nota que os megásporos de
ambas as localidades possuem os
seguintes caracteres em comum:
esporoderme espêssa com a super-
fície da exina chagrinada; tama-
nho mais ou menos uniforme, divi-
dindo-se 0 acervo isolado em dois
grupos, um maior, consistindo de
megásporos de equador arredonda-
do ou ovalado e de maior diâmetro;
outro, menor, de detalhes mais
marcantes, no que tange às cristas
trirradiadas e superfícies de con-
tato, com diâmetro também menor.
A morfologia bastante monótona
não autoriza a sugerir muitas es-
pécies, com isso, concluímos ter
havido pequena contribuição espe-
cífica de Lycophyta heterósporas à
flora documentada nos sedimentos
em estudo; mas, ao mesmo tempo,
julgamos terem contribuído em
grande número de exemplares, re-
presentação maciça na flora coeva.
Ambas as amostras revelaram bom
número de micrósporos que serão
estudados e as conclusões divulga-
das oportunamente; no caso pre-
sente, a riqueza morfológica dos
micrósporos promete visão melhor
da paleoflora local.
Curioso, ainda, para a compre-
ensão do paleoambiente é o fato de
pig. 7 Tocantinosporites araguaiensis sp. n., holótipo, Rio Manoel A.
Grande; fig. 8 — Tocantinosporites paraensis sp. n., holótipo.
Rio Manoel A. Grande.
476
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
OOOOOOOOO
OOooOOOO
o o o o o oo o
o ooooooo
ooooooo
0 2rmn
Fig. 9 — Palinocênios: Conjunto superior de megásporos, Rio Manoel A.
Grande-Ma; conjunto inferior de megásporos, Cinzeiro-Pa.
que as amostras estudadas revela-
ram oogônios de carófitas, os quais
também merecerão oportunamente
a divulgação do seu estudo. Essa
monotonia peculiar dos megáspo-
ros encontrados contrasta conspi-
cuamente com os palinocênios ob-
tidos de testemunhos de sondagem
do furo SN5- José de Freitas, Piauí.
Segundo Dequech, 1949 (relatório
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Fig. 10 Mapa da região, com as duas localidades fossiliferas em estude
(Cópia do original de O. Barbosa & F. A. Gomes, Boi.
174 _ DGM-DNPM, 1957) .
Volume 1 (Geociências)
477
de sondagem) , o furo oferece a se-
qüência Piauí-Poti. Na verdade,
trata-se de um só furo como têrmo
de comparação. Contudo já serve,
até certo ponto, para completar a
visão de conjunto oferecida pela
Palinologia; os palinocênios das
faixas de sedimentos atribuídos ao
Piauí, portanto de idade pensilva-
niana, ostentam notável abundân-
cia morfológica. Reconhecemos
megásporos atribuíveis aos gêneros
Lagenoisporites, Setosisporites e
Lagenicula.
Do razoável número de megás-
poros encontrados e examinados
cm
478
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
nos testemunhos de sondagem de
José de Freitas, nenhum possui o
aspecto chagrinado da exina, como
é tão característico dos megásporos
oriundos das duas amostras, em
foco no presente trabalho. Atesta
a multiplicidade morfológica, den-
tro do consenso palinológico geral,
a constelação mais recente; a sim-
plicidade morfológica, ao contrá-
rio, seria testemunho de maior ida-
de. Pôsto isto, passamos a apresen-
tar a seqüência sistemática con-
soante POTONIÉ (1956) por nós
usada no estudo dos megásporos
brasileiros.
SISTEMÁTICA
Anteturma sporites H. Potonié,
1893
Turma triletes (Reinsch, 1881)
Potonié & Kremp, 1954
Subturma azonotriletes Luber,
1935
Grupo Megásporos de esporoder-
me espêssa, exina acentuada-
mente chagrinada
Gênero Tocantinosporites g. n.
Descrição-, Megásporos triletes,
de contorno arredondado a sub-
triangular; esporoderme espêssa,
exina chagrinada tanto no lado
distai como no proximal; cristas
trirradiadas e curvaturas conspí-
cuas; quase sempre presentes, si-
tuam-se a maior ou menor distân-
cia do equador, quando de arranjo
concêntrico.
Justifica-se a proposta do nôvo
gênero, para o material em estudo,
pela exina densamente chagrina-
da, a qual, à primeira vista, se as-
semelha a grânulos; outrossim, o
equador de esporoderme mais es-
pêssa devido à coincidência com as
curvaturas, recorda cíngulo. Mas
no conjunto dos megásporos encon-
tramos tôda gama de transição, ra-
zão porque não classificamos nos
Cingulati 0 material. De Trileites
difere pela esporoderme espêssa,
cristas trirradiadas mais robustas;
de Lycospora e Cadiospora, pelo ta-
manho muito maior.
Espécie-tipo Tocantinosporites
paraensis sp. n.
Tocantinosporites paraensis sp. n.
(Figs. 5, 6 e 8)
Holótipo: Exemplar n.° 1; lâmi-
na N-66-2-1
Repositório: Lab. Micropaleonto-
logia da DGM-DNPM-Rio de Ja-
neiro-GB
Localidade tipo: Margem esquer-
da do rio Manoel Alves Grande,
afluente do rio Tocantins, próximo
à barra do rio Sereno, Ma.
Coletor: E. Dolianiti.
Ocorrência: Carbonífero Infe-
rior?
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Volume 1 (Geociências)
479
Parátipos: Proc. -Cinzeiro, mar-
gem esquerda do rio Araguaia, Pa
e rio Manoel Alves Grande, próximo
à barra do rio Sereno, Ma. Cols.-
O. Barbosa & F. A. Gomes & E.
Dolianiti
Deriv. nome: Genérico deriva do
rio Tocantins; o específico, em ho-
menagem ao Estado do Pará.
Descrição: Megásporos triletes,
de equador arredondado a subtri-
angular; em geral comprimido em
sentido proximal distai, por vêzes,
obliquamente. Arestas trirradiadas
alcançam o equador no mais das
vêzes reforçado em pseudo-cingulo;
possuem aproximadamente 40u de
largura e 50p de altura. Área de
contato de tamanho mais ou menos
idêntico; diâmetro de 800u (tam-
bém em outros espécimes estuda-
dos) . Côr castanho escuro (inde-
pendente do tratamento no labo-
ratório) . Caracteriza-se o exemplar
que serve para a descrição especí-
fica, pelo tamanho uniforme, área
de contato, cristas trirradiadas,
borda (pseudo-cingulo) equatorial
nitidamente delimitada.
Funda-se a espécie em 9 exem-
plares de Cinzeiro, Pa e, em 19 do
rio Manoel A. Grande, Ma.
Obs.: O hábito da espécie abran-
ge megásporos simétricos, bem
conservados principalmente os da
localidade tipo.
Tocantinosporites araguaiensis
sp. n.
(Figs. 1 a 4 e 7)
Holótipo: Exemplar n.° 2; lâmi-
na N-66-2-1.
Repositório: Lab. Micropaleonto-
logia da DGM-DNPM-Rio de Ja-
neiro-GB.
Localidade tipo: Margem esquer-
da do rio Manoel Alves Grande,
afluente do rio Tocantins, próximo
à barra do rio Sereno, Ma.
Coletor: E. Dolianiti.
Ocorrência: Carbonífero Infe-
rior?
Parátipos: Proc. Cinzeiro, mar-
gem esquerda do rio Araguaia, Pa
e rio Manoel Alves Grande, próxi-
mo à barra do rio Sereno, Ma. Cols:
O. Barbosa & F. A. Gomes & E.
Dolianiti.
Deriv. nome específico: rio Ara-
guaia.
Descrição: Megásporos com diâ-
metro de cêrca de 1.000 jx (no
exemplar descrito e nos parátipos) ;
equador arredondado a ovalado;
em geral comprido em sentido
oblíquo ou lateral. Arestas trirra-
diadas presentes, assim como as
curvaturas, sem serem tão robus-
tas como na espécie anterior.
Exina chagrinada uniformemente,
por tôda superfície. Não apresenta
bordo equatorial reforçado (pseu-
480
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
docíngulo). Áreas de contato deli-
mitadas, nitidamente. Difere de
Tocantinosporites paraensis pelo
hábito; é raro encontrar-se espéci-
me bem conservado; a maioria se
acha fendida nas cristas trirradia-
das. O exemplar tipo, assim como
os demais da espécie não se encon-
tram em situação de achatamento
proximal-distal, sendo esta situa-
ção rara entre os T. araguaiensis.
Identificamos, nas amostras de
Cinzeiro e Manoel A. Grande, 22
exemplares da espécie, na primeira
localidade e 10 na segunda.
CORRELAÇÃO E AFINIDADE
PARA COM OS GRUPOS
VEGETAIS
A flora boreal carbonífera brasi-
leira, quanto ao número de gêneros
já identificados, não se pode com-
parar com a flora gonduana já há
muito conhecida por várias flóru-
las bem estudadas.
Contudo, já se pode relacionar a
seguinte seqüência da flórula de
camadas do Carbonífero Inferior de
Teresina (Dolianiti, 1954) : Adian-
tites, Cardiopteridium, Sphenopte-
ridium, que são Pteridospermae,
portanto produtores de isósporos
ou micrósporos; Kegelidium e Pau-
lophyton são gêneros pertencentes
às Protolepidophytales e podem
ter produzido micro e megásporos;
Rhodeopteridium (Rhodea) per-
tence à Pteridospermae, possivel-
mente fornecedores de micro e
isósporos; Lepidodendropsis filiado
às Protolepidophytales pode ter
contribuído com micro e megás-
poros.
Das outras citações de macro-
fósseis vegetais da flora boreal do
Brasil merece menção a de Oli-
veira & Leonardos (1943: 174) as-
sinalando flora Rhacopteris na ba-
cia do Parnaíba (Maranhão,
Piauí) .
CONCLUSÃO
1) As palinofácies pràtícamente
idênticas encontradas nas duas
amostras em estudo, das quais só
se trabalhou o grupo dos megás-
poros, autoriza, sob reserva, o se-
guinte comentário: os restos vege-
tais isolados do substrato compro-
vam, da parte dos micrósporos e
cutículas, flora especifícamente
variegada; aliás a constelação dos
micrósporos recorda outras das co-
leções do laboratório de Micropa-
leontologia, de idade devoniana. Os
megásporos com sua esporoderme
espessa, morfologia monótona de
especiação pouco promissora, apon-
tam mais para a idade Carbonífero
Inferior, se é que se possa aventar
orientação estratigráfica com pou-
cos argumentos. Como já se men-
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cionou acima, possui o laboratório
a seqüência estratigráfica do furo
SN-5 — José de Freitas, Pi, traba-
lhado com as respectivas palinofá-
cies prontas para comparação; tra-
ta-se apenas de uma só ocorrência
de que podemos lançar mão para
correlacionar os microfósseis vege-
tais das duas localidades em estu-
do; comparando os palinocênios da
seqüência do furo, que vai de Poti
a Piauí, chama a atenção a riqueza
morfológica dos megásporos isola-
dos dos testemunhos da faixa
Piauí; mais um argumento a favor
de se atribuir idade Carbonífero
Inferior para as camadas que for-
neceram a amostragem estudada
das duas localidades, de morfolo-
gia notàvelmente monótona.
2) A ocorrência de oogônios de
carófitas apenas elucida o paleo-
ambiente de depósito límnico, já
que até a presente data não dispo-
mos de meios de comparação do
grupo no território brasileiro.
3) O gênero Cyclostigma (Prele-
pidodendron) era um fóssil índex
clássico do Devoniano Superior de
acordo com os livros texto paleobo-
tânicos (vide Gothan, 1954) ; Jong-
MANs (1954) assinalou Cyclostíg-
ma no Carbonífero Inferior de Pa-
racas. Peru. Dolianiti (1962) iden-
tificou o gênero em fragmentos
oriundos de ambas as localidades,
justificando com isto sua proposta
de Carbonífero Inferior, formação
Poti, para o material em estudo.
4) Os megásporos encontrados
talvez possam ser atribuídos ao
gênero Cyclostigma que apresenta
heterosporia (Zimmermann, 1959:
177).
5) Quanto ao substrato dos me-
gásporos que nos foi colocado à
disposição para pesquisa, não se
enquadra na definição de folhelho
betuminoso, como é citado na bi-
bliografia. Parece-nos tratar-se de
um siltito argiloso, quase sem ves-
tígio de planta, de tonalidade cinza
claro, com tênues filetes de carvão.
6) É esta a primeira localidade
de afloramento estudada sob o
prisma palinológico da flora boreal
brasileira.
7) Dentro do conceito clássico
dos textos palinológicos os megás-
poros evoluíram a partir de isós-
poros maiores, assinalados desde o
Devoniano Médio.
Agradecimento — Aos senhores cole-
tores das amostras estudadas, Drs. O.
Barbosa, F. A. Gomes e E. Dolianiti, que
doando-as à Divisão de Geologia e Mi-
neralogia do DNPM, nos possibilitaram
a realização da presente pesquisa. Ao
senhor Diretor da DGM-DNPM, Dr. J.
R. Andrade Ramos, que nos permitiu a
vinda a êsse Congresso. Ao nosso Chefe
imediato, Dr. F. W. Sommer, pela ori-
entação, estímulo e boa vontade que
nos vem proporcionando durante todo
0 tempo que junto trabalhamos. Ao Sr.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Mário Carnaval, técnico da Divisão de
Geologia e Mineralogia, pelas belas es-
tampas que completam a presente pes-
quisa. Finalmente, aos organizadores
dèsse magnifico Simpósio, na pessoa do
Coordenador Geral, Dr. José Cândido
Carvalho, cuja cooperação possibilitou
convergissem para êste trabalho gran-
de parte do nosso tempo e o melhor de
nossos esforços, expressamos a segu-
rança de nosso sincero aprêço.
their systematic identification.
They represent a boreal spore flora
of the Paleozoic and are described
under the new generic name To-
cantinosporites with the species
Tocantinosporites paraensis and
Tocantinospcrites araguaiensis.
BIBLIOGRAFIA
SUMÁRIO
O presente trabalho trata da de-
terminação de exemplares de me-
gásporos carboníferos dos Estados
do Pará e Maranhão. Após passa-
rem pelo tratamento por HF, os
exemplares foram colocados em lâ-
minas apropriadas e posterior-
mente identificados sistematica-
mente. A morfologia original e a
ornamentação particular da espês-
sa esporoderme nos levaram a pro-
por êsses representantes da flora
boreal paleozóica em nôvo gênero
Tocantinosporites com as espécies
Tocantinosporites paraensis e To-
cantinosporites araguaiensis.
SUMMARY
This paper deals about the sys-
tematic determination of Carboni-
ferous megaspores from the States
of Pará and Maranhão. They were
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