BOLETIM DO
ISSN 0077-2216
.<àM
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência c Tecnologia - MCT
Ministro - Ronaldo Mota Sardenherg
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico c Tecnológico - CNPq
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Museu Paraense Emílio Gocldi - MPEG
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Diretor Adjunto de Pesquisa - David C. Oren
Diretor Adjunto de Difusão Científica - Antonio Carlos Lobo Soares
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Editor-Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Equipe Editorial - Lais Zumero, Socorro Menezes, Iraneide Silva, Elniinda Santana
Editoração Eletrônica - Hailton Santos
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Warwick E. Kerr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto nacional de Pesquisas da Amazônia
© Direitos de Cópia/Copyright 1999
por/by MCT/CNPq/Museu Goeldi
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DOAÇAO
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ISSN 0077^21é*
•'«-WUCA
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
d
Série
BOTÂNICA
Vol. 14(1)
Belém - Pará
Julho de 1998
cm
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SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
MCT/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 - Fones: Parque (091) 249-1233,
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CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1 894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1 896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this
publication.
Accreditcd with the International Associaüon for Plant Taxonomy (lAPl’)
for the purpose of registration of all new plant names
CDD: 583.323
OBSERVAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A
BIOLOGIA FLORAL DE CYNOMETRA
BAUHINIIFOLIA BENTHAM (CAESALPINIACEAE)
Aldaléa Sprada Tavares^
Filomena Ferreira Santiago^
Léa Maria Medeiros Carreira'^
RESUMO - O trabalho apresenta considerações preliminares sobre a
morfologia, biologia floral e palinologia de Cynometra bauhiniifolia
Bentham no Campus do INPA em Manaus.
PALAVRAS CHAVE: Caesalpinaceae, Polinização, Biologia floral.
ABSTRACT - This paper discusses some aspects of the morphology,
reproductive biology and palynology of Cynometra bauhiniifolia
Bentham, found at the INPA Campus in Manaus.
KEY WORDS: Caesalpinaceae, Pollination, Reproductive biology.
INTRODUÇÃO
O gênero Cynometra Linneu, pertencente a família
Caesalpiniaceae, é conhecido na Amazônia brasileira com “jutairana”
(Tavares 1 987). Atualmente apresenta-se com 77 espécies, amplamente
' Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Caixa Postal 478, Cep. 690 1 1 -970, Manaus-AM.
^ Universidade do Amazonas, CEP. 69077-000, Manaus-AM.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emflio Goeldi - Dcpto. de Botânica. Pesquisadora. Caixa
Postal 399, Cep 66040-170, Belém-PA.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1). 1998
distribuídas nas regiões tropicais e subtropicais de ambos os hemisfé-
rios (Tavares & Silva 1992). Ocorre, preferencialmente, às margens de
rios e lugares alagados, porém, adapta-se satisfatoriamente quando
introduzido em terra firme. Este gênero, predominantemente amazô-
nico, ocorre desde o México e alcança limites até as regiões úmidas da
Argentina e Chile. Cynometra bauhiniifolia ocorre em toda a Amazô-
nia, florescendo e frutificando várias vezes no ano.
Até então, não havia sido inferido qualquer consideração sobre a
biologia floral do gênero Cynometra. Estudos palinológicos para algu-
mas espécies africanas foram realizados por Erdtman (1952) para
C. alexandri Wright.; Senesse (1980) para C. cloiselii Drake, C. ivalii
Baker, C. commersoniana Baill. e C. madagascariensis Baill. e
Graham & Barker (1981) para C. pedicellata Wild. e C. alexandri
Wright..
Neste trabalho serão apresentadas algumas informações sobre a
morfologia, biologia floral e estudos palinológicos de C.hauhiniifolia,
do Campus do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), na
cidade de Manaus.
MATERIAL E MÉTODOS
Observações concernentes a C. baidiiniifolia foram realizadas no
período de março a maio de 1992, em dois indivíduos introduzidos no
Campus do INPA, Manaus. Foram registradas informações sobre o
hábito da planta, morfologia da flor, horário e duração da antese floral,
insetos visitantes e/ou polinizadores e local de produção de odor da
flor.
Para a identificação e descrição da espécie, seguiu-se a metodolo-
gia clássica aplicada aos trabalhos de taxonômia, tais como, dissecação
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( 1 SciELO
Observações preliminares sobre a biologia floral de Cynometra bauhiniifolia
e mensuração, comparando o material estudado com as diagnoses
originais.
Para detectar a presença de osmóforos, local de produção de odor,
utilizou-se a metodologia de Vogei (1962) e para verificação dos pig-
mentos anti-cor foi utilizado o método de Scogin et al. (1977).
O material botânico foi coletado, identificado e depositado no her-
bário do INPA. Os insetos visitantes da flor foram capturados e
enviados para serem identificados por especialistas do mesmo instituto.
Foram coletados botões florais para identificação dos grãos do
pólen e tratados pelo método da acetólise, segundo Erdtman, modifi-
cado por Salgado-Laboriau (1973).
Para avaliação do tamanho dos grãos de pólen da espécie, utili-
zou-se a classificação de Erdtman (1952).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
/. Morfologia
Cynometra bauhiniifolia Bentham são árvores ou arbustos de 6 -
18 (25) m de altura. Eolhas unijugas, pecíoladas; pecíolo 2-6 mm de
comprimento; folílos ovados, ovado-oblongos a ovados-lanceolados,
coriáceos a cartáceos; lâmina de 0.7 - 4.5 (6) cm de comprimento por
0.5 - 2.5 cm de largura; inflorescências em racemos curtos, 1 - 5.4 cm
de comprimento, normalmente 3-5 racemos por axila; pedicelos 2.5 - 5
(10) mm de comprimento, delgados, subglabros a densamente pubes-
centes. Flores alvas, de 5 - 15 mm de comprimento; cálice, 4 sépalas,
ovado-oblongas, 2 - 3 mm de comprimento por 0.5 - 3.5 mm de largura,
glabras; corola, 5 pétalas, lanceoladas, 2 - 5 mm de comprimento por
0.5 - 1 .5 mm de largura; androceu com 10 estames, dialistemone, filetes
(2) 4 - 9 mm de comprimento, glabros; anteras ovais com deiscência
rimosa; gineceu, ovário arredondado a ligeiramente oblongo, 1 - 2.5
mm de comprimento por 0.8 - 1.5 mm de largura, completamente
pubescente; estilete único, ligeiramente curvado com estigma capitado.
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Observações preliminares sobre a biologia floral de Cynometra bauhiniifolia
Fruto, legume, carnoso, indeiscente, pedunculado, superfície verru-
cosa, velutino (Figura 1).
2. Biologia floral
Cada planta apresentou diariamente várias flores abertas e, no
espaço decorrente de um dia, ocorreu a antese das flores e a
polinização.
A antese deu-se no período da manhã, entre 7-8 horas. Neste
período detectou-se um odor putrefato e a presença freqüente de
Ornidia obesa Fabr., da família Syrphidae. Visitantes raros são moscas
da família Milichiidae e abelhas do gênero Melipona seminigra
merrillae Cock. Marques-Souza (1993), estudando o pólen coletado
por cinco tipos de Meliponineos no Campus do INPA, constatou que
somente no mês de agosto a espécie Cynometra bauhiniifolia foi visi-
tada por Trigona williana Friese, para qual apresentou um índice baixo
de pólen, com apenas 0,5%, considerada pelo autor uma ladra de pólen
ou um polinizador casual. Tal índice contrasta com outro indivíduo da
mesma família, como Cassia sp, que apresentou 16,2% considerada
com um alto índice de atratividade (Marques-Souza 1993). É relevante
salientar que as colméias instaladas ficavam praticamente ao lado da
planta de Cynometra bauhiniifolia, a qual coloca a disposição um bom
suprimento polínico várias vezes ao ano.
Observou-se que a maior freqüência de visitas dos insetos deu-se
pela manhã, diminuindo por volta das 12 horas, quando então, as flores
iniciam o processo de murchamento e o odor é praticamente impercep-
tível sendo a coloração das flores mudadas de alvas para creme.
Aproximadamente 30 dias após a polinização observou-se a presença
de vários frutos maduros.
Utilizando-se o teste do vermelho neutro (Vogei 1962) foi obser-
vado que as bordas e a base das pétalas, bem como alguns pontos dos
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estames e pedicelos evidenciavam osmóforos. De acordo com Pijl &
Dodson (1969) apiid Sazima (1978), plantas miófilas possuem flores
regulares, simples, abertas e geralmente de cor clara e opaca, apresen-
tando normalmente guias para nectários, odor imperceptível, néctar de
acesso fácil e órgãos sexuais expostos.
As moscas possuem olfato e, no seu dia a dia precisam identificar
duas categorias de odores: flores perfumadas como atrativo alimentar,
ricas em óleos essenciais e, outras com aroma de carne fresca ou com
odor de carniça (Barth 1991).
Segundo Bertin ( 1 989) dois tipos de flores polinizadas por moscas
(Diptera) são geralmente conhecidos. Um caracterizado por flores
pequenas, abertas, não especializadas, geralmente foscas ou levemente
coloridas, algumas com guias marcados. O outro, por flores especiali-
zadas, tipicamente verdes, púrpuras ou marrons, em que os visitantes
não recebem recompensa e são atraídos por odores de carniça. Por
outro lado, plantas sapromiófilas, polinizadas por moscas saprófilas,
possuem flor de simetria radial e freqüentemente com armadilha. Sua
coloração é escura e opaca, marrom, vinácea ou esverdeada e sem guias
para nectários mas, ocorrendo pontos escuros e, freqüentemente, exis-
tem apêndices ou pêlos móveis. O odor é putrefato, raramente havendo
néctar e os órgãos sexuais são geralmente abrigados dentro da flor
(Faegri & Pijl 1971).
C. bauhiniifolia apresenta características intermediárias quando
comparada com as definições citadas, pois, possuem flores de simetria
radial, órgãos sexuais expostos, do tipo escova, pétalas alvas a leve-
mente opacas, ausência de néctar e com odor bastante perceptível de
carniça. De acordo com as características apresentadas pela espécie,
fica difícil delimitar as síndromes de miofilia e sapromiofilia, fato este,
também constatado por Sazima (1978) para Bulbophyllwn
warmingianum Cong. (Orchidaceae).
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Observações preliminares sobre a biologia floral de Cynometra bauhiniifolia
Os grãos de pólen de C. bauhiniifolia, segundo a classificação de
Salgado-Labouriau (1973), são isopolares, de simetria radial, ambtri-
angular, forma subprolata, 3 (4)-colporados, parassincolpados, de
superfície psilada-baculadal. Os colpos são de comprimento médio e a
endoabertura é circular. Considerando-se o tamanho dos grãos de
pólen, os mesmos tiveram uma faixa de variação de tamanho médio
apresentando as seguintes dimensões:
P = 30,5 + 0,8 (28 - 33) pm; E= 26,5 + 0,6 (25 - 29) pm; P/E= 1,15;
NPC= 345 (445).
A sexina tem a mesma espessura da nexina, 0,7 mm, nos apocol-
pos e diminui de espessura à medida que se aproxima dos colpos. O teto
é levemente ondulado.
Erdtman (1952), descreveu sucintamente o pólen de Cynometra
alexandri como grãos 3-colporados, prolatos, de superfície subpsilada,
baculada e com a sexina tão espessa quanto a nexina.
Graham & Baker (1981) comentaram que nos grãos de pólen de
C. pedicellata e C. alexandri ocorrem a presença de estrias e que este
caráter pode determinar afinidades entre as espécies das tribos Amhers-
tieae e Detarieae.
Senesse (1980), estudando os polens de C. cloiselii, C. ivallii,
C. commersoniana e C. niadagascariensis para Madagáscar, descre-
veu-os como 3-colporados, isopolares, com exina muito verrucosa e
endoabertura de subcircular a circular.
Os grãos de pólen de Cynometra hauhiniifolia quando compara-
dos aos de algumas espécies africanas, podem apresentar,
principalmente, diferenças na superfície da sexina, no número de col-
pos, tendo raramente quatro e na forma da endoabertura.
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VOGEL, S. 1962. Duftdrusen im Dienste der Bestaubung. Akad. Wiss. Abh. Math. -
Naturwiss. kl. 10: 599-763.
Recebido em: 10.01.97
Aprovado em: 06.06.97
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CDD 583.32
TRATAMENTOS ESCARIFICADORES EM
SEMENTES DURAS DE SETE LEGUMINOSAS
NATIVAS DA ILHA DE MARACÁ, RORAIMA, BRASIL
Luiz Augusto Gomes de Souza
Marlene Freitas da Silva
/
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RESUMO - Para superar a dormência das sementes duras de sete legu-
minosas nativas da Ilha de Maracá (RR), foram aplicados tratamentos
escarificadores com fins de romper a impermeabilidade do tegumento.
As espécies estudadas foram: Acosmium nitens, Bauhinia ungulata,
Cassia moschata, Entada polystachya, Ormosia coarctata, Ormosia
flava, e Ormosia smithii. Os tratamentos empregados variaram entre as
espécies, sendo testados: escariftcação mecânica manual, escarificação
química com ácido sulfúrico e choque térmico com água quente. Após o
tratamento escarificador, as sementes foram semeadas entre areia e os
registros de emergência das plântulas foram efetuados a cada dois dias.
Os parâmetros considerados na avaliação foram a% de germinação e o
índice de Velocidade de Emergência (IVE). Os resultados experimentais
demonstraram que a escarificação das sementes das espécies estudadas,
mostrou-se necessária para superar o atraso e desuniformidade na ger-
minação. Dentre os tratamentos testados, a escarificação mecânica,
feita no lado oposto ao da emissão da radícula, promoveu as maiores ta-
xas de germinação e emergência das plântulas de Cassia moschata e
Entada polystachya. Para as outras espécies, os melhores resultados fo-
ram obtidos utilizando-se ácido sulfúrico concentrado por tempos de
imersão variáveis: 10 minutos para Ormosia flava e Ormosia smithii; 75
minutos para Ormosia coarctata e 20 minutos para Acosmium nitens e
Bauhinia ungulata. O choque térmico aplicado com água a 100°C, em
algumas das espécies, não favoreceu a superação da dormência.
' INPA/CPCA. Caixa Postal 478. Ccp 69.01 1-970 - Manaus, AM.
^ UTAM/CEPEF. Av. Darcy Vargas 1 .200. Cep 69055-970 - Manaus, AM.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 14(1), 1998
PALAVRAS-CHAVE: Sementes, Dormência, Germinação, Leguminosae.'
ABSTRACT - In order to eliminate donnancy of hard seeds of seven
native Leguminosae from Maracá Island (RR), scarification treatments
were applied to break the tegument impermeability. The species studied
were: Acosmium nitens, Bauhinia ungulata, Cassia moschata, Entada
polystachya, Ormosia coarctata, Ormosia flava, and Ormosia smithii.
The treatments utilized, with some variation, were: manual mechanical
scarification, Chemical scarification with sulfuric acid, and thermal
treatment with hot water. After scarification treatment, the seeds were
sown in sand and seedling emergence was recorded every two days. The
parameters utilized in evaluation were the % of germination and the
Index of Emergence Velocity (IVE). Seed scarification was found to be
necessary to eliminate the delay and lack of uniformity in germination of
species studied. Among the treatments tested, the mechanical
scarification, applied opposite to the side of radicle emission, promoted
the best germination rates and seedling emergence of Cassia moschata
and Entada polystachya. With the other species, the best effects were
obtained utilizing sulfuric acid concentrate for different times of
immersion: 10 minutes for Ormosia flava and Ormosia smithii,- 75
minutes for Ormosia coarctata and 20 minutes for Acosmium nitens and
Bauhinia ungulata. The thermal treatments using hot water at I00°C,
utilized for some species, were not efficient in breaking seed donnancy.
KEY WORDS: Seeds, dormancy, germination, Leguminosae.
INTRODUÇÃO
A dormência na.s sementes é identificada quando em condições
favoráveis de luz, umidade, temperatura e aeração, a taxa de germina-
ção observada é baixa, atrasada e irregular. A causa pode ser
tegumentar ou embrionária, resultando na dormência física ou fisioló-
gica. A dormência tegumentar é um método natural de preservação
resultante de interações ambientais e propriedades hereditárias da
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
planta. Carneiro (1968), considera que uma das vantagens da dormên-
cia é que as sementes ficam menos sujeitas ao ataque de organismos
patogênicos do solo.
As sementes que apresentam tegumento duro podem ou não serem
impermeáveis. A dureza está relacionada com o tegumento coriáceo ou
com a natureza das estruturas que recobrem o embrião, que resultam na
redução da germinação, pela dificuldade na hidratação das estruturas
internas. A baixa germinação, em alguns casos, é atribuída a impermea-
bilidade do tegumento à água ou gases. Superada a impermeabilidade,
o tegumento rígido pode, também, funcionar como um impedimento
mecânico à expansão do embrião como pode ocorrer com a castanha do
Brasil {Bertholletia excelsa H.B.K.), verificado por Muller (1982).
A germinação natural de sementes duras ocorre após o pericarpo
ser danificado por abrasão mecânica, degradação microbiana, flutua-
ções de temperatura, ou passagem através do tubo digestivo de animais
(Garwood 1986). O amolecimento artificial do tegumento externo das
sementes pode também reduzir o período de dormência e acelerar e uni-
formizar a germinação. O efeito é mais pronunciado em espécies que
requerem longo tempo para germinar, quando não são tratadas. Como
as espécies apresentam grande variabilidade entre si, entre indivíduos e
entre sementes de uma mesma árvore, há necessidade de se estabelecer
métodos adequados para se obter boa germinação para cada uma delas.
A estrutura do tegumento modifica-se com o aquecimento úmido
ou seco à temperaturas variáveis segundo a espécie, seguido pela
entrada de água para o interior da semente (Vasquez-Yanes 1976). A
entrada da água pode em muitos casos levar a uma menor rigidez do
tegumento, permitindo a abertura de fendas que serão rompidas com a
expansão celular promovida pela retomada de crescimento do embrião,
fenômeno relacionado ao início dos processos germinativos (Popinigis
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1977). Pré-tratamentos com ácido ou água quente podem ser utilizados
para superar a dormência de espécies com tegumento duro.
A maioria dos métodos propostos para superar a dormência de
leguminosas baseia-.se na degradação da camada cuticular cerosa que
recobre a semente, ou na formação de estrias e fissuras no tegumento,
possibilitando a absorção de água (Carneiro 1968; Vastano et al. 1983;
Barbosa et al. 1984) etc. A ruptura do tegumento seguida da embebição
dá início ao processo germinativo.
A ocorrência de sementes com tegumento duro é considerada fre-
qüente em leguminosas (Almeida et al. 1979; Bianchetti 1981b;
Garwood 1986). Entretanto, a ocorrência de tegumento resistente não é
restrita a esta família de plantas. Reis et al. (1980), estudaram a germi-
nação de 32 essências florestais e verificaram que 18 espécies
apresentavam algum mecanismo de dormência que controlava a
germinação.
Estudos sobre a germinação natural de leguminosas da Amazônia
efetuados por Silva et al. (1988), indicaram que sete, dentre 10 e.spé-
cies, enquadraram-se nos padrões de germinação realizada em período
curto (menos de 60 dias). Por outro lado, inúmeras pesquisas têm enfa-
tizado a necessidade de escarificação de sementes em leguminosas.
Dentre as leguminosas florestais cuja dormência de sementes foi asso-
ciada a tegumento impermeável estão: Cassia granclis (Ledoux &
Lobato 1969); arapiraca - Pithecellobium parvifolium, canafístula -
Cassia excelsa e angico-de-bezerro - Piptadenia obliqua (Souza et al.
1980); bracatinga - Mimosa scabrella (Bianchetti 1981a); jatobá -
Hymenaea coiirbaril e jutaí-mirim - Hymenaea parvifolia (Carpanczzi
& Marques 1981); angelim pedra - Dinizia excelsa (Vastano Junior et
al. 1983); a\garohix - Prosopis juliflora (Bakke & Gonçalves 1984); vis-
gueiro - Parkia pendula (Barbosa et al. 1984), muirajuba - Apiileia
leiocarpa (Souza et al. 1994), e outras.
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
Almeida et al. (1979), avaliaram os efeitos de métodos escarifica-
dores na germinação das sementes de 5 leguminosas forrageiras
tropicais {Calopogonium mucimoides, Centrosema pubescens, Glycine
wightii, Macroptilium atropurpureum e Pueraria phaseoloides) e, veri-
ficaram que o poder germinativo destas espécies foi muito baixo,
quando não escarificadas. Outros fatores também podem acentuar a
dormência das sementes como o beneficiamento e o armazenamento
(Carneiro 1968).
A dureza do tegumento faz com que as sementes de muitas espé-
cies germinem mal. A germinação irregular das sementes que
apresentam tegumento duro dificulta a produção de mudas das espé-
cies. A uniformidade de tamanho das plântulas facilita a aplicação de
tratos culturais, como enxertos, podas, aclimatação pré-plantio e o con-
trole fitossanitário, permitindo também, uma melhor programação das
atividades no viveiro.
Neste trabalho foram aplicados tratamentos pré-germinativos em
sementes de sete espécies nativas da ilha de Maracá, com o objetivo de
determinar o melhor tratamento para superar a dormência de sementes
e obtenção da germinação rápida e homogênea destas espécies.
MATERIAL E MÉTODOS
As leguminosas estudadas foram coletadas nos meses de agosto
de 1987 e fevereiro de 1988, em duas expedições de estudo na ilha de
Maracá, efetuadas pelo projeto “Levantamento da capacidade de nodu-
lação e fixação de Nitrogênio de leguminosas nativas da região de
Maracá-RR, Brasil”.
Foram estudadas .seis espécies arbóreas {Acosmium niíeiis (Vog.)
Yakolev., Baiihinia ungidata L., Cassia moschata H.B.K., Ormosia
coarctata Jacks., Ormosia flava (Ducke) Rudd., e Ormosia smithii
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
Rudd), e um cipó lenhoso {Eiitada polystachya (L.) DC.), todas ocor-
rentes em diferentes habitats da ilha. A identificação das espécies foi
efetuada na CPBO/INPA, e as melhores exsicatas foram incorporadas
ao herbário.
Os frutos foram colhidos diretamente da copa de Cassia moschata
e Ormosia smithii, árvores da mata ribeirinha do rio Santa Rosa.
O mesmo método foi empregado para Entacla polystachya e Bauhinia
ungulata, espécies que erescem em vegetação secundária. A coleta de
sementes no chão em volta da copa de indivíduos adultos foi efetuada
com Ormosia flava, espécie da mata primária homogênea, Ormosia
coarctata, e Acosmiwn nitens que habitam as savanas. Após a coleta, os
frutos foram secos à sombra durante dois dias antes da extração manual
das sementes, exceto para Cassia moschata, cuja extração foi efetuada
com o auxílio de um martelo.
As sementes de Bauhinia ungulata, foram mantidas em recipien-
tes de vidro, vedados, em câmara fria (8-10°C, sem controle externo de
umidade), por 10 meses antes do ensaio. Para as demais espécies o
período de armazenagem das sementes variou entre 7 e 12 dias após a
coleta.
Na Tabela 1 , encontram-se informações gerais sobre as espécies e
caraeterísticas específicas das sementes como umidade, massa, período
de armazenagem, duração dos experimentos, total de sementes semea-
das e capacidade fixadora de Nitrogênio.
O teor de umidade das sementes foi determinado usando-se 3
repetições de 10 sementes por espécie, submetidas à secagem em estufa
a lOSX por 24 horas de exposição, com determinação das massas
envolvidas, antes e depois da secagem e cálculo da porcentagem de
umidade.
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Tabela 1 - Características gerais e informações experimentais de sete espécies Leguminosae nativas da ilha de Maracá, Roraima,
Brasil.
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“ PAP refere-se a Papilionoideae, MIM a Mimosoideae e CAE para Caesalpinioideae.
Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
A aplicação de tratamentos escarificadores nas sementes foi
efetuada no Laboratório de Microbiologia do Solo do INPA/CPCA,
obedecendo-se ao seguinte procedimento:
1 ) Nos tratamentos com ácido sulfúrico concentrado, as sementes
foram mantidas em beckers de vidro e embebidas no tempo estabele-
cido. Após a aplicação do ácido, cada lote foi lavado em água corrente
em peneira de arame até completa extração dos resíduos do ácido e de
tegumento.
2) A escarificação mecânica manual foi efetuada com o auxílio de
um esmeril de aço, e as sementes foram atritadas manualmente na
região oposta ao hilo, sem danificar o embrião.
3) Tratamentos com água quente consistiram em imergir as
sementes em água fervendo, à 100°C, desligando-se a fonte de calor
logo em seguida.
Para todas as espécies incluiu-se um tratamento controle com
sementes não escarificadas. Após aplicação dos tratamentos escarifica-
dores, incluindo a testemunha, as sementes foram embebidas em água
por 24 horas antes da semeadura.
Os tratamentos empregados variaram entre as espécies: para Acoí-
mium nitens, a imersão em ácido sulfúrico por 10, 1 5 e 20 minutos; para
Bauhinia imgulata usou-se a imersão em ácido sulfúrico por 5, 10 e 20
minutos, e imersão em água fervendo; para Cassia moschata, imersão
em áeido sulfúrico por 10, 20 e 30 minutos e escarificação mecânica;
para Entada polystachya empregou-se a imersão em ácido sulfúrico por
5, 10 e 20 minutos, e escarificação mecânica; com Onnosia coarctata
usou-se imersão em ácido sulfúrico por 5, 10 e 15 minutos, escarifica-
ção mecânica e água fervendo; para Onnosia flava, imersão em ácido
sulfúrico por 10 e 20 minutos e escarificação mecânica. Por fim, com
Onnosia smithii foram testados a imersão em ácido sulfúrico por 5, 10,
20 e 30 minutos, escarificação mecânica e imersão em água fervendo.
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
Cada espécie constituiu um experimento havendo variação quanto
ao número de repetições praticadas e quanto ao número de sementes
por repetição: para Acosmium nitens, Bauhinia ungulata e Onnosia
flava foram utilizadas 4 repetições de 10 sementes por tratamento; com
Cassia moschata, Entada polystachya e Onnosia coarctata foram utili-
zadas 3 repetições de 10 sementes por tratamento e com Onnosia
smithii empregou-se 3 repetições de 15 sementes. Para análise dos
resultados considerou-se a média da porcentagem de germinação em
cada tratamento, e o índice de Velocidade de Emergência (IVE) das
sementes, calculado segundo Popinigis (1977). No cálculo, o número
de plantas germinadas a cada dia é multiplicado pelo inverso do número
de dias após o início do teste. Os produtos diários são somados obten-
do-se assim o índice final.
O delineamento estatístico utilizado foi inteiramente casualizado.
As comparações entre tratamentos foram feitas pelo teste de Tukey a
5% de probabilidade. Os dados da percentagem de germinação foram
transformados para valores angulares, antes da análise de variância.
Os experimentos foram instalados sob condições ambientais em
galpão aberto, coberto com telhas de barro. A semeadura foi efetuada a
0,5 cm de profundidade, em sementeiras, utilizando-se areia como
substrato. Cada sementeira consistiu-se de caixas de madeira com 1 2 cm
de profundidade, 50 cm de comprimento e 80 cm de largura. A conta-
gem da germinação foi efetuada a cada 2 dias. Após a semeadura a
superfície da sementeira foi coberta com uma camada de 0,5 cm de
palha de arroz. A irrigação foi diária com auxílio de um regador
plástico.
Apesar de ser a radícula o primeiro órgão a aparecer na germina-
ção, o critério utilizado para considerar uma semente germinada foi a
emergência do caulículo, uma vez que a radícula se desenvolve no inte-
rior do substrato.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
O período de acompanhamento dos ensaios variou entre 3 1 dias
para Bauhinia ungulata a 315 dias para Ormosia smithii (Tabela 1).
O encerramento das observações foi estabelecido pela queda da taxa de
germinação de cada espécie.
RESULTADOS
A aplicação de tratamento escarificadores nas sementes das legu-
minosas estudadas mostrou-se absolutamente necessária para a
obtenção de germinação rápida e homogênea, e superação da dureza do
tegumento. Os resultados obtidos para porcentagem de germinação e
velocidade de emergência das plântulas, cujas sementes foram subme-
tidas a diferentes métodos escarificadores, encontram-se na Tabela 2.
Para melhor entendimento do desempenho de cada espécie estu-
dada torna-se necessário uma análise individual dos resultados
experimentais obtidos.
1. Acosmium niíens (Vog.) Yakolev.
Conhecida regionalmente como “itaúbarana”, suas sementes
quando semeadas sem escarificação apresentaram somente 15% de
germinação, após 50 dias de observações. O uso de ácido sulfúrico
como método escarificador elevou a germinação para 100% quando o
período de imersão correspondeu a 20 minutos. Entretanto, não foram
encontradas diferenças na germinação e velocidade de emergência, em
relação aos tempos testados de imersão no ácido (Tabela 2).
A primeira germinação, do tipo epígea, foi observada aos 7 dias
após a semeadura. O menor período germinativo foi verificado no trata-
mento com ácido por 20 minutos quando as sementes germinaram entre
o sétimo e vigésimo quinto dia após a semeadura.
Material estudado: INPA 156.576.
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Tabela 2 - Efeito de tratamentos escarificadores na porcentagem de germinação (GERM) e índice de Velocidade de Emergência
(IVE) de sete Leguminosas nativas da ilha de Maracá, Roraima, Brasil.
Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
2. Bauhinia ungulata L.
Aos cinco dias após a semeadura foram observadas as primeiras
emergências das plântulas de Bauhinia ungulata. A germinação das
sementes sem escarificação foi de 15% (Tabela 2).
Quando foi usado ácido sulfúrico por períodos de imersão de 10 e
20 minutos, a germinação das sementes ocorreu entre o quinto e o
décimo dia após a semeadura. Pode-se considerar que a imersão em
ácido por 5 minutos, tenha sido insuficiente para promover um nível
ótimo de germinação, por apresentar menor IVE que os tratamentos
que permaneceram maior tempo no ácido. O melhor tratamento foi a
imersão em ácido por 20 minutos, que promoveu a maior velocidade de
emergência, dentre os demais (Tabela 2).
No tratamento com água fervente, as sementes germinaram do
quinto ao vigésimo sexto dia, alcançando o índice de 67,5% de germi-
nação. O IVE, no entanto, foi baixo neste tratamento, inferior ao
processo escarificador com ácido, resultando em menor homogenei-
dade das plântulas. Este tratamento, por sua praticidade, pode ser
empregado em situações onde a quantidade de sementes disponíveis
não seja limitante.
Material estudado: INPA 156.631.
3. Cassia moschata H.B.K.
As sementes desta espécie apresentaram alto grau de dureza e
impermeabilidade do tegumento e no transcorrer do experimento (53
dias), nenhuma delas germinou, no tratamento testemunha. Com a apli-
cação dos tratamentos escarificadores, a emergência das plântulas foi
do tipo hipógea criptocotiledonar, com a germinação sendo registrada
aos sete dias após a semeadura. A espécie apresentou alta resposta ger-
minativa quando submetida à tratamentos de escarificação mecânica de
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
cerca de 10% do tegumento, na região oposta ao hilo (Tabela 2). No
entanto a distribuição da germinação foi longa, entre os 7 e os 47 dias
após a semeadura.
Os tratamentos com ácido também estimularam a germinação de
Cassia moschata. Nestes tratamentos a melhor germinação e emergên-
cia de plântulas foi observada quando as sementes foram submetidas a
escarificação com ácido sulfúrico por 30 minutos, sendo a germinação
distribuída entre o sétimo e o décimo dia após a semeadura, e o IVE foi
comparável ao tratamento com escarificação mecânica.
4. Entada polystachya (L.) DC.
As sementes escarificadas de Entada polystachya, iniciaram a ger-
minação aos 4 dias após a semeadura. No tratamento testemunha, as
sementes apresentaram 20% de germinação durante o decorrer do teste
germinativo (Tabela 2). A escarificação mecânica das sementes propor-
cionou a maior porcentagem de germinação e velocidade de
emergência, respectivamente de 90% e 1,78, com as sementes apresen-
tando um período germinativo de sete dias entre o quarto e décimo
primeiro dia após a semeadura.
A aplicação de ácido sulfúrico por períodos crescentes de 5, 10 e
20 minutos resultou em resposta linear na germinação e velocidade de
emergência das sementes. O melhor tratamento com ácido foi a embe-
bição por 20 minutos. A escarificação ácida com ácido sulfúrico por 5
minutos mostrou-se insuficiente para permitir a germinação satisfatória
das sementes.
Material estudado: INPA 156.632.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
5. Ormosia coarctata Jacks.
As sementes desta espécie sem tratamento escarificador apresen-
taram apenas 10% de germinação mesmo após 180 dias de
acompanhamento (Tabela 2). O choque térmico provocado pelo trata-
mento com água quente também não contribuiu para superar a
dormência das sementes. Por outro lado, a embebição das mesmas em
ácido sulfúrico por 15 minutos, favoreceu a germinação de Ormosia
coarctata bem como a velocidade de emergência das plântulas.
As primeiras emergências em tratamentos escarificadores foram
observadas aos 23 dias após a semeadura. O período germinativo da
espécie foi longo, variando entre 37 e 106 dias após a primeira germina-
ção, para os tratamentos testados, indicando alta dureza do tegumento
das sementes. Quando submetidas a escarificação mecânica, a germi-
nação foi inferior a 50%.
Material estudado: INPA 156.619.
6. Ormosia flava (Diicke) Rudd.
Todos os tratamentos escarificadores utilizados com esta espécie
contribuíram para melhorar a germinação das sementes, comparados
ao tratamento testemunha que apresentou 25 % de taxa germinativa
(Tabela 2). Não houveram diferenças no desempenho de sementes tra-
tadas com ácido por 1 0 e 20 minutos ou escarificadas mecanicamente, e
estes tratamentos podem ser utilizados como pré-germinativos para
esta espécie.
As primeiras emergências das plântulas de Ormosia flava foram
observadas aos 25 dias após a semeadura, sendo o período germinativo
geralmente longo. No tratamento onde as sementes permaneceram por
20 minutos imersas no ácido, a germinação se deu entre os dias 25 e 54
após a semeadura.
Material estudado: INPA 156.941.
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
•ibliotíca
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7. Ormosia smithii Rudd.
Mesmo semeadas poucos dias após a colheita, as sementes de
Ormosia smithii que não foram submetidas a tratamentos escarificado-
res apresentaram germinação muito baixa (2,2%), com a primeira
emergência das plântulas sendo observada apenas aos 125 dias após a
semeadura. A dormência das sementes também não foi superada por
choque térmico com água fervente a 100°C, sendo que neste tratamento
nenhuma semente germinou durante o período experimental.
A escarificação química foi a que mais favoreceu a emergência
das plântulas, com as sementes germinando a partir dos 19 dias após a
semeadura, com a maior taxa germinativa sendo atingida com a escari-
ficação ácida das sementes por 10 minutos de exposição em HoS 04 .
Porém, a imersão no ácido sulfúrico por apenas cinco minutos apresen-
tou tendências de uma menor eficiência na superação da dormência das
sementes desta espécie (Tabela 2). O menor período germinativo foi
observado no tratamento de imersão por 20 minutos em ácido, quando
as sementes germinaram dos 19 aos 52 dias. Por outro lado, não ficou
demonstrado que a escarificação mecânica das sementes possa resultar
em altas taxas de germinação para esta espécie, já que, mesmo com o
desgaste por atrito de parte do tegumento, este tratamento não foi ade-
quado o suficiente para superar sua dureza.
DISCUSSÃO
A vantagem da utilização de métodos escarificadores antes da
semeadura está no aumento, abreviação e uniformidade da germinação
das sementes. Nas sementes duras o tegumento impede a absorção de
água e sua ruptura é seguida de embebição e início da germinação
(Bianchetti 1981). Por provocarem danos ao tegumento, os tratamentos
pré-germinativos estimulam, na presença de água, a re-hidratação do
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1). 1998
embrião e o metabolismo das sementes, iniciando o processo germina-
tivo (Popinigis 1977). Os tratamentos que danificam o tegumento,
aumentando a porcentagem de germinação e índice de Velocidade de
Germinação, são um indicativo de que as causas da dormência são
tegumentares.
Quando a semeadura foi efetuada sem escarificação das sementes,
a germinação variou de zero para Cassia moschata até 25% com
Ormosia flava (Tabela 2). Para incremento da germinação, a aplicação
de ácido sulfúrico por 20 minutos mostrou-se altamente benéfica para
seis das espécies estudadas, sendo que a máxima germinação obtida foi
verificada para sementes de Acosmium nitens submetidas a este
tratamento.
A velocidade de emergência das plântulas variou entre as espécies
e os tratamentos empregados. O maior índice ( 1 ,74), foi observado em
Bauhinia ungulata quando embebida em ácido por 20 minutos. Aguiar
(1984), recomenda o uso do índice de velocidade de germinação para
avaliar a qualidade das sementes florestais, por reunir num único
número a capacidade e velocidade de germinação, com a vantagem de
permitir comparações diretas e mais objetivas do desempenho germi-
nativo. Dentre as 10 espécies de leguminosas estudadas por Silva et al.
(1988), o maior índice de Velocidade de Emergência observado foi o de
“tachi-preto” {Tachigalia paniculata), que atingiu o índice de 2,39.
Deve-se considerar entretanto, que o número de sementes semeadas em
cada ensaio, tem influência direta nos diferentes índices obtidos, e eles
são mais úteis para estabelecer comparações entre tratamentos de um
mesmo ensaio.
Neste trabalho, dentre os métodos testados foi observado que a
escarificação ácida do tegumento se destaca em relação a escarificação
mecânica ou ao choque térmico. De fato, a escarificação de sementes
com ácido sulfúrico é um método rápido, conhecido e muito
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
empregado. O tempo de escarificação com ácido sulfúrico variou entre
as espécies testadas (Tabela 2), e os melhores resultados foram registra-
dos por tempos de imersão de 10 minutos {Ormosia flava e Ormosia
smithii), 15 minutos (Ormosia coarctata), e 20 minutos (Acosmiurn
nitens e Bauhinia ungulata). Foi também observado que sementes das 3
espécies do gênero Ormosia permaneceram intactas na areia após o
teste de geminação, o que pode indicar insuficiente ação escarificadora
dos tratamentos empregados, na obtenção da permeabilidade das
sementes, dado a sua elevada resistência e dureza.
Garwood (1986), estudou a germinação de sementes de Ormosia
macrocalyx e O. coccinea e verificou que quando semeadas logo após a
coleta estas espécies tiveram a germinação incrementada pela escarifi-
cação com ácido sulfúrico, por 5 minutos.
A escarificação ácida tem sido recomendada para pequenas quan-
tidades de sementes, ou quando seja imprescindível maximizar a
germinação, como na conservação de germoplasma “ex situ”, por
exemplo. O tratamento ácido pode ser importante no manuseio de
sementes com alto valor genético ou comercial (Bakke & Gonçalves
1984), e também tem sido empregado para avaliar o desempenho de
outros métodos escarificadores de sementes (Carpanezzi & Marques
1981). Porém, convém lembrar que o ácido sulfúrico é muito corrosivo
e seu manuseio deve ser feito com muito cuidado.
Bakke & Gonçalves (1984), utilizaram ácido sulfúrico para supe-
rar a dormência das sementes de “algaroba” (Prosopis juliflora),
embora tenham encontrado neste método, os melhores resultados para
germinação, o recomendam somente para mão de obra especializada,
pelo perigo de manuseio. Na extensão rural, usar água quente ou escari-
ficação mecânica pode ser prático, porém, são métodos escarificadores
que produzem efeitos intermediários, sendo indicado para quando há
grandes quantidades de sementes.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., I4( I). 1998
Por outro lado, embora o ácido possa ser inconveniente pela peri-
culosidade que oferece, é compensado pela certeza e rapidez dos
resultados. Sua vantagem está na ação distribuída na superfície da
semente, aumentando a área e velocidade de embebição do embrião
(Barbosa et al. 1984).
Ao avaliarem tratamentos para superação de dormência de semen-
tes de leguminosas forrageiras tropicais, Almeida et al. (1979)
observaram que todos os métodos escarificadores melhoraram a germi-
nação das sementes. Mas, o uso do ácido sulfúrico em diferentes
tempos de imersão se sobressaiu por ser o mais eficiente para todas as
espécies. Já Figliolia & Silva ( 1 982) utilizaram este produto para estu-
dar a germinação da leguminosa Peltophorwn dubüim e observaram
que as aplicações com ácido não se mostraram eficientes, o que foi atri-
buído a diferentes graus de impermeabilidade apresentado pelas
sementes, provocando diferenças entre espécies e entre sementes de um
mesmo lote.
A escarificação mecânica das sementes também mostrou-se eficaz
na superação da dormência das sementes de Entada polystachya e
Cassia moschata. Trata-se de um método prático e de fácil aplicação
quando as semente são volumosas. Entretanto, foi verificado dentre as
três Ormosia estudadas que somente em Ormosia flava este tratamento
induziu germinação superior a 50% (Tabela 2). Com as duas outras
espécies a germinação foi menor e mal distribuída.
Nas três espécies onde se testou o uso de água quente, os efeitos
sobre o tegumento das sementes não foi tão pronunciado quanto a esca-
rificação ácida ou mecânica. As sementes de Ormosia smithii
submetidas a água quente não germinaram no período experimental
(Tabela 2). Este tratamento, também, não foi eficiente com
O. coarctaía, mas teve efeito positivo na germinação de Bauhiiiia
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Tratamentos escarificadores em sementes duras de sete leguminosas
ungulata, embora não superior aos outros tratamentos com efeito esca-
rificador mais agudo.
Outros estudos têm demonstrado efeitos favoráveis ao choque tér-
mico na germinação de sementes de leguminosas. Vastano Junior et al.
(1983), trataram sementes de “angelim-pedra” {Dinizia excelsa) com
água a 80°C por 2,5 minutos e obtiveram 61% de germinação. Deve-se
considerar que o tratamento com água quente utilizado neste ensaio,
trata-se de um tratamento moderado. Abrão & Dias (1978) recomen-
dam para obtenção de alta germinação em “acácia negra” {Acacia
meamsii) a imersão em água fervente por 10-20 minutos o que propor-
ciona índices de germinação de 79%, para esta espécie. Entretanto,
sementes de Erythrina costaricensis tratadas com água quente
80-85°C, por 30 segundos, aos 12 meses de armazenagem, não germi-
naram quando semeadas em turfa (Garwood 1986).
Finalmente, é importante salientar que os parâmetros utilizados
para interpretação dos resultados, se mostraram adequados para estabe-
lecer comparações, e indicar um método escarificador de sementes para
as espécies estudadas.
CONCLUSÕES
Foi demonstrado que a escarificação com ácido sulfúrico concen-
trado por períodos de imersão de 10 minutos (Onnosia flava e Ormosia
smithii), 15 minutos {Ormosia coarctata) ou 20 minutos {Acosmiiim
nitens e Bauhinia ungulata), seguida da embebição em água por 24
horas, pode ser utilizada para incrementar a germinação das sementes
destas espécies.
A escarificação mecânica, feita no lado oposto ao da emissão da
radícLila, seguida da imersão em água por 24 horas antes da semeadura
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pode ser utilizada em sementes de Cassia moschata e Entada
polystachya.
O choque térmico aplicado com água a lOO^C, em algumas das
espécies, não favoreceu a superação da dormência, porém, pode ser uti-
lizado como tratamento intermediário na germinação de sementes de
Bauhinia ungidata.
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Recebido: 07.06.94
Aprovado; 22.10.97
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CARACTERIZAÇÃO ESTRUTURAL DE
POPULAÇÕES NATIVAS DE PALMEIRAS
DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
Mário Augusto G. Jardim^
Asemar Carlos da Costa Cunha~
RESUMO - Inventariou-se áreas com 3,5 ha na Ilha do Combu, municí-
pio de Acará e 2,5 ha na Ilha da Conceição, município de Limoeiro do
Ajiiru, no Estado do Pará, Brasil, onde foram mensurados todos os indi-
víduos com altura > a Im e D AP (diâmetro a altura do peito) > a 3 cm e
calculou-se os seguintes parâmetros: abundância, frequência e domi-
nância relativas. Os resultados mostraram a espécie Euterpe oleracea
Mart. com maiores índices de abundância, frequência e dominância re-
lativa nas duas áreas estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Palmeiras, Análise Estrutural, Estuário.
ABSTRACT - Inventories of palm species were made in 3,5 ha in the
Combu Island, Acará country and 2,5 ha in the Conceição Island,
Limoeiro do Ajuru country, Pará State, Brazil. Only the individuais
> Im height and > 3 cm Dbh (diameter at breast height) were measu-
red. The stnictural analysis considered the abundance, frequence and
relative dominance. The results showed that the species Euterpe olera-
cea Mart. was the most frequent and abundant and had the highest
relative dominance in two areas studied.
KEY WORDS: Palins, Structure Analysis, Estuary.
' PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Gocldi. Dcplo. de Botânica - Pesquisador, Caixa Postal
399, CEP 66040-170, Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. de Botânica - Bolsista PIBIC, Caixa
Postal 399, CEP 66040-170, Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
INTRODUÇÃO
O estuário amazônico caracteriza-se pela grande diversidade de
espécies vegetais, onde as palmeiras desempenham funções específicas
na estrutura dos ecossistemas de várzea, apresentando dominância de
poucas espécies (Anderson et al. 1985). Isto pode ser explicado pelas
condições edáficas dos solos hidromórficos, que impõem restrições ao
desenvolvimento de algumas espécies, por apresentarem textura argi-
losa e drenagem deficiente. Apenas espécies adaptadas que apresentam
estruturas especiais, tais como; pneumatóforos, raízes aéreas, sapope-
mas e lenticelas, são capazes de se desenvolverem no ambiente peculiar
das várzeas no estuário amazônico (Kahn & Castro 1985, Kahn 1986;
De Granville 1978).
Poucos são os estudos que versam sobre a estrutura dos ecossiste-
mas de várzea, incorrendo em sérias dificuldades para um perfeito
entendimento da dinâmica de suas populações. Em geral, caracteri-
zam-se por apresentar uma diversidade relativamente baixa e vegetação
especializada, tolerante às inundações freqüentes e com a capacidade
de se reproduzirem agamicamente como ocorre com algumas espécies
do estuário amazônico (Ducke & Black 1954, Lima 1959; Pires &
Prance 1984).
A análise estrutural caracteriza um avanço para a compreensão
dos fatores bióticos, fisiológicos, edáficos e climáticos, que juntos con-
correm para a manutenção do equilíbrio dinâmico destes ecossistemas.
O presente estudo objetiva caracterizar a estrutura de populações
nativas de palmeiras na Ilha do Combu, município do Acará e na Ilha da
Conceição, município de Limoeiro do Ajuru, no Estado do Pará.
METODOLOGIA
O trabalho de campo foi realizado em duas áreas: Ilha do Combu,
Município do Acará, situado a 1,5 km de Belém, Pará a margem
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Caracterização estrutural de populações nativas de palmeiras
esquerda do rio Guamá, a uma latitude de T 25’ Se longitude 48° e
25’ W e no município de Limoeiro do Ajuru a452 km de Belém, ambas
por via fluvial. Foi realizada a análise estrutural em comunidades de
palmeiras nativas, compreendendo uma área de 3,5 ha na Ilha do
Combu e 2,5 ha na Ilha da Conceição. As áreas foram demarcadas e
consideradas as espécies de palmeiras com altura superior ou igual a
Im e diâmetro à altura do peito (DAP) superior ou igual a 3cm. Efetu-
ou-se a análise dos dados obtidos em campo e calculou-se a dominância
relativa, a freqüência relativa e a abundância relativa das espécies, atra-
vés do Programa FITOPAC, desenvolvido pelo Prof. Dr. George John
Sheperd do Instituto de Biologia da UNICAMP-SP.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise estrutural na Ilha do Combu determinou a espécie
Eiiterpe oleracea Mart. com maior abundância, freqüência e dominân-
cia relativa em comparação com as espécies Geonoma sp.,
Astrocarywn murumurii Mart., Iriarthea exorrizha Wendel., Bactris
major Mart. e Raphia taedigera Mart. (Figura 1).
Os resultados obtidos na Ilha da Conceição em Limoeiro do Ajuru
mostram que a espécie Euterpe oleracea Mart. também predomina em
termos de abundância, freqüência e dominância relativa, quando com-
parada com Mauritia flexiiosa Mart., Manicaria saccifera Mart,
Raphia taedigera Mart., Iriarthea exorrizha Wendel., Geonoma sp.
(Figura 2).
A diversidade relativamente reduzida é uma característica da
vegetação de várzea, onde algumas espécies destacam-se a nível de
dominância, freqüência e abundância relativa, relacionada a fatores
como clima, solo, temperatura e umidade, que são determinantes na
estrutura dos ecossistemas de várzea e condicionam a ocorrência das
espécies de palmeiras (De Granville 1974, 1978).
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Fiaura 1 - Análise estrutural em 3,5 hectares na mata de várzea do Ilha do Combu, município de Acará, Estado do Pará, caracterizado por
espécie a abundância relativa (AbR); a freqüência relativa (FrR) e a dommancia (DmR).
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
A dominância de algumas espécies de palmeiras, na Ilha do
Combu e Ilha da Conceição, pode ser decorrente das características
bióticas específicas de cada espécie, tais como: sistema reprodutivo,
biologia floral, dispersão de sementes, além da capacidade de adapta-
ção às condições encontradas em um ecossistema de várzea. É provável
que as espécies E. oleracea Mart., Geonoma sp. e Mauritia flexuosa
Mart. apresentem maior dominância, freqüência e abundância relativas
em função de sua adaptabilidade ao meio.
E. oleracea Mart., em condições de várzea, desenvolve-se bem,
devido ao seu sistema radicular apresentar órgãos especializados deno-
minados pneumatóforos, os quais apresentam dutos que oxigenam as
raízes no solo (De Granville 1974 e Anderson et al. 1985). O açaizeiro
pode se reproduzir tanto de forma sexuada como assexuada, o que pode
explicar a ocorrência de grandes populações da espécie em áreas inun-
dáveis (Jardim 1991) e, por conseguinte, sua ampla distribuição
espacial no estuário amazônico (Ohashi et al. 1993).
A espécie Geonoma sp. ocorre em regiões altas, ocorrendo tam-
bém em áreas de várzea alta e intermediária, reproduzindo-se por
rebentos ou sementes (De Granville 1978). A espécie Mauritia flexuosa
Mart. reproduz-se via semente e a dispersão hidrocórica é muito
intensa, conduzindo sementes a longas distâncias, o que poderia expli-
car a elevada freqüência da espécie.
Outras espécies de palmeiras, como Astrocaryum murumuru,
Bactris major, Rapliia taedigera, Iriarthea exorrizha e Manicaria
saccifera, ocorrem em regiões de várzea, em proporções bem diferenci-
adas, possivelmente relacionados a fatores como dispersão e ao poder
germinativo das sementes. Scariot (1987), destaca que os animais das
florestas tropicais exercem grande importância na dispersão de semen-
tes de palmeiras. Nas espécies B. major e Geonoma sp., possivelmente
a dispersão natural influencia diretamente no processo de predação das
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Caracterização estrutural de populações nativas de palmeiras
predação das sementes, que por sua vez ocasionaria a inviabilidade das
sementes e, conseqüentemente, provocaria alterações na freqüência e
abundância destas espécies.
A maior ou menor freqüência de uma espécie de palmeira está
diretamente relacionada à associação dos fatores pertinentes à própria
planta com os fatores externos que interferem na dinâmica de popula-
ções (Cunha & Jardim 1985; Aguiar 1990). Como exemplo cita-se, as
inundações constantes a que são submetidos os ecossistemas de vár-
zeas contribuindo com a dispersão das sementes, sendo também
responsáveis pela morte de inúmeras plântulas, assim como pela invia-
bilização de muitas sementes. Scariot (1987) cita que a predação de
sementes é um fator que interfere na dinâmica das plantas, contribuindo
diretamente para a redução do número de sementes viáveis no solo.
Alguns animais são também responsáveis pela dispersão de frutos e
sementes, vindo a alterar a freqüência de uma espécie.
A competição desenvolvida entre populações e dentro das popula-
ções exerce também influência significativa na freqüência e na
abundância relativa das espécies de palmeiras, onde em determinados
locais a abundância de uma espécie pode inibir o desenvolvimento de
outra (Ohashi 1990). Este fato é explicado pela necessidade da planta
em absorver nutrientes e radiação solar, necessários ao seu desenvolvi-
mento. Segundo Kahn & Castro (1985), as palmeiras são
representantes características das florestas da Amazônia, estando pre-
sentes em todos os níveis da floresta, do sub bosque ao dossel. Kahn
( 1 986), em estudos sobre dinâmica e estrutura de populações, observou
27 espécies de palmeiras de sub bosque da floresta amazônica. Kahn et
al.. (1988), estudando a diversidade e a densidade de palmeiras em terra
firme da floresta amazônica, observaram 12 espécies de 8 gêneros, em
3,84 ha no estuário amazônico; 26 espécies, de 9 gêneros, em 0,72 ha na
amazônia Central; c 29 espécies, de 16 gêneros, em 0,71 ha na
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 14(1), 1998
Amazônia ocidental, evidenciando a freqüência e a abundância de pal-
meiras na região amazônica.
Segundo Mantovani (1991), uma população pode ser definida
como um grupo de indivíduos de uma mesma espécie que ocupa um
espaço particular em um determinado tempo, ou um grupo específico
de indivíduos que ocorre dentro de uma área geográfica. Vários fatores
físicos e bióticos atuam na dinâmica de populações dos ecossistemas de
várzeas, fatores estes que impõem mudanças no número de plantas no
tempo e no espaço, atuando na taxa de natalidade bem como na mortali-
dade de plântulas, na fertilidade, fecundidade e todos os fenômenos
intrinsecamente relacionados à planta. As palmeiras, de um modo
geral, apresentam características vegetativas para adaptação em áreas
inundáveis da Amazônia, denominadas várzeas. As várzeas ocupam
partes depressionais do relevo e normalmente estão sujeitas a
inundações.
Embora, nas duas áreas de mata de várzea inventariadas, a ocor-
rência de espécies de palmeiras tenha variado em espécies, a palmeira
açaí foi a mais representativa. Possivelmente, devido condições do
meio que favorecem seu padrão de dispersão natural associado a capa-
cidade de reprodução, seja por meio de sementes ou perfilhamentos.
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Recebido em: 26.03.97
Aprovado em: 08.09.98
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CORYANTHES ELIANAE E CORYANTHES
MIUAENSÍS: DUAS NOVIDADES DA EAMÍLIA
ORCHIDACEAE PARA O ESTADO
DO AMAZONAS, BRASIL'
Manoela F. F. da Silva~
Alvadir T. de Oliveira^
RESUMO — São descritas duas novas espécies do gênero Coryanthes
Hook. (Orchidaceae), ambas da Seção Coryanthes: a espécie
Coryanthes elianae que apresenta afinidades com Coryanthes
toulemondiana G. Gerlach & T. Franke e, Coryanthes miuaensis que
mostra-se afim com Coryanthes senghasiana Gerlach. Ambas diferem de
suas relacionadas por significantes aspectos da morfologia floral.
PALAVRAS-CHAVE: Coryanthes, Orchidaceae, Amazonas.
ABSTRACT - Two new species o/Coryanthes Hook are described, both
from the section Coryanthe: Coryanthes elianae has ajfinity with
Coryanthes toulemondiana G. Gerlach & T. Franke, and Coryanthes
miuaensis that has affinity with Coryanthes senghasiana Gerlach. Both
new species are differents for several floral morphology aspects.
KEY WORDS: Coiyanthes, Orchidaceae, Amazon.
' Projeto Integrado do CNPq/Processo: 351.009/94-9.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. dc Botânica - Pesquisadora. Caixa
Postal 399, CEP 66040-170, Belém-PA.
PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. dc Botânica - Bolsista PIBIC. Caixa
Postal 399, CEP 66040- 1 70, Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
INTRODUÇÃO
O gênero Coryanthes Hook. tem aproximadamente 30 espécies e,
tem ampla distribuição geográfica nas Américas Central e do Sul
(Gerlach 1994). Na Amazônia ele está representado por onze espécies,
sendo que os Estados do Amazonas e Pará detêm a maior diversidade
de ocorrência das espécies.
Segundo Pabst & Dungs (1975), é no gênero Coryanthes que as
orquídeas apresentam morfologia floral das mais requintadas dentro da
família. Seu labelo é subdividido em três partes diferentes, e o nectário
produz grande quantidade de néctar para grupos de insetos especializa-
dos. Por outro lado, sua manutenção nas coleções vivas embora suscite
grande interesse, até hoje ainda não se encontrou uma maneira de man-
tê-la viva, em cultivo, por longo tempo.
Em um estudo sobre as Orchidaceae da Amazônia Brasileira cole-
tou-se no Estado do Amazonas duas amostras pertencentes ao gênero
Coryanthes, que não se enquadram em nenhuma das espécies já descri-
tas, conforme foi constatado analisando-se os trabalhos de Cogniaux
(1904), Hoehne (1942), Foldats (1970) e, em especial, uma revisão
feita por Gerlach & Schill (1993).
DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES
I. Coryanthes elianae Silva & Oliveira sp. nov.
Tipo: Brasil. Amazonas, Manaus, margem do rio Tarumã Grande.
J. B.F. da Silva, 651. (Holótipo- MG 151049). Figura 1.
Epiphyta, Inflorescencia 1-2 flori terminali, pendulo; labello flori
grandi, hipoquilio cum bini subreniformis, margnitudis diversis,
margis curvatis supra mesoquilio, exterior pubescenti in centrum et
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Coryanthes elianae e Coryanthes miuaensis: duas novidades da família Orchidaceae
cum calus et brunei maculi, interior glabrae; mesoquilio brevis,
carnosis; epiquilio subelipticus.
Epífita, pseudobulbos 70 cm compr., 2,5 cm diâm., agregados,
eretos, sulcados. Folhas 30 cm compr., 40 mm larg., linear- lanceola-
das, levemente côncavas, com três nervuras longitudinais, destacadas
entre outras mais finas. Inflorescência 1-2 flores, terminais, pendentes,
amarelo-claras; raque 30 cm compr., 40 mm diâm., verde-clara, roliça,
glabra, com bainhas espaçadas de 13 mm compr.. Brácteas florais na
base dos pedicelos, 25 mm compr., lanceoladas. Pedicelos cilíndricos,
90 mm compr., 4 mm diâm., verde-claros, torcidos, arqueados próximo
à região apical com fendas longitudinais em toda a extensão. Sépalas
amarelo-claras, a dorsal 25 mm compr., 27 mm larg., posicionada no
sentido transversal, subovada, com ápice agudo, bordos ondulados,
enrolados; as laterais 50 mm compr., 28 mm larg., falcado-ovadas, os
ápices acuminados, bordos ondulados, enrolados. Pétalas verde-claros,
30 mm compr., 9 mm larg., falcado-lanceoladas, agudas, bordos ondu-
lados, enrolados. Labelo amarelo-claro, grande; hipoquilio 15 mm
compr., 20 mm diâm., levemente áspero, reflexo, formado por duas
estruturas de forma subreniforme, com tamanhos diferentes, próximas
entre si, os bordos virados sobre o mesoquilio; a parte superior com
15 mm compr., 20 mm diâm., pubescente na região central próximo ao
bordo e internamente, com manchas marrons internas; a parte inferior
7 mm compr., 12 mm diâm., glabra; mesoquilio 8 mm compr., 6 mm
diâm., amarelo-claro, curto, carnoso, reflexo, glabro; epiquilio 26 mm
profund., 30 mm larg. na parte basal e 1 7 mm larg. na parte apical, ama-
relo-claro, reflexo, subelíptico, membranáceo, com cavidade profunda
em vista lateral, bordos arcados para fora a partir da parte mediana,
lisos, arredondados; a parte mediana próxima à coluna com uma reen-
trância em direção à parte apical, apresentando extremidade tridentada,
os dentes laterais de ápice falcados e o mediano largamente
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
Figura I - Coryanthes elianae - A. Hábito ; B. Flores; C. Flor cm vista lateral sem scpalas e
pétalas; D. Vista frontal do hipoquilio; E. Coluna; F. Polinário com as polinias; G. Corte lon-
gitudinal do labelo; H Partes da flor: sépala dorsal - sd, sépalas laterais - sl, pétalas - p.
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Coryanthes elianae e Coryanthes miuaensis: duas novidades da família Orchidaceae
ligular-obtuso. Coluna 24 mm compr., 7 mm larg., amarelada, clavi-
forme, robusta, carnosa, estreitando-se para a base, bordos levemente
alados, com dois cornos nectaríferos na parte basal, 5 mm compr.,
3 mm diâm., encurvados ; antera 3 mm compr., 5 mm diâm., subelíp-
tica, terminal, polínias 2.
Etimologia: O epíteto específico é uma homenagem dos autores à
Sra. Eliana Loureiro, orquidófila de Manaus/AM, que gentilmente nos
ofertou o exemplar para estudo.
Coryanthes elianae Silva & Oliveira está incluída na seção
Coryanthes (Schlechter apud Bechtel et al. 1992) e, apresenta maior
afinidade com Coryanthes toulemondiana, da seção Lamellunguis,
dela diferenciando-se por não apresentar lamelas no mesoquílio; tam-
bém as estruturas subreniformes do hipoquílio estão bem próximas
entre si e, apresentam pelos na região central da parte superior e, inter-
namente. Além do mais, em C. elianae a inflorescência é pêndula,
enquanto que em C. toulemondiana é em diagonal. Também geografi-
camente as duas espécies também estão muito separadas, uma vez que
C. elianae ocorre no Estado do Amazonas (Brasil), enquanto que
C. toulemondiana ocorre no Dept. Putumayo (Colômbia).
2. Coryanthes miuaensis Silva & Oliveira sp. nov.
Tipo: Brasil, Amazonas, São Grabiel da Cachoeira, margem do
rio Miuá. J.B.F. da Silva, 645.(Holótipo - MG 150770). Figura 2.
Epiphyta. Inflorescencia 1-5 flori terminali, pendulo; labello flori
grandi, hipoquilio elmiformis, trilobato, in dimidium longitudinalis
fissum leviter pubescente; medianus membranaceus cum sini bini
margnitudi diversi; superiori minor et inferiori majus, adhue habet unus
calus; apice leviter denticulatum inter bini cali simetrici et acuti; lobi
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Figura 2 - Coryanthes mitiaensis - A. Hábito ; B. Flor; C. Flor sem sépalas e pétalas; D.
Corte longitudinal do labelo ; E Partes da flor: sépala dorsal - sd, sépalas laterais - sl, pétalas - p;
F. Antera; G. Polinário com as polínias; H. Sépala dorsal.
cm
Coryanlhes elianae e Coryanthes miuaensis: duas novidades da família Orchidaceae
laterali anguste usque marginis laevis. Mesoquilio exteriorem pubes-
centes in centrum. Epiquilio elipticum.
Epfita, pseudobulbos 17 cm compr., 2 cm diâm., agregados, ere-
tos, sulcados. Folhas 30 cm compr., 50 mm larg., linear- lanceoladas,
levemente côncavas, com três nervuras longitudinais destacadas, entre
outras mais finas. Inflorescência 1-5 flores, terminais, pendentes, cre-
mes com manchas avermelhadas; raque 27 cm compr., 30 mm diâm.,
verde-clara, roliça, glabra, bainhas espaçadas, 2,4 cm compr.. Brácteas
florais apressas aos pedicelos, 36 mm compr., lanceoladas. Pedicelos
cilíndricos, 55 mm compr., 4 mm diâm., verde-claros, arqueados na
região mediana, levemente ásperos, com fendas longitudinais em toda a
extensão. Sépalas cremes, pintalgadas de vermelho-vinho, a dorsal
56 mm compr., 32 mm larg., posicionada em sentido transversal, subre-
niforme, com ápice acuminado, bordos enrolados; as laterais 100 mm
compr., 55 mm larg., falcadas, com ápices acuminados, bordos ondula-
dos, enrolados. Pétalas cremes, 45 mm compr., 10 mm larg.,
falcado-lanceoladas, agudas, bordos enrolados. Labelo cor creme,
grande, com áreas vermelho-vinho externa e internamente; hipoquílio
50 mm compr., 60 mm diâm., elmiforme, trilobado, os lobos com fen-
das longitudinais, levemente pubescentes; o mediano membranáceo,
com duas reentrâncias de tamanhos diferentes, a superior menor, 2 mm
prof., 3 mm larg., a inferior maior, 7 mm prof., 10 mm larg, com uma
protuberância 5 mm alt.; ápice levemente denticulado, entre duas pro-
tuberâncias simétricas e pontiagudas; lobos laterais mais estreitos que o
mediano, vermelho-vinhos, carnosos, ásperos, rellexos, bordos lisos;
mesoquilio 43 mm compr., 10 mm diâm., vermelho-vinho externa e
internamente, carnoso, reflexo, externamente pubescente na região
central, alargando-se para a base do mesoquilio, onde apresenta uma
protuberância ereta (corno), oblonga, aguda, 8 mm compr.; epiquilio
28 mm profund., 26 mm larg. na parte basal, 18 mm larg. na parte
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apical, com porções vermelho-vinho externa e internamente, elíptico,
membranáceo,com cavidade profunda em vista lateral, bordos arcados
para fora a partir da região mediana, lisos, arredondados; a parte medi-
ana próxima à coluna com uma reentrância em direção à parte apical,
apresentando extremidade tridentada, sendo os dentes laterais de ápice
falcado e o mediano ligular-obtuso. Coluna 35 mm compr., 5 mm larg.,
amarelada, claviforme, robusta, carnosa, estreitando-se para a base,
bordos alados, com dois cornos nectaríferos na parte basal, 10 mm
compr., 6 mm diâm., encurvados; antera 4 mm compr., 6 mm diâm.,
subelíptica, terminal, polínias 2.
Etimologia: O epíteto específico é uma alusão onde a espécie foi
coletada nas matas ciliares do Rio Miuá.
Coryanthes miuaensis Silva & Oliveira está incluída na seção
Coryanthes (Schlechter apud Bechtel et al. 1992). Assemelha-se à
Coryanthes senghasiana Gerlach, dela diferenciando-se por apresen-
tar labelo com lobo mediano do hipoquílio com duas reentrâncias de
tamanhos diferentes: a superior menor que a inferior e, após esta, há
uma protuberância; o bordo do lobo mediano é levemente denticulado
entre duas protuberâncias assimétricas e pontiagudas. Além do mais, o
mesoquílio é externamente pubescente na região central. Também
geograficamente, as duas espécies estão separadas, uma vez que
C. miuaensis ocorre no Estado do Amazonas (Brasil), enquanto que
C. senghasiana ocorre no Dept. de Loreto (Peru).
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Coryanthes elianae e Coryanthes miuaensis; duas novidades da família Orchidaceae
AGRADECIMENTOS
Aos pesquisadores Ricardo Secco (DBO/MPEG) e Hamilton D.
Bicalho pelas críticas e sugestões; ao Pe. José Maria Albuquerque
(FCAP), pela elaboração das diagnoses das duas espécies em latim; ao
Sr. Antônio Elielson Rocha (DBO/MPEG) pelas ilustrações, e ao Sr.
João Batista da Silva, pela descoberta dessas novas espécies.
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Recebido em: 20.03.98
Aprovado em: 08.09.98
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CDD:584.5
MANAGEMENT OF INFLORESCENCES
AÇAÍ PALM {EUTERPE OLERACEA MART.)
IN THE AMAZON RIVER ESTUARY
A
Mário Augusto G. Jardim^
John Sunimer Rombold~
ABSTRACT - An experiment ofaçaí palni management was established
in the Combu Island, Acará country, Pará State, Brazil, with the
objective of verifying the influence of inflorescence removal on fruit
production. The management stimulates the emergence of new
inflorescences, but not influencied in increase the fruit production.
KEY WORDS: Euterpe oleracea, Management, Inflorescence.
RESUMO - Implantou-se na Ilha do Combu, município de Acará (PA)
um experimento sobre manejo do açaizeiro ('Euterpe oleracea Mart.)
com remoção de inflorescências no período de julho de 1990 a maio de
1992, procurando verificar sua influência na produção de frutos por es-
tipe. Constatou-se que este manejo estimulou o aparecimento de novas
inflorescências, porém não influenciou no aumento da produção de
frutos.
PALAVRAS-CHAVE: Euterpe oleracea. Manejo, Inllorescência.
' PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emflio Goeldi. Depl° de Botânica - Pesquisador, Caixa Postal
399, CEP 66040-170, Bclém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Dcpt° de Ecologia - Bolsista ODA, Caixa
Postal 399, CEP 66040-170, Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
INTRODUCTION
Fruits of the açaí palm (Euterpe oleracea Mart.) are an important
food in the floodplain of the Amazon River estuary. In Belém, Pará, the
region’s major eity, more than 100,000 liters of a beverage made from
açaí fruits are consumed daily during the açaí season.
For rural residents of the estuarine floodplain (ribeirinhos), açaí is
both their economic mainstay and their most valued food source. A
study on Combu Island near Belém showed that an average family
earned more than 80% of its annual income from the
commercialization of açaí fruits (Anderson 1989; Anderson & loris
1991). This income is not well distributed, as the bulk of the açaí
harvest occurs during the dry season, between the months of July and
October. During the rainy season, ripe açaí fruits are scarce enough that
many riverine households cannot find sufficient quantities to meet their
subsistence needs. In the cities, the rainy season açaí price is two to
three times greater than the price during the dry season.
Therefore, for both economic and subsistence reasons, floodplain
producers are keenly interested in finding ways to manipulate the
fruiting cycle of the açaí palm. Ribeirinho lore is replete with
hypotheses and observations on açaí natural history. From this wealth
of knowledge we borrowed the idea of altering the palm’s fruiting
pattern by pruning its inflorescences. Oral accounts of this technique
related that açaí can be “trained” to fruit in the rainy season by
removing its inflorescences until the cessation of winter rains in June.
MATERIALS AND METHODS
This study was conducted in the Combu Island, 1 ,5 km South of
Belém, Pará, Brazil. Combu receives an average of 2.500 mm of
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Management of inflorescences açaí palm (Euterpe oleracea Man.)
rainfall each year. Temperatures average 32° C and the relative
humidity rarely falis below 90%. Combu is a low-lying island perched
a few meters above sea levei. During the rainy season, the island is
covered with tidally-driven freshwater floods. The açaí palm is both
ecologically and economically the most important plant species on the
island (Jardim 1991).
The açaí stand in which the study was carried out regenerated after
being harvested for palm heart in 1 976. Twenty açaí clumps in the stand
were randomly assigned to either the control or inflorescence removal
treatment groups. For the treated palms, all inflorescences were pruned
starting in mid-February and continuing until June. A total of 28
inflorescences were removed in 1990, 35 in 1991, and 39 in 1992.
Palms included in the experiment were observed bi-weekly from
February 1990, until August 1992. Ripe fruit bunches were pruned by
hand, weighed, stripped and then weighed again to determine their net
fruit yield.
RESULTS AND DISCUSSIONS .
Four principal effects of inflorescence removal were observed.
Palms which had inflorescences removed developed more
inflorescences during the period August-October than palms in the
control group (Figure 1). In 1990-1991, the treated palms produced a
total of 21 inflorescences during August-October, or 26% of the
inflore.scences which emerged during the flowering season. For
1990-1991, no inflorescences were developed during August-October
by untreated palms. For 1991-1992, untreated palms produced 7
inflorescences from August-October, or 12% of the inflorescences
developed that season.
55
( i SciELO
Management of inflorescences açaí palm (Eulerpe oleracea Mart.)
The second effect of treatment was to increase the total number of
inflorescences produced. During the 1990-1991 flowering season,
treated palms developed 81 inflorescences versus flowering season,
treated palms produced 95 inflorescences, while untreated palms in the
same period produced 57 inflorescences.
The third effect of treatment was to shift the timing of fruit
production (Figure 2). In 1991, 40% of the fruits yielded by the treated
palms, or 21,1 kg, were harvested before the start of the main açaí
season in July. In 1992, the treated palms produced 67% (42.4 Kg) of
their fruits May. For the control group, corresponding values for early
fruit production were 5% (3,3 Kg) and 25% (29,9 Kg) in 1991 and
1992, respectively.
The final effect of treatment was to reduce the total by treated
palms. In 1991, the treated palms produced 55.2 Kg of fruit, while the
untreated group yielded 68.7 Kg, while in 1992 the treated palms
produced 62.9 Kg of fruits versus 1 17.9 Kg for the untreated palms.
The results reported here confirm accounts from informants that
the fruiting cycle of the açaí palm can be partially controlled by
removing inflorescences. However, according to informant’s reports,
inflorescence pruning shifts the flowering and fruiting cycles several
months earlier than normal. Our findings indicate that the flowering
and fruiting cycles are extended, not shifted. The primary effect of
inflorescence pruning on flowering is to stimulate the production of
extra inflorescences during the period August-October. From
November until the cessation of flowering in April, the amount and
timing of flower production by the two treatment groups was
essentially the same.
The dissection of the açaí crown rcveals a primordial flower bud in
every leaf axil (Jardim & Anderson 1987) and palms in unmanaged
57
Management of inflorescences açaí palm (Euterpe oleracea Man.)
forests on the Onças Island near Belém dehisced an average of 10.8
leaves per year, yet less than half of the interaxiliary buds developed
into inflorescences. They hypothesized that the diversion of
metabolites and temperature elevation to developing fruits bunches
promoted the abortion of primordial inflorescences (Fisher & Moore
1977; Schroeder 1978). Results from this experiment provide support
for their hypothesis since, when inflorescences are removed, resources
that would otherwise be diverted to fruit production remain available
for the development of extra flowers.
The production of early flowers does not guarantee the production
of early fruits. Many inflorescences abort soon after flowering. This is
especially true for inflorescences developed during the dry season.
Long-time floodplain residents generally agree that açaí inflorescence
abortion is commom when the dry season is severe. In this study, early
fruit production by the treated palms in 1992 probably would have been
greater if fewer inflorescences had aborted during the unusually intense
1991 dry season. Other factors may influence inflorescence abortion,
including flooding, extended periods of cloud cover, and the efficacy of
pollinators (Fisher & Moore 1977; Sist 1989).
Hamp (1991) found a strong correlation between açaí stem
diameter and productivity. Informants report that thick-trunked açaí
palms yield more and larger fruit bunches than slender palms, and are
more likely to produce fruits out of season. Jardim & Rombold (1994)
related to thinning appeared to enable the palms treated plots to set one
more infrutescences than palms in untreated stands. Extra fruit
production is most useful, and more valuable, when it occurs before the
big dry season peak.
In practice, it is difficult to justify the labor investment required to
climb each palm to remove inflorescences, and then forego production
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during the later part of the fruiting season if the treated palms are
stimulated to develop inflorescences which merely abort during the dry
season. This technique could prove more consistent and productive by
combining it with other treatments to maximize the physioloyical
condition of each treated palm. Thinning has been shown to increase
açaí fruit production (Pedersen & Balslev 1993); fertilization also may
prove effective, although to date most fertilizer trails with açaí have
been disappointing (Hamp 1991). A study where these treatments are
tested separately and in combination may yield promising results.
Additionally, palms selected for inflorescence pruning should be
vigorous and growing on good quality sites. On Combu Island. the
most productive açaí sites are located on the gentle levies (restingas)
which border the many waterways. In the lower, semi-perennial
swamps (igapos), lengthy periods of immersion delay flowering,
fruiting and reduce total fruit production (Jardim 1991).
Even if optimal management practices are used, the removal of
inflorescences will reduce total fruit yields. Nonetheless, this technique
is still an attractive option for floodplain residents because rainy season
is a time of scarcity and hardship in the estuary. Markets for cacau and
rubber, two of the principal rainy season revenue sources, have
degenerated. Floodplain residents consistently identify the need for
more alternatives for wet season income and subsistence as one of their
greatest priorities (Anderson & loris 1991; Jardim & Rombold 1994;
Jardim 1996). Techniques which increase the availability of açaí for
rainy season subsistence use will enhance the welfare of the rural
estuarine residents. For income, açaí fruits can be commercialized
during the rainy season if at least 15 kg can be collected per harvest.
Results from this study indicate that forty treated palms could yield 1-3
harvests per month during the period from March-May. Even if more
income could be made by not removing the palm’s inflorescence and
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Management of inflorescences açaí palm (Euterpe oleracea Man.)
allowing them to bear fruits normally, the marginal utility of each unit
of income earned during the rainy season is high. It may be a prudent
economic strategy for riverine households to alter the fruiting cycle of
some of their palms to better distribute income.
CONCLUSIONS
The removal of açaí palm inflorescences from mid-February until
June stimulated early açaí flower and fruit production on Combu
Island. The treated palms produced more inflorescences than untreated
palms, yet fewer fruits overall. The mechanism of the response of açaí
to inflorescence removal has not been determined. However, it appears
that removing inflorescences retains carbohydrate reserves that can be
used for additional flowering. This technique is potentially attractive to
floodplain residents for three reasons. First, it could provide additional
food when resources are scarce. Second, açaí prices are higher during
the rainy season than during the main harvest. Third, the usefulness of
income earned during the rainy season exceeds its nominal value.
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Recebido em: 25.02.97
Aprovado em: 08.09.98
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CATASETUM CUCULLATUM, UMA NOVA ESPÉCIE
DE ORCHIDACEAE PARA O ESTADO DO
AMAZONAS, BRASIL'
Manoela Ferreira F. da Silva^
Alvadir T. de Oliveira^
RESUMO- Uma nova espécie do gênero Catasetum L. C. Rich. ex Kimth.
(Orchidaceae - Catasetinae), siibgênero Orlhocatasetum, seção
Anisoceras, coletada no Estado do Amazonas é descrita e ilustrada. A
espécie é denominada Catasetum cucullatum e está relacionada com
Catasetum saecatum.
PALAVRAS-CHAVE: Catasetum, Catasetinae, Orchidaceae, Taxono-
mia Vegetal.
ABSTRACT - In this work a new species o/ Catasetum (Orchidaceae,
Catasetinae), from the Brazilian Amazônia, is described and illustrated.
The species, named Catasetum cucullatum, belongs to subgenus
Orthocatasetum, section Anisoceras, and is related to Catasetum
saecatum.
KEY WORDS: Catasetum, Catasetinae, Orchidaceae, Plant Taxonomy
' Projeto Integrado do CNPq/Proeesso; 35 1 .009/94-9.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Dept° de Botânica - Pesquisadora. Caixa
Postal 399, CEP 66040-170, Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Dcpt° de Botânica - Bolsista de Inciação
Científica/PIBIC. Caixa Postal 399, CEP 66040-170, Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
INTRODUÇÃO
O gênero Catasetwn L.C.Rich. ex Kunth apresenta mais de cem
espécies, com ampla distribuição geográfica na América Tropical,
sendo que na Amazônia está muito bem representado, aparecendo em
todos os ecossistemas da região, nos mais variados habitats. Este
gênero apresenta maior diversidade nos Estados do Amazonas e Pará.
A complexidade taxonômica de Catasetum tem despertado muito
interesse por parte dos cultivadores e pesquisadores em Orchidaceae,
especialmente devido aos novos táxons que estão sendo descobertos no
gênero.
No decurso de um estudo sobre Catasetinae da Amazônia, cole-
tou-se muitos exemplares de Catasetum, entre os quais destacou-se a
espécie nova descrita a seguir que não se enquadra em nenhuma já des-
crita, conforme foi constatado em pesquisa bibliográfica nos trabalhos
de Cogniaux (1904), Mansfeld (1932), Hoehne (1942) e Romero &
Jenny (1993).
Catasetum cucullatum Silva & Oliveira sp. nov.
Tipo: BRASIL: Amazonas, Alto Rio Negro, fl. cult. IV- 1995,
J.B.F. da Silva, 387. (MG:0147314). Eigura 1.
Epiphyta. Inflorescencia mascidis; sepalis lanceolatis, concavis,
dorsali erecta; petalis lanceolatis, convexis, erectis; lahelo infero,
angulo 90° cum colunma, carnoso, saccifornie, ostio suborbicidares,
cuni bini calli simetrici ad margis apiculatis; lobis niargis denticidati;
colunma robusta, carnosa, erecta, anthera subtriangidari, rostrada,
pol Unis forma sub-ortogonali atcjue viscidio capillari prolato.
Epifíta, pseudobulbo fusiforme, sulcado, ereto, verde, bainhas
secas, 10,2 cm compr., 30 mm diâm.; folhas ausentes no exemplar
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Catasetum cucullatum, uma nova espécie de Orchidaceae
Figura 1 - Catasetum cucullatum - A. Hábito, B. Partes da Flor. Scpala dorsal - sd, Sépalas
laterais - sl, Pétalas, - p, C. Coluna, D. Labelo em corte longitudinal, E. Antera, F. Polinário
mostrando polínias c viscídio com prolongamento capilar.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
estudado. Inflorescência masculina, pendente, 1-3 aneladas; brácteas
amplexicaules, lanceoladas, 8 mm compr.; flores 6 ou mais, ressupina-
das, eretas, verde-arroxeadas, distribuídas em toda a inflorescência;
ráque 25 cm compr., 3 mm diâm.; brácteas florais apressas aos pedice-
los, triangulares, 9 mm compr.; pedicelos cilíndricos, ligeiramente
arqueados, verde, 30 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas lanceoladas,
côncavas, castanho-claras, a dorsal ereta, 55 mm compr., 14 mm larg.;
pétalas lanceoladas, convexas, da mesma coloração, eretas, 52 mm
compr., 17 mm larg.; labelo infero, formando ângulo de quase 90° com
a coluna, carnoso, em vista frontal sacciforme, com abertura frontal ou
ostío subcircular, apresentando duas calosidades simétricas no bordo
junto ao prolongamento apicular; saco do labelo profundo, levemente
achatado lateralmente, 14 mm profund., 10 mm larg.; bordos dos lobos
laterais denteados, planos e o terminal largamente apiculado, voltado
para baixo; lobos laterais com base vermelho-vinho, o restante amare-
lado; saco com máculas vermelho-vinho e amareladas; coluna robusta,
carnosa, ereta, subtriangular, verde, parte dorsal com máculas verme-
lho-vinho, extreitando-se para a base, 40 mm compr., 7 mm larg.;
antenas cruzadas, quase a metade do comprimento da coluna, 180 mm
compr.; antera amarelada, subtriangular, 5 mm compr., 1 mm diâm.,
polínias 2, cerosas, 2 mm compr., viscídio com prolongamenrto capilar
na base.
Etimologia: Do latim ciicullatus, “cuculado, em forma de capuz”,
com referência à forma do labelo nas flores masculinas.
Catasetiim cuciülalum Silva & Oliveira está incluído no subgê-
nero Orthocatasetiim, seção Anisoceras. Assemelha-se com Catasetiim
saccatum L., diferenciando-se pelas bordas dos lobos laterais do labelo
que são levemente denteadas e pelo prolongamento do lobo terminal
que é apiculado e voltado para baixo. Por outro lado, o ostío do labelo é
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nitidamente subcircular. Em Catasetum saccatum as bordas do labelo
são profundamente denticuladas até fimbriadas, e o lobo terminal apre-
senta-se significativamente grande, ligeiramente subretangular e com
pequenos dentes.
AGRADECIMENTOS
Aos pesquisadores Ricardo Secco (MPEG/CNPQ) e Hamilton D.
Bicalho pelas críticas e sugestões; ao Pe. José Maria Albuquerque
(ECAP) pela elaboração da diagnose latina; ao Sr. Antônio Elielson
Rocha (DBO/MPEG) pelas ilustrações; ao Sr. João Batista P. da Silva
pela elaboração desde a coleta do material até os estudos finais.
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USOS DE PALMEIRAS EM UMA COMUNIDADE
RIBEIRINHA DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
Mário Augusto G. Jardim'
Asemar Carlos da C. Cunha-
RESUMO — Caracterizou-se os usos de palmeiras em uma área ribeiri-
nha do estuário amazônico. A pesquisa foi realizada na Ilha do Combu,
município do Acará, Estado do Pará, localizada a 1,5 km de Belém por
via fluvial. As informações foram obtidas por meio de entrevistas com
moradores do local. Constatou-se 10 espécies com variados usos. porém
a espécie Euterpe oleracca Mart. é considerada a mais importante na
alimentação, comercialização e fitoterapia popular. Aí demais espécies
são utilizadas na alimentação, artesanato, construções e cobertura de
casas.
PALAVRAS-CHAVE: Etnobotânica, Comunidades Ribeirinhas,
Palmeiras.
ABSTRACT - The palnis vtoí studied in by Combu Island, Municipalitv
of Acará, Pará. The information nm obtained by interving thirty people.
The results yielded 10 palm species with various uses, with açaí palni
("Euterpe oleracea Mart.) being niust useful highest alimentar}’,
commercial and phytotherapic uses. The other species are utilized in
food, handeroft, construction and tratch.
KEY-WORDS - Elhnobotany, Dwellcrs Communilies, Palms.
' PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depl° de Botânica - Pesquisador, Caixa Postal
399, CEP 66040-170, Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Dcpl" de Botânica - Bolsista PIBIC, Caixa
Postal 399, CEP 66040- 170, Belém-PA.
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INTRODUÇÃO
As palmeiras são consideradas espécies vegetais indicadoras da
presença do homem em uma determinada área, em decorrência das prá-
ticas agrícolas, de cultivo e de manejo para variados fins (Balick 1984).
A utilização das palmeiras na região amazônica abrange desde os
aspectos de alimentação, comercialização, construção, confecção de
artefatos artesanais e usos fitoterápicos (Anderson 1977; Cuellar 1983;
Jardim & Stewart 1994). Neste contexto, o estuário amazônico é repre-
sentado por uma diversidade de palmeiras que constituem fundamental
importância sócio-econômica e cultural relacionada com a vida e os
costumes das comunidades (Prance et al. 1987). O aproveitamento des-
tes vegetais tem contribuído na vida destas populações, uma vez que
atuam diretamente na complementação da renda familiar ou como prin-
cipal fonte de renda das famílias ribeirinhas (Anderson 1977; Balick
1984; Anderson & Jardim 1989; Jardim & Anderson 1987).
As investigações a respeito das palmeiras são necessárias a fim de
subsidiar estudos posteriores que possam desenvolver e expandir técni-
cas de domesticação, seleção, cultivo e manejo, favorecendo desta
forma o aumento da produtividade e por conseguinte o desenvolvi-
mento de novas formas de aproveitamento e comercialização de
produtos e subprodutos.
Este acervo natural de conhecimentos em diferentes populações
amazônicas mantém importante aplicabilidade local associados aos
valores étnico-culturais e conseqüentemente na sustentabilidade das
populações tradicionais e conservação dos vegetais.
O presente estudo tem por objetivo determinar as formas de utili-
zação de palmeiras da Ilha do Combu no município do Acará, Estado
do Pará.
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Usos de palmeiras em uma comunidade ribeirinha
METODOLOGIA
Área de Estudo
O trabalho de campo foi realizado na Ilha do Combu, Município
do Acará, situado a 1,5 km de Belém, estado do Pará à margem
esquerda do rio Guamá, a uma latitude de 48° 25’ W e uma longitude a
r 25’ S. A área caracteriza-se pela atividade extrativista e agricultura
de subsistência.
O principal tipo de solo é o hidromórfico predominando o Glei
Pouco Húmico em várzea baixa, intermediária e alta com florestas pri-
márias, secundárias e manejadas.
Procedimento de Campo
As informações foram obtidas por meio de entrevistas com 30
moradores locais, utilizando-se um questionário padrão contendo os
seguintes itens: nome popular da palmeira, parte usada, forma e utiliza-
ção e categorias de uso. O material botânico das palmeiras citadas
foram coletados e identificados no Herbário do Museu Paraense Emílio
Goeldi ao nível de gênero e espécie.
Os dados foram analisados calculando-se a freqüência relativa de
uso da espécie, parte usada e forma de uso, pela fórmula: F= número de
citações x 100/número total de informantes, segundo Amorozo & Gely
(1988).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após análise das entrevistas foram identificadas 10 espécies de
palmeiras com freqüência relativa variando de 50% a 6.7% (Tabela 1).
A espécie Euterpe oleracea destacou-se como a mais importante na
comunidade, em função da grande demanda de frutos para
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comercialização (cerca de 50%) na feira do Porto da Palha, localizada a
1 ,5 km via fluvial da Ilha do Combu,
Tabela 1 - Frequência relativa (%), parte usada, usos c principal categoria de uso/cspé-
cie de palmeiras na Ilha do Combu, município de Acará, Estado do Pará. Usos
(A=alimcntação; M=medicina caseira;CF=comercialização de frutos; CP=comerciali-
zação de palmito; ART=artesanato; F=fibras; CP=construção de pontes; RA=ração
animal; SC=secador de cacau; C=cobcrtura; O=ornamcntação; PP=produtos de pesca
(matapi, pari, curral, viveiros).
Nome Científico/Nome comum
Fr {%)
Parte
Usada
Usos
Principal
Categoria
de Uso
Euterpe oleracea Mart. - açaí
50,0
Fruto,
CF
CF
Palmito,
CP
Raiz,
MC
Folha
ART
Scheelea rostrata Mart. - urucuri
30,0
Fruto
RA
C
Folha
C
Maiiritia jlexuosa Mart. - buriti
26,7
Fruto
A, RA
ART
Folha
F, ART
Estipe
CP
Maximiliana marticina Karst. - inajá
23,3
Fruto
A, RA
RA
Iriarthea exorrizha Wendl. - paxiúba
20,0
Caule
CP, SC
CP
Desmonciis sp. - jacitara
16,7
Caule
ART
ART
Rapitia taedigera Mart. - jupati
13,3
F'olha
PP
Matapi
Bactris minor Mart. - marajá pequeno
13,3
Fruto
A, CF
A
Geonomci sp. - ubim
10,0
Folha
C,0
O
Bactris major Mart. - marajá grande
6,7
Fruto
RA
RA
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Um fator que auxilia este processo extrativista e comercial pode
estar relacionado com a densidade populacional de açaizais existentes
na área, pois a espécie apresenta 92% de dominância em comparação
com outras espécies vegetais, incluindo as palmeiras (Jardim 1991).
Além da densidade populacional, (Anderson & loris 1989) caracteri-
zam alguns fatores que estão associados com a demanda de
comercialização, como por exemplo: a disponibilidade local do recurso
e a curta distância ao centro consumidor. Estes fatores atuando conjun-
tamente, proporcionam à comunidade uma das maiores aquisições
financeiras (cerca de 91 %) em relação a outros produtos extrativistas da
ilha.
Na ilha do Combu constatou-se que a palmeira açaí é importante
na estrutura organizacional da comunidade, pois o extrativismo dos fru-
tos reflete diretamente na condição sócio-econômica e alimentar.
Segundo Calzavara et al. (1978) a palmeira açaí, em áreas do estuário
amazônico é bastante promissora e tem várias utilizações que basica-
mente compreendem a extração e comercialização de frutos e palmito.
Na comunidade da Ilha do Combu, a palmeira açaí é caracterizada por
apresentar múltiplos usos, principalmente com a colheita de frutos.
A capacidade de produzir perfilhamentos basais com a formação
de vários estipes por indivíduo é uma das vantagens desta palmeira, que
permite a exploração de maneira sustentada nas populações nativas. O
desbaste seletivo de estipes na touceira é uma ação que visa consorciar
o manejo de frutos e palmito contribuindo para o aumento da produção
(Jardim & Anderson 1987). O processo de operacionalizar o uso do
açaizeiro através do manejo tem como base os fundamentos tradicio-
nais das comunidades ribeirinhas.
Segundo Anderson et al. (1985) e Anderson et al. (1995) nas pro-
priedades ribeirinhas existem variações quanto a estrutura e
composição das matas onde predominam os açaizais a partir da
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
heterogeneidade e homogeneidade das populações vegetais. Esta varia-
ção na produção de frutos de açaí em áreas de várzea manejada e não
manejada foi constatada por Jardim (1996) e a produção em diferentes
tipos de área integrando a extração de palmito para comercialização e
frutos para fins alimentares por Anderson & Jardim ( 1 989) e Mesquita
& Jardim ( 1 996). A palmeira açaí demonstra um exemplo de integração
no processo de manejo, visando aprimorar o rendimento sustentado
aplicado e ordenado, implementando desta maneira um sistema explo-
ratório que conduza a sustentação da produção.
Embora as outras espécies de palmeiras, não apresentem valor
econômico; contribuem em menor escala nas atividades artesanais,
agrícolas e domésticas. Nestas atividades, o artesanato local é praticado
por alguns moradores (cerca de cinco pessoas efetivamente). Em decor-
rência dos diversificados usos das palmeiras, analisou-se a freqüência
relativa das partes mais usadas, constatando-se para: frutos (50%),
folha (40%), caule (5%), palmito (4%) e raiz (1%). Em termos de fre-
qüência relativa quanto à principal categoria de uso local, constatou-.se
para: comercialização de frutos (60%), artesanato (19%), alimentação
(10%), coberturas (4%), construções (3%), ornamentação (2%), ração
animal e produtos de pesca (1%).
As palmeiras utilizadas na ilha do Combu podem ser comparadas
com 20 espécies encontradas por Anderson ( 1 977) na comunidade dos
índios Yanomama no Estado do Amazonas destinadas à alimentação e à
construção de moradias. Prance et al. (1987) estudando a etnobolânica
de palmeiras pelos índios Chacobó na Bolívia, referem-se ao uso das
folhas de ubim para cobertura de casas; patauá, tucumã e pupunha na
alimentação diária e Johnson ( 1 987) através do levantamento etnobotâ-
nico de palmeiras relacionou 18 espécies com diferentes usos cm
Macapá, no Estado do Amapá e em Gurupá, Cametá e Bragança, no
Estado do Pará; Além de Morey (1975) que estudando a ctnohistória
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dos pastos indianos verificou a importância das palmeiras como fonte
de frutos e palmito para alimentação e de óleos para a produção de
energia.
Balick (1979) estudando a utilização das palmeiras em Guahibo
verificou a utilização do estipe de Euterpe precatória na construção de
canoas e de moradias e dos frutos da espécie Mauritia flexuosa para
bebida após fermentação. Observou ainda, as espécies do gênero
Desmoncus como matéria-prima para confecção de artefatos ornamen-
tais. Segundo Cuellar (1983) em observações etnobotânicas na
comunidade indígena Andoque na Colômbia, verificou o uso dos frutos
das espécies Astrocaryiim chambira e Bactris gasipaes na alimentação
diária.
A importância alimentar e sócio-econômica de 20 espécies de pal-
meiras foi constatada por Jardim & Stewart (1994) no município de
Novo Airão no Estado do Amazonas considerando alternativas extrati-
vistas viáveis para a melhoria de vida das comunidades através de
práticas de manejo.
Quanto ao aspecto da medicina popular, Balick ( 1 984) evidencia o
alto valor farmacológico das palmeiras nas regiões neotropicais con-
centradas em determinadas partes vegetativas como raízes, frutos e
folhas que são usadas em forma de chás. Anderson et al. (1985) avali-
ando um sistema agroflorestal na Ilha das Onças no estuário amazônico
verificaram que Euterpe oleracea Mart. e Astrocaryiim murumuru
estão relacionadas com usos medicinais.
CONCLUSÕES
A palmeira Euterpe oleracea Mart. destaca-se como a principal
espécie extrativista da Ilha do Combu através dos frutos na alimentação
e palmito na comercialização; a espécie Mauritia flexuosa Mart. está
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relacionada a confecção de artefatos artesanais, além do aproveita-
mento do estipe como alternativa na construção de pontes. As folhas de
Geonoma sp. e Scheelea rostrata são utilizadas na cobertura de casas e
viveiros. Finalmente, as palmeiras na Ilha do Combu são consideradas
alternativas extrativistas viáveis para subsidiar condições alimentares e
econômicas.
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PRANCE, G.T.; BALEE, W.; BOOM, M.B. & CARNEIRO, R.L. 1987. Quantitalive
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CDD: 583 95098
ALCHORNEA SW. E CONCEVEIBA AUBLET
(EUPHORBIACEAE-ALCHORNEAE);
NOVAS ESPÉCIES PARA A COLÔMBIA,
VENEZUELA E PERU
Ricardo de S. Secco'
RESUMO - Uma nova espécie de Alchornea Sw. da Colômbia e Venezue-
la e outra de Conceveiba do Peru são descritas e ilustradas. Alchornea
tachirensis R. Secco caracteriza-se por apresentar as folhas ovais a
oval-elípticas, a inflorescência pistilada em panícula espiciforme, com
flores sésseis, ovário glabro, estiletes filiformes, concrescidos em cerca
de 1 mm na base e os ápices inteiros. Conceveiba maynasensis R. Secco
apresenta estipulas com margens laceradas, estames férteis, inflores-
cência pistilada em espiga e ovário com estiletes largos e foliáceos. São
discutidas as relações dessas com outras espécies afins.
PALAVRAS-CHAVE: Alchornea, Conceveiba, Euphorbiaceae, Taxono-
mia Vegetal.
ABSTRACT - A new species of Alchornea Sw. froni Colômbia and
Venezuela, and another one of Conceveiba Aublet, from Peru, are
described and illustrated. Alchornea tachirensis R. Secco is
characterized by the ovate to ovate-elliptic leaves, pistillate
inflorescence in panicle, sessile flowers, ovar}' glabrous, filiforrn styles,
basally connate (! mm), unlobed. Conceveiba maynasensis R. Secco
presents stipules with lacerate margins, stamens all fertile, pistillate
inflorescence in spike and ovary with styles wide and leaved. /\
discussion about relationships with others affinit species is presenteei.
Kcy Words; Alchornea, Conceveiba, Euphorbiaceae, Plant Taxonomy.
' PR/MCT/CNPq/Muscu Paraense Emílio Goeldi - Deplo. de Eotânica, Cx. Postal 399, CEP
66.040-170, Belém -PA.
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BoL Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot., 14(1 ), 1998
INTRODUÇÃO
Os gêneros Alchornea Sw. e Conceveiba Aublet pertencem à tribo
Alchorneae, da família Euphorbiaceae, sendo que o primeiro está posi-
cionado na subtribo Alchorneinae, ao lado de Aparisthmiiim, e o
segundo na subtribo Conceveibinae, juntamente com Polyandra
(Webster 1994).
Alchornea apresenta 41 espécies, distribuídas desde a Ásia,
África, Malásia e Madagascar, até as Antilhas, México, América Cen-
tral e América do Sul, sendo que seu centro de diversidade está na
Colômbia, onde ocorrem 16 espécies (Secco 1997). No Brasil, ocorre
um total de 7 espécies.
Conceveiba constitui-se de 13 espécies, sendo 2 da África, 2 da
América Central e 9 da América do Sul, e seu centro de diversidade está
entre a Colômbia e a Venezuela, onde ocorre o maior número de suas
espécies (Secco 1997). No Brasil são encontradas 6 espécies.
A última revisão de Alchornea e Conceveiba foi feita por Pax &
Hoffmann (1914), hoje bastante desatualizada, apresentando chaves
difíceis de serem seguidas, muitas vezes em desacordo com as descri-
ções das espécies. Tais descrições são algumas vezes falhas, pouco
detalhadas e o tratamento quase não apresenta ilustrações das plantas,
além do que várias espécies estão mal definidas, certamente devido à
escassez de material disponível para estudo, na época.
Durante uma revisão das espécies neotropicais da tribo
Alchorneae, Secco ( 1 997) fez uma análise minuciosa de cerca de 2.500
coleções herborizadas do Novo Mundo, bem como estudou algumas
populações naturais no Brasil, o que lhe permitiu detectar duas novida-
des taxonômicas para os gêneros Alchornea e Conceveiba e que a
seguir são descritas e discutidas.
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Alchornea Sw. e Conceveiba Aublet (Euphorbiaceae-Alchorneae)
DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES
1. Alchornea tachirensis R. Secco, sp. nov. Tipo. VENEZUELA.
Estado Tachira: Distrito Lobatera, La Casadora, 1600m, jul. 1983 (fl.
pist., fr), Werjf & Ortiz 5554 (holótipo, MO; isótipos, NY, SP).
Figura 1 .
Arbores. Ramuli glabri. Folia palmatinervea, alterna, raro opposita, petiolis striatis,
glabris; limbi ovales, ovato-elliptice vel elliptice tantum, chartacei, subcoriacei vel
coriacei, apice acuminati vel caudate, ad basin obtusi vel leviter cuneati, infra
pubescentes vel glabri, supra glabri. Inflorescentiae staminales non visae, illae
pistillatae in panicules dispositae, spiciformes, terminalesque. Flores pistillati
sessiles, calyce gamosepalo, 4-lobato, lobis sagittatis pubescentibusque; ovarium
ovoideum vel ellipticum, glabrum, 2-loculare; style 2, ad basin connati. Fruclus
elliptici, glabri; semina leviter muricata, ecarunculata.
Árvores 6 - 25 m alt. Ramos bastante lenticelados, glabros. Folhas
palmatinérveas, alternas, raro opostas, peeíolos 2 - 7,5 cm compr.,
estriados, canaliculados, glabros; limbos 5,0 - 18,5 cm compr., 2,5 - 9
cm larg., ovais, oval-elípticos ou simplesmente elípticos, cartáceos,
subcoriáceos ou coriáceos, ápices acuminados a caudados, bases obtu-
sas ou levemente cuneadas, planas (não revolutas), glândulas 2-4,
arredondadas, margens acentuadamente crenado-glandulosas; faces
adaxiais com nervuras planas a levemente proeminentes, glabras; faces
abaxiais com nervuras proeminentes, esparso-pubescentes, quase gla-
bras, tricomas estrelados restritos às domácias na base foliar e na
junção da nervura principal com as secundárias. Plantas masculinas
não vistas. Plantas femininas com inflorescências em panículas espici-
formes, axilares e terminais, 9 - 18 cm compr., várias brácteas
triangulares na base, 1-1,5 mm compr., pubescentes, flores isoladas,
raro pareadas, raques pubescentes ou tomentosas. Flores pistiladas sés-
seis, bractéolas sagitadas, 0,5 - 1 mm compr., pubescentes; cálice
gamossépalo, lobos 4, sagitados, pubescentes, especialmente nas
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
Figura 1 -Alchornea tachirensis R. Secco. A. Ramo com inflorescências pistiladas (Gentry &
Ciiadros 4761 1). B. Bractéolas da flor pistilada (Gentry & Cuadros 4761 1). C. Flor pislilada,
evidenciando-se o cálice (idem). D. Flor pistilada, evidenciando-se ovário c estiletes (idem).
E. Corte do ovário (idem). F. Fruto jovem (Werff & Ortiz 5554). G. Fruto (Liesner et al.
12913). H. Sementes presas ao carpóforo (idem).
82
Alchornea 5vv. e Conceveiba Aublet (Euphorbiaceae-Alchorneae)
margens, Imm compr.; ovário ovoide a elíptico, glabro, 1-1,5 mm
compr., 1-1,5 mm larg., 2-locular, estiletes filiformes, às vezes leve-
mente achatados, concrescidos (ca. 1 mm) na base, 3-7 mm compr.,
ápices inteiros, esparso-pubescentes na face externa, glabros e lisos na
interna. Fruto elíptico, mericarpos 2, com 0,6 - 0,8 cm diam., glabro;
sementes 2, ovais à elípticas, ca. 0,5 cm compr., um tanto deformadas
no material examinado, levemente muricadas.
Distribuição. Alchornea tachirensis foi coletada em florestas pri-
mária e secundária, inclusive de margem de rios, e em vegetação de
“scrub” da Colômbia e Venezuela, em altitudes que variam entre 1600 -
2000 m. Através da escassa coleção examinada, observamos que apre-
senta flores e frutos no mês de julho, e apenas frutos em março.
Espécimes adicionais examinados, (parátipos). COLÔMBIA.
Depto. Magdalena: Serrania de Santa Marta, SE of Minca, 2000 m,
3 jul. 1984 (fl, fr), Gentry & Cuadros 47611 (F, MO). VENEZUELA.
Trujillo, 13 km East South East of Bocono, 16 mar. 1982 (fr), Liesner
et al. 12913 (F, MO).
Alchornea tachirensis apresenta clara afinidade com
A. grandiflora, especialmente pelas folhas ovais, oval-elípticas ou sim-
plesmente elípticas com a face adaxial geralmente escura e brilhosa no
material seco. Entretanto, procedendo-se uma análise mais detalhada
das amostras verificou-se que a espécie aqui descrita separa-se pronta-
mente de A. grandiflora por apresentar as folhas com a base plana (não
revoluta), a inflorescência pistilada em panícula espiciforme, com as
flores sésseis, os lobos do cálice sagitados (nunca lanceolados, como
pode ocorrer comumente em A. grandiflora), ovário glabro, estiletes
filiformes, concrescidos em cerca de 1 mm na base e os ápices inteiros.
Apesar das flores estaminadas permanecerem ainda desconheci-
das, considerou-se que as características encontradas nos exemplares
83
Bot. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
examinados com flores pistiladas são bastante consistentes para o esta-
belecimento da presente espécie. Tal posição está embasada na maior
importância das flores pistiladas como caráter taxonômico para a sepa-
ração das espécies em Alchornea, devido à quase uniformidade das
flores estaminadas no gênero.
2. Conceveiba maynasensis R. Secco, sp nov. Tipo. PERU. Depto.
Loreto: Maynas, Pto. Almendras, 122 m, 9 set. 1983 (fl. pist.), Vásquez
& Jaramillo 4590 (holótipo, MO; isótipo, F). Figura 2.
Arbores. Ramuli puberulenti vel tomentosi. Folia palmatinervea, petiolis teretibus,
pubescentibus vel pulverulentis; stipulac lanccolalo-sacciformes, concavae, ad
marginem laceratae; limbi elliptici, elliptico-ovales, orbiculares, raro
elliptico-lanceolati, coriacei, apice acuminati vel caudati, basi fortiter cordale,
3-nervati, ad marginem crenato-glandulosi, supra pubescentes, infra dense
pubescentes, nervis tomentosis. Inllorescentiae tcrminales, illae staminalcs in
corymbis, illae pistillatae in spicis dispositae. Flores staminales pedicellati, calyce
gamosepalo, valvare, 2-3-lobato, lobis ovatis, concavis, pubescentibus; stamina
28-30, staminodia absentia. Flores pistillati sessilcs, calyce dialyscpalo; sepala 5,
imbricata, externe 3, interne 2, lanceolata, tomentosa; ovarium subglobosum vel
globosum, tomentosum, 3-loculare, styli 3, recurvato-patentes, foliacei, ad
marginem lacerati. Capsulac septicidae; mericarpia 3, tomentosa; semina 3, ovalia
vel navicularia, carunculata.
Árvores 6 - 14 m alt. Ramos pulverulentos a tomentosos. Folhas
palmatinérveas, pecíolos 5,5 - 40 cm, compr., cilíndricos, pubescentes
a pulverulentos, estipulas lanceolado-saciformes, côncavas, margens
laceradas, 3 - 8 cm compr.; limbos 1 3 - 37 cm compr., 8,5 - 30 cm larg.,
elípticos, elíptico-ovais, orbiculares, raro elíptico-lanceolados, coriá-
ceos, ápices acuminados a caudados, bases profundamente cordadas,
trinervadas, margens crenado-glandulosas; faces adaxiais pubescentes,
os tricomas mais concentrados nas nervuras; faces abaxiais den-
so-pubescentes, nervuras tomentosas, indumento de tricomas
84
Alchornea Sw. e Conceveiba Aublet (Euphorbiaceae-Alchorneae)
Figura 2 - Conceveiba maynasensis R. Secco. A. Ramo com inflorescência pistilada em
espiga (Vasqitez & Jaramillo 4590) B. Estipulas com margens laceradas (idem). C. Intlores-
cência estaminada em corimbo. D. Bráctea do glomérulo da inflorescência estaminada, com
glândulas na base (Rimachiy. 2185). E. Bractéolas da flor estaminada (idem). F. Botão da flor
estaminada (idem). G. Flor estaminada com estames todos férteis (idem). H. Bractéolas da
flor pistilada (Vasquez & Jaramillo 4590). I. Flor pistilada sem os estiletes (idem). J. Ovário
(idem). K. Sépala da llor pistilada, face externa, com glândulas na base e nas margens (idem).
L. Ovário com estiletes foliáceos, sem uma parte (idem). M. Corte do ovário (idem). N. Fruto
(Gentry & Revilla 15883). O. Semente (idem).
85
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1 j, 1998
estrelados, domácias de tricomas estrelados na junção da nervura prin-
cipal com as secundárias. Plantas masculinas com inflorescências em
corimbos terminais, 35 - 50 cm compr., flores dispostas em glomérulos
multiflorais, bráctea glomerular 1,3 mm compr., raques tomentosas,
estriadas, robustas. Flores estaminadas pediceladas, pedicelos 1 - 2 mm
compr., bractéolas 3 por flor, sagitadas, côncavas, 1 externa, 2 internas,
0,5 - 1 mm compr., pilosas externamente, glabras internamente; cálice
gamossépalo, valvar, lobos 2-3, ovais, côncavos, pubescentes externa-
mente, glabros internamente, 2 - 2,5 mm compr,; estames 28 - 30, todos
férteis, 2-4 mm compr., livres, filetes filiformes, anteras elípticas,
deiscência lateral; estaminódios ausentes. Plantas femininas com inflo-
rescências em espigas, terminais, 28 - 45 cm compr., flores agrupadas
entre si no ápice da raque, raques tomentosas. Flores pistiladas sésseis,
bractéolas 3 por flor, sagitadas, 2,5 - 4,5 mm compr., pilosas externa-
mente, glabras internamente, glândulas 2, laterais, na base das
bractéolas; cálice dialissépalo, sépalas 5, biglandulosas na base, mar-
gens glandulosas, imbricadas, 3 externas, 2 internas, lanceoladas,
tomentosas externamente, glabras internamente, 4 - 5mm compr., 1 ,5 -
2,5 mm larg.; ovário subgloboso a globoso, levemente trigono, tomen-
toso, 3,5 - 4,5 mm diam., 3-locular, estiletes 3, recurvo-patentes,
foliáceos, margens laceradas, bífidos, concrescidos na base, 0,8 - 1 ,3
cm compr., face externa pubescente, face interna papilosa, glabra.
Fruto cápsula septicida, mericarpos 3, subgloboso, levemente trigono,
1,2- 1 ,5 cm diam., liso, tomentoso, tricomas urentes; sementes 3, ovais
a naviculares, levemente quilhadas ventralmente, 0,7 - 1 cm diam.,
levemente pintalgadas.
Distribuição. Conceveiba maynasensis é provavelmente endê-
mica das florestas da Província de Maynas, no Peru, em altitude de
cerca de 120m. Há registro de floração nos meses de março a abril e
novembro, e de frutificação no mês de janeiro.
86
Alchornea Sw. e Conceveiba AuWe/ (Euphorbiaceae-Alchorneae)
Espécimes adicionais examinados, (parátipos). PERU. Maynas:
Depto. Iquitos, rio Nanay below Bellavista, Carretera de Picuruyacu,
140 m, 6 nov. 1974 (fl), Rimachi 1302 (F); idem; idem, idem, 20 abr.
1976 (fl), Rimachi 2185 (F); idem: Loreto, Pto. Almendras, rio Nanay,
122 m, 10 abr. 1985 (fl), Vasquez & Jaramillo 6300 (F, MO); idem:
idem, idem, 7 dez. 1982 (fl), Vásquez & Jaramillo 3493 (F, MO); idem:
idem, idem, 13 jan. 1976 (fr), Gentry & Revilla 15883 (CTES, F, MO);
Loreto: caserio de Mishana, 30 mar. 1978 (fl), Rimachi 3516 (F);
Maynas: Iquitos, rio Nanay, 12 jan. 1947 (fr), Rimachi 2752 (F).
Nome Vulgar. Peru: “sapotilla”.
* Conceveiba maynasensis é uma espécie facilmente identificável,
especialmente pelas estipulas com as margens laceradas. Separa-se de
C. martiana, da qual é mais próxima, pelas folhas com face abaxial
denso-pubescente, com nervuras tomentosas, inflorescência estami-
nada com muitas flores dispostas em glomérulos, raque tomentosa,
estames em geral em número de 30, todos férteis, inflorescência pisti-
lada em espiga, com as flores sésseis, cálice com 5 sépalas e ovário com
estiletes largos, foliáceos e recurvo-patentes.
Além disso, enquanto Conceveiba martiana tem distribuição geo-
gráfica ampla, C. maynasensis tem, até o presente, ocorrência restrita
ao Peru.
AGRADECIMENTOS
Ao CNPq, pela bolsas de doutorado (processo no. 140.450.91/2) e de
pesquisa (processo n° 301 .252/86-6); à Dra. Ana Maria Giulietti, da Uni-
versidade Estadual de Feira de Santana, pela orientação a esta pesquisa; ao
Dr. William Rodrigues, da Universidade Federal do Paraná, pela confec-
ção das diagnoses latinas; ao Elielson Rocha, bolsista do PCI-CNPq, pela
confecção dos hábitos das plantas e sombreamento das partes reproduti-
vas; ao Celso Moraes, pela digitação e formatação do texto.
87
( 1 SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Universidade de São Paulo. Tese de doutorado.
WEBSTER, G.L. 1994. Synopsis of the genera and suprageneric taxa of
Euphorbiaceae. A/rn. Mo. Bot. Gdn. 81(1): 33-144.
Recebido em: 14.04.98
Aprovado em: 20.10.98
88
RESENHA BIBLIOGRÁFICA
DAVIS, Wade. 1996. One River: Explorations and discoveries in the
Amazon rainforest. New York, Simon & Schuster.
William L. Overai
Autor e etnobotânico Wade Davis tece os fios do destino que uni-
ram as vidas de três importantes botânicos, Richard E. Schultes,
Timothy Plowman e Richard Spruce, cujas histórias convergem na
Amazônia e são entrelaçadas como as árvores e cipós das florestas que
estudaram. O livro One River é, ao mesmo tempo, uma feliz saudação
para o professor Schultes, agora emérito entre os sábios da flora amazô-
nica, e um elogio para o colega Plowman, tragicamente falecido em
1989 no meio de uma carreira brilhante. Richard Spruce, eminente
naturalista viajante da época vitoriana, está atrás de cada página desta
história, como herói e modelo dos dois modernos seguidores de suas
paixões pelas plantas e paisagens amazônicas.
Plowman e Davis viajaram nos Andes e na Amazônia ocidental
entre 1974 e 1975, visitando e convivendo com as tribos indígenas, a
fim de determinar a origem e as relações das espécies de coca ou epadu
(Erythroxylum spp.), a fonte da cocaína. A viagem, cheia de aventuras e
novidades, foi incentivada pelo professor Schultes, que orientou os dois
jovens etnobotânicos. Os dois acabaram por entrar no mundo que
' PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Dcpt° de Zoologia -Pesquisador Titular. Caixa
Postal 399. CEP 66040-170, Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(1), 1998
Schultes descobriu quase quatro décadas antes, voltando repetidas
vezes atrás de soluções para questões ligadas à etnobotânica.
Em 1941, o Professor Schultes chegou, também jovem, na Ama-
zônia. Inicialmente pesquisou as plantas venenosas, halucinogênicas e
medicinais dos índios e comunidades tradicionais, mostrando para o
mundo a riqueza inesperada da farmacopéia dos povos da floresta.
Durante e depois da Segunda Guerra Mundial, ele permaneceu na
região, adentrando na floresta para localizar seringais nativos e estimu-
lar a extração de látex, matéria prima crítica para os esforços bélicos
dos aliados. Navegou rios desconhecidos e visitou tribos ainda sem
contato com os brancos. No todo, coletou mais de 20.000 exemplares
(“números”) botânicos, incluindo mais de 300 espécies novas para a
ciência. Em mais de 80 trabalhos e quatro livros publicados, ele docu-
mentou os conhecimentos valiosos de pajés e curandeiros, verdadeiros
acervos vivos de conhecimentos da flora. Seu livro The Healing Forest
(ainda sem tradução para o português) lista mais de 2500 espécies vege-
tais de uso medicinal na Amazônia ocidental. Hoje Schultes é, sem
dúvida, o maior especialista, em todo mundo, sobre a etnobotânica do
seu querido noroeste amazônico.
Esta biografia de Schultes é uma inspiração aos que contribuiriam
à etnobotânica da região. O caminho está aberto para outros, uma vez
que a sabedoria dos índios é vasta e o tempo que resta lamentavelmente
parece curto para documentar a relação entre os povos e a flora, antes
que um dos dois (ou os dois) seja irreparavelmente destruído. Este é um
desafio para a nossa geração.
Recomendo este livro aos leitores que querem saber como era a
fase de exploração botânica da Amazônia nas décadas de 1940s a
1970s, quando grandes estudiosos da flora, como Schultes, João Murça
Pires, José Cuatrecasas, Adolpho Ducke e outros começaram a coletar
sistematicamente nas mais remotas localidades da Amazônia. Hoje em
90
Resenha Bibliográfica
V*
dia, a dificuldade de chegar ao lugar de nossos estudos é bem rtienor.
Foi para mim uma surpresa agradável encontrar neste livro as histórias
da vida de Plowman e Schultes, uma vez que não há menção a nenhum
dos dois no título ou subtítulo da obra.
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1 SciELO
Impresso em Belém-PA por:
cartopack indústria gráfica itda.
Rod. A. Montenegro • Km 11 • Fone: 268-1200
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encaminhado em folha separada para que seja impresso no alto de cada página ímpar
do artigo e não deverá ultrapassar 70 caracteres.
11) As referências bibliográficas e as citações no texto deverão seguir o “Guia para
Apresentação de Manuscritos Submetidos à Publicação no Boletim do Museu Paraense
Emílio Goeldi” .
12) No artigo aparecerá a data do recebimento pelo Editor e a respectiva data de aprovação
pela Comissão Editorial.
13) Os autores receberão, gratuitamente, 30 separatas de seu artigo e um fascículo completo.
14) Os manuscritos devem ser encaminhados com uma carta à Comissão de Editoração do
Museu Paraense Emílio Goeldi-CNPq (Comissão de Editoração. Caixa Postal 399,
66040-170, Belém, Pará, Brasil).
15) Para maiores informações, consulte o "Guia para Apreseniação de Manuscritos
Submetidos à Publicação do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi”.
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CONTEÚDO
Artigos originais
OBSERVAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A BIOLOGIA FLORAL
DE CYNOMETRA BAUHINIIFOLIA BENTHAM (CAESALPINIACEAE)
Aldaléa Sprada Tavares, Filomena Ferreira Santiago,
Léa Maria Medeiros Carreira 3-10
TRATAMENTOS ESCARIFICADORES EM SEMENTES DURAS
DE SETE LEGUMINOSAS NATIVAS DA ILHA DE MARACÁ,
RORAIMA, BRASIL
Luiz Augusto Gomes de Souza, Marlene Freitas da Silva 1 1-32
CARACTERIZAÇÃO ESTRUTURAL DE POPULAÇÕES NATIVAS
DE PALMEIRAS DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
Mário Augusto G. Jardim, Asemar Carlos da Costa Cunha 33-41
CORYANTUES ELIANAE E CORYANTHES MIUAENSIS:
DUAS NOVIDADES DA FAMÍLIA ORCHIDACEAE PARA
O ESTADO DO AMAZONAS, BRASIL
Manoela F. F. da Silva, Alvadir T. de Oliveira 43-51
MANAGEMENT OF INFL0RESCENCF:S AÇAÍ PALM (EUTERPE
OLERACEA MART.) IN THE AMAZON RI VER ESTUARY
Mário Augusto G.Jardim, John Summer Romhold 53-62
CATASETUM CUCUIJATUM, UMA NOVA ESPÉCIE DE ‘
ORCHIDACEAE PARA O ESTADO DO AMAZONAS, BRASIL
Manoela Ferreira F. da Silva, Alvadir T. de Oliveira 63-67
USOS DE PALMEIRAS E MA COMUNIDADE RIBEIRINHA
DO ESTUÁRIO AMAZÔNICO
Mário Augusto G. Jardim, Asemar Carlos da C. Cunha 69-77
ALCHORNEA SW. E CONCEVEIBA AUBLET
(EUPHORBIACEAE-ALCHORNEAE): NOVAS ESPÉCIES
PARA A COLÔMBIA, VENEZUELA E PERU
Ricardo de S. Secco 79-88
Resenha
RESENHA BIBLIOGRÁFICA
William L. Overal 89-91
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