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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia — NCT
Ministro - José Israel Vargas
Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico — CNPq
Presidente - José Galizia Tundisi
Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
Diretor - Adélia de Oliveira Rodrigues
Diretor Adjunto de Pesquisa - Antonio Carlos Magalhães
Diretora Adjunta de Difusão Científica - Helena Andrade da Silveira
Comissão de Editoração - MPEG
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor-Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Equipe Editorial - Lais Zumero, Iraneide Silva, Elminda Santana, Socorro Menezes
CONSELHOCIENTÍFICO
Consultores
Ana Maria Giulietti - USP
Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - New York Botanical Garden
Fernando Roberto Martins - UNICAMP
Chillean T. Prance - Royal Botanic Garden
Hermógenes Leitão Filho - UNICAMP
João Peres Chimelo - IPT
Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Therezinha Sant’Anna Melhcm - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kerr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Apoio: Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-ProgramadeC&T-PP/G7*MMA/MCT/FINEP
© Direitos de Cópia/Copyright 1 997
por/by MCT/CNPq/Museu Goeldi
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
i
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
I REUNIÀO DOS BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA
Organizadores
Pedro L. B. Lisboa
Regina Célia Lobato Lisboa
Samuel Soares de Almeida
Léa Maria Medeiros Carreira
Mário Augusto Gonçalves Jardim
Série
BOTÂNICA
Vol.ll(2)
Belém -Pará
Dezembro de 1995
MCT/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotâncio - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 - Telex: (091) 1419 - Fones: Parque (091) 249-1233,
Campus (091) 246-9777 - Fax: (091) 249-0466
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emílio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to
this publication.
REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO
Programa de Apoio a Publicações Científicas
MCT Êi CNPq Eí FINEP
Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programa de C&T - PP/G7 • MMA/MCT/FINEP
APRESENTAÇAO
A extensão territorial e a riqueza da floresta amazônica constituem
o cenário indicador de que a Botânica deve ser encarada como uma
disciplina prioritária na vida acadêmica da região. Mas esta constatação
não tem sido suficientemente estimulante para que esta ciência seja aqui
apoiada de forma efetiva e contínua.
Embora o interesse internacional sobre a flora regional seja uma
realidade, a nível nacional ou regional estamos longe de contribuir para o seu
completo conhecimento. As instituições de ensino e pesquisa da Amazônia,
voltadas para as Ciências Biológicas devem ocupar uma posição de liderança
na elaboração de um banco de dados sobre a vegetação e a flora. Os
obstáculos a superar não são poucos. O desafio é grande. A realização da
/ Reunião dos Botânicos, realizada no período de 26 a 30 de junho de 1995,
nas dependências do Museu Paraense Emílio Goeldi, faz parte desse esforço
de planejar a Botânica regional, como instrumento de seu fortalecimento.
A idéia de criar a Reunião dos Botânicos, portanto, visou mais que a
apresentação de trabalhos científicos e a confraternização da classe a nível
regional. Visou uma avaliação do desenvolvimento da disciplina Botânica na
região, para que ações mais organizadas na defesa dos nossos interesses
sejam tomadas. Este foi o objetivo principal do Simpósio Situação da
Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira, realizado durante o evento.
Convidados da maioria dos Estados da região: Acre (Marcos Silveira/
UFAC), Amazonas (Marlene Freitas da Silva/UTAM), Tocantins (Marccus
Vinicius Alves/UNITIS), Pará (Mário Augusto G. Jardim/MPEG), Mato
Grosso (Germano Guarim Neto/UFMT) estiveram presentes. Com a colabo-
ração dos botânicos Léa Carreira (MPEG), Nívea Fernandes (UFAC) e
Silvia Mendonça (EUA) elaboraram um documento com sugestões, que
comentaremos mais adiante.
O evento foi também uma oportunidade para prestar homenagem ao
botânico João Murça Pires, falecido em dezembro de 1994, que por meio
século dedicou-se profundamente à botânica, com administrações marcantes
à frente dos departamentos de Botânica do Centro de Pesquisa Agroflorestal
da Amazônia Oriental/CPATU e do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma
indiscutível contribuição à botânica mundial.
As atividades da Reunião começaram com duas exposições de caráter
científico abordando o tema da ilustração botânica. Ambas foram montadas
no Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna do Museu Goeldi. Numa delas
foram expostas aquarelas pintadas por alunos do Curso de Ilustração
Botânica, ministrado pela professora britânica Christabel King, na Estação
Científica Ferreira Penna, em julho de 1994. Formidáveis reproduções de
flores da região de Caxiuanã, bem acabadas artisticamente, revelaram que
o curso preparou ilustradores da melhor qualidade.
A outra exposição foi da ilustradora carioca Dulce Nascimento que
expôs uma mostra de plantas na mesma linha da escola de Margaret Mee,
famosa ilustradora britânica que por muitos anos dedicou-se a reproduzir
plantas amazônicas, principalmente orquídeas e bromélias. Dulce também
ministrou durante o evento um curso intensivo de Ilustração Botânica para
20 pessoas, sob a sombra acolhedora das árvores no Parque Zoobotânico do
Museu Goeldi.
A Programação técnico-científica realizada foi intensa. Dos 117
trabalhos inscritos foram apresentados 105, ou seja, apenas 14 trabalhos
estiveram ausentes. Dos 28 trabalhos inscritos na Sessão de Botânica
Econômica, apenas um não foi apresentado. O situação geral pode ser
observada na tabela 1 .
Tabela 1 - Número de trabalhos inscritos e apresentados na I Reunião dos Botânicos da
Amazônia.
SESSÕES TÉCNICAS
TRABAL. INSCRITOS
TRABAL. APRESENTADOS
BOTÂNICA SISTEMÁTICA
22
20
MORFOLOGIA VEGETAL
24
19
FLORiSTICA
23
18
ECOLOGIA
20
19
BOTÂNICA ECONÓMICA
28
27
TOTAL
117
103
Além das sessões técnicas de painéis foram realizados dois mini-
cursos: Taxonomia Vegetal (Professores Marlene Freitas da Silva/
UTAM, Regina Celia Lobato Lisboa/MPEG e Helen Sótão/MPEG) e
Ecologia Vegetal (Samuel Soares de Almeida/MPEG, Noemi Viana
Leão/CPATU).
O evento foi complementado com três expedições científicas: ilha
do Combu, onde os participantes observaram uma várzea típica do
estuário do Amazonas e o manejo que os nativos fazem com o açaí, o
cacau e outras plantas típicas da Amazônia; Crispim, onde os visitantes
conheceral o litoral paraense e suas vegetações de mangue e restinga;
Caxiuanã/Estação Científica Ferreira Penna, unidade de conservação
do Museu Goeldi, situada no município de Melgaço, Pará. A Estação de
33.000 hectares, é constituída por ambiente de terra firme, várzea,
igapó, savanas e abundante vegetação aquática.
O simpósio Situação da Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira
foi muito ativo e dele resultou um documento preliminar, que aborda
algumas questões fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa
botânica na Amazônia. O documento busca refletir nossos anseios e
desejos para o fortalecimento dos Institutos de Pesquisa, bem como de
seus profissionais e estudantes. Entre as questões levantadas estão as
necessidades de integração e intercâmbio, com a criação de mecanismos
que venham a permitir a troca de informações em seus diferentes níveis
(instituições, herbários, pesquisadores etc.), que possam direcionar o
ensino e a pesquisa em Botânica na Amazônia às reais necessidades
regionais; de capacitação de recursos humanos, com ênfase nas ativida-
des de Iniciação Científica, Aperfeiçoamento, acompanhadas dos cursos
de graduação e pós-graduação e no estímulo à participação de estudantes
e técnicos de laboratório em cursos de extensão e estágios supervisiona-
dos, visando a sua qualificação profissional; de incentivo a pesquisa,
com a formulação do Programa Integrado de Estudos Botânicos dos
Estados da Amazônia, como forma de minimizar a notória dificuldade de
captação de recursos financeiros; de divulgação científica, com o
estímulo ao sistema de doações e permutas de material bibliográfico entre
as instituições amazônicas e incremento da publicação do Boletim
Informativo da SBB-Seccional Amazônia.
Foi sugerido também que, de maneira extra-oficial, circule entre os
herbários listas periódicas, com as novas identificações realizadas pelos
especialistas. Isto será de fundamental importância para a elaboração de
futuros trabalhos, em particular com enfoque florístico.
A entrega dos Anais da I Reunião dos Botânicos da Amazônia, em
quatro volumes suplementares do Boletim do Museu Paraense Emílio
Goeldi, mostra que o esforço coletivo sempre dá respostas efetivas. Há uma
potencial produção científica, de boa qualidade, sobre botânica na Amazônia
que precisa ser transformada em papers. É este um dos objetivos que nós,
da atual diretoria da Regional Amazônia, da Sociedade Botânica da Amazô-
nia, desejamos transformar em realidade.
Pedro L. B. Lisboa
Pesquisador Titular/CNPq/MPEG
Diretor da Regional Amazònia/Socicdade Botânica do Brasil
0
CDD: 584.92041335
EFICIÊNCIA DE MICORRIZAS
VESÍCULO-ARBUSCULARES E DA ADUBAÇÃO
FOSFATADA EM BRÁCHIARIA HUMIDICOLA
Newton de Lucena Costa'
Rogério S.C. da Costa'
Francisco das Chagas Leônidas'
Valdinei Tadeu Paulinó^
RESUMO - Os efeitos da inoculação de quatro espécies de micorrizas vesículo-
arbusculares (MVA) fGigaspora margarita, Scutellospora heterogama,
Acaulospora muricata e Glomus mossaeaj e duas doses de fósforo (Oe 22 kg de
P/ha) sobre o rendimento de matéria seca (MS) e teores de nitrogênio e fósforo
de Brachiaria humidicola, foram avaliados em experimento conduzido em casa-
de-vegetação, utilizando-se um Latossolo Amarelo, textura argilosa, previa-
mente esterilizado. A inoculação de MVA incrementou significativamente as
produções de MS e a absorção de nitrogênio e fósforo. Independentemente da
adubação fosfatada, S. heterogama e A. muncalsiforamosfungos mais efetivos,
em termos de produção de MS e absorção de fósforo. Os maiores teores de
nitrogênio foram obtidos com a inoculação de G. margarita e G. mossaea, na
ausência de adubação fosfatada e com A. muricata quando na presença desta.
A colonização radicular foi favorecida pela adubação fosfatada, sendo os
maiores valores verificados com a inoculação de G. margarita eS. heterogama.
PALAVRAS-CHAVE: Matéria seca. Nitrogênio, Fósforo, Colonização
radicular.
ABSTRACT - The effects offour vesicular-arbuscular mycorhizal (VAM)fungi
species fGigaspora margarita, Scutellospora heterogama, Acaulospora muricata
‘ EMBRAPA. Centro de Pesquisa Agroflorestal de Rondônia - Engenheiro Agrônomo. Pono Ve!ho-RO.
^ Instituto de Zootecnia - Engenheiro Agrônomo. Nova Odesa-SP.
131
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
and Glomus mossaea) and two leveis ofphosphorus (Oand 22 kg ofP/ha) on dry
matter (DM) yield, and nitrogen (N) and phosplwrus (P) uptake by plants of
Brachiaria humidicola were evaluated under greeiihoiise conditions, utilizing a
YellowLatosol (Oxisol), clayey, previously sterilized. VAM inoculationpromoted
a marked increase on DM yield, and N and P contents. Independently ofP levei,
S. heterogama andG. margarita were thefungi more effectives-oiiDM yields and
P contents. Die higher N concentrations were obtained with the inoculation of
G. margarita and G. mossaea, in the absence of phosphate, although in the
presence of phosphate plants inoculated with A. muricata presented the highest
N contents. The root colonization were increased by the phosphate addition,
mainly with the inoculation ofG. margarita and S. heterogama.
KEY WORDS: Dry matter yield, Nitrogen, Phosphorus, Root colonization.
INTRODUÇÃO
A formação, manejo e persistência de pastagens cultivadas na Amazô-
nia tem como um dos principais fatores limitantes os níveis extremamente
baixos de fósforo total e disponível no solo. Ademais, devido a alta
capacidade de fixação de fósforo nesses solos, quantidades consideráveis
devem ser adicionadas para satisfazer os requerimentos interno e externo das
plantas forrageiras. Face aos altos custos dos fertilizantes fosfatados,
métodos alternativos de fertilização são desejáveis e devem ser buscados,
visando um manejo mais racional e econômico das pastagens. Nesse
contexto, o aproveitamento das potencialidades das associações micorrízicas
é uma alternativa de grande importância para aumentar a disponibilidade de
fósforo e sua absorção pelas plantas.
Em geral, os efeitos das micorrizas vesículo-arbusculares (MV A) sobre
o crescimento das plantas se manifestam pela atuação de um ou vários
mecanismos, tais como: aumento da superfície de absorção de nutrientes;
maior longevidade das raízes absorventes; melhor utilização de formas de
nutrientes pouco disponíveis para as plantas não colonizadas; alterações na
relação água-solo-planta; redução de efeitos adversos do pH, toxidez de
alumínio e aumento na produção de fitohormônios (Lopes et al. 1983;
Zambolim & Siqueira 1985).
132
Eficiência de micorrizas vesículo-arbusculares
Os efeitos positivos da micorrização sobre o crescimento e absorção de
fósforo em gramíneas forrageiras dos gêneros Brachiaria, Andropogon,
Panicum e Sorghum foram relatados em diversos trabalhos (Sano, 1984;
Salinas et al. 1985; Saif 1987; Costa & Paulino 1990). No entanto, essas
respostas são condicionadas às interrelações entre características do solo,
espécies de gramíneas e de fungos micorrízicos (Powell 1977).
O presente trabalho teve por objetivo avaliar o efeito da inoculação de
MVA e doses de fósforo sobre o crescimento e nutrição mineral de
Brachiaria humidicola.
MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi conduzido em casa-de- vegetação, utilizando-se um Latossolo
Amarelo, textura argilosa, com as seguintes características químicas:
pH = 4,6: AI = 2,3 meq/lOOg; Ca -I- Mg = 1,3 meq/lOOg; P = 2 ppm e
K = 78 ppm.
O solo foi coletado na camada arável (0 a 20 cm), destorroado e
peneirado em malha de 6 mm, sendo a seguir esterilizado em autoclave à
no°C, por uma hora, com intervalo de 24 horas, durante três dias
consecutivos, a vapor fluente e pressão de 1,5 atm.
O delineamento experimental foi em blocos casualizados com três
repetições. Os tratamentos foram constituídos por quatro espécies de MVA
{Gigaspora inaragarita, Scutellospora heterogama, Acaulospora miiricata e
Glomus mossaé) e duas doses de fósforo (0 e 22 kg de P/ha).
Cada unidade exprimental constou de um vaso com capacidade para
3,0 kg de solo seco. A inoculação das MVA foi realizada adicionando-se 10 g
de inóculo/vaso (raiz -I- esporos + solo), contendo aproximadamente 500
esporos/50 g de solo, o qual foi colocado numa camada uniforme cerca de
5 cm abaixo do nível de plantio. Aplicou-se 5 ml de uma suspensão de solo
livre de esporos e micélios, a fim de assegurar a presença de outros
microrganismos naturais do solo. As doses de fósforo foram aplicadas sob
a forma de superfosfato triplo, sendo uniformemente misturadas com o solo.
O plantio foi realizado com sementes previamente lavadas com hipoclorito
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cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 1 1(2), 1995
de sódio. Após o desbaste, deixou-se quatro plantas/vaso. O controle hídrico
foi feito diariamente através da pesagem dos vasos, mantendo-se o solo em
80% de sua capacidade de campo.
Após dez semanas de cultivo, as plantas foram cortadas rente ao solo,
postas para secar em estufa à 65°C, por 72 horas, sendo a seguir pesadas e
moídas em peneira de 2,0 mm. As concentrações de fósforo e nitrogênio
foram determinadas segundo a metodologia descrita por Tedesco (1982). As
taxas de colonização radicular foram avaliadas através da observação, ao
microscópio, de 25 fragmentos de raízes com 2 cm de comprimento,
clarificadas com KOH e tingidas por azul de tripano em lactofenol, segundo
a técnica de Phillips & Hayman (1970).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise estatística revelou significância (P < 0,05) para a interação
MVA X doses de fósforo sobre os rendimentos de matéria seca (MS) de
B. himidicola. Na ausência de adubação fosfatada, a inoculação com
A. muricata proporcionou o maior rendimento de MS, o qual não diferiu
(P > 0,05) daqueles verificados com S. heterogama ou com a aplicação de
22 kg de P/ha. Já, na presença de adubação fosfatada, /4. muricata foi o fungo
mais efetivo, fornecendo produções de MS 365% superiores às obtidas no
tratamento testemunha (Tabela 1). Do mesmo modo. Costa et al. (1994),
avaliando os efeitos da inoculação de G. margarita, G. etunicatum e
A. muricata em Paspalum coryphaeum, verificaram diferenças significa-
tivas na efetividade das espécies de MVA, em função da aplicação ou não de
adubação fosfatada (0 e 22 kg de P/ha). Segundo Kruckelmann (1975), as
plantas apresentam grande variabilidade quanto a susceptibilidade à forma-
ção de micorrizas, a qual parece ser controlada geneticamente, podendo
ocorrer especificidade até mesmo a nível de cultivares.
As taxas de colonização radicular registradas com a inoculação de
G. margarita e S. heterogama, independentemente da adubação fosfatada,
foram significativamente superiores (P < 0,05) às obtidas com os demais
fungos micorrízicos (Tabela 1). Resultados semelhantes foram relatados por
Costa et al. (1994) com P. coryphaeum. Segundo Green et al. (1976),
134
Eficiência de micorrizas vesículo-arbusculares
geralmente as espécies dos gêneros Gigaspora e Scutellospora ocorrem em
uma faixa maior de pH, apresentando melhor adaptação a solos ácidos que
as de Glomus.
Tabela 1 - Rendimento de matéria seca e taxas de colonização radicular de Brachiaria
humidicola em função da inoculação de micorrizas vesícuio-arbusculares e doses de fósforo.
Tratamentos
Matéria seca (g/vaso)
Colonização radicular (%)
Testemunha
2,3 h
—
C. margarita (Mj)
4,6 fg
49,3 cd
S. heterogama (M,)
5,8 def
52,0 bc
A. muricata (M,)
6,3 cde
41,4 e
G. mossaea (M^)
3,5 g
43,1 e
M| + Fósforo
7,2 c
57,4 a
M, + Fósforo
8,9 b
55,2 ab
M, + Fósforo
10,7 a
48,3 d
+ Fósforo
6,8 cd
50,2 cd
Fósforo'
5,4 efg
-
— Medias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey.
I = 22 kg de P/ha
Os teores de nitrogênio e fósforo foram significativamente afetados
(P < 0,05) pela adubação fosfatada e inoculação de MVA (Tabela 2). Na
ausência de adubação fosfatada, G. margarita e G. mossaea proporcionaram
as maiores concentrações de nitrogênio, enquanto que na presença desta, os
maiores valores foram registrados com a inoculação de Á. muricala. Já,
plantas colonizadas por 5. heterogama e A. muricata, independentemente da
fertilização fosfatada, apresentaram os maiores teores de fósforo. Conforme
Siqueira (1983), a micorrização, geralmente, implica em aumento na taxa
fotossintética, respiração e transpiração, o que pode afetar positivamente a
absorção de nutrientes da solução do solo. Cress et al. (1979) verificaram que
raízes colonizadas por micorrizas possuem um sistema de absorção de
fósforo altamente eficiente, caracterizado por alto valor de Vmáx (velocidade
máxima de absorção), e baixo (constante de Michaelis-Menten =
concentração de fósforo na qual se obtém a metade da Vmáx), para plantas
crescendo em baixos níveis de fósforo disponível no solo. Deste modo, as
plantas micorrizadas são capazes de baixar o nível de fósforo na solução do
135
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
solo para valores inferiores aos do produto de solubilidade de compostos
pouco solúveis, estimulando a dissociação química do fosfato para manter o
equilíbrio de fósforo na solução do solo (Barea et al. 1975).
Tabela 2 - Teores de nitrogênio e fósforo de Brachiaria humidicola, em função da inoculação
de micorrizas vesículo-arbusculares e doses de fósforo.
Tratamentos
Nitrogênio (%)
Fósforo
Testemunha
1,7 ede
0,13 f
G. margarita (M|)
2,3 ab
0,15 ef
S. heterogama (M,)
1,5 ef
0,18 ede
A. murícata (M,)
1,2 f
0,20 bc
G. mossaea (M^)
2,1 abc
0,16 def
M| + Fósforo
1,9 bede
0,19 bed
M, + Fósforo
1,6 def
0,22 ab
Mj + Fósforo
2,5 a
0,25 a
Mj + Fósforo
2,0 bed
0,18 ede
Fósforo'
1,7 ede
0,16 def
— Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0,05) pelo teste de Tukey.
1 = 22 kg de P/ha
CONCLUSÕES
1 - A inoculação de MVA promoveu acréscimos significativos na
produção de matéria seca e teores de nitrogênio e fósforo de B. humidicola;
2 - Independentemente da adubação fosfatada, S. heterogama e
A. murícata foram os fungos mais efetivos, em termos de produção de
forragem e teores de fósforo;
3 - Os maiores teores de nitrogênio foram obtidos com a inoculação de
G. margarita e G. mossaea, na ausência de adubação fosfatada e com
A. murícata na presença desta;
4 - A colonização radicular foi favorecida pela adubação fosfatada,
sendo as maiores percentagens verificadas com a inoculação de G. margarita
e S. heterogama.
136
Eficiência de micorrizas vesículo-arbusculares
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138
CDD: 583.3204183
INFLUÊNCIA DO SOMBREAMENTO
SOBRE O CRESCIMENTO DE MUDAS
DE COPAÍBA (COPAIFERA MULTIJUGA HAYNE)
E CONCENTRAÇÃO DE CLOROEILA NAS EOLHAS*
Vania Palmeira Varela^
Maria das Graças G. Vieira^
Zilvanda L. de Melo^
RESUMO - Este trabalho foi desenvolvido para avaliar a influência do
sombreamento sobre o crescimento de mudas de Copaíba fCopaifera multijuga
Hayne)e concentração de clorofila nas folhas. A semeadura foi efetuada em
caixas de madeira e posteriormente foi feito o transplante das mudas para sacos
de polietileno, utilizando-se como substrato uma mistura de areia e barro na
proporção de 2:1. Testaram-se três diferentes níveis de sombreamento. Os
níveis de 30, 50 e 707o foram obtidos por meio de telas de poliolefinas de cor
preta. Foi empregado o delineamento de blocos ao acaso em esquema de
parcelas subdivididas: os níveis de sombreamento constituíram as parcelas e os
períodos de avaliação das mudas as subparcelas. Após 30, 60, 90 e 120 dias de
permanência das mudas no vi veiro, procederam-se as avaliações do crescimento
e teor de clorofila. O teor de clorofila expresso em mg/g de MF foi analisado
apenas numa planta de cada subparcela por sombreamento. Foram obtidos os
seguintes resultados: As mudas avaliadas com 30 dias de permanência no viveiro
já haviam atingido o tamanho considerado ideal para o plantio no campo que
é de 25 a 30 cm. Os níveis de sombreamento estudados não influenciaram o
crescimento das mudas em altura, área foliar, matéria seca da parte aérea e do
sistema radicular e razão de área foliar. As mudas culti vadas sob sombreamento
de 307c apresentaram menor teor de clorofila a nos períodos de 30 e 90 dias
quando comparadas com as produzidas sob sombreamento de 507c e 707c. Sob
707c de sombreamento houve uma tendência de estabilização do teor de clorofila
' Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
^ Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, Alameda Cosme Ferreira, 1756, Manaus-AM.
139
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
a, b e total nas folhas a partir de 60 dias de avaliação. Os teores de clorofila
a e total nas folhas de mudas cultivadas sob 70% de sombreamento e avaliadas
com 30 dias apresentaram valores intermediários entre os valores observados
nos sombreamentos de 30% e 50%.
PALAVRAS-CHAVE: Sombreamento, Clorofila, Copaifera multijuga.
Crescimento.
ABSTRACT - Infuence of shading on growth seedlings ofcopaiba fCopaifera
multijuga Hayne) and chlorophyll content of leaves. This study was undertaken
with the intent of determining the effect of shading on growth and on leaf
chlorophyll content of seedlings of copaiba (Copaifera multijugaj. Seeds were
planted in wooden boxes then transplanted to polyethylene bags. The soil mixture
iva5 sand and clay in the proportion 2:1. Three degrees of shading were tested
30, 50 and 70% using black plastic screens. The tested plants were randomly
distributed within a subparcel scheme, where in the shade leveis constituted the
parcels and the length of time exposed to each shade levei constituted the
subparcels. Lengths of exposure were 30, 60, 90 and 120 days. After these
lengths of time the measurements of growth and leaf chlorophyll content were
made. The chlorophyll content, e.xpressedas mg/g offreshmatter, was measured
in just one plant per subparcel of each shade treatment. After 30 days all
seedlings had reached a size considered ideal for transplanting to the field, i.e.
25-30 cm. The shade leveis had no effect on height, leafarea, above-ground dry
weight, root-mass dry weight and leafarea ratio. For the growth periods of30
and of 90 days duration, the seedlings exposed to 307o shade had a lower
chlorophyll a content than those exposed to 507c and 707c shade. Under 707c
shade there was a tendency for chlorophyll content (a, b and total) to stabilize
after 60 days. After 30 days exposure, the content of chlorophyll (a and total)
under the 707c shade regime ivíjí between the values obtained under 307c and
507c shade.
KEY-WORDS: Shading, Chlorophyll, Copaifera multijuga, Juvenile growth.
INTRODUÇÃO
A demanda cada vez maior por mudas de espécies florestais e a busca
constante de melhor produtividade nos reflorestamentos têm reforçado a
necessidade de estudos ecofisiológicos que indiquem a influência de fatores
ambientais na distribuição, sobrevivência e desenvolvimento de espécies e
que auxiliem na compreensão de seu papel no ecossistema. Além desta
importância vale ressaltar que o êxito no plantio de espécies florestais, quer
140
Influência do sombreamenio sobre o crescimento de mudas de copaiba
seja com finalidade econômica ou conservacionista, depende do conhecimen-
to prévio de suas características silviculturais e exigências ecofisiológicas nas
diversas etapas do seu ciclo vital.
Dentre os fatores ecofisiológicos, a luz é dos pontos de grande
importância na produção de mudas. Na floresta, a luz que atravessa o dossel
florestal sofre mudanças consideráveis quanto à sua intensidade, duração e
qualidade. Amo (1985), analisando essas mudanças no processo de regene-
ração e crescimento da floresta, concluiu que as diferenças de luz quanto à
sua intensidade possui, nas condições naturais, efeito mais significativo no
crescimento das plantas do que a sua qualidade, principalmente no que se
refere ao acúmulo de matéria seca.
Gomes et al. (1978) analisaram a influência do sombreamento na
formação das mudas de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden e observaram
que o melhor desenvolvimento da planta em altura, diâmetro do colo,
produção de matéria seca total, número de folhas e área foliar foi obtido
quando não houve sombreamento.
Varela & Santos (1992), trabalhando com mudas de angelim pedra
{Dinizia excelsa), observaram maiores valores do peso de matéria seca da
parte aérea e do sistema radicular quando as mudas foram cultivadas sob 30
e 50% de sombreamento, enquanto que para sombreamento de 70% houve
uma redução na altura.
Poggiani et al. (1992), analisando o efeito do sombreamento sobre o
crescimento de mudas de Piptadenia rígida, Schizolobiiim parahyba e
Albizzia lebbeck, observaram que essas espécies desenvolveram-se melhor
em altura nas condições de sombreamento do que a plena luz. Constataram
que as mudas de P. rígida apresentaram incrementos significativos de peso
de matéria seca das folhas e da área foliar quando cultivadas sob 80% de
sombra.
Anal isando-se os trabalhos de literatura , verifica-se que vários parâmetros
de crescimento têm sido utilizados para avaliar o comportamento das mudas
de espécies florestais quanto a intensidade luminosa. A altura e o diâmetro
do colo são as variáveis usadas com maior freqüência, pela facilidade de
avaliação.
141
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
São ainda utilizados para avaliar o crescimento em resposta à luz: a
produção de matéria seca, o alongamento e peso das raízes, a expansão da
superfície foliar e as relações entre a biomassa das partes aérea e radicular.
Além destas variáveis as características fotossintéticas são importantes na
avaliação da qualidade das mudas.
Estudos sobre as características fotossintéticas de plantas herbáceas e
lenhosas realizados por Boardman (1977) mostram que a intensidade de luz
durante o crescimento afeta a morfologia da folha, estrutura dos cloroplastos
e fotossíntese. Esse autor observou que as folhas de sombra apresentam
maior concentração de clorofila (mg/g) do que as folhas de sol; porém se o
conteúdo for expresso por unidade de área foliar a concentração é menor nas
folhas de sombra.
A “copaíba” (Copaifera multijuga), segundo Loureiro et al. (1979), é
uma árvore grande com casca lisa distinta das espécies do mesmo gênero pela
especial forma de seus folíolos e pelo agradável perfume da madeira (forte
odor de cumarina). O óleo-resina produzido no fuste é empregado como
produto medicinal e como combustível na iluminação caseira. A madeira é
usada na construção civil e na carvoaria.
Diante da carência de informações relativas ao desenvolvimento dessa
espécie e da importância da luz na qualidade das mudas, o presente trabalho
foi proposto para avaliar o crescimento e o teor de clorofila nas folhas de
mudas de copaíba (Copaifera multijuga) cultivadas sob diferentes níveis de
sombreamento.
MATERIAL E MÉTODOS
Localização da área de estudo
O presente experimento foi instalado no viveiro de produção de mudas
da Reserva Adolfo Ducke, localizada no Km 26 da Rodovia AM-010, no
período de agosto a dezembro de 1991 . A Reserva está compreendida entre
as coordenadas geográficas de 03°00’00'’ - 03°08’00"S, 59°52’40" -
59°58’00"W.
142
Influência do sombreamento sobre o crescimento de mudas de copaíba
O clima local é classificado pelo sistema de Kõppen como sendo do tipo
Afi, a temperatura média para o mês mais frio nunca é inferior a 18°C, a
precipitação média anual é de 2000 mm e ocorrem duas estações distintas:
a chuvosa estendendo-se de novembro a maio e a seca de junho a outubro
(Ribeiro 1976).
Semeadura e análise de dados
As sementes de Copaíba foram procedentes da Reserva Ducke e
coletadas em 26 de julho de 1991. A semeadura foi realizada em caixas de
madeira de 100 x 47 x 21 cm, contendo areia lavada como substrato, sob
galpão coberto com telhas transparentes.
Para formação das mudas, utilizaram-se sacos de polietileno preto com
16,5 cm de diâmetro por 28,5 cm de altura e uma mistura de areia e barro
na proporção de 2:1. Dez dias após o transplante para os recipientes,
procedeu-se o transporte e a distribuição das mudas nos canteiros.
Foram utilizados três níveis de sombreamento: S,=30%, $2 = 50% e
^3=70% obtidos com telas de náilon de cor preta (sombrite). As telas
recobriam porções superiores e laterais de armações de madeira de
5,0 X 1,0 X 0,5 m.
O experimento foi instalado em blocos ao acaso com parcelas subdivi-
didas, utilizando-se duas repetições de 30 mudas por tratamento. As parcelas
foram constituídas pelos tipos de sombreamento e as sub-parcelas pelos
períodos de avaliação.
Aos 30, 60, 90 e 120 dias após a permanência das mudas nos canteiros
foram avaliadas em 6 plantas tomadas ao acaso por repetição em cada
tratamento as seguintes características:
Altura total (cm) avaliada até a inserção da última folha com uma régua
milimetrada.
Área foliar (cm^)foi avaliada através de um medidor de área foliar
portátil Ll-Cor Mod. 3000A.
Peso da matéria seca (g) da parte aérea, do sistema radicular e total -
ns mudas foram seccionadas em duas partes (aérea e sistema radicular),
143
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
colocadas para secar em estufa a 75 °C por 48 horas e posteriormente pesadas
em balança analítica com precisão de 0,001 g para determinação do peso.
A Razão de área foliar foi avaliada pela relação entre a área foliar e peso
da matéria seca total.
Determinação do teor de clorofila
Aos 30, 60, 90 e 120 dias após a permanência das mudas nos canteiros
foram retirados discos foliares de folhas maduras de cada planta tomada ao
acaso por repetição em cada sombreamento, para análise de clorofila. O teor
de clorofila foi determinado a partir de 5 discos foliares, tomados ao longo
da nervura principal, pesando aproximadamente 0,01 1 geaextração foi feita
em acetona 80% . Adicionou-se ao meio de extração MgCOj, a fim de evitar
a feofitinização. A separação do extrato dos detritos foi realizada mediante
centrifugação por 5 minutos, com duas ressuspensões, e o volume comple-
tado até 10 ml. A quantificação da clorofila foi feita por espectro fotometria
com leituras a 663 e 645 nm e os cálculos de mg de clorofila por g de peso
da matéria fresca do tecido foliar foram baseados nas equações de Arnon
(1949).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Avaliação do crescimento
As médias de altura, área foliar, matéria seca da parte aérea, sistema
radicular e razão de área foliar de mudas de copaíba (Copaifera mídtijuga)
obtidas após 30, 60, 90 e 120 dias de permanência no viveiro, encontram-
se na Tabela 1. Analisando-se o crescimento em altura, verifica-se que as
mudas avaliadas com 30 dias já haviam atingido o tamanho considerado ideal
para o plantio no campo que é de 25 a 30 cm. A permanência das mudas no
viveiro por 60, 90 e 120 dias pode resultar em atraso nos programas de plantio
e, conseqüentemente, poderá acarretar prejuízos financeiros.
Analisando-se os dados de área foliar das mudas de copaíba (Copaifera
mídtijuga), na Tabela 1, observa-se que com 60 dias foi obtido valor
estatisticamente superior quando comparado com 30 dias e que não foram
144
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Influência do sombreamento sobre o crescimento de mudas de copaiba
constatadas diferenças significativas entre os períodos de 60, 90 e 120 dias.
A razão de área foliar das mudas com 30 dias apresentou melhor resultado
quando comparado com as mudas obtidas com 90 e 120 dias. Verifica-se
também que não foram observadas diferenças significativas na razão de área
foliar entre os períodos de 90 e 120 dias.
Com relação aos resultados de matéria seca da parte aérea verifica-se
que aos 90 e 120 dias de permanência das mudas no viveiro foram observados
valores estatisticamente superiores quando comparados com 30 dias. As
mudas obtidas após 120 dias de permanência no viveiro mostraram que os
dados de matéria seca do sistema radicular foram estatisticamente superiores
aos demais períodos (Tabela 1). Varela & Santos (1992), entretanto,
observaram para angelim pedra (Dinizia excelsa) que a matéria seca da parte
aérea e do sistema radicular não foram influenciadas pelos períodos nos quais
as mudas permaneceram no viveiro. Pode-se supor, com base nestes
resultados, que provavelmente esta espécie tenha uma taxa de crescimento
inicial mais lenta do que a copaiba (Copaifera mulíijiiga).
Tabela 1 - Médias de altura, área foliar, matéria seca da parte aérea, sistema radicular e razão
de área foliar obtidas após 30, 60, 90 e 120 dias de permanência das mudas no viveiro.
Período
Altura (cm)
Área foliar
Matéria seca (g)
Razão de área
(dias)
(cmVplanta)
Parte aérea
sistema radicular
foliar (dmVg)
120
51.10a
84.16ab
1.20a
0.080a
42.85c
90
45.93ab
85.56ab
1.10a
0.62b
50.09c
60
43.80b
91.55a
l.Olab
0.42b
60.54ab
_30
36.95b
59.95b
0.68b
0.24c
66.03a
F
23.71**
•f yç**
22.09**
101.94**
28.02**
CV(%)
6.63
15.24
11.90
10.61
8.86
dms
7.18
29.77
0.24
0.13
11.82
* Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente entre si, ao nível de 1 %
probabilidade, pelo teste do Tukey.
Significativo ao nível de 1 % de probabilidade, pelo teste F.
CV(%) = Coeficiente de variação em percentagem.
DMS = Diferença minima significativa.
As médias dos dados de altura, área foliar, matéria seca da parte aérea
0 do sistema radicular, e razão de área foliar das mudas de copaiba (Copaifera
145
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
miiltijuga) sob diferentes níveis de sombreamento, encontram-se na Tabela 2.
Os valores de F referentes a interação sombreamento-período não revelaram
diferenças significativas nos parâmetros avaliados.
Tabela 2 - Médias de altura, área foliar, matéria seca da parte aérea, sistema radicular e razão
de área foliar das mudas obtidas em função do sombreamento.
Sombreamento Altura (cm)
Área foliar
(cmVplanta)
Matéria seca (g)
Parte aérea sistema radicular
Razão de área
foliar (dmVg)
30%
44.34
79.71
0.955
0.586
54.43
50%
45.85
87.81
1.112
0.541
55.20
70%
43.15
73.39
0.927
0.486
54.80
Fs
1.76ns
2.83ns
4.57ns
1.30ns
0. 1 Ins
Fsp
0.90ns
0.55ns
0.66ns
0.54ns
1 .06ns
CV(%)
6.49
15.14
13.25
23.11
6.06
DMS
-
-
-
-
-
* n.s. não significativo, ao nível de 5 % de probabilidade, pelo teste F.
Analisando-se os resultados de altura constantes na Tabela 2, observa-
se que não foram encontradas diferenças significativas entre os níveis de
sombreamento testados. Resultados semelhantes foram observados (Pedroso
& Varela s.d.) para mudas de sumaúma (Ceiba pentandra) produzidas sob
0%, 30%, 50% e70% de sombreamento. Entretanto, maior desenvolvimen-
to em altura foi observado por Sturion (1980) nas mudas de Primus
brasiliensis produzidas sob 30% e 60% de sombreamento em relação àquelas
produzidas sem sombreamento.
Não foram encontradas diferenças significativas entre os pesos de
matéria seca da parte aérea das mudas produzidas sob 30%, 50% e 70% de
sombreamento. Os valores de peso de matéria seca do sistema radicular
obtidos para mudas conduzidas nestes sombreamentos não diferiram signi-
ficativamente entre si (Tabela 2). Varela & Santos (1992), no entanto,
observaram que as mudas de angelim pedra (Dinizia excelsa) produzidas sob
30% e 50% de sombreamento apresentaram peso de matéria seca da parte
aérea e do sistema radicular superiores àquelas produzidas sob 70%.
Poggiani et al. (1992) também observaram que a plena luminosidade, em
todas espécies estudadas, provocou um nítido aumento em relação ao peso
de matéria seca do sistema radicular.
146
cm
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Influência do sombreamento sobre o crescimento de mudas de copaíba
Os dados de área foliar e razão de área foliar das mudas de copaíba
(Copaifera multijuga) em função dos níveis de sombreamento estão apresen-
tados na Tabela 2. Observa-se que não ocorreram diferenças significativas
nestas variáveis entre os níveis de sombreamento testados. Ferreira (1977),
entretanto, observou que a área foliar e a razão de área foliar das mudas de
guapuruvu (Schizolobium parayba) produzidas sob 70% de sombreamento
foram significativamente maiores do que sob níveis de sombreamento mais
baixos. Analisando-se o comportamento da copaíba (Copaifera multijuga)
observa-se, do ponto de vista adaptativo, que ela responde indiferentemente
aos níveis de sombreamento estudados.
Teor de clorofila nas folhas
Na Figura 1 são apresentados os valores da concentração de clorofila
a nas folhas de copaíba (Copaifera multijuga), em diferentes períodos de
avaliação, cultivadas em diferentes níveis de sombreamento. Ao nível de
30% de sombreamento ocorreu uma diminuição acentuada no teor de
clorofila a nas folhas entre 60 e 90 dias de avaliação, embora havendo um
acréscimo no teor com 120 dias. As mudas cultivadas sob sombreamento de
30% apresentaram menor teor de clorofila a nas folhas nos períodos de 30
e 90 dias quando comparadas com as produzidas sob 50% e 70%.
Rgura 1 - Concentração de clororila “a” nas folhas de copaíba (Capaifera multifuga), em diferentes
períodos de avaliação, cultivados em diferentes níveis de sombreamento.
147
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot. 11(2), 1995
Observa-se que as folhas das mudas avaliadas com 60 dias apresentaram
teor de clorofila a semelhantes nos sombreamentos de 30 % e 70 % . Este teor,
sob 70 % de sombreamento, foi intermediário entre os valores observados nos
sombreamentos de 30% e 50% no período de 30 dias; havendo um
decréscimo acentuado em 60 dias e a partir deste período houve uma
estabilização no teor de clorofila. O teor de clorofila a analisado nas folhas
das mudas cultivadas sob 50% de sombreamento foi maior quando compara-
do com os sombreamentos de 30% e 70% nos períodos de 30, 60 e 90 dias
de avaliação. Entretanto, este teor foi menor em 120 dias do que os teores
observados nos sombreamentos de 30% e 70%. Provavelmente, o teor de
clorofda a nas folhas de mudas cultivadas sob sombreamento de 50% diminui
com a idade da panta e se estabiliza sob sombreamento de 70% a partir de
60 dias de avaliação.
Sob sombreamento de 30%, conforme observa-se na Figura 2, o teor
de clorofila b nas folhas apresentou um valor mais elevado com 60 dias e um
valor inferior com 90 dias de avaliação. Observa-se também que o menor teor
de clorofda b nas folhas ocorreu nas mudas cultivadas sob sombreamento de
30% com 90 dias quando comparado com os sombreamentos de 50% e 70% .
Figura 2 - Concentração de elorofila “b” nas folhas de copaíba (Copaifera multijuga), em diferentes
períodos de avaliação, cultivados cm diferentes níveis de sombreamento.
148
cm
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Influência do sombreamento sobre o crescimento de mudas de copaíba
Nas mudas produzidas sob 70% de sombreamento houve uma tendência
de estabilização do teor de clorofila b nas folhas a partir de 60 dias de
avaliação. Observa-se neste sombreamento que o teor de clorofila b nas
folhas apresentou valor intermediário entre 60 e 90 dias em relação aos
sombreamentos de 30% e 50%.
O teor de clorofila b nas folhas de mudas cultivadas sob 50% foi maior
com 30 dias de avaliação, havendo um decréscimo com 60 dias, um leve
acréscimo com 90 dias e um teor menor com 120 dias. Nas mudas cultivadas
sob sombreamento de 30% e 50% o teor de clorofila b nas folhas foi similar
com 120 dias de avaliação e inferior ao apresentado sob 70% no mesmo
período
A Figura 3 mostra os valores da concentração de clorofila total nas
folhas de mudas de copaíba (Copaifera multijuga ) , em diferentes períodos de
avaliação, cultivadas em diferentes níveis de sombreamento. Observa-se que
o teor de clorofila total nas folhas de mudas cultivadas sob 30% foi inferior
com 30 dias de avaliação; o menor teor ocorreu com 90 dias e o menor
decréscimo foi observado entre 60 e 90 dias.
Pigura 3 - Concentração de Clorofila total nas folhas de copaíba (Copaifera multijuga), em diferentes
períodos de avaliação, cultivadas em diferentes níveis de sombreameto.
149
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
O teor de clorofila total nas folhas de mudas cultivadas sob 50% de
sombreamento foi superior a todos os outros sombreamentos quando
avaliado com 30 dias e inferior aos sombreamentos de 30% e 70% com 120
dias de avaliação.
Aos 30 dias de avaliação, o teor de clorofila total nas folhas de mudas
cultivadas sob 70% de sombreamento apresentou valor intermediário entre
os valores observados nos sombreamentos de 30 % e 50 % . Sob sombreamento
de 70%, houve uma tendência de estabilização do teor de clorofila total a
partir de 60 dias.
Os teores de clorofila total avaliados nas folhas de mudas cultivadas sob
sombreamentos de 30% e 50% foram similares com 60 dias e 120 dias de
avaliação, embora com 90 dias este teor tenha sido elevado sob sombreamento
de 30%.
As plantas de sombra ou tolerantes são favorecidas em ambientes
profundamente sombreados e segundo Whatley & Whatley (1982) apresen-
tam cloroplastos maiores e maior clorofila nos cloroplastos como resultado
de uma utilização mais eficiente de luz menos intensa. Kappel & Flore ( 1 983)
trabalhando com plântulas de Pruniis pérsica observaram um acréscimo no
teor de clorofila a, b e total expresso por unidade de área foliar ou peso com
o aumento dos níveis de sombreamento. No presente estudo observou-se que
o teor de clorofila a, b e total nas folhas de mudas cultivadas sob 50%
apresentou uma tendência de superioridade, embora com algumas exceções,
em relação aos sombreamentos de 30% e 70%. Com base nestes resultados
sugere-se que esta espécie apresenta provavelmente um mecanismo adaptati vo
intermediário pois, se ela apresentasse característica de planta de sombra
mostraria valores mais elevados nos teores de clorofila sob sombreamento
mais intenso.
CONCLUSÕES
Com os resultados obtidos, pode-se concluir que:
1 . O tempo de 30 dias é suficiente para a produção de mudas de Copaíba, uma
vez que neste período as plântulas já atingiram o tamanho de 25 a 30 —
cm
150
cm
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Influência do sombreamento sobre o crescimento de mudas de copaíba
considerado ideal para plantio no campo, podendo com isto reduzir os custos
de produção de mudas.
2. Os níveis de sombreamento testados não influenciaram o desenvolvimento
das mudas em altura, área foliar, matéria seca da parte aérea, sistema
radicular e razão de área foliar. Porém, para os teores de clorofila a, b e total
e no período de 30 dias, o sombreamento de 50% apresentou tendência de
mostrar valores superiores em relação aos demais sombreamentos. Estes
resultados parecem indicar que esta espécie apresenta um mecanismo
adaptativo intermediário, sugerindo sua melhor adaptação ao nível de 50%
de sombra.
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WHATLEY, J. M. & WIIATLEY, F. R. 1982. A luz e a vida das plantas. São Paulo,
Universidade de São Paulo, lOlp.
152
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CDD: 574.52623
631.4
CARACTERIZAÇÃO FLORÍSTICA EM SOLOS
DE TERRA EIRME E VÁRZEA, EM UMA ÁREA
DO MUNICÍPIO DE IRANDUBA-AM^
José Jackson B. N. Xaviei^
lêda Leão do AmaraP-
Angela Maria Imakawa^
Zilvanda Lourenço de O. Melo^
Ronaldo Ribeiro de Morais^
Elizabedi A. Elias^
José Carlos Corrêa^
RESUMO - Tendo em vista a complexidade dos ecossistemas da região
amazônica, justifica-se os estudos com o objetivo de correlacionar as densida-
des florísticas (vegetais superiores) com diferentes tipos de solos. O estudo foi
realizado no Campo Experimental do Caldeirão, pertencente à EMBRAPA/
CPAA, em solos de terra firme (Latossolo Amarelo Alico a moderado textura
argilosa), Podzólico Vermelho Amarelo Tb Alico a moderado textura média/
argilosa e de várzea (Gley Pouco Húmico). Os parâmetros avaliados foram as
características físicas (densidade real e aparente, porosidade total,
microporosidade, macroporosidade, porcentagem de agregados, umidade e
granulometria) e químicas (matéria-orgânica, carbono orgânico e teores de C,
N. P, K, Ca, Mg, Mn, Zn, Fe) dos três tipos de solo, bem como o levantamento
forístico. Os solos de terra firme mostraram-se mais bem drenados e arejados
' Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém-PA.
2
Alunos do Curso de Pós-Graduação em Botânica, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(INPA) e Fundação Universidade Federal do Amazonas (FUA).
^ Professor, Curso de Pós-Graduaçâo em Botânica, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(INPA) e Fundação Universidade federal do Amazonas (FUA), Caixa Postal 487, CEP 69,01 1-970
Manaus, AM.
153
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
que 0 de várzea, porém com menos capacidade de retenção de água, apresen-
tando características físicas mais favoráveis ao desenvolvimento da vegetação
O solo da várzea, apesar de maior fertilidade, apresentou melhor estrutura e
menor diversidade de espécies que os solos de terra firme. A diversidade
florística não está diretamente ligada as propriedades físicas e químicas dos
solos, pois houve uma inversão na densidade de espécies constatada nos três
ambientes.
PALAVRAS-CHAVE: Levantamento ttorístico, Física e química cios solos.
Várzea, Terra firme, Amazônia.
ABSTRACT - Given the complexity of ecosystems in the region, studies ofthe
relationships between forest structure and different types of soils are needed.
This study was made on the Campo Experimental do Caldeirão, belonging to
EMBRAPA/CPAA, on the terra firme soils, Clayey Yellow Latisol a (Oxisols)
and Sandy-Clayey Red Yellow Podzollc (Ultisols) andin varzea, Organic Matter
Pour Gleysols (Inceptlsols). The parameters consideredwere the physical (real
and apparent density, total porosity, microporosity, macroporosity, percentage
of aggregates, humldity and particle size distribution) and Chemical (organic
matter, organic carbon, and leveis of C, N, P, K, Ca, Mg, Mn, Zn, Fe)
characteristcs ofthe three types ofsoil, and the forest structure. The soils ofthe
terra firme forest were both much better drained and aerated than those ofthe
varzea, while they had a lower water retainlng capacity, thus showing a better
structure and physical characteristics more suitable for plant growth. The
varzea soil, despite its higher fertility, had a lower species diversity than the
terra firme soils. The forest diversity is not directly related to physical and
Chemical properties of the soils, since there was an inverse relatlonship berween
the soil quality and the diversity in the three habitats.
KEY WORDS: Forest composition, Physical and Chemical soils characteristics,
Varzea, Terra firme, Amazônia.
INTRODUÇÃO
A Amazônia não pode ser definida fisionomicamente como floresta
alta, densa e úmida de terras baixas. O mais recente mapa de vegetação da
Amazônia (Prance & Brown 1987, apud Daly & Prance 1989) indica que a
íloresta úmida de terra firme cobre somente cerca de 53 % da região, e mesmo
154
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização florística em solos de terra firme e várzea
dentro desta categoria quatro sub-tipos são reconhecidos. A área restante é
coberta por vários tipos de florestas de transição sazonal, savanas e bosques
de savanas, florestas em solos arenosos, vários tipos de florestas inundadas
e outros tipos de vegetação.
Na Amazônia, existem três principais categorias de vegetação: a
primeira é uma floresta periodicamente inundada pela água branca (carregan-
do sedimentos) do rio Amazonas, conhecida por “várzea”; a segunda é uma
floresta inundada por rios de água preta (contendo ácidos húmicos dissolvi-
dos), como do rio Negro, conhecida por “igapós”; o terceiro tipo de floresta
é chamado “terra firme”, isto é, terras elevadas que não estão sujeitas a
inundações periódicas pelo sistema de grandes rios (Guillaumet 1987).
A vegetação é resultante da ação dos fatores ambientais sobre o conjunto
interatuante das espécies que coabitam num espaço contínuo refletindo o
clima, a natureza do solo, a disponibilidade de água e de nutrientes, assim
como, fatores antrópicos e bióticos (Matteucci & Colma 1988).
O mapa geológico da Bacia do Amazonas não mostra os limites da
Amazônia florística. As florestas se estendem conforme permitem o clima,
os solos e outros contrastes edáflcos (Daly & Prance 1989). Os mais ricos
da Amazônia ocorrem ao longo dos rios barrentos que carream sedimentos
erodidos das rochas vulcânicas e marinhas sedimentares dos Andes, ricas em
elementos necessários para o crescimento das plantas (Nascimento &
Homma 1984; Nelson s.d.).
Muitas espécies ocorrem em larga extensão ao longo do gradiente de
elevação do rio, e muitas espécies de várzea podem ser encontradas também
em terra firme (Worbes et al. 1992). Nas áreas alagáveis, a variação na
composição de espécies é, também, uma função da tolerância da espécie aos
níveis de inundação (Keel & Prance 1979).
Tendo em vista a complexidade dos ecossistemas da região amazônica,
•evantaram-se as hipóteses para verificar se a diversidade florística está
correlacionada aos diferentes tipos de solos. Para isso, levaram-se em
consideração as propriedades física e química do solo e o levantamento
fiorístico das áreas estudadas.,
O objetivo do trabalho foi tentar correlacionar os solos de terra firme
(Latossolo Amarelo Álico a moderado textura argilosa e Podzólico
155
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Vermelho amarelo Tb Álico a moderado textura média/argilosa) e de várzea
(Gley Pouco Húmico) com a diversidade florística (vegetais superiores)
desses ecossistemas.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização da Área
Localização. A área estudada localiza-se no município de Iranduba-AM,
margem esquerda à jusante do rio Solimões, distando 1 1 km da rodovia
Cacau-Pirêra-Manacapuru, no ramal da Colônia Caldeirão e a 16 km do
Porto de Cacau-Pirêra, entre as coordenadas geográficas 03°14’22" e
03°15’47" S e 60‘’13’02" e 60°13’50" W; no Campo Experimental do
Caldeirão, pertencente a EMBRAPA-CPAA (Eigura 1).
Clima. Segundo a classificação de Kõppen, o clima da região é do tipo Ami
(EMBRAPA 1988/90) e Afi (Ribeiro 1976), conhecido como tropical quente
úmido. Apresenta temperatura média anual de 27,7°C e 2.461 mm de chuva,
com 80 % da precipitação ocorrendo no período de outubro à maio (EMBRAPA
1987).
Solos. O campo experimental possui uma área de 187,63 ha, sendo 46,99%
correspondendo aos Latossolos Amarelos, 26,87 % aos Pdzólicos Vermelho-
Amarelos, 19,88 % , aos Gley Pouco Húmico, 5,09% , aos Solos Hidromórficos
Indiscriminados e cerca de 1,17% são ocupados pelas águas internas
(EMBRAPA 1987).
Os solos estudados foram: Gley Pouco Húmico, situado no ecossistema
de várzea, Latossolo Amarelo Álico a moderado textura argilosa e Podzólico
Vermelho Amarelo Tb Álico a moderado textura média/argilosa situados em
terra firme (EMBRAPA 1987).
Vegetação. A vegetação estudada tem uma fisionomia variável, onde no
Latossolo apresenta uma vegetação exuberante, com árvores emergentes
comoa “Cupiúba” (Goiipiaglabra), sub-bosque moderadamente denso, com
dominância de “breus” {Protium spp.), “timbó” {Derry spp.) e regeneração
156
SciELO
11
Caracterização florística em solos de terra firme e várzea
eo°45'
2° 30'
CONVENÇÕES
«■
Rodovias
Rios
Lagos
—
Igarapds
Capital
o
Cidades
•
Vilas
%
Localização da Área
10
t=
0
10 20 30 40 km
I I I
ESCALA 1:1.000.000
1989
59‘'30'
2°30'
A^OO
59° 30'
I'igura 1 - Localização da área estudada no município de Iranduba-AM.
157
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
de palmeiras como: Maximi liana spp. , Astrocaryum spp. Apresenta dominância
de plantas herbáceas, como Maranthaceae, este tipo de vegetação é denomi-
nado por floresta densa de terra firme (Prance & Brown 1987). No Podzólico
a fisionomia da vegetação modifica-se um pouco, é mais baixa, com menor
densidade de espécies, área basal baixa e sub-bosque mais denso, com
dominância de Melastomataceae, Bignoniaceae, Arecaceae (pequenas pal-
meiras) e herbáceas, estas com maior freqüência que no tipo anterior, onde
se destacam as Heliconiaceas e as Maranthaceas.
O Gley é composto de uma vegetação menos exuberante, de baixa
diversidade, com dominância de Triplales sp., Bactris sp. e Astrocaryum
jaiiary. O sub-bosque é denso, porém não muito diversificado quanto ao
número de espécies, sendo dominado praticamente por Heliconiaceae.
Levantamento Florístico
Para efetuar o levantamento florístico da área, foram marcadas parcelas
de lOm X 10 m (100 m^), uma em cada tipo de solo. Foram medidos todos
os indivíduos com diâmetro a altura do peito (DAP) > 5 cm, e coletadas
amostras botânicas para identificação das espécies, realizada no Herbário do
INPA. Após a identificação das espécies, procederam-se os cálculos da área
basal (AB) e a determinação do número de indivíduos, famílias e espécies em
cada parcela.
Caracterização Química e Física do Solo
Nas parcelas de 100 m^, foram coletadas 9 amostras compostas de solo
as quais foram submetidas às análises químicas no laboratório do CPAA/
EMBRAPA, 9 amostras deformadas e 9 não deformadas para as análises
físicas, nos laboratórios do INPA e CPAA/EMBRAPA, respectivamente,
dos três tipos de solos especificados.
Análises Químicas dos Solos. As análises químicas do solo seguiram as
recomendações e métodos preconizados pelo Manual de métodos de análises
de solo (EMBRAPA 1979).
158
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização floristica em solos de terra firme e vá.
varzea
Foram determinados os teores de C, N, P, K, Ca, Mg, Mn, Zn, Fe e
Na; e o pH em H 2 O e em KCl normal.
O carbono orgânico foi determinado pelo método WALKEY e BLACK
(Osaki 1991).
A matéria orgânica foi determinada pela fórmula: M.O. = % C x 1 ,923
(Osaki 1991).
A capacidade de troca catiônica efetiva (CTCef) foi obtida pela soma
dos teores de Ca, Mg, Al e K; e a saturação de Alumínio foi calculada pela
fórmula: %AL = Al x 100 / CTCef, de acordo com Corrêa (1989).
Análises Físicas dos Solos. A Densidade Real foi obtida através do método
do balão volumétrico e a Densidade Aparente (Global), através do método
do torrão (EMBRAPA 1979).
Porosidade total foi obtida através da fórmula (Corrêa 1984; Kiehl
1979): PT (%) = (densidade real - densidade aparente) / densidade real x
100 .
Microporosidade foi determinada pela “mesa de tensão”, com 0
emprego de amostras com estruturas não deformadas (EMBRAPA 1979).
Macroporosidade foi obtida através de amostras não deformadas a
tensões de 1/10 atm, pelo método da placa porosa descrita por Richards
(1954, apud Corrêa 1986) e calculada pela diferença entre a porosidade total
e a microporosidade.
Percentagem de agregados foi realizada através do método por via
úmida-opção 2 (EMBRAPA 1979).
Umidade a 3/10, 10/10, 25/10, 50/10, 75/10, 110/10 e 150/10 de
atmosfera. Utilizando 0 método “panela de pressão” com placa de cerâmica
(EMBRAPA 1979).
Granulometria: foram separadas areia grossa e areia fina através de
tamização, usando-se peneiras de malha 0,2 e 0,005 mm, respectivamente.
A argila foi separada pelo método de pipeta modificada (EMBRAPA
1979). O silte foi obtido pela diferença.
159
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Análises Físicas dos Solos
Porosidade Total, Macro e Microporosidade. Constata-se que no solo de
várzea (Figura 2), que o volume de microporos é bem maior que nos demais
solos. Em relação a macroporos, o volume é maior nas camadas superficiais,
até 20 cm de profundidade e, a partir desse ponto, o volume é praticamente
o mesmo.
Com essas constatações, para as áreas estudadas, podemos afirmar que
os solos de terra firme são mais bem drenados e arejados que o de várzea,
porém, com menos capacidade de retenção de água. Por outro lado, os
números da Tabela 1 , no que se refere à porosidade total, indicam que os solos
de terra firme são mais arenosos que os de várzea.
Tabela 1 - Valores médios de porosidade total, microporosidade einacroporosidade dos solos
de várzea (1) e de terra firme (Latossolo - 2 e Podzóiico - 3), no Município de Iranduba-AM.
Profundidade
Microporos
Macroporos
Porosidade Total
1
2
3
1
2
3
1
2
3
0-20
44,94
34.47
29,89
14,24
13,30
5,64
59,18
47,77
45,53
20-40
48,47
35,61
35,02
6,78
10,64
9,55
55,25
46,25
44,57
40-60
46,28
37,19
35,16
6,95
8,44
7,46
53,23
45,63
42,62
Entre os solos de terra firme, o Podzóiico é mais arenoso que o
Latossolo, no entanto, na camada superficial, até 20 cm de profundidade, o
Podzóiico tem maior volume de macroporos, portanto retém menor quanti-
dade de água, de acordo com Kiehl (1979).
Distribuição e Tamanho dos Agregados. A distribuição dos tamanhos dos
agregados dos três tipos de solos especificados (Tabela 2, figura 3),
mostraram que nos solos de várzea houve uma predominância de agregados
com diâmetro inferior a 0,5 mm, o que não foi evidenciado nos solos
restantes. Nestes solos, a predominância foi de agregados com diâmetro
superior a 1,0 mm. O comportamento dos agregados em relação a profun-
didade, da coleta variou somente entre os solos de várzea, onde foi registrada
160
cm
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10 11 12 13 14 15
Profundidade (cm)
Caracterização florística em solos de terra firme e várzea
Latossolo
Podzóiico
Gley
Pigura 2 - Diagrama tísico, volumétrico cm 3 tipos dc solos, no município de Iranduba-AM.
161
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
uma tendência de queda na percentagem de agregados da menor para a maior
profundidade com exceção dos agregados inferiores a 0,25 mm.
Tabela 2 - Distribuição das diferentes classes de tamanho de agregados, de três diferentes
solos, no Município de Iranduba-AM.
Classes de
tamanho dos
agregados
Solos e profundidade em (cm)
Várzea'
Terra firme
E
lE
0-20
20-40
40-60
0-20
20-40
40-60
0-20
20-40
40-60
4-2
5.6
1,9
0,41
76,2
56,9
33,5
60,3
44,3
29,9
2-1
14,2
10,5
4,6
20,7
30,2
35,4
29,9
38,3
36,8
1-0.5
11.6
1 1,8
7,41
0,6
5,1
15.4
2,7
7,0
14,6
0.5-0.25
10,9
12,8
9,7
0,5
2,8
7,4
1,7
3,6
íí,9
<0,25
57,7
63,0
77,9
2,0
5,0
8,3
5,4
6,8
10,1
1 - Gley Pouco Húmico
2 - Podzólico
3 - Latossolo
Comportamento semelhante se registrou somente a partir dos agregados
maiores que 2,0 mm, pertencentes aos solos Latossolo e Podzólicos; nas
demais classes, a situação foi inversa, ou seja, aumentou da menor para a
maior profundidade.
Em relação aos três solos analisados e a distribuição dos agregados,
constata-se que os solos de várzea são mais limitados para o uso agrícola que
os outros, principalmente pelo movimento de água, arejamento e
permeabilidade. Esses fenômenos físicos limitam o desenvolvimento do
sistema radicular das plantas e dificultam o manejo do solo, concordando,
assim, com a relação apresentada por Moniz (1975).
Granulometria. A análise granulométrica dos solos de várzea e terra firme
(Tabela 3), mostra o solo Gley como franco siltoso, o Latossolo, como franco
argilo arenoso e o Podzólico como franco arenoso (de acordo com o
“Triângulo para classificação das classes texturais do solo”, adotado pela
Sociedade Brasileira de Ciências do Solo).
162
SciELO
10 11 12 13
Caracterização florística em solos de terra firme e várzea
Pigura 3 - Distribuição dos agregados de três tipos de solos diferentes no município de Iranduba-AM.
163
Boi. Mus. Para. Emitio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Tabela 3 - Análise granulomélrica dos solos de várzea e terra firme, no Município de
Iranduba.
Composição granulomctrica (%)
Solo
Profun-
didade
Areia
Silte
Argila cm
Classes
HjO
Texturaii
(cm)
Grossa
Fina
2.0 — 0,20 mm 0.20 - 0,5 mm
0,05 - 0,002 mm
0,002 mm
0-20
0.40
6,12
68,05
25,42
Glcy pouco
liúmico
20-40
1,10
1 1,47
67.04
20,38
Franco
Siltoso
40-60
1,06
14,24
62,49
22,22
Latossolo
amarelo
0-20
42,72
21,44
12,30
23,52
álico a
moderado
20-40
37.30
17,97
13,84
30,87
Argilosc
textura
argilosa
40-60
32,05
18,41
9,51
40,02
Arenoso
Podzólico
vermelho
Tb álico a
moderado
0-20
20-40
49,80
39,68
19,95
19,56
10,74
12,42
19,90
23,32
Franco
Arenoso
textura
40-60
30,60
20,89
12,41
36,10
média
argilosa
Curca Característica de Umidade do Solo. No Latossolo e no Podzólico as
maiores amplitudes de variação de teor de umidade ocorreram entre 0,3 a 1 ,0
atm. Corrêa (1984) observou que essa amplitude de variação, para os
mesmos tipos de solo, ocorreu entre 0,1 a 1,0 atm. A tendência a
horizontalidade da curva iniciou-se apartir de 1,0 atm, explicando que, a
partir desse ponto, há uma menor disponibilidade de água para as plantas,
principalmente nas profundidades de 0-40 cm.
No solo de várzea observam-se três variações de amplitudes, a
primeira entre 0,3 a 1,0 atm, com acentuado declínio, a segunda, de 1,0 a
7,5 atm, com declínio mais moderado. A partir de 7,5 atm, verificou-se a
horizontalidade da curva, com inversão dos pontos de profundidade 0-40 cm
em relação aos solos anteriormente discutidos.
164
SciELO
11
Caracterização Jíorística em solos de terra firme e várzea
Densidade Aparente. O comportamento dos solos amostrados indicou
aumento da densidade aparente de acordo com a profundidade. A densidade
aparente do solo Gley foi inferior aos demais solos. O Latossolo foi inferior
ao Podzólico, com exceção na profundidade de 20-40 cm.
O Latossolo e o Podzólico em relação ao Gley, apresentam maiores
restrições ao desenvolvimento das plantas, menor estruturação e porosidade
total, observando-se o mesmo comportamento no Latossolo em relação ao
Podzólico. Essas constatações foram definidas por Kiehl (1979).
Densidade Real. A densidade real, para os três tipos de solo, mostrou-se de
forma homogênea com poucas variações entre as profundidades de 0-20 a
20-40 cm, com exceção da profundidade 40-60 cm, onde houve variação
inversa entre os solos Latossolo e Podzólico. Os valores de densidade real
não indicam influência direta no desenvolvimento de plantas e conforme
Kiehl ( 1 979) , os valores encontrados aproximam-se da densidade real padrão
de 3,0 g/cm^, encontrada nas regiões tropicais e subtropicais.
Análises Químicas dos Solos
Matéria Orgânica. Os valores de N para todos os solos (Tabela 4), foram
classificados de nível médio, de acordo com Kiehl (1979). A percentagem de
Carbono foi considerada baixa para o Gley e alta para o Podzólico e o
Latossolo. A matéria orgânica teve comportamento semelhante ao nitrogênio.
Tabela 4 - Resultados analíticos dos solos de várzea e terra firme, no Município de Iranbuba.
Solo
Profundidade (cm)
%
C/N
N
c
M.O.
0-20
0,14
0,61
1,05
4,3
Gley
20-40
0,09
0,47
0,79
5,2
40-60
0,08
0,35
0,60
4,4
0-20
0,13
2,86
4.92
22,0
Latossolo
20-40
0,11
2,30
3,97
20,9
40-60
0,10
1,66
2,85
16,6
0-20
0,11
3,14
5,39
28,5
Podzólico
20-40
0,10
2,40
4,13
24,0
40-60
0,09
1,57
2,70
17,4
165
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Na relação C/N observou-se que o teor de N praticamente não se alterou
entre os solos estudados, ocorrendo o mesmo com o teor de C. A relação
C/N para o solo Gley foi inferior ao Latossolo e ao Podzólico, conseqüen-
temente, o solo Gley apresenta uma melhor eficiência na disponibilidade de
nitrogênio para as plantas. Esse fato pode ser enfatizado pela quantidade de
liteira apresentada (Tabela 5), pois, quando se adiciona ao solo restos de
cultura de uma C/N muito alta, ocorre competição entre microorganismos e
plantas pelo N disponível (Malavolta 1976).
Tabela 5 - Caracterização florística de uma área de lOOm^ nos solos de várzea e terra firme,
no Município de Iranduba.
Tipo de solo
Número de
Indivíduos
Número de
Famílias
Número de
Espécies
DAP
(cm)
AB
(m^)
Leteira Peso
Seco (kg)
Gley
(Várzea)
20
08
11
260,918
0,4320
46,31
Latossolo
(Terra Firme)
27
14
22
387,287
0,1887
49,63
Podzólico
(Terra Firme)
28
11
15
233,386
0,1957
48,31
Alterações Químicas dos Solos. O pH em água variou de 4,01 a 4,83
(Tabela 6), considerando-se, por conseguinte, fortemente ácido. O teor de
Alumínio foi maior no solo Gley, nas profundidades de 0-20 e 20-40,
enquanto que, na profundidade de 40-60 foi inferior nos solos Latossolo e
Podzólico. Verifica-se ainda que o teor de alumínio no Podzólico foi inferior
ao Latossolo (Tabela 7).
A saturação de Al para os solos Gley foi considerada baixa, entretanto,
para os solos Latossolo e Podzólico foi considerada muito alta, (EMBRAPA
1979; Osaki 1991).
No solo Gley o P foi superior aos demais solos estudados (Tabela 6),
podendo ser considerado alto, enquanto que nos demais é considerado
limitante, de acordo com EMBRAPA (1979). Para os elementos Ca, Mg,
Mn, Fe e Zn considera-se o mesmo comportamento (Tabelas 6-7).
A CTCef apresenta-se baixa para os solos Latossolo e Podzólico
(Tabela 7) e alta para o Gley (EMBRAPA 1979; Corrêa 1989; Osaki 1991).
166
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização florística em solos de terra firme e várzea
Tabela 6 - Resultados das análises químicas dos solos de várzea e terra firme no Município
de Iranduba-AM.
Solos
Profundidade
(H20)
pH
(Kcl)
pH
ppm
P
Mn
p/m
Fe
Zn
0-20
3,36
3,60
50,60
43,3
812,0
39,3
Gley
20-40
4,72
3,95
70,00
37,3
342,0
52,0
40-60
4,83
3,98
71,60
32,6
309,3
48,0
0 -20
4,12
3,99
2,00
2,00
276,0
53,0
Latossolo
20 -40
4,33
4,11
0,75
2,00
201,0
16,0
40-60
4,38
4,16
1,00
2,00
63,0
34,0
0-20
4,01
3,94
3,00
8,00
242,0
16,0
Podzólico
20-40
4,28
4,08
2,00
2,00
142,0
17,0
40 - 60
4,30
4,13
0,75
2,00
116,0
11,0
Tabela 7 - Capacidade de troca catiônica efetiva (CTef), Saturação de Alumínio (%A1) e
resultados das análises de Cálcio (Ca) , Magnésio (Mg) , Alumínio (Al) e Potássio (K) dos solos
de várzea e terra firme no Município de Iranbuba-AM.
Solos
Profundidade
Ca
Mg +2
Meq/lOOg
Al +3
K+‘
CTCef
Meq/lOOg
%A1
0-20
7,40
4,11
0,74
89,30
12,48
5,93
Gley
20-40
7,83
4,51
0,69
78,60
12,23
5,64
40-60
8,84
4,69
0,42
83,60
14,16
2,96
0-20
0,23
0,09
0,58
68,00
1,07
54,20
Latossolo
20 -40
0,19
0,10
0,61
31,50
0,92
66,30
40 - 60
0,21
0,09
0,95
63,50
1,14
67,37
0-20
0,20
0,20
0,54
77,00
1,13
47,78
Podzólico
20-40
0,25
0,16
0,56
54,50
1,11
50,45
40-60
0,19
0,08
0,62
26,00
0,96
64,58
Caracterização Florística
No solo de várzea há uma menor densidade de indivíduos, diversidade
de famílias e espécies e de liteira em relação aos outros solos (Tabela 5).
Constataram-se, também, menores DAP e AB no solo Podzólico, e maiores
no Latossolo, ficando o Gley na posição intermediária. Na Tabela 8 são
apresentadas as famílias e espécies com DAP > 5 cm, DAP e AB médios,
assim como, a sua ocorrência nos diferentes tipos de solos estudados.
167
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2}, 1995
Tabela 8 - Relação das espécies coletadas com DAP ^ 5cm em diferentes solos, numa área
do Município de Iranduba-AM.
Ocorrência
Família
Espécie
DAP
AB
Latossolo Podzólico
Gley
(cm)
(m2)
Anacardiaceae
Tapirira guianensis Aubl.
8,594
0,0058
X
Annonaceae
Bocageopsis multiflora
14,467
0,0167
X
Arecaceae
Aslrocaiyiim jauary Mart.
(Mart.) R.E. Fries
15,279
0,0018
X
Astrocar\'um mumhaca
Mart.
4,775
0,0018
X
Baclris sp.
6,536
0,0027
X
Apocynaccac
Tabernaemontana
5,061
0,0020
X
siplulitica (L.F.) L.
Lacmelia arborescen.s
(Muell.) Arg.
4,934
0,0019
X
Bignoniaceac
Jacarancla copaia D. Don
4,775
0,0018
X
Burseraceae
Protium brasiliensis
6,430
0,0032
X
Engl. (Spreng.)
Protium sp. 1
22,314
0,0391
X
“
Protium sp. 2
19,099
0,0286
X
Celastraccae
Goupia glabra Aubl.
47,746
0,1790
X
Cccropiaccac
Cecropia sp.
5,41 1
0,0063
X
Connaraceae
Raurea sp.
5,013
0,0097
X
Euphorbiaceae
Indeterminada
6,462
0,0033
X
Fabaceae
Denys sp.
6,430
0,0032
X
Hymenolobium sp.
19.130
0,0287
X
Lauraceae
Licaría macrophylla
(A.C. Smith)
7,294
0,0035
X
“
Licaria sp.
8,1 17
0,0052
X
Lecythidaceae
Indeterminada
25,465
0,0509
X
Eschweilera amazônica
R. Knuth
22,287
0,0390
X
“
Eschweilera albiflora
A.P. DC.
7,427
0,0043
X
Eschweilera artropetia/ata
Mori
8,913
0,0062
X
Eschweilera sp. 1
8,594
0,0058
X
“
Eschweilera sp. 2
9,231
0,0067
X
“
Eschweilera sp. 3
8,918
0,0062
X
“
Gustavia elliptica Mori
5,029
0,0020
X
Linaceae
Hebepetalum hiimirifolium
(Planch.) Bth.
8,133
0,0054
X
X
168
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização florística em solos de terra firme e várzea
Familia
Espécie
DAP
AB
Latossolo
Podzóiico
Gley
(cm)
(m2)
Melastomataceae
Miconia sp.
22,345
0,6392
X
Menispermaceae
Abiita sp.
6,048
0,0029
X
Mimosaceae
Inga alba Willd.
5,730
0,0026
X
Pithecellobium cochleatum
(Willd.) Mar.
12,971
0,0132
X
Pithecellohium sp. 1
12,860
0,0130
X
Pithecellobium sp. 2
16.106
0,0204
X
Moraceae
Helicostylis elegans
(March.) C.C. Berg.
A.ni
0.0018
X
Myrtaceae
Eugenia lambertiana DC.
9,899
0,0077
X
Polygonaceae
Triplaris surinamensis
Cham.
41,380
0,1345
X
“
Triplaris sp.
28,903
0,0656
X
Sapindaceae
Matayba macrostylis
Radlk.
9,708
0,0074
X
Sapotaceae
Ecclimisa abbreviata
Ducke
9,836
0,0076
X
Sterculiaceae
Theobroma sylvestris Mart.
6,366
0,0032
X
Tiliaceae
Apeiba tibourhan Aubl.
6,621
0,0034
X
Vochysiaceae
Vochysia sp.
63,662
0,3183
X
Violacea
Leonia cymosa Martius
5,41 1
0,0023
X
Leonia sp.
4,775
0,0018
X
“
Paypayroia blancbettana
Tul.
4,775
0,0018
X
Mediante os resultados alcançados, supõem-se que as propriedades
físicas do solo de várzea, discutidas anteriormente, influenciaram as diferen-
ças apresentadas nas tabelas acima referidas.
As propriedades químicas não influíram positivamente na diversidade
florística. Essa constatação pode ser observada em relação ao solo de várzea
mais fértil, também discutido anteriormente, o qual apresentou menor
densidade de espécies que os de Terra Firme.
Campbell et al. (1992), estudando uma área de várzea, no rio Juruá
(AM), de diferentes idades, constataram que nas várzeas mais jovens, a
densidade de espécies é menor que nas mais antigas, em virtude do período
de inundação nessas áreas. Schubart (1983) cita que na Amazônia a floresta
não vive do solo, mas sobre o solo.
169
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
CONCLUSÕES
Os solos de Terra Firme (Latossolo e Podzólico) apresentam caracte-
rísticas físicas mais apropriadas ao desenvolvimento da vegetação e com uma
melhor estruturação.
Os solos de várzea apresentam uma fertilidade namral superior aos
solos de Terra Firme (Latossolo e Podzólico), possuindo uma CTCef maior
e uma porcentagem de menor que os demais solos estudados.
A diversidade florística não está ligada diretamente as propriedades
físicas e químicas dos solos, pois houve uma inversão na densidade de
espécies constatada nos três ambientes estudados.
Uma das espécies da família Linaceae {Hebepetalwn hiunirífolium)
ocorreu em dois tipos de solos, Latossolo e Podzólico. Observou-se,
também, que nenhuma espécie coletada em Terra Firme, ocorreu em Várzea,
e vice-versa (Tabela 8).
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Dr. Luiz Antônio de Oliveira pesquisador do INPA,
pela concessão e facilidade do uso do Laboratório de Solos, assim como aos
laboratóristas: Jonas de Oliveira Moraes, José Edivaldo Chaves, Raimundo
Tavares e em especial ao Sandoval do Nascimento Morais pela ajuda
imprescindível nas análises efetuadas. Agradecemos ainda aos mateiros da
CPBO, José Lima dos Santos e José Guedes de Oliveira assim como aos
Laboratoristas de Solos da CPAA/EMBRAPA pela análise de alguns
parâmetros.
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Caracterização floristica em solos de terra firme e várzea
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172
cm
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CDD: 581.5265
CARACTERIZAÇÃO FITOFISIONÔMICA
DA RESTINGA DE ALGODOAL —
MARACANÃ, PARÃ, BRASIL^
Maria de Nazaré do Carmo Bastos^
Carlos Silva Rosário^
Luís Carlos Batista LobatcP
RESUMO — Na restinga e dunas da ilha de Algodoal, Estado do Pará, Brasil,
foram reconhecidas seis tipos de formações vegetais, psamófila reptante, brejo
herbáceo, campo entre dunas, dunas, campo arbustivo aberto e mata de
restinga, descritas sob o ponto de vista fitofisionômico, e comparadas com as
ocorrentes no litoral fluminense.
PALAVRAS-CHAVE: Amazônia, Vegetação costeira, Dunas, Fitofisionomia.
ABSTRACT — Phytophysionomic description of the vegetation types of the
Algodoal “restinga” and sand dunes, in the State of Pará, northem Brazil. Six
types offormations were recognized in the area: “psamófila reptante, ” “brejo
herbáceo, ” “campo entre dunas, ” “dunas, ” “campo arbustivo abeno ” and
“mata de restinga These are described and compared with those formations
known from the littoral of the State of Rio de Janeiro.
KEY WORDS: Amazon, Coastal vegetation, Dunes, Phytophysiognomy.
’ Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará. Auxílio de Pesquisa do CNPq (proc. 40.1263-91.6).
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi, Depart° de Botânica. Caixa Postal 399. CEP
66.017-970 Belém-PA.
173
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
INTRODUÇÃO
A região litorânea do Brasil apresenta grande diversidade de comuni-
dades vegetais, reconhecida por diversos pesquisadores. Do ponto de vista
florístico as restingas do sudeste e sul brasileiro são as mais bem estudadas,
encontrando-se vários trabalhos que tratam de comunidades vegetais.
Ule (1967) foi o primeiro a tratar das comunidades vegetais de restinga
do Brasil, fazendo referência à restinga de Cabo Frio, Rio de Janeiro.
Reitz (1961) descreveu a vegetação da zona marítima do Estado de
Santa Catarina, agrupando as plantas de acordo com sua função ecológica.
Araújo & Henriques (1984), estudando as comunidades vegetais de
todo o litoral fluminense, reconheceram 12 comunidades vegetais para essa
restinga: halófila; psamófila reptante; “slack” de dunas móveis; “thicket”
baixo de pós-praia; “thicket” de Myrtaceae; “scrub” de Clusia; “scrub” de
Palmae; “scrub” de Ericaceae; brejo herbáceo; floresta periodicamente
inundada; floresta permanentemente inundada e floresta seca.
Pereira (1990) tratou das comunidades vegetais da restinga de Setiba,
Espírito Santo, descrevendo dez formações fisionomicamente distintas.
Waechter (1990) refere-se ao revestimento vegetacional da planície
costeira sul-rio-grandense, organizando as comunidades de acordo com o
porte e definindo três comunidades: arbóreas, arbustivas e herbáceas.
Poucos trabalhos no Nordeste possuem referências sobre restingas,
destacando-se o de Lima (1960), que trata deste tipo de vegetação para
Pernambuco, os de Pinto et al. (1984) e Esteves (1980), que descreveram o
litoral nordeste da Bahia e o de Maceió, respectivamente.
Na região Norte as referências sobre restingas são ainda reduzidas,
apresentando-se até o momento para o Pará, Braga (1979), que em sua
subdivisão fitogeográfica da Amazônia denomina de restinga a vegetação que
cresce em pequenas extensões das praias do litoral paraense. Para o litoral
nordeste do Estado têm-se os trabalhos de Santos & Rosário (1988) que
mencionam a existência de restingas diferentes fisionomicamente e fazem um
levantamento da vegetação fixadora das dunas da ilha de Algodoal, Municí-
pio de Maracanã, Pará, onde coletaram 171 espécies; Bastos (1988) que
174
cm
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Caracterização fuofisionômica da restinga de Algodoal
descreve uma comunidade vegetal compostas por moitas de vegetais arbóreos
e arbustivos, cuja espécie dominante é a Humiria balsamifera, intercaladas
por um estrato herbáceo dominado por Cyperaceae, Gramineae e
Eriocaulaceae, na restinga de Maiandeua, também pertencente ao município
de Maracanã. Lisboa et al. (1992) referindo-se aos padrões de diversidade
florística na reserva ecológica do Bacurizal, em Salvaterra, na ilha do
Marajó, denominam de restinga a vegetação praiana da reserva. Esta restinga
sofre influência indireta das águas do oceano Atlântico, notadamente nos
meses de julho a dezembro, quando a estiagem é severa e as águas praianas
de Salvaterra se tornam salgada; seu solo é arenoso e sua vegetação
fisionomicamente assemelha-se àquelas das costas oceânicas e apresenta
diversas espécies e gêneros citados para restinga do litoral amazônico.
Atualmente, áreas de dunas e restingas ao longo da costa paraense, de
grande beleza e valor ecológico, encontram-se ameaçadas pela ação antrópica,
em decorrência da intensificação da especulação imobiliária, abertura de
estradas, turismo predatório e extração de areia para construção civil. A
destruição da vegetação fixadora das dunas, especialmente, causa a
desestabilização do ecossistema litorâneo como um todo, já existindo
inclusive locais em que esse processo se encontra em estado irreversível e não
se tem registro do que ali existia, como é o caso da vegetação da restinga do
Município de Salinópolis.
Com o objetivo de assegurar o bem estar das populações humanas e
conservar ou melhorar as condições ecológicas locais, é que foi criada no
Pará, a primeira Área de Proteção Ambiental (APA), para ambiente costeiro.
Esta área abrange as ilhas de Algodoal e Maiandeua, pertencentes ao
município de Maracanã.
Como qualquer medida de caráter preservacionista deve ser precedida
de estudos básicos sobre a flora e fauna locais e da dinâmica das interações
destes seres com o meio ambiente. Neste trabalho procurou-se caracterizar,
do ponto de vista fitofisionômico, as formações vegetais existentes na
restinga da praia da Princesa, ilha de Algodoal, Pará, com o objetivo de
ampliar os conhecimentos sobre a vegetação do litoral do norte do Brasil,
conhecer suas composições florísticas e fornecer subsídios básicos que
auxiliem na elaboração do plano de manejo e conservação da APA Algodoal-
Maiandeua.
175
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
A escolha do local deu-se através da necessidade de estudos básicos que
subsidiassem o plano de manejo e conservação da APA Algodoal/Maiandeua,
quando se verificou a carência de conhecimentos científicos sobre o litoral
NE do Estado do Pará, em diversas áreas do conhecimento, principalmente
na área de botânica.
MATERIAL E MÉTODOS
Area de estudo
A ilha de Algodoal, com 385 ha, localiza-se no Município de Maracanã,
Estado do Pará, entre as coordenadas geográficas de 00°34’45” a 00°34’30”
S e 47°3r05” a 47°34’12” W (Figura 1).
Esta ilha faz parte da Área de Proteção Ambiental Algodoal/Maiandeua,
a primeira em ambiente costeiro do Estado do Pará, tendo sido declarada
APA, em 25 de novembro de 1990, sob a lei estadual 5621.
A área onde concentrou-se este estudo, é a restinga da praia da Princesa,
situada na porção norte da ilha.
Metodologia
As formações vegetais foram classificadas de acordo com a terminolo-
gia de Araújo & Henriques (1984) para as restingas do Rio de Janeiro, com
modificações.
As descrições das formações vegetais, foram baseadas em dados
fisionômicos e as espécies citadas como características de cada uma delas,
são as que se destacavam do ponto de vista visual.
Foram realizados levantamentos qualitativos através de coleta de
material botânico fértil em todas as formações vegetais.
As coletas botânicas tiveram início em 1991, quando foram realizadas
duas excursões. Nos anos subseqüentes, 1992 e 1993, foram feitas quatro
visitas por ano à área e em 1994 as coletas foram mensais
176
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Caracterização fitofisionômica da restinga de Algodoal
LOCALIZAÇÃO DA ILHA DE ALGODOAL
TP. ílA-io.
Figura 1 - Mapa de localização da ilha de Algodoal, Maracanã, Pará.
177
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
A listagem florística da espécies vegetais da restinga da praia da
Princesa, ainda é preliminar, composta em sua grande maioria de
angiospermas, havendo necessidade de coletas de outros grupos vegetais,
inclusive de epífitas e parasitas.
O material botânico foi herborizado e depositado no herbário do Museu
Paraense Emílio Goeldi (MG).
A identificação do material botânico foi feita através de chaves
analíticas, por comparação com a coleção de referência do Herbário MG e
consulta a especialistas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A delimitação da restinga estudada, ilha de Algodoal, faz-se da zona de
preamar até o contato com o mangue, destacando-se neste contexto, seis
comunidades vegetais fitofisionomicamente distintas, distribuídas no sentido
mar-continente: psamófila reptante, brejo-herbáceo, dunas, campo entre
dunas, campo arbustivo aberto e mata de Myrtaceae.
Psamófila reptante
Localizada após a zona de estirâncio, acima do nível médio de marés
altas, sobre o primeiro cordão dunar, em área de areia móvel não lavada pelo
mar, a não ser por ocasião de marés altas e tempestades. Possui pequena
riqueza de espécies, 5 espécies, Ipomoea pes-caprae (L.) Sweet. e Paspalwn
vaginatum Sw., Sporobolus virginicus L., Vigna luteola (Jacq.) Benth. e
Sesiivium portulacastrum L. , com duas espécies sobrepujantes Ipomoea pes-
caprae (L.) Sweet. e Paspalwn vaginatum Sw. Esta formação apresenta
cerca de 80% de área sem vegetação (Figura 2).
Brejo herbáceo
A formação brejo herbáceo, fica localizada no reverso do primeiro
cordão arenoso, paralelamente a linha de praia atual, a cerca de 130 m desta,
de direção E-W aproximadamente, permanece inundado em um período do
ano, na época de maior intensidade pluviométrica (período chuvoso), quando
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cm
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Caracterização fitofisionômica da restinga de Algodoal
Figura 2 - Aspecto da formação Psamófila reptante, mostrando as espécies dominantes; a) Ipomoea pes-
caprae-, b) Paspalum vaginatum.
Figura 3 - A) Formação Brejo herbáceo, aspectos da vegetação herbácea; B) Faixa de manguezal, com
predominância de Laguncularla racemosa, no limite anterior do Brejo herbáceo.
179
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
O lençol freático aflora formando uma lâmina d’água de até 60 cm de altura,
devido a grande intensidade de chuvas do período.
Caracteriza-se pela presença de indivíduos herbáceos e arbustivos de
pequeno porte, em média 50 cm de altura, distribuídos adensamente, com
predominância de Cyperaceae e Gramineae; as Cyperaceae com 3 espécies
sobrepuj antes; Fimbristylis cymosa, R. Br., Pycreus polystachyos Rottb. e
Eleocliaris geniculata (L.) Roem & Schult. e Gramineae da qual se destaca
Paspaliim vaginatum SW. (Figura 3a).
A vegetação do período de maior intensidade pluviométrica (janeiro a
junho) não é a mesma do período de menor intensidade pluviométrica (julho
a dezembro). Há um incremento no número de espécies do período seco para
o período chuvoso, cerca de 15 espécies que foram observadas no período
chuvoso, não estavam presentes no período seco, o que comprova a presença
de espécies sazonais nesta formação.
Devido seu limite anterior ser uma faixa de manguezal constituído de
Laguncula-ria racemosa Gaertn. eAvicennia genninans HBK, que tenta se
estabelecer neste local, às margens de um canal de maré, melhor definido
(com maior aporte de água salgada) na época de maior intensidade pluviométrica
(Figura 3b), é comum a presença de indivíduos destas espécies de mangue
nesta formação. Uma certa quantidade de sementes de espécies do manguezal,
inclusive plântulas de Rhizophora mangle L., são transportadas através do
canal de maré, quando este canal transborda, deposita as sementes e plântulas
no brejo, estas se desenvolvem até uma certa altura e perecem. Uma outra
espécie não típica deste ambiente, e que apresenta alguns indivíduos na fase
inicial de desenvolvimento é a Chrysobalanus icaco L., proveniente de
sementes transportadas por diversos dispersores, inclusive o homem, uma
vez que seus frutos são comestíveis.
Dunas
Foram identificados dois grupos de dunas: Dunas sem vegetação e
Dunas com vegetação.
As dunas sem vegetação ocorrem próximo à praia, estando sujeitas à
ação constante dos ventos, movimento eólico; transporte e deposição de areia
(Figura 4).
180
cm
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Caracterização fitofisionômica da restinga de Algodoal
Figura 4 - Dunas móveis, sem vegetação e sob ação eólica.
Figura 5 - Campo de dunas: A) Dunas em processo de estabilização; B) Campo entre dunas, vegetação
herbácea com predominância de Graminae e Cyperaceae.
181
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
A vegetação que ocorre sobre as dunas varia de acordo com a
localização destas, quanto mais se distanciam do mar, mais densa e de maior
porte é sua cobertura vegetal.
As dunas com vegetação, quando próximas da praia, as dunas mais
externas, são em geral baixas arredondadas e com cobertura quase que
exclusiva de Chrysobalanus icaco L. (Figura 5a).
As dunas da porção intermediária, ainda em processo de estabilização,
possuem na base e nos flancos uma cobermra herbácea composta de
Gramineae (Gymmopo-gom foliosus Nees, Axonopus purpusii (Mez) Chase),
e outras espécies pertencentes as famílias Polygalaceae, Euphorbiaceae,
Gentianaceae, Violaceae etc., que vão sendo substituídas por espécies
arbóreas, arbustivas e cipós. Nestas dunas é comum a presença de
Chrysobalanus icaco L. Clusia grandiflora Splitg., Byrsonima crassifolia
(L.) Kunth. , Gueítarda angélica Mart. , Anacardium occidentaleL., Tapirira
guianensis Aubl., Matayba discolor (Spreng.) Radlk.
As dunas interiores, perfeitamente estabilizadas, apresentam-se com
vegetação exuberante e diversificada, porte de mata, composta de Matayba
discolor (Spreng.) Radlk. Anacardium occidentale L., Tapirira guianensis
Aubl., Byrsonima crassifolia (L.) Kunth, Himatanthus articulata (Vahl.)
Wood. Protium heptaphyllum (Aubl.) March. Andira retusa (Lam.) H.B.K.
Franchetella lateriflora (Benth.) Radlk. , Clusia grandiflora Splitg., Guettarda
angélica Mart., Mouriri guianensis Aubl. etc.
Campo entre Dunas
A região plana entre as dunas, apresenta uma formação campestre,
composta por vegetação herbácea e depressões alagáveis na época de maior
intensidade pluviométrica. Nesta formação as espécies dominantes, tanto no
período de maior intensidade pluviométrica quanto no de menor intensidade
pluviométrica, são Axonopus purpusii (Mez) Chase e Rliynchospora riparia
(Nees) Boeck.
Nesta comunidade vegetal foi observada uma grande sazonalidade entre
as espécies herbáceas, de 47 espécies coletadas nesta formação, 14 espécies
ocorrem durante todo o ano, 15 ocorrem apenas no período seco e 18 só no
182
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Caracterização fuofisionõmica da restinga de Algodoal
período chuvoso. Este fato ocasiona mudança de parte da cobertura vegetal
de um período para outro.
As espécies que se destacaram nesta formação foram: Axonopus
purpusii (Mez) Chase, Rhynchospora riparia (Nees) Boeck, Xyris paraensis
Poepp. ex Kunth e Phyllodice hoffinanseggi Mart., Syngonanthiis feríilis
(Koern.) Ruhl. Sacciolepsis vilvoides (Trin.) Chase, Stylosanthes angustifoliwn
Vog. (Figura 5b).
Campo Arbustivo Aberto
A formação campo arbustivo aberto fica localizada na parte mais
interna da restinga, em áreas planas, associadas as paleodunas (Nascimento
et al. 1992), tendo como limite anterior as dunas internas e posterior, a mata.
É formada por um estrato herbáceo intercalado por ilhas de vegetação
(moitas), composta por indivíduos arbustivos e arbóreos.
O estrato herbáceo, é denso, com 90% de cobertura vegetal e caracte-
riza-se pela dominância de indivíduos das famílias Gramineae, e Cyperaceae.
A maioria das espécies que compõem este estrato são sazonais, 75,8%
do total de espécies observadas nos períodos seco e chuvoso, o que permite
que haja modificação na composição florística de um período para o outro,
porém as espécies dominantes em ambos os períodos são as mesmas.
Axonopus purpusii (Mez) Chase, Rhynchospora riparia (Nees.) Boeck. e R.
barbata (Vahl.) Kunth. (Figura 6a).
Os indivíduos arbóreos e arbustivos, estão agrupados em moitas, cujas
formas variam de arredondadas a elípticas, distribuídas de maneira esparsa.
A família mais representativa é Myrtaceae, tanto em número de indivíduos
quanto em número de espécies, seguida da família Malpighiaceae, a qual está
representada por uma única espécie, Byrsonima crassifolia (L.) Kunth.
(Muruci da Praia), a espécie dominante deste estrato. Também destacam-se
nas moitas, as espécies de Myrcia ciiprea (Berg.) Kiarsk., Eugenia biflora
(L.) DC. , Ouratea rücemifonnis Ule, Anacardium occidentale L. cAstrocarium
vidgare Mart.
183
cm
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Boi. Mus. Para. Emilio Goeldi, ser. Boi. 11(2), 1995
Figura 6 - Formai^ão Campo arbustivo aberto: A) estrato herbáceo com prodomináncia de Graminae;
B) moitas, estrato arbustivo com predominância de Byrsoninia crassifolia.
Figura 7 - Formação Mata de restinga, aspecto geral mostrando as árvores com caules finos
cm
2 3 4 5 10 11 12 13 14 15
Caracterização fitofisionõmica da restinga de Algodoal
Mata de restinga
Esta formação vegetal é composta de árvores e arbustos, com altura
média de 4,0 m e máxima de 9,0 m, cujos indivíduos possuem em geral
troncos finos, e copas pouco densas, o que permite uma intensa penetração
de luz (Figura 7). O sub-bosque possui indivíduos distribuídos esparsamente,
sendo comum a presença das espécies Ananas nanus L.B. Smith, Turnera
brasiliensis Willd., Faramea crassifolia Benth., Psychotria barbiflora DC.
e de alguns cipós, pertencentes as famílias, SmWâcaceaQ-Smilaxsantaremensis
A. DC., Dioscoreaceae - Dioscorea ceratandra Uline, Dilleniaceae -
Doliocarpus spraguei Cheesman e Davilla nitida (Vahl) Kub.
A família Myrtaceae nesta formação possui presença marcante. É a
família representada pelo maior número de espécies (14 espécies), apresenta
os gêneros com maior quantidade de espécies Eugenia (7) e Myrcia (5), e a
maior quantidade de indivíduos.
As espécies mais comuns na mata, foram: Matayba discolor Aubl.,
Myrcia falax DC., M. rufipila Mac. Vaugh., M. sylvatica Barb. Rodr.,
Tapirira guianensis Aubl., Anacardiiim occidentale L., Eugenia flavescens
DC., E. bijiora (L.) DC., E. punicifolia (H.B.K.) DC. e Myrciaria sp.
Das seis comunidades da restinga da praia da Princesa, três, psamófila
reptante, brejo herbáceo e mata, se aproximam bastante das descrições de
Araújo & Henriques (1984) e de Henriques et al. (1986) feitas para restingas
do Rio de Janeiro, para psamófila reptante, brejo herbáceo e thicket de
Myrtaceae.
A formação halófila, a qual referem-se Araújo & Henriques (1984), não
foi observada na restinga da praia da Princesa, porém foi registrada na porção
nordeste da ilha, na restinga da praia de Fortalezinha.
A formação denominada de mata de restinga, possui duas característi-
cas em comum com o “thicket” de Myrtaceae, a predominância da família
Myrtaceae e o porte, em média 4-5m de altura. Não é possível afirmar que
esta formação seja semelhante a formação “ticket” de Myrtaceae, uma vez
que Araújo & Henriques (1984), informam que faltam elementos para sua
melhor caracterização, pode ser que corresponda a mata arenosa a que se
185
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
refere Waechter (1990). A ausência de dados concretos sobre esta formação
que pudessem fundamentar a classificação, fez optar-se pela designação de
mata de restinga.
Trabalhos sobre a vegetação das dunas (Santos & Rosário 1988;
Pfadenhauer 1978) não trazem referências específicas sobre a vegetação de
entre dunas.
A formação aqui denominada de campo arbustivo aberto, enquadra-se
na classificação de Henriques et al. (1986) em vegetação aberta de moitas,
porém apenas fisionômicamente assemelha-se a “scrub” de Ericaeae da
classificação de Araújo & Henriques (1984) e Henriques et al. (1986). Dos
principais parâmetros que caracterizam uma formação de Ericaceae, ou seja,
a presença da espécie Humiria balsamifera nas moitas, afloramento do lençol
freático em um período do ano e região entre moitas com indivíduos
distribuídos esparsamente, deixando grandes partes do solo sem vegetação,
ela apresenta apenas o afloramento do lençol freático. Pelo exposto, optou-
se por não utilizar a denominação de Araújo & Henriques (1984).
As formações descritas por Bastos (1988) para ilha de Maiandeua
(Maracanã) e Costa-Neto et al. (no prelo) para restinga do Crispim
(Marapanim), ambas no litoral NE do Estado do Pará, são muito semelhantes
a restinga de Ericaceae e apresentam as características consideradas relevan-
tes para esta formação.
O número de comunidades vegetais observadas na restinga da ilha de
Algodoal é bem menor do que as citadas para o litoral fluminense (Araújo &
Henriques, 1984; Henriques et al. 1986), para o litoral do Espírito Santo
(Pereira 1990) ou do Rio Grande do Sul (Waechter 1990). O que se tem até
0 momento é uma pequena amostragem do litoral paraense, a sua grande
maioria ainda é desconhecida do ponto de vista vegetacional, como se
pretende estender os estudos a outros locais, provavelmente surgirão outros
tipos de formações vegetais.
Na Tabela 1, encontram-se as espécies vegetais coletadas, correlacionadas
com as formações vegetais nas quais elas ocorrem. Nesta tabela verifica-se
que foram coletadas 224 espécies, pertencentes a 67 famílias. As famílias que
apresentaram o maior número de espécies foram Leguminosae (25),
186
cm
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Caracterização fltofisionômica da restinga de Algodoal
Cyperaceae e Gramineae (21), Myrtaceae (15) e Rubiaceae (14). Trinta e
quatro famílias estão representadas por uma única espécie (50,75% do total
de famílias amostradas).
Tabela 1. Espécies coletadas na restinga da praia da Princesa, ilha de Algodoal, Maracanã,
Pará. (Legenda: PR, Psamófila reptante; BH, Brejo herbáceo; D, dunas; CED, Campo entre
Dunas; CAA, Campo arbustivo aberto; M, Mata de restinga; L, Lago).
Famílias e espécies
Formações
ACANTHACEAE
1. Anisacanthus brasiliensis Lind.
D
AIZOACEAE
2. Mollugo verticillata L.
BH, CED, CAA
3. Sesuvium portulacastrum L.
PR
ALISMATACEAE
4. Echinodorus tenellus (Mart.) Buch.
BH, CED, CAA
AMARA NTHACEAE
5. Iresine vermicularis Moq.
BH
ANACARDIACEAE
6. Anacardium occidentale L.
7. Tapirira guianensis Aubl.
CAA, D, M
CAA, D, M
ANNONACEAE
8. Annona glabra L.
9. Duguetia echinophora R.E.Fries
BH, D
M
APOCYNACEAE
10. Hitnatanthus articulaía (Vahl.) Woodson
11. Mandevilla hirsuta (A.C. Rich.) K. Schum.
12. Mandevilla scabra K. Schum
13. Rhabdadenia biflora (Jacq.) M. Arg.
14. Tabemaemontana angulata Mart. ex M. Arg.
CAA, D, M
CAA, D
CAA, D
BH
CAA, D, M
araceae
15. Anthurium sinuatiim Benth. ex Schott.
16. Phyllodendrum acutatwn Schot.
CAA, D, M
CAA, D, M
ASCLEPIADACEAE
17. Funastrum clausum (Jacq.) Schl.
BH
bignoniaceae
18. Paragonia pyramidata (L. Rich.) Bur.
D, M
187
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
Famílias e espécies
Formações
BORAGINACEAE
19. Heliotropium polyphylliim Lehm. var. blanchetii DC.
BH, CED
BROMELIACEAE
20. Ananas nanus (L.B. Smith.) Smith.
M
BURMANIACEAE
21. Burmania capitata (Walter ex Gmelin) Mart.
CED, CAA
BURSERACEAE
22. Protium heptaphyllurn (Aubl.) March.
CAA, D, M
CELASTRACEAE
23. Maytenus sp.
D, M
CHRYSOBALANACEAE
24. Chrysobalanus icaco L.
25. Hirtella racemosa var. hexandra (Willd. ex R.& S.) Prance
26. Licania octandra (Hoff. ex R. & S.) Kuntz.
27. Parinari campestris Aubl.
BH, CED, CAA, D
M|
M
D, M
COMPOSITAE
28. Acanthospermum australe (Loeff.) Kuntz
29. Ambrosia microcephala DC.
30. Eclipta alba (L.) Hauk.
31. Emilia sonchifolia (L.) DC.
32. Mikania congesta DC.
33. Wulffia baccata (L.) Raffin ex DC.
D
BH
BH
BH
BH, D, M
D, M
CONVOLVULACEAE
34. Aniseia martinicensis (Jacq.) Choisy
35. Ipomoea platensis Kerr
36. Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem & Schult.
37. Ipomoea goyazensis Gard.
38. Ipomoea pes-caprae Rottb.
39. Ipomoea littoralis (L.) Choisy
L
CAA
BH, D
CAA
PR, BH
BH, CED
CYPERACEAE
40. Cy perus sp.
41. Cyperus compressas L.
42. Cyperus haspan L. s\ibsp. junciformis Kuek
43. Cyperus ligularis L.
44. Cyperus sphacelatus Rottb.
45. Eleocharis geniculata (L.) Roem & Schult.
46. Eleocharis cf. minima Kunth.
47. Fimbristylis annua R & Sch.
48. Fimbristilis capilaris (L.) Kuntz.
CED
CED
CED,
BH, CED
CED
BH, CED, CAA
CED
BH
D
188
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização fitofisionômica da restinga de Algodoal
Famílias e espécies
Formações
49. Fimbristylis cymosa R. Br.
50. Fimbristylis spadicea Vahl.
51. Killinga pumila Mich.
52. Killinga rígida Baldw.
53. Pycreus polystachyos (Rottb.) P.B.
54. Rhynchospora sp.
55. Rhynchospora barbata (Vahl.) Boeck
56. Rhynchospora riparia (Nees) Boeck.
57. Scleria hiríella Swartz
58. Scleria lithosperma (Swartz.) Nees
59. Scleria macrogyne Clarke
60. Scyrpus micranthus Vahl.
DILLENIACEAE
BH, CED
BH, CED
BH, CED
BH, CED
BH, CED
CED
CED, CAA
BH, CED, CAA
CED, CAA
BH, CAA
BH, CAA
CED
61. Davilla nitida (Vahl.) Kub.
D, CAA, M
62. Doliocarpus spraguei Cheesman
D, CAA, M
63. Tetracera willdenowiana Steud.
D, CAA, M
DIOSCORIACEAE
64. Dioscorea ceratandra Uline
D, CAA, M
DROSERACEAE
65. Drosera cf. tenella H.B.K.
CAA
ERIOCAULACEAE
66. Paepalanthus lamarckii Kunth.
67. Philodice hoffmanseggi Mart.
68. Syngonanthus biformis (N.E.Br.) Gleason
69. Syngonanthus fertilis (Koern) Ruhland
70. Syngonanthus gracilis (Koern.) Ruhland
71. Syngonanthus umbellatus (Lam.) Ruhland.
CED
CED
CED, CAA
CED, CAA
CED, CAA
CAA
EUPHORBIACEAE
72. Chamaesyces hyssopifolia (L.) Small
73. Pera ferruginea (Schott.) M. Arg.
74. Phyllanthus hyssopifolioides H.B.K.
75. Phyllanthus nirurí L.
76. Phyllanthus sp.
77. Sapium marginatum M. Arg.
78. Sebastiana comiculata M. Arg.
BH, CED
M
CAA, CED, CAA
BH, CED
CED
M, CAA
D
FLACOURTIACEAE
79. Casearia javitensis H.B.K.
CAA, M
GENTIANACEAE
80. Schultesia stenophylla Mart.
BH, CED, CAA
189
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Famílias e espécies
Formações
GRAMINEAE
8 1 . Andropogon bicornis L.
CED
82. Axonopus capillaris (Lam.) Chase
BH, CED
83. Axonopus pubivaginatus Henr.
CED
84. Axonopus purpusii (Mez.) Chase
BH, CED, CAA
85. Digitaria ciliaris (Retz) Koel
CED
86. Digitaria decumbens Stent.
CED
87. Digitaria fuscescens (Presl.) Henr.
CED
88. Digitaria horizontalis Willd.
CED
89. Eragrostis maypurensis (H.B.K.) Steud.
D
90. Gymnopogon foiiosus (Willd.) Nees.
D
91. Mesosetum loliiformi (Hotsc.) Chase
CAA
92. Panicum discrepans Doell
CED
93. Panicum siccaneum Trin.
CED, CAA
94. Paspalum arenarium Schrad.
CED
95. Paspalum clavuliferum Wrigt.
CED
96. Paspalum melanospermum Desv.
CED
97. Paspalum multicaule Poir
CED
98. Paspalum vaginatum Sw.
PR, BH, CED
99. Reimarochloa acuta (Flugg.) Hitchc.
CED
100. Sacciolepis vilvoides (Trin.)Chase
CED
101. Sporobolus virginicus L.
PR, BH, CED
GUTTIFERAE
102. Clusia grandiflora SpWig.
D, CAA
103. Vismia guianensis (Aubl.) Choisy
D, CAA, M
104. Rheedia acuminata Pl. & Triana
D
HIPPOCRATEACEAE
105. Salada cf. impressifolia (Miers.) Smith
D, CAA
HUMIRIACEAE
106. Sacoglotis guianensis Benth var. guianensis
M
LABIATAE
107. Hyptis atrorubens Poit.
BH, CED, CAA
LAURACEAE
108. Aniba citrifolia (Nees) Mez.
CAA, M
109. Cassytha americana Nees
BH
LEGUMINOSAE - MIMOSOIDEAE
1 10. Acacia famesiana Willd.
M
111. Inga nitida Willd.
M
112. Inga heterophylla Willd.
M
113. Entada polyphylla Benth.
BH
190
cm
2 3
gSciELO 10
11 12 13 14 15
Caracterização fitofisionômica da restinga de Algodoal
Famílias e espécies
Formações
LEGUMINOSAE-CAESALPINOIDEA
114. Chamaecrista ramosa (Vog.) l.B. var. ramosa
115. Copaifera martii Hayne
116. Macrolobium sp.
117. Swartzia brachyrachis Harms
118. Swartzia cf. laevicarpa Amshof.
CED, CAA
CAA, M
BH
M
M, CAA
LEGUMINOSAE-PAPILIONOIDEA
1 19. Aeschinornene brevipes var. uliginosa Benth.
120. Aeschinornene evenia Wrigt. var. evenia
121. Andira retusa (Lam.) H.B.K.
122. Centrosema brasilianum Benth.
123. Clitoria falcata Lím. var.falcata
124. Dalbergia ecastophylla (L.) Taub.
125. Desmodium barbatum (L.) Benth.
126. Dioclea virgata (Rich.) Amshoff
127. Indigofera microcarpa Desv.
128. Machaerium lunatum (L.f.) Ducke
129. Macroptilum gracile (Benth.) Urban
130. Muellera frutescens Standiey
131. Stylosanthes angustifolium Vog.
132. Stylosanthes gracilis H.B.K.
133. Vigna luteola (Jacq.) Benth.
134. Zomia diphylla Pers.
BH, CED, CAA
BH, CED, CAA
CAA, M
D, CAA
D
BH
BH, CED, CAA
M, CAA
BH
BH
D
BH
BH, CED, CAA
BH, CED, CAA
PR, BH
BH, CED
LENTIBULARIACEAE
135. Utricularia fimbriata Kunth.
136. Utricularia subulata L.
137. Utricularia amethystina St. Hill.
LYTHRACEAE
CED, CAA
CED, CAA
CED, CAA
138. Cuphea flava Spreng.
139. Crenea maritima Aubl.
CAA
L
MALPIGHYACEAE
140. Byrsonima crassifolia (L.) H.B.K.
141. Banisteriopsis pubipetala (Adr. Juss.) Cuatr.
D, CED, CAA, M
D
MALVACEAE
42. Hibiscus cf. furcellatiis Desf.
BH
MAYACACEAE
143. Mayaca fluviatilis Aubl.
L, CED
MELASTOMATACEAE
144. Acisanthera gracilis Ule
145. Comolia lythrarioides (Steud.) Miquel
CED, CAA
CED, CAA
191
1 Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
1 Famílias e espécies
Formações |
1 146. Mouriri guianensis Aubl.
D, CAA, M
1 147. Nepsera aquatica Naud.
CAA
1 MELIACEAE
1 148. Guarea sp.
D
1 MORACEAE
1 149. Ficus caíapaefolia Kunth & Bouché
CAA
1 150. Ficus cf. obtusifolia H.B.K.
CAA
1 151. Ficus guianensis Desv.
CAA
1 MYRSINACEAE
1 152. Cybianthus cf. macrophyllus Miq.
M
MYRTACEAE
1 153. Calycolpus goetheanus (DC) Berg.
M
154. Eugenia biflora (L.) DC.
D, CAA, M
155. Eugenia flavescens DC.
M
156. Eugenia lambeniana DC.
CAA, M
157. Eugenia patrisii Vahl.
D, CAA, M
158. Eugenia protacta Berg.
M
159. Eugenia punicifolia (H.B.K.)DC.
D, CAA, M
160. Eugenia cf. tapacumensis Berg.
M
161. A/>’ rda sp.
M
162. Myrcia cuprea (Berg.) Kiarsk.
D, CAA, M
163. Myrcia falax (Richard.) DC.
D, CAA, M
164. Myrcia multiflora (Lam.) DC.
M
165. Myrcia rufipila Mc. Vaugh.
CAA, M
166. Myrcia sylvatica (fÁey)'DC.
CAA, M
167. Myrciaria sp.
M
NYCTAGINACEAE
168. Guapira sp.
M
OCHNACEAE
169. Ouratea microdonta (Dalz.) Engl.
CAA, M 1
170. Ouratea racemiformis Ule
D, CAA, M 1
171. Sauvagesia erecta L.
CAA 1
OLACACEAE
172. Heisteria ovata Benth.
D, CAA, M 1
ONAGRACEAE
173. Ludwigia cf. hyssopifolia (G. Don.) Exell
BH, CED, CAA 1
OPILIACEAE
174. Agonandra brasiliensis Benth & Hook.
D, M 1
PARKERIACEAE
175. Ceratopteris cf pteroides (Hook.) Hieron.
BH 1
192 1
cm
2 3
gSciELO 10
11 12 13 14 15
Caracterização fitofisionômica da restinga de Algodoal
Famílias e espécies
Formações
POLYGALACEAE
176. Polygala apressa Benth.
CED, CAA
177. Polygala adenophora DC.
D, CAA
178. Polygala monticola H.B.K.
D, CAA
179. Polygala spectabilis DC.
M
180. Polygala variabilis H.B.K.
D, CAA
PORTULACACEAE
181. Portulaca brevifolia Urb.
CAA
POLYGONACEAE
182. Coccoloba latifolia Lam.
D, M
183. Coccoloba ramosissima Wedd.
D, M
184. Moutabea sp.
M
RHIZOPHORACEAE
185. Cassipourea guianensis Aubl.
D, M
RUBIACEAE
186. Alibertia edulis A. Rich.
CAA, M
187. Alibertia myrciifolia K.Sch.
M
188. Borreria cf. laevis (Lam.) Gris.
CAA
189. Borreria verticillata (L.) Mey.
BH, CED, CAA
190. Diodia ocymifolia (Willd.) Brem.
CED, CAA
191. Duroia duckei Huber
M
192. Faramea crassifolia Benth.
M
193. Guettarda angélica Mart.
D, M
194. Mapouria colarensis M. Arg.
D, CAA, M
195. Oldelandia tenuis K. Schum.
CAA
196. Pagamea guianensis Aubl.
D, CAA, M
197. Perama hirsuta Aubl.
CAA
198. Psychotria barbiflora DC.
D, CAA, M
199. Tocoyena brasiliensis Mart.
D, CAA, M
RUTACEAE
200. Ticorea sp.
M
SAPINDACEAE
201. Cupania diphylla\ah\.
D, M
202. Matayba discolor (Spreng.) Radlk.
D, CAA, M
203. Pseudima frutescens (Aubl.) Radlk.
D, M
SAPOTACEAE
204. Franchetella lateriflora (Benth.) Radlk.
D, M
205. Manilkara amazônica (Hub.) Stand.
D, M
206. Manilkara triflora (F. Alie.) Monachino
D, M
207. Micropholis venulosa (Martius & Eichl.) Pierre
D, M
193
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Famílias e espécies
Formações
SCHIZAEACEAE
208. Schizaea pennula Sw.
CAA
SCHROPHULARIACEAE
209. Herptis sp.
210. Scoparia dulcis L.
BH, CED
BH, CED
SIMAROUBACEAE
211. Simaba guianensis var. ecaudata Cronquist
D, CAA, M
SMILACACEAE
212. Smilax cf. campestris Griseb.
D, CAA, M
SOLANACEAE
213. Schwenckia americana L.
214. Solanum paludosum Moric.
215. Solanum stramonifolium Jacq.
D, CED, CAA
D, CAA
~CÃA
TURNERACEAE
216. Tumera brasiliensis Willd.
217. Tumera melochioides var. arenaria Spr. ex Urb.
M
D
VERBENACEAE
218. Amasonia campestre (Aubl.) Mold.
CAA, D, M
VIOLACEAE
219. Hybanthus calceolaria (L.) Schell.
CED, D
VITACEAE
220. Cissus erosa Rich.
221. Cissus sicyoides L.
D
D
XYRIDACEAE
222. Xyris mima Smith & Downs
223. Xyris jupicai Rich.
224. Xyris paraensis Poepp. ex Kunth.
CED, CAA
CED
CED, CAA
CONCLUSÕES
Comparando-se as comunidades vegetais da ilha de Algodoal com as do
litoral fluminense, tomando-se por base os trabalhos de Araújo & Henriques
(1984) e Henriques et al. (1986), chegou-se às seguintes conclusões.
A restinga da praia da Princesa, apresenta seis comunidades vegetais
fitofisionômicamente distintas, distribuídas no sentido mar continente, tendo
194
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização filofisionômica da restinga de Algodoal
como limite anterior a praia e posterior um manguezal. Estas formações
foram aqui denominadas de psamófila reptante, brejo herbáceo, dunas,
campo entre dunas, campo arbustivo aberto e mata de restinga.
A formação de halófilas, comum em quase todo litoral brasileiro, não
ocorre na restinga da- praia da Princesa, porém está presente na porção
nordeste da ilha.
A comunidade psamófila reptante é bem destacada nesta restinga, no
primeiro cordão arenoso, apresentando uma diversidade muito pequena de
espécies, apenas cinco espécies, enquanto que para o litoral fluminense, para
esta formação, é citado uma maior diversidade de espécies reptantes.
O brejo herbáceo parece ser semelhante em ambos locais, localizado em
depressões úmidas de reverso de cordões arenosos e caracterizado por
espécies herbáceas e herbáceo-arbustivas, onde nos locais mais úmidos
predominam Gramineae e Cyperaceae.
O campo arbustivo aberto é uma formação aberta de moitas porém não
se enquadra perfeitamente nas descrições feitas para as comunidades deste
grupo.
A mata de restinga tem características que a aproximam da formação
“thicket” de Myrtaceae.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico-CNPq, pela concessão do Auxílio a Pesquisa, ao Museu
Paraense pelo apoio logístico; à prof^ Dorthy Araújo e aos colegas Cristina
Senna e Ubiratan Santos pela leitura dos manuscritos e sugestões; ao Joca,
Rosa, Domingos e Josué, moradores da ilha, pelo apoio durante os trabalhos
de campo.
195
SciELO
11
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
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196
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caracterização fitofisionõmica da restinga de Algodoal
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197
DIVERSIDADE DAS BRIOEITAS DE
BELÉM (PA) E SEU POTENCIAL COMO
INDICADORAS DE POLUIÇÃO URBANA^
CDD: 588,2
Regina C. L. Lisboa^
Anua L. Ilkiu-Borges^
RESUMO — Foi realizado o levantamento das briófitas (musgos e hepáticas) no
perímetro urbano do município de Belém (PA), em áreas de vegetação
remanescente e em áreas sujeitas a ação antrópica, visando determinar a
diversidade específica deste grupo de plantas e identificar espécies indicadoras
de poluição. Cento e vinte e seis espécies foram identificadas (56 hepáticas e 70
musgos). Calymperes palisotii richardii (C. Miill.) S. Edwars, Hyophila
involuta (Hook.) Jaeg. & Sauerb., Splachnobryum obtusum (Brid.) C. Midi.,
Bryum capillare Hedw. e Frullania ericoides (Nees)Nees foram as espécies que
apresentaram maior adaptação a condições adversas. Talvez possam ser
utilizadas como indicadoras de ambientes perturbados. Trinta e seis espécies
foram coletadas exclusivamente nas áreas de vegetação remanescente de mata
de terra firme das Reserms Utinga e Mocambo, podendo ser consideradas como
possíveis indicadoras de ambientes florestais amazônicos preservados.
PALAVRAS-CHAVE: Briófitas, Musgos, Amazônia, Belém, Vegetação
Remanescente, Indicadoras de poluição.
ABSTRACT — A sur\’ey was carryed out for bryophytes in the urban area of
Belém, Pará, northem Brazil, in rain forest fragments (Mocambo and Utinga
Reser\’es) and the impacted urban city core, in order to evaluate the specific
* Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
^ Departamento de Botânica, Museu Paraense Emílio Goeidi, Caixa Postal 399, CEP 66.040-170,
Belém, Pará.
^ Bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-
CNPq e aluna da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará -FCAP.
199
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
díversity in this plant group. One hundred and twenty-six species were recorded.
Calymperes palisotii subsp. richardii (C. Müll.) S. Edwards, Hyophila involuta
(Hook.) Jaeg. & Sauerb., Splachnobryum obtusum (Brid.) C. Midi., Bryum
capillare Hedw. and Frullania ericoides (Nees) Nees were the species most
adapted to adverse conditions and these could possibly as bioindicator species
for pollution. Another 36 species were restrited to forest fragment relicts and
could be indicators ofpristine conditions in tropical rain forest.
KEY WORDS; Bryophytes, Mosses, Amazônia, Belém, Rain forest fragments,
Pollution indicators.
INTRODUÇÃO
O município de Belém, Estado do Pará, localiza-se às margens do Rio
Guamá e da Baia do Guajará, sofrendo influência das marés do Oceano
Atlântico e da grande massa de água doce do Rio Amazonas. Suas
coordenadas geográficas são 1 °28’03”S e 48°29’ 18”W. A sua altura é 14 m
acima do nível do mar. Possui uma área de 736 km^ (Instituto do Desenvol-
vimento Econômico-Social do Pará, 1986) e população estimada em 1 .200.000
habitantes, o que ocasiona uma grande pressão antrópica sobre seus
ecossistemas de mangues, várzeas, igapós, florestas e lagos. Pouco resta de
sua flora primitiva.
Lisboa (1984, 1985) relaciona as espécies de briófitas que ocorrem na
Reserva Mocambo, uma área de 5,7ha de mata de terra firme, situada no
município de Belém. Entretanto estas listas não representam a brioflora da
cidade, por se reportar apenas a 0,0077% da área total do município, além
de não apresentar todos os seus ecossistemas, naturais e arficiais,que incluem
atualmente praças, bosques, avenidas, ruas transversais, etc.
Segundo Ando & Matsuo (1984), as briófitas têm sido utilizadas em
biomonitoramento ambiental, como indicadoras de poluição. Chopra &
Kumra (1989) asseguram que algumas espécies de briófitas são muito
sensíveis ã poluição. Berner e Gilbert, citados por Visnadi & Monteiro
(1990), afirmam que o estudo da flora ruderal das cidades apresenta grande
importância ecológica e biogeográfica, pois revela as alterações ocorridas na
vida das plantas silvestres em consequência da urbanização. Rao (1982)
200
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
estudou OS efeitos e a relativa sensibilidade de várias espécies de briófitas
para diferentes tipos de poluentes do ar, comprovando seu potencial como
bioindicadores da poluição atmosférica. Leblanc (1961); Hynninen (1986),
Sérgio(1981) e Sérgio & Bento Pereira (1981) fizeram estudos da utilização
de briófitas como indicadoras de poluição em Montreal (Canadá), Harjavalta
(Finlândia) e Lisboa (Portugal), respectivamente. No Brasil, Visnadi &
Monteiro (1990) e Bastos & Yano (1993) realizaram estudos das briofloras
de Rio Claro (SP) e Salvador (BA), respectivamente, visando o levantamento
da brioflora relacionada com a urbanização local.
O objetivo deste trabalho foi determinar a diversidade específica das
briófitas da cidade de Belém (PA) em áreas de vegetação remanescente e nas
áreas urbanas sujeitas a ação antrópica, procurando, ao mesmo tempo,
identificar espécies indicadoras de poluição.
METODOLOGIA
Procedeu-se ao levantamento das espécies de briófitas coletadas no
município de Belém e depositadas no herbário do Museu Paraense Emílio
Goeldi (MG). A seguir, foram coletadas amostras de briófitas nos principais
bairros de Belém (Figura 1). Em cada bairro foram selecionadas as ruas
principais (Figura 2), com maior tráfego e ruas secundárias, mais isoladas.
Também foram realizadas coletas nas praças (Figuras 3-4), Jardins Botânicos
e Reservas. As ruas principais e secundárias e as praças coletadas estão
relacionadas na legenda da Tabela 2.
As reservas florestais de Belém são Utinga (Figuras 5-7) e APEG,
Área de Pesquisas Ecológicas do Guamá, onde estão incluidas a Reseva
Mocambo (terra fieme). Reserva Catu (igapó) e Reserva Aurá (várzea).
Segundo Silva (1994), a reserva do Utinga é uma área preservada por lei para
proteção do manancial de água que abastece a cidade, sob a administração
da Companhia de Saneamento do Pará, responsável pelo sistema de captação,
tratamento e distribuição de água em Belém. Possui ecossitemas de mata de
terra firme e igapó, e dois grandes lagos, o Bolonha e o Água Preta, que
ocupam áreas de 1,79 km^ e 7,19 km^, respectivamente. A reserva
Mocambo, administrada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/
201
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental (EMBRAPA/
CPATU), é uma área com 5,7 ha de mata de terra firme, cercada por grande
extensão de igapó (Reserva Catu), descrita nos trabalhos de Pires (1976) e
Pires & Prance (1977).
As áreas consideradas como Jardins Botânicos localizadas dentro de
Belém são: o Parque Zoobotânico do Museu Parense Emílio Goeldi, o
Bosque Rodrigues Alves, o Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio
Goeldi, 0 Campus da EMBRAPA/CPATU e o Campus da Faculdade de
Ciências Agrárias do Pará (FCAP). O Parque Zoobotânico do Museu Emílio
Goeldi e o Bosque Rodrigues Alves são áreas com vegetação de mata de terra
firme, que anos atrás encontravam-se afastados do centro da cidade de
Belém, porém com o crescimento populacional estas áreas foram sendo
cercadas por casas, edifícios e comércios, e atualmente encontram-se ilhadas
pela zona urbana. O Campus de Pesquisa do MPEG, o Campus da
EMBRAPA/CPATU e o Campus da FCAP, são áreas de pesquisa que
conservam vegetação de mata de capoeira e/ou campos cultivados, relativa-
mente afastadas do centro da cidade. As localizações das Reservas florestais
e dos Jardins Botânicos estão indicadas na Figura 1.
O material coletado foi seco em estufa e identificado com auxílio de
bibliografia especializada e/ou simples comparação com espécimes
identificadas por especialistas.
Os substratos sobre os quais foram coletadas as briófitas seguiram a
classificação de Robbins (1952); epífilas, espécies que apresentam como
substrato folhas vivas; epíxilas, espécies que apresentam como substrato
ramo e troncos caídos e em decomposição; corticícolas , espécies cujo
substratos são troncos e ramos de árvores vivas; rupícolas, espécies com
substrato de superfícies rochosas; terrícolas, substrato é a superfície do solo
ou líter e aquáticas, espécies que se desenvolvem sobre a água.
Todo o material coletado está sendo incorporado ao Herbário João
Murça Pires, do Museu Paraense Emílio Goeldi.
202
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
RIO GUAMA
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
BAIA D(
cm
SciELO
RIO GUAMA
Oiversidade das briófitas de Belem (PA)
203
SciELO
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Figura 2 - Avenida Generalíssimo Deodoro, uma das ruas principais coletadas e que apresenta enormes
mangueiras (Foto; K. Kalif, 1994).
1-igura 3 - Musgo Octoblepharum albidum Hedw. sobre tronco de mangueira da Praça Brasil (Foto:
K. Kalif, 1994).
204
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
Figura 4 - Musgo Hyophila involuia (Hook.) Jaeg. & Sauerb. sobre pedra, na Praça da República
(Foto: K, Kalif, 1994).
Figura 5
Vista do Lago da Reserva Utinga (Foto: K. Kalif, 1994)
205
2 3 4 5 6 SciELO ;l0 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Figura 6 - Vt-gciação no iiuerior da Reserva Ulinga (Foto: K. Kalif, 1994).
Figura 7 - fronco vivo coberto por briófiuts, no interior tia Reserva Utinga (Foto: K. Kalif, 1994).
206
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
RESULTADOS
Foram identificadas, até o momento, 126 espécies de briófitas na cidade
de Belém, sendo 56 hepáticas e 70 musgos, distribuídas em 26 famílias. Estão
relacionadas na Tabela 1, com seus locais de ocorrência e substratos.
Na Tabela 2 estão as briófitas da área urbana, coletadas em praças e
ruas principais e secundárias. A Tabela 3 apresenta as espécies exclusivas
das áreas urbanas, enquanto na Tabela 4 encontram-se as espécies exclusi-
vas das Reservas florestais Utinga e Mocambo, ou seja, as espécies que só
foram encontradas nas áreas de floresta remanescente. A Tabela 5 mostra
as espécies comuns às áreas urbanas e Reservas.
Nas Figuras 8-13 são apresentados os resultados de diversidade e
freqüência das espécies em todas as áreas de coleta.
Diversas espécies coletadas e identificadas durante o desenvolvimento
deste trabalho foram ocorrências novas para o Estado do Pará, enquanto
algumas foram ocorrências novas para o Brasil, demonstrando a necessidade
deste tipo de levantamento para a determinação da flora do Brasil. Estas
novas ocorrências foram apresentadas no trabalho de Lisboa (1994), que
ilustra e comenta as espécies Fissidens mollis Mitt. , Meiothecium revolubile
Mitt. e Barbula agraria Hedw., novas para o Estado do Pará, e no trabalho
de Lisboa & Borges(1995). Neste, são ilustradas e comentadas as espécies
Philonotis hastata (Duby) Wijk. & Marg., Philonotis uncinata (Schwaegr.)
Brid., Bryum apiculatum Schwaegr., Bryum capillare Hedw., Lepidopilum
biductulosum (P.&B.) Wijk. & Marg. , Fissidens termitarum (Herz.) Pursell,
Fissidens allenianus Brugg. -Nann. & Pursell, Callicostela merkelii (Homsch . )
Jaeg. , Frullania ericoides (Nees) Nees, Frullania gibbosa Nees, Archilejeunea
recurvans (Spruce) Spruce ex. Steph., Colura tortifolia (Mont.) Steph.,
Diplasiolejeunea brunea (Mont.) Steph., Lejeimeaflava (Sw.) Nees, Lejeunea
glaucescens Gott., Lopholejeunea sagreana (Mont.) Steph., Lopholejeunea
subfusca (Nees) Steph., Pictolejeunea sprucei Grolle, Plagiochila subplana
Lindbg., Plagiochila thysanotis Spruce, Meiothecium tenerum Mitt,
Sematophyllum cuspidiferiim Mitt., Sematophyllum subpinnatum (Brid.)
Britt., Taxithelium pluripunctatum (Ren. & Card.) Buck, Cyrto-hypnum
involvens (Hedw.) Buck & Crum, Splachnobryum obtiisum (Brid.) C.Müll.,
207
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Lejeunea ulicina (Tayl.) Tayl. ex. G.L. & N.subsp. ulicina, Rectolejeunea
pililoba (Spruce) Schust, R. brittoniae Evans, Cololejeunea minutissima
(Smith.) Schiffn, Lejeunea laetevirens Nees & Mont. , Rectolejeunea maxonii
Evans, e Aphanolejeunea sp, como primeiras referências para o Estado do
Pará. As espécies Taxithelium portoricense Williams, L. minutiloba Evans.,
Ceratolejeunea laetejusca (Aust.) Schust., e Microlejeunea strícta (Gott.,
Lindbg. & Nees) Steph., foram indicadas como novas para o Brasil.
208
Tabela I - Briófitas do município de Belém, Pará.
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
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209
SciELO
2
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cm
10 11 12 13 14 15
LEJEUNEACEAE
Ácrolejeunea emergens (Mitt.) Steph.
A. lorulosa (Lehm. et Lindb.) Spruce ex. Steph,
Aphanolejeunea sp.
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
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Diversidade das briófitas de Belém (PA)
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214
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
Tabela 2 - Briófitas da área urbana de Belém, Pará.
1 Família / Espécie
Praças
Ruas principais
Ruas secundárias |
BARTRAMIACEAE
Philonotis uncinata (Schwaegr.) Brid,
BC AB, Dz, H, PM, A, 1 C, Ag, E, SV,
L, Dg, EL, B
BRYACEAE
Bryum apiculalum Schwaegr.
I
B. capillare Hedw.
3M
CALYMPERACEAE
Calymperes palisotii subs
BC, R, B
B, C, 1, J, G,
D, A, R, 0, Ta, Ap, Z, 25,
p. richardii (C.Müll.) S.Edwards
P, PM, L, H
I, Pr, VI, Dg, Ag, F, JT
HOOKERIACEAE
Calicostella pallida (Homsch.) Angstr.
B
HYPNACEAE
Vesicularia vesicularis
MT
(Schwaegr. )Broth.
JUBULACEAE
Frullania ericoides (Nees) Nees
R
P
LEJEUNEACEAE
Aphanolejeunea sp.
F
Cololejeunea minutíssima (Smith.) Schiffn.
I
Lejeunea glaucescens Gott.
Ag, Pr, Vc
Lejeunea flava (Sw.) Nees
MT
G
VI
L. laetevirens Nees & Mont.
BC, R
Ch
Ag
L. ulicina subsp. ulicina
R, MT
(Tayl.) Tayl. ex G.L. & N.
Lejeunea sp
L
Lopholejeunea muelleriana
S
(Gott.) Schiffn.
Rectolejeunea brittoniae Evans
VC
R. maxonii Evans
1
R. pililoba (Spruce) Schust.
M
R,25
LEUCOBRYACEAE
Octoblepharum albidum Hedw.
B
G
D, Z
POTTIACEAE
Barbula agraria Hedw.
BC, MT
A, Ch, J, P,
T, R, Ap, Z, C, Ag, B, S,
PM, L, T, Dz
Ih, I, SV, L, VC, VV, A, Z
Hyophilla involuta (Hook.) MT, BC, R
J, Tm, N, C, P,
D, R, V, Ta, Ap, Z, 25,
Jaeg. & Sauerb.
Ch, Dz, H, PM,
Ag, B, S, Ih, I, Pr, MH,
VI,
M, A, T, 1
W, Dg, VC, EL, F
SEMATOPHYLLACEAE
Sematophyilum adnatum (Mx.) Britt.
AB
5. subpinnaium (Brid.) Britt.
B
L, PM, A
D, B
SPHACHNOBRYCEAE
Splachnobryum obtusum (Brid.) C.Müll
R
N, C, P, Ch,
T, 0, A, C, Ag, S, Pr, E,
AB, M, H, PM,
MH, VI, L, D, Ap, Z, SV,
Dz, A
Dg, VC, EL, B, LB, F |
215
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Tabela 2 - (Continuação) Legenda de localidades. Praças: BC - Batista Campos; MT - Miltom Trindade;
R - República; B - Brasil. Ruas principais: AB - Av. Almirante Barroso; A - Av. Antônio Barreto; B
- Av. Gentil Bittencourt; C - Rua Conselheiro Furtado; Ch - Tv. Chaco; G - Av. Generalíssimo Deodoro;
H - Rua Humaitá; 1 - Rua Barão do Igarapé-Mirim; J - Rua João Diogo; L - Av. Senador Lemos; M
-RuaMauriti; N - Rua 16 de Novembro; P- Rua Pe. Eutíquio; PM - Av. Pedro Miranda; T- Av. Tavares
Bastos; Tm - Av. Tamandaré; Dz - Av. 1 ° de Dezembro. Ruas secundárias: A - Rua Angelo Custódio;
Ac - Rua Arcipreste; Ag - Rua Angustura; Ap - Rua Apinajés; B - Rua Barão do Triunfo; C - Pass.
Cristina; D - Rua Dr. Moraes; Dg - Rua Diogo Móia; E - Tv. Estrela; EL - Pass. Eliezer Levy; F -
Tv. Frederico Scheneippe; 1 - Tv. Itororó; Ih - Rua Visconde de Inhaúma; JT - Tv. Joaquim Távora;
L- Pass. Lameira; LB- Rua Luiz Bentes; MH - Rua Marquês de Herval; O-Tv. Óbidos; Pr-Tv. Pirajá;
R - Tv. Avertano Rocha; S - Pass. São Pedro; SV - Pass. Só Vendo; T - Rua Tomázia Perdigão; Ta
- Rua Tamoios; VC - Val-de-Cãs; V - Tv. Veiga Cabral; VI - Tv. Vileta; VV - Vila Vitória; W - Rua
Wandenkolk; Z - Tv. Curuzu; 25 - Rua 25 de Setembro; 3M - Rua 3 de Maio.
Tabela 3 - Espécies de briófitas exclusivas das áreas urbanas de Belém.
Família / Espécie
Praças
Ruas principais
Ruas secundárias
BRYACEAE
Bryum capillare
X
JUBULACEAE
Frullania ericoides
X
LEJEUNEACEAE
Aphanolejeunea sp
X
Cololejeunea mimtissima
X
Lejeunea laetevirens
X
X
Lejemea sp
X
Lopholejeunea muelleriam
X
Rectolejeunea brittoniae
X
R. pililoba
X
SPHACHNOBRYCEAE
Splachnobryum obtusum
X
X
X
216
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
Tabela 4 - Espécies de briófitas exclusivas das reservas florestais de Belém.
1 Família/ Espécie
Utinga
Mocambo |
ANEURACEAE
Riccardia sp.
X
CALYMPERACEAE
Syrrhopodon hornschuchii
X
X
S. ligulatus
X
S. parasiticus var. parasiticus
X
CALYPOGEACEAE
Calypogeia amazônica
X
FISSIDENTACEAE
Fissidens prionodes f. hornschuchii
X
X
F. prionodes f. prionodes
X
F. pellucidus
X
LEJEUNEACEAE
Acrolejeunea torulosa
X
Archilejeunea recurvans
X
Archilejeunea sp.
X
X
Ceratolejeunea cubensis
X
C. rubiginosa
X
X
Ceratolejeunea sp.
X
Cheilolejeunea sp.
X
C. trifaria
X
X
Colura tortifolia
X
Crossotolejeunea boryana
X
Diplasiolejeunea brunea
X
Lejeunea caespitosa
X
Pictolejeunea picta
X
P. sprucei
X
Pictolejeunea sp.
X
Symbienzidium transversale f. hookeriana
X
Trachitejeunea pandurantha
X
LEUCOBRYACEAE
Ochrobryum gardneri
X
ORTHOTRICACEAE
Schlotheimia rugifolia
X
PLAGIOCHILACEAE
Plagiochila plicata
X
P. subplana
X
RADULACEAE
Radula kegeli
X
SEMATOPHYLLACEAE
Taxithelium planum
X
T. pluripunctatum
X
T. portoricense
X
Trichosteleum guianae
X
\ T. sentosum
X 1
217
cm
SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Tabela 5 - Espécies de briófitas comuns às áreas urbanas e reservas de Belém.
Família / Espécie
Utinga
Mocambo
Praças
Ruas
principais
Ruas
secundárias
HOOKERIACEAE
Calicostella pallida
HYPNACEAE
X
X
X
Vesicularia vesicularis
X
X
X
LEJEUNEACEAE
Lejeunea flava
X
X
X
L. glaucescens
X
X
L. laetevirens
X
X
L. ulicina
X
X
Rectolejeunea maxonii
X
X
LEUCOBRYACEAE
Octoblepharum albidum
POTTIACEAE
X
X
X
X
Barbula agraria
X
X
X
X
Hyophila involuta
SEMATOPHYLACEAE
X
X
X
X
Sematophyllum subpinnatum
(Brid.) Britt.
X
X
X
X
Praças
Ruas princ.
23 %
Figura 8 - Ocorrência de espécimes de briófitas nas áreas de estudo em Belém.
218
NÚMERO DE OCORRÊNCIAS 3 NÚMERO DE OCORRÊNCIAS
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
gura 1 1 - Diversidade e frequência das briófitas nas reserva e jardins
botânicos de Belém.
Figura 12 - Diversidade e frequência das briófitas nas praças de Belém.
220
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
Figura 13 - Diversidade e freqüência das briófitas nos bairros de Belém.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
As Reservas apresentaram um maior número de espécimes, com 47%
do total coletado, enquanto nos Jardins Botânicos foram coletados 23%,
contrastando fortemente com os resultados encontrados nas ruas secundári-
as, ruas principais e praças (15%, 10% e 5%, respectivamente) como
evidencia a Figura 8. A Figura 9 mostra a pequena diversidade de espécies
encontradas na zona urbana da cidade. Os dois gráficos juntos, representados
nas Figuras 8 e 9 citadas, comprovam que o distúrbio ecológico provocado
pelo homem ocasiona a adaptação destas espécies, restringindo suas condi-
ções de sobrevivência, o que se reflete quali e quantitativamente.
A baixa diversidade específica é muito evidente nas praças e ruas
principais e secundárias, como mostra a Figura 10. Ao analisar-se a Figura
1 1 , verifica-se maior diversidade e frequência de espécies nas Reservas
Utinga e Mocambo do que nos jardins botânicos.
A Figura 12 evidencia um equilíbrio na distribuição do número de
espécies em quatro praças, das cinco estudadas, havendo apenas diferenci-
ação na quantidade. A Praça Filipe Patroni, localizada no centro da cidade,
em local de grande volume de tráfego de automóveis e pessoas não apresentou
nenhum espécime.
221
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Na Figura 13 observa-se um certo equilíbrio na distribuição de espécies
nos bairros de Belém, maioria entre 4 e 6. O bairro do Marco apresentou treze
espécies (o maior número), enquanto no bairro do Umarizal foram coletadas
apenas 3 espécies e em São Braz, uma única (Calymperes palisotii subsp
richardii). Quanto ao número de espécimes, os bairros do Marco, Pedreira,
Cidade Velha e Batista Campos destacam-se pela maior frequência. Os
bairros do Telégrafo, e São Braz foram os que apresentaram menor
quantidade de amostras. Deve ser ressaltado que estes dados referem-se às
coletas realizadas apenas nas ruas principais e secundárias, não estando
incluídas as coletas feitas nas praças e Jardins Botânicos localizados nestes
bairros.
Analisando as Tabelas 1-2 observa-se que as espécies Calymperes
palisotii subsp. richardii, de hábito predominantemente corticícolo, e
Hyophila involuta, encontrada com maior frequência no substrato rupestre,
ocorreram em grande escala no centro da cidade e raramente nos Jardins
Botânicos, com exceção do Bosque Rodrigues Alves, que localiza-se numa
das avenidas de maior tráfego de Belém, a Almirante Barroso. H. involuta
foi encontrada, também, na Reserva Utinga, mas apenas uma vez. Como esta
Reserva está sendo invadida pela população carente, algumas áreas já estão
perturbadas. Reese (1979), observa que Calymperes palisotii subsp. richardii
parece ser uma introdução para a Bacia Amazônica a partir de áreas nativas
ao longo da costa, o que ele justifica pela ocorrência da espécie em uma área
urbana de Porto Velho (RO) e no centro urbano de Manaus (AM), neste com
abundância, mas rara ou ausente fora da cidade (Reese & Griffin 1977).
Presume-se, desta forma, que esta espécie está bem adaptada a áreas urbanas,
onde desenvolve-se expressivamente, podendo ser utilizada como indicadora
de ambientes perturbados.
Hyophila involuta (Hook.) Jaeg. & Sauerb. é uma espécie característica
de locais perturbados, como muros ou calçadas de cidades ou, se na floresta,
junto a estradas ou cursos de rios, segundo Lisboa (1993), Neste trabalho isto
foi confirmado mais uma vez, de onde se conclui que a presença da espécie
em uma área pode ser um indício de ambiente perturbado.
A Tabela 3 apresenta 10 espécies ocorrendo exclusivamente nas áreas
urbanas, sendo que Bryum capillare está entre as espécies citadas como mais
222
Diversidade das briófitas de Belém (PA)
resistentes à poluição urbana de Newcastle Upon-Tyne, segundo Rao (1982).
Gilbert, citado por Rao (1982) reporta que certas espécies, entre elas Bryiim
capillare, mostra sobrevivência aumentada e crescimento luxuriante em
ambientes poluídos. Baseado nestas observações, pode-se considerar Bryum
capillare como espécie indicadora de ambientes poluidos.
Lisboa (1976) demonstrou que Fnillama involuta é altamente resistente
ao dessecamento causado tanto pela exposição à luz solar como pela ausência
de água, sendo uma espécie com grande amplitude ecológica e a que melhor
se adapta à vegetação de campina, onde os solos são arenosos, as árvores são
tortuosas e baixas, havendo excesso de luz solar, aliada a altas temperaturas
e baixa umidade. Vanden Berghen (1976) refere que Frullania ericoides
cresce princialmente em locais de vegetação mais ou menos degradada ou
fortemente influenciada pela atividade humana. Michel (1980) comenta que
espécies do gênero Frullania são encontradas nas cidades sobre troncos de
árvores em praças e parques, ou mesmo nas árvores de ruas ou avenidas,
algumas sobre pedras, expostas ao sol e vento, podendo ser consideradas
xerófitas e que seria interessante verificar se estas espécies podem ser
utilizadas em pesquisas ecológicas sobre poluição ambiental.
As setes espécies de Lejeuneaceae, Lejeunea laetevirens, L. ulicina
subsp. ulicina, Lejeunea sp, Cololejeunea minutissima, Lopholejeunea
niuelleriana, Rectolejeunea brittoniae e R. pililoba devem ser melhor
estudadas quanto à possibilidade de serem utilizadas como indicadoras de
áreas perturbadas, uma vez que podem não ter sido coletadas nas áreas de
mata devido a seu tamanho inconspícuo, passando despercebida em locais
onde outras espécies são mais exuberantes. Também nada foi encontrado na
literatura correlacionando aquelas espécies com ambientes desfavoráveis.
A espécie Splachnobryuni oblusum (Brid.) C. Müll. apresentou-se com
frequência considerável na zona urbana da cidade, habitando muros,
calçadas, valas e apenas uma vez em substrato terrestre, não sendo encon-
trada nas Reservas e Jardins Botânicos. Segundo Rao (1982) briófitas que
ocupam certos substratos parecem ser mais sensíveis à poluição do ar do que
outras. A diversidade de espécies em uma área poluida varia não apenas com
a distância da fonte poluidora, mas também com o tipo de substrato de
cblonização. Espécies que crescem sobre árvores são mais sensíveis do que
223
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
aquelas que crescem sobre outros substratos. Daly citado (por Rao 1982)
observou que espécies de briófitas sobre paredes de pedras podem tolerar
maiores níveis de poluição do que aquelas espécies na base de troncos.
Com base em todas as observações acima, conclui-se que a presença das
espécies Calymperes pallsotii siibsp richardii, Hyophila involuta, Bryum
capillare, Fndlania ericoides e Splachnobryum obtusiim pode ser uma
indicação de ambientes perturbados.
Trinta e seis espécies foram coletadas exclusivamente nas áreas de
vegetação remanescente de mata de terra firme das Reservas Utinga e
Mocambo, apresentadas na Tabela 4. Destacam-se as famílias Lejeuneaceae
e Sematophyllaceae, com 17 e 6 espécies respectivamente. Estas espécies
poderiam ser possíveis indicadoras de ambientes florestais amazônicos
preservados. Mas para confirmar esta característica para estas espécies, há
necessidade de levantamentos semelhantes em outras cidades da Amazônia.
AGRADECIMENTOS
À Dra. Olga Yano, do Instituto de Botânica de São Paulo, ao Dr.
William D. Reese, da University of Southwestern Louisiana, U. S. A., e ao
Dr. William Buck, do New York Botanical Garden, pela ajuda na identifi-
cação de algumas espécies.
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últimos 140 anos. Boi. Soc. Brot., sér 2, 54: 313-331.
SÉRGIO, C. & BENTO-PEREIRA, F. 1981. Líquenes e briófitos como bioindicadores da
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Brot., Sér. 2, 54.
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VANDEN BERGHEN, C. 1976. Frullaniaceae (Hepaticae) africanae. Buli. Jard. Bot. Nat.
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VISNADI, S. R. & MONTEIRO, R. 1990. Briófitas da cidade de Rio Claro, Estado de São
Paulo, Brasil. Hoelmea, 17(l);71-84.
225
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CDD: 584.15
CALUERA DODSON (ORCniDACEAE) -
NOVA OCORRÊNCIA PARA O BRASIL’
Mary Fernandes da Silva^
Manoela F.F.da Silva^
RESUMO - É apresentada a ocorrência de um novo gênero de Orchidaceae para
o Brasil, o gênero Caluera, que tinha sua distribuição conhecida para o
Surimane e Guiana Francesa. C. surinamensis Dodson & Determann é uma
planta epífita que cresce na floresta de igapó do rio Apeú-Municipio de
Castanhal (PA), sendo ilustrado seu hábito, partes reprodutivas e sua distribui-
ção geográfica.
PALAVRAS-CHAVE: Orchidaceae, Caluera, Brasil, Morfologia floral, Polínea.
ABSTRA CT- The orchid genus Caluera Dodson is reportedforthe first timefrom
Brazil. This genus ivqí previously known only from Surimane and French
Guiana, C. surinamensis Dodson & Determann was found as an epiphyte
growing in the floodplain forest of the Apeú river in the Municipality of
Castanhal, Pará State, northem Brazil. Tlwhabitus, reproductive organs, and
geographic distribution are illustrated.
KEY WORDS: Orchidaceae, Caluera, Brazil, Flower morphology, Polínea.
INTRODUÇÃO
Durante os estudos em andamento da família Orchidaceae da floresta
marginal do rio Apeú-Município de Castanhal (PA), com a intensificação das
coletas de dados e de material botânico para identificação, foi constatada a
ocorrência de um novo gênero para o Brasil, representado pela espécie
’ Projeto Integrado do CNPq, Proc:521626/93-5.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Dept“ de Botânica. Caixa Postal 399.
CEP 66040-170. Belém-PA.
227
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Caluera surinamensis Dodson & Determann. O material coletado foi
herborizado e incorporado ao Herbário do Departamento de Botânica do
Museu Paraense Emílio Goeldi. A identificação foi baseada nas obras de
Dressler (1993); Werkhoven (1986, 1992) e Dodson & Determann (1983)
onde encontra-se a descrição da espécie.
Este gênero inclui-se na Subfamília Epidendroideae Bindley, Tribo
Maxillarieae Pfitzer e Subtribo Ornithocephalinae Schlechter de Dressler
(1993). Possuindo apenas duas espécies: Caluera vulpina Dodson &
Determann e Caluera surinamensis Dodson & Determann, até então, com
distribuição para o Suriname e Guiana Francesa.
Caluera surinamensis Dodson & Determann in American Orchid
Society Bulletin. 2(4):377-379. 1983. Figura 2.
Distribuição: Brasil (Pará), Guiana Francesa e Suriname (tipo). Figura 1 .
68' 6C
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Figura 1 - Distribuição geográfica de Caluera surinamensis Dodson & Determann: Guina Francesa,
Suriname (Tipo) e Brasil (Pará).
228
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Caluera Dodson (Orchidaceae) - nova ocorrência para o Brasil
Figura2 - Caluera surinamensis Dodson & Determann. M. F. da Silva, 36
cm
2 3 4 5 6 SciELO ;l0 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. J2(2), 1996
Habitat: Epífita de floresta de igapó.
Material examinado: Brasil, Pará, município de Castaniial, floresta de
igapó do rio Apeú. Mary F. da Silva 36. MG 0147617.
COMENTÁRIO E DESCRIÇÃO
Planta muito pequena, de 2-3cm, epífita, crescendo sobre galho fino
coberto de musgo no ápice da copa de árvore alta, recebendo grande
luminosidade. Florescendo de março a julho. Folhas eretas de 2cm de
comprimento e de 0,5cm de largura em forma leque. Inflorescência saindo
das axilas para o ápice das folhas. Pedúnculo revestido com bainha aguda até
a metade; com quatro e algumas vezes cinco flores. Flores finas e delicadas
na textura; sépalas e pétalas translúcidas, brancas com nervura central
esverdeadas. Sépalas de 5mm de comprimento e Imm de largura, pétalas
eretas de 5mm de comprimento e Imm de largura. Labelo branco côncavo
no centro, com 2,5mm de comprimento e de 2mm de largura. Coluna longa,
delgada. Antera de 3mm, formando um “T” com a coluna. Quatro políneas
sobre uma haste branca translúcida, de 3,5mm de comprimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DODSON, C.H. & DETERMANN, R.0.1983. Caluera-A New Genus of Orchid from
Northern South America. Am. Orchid Soc. Buli. 52(4):377-379.
DRESSLER, R.L. 1993. Phylogeny and classification of tlie Orchid family. Cambridge,
Harvard University Press, 314 p.
WERKHOVEN, C.M. \9S6. Orchids of Suriname . Paramaribo, Uitgeversmaatschappij, 256p.
WERKHOVEN, M.C.M. 1992. Altitudinaldistributionof Orchid species in Suriname. Soc.
Biogeogr. 68(2):55-76.
230
CDD: 584.150981152
FLORA ORQUIDOLOGICA DA ILHA COMBU,
MUNICÍPIO DE ACARÁ - PARÁ
André Luiz de Rezende Cardoso'
Anna Lidza Ilkiu-Borges'
Chieno SuemitsiP-
RESUMO - Foi realizado o estudo da orquidioflora da Ilha Combu, Município
de Acará-PA, onde foi registrada a ocorrência de 31 gêneros e 42 espécies no
ecossistema de floresta ombrófila aluvial; várzea estuarina. Foram percorridas
trilhas no interior de uma mata ainda bastante preser\’ada, incluindo ambientes
alagadiços (igapós), terrenos periodicamente inundados e nas margens dos
igarapés, onde o terreno é alto numa estreita faixa marginal. Obserwu-se maior
frequência de orquídeas epífitas onde as condições de iluminação e ventilação
estão favorecidas. A floresta nativa da Ilha Combu é relativamente rica em
diversidade e quantidade de orquídeas.
PALAVRAS-CHAVE: Orquídeas, Ilha Combu, Acará-PA, Epífitas,
Ecossistema.
ABSTRAT - A study nas made ofthe orchids growing on the Combu island in
Acará-PA where about 31 genera and 42 species were found to be growing in
the “ombrófila aluvial "forest ecosystem. Trails were used in a well preser\’ed
part ofthe forest that included swampy areas, areas that are periodically flooded
and others with small streams where the banks are higher than the surrounding
land. Epiflte orchids were found in large nunibers where light and alr movement
were more favorable. Combu island is relatively rich in its diversity and quantity
of orchids considering that it has only one ecosystem.
KEY WORDS - Orchids, Combu island, Acará-PA, Epifttes, Ecosystem.
* Fundação Parque Zoobotânico de Carajás.
^ Sociedade Paraense deOrquidófilos. Rua dos Mundurucus, 1553/601 . CEP: 66025-660. Belém-PA.
^ Fundação Casa da Cultura de Marabá. Caixa Postal: 172. CEP: 68508-970. Marabá-PA.
231
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
INTRODUÇÃO
A ilha Combu (48°25’W, 1°25’S), município de Acará, dista apenas
2km da capital do Estado do Pará, Belém, obviamente sofrendo a influência
desta proximidade. Combu, como muitas outras ilhas do Estuário Amazô-
nico, preserva suas características florestais de várzea influenciada pelas
marés. A população local vive de extrativismo florestal principalmente do
açaí nativo, sem que para isso, necessite derrubar a mata. Desta forma, na
sua floresta com inúmeras trilhas, pode-se encontrar orquídeas ainda pouco
exploradas pelo homem, apesar do valor comercial de algumas espécies
vistosas.
A floresta ombrófila aluvial, segundo recente classificação feita pelo
Projeto... (1974), tem distribuição esparsa de angiospermas de grande porte
como a Sumauma pentandra Gaerth. ) , o Jutaí (Hymenaea oblongifolia. )
e 0 Cajuí {Anacardium giganteum Elancock ex Engl.), entre outros; consi-
derável população de Andiroba (Carapa gidanensis Aubl.); 7 espécies de
Ingá {Inga spp.); Assacú {Hura crepitans L.) em meio a predominância de
palmeiras, classificadas em 12 espécies, dentre as quais o açaí {Euierpe
oleracea Mart.). O acompanhamento fiorístico feito pelo Projeto Combu
levantou cerca de 150 espécies arbóreas e mais de 50 espécies de lianas. A
população de epífitas é sensivelmente expressiva. Reconhece-se espécies de
bromélias, aráceas acaules, orquídeas e epífitas lenhosas como a Clusia sp.
Muitas espécies, inclusive arbóreas, ainda ficaram fora deste primeiro
levantamento. Pode-se concluir que a floresta, embora habitada por uma
população expressiva de mais de 1.200 habitantes, ainda é rica em diversi-
dade e encontra-se bem preservada.
O clima é tropical úmido AMI na classificação de Kõppen, com dois
períodos estacionais; o inverno chuvoso e o verão com redução de chuvas.
O solo de textura fina é aluvional (Gley - pouco húmico - distrófico),
com problemas de oxigenação devido ao compactamento. Se mantém sempre
úmido nos seus perfis, devido a entradas diuturnas da maré. Nas maiores
lançantes de fevereiro e setembro chegam a cobrir quase a totalidade da área
insular, enchendo os igapós. O desnível topográfico de apenas 0,5m entre as
áreas baixas e altas mostra diferenciação na composição das espécies. Os
232
Flora Orquidológica da ilha do Combu
igapós são dominados pelo açaí de produção tardia. Já as áreas marginais aos
igarapés são ricas em diversidade de árvores, arbustos, cipós e epífitas.
As árvores de várzeas tombam com mais freqüência em relação às de
terra firme. Com a queda formam aberturas florestais que estimulam o
crescimento de plântulas reiniciando uma nova sucessão. Essa dinâmica faz
com que a floresta tenha dossel ralo e perfil extratigráfico inconstante. As
orquidáceas e demais epífitas dendrícolas estão sujeitas a esse dinamismo.
Com o objetivo de conhecer as espécies de orquídeas que ocorrem na
várzea estuarina do Amazonas, foi desenvolvido este estudo que faz parte do
levantamento da Flora Orquidológica do Estado do Pará.
MATERIAIS E MÉTODOS
No período de abril a dezembro de 1993 foi realizado o levantamento
das orquidáceas da Ilha Combu. As coletas de material botânico, ao acaso,
foram feitas percorrendo as trilhas na mata, na beira e na nascente do igarapé
Combu.
As plantas coletadas foram levadas para cultivo em casas de vegetação
e à medida que floresceram foram desenhadas, aquareladas e identificadas.
Para a identificação das espécies foram utilizandos, principalmente, os
trabalhos de Dunsterville & Garay (1979); Hoenne (1949) e Pabst & Dungst
1975, 1977).
Depois de identificadas, as espécies são exsicatadas e incorporadas ao
Herbário da EMBRAPA/CPATU.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foi registrada a ocorrência de 31 gêneros e 42 espécies de orquídeas,
apresentadas na lista de espécies. Destacam-se Lephantes brasiliensis Pabst,
endêmico das várzeas do Estuário Amazônico e Chaubardia siirinamensis
Rchb.f. de rara ocorrência nesta região (Tabela 1).
As espécies com flores maiores ou mais vistosas como Sobralia
macrophylla Rchb.f., Stanhopea grandiflora (Lood.) Lindl. (Figura 1),
233
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Figura 1 - Stanhopea grandiflora (Lood.) Lindl. A- Coluna e labelo; B- Corte longitudinal do labelo;
C- Diagrama; D- Coluna (vista superior); E- Coluna (vista inferior); F- Antera (vista superior e
inferior); G- Polinário (vista superior e inferior); H- Hábito.
234
Flora Orquidológica da ilha do Combu
Oncidium baueri LmdX.^Brassia caudata (L.) Lindl. e Gongora quinquenervis
Ruíz & Pav encontram-se em baixa densidade nas árvores baixas das trilhas
percorridas por turistas, porém próximo às residências é grande a população
de Brassia caudata, Epidendnim nocturnum Jacq. (Figura 2) e outras
espécies, o que demonstra a proteção destas plantas pelos moradores da ilha.
Tabela 1 - Lista das espécies de orquídeas da ilha Combu.
Aspasia varíegata Lindl.
Brassia caudata (L.)Lindl.
Caluera siirinamensis
Dodson & Determann
Canipylocentrum amazonicum Cong.
Campylocentrum micranthum
(Lindl.) Rolfe.
Catasetum ciliatum Barb.Rodr.
Catasetum macrocarpum
L.C.Rich. ex. Kunth.
Chaitbardia surínamensis Rchb. f.
Dichaea panamensis Lindl.
Dimerandra stenopetala
(Hook.) Schltr.
Encyclia fragram (Sw.) Lemée
Epidendrwn nocturnum Jacq.
Epidendrum schomburgkii Lindl.
Epidendrwn strobiliferwn Rchb. f.
Gongora quinquener\’is Ruíz & Pav.
Lepanthes hrasiliensis Pabst.
Leucohyle mutica (Rchb.f.) Schltr.
Lockhartia imbricata (Lam.)Hoehne
Macradenia rubescens Barb. Rodr.
Maxillaria alba (Hook.) Lindl.
Maxillaria camaridii Rchb.f.
Maxillaria discolor
(Lood. ex. Lindl.) Rchb.f.
Maxillaria uncata Lindl.
Not}'lia sp.
(A.Cardoso, A.L.Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-400)
(A. Cardoso, A.L. llkiu-BorgeseC.Suemitsu-401)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Sueniitsu -421)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C . Suemitsu - 428)
(A.Cardoso, A.L. llkiu-BorgeseC.Suemitsu-430)
(A . Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C .Suemitsu - 422)
(A .Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C . Suemitsu - 402)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-441)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu- 429)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -403)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-404)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-405)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C . Suemitsu - 434)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -423)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-406)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -435)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -438)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-436)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -433)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-417)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -407)
(A.Cardoso. A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -408)
(A.Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -424)
(A . Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C . Suemitsu -431)
235
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
Oncidium baueri Lindl.
Ornithidium parviflorum
(P. & E.)Rchb.f.
Ornithocephallus cujeticola
Barb.Rodr.
Peristeria serroniana
Pleurothallis modesta Cong.
Pleurothallis blaisdellii S.Wats.
Pleiirolhallis barbulata Lindl.
Pleurothallis p ruinosa Lindl.
Polysthachya foliosa (Hook.) Rchb.f.
Rodriguezia lanceolata Ruíz & Pav.
Schapliyglottis amazonicaSchhr .
Schaphyglottis sickii Pabst
Sciwmburgkia gloriosa Rchb.f.
Sobralia macrophylla Rchb.f.
Stanbopea gradiflora (Lood.) Lindl.
Stelis paraensis Barb. Rodr.
Trigonidiuin acuminatum
Batem, ex Lindl.
(A . Cardoso, A . L. Ilkiu-Borges e C . Suemitsu - 409)
(A .Cardoso, A . L. Ilkiu-Borges e C. Suemitsu - 425)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu- 432)
(Barb. Rodr.)Garay (A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges
C. Suemitsu - 426)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -4 10)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-437)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C. Suemitsu - 4 1 8)
(A . Cardoso , A . L . Ilkiu-Borges e C . Suemitsu - 4 1 9)
(A. Cardoso, A.L. llkiu-BorgeseC.Suemitsu-41 1)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C. Suemitsu - 412)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C. Suemitsu - 4 1 3)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -420)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -440)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges eC.Suemitsu -4 14)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-415)
( A . Cardoso, A.L. Ilkiu-Borges e C .Suemitsu - 427)
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-416)
Vanilla mexicana Mill.
(A. Cardoso, A.L. Ilkiu-BorgeseC.Suemitsu-439)
No interior da mata foram coletadas plantas de galhos e árvores caídas,
pois a ocorrência de orquídeas neste local é próximo à copa das árvores,
devido as melhores condições de ventilação e luminosidade, enquanto que na
beira do igarapé ocorrem em árvores baixas como: Cacau (Theobroma cacao
L.), Munguba (Pseudobombax munguba Mart. et Ziicc.) e Ingá {Inga sp).
Micro orquídeas, assim como as espécies heliófilas, que por isso ficam
nas partes mais altas das árvores, são praticamente desconhecidas pela
maioria dos moradores, sendo apenas reconhecidas ocasionalmente, quando
a queda de alguma árvore coincide com a época de floração.
A grande variação de cor em Gongora quinquenenis , vem acompanha-
da de pequenas variações de forma, de modo que estes padrões são quase que
exclusivos de cada planta, raramente repetidos.
236
Flora Orquidológica da ilha do Combu
Figura 2 - Epidendrum nocturnum Jacq. A- Hábito; B- Vista frontal da flor; C- Polinario (vista superior
e inferior); D- Antera (vista inferior e superior); E- Coluna (Vista superior); F- Coluna (vista inferior);
G- Coluna e labelo; H- Diagrama.
237
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Nos cacoais e açaizais nativos existe grande quantidade de Vanilla
mexicana Mill. que são ignoradas na ocasião da coleta do açaí. Muitas vezes
são derrubadas pelos coletores, embora estes prefiram as árvores que não as
contenham, por haver menor quantidade de insetos.
Foi observado que os moradores que vivem à margem do igarapé
Combu cultivavam Oncidium baiieri Lindl., Stanhopea grandiflora
(Lood.)Lindl., Brassia caudata (L.)Lindl. e Gongora qiünquenerves Ruíz
& Pav nas varandas de suas casas e nas árvores próximas a estas, com relativo
sucesso.
Em áreas menos habitadas, próximas a nascente do igarapé Combu, não
foram detectadas grandes diferenças com relação ao número de espécies das
regiões mais habitadas.
A ocorrência de espécies terrestres é nula, devido a criação de porcos
que revolvem a terra e comem as raízes, tendo sido observadas antes da
introdução destes animais, nas laterais das trilhas centrais e periféricas. Estas
plantas não puderam ser identificadas, pois na época não havia sido feito
nenhum levantamento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Solos, Vegetação e Uso Potencial da Terra. Rio de Janeiro, DNPM. (Levantamentos
de Recursos Naturais, 5).
238
CDD: 581.634
581.652
PLANTAS RUDERAIS DE MANAUS
E SEU POTENCIAL DE UTILIZAÇÃO^
Marlene Freitas da Silva^
Yêda Maria Boaventura Corrêa^
RESUMO - Este é o primeiro levantamento das plantas ruderais e viárias do
município de Manaus (AM). Eoram coletadas e identificadas nas áreas urbana
e suburbana da cidade, num total de 96 bairros, incluindo 164 espécies
pertencentes à 38 famílias botânicas. As espécies foram classificadas de acordo
com o seu potencial de utilização pela população. Eoi encontrado que 23, 6 %
dessas plantas apresentam potencial tóxico; 10% são usadas no artesanato;
20,97o são ou possuem potencial alimentício; 16,47c são potencialmente
forrageiras; 11,87c são ornamentais; e 83,67o tem aplicação medicinal. Do
total das espécies encontradas, 32,9% não tem uso ou potencial conhecido.
PALAVRAS-CHAVE: Plantas ruderais, Manaus, Viárias, Medicinais.
ABSTRACT - Dxis is the first survey ofthe weeds and Street plants of Manaus,
Amazonas. Plants were collected and identified at urban and suburban areas of
the City, with a total of96 districts, with 164 species of38 botanical families.
Die species were classified considering their potencial utilization by the
population. Survey s, showed that 23.67o ofthese plants had toxic potential;
10.07c had handicraft potencial; 20.97c had food potential; 16.47c were
potential fodder; 11.87o were ornamental; and 83, 6 7c had medicinal aplications.
Of all species found, 32.97o still have unknown uses or potential.
KEY WORDS: Weeds, Manaus, Street Plants, Medicinal plants.
' Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará. Trabalho realizado com apoio do PIBIC/CNPq/UTAM, 1992-1993.
^ Instituto de Tecnologia da Amazônia-UTAM, Av. Darcy Vargas 1200, Parque 10, CEP 69.050-020,
Manaus- AM.
239
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
INTRODUÇÃO
A diversidade florística da Amazônia tem gerado interessantes pesqui-
sas e, entre elas, o levantamento do potencial de utilização da floresta pelos
índios Waimiri-Atroari mostrou que em 0,1 ha de floresta, 65% das 135
árvores de 60 espécies de várias famílias são utilizadas pelos índios para fins
de subsistência (Miller et al. 1989). Para a vegetação espontânea, poucas são
as referências disponíveis, entre as quais destacam-se: Teixeira et al. (1973),
Gonçalves & Pimentel (1974), Albuquerque (1980), Dantas & Rodrigues
(1980) e Brandão & Cunha (1982), todas referentes a plantas invasoras ou
daninhas. Entretanto, para melhor concepção deste trabalho adotamos a
classificação de Pont Quer (1985) para as plantas, quanto ao ambiente em que
vivem: (1) quanto à exposição à luz; (2) quanto ao substrato; (3) quanto ao
grau de umidade do ambiente em que vegetam e (4) quanto à incidência da
espécie em áreas sob ação antrópica. E, neste último particular as plantas são,
ainda, classificadas como ruderais, aquelas que estão sempre próximas as
habitações humanas e como invasoras ou daninhas as que crescem em locais
onde elas são indesejáveis, desenvolvendo-se, juntamente com a cultura,
chegando a interferir no seu desenvolvimento e produção (Lorenzi 1990).
Estas plantas persistem em áreas permrbadas, apesar do intensivo combate
a elas, efetuado pelo homem, graças as suas eficientes estratégias de
sobrevivência (Klein & Felippe 1992). Além disso, o solo funciona como um
banco de sementes, onde, pelo revolvimento, ao serem expostas à luz, as
sementes germinam, produzindo novos indivíduos (Wesson & Wareing
1969). Porém, essas sementes não germinam todas de uma só vez, uma parte
delas permanece íntegra, porém viável. Se ocorresse a germinação total
dessas sementes, pelo menos para as plantas anuais, o controle ou eliminação
dessas plantas, seria facilitado (Silva & Silva, s.d.).
Quanto à utilização dessas plantas ruderais, na Amazônia poucas são as
referências bibliográficas existentes, tais como Albuquerque (1980) e Branch
& Silva (1983). Essas informações são mais comuns para os Estados do Sul
e Sudeste brasileiro, como em Leitão Filho (1972); Zurlo & Brandão (1989)
e Lorenzi (1991), entre outros.
Este trabalho objetiva, além do levantamento, a catalogação e a
divulgação do potencial de uso dessas plantas já esquecidas, bem como
promover, em parte, a proteção dessas espécies, uma vez que as “limpezas”
240
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
freqüentes podem concorrer para o desaparecimento de algumas delas. Além
disto, este trabalho é o primeiro passo para o conhecimento dessa vegetação
espontânea da Amazônia.
Também, é importante ressaltar que a identificação dessas plantas é, na
maioria dos casos, um tanto difícil por serem elas consideradas, geralmente
como “mato”, logo sem importância, por isso ausentes quase que totalmente
dos herbários da região.
MATERIAL E MÉTODOS
Para facilitar a execução do projeto, o Município de Manaus foi
dividido em quatro zonas, abrangendo diferentes regiões das áreas urbana e
suburbana, totalizando 96 bairros, visitados no período de maio de 1992 a
julho de 1993.
A coleta do material e o levantamento das informações sobre o uso das
espécies foi feita com auxílio de uma ficha padronizada, junto à população.
Muitas das indicações obtidas puderam ser confirmadas na bibliografia
consultada.
O material botânico coletado foi prensado, dessecado, montado em
cartolina tamanho padrão e etiquetado no Laboratório de Botânica do
Instituto de Tecnologia da Amazônia-UTAM. As identificações foram feitas
por comparação com material já identificado, depositado nos herbários do
Instimto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), do Museu Paraense
Emílio Goeldi (MG) ou por especialistas consultados.
Uma amostra de cada espécime foi catalogada e depositada no herbário
do Instituto de Tecnologia da Amazônia (HITAM) e, duplicatas foram doadas
a outros herbários da região e também aos especialistas.
As espécies foram classificadas e, aqui apresentadas de acordo com o
seu potencial de utilização, com base nas informações obtidas no campo,
complementadas com referências da bibliografia consultada.
Para cada espécie foi calculada a freqüência relativa, usando-se a
seguinte fórmula: f = N • 100% / n, onde f = freqüência relativa;
N = número total de bairros onde determinada espécie ocorreu; n = número
de bairros visitados.
241
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
RESULTADOS
No levantamento efetuado no município de Manaus (AM), no período
de maio de 1992 a julho de 1993, foram registradas 164 espécies, a maioria
fanerogâmicas, mas ocorrendo também pteridófitas. Um total de 38 famílias
foram identificadas sendo que apenas dez espécimes permaneceram determi-
nados até gênero e, 10 outros indeterminados. Dos 96 bairros pesquisados,
11 estão localizados no perímetro urbano de Manaus e 85, no perímetro
suburbano. Na Tabela 1 estão relacionadas em ordem alfabética do nome da
família, as espécies ruderais encontradas com o seu respectivo nome popular
mais conhecido na região, bem como o perímetro em que elas foram
encontradas, hábito e o potencial de utilização para cada uma delas.
Este levantamento das plantas ruderais feito nas áreas urbana e
suburbana do município de Manaus mostrou, também, que muitas espécies
ocorrem, preferencialmente em terrenos abandonados, livres das “capinas”.
Nestes locais, algumas espécies tem freqüência muito baixa, como por
exemplo: Celosia argentea, Melampodium divaricatum e Solanum
grandiflorum com 1,04% e, Physalis angulata, Sida micrantha e Isotoma
longifolia com 2,08% . Outras, ocorrem abundantemente em todos os locais,
como Borreria verticillata (92,71%), Turnera idmifolia (90,62%) e
Alternanthera ficoidea (87,50%). Entretanto, foi no perímetro suburbano,
como esperado, que ocorreu o maior número de espécies (156), denotando
muitas delas estarem altamente adaptadas à condições ambientais adversas,
pois são locais ainda sem infraestrutura.
Algumas famílias são bastante representativas em número de espécies
e apresentam formas de dispersão mais eficientes, como por exemplo família
a Asteraceae com 23 espécies, Poaceae 17 espécies, Malvaceae e
Euphorbiaceae com 11 espécies cada uma e Cyperaceae com 9 espécies.
Outras, como por exemplo Costaceae, Rutaceae, Campanulaceae, Lythraceae,
possuem apenas um representante com uma freqüência relativa variando
entre 1,04 a 2,08%; porém, outras famílias também com um representante
apresentam freqüências altíssimas, como por exemplo Turneraceae (90,62 %),
Onagraceae (51,04%), Nyctaginaceae (48,96%) e Loganiaceae (46,88%).
242
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
Tabela 1 - Plantas ruderais de
alimentícia; art = artesanal;
desconhecido; arb = arbusto;
Manaus. (Legenda: urb = urbano; sub = suburbano; ali
for = forrageira; med = medicinal; tox = tóxica; desc
subarb = subarbusto; trep = trepadeira; arv = árvore.)
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Hábito
Potencial
I
II
III
IV
Urbano
Sub.
1- FANERÓGAMAS
AIZOACEAE
Mollugo verticillata L.
(vassourinha)
X
X
X
X
X
X
erva
desc.
AMARANTHACEAE
Alternanthera ficoidea (L) R.B.
(apaga-fogo; corrente)
X
X
X
X
X
X
erva
med.
Amaranthus hybridus L.
(caruru-bravo)
-
X
X
X
X
X
erva
ali., med.
A. hybridus L. var. patulus (B.)
Thell. (caruru-bravo)
X
X
-
-
X
X
erva
ali., med.
A. retroflexus L.
(caruru-gigante)
X
X
-
X
X
erva
ali.
A. spinosus L.
(caruru-de-espinho)
X
X
X
X
X
X
erva
ali., med.
Celosia argentea L.
X
-
-
-
X
-
subarb.
med.
Gomphrena celosioides
Mart. (perpétua)
X
-
X
erva
desc.
APIACEAE
(UMBELLIFERAE)
Hidrocotyle bonariensis Lam.
(acariçoba)
X
X
X
X
X
X
erva
med., tox.
APOCYNACEAE
Cataranthus alba L. (lavadeira)
X
X
X
X
X
X
subarb.
om., med., tox.
C. roseus L. (lavadeira)
X
X
X
X
X
X
subarb.
orn., med., tox.
ARACEAE
Caladium sp. (tajá)
X
X
X
X
X
X
erva
om.
Indeterminada sp. 1. (tajá)
X
X
X
X
X
X
erva
om.
ASCLEPIADACEAE
Asclepias curassavica L.
(capitão-de-sala)
-
X
-
X
X
arb.
art., med., tox.
ASTERACEAE
Acanthospermum australe
(Lõef.) 0. Ktze.
(carrapichinho)
X
X
X
erva
med.
243
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Hábito
Potencial
I
ri
III
IV
Urbano
Sub.
A. hispidum DC.
(carrapicho-de-cameiro)
-
-
-
X
-
X
erva
med.
Ageratum conyzoides DC.
-
X
X
X
X
X
erva
for., med.
Artemísia vulgaris L.
(artemísia)
X
X
X
X
X
erva
med.
Centratherum punctatum Cass.
(perpétua-roxa-do-mato)
-
X
-
X
erva
om.
Eclipta alba (L.) Hassk
X
X
-
-
X
X
erva
med.
Emilia sagitatta (Vahl) DC.
X
X
-
-
-
X
erva
desc.
E. sonchifolia Benth.
(bela-emília)
X
X
X
X
X
X
erva
ali., med., om.
Erigeron bonariensis L.
X
X
X
X
-
X
erva
med.
Eupalorium maximilianii
Schrad. (erva-de-sâo-joâo)
X
XX
X
-
X
arb.
med.
E. squalidum (cambará-roxo)
X
-
-
-
-
X
subarb.
med.
E. cf. triplinervis Vahl.
X
-
-
X
-
X
erva
desc.
Galinsoga parviflora Cav.
(fazendeiro)
-
-
X
X
-
X
erva
med.
Melampodium divaricatum DC.
(carrapicho-da-praia)
X
-
X
'
erva
med.
Mikania congesta DC.
-
-
-
X
-
X
trep.
desc.
Orthopappus angustifolius (Sw.)
Gleason (língua-de-vaca)
X
-
-
X
erva
med.
Rolandra argentea Rottb.
-
-
-
X
-
X
erva
desc.
Sigesbeckia cf. orientalis L.
-
X
-
-
-
X
erva
desc.
Sonchus oleraceus L.
(serralha-espinhenta)
-
X
•
X
erva
ali., med.
Spilanthes acmella
(L.) Murr. (jambu)
X
X
X
X
X
X
erva
ali., med.
Synedrella nodiflora (L.) Gaertn
X
X
X
X
X
X
subarb.
desc.
Vernonia cinerea (L.) Lees
(buquê-de-noiva)
X
X
X
X
X
X
subarb.
desc.
Wedelia paludosa DC.
(mal-me-quer)
BORAGINACEAE
X
X
X
X
X
X
erva
om.
Cordia corymbosa (L.) Don
(maria-preta)
-
-
X
X
-
X
subarb.
med.
Heliotropium indicum L.
(rabo-de-galo)
X
X
-
X
X
subarb.
med.
244
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Hábito
Potencial
I
II
III
IV
Urbano
Sub.
CAMPANULACEAE
Isotoma longifolia
(jasmim-de-cachorro)
-
-
X
-
X
erva
med., tox.
CAPARACEAE
Cleome affinis DC. (mussambê)
X
X
-
X
X
X
subarb.
med.
Cleome spinosa Jac.
(mussambê-de-espinho)
-
-
X
X
X
X
subarb.
med.
COMMELINACEAE
Commelina benghalensis L.
(maria-mole)
-
-
X
X
X
erva
for., med.
C. nudiflora L. (maria-mole)
CONVOLVULACEAE
X
X
X
X
X
X
erva
ali., for., med.
Calycobolus ferrugineus
(Choisy) House (cipó-tuíra)
X
*
-
-
X
cipó
med.
Ipomoea asarifolia
R. & S. (salsa)
X
X
X
X
X
X
erva
med., tox.
I. carnea Jacq. %\ihsp.fistulosa
(Mart. ex. Choisy) D. Austin.
(manjorana; canudo)
X
X
arb.
art., med.,
om., tox.
I. hederifolia L.
X
X
-
-
X
X
trep.
om.
I. nil (L.) Roth.
X
-
-
-
-
X
trep.
art., med.
/. purpurea (L.) Roth.
X
X
-
-
X
X
trep.
desc.
I. quamoclit L.
(flor-de-cardeal)
X
-
-
X
trep.
ali., med.,
om., tox
Merremia cissoides Hall.
(campainha)
CURCUBITACEAE
X
X
X
trep.
desc.
Cicyos polyacanthus Cogn.
(pó-de-mico)
X
-
-
-
X
trep.
tox.
Luffa aegyptica Mill. (bucha)
X
-
X
X
X
X
trep.
art., med., tox.
Luffa sp.
X
-
-
-
-
X
cipó
desc.
Momordica charantia L.
(melão-de-são-caetano)
X
“
■
*
X
trep.
ali., med.
CYPERACEAE
Cyperus distans L.f.
X
X
X
X
X
X
erva
desc.
C. dijfusus Vahl.
X
X
X
X
X
X
erva
art.
C. iria L.
X
X
X
X
X
X
erva
desc.
C. ligulares L.
X
X
-
-
X
X
erva
for.
245
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Hábito
Potencial
I
II
III
IV
Urbano
Sub.
C. rotundas L.(tiriricão)
X
X
X
-
X
X
erva
med.
C. surinamensis Rottb.
X
X
-
X
X
X
erva
desc.
Cy perus sp.
X
X
X
X
X
X
erva
for., med.
Rhynchospora nervosa
(Vahl) Boeckeler
X
X
-
-
X
X
erva
desc.
Scleria pterota Presl
(capim-tiririca)
EUPHORBIACEAE
X
X
erva
desc.
Chamaesyce hirta (L.) Millsp.
(erva-andorinha)
X
X
X
X
X
X
erva
ali., med., tox.
C. hyssopiphoiia (L.) Small
(erva-de-santa-luzia)
X
X
X
X
X
X
erva
med., tox.
Croton lobatus L.
(pião-branco-pajé)
X
X
X
X
X
X
subarb.
med.
C. miquelensis Ferg.
X
-
-
-
X
X
subarb.
desc.
Euphorbia heterophylla L.
(amendoim-bravo; leitera)
X
X
X
X
-
X
subarb.
med., orn., tox.
E. thymifolia L. (bacurau)
X
X
X
X
X
X
erva
med., tox.
Jatropha gossypiifolia L.
(pião-roxo)
X
X
X
X
X
X
árv.
med.
Phyllanthus niruri O. Ktze.
(quebra-pedra)
X
X
X
X
X
X
subarb.
med.
P. orbiculatus Rich.
X
X
X
X
X
X
erva
med.
Ricinus communis (carrapateira)
-
X
X
-
X
-
arb.
art., med.
Indeterminada sp. 1
LAMIACEAE
-
-
-
X
-
X
árv.
desc.
Hyptis lophanta Mart.
ex Benth. (hortelã)
X
X
X
X
X
X
subarb.
med.
Ocimun gratissimum L.
(alfavaca-de-cobra)
X
X
X
-
X
X
arb.
ali., med.
Indeterminada sp. 1
LEG. CAESALPINOIDEAE
X
X
■
“
■
X
subarb.
desc.
C. reticulata Will.
(mata-pasto-grande)
-
-
X
-
X
arb.
med.
Senna occidentalis (L.)
Link (fedegoso-verdadeiro)
X
X
X
-
X
X
subarb.
ali., med.
S. tora (L.) Roxb.
(fedegoso; mata-pasto-liso)
X
X
X
X
X
X
subarb.
ali., med
246
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Potencial
I
II
III
IV
Urbano
Sub.
LEG, MIMOSOIDEAE
Mimosa camporum Benth.
(malícia)
X
X
X
-
X
subarb.
desc.
M. debilis H.B.K.
X
X
X
X
-
X
arb.
desc.
M. pudica L.
(maria-fecha-porta)
X
X
X
X
X
X
subarb.
med., orn., tox.
LEG. PAPILIONOIDEAE
Desmodium adscendens (Sw.)
DC. (carrapicho)
X
X
X
X
X
X
subarb.
med.
D. barbatum (L.) Benth,
(barbadinho)
X
X
X
X
X
X
subarb.
for., med.
Pueraria phaseloides
(Rottb.) Benth.
-
X
-
X
erva
desc.
Stylosaníhes cf. viscosa Sw.
X
-
-
-
-
X
arb.
desc.
Vigna sinensis Endl.
(feijão-miúdo)
X
X
-
X
X
trep.
for.
Zornia diphylla Pers.
(carrapicho)
X
X
X
-
X
X
erva
for., med.
Indeterminada sp. 1
-
-
X
X
X
X
trep.
desc.
Indeterminada sp. 2
LOGANIACEAE
X
X
-
X
arb.
desc.
Spigelia anthelmia L.
(arapabaca; lombrigueira)
X
X
X
X
X
X
erva
med., tox.
LYTHRACEAE
Cuphea antisyphilitica H.B.K.
-
X
-
-
X
-
subarb.
med.
MALVACEAE
Pavonia sp.
X
X
X
X
X
X
erva
desc.
Sida acuta Butm var. acuia
-
X
X
X
X
X
subarb.
desc.
S. acuta Burm var. obidensis
H. Monteiro
X
X
-
X
-
X
subarb.
desc.
S. carpinifolia Burm. (malva)
X
-
-
-
-
X
subarb.
for., med.
S. cf. cordifolia L.
(malva-branca)
-
-
X
-
-
X
subarb.
art., med.
S. linearifolia St. Hill
-
X
-
-
-
X
erva
desc.
S. micrantha St. Hil
(vassourinha-miúda)
X
X
-
-
-
X
arb.
art., med.
S. rhombifolia L. (guaxima)
-
X
-
X
X
X
subarb.
med.
Urena lobata L. (malva-roxa)
X
X
X
X
X
X
erva
art., med.
lAl
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Hábito
Potencial
I
II
III
IV
Urbano
Sub.
U. lobata var. reticulata
X
-
-
-
X
X
erva
desc.
Indeterminada sp. 1
MELASTOMATACEAE
-
X
-
X
X
X
erva
desc.
Indeterminada sp. 1
-
-
-
X
-
X
arb.
desc.
Indeterminada sp. 2
-
-
-
X
-
X
arb.
desc.
Indeterminada sp. 3
NYCTAGINACEAE
-
-
X
*
X
arb.
desc.
Boerhaavia hirsuta L.
(pega-pinto; erva-tostão)
ONAGRACEAE
X
X
X
X
X
X
erva
med.
Ludwigia suffruticosa (L.)
Hara (cruz-de-malta)
PIPERACEAE
X
X
X
X
X
X
erva
desc.
Peperomea pellucida H.B.K.
(erva-de-jabuti)
X
X
X
X
X
X
erva
ali., for., med.
Piper aduncun L.
(Pimenta-longa)
X
X
X
X
X
X
arb.
med.
P. tuberculatum Jacq.
-
X
-
-
X
-
arb.
desc.
Potomorphe pellata (L.)
Miq. (caapeba)
POACEAE
X
X
X
X
X
X
arb.
ali., med.
Andropogon bicornis L.
(capim-rabo-de-camaleão)
X
X
-
X
X
erva
art., for., med.
A. leucostachyus H.B.K.
(capim-membeca)
X
X
-
-
X
X
erva
med.
Brachiaria decumbens Stapf.
X
X
-
-
X
X
erva
desc.
Cenchrus enchinatus L.
(carrapicho-de-cameiro)
X
X
X
-
X
X
erva
for.
Digitaria ciliaris (Retz)
Koel (capim-colchao)
X
X
X
-
X
X
erva
desc.
D. horizontalis Willd.
X
X
-
-
X
X
erva
desc.
Echinochloa sp.
X
-
-
-
-
X
erva
desc.
Eleusine indica (L.)
Gaerth (capim-pé-de-galinha)
X
X
X
X
X
X
erva
for., med.
Eragrostis ciliaris (L.)
R. Br. (capim-canário)
X
X
X
X
X
erva
for.
E. pilosa (L.) Beauv.
X
“
X
erva
med.
248
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
Espécie e nome popular
Zonas
Perímetro
Potencial
I
11
III
IV
Urbano
Sub.
Habito
Hyparrhenia rufa (Ness.)
Stapf. (capim-jaraguá)
X
X
-
X
X
X
erva
for.
Panicum maximum Jaq.
(capim-guiné)
X
X
-
X
X
X
erva
for.
P. pilosum Swartz.
X
X
-
-
X
X
erva
desc.
Paspalum amazonicum Trin
Pennisetum setosum (Sw.)
L. Rich
X
X
X
X
erva
desc.
P. pupureum Schum
X
X
-
X
X
X
erva
for.
Sorghum arundinaceum
(Willd.) Stapf.
X
X
-
X
X
erva
desc.
Sorghum sp.
PORTULACACEAE
X
X
-
-
X
erva
desc.
Portulaca oleracea L.
(beldroega)
RUBIACEAE
X
X
X
X
X
X
erva
ali., med.
Borreria latifolia (Aubl.)
K. Schum.
X
X
X
X
X
X
erva
desc.
B. laxa Ch. & SchI.
-
X
-
-
-X
erva
desc.
B. verticillata (L.) G.F.W.
Mey (vassoura-de-botão)
X
X
X
X
X
X
erva
med.
Diodia alata Nees et. Mart.
(erva-de-lagarto)
RUTACEAE
X
X
X
X
erva
desc.
Monniera trifolia Aublet.
SCROPHULARIACEAE
X
-
-
-
-
X
subarb.
med.
Lindernia diffusa (L.) Wettst.
(douradinha-do-campo)
-
-
X
X
X
X
erva
med., tox.
Scoparia dulcis L.
(vassourinha-de-igreja)
SOLANACEAE
X
X
X
X
X
erva
med., tox.
Physalis angulata L. (camapu)
-
X
X
-
X
X
subarb.
ali., med.
Solanum americanum Mill.
-
-
-
X
-
X
subarb.
ali., med., tox.
S. grandiflorum Ruiz & Pav.
(jurubeba-branca)
X
-
-
-
'
X
arb.
art., for., med.
S. nigrum L. (erva-moura)
-
X
X
-
X
X
erva
med., tox.
S. sisymbrifolium Lam.
-
X
-
X
X
X
subarb.
ali., med.
S. stramonifolium Jacq.
X
X
X
-
-
X
arb.
desc.
249
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Espécie e nome popular
Zonas
I II III IV
Perímetro
Urbano Sub.
Hábito
Potencial
S. subinerme Jacq.
STERCULIACEAE
- - - X
X
subarb.
desc.
Melochia sp. 1
X X - -
X X
subarb.
desc.
Melochia sp. 2
X- - -
X
erva
desc.
Waltheria indica L.
(malva-sedosa)
X X - -
X
arb.
desc.
Waltheria sp.
TURNERACEAE
X X - -
X
subarb.
desc.
Turnera ulmifolia L. (chanana)
URTICACEAE
X X
X X
X X
subarb.
om., med.
Fleurya aestuans (L.)
Miq. (urtiga-branca)
X X - -
X
erva
ali., tox.
Pilea microphylla L.
(cama-do-menino-deus)
- X - -
X
erva
med.
Urtica urens L.
(urtiga-vermelha)
VERBENACEAE
X X
- X
X X
erva
ali., med., tox.
Lantana camara L. (chumbinho)
X X
X X
X X
subarb.
med., tox.
Leonotis sp.
X - - -
X
erva
desc.
Petiveria aliacea (raucuracaá)
- X X -
X X
subarb.
med., tox.
Priva lapulacea Pers
(carrapicho)
X X
X X
X X
erva
med., tox.
Starchytarpheta elatior Schard.
(rinchâo-roxo)
VITACEAE
X XX
X
X X
arb.
med.
Cissus sicyoides L.
ZINGIBERACEAE
(= COSTACEAE)
X X
- -X
X
trep.
med.
Cosius spicatus Rose.
(pobre- velha)
II - CRIPTÓGAMAS
POLYPODIACEAE
X - - -
X
subarb.
med.
Pteridium aquilinum (L.)
Kuhn (samambaia-verdadeira)
X -
- X
X
arb.
ali., med., tox.
A forma de vida mais comum foi a herbácea, com aproximadamente
53 % das espécies, provavelmente, por apresentar resistência ao pisoteio e
serem de fácil propagação.
250
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
Do total de espécies identificadas 107 apresentaram potencial de uso,
podendo uma mesma espécie ter indicação de mais de uma utilização. As
freqiiências relativas de algumas espécies podem ser observadas na Figura
1 sobre percentuais de utilização, onde estão destacadas as 10 espécies mais
representativas, por utilização (alimentícia, artesanal, forrageira, medicinal,
ornamental e tóxica).
DISCUSSÃO
Ruderais são aquelas plantas que, invariavelmente, acompanham o
homem, desenvolvendo-se onde quer que ele se estabeleça. Estas plantas são,
também chamadas de antropocóreas, antropófitas ou popularmente “mato”.
São, em muitos casos cosmopolitas, pouco ou nada exigentes quanto ao
substrato e, o seu estabelecimento envolve aspectos morfogênicos da semente
e, edafoclimáticos, além de estabelecerem competição pelos recursos do
meio.
Estas plantas possuem várias e eficientes formas de dispersão de suas
sementes como estratégia para o processo de perpetuação da espécie. O
vento, a água e o homem são os seus principais agentes dispersores naturais.
E, como estratégia de sobrevivência elas produzem, em geral, um grande
número de sementes dotadas de longevidade e até dormência. Assim, em
qualquer condição ambiente elas estarão aptas à germinar. E, esta germina-
ção se dá em períodos diferentes.
De um modo geral não as consideramos invasoras ou daninhas mesmo
porque elas apresentam grande potencial de utilização, podendo ser, uma
fonte alternativa interessante, conforme mostra a Figura 2.
Algumas espécies, provavelmente, por apresentarem melhor estratégia
de dispersão, ocorrem nos dois perímetros, urbano e suburbano, com alta
freqüência, sendo bem representadas algumas das famílias como Asteraceae
(Compositae), particularmente a espécie Vernonia cinerea, que alcançou
80,21 % de freqüência. Isto indica a eficiência da estratégia de dispersão de
suas sementes que são dotadas de “papus”, estrutura especializada para
dispersão anemocórica. O mesmo ocorre com Emilia sonchifolia (45,86%),
comum em áreas abertas.
251
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
A
B
% 1CX3 ,
ESPÉCIES
ESPÉCIES
C
D
% 100
ESPÉCIES
% 100
ESPÉCIES
E
F
% 100
eo i
I
60 I
1 234S67B9 10
ESPÉCIES
ESPÉCIES
Figura 1 - Freqüência relativa das espécies com potencial de utilização: A - Alimentício - 1.
Amaranthus hybridus', 2. A. hybridus var. palulus-, 3. A. retroflexus: 4. A. spinosus\ 5. Emilia
sonchifolia-, 6, Commelina nudiflora; 7. Chamaesyce hirta-, 8. Peperomia pellucida-, 9. Potomorphe
peltata-, 10, Portulaca oleracea. B - Artesanal - 1. Asclepias curassavica-, 2. Ipomoea carnea subsp.
fistulosa; 3. /. mV; 4. Luffa aegyptica; 5..Cyperus diffusus-, 6. Sida cf. cordifolia; 7. S. micramha-, 8.
Urena lobata-, 9. Andropogon bicornis-, 10. Solanum grandiflorum. C - Forrageiro - 1, Commelina
benghalensis-, 2. C. nudiflora-, 3. Cyperus ligularis; 4. Desmodium adscendens-, 5. D. barbaium-, 6.
Zornia diphylla-, 1. Peperomia pellucida; 8. Cenchrus echinaíus; 9. Eleusine indica; 10. Panicum
maximum. D - Medicinal - 1. Alternanthera ficoidea; 2. Commelina nudiflora; 3. Ipomoea asarifolia;
4. Croton lobatus; 5. Chamaesyce hirta; 6. C. hyssopipholia; 7, Phyllanthus niruri; 8. Hyptis lophanta;
9. Borreria verticillata; 10. Turnera ulmifolia. E - Ornamental - 1. Cataranthus alba; 2. C. roseus;
3. Caladium sp.; 4. Emilia sonchifolia; 5. Wedelia paludosa; 6. Ipomoea quamoclit; 7. /. hederifolia;
8, Euphorbia heterophylla; 9. Mimosa pudica; 10. Turnera ulmifolia. F - Toxico - 1. Cataranthus
roseus; 2. Ipomoea asarifolia; 3. Euphorbia heterophylla; 4. Chamaesyce hirta; 5. C. hyssopipholia;
6. Euphorbia thymifolia; 7. Spigelia anihelmia; 8. Mimosa pudica; 9. Lantana camara; 10. Priva
lapullacea.
252
Plantas ruderais de Manaus e seu potencial de utilização
Figura 2 - Percentual dos potenciais de utilização das plantas ruderais de Manaus: TOX = tóxico;
ART = artesanal; ORN = ornamental; ALI = alimentício; FOR = forrageiro; MED = medicinal.
AGRADECIMENTOS
Ao Instituto de Tecnologia da Amazônia-UTAM, que com muito
esforço proporcionou a execução deste trabalho; aos curadores dos herbários
do INPA, Sr. Carlos Alberto A. de Freitas e do Museu Goeldi, Sra. Maria
das Graças Lobo e, da pesquisadora Maria de Nazaré Bastos, especialista em
Gramineae/Poaceae pela identificação das espécies, os nossos melhores
agradecimentos.
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253
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254
CDD: 581.69
LEVANTAMENTO DE PLANTAS TÓXICAS
EM DUAS COMUNIDADES CABOCLAS
DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO 1
Ricardo Matos de S. Litrufi
Alessandra Mendes N. dos Santos^
Mário Augusto G. Jardim^
RESUMO - Levantamento de plantas venenosas foi realizado em duas comuni-
dades caboclas do estuário Amazônico, ilha do Combu e ilha da Boa Vista
localizadas no Município de Acará, Estado do Pará, por meio de informações
obtidas dos moradores locais. As principais espécies consideradas venenosas
foram Hura creptans L. (assacu), Montrichardia arborescens Schott. (aninga),
Dieffenbachia picta Schott. (aninga-para), Derris urucu (Killip & Smith)
Macbr. (timbó), Ficus insípida Willd. (caxinguba), Fleurya aestuans L. Gaud.
(urtiga), ClibadiumsurinamensisL. (cunambi) e Caladiumbicolor Vent. (tajá).
A folha e o caule são as partes vegetativas que mais ocasionam intoxicações pela
via dérmica, ocular e gastro-intestinal.
PALAVRAS-CHAVE: Botânica econômica. Levantamento da flora, Plantas
tóxicas. Comunidades rurais.
ABSTRACT - Several toxicplants were identified in the floodplain communities
in Boa Vista and Combu Island, Acará, Pará, and the importance of these
species to these rural Amazonian communities was studied. The species Hura
creptans L. (“assacu"), Montrichardia arborescens Schott. (“aninga”),
Dieffenbachia picta Schott. (“aninga-para”), Derris urucu (Killip á Smith)
' Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
^ Centro de Ensino Superior do Pará, CEP 66.035-170, Belém-PA.
3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399. CEP
66.017-970, Belém, Pará.
255
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Macbr. (“timbó”), Ficus insípida Willd. (“caxinguba"), Fleurya aestuans Z-.
Gaud. ("urtiga”), Clibadium surinamensis L. (“cunambi”) and Caladium
bicolor Vent. (“tajá ”) were considered the most toxic. The leaves and the bark
are the plant parts that most cause intoxication, by ingestion, by skin absorption
and by contact with the eyes.
KEYWORDS: Economicbotany, Plant survey, Toxicplants, Rural communities.
INTRODUÇÃO
Segundo Fernandes (1987), aplica-se o termo “veneno” para as
substâncias que por suas propriedades naturais, físicas, químicas ou físico-
químicas alteram o conjunto orgânico devido à sua incompatibilidade vital,
conduzindo o organismo vivo a reações biológicas diversas.
Plantas venenosas são aquelas que após contato ou ingestão pelo animal
ou pelo homem podem acarretar danos que se refletem na saúde ou vitalidade,
levando a degenerescência física ou mental. Isto refere-se tanto ao vegetal
inteiro, como partes dele, ou ainda, apenas a substância ativa extraída por
processos químicos e ministrados puros ou em combinações (Hoehne 1978).
Para indicar o grau de nocividade de uma substância através de sua ação
fisiológica, é necessário relacionar o estado, as condições e pré-disposição
do indivíduo que pode aumentar ou atenuar os efeitos tóxicos da substância
e a combinação química entre elas que podem determinar efeitos diretos e
imediatos afetando a vitalidade do organismo (Zanini 1989).
Baseando-se neste aspecto, o processo de intoxicação vegetal pode ser
fulminante causando a morte do indivíduo; aguda na qual o organismo
apresenta defesa orgânica e crônica quando o indivíduo apresenta equilíbrio
funcional orgânico que inibe a atividade tóxica.
Quanto à diversidade de ação tóxica em espécies diferentes, existe certa
relação entre o desenvolvimento cerebral dos animais e a sua susceptibilidade
para as diferentes substâncias tóxicas. Aquelas que atuam sobre os centros
nervosos são muito mais danosas para o homem do que para outros animais;
embora diferenças digestivas também exerçam efeitos relacionados com a
atuação de uma mesma substância tóxica sobre diversas espécies.
256
Levantameto de plantas tóxicas em duas comunidades caboclas
Poucas plantas tem sido estudadas química e físiologicamente visando
obter informações sobre os componentes perigosos ao organismo humano.
Nesta pesquisa procurou-se obter conhecimentos em duas comunidades do
estuário amazônico sobre as plantas venenosas que podem causar intoxicações .
MATERIAL E MÉTODOS
Localização das áreas de estudo. Área I, denominada Furo do Igarapé do
Combu, está localizada na Ilha do Combu, no município de Acará, ao Sul da
cidade de Belém, Estado do Pará, à margem esquerda do rio Guamá; dista
1,5 km de Belém por via fluvial. Localiza-se a uma latitude 48°25’ W;
longitude 1°25’ S. Área II, denominada de Ilha da Boa Vista, está localizada
no município de Acará, Estado do Pará, a uma distância de 2,5 km da cidade
de Belém por via fluvial.
A pesquisa de campo foi realizada no período de novembro de 1993 a
março de 1994. Eofam entrevistadas 68 famílias. Utilizou-se questionários
com os nomes populares das espécies consideradas venenosas, partes
vegetativas tóxicas, ação tóxica e forma de prevenção local. Coletou-se
material botânico das espécies consideradas venenosas para identificação
taxonômica.
A freqüência relativa das plantas venenosas citadas nas comunidades foi
calculada de acordo com Amorozo & Gely (1988): ERP = Ereqüência
relativa das plantas = NTI x n/100; onde NTI = número total de
informantes; n = número de citações como planta venenosa. ‘
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Constatou-se a presença de 24 espécies vegetais consideradas veneno-
sas nas duas comunidades em função das intoxicações provocadas sobre a
pele, globo ocular e após ingestão (Tabela 1). Por meio da freqüência relativa
caracterizaram-se oito espécies as quais foram citadas como as principais
causadoras dos processos de intoxicação.
257
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Tabela 1 - Caracterização das plantas consideradas venenosas por moradores da Ilha do
Combu e Ilha da Boa Vista, Município de Acará, Estado do Pará. Legenda: P (na pele); GO
(no globo ocular); I (ingestão).
Nome Comum
Nome Científico
FRP
Parte Tóxica
Ação Tóxica
Assacu
Hura creptans
60,0
Casca/látex
P, GO, I
Aninga
Montrichardia arborescens
50,0
Folha/fruto
P, GO, I
Aninga para
Dieffenbachia picta
48,0
Folha/caule
P, GO, I
Timbó
Derris urucu
40,0
Raiz
P
Caxinguba
Ficus insípida
38,0
Casca/látex
P, GO, I
Urtiga
Fleurya aestuans
36,0
Folha
P
Cunhambi
Clibadium surinamensis
35,0
Folha
I
Tajá
Caladium bicolor
35,Ò
Raiz/folha
P. I
loioca
Cacoucia coccinea
10,0
Fruto
I
Samaúma
Ceiba pentandra
10,0
Fruto
I
Pião branco
Jatropha curcas
,10,0
Folha
I
E. passarinho
Phithirusa micrantha
9,0
Fruto
I
Mamoeiro
Cari ca papaya
8,3
Fruto novo
P, GO
Douradinha
Euphorbia thymifolia
8,2
Toda planta
P
Paxiuba
Iriartea exorrizha
7,2
Raiz
P
Arruda
Ruta graveolens
7,1
Folha
I
Pupunheira
Bactris gasipaes
5,2
Fruto novo
P
Cajueiro
Anarcadium occidentale
5,1
Fruto novo
P
Bambu
Bambusa sp.
4,0
Raiz
P
Coramina
Pedilanthus sp.
4,0
Folha
P
Erva jabuti
Peperomia pellucida
3,8
Raiz
I
Seringueira
Hevea brasiliensis
3,0
Fruto
I
Imbaúba
Cecropia sp.
3,0
Folha
P
Cajussara
Anacardium sp.
2,1
Toda planta
P
Hura creptans L., conhecida por “assacu”, apresenta látex distribuído em
toda planta, principalmente na casca. O contato com o látex provoca irritação
sobre a pele e globo ocular. Quando ingerido, a sintomatologia mais comum
é dor no estômago, diarréia e febre. Segundo Le Cointe (1947), este efeito
é devido ao princípio ativo “hurina ou creptina”. Altman (1956) cita que a
semente é a parte mais tóxica da planta. Silva et al. (1977), caracteriza a
intoxicação pela causticidade de sua seiva. Albuquerque (1980) afirma que
a presença da toxoalbumina creptina, localizada na casca do vegetal, pode
provocar náuseas, vômitos violentos, diarréias, cólicas abdominais, pulso
rápido, obscurecimento da visão. Rodrigues (1989), cita que o látex é
258
Levantameto de plantas tóxicas em duas comunidades caboclas
cáustico e venenoso em função do princípio ativo da creptina, que atua no
organismo humano gerando irritações sobre a pele e intoxicações após
ingestão.
Montrichardia arborescens Schott. conhecida popularmente por aninga,
causa irritação na pele acompanhada de manchas avermelhadas provocadas
por contato com qualquer parte vegetativa. Para Le Cointe (1947), a seiva
é acre e cáustica; a raiz após macerada pode ser utilizada como diurético.
Amorozo & Gely (1988) citam que a planta, após ser submetida a processo
de maceração, libera uma gosma que pode ser üsada contra picada de arraia.
Comparando-se as informações obtidas com as pesquisas sobre a espécie,
pode-se evidenciar que a ação tóxica está concentrada na seiva caulinar, pois
outras partes vegetativas como folhas e raízes podem ser utilizadas até para
fins medicinais.
Dieffenbachia picta Schott, conhecida por aninga-para ou comigo-ninguém-
pode, é causadora de coceiras e queimaduras na pele, podendo provocar
cegueira devido ao contato com a folha do vegetal. Albuquerque (1980)
considera esta planta tóxica por possuir oxalato de cálcio e a protoanemonina,
que produz sufocação e possivelmente a asparagina que provoca os sintomas
de irritações da epiderme e sufocação após a deglutição. Fernandes (1987)
e Kurt & Groth (1991) citam que causa irritação da mucosa bucal e
faringeana, com edemas nos lábios, na língua e gengiva, além de sialorréia
intensa. Durante o processo de irritação das mucosas ocorre liberação de
histamina, responsável pelo edema da glote produzindo asfixia. Para Oliveira
& Akissue (1989), citam que a propriedade tóxica está na elevada quantidade
de rafídeos de oxalato de cálcio localizados nas folhas, que após mastigação
ou ingestão ocasiona irritação acenmada da mucosa bucal e faringeana. As
células contém, além de ácido oxálico, sais solúveis, saponinas, glicosídeos,
alcalóides e enzimas proteolíticas (Kurt & Groth 1991). Os problemas
causados pelo contato com as folhas, como por exemplo irritação na pele,
queimaduras e cegueira são explicados pela ação do oxalato de cálcio, a
protoanemonina, a asparagina e o ácido oxálico. Estas substâncias estão
localizadas nas partes caulinar e foliar. A presença de saponinas, glicosídeos,
alcalóides e enzimas proteolíticas devem contribuir para aumentar a atividade
tóxica da planta.
259
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Derris urucu (Killip & Smith) Macbr., conhecido por timbó, causa proble-
mas de irritações na pele, coceiras e diarréias decorrentes do contato com o
veneno que se encontra, com aspecto leitoso na raiz do vegetal. O timbó é
tido como uma planta tóxica que pode até causar a morte, caso seja ingerida
alguma de suas partes vegetativas. Segundo Gomes (1946), o timbó é
ictiotóxico pois na sua constituição química contém o glucosídio “timboína”,
concentrado na parte caulinar. As sementes são acres, narcóticas e veneno-
sas. Devido ao princípio ativo altamente forte da “timboína” (Cruz 1979).
Martins (1989), citado por Matos & Neto (1993), relata que do cipó se extrai
um poderoso produto químico natural, chamado rotenona. Este produto é
empregado no combate a insetos e pragas da agricultura, sendo ainda hoje
utilizada pelos indígenas e populações ribeirinhas na pesca predatória. A ação
tóxica e venenosa está concentrada em dois princípios ativos; o alcalóide
timboína e a rotenona, encontrados nas partes caulinar e radicular.
Ficus insípida Willd., conhecida popularmente por caxinguba é tóxica em
virtude do látex que se encontra distribuído por toda a árvore principalmente
no tronco. Os danos são irritação na pele, acompanhado de prurido e
descamação; sobre o globo ocular ocorre irritação podendo levar a cegueira.
A ingestão causa diarréia, vômitos, cólicas intestinais, náuseas e desmaios.
Silva et al.(1977) e Rodrigues (1989), citam que do tronco pode ser obtido
um leite cáustico por conter o princípio ativo denominado “caxinguvina”.
Albuquerque (1980), considera esta planta como sendo suspeita de ser tóxica
e cita que o seu látex é cáustico; Berg (1994) e Corrêa (1955) citam a espécie
na medicina popular como sendo antelmíntica e febrífuga, porém, o látex é
de uso perigoso. Amorozo & Gely (1988), também relatam o uso da casca
e 0 látex da caxinguba para combater verminoses. A caxinguba apresenta
ação medicinal e venenosa. O princípio ativo é um alcalóide chamado
“caxinguvina”, considerado extremamente cáustico. Todavia o seu uso na
medicina caseira deve ser cuidadoso, pois em doses elevadas pode provocar
distúrbios gástricos após ingestão, irritações e manchas na pele quando em
contato externo.
Fleurya aestuans L. Gaud., conhecida popularmente por urtiga é tóxica por
causar “coceira” sobre a pele, quando em contato com as folhas do vegetal.
Albuquerque (1989) e Vieira (1991) citam que seus princípios ativos são sais
260
Levantamelo de plantas tóxicas em duas comunidades caboclas
de potássio, acetilcolina, histamina e ácido fórmico, conduzidos por pêlos
urticantes localizados na folha, produzindo irritações desagradáveis na pele.
As folhas são revestidas de pêlos que ao leve contato liberam pequenas
agulhas cristalinas contendo os seus princípios ativos. Em contato com a pele,
estes princípios são absorvidos pelos poros provocando irritações superfici-
ais temporárias.
A ingestão de folhas da espécie CUbadiiim surínamensis L., conhecida
por cunambi , pode levar o indivíduo à morte . Segundo Corrêa ( 1 955) , a seiva
pode ser venenosa, enquanto Albuquerque (1980) considera este vegetal
como suspeito de possuir ação ictiotóxica. Segundo esses autores, a maior
periculosidade está na seiva, no entanto, a ingestão de folhas pode ser nociva
devido a substâncias ainda desconhecidas.
Caladium bicolor Vent., conhecida popularmente por tajá é considerada
como sendo uma planta tóxica por causar problemas sobre a pele como ardor
e coceira. Segundo Rodrigues (1989), nesta planta geralmente os tubérculos
tem propriedades eméticas e purgativas. Para Albuquerque (1980), a toxidez
desta espécie é proveniente de grande quantidade de oxalato de cálcio em toda
a planta, que em contato com a epiderme leva a sintomas como dermatite
provocado pela ação dos cristais de oxalato de cálcio encontrado nas células
vegetais.
Verificou-se que a folha e o caule foram as partes vegetativas tóxicas
mais citadas em todos os vegetais cuja ação tóxica foi principalmente pela via
dérmica, oral e gastro-intestinal.
A relação entre a parte tóxica e ação de toxidez pode estar associada aos
processos endógenos no vegetal como a produção de hormônios; influencia
do meio ambiente onde a temperatura e a umidade determinam a diminuição
ou o aumento na quantidade dos princípios ativos no vegetal ou produtos do
metabolismo secundário como fator de proteção contra herbivoria, predação
ou patógenos.
Para Filho (1988), a absorção do agente tóxico se faz através dos
folículos pilosos, intra e intercelular sendo influenciado diretamente na
absorção pela via cutânea levando em consideração integridade e superfície
exposta. Na via conjuntiva, ocorre absorção de certos tóxicos com bastante
rapidez, pode-se ter ação local e sistêmica. Na via dérmica e na parede gastro-
261
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intestinal, segundo Larini (1993), a introdução de agente tóxico assume
importância nas exposições ocupacionais e absorção do agente tóxico.
Quando um agente tóxico entra em contato com a pele, o suor pode atuar
como barreira efetiva. O agente tóxico reage com a superfície da pele
produzindo irritação primária e penetrando na pele combina-se com proteínas
do tecido e produz uma sensibilização. O agente tóxico pode ainda penetrar
através do folículo sebáceo, ingressando na corrente sangüínea, e conseqüen-
temente, agir de modo sistêmico.
CONCLUSÕES
O levantamento de plantas venenosas nas duas comunidades caracteri-
zou espécies de habitat natural do ecossistema de várzea e plantas cultivadas
em áreas adjacentes as residências. As principais espécies consideradas
tóxicas, segundo pesquisas fitoquímicas, concentram em suas estruturas
vegetativas princípios ativos que de forma direta ou indireta provocam ações
variadas ao organismo humano. É importante salientar que o conhecimento
sobre a parte tóxica, ação tóxica destas plantas e a forma de prevenção poderá
minimizar problemas de saúde, ainda muito comum nestas áreas.
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CDD: 583.3230416
j
EVIDÊNCIAS DE DISPERSÃO DE SEMENTES
MEDIADA POR MAMÍFEROS CAVIOMORFOS EM
HYMENAEA OBLONGIFOLIA HUBERi
Samuel Soares cie Almeida^
Margarida Sabino Ribeiro'^
RESUMO - Hymenaea oblongifolia ê uma espécie arbórea da floresta de terra
flrme da Amazônia Oriental, ocorrendo em fragmentos remanescentes de
floresta primária às proximidades de Belém. Suas sementes são dispersas por
mamíferos que carregam e enterram sementes, ponanto a manutenção de suas
populações aparentemente é dependente da ação destes animais. Este estudo tem
porfinalidade descrever alguns parâmetros de estrutura populacional e avaliar
o comportamento de juvenis desta espécie em 3 sítios em floresta de terra firme:
a) Àrea sob a copa de matrizes deU. oblongifolia, b) Area de sub-bosque fora
da copa de H. oblongifolia, c) Area de clareiras naturais. Este estudo foi
realizado na Reserxa Florestal do Mocambo, localizada na área do CPATU/
EMBRAPA, no município de Belém- PA. Juvenis desta espécie só foram
registrados embaixo da copa de árxvres matrizes, mas a altura do maiorjuvenil
não ultrapassou 32 cm, sugerindo ausência de estabelecimento definitivo. A
germinação de sementes desta espécie foi maior quando enterradas do c/ue
quando semeadas sobre o solo. No entanto, mortalidade elevada foi obsenada
em plântulas crescendo embaixo da árvore-mãe, tanto daquelas oriundas de
sementes enterradas como de sementes colocadas sobre o solo. Nos demais
sítios, plântulas de sementes enterradas obtiveram maior sobrevivência. Estes
resultados sugerem que H. oblongifolia é uma espécie vulnerável em habitats
fragmentados, onde o dispersor de suas sementes possa ter sido removido por
pressão de caça.
' Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, cm Belém, Pará.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399, CEP
66.040-170, Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq, Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Bolsista de Iniciação
Científica - PIBIC. Caixa Postal 399, CEP 66.040-170. Belém-PA.
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PALAVRAS-CHAVE: Hymenaea oblongifolia, Dispersão de sementes,
Mamíferos caviomorfos, Amazônia.
ABSTRACT - Evidence of seed dispersai mediated by caviomorpb mammals in
Hymenaea oblongifolia Huber. Hymenaea oblongifolia is a tree species foimd
in uplandforests (“floresta de terra firme ”) in Orientai Amazônia. Its seeds are
dispersed by growid scatter-lioarding mammals. Probably the niaintenance of
its natural populations depends on the presence of these animais. Tliis study is
designed to describe structural populations parameters and a assessment of
ecological dynamic in seeds sowed on soil surface and buried in three different
sites: a) areas tinder parental tree crown; 2) areas in the forest understoiy,
outside parental tree crown and 3) areas inside tree fali gaps. The observations
were carried out in the Mocambo Forest Reserve, a slightly disturbed forest
fragment near Belém, Pará, northern Brazil. JuvenileW. oblongifolia ífl/7/í/z.g5
were recorded only under the parental tree crown, where the highest individual
didnot exceed 32 cm, suggestingabsence of definitlve establishment . Independently
of site, buried seeds of this species produce more seedlings than seeds on the soil
suíface. Seedlings growing under tree crown presents high mortality rate than
seediings living outside of parental tree crown and tree fali gnp. These results
point out that H. oblongifolia is a endangered species in fragmented habitsts
where the seed dispersar had been removed by hunting pressure.
KEY WORDS: Hymenaea oblongifolia, seed dispersai, caviomorpb mammals,
Amazônia.
INTRODUÇÃO
A manutenção de populações de espécies vegetais em florestas tropicais
é regulada por diversos processos bioecológicos e físicos, entre os quais a
dispersão de seus frutos e sementes (Terborgh 1990). Nos trópicos é muito
comum a dispersão intermediada por animais, constituindo-se num mecanis-
mo eficaz para disseminação de genes de espécies vegetais (Van Der Pijl
1982). Dentre os diversos modos de dispersão por animais, a zoogeocoria é
uma via de dispersão característica de mamíferos caviomorfos; que carre-
gam, espalham e enterram sementes e frutos pela floresta (Forget 1990;
Forget & Milleron 1991).
A dependência estreita entre planta e dispersor pode tornar crítico o
equilíbrio do sistema, uma vez que a remoção de um ou outro pode afetar de
266
Evidência de dispersão de sementes medida por mamíferos caviomorfos
modo irreversível o “state steady” das populações (Terborgh 1986). A
persistência desses organismos em suas respectivas comunidades é contro-
lada pela oferta de recursos (para o animal) e pela disponibilidade de sítios
de estabelecimento e presença do dispersor (para a planta), além de outras
condicionantes ambientais (Dirzo & Dominguez 1986). A interferência em
ecossistemas como a remoção local da fauna associada, especialmente por
pressão de caça, pode levar à extinção ecológica e biológica de espécies
vegetais que dependem destes animais para se dispersarem ou mesmo para
controlar suas populações (Dirzo & Dominguez 1986; Terborgh 1986).
Este estudo objetiva avaliar a importância do dispersor de sementes
numa população de Hymenaea oblongifolia. Especula-se que a ausência de
recrutamento de plantas adultas desta espécie, na área de estudo, nos últimos
15 anos, possa estar relacionada com a remoção por caça de cutias
(Dasyprocla spp.), o provável dispersor.
MATERIAL E MÉTODOS
Àrea de Estudo. O estudo foi conduzido na Reserva Elorestal do Mocambo
(Belém, PA), pertencente ao CPATU/EMBRAPA. Esta área é um fragmento
de 6 ha, remanescente de floresta densa de terra firme (Pires 1973), pouco
perturbada em termos de cobertura vegetal. No entanto, a fauna de
mamíferos foi quase que totalmente removida. Esta Reserva fica sob
influência do sistema de drenagem dos Rios Guamá, Aurá e lagos Bolonha
e Água Preta. O terreno é plano e o solo é do tipo Latossolo Amarelo, textura
arenosa a franco-argilosa. A vegetação da área composta de floresta densa
de terra firme, abriga uma diversidade arbórea que inclui 179 espécies (Pires
& Prance 1977).
Características de H. oblongifolia. Hymenaea oblongifolia, conhecida como
jutaí ejatobá-mirim, é uma árvore de grande porte da família Caesalpiniaceae.
Os adultos podem atingir 30 m de altura, possuindo uma copa larga e
profunda. Possui folhas bifolioladas em forma de “ferradura”. Os frutos são
legumes indeiscentes com 1 a 4. sementes. Oexocarpoémarrom-avermelhado,
rígido. As sementes avermelhadas são envoltas por uma massa farinácea
creme, adocicada.
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O provável dispersor é a cutia, especialmente a espécie Dasypwcta
agoiiti (“cutia vermelha”), uma vez que os registros de coleções zoológicas
indicam ser a espécie mais abundante nesta área da Amazônia Oriental. É um
animal relativamente pequeno, sem cauda, atingindo até 3-4 quilos, 50-60 cm
de comprimento, com as patas anteriores menores que as posteriores.
A pelagem é amarela-avermelhada.
Este animal costuma manusear frutos e sementes com as patas
anteriores em posição vertical, ficando quase que sentada sobre as patas
posteriores. Uma parte das sementes é carregada a certa distância (até
50 m) e enterrada numa profundidade que varia entre 2 a 5 cm. Este
comportamento de estocagem de recursos, provavelmente foi selecionado
visando prover o animal de alimento durante a época de entressafra de
frutos e sementes. Especula-se que uma percentagem considerável dessas
sementes não são recuperadas pelo animal, proporcionando dispersão
efetiva de sementes.
Amostragem. Foram feitas amostragens sob a copa de 2 árvores matrizes de
Hymenaea ohlongifolia , em 2 transectos no sub-bosque fora da copa e em 2
clareiras naturais. Registrou-se todos os juvenis dentro de quadras de 1 x 1 m
(n= 16 para copa e 20 para os demais ambientes). Além da contagem, fez-
se também medida do diâmetro basal ao nível do solo, altura total e coleta de
frutos para experimento de germinação, onde foi registrado o número de
sementes por fruto.
Posteriormente, instalou-se experimento nestes 3 ambientes, sob 2
condições de posição de sementes: a) Sementes enterradas aproximadamente
2-4 cm da superfície do solo, simulando a ação do dispersor, e b) Sementes
sobre o solo. As unidades amostrais foram grupos de 2 sementes repetidas
20 vezes por ambiente por posição da semente (N = 80 sementes/sítio).
Durante 12 meses foram feitas medidas sobre germinação das sementes
e crescimento e sobrevivência das plântulas.
Análise dos dados. Os dados com freqüência de frutos com 1 , 2 e 3 sementes
diferentes foram analisados através de ANAVA (Análise de Variância),
utilizando-se te.ste de comparação de médias de Tukey, com limite crítico à
5 % . Para avaliar germinação de sementes enterradas e à superfície, tanto em
268
Evidência de dispersão de sementes medida por mamíferos caviomorfos
clareiras naturais, como sub-bosque da mata e sob a copa de árvores matrizes,
utilizou-se 0 mesmo procedimento, mas com limite de rejeição a 1 % de
probabilidade. Os dados de contagem foram transformados à respectiva base
logarítmica natural (L^^).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os juvenis de Hymenaea oblongifoUa amostrados sob as copas de
adultos totalizavam 40 indivíduos, com média de 2,5 plantas/quadra de 1 m^
(desvio padrão = ±1,86) (Tabela 1). Nas amostras de sub-bosque fora da
copa e dentro de clareiras naturais não foi registrado nenltum indivíduo
(Tabela 1). A altura média dos juvenis sob a copa foi de 19,73 cm (±5,86),
enquanto o diâmetro basal médio foi de 2,97 mm (±0,83).
Tabela 1. Densidade e tamanho de juvenis de Hymenaea oblongifoUa ocorrendo em três
ambientes na Reserva Florestal do Mocambo (Belém, Pará). (Nota: n = número de quadras
de 1 m^).
Ambiente
Densidade
Altura (cm)
Diâmetro (mm)
Total
Média (±D.P.)
Média (±D.P)
Médio (±D.P)
Sob a copa (n = 16)
40
2,5 (1,86)
19,73 (5,86)
2,97 (0,83)
Sub-bosque (n = 20)
0
0
0
0
Clareira (n = 20)
0
0
0
0
A Figura 1 apresenta a distribuição de freqüência por classes de almra,
podendo-se observar que a maior planta não ultrapassava 32 cm. Ela mostra
ainda a distribuição irregular de tamanho dos indivíduos, indicando que os
juvenis pertencem à safras produzidas em anos diferentes.
A ausência de juvenis maiores que 32 cm sugere que recrutamento
definitivo só ocorreria em condições diversas daqueles encontradas sob a
copa da planta mãe. O alcance de outros microhabitats poderia ser dependen-
te da ação de cutias (Dasyprocta cf. agoiiti), que ocorreria na área mas que
atualmente não é observada. A remoção do dispersor por pressão de caça,
pode estar reduzindo a chance de escape de sementes para fora da copa de
H. oblongifoUa, talvez por isso não tenham sido registrados indivíduos em
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outros sítios fora da copa. Estudos anteriores indicam que recrutamento bem
sucedido pode ser inversamente proporcional à distância da planta mãe
(Janzen 1970), embora se possa afirmar também que, estabelecimento pode
ser um evento estocástico, dependendo exclusivamente de chance e disponi-
bilidade de habitats favoráveis na época da dispersão (Hubbell & Foster
1986).
Classes de altura (cm)
Figura I - Distribuição de freqüência de juvenis de H. oblongifolia, por classe de altura.
O número de frutos com uma semente é bastante elevado (quase 80%),
quando comparado com a quantidade de frutos com 2 e 3 sementes
(Tabela 2). É provável que esta forma esteja sendo selecionada a favor, uma
vez que frutos com uma semente são ligeiramente mais leves e menores,
facilitando desta forma o manuseio e o transporte pelo dispersor.
O peso médio de sementes de frutos com uma e duas sementes foi de
3,06 g (±0,52) e 2,93 g (±0,47) respectivamente, não havendo diferença
significativa entre elas. No entanto, o peso médio de sementes oriundas de
frutos tri-espérmicos, diferiu significativamente dos demais (Tabela 2,
ANAVA e Teste Tukey, q = 5,87, p < 0,05, G.L. = 2).
Estes resultados demonstram que H. oblongifolia investiu individual-
mente mais energia na formação de sementes de frutos mono e bi-espérmicos.
270
Evidência de dispersão de sementes medida por mamíferos caviomorfos
Ademais, a quantidade de matéria orgânica alocada na formação de casca dos
frutos parece ser aditivamente maior em três frutos com uma semente do que
em um fruto de 3 sementes. No entanto, frutos maiores aparentemente
poderiam ser desvantajosos na otimização de dispersão da espécie, uma vez
que um menor número de frutos grandes poderia saciar mais rapidamente o
dispersor. Isto diminuiria a freqüência com que esses animais visitariam a
planta, reduzindo a quantidade de frutos ou sementes dispersos por unidade
de tempo. No entanto, os pressupostos da hipótese de saciação do dispersor
para espécies arbóreas tropicais são bastante criticados (Janzen 1975).
Tabela 2 - Número e peso de sementes de Hymenaea oblongifolia na Reserva Florestal do
Mocambo (Belém, Pará). Frutos com 1, 2 e 3 sementes. (N = 199).
Frutos com:
Número de
Peso de sementes
Frutos*
Sementes
Média**
±D.P.
Amplitude
1 Semente
163 (79.4)
163
3,06^
0,52
1,17-4,11
2 Sementes
33 (16,2)
66
2,93»
0,47
1,61-3,77
3 Sementes
3 (4,4)
9
2,50”
0,46
1,80-3,13
iNumeros entre parenteses corresponuem a percciuagem ao lotai ae lyy Irutos.
** Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente entre si (Teste Tukey,
p < 0,05; q = 5.87, G.L. = 2).
Independentemente do sítio onde foi semeada, a germinação de
sementes enterradas foi significativamente maior quando comparadas à
sementes colocadas sobre o solo (Tabela 3, ANAVA, F = 35.84, p < 0,01).
No entanto, sementes enterradas não é uma condição que garanta recruta-
mento de juvenis. Eventos pós-germinação, como predação e condições
microclimáticas diferencias entre sítios, podem determinar a chance de
sobrevivência (Clark 1990).
As sementes enterradas em clareiras obtiveram germinação significa-
tivamente mais elevada do que sementes colocadas sob a superfície do solo
em quaisquer dos outros ambientes. No entanto, a germinação de sementes
na superfície do solo em clareiras, à exceção daquelas enterradas nas próprias
clareiras, não diferiu entre locais tanto em sementes enterradas como na
superfície (Tabela 3, Teste Tukey, D.M. = 0,169, G.L. = 54).
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A taxa de mortalidade foi alta em sementes que foram colocadas sobre
a superfície do solo, independentemente do ambiente (Tabela 3). Entretanto,
plântulas de sementes enterradas sob a copa morreram em alta proporção.
Isto pode se uma forte evidência de que dispersores caviomorfos podem
desempenham um papel importante na dinâmica populações de árvores
tropicais, muito embora haja uma restrição para se avaliar os resultados de
mortalidade devido o curto período de observação.
Tabela 3 - Dinâmica demográfica em juvenis de H. oblongifolia, em três ambientes sob duas
condições de semeio, na Reserva Florestal do Mocambo (Belém, Pará). Dez amostras com
4 sementes cada uma, em seis condições por ambiente. N = 240 sementes (40 x 6).
Ambiente
Condição
Sementes germinadas
Plântulas
Média* (±D.P.)
% Total
Mortas
(%)
Clareira
Enterrada
3,20 (0,79) a
80,0
17
53
Superfície
1,30 (1,16) b
32,5
10
71
Sub-Bosque
Enterrada
Superfície
2,30(1,06) ab
0,50 (0,53) b
57.5
12.5
4
4
18
80
Sob a Copa
Enterrada
Superfície
1,90(0,74) ab
1,20 (1,23) b
47,5
30,0
16
12
84
100
* Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente entre si (Teste Tukey,
p < 0,01; q = 0,169, G.L. = 2).
CONCLUSÃO
A ausência de juvenis H. oblongifolia fora da copa das árvores matrizes
indica que deve estar havendo uma barreira biótica no transporte de sementes
e frutos, provavelmente devido à remoção do dispersor por pressão de caça.
Plantas juvenis sob a copa de matrizes não ultrapassaram determinada
altura, indicando que o recrutamento definitivo de adultos pode não ocorrer
sob estas condições.
O experimento de simulação do comportamento do dispersor, com
sementes sendo enterradas, revelou que H. oblongifolia pode depender
fortemente de dispersores caviomorfos, que espalham e enterram sementes,
para dispersão bem sucedida de suas sementes.
272
Evidência de dispersão de sementes medida por mamíferos caviomorfos
A longo e médio prazo a população adulta de H. oblongifolia na Reserva
do Mocambo poderá desaparecer, uma vez que o processo de extinção
ecológica já em curso, devido a ruptura da interação planta-dispersor, poderá
levar a extinção biológica.
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CDD: 583.19041662
MORFOLOGIA POLÍNICA DE PLANTAS
CULTIVADAS NO PARQUE DO MUSEU GOELDI.
VII - EAMÍLIA BOMBACACEAE
Léa Maria Medeiros Carreira^
Rita de Cássia O. Raposo^
Edna Suely P. Lobato^
RESUMO: Os grãos de pólen das espécies Ceiba burchelli K. Schum (sumaúma-
da-terra firme), C. pentandra Caertn. (sumaúma), Pachira aquatica Auhi.
(mamorana), Ochroma lagopus 5u'. (pau de balsa). Bômbax longipedicellatum
Ducke, Quararibea guianensis Aubl. (inajarana), Matisia cordata H.B.K.
(sapota) e M. paraensis Huber (cupuaçurana) foram analisados quanto ao
tamanho, forma, número de aberturas e estratificação da exina. Foi verificado
que os grãos de pólen variam de médios a muito grandes, de suboblatos a
suprolatos, de 3-colporados a 3-porados e de superfície pilada a reticulada.
Uma chave polinica foi elaborada a fim de separar as espécies investigadas.
PALAVRAS-CHAVE; Morfologia Polinica, Palinologia, Bombacaceae
ABSTRACT: The pollen grains of the species Ceiba burchelli K. Schum
(sumaúma-da-terra firme), C. pentandra Caertn. (sumaúma), Pachira aquatica
Aubl. (mamorana), Ochroma lagopus Sw. (pau de balsa). Bômbax
longipedicellatum Ducke, Quararibea guianensis Aubl. (inajarana), Matisia
cordata H. B. K. (sapota) e M . paraensis Huber (cupuaçurana) were investigated
in relation to size, form, number of apertares, omamentation and stratification
of the exine. The pollen grains varies from médium to very large size, from
suboblate to subprolate, from 3-colporate to 3-porate and the omamentation of
the exine from pilate a reticulate. A pollen key Is presented.
KEY WORDS: Pollen morphology, Palynology, Bombacaceae.
1 PR-MCT/CNPq/Museu Paraesne Emílio Goddi - Depto. de Botânica. Caixa Postal, 399. CEP
66017-970. Belém-PA.
2 Bolsistas de Iniciação Científica do CNPq, Processo no. 801366/88-7
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INTRODUÇÃO
A família Bombacaceae é constituída por árvores de médio e grande
porte. Algumas de suas espécies são reconhecidas mundialmente não só pela
altura, mas principalmente pelo diâmetro do caule. Fornecem madeira de boa
qualidade e ainda são amplamente utilizadas na indústria de perfumes, já que
suas flores apresentam um aroma muito agradável (Corrêa 1984).
No parque do Museu Goeldi encontram-se cultivadas oito espécies
pertencentes a seis gêneros: Bômbax longipedicellatum Ducke, Ceiba
burchelli K. Schum (sumaúma de terra firme), Ceiba pentandra Gaertn.
(sumaúma), Matisia cordata H.B.K. (sapota), Matisia paraensis Huber
(cupuaçurana), Ochroma lagopiis Sw. (pau-de-balsa), Pachira aquatica
Aubl. (mamorana), Quararíbea guianensis Aubl. (inajarana), (Cavalcante
1982).
Os trabalhos realizados por Corrêa (1984) e Cavalcante (1988) fazem
referência ao valor econômico de algumas espécies acima mencionadas.
Quanto aos estudos sobre a morfologia polínica destes gêneros Erdtman
(1952) descreveu sucintamente o pólen de Bômbax album, Ceiba aesculifolia,
C. pallida Rose, Matisia cordata H.B.K. e Qiiararibea guatemaltheca (J.
Sm.) Standl. & Steyern; Robyns (1963) envolveu morfologia polínica no
estudo taxonômico sobre certas espécies de Bômbax e Pachira, incluindo-se
entre as mesmas a espécie Pachira aquatica-, Robyns (1964) fez um estudo
taxonômico sobre os gêneros Ceiba, Pachira e Quararíbea, e a espécie
Quararibea intricata-, Nilsson & Robyns (1974) fizeram uma descrição geral
dos grãos de pólen de Quararibea. Tsukada (1964) examinou o pólen de
vários gêneros de Bombacaceae. Nilsson & Robyns (1986) fizeram um
estudo da morfologia polínica, incluindo Ceiba pentandra, Pachira aquatica
e Quararibea guinanensis, de outras coletas.
O objetivo principal deste trabalho é analisar a morfologia do pólen das
espécies da família Bombacaceae que ocorrem no parque do Museu Goeldi,
com a finalidade de dar continuidade à série que trata da morfologia polínica
de plantas cultivadas no referido local.
276
Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
MATERIAL E MÉTODOS
Material Botânico
Os botões florais adultos foram retirados de amostras existentes nos
herbários MG (Museu Paraense Emílio Goeldi) e lAN (Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária/CPATU). As referências encontram-se relacio-
nadas na Tabela 1.
Tabela 1 - Referências de botões florais adultos.
ESPÉCIES
COL/N® COLETA
N° HERBÁRIO
N° PALINOTECA
Bômbax longipedicellatum Ducke
N.T. Silva 2194
lAN 134049
P-0745
Ceiba burchelli K. Schum.
P. Cavalcante 1061
lAN 20208
P-0746
Ceiba pentandra Gaertn.
P. Cavalcante 280
MG 30066
P-0236
Matisia cordata H.B.K.
C.R. Clement 02
MG 69222
P-0237
Matisia paraensis Huber
A. Ducke s/n
MG 9153
P-0776
Ochroma lagopus Sw.
Ule 5530
MG 5476
P-0777
Pachira aquatica Aubl.
L. Carreira 213
MG 78867
P-0154
Quararibea guianensis Aubl.
A. Luís et al. 116
MG 30081
P-0774
Métodos
As lâminas foram preparadas segundo o método da acetólise de
Erdtman (1952).
As medidas do material acetolisado foram obtidas mediante a utilização
de um microscópico de luz marca ZEISS, adaptado com uma objetiva com
escala micrometrada.
Para as medidas dos eixos polar e equatorial utilizou-se 25 grãos e
objetiva de 40x, excetuando-se as espécies Ceiba hurchelU e Matisia
paraensis, nas quais só foi possível medir 12 e 14 grãos, respectivamente,
visto a deformidade dos mesmos; Matisia cordata e Ochroma lagopus que
por apresentarem grãos muito grandes foram medidos com objetiva de 25x,
assim como Pachira aquatica, sendo que para esta espécie não foram obtidas
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medidas dos eixos, e sim do diâmetro polar, por não terem sido observados
grãos em vista equatorial. As medidas de sexina e nexina foram feitas em 10
grãos com objetiva de lOOx.
Com base nesses resultados fez-se o tratamento estatístico, constituído
de média, variância, desvio padrão e coeficiente de variância, sendo que para
sexina e nexina foi calculada somente a média aritmética.
Para observações em MEV, o material acetolisado foi deixado por 24
horas em acetona 50% e a seguir por 30 minutos em acetona 100% , a fim de
desidratar os grãos de pólen. Da suspensão de pólen em acetona pura foi
retirada uma gota, a qual foi depositada sobre um suporte e deixada secar por
algumas horas a 37“C, antes de ser evaporada com ouro.
Nas descrições polínicas foi utilizada a seqüência padronizada de
Erdtman (1969) e a nomenclatura baseada no Glossário Ilustrado de
Palinologia de Barth & Melhem (1988).
As fotomicrografias de luz foram obtidas em um fotomicroscópio
ZEISS e as de MEV num microscópio ZEISS DSM-940.
Nas descrições e nas legendas das fotomicrografias foram usadas as
seguintes abreviaturas:
amb - âmbito
DP - diâmetro polar do grão de pólen
E - eixo equatorial
MEV - microscopia eletrônica de varredura
ML - microscopia de luz
NPC - número, posição e caráter das aberturas
P - eixo polar
P/E - relação entre as medidas dos eixos polar e equatorial
VE - vista equatorial
VG - vista geral do grão de pólen
VP - vista polar
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Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
RESULTADOS
Descrições Polínicas
1 - Bômbax longipedicellatum Ducke (Figura la-f)
Caracteres gerais: grãos médios, isopolares, de simetria radial, forma
subprolata, amb circular, 3-colporados, de superfície microrreticulada. A
endoabertura é lalongada. 47 ± 1,0 (43 -50) /xm; E= 37 + 0,9
(34-41)/xm; P/E= 1,27; NPC= 345.
Estratificação da exina: a sexina (1,3 /xm) é levemente mais espessa que
a nexina (1,1 /xm). A exina é espessada em volta das aberturas. Em MEV,
verifica-se que os lumens são de tamanho variável, sendo maiores próximo
aos mesocolpos.
2 - Ceiba burchelli K. Schum (Figura 2a-f)
Caracteres gerais: grãos grandes, isopolares, de simetria radial, amb
triangular, 3-colporados, de superfície pilada, apresentando um tipo de
ornamentação mais fma nos vértices. A endoabertura encontra-se encoberta
pela sexina. DP= 60,5 ± 1,1 (54,5 - 64,5) /xm; NPC= 345.
Estratificação da exina: a sexina (1,3 /xm) é mais espessa que a nexina
(0,7 /xm). A exina é um pouco espessada em volta das aberturas. A sexina
apresenta-se encoberta por pilos, ausentes ao nível dos colpos e diminuindo
de tamanho em direção aos vértices dos grãos (mesocolpos). Em MEV, nota-
se que os pilos encontram-se densamente aglomerados.
3 - Ceiba pentandra Gaertn. (Figura 3a- 1)
Caracteres gerais: grãos grandes, isopolares, de simetria radial, forma
suboblata, amb circular, 3-colporados, de superfície largamente reticulada.
Ao nível dos colpos a nexina se espessa e forma estruturas semelhantes a
costas e a endoabertura é lolongada. P= 53 + 1,5 (46 - 59) /xm; E= 63 +
1,2 (60 - 66) /xm; P/E= 0,84; NPC= 345.
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Figura 1 - Pólen de Bômbax longipedicellatum-. a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina;
c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (lóOOx); e) VE em MEV, aspecto dos colpos e
ornamentação da exina (2000x e 5000x); f) VP em MEV, detalhe da superfície reticulada (lóOOx e
SOOOx).
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Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
JUí ■ •
I
Figura 2 - Pólen de Ceiba burchelli: a) VP, corte otico; b) Idem, ornamentação da exma; c) VE, corte
ótico; d) Idem, ornamentação da exina (1240x); e) VP em MEV, aspecto da superfície pilada; f) VG
em MEV, detalhe dos pilos e do microrretículo. 2000x e SOOOx.
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Figura 3 - Pólen de Ceiba pentandra: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE, corte
ótico; d) Idem, ornamentação da exina (lóOOx); e) VP em MEV, aspecto dos colporos; f) Detalhe da
ornamentação da exina em MEV (2000x e 5000x).
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Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
Estratificação da exina: a sexina (2,0 jirn) é mais espessa que a nexina
(0,7 ixm) exceto em volta das aberturas. Nos lúmens foram observados
pequenos pilos de tamanhos variáveis, estando os maiores situados ao nível
dos mesocolpos.
4 - Matisia cordata H.B.K. (Figura 4a-d)
Caracteres gerais: grãos muitos grandes, isopolares, de simetria radial,
forma suboblata, amb circular, 3-porados, de superfície reticulada,
curvimurada. P= 133 ± 2,0 (1 1 1,5 - 154,5) /rm; E= 157 ± 2,0 (129 - 180)
fxm; P/E= 0,84; NPC= 345.
Estratificação da exina: a sexina (3,5 gm) é bem mais espessa que a
nexina (1,4 /xm); a nexina é espessada em volta dos poros. O teto dos muros
é muito delgado, ondulado, muitas vezes descontínuo. As columelas e os
lumens são de tamanlio irregular e os muros são simples-baculados.
5 - Matisia paraensis Huber (Figura 5a-d)
Caracteres gerais: grãos grandes, isopolares, de simetria radial, forma
suboblata, amb triangular, 3-porados, de superfície amplamente reticulada.
P= 57 + 2,3 (53 - 62) /xm; E= 66 ± 2,6 (57 - 70) /xm; P/E= 0,86;
NPC= 344.
Estratificação da exina: a sexina (2,4 /xm) é mais espessa que a nexina
(1,0 /xm) . O teto é ondulado e as columelas encontram-se dispostas em fileiras
simples ou duplas. Os lumens, internamente, não apresentam pilos isolados.
6 - Ochroma lagopus Sw. (Figura 6a-0
Caracteres gerais: grãos muito grandes, isopolares, de simetria radial,
forma suboblata, circular, 3-porados, de superfície amplamente reticulada.
p= 94 + 1,1 (82,5- 103) /xm; E= 106 ± 0,8(99,5 - 113,5) /xm; P/E= 0,88;
NPC= 345.
Estratificação da exina: a sexina (1,9 /xm) é mais espessa que a nexina
(0,8 /xm). Os muros são simples-baculados. Os lumens são poligonais,
repletos de pequenos pilos ou báculos, tanto em ML como em MEV.
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Figura 4 - Pólen de Matisia cordata: a) VP, cone ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE, cone
ótico e poro; d) Idem, ornamentação da exina (lOOOx); e) VPem MEV, aspecto dos colporos; 0 Detalhe
da ornamentação da exina e do poro em MEV (3000x e óOOOx).
Figura 5 - Pólen de Matisia paraensis: a) VP, eorte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE, corte
ótico; d) Idem, ornamentação da exina e poro (lóOOx).
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Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
Figura 6 - Pólen de Ochroma lagopus: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE, corte
ótico; d) Idem, ornamentação da exina (lOOOx); e) VP em MEV, aspecto do colpo; f) Detalhe da
ornamentação da exina e do colpo em MEV (1500x e 3000x).
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Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
1 - Pachira aquatica Aubl. (Figura 7a-cl)
Caracteres gerais: grãos muito grandes, isopolares, de simetria
radial, amb triangular, 3-colporados, de superfície reticulada na região
polar e em volta dos colpos e microrreticulada no mesocolpo. A endoabertura
é lolongada. DP= 1 1 1 ± 0,5 (106,5 - 1 15) ij.m; NPC= 345.
Estratificação da exina: a sexina (1,3 g.m) é bem mais espessa que a
nexina (0,9 /xm). Os muros são delgados, ligeiramente ondulados e simples-
baculados nas regiões polares e aperturais.
8 - Quararibea guianensis Aubl. (Figura 8a-d)
Caracteres gerais: grãos grandes, isopolares, de simetria radial, forma
suboblata, amb circular, 3-porados, de superfície amplamente reticulada-
foveolada. P= 54 + 0,4 (51 - 55) /xm; E= 62 + 0,8 (59 - 64) /xm; P/E =
0,87; NPC= 344.
Estratificação da exina: a sexina (2,7 /xm) é bem mais espessa que a
nexina (0,9 /xm). Os lumens são menores próximo aos poros e os muros mais
espessos e pluribaculados, chegando a um padrão foveolado. A exina, em
volta dos poros, é mais espessa e proeminente, formando áspides com um
anel espesso e psilado, contornando a abertura.
Chave Polínica
1. Grãos 3-colporados
1.1. Superfície microrreticulada
1.2. Superfície reticulada
1.2.1. Lumens lisos
1.2.2. Lumens com pilos
1.3. Superfície pilada
Bômbax longipedicellatiim
Pachira aquatica
Ceiba pentandra
Ceiba burciielli
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Figura 7 - Pólen de Pachira aquatica: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE, corte
ótico; d) Idem, ornamentação da exina e abenura (1240x).
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Figura 8 - Pólen de Quararibea guianensis: a) VP, corte otico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE
corte ótico e poro; d) Idem, ornamentação da exina e região apertural (lOOOx).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 11(2), 1995
2. Grãos 3-porados
2.1. Superfície reticulada-foveolada,
muros pluribaculados
2.2. Superfície reticulada
Quararibea guianensis
2.2. 1 . Lumens lisos
2. 2. 1.1. Muros delgados, simples-baculados,
descontínuos
Matisia cordata
2.2. 1.2. Muros rígidos, simples
a duplibaculados Matisia paraensis
2.2.2. Lumens poligonais
Oclironia lagopiis
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Com 0 objetivo de estabelecer comparações entre os resultados obtidos
neste trabalho e os já existentes, chegou-se a seguinte conclusão:
1. Bômbax longipedicellatum Ducke
Erdtman ( 1 952) descreveu os grãos de B. albiim como planoaperturados,
peroblatos e reticulados . Robyns ( 1 963) fez um estudo taxonômico do gênero
Bômbax L. abordando a morfologia polínica de algumas espécies. Posteri-
ormente, Nilsson & Robyns (1986) examinaram várias espécies deste
gênero.
Os caracteres polínicos encontrados nos grãos de pólen de Bômbax
longipedicellatum enquadram-se com os sugeridos por Tsukada (1964) e por
Robyns (1963) para o gênero Bombea L. ou seja, no tipo Bombea, subtipo
Bombea em Nilsson & Robyns (1986).
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Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
2. Ceiba burchelli K. Schum
3. Ceiba pentandra Gaertn.
Erdtman (1952) fez um estudo sucinto das espécies C. aesculifolia e C.
pallida Rose, descrevendo a primeira como grãos 3-colporados, oblatos e
ornados e a outra como grãos oblatos de sexina retipilada. Além deste
trabalho, conta-se com os de Tsukada (1964) e Robyns (1964) que fizeram
considerações sobre a morfologia polínica dos grãos de pólen do gênero
Ceiba, descrevendo-os como oblatos, de sexina reticulada.
No que se refere ao número de aberturas e a ornamentação da sexina,
a descrição feita por Erdtman ( 1 952) coincide com os resultados obtidos neste
trabalho, no entanto, as duas espécies por ele estudadas divergem quando à
forma daquelas tratadas neste trabalho, assim como a caracterização feita por
Robyns (1964) sobre a ornamentação da sexina.
As duas espécies diferem quanto à ornamentação de seus grãos de
pólen. Os de C. burchelli estão afins aos de C. samaiima do tipo Bômbax,
subtipo Neobuchia (Nilsson & Robyns, 1986), enquanto que os de
C. pentandra estão de acordo com as descrições existentes.
4. Matisia cordata H.B.K.
5. Matisia paraensis Huber
Inclui-se entre as 30 espécies de Bombacaceae examinadas por Erdtman
(1952) a espécie M. cordata, objeto de nosso trabalho, que segundo o autor
apresenta grãos 3-colporados de ornamentação reticulada, o que não está em
concordância com o que foi constatado neste trabalho, onde os grãos de pólen
são 3-porados.
Tsukada (1964) examinou a espécie M. longiflora Gleason, 3-porada,
encontrando espinhos esparsa - e regularmente distribuídos sobre a superfície
dos grãos de pólen.
Quanto às duas espécies aqui estudadas, diferem pelo aspecto das
superfície, no que diz respeito às dimensões dos muros e a falta de espinhos.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 11(2), 1995
6. Ochroma lagopus Sw.
Tsukada (1964) examinou duas outras espécies, 3-poradas, reticuladas
deste gênero. A estudada neste trabalho assemelha-se mais com O. bicolor,
em virtude da presença de numerosos pilos ou báculos dentro dos lumens.
7. Pachira aquatica Aubl.
Robyns (1963) fez uma revisão taxonômica do gênero Pachira Aubl.,
na qual consta a espécie P. aquatica estudada neste trabalho, cujos grãos de
pólen são descritos como largamente elípticos , colporados, 3-pleurotremados ,
exina espessa, sexina reticulada com poucos báculos. O mesmo autor
(Robyns 1964) fez uma descrição sobre o gênero Pachira que não difere, da
realizada para a espécie em questão.
A descrição neste trabalho encontra-se em concordância com os
trabalhos de Robyns (1963, 1964) e Tsukada (1964), pertencente ao tipo
Bômbax, subtipo Pachira em Nilsson & Robyns (1986).
8. Qitararibea guianensis Aubl.
Erdtman ( 1 952) analisou os grãos de pólen da espécie Q. guatemaltheca ,
concluindo que os mesmos são 3-porados, providos de fovéolas largas.
Segundo Robyns (1964) os grãos de pólen do gênero Quararibea variam de
porados a colporados e a sexina de foveolada a reticulada. Um trabalho mais
abrangente a respeito das espécies Q. intricata e Q. malacocalyx foi realizado
por Robyns & Nilsson (1972). Os grãos de pólen de Q. intricata foram
descritos como isopolares, esferoidais a oblato esferoidais, 3-porados,
sexina mais espessa que a nexina, muros muitas vezes incompletos, super-
fície reticulada e poros arredondados. Essa descrição coincide com a de Q.
malacocalyx, embora os poros desta espécie variem de circulares a elípticos
e a ornamentação da exina de granular a finamente estriada.
A morfologia polínica dos grãos de pólen de Q. guianensis assemelha-
se a das espécies estudadas por Erdtman (1952) e Robyns (1964), exceto na
ornamentação da exina, a qual é reticulada-foveolada na espécie aqui
examinada; coincide com tipo Asterolepis, subtipo Quararibea asterolepis
em Nilsson & Robyns (1986).
292
Morfologia polínica de plantas cultivadas no parque do Museu Goeldi
AGRADECIMENTOS
À Dra. O.M. Barth pelas fotomicrografias obtidas no MEV, do
Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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UNICAMP, 75p.
CAVALCANTE, P.B. 1982. Guia Botânico do Museu Goeldi. Belém, Museu Paraense
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CORRÊA, M.P. \92i \ . Dicionário de Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas. Rio
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ERDTMAN, G. 1952. Pollen Morphology and Plant Taxonomy - Angiospenns . Stockholm,
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NILSSON, S. & ROBYNS, A. 1974. Pollen Morphology and Taxonomy of the genus
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NILSSON, S. & ROBYNS, A. 1986. World Pollen and Spore Flora. 14. Bombacaceae.
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SciELO
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