ISSN 0077-2216
BOLETIM DO
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia - NCT
Ministro - José Israel Vargas
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
Presidente - José Galízia Tundisi
Museu Paraense Emílio Gocldi - MPEG
Diretor - Adélia de Oliveira Rodrigues
Diretor Adjunto de Pesquisa - Antonio Carlos Magalhães
Diretora Adjunta de Difusão Científica - Helena Andrade da Silveira
Comissão de Editoração - MPEG
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor-Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Equipe Editorial - Lais Zumero, Iraneide Silva, Elminda Santana, Socorro Menezes
CONSELHO CIENTÍFICO
Consultores
AnaMariaGiulietti -USP
Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - New York Botanical Gardcn
Fernando Roberto Martins - UNICAMP
Chillean T. Prance - Royal Botanic Garden
Hcrmógenes Leitão Filho - UNICAMP
João Peres Chimelo - IPT
Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Therezinha SanfAnna Melhém - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kcrr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Apoio: Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programadc C&T - PP/G7 • MMA/MCT/FINEP
© Direitos de Cópia/Copyright 1 997
por/by MCT/CNPq/Museu Goeldi
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
I REUNIÃO DOS BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA
Organizadores
Pedro L. B. Lisboa
Regina Célia Lobato Lisboa
Samuel Soares de Almeida
Léa Maria Medeiros Carreira
Mário Augusto Gonçalves Jardim
Série
BOTÂNICA
Vol. 1 1(1)
fr
Belém - Pará
Julhode 1995
lx- h
MCT/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotâncio - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 - Telex: (091) 1419 - Fones: Parque (091) 249-1233,
Campus (091) 246-9777 - Fax: (091) 249-0466
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1894 por Emilio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to
this publication.
REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO
Programa de Apoio a Publicações Científicas
MCT
CNPq G) FINEP
Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programa de C&T - PP/G7 • MMA/MCT/F1NEP
cm
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APRESENTAÇAO
A extensão territorial e a riqueza da floresta amazônica constituem o
cenário indicador de que a Botânica deve ser encarada como uma disciplina
prioritária na vida acadêmica da região. Mas esta constatação não tem sido
suficientemente estimulante para que esta ciência seja aqui apoiada de forma
efetiva e contínua.
Embora o interesse internacional sobre a flora regional seja uma
realidade, a nível nacional ou regional estamos longe de contribuir para o seu
completo conhecimento. As instituições de ensino e pesquisa da Amazônia,
voltadas para as Ciências Biológicas devem ocupar uma posição de liderança
na elaboração de um banco de dados sobre a vegetação e a flora. Os
obstáculos a superar não são poucos. O desafio é grande. A realização da
I Reunião dos Botânicos, realizada no período de 26 a 30 de junho de 1995,
nas dependências do Museu Paraense Emílio Goeldi, faz parte desse esforço
de planejar a Botânica regional, como instrumento de seu fortalecimento.
A idéia de criar a Reunião dos Botânicos, portanto, visou mais que a
apresentação de trabalhos científicos e a confraternização da classe a nível
regional . Visou uma avaliação do desenvolvimento da disciplina Botânica na
região, para que ações mais organizadas na defesa dos nossos interesses
sejam tomadas. Este foi o objetivo principal do Simpósio Situação da
Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira, realizado durante o evento.
Convidados da maioria dos Estados da região: Acre (Marcos Silveira/
UFAC), Amazonas (Marlene Freitas da Silva/UTAM), Tocantins (Marccus
Vinicius Alves/UNITIS), Pará (Mário Augusto G. Jardim/MPEG), Mato
Grosso (Germano Guarim Neto/UFMT) estiveram presentes. Com a colabo-
ração dos botânicos Léa Carreira (MPEG), Nívea Fernandes (UFAC) e
Silvia Mendonça (FUA) elaboraram um documento com sugestões, que
comentaremos mais adiante.
O evento foi também uma oportunidade para prestar homenagem ao
botânico João Murça Pires, falecido em dezembro de 1994, que por meio
século dedicou-se profundamente à botânica, com administrações marcantes
à frente dos departamentos de Botânica do Centro de Pesquisa Agroflorestal
da Amazônia Oriental/CPATU e do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma
indiscutível contribuição à botânica mundial.
As atividades da Reunião começaram com duas exposições de caráter
científico abordando o tema da ilustração botânica. Ambas foram montadas
no Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna do Museu Goeldi. Numa delas
foram expostas aquarelas pintadas por alunos do Curso de Ilustração
Botânica, ministrado pela professora britânica Christabel King, na Estação
Científica Ferreira Penna, em julho de 1994. Formidáveis reproduções de
flores da região de Caxiuanã, bem acabadas artisticamente, revelaram que
o curso preparou ilustradores da melhor qualidade.
A outra exposição foi da ilustradora carioca Dulce Nascimento que
expôs uma mostra de plantas na mesma linha da escola de Margaret Mee,
famosa ilustradora britânica que por muitos anos dedicou-se a reproduzir
plantas amazônicas, principalmente orquídeas e bromélias. Dulce também
ministrou durante o evento um curso intensivo de Ilustração Botânica para
20 pessoas, sob a sombra acolhedora das árvores no Parque Zoobotânico do
Museu Goeldi.
A Programação técnico-científica realizada foi intensa. Dos 117
trabalhos inscritos foram apresentados 105, ou seja, apenas 14 trabalhos
estiveram ausentes. Dos 28 trabalhos inscritos na Sessão de Botânica
Econômica, apenas um não foi apresentado. O situação geral pode ser
observada na tabela 1 .
Tabela 1 - Número de trabalhos inscritos e apresentados na I Reunião dos Botânicos da
Amazônia.
SESSÕES TÉCNICAS
TRAB AL. INSCRITOS
TRABAL. APRESENTADOS
BOTÂNICA SISTEMÁTICA
22
20
MORFOLOGIA VEGETAL
24
19
FLORÍSTICA
23
18
ECOLOGIA
20
19
BOTÂNICA ECONÔMICA
28
27
TOTAL
117
103
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Além das sessões técnicas de painéis foram realizados dois mini-cursos :
Taxonomia Vegetal (Professores Marlene Freitas da Silva/UTAM, Regina
Celia Lobato Lisboa/MPEG e Helen Sótão/MPEG) e Ecologia Vegetal
(Samuel Soares de Almeida/MPEG, Noemi Viana Leão/CPATU).
O evento foi complementado com três expedições científicas: ilha do
Combu, onde os participantes observaram uma várzea típica do estuário do
Amazonas e o manejo que os nativos fazem com o açaí, o cacau e outras
plantas típicas da Amazônia; Crispim, onde os visitantes conheceral o litoral
paraense e suas vegetações de mangue e restinga; Caxiuanã/Estação
Científica Ferreira Penna, unidade de conservação do Museu Goeldi, situada
no município de Melgaço, Pará. A Estação de 33.000 hectares, é constituída
por ambiente de terra firme, várzea, igapó, savanas e abundante vegetação
aquática.
O simpósio Situação da Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira foi
muito ativo e dele resultou um documento preliminar, que aborda algumas
questões fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa botânica na
Amazônia. O documento busca refletir nossos anseios e desejos para o
fortalecimento dos Institutos de Pesquisa, bem como de seus profissionais e
estudantes. Entre as questões levantadas estão as necessidades de integração
e intercâmbio, com a criação de mecanismos que venham a permitir a troca
de informações em seus diferentes níveis (instituições, herbários, pesquisa-
dores etc.), que possam direcionar o ensino e a pesquisa em Botânica na
Amazônia às reais necessidades regionais; de capacitação de recursos
humanos, com ênfase nas atividades de Iniciação Científica, Aperfeiçoamen-
to, acompanhadas dos cursos de graduação e pós-graduação e no estímulo à
participação de estudantes e técnicos de laboratório em cursos de extensão
e estágios supervisionados, visando a sua qualificação profissional; de
incentivo a pesquisa, com a formulação do Programa Integrado de Estudos
Botânicos dos Estados da Amazônia, como forma de minimizar a notória
dificuldade de captação de recursos financeiros; de divulgação científica,
com o estímulo ao sistema de doações e permutas de material bibliográfico
entre as instituições amazônicas e incremento da publicação do Boletim
Informativo da SBB-Seccional Amazônia.
Foi sugerido também que, de maneira extra-oficial, circule entre os
herbários listas periódicas, com as novas identificações realizadas pelos
especialistas. Isto será de fundamental importância para a elaboração de
futuros trabalhos, em particular com enfoque florístico.
A entrega dos Anais da I Reunião dos Botânicos da Amazônia, em
quatro volumes suplementares do Boletim do Museu Paraense Emílio
Goeldi, mostra que o esforço coletivo sempre dá respostas efetivas. Há uma
potencial produção científica, de boa qualidade, sobre botânica na Amazônia
que precisa ser transformada em papers. É este um dos objetivos que nós,
da atual diretoria da Regional Amazônia, da Sociedade Botânica da Amazô-
nia, desejamos transformar em realidade.
Pedro L. B. Lisboa
Pesquisador Titular/CNPq/MPEG
Diretor da Regional Amazônia/Sociedade Botânica do Brasil
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CDD: 582.1601
NOTAS SOBRE IMPLEMENTOS INDÍGENAS
COM MADEIRA DE 5000 ANOS DA
MICRORREGIÃO DO TAPAJÓS, PARÁ
Pedro L. B. Lisboa 1
Alicia Durán Coirolo 2
RESUMO - A região do Tapajós sempre é referida desde os séculos XVI e XVII
como densamente povoada pelos descobridores. Em 1992 uma equipe do Museu
Goeldi realizou um salvamento arqueológico na cidade de Itaituba, no Médio
rio Tapajós. Entre os achados de material cerâmico e lítico, foi também
localizado material lenhoso ( madeira ) arqueológico pouco frequente para a
região amazônica. Material orgânico oriundo do material cerâmico, em
análises radiocarbônicas, revelaram datação de 5000. Foram coletadas armas
em madeira (propulsores , borduna e lança) em perfeito estado de conservação.
Este material foi analisado no Laboratório de Anatomia da Madeira do Museu
Goeldi. A análise macroscópica revelou que a borduna e a lança foram
confeccionados com “massaranduba" , Manilkaraq/f. bidentata (A. DeCandolle)
Chevaliersubsp. surinamensis (Miquel) Pennington (Sapotaceae); os propulso-
res, com madeira de uma leguminosa conhecida como “pau-ferro”, Zollernia
paraensis Huber (Leg. Pap.j.O estudo anatômico-microscópico confirmou a
identificação macroscópica das duas espécies. As características das madeiras
identificadas permitem entender o excelente estado de conservação das peças
estudadas, mesmo após 5000 anos, conforme a datação radiocarbônica
inferida.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia da madeira. Arqueologia, Estado do Pará.
1 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Pesquisador titular. Caixa
Postal, 399. Cep 66040-170. Belém-PA. Fax (091) 226-3824.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Ciências Humanas/Arqueologia.
Pesquisador titular. Caixa Postal, 399. Cep 66040-170. Belém-PA. Fax (091) 226-3824.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
ABSTRACT - The region ofthe Tapajós River in the Amazon Basin was always
described as being densely populated by its discovers. In 1992, a research team
from the Goeldi Museum undertook salvage archaeology in the city of Itaituba,
Pará, on the middle Tapajós River. Among the uncovered ceramic and stone
artefacts, some wooden artefacts, seldom found in the Amazon region, werw
also discovered. Wooden arrns (throwing sticks, war club and spear) in perfects
State of preservation were collected. These were analyzed in the Wood Anatomy
Laboratory ofthe Goeldi Museum. Macroscopic examination reveled the that the
war club and the spear were madefrom Massaranduba, Manilkara aff. bidentata
(A. DeCandolle) Chevalier subsp. surinamensis (Miquel) Pennington, family
Sapotaceae. The throwing sticks were made ofa legominous wood known as iron
wood (pau-ferro ), Zollernia paraensis Huber. Microscopic examination ofthe
wood anatomy confirmed the identifications made macroscopically ofthe two
woodspecies. Thephysical characteristics of these identified woodspecies helps
to explain why the artefacts were in an excellent State of preservation, even after
5000 years.
KEY WORDS: Wood anatomy, Archeology, Pará State.
INTRODUÇÃO
A região do rio Tapajós foi descrita pelos descobridores e viajantes dos
séculos XVI-XVII como densamente povoada (Carvajal 1955 (1542); Acuna
1891 (1641)). Do ponto de vista arqueológico a região é bastante conhecida
pela existência da chamada Cultura Santarém, caracterizada pela sua
cerâmica profusamente decorada e de formas variadas.
Roosevelt (1990 e 1992) e Roosevelt et al. (1991) estabeleceram uma
seqüência de ocupações para o Baixo Amazonas que cobre desde as culturas
páleo-indígenas, passando pela formação das sociedades complexas e,
atingindo os cadeados ou chefias ( chiefdoms ), alguns dos quais já em pleno
desenvolvimento, no momento da chegada dos europeus. Suas pesquisas na
região de Santarém (Abrigo da Pedra Pintada e Sambaqui de Taperinha)
mostraram a antigüidade dos assentamentos de grupos ceramistas.
Em 1992, uma equipe do Museu Goeldi realizou um salvamento de
emergência na cidade de Itaituba, no médio rio Tapajós. Os estudos
mostraram que a cidade assenta-se sobre uma antiga aldeia indígena de
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Notas sobre implementos indígenas com madeira
grandes proporções. Material arqueológico, cerâmico e lítico, aflorava
à superfície, ocorrendo até à uma profundidade de +/- 70 cm. Material
orgânico coletado no interior de duas urnas foi enviado aos Estados Unidos
da América do Norte para análises radiocarbônicas, revelando uma datação
de 5000 anos antes do presente.
No chamado sítio do Piririma (PA-IT-28) localizado nas proximidades
do igarapé do Rato, a 2000 metros da sua confluência com o rio Tapajós
(57° 57' Long. Oeste e 5 o 10' Lat. Sul) foi achado numeroso material
arqueológico. A aldeia indígena ocupava ambas as margens do igarapé,
percebendo-se na superfície desmatada, uma mancha de terra preta de
vários hectares. O contexto comportava: material cerâmico (panelas, vasos
de diversos tamanhos e formas e urnas); material lítico, onde ressaltava
lâminas de machado em diabásio e basalto, amoladores e machados manuais
em basalto, um projétil de forma cônica em rocha ígnea e, mãos-de-pilão em
diabásio e rocha ígnea; material lenhoso (madeira), como armas (propulso-
res, borduna e lança) todos em perfeito estado de conservação, assim como
peças antropomorfas quebradas, com uma depressão ventral e, restos de
pigmentos de pintura (Figuras 1-2).
Ainda sobre este material confeccionado com madeira, tão difícil de
ser encontrado em sítios arqueológicos da Amazônia, aprofundamos nossos
estudos com a finalidade de obtermos informações mais detalhadas sobre
sua origem.
ARMAS EM MADEIRA DO SÍTIO PIRIRIMA
Todo material encontrado (lança, propulsores e borduna) foi exami-
nado no Laboratório de Anatomia da Madeira do Museu Goeldi, para
identificação, obtendo-se os seguintes resultados:
A borduna e a lança foram confeccionadas com com “massaranduba”,
Manilkara aff. bidentata (A. De Candolle) Chevalier subsp. surinamensis
(Miquel) Pennington, da família Sapotaceae; os propulsores foram confec-
cionados com madeira de uma Leguminosae Caesalpinioideae conhecida
como “pau-ferro”, Zollernia paraensis Huber.
9
í, | SciELO
Notas sobre implementos indígenas com madeira
Para a identificação das espécies, pequenas amostras foram retira-
das das peças arqueológicas, para confecção de cortes histológicos,
obedecendo-se as técnicas padronizadas para estudos anatômicos em
madeiras. Primeiramente, as amostras foram fervidas em água por duas
horas, para amolecimento; delas foram então obtidos cortes nos sentidos
transversal e longitudinal, orientados em dois planos (tangencial e
radial), utilizando-se um micrótomo de deslise. Os cortes foram subme-
tidos a clarificação com Hipoclorito de Sódio, depois passados em série
alcoólica em várias concentrações, para desidratação; em seguida, os
cortes foram corados com safranina hidroalcoólica e, montados com
bálsamo do Canadá, e montados entre lâminas e lamínulas.
CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE AS ESPECIES
1. Manilkara aff. bidentata (A. De Candolle) Chevalier subsp.
surinamensis (Miquel) Pennington
Árvore que na floresta amazônica atinge, às vezes, mais de 40
metros de altura. Nos ambientes secos e arenosos como nas campinas de
areia branca, apresenta porte arbustivo de l-2m de altura. A casca é
marrom-acinzentada, fissurada e exuda látex branco, quando cortada. A
madeira apresenta alburno claro e cerne vermelho-escuro. É muito dura
e pesada, com densidade entre 0,90 e 1,00 grama/cm 3 e, muito resistente
à umidade, com alto limite de resistência à compressão e fendilhamento
médio. Estas características lhe conferem uma alta durabilidade natural
assim como grande resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins
e outros insetos xilófagos, daí as peças terem sido encontradas em estado
quase perfeito, no sítio arqueológico.
M. aff. bidentata pertence ao gênero neotropical Manilkara, cons-
tituído de 30 espécies, com ampla distribuição em toda a América
tropical, abrangendo a região entre o México, as ilhas do Caribe,
estendendo-se até o sul do Brasil. Algumas espécies de “massaranduba”,
onde inclui-se M. bidentata subsp. surinamensis, fazem parte do grupo
de madeiras amazônicas muito exploradas para fins comerciais, por sua
durabilidade natural. Por esta razão é uma das espécies consideradas
como vulneráveis à extinção (Lisboa 1991).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Manilka aff. bidentata, de onde procedem, seguramente as bordunas
e as lanças, tem uma ampla distribuição geográfica, sendo encontrada
sob a forma de duas subespécies ( M . bidentata subsp. bidentata e M.
bidentata subsp. surinamensis ) desde a América Central e o Caribe até
alcançar a América do Sul. A subespécie surinamensis ocorre, principal-
mente, na região amazônica (Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname,
Equador e Brasil) estendendo-se ao norte até à algumas ilhas do Caribe
(República Dominicana, Porto Rico, Ilhas Virgens, Guadalupe e Santa
Lucia). Habita tanto em áreas periodicamente inundadas (várzeas) quan-
to em áreas de terra firme, como as florestas úmidas e nas campinas secas
de areia branca, em altitudes que variam desde o nível do mar até 1.500
metros. A subespécie bidentata é mais periférica, em relação à Amazônia.
No Brasil a subsp. surinamensis limita-se à região amazônica, tendo
sido registrada também nos Estados do Amapá, Amazonas, Pará e Roraima.
Através das comparações feitas com outras amostras de madeiras de
“massaranduba” da xiloteca do Museu Goeldi foi possível afirmarmos que
a madeira das lanças e da borduna é mais afim com M. bidentata subsp.
surinamensis , possibilidade esta fortalecida pela distribuição da subespécie
pelo interior da Amazônia, e por ser de ocorrência muito comum conforme
observado por Pennington (1991). A importância desse fato, entretanto, é
apenas relativa, se considerarmos que todas as espécies de “massaranduba”
apresentam propriedades semelhantes, permitindo as mesmas utilizações.
M. bidentata subsp. surinamensis recebe inúmeras denominações
populares na Amazônia brasileira: caramuxi, maparajupa, massaranduba,
massaranduba-balata, massaranduba-braba, massaranduba-casca-lisa,
massaranduba-chicle, massaranduba-da-caatinga, massaranduba-da-restinga,
massaranduba-do-igapó, massaranduba-folha-verde, massaranduba-irana,
massaranduba-mansa, massaranduba-pendária, massaranduba-da-terra-firme,
massaranduba-vermelha, pendária, pendária-da-serra.
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Notas sobre implementos indígenas com madeira
2. Zollernia paraensis Huber
Árvore de grande porte conhecida popularmente por “pau-ferro”
por ter um lenho duríssimo, muito pesado, com densidade entre 0,95 e
1,00 g/cm 3 , apresentando alto limite de resistência à compressão e fibras
com tração normal, alta. O alburno é amarelo-claro e o cerne preto-
esverdeado com manchas mais claras. Segundo Loureiro & Silva (1968)
é fácil de trabalhar, recebendo polimento perfeito e atraente. Resiste bem
ao apodrecimento, ao ataque de cupins e de outros insetos xilófagos.
Os propulsores foram confeccionados com “pau-ferro”, por sua
dureza. No Brasil, as madeiras do gênero Zollernia são utilizadas na
marcenaria de luxo, ebanisteria, carpintaria e construção em geral, acaba-
mentos internos, artigos de esporte (tacos e bolas), folhas faqueadas
decorativas, esquadrias, cabos de ferramentas, peças torneadas, tacos e
tábuas para assoalhos, instrumentos musicais e outros.
Z. paraensis habita as matas da terra firme, no Estado do Pará,
nordeste do Maranhão e Mato Grosso.
CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DAS MADEIRAS
Manilkara bidentata subsp. surinanensis (Figuras 3-4)
Vasos pequenos a médios, de pouco a pouco numerosos, solitários,
geminados, predominando longas cadeias radiais; pontuações intervasculares
alternas e placas de perfuração simples. Raios irregularmente dispostos,
heterocelulares, geralmente com uma a quatro células marginais eretas,
predominando os bisseriados, uni e trisseriados freqüentes, baixos e nume-
rosos; pontuações radiovasculares simples, grandes, ovais e alongadas;
óleo-resina presente. Fibras de paredes espessas, com pontuações simples.
Parênquima axial apotraqueal, em linhas de 1 a 4 células de largura,
concêntricas, lembrando um retículo; óleo-resina presente. Camadas de
crescimento indistintas, ou mal definidas.
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Figuras 3-4: Manilkara bidentata subsp. surínamensis. 3 - Corte tranversal (50x). Observar os poros em
cadeiais radiais, parênquima axial em linhas; 4 - Corte tangencial (50x). Observar raios bi e uniseriados.
14
Notas sobre implementos indígenas com madeira
Zollernia paraensis Huber (Figuras 5-7)
Vasos solitários predominantes, geminados freqüentes e raros
múltiplos de 3, pouco numerosos, médios, curtos; pontuações inter-
vasculares circulares a ovaladas, guarnecidas, pequenas; placas de
perfuração simples. Raios bi e trisseriados predominantes, tetrasseriados
pouco comuns, homocelulares predominantes e raros heterocelulares,
estratificados; pontuações radiovasculares semelhantes às inter-
vasculares. Fibras librifomes, variando de curtas a longas, estreitas, de
paredes muito espessas. Parênquima axial paratraqueal, em faixas
estreitas, regularmente espaçadas, tangenciais, com 3 a 8 células de
largura e estratificação visível no plano tangencial; cristais prismáticos
presentes. Camadas de crescimento demarcadas por zonas fibrosas
levemente mais escuras.
CONCLUSÕES
As características estruturais das madeiras identificadas ( Manilkara
aff. bidentata subsp. surinamensis (Sapotaceae) e, Zollernia paraensis
Huber (Leg. Caesalp.) permitem entender a razão das peças estudadas
apresentarem excelente estado de conservação, mesmo após tantos anos.
Ambas são madeiras extremamente duras e resistentes à ação de agentes
xilófagos, como insetos e microorganismos.
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Figuras 5-7: Z ollenúa paraensis . 5 - Corte transversal (50x). Observar os poros solitários e parênquima
axial em faixas; 6 - Corte tangencial (50x). Observar raios e parênquima estratificados; 7 - Corte
tangencial (125x). Presença de cristais em células do parênquima axial.
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Notas sobre implementos indígenas com madeira
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17
CDD: 584.92041335
RESPOSTA DE BRACHIARIA HUMIDICOLA
À INOCULAÇÃO MICORRÍZICA E A
FERTILIZAÇÃO COM FOSFATO DE ROCHA
Newton de Lucena Cos tal 1
Rogério S. C. da Cos tal 1
Francisco das Chagas Leônidas 1
Valdinei Tadeu Paulino 2
RESUMO - Os efeitos da inoculação de micorríza vesículo-arbuscular (MV A)
Acaulospora muricata - e doses de fosfato natural de Araxá (0, 1 00 e 200 kg de
P 2 O s /ha), sobre o rendimento de matéria seca (MS) e absorção de nitrogênio
e fósforo de Brachiaria humidicola , foram avaliados em experimento conduzido
em cas-de-vegetação, utilizando-se um Latossolo Amarelo, textura argilosa,
previamente esterilizado. A inoculação de MV A e a aplicação de fosfato de
rocha, isolados ou conjuntamente, promoveram acréscimos significativos no
rendimento de MS e absorção de nitrogênio e fósforo da gramínea, não sendo
observado efeito significativo de doses de fósforo. A aplicação de fosfato de
rocha aumentou a eficiência de resposta à inoculação, ocorrendo um efeito
sinergístico. Aí taxas de colonização radicular não foram afetadas pela
aplicação de fosfato de rocha.
PALAVRAS-CHAVE: Matéria seca, Nitrogênio, Fósforo, Colonização radicular.
ABSTRACT - The effects of vesicular-arbuscular mycorrhizal (VAM) inoculation
andAraxa rock phosphate leveis (0 100 and 200 kg of P 2 O s /ha), on dry matter
(DM)yield, and nitrogen and phosphorus uptake of Brachiaria humidicola, were
evaluated in a glasshouse trial, utilizing a Yellow Latosol (O.xisol), clayey,
previously sterilized. The VAM inoculation, alone or combined with rock
1 EMBRAPA/Centro de Pesquisa Agroflorestal de Rondônia. Engenheiro Agrônomo. Porto Velho,
Rondônia.
2 Instituto de Zootecnia. Engenheiro Agrônomo. Nova Odesa-SP.
19
], | SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
phosphate fertilization, promoted a significative increments on DMyields and
nitrogen and phophorus uptake. However, there were significants effects of
phosphorus leveis. Rock phosphate fertilization improved the efficiency of
response to VAM inoculation, occuredasynesgisticeffect. The root colonization
did not affectd by rock phosphate fertilization.
KEY WORDS: Dry matter, Nitrogen, Phosphorus, Root colonization.
INTRODUÇÃO
Em Rondônia, a baixa disponibilidade de fósforo solúvel no solo é um
dos fatores mais limitantes ao crescimento das plantas forrageiras. Devido
ao alto custo dos fertilizantes fosfatados, métodos não tradicionais que
aumentem a disponibilidade e favoreçam a absorção de fósforo são desejá-
veis e devem ser considerados, visando um manejo mais racional e
econômico das pastagens. Nesse contexto, as associações micorrízicas
surgem como uma das alternativas mais promissoras.
A colonização das raízes por micorrizas vesículo-arbusculares (MVA)
resulta em modificações na fisiologia, bioquímica e nutrição mineral da
planta hospedeira, especialmente no favorecimento da absorção, translocação
e utilização de nutrientes e água.
Nos solos de baixa fertilidade natural, notadamente naqueles deficien-
tes em fósforo, as associações com MVA apresentam efeitos benéficos
mais acentuados (Mosse 1973); Rhodes & Gerdemann (1975) observaram
que plantas colonizadas absorviam 32 p colocado até 8 cm de distância da
superfície da raiz, devido as hifas externas do fungo funcionarem como
extensão do sistema radicular, podendo absorver nutrientes além da zona dos
pêlos radiculares e da zona de depleção (1 a 2 mm) que se desenvolve ao
redor das raízes. Howeler et al. (1982) relacionando a produção de matéria
seca obtida pela mandioca com o fósforo disponível no solo, observaram
níveis críticos de 190 e 15 ppm de fósforo (Bray II), respectivamente, para
plantas não inoculadas e inoculadas por MVA.
O melhoramento da fertilidade do solo através da aplicação de fosfatos
naturais evidenciam ainda mais os efeitos positivos das MVA. Segundo
Barea et al. (1975) as plantas colonizadas, por apresentarem menores
20
Resposta de Brachiaria humidicola à inoculação micorrízica
valores de K m , são capazes de baixar o nível de fósforo na solução para
valores inferiores aos do produto de solubilidade de compostos pouco
solúveis. Deste modo, as MVA ao aumentarem a absorção de fósforo
solúvel, estimulam a dissociação química do fosfato para manter o equilíbrio
deste na solução do solo (Barea & Azcon-Aguilar 1983).
O presente trabalho avaliou os efeitos da inoculação de MVA e da
aplicação de fosfato de rocha sobre o rendimento de forragem e composição
química de Brachiaria humidicola.
MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi conduzido em casa-de-vegetação, utilizando-se um
Latossolo Amarelo, textura argilosa, com as seguintes características
químicas: pH = 4,6; Al = 2,5 meq/lOOg; Ca + Mg = 1,5 meq/lOOg;
P = 2 ppm e K = 83 ppm.
O solo foi coletado na camada arável (0 a 20 cm), destorroado e
peneirado em malha de 6 mm, sendo a seguir esterilizado em autoclave à
110°C, por uma hora, a vapor fluente e pressão de 1,5 atm.
O delineamento experimental foi em blocos casualizados com três
repetições. Os tratamentos consistiram da inoculação de MVA ( Acaulospora
muricata) e três doses de fosfato de rocha (0, 100 e 200 kg de P 2 0 5 /ha),
aplicado sob a forma de Fosfato natural de Araxá (28% de P 2 0 5 total, 6%
de P 2 0 5 solúvel, 43% de CaO).
Cada unidade experimental constou de um vaso com capacidade para
3,0 kg de solo seco. A inoculação de MVA foi realizada adicionando-se 10 g
de inóculo/vaso (raiz + esporos + solo), contendo aproximadamente 500
esporos/50 g de solo, o qual foi colocado numa camada uniforme cerca de
5 cm abaixo do nível de plantio. Aplicou-se 5 ml de uma suspensão de solo
livre de esporos e micélios, a fim de assegurar a presença de outros
microorganismos naturais do solo. As doses de fosfato de rocha foram
aplicadas antes da semeadura e uniformemente misturadas com o solo.
O plantio foi realizado com sementes previamente lavadas com hipoclorito
de sódio. Após o desbaste, deixou-se três plantas/vaso. O controle hídrico foi
21
cm
SciELO
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Boi Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
feito diariamente, através da pesagem dos vasos, mantendo-se o solo em
80% de sua capacidade de campo.
Após doze semanas de cultivo, as plantas foram cortadas rente ao solo,
postas para secar em estufa à 65°C, por 72 horas, sendo a seguir pesadas e
moídas em peneira de 2,0 mm. As concentrações de fósforo e nitrogênio
foram quantificadas pelo método descrito por Tedesco (1982). As taxas de
colonização radicular foram avaliadas através da observação, ao microscó-
pio, de 25 fragmentos de raízes com 2 cm de comprimento, clarificadas com
KOH e tingidas por azul de tripano em lactofenol, segundo a técnica de
Phillips & Hayman (1970).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os rendimentos de matéria seca (MS) de B. humidicola, em função dos
tratamentos aplicados estão apresentados na Tabela 1. A inoculação de
MVA proporcionou um incremento de 133% na produção de forragem, em
comparação com o tratamento testemunha. A aplicação de fosfato de rocha
incrementou significativamente (P < 0,05) os rendimentos de MS, sendo os
maiores valores, independentemente da dose utilizada, registrados nas
plantas micorrizadas. Resultados semelhantes foram relatados por Howeler
(1983) avaliando o efeito de MVA, na presença ou não de adubação
fosfatada, em Andropogon gayanus cv. Planaltina. Segundo Ázcon-Aguilar
& Barea (1978), bactérias solubilizadoras de fosfatos estão presentes na
rizosfera micorrízica atuando sinergisticamente com os endófitos. Deste
modo, as MVA ao incremetarem a absorção de fósforo, favorecem a
dissociação química do fosfato insolúvel visando estabilizar a concentração
deste na solução do solo (Barea & Ázcon-Aguilar 1983). Jehne (1980)
observa que as espécies de MVA apresentam especificidade em relação às
fontes de fósforo aplicadas, o que pode influenciar diretamente na eficiência
destas. Miranda et al. (1984) verificaram interação significativa entre doses
de fósforo e inoculação de MVA, a qual foi explicada, em parte, pela melhor
eficiência de absorção de fósforo e transformação em rendimento de MS das
plantas de sorgo inoculadas, na dose de 25 ppm de fósforo, devido a ausência
de diferenças significativas entre as doses de 25 e 50 ppm de fósforo, quando
as plantas foram micorrizadas.
22
Resposta de Brachiaria humidicola à inoculação micorrízica
Tabela 1 - Rendimento de matéria seca (MS) e taxas de colonização radicular de Brachiaria
humidicola, em função da micorrização e aplicação de fosfato de rocha.
Tratamentos
ms
(g/vaso)
Colonização
radicular
Testemunha
4,57 e
-
Micorriza (M)
10,65 d
59,3 a
Fosfato de rocha (FR,)
(100 kg de P,0 5 /ha)
13,71 c
-
Fosfato de Rocha (FR,)
(200 kg de P,0 5 /ha)
15,25 b
-
M + FR,
16,80 ab
67,2 a
M+FR,
17,96 a
60,1 a
- Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey.
As taxas de colonização radicular não foram afetadas (P > 0,05) pela
aplicação de fosfato de rocha (Tabela 1). Provavelmente, este fato foi
conseqüência da aplicação de doses relativamente pequenas de fósforo, já
que, geralmente a adubação fosfatada, notadamente de fontes solúveis,
diminui a formação de micorrizas, bem como a proliferação de esporos
(Mosse 1973). Da mesma forma, Costa et al. (1989) não detectaram efeito
depressivo da aplicação de fosfato natural de Patos de Minas sobre a
colonização de raízes de aveia forrageira inoculadas com Glornus
macrocarpum. No entanto, a adição de superfosfato triplo reduziu significa-
tivamente as taxas de colonização radicular.
As maiores concentrações de nitrogênio foram obtidas no tratamento
testemunha e com a aplicação de 100 kg de P 2 0 5 /ha, os quais não diferiram
entre si (P > 0,05). As plantas micorrizadas, independentemente da
adubação fosfatada, apresentaram os menores teores de nitrogênio, como
conseqüência do efeito de diluição deste nutriente, à medida que os rendi-
mentos de MS aumentaram. As maiores quantidades absorvidas de nitrogênio
e fósforo foram obtidas com a aplicação de fosfato de rocha, associada à
inoculação de MVA, não sendo, contudo, constatado efeito significativo
(P > 0,05) de doses. Já, plantas fertilizadas com 200 kg de P 2 0 5 /ha, na
presença de MVA, forneceram a maior concentração de fósforo (Tabela 2)
Mosse (1977) observou que plantas micorrizadas de milho, suplementadas
com pequenas doses de fósforo, apresentavam melhor crescimento e
23
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
absorção de nutrientes. O aumento na área de solo explorado parece ser o
principal mecanismo responsável pelo aumento da absorção de nutrientes.
Gerdemann & Trappe (1974) verificaram que as hifas do fungo que coloni-
zavam o córtex estendem-se no solo adjacente, podendo atingir distâncias
consideráveis (16 cm) da superfície da raiz, aumentando, deste modo, a
interface raiz-solo, além de fazer a comunicação das raízes absorventes
com zonas não esgotadas em nutrientes. Para Siqueira (1983) a micorrização,
geralmente, implica em aumento na taxa fotossintética, respiração e
transpiração, o que pode exercer efeitos positivos sobre a absorção de
nutrientes disponíveis na solução do solo.
Tabela 2 - Teores e quantidades absorvidas de nitrogênio e fósforo de Brachiaria humidicola,
em função da micorrização e aplicação de fosfato de rocha.
Tratamentos
%
Nitrogênio
mg/vaso
%
Fósforo
mg/vaso
Testemunha
1,43 a
65,35 e
0,1 17 e
5,34 e
Micorriza (M)
1,15c
122,48 d
0,132 d
14,05 d
Fosfato de. rocha (FR,)
(1 00 kg de P,O s /ha)
1,37 a
187,82 c
0,144 cd
19,74 c
Fosfato de roccha (FR,)
(200 kg de P,0 } /ha)
1,29 b
196,72 bc
0,151 bc
23,02 bc
M + FR,
1, 31 b
220,08 a
0,158 b
26,54 ab
M + FR,
1,26 b
226,29 a
0,172 a
30,89 a
- Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey.
CONCLUSÕES
1 - A inoculação de MVA e a aplicação de fosfato de rocha, isoladas
ou conjuntamente, promoveram acréscimos significativos no rendimento de
matéria seca e absorção de fósforo e nitrogênio de Brachiaria humidicola ;
2 - A aplicação de fosfato de rocha aumentou a eficiência de resposta
à inoculação de MVA, não sendo detectado efeito significativo de doses de
fósforo;
3 - As taxas de colonização radicular não foram afetadas pela aplicação
de fosfato de rocha.
24
cm
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Resposta de Brachiaria humidicola à inoculação micorrízica
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25
CDD: 583.420416
GERMINAÇÃO E CARACTERÍSTICAS
BIOMÉTRICAS DE CARINIANA MICRANTHA DUCKE
(LECYTHIDACEAE) NA AMAZÔNIA CENTRAL 1
$
£
,<u
Angela Maria Imakawa 2
Isolde D. Kossmann Ferraz 3
RESUMO - Cariniana micrantha é uma espécie neotropical de importância
madeireira e de ocorrência restrita na Amazônia Central e Ocidental. A espécie
apresenta fruto deiscente na forma de pixídio e sua dispersão é anemocórica.
O presente trabalho teve como objetivo determinar a biometria de frutos e
sementes e estudar alguns aspectos fisiológicos da germinação das sementes em
condições controladas no laboratório e em condições naturais no sub-bosque e
na clareira. Os frutos e sementes foram coletados de onze árvores nativas em
três áreas de terra firme. As medidas biométricas efetuadas foram: comprimen-
to, largura e peso do pixídio, do opérculo e das sementes, e a quantidade de
sementes por fruto. A germinação foi testada em três ensaios independentes nas
temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35 °C e termoperíodo 12:12 h,
20°C:30 °C. Na floresta primária foi avaliada a taxa de germinação de sementes
sob a copa de cinco árwres-matrizes e no centro de cinco clareiras naturais.
O tamanho dos frutos variou de 7- 13 cm de comprimento e 5 -8 cm de largura,
com peso da matéria fresca entre 104 - 190 g. As sementes mediram de 1,3 -
1,8 cm de comprimento e 0,5 - 0,8 cm de largura com peso da matéria fresca
entre 0,13 e 0,20 g. A quantidade de sementes por fruto foi no mínimo 11 e no
máximo 29 sementes e a média por matriz variou de 16 a 23 sementes.
O tamanho do fruto e a quantidade de sementes não sugeriu uma relação
alométrica. O início da germinação ocorreu entre 8e 12 dias. As maiores taxas
de germinação foram obtidas nas temperaturas de 20°C (94%,), 25°C (92%) e
1 Trabalho apresentado na I Reunião do Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará. Parte de dissertação de Mestrado.
2 Curso de Pós-Graduação em Botânica, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia / Universidade
Federal do Amazonas, Manaus, AM.
3 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Coordenação de Pesquisas em Silvicultura Tropical,
Caixa Postal 478, CEP 69.01 1-970 Manaus, AM.
27
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
30°C (75%) e no termoperíodo 12:12h, 20°C:30°C (91%). À temperatura de
35 °C houve uma baixa germinação de sementes (19%), mas quando transferidas
para uma temperatura mais baixa após 16 dias, obsenvu-se um aumento na taxa
de germinação. Em condições naturais no sub-bosque a germinação ocorreu a
partir de 14 dias da semeadura apresentando uma taxa final de germinação de
80%. Na clareira o início de germinação foi mais rápido a partir de 8 dias, mas
com taxa de germinação de 50%. Cariniana micrantha com curto período de
germinação e alta adaptabilidade a uma grande amplitude de temperaturas
apresentou-se como uma espécie oportunista.
PALAVRAS-CHAVE: Cariniana micrantha. Semente, Fruto, Germinação
natural. Temperatura, Amazônia.
ABSTRA CT — Cariniana micrantha is a neotropical species ofimportance to the
tirnber industry. Its distribution is restricted to Central and Western Amazônia,
lts fruit is a dehiscent pyxidium with anemochorous seed dsipersal. The aim of
present the study was to determine biometric parameters of the species ’ fruits
and seeds and to study some physiological aspects of seed germination in
controlled laboratory conditions and in natural conditions under the canopy and
in gaps. Fruits and seeds were collected from a total of eleven trees growing in
three terra firme areas. Parameters measured were: length, width and weight
of the pyxidium, operculum and seeds, as well the nurnber of seeds per fruit.
Germination tests were carried out in three independem trials with constam
temperatures of20, 25, 30 and 35 °C and thermoperiod of 1 2: 12h, 20°C:30°C.
In primary forest, the germination was measured for seeds pui under five
parental trees and seeds put in five natural gaps. Fruits measured 7-13 cm in
length, 5-8 cm in width, with a fresh weigth of 104-190 g. Seeds measured 1.3-
1.8 cm in length and 0.5-0. 8 cm in width, with a fresh weight from 0.13-0.20
g. The nurnber of seeds in a fruit varied from a minimum of 11 to a maximum
of29, with an average of 16-23, depending on the parental tree. There was no
apparent relationship between fruit size and seed nurnber. Germination ocurred
within 8-12 days. The greatest germination index (94%) was observedal 20°C,
with 92% at 25 °C, and 75% at 30°C. With a thermoperiod of 12:12h,
20°C:30°C, the germination index was 91%. At 35 °C germination index was
low, but it increased when transferred to a lower temperature after 16 days
(19%). In natural conditions seeds showed a germination index of 80% under
parental trees, with germination starting after 14 days; whereas in gaps,
germination was more rapid (after 8 days) but less successful (50%). Cariniana
micrantha showed itself to be an opportunistic species, with a high germination
index, a short germination period, and a wide range of temperatures.
KEY WORDS: Cariniana micrantha, Seed, Fruit, Natural germination,
Temperature, Amazônia.
28
Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke
INTRODUÇÃO
Cariniana micrantha, conhecida vulgarmente como castanha-de-maca-
co, é uma espécie neotropical de importância econômica madeireira e de
ocorrência restrita à Amazônia Central e Ocidental. O habitat da espécie é
a terra firme e o sistema de dispersão é anemocórico (Prance & Mori 1979).
O fruto deiscente é um pixídio lenhoso fechado por um opérculo com
columela triangular e possui sementes aladas com membranas unilaterais. A
distribuição de muitas espécies é determinada pela faixa de condições
ambientais bióticas e abióticas toleradas durante a germinação das sementes.
Estudos sobre a biometria e o comportamento de germinação podem fornecer
informações sobre a distribuição e o estabelecimento da espécie.
O presente trabalho teve como objetivo determinar a biometria e
morfologia de frutos e sementes de C. micrantha e estudar alguns aspectos
da germinação de sementes em condições controladas e naturais no sub-
bosque e na clareira em floresta primária.
METODOLOGIA
Áreas de coleta. Os frutos e sementes foram coletados em três áreas: Reserva
“km 41”, Reserva Florestal Adolpho Ducke e Fazenda Aruanã (Figura 1).
A Reserva “km 41” pertencente ao Projeto Dinâmica Biológica de Fragmen-
tos Florestais (PDBFF) do convênio entre o Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia e a Smithsonian Institution, localiza-se aproximadamente a 100
km ao norte de Manaus, no km 41 da estrada ZF-3 que cruza a Rodovia
Manaus-Caracaraí (BR- 174). A Reserva Florestal Adolpho Ducke perten-
cente ao INPA, localiza-se ao norte de Manaus, no km 26 da Rodovia
Manaus-Itacoatiara (AM-010) e a Fazenda Aruanã localiza-se no km 215 da
Rodovia Manaus-Itacoatiara (AM-010).
No total foram coletados frutos e sementes de 11 árvores nativas. Na
Reserva “km 41”, os frutos de sete árvores foram coletados no período de
agosto a setembro de 1 993 , sendo que a matriz 5 faz parte também dos estudos
de fenologia de Lecythidaceae do P.D.B.F.F. (código de árvore dos estudos
das observações fenológicas, cód.f. 7487). Na Reserva Florestal Adolpho
29
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Ducke, os frutos foram provenientes de três árvores que também estão
inclusas no projeto de fenologia do INPA, sendo que a matriz 8 (cód.f. 44)
foi coletada em agosto de 1990 e as matrizes 9 (cód.f. 85) e 10 (cód.f. 143)
foram coletados em outubro de 1992. Os frutos da matriz de 11 foram
coletados na Fazenda Aruanã em setembro de 1991.
Figura 1 - Mapa de localização das 3 áreas de coleta de frutos e sementes de Cariniana micrantha Ducke:
Reserva “km 41’VP.D.B.F.F.; Reserva Florestal Adolpho Ducke/INPA; Fazenda Aruanã.
Coleta de frutos e sementes. Alguns frutos foram retirados diretamente da
árvore, mas a maioria foi colhida no chão. Os primatas têm o hábito de
arrancar os frutos e retirar o opérculo para se alimentar das sementes. Não
conseguindo o intento, frutos maduros podem ser encontrados debaixo da
matriz. Para este estudo foram unicamente coletados frutos fechados. Os
frutos foram transportados para o laboratório em sacos plásticos e as
sementes retiradas e acondicionadas em sacos de papel, sendo conservadas
em ambiente com ar condicionado (25±2°C e 60 a 70% de U.R.) até sua
utilização nos experimentos.
30
Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke
Características biométricas de frutos e sementes. A biométrica de frutos e
sementes foi efetuada com paquímetro e consistia de: a) comprimento
máximo do pixídio; b) largura máxima na parte mais alargada abaixo do anel
caliciforme; c) comprimento máximo do opérculo medindo-se a columela
triangular, d) diâmetro do opérculo no ápice, e) comprimento total da base
ao ápice da semente triangular sem a ala; f) largura na parte mediana da
semente sem ala; g) comprimento máximo da ala e h) largura na parte
mediana da ala. Para cada matriz foi calculada a quantidade média de
sementes de 20 frutos e foi determinada a quantidade mínima e máxima de
sementes por fruto.
Peso de frutos e sementes. O peso da matéria fresca e seca de 10 frutos com
opérculos e 25 sementes foi obtido utilizando-se balança semi-analítica
(precisão 0,001 g) e secando o material em estufa a 70°C até atingir peso
constante.
Germinação na floresta primária. A germinação das sementes em ambiente
natural foi estudada no sub-bosque sob a copa de cinco matrizes e em cinco
clareiras naturais. As sementes foram colocadas soltas no chão e em vasos
protegidos com tela e recipiente com água para evitar a predação por roedores
e formigas. O critério de germinação adotado foi a emissão da radícula. A
germinação nos diferentes ambientes foi testada com 5 repetições de 10
sementes.
Germinação em diferentes temperaturas. A germinação de sementes foi feita
em câmaras germinadoras LMS Cooled Incubator (precisão ± 2,0°C) com
lâmpadas fluorescentes de luz branca, fria e fluxo luminoso de aproximada-
mente 70 PAR, e fotoperíodo de 12 horas de luz e 12 horas de escuro. Com
a finalidade de determinar a melhor temperatura para a germinação testou-
se temperaturas constantes de 20°C, 25°C, 30°C, 35°C e um termoperíodo
de 1 2: 12 h, 30°C:20°C, luz: escuro. Em um experimento foi testado o efeito
da transferência de temperatura após 16 dias de 30°C para 25 °C e de 35 °C
para 25 °C.
Os substratos utilizados foram agar a 0,8% e papel de filtro em
recipiente de vidro com dimensões de 26,0 x 16,0 x 4,0 cm. Os recipientes
foram cobertos com tampa de vidro e colocados dentro de sacos plásticos
31
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
transparentes para evitar o dessecamento. As observações foram feitas
diariamente e quando necessário houve a troca do papel filtro e a lavagem das
sementes com água para a eliminação de fungos. O critério de germinação
adotado foi a emissão da radícula.
A germinação sob diferentes temperaturas foi testada em 4 ensaios
independentes utilizando-se repetições de 20 sementes de diferentes datas de
coleta.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Características Biométricas de Frutos e Sementes. Estudos biométricos e a
descrição do fruto de C. micrantha foram feitos por Rizzini (1971),
descrevendo o pixídio como lenhoso, cilíndrico, campanulado ou cônico,
medindo 8 a 11 cm de comprimento e 5 a 7 cm de largura. O opérculo é
fechado por uma columela trilocular ou prismática. Pio Corrêa (1984)
descreveu somente o comprimento do pixídio com 7,5 a 10 cm. Um estudo
biométrico mais completo foi dado por Prance & Mori (1979) que descreve-
ram o pixídio com 7 a 10 cm de comprimento e 4,5 a 7 cm de largura no ponto
mais baixo do anel caliciforme que mede 1 ,5 a 2,5 cm abaixo do ápice e cujo
pericarpo mede 1 ,5 cm de espessura; opérculo com 2,5 a 3,7 cm de diâmetro
e columela triangular com 8,5 cm de comprimento. As sementes aladas do
mesmo trabalho mediram 4,0 a 5,5 cm de comprimento e 1 ,2 cm de largura
com forma triquestra e piriforme com 1 ,5 cm de comprimento e 8,0 mm de
largura. Em estudos sobre predação de sementes, Peres (1991) descreveu as
sementes com comprimento e largura em média de 10,3 por 6,3 mm, as alas
com 49,0 por 14,0 mm e o peso médio da matéria seca de sementes de 0, 154
± 0,031 g (n= 130).
Os resultados da biometria de frutos e sementes de C. micrantha deste
estudo e da literatura são apresentados nas Tabelas 1-2. Verifica-se que a
variação de tamanho e de peso (Tabela 3- 4) é pequena, tanto de frutos quanto
de sementes dentro do mesmo indivíduo e entre as matrizes, e os resultados
apresentados complementam as informações dos autores citados acima. Para
as diferentes matrizes a quantidade média de sementes por fruto variou de 16
a 23 sementes e a quantidade mínima de 11 a 17 e a máxima de 19 a 29
32
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke
sementes por fruto (Tabela 1). Alguns frutos de grande tamanho apresenta-
ram pequena quantidade de sementes, sugerindo que não existe uma relação
alométrica entre o tamanho do fruto e a quantidade de sementes (Tabela 1).
Tabela 1 - Características biométricas de frutos de Cariniana micrantha Ducke, coletados na
Reserva “Km 41" (KM), Reserva Florestal Adolpho Ducke (RD) e Fazenda Aruanã (FA) e
dados encontrados na literatura. (Códigos para citações bibliográficas na coluna Matriz:
PC = Pio Corrêa 1984; R = Rizzini 1971; PM = PM = Prance & Mori 1979; P = Peres
1991. Nota: d.p. = desvio-padrão da média; n.d. = não determinado).
Matrizcód.f. Local
n
Comprim.
Largura de
Comprim.
Diâm. de
Sementes/
Sementes
média (d.p.)
média (d.p.)
média (d.p.)
média (d.p.)média (d.p.)
mín
máx
1
KM
20
9,19(0,87)
6,54 (0,33)
7,96 (0,71)
3,27 (0,26)
19(3,82)
14
26
2
KM
20
11,10(0,86)
7,19(0,46)
9,67 (0,68)
3,64 (0,38)
16(3,75)
11
24
3
KM
20
8,13 (0,48)
5,72 (0,23)
7,06 (0,39)
3,11 (0,21)
21 (2,46)
16
26
4
KM
20
9,57 (0,81)
6,30(0,31)
8,49 (0,57)
2,90 (0,65)
16(2,83)
11
21
5
7487
KM
20
9,19(0,42)
6,05 (0,29)
7,95 (0,41)
2,97 (0,31)
23 (3,73)
15
29
9
85
RD
10
8,30 (0,55)
6,36 (0,35)
7,05 (0,55)
2,83 (0,20)
21 (3,43)
17
26
10
143
RD
10
8,14 (0,49)
6,32 (0,48)
6,93 (0,38)
2,74 (0,34)
16(2,25)
12
19
11
FA
16
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
21 (5,05)
11
29
PC
n.d.
7,5 - 10,0
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
R
n.d
8,0- 11,0
5,0 - 7,0
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
PM
n.d.
7,0 - 10,0
4,5 - 7,0
8,50
2,5 - 3,7
n.d.
n.d.
n.d.
P
35
9,02 ± 0,96
5,61 ±0,56
7,76 ±0,51
2,5 - 3,7
18,44 ±3,62
13
25
Tabela 2 - Características biométricas de sementes de Cariniana micrantha Ducke, coletados
na Reserva “Km 41” (KM), Reserva Florestal Adolpho Ducke (RD) e Fazenda Aruanã (FA)
e dados encontrados na literatura. (Nota: d.p. = desvio-padrão da média; n.d. = não
determinado).
Matriz
Local
n=
Semente sem Ala
Ala
Semente com Ala
(cód.f.)
comprim.
largura (em)
comprim.
largura (cm)
comprim. largura
média(d.p.)
média(d.p.) média(d.p.)
média(d.p.)
(cm)
(cm)
8(44)
RD
25
1,47 (0,12)
0,72 (0,04)
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
11
FA
25
1,51 (0,13)
0,67 (0,05)
n.d.
n.d.
n.d.
n.d.
1,2, 3,4, 5
KM
25
1,52(1,17)
0,71 (0,73)
3,50 (8,94)
1,27 (1,07)
n.d.
n.d.
Prance & Mori
n.d.
1,50
0,80
n.d.
n.d.
4,0 - 5,5
1,2
Peres 1991
130
1,03
0,63
4,90
1,40
n.d.
n.d.
33
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Tabela 3 - Peso médio de pixidios e opérculos de Cariniana micrantha Ducke, coletados na
Reserva Florestal Adolpho Ducke (RD) e dados encontrados na literatura. (Nota: d.p. = desvio-
padrão da média;
n.d. =
não determinado).
Fruto com opérculo
Opérculo
Matriz (cód. f.)
Local
n
Peso fresco (g)
Peso seco (g)
Peso fresco (g)
Peso seco (g)
média (d.p.)
média (d.p.)
média (d.p.)
média (d.p.)
9(85)
RD
10
141,42 (18,76)
89,50 (14,88)
19,82 (3,51)
11,50 (1,85)
10(143)
RD
10
132,81 (24,46)
88,01 (16,38)
20,91 (4,02)
12,61 (2,23)
Peres,1991
35
113,10 ±32,30
n.d.
n.d.
n.d./ H
Tabela 4 - Peso médio de sementes de Cariniana micrantha Ducke, coletados na Reserva
Florestal Adolpho Ducke (RD) e Fazenda Aruanã (FA) e dados encontrados na literatura.
(Nota: d.p. = desvio-padrão da média; n.d. = não determinado).
Matriz (cód. f.)
Local
n
Peso de sementes em g
(material seco)
Peso de sementes em g
(material fresco)
média (d.p.)
média (d.p.)
8 (44)
RD
25
0,148 (0,02)
0,138 (0,02)
11
FA
25
0,159 (0,02)
0,149 (0,02)
Peres, 1991
130
n.d.
0,154 ±0,031
Nos estudos biométricos, especificamente para formas de frutos e
sementes mais complexos como os da família Lecythidaceae, é imprescindí-
vel uma metodologia padronizada, tanto quanto o procedimento quanto os
parâmetros utilizados (Figura 2). Os dados encontrados na literatura foram
muitas vezes incompletos ou medidos de várias maneiras que dificultaram a
comparação. Apesar disso foi possível deduzir que a espécie C. micrantha
não apresenta grandes variações na biometria de frutos e sementes.
Germinação na floresta primária. Na floresta primária a taxa de germinação
das sementes protegidas com tela e água, sob a copa das árvores foi de 80%
com o início da germinação após 14 dias, já nas clareiras naturais a
germinação foi de 50% iniciando mais cedo com 8 dias (Figura 3).
34
Germinação e características biométricas de Cariniana micramha Ducke
Figura 2 - Desenho esquemático de frutos e sementes de Cariniana micramha Ducke, a) Pixídio fechado
com opérculo; b) Pixídios sem opérculo; c) Columela triangular e opérculo; d) Sementes aladas.
1. comprimento máximo do pixídios; 2. largura máxima do pixídio; 3. diâmetro da abertura do
opérculo; 4. comprimento da columela; 5. comprimento máximo da semente sem a ala; 6. largura na
parte mediana da semente sem a ala; 7. comprimento máximo da ala; 8. largura na pane mediana da ala.
Figura 3 - Germinação de sementes de Cariniana micramha Ducke, sob a copa da árvore-matriz (mata)
e em clareira (n = 50 sementes por tratamento).
35
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
As sementes soltas e desprotegidas não germinaram devido à
predação (Imakawa & Ferraz 1994). As causas de mortalidade das
sementes protegidas nos dois ambientes foram diferentes. Debaixo da
copa das árvores-matrizes a germinação foi afetada pela presença de
fungos nas sementes, enquanto que nas clareiras, o estresse hídrico da
época seca pode ter causado a morte de muitas sementes.
Em áreas abertas ou perturbadas a dispersão abiótica é dominante
(Aguiar & Pina-Rodrigues 1993). As sementes dispersas pelo vento são as
primeiras a chegarem em áreas de clareira (Fenner 1985). Nestes ambientes,
as espécies de estratégia oportunista são favorecidas pela disponibilidade de
luz para o seu crescimento. As espécies oportunistas podem germinar e
sobreviver em condições de sombra, mas necessitam de ambientes claros
para crescer (Viana 1989; Kageyama & Viana 1991).
A germinação é a primeira fase no estabelecimento de uma espécie.
Como a disponibilidade de recursos atrai patógenos, parasitas, predadores de
sementes e herbívoros, as sementes e plântulas em geral têm maiores chances
de sobrevivência quando distantes da árvore-matriz (Janzen 1970; Howe &
Smallwood 1982).
As condições ambientais do sub-bosque, como por exemplo umidade,
foram mais favoráveis para a germinação de C. micrantha , mas esta mostrou
ser uma espécie adaptada a vários ambientes, inclusive com capacidade para
germinar em clareiras, onde a disponibilidade de luz pode favorecer seu
desenvolvimento.
Germinação em diferentes temperaturas. O início da germinação em
todas as temperaturas estudadas ocorreu entre 8 e 12 dias e o final da
germinação entre 21 e 31 dias (Tabela 5). Na revisão da literatura
consultada somente Alencar & Magalhães (1979) estudaram a germina-
ção de C. micrantha. A espécie apresentou uma taxa de germinação em
viveiro de 73,5% com um período final de 23 dias. Pode-se afirmar que
C. micrantha é uma espécie de rápida germinação e é fácil conseguir
sementes com alta viabilidade a partir de coletas obtidas no chão. Todas
as coletas apresentaram uma taxa de germinação acima de 70%, com
exceção de temperaturas acima de 30°C (Figura 4). Esta taxa de
germinação não foi constantemente alta para todas as repetições. Estas
36
Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke
diferenças podem ser atribuídas a presença de fungos que foram obser-
vados com intensidade a temperatura de 35 °C e esporadicamente a 25 e
30°C. A viabilidade das sementes de diferentes coletas conjuntamente
com a presença de fungos dificultaram a análise dos resultados.
Tabeia 5 - Características de germinação de sementes de Cariniana micrantha Ducke,
submetidas às temperaturas de 20, 25, 30 e 35°C constantes, termoperíodo de 12:12 h,
30°C:20°C e com transferência de temperatura após 16 dias de 30°C para 25°C e de 35°C
para 25°C (5 repetições de 20 sementes; ensaio da coleta de 04.08.93).
Tempe-
ratura
(°C)
Germinação
final
(%)
média
Germinação
inicial
(dias)
média (d.p.)
Germinação
Tempo médio
(dias)
média (d.p.)
Germinação
Final
(dias)
média (d.p.)
Germinação
50% (dias)
média (d.p.)
Germinação
ponto
culminante
(dias)
20
75,0(9,35)
9,4 (0,55)
15,0 (0,97)
21,4(1,67)
14,8(2,16)
20
25
45,0(14,14)
9,6 (0,55)
14,3 (0,33)
22,2 (2,38)
14,4(1,52)
17
30
63,0 (27,50)
8,8 (0,84)
17,0(1,11)
25,2 (4,66)
18,6 (2,70)
23
35
19,0(5,48)
12,4(7,60)
22,3 (3,67)
31,6(1,95)
19,8(6,46)
30
20:30
58,0(10,37)
9,0 (0,00)
18,5 (2,17)
27,8 (4,26)
18,8(3,96)
27
30 -> 25
47,0(18,91)
8,8(0,84)
14,5 (0,50)
20,0(1,58)
14,6(3,36)
20
35 -> 25
70,0(17,68)
10,6 (3,58)
19,7 (2,60)
30,0 (3,67)
20,4 (3,29)
25
100
O
O
0 )
O
□ 24.09.93 - 10 dias
□ 04.08.93- 15 dias
□ 17.09.91 -45 dias
9 04.08.93 - 75 dias
30 : 20
Temperatura (°C)
Figura 4 - Germinação final de sementes de Cariniana micrantha Ducke, submetidas às
temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35°C e termoperíodo 12. 12 h, 30 C . 20 C, em 4 ensaios
independentes com intervalo entre a data de coleta e semeadura de 10, 15, 45 e 75 dias.
37
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Na Figura 4, são apresentados os dados de germinação das semen-
tes de todas as datas de coleta sob as diferentes temperaturas. Verifica-se
que as sementes podem apresentar uma boa taxa de germinação entre as
temperaturas constantes de 20°C e 30°C e com termoperíodo de 12 : 12
h, 30°C : 20°C. As melhores taxas de germinação foram a 20°C (94%),
25°C (92%) e 30°C (75%) e a 30°C : 20°C (91%). No entanto, a
temperatura de 35 °C o melhor resultado dos 3 ensaios foi de 19%,
indicando que esta temperatura ultrapassa as condições ótimas para esta
espécie. Portanto, foi testada a hipótese de que as sementes entram em
latência (quiescência com a temperatura de 35 °C) ou de que a viabilidade
é afetada pela temperatura alta. As sementes submetidas a temperatura
inicial de 35 °C foram transferidas após 16 dias para a temperatura de
25°C. Após a transferência, observou-se uma germinação alta de 70%
(Figura 5). Pode-se constatar que a temperatura alta induz a uma
dormência relativa, segundo a denominação de Vegis (1964) e não afeta
a viabilidade destas pelo menos por um período de 16 dias. É interessante
observar que este comportamento não foi ainda descrito para uma
espécie florestal tropical.
— • —
20° C
A —
35° C
- 35->25° C
Tempo após semeadura (dias)
Figura 5 - Germinação diária de sementes de Cariniana micrantha Ducke, submetidas às
temperaturas constantes de 20°C, 35°C e com mudança de temperatura de 35°C para 25°C após
16 dias (ensaio da coleta de 04.08.93).
38
Germinação e características biométricas de Cariniana micrantha Ducke
A faixa de temperatura para germinação de algumas espécies pode
mudar após o período de amadurecimento. A alface após 16 dias da antese
germina 100% a 20 °C, mas após 20 dias da antese germina somente a
temperaturas acima de 20°C e após prolongado armazenamento germina até
30°C, existindo ainda uma interação com a fotosensibilidade (Bewley &
Black 1982; Mayer & Poljakoff-Mayber 1982). Landis et al. (1992) citam
quatro espécies de pinheiros que tiveram a taxa de germinação reduzida
quando submetidas a temperatura constante de 35 °C, mas somente uma teve
a viabilidade prejudicada. A indução de dormência por temperaturas altas
(26-30°C) é conhecida também para gramíneas anuais que germinam
normalmente no inverno a temperaturas baixas (Probert 1992).
Observa-se que C. micrantha pode germinar em uma ampla faixa de
temperatura, entretanto, a taxa de germinação diminui com o aumento da
temperatura.
Segundo Bonner (1991), a germinação pode ser avaliada pelo ponto
culminante de germinação (% total de germinação/dia de observação), e para
C. micrantha a 25°C é obtida no menor tempo de 17 dias (Figura 6). Também
para avaliar o sucesso da germinação, foi calculado o tempo no qual são
obtidas 50% das sementes germinadas (ISTA 1995) e C. micrantha apresen-
tou esta porcentagem entre 14 a 20 dias, sendo que o tempo médio de
germinação mais curto foi a 25 °C com 14 dias (Tabela 5).
= o
m «o r?
c i» w
to .2
= E ■o
I*
PCG
I I Germinação
Figura 6 - Germinação e ponto culminante de germinação de sementes de Cariniana micrantha
Ducke, submetidas às temperaturas constantes de 20, 25, 30 e 35 °C, termoperíodo 12: 12h, 30
°C (ensaio de 04.08.93).
2 3 4
5 6
39
SciELO
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Com base nestes resultados, sugere-se que a temperatura ideal para
a germinação de C. micrantha. seja aproximadamente de 25°C.
C. micrantha é uma espécie de alta adaptabilidade a diferentes
condições e tolera uma grande amplitude de temperaturas para germina-
ção, caracterizando-se como uma espécie oportunista.
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41
10 11 12
13
CDD: 583.32304183
INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO E PROFUNDIDADE DE
SEMEADURA NA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE
PAU-FERRO CAESALPINIA LEIOSTACHYA DUCKE 1 2
Maninho Alves de Andrade Júnior
Daniel Duarte Pereira 3
Genaro Viana Dornelas 4
Elson Soares dos Santos 5
RESUMO - Foi estudada a influência de três posições (natural ou queda, hilo
para cima e hilo para baixo) e sete profundidades (0,0 ou superfície; 0,5; 1,0;
1,5; 2,0; 2,5; 3,0 cm) de semeadura de sementes sobre a percentagem de
germinação, o índice de velocidade de emergência e a percentagem de
sobrevivência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, conduzidas
a nível de viveiro, em experimento inteiramente casualizado. A análise
estatística consistiu num modelo fatorial 3x7, sendo introduzido à análise o
fator época para a variável percentagem de sobrevivência, resultando num
modelo 3x3x7. Os resultados obtidos indicaram que preferencialmente deve-se
depositar as sementes no orifício de plantio em posição natural ou de queda a
uma profundidade de 2, 0 cm.
PALAVRAS-CHAVE: Pau-ferro, Caesalpinia leiostachya. Semeadura, Posição
e profundidade da semente.
ABSTRACT - Was studied lhe influence ofthree positions (natural or fali; hile
to high; hile to low) and seven depths (0,0 or surface; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5;
3,0 cm) of sowing of seeds about the percentage of germination, lhe index of
speed of emergency and the percentage of survival of plants of pau-ferro
Caesalpinia leiostachya Ducke, conducteds the levei of nursery, in experiment
entirelly casualized. The Analysis statistical consisted in a model factorial 3x7,
1 Parte da Dissertação de Graduação do primeiro autor.
2
Engenheiro Agrônomo do Museu Integrado de Roraima-GER/SECD/DC/MIRR.
3 Professor do curso de Agronomia da Universidade Federal da Paraíba-CCA/UFPB.
4 Professor do curso de Agronomia da Universidade Federal da Paraíba-CCA/UFPB.
5 Pesquisador da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba-EMEPA/PB
43
Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
also introduced by analysis lhe factor epoch by the variable percentage of
survival, resulted in a model 3x3x7. The results obtaineds indicated which
preferenceally need deposited the seeds in the hole of plantation in position
natural or fali in a depth of2,0 cm.
KEY WORDS: Pau-ferro, Caesalpinia leiostachya, Sowing, Position and
depth of seed.
INTRODUÇÃO
Para a implantação de um programa de produção de mudas de uma
determinada espécie é necessário que se tenha em mãos algumas metodologias
vinculadas a esta finalidade.
Carvalho & Oliveira (1978) relatam que no momento em que a semente
é posta no solo e recoberta, a posição deve exercer uma influência
mensurável sobre a rapidez do processo germinação/emergência, enquanto
queSchimidt, citado por Silva et al. (1985), ressalta que a profundidade ideal
de semeadura é aquela que garante germinação homogênea das sementes,
rápida emergência das plântulas e proporciona mudas vigorosas.
De um modo geral, o ajuste entre posição e profundidade de semeadura
de sementes, no orifício ou no sulco de plantio, torna-se de relevante
importância para otimização de programas de produção de mudas. Alguns
trabalhos destacam a ação destes fatores sobre a germinação de diversas
essências (Carvalho & Oliveira (1978); Ramos et al. (1982); Almeida &
Costa (1993)).
Este estudo visa fornecer dados consistentes que indiquem a posição e
profundidade ideal de semeadura de sementes de pau-ferro Caesalpinia
leiostachya Ducke.
MATERIAL E MÉTODO
O pau-ferro C. leiostachya é espécie nativa do Brasil, ocorrendo desde
o Piauí até São Paulo, ocupando áreas em matas litorâneas e serras (Braga
1976). Sua importância, em termos de utilização da madeira, se dá em
construções civis até navais (Heringer (1947); Lopes (1982); Silva (1983)).
Segundo Lorenzi (1992) a árvore é indicada para ornamentação e ainda como
44
Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro
alternativa na utilização em reflorestamentos mistos destinados à recompo-
sição de áreas degradadas. Já Corrêa (1984) relata que suas folhas são
forrageiras, acentuando ainda as características homeopáticas da casca.
Este estudo foi realizado no Viveiro Florestal pertencente ao Setor de
Silvicultura e Paisagismo do Departamento de Fitotecnia do Centro de
Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (Areia-PB).
As sementes utilizadas neste ensaio foram previamente tratadas com
ácido sulfúrico (H^S0 4 ) P.A., em imersão durante cinco minutos, para
quebra da dormência das mesmas, segundo Andrade Júnior (1994).
Foram testadas três posições de semeadura: Natural ou queda, Hilo
para cima e Hilo para baixo, e com profundidade em sete níveis: 0,0 cm ou
superfície, 0,5, 1,0, 1,5, 2,0, 2,5 e 3,0 cm, considerando-se como
profundidade de semeadura aquela correspondente a profundidade do
orifício de plantio.
Foram utilizados, como recipientes, sacos de polietileno preto de
dimensões 9,0 x 15,0 cm (largura e altura) e capacidade para 0,55 1.
O substrato utilizado foi o subsolo de Latossolo Vermelho- Amarelo
(LVA).
Após a semeadura, os recipientes, já no canteiro, foram cobertos com
telas do tipo sombrite (verde) e com cobertura rústica formada por colmos
de bambu, sendo esta cobertura removida parcialmente (raleada) aos 60 dias
e totalmente aos 75 dias.
As variáveis percentagem de germinação e índice de velocidade de
emergência foram analisadas aos 30 dias, enquanto que a percentagem de
sobrevivência foi analisada aos 30, 60 e 90 dias.
Os dados em percentagem foram transformados para arc sen V x%
(Cochran & Snedecor 1979). O índice de velocidade de emergência foi
calculado segundo Popinigis (1977).
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com 4
(quatro) repetições de 10 (dez) plantas, sendo a área útil composta por 4
(quatro) plantas.
O esquema de análise resultou num fatorial 3x7, sendo que para a
variável percentagem de sobrevivência, em virtude do fator época, utilizou-
se o modelo 3x3x7.
45
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
As análises estatísticas foram efetuadas no Setor de Estatística e
Informática da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba -
EMEPA/PB.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As análises da variância indicaram efeito significativo ao nível de 1 %
de probabilidade de posição e profundidade de semeadura de sementes de
pau-ferro e da interação entre estes fatores sobre a percentagem de
germinação, índice de velocidade de emergência (Tabela 1) e percentagem
de sobrevivência (Tabela la).
Tabela 1 - Análises de variância para dados de percentagem de germinação e índice de
velocidade de emergência de plântulas de pau-ferro Caesalpinia leioslachya Ducke, em
função de diferentes posições e profundidades de semeadura.
Quadrados Médios
Fonte de variação
GL
Percentagem
de Germinação 1
índice de Velocidade
de Emergência
Posição
2
1.954,3705**
0,4882**
Profundidade
6
4.352,2546**
4,0219**
Pos. x Prof.
12
782,2052**
0,3015**
Prof./Pos.
6
1.443,3142**
1,2208**
1 Linear
1
4.665,0286**
1,4789**
Quadrática
1
2.153,7901**
3,6855**
Cúbica
1
1.552,2025**
1,8928**
Desvio da Reg.
3
288,8639
0,2678
Prof./Pos. 2
6
4.291,1901**
2,3117**
Linear
1
15.638,3342**
8,0196**
Quadrática
1
7.020,9829**
4,5617**
Cúbica
1
2.636,7681**
0,02 16ns
Desvio da Reg.
3
150,3518
0,4225
Prof./Pos. 3
6
182,1608**
1,0926**
Linear
1
683,1032**
2,0412**
Quadrática
1
227,7011**
3,9999**
Cúbica
1
0,0000ns
0,4704**
Desvio da Reg.
3
60,7203
0,0147
Resíduo
63
80,9476
0,1991
Média
77,32
1,42
C.V. (%)
1 1,63
9,77
** Significativo ao nível de 1% de probabilidade
ns Não significativo
1 dados transformados em arc sen Vx%
46
Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro
Tabela la - Análise de variância para dados de percentagem de sobrevivência de plantas de
pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função de diferentes posições, profundidades
e épocas.
Fonte de Variação
GL
Quadrados Médios
Percentagem de sobrevivência 1
Posição
2
4.833,7152**
Profundidade
6
25.364,4415**
Época
2
0,26 16ns
Pos. x Prof.
12
1.071,4502**
Prof. /Pos. 1
6
7.437,8479**
Linear
1
30.185,0795**
Quadrática
1
9.592,6224**
Cúbica
1
2.942,9792**
Desvio da Reg.
3
635,4688
Prof./Pos. 2
6
14.904,0146**
Linear
1
61.431,9064**
Quadrática
1
20.051,5356**
Cúbica
1
178,0699ns
Desvio da Reg.
3
2.587,5253
Prof./Pos. 3
6
5.165,4795**
Linear
1
23.405,7227**
Quadrática
1
4.876,6082**
Cúbica
1
558,7824*
Desvio da Reg.
3
717,2545
Pos. x Época
4
0,2616ns
Prof. x Época
12
0,26 16ns
Pos. x Prof. x Época
24
0,2616ns
Resíduo
189
132,3270
Média
66,60
C.V. (%)
17,27
* Significativo ao nível dc 5% de probabilidade
* * Significativo ao nível dfe 1% de probabilidade
ns Não significativo
1 dados transformados em arc sen Vx%
Quanto ao percentual de germinação, observa-se na Tabela 2 que
apenas na semeadura realizada na superfície do solo houve diferença
significativa entre as posições, sendo os melhores resultados promovidos
47
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
pela posição hilo para baixo. A posição de queda obteve melhor resultado
para esta variável quando comparada com a posição hilo para cima, que por
sua vez não promoveu a germinação das sementes. Verifica-se ainda que
embora não tenha diferido significativamente das demais posições em
interação com as profundidades de semeadura restantes, a posição hilo para
baixo proporcionou uma melhor uniformização na germinação das semen-
tes, estabilizando em 100,0% logo a partir de 1,0 cm de profundidade de
semeadura. Carvalho & Oliveira (1978) verificaram que a posição hilo para
baixo facilitou a germinação de sementes de feijão Phaseolus vulgaris.
Para a profundidade de 0,0 cm observa-se (Tabela 2) que a sobrevivên-
cia das plantas foi mais alta para aquelas provenientes de sementes semeadas
com o hilo voltado para baixo, sendo significativamente superior as demais.
No entanto, para a semeadura efetuada a 0,5 cm observa-se que o melhor
resultado foi obtido pela posição natural ou queda, muito embora não tenha
havido diferença significativa entre esta e a posição hilo para baixo. Nas
demais profundidades de semeadura não houve diferença significativa entre
as médias das posições testadas.
Para o índice de velocidade de emergência, observa-se que na semedura
realizada na superfície do substrato (0,0 cm) não houve diferença significa-
tiva entre as médias das posições hilo para baixo e natural ou queda. No
entanto, aquela posição obteve melhor resultado quando comparada a esta,
que por sua vez não diferiu significativamente da posição hilo para cima.
Fato inverso é observado na profundidade de 0,5 cm em que a posição natural
ou queda apresenta melhor resultado quando comparada a posição hilo para
baixo, mesmo não havendo diferença significativa entre as mesmas. A
posição hilo para cima obteve resultado significativamente inferior as demais
para esta profundidade de semeadura. Não ocorreu diferença significativa
entre as médias nas demais profundidades de semeadura em interação com
as posições avaliadas. Carvalho & Oliveira (1978), verificaram que maior
rapidez na obtenção do stand final (velocidade de emergência) de plântulas
de feijão P. vulgaris foi promovida pela posição hilo para baixo.
48
Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro
Tabela 2 - Valores médios das percentagens de germinação e sobrevivência e do índice de
velocidade de emergência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função
da interação avaliada.
Posições
Profundidades (cm)
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
Germinação (arc sen Vx%)
Queda
34.56bB
76,17aA
85,39aA
80,78aA
85,39aA
83,36aA
90,00aA
(32,18)
(94,28)
(99,35)
(97,41)
(99,35)
(98,62)
(100,0)
Hilo para cima
0,00cC
56,25aB
85,39aA
85,39aA
78,75aAB
90,00aA
90,00aA
(0,00)
(69,13)
(99,35)
(99,35)
(96,18)
(100,0)
(100,0)
Hilo para baixo
76,17aA
76,17aA
90,00aA
90,00aA
90,00aA
90,00aA
90,00aA
(94,28)
(94,28)
(100,0)
(100,0)
(100,0)
(100,0)
(100,0)
Sobrevivência (arc sen V x%)
Queda
22,50bC
49,6 laB
85,39aA
80,78aA
80,78aA
83,36aA
90,00aA
(14,65)
(58,02)
(99,35)
(97,41)
(97,41)
(98,62)
(100,0)
Hilo para cima
0,00cB
13,83bB
70,97aA
83,36aA
77,40aA
78,75aA
80,78aA
(0,00)
(5,72)
(89,36)
(98,62)
(95,23)
(96,18)
(97,41)
Hilo para baixo
41,83aC
42,64aC
72,48aB
83,36aAB
90,00aA
85,39aAB
85,39aAB
(44,48)
(45,88)
(90,94)
(98,62)
(100,0)
(99,35)
(99,35)
índice de Velocidade de Emergência
Queda
0,23abC
l,66aAB
l,88aA
l,73aAB
l,62aAB
1,51 aB
1,50 aB
Hilo para cima
0,00bB
0,35bB
l,65aA
l,89aA
l,72aA
l,69aA
l,58aA
Hilo para baixo
0,46 aD
l,33aC
l,vJaA
l,95aA
l,82aAB
l,67aABC
l,53aBC
Médias de uma mesma variável seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e pela mesma
letra maiuscula na horizontal não diferem entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de
probabilidade.
Médias entre parênteses representam valores originais.
Na Figura 1 observa-se que há unia relação quadrática para cada
Posição de semeadura. A posição hilo para baixo desponta entre as demais,
a presentando incremento no percentual de germinação até o ponto de
2,25 cm, descrescendo de forma menos acentuada a partir de então. Estudo
de Almeida & Costa (1993) revelou que os melhores percentuais de
germinação de sementes de bacaba Oenocarpus ditichus foram obtidos em
semeadura realizada entre 1,0 e 3,0 cm de profundidade.
49
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Y 1 = 44,4925 + 4,33X -0,101 3X 2 R 2 = 0,7874
— — Y2= 1 1,1 050 + 7, 847X- 0,1 828X 2 R 2 = 0,8800
Y3 = 74,5222 + 1 ,481 8X - 0.0329X 2 R 2 = 0,8333
100,00 -
90,00 -
cr-
X
80,00 -
c
0
C/5
70,00 -
k_
O
60,00 -
ICO
o
<0
c
50,00 -
E
0
0)
40,00 -
0
■O
£
30,00 -
0
O)
ca
20,00 -
c
0
o
0
10,00 -
CL
0,00 -
/ /
/ /
' /
/
/
/
7
Y1 = Pmáx (21 ,37; 90,76 p<0,001
Y2 = Pmáx (21,46; 95,32 p<0,001
Y3 = Pmáx (22,50; 91,19 p<0,001
— i 1 1 1 1 1 i
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0
Profundidade de semeadura (mm)
Figura 1 - Relação quadrática de percentagem de ge.minação e profundidade de semeadura em três
posições de semeadura de sementes de pau-ferro (Y1 : queda; Y2: hilo para cima; Y3: hilo para baixo).
As relações quadráticas expressas na Figura 2 indicam que os melhores
percentuais de sobrevivência para as posições testadas encontram-se entre
20,0 e 25,0 mm de profundidade de semeadura.
Na Figura 3 observa-se que para todas as posições testadas corresponde
uma relação quadrática, onde os pontos máximos das funções se encontram
próximos à profundidade de 20,0 mm. Para emergência de plântulas de
angico (Parapiptadenia rígida) Ramos et al. (1982) observaram que para
várias espessuras de cobertura de sementes ocorreu uma tendência ao
decréscimo da velocidade de emergência com o respectivo aumento da
profundidade de semeadura.
50
Percentagem de sobrevivência (arc sen Vx%)
Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro
100,00
90.00
80.00
70.00
60.00
50.00
40.00
30.00
20.00
10,00
0,00
- 10,00
Y1 = 26,485 + 5.598X - 0.1234X 2 R 2 = 0,8913
— — Y2 = -4,99 + 8.056X - 0.1784X 2 R 2 = 0,91 12
Y3 = 35,549 + 4, 3084X - 0.0879X 2 R 2 = 0,9125
p<0,01
p<0,01
p<0,01
/
1 ~
0,0 5,0 10,0
15,0 20,0
— I —
25,0
30,0
Profundidade de semeadura (mm)
Figura 2 - Relação quadrática de percentagem da sobrevivência e profundidade de semeadura em três
Posições de semeadura de sementes de pau-ferro (Yi : queda; Y2: hilopara cima, Y3. hilopara baixo).
51
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 1 1(1), 1995
Y1 = 0,5807 + 0,1 486X- 0,0041 89X 2 R 2 = 0,7050
— — Y2 = -0,1 135 + 0.1933X - 0.00466X 2 R 2 = 0,9070
Y3= 0,5791 + 0,1 579X - 0.00436X 2 R 2 = 0,9215
2,00
<2
o
c
«(D
O)
E
(D
<1>
"D
<D
TD
OJ
■g
o
o
(D
>
(D
"O
d)
g
TJ
c
1,00
0,00
- 0,20
/ Y2 = Pmáx (20,74; 1 ,89 p<0,01
/ Y3 = Pmáx (18,09; 2,01 p<0,01
/
-i 1 1 1 1 1 i
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0
Profundidade de semeadura (mm)
Figura 3 - Relação quadrática do índice de velocidade de emergência e profundidade de semeadura
em três posições de semeadura de sementes de pau-ferro (Y1 : queda; Y2: hilo para cima; Y3: hilo para
baixo).
CONCLUSÕES
A partir dos resultados obtidos conclui-se que a profundidade de
semeadura deve ser em torno de 20,0 mm ou 2,0 cm, podendo-se depositar
as sementes tanto em posição hilo para baixo como em posição natural ou de
queda, sendo preferível esta última por ser mais fácil de se conseguir.
52
Influência da posição e profundidade de semeadura nas germinações de sementes de pau-ferro
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53
CDD: 584.504165
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL GERMINATIVO
EM AÇAÍ (EUTERPE OLERÁCEA MART.)
VARIEDADES PRETO, BRANCO E ESPADA 1
Asemar Carlos da C. Cunha 2
Mário Augusto G. Jardim 3
RESUMO - Com o objetivo de avaliar o potencial germinativo da palmeira açaí
(Euterpe oleracea Mart.) variedades preto, branco e espada, montou-se um
experimento com 04 tratamentos e 03 repetições os quais foram: TI (Testemunha -
frutos com polpa), T2 (frutos despolpados e escarificados manualmente), T3
(frutos despolpados), e T4 (frutos despolpados, escarifcados em substrato
constituído de vermiculita). As sementes foram coletadas ao acaso e no período
de 30 dias após a germinação foram avaliados os seguintes parâmetros:
percentagem de germinação, crescimento médio da radícula e do caulículo.
Para análise experimental utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado.
Os resultados indicaram que o processo de escarificação com substrato em
vermiculita proporcionou maior eficiência no processo germinativo e no
desenvolvimento dos caracteres vegetativos nas três variedades. O açaí preto
mostrou maior desenvolvimento que as demais variedades.
PALAVRAS-CHAVE: Euterpe oleracea. Germinação, Escarificação.
ABSTRACT - In this work made the evaluation of the germinative potential
of açai palrn ( Euterpe oleracea Mart.) with the varietyes black, white and
spades. Was made trials with 04 treatments and 03 repetitions: TI - Fruits with
pulp, T2 - Fruits without pulp and grazed, T3 - Fruits without pulp, T4 - fruits
' Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Bolsista PIBIC. Caixa Postal, 399. Cep: 66617-
970. Belém-Pará.
3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Pesquisador. Caixa Postal, 399. Cep: 66617-970.
Belém-Pará.
55
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
without pulp, grazed and using vermiculite substract. The seeds was colected
casualty and 30 days after the germination was evaluated: percentage of
germination and roots longest. The results showed that fruits with grased on
substract had better germination and açai black showed better development
than ather varietyes.
KEY-WORDS - Euterpe oleracea, Germination, Escarification.
INTRODUÇÃO
A análise do potencial germinativo de palmeiras representa um avanço
significativo para a domesticação e exploração racional de seu potencial
econômico, alimentar e energético. Segundo Pinheiro (1986) as palmeiras
podem se multiplicar por processos gâmicos ou agâmicos em proporções
bem diferenciadas . Poucos são os gêneros que se multipl icam por perfilhamento
ou rebentos, sendo desta forma a propagação via semente a que ocorre com
maior freqüência.
A germinação de sementes de palmeiras é geralmente caracterizada por
dificuldades que variam desde as características morfológicas da semente até
as peculiaridades fisiológicas do processo germinativo. Segundo Corner
( 1 966) citado por Pinheiro ( 1 986) as sementes de palmeiras são extremamen-
te sensíveis ao ressecamento, o que ocasiona debilidade ou mesmo a falência
total da germinação. Embora apresentem sinais de dormência há indícios de
que o crescimento embrionário é contínuo e vagaroso e a aparente lentidão
no crescimento da plântula está relacionada a sua capacidade em armazenar
nutrientes e dosar seu crescimento. Diferentes formas de germinação
evidenciam-se em função particularidades morfológicas e fisiológicas das
estruturas envolvidas no processo germinativo das sementes.
O objetivo deste trabalho é avaliar o potencial do Açaí ( Euterpe
oleracea Mart.) var. preto, branco e espada.
METODOLOGIA
O experimento foi conduzido na Ilha do Combu, município de Acará
(PA). As sementes foram coletadas ao acaso e postas para germinar em uma
56
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Avaliação do potencial germinativo em açaí
sementeira contendo como substrato solo hidromórfico do tipo Glei Pouco
Húmico retirado da camada arável do solo com incorporação de matéria
orgânica, com luminosidade de 50% e umidade mantida a 80%. Foram
aplicados 04 tratamentos com 03 repetições. Para cada tratamento utilizou-
se um total de 300 sementes, distribuídas em número de 100 por repetição.
Os tratamentos aplicados foram: TI (testemunha - frutos com polpa); T2
(frutos despolpados e escarificados manualmente); T3 (frutos despolpados)
e T4 (frutos despolpados, escarificados, germinados em vermiculita).
No período de 30 dias após a germinação foram acompanhados os
seguintes parâmetros: percentagem de sementes germinadas, crescimento
médio da radícula e crescimento médio do caulículo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos na avaliação do potencial germinativo da palmei-
ra açaí são apresentados nas Figuras 1-4.
Figura 2 - Comprimento médio da radícula após 30 dias da germinação (cm).
□ AP
□ AB
□ AE
57
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Figura 3 - Comprimento médio do caulículo após 30 dias da germinação (cm).
Figura 4- Valores de D para o teste T a 5% de probabilidade
*AP: Açaí preto; AB: Açaí branco; AE: Açaí espada
Os tratamentos aplicados não apresentaram diferenças significativas
quando comparados à testemunha. O tratamento T2 proporcionou nas três
variedades maior percentagem na germinação, bem como um maior desen-
volvimento da radícula e do caulículo.
O processo de escarificação proporcionou considerável aceleração no
processo germinativo, favorecendo todas as variedades na redução do tempo
de germinação. Bovi & Cardoso (1976) citado por Aguiar (1990) estudando
a germinação de sementes de Euterpe edulis Mart. verificaram que os
tratamentos 2 e 3 (frutos despolpados e frutos despolpados e escarificados)
não diferiram significativamente entre si, sendo entretanto, superiores aos
demais tratamentos aplicados. Estes resultados assemelham-se aos obtidos
em Euterpe oleracea Mart. onde os tratamentos T2 e T3 não diferiram
significativamente entre si, sendo entretanto superiores a testemunha.
58
Avaliação do potencial germinativo em açaí
Com relação ao tempo de germinação, Mathes & Castro (1987)
obtiveram um intervalo entre 14-88 dias em sementes de E. edulisMan. além
da observação de uma grande variação no número de dias necessários à
germinação de uma mesma espécie. Maguine (1962) citado por Bovi (1990)
relata que frutos inteiros mostraram menor velocidade de emergência,
apresentando uma redução de 42 a 7 1 % em relação àquela obtida quando do
uso de frutos despolpados.
Segundo Calzavara (1982) as sementes de E. oleracea, Mart. quando
coletadas e postas a germinar, iniciam a emissão do caulículo com 30 a 33
dias, enquanto que imersas em água quente durante 10 minutos, antecipam
sua germinação de forma considerável. Santos (1973), citado por Calzavara
(1982) constatou que sementes despolpadas de forma manual e mecânica,
iniciaram a germinação aos 21 dias após o semeio.
Cunha & Jardim (1995) avaliando o potencial germinativo em palmei-
ras amazônicas apesar de não obterem resultados significativos, constataram
que o método de despolpamento e escarificação em Euterpe oleracea Mart.
variedades preto, branco e espada, favoreceu o processo germinativo.
CONCLUSÕES
Os métodos de escarificação e de germinação em vermiculita, mostra-
ram maior eficiência no processo germinativo a todas as variedades
estudadas; a germinação em vermiculita favoreceu todas as variedades no
maior desenvolvimento da radícula e do caulículo; a espécie Euterpe
oleracea Mart. var. preto, apresentou um potencial germinativo superior as
variedades branco e espada; a espécie Euterpe oleracea Mart. var. espada,
apresentou maior precocidade no processo germinativo em relação as
variedades preto e branco; os tratamentos T2 , T3, e T4, não diferiram
significativamente entre si, entretanto, apresentaram diferenças expressivas
em relação a testemunha.
59
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGUIAR, F. F. A. 1990. Efeito de diferentes substratos e condições ambientais na
germinação de Euterpe edulis Mart. e Geonoma schottiana Mart. CONGRESSO
NACIONAL DE BOTÂNICA, 41. Anais. 4(2): Suplemento.
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sementes de palmiteiro. Bragantia, Campinas, 49 (1): 11-22.
CALZAVARA, B.B.G. 1982. O Açaizeiro Euterpe oleracea Mart. Belém, EMBRAPA/
CPATU (Série Cultivos Pioneiros).
CUNHA, A.C.C. & JARDIM, M.A.G.1995. Avaliação do potencial germinativo e do
desenvolvimento de caracteres Vegetativos de Seis Espécies de Palmeiras do Estuário
Amazônico. CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 46. Resumos. Ribeirão
Preto.
MATTHES, L.A.F. & CASTRO, C.E.F. 1987. Germinação de sementes de palmeiras.
O Agronômico. Campinas. 39 (3): 267 - 277.
PINHEIRO, C.U.B. 1986. Germinação de sementes de palmeiras: Revisão Bibliográfica.
Teresina, 102p (EMBRAPA/UEPAE. Documentos, 5).
60
SciELO
11
CDD: 581.6
ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA E USO DE
RECURSOS VEGETAIS NA RESERVA
EXTRATIVISTA DO CAJARI, AMAPÁ 1
Samuel Soares de Almeida 2
Marlene Saraiva da Silva 3
Nelson de Araújo Rosa 2
RESUMO - O extrativismo é uma atividade cultural e econômica marcante na
Amazônia, desde a época pré-histórica, estando associada à estratégias de
sobrevivência e de uso da terra. Uma parte significativa do território amazô-
nico é composta por manchas florísticas que incluem espécies vegetais de valor
econômico e usos diversos. Neste trabalho realizou-se inventário florístico do
componente arbóreo (DAP > 10 cm) de uma área de “castanhal” na Reserva
Extrativista do Cajari, localizada nos municípios de Mazagão e Laranjal do
Jari, Amapá. Foram registradas 38 famílias botânicas que incluíram 115
espécies e 521 indivíduos. As 10 espécies mais representativas correspondiam
a 45,49% do número total de indivíduos e 51,21 % da dominância registrada.
Os usos mais comuns da flora local foram madeira para construção civil, para
construção rural, medicina popular, espera de caça e alimentação humana.
PALAVRAS-CHAVE: Recursos Extrativistas, Inventário Florístico, Botânica
econômica, Amazônia.
ABSTRA CT - Fitossociological analysis and plant resources uses in the Cajari
Extractive Reserve, Amapá, Brazil. Extractivism has been a cultural and
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará. Pesquisa financiada pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA-
IBAMA).
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399, CEP
66.040-170. Belém-PA.
3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Bolsista de Iniciação
Científica - P1BIC. Caixa Postal 399, CEP 66.040-170. Belém-PA.
61
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
economic activity in the Amazon since pre-columbiam times. This activity is
associated with survival and land use strategies. A significam part of Amazônia
is covered with larges florest patches with plant species of both commercial and
non-commercial use value. This study provides fitossociological and economic
data ofa tree community of the Brazilnut tree area (“castanhal") in the Cajari
Extractive Reserve (Amapá State, Brazil). Trees provide that community with
medicinal drugs, latex, essentials oils, firewood, resins, seeds, fruits and palm
hears. A total of 521 trees (115 species in 38 plant families) were recorded on
the plot. The 10 most representative species correspond to 45,49% of the total
number of individuais and 51, 21 % ofthe total dominance. Tirnber for civil and
rural construction, popular medicine, hunting attraction and liurnan food are
the more comtnon uses of Cajari tree community.
KEY WORDS: Extractive resources, Floristic inventory, Economic botany,
Amazônia.
INTRODUÇÃO
A atividade extrativista na Amazônia é uma prática primitiva de
exploração de recursos que se confunde com a própria pré-História da região
(Santos 1980). O efeito econômico desta atividade foi tão expressivo no
passado que a arquitetura de cidades como Belém, Manaus e Santarém foi
definitivamente moldada com os recursos oriundos do extrativismo vegetal
da borracha (Tocantins 1982).
Nos dias atuais, com a crescente importância da biodiversidade para a
humanidade como um valor econômico, ambiental e cultural, a Amazônia
ganhou destaque face a elevada riqueza de organismos que encerra seus
ecossistemas naturais. Com isso, o extrativismo está sendo reavaliado em
novas bases sócio-econômicas e conservacionistas (Allegretti 1 990; Anderson
1990). Este novo paradigma, abrange, além de novas formas de relações
comerciais, a inclusão de técnicas agroflorestais de cultivo e de manejo e uso
sustentado de recursos (Prance 1990).
Reserva Extrativista (RESEX) é uma categoria de manejo que só
recentemente foi incluída no Sistema de Unidades de Conservação do Brasil
(SEM A 1988). RESEX pode ser definida como área de domínio público,
ocupada por grupos sociais que dependem dos produtos da floresta para sua
62
Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais
sobrevivência e que realizam, sob concessão de uso da terra, manejo
sustentado dos recursos naturais, de acordo com um preestabelecido Plano
de Manejo.
Um dos obstáculos atuais é dotar as RESEXs, de Planos de Manejo e
Conservação que possam ser facilmente aplicáveis, compatibilizando melhoria
de qualidade de vida, sustentabilidade e proteção do patrimônio biológico.
O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise sobre a composição
e utilização da flora arbórea numa área dentro da RESEX do Cajari (Amapá).
Estas informações serão agregadas ao conhecimento atual sobre a área para
execução do Plano de Manejo. Este plano deve incluir um calendário
extrativista que considere todas as espécies com interesse extrativista e
comercial, tanto as de uso local como aquelas utilizadas em outras áreas. Isto
servirá para ampliar as oportunidades e diminuir a pressão extrativista sobre
as espécies tradicionalmente exploradas.
METODOLOGIA
Área de estudo. Reserva Extrativista do Cajari localizada nos municípios de
Mazagão e Laranjal do Jari (Amapá). Possui cerca de 481 .650 hectares e está
inserida na bacia do rio Cajari tributário do rio Amazonas sob a influência
do rio Jari. A vegetação inclui floresta de terra firme intercalada com área
de savanas.
O inventário florístico foi realizado no Castanhal do Sororoca (Mun.
de Mazagão). Foram feitas ainda, coletas botânicas e de informações sobre
uso na Vila de Santa Clara (Mun. de Mazagão).
Inventário florístico. Amostrou-se 1 hectare (lO.OOOm 2 ) subdividido em 25
parcelas de 20 x 20 m 2 . Todos os indivíduos com diâmetro a altura do peito
(DAP) > 10 cm foram incluídos, anotando-se ainda a altura total e do fuste.
Análise fitossociológica. Os parâmetros fitossociológicos de densidade (ou
abundância) absoluta e relativa; área basal e dominância foram obtidos de
acordo com Mueller-Dambois & Ellenberg (1974). Foram feitas análises
gráficas de distribuição de freqüência de espécie por classes de abundância.
63
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1). 1995
Botânica Econômica. Registrou-se informações sobre utilização de elemen-
tos da flora arbórea na área de inventário e com moradores da Vila de Santa
Clara. Informações adicionais sobre uso das espécies em outras áreas foram
agregadas através de consulta à literatura especializada (Matta 1910;
LeCointe 1947; Bondar 1964; Loureiro & Silva 1968; Berg 1994; Albuquerque
1989; Cavalcante 1991) e material anteriormente coletado na área.
As informações foram organizadas nas seguintes categorias de usos:
Madeira para construção civil (Mc), para construção rural (Mr), para
construção naval (Mn), para combustível-lenhae carvão (Mb), para movelaria
(Mm); medicina popular (Me); material fibroso (Fi); óleo comestível ou
essencial (O); planta ornamental (Or), artesanato (Ar); látex (L)); resina (R):
planta tóxica (T); material tintorial e/ou tanífero (Tn); alimentação humana
(Ah) e plantas usadas para espera de caça (Ec).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Composição e Estrutura Florística. A flórula arbórea do hectare amostrado
no Castanhal Sororoca incluía 521 indivíduos distribuídos em 115 espécies
e 38 famílias botânicas (Tabela 1).
Tabela 1 . Estrutura florística na RESEX Cajari, Amapá, e em quatro outras localidades na
Amazônia oriental. (Plantas com DAP > 10 cm; densidade = indivíduos por hectare).
Localidade
Família (N°)
Espécies (N°)
Densidade
Fonte
Cajari (AP)
38
115
521
Este estudo
Camaipi (AP)
47
188
546
Mori et al. 1979
Capitão Poço (PA)
39
121
504
Dantas et al. 1979
Caxiuanã (PA)
43
196
649
Almeida et al. 1993
Rio Xingu (PA)
33
162
567
Campbell et al. 1988
A comparação com outros 4 hectares amostrados na Amazônia Oriental
demonstra que esta área possui menor riqueza específica que as demais
(Tabela 1). Entretanto, este padrão pode ser produzido artificialmente em
florestas manejadas, onde a pressão extrativista pode atuar no sentido de
64
Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais
otimizar a densidade de espécies de interesse, em detrimento daquelas sem
nenhum uso atual.
Quase a metade do total de indivíduos amostrados (45 ,49 % ) pertenciam as
10 espécies mais importantes no conjunto florístico amostrado (Tabela 2).
A dominância, expressa na percentagem da área basal, também foi conside-
rável para este conjunto de espécies (51,21%) (Tabela 2). Neste grupo, a
família Lecythidaceae esteve representada por 3 espécies ( Eschweilera
pedicellata, Gustavia augusta e Bertholletia excelsa ), Arecaceae por 2
( Maximiliana maripa e Iriartea exorrhiza ) e Sterculiaceae, Myrtaceae,
Simarubaceae, Meliaceae e Myristicaceae apresentaram uma espécie.
Tabela 2 - Espécies mais representativas em 1 hectare de “castanhal” em Floresta de Terra
Firme, em termos de densidade e dominância, na RESEX de Cajari, Amapá.
Espécie
Família
Densidade
absoluta (%)
Área basal
(m 2 )
Dominância
(%)
Eschweilera pedicellata
LECYT
42 (8,06)
2,05
5,89 3
Maximiliana maripa
ARECA
35 (6,72)
2,01
5,11 a
Theobroma speciosum
STERC
32 (6,14)
0,40
1,14 6
Gustavia augusta
LECYT
27 (5,18)
0,33
0,95 7
Eugenia patrisii
MYRTA
25 (4,80)
0,26
0,73 a
Iriartea exorrhiza
ARECA
19 (3,65)
0,20
0,56'°
Simaba cedron
S1MAR
16 (3,07)
0,23
0,65 9
Carapa guianensis
MELIA
15 (2,88)
2,11
6,04 2
Vi rola michelli
MYRIS
14 (2,69)
0,90
2,58 5
Bertholletia excelsa
LECYT
12 (2,30)
9,39
26, 90 1
Sub-total (10 espécies)
237 (45,49)
17,88
51,21
Demais espécies (105)
284 (54,51)
17,88
48,79
Total geral (115)
521 (100,0)
34,90
100,00
* Números sobrescritos representam o “rank” de espécies para Dominância; Área basal de uma espécie
é Xnd 2 /4, onde d é o DAP; Dominância de uma espécie é a área basal da espécie/área basal total x 100;
Densidade absoluta de uma espécie é número de indivíduos por hectare; Densidade relativa de uma
espécie é a densidade absoluta da espécie/densidade total de todas as árvores x 100.
As espécies mais densas foram Eschweilera pedicellata (42 árvores/ha,
8,06%), Maximiliana maripa (35 árvores, 6,72%), Theobroma speciosum
(32 árvores, 6,14%) e Gustavia augusta (27 árvores/ha, 5,18%).
65
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Uma comparação entre densidade e dominância demonstra que, algu-
mas espécies, mesmo pouco representadas, possuem uma considerável
dominância de área basal. Este é o caso de Bertholletia excelsa, cujos 12
indivíduos registrados possuem diâmetros consideráveis, atingindo 26,9%
da dominância basal total. Em contraste, Eschweilera pedicellata, com
muitos indivíduos, apresentou uma dominância 5 vezes menor do que aquela
de Bertholletia excelsa (Tabela 2). Em termos de dominância, a seguir
destacam-se Carapa guianensis (6,04%), Eschweilera pedicellata (5,89%),
Maximiliana maripa (5,77%), e Virola michelli (2,58%) (Tabela 2).
Entretanto, é provável que este hectare não se constitua numa amostra
de floresta oligárquica, definida por Peters et al. (1989), como áreas onde
há dominância de poucas espécies, cuja origem é atribuída tanto à seleção
antropogênica como à condições edafo-climáticas favoráveis.
Usos da flora arbórea. Mais da metade das 115 espécies inventariadas
eram utilizadas na área ou possuem registro de uso em outras áreas (63
espécies, 54,8%). Outras 52 espécies não foram citadas ou o uso é
desconhecido (Figura 1). Dentre os usos mais comuns destacam-se
madeira para construção civil e rural, medicina popular e espécies que
atraem caça (Figura 1). Embora existam poucas tentativas para se estimar
a valoração econômica da atividade extrativista na Amazônia, ela pode ser
expressiva na área do Cajari, a exemplo de uma comunidade estudada por
Peters et al. (1989) em Mishana, Peru, que calcularam uma renda média
em torno de 700 dólares por ano por ha.
Entre as espécies listadas com maior densidade e dominância, a maioria
tem valor de uso qualquer, corroborando a hipótese de otimização de
densidade das espécies sob manejo (Tabela 2). Dentre essas, destacam-se
algumas com valor extrativista consagrado como Bertholletia excelsa, a
“castanheira” (12 indivíduos, 2,30%), cuja amêndoa é o principal produto
extrativista do Cajari; Carapa guianensis a “andiroba” (15 indivíduos,
2,88%), cuja semente fornece um excelente óleo utilizado na medicina
popular e indústria de cosméticos; Virola michelli, a ucuuba (14 indivíduos,
2,69%0), com madeira de alto valor para laminados; Simaba cedron,
“paratudo” ( 1 6 indiv. , 3,17%), cuja casca é excelente vermífugo e Maximiliana
maripa, o “buriti ”(35 indiv. ,6,72%), cujo fruto é de pouco valor como
alimento humano, mas importante na alimentação da fauna de mamíferos.
66
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais
Número de Categorias de Usos
Figura 1 - Freqüência de categoria de uso da flora na Reserva Extrativista do Cajari, Amapá. Mun.
de Mazagão e Laranjal do Jari (AP).
As espécies com maior número de citações e diversificação de usos são
Bertholletia excelsa, Carapa guianensis, Euterpe oleracea, Hymenaea
courbaril, Caryocar glabrum, Bagassa guianensis dentre outras (Anexo I).
É importante notar ainda a convergência existente entre espécies mais
abundantes ou dominantes, com aquelas cujos usos despertam maior
interesse extrativista, seja por razões de tradição local ou por demanda de
mercado (Tabela 3). No entanto exceção pode ser feita a Hymenaea
courbaril, Tabebuia impetiginosa e Licania heteromorpha, espécies pouco
densas mas com utilização intensa (Figura 1). Em termos de conservação da
diversidade biológica, essas espécies e outras, cujas partes utilizadas são
frutos e sementes, ou mesmo aquelas abundantes com uso intenso, devem
merecer atenção em estudos futuros sobre técnicas específicas de manejo
visando produtividade e rendimento sustentável a longo prazo.
CONCLUSÃO
A flora arbórea do hectare amostrado na RESEX Cajari (AP) apresenta
u ma riqueza específica menor, quando comparada a outras florestas não
Manejadas. No entanto, não se pode afirmar que o manejo de florestas
Promova diminuição da diversidade biológica.
67
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Tabela 3 - Espécies de maior valor econômico atual ou potencial e seus respectivos tipos usos
mais comuns, na Reserva Extrativista do Cajari, Amapá.
Espécie
Família
Usos mais importantes
Bertholletia excelsa HBK.
LECYT
Alimentação: Amêndoa (‘in natura’), óleo.
Medicina: Casca e fruto seco (tônico).
Fibra. Casca usada como material fibroso Dara
assoalho de tapiri e paiol.
Carapa guianensis Aubl.
MELIA
Medicina: Semente (anti-inflamatória,
contusões) .
Madeira: Construção civil, naval, movelaria.
Euterpe oleracea Mart.
ARECA
Alimentação: Fruto e palmito.
Medicina: Raiz (anti-hemorráeica. reumatismo),
folhas novas (contusões).
Guarea subsessifolia C.DC
MELIA
Medicina: Raiz (anti-hemorrágica).
Madeira: Construção civil e naval: combustível
(carvão e lenha).
Bagassa guianensis Aubl.
LECYT
Madeira: Construção civil, naval e movelaria.
Fibras. Material fibrosos na casca usado como
tecido.
Espera de caça: Atração de caça (mamíferos).
Hymenaea courbaril L.
CAESA
Medicina: Raiz (anti-inflamatória). Casca (tosse,
bronquite).
Madeira: Marcenaria.
Resina: Usada como verniz e combustível.
Licania octandra (Hoff. &
R et S) Kuntze.
CHRYS
Artesanato: Casca silicosa usada misturarada com
argila em peças de cerâmica.
Madeira: Contrução civil.
Medicina: Casca (adstringente).
Tabebuia impetiginosa
(Mart.) Standley
BIGNO
Medicina: Casca (antiinflamatória e antieástrica).
Cerne (anticancerígeno).
Madeira: Construção civil e marcenaria.
Vi rola michelli Heckel
MYRIS
Madeira: Construção civil e movelaria.
A elevada densidade de espécies úteis sugere que o povoamento
arbóreo esteja sendo manejado de modo a favorecer este conjunto de
espécies. Uma evidência disto é o fato de que a maioria das espécies mais
representativas floristicamente possuem pelo menos uma citação de uso
local.
68
Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais
Apesar de apresentar menor número de espécies quando comparada a
outras localidades da Amazônia Oriental, a flora do Cajari (AP) não pode ser
considerada uma oligo-floresta como sugerido por Peters et al. (1989). Da
mesma forma, os dados de riqueza florística apresentados não são suficientes
para apoiar a hipótese de simplificação da diversidade biológica em florestas
manejadas.
Espécies muito valorizadas, com intenso extrativismo, e ainda aquelas
que incluem remoção de frutos e sementes, devem ser priorizadas em estudos
futuros sobre dinâmica biológica de populações e técnicas de manejo e uso
sustentado de recursos extrativistas.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao pessoal do CNPT/IBAMA do Amapá, especialmente
a Wilson Menescal e ao Sr. Filocrião pelo apoio e informações sobre a área.
À Benedito Rabelo e Antonio Carlos Farias da CEMA/AP pelo apoio
logístico pela ajuda e acolhida. Agradecimento especial ao Sr. Miguel da
Silva pela ajuda no campo e informações.
REFERÊNCIAS bibliográficas
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70
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais
Anexo I - Espécies, parâmetros fitossociológicos e tipos de usos da flora arbórea do Castanhal
Sororoca, RESEX Cajari, Amapá, Municípios de Mazagão e Laranjal do Jari. Legendas para
usos: Mc (madeira para construção civil); Mn (madeira para Construção naval); Mr(madeira
para construção rural); Mm (movelaria); Mb (combustível-lenha e carvão); Fi (material
fibroso da casca ou folha); Me (medicina popular); Ar (artesanato); Ec (espera de caça); O
(óleo essencial e/ou comestível); Or (planta ornamental); R (resina); L (látex); T (planta
tóxica); Tn (substância tanífera e/ou tintorial). Legenda para colunas: D. A. = densidade
absoluta; Á. B. = área basal em m 2 ; Dom. = Dominância em porcentagem.
Espécie
Família
D. A.
Á.B.
Dom.
Usos
1
Ampelocera edentula Kuhl.
ULMAC
5
0,47
1,35
Me/Tn
2
Aniba guianensis Aubl.
LAURA
6
0,15
0,42
Mc
3
Annona montaria var. marcgravii
(Mart) Pl. & Tr.
ANNON
1
0,01
0,04
Ah
4
Aspidosperma eleanum Mgf
APOCY
5
0,07
0,20
Mc/Mn/Me
5
Aspidosperma excelsum Benth.
APOCY
1
0,04
0,10
6
, Bagassa guianensis Aubl .
MORAC
1
0,27
0,77
Ec/Fi/Mc/Mn/Mm
7
Bauhinia guianensis Ducke
CAESA
1
0,19
0,55
8
Bauhinia siqueirae Huber
CAESA
6
0,06
0,18
9
Bertholletia excelsa H.B.K.
LECYT
12
9,39
26,89
Ah/Ec/Mr/ Me/Fi
10
Brosimum guianensis (Aubl) Huber
MORAC
11
0,25
0,70
Ec/ L/Mc
11
Brosimum rubescens Sandw.
MORAC
4
0,10
0,29
Ec/Mc
12
Calycolpus sp.
MYRTA
1
0,02
0,06
13
Campomanesia lineatifolia
Ruiz et Pavon
MYRTA
1
0,03
0,08
14
Capparis coccolobifolia Mart.
CAPPA
5
0,04
0,11
15
Carapa guianensis Aubl.
MELIA
15
2,11
6,04
Ec/Mc/Mm/Mn/Me
16
Caryocar glabrum(Aub\) Pers.
CARYO
1
0,01
0,02
Ec/Mc/Mn/Mm
17
Casearia decandra Jacq.
FLACO
1
0,01
0,04
Me
18
Casearia javitensis H.B.K.
FLACO
2
0,03
0,08
19
Cecropia obtusa Trécul.
CECRO
1
0,03
0,08
Me
20
Cheiloclinium cognalum (Miers) Mori
HIPPO
5
0,07
0,20
21
Coccoloba paniculata Meissn.
POLYG
1
0,02
0,05
Me
22
Combretum laxurn Jacq.
COMBR
1
0,01
0,03
23
Conceveiba guianensis Aubl.
EUPHO
1
0,04
0,13
24
Cordia scabrida Mart.
BORAG
3
0,09
0,26
25
Couepia guianensis Aubl.
CHRYS
1
0,03
0,08
Ec/Ah/Mc/Tn
26
Couratari micrantha Aubl.
LECYT
1
0,04
0,13
27
Crepidospermum gondolianum
(Tul.) PI. & Tr.
BURSE
1
0,01
0,03
28
Cupania latifolia Kunth.
SAP1N
3
0,11
0,31
29
Dialium guianense (Aubl) Sandw.
CAESA
5
0,33
0,94
Mc/Mn/Mm/Me
30
Dripetes variabilis Vahl.
EUPHO
4
0,15
0,44
31
Dyospiros praetermissa Sandw.
EBENA
1
0,05
0,13
71
10 11 12
Boi.
Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.
11(1), 1995
Espécie
Família
D. A.
Á.B.
Dom.
Usos !
32
Endopleura uchi Cuatr.
HUMIR
1
0,01
0,03
Ah/Ec I
33
Eschweilera coriacea Mart.
LECYT
1
0,02
0,05
Ec/Mr |
34
Eschweilera pedicellata
(Rich.) Mori
LECYT
42
2,05
5,89
Mr (
35
Eugenia muricata D.C.
MYRTA
1
0,03
0,10
36
Eugenia patrisii Vahl.
MYRTA
25
0,26
0,73
Ah ;
37
Euterpe oleracea Mart.
ARECA
4
0,04
0,13
Ah/Mr/Fi/Me/Or
38
Exostyles amazônica Yacovlev
CAESA
1
0,01
0,18
39
Ficus eximia Schott
MORAC
1
0,06
1,87
40
Ei cus gomelleira Kunth et Bauché
MORAC
2
0,65
4,18
Ec/L/ Me/Mr
41
Ficus insípida Willd.
MORAC
3
1,46
0,14
Ec/Mr/Me j
42
Forsteronia guianensis Muell. Arg.
APOCY
3
0,05
0,20
43
Geissospermum sericeum
Bth. & Hook.
APOCY
2
0,07
0,02
Mr/Mc/Me J
44
Guarea subsessifolia Huber
MELIA
1
0,01
0,95
Mc/Mn/Mb/Me/Or i
1 45
Gustavia augusta L.
LECYT
27
0,33
0,29
Mr/Me 1
46
Helicostylis pedunculata Sleum.
MORAC
2
0,10
2,99
Ec/Mr
47
Hieronyma laxifiora
(Tul) Muell. Arg.
EUPHO
2
1,04
0,23
Mr/Mn/Or
! 48
Hirtella eriandra L.
CHRYS
4
0,08
0,05
49
Humirianthera duckei Huber
ICACI
2
0,02
1,98
Me
50
Hymenaea courbaril L.
CAESA
1
0,69
0,08
Ec/Mc/Mn/Me/R
51
Hymenolobium racemosum Benth.
FABAC
1
0,03
0,04
52
Inga aff. aggregata G.Don.
MIMOS
1
0,01
0,07
53
Inga auristellae Harms.
MIMOS
2
0,02
0,14
54
Inga bracteosa Benth
MIMOS
1
0,05
0,16
55
Inga falcistipula Ducke
MIMOS
3
0,06
0,51
56
Inga ingoides (Rich) Willd.
MIMOS
7
0,18
0,03
Ec/Ah
57
Inga macrophylla H.B.K
MIMOS
1
0,01
0,02
58
Inga marginata Willd.
MIMOS
1
0,01
0,40
59
Inga sp.
MIMOS
5
0,36
1,02
60
Inga rubiginosa (Rich) D.C.
MIMOS
5
0,14
0,40
Ec / Mb [
1 61
Iryanlhera juruensis Warb.
MYRIS
4
0,08
0,22
Mr
62
Iryanlhera sagotiana (Bth) Warb.
MYRIS
1
0,05
0,16
Mr
63
Iryarlea exorrhiza Ruiz & Pavón
ARECA
19
0,20
0,56
Mr/Me/Fi
64
Lacmellea aculeata (Ducke) Morach
APOCY
1
0,02
0,05
65
Lacunaria jenmani (Oliver) Ducke
QUIIN
2
0,03
0,09
66
Lecylhis lurida (Miers) Mori
LECYT
1
0,02
0,05
Mr
67
Lecythis pisonis Camb.
LECYT
1
0,65
1,87
Ec/ Mc/Mn j
68
Leonia sp.
VIOLA
1
0,01
0,03
69
Licania heteromorfa Benth
CHRYS
2
0,05
0,16
Mc/Me/ Tn
70
Licania octandra
(Hoff. & R.et.S.) Kuntze
CHRYS
4
0,18
0,52
Ar/Mc/Me/Tn
72
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Análise fitossociológica e uso de recursos vegetais
N‘
Espécie
Família
D. A.
Á.B.
Dom.
Usos
71
Lindackeria paraensis Kuhl.
FLACO
1
0,04
0,11
Mb
72
Luehea speciosa Willd.
TÍLIA
1
0,20
0,58
Mr
73
Mabea speciosa Muell. Arg.
EUPHO
2
0,04
0,11
74
Machaerium ferox Pers.
FABAC
1
0,01
0,02
75
Maquira guianensis Aubl.
MORAC
4
0,09
0,24
76
Maximiliana maripa
(C. Serra) Drude
ARECA
35
2,01
5,77
Ec/ Ah/ Fi
77
Melloa quadrivalvis
(Jacq.) A.Gentry
BIGNO
2
0,02
0,05
78
Minquartia guianensis Aubl.
OLACA
3
0,38
1,09
Mc/Mr
79
Mouriri acalocarpa Ducke
MELAS
1
0,05
0,14
Mb
80
Mouriri grandiflora D.C.
MELAS
1
0,02
0,05
Ec/Ah/Mb
81
Mouriri sp.
MELAS
1
0,06
0,16
82
Neea madeirana Standl.
NYCTA
12
0,58
1,66
Me
83
Neea sp.
NYCTA
13
0,70
2,01
84
Ocotea glandulosa Lasser
LAURA
6
0,36
1,02
Mr
85
Omphalea diandra L.
EUPHO
5
0,04
0,12
Me/Ah/O
86
Parkia gigantocarpa Ducke
MIMOS
1
1,40
4,02
Mc/Mm
87
Perebea guianensis Aubl.
MORAC
1
0,05
0,14
88
Picramnia latifolia Tul.
SIMAR
3
0,03
0,08
89
Poecilanlhe effusa Benth.
FABAC
1
0,03
0,08
Me/Mb
90
Pourouma guianensis Aubl.
CECRO
1
0,01
0,04
91
Pouteria caimito
(Ruiz et Pavon) Radlk.
SAPOT
11
0,25
0,73
Ec/Mb
92
Protium tenuifolium Engl.
BURSE
6
0,57
1,63
R/Mr
93
Pseudolmedia laevigata Tréc.
MORAC
11
0,27
0,78
94
Pterocarpus rorhii Vahl.
F/\BAC
1
0,01
0,03
Mr
95
Richardella macrophylla Eyma
SAPOT
2
0,39
1,12
Ec/Ah
96
Simaba cedron Planch.
SIMAR
16
0,23
0,65
Mr/Me
97
Sloanea pubescens
(Poepp & Endl) Benth.
ELAEO
1
0,11
0,46
98
Slonea grandiflora A.C.Smith
ELAEO
4
0,16
0,33
99
Sterculia pruriens (Aubl) Sch.
STERC
6
1,23
3,52
100
Slryphnodendrum polystachyum
(Miq) Kleinh.
MIMOS
2
0,36
1,03
Mc/T
101
Styrax guianensis A.DC.
STYRA
1
0,01
0,02
102
Swartzia arborescens
(Aubl.) Pittier
CAESA
1
0,02
0,05
103
Swartzia brachyrachis Harms.
CAESA
1
0,01
0,02
104
Swartzia obscura Huber
CAESA
1
0,01
0,02
105
Tabebuia impetigiosa
(Mart) Standl.
BIGNO
1
0,02
0,06
Mc/Mm/Me
106
Tachigalia paniculata Aubl.
CAESA
7
0,12
0,34
Mc/Mr/Mb
73
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Espécie
Família
D. A.
Á.B.
Dom.
Usos
107
Tetragastris panamensis
(Engl.) 0. Kuntze
BURSE
4
0,07
0,19
Mc
108
Theobroma cammanensis
Pires & Fróes
STERC
1
0,01
0,04
Ah
109
Theobroma speciosum
Willd Spreng.
STERC
32
0,40
1,14
Ah
110
Traltinickia rhoifolia Willd.
BURSE
2
0,21
0,59
Mc/Mr
111
Trichilia sp.
MELIA
1
0,02
0,05
112
Vatairea erythrocarpa Ducke
FABAC
1
0,01
0,03
113
Virola michelli Heckel
MYRIS
14
0,90
2,58
Mc/Mm
114
Virola mullinervia Ducke
MYRIS
3
0,03
0,09
Mc
115
Xylopia nitida L.
ANNON
1
0,01
0,04
Mr/Mb/Fi
Total
521
34,9
100
74
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CDD: 584.150981152
FLORA ORQUIDOLÓGICA
DA SERRA DOS CARAJÁS, ESTADO DO PARÁ
Euzamar Cardoso da Silveira 1
André Luiz de Rezende Cardoso 2
Anna Luiza llkiu-Borges 2
Noé von Atzingen 3
RESUMO - Localizada ao sul do Estado do Pará, a Serra dos Carajás é um
conjunto de pequenas serras que possuem em média 600m de altitude e
abrangem 429.000 hectares. Esta região, onde encontra-se a maior província
mineral do Brasil, é formada por diversos ecossistemas, incluindo floresta
equatorial, savana metalófda, mata de transição e mata ribeirinha, onde foi
realizado o estudo da flora orquidológica. Neste levantamento foram encontra-
das 118 espécies de orquídeas, em 55 gêneros, e observados seus ecossistemas
de ocorrência e preferências adaptativas.
PALAVRAS-CHAVE: Orquídeas, Estado do Pará, Serra dos Carajás,
Ecossistema.
ABSTRAT - The Serra dos Carajás, located in Southern Pará, is a group of
small hills that are about 600 meters in height and cover 429, 000 hectares. This
region possesses the largest mineral deposit in Brazil and is made up ofvarious
ecosystems which include tropical rainforest, matelliferous savannah, transition
area and riverside forest. These ecosystems were used for a study of orchid
plantlife. During the study 118 species of orchids in 55 genera were found and
notes were made about their preferred ecosystems.
KEY WORDS: Orchids, State of Pará, Serra dos Carajás, Ecosystem.
1 Fundação Parque Zoobotânico de Carajás.
2 Sociedade Paraense de Orquidófilos. Rua dos Mundurucus, 1553/601. CEP: 66025-660. Belém-PA.
3 Fundação Casa da Cultura de Marabá. Caixa Postal: 172. CEP: 68508-970. Marabá-PA.
75
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
INTRODUÇÃO
A Serra dos Carajás está situada a 650 km de Belém, ao sul do Estado
do Pará, entre os paralelos 5°54' - 6°33’S e os meridianos 49°53'-
50°34’W.Gr. Caracteriza-se por uma série de serras descontínuas e morros
afastados por extensos vales, cujas principais elevações são: Serra Norte,
Serra Sul e Serra Leste. A Serra Norte constitui-se de vários morros de
minério de ferro, emergentes acima da planura da floresta com elevações de
600 a 800 m. A uniformidade das alturas dos platôs sugere que sejam
remanescentes de uma antiga extensa superfície de erosão. A formação de
crosta ferrífica recobrindo os platôs impediu o desenvolvimento de densa
floresta pluvial, ocasionando espaços salientados pela vegetação de canga,
contrastando com a vegetação circundante. Escarpas abruptas circundam os
platôs e as áreas situadas entre os mesmos constituem vales densamente
revestidos pela floresta, com igarapés profundamente escavados.
Em alguns locais existem lagos onde o concrescionamento ferruginoso
revestiu áreas rebaixadas ou irregulares da superfície de aplainamento, a
maioria mantida pelas variações de pluviosidade invernal (Tolbert et al.
1971).
A região de Carajás está submetida a um clima tropical quente e úmido,
do tipo “Aw”, segundo a classificação de Kõppen, com uma estação chuvosa
alternada com uma estação seca. O período chuvoso é geralmente mais
longo, vai de novembro a maio, sendo o último mês o mais chuvoso. Os
meses mais secos vão de julho a setembro, sendo agosto o mês mais seco.
A precipitação média anual é de 2.116 mm. As variações térmicas vão de
20°C nos platôs ao amanhecer e a 28°C durante as horas mais quentes do dia.
A umidade relativa do ar é superior a 80%, de acordo com dados obtidos
junto à Companhia Vale do Rio Doce.
A maioria dos solos da Serra dos Carajás se enquadra no tipo Podzólico
Vermelho-Amarelo (PV), que é a maior unidade de mapeamento que ocorre
na área, com maior frequência à margem esquerda do rio Tocantins a partir
do paralelo 3°S. O solo modal é o Podzólico Vermelho-Amarelo, que ocorre
associado a diferentes solos. Segundo Ab’Saber (1986), nas áreas de
cimeiras florestais encontra-se o Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico;
nos morrotes de cristais dessecados sub-rochosos das margens da serra.
76
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Flora orquidológica da Serra dos Carajás
ocorrem os solos Litólicos distrófícos e, nos níveis mais baixos das colinas,
estão os Podzólicos Amarelos. O solo de canga ocorre nas áreas de relevos
residuais. A canga é uma camada impermeável, que em Carajás, atinge uma
profundidade de 5 a 20 m (Beisigel et al. 1973). A camada do solo sobre ela
é muito rasa o que impede a retenção de água pluvial.
Pires (1973) classificou as florestas predominantes da bacia do Itacaiúnas
como “Matas de cipó”, que se caracterizam como biomassa mediana, ralas,
com forte penetração de luz, submata obstruída por cipós, eventual formação
de bambus no sub-bosque e escassez de epífitas. As árvores são medianas,
mais baixas que nas matas pesadas, sendo comum a presença de associações
bambu-castanha do Brasil. O Projeto... (1974) agrupou a cobertura vegetal
de Carajás em dois ecossistemas: um arbustivo e um florestal. O ecossistema
esclerófilo arbustivo caracteriza-se por conter uma pequena flora autóctone,
herbácea e arbustiva adaptadas ao aproveitamento do orvalho, ocupa as áreas
mais altas da Serra e é circundado pelo outro ecossistema, o de floresta, que
seriam matas abertas, ralas, ricas em cipós e palmeiras, com forte incidência
de luz e as matas mais fechadas, sombrias, com biomassa densa.
Desde julho de 1993, a Sociedade Paraense de Orquidófilos, junta-
mente com a Casa da Cultura de Marabá vêm desenvolvendo pesquisas em
Carajás mediante um acordo de múltipla ajuda com a Companhia Vale do Rio
Doce.
Este trabalho faz parte de um projeto maior denominado Flora
Orquidológica do Estado do Pará e é o resultado das pesquisas efetuadas
sobre a flora orquidológica na área de Carajás, compreendida entre os rios
Itacaiúnas e Parauapebas, abrangendo a Serra Norte e partes circunjascentes,
com revestimento florístico diversificado.
OBJETIVO
Os objetivos deste estudo são conhecer as espécies de orquídeas do
local, analizar aspectos ecológicos, detectar possíveis endemismos e plantas
de rara ocorrência.
77
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
MATERIAIS E MÉTODOS
Foram realizadas excursões para coletas de material vivo, modo ao
acaso. Este material foi levado para o orquidário de Carajás, orquidário
Margareth Mee, em Marabá, e para coleções dos membros da Sociedade
Paraense de Orquidófilos. À medida em que os exemplares florescerem,
serão desenhados ou aquarelados, identificados, exsicatados e incorporados
ao Herbário IAN da EMBRAPA/CPATU.
Para a identificação utilizou-se, principalmente, os trabalhos de
Dunsterville & Garay (1979); Hoehne (1949) e Pabst & Dungst (1975, 1977)
e especialistas.
RESULTADOS E CONCLUSÃO
Foi registrado um total de 55 gêneros. Destes, 10 são compostos de
espécies exclusivamente terrestres, 42 exclusivamente epífitas e 3 com
representantes terrestres e epífitos (Tabela 1).
O gênero que se mostrou mais freqüente foi Epidendrum com 13
espécies, seguido de Catasetum com 7 espécies, e posteriormente de
Encyclia, Maxillaria, Mormodes, Oncidium, Polystachya, Vanilla com 4
espécies cada; Scaphyglottis, Sobralia, Ornithocephallus, Notylia, Coryanthes
e Campylocentrum com 3 espécies cada; Bulbophyllum, Cbaubardia,
Cryptarrhena, Cycnoches, Dichaea, Ionopsis, Macradenia, Plectrophora,
Pleurothallis, Psygmorchis, Quekettia e Sarcoglottis com 2 espécies cada e
Aspasia, Brassia, Cyrtopodium, Diadenium, Dimerandra, Erythrodes,
Gongora, Habenaria, Leucohyle, Liparis, Octomeria, Oeceoclades,
Orleanesia, Ornithidium, Paphinia, Pelexia, Peristeria, Platystele,
Rodriguezia, Scelochilus, Schomburgkio, Spiranthes, Stanhopea,
Stenorrhynchus, Trichocentrum, Trigonidium, Tríphora e um gênero terres-
tre ainda não identificado, com 1 (uma) espécie cada.
A canga é o refúgio de várias espécies que se adaptaram a intensa
pressão seletiva exercida pelo ambiente e formaram uma comunidade
intensamente especializada, tanto que as orquídeas que ocorrem na canga
aberta dificilmente são encontradas em outro ecossistema de Carajás,
78
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Flora orquidológica da Serra dos Carajás
a excessão de Epidendrum nocturnum Jacq., que é uma espécie que ocorre
em todos os outros ecossistemas, porém em pequenas populações.
As espécies que ocorrem na canga aberta são: Catasetum discolor
Lindl., Catasetum planiceps Lindl, Cyrtopodium andersonii R.Br.,
Epidendrum nocturnum Jacq, Epidendrum purpurascens Focke, Habenaria
cf. lasioglossa Cogn, Liparis nenma (Thumb.) Lindl. e Sobralia liliastrum
Lindl. Na canga densa tipo moita ocorrem Dichaea sp, Oeceoclades
maculata (Lindl. )Lindl, Oncidium baueri Lindl, Oncidium ceboletta (Jacq.)
Sw, Polystachya concreta (Jacq.) Garay & Dunsterv, Psygmorchis
glossomystax (Rchb. f.) Dodson & Dresser, Psygmorchis pusilla (L.) Dodson
& Dresser, Sarcoglottis acaulis (J.E.Sm.) Schltr, Stenorrhynchus lanceolatum
(Aubl.) L.C. Rich. e ocasionalmente alguma espécie da canga aberta. As
orquídeas que ocorrem na canga densa ocorrem também na transição entre
a canga e a floresta, o que nos levou inicialmente a considerá-la parte da
transição, porém, com a análise mais detalhada dos dados obtidos, concluiu-
se que melhor seria considerá-la como uma parcela distinta, pois na
transição, a ocorrência de espécies é muito maior.
Onze espécies são exclusivas do ecossistema de mata densa e são
encontradas nos fundos dos vales, geralmente próximo aos córregos. São
Coryanthes albertinae Karst, Coryanthes speciosa (Hook. ) Hook, Coryanthes
cf. rodriguesii Hoehne, Cryptarrhena guillanyi Pabst, Erythrodes mystacina
(Rchb.f.) Ames, Gongora sp., Mormodes sp., Paphinia cristata Lindl,
Peristeria guttata Konwl. & Westc, Platystele ovalifolia (Focke) Garay &
Dunsterv, Sobralia macrophylla Rchb.f. (Figura 1), Sobralia yauaperiensis
Barb. Rodr. e Stanhopea grandiflora (Lood.) Lindl. Duas são exclusivas das
matas de cipós do rio Itacaiúnas, que são: Encyclia randii (Barb. Rodr.)
Porto & Brade e Encyclia linearifolioides (Krzl.) Hoehne. As demais
espécies ocorrem indistintamente nas matas de cipós, matas densas e na
transição, porém em populações bastante reduzidas nas matas de cipós.
A espécie Mormodes paraènsis Salazar & da Silva só foi encontrada,
até o presente, na Serra dos Carajás, sendo, possivelmente, endêmica desta
região. Cycnoches manoelae P. Castro & Campacci, Erythrodes mystacina
(Rchb.f.) Ames, Plectrophora calcarhamata Hoehne, Quekettia pygmaea
(Cogn.) Garay & Schultes, Scelochilus paraguaensis Garay & Dunsterv,
Habenaria cf. lasioglosa Cogn. e Spiranthes sp. são espécies de rara
ocorrência no Estado do Pará.
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SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Tabela 1 - Lista das espécies de orquídeas da Serra dos Carajás.
Aspasia varie gata Lindl.
Brassia caudata (L.)Lindl.
Bulbophyllum bracteolatum Lindl.
Bulbophyllum insectiferum Barb. Rodr.
Campylocentrum amazonicum Cogn.
Campylocentrum micranthum (Lindl. )Rolfe.
Campylocentrum pachyrhizum
(Rchb.f) Rolfe
Catasetum albovirens Barb. Rodr.
Catasetum discolor Lindl .
Catasetum galeritum Rchb.f.
Catasetum macrocarpum
L.C.Rich. ex Kunth.
Catasetum multifidum Miranda.
Catasetum planiceps Lindl.
Catasetum pulchrum N.E.Brown.
Chaubardia klugii (C.Schweinf.)Garay
Cltaubardia surinamensis Rchb. f.
Coryanthes albertinae Karst.
Coryanthes speciosa (Hook.)Hook.
Coryanthes cf.rodriguesi Hoehne
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 455)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 452)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
tzingen - 489)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 526)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 475)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 477)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 508)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 453)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 491)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 474)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 490)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 525)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 451)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 486)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 510)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 476)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 51 1)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 454)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 473)
80
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
1 Flora orquidológica da Serra dos Carajás
I Cryptarrhena guillanyi Pabst
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 509)
I Cryptarrhena lunata R.Br.
(A. Cardoso, A.L.IlkiuBorges e Noé von
Atzingen - 472)
n Cycnoches haagii Barb.Rodr.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 488)
| Cycnoches manoelae P. Castro & Capacci
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 442) ,
I Cyrtopodium andersonii R.Br
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 546)
I Diadenium barkeri (Lindl.)
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
1 Benth. & Hook. ex Jacks.
Atzingen - 487) 1
Dichaea sp
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 551)
Dichaea panamensis Lindl.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 471) 1
Dimerandra stenopetala (Hook) Schltr.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von i
Atzingen - 512)
: Encyclia amicta (Lindl. & Rchb.f.) Schltr.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 492) j
Encyclia fragrans (Sw.) Lemée
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 552)
Encylia linearifolioides (Krzl.)Hoehne.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 547)
| Encyclia randii (Barb.Rodr. )Porto & Brade
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 446) !
Epidendrum amblostomoides Hoehne
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 548) ]
Epidendrum coronatum Ruíz & Pav.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von ]
Atzingen - 560) ]
1 Epidendrum cristatum Ruíz & Pav.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von j
Atzingen - 458) 1
Epidendrum densiflorum Hook.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von ]
Atzingen - 545) 9
i Epidendrum ibaguense. H . B . K .
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 515 ) |
Epidendrum imathophyllum Lindl.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 554) 1
Epidendrum nocturnum Jacq.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 445) |
81 1
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
I Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
1 Epidendrum purpurascens Focke
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 524)
von
1 Epidendrum rigidwn Jacq.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 530)
von
| Epidendrum smaragdinum Lindl.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 457)
von
1 Epidendrum spilotum Garay & Dunsterv.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 553)
von
[ Epidendrum strobiliferum Rchb.f.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 496)
von
j Epidendrum aff. nocturnum Jacq.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 558)
von
Erythrodes mystacina (Rchb. f.) Ames
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 444)
von
Gongora quinquenervis Ruiz & Pav.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 497)
von
Habenaria cf. lasioglosa Cogn.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 516)
von
! Ionopsis satyrioides (Sw.) Rchb.f.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 495)
von
| Ionopsis utricularioides (Sw.)Lindl.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 529)
von
Leucohyle brasiliensis (Cogn.) Schltr.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 533)
von
Liparis nerxvsa (Thunb.) Lindl.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 494)
von
Lockhartia lunifera (Lindl.) Rchb.f.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen -513)
von |
Lockhartia sp.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 532)
von 1
Lockhartia sp.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 544)
von 1
Macradenia rubescens Barb.Rodr.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 456)
von 9
Macradenia sp.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 559)
von 1
Maxillaria alba (Hook.) Lindl.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 523)
von I
Maxillaria camaridii Rchb.f.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé
Atzingen - 527)
von 1
82 9
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
1 Flora orquidológica da Serra dos Carajás 1
I Maxillaria setigera Lindl.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von |
Atzingen - 528)
Maxillaria supérflua Rchb.f.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 443)
Mormodes paraènsis Salazar & da Silva
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 493)
Monnodes aff. paraènsis Salazar & da Silva
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 500)
Mormodes sp.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 514) I
Mormodes sp.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 501)
Notylia barkerii Lindl.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von ,
Atzingen - 502) ,
i Notylia sp.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 531) j
Notylia wullschlaegeliana Focke
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 460)
! Octomeria surinamensis Focke
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von i
Atzingen - 459)
Oeceoclades maculata (Lindl.) Lindl.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von i
Atzingen - 557) 1
Oncidium baueri Lindl.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 462)
Oncidium cebolleta (Jacq.) Sw.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 540)
Oncidium morenoi Dodson & Luer
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 484)
Oncidium nanum Lindl.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 461)
Orleanesia amazônica Barb.Rodr.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 519)
Ornithidium parxiflorum (P. & E.) Rchb.f.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 483)
Ornithocephalus bicornis Lindl.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von j
Atzingen - 537) j
| Ornithocephalus cujeticola Barb.Rodr.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von I
Atzingen - 448) 1
Ornithocephalus gladiatus Hook.
(A. Cardoso, A.L.llkiu-Borges e Noé von 1
Atzingen - 505) ]
83
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Paphinia crisma Lindl.
Pelexia maculaia Rolfe
Perisleria guttata Konwl. & Westc.
Platystele ovalifolia (Focke)
Garay & Dunsterv.
Plectrophora calcarhamata Hoehne
Plectrophora iridifolia Focke
Pleurothallis pruinosa Lindl.
Pleurothallis uniflora Lindl.
Polystachya concreta (Jacq.)
Garay & Dunsterv.
Polystachya foliosa (Hook.) Rchb.f.
Polystachya stenophylla Schltr.
Polystachya sp .
Psygmorchis glossomystax (Rchb.f.)
Dodson & Dressler
Psygmorchis pusilla (L.)
Dodson & Dressler
Quekettia pygmaea (Cogn.)
Garay & Schultes
Quekettia microscópica Lindl.
Rodriguezia lanceolata Ruíz & Pav.
Sarcoglottis acaulis (J.E.Sm.) Schltr.
Sarcoglottis grandiflora (Lindl.) Kl.
Scaphyglottis amazônica Schltr.
(A. Cardoso, A.L.Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 468)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 504)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 534)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 467)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 503)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 482)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 541)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 498)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 542)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 463)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 517)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 535)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen -539)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 447)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 538)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 478)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 480)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 481)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 506)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 465)
84
Flora orquidológica da Serra dos Carajás
Scaphyglottis amethystina (Rchb.f.) Schltr.
Scaphyglottis sickii Pabst
Scelochilus paraguaènsis Garay & Dunsterv.
Schomburgkia gloriosa Lindl.
Sobralia liliastrum Lindl.
Sobralia macrophylla Rchb.f.
Sobralia yauaperyensis Barb.Rodr.
Solenidium lunatwn (Lindl. )Krzl.
Aff. Spiranthes sp.
Spiranthes sp.
Stanhopea grandiflora (Lood.)Lindl.
Stenorrhynchos lanceolatum (Aubl.)
L.C.Rich.
Trichocentrwn cornucopiae
Linden & Rchb.f
Trigonidiwn acuminatum Batem, ex Lindl.
Tripliora duckei Schltr.
Vanilla aff. edwalli Hoehne
Vanilla palmarum Lindl.
Vanilla sp .
Vanilla sp .
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 518)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 485)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 543)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 479)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 466)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 464)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 522)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 555)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 556)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 450)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen -521)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 470)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 550)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 469)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 507)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 536)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 449)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 520)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e Noé von
Atzingen - 549)
85
SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, ser. Bot. 1 1(1), 1995
Figura 1 - Sobraha macrophylla Rchb.f. A - Hábito; B - Coluna (vista lateral), inferior, superior e
frontal); C - Vista frontal da flor; D - Vista lateral do labelo; E - Polinário (vista inferior e superior);
F - Antera (vista superior e inferior); G - Diagrama.
SciELO
Flora orquidológica da Serra dos Carajás
AGRADECIMENTOS
Agradecemos à Companhia Vale do Rio Doce, à Casa da Cultura de
Marabá e à Sociedade Paraense de Orquidófilos pelo apoio às atividades
desenvolvidas neste estudo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Ecologia e Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Brasília, CNPq, p. 88-124.
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Goeldi. Belém, (20): 179-202.
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do Rio Doce - 1980. Relatório de reavaliação da jazida de ferro N4 do Distrito ferrífero
da Serra dos Carajás, v.l. Rio de Janeiro, DNPM, p. 26-29 (Levantamento de Recursos
Naturais).
SILVA, A.S.L. 1993. Flora Rupestre de Carajás- Fabaceae. Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi,
sér. Bot. Belém, 9(1): 3-30.
SILVA, M.F.F. 1991. Análise Florística da vegetação que cresce sobre canga hematítica em
Carajás- Pará (Brasil). Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. Belém, 7(1): 79-108.
TOLBERT, G.E. 1971 . The Recently Discover Serra dos Carajás Iron Deposits Northern
Brazil. Lancaster, Economic Geology Publisching Company.
87
2 3 4 5 6
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CDD: 581.334
581.634
582.13
583.5
ESTUDOS PRELIMINARES DA FLORAÇÃO
E FRUTIFICAÇÃO DE PSYCHOTRIA IPECACUANHA
(BROT.) STORES (IPECA) NO BANCO DE
GERMOPLASMA DA EMBRAPA-CPATU
EM BELÉM, PARÁ 1
Irenice Alves Rodrigues 2
Ana Gabriela Polaro Serra 3
Maristela G. Moura 4
RESUMO -A ipeca (Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, também conhecida
como Cephaelis ipecacuanha (Brot.) A. Rich.) é uma das plantas medicinais que
se encontra em extinção nas áreas de ocorrência natural. Contém como
principais alcalóides a emetina e a cefalina, cuja ação principal é expectorante,
vomitiva, antidiarréica e amebianas. Com a finalidade de conservar a espécie,
desde 1990 , foram realizadas excursões científicas em áreas de ocorrência
natural, para coletar material genético, o qual está sendo conservado em
bancos de germoplasma no Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia
Oriental (CPATU), da EMBRAPA. Para subsidiar as pesquisas científicas
dessa coleção, iniciou-se observações f enológicas que pretende-se concluir no
período de dois anos. Utilizou-se fichas de acompanhamento para as seguintes
fenofases: floração, frutificação, brotamento, queda das folhas e morte das
Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém-PA.
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia
Ocidental (EMBRAPA-CPATU). Farmacêutica. Caixa Postal 48, CEP 66.017-970, Belém-PA.
Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do convênio
entre a EMBRAPA-CPATU e a Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP). Caixa Postal 48.
CEP 66.017-970. Belém-PA.
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia
Ocidental (EMBRAPA/CPATU). Estagiária. Caixa Postal 48. CEP 66.017-970. Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
plantas. Verificou-se que a floração e a frutificação ocorreram em mais de uma
época do ano, com maior concentração de floração no período de maior
pluviosidade da região e a frutificação nos meses de maior estiagem (maio a julho) .
PALAVRAS-CHAVE: Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, Floração,
Frutificação.
ABSTRACT - Preliminary studies ofthe flowering and fruiting of Psychotria
ipecacuanha (Brot.) Stokes ("ipeca”) in the germplasm hank of EMBRAPA-
CPATU in Belém, Pará, Brazil. Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, also
known by the name Cephaclis ipecacuanha (Brot.) A. Rich., is one of the
medicinal plants threatened with extinction in areas of its natural occurrence.
Emetine and cephalin are its rnain alkaloids, whose main remediai action is as
an emetic expectorant, used for common diarrhea and amoebic dysentery. In
order to conserve this species, expeditions to collect genetic material for
incorporation in the germplasm banks (BAG) at the Center for Agroforestry
Research ofthe Eastern Amazon (CPATU) have been carried out since 1990.
To aid in the scientific research ofthis collection, phenological observations are
being carried out over a period two years. Forms are used to register the
following phenological phases: flowering, fruitage, sprouting, leaf fali and
plant mortality. The observations show that flowering and fruiting occur in
more than one period, but flowering is concentrated in the rainy season of the
region, December to April, while fruiting occurs in the months ofMay to June.
KEY WORDS: Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, Flowering, Fruiting.
INTRODUÇÃO
Desde os tempos mais remotos, os gregos, egípcios e outros povos
utilizavam-se de plantas medicinais para a cura das doenças daquela época.
Estes conhecimentos, foram legados ao novo mundo, dando início a
medicina popular, onde as plantas medicinais foram amplamente utilizadas,
principalmente pelas camadas menos favorecidas.
Com o desenvolvimento da medicina moderna, dos antibióticos e com
o advento da química orgânica sintética, a importância das plantas decresceu
no tratamento das doenças.
Porém, em 1978, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preocupada
com os problemas causados pelo crescente aumento do uso indiscriminado
90
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Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha
de medicamentos de origem sintética, sugeriu um controle maior no uso
destes medicamentos, bem como, uma considerável redução dos mesmos,
propondo, também a utilização de produtos naturais. Ao mesmo tempo,
devido ao preço abusivo cobrado pelos medicamentos sintéticos, poucas
pessoas têm acesso aos mesmos. Deste modo, nas últimas décadas as plantas
medicinais passaram a ser utilizadas com mais freqüência.
Phychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes pertencente à família Rubiaceae
(Caminha Filho 1948), é uma das plantas brasileira que desde o início do
século vem sendo bastante utilizada na medicina popular brasileira, e bem
como no exterior. Esta espécie é também conhecida vulgarmente pelos
nomes: “ipeca”, “ipecacuanha” e “poaia”.
A ipeca é um subarbusto nativo de matas úmidas do Brasil, encontrada
no sul da floresta amazônica, nos Estados de Rondônia e Mato Grosso e nos
Estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (Assis
1992). Seu valor farmacológico reside em alguns alcalóides encontrados em
suas raízes, sendo os principais a emetina e a cefalina, que possuem
propriedades eméticas, expectorantes, antidiarréicas e amebicidas (Pinto
1976).
A coleta de ipeca tem sido praticamente extrativista e teve seu ápice de
exportação até a década de 70. Atualmente com a destruição das florestas
“habitat” natural da “ipeca” a espécie vem desaparecendo, e não existe no
Brasil áreas de cultivo.
Preocupados com a extinção no Brasil de espécies de importância
econômica, foi criado em 1989 o programa “cultivos pioneiros” pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq e
Financiadora de Estudos e Projetos-FINEP para o resgate propagação,
conservação e cultivo dessas espécies.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), através
do Centro Nacional de Recursos Genéticos (CENARGEN) e o Centro de
Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental (CPATU), elaborou um
projeto para coleta, conservação, propagação e cultivo da “ipeca”.
Realizou-se expedições para coleta de germoplasma de “ipeca” tendo
atualmente o CPATU um Banco de Germoplasma (BAG) de ipeca e as
pesquisas para o seu cultivo foram também iniciadas.
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Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Com a finalidade de subsidiar essas pesquisas estão sendo feitas
observações da floração e frutificação em plantas do BAG do CPATU, em
Belém, Pará.
MATERIAL E MÉTODOS
Descrição da área. Estes estudos foram realizados em duas áreas localizadas
no CPATU da EMBRAPA, a primeira área estudada localiza-se em um sub-
bosque e a segunda área em canteiros cobertos com maracujá' ( Passiflora
edulis).
Segundo Dias (1991), a área estudada localiza-se no quadrante a
48°ir00” e 48°13’48”W e 1°21’32” e 10°24’54”S, no Município de
Belém, Estado do Pará.
Pela classificação de Kõppen (1948), o clima é do tipo Afi, tropical
chuvoso com temperatura superior a 18°C, sendo a média anual de 25,7°C.
O índice pluviométrico é bastante elevado, chegando a atingir a 220 mm/ano
nos meses mais chuvosos; e no período de menor precipitação alcança 3 mm
de altura.
Obtenção e análise dos dados. O trabalho foi desenvolvido em duas áreas
distintas: uma em área de sub-bosque e outra em área aberta.
As primeiras observações foram feitas em área de sub-bosque em
condições climáticas semelhantes às das áreas de ocorrência natural da
espécie, em plantas propagadas através de estacas de raiz e conservadas em
BAG, no período de janeiro de 1992 a setembro de 1993.
As outras observações foram feitas em área aberta, em plantas
propagadas através de estaca de raiz e conservadas em canteiros semi-
sombreados com maracujá ( Passiflora edulis L.), e com irrigação localizada
no período de janeiro de 1994 a maio do corrente ano.
Em ambos os locais foram feitas observações trimestrais das fenofases
de floração e frutificação e ao mesmo tempo foram anotados alguns dados
sobre brotamento, queda das folhas e morte das plantas.
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Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha
O período de floração considerado foi desde a formação de botões
florais até flor madura e o de frutificação foi desde frutos jovens a frutos
maduros.
As observações da área de sub-bosque não tiveram continuidade, pois
houve um ataque violento de gafanhoto, com destruição das folhas das
plantas.
RESULTADOS
As Figuras 1-2 mostram a periodicidade das fenofases de floração e
frutificação nas plantas de ipeca estudadas.
Verificou-se que em ambos os locais onde foram feitas as observações,
a maior concentração da floração ocorreu no mês de janeiro e a da
frutificação de abril a junho.
Foi também observado que o clímax da floração vem coincidindo com
a época de maior precipitação pluviométrica.
No período chuvoso observou-se ataque de fungos nas plantas, provo-
cando queda das folhas e morte de algumas, porém, muitas delas depois se
recuperam.
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300
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jan/92 abr/92 jul/92 jan/93 abr/93 set/93
meses
Figura l.a - Período de floração de Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área de sub-bosque.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
jan/92 abr/92 jul/92 jarV93 abr/93 set/93
meses
Figura 1 .b - Período de frutificação em Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área de sub-bosque.
Figura 2. a - Período de floração de Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área coberta com
maracujá.
94
Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha
meses
Figura 2.b - Período de frutificação de Psychotria ipecacuanha (Brot.) Stokes, em área coberta com
maracujá.
Figura 3. a - Coleção de ipeca em sub-bosque.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Figura 3.b - Coleção de ipeca em canteiros.
Figura 4. a - Inflorescência de ipeca.
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Estudos preliminares da floração e frutificação de Psychotria Ipecacuanha
Figura 4.b - Infrutescência de ipeca.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS, M.C. 1992. Aspectos taxonômicos, anatômicos e econômicos da “ipeca”, Psychotria
ipecacuanha (Brot.) Stokes. São Paulo, Universidade de São Paulo, 132p.Tese de
Mestrado).
CAMINHA FILHO, A. 1948. A ipecacuanha: Evea ipecacuanha (Brotcro) Standlcy. Boi.
Minist. Agric., Rio de Janeiro, 32(10): 33-52.
PINTO, C.M.D. 1976. A ipecacuanha. SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE PLANTAS
DE INTERESSE ECONÓMICO DE LA FLORA AMAZÔNICA, 93. Costa Rica.
97
SciELO
Ib
tf
CDD: 583.322041662
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - V.
O PÓLEN DO GÊNERO MONOPTERYX SPRUCE EX
BENTH. (LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE ) 1
Léa Maria Medeiros Carreira 2
Ely Simone Cajueiro Gurgel 3
RESUMO - O gênero Monopteryx, considerado endêmico na Amazônia brasi-
leira, era conhecido no Brasil por apenas duas espécies, M. angustifolia e M.
uaucu (“uaucu”), que ocorriam somente no noroeste da Amazônia desde o rio
Solimões até as cachoeiras do alto rio Negro e seus afluentes. Foi, porém,
descoberta uma outra espécie, M. inpae (“mucurana de cheiro”), próximo a
Manaus. Botões florais adultos provenientes de exsicatas foram submetidos a
acetólise e, em seguida, os grãos de pólen foram medidos, descritos,
fotomicrografados e analisados quanto ao tamanho, à forma, ao número de
aberturas e à ornamentação da exina. Foi verificado que são médios, 3-colporados,
de superfície punctada. A forma varia de prolata esferoidal a oblata esferoidal
e o amb de subtriangular a circular. Uma chave polínica é apresentada.
PALAVRAS-CHAVE: Pólen, Morfologia Polínica, Lcguminosac, Amazônia
brasileira, Monopteryx.
ABSTRA CT - Monopteryx, an endemic genus of legume, was previously known
from two species, M. angustifolia and M. uaucu (“uaucu”), both occurring in
the northwest of the Brazilian Amazon, from the Solimões River and up the
Negro and its tributaries. A new species, M . inpae (“mucurana de cheiro ") was
discovered near Manaus. Pollen grains from preserved, dry flower buttons
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, PA.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi-Dept° de Botânica. Caixa Postal 399. CEP.
66.040-170. Belém, PA.
3 Bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-
CNPq, PIBIC/MPEG. Processo n° 100508/94-4.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
close to the anthesis were submitted to the acetolysis method. The pollen grain
size, number of apertures, shape, ornamentation and stratification of the exine
were analyzed. Representative samples were photomicrographed. The pollen
grains are médium, 3-colporate, exine punctate. The amb varies from
subtriangular to drcular, from prolate spheroidal to oblate spheroidal shape.
A pollen key is presented.
KEY WORDS: Pollen, Pollen morphology, Leguminosae, Brazilian Amazon,
Monopteryx.
INTRODUÇÃO
A flora Amazônica encontra-se constituída por inúmeras famílias,
dentre estas destaca-se Leguminosae. É representada pelas subfamílias
Caesalpinioideae, Mimosoideae e Papilionoideae, constando aproximada-
mente de 1.241 espécies, distribuídas em 146 gêneros (Silva et al. 1989).
Trata-se de uma das famílias mais importantes da Amazônia devido a suas
diversas utilizações econômicas.
O gênero Monopteryx Spruce ex Benth. pertence à subfamília
Papilionoideae. Encontra-se representado na Amazônia Brasileira pelas
espécies M. angustifolia Spruce ex Benth., M. inpae Rodrigues (“mucurana
de cheiro”) e M. uaucu Spruce ex Benth. (“uaucu”) (Silva et al. 1989.). É
endêmico na região e suas espécies podem ser encontradas em um área
bastante ampla (Rodrigues 1975).
Segundo Ducke (1949), o gênero era conhecido no Brasil apenas pelas
espécies M. angustifolia e M. uaucu , freqüente somente no noroeste da
Amazônia desde o rio Solimões até as cachoeiras do alto rio Negro e
afluentes; porém, Rodrigues (1975) descreveu M. inpae como nova espécie,
cuja amostra foi coletada próximo a Manaus. Em seu trabalho, Ducke (1949)
incluiu o gênero na tribo Sophoreae.
Em se tratando de estudo polínico, conta-se apenas com o trabalho de
Ferguson & Skvarla (1981) que, baseados na morfologia dos grãos de pólen,
incluíram o gênero Monopteryx na tribo Sophoreae, dentro do grupo polínico
Dwjjía junto com os gêneros Alexa, Bowdichia, Panurea, Baphia, Spirotropis,
100
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Leguminosas da Amazônia brasileira - V
Clathrotropis e Petaladenium. Esses autores acrescentam que os grãos de
pólen de Monopteryx são distintos por apresentarem o teto rugulado.
M. uaucu é uma árvore grande ou muito grande, notável sobretudo por
apresentar enormes sapopemas na base do tronco, nas quais as grossas raízes
tabulares se ramificam em raízes menores formando algumas vezes verda-
deiros engradados. Suas flores são róseo-liláses e os seus frutos são do tipo
vagem deiscente. As sementes cozidas ou assadas são consumidas como
alimento pelos índios, sendo que suas amêndoas, quando cozidas, propor-
cionam um amargor muito pronunciado, dotado de propriedades terapêuticas
que justificam seu emprego na medicina doméstica. Fornecem ainda um óleo
combustível também usado para iluminação (Le Cointe 1947; Ducke 1949;
Corrêa 1984).
Record & Hess ( 1 949) citam que o cerne da madeira de M. angustifolia
é de cor pardo-avermelhada, muito resinoso, sem odor ou gosto distinto
quando seco, porém é dotado de odor balsâmico bastante agradável quando
fresco. A madeira é muito pesada e resistente, de textura grosseira, de
natureza áspera, grã irregular. É fácil de ser trabalhada, permitindo um bom
acabamento quando submetida ao polimento. Não apresenta possibilidades
comerciais pelo fato da espécie se concentrar em regiões inacessíveis.
Segundo Rodrigues (1975), a madeira ao ser cortada, desprende agradável
e leve aroma de cumarina.
Gunn et al. (1992) sugerem ser Monopteryx um gênero reconhecido
com a finalidade de ser investigado nas pesquisas agrícolas.
O presente trabalho objetiva dar prosseguimento ao projeto que trata
das leguminosas da Amazônia brasileira, cujos resultados obtidos poderão
servir de base aos demais trabalhos referentes ao gênero Monopteryx.
MATERIAL E MÉTODOS
Material botânico
Botões florais adultos foram retirados de amostras existentes nos
herbários: IAN (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/Centro de
Pesquisas do Trópico Úmido) e 1NPA (Instituto Nacional de Pesquisas de
101
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Amazônia). As referências de herbário de cada espécie encontram-se nas
descrições polínicas.
Métodos
Para a preparação das lâminas foi utilizado o método de acetólise de
Erdtman (1952).
Para a obtenção das medidas foi ' ilizado um microscópio ZEISS
adaptando-se uma objetiva com escala micrometrada.
As medidas dos eixos polar e equatorial foram feitas em 25 grãos de
pólen, em vista equatorial, utilizando-se a objetiva de 40x. Com estes
valores, foram calculados a média, variância, desvio padrão e coeficiente de
variação. As medidas da sexina e nexina foram feitas em 10 grãos, usando-
se a objetiva de 100x e calculadas somente a média aritmética.
Para as observações em MEV, os grãos de pólen, após a acetólise,
foram deixados por 24 horas em acetona a 50% e posteriormente desidrata-
dos em acetona a 100% durante 30 minutos. Uma gota da suspensão de pólen
em acetona pura foi depositada sobre o suporte do MEV e deixada secar por
algumas horas a 37°C, antes de ser evaporada com ouro.
Nas descrições polínicas foram usadas a seqüência padronizada de
Erdtman (1969), a classificação de Praglowski & Punt (1973), que define as
variações ocorrentes no padrão da superfície reticulada e a nomenclatura,
baseada no Glossário Ilustrado de Palinologia de Barth & Melhem (1988).
As fotomicrografias de luz foram obtidas em um fotomicroscópio
ZEISS e as de MEV em um microscópio eletrônico de varredura ZEISS
modelo DSM-940.
Nas descrições e nas legendas das figuras foram usadas as seguintes
abreviaturas: amb = âmbito; E = eixo equatorial; MEV = microscopia
eletrônica de varredura; ML = microscopia de luz; NPC = número, posição
e caráter das aberturas; P = eixo polar; P/E = relação entre as medidas dos
eixos polar e equatorial; P/MG = número de palinoteca do Museu Paraense
Emílio Goeldi; s/n = sem número; VE = vista equatorial do grão de pólen;
VP = vista polar do grão de pólen.
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Leguminosas da Amazônia brasileira - V
RESULTADOS
Descrições polínicas
Monopteryx angustifolia Spruce ex Benth. (Figura 1 a-f.)
Coletor: R.L. Fróes 22271
Determinador: W.A. Rodrigues 1947
Herbário: IAN 28814
Palinoteca: P/MG-01197
Procedência: Rio Negro/AM
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb sub triangular,
forma oblata esferoidal a prolata esferoidal, 3-colporados, de superfície
punctada. A endoabertura é lalongada. P = 46 ± 0,8 (42 - 49,5) /xm; E =
46 ± 0,7 (43 - 49) /x m; P/E = 1,00; NPC = 345. A sexina (3,6/xm) é bem
mais espessa que a nexina (0,6/xm). Em MEV, a sexina apresenta-se
ondulada, com pontuações regularmente distribuídas.
Monopteryx inpae Rodrigues (Figura 2 a-h.)
Coletores: W.A. Rodrigues & D. Coelho 9541
Determinador: W.A. Rodrigues 1947
Herbário: INPA 45830 holotipo
Palinoteca: P/MG-01125
Nome vulgar: “mucurana de cheiro”
Procedência: Caracaraí - Manaus/AM
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular,
formas oblata esferoidal e prolata esferoidal, 3-colporados, de superfície
punctada. A endoabertura é circular. P = 36 ± 0,8 (33,5 - 39,5) /xm; E =
36 ± 0,6 (33,5 - 38,5) /xm; P/E = 1,00; P = 39 ± 0,9 (36 - 43) /xm; E -
35 ± 0,6 (32,5 - 38 /xm; P/E = 1,11; NPC = 345. A sexina (2, 1/xm) é mais
espessa que a nexina (1,4/xm). Em MEV, a sexina apresenta-se intensamente
ondulada com pontuações espaçadas.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Figura 1 - Pólen de Monopleryx anguslifolia. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina;
c) VE, corte ótico; d) Idem, colpo, endoabertura e ornamentação da exina (1.500x.) MEV: e) VE,
aspecto da ornamentação da exina, em destaque as pontuações (3.000x e 7.000x); 0 Idem, aspecto dos
colporos (3.000x).
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 n 12 13 14 15 16
Leguminosas da Amazônia brasileira - V
Figura 2 - Pólen de Monopteryx inpae. Ml,: a) VP, corie ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c)
VE, forma oblata esferoidal, corte ótico; d) Idem, abertura e ornamentação da exina; e) VE, forma
prolata esferoidal, corte ótico; 0 Idem, ornamentação da exina (1.500x). MEV: g) VE, endoabertura
circular e ornamentação da exina (3.000x e 7.000x); h) VP, aspecto dos colpos (4.000x).
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
Monopteryx uaucu Spruce ex Benth. (Figura 3 a-f.)
Coletor: A. Ducke s/n
Determinador: A. Ducke 1932
Herbário: INPA 16281
Palinoteca: P/MG-01124
Nome vulgar: “uaucu”
Procedência: São Gabriel/AM
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, anib subtriangular,
forma oblata esferoidal, 3-colporados, de superfície punctada. A endoabertura
é lalongada. P = 38,5 ±1,1 (33 - 41,5) /um; E = 39 ± 1,2 (31,5 - 43) /xm;
P/E =0,98; NPC = 345. A sexina (2,8/xm) é bem mais espessa que a nexina
(0,7/um). Em MEV, a sexina apresenta-se ondulada com pontuações espa-
çadas, sendo que próximo aos colpos tendem a ser agrupadas.
Chave polínica
1 . Grãos de pólen com endoabertura circular M. inpae
2. Grãos de pólen com endoabertura lalongada
e amb subtriangular M. uaucu & M. angustifolia
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Para Ferguson & Skvarla (1981) os gêneros que constituem a tribo
Sophoreae caracterizam-se por apresentar grãos de pólen 3-colporados, com
endoabertura bem definida; os do gênero Monopteryx pertencente a esta
tribo, são distintos dos demais gêneros que fazem parte do grupo polínico
Dussia ( Alexa , Bowdichia, Panurea, Baphia, Spirotropis, Clathrotropis e
Petaladenium) por apresentarem o teto rugulado. No entanto, de acordo com
os resultados obtidos neste trabalho, pode-se observar que os grãos de pólen
das espécies M. angustifolia e M. uaucu são muito semelhantes entre si, ou
seja, são médios, 3-colporados, de superfície punctada. Vale ressaltar que
os grãos de pólen de M. inpae se destacam das demais espécies por apresentar
o amb e a endoabertura circulares. Foi verificado a presença de dimorfismo
polínico nos grãos de pólen de M. inpae, por se apresentarem oblatos
esferoidais e prolatos esferoidais (Figura 2 c,f).
106
cm
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Leguminosas da Amazônia brasileira - V
Figura 3 - Pólen de Monopteryx uaucu. ML; a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c)
VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (1.500x). MEV: e) VP, ornamentação da exina
(3.000x e 7.000x); 0 VE, abertura e ornamentação da exina (4.000x).
107
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
AGRADECIMENTOS
ÀDra. O. M. Barth pelas fotomicrografias obtidas no MEV do Instituto
Oswaldo Cruz.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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brasileira: Lista prévia. Acta Bot. Bros., 2(1): 193-237. Suplemento.
108
CDD: 583.32304192
ABORDAGEM FITOQUIMICA DE BA UH INI A
GUIANENSIS AUBL. (LEGUMINOS AE-
C AES APINIOIDE AE) 1
Jáder Moreira da Silva 2
Milena Coelho Fernandes 2
Ana do Carmo T. de Carvalho 2
Mário Augusto G. Jardim 3
RESUMO - Realizou-se a abordagem fitoquímica da espécie Bauhinia guianensis,
vegetal utilizado pela população da Ilha do Combu para fins fitoterápicos.
Analisou-se os extratos cloro-fórmico e etanólico da casca da espécie citada,
verificando-se as seguintes classes fitoquímicas: alcalóides, ácidos orgânicos,
catequinas, açúcares redutores, esteróides/triterpenóides.flavo-nóides, saponina
espumídica, aminoácidos/proteínas , polissacarídeos, purinas, taninos, antra-
quinonas, cumarinas, sesquiterpenolactonas/ outras lactonas, e antocianinas/
antocianidinas. Obteve-se como resultados a presença de ácidos orgânicos,
açúcares redutores, esteróides/triterpenóides, saponina espumídica, taninos,
antocianinas/antocianidinas , e catequinas.
PALAVRAS-CHAVE: Bauhinia guianensis , Fitoterapia, Fitoquímica.
ABSTRACT - The phytochemical screening o/Bauhinia guianensis was studied
in this work. This plant is used by the population of the Combu Island, for
phytotherapics pourpose. The cloroformic and ethanolic extracts of the listed
specie were analysed following the classes: alkaloids, organic acids, catechins,
reducing sugar, flavonóids, steroids/triterpenoids, saponines, tannins,
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 Centro de Ensino Superior do Pará, Departamento de Ciências Farmacêuticas, CEP 66.035-170,
Belém-Pará.
3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399 - CEP
66.017-970, Belém, Pará.
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aminoacids/proteins, antrachinones, anthocianines/antocianidines,
sesquilerpenlactones, purines, coumarines and polysacharides. The positive
results obtend were organic acids, reducing sugar, steroids/triterpenoids,
saponines, tannins, anthocianines/ anthocianidines and catechins.
KEY WORDS: Bauhinia guianensis, Phytotherapy, Phytochemistry.
INTRODUÇÃO
A abordagem fitoquímica trata-se de um conjunto de técnicas de
investigação que permite o conhecimento preliminar do comportamento
químico dos extratos em estudo, além de servir como instrumento na seleção
de plantas para análises (Matos 1980).
A abordagem fitoquímica desempenha importante papel no cruzamento
de informações com a fitoterapia popular, já que determinadas classes de
compostos presentes no vegetal podem estar relacionadas com algumas
atividades farmacológicas atribuídas a espécie vegetal em estudo, além de
possibilitar o fornecimento de dados para estudos quimiotaxonômicos.
Devido ao potencial botânico da região amazônica, existe um grande
interesse mundial voltado para estudos fitoquímicos de espécies vegetais
utilizadas na medicina popular. Estes estudos podem servir como instrumen-
to para a descoberta de novas bases medicamentosas e também para o
desenvolvimento científico e tecnológico.
Segundo Oliveira et al. (1993), os moradores da Ilha do Combu,
município de Acará, Estado do Pará, utilizam inúmeras espécies vegetais
nativas na preparação de remédios caseiros. Dentre essas espécies, sele-
ciomu-se Bauhinia guianensis Aubl. (Leg. Caesalp.), conhecida popularmente
como escada de jabuti. A sua aplicação fitoterápica como antidiarréico
merece maiores estudos comprobatórios, visto que este é um dos problemas
mais graves de saúde que ocorrem na comunidade do igarapé Combu.
O objetivo desta pesquisa foi de realizar uma abordagem fitoquímica da
espécie B. guianensis, visando o fornecimento de dados para estudos
etnofarmacológicos e quimiotaxonômicos.
110
Abordagem fitoquímica de Bauhinia Guianensis Aubl.
MATERIAL E MÉTODOS
Material. A partir de análises de informações etnobotânicas da ilha do
Combu, foi selecionada a espécie Bauhinia guianensis Aubl. (Leguminoseae -
Caesalpinioideae), conhecida popularmente como escada de jabuti. O material
botânico foi obtido na Ilha do Combu, localizada no município de Acará, ao
sul da cidade de Belém, Pará, à margem esquerda do rio Guamá, distante
1 ,5 km de Belém. As coletas foram realizadas no mês de setembro, durante
o período de baixa pluviosidade e elevadas temperaturas. O material foi
identificado no Herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Métodos. Triturou-se manualmente a parte vegetativa (casca) e posterior-
mente secou-se em temperatura ambiente por 2 (dois) dias.
Os extratos foram obtidos através de maceração em solventes orgânicos
de polaridades crescentes. Os solventes utilizados foram o clorofórmio (de
polaridade intermediária) e o etanol (de alta polaridade).
Inicialmente foi feita a extração de 96, 5g da casca em clorofórmio por
um período de 5 dias. Em seguida, fez-se a filtração do material e
concentração dos extratos através de destilação simples. O material foi
novamente extraído com clorofórmio por 5 dias, filtrando-se e concentrando-
se o extrato e obtendo-se um rendimento de 0,36g para o extrato seco. Após
a extração com clorofórmio, realizou-se a evaporação do solvente residual
em temperatura ambiente.
Em seguida foi feita a extração com etanol, do material botânico
extraído com clorofórmio anteriormente, seguindo-se os mesmos passos da
primeira extração. Obteve-se, então, 6,95g de extrato etanólico seco.
ABORDAGEM FITOQUÍMICA
Alcalóides - redissolveu-se alguns miligramas dos extratos secos em 4ml de
HC1 a 5%. Filtrou-se e separou-se em 4 porções de lml em tubos de ensaio.
Adicionou-se 4 gotas dos reagentes abaixo. No caso de precipitação a reação
é positiva. Neste testes foram utilizados os seguintes reativos: (a.l) - Reativo
de Bouchardat: 4 g de iodeto de potássio, 2g de iodo foram dissolvidos em
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SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
lOOml de água destilada. Reação positiva: Precipitado laranja avermelhado;
(a. 2) - Reativo de Drangendorff: Subnitrato de bismuto 0,85g, lOml de ácido
acético (solução A). 8,0g de Iodeto de potássio e 20ml de água destilada
(solução B); (a. 3) - Reativo de Mayer: Bicloreto de mercúrio l,36g, água
destilada 60ml (solução A), Iodeto de potássio 5g, água destilada lOml
(solução B); (a. 4) - Reativo de Hager: Solução aquosa de ácido pícrico
saturado.
Ácidos Orgânicos - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em 3ml
de água destilada. Filtrou-se e acrescentou-se 3 gotas de reativo de Pascová.
Neste teste utilizou-se o seguinte reativo: (b.l) - Reativo de Pascová: 0,075g
de verde de bromocresol e 0,25g de azul de bromofenol diluídos em lOOml
de álcool etílico (solução A). 0,25g de permanganato de potássio e 0,25g de
carbonato de sódio (10.H2O) diluídos em lOml de água destilada (solução
B). Misturou-se 9 partes de A com 1 parte de B no momento do uso (mistura
estável por apenas 5 minutos).
Açúcares Redutores - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco
em 3ml de água destilada. Filtrou-se e acondicionou-se 2ml de Reativo
de Fehling A e 2ml de Reativo de Fehling B. Aqueceu-se em banho-maria
em temperatura de ebulição por 5 minutos. Para o Reativo de Fehling A,
dissolveu-se 34,65g de sulfato de cobre em água e completou-se até 500ml
e para o Reativo de Fehling B, dissolveu-se 173g de tartarato de sódio e
potássio e 125g de hidróxido de potássio em água destilada completando-se
até 500ml.
Esteróides e Triterpenóides - redissolveu-se alguns miligramas do extrato
seco em 3ml de clorofórmio. Filtrou-se e adicionou-se 2ml de anidrido
acético, agitando-se suavemente. Adicionou-se lml de ácido sulfúrico
concentrado pelas paredes do tubo.
Flavonóides - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco em lOml de
metanol. Filtrou-se e adicionou-se 5 gotas de ácido clorídrico concentrado e
lcm de fita de magnésio.
Polissacarídeos - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em 5ml
de água destilada. Filtrou-se e adicionou-se 2 gotas de lugol.
112
Abordagem fitoquímica de Bauhinia Guianensis Aubl.
Aminoácidos e Proteínas - redissolveu-se alguns miligramas do extrato
seco em 2ml de água destilada, filtrou-se e adicionou-se 0,5ml de solução
aquosa de ninhidrina 1%. Aqueceu-se até ebulição.
Saponina Espumídica - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco
em lml de álcool etílico 80% e diluiu-se até 15ml com água destilada.
Agitou-se vigorosamente durante alguns minutos em um tubo de ensaio
fechado. Reação positiva, caso a camada de espuma formada permaneça
estável por mais de 30 minutos.
Tanino - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em lml de seu
respectivo solvente orgânico (clorofórmio e etanol). Adicionou-se lOml de
água destilada e 1 gota de solução de cloreto férrico 1 % .
Cumarinas - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco em 5ml de éter
etílico e concentrou-se em banho-maria até 0,5ml. Em um papel de filtro,
aplicou-se gotas da solução etérea, de modo a formar manchas de aproxima-
damente lcm de diâmetro cada. A uma dessas manchas, adicionou-se 1 gota
de hidróxido de sódio IN. Cobriu-se a metade da mancha com papel escuro
e expôs-se à luz ultra-violeta. Comparou-se as manchas.
Antraquinonas - redissolveu-se alguns miligramas do extrato seco em 3ml de
benzeno. Filtrou-se e adicionou-se 2ml de hidróxido de amónio a 10%.
Agitou-se suavemente.
Catequinas - redissolveu-se alguns miligramas de extrato seco em 3ml de
metanol. Filtrou-se e adicionou-se lml da solução de vanilina 1% e lml de
ácido clorídrico concentrado.
Antocianinas e Antocianidinas - separou-se três porções de 3ml da solução
extrativa em tubos de ensaio numerados. Concentrou-se a solução extrativa
até 0,5ml. Levou-se ao pH 4 e filtrou-se. Acidificou-se o tubo 1 a pH 3 e
alcalinizou-se os tubos 2 e 3 a pH 8,5 e 11.
Purinas - em uma cápsula de porcelana, adicionou-se alguns miligramas do
extrato seco, 3 gotas de ácido clorídrico 6N e 2 gotas de peróxido de
hidrogênio 30%. Evaporou-se em banho-maria. Deve-se formar um resíduo
corado de vermelho. Adicionou-se 3 gotas de hidróxido de amónio 6N.
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Sesquiterpenoslactonas e outras Lactonas - redissolveu-se alguns miligra-
mas do extrato seco em 2ml de etanol. Adicionou-se duas gotas de cloridrato
de hidroxilamina 10% e 2 gotas de solução metanólica de hidróxido de
potássio 10%. Aqueceu-se suavemente em banho-maria durante 2 minutos.
Esfriou-se e acidificou-se com ácido clorídrico IN. Adicionou-se 1 gota de
cloreto férrico.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Tabela 1 - Resultados da abordagem fitoquímica dos extratos clorofórmico e etanólico de
Bauhinia guianensis Aubl. (Leg. Caesalp.). Legenda: + Positivo; - Negativo; +/- Suspeito.
Extratos
mclorofórmio
etanol
Alcalóides Dragendoff
-
-
Alcalóides Mayer
-
-
Alcalóides Bouchardat
-
+/-
Alcalóides Hagcr
-
+/-
Ácidos orgânicos
+
+
Açúcares redutores
-
+
Esteróides e Triterpenóides
+
-
Flavonóides
-
-
Polissacarídeos
-
-
Aminoácidos e Proteínas
-
-
Saponina espumídica
-
+
Taninos
+/-
+
Cumarinas
-
-
Antraquinonas
-
-
Antocianinas c Antocianidinas
-
+
Purinas
-
-
Catcquinas
-
+
Sesquiterpcnolactonas etc.
-
-
Os extratos clorofórmicos e etanólicos de Bauhinia guianensis apresen-
taram reações negativas para as seguintes classes: flavonóides,
sesquiterpenolactonas/outras lactonas, aminoácidos/proteínas,
114
Abordagem fitoquímica de Bauhinia Guianensis Aubl.
polissacarídeos, antraquinonas, purinas e cumarinas. Segundo Corrêa &
Bernal (1990), B. championii contém flavonóides em suas raízes; B. variegata
também apresentou flavonóides em sua composição química; em gemas de
B. variegata foram isolados aminoácidos.
O extrato etanólico de B. guianensis apresentou reação fracamente
positiva para alcalóides. Segundo Hernandez et al. (1988), estudos feitos em
sementes de B. monandra não apresentaram alcalóides. B. manca apresentou
reação positiva para esta classe em estudos realizados em galhos (Corrêa &
Bernal 1990).
Os extratos etanólico e clorofórmico de B. guianensis apresentaram
reações positivas para ácidos orgânicos e taninos. Comparando-se com os
dados da literatura observou-se que, segundo Corrêa & Bernal (1990),
B. racemosa contém ácidos orgânicos em suas sementes; também foram
observadas reações positivas para ácidos orgânicos em flores de B. purpurea,
em sementes de B. tormentosa, B. retusa e de B. variegata.
Segundo Costa ( 1 987) , os taninos possuem ação antidiarréica de origem
inflamatória, devido precipitarem internamente proteínas nos tecidos que
irão recobrir as células superficiais da mucosa, diminuindo, assim, os
movimentos peristálticos. A atividade antidiarréica de B. guianensis pode ser
devido à presença de taninos em sua estrutura.
O extrato etanólico de B. guianensis apresentou reação positiva para
açúcares redutores. Também foram isolados açúcares redutores em partes
vegetativas de B. purpurea (Corrêa & Bernal 1990).
B. guianensis apresentou positividade para esteróides e triterpenóides
nos extratos clorofórmicos. B. racemosa possui terpenos em cascas de seus
galhos (Corrêa & Bernal 1990).
B. guianensis apresentou reação positiva no extrato etanólico para
saponina espumídica, catequinas, antocianinas e antocianidinas. Segundo
Corrêa & Bernal (1990), B. purpurea apresenta antocianinas em suas flores.
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CONCLUSÕES
Bauhinia guianensis mostrou reações positivas para catequinas,
açúcares redutores, esteróides/triterpenóides, antocianina/antocianidina,
saponina espumídica, taninos, ácidos orgânicos e reações negativas para
antraquinonas, flavonóides, polissacarídeos, cumarinas, proteínas/
aminoácidos, sesquiterpenolactonas/outras lactonas e purinas. Obser-
vou-se uma leve turvação para alcalóides, indicando reação fracamente
positiva. A atividade antidiarréica de B. guianensis pode ser devido à
presença de taninos em sua estrutura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COIMBRA, R. 1942. Notas de fitoterapia: catálogo dos dados principais sobre plantas
utilizadas em medicina e farmácia. Rio de Janeiro, p. 1 17-8.
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OLIVEIRA, T., et al. (s.d.). O uso de plantas medicinais por comunidades ribeirinhas do
estuário amazônico, ilha do Combu, Município de Acará (PA). CONGRESSO
NACIONAL DE BOTÂNICA. Resumos. São Luís, p. 409.
116
CDD: 584.5
664.8046
ANÁLISE MICROBIOLÓGICA DO SUCO DE AÇAÍ
PRODUZIDO EM UMA COMUNIDADE RIBEIRINHA
DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO 1
Roberto José F. Coroa 2
Tania Margareth A. Oliveira 2
David Elias Dahan 2
Maria das Graças C. de Almeida 3
Mário Augusto G. Jardim 4
RESUMO — Avaliou-se a qualidade microbiológica do suco de açaí preparado
com os frutos do açaizeiro (Euterpc oleracea Mart.) e consumido pelos
moradores do Furo do igarapé Combu, na Ilha do Combu, Município de Acará,
Estado do Pará. A análise laboratorial abrangeu testes microbiológicos para
detectar Salmonella, Staphylococcus aurcus, coliformes totais, coliformes
fecais e fungos (bolores e leveduras) em amostras de suco e nos tipos de água
utilizada no preparo. Os resultados determinaram a presença de coliformes
totais, S. aureus e fungos em todas as amostras do suco. A incidência na
contaminação está associada principalmente ao tipo de água, aos utensílios e
a forma de manipulação do produto.
PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia de alimentos, Análise microbiológica,
Coliformes, Fungos, Açaí.
ABSTRACT - This work evaluates the microbiologycal quality offood prepared
from açai palmfruits (Euterpe oleracea Mart.) consumed byfamilies living on
1 Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 Centro de Ensino Superior do Pará, CEP 66.035-170, Belém, Pará.
3 Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará, CEP 66.040-020 Belém.
4 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399. CEP
66.017-970, Belém, Pará.
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the Combu River in Combu Island, Municipality of Acará, Pará State. The
laboratory analises around microbiologycal tests to detect Salmonella,
Staphylococcus aureus, total coliforms, fecal coliforms and fungi in sample of
juice and water of preparation. The results showed the incidence of total
coliforms, S. aureus and fungi in all juice samples. The contamination is
connected with the kind of water, utensil and the manipulation ofthe product.
KEY WORDS: Food technology, Microbiology, Coliform bactéria, Fungi,
Açaí palm fruit.
INTRODUÇÃO
O homem através dos tempos vem tentando desvendar os segredos das
relações dos microorganismos e sua interação com os seres vivos associando-
os com a transmissão de doenças . Uma destas interações é com a microbiologia
alimentar que está relacionada a higienização, preparação de alimentos e
detecção de intoxicações por meio de microorganismos benéficos e patogênicos
aos alimentos (Aquarone et al. 1975).
Os alimentos podem servir como meios de cultura para o crescimento
de diferentes colônias de microorganismos e por conseguinte na dissemina-
ção de doenças. Portanto, a higienização, a manipulação e a preparação final
de um produto são fatores determinantes para evitar a contaminação.
Na ilha do Combu, a palmeira açaí é uma espécie vegetal responsável
por 90% do extrativismo local por meio da coleta de frutos. Esta atividade
é uma alternativa econômica e alimentar para os moradores ribeirinhos. A
principal utilização dos frutos está na produção de uma bebida popularmente
conhecida por “suco de açaí” ou “vinho de açaí” integrante da alimentação
diária dos moradores ribeirinhos e da população da cidade de Belém (PA).
Na comunidade da Ilha do Combu, a falta de saneamento básico e a
forma de manipulação do produto podem induzir a uma série de contamina-
ções durante as etapas de preparação da bebida. Isto poderá comprometer a
qualidade e higiene, acarretando danos à saúde. Um exemplo é a qualidade
da água utilizada que poderá servir como veículo de transmissão dos agentes
microbiológicos.
118
Análise microbiológica do suco de açaí produzido em uma comunidade ribeirinha
Esta pesquisa teve como objetivo analisar a nível microbiológico o suco
de açaí consumido por moradores da ilha do Combu, com o intuito de alertar
a população à higienização do produto.
METODOLOGIA
As amostras do suco de açaí foram coletadas na comunidade do
Furo do igarapé Combu, localizada na Ilha do Combu, no município de
Acará, Estado do Pará a uma distância de 1,5 km via fluvial ao sul da
cidade de Belém.
A pesquisa de campo foi realizada no período de novembro de 1993
a abril de 1994. Foram visitadas 10 famílias, onde coletou-se quatro
amostras de suco e o tipo de água utilizada. As amostras do suco e tipos
de água foram coletadas em recipientes de vidro esterilizados, etiquetadas,
identificadas com data da coleta, acondicionadas em caixas de isopor
com gelo e transportadas para a Unidade de Referência Laboratorial -
URL/SESPA, para análise microbiológica.
Aplicou-se testes microbiológicos para detectar os seguintes grupos
de microorganismos: Salmonella, Staphylococcus aureus, coliformes
totais, coliformes fecais, fungos (bolores e leveduras) no suco de açaí e
nos três tipos de água utilizadas no seu preparo, conforme técnicas do
Instituto Adolph Lutz:
1. Salmonella : semeou-se 25ml de suco em 225ml de caldo lactosado,
deixando em repouso durante 60 minutos. Ajustou-se o pH 6,8 mais ou
menos 0,2, incubou-se a 35°C por 24 horas. Passou-se lml do semeio para
caldo selenito cistino e lml para tetrationato (acrescentou-se 0,lml de
verde brilhante a 0,1% + 0,2ml de iodo iodeto), incubou-se a 35°C por 24
horas. Após a leitura transferiu-se para a placa de Xilose, Lisina,
Desoxicolato (XLD) e Entérico Hectoen (EH), incubou-se a 35°C por 24
horas. Quando ocorreu o crescimento de colônias suspeitas passou-se para
o meio de Rugai incubando-se por 24 horas e realizada a leitura final.
2. Staphylococcus aureus : semeou-se em agar BAIRD PARKER (BP)
lml da diluição 10, dividiu-se em três placas (0,3ml, 0,3ml, 0,4ml),
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incubou-se a 35 °C por 48 horas. Quando ocorreu o crescimento de
colônias típicas, selecionou-se placas que continham de 25 a 250 colôni-
as, em seguida repicou-se cinco colônias para agar nutriente, incubando-se
a 35 °C por 24 horas. Para o teste confirmativo que consiste na prova da
coagulase, incubou-se a 35°C por 24 horas, a leitura positiva foi
confirmada com a presença do coágulo.
3. Coliformes totais : preparou-se três séries de 3 tubos com verde
brilhante e acrescentou-se lml das diluições 10, 10, 10 nos respectivos
tubos, incubou-se a 35°C por 48 horas. Após este período foi feita a
leitura final.
4. Coliformes fecais: preparou-se três séries de 3 tubos com Caldo Lauril
Triptose (LST), acrescentou-se lml de cada diluição 10, 10, 10 nos
respectivos tubos, incubou-se a 35°C por 48 horas. As colônias suspeitas
foram transportadas para recipiente contendo agar nutriente incubando-
se por 24 horas, a seguir transferindo para o IAL e após 24 horas foi
realizada a leitura final.
5. Fungos ( bolores e leveduras ): semeou-se lml em duas placas da
diluição 10 em agar dextrose batata (adicionou-se l,9ml de ácido
tartárico para lOOOml), incubou-se a temperatura ambiente, onde a
leitura foi realizada entre 1 e 5 dias, selecionou-se placas com 15 a 250
colônias típicas para a leitura final.
6. Tipos de água: utilizou-se os meios de cultura de todos os agentes
microbiológicos acima citados.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Observou-se contaminação microbiológica por coliformes totais,
S.aureus e fungos nas amostras de suco de açaí e nos três tipos de água
procedentes do poço, do rio e de Belém (Tabelas 1-2).
Os coliformes totais indicaram contaminação em 100% das amos-
tras. Segundo Sewell (1978), este grupo é mais resistente que as bactérias
patogênicas; a contaminação para Thatcher & Clark (1972) indica um
120
Análise microbiológica do suco de açaí produzido em uma comunidade ribeirinha
tratamento inadequado ou uma contaminação a partir de manipuladores,
instrumentos mal lavados e matéria-prima não tratada, sujeitos a contamina-
ção por pessoas e água; Oliveira et al. (1982) identificaram coliformes totais
em 100% das amostras de suco de açaí coletadas na cidade de Belém; porém
afirmam que a presença desta classe de germes em alimentos não tem
significado sob o aspecto de saúde pública.
Verificou-se que a preparação do suco do açaí na comunidade do
Combu não apresentava boas condições de higiene durante a manipulação,
pois os utensílios utilizados como cuias, baldes, chaleiras e até latas onde os
frutos ficam imersos em água são lavados na água do rio e não passam por
esterilização prévia. A falta de higienização e o tipo de água provavelmente
foram os responsáveis pela contaminação, principalmente usando-se água
disponível no local.
A contaminação por S.aureus foi constatada em todas amostras.
Segundo Evangelista (1992) a temperatura ambiente favorável para o
desenvolvimento de colônias está entre 21,1a 36,1°C; pH do alimento em
torno de 4,8; disseminação pelo ar e poeira são formas de proliferação deste
microorganismo. Para Murray et al. (1992) estes meios de contaminação são
comuns para S. aureus, além das pessoas que em geral possuem Staphylococcus
coagulase negativo em sua superfície cutânea, permitindo a colonização
transitória de S.aureus em pregas cutâneas úmidas e quentes. O nível de
contaminação deve ser considerado como periculoso ao consumo da bebida,
pois Trabulsi (1991) e Riedel (1992) citam que a quantidade de S.aureus no
alimento deve estar em torno de 100.000 a 1.000 UFC/g para que produza
enterotoxinas suficiente para manifestações clínicas; Oliveira et al. (1982)
consideram uma bactéria patogênica produtora de enterotoxina que age na
mucosa gástrica intestinal.
A detecção deste microorganismo maior que 1 .000 UFC/g nas amostras
pode estar intrinsecamente relacionado a temperatura ideal e ao manipulador,
o que torna o produto passível a contaminação e conseqüentemente colocando
em risco a saúde dos consumidores. Deve-se considerar que o nível de
contaminação está associado a qualidade da água.
Ridel (1992) cita que os bolores e leveduras desenvolvem-se em
temperatura ideal de 10 a 45 °C, com ampla importância benéfica nas
121
SciELO
11
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(1), 1995
Tabela 1 - Análise microbiológica de amostras do suco de açaí coletadas na Comunidade do
Furo do Igarapé do Combu, Ilha do Combu, Município de Acará, Estado do Pará.
Amostra e
tipo de água
Salmonella
Coliformes
totais (NMP/g)
Coliformes
fecais (NMP/g)
S. aureus
(UFC/g)
Fungos
(UFC/g)
Al Poço
Ausente
> 1100
Ausente
260
1.2 x 10
A2 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
240
1.5 x 10
A3 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
250
1.9 x 10
A4 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
270
1.4 x 10
A5 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
260
6.3 x 10
A6 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
250
11.0 x 10
A7 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
250
1.9 x 10
A8 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
250
1.9 x 10
A9 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
350
15.0 x 10
AIO Belém
Ausente
> 1100
Ausente
280
0.7 x 10
BI Poço
Ausente
> 1100
Ausente
300
7.1 x 10
B2 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
430
7.5 x 10
B3 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
280
1.1 x 10
B4 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
310
6.5 x 10
B5 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
270
6.3 x 10
B6 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
300
6.5 x 10
B7 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
250
9.2 x 10
B8 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
230
9.3 x 10
B9 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
245
7.3 x 10
B10 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
230
7.2 x 10
Cl Poço
Ausente
> 1100
Ausente
290
2.0 x 10
C2 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
270
1.8 x 10
C3 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
250
0.8 x 10
C4 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
280
1.7 x 10
C5 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
250
1.7 x 10
C6 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
230
2.1 x 10
C7 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
320
8.1 x 10
C8 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
270
8.1 x 10
C9 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
270
4.0 x 10
CIO Belém
Ausente
> 1100
Ausente
250
3.8 x 10
Dl Poço
Ausente
> 1100
Ausente
260
7.0 x 10
D2 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
240
7.1 x 10
D3 Poço
Ausente
> 1100
Ausente
260
10.4 x 10
D4 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
220
7.4 x 10
D5 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
270
6.3 x 10
D6 Rio
Ausente
> 1100
Ausente
280
7.6 x 10
D7 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
210
6.6 x 10
D8 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
260
7.3 x 10
D9 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
250
6.7 x 10
D10 Belém
Ausente
> 1100
Ausente
240
8.0 x 10
122
Análise microbiológica do suco de açaí produzido em uma comunidade ribeirinha
indústrias de laticínios e outros maléficos ao organismo humano. Os fungos
encontrados nas amostras apresentaram valores acima de 1000 UFC/g.
Segundo o autor citado, este número é considerado máximo para alimentos
in natura. Estes resultados podem estar relacionados a vários fatores como
umidade, temperatura ambiente e substrato ideal; Oliveira et al. (1982)
consideram o fruto de açaí o principal portador de contaminação.
Tabela 2 - Análise dos tipos de água utilizados na preparação do suco de açaí, na Comunidade
do Igarapé Combu, Ilha do Combu, Município de Acará, Estado do Pará.
Tipo de água
Salmonella
Coliformes
totais (NMP/g)
Coliformes
fecais (NMP/g)
S. aureus
(UFC/g)
Fungos
(UFC/g)
Poço
Ausente
> 1100
Ausente
280
0.1 x 10
Rio
Ausente
> 1100
Ausente
250
2.5 x 10
Belém
Ausente
< 3
Ausente
240
0.1 x 10
A proliferação dos fungos nos alimentos pode ter como meios de
transmissão o ar, solo úmido, alimentos e utensílios em condições higiênicas
insuficientes (Evangelista 1987). Um fator que pode auxiliar na contamina-
ção local é que desde a colheita dos frutos até o local de manipulação
evidencia-se exposição direta com o solo e utensílios não esterilizados.
Com relação a procedência do tipo de água, observa-se que a maior
contaminação foi na água do rio, conseqüentemente, por permanecer exposta
aos fatores do meio. Segundo Matos & Neto (1993) os problemas de diarréia
são os mais comuns em áreas ribeirinhas do estuário amazônico em virtude
do tipo de água consumida e o saneamento básico inexistente nestes locais.
Uma alternativa para minimizar esta contaminação seria adotar um procedi-
mento adequado na preparação do suco atentando principalmente para
qualquer manipulação que envolva a água local.
CONCLUSÕES
A presença de agentes microbiológicos no suco do açaí preparado e
consumido na comunidade do igarapé Combu, reflete uma qualidade
microbiológica deficiente. Constatou-se que a água local é um dos
123
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(1), 1995
principais meios de transmissão relacionados com os fatores ambientais
favoráveis ao desenvolvimento bacteriano. A contaminação pode ser
minimizada com alguns procedimentos de baixo custo como esteriliza-
ção caseira dos utensílios e da água utilizada no preparo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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EVANGELISTA, J. 1992. Alimentos: um estudo abrangente. Rio de Janeiro, Atheneu,
p. 208-218.
MATOS, A. D. & NETO, J.A.P. 1993. Caracterização do uso de plantas em uma
comunidade do estuário amazônico, Ilha da Boa Vista, Município de Acará, Estado do
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MURRAY, P.R.; DREW, W.I.; KOBAYASHI, G.S. & THOMPSOM, J.H. 1992.
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TRABULSI, L.R. 1991. Microbiologia. 2 ed., São Paulo, Ed. Atheneu. p. 108-241.
124
Editora Supercores
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Belém-Pará
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ANOS DA MICRORREGIÃO DO TAPAJÓS, PARÁ
Pedro L. B. Lisboa, Alicia Durán Coirolo
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MICORRÍZICA E A FERTILIZAÇÃO COM FOSFATO DE ROCHA
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GERMINAÇÃO E CARACTERÍSTICAS BIOMÉTRICAS DE CARINIANA
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Roberto José F. Coroa, Tania Margareth A. Oliveira, David Elias Dahan,
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/
7-17
19-25
27-41
43-53
55-60
61-74
75-87
89-97
99-108
109-116
1 17-124
SciELO