ISSN 0077-2216
BOLETIM DO
Julho de 1996
SciELO
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia — NCT
Ministro - José Israel Vargas
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — CNPq
Presidente - José Galízia Tundisi
Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
Diretor - Adélia de Oliveira Rodrigues
Diretor Adjunto de Pesquisa - Antonio Carlos Magalhães
Diretora Adjunta de Difusão Cientifica - Helena Andrade da Silveira
Comissão de Editoração - MPEG
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor- Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Equipe Editorial - Lais Zumero, Iraneide Silva, Elminda Santana, Socorro Menezes
CONSELHOCIENTÍFICO
Consultores
Ana Maria Giulietti-USP
Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - New York Botanical Garden
Fernando Roberto Martins - UNICAMP
Chillean T. Prance - Royal Botanic Garden
Hermógenes Leitão Filho - UNICAMP
João Peres Chimelo - IPT
Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Therezinha Sanf Anna Melhém - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kerr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Apoio: Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programa de C&T - PP/G7 • MMA/MCT/FINEP
© Direitos de Cópia/Copyright 1 997
por/by MCT/ÇNPq/Museu Goeldi
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
I REUNIÃO DOS BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA
Organizadores
Pedro L. B. Lisboa
Regina Célia Lobato Lisboa
Samuel Soares de Almeida
Léa Maria Medeiros Carreira
Mário Augusto Gonçalves Jardim
Série
BOTÂNICA
Vol. 12(1)
Belém -Pará
Julho de 1996
MCT/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotâncio - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 - Telex: (091) 1419 - Fones: Parque (091) 249-1233,
Campus (091) 246-9777 - Fax: (091) 249-0466
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emílio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to
this publication.
REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO
s \
Programa de Apoio a Publicações Científicas
JVICT Ê
CNPq (
JÜ FINEP
>
Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programa de C&T - PP/G7 • MMA/MCT/FINEP
APRESENTAÇAO
A extensão territorial e a riqueza da floresta amazônica constituem
0 cenário indicador de que a Botânica deve ser encarada como uma
disciplina prioritária na vida acadêmica da região. Mas esta constatação
não tem sido suficientemente estimulante para que esta ciência seja aqui
apoiada de forma efetiva e contínua.
Embora o interesse internacional sobre a flora regional seja uma
realidade, a nível nacional ou regional estamos longe de contribuir para o seu
completo conhecimento. As instituições de ensino e pesquisa da Amazônia,
voltadas para as Ciências Biológicas devem ocupar uma posição de liderança
na elaboração de um banco de dados sobre a vegetação e a flora. Os
obstáculos a superar não são poucos. O desafio é grande. A realização da
1 Reunião dos Botânicos, realizada no período de 26 a 30 de junho de 1995,
nas dependências do Museu Paraense Emílio Goeldi, faz parte desse esforço
de planejar a Botânica regional, como instrumento de seu fortalecimento.
A idéia de criar a Reunião dos Botânicos, portanto, visou mais que a
apresentação de trabalhos científicos e a confraternização da classe a nível
regional. Visou uma avaliação do desenvolvimento da disciplina Botânica na
região, para que ações mais organizadas na defesa dos nossos interesses
sejam tomadas. Este foi o objetivo principal do Simpósio Situação da
Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira, realizado durante o evento.
Convidados da maioria dos Estados da região: Acre (Marcos Silveira/
UFAC), Amazonas (Marlene Freitas da Silva/UTAM), Tocantins (Marccus
Vinicius Alves/UNITIS), Pará (Mário Augusto G. Jardim/MPEG), Mato
Grosso (Germano Guarim Neto/UFMT) estiveram presentes. Com a colabo-
ração dos botânicos Léa Carreira (MPEG), Nívea Fernandes (UFAC) e
Silvia Mendonça (FUA) elaboraram um documento com sugestões, que
comentaremos mais adiante.
O evento foi também uma oportunidade para prestar homenagem ao
botânico João Murça Pires, falecido em dezembro de 1994, que por meio
século dedicou-se profundamente à botânica, com administrações marcantes
à trente dos departamentos de Botânica do Centro de Pesquisa Agroflorestal
j j SciELO
da Amazônia Oriental/CPATU e do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma
indiscutível contribuição à botânica mundial.
As atividades da Reunião começaram com duas exposições de caráter
científico abordando o tema da ilustração botânica. Ambas foram montadas
no Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna do Museu Goeldi. Numa delas
foram expostas aquarelas pintadas por alunos do Curso de Ilustração
Botânica, ministrado pela professora britânica Christabel King, na Estação
Científica Ferreira Penna, em julho de 1994. Formidáveis reproduções de
flores da região de Caxiuanã, bem acabadas artisticamente, revelaram que
o curso preparou ilustradores da melhor qualidade.
A outra exposição foi da ilustradora carioca Dulce Nascimento que
expôs uma mostra de plantas na mesma linha da escola de Margaret Mee,
famosa ilustradora britânica que por muitos anos dedicou-se a reproduzir
plantas amazônicas, principalmente orquídeas e bromélias. Dulce também
ministrou durante o evento um curso intensivo de Ilustração Botânica para
20 pessoas, sob a sombra acolhedora das árvores no Parque Zoobotânico do
Museu Goeldi.
A Programação técnico-científica realizada foi intensa. Dos 1 17
trabalhos inscritos foram apresentados 105, ou seja, apenas 14 trabalhos
estiveram ausentes. Dos 28 trabalhos inscritos na Sessão de Botânica
Econômica, apenas um não foi apresentado. O situação geral pode ser
observada na tabela 1 .
Tabela 1 - Número de trabalhos inscritos e apresentados na I Reunião dos Botânicos da
Amazónia.
SESSÕES TÉCNICAS
TRABAL. INSCRITOS
TRABAL. APRESENTADOS
BOTÂNICA SISTEMÁTICA
22
20
MORFOLOGIA VEGETAL
24
19
florística
23
18
ECOLOGIA
20
19
BOTÂNICA ECONÔMICA
28
27
TOTAL
1 17
103
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Além das sessões técnicas de painéis foram realizados dois mini-
cursos: Taxonomia Vegetal (Professores Marlene Freitas da Silva/
UTAM, Regina Celia Lobato Lisboa/MPEG e Helen Sótão/MPEG) e
Ecologia Vegetal (Samuel Soares de Almeida/MPEG, Noemi Viana
Leão/CPATU).
O evento foi complementado com três expedições científicas: ilha
do Combu, onde os participantes observaram uma várzea típica do
estuário do Amazonas e o manejo que os nativos fazem com o açaí, o
cacau e outras plantas típicas da Amazônia; Crispim , onde os visitantes
conheceral o litoral paraense e suas vegetações de mangue e restinga;
Caxiuanã/Estação Científica Ferreira Penna, unidade de conservação
do Museu Goeldi, situada no município de Melgaço, Pará. A Estação de
33.000 hectares, é constituída por ambiente de terra firme, várzea,
igapó, savanas e abundante vegetação aquática.
O simpósio Situação da Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira
foi muito ativo e dele resultou um documento preliminar, que aborda
algumas questões fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa
botânica na Amazônia. O documento busca refletir nossos anseios e
desejos para o fortalecimento dos Institutos de Pesquisa, bem como de
seus profissionais e estudantes. Entre as questões levantadas estão as
necessidades de integração e intercâmbio, com a criação de mecanismos
que venham a permitir a troca de informações em seus diferentes níveis
(instituições, herbários, pesquisadores etc.), que possam direcionar o
ensino e a pesquisa em Botânica na Amazônia às reais necessidades
regionais; de capacitação de recursos humanos, com ênfase nas ativida-
des de Iniciação Científica, Aperfeiçoamento, acompanhadas dos cursos
de graduação e pós-graduação e no estímulo à participação de estudantes
e técnicos de laboratório em cursos de extensão e estágios supervisiona-
dos, visando a sua qualificação profissional; de incentivo a pesquisa,
com a formulação do Programa Integrado de Estudos Botânicos dos
Estados da Amazônia, como forma de minimizar a notória dificuldade de
captação de recursos financeiros; de divulgação científica, com o
estímulo ao sistema de doações e permutas de material bibliográfico entre
cm
as instituições amazônicas e incremento da publicação do Boletim
Informativo da SBB-Seccional Amazônia.
Foi sugerido também que, de maneira extra-oficial, circule entre os
herbários listas periódicas, com as novas identificações realizadas pelos
especialistas. Isto será de fundamental importância para a elaboração de
futuros trabalhos, em particular com enfoque florístico.
A entrega dos Anais da I Reunião dos Botânicos da Amazônia, em
quatro volumes suplementares do Boletim do Museu Paraense Emílio
Goeldi, mostra que o esforço coletivo sempre dá respostas efetivas. Há uma
potencial produção científica, de boa qualidade, sobre botânica na Amazônia
que precisa ser transformada em papers. É este um dos objetivos que nós,
da atual diretoria da Regional Amazônia, da Sociedade Botânica da Amazô-
nia, desejamos transformar em realidade.
Pedro L. B. Lisboa
Pesquisador Titular/CNPq/MPEG
Diretor da Regional Amazônia/Sociedade Botânica do Brasil
u
CDD: 584.92041335
EFEITO DE MICORRIZAS
VESÍCULO-ARBUSCULARES SOBRE
O CRESCIMENTO E NUTRIÇÃO MINERAL
DO SORGO FORRAGEIRO
Newton de Lucena Costal 1
RESUMO - O efeito da inoculação de micorrizas vesículo-arbusculares (MV A)
sobre o crescimento e nutrição mineral do sorgo forrageiro (Sorghum bicolor
cv. AG-2003)foi avaliado sob condições de casa-de-vegetação. Foram avalia-
das oito espécies de MVA: Glomus mossaea, G. fasciculatum, G. etunicatum,
G. macrocarpum, Gigasporamargarita, Scutellospora heterogama, Acaulospora
laevis e A . muricata . Os maiores rendimentos de matéria seca foram obtidos com
a inoculação de G. margarita, A. muricata eS. heterogama. Plantas inoculadas
com G. macrocarpum e A. laevis apresentaram os maiores teores de fósforo,
enquanto que os maiores teores de nitrogênio foram observados com a
inoculação de G. margarita, A. muricata e G. fasciculatum. As maiores taxas
de colonização radicular foram registradas com a inoculação de A. muricata e
S. heterogama.
PALAVRAS-CHAVE: Matéria seca, Nitrogênio, Fósforo, Colonização radicular.
ABSTRACT -Theejfectsofvesicular-arbuscularmycorrhizai (VAM) inoculation -
Glomus mossaea, G. fasciculatum, G. etunicatum, G. macrocarpum, Gigaspora
margarita, Scuteilospora heterogama, Acaulospora laevis and A. muricata - on
dry matter (DM) yields, and nitrogen and phosphorus contents of forage
sorghum (Sorghum bicolor cv. AG-2003), were evaluated under greenhouse
conditions. The highest DM yields were observed with the inoculation of
G. maragarita, A. muricata and S. heterogama. Thefungi more effectives in
relation to P concentration were G. macrocarpum and A. laevis. The plants
inoculatedwith G. margarita, A. muricata and G . fasciculatum, exhibitedhigher
N contents. The highest percentage of root colonization occurred on plants
inoculated with A. muricata and S. heterogama.
KEY WORDS: Dry matter yield, Nitrogen, Phosphorus, Root colonization.
1 EMBRAPA/Centro de Pesquisa Agroflorestal do Acre. Engenheiro Agrônomo. Rio-Branco, Acre.
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INTRODUÇÃO
Em Rondônia, a maioria das pastagens são estabelecidas em solos com
baixos níveis de nutrientes disponíveis, notadamente o fósforo (P). Ademais,
a capacidade de fixação de P nesses solos é alta e quantidades consideráveis
devem ser adicionadas para satisfazer os requerimentos nutricionais das
plantas forrageiras. Considerando-se os altos custos dos fertilizantes fosfatados,
métodos alternativos devem ser buscados, visando um manejo mais econô-
mico e racional destes recursos naturais. Deste modo, os benefícios decorrentes
das associações micorrízicas é uma alternativa de grande relevância para
aumentar a disponibilidade de P e sua absorção pelas plantas.
As micorrizas vesículo-arbusculares (MV A) são associações simbióticas
mutualísticas entre as raízes da maioria das espécies vegetais superiores e
certos fungos do solo. São caracterizadas pelo íntimo contacto entre os
simbiontes, pela perfeita integração funcional, além da troca simultânea de
metabólitos e nutrientes. Além de aumentar a absorção de P a níveis
adequados (Baylis 1975), a colonização micorrízica comumente resulta em
maior crescimento da planta hospedeira e na diminuição nas relações de peso
seco da raiz e parte aérea (Sanders 1975; Smith & Daft 1978). Do ponto de
vista do aproveitamento das forrageiras é interessante que a parte aérea seja
a mais desenvolvida possível (Paulino et al. 1986).
No presente trabalho avaliou-se o efeito da inoculação de MVA sobre
o crescimento e nutrição mineral do sorgo forrageiro.
MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi conduzido em casa-de- vegetação, utilizando-se um Latossolo
Amarelo, textura argilosa, cuja acidez foi previamente corrigida com a
aplicação de 2,0 t/ha de calcário doiomítico (PRNT = 100%), apresentando
as seguintes características químicas: pH = 5,3; P = 2 ppm; Ca + Mg =
1,9 meq/lOOg; AI = 0,3 meq/lOOg e K = 76 ppm.
O solo foi coletado na camada arável (0 a 20 cm), destorroado e
peneirado em malha de 6 mm, sendo a seguir esterelizado em autoclave à
1 10°C, por uma hora, a vapor fluente e pressão de 1,5 atm.
8
Efeito de micorrizas vesículo-arbusculares
O delineamento experimental foi em blocos casualizados com três
repectições, sendo os tratamentos foram constituídos por oito espécies de
MVA (Glomus mossaea, G.fasciculatum, G. etunicatum, G. macrocarpum,
Gigaspom margarita, Scutellospora heterogama, Acaulospora laevis e
A. muricata). Cada unidade experimental constou de um vaso com capaci-
dade para 3,0 kg de solo seco. A inoculação das MVA foi feita adicionando-se
10 g de inóculo/vaso (solo + esporos + raízes), contendo aproximadamente
300 esporos/50g de solo, o qual foi colocado numa camada uniforme cerca
de 5 cm abaixo do nível de plantio. Após o desbaste, deixou-se três plantas/
vaso. O controle hídrico foi realizado diariamente através da pesagem dos
vasos, mantendo-se o solo em 80% de sua capacidade de campo.
Após oito semanas de cultivo, as plantas foram cortadas rente ao solo,
postas para secar em estufa a 65°C, por 72 horas, sendo a seguir pesadas e
moídas em peneira de 2,0 mm. As concentrações de fósforo e nitrogênio
foram determinadas segundo a metodologia descrita por Tedesco (1982).
A taxa de colonização radicular foi avaliada através da observação, ao
microscópio, de 20 fragmentos de raízes com 2,0 cm de comprimento,
clarificados com KOH e tingidos por azul de tripano em lactofenol, segundo
a técnica de Phillips & Hayman (1970).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise estatística detectou significância (P < 0,05) para o efeito da
micorrização sobre os rendimentos de matéria seca do sorgo forrageiro.
Entre os fungos avaliados, os mais eficientes foram G. margarita, A. muricata
e S. heterogama, os quais proporcionaram incrementos de 213; 199 e 178%,
respectivamente, em relação ao tratamento testemunha (Tabela 1). Krishna
& Dart (1984) constataram diferenças significativas na efetividade de seis
espécies de MVA no rendimento de forragem de milheto (Pennisetum
americanum), sendo os maiores valores registrados com a inoculação de
Gigaspora calospora, G. margarita e Glomus fasciculatum. Do mesmo
modo, Sano & Souza (1986) verificaram que plantas de sorgo inoculadas com
G. margarita ou G. gigantea forneciam produções de matéria seca signifi-
cativamente superiores às não micorrizadas ou aquelas inoculadas com
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Glomus clarim. Segundo Kruckelmann (1975) as plantas apresentam gran-
de variabilidade na resposta à inoculação de MVA, a qual parece ser
controlada geneticamente, através das variações fisiológicas dos endófitos e
dos mecanismos de infecção, podendo ocorrer especificidade até mesmo ao
nível de variedades.
Tabela 1 - Rendimento de matéria seca (MS), teores de fósforo e nitrogênio e taxas de
colonização radicular do sorgo forrageiro, em função da inoculação de micorrizas vesículo-
arbusculares.
Tratamentos
MS
Colonização
(g/vaso)
Fósforo
(%)
Nitrogênio
(%)
radicular (%)
Testemunha
4,12 e
0,123 e
1,31 a
-
G. mossaea
5,71 d
0,151 b
1,47 c
50,7
G. fasciculatum
6,24 c
0,162 b
1,68 ab
48,2
G. etunicatum
7,38 bc
0,141 d
1,59 b
43,9
G. macrocarpum
8,04 b
0,186 a
1,44 c
51,8
G. margaríta
12,93 a
0,150 b
1,71 a
40,8
S. heterogama
11,46 a
0,147 cd
1,39 c
59,6
A. laevis
7,55 bc
0,193 a
1,48 c
43,1
A. muricata
12,32 a
0,158 bc
1,76 a
63,5
- Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si (P > 0, 05) pelo teste de Tukey.
Com relação aos teores de fósforo, os maiores valores foram obtidos
com a inoculação de A . laevis e G. macrocarpum, enquanto que as plantas
inoculadas com A. muricata, G. margaríta e G. fasciculatwn exibiram as
maiores concentrações de nitrogênio (Tabela 1). Zambolim & Siqueira
(1985) observam que as plantas micorrizadas, por apresentarem menores
valores de K m , maior influxo de entrada de fósforo e absorção foram da zona
de esgotamento, tornam-se mais eficientes na absorção e utilização de
nutrientes, notadamente o fósforo. Rhodes & Gerdemann (1975) verificaram
que plantas colonizadas absorviam p 32 colocados até 8,0 cm de distância da
superfície da raiz, pois as hifas do fungo funcionam como extensão do sistema
radicular, podendo absorver nutrientes além da zona dos pelos radiculares e
fora da zona de depleção (1 a 2 mm) . Segundo Siqueira (1983) a micorrização,
geralmente, implica em aumento na taxa fotossintética, respiração e
10
Efeito de micorrizas vesículo-arbusculares
transpiração, o que pode afetar positivamente a absorção de nutrientes da
solução do solo.
As taxas de colonização radicular foram significativamente afetadas
(P < 0,05) pelas diferentes espécies de MVA. Os maiores valores foram
registrados com a inoculação de A. muricata e S. heterogama (Tabela 1).
O mecanismo que regula a relação entre a infecção das raízes por MVA não
é ainda bem conhecido, porém deve estar associado ao nível crítico interno
de fósforo da planta hospedeira (Rajapakse et al. 1989). Neste trabalho
observou-se esta tendência, pois maiores taxas de colonização radicular não
refletiram, necessariamente, em maiores teores de fósforo no tecido das
plantas. No entanto, a possibilidade do fósforo do solo de agir diretamente
no crescimento do fungo e, conseqüentemente na colonização micorrízica,
também deve ser considerada, tendo sido observados resultados que confir-
mam esta hipótese. Miranda et al. (1989) demonstraram que existe um
balanço entre fósforo do solo e do tecido que controla esta relação simbiótica.
O efeito do fósforo do solo seria provavelmente mais evidente na fase inicial
de colonização radicular, quando o fungo está se desenvolvendo no solo, seja
na germinação dos esporos ou no desenvolvimento micelial anterior à
penetração na raiz.
CONCLUSÕES
1 - A inoculação de MVA incrementou significativamente os rendimen-
tos de matéria seca e teores de fósforo e nitrogênio do sorgo forrageiro;
2 - Os fungos mais efetivos, em termos de rendimento de matéria seca,
foram G. margarita, A. muricata e S. heterogama ;
3 - Os maiores teores de fósforo foram verificados com a inoculação de
G. macrocarpwn e A. laevis, enquanto que os maiores teores de nitrogênio
toram obtidos com a inoculação de A. muricata, G. margarita e
G. fasciculatum;
4 - As plantas inoculadas com/í. muricata e S. heterogama apresenta-
ram as maiores taxas de colonização radicular.
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12
CDD: 581.6
589.22
UTILIZAÇÃO DO FUNGO PYCNOPORUS
SANGUINEUS (L.: FR.) MURR. NA CERÂMICA DO
MARUANUM, AMAPÁ 1
Helen M. P. Sotão 2
Terezinha S. Figueiredo 3
RESUMO - Pycnoporus sanguineus (L. : Fr.) Murr. é um fungo macroscópico,
da classe dos Basidiomycetes. Saprófita, cosmopolita e muito comum nas matas
amazônicas sobre troncos em decomposição, é conhecido popularmente como
“Orelha-de-Pau É utilizado no acabamento de peças de argila, com o objetivo
de alisar os bordos dos utensílios confeccionados artesanalmente. Esta ativida-
de foi registrada na localidade do Maruanum, Estado do Amapá, a qual é
desenvolvida por uma comunidade de artesãs. Visando documentar o aspecto
etnomicológico deste fungo, realizou-se pesquisa com entrevistas, questionários,
registros fotográficos, coleta da espécie na área e observações “in loco” da
utilização de P. sanguineus. A cerâmica do local é primitiva e tradicional, com
mais de 150 anos de existência, passando o uso do fungo de geração a geração,
o qual é tido como insubstituível satisfatoriamente por outra espécie ou material.
A espécie foi encontrada na região durante todo o ano de 1990.
PALAVRAS-CHAVE: Etnbotânica, Etnomicologia, Amazônia, Arte cerâmica,
Maruanum.
ABSTRACT - Pycnoporus sanguineus (L.: Fr.) Murr. is a macroscopic fiingus
in lhe class Basidiomycetes. It is saprophytic, widespread, and very common in
Amazon forests, found on both living and decaying trees. Thisfungus isfound
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos, realizada nos dias 26 a 30 de junho de 1995, em
Belém, Pará.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399 - CEP
66.017-970, Belém, Pará.
3 Instituto de Estudos e Pesquisas do Estado do Amapá, Caixa Postal 216, CEP 68.900-000,
Macapá, AP.
15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
year-round in the area near Maruanum, Amapá, in northern Brazil, where it
populary known as “wooden ears. ” P. sanguineus is used by a commmity of
artisans near Maruanum, Amapá, to finish clay pieces. The shelf fungus is
moistened with water and used as a sponge to smooth the edges of handmade
articles. The ceramic cottage industry ofthis region has been in exislencefor
over 1 50 y ears, utilizing local technology and knowledge passedfrom generation
to generation. The use of P. sanguineus is part ofthe traditional craftsmanship
that has arisen in this area. This paper documents the ethnological aspects of
the use ofthis fimgus through interviews, observations and samples ofthe fungus
collected in the area. The results indicate that other fungi or materiais are
considered unsatisfactory as substitutes for P. sanguineus.
KEY WORDS: Ethnobotany, Ethnomycology, Amazônia, Ceramics, Maruanum.
INTRODUÇÃO
Maruanum, distrito pertencente ao Município de Santana, Estado do
Amapá, possui aproximadamente 15 vilarejos, instalados as margens do rio
Maruanum, que desemboca no rio Amazonas. A população vive basicamente
da pesca, caça, agricultura de subsistência e do artesanato cerâmico, cuja
origem se fundamenta na cultura negra, desde a época da escravatura.
Mantendo-se até hoje através da iniciativa de dez louceiras, mulheres que se
dedicam à arte de confeccionar utensílios de argila, perpetuando uma
tradição local de mais de 150 anos. Segundo Barros (1986), “os trabalhos
com barro no Maruanum são artesanais e as técnicas primitivas”.
O Pycnoporus sanguineus pertence à classe dos Basidiomycetes
macroscópicos, sendo um dos elementos utilizados na metodologia de
confecção de peças cerâmicas, produzidas pelas artesãs do Maruanum.
Prance (1986) refere-se ao consumo deste fungo pelos índios Txukahamãe.
Quando faltam alimentos nas suas aldeias, os índios coletam estes fungos que
são secados ao sol e assados para ingestão.
MATERIAL E MÉTODOS
No período de janeiro a dezembro de 1990 foram realizadas nove visitas
à comunidade do Maruanum, objetivando realizar um levantamento de dados
16
Utilização do fungo Pycnoporus sanguineus
através de entrevistas, questionários, registros fotográficos e observações
“in loco” da utilização do fungo na confecção dos utensílio de argila.
Foram coletados espécimes de P. sanguineus na área de estudo,
seguindo os métodos de coleta e preservação de Fidalgo & Bononi (1984).
As amostras coletadas foram incorporadas ao Herbário Micológico do
“Museu Ângelo Moreira da Costa Lima” em Macapá, AP.
COMENTÁRIOS SOBRE PYCNOPORUS SANGUINEUS
(L.: FR.) MURR.
Esporo foro anual, séssil a subestipitado, de solitário a imbricado.
Superfície abhimenial levemente tomentosa, glaba na maturidade. Superfície
himenial poróide, com poros circulares a angulares, com 5-6 poros por mm.
Coloração vermelha.
O fungo é saprófita, cosmopolita e muito comum nas matas amazônicas
onde se encontra sobre troncos em decomposição (Guerrero 1983). Fungo
atrativo por sua cor vermelho-sangüínea, é conhecido na região e em todo o
Brasil como “Orelha-de-Pau” (Figura 1). Na localidade de Maruanum o
fungo é coletado em matas ou roças. A espécie esteve presente durante todo
o ano de 1990, com escassez no fim da estação seca e início da estação
chuvosa (novembro a janeiro). Por isso, as louceiras, coletam e estocam o
fungo para não faltar no período citado.
ETAPAS DA CONFECÇÃO DAS CERÂMICAS
As seguintes etapas compõem a atividade de confecção de cerâmicas
por artesãs na vila de Maruanum: (1) Coleta da argila; (2) Coleta de Orelha-
de-Pau (P. sanguineus)-, (3) Coleta de cuepeua, fruto de uma espécie de
Bygnoniaceae; (4) Coleta e preparação de caripé. Colhem casca de cariperana,
espécie de Chrysobalanaceae, queimam e peneiram as cinzas, resultando um
pó (Caripé); (5) Colocação da argila de molho; (6) Tempero da argila com
o caripé, mistura dos dois compostos; (7) Montagem de peça, feita pela
superposição de aspirais de argila; (8) Alisamento da peça com pedaço de
17
SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
cuepeua; (9) Acabamento dos bordos com a Orelha de Pau ( P . sanguineus ),
ficando a parte abhimenial em contato com a peça de barro (Figuras 2, 3);
(10) Secagem da peça ao sol; (1 1) Queima da peça, que é levada diretamente
ao fogo; (12) Algumas peças podem receber tratamento com resina de jutaí,
espécie de Leguminosae.
Figura 1 - Pycnoporus sanguineus (L.: Fr.) Murr. — Basidiocarpos.
CONCLUSÕES
O fungo Pycnoporus sanguineus é utilizado no acabamento das peças
de barro confeccionadas pelas artesãs do Maruanum, com a função de alisar
os bordos dos utensílio fabricados, funcionando como uma esponja.
18
Utilização do fungo Pycnoporus sanguineus
Figuras 2-3 - Louceiras utilizando o P. sanguineus em acabamento de peças de argila.
19
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
O P. sanguineus é tido como insubstituível satisfatoriamente por outra
espécie ou material segundo declarações das artesãs, que já testaram
inclusive folhas de laranjeiras, entre outras folhas de várias plantas.
Justificam que este fungo é durável e bastante flexível quando imerso em
água, uma amostra em média é utilizada em 10 peças.
As louças produzidas rotineiramente pelas artesãs, no período de
realização deste trabalho foram: panelas, pratos, alguidares, vasos, copos,
canecas, bacias, fogareiros e algumas vezes peças sob encomendas.
As técnicas adotadas não sofreram influências dos novos processos de
industrialização e tecnologia desenvolvidas neste ramo, não interferindo
assim nos valores culturais da comunidade. É conhecida no Estado do Amapá
como a cerâmica de “Geração em Geração”.
AGRADECIMENTOS
À comunidade do Maruanum, em especial às louceiras, pela valiosa
colaboração e calorosa acolhida. Ao Centro Zoobotânico do Instituto de
Estudo e Pesquisa do Amapá, pelo apoio na realização deste trabalho. Aos
colegas Brasiliano Santos e Erotilde Miranda, pelo auxílio de campo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARROS, M. 1986. Relatório do ciclo de palestras dirigida aos artesãos do Território
Federal do Amapá. 3, Macapá, Casa do Artesão do Amapá/Secretaria de Promoção
Social do Amapá.
FIDALGO, O.S. & BONONI, V.L. 1984. Técnicas de coleta, preservação e herborização
de material botânico. São Paulo, Instituto de Botânica, p. 14-24. (Manual, 4).
GUERRERO, R.T. 1983. Fungos macroscópicos comuns no Rio Grande do Sul. Porto
Alegre, Ed. Universidade do Rio Grande do Sul, 118p.
PRANCE, G.T. 1986. Etnobotânica de algumas tribos amazônicas. In: RIBEIRO, B.
(coord.) Suma Etnológica Brasileira. Petrópolis, Vozes/FINEP, p. 1 19-139. Etnobiologia.
20
CDD: 589.47
NOVAS OCORRÊNCIAS DE
CHLOROPH Y CEAE (ALGAE, CHLOROPHYTA)
PARA O ESTADO DO PARÁ 1
Regina Célia Viana Martins-Da-Silva 2
RESUMO- Inventário florístico das Chlorophyceae do lago Água Preta, parte
do complexo de abastecimento de água do Município de Belém, Pará. Foi
efetuado a partir de quatro coletas no período de outubro de 1992 a agosto de
1993. A classe Chlorophyceae está representada por dez famílias, quais sejam:
Scenedesmaceae (15 táxons), Chlorellaceae (12), Botryococcaceae (5),
Coelastraceae (3), Hydrodictyaceae (3), Golenkiniaceae (2), Palmellqceae (2),
Treubariaceae (2), Characiaceae (1) e Oocystaceae (1 táxon), totalizando 46
táxons identificados. Destes, 24 são citados como ocorrendo pela primeira vez
no Estado do Pará.
PALAVRAS-CHAVE: Algas, Amazônia, Fitoplâncton.
ABSTRA CT - An inventory of the Chlorophyceae was made in Água Preta Lake,
the main component of the water reservoir system of Belém in Pará State,
northern Brazil. The inventory was based on four samples collected during one
yearjrom October 1992 toAugust 1993. The class Chlorophyceae is represented
bytenfamilies: Scenedesmaceae (15 taxa), Chlorellaceae (12), Botryococcacea
(5), Coelastraceae (3), Hydrodictyaceae (3), Golenkiniaceae (2), Palmellaceae
(2), Treubariaceae (2), Characiaceae (1) and Oocystaceae (1 táxon), making a
total of 46 taxa. Twenty-four taxa are cited for the first time for Pará State.
KEY WORDS: Algae, Amazônia, Fitoplankton.
1 Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará. Parte da Dissertação de Mestrado apresentada ao Curso de Pós-Graduação
em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, em convênio com o Museu Paraense Emílio
Goeldi.
2 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia
Oriental-EMBRAPA/CP ATU, Laboratório de Botânica, Caixa Postal 48, CEP 66017-970, Belém-PA.
21
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
INTRODUÇÃO
Há 27 publicações que fazem referência a material de algas de água doce
coletado no Estado do Pará: Bailey (1861); Dickie (1880); Zimmermann
(1913, 1914); Gessner (1931); Gessner & Kolbe (1934); Drouet (1937);
Kammerer (1938); Patrick (1939, 1940); Grõnblad (1945, 1954); Grõnblad
& Kallio (1954); Hustedt (1955); Sioli (1956); Fõrster (1963, 1969);
Rodrigues ( 1 964) ; Scott et al . ( 1 965) ; Gessner & Simonsen ( 1 967); Thomasson
(1971, 1977); Uherkovich (1976, 1981); Huszar (1994) e Martins-Da-Silva
(1994, 1995).
Essas publicações fornecem sua parcela de contribuição à ficologia
paraense, porém, deve-se ressaltar a importância dos seguintes trabalhos:
Kammerer (1938); Grõnblad (1945); Fõrster (1963, 1969); Scott et al.
(1965); Thomasson (1971) e Uherkovich (1976, 1981) os quais apresentam
descrições, medidas e ilustrações das algas estudadas, esses dados são
extremamente importantes para a taxonomia.
Apesar disso, o conhecimento sobre as algas do Pará ainda é escasso.
Há necessidade premente de levantamentos em áreas geograficamente
definidas, que possam fornecer dados que viabilizem o conhecimento da
ficoflórula paraense como um todo. Os levantamentos qualitativos são a base
absolutamente indispensável para pesquisas mais específicas em qualquer
ramo científico.
O presente trabalho se propôs a evidenciar as novas ocorrências de
Chlorophyceae para o Estado do Pará, existentes no lago Água Preta. Esta
pesquisa é parte da Dissertação de Mestrado da autora (Martins-da-Silva
1994) na qual foram inventariados 46 táxons da classe em questão no referido
lago.
DESCRIÇÃO DA ÁREA
Atualmente, a captação, o tratamento e a distribuição da água em Belém
são feitos pela Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA), cuja represa
é formada por dois grandes lagos, o Bolonha e o Água Preta, que ocupam,
respectivamente, áreas de 1 .790.000 m 2 e 7. 199.500 m 2 . O lago Água Preta,
22
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
inicialmente, possuía capacidade de 6,0 x 10 6 m 3 de água acumulada. Em
1973, após ser ampliado, passou a suportar 10,55 x 10 6 m 3 , sendo o principal
lago que serve como abastecedor de água ao município de Belém. Somente
6.331.850 m 2 da área encontram-se em terras da COSANPA e do Centro de
Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental (CPATU), da EMBRAPA; os
restantes 867.650 m 2 localizam-se em áreas de terceiros (COSANPA 1981).
Segundo Dias (1991), a área estudada localiza-se no quadrante a
48°11’00" e 48°13’48" W e 1°21’32" e 1°24’54" S, no Estado do Pará,
Município de Belém (Figura la). O presente estudo foi desenvolvido no lago
Agua Preta, que é o maior dos lagos do complexo de abastecimento de água
da cidade de Belém (Figura lb).
Pela classificação de Kõppen (1948), o clima é do tipo Af, tropical
chuvoso com temperatura superior a 18°C, sendo a média anual de 25,7°C.
A média dos meses mais quentes chega a 26,5°C e a dos meses mais frios
25°C.
O índice pluviométrico é bastante elevado, chegando a atingir a 2200
mm/ano nos meses mais chuvosos; e no período onde não há grande
intensidade de precipitação, alcança 30 mm de altura.
O lago Água Preta encontra-se sobre sedimentos do Quaternário
Antigo, e Recente oriundos do Grupo Barreiras, o qual é formado por
sedimentos arenosos e argilosos de origem continental (Moreira 1966;
Ackermann 1969).
A cobertura vegetal é caracterizada por floresta densa de terra firme,
floresta de terra firme aberta, floresta de várzea, capoeira de terra firme e
áreas cultivadas (IDESP 1979).
material e métodos
Foram realizadas quatro coletas ao longo de um ano: em 28 de outubro
de 1992, em 4 de fevereiro de 1993, em 3 de junho de 1993 e em 30 de agosto
de 1993.
As amostras foram coletadas com rede de malha de 45pm de abertura.
23
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Figura la. Localização do lago Água Preta no Município de Belém. (Adaptado de BRASIL 1976, e
SECTAM 1992).
24
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Foram também obtidas amostras de algas através de espremido de
macrófitas do gênero Salvinia existentes no local. O metafíton fora coletado
passando-se somente o recipiente de plástico da rede na massa de água
superficial.
O material recolhido foi tratado segundo (Bicudo & Bicudo 1970), as
amostras referidas neste trabalho encontram-se depositadas no Herbário IAN
(EMBRAPA-CPATU).
A coleção recebeu os seguintes números de registro para cada amostra
de acordo com o período de coleta: IAN 174.083 (28/10/92), IAN 174.084
(04/02/93), IAN 174.085 (03/06/93) e IAN 174.086 (30/08/93).
Com os dados obtidos durante as observações ao microscópio,
mensurações e desenhos, foi realizada a identificação taxonômica em nível
gênero, baseada em Bicudo & Bicudo (1970) e Bourrelly (1972) associados
à bibliografia específica para a classe. Para que se identificassem os táxons
infragenéricos, foram utilizados os seguintes trabalhos: Kammerer (1938);
Uherkovich (1966); Komárková-Legnerová (1969); Sulek (1969); Kovácik
(1975); Hindák (1978, 1982, 1984, 1987, 1990); Komárek & Perman
(1978); Parra (1979); Komárek & Comas (1982); Sanf Anna & Martins
(1982); Tell & Mosto (1982); Komárek (1983); Kómarek & Fott (1983);
Comas (1984); Marvan et al. (1984); Sanf Anna (1984); Komárek &
Kovácik (1985); Picelli-Vicentim (1987); Hegewald et al. (1990); Rosa &
Oliveira (1990); Nogueira (1991) e Komárek & Marvan (1992).
As formas celulares usadas na descrição das Chlorophyceae foram
padronizadas de acordo com Stearn (1983).
TRATAMENTO TAXONÔMICO
Família Characiaceae
Schroederia nitzschioides (G.S. West) Korsikov. Akad. NaukURSS, 5: 151.
1953 (Figuras 2-3).
Célula isolada, fusiforme; 107,5-110 (incluindo as setas) X 5-6 /rm;
uma seta reta em cada pólo, dispostas na mesma direção do corpo celular,
26
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
curvadas nos ápices em sentidos opostos; cloroplastídio único, parietal,
podendo apresentar incisões, um pirenóide.
COMENTÁRIO: A forma da célula, a presença de pirenóide e as setas
polares diferenciam Schroedería Lemm. dos demais gêneros.
Schroederia nitzchioides (G.S. West) Kors. difere de S. setigera (Schrõder)
Lemm. por apresentar setas curvadas nos pólos, enquanto a segunda exibe-
as totalmente retas.
Os indivíduos analisados apresentam o comprimento (107,5-110 fim)
um pouco abaixo da dimensão registrada por Komárek & Fott (1983) que é
de 120 fím
Figuras 2-3. Schroederia nitzschioides (G.S. West) Kors.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Família Treubariaceae
Echinosphaerella limnetica G.M. Smith. . Buli. Wisc. geol. natur. Hist.
Surv., 57: 128, pl.29, fig.9-10. 1920 (Figura 4).
4
Figura 4 - Echinosphaerella limnetica G.M. Smith.
Célula solitária, esférica; 12-13 pm de diâmetro, parede celular hialina;
12-18 processos retos, hialinos, gradualmente afilados, 15-27 pm de
comprimento, 2-3 pm de largura na base do processo; cloroplastídio único,
parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Echinosphaerella G. M. Smith é um gênero
monoespecífico que devido ao formato da célula e ao número de processos
que a envolvem torna-se bem delimitado.
Este aproxima-se de Treubaria Bernard. do qual se diferencia por
possuir acima de dez processos, conquanto que Treubaria Bern. apresenta
três a oito processos.
Treubaria schmidlei (Schrõder) Fott & Kovácik. Preslia, 47: 309, fig. 2a.
1975 (Figura 5).
28
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
s
Figura 5 - Treubaria schmidlei (Schrõder) Fott & Kov.
BASIÔNIMO: Polyedrium schimdlei Schrõder, Biol. Zbl., 18: 530.
1898.
Célula solitária, tetraédrica; parede celular formando 3-4 processos
cônicos que se adelgaçam gradualmente para os ápices, comprimento 37-45
h rn, protoplasma afastado da parede celular, diâmetro do protoplasma 11-13
Mtn; lados quase retos, ângulos arredondados, cloroplastídio único, parietal,
um pirenóide.
COMENTÁRIO: Treubaria schmidlei (Schrõder) Fott & Kov. diferen-
cia-se de T. crassispina G.M. Smith, devido a primeira apresentar processos
cônicos adelgaçando-se gradativamente e protoplasma distanciado da pare-
de, enquanto na segunda, os processos são cilíndricos afilando-se abruptamente
e a parede celular encontra-se justaposta ao protoplasma.
SanfAnna & Martins (1982) estudando material do Amazonas encon-
traram representantes de T. schmidlei com 4-5 processos e Nogueira (1991)
analisando material do Rio de Janeiro, refere-se a indivíduos com 3-4. Os
espécimes examinados no presente trabalho apresentaram 3-4 processos.
29
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Família Golenkiniaceae
Acanthosphaera zachariasii Lemmermann. Hedwigia, 37: 118, pl.29,
fig.9-10. 1898 (Figura 6).
Figura 6 - Acanthospaera zachariasii Lemm.
Célula solitária, esférica; 11-14 /xm de diâmetro; recoberta por 6-16
espinhos retos, 38-45 /xm de comprimento, 1/3-1/2 da porção basal mais
espessa; cloroplastídio único poculiforme, um pirenóide reniforme.
COMENTÁRIO:Komárek&Fott(1983) d iferenc iam A canthosphaera
Lemm. de Golenkinia Chodat e Golenkiniopsis Kors. devido o primeiro
possuir os espinhos com a região basal mais espessa; e o separam de
Echinosphaeridium Lemm. por este último apresentar um cone mucilaginoso
envolvendo a base de seus espinhos.
Para Hindák (1984), o número de flagelos no zoósporo seria a
característica principal para separar Acanthosphaera de Golenkinia. Como
não foi observada a liberação dos zoósporos, baseou-se na largura da base
do espinho para identificar o presente material como Acanthosphaera Lemm.
30
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
Para Komárek & Fott (1983), A. zachariasi Lemm. e A. tenuispina
Kors. diferenciam-se pelo comprimento do espinho e a proporção da parte
espessada deste em relação ao comprimento. Tendo a primeira, espinhos
acima de 30 /im e 1/3 deste mais espesso; e na segunda, medindo até 21 pm
e 1/5 deste mais denso. Os exemplares examinados se enquadram perfeita-
mente nas caraterísticas de A. zachariasii Lemm.
Golenkinia radiata Chodat. J. Bot. , 8: 305, pl. 3, fig. 1-24. 1894 (Figura 7).
Figura 7 - Golenkinia radiata Chodat.
Célula solitária, esférica; 14-19 pm de diâmetro; recoberta por nume-
rosos espinhos, hialinos, delicados, retos, distribuídos uniformemente,
18-30 pmde comprimento; cloroplastídio único, poculiforme, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Acanthosphaera Lemmermann, Echinosphaerium
Lemm., Golenkinia Chodat, Golenkiniopsis Kors. e Phythelios Frenzel são
gêneros que oferecem certa dificuldade em suas delimitações, pois, todos
apresentam células esféricas recobertas por espinhos.
Bourrelly (1972) colocou estes táxons na família Micractiniaceae
(Brunnthaler) G.M. Smith; enquanto que Komárek & Fott (1983) deixaram,
nesta família, Golenkiniopsis Kors., incluíram Phythelios Frenzel neste
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
gênero, e conservaram os outros três em sua família de origem. A morfologia
do pirenóide é a principal característica para distinguir os gêneros citados.
De acordo com Komárek & Fott (1983), os espécimes analisados foram
identificados como Golenkinia Chodat por apresentarem uniformidade na
espessura dos espinhos e ausência da mucilagem cônica. A espécie foi
identificada, baseando-se nas dimensões dos espinhos e diâmetro celular.
Família Hydrodictyaceae
Pediastrum duplex Meyen var. punctatum (Krieger) Parra. Bibl. Phycol.,
48: 96. 1979 (Figuras 8-9).
á
ioA-
\
*1
CVJ -L
8
Figuras 8-9. Pediastrum duplex Meyen var. punctatum (Krieger) Parra; 9a. Uma célula do cenóbio.
BASIÔNIMO: Pediastrum duplex Meyen var. duplex f. punctatum
Krieger, Beitr. Naturdenkmalpflege, 13(2):285, pl. 3, fig. 1. 1929.
32
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
Cenóbio circular a alongado; 30-134 /xm de diâmetro; espaços
intercelulares presentes; 16-32 células; 14-17,5 x 13-17,5 /xm; margens
laterais e basal côncavas, parede celular regularmente granulada; células
externas com processos cônico-truncados livres, dispostas concentrica-
mente, unidas através da base; cloroplastídio único, parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Pediastrum duplex Meyen var. punctatum (Krieger)
Parra difere das demais variedades por apresentar parede celular com
decorações em forma de grânulos distribuídos regularmente.
Família Botryococcaceae
Botryococcus protuberans West & West. Trans. Roy. Soc. Edinburgh,
41 (3): 507. 1905 (Figuras 10-13).
Colônia mucilaginosa, composta de pequenos grupos de células
conectados por fios mucilaginosos; células obovadas, 12,5-17 X 7, 5-8, 9 /xm;
menos da metade do comprimento celular imerso em mucilagem; cloroplastídio
único, parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Botryococcus protuberans West & West difere das
outras espécies por possuir mais da metade do comprimento celular emer-
gindo da mucilagem e ter células presas por fios mucilaginosos formando
pequenos grupos (Komárek & Marvan 1992)
Botryococcus terribilis Komárek & Marvan. Acta Protist. , 141 : 65-100, fig.
23-24. 1992 (Figura 14).
Colônia mucilaginosa, composta de subcolônias; células obovadas,
8-9,5 X 4-5 /xm, mergulhadas totalmente em mucilagem; cloroplastídio
único, parietal, sem pirenóide.,
COMENTÁRIO: Botryococcus terribilis Kom. & Marvan diferencia-
se das demais espécies por possuir as células totalmente mergulhadas na
mucilagem, mas aproxima-se de Botryococcus pila Kom. & Marvan e
Botryococcus neglectus (West & West) Kom. & Marvan que também
possuem as células imersas em mucilagem. Segundo Komárek & Marvan
(1992), B. terribilis Kom. & Marvan se separa de B. pila Kom. & Marvan
33
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
e B. neglectus Kom. & Marvan por possuir maiores dimensões celulares. As
colônias examinadas apresentaram processos mucilaginosos em diversas
formas mas sempre curtos (2-5 /x m).
Família Oocystaceae
Nephrocytium agardhianum Nágeli. Gatt. Einzell Algén., 76, pl. 3, fíg.
C a-p. 1849 (Figuras 15-16).
i O
í
15
16
Figuras 15-16. Nephrocytium agardhianum Nãg.; 15a. Uma célula da colônia.
Colônia elíptica, 37-50 x 57-72 ^m; 4-8 células, cilíndricas,
arcuadas, 18-22 X 4, 5-5, 3 ^m; pólos arredondados; dispostas linearmente
em mucilagem hialina; cloroplastídio único, parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Os exemplares examinados enquadram-se nas carac-
terísticas apresentadas por Komárek & Fott (1983), inclusive as medidas.
Estes autores consideram a forma das células, dos pólos, medidas e arranjo
na colônia como características fundamentais para delimitar as espécies.
35
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Família Chlorellaceae
Kirchneriella contorta (Schmidle) Bohlin var. elongata (G.M. Smith)
Komárek. Arch. Hydrobiol., Suppl., 56 (2): 256. 1979 (Figura 17).
Figura 17 - Kirchneriella contorta (Schmidle) Bohl. var. elongata (G.M. Smith) Kom.; 17a. Duas
células da colônia.
BASIÔNIMO: Kirchneriella ellongata G . M. Smith, Buli. Torreybot.
Club, 43: 473, pl. 24, fig. 7. 1916.
Colônia arredondada, 45-75,8 ftm de diâmetro; 4-8 células cilíndricas,
torcidas, 1-2 voltas, 2-2,5 fim de largura, altura da hélice 5, 8-7, 9 fim;
36
Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
dispostas irregularmente em mucilagem; cloroplastídio único, parietal sem
pirenóide.
COMENTÁRIO: Para Komárek & Fott (1983) existem três variedades
de Kirchneriella contorta (Schm. ) Bohlin além da típica da espécie : K. contorta
(Schm.) Bohlin var. gracillima (Bohlin) Chodat, K. contorta (Schm.) Bohlin
var. elegans (Playfair) Kom. e K. contorta (Schm.) Bohlin var. elongata
(G.M. Smith) Kom.. Kirchneriella contorta (Schm.) var. elongata
(G.M.Smith) Kom. difere das demais por possuir células helicoidais.
Kirchneriella dianae (Bohlin) Comas. Acta bot. Cubana, 2, 1980 (Figura 18).
Figura 18 - Kirchneriella dianae (Bohlin) Cornas; 18a. Uma célula da colônia.
BASIÔNIMO: Kirchneriella lunaris (Kirchner) Mobius var. dianae
Bohlin K. svenska. Vetush. - Akad. Handl., Afd. 3, 27 (7): 3-47. 1897.
Colônia arredondada, 47,5-64,5 /xm; 4-32 células; lunadas, 9-11,5 X
5, 9-8,0 /xm, incisão em U alcançando quase metade da altura celular, ápices
afilados, voltados para o exterior da colônia, 3, 3-4, 5 /xm de distância entre
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SciELO
11
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
os ápices; dispostas irregularmente em mucilagem; cloroplastídio único,
parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Kirchneriella dianae (Bohlin) Comas foi original-
mente descrita como uma variedade de K. lunaris (Kirchner) Mõbius e, em
seguida, elevada à categoria de espécie por Comas (1980). Este autor difere
K. dianae (Bohlin) Comas de K. lunaris (Kirchner) Mõbius, pela primeira
apresentar contorno de suas células ovóides, com os ápices voltados para o
exterior da colônia, e a segunda por ter o contorno das células arredondadas,
arranjadas irregularmente na colônia.
Kirchneriella obesa (W. West) Schmidle. Ber. Nat. Ges. Freiburg, 87: 16.
1893 (Figura 19-20).
II
Figuras 19-20 - Kirchneriella obesa (W. West) Schmidle. 19a. Uma célula da colônia.
BASIÔNIMO: Selenastrum obesum W. West, Jl. R. Microsc. Soc.
12:734, pl. 10, fig. 50-52. 1892.
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
Colônia arredondada, 30-62,5 /xm de diâmetro; 4-16 células lunadas,
quase circulares; 8-1 1 ,5 /xm de diâmetro; incisão mediana em forma de U em
até 2/3 de sua altura; ápices arredondados, dispostos irregularmente em
mucilagem; cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
COMENTÁRIO: Nas populações estudadas, observou-se ausência de
pirenóides nas células, que foi relatada para esta espécie por Tell & Mosto
( 1 982) , Komárek ( 1 983) e Hindák ( 1 984) . Porém, sua presença foi registrada
nos estudos de SanfAnna & Martins (1982), Comas (1984), Sant’Anna
(1984), e Bittencourt-Oliveira (1990).
Hindák (1984) evidenciou a importância taxonômica da presença ou
ausência de pirenóides no gênero em questão; elaborou uma chave de
identificação onde esta característica está separando o gênero em dois
grupos, ou seja, as espécies que possuem e as que não possuem pirenóides,
posicionou K. obesa (W. West) Schm. no segundo grupo.
Marvan et al. (1984) propuseram que fossem excluídas, do gênero, as
espécies que não possuem pirenóides, mantendo K. obesa (W. West) Schm.
pela presença dessa estrutura. Diante de tais divergências, há necessidade de
estudos mais aprofundados que venham esclarecer o posicionamento
taxonômico das espécies deste gênero; e no presente, preferiu-se que os
espécimes encontrados fossem identificados como K. obesa (W. West)
Schm. por possuírem as células lunadas quase circulares e a incisão em U.
Monoraphidium mirabile (West & West) Pankow. Algen. der Ostee. III.
Plank. ?. 1976 (Figura 21).
Célula solitária, fusiforme, arqueada, adelgaçando-se gradualmente
para os ápices aciculares; 70-95 x 2, 5-3, 5 /xm; ocupando o mesmo plano;
cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
COMENTÁRIO: Monoraphidium mirabile (West & West) Pankow
apresenta morfologia próxima a M. indicum Hindák do qual difere pelas
dimensões, o primeiro apresenta comprimento celular bem menor (60-155 x
2-5,5 /xm), enquanto que o comprimento do segundo varia de 120-260 /xm
x 3-5 pm (Komárek & Fott 1983).
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Figura 21 - Monoraphidium mirabile (West & West) Pankow.
Os espécimes, ilustrados por esses autores citados acima, apresentam-
se com e sem pirenóides. Nos exemplares examinados neste trabalho não
foram observadas as referidas estruturas.
Família Coelastraceae
Coelastrum proboscideum Bohlin. In Wittrock, Nordstedt & Lagerheim,
Algae Aquae Dulc. Exsicc.. 26: 1240. 1896 (Figuras 22-23).
Cenóbio triangular ou quadrangular; 4-8 células; cônicas truncadas;
6-7,8 x 6-8,0 /um; ápices espessados; margens laterais, ligeiramente cônca-
vas; cloroplastídio único, parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Coelastrum proboscideum Bohlin e C. sphaericum
Nágeli são espécies muito próximas, tendo sido até mesmo consideradas
sinônimos por alguns autores. Sendo diferenciadas por Komárek (1983) e
Komárek & Fott (1983) através das dimensões das células e dos espaços
intercelulares, da morfologia dos pólos celulares externos e da sua ecologia.
Para a segunda espécie, as células caracterizam-se por apresentarem maiores
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
dimensões (9-30 /xm de diâmetro), espaços intercelulares superiores ao
diâmetro celular, ausência de nódulos na região apical e habitarem em zonas
temperadas.
Pm
23
Figuras 22-23 - Coelastrum proboscideum Bohlin; 22a-23a. Uma célula do cenóbio em vista lateral.
O material analisado, por apresentar pequenas dimensões (6-7,8 /xm x
6-8 /xm), ter os espaços intercelulares menores que o diâmetro celular e por
ser de zona tropical foi identificado como C. proboscideum Bohlin.
Coelastrum pulchrum Schmidle var. pulchrum. Ber. dt. bot. Ges., 10: 206,
pl. 11, fig. 1-2. 1892 (Figuras 24-25).
Cenóbio esférico, 49-59.5 /xm de diâmetro; espaços celulares presen-
tes; 4-16 células, subovadas em vista lateral; 7-15 x 7,5-17,5 /xm; margem
externa com projeção apical cilíndrico-truncada, com espessamento; esféri-
cas com lados côncavos em vista polar; 5-6 processos, cada um unindo-se à
célula vizinha; cloroplastídio único, parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Para Komárek (1983) e Komárek & Fott (1983), as
características de Coelastrum Nãgeli utilizadas para separar as diversas
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
espécies são baseadas, principalmente, na forma da célula em vista lateral,
na ausência ou presença e no número de processos de união intercelular. O
primeiro autor citado acrescentou, ainda, que o tamanho e forma das células
se alteram com a idade das mesmas, sendo que as mais velhas tornam-se mais
arredondadas.
Ytík
24
©
I
25
Figuras 24-25 - Coelastrum pulchrum Schmidle var. pulchrum; 24a-25a. Uma célula do cenóbio em
vista lateral.
Família Scenedesmaceae
Crucigenia fenestrata (Schmidle) Schmidle. Allg. Bot. Z., 6: 234. 1900
(Figura 26).
BASIÔNIMO: Staurogenia fenestrata Schmidle Allg. Bot. Z. 3: 107,
fig. 1. 1897.
Cenóbio quadrático; quatro células, trapezoidais; 2-4 x 5-8,5 /um
dispostas cruciadamente; lado mais estreito ligeiramente convexo voltado
para o interior do cenóbio; margem externa côncava, quase reta; margem
lateral retilínea; espaço intercelular quadrático; cloroplastídio único, parietal,
sem pirenóide.
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
26
Figura 26 - Crucigenia fenestrata (Schmidle) Schmidle.
COMENTÁRIO: O gênero Crucigenia Morren, segundo Komárek &
Fott ( 1 983) , caracteriza-se por ter cenóbio quadrático com espaço intercelular
quadrado e células trapezoidais ou oblongas.
Crucigenia fenestrata (Schmidle) Schmidle separa-se das demais espé-
cies por apresentar o lado externo das células reto ou ligeiramente côncavo
e não possuir pirenóides.
Crucigenia fenestrata (Schm.) Schm. diferencia-se de C. tetrapedia
(Kirchner) West & West por apresentar espaço intercelular relativamente
largo, quadrado e ter lados côncavos, enquanto que a segunda apresenta o
espaço entre as células muito pequeno, retangular ou ausente (Hindák 1984).
Dicloster acuatus Jao, Wei & Hu . Acta. hydrobiol. sinica, 6 (1): 115, fig.
1-7. 1976 (Figuras 27-28).
Cenóbio com um ou dois conjuntos de duas células lunadas; ápices
afilados abruptamente, alongando-se em forma de agulha; 2,8-5 /xm de
largura; distância entre os ápices 43-58 ^m; unidas pela parte convexa;
cloroplastídio único, parietal, dois pirenóides.
COMENTÁRIO: Dicloster acuatus Jao, Wei & Hu e Scenedesmus
acuminatus (Lagerheim) Chodat são duas espécies muito próximas que se
separam pelo número de pirenóides na célula; a primeira apresenta dois
pirenóides e a segunda apenas um.
Esta é uma espécie pouco encontrada em literatura, seu primeiro
registro para o Brasil foi feito por Nogueira (1991) ao analisar material do
Rio de Janeiro. Assim como os representantes encontrados, pela autora
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
BASIÔNIMO: Selenastrum acwninatum Lagerheim, Õfvers. K.
Vetenskakad. Fõrh., 39 (2): 71, pl. 3, fig. 27-30. 1882.
Cenóbio reto, linear; 4-8 células, as externas lunadas, ápices agudos
voltados para o exterior do cenóbio; as internas fusiformes, retas, ápices
agudos; 19-31 x 4-6 /zm; parede celular lisa; cloroplastídio único, parietal,
um pirenóide.
COMENTÁRIO: Optou-se por considerar os espécimes estudados
como S. acuminatus (Lagerheim) Chodat, de acordo com Uherkovich
(1966), Komárek & Fott (1983) e Hindák (1990); pois estes autores
consideraram S. falcatus Chodat como sinônimo de S. acuminatus.
Hegewald et al. (1990) colocaram S. falcatus como sinônimo de
5. pectinatus Meyen, o qual já havia sido considerado como sinônimo de
S. acutus Meyen por Uherkovich (1966). Hindák (1990) considerou este
último como sinônimo de S. obliquus (Turpin) Kützing.
Scenedesmus acuminatus (Lagerheim) Chodat var. bernardii (G. M. Smith)
Dedussenko. In Korsikov, Protococcineae. 380, fíg. 368. 1953 (Figuras
30-31).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Cenóbio reto, em ziguezague; 4-8 células, lunadas, extremidades
agudas; 25-32 X 2,5-4 /zm metade das células arranjadas com a parte côncava
voltada para a direita e as outras com essa região voltada para a esquerda;
o pólo de uma célula se prende à região mediana convexa da vizinha; as duas
centrais se prendem parte convexa com parte convexa; cloroplastídio único,
parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Scenedesmus acuminatus (Lag.) Chodat var. bemardii
(G. M. Smith) Ded. é um táxon que ainda gera certa controvérsia.
Uherkovich (1966) confirmou S. bemardii G. M. Smith como sinônimo
de S. acuminatus Lag. var. bemardii (G. M. Smith) Ded..
Komárek & Fott (1983) referem-se ao táxon em questão como
S. bemardii G. M. Smith e não como uma variedade de acuminatus.
Sanf Anna (1984) concordou com Uherkovich (1966), enquanto que
Nogueira (1991) refere-se a S. bemardii G. M. Smith como espécie e não
como variedade.
Optou-se por identificar os espécimes estudados de acordo com
Uherkovick (1966), por ser o trabalho mais recente de revisão que trata da
posição do táxon em questão, até que novos estudos venham esclarecer em
definitivo a posição taxonômica correta dessas algas.
Nas amostras examinadas, as células apresentaram-se com o compri-
mento variando entre 26-33 fim, enquanto Uherkovich (1966) apresenta o
limite métrico de suas algas 8-22 /zm e Sanf Anna (1984) 26-28 /zm. Os
cenóbios apresentaram-se, ora com as células mais largas como na Figura 31
e, ora mais estreitas (Figura 30).
Scenedesmus armatus Chodat var. bicaudatus (Guglielmetti) Chodat.
Z. Hydrol., 3:204, fig. 106. 1926 (Figura 32).
BASIÔNIMO: Scenedesmus acutiformis Schrõder var. bicaudatus
Guglielmetti Nuova Notarisia, 21: 31. 1910.
Cenóbio reto, linear; quatro células, oblongas, 8-12 x 2,5-4 /zm; as
células externas levemente arqueadas para o interior do cenóbio; com um
espinho reto em um dos pólos disposto em diagonal e três dentes no outro
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
pólo; as internas com costelas longitudinais dispostas em ambas as faces,
interrompidas na parte mediana; cloroplastídio único, parietal, umpirenóide.
Figura 32 - Scenedesmus armatus Chodat var. bicaudatus (Gug.) Chodat.
COMENTÁRIO: Segundo Uherkovich (1966), a característica que
separa S. armatus Chodat da espécie mais próxima, S. semipulcher Hortobágyi,
é a presença de costelas em ambas as faces do primeiro táxon. A população
estudada foi identificada como S. armatus Chodat var. bicaudatus (Gug.)
Chodat, por ter as costelas em ambas as faces e ser bicaudada, sendo esta
última característica a que separa o táxon dos demais infra-específicos.
Komárek & Fott (1983) transferiram S. armatus Chodat var. bicaudatus
(Gug.) Chodat para S. semipulcher Hort.
Hindák (1990) reuniu os táxons infra-genéricos de S. armatus Chodat
em nível espécie, por achar que esse é um grupo de Scenedesmus Meyen,
taxonomicamente, ainda confuso devido à grande quantidade de táxons
propostos e por não ter dados, capazes de servirem como fronteiras limitantes
entre as variedades.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Hegewald et al. (1990) estudando Scenedesmus Meyen do Sul da índia
separaram S. armatus Chodat em variedades; S. arniatus Chodat var.
bicaudatus (Gug.) Chodat foi reconhecido a parte das demais pela caracte-
rística bicaudado.
Desta forma, a identificação, no presente estudo, está de acordo com
Uherkovich (1966) e o autor citado no parágrafo anterior.
Scenedesmus indicus Philipose. Chlorococcales - ICAR. 258. 1967. (Figuras
33-34).
Í@I
33
OJ
34
Figuras 33-34 - Scenedesmus indicus Phil.
Cenóbio reto, em ziguezague, mucilagem presente; 2-4 células cilíndri-
cas, arqueadas, 12-15,5 x 4, 5-7, 5 /zm, pólos alargados em forma de chapéu;
dispõem-se com a região côncava voltada para a periferia; as internas
prendem-se à região mediana das externas através dos pólos; cloroplastídio
único, parietal, um pirenóide.
COMENTÁRIO: Scenedesmus indicus Phil. é uma espécie que se
diferencia das demais, com certa facilidade, devido à morfologia das células
e o arranjo no cenóbio.
Scenedesmus indicus Phil . se assemelha a S. pwductocapitatus Schmula
e Pseudotetradesmus quaternarius Hirose & Ariyama pela forma das células,
mas diferencia-se das duas espécies citadas por ter o cenóbio com células em
ziguezague; enquanto as duas últimas apresentam cenóbios lineares.
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
Tetrastrum heteracanthum (Nordstedt) Chodat. Buli. Herb. Boissier.,
3: 113. 1895 (Figura 35).
35
Figura 35 - Tetrastrum heteracanthum (Nordstedt) Chodat.
BASIÔNIMO: Staurogenia heteracantha Nordstedt, In: Wittrock &
Nordstedt. Bot. Notisier. 1882.
Cenóbio quadrático, cruciado; quatro células, triangulares, 2,5-5 /xm
de altura; ângulos arredondados; dois espinhos, finos, retos, de diferentes
dimensões (maior 7-9 /xm, menor 2-3 /xm), inseridos em margem externa da
célula; espaço intercelular retangular; cloroplastídio único, parietal, um
pirenóide.
COMENTÁRIO: Tetrastrum heteracanthum (Nordstedt) Chodat tem
na forma, na disposição das células e também na presença e local de inserção
dos espinhos, as características que facilitam a sua identificação. Este poderia
ser confundido, ainda, com T. homoiacanthum (Huber-Pestalozzi) Comas,
do qual difere pelas dimensões dos espinhos, pois, o último os tem em
tamanhos iguais, enquanto que em T. heteracanthum (Nordstedt) Chodat
essas estruturas são heterométricas.
Tetrastrum punctatum (Schmidle) Ahlstrom & Tiffany. Amer. J. Bot.,
21: 504, 1934 (Figura 36).
Cenóbio quadrático, cruciado; quatro células triangulares; 6-7,5 /xm de
altura; ângulos arredondados; parede celular provida com diminutas verrugas;
espaço intercelular estreito; cloroplastídio único, parietal, um pirenóide.
49
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
36
Figura 36 - Tetrastrum punctatum (Schmidle) Ahlstrora & Tiff.
COMENTÁRIO: Tetrastrum punctatum (Schmidle) Ahlstrom & Tiffany
difere das demais espécies do gênero por apresentar a parede celular ornada
por estruturas em forma de verrugas.
Família Palmellaceae
Sphaerocystis planctonica (Korsikov) Bourrelly. Rev. ges. Hydrobiol., 51
(1): ? 1966 (Figura 37).
37
a
Figura 37 - Sphaerocystis planktonica (Kors.) Bourr.; 37a. Uma célula da colônia no início da divisão.
Colônia globosa; 4-8 células, esféricas; 6- 10/nn de diâmetro, dispostas
em tétrades no centro da mucilagem; cloroplastídio único, poculiforme, um
pirenóide. Células em reprodução 8,5-11,5 pm.
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
COMENTÁRIO: Baseando-se na distribuição das células mais para o
centro da mucilagem do que para a periferia e no cloroplastídio poculiforme,
identifícou-se o material como Sphaerocystis Chodat, apesar de não ter sido
observado o arranjo celular em dupla e a formação de zoósporos.
Este táxon foi registrado por Bittencourt-Oliveira (1990) para o
reservatório de Balbina, no Estado do Amazonas, porém, com dimensões
inferiores aos espécimes registrados no presente estudo.
CONCLUSÕES E SUGESTÕES
A partir do inventário das Chlorophyceae do lago Água Preta, concluiu-
se o seguinte:
A Classe Chlorophyceae está representada por dez famílias:
Scenedesmaceae (15 táxons), Chlorellaceae (12), Botryococcaceae (5),
Coelastraceae(3), Hydrodictyaceae(3), Golenkiniaceae(2), Palmellaceae (2),
Treubariaceae (2), Characiaceae (1), Oocystaceae (1 táxon), totalizando 46
táxons.
Dentre os 46 táxons identificados, 24 constituem citações novas para o
Estado do Pará, sendo: três variedades: Pediastrwn duplex Meyen var.
punctatum (Krieger) Parra, Kirchneriella conforta (Schmidle) Bohlin var.
elongata (G. M. Smith) Kom. e S. armatus Chodat var. bicaudatus (Gug.)
Chodat; 16 espécies: Schroederia nitzschioides (G. S. West)Kors., Treubaria
schmidlei (Schrõder) Fott & Kov., Botryococcus terribilis Kom. & Marvan,
B. protuberans West & West, Nephrocytiumagardhianum Nág. , Kirchneriella
dianae (Bohlin) Comas, K. obesa (W. West) Schmidle, Monoraphydium
mirabile (West & West) Pankow, Coelastrum proboscideum Bohlin,
Coelastrum pulchrum Schmidle var. pulchrum, Crucigenia fenestrata
(Schmidle) Schmidle, Tetrastrum heteracanthum (Nordstedt) Chodat,
T. punctatum (Schmidle) Ahlstrom & Tiff. , Sphaerocystis planctonica
(Kors.) Bourr., Scenedesmus indicus Phil. e S. acuminatus (Lag.) Chodat,
sendo esta última com duas variedades (S. acuminatus (Lag.) Chodat var.
acuminatus e S. acuminatus (Lag.) Chodat var. bernardii (G. M. Smith)
Ded. e quatro gêneros: Echinosphaerella G. M. Smith, Acanthosphaera
Lemm., Golenkinia Chodat e Dicloster Jao, Wei & Hu.
51
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Uma faixa de 15% dos táxons não foi identificada, devido ao número
de exemplares observados ser insuficiente para uma análise populacional
satisfatória, à ausência do acompanhamento do ciclo reprodutivo, à extensa
plasticidade e ausência em literatura.
Kirchneriella obesa (W.West) Schmidle é um táxon cujas descrições,
em literatura, ainda divergem quanto à presença de pirenóides. Torna-se de
fundamental importância um estudo mais minucioso para que se chegue a um
esclarecimento quanto à presença dessa estrutura, pois a tendência atual é
excluir da ordem Chlorococcales os táxons que não possuem pirenóides.
Táxons registrados pela primeira vez para o Estado do Pará, no período outubro/1992 a
agosto/ 1993.
TÁXON
1 a Coleta
out/92
IAN. 174.083
2 a Coleta
fev/93
IAN. 174.084
3 a Coleta
jun/93
IAN. 174.085
4 a Coleta
ago/93
IAN. 174.086
Schroederia nitzschioides**
X
X
-
-
Echinosphaerella limnetica***
-
-
-
X
Treubaria schmidlei**
-
-
X
X
Acanthosphaera zachariasii***
X
X
-
X
Golenkinia radiata***
X
X
X
X
Pediastrum duplex var. punctatum*
X
X
X
X
Botryococcus protuberans**
X
X
X
X
B. terribilis**
X
X
X
X
Nephrocylium agardhianum**
X
-
X
X
Kirchneriella contorta var. elongata
* X
X
X
-
K. dianae**
X
X
X
X
K. obesa**
X
X
-
-
Monoraphydium mirabile**
X
-
-
X
Coelaslrum proboscideum**
X
X
X
X
G. pulchrum var. pulchrum**
X
-
-
-
Crucigenia fenestrata**
X
X
X
-
Dicloster acuatus** *
X
X
-
-
Scenedesmus acuminatus
X
X
X
X
var. acuminatus**
S. acuminatus var. bernardii**
X
X
X
S. armatus var. bicaudatus*
X
X
X
X
S. indicus**
X
X
X
X
Tetrastrum heteracanthum**
X
-
-
-
T. punctatum**
X
-
-
-
Sphaerocystis planctonica* *
X
-
X
X
i i uiiuiiu i vgiauu uu >ui ieuuu
** Primeiro registro da espécie
*** Primeiro registro do gênero
52
cm
SciELO
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Novas ocorrências de Chlorophyceae para o Estado do Pará
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Carlos Eduardo de Mattos Bicudo (Instituto de Botânica de São
Paulo) e à Dra. Ermelinda Maria De-Lamonica-Freire (Universidade Fede-
ral de Mato Grosso) pela orientação durante a execução da Dissertação de
Mestrado. À MS. Ina de Souza Nogueira (Universidade Federal de Goiás),
pela leitura crítica da parte taxonômica da referida Dissertação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ACKERMANN, F.L. 1969. Esboço para a geologia entre a cidade de Belém-Rio Gurupi e
Atlântico - Rio Guainá. Belém, Imprensa Universitária do Pará, 79p.
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57
CDD: 584.150981152
FLORA ORQUIDOLÓGICA DA SERRA DAS
ANDORINHAS, SÃO GERALDO DO ARAGUAIA - PA
Noé von Atzingen 1
André Luiz de Rezende Cardoso 2
Anna Luiza Ilkiu-Borges 2
RESUMO - Neste trabalho foi realizado o levantamento da flora orquidológica
da Serra das Andorinhas, município de São Geraldo do Araguaia-PA, área de
60.000 hectares com predominância de cerrado, com ocorrência também de
outros 9 ecossistemas. Foram identificados 37 gêneros, com o total de 76
espécies, distribuídas nos 10 ecossistemas, descritos neste trabalho. Há também
observações quanto às preferências adaptativas.
PALAVRAS CHAVE: Orquídeas, Serra das Andorinhas, São Geraldo do
Araguaia-PA, Ecossistema.
ABSTRACT - A trip was made to lhe Serra das Andorinhas, São Geraldo do
Araguaia -PA to study the orchid plantlife. It is located in an area of 60,000
hectares which is predominantly a savannah ecosystem, but also includes 9 other
ecosystems. There were 37 genera, with 76 species identified in the 10
ecosystems which were later described in tliis written study. Included are
observations about the orchids and their preferred environment in the area.
KEY WORDS: Orchids, Serra das Andorinhas, São Geraldo do Araguaia-PA,
Ecosystem.
1 Fundação Serra das Andorinhas. C.P.172. CEP:68508-970. Marabá-PA.
2 Sociedade Paraense de Orquidófilos. Rua dos Mundurucus, 1553/601 . CEP: 66025-660. Belém-PA.
59
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
INTRODUÇÃO
A Serra das Andorinhas (Figura 2) encontra-se a 06° 10’ de latitude Sul
e 48°25’ e 48°35’ de longitude Oeste e está localizada ao Sul do Estado do
Pará (Figura 1), no município de São Geraldo do Araguaia. Esta área tem sido
o objeto do estudo que a Casa da Cultura de Marabá empreende desde 1987
e a Fundação Serra das Andorinhas, desde 1990. A pesquisa denominada de
Projeto Martírios do Araguaia enfoca diferentes áreas do conhecimento como
Antropologia, Arqueologia, Botânica, Geologia e Zoologia.
De acordo com os resultados obtidos até o momento, a região
caracteriza-se pela presença de ecossistemas diversificados, que são repre-
sentados pela marcante variabilidade dos aspectos de relevo, fauna e flora.
No contexto regional a região encontra-se nos domínios geoestruturais
da Faixa de desdobramentos do Araguaia, definida por Hasui et al. (1980),
representando um conjunto de rochas metamórficas associadas ao evento
geotectônico Uruaçuano (1.000 -1.300Ma). Este conjunto foi agrupado
estratificamente ao Super Grupo Baixo Araguaia definido por Abreu (1978)
e dividido nos grupos Estrondo e Tocantins.
Os vales que individualizam as cristas e platôs da Serra das Andorinhas,
nas porções mais elevadas, são formas fechadas, tornando-os abertos quando
próximos ao Rio Araguaia, o principal afluente da área. A drenagem
encontra-se implantada em padrões sub-dendríticos e lineares que desaguam
no Rio Araguaia.
Diante dessas variações morfológicas a Serra das Andorinhas apresenta
setores fitoecológicos distintos. Assim, na região predominam por ordem de
maior extensão: floresta esclerófila (cerrado/cerradão), floresta pluvial
subperenefólia aberta mista (floresta mista), floresta pluvial subperenefólia
densa (floresta densa), floresta decídua (carrasco), floresta ciliar (galeria),
parque (veredas), campo litológico, floresta pluvial perenefólia hidrófila
(floresta de várzea). Além destas áreas naturais, há também áreas já alteradas
como pastagens, roçados e florestas secundárias. Estes ecossistemas com-
portam uma grande variedade de espécies, entre elas, as orquídeas.
60
Flora orquidológica da Serra das Andorinhas
LEGENDAS
Divsâo Inter - estadual
Rio
Serra das Andorinhas
Capital Estadual
Cidade
ESCALA 16.000.000
O 100 200 300 Km
In i i liml | |
Data. Outubro- 19 8 9
FUNDAÇÃO CASA DA CULTURA
DE MARABÁ
N
Figura 1 - Mapa de localização da Serra das Andorinhas no Estado do Pará.
61
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Figura 2 - Mapa da Serra das Andorinhas.
62
Flora orquidológica da Serra das Andorinhas
OBJETIVO
Este levantamento tem como objetivo determinar a diversidade especí-
fica das orquidáceas da Serra das Andorinhas, bem como, analisar os
aspectos ecológicos que as envolvem.
MATERIAIS E MÉTODOS
As coletas de material foram realizadas em 10 ecossistemas presentes
na Serra das Andorinhas e estes se distinguem por diversas características.
O cerrado (FE) é regionalmente denominado de chapada, ocupa área
acima de 250m de altitude, na Serra das Andorinhas. A característica desta
formação aberta é o espaçamento entre as árvores que se apresentam com
casca grossa, enrugada, galhos tortuosos, folhas grandes e coriáceas, sem
espinhos. Na superfície do solo são encontradas formas vegetacionais
caducifólia, destacando-se as seguintes espécies: Folha-larga ( Salvetia
convalari odora Barb.Rodr.), Muruci ( Byrsonima crassifolia (L.) Rich.),
Canela-de-ema ( Velozia sp.), Bruto ( Annona sp.), Pequi ( Caryocar villosum
(Aubl.) Pers.), Cajuí (Anacardium giganteum Hanc. ex Engl.) e Mangabeira
( Hancornia speciosa Gomes).
A floresta mista (FM) abrange áreas abaixo de 200m de altitude,
principalmente no vale do Igarapé Sucupira, ocupando as encostas da Serra.
Esta é formada por árvores latifoliares perenifolias, bem espaçadas, com
altura de 10 a 25m. As espécies arbóreas mais comuns são: Jatobá ( Himenaea
courbaril L.), Sucupira ( Diplotropis purpúrea (Rich.) Amsh.) e Sapucaia
( Lecythis usitata Miers.). São encontradas também em abundância das
palmeiras Inajá ( Maximiliana regia Mart.) e Babaçu ( Orbygnia martiana
Barb. Rodr.).
A floresta densa (FN) localiza-se em áreas relativamente baixas entre
o Rio Araguaia e a Serra das Andorinhas. A ocorrência de árvores de grande
Porte, de até 50m de altura, reduz a luminosidade limitando a proliferação
de arbustos e cipós. As espécies predominantes são: Castanha-do-Pará
(Bertlwlletia excelsa H. & B.), Cupuaçú ( Theobroma grandiflorum (Willd.
ex Spreng.) Schum.), Sapucaia {Lecythis usitata Miers.), Cajú-de-janeiro
( Anacardium sp.) e Ipês ( Tabebuia sp.).
63
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
A vegetação de Carrasco (FD) ocupa certas encostas da Serra apresen-
tando uma vegetação caducifólia que perde grande parte de suas folhas no
período seco. As principais espécies desta área são: Ipê-branco ( Tabebuia
sp.), Angico ( Piptadenia sp.), Aroeira ( Astronium sp.) e Fava Pêndula
( Parkia pendula Benth. ex Walp.).
A floresta de galeria (FG) ou mata de galeria é encontrada ao longo dos
vales onde ocorrem cursos de água perenes, contrastando com o Cerrado
circundante. Dentre as espécies predominam as arbóreas como o Jatobá
( Himenaea courbaríl L.) e Pau-pombo ( Tapirira guianensis Aubl.) entreme-
ados por palmeiras como o Buriti ( Maurítia vinifera Mart.).
A vegetação de parque (PQ) ocorre em meio aos campos cerrados, são
pequenas áreas geralmente situadas acima de 400m de altitude. O Parque é
caracterizado por extensão campestres compostas em sua maioria por
gramíneas ( Arístida sp.) e também por Buriti (Maurítia vinifera Mart.). Estas
áreas podem ser periodicamente ou permanentemente alagadas.
Os campos litológicos (CL) são pequenas áreas de altitudes acima de
500m entremeadas de estruturas ruiniformes que apresentam vegetação baixa
e rasteira. Nestas áreas são comuns as cactáceas, gramíneas e bromeliáceas.
A floresta de várzea (FV) ocupa áreas adjacentes ao Rio Araguaia, são
inundadas anualmente no período das cheias (dezembro a abril). As espécies
predominantes nesta área são: Ingá ( Inga sp.), Muruci ( Byrsonima crassifolia
(L.) Rich.) e Bacuri ( Platonia insignis Mart.).
A floresta secundária (FS) é formada à partir da recuperação parcial das
florestas originais derrubadas, geralmente floresta densa, floresta galeria ou
floresta mista. As espécies que mais predominam nestas áreas são: Embaúba
(Cecropia sp.), Babaçu ( Orbygnia martiana Barb. Rodr.) e Pau-pombo
(Tapirira guianensis Aubl.).
A vegetação de pastagem e roçado (PS) são áreas onde a floresta
original foi destruída dando lugar às gramíneas para o gado ou plantações de
mandioca, milho e arroz. Nestas áreas ainda há remanescentes das florestas
originais fragmentadas.
No período de julho de 1991 a março de 1995 foram efetuadas
observações e coletas de material botânico, ao acaso, nos diversos ecossistemas.
64
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No campo foram verificados os ecossistemas em que se encontravam as
espécies de orquídeas, bem como suas preferências adaptativas (epífitas,
rupestres ou terrestres), como pode ser verificado na Tabela l.As plantas
coletadas vivas estão depositadas no Orquidário Margareth Mee, da Funda-
ção Casa da Cultura de Marabá, Orquidário da Fundação Serra das
Andorinhas e Orquidários de Noé von Atzingen (Marabá-PA) e André
Cardoso (Ananindeua-PA), onde algumas espécies ainda serão
estudadas taxonomicamente como: Coryanthes sp., Epistephium sp. e
Campylocentrum sp.
A identificação das espécies foi feita utilizando-se os trabalhos de
Neponuceno et al. (1990); Pabst & Dungst (1975, 1977); Dunsterville &
Garay (1979) e Hoehne (1949).
Após a identificação, as espécies foram desenhadas, em alguns casos,
fotografadas e finalmente herborizadas. As exsicatas estão sendo incorpora-
das aos Herbários da Casa da Cultura de Marabá, EMBRAPA/CPATU e
Museu Emílio Goeldi.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nos 10 ecossistemas pesquisados foram identificados 37 gêneros com
o total de 76 espécies (Tabela 1).
Algumas espécies, como Habenaria sp., ocorrem em apenas um
ecossistema (parque), outras ocorrem em mais de um ecossistemas como
Maxillaria camaridii Rchb.f. (Figura 3) (floresta mista e vegetação de
carrasco), Catasetum albovirens Barb. Rodr. (Figura 4) (cerrado, floresta de
várzea e floresta secundária) e Catasetum galeritum Rchb.f. (cerrado,
pastagem, floresta secundária, floresta densa, campo litológico e floresta de
várzea).
Dos ecossistemas estudados o que tem maior número de espécies (35)
é o de floresta de galeria. Em seguida, vem a floresta mista com 25 espécies,
o campo litológico com 20 espécies, a floresta secundária com 18 espécies,
a floresta densa com 17 espécies, a floresta decídua e o cerrado com 13
espécies cada, a floresta de várzea com 10 espécies, o parque com 8 espécies
e a pastagem com 4 espécies.
65
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11
Tabela 1 - Orquídeas da Serra das Andorinhas, sua distribuição nos ecossistemas e substratos de ocorrência.
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Coryanthes aff . macrantha (Hook.)Hook
(A. Cardoso - 578)
Coryanthes speciosa (Hook.) Hook. (A. Cardoso - 635)
Cyrtopodium vemum Rchb.f & Warm.
(A. Cardoso - 626)
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Figura 3 - Calaselum albovirens Barb. Rodr. A- Hábito; B- Vista frontal da flor; C- Vista lateral da
flor; D- Labelo e coluna (vista lateral); E- Corte longitudinal do labelo; F- Coluna (vista lateral);
G- Coluna (vista superior); H- Antera (vista inferior, lateral e superior); I- Polinário (vista inferior e
superior).
71
0,5 Cm
is® 53 ’
Figura 4 - Maxillaria camaridii Rchb.f. A- Vista frontal da flor; B- Hábito; C- Diagrama; D- Vista
lateral da flor; E- Labelo; F- Antera (vista inferior e superior); G- Polinário (vista superior e inferior;
H- Coluna e labelo; I- Coluna (vista lateral); J- Coluna (vista superior e inferior).
cm
SciELO
Com relação as preferências adaptativas observamos que 59 espécies
são epífitas, havendo, porém, 8 destas que também podem ser rupestres. Há
17 espécies terrestres e 9 rupestres, entretanto apenas uma é essencialmente
rupestre ( Brassavola gardneri Cogn.). Somente uma espécie, Shomburgkia
gloriosa Rchb.f. é vista ora como epífita, ora como terrestre, ora como
rupestre.
A floresta de galeria merece atenção especial , já que é o ecossistema que
apresenta o maior número de espécies, no entanto, vem sendo destruído para
o estabelecimento de pequenos roçados ou pastagens. O mesmo aplica-se à
floresta mista.
O elevado número de espécies encontradas nas áreas degradadas de
floresta secundária e pastagem/roçado é indicativo de que estas espécies são
resistentes às mudanças ambientais. Por outro lado, a pequena proporção das
áreas degradadas e a proximidade de áreas preservadas certamente propici-
aram a permanência ou o repovoamento por estas espécies.
As espécies encontradas nos campos litológicos e no cerrado sofrem
anualmente ação do fogo, porém são espécies adaptadas a esta situação.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos à Casa da Cultura de Marabá; Fundação Serra das
Andorinhas; Sociedade de Orquidófilos de Marabá e Sociedade Paraense de
Orquidófilos pelo apoio às atividades desenvolvidas neste estudo.
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74
cm
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10 11 12 13 14 15
CDD: 582.16
583.131
y
COMPARAÇÃO ANATÔMICA DO LENHO DE DUAS
ESPÉCIES DO GÊNERO CAPPARIS DA AMAZÔNIA E
DA CAATINGA NORDESTINA 1
Cláudia Viana Urbinati 2
Pedro L. B. Lisboa 3
RESUMO - Este trabalho envolve a análise comparativa microscópica da
anatomia da madeira de duas espécies do gênero Capparis; C. aff. flexuosa e
C. jacobinae (Capparidaceae) ocorrentes na Caatinga nordestina e na Amazô-
nia brasileira. De amostras de madeiras provenientes da xiloteca “Walter A.
Egler ”, do Museu Paraense Emílio Goeldi, foram retirados corpos de prova, os
quais passaram pela técnica tradicional de anatomia de madeira para confecção
de cortes histológicos, montagens de lâminas e maceração. Para o desenvolvi-
mento do estudo anatômico comparativo entre os indivíduos, foram contadas e
mensuradas as seguintes estruturas: elementos de vaso, raios e fibras. Foi
observado que existe uma semelhança anatômica acentuada entre as duas
espécies, ocorrendo porém uma variação de alguns caracteres quantitativos.
Essas diferenças parecem ser mais de ordem genética e não de influência
ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia, Dendrologia, Ecologia, Madeira, Capparis,
Capparidaceae.
ABSTRACT - This paper reports the results of a comparative microscopic
analysis of the wood anatomy of two Capparis species: C. aff. flexuosa and
C. jacobinae (Capparidaceae), which occurin the dry tropical scrub forests of
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém-PA.
Bolsista do Programa de Bolsas de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico-CNPq/Museu Goeldi.
3 Departamento de Botânica, Museu Emílio Goeldi, Caixa Postal 399, CEP 66.040-170, Belém-PA.
75
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
northeasteni Brazil and in the Amazônia humid tropical forests. Wood specimens
from the “Walter A. Egler” wood anatomy collection of the Museu Paraense
Emílio Goeldi were treated according to standard methods for histological
sectioning, slide mounting, and maceration. To determine individual variation,
the following structures were measured: vascular elements, rays e flbers. It was
observed that the two species are very similar, although individual variation
does occur in some quantitalive characters. The observed differences appear
more to be of genetic origin rather than due to environmentally induced
variation.
KEY WORDS: Anatomy, Dendrology, Ecology, Wood, Capparis,
Capparidaceae.
INTRODUÇÃO
Este trabalho envolve o estudo detalhado sobre duas espécies da família
Capparidaceae. É a parte principal do projeto denominado ?Estudo compa-
rativo da influência climática sobre a morfologia das estruturas anatômicas
das madeiras das plantas da Amazônia (Rio Xingu) e Caatinga Nordestina?,
a qual possui gêneros e espécies comuns nos dois ambientes. Para alguns
autores, como Yaltirik (1970); Baas (1976); Oever et al. (1981); Baas &
Carlquist (1985) e Baas (1986), os fatores ambientais funcionam como
agentes determinadores do padrão morfológico das estruturas anatômicas da
madeira.
Tendo em vista essa teoria, pretende-se nesta primeira etapa do projeto,
avaliar se os fatores ambientais de regiões onde as condições climáticas são
opostas, influenciam o padrão morfológico das estruturas anatômicas das
madeiras de duas espécies de Capparidaceae.
Considerações sobre a família Capparidaceae
Segundo Record & Hess (1943), esta família compreende 44 gêneros
e 1000 espécies de ervas, arbustos eretos ou escandescentes e árvores
pequenas a médias. Algumas espécies são cultivadas para ornamentação, a
exemplo de Capparis pulcherrima Jacq. Atribuí-se às demais espécies valor
76
cm
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Comparação anatômica do lenho de duas espécies do gênero Capparis da Amazônia
medicinal, como: Capparis urens Barb. Rod. (cipó taia), cuja raiz triturada
é usada como sinapismo ou cataplasma; dores reumáticas, otite supurosa
(óleo da amêndoa); usada também com êxito contra o beri-beri. A casca da
raiz de Capparis cynophallophora Marcq., planta de capoeira, é hidrogoga,
diurética e aperitiva. Outras espécies fornecem madeira de utilidade local em
lugares onde é escassa.
No Novo Mundo ocorrem oito gêneros de árvores e arbustos, sendo que
Capparis e Crataeva estão bem representados. Três gêneros ocorrem no
Brasil: Capparis com 350 espécies, Cleome com 200 espécies e Crataeva
com 20 espécies (Girard 1975). Na Caatinga Nordestina encontra-se algumas
espécies de Capparis (Joly 1924), o qual apresenta uma espécie nativa da
região do Mediterrâneo que produz a alcaparra utilizada na alimentação.
O gênero Capparis possui cerca de 350 espécies de arbustos xerofíticos
(Record & Hess 1943), e árvores pequenas a médias. Muitas espécies
arbustivas ocorrem nas matas espinhosas da América do Sul, especialmente
próximas ao litoral, como é o caso da Caatinga, onde as madeiras são muito
utilizadas como lenha.
Considerações sobre a anatomia da sua madeira
Record & Hess (1943) descreve as madeiras desta família como sendo
tipicamente amareladas, algumas vezes cinzas ou avermelhadas; visualmente
não há distinção entre cerne e alburno. Quando a madeira seca é umedecida,
o odor desagradável as vezes é evidenciado; quanto a densidade varia de
pesada a muito pesada, embora ocorram também madeiras leves. A textura
é fina a média e a grã apresenta-se normalmente irregular. A durabilidade é
baixa e as propriedades de trabalho são de boa a regular.
As madeiras do gênero Capparis são esbranquiçadas ou amareladas,
usualmente tem estrias marrom-escuras, resultantes de ferimentos. Apresen-
tam lustre mediano e exala ocasionalmente odor desagradável. Normalmente
são moderadamente duras a pesadas; textura fina; grã tortuosa a irregular;
trabalhabilidade boa, entretanto, sua durabilidade é baixa, não sendo
Portanto usada no comércio.
77
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado refere-se as duas espécies do gênero Capparis ( C .
flexuosa e C. jacobinae), provenientes da Amazônia brasileira (rio Xingu)
e Caatinga nordestina. A primeira ocorre nas duas regiões, enquanto que a
segunda se limita à Caatinga. A identificação do material botânico foi feita
por especialistas e técnicos do Departamento de Botânica do Museu Paraense
Emílio Goeldi e por técnicos do Departamento de Botânica da Universidade
Federal do Ceará (UFCE); as exsicatas encontram-se registradas no Herbário
João Murça Pires do Museu Goeldi e Prisco Bezerra da UFCE. As espécies
estudadas e registradas na xiloteca W alter A. Egler, do Museu Goeldi, são
as seguintes:
Capparis cf. flexuosa L.
Brasil, Pará, Município de Altamira, Rio Xingu (Projeto Xingu),
coletada por Sérgio Mota, no período de 14/08/86 a 14/09/86. Número de
Xiloteca: 4959. Ceará, entre Tauá e Alvorada, coletada por Pedro Lisboa em
16/02/91 . Determinada por Afrânio Fernandes. Número de Xiloteca: 6746.
Capparis jacobinae Moriic.
Brasil, Pernambuco, arredores da cidade de Bodocó, coletada por
Pedro L. B. Lisboa e Carlos Silva em 12/02/91 . Determinada por Nelson A.
Rosa. Número de Xiloteca: 6820
Corpos de prova. De todas as amostras de madeira foram retirados um
corpo de prova de 2 x 2 x 2 cm.
Cortes histológicos. A obtenção dos cortes histológicos obedeceu a
técnica padrão para o estudo anatômico de madeira e foram feitos nos
laboratórios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e do Museu
Paraense Emílio Goeldi. Os corpos de prova foram fervidos por 2 horas em
água e posteriormente submetidos ao trabalho de microtomia, para obtenção
dos cortes nos planos tranversal, tangencial e radial, utilizando-se um
micrótomo de deslise Reichert. Após a clarificação e passagem em série
alcoólica, os cortes foram corados com safranina hidroalcoólica e montados
78
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Comparação anatômica do lenho de duas espécies do gênero Capparis da Amazônia
com bálsamo, entre lâmina e lamínula. Um corte de cada plano foi
conservado ao natural, para observação de inclusões celulares.
Maceração. Pequenas lascas longitudinais foram maceradas em uma
mistura de partes iguais de ácido acético glacial e água oxigenada 120
volumes e levadas à estufa, a 60°C por 24 horas. Em seguida, o material
dissociado foi lavado em água corrente, corado com safranina e preparadas
lâminas provisórias, misturando-se minúsculas parcelas do macerado em
gotas de glicerina.
Contagens. Os elementos anatômicos de maiores dimensões como
vasos (n°/mm 2 ), raios (largura e altura em número de células e freqüência por
mm linear) foram contados no Projetor Olympus Tokyo, com objetiva de
100x, em cortes transversal e tangencial. Para cada parâmetro foi utilizada
uma regra específica: as freqüências totais e tipos de vaso foram feitas em
20 campos escolhidos ao acaso; a largura dos raios em número de células foi
determinada em 100 raios (50 uni e 50 multisseriados), no corte tangencial,
anotando-se todos aqueles raios que tocassem a linha pontilhada que
atravessa horizontalmente a tela do projetor. O número de raios por mm
linear foi contado na linha horizontal referida, na extensão de 1 mm, tantas
vezes quantas necessárias para contemplar 50 contagens.
Medições. As medidas dos elementos anatômicos de menores dimen-
sões, como espessura da parede dos vasos, lume e espessura da parede das
fibras, foram determinados em microscópio Cari Zeiss Jena, utilizando-se
régua micrométrica. Os parâmetros maiores como comprimento de fibras e
de elementos vasculares, diâmetro dos vasos e altura dos raios em /xm foram
determinados no Projetor Olympus Tokyo. Para cada parâmetro anatômico,
cerca de 50 elementos foram mensurados, com exceção dos raios onde foram
medidos 50 raios uni e 50 multisseriados.
Fotomicrografias . As fotografias dos cortes transversal, tangencial e
radial mostrando o tecido lenhoso como um todo, foram feitas em
fotomicroscópio Zeiss, com 50x de aumento final. Para detalhes de estruturas
foram utilizados diversos aumentos.
Descrições. O material em estudo foi descrito de acordo com as normas
recomendadas pela International Association of Wood Anatomists (IAWA).
79
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
RESULTADOS
A partir da análise microscópica qualitativa e quantitativa das estruturas
das madeiras do gênero Capparis obteve-se os seguintes resultados: Nas
descrições são utilizados os símbolos A ( = Amazônia) eC(= Caatinga) para
distinguir quando a amostra é oriunda de uma ou de outra região.
Capparis cf.flexuosa L. (Figura 1)
Madeira com anéis de crescimento em faixas indistintas ou ausentes.
Vasos difusos, solitários predominantes (62% Amazônia, 71 % Caatinga), de
contorno arredondado; múltiplos (38%A:, 29%C.); placa de perfuração
simples; diâmetro tangencial em média de 72,5 pm (64/xm A., 81/im C.);
freqüência de vasos de 15 a 37 por mm 2 , em média 26-(de 22 a 37 A., em
média 27; de 15 a 31 C., em média 24); comprimento médio dos elementos
de vaso 186 fim (194 fim A., 178,4 pm C.); pontuações intervasculares
alternas, raras escalariformes na amostra da Caatinga; pontuações raio-
vasculares com areolas bem reduzidas até aparentemente simples. Parênquima
axial aliforme, predominantemente de aletas largas, as vezes confluentes.
Raios não estratificados, em média 16 por mm linear (18 A., 14 C.);
unisseriados (17,1% A.; 29,3% C.) multisseriados (82,9% A., 70,7% C.);
altura em média de 203,4 pm (242,8 pm A. , 164,0 Nm C.) e por número de
células de 13,1 em média (16,1 A., 10,1 C.); células total ou predominan-
temente procumbentes. Fibras com pontuações comuns vistos apenas na
maceração; comprimento médio de 454,6 fim (498,8 pm A., 410,4 pm C).
Capparis jacobinae Moric. (Figura 2)
Madeira com anéis de crescimento em faixas distintas. Vasos difusos;
solitários predominates 58%, de contorno arredondado; múltiplos 42%;
placas de perfuração simples; diâmetro tangencial de 68 pm em média;
número de vasos de 42 a 76 por mm 2 , em média 60; comprimento médio do
elemento de vaso de 193,6 pm; pontuações intervasculares alternas; pontua-
ções raio-vasculares com aréolas distintas, semelhantes às intervasculares
em tamanho e forma. Parênquima axial paratraqueal escasso. Raios ou
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Comparação anatômica do lenho de duas espécies do gênero Capparis da Amazônia
Figura 1 - Capparis flexuosa : a. corte tranversal (183x); b. corte tangencial (183x); c. corte radial (72x).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Figura 2 - Capparis jacobinae : a. corte tranversal (183x); b. corte tangencial (183x); c. corte radial
(72x).
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11
14
Comparação anatômica do lenho de duas espécies do gênero Capparis da Amazônia
elementos axiais irregularmente estratificados; em média 14 por mm linear;
unisseriados 17,2%, multisseriados 82,8%; altura em média de 539,4 /xm e
altura por número de células de 24,9 em média; células predominantemente
quadradas ocorrendo algumas células procumbentes. Fibras não septadas;
com pontuações areoladas distintas nas paredes radial e tangencial; compri-
mento médio de 413,6 /xm e diâmetro de 2,1 /xm.
DISCUSSÃO
As características identificadas para C. flexuosa e C . jacobinae estão
em concordância com aquelas feitas por Record & Hess (1943) e Metcalfe
& Chalk (1957) para toda a família Capparidaceae. As semelhanças ocorrem
a nível de todas as estruturas, como os elementos de vaso que na família são
predominantemente solitários, bem como em relação aos anéis de crescimen-
to, raios, fibras, e parênquima paratraqueal que varia de escasso até aliforme
confluente.
Comparando-se as duas espécies observa-se, uma certa semelhança
entre as estruturas anatômicas de ambas. Isso era esperado uma vez que a
anatomia da madeira é sempre homogênea a nível genérico e a anatomia da
própria família Capparidaceae é bastante homogênea. Entretanto, algumas
diferenças foram verificadas nos anéis de crescimento, que são distintos em
C. jacobinae e indistintos em C. jlexuosa. As pontuações das fibras de
C. flexuosa possuem aréolas distintas visíveis apenas em material macerado,
enquanto em C. jacobinae, as pontuações são comuns nas paredes radial e
tangencial, quando observadas em corte histológico; o parênquima axial é do
tipo vasicêntrico escasso em C. jacobinae e aliforme predominantemente de
aletas largas, confluentes ou não em C. Jlexuosa. As células dos raios de
C. jacobinae são em sua maioria do tipo ereta ou quadrada, ocorrendo poucas
células procumbentes. Em C. flexuosa as células dos raios são todas
procumbentes.
A análise quantitativa das estruturas mostrou que há algumas diferenças
entre as espécies e essas diferenças são discutidas no item seguinte.
83
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Comparação anatômica entre C. flexuosa e C. jacobinae
conforme sua procedência
Os elementos de vaso das amostras da Amazônia e da Caatinga
apresentam certa uniformidade nas dimensões e contagens. A freqüência por
mm 2 mostra ser mais conspícua em C. jacobinae, espécie que ocorre somente
na Caatinga (Figura 3). Nesta espécie a freqüência é praticamente o dobro
daquela apresentada pelas amostras de C. flexuosa, independente se da
Caatinga ou da Amazônia. Os vasos solitários predominam para as duas
espécies, sendo um pouco maior para a amostra da Amazônia (Figura 4). As
variações do diâmetro e comprimento dos elementos de vaso não são
significativas, mostrando que não há tendência para uma maior ou menor
diferença quantitativa de vasos em qualquer dos ecossistemas (Figura 5). Um
exemplar de C. flexuosa da Caatinga apresenta elementos mais curtos,
enquanto em C. flexuosa da Amazônia e C. jacobinae, os valores de
comprimento se equivalem. Quanto aos raios, predominam sempre os
múltiplos como um todo, porém em C. flexuosa da Caatinga os trisseriados
estão quase ausentes, enquanto que em C. flexuosa da Amazônia e C.
jacobinae estão em quantidades quase semelhantes. A altura dos raios tanto
em número de células quanto em micrômetros é distintamente maior para C.
jacobinae. O comprimento das fibras também não revelou diferença muito
significativa, sendo que as amostras de C. flexuosa da Amazônia possuem
fibras um pouco mais compridas (Figura 6).
CONCLUSÕES
A análise qualitativa e quantitativa das estruturas mostrou que não há
uma tendência expressiva de alterações de suas dimensões em função das
características do meio ambiente.
A oferta de água na Amazônia ou sua escassez na Caatinga aparente-
mente não determinaram qualquer alteração na anatomia da madeira das
espécies estudadas, o que leva a concluir que as características não são
modificadas pelo clima, sendo determinada pelo material genético das
espécies.
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70 -|
60 -
50
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30
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10
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AMAZÔNIA CAATINGA
□ C. flexuosa ■ C. jaconinae
Figura 3 - Freqüência de vasos por milímetro quadrado em Capparis da Amazônia (rio Xingu) e da
Caatinga Nordestina.
C. flexuosa/Amaz. C. flexuosa/Caat.
C. jacobinae
Pigura 4 - Vasos múltiplos e solitários em Capparis da Amazônia (rio Xingu) e da Caatinga Nordestina.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
2
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C. flexuosa/Amaz. C. flexuosa/Caat. C. jacobinae
■ Diâmetro □ Comprimento
Figura 5 - Diâmetro e comprimento (fim) dos elementos de vaso em Capparis da Amazônia (rio Xingu)
e da Caatinga Nordestina.
Amazônia
□ C. flexuosa
Caatinga
I C. jacobinae
Figura 6 - Comprimento (fim) das fibras em Capparis da Amazônia (rio Xingu) e da Caatinga
Nordestina.
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Comparação anatômica do lenho de duas espécies do gênero Capparis da Amazônia
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87
CDD: 583.17044
ESTUDO ANATÔMICO DOS ÓRGÃOS
VEGETATIVOS DE URENALOBATÁ L. (MALVACEAE ) 1
Manoel Euclides do Nascimento 2
Raimunda C. de Vilhena Potiguara 3
RESUMO - Este trabalho faz parte da segunda etapa do projeto Plantas
Fibrosas utilizadas pelos artesões paraenses da microrregião do Salgado-Pa.
A primeira etapa consistiu de um levantamento etnobotânico, já publicado. O
objetivo desta segunda fase é o estudo da anatomia dos órgãos vegetativos
dessas espécies. Urena lobata L., é uma espécie de origem asiática e perfeita-
mente adaptada na região Amazônica, onde é encontrada sob cultivo e em estado
subespontâneo colonizando capoeiras. Popularmente é conhecida como malva
carrapicho e utilizada na confecção de sacarias e tapetes. Foram realizadas
além da dissociação de epidermes, cortes transversais e maceração das fibras
da região cortical do caule. Foi observado que esta espécie é anfiestomática,
com freqiiência estomática maior na epiderme adaxial, presença de nectário
extrafloral na face abaxial da base da nervura central, com células papilosas
secretoras apresentando núcleos grandes e citoplasma denso, tricomas estrela-
dos, simples e capitados, e tecido condutor aberto na raiz e no caule.
A maceração das fibras corticais do caule foi feita em dez indivíduos, foram
medidas dez fibras em cada, totalizando 100 repetições. As fibras apresentaram
comprimento médio que variou de 920-5940 pm e largura média de 11-34 pm.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia vegetal, Órgãos vegetativos, Urena lobata,
Malvaceae.
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq. Curso de Pós-
Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPa), em convênio com o
Museu Paraense Emílio Goeldi.
3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depart 0 de Botânica. Caixa Postal 399.CEP
66.040-170. Belém, PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
ABSTRACT - This work is part of a second phase ofthe Project Fiber Plants
that are usedby artisans from lhe Salgado region (Pará, Brazil). The first part,
the ethnobotanic study, has been already published. The objective ofthe second
part consists on the study of the vegetative organs anatomy of these species.
During this survey, wefound the Asian species UrenalobataL., whichis totality
adapted to the acid soils from Amazon region, and grows in secondary
vegetation. lt is known as malva carrapicho and it is used in bag and carpets
production. We studied the epidermis dissociations, and made transverse
sections and maceration of the stem to measure the fibers. This species is
amphistomatic, with a high stomatic frequency in the adaxial surface; there is
an extrafloral nectary in the abaxial surface ofthe principal vein. It wasfound
star-shaped, simple and capitate trichomes; and also opened vascular tissues
in the root and stem. The maceration ofthe cortical fibers ofthe stem was made
on 10 individuais, with 10 fibers measured on each, in a total of 100 repetitions.
The fibers present 920-5940 prn in length and 1 1-34 pm in breadth.
KEY WORDS: Plant anatomy, Vegetative organs, Urena lobata, Malvaceae.
INTRODUÇÃO
O Brasil possui uma grande variedade de plantas potencialmente
fibrosas com largo interesse comercial e nas últimas décadas tem ocupado
uma posição de destaque na produção mundial de fibras vegetais. Um grupo
de pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi catalogou várias
espécies fibrosas da região do Salgado-Pa (Vilhena et al., 1987) e (Oliveira
et al. , 1991).
Urena lobata L., popularmente conhecida como malva carrapicho,
pertencente a família Malvaceae Adans, possui cerca de 88 gêneros e 2.300
espécies, distribuídas nas regiões tropicais, subtropicais e temperadas do
Globo, e principalmente na América do Sul. No Brasil, estão representadas
por cerca de 31 gêneros e 200 espécies (Barroso 1978). Urena lobata L. é
representante das plantas fibrosas da microrregião do Salgado do Estado do
Pará, é utilizada pelos artesões como amarrilhos e também como matéria
prima na indústria de sacarias e de tapetes.
Esta espécie de origem asiática, é bem aclimatada na região amazônica
e não necessita de solos ricos em nutrientes. É um arbusto cujo caule chega
90
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Estudo anatômico dos órgãos vegetativos de Urena Lobata L.
a atingir cerca de 2,5m de altura (época do corte) que geralmente coincide
com a primeira floração. As folhas são pecioladas, alternas, ovaladas e
lobadas na mesma planta, caracterizando a heterofília, ambas com nectário
extrafloral na base da nervura mediana, na face abaxial da folha.
Os autores Metcalfe & Chalk (1957) e Solereder (1908) apresentam as
características anatômicas gerais da família Malvaceae e alguns gêneros,
entre eles, Urena, porém não fazem referência a espécie em estudo.
Este trabalho tem por finalidade o estudo anatômico dos órgãos
vegetativos de Urena lobata, e a localização e caracterização das fibras
utilizadas comercialmente.
MATERIAL E MÉTODOS
O material foi coletado no Campus do Museu Paraense Emílio Goeldi,
Reserva do Mocambo-Pa, e encontra-se depositado no herbário João Murça
Pires, MG, sob os números: 191900 e 53340.
Dissociação de epidermes
Foram utilizadas folhas do quarto nó de ramos apicais de cinco
indivíduos, seccionadas cinco regiões de cada folha (ápice, meio do limbo,
base, nervura central e margem), imersas numa solução de ácido nítrico 25 %
aquoso e fervida por aproximadamente cinco minutos. A separação das
epidermes ocorreu em meio aquoso com auxílio de pincel, corada em
Astrablau e Fucsina Básica , montada em glicerina, entre lâmina e lamínula.
Cortes histológicos
Foram utilizadas cinco amostras seccionadas nas seguintes regiões:
região apical do caule (quarto entrenó), região mediana da raiz, e as seguintes
regiões da folha (pecíolo, mesofilo e nectário extrafloral). Foram cortados
transversalmente à mão livre , com auxílio de lâmina de barbear. Utilizou-se
coloração e técnica de montagem usuais em anatomia vegetal (Johansen
1940).
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Maceração
A maceração de partes do córtex do caule adulto ocorreu também na
solução de ácido nítrico 25% aquoso, em estufa a 50°C por 24 horas. As
fibras foram lavadas em água corrente e coradas com Fucsina Básica 1 % em
álcool 50 e montadas em glicerina entre Lâmina e lamínula.
Fotomicrografías, contagens e medições
As fotomicrografías, contagens e medições foram feitas com auxílio de
foto-microscópio e microscópio com câmara clara. O índice estomático
IE = S / IE -I- S x 100, onde S = número de estômatos por unidade de área
eE = número de células epidérmicas por unidade de área, sendo a área igual
a 0,96 mm 2 , obtida por S = II r 2 (Esaú 1985), foi obtida pela contagem de
dez campos nas epidermes adaxial e abaxial, em cinco partes da folha e
repetidas em cinco indivíduos de procedências diferentes. As medições das
fibras (comprimento, largura do lúmen e espessura das paredes) foram
realizadas em dez fibras da região cortical do caule por indivíduo, e repetidas
em dez espécimes.
RESULTADOS
Em vista frontal as células epidérmicas adaxial e abaxial apresentam
paredes onduladas, estômatos paracíticos e células de mucilagem. O que as
diferencia são os tipos de tricomas (Figuras 1-2). As células epidérmicas
possuem formas irregulares em virtude das ondulações bem pronunciadas de
suas paredes e são cobertas por cutícula fina e estriada (Figura 3). Os
tricomas são encontrados em ambas epidermes com uma distribuição
aleatória no limbo foliar. Esses tricomas são de três tipos: simples, estrelados
e capitados. Os tricomas simples são unicelulares e ocorrem na epiderme
adaxial; os tricomas estrelados curtos ocorrem na epiderme adaxial e os
alongados na epiderme abaxial; os tricomas capitados são encontrados em
ambas faces do limbo, com maior frequência na epiderme abaxial, são
piriforme, pluricelular, com seis células: uma basal, uma formando o
pedicelo (pescoço) e quatro células apicais (cabeça) revestida por uma
delicada cutícula (Figuras 2-4).
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Estudo anatômico dos órgãos vegetativos de Urena Lobata L.
Figura 1 - U. lobata L., Vista frontal da epiderme superior mostrando tricomas estrelados (TE),
estômatos (E). (366x).
Pigura 2 - U. lobata L. , Vista frontal da epiderme inferior, mostrando tricomas estrelados (TE), células
triucilaginosas (CM), estômatos (E) e tricoma glandular (TG). (183x).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Figuras 3-4 - 3) U. lobata L., Epiderme superior em vista frontal apresentando cutícula estriada (CE)
e o estômato paracítico (1557x). 4) U. lobata L., Epiderme inferior em vista frontal com tricoma
capitado (TC). (623x).
A folha é anfíestomática e revelou um índice estomático na epiderme
adaxial de 14.89, maior do que aquele da epiderme abaxial com IE= 10,22.
Os estômatos são paracíticos, com uma das células subsidiárias maior que a
outra, sendo que a maior projeta-se sobre a menor.
Em corte transversal à folha, observa-se o mesofilo constituído de um
parênquima paliçádico, ocupando cerca da metade do mesofilo no sentido
dorsiventral, e um parênquima lacunoso com grandes espaços entre as
células. Os feixes vasculares encontram-se envolvidos por uma bainha de
células parenquimáticas sem cloroplastos, formando uma bainha de extensão
que direciona-se para a epiderme abaxial . É comum a presença de idioblastos
cristalíferos no parênquima paliçádico e no parênquima lacunoso (Figura 5).
Na nervura central, em corte transversal, os tecidos estão organizados
da seguinte maneira: epiderme uniestratificada com tricomas simples,
estrelados e capitados. Anexo às epidermes adaxial e abaxial ocorre
colênquima lacunar e angular com cerca de seis camadas principalmente
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Estudo anatômico dos órgãos vegetativos de Urena Lobata L.
próximo da epiderme adaxial, seguido por parênquima com numerosos
idioblastos cristalíferos em drusas de oxalato de cálcio, próximo à epiderme
abaxial (Figura 6). Os canais de mucilagem encontram-se às proximidades
dos feixes vasculares, estes são esquizógenos, rodeados de células irregula-
res. O xilema se dispõe em raios voltados para a face adaxial, delimitado
opostamente por pequenos agrupamentos de fibras e por ninhos de (Figura 6).
Figura 5 - U. lobata L., Corte transversal da folha destacando o mesofilo cora parênquima paliçádico
(PP), parênquima lacunoso (PL), bainha perivascular (BP) e tricoma estrelado (TE) (183x).
Em U. lobata L. o nectário extrafloral localiza-se sobre a face abaxial
da nervura mediana, na base das folhas, tanto nas folhas lobadas quanto nas
folhas ovais. É evidenciado externamente como uma estrutura oval com uma
fenda longitudinal para qual é secretado o néctar. Junto aos nectários são
observadas frequentemente formigas.
O nectário dessa espécie é constituído de células parenquimáticas e
colunas isoladas de células papilosas secretoras, arranjadas anticlinalmente.
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Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Essas papilas secretoras possuem o núcleo grande e evidente, o citoplasma
denso e são envolvidas por uma delicada cutícula (Figura 6).
Na região mediana do pecíolo, em corte transversal, observa-se a
epiderme uniestratifícada e intercalada por tricomas simples, estrelados e
capitados. Das 13 camadas de células, observadas na região cortical, as 7 que
localizam-se logo abaixo da epiderme, constituem colênquima lacunar, as
demais células do parênquima cortical apresentam idioblastos cristalíferos e
um canal de mucilagem próximo ao feixe vascular (Figura 7).
O cilindro central do peciolo dispõe-se circularmente em feixes
descontínuos, possui calotas de fibras no floema e em menor quantidade no
xilema. A medula possui canais de mucilagem distribuídos aleatoriamente
(Figura 7).
O corte transversal, na região apical do caule, em crescimento
secundário, nota-se uma epiderme uniestratifícada e intercalada por tricomas
simples, estrelados e capitados. Abaixo da epiderme há um colênquima
lamelar seguido pelas células do parênquima cortical ricas em cristais e uma
camada amilífera tangenciando a região vascular (Figura 8).
O sistema condutor do caule é formado a partir de câmbio contínuo
caracterizando um desenvolvimento secundário, originando externamente o
floema e internamente o xilema. O floema apresenta calotas de fibras bem
desenvolvidas. O xilema contínuo, ao contrário do floema, apresenta
crescimento centrípeto e disposição radial. A medula apresenta canais de
mucilagem em maior número que no pecíolo (Figura 8).
As fibras corticais deste órgão são libriformes, uniformemente retas
com leves entalhes principalmente nas extremidades, lúmen mostrando
constrições pelo engrossamento ondulado da parede da fibra. O comprimento
das fibras apresenta grande variação, medindo de 920 a 5940 /xm, assim como
sua largura que varia de 1 1 a 34 /xm (Figura 9).
Na região mediana, a raiz em corte transversal, a periderme revela o
felema constituído por várias camadas de células sem conteúdo
protoplasmático, e tangencialmente alongadas (Figura 10).
O sistema condutor da raiz apresenta os elementos do xilema disposto
circularmente, intercalado por raios medulares, formado a partir do câmbio.
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Estudo anatômico dos órgãos vegetativos de Urena Lobata L.
•'igura 6 - U. lobata L. , Corle transversal da nervura central região basal, apresentando o feixe vascular
(FV) Nectário extrafloral com cavidade nectarífera (CN), células papilosas (CP), canais de mucilagem
(CAM). (73. 2x).
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Figura 7 - U. lobata L., Corte transversal na região mediana do pecíolo mostrando tricomas estrelados
(TE), colênquima lacunar(CL) , canais de mucilagem (CAM), feixe vascular (FV), cristais em drusas
de oxalato de cálcio (C). (73. 2x).
Estudo anatômico dos órgãos vegetativos de Urena Lobata L.
Figura 8 - U. lobata L. , Caule em corte transversal destacando o tricoma estrelado (TE), fibras corticais
de floema (FF), floema (F), xilema (X) e canais de mucilagem (CAM). (183x).
Figura 9 - U. lobata L., Maceração da região cortical do caule destacando as fibras, setas indicam
espessamento e entalhes na parede (183x).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Este origina externamente o floema em várias camadas alternas superpostas
de elementos condutores e fibras esclerenquimáticas, com forma piramidal,
onde a base está voltada para o câmbio, e intercalada lateralmente por células
parenquimáticas. A disposição do xilema é semelhante a do caule, porém
neste órgão não há parênquima medular, nem canais de mucilagem. Na
região central ocorre o sistema condutor primário e os cristais são amplamen-
te distribuídos (Figura 10).
Figura 10 - U. lobata L., Corte transversal da Raiz mostrando xilema primário (XP), xilema secundário
(XS), floema secundário (FS), raios medulares (RM)( 73. 2x).
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Estudo anatômico dos órgãos vegetativos de Urena Lobata L.
DISCUSSÃO
Segundo Metcalfe & Chalk (1957) e Solereder (1908) os tricomas
estrelados são específicos à família, podendo ser encontrado outros tipos
como simples unicelulares, peitados e glandulares. Na espécie U. lobata o
tipo peitado não foi observado, havendo entretanto uma maior frequência de
tricomas glandulares na epiderme abaxial. De acordo com esses autores os
estômatos dos taxa da família Malvaceae são do tipo ranuculaceo, entretanto
na espécie U. lobata, além do ranunculaceo predomina o tipo paracítico.
A superfície foliar das espécies Gossipium arboreum, G. herbaceum e
G. hisurtum (Inandar & Chohan 1969) e em Thespesia lampse, T. populnea
(Rao & Ramayya 1982) são anfiestomáticas, e na espécie em estudo também
foi observado este caráter, que segundo Metcalfe & Chalk (1957) é
característico da família Malvaceae.
Os nectários extraflorais, presentes na espécie em estudo, são estruturas
secretoras, localizadas em órgãos vegetativos. São assim denominados por
produzirem substâncias açucaradas ou néctar que é composto por
monossacarídeos, dissacarídeos, aminoácidos, proteínas e traços de vários
outros compostos, o qual desperta grande atração aos insetos (Bentley &
Elias 1983), e segundo esses autores os nectários extraflorais são comuns nas
famílias Malvaceae e Convolvulaceae.
Nessa espécie é marcante a presença de mucilagem secretada por
células e transportadas por canais mucilaginosos ao longo do caule, peciolo
e nervura central da folha. A prática de imergir as hastes na água por 8 a 20
dias é para diluir o cimento péctico e separar os feixes de fibras da casca e
das demais células da região cortical (Medina 1959).
As calotas de fibras do floema do caule de U. lobata alternam-se em
várias camadas, essa característica anatômica indica o potencial fibroso da
espécie, as quais são exploradas para fins comerciais, principalmente como
matéria prima na fabricação de sacarias e tapetes.
As fibras corticais da casca dessa espécie apresentou uma grande
variação em comprimento, embora com uma grande uniformidade na
morfologia. Maiti (1980) classificou as fibras de U. lobata como brandas e
de boa qualidade, adequadas para fabricação de cordoalhas.
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De acordo com algumas características como: fineza, índice de rigidez,
comprimento de ruptura e densidade aparente, as fibras de malva demons-
tram qualidades que as indicam como sucedâneas da juta (Medina 1959).
AGRADECIMENTOS
Ao Museu Paraense Emílio Goeldi/CNPq, onde se desenvolveu todo o
trabalho. Ao amigo Luiz Carlos Lobato pelo auxílio na preparação de cortes
histológicos, assim como a todos que direta ou indiretamente contribuíram
para a realização do presente trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARROSO, G.M. 1978. Sistemática de angiospermas do Brasil. São Paulo, EPU/USP,
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BENTLEY, B. & ELIAS, T. 1983. The biology of nectáries: Kxtrafloral nectáries: Their
structure and distribuition. New York, Columbia University Press, p. 176-203.
ESAU, K. 1985. Anatomia vegetal. São Paulo, Ômega, 779p.
FHAN, A. 1977. Anatomia vegetal. 3 ed., São Paulo, Pirâmides, 599p.
INANDAR, J.A. & CHOHAN, A.J. 1969. Epidermal structure and stomatal development
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MA1TI, R.K. 1980. Plant fibres. Bishen Singh Mahendra Pal Singh Dehra Dun, 299p.
MEDINA, J.C. 1959. Plantas fibrosas da flora mundial. Campinas, Instituto Agronômico
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OLIVEIRA, J.; ALMEIDA, S.S.; VILHENA, R. P. & LOBATO, L. C. B. 1991. Espécies
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RAO, S.R.S. & RAMAYYA, V. Taxonomic importance of epidermal characteres in the
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do Pará (Pará-Brasil). Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, ser. Bot. 3(2): 279-301.
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LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - VI.
O PÓLEN DOS GÊNEROS CHAETOCALYX DC,
DUSSIA KRUG. & URB. EX TAUB. E VATAIREOPSIS
DUCKE (LEGUMINOSAE-PAPILIONOIDEAE)
Léa Maria Medeiros Carreira 1
Iêda Maria Américo de Castro 2
Janielba do S. Braga Contente 3
José Rosenildo Campos Lopes 2
Flávia Cristina Araújo Barata 2
RESUMO - Os grãos de pólen dos gêneros Chaetocalyx. , Dussia e Vataireopsis
foram analisados quanto ao tamanho, ao número de aberturas, à forma e à
estratificação da exina. Foi observado que as espécies do gênero Chaetocalyx
apresentam grãos de pólen prolatos, 3-colporados, de superfície microrreticulada,
amb subtriangular e endoabertura circular, diferenciando-se apenas quanto ao
tamanho, médios em C. brasiliensis e pequenos em C. scandens var. pubescens.
Os grãos de pólen de Dussia são pequenos, subprolatos, 3-colporados de
superfície punctada, variando apenas quanto ao âmbito, circular em D . discolor
e triangular em D. tessmanii. Os do gênero Vataireopsis são pequenos,
prolatos, 3-colporados, de superfície reticulada, em V. speciosa e
microrreticulada em V. iglesiasii. De um modo geral, os gêneros investigados
são estenopolínicos. Chaves polínicas foram elaboradas a fim de separar as
espécies estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Leguminosae, Papilionoideae, Morfologia Polínica,
Amazônia brasileira, Chaetocalyx, Dussia, Vataireopsis.
1 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. Botânica. Caixa Postal, 399. CEP 66.040-170,
Belém-PA.
2 Bolsistas de Aperfeiçoamento Técnico do CNPq/MPEG, Processos N os 122225/94-5 e 121175/93-6,
Belém-PA.
3 Bolsista de Iniciação Científica do CNPq/MPEG, Processo N° 110086/92-2, Belém-PA.
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ABSTRA CT - Pollen grains of the Chaetocalyx, Dussia and Vataireopsis were
studied irt regard to size, number ofapertures, shape and exine stratification.
lt was noted that the pollen grains of species Chaetocalyx are prolate, 3-
colporate, with a microreticulate surface, subtriangular and amb circular
endoaperture, differing only size, médium in C. brasiliensis and small in C.
scandens var. pubescens. The Pollen grains of Dussia are small, subprolate, 3-
colporate, ofa punctate surface, varying only by its amb. The amb is circular
in D. discolor and subtriangular in D. tessmannii. Tltose of Vataireopsis are
small, prolate spheroidal and 3-colporate. The surface is reticulate in V.
speciosa and microreticulate in V. iglesiasii. The genera investigated are
stenopalynous and eurypalynous. Pollen keys were elaborated to separate the
species studied.
KEY WORDS: Leguminosae, Papilionoideae, Pollen morphology, Brazilian
Amazon, Chaetocalyx, Dussia, Vataireopsis.
INTRODUÇÃO
Os gêneros Chaetocalyx DC., Dussia Krug & Urb. ex Taub. e
Vataireopsis Ducke estão representados na flora da Amazônia Brasileira,
segundo listagem prévia de Silva et al. (1989), pelas espécies Chaetocalyx
brasiliensis (Vog.) Benth., C. scandens Urb. var. pubescens (DC.) Rudd,
Dussia discolor (Benth.) Amsh., D. tessmannii Harms., Vataireopsis
iglesiasii Ducke e V. speciosa Ducke respectivamente.
Esses gêneros já foram revisados taxonomicamente, no entanto, seus
autores para descrever as espécies investigadas não citaram informações
sobre a morfologia polínica, com exceção de Vataireopsis .
As revisões taxonômicas foram feitas por Rudd (1958) para o gênero
Chaetocalyx, por Rudd (1963) para Dussia e por Lima (1980) para
Vataireopsis.
A respeito da morfologia polínica dos referidos gêneros Ferguson &
Skvarla (1981) descreveram sucintamente os grãos de pólen da espécie
Chaetocalyx latisiliqua (Poir.) Benth. ex Helms. e do gênero Dussia. Lima
(1980) fez breves comentários sobre a morfologia polínica da espécie
Vataireopsis speciosa.
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Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
Quanto à importância econômica das espécies estudadas Record & Hess
(1943) informaram que a madeira de Dussia é estritamente utilizada em
algumas serrarias, carpintarias e em construção de casas. Schipp (1958)
observou que a folhagem de Chaetocalyx brasüiensis cobre as árvores
formando um tapete, apresentando desta maneira características ornamen-
tais. Mexia (1958) observou que as folhas torradas de Chaetocalyx latisiliqua
são usadas como medicinal, no tratamento das erupções cutâneas. Para Silva
et al. (1989) e Loureiro & Silva (1968), a madeira de Vataireopsis iglesiasii
vulgarmente conhecida como “faveira”é usada na confecção de caixas e
construção em geral.
Analisar os grãos de pólen das espécies dos gêneros em questão, cujos
resultados obtidos poderão contribuir aos demais estudos relacionados à
família Leguminosae Papilionoideae, é o objetivo principal deste trabalho.
MATERIAL E MÉTODOS
1 -Material Botânico: Foram utilizados botões florais adultos retirados
de amostras existentes nos herbários IAN (CPATU/EMBRAPA),
MG (Museu Paraense Emílio Goeldi) e (MO) Missouri Botanical
Garden.
2 -Métodos: As lâminas foram preparadas segundo o método de
acetólise de Erdtman (1952).
Em 25 grãos de pólen, escolhidos ao acaso, foram feitas as medidas dos
eixos polar e equatorial, utilizando-se uma objetiva de 40x, e em seguida,
esses valores foram submetidos ao tratamento estatístico (média, variância,
desvio padrão e coeficiente de variância). As medidas da estrutura da exina
foram feitas em 1 0 grãos, utilizando-se a objetiva de 1 00x, onde foi calculado
somente a média aritmética.
Nas descrições polínicas foi usada a seqüência padronizada de Erdtman
(1969), a classificação da exina microrreticulada estabelecida por Praglowsky
& Punt ( 1 973) e a nomenclatura baseada no Glossário Ilustrado de Palinologia
de Barth & Melhem (1988).
As fotomicrografias de luz foram obtidas em um fotomicroscópio
ZEISS.
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Abreviaturas usadas nas descrições e nas legendas das figuras.
amb - âmbito
DL - diâmetro do lúmem
E - eixo equatorial
NPC - número, posição e caráter das aberturas
P - eixo polar
PMG - número de registro da palinoteca do Departamento de
Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi.
P/E - relação entre as medidas dos eixos polar e equatorial
ML - microscopia de luz
VE - vista equatorial do grão de pólen
VP - vista polar do grão de pólen
RESULTADOS
a) Descrições polínicas
Chaetocalyx brasiliensis (Vog.) Benth. ( Figura la,b,g)
Coletor: R. L. Fróes 30228
Determinador: A. Ducke 1953
Herbário: IAN 80386
Palinoteca: P/MG 01033
Procedência: Monte Alegre/PA
Grãos médios, isopolares, de simetria radial, forma prolata, amb
triangular, 3-colporados, de superfície microrreticulada. A endoabertura é
circular. P = 31,5±0,7(29-33)/xm; E= 19± 1 , l(16-24)/xm; P/E= 1 ,68;
NPC = 345; DL=0,95/xm. A sexina (0,9/*m) é um pouco mais espessa que
a nexina (0,7/xm). O teto é ligeiramente ondulado e os muros são simples
baculados. Os lumens tendem a ser mais largos próximo aos mesocolpos,
estreitando-se na região central dos grãos de pólen tanto em ML como em
MEV.
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Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
Figura 1 - Pólen de Chaetocalyx brasiliensis ML: a) VE, corte ótico; b) Idem, ormanentação da exina
(1050x). MEV: g) VE, aspecto da ornamentação da exina (3000). Pólen de Chaetocalyx scandens var.
pubescens. ML: c) VP, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina; e) VE, corte ótico e aspecto da
endoabertura; f) Idem, ornamentação da exina (1050x).
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Chaetocalyx scandens Urb.var. pubescens (DC.) Rudd. ( Figura lc-f)
Coletor: R. P. Belém & J. M. Mendes 328
Herbário: MO 4080307
Palinoteca: P/MG 01250
Grãos pequenos, isopolares, de simetria radial, forma prolata, amb
subtriangular, 3-colporados, de superfície microrreticulada. A endoabertura
é circular. P=23,5±0,l(22-24)^m; E= 15±0, 5(14-16, 5)/xm; P/E= 1,59;
NPC = 345; DL=0,72/xm. A sexina (0,9/xm) é também um pouco mais
espessa que a nexina (0,7^m). O teto é ligeiramente ondulado e os muros são
simples baculados. Os lumens estão distribuídos uniformemente.
Dussia discolor (Benth.) Amsh. ( Figura 2a-í)
Coletor: A. Ducke s/n
Determinador: A. Ducke 1916
Herbário: MG 16411
Palinoteca: P/MG 0900
Procedência: Rio Tapajós/PA
Grãos de pólen pequenos, isopolares, de simetria radial, forma subprolata,
amb circular, 3-colporados, de superfície punctada. A endoabertura é
lalongada. P= 16±0,3(14-17)^m; E = 14±0,4(13-16)/im; P/E = 1,14;
NPC = 345. A sexina (0,7/xm) é um pouco menos espessa que a nexina
(0,8/zm) e torna-se menos espessa ainda, a medida que se aproxima dos
colpos. O teto é liso e as pontuações encontram-se distribuídas de maneira
uniforme. Em MEV, observa-se que os muros são bastante espessos e as
pontuações distribuídas irregularmente.
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Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
Figura 2 - Pólen de Dussia discolor. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c) VE,
corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina e aspecto dos colpos (1050x). MEV: e) VP, aspecto dos
colpos (3000x); f) VE, detalhe da ornamentação da exina (3000x e 5000x).
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Dussia tessmannii Harms. ( Figura 3a-f)
Coletor: G. T. Prance et al. 7459
Determinador: V.Rudd 1972
Herbário: MG 39061
Palinoteca: P/MG 0907
Procedência: Tarauacá/AC
Grãos pequenos, isopolares, de simetria radial, forma subprolata, amb
subtriangular, 3-colporados, de superfície microrreticulada. A endoabertura
é lalongada. P=16±0,5(14-17)/xm; E=14±0,5(13-16)jim; P/E= 1,15;
NPC = 345; DL= 0,70. A sexina (0,8/zm) é quase da mesma espessura que
a nexina (0,7/rrn), estreitando-se a medida que se aproxima dos colpos. O
teto é liso e as pontuações são bem mais distintas na região dos mesocolpos
tanto em ML como em MEV.
Vataireopsis iglesiasii Ducke. ( Figura 4a-f)
Coletor: A. Ducke 901
Determinador: A. Ducke 1942
Herbário: IAN 10477
Palinoteca: P/MG 01037
Procedência: Amazonas
Nome Vulgar: “faveira”
Grãos pequenos, isopolares, de simetria radial, forma prolataesferoidal,
amb subtriangular, 3-colporados, de superfície microrreticulada. A
endoabertura é lalongada. P= 16±0, 4(14-17, 5)/^m; E = 15,5 ±0,4(13-
16,5)/xm; P/E= 1,03; NPC = 345; DL=0,66/xm. A sexina (0,6/^m) é um
pouco menos espessa que a nexina (0,7/xm) e tanto a sexina como a nexina
diminuem de espessura próximo aos colpos. O teto é ligeiramente ondulado,
os muros são espessos e simples baculados e os.lumens são regulares e
uniformemente distribuídos tanto em ML como em MEV.
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Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
Figura 3 - Pólen de Dussia lessmannii. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina; c)
VE, corte ótico e aspecto da endoabertura; d) Idem, ornamentação da exina (1050x). MEV: e) VP,
aspecto dos colpos; f) VE, detalhe da ornamentação da exina (3000x).
111
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Figura 4 - Pólen de Vataireopsis iglesiasii. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina
c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (I050x) MEV: e) VP, aspecto dos colpos (3000x)
f) VE, detalhe da endoabertura e ornamentação da exina (3000x e 5000x).
SciELO
Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
Vataireopsis spe ciosa Ducke. ( Figura 5a-e)
Coletor: N. T. Silva 5269
Determinador: N. T. Silva 1981
Herbário: MG 134339
Palinoteca: P/MG 01102
Procedência: Almeirim /PA
Nome Vulgar: “fava amargosa”
Grãos pequenos, isopolares, de simetria radial, forma prolataesferoidal;
amb circular; 3-colporados, de superfície reticulada. A endoabertura é
circular. P=17±0,3(15-18)/xm; E = 16±0,4(12,5-18) M m; P/E= 1,06;
NPC = 345; DL=l,08/xm. A sexina (0,7/xm) é mais espessa que a nexina
(0,3/xm) e tanto a sexina como a nexina tornam-se menos espessas à
proporção que se aproximam dos colpos. O teto é ondulado, os muros são
bastante espessos e simples baculados. Os lumens são irregulares, encon-
tram-se uniformemente distribuídos e são maiores na região dos mesocolpos
tanto em ML como em MEV.
b) Chaves polínicas
1 - Gênero Chaetocalyx DC.
1 . Grãos de pólen pequenos
Chaetocalyx scandens var. pubescens
2. Grãos de pólen médios
Chaetocalyx brasiliensis
2 - Gênero Dussia Krug. & Urb. ex Taub.
1 . Grãos de pólen com amb subtriangular
Dussia tessmannii
2. Grãos de pólen com amb circular
Dussia discolor
113
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Figura 5 - Pólen de Vataireopsis speciosa. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina;
c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (1050x). MEV: e) VP e VE, aspecto dos colpos
e ornamentação da exina (3000x).
114
SciELO
11
Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
3 - Gênero Vataireopsis Ducke
1 . Grãos de pólen com superfície microrreticulada
Vataireopsis iglesiasii
2. Grãos de pólen com superfície reticulada
Vataireopsis speciosa
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
A morfologia polinica da subfamília Papilionoideae foi amplamente
estudada por Ferguson & Skvarla (1981). Os gêneros por eles investigados
foram distribuídos em 28 tribos, estando o gênero Dussia incluído na tribo
Sophoreae por comumente apresentar grãos de pólen 3-colporados, com
endoabertura bem definida. Baseados nesses caracteres estabeleceram os
seguintes grupos polínicos: Cadia, Myroxylon, Ormosia, Baphia, Dussia e
Sophora, sendo que os gêneros Alexa, Bowdichia, Panurea, Baphia,
Spirotropis, Chethrotropis , Petaladeniwn, Monopteryx e Sophora constitu-
em o grupo polínico Dussia.
Dussia Krug. & Urb. ex Taub.
Os grãos de pólen das espécies estudadas do gênero Dussia são muito
homogêneos quanto ao tamanho, forma e ornamentação da exina, diferindo
apenas quanto ao âmbito; nos de D. discolor o âmbito é circular e nos de
D. tessmannii subtriangular.
Os resultados obtidos neste trabalho correspondem com os encontrados
por Ferguson & Skvarla (1981), principalmente quando descrevem que os
grãos de pólen de Dussia são 3-colporados, com endoabertura bem definida.
Chaetocalyx DC.
Baseado nos caracteres taxonômicos Taubert (1894) colocou o gênero
Chaetocalyx na subtribo Aeschynomeninae constituído também pelos gêne-
ros Aeschynomene, Amicia, Balisaea, Brya, Cyclocarpa, Diphaea,
Discolobium, Fiebrigiella, Geissaspis, Isosdemia, Nissolia, Pictetia, Poiretia,
Pseudomachaerium, Raimondianthus , Smithia, Soemmeringia e
Weberbauerella.
115
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
De acordo com Rudd (1958), o gênero Chaetocalyx foi colocado na
tribo Lotae por De Candolle (1958) e posteriormente incluído por outros
autores na tribo Hedysareae.
Informações a respeito da morfologia polínica deste gênero não foram
encontradas ainda.
Foi observado que os grãos de pólen das espécies analisadas são
bastante homogêneos quanto a forma, ao âmbito, e ornamentação da exina,
diferindo somente quanto ao tamanho. Os de C. brasiliensis são médios e os
de C. scandens var. pubescens são pequenos.
Vataireopsis Ducke.
Lima (1980) informa que o gênero Vataireopsis pertence a tribo
Dalbergieae e que Ducke (1932) o descreveu baseado na espécie V. speciosa.
Lima (1980) cita ainda que os grãos de pólen de V. speciosa são de pequenos
a médios, prolatos, tricolpados, de superfície reticulada, sendo os colporos
largos e longos e o ós lalongado.
Foi verificado neste estudo que os grãos de pólen do gênero Vataireopsis
são homogêneos quanto ao tamanho e à forma, mas variam quanto ao âmbito,
à endoabertura e à ornamentação da exina. Os caracteres polínicos aqui
definidos para V. speciosa coincidem com os de Lima (1980).
De um modo geral, pode-se afirmar que os gêneros investigados, por
apresentar homogeneidade bastante significativa, representam gêneros
estenopolínicos,com exceção de Vataireopsis cujas espécies apresentam
grãos de pólen de superfície microrreticulada e reticulada de acordo com a
classificação de Praglowsky & Punt (1973).
AGRADECIMENTO
À Dra. O. M. Barth pelas fotomicrografias obtidas no MEV do Instituto
Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.
116
cm
SciELO
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Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Revisão Taxonômica do Gênero Vataireopsis Ducke (Leg. Fab.). Rodriguésia. 32
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117
CDD: 583.14304183
CRESCIMENTO, SOBREVIVÊNCIA E DENSIDADE
EM JUVENIS DE VOCHYSIA GUIANENSIS AUBL.
(VOCHYSIACEAE) EM FLORESTA AMAZÔNICA DE
TERRA FIRME 1
Samuel S. Almeida 2
Ivan Luiz G. Aragão 3
Paulo Jorge Dantas da Silva 4
RESUMO - Neste trabalho investigou-se a performance de dois grupos etários
de juvenis de Vochysia guianensis, em dois microhabitats distintos, clareiras
naturais e o sub-bosque da mata, objetivando registrar diferenças em processos
de dinâmica de crescimento e sobrevivência. Sorteou-se 10 quadras de 3x3 m
(9 m 2 ) próximas a án>ores matrizes de Vochysia guianensis, sendo 5 no sub-
bosque sombreado da mata (controle) e 5 em áreas de clareiras. Procedeu-se
o censo de todos os juvenis desta espécie, classificando-os em 2 grupos etários:
a) Juvenis de safra recente ( última safra, menos de 1 ano de idade) e b) Juvenis
de safras anteriores (mais que 1 ano de idade). Dentro de cada quadra, sorteou-
se 15 indivíduos de cada grupo etário para monitoramento das seguintes
variáveis: Densidade, crescimento e sobrevivência. Os resultados atestam que
a dinâmica populacional desta espécie em clareiras é mais intensa quando
comparada ao sub-bosque sombreado na mata, indicando ser um ambiente que
promove o incremento na população desta espécie.
PALAVRAS-CHAVE: Vochysia guianensis. Clareira natural, Crescimento e
mortalidade de juvenis, Amazônia.
1 Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Pesquisador. Caixa Postal
399, CEP 66.040-170. Belém, PA.
2 Aluno do Curso de Pós-Graduaçüo cm Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPa),
em convênio com o Museu Paraense Emílio Goeldi.
^ Bolsista do Curso de Especialização em Botânica, do convênio UFPA/MPEG/EMBRAPA.
119
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
ABSTRACT - Growth, survivorship, density of saplings ofV ochysia guianensis
( Vochysiaceae ) in an Amazonian upland forest. This paper reports on the
population performance oftwo age groups ofjuveniles of a tree species growing
in two distinct environrnents: Natural gaps and the forest understory, with the
purpose of registering differences in structure, growth and mortality processes.
Ten quadrats of 3x3 (9 m 2 ) were plotted at random near Vochysia guianensis
matrix trees, 5 in the shaded understory (control) and 5 in the tree fali gaps. The
survey ofall the juveniles ofthis species was carried out, classijying then in two
age groups: a) Juveniles ofrecent harvest (latest harvest, under I yearold); and
b) Juveniles of previous harvest, over 1 year old). Within each area 15
individuais of each age group were chosen for monitoring of the following
variables: Density, height, growth and survivorship. The reports on dynamics,
carried out for 1 2 months, show that the gaps promote an intense and significam
growing dynamic of the juveniles and of other populational parameters when
compared to shaded understory conditions, suggesting that this environment is
favorable to a population increase ofjuveniles of Vochysia guianensis.
KEY WORDS: Vochysia guianensis, Tree fali gaps, Growth, Survivorship;
Seedlings; Amazônia.
INTRODUÇÃO
O controle do nível de luminosidade é um atributo indispensável para
o manejo de florestas tropicais úmidas. Pesquisas recentes atestam que os
requerimentos por radiação solar variam entre e dentro de espécies, de
acordo com a história de vida de cada uma. Clareiras naturais são microhabitats
bem iluminados onde uma parcela significativa de espécies florestais
regeneram com sucesso suas populações.
Clareiras naturais, produzidas pela queda de árvores, têm sido consi-
deradas como um habitat importante para o estabelecimento e o ciclo de vida
de muitas espécies arbóreas (Denslow 1980). Na Costa Rica, estimou-se que
pelo menos 75 % das espécies arbóreas das florestas tropicais requerem uma
“fase de clareira” durante sua história de vida (Hartshorn 1980). Na
Amazônia Central, as clareiras cobrem até 15% da área florestal (Almeida
1989).
A avaliação da qualidade dos sítios de estabelecimento e a quantificação
do estoque de indivíduos jovens são primordiais para o estabelecimento de
120
Crescimento, Sobrevivência e densidade em juvenis de Vochysia guianensis Aubl.
níveis de intensidade de manejo, que mantenham o contingente populacional
reprodutivo e ecologicamente viável. A ausência desses parâmetros limita a
formulação de qualquer tipo de exploração de recursos madeireiros em bases
duradouras. Os diferentes padrões de história de vida e os requerimentos
específicos para as variáveis ambientais, requerem que cada espécie seja
estudada detalhadamente em suas particularidades, visando a permanência
do estado de equilíbrio dinâmico das populações sob utilização. (Orians
1982).
Os estudos ecológicos em florestas tropicais sobre o papel de clareiras
na dinâmica biológica de populações de plantas têm sido muito enfatizados
(McHarque & Hartshorn 1983; Brokaw 1985; Whitmore 1985; De La Cruz
& Dirzo 1987; Turner 1990).
Tais clareiras são, em parte, responsáveis por mudanças na composição
florística e na estrutura de comunidades florestais, moldando também a
dinâmica da regeneração natural (Hartshorn 1980; Denslow 1980; Orians
1982; Runkle 1982).
Clareira natural é uma abertura do dossel da floresta causada pela queda
de árvores copas ou mesmo galhos (Almeida 1989). Neste ambiente existem
diversas condições ambientais distintas daquelas vigentes no sub-bosque,
com alterações microclimáticas significativas. O efeito do mosaico micro-
ambiental direciona as respostas fisiológicas das plantas e proporciona
condições para a germinação de sementes e a colonização de plantas com
requerimentos específicos (Orians 1982).
A falta de informações sobre a ação dos aspectos ecológicos que podem
influenciar os padrões de regeneração natural de espécies arbóreas da floresta
amazônica, tem imposto limites às práticas de conservação e manejo
florestal. A constatação de que cada espécie possui requerimentos específicos
para sítios de regeneração (Orians 1982; Brokaw 1989), exige um conside-
rável esforço de investigação científica.
Características da espécie
A “quaruba branca” ( Vochysia guianensis Aubl.) é uma espécie
abundante na parte setentrional da Amazônia Oriental, comum sobretudo no
121
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Estado do Pará, Vale do rio Jari; rio Pará; médio e baixo rios Xingu e
Tocantins; região de Acará, Moju, Barcarena e nos relictos de terra firme no
Nordeste do Pará. Encontrada também no Estado do Amapá (Serra do Navio
e Porto Platon). Registrada para os Estados Amazonas no rio Negro (Jauaperi
e Carauari) e Mato Grosso (Aripuanã). Na Guiana Francesa é descrita na
região dos Monts la Fumée, além da região de Zanderij no Suriname.
Habita as matas úmidas de terra firme, localizadas nas terras baixas da
planície oriental amazônica, em altitudes de até 400 m. Existem alguns
poucos registros de ocorrência em matas de várzea alta sem inundação
estacionai.
É uma espécie perenifolia, emergente, com grandes indivíduos que
atingem 30-35 m de altura. Apresentam copa bem formada, fuste com casca
clara que se solta anualmente. As folhas são opostas, elipsóides. O fruto é
uma cápsula deiscente 3-valvar (Figura 1). Algumas vezes sementes ficam
retidas no fruto germinando a partir daí. A semente anemocórica possui
4-5 cm de comprimento. A asa possui 2/3 do tamanho, com os cotilédones
ficando numa das extremidades. Durante a queda a semente traça uma
trajetória helicoidal, girando sobre o próprio eixo, podendo alcançar
facilmente área fora da copa. A plântula possui uma germinação epígea,
fanerocotiledonar, com o cotilédone de assimilação, imitando uma folha
(Figura 1).
A madeira é branca, fácil de serrar e moldar, recebendo bom acabamento .
Utilizada para fabricação de pasta celulósica para o fabrico de papel.
Emprego em caixotaria, marcenaria e carpintaria da acabamento (lambris e
esquadrias para forros e divisórias).
MATERIAL E MÉTODOS
Area de Estudo. Este estudo foi realizado na Reserva do Mocambo,
localizada na região de Belém, Pará (aprox. 1°27’S, 48°28’W, altitude
24 m); em terreno pertencente a EMBRAPA/CPATU. Esta área é uma
pequena amostra de floresta de terra firme, com cerca de 6 hectares,
fragmento remanescente da vegetação primária do nordeste paraense.
122
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Crescimento, Sobrevivência e densidade em juvenis de Vochysia guianensis Aubl.
Figura 1 - Fruto (a, b, c), sementes (d), aspecto da germinação (e) e plântula de Vochya guianensis Aubl.
(f). Observar detalhe do cotilédone de assimilação.
123
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
O tipo vegetacional desta área é uma floresta tropical densa de terra
firme (Pires 1973), com a presença de espécies arbóreas de grandes
indivíduos e abundância de epífitas. Entre as espécies mais representativas,
associadas a Vochysia guianensis na área, destacam-se, dentre outras,
Lecythis idatimon (Lecythidaceae), Eschweilera coriacea (Lecythidaceae) e
Vouacapoua americana (Leguminosae).
Amostragem. Preliminarmente foi feito o censo de todas as árvores adultas
de V. guianensis existentes na Reserva do Mocambo, a fim de localizar
matrizes. O universo amostrai incluiu 2 ambientes: a) Sub-Bosque da mata,
em condições de sombreamento (luz difusa), alta umidade, temperatura com
pouca variação durante o dia e pouca ventilação; b) Clareiras naturais, em
ambiente iluminado pela abertura no dossel da mata, com umidade menos
elevada que a do sub-bosque, temperatura com maior amplitude diária e
arejamento moderado. Foram sorteadas aleatoriamente 5 quadras de 9 m 2
(3 x 3 m) em cada ambiente. As quadras foram mapeadas juntamente com as
matrizes associadas.
Em cada quadra foram sorteados 30 indivíduos, separados em 2 sub-
populações etárias: 15 plantas de safra recente (menos de 1 ano, com somente
o par de folhas cotiledonares) e outras 15 remanescentes de safras anteriores
(mais de 1 ano de idade, com metáfilos e folhas típicas). Essas plântulas foram
marcadas com etiquetas de alumínio numeradas. Mediu-se a altura, registrou
o número total de plantas e o crescimento em cada observação. Essas plantas
foram acompanhadas durante um período de 15 meses.
Análises dos dados. Os dados de densidade foram analisados através de teste
de heterogeneidade de Qui-Quadrado (x 2 ), ao nível de 5% de probabilidade.
Os dados de crescimento e mortalidade foram analisados graficamente. Os
parâmetros de crescimento e mortalidade foram obtidos através da razão
entre o tamanho e densidade iniciais e o tamanho e densidades no tempo t + 1 ,
transformados em percentagem.
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Crescimento, Sobrevivência e densidade em juvenis de Vochysia guianensis Aubl.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Densidade. O total de plântulas incluiu 2.440 indivíduos nos ambientes de
clareira e sub-bosque para as 2 sub-populações etárias estudadas. As
plântulas com emergência recente, nas 5 quadras do sub-bosque, totalizaram
869 indivíduos (19,3/m 2 , 35,6% do total, Tabela 1), enquanto em ambiente
de clareira a amostrarem incluiu 1.221 (27,1/m 2 , 50,0%). Esta diferença
considerável sugere que a distribuição de indivíduos recém emergidos está
associada às condições ambientais das clareiras naturais (Tabela 1). Os
juvenis com mais de 1 ano totalizaram em clareiras 226 plantas e 124 plantas
em sub-bosque (Tabela 1), obedecendo a mesma tendência apresentada por
plântulas recentes. A diferença nas densidades de plantas de safras recentes
e anteriores nos ambientes de clareira e sub-bosque foi significativa (Teste
X 2 = 4,70, p > 0.05; G.L. = 1).
Tabela 1 - Estrutura de juvenis de Vochysia guianensis de safras recente e anteriores, em
ambientes de sub-bosque e clareira natural. Diferença significativa de densidade total entre
sítios e safras (Teste x 2 = 4,70, p > 0.05; G.L. = 1). Área amostrada: 5 quadras de 9 m 2
(45 m 2 ) por ambiente.
Safra
Ambiente
Densidade
Total
Média/m 2
±D.P.
Recente
Sub-bosque
869
19,3
7,9
(até 1 ano)
Clareira
1.221
27,1
15,9
Sub-Total
2.090
Anterior
Sub-bosque
124
2,8
2,3
(mais de 1 ano)
Clareira
226
5,4
4,5
Sub-Total
350
TOTAL GERAL
2.440
Em estudo anterior, já se tinha observado que esta espécie possui uma
elevada densidade em ambientes bem iluminados, cuja mortalidade pode ser
creditada a efeito de densidade, uma vez que os prováveis reguladores de
densidade de juvenis da espécie (ungulados folívoros como “antas” e
“veados”), já não mais existem na área (Almeida & Aragão 1994).
125
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
Crescimento de juvenis. A taxa de crescimento durante 12 meses em plântulas
pertencentes a safra recente (menos que 1 ano) é ligeiramente mais elevada
em clareira natural, quando comparada ao sub-bosque da mata (Figura 2).
O mesmo padrão se observa para juvenis de safras anteriores (Figura 3).
V. guianensis é uma espécie de grande porte, do alto dossel da floresta,
possuindo cotilédones fotossintetizantes. Essas características sugerem tra-
tar-se de uma espécie demandante de luz para se estabelecer, corroborando
desta forma sua melhor performance em sítio de clareira natural.
Sobrevivência. Sobrevivência diferencial também foi observada, sendo bem
menor em plântulas recentes em clareiras naturais. Neste ambiente, plântulas
sobreviveram três vezes mais do que em sub-bosque (Figura 4), indicando
que, além de crescerem mais, plântulas em clareiras também sobrevivem
numa taxa mais elevada. No entanto, este padrão parece ser restrito a
plântulas recém-emergidas. Em juvenis com mais de um ano, as diferenças
em sobrevivência foram mínimas (Figura 5), o que sugere que clareiras
podem ser mais críticas na fase inicial de estabelecimento de plântulas de V.
guianensis.
O fato do crescimento e a sobrevivência de juvenis da espécie terem tido
melhor performance em área clareada. Isto indica que e V. guianensis
pertença ao grupo de espécies com adaptação fisiológica, anatômica e
ecológica à perturbações naturais intermitentes, como clareiras, tendendo a
apresentar considerável sobrevivência e crescimento (Putz & Milton 1982;
Putz & Brokaw 1989).
CONCLUSÃO
Juvenis de V. guianensis estão freqüentemente associados a clareiras
naturais abertas por queda de árvores, podendo-se afirmar que este ambiente
reúne condições microclimáticas favoráveis ao seu estabelecimento.
Clareiras naturais parecem, ainda, favorecer o crescimento em altura
de juvenis de Vochysia guianensis, independentemente se pertencem a safra
recente (menos que 1 ano de emergência) ou anteriores (mais de 1 ano de
emergência).
126
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Crescimento, Sobrevivência e densidade em juvenis de Vochysia guianensis Aubl.
Figura 2 - Crescimento em altura (%) de juvenis de Vochysia guianensis Aubl., pertencentes a safras
com menos de 1 ano, durante 12 meses, em 2 ambientes. Reserva do Mocambo (Belém, PA).
Figura 3 - Crescimento em altura (%) de juvenis de Vochysia guianensis Aubl., pertencentes a safras
com mais de 1 ano, durante 12 meses em 2 ambientes. Reserva do Mocambo (Belém, PA).
127
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
Figura 4 - Sobrevivência (%) em juvenis de Vochysia guianensis Aubl., pertencentes a safra recente
(<1 ano), durante 12 meses, em 2 ambientes. N=75 plântulas/ambiente. Reserva do Mocambo
(Belém, PA).
Figura 5 - Taxa de sobrevivência em juvenis de Vochysia guianensis Aubl., pertencentes a safras com
mais de 1 ano, durante 12 meses em 2 ambientes. N=75 plântulas/ambiente. Reserva do Mocambo
(Belém, PA).
128
Crescimento, Sobrevivência e densidade em juvenis de Vochysia guianensis Aubl.
Sobrevivência de juvenis desta espécie também é mais elevada em
condições de clareiras naturais, sugerindo ser este um ambiente favorável.
Esses resultados permitem concluir que o manejo desta espécie deve,
necessariamente, levar em consideração o nível de luminosidade, como um
fator importante na regeneração natural bem sucedida da espécie.
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'
.
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CDD: 584.5041662
BIOLOGIA FLORAL DO AÇAIZEIRO
(. EUTERPE OLERACEA MARTIUS ) 1
Mário Augusto Gonçalves Jardim 2
Maria Lúcia Jardim Macambira 3
RESUMO - O presente estudo avalia a biologia floral em uma população natural
de açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.) no estuário amazônico, localizada na Ilha
do Combu, Município de Acará, Pará (48°25’W; 1°25’S). O período de estudo
foi de um ano (janeiro a dezembro de 1991). Os resultados mostraram que
Euterpe oleracea é uma espécie monóica, dicógama e protândrica; as brácteas
abrem-se cinco dias após maturação; as flores masculinas permanecem de 10
a 12 dias nas inflorescências e as flores femininas abrem-se após a queda total
das flores masculinas permanecendo receptivas durante cinco dias, ambas os
tipos de flores apresentam antese diurna. Os insetos que visitaram as
inflorescências foram das seguintes ordens; Coleoptera (11 espécies), Diptera
(3 espécies), Homoptera (1 espécie) e Hymenoptera (4 espécies). Os prováveis
polinizadores são quatro espécies de coleópteros.
PALAVRAS-CHAVE: Euterpe oleracea. Biologia floral. Polinização, Palmae.
ABSTRACT - The floral biology of a natural population of “açai” palm trees
(Euterpe oleracea Mart.) was studied at Combu Island, in the municipality of
Acará, Pará State (48°25 ’W; 1 °25 ’S)from January to December ofl991. The
results showed that Euterpe oleracea is a monoic, dicogamous and protandric
species. The bracts open five days after maturation. Maleflowers remain open
from 10 to 12 days in the inflorescences and female flowers open after the rnale
* Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399, CEP
66040-170. Belém-PA.
3 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Zoologia. Caixa Postal 399, CEP
66.040-170. Belém-PA.
131
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
flowers fali completely, remaining receptive during 5 days. Both male and
female flowers show diurnal antesis. Insect visitors to the inflorescences belong
to following orders: Coleoptera (11 species), Diptera (3 species), Homoptera
(1 specie) and Hymenoptera (4 species). Possible pollinators arefour species
ofbeetles.
KEY WORDS: Euterpe oleracea, Floral biology, Pollination, Palmae.
INTRODUÇÃO
Durante a polinização, é importante que elos móveis atuem para efetuar
as trocas gênicas, seja por meio de insetos, pássaros, mamíferos ou vento.
Estas interações correspondem à síndrome de polinização que é determinada
pela coevolução dos sistemas planta x polinizador. Os estudos de biologia
floral são fundamentais para o entendimento do fluxo gênico e determinação
do sistema de reprodutivo das espécies.
O açaizeiro ( Euterpe oleracea Mart.), é uma espécie extrativista do
estuário amazônico, importante na economia e alimentação das populações
ribeirinhas. A busca dos conhecimentos ecológicos sobre a espécie, implica
no entendimento das relações bióticas com o ecossistema de várzea. No caso
da biologia floral, poucos trabalhos discorrem sobre a espécie, os quais
podemos citar Costa (1973) que descreveu a caracterização morfológica das
inflorescências; Henderson (1986) cita prováveis polinizadores e Bovi et al.
(1986) que determinaram insetos visitantes em inflorescências de populações
cultivadas de açaizeiro.
No presente trabalho é estudada a biologia floral do açaizeiro em
populações naturais no estuário amazônico.
METODOLOGIA
O local de estudo, foi uma área de várzea, com aproximadamente 1,5
ha, pertencente a Estação Experimental do Museu Paraense Emílio Goeldi
(MPEG) localizada na Ilha do Combu no município de Acará, Pará, situada
na margem esquerda do rio Guamá a 1,5 km ao Sul da cidade de Belém.
132
Biologia floral do açaizeiro (Euterpe Oleracea Martius)
As inflorescências de 50 estipes adultos de açaizeiro foram observados
de janeiro a dezembro de 1991. Os parâmetros avaliados foram: o apareci-
mento da espata até a abertura e queda das flores masculinas e femininas;
tempo de permanência e horário de abertura da espata; horário de abertura
e tempo de vida das flores masculinas e femininas; funcionalidade do
androceu e gineceu.
Os insetos visitantes foram observados durante os períodos diurno e
noturno (à noite com lanterna coberta com papel celofane vermelho). O
comportamento e freqüência dos insetos nas flores masculinas e femininas
foram registrados. Os exemplares de insetos coletados foram encaminhados
ao departamento de zoologia, do Museu Paraense Emílio Goeldi e Departa-
mento de Entomologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/
USP, para identificação.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A abertura da espata inicia com o surgimento de uma fenda ventral e
posição perpendicular em relação ao estipe. A pressão da inflorescência
parece forçar a rápida e completa abertura da espata que fende totalmente
liberando a inflorescência.
Após a abertura e queda da espata, é liberada a inflorescência, que é
composta de uma ráquis principal com cerca de 63 a 158 ráquilas. Em cada
ráquila estão dispostas flores sésseis e unissexuais em tríades (duas flores
masculinas e 1 feminina). O tempo de abertura das brácteas após maturação
foi de cinco dias.
A antese das flores masculinas é diurna e ocorre lentamente da base para
o ápice das ráquilas. Apresentam seis estames de coloração amarelo-claro e
três pétalas de coloração roxo-carmesino; permanecendo em média 10 a 12
dias nas ráquilas. A partir do 13° dia, os estames recurvam-se, o seu aspecto
é seco com a coloração marrom escura. Desta lase, começam a cair
lentamente.
A antese das flores femininas é diurna; e ocorre logo após a queda de
todas as flores masculinas. As flores abrem-se lentamente no sentido da base
133
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1). 1996
para o ápice das ráquilas. As pétalas apresentam-se soldadas no ovário da flor
deixando-se notar apenas a porção mais superior e afilada.
O estigma trifído, quando receptivo, é de cor rósea e coberto por um
exsudato incolor. Permanece nesta fase por cinco dias. A partir do sexto dia,
torna-se mais escuro sem a presença de exsudato.
As características florais determinaram que a espécie é monóica,
dicógama e protândrica por assincronismo da antese das flores masculinas e
femininas.
Os insetos que visitaram as inflorescências foram das seguintes ordens:
Coleoptera; Diptera; Homoptera e Hymenoptera (Tabela 1).
As visitas iniciaram logo após a antese das flores masculinas concen-
trando-se no horário das 8:30 às 17:30 h, mas não foram uniformes entre
espécies variando quantitativamente ou permanecendo mais tempo nas
flores, conforme a época do ano (estação chuvosa e quente).
Tabela 1 - Insetos visitantes das inflorescências d e Euterpe oleracea Mart., e suas freqüências
e função. (Legenda: (M) Flores masculinas; (F) Flores femininas; (NI) Não identificadas).
Ordem
Familia
Espécie
Flores
Período
Freqüência
Função
Coleoptera
Scarabaeidae
NI
M
Quente
Comum
Ocasional
Coleoptera
Curculionidae
Phyllotrox sp.
M
Chuvoso, Quente
Raro
Ocasional
Coleoptera
Chrysomelidae
NI
M
Chuvoso
Raro
Ocasional
Coleoptera
Curculionidae
NI
M
Chuvoso
Raro
Ocasional
Diptera
Syrphidae
Copestylum sp.
M
Quente
Raro
Ocasional
Diptera
Syrphidae
Eiystalis sp.
M
Chuvoso. Quente
Raro
Ocasional
Diptera
Micropezidae
T. lasciva
M
Chuvoso
Raro
Ocasional
Homoptera
Membracidae
Tynelia sp.
M
Quente
Muito comum
Ocasional
Hymenoptera
Apidae
A. mellifera
M
Chuvoso, Quente
Raro
Ocasional
Hymenoptera
Halictidae
NI
M
Chuvoso, Quente
Muito comum
Ocasional
Hymenoptera
NI
NI
M
Chuvoso, Quente
Raro
Ocasional
Coleoptera
Carabidae
Lebia sp.
M
Quente
Muito comum
Predador
Coleoptera
Chrysomelidae
NI
M
Chuvoso, Quente
Raro
Predador
Hymenoptera
Apidae
T. spinipes
M
Quente
Muito comum
Predador
Coleoptera
Nitidulidac
Mystrops sp.
M
Chuvoso, Quente
Raro
Predador
Coleoptera
Curculionidae
NI
M, F
Chuvoso, Quente
Muito comum
Polinizador
Coleoptera
Curculionidae
NI
M.F
Chuvoso, Quente
Muito comum
Polinizador
Coleoptera
Curculionidae
NI
M, F
Chuvoso, Quente
Muito comum
Polinizador
Coleoptera
Curculionidae
NI
M, F
Chuvoso, Quente
Muito comum
Polinizador
134
Biologia floral do açaizeiro (Euterpe Oleracea Martius)
As flores femininas foram visitadas somente por quatro espécies da
ordem Coleoptera. As visitas se concentraram no período da antese até a
liberação do exsudato do estigma. Estes insetos pousavam nas ráquilas e
caminhavam sobre as flores em horários que variavam de 07:00 às 17:30
horas e a sua freqüência foi nos períodos chuvosos e quentes.
O monoicismo e a dicogamia favorecem a alogamia em plantas
superiores; Bawa (1974) relata que a identificação desses mecanismos nas
plantas é fundamental para entender o fluxo gênico e a diferenciação genética
entre populações.
Bovi etal. (1986) estudando a biologia floral em plantas cultivadas de
Euterpe oleracea, assim como no presente trabalho, mostrou que a espécie
é monóica, dicógama e protândrica. Moore & Uhl (1982) estudando o
sistema sexual de Euterpe alliance citam que o monoicismo é uma das
características marcantes para facilitar a polinização cruzada.
Entre os insetos que visitaram as inflorescências de Euterpe oleracea,
apenas quatro espécies de Coleópteros visitaram flores masculinas e femini-
nas em diferentes épocas do ano (chuvosa e seca); logo infere-se que eles
sejam os efetivos polinizadores.
A síndrome de cantarofilia tem sido considerada como a forma mais
antiga de polinização nas angiospermas, segundo Grant (1950) a hipótese da
primitividade desta associação é proveniente da relação entre besouros com
angiospermas primitivas, sendo que nestas enquadram-se as monoco-
tiledôneas. Wyatt (1983) indica características importantes na síndrome de
cantarofilia como anteses diurna e noturna, flores com colorações opacas,
odores fortes ou sem odores, cálice pequeno, poucos guias de nectário e grãos
de pólen como principal recompensa. Todas estas características são eviden-
tes em Euterpe oleracea.
Delevoryas (1971) afirma que algumas angiospermas apresentam
pouca especialização estrutural nas flores para assegurar a visita por
coleópteros polinizadores e predadores. Essas interações florais com
coleópteros foram constatadas em Euterpe oleracea. Moore & Uhl (1982);
Bawa (1985) e Henderson (1986) estudando o sistema de polinização de
palmeiras tropicais e neotropicais determinaram que 80% são polinizadas por
coleópteros, isto representa um grau de associação de primitividade entre
monocotiledôneas e coleópteros.
135
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(1), 1996
CONCLUSÕES
Os resultados apresentados sobre a biologia floral de Euterpe oleracea
permite as seguintes conclusões: a) O assincronismo floral favorece a
alogamia; b) O conjunto de características florais da espécie associado ao
comportamento de insetos da ordem coleoptera favorece a síndrome de
cantarofilia; c) Os prováveis polinizadores da espécie são quatro insetos da
ordem coleoptera.
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584.5
ASPECTOS DA PRODUÇÃO EXTRATIVISTA DO
AÇAIZEIRO (. EUTERPE OLERACEA MART.)
NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO 1
Mário Augusto G. Jardim 2
RESUMO - No estuário amazônico, a palmeira açaí (Euterpe oleracea Mart.)
é uma das espécies mais importantes no extrativismo, em decorrência da
produção de frutos e palmito. Nesta pesquisa, procurou-se abordara contribui-
ção econômica desses produtos na Ilha das Onças, Município de Barcarena e
Ilha do Combu, Município de Acará, no Estado do Pará. Os resultados
mostraram que a comercialização dos frutos do açaizeiro é a principal fonte de
subsídio econômico e alimentar.
PALAVRAS-CHAVE: Euterpe oleracea. Extrativismo, Comercialização,
Palmeiras.
ABSTRACT - In the Amazon estuary, the “açai" palm tree (Euterpe oleracea
Mart.) is one of the most important species for extractivism because of its
production offruits and palm hearth. This research deals with the contribution
of these products to the income of Onças Island, in the municipality of Barcarena
and in Combu Island, in the municipality of Acará, Pará State. The results show
that the commercialization of the “açai" fruits is the main source offood and
income.
KEY WORDS: Euterpe oleracea, Extractivism, Commercialization, Palms.
* Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399. CEP
66.017-970, Belém, Pará.
137
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
INTRODUÇÃO
O extrativismo é uma atividade que se desenvolve na região amazônica
desde a época colonial, onde a economia baseava-se no comércio de alguns
produtos extrativistas principalmente para o mercado internacional. Até hoje
essa situação permanece, pois grande parte destes produtos continuam sendo
exportados . Essa tendência tradicional de exportação dos recursos extrativistas
tem ocasionado práticas não sustentáveis ecológica e economicamente até os
dias atuais.
Nas comunidades ribeirinhas do estuário amazônico, as práticas
extrativistas representam uma das atividades marcantes do cotidiano. O
potencial de auto-sustentabilidade alimentar e econômico concentra-se em
espécies predominantes nestas áreas.
A palmeira açaí {Euterpe oleracea Mart.) é uma das espécies mais
promissoras das áreas de várzea do estuário amazônico em virtude do seu
aproveitamento por moradores ribeirinhos e nas indústrias de comercialização
do palmito (Anderson & Jardim 1989). Nestas áreas, onde estão concentra-
das intensas populações naturais, é considerado o principal produto extrativista
a nível alimentar e sócio-econômico (Calzavara 1972).
Desta palmeira são extraídos 2 produtos principais: a polpa dos frutos
que fornece um líquido conhecido como “bebida do açaí” amplamente
consumido como suco ou sorvete e o palmito comercializado para as regiões
Centro-Oeste, Sudeste, Sul do Brasil e para o exterior.
A falta de informações sobre os investimentos e os retornos possíveis
do extrativismo da palmeira açaí é uma das principais razões da exploração
irracional dos açaizais nativos em extensas áreas de várzea do Estado do Pará,
causado sobretudo pela inexistência de dados precisos sobre a produtividade
em condições naturais.
Neste trabalho são caracterizados os aspectos da produção extrativista
em duas áreas de várzea no estuário amazônico com ênfase aos frutos e
palmito extraídos de açaizais nativos e sua importância econômica para as
populações ribeirinhas.
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Aspectos da produção extrativista do açaizeiro
METODOLOGIA
Caracterização das áreas de estudo. O estudo foi conduzido na Ilha das
Onças (1°25’S, 48°27’W) no Município de Barcarena, Estado do Pará,
localizada a 25 km de Belém por via fluvial. O clima é do tipo Af no sistema
de Kõppen. A pluviosidade anual média é de 2.739 mm com taxas mensais
relativamente altas no primeiro semestre.
As marés representam o fator ambiental mais marcante, provocando
extensas inundações na ilha. O solo e do tipo Glei Pouco Húmico (Vieira et
al. 1971) caracterizado por alto teor de argila. A vegetação é de mata de
várzea com cobertura contínua e alta. Entre as espécies de valor econômico
destacam-se a seringueira (Hevea brasiliensis) , andiroba (Carapa guianensis ) ,
ucúuba (Vi rola surinamensis ) e açaizeiro ( Euterpe oleacea) (Anderson et al.
1985).
A ilha do Combu apresenta 15 km 2 e localiza-se no Município de Acará,
distante 1,5 km ao Sul da cidade de Belém, capital do Estado do Pará.
Apresenta latitude de 48°28’W e longitude de 1°27’S. O clima segundo
Kõppen é do tipo Af; a temperatura média mensal varia entre 29°C (mínima)
a 32°C (máxima) com pluviosidade média anual de 2500 mm. Possui relevo
plano, com solo hidromórfíco do tipo Glei Pouco Húmico sob a influência
das marés.
É constituída de matas de várzea dominada por cipós, árvores de grande
porte e sub-bosque relativamente fechado com estrutura e composição
florística variada incluindo mata primária e secundária. O ecossistema sofre
influências das cheias dos rios em certas épocas do ano provocando
inundações constantes nas áreas de várzeas baixa e intermediária. As áreas
de várzea alta sofrem pouca ação dos rios e maior acúmulo de umidade
provocado pelas águas das chuvas.
Procedimento de campo. Elaborou-se formulários para avaliar
quantitativamente a comercialização dos frutos e do palmito de nove famílias
das Ilhas das Onças e Combu e a respectiva comercialização nas Feiras do
Açaí e Feira do Porto da Palha, na cidade de Belém-PA. As informações
foram coletadas diariamente durante todo o ano de 1991.
139
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A produção extrativista na Ilha das Onças. Os produtos da palmeira açaí
representam a maior rentabilidade anual em função do aproveitamento dos
frutos e do palmito; por este motivo destaca-se na economia local como a
espécie mais importante (Figura 1).
Figura 1 . Produção mensal (%) de produtos extrativistas na Propriedade da Família Dumulakis, na ilha
das Onças, Município de Barcarena, Pará, no ano de 1991.
Durante o processo extrativista de frutos e palmito ocorrem picos de
produção que conduzem a variações de preços em determinados meses do ano
(Figura 2). Estas variações a nível sócio-econômico são vistas pelos
moradores como alternativas de sustentabilidade econômica em relação a 2
épocas distintas durante o ano. A primeira pela extração de palmito e a
segunda pela extração de frutos.
Comparando-se a produção de frutos e palmito, observa-se que nos
meses de janeiro a julho a produção média de frutos do açaizeiro atingiu cerca
de 41,0%, enquanto que a do palmito atingiu cerca de 72,0%. Nos meses de
agosto a dezembro a produção média de frutos de açaí atingiu cerca de 97,8%
enquanto que a do palmito atingiu cerca de 6,0%.
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Aspectos da produção extrativista do açaizeiro
Figura 2. Variação na produção mensal de frutos e palmito (%) comercializados na Feira-do-Açaí,
Município de Belém, Pará, no ano de 1991.
Estas diferenças na sazonalidade extrativista de frutos e de palmito estão
associadas ao padrão fenológico de floração e frutificação da espécie.
Segundo Jardim & Anderson (1987) o açaizeiro floresce durante todos meses
do ano com elevada produção de flores nos meses de fevereiro a julho e com
principal período de frutificação de agosto a dezembro.
Para os moradores ribeirinhos, a época de baixa produção de frutos está
associada aos picos de floração da espécie. Nesse período, a alternativa
econômica baseia-se principalmente na extração do palmito. Este processo
é revertido quando a espécie a partir do mês de agosto até dezembro mantém
elevado pico de frutificação.
Muito embora ocorram diferenças na produção extrativista durante o
ano, os moradores estão mais concentrados na extração dos frutos, pois é
considerada uma prática extrativista “não predatória” para a espécie.
Anderson et al. (1985) e Anderson & Jardim (1989) relatam a
predominância de açaizais nativos nestas áreas, onde a produção extrativista
dos frutos do açaizeiro chega a alcançar cerca de 63, 1 %/mês nas épocas de
pico de frutificação.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(1), 1996
O extrativismo da palmeira açaí pode ser diferenciado em relação a
outras áreas no Estado do Pará, pois a prioridade na produção de frutos ou
palmito, estará associada as necessidades econômicas locais e/ou condições
referentes a comercialização dos produtos (Brabo 1979; Mattos et al. 1990).
A produção extrativista na Ilha do Combu. Segundo informações locais, a
prática de manejo do açaizeiro é considerada uma atividade tradicional, visto
que, é a espécie mais abundante e responsável por maior parte da renda local.
A prática do desbaste seletivo de três a quatro estipes por touceira aumenta
a produção de frutos, associada ao raleamento seletivo de espécies arbóreas
de pouco valor econômico. Uma análise experimental mostra que esta forma
de manejo resulta em um aumento significativo na produção de frutos (Jardim
& Anderson 1987).
A comercialização do açaí está mais concentrada nos meses de julho a
dezembro em consequência da época de frutificação da espécie (Jardim 1991;
Jardim & Kageyama 1994). Para os moradores ribeirinhos, a comercialização
do açaí é facilitada pela proximidade com a cidade de Belém considerada um
dos maiores centros consumidores.
A combinação da crescente demanda urbana pelo açaí, a disponibi-
lidade local do recurso e a curta distância ao maior centro consumidor, tem
ocasionado intensa extração dos frutos e ao mesmo tempo a diminuição em
outras atividades econômicas na ilha tais como: extração de sementes
oleaginosas, madeira, palmito, além da própria agricultura (Anderson &
Ioris 1989).
Na ilha do Combu, a comercialização dos frutos do açaizeiro foi a
atividade que gerou maior renda no período de maio a outubro chegando
atingir 91% no mês de setembro. A extração do palmito decresceu nos
últimos anos em conseqüência do baixo preço da “cabeça de palmito”. A
comercialização de sementes de cacau é a segunda fonte de renda durante a
entressafra do açaizeiro que representa 43% da renda familiar (Anderson &
Ioris 1989). Embora, o cacau não seja uma espécie nativa da ilha é um dos
recursos naturais que contribui para a complementação da renda familiar.
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Aspectos da produção extrativista do açaizeiro
CONCLUSÕES
A produção e comercialização de produtos da palmeira açaí são
considerados como atividades prioritárias no extrativismo para os moradores
da Ilha das Onças e Combu, embora outros produtos extrativistas
complementem a subsistência econômica e alimentar.
As atividades extrativistas realizadas por moradores ribeirinhos, po-
dem ser vistas como um exemplo de caráter “não predatório” da palmeira,
onde as variações na extração dos produtos estão associados principalmente
a sazonalidade fenológica da espécie incentivando a procurar outros produtos
de subsistência (no caso o palmito e sementes de cacau) para manter a renda
econômica em determinados meses do ano.
Pode-se considerar que as atividades extrativistas em relação aos
açaizais nativos nestas áreas são viáveis economicamente e racional do ponto
de vista ecológico.
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Paraenses, 8).
144
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Editora Stipercores
7 rav. do Chaco, 688
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
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1 ) O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi dedica-se à publicação de trabalhos
de pesquisas científicas que se referem, direta ou indiretamente, à Amazônia, nas
áreas de Antropologia, Arqueologia, Lingüística, Botânica, Ciências da Terra e
Zoologia.
2) Os manuscritos a serem submetidos devem ser enquadrados nas categorias de
artigos originais, notas preliminares, artigos de revisão, resenhas bibliográficas ou
comentários.
3) À Comissào de Editoração é reservado o direito de rejeitar ou encaminhar para
revisão dos autores, os manuscritos submetidos que não cumprirem as orientações
estabelecidas.
4) Os autores são responsáveis pelo conteúdo de seus trabalhos. Os manuscritos
apresentados devem ser inéditos, não podendo ser simultaneamente apresentados a
outro periódico. No caso de múltipla autoria, entende-se que há concordância de
todos os autores em submeter o trabalho à publicação. A citação de comunicação de
caráter pessoal, nos manuscritos, é de responsabilidade do autor.
5) A redação dos manuscritos deve ser, preferencialmente, em português, admitindo-
se, contudo, manuscritos nos idiomas espanhol, inglês e francês.
6) O texto principal deve ser acompanhado de resumo, palavras-chave, “abstract”,
“key words”, referências bibliográficas e, em separado, as tabelas e figuras com as
legendas.
7) Palavras e letras a serem impressas em negrito devem ser sublinhadas com dois
traços e as impressas em grifo (itálico), com um só traço.
8) Os textos devem ser datilografados em papel tamanho A-4 ou similar, espaço duplo,
tendo a margem esquerda 3 cm, evitando-se cortar palavras à direita. As posições
das figuras e tabelas devem ser indicadas na margem. As páginas devem ser
numeradas consecutivamente, independentes das figuras e tabelas.
9) Os manuscritos devem ser entregues em quatro vias na forma definitiva, sendo uma
original.
10) O titulo deve ser sucinto e direto e esclarecer o conteúdo do artigo, podendo ser
completado por um subtítulo. O título corrente ( resumo do título do artigo) deverá
ser encaminhado em folha separada para que seja impresso no alto de cada página
ímpar do artigo e não deverá ultrapassar 70 caracteres.
11) As referências bibliográficas e as citações no texto deverão seguir o "Guia para
Apresentação de Manuscritos Submetidos à Publicação no Boletim do Museu
Paraense Emílio Goeldi”.
12) No artigo aparecerá a data do recebimento pelo Editor e a respectiva data de
aprovação pela Comissào Editorial.
13) Os autores receberão, gratuitamente, 30 separatas de seu artigo e um fascículo
completo.
1 4) Os manuscritos devem ser encaminhados com uma carta à Comissão de Editoração
do Museu Paraense Emílio Goeldi-CNPq (Comissào de Editoração, Caixa Postal
399, 66040- 1 70 Belém, Pará, Brasil).
15) Para maiores informações, consulte o "Guia para Apresentação de Manuscritos
Submetidos à Publicação do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi .
CONTEÚDO
Artigos Originais
EFEITO DE MICORRIZAS VESÍCULO-ARBUSCULARES SOBRE O
CRESCIMENTO E NUTRIÇÃO MINERAL DO SORGO FORRAGEIRO
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UTILIZAÇÃO DO FUNGO PYCNOPORUS SANGUINEUS (L.: FR.) MURR.
NA CERÂMICA DO MARUANUM, AMAPÁ
HelenM. P. Sotâo, Terezinha S. Figueiredo
NOVAS OCORRÊNCIAS DE CHLOROPIJYCEAE (ALGAE,
CHLOROPHYTA) PARA O.JESTADO DO PARÁ
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FLORA ORQUIDOLÓGICA DA SERRA DAS ANDORINHAS, SÃO
GERALDO DO ARAGUAIA - PA
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COMPARAÇÃO ANATÔMICA DO LENHO DE DUAS ESPÉCIES DO
GÊNERO CAPPARIS DA AMAZÔNIA E DA CAATINGA NORDESTINA
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ESTUDO ANATÔMICO DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS DE URENA
LOBATA L. (MALVACEAE)
Manoel Euclides do Nascimento, Raimunda C. de Vilhena Potiguara 89-102
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - VI. O PÓLEN DOS
GÊNEROS CHAETOCALYX DC, DUSS1A KRUG. & URB. EX TAUB. E
VA TAIREOPSIS DUCKE (LEGUMINOSAE-PAPILIONOIDEAE)
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Janielba do S. Braga Contente, José Rosenildo Campos Lopes,
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CRESCIMENTO, SOBREVIVÊNCIA E DENSIDADE EM JUVENIS DE
VOCHYSIA GUIANENS1S AUBL. (VOCHYSIACEAE) EM FLORESTA
AMAZÔNICA DE TERRA FIRME
Samuel S. Almeida, Ivan Luiz G. Aragão, Paulo Jorge Dantas da Silva 119-129
BIOLOGIA FLORAL DO AÇAIZEIRO ( EUTERPE OLERACEA MARTIUS)
Mário Augusto Gonçalves Jardim, Maria Lúcia Jardim Macambira 131-136
ASPECTOS DA PRODUÇÃO EXTRATIVISTA DO AÇAIZEIRO {EUTERPE
OLERACEA MART.) NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
.Mário Augusto G. Jardim 137-144
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