Julho de 2001
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia
Ministro - Ronaldo Mota Sardenberg
Museu Paraense Emílio Goeldi
Diretor - Peter Mann de Toledo
Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação - Ima Célia G. Vieira
Coordenador de Comunicação e Extensão - Antonio Carlos L. Soares
Comissão de Editoração Científica
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Editor Chefe - Iraneide Silva
Editor Assistente - Socorro Menezes
Bolsistas - Andréa Pinheiro, R. Hailton Santos
Assistente Técnico - Williams B. Cordovil
CONSELHO CIENTÍFICO
Consultores
Ana Maria Giulietti - Universidade Estadual de Feira de Santana
Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - Instituto de Ciências Naturales/Universidad Nacional, Bogotá
Fernando Roberto Martins - Universidade de Campinas
Ghillean T. Prance - Royal Botanic Gardens
João Peres Chimelo - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
Nanuza L. Menezes - Universidade de São Paulo/Instituto de Biociências
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Therezinha SanPAnna Melhem - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kerr - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
William A. Rodrigues - Universidade Federal do Paraná
/ 7 JUL. 2002
© Direitos de Cópia/Copyright 2002
por/by MCT/Museu Goeldi
b
DOAÇÃO
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Museu Paraense Emílio Goeldi
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 17(1)
Belém - Pará
Julho de 2001
PR-MCT
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 - São Brás
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Terra Firme
Caixa Postal: 399 - Tels: Parque (91) 219-3300,
Campus (91) 217-6000 - Fax: (91) 249-0466
CEP: 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
www. museu-goeldi.br
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this
publication.
Financiamento
Accredited with the International Association for Plant Taxonomy (IAPT)
for the purpose of registration of all ncw plant names
CDD: 589.4104526323
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E QUÍMICAS
DE SETE IGARAPÉS DE TERRA-FIRME
NO ESTADO DO AMAZONAS E SUA
RELAÇÃO COM BATRACHOSPERMUM SPP.
(BATRACHOSPERMACEAE, RHODOPHYTA)
Domitila Pascoaloto 1
RESUMO - Este estudo teve por finalidade conhecer as espécies do
gênero Batrachospermum e verificar as características físicas e
químicas de sete segmentos de igarapés localizados em área de reserva
florestal ( floresta úmida amazônica) nas proximidades de Manaus,
estado do Amazonas (02°19'-03°08’S, 59°45’-60°05’W). As visitas
foram mensais em dois dos igarapés, de maio de 1996 a abril de 1997.
Os demais igarapés foram visitados duas vezes, uma no período “seco ”
e outra no “chuvoso”, entre julho de 1996 e setembro de 1997. Foram
avaliadas as seguintes variáveis ambientais: temperatura da água,
concentração de oxigênio dissolvido, saturação de oxigênio, velocidade
superficial da correnteza, cobertura do dossel, largura e profundidade
do igarapé, pH, condutividade elétrica e turbidez. Os igarapés estudados
foram bem oxigenados, apresentaram fluxos moderados, valores baixos
de condutividade e turbidez, temperatura constantemente alta e pH
bastante baixo. Foram identificadas três espécies, Batrachospermum
capense Starmach ex Necchi & Kumano, B. cayennense Montagne e B.
periplocum (Skuja) Necchi. Espécimes de B. cayennense foram
encontrados durante todo o ano em um dos igarapés, e por 10 meses no
outro. Nos pontos com duas visitas, a alga foi encontrada apenas no
período “seco " em um dos igarapés e em ambos os períodos nos demais.
B. capense e B. periplocum foram observadas apenas em um dos locais
e estiveram presentes em ambos os períodos.
1 Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. Laboratório de Química Ambiental.
Caixa Postal 478. Cep. 6901 1-970. Manaus-AM. E-mail: domitila@inpa.gov.br
3
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
PALAVRAS-CHAVE: Igarapés, Variáveis físicas e químicas,
Batrachospermum, Floresta úmida amazônica, Brasil.
ABSTRACT - This study intended to know the Batrachospermum species
and verify the physical and Chemical characteristics of seven stream
segments with in forest reserves (Amazon rainy forest) near Manaus,
Amazonas State ( 02 o 19'-03°08'S , 59°45’-60°05’W). Two streams were
investigated monthly from May, 1 996 throughout April, 1997. The others
streams were visited two times, one in the “dry ” period and other in the
“rainy” one. The environmental variables analyzed were: water
temperature, dissolved oxygen concentration, dissolved oxygen
saturation, superficial current velocity, canopy cover, stream width and
depth, pH, specific conductance and turbidity. The streams were well
oxygenated, showed moderate flow, specific conductance and turbidity
low values, high constant temperature and pH quite low. Three species
were identified, Batrachospermum capense Starmach ex Necchi &
Kumano, B. cayennense Montagne e B. periplocum (Skuja) Necchi. B.
cayennense specimens were founded during all the year in one of the
streams, and for 10 months in the other one. For the sites visited just for
two times, the algae were found just in the “dry” period in one of the
streams and in both periods in the other ones. Plants of B. capense and
B. periplocum were found just in one of these points and were collected
in both periods.
KEY WORDS: Streams, Physical and Chemical variables,
Batrachospermum, Amazon Rainy Forest, Brazil.
INTRODUÇÃO
“O riacho da floresta úmida amazônica é fundamentalmente dife-
rente, em vários fatores ecológicos, daqueles de outras regiões e
climas. Sua água é extremamente pobre em minerais solúveis, a
radiação solar direta geralmente não atinge a superfície da água.
A temperatura é extremamente constante. Plantas vivas estão
quase sempre ausentes, a fauna é pobre e, mais propriamente,
única. Essas características são mais evidentes na “ terra firme"
da região amazônica central ” (Fittkau 1967: 97).
4
Características físicas e químicas cie sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
Vários fatores exercem influência sobre as características físicas
e químicas das águas de rios e riachos (ou igarapés). Para o estudo das
características limnológicas de um ambiente, é necessário levar-se em
conta sua origem (Maier 1978). Na bacia amazônica a litologia dos
substratos e regime de erosão exercem o controle fundamental da quí-
mica das águas de superfície (Stallard & Edmond 1983). As águas que
têm suas fontes na Amazônia Central refletem especialmente bem as
condições extremas dessa região (Fittkau et al. 1975), apresentando
em sua maioria uma pobreza pronunciada de sólidos inorgânicos dis-
solvidos, além de pH extremamente baixo (< 4,5) (Sioli 1951;
Brinkmann & Santos 1973; Furch et al. 1982).
Comunidades vegetais bentônicas de ambientes lóticos consistem
de várias espécies, geralmente dominadas por algas e briófitas
(Holmes & Whitton 1981). Em riachos pequenos as algas bentônicas
proporcionam a única fonte significativa de material orgânico
autóctone, sobretudo quando as condições são desapropriadas para o
estabelecimento de briófitas ou plantas aquáticas vasculares. Entre as
algas, Batrachospermum (Batrachospermaceae, Rhodophyta) é um
dos gêneros mais freqüentemente encontrados em riachos (igarapés)
localizados em áreas florestais em geral (Sheath et al. 1989;
Pascoaloto & Necchi 1990; Branco & Necchi 1996) e, desde o século
XIX, esta tem sido a macroalga mais comumente citada para os igara-
pés da região próxima a Manaus (Dickie 1881; Fittkau 1964; Fittkau
et. al. 1975; Uherkovich & Franken 1980; Necchi 1990; Pascoaloto
1999). Entretanto, a maioria dos artigos foram oriundos de observa-
ções aleatórias ou constituíram apenas de estudos taxonômicos, de
maneira que muito pouco se sabe sobre os ambientes onde as comuni-
dades foram observadas.
Neste estudo foram avaliados alguns parâmetros físicos e
químicos de trechos de sete igarapés de terra-firme localizados em área
de reservas florestal, onde encontravam-se presentes plantas de
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Batrachospermum spp., a fim de conhecer as espécies ocorrentes e
determinar as condições dos ambientes onde os espécimes foram
encontrados.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização da área amostrada
Os locais avaliados neste estudo estão localizados nos municípios
de Manaus e Rio Preto da Eva (Figura 1), com latitude 02°19'-03 o 08’S
e longitude 59°45’-60°05’ W, entre as regiões central e periférica norte,
segundo a divisão ecológica de Fittkau (1976).
A região estudada pertence à Formação Alter do Chão (Período
Terciário) (Schobbenhaus et al. 1984), e está incluída na Planície
Amazônica, região do Baixo Platô Amazônico.
Pontos de amostragem
O estudo foi desenvolvido de maio/96 a setembro/97 em áreas de
reservas florestais do Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmentos
Florestais (PDBFF) do convênio Inpa/SI (Instituto Nacional de Pes-
quisas da Amazônia/Smithsonian Institution), localizadas em uma
reserva biológica (Reserva Adolpho Ducke) (Figura 1) e três fazendas
(Dimona, Esteio e Porto Alegre) (Figuras 1-2). Foram selecionadas
sete reservas (Adolpho Ducke, Cabo Frio, Dimona, Florestal, Gavião,
"Km 41", Porto Alegre), e em cada uma foi amostrado um igarapé
(Barro Branco, Cabo Frio, Dimona- 100, Florestal, Gaviãozinho, S-12
e Porto Alegre, respectivamente). A escolha da reserva foi feita com
base na presença de, no mínimo, um igarapé que percorresse sua exten-
são. A seleção dos pontos baseou-se na presença de espécimes de
Batrachospermum spp. As reservas Adolpho Ducke (igarapé Barro
Branco) e “Km 41” (igarapé Piscina) foram visitadas mensalmente,
durante o período de maio/96 a abril/97. As demais reservas foram
6
Características físicas e químicas de sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
visitadas em duas ocasiões, uma no período seco (maio-outubro) e
outra no chuvoso (novembro-abril).
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Figura 1 - Localização das áreas de estudo (1= Reserva Ducke, 2 = Fazenda Porto
Alegre, 3= Fazenda Esteio, 4 - Fazenda Dimona).
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Boi. Mus. Pura. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Boa Vista
Manaus
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Km 41
Figura 2 - Localização das reservas estudadas (1= "Km 41”, 2 = Gavião, 3= Florestal,
4= Cabo Frio, 5= Porto Alegre, 6= Dimona).
Para cada ponto foi definida uma transeção permanente com 10
metros de extensão ao longo das margens (Holmes & Whitton 1981;
Necchi & Pascoaloto 1993). Utilizou-se o comprimento e não a área
devido à maior facilidade de relocalizar o trecho exato em épocas
distintas.
Os substratos dos igarapés estudados foram compostos por areia,
macrófitas, raízes, troncos caídos, folhas e gravetos.
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Características físicas e químicas de sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
Variáveis ambientais
Foram avaliadas as seguintes variáveis ambientais: temperatura
da água, velocidade superficial da correnteza, cobertura do dossel, lar-
gura e profundidade do igarapé, concentração e saturação de oxigênio
dissolvido, pH, condutividade elétrica e turbidez da água. A tempera-
tura foi medida com termômetro de mercúrio, graduado de 0 a 100°C,
no ponto médio da transeção. A velocidade superficial da correnteza
foi estimada medindo-se o tempo gasto para que uma bóia de pesca de
isopor percorresse a extensão da transeção (Sheath et al. 1986;
Pascoaloto & Necchi 1990). Foram feitas cinco medições e calculada
a média. A abertura do dossel foi avaliada através de densiômetro
Lemmon Forest Densiometer Model-C, foram feitas duas medições,
uma no início e outra no final da transeção. A determinação da largura
e profundidade dos locais foi realizada utilizando-se uma trena com
marcação em milímetro, centímetro e metro. Em ambos os parâmetros
foram feitas 10 medições em pontos equidistantes na transeção, calcu-
lando-se as médias. As medidas de largura foram tomadas de margem
a margem, enquanto que as de profundidade foram realizadas no ponto
médio da correnteza.
A água para determinação dos demais parâmetros foi coletada no
ponto médio da transeção e as análises foram realizadas no laboratório
de química ambiental da CPGC (Coordenadoria de Pesquisas em
Geociências) do Inpa. A concentração de oxigênio dissolvido foi
determinada segundo método de Winkler modificado (Golterman &
Clymo 1970). O cálculo da saturação de oxigênio foi feito com base
na tabela de Golterman et al. (1978). A medida do pH foi obtida atra-
vés de pHmetro digital WWR, cat. 34100-608, a condutividade
elétrica foi determinada com condutivímetro digital Jenway mod. 40 1 0
e a turbidez foi avaliada com uso de turbidímetro Polillab AP 100011.
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SciELO
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Boi Mus. Para. Emílio Goelili, sér. Boi., 17(1). 2001
Macroalgas
O material coletado foi levado para o laboratório e dividido em
dois lotes, um sendo imediatamente fixado em solução formol: água
destilada a 4%, e o outro mantido em geladeira por um período
máximo de três dias para análise do material fresco. O material cole-
tado foi analisado em microscópio binocular Kyowa SM-KE,
acrescido de ocular micrometrada acoplada ao seu sistema óptico. A
identificação das espécies foi feita segundo Necchi (1990).
RESULTADOS
Os resultados obtidos (valores mínimo, máximo, média e desvio
padrão, mensal ou bianual, conforme a peridiocidade), para as variá-
veis ambientais em cada local estão representados na Tabela 1. A
oscilação anual da temperatura (diferença do maior para o menor valor
observado) foi da ordem de 0,5 (S-12) a 1,0°C (Barro Branco), a velo-
cidade da correnteza oscilou entre 1 1,77 (S-12) e 17,68 cm. s' 1 (Barro
Branco), a largura do igarapé entre 0,65 (S-12) e 1,12 m (Barro
Branco), a profundidade do igarapé entre 5,42 (S-12) e 14,88 cm
(Barro Branco), a cobertura do dossel entre 9,46 (S-12) e 21,04%
(Barro Branco), a concentração de oxigênio entre 4,91 (S-12) e 7,22
mg.H (S-12), a saturação de oxigênio dissolvido entre 59,44 (S-12) e
87,41 % (S-12), o pH entre 0,6 (S-12) e 0,7 (Barro Branco), a condu-
tividade elétrica entre 10,29 (Barro Branco) e 20,83 (S-12) iiS.cnr 1
(Barro Branco), a turbidez entre 0,57 (Barro Branco) e 1,19 FTU (S -
12 ).
Os resultados obtidos nos igarapés que foram visitados apenas em
duas ocasiões (período seco e chuvoso), foram, em linhas gerais, con-
dizentes com aqueles obtidos nos igarapés visitados mcnsalmente.
Apenas os dados referentes à temperatura foram inferiores nos igara-
pés Dimona-100 e Florestal, enquanto aqueles referentes à
temperatura, condutividade elétrica, concentração e saturação de
10
Tabela 1 - Valores obtidos (valor mínimo, máximo, com média e desvio padrão quando n > 3) para as variáveis ambientais
nos igarapés estudados (n= número de observações realizadas).
Características físicas e químicas de sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
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oxigênio dissolvido foram superiores no igarapé Gavião. O igarapé
Gavião apresentou, também, largura superior àquela encontrada nos
demais, enquanto os igarapés Dimona-100 e Porto Alegre apresenta-
ram os menores valores para profundidade.
Espécimes de Bat racho spermum foram encontrados durante todo
o período. Foram identificadas três espécies para a região presente-
mente estudada, B. capense Starmach ex Necchi & Kumano,
B. cayennense Montagne e B. periplocum (Skuja) Necchi. Espécimes
de B. cayennense foram observadas ao longo do ano (maio 96-abril 97)
no igarapé Barro Branco e porlO meses (maio/96-fevereiro/97) no
igarapé S- 12. A espécie também foi encontrada em ambas as coletas
(período seco e chuvoso) nos igarapés Cabo Frio, Dimona-100,
Florestal e Gaviãozinho, e apenas no período seco no igarapé Porto
Alegre. Espécimes de B. capense e B. periplocum foram observados
em ambas as coletas no igarapé Cabo Frio, em associação com espéci-
mes de B. cayennense.
DISCUSSÃO
Os resultados obtidos para as variáveis ambientais foram, em
linhas gerais, condizentes com aqueles registrados anteriormente para
a região (Sioli 1951; Brinkmann & Santos, 1973; Furch et al. 1982;
Campos 1993). Entretanto os dados atuais revelaram que a tempera-
tura da água em igarapés pequenos (< 4 m de largura), que correm no
interior da floresta, pode ser inferior a 24°C. Campos (1993) estudou
por um período de 12 meses, em visitas mensais, as características
hidroquímicas de 10 igarapés ao longo da rodovia BR- 174 (Manaus-
Boa Vista), entre os quilômetros 0 e 112, onde os valores de tempera-
tura da água apresentaram variação de 24,2 a 32,5°C. Os valores
inferiores para temperatura da água registrados no atual estudo podem
ser devidos ao fato das visitas terem ocorrido logo no início da manhã,
ou dos igarapés presentemente avaliados apresentarem-se cobertos
12
Características físicas e químicas de sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
pelo dossel das árvores circundantes (cobertura do dossel > 67%),
enquanto os trechos avaliados por Campos (1993) situaram-se às mar-
gens da rodovia e consequentemente estiveram mais expostos à
radiação solar direta, que é o fator que mais contribui para o aqueci-
mento das águas de rios (Maier 1978). O limite superior para essa
variável registrado por Campos (1993) corrobora com a segunda
hipótese.
Os igarapés estudados apresentaram fluxos moderados (12,0 -
29,0 cm.s* 1 ) e foram bem oxigenados (4,94 - 7,44 mg.H, saturação >
60%), condições essas que favorecem o aparecimento de plantas de
Rhodophyta. Algas vermelhas de água doce podem ser encontradas em
uma larga escala de concentrações de oxigênio, variando de 0,2 a 21
mg.l' 1 (Sheath & Hammbrook 1990), entretanto existe um leve
aumento na freqüência de ocorrência de Rhodophyta em concentra-
ções de O 2 mais elevadas (Sheath 1984). As rodófitas continentais
estão geralmente limitadas às águas correntes ou, no mínimo, águas
que estão em movimento, o que, provavelmente, está associado ao fato
que o movimento da água é importante para providenciar uma boa
aeração e portanto uma fonte abundante de oxigênio (Skuja 1938).
Os igarapés avaliados neste estudo apresentaram valores extre-
mamente baixos de pH, condutividade e turbidez, sugerindo águas
quimicamente pobres (pouco mineralizadas), como, aliás, o são as
demais águas já estudadas na região, principalmente aquelas localiza-
das na bacia do Rio Negro (Brinkmann & Santos 1973; Furch et al.
1982; Campos 1993).
A cobertura do dossel encontrada nos igarapés presentemente
estudados foi elevada (>65%), chegando a ser >90% (igarapé S-12).
Tal característica, além de ser um dos principais fatores responsáveis
pela relativa estabilidade da temperatura da água observada ao longo
do ano, impede a entrada de luz, limitando a flora aquática e, conse-
quentemente, a biota local cm geral. Desta forma, as algas - uma das
13
cm
SciELO
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Boi. Mus. Poro. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1). 2001
principais fontes autotróficas presentes nos igarapés que se encontram
na região, devem estar adaptadas a essas condições extremas (águas
quimicamente pobres e pouca iluminação). O sucesso observado nos
espécimes de Rhodophyta deve-se, provavelmente, à versatilidade de
seu aparelho fotossintético. Assim, a capacidade de aclimatação cro-
mática que ocorre nos representantes dessa Divisão (Sheath 1984;
Kaczmarczyk & Sheath 1991) permite que as mesmas ocorram em
locais onde a incidência de luz é bastante limitada. Os valores baixos
de pH encontrados nas águas estudadas (< 4,5) também favorecem os
espécimes de B at racho spermum, pois nessa região da escala de pH o
carbono inorgânico disponível encontra-se, predominantemente, na
forma de ácido carbônico (H 2 CO 3 ), forma utilizada pelas espécimes de
Batrachospermum, que inclusive não são capazes de utilizar bicarbo-
nato (HC 03 ‘), forma predominante de carbono inorgânico em pH mais
elevados (Raven & Beardall 1981).
A penetração e intensidade de luz em qualquer corpo d’água estão
estreitamente relacionadas com a turbidez (Maitland 1990). Segundo
Vanotte et al. (1980), nas previsões do Conceito do Contínuo Fluvial
(CCF, do termo original RCC: “River Continuum Concept"), algas
seriam esperadas na parte média da bacia (corpos d’ água menores que
6 a ordem), pois é nessa região que a vegetação circundante é mais
aberta, as profundidades não são muito grandes e a água não é ainda
muito turva, otimizando assim o crescimento algal. As condições
encontradas nos igarapés presentemente avaliados, ou seja, valores
baixos de turbidez e profundidade, associado aos recursos de adapta-
ção fotocromática encontrada em Rhodophyta, permitiriam e
favoreceriam o surgimento desse grupo nos locais.
Os espécimes de Batrachospermum foram epifíticos, associados
principalmente a raízes e galhos caídos. Quedas de árvores e galhos
são comuns no interior da floresta, e quando essas quedas ocorrem com
as árvores adjacentes ao igarapé, formam-se fontes de substrato em
14
Características físicas e químicas de sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
potencial para a fixação de plantas de Batrachospermwn. Os igarapés
estudados apresentaram largura reduzida (em geral < 2,5 m). Esse fato,
associado às quedas de árvore resultantes de processos naturais, geral-
mente decorrentes de fenômenos atmosféricos (principalmente ventos
e raios), favorece a formação de clareiras, onde, além de se encontra-
rem substratos (galhos) em abundância, a cobertura oferecida pelo
dossel das árvores sofre sensível redução, aumentando, assim, a
radiação incidente. As condições encontradas nesses trechos favorece-
riam a presença de Batrachospermwn, conforme foi observado por
Fittkau (1964). Pascoaloto (1999), entretanto, observou espécimes de
Batrachospermwn spp. em menos de 25% do total de clareiras obser-
vadas, indicando que a ocorrência dessas espécies provavelmente se
deve ao acaso, ainda que um maior número de substratos disponíveis
aumente a probabilidade de fixação do carpósporo. Segundo Entwisle
& Kraft (1984) o acaso é um dos principais responsáveis na distribui-
ção das algas encontradas, pois algas vermelhas podem ser
encontradas em meio a emaranhados de algas verdes, ou serem obser-
vadas em uma coleta e não aparecerem mais no local.
Os igarapés da Floresta Úmida Amazônica constituem um tipo de
água na qual a biocenose foi formada não apenas pela temperatura
constantemente alta e pouca luminosidade, mas também pelas condi-
ções eletroliticamente pobres (Fijtkau 1964). O gênero
Batrachospermwn apresenta características peculiares que lhe permi-
tem ser bem-sucedido em locais aparentemente inóspitos para o
crescimento algal, podendo, inclusive, ser encontrado em qualquer
época do ano. Essa é, provavelmente, a principal razão para que apenas
macroalgas pertencentes a esse gênero tenham sido observadas
anteriormente. As condições químicas encontradas nos igarapés estão
de acordo com outras já registradas na literatura mundial para
Rhodophyta, entretanto o estudo realizado na região amazônica por
Pascoaloto (1999) revelou que muitas vezes é preciso se caminhar
15
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. hus. Para. Emílio Goehli, sér. Boi.. 17(1), 2001
muito no igarapé para se encontrar plantas de Batrachospermum. Esse
fato deve-se provavelmente ao histórico de vida desta alga, onde existe
uma alternância de geração entre uma fase gametofítica
( Batrachospermum spp.) e outra carposporofítica (fase “Chantransia”
de Batrachospermum spp.)- Em linhas gerais, quando o carpósporo
que foi liberado na água encontra um substrato apropriado e as condi-
ções locais são favoráveis, origina um novo gametófito. As condições
físicas encontradas nos igarapés estudados reduziríam as possibilida-
des de sucesso do desenvolvimento do carpósporo, pois esse depende
de se fixar em um substrato numa região onde a luminosidade seja sufi-
ciente e a velocidade não muito elevada; entretanto, uma vez que a
população tenha se estabelecido, ela pode se manter estável ao longo
do ano.
CONCLUSÃO
Os ambientes estudados podem ser identificados como igarapés
com águas ácidas, bem oxigenadas, com fluxos moderados e ambien-
tes sombreados; características essas favoráveis ao desenvolvimento
de espécimes de algumas espécies de Batrachospermum. Essas condi-
ções, associadas à ocorrência de substratos favoráveis, como troncos e
galhos caídos em posições adequadas para a fixação dos carpósporos,
foram as principais responsáveis pelo estabelecimento das comunida-
des de B. capense, B. cayennense e B. periplocum, algumas podendo,
inclusive, ser encontradas coexistindo num mesmo intervalo de
igarapé.
Novos estudos a serem desenvolvidos em igarapés que nascem e
percorrem o interior da floresta, bem como em outros localizados em
áreas desmatadas e/ou em diferentes regiões geológicas, são, entre-
tanto, necessários para melhor estabelecer-se as relações entre as
comunidades de Batrachospermum spp. e o meio no qual elas se
encontram. Tratando-se de locais e comunidades pouco estudados,
16
Características física.': e químicas de sete igarapés de terra-firme no estado do Amazonas
existe, ainda, a possibilidade latente de se encontrar novas espécies,
contribuindo, assim, também, para o estudo da sistemática desse
grupo.
AGRADECIMENTOS
À Capes, aos funcionários do PDBFF, ao Inpa e aos pesquisado-
res e funcionários da CPGC. À Antonia G.N. Pinto, M. Socorro Rocha
e ao Dr. Bruce Rider Forsberg.
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Recebido em: 10.tW.99
Aprovado em: 26.10.00
19
CDD: 582.17
i#
ASPECTOS TAXONÔMICOS DE ESPÉCIES
ARBUSTIVAS E ARBÓREAS OCORRENTES
EM MOITAS (RESTINGA DO CRISPIM),
MARAPANIM-PA
Dário D. Amaral 1
João Ubiratan M. dos Santos 2
Maria de Nazaré C. Bastos 1
Salustiano V. Costa Neto 3
( RESUMO - Este estudo foi realizado na restinga do Crispim , situada no
município de Marapanim, estado do Pará, enfocando aspectos
taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes nas moitas.
São apresentadas descrições sucintas das espécies, baseadas em alguns
caracteres vegetativos. Com base nas descrições foi construída uma
chave analítica para facilitar a identificação no campo, bem como a
ilustração de um representante por família. As coletas botânicas
compreenderam um período de 24 meses e os espécimes estão
depositados no Herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi. Estudou-
se um total de total de 40 espécies, distribuídas em 22 famílias.
PALAVRAS-CHAVE: Taxonomia, Moitas, Restinga.
1 MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Caixa Postal 399.
Cep 66.040-170. Belém-PA. E-mails: dario@museu-goeldi.br; nazir@museu-goeldi.br
2 FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor visitante. Av. Perimetral, 2501.
Cep 66075-650. Belém-PA. E-mail: bira@museu-goeldi.br
- 1 lEPA-lnstituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. Divisão de
Botânica. Rod. JK, Km. 10, s/n. Fazendinha. Cep 68902-280. Macapá-AP. E-mail:
salucosta@zipmail.com.br
21
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
ABSTRACT - The trees and slinibs oflhe dune vegetation at Crispim, in
the municipality of Marapanim, Pará State, northem Brazil, include 40
species pertaining to 22 plant families. Succinct descriptions and a
taxonomic key based on vegetative characteristics were made in order
to facilitate field identifications. One representative species of each
fatnily was ilhistrated. Field collections extended over 24 months, and
the voucher specimens are deposited in the herbarium of the Emílio
Goeldi Museum ofPará, in Belém, Brazil.
KEY WORDS: Taxonomy, Dune vegetation, Shrubs.
INTRODUÇÃO
O conhecimento científico da vegetação de restinga do litoral do
Pará compreende dois períodos distintos. O primeiro em que Pires
(1973) e Braga (1979) a descrevem como pobre e medíocre, consti-
tuída por cerca de 20 espécies vegetais. O segundo, mais recente, em
que Santos & Rosário (1988), Bastos (1996), Costa Neto et al. (1996)
e Amaral (1997) registram a ocorrência de mais de 200 espécies, con-
tradizendo a baixa diversidade vegetal observada pelos investigadores
da década de 70.
A maioria dos estudos sobre o ecossistema de restinga no país
refere-se à composição florística e estrutura das comunidades vege-
tais. Do ponto de vista taxonômico, parcos são os trabalhos. A
primeira obra relacionada a este tipo de vegetação é a Flora Ecológica
das Restingas do Sul e Sudeste do Brasil, publicada em 22 volumes,
cada um deles abordando'uma família (Pereira et al. 1984). Além
dessa obra, destacam-se, mais recentemente, para as mesmas regiões,
os trabalhos de Silva & Gallo (1984), Behar & Viegas (1992) e Yano
& Costa (1994).
No Pará, o único estudo taxonômico voltado para a vegetação de
restinga é o de Vicente et al. (1999), que investiga as Turneraceae da
22
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
ilha de Algodoal-Pará. Neste estudo são realizadas descrições taxonô-
micas e anatômicas dos táxons investigados, acompanhado de uma
chave de identificação do mesmos.
Em duas outras localidades no litoral nordeste paraense são men-
cionadas as formações de moitas, nas ilhas de Maiandeua (Bastos
1988) e de Algodoal (Bastos 1996). Em termos comparativos a área
aqui estudada apresenta maior semelhança com a de Maiandeua, tanto
em termos fisionômicos quanto na composição florística. A formação
vegetal que ocorre em Algodoal apresenta certas peculiaridades que a
destaca das demais localidades, como a elevada densidade de herbá-
ceas, o constante afloramento do lençol freático, a dominância de
Byrsonima crassifolia e, a inexistência de Humiria balsamifera,
espécie característica das moitas do Crispim e Maiandeua.
Afora o litoral do Pará, só existe registro sobre as formações de
moitas em ambiente de restinga, na região Sudeste do país, onde estão
concentrados a maioria dos estudos (Pereira 1990 a,b; Andrade 1991;
Ribas etal. 1993; Zaluar 1997; Montezuma 1997). Da listagem florís-
tica apresentada nesses estudos, pouquíssimas espécies são aqui
coincidentes, destacando-se geralmente Guapira opposita , Tapirira
guianensis , Protium heptaphyllum, Humiria balsamifera e Myrcia
multiflora, o que reforça o argumento da baixa similaridade florística
entre restingas ao longo do litoral brasileiro (Araújo et al. 1984).
O presente estudo visa a contribuir para o conhecimento taxonô-
mico da vegetação de restinga do litoral paraense, com ênfase à
comunidade arbustivo-arbórea ocorrente nas moitas da restinga do
Crispim, Pará.
MATERIAL E MÉTODOS
A restinga do Crispim está localizada a 8 km da vila de Marudá,
no município de Marapanim, no estado do Pará, entre as coordenadas
23
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Bot„ 17(1), 2001
geográficas 47°40’24” e 47°38’00”W.GR. e 0 o 37’06” e 0°34’42”S
(Figura 1). Este município, juntamente com outros que também limi-
tam-se com o oceano Atlântico, integram a Zona Fisiográfica do
Salgado, no litoral nordeste do Pará.
Figura 1 - Localização da área de estudo. Restinga do Crispim, município de
Marapanim (PA).
A vegetação compreende sete tipos de formações vegetais, deno-
minadas de vegetação halófila, psamófila reptante, brejo herbáceo,
vegetação de dunas interiores, campo entre dunas, campo de restinga e
24
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
mata de restinga (Costa-Neto et al. 1996). A formação de moitas,
objeto deste estudo, denominada pelos autores supracitados como
campo de restinga, está localizada nas áreas posteriores da restinga,
aproximadamente a 1,5 km da linha de praia. Compõe-se de moitas de
diferentes tamanhos, formadas, principalmente, por indivíduos arbus-
tivos e arbóreos, intercaladas por vegetação herbácea ou espaços
desnudos (Figura 2)
5 <>'
■ & J.2.’
'5-f.fv
Figura 2 - Aspecto geral formação aberta de moitas, restinga do Crispim, município
de Marapanim (PA).
Durante dois anos foram feitas coletas de material botânico da
vegetação arbustiva e arbórea na formação vegetal em estudo, identi-
ficando-se todo o material por comparação no herbário do Museu
Paraense Emílio Goeldi (MG), onde encontra-se depositado.
A descrição das espécies baseou-se exclusivamente em caracte-
res vegetativos, como: tipo, consistência e forma da folha, forma do
ápice e da base, filotaxia, indumento, estipulas e latescência. Uma
chave analítica foi também elaborada, visando facilitar a identificação
das espécies em campo, assim como a ilustração botânica de uma
representante por família.
25
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Pura. Emílio Goeldi. sér. Bor., 17(1 ), 2001
RESULTADOS
Chave Analítica das espécies arbustivo-arbóreas da formação aberta
de moitas da restinga do Crispim-PA
la. Plantas latescentes e/ou resiníferas 2
lb. Plantas sem essa característica 8
2a. Folhas compostas, exsudação aromática intensa Protium heptaphyllum
2b. Folhas simples, sem exsudação 3
3a. Folhas opostas ou alternas 4
3b. Folhas verticiladas Himatanthus articulatus
4a. Folhas alternas 5
4b. Folhas simplesmente opostas ou decussadas 7
5a. Folhas glabras 6
5b. Folhas com indumento estrigoso na base da nervura central.. Poutería ramiflora
6a. Folhas com estipulas Mabea pohliana
6b. Folhas sem estipulas Micropholis venulosa
7a. Folhas simplesmente opostas Tabemaemontana angulata
7b. Folhas decussadas Glycoxylon pedicellatim
8a. Folhas simples 9
8b. Folhas compostas 35
9a. Folhas com glândulas translúcidas 10
9b. Folhas sem glândulas translúcidas 15
10a. Folhas com coloração ferrugínea Myrcia cuprea
10b. Folhas sem coloração ferrugínea 1 1
1 la. Folhas simplesmente opostas Myrcia multiflora
1 lb. Folhas opostas decussadas 12
12a. Caules e ramos esfoliantes 13
12b. Caules e ramos não esfoliantes 14
13a. Folhas oblongo-lanceoladas, as maiores com cerca de 5 cm de comprimento e
2cm de largura; pecíolo curto com aproximadamente 0,2 cm de comprimento.
Eugenia punicifolia
26
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
13b. Folhas ovais-elípticas, as maiores com cerca de 6,5 cm de comprimento e 3 cm
de largura, pecíolo longo com aproximadamente 0,5 cm de comprimento
Eugenia biflora
14a. Ramos e folhas esbranquiçados; face superior da folha brilhante Myrcia fallax
14b. Ramos e folhas não esbranquiçados; face superior da folha opaca
Myrcia speciosa
15a. Folhas com bordo serrilhado 16
15b. Folhas sem bordo serrilhado 18
16a. Folhas de 3,5-4,5 cm de comprimento e 1 ,5-2,5 cm de largura, ápice agudo,
base obtusa Ouratea microdonta
16b. Folhas com o comprimento maior que 5 cm e largura superior à 3 cm, ápice
acuminado, base aguda 17
17a. Margem das folhas com serrilhamento bastante evidente, ereto, folhas de 10-15
cm de comprimento Ouratea castaneaefolia
17b. Margem das folhas com serrilhamento pouco evidente, inclinado, folhas de 6-8
cm de comprimento Ouratea racemifornüs
18a. Folhas com ócrea Coccoloba ramosissima
18b. Folhas sem ócrea 19
19a. Folhas ferrugíneas Byrsonima crassifolia
19b. Folhas não ferrugíneas 20
20a. Ramos lenticelosos
20b. Ramos não lenticelosos
21a. Folhas com indumento
21b. Folhas glabras
22a. Folhas verticiladas
22b. Folhas alternas ou opostas
23a. Folhas alternas
23b. Folhas opostas
24a. Folhas com estipulas
24b. Folhas sem estipulas
25a. Folhas decussadas
Chrysobalanus icaco
21
22
27
Ternstroemia punctata
23
24
25
Hirtella racemosa
Vemonia arenaria
... Pagamea guianensis
25b. Folhas simplesmente opostas
26
27
Boi. Mus. Pura. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1), 2001
26a. Folhas oblongo-lanceoladas, com estipulas, ápice mucronado, base aguda
Retiniphyllum schomburgkii
26b. Folhas obovadas, sem estipulas, ápice acuminado, base cuneada
Guapira opposita
27a. Folhas alternas 28
27b. Folhas opostas 32
28a. Folhas com estipulas 29
28b. Folhas sem estipulas 30
29a. Ramos cobertos por formações escamiformes (ramenta), folhas ovais, base
obtusa Erythroxylum micranthum
29b. Ramos sem ramenta, folhas obovadas-elípticas, base atenuada
Alibertia myrciifolia
30a. Folhas obovadas, ápice retuso ou obtuso
31
30b. Folhas elípticas, ápice acuminado
Heisteria ovala
3 la. Folhas de 6-8 cm de comprimento e 3-4 cm de largura, base atenuada
Humiria balsamifera
31b. Folhas de 6-15 cm de comprimento e 5-8 cm de largura, base cuneada
Anacardium occidentale
32a. Folhas simplesmente opostas 33
32b. Folhas decussadas 34
33a. Folhas oblongo-lanceoladas, 6-7 cm de comprimento e 4-5 cm de largura, base
obtusa, estipulas axilares Cassipourea guianensis
33b. Folhas ovais, 7-8 cm de comprimento e 2-3 cm de largura, base cuneada, esti-
pulas interpeciolares Psychotria barbiflora
34a. Folhas oblongo-elípticas, 10-12 cm de comprimento e 3-4,5 cm de largura,
ápice acuminado Clusia columnaris
34b. Folhas obovadas-elípticas, 8-12 cm de comprimento e 5-8 cm de largura, ápice
obtuso Clusia grandijlora
35a. Folhas bi-compostas Hymenolobium petraeum
35b. Folhas simplesmente compostas 36
36a. Folhas digitadas Bômbax longipedicellatum
36b. Folhas não digitadas 37
37a. Folhas , folíolos 6 Copaifera martii
28
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
37b. Folhas imparipinadas, folíolos 5 ou 7 38
38a. Folíolos em número de 5 S imaba guianensis
38b. Folíolos em número de 7 39
39a. Folíolos oblongo-lanceolados, base aguda, caule com exsudato vermelho
Swartzia laurifolia
39b. Folíolos oblongo-elípticos, base obtusa, ausência de exsudato vermelho no
caule Tapirira guianensis
Descrição Sucinta das Espécies
ANACARDIACEAE
Anacardium occidentale L., Sp. Pl. 1: 383. 1753. Tipo: LT: Herb.
Hermann 3: 50, No. 165 , (BM).
Cassuvium pomiferum Lam., Encycl. 1(1): 22. 1783.
Acajuba occidentale (L.) Gaertn. Fruct. Sem. Pl. 1: 192, t. 40.
1788.
Anacardium microcarpum Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de
Janeiro, 3: 202. 1922.
Nome vulgar: Caju
Árvore de 3-5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, obovadas, coriáceas, sem estipulas, 6-15 cm de comprimento e
5-8 cm de largura, ápice obtuso e base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral 100, 15/X/1999. (MG)
Tapirira guianensis Aubl., Hist. Pl.Guiane, 1:470, t. 188. 1775. Tipo:
Joncquetia paniculata Willd., Sp. Pl., 2(1): 750. 1799.
Comocladia tapaculo Kunth, Nov. Gen. Sp., 7: 18. 1824.
29
j | SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi., 17(1), 2001
Mauria multiflora C. Mart. ex Benth., Hooker's J. Bot. Kew
Gard. Misc., 4: 14. 1852.
Mauria subbijuga Mart. ex Benth., J. Bot. (Hooker), 4: 15. 1852.
Odina francoana Netto, Ann. Sei. Nat., Bot., sér. 5, 5: 85-86, t. 9.
1866.
Tapirira bijuga Hook. f. ex Marchand, Rev. Anacard. 162. 1869.
Tapirira myriantha Triana & Planch., Ann. Sei. Nat., Bot., ser. 5
14: 295. 1872. Tipo: Triana 3693, 1851-57, Colombia: Buenaventura,
western coast (B).
Tapirira pao-pombo Marchand, Vidensk. Meddel. Dansk
Naturhist. Foren. Kjobenhavn, 15: 58-59. 1873.
Tapirira guianensis var. cuneata Engl., Fl. Bras., 12(2): 378.
1876.
Tapirira guianensis var. elliptica Engl., Fl. Bras., 12(2): 378.
1876.
Tapirira fanshawei Sandwith, Kew Bulletin 470. 1955.
Nome vulgar: Tapiririca
Árvore de 4-6 m de altura. Ramos glabros. Folhas compostas,
alternas, imparipinadas com 7 folíolos, glabros, membranáceos, sem
estipulas, oblongo-elípticos, 8-10 cm de comprimento por 3-4 cm de
largura, ápice acuminado, base obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al 587, 9/X/1990. ( MG)
30
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Figura 3 - Tapirira gitianensis Aubl.
APOCYNACEAE
Himatanthus articulatus (Vahl) Woodson, Ann. Missouri Bot. Gard.
25(1): 196. 1937 11938]. Tipo: von Rohr35, no date, Guyana (C).
Plumeria articulata Vahl, Eclog. Amer. 2: 20. 1798.
Himatanthus rigida Willd. ex Roem. & Schult., Syst. Veg. 5: p.
xiii, 221. 1819.
cm
2 3 4
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goehli. sér. Boi., 17(1), 2001
Nome vulgar: Sucuúba
Árvore de 4-8 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, verti-
ciladas, obovadas, coriáceas, glabras, sem estipulas, 8-12 cm de
comprimento, 3-5 cm de largura, ápice obtuso, base atenuada.
Material examinado: Marapanim, Restinga do Crispim. Amaral
101, 15/X/1999. (MG)
Tabernaemontana angulata Mart. ex Muell. Arg., Fl. Bras.
6(1): 72. 1860. Tipo: Martins s.n., Nov. 1819, Brazil: Para: Amazonas
R, near Belem (Holotipo: M).
Anacampta angulata (Mart. ex Müll . Arg.) Miers, Apocyn.
S. Am. 65. 1878.
Figura 4 - Himatanthus articulatus (Vahl) Woodson.
32
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Bonafousia angulata (Mart. ex Miill. Arg.) Boiteau & L. Allorge,
Buli. Soc. Bot. France, Lett. Bot. 130(4-5): 339. 1983 [1984].
Bonafousia silvae Boiteau & L. Allorge, Buli. Soc. Bot. France,
Lett. Bot. 130(4-5): 342-343, f.. 1983 [1984].
Nome vulgar: Grão de anta
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas, lanceoladas, membranáceas, glabras em ambas as faces, sem
estipulas, 6-10 cm de comprimento, 4-6 cm de largura, ápice acumi-
nado, base obtusa.
Material examinado: BRASIL, Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral 102, 15/X/1999. ( MG)
ASTERACEAE
Vernonia arenaria Mart. ex DC., Prodr. 5: 54. 1836.
Vernonia sannentiana Gardner, London J. Bot. 5: 221. 1846.
Lepidaploa arenaria (Mart. ex DC.) H. Rob. Proc. Biol. Soc.
Wash. 103(2): 482.1990.
Subarbusto de 1,5 m de altura. Ramos pilosos. Folhas simples,
alternas, ovais, membranáceas, pubescentes em ambas as faces, sem
estipulas, 2-2,5 cm de comprimento, 1,0- 1,5 cm de largura, ápice cur-
tamente acuminado, base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 945, 14/VI/1991. (MG)
33
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Bot., 17(1), 2001
Figura 5 - Vemonia arenaria Mart. ex DC.
BOMBACACEAE
Bômbax longipedicellatum Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro,
3: 210. 1922.
Nome vulgar: Mungubinha
Arbusto de aproximadamente 2m de altura. Ramos glabros.
Folhas compostas, digitadas, folíolos de 6-8, obovadas-oblongo, car-
táceos, sem estipulas, 8-12 cm de comprimento, 4-7cm de largura,
ápice acuminado, base cuneada.
34
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Material examinado: BRASIL, Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral 103, 15/X/1999. (MG)
N
| A,
r^i
Figura 6 - Bômbax longipedicellatum Ducke.
BURSERACEAE
Protiwn heptaphyllum (Aubl.) March., Vidensk. Meddel. Dansk
Naturhist. Foren. Kjobenhavn. ser. 3 5: 54. 1873. Tipo:
Icica hepíaphylla Aubl., Hist. Pl. Guiane. 337. 1775.
Icica guianensis Aubl., Hist. Pl. Guiane. 1: 340 t. 131. 1775.
Amyris ambrosiaca Mart. Reise I. 551; Linnea 5. 1830.
Protiwn tacamahaca March. Bail. Adansonia. 7: 52. 1867-1868
35
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goehli, sér. Boi.. 17(1). 2001
Figura 7 - Protium heptaphyllum (Aubl.) March.
Nome vulgar: Breu
Arbusto de 3-6 m de altura. Ramos glabros. Folhas compostas,
alternas, folíolos 7, glabros, sem estipulas, lanceolados, cartáceos,
7,5-8, 5 cm de comprimento, 2,5-3,5 cm de largura, ápice acuminado,
base obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1279, 21/XI/1992. (MG)
36
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
CHR Y SOB ALANACEAE
Chrysobalanus icaco L., Sp. Pl. 1: 513. 1753.
Prunus icaco Labat, Itin. Am. 3: 30. 1722.
Sorbus aucuparia L., Sp. Pl. 1: 477. 1753.
Chrysobalanus purpurais Mill., Gard. Dict. ed. 8. (2) . 1768.
Chrysobalanus pellocarpus G. Mey., Prim. Fl. Esseq. 193. 1818.
Chrysobalanus ellipticus Sol. ex Sabine, Trans. Hort. Soc.
London. 5: 453. 1824.
Chrysobalanus icaco var. ellipticus (Sol. ex Sabine) Hook. f.,
Trans. Hort. Soc. London. 5: 453. 1824.
Chrysobalanus orbicularis Schum., Beskr. Guin. Pl. 232. 1827.
Chrysobalanus icaco var. pellocarpus (G. Mey.) Hook. f., Fl.
Bras. 14(2): 7. 1867.
Chrysobalanus savannarum Britton, Buli. Torrey Bot. Club.
48(12): 331. 1921 [1922][1922].
Chrysobalanus interior Small, Manual. 645. 1933.
Chrysobalanus icaco var. genuinus Stehle & Quentin, Fl.
Guadeloupe. 2(3): 48. 1949.
Nome vulgar: Ajirú; Ajurú
Arbusto de aproximadamente 2 m de altura. Ramos glabros.
Folhas simples, alternas, obovadas, coriáceas, glabras em ambas as
faces, estipuladas, lenticelas, obovadas, 2-4 cm de comprimento, 2,5-
3 cm de largura, ápice obtuso, subcuneadas na base.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Costa Neto et al 28, 1 1/1 V/l 997. (MG)
37
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
£
o
(M
Figura 8 - Hirtella racemosa Lam.
Hirtella racemosa Lam., Encycl. 3: 133. 1789. Tipo: HT: Lamarcks.n.,
no date, South America (P).
Hirtella americana L. Sp. Pl. 1: 34. 1753.
Tachibota guianensis Aubl. Hist. Pl. Guiane. Hist. Pl. Guiane.
1: 287. 1775.
Salmasia guianensis (Aubl.) J.F. Gmel. Syst. Nat. ed. 3 2: 500.
1791.
38
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Hirtella hexandra Willd. ex Roem. & Schult., Syst. Veg. Ed. 9;
5: 274. 1819.
Hirtella nemorosa Hoffmansegg ex Roemer & Schultes, Syst.
Veg. 5: 274. 1819.
Hirtella scandens Hoffmansegg ex Roemer & Schultes, Syst.
Veg. 5: 274. 1819.
Hirtella strigulosa Steud., Flora. 26: 761. 1843.
Hirtella violacea Steud. Flora. 26: 761. 1843.
Nome vulgar: Cariperana da restinga
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos pubérulos. Folhas simples,
alternas, elípticas, coriáceas, pilosas, estipuladas, de 4-7 cm de com-
primento, 3-4 cm de largura, ápice acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1080, 16/VI/1991. (MG)
CLUSIACEAE
Clusia columnaris Engl., Fl. Bras. 12(1): 432. 1858-79. Tipo: Spruce
1900, Jan-Aug 1852, Brazil (M).
Nome vulgar: Cebola brava
Arbusto de 1,5-4 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas decussadas, oblongo-elípticas, coriáceas, glabras em ambas as
faces, sem estipulas, 10-12 cm de comprimento, 3-4,5 cm de largura,
ápice acuminado, base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 637, 10/XII/1992. (MG)
39
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Clusia grandiflora Splitg. Fl. Bras. p.423. 1878. Tipo:
Clusia rosea Jacq. Enum. Syst. Pl. 34. 1760.
Clusia insignis Mart. Nov. Gen. Sp. Pl. 3: 64. 1829-32.
Clusia petiolata Klotzsch ex Engl. Fl. Bras. XII. I. 425. 1888
Nome vulgar: Cebola brava
Arbusto de 1,5-4 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas decussadas, obovadas-elípticas, coriáceas, glabras em ambas
as faces, sem estipulas, 8-12 cm de comprimento, 5-8 cm de largura,
ápice obtuso, base cuneada.
Figura 9 - Clusia grandiflora Splitg.
40
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1085, 16/VI/1991. (MG). Ibidem Bastos et al.
1249, 19/XI/1992. (MG)
ERYTROXYLACEAE
Erythroxylum micranthum Bong ex Peyr. Fl. Bras. 12(1): 164, pl. 30,
f. 1. 1878. nonTipo: Spruce386, Nov 1849, Brazil (K)., isoTipo: Riedel
08, Nov 1828, Brazil (LE). holoTipo: Riedel 1537, Nov 1828, Brazil
(LE). isoTipo: Riedel 1537, Nov 1828, Brazil (BR).
Erythroxylum citrifolium A. St.-Hil., Fl. Bras. Merid. 2: 94.
1829.
Figura 10 - Erythroxylum micranthum Bong ex Peyr.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 17(1), 2001
Nome vulgar: Cocarana
Arbusto de 2,5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, ovais, cartáceas, glabra em ambas as faces, estipuladas, 5-8 cm de
comprimento e 2,5-3 cm de largura, ápice acuminado, base obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1572, 1 9/111/ 1 994 (MG). Ibidem Lobato et al.
192, 20/11/1986. (MG)
EUPHORBIACEAE
Mabea pohliana Muell. Arg., Prodr.l5(2): 1 152.
Figura 1 1 - Mabea pohliana Muell. Arg.
42
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Nome vulgar: Taquari
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, ovais, cartáceas, glabra em ambas as faces, estipuladas, 4-7 cm de
comprimento, 3, 5-4,0 cm de largura, ápice acuminado, base obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1009, I5/VI/1991 (MG). Ibidem Lobato et al.
220, 20/11/1986. (MG)
HUMIRIACEAE
Humiria balsamifera Aubl. Hist. Pl. Guiane. 1: 564-566, t. 225. 1775.
Houmiri arenariwn Baill. Hist. Pl. 5:52-53, figs. 88-89. 1874.
Humirium balsamiferum Benth. in Hook. Journ. Bot. Kew
Miscel. 5:102. 1853.
Houmiri balsamifera Aubl. Pl. Guian. 1: 564-566 pl. 225. 1775.
Myrodendrum balsamiferum Raeuschel, Nom. Bot. (3 ed.) 156.
1797.
Myrodendrum amplexicaule Willd. Sp. Pl. 2(2): 1171. 1800.
Myrodendrum amplexicaule Spreng. Syst. veg. 2: 600. 1825.
Humirium floribundum Mart. Nov. Gen. Sp. Pl. 2:143-145, pl.
199. 1827. - Bent. in Hook. Lond. Journ. Bot. 2:374. 1843. - Bebth. in
Hook. Journ. Bot. Kew Misc. 5:100. 1853.
Humirium montanum A. Juss. in St. Hill. Fl. Bras. Merid. 2:90.
1829.
Humirium parvifolium A. Juss. in St. Hill, ibid.: 89. 1829.
Humirium guianensis Benth. in Hook. London Journ. Bot. 2:374.
1843. - Hook. Journ. Bot. Kew Misc. 5:100. 1853.
Humirium surinamense Miquel, Stirp. Surinam 86, pl. 24. 1850.
43
Boi. Mus. Para. Emílio Goelili, sér. Bot., 17(1), 2001
Humirium arenaríum Guil. in Baill. Adansonia, 1:208. 1860.
Humirium multiflorum Mart. Spach Suites 17 in Pritz. Icon. Bot.
Ind. 560. 1866.
Humiria floribunda Mart. ex Urb. in Mart. Fl. Bras. 12(2): 438,
pl. 92. 1877. - Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 3:176. 1922.
Myrodendron petiolatum Mart. ex Urb. in Mart. Fl. Bras.
12(2): 438. 1877.
Humirium amplexicaule Mart. ex Urb., ibid.:440, as synonym.
1877.
Humirium ellipticum Klotsch ex Urb., ibid.:438, as synonym.
1877.
Humirium laurinum Klotsch ex Urb., ibid.:439, as synonym.
1877.
Humirium subsessile Spruce ex Urb., ibid.: 439, as synonym.
1877.
Humiria floribunda var guianensis (Benth.) Urb. in Mart. Fl.
Bras. 12(2): 439. 1877.
Hwniria floribunda var. laurina Urb. In Mart., ibid.
Humiria floribunda var. montana (Juss.) Urb. in Mart., ibid.:438.
1877.
Humiria floribunda var. parvifolia (Juss.) Urb. in Mart., ibidi.
Humiria floribunda var. subsessilis Urb. in Mart., ibid.: 439.
1877.
Humiria Cassiquiari Sussenguth & Bergdolt, Reperl. Sp. Nov.
Fedde 39:16. 1935.
Humiria savannarum Gleason in Buli. Torrey Club. 58:378.
1931.
44
SciELO
10 11 12 13
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas ...
Humiria floribunda var. spathulata Gleason, Buli. Torrey Club.
58:374. 1931.
Humiria pilosa Steyermark, Fieldiana, Bot. 28:270. 1952.
Figura 12 - Humiria balsamifera Aubl.
Nome vulgar: Umiri; Miri; Mirim
Árvore de 2-4 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alternas,
obovadas, coriáceas, glabras em ambas as faces, sem estipulas, 6-8 cm
de comprimento, 3-4 cm de largura, ápice retuso, base atenuada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1189, 10/XII/1992. (MG)
45
Boi. Mus. Para. Emílio GoeUli, sér. Boi., 17(1), 2001
LEGUMINOSAE - CAES ALPINIOIDE AE
Copaifera rnartii Hayne, Getreue Darstell. Gew. 10: t. 15.
Copaifera rigida Benth. Fl. Bras. 15(2): 243. 1870.
Copaiba martii (Hayne) Kuntze, Revis. Gen. Pl. 1: 172. 1891.
Copaiba rigida (Benth.) Kuntze, Revis. Gen. Pl. 1: 172. 1891.
Copaifera martii var. rigida (Benth.) Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio
de Janeiro. 5: 128. 1930.
Nome vulgar: Copaiba
Arvoreta de 2-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas compostas,
alternas, estipuladas, paripinadas, folíolos em número de 6, ovais-
elípticos, cartáceos, glabros em ambas as faces, 5-6 cm de compri-
mento, 3-4 cm de largura, ápice acuminado, base obtusa.
Figura 13 - Copaifera martii Hayne.
46
cm
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Lobato et al. 1069, 05/1 V/l 996 (MG). Ibidem Rosa et al.
3177, 14/VI/1979. (MG)
Swartzia laurifolia Benth., J. Bot. (Hooker) 2(10): 87. 1840. Tipo:
protologue "neighbourhood of Borba in Brazil, ...", [Riedel s.n.]
Tounatea laurifolia (Benth.) Taub., Bot. Centralbl. 47: 391.
1891.
Tunatea laurifolia (Benth.) Kuntze, Revis. Gen. Pl. 1:211. 1891.
Swartzia stipulifera Harms, Verh. Bot. Vereins Prov.
Brandenburg. 48: 168. 1907.
Nome vulgar: Pitaíca
Árvore de 4,5 m de altura. Ramos glabros. Folhas bicompostas,
alternas, apresentando sete folíolos oblongo-lanceolados, estipuladas,
folíolos coriáceos, esparsadamente pubescentes, 7-8 cm de compri-
mento e 4-6 cm de largura, ápice acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL, Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 104, 15/X/1999. (MG)
LEGUMINOSA PAPILIONOIDEAE
Hymenolobium petraeum Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro. 1(1):
36-37. 1915.
Nome vulgar: Angelim-pedra
Árvore de 3m de altura. Ramos glabros Folhas bi-compostas,
alternas, pinadas, estipuladas, foliólulos cartáceos em número de
13, base do peciólulo esparsadamente estrigosos, foliólulos
47
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot., 17(1), 2001
oblongo-lanceolados, 4-4,5 cm de comprimento, 2-2,5 cm de lar-
gura, ápice retuso e base obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Lobato et al. 1012, 11/III/1995. (MG)
MALPIGHIACEAE
Byrsonima crassifolia (L.) Kunth in H.B.K., Nov. Gen. Sp. 5: 149.
1822. Tipo: LT: (LINN-588.8). LT (as Tipo) designated by Cuatrecas
& Croat, Ann. Missouri Bot. Gard. 67: 872 (1979).
Malpighia crassifolia L., Sp. Pl. 426. 1753.
Byrsonima verbascifolia (L.) Rich. ex A. Juss., Ann. Mus. Natl.
Hist. Nat. 18: 481. 1811.
Byrsonima rhopalaefolia Kunth, Nov. Gen. Sp. 5: 148. 1821
[1822],
Byrsonima ferruginea Kunth, Nov. Gen. Sp. 5: 151, t. 446. 1821
[1822],
Nome vulgar: Muruci
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos pubérulos. Folhas simples,
opostas, elípticas, coriáceas, pêlos ferrugíncos na face inferior, estipu-
ladas, 6-10 cm de comprimento, 3-7 cm de largura, ápice acuminado,
base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1210, 1 0/XIl/l 992. (MG)
48
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Figura 14 - Byrsonima crassifolia (L.) KunthG.
myrtaceae
Eugenia punicifolia (Kunth) DC, Prodr. 3: 267. 1828. Tipo: Humboldt
& Bonpland 273, no date, Venezuela (P).
Myrtus punicaefolia H.B.K., Nov. Gen. & Sp. 6: 149. 1823.
Eugenia subalterna Benth., Journ. Bot. Hook. 2: 320. 1840.
Eugenia benthami Berg., Linnaea 27: 164. 1856.
Eugenia pyrroclada Berg, Linnaea 27: 165. 1856.
Eugenia pyrroclada a guianensis Berg, Linnaea 27: 165. 1856.
Eugenia surinamensis Miq. ex Berg, Linnaea 27: 182. 1856.
Eugenia vaga Berg, Linnaea 27: 166. 1856.
49
Boi. Mus. Pum. Emílio Goeltli, sér. Boi., 17(1 ), 2001
Eugenia vaga e rígida Berg, Mart. Fl. Bras. 14(1): 239. 1857.
Eugenia vaga e pumila Berg, Linnaea 30: 681. 1861.
Eugenia calycolpoides Griseb., Fl. Brit. W. Ind. 238. 1860
Nome vulgar: Pitanga
Arbusto de 1-2,5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas decussadas, oblongo-lanceoladas, cartáceas, glabras, sem esti-
pulas, 5, 5-6, 5 cm de comprimento, 2-2,5 cm de largura, ápice
brevemente acuminado, base atenuada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 997 , 15/VI/1991 (MG). Ibidem Lobato et al.
213,20/11/1986. (MG)
Eugenia bijlora (L.) DC. , Prod. 3: 276. 1828.
Myrtus bijlora L., Syst. Nat. ed. 10. 1056. 1759.
Eugenia mini Aubl., Pl. Guiane Fr. 498. Pl. 197. 1775
Eugenia inundata var. acutifolia Berg, Fl. Bras. 14(1): 520.
1858.
Eugenia meyeriana Berg, Fl. Bras. 14(1): 588, ex deser. 1859.
Eugenia myríostigma Sagot, Ann. Sei. Nat. VI. 20: 194. 1885.
Eugenia caurensis Steyerm., Fieldiana Bot. 28: 1010. 1957.
Nome vulgar: Murtinha
Arbusto de 1-2,5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas, decussadas, ovais-elípticas, cartáceas, glabras em ambas as
faces, sem estipulas, 4-6,5 cm de comprimento, 2-3 cm de largura,
ápice longamente acuminado, base obtusa.
50
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Figura 15 - Myrcia cuprea (Berg.) Kiaersk.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et ai 1250, 19/XI/I992 (MG). Ibidem Bastos et al.
1091, 16/VI/1991. (MG)
Myrcia cuprea (Berg.) Kiaersk, Enum. Myrt. Bras. (1893) 95. Tipo:
Poeppig 2937, May 1832, Brazil (W).
Aulomyrcia cuprea Berg. Fl. Bras. 14(1): 77. 1857.
Aulomyrcia chrysophylla Berg. Fl. Bras. 14(1): 125. 1857.
Nome vulgar: Murtinha dourada
Arbusto de 2,5 m de altura. Ramos pilosos. Folhas simples, opos-
tas, ovais, cartáceas, pilosas pêlos ferrugíneos abundantes, sem
estipulas, 5,5-10 cm de comprimento, 2, 8-4,0 cm de largura, ápice
acuminado, base obtusa.
51
Boi. Mus. Para. Emílio Goehli, sér. Bot., 17(1), 2001
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et ai 1253, 19/XI/1992 (MG). Ibidem Lobato et al.
211,20/11/1986. (MG)
Myrcia fallax (Rich.) DC., Prodr.3: 244. 1828. Tipo: Leblond 114,
1792, French Guiana (G).
Eugenia fallax Rich., Actes. Soc. Hist. Nat. Paris 1: 110. 1792.
Myrtus bracteolaris Poir., Encycl. 4: 41 1. 1798.
Myrcia acuminata (Kunth) DC. Prodr. 3: 256. 1828.
Eugenia paniculiflora Steud. Flora 26: 762. 1843.
Aulomyrcia wullschlaegeliana O. Berg, Linnaea. 27: 48. 1855.
Myrcia acuminata var. genuina O. Berg, Linnaea 27: 94. 1855.
Myrcia acuminata var. peruviana O. Berg, Linnaea 27: 94. 1855.
Myrcia aguitensis Gleason, Buli. Torrey Bot. Club. 58: 409.
1931.
Nome vulgar: Murta
Arbusto de 1,5-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas decussadas, obovadas-lanceoladas, cartáceas, glabras em
ambas as faces, sem estipulas, 7,5-10 cm de comprimento, 2, 5-3, 5 cm
de largura, ápice acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et ai 1288, 26/XI/1992 (MG). Ibidem Lobato et ai
219, 20/11/1986. (MG)
Myrcia multiflora (Lam.) DC., Prodr. 3: 244. 1828. Tipo: protologue
Cayenne, M. Stoupy s.n.
Eugenia multiflora Lam. Encycl. 3: 302. 1789.
52
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Eugenia multiflora Lam., Encycl. 3: 302. 1789.
Myrcia sphaerocarpa DC. Prodr. 3: 251. 1828.
Aulomyrcia multiflora (Lam.) O. Berg, Linnaea 27: 47. 1855.
Aulomyrcia sphaerocarpa (DC.) O. Berg, Linnaea 27: 51. 1855.
Aulomyrcia laruotteana var. peruviana O. Berg, Fl. Bras. 14(1):
91. 1857.
Aulomyrcia sphaerocarpa var. complicata O. Berg, Fl. Bras.
14(1): 86. 1857.
Aulomyrcia multiflora var. grandifolia O. Berg, Linnaea 30: 660.
1861.
Nome vulgar: Murta
Arbusto de 2,5-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas, ovais-elíptica, cartáceas, glabras em ambas as faces, sem esti-
pulas, 3-3,5 cm de comprimento, 1,5-2 cm de largura, ápice longo-
acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1298, 26/XI/1992. (MG)
Myrcia speciosa (Amsh.) McVaugh, Mem. New York Bot. Gard.
118(2): 106. 1969.
Aulomyrcia speciosa Amsh. Recueil Trav. Bot. Neerl. 42: 5.
1950.
Nome vulgar: Murta
Arbustos de 1,5-2, 5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas decussadas, ovais, cartáceas, glabras em ambas as faces, sem
53
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 17(1), 2001
estipulas, 5,5-6,5 cm de comprimento, 3-4 cm de largura, ápice
acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 105, 15/X/1999. (MG)
NYCTAGINACEAE
Guapira opposita (Vell.) Reitz, Fl. Ilustr. Catar., Pt. 1, Nictaginac., 32
(1970).
Bessera calycantha Vellozo, Fl. Flum. 147. 1825.
Torrubia opposita Vell., Fl. Flumin. 3: 139. 1829.
Pisonia olfersiana Link, Kl. & Otto, Icon. Pl. Rar. 1: 36. Pl. 15.
1841.
Pisonia palicureoides Casar., Nov. Stirp. Brasil. Decades 8: 68.
1842.
Pisonia florida Choisy, DC. Prodr. 13 b: 443. 1849.
Pisonia nitida Martius ex Schmidi, F. Bras. 14. 2: 356. 1872.
Pisonia acuminata Martius ex Schmidi, Fl. Brasil. 14. 2: 357.
1872.
Nome vulgar: João mole
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos com extremidades pubérulas.
Folhas simples, opostas, obovadas, membranáceas, nervura central
pubérula, sem estipulas, 5-8 cm de comprimento, 2-3 cm de largura,
ápice abruptamente curto acuminado, base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 106, 1 5/X/ 1 999. (MG)
54
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Figura 16 - Guapira opposita (Vell.) Reitz.
OCHNACEAE
Ouratea castaneifolia (DC.) Engl., Fl. Bras. 1 2(2): 309. 1876. Tipo:
St.Hilaire s.n., 1828, Brazil (G).
Gomphia castaneifolia DC. Ann. Mus. Natl. Hist. Nat. 17: 417.
1811.
Nome vulgar: Pau jacaré
Arbusto dc 2-4 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, elíptica-ovais, cartáceas, glabras em ambas as faces, estipuladas,
margem serrilhada, bastante proeminentes, 10-15 cm de compri-
mento, 4-6 cm de largura, ápice acuminado, base aguda.
55
Boi. Mus. Pura. Emílio Goeltli. sér. Bot.. 17(1), 2001
Figura 17 - Ouratea castaneifolia (DC.) Engl.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Lobato et al. 1038, 20/111/ 1995. (MG)
Ouratea microdonta Benth., Hook. Kew Fourn. 3. 371. 1851. Tipo:
Spriice 14534, no date, Brazil (B).
Nome vulgar: Pau jacaré
Arbusto de 2-4 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, oblongas, coriáceas, glabras em ambas as faces, estipuladas, 3,5-
4,5 cm de comprimento, 1,5-2, 5 cm de largura, ápice agudo, base
obtusa.
56
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1283, 21/XI/1992 (MG). Ibidem Bastos et al.
1150, 10/XII/1992. (MG)
Ouratea racemiformis Ule, Notizbl. Bot. Gart. Berlin, vi. 335 (1915).
Tipo: Ule 7991, Jan 1909, Brazil (MG).
Nome vulgar: Pau jacaré
Arbusto de 2-4 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, elípticas-ovais, coriáceas, glabras em ambas as faces, estipuladas,
margem ligeiramente serrilhada, 6-8 cm de comprimento, 4-5 cm de
largura, ápice acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1 198, 10/XII/1992. (MG)
OLACACEAE
Heisteria ovata Benth., Hooker's J. Bot. KewGard. Misc. 3: 366. 1851.
Tipo: Martins s.n., no date, Brazil (M).
Heisteria subsessilis Benth., Hooker's J. Bot. Kew Gard. Misc.
3: 367. 1851.
Heisteria rubricalyx S. Moore, Trans. Linn. Soc. London, Bot.
4(3): 337. 1895.
Heisteria subsessilis Benth., Hooker's J. Bot. Kew Gard. Misc.
3: 367. 1851.
Heisteria flexuosa Engl., Fl. Bras. 12(2): 17, pl. 4, f. 3. 1872.
Heisteria micrantha Huber, Boi. Mus. Paraense Hist. Nat. 5: 340.
1909.
57
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1). 2001
Figura 18 - Heisteria ovala Benth.
Heisteria vageleri Burret, Notizbl. Bot. Gart. Berlin-Dahlem,
9: 50. 1924.
Heisteria krukovii A.C. Sm., Brittonia 2: 147. 1936.
Heisteria surinamensis Amshoff, Recueil Trav. Bot. Neerl.
34:497. 1937.
Arbusto de 2-3,5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
alternas, elípticas, cartáceas, glabras em ambas as faces, sem estipu-
las, 7-10 cm de comprimento, 3-4 cm de largura, ápice longo-
acuminado, base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1069, 16/VI/1991. (MG)
58
10 11 12
13
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
POLY GONACEAE
Coccoloba ramosissima Weed, Ann. Sc. Nat. ser. 3. 13. 258. (1849).
Tipo: Blanchet 2421, 1836, Brazil (G-DC).
Nome vulgar: Pajiuzinho
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
alternas, elípticas, subcoriáceas, glabras em ambas as faces, com
ócreas, 4-6 cm de comprimento, 2-3 cm de largura, ápice acuminado,
base obtusa com pequena reentrância.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. G. Davidse et al. 17888, 3-4/IV/1980. (MG)
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
RHIZOPHORACEAE
Cassipourea guianensis Aubl., Hist. Pl. Guiane. 1: 529, t. 211. 1775.
Tipo: British Honduras: Stann Creek District: collected in Acahual near
Sarawee Pine Ridge, April 13, 1939, vernacular name "waterwood",
Percy H. Genlle 2749 (HT: MICH)
Legnotis elliptica Sw., Prodr. 84. 1788.
Cassipourea elliptica (Sw.) Poir., Encycl., Suppl. 2: 131. 1811.
Cassipourea macrodonta Standl., Publ. Field Columbian Mus.,
Bot. Ser. 4(8): 242. 1929.
Cassipourea podantha Standl., Publ. Field Columbian Mus.,
Bot. Ser. 4(8): 241. 1929.
Cassipourea belizensis Lundell, Buli. Torrey Bot. Club.
66(9): 598. 1939.
5
Figura 20 - Cassipourea guianensis Aubl.
60
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas, oblongo-lanceoladas, cartáceas, glabras em ambas as faces,
estipuladas, 6-7 cm de comprimento, 4-5 cm de largura, ápice acumi-
nado, base obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1271, 21/XI/1992 (MG). Ibidem Bastos et al.
1264, 20/XI/1992. (MG)
RUBIACEAE
Alibertia myrciifolia Schum., Fl. Bras. 6(6): 393. 1889. Tipo: Spruce
978, Brazil: Para (NY).
Cordiera myrciifolia Spruce ex Schumann, Fl. Bras. 6(6): 393.
1889.
Nome vulgar: Puruí
Arbusto de 1, 5-2,0 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
alternas, obovadas-elípticas, cartáceas, glabras em ambas as faces,
7-8 cm de comprimento, 3-4 cm de largura, ápice longo-acuminado,
base atenuada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. G. Davidse et al. 17913, 05/IV/1980. (MG)
Pagamea guianensis Aub\.,Hist. Pl.Guiane. 1: 113. 1775. Tipo: Aublet
s.n . , no date, French Guiana, "au sommet de la montagne Serpent &
a 1'habitation apellee Gallion" (Holotipo: BM).
Psychotria macbridei Standl., Publ. Field Columbian Mus., Bot.
Ser. 8(1): 68. 1930.
61
1, | SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio GoeUli, sér. Boi., 17(1), 2001
Figura 21 - Psychotria macbridei Standl.
Arbusto de 2-3,5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas decussadas, lanceoladas, membranáceas, indumento estrigoso
na região basal da nervura central, estipuladas, 7 cm de comprimento,
2,5 cm de largura, ápice acuminado, base atenuada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1035, 15/VI/1991. (MG)
Psychotria barbiflora DC, Prodr. 4: 509. 1830. Tipo: Salzmann s.n.,
1830, Brazil: Bahia (G-DC).
Psychotria villosa Ruiz & Pav., Fl. Peruv. 2: 59, t. 207, f.a. 1799.
62
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Arbusto de 1-2 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas, ovais, membranáceas, glabras em ambas as faces, estipula-
das, 7-8 cm de comprimento, 2-3 cm de largura, ápice longamente
acuminado, base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1025, 15/VI/1991. (MG)
Retiniphyllum scliomburgkii (Benth.) Midi. Arg., Fl. Bras. 6(5): 12.
1881. Tipo: Schomburgk 179, no date, Guyana (G).
Commianthus scliomburgkii Benth., J. Bot. (Hooker). 3: 223.
1841.
Arbusto de 2,5 m de altura. Ramos pubescentes. Folhas simples,
opostas, oblongo-lanceoladas, subcoriáceas, nervura central pubes-
cente, estipulada, 6 cm de comprimento, 3 cm de largura, ápice
mucronado e base aguda.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 107, 15/X/1999. (MG)
SAPOTACEAE
Pouteria ramijlora (Mart.) Radlk., Sitzungsber. Math.-Phys. Cl.
Konigl. Bayer. Akad. Wiss. Munchen. 12: 333. 1882. Tipo. HT:
Martins s.n., Aug 1818, Brazil: Minas Gerais: "inter vicum Contendas
et praedium Tamandua, in deserto Prov. Minarum" (M).
Labatia ramijlora Mart., Flora 21(2), Beibl. 2(4): 93. 1838.
Labatia chrysophylloides Mart., Flora 21(2), Beibl. 2(4): 92.
1838.
Lucuma chrysophylloides (Mart.) A. DC, Prodr. 8: 168. 1844.
63
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Paru. Emílio Goelcli, sér. Boi.. 17(1), 2001
Lucwna ramiflora (Mart.) A. DC., Prodr. 8: 168. 1844.
Labatia elliplica Pohl ex Miq., Flora Brasiliensis 7: 75. 1863.
Lucwna lateriflora Benth. ex Miq., Fl. Bras. 7: 83. 1863.
Lucuma parviflora Benth. ex Miq., Fl. Bras. 7: 81, pl. 34. 1863.
Pouteria chrysophylloides (Mart.) Radlk., Sitzungsber. Math.-
Phys. Cl. Konigl. Bayer. Akad. Wiss. Munchen 12: 333. 1882.
Pouteria lateriflora (Benth. ex Miq.) Radlk., Sitzungsber. Math.-
Phys. Cl. Konigl. Bayer. Akad. Wiss. Munchen. 12: 333. 1882.
Pouteria parviflora (Benth. ex Miq.) Radlk., Sitzungsber. Math.-
Phys. Cl. Konigl. Bayer. Akad. Wiss. Munchen. 12: 333. 1882.
Pseudocladia lateriflora (Benth. ex Miq.) Pierre, Not. Bot. 50.
1891.
Microlwna parviflora (Benth. ex Miq.) Baill., Hist. Pl. 11: 290.
1891.
Pouteria ramiflora var. grandifolia Kuntze, Revis. Gen. Pl. 3(2):
195. 1898.
Pouteria ramiflora var. oblongifolia Kuntze, Revis. Gen. Pl.
3(2): 195. 1898.
Lucuma ramiflora var. lanceolata Pierre, Buli. Soe. Bot. France.
57(Mem. 3):438.1910.
Pouteria ovata A.C. Sm., Buli. Torrey Bot. Club. 61: 196. 1934.
Paralabatia ramiflora (Mart.) Aubrév., Adansonia. 1: 173. 1962.
Paralabatia pannflora (Benth. ex Miq.) Aubrév., Adansonia. 1:
173. 1962.
Richardella parviflora (Benth. ex Miq.) Baehni, Boissera 1 1 : 97.
1965.
64
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas..
V
íbiblioteca'
CID
o
/■
iUU:
Figura 22 - Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk.
Nome vulgar: Abiurana
Arbusto de 2 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, alter-
nas, semi-coriáceas, indumento estrigoso na base da nervura central,
sem estipulas, 4,5-6 cm de comprimento, 2-3 cm de largura, ápice
agudo, base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 108, 15/X/1999. (MG)
Glycoxylon pedicellatum Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro, 3.
235 (1922). Tipo: Ducke, MG 16676 s.n., Mar 1922, Brazil (B); Ducke,
MG15961 s.n., 17 Jan 1916, Brazil (MG); LT: Ducke MG16676, Dec
1916, Brazil: Para: Nr. Gurupa (MG; ILT: G, K, P, R, US); LT
designated by T. D. Pennington, Fl. Neotrop. 52: 659 (1990).
65
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Pura. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1), 2001
Pradosia pedicellata Ducke, Trop. Woods 71: 16. 1942.
Pradosia schomburgkiana (ADC) Cronquist, Buli. Torrey Club
73: 311. 1946.
Nome vulgar: Casca doce
Arbusto de 2, 5-4, 5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
opostas, decussadas, obovadas-oblonga, coriáceas, glabras em ambas
as faces, sem estipulas, 7, 5-8, 5 cm de comprimento, 3, 5-4, 5 cm de
largura, ápice retuso, base cuneada.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 109, 15/X/1999. (MG)
Micropholis venulosa (Martius & Eichler) Pierre, Not. Bot. 40. 1891.
Sideroxylon venulosum Martius & Eichler, Fl. Bras. 7: 52, tab.
20, fig. 2, tab. 37, fig. 4. 1863. Tipo: Spruce 3506, no date, Brazil
(C): IT: Spruce 3506, Jun 1854, Venezuelan-Columban frontier: R.
Guainia: nr. mouth of R. Casiquiare (BM, BR, K, M, MO, NY, OXF,
P, W).
Lucuma venulosa Spruce ex Martius & Eichler, Fl bras. 7: 52.
1863.
Micropholis calophylloides Pierre, Not. Bot. 40. 1891.
Platyluma calophylloides (Pierre) Baillon, Hist. Pl. 11: 284.
1891.
Meioluma guianensis Baillon. Hist. Pl. 11: 282. 1891.
Sideroxylon calophylloides (Pierre) Engl., Nat. Pflanzenfam.
4(1): Nachtrag 276. 1897.
Sideroxylon guianense (Baill.) Engl., Nat. Pflanzenfam. 4(1):
Nachtrag 276. 1897.
66
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Micropholis mucronata Pierre, Symb. Antill. 5: 112. 1904.
Micropholis rígida Pierre, Symb. Antill. 5: 125. 1904.
Pouteria polyneura Baehni, Candollea 7: 133. 1936.
Poutería venulosa (Martius & Eichler) Baehni, Candollea 9: 195.
1942.
Poutería rivularis Baehni, Candollea 9: 208. 1942.
Poutería flava Baehni, Candollea 18: 164, fig. 56. 1962.
Poutería cataractae Baehni, Candollea 18: 168, fig. 57. 1962.
Xantolis venulosa (Martius e Eichler) Baehni, Boissiera 1 1: 24.
1965.
Nome vulgar: Abiurana
Arbusto de 1,5-2, 5 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples,
alternas, ovais, coriáceas, glabras em ambas as faces, sem estipulas, 5,
5-6,5 cm de comprimento, 2-3 cm de largura, ápice acuminado, base
obtusa.
Material examinado: BRASIL. Pará: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1259, 20/XI/1992. (MG)
SIMAROUBACEAE
Simaba guianensis Aubl., Hist. Pl. Guiane. 1: 40, t. 153. 1775.
Quassia cuspidata (Spruce ex Engl.) Noot. Blumea 21: 522.
1963. Tipo: Spruce 1751, Aug 1851, Brazil (B).
Simaba cuspidata Spruce ex Engl., Fl. Bras. 12(2): 212. 1874.
Arbusto de 1,5-2, 5 m de altura. Ramos glabros. Folhas compos-
tas, alternas, 5-folioladas; folíolos lanceolados, glabros, cartáceos,
67
i, | SciELO
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi., 17(1), 2001
Figura 23 - Sintaba guianensis Aubl.
sem estipulas, 5-7 cm de comprimento, 2-2,5 cm de largura, ápice acu-
minado, base atenuada.
Material examinado: BRASIL. Pará. Marapanim, Restinga do
Crispim. Amaral, 1 10, 15/X/1999. (MG)
THEACEAE
Temstroemia punctata Sw., Prodr. 81 (1788).
Taonabo punctata Aubl. Guian. 1: 569, tab. 517 (1775). Tipo:
Guiana, Aublet (BM7).
68
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
Figura 24 - Ternstroemia punctata Sw.
Arbusto de 2-3 m de altura. Ramos glabros. Folhas simples, ver-
ticiladas, elípticas, cartáceas, esparsadamente pubescentes, sem
estipulas, 7-9 cm de comprimento, 3 cm de largura, ápice agudo, base
atenuada.
Material examinado: BRASIL. Para: Marapanim, Restinga do
Crispim. Bastos et al. 1278, 21/XI/1992. (MG)
69
Boi. Mus. Para. Emílio Goehli, sér. Boi.. 17(1), 2001
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Clusia grandiflora, Chrysobalanus icaco, Humiria balsamifera e
Myrcia cuprea são comuns nas moitas em início do processo de
colonização, não sendo, entretanto, exclusivas destas. Em contrapar-
tida, determinadas espécies como Alibertia myrciifolia, Pouteria
ramiflora, Hirtella racemosa, Hymenolobium petraeum, Psychotria
barbiflora, Retiniphyllwn schomburgkii, Simaba guianensis, Tapirira
guianensis e Tabernaemontana angulata, ocorrem nas moitas mais
desenvolvidas. Argumenta-se que conforme o desenvolvimento estru-
tural das moitas, tornam-se mais favoráveis as condições micro-
climáticas para o estabelecimento de novas espécies (Dau 1960;
Andrade 1991).
No ambiente de entre moitas, a vegetação herbácea é dominada,
basicamente, por Cyperaceae, Xyridaceae, Eriocaulaceae,
Melastomataceae e Poaceae, destacando-se Lagenocarpus rigidus,
Rhynchospora barbata, Rhynchospora riparia, Xyris paraensis, Xyris
jupicai, Syngonanthus fertilis, Syngonanthus tenuis, Comolia
lythrarioides e Axanopus pubivaginatus. Em menor número,
Stylosanthes angustifolia, Andropogon leucostachyus, Sauvagesia
erecta, Polygala adenophora e Polygala apressa., Abolboda
americana, Cuphea flava e Chamaecrista ramosa. A penúltima
possui igualmente ocorrência na formação de Clusia em Carapebus-
RJ, e a última na formação de Ericaceae, da mesma localidade
(Henriques et al. 1986).
Por entre as moitas, é comum a ocorrência de lianas,
principalmente Doliocarpus spraguei, Tetracera willdenowiana
(Dilleniaceae), Scleria cyperina (Cyperaceae), Smilax cf. campestris
(Smilacaceae), Mandevilla hirsuta (Apocynaceae), Cassytha
americana (Lauraceae), Galactia sp. (Leg. Pap.), entre outras. Alguns
70
Aspectos taxonômicos de espécies arbustivas e arbóreas ocorrentes em moitas...
autores destacam como dos mais comuns os gêneros Smilax e
Mandevillas (Dau 1960; Henriques et al. 1986; Pereira 1990a;
Andrade 1991; Bastos 1996).
Nesses ambientes são freqüentes Bromeliaceae, como Aechmea
tocantina e Arianas anassoides. As Pteridophytae estão representadas
basicamente por Blechnum cerrulatum, Pteridium aquilinum, e
Ceratopteris pterioides. Dentre as Orchidaceae ocorrem Catasetum
discolor, Encyclia granítica e Sobralia liliastrum. No grupo das
Araceae, figuram Anthurium sinuatum e A. pentaphyllum.
AGRADECIMENTOS
Ao técnico Luís Carlos Batista Lobato pelo serviço de campo e
herbário e ao Elielson Rocha pelas ilustrações botânicas.
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Pará. I - Ilhas de Maiandeua e Algodoal, Família Tumeraceae. Boi Mus. Para.
Emílio Goeldi. sér. Bot. 15(2): 173 - 198.
Recebido em: 09.12.99
Aprovado em: 29.03.01
73
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CDD: 588.098115
BRIÓFITAS DE SÃO LUÍS DO TAPAJÓS,
MUNICÍPIO DE ITAITUBA, COM NOVAS
ADIÇÕES PARA O ESTADO DO PARÁ
Regina C. L. Lisboa 1
Anna L. Ilkiu Borges 1
RESUMO - Em São Luís do Tapajós, pequeno povoado localizado na
margem direita do rio Tapajós, foi realizado o estudo das briófitas de
diferentes formações vegetais: Campo dos Perdidos - campina de areia
branca e dunas, com abundância de bacabeiras. Campina sem dunas -
campina nos arredores de um buritizal. Mata primária de terra firme -
mata próxima às campinas. Campo alagável - leito do furo do rio
Tocantins, sujeito a cheias no período chuvoso. Capoeira - capoeira de
2-3 anos, em cima de uma roça em repouso. Margem do rio Tapajós -
vegetação ribeirinha, com solo arenoso e afloramentos rochosos. Dentre
os resultados encontrados, foram identificadas 52 espécies e uma
variedade de briófitas, das quais três são novas ocorrências para o
estado do Pará: Fissidens submarginatus Brucli, Cheilolejeunea clausa
(Nees & Mont.) Schust. e Schusterolejeunea inundata (Spruce) Grolle.
PALAVRAS-CHAVE: Brioflora, Briófitas, Musgos, Hepáticas, Rio
Tapajós.
ABSTRACT - São Luís do Tapajós is a small village placed in the riglit
bank of Tapajós river where was carried out the study of bryophytes in
different ecosystems: Campo dos Perdidos - white sand campina and
dunes with abundance of bacaba palms; Campina without dunes -
campina in the outskirts of buriti palm forest; Primary high forest on
1 MCT-Museu Paraense Emílio Gocldi. Coordenação de Botânica. Caixa Postal 399.
Cep 66.040-170, Belém-PA. E-mails: regina@museu-goeldi,br;ilkiuborges@hotmail.com
75
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi., 17(1), 2001
terra firme - forest next the campina; Flooded field - creek bed of
Tocantins river, subject to flood in the rain season ; Secondary forest -
2-3 years secondary forest on a rest cidtivated field; Bank of Tapajós
river - bank vegetation on sand soil witli rock appearance. Among the
residis there were identified 52 species and one variety ofbryophytes, of
which tliree species are new occurrences to Pará State: Fissidens
submarginatus Brnch, Cheilolejeunea clausa ( Nees & Mont.) Schust.
and Schusterolejeiinea iniindata (Spruce) Grolle.
KEY-WORDS: Bryoflora, Bryophytes, Mosses, Liverworts, Tapajós
River.
INTRODUÇÃO
São Luís do Tapajós é um pequeno povoado situado na margem
direita do rio Tapajós. Pertence ao município de Itaituba, na mesor-
região do sudoeste paraense, 04°27’ 16”S e 56°14’50”W. Atualmente
apresenta uma população de 509 habitantes (Santos et al. s.d.), que
vivem principalmente da pesca, aliada a uma pequena agricultura e ao
extrativismo, especialmente de frutos, como castanha-do-pará e
bacaba. Não há na literatura, registro de estudos botânicos nessa área,
especialmente de briófitas.
Este trabalho tem como objetivo o estudo dos musgos e hepáticas
que ocorrem em São Luís do Tapajós, como uma contribuição para o
conhecimento da brioflora do estado do Pará.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram realizadas coletas de briófitas em diferentes formações
vegetais de São Luís do Tapajós:
Campo dos Perdidos - É uma campina de areia branca com
formação de dunas, distante cerca de 8km do povoado, localizada
76
cm
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Briófitas de São Luís do Tapajós, município de Itaituba, com novas adições para o estado do Pará.
geograficamente a 04°26’41,7”S e 056°13’00,2W” (Figura 1). Obser-
vam-se ilhas de arbustos de espécies variadas, separadas por áreas de
areia branca totalmente desnudas ou recobertas com liquens, especial-
mente do gênero Cladonia, briófitas como Frullania nodulosa
(Reinw., Blume & Nees) Nees e Campylopus surinamensis C. Müll. e
espécies de ervas: Syngonanthus amapaensis Mold., S. idei Ruhl.,
Xyris longiceps Malm., Schizaea penmda Sw., Turnera idmifolia L.
var. surinamensis, Anthurium atropurpureum Schultes, Rhyncospora
cf. cephalotes (L.) Vaahl., entre outras (Figuras 2-3).
De acordo com o mapa de ecoturismo da CPRM, Superintendên-
cia Regional de Belém, o Campo dos Perdidos tem 1,5 x 5,9 km e está
cercado por floresta tropical densa. Possui abundância de bacabeiras
nativas.
Campina sem dunas - Campina nos arredores de um igarapé
com um buritizal, 04°26’29,4”S e 56°13' 16”W. É semelhante a ante-
rior, diferindo, principalmente, por não apresentar dunas. Também
possui abundância de liquens terrestres ( Cladonia sp. é o mais
frequente), diretamente sobre a areia branca, o mesmo ocorrendo com
o musgo Campylopus surinamensis C. Muell.
Mata primária de terra firme, na trilha para Campo dos Per-
didos - Mata localizada nas coordenadas 04°26’47,7”S e
56° 14’ 13,9”W, na trilha para o Campo dos Perdidos. Observa-se
ocorrência de castanheira (Figura 4a).
Campo alagável - Leito do furo do Paraná, denominado Baixa
do Grupo, sujeito a cheias no período chuvoso (dezembro a maio),
quando se torna um lago que separa duas capoeiras (coordenadas
04°27’26”S e 056°14’54,3”W), praticamente atrás do povoado. Tem
aproximadamente 20 m de largura, entre duas capoeiras médias, com
6-15 m de altura, alguns espécimes chegando até 25 m. Este campo
apresenta abundância do cipó tiririca (Sele ria pterota Presl.), com a
77
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio GoeUli. sér. Bot., 17(1). 2001
: ;• DUNAS
i5tí926âb.i^j!K424W , -.l
m mmi
■■ ■ ■ ,
VlÇ^BAo LUÍS DO TAPAJÓS
[ 950MO4S / 583012W- UTM
Figura I - Detalhe de uma imagem de radar mostrando a localização da vila de São
Luís do Tapajós e o Campo dos Perdidos (Fonte: CPRM, Superintendência Regional
de Belém).
78
Briófitas de São Luís do Tapajós, município de ltaituba, com novas adições para o estado do Pará.
Figura 2 - Campo cios Perdidos, a) Vista geral de uma das dunas, b) Indivíduos de
Syngonanthus sp. (Eriocaulaceae), diretamente sobre a areia branca, separando
touceiras de arbustos, c) Cladonia sp. (líquen) e Axonopus sp. (Poaceae) no solo da
campina.
cm
Boi. Mus. Pura. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Figura 3 - Campo dos Perdidos, a) Palmeira de bacaba ( Oenocarpus bacaba Mart.).
b) Touceira de caranã ( Mauritiella armata (Mart.) Burr.).
presença rara a ocasional de outras ervas, como Panicum rudgei Roem
& Schult., Desmodium canum (Gme.) Schinz. et Thellung, Davilla
kunthii St. Hil. e Phenacospermum guianense Endl.
Capoeira após o Campo alagável - Coordenadas 04°27’ 16,2”S
e 56°14’50,r , W. Capoeira de 2-3 anos, formada em cima de uma roça
de mandioca e milho deixada em repouso. E cercada por mata impac-
tada, de onde se retiram palha de babaçu e inajá e com exemplares de
castanheira. No período chuvoso transforma-se em uma ilha, pela
cheia do leito do furo do Paraná.
Margem do rio Tapajós, trecho onde está São Luís do
Tapajós - Apresenta vegetação ribeirinha, sobre solo arenoso com
afloramentos rochosos, sujeito a inundações no período chuvoso e
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 17(1), 2001
formação de praias no verão (junho a novembro), o que torna a vege-
tação muito especial. Apenas espécies adaptadas a esse ecossistema
são capazes de sobreviver (Figuras 4b, 5a, b).
A coleta de material foi feita de acordo com as técnicas descritas
em Yano (1984a) e Lisboa (1993). Cada tufo, agrupamento, tapete ou
almofada de briófita de uma mesma espécie foi considerado igual a
uma ocorrência dessa espécie, conforme método de trabalho adotado
desde Lisboa (1976).
A identificação do material foi realizada através de bibliografia
especializada, indicada nos trabalhos de Lisboa (1993) e Ilkiu-Borges
(2000). Em muitos casos foi feita a comparação com material identifi-
cado por especialistas, depositado no Herbário do Museu Goeldi
(MG). Algumas espécies de Lejeuneaceae foram confirmadas pelo
especialista da família, Dr. Rob S. Gradstein.
Todo o material coletado está incorporado ao Herbário João
Murça Pires, do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG).
RESULTADOS
Foram identificadas 52 espécies e uma variedade de briófitas, em
São Luís do Tapajós, relacionadas na tabela 1, com as formações
vegetais onde foram coletadas e número de ocorrências.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
As espécies Fissidens submarginatus, Cheilolejeunea clausa e
Schusterolejeunea inundata, estão sendo citadas pela primeira vez
para o estado do Pará, o que comprova a importância desse tipo de
levantamento para o conhecimento da flora da Amazônia.
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1). 2001
Figura 4 - a) Detalhe do igarapé que corta um trecho da mata de terra firme, com
raízes cobertas de briófitas, b) Afloramentos rochosos, com vegetação, da margem
do rio Tapajós.
82
Briófitas de Sâo Luís do Tapajós, município de Itaituba, com novas adições para o estado do Pará.
Figura 5 - Margem do Rio Tapajós, a) Ervas c arbustos pequenos, crescendo entre e
sobre afloramentos rochosos, b) Afloramentos rochosos totalmente recobertos por
Taxitlielium planum (Brid.) Mitt.
83
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Tabela 1 - Briófitas de São Luís do Tapajós, Itaituba, Pará.
Família/espécie
Formações
vegetais a
N°.
Ocorrência
CALYMPERACEAE (3 sp.)
Cálymperes erositm C. Muell.
C
2
Syrrhopodon simmondsii Steere
Mlg
2
Syrrhopodon sp.
MIg
1
DICRANACEAE (1 sp.)
Campylopus surinamensis C. Muell.
CP
3
FISSIDENTACEAE (2 sp.)
Fissidens submarginatus Bruch
C
1
Fissidens zollingeh Mont.
c
1
HYPNACEAE (2 sp.)
Isopterygium subbrevisetum (Hampe) Broth.
c
1
Isopterygium tenerwn (Sw.) Mitt.
c
2
JUBULACEAE ( 1 sp.)
Frullania nodulosa (Reinw. Blume & Nees) Nees
CP
2
LEJEUNEACEAE (26 sp.)
Symbiezidium transversale (Swart.) Trev.
MIg
1
Acrolejeunea torulosa (Lehm. & Lindenb.) Schiffn.
CP; MRT
7
Aphanolejeunea sp
C
1
Archilejeunea auberiana (Mont.) A. Evans
C
1
Archilejeunea fuscescens (Hampe ex Lehm.) Fulf.
MIg; MRT
2
Archilejeunea pamflora (Nees) Schiff.
MRT
8
Caudalejeunea lehmanniana (Gott.) A. Evans
C
1
Ceratolejeunea cornuta (Lindenb.) Schiff.
C; MRT
3
Ceratolejeunea sp.
MIg
1
Cheilolejeunea clausa (Nees & Mont.) R. M. Schust.
MIg; MRT
5
Cheilolejeunea rigidula (Nees ex Mont.) R. M. Schust.
C; MRT
5
Cheilolejeunea trifaria (Reinw., Blume & Nees) Mizut.
MIg
1
Cheilolejeunea sp.
C; MIg
2
Cololejeunea obliqua (Nees & Mont.) S. Arnell
C
1
Cololejeunea surinamensis Tixier
C
2
Colura tortifolia (Dum.) Dum.
C
1
Lejeunea caespitosa Lindenb. ex Gott., Lindenb. & Nees
C
2
Lejeunea fiava (Sw.) Nees
C
1
Lejeunea laete-virens Nees & Mont. ex Mont.
C
2
Lejeunea phyllobola Nees & Mont.
C
1
Lejeunea sp.
MIg
1
Leptolejeunea elliptica (Lehm. & Lindenb.) Schiffn.
C
7
84
Briófitas de São Luís do Tapajós , município de Itaituba, com novas adições para o estado do Pará.
Tabela 1 - Briófitas de São Luís do Tapajós, Itaituba, Pará.
Família/espécie
Formações
vegetais a
N°.
Ocorrência
Cont...
Lopholejeunea subfusca (Nees) Schiffn.
C
1
Schusterolejewiea inundata (Spruce) Grolle
MRT
4
Trachylejeunea pandurantha (Spruce) Steph.
MIg; MTF
3
Trachylejetmea sp.
MTF
1
LEPIDOZIACEAE (3 sp.)
Arachniopsis monodactyla (Spruce) R. M. Schust.
MIg
2
Pteropsiella serrulata Spruce ex Steph.
MIg
3
Zoopsidella integrifolia (Spruce) R. M. Schust.
MIg
2
LEUCOBRYACEAE (5 sp.)
Leucobryum albidum (Brid.) ex P. Beauv. Lindb.
MIg
2
Octoblepliariim albidum Hedw. var. violascens C. Muell.
CP; MRT; MTF
4
Octoblepharum cylindricum Mont.
CP; MIg; MTF
3
Octoblepharum pellttcidum C. Muell.
MIg
1
Octoblepharum pulvinatwn (Dozy & Molk.) Mitt.
MTF
1
PLAGIOCHILACEAE (1 sp.)
Plagiochila sp.
C
1
PLAGIOTHECIACEAE ( 1 sp.)
Pilosium chlorophyllum (Hornsch.) C. Muell.
MTF
I
SEMATOPHYLLACEAE (6 sp.)
Pterogonidium pulchellum (Hook.) C. Muell.
MRT
1
Sematophyllum subpinnatum (Brid.) Britt.
MRT
3
SematophyUum subsimplex (Hedw.) Mitt.
MIg; MTF
2
Sematophyllum sp.
MIg; MTF
4
Taxithelium planum (Brid.) Mitt.
C; MRT
9
Trichosteleum intrícatum (Thér.) J. Florsch.
MTF
1
a. Formações Vegetais: C - Capoeira; CP - Campo dos Perdidos (Campina); MIg - Margem do
igarapé; MRT - Margem do Rio Tapajós; MTF - Mata de terra firme.
Fissidens submarginatus (ilustrada em Lisboa 1993) estava cit-
ada para o Amazonas (Griffin III 1979) e Rondônia (Lisboa 1993),
como F. intermedius Muell.
Clieilolejeunea clausa (Figura 6) havia sido referida para os esta-
dos de Minas Gerais e Rio de Janeiro (Yano 1984b) e Pernambuco
(Pôrto 1990).
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Briófitas de São Luís do Tapajós, município de Itaituba, com novas adições para o estado do Pará.
Schusterolejeunea inundata (Figura 7) ocorria apenas no estado
do Amazonas, segundo Yano (1984b).
Observa-se na Tabela 1, vinte e seis espécies de Lejeuneaceae,
para um total de 52 espécies e uma variedade de briófitas identifica-
das, ou seja, 50% da brioflora de São Luís do Tapajós está
representada pela família Lejeuneaceae. Dez famílias complementam
os outros 50%, sendo que Sematophyllaceae, representada por seis
espécies, é a segunda em diversidade. Na Amazônia, a predominância
das famílias Lejeuneaceae e Sematophyllaceae é comum, como obser-
vado por Gradstein (1994), que avalia que mais de 3 á das espécies de
hepáticas de florestas pluviais de baixa altitude são hepáticas. Lisboa
& Ilkiu-Borges (no prelo) encontraram para a Reserva Mocambo, uma
mata de terra firme localizada nos arredores de Belém (PA), as
famílias Lejeuneaceae e Sematophyllaceae como as mais representati-
vas, tanto em número de espécies, como em número de ocorrências.
Ilkiu-Borges (2000) relaciona 58 espécies e duas variedades de
Lejeuneaceae, para a Estação Científica Ferreira Penna, localizada na
Floresta Nacional de Caxiuanã, município de Melgaço (PA), supe-
rando de longe qualquer outra família de hepática.
Na Capoeira foram coletadas vinte e duas espécies; na margem
do Igarapé, dezoito espécies; na margem do Rio Tapajós, onze espé-
cies; na mata de terra firme, nove espécies. O local com o menor
número de espécies foi o Campo dos Perdidos (apenas cinco), o que já
era de se esperar, considerando as altas temperaturas e grande incidên-
cia de raios solares que ocorrem nesse tipo de formação vegetal
(campina de areia branca), onde apenas as espécies altamente adapta-
das conseguem sobreviver, como Frullania nodulosa, Campylopus
surinamensis, Acrolejeunea torulosa , Octoblepharum albidum var.
violascens e O. cylindricum. Estas duas últimas espécies foram cole-
tadas também na mata de terra firme. O. albidum var. violascens ainda
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Figura 7 - Schusterolejeunea immdata. A) hábito; B) anfigastros; C) lóbulo; D)
filídio; E) células centrais do filídio (Lisboa et al. 6841).
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Briófitas de São Luís do Tapajós, município de Itaituba, com novas adições para o estado do Pará.
foi encontrada na margem do rio Tapajós, enquanto O. cylindricum
ocorria também na margem do igarapé, comprovando que essas duas
espécies possuem grande amplitude ecológica. A grande maioria das
espécies (39), foram encontradas apenas em um tipo de formação
vegetal.
Deve ser considerado que, na mata de terra firme, a coleta de
briófitas foi superficial, apenas poucos exemplares. Mas nos outros
ecossistemas trabalhados, a coleta foi extensa, ou seja, o maior número
possível das espécies presentes.
Quanto ao número de ocorrências das espécies, as três mais
freqüentes foram Taxithelium planum (9 ocorrências), Archilejeunea
parviflora (8) e Leptolejeunea elliptica (7).
Muitas espécies de briófitas crescem associadas a outras. Em São
Luís do Tapajós, podem ser destacadas as associações observadas na
margem do igarapé: no solo muito úmido, as espécies Arachniopsis
monodactyla, Leucobryum albidum, Ptreopsiella serrulata e
Syrrlwpodon simmondsii estavam misturadas. As espécies
Arachniopsis monodactyla, Leucobryum albidum, Sematophyllum sp.
e Trachylejeunea pandurantha, estavam juntas sobre raízes de uma
árvore de Leguminosae, local também muito úmido, porque localizado
bem na margem do igarapé. Sobre pedra dentro desse igarapé, estavam
as espécies Syrrlwpodon simmondsii, Trachylejeunea pandurantha e
Zoopsidella integrifolia. Na capoeira, sobre folhas vivas de uma
Olacaceae, cresciam Aphanolejeunea sp., Cololejeunea obliqua,
Cololejeunea surinamensis , Colura tortifolia e Leptolejeunea elliptica.
Sobre um tronco podre, foi observada a associação de Ceratolejeunea
comuta , Calymperes erosum, Cheilolejeunea sp. e Lejeunea
laetevirens. Já na vegetação ribeirinha da margem do rio Tapajós, as
espécies Archilejeunea parviflora, Pterogonidium pulchellum,
Schusterolejeunea inundata e Sematophyllum subpinnatum
apresentaram-se crescendo juntas sobre um cipó.
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AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Rob S. Gradstein, da Universidade de Gõttingen,
Alemanha, pela confirmação da identificação de algumas
Lejeuneaceae, especialmente as novas ocorrências. Aos senhores Luiz
Carlos Lobato (Técnico Laboratorista) e Carlos Alberto dos Santos
Silva (Auxiliar Técnico da Coordenação de Botânica do Museu
Goeldi), pela identificação das plantas superiores e ajuda na coleta de
briófitas.
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Briófitas de São Luís do Tapajós, município de Itaituba, com novas adições para o estado do Parei.
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Lab. 56: 481-548.
Recebido em: 04. 1 1 .99
Aprovado em: 07. 1 1 .00
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CDD: 583.32304497
ARQUITETURA FOLIOLAR DE SWARTZIA
BRA CHYRA CHIS HARMS VAR. SNETHLA GEAE
(DUCKE) DUCKE E SWARTZIA LAURIFOLIA
BENTHAM (LEGUMINOSAE-PAPILIONOIDEAE),
OCORRENTES NA RESTINGA DE ALGODOAL/
M AIANDEUA-PARÁ 1
Adalgisa da Silva Alvarez 2 3
Raimunda Conceição de Vilhena Potiguara 3
João Ubiratan Moreira Santos 4
RESUMO- Foi realizado um estudo da venação foliolar em duas
espécies do gênero Swartzia (Leguminosae-Papilionoideae), que
ocorrem em Algodoal-PA, considerando o aspecto da rede de nervuras,
o padrão de venação, as terminações vasculares e morfologia dos
folíolos. Estas características possibilitaram a separação entre ambos
os taxa.
PALAVRAS-CHAVE: Venação foliolar, Swartzia, Pará.
ABSTRACT- Was realized a study ofthe venation leaflets in two species
of the genus Swartzia (Leguminosae-Papilionoideae), that ocurrs in
Algodoal-PA, considering the aspect ofthe net of the veins, venation
1 Parte da dissertação de mestrado da primeira autora, do curso de pós-graduação da
Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), Belém-PA.
2 MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Bolsista. Caixa Postal
399. Cep 66.040-170, Belém-PA. E-mail: gisarez@bol.com.br
3 MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Pesquisadora. Caixa
Postal 399. Cep 66.040-170, Belém-PA. E-mail: raipoty@museu-goeldi.br
4 FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor visitante. Av. Perimctral, 2501.
Cep 66075-650. Belém-PA. E-mail: bira@museu-goeldi.br
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Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi., 17(1), 2001
patterns, veins termination, and morphology of lhe leaflets. These
caracteristics could help to separate both taxa.
KEY WORDS: Venation patterns, Swartzia , Pará.
INTRODUÇÃO
No litoral nordeste do Pará (PA), encontra-se uma considerável
área de restinga representada por belas extensões de praias. Fazendo
parte destas planícies arenosas litorâneas temos a ilha de Algodoal/
Maiandeua, considerada a primeira Área de Proteção Ambiental
(APA), em ambiente costeiro do estado do Pará, de acordo com a Lei
Estadual 5621. Neste ecossistema foram identificadas diversas
famílias de acordo com levantamentos realizados por Santos &
Rosário (1988), Bastos (1988) e Bastos (1996), entre estas, a família
Leguminosae Adans, representada por 24 espécies distribuídas em
três subfamílias: Papilionoideae, Caesalpinioideae, Mimosoideae. A
subfamília Papilionoideae Kunth na restinga de Algodoal/Maiandeua
apresentá 7 espécies, das quais selecionou-se Swartzia brachyrachis
Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke e Swartzia laurifolia Bentham
para o estudo da anatomia vegetal.
A venação foliolar é um mecanismo da anatomia vegetal, que
auxilia na separação de espécies. Nesta área do conhecimento existem
poucas referências principalmente para a família Leguminosae, entre
estes citamos Carvalho (1967, 1970), Carvalho & Valente (1973) e
Potiguara et al. (1991). Diante deste quadro este trabalho tem por obje-
tivo estudar a morfologia e a arquitetura dos folíolos, contribuindo
para a identificação das espécies do ecossistema restinga.
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Arquitetura foliolar de Swartzia Brachyrachis Harms Var. Snethlageae (Ducke)...
MATERIAL E MÉTODOS
*
Area de estudo
O material foi coletado na região de restinga da ilha de Algodoal/
Maiandeua localizada no estado do Pará, município de Maracanã
entre as coordenadas geográficas 00°35’03” a 00°38’29”de Latitude
Sul e 47 0 31’54” a 47°34’57” de Longitude WGr, Algodoal 385 hect-
ares e Maiandeua 1.993 hectares (Bastos 1996).
Material
Foram coletados 10 folíolos do terceiro, quarto e quinto nós
respectivamente de cada uma das espécies em estudo.
A identificação do material botânico foi realizada pelo pesquisa-
dor Antônio Sérgio Lima da Silva, especialista na família
Leguminosae, mediante comparação com exsicatas pertencentes ao
herbário João Murça Pires do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG) e
encontram-se registradas neste Herbário com os seguintes números:
Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke -
MG 0149262
Swartzia laurifolia Bentham-MG 140349
Métodos
Com o objetivo de identificar o padrão da rede de nervuras dos
folíolos, realizou-se a técnica de diafanização, na qual folíolos inteiros
e em pequenas secções foram imersos em uma solução aquosa de
hidróxido de sódio (NaOH) a 5% aquoso (Arnott 1959), trocando-se a
solução diariamente até a clarificação do material botânico. Ao final
deste processo, lavou-se o material em água corrente para a retirada do
excesso da solução básica.
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A coloração da venação realizou-se em Safranina hidro-alcoólica
aquosa, durante 2 horas (Johansen 1940), em seguida as lâminas foram
passadas em série alcoólica e aceto-butílica crescente. A montagem
dos folíolos inteiros diafanizados foi entre vidros de 2mm de espessura
e para os detalhes das terminações vasculares, o material botânico foi
montado entre lâmina e lamínula, ambas em bálsamo do Canadá.
A classificação dos padrões de venação das espécies em estudo,
esta de acordo com a versão de Felipe & Alencastro (1966) e Hickey
(1973).
Para determinar a natureza dos cristais utilizou-se o teste Cham-
berlain (1938).
Ilustrações
As ilustrações do trabalho foram feitas de 2 maneiras: (1) nas ter-
minações foram utilizadas o fotomicroscópio Zeiss em vários
tamanhos; (2) para as fotos do folíolos inteiros as lâminas preparadas,
foram usadas como negativo e colocadas em um ampliador fotográ-
fico, cuja imagem foi impressa em papel fotográfico, seguindo-se a
técnica usual para revelação de filme preto e branco.
RESULTADOS
Aspectos Morfológicos
Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke.
Arvoreta de cerca de 3m de altura aproximadamente com 12cm de
diâmetro. Unifoliolada, pecíolo com 3 a 9mm de comprimento; esti-
pulas caducas; cartáceas; 6 a 12cm de comprimento; 3 a 6,5cm de
largura; lâmina oblongo-lanceoladas; base obtusa; ápice acuminado
levemente mucronado; margem lisa; com tricomas simples na face
ventral; glabra na face superior (Figura 1).
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Arquitetura foliolar de Swartzia Brachyrachis Harms Var. Snethlageae (Ducke)...
Figura 1 - Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke. Aspecto
geral de um ramo com frutos.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Swartzia laurifolia Bentham. Arbusto de cerca de 2 m de altura
aproximadamente com 8 cm de diâmetro. Ramo com folhas alternas;
imparipinadas; pecíolo ligeiramente canaliculado com 2 a 6 mm de
comprimento; estipulas caducas; coriáceas; folíolos 5 jugas opostos; 4
a 12 cm de comprimento; 2 a 6 cm de largura; lâmina oblonga-elíptica;
base obtusa; ápice agudo; mucronado; margem lisa; com tricomas
simples na face ventral e face superior glabra exceto a nervura central
que apresenta-se estrigosa e tomentosa na face inferior (Figura 2).
Figura 2 - Swartzia laurifolia Bentham. Aspecto geral de um ramo com frutos.
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Aspectos Anatômicos
A arquitetura da rede de nervura em Swartzia brachyrachis
Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke e Swartzia laurifolia
Bentham, revelou uma nervura primária ou principal proeminente que
adelga-se em direção ao ápice nas duas espécies, observou-se ainda
que as nervuras secundárias estão assimetricamente dispostas em
relação a nervura principal, apresentando 10al2e8al0 pares de
nervuras secundárias respectivamente, estas formam arcos sem, no
entanto, tocarem a margem definindo o padrão broquidródomo
(Figuras 3-4). Nestas figuras, mostra-se que entre as nervuras
secundárias, ocorrem as nervuras peudo-secundárias, que partem da
nervura principal porém ficam na metade do limbo.
Quanto a organização do sistema vascular, a rede de nervuras
mostrou-se bastante laxa em Swartzia brachyrachis var. snethlageae,
possuindo uma nervura intramarginal que corre paralelamente a
margem do folíolo, ligando as nervuras secundárias através das
nervuras terciárias, formando auréolas e ramificando-se até a quinta
grandeza (Figura 5A), enquanto a rede de nervuras em Swartzia
laurifolia é densa (Figura 5C), apresentando nervuras terciárias axiais
e laterais, as nervuras terciárias axiais ligam uma nervura primária a
uma nervura secundária e as nervuras terciárias laterais ligam duas
nervuras secundárias (Figura 4).
Quanto as terminações vasculares foram encontradas os
seguintes tipos: múltiplas em Swartzia brachyrachis var. snethlageae
(Figura 5B) e simples e livres em Swartzia laurifolia (Figura 5D).
Estas terminações são envolvidas, em ambas espécies, por uma bainha
parenquimática, cujas as células contêm cristais isolados de oxalato de
cálcio.
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Figura 3 - Swartzia brachyrachis Harnis var. snethlageae (Ducke) Ducke. Padrão de
venação do folíolo. Nervura Primária=NP; Nervura Pseudo-Secundaria= NPS;
Nervura Secundária=NS.
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Arquitetura foliolar de Swartzia Brachyrachis Harms Var. Snethlageae (Ducke)...
Figura 4 - Swartzia laurifolia Bentham. Padrão de venação do folíolo. Nervura
Primária=NP; Nervura Pseudo-secundária=NPS; Nervura Secu ndária=NS; Nervura
Terciária Axial=NTA; Nervura Terciária Lateral=NTL.
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Figura 5 - A-B Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke. A-
Aspecto geral da rede de nervura (3mm); B-Detalhe das terminações vasculares
(8mm). C-D. Swartzia laurifolia Bentham; C-Aspecto geral da rede de nervura
(3mm); D-Detalhe das terminações vasculares (8mm). Bainha Parenquimática= BP;
Cristais Priamáticos=CP; Nervura IntramarginaI=NI; Nervura Secundária=NS;
Nervura Terciária=NT; Traqueídeo=TRA.
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Arquitetura foliolar de Swartzia Brachyrachis Harms Var. Snethlageae (Ducke)...
A Tabela 1 apresenta uma análise dos principais caracteres mor-
fológicos e anatômicos gerais e diferenciais encontrados entre as
espécies.
Tabela 1 - Aspectos morfológicos e do padrão de venação de duas espécies da
restinga de Algodoal-Maiandeua: Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae
(Ducke) Ducke e Swartzia laurifolia Bentham.
Caracteres
morfo-anatômicos
Swartzia brachyrachis Harms
var. snethlageae (Ducke) Ducke.
Swartzia laurifolia
Bentham
Comprimento
do folíolo
6 a 12cm
4 a 12cm
Largura
do folíolo
3 a 6,5cm
2 a 6cm
Base/margem
Obtusa/lisa
Obtusa/lisa
Textura
do limbo
Cartácea
Coriácea
Ápice
Acuminado
Mucronado
Lâmina
Oblonga-lanceolada
Oblonga-elíptica
Rede de
Nervuras
Laxa
Densa
Bainha
Parenquimática
Presente
Presente
Traqueídeos
Múltiplos
Simples e livres
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Em linhas gerais, o sistema vascular e a morfologia das espécies
em estudo são semelhantes, como o padrão de venação do tipo
broquidródomo, base e margem dos folíolos. Embora caracteres dife-
renciais como o contorno da lâmina, consistência e hábito das espécies
tenham sido observados.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Hickey & Wolfe (1975) descreveram algumas espécies da família
Leguminosae, como sendo também do tipo broquidródomo, permi-
tindo-se verificar que este padrão de nervação é comum a esta família.
Quanto a rede de nervuras, esta apresentou-se laxa em Swartzia
brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke e densa em
Swartzia laurifolia Bentham, este caráter pode ser utilizado como
diagnóstico de separação entre as espécies, auxiliando a taxonomia.
O gênero Swartzia é bastante discutido pelos taxonomistas
quanto a sua posição dentro da família Leguminosae. De acordo com
Metcalfe & Chalk (1957) a presença de cristais é um caráter diferen-
cial entre as três subfamílias, podendo estar isolados ou agrupados,
estando geralmente isolados em Papilinoideae e Mimosoideae e agru-
pados em Caesalpinioideae, estes autores relataram a existência de
cristais isolados de oxalato de cálcio em algumas espécies do gênero
Swartzia, o que foi verificado nas duas espécies, porém mais abundan-
tes em Swartzia brachyrachis var. snethlageae.
Apesar da ocorrência de uma bainha parenquimática em ambas
espécies, nota-se que em Swartzia laurifolia esta é bastante
evidenciada em todo o sistema vascular, enquanto que em Swartzia
brachyrachis var. snethlageae esta bainha é mais pronunciada entre as
terminações vasculares. Potiguara & Silva (1991) estudaram a
venação foliolar de espécies de Acacia P. Mill e descreveram em
A. lemquerensis a presença de uma bainha parenquimática
semelhante, nas terminações vasculares.
Os traqueídeos apresentaram-se múltiplos em Swartzia
brachyrachis var. snethlageae e simples e livres em Swartzia laurifolia,
este caráter pode ser utilizado como diagnóstico taxonômico.
As características morfológicas e de venação foliolar existentes
nas duas espécies permitiram a separação do taxon em estudo.
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Arquitetura foliolar de Swartzia Brachyrachis Harms Var. Snethlageae (Ducke)...
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Recebido em: 04.1 1.99
Aprovado em: 07.1 1.00
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CDD: 589.225098116
UREDINALES DO ESTADO DO AMAPÁ:
GÊNERO PUCCINIA
Helen M. P. Sotão 1
Joe F. Hennen 2
Maria Auxiliadora Cavalcante 3
RESUMO - Foi realizado um estudo de espécimes de Uredinales
(ferrugem de plantas ) coletados no estado do Amapá, Brasil, no período
de 1987- 994. Quinze espécies do gênero Puccinia foram identificadas:
P arachidis Spegazzini var. ojfuscata (Arthur) Cummins, P bambusarum
Arthur, P. claviformis Lagerheim, P. cnici-oleracei Persoon ex
Desmazieres, P flavo-virens H. S. Jackson & Holway, P. heterospora
Berkeley & Curtis, P. insueta Winter, P. lygodii Arthur, P minuta Dietel,
P obliquo-septata Viennot-Bourgin, P. palicoureae Mains, P paraênsis
Dietel, P. psidii Winter, P. solani-tristis P. Hennings, e P. thaliae Dietel.
Apresenta-se uma lista das espécies com base nos hospedeiros,
descrições morfológicas e ilustrações das espécies. Todas as espécies
estão sendo reportadas pela primeira vez para o estado do Amapá.
P. flavo-virens e P. minuta são novas citações para o Brasil. P. lygodii,
P. obliquo-septata e P. palicoureae são novas referências para a
Amazônia brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Biodiversidade, Uredinales, Ferrugem de
plantas, Brasil.
1 PR-MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi - Coordenação de Botânica. Campus de
Pesquisa. Caixa Postal 399. Cep. 66040-170, Belém-PA. E-mail: helen@museu-goeldi.br
2 Botanical Research Institut of Texas. 3747 Bellaire Circle. Forth Worth, TX, USA.
3 UFPE-Universidade Federal de Pernambuco. Centro de Ciências biológicas/
Departamento de Micologia. Cidade Universitária. Av. Prof. Moraes Rêgo, 1235.
Cep. 50670-901, Recife-PE
107
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
ABSTRACT - During a study of the especimens ofUredinales (plant rusl
fungi) collected during the period 1987-1994 in the State of Amapá,
Brazil.fifteen species ofPuccinia were identijied: P. arachidis Spegazzini
var. ojfuscata (Arthur) Cummins, P. bambusarum Arthur, P. claviformis
Lagerheim, P. cnici-oleracei Persoon ex Desmazieres, P. flavo-virens
H. S. Jackson & Holway, P. heterospora Berkeley & Curtis, P. insueta
Winter, P. lygodii Arthur, P. minuta Dietel, P. obliquo-septata Viennot-
Bourgin, P. palicoureae Mains, P. paraensis Dietel, P psidii Winter,
P. solani-tristis P Hennings, and P. thaliae Dietel. A list based on hosts,
morphological descriptions of rust species, and illustrations are
provided. “All species are new records for the State of Amapá. P flavo-
virens and P. minuta are new records for Brazil. P lygodii, P. obliquo-
septata and P. palicoureae are new to Amazonian Brazil.
KEY WORDS: Biodiversity, Uredinales, Rust Fungi, Brazil.
INTRODUÇÃO
Os fungos do gênero Puccinia estão classificados na família
Pucciniaceae, da ordem Uredinales (ferrugem), da classe
Basidiomycetes (Urediniomycetes) e subdivisão Basidiomycotina.
Segundo Cummins & Hiratsuka (1983), Puccinia é um gênero que
apresenta o maior número de espécies conhecidas, com cerca de 3.000
a 4.000 representantes. No Brasil foram registrados por Hennen et al.
(1982), 274 espécies de Puccinia sem referências de Uredinales para o
estado do Amapá.
O estado do Amapá está localizado ao norte do Brasil, entre as
latitudes 4 o 20’ 45” Norte e I o 13’ 30” Sul, longitude entre 49° 54’ 45”
Leste e 54° 47’ 30” Oeste. Informações sobre clima, cobertura vegetal
e relevo do estado do Amapá são citadas por Azevedo (1967).
As primeiras referências de Uredinales para o estado do Amapá
são de Hennen & Sotão (1996) onde estão descritas três novas espécies
de Uredinales, Porotenus biporus, Prospodium amapaensis e Uredo
108
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
amapaensis, parasitando diferentes táxons da família Bignoniaceae.
Hennen & Sotão (1997) descreveram uma nova variedade, Aecidium
maprouneae (P. Hennings) var. noncrassatum sobre Maprounea sp.
(Euphorbiaceae). Diorchidium amapaensis foi outra espécie nova
descrita por Hennen et al. (1998), encontrada parasitando Geophila sp.
da família Rubiaceae.
O presente trabalho faz parte do projeto que objetiva realizar o
levantamento das Uredinales do estado do Amapá, e representa o
primeiro registro das espécies de Puccinia para a área.
MATERIAL E MÉTODOS
Os espécimes estudados foram coletados em diversas áreas do
estado do Amapá, no período de 1987 a 1994, e encontram-se
depositados no herbário João Murça Pires (MG) do Museu Paraense
Emílio Goeldi, na Coordenação de Botânica.
Na etapa de identificação das espécies de Uredinales, foram
levados em consideração os hospedeiros e as microestruturas. Estas
foram observadas a partir da preparação de lâminas semipermanentes
de soros e esporos, montadas em solução de lactofenol e aquecidas.
Para auxílio das identificações, utilizou-se bibliografias especializadas,
Arthur (1922A, 1924); Cummins (1971, 1978); Cummins & Hiratsuka
(1983); Dietel (1909); Hennen et al. (1982); Hennen & Sotão (1996);
Hennen et al. (1998); Jackson (1931A, 1931B, 1931C); Sydow &
Sydow (1923, 1924); Viégas (1945A), e estudos comparativos com
espécimes depositados no herbário do Botanical Research Institute of
Texas (BRIT), em Fort Worth, Texas, USA.
As descrições das espécies foram baseadas no material
identificado, em espécimes depositados no BRIT e em literatura. As
modificações das descrições originais foram baseadas em observações
detalhadas dos espécimes estudados.
109
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
As espécies estão apresentadas no trabalho na seguinte sequência:
Nome teleomórfico do fungo, referência bibliográfica da descrição
original, espécime tipo; sinônimos do teleomorfo; nome do anamorfo;
sinônimos do anamorfo; descrição dos soros e esporos da espécie;
espécime estudado, espécie do hospedeiro (família do hospedeiro),
local e data de coleta, coletores, número de coleta, soro apresentado no
espécime; comentários taxônomicos.
Após as descrições de todas as espécies, é apresentada, na tabela 1,
uma lista das espécies de Puccinia, por família e gêneros dos
hospedeiros.
As ilustrações das espécies foram feitas com o auxílio de
fotomicroscópio. No lado direito da parte inferior de cada figura, existe
uma barra que corresponde a 1 cm e nas legendas estão citadas as
medidas em pm, equivalente à barra.
GÊNERO PUCCINIA Persoon, Syn. Meth. Fung. p.225, 1801.
Tipo: Puccinia graminis Persoon.
Espermogônios tipo IV. Écios subepidérmicos em origem,
erumpentes, geralmente com perídio; esporos catenulados ou
originados em pedicelos, verrucosos ou algumas vezes equinulados,
com vários poros de germinação. Uredínios subepidermal em origem,
erumpente, com ou sem paráfises; urediniosporos catenulados ou
pedicelados, verrucosos ou equinulados, com vários poros de
germinação. Télios subepidermal em origem, erumpentes na maioria
das espécies, coberto pela epiderme em algumas espécies e outras vezes
divididos em lóculos por paráfises estromáticas; esporos pedicelados,
geralmente com duas células probasidiais com um septo transversal,
com variações em algumas espécies, ocasionalmente pode ter um a três
ou quatro células por esporo, parede geralmente pigmentada, as vezes
hialina, lisa ou esculturada, com um poro germinativo em cada célula,
mas não diferenciado em algumas espécies. Metabasidios externos,
morfologicamente diferentes dos probasidios.
110
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Literaturas com descrição do gênero: Cummins 1978; Cummins &
Hiratsuka 1983.
Comentários: Mais da metade de todas as espécies de ferrugens
conhecidas pertencem ao gênero Puccinia, e muitas espécies ainda
estão sendo descobertas. Este gênero é caracterizado principalmente
por apresentar teliosporos pedicelados, com duas células e
espermogônio do tipo IV. Vários outros gêneros de ferrugens podem
produzir teliosporos pedicelados com duas células. No passado,
alguns desses gêneros foram incluídos em Puccinia, mas agora estão
incluídos em outros gêneros. Em algumas famílias de vegetais os
télios do gênero Puccinia são extremamente raros ou desconhecidos.
Alguns exemplos podem ser citados: 1. Na família Bignoniaceae, a
ferrugem com teliosporos de duas células provavelmente pertence aos
gêneros Propodium ou Porotenus. 2. Na família Leguminosae ( sensu
lato), a ferrugem com teliosporos de duas células provavelmente seja
dos gêneros: Soratea, Diorchidium, Dicheirinia, Dasyspora, e
algumas poucas espécies de Puccinia como P. arachidis. 3. Na família
Rosaceae, a ferrugem com teliosporos de duas células provavelmente
pertence ao gênero Tranzschelia. 4. Na família Arecaceae (Palmae), o
único gênero conhecido e que tem teliosporos com duas células é
Cerradoa. 5. Nas samambaias é conhecida uma única espécie de
Puccinia, P. lygodii, e outra ferrugem conhecida nesta família com
teliosporos de duas células pertence ao gênero Desmella. Geralmente
a relação de especificidade de hospedeiro auxilia na identificação de
uma ferrugem pertencente ao gênero Puccinia.
descrição das espécies
1. Puccinia arachidis Spegazzini var. offuscata (Arthur) Cummins.
Mycotaxon 5:402. 1977. Tipo: sobre Zomia diphylla (Linnaeus) Persoon
(Fabaceae), o mesmo de Puccinia offuscata Arthur. (Figuras 1-3).
111
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
=Puccinia offuscata Arthur., Buli. Torry Bot. Club 47:469. 1920.
Tipo: sobre Zomia diphylla (Linnaeus) Persoon, Cuba, Herradura, 30
de Setembro de 1904, Baker-2143.
Anamorfo:
Uredo zorniae Dietel. Hedwigia 38:257. 1899. Tipo: sobre Zornia
diphylla (Linnaeus) Persoon, Brasil, Rio de Janeiro, Copacabana,
Junho de 1897, E. Ule-2296.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios anfígenos,
predominantemente abaxiais, em manchas irregulares, soros redondos
a oblongos, isolados ou agrupados, subepidermal em origem, cobertos
por uma fina membrana, em forma de perídio, tornando-se erumpentes,
pulverulentos, 0.5-1 mm transversalmente, marrom-escuro; esporos
17-27 x 17-20 pm, geralmente elipsóides ou obovóides, parede 1-2 pm
de espessura, marrom, equinulada, 2, 3 ou 4 poros germinativos,
geralmente 3, equatoriais. Télios anfígenos, predominantemente
abaxiais, dispersos, subepidermal em origem, cedo expostos, 0.2-
0.3 mm transversalmente, castanho a marrom escuro, tornando-se
cinza após germinação dos esporos; esporos (33-) 38-56 (-60) x
(12)14-18 pm, geralmente elipsóides, oblongos ou obovados,
arredondados ou pontiagudos no ápice, podendo ser constricto ou não
na região do septo, predominantemente bicelulares, algumas vezes
com 1, 3 ou 4 células, septos transversais, parede 0.7-0. 8 pm de
espessura lateral, espessada no ápice, 2.5-4(-5) pm; amarelo ouro a
marrom ou hialina, lisa, pedicelo hialino, curto, 35-65 pm de
comprimento, geralmente quebradiço e colapsado.
Espécime estudado: Sobre Zornia sp. (Fabaceae), Laranjal do Jari: 8
de Outubro de 1987, J. Hennen 87-15, soro II.
Comentários: No material da área de estudo não foi encontrado télio
e teliosporos. Para complementar a descrição e ilustração da espécie,
baseou-se em amostras coletadas no Brasil (São Paulo, 1983, Hennen
83-38-, Pará, 1978, Freire s/n), e na descrição de Hennen et al. (1987).
112
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Spegazzini (1884) descreveu Puccinia arachidis citando
erroneamente a espécie tipo sobre Arachis hypogea Linnaeus
(amendoim), mas Lindquist (1982) e Hennen etal. (1987), examinando
o isotipo desta espécie, corrigiram a identificação do hospedeiro, que é
uma espécie silvestre de Arachis sp. (Fabaceae), coletada no Paraguay -
Caa-guazu, em Janeiro de 1882, por B. Balansa 3449.
Arthur (1920) descreveu Puccinia offuscata e Arthur (1922B)
citou Uredo zorniae Dietel como sinônimo de P. offuscata. Cummins
(1977), colocou P. offuscata como uma variedade de P. arachidis
[ P . arachidis Spegazzini var. offuscata (Arthur) Cummins],
diferenciando esta nova variedade de P. arachidis Spegazzini var.
arachidis por apresentar: urediniosporos com 2-4 poros germinativos,
geralmente 3, teliosporos claros e hospedeiros em espécies do gênero
Zornia e a variedade arachidis apresenta: urediniosporos geralmente
com 2 poros germinativos, ocasionalmente 3 ou 4 poros, teliosporos
amarelo claro a amarelo ouro ou marrom-claro, ocorrendo em espécies
do gênero Arachis. A variedade offuscata tem distribuição geográfica
conhecida para América do Sul, América Central e nos estados do
Texas e Flórida nos Estados Unidos. Na África e Austrália ocorre outra
espécie de ferrugem parasitando Zornia silvestre classificada como
Puccinia zorniae McAlpine (Hennen et al. 1987). Doidge (1927) e
Mayor & Viennot-Bourgin (1951) diferenciaram P. Zorniae de
P ■ offuscata (P. arachidis var. offuscata ) devido esta ter urediniosporos
com somente 2 poros germinativos, raramente 3 poros. Porém, esta é
uma diferença citada por Cummins (1977) para separar as duas
variedades de P. arachidis. Puccinia stylosanthes (P. Hennings) Viégas
( 1 945 B ) é outra espécie de Puccinia encontrada parasitando
Stylosanthes sp. da família Fabaceae, que ocorre no Sul e Sudeste do
Brasil. Esta ferrugem apresenta características morfológicas similares
às dasespécies c variedades citadas neste comentário.
113
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Hennen et al. (1987) apresentam um histórico de P. arachidis,
discutem sua taxonomia, ciclo de vida e evolução, enfatizando que é
necessário que se estude as conexões e afinidades entre P. arachidis,
P. zorniae e P. stylosanthes.
2. Puccinia bambusarum Arthur, Bot. Gaz. 65:467. 1918. Lectotipo:
sobre Pariana sp. (Poaceae), Peru, Iquitos, Rio Amazonas, Julho de
1902, E. Ule-3161. O hospedeiro foi erroneamente identificado como
Olyra sp. (Figuras 4-5).
Anamorfo:
Uredo olyrae P. Hennings, Hedwigia 43: 164. 1904. Tipo: o mesmo
do teleomorfo.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios anfígenos,
predominantemente abaxiais, em manchas irregulares, soros
geralmente elípticos, isolados ou agrupados, subepidermal em origem,
tardiamente erumpente, pulverulentos, 0.1 -0.7 mm transversalmente,
amarelo claro, paráfise periféricas de morfologia variada; esporos
(15)17-27 x ( 1 3-) 15-20 pm, elipsóides ou obovóides, parede 0.5-
1.5 pm de espessura, amarelo claro a hialino, equinulada, poros
germinativos equatoriais, obscuros. Télios abaxiais, em manchas
irregulares, soros geralmente semi-elípticos, isolados ou agrupados,
subepidermal em origem, cedo expostos, 0.5- 1.5 mm transversalmente,
marrom escuro; esporos (17-)20-29 x 1 3- 1 5(- 17) pm, geralmente
elipsóides a obovóides, bicelulares, septo oblíquo, raramente
longitudinal, parede (1-) 1.5-2 pm de espessura lateral, ápice levemente
espessado, (1.5-)2-3 pm, amarelo claro ou marrom claro dourado, lisa,
pedicelo hialino, delgado, longo, 70-90 pm de comprimento,
geralmente quebradiço.
Espécimes estudados: Sobre Pariana campestris Aublet (Poaceae),
Macapá, Parque Zoobotânico: 6 de Outubro de 1987, J. Hennen 87-02,
114
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
iwfc
Figuras 1 - 3 - Puccinia arachidis var. offuscatta. 1 - Urcdiniosporos, foco médio
(espécime J. Hennen 87-15). 2 - Mesmo campo da figura 1, com foco da superfície,
evidenciando as equinulações da parede e poros de germinação. 3 - Tcliosporos
(espécime J. Hennen 83-38, São Paulo). Barra = ca 12.5 pm.
115
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
soros II, III; 15 de Dezembro de 1992, H. Sotão 92.05.15, soros II, III;
Sobre Pariana sp. (Poaceae), Macapá, Parque Zoobotânico: 6 de
Outubro de 1987, J. Hennen 87-07, soro II; 6 de Novembro de 1987,
J. Hennen & H. Sotão 87-91, soros II, III; 4 de Julho de 1988,
J. Hennen, M. Hennen & H. Sotão 88-485, soros II, III; 26 de
Fevereiro de 1993, H. Sotão & N. Rosa 93.01.07, soros II, III; Santana,
Curiaú: 24 de Julho de 1995, H. Sotão 95-227, soros II, III.
Comentários: Hennen & Figueiredo (1981) reportaram que o
hospedeiro de Uredo olyra é Pariana sp., não Olyra sp. como
primeiramente foi referido por P. Hennings (1904), e nem Arundinaria
sp. como reportado por Arthur (1918). Arthur (1918) tratou a espécie
que ocorre em Olyra sp. como uma transferência para Uredo
bambusarum P. Hennings que é um anamorfo de Puccinia obliquo-
septata Viennot-Bourgin. Devido Arthur ter descrito o teleomorfo que
estava presente no tipo de Uredo olyra que P. Hennings havia
inspecionado, o nome Puccinia bambusarum é referido somente por
Arthur e o lectotipo é o mesmo espécime de Uredo olyra.
Os espécimes estudados neste trabalho apresentaram pequena
variação nas medidas dos urediniosporos em relação à descrição
original, que cita as seguintes medidas: 22-34 x 16-22 pm, porém não
há referência do tipo de corantes ou clareadores utilizados nas
observações originais. No presente trabalho, as lâminas foram
montadas em lactofenol. Nas descrições originais do anamorfo e
teleomorfo e em Cummins (1971) não foi referida a presença de
paráfises, porém em todos os espécimes estudados e nas coleções
depositadas nos herbários MG e BRIT, observou-se a presença de
paráfise, surgindo então a necessidade de estudos mais detalhado do
anamorfo para que seja definido o gênero ao qual pertence.
Puccinia obliquo-septata foi outra espécie de Puccinia
identificada parasitando espécimes da família Poaceae no estado do
116
cm
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Amapá. P. bambusarum difere-se de P. obliquo-septata por
apresentar: uredínios sem paráfises periféricas e parede apical dos
teliosporos pouco espessada (2-3 pm), enquanto que P. obliquo-
septata apresenta: uredínios com paráfises periféricas e parede apical
dos teliosporos bastante espessada (3-7 pm).
Nos espécimes de P. bambusarum estudados, foi encontrado
como micoparasita, uma espécie anamórfica de Ascomycete identifi-
cada como Darluca sp.
3. Puccinia claviformis Lagerheim, Tromso Mus. Aarsh 17:53. 1895.
Tipo: sobre Solanum sp. (Solanaceae), Suriname, data e coletor não
reportada (Figura 6).
=Dicaeoma claviformes (Lagerheim) Kuntze, Rev. Gen.
3(3):468. 1898. Tipo: o mesmo de P. claviformis.
=Puccinia huallagensis P. Hennings, Hedwigia 43: 158. 1904.
Tipo: sobre Solanum sp.. Peru, Cerro de Ponasa, Janeiro de 1902,
E. Ule-3243.
= Puccinia solanicola Mayor, Mem. Soc. Neuch. Sei. Nat. 5:505.
1913. Tipo: Um lectotipo precisa ser escolhido dos quatro espécimes
listados por Mayor ( 1913 ) da Colômbia.
Espermogônios, écios e Uredínios não são produzidos. Télios
caulículos e anfígenos, predominantemente abaxiais, em manchas
amareladas, soros circulares ou ovais, agregados ou isolados,
subepidermal em origem, previamente exposto, compactos 0.2-
0.8 mm, marrom a marrom claro, tornando-se acinzentado no período
de germinação; esporos 33-48 x 20-24 pm, oblongos a clavados,
truncados, arredondados ou obtusos no ápice, arredondados ou
comumente estreitos na base, bicelulares, septos transversais, com ou
sem constricção nos septos, parede 1. 5-2.5 pm de espessura lateral,
espessada no ápice, 4.5-7. 5 pm, marrom escura, lisa, pedicelo hialino,
quebradiço, presença de raros mesosporos.
117
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Figuras 4 - 6 - Puccinia bambusarum. 4 - Urediniosporos (espécime J. Hennen 87-
02). 5 - Teliosporos (espécime J. Hennen 87-07). Barra = ca. 12.5 pm. Figura 6 -
Teliosporos de Puccinia claviformis (espécime H. Sotão 91.02.19). Barra = ca.
13.3pm.
118
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Espécime estudado: Sobre Solanum sp. (Solanaceae), Ferreira
Gomes: 26 de Junho de 1991, H. Sotão 91.02.19, soro III.
Comentários: Para a nomenclatura e sinônimos de P. claviformis,
seguiu-se Kern (1933). Neste trabalho, foram excluídos os sinônimos:
Aecidium solanitum Schweinitz, em Berkeley & Curtis (1853);
Puccinia solanita (Schweinitz) Arthur (1922C); Micropuccinia solanita
(Schweinitz) Arthur (1922A); por serem nomen nudum, segundo o atual
Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ICBN).
P. solani-tristis foi outra espécie de Puccinia identificada
parasitando espécimes da família Solanaceae no estado do Amapá.
P. claviformis difere-se de P. solani-tristis por apresentar: teliosporos
maiores (33-48 x 20-24 pm); parede lateral mais espessada (1.5-3 pm);
parede apical bastante espessada (7-12 pm); enquanto que P. solani-
tristis apresenta: teliosporos menores (22-35 x 11-15 pm); parede
lateral menos espessada (1-1.5 pm); parede apical não espessada ou
pouco espessada (2-4 pm).
Hennen et al. (1982) citam para o Brasil três espécies de Puccinia
parasitando espécies de Solanum: P. claviformis, P. solani-tristis e
P. substriata, as duas primeiras são microcíclicas, e P. substriata Ellis
& Bartholomew (Erythea 1897, 5:47) é uma espécie macrocíclica
heteroécios, com 0, 1, em Solanum e II, III em Poaceae. Kern (1933)
apresenta uma chave de identificação e comentários de espécies de
Puccinia microcíclicas em Solanum: P. solani, P. imitans,
P. negeriana, P. pittieriana, P. aulica, P. solanacearum,
P. claviformis, P. solani-tristis e P. incondita.
4. Puccinia cnici-oleracei Persoon ex Desmazieres, Catai. Pl. Omis.
24. 1823. Tipo: sobre Cnicus oleraceus Linnaeus = Cirsium oleraceae
(Asteraceae), Norte da França (Figura 7).
-Puccinia spilanthis P. Hennings (publicado como
P- spilanthidis), EngleNs Bot. Jahrb. 15:14.1892. Tipo: sobre
119
SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Spilanthes salznianni De Candolle, Brasil, localidade e data não
reportada, Martius-438.
-Puccinia melampodii Dietel & Holway em Holway, Bot. Gaz.
24:32.1897. Tipo: sobre Melampodium divaricatum (Rich.) De
Candolle, México, Cuernavaca, Morelos, 25 de Setembro de 1896,
Holway s/n.
=Puccinia synedrellae P. Hennings, Hedwigia 37:277 . 1898.
Tipo: sobre Synedrella nodiflora Gaertner, Jamaica, Port Antonio, 21
de Fevereiro de 1893, Humphrey s/n.
=Puccinia emiliae P. Hennings, Hedwigia 37:278. 1898. Tipo:
sobre Emilia sagittata De Candolle, Jamaica, 3 de Abril de 1893,
Humphrey s/n.
-Puccinia acanthospermi P. Hennings, Hedwigia 41:296. 1902.
Tipo: sobre Acanthospermum xanthioides De Candolle, Brasil, São
Paulo, Horto Florestal, Janeiro de 1901, Puttemans-424.
=Puccinia acanthospermi H. Sydow & P. Sydow, Ann. Mycol.
1:17. 1903. Tipo: sobre Acanthospermum xanthioides De Candolle,
Venezuela, Caracas, data não reportada, Moritz s/n.
-Puccinia eleutherantherae Dietel, Ann. Mycol. 7:354. 1909.
Tipo: sobre Eleutheranthera ruderalis Schultz-Bipontius, Brasil,
Pará, Belém, Parque do Museu Emílio Goeldi, Dezembro de 1907,
Baker-s/n.
-Puccinia spilanthicola Mayor, Mem. Soe. Neuchatel. Sei. Nat.
5:531. Tipo: sobre Spilanthes americana (Mutis) Hieronymus,
Colombia, Antioquia, 31 de Julho de 1910, Mayor-248.
Espermogônios, écios e Uredínios não são produzidos. Télios
anfígenos, predominantemente abaxiais, em manchas irregulares,
soros agrupados, geralmente em círculos confluentes, subepidermal
em origem, posteriormente erumpentes, pequenos 0. 1-0.4 mm
120
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
transversalmente, marrom escuro, as vezes brilhantes, após a
germinação dos esporos torna-se marrom claro; esporos (32-)37-50
(-55) x (13)15-20(-23) pm, geralmente alongados, ovóides a quase
oblongo, bicelulares, septo transversal, parede da célula superior 1.5-
2.5 pm de espessura lateral, espessada no ápice 4-16 pm, parede da
célula basal 1-2 pm, amarelo claro, lisa, um poro apical em cada
célula, pedicelo hialino ou amarelado, 29-34 pm de comprimento.
Espécimes estudados: Sobre Eleutheranthera ruderalis (Schweinitz)
Schultz-Bipontius (Asteraceae), Mazagão: 27 Maio de 1992, H. Sotão
920103-, Santana: 25 de Fevereiro de 1993, H. Sotão & N. Rosa
930103. Sobre Emilia sonchifolia De Candolle (Asteraceae), Água
Branca do Amaparí: 26 de Fevereiro de 1993, H. Sotão & N. Rosa
930110. Sobre Melampodium sp. (Asteraceae), Santana: Torrão do
Maruanum, 27 de Junho de 1991, H. Sotão 91.02.26. Sobre Spilanthes
sp. (Asteraceae), Mazagão: 30 de Julho de 1992, H. Sotão 92.02.11 A.
Sobre Melampodium sp., Santana: Torrão do Maruanum, 27 de
Dezembro de 1989, J. Hennen & H. Sotão 89-174.
Comentários: Vários sinônimos foram encontrados na literatura para
Puccinia cnici-oleracei, provavelmente devido Compositae ser uma
grande e complexa família de plantas, apresentando distribuição
geográfica e com várias espécies desta família susceptíveis ao
parasitismo deste fungo. Neste trabalho estão citadas somente os
sinônimos de Puccinia cnici-olercei, em que os espécimes tipos foram
coletados na América do Sul, América Central e México. Os
sinônimos cujo espécimes tipos foram coletados na Europa, Canadá e
Estados Unidos, poderão ser encontrados em Cummins (1978).
Cummins (1978) e Gallegos & Cummins (1981), apresentam
separadamente as espécies Puccinia cnici-oleraei Persoon ex
Desmazieres e Puccinia melampodii Dietel & Holway, diferenciando-
as quanto a cor da parede dos esporos, medidas dos esporos e do
121
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
pedicelo. Hennen et al. (1982) acrescentaram P. melampodii aos
sinônimos de P. cnici-oleracei. Eles apresentaram 83 espécies do
gênero Puccinia (entre nomes válidos e sinônimos), parasitando
hospedeiros da família Compositae, no Brasil.
Na Amazônia, esta ferrugem é considerada de interesse
econômico, por parasitar Spilanthes sp. (jambú). As folhas desta
planta são muito utilizadas na culinária regional.
5. Puccinia heterospora Berkeley & Curtis, Jour. Linn. Soc. Bot.
10:356. 1869. Tipo: sobre Malvaceae indeterminada, Cuba, Charles
Wright-283 (Figura 8).
-Uromyces malvacearum Spegazzini, Anal. Soc. Ci. Argent.
12:72. 1881. Tipo: sobre Abutilon mendoncae E. G. Baker, Argentina,
Sierra Chica, Janeiro de 1877, Hieronymous-s/n.
=Uromyces malvicola Spegazzini, Anal. Soc. Ci. Argent. 17:94.
1884. Tipo: sobre Abutilon sp., Argentina, Guarapi, Julho de 1883,
Spegazzini-3885.
=Uromyces pavoniae Arthur, Buli. Torrey Club 31:1. 1904.
Tipo: sobre Pavonia racemosa Linnaeus, Porto Rico, entre Mayaguez
e Joyua, 1901, L. M. Undenvood-193.
=Micropuccinia heterospora (Berkeley & Curtis) Arthur &
Jackson, Buli. Torrey Club 48:41. 1921. Tipo: o mesmo de Puccinia
heterospora.
-Puccinia mikania-micranthae Viégas, Bragantia 5:37. 1945.
Tipo: sobre Malvaceae indeterminada (identificada erroneamente
como Mikania sp. - Compositae), Brasil, Paraíba, Guarabira,
Dezembro de 1939, Josué Deslandes-586.
Espermogônios, écios e Uredínios não são produzidos. Télios
abaxiais, em manchas amareladas, soros semicirculares, dispersos ou
agregados, ocasionalmente confluentes em grupos, subepidermal em
122
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 7 - 8 - Teliosporos de Puccinia cnici-oleracei (espécime H. Sotão 93.01 .03).
Barra = ca. 12.5 pm. 8 - Teliosporos de Puccinia heterospora, M - mesosporos; SL
- teliosporos bicelular de septo longitudinal (espécime H. Sotão 91.02.25). Barra =
ca. 12.5 pm.
123
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
origem, cedo expostos, pulvinados, 1-2 mm, marrom escuro, algumas
vezes claro após a germinação; esporos de morfologia variada,
bicelulares: 16-27 x 16-26 pm, geralmente elipsóides a globosos,
arredondados no ápice e na base, geralmente sem constrição na área
do septo, raramente pouco constrito no septo, septos verticais,
horizontais, oblíquos ou semioblíquos, parede 1-2 pm de espessura
lateral, geralmente espessada no ápice (1.5-) 2-4.5 pm, marrom claro,
lisa; unicelulares, mesosporos: 18-32 x 16-24 pm, globosos a
obovóides, arredondados no ápice, arredondados ou estreitos na base,
parede 1.5-3 pm de espessura lateral, geralmente muito engrossada no
ápice, 5-7 pm, marrom claro, lisa; pedicelos hialinos, longos,
quebradiços. Predominância de mesosporos.
Espécime estudado: Sobre Wissadula sp (Malvaceae), Santana: 27
de Junho de 1991, H. Sotão 91.02.25, soro III.
Comentários: Puccinia heterospora apresenta grande variedade na
morfologia dos esporos, e é caracterizada pela predominância de
mesosporos sobre os esporos bicelulares. Vários sinônimos de
Puccinia heterospora foram encontrados em literatura, provavelmente
devido sua ampla distribuição geográfica nas áreas quentes do globo e
sua variada morfologia, onde os mesosporos sugerem espécies do
gênero Uromyces. Neste trabalho estão citados somente os sinônimos
em que os espécimes tipos foram coletados na América do Sul e
América central. Os demais sinônimos podem ser consultados em
Lindquist (1982), Jackson (1931B) e Arthur (1922A).
Viégas (1945A) publicou Puccinia mikania-micranthae como
uma nova espécie e citou como hospedeiro, Mikania micrantha H. B.
K. (Compositae). J. Hennen examinando o espécime tipo de
P. mikania-micranthae, obsçrvou que na excicata havia uma mistura
de folhas de espécies de plantas das famílias Malvaceae e Compositae,
porém somente em folhas de Malvaceae havia ferrugem, sendo esta
P. heterospora.
124
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Hennen et al. (1982) citam os gêneros de Malvaceae que são
hospedeiros desta ferrugem no Brasil: Abutilon, Gaya, Hibiscus,
Pseudabutilon, Sida, Wissadula e em Tiliaceae o gênero Triumfetta.
Uma comparação da morfologia telial de Puccinia arechavaletae, a
qual parasita vários gêneros de Sapindaceae, e P. heterospora a qual
parasita gêneros de Malvaceae, revelam que estas duas espécies
microcíclicas são notoriamente similares. Ambas não produzem
espermogônios, seus télios são geralmente abaxiais, isolados ou
agrupados em grupos concêntricos, e de coloração marrom escuro ou
tomando-se cinza após a germinação dos esporos. Seus teliosporos são
na maioria ou quase inteiramente unicelulares (“mesosporos”), ambos
os esporos, unicelulares como bicelulares são de formas e tamanhos
muito variados, 15-24(-26) x (20-) 27-35(-45) pm, e de formas
globosos, elipsóides, ou oblongos. Os esporos bicelulares podem ser
arredondados no ápice e na base, sem constrição ou levemente
constrito na área do septo, o qual é geralmente oblíquo, parede celular
1.5-2 (-3) pm de espessura lateral e 3-7 pm de espessura no ápice,
castanho a marrom-canela, e lisa; pedicelos com (10-) 25-105 (-135) pm
de comprimento e marrom canela claro ou hialino. P. heterospora esta
correlacionada com Puccinia schedonnardi (Arthur, 1934), no entanto,
não é conhecida espécie próxima com ciclo longo correlacionada à
P. arechavaletae.
6. Puccinia jlavo-virens H. S. Jackson & Holway, em Jackson,
Mycologia 18:142. 1926. Tipo: sobre Cyperus ferax L.C. Richard
(Cyperaceae), Equador, Quito, 17 de Agosto de 1920, Holway -908
(Figuras 9-10).
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios anfígenos, em
manchas irregulares, soros subcirculares ou elípticos, dispersos ou
agrupados, subepidermal em origem, tardiamente expostos,
125
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
pulverulentos, 0.5-3 mm transversalmente, amarelo dourado; esporos
24-28 x 16-18 pm, elipsóides, parede 1-1.5 pm de espessura, hialino a
sub-hialino, moderadamente equinulada, 2 a 3 poros germinativos
equatoriais, obscuros. Télios anfígenos, em manchas irregulares, soros
dispersos ou confluentes, subepidermicos, soros geralmente rodeando os
Uredínios velhos, 1-5 mm, marrom escuro; esporos 36-48 x 12-16 pm,
elipsóides, clavados ou cilíndricos, obtuso no ápice, base redonda ou
estreita próximo ao pedicelo, raramente constrito no septo, bicelulares,
septos transversais, parede 1-1.5 pm de espessura lateral, espessada no
ápice 3-6 pm, amarelo-esverdeado, lisa, pedicelo com aproximadamente
o mesmo comprimento do esporo, 24-28 pm, quebradiço.
Espécimes estudados: Sobre Cyperus sp (Cyperaceae), Mazagão:
Mazagão Novo, 1 1 de Novembro de 1987, J. Hennen & H. Sotão 87-
112, soros II, III; 5 de Julho de 1988, J Hennen, M. Hennen & H. Sotão
88-495, soros II, III; Santana: Maruanum, 30 de Dezembro de 1989, J.
Hennen & H. Sotão 89-180, soros II, III; sobre Cyperus dijfusus Vahl.,
Mazagão: Mazagão Novo, 26 de Junho de 1991, H. Sotão 91.02.22a,
soros II, III; 27 de Julho de 1995, H. Sotão 95-242, soros II, III.
Comentários: Puccinia flavo-virens, conhecida somente para o
México e Equador (Gallegos & Cummins 1981), constitui neste
trabalho a primeira referência para o Brasil.
Hennen et al. (1982) citam cinco outras espécies de Puccinia e
duas espécies de Uredo parasitando plantas do gênero Cyperus no
Brasil: P. angustatoides R. E. Stone (P. angustata ), P. cyperi Arthur,
P. cyperi-tagetiformis (P. Hennings) Kern, P. obvoluta Jackson &
Holway, P. subcoronata P. Hennings, U. cypericola P. Hennings e
U. nociviola Jackson & Holway. Puccinia abrepta Kern (1919) é uma
espécie que também ocorre em Cyperus que é muito próxima de
P. flavo-virens, mas difere desta por apresentar urediniosporos maiores
e ausência de película cuticular encontrada ao redor dos poros
germinativos de P. abrepta, a qual não é referida para o Brasil.
126
SciELO
10 11 12 13
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 9 - 10 - Puccinia Jlavo-virens. 9 - Urediniosporos (espécime J. Hennen, M
Hennen & H. Sotão 88-495). Barra = ca 12.5 pin. 10 - Teliosporos (espécime J
Hennen, M. Hennen & H. Sotão 88-495). Barra = ca 13.3 pm.
SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
P. minuta Dietel é outra espécie de Puccinia encontrada
parasitando espécie da família Cyperaceae no estado do Amapá, e
P . flavo -vir ens difere-se desta por apresentar soros maiores,
teliosporcs menores, obtusos no ápice, e parede amarelo esverdeado.
Enquanto que em P. minuta os soros são menores, teliosporos
maiores, arredondados no ápice e com parede marrom claro.
7. Puccinia insueta Winter, Hedwigia 26:27. 1887. Tipo: sobre
Stigmaphyllon sp. (Malpighiaceae), Brasil, Santa Catarina, São
Francisco, Abril de 1885, E. Ule-66 (Figuras 11-14).
=Diorchidium insuetum Magnus, Ber. Deutsch. Bot. Ges.
9:192.1891. Tipo: o mesmo de Puccinia insueta.
=Puccinia circinata Arthur, Am. Jour. Bot. 6:471. 1918. Tipo:
sobre Stigmaphyllon sp., Guatemala, Gualan, Dept. Zacapa, 28 de
Dezembro de 1905, Kellerman-5457.
Anamorfo:
Uredo circinata Schweinitz, em Berkeley & Curtis, Jour. Philadelphia
Acad. Sei., 2:282. 1853. Tipo: sobre Stigmaphyllon sp., Suriname,
Weigelt-s/n.
=Uredo insueta Pennington, Annal. Soe. Cient. Argent. 53:268.
1902. Tipo: o mesmo citado para Puccinia insueta Winter.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios anfígenos, em
manchas irregulares, soros subcirculares a elípticos, dispersos ou
agrupados, subepidermal em origem, erumpentes, pulverulentos, 0.5-
1.5 mm transversalmente, amarelo a marrom claro; esporos (26-)28-38
x 22-31 pm, subglobosos a elipsóides, parede dupla, 3-6.5 pm de
espessura lateral, alguns esporos espessados no ápice 4-9 pm, parede
externa hialina e equinulada, intumesce em lactofenol ou água, parede
interna amarela e lisa, poros germinativos obscuros. Télios anfígenos,
em manchas irregulares, soros subcirculares a elípticas, dispersos ou
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 1 1 - 14 - Puccinia insueta. 1 1 - Urediniosporos, em foco médio (espécime J.
Hennen, M. Hennen & H. Sotão 88-493). 12 - Mesmo campo da figura 1 1, com foco
da superfície, evidenciando as equinulações da parede externa. 13 - Teliosporos em
foco médio (espécime E.W. D. Holway 1067, Rio de Janeiro). 14 - Mesmo campo da
figura 13, com foco da superfície, evidenciando a parede externa reticulada e poros
de germinação. Barra = ca 12.5 pm.
129
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
agrupados, subepidermal em origem, erumpentes, pulverulentos, 0.5-
1 .5 mm transversalmente, marrom escuro a preto; esporos 35-47 x 24-
34 pm, elipsóides, extremidades arredondadas, levemente constrito no
septo, bicelulares, septo transversal, parede dupla, 2-6.5 pm de
espessura, geralmente uniforme, marrom claro a marrom escuro,
parede externa densamente reticulada, parede interna lisa; pedicelo
hialino, com inserção lateral, inflado no ápice 17-24.5 pm
transversalmente, atenuado na base, quebradiço.
Espécimes estudados: Sobre Stigmaphyllon sp. (Malpighiaceae),
Macapá: 9 de Novembro de 1987, J. Hennen & H. Sotão 87-98, soro
II; 5 de Julho de 1988, J. Hennen, M. Hennen & H. Sotão 88-493, soro
II; Mazagão: 13 de Novembro de 1987, J. Hennen & H. Sotão 87-115,
soro II.
Comentários: No material do estado do Amapá só foram encontrados
uredínios e urediniosporos. Para complementar a descrição da espécie,
baseou-se na descrição original e em outra amostra coletada no Brasil
(sobre Stigmaphillom tomentosum Jussieu, Rio de Janeiro: 24 de
Agosto de 1921, E. W. D. Holway 1067).
Após montagem de lâmina em lactofenol ou água, as paredes dos
esporos intumescem gradualmente, o que justifica o fato de que a
fotomicrografia que ilustra a espécie apresenta medidas maiores do
que as citadas na descrição. Observou-se que o aquecimento da lâmina,
também contribui para um maior intumescimento da parede dos
esporos.
Jorstad (1959) colocou Puccinia circinata Arthur em sinônimo
de Puccinia insueta, sugerindo que sejam feitos estudos com Puccinia
inflata Arthur, para verificar se também não é um sinônimo de
P. insueta, pois lhe parece muito similar. Jackson (1931 A) ao se
referir a Puccinia inflata Arthur, comenta que esta espécie não lhe
parece distinta de Puccinia insueta, indicando uma avaliação dessas
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
espécies para que seja determinada as afinidades e limites que possam
ser satisfatórios. Arthur (1906), na descrição original de Puccinia
inflata sobre Stigmaphyllon períplocifolium (Desf.) Juss. (Cuba: 13 de
Março de 1903, Holway), descreveu os espermogônios, os quais são
desconhecidos para P. insueta.
8. Puccinia lygodii Arthur, Bull.Torrey Bot. Club. 51:55. 1924. Tipo:
sobre Lygodium polymorphum (Cavanilles) Humboldt, Bonpland &
Kunth (Schiziaceae), Brasil, Bahia, 28 de Maio de 1915, S.N. Rose &
P.G. Russel-19664 a (Figuras 15-16).
Anamorfo:
Uredo lygodii Hariot, Jour. de Bot. 14:117. 1900. Tipo: sobre
Lygodium sp. (Schiziaceae), Brasil, Pernambuco, data não reportada,
M. Gardener-s/n.
-Milesina lygodii H. Sydow, Mycologia 17:255. 1925. Tipo:
sobre Lygodium sp., Suriname (British Guiana), Tumatumari, 1 1 de
Julho de 1922, F. L. Stevens-54.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios abaxiais, em
manchas irregulares, soros circulares, dispersos ou algumas vezes
agregados, subepidermal em origem, posteriormente erumpentes,
parcialmente recoberto pela epiderme, pulvinados, 0.3-0. 5 mm
transversalmente, marrom, cobertos por uma fina membrana, em
forma de perídio; esporos 24-31 x 16-23 pm, obovóides a elipsóides,
parede 1-1.5 pm de espessura, amarelo dourado, equinulada,
geralmente com áreas irregulares lisas nas laterais, poros germinativos
indistintos, 2 ou 3 poros equatoriais, geralmente com uma cápsula
cuticular. Télios não observados; teliosporos em uredínios, 22-33 x 19-
26 pm, globosos a oblongos, arredondados no ápice, sem constrição na
região do septo, bicelulares, septo longitudinal, oblíquo ou transversal,
parede 1-1.5 pm de espessura lateral, espessada no ápice 3-4 pm,
hialina a amarelo claro, lisa, pedicelo hialino, quebradiço.
131
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Figuras 15 - 16 - Puccinia lygodii. 15 - Uredmiosporos, foco médio (espécime
J. Hennen & H. Sotão 87-113). 16 - Teliosporos (espécime J. Hennen 79-147,
Maranhão). Barra = ca 10 pm.
SciELO
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Espécimes estudados: Sobre Lygodium sp. (Schiziaceae), Mazagão:
13 de Novembro de 1987, J. Hennen & H. Sotão 87-113, soro II; Água
Branca do Amaparí: 8 de Janeiro de 1990, J. Hennen & H. Sotão 90-30,
soros II, III.
Comentários: Os teliosporos no material estudado eram escassos e
encontravam-se misturados aos urediniosporos. Para complementar a
descrição e ilustração da espécie, foi utilizado amostra coletada no
Brasil ( Hennen 79-147, São Luís-Maranhão). A descrição apresentada
neste trabalho apresenta algumas modificações da original e que
foram observadas com mais detalhes em espécimes depositados nos
herbários BRIT e MG.
A primeira referência desta ferrugem foi publicada por Hariot
(1900) como Uredo lygodii baseado em uma coleção uredinial em
Lygodium sp. procedente de Pernambuco, Brasil. Posteriormente
Arthur (1922D) identificou erroneamente uma coleção uredinial em
Lygodium procedente de Trinidad onde propôs uma nova
combinação: “ Milesia blechni (Sydow) comb. nov. ( Melampsorella
blechni Sydow, Ann. Myc. 1:537.1903. Uredo blechnii Dietel and
Neg., Engler’s Botan. Jahrb. 22:358.1896”. Na mesma publicação,
Arthur reportou uma coleção telial em Lygopodium polymorphum
(Cav.) H.B.K. da Bahia, Brasil, como íí Desmella gymnogrammes (P.
Hennings) Sydow”. Mais tarde, Arthur (1924) utilizou esta mesma
espécime como base para a descrição telial de “ Puccinia lygodii
(Hariot) comb. nov.” que ele transferiu de Uredo lygodii Hariot. Nesta
época Arthur freqüentemente transferia os nomes anamorfos para
gêneros teleomorfos, uma prática atualmente não permitida pelo
Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ICBN), artigo 59.
No entanto, como Arthur descreveu télios e indicou o espécime telial,
o ICBN permite que se use os nomes de Arthur como novas espécies
atribuídas somente para Arthur e com o tipo sendo esse espécime telial
133
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
indicado por Arthur como o citado acima. H. Sydow (1925) reportou
esta ferrugem como “ Milesina lygodii Sydow n. sp.”, mas como ele
não descreveu teliosporos do espécime, este nome portanto tomou-se
sinônimo de Uredo lygodii Hariot. Faull (1932) reportou outras
espécimes de P. lygodii procedente do Brasil-Rio de Janeiro e El
Salvador, este último havia sido erroneamente reportado por Arthur
(1925) como Milesia australis Arthur.
Faull (1932) e Kem & Thuston (1943) citam que P. lygodii Arthur
é uma espécie que precisa ser estudada, especialmente seu ciclo de
vida, para que seja determinada se realmente é do gênero Puccinia.
Esta espécie é a única do gênero Puccinia citada em literatura
parasitando espécies da classe Filicopsida (samambaias), todas as
outras espécies ocorrem em Angiospermae.
Puccinia lygodii está sendo referida pela primeira vez para a
Amazônia brasileira.
9. Puccinia minuta Dietel em Atkinson, G. F., Buli. Comell
Univ. (science), 3:19. 1897. Tipo: sobre Carex verrucosa Muhlenberg
(Cyperaceae), U.S.A., Alabama, Auburn, 29 de Agosto de 1891,
Chiefly-2068 (Figuras 17-19).
=Dicaeoma minutum (Dietel) Arthur, Res. Sei. Cong. Internat.
Bot. Vienne p.344, 1900. Tipo: o mesmo de P. minuta Dietel.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios anfígenos,
puntiformes, isolados, subepidermal em origem, tardiamente
erumpentes, algumas vezes pulverulentos, 0.2-0. 5 mm
transversalmente, marrom claro; esporos 24-36 x 20-30 pm,
elipsóides a semiglobosos, parede 0.5-1.5(-2) pm, hialina a amarelo
claro, equinulada. Télios abaxiais, puntiformes, isolados,
subepidérmicos, não erumpentes, 0.2-0. 5 mm transversalmente,
marrom escuro; esporos 43-72 x 14-29 pm, formas variadas,
clavados-oblongos ou cuneados, arredondados no ápice, constrito no
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
septo, bicelulares, geralmente as células apicais são menores que as
células basais, septo transversal, parede 1-1 .5(-2) pm de espessura
lateral, espessada no ápice 4-7 pm, marrom claro, lisa, pedicelo mais
claro que os esporos, 17-25 pm de comprimento, quebradiços.
Espécimes estudados: Sobre Cyperaceae indeterminada, Macapá: 19
de Outubro de 1987, J. Hennen & H. Sotão 87-54 , soros II, III; Santana:
6 de Julho de 1988, J. Hennen, M. Hennen & H. Sotão 88-513, soro II;
Porto Grande: 7 de Julho de 1988, J. Hennen, M. Hennen & H. Sotão
88-519, soro II.
Comentários: Foram observadas variações em relação à descrição
original do espécime tipo. Os espécimes estudados, quando observados
em lâminas montadas em lactofenol, apresentaram a parede dos
urediniosporos mais claras e os teliosporos com medidas maiores do
que as citadas na descrição original.
Para uma melhor ilustração do teliosporos utilizou-se o espécime
Hennen 77-284, coletado no estado do Pará.
Puccinia flavo-virens Jackson & Holway é outra espécie referida
neste trabalho que também foi encontrada parasitando espécie da
família Cyperaceae. P. minuta difere-se desta por apresentar: soros
menores, esporos maiores, teliosporos de ápice arredondado e parede
marrom claro, enquanto que P. flavo-virens apresenta: soros maiores,
esporos menores, teliosporos obtusos no ápice e parede amarelo
esverdeado.
Puccinia minuta Dietel representa a primeira citação para o Brasil.
10 . Puccinia obliquo-septata Viennot-Bourgin, Urediniana 5:219. 1 958.
Tipo: sobre Olyra sp. (Poaceae-Gramineae), Brasil, Rio de Janeiro,
Corcovado, 27 de Julho de 1913, A. Maublanc-s/n (Figuras 20-22).
135
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Figuras 17 - 19 - Puccinia minuta. 17 - Urediniosporos, foco médio (espécime
J. Hennen, M. Hennen & H. Sotão 88-513). 18 - Mesmo campo da figura 17, com
foco da superfície, evidenciando as equinulações da parede. 19 - Teliosporos
(espécime J. Hennen 77-284, Pará). Barra = ca 12.5 pm.
cm
SciELO
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 20 - 22 - Puccinia obliquo-septata. 20 - Urediniosporos, foco médio
(espécime J. Hennen 87-35). 21 - Mesmo campo da figura 20, com foco da superfície
evidenciando as equinulações da parede. 22 - Tcliosporos (espécime J. Hennen
87-35). Barra = ca 12.5 pm.
137
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., I7( l), 2001
Anamorfo:
Uredo bambusarum P. Hennings, Hedwigia 35:255. 1896. Tipo:
sobre Olyra sp. (erroneamente identificada como Bambusa sp.),
Brasil, Santa Catarina, Blumenau, Agosto de 1888, E. Ule-866.
=Uredo dentata Mains, Buli. Torrey Bot. Club 66:621. 1939.
Tipo: sobre Olyra micrantha Humboldt, Bonpland & Kunth, Brasil,
Rio de Janeiro, Gávea, 2 de Novembro de 1929, Agnes Chase-9981A.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios anfígenos,
predominantemente abaxiais, em manchas irregulares, soros
geralmente elípticos, isolados ou agrupados, subepidermal em origem,
pulverulentos, 1-5 mm transversalmente, marrom claro, paráfises
periféricas, cilíndricas, clavadas a capitadas, amarelo a castanho claro;
esporos (22-)24-35 x 17-26 pm, elipsóides ou obovóides, parede 1-
2.5 pm de espessura, marrom claro, fortemente equinulada, 3 ou 4
poros germinativos, equatoriais. Télios anfígenos, predominantemente
abaxiais, em manchas irregulares, soros geralmente elípticos, isolados
ou agrupados, subepidermal em origem, previamente erumpente,
compactos, 1-5 mm transversalmente, marrons; esporos de
morfologia variada, geralmente bicelulares, algumas vezes com 1 ou 3
células, (22-)24-35 x 1 1-16 pm, elipsóides a obovóides, septo oblíquo,
parede 0.5-1 pm de espessura lateral, espessada no ápice, 3-7 pm,
amarelo ouro, lisa, pedicelo hialino ou amarelo, parede moderadamente
espessada, geralmente colapsado, quebradiço.
Espécime estudado: Sobre Olyra sp. (Poaceae), Laranjal do Jari: 10
de Outubro de 1987, J. Hennen 87-35, soro II; Santana: 9 de
Novembro de 1987, J. Hennen & H. Sotão 87-97, soros II, III.
Comentários: P. Sydow & H. Sydow (1923-1924) citaram Uredo
olyrae P. Hennings como sinônimo de Uredo bambusarum P. Hennings,
porém esta espécie é o anamorfo de Puccinia bambusarum (ver
comentários em Puccinia bambusarum).
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Os espécimes estudados apresentam pequenas variações de
medidas em relação à descrição original, que cita as seguintes medidas:
urediniosporos 25-35x 20-28 pm, parede 2-2.5 pm; teliosporos 25-40 x
12-22 pm, parede lateral 1-1.5 pm e no ápice 5-8 pm.
Parasitando espécie de Poaceae também foi identificada
P. bambusarum, que diferencia-se de P. obliquo- septata por apresentar
uredínios sem paráfises periféricas e parede apical dos teliosporos
pouco espessada (1-3 pm).
Hennen et al. (1982), citam três espécies de Puccinia parasitando
espécies de Olyra no Brasil: P. deformata Berkeley & Curtis,
P. faceta Sydow, e P. obliquo-septata Viennot-Bourgin. Cummins
(1971) diferencia P. obliquo-septata destas duas outras espécies por
apresentar uredínios com paráfises.
Esta é a primeira referência de P. obliquo-septata para a Amazônia.
11 .Puccinia palicoureae Mains, Carnegie Inst. Washington Publ.
461:102. 1935. Tipo: sobre Palicourea triphylla De Candolle
(Rubiaceae), Belize ( British Honduras), Belize , 7 de Maio de 1931,
H. H. Bartlett- 13091 (Figuras 23-25).
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredínios abaxiais, em
manchas irregulares, soros agrupados, algumas vezes confluentes,
subepidermal em origem, tardiamente expostos, pulverulentos,
brilhantes, 0. 1-0.8 mm transversalmente, amarelos quando frescos,
marrom claro quando secos; esporos 20-27 x 16-20 pm, elipsóides ou
obovóides a subglobosos, parede l-1.5(-2) pm de espessura, hialina a
amarelo claro, equinulada, geralmente com equinulações esparsadas
com regiões lisas, poros germinativos obscuros, provavelmente 2,
equatoriais. Télios abaxiais, misturados ou não com os Uredínios,
agrupados, algumas vezes confluentes, subepidermal em origem,
ceroso, 0.1 -0.7 mm transversalmente, esbranquiçados; esporos 24-33 x
139
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 17(1), 2001
13-18 pm, oblongos a fusiformes, bicelulares, septos transversais,
parede 0.5- 1(- 1.5) pm, uniforme, hialina ou amarelo claro, lisa, poros
germinativos obscuros, pedicelo curto, quebradiço.
Espécimes estudados: Sobre Palicourea guianensis Aubl.
(Rubiaceae), Mazagão: 30 de Julho de 1992, H. Sotão & B. Santos
92.02.01, soros II, III; Amaparí, Serra do Navio: 21 de Maio de 1991,
H. Sotão 91-04, soro III; sobre Palicourea sp. (Rubiaceae), Laranjal
do Jari: 8 de Outubro de 1987, J. Hennen 87-16, soro II; 12 de
Outubro de 1987, J. Hennen 87-38, soros II, III; J. Hennen 87-41, soro
II; 14 de Outubro de 1987, J. Hennen 87-51 , soro II; Macapá: 19 de
Outubro de 1987, J. Hennen 87-52, soro II; Amaparí: 8 de Janeiro de
1 990, J. Hennen & H. Sotão 90-34, soro II.
Comentários: Os teliosporos germinam sem período de dormência. A
maioria dos teliosporos encontrados nos espécimes estudados já
haviam germinado quando foram observados e estavam colapsados.
Para a ilustração dos teliosporos utilizou-se o espécime Sotão 95-01,
procedente do estado do Pará.
Hennen et al. (1982) citam duas espécies de Puccinia sobre
Palicourea para o Brasil: P.fallax e P. palicoureae. Mains (1935) e
Cummins (1941) diferenciam estas espécies pela parede dos
urediniosporos, que em P. palicoureae as equinulações da parede são
maiores e apresentam áreas lisas (sem equinulações), enquanto que
em P.fallax as equinulações da parede são menores e uniformes.
Porém P. fallax ( P . fallaciosa Arthur) é um táxon que necessita ser
descrito novamente para que seja um nome válido, devido ao fato de
que Arthur ( 1 922 A), transferiu o nome anamorfo Uredo fallaciosa
Arthur (Mycologia 7:323. 1915 - Tipo Stevens-774, Porto Rico,
Maricao, 3 de Abril de 1913) para o gênero teleomorfo Puccinia sem
descrever os télios. Os teliosporos foram reportados em uma coleção
de Stevens-353, Porto Rico, Maricao, 23 de Março de 1913.
Esta citação constitui a primeira referência para a Amazônia.
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 23 - 25 - Puccinia palicoureae. 23 - Urediniosporos, foco médio, (espécime
Hennen 87-16). 24 - Mesmo campo da figura 23, com foco da superfície
evidenciando as equinulações da parede e áreas lisas equatoriais. 25 - Teliosporos
(espécime H. Sotão 95-01). Barra = ca 10 pm.
141
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1), 2001
12 . Puccinia paraensis Dietel, Ann. Mycol. 6: 96. 1908. Tipo: sobre
Gouania pyrifolia Reiss (Rhamnaceae), Brasil, Pará, Belém, bairro do
Marco, Dezembro de 1907, C. F. Baker-60 (Figuras 26-28).
Espermogônios anfígenos, 0,1 -0,4 mm, pretos, com filamentos
ostiolares. Écios anfígenos, predominantemente abaxiais, em manchas
irregulares, superfície adaxial côncava, geralmente formam galhas,
soros agrupados, algumas vezes confluentes, 1-2 mm transversalmente,
marrom; esporos originados em pedicelos, 27-36 x 18-30 pm,
obovóides a subglobosos, parede ( 1 -) 1 .5-2 pm, marrom claro,
equinulada, com áreas lisas equatoriais, 2-3 poros germinativos.
Uredínios anfígenos, predominantemente abaxiais, em manchas
irregulares, não formam galhas, soros dispersos, 1-2 mm
transversalmente, amarelo; esporos com a mesma morfologia dos
eciosporos, algumas vezes misturados com os teliosporos. Télios
abaxiais, em manchas irregulares, soros isolados ou agrupados, 1-2 mm
transversalmente, branco; esporos, 30-47 x 20-25 pm, elipsóides a
oblongos, arredondados no ápice e angulares na base, pouco constricto
na região do septo, bicelulares, septo transversal, parede 0.5-1 pm,
uniforme, hialina, lisa, pedicelo quebradiço.
Espécimes estudadas: Sobre Gouania pyrifolia Reiss, (Rhamnaceaea),
Amaparí: 6 de Janeiro de 1990, J. Hennen & H. Sotão 90-08, soros 0, 1,
II, III; 90-17, soros I, II, III; Mazagão: 26 de Junho de 1991, H. Sotão
91.02.21, soros II, III; Mazagão: 30 de Julho de 1992, H. Sotão
92.02.06, soros 11,111; Macapá: 24 de Julho de 1995, H. Sotão 95-222,
soros II, III; sobre Gouania sp., Amaparí: 20 de Setembro de 1994,
H. Sotão 94.02.13, soros II, III; Mazagão: 22 de Setembro de 1994,
H. Sotão 94.02.32, soros I,II, III; 27 de Julho de 1995, H. Sotão 95-
246, soros II, III.
Comentários: Dietel (1909) republicou a diagnose de Puccinia
paraensis publicada em 1908, mas em ambas publicações não
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 26 - 28 - Puccinia paraênsis. 26 - Urediniosporos (U) e teliosporos (T), foco
médio (espécime J. Hennen & H. Sotão 90-63, Maranhão). 27 - Mesmo campo da
Fgura 26, com foco da superfície evidenciando as equinulações da parede dos
urediniosporos e áreas lisas equatoriais. 28 - Teliosporos (espécime J. Hennen &
H. Sotão 90-63, Maranhão). Barra = ca 13.3 pm.
143
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
descreveu os espermogônios. Jackson (1931B) faz referência aos
espermogônios que ocorrem entre os écios e são anfígenos. Os
urediniosporos e os télios são abaxiais e dispersos. Viennot-Bourgin
(1953) diz que os soros primários dos uredínios de P. paraènsis são
écios uredinióides. Esta publicação tem muitas informações sobre a
espécie, incluindo comparações e afinidades com outras espécies de
Uredinales que ocorrem em Gouania.
Hennen et al. (1982) citam para o Brasil três espécies de Puccinia
parasitando Gouania: P. gouaniae Holway ( Ann. Myc. 3:21.1905),
P. invaginata Arthur & Johnston (Mem. Torrey Club. 17:146. 1918,
anamorfo Uredo gouaniae Ellis & Kelsey, Buli. 24:209.1897) e
P. paraènsis Dietel. A característica morfológica mais evidente para
diferenciar as três espécies é a parede dos teliosporos, pois P. gouaniae
e P. invaginata apresentam paredes ornamentadas e pigmentadas.
P. paraènsis tem parede lisa e hialina. Em P. gouaniae a parede dos
teliosporos é tuberculada e em P. invaginata a parede é verrucosa.
Esta espécie também é citada para a África sobre Gouania
longipetata Hemsley (Viennot-Bourgin 1953).
Para uma melhor ilustração utilizou-se o espécime J. Hennen &
H. Sotão 90-63, procedente de São Luís, estado do Maranhão.
13 . Puccinia psidii Winter, Hedwigia 23:171. 1884. Tipo: sobre
Psidium guajava Linnaeus, reportada como “ Psidium pomiferum ”
(Myrtaceae), Brasil, Santa Catarina, São Francisco , Abril de 1884,
E. Ule-14 (Figuras 29-31).
=Puccinia jambosae P. Hennings, Hedwigia 41:105. 1902. Tipo:
sobre Syzygiwn jambos (Linnaeus) Alston, reportada como “Jambosa
vulgaris De Candolle”, Brasil, São Paulo, 7 de Maio de 1901,
Putternans-223 .
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
=Puccinia cambucae Puttemans em Rangel, Arch. Mus. Nac.
Rio de Janeiro 18:153. 1916. Tipo: sobre Marlieria edulis Niedenzu,
Brasil, São Paulo, Maio de 1911, Puttemans-41 1 .
=Puccinia brittoi Rangel, Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro
18:154. 1916. Tipo: sobr e Abbevillea moschalanthe Berg. (atualmente
Campomanesia maschalantha Kiaersk), Brasil, Rio de Janeiro,
Janeiro de 1914, E.S. Britto-1036.
-Puccinia barbacensis Rangel, Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro
18:154. 1916. Tipo: sobre Myrtaceae indeterminada, Brasil, Minas
Gerais, Barbacena, Março de 1911, Puttemans-296.
=Puccinia grumixamae Rangel, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro
2:69. 1918. Tipo: sobre Eugenia brasiliensis Lamarck, Brasil, Rio de
Janeiro, Rangel-1515.
=Puccinia eugeniae Rangel, Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro
16:154. 1916. Tipo: sobre Eugenia grandis Wight, Brasil, São Paulo,
Abril de 1901, Puttemans-261.
-Puccinia jambolana Rangel, Boi. Agr. São Paulo 21:37. 1920.
Tipo: sobre Syzygium jambolanum De Candolle, reportado como
Eugenia jambolana Lamarck, 1912, Rangel-s/n.
=Puccinia camargoi Puttemans, Boi. Mus. Nac. Rio de Janeiro
6:3 14. 1930. Tipo: sobre Melaleuca leucodendri Linnaeus, Brasil, São
Paulo, Campinas, Julho de 1930, F. C. Camargo-s/n.
=Puccinia actinostemonis H.S. Jackson & Holway, em Jackson,
Mycologia 23:466. 1931. Tipo: sobre Myrtaceae indeterminada
(originalmente foi erroneamente reportada como Actinostemon sp.,
Euphorbiaceae), Brasil, São Paulo, 27 de Fevereiro de 1922, Holway-
1600.
145
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi., 17(1), 2001
Anamorfo:
Caeoma eugeniarum Link, em Linnaeus, Systema Vegetabilium
Plant 2:29. 1825. Tipo: Literatura não encontrada para consulta.
=Uredo neurophila Spegazzini, Anal. Soc. Cient. Argentina,
17:122-123. 1884. Tipo: sobre Myrtaceae indeterminada, Paraguai,
Villa Rica, Janeiro de 1882, Balansa-3466. ( Fungi Guaranitica pug.
1, número 143)
=Puccinia neurophila (Spegazzini) Spegazzini, Revista
Argentina Bot. 1:120. 1925. Télios não descritos.
=Uredo flavidula Winter, Hedwigia 24:260. 1885. Tipo: sobre
Myrtaceae indeterminada. Brasil, Santa Catarina, São Francisco,
Setembro de 1884, E. Ule-41.
=Uredo myrtacearum Pazschke, em Rabenhorst & Winter,
Hedwigia 29:159. 1890. Tipo: sobre Eugenia sp., Brasil, Santa
Catarina, Dezembro de 1883, E. Ule-10.
=Uredo eugeniarum P. Hennings, Hedwigia 34:337. 1895.
Lectotipo: sobre Eugenia sp., Brasil, Santa Catarina, Blumenau, data
não reportada, Alfr. Moller-227.
=Aecidium glaziovii P. Hennings, Hedwigia 36:216. 1897. Tipo:
Myrtaceae indeterminada, Brasil, Rio de Janeiro, data não reportada,
Glaziou-2062 1 . Identificado erroneamente como Aecidium.
=Uredo pitanga Spegazzini, Anal. Mus. Nac. Buenos Aires
6:240. 1899. Tipo: sobre Stenocalyis pitanga Berg., Uruguai,
Dezembro de 1881, J. Arechavaleta-s/n.
=Uredo puttemansii P. Hennings, Hedwigia 41:106. 1902. Tipo:
sobre Myrtaceae indeterminada, provavelmente Leucodendron sp..
Brasil, São Paulo, Puttemans-197. Reportada erroneamente como
Acacia, Leguminosae.
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
=Uredo goeldiana P. Hennings, Hedwigia Beiblatt 42: 1 88. 1903.
Tipo: sobre Eugenia sp., Brasil, Pará, Belém, 1883, Goeldi-s/n.
=Uredo rochaei Puttemans, Revista Polytechnica de São Paulo
11:272. 1906. Tipo: sobre Myrciaria jaboticaba Berg, atualmente
Myrcia jaboticabal Berg, Brasil, São Paulo, São Paulo, data não
reportada, A. Rocha-s/n.
=Uredo myrciae Mayor, Mem. Soe. Neuchatel. Sei. Nat. 5:590.
1913. Tipo: sobre Myrcia cf. acuminata (Humboldt, Bonpland &
Kunth) De Candolle., Colombia, Medellin, data não reportada,
Mayor-210.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredinios anfígenos,
predominantemente abaxiais, em manchas irregulares, soros ovais ou
oblongos, subepidermal em origem, algumas vezes tardiamente
erumpentes, pulverulentos, 0.5- 1.5 mm transversalmente, amarelo-
laranja quando fresco, tornando-se creme; esporos 15-27 x 14-19 pm,
elipsóides a ovóides, parede, 1.5-2. 5 pm de espessura, hialina ou
amarelo claro, uniformemente equinulada, poros germinativos
obscuros. Télios não observados no material do Amapá; teliosporos em
uredinios, 22-35 x 15-23 pm, elipsóides ou ovóides, redondos no ápice,
estreitos ou esféricos na base, ligeiramente constrictos no septo, parede
1-1.5 pm de espessura, uniforme, marrom claro, pedicelo decíduo.
Espécimes estudados: Sobre Myrcia sp. (Myrtaceae), Macapá: 19 de
Setembro de 1994, H. Sotãio 94.02.01, soros II, (III); Porto Grande: 20
de Setembro de 1994, H. Sotão 94.02.06, soros II, (III); sobre
Myrtaceae indeterminada, Macapá: 6 de Novembro de 1987, J. Hennen
& H. Sotão 87-92, soros II (III); Mazagâo Novo: 12 de Dezembro de
1987, J. Hennen & H. Sotão 87-118, soros II (III); Porto Grande: 5 de
Janeiro de 1990, J. Hennen & H. Sotão 90-06, soros II, (III).
147
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Comentários: Puccinia psidii é uma espécie nativa das regiões
neotropicais, sendo referida da Flórida nos Estados Unidos da
América até as províncias do nordeste da Argentina. Têm sido citados
como hospedeiros desta ferrugem, pelo menos quatorze gêneros da
família Myrtaceae, entre estes estão espécies dos gêneros Callistemen,
a
Eucalypíus, Melaleuca e Syzygium, nativos da Asia e Austrália que
foram introduzidos no neotrópico.
Esta ferrugem pode causar muitos danos às plantas cultivadas da
família Myrtaceae como Eucalyptus , goiabeira ( Psidium ), jambeiro
{Eugenia) e jabuticabeira {Eugenia).
Quando frescas, as infecções são de cor amarelo-laranja,
brilhante, devido a esporulação pulverulenta, e podem ocorrer nas
folhas jovens, caules e frutos.
Hennen et al. (1982) listam 23 nomes, entre anamorfo e
teleomorfo, como sinônimos de Puccinia psidii. De acordo com o
Código Internacional de Nomenclatura Botânica, os nomes anamorfos
devem ser separados dos teleomorfos porque eles não são sinônimos
de nomes teleomorfos, exceto quando uma descrição teleomorfica o
incluiu em sua descrição original.
Puccinia rompelli P. Magnus em Rich (Ann. Mycol. 5:29. 1907),
foi listado nas quatro primeiras edições de Lindquist (1982) como um
dos sinônimos de P. psidii, embora questionada a identificação do
hospedeiro se era uma Myrtaceae. Neste trabalho foi excluído
P. rompelli dos sinônimos, porque a parede dos teliosporos são mais
engrossadas que em P. psidii e o hospedeiro provavelmente não seja
Myrtaceae.
A ferrugem das coleções em Campomanesia aurea Berg do Rio
Grande do Sul (Lindquist & Costa Neto 1 963: 1 32) e de Santa Catarina
(PUR-F 17736) foi reindentificada, como Phakopsora rossmanii
Dianese et al.
Figuras 29-31 - Puccinia psidii. 29 - Urediniosporos, foco médio (espécime J.
Hcnnen & H. Sotão 87- 1 1 8). 30 - Mesmo campo da figura 29, com foco da superfície
evidenciando as equinulações da parede. 31 - Teliosporos (t) e Urediniosporos (u)
(espécime J. Hennen & M. Hennen 77-125, São Paulo). Barra = ca 12.5 pm.
149
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Figueiredo et al. (1984) apresentam estudos desta ferrugem com
referências de que o ciclo de vida desta espécie seja provavelmente
autoécio, sem fase espermogonial (0) e com fase ecial de morfologia
semelhante à fase uredinial. Os resultados obtidos dos experimentos
utilizando inoculações cruzadas de diferentes gêneros de hospedeiros,
indicaram que existem algumas especializações fisiológicas em várias
populações. Os soros teliais dos espécimes estudados não são puros,
estando sempre presentes urediniosporos e teliosporos.
Uredo subneurophila Spegazzini, publicado em “Fungi Guaran.
Pug. l”(em An. Soc. Cient. Argentina 17(3): 123. 1884 - espécie de
número 144, Paraguay: Julho de 1883, Balansa 3800), foi reportado
sobre Psidium sp. (Myrtaceae). Este é o basiônimo de Puccinia
subneurophila (Spegazzini) Spegazzini, publicado em Rev. Argentina
Bot. l( 2 /3): 120. 1925. Estes dois nomes foram erroneamente citados
por P. Sydow & H. Sydow (1902-1904), Jackson (193 1B) e Lindquist
(1982), como sinônimos de Puccinia psidii Winter. Uma excicata com
um fragmento do isotipo de Uredo subneurophila depositado em PUR
tem desenho ilustrando um grupo de esporos deste fungo feito por
F.D. Kern em 6 de Março de 1903 e tem anotações feita por uma
pessoa não especificada que diz: “not a rust” (não é ferrugem). O
desenho mostra um sinêmio supraestomatal com longo rostro. Este
raro tipo de soro caracteriza uma nova espécie de anamorfo, não
nomeada para os gêneros de ferrugem, mas foi coletado por Hennen no
estado de São Paulo, Brasil sobre uma espécie de Apocynaceae
indeterminada. Uma comparação da ferrugem e dos hospedeiros destas
coleções mostra que o hospedeiro de Uredo subneurophila está em
Apocynaceae, não em Myrtaceae, e a ferrugem é a mesma espécie das
coletadas em São Paulo. Portanto, neste trabalho U. subneurophila foi
retirado dos sinônimos de P. psidii.
Para uma melhor ilustração utilizou-se o espécime J. Hennen &
M. Hennen 77-125, procedente do estado de São Paulo.
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
1 4 . Puccinia solan i-tristis P. Hennings, Hedwigia 35:236. 1896. Tipo:
sobre Solanum triste Jacquin (Solanaceae), Brasil, Rio de Janeiro,
Teresópolis, Serra do Mar, Dezembro de 1886, Ule-556 (Figura 32).
Espermogônios, écios e uredinios não são produzidos. Télios
abaxiais, em manchas semicirculares, soros puntiformes, agrupados,
subepidermal em origem, cerosos e compactos 1-4 mm
transversalmente, marrom; esporos 22-35 x 11-15 pm, oblongos a
elípticos, geralmente constricto na região do septo, bicelulares, septo
transversal, parede, 1(-1.5) pm, geralmente uniforme, raramente
espessada no ápice, 2-4 pm, amarelo, Claro, lisa, pedicelo, hialino,
persistente ou quebradiço, mesosporos algumas vezes presentes (20-
25 x 12-15 pm).
Espécimes estudados: Sobre Solanum sp. (Solanaceae), Laranjal do
Jari: 13 de Abril de 1987, J. Hennen 87-43, soro III; 14 de Abril de
1987, J. Hennen 87-46, soro III; Macapá: 28 de Julho de 1995,
H. Sotão 95-253, soro III.
Comentários: Na descrição original, P. Hennings descreve
urediniosporos de P. solani-tristis, entretanto P. Sydow & H. Sydow
(1902-1904) comentam não ter observado urediniosporos no
espécime tipo, mas dizem que há presença de mesosporos e que
algumas células apicais dos teliosporos podem ser decíduas.
Kern (1933) apresenta um estudo das espécies de Puccinia
microcíclicas em Solanum, as quais estão referidas nos comentários
de Puccinia claviformis. Nos comentários de Puccinia claviformis
apresentados acima estão as comparações das espécies de Puccinia
que parasitam o gênero Solanum no estado do Amapá.
15. Puccinia thaliae Dietel, Hedwigia 38:250. 1899. Tipo: sobre Thalia
dealbata Fraser (Marantaceae), Brasil, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
Março 1898, E. Ule-1044 (Figuras 33-35).
151
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1). 2001
-Puccinia cannae P. Hennings, Hedwigia 41:105. 1902. Tipo:
sobre Canna sp. (Cannaceae), Brasil, São Paulo, São Paulo, Horto
Botânico (atualmente Horto Florestal), 23 de Abril de 1901,
Puttemans-208.
Anamorfo:
Uredo cannae Winter, Hedwigia 23:172. 1884. Tipo: sobre Canna sp.
(Cannaceae), Brasil, Santa Catarina, São Francisco, 23 Abril de 1901,
E. Ule-19.
=Uredo ischnosyphonis P. Hennings, Hedwigia 43:164.1904.
Tipo: sobre Ischnosyphon leucophaeus Schumann (Marantaceae),
Brasil, Amazonas, Rio Jurua - Mirim, Setembro 1901, E. Ule-2695.
=Dicaeoma cannae (Winter) Arthur, North Amer. Fl. 7(5):380.
1920. Tipo: o mesmo de Uredo cannae Winter.
Espermogônios e écios desconhecidos. Uredinios anfígenos,
predominantemente abaxiais, em manchas irregulares, soros dispersos
ou agrupados, subepidermal em origem, posteriormente erumpentes,
pulverulentos, 0.1 -0.5 mm transversalmente, amarelo claro; esporos
21-32 x 18-25 pm, ovóides a piriformes, parede 1 (- 1 .5) pm, hialina,
equinulada. Télios abaxiais, em manchas irregulares, soros dispersos
ou agrupados, algumas vezes ao redor dos uredinios, subepidermal em
origem, não erumpentes, 0.2-0. 5 mm transversalmente, preto a
marrom; esporos 35-53 x 13-22 pm, clavados a lineares,
arredondados, truncados ou ponteagudos no ápice, atenuados na base,
com ou sem constrição na região do septo, bicelulares, septo
transversal, parede lateral 1-1.5 pm de espessura, espessada no ápice,
2-4 pm, parede da célula superior de coloração castanha, parede da
célula inferior castanho claro, lisa, pedicelo curto, hialino, quebradiço.
Espécimes estudados: Sobre Calathea sp. (Marantaceae), Mazagão
Novo: 27 de Julho de 1995, H. Sotão 95-243, soro II (III); Ferreira
Gomes: 25 de Junho de 1991, H. Sotão 91.02.20, soro III; Macapá: 07
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
de Dezembro de 1992, H. Sotão 920507, soro II; sobre Ischnosiphon
leucophaeus (Poepp.) Kaern. (Marantaceae), Tracajatuba do Piriri: 02
de Agosto de 1992, H. Sotão 92.02.15, soro II. Sobre Canna indica
Linnaeus (Cannaceae), Mazagão Novo: 13 de Novembro de 1987,
J. Hennen & H. Sotão 87-119, soro II.
Comentários: P. thaliae Dietel tem como hospedeiros espécies das
famílias Cannaceae e Marantaceae (Hennen et ai, 1982), as quais têm
distribuição geográfica referidas para índia, América Central e
América do Sul. Neste trabalho apresenta-se sobre um novo
hospedeiro para o Brasil, Calathea sp. (Marantaceae), o qual foi
referido por Kern (1938) para Venezuela, Panamá e Porto Rico.
P. Hennings (1902) foi quem descreveu pela primeira vez juntos
os urediniosporos e teliosporos desta ferrugem, colocando Uredo
cannae Winter (anamorfo) como sinônimo de P. cannae.
Nos espécimes estudados houve variações das medidas dos
esporos em relação às referidas na descrição original do espécime
tipo, urediniosporos (28-40 x 20-25 mm), teliosporos (50-83 x 14-
21 mm) e parede apical dos teliosporos medindo 2-7 mm, as quais são
maiores do que as apresentadas neste trabalho.
Esta ferrugem é de interesse econômico por parasitar Canna,
uma espécie ornamental bastante utilizada no Brasil
AGRADECIMENTOS
Ao Museu Paraense Emílio Goeldi, Instituto Edstadual de
Pesquisa do Amapáe BRIT pelo apoio na realização deste trabalho.
Aos parataxonomistas da Coordenação de Botânica do MPEG, pela
identificação ou confirmação das plantas hospedeiras.
153
SciELO
11
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Figuras 32 - 33 - Teliosporos de Puccima solani-tristis (espécime J. Hennen 87-43).
Barra = ca 13.3 (Jin. 33 - Télio loculado com teliosporos de Puccinia thaliae
(espécime H. Sotão 91.02.20). Barra = ca 12.5 pm.
SciELO
Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
Figuras 34 - 35 - Puccinia thaliae Dietel. 34 - Urediniosporos (espécime H. Sotão
95-243). 35 - Teliosporos (espécime H. Sotão 91.02.20). Barra = ca 12.5 pm.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Tabela 1 - Lista das espécies de Puccinia identificadas para o estado do Amapá, por
Família e Gênero dos Hospedeiros.
Famílias dos
Hospedeiros
Uredinales/
N°
Coletas
Gêneros dos
Hopedeiros
ASTERACEAE
P. cnici-oleracei
2
Eleutheranthera
(COMPOSITAE)
1
Emilia
2
Melampodium
1
Spilhanthes
CANNACEAE
P. thaliae
1
Canna
CYPERACEAE
P. flavo-virens
5
Cyperus
P. minuta
3
Indeterminada
FABACEAE
(LEGUMINOSAE)
P arachidis var. ojfuscata
1
Zornia
MALPIGHIACEAE
P insueta
3
Stigmaphyllon
MALVACEAE
P. heterospora
1
Winssadula
MARANTACEAE
P thaliae
3
Calathea
1
Ischnosiphon
MYRTACEAE
P. psidii
2
Myrcia
3
Indeterminada
POACEAE
P. bambusarum
7
Pariana
(GRAMINEAE)
P obliquo-septata
2
Olyra
RHAMNACEAE
P. paraênsis
8
Gouania
RUBIACEAE
P. palicoureae
8
Palicourea
SOLANACEAE
P claviformis
1
Solanum
P. solani-tristis
3
Solanum
SCHIZEACEAE
(PTERIDÓFITA)
P. lygodii
2
Lygodium
156
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cm
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Uredinales do estado do Amapá: gênero Puccinia
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CDD: 581.526367
FITOSSOCIOLOGIA DAS FORMAÇÕES
HERBÁCEAS DA RESTINGA DO
CRISPIM, MARAPANIM-PA
Salustiano Vilar da Costa Neto 1
Oberdan José Pereira 2
Maria de Nazaré do Carmo Bastos
João Ubiratan Moreira dos Santos 4
Dário Dantas do Amaral 3
RESUMO - A caracterização estrutural das formações vegetais da
restinga do Crispim, no município de Marapanim, estado do Pará,
foram efetuados dois perfis perpendiculares à linha de praia, um no
período chuvoso e outro no seco, ambos iniciando na praia e
estendendo-se até o contato da última formação com a faixa de
manguezal que a delimita. Ao longo desses perfis foram realizados
levantamentos fitossociológicos e florísticos, em 100 parcelas de 1 m 2 ,
nos dois períodos, onde foram registrados o número e a cobertura
percentual de cada espécie. Os resultados definiram três formações
vegetais: halófila, localizada em região plana, logo após a zona de
estirâncio, tendo como espécies dominantes Sesuvium portulacastrum
L. e Blutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears.; psamófila reptante,
1 IEPA-Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. Centro de
Pesquisas Zoobotânicas e Geológicas/Divisão de Botânica. Rod. JK, Km. 10, s/n.
(Fazendinha). Cep68902-280, Macapá-AP. E-mail: salucosta@zipmail.com.br
2 UFES-Universidade Federal do Espírito Santo. Depto. de Biologia. Professor. Av. Flávia
Abaurre 138/201 (Lourdes). Cep 29040-080, Vitória-ES. E-mail: oberdan@nutecnet.com.br
3 MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi, Coordenação de Botânica. Pesquisador. Caixa Postal
399. Cep 66.040-170, Belém-PA. E-mails: nazir@museu-goeldi.br; dario@museu-goeldi.br
4 FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor visitante. Av. Perimetral, 2501.
Cep 66075-650, Belém-PA. E-mail: bira@museu-goeIdi.br
161
SciELO
11
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
situada nas primeiras cristas praiais, que tem como espécies
dominantes Ipomoea imperati (Vahl) Griseb. e Sporobolus virginicus
(L.) Kunth.; e brejo herbáceo, que se encontra no reverso dos primeiros
cordões arenosos, onde predominam Fimbristylis spadicea (L.) Vahl,
Paspalum vaginatum Sw. e Sporobolus virginicus (L.) Kunth.
PALAVRAS-CHAVE: Fitossociologia, Restinga, Vegetação costeira,
Amazônia.
ABSTRACT - In order to determine the structural characteristics of
vegetation of the oceanic dunes of Crispim, Marapanim Municipality,
Pará State. Northern Brazil, two planimetric profües xvere made along
transect lines set perpendicular to the beachfront and running inland to
the delimiting mangrove forest. One profde was made in the wet (rainy)
season, and the other during the dry season. Phyto-sociological and
floristic inventories were made along these profües, with the use of 100
quadrates of 1 m 2 in which the abundance and percentage contribution
to the vegetation cover of each species. The results indicate that there
are three vegetation formations. Halophyte the first is located on the flat
surface just behind the tidal zone and Sesuvium portulacastrum L and
Blutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears. Are the dominant species.
The second formation is of decumbent psammophytes and is located on
the first beach crests. Ipomoea imperati (Vahl.) Griseb. and Sporobolus
virginicus (L.) Kunth. Are the dominant species. The third formation is
of herbaceous swamp vegetation and is located immediately inland of
the first sandy beach crests (swells). The predominant species are
Fimbristylis spadicea (L.) Vahl., Paspalum vaginatum Sw. and
Sporobolus virginicus (L.) Kunth.
KEY WORDS: Phyto-sociological, Restinga, Coastal vegetation, Amazon.
INTRODUÇÃO
A costa brasileira estende-se do Oiapoque, no Amapá, na lati-
tude 04°52’45” Norte, ao Arroio Chui, no Rio Grande do Sul, na
longitude 33°45’ 10” Sul, num total de 8.728 km de extensão. Desta,
162
SciELO
Filossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
aproximadamente 5.000 km são ocupados por restingas, tendo seu
ponto setentrional no estado do Pará, mais precisamente em Salva-
terra, na ilha de Marajó, a 0 o de latitude (Plano... 1995).
As formações de restingas mais próximas à praia são as mais bem
estudadas, tendo sido abordados, os aspectos fitossociológicos, como
pode-se verificar nos trabalhos de Bastos (1988, 1996); Thomaz
(1991); Pereira et al. (1992); Oliveira-Filho (1993); Thomaz & Mon-
teiro (1993); Pereira (1995); Menezes (1996); Almeida & Araújo
(1997) e Assunpção & Nascimento (1998).
Outros autores vêm se dedicando ao estudo desta vegetação na
região norte brasileira, destacando-se aqueles que tratam da classifi-
cação das formações vegetais que compõem a restinga como Santos &
Rosário (1988), Costa-Neto et al. (1995), Bastos etal. (1995) e Bastos
(1996).
Neste trabalho, foi analisada a estrutura da vegetação na faixa
próxima a praia, assim como da possível existência de três comu-
nidades distintas no cordão arenoso externo da restinga da praia do
Crispim.
MATERIAL E MÉTODOS
A área estudada situa-se na praia do Crispim, na porção interna
da baía de Marapanim, a 8 km da vila de Marudá, município de Mara-
panim, no litoral nordeste do estado do Pará, entre as coordenadas
geográficas 00°37’06” a 00°34’42”S e 47°40’24” a 47°38’00”W
(Figura 1). Está localizada em uma zona de estuário dominado por
marés, onde sofre processos que resultam em uma área de energia
mista.
Foram realizadas coletas de material botânico, após o período de
maior intensidade pluviométrica (chuvoso), no mês de junho e no de
163
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Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli. sér. Bot., 17(1). 2001
menor intensidade (seco), no mês de novembro, obedecendo-se a
metodologia convencional, ou seja, cada amostra foi composta de um
ou mais ramos com flor e/ou fruto, que foram herborizados segundo
técnicas habituais (Fidalgo & Bononi 1984).
A similaridade florística foi utilizada na comparação entre as for-
mações halófila e psamófila reptante e outros trabalhos que utilizaram
levantamentos fitossociológicos, ao longo do litoral brasileiro. O
índice utilizado foi de S(J)rensen (Mueller-Dombois & Ellenberg
1974).
A área foi inventariada por meio do método de parcelas
(Mueller-Dombois & Ellenberg 1974), para obtenção dos parâmetros
fitossociológicos de dominância e frequência absolutas e relativas e
índice de valor de importância (Brower & Zar 1984).
A densidade não foi calculada, em virtude da existência de plan-
tas com hábitos estolonífero, rizomatoso ou touceira, impossibilitando
assim a delimitação dos indivíduos e, conseqüentemente, sua
quantificação.
A obtenção dos dados de campo para cada uma das comunidades
analisadas, foi realizada através do estabelecimento de uma linha base
de 100 metros de comprimento, paralela à praia, na qual foram esco-
lhidos cinco pontos, utilizando-se a tabela de números aleatórios. A
partir destes, e perpendicularmente à base, foram lançadas 20 parcelas
contíguas, tendo cada uma lm 2 , dispostas à esquerda e à direita da
linha.
Em cada quadrado foram anotados os seguintes dados: espécie,
cobertura percentual das espécies e porcentagem de área com detritos
e desnuda (sem vegetação).
Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, - Marapanim-P A.
Foi utilizado teste t para comparação estatísticas das médias das
coberturas entre o período chuvoso e seco das formações psamófila
repatente e brejo herbáceo, com auxílio do Programa ORIGEN.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Formação Halófila
A formação halófila está situada logo após a zona de estirando,
sobre pequenas elevações de até 30 cm de altura, sendo eventualmente
lavada pela marés de equinócio, de sizígia e de tempestades, fato este
também observado por Pereira et al. (1992) para um trecho de res-
tinga, da porção frontal de dunas em Guarapari, no estado do Espírito
Santo. Devido a sua proximidade com a praia, é a comunidade que
está sujeita a uma maior influência do “spray” salino (Oosting 1945;
Boyce 1954), com espécies adaptadas a altas salinidades, algumas
vezes suculentas (Bernardi et al. 1987), apresentando órgãos resist-
entes ao soterramento, sendo um primeiro obstáculo à movimentação
de areia (Pfadenhauer 1978).
Esta comunidade é referida para o Rio de Janeiro por Araújo &
Henriques (1984) e por Pereira (1990) para o estado do Espírito Santo.
Entretanto, Thomaz (1991); Almeida & Araújo (1997) e Menezes
(1996), em virtude de não terem encontrado uma delimitação, com
base florística e estrutural, aglutinam esta com a psamófila reptante,
denominando-a de halófila/psamófila.
Na estação chuvosa são observados nesta formação propágulos
de espécies obrigatórias de manguezal, que são lançadas à praia pela
preamar, chegando em determinados trechos, a uma fase inicial de
desenvolvimento, entretanto, não atingem o estádio adulto, provavel-
mente por não estarem em sedimentos apropriados, como referido por
Schaeffer-Novelli (1987) e Adaime (1987).
165
cm
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Figura 1 - Localização da área da restinga do Crispim, município de Marapanim-PA.
Na formação halófila no período chuvoso são encontradas ape-
nas as espécies Sesuviwn portulacastrum L. (Aizoaceae), Sporobolus
virginicus (L.) Kunth (Poaceae) e Blutaparon portulacoides (St. Hill.)
Mears (Amaranthaceae), tendo a primeira maior valor de importância
(VI) (Tabela 1). Na estação seca nenhuma espécie esteve presente nas
unidades amostrais, em virtude das marés de equinócio e sizígia, com
amplitude máxima de 5,6 metros (DHN, 1993), que ocorreram no
período de coleta, alterando a topografia da área e a estrutura da
formação.
Filossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
Tabela 1 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas na formação
halófila, no período chuvoso; ordenados de acordo com o valor de importância.
Restinga do Crispim, município de Marapanim, Pará. DoA = dominância absoluta;
DoR = dominância relativa (%); FA = frequência absoluta; FR = freqüência relativa
(%); VI = Valor de importância.
Espécie
DoA
DoR
FA
FR
VI
1 .Sesuvium portulacastrum
1,02
48,11
0,10
35,71
83,82
2. Sporobolus virginicus
0,69
32,55
0,08
28,57
61,12
3. Blutaparon portulacoides
0,41
19,34
0,10
35,71
55,05
Os valores e as posições obtidas para as espécies, em função dos
valores de importância, são iguais às das famílias, pois estas estão rep-
resentadas por uma única espécie.
Sesuvium portulacastrum L. e Sporobolus virginicus (L.) Kunth
aparecem na primeira e segunda posição respectivamente em relação
ao valor de importância (VI) em função de suas dominâncias, e
Blutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears aparece na terceira
posição, embora com valor de freqüência, igual ao de Sesuvium
portulacastrum L.
O estudo comparativo entre a formação analisada, caracterizada
como formação halófila e outros semelhantes do litoral brasileiro,
torna-se difícil, uma vez que alguns autores como Thomaz (1991),
Pereira et al. (1992) e Menezes (1996) tratam-na associada a formação
psamófila reptante, e em seus estudos utilizam diferentes números de
parcelas, o que influencia a análise em virtude de alterações na
freqüência.
Nos dez trechos analisados por Thomaz (1991) para o estado do
Espírito Santo, Blutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears ocorre em
sete destes, estando posicionado, segundo o índice de cobertura, na 5 a
posição, para um total de 1 1 espécies por praia inventariada.
167
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Na primeira faixa do transecto analisado por Pereira (1995), para a
restinga da Reserva Biológica de Comboio (ES), Blutaparon
portulacoides (St. Hill.) Mears está na 5 a posição em relação à freqüên-
cia absoluta das sete espécies encontradas, enquanto que no estado do
Rio de Janeiro, esta espécie divide a primeira posição com Ipomoea
pes-caprae Roth. de num total de oito espécies (Almeida & Araújo
1997).
A ausência de Blutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears em
determinados trechos do litoral, parece estar associada à dinâmica de
praia, principalmente onde ocorrem formações dunares (Pereira 1990
e Silva & Somner 1984). Este fato também foi observado por Bemadi
et a/. (1987) que, estudando os efeitos da ressaca sobre esta espécie,
nas dunas no estado do Rio Grande do Sul, constaram que a mesma e
sujeita à destruição total ou parcial de sua população, recuperando-se
após estes eventos.
Formação Psamófila Reptante
Localizada após a formação halófila, esta formação ocupa as
primeiras cristas de praia (beach ridge), que variam de 1 a 3 m de
altura, paralela à linha de costa, composta por espécies estoloníferas e
rizomatosas, de rápido crescimento (Araújo & Henriques 1984), for-
mando um emaranhado capaz de reter a areia deslocada pelo vento,
atuando desta forma eficientemente na fixação destes cordões
(Trindade 1982).
Na formação psamófila reptante, no período chuvoso, foram
amostradas nove espécies pertencentes às famílias Convolvulaceae,
Poaceae e Fabaceae, com duas espécies cada uma, seguida das
Asteraceae, Chrysobalanaceae e Cyperaceae, com uma espécie cada.
No período seco foram amostradas seis espécies pertencentes às
Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
Convolvulaceae e Poaceae, cada uma com duas espécies e Fabaceae e
Asteraceae, ambas com uma única espécie .
Em vários trechos do litoral brasileiro, na formação psamófila
reptante, as famílias Poaceae e Fabaceae apresentam-se com um
número maior de espécies (Thomaz 1991; Pereira et al. 1992;
Oliveira-Filho 1993; Bastos 1996; Menezes 1996; Almeida & Araújo
1997; Assumpção 1998), enquanto para o Rio Grande do Sul, a
família dominante é Asteraceae, seguida das Cyperaceae e Poaceae
(Cordazzo & Seeliger 1987).
Do período chuvoso para o seco foi observada uma pequena
redução no número de famílias e, consequentemente, no número de
espécies. Todavia, tal diferença específica não deve caracterizar
sazonalidade, isto porque as espécies que ocorrem em um único
período, são oriundas de outras formações vegetais, que invadem a
área ocasionalmente mas, não se estabelecem.
As famílias melhor representadas na formação psamófila
reptante, nos dois períodos analisados, com relação ao valor de
importância (VI), foram Convolvulaceae, Poaceae e Fabaceae
(Figura 2). Os valores de importância de Convolvulaceae foram
muito próximos, em ambos os períodos, com aproximadamente 50 %
do total deste parâmetro.
Na costa norte da Paraíba, as Convolvulaceae, segundo Oliveira
Filho (1993) ocupam o segundo valor de dominância, considerando
um transecto de 2.400 metros, dividido fisionomicamente em sete
subtipos de vegetação, estando representada apenas nos dois
primeiros.
Menezes (1996), em um trecho do Rio de Janeiro, encontrou esta
família como uma das mais bem representadas. Ainda, naquele
estado, Almeida & Araújo (1997) e Assumpção (1998), para as restin-
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SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
gas de Jacarepiá e Grussaí/Iquipari, respectivamente citam as
Convolvulaceae na segunda posição em dominância na formação
halófila/psamófila.
No Espírito Santo, Thomaz (1991) observou que esta família é
importante na estrutura da comunidade, ocorrendo na primeira
posição de acordo com o valor de cobertura (VC), em 40 % dos dez
trechos estudados, e no restante, ocupa a segunda e terceira posições.
Em mais três setores do litoral do Espírito Santo, junto à divisa dos
municípios de Vila Velha e Guarapari, as Convolvulaceae ocupam a
segunda posição com relação a dominância, nas áreas investigadas
(Pereira et al. 1992).
Pereira (1995), analisando um trecho da restinga de Comboios
(ES), destaca duas formações halófila/psamófila e graminóide com
arbusto, onde observou que as Convolvulaceae ocorrem sazonalmente
com valores de dominância muito semelhantes em quatro períodos
considerados, não chegando, entretanto, a ocupar as primeiras colo-
cações com relação à dominância.
Das famílias encontradas por Bastos (1996), nos períodos chu-
voso e seco, Convovulaceae apresentou os maiores valores de
dominância, ocupando a primeira colocação, isto deve-se ao hábito
reptante com estolões de crescimento rápido, cobrindo uma grande
área.
Nas restingas a formação halófila/psamófila reptante apresenta
Poaceae como a mais importante família com relação a dominância,
Thomaz (1991), Pereira et al. (1992), Oliveira Filho (1993), Pereira
(1995) e Assumpção (1998), exceto o trecho analisado por Menezes
(1996) na restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro, onde ela aparece
na quarta posição.
Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
Com relação à Fabaceae, que na área de estudo atingiu a terceira
posição em dominância, apenas nas praias de Carapebus e Carais, no
Espirito Santo, segundo Thomaz (1991) e Pereira et al. (1992), ela
aparece na mesma posição. Entretanto, está sempre presente, porém
com valores menores de dominância, em diversas partes do litoral
brasileiro (Thomaz 1991; Pereira 1995; Bastos 1996; Menezes 1996;
Almeida & Araújo 1997 e Assumpção 1998).
Quando comparados os períodos chuvoso e seco (Tabelas 2 e 3),
constata-se que, no primeiro, o número de espécies é 33 % maior que
no segundo, havendo uma tendência à diminuição significativa nos
valores absolutos de dominância para Ipomoea imperati (Vahl)
Griseb. e Canavalia rosea (Sw.) DC. para o período seco, no entanto,
não significativo para Ipomoea pes-caprae (L.) Rottb. ( t = -0,76, a <
0,05, n = 100).
Figura 2 - Famílias amostradas na formação Psamófila Reptante de acordo com a
porcentagem dc valor de importância (VI), período chuvoso e seco. Restinga do
Crispim, município de Marapanim-PA.
171
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
A Ipomoea imperati (Vahl) Griseb. representa mais de 40% da
dominância relativa, em ambos os períodos, mesmo com o período
chuvoso apresentando maior número de espécies.
Nos trabalhos realizados na restinga do estado do Rio de Janeiro
por Menezes (1996), Almeida & Araújo (1997) e Assumpção (1998),
Ipomoea imperati (Vahl.) Griseb. ocorreu como uma das mais domi-
nantes, e mantém esta tendência em alguns pontos do litoral do
Espírito Santo (Thomaz 1991). Por outro lado, em outros locais amos-
trados na mesma região, os valores deste parâmetro podem ser muito
inferiores aos das outras espécies, inclusive podem não estar presentes
em determinadas áreas (Thomaz 1991; Pereira et al. 1992; Pereira,
1995). Oliveira Filho (1993), para o litoral da Paraíba e Bastos (1996),
para o litoral do Pará, também registraram ausência desta espécie em
suas amostragens.
Comparando os valores de dominância para Sporobolus virginicus
(L.) Kunth ao longo do litoral brasileiro, nota-se que esta espécie ocupa
a primeira posição somente na costa norte da Paraíba (Oliveira Filho
1993). Os trabalhos de Menezes (1996), Almeida & Araújo (1997) e
Assumpção (1998), para o Rio de Janeiro, apresentam valores menores
em relação as demais espécies, assim como no estado do Espírito Santo,
onde não chegou a ser detectada, em algumas áreas inventariadas
(Thomaz 1991; Pereira et al. 1992; Pereira 1995), ocorrendo o mesmo
para a restinga da Princesa (PA), onde Bastos (1996) não cita a espécie
para a formação psamófila reptante.
Analisando os trabalhos de Pereira et al. (1992), Oliveira Filho
(1993), Pereira (1995), Menezes (1996), Almeida & Araújo (1997) e
Assumpção (1998), Canavalia rosea (Sw.) DC. tende a apresentar
uma cobertura inferior aquelas de Ipomoea imperati (Vahl) Griseb.,
Ipomoea pes-caprae (L.) Rottb. e Sporobolus virginicus (L.) Kunth.
Em alguns trechos do litoral do Espírito Santo, analisados por Thomaz
Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
Tabela 2 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas na formação
psamófila reptante, no período chuvoso; de acordo com o valor de importância.
Restinga do Crispim, município de Marapanim, Pará. DoA = dominância absoluta;
DoR = dominância relativa (%); FA = freqiiência absoluta; FR = freqüência relativa
(%); VI = Valor de Importância.
Espécies
DoA
DoR
FA
FR
VI
1 .Ipomoea imperati
25,20
47,23
0,95
32,87
80,10
l.Sporobolus virginicus
9,47
17,75
0,61
21,11
38,86
3. Canavalia rosea
9,16
17,17
0,59
20,42
37,59
4. Ipomoea pes-caprae
5,57
10,44
0,43
14,88
25,32
S.Paspalum vaginatum
2,91
5,45
0,22
7,61
13,06
6 Ambrosia microcephala
0,88
1,65
0,06
2,08
3,73
l.Vigna luteola
0,10
0,19
0,01
0,35
0,54
S.Chrysobalanus icaco
0,05
0,09
0,01
0,35
0,44
9 .Fimbristylis spadicea
0,02
0,04
0,01
0,35
0,39
Tabela 3 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas na formação
psamófila reptante, no período seco; de acordo com o valor de importância.
Restinga do Crispim, município de Marapanim, Pará. DoA = dominância absoluta;
DoR = dominância relativa (%); FA = freqüência absoluta; FR = freqüência
relativa(%); VI = Valor de Importância.
Espécies
DoA
DoR
FA
FR
VI
1 .Ipomoea imperati
16,41
40,86
0,99
41,95
82,81
l.Sporobolus virginicus
12,36
30,78
0,58
24,58
55,36
3. Ipomoea pes-caprae
4,69
11,68
0,33
13,98
25,66
4. Canavalia rosea
4,30
10,71
0,30
12,71
23,42
5.Paspalum vaginatum
0,95
2,37
0,11
4,66
7,03
6.Ambrosia microcephala
1,45
3,61
0,05
2,12
5,73
173
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
(1991), ela ocupa a primeira posição, com relação a este parâmetro.
Na restinga da praia da Princesa não está presente nas amostragens
(Bastos 1996).
Com relação a dominância de Ipomoea pes-caprae (L.) Rottb.,
Ipomoea imperati (Vahl) Griseb., Sporobolus virginicus (L.) Kunth. e
Canavalia rosea (Sw.) DC., em diversos pontos do litoral brasileiro,
parece não existir um padrão de cobertura que reflita um gradiente
latitudinal (Thomaz 1991; Pereira et al. 1992; Oliveira Filho 1993;
Pereira 1995; Bastos 1996; Menezes 1996; Almeida & Araújo 1997 e
Assumpção 1998). Este padrão, muitas vezes, não existe nem mesmo
no litoral de um mesmo estado, como se observa em Thomaz (1991).
A baixa freqüência e dominância das espécies Vigna luteola
(Jacq.) Benth., Chrysobalanus icaco L. e Fimbristylis spadicea (L.)
Vahl. É devido as espécies não serem adaptadas à esta formação,
sendo encontradas apenas, em estádio juvenil ou de plântulas, não
chegando a se estabelecerem no local.
Formação Brejo Herbáceo
No reverso da crista praial ocorre o brejo herbáceo, com densa
cobertura por herbáceas, além de outras lenhosas que ocorrem de
maneira esparsa, como Dalbergia ecastophyllum (L.) Taub. e
Chrysobalanus icaco L. Esta formação apresenta, no período de maior
intensidade de chuvas, uma lâmina d’água de cerca de 10 cm acima do
solo. O brejo herbáceo encontra-se entre duas faixas de manguezal,
paralelas à linha de praia, tendo a primeira indivíduos com altura em
torno de 2 m, e a outra em torno de 4 m, predominando fisionomica-
mentc Laguncularia racemosa (L.) Gaertn.
A entrada de água salgada na restinga, atingindo o brejo herbáceo,
é também mencionada por Barros et al. (1991) para a ilha do Cardoso
Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
(SP), e por Bastos (1996) para a praia da Princesa (PA), havendo em
ambas estabelecimento de indivíduos de Laguncularia racemosa (L.)
Gaertn., com pouco desenvolvimento.
Na formação brejo herbáceo a família mais importante, em
relação ao número de espécie, é Cyperaceae, com cinco, seguida de
Convolvulaceae, Fabaceae e Poaceae, com duas cada.
Esta formação ocorre em vários trechos do litoral brasileiro, com
predominância de Poaceae e Cyperaceae (Reitz 1961; Pfadenhauer
1978; Lacerda et al. 1986; Silva & Oliveira 1989; Araújo & Henriques
1984; Carmo & Lacerda 1984; Pinto et al. 1984; Pereira 1990;
Waechter 1990, Barros et al. 1991 ; Sá 1992; Bastos et al. 1995; Bastos
1996).
Martins (1998) analisa as Cyperaceae de uma restinga de Guara-
pari (ES) e encontra, em 14 ambientes, 39 espécies, das quais 25
ocorrem no brejo herbáceo, sendo 15 exclusivas desta formação, o
que corresponde a 38 % do total encontrado. Das espécies citadas
para o brejo, quatro estão presentes nesta formação na restinga do
Crispim (PA).
No levantamento florístico do brejo herbáceo, incluindo as espé-
cies amostradas e coletadas no entorno das parcelas, foram
encontradas 16 espécies, a maioria herbáceas, com apenas duas lenho-
sas. Destas, sete espécies ocorrem somente nesta formação.
As famílias com representantes lenhosos são mencionadas para os
brejos das restingas do Brasil como tendo poucas espécies, sendo
Melastomataceae referida por Araújo & Henrique (1984); Pereira
(1990); Pereira & Gomes (1994) e Pereira etal. (1998), e Leguminosae
por Araújo & Henrique (1984) e Waechter (1990).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Bastos (1996), inventariando um brejo herbáceo para a praia da
Princesa na ilha de Algodoal (PA), encontrou 60 espécies. Destas, 12
ocorrem nesta formação na praia do Crispim.
Nesta formação, as famílias com os maiores valores de importân-
cia (VI), nos períodos chuvoso e seco, são Poaceae e Cyperaceae, que
juntas contribuem com mais de 90 % da cobertura total da área amos-
trada e, com 50 % do número de espécies inventariadas (Figura 3).
Figura 3 - Famílias amostradas na formação Brejo Herbáceo de acordo com a
porcentagem de valor de importância (VI), período chuvoso e seco. Restinga do
Crispim, município de Marapanim (PA).
Os trabalhos de fitossociologia desta formação para o litoral
brasileiro são escassos, sendo em sua maioria referentes à análise
qualitativa, enquanto que os direcionados a resultados quantitativos
ficam limitados aos estudos de Bastos (1996).
176
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Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
No brejo herbáceo, na ilha de Algodoal (PA), Cyperaceae e
Poaceae ocupam a primeira e segunda posição, nos períodos chuvoso
e seco, em relação ao valor de importância (VI) (Bastos 1996). Neste
trabalho estas são também as famílias melhor representadas, havendo
entretanto, uma inversão em suas posições.
No que se refere ao valor de importância (VI) e ao número de
espécies, as Leguminosae têm importante papel no brejo herbáceo, na
ilha de Algodoal, considerando o período chuvoso, uma vez que no
seco, esta família está representada por uma única espécie, mantendo
porém a mesma posição (Bastos 1996). No Crispim, ela está represen-
tada por Vigna luteola (Jacq.) Benth. em ambos períodos, e por
Canavalia rosea (Sw.) DC. no seco, sendo que esta e pouco represen-
tativa na estrutura da comunidade, considerando-se o valor de
importância (VI) (Tabelas 4 e 5).
Comparando os dois períodos, destacam-se como principais
espécies desta formação, Fimbristylis spadicea (L.) Vahl., Paspalum
vaginatum Sw. e Sporobolus virginicus (L.) Kunth, que apresentam
uma tendência de aumento nos valores de dominância absoluta do
período seco para o chuvoso (Tabelas 4, 5). Estas espécies foram
amostradas por Bastos (1996) em Algodoal-PA, porém, apenas
Paspalum vaginatum Sw. ocupa as primeiras posições de valor de
importância (VI), em ambos os períodos.
As espécies de Cyperaceae que ocorrem tanto no brejo herbáceo
inventariado por Bastos (1996) como no local de estudo, apresentam
valores de cobertura muito diferenciados, como Pycreus polystachyos
(Rottb.) Beauv., que no Crispim apresenta 0,24 %, e em Algodoal
18,14 % de cobertura, muito embora estejam em áreas contígua.
A presença no período seco de indivíduos jovens de Canavalia
rosea (Sw.) DC., Ipomoea imperati (Vahl) Griseb. e Chrysobalanus
icaco L., espécies típicas da formação psamófila reptante, deve-se
provavelmente, ao transporte para o brejo, de sementes, durante o
período chuvoso. Estas germinam mas não se estabelecem..
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Tabela 4 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas na formação brejo
herbáceo, no período chuvoso; de acordo com o valor de importância. Restinga do
Crispim, município de Marapanim (PA). DoA = dominância absoluta; DoR =
dominância relativa (%); FA = freqüência absoluta; FR = freqüência relativa (%);
VI = Valor de Importância.
Espécies
DoA
DoR
FA
FR
VI
1 .Fimbristylis spadicea
26,66
36,08
0,77
21,63
57,71
2.Paspalum vaginatum
20,16
27,28
0,96
26,97
54,25
I.Sporobolus virginicus
20,41
27,62
0,84
23,60
51,22
A.Eleocharís geniculata
2,83
3,83
0,35
9,83
13,66
5. Cy perus ligularis
1,57
2,12
0,13
3,65
5,77
6.Blutaparon portulacoides
0,44
0,60
0,15
4,21
4,81
1 .Rhabdadenia biflora
0,29
0,39
0,12
3,37
3,76
8. Fimbristylis cymosa
0,65
0,88
0,09
2,53
3,41
9.Vigna luteola
0,47
0,64
0,08
2,25
2,89
10 .Pycreus polystachyos
0,18
0,24
0,03
0,84
1,08
1 1 .Sesuvium portulacastrum
0,22
0,30
0,02
0,56
0,86
12. Ipomoea pes-caprae
0,02
0,03
0,02
0,56
0,59
Similaridade Florística
Comparando as listas florísticas oriundas de estudos
fitossociológicos, por meio do índice de Sprensen, em diferentes
estados litorâneos com a praia do Crispim (Tabela 6), detecta-se uma
acentuada diminuição nos valores em relação as áreas do sul do país,
sendo apenas similar a outra área no estado do ParáA maior
similaridade, como era de se esperar, uma vez que fica mais próxima
do local de estudo, foi com a restinga da praia da Princesa, na ilha de
Algodoal-PA, com um índice de 56 %, mesmo tendo Bastos (1996)
ressaltado que a formação halófila não ocorre no local..
Com um índice de 36 %, vem as restingas do estado do Espírito
Santo. As da Paraíba, geograficamente mais próximas do Pará,
178
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Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA,
Tabela 5 - Parâmetros fítossociológicos das espécies amostradas na formação brejo
herbáceo, no período seco; de acordo com o valor de importância. Restinga do
Crispim, município de Marapanim (PA). DoA = dominância absoluta; DoR =
dominância relativa (%); FA = frequência absoluta; FR = frequência relativa (%);
VI = Valor de Importância.
Espécies
DoA
DoR
FA
FR
VI
1 .Sporobolus virginicus
22,30
34,45
0,95
27,54
61,99
l.Fimbristylis spadicea
20,86
32,22
0,71
20,58
52,80
3.Paspalum vaginatum
15,71
24,27
0,93
26,96
51,23
A.Eleocharis geniculata
1,18
1,82
0,17
4,93
6,75
5.Ipomoea imperati
1,25
1,93
0,14
4,06
5,99
6.Rabdadenia biflora
0,25
0,39
0,13
3,77
4,16
7 .Blutaparon portulacoides
0,43
0,66
0,11
3,19
3,85
S.Cyperus ligularis
0,89
1,37
0,08
2,32
3,69
9 .Canavalia rosea
0,71
1,10
0,08
2,32
3,42
lO.Fimbristylis cymosa
0,61
0,94
0,05
1,45
2,39
1 1 Jpomoea pes-caprae
0,32
0,49
0,05
1,45
1,94
1 2 .Sesuvium portulacastrum
0,03
0,05
0,02
0,58
0,63
13 .Vigna luteola
0,15
0,23
0,01
0,29
0,52
14. Pycreus polysthachyos
0,03
0,05
0,01
0,29
0,34
\5.Chrysobalanus icaco
0,02
0,03
0,01
0,29
0,32
apresentaram índice de 25 %, isto deve-se ao fato do autor ter incluído
nesta análise, espécies como Cereus fernambucensis Lem,
Pilosocereus sp. e Jacquinia brasiliensis Mez., características da
formação de pós-praia, definida por Pereira (1990).
A baixa similaridade com o Rio Grande do Sul, deve-se a uma
mudança acentuada na composição florística em relação ao norte do
País, o que vem reforçar as observações de Cordazzo (1985) de que
aquela região corresponde a uma zona de transição entre as zonas
biogeográficas temperada e tropical..
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Tabela 6 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas na formação brejo
herbáceo, no período seco; de acordo com o valor de importância. Restinga do
Crispim, município de Marapanim (PA). DoA = dominância absoluta; DoR =
dominância relativa (%); FA = freqüência absoluta; FR = freqüência relativa (%);
VI = Valor de Importância.
Espécies
DoA
DoR
FA
FR
VI
1 .Sporobolus virginicus
22,30
34,45
0,95
27,54
61,99
2.Fimbristylis spadicea
20,86
32,22
0,71
20,58
52,80
3.Paspalum vaginatum
15,71
24,27
0,93
26,96
51,23
A.Eleocharis geniculata
1,18
1,82
0,17
4,93
6,75
S.Ipomoea imperati
1,25
1,93
0,14
4,06
5,99
è.Rabdadenia biflora
0,25
0,39
0,13
3,77
4,16
7 .Blutaparon portulacoides
0,43
0,66
0,11
3,19
3,85
8. Cy perus ligularis
0,89
1,37
0,08
2,32
3,69
9.Canavalia rosea
0,71
1,10
0,08
2,32
3,42
lO.Fimbristylis cymosa
0,61
0,94
0,05
1,45
2,39
1 1 dpomoea pes-caprae
0,32
0,49
0,05
1,45
1,94
I l.Sesuvium portulacastrum
0,03
0,05
0,02
0,58
0,63
13 .Vigna luteola
0,15
0,23
0,01
0,29
0,52
14. Pycreus polysthachyos
0,03
0,05
0,01
0,29
0,34
\5.Chrysobalanus icaco
0,02
0,03
0,01
0,29
0,32
Tabela 7 - índices de Sorensen para a similaridade florística entre a Praia do
Crispim (PA) e os levantamento fitossociológico nos estados do Pará (PA) - (Bastos
1996); Paraíba (PB) - (Oliveira-Filho 1993); Espírito Santo (ES) - (Thomaz 1991 e
Pereira et al. 1992); Rio de Janeiro (RJ) - (Menezes 1996; Almeida & Araújo 1997
e Assunpção 1998); Santa Catarina (SC) - (Cordazzo & Costa 1989 e Santos et al.
1996) e Rio Grande do Sul (RS) - (Cordazzo & Sceliger 1987).
ESTADOS PA
PB
ES
RJ
SC
RS
Praia do Crispim 0,56 0,25 0,36
0,24
0,18
0,10
180
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Fitossociologia das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA.
CONCLUSÃO
Na restinga do Crispim, no sentido mar-continente, entre as for-
mações estudadas, a primeira é a halófila, encontrada após a zona de
estirâncio, seguida da psamófila reptante, nas primeiras cristas praiais,
e por último, no reverso das cristas praiais, o brejo herbáceo. Há um
incremento no número de espécies por formação, a medida que elas se
afastam da linha de praia.
A formação halófila caracteriza-se pela presença de Blutaparon
portulacoides (St. Hill.) Mears e Sesuvium portulacastrum L. A sua
cobertura vegetal é parcial ou totalmente destruída durante as marés
de equinócios, sizígias e tempestades.
Na formação psamófila reptante predominam as espécies,
Ipomoea pes-caprae (L.) Rottb., lpomoea imperati (Vahl) Griseb.,
Canavalia rosea (Sw.) DC. e Ambrosia microcephala DC., e por isso
consideradas como as espécies que a caracterizam.
No brejo herbáceo são dominantes absolutas, com mais de 90 %
de cobertura, as Poaceae e Cyperaceae, tendo a última a maior riqueza
em espécies. Esta formação é caracterizada pelas espécies Cyperus
ligularis L., Eleocharis geniculata (L.) Roem & Schult., Fimbristylis
cymosa R. Br., Fimbristylis spadicea (L.) Vahl e Pycreus polystachyos
(Rottb.) Beauv.
Sporobolus virginicus (L.) Kunth. é uma espécie comum às três
formações, com alto valor de freqüência e dominância em todas elas,
sendo portanto uma espécie ubiqüa ou eurióica, não servindo como
indicadora, para estas formações.
A sazonalidade de espécies não foi observada entre os períodos
seco e chuvoso, entretanto foi notado que ocorre alteração na cober-
tura vegetal, de um período para outro.
A pequena diferença na composição florística entre os períodos,
é devida à presença de espécies ocasionais, provenientes de outros
ambientes como plântulas e indivíduos jovens de espécies típicas de
manguezais, ou mesmo de formações adjacentes.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
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Recebido em: 04. 1 1 .99
Aprovado em: 17.07.01
185
CDD: 584.904526367
O GÊNERO PASPALUM L. (GRAMINEAE/POACEAE)
NA RESTINGA DA PRAIA DA PRINCESA,
APA DE ALGODOAL/MAIANDEUA,
MARACANÃ, PARÁ, BRASIL 1
Antônio Elielson Sousa da Rocha 2
Maria de Nazaré do C. Bastos 3
João Ubiratan Moreira dos Santos 4
RESUMO - Na restinga da praia da Princesa, localizada na APA de
Algodoal/Maiandeua, município de Maracanã, Pará, Brasil, foram
identificadas cinco espécies do gênero Paspalum L.: P. arenarium
Schrad., P maritimum Trin., P. millegrana Schrad., P. multicaule Poir e
P. vaginatum. Para facilitar a identificação das mesmas foi elaborada
uma chave dicotômica. Dados sobre distribuição geográfica e
sinonímia, bem como ilustrações e comentários adicionais são
apresentados. Dentre as espécies estudadas, algumas apresentam
potencial forrageiro, como P. maritimum, P. millegrana, P. multicaule, e
outras são fixadoras de dunas, como P. arenarium e P. vaginatum.
PALAVRAS-CHAVE: Paspalum, Poaceae, Taxonomia, Restinga.
1 Parte da Dissertação de Mestrado em Biologia Vegetal Tropical do primeiro autor, pela
Faculdade de Ciências Agrárias do Pará-FCAP.
2 MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Bolsista. Caixa Postal
399. Cep. 66040-170, Belém-PA. e-mail: aelielson@bol.com.br
3 MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Pesquisadora. Caixa
Postal 399. Cep. 66040-170, Belém-PA. e-mail: nazir@museu-goeldi.br
4 FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor Visitante. Av. Perimetral, 2501.
Cep. 66077-530, Belém-PA. E-mail: bira@museu-goeldi.br
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
ABSTRACT - In the Coastal of Princesa Beach, in the Algodoal/
Maiandeua environmental protection area in the municipality of
Maracanã, Pará, Brasil, were identified five species of the genus
Paspalum L. (P. arenarium Schrad., P. maritimum Trin.,
P. millegrana Schrad., P. multicaule Poir. and P. vaginatum Sw.)
Some species are forage plants for animais as P. maritimum,
P. millegrana, P. multicaule and other are anchoring the dunes
against erosion as P. arenarium and P vaginatum. Key for the
species, illustrates and comments are presented.
KEY WORDS: Paspalum, Poaceae, Taxonomy, Sandy Coastal.
INTRODUÇÃO
A restinga da praia da Princesa, localizada na APA de Algodoal/
Maiandeua, município de Maracanã, no litoral nordeste do Pará,
Brasil, situa-se entre as coordenadas geográficas de 00°34’4” a
00°34’30”S e 47°31’05” a 47°34’12’W (Figura 1). O clima da região é
tropical úmido, do tipo Awi, da classificação Kõppen. A temperatura é
maior que 18 °C no mês mais frio, e a diferença entre o mês mais
quente e o mais frio é menor que 9 °C (Santos & Rosário 1988). O solo,
na ilha de Algodoal, está representado pelas seguintes unidades
taxonômicas dominantes: Podzólico Amarelo, Pdzol Hidromórfico,
Areia Quartzoza, Solo Aluvial, Solo Aluvial Sódico e Soloncchak
Sódico (Amaral 1998).
A ilha de Algodoal é constituída basicamente por vegetação de
manguezal nas porções sul, centro e norte da ilha; campos hiper salinos
(apicuns) no interior ou próximo aos manguezais, predominando
vegetação herbácea e de restinga, cobrindo grande parte da planície
arenosa na porção norte, nordeste e oeste da ilha, onde encontra-se a
área de estudo.
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O Gênero Paspalum L ( Gramineae/poaceae ) na restinga da praia da princesa...
A extensão da área é de aproximadamente 800 metros, desde a
zona de preamar até o contato com o manguezal, fisionomicamente,
esta área é composto por cinco formações vegetais distintas: psamófila
reptante, brejo herbáceo, campo entre dunas, campo arbustivo aberto e
mata de Myrtaceae (Bastos 1996).
Para o litoral paraense os trabalhos sobre taxonomia são quase
nulos; especificamente para a ilha de Algodoal, destacando-se o de
Vicente et al. (1999) que tratam das espécies de Turneraceae A. P. De
Candolle, representadas na ilha por 2 espécies, sendo este, pioneiro
para região. Para família Poaceae são conhecidas apenas listas de
espécies em trabalhos fitossociológicos, como: Santos & Rosário
(1988) e Bastos (1996).
A família Gramineae na restinga da praia da Princesa está
representada pelos gêneros Eragrostis Wolf, Gymnopogon Beuav.,
Mesosetum Steud., Reimarochloa Hitchc., Sacciolepis Nash., Spartina
Schreber, e Sporobolus R. Br., com uma espécie cada; Andropogon L.
e Digitaria Haller, com 2 espécies cada; Axonopus Beauv. com 3
espécies; Panicum L., com 4 espécies e Paspalum L., com 5 espécies.
O gênero Paspalum é um dos maiores da família, com cerca de
400 espécies distribuídas principalmente nas regiões tropicais e
subtropicais. Economicamente é um dos mais importantes, devido seu
potencial forrageiro e, ecologicamente, tem importância vital nas
regiões de savanas (Coradin 1978).
Na área de estudo o gênero está representado pelas espécies
P. arenarium, P. maritimum, P. millegrana, P. multicaule,
P. vaginatum.
O objetivo deste trabalho é identificar e descrever as espécies do
gênero paspalum existentes na restinga da praia da Princesa,
Maracanã, Pará. Para complementar a identificação dos táxons são
apresentadas ilustrações, sinonímia, distribuição geográfica, chave
dicotômica e comentários adicionais.
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4Z!35'
Algodoal
Area de
Estudo
% Vilas
% V Fortalezinha
Q \ Mocooca
ESCALA l. 100.000
Figura 1 - Localização da área de estudo (restinga da praia da Princesa, APA de
Algodoal/Maiandeua, Maracanã, Pará).
190
O Gênero Paspalum L (Gramineae/poaceae) na restinga cia praia da princesa...
MATERIAL E MÉTODOS
As coletas foram realizadas no período de um ano, iniciando-se
em maio de 1998. Durante este período foram realizadas quatro
viagens, em estações climáticas diferentes no ano: duas no período de
maior intensidade pluviométrica e duas no período de menor inten-
sidade. Em cada visita foi percorrida toda a faixa delimitada como
área de estudo, no sentido mar/continente e, no sentido paralelo à
praia, nas diversas formações vegetais.
Os procedimentos para tratar o material coletado foram baseados
em Filgueiras (1992). Além da coleta do material, foram consultados
os Herbários do MG, IAN e IBGE. O material seco utilizado neste
trabalho foi preparado em solução de amónia 70%, as espécies foram
medidas e ilustradas com auxílio de lupa Zeiss, equipada com câmara
clara. As partes analisadas foram a inflorescência e espigueta,
abreviadas como (inf) e (esp), respectivamente, no material
examinado. Os sinônimos adotados para as espécies em estudo são
conforme referidos por Cremers & Hoff (1993) para Paspalum
maritimum Trin. e P. millegrana Schrad.; bem como por Renvoize
(1984) para Paspalum multicaule Poir. e Paspalum vaginatum Sw.
TRATAMENTO TAXONÔMICO
Paspalum L., Syst. Nat. Ed. 10, 2: 855, 1359. 1759.
Sabsab Adans, Fam. 2:31, 599. 1763.
Cleachne Roland., In Rottb., Act. Lit. Univ. Hain. 1: 285. 1778.
Ceresia Pers., Syn. Pl. 1; 85. 1805.
Paspalus Fliiggé, Mon. Paspalum 53. 1810.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Reimaria Flüggé, Mon. Paspalum 213. 1810.
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Anachyrium Nees ex Steud., Syn. Pl. Gram. 33. 1854.
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441. 1875.
Panicum Sect. Paspalus Aschers & Graebn., Syn. Mitteleur. Fl.
2: 67. 1898.
Ervas anuais ou perenes, colmos eretos a decumbentes,
cespitosas, estoloníferas ou rizomatosas; bainhas abertas; lígula
membranácea com ou sem cílios; lâmina linear a linear-lanceolada,
geralmente aplanada. Inflorescência de 1 a várias, axilar ou terminal,
de 1 a vários racemos, raque filiforme a alada. Espiguetas subsésseis,
solitárias ou aos pares, 2-4 fileiras, num lado do raque, plano-
convexas, pouco côncavo-convexas ou desiguais biconvexas;
primeira gluma geralmente ausente; segunda gluma, em geral mais
curta que o lema estéril, membranácea, 3-5 nervada, semelhante ao
lema estéril; lema fértil cartilaginoso a coriáceo e endurecido, com
suas margens abraçando a pálea, ápice livre, semelhante a pálea mas,
plano ou côncavo; lodículas 2; estames 3; estigmas 2, plumosos.
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0 Gênero Paspalum L. (Gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
Espécie-tipo: Paspalum dimidiatum L.
Chave para a separação das espécies de Paspalum da restinga da
praia da Princesa
1 - Inflorescência com 1 racemo por eixo 1. P. arenarium
1 - Inflorescência com dois ou mais racemos por eixo
2 - Segunda gluma 5-nervada, com nervura central suprimida ou inconspícua;
lema estéril 5-nervado 2. P. vaginatum
2 - Segunda gluma 3-nervada, com nervura central presente, lema estéril, 2 ou 3-
nervado
3 - Inflorescência com 2 racemos conjugados; espiguetas solitárias
3. P. multicaule
3 - Inflorescência com mais de dois racemos separados; espigueta aos pares
4 - Racemos com 2 fileiras de espiguetas; raque flexuosa, glabra; segunda
gluma pubescente; lema estéril glabro 4. P. maritimum
4 - Racemos com 4 fileiras de espiguetas; raque flexuosa escabrosa e ciliada;
segunda gluma e lema estéril glabros 5. P . millegrana
1. Paspalum arenarium Scharad. in Roem. & Schult., Mantissa 2:
172. 1824. Tipo. Brasil, Prince Maximilian (? LE,). (Figura 2).
Erva perene, cespitosa, rizomas quase nulos, até 40 cm de alt.; colmos
simples, suberetos a fortemente decumbentes, glabros, geniculados,
estriados, com sulcos longitudinais; nós glabros; bainhas estriadas,
carenadas, abrindo-se na parte superior, pilosas nas bordas, carena e
terço superior, as terminais mais longas que os entrenós, as basais mais
curtas e em tons violáceos, 3-4,5 cm de compr.; lígula membranácea
com aproximadamente 4 mm de compr., arqueada; lâmina 3-12 cm de
compr., 1-2 cm de larg., plana, linear-lanceolada, densamente pilosa,
base carenada e ápice acuminado, pilosa na base posterior da lígula.
Inflorescência terminal, racemosa, um racemo por eixo, 4-6 cm de
compr.; raque glabra ou com poucos tricomas na base. Inflorescência
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Boi. Mus. Para. Emílio Goelili, sér. Boi., 17(1). 2001
axilar às vezes presente. Espiguetas aos pares, pediceladas, bisseriadas,
obovadas, 1 ,5-1,7 mm de compr., 1-1,2 mm de larg., pedicelos pilosos,
desiguais; segunda gluma 3-nervada, convexa, pubescente, maculada
na superfície, do compr. da espigueta; lema estéril 2-nervado, plano,
com a margem envolvendo o bordo do flósculo fértil, ligeiramente
pubescentes entre as nervuras; flósculo fértil plano-convexo, brilhante,
glabro 1,3-1, 5 mm de compr., 1-1,1 mm de larg.; lema e pálea
coriáceos, verde-claros. Cariopse não observada.
Distribuição Geográfica: Guianas e Brasil (Renvoize 1984).
Material Examinado: BRASIL. Minas Gerais: Diamantina,
Rodovia de Serro, Campo rupestre, 18-11-1993 (inf), F. O. Zuloaga et
al. 4621 (IBGE). Pará: ilha de Marajó, Soure, praia, 21-11-1934 (inf),
J.R. Swallen 4966 (MG); Vigia, campina da palha, 31-III-1980 (esp),
G. Davidse et al. 176930 (MG); Boa Vista, margem rio Guamá (esp),
D.C. Daly et al. 811 (MG); Colares, Sítio Horizonte, 29-IX-1954
(esp), G.A. Black 54-16885 (IAN); Maracanã, ilha de Algodoal,
Restinga da praia da Princesa, campo entre dunas, 22-V-1994 (esp),
M.N.C. Bastos et al. 1628 (MG).
Paspalum arenarium é muito semelhante a P. nutans, o que tem
causado equívocos de identificação, principalmente nas áreas de
restinga onde ocorrem as duas espécies: P. arenarium ocorre em solo
arenoso, enxuto e apresenta comumente apenas um racemo, enquanto
P. nutans ocorre em solo arenoso úmido, com depressões, e apresenta
de 2-4 racemos por eixo (Smith et al. 1982).
Trata-se de uma espécie heliófita e seletiva xerófita, pouco
comum na restinga da praia da Princesa, sendo encontrada sobre
dunas de areia enxuta ou nas margens de lagos ou próximas ao brejo.
Foram observados indivíduos de P. arenarium, em floração,
entre os meses de junho a setembro.
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O Gênero Paspalum L. ( Gramineae/poaceae ) na restinga da praia da princesa...
Figura 2 - Paspalum arenarium Scharad. ( M.N.C . Bastos et al. 1628). a: Hábito;
b: Detalhe do racemo; c: Detalhe da raque; d: Segunda gluma em vista dorsal;
e: Lema estéril em vista dorsal; f: Lema fértil em vista frontal; g: Pálea em vista
frontal; li: Lígula; i: Flor.
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Boi. Mus. Para. Emílio GoeUli, sér. Bot., 17(1), 2001
2. Paspalum vaginatum Sw., Prodr.: 21. 1788; Doell in Mart., Fl.
Bras.: 2(2): 74. 1 877. Tipo. Jamaica, Sxvartz s.n. (Isótipo, S) (Figura 3).
Paspalum didactylum Salzm. ex. Stend., Syn. Pl. Glum. 1:20. 1854.
Erva perene, rizomatosa e estolonífera, 20-50 cm de alt. ; colmos
eretos, ramificados, esverdeados; nós e entrenós glabros; bainhas 3-
5 cm de compr., 0,7-1 mm de larg., ligeiramente carenadas, glabras;
lígula membranácea 0,4-1 mm de compr.; lâminas 2-5 cm de compr.,
3-5 mm de larg., lineares, involutas, rígidas, glabras, com tricomas
apenas na base por trás da lígula. Inflorescência solitária, terminal;
racemos geralmente 2, 3-4 cm de compr., conjugados; raque glabra,
ligeiramente flexuosa, plana, alada. Espiguetas subsésseis,
dorsiventralmente comprimidas 2-2,2 mm de compr., 0,6-0, 8 mm de
larg.; segunda gluma 5-nervada, com nervuras laterais próximas à
margem, a mediana suprimida ou inconspícua; lema estéril do
comprimento da espigueta, 5-nervado; flósculo fértil 2, 8-3, 2 mm de
compr., brilhante, liso, elíptico, endurecido. Cariopse não observada.
Distribuição Geográfica: Em todas as áreas tropicais, estendendo-se
até as regiões subtropicais (Renvoize 1984).
Material Examinado: GUIANA FRANCESA. Plage de Susini, 21-
XII- 1986 (inf), G. Cremers 9518 (MG). BRASIL. Bahia: Ilhéus, praia
de Ilhéus, 06-1-1980 (esp), T.S. Filgueiras 731 (IBGE). Pará: ilha do
Mosqueiro, beira do rio, furo da Marinha, várzea, 1 7- VII- 197 1 (esp),
J. Oliveira s/n (IAN); Bragança, ilha das Canelas, restinga, 1 7- VI- 1 995
(esp), J.U. Santos & L.C. Lobato 223 (MG); Curuçá, praia da Romana,
15-XII-1992 (esp), M.N.C. Bastos et al. 1331 (MG); Marapanim,
Restinga do Crispim, psamófila reptante e brejo herbáceo, 1 1 -IV- 1997
(esp), S.V. Costa-Neto et al. 14 (MG); Maracanã, Fortalezinha, sobre
dunas, 22-1-1994 (inf), L.C. Lobato 1567 (MG); ibidem, praia da
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O Gênero Paspalum L. ( Gramineae/poaceae ) na restinga da praia da princesa...
Marieta, 07-IX-1994 (esp), M.N.C. Bastos et al. 1802 (MG); ilha de
Algodoal, restinga da praia da Princesa, vegetando sobre primeiro
cordão dunar em relação a praia, 25-VI-1998 (esp), A.E.S. Rocha 04
(MG); ibidem, no primeiro cordão dunar e brejo, 21-11-1994 (esp),
M.N.C. Bastos et al. 1524 (MG);
Por apresentar espigueta glabra, Paspalum vaginatum pode
separar-se de alguns ecotipos de P. distichum, que são muito
semelhantes, mas apresentam espiguetas pilosas (Renvoize 1998).
Esta espécie possui ampla ocorrência na restinga da praia da
Princesa. Suas populações estão fixadas principalmente no primeiro
cordão dunar (Psamofila reptante), entremeadas com indivíduos de
Ipomea pes-caprae Rottb (Convolvulaceae) e no brejo herbáceo, no
período em que este encontra-se totalmente inundado, que vai de
janeiro até meados de abril. Neste período, esta é a única espécie
observada sobre a lâmina d'água.
Observou-se que no período de estiagem, que vai de junho a
novembro, os indivíduos de P. vaginatum encontram-se vigorosos,
dominando as populações de I. pes-caprae, enquanto que no período
chuvoso, ocorre o inverso, ou seja, as populações de P. vaginatum
apresentam-se secas e dominadas por I. pes-caprae. Um fato
interessante observado no período de chuva, é que as população das
dunas encontram-se secas, evidenciando uma certa dormência,
enquanto que no brejo são encontrados diversos indivíduos
submersos, apenas com a inflorescência exposta.
Paspalum vaginatum é tratada como invasora no litoral do Rio
Grande do Sul, por aparecer crescendo abundantemente nas margens
dos pântanos (Cordazzo 1985). Na restinga da Princesa, esta espécie
predomina nas formações Psamófila reptante e brejo hebárceo.
Foram observados indivíduos de P. vaginatum, em floração,
entre os meses de janeiro a junho.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
Figura 3 - Paspalum vaginatum Sw. (A.E.S. Rocha 04). a: Hábito; b: Detalhe do
racemo; c: Detalhe da raque; d: Espigueta em vista lateral; c: Segunda gluma em vista
dorsal; f: Lema estéril em vista dorsal; g: Lema fértil em vista frontal; h: Pálea cm
vista frontal; i: Lígula; j: Flor.
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O Gênero Paspalum L. (Gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
3. Paspalum multicaule Poir. in Lam., Encycl., Suppl. 4: 309. 1816.
Tipo. Brasil, Anon. (Holótipo, FI, n.v.). (Figura 4).
Paspalum papillosum Spreng., Nov. Prov. Hal. 47. 1819;
Syst.Veg. 1: 244. 1825.
P. hortícola var. maritimum Salzm. ex. Doell in Mart., Fl. Bras.
2(2): 54. 1877.
Erva anual, cespitosa. Colmos 5-40 cm de alt., eretos, ramificados
desde a base; nós e entrenós glabros; bainhas fortemente carenadas,
pilosas nas margens, estriadas, 3-7 cm de compr.; lígula 0,2-0, 4 mm
de compr., membranácea; lâmina 3-6 cm de compr., 1,5-2, 5 mm de
larg., linear, papiloso-híspida e pulverulenta em ambas as faces, com
concentração de tricomas longos na base e face abaxial da nervura
central. Inflorescência solitária, terminal; racemos 2, conjugados 2-
4,5 cm de compr.; raque escabrosa, ligeiramente flexuosa, alada, com
as margens voltadas para cima, abraçando a espigueta. Espiguetas 1-
1,2 mm de compr., 0,8-1 mm de larg., suborbiculares, obtusas,
solitárias em 2 fileiras, com uma espigueta no ápice, pediceladas,
pedicelos escabrosos; segunda gluma tão larga quanto a espigueta, 3-
nervada, esparsamente coberta por tricomas globulares inconspícuos;
flósculo fértil tão largo quanto a espigueta, endurecido, liso, brilhante,
glabro. Cariopse não observada.
Distribuição Geográfica: Do México ao Brasil (Renvoize 1984).
Material Examinado: BRASIL. Pará: São Miguel do Guamá, 17-IX-
1979 (esp), L. Coradin et al. 2105 (IBGE); Vigia, Campina da Palha,
areia úmida, 10-VIII-1954 (esp), GA. Black 54-16730, (IAN); ibidem,
Campina do Caimbé, 30-III- 1980 (inf), G. Davidse, et al 17639 (MG);
Almerim, Monte Dourado, Bloco Caracuru, 4-VI-1986 (esp),
M.S. Pires & N. T. Silva 1 133 (MG); Tucuruí, Remento, campina,
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
local úmido, 30-III- 1 98 1 (esp), N. Rosa et al. 4033 (MG); Marabá,
Serra dos Carajás, Mina Norte, canga, 18-V-1987 (esp), M.N.C. Bastos
et al. 464 (MG); Marapanim, praia do Crispim, campo de restinga, 15-
IV- 1 99 1 (esp), M.N.C. Bastos et al. 1012 (MG); Maracanã, ilha de
Algodoal, Restinga da praia da Princesa, campo entre dunas em locais
úmidos e ligeiramente sombreados, 15-IX-1998 (esp), A.E.S. Rocha 16
(MG); ibidem, campo entre moitas, 1 1 -IV- 199 1 (esp), M.N.C. Bastos
et al. 705 (MG).
Paspalum multicaule é similar a P. clavuliferum Wright, tanto na
morfologia como na distribuição geográfica, mas diferencia-se por
apresentar racemos com 4 fileiras de espiguetas pilosas, enquanto
P. clavuriferum apresenta 2 fileiras de espiguetas glabras (Renvoize
1998).
Na restinga da praia da Princesa ocorre exclusivamente na
formação campo entre dunas, em ambientes úmidos, com luz difusa.
A espécie fornece forragem de boa qualidade, especialmente
para gado eqüino (Corrêa 1926).
Foram observados indivíduos de P. multicaule, em floração,
entre os meses de junho a dezembro.
4. Paspalum maritimum Trin., Mém. Acad. St. Petersb. 6 Sei. Nat.
1:148. 1834; Doell in Martius, Fl. Bras.. 2(2): 47. 1877. Tipo. Brasil,
Rieclel s/n. (isótipo, K). (Figura 5).
Paspalum hirtigluma Steud., Syn. Pl. Glum. 1: 18. 1854.
P. wullschlaegelii Mez, Bot. Jahrb. Engler56 (Beibl. 125): 10. 1921.
P. abrahami Chase, Contr. U.S. Nat. Herb. 22: 480. 1922.
Erva perene, reproduzindo-se por rizoma; rizomas robustos, 40-60 cm
de compr.; colmos eretos ou ascendentes, cilíndricos, glabros,
estriados, sub-comprimidos; nós marrom-escuros, glabros,
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
geniculados; bainhas até 10 cm de compr., estriadas, fortemente
carenadas, abertas na parte superior, glabras, ápice com tufo de
tricomas, margens membranáceas; lígula membranácea, glabra,
lacerada, bastante pilosa na inserção; lâmina linear-lanceolada, base
acanalada, cordada, margem escabrosa, ciliada, até 35 cm de compr., 1-
1,6 cm de larg., face abaxial glabra e adaxial pilosa, última lâmina
reduzida ou suprimida, 3-10 cm de compr. Inflorescência com 3-6
racemos ascendentes, 5-8 cm de compr., pilosos na inserção, alternos
ao eixo comum; raque flexuosa, glabra, estriada. Espiguetas marrom-
claras, aos pares, pubescentes, pediceladas, 1,8-2 mm de compr., 1,1-
1,3 mm de larg., pedicelos desiguais em cada par; segunda gluma
pilosa, paleácea, convexa, com manchas na superfície, 3-nervada, do
comprimento da espigueta; lema estéril plano, glabro ou pouco piloso,
2-nervado, margens hialinas; flósculo fértil liso, brilhante, plano-
convexo, obovado. Cariopse não observada.
Distribuição Geográfica: América Central até o Brasil (Renvoize 1984).
Material Examinado: BRASIL. Alagoas: Marechal Deodoro, APA
de Santa Rita, praia do Saco da pedra, restinga, 17-V-1988 (esp), G.L.
Esteves et al. 2090 (IBGE). Amazonas: Manaus, cabeceira do igarapé
da cachoeira, alto do Turumã, terra-firme, 23-III- 1 955 (esp),
R. Chagas 904 (MG). Pará: São Miguel do Guamá, ao longo da
rodovia Belém-Brasília, 29-1-1980 (esp), Davidse et al. 17.51 1 (MG);
Vigia, Campina do Caimbé, campo, 30-III- 1980 (esp), G. Davidse et
al. 17634 (MG); Maracanã, Martins Pinheiro, campina do Mangaba,
solo arenoso, 28-11-1975 (inf), L. Coradin 150 (IAN); ilha de
Algodoal, restinga da praia da Princesa, sobre dunas altas próximo a
praia, 19-VI-1991 (esp), M.N.C. Bastos et al. 849 (MG).
Paspalum maritimum é encontrada no campo entre dunas, em
solo arenoso, úmido. Na restinga da praia da Princesa tem ocorrência
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O Gênero Paspalum L. (Gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
rara. Esta espécie vem sendo cultivada há bastante tempo em pastagens
melhoradas no Brasil. Em testes realizados no Serviço de Agrostologia
da Diretoria da Produção Animal foram aprovados com bons
resultados, por tratar-se de planta com excelente crescimento e
forrageira tenra (Smith et al. 1982).
Silva et al. (1979) observaram P. maritimium vegetando na
restinga onde o solo é arenoso-humoso, formando uma densa
cobertura, impedindo o desenvolvimento de outras espécies.
Indivíduos de P. maritimum, em floração, foram observados
entre os meses de junho a setembro.
5. Paspalum millegrana Schrad. in Schult., Mant. 2:175. 1824. Chase
Contr. U. S. Nat. Herb. 28: 207, fig. 126. (1929). Tipo. Brasil Príncipe
Maximilian (? , LE). (Figura 6).
P. lentiginososum Presl., Rei. Haenk. 1:218. 1830.
P. vulnerans Salzm. ex Steud., Nom. Bot. Ed. 2. 2: 273. 1841.
Paspalum densum sensu Doell in Mart., Fl. Bras. 2, pt. 2: 87. 1877.
P. karwinskyii Fourn. Mexic. Pl. 2:8. 1886.
P. underwoodii Nash., Buli. Torrey Club 30: 375. 1903.
P. schreberíanum (Flüggé) Nash., N. Amer. Fl. 17. 190. 1912.
Erva perene, cespitosa, robusta; colmos 100-200 cm de a 1 1 . ,
comprimidos, eretos, simples; nós e entrenós glabros; bainha glabra,
cilíndrica; lígula 1-2 mm de compr., membranácea; lâminas 30-80 cm
de compr., 1-2 cm de larg., conduplicadas na base, lineares,
ascendentes a patentes, glabras a esparsamente pilosas, com tricomas
por trás da lígula. Inflorescência de 6-25 racemos, 6-15 cm de
compr., solitária, terminal, laxa; racemos separados, ascendentes a
patentes, com uma espigueta no ápice; raque ligeiramente flexuosa,
escabrosa, ciliada. Espiguetas aos pares em 4 fileiras, glabras
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
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Figura 5 - Pctspalum maritimum Trin. ( Bastos et ai 849). a: Hábito; b: Detalhe do
racemo; c: Detalhe da raque; d: Espigueta em vista lateral; e; Segunda gluma em vista
dorsal; f: Lema estéril em vista dorsal; g: Lema fértil em vista frontal; h: Pálea cm
vista frontal; i: Lígula; j: Flor
204
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O Gênero Paspalum L. (Gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
obovado-suborbiculares, 2,2 mm de compr., 2 mm de larg.; primeira
gluma ausente, segunda gluma e lema estéril semelhantes, 3-nervados,
glabros; flósculo fértil pálido, endurecido. Cariopse não observada.
Distribuição Geográfica: Do México ao Brasil (Davidse et al. 1994).
Material Examinado: GUIANA FRANCESA. Dacanawa: Rio
Rupunum, 20-VI-1989 (esp), P. Peterson 7553 (MG); Cayena, campo,
16-XI-1954 (esp), G.A. Black & D’Aege 54-18171 (IAN); BRASIL.
Pará: Viseu, campo, 16-IV-1979 (esp), J Lima 68103 (MG); Igarapé-
Açu, Fazenda Experimental da FCAP, Capoeira do urucu, 16-1-1996
(esp), F. P. Oliveira et al. 17 (MG); Moju, margem do Rio Moju,
fábrica, 1913 (esp), A. Goeldi 14765 (MG); Maracanã, Martins
Pinheiro, 6-IV-1982 (esp), Davidse etal. 1980 (IAN); ilha de Algodoal,
restinga da praia da Princesa, ambiente alagado, campo entre dunas, 15-
IX- 1999 (esp), A.E.S. Rocha 26 (MG).
Erva heliófita e seletiva higrófita, ocorrendo nos campos úmidos
e nos banhados (Smith et al. 1982). Na restinga da praia da Princesa
possui raríssimos indivíduos vegetando nos campos entre dunas, em
locais mais úmidos.
Paspalum millegrana é citada por Sarahyba (1993) como espécie
invasora vigorosa, de fácil penetração no interior das formações
vegetais na APA de Massambaba, no Rio de Janeiro. Na Restinga da
praia da Princesa, a mesma é de ocorrência raríssima.
Segundo Smith et al (1982) esta espécie fornece forragem de
qualidade regular. No Sul do país, na falta de melhor pastagem, é
consumida por bois e cavalos, prefercncialmente as rebrotações após
as queimadas.
Foram observados indivíduos de P. millegrana, cm floração,
entre os meses de junho a dezembro.
205
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LU 0
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
Figura 6 - Paspalum millegrana Schrad. ( A.E.S . Rocha 26). a: Hábito; b: Detalhe do
racemo; c: Detalhe da raque; d: Segunda gluma em vista dorsal; e: Lema estéril em
vista dorsal; f: Lema fértil em vista dorsal; g: Lígula; h: Flor; i: Páleacm vista frontal.
/ mm
O Gênero Paspalum L (Gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
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Ilha de Algodoal. I - Família Tumeraceae A. P. De Candole. Boi. Mus. Para.
Emilio Goeldi. Sér. Bot. 15(2): 173-198.
Recebido cm: 04. 1 1 .99
Aprovado em: 07.1 1.00
207
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CDD: 582.1600981152
574.52642
PADRÕES FLORÍSTICOS E ESTRUTURAIS DE
UMA CRONOSEQÜÊNCIA DE FLORESTAS
NO MUNÍCIPIO DE SÃO FRANCISCO DO
PARÁ, REGIÃO BRAGANTINA, PARÁ
Aríete Silva de Almeida 1
Ima Célia Guimarães Vieira 1
RESUMO - Florestas sucessionais de 3, 6, 10, 20, 40, 70 anos e
florestas ombrófilas densas de terra firme e igapó do município de São
Francisco do Pará, estado do Pará, foram avaliadas com relação a
estrutura e florística. Em dois sítios amostrais (cada tipo florestal)
com 2 parcelas cada, de dimensão de 10m x 25m, foram mensurados
indivíduos com DAP > 5 cm, com exceção da floresta de 3 anos, com
DAP > 2cm. A maior densidade e a menor área basal e altura foram
encontradas nas florestas secundárias jovens. O número de espécies
lenhosas (DAP = 5 cm) por 1000 m 2 amostrados variou de 15 a 54 nas
florestas sucessionais e 52 e 61 nas florestas de terra firme e igapó,
respectivamente. As similaridades florística entre as florestas
sucessionais segundo o índice de Stprensen foram inferiores a 50%. A
maior biomassa foi encontrada na floresta de terra firme, com
209,25 t/ha. Em geral há grande potencial de regeneração florestal na
Região Bragantina, mas o empobrecimento biótico é notório quando
se trata de espécies nativas das florestas primárias.
PALAVRAS-CHAVE: Floresta sucessional, Florística e estrutura,
Amazônia.
1 MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação. Caixa
Postal 399. Cep 66040-170. E-mails: arlete@museu-goeldi.br; ima@museu-goeldi.br
209
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
ABSTRACT - Floristic inventories were made in successional forests of
3, 6, 10, 20, 40, and 70 years after cutting, as well as in undisturbed
upland forests (terra firme) and flooding forests (igapó). Species
composition, plant diversity, and forest struclure were determined for
each forest type (DBH >5 cm). The highest plant densities and lhe
lowest basal area and height were found in younger secondary forests.
The number ofwoody species (DBH = 5 cm) per lOm x 25m ( 1000 m 2 >
sample plot ranged from 15 to 54 in the successional forests and was 52
and 61 in terra firme and igapó forests, respectively. The SQrensen index
of similanty among these forest types was less than 50%. The highest
biomass was found in the terra firme forest (209.25 ton/ha ). We can
conclude from this study that the Bragantina has the potential for forest
regeneration, but there was an empowershiment of native tree species.
KEY WORDS: Successions Forests, Forest Structure, Amazônia.
INTRODUÇÃO
A Amazônia tem tido bastante enfoque ultimamente, em níveis
nacional e internacional. A maior parte desse interesse é devido às
preocupações sobre sua devastação, com a conseqüente perda de
recursos genéticos, bem como o papel do desmatamento e das
queimadas nas mudanças globais do ambiente. Cerca de 95% dos
desmatamentos na Amazônia tiveram como finalidade o uso
agropecuário (Fearnside 1988).
O processo colonizador impôs uma conhecida pressão de uso
sobre o ecossistema natural, muito além da capacidade de suporte
desses sistemas (Fearnside 1993), provocando um colapso estrutural e
funcional dos mesmos (Vitousek 1984) e desenvolvendo apenas
ecossistemas sucessionais em diversos estádios, muito mais
empobrecidos, em número de espécies arbóreas nativas e alguns
grupos de animais (Vieira 1996).
210
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqüência de florestas...
A ocupação agrícola ocorrida na Amazônia começou na Região
Bragantina no nordeste paraense. Essa ocupação provocou na região
uma considerável alteração no ecossistema primário e
conseqiientemente perda de biodiversidade e alterações estruturais e
funcionais. Hoje, verifica-se elevada fragmentação da paisagem. Esse
processo de mudança de dinâmica da paisagem é representado por
florestas secundárias em diferentes estádios sucessionais, fragmentos
de florestas remanescentes e áreas de cultivo e pastagem (Alencar et al.
1996; Almeida 2000).
A grande extensão de área de florestas secundárias existentes na
Amazônia, aliada ao pouco conhecimento científico desse tipo de
vegetação, justifica a necessidade de estudos que possam contribuir
para determinar parâmetros para o seu manejo, assim como qualificar
esse recurso em termos de volume de madeira, que pode ser
aproveitado para diversas finalidades, até mesmo para usos mais
nobres na indústria madeireira. Com isso, as florestas secundárias
poderiam servir como uso alternativo da terra, diminuindo a pressão
de desmatamento sobre as florestas primárias e proporcionando renda
adicional aos produtores agrícolas.
Nesse sentido, este trabalho objetiva analisar as características
florísticas e estruturais de florestas remanescentes de terra firme e
igapó no município de São Francisco do Pará, visando ao seu
conhecimento ecológico, através da análise dos padrões de mudanças
sucessionais que ocorrem após o uso para agricultura de roça e queima.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
O estudo foi desenvolvido no município de São Francisco do Pará
(476,99 km 2 ) localizado na zona fisiográfica Bragantina, microrregião
de Bragança e mesorregião Nordeste Paraense (Figura 1). Limita-se ao
211
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
norte com os municípios de Terra Alta e Marapanim, a leste com
Igarapé-Açú, sul e oeste com Castanhal. Apresenta uma densidade
demográfica de 12,25 habitantes, por km 2 e uma população estimada
em 1996 de 10.194 habitantes. Sua sede dista 67 km em linha reta de
Belém, capital do estado do Pará e possui como coordenada geográfica
da sede do município latitude -01° 10' 03" e longitude -47° 45' 08".
Tem um clima tropical superúmido do tipo AM, natural da Amazônia
(IDESP 1995).
A cobertura vegetal atual predominante é de floresta secundária
que substituíram a antiga cobertura de floresta densa dos baixos
platôs. Ao longo dos cursos dos rios ainda encontram-se algumas
matas ciliares preservadas (Almeida 2000).
Concordante com a simplicidade da estrutura geológica, suas
formas de relevo são caracterizadas por baixos blatôs, tabuleiros e
várzeas, que fazem parte da unidade morfoestrutural do Planalto
Rebaixado da Amazônia (Região Bragantina) (IDESP 1993).
O principal acidente hidrográfico é o braço direito do rio
Marapamin (faz limite com Castanhal) e rio Jambú-Açú (faz limite
com Igarapé-Açú). Os solos do município são predominantemente o
Latossolo Amarelo Textura Média (IDESP 1993).
Coleta de dados
De acordo com padrões observados no campo, foram
selecionadas para a amostragem oito estádios sucessionais de
florestas, duas floresta ombrófila densa ou floresta primária (terra
firme e igapó) e seis florestas sucessionais (de 3, 6, 10, 20, 40 e 70
anos). Para se obter informações sobre o histórico das áreas, elaborou-
se um questionário básico aplicado para 40 proprietários rurais.
Levando-se em consideração a representatividade das áreas, bem
como a disponibilidade das informações do histórico de uso em cada
sítio de estudo, foram alocadas 2 parcelas, de 10 m x 25 m (250 m 2 ),
212
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Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqüência de florestas...
Figura 1 - Localização do município de São Francisco do Pará, Região Bragantina/PA.
213
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1). 2001
completando 500 m 2 amostradas por classe de floresta, totalizando 15
sítios e 32 parcelas. Devido a não existência de outros fragmentos de
floresta ombrófila de terra firme, utilizou-se apenas 1 sítio de estudo
(Granja Marathon) com 4 parcelas de 250 m 2 (Figura 2). Os inventários
foram realizados no período de junho a agosto de 1999 (Figura 2).
Em cada parcela foi medida altura total e Diâmetro Altura do
Peito (DAP) para indivíduos com DAP > 5 cm, com exceção da
floresta sucessional de 3 anos onde se considerou indivíduos de
DAP > 2 cm. As parcelas foram localizadas aleatoriamente de forma
que as mesmas estivessem em uma área bem representativa. Todos os
indivíduos foram identificados em nível de espécies.
Análise dos dados
Os parâmetros calculados foram abundância relativa (AB. Rei),
dominância relativa (Dm. Rei), freqüência relativa (FR. Rei), IVI
(ind ha _1 ), área basal (m 2 ha* 1 ), índices de diversidade de Shannon-
Wienner e Simpson, riqueza de espécies de indivíduos com DAP =
5 cm. A composição de espécies com DAP = 5 cm, foram comparadas
usando uma matriz de similaridade do índice S(j>rensen, baseado na
densidade relativa (Brower & Zar 1984). As distribuições de altura e
diâmetro das espécies mais abundantes nas parcelas foram usadas para
descrever as tendências sucessionais na comparação de espécies.
A estimativa da biomassa aérea (t ha -1 ) foi calculada através de
equações alométricas Y = ef' 3 ’ ll41+ h9438In(D) + 0,9719ln(h)] r 2 = 0,97,
desenvolvidas por Brown & Lugo (1990) para florestas primárias e de
equações alométricas In Y = - 2. 1 7 + 1 ,02 In (D 2 ) + 0,39 In (h) r 2 = 0,96,
para as florestas sucessionais (Uhl et al. 1988).
214
cm
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Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqüência de florestas...
Figura 2 - Exemplo da localização das parcelas amostrais e dimensionamento das
parcelas de 10 x 25 m no município de São Francisco do Pará-PA.
215
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1). 2001
RESULTADOS E DISCUSSÕES
ANÁLISE FLORÍSTICA DA VEGETAÇÃO
Composição Florística
Foram contabilizados 977 indivíduos, 195 espécies, 135 gêneros
e 46 famílias, em 1,5 hectare de levantamento, considerando florestas
sucessionais de 3, 6, 10, 20, 40 e 70 anos e florestas primárias
remanescentes de terra firme e igapó (Anexo A).
Através da análise de curvas espécie/área, para cada tipo de
floresta, observa-se que, em geral, as mesmas tenderam a não
estabilidade (Figura 3). O fato de não ocorrer uma estabilização nítida
é devido a característica heterogênea das florestas, pois a cada nova
comunidade em que a amostra é locada, ocorre o acréscimo de novas
informações. No entanto, a aptidão à estabilização da curva indica um
resultado satisfatório das amostras para o estudo.
Analisando a tabela 1 na qual estão relacionadas todas as
florestas sucessionais estudadas com maior IVI, observou-se que
Abarema jupunba var. jupunba, Croton matourensis e Ocotea
guianensis são espécies freqüentes em vários tipos de floresta
estudada (3 a 70 anos). Na floresta de 70 anos, os maiores IVFs foram
apresentados pelas espécies Ocotea guianensis, Croton matourensis,
Abarema jupunba e Tapirira guianensis, constituindo 32,71% do total
do IVI, ou seja, é um valor alto para um número reduzido de espécies.
Diversidade
A tabela 2 apresenta, para todos os estádios sucessionais, o
número total de indivíduos, o número total de espécies e o índice de
diversidade de Shannon-Weaner e o de Simpson. A floresta de terra
216
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Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqüência de florestas...
Tabela 1 - Parâmetros fitossociológicos: Número de indivíduo (Nx Ind.),
Abundância relativa (AB. rei). Dominância relativa (Dm. rei), Frequência relativa
(FR. rei). De acordo com as 4 espécies que apresentaram maior índice de Valor de
Importância (IVI), no município de São Francisco do Pará-PA.
Idade
Espécie
N°.Ind
AB. rei
Dm. rei
FR. rei
IVI
3
Cecropia palmata
11
14,47
40,31
7,14
61,93
Abarema jupunba var. jupunba
14
18,42
14,88
3,57
36,88
Myrcia sylvatica
9
11,84
10,17
10,71
32,73
Rollinia exsucca
7
9,21
3,77
10,71
23,70
6
Myrcia cuprea
21
22,83
17,48
5,56
45,86
Rollinia exsucca
10
10,87
12,04
5,56
28,47
Croton matourensis
8
8,70
10,18
8,33
27,20
Dipteryx odorala
8
8,70
11,40
5,56
25,65
10
Abarema jupunba var. jupunba
7
16,67
25,98
9,52
52,17
Connarus perrottetii var.
angustifolius
6
14,29
10,53
14,29
39,10
Vismia guianensis
6
14,29
10,9
9,52
34,71
Ocotea guianensis
5
11,90
14,13
4,76
30,80
20
Croton matourensis
14
7,29
20,38
3,85
31,52
Tapirira guianensis
10
5,21
16,31
3,85
25,36
Virola sebifera
22
11,46
9,89
3,85
25,20
Myrcia fallax
19
9,90
9,33
3,85
23,07
40
Ocotea guianensis
31
16,76
11,15
4,29
32,19
Chamaecrista bahiae
16
8,65
9,28
1,43
19,35
Croton matourensis
10
5,41
8,28
4,29
17,97
Lacistema pubescens
18
9,73
3,22
4,29
17,24
70
Ocotea guianensis
11
6,79
18,07
4,05
28,91
Croton matourensis
25
15,43
7,09
2,70
25,23
Abarema jupunba var. jupunba
4
2,47
13,50
2,70
18,67
Tapirira guianensis
13
8,02
5,88
4,05
17,96
FTF
Caryocar villosum
1
1,02
39,67
1,19
41,88
Protium pallidum
7
7,14
1,64
4,76
13,55
Aspidosperma sandwithianum
1
1,02
9,31
1,19
11,52
Campesiandra laurifolia
1
1,02
8,09
1,19
10,30
FI
Macrolobium angustifolium
11
8.46
17.26
5.13
30.85
Pourouma mollis
12
9.23
8.39
3.85
21.47
Hieronyma Icixiflora
2
1.54
13.44
1.28
16.26
Tovomita brevistaminae
9
6.92
0.99
3.85
11.76
217
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1), 2001
b)
8 »
l
8
9
500 750 1000
Área (m 2 )
•o 20
e
| 10
•3
Z ü
500 750 1000
Área (m*)
c)
d)
i. 20
500 750 1000
Área (m 2 )
1
S 40
8 20
z o
500 750
Área (nv )
S 60
-O 40
8
g 20
Z 0
Área (m‘)
! 20
Z 0
500 750
Área (m 2 )
g)
h)
Xj ioo
•8 80
c 60
Área (m 2 )
8 ioo
I 20
z o
500 750
Área (m 2 )
Figura 3 - Curva espécie-área para as amostragens realizadas nas idades das florestas
sucessionais 3 (a), 6 (b), 10 (c), 20 (d), 40 (e), 70(0, floresta ombrófila densa terra
firme (g) e floresta ombrófila densa de igapó (h), cm 4 parcelas de 1000 m 2 , no
município de São Francisco do Pará-PA.
218
Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqüência de florestas...
firme obteve de acordo com o índice de Shannon, diversidade de 3,49, o
que a caracterizou como a de maior diversidade; e a menor diversidade
foi obtida pela floresta sucessional de 3 anos, com índice de 2,50.
Para Pires-0’Brien & 0’Brien (1995), a baixa diversidade é uma
das características da vegetação de estádio inicial de sucessão. Dessa
maneira, de acordo com os resultados obtidos através do índice de
Simpson, a menor diversidade também se encontra na floresta
sucessional de 3 anos.
Segundo Knight (1975), os parâmetros para se considerar um alto
índice de diversidade de Shannon-Wiener em florestas temperadas
variam entre 2,00 a 3,00 e para as florestas tropicais variam entre 3,83
até 5,85. Comparando com o resultado dos índices de Shannon,
verificou-se que somente a floresta de terra firme apresenta alto índice
de diversidade (3,93). Vieira (1996), em Peixe-Boi/PA, encontrou o
mesmo padrão para as florestas primárias (3,92 a 4,10).
O resultado do índice de Shannon encontrado por Araújo (1998),
nas florestas sucessionais de 6, 17 e 30 anos, foram de 2,69, 3,40 e
3,75, respectivamente. Os valores encontrados (Suemitsu 2000) nas
florestas de 15, 25 e 30 anos, foram de 2,97, 3,50 e 3,90,
respectivamente. Nesses trabalhos, verifica-se que há aumento gradual
nos resultados em função das idades estudadas. Comparativamente aos
dados obtidos neste trabalho, observa-se que a partir de 40 anos de
idade, as florestas apresentam índices de Shannon-Wiener superiores a
3,00, enquanto que nos trabalhos citados, florestas sucessionais de 17 e
25 anos já apresentam índices de Shannon-Wiener maiores que 3,00.
O índice de Simpson, que apresenta uma variação de (0 - 1),
neste trabalho, para as florestas sucessionais foram 0,90 a 0,95 e é
ligeiramente maior (0,96) na floresta primária (Tabela 2). Os valores
encontrados por Vieira (1996) para as florestas sucessionais da mesma
região variam de 0,91 a 0,96.
219
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17( I ). 2001
Tabela 2 - Número de indivíduos, Número de espécies, índice de diversidade de
Shanon-Weaner (H') e de Simpson (1-D) nas florestas sucessionais de 3 anos, 6
anos, 10 anos, 20 anos, 40 anos, 70 anos, floresta de Igapó (FI) e floresta de Terra
Firme (FTF), no município de São Francisco do Pará-PA.
Idade
(anos)
N° de Indivíduos
1 000 m 2
N°
de Espécies
1000 m 2
índice de Diversidade
SHANNON (H’) SIMPSON (1-D)
3
76
18
2,54
0,90
6
92
25
2,77
0,92
10
42
15
2,43
0,92
20
192
32
2,94
0,93
40
185
53
3,34
0,94
70
162
54
3.46
0,95
FI
130
52
3,59
0,96
FTF
98
61
3,93
0,98
Similaridade
Os resultados do índice de S(])rensen indicaram para as florestas
sucessionais de 3, 6, 10, 20, 40 e 70 anos similaridades florística
abaixo de 50% (Tabela 3). O índice de similaridade entre a floresta
sucessional de 70 anos e as de 20 e 40 anos atingem cerca de 30%,
enquanto que as florestas sucessionais mais jovens, de 3 e 6 anos
apresentam índice de similaridade de 42%. Vieira (1996), estudando as
florestas sucessionais de 5, 10, 20 e 40 anos, sobre a sucessão de 8
ciclos de cultivo, obteve também valores de similaridades menores que
51%. Observa-se que a floresta sucessional de 20 anos, possui acima
de 29% de similaridade em relação as florestas de 40 e 70 anos e acima
de 40 % de similaridade em relação as floresta de 3, 6, e 10 anos, o que
fica caracterizado que esse estádio sucessional tem componentes
220
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqüência de florestas...
florísticos tanto de florestas em estádio inicial como de florestas mais
avançadas.
De acordo com esses resultados, é nítida a diferença florística
entre a floresta de terra firme e as florestas sucessionais secundárias.
Há apenas 23% de similaridade florística entre a floresta de igapó e a
floresta de terra firme. Realmente são dois ecossistemas bastante
diferentes com relação à composição florística, como mostra
Suemitsu (2000), que obteve 45% de similaridade entre a floresta de
igapó e terra firme.
Tabela 3 - índice de similarida'de de S(J>rensen, calculado entre as idades das florestas
sucessionais de 3 anos, 6 anos, 10 anos, 20 anos, 40 anos, 70 anos: floresta de Igapó
(FI) e Floresta de Terra Firme (FTF ), no município de São Francisco do Pará-PA.
Idade
(anos)
3
6
10
20
40
70
FI FTF
3
6
0,42
—
—
—
—
—
—
10
0,24
0,35
...
...
...
...
...
20
0,40
0,42
0,46
...
...
...
40
0,19
0,23
0,20
0,32
...
...
...
70
0,16
0,20
0,23
0,30
0,29
—
...
FI
0,00
0,00
0,02
0,04
0,14
0,13
...
FTF
0,00
0,00
0,04
0,08
0,15
0,10
0,23
Em geral, existem poucos componentes florísticos de igapó e de
terra firme nas copoeiras avançadas - cerca de 10 % somente. Dessa
maneira, a presença de fragmentos florestais próximos às capoeiras é
fundamental para aumentar a diversidade das espécies nativas da
floresta primária nos ecossistemas.
221
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 17(1), 2001
ESTRUTURA DAS FLORESTAS
Distribuição em Classes de Altura e Classes Diamétricas
A figura 4 apresenta a distribuição dos indivíduos em classes de
altura, onde as florestas sucessionais de 3, 6 e 10 anos apresentaram
indivíduos na faixa entre 1 a 10 m, sendo que para a idade de 3 anos,
foi obtido o maior número de indivíduos no intervalo de altura de 1 a
5 m, com 92%; enquanto que para a idade de 6 e 10 anos, obteve-se
68% e 77% respectivamente, distribuídos na faixa de 5 a 10 m.
A idade de 20 anos obteve indivíduos com altura variando de 1 a
20 m, onde a maior freqüência ficou entre 5 e 10 m, com 70%; para a
idade de 40 anos, o intervalo ficou de 1 a 35 m, onde a maioria dos
indivíduos ficou na faixa de 5 a 20 m, com 90%; para a idade de 70
anos, a faixa de distribuição ficou entre 1 a 30 m, com a maior
ocorrência de indivíduos entre 5 e 20 m, com 86%; para as florestas de
terra firme e igapó, o intervalo de altura ficou de 1 a 35 m, onde a
maior quantidade de indivíduos concentra-se na faixa de 5 a 20 m.
A maioria dos indivíduos foi encontrada na primeira faixa de
altura. Comparados a esses resultados, Araújo (1998) encontrou maior
porcentagem de indivíduos nas primeiras classes de altura, assim
como a ocorrência de menores números de classes nos estádios
sucessionais mais jovens.
Os gráficos da figura 4 mostraram claramente que nas florestas
sucessionais de 3, 6, lü anos há apenas 2 classes de altura. Na floresta
de 20 anos apareceram 4 classes de altura e nas de 40 e 70 anos e nas
florestas primárias apareceram 7 a 8 classes de altura. De maneira
geral, percebe-se que a floresta de 20 anos distingue-se do padrão
encontrado pelas florestas anteriores e posteriores a ela, ou seja,
apresenta-se numa posição intermediária entre as outras florestas.
Observa-se também que o número de indivíduos encontrado nas
222
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Padrões florísticos e estruturais de uma cronaseqüência de florestas...
florestas de 3 a 10 anos, concentra-se de 1 a 10 m de altura, e nas
outras florestas a concentração dos indivíduos é a partir de 10 m.
Na figura 5, estão apresentados os números de indivíduos
amostrados por classe diamétrica. Verificou-se uma concentração maior
de indivíduos nas classes de diâmetro entre 5 e 10 cm de DAP. A floresta
sucessional de 3 anos, obteve 92% de indivíduos na faixa de 2 a 5 cm.
Segundo Martins (1991), uma população que está balanceada
tende a apresentar uma série completa de classes de diâmetro que
decresce geometricamente, apresentando um número maior de
indivíduos jovens, bem como um número menor de indivíduos nas
classes de diâmetros maiores.
Analisando os gráficos apresentados na floresta ombrófda densa e
sucessional secundária, verificou-se que a curva apresentada pelas
classes de diâmetro em cada amostra tem a forma de um “J invertido”,
corroborando, assim, com o estudo de Batista (1989), o qual afirma
que a forma de “J invertido” está relacionada com a regeneração
contínua. Knight (1975) atribui a forma invertida a espécies tolerantes.
Os gráficos da figura 5 mostraram que nas florestas sucessionais
de 3, 6, 10 anos, há apenas 2 classes de DAP. Na floresta de 20 anos,
apareceram 4 classes de DAP; e nas de 40 e 70 anos e florestas
primárias apareceram 7 a 9 classes de DAP, demonstrando que a
floresta de 20 anos foge do padrão encontrado por outras florestas,
assumindo uma posição intermediária. Esse comportamento também
foi obtido nas classes de alturas.
Área Basal
A maior área basal ' foi encontrada na floresta de igapó, com
49,59 m 2 /ha; já a menor ocorreu na floresta de 3 anos (0,76 m 2 /ha). No
entanto, os resultados apresentados pela floresta de terra firme, (com
223
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1), 2001
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b)
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Altura ( m )
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Altura ( m I
Figura 4 - Distribuição da altura em número de indivíduos amostrados com D AP 3 2 cm,
para a floresta sucessional de 3 anos (a); DAP 3 5 cm para florestas sucessionais das
idades de 6 (b), 10 (c), 20 (d), 40 (e), 70 anos (0, para floresta de terra firme (g) e floresta
de igapó (h) em 4 parcelas de 1000m2 no município de São Francisco do Pará-PA.
224
Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqiiência de florestas...
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DAP ( cm )
Figura 5 - Distribuição diamétrica para indivíduos amostrados com DAP 3 2 cm, para
a floresta sucessional de 3 anos (a) e DAP 3 5 cm, para florestas sucessionais das idades
de 6 (b), 10 (c), 20 (d), 40 (e), 70 anos (0, para florestas de terra Firme (g), floresta de
igapó (h) em 4 parcelas de 1000 m2, no município de São Francisco do Pará-PA.
225
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Bot., 17(1), 2001
30,98 m 2 /ha, e 70 anos, com 28,20 m 2 /ha), permitem verificar uma
proximidade desses valores, o que não acontece com a floresta de
igapó, cujos resultados se distanciaram. Resultados desse tipo, onde a
floresta de igapó apresenta-se superior à floresta de terra firme foi
encontrado por Suemitsu (2000), que obteve para a floresta de igapó
área basal, com 18,65 m 2 e floresta de terra firme, com 9,77 m 2 .
Comparando os resultados da área basal das florestas sucessionais
de 40, 20, 10 e 6 anos, que obtiveram 22,07, 12,92, 1,72 e 3,22 m 2 /ha,
respectivamente, com o trabalho de Araújo (1998), onde a maior área
basal ocorreu na floresta sucessional de 30 anos, com 35,01 m 2 /ha,
seguido pela floresta sucessional de 17 anos, com 19,49 m 2 /ha e a
floresta sucessional de 6 anos, com 19,29 m 2 /ha, observou-se que
esses valores estão sempre maiores do que os valores encontrados
neste estudo. Essa diferença pode estar relacionada com o ciclo de
corte que vem ocorrendo na área de São Francisco do Pará, ao longo
dos tempos, enquanto que as florestas sucessionais estudadas por
Araújo sofreram menos ciclos de corte e queimada.
Os baixos valores apresentados pela floresta sucessional de 10
anos (1,72 m 2 /ha, 5,80 t/ha) em relação à área basal e biomassa, deve-
se ao fato de que uma das parcelas amostrais não apresentou nenhum
indivíduo com DAP > 5cm. Este fato é frequentemente encontrado em
áreas degradadas (Uhl et ai 1981; Uhl 1987; Nepstad et al. 1991 e
Vieira 1996).
Biomassa
O resultado de biomassa obtido para floresta primária de terra
firme foi de 209 t/ha, enquanto que para as capoeiras de 20 anos foi de
5 1 t/ha, capoeira de 10 anos foi de 5,80 t/ha e para a capoeira de 6 anos
foi de 10,19 t/ha (Tabela 4). Em Rondônia, Alves et al. (1997),
226
cm
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Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqiiência de florestas...
obtiveram para floresta de terra firme, uma biomassa de 347 t/ha, para
a idade de 18 anos, 143 t/ha, para a idade de 9 anos 90 t/ha, para a
idade de 5 anos 38 t/ha. Em Peixe-Boi/PA, também na Zona
Bragantina, Salomão (1994) encontrou para as florestas primárias e
florestas secundárias de 20, 10 e 5 anos, 217,25, 81, 44 e 13 t/ha,
respectivamente.
Em geral, a biomassa estimada nesse trabalho obteve máximos
valores para a floresta ombrófila densa de terra firme, mostrando uma
relação com a idade da floresta (Tabela 4). Embora a biomassa
geralmente aumente com a idade, no que se refere a acumulação, a
mesma torna-se mais vagarosa e mais pesada (Alves et al. 1997).
Comparando a biomassa apresentada pela floresta sucessional de
70 anos com a floresta de terra firme, a floresta sucessional de 70 anos,
apresentou 67,50% da biomassa, dessa outra floresta (Tabela 4).
Dessa forma, se a floresta sucessional de 70 anos for preservada,
poderá até atingir a estrutura da floresta primária, corroborando com
estudo de Saldarriaga et al. (1988), que estimou que 190 anos são
necessários para que uma floresta sucessional alcance a área basal e
volume da floresta primária.
Constata-se, neste trabalho que baixos valores de biomassa, como
foi colocado anteriormente, devem-se ao uso intenso da terra, que
impossibilita uma recuperação imediata da área. Isso é comprovado
pela degradação do solo na floresta sucessional de 10 anos, onde uma
das parcelas não apresentou nenhum indivíduo > 5cm, e também os
resultados das outras idades estudadas que apresentaram valores
baixos. Vieira (1996) encontrou padrões semelhantes, estudando
florestas sucessionais de 5 a 40 anos, onde houve um aumento na
biomassa com a sucessão.
227
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 2001
Tabela 4 - Estrutura DAP médio, Altura média, Área basal, Biomassa e Média de
Biomassa dos ambientes estudados de floresta sucessional de 3, 6, 10, 20, 40, 70
anos, floresta de Igapó (FI) e floresta de Terra Firme (FTF), no município de São
Francisco do Pará-PA.
Idade
(anos)
ESTRUTURA
Área basal
Altura máxima (m) DAP máximo (m) . ,
(m-7 ha)
Biomassa
( t/ha)
3
6,50
7,50
0,76
2,07
6
8,60
12,10
3,22
10,19
10
9,50
11,20
1,72
5,80
20
17,00
23,50
12,92
51,92
40
35,50
42,50
22,07
112,06
70
26,00
47,10
28,20
141,41
FI
37,00
90,00
49,59
-
FTF
39,00
125,10
30,98
209,25
MUDANÇAS SUCESSIONAIS NA CRONOSEQÜÊNCIA
A cronosseqüência sugere que alguns parâmetros como
diversidade de espécies e riqueza e densidade alcançam valores muito
similares aos valores para florestas sucessionais em 70 anos. Tais
padrões são similares aos observados em sucessões secundárias
neotropicais (Saldarriaga 1988; Finegan 1996). A alta riqueza de
espécies nas florestas secundárias mais velhas é devido à coexistência
de espécies que demandam luz estabelecida cedo na sucessão e
espécies tolerantes a sombra estabelecida nesse estágio sucessional
(Denslow 1985). Por exemplo, nas florestas de 70 anos ocorrem
espécies pioneiras como Lacistema pubescens, Abarema jupumba,
Cecropia palinata, Croton matourensis, Guatteria poeppigiana, e
Vismia guianensis, mostrando a longevidade dessas espécies. Por
outro lado, espécies características de florestas maduras como Apeiba
228
cm
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Padrões florísticos e estruturais de uma cronoseqiiência de florestas...
burchelii, Cordia scabrida, Cupania scrobiculata, Erisma uncinatum,
Vochysia vismiaefolia, também estão presentes. Espécies de famílias
como Sapotaceae, presentes em florestas primárias da região, são
inexistentes ou pouco representadas em capoeiras, entretanto nesse
trabalho, todas as espécies de Protium encontradas no levantamento
ocorreram em florestas sucessionais de 70 anos.
Por outro lado, os valores de área basal que podem estar
associados com acumulação de biomassa e presença de árvores muito
grandes foram muito mais baixos nas florestas secundárias novas do
que nas florestas secundárias antigas.
O número de espécies vegetais das capoeiras pode se aproximar
ou ser até superior ao encontrado nas florestas primárias, apesar de
ocorrer uma redução no número de espécies nativas (Vieira 1996, Uhl
et al. 1988). Apesar disso, o ecossistema de capoeira funciona como o
melhor sistema de recuperação de espécies vegetais originais da
floresta, após a atividade antrópica.
CONCLUSÕES
As florestas sucessionais de 3, 6, 10, 20, 40 e 70 anos e florestas
ombrófilas densas (terra firme e igapó), apresentam características
estruturais e florísticas que as distinguem como estádios em diferentes
etapas de desenvolvimento.
O tempo sucessional da floresta resultou no aumento da riqueza e
da diversidade florística.
A similaridade florística entre as florestas de 20 anos e as outras
florestas sucessionais está na faixa de 30-46% o que demonstra que
esta floresta apresenta componentes tanto de florestas sucessionais
mais jovens, como de florestas sucessionais mais velhas.
229
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 17(1). 2001
A floresta sucessional de 70 anos apresentou baixa similaridade
com as florestas primárias; e mais alta similaridade com as florestas
sucessionais mais jovens. Conclui-se que a similaridade é um
parâmetro importante para se verificar a distribuição das espécies ao
longo do processo sucessional.
A floresta ombrófila densa é caracterizada pela sua alta
diversidade florística e alta taxa de espécies raras. Em geral, as
espécies apresentam IVFs sempre mais baixos, quando comparadas
com as espécies das florestas sucessionais, o que está atribuído a
diminuição de dominância durante o processo de sucessão.
A vegetação secundária do município São Francisco do Pará,
apresenta níveis inferiores de biomassa, riqueza e diversidade,
comparados com várias outras florestas da região. Daí se conclui que
esse fato pode estar relacionado ao ciclo de cortes e queimas que vem
ocorrendo ao longo do tempo na região.
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Recebido cm: 06. 1 1 .00
Aprovado em: 25.09.01
232
Anexo A - Espécies, famílias e número de individuos com DAP S 2 cm nos ambientes de floresta secundárias de 3 anos e
DAP S 5 cm nos ambientes de floresta secundárias de 6 anos, 10 anos, 20 anos, 40 anos, 70 anos e floresta de Igapó (F I) e
Floresta de Terra Firme (F T F) no município de São Francisco do Pará-Pa. (N = 1000 m2 )
Padrões florísticos e estruturais de uma cronosequência de florestas...
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Dichapetalum odoratum Baill Dichapetalaceae
Dichapetalum rugosum (Aubl) Pranc Dichapetalaceae
Dimorphandra macrostachya Beth Caesalpiniaceae
Dipteryx odorata Aubl Fabaceae
Padrões florísticos e estruturais de uma cronosequência de florestas...
235
Tipos de Floresta
Espécie Familia 3 6 10 20 40 70 F I F T F
Inga lateríflora Miq Mimosaceae - - - - - 2 - -
Inga rubiginosa (Rich) DC Mimosaceae - - - - 114
Inga stipularis DC Mimosaceae ..... 1 _.
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Macherium cf froesii Rudd Leg. Pap.
Macrolobium angustifolium (Benth) Cowan Caesalpiniaceae
Manilkara huberi (Ducke) Standley Sapotaceae
Maprounea guianensis Aubl Euphorbiaceae
Maquira guianensis (Aubl) Hub Moraceae
Padrões florísticos e estruturais de uma cronosequência de florestas...
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Protium pilosum (Cuatrec) Daly Burseraceae
Protium spruceanum (Bth) Engl Burseraceae
Protium tenulfolium (Engl.) Engl. Buseraceae
Qualea albiflora Warm Vochysiaceae
Padrões florísticos e estruturais de uma cronosequência de florestas...
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Tapirira guianensis Aubl Anacardiaceae
Tapura amazônica Poepp.& Endl Dichapetalaceae
Tapura singularis Ducke Dichapetalaceae
Taralea opposilifolia Aubl Leg. Pop.
Theobroma speciosum Willd Sterculiaceae
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 17(1), 2001
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
INSTRUÇÕES AOS AUTORES PARA A PREPARAÇÃO DE MANUSCRITOS
1) O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi dedica-se à publicação de trabalhos cientí-
ficos que se referem, direta ou indiretamente, à Amazônia, nas áreas de Antropologia,
Arqueologia, Lingüística, Botânica, Ciências da Terra e Zoologia.
2) Os manuscritos a serem submetidos devem ser enquadrados nas categorias de artigos
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Científica (COED) do Museu Paraense Emílio Goeldi (Av. Magalhães Barata, 376 - São
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Apresentação de Manuscritos Submetidos ao Boletim do Museu Paraense Emílio
Goeldi'.
12) No artigo constará a data de recebimento e a respectiva data de aprovação pela
Comissão Editorial.
13) Os autores receberão, gratuitamente, 30 separatas de seu trabalho e 01 fascículo
completo. No caso de múltipla autoria, as separatas serão enviadas ao primeiro autor.
1 4) Para maiores informações, consultar o “Guia para Apresentação de Manuscritos Subme-
tidos ao Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi” ou contato com a Editoração;
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CONTEÚDO
Artigos Originais
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E QUÍMICAS DE SETE IGARAPÉS DE
TERftA-FIRME NO ESTADO DO AMAZONAS E SUA
RELAÇÃO COM BATRACHOSPERMUM SPP.
(BATRACHOSPERMACEAE, RHODOPHYTA)
Doinitila Pascoqloto 3-20 ■
ASPECTOS TAXONÔMICOS DE ESPÉCIES ARBUSTIVAS E
ARBÓREAS OCORRENTES EM MOITAS
(RESTINGA DO CRISPIM), MARAPANIM-PA
Dátjo D. Amaral, João Ubiratan M. dos Santos, Maria de Nazaré C. Bastos,
Salustiano V. Costa Neto * 21-74
BRIÓFITAS DE SÃO LUÍS DO TAPAJÓS, MUNICÍPIO DE ITAITUBA,
COM NOVAS ADIÇÕES PARA O ESTADO DO PARÁ
Regina C. L. Lisboa, Aiwa L. Ilkiu Borges 75-92
ARQUITETURA FOLIOLAR DE SVVARTZIA BRACIIYRACHIS
IIARMS VAR. SNETHLAGEAE (DUCKE) DUCKE E SVVARTZIA
LAURIFOLIA BENTHAM (LEGUMINOSAE-PAPILIONOIDEAE), .
OCORRENTES NA RESTINGA DE ALGODOAL/MAIANDEUA-PARÁ
Adalgisa da Silva Alvarez, Raimundo Conceição de Vilhena Potiguara,
João Ubiratan Moreira Santos 93-106
UREUINALES DO ESTADO DO AMAPÁ: GÊNERO PUCCINIA
Helen M. P. Sotão, Joe /•'. Hennen, Maria Auxiliadora Cavalcante 107-160
FITOSSOCIÒLOGIA DAS FORMAÇÕES HERBÁCEAS DA RESTINGA
DO CRISPIM, MARAPANIM-PA
Salnstiano Vilar da Costa Neto, Qberdan José Pereira ,
Maria de Nazaré do Carmo Bastos, João Ubiratan Moreira dos Santos,
Uário Dantas do Amaral ; ; 161-156
O GÊNERO PASPALUM L. (GRAMINEAE/POACEAE) NA RESTINGA
DA PRAIA DA PRINCESA, APA DE ALGODOAL/MA1ANDEUA,
MARACANÃ, PARÁ, BRASIL
Antônio Elielson Sousa da Rocha, Maria de Nazaré do C. Bastos,
João Ubiratan Moreira dos Santos 157-208
PADRÕES FLORÍSTICOS E ESTRUTURAIS DE UMA
CRONOSEQÜÊNCIA DE FLORESTAS NO MUNÍCIPIO DE SÃO
FRANCISCO DO PARÁ, JIEGIÃO BRAGANTINA, PARÁ
Aríete Silva de Almeida, Ima Célia Guimarães Vieira! 209-240
VII I VII SM PVMUNSI » VIII IIH.Oil Dl
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