BOLETIM DO
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia - NCT
Ministro - José Israel Vargas
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
Presidente - José Galízia Tundisi
Museu Paraense Emílio Goeidi - MPEG
Diretor - Adélia de Oliveira Rodrigues
Diretor Adjunto de Pesquisa - Antonio Carlos Magalhães
Diretora Adjunta de Difusão Científica - Helena Andrade da Silveira
Comissão de Editoração - MPEG
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor-Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Equipe Editorial - Lais Zumero, Iraneide Silva, Elminda Santana, Socorro Menezes
CONSELHOCIENTÍHCO
Consultores
Ana Maria Giulietti - USP
Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - New York Botanical Gardcn
Fernando Roberto Martins - UNICAMP
Chillean T. Prance - Royal Botanic Garden
Hermógencs Leitão Filho - UNICAMP
João Peres Chimelo - IPT
Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeidi
Therezinha Sant’Anna Melhém - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kerr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Apoio: Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programa dc C&T- PP/G7 • MM A/MCT/FINEP
©Direitos de Cópia/Copyright 1997
por/by MCT/CNPq/Muscu Goeidi
0 4 AGO, 2009
cm
SciELO
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ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
I REUNIÀO DOS BOTÂNICOS DA AMAZÔNIA
Organizadores
Pedro L. B. Lisboa
Regina Célia Lobato Lisboa
Samuel Soares de Almeida
Léa Maria Medeiros Carreira
Mário Augusto Gonçalves Jardim
Série
BOTÂNICA
Vol.l2(2)
Belém -Pará
Dezembro de 1 996
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MCT/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotâncio - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 - Telex: (091) 1419 - Fones: Parque (091) 249-1233,
Campus (091) 246-9777 - Fax: (091) 249-0466
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1894 por Emilio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emílio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi is the successor to
this publication.
REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO
Programa de Apoio a Publicações Científicas
MCT
CNPq FINEP
Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil
Sub-Programa de C&T - PP/G7 • MMA/MCT/FINEP
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APRESENTAÇAO
A extensão territorial e a riqueza da floresta amazônica constituem
o cenário indicador de que a Botânica deve ser encarada como uma
disciplina prioritária na vida acadêmica da região. Mas esta constatação
não tem sido suficientemente estimulante para que esta ciência seja aqui
apoiada de forma efetiva e contínua.
Embora o interesse internacional sobre a flora regional seja uma
realidade, a nível nacional ou regional estamos longe de contribuir para o seu
completo conhecimento. As instituições de ensino e pesquisa da Amazônia,
voltadas para as Ciências Biológicas devem ocupar uma posição de liderança
na elaboração de um banco de dados sobre a vegetação e a flora. Os
obstáculos a superar não são poucos. O desafio é grande. A realização da
/ Reunião dos Botânicos, realizada no período de 26 a 30 de junho de 1995,
nas dependências do Museu Paraense Emílio Goeldi, faz parte desse esforço
de planejar a Botânica regional, como instrumento de seu fortalecimento.
A idéia de criar a Reunião dos Botânicos, portanto, visou mais que a
apresentação de trabalhos científicos e a confraternização da classe a nível
regional . Visou uma avaliação do desenvolvimento da disciplina Botânica na
região, para que ações mais organizadas na defesa dos nossos interesses
sejam tomadas. Este foi o objetivo principal do Simpósio Situação da
Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira, realizado durante o evento.
Convidados da maioria dos Estados da região: Acre (Marcos Silveira/
UFAC), Amazonas (Marlene Ereitas da Silva/UTAM), Tocantins (Marccus
Vinicius Alves/UNITIS), Pará (Mário Augusto G. Jardim/MPEG), Mato
Grosso (Germano Guarim Neto/UEMT) estiveram presentes. Com a colabo-
ração dos botânicos Léa Carreira (MPEG), Nívea Fernandes (UFAC) e
Silvia Mendonça (EUA) elaboraram um documento com sugestões, que
comentaremos mais adiante.
O evento foi também uma oportunidade para prestar homenagem ao
botânico João Murça Pires, falecido em dezembro de 1994, que por meio
século dedicou-se profundamente à botânica, com administrações marcantes
à frente dos departamentos de Botânica do Centro de Pesquisa Agroflorestal
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da Amazônia Oriental/CPATU e do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma
indiscutível contribuição à botânica mundial.
As atividades da Reunião começaram com duas exposições de caráter
científico abordando o tema da ilustração botânica. Ambas foram montadas
no Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna do Museu Goeldi. Numa delas
foram expostas aquarelas pintadas por alunos do Curso de Ilustração
Botânica, ministrado pela professora britânica Christabel King, na Estação
Científica Ferreira Penna, em julho de 1994. Formidáveis reproduções de
flores da região de Caxiuanã, bem acabadas artisticamente, revelaram que
o curso preparou ilustradores da melhor qualidade.
A outra exposição foi da ilustradora carioca Dulce Nascimento que
expôs uma mostra de plantas na mesma linha da escola de Margaret Mee,
famosa ilustradora britânica que por muitos anos dedicou-se a reproduzir
plantas amazônicas, principalmente orquídeas e bromélias. Dulce também
ministrou durante o evento um curso intensivo de Ilustração Botânica para
20 pessoas, sob a sombra acolhedora das árvores no Parque Zoobotânico do
Museu Goeldi.
A Programação técnico-científica realizada foi intensa. Dos 117
trabalhos inscritos foram apresentados 105, ou seja, apenas 14 trabalhos
estiveram ausentes. Dos 28 trabalhos inscritos na Sessão de Botânica
Econômica, apenas um não foi apresentado. O situação geral pode ser
observada na tabela 1 .
Tabela 1 - Número de trabalhos inscritos e apresentados na I Reunião dos Botânicos da
Amazônia.
SESSÕES TÉCNICAS
TRABAL. INSCRITOS
TRABAL. APRESENTADOS
BOTÂNICA SISTEMÁTICA
22
20
MORFOLOGIA VEGETAL
24
19
florística
23
18
ECOLOGIA
20
19
BOTÂNICA ECONÓMICA
28
27
TOTAL
1 17
103
Além das sessões técnicas de painéis foram realizados dois mini-
cursos: Taxonomia Vegetal (Professores Marlene Freitas da Silva/
UTAM, Regina Celia Lobato Lisboa/MPEG e Helen Sótão/MPEG) e
Ecologia Vegetal (Samuel Soares de Almeida/MPEG, Noemi Viana
Leão/CPATU).
O evento foi complementado com três expedições científicas: ilha
do Combu, onde os participantes observaram uma várzea típica do
estuário do Amazonas e o manejo que os nativos fazem com o açaí, o
cacau e outras plantas típicas da Amazônia; Crispim, onde os visitantes
conheceral o litoral paraense e suas vegetações de mangue e restinga;
Caxiuanã/Estação Científica Ferreira Penna, unidade de conservação
do Museu Goeldi, situada no município de Melgaço, Pará. A Estação de
33.000 hectares, é constituída por ambiente de terra firme, várzea,
igapó, savanas e abundante vegetação aquática.
O simpósio Situação da Pesquisa Botânica na Amazônia Brasileira
foi muito ativo e dele resultou um documento preliminar, que aborda
algumas questões fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa
botânica na Amazônia. O documento busca refletir nossos anseios e
desejos para o fortalecimento dos Institutos de Pesquisa, bem como de
seus profissionais e estudantes. Entre as questões levantadas estão as
necessidades de integração e intercâmbio, com a criação de mecanismos
que venham a permitir a troca de informações em seus diferentes níveis
(instituições, herbários, pesquisadores etc.), que possam direcionar o
ensino e a pesquisa em Botânica na Amazônia às reais necessidades
regionais; de capacitação de recursos humanos, com ênfase nas ativida-
des de Iniciação Científica, Aperfeiçoamento, acompanhadas dos cursos
de graduação e pós-graduação e no estímulo à participação de estudantes
e técnicos de laboratório em cursos de extensão e estágios supervisiona-
dos, visando a sua qualificação profissional; de incentivo a pesquisa,
com a formulação do Programa Integrado de Estudos Botânicos dos
Estados da Amazônia, como forma de minimizar a notória dificuldade de
captação de recursos financeiros; de divulgação científica, com o
estímulo ao sistema de doações e permutas de material bibliográfico entre
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as instituições amazônicas e incremento da publicação do Boletim
Informativo da SBB-Seccional Amazônia.
Foi sugerido também que, de maneira extra-oficial, circule entre os
herbários listas periódicas, com as novas identificações realizadas pelos
especialistas. Isto será de fundamental importância para a elaboração de
futuros trabalhos, em particular com enfoque florístico.
A entrega dos Anais da I Reunião dos Botânicos da Amazônia, em
quatro volumes suplementares do Boletim do Museu Paraense Emílio
Goeldi, mostra que o esforço coletivo sempre dá respostas efetivas. Há uma
potencial produção científica, de boa qualidade, sobre botânica na Amazônia
que precisa ser transformada em papers. É este um dos objetivos que nós,
da atual diretoria da Regional Amazônia, da Sociedade Botânica da Amazô-
nia, desejamos transformar em realidade.
Pedro L. B. Lisboa
Pesquisador Titular/CNPq/MPEG
Diretor da Regional Amazônia/Sociedade Botânica do Brasil
CDD: 582.16
585.2
ESTATUÁRIA SACRA EM MADEIRA -
A IDENTIEICAÇÃO ANATÔMICA A SERVIÇO DA
RESTAURAÇÃO E DA CONSERVAÇÃO^
Ricardo H. Ono^
Pedro L. B. Lisboa^
Cláudia V. Urbinati*
RESUMO - Este trabalho teve como objetivo principal a identificação das
madeiras utilizadas na confecção de esculturas religiosas em Belém do Pará.
O estudo foi centralizado em dois importantes sítios históricos de Belém: Igreja
de Santo Ale.xandre e Capela da Ordem Terceira do Carmo. Três espécies
eiailóforas foram identificadas: Cedrela odorata L., cedro; Pinus sp, pinho e
Vochysia sp, quaruba. O cedro foi a madeira mais utilizada, correspondendo
a 90% das imagens estudadas, enquanto o pinho e a quaruba foram usadas em
apenas uma imagem cada (10%).
PALAVRAS-CHAVE: Dendrologia, Anatomia de madeira. Cedro, Arte sacra.
ABSTRACT - The purpose ofthis paper is to identijy the wood commonly used
in manufacturing religious sculptures in Belém, Pará, northern Brazil. From
theses religious sculptures, small pieces were excised for wood Identification.
The study is centered on two importam historie sites in Belém, the Igreja de Sant o
Alexandre and the Capela da Ordem Terceira do Carmo. Three species of wood
* Trabalho apre.sentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
^ Universidade Federal da Bahia e Secretaria de Cultura do Estado do Pará.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399, CEP
66.040-170. Belém-PA.
PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Bolsista de Iniciação
Científica - PIBIC. Caixa Postal 399, CEP 66.040-170. Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
were identified: Cedrela odorata L. (South American cedar); Pinus sp. (pine),
and Vochysia sp. (“quaruba"). The cedar hwí more utilized (in 90% of
sculptures) than were pine and “quaruba " (only one sculpture of each of these
woods).
KEY WORDS; Dendrology, Wood anatomy, Cedar, Religious art.
INTRODUÇÃO
A madeira, devido às suas propriedades e versatilidade como elemento
decorativo, desde a antigüidade sempre esteve presente em boa parte dos
projetos, fossem eles estruturais ou decorativos.
No Brasil, uma parte bastante representativa do nosso patrimônio
cultural é expressado em peças talhadas em madeira. Nesta forma de
expressão, destaca-se a estatuária sacra, ou seja, a estatuária para fins
religiosos.
As imagens de santos, que no início da colonização eram importadas da
Europa passaram, com a progressiva difusão do catolicismo e o estabeleci-
mento de várias ordens religiosas como a Beneditina, Carmelita e Franciscana,
a serem aqui produzidas. Copiavam-se originais europeus ou, simplesmente,
buscava-se inspiração neles para a criação de novas obras, seguindo as
técnicas locais e usando os materiais disponíveis na região. Os artistas
executavam obras em barro, pedra, metal e madeira.
Essa forma de expressão cultural foi mais acentuada em algumas
cidades brasileiras, provavelmente devido a fatores econômicos, geográficos
e sociais. Em Belém do Pará, por exemplo, encontramos belos exemplares
de imagens sacra. É que a cidade, localizada no delta do rio Amazonas, era
passagem quase que obrigatória, para aqueles que adentravam ao rio, vindos
do oceano, especialmente do continente europeu que na época, exercia forte
influência na economia regional. Além disso, a Amazônia apresenta expres-
siva diversidade de espécies arbóreas, lenhosas. Algumas delas foram
amplamente utilizadas pelos artesãos da época.
Entretanto, a herança cultural da estatuária sacra sofre, de modo geral,
um constante processo degenerativo, mesmo porque o estado da madeira
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Estatuária sacra em madeira - a identificação anatômica
Utilizada na confecção dessas peças, já se apresenta como parte morta de um
vegetal, portanto, sujeita à deterioração. Este processo é agravado pela ação
de agentes externos, como o clima, a umidade do ar e a poluição, propiciando
0 ataque de organismos xilófagos. Estes últimos são os principais responsá-
veis pela aceleração de sua decomposição. Belém, por exemplo, apresenta
condições favoráveis ao desenvolvimento de organismos xilófagos, uma vez
que sua temperatura média anual é de 25,7°C e, a alta umidade relativa do
ar, 89% em média, condicionam ambiente propício para seu surgimento e
proliferação.
Contribui também para a deterioração o fato de que grande parte dessas
imagens é de propriedade de ordens religiosas, que em geral não dispõem de
recursos que viabilizem a sua conservação e/ou restauração, bem como
estudos especificamente voltados para esta arte, aqui na região amazônica.
A identificação científica das madeiras utilizadas na confecção dessa
estatuária, objetivo maior deste trabalho, representa uma indispensável
contribuição para o desenvolvimento de pesquisas que estabeleçam
metodologias específicas para a conservação/restauração e prevenção deste
valioso acervo, sujeito ao ataque de organismos xilófagos.
Este trabalho foi realizado na estatuária da Capela da Ordem Terceira
do Carmo e da Igreja de Santo Alexandre, ambas localizadas na área mais
antiga do município de Belém, no Estado do Pará. A primeira é anexa à Igreja
da Ordem Terceira do Carmo, fundada em 1626 pelos Carmelitas Calçados.
A Capela, que foi fundada no início do século XVIII (Cruz 1974) esta
passando por um processo de restauração, no qual está incluída a sua
estatuária.
A Igreja de Santo Alexandre, fundada entre os anos de 1718 e 1719, foi
inicialmente chamada de Igreja de São Francisco Xavier, sendo a terceira
construída pelos jesuítas no mesmo local da segunda igreja (Cruz 1974).
Atualmente, a Igreja está sofrendo intervenções restaurativas de grande
porte, cujo projeto tem como objetivo, além da revitalização da Igreja,
transformá-la em um museu, onde serão expostas as peças sacras de valor
histórico e artístico.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
MATERIAL E MÉTODOS
Material. O material que serviu de base para estes estudos foi obtido do
estatuário das Igrejas de Santo Alexandre e da Capela da Ordem Terceira do
Carmo . Da Igreja de Santo Alexandre foram retiradas amostras de onze peças
identificadas na Tabela 1. Da Capela da Ordem Terceira do Carmo foram
retiradas amostras de nove peças, também identificadas na Tabela 1.
Métodos. As peças foram fotografadas (Figuras 1 - 8) e o local de onde foram
retiradas as amostras foi anotado. Com o auxílio de formões de xilogravura
(menores e com “fio” preciso) e serras especiais de 1 mm, amostras de
aproximadamente 1 cm^ foram retiradas das peças. As amostras foram
etiquetadas e acondicionadas em embalagens hermeticamente fechadas e
transportadas ao Laboratório de Anatomia de Madeira do Departamento de
Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi, para identificação.
O estudo macroscópico foi feito com lente de lOx de aumento
utilizando-se lupa tipo conta-fio, que permite a identificação das estruturas
da madeira e a sua comparação com outras amostras de referência da Xiloteca
do Setor de Madeiras do Departamento de Botânica do Museu Goeldi.
O estudo microscópico foi feito utilizando-se técnicas usuais para
preparação de cortes histológicos e de material dissociado, a partir das
amostras coletadas. Os cortes histológicos nos três planos: transversal,
tangencial e radial, foram preparados conforme o tamanlio da amostra
disponível. Depois de submetidas a fervura para amolecimento, as amostras
foram cortadas em um micrótomo Reichert (cortes < 20pm). Os cortes
obtidos foram corados com safranina-hidroalcoólica e, em seguida, passados
em série alcoólica e xilol para desidratação. Depois foram montados com
bálsamo-de-Canadá, entre lâmina e lamínula, para exame ao microscópio.
A maceração foi preparada a partir de pequenos fragmentos das
amostras, os quais foram colocados em frascos de vidros contendo solução
de água oxigenada 120 volumes e ácido acético glacial em partes iguais. Os
frascos foram levados à estufa a 60°C, por 24 horas, após o que o conteúdo
foi lavado em água corrente. O macerado, depois de imerso em água, foi
corado com safranina e conservado para o estudo em formol. Os cortes
histológicos foram fotografados em fotomicroscópio Zeiss.
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Figuras 1-4 - Imagens confeccionadas em madeira, Igreja de Santo Alexandre, Belém, Pará, Brasil.
Figura 1. São Francisco de Bórgia; Figura 2. São Joaquim; Figura 3. Busto não identificado; Figura
4. Imagem não identificada.
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Estatuaria sacra em madeira - a identificação anatômica
Figuras 5-8 - Imagens confeccionadas em madeira. Capela da Ordem Terceira do Carmo, Belém, Pará,
Brasil. Figura 5. Nossa Senhora da Piedade; Figura 6. Santo Elias; Figura?. Crucifixo; Figura 8. Cristo
no Monte das Oliveiras.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldl, sér. Bot. 12(2), 1996
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Três espécies foram identificadas entre as 20 imagens estudadas: o
cedro, Cedrela aff. odorata L. (Figura 9), o pinho, Pinus sp., (Figura 10)
e a, quaruba, Vochysia sp. A espécie de maior incidência foi Cedrela aff.
odorata (90%), confirmando estudos anteriores (Lisboa 1994a; Lisboa
1994b) que atestaram que o cedro era a madeira preferida dos entalhadores
latino-americanos. Apenas duas imagens não foram confeccionadas em
cedro: a de um busto não identificado por estar com a face já destruída,
pertencente à Igreja de Santo Alexandre, confeccionada em pinho {Pinus sp.)
e, a imagem de Santo Elias, da Capela da Ordem Terceira do Carmo,
entalhada em quaruba {Vochysia sp.).
O gênero Cedrela, da família Meliaceae, abriga todas as 8 (oito)
espécies conhecidas de Cedrela encontradas nos trópicos do Novo Mundo.
Por fornecer madeiras com excepcionais características para o trabalho
artesanal tem se destacado como a preferida entre os entalhadores de
escultura sacra. O cedro, além de ser uma madeira leve (0,44 ~ 0,60 g/cm^),
possui tração normal em suas fibras e fendilhamento baixo, sendo portanto,
fácil de ser trabalhada com ferramentas. Esta propriedade, aliada ao fato da
madeira apresentar resina ligeiramente amarga torna-a de razoável resistên-
cia aos xilófagos. Estas características a tornou preferida entre as madeiras
empregadas na confecção de imagens religiosa.
Não há registros sobre a origem das imagens estudadas, mas é possível
que várias delas tenham sido confeccionadas já em Belém. A imagem
confeccionada em Pinus pode ter sido trazida da Europa ou do sul do país.
Esta madeira é mais comum em regiões temperadas, não ocorrendo espon-
taneamente na Amazônia. É facilmente reconhecível porque sua estrutura
anatômica é constituída de traqueídes e suas faixas de crescimento são muito
distintas. Apesar de ser fácil de ser trabalhada, é mais vulnerável ao ataque
de organismos xilófagos.
Infelizmente a amostra de Vochysia sp. foi insuficiente para a prepa-
ração de cortes histológicos, permitindo apenas sua identificação macroscópica.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CRUZ, E. 1974. Igrejas de Belém. Belém, Falangola, 75p., il,
LISBOA, P. L. B. 1994. Notes on South American Cedar(Ceí/re/a^ssí7/sVell.)inthesacred
art of Brazil. lawaJ., 15: 47-50.
LISBOA, P. L. B. 1994. Uma madeira muito usada no Barroco Mineiro. Ciênci. Hoje,
17: 1-20.
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CDD: 588.2
BRIÓFITAS DA SERRA DOS CARAJÁS
E SUA POSSÍVEL UTILIZAÇÃO COMO
INDICADORAS DE METAIS^
Regina C. L. Lisboa^
Fernanda Ilkiu-Borges^
RESUMO - Na Serra dos Carajás, província mineral situada no Sul do Estado
do Pará, rica em minérios de ferro, manganês, cobre, ouro, níquel etc., foi
realizada uma pesquisa visando determinar a diversidade específica das
briófitas nos diferentes ecossistemas da serra e suas associações a determinados
depósitos minerais, procurando por espécies que poderiam ser utilizadas como
indicadoras da presença de metais. Os resultados parciais mostram maior
diversidade específica na canga (minério de ferro) e preferência pelo habitat
rupestre. As famílias mais destacadas foram Calymperaceae, Dicranaceae e
Hypnaceae, tanto em número de espécies, como em número de espécimes. As
espécies mais frequentes foram Campylopus savannarum (C. Midi.) Mitt. , para
a canga, e Calymperes lonchophylium Schwaegr., para a mata de terra firme
do Projeto Bahia, muito rica em ouro.
PALAVRAS-CHAVE: Briófitas, Musgos, Indicadores de metais. Riqueza
específica. Carajás.
ABSTRA CT - Bryophytes in the Carajás Mountains andtheirpossible utilization
as hea^y metal indicators. This study was carried out in the Carajás uplifi, a
large mineral reser\’e locatedin the southof Pará State, Brazil. The Carajás area
Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará. Projeto desenvolvido com auxílios financeiros do Fundo Nacional de Meio
Ambiente (FNMA), Companhia Vale do Rio Doce, Fundação Margareth Mee e Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq/MPEG,
PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Departamento de Botânica, Caixa Postal 399.
CEP: 66.040-170. Belém, PA,
Aluna da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará-FCAP.
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contains vast reserves ofiron (Fe), manganese (Mn), copper (Cu), nickel (Ni)
and gold (Au). This study aims to identify and describe lhe bryophyte flora and
its relationship of some moss species with identified mineral deposits, looking
for species that could be used as heavy metal indicators. The partial results show
that the canga vegetation has the highest species richness for mosses. These
species grow preferentially on rocks in rupestrian habitats. Calymperaceae,
Dicranaceae and Hypnaceae were the most common families of mosses, both in
number of species and number of specimens. The more abimdant species were
Campylopus savannariim in canga vegetation and Calymperes lonchophyllum
in the upland forest of the Project Bahia area, an area with abundant gold
resetyes.
KEY WORDS: Bryophytes; Mosses, Bioindicators, Species Richness, Carajás.
INTRODUÇÃO
A província mineral de Carajás está situada no sul do Pará e em parte
do Estado do Tocantins, na área de influência das bacias dos rios Araguaia,
Tocantins e Xingu (Figura 1). Possui cerca de 150.000 km^ e apresenta-se
rica em minérios de ferro, alumínio, manganês, cobre, níquel, cromo,
estanho, tungsténio, ouro e zinco. Segundo Silva (1991), a serra dos Carajás
(5°54'-6°33’S; 49°53'-50°34’W), propriamente dita, situa-se a 130 km a
Oeste do Município de Marabá, sendo cortada pelos rios Itacaiunas e
Parauapebas (Figuras 2-3). Apresenta clima tropical, quente e úmido,
temperaturas entre 24,3 e 28,3 °C. Nos platôs o clima é tipo serrano, com
temperaturas médias de 2 1 a 23 ° C . Nestas serras , as principais elevações são
Serra Norte, Serra Sul e Serra Leste. Na Serra Norte ocorrem vários morros
de minério de ferro com elevações de 600 a 800 m (NI , N2, N3, N4, N5 etc.).
Nestas jazidas de ferro ocorre o afloramento rochoso denominado de canga
hematítica, segundo Silva (1991) conhecida vulgarmente como solo tipo
“canga”. Além dos minérios de ferro, encontram-se ouro, cobre, manganês
e níquel, entre outros. Sobre estes minérios estão dois grandes grupos
vegetacionais: floresta tropical pluvial (Figura 4), ocupando mais de 95 % da
área, e vegetação metalófila ou campo rupestre ou vegetação de canga
(Figura 5), correspondendo a 2 ou 3 % da área. Estas vegetações estão sobre
uma grande variedade de solos, contendo diferentes minérios. Os vegetais
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*
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
superiores que ali ocorrem já foram estudados por alguns botânicos, cujos
trabalhos encontram-se em Brasil (1981), Conselho Internacional do Grande
Carajás (1981), Diniz et al. (1982), Flores et al. (1983), Secco & Mesquita
(1983) e outros. Entretanto, não há referência sobre a vegetação briofítica.
Figura 1 - Localização da Serra dos Carajás, Pará, entre os rios Xingu e Araguaia.
A análise das briófitas para pesquisa de elementos minerais tem sido
bastante usada, porque elas concentram muitos elementos que estão em
excesso, no solo ou em outros substratos. Segundo Seaward & Bylinska
(1980, citado por Ando & Matsuo 1984), o valor potencial das briófitas é
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muito mais alto do que de plantas vasculares, para avaliação geoquímica.
Pela presença de certas espécies de briófitas num determinado local, pode-
se obter uma idéia dos depósitos minerais ali existentes. São espécies que
estão estreitamente associadas com determinados depósitos minerais. Por
exemplo, os chamados musgos do cobre (“copper mosses”) ou musgos do
enxofre (“sulphur mosses”) são encontrados sobre rochas ou solos de cobre,
mas também sobre minério de zinco, ferro e chumbo sob forma de sulfuretos,
assim como em fontes de enxofre.
O objetivo deste trabalho é determinar a diversidade específica das
briófitas nos diferentes ecossistemas da Serra dos Carajás, procurando
associá-las a determinados depósitos minerais.
Figura 2 - Mapa da Serra dos Carajás, mostrando os locais de coleta: 1 e 2 - Cangas; 3 - Projeto Bahia;
4 - Igarapé Azul e 5 - Projeto Salobo (Adaptado de Silva, 1991).
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Briófitas da Serra dos Carajas e sua possível utilização como indicadoras de metais
Figura 3 - Trecho do rio Itacaiunas, que corta a Serra dos Carajás.
Figura 4 - Trecho de mata de terra firme da Serra dos Carajás
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
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Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
MATERIAL E MÉTODOS
Foram realizadas três excursões para a Serra dos Carajás em setembro
e outubro de 1992 e março e abril de 1993, quando 2.078 amostras de
briófitas foram coletadas. As áreas de coleta escolhidas foram as cangas do
NI e N3 (minério de ferro), as vegetações sobre minério do ouro (igarapé
Bahia, Figura 6), de manganês (igarapé Azul, Figura 7), de cobre (igarapé
Salobo) e de níquel (Serra Vermelha).
Figura 6 - Trecho do igarapé de Águas Claras, dentro da área do Projeto Bahia, onde se extrai ouro.
Para a identificação do material foi utilizada bibliografia usual, citada
em Lisboa (1993) e também o método de identificação por comparação. As
fotomicrografias foram feitas no microscópio binocular Nikon. Após iden-
tificado, montado e registrado, o material será incorporado ao herbário “João
Murça Pires” do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG). O material constante
deste trabalho é apenas parte do que foi coletado, estando o restante em fase
de identificação.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Figura 7 - Vista geral da mina de maganês do igarapé Azul. A poeira do minério espalha-se pelo ar.
O substrato sobre o qual as briófitas foram coletadas foi tipificado
conforme a classificação de Robbins (1952): corticícolo, para tronco e ramos
de árvores vivas; epíxilo, para ramos e troncos caídos e em decomposição;
rupestre, para a superfície rochosa; terrestre, para a superfície do solo ou
“litter”.
RESULTADOS
Foram estudadas, até o momento, espécimes de 20 famílias de briófitas,
das quais apenas três são famílias de hepáticas. Um total de 62 espécies estão
relacionadas na Tabela 1, junto com o número de ocorrências, o ambiente
onde foram coletadas, o substrato que ocupavam e o tipo de minério que se
encontrava em maior quantidade no solo do local de coleta.
As famílias mais representativas, as espécies mais freqüentes, o
ecossistema onde ocorreu maior diversidade de espécies, os substratos mais
utilizados e os minérios sobre o qual se encontravam são destacados nas
Figuras 8-12, respectivamente.
168
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Tabela 1 - Briófitas da Serra dos Carajás, Pará. N = número de ocorrências. Legenda: Substratos: C = Corticícolo; E = Epíxilo;
T = Terrestre; R = Rupestre; Ecossistemas; C = Capoeira; Cg = Canga; V = Várzea; TF = Mata de terra firme; Minérios: Au =
Ouro (Igarapé Bahia); Cu = Cobre (Igarapé Salobo); Fe = Ferro (Canga); Mg = Manganês (Igarapé Azul); Ni = Níquel (Serra
Vermelha).
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
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10 11 12
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Henicodium geniculatum (Mitt.) Crum et Steere.
Pseudocryphaea domingensis (Spreng.) Buck
Família / Espécie
LEJEUNEACEAE
Mastigolejeunea auriculala (Wils.et Hook.) Schiffh.
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
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171
Calypogeia amazônica (Spruce) Steph.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Campylopus savannarum
Isopterygium tenerum
Syrrhopodon ligulatus
S. prolifer var. acanthoneuros
Campylopus surinamensis
Racopilum tomentosum
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Número de ocorrências
Figura 9 - Briófitas mais freqüentes da Serra dos Carjás.
172
10 11 12
13
CALYMPER.
Número de ocorrências
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
Terra Firme
Capoeira
4%
Figura 10 - Ocorrência de espécies de Briófitas por ecossistemas.
Figura 1 1 : substratos preferenciais das Briófitas
173
2 3 4 5 6
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Figura 12 - Diversidade específica de Briófitas, por minérios.
A Tabela 1 apresenta algumas espécies coletadas e identificadas durante
o desenvolvimento deste trabalho e que foram indicadas como novas
ocorrências nos trabalhos de Lisboa (1994) e Lisboa & Borges (1995). Em
Lisboa (1994), as espécies Bryum subverticillatum (Broth.) Ochi (Figura 13),
Porotrichum plicatulum Mitt. , Lepidopilum scabrisetum (Schwaegr.) Steere
e L. stolonaceum são ilustradas e comentadas como novas ocorrências para
o Estado do Pará. Lisboa & Borges (1995) também ilustram e comentam
como novas ocorrências para o Estado do Pará, as espécies Campylopus
pilifer Bridei ssp. pilifer var. pilifer e Taxithelium portoricense Williams.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Das vinte famílias relacionadas na Tabela 1 , dez destacam-se quanto ao
número de espécies, de acordo com o Figura 8, sendo que Calymperaceae,
Dicranaceae e Hypnaceae, com 130, 76 e 43 coletas, representando 15, 6 e
6 espécies, respectivamente (Tabela 1), são as mais diversificadas. Bryaceae,
com apenas três espécies, destaca-se com 24 coletas. Campylopus savaniiarum
174
10 11 12
13
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
(Figura 14) é, de longe, a espécie mais freqüente, como evidenciado no
Figura 9. Calymperes lonchophyllum, Isopterygium tenerum e Bryum
coronatum (Figura 15) vêem a seguir, de um total de 63 espécies já
identificadas para a área. A Figura 10 mostra maior diversidade de espécies
na canga (57%). Este resultado provavelmente será alterado quando a
totalidade do material coletado for identificado, porque é na mata de terra
firme que há melhores condições ambientais para as briófitas, no que se
refere a disponibilidade de substratos, sombra, umidade e temperaturas mais
amenas.
O substrato preferido das briófitas na Serra dos Carajás, apresentado
na Figura 11, é o rupestre, o que se explica pela grande quantidade de
espécies de Dicranaceae que se localizam diretamente sobre o minério de
ferro, na canga. A maior diversidade específica está em ambiente cujo solo
é mais rico em ferro, bem caracterizado na Figura 12, onde 33% das 63
espécies relacionadas para a Serra dos Carajás são encontradas nas áreas
ricas em ferro. Campylopus savannarum é a espécie mais freqüente neste
ecossistema. Mas também foi encontrada na vegetação do igarapé Salobo
(cobre) e igarapé Bahia(ouro). Campylopus surinamensis é outro musgo
muito comum na canga, assim como Pilosium chlorophyllum (Figura 16) e
Macromitrium stellulatum (Figura 17). Calymperes lonchophyllum é a
espécie mais freqüente na mata alta do projeto Bahia, vegetação sobre
minério de ouro.
Devido ao fato de a grande parte do material coletado ainda não estar
identificado, os resultados apresentados estão sujeitos a alterações que, caso
ocorram de maneira significante, comprovará a necessidade de coletas
extensivas, seguidas de um criterioso trabalho de identificação, para se ter
um bom conhecimento da diversidade específica de uma área.
Considerações sobre espécies de briófitas associadas a depósitos
minerais só poderão ser feitas quando todo o material coletado estiver
identificado.
175
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
B
Figura 13 - Bryum subverticillalum (Broth.) Ochi. A, Gametófitos agrupados; B, Gametófitos isolados
(J. Ramos & C. Rosário, 635).
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10 11 12 13
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
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Rosário, 246); B, Gametófitos com esporófitos (J. Ramos & C. Rosário, 651).
cm
SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Figura \4 - Campylopus savannarum (C. MüIl.)Mitt. C, Ápice do filídio, 250X; D, Células da margem
do filídio, 250X; E, Células alares do filídio, avermelhadas e infladas (R. Lisboa, 2122).
10 11 12 13 14 15
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
Figura 15 - Bryum coronatumSchv/aegr. Gametófitos apresentando esporófito(J. Ramos&C Rosário
1080 ).
igura 16 - Pilosium chlorophyllum (Hornsch.) C. Müll. Gametófitos completamente aderidos ao
substrato, neste caso minérios de ferro (J. Ramos & C. Rosário, 134).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Figura 17 - Macromitrium stellulatum (Hornsch.) Brid. Gametófitos também aderidos ao substrato e
apresentando esporófitos onde se vê claramente caliptras mitriformes (J. Ramos & C. Rosário, 692).
AGRADECIMENTOS
À Companhia Vale do Rio Doce, à Fundação Magareth Mee, ao Fundo
Nacional de Meio Ambiente (FNMA) e ao Conselho Nacional de Desenvol-
vimento Científico e Tecnológico-CNPq, pelo apoio financeiro dado ao
projeto. Ao Samuel Almeida pelas sugestões e auxílio na elaboração do
“Abstract”.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDO, H. & MATSUO, A. 1984. Applied Bryology. In: SCHULTZE-MOTEL, C. V.
(ed.). Advances in bryology. Germany.Cramer. v. 2, p. 133-230.
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(Tocantins); Geologia, geomorfologia, solos, vegetação, uso potencial da terra. Rio de
Janeiro, Departamento Nacional de Produção Mineral (Levantamento de Recursos
Naturais, 4).
180
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Briófitas da Serra dos Carajás e sua possível utilização como indicadoras de metais
CONSELHO INTERMINISTERIAL DO PROGRAMA GRANDE CARAJÁS. 1981.
Programa Grande Carajás: aspectos físicos, demográficos e fundiários. Rio de Janeiro.
DINIZ, L.; ALVES, M.B. & SÁ, R.M.S. 1982. Carajás, informações documentais, v.l.
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FLORES, R. A. L.; ALVES, M.B.M. &SÁ, R.M.S. 1983. Carajás, informações documemais,
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LISBOA, R.C.L. 1993. Musgos acrocárpicos do Estado de Rondônia. Belém, Museu
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LISBOA, R.C.L. 1994. Adições à brioflora do Estado do Pará. Boi. Mus. Para. Emílio
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LISBOA, R.C.L. & BORGES, A.L.l. 1995. Novas adições à brioflora do Estado do Pará.
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SILVA, M.F.F. 1991 . Análise florística da vegetação que ocorre sobre canga hematítica em
Carajás, Pará (Brasil). Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 7(1): 79-107.
181
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CDD: 584.15098115
NOTAS PRELIMINARES SOBRE A FLORA
ORQUIDOLÓGICA DO ESTADO DO PARÁ, BRASIL
Anna Luiza Ilkiu-Borges^
André Luiz de Rezende Cardoso^
RESUMO - O Estado do Pará é o segundo maior do Brasil e está situado ao
Norte, fazendo parte da região Amazônica. Possui 1.258.734,35 km^, com
densidade demográfica média de 3, 78 hab./km^. Já foram realizados levanta-
mentos parciais nas regiões do Médio Amazonas Paraense, Baixo Amazonas,
Xingú, Puros, Campos do Marajó, Baixo Tocantins, Marabá, Araguaia Paraense,
Guajarina, Salgado, Bragantina, Beléme Vizeu. Onde, até o momento, já foram
encontradas 383 espécies, distribuídas em 90 gêneros. As espécies coletadas à
medida que florescem estão sendo fotografadas, desenhadas, aquareladas e
identificadas. Estudos ainda devem ser realizados para concluira identificação
e catalogação das espécies de orquídeas do Estado do Pará.
PALAVRAS CHAVE: Orquídeas, Brasil, Estado do Pará, Ecossistema.
ABSTRAT- The State of Pará is the second largest and is situated in the north
of Brazil. It is part ofthe region called Amazônica. The State covers 1,258, 734, 35
km^ and has as average population density of 3. 78 inhabitants/km^. Various
studies have been about the following areas: Médio Amazonas Paraense, Baixo
Amazonas, Xingú, Furos, Campos do Marajó, Baixo Tocantins, Marabá,
Araguaia Paraense, Guajarina, Salgado, Bragantina, Belém and Vizeu. The
studies from these areas have shown that there are 383 orchid species in 90
genera. The species collected are photographed, drawn, painted in watercolor
and are identified as they flower. Many more studies are needed to finish
identifying and cataloging all ofthe orchids in the State ofPará.
KEY WORDS: Orchids, Brazil, State of Pará, Ecosystem.
' Sociedade Par,aense de Orquidófilos. Rua dos Mundurucus, 1553/601. CEP: 66025-660. Bclém-PA.
183
Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Boi. 12(2), 1996
INTRODUÇÃO
Orchidaceae é a maior e mais conhecida família botânica, sendo
distribuída por todos os continentes, a exceção do Antártico, e cultivada por
populações urbanas e rurais das mais diversas culturas. As orquídeas são
também utilizadas por populações indígenas, onde assumem papel em rituais
e como plantas medicinais.
Por ter adquirido fama pela beleza de suas flores e alta especificidade
com o habitat, obtiveram o status de plantas indicadoras da importância da
preservação dos ecossistemas e, conseqüentemente, da biodiversidade,
funcionando como representantes de um ambiente que se deseja preservar.
Ao se tentar identificar as orquídeas que foram encontradas em diversos
levantamentos, foi observado que muitas espécies não haviam sido citadas
para o Estado do Pará e algumas nem mesmo para a Amazônia, de acordo
com Pabst & Dungs (1975, 1977), o mais abrangente levantamento das
orquídeas brasileiras, e de acordo com outros trabalhos constantes nos
Boletins CAOB, Orquidário, do Herbário Bradeanum (BRADEA), de
Sociedades de Orquidófilos do Brasil e no Biologycal Abstract.
O objetivo deste trabalho é determinar as espécies de orquídeas que
ocorrem no Estado do Pará, ampliando as informações sobre sua distribuição
geográfica, assim como indicar e subsidiar a implantação de novas áreas de
preservação e, também, reafirmar a importância de áreas já preservadas.
MATERIAIS E MÉTODOS
O Estado do Pará (Figura 1) é o segundo maior em área do Brasil e está
situado ao Norte, fazendo parte da região Amazônica. Possui 1.258.734,35
km^, com densidade demográfica média de 3,78 hab/km^. O clima é tropical
úmido, com temperatura média de 26,5°C e altitudes modestas, em geral,
com 58% do território situado abaixo de 200 metros, alcançando acima de
500 metros apenas nos extremos norte e sul do Estado. O principal rio que
abastece o Estado é o Amazonas, assim como alguns de seus afluentes, e os
rios Gurupi e Araguaia, na divisa dos Estados do Maranhão e Tocantins,
respectivamente.
184
Figura 1 - Mapa do Estado do Pará.
Pelo vasto território e por suas condições geográficas e ambientais, o
Pará está dividido em 15 micro rregiões, nas quais o levantamento está sendo
feito separadamente. Estas microrregiões são as regiões do Médio Amazo-
nas Paraense, Baixo Amazonas, Xingú, Furos, Campos do Marajó, Baixo
Tocantins, Marabá, Araguaia Paraense, Guajarina, Salgado, Bragantina,
Belém, Vizeu, Tomé-açu e Tapajós (Idesp... 1986). Cada microrregião
abrange diversos municípios.
185
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
O estudo de cada microrregião consiste na visita a locais determinados
e na coleta de orquídeas para estudos posteriores. No campo é observado a
preferência pelo habitat e outras características adaptativas. O material
coletado é levado a orquidários para cultivo até que floresçam e à medida que
isto ocorre, este é identificado, desenhado (Figuras 2-3) ou aquarelado e
exsicatado.
A identificação das espécies está sendo feita através dos trabalhos de
Dunsterville, G.C.K. & Garay (1979); Hoehne (1949) e Pabst & Dungst
(1975, 1977).
RESULTADOS
Neste estudo foram encontradas, até o presente, 383 espécies de
orquídeas para o Estado do Pará.
As microrregiões melhor estudadas são as de Marabá, Belém e
Bragantina. As regiões que este estudo ainda não abrangeu foram as de
Tomé-açu, Tapajós e Campos do Marajó. Esta última possui duas espécies
citadas neste trabalho.
Trezentos e vinte e sete espécies já foram identificadas, outras precisam
ser melhor estudadas para obtenção de identificação precisa. Cerca de 150
espécies já foram desenhadas.
O gênero Coryanthes destacou-se por apresentar 10 espécies, das quais
apenas 3 foram identificadas até o presente e Mormodes também com 10
espécies e apenas 4 identificadas.
Foram encontrados 90 gêneros e os de maior número de espécies são
Epidendrum (25), Habenaria (25), Pleurothallis (19), Caíasetum (19),
Maxillaria (18), Enqiclia (13) e Vanilla (12). Também 32 gêneros com
apenas 1 representante que são: Aga/i/í/a, Aspidogyne, Batemania, Bifrenaria,
Brachystele, Caularthron, Diadenium, Dimerandra, Eulophia, Koellensteinia,
Liparis, Malaxis, Masdevallia, Mendoncella, Mesadenella, Oeceoclades,
Orleanesia, Omithidium, Paphinia, Pelexia, Prescottia, Reichembachanthus,
Scelochilus, Schomburgkia, Scuticaria, Solenidium, Spiranthes,
Stenorrhinchus, Trichocentrum, Trizeiais, Wullschlaegelia e Zygosepaliim.
186
Notas preliminares sobre a flora orquidológica do Estado do Pará
Figura 2 - Catasetum rondonensis Pabst; A- Labelo (vista superior aberto); B- Corte longitudinal do
labelo; C- Vista superior do labelo; D- Coluna e labelo (vista frontal); E- Hábito; F- Diagrama; G-
Polinário (vista inferior e superior); H- Antera (vista lateral, inferior e frontal com o polinário); 1-
Coluna e labelo (vista lateral).
187
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Figura 3 - Maxillaría ochroleuca Sander; A- Hábito; B- Vista lateral da flor; C- Vista frontal da flor;
D- Antera (vista inferior e superior); E- Polinário (vista inferior e superior); F- Coluna e labelo; G-
Labelo; H- Diagrama; I- Vista lateral do labelo.
188
Notas preliminares sobre a flora orquidológica do Estado do Pará
Foi observado que 265 espécies são exclusivamente epífitas e 68
exclusivamente terrestres. Outras espécies foram encontradas em mais de um
tipo de substrato, sendo 6 espécies epífitas e terrestres, 9 espécies epífitas e
rupestres e 2 espécies epífitas, terrestres e rupestres.
Na Tabela 1 encontram-se as espécies coletadas, sua microrregião de
origem e o tipo de substrato encontrado, assim como as espécies registradas
em literatura, pertencente ao Estado do Pará, mas sem microrregião
determinada.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos à Companhia Vale do Rio Doce e à Fundação Serra das
Andorinhas e Fundação Casa da Cultura da Marabá pelo apoio logístico na
região do Projeto Carajás e sul/sudeste do Estado do Pará, respectivamente;
e à Sociedade Paraense de Orquidófilos pelo apoio às atividades desenvol-
vidas neste estudo.
189
Tabela 1 - Orquídeas do Estado do Pará e suas microrregiões de ocorrência.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
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Notas preliminares sobre a flora orquidológica do Estado do Pará
191
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
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Cyrtopodium falcilobium Hoehne
Cyrtopodium poecilum Rchb.f.& Warm.
Cyrtopodium saint-legerianum Rchb.f. (A-699)
Cyrtopodium vernum Rchb.f. & Warm. (A-626**)
Cyrtopodium virens Rchb.f. & Warm. (A-572**)
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
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202
Sobralia fragrans Lindl.
Sobralia liliastrum Lindl. (A-466***)
Sobralia macrophylla Rchb.f. (A-414*)
Sobralia pumila Rolfe,
Sobralia sessilis Lindl. (A-690)
Notas preliminares sobre a flora orquidológica do Estado do Pará
203
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2). 1996
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10 11 12 13 14 15
cm
Notas preliminares sobre a flora orquidológica do Estado do Pará
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DUNSTERVILLE, G.C.K. & GARAY, L.A. 1979. Orchids of Venezuela. An Illustrated
Field Guide. v.1-3. Massachusetts. Botanical Museum of Harvard University
H.U.Printing Office, 1055p.
HOEHNE, F.C. 1949. Iconografia de Orchidaceas do Brasil. São Paulo, Secretaria de
Agricultura. S.A. Indústrias Graphicars-F, Lanzara, 601p.
PABST, J.F.G. & DUNGST, F. 1975. Orchidaceae Brasiliensis. v.l. Hildesheim, 407p.
PABST, J.F.G. & DUNGST, F. 1977. Orchidaceae Brasiliensis. v.2. Hildesheim, 418p.
IDESP. 1986. Anuário Estatístico do Estado do Pará, 1984. v.7. Belém, Pará, p. 1-364.
205
CDD; 583.32304162
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - VIL
O PÓLEN DO GÊNERO HYMENAEA L.
(LEGUMINOSAE CAESALPINIOIDEAE)i
Léa Maria Medeiros Carreira^
Flávia Cristina Araújo Barata^
RESUMO: Na Amazônia brasileira, o gênero Hymenaea L. (Leguminosae
Caesalpiniodeae) encontra-se representado pelas espécies H. courbaril var.
courbaril, H. courbaril var. obtusifolia, H. courbaril var. subssesilis, H.
intermedia var. intermedia, H. intermedia var. adenotricha, H. oblongifolia
var. oblongifolia, H. oblongifolia var. palustris, H. parvifolia, H. reticulata, H.
stigonocarpa var. stigonocarpa e H. stigonocarpa var. pubescens. Seus grãos de
pólen foram analisados quanto aos aspectos morfológicos, como tamanho,
forma, número de aberturas, estratificação e ornamentação da exina. A
acetólise foi o método utilizado para a preparação das lâminas de pólen. Nas
descrições foram consideradas principalmente as medidas dos eixos polar e
equatorial e da espessura da exina, verificando-se que os grãos de pólen das
espécies analisadas são médios, isopolares, de simetria radial, 3-colporados,
de superfície punctada, variando de subprolatos a prolatos, o âmbito de
subtriangular a circular e a endoabertura de circular a lalongada. Entretanto,
as diferenças encontradas na morfologia polínica das espécies examinadas não
são suficientes para separar as espécies entre si.
PALAVRAS-CHAVE: Pólen, Morfologia Polínica, Leguminosae, Amazônia
brasileira, Hymenaea.
’ Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq, Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. de Botânica. Caixa Postal, 397. CEP
66.040-170. Belém-PA.
^ Bolsista de I. C. do PlBlC/CNPq/MPEG/DBO, Processo No. 800485/93-9, Belém-PA.
207
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
ABSTRACT: In Brazilian Amazon, the genus Hymenaea L. (Leguminosae
Caesalpiniodeae) is represented by the following species: H. courbaril var.
courbaril, H. courbaril var. obtusifolia, H. courbaril var. subssesilis, H.
intermedia var. intermedia, H. intermedia var. adenotricha, H. oblongifolia
var. oblongifolia, H. oblongifolia var. palustris, H. parvifolia, H. reticulata, H.
stigonocarpa var. stigonocarpa and H. stigonocarpa var. pubescens, which
pollen grains were analyzed in terms of morphological aspects, such as size,
form, number of apertures, stratijication and omamentation ofthe exine. Slide
preparation was done following acetolysis. Measuremenls of the polar and
equatorial axis, and the thickness ofthe exine were the main considerations for
pollen grain descriptions. The pollen grains ofthe analyzed species were médium
size, isopolar, radially symmetrical, 3-colporate, with punctate surface, the
form varying from subprolate to prolate. The amb varies from subtriangular to
circular and the endoapertures from circular to lalongate. It was not possible
to separate the species examinated by its pollen grain morphology.
KEY WORDS: Pollen, Pollen morphology, Leguminosae, Brazilian Amazon,
Hymenaea.
INTRODUÇÃO
A flora amazônica, tão explorada por seus recursos naturais, é formada
por inúmeras famílias que completam o ciclo de diversidade vegetacional.
Dentre elas, destaca-se a família Leguminosae, com aproximadamente 1 .24 1
espécies, distribuídas em 146 gêneros para 3 subfamílias segundo Silva et al.
(1989), representando desta maneira uma das mais importantes famílias em
relação à composição da flora amazônica. Para Wiersema et al. (1990), as
leguminosas existentes no mundo somam cerca de 650 gêneros e 18.000
espécies.
O gênero Hymenaea L., pertencente a subfamília Caesalpinioideae,
encontra-se representado na Amazônia brasileira pelas espécies H. courbaril
var. courbaril L., H. courbaril var. obtusifolia Ducke, H. courbaril var.
subssesilis Ducke, H. intermedia var. intermedia Ducke, H. intermedia var.
adenotricha Ducke, H. oblongifolia var. oblongifolia Hub., H. oblongifolia
\ar .palustris Ducke, H. parvifoliaWuh., H. reticulataDucke, H. stigonocarpa
var. stigonocarpa Mart. ex Hayne e H. stigonocarpa var. pubescens Benth.
Silva et al. (1989).
208
Leguminosas da Amazônia Brasileira - VII
Vários autores, ao estudarem o gênero Hymenaea, o incluíram em
diversas tribos, por exemplo; De Candolle (1825a, b) em Cassieae; Bentham
(1840) inicialmente em Amherstieae e posteriormente em Cynometreae;
Heywood (1971) concorda com Bentham (1 . c . ) dando prioridade para o nome
Detarieae. Lee & Langeheim (1973) consideram-no também na tribo
Detarieae.
O trabalho mais recente e mais completo sobre o gênero Hymenaea é
o de Lee & Langeheim (1975) que, além de fazerem a revisão taxonômica,
analisaram o referido gênero sob diversos aspectos como: biologia da
reprodução, número de cromossomas, observações fenológicas, etnobotânica,
química da resina, morfologia comparativa, anatomia geral, etc.
Quanto aos esmdos sobre a morfologia polínica, Fasbender (1959)
estudou os grãos de pólen de H. oblongifolia, H. parvifoUa e H. stilbocarpa\
Melhem & Salgado-Labouriau ( 1 963) analisaram o pólen de H. stigonocarpa;
Salgado-Labouriau (1973), analisando os grãos de pólen de Cassia Tul,.
concluiu que seus caracteres morfológicos são semelhantes aos da espécie
H. stigonocarpa-, Langeheim & Lee (1974) classificaram o gênero Hymenaea
em duas secções: Trachylobium e Hymenaea, e teceram comentários sobre
seus grãos de pólen; Graham & Barker (1981), baseados na morfologia
polínica, incluiram o gênero na tribo Detarieae e ilustraram em MEV o pólen
de H. martiana.
A maioria das espécies deste gênero é considerada de grande importân-
cia na indústria econômica, como medicinais, ornamentais e alimentícias.
Muitas são arbóreas e produzem madeira que é utilizada na construção civil
e naval. Algumas são conhecidas vulgarmente como “jutaí” ou “jatobá” e
fornecem uma resina denominada “jutaicica”, amplamente empregada na
indústria de vernizes (Le Cointe (1947); Record & Hess (1949); Prance &
Silva (1975); Silva et al. (1977); Corrêa (1978) e Cavalcante (1988)). As
resinas mais resistentes e duráveis são produzidas por leguminosas, em
particular pelos gêneros Hymenaea e Copaifera. A resina produzida pelos
botões florais de H. courbaríl é fonte de atração de insetos, principalmente
abelhas e coleópteros (Tropical Legumes 1979).
O trabalho tem como objetivo analisar a morfologia dos grãos de pólen
das espécies do gênero Hymenaea L. que ocorrem na Amazônia brasileira.
209
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(2), 1996
para que futuramente possam contribuir com outros trabalhos relacionados
a este gênero.
MATERIAL E MÉTODOS
Material Botânico
Botões florais adultos foram retirados de amostras existentes nos
herbários: MG (Museu Paraense Emílio Goeldi), lAN (Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária/Centro de Pesquisas do Trópico Úmido) e INPA
(Instituto Nacional de Pesquisas de Amazônia). As referências completas de
herbário e palinoteca de cada espécie encontram-se nas descrições polínicas.
Métodos
Para a preparação das lâminas foi utilizado o método de acetólise de
Erdtman (1952); posteriormente fez-se a montagem com gelatina glicerinada
(Kisser 1935) e, para tornar as lâminas definitivas e isentas de contaminação
procedeu-se a lutagem com parafina.
Para a obtenção das medidas foi utilizado um microscópio ZEISS,
adaptando-se uma objetiva com escala micrometrada.
As medidas dos eixos polar e equatorial foram feitas em 25 grãos de
pólen, em vista equatorial, utilizando-se a objetiva de 40x. Com esses
valores, foram calculados a média, variância, desvio padrão e coeficiente de
variação. As medidas da exina e dos diâmetros dos lumens foram feitas em
10 grãos, usando-se a objetiva de lOOx e calculadas somente as médias
aritméticas.
Para as observações em MEV, os grãos de pólen, após a acetólise,
foram deixados por 24 horas em acetona a 50 % e posteriormente desidratados
em acetona a 100% durante 30 minutos. Uma gota da suspensão de pólen em
acetona pura foi depositada sobre o suporte e deixada secar por algumas horas
a 37°C, antes de ser evaporada com ouro.
Nas descrições polínicas foi usada a seqüência padronizada de Erdtman
(1969), a classificação de Praglowski & Punt (1973) que define as variações
210
Leguminosas da Amazônia Brasileira - VI!
que ocorrem no padrão da superfície reticulada e a nomenclatura baseada no
Glossário Ilustrado de Palinologia de Barth & Melhem (1988).
As fotomicrografias de luz foram obtidas em um fotomicroscópio
ZEISS e as de MEV em um microscópio eletrônico de varredura ZEISS
modelo DSM-940.
Nas descrições e nas legendas das figuras foram usadas as seguintes
abreviaturas:
amb = âmbito; E = eixo equatorial; MEV = microscopia eletrônica
de varredura; ML = microscopia de luz; NPC = número, posição e caráter
das aberturas; P = eixo polar; P/E = relação entre as medidas dos eixos polar
e equatorial; P/MG = número de registro da Palinoteca do Museu Goeldi;
s/n = sem número; s/d = sem data; VE = vista equatorial do grão de pólen;
VP = vista polar do grão de pólen.
RESULTADOS
Descrições polínicas
H. courbaril var. courbaril L. (Figura 1 a-d)
Coletor: A. Goeldi s/n
Determinador: Lee & Langeheim 1971
Herbário: MG 007734
Palinoteca: P/MG-1043
Procedência: Belém
Nome vulgar: “jatobá”
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb subtriangular,
forma prolata, 3-colporados, sincolpados, de superfície punctada.
A endoabertura é circular. P= 40 ± 0,7(38 - 44);ím; E= 28 ± 0,7(26 -
32)fim; P/E= 1,52; NPC= 345. A sexina (0,8/Ltm) é mais espessa que a
nexina (0,3/im) ao nível dos mesocolpos e se espessa ainda mais à medida que
se aproxima dos colpos. O teto é quase liso. As pontuações são regulares, cuja
distribuição é mais evidente nos mesocolpos.
211
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
H. courbaril var. obtusifolia Ducke (Figura 1 e-f)
Coletor: W. A. Archer 7559
Determinador: Lee & Langeheim 1971
Herbário: lAN 011906
Palinoteca: P/MG- 1042
Procedência: Belém
Nome vulgar: “jutaí”
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular,
forma prolata, 3-colporados, de superfície punctada. A endoabermra é
lalongada. P= 41 ± 0,8(38 -43)/xm; E=27 ± 0,8(23 -28)/^m; P/E= 1,55;
NPC= 345. A sexina (0,8/Mm) é mais espessa que a nexina (0,3/:rm),
tornando-se ainda mais espessa nos colpos. O teto é ondulado. As pontuações
são irregulares, sendo mais evidentes nos mesocolpos.
H. courbaril var. subsessilis Ducke (Figura 2 a-d)
Coletor: A. Ducke s/n
Determinador: Lee & Langeheim 1971
Herbário: MG 011167
Palinoteca: P/MG-1041
Procedência: Manaus
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular,
forma prolata a subprolata, 3-colporados, de superfície punctada. A
endoabermra é circular. P= 37 + 0,7(34 -40)^m; E=28 ± 0,9(25 -32)^m;
P/E= 1,33; NPC= 345. A sexina (0,9/xm) é mais espessa que a nexina
(0,3/ím) nos mesocolpos e torna-se mais espessa nos colpos. O teto é
finamente ondulado. As perfurações são irregulares e mais evidentes nos
mesocolpos.
213
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
H. intermedia var. intermedia Ducke (Figura 2 e-h)
Coletor: R.L. Fróes 25237
Determinador: Lee & Langeheim 1971
Herbário: lAN 051567
Palinoteca: P/MG- 1044
Procedência: Amazonas
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb subtriangular
a circular, forma prolata , 3-colporados, sincolpados, de superfície punctada.
A endoabertura é circular. P= 39 ± 1,0(35 - 43)fxm-, E= 25 ± 0,8(22 -
27)/xm; P/E= 1,55; NPC= 345. A sexina é mais espessa que a
nexina (0,4/xm) ao nível dos mesocolpos . Próximo aos colpos a sexina se
espessa e a nexina diminui de espessura. O teto é fmamente ondulado. As
pontuações são regulares e encontram-se uniformemente distribuídas.
H. intermedia var. adenotricha Ducke (Figura 3 a-0
Coletor: G.T. Prance et al. 14342
Determinador: M. T. Arroyo 1972
Herbário: MG 043790
Palinoteca: P/MG-1134
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular,
forma sub prolata , 3-colporados, de superfície punctada. A endoabertura é
circular. P= 38 + 1,1(28 - 35)Mm; E= 30 + 1,2(24 - 32)/xm; P/E= 1,25;
NPC= 345. A sexina (0,9/im) é mais espessa que a nexina (0,3/xm) e tende
a se espessar nos colpos. O teto é liso e as pontuações são diminutas,
tornando-se pouco evidentes. Em MEV foi verificado que os colpos são
longos e estreitos e que a ornamentação da exina confere com as observações
feitas em ML.
214
Figura 2 - Pólen de Hymenaea courbaril var. subsessilis. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação
da exina; c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (lOOOx). Pólen de Hymenaea intermedia
var, intermedia. ML; e) VP, corte ótico; f) Idem, ornamentação da exina; g) VE, corte ótico; h) Idem,
ornamentação da exina. (lOOOx)
215
Figura 3 - Pólen de Hymenaea intermedia var. adenotricha. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem
ornamentação da exina; c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina. (800x) MEV: e) VE
aspecto dos colpos invaginados (2500x); f) Idem, detalhe da ornamentação da exina (4000x).
216
SciELO
H. oblongifolia var. oblongifolia Hub. (Figura 4 a-b)
Coletor: A. Ducke s/n
Determinador: M. G. A. Lobo 1983
Herbário: MG 014982
Palinoteca: P/MG- 1045
Procedência: Pará
Nome vulgar: “jutaí”
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular,
forma prolata , 3-colporados, de superfície punctada. A endoabertura é
circular. P= 27 + 0,8(25 - E= 19 ± 1,6(17 - 24)fim- P/E= 1,55;
NPC= 345. A sexina (0,5/im) é um pouco mais espessa que a nexina
(0,3/Ltm). O teto é liso e as pontuações são diminutas, tornando-se indistintas.
H. oblongifolia var. palustris (Ducke) Lee & Lang. (Eigura 4 c-f)
Coletor: Lee 69
Determinador: Lee & Langeheim 1971
Herbário: lAN 155677
Palinoteca: P/MG-1046
Procedência: Amapá
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb subtriangular,
forma prolata , 3-colporados, sincolpados, de superfície punctada. A
endoabermra é circular. P= 30 ± 1,2(25 -32)/xm; E= 22 ± 0,9(19 -25)íim;
P/E= 1,46; NPC= 345. A sexina (0,5/im) é quase da mesma espessura da
nexina (0,3/im). O teto é liso. As pontuações são regulares, pouco evidentes
e uniformemente distribuídas.
217
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Figura 4 - Pólen de Hymenaea oblongifolia var oblongifolia. ML: a) VE, corte ótico; b) Idem,
ornamentação da exina(1500x). P6\en de Hymenaea oblongifolia var. palustris. ML: c) VP, corte ótico;
d) Idem, ornamentação da exina; e) VE, corte ótico; f) Idem, ornamentação da exina (lOOOx).
218
H. parvifolia Hub. (Figura 5 a-d)
Coletor; Langeheim 5623
Determinador: Langeheim 1969
Herbário: MG 066810
Palinoteca: P/MG-1047
Procedência: Pará
Nome vulgar: “jutaí”
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb subtriangular,
forma prolata , 3-colporados, de superfície punctada. A endoabertura é
circular. P= 32 ± 0,8(28 - 35)/xm; E= 23 ± 0,7(21 - 26)Mm; P/E= 1,53;
NPC= 345. A sexina (0,7/zm) é mais espessa que a nexina (0,3/xm). O teto
é fmamente ondulado. As pontuações são regulares, pouco evidentes, com
distribuição uniforme.
H. reticulata Ducke (Eigura 5 e-h)
Coletor: A. Ducke 666
Determinador; Ducke 1941
Herbário: lAN 010231
Palinoteca: P/MG- 1048
Procedência: Amazonas
Nome vulgar: “jutaí” e “jatobá”
Grãos de pólen médios , isopolares , de simetria radial , amb subtriangular
acircular, forma prolata , 3-colporados, sincolpados, de superfície punctada.
A endoabertura é circular. P = 41 ± 1,0(37 - 44)/.tm; E= 29 ± 1,2(25 - 33)/Lim;
P/E= 1,46; NPC= 345. A sexina (0,8/ím) é mais espessa que a nexina
(0,4/Lím) nos mesocolpos e tende a se espessar nos colpos. O teto é levemente
ondulado e as pontuações são regulares com distribuição homogênea.
219
SciELO
Figura 5 - Pólen de Hymenaea parvifolia. ML: a) VP, corte ótico; b) Idem, ornamentação da exina,
c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (1500x). Pólen de Hymenaea reticulata. ML: e)
VP, corte ótico; f) Idem, ornamentação da exina; g) VE, corte ótico; h) Idem, ornamentação da exina
(1500x).
220
H. stigonocarpa var. stigonocarpa Mart. ex Hayne (Figura 6 a-d)
Coletor: J.U. Santos & C.S. Rosário 539
Determinador: M. G. Silva 1983
Herbário: lAN 160956
Palinoteca: P/MG- 1049
Procedência: Mato Grosso
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb subtriangular,
forma subprolata , 3-colporados, de superfície punctada. A endoabermra é
circular. P= 37 ± 1,1(33 -42)Mm; E= 30 ± 1,2(25 - 34)/xm; P/E= 1,25;
NPC = 345. : A sexina (0,7fim) é mais espessa que a nexina (0,4/mi) ao nível
dos mesocolpos, tornando-se mais espessada nos colpos. O teto é finamente
ondulado. As pontuações são irregulares, cuja distribuição é mais nítida nos
mesocolpos dos grãos de pólen.
H. stigonocarpa var. pubescens Benth. (Eigura 6 e-h)
Coletor: D. Alvarenga 144
Determinador: J.H. Langeheim 1969
Herbário: INPA 161398
Palinoteca: P/MG-1082
Procedência: Brasília
Grãos de pólen médios, isopolares, de simetria radial, amb circular,
forma subprolata , 3(-4)-colporados, de superfície punctada. A endoabermra
é circular. P= 37 ± 1,5(34 -40)/xm; E= 31 + 1,0(27 - 36)/xm; P/E= 1,26;
NPC= 445. A sexina (0,7/xm) é mais espessa que a nexina (0,4^m),
espessando-se mais ainda nos colpos. O teto é finamente ondulado. As
pontuações são regulares e uniformemente distribuídas.
221
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Figura 6 - Pólen de Hymenaea stigonocarpa.\aT stigonocarpa ML: a) VP, corte ótico; b) Idem,
ornamentação da exina; c) VE, corte ótico; d) Idem, ornamentação da exina (lOOOx). Pólen de
Hymenaea stigonocarpa var. pubescens. ML: e) VP, corte ótico; 0 Idem, ornamentação da exina; g)
VE, corte ótico; h) Idem, ornamentação da exina (lOOOx).
222
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Fasbender (1959), usando a microscopia de luz analisou os grãos de
pólen de Hymenaea oblongifolia, Hymemea parvifolia e Hymenaea stilbocarpa
descrevendo-os como prolato esferoidais a oblato esferoidais, 3-colporados,
de superfície finamente reticulada, a endoabertura muito distinta, variando
de esférica a elíptica lolongada, o amb circular, os colpos longos e estreitos
e a sexina psilada a fmamente reticulada. De um modo geral, essas
observações concordam com as deste trabalho para as espécies esmdadas.
Vale salientar que Fasbender (1959.) correlacionou os caracteres polínicos
de Hymenaea com os de Trachylobium verrucosum.
Para Melhem & Salgado-Labouriau (1963), os grãos de pólen de
Hymenaea stigonocarpa são subprolatos, trizonicolporados, de superfície
reticulada. Esses resultados coincidem com os aqui obtidos, exceto quanto
à superfície, a qual considerou-se punctada segundo Praglowski &. Punt
(1973).
De acordo com Salgado-Labouriau (1973), os grãos de pólen de
Hymenaea stigonocarpa se assemelham aos do tipo Cassia L. por se
apresentarem 3-colporados, de forma subprolata a prolata, de superfície
levemente reticulada. Os resultados conseguidos neste trabalho concordam
com os de Salgado-Labouriau (1973), exceto quanto ao tipo de superfície,
pois em virtude do uso da nomenclatura de Praglowski & Punt (1973), este
foi substituída pela superfície punctada.
Langeheim & Lee (1974), investigaram os grãos de pólen de Hymenaea
e Trachylobium da África, citando-os como esféricos a subprolatos e
tricolporados, concordando também com os dados aqui observados.
Whittingham (s/d) in Langeheim & Lee (1974), fez um esmdo compa-
rativo entre os grãos de pólen de Hymenaea oblongifolia, Hymenaea
courbarileTrachylobiumverrucosum. Nos de//, oblongifolia qT. verrucosum,
as columelas se fusionam formando estrias irregulares e nos de H. courbaril
se unem e formam um retículo. As lacunas deste retículo dão um efeito
punctado quando observadas em ML e formam depressões semelhantes a
crateras quando vistas em MEV. Essas informações foram também notadas
neste estudo.
223
cm
Graham & Barker (1981), baseados na morfologia polínica, classifi-
caram a subfamília Caesalpinioideae em tribos, estando o gênero Hynienaea
na tribo Detarieae. Os gêneros constituintes desta tribo foram divididos nos
seguintes grupos taxonômicos: Cynometra, Hymenostegia, Hymenaea, Crudia,
Detarium e Brownea. O grupo Hymenaea é constituído pelos gêneros
Hymenaea e Peltogyne, o qual caracteriza-se por apresentar grãos de pólen
com superfície do tipo psilada-punctada, verrucosa, microrreticulada e
estriada-reticulada. Essas observações coincidem com as verificadas neste
trabalho.
De posse dos resultados obtidos neste estudo, foi constatado que os
grãos de pólen do gênero Hymenaea são de tamanho médio, isopolares, de
simetria radial, 3-colporados com exceção de H. stigonocarpa var. pubescens
que são 3(-4)- colporados , de superfície punctada. Variam quanto à forma,
de subprolatos a prolatos, ao âmbito de subtriangular a circular e à
endoabertura de circular a lalongada. Em face desses grãos de pólen
apresentarem-se muito homogêneos entre si, pode-se concluir que se trata de
um gênero estenopolínico, logo, não fornece subsídios suficientes, capazes
de elucidar a posição taxonômica.
AGRADECIMENTOS
À Dra. O. M. Barth pelas fotomicrografias obtidas MEV do Instituto
Oswaldo Cruz.
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226
CDD: 583.28
OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DA FAMÍLIA
SAPINDACEAE JUSSIEU NOS ESTADOS DE MATO
GROSSO, GOIÁS E TOCANTINS^
Germano Guarim NetcP-
RESUMO - São apresentadas as espécies da família Sapindaceae Jussieu
delimitadas para os Estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins. O artigo
contempla um total de 50 espécies, considerando as suas áreas de ocorrência
nesses Estados, bem como nos tipos vegetacionais que caracterizam os
ecossistemas regionais.
PALAVRAS-CHAVE: Sapindaceae, Mato Grosso, Goiás, Tocantins.
ABSTRA CT- The authorpresent some data about the occurrence and distribution
ofthe 50 species ofthe Sapindaceae Jussieufamily. This article is specific to the
brazilian States of Mato Grosso, Goiás and Tocantins. These species have
dijferent distribution located in vegetational types in the regional ecosystem.
KEY WORDS: Sapindaceae, Mato Grosso, Goiás, Tocantins
INTRODUÇÃO
A família Sapindaceae Jussieu compreende cerca de 200 gêneros e 2000
espécies (Good 1974; Croat 1976; Barroso 1984), ocorrendo principalmente
na região tropical (Hutchinson 1973).
* Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazónia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
^ Professor Adjunto do Departamento de Botânica e Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade
Federal de Mato Grosso, CEP 78.060-900, Cuiabá, MT. Pesquisador-Bolsista do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq.
227
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Está constituída por representantes com diferentes formas de vida,
englobando desde as trepadeiras como em Serjania Miller até as altas árvores
como em Talisia Aublet (Guarim Neto 1994).
Estudos tratando da taxonomia e distribuição geográfica da família
Sapindaceae no Brasil foram desenvolvidos nos últimos anos por Guarim
Neto (1978, 1985, 1993, 1994) e Acevedo-Rodriguez (1989, 1990). Neste
último trabalho o autor apresenta aproximadamente 92 espécies de Serjania
para o Brasil, comparando a distribuição geográfica em três regiões distintas;
a costa atlântica, o planalto e a bacia amazônica.
Os estudos desenvolvidos até o momento sobre a família nos Estados
de Mato Grosso, Goiás e Tocantins permitem discutir a ocorrência e
distribuição das suas espécies delimitadas, oferecendo subsídios para estudos
voltados para a fitogeografia e padrões de distribuição geográfica de
vegetais, correlacionado com outras famílias botânicas.
METODOLOGIA
A realização deste estudo compreendeu etapas diferenciadas, onde
adotou-se a seguinte seqüência:
P: levantamento bibliográfico sobre as espécies ocorrentes nos Esta-
dos de Mato Grosso, Goiás e Tocantins, tendo como base as monografias de
Radlkofer (1879, 1895, 1900, 1921) e as revisões preparadas por Guarim
Neto (1978, 1985) e Acevedo-Rodriguez (1989);
2“: análise do material botânico pertencente aos Herbários da Univer-
sidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Federal de Goiás
(UFG) - Coleção Rizzo.
Os dados sobre ocorrência e distribuição das espécies foram compilados
diretamente das fichas de coleta do material herborizado, complementados
com dados da própria literamra e conhecimento pessoal do autor, obtido
através das diferentes viagens de coleta realizadas.
228
Ocorrência e distribuição da família sapindaceae jussieu
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram delimitadas 50 espécies ocorrentes de maneira diferenciada nos
Estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins, abrangendo os gêneros
Allophylus Linn., Cardiospermum Liim., Cupania Linn., Dilodendron
Radik. , Diplokeleba R. Brown, Magonia St. Hil. , Matayba Aublet, Paullinia
Linn., Sapindus Linn., Serjania Miller, Talisia Aublet, Thinouia Tr. & Pl.,
Toulicia Aublet e Urvillea Kunth (Tabela 1).
Tabela 1 - Ocorrência da família Sapindaceae Jussieu nos Estados de Mato Grosso (MT),
Goiás (GO) e Tocantins (TO). (* Espécies em cultivo.)
Espécies
MT
GO
TO
I. Allophylus Linn.
1. A. edulis (St. Hil.) Radlk.
X
X
2. A. leptostachys Radlk.
X
X
3. A. semidentatus Radlk.
X
4. A. sericeus Radlk.
X
X
5. A. strictus Radlk.
X
X
X
II. Cardiospermum Linn.
6. C. grandiflorum Swartz
X
X
7. C. halicacabum Linn.
X
8. C. strictum Radlk.
X
X
X
III. Cupania Linn.
9. C. castaneifolia Mart.
X
10. C. cinerea Poepp. & Endl.
X
X
11. C. hirsuta Radlk.
X
12. C. hispida Radlk.
X
13. C. oblongifolia Mart.
X
14. C. rubiginosa (Poir.) Radlk.
X
15. C. vemalis Camb.
X
X
IV. Dilodendron Radlk.
16. D. bipinnatum Radlk.
X
X
V. Diplokeleba R. Brown
17. D. flori bunda R. Brown"
X
VI. Magonia St. Hil.
18. M. pubescens St. Hil.
X
X
X
VIL Matayba Aublet
19. M. arborescens Radlk.
X
20. M. guianensis Aublet
X
X
X
229
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Espécies
MT
GO
TO
VIII. Paullinia Linn.
21. P. cupana H.B.K.‘
X
22. P. elegans Camb.
X
23. P. pinnata Linn.
X
24. P. spicata Benth.
X
25. P. thalictrifolia Juss.
X
IX. Sapindus Linn.
26. S. saponaria Linn.
X
X. Serjania Miller
27. S. cissoides Radlk.
X
28. S. e recta Radlk.
X
X
X
29. S. exarata Radlk.
X
30. S. glabrata Kunth
X
31.5. glutinosa Radlk.
X
X
32. 5. grandiflora Camb.
X
X
X
33. 5. lethalis St. Hil.
X
34. 5. mansiana Mart.
X
35. 5. orbicularis Radlk.
X
36. 5. ovalifolia Radlk.
X
X
X
37. 5. paucidentata DC.
X
38. 5. piscatória Radlk.
X
39. 5. platycarpa Benth.
X
40. 5. velutina Camb.
X
X
XI. Talisia Aublet
41. 7. angustifolia Radlk.
X
X
42. T. cerasina (Benth.) Radlk.
X
43. T. esculenta (St. Hil.) Radlk.
X
44. T. obovata A. C. Smith
X
45. T. prancei G. Guarim Neto
X
46. T. subalbens (Mart.) Radlk.
X
XII. Thinouia Tr. & Pl.
47. T. sepium Moore
X
XIII. Toulicia Aublet
48. T. tomentosa Radlk.
X
X
XIV. Urvillea Kunth
49. U. stipitata Radlk.
X
50. U. ulmacea Kunth
X
230
Ocorrência e distribuição da família sapindaceae jussieu
Os dados obtidos através do estudo realizado, permitiram a preparação
da Tabela 2, que contempla a ocorrência e distribuição das 49 espécies
catalogadas para a família Sapindaceae, em diferentes tipos vegetacionais do
Estado de Mato Grosso, estando essas espécies distribuídas especialmente
em áreas do cerrado, pantanal, cerradão, matas primárias e matas ciliares.
Tabela 2 - Ocorrência e distribuição das espécies de Sapindaceae nos principais tipos
vegetacionais do Estado de Mato Grosso. (CD = cerrado; PA = pantanal; CA = cerradão;
MA = matas primárias; MC= matas ciliares; * Espécies em cultivo).
Espécies
CD
PA
CA
MA
MC
I. Allophylus Linn.
X
X
1. A. edulis (St. Hil.) Radlk.
2. A. leptostachys Radlk.
X
X
3. A. semidentatus Radlk.
X
4. A. sericeus Radlk.
X
X
5. A. strictus Radlk.
X
ll.Cardiospermum Linn.
6. C. grandiflorum Swartz
X
X
7. C. halicacabum Linn.
X
X
X
8. C. strictum Radlk.
X
X
Ul.Cupania Linn.
9. C. castaneifolia Mart.
10. C. cinerea Poepp. & Endl.
X
X
1 1. C. hirsuta Radlk.
X
12. C. hispida Radlk.
13. Ç. oblongifolta Mart.
X
X
14. C. rubiginosa (Poir.) Radlk.
X
15. C. vernalis Camb.
X
X
X
IV. Dilodendron Radlk.
16. D. bipinnatum Radlk.
X
X
X
V. Diplokeleba R. Brown
17. D. floribunda R. Brown'
VI. Magonia St. Hil.
18. Af. pubescens St. Hil.
X
X
X
VII. Matayba Aublet
19. M. arborescens Radlk.
X
X
20. M. guianensis Aublet
X
X
X
X
231
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Espécies
CD
PA
CA
MA
VIII. Paullinia Lirm.
21. P. cupana H.B.K.’
X
X
22. P. elegans Camb.
X
23. P. pinnata Linn.
X
X
X
24. P. spicata Benth.
X
25. P. íhalictrifolia Juss.
X
IX. Sapindus Linn.
X
26. S. saponaria Linn.
X. Serjania Miller
X
27. S. cissoides Radlk.
X
28. S. erecta Radlk.
X
X
X
29. S. exarata Radlk.
30. S. glabrata Kunth
X
31. S. glutinosa Radlk.
X
X
32. S. grandiflora Camb.
X
33. S. lethalis St. Hil.
X
34. S. mansiana Mart.
X
35. S. orbicularis Radlk.
X
36. S. ovalifoUa Radlk.
X
37. S. paucidentata DC.
X
38. S. platycarpa Benth.
X
X
39. S. velutina Camb.
X
XI. Talisia Aublet
40. T. angustifolia Radlk.
41. T. cerasina (Benth.) Radlk.
42. T. esculenta (St. Hil.) Radlk
43. T. obovata A. C. Smith
44. T. prancei G. Guarim Neto
45. T. subalbens (Mart.) Radlk.
XII. Thinouia Tr. & Pl.
46. T. sepium Moore
XII. Toulicia Aublet
47. T. tomentosa Radlk.
XIII. Urvillea Kunth
48. U. slipitata Radlk.
49. U. ulmacea Kunth
232
X X
Ocorrência e distribuição da família sapindaceae jussieu
Salienta-se que o número específico maior, catalogado para o Estado de
Mato Grosso, em relação aos outros dois Estados, deve-se, provavelmente,
ao fato de as coletas botânicas serem mais sistematizadas, especialmente
dirigidas para os estudos do autor, sobre esta família.
Por outro lado, a Tabela 3 apresenta a ocorrência e distribuição das
espécies catalogadas para os Estados de Goiás e Tocantins, envolvendo áreas
vegetacionais de cerrado, cerradão, campo rupestre, matas primárias e matas
ciliares. Um total de 19 espécies ocorre no Estado de Goiás. Deste total,
somente 7 espécies têm ocorrência catalogada para o Estado de Tocantins
Tabela 3 - Ocorrência e distribuição das espécies de Sapindaceae nos principais tipos
vegetacionais dos Estados de Goiás e Tocantins. (CD = cerrado; CA = cerradão; CR =
campo rupestre; MA = matas primárias; MC = matas ciliares.)
Espécies
CD
CA
CR
MA
MC
I. Allophylus Linn.
1. A. edulis (St. Hil.) Radlk.
X
2. A. leptostachys Radlk.
X
X
2. A. sericeus Radlk.
X
X
4. A. stricíus Radlk.
X
X
X
ll.Cardiospermum Linn.
5. C. grandiflorum Swartz
X
X
X
6. C. strictum Radlk.
X
X
III. Cupania Linn.
7. C. cinerea Poeppig & EndI.
X
X
8. C. vernalis Camb.
X
X
X
X
IV. Dilodendron Radlk.
9. D. bipinnatum Radlk.
X
X
V. Magonia St. Hil.
10. M. pubescens St. Hil.
X
X
X
VI. Matayba Aublet
1 1 . M. guianensis Aublet
X
X
X
X
VII. Serjania Miller
12. S. erecta Radlk.
X
X
13. S. glutinosa Radlk.
X
X
X
X
14. S. grandiflora Camb.
X
X
X
15. S. ovalifolia Radlk.
X
X
X
233
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Espécies
CD
CA
CR
MA
MC
16. S. piscatória Radlk.
X
17. S. velutina Camb.
X
X
X
X
X
Vlll. Talisia Aublet
18. T. angustifolia Radlk.
X
IX. Toulicia Aublet
19. T. tomentosa Radlk.
X
Considerando a ocorrência e distribuição geográfica das espécies
catalogadas, pode-se verificar a seguinte situação:
1 . Espécies de ocorrência no cerrado: Allophylus leptostachys Radlk.,
A. strictus Radlk., Cardiospennum grandiflonim Swartz., C. halicacabum
L., C. strictum Radlk., Cupania oblongifolia Mart., C. vernalis Camb.,
Diloendron bipinnatiim Radlk., Magonia pubescens St. Hil., Matayba
arborescens Radlk., M. guianensis Aublet, Paidlinia elegans Camb.,
Paullinia pinnata L. , Serjania cissoides Radlk. , S. erecta Radlk. , S. glutinosa
Radlk., 5. grandiflora Radlk., S. lethalis St. Hil., S. mansiana Mart.,
S. orbicularis Radlk., S. ovalifolia Radlk., S. paucidentata DC., S. velutina
Camb., Talisia angustifolia Radlk., T. cerasina (Benth.) Radlk., T. prancei
G. Guarim Neto, T. subalbens (Mart.) Radlk., Toulicia tomentosa Radlk.
2. Espécies de ocorrência no cerradão: A. strictus Radlk.,
Cardiospermum grandiflorum Swartz, C. halicacabum L., C. cinerea
Poepp. & Endl., Dilodendron bipinnatum Radlk., Magonia pubescens St.
Hil. , Matayba guianensis Aublet, Serjania glutinosa Radlk. , S. grandiflora
Camb., S. velutina Camb.
3. Espécies de ocorrência no pantanal: Cardiospermum strictum
Radlk., Cupania castaneifolia Mart., C. vernalis Camb., Dilodendron
bipinnatum Radlk., Magonia pubescens St. Hil., Matayba guianensis
Aublet, Paullinia elegans Camb., P. pinnata L., Sapindus saponaria L.,
Serjania erecta Radlk., Talisia esculenta (St. Hil.) Radlk.
4. Espécies de ocorrência nas matas primárias: Allophylus edulis (St.
Hil.) Radlk., A. leptostachys Radlk., A. semidentatus Radlk., A. sericeus
Radlk., A. strictus Radlk., Cardiospermum grandiflorum Swartz.,
234
Ocorrência e distribuição da família sapindaceae jussieu
C. halicacabum L., C. strictum Radlk., Cupania cinerea Poepp. & Endl.,
C. hirsutaR&àXk. , C. hispida Radlk. , C. rubiginosa (Poir.) Radlk., C. vemalis
Camb., Dilodendron bipimatum Radlk., Magonia pubescens St. Hil.,
Matayba arborescens Radlk., M. guianensis Aublet, Paullinia elegans
Camb., P. pinnata L., P. spicata Benth., P. thalictrífolia Juss., Serjania
cissoides Radlk., S. erecta Radlk., S. exarata Radlk., S. glabrata Kunth,
S. glutinosa Radlk. , S. grandiflora Camb. , S. ovalifolia Radlk. , S. piscatória
Radlk., S. platycarpa Benth., S. velutina Camb., Talisia obovata A.
C. Smith, Thinouia sepium Moore, Urvillea stipitata Radlk., U. ulmacea
Kunth.
5. Espécies de ocorrência nas matas ciliares: Allophylus edulis (St. Hil.)
Radlk., A. sericeus Radlk., A. strictus Radlk., Cupania vemalis Camb.,
S. glutinosa Radlk., S. ovalifolia Radlk., S. velutina Camb., Thinouia
sepium Moore.
6. Espécies de ocorrência nos campos rupestres: Cupania vemalis
Camb., Matayba guianensis Aublet, Serjania glutinosa Radlk., S. velutina
Camb.
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235
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(2), 1996
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236
CDD; 581.5265
COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E FITOFISIONOMIA
DA RESTINGA DO CRISPIM, MUNICÍPIO DE
MARAPANIM, PARÁ^
Salustiano Vilar da Costa Netó^
Maria de Nazaré do Carmo Bastos^
Luiz Carlos Batista Lobato^
RESUMO - Na restinga do Crispim (Município de Marapanim, Pará) foram
reconhecidas, sob o ponto de vista fltqflsionômico, sete tipos de formações
vegetais: Halófila, Psamófila reptante. Brejo herbáceo, Dunas interiores,
Campo entre dunas, Campo de restinga e Mata de restinga. Neste trabalho essas
formações são descritas e comparadas com as ocorrentes na costa do Brasil.
PALAVRAS-CHAVE; Formações vegetais. Restinga, Região costeira,
Fitofisionomia.
ABSTRACT - Eive types ofvegetation were recognized in the “restinga" at
Crispim (Municipality of Marapanim, Pará State, northemBrazil): “Halófila",
“Psamófila reptante ”, “Brejo herbáceo ”, “Dunas interiores ”, “Campo entre
dunas ”, “Campo de restinga ” and “Mata de restinga ”. Dtese formations are
described and compared with those that occur on the coast of Brazil.
KEY WORDS: Vegetation, Dunes, Coastal region, Phytophysionomy.
' Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi, Departamento de Botânica. Bolsista. Caixa Postal
399. CEP 66.017-970. Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi, Departamento de Botânica. Caixa Postal 399. CEP
66.017-970. Belém-PA.
237
Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
INTRODUÇÃO
O litoral amazônico ou equatorial estende-se por mais de 1.500 km,
chegando em alguns trechos a atingir a largura de 100 m (Suguio & Tessler
1984), destes, 598 km fazem parte do litoral paraense, estendendo-se desde
a foz do rio Amazonas até a desembocadura do rio Gurupi, divisa com o
Estado do Maranhão (Diegues 1987).
No litoral do Estado do Pará existe uma extensa área coberta por
restingas, porém pouco estudada sob o ponto de vista botânico. O primeiro
trabalho que se refere a restinga paraense foi escrito por Braga (1979), no
qual descreve a vegetação da restinga como de biomassa medíocre,
fisionomicamente uniforme e excessiva penetração de luz, que cresce em
pequenas extensões no litoral do Amapá, Pará e Maranhão.
De acordo com Santos & Rosário (1988) que estudaram a vegetação
fixadora das dunas da ilha de Algodoal, Pará, esta dividi-se em florestas
litorâneas (mangues), restinga (restinga propriamente dita e dunas) e campos
litorâneos. Para as dunas, cita como espécies dominantes Chrysobalanus
icaco L., Anacardium occidentale L. e Byrsonima crassifolia (L.) Kunth.
Bastos (1988) estudou a vegetação de um campo litôraneo da ilha de
Maiandeua, Muni cípio de Maracanã, Pará, composto de um estrato
herbáceo e outro arbóreo-arbustivo com indivíduos isolados ou agrupados
em moitas e assentado sobre areia branca com depressões coletoras de água
pluvial (lagos), durante a época de maior pluviosidade.
Mais recentemente Lisboa et al. (1993), esmdaram uma comunidade de
restinga na Reserva Ecológica do Bacurizal em Salvaterra, ilha do Marajó.
O presente trabalho visa um melhor conhecimento das dunas e restingas
do litoral paraense e em especial da Praia do Crispim no Município de
Marapanim, Pará, servindo de base para futuros trabalhos de fitossociologia
e caracterização das diversas comunidades vegetais que vem sendo realiza-
dos neste área, e com isto contribuir para um melhor entendimento deste
ecossistema na Região Amazônica.
238
Composição floristica e fitofisionomia da restinga do Crispim
AREA DE ESTUDO
A área corresponde a uma restinga situada na Praia do Crispim, a 8 km
da Vila de Marudá, Município de Marapanim no Estado do Pará. Entre as
coordenadas geográficos 47°40’24” e 47°38’00” W e 00°37’06” e
00°34’42” S (Figura 1).
O substrato geológico é formado na base, por rochas originadas no Pré-
Cambriano que afloram, por exemplo, perto da desembocadura do rio
Gurupi. As principais formações sedimentares que assentam-se sobre o
embasamento são do Terciário (seqüência carbonática marinha Miocena da
Formação Pirabas, recoberta por sedimentos Barreiras e Pós-Barreiras) e do
Quaternário.
Os sedimentos quaternário superior e do amai são arenosos e argilosos,
depositados discordantemente sobre todas outras unidades, formando uma
gama de ambientes como praias, planícies de maré, campo, dunas, manguezais
e pântanos (Prost 1994).
O clima segundo a classificação de Kõppen é do tipo “AM”; clima
tropical úmido, com precipitação excessiva durante alguns meses o que
compensa a ocorrência de um ou dois meses com precipitação inferior a 60
mm (Sudam 1984).
A umidade média anual é de 80%. A temperamra média é de 25 °C,
sendo o mês de oumbro o mais quente, com temperamra média mais alta em
torno de 31 °C, e janeiro o mês de temperamra média mais baixa, em torno
de 21 °C. A precipitação média anual é de 2.500 mm, sendo os meses de
fevereiro e março os mais chuvosos, com média de 500 mm, e oumbro e
novembro os meses de menor intensidade pluviométrica, em média 20 mm
(Sudam 1984).
O regime dos ventos são acenmados no verão e tem direção predomi-
nante do quadrante nordeste, com velocidades média na faixa de 10 a 15 nós
(Diegues 1972; Franzinellí 1982).
239
cm
SciELO
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0*SO* 42"
0*32 '42“
0*34’42'
O* 37' 06“
Figura 1 - Localização da área da restinga do Crispim, município de Marapanim, PA.
240
Composição florística e fitofisionomia da restinga do Crispim
MATERIAL E MÉTODOS
A descrição das formações vegetais, foram baseadas em dados
fisionômicos, e na terminologia utilizada por Araújo & Henriques (1984),
modificada.
O levantamento quantitativo teve inicio em 1991, durante o período de
junho de 1991 a novembro de 1992, em excursões semestrais a área de
estudo.
O material botânico fértil foi coletado intensivamente nas diversas
formações vegetais, obedecendo a metodologia convencional, ou seja, cada
amostra foi composta de um ou mais ramos floridos, acompanhada, quando
possível, com uma amostra de madeira. No laboratório foi procedida a rotina
de prensagem, secagem, montagem, até a incorporação no herbário MG.
As espécies coletadas foram identificadas por comparação com o
material depositado no herbário MG, e também com ajuda da bibliografia
especializada. As espécies que não foram possíveis de serem identificadas
pelos métodos descritos anteriormente, foram enviados a especialistas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A lista florística das espécies da restinga do Crispim, ainda preliminar,
apresenta 250 espécies distribuídas em 73 famílias. As famílias mais
importante em número de espécies foram: Cyperaceae (24 spp.), Gramineae
(22 spp.), Leguminosae (20 spp.), Rubiaceae (13 spp), Myrtaceae (1 1 spp.),
Eriocaulaceae (10 spp.) e Convolvulaceae (7 spp.)(Figura 2).
Foram identificados até o momento sete comunidades vegetais ordena-
das no sentido mar/continente em: halófila, psamófila reptante, brejo
herbáceo, dunas interiores, campo entre dunas, campo de restinga e mata de
restinga.
1 . HALÓFILA - Situa-se logo após a zona de estirâncio (“foreshore”), sobre
pequenas elevações de aproximadamente 30 cm de altura, eventualmente
lavadas pelas marés de sizígia, esta vegetação é constituída por espécies, de
folhas suculentas, adaptadas a elevado teor de salinidade, que apresenta
241
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SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Órgãos de resistência como rizomas e estolões, sendo um primeiro obstáculo
a areia deslocada pelo vento (Pfadenhauer 1978; Bernardi et al. 1987). Nesta
formação observam-se as halófitas, Sesuvium portulacastrum L. e Iresine
vermicularis Moq. Durante a estação chuvosa, na região mais próxima do
mar, plânmlas e propágulos de espécies típicas de mangue são lançados na
praia por ocasião de marés altas, onde se desenvolvem até uma certa altura,
porém não conseguem se estabelecer.
CyperaDeae Gramineae Leguminosae Rubiaceae Myrtaceae Eriocaulaceae Convolvulaceae
Figura 2 - Distribuição do número de espécies das principais famílias da restinga do Crispim, município
de Marapanim, PA.
2. PSAMÓFILA REPTANTE - Formação vegetal sobre os primeiros
cordões dunares, que variam de um a cinco metros de altura. Composto por
Canavalia rosea (Sw.) DC. , Paspaliim vaginatum Sw. , Sporobolus virginicus
(L.) Kunth e as Convolvulaceas, Ipomoea pes-caprae Roth e /. littorales
Boiss. Além de Vigna luteola (Jacq.) Benth., há Cassyta americana Nees e
Ambrosia microcephala DC.
Logo após a esta formação, nota-se um manguezal com disposição
paralela a linha de praia composto de Rhizophora mangle L., Laguncularia
racemosa (L.) Gaertn. eAvicennia sp. , separando essas primeiras formações,
da parte mais interna da restinga.
242
Composição floristica e fitofisionomia da restinga do Crispim
A formação psamófila reptante esta presente em quase todo o litoral
brasileiro, apresentando diferentes denominações locais e composição
floristica.
Lima (1960), ao estudar a fitogeografia de Pernambuco, inclui as dunas
frontais e as halófilas na comunidade que ele denomina de praia, onde se
enquadram as áreas em contato com o mar, solo de areia solta e vegetação
rasteira, com as espécies Iresine portulacoides Moq. e Sesuvium
portulacasatrum L. , as Convolvulaceas (Ipomoea pes-caprae e I. stolinifera),
as Leguminosae {Canavalia rosea e Centrosema brasilianum), além das
Gramineas (Sporobolus virginicus e Paspalim vaginatum) que são comuns
as duas formações.
Pinto et al. (1984), ao estudar a litoral nordeste da Bahia, inclui as
Amaranthaceae; Althernanthera marítima (Mart.) St. Hill, Philoxerus
portulacoides St. Hill e P. vermicularis Moq. e a Aizoacea; Sesuvium
portulacastrum L., na formação denominada de cordão praiano. Entre os
gêneros desta formação são comuns para o litoral paraense os de Leguminosae
(Canavalia e Centrosema), de Convolvulaceae (Ipomoea) e de Lauraceae
(Cassyta).
Perreira (1990), em sua caracterização fitofisionômica da restinga de
Sepetiba-ES, descreve a formação halófila, como constituída quase que
exclusivamente por Blutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears, e com uma
maior riqueza de espécies que a formação psamófila reptante, sendo as mais
comuns Ipomoea pes-caprae (L.) Sweet., Canavalia rosea (Sw.) DC.,
Sporobolus virginicus Kunth., Mariscus penduculatos (R.Br.) T. Koyama,
Ipomoea littoralis Boiss e Stenotaphrum secundatum (Walt.) Kuntze.
Araújo & Henriques (1984), ao analisarem a flora das restingas do
Estado do Rio de Janeiro, reconhecem 12 comunidades, entre elas a
denominada de halófila onde predomina Philoxerus portulacoides St. Hill.
e a psamófila reptante, onde dominam as espécies Sporobolus virginicus (L.)
Kunth e Ipomoea pes-caprae Roth.
Waechter (1990), em seu trabalho das comunidades vegetais das
restingas do Rio Grande do Sul, cita as seguintes espécies como mais comuns
para as dunas marítimas: Blutaparorn portulacoides (St. Hill.) Mears,
Paspalum vaginatum Sw., Hydrocotyles bonariensis Lam., Senecio
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
crassiflorus (Poir.) DC., Spartina ciliata Brong. en Duper., Panicum
racemosum (Beauv.) Spreng., Andropogon arenarius Hackel, Androtrichum
trigynum (Spreng.) Pfeiff. e Cyperus obtusatus (Presl.) Matt. et Kuken.
Somente a espécie Paspalum vaginatum é comum ao litoral paraense.
3. BREJO HERBÁCEO - O brejo fica localizado no reverso dos primeiros
cordões dunares, é constituído por indivíduos herbáceos com densa distribui-
ção onde dominam as Cyperaceas: Fimbristylis cymosa R.Br., Eleocharis
caríbae Blake e Cyperus ligularis (L.) Urb., assim como as Gramineas
Paspalum vaginatum Sw. e Sporobolus virginicus (L.) Kunth. Além destas
espécies, podemos encontrar Rhabdadenia biflora (Jacq.) M. Arg. , Ipomoea
pes-caprae Roth e I. littoralis Boiss e, em menor quantidade, as halófilas
Iresine vermicularís Moq. e Sesuvium portulacastrum L. Estão presentes
também espécies arbustivas, como a Dalbergia ecastophylla (L.) Taub.
Esta formação sofre influência de água. salobra por estar localizado
próximo de um canal de maré que se comunica com o mar, onde um
manguezal composto em sua maioria de Laguncularia racemosa (L.)
Gaertn., tenta se estabelecer. Este canal, no período de cheia transborda,
depositando sobre o brejo plântulas de Rhizophora mangle L. , Laguncularia
racemosa (L.) Gaertn. e Avicennia germinans (L.) Stearn., as quais não
conseguem atingir o estádio adulto.
Bastos (1993) caracterizou uma formação brejo herbáceo da Praia da
Princesa, Pará, semelhante a este da Praia do Crispim, com domínio também
das famílias Gramineae e Cyperaceae.
A formação brejo herbáceo é citado para outro locais do litoral
brasileiro, todos apresentando em comum a presença de Cyperaceae e
Gramineae e um período de inundação, como pode ser observado nas
descrições de Pereira (1990), para a restinga de Setiba-ES, Araújo &
Henriques (1984), Silva & Oliveira (1989) e Sá (1992), para restingas do Rio
de Janeiro.
4. DUNAS INTERIORES - São dunas antigas, estabilizadas, com altura de
aproximadamente dez metros, localizadas na porção mais interna, não
possuindo orientação definida, cobertas por uma vegetação densa e
descontínua, principalmente arbórea-arbustiva, onde se destacam:
244
Composição floristica e fitofisionomia da restinga do Crispim
Chrysobalanos icaco L., Byrsonima crassifolia Ánacardium
ocidentaleL., TapiriraguianensisAubL, Coccolobasp., Guettarda angélica
Mart., Matayba guianensis Auh\., Simaba guianensis Aubl. subsp. ecaudata
Cronq., Clusia grandifloraSpliig., C. columnaris Eng\., Acaciafarnesiana
Willd., Entada polyphyllaBenth., Clitoriafalcata Lam., Copaifera martii
Hayne, Eugenia biflora (L.) DC., Eugenia patrisii Vahl, Myrcia cuprea
(Berg.) Kiaersk, Myrcia Fallax (Richard) DC., e os cipós Smilax sp.,
Funastrum clausum (Jaq.) Schltr. e Cassyta americana Nees.
Bastos et al. (1995), caracterizando a vegetação da restinga da praia da
Princesa, na ilha de Algodoal, Pará, destacaram fisionomicamente seis
comunidades vegetais. Entre elas as dunas internas, não orientadas e
relacionadas às paleodunas que apresentam as maiores elevações, com altura
variando de oito a dez metros, com uma vegetação densa, coberta por árvores
e arbustos, onde se destacam Tapirira guianensis Aubl., Matayba discolor
(Spreng.) Radlk., Cocoloba latifolia Lam. e Andira retusa (Lam.) H.B.K.
5. CAMPO ENTRE DUNAS - Vegetação herbácea localizada entre as
dunas, influenciada por períodos climáticos bem definidos; estação chuvosa,
com chuvas freqüentes e afloramento do lençol freático e a estação seca. Esta
formação além de espécies perenes como Lagencarpus rigidus Nees,
Cyperus ligularis L. e Eleocharis caribae Blake, apresenta espécies anuais
e por conseguinte uma cobertura vegetal que varia em cada período do ano.
Na estação chuvosa é comum a presença de Utriculariaceae e Droseraceae,
enquanto que no período seco as Eriocaulaceae chamam atenção. Bastos et
al. (1995) citam para Praia da Princesa, Algodoal, uma região plana entre
dunas que apresenta as mesmas características de campo entre as dunas em
questão, inclusive com referência a sazonalidade das espécies.
6. CAMPO DE RESTINGA - Área bastante extensa e significativa,
localizada após as dunas interiores ou interdigitadas com estas dunas, onde
predomina um estrato herbáceo - formado principalmente pelas Cyperaceae
Lagenocarpus rigidus Nees, Rhynchospora barbata (Vahl.) Boeck e
Rhynchospora riparia (Nees) Boeck e Gramineae Axonopus pubivaginaíus
Henr., Axonopus purpusii (Mez) Chase, Eragrostis maypurensis Steud. e
Panicum sicaneum Trin. , e um estrato arbóreo arbustivo, composto de
moitas (agrupamentos vegetais ou ilha de vegetação) ou indivíduos isolados.
245
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com altura de aproximadamente três metros. As espécies mais representati-
vas das moitas são Humiria balsamifera (Aubl.) St. Hill., Chrysobalanus
icaco L., Byrsonima crassifoUa H.B.K., e varias espécies de Myrtaceae:
Eugenia biflora (L.) T>C.,E. punicifolia (H.B.K.) DC. eMyrcia rufipila Mc.
Vaugh.. A medida que estas moitas aumentam de tamanho e avança o
processo de colonização, cresce o número de espécies e passa a ser dominada
por Protium heptaphyllum (Aubl.) March., Clusia grandiflora Splitg. e
Ouratea racemiformis Ule. Na borda destas moitas, como que delimitando-
as instala-se uma população de Lagenocarpus rigidus Nees.
Entre as formações das restingas brasileiras a que mais se assemelha a
descrição é a restinga de Ericaceae, citada pela primeira vez por Ule (1967)
para Cabo Frio, RJ e posteriormente por Henriques et al (1986), onde
caracterizou a formação de Ericaceae, distribuída em mosaicos, cujas áreas
abertas entre as moitas são dominadas por Gramineae e Cyperaceae, durante
a época chuvosa a água se acumula em depressões dando aspecto de brejo a
esta formação. Um fato que chama a atenção na descrição deste autor é a
referência a cor do solo das áreas entre moitas que segundo ele é de cor cinza
escura, no campo de restinga de Crispim este solo é de areia branca.
Muitos pontos em comum podem ser observados entre esta formação
e a da restinga do Crispim, como afloramento do lençol freático, substrato
de areia quartzosa, estrato herbáceo intercalado por moitas e a presença de
Humiria balsamifera (Aubl.) St. Hill.
Bastos (1988), esmdou uma vegetação da ilha de Maiandeua a qual
denominou de Restinga Arenosa Litorânea, assentada sobre areia branca,
com depressões coletoras de água pluvial durante a estação chuvosa, com
uma extensa cobertura herbácea e indivíduos isolados ou agrupados em
moitas como; Humiria balsamifera (Aubl.) St. Hill., Byrsonima crassifoUa
(L.) Kunth, Clusia grandiflora Splitg., Pagamea guianensis Aubl.,
Chrysobalanus icaco L. e Tapirira guianensis Aubl.
7. MATA DE RESTINGA - Esta formação ocorre no contato com o baixo
planalto costeiro, composta de árvores e arbustos que apresentam em média
seis metros de altura, cujos indivíduos apresentam troncos, em geral, finos
e as copas pouco densas, o que permite a penetração de luz. É possível
246
Composição florística e fitofisionomia da restinga do Crispim
observar uma pequena camada de matéria orgânica não compacta sobre o
solo. A vegetação é composta por Platonia insignis Mart. , Acacia famesiana
Willd. , Copaifera tmrtii Hayne, Hymenaea courbaril L. , Pseudimafrutescens
(Aubl.) Radlk , Franchetella laterifolia (Benth.) Radlk, Protiumheptaphyllum
(Aubl.) March. e as Myrtaceae Mrycia mulíiflora (Lam.) DC., M. fallax
(Richard) DC. e Eugenia flavescens DC. Foi observada a presença de cipós
como Arrabidaea cinamonea (DC.) Sand.
A mata de restinga em estudo é físionomicamente semelhante a de
Araújo & Henriques (1984) e Araújo & Oliveira (1988) no litoral do Rio de
Janeiro por tratar-se de uma floresta baixa, com cerca de 4 metros de altura.
CONCLUSÃO
A área apresenta uma zonação bem definida, semelhantes as observadas
por Bastos et al. (1995), passando-se de uma vegetação herbácea, com
sedimentos inconsolidados (alta movimentação de areia), influência salina,
baixos conteúdos de matéria orgânica; para uma vegetação arbórea-arbustiva,
com sedimentos estáveis, presença de uma pequena camada de matéria
orgânica (caracterizando formação de solo) e a diminuição da influência
marinha. Para uma melhor entendimento destas unidades, serão necessários
estudos qualitativos e estruturais dessas comunidades vegetais.
Cabe salientar que na área se observa um acelerado processo de
destruição das dunas para retirada de areia e a especulação imobiliária,
facilitado com a pavimentação da estrada, em dezembro de 1991, que dá
acesso à praia.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico, pela concessão de Bolsa de Iniciação Científica a
Salustiano Vilar da Costa Neto (proc. 500.385/90-4). À prof® Dorothy Sue
Dunn de Araújo, pesquisadora da FEEMA, e à pesquisadora Cristina Senna,
pelas críticas e sugestões.
247
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
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249
CDD: 581.52.6325
FITOSSOCIOLOGIA DE MATAS CILIARES
NO PANTANAL MATO-GROSSENSE
Germano Guarim Neto^
VeraLucia M. S. Guarim^
Edson C. C. de Moraes^
Lúrnio A. Dias Ferreira^
RESUM O -Os autores apresentam os resultados dos estudos realizados em duas
áreas de mata ciliar no pantanal mato-grossense, uma, às margens do rio Bento
Gomes, próxima da cidade de Poconé, e outra, às margens do rio Cuiabá, na
localidade de Porto Cercado, ambas localizadas no denominado pantanal de
Poconé. São apresentados dados referentes à composição florística e estrutura
das duas áreas, obtidos através da aplicação do método de quadrantes.
PALAVRAS-CHAVE; Fitossociologia, Matas ciliares. Pantanal.
ABSTRA CT- This paperpresents phytossociological data about nvo areas of the
gallery forest in the pantanal (wetland) of the Mato Grosso State. The first area
is localized in the margin ofthe Bento Gomes riverand the second in the margin
ofthe Cuiabá river, both belonging to the pantanal of Poconé. Data concerning
tofloristic composition ofthe studied areas are presented too.
KEY WORDS; Phytossociology, Gallery forest, Wetland.
* Universidade Federal de Mato Grosso. Instimto de Bioeiências - Departamento de Botânica e
Ecologia. Bolsista/CNPq. Cep 78060-900. Cuiabá-MT.
251
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
INTRODUÇÃO
Estudos fitossociológicos em matas ciliares no pantanal mato-grossense
são escassos (Guarim et al. 1992). Essas áreas estão sujeitas a uma dinâmica
própria e bastante frágil, e que contribuem signifícativamente para a vida dos
próprios rios. Entre os estudos que destacam as matas ciliares pantaneiras,
enumerando os elementos florísticos que a compõem, vale ressaltar os de
Veloso (1947), Prance & Schaler (1982); Guarim Neto (1984, 1991, 1992);
Paula (1986); Conceição & Paula (1990) e Pott & Pott (1994), que tratam
especificamente da composição florística do pantanal e simam as espécies de
ocorrência nas matas ciliares da região, sem entretanto aprofundar no esmdo
da estrutura dessa matas.
O pantanal mato-grossense apresenta uma heterogeneidade de paisa-
gem, com uma fisionomia que o distingue em diversos pantanais, com
características próprias, ecológica e floristicamente diferenciáveis (Adámoli
1982; Alvarenga et al. 1984).
A área dos pantanais mato-grossenses ocupa cerca de 133.465km^ com
altitudes que variam de 80 a 150 metros. O declive leste-oeste, na área dos
pantanais faz com que as águas dos seus afluentes cheguem lentamente ao rio
Paraguai e, como conseqüência ocorre o alagamento constante da área.
No pantanal mato-grossense, os rios são de extrema importância para
a dinâmica da região. Entre esses rios, o Bento Gomes, o Paraguai e o Cuiabá
destacam-se no contexto vegetacional das matas ciliares, que se apresentam
com uma fisionomia diversificada, ao longo de suas extensões, propiciando
abrigo e alimento para a fauna, incluindo o próprio homem.
Dessa forma, as matas ciliares são fundamentais no pantanal, principal-
mente no que concerne aos aspectos da sua manutenção, enquanto áreas que
sofrem acelerada alteração e que apresentam uma biodiversidade florística
considerável, se analisada sob o ponto de vista biológico (Guarim Neto
1992). A conservação dessa biodiversidade adquire caráter de indiscutível
importância o que pode ser evidenciado no trabalho de Durigan & Nogueira
(1990), onde alertam que muito se tem discutido sobre a necessidade de
recomposição das matas ciliares que outrora protegiam as margens dos
corpos d’ água, evitando o assoreamento, regularizando a vazão dos rios e
fornecendo abrigo e alimentação para a fauna.
252
Fitossociologia de matas ciliares no pantanal matro-grossense
O objetivo deste estudo é o de contribuir para o conhecimento da
estrutura da vegetação de matas ciliares no pantanal mato-grossense,
iniciando uma série de publicações específicas para essas áreas, que
compõem a importante formação biogeográfica da América do Sul - o
pantanal.
METODOLOGIA
Os estudos fitossociológicos foram realizados em duas áreas de mata
ciliar, uma simada na localidade denominada de Porto Cercado, às margens
do rio Cuiabá, outra, às margens do rio Bento Gomes, próxima de Poconé,
ambas inseridas no pantanal de Poconé, que tem cerca de 15.800km^
(Adámoli 1982), no município de mesmo nome (Figura 1).
Utilizou-se o método de quadrantes, conforme descrito e discutido por
Curtis (1950) apud Cottam & Curtis (1956) e Martins (1991) e utilizado por
Zipparro & Schlittler (1992). Para cada área, foi definido um transecto ao
longo das áreas da mata ciliar, estabelecendo-se 50 pontos amostrais,
equidistantes em 10 metros, entre si. Em cada ponto foram definidos quatro
quadrantes, sendo medidos e considerados os quatro indivíduos mais
próximos de cada ponto, com lOcm ou mais de circunferência à altura do
peito. Foram anotados ainda, a almra desses indivíduos, seus nomes vulgares
e usos na região.
Os parâmetros fitossociológicos analisados foram os de freqüência
absoluta (FA), freqüência relativa (FR), distância corrigida individual
(DCI), área basal (AR.BAS), densidade absoluta (DA), densidade relativa
(DR), dominância (DoM), dominância relativa (DoR), índice de valor de
cobertura (IVC) e o índice de valor de importância (IVI), de acordo com o
usual em estudos dessa namreza.
O material botânico coletado encontra-se depositado no Herbário da
Universidade Federal de Mato Grosso, compondo o seu acervo.
253
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
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254
Filossociologia de matas ciliares no pantanal matro-grossense
RESULTADOS
A Tabela 1 apresenta um quadro resumido dos dados obtidos na duas
áreas de mata ciliar esmdadas no pantanal de Poconé.
Tabela 1 - Dados referentes às áreas de matas ciliares estudadas nos rios Cuiabá e Bento
Gomes.
PARÂMETROS
RIO CUIABÁ
RIO BENTO GOMES
N° de indivíduos
200
200
N“ de famílias
23
19
N° de gêneros
29
23
N° de espécies
31
25
Distância média (m)
2,57
2,44
Área média (m^)
6,60
5,95
Densidade total (arv/ha)
1515
1681
Freqüência total
340
280
Área basal total (m^)
3,08
4,54
Dominância total (mVha)
1,16
1,91
Nas Tabelas 2 e 3 encontram-se os dados referentes às espécies
amostradas nas áreas estudadas, com seus correspondentes dados estruturais.
255
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(2), 1996
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FSPÉriES
Inga affinis
Cupania oblongifolia
Guazuma ulmifolia
Vitex cymosa
Triplaris americana
Salada elliptica
Mabea fistulifera
Cecropia pachystachy
Ocotea suaveolens
Brosimum lacíescens
Trichilia elegans
Spondias lutea
Inga marginata
Cordia glabrata
Inga fagifolia
Erythroxylum deciduu
Unonopsis lindmannii
Chomelia obtusa
Combretum leprosum
Casearia aculeaía
Leg. Mim.
Tabebuia impetiginos
Licania parvifolia
Myrcia ambígua
Chrysophyllum margi
Pouteria glomerata
Cassia grandis
Leg. Caesalp.
Calophyllum brasiliei
Crataeva tapia
Mnnçifera indica
TOTAIS
256
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
A Tabela 4 apresenta as famílias ocorrentes nas duas áreas, compa-
rando o número de espécies (SPP), de indivíduos (N) e o índice de Valor de
Importância (IVI), em ordem decrescente do IVI para o rio Cuiabá.
Tabela 4
SPP N IVI
FAMÍLAS
LEGUMINOSAE
SAPINDACEAE
MORACEAE
STERCULIACEAE
VERBENACEAE
POLYGONACEAE
HIPPOCRATEACEAE
EUPHORBIACEAE
LAURACEAE
ANACARDIACEAE
MELIACEAE
BORAGINACEAE
ERYTHROXYLACEAE
ANNONACEAE
RUBIACEAE
COMBRETACEAE
FLACOURTIACEAE
BIGNONIACEAE
CHRYSOBALANACEAE
SAPOTACEAE
MYRTACEAE
GUTTIFERAE
CAPPARIDACEAE
MELASTOMATACEAE
DILLENIACEAE
APOCYNACEAE
VOCHYSIACEAE
OCHNACEAE
RC
BG
RC
06
03
33
01
02
26
02
01
20
01
-
06
01
-
03
01
03
16
01
-
17
01
01
16
01
01
08
02
-
06
01
01
09
01
01
06
01
01
05
01
-
06
01
02
04
01
-
13
01
01
04
01
-
03
01
01
03
02
-
02
01
01
02
01
01
01
01
-
01
-
01
-
-
01
-
-
01
-
-
01
-
-
01
-
BG
RC
BG
10
54,68
17,47
10
28,90
10,37
22
28,22
68,65
-
22,18
-
-
21,34
-
31
20,15
35,96
-
19,87
-
03
17,58
3,86
04
14,25
5,88
-
12,00
-
28
11,28
29,39
01
9,34
1,68
08
6,31
10,84
-
5,86
-
11
5,26
14,50
-
4,36
-
07
4,12
11,08
-
3,55
-
02
3,46
3,07
-
2,62
-
13
2,34
16,52
28
1,12
26,24
-
1,12
-
13
-
27,71
02
-
7,73
03
-
4,45
03
-
3,59
01
-
1,26
299,91 301,25
RC= rio Cuiabá. BG= rio Bento Gomes.
258
Fitossociologia de matas ciliares no pantanal matro-grossense
Na Tabela 5 estão listadas as espécies amostradas, ordenadas nas suas
respectivas famílias, com seus nomes vulgares (NV) e uso regional (UR).
Tabela 5
TAXA
NV
UR
ANACARDIACEAE
Mangifera indica L.
Spondias lutea L.
mangueira
cajá
comestível, medicinal
frutos comestíveis
ANNONACEAE
Unonopsis lindmannii R. E. Fries
pindaíba-preta
ornamental
APOCYNACEAE
Aspidosperma cylindrocarpon M. Arg.
peroba-rosa
madeira
BIGNONIACEAE
Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standley
ipê-roxo
madeira, medicinal
BORAGINACEAE
Cordia glabrata (Mart.) A. DC.
louro
madeira, ornamental
CAPPARIDACEAE
Crataeva tapia L.
cabaceira
isca de pesca
CHRYSOBALANACEAE
Licania parvifolia Hub.
pimenteira
apícola
COMBRETACEAE
Combretum leprosum Mart.
came-de-vaca
madeira, medicinal
DILLENIACEAE
Curatella americana L.
lixeira
lixa caseira
ERYTHROXYLACEAE
Erythroxylum deciduum St. Hil.
pimenteirinha
ornamental
EUPHORBIACEAE
Mabea fistulifera Mart.
ornamental
FLACOURTIACEAE
Casearia aculeata Jacq.
espeteiro
forrageira
GUTTIFERAE
Calophyllum brasiliense Camb.
guanandi
madeira, medicinal
Rheedia brasiliensis (Mart.) Pl. & Tr.
bacupari
comestível, madeira
HIPPOCRATEACEAE
Salada elliptica (Mart.) G. Don
siputá
frutos comestíveis
LAURACEAE
Ocotea suaveolens Hassler
canela
ornamental, madeira
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
TAXA
NV
UR
LEGUMINOSAE
Cassia grandis L.
Inga affinis DC.
Inga fagifolia (L.) Willd.
Inga marginata Willd.
Pterodon sp.
cana-fístula
ingá
ingá
ingá
ornamental
frutos comestíveis
frutos comestíveis
frutos comestíveis
MELASTOMATACEAE
Mouriri guianensis Aubl.
roncador
isca de pesca, madeira
MELIACEAE
Trichilia elegans A. Juss.
cachuá
medicinal
MORACEAE
Brosimum lacíescens (Moore) Berg
Cecropia pachystachya Tréc.
leiteiro
embaúba
látex
medicinal, madeira
MYRTACEAE
Myrcia ambígua DC.
frutos comestíveis
OCHNACEAE
Ouraiea castaneifolia Engl.
ornamental
POLYGONACEAE
Coccoloba ochreolala Wedd.
Coccoloba mollis Casar.
Triplaris americana L.
uvinha
novateiro
frutos comestíveis
ornamental
madeira
RUBIACEAE
Chomelia obtusa Cham.& Schl.
ornamental
Duroia saccifera Benth.
ornamental
Psycholria canhaginensis Jacq.
ornamental
SAPINDACEAE
Cupania oblongifolia Mart.
Cupania vernalis Camb.
camboatá
camboatá
madeira
madeira
SAPOTACEAE
Chrysophyllum marginatum Radlk.
Pouteria glomerata (Miq.) Radlk.
leiteirinho
laranjinha
frutos comestíveis
frutos comestíveis
STERCULIACEAE
Guazuma ulmifolia Lam.
chico-magro
medicinal, madeira
VERBENACEAE
Vitex cymosa Bert.
tarumã
madeira, comestível
VOCHYSIACEAE
Vochysia divergens Pohl
cambará
madeira, medicinal
260
Fitossociologia de matas ciliares no pantanal matro-grossense
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
No levantamento fitossociológico das matas ciliares do pantanal mato-
grossense, foi amostrado um total de 41 espécies arbóreas, distribuídas em
37 gêneros e 28 famílias. Estas espécies representam floristicamente as duas
áreas de amostragem, do rio Cuiabá e do rio Bento Gomes.
Os resultados da Tabela 1 mostram os dados dos principais parâmetros
considerados, comparando as duas áreas de mata ciliar, objeto deste estudo,
onde pode-se perceber uma variação nesses parâmetros.
Nas Tabelas 2 e 3, estão listadas, em ordem decrescente de IVI (índice
de Valor de Importância), as espécies amostradas em cada uma das áreas e
seus respectivos parâmetros fitossociológicos. A análise dos dados dessas
tabelas mostra que as espécies que compõem floristicamente as duas áreas,
na posição de IVI, diferem, garantindo às suas matas ciliares espécies que
determinam a comunidade vegetal. Isso mostra que as espécies definem o
ambiente. Na área do rio Cuiabá, a espécie de maior IVI é Inga affinis DC.,
com valores altos de área basal e no rio Bento Gomes, Brosimum lactes cens
tem valores elevados de área basal. Estas e outras espécies apresentam-se em
destaque, com altos valores de IVI, em função, principalmente, do porte
elevado dos indivíduos, com valores altos de DoR e não devido ao número
alto de indivíduos. Esta estratégia de ocupação pode ser observada por
Cupania oblongifolia Mart. , no rio Cuiabá, onde a espécie apresenta o quarto
maior IVI e na mata ciliar do rio Bento Gomes, Trichilia elegans A. Juss. e
Rheedia brasiliensis (Mart.) Pl. & Tr. são as espécies que ocupam a segunda
e quarta posições de IVI, respectivamente.
Por outro lado, na Tabela 4, ordenada a partir dos valores decrescentes
de IVI das famílias presentes na área de mata ciliar do rio Cuiabá em
comparação com aquelas do rio Bento Gomes, pode-se perceber, através dos
dados apresentados, a variação a nível das famílias presentes nas duas áreas
bem como salienta-se aquelas que ora ocorrem em apenas uma das áreas.
Na Tabela 5 os dados salientam as espécies amostradas, com seus
nomes vulgares e usos regionais, onde cerca de 30% das espécies são
reconhecidamente utilizadas como produtoras de frutos comestíveis e como
alimento de ictiofauna. De modo amplo, o uso das espécies amostradas nas
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
duas áreas de mata ciliar do pantanal mato-grossense, na região de Poconé,
abrange categorias que envolvem os frutos comestíveis, as plantas medici-
nais, ornamentais, madeireiras, apícolas, forrageiras bem como aquelas
usadas como isca de pesca e mesmo o próprio látex.
A importância dos frutos produzidos por essas espécies, na alimentação
da ictiofauna é um dado que também justifica a conservação e preservação
das matas ciliares dos rios Cuiabá e Bento Gomes, rios estes imprescindíveis
na bacia pantaneira.
Portanto, as matas ciliares do pantanal mato-grossense estão constitu-
ídas de espécies que as caracterizam floristiscamente, onde os cursos d 'água
e os seres que os habitam dependem da sua efetiva manutenção. As matas
ciliares são, sem dúvida, elementos imprescindíveis na composição das
diferentes fisionomias do pantanal, cujas unidades de paisagem são definidas
através dos seus componentes e das relações que aí se processam.
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263
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CDD; 584.5
AVALIAÇÃO DAS POPULAÇÕES NATIVAS DE
AÇAIZEIRO {EUTERPE OLERACEA) NA COMUNIDADE
DO RIO MARAJOÍ, MUNICÍPIO DE GURUPÁ (PA)^
SandroAJ. Mesquita^
Mário Augusto G. Jardirr?
RESUMO - Foram visitadas áreas de açaizais nativos nas comunidades do rio
Marajoí, município de Gurupá, Estado do Pará. Avaliou-se as formas de manejo
e produção do palmito em conserva. Constatou-se que o manejo é realizado com
o desbaste de petfilhos na touceira e desbaste dos estipes para extração do
palmito. Entre outras atividades o aproveitamento das partes vegetativas como
adubo; produção de mudas e a proteção da cabeça do palmito para evitar a
perda de umidade e o e.xcesso de ressecamento. O tratamento da água deve ser
mais efi caz para o preparo da conserva, aumentando-se as dosagens de produtos
químicos adequados. O palmito do Marajoí enquadra-se nos padrões de
qualidade à comercialização, além de estar associado a conservação da espécie
em função do manejo.
PALAVRAS-CHAVE: Euterpe oleracea. Comunidade, Manejo, Palmito.
ABSTRACT - Was visited areas ofnative açai in the communityes of Marajó
river, country of Gurupá, Pará State. Was observed the managemente and
production of the hearth palm in consen’e. The people in this area use to pare
sprouts in to clump for extraction of hearth palm. They use the vegetative parts
with fertilizer for seedlings production. The water treatment can be more
ejficient for conserve preparation using adequate Chemical products. The hearth
palm from Marajoí is under ofthe estandart ofquality and commercialization.
KEY WORDS: Euterpe oleracea, Community, Management, Hearth Palm.
* Trabalho apresentado na I Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de Junho
de 1995, em Belém, Pará.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Bolsista de Iniciação
Científica - PIBIC. Caixa Postal 399, CEP 66.040-170. Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica. Caixa Postal 399, CEP
66.040-170. Belém-PA.
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INTRODUÇÃO
Nas várzeas do estuário amazônico, a palmeira açaí {Euterpe oleracea
Mart.) representa um dos principais produtos extrativistas das comunidades
ribeirinhas (Guedes et al., 1995; Lopes, 1982). O processo de aproveitamen-
to concentra-se na extração de frutos e palmito. Na maior parte dos
municípios estuarinos os frutos são considerados sustento ou complemento
na alimentação. O palmito abrange o comércio das fábricas ou indústrias
localizadas na sede do município onde ocorre a extração ou na capital
paraense.
Nos últimos anos, o acréscimo da comercialização do palmito tem
prejudicado a conservação das populações nativas dos açaizeiros. O palmito
tem sido retirado de forma indiscriminada, de tal maneira que algumas áreas
encontram-se degradadas. Considerando-se desde a forma de extração à
situação econômico-alimentar das comunidades ribeirinhas, o processo
extrativista do palmito não sofreu mudanças nos últimos anos, onde a única
classe beneficiada é a dos proprietários de fábricas ou indústrias.
Este trabalho tem por objetivo avaliar a forma de manejo e o
beneficiamento do palmito em conserva nas áreas de várzeas, pertencentes
aos moradores das comunidades do Marajoí, no município de Gurupá,
Estado do Pará.
METODOLOGIA
Foram realizadas entrevistas com 30 moradores das comunidades
localizadas no baixo, médio e alto Marajoí, e nas respectivas áreas de manejo
de açaizais. Coletou-se amostras do palmito em conserva e água para
posterior análise na Unidade Laboratorial da SESPA (PA).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
O manejo dos açaizais envolvem o desbaste de estipes altos, finos e com
baixa produção de frutos; raleamento por corte ou anelamento de espécies
arbóreas sem valor econômico local ou utilizadas apenas como lenha. Este
266
Avaliação das populações nativas de açaizeiro
sistema de manejo é ideal para rotação de cortes de plantas adultas,
raleamento seletivo de concorrência e desbaste seletivo nas touceiras de açaí
(Bovi 1993; Calzavara 1972, 1976, 1987; Costa 1973; Jardim & Anderson
1987).
O adubo namral de partes vegetativas do açaizeiro como: folhas, frutos,
cachos secos e envoltório foliar do palmito pode ser aproveitado diretamente
na base da touceira. Segundo (Calzavara 1992), os resíduos provenientes da
retirada do palmito podem ser utilizados como ração para bovinos e suínos,
após a decomposição. São ainda um excelente adubo orgânico para hortaliças
e frutíferas.
A produção de mudas em viveiro é uma das alternativas para recompor
áreas onde os açaizais são precários como por exemplo: capoeiras e áreas de
elevada extração de palmito. Segundo Calzavara (1987), a produção de
mudas por sementes é muito mais rápida e viável, as mudas poderão ser
produzidas por sementes de boas plantas matrizes.
A produção do palmito em conserva é um processo artesanal utilizado
na maioria das áreas visitadas. Nascimento & Silva (1990) afirmam que a
produção do palmito em conserva passou a constimir-se um dos principais
itens de exportação do extrativismo vegetal do estado. (Brabo 1979);
(Calzavara 1987), descrevem a produção de palmito em conserva com o
seguinte processo: classificação da matéria-prima, descascamento, colo-
cação na salmoura, colocação nas latas, salmoura especial, banho-maria,
recravamento, resfriamento, e finalmente o transporte. No Marajoí o
processo é semelhante, modificando-se apenas a embalagem do produto.
A preparação da salmoura envolve 2 kg de sal + 300 g de ácido cítrico em
50 litros de água. A água utilizada vem do rio Marajoí, segundo informantes
locais é fervida ou então adicionam doses de hipoclorito. Os vidros e tampas
são cedidos pelo comprador do produto. O morador local ainda paga R$ 3,00
pelo Kg de ácido cítrico (chamado de sal). Após todo o preparo a conserva
é vendida aos comerciantes ao valor de R$ 0,30.
Após 0 corte da cabeça de palmito inicia-se o processo enzimático
provocando manchas de coloração marrom escura na parte apical. Este
processo ocorre devido a exposição duradoura à temperatura e umidade.
O processo enzimático atrai insetos da ordem coleoptera que provocam
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perfurações e danos na matéria prima. Em alguns casos, estes palmitos são
recusados pelo comprador.
A Composição físico-química e microbiológica comprovou que trata-
se de um produto que atende as normas legais vigentes para comercialização
do palmito próprio para consumo. A presença de coliformes fecais e
5. aureus encontradas em baixas proporções não invalidam o uso do produto.
Esta contaminação está associada ao tipo de água utilizada no preparo da
salmoura e minimizada em função do tipo de tratamento químico utilizado no
local. Aconselha-se tornar mais eficaz o tratamento da água aumentando-se
a dosagem de produtos químicos adequados. Detectou-se em uma amostra de
água no médio Marajoí que encontra-se sem condições de uso, tanto para a
balneabilidade como para uso industrial, sendo necessário passar por um
sistema de tratamento.
CONCLUSÕES
As populações de açaizais nativos localizados nas áreas visitadas na
comunidade do Marajoí, representam exuberante potencial extrativista com
matéria-prima para frutos e palmito. A ação comunitária nas atividades do
manejo dos açaizais vem integralizar o processo homem x planta x produto,
no qual a verdadeira ação de produzir associa-se a arte de preservar.
Neste caso torna-se necessário o desbaste de todos os perfilhos novos
e juvenis; raleamento da mata, tendo-se o cuidado de não permitir a entrada
de luz excessiva; o desbaste de estipe em função do tipo de palmito;
o aproveitamento de adubo orgânico com partes vegetativas da planta;
a proteção da cabeça de palmito logo após o corte pode ser feita com material
plástico, lona ou papel que impedirá a perda de umidade e excesso de
ressecamento, e o tratamento da água deve ser mais eficaz para o preparo da
conserva, aumentando-se as dosagens de produtos químicos
adequados.
Finalmente, o palmito extraído na comunidade do Marajoí enquadra-se
nos padrões de qualidade à comercialização, além de estar associado a
conservação da espécie em função do manejo praticado e com garantia de
rotatividade produtiva para frutos e palmito. Todavia, o processo de
268
A\aliação das populações nativas de açaizeiro
cooperativismo entre os moradores poderá ser uma solução e a curto prazo,
através do planejamento de ações de manejo, produção e comercialização de
frutos e palmito.
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269
CDD: 582.0464
582.0467
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DE FRUTOS
E GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE ESPÉCIES
ARBÓREAS NATIVAS DA AMAZÔNIA^
Inm Célia Guimarães Vieira^
Nancy Galvãd^
Nelson de Araújo Rosa^
RESUMO - A análise das características de frutos e sementes de 120 espécies
arbóreas da Amazônia revelou que drupas e bagas são os tipos de frutos mais
freqiientes. A maioria das espécies (65%) têm frutos entre I e 5 eme 40% das
espécies têm frutos mais pesados que 10 g. /lí sementes, por sua vez, são
menores do que 10 cm e a maioria (60%) e mais leve do que 1 g. Mamíferos
dispersam sementes mais pesadas do que pássaros. Testes de germinação de 23
dessas espécies, em condições controladas de luz e temperatura, mostraram que
a maioria apresenta dormência de sementes e que apenas 30% germinaram na
presença de luz. Germinação cryptocotiledonar foi mais frequente.
PALAVRAS-CHAVE: Morfologia do fruto. Flora amazônica. Dispersão de
sementes. Germinação de sementes.
ABSTRA CT - The morphological anaiysis offruits and seeds ofl20 tree species
ofthe Amazonian flora revealed that drupes and berries were the most frequent.
The majority of species (65%) have fruits between 1 and 5 cm and 40% ofthe
species had fruits heavier than 10 g. Almost 607o ofthe seeds were smallerthan
1 g. Mammals disperse larger seeds than birds. Germination tests of23 ofthese
1 Trabalho apresentado na 1 Reunião dos Botânicos da Amazônia, realizada nos dias 26 a 30 de junho
de 1995, em Belém, Pará.
2 PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. de Botânica. Caixa Postal, 397. CEP
66.017-170. Belém-PA.
3 Universidade Federal do Pará. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. IPAM. Bolsista. CEP
66.075-110. Belém-PA.
271
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
species under controlled temperature and light conditions showed tliat only 30 %
had a higli germination rate under light and that cryptocotilar germination was
the most frequent.
KEY WORDS; Fruit morphology, Seed dispersai, Amazonian flora, Seed
germination.
INTRODUÇÃO
A morfologia de frutos e sementes tropicais tem atraído atenção de
muitos botânicos e as informações estão em livros e publicações sobre
taxonomia (Corner 1976; Van der Roosmalen 1977). Entretanto, existem
poucas informações sobre descrições detalhadas da dispersão e germinação
de frutos e sementes de espécies tropicais (Janzen 1970; Ng 1978; Van der
Pijl 1982; Roth 1987; Vazquez-Yanes & Orozco-Segovia 1990).
O conhecimento sobre as características de frutos e sementes das
espécies contribuem para o entendimento da regeneração e manejo das
florestas tropicais. Na Amazônia, alguns dos fatores que limitam a regene-
ração florestal após perturbação da floresta, estão diretamente relacionados
com as características da semente (Martini et al. 1994; Nepstad et al. s.d.;
Vieira et al. s.d.). Este trabalho descreve algumas características de frutos
e sementes de uma parte da flora arbórea da Amazônia, incluindo os padrões
de dispersão e germinação e discute a relação entre os padrões encontrados
e a recolonização florestal de áreas perturbadas no leste do Pará.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização dos frutos e sementes
Os frutos e sementes foram coletados, ainda frescos no chão de florestas
remanescentes do leste do Para (floresta da Fazenda Monte Verde, município
de Peixe-Boi e floresta do Mocambo, município de Belém), acondicio-
nados em sacos plásticos e levados ao laboratório para identificação e
caracterização.
272
Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
A determinação das dimensões foi obtida, mediante a utilização de
paquímetro, estabelecendo como parâmetro de comprimento e largura o
sentido longitudinal e transversal, respectivamente. O peso fresco foi obtido
com 0 auxílio de balança analítica. Após secagem do material em estufa a
40°C- 60°C por um período de 3 a 7 dias (dependendo da espécie e do tipo
de fruto), os frutos e sementes foram novamente pesados para a determinação
do peso seco. Os valores de peso e tamanho apresentados, referem-se a média
aritmética da amostragem de cada espécie, de acordo com a disponibilidade
de propágulos encontrados na floresta primária, (3 a 20 amostras por
espécie). Os frutos e sementes foram agrupados em muito pequenos
(< 1 cm), pequenos (1-5), médios (5-10 cm) e grandes (> 10 cm) para a
apresentação gráfica.
Quanto ao padrão de cor foram agrupados em claros, todos os frutos
e sementes de coloração amarela, verde e suas derivações. Em escuros, todos
aqueles de coloração preta, marrom, vermelha e suas derivações.
Foram avaliadas 120 espécies, abrangendo 40 famílias e 87 gêneros,
incluindo 68 espécies com alto valor madeireiro (Tabela 1).
Germinação de sementes
Foram realizados testes de germinação de sementes de 23 espécies
arbóreas, em condições controladas de luz e temperatura. A escolha das
espécies baseou-se na disponibilidade de no mínimo 40 sementes viáveis para
a realização do teste. As sementes recém coletadas foram submetidas à
temperatura constante de 27°C na ausência e presença de luz, em uma câmara
de germinação marca FANEM modelo 347, equipada com 4 lâmpadas
fluorescentes de 40 watts. Grupos de sementes (número variável dependendo
da disponibilidade de sementes de cada espécie) foram colocados em gerbox
previamente esterilizados com álcool, usando como substrato papel de filtro
umedecido com água destilada, até atingir aproximadamente 90% de
umidade. Foram utilizadas 4 repetições de no mínimo 10 sementes cada
(dependendo da espécie). As avaliações e contagens das sementes germi-
nadas foram realizadas diariamente, durante 40 dias.
273
Campomanesia arommica Myrtaceae 20.9x23.3 6.16 S.IkòJ 0.18 Mamífero Lenha, Carvão
(Aubl.) Griseb.
Carapa guianensis fíuh\. Meliaceae 67.5x150 45.0x36.1 18.81 Mamífero Madeireiro,
medicinal (fruto;
Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
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Iryanlhera juruensis Warb. Myristicaeae 15.5x19.5 6.20 22.5x14.5 2.68 Mamífero, pássaro Lenha, carvão, vara
Iryanthera sagotiana (Benth.) Warb. Myristicaeae 26.5x35.8 13.63 13.3x22.2 2.07 Pássaro Madeireiro
/acarando copa/a (Aubl.) D. Don. Bignoniaceae 185.3x90.7 104.2 15.0x30.0 0.12 Vento Madeireiro
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Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
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280
Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
RESULTADOS
Caracterização dos frutos e sementes
As características de frutos e sementes de 120 espécies arbóreas da
Amazônia estão apresentadas na Tabela 1, incluindo o uso econômico das
mesmas.
Os tipos de frutos mais encontrados foram drupa (34%) e baga
(31%), seguidos de cápsula (23%) e legume (12%) (Figura 1). A maioria
(82%) das espécies apresentou até 10 sementes (inclui-se nesse grupo todas
as drupas), e apenas 5% apresentaram mais de 100 sementes por fruto
(Figura 2). Com relação à coloração, constatou-se que praticamente a
metade das espécies apresentou frutos de cor clara e a outra metade, cor
escura. As sementes encontradas, por sua vez, são ligeiramente mais escuras
(56%).
Figura 1 - Tipos de frutos de 103 espécies arbóreas da Amazônia.
281
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
A maioria das espécies têm frutos entre 1 e 5 cm (65%), e apenas 10%
têm frutos muito pequenos (até 1 cm), enquanto 25% têm frutos maiores que
5 cm (Figura 3). 40% das espécies apresentaram frutos mais pesados que
10 g, enquanto apenas 16% apresentaram frutos leves (< 1 g) (Figura 4).
Com relação as sementes, 29% das espécies tem sementes menores que 1 cm,
e não foi encontrada nenhuma espécie com semente maior do que 10 cm
(Figura 3). A maioria das espécies possuem sementes leves (58%), e apenas
12% possuem sementes mais pesadas do que 10 g (Figura 4).
A freqüência de classes de peso de sementes em uma escala logarítmica
produziu uma distribuição aproximadamente normal (Figura 5). Os menores
pesos de sementes encontrados foram os das espécies Cecropia palmata e
Cecropia obtusa (0.0021 g) e o mais pesado foi o de Couepia bracteosa
(89.6 g) (Tabela 1). A grande maioria das espécies (90%) apresentou
dispersão zoocorica, sendo que os principais dispersores foram mamíferos
e pássaros. Foi encontrada diferença significativa entre o peso de sementes
e o tipo de dispersão (Kruskal-Wallis, F = 6.17, P<0.01). O peso das
sementes dispersas por mamíferos foi significativamente mais alto do que o
de sementes dispersas por pássaros (Medias = 7.6 g vs 0.5 g; Median test,
^ = 3.63, P = 0.01). Existe um grupo de 34 espécies que são dispersas tanto
por pássaros como por mamíferos. Este grupo possui sementes maiores do
que 1 g e menores do que 10 g, que diferem significativamente do peso de
sementes carregadas somente por pássaros (7é^ = 3.63, P=0.05). Não foi
encontrada diferença entre peso de sementes dispersas somente por mamí-
feros, das dispersas tanto por pássaros como por mamíferos (X^ = 0.20,
P = 0.65).
Germinação de sementes
A maioria das espécies avaliadas apresenta dormência de sementes em
condições artificiais (Tabela 2). Entretanto, as espécies Cecropia palmata,
Bagassaguianensis, Cecropia obtusa, Dipteryxodorata, Lacmelleafloribunda,
Carapa guianensis, e Hymenea oblongifolia apresentaram alta porcentagem
de germinação na presença de luz, e todas germinaram dentro das três
primeiras semanas de avaliação. Algumas espécies, principalmente as da
família Leguminosae apresentaram alta dormência de sementes, geralmente
282
Tabela 2 - Germinação de sementes de espécies arbóreas da Amazônia.
Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
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283
SciELO
Obs.: N = número de sementes colocadas para germinar.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
100
No. de sementes/fruto
Figura 2 - Número médio de sementes por fruto de 101 espécies arbóreas da Amazônia.
Figura 3 - Tamanho do fruto e semente (comprimento em cm) de espécies arbóreas da Amazônia
(Njy = 104, Njg = 115 espécies).
284
Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
Figura 4 - Peso do fruto e semente, em gramas, de espécies arbóreas da Amazônia (Nj^. = 92, N^g =
103 espécies).
Figura 5 - Distribuição de peso de sementes de 103 espécies arbóreas da Amazônia,
285
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
associada a dureza do tegumento. As espécies Parkia multijuga e Ormosia
coutinhoi, que apresentaram 100% de dormência no teste, germinaram muito
bem (mais de 60%) quando foram submetidas a escarificação com lixa. As
espécies Dialiumguianensis, Bagassa guianensis, Batesiafloribunda, Dipteryx
odorata, e Hymenea oblongifolia obtiveram a mesma porcentagem de
germinação tanto no claro como no escuro. A espécie Simphonia globulifera
apresentou baixa taxa de germinação em condições artificiais, talvez devido
a desidratação de algumas sementes, entretanto notou-se que as sementes
localizadas no chão da floresta sob alta umidade e sombra germinaram
rapidamente.
Com relação ao tipo de germinação, a maioria das espécies (69%)
apresentou germinação cryptocoliledonar, em que as plântulas tem cotilédones
escondidos no tegumento da semente. Esta estratégia restringe o potencial
fotossintético dos cotilédones, mas por outro lado aumenta a capacidade da
semente estocar nutrientes (Ng 1978). Em florestas tropicais da África, Ng
(1978) e Hladick & Miquel (1990) encontraram apenas 30% das espécies
(N > 100) com germinação cryptocotiledonar e segundo esses autores, esse
tipo de germinação estava associado as sementes grandes. Só com amostragem
de mais espécies, podemos avaliar os tipos de plântulas mais freqüentes na
floresta amazônica.
DISCUSSÃO
As florestas tropicais são reconhecidas pela alta riqueza de espécies.
Entretanto, em paisagens sujeitas a perturbações antrópicas, como o leste do
Pará, a diversidade biológica depende da área dos ecossistemas naturais que
permanecem intactos e da habilidade das espécies nativas de regenerar nos
habitats perturbados (Nepstad et al. 1994; Vieira et al. s.d.). O conhecimento
das características dos frutos e sementes, nos permite fazer previsões dos
tipos de espécies que persistirão após perturbação da floresta. Neste
contexto, podemos dizer que as espécies que produzem sementes grandes e
pesadas ( > 10 g) e que não apresentam dormência, não devem ser encontra-
das no banco de sementes do solo, que é a primeira fonte de sementes para
recolonização da área após perturbação da floresta. Se não tiverem boa
capacidade de brotar, essas espécies não serão favorecidas em ambientes
286
Caracterização morfológica de frutos e germinação de sementes
perturbados e ficarão restritas a fragmentos de floresta. Segundo Foster &
Janson (1985), geralmente as espécies restritas a habitats maduros e estáveis
tem sementes maiores do que aquelas que se estabelecem em habitats
perturbados. A ausência dessas espécies em áreas antrópicas pode estar
relacionada a falta dos dispersores de sementes no fragmento ou a sua
limitação na dispersão. Espécies como Carapaguianensis, Caryocar glabrum,
Couepia bracteosa e Licania macrophylla podem ser incluídas neste grupo.
Tais espécies nunca foram encontradas em florestas secundárias da região em
extensos levantamentos botânicos realizados pelos autores.
Um outro grupo de espécies produz sementes menores (entre 1 e 10 g),
algumas adaptadas a dispersão por pássaros e mamíferos e outras por vento.
Essas espécies podem permanecer dormente no solo e em casos de pertur-
bação da floresta, elas podem ser favorecidas. Como exemplo deste grupo
citamos as espécies Ambelania acida, Apeiba burchelii, Aspidosperma
desmanthum, Bagassa guianensis e Geissospermum sericeum. Estas espécies
são freqüentemente encontradas em florestas secundárias da região.
O terceiro grupo e o das espécies com sementes pequenas ( < 1 g). Elas
podem ser encontradas no banco de sementes do solo e germinam bem na
presença de luz. Compõem este grupo as típicas pioneiras sensu Whitmore
(1985). Esse grupo de espécies é adaptado e altamente favorecido pelo
distúrbio. Neste grupo destacam-se as espécies Cecropia palmata,
Didynopanax morototoni, Goupia glabra, e Jacaranda copaia, que são
espécies encontradas em alta densidade em florestas secundárias da região.
Com a continuidade deste estudo sobre morfologia e germinação de
sementes, poderemos estabelecer com mais detalhes as relações existentes
entre as características das sementes, as condições ambientais para o
desenvolvimento das plântulas e o entendimento do processo germinativo das
espécies, e assim entender melhor os mecanismos envolvidos no estabeleci-
mento dessas espécies em ambientes antrópicos.
287
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(2), 1996
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WHITMORE, T. C. 1984. Tropical rain forests ofthe FarEast. 2 ed. Clarendon, Oxford,
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288
CDD 583.32304183
INFLUÊNCIA DO SUBSTRATO, RECIPIENTE
E INTENSIDADE DE LUZ NA GERMINAÇÃO DE
SEMENTES DE PAU-FERRO CAESALPINIA
LEIOSTACHYA DUCRE^
Maninho Alves de Andrade Júnior^
Daniel D nane Pereira^
Genaro Viana Donielas^
Elson Soares dos Santos^
RESUMO - Foram testados, a nível de viveiro, dois níveis de intensidade de luz
(pleno-sol e 50% sombreado), três tamanhos de recipiente (9,0 x 15,0; 15,0 x
17,0; 15,0 X 25,0 cm) e quatro substratos (Latossolo vermelho-amarelo;
Latossolo vermelho-amarelo ->r esterco caprino (1;1); Latossolo vermelho-
amarelo + esterco caprino ( 1 :2); Latossolo vermelho-amarelo -f esterco caprino
( 1 :3)) sobre a percentagem de germinação, o índice de velocidade de emergên-
cia e a percentagem de sobrevivência de plantas de pau-ferro Caesalpinia
leiostachya Ducke. O experimentofoi disposto de fonna inteiramente casualizada.
A análise estatística foi efetuada apanir de um modelo fatorial 2x3x4, sendo
adaptado para o fator época na variável percentagem de sobrevivência
resultando num fatorial 3x2x3x4. A partir dos resultados obtidos indica-se para
produção de mudas de pau-ferro a utilização de substrato Latossolo vermelho-
amarelo, o recipiente pequeno (9,0 x 15,0 cm) e o nível pleno-sol.
PALAVRAS-CHAVE; Pau-ferro, Caesalpinia leiostachya. Produção de mudas.
ABSTRACT-Weretesteds, the levei ofnursery, two levei ofintensityoflight (full
sunlight and 507c shade), three dimmensions of Container (9,0 x 15,0; 15,0 x
1 7, 0; 15, Ox 25, 0 cm) and four subst rates (Latossol yellow-red; Latossolyellow-
’ Parte da Dissertação de Graduação do primeiro autor.
^ Engenheiro Agrônomo do Museu Integrado de Roraima - GER/SECD/DC/MIRR.
^ Professor do curso de Agronomia da Universidade Federal da Paraíba - CCA/UFPB.
Professor do curso de Agronomia da Universidade Federal da Paraíba - CCA/UFPB.
^ Pesquisador da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba/EMEPA-PB.
289
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
red + capríne manure (1:1); Latossol yellow-red + caprine manure (1:2); Latossol
yellow-red+caprine manure (1:3)) about lhe percentage of germination, lhe
Index ofspeed ofemergency and lhe percentage of survival ofplants of pau-ferro
Caesalpinia leiostachya Ducke. The experiment was to make offonn entirelly
casualized. The analysis statistics was effectued basead in a model factorial
2x3x4, also adjusted by the factor epoch in the variable percentage of survival
in a modei factorial 3x2x3x4. Basead of the results obtaineds is indicated by
production ofplants of pau-ferro the utilisation ofsubstrate Latossol yellow-red,
the Container small (9,0 x 15,0 cm) and the levei full sunlight.
KEY WORDS: Pau-ferro, Caesalpinia leiostachya, Production of plants.
INTRODUÇÃO
A minimização dos custos de um determinado programa de produção
de mudas passa necessariamente pela acerto na tomada de decisões que
envolvem fatores complexos.
Fatores como luz, água, temperatura e condições edáficas são alguns
dos elementos do meio ambiente que influem no desenvolvimento da
vegetação. O suprimento inadequado de um desses fatores pode reduzir o
vigor da planta e limitar seu desenvolvimento (Ferreira et al. 1977).
Picheth ( 1 987) , cita que por vezes a utilização de um substrato de menor
fertilidade pode ser mais indicado, pois geralmente se apresenta com
melhores qualidades físicas. Não sendo muito argiloso apresenta-se mais
arejado e permeável, portanto com menor incidência de fungos e bactérias.
Segundo Sturion (1980b), as dimensões dos recipientes trazem impli-
cações de ordem técnica e econômica, sendo ótima aquela que harmoniza o
custo de produção e a possibilidade de obter um máximo desenvolvimento das
mudas. Pereira & Pereira (1986), relatam que recipientes de grandes
dimensões, embora confiram bom desenvolvimento às plantas, contribuem
para a elevação dos custos de produção e de transplantio da muda.
A intensidade, qualidade, duração e periodicidade da luz influenciam
tanto quantitativa como qualitativamente no desenvolvimento da planta
(Kramer & Koslowski, citados por Sturion (1980a)). Gomes (1989), relata
que trabalhos recentes têm demonstrado que o sombreamento, em qualquer
nível, é prejudicial ao crescimento das mudas.
290
Influência do substrato, recipiente e intensidade de luz na germinação de sementes
O estudo da influência de fatores como tipo de substrato, tamanho de
recipiente e níveis de intensidade de luz é de fundamental importância para
ampliar a margem de acerto na escolha qualitativa de tais fatores, quando
objetiva-se a produção de mudas de uma determinada essência.
O presente estudo visa contribuir com informações sobre a germinação
de sementes de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke quando submetidas
a ação, isolada e em interação, daqueles fatores.
MATERIAL E MÉTODO
A essência do pau-ferro C. leiostachya apresenta várias utilizações,
desde a exploração econômica de sua madeira em construções civis e navais
(Heringer (1947); Lopes (1982); Silva (1983)), passando pela ornamentação
de praças e parques de várias cidades do país, utilização em programas de
reflorestamento (Lorenzi 1992), até em usos na alimentação animal e na
medicina popular em algumas regiões (Corrêa 1984).
Neste ensaio foram utilizadas sementes previamente tratadas com ácido
sulfúrico (H2SO4) P. A. durante cinco minutos, semeadas em número de uma
por recipiente a uma profundidade de 2,0 cm e em posição de queda (Andrade
Júnior 1994).
Como substratos utilizou-se:
- Latossolo Vermelho-amarelo == LVA
- LVA -I- Esterco caprino (mistura 1:1) = 1:1 LVA + EC
- LVA -I- Esterco caprino (mistura 1:2) = 1:2 LVA-I-EC
- LVA -h Esterco caprino (mistura 1:3) = 1:3 LVA-I-EC
Tanto 0 LVA como o esterco caprino foram passados em peneira de
malha 10,0 x 10,0 mm, sendo a mistura composta com base no volume.
As dimensões dos recipientes foram as seguintes:
- Pequeno: 9,0 x 15,0 cm = 550,0 cm^
- Médio: 15,0 x 17,0 cm = 1.125,0 cm^
- Grande: 15,0 x 25,0 cm = 1.700,0 cm^
291
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 12(2), 1996
Os recipientes utilizados foram sacos de polietileno preto sanfonados na
base e com orifícios para drenagem do excesso de água.
A intensidade de luz foi testada em dois níveis: Pleno-sol e 50%
sombreado. Para obtenção do nível sombreado, construiu-se uma estrutura
em forma de mesa com dimensões de 0,60 x 1,0 x 5,0 m (altura, largura e
comprimento), onde foram fixadas ripas de madeira de 1,0 cm de largura e
espaçadas de centímetro em centímetro, formando assim uma grade, tanto na
parte superior como nas laterais.
Analisou-se a percentagem de germinação, o índice de velocidade de
emergência e a percentagem de sobrevivência, sendo que para esta última
as leituras foram feitas aos 30, 60 e 90 dias, enquanto que para as duas
primeiras os dados foram coletados diariamente durante 30 dias, contados
a partir do início da germinação.
Considerou-se o início da germinação quando visualizava-se o caulículo
com os cotilédones na superfície do substrato.
Os dados em percentagem foram transformados para arc sen V x%
(Cochran & Snedecor 1979). O índice de velocidade de emergência das
plântulas foi calculado segundo Popinigis (1977).
O delineamento estatístico usado foi o fatorial 4x3x2, inteiramente
casualizado, com 4 repetições. Cada parcela foi composta por 10 plantas. O
fator época (idade das plantas) correspondente aos 30, 60 e 90 dias, foi
acrescentado à análise fatorial para a variável percentagem de sobrevivência,
resultando num modelo fatorial 3 x 4 x 3 x 2.
As análises estatísticas do presente estudo foram realizadas no Setor de
Estatística e Informática da Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da
Paraíba - EMEPA/PB.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise da variância revelou efeito significativo dos fatores substratos
e níveis de intensidade de luz sobre as variáveis percentagem de germinação,
índice de velocidade de emergência (Tabela la) e percentagem de sobrevi-
vência de plantas de pau-ferro, acrescentando-se ainda para esta última
variável o efeito significativo do fator época (Tabela 2a).
292
Influência do substrato, recipiente e intensidade de luz na germinação de sementes
Na Tabela 1 , verifica-se que o efeito do substrato sobre a germinação
foi levemente significativo, fato este constatado quando observa-se o LVA
(99,85%) e a mistura 1:1 LVA-I-EC (99,83%), promovendo as mais altas
percentagens de germinação de sementes de pau-ferro, diferindo significa-
tivamente dos substratos formados pelas misturas 1:2 e 1:3 LVA-l-EC, que
embora inferiores , proporcionaram altas percentagens de germinação (93,61%
e 96,10%, respectivamente). De um modo geral, todos os substratos
utilizados apresentaram ótima percentagem de germinação, com médias
acima de 90,00%. Montenegro (1992), verificou que a percentagem de
germinação de sementes de sombreiro Clitoriafairchildiana não apresentou
resultado significativo entre os substratos formados pela mistura 1:1
subsolo + húmus caprino (77,50%), mistura 1:1 subsolo -f esterco bovino
(72,50%) e subsolo puro (60,00%). No entanto, este último foi significati-
vamente inferior aos substratos formados por terriço da mata (87,50%) e
mistura 1:1 subsolo -f composto orgânico (87,50%).
Tabela 1 - Valores médios das percentagens de Germinação e Sobrevivência e do índice de
Velocidade de Emergência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função
dos fatores avaliados
Fatores
Germinação
(arc sen V x%) (%)
Sobrevivência
(arc sen V x%) (%)
IVE
Substratos
LVA
87,85a
99,85
83,07a
98,50
1,80a
LVA-bEC (1:1)
87,69a
99,83
70,62b
88,99
1,45b
LVA-t-EC (1:2)
75,37b
93,61
63,14c
79,58
1,10c
LVA-t-EC (1:3)
78,62b
96,10
63,96c
80,72
1,07c
Recipientes
Pequeno
80,08a
97,03
70,05a
88,35
1,36a
Médio
82,69a
98,34
70,44a
88,79
1,36a
Grande
84,37a
99,04
70,10a
88,41
1,34a
Intens. de Luz
Pleno-sol
86,31a
99,58
74,00a
92,39
1,40a
50% sombreado
78,45b
95,99
66,39b
83,96
1,31b
Épocas (dias)
30 dias
_
72,72a
91,17
60 dias
-
-
70,54ab
88,90
-
90 dias
-
-
67,34b
85,16
-
Médias de um mesmo fator seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre
si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.
293
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
A análise da variância não revelou efeito significativo do tamanho do
recipiente sobre a percentagem de germinação (Tabela la) de sementes de
pau-ferro. No entanto, observa-se que há uma tendência a aumentar a
germinação a medida que aumenta o tamanho do recipiente (Tabela 1).
Tabela la - Análises de variância para dados de percentagem de Germinação e índice de
Velocidade de Emergência de plântulas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em
função de diferentes substratos (Sub), recipientes (Rec) e intensidades de luz (Lum).
Quadrados Médios
Fonte de
GL
Percentagem de
Índice de velocidade
variação
Germinação'
de emergência
Sub
3
971,6269**
2,8015**
Rec
2
149,7644ns
0,0040ns
Lum
1
1.481,4530**
0,1980**
SubxRec
6
15,8379ns
0,0724**
SubxLum
3
709,9306**
0,2280**
RecxLum
2
120,3956ns
0,1893**
SubxRecxLumLum
6
94,5422ns
0,0447*
Resíduo
72
71,9293
0,0191
Média
82,38
1,35
C.V. (%)
10,29
10,22
* Significativo ao nível de 5% de probabilidade
** Significativo ao nível de 1 % de probabilidade
ns Não significativo
1 dados transformados em arc sen Vx%
Em relação ao fator intensidade de luz, nota-se que o nível pleno-sol
(99, 58 % ) foi significativamente superior ao nível 50 % sombreado (95 ,99 % ) .
Porém, ambos obtiveram ótimos resultados em relação ao percentual
germinativo de sementes. Para a percentagem de germinação de sementes de
guapuruvu Schizolobium parahyha, Ferreira et al. (1977), verificaram que
o nível 0% de sombreamento (77,00%) obteve resultado significativamente
superior ao nível 50% (61,00%).
Quanto à percentagem de sobrevivência, verifica-se ainda na Tabela 1
que o substrato formado pelo LVA foi significativamente superior aos
demais, proporcionando 98,50% de sobrevivência das plantas. A mistura 1 : 1
LVA -b EC obteve uma considerável percentagem de sobrevivência (88 ,99 % ) ,
294
Influência do substrato, recipiente e intensidade de luz na germinação de sementes
sendo significativamente superior às misturas 1:2 (79,58%) e 1:3 (80,72%)
LVA + EC. Observa-se ainda que a medida que aumenta a proporção do
esterco caprino na mistura com o LVA, ocorre um decréscimo no percentual
de sobrevivência, isto verificado até a mistura 1:2 LVA-I-EC, passando a
estabilizar-se ou não mais decrescer quando na mistura 1:3 LVA-I-EC
(80,72%). Percebe-se ainda, uma leve tendência a aumentar a percentagem
de sobrevivência das plantas nesta última mistura (1:3). Campos et al.
(1986), não encontraram efeito significativo entre os substratos formados por
Latossol roxo (0,96), misturas 1:1 e 1:2 deste solo com esterco bovino
(0,95 e 0,98, respectivamente) sobre a relação entre número de plânmlas
mortas e número total de plântulas emersas de sibipiruna Caesalpinia
peltophoroides.
A análise da variância não revelou efeito significativo entre os tamanhos
de recipiente sobre a variável percentagem de sobrevivência Tabela 2a.
A intensidade de luz influenciou significativamente a percentagem de
sobrevivência das plantas de pau-ferro. O nível pleno-sol (92,39%) propor-
cionou uma maior percentagem de sobrevivência quando comparado ao nível
50% sombreado (83,96%). No entanto, para plantas de imbuia Ocotea
porosa Sturion & lede (1982) verificaram que os níveis 30% e 60%
sombreado (79,70% e 74,90%, respectivamente) foram significativamente
superiores ao nível 0% (66,40%) em relação a percentagem de sobrevivência
obtida aos dez meses.
A percentagem de sobrevivência expressa na Tabela 1, decresceu a
medida que aumentou a idade das plantas de pau-ferro. Maiores percentuais
foram verificados para as idades de 30 e 60 dias (91,17% e 88,90%,
respectivamente). Aos 90 dias (85,16%) houve uma redução significativa
para esta variável.
O substrato LVA proporcionou o mais alto índice de velocidade de
emergência de plântulas (1,80), sendo significativamente superior aos
demais. A melhor mistura foi a do tipo 1:1 LVA-bEC (1,45), apresentando
diferença significativa entre as demais. As misturas 1:2 (1,10) e 1:3 (1,07)
LVA + EC não diferiram entre si. De um modo geral, observa-se que a
medida que aumenta a proporção do esterco caprino na mistura, ocorre um
decréscimo no índice de velocidade de emergência. De acordo com Campos
295
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
et al. (1986), para o índice de velocidade de emergência de plântulas de
sibipiruna C. peltophoroides os substratos Latossol roxo + esterco bovino na
proporção 1:2 (3,40), Latossol roxo (2,94) e Latossol roxo+esterco bovino
na proporção 1:1 (2,50) não diferiram significativamente entre si. Porém,
este último apresentou diferença significativa quando comparado com o
substrato formado pela mistura Latossol roxo + areia + esterco bovino na
proporção 2:1:6 (3,80).
A análise da variância não revelou efeito significativo do tamanho do
recipiente sobre o índice de velocidade de emergência de plântulas de pau-
ferro (Tabela la).
O índice de velocidade de emergência de plântulas de pau-ferro
(Tabela 1) foi mais alto quando não houve sombreamento, ou seja, o nível
pleno-sol (1,40) foi significativamente superior ao nível 50% sombreado
(1,31). Ferreira et al. (1978), verificaram que plânmlas de tamboril
Enterolobium contortisiliquum e jatobá Hymeneae stigonocarpa apresen-
taram maior energia germinativa quando submetidas ao nível de 0% de
sombreamento.
A análise da variância revelou efeito significativo da interação entre os
fatores substratos e intensidades de luz sobre as variáveis percentagem de
germinação, índice de velocidade de emergência (Tabela la) e percentagem
de sobrevivência (Tabela 2a) de plantas de pau-ferro.
De acordo com a Tabela 2, observa-se que as médias da percentagem
de germinação de sementes de pau-ferro não diferiram significativamente
entre si quando analisamos a interação do substrato LVA com os níveis de
intensidade de luz utilizados, o mesmo ocorrendo para o substrato formado
pela mistura 1:1 LVA-I-EC. No entanto, as médias obtidas pelas misturas 1:2
e 1:3 LVA-I-EC em interação com as intensidades de luz apresentaram
decréscimo significativo com o nível 50% sombreado.
O nível pleno-sol obteve médias percentuais uniformes para a germi-
nação de sementes em todos os substratos utilizados, não havendo diferença
significativa entre as mesmas. Porém, verifica-sequeonível50% sombreado
proporcionou médias significativamente superiores para os substratos LVA
e 1 : 1 LVA -I- EC quando comparadas com aquelas obtidas pelas misturas 1 :2
e 1 :3 LVA + EC. Com a redução da intensidade de luz ocorre um decréscimo
296
Influência do substrato, recipiente e intensidade de luz na germinação de sementes
na temperatura do substrato, portanto a medida que aumenta a proporção da
matéria orgânica (esterco caprino) na composição dos substratos, aumenta
também a umidade. De acordo com Kiehl (1985), a matéria orgânica aumenta
direta e indiretamente a capacidade do solo de armazenar água. Toumey &
Korstian, citados por Ferreira et al. (1977), relatam que a influência do
sombreamento sobre a germinação deve ser indireta, através da temperatura
ou da umidade do solo, pois com a menor incidência dos raios solares,
menores serão a temperatura e a evaporação.
Tabela 2 - Valores médios das percentagens de Germinação e Sobrevivência e do índice de
Velocidade de Emergência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função
da interação avaliada.
Int. de Luz
LVA
Substratos
LVA+EC(1:1) LVA+EC(1:2)
LVA+EC(1:3)
Germinação (arc sen Vx%)
Pleno-sol
87,23aA
(99,76)
86,93aA
(99,71)
86,62aA
(99,65)
88,46aA
(99,91)
50% somb.
88,46aA
(99,91)
88,46aA
(99,91)
68,1 IbB
(86,09)
68,78bB
(86,89)
Sobrevivência (arc sen Vx%)
Pleno-sol
85,36aA
(99,34)
69,5 laB
(87,74)
68.26aB
(86,27)
72,89aB
(91,34)
50% somb.
80,78aA
(97,41)
71,74aB
(90,18)
58,01bC
(71,94)
55,03bC
(67,15)
índice de Velocidade de Emergência
Pleno-sol
l,73aA
l,45aB
l,21aC
l,21aC
50% somb.
l,87aA
l,44aB
0,99bC
0,93bC
Médias de uma mesma variável seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e pela mesma
letra maiuscula na horizontal não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey , ao
nível de 5% de probabilidade.
Médias entre parênteses representam valores originais.
A percentagem de sobrevivência das plantas de pau-ferro foi significa-
tivamente reduzida quando as mesmas foram conduzidas sob sombreamento
em interação com o substrato formado pela mistura 1 ;2 LVA + EC. De forma
mais acentuada, podemos observar o mesmo decréscimo na interação 50%
297
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
sombreado com o substrato 1:3 LVA + EC. As médias obtidas pelos
substratos LVA e mistura 1:1 LVA + EC, quando avaliados separadamente
em interação com as intensidades de luz, não apresentaram diferença
significativa. No entanto, observa-se que para a mismra 1:1 LVA + EC
ocorreu um aumento na percentagem de sobrevivência das plantas com o
sombreamento de 50% (Tabela 2).
Tabela 2a - Análise de variância para dados de percentagem de Sobrevivência de plantas de
pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função de diferentes substratos (Sub) , recipientes
(Rec), intensidades de luz (Lum) e épocas.
Quadrados Médios
Fonte de
variação
GL
Percentagem de
Sobrevivência'
Sub
3
6.110,1102**
Rec
2
4,2293ns
Lum
1
4.176,4468**
Época
2
702,6595**
SubxRec
6
200,6383ns
SubxLum
3
1.308,8074**
SubxÉpoca
6
141,6333ns
RecxLum
2
1.394,8055**
RecxÉpoca
4
62,5573ns
LumxÉpoca
2
28,6358ns
SubxRecxLum
6
1.004,9197**
SubxLumxÉpoca
6
39,6687ns
RecxLumxÉpoca
4
130,5067ns
SubxRecxÉpoca
12
36,6730ns
SubxRecxLumxÉpoca
12
44,2295ns
Resíduo
216
116,8409
Média
70,20
C.V. (%)
15,40
** Significativo ao nível de 1 % de probabilidade
ns Não significativo
1 dados transformados em arc sen V x%
Para o nível pleno-sol o LVA apresentou o melhor percentual de
sobrevivência das plantas de pau-ferro, sendo significativamente superior
aos demais. Dentre as misturas, a do tipo 1:3 LVA + EC obteve melhor
resultado, muito embora não tenha havido diferença significativa entre as
mesmas.
298
Influência do substrato, recipiente e intensidade de luz na germinação de sementes
No nível 50% sombreado observa-se que o LVA foi significativamente
superior aos demais. No entanto, a mistura do tipo 1 : 1 LVA-I-EC foi a que
melhor proporcionou a sobrevivência das plantas, sendo significativamente
superior as demais.
A exemplo do que ocorreu com as variáveis percentagem de germi-
nação e percentagem de sobrevivência, o índice de velocidade de emergência
de plântulas de pau-ferro sofreu influência dos fatores substrato e intensidade
de luz quando analisados os substratos formados pelas misturas 1:2 e 1:3
LVA4-EC, com os mesmos obtendo redução significativa nas respectivas
médias apenas em interação com o nível 50% sombreado.
Ainda na Tabela 2, observa-se que o índice de velocidade de emergência
das plântulas decresceu significativamente a medida em que, partindo do
substrato LVA, aumentou a proporção do esterco caprino na composição do
substrato, sendo este decréscimo verificado até a mistura do tipo 1:2
LVA-i-EC, não mais decrescendo e até mesmo estabilizando-se na mismra
do tipo 1:3 LVA-f-EC. Fato este observado para ambos os níveis de
intensidade de luz em interação com os substratos utilizados.
A análise da variância revelou efeito significativo da interação entre os
fatores substratos e recipientes sobre o índice de velocidade de emergência
de plânmlas de pau-ferro (Tabela la).
De acordo com a Tabela 3, verifica-se que as médias obtidas para o
índice de velocidade de emergência de plântulas de pau-ferro não apresen-
taram diferença significativa entre os tamanhos de recipiente quando em
associação com quaisquer dos substratos.
Tabela 3 - Valores médios do índice de Velocidade de Emergência de plântulas de pau-ferro
Caesalpinia leiostachya Ducke, em função da interação avaliada.
Recipientes
LVA
Substratos
LVA+EC(1;1) LVA+EC(1:2)
LVA+EC(1:3)
Pequeno
l,91aA
l,51aB
l,04aC
0,96aC
Médio
l,79aA
l,43aB
l,14aC
LlOaC
Grande
l,69aA
l,40aB
l,14aC
1.14aC
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e pela mesma letra maiuscula na
horizontal não diferem significativamente entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de
probabilidade.
299
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 12(2), 1996
Em todos OS tamanhos de recipientes utilizados o LVA promoveu a mais
alta média de velocidade de emergência de plântulas, sendo significativamen-
te superior aos demais substratos. Dentre as misturas utilizadas como
substrato a do tipo 1:1 LVA + EC foi a que obteve melhor resposta para esta
variável. As misturas 1:2 e 1:3 LVA + EC não apresentaram diferenças
significativas entre as médias obtidas.
A análise da variância revelou efeito significativo da interação entre os
fatores recipientes e intensidades de luz sobre as variáveis percentagem de
sobrevivência (Tabela 2a) e índice de velocidade de emergência de plântulas
de pau-ferro (Tabela la).
Na Tabela 4, observa-se que a sobrevivência das plantas de pau-ferro,
quando conduzidas em recipiente pequeno, sob o nível pleno-sol foi maior
que aquela obtida pelo sombreamento. O mesmo ocorrendo em relação ao
recipiente médio. Os níveis de intensidade de luz não apresentaram diferença
significativa entre si quando associados ao recipiente grande.
Tabela 4. Valores médios da percentagem de Sobrevivência e do índice de Velocidade de
Emergência de plantas de pau-ferro Caesalpinia leiostachya Ducke, em função da interação
avaliada.
Intens. de Luz
Pequeno
Recipientes
Médio
Grande
Sobrevivência (arc sen Õx%)
Pleno-sol
74,32aAB
(92,69)
77,81aA
(95,53)
69,89aB
(88,18)
50% somb.
65,79bAB
(83,18)
63,07bB
(79,49)
70,3 laA
(88,64)
índice de Velocidade de Emergência
Pleno-sol
1 ,46aA
l,32aA
l,41aA
50% somb.
l,25bB
l,41aA
l,27aAB
Médias de uma mesma variável seguidas pela mesma letra minúscula na vertical e pela mesma
letra maiuscula na horizontal não diferem entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de
probabilidade.
Médias entre parênteses representam valores originais.
Em relação ao nível pleno-sol, verifica-se que o recipiente médio foi o
que proporcionou o maior percentual de sobrevivência das plantas. No entanto.
300
Influência do substrato, recipiente e intensidade de luz na germinação de sementes
não diferiu significativamente do recipiente pequeno, que por sua vez,
embora tenha atingido um percentual mais alto, não obteve resultado
significativo quando comparado com o recipiente grande.
No nível 50% sombreado, a percentagem de sobrevivência mais alta foi
observada no recipiente grande, não havendo contudo, diferença significa-
tiva quando comparada com aquela obtida no recipiente pequeno. Porém,
este último não diferiu significativamente do recipiente médio que obteve a
percentagem mais baixa.
A maior velocidade de emergência de plântulas de pau-ferro conduzidas
em recipiente pequeno foi observada quando houve a incidência direta dos
raios solares, sendo significativamente superior ao índice obtido pelo
sombreamento de 50%. Os demais recipientes não apresentaram diferença
significativa entre as médias quando em interação com os níveis de
intensidade de luz.
Observa-se ainda na Tabela 4 que no nível pleno-sol não houve
diferença significativa entre as médias do índice de velocidade de emergência
de plântulas para todos os tamanhos de recipiente.
CONCLUSÕES
Os melhores resultados advindos deste estudo foram obtidos através da
semeadura realizada em substrato Latossolo Vermelho-amarelo, contido em
recipiente pequeno (9,0 x 15,0 cm) e conduzido a pleno-sol.
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OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DA FAMÍLIA SAPINDACEAE JUSSIEU
NOS ESTADOS DE MATO GROSSO, GOIÁS E TOCANTINS
Germano Guarim Neto
COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E FITOFISIONOMIA DA RESTINGA DO
CRISPIM, MUNICÍPIO DE MARAPANIM, PARÁ
Salustiano Viiar da Costa Neto, Maria de Nazaré do Carmo Bastos,
Luiz Carlos Batista Lobato
FITOSSOCIOLOGIA DE MATAS CILIARES NO PANTANAL MATO-,
GROSSENSE
Germano Guarim Neto, Vera Lucia M. S. Guarim,
Edson C. C. de Moraes, Lúrnio A. Dias Ferreira
AVALIAÇÃO DAS POPULAÇÕES NATIVAS DE AÇAIZEIRO EUTERPE
OLERACEA NA COMUNIDADE DO RIO MARAJOÍ, MUNICÍPIO DE
GURUPÃ (PA)
SandroA.J. Mesquita, Mário Augusto G. Jardim
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DE FRUTOS E GERMINAÇÃO DE
SEMENTES DE ESPÉCIES ARBÓREAS NATIVAS DA AMAZÔNIA
Ima Célia Guimarães Vieira, Nancy Galvão, Nelson de Araújo Rosa
151-160
161-181
183-205
207-226
227-238
237-249
251-263
265-269
271-288
INFLUÊNCIA DO SUBSTRATO, RECIPIENTE E INTENSIDADE DE LUZ
NA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE PAU-FERRO CAESALPINIA
LEIOSTACHYA DUCKE
Martinho Alves de Andrade Júnior, Daniel Duarte Pereira,
Genaro Viana Dornelas, Elson Soares dos Santos
289-302
0
Braal
EM ACAO
SciELO
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