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Dezembro de 2001
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia
Ministro - Ronaldo Mota Sardenberg
Museu Paraense Emílio Goeldi
Diretor - Peter Mann de Toledo
Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação - Ima Célia G. Vieira
Coordenador de Comunicação e Extensão - Antonio Carlos L Soares
Comissão de Editoração Científica
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Editor Chefe - Iraneide Silva
Editor Assistente - Socorro Menezes
Bolsistas - Andréa Pinheiro, R. Hailton Santos
Assistente Técnico - Williams B. Cordovil
CONSELHO CIENTIFICO
Consultores
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Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - Instituto de Ciências Naturales/Universidad Nacional, Bogotá
Fernando Roberto Martins - Universidade de Campinas
Ghillean T. Prance - Royal Botanic Gardens
João Peres Chimelo - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
Nanuza L. Menezes - Universidade de São Paulo/Instituto de Biociências
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Therezinha Sant’ Anna Melhem - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kerr - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
William A. Rodrigues - Universidade Federal do Paraná
/ 2 JUL. 2002
© Direitos de Cópia/Copyright 2002
por/by MCT/Museu Goeldi
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
doação
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
/
Série
BOTÂNICA
Vol. 17(2)
Belém - Pará
Dezembro de 2001
PR-MCT
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 - São Brás
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Terra Firme
Caixa Postal: 399 - Tels: Parque (91) 219-3300,
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WWW. museu-goeldi.br
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this
publication.
Financiamento
Accredited with the International Association for Plant Taxonomy (lAPT)
for the purpose of registration of all ncw plant names
CDD: 583.322044
ANATOMIA DOS FOLÍOLOS DE
SWARTZIA BRACHYRACHIS HARMS VAR.
SNETHLAGEAE (DUCKE) DUCKE E SWARTZIA
LAURIFOLIA BENTHAM (LEGUMINOSAE-
PAPILIONOIDEAE), OCORRENTES NA RESTINGA
DE ALGODOAL/MAIANDEUA-PARÁi
Adalgisa da Silva Alvarez^
Raimunda Conceição de Vilhena Potiguara^
João Ubiratan Moreira Santos*
RESUMO - O estudo descritivo anatômico dos taxa Swartzia
brachyrachis var. snethlageae (Ducke) Ducke e Swartzia laurifolia
Bentham, foi desenvolvido na restinga de Algodoal-Maiandeua/Pará.
O objetivo deste trabalho, foi estudar a anatomia dos folíolos para
auxiliar a taxonomia e conhecer as possíveis adaptações destes taxa,
quando submetidos ao ambiente salino. Foram observados caracteres
anatômicos como: epiderme e cutícula espessa, estômatos paracíticos,
tricomas simples não glandular unisseriado. De acordo com a análise
anatômica, podemos concluir que estes taxa, provavelmente
desenvolveram adaptações anatômicas ao ambiente salino.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia, Swartzia, Pará.
ABSTRACT - The descriptive study anatomical ofthe taxa Swartzia
brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke and Swartzia
laurifolia Bentham, was developed in the sandcoast of Algodoal-
Maiandeua/Pará. The objective this work, was study the leaflets
anatomy, to assist the taxonomy and know the possible adaptation
' Parte da Dissertação de Mestrado da primeira autora ao Curso de Pós-graduação da
Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP).
MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi, Coordenação, de Botânica. Bolsista.
Caixa Postal 399. Cep. 66040-170, Belém-PA. E-mail: gisarez@bol.com.br.
MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi, Coordenação, de Botânica. Pesquisador. Caixa Postal
399, Cep. 66040-170, Belém-PA. E-mail: raipoty@museu-goeldi.br.
■ Faculdade de Ciências Agrárias. Professor visitante. Av. Tancredo Neves s/n”.
CEP 66.077-530. E-mail: bira@museu-goeldi.br.
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1 SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
ofthere taxa, when submitíed to saline environment. Were observed
anatomicals features as: thickned epidermis and cuticle, paracytic
stomata, non glandular unisseriate simple hair. Acording to the
anatomical analysis, we can conclude that these taxa, developed
probably anatomicals adaptation to environment saline.
KEY WORDS: Anatomy, Restinga, Swartzia,
INTRODUÇÃO
A costa brasileira tem seu limite extremo setentrional a
4°52’45” N, no rio Oiapoque, no Amapá, e o meridional a 33°45’ 10”
Sul no Arroio Chui, no Rio Grande do Sul, num total de 7.408 km
de extensão. Destes, cerca de 5.000 km são ocupados por dunas e
restingas (Maciel 1990).
O pioneiro no estudo do ecossistema de restinga no Brasil foi
Ule (1901), sendo as regiões sul e sudeste as mais estudadas, em
relação às restingas das regiões norte e nordeste, sobre as quais
observa-se ainda uma carência enorme de trabalhos em várias áreas,
principalmente sobre anatomia vegetal, sendo a maioria das
publicações restritas à fítossociologia.
Na restinga do litoral nordeste paraense encontra-se a ilha de
Algodoal/Maiandeua, considerada a primeira Área de Proteção
Ambiental em ambiente costeiro do estado do Pará, de acordo com a
Lei estadual 5.621. Nesta área, destacam-se os trabalhos de Santos &
Rosário (1988), em que os autores realizaram um levantamento
florístico da vegetação fixadora de dunas, na ilha de Algodoal (PA),
relacionando 69 famílias com 171 espécies e Bastos (1988), que
através de um levantamento florístico, na restinga de Maiandeua (PA),
cita que esta área é formada por uma extensa cobertura herbácea e,
por indivíduos arbustivos isolados e agrupados em moitas. Ainda
Bastos (1996), na ilha de Algodoal (PA), classificou as formações
vegetais da restinga da praia da Princesa, encontrando cinco tipos de
248
Anatomia dos follolos de Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) ...
formações vegetais: formação psamófila reptante, brejo herbáceo,
campo entre dunas, formação arbustiva aberta e mata de Myrtaceae.
Segundo Bastos (1988), a família Leguminosae Adanson,
destaca-se entre as famílias da restinga de Algodoal/Maiandeua, pelo
grande número de espécies que possui. Dentre os taxa foram
selecionados para estudos anatômicos, a variedade Swartzia
brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke e a espécie
Swartzia laurifolia Bentham.
Cowan (1967) realizou um estudo taxonômico do gênero
Swartzia para a Flora Neotrópica, descrevendo 127 espécies
neotropicais, e destas, 55 ocorrem na Amazônia brasileira, sendo
esta obra considerada com uma das referências mais completas
neste gênero.
Apesar da existência de vários trabalhos sobre anatomia vegetal
em leguminosas, poucos foram com taxa ocorrentes em restinga. Entre
os trabalhos realizados com espécies ocorrentes em área de déficit
hídrico, citamos Starr (1912) que fez uma análise anatômica
comparativa de 16 espécies crescendo em diferentes locais: xerofítico
e mesofítico; Shields (1950) que contribuiu para o conhecimento
anatômico de espécies em ambiente xérico e Morretes (1988), que
estudou a anatomia foliar de espécies que ocorrem nas dunas
interioranas do município de Lençóis (BA), descrevendo as adaptações
anatômicas das espécies daquela área de restinga.
Quanto à família Leguminosae, mais precisamente para o gênero
Swartzia, nenhum trabalho de anatomia vegetal foi publicado sobre
as espécies da restinga de Algodoal-Maiandeua (PA). Este gênero de
acordo com alguns autores, como Polhil & Raven (1981), entre outros,
acreditam que sua posição taxonômica dentro das leguminosas é alvo
de incertezas. Este fato também não foi ignorado pela maioria dos
taxonomistas, já que alguns consideram o gênero Swartzia como
pertencente a subfamília Papilionoideae e outros a subfamília
Caesalpinioideae.
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Diante da falta de conhecimento da anatomia vegetal destes
taxa, e com intenção de reunir subsídios que venham a auxiliar no
reconhecimento destes pelos taxonomistas, foi realizado o estudo da
anatomia dos folíolos.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
A ilha de Algodoal/Maiandeua está localizada no estado do
Pará, município de Maracanã, entre as coordenadas geográficas
00°35’03” a 00°38’29”de latitude Sul e 47°3r54” a 47°34’57” de
longitude WGr, Algodoal com 385 hectares e Maiandeua com 1.993
hectares (Bastos 1996).
Material
Folíolos dos taxa Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae
(Ducke) Ducke e Swartzia laurifolia Bentham, correspondentes ao
terceiro, quarto e quinto nós respectivamente, foram coletados e
fixados em álcool 70% e F.A.A.(Johansen 1940), para serem
processados de acordo com as técnicas usuais em anatomia vegetal.
Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke.
Coletor; Luiz Carlos Batista Lobato
Local: Pará: Ilha de Algodoal/Maiandeua
Data: 26.111.1998.
MG: 0149262
Swartzia laurifolia Bentham
Coletor; Luiz Carlos Batista Lobato
Local: Pará: Ilha de Algodoal/Maiandeua
Data: 27.III.1998.
MG: 140349
250
Anatomia dos foi tolos de Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) ...
Identiilcação
O material foi identificado por especialistas em Leguminosas do
Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), através de estudos
taxonômicos, e os resultados comparados com exsicatas pertencentes
ao acervo do Herbário João Murça Pires (MPEG).
Métodos
Dissociação de Epidermes
Partes dos folíolos foram seccionados em quatro regiões: ápice,
base, nervura central e margem. Cada parte foi imersa em mistura de
Jeffrey (Johansen 1940), durante um período de 24 a 48 horas em
estufa, a uma temperatura de 56°C.
Após a completa separação das epidermes adaxial e abaxial,
prosseguiu-se com a coloração, utilizando-se Azul de Astra e Fucsina
Básica (Braga 1977) e desidratação pela série alcoólica crescente.
Esta técnica permitiu a avaliação qualitativa dos apêndices
epidérmicos, na superfície do limbo foliolar.
Cortes ao micrótomo
O material previamente fixado em F.A.A, foi emblocado em
parafina (Johansen 1940), em seguida os blocos foram cortados com
o auxílio de micrótomo, e submetidos a etapa de desparafinização,
passando pela série alcoólica e aceto-butílica decrescente e pela série
alcoólica e aceto-butílica crescente.
A coloração foi em Azul de Astra e Fucsina Básica (Braga 1977),
e a montagem em bálsamo do canadá.
Cortes à mão livre
O material foi cortado com lâmina de barbear, utilizando-se
cortiça como suporte. A seguir, os cortes foram clarificados em uma
solução de água destilada e hipoclorito de sódio aquoso (1:1), e
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
corados em Azul de Astra e Fucsina Básica (Braga 1977). A
montagem foi entre lâmina e lamínula, com glicerina, protegida por
esmalte incolor.
Maceração
Foram retirados fragmentos do limbo dos folíolos, e imersos em
ácido nítrico a 25% aquoso, por 48 horas. Com auxílio de um bastão
de vidro, prossegui-se com a maceração, e a montagem foi entre
lâmina e lamínula, com glicerina diluída.
Através desta técnica foi possível a identificação dos mais
variados tipos de células, principalmente as células do tecido
esclerenquimático, visando-se particularmente neste tecido, a
individualização de fibras e esclereídeos.
Testes histoquímicos
A natureza dos cristais foi identificada por meio do teste de
Chamberlain (1938).
A presença de compostos fenólicos foi detectada pelo uso de
cloreto de ferro a 10%, de acordo com Johansen (1940).
Foi identificada, também a presença de lignina, utilizando-se
fluoroglucina + ácido clorídrico e de alcalóides pelo iodo + iodeto de
potássio, ambos de acordo com Johansen (1940).
F otomicrografias
Para as fotomicrografias do material entre lâmina e lamínula,
utilizou-se o fotomicroscópio Zeiss.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A superfície adaxial, do folíolo em vista frontal, de
S. hrachyrachis Harms var. snethlageae (Dueke) Ducke e de
252
Anatomia dos folíolos de Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) ...
S. laurifolia Bentham, mostra que as células epidérmicas são
heterodimensionais de contorno poliédrico. Ambos os taxa apresentam
bases de tricomas dispersas no limbo foliolar, concentrando-se
particularmente sobre a rede de nervuras (Figuras la-b).
Quanto ao tecido de revestimento, em S. brachyrachis var.
snethlageae, as paredes das células epidérmicas são levemente
onduladas com cutícula lisa (Figura la), enquanto que em 5. laurifolia
as paredes das células epidérmicas são retas e a cutícula possui
ornamentação granulosa (Figura Ib). Esta diferença no formato das
paredes das células epidérmicas deve-se segundo Metcalfe & Chalk
(1950), à ação de fatores externos como a luz, que atuam no contorno
das células epidérmicas, levando à formação de células com paredes
retas em folhas de sol e sinuosas em folhas de sombra. Isto explicaria
a diferença existente, quanto a forma das paredes das células
epidérmicas entre os taxa, já que S. laurifolia Bentham ocorre em local
sujeito a alta luminosidade, enquanto 5. brachyrachis Harms var.
snethlageae (Ducke) Ducke em área bastante sombreada.
Na face abaxial, tanto em S. brachyrachis Harms var.
snethlageae como em S. laurifolia, observa-se a presença de estômatos
paracíticos e de tricomas do tipo simples não glandulares, unisseriados,
com célula basal curta (Figuras Ic-d). Estas características anatômicas
já haviam sido descritas por Metcalfe & Chalk (1957), para a
subfamília Papilionoideae e para algumas espécies do gênero
Swartzia.
O mesofilo em S. brachyrachis Harms var. snetlhageae e
Swartzia laurifolia, em corte transversal é dorsiventral, e apresenta a
mesma estrutura anatômica. Ambos os taxa possuem células
epidérmicas quadradas, heterodimensionais na face adaxial e
retangulares na face abaxial, cobertas por cutícula espessa. Abaixo da
epiderme adaxial o parênquima paliçádico mostra-se uniforme, com
2 a 4 camadas de células altas em paliçada, apresentando minúsculos
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espaços intercelulares, seguidos do parênquima lacunoso, constituído
de 1 a 2 camadas de células irregulares, com articulações laterais,
proporcionando a formação de grandes espaços intercelulares (Figura
2a). Subjacente ao parênquima lacunoso, observa-se a presença de
uma hipoderme unisseriada, com conteúdo marrom-avermelhado,
identificado como composto fenólico de acordo com Johansen (1940)
(Figura 2b). Nota-se que esta hipoderme é descontínua e encontra-se
interrompida a nível da nervura central. Verifíca-se que o parênquima
palicádico, apresenta-se mais diferenciado que o parênquima lacunoso.
Esau (1985) explica que o grau de diferenciação do mesofilo e a
proporção de tecido esponjoso e em paliçada varia segundo a espécie
e o habitat, observa também a autora que em folhas xeromórficas o
tecido paliçadico é relativamente mais desenvolvido que nas folhas
mesomórfícas. O fato dos taxa estarem em área de restinga, onde existe
penodos relativamente longos de estiagem, pode ter influenciado de
alguma forma no desenvolvimento dos tecidos paliçádico e lacunoso
do mesofilo.
Ainda, no mesofilo, nota-se a presença de vários feixes vasculares
do tipo colateral aberto, constituindo a nível do xilema, células
esclerenquimáticas que formam colunas de extensão, atingindo a
epiderme adaxial. A nível do floema verifica-se a presença de ninhos
de tecido de sustentação, formados de células com paredes espessadas,
em que lateralmente ao feixe vascular encontra-se uma camada de
células parenquimáticas ligeiramente espessada (Figura 2a). O fato dos
feixes vasculares no mesofilo estarem acompanhados de tecido
esclerenquimático, é muito comum em vários gêneros da subfamília
Caesalpinioideae, podendo estar presentes ou não na subfamília
Papilionoideae de acordo com Metcalfe & Chalk (1957), o que
segundo os resultados apresentados pelos taxa, só corroboram com a
dos referidos autores acima.
Por meio da maceração, foi possível identificar, alguns tipos de
esclereídeos, geralmente astroesclereídeos, com paredes lignificadas
e lúmen reduzido (Figura 2c).
254
Anatomia dos folíolos de Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) ...
Figura I - Vista frontal. Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) Ducke. a)
Epiderme adaxial (50mm); c) Epiderme abaxial (3pm). Swartzia laurifolia Bentham b)
Epiderme adaxial (50pm); d) Epiderme abaxial (8pm). Base do tricoma = BT; Estômato =
ES, Cutícula granulosa (CG); Parede anticlinal ondulada = PAO; Tricoma =TR.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Figura 2 - Swartzia laurifolia Bentham, Mesofilo em corte transversal, a) Parênquima
paliçádico e parênquima lacunoso (3mm); b) Detalhe do parênquima lacunoso destacando a
hipoderme (8mm). c) Folíolo macerado (3pm). Esclereídeo = EC; Epiderme adaxial = EAD;
Epiderme abaxial = EAB; Célula parenquimática lateral = CPL; Coluna de extensão
fibrosa = CEF; Fibra=FB; Hipoderme = H; Parênquima paliçádico=PP; Parênquima
lacunoso=PL; Estômato=ES.
256
Anatomia dos folíolos de Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) ...
A região da nervura central dos folíolos permite afirmar que tanto
as células epidérmicas da face adaxial, como as da face abaxial são
unisseriadas e cobertas por uma cutícula nos dois taxa. As células da
epiderme adaxial são mais organizadas, geralmente quadradas e
heterodimensionais, enquanto as da face abaxial são menores e ovais
(Figuras 3a, c). Observa-se que a estrutura histo-anatômica de Swartzia
brachyrachis Harms var. snethlageae e Swartzia laurifolia mostra-se
bastante semelhante. Entre a epiderme adaxial e as fibras
perivasculares, nota-se a presença de três camadas de células
parenquimáticas irregulares, com cristais prismáticos solitários, de
oxalato de cálcio, sendo que estes são freqüentes em todas as regiões
da nervura central (Figura 3a).
Á medida que prosseguimos em direção ao interior da nervura
central, nas duas espécies, observa-se que o feixe vascular é
concêntrico, formado por 8 a 10 unidades de pequenos feixes
vasculares do tipo colateral aberto, envolvidos por um anel de fibras
perivasculares, intercalados por raios parenquimáticos, estando a região
central preenchida por um parênquima fundamental, com conteúdo
fenólico (Figura 3b).
Subjacente ao anel fibroso, na região próxima à epiderme abaxial,
nota-se a presença de um parênquima fundamental, formado por
células arredondadas e heterodimensionais (Figura 3c).
Nos dois taxa a nervura central é acompanhada por um anel de
fibras parenquimáticas, que envolve todo o feixe vascular, revelando
portanto um tecido esclerenquimático bastante diferenciado.
O tecido que reveste o pecíolo dos referidos taxa, é constituído
por células epidérmicas quadradas e heterodimensionais, ambos com
conteúdo marrom-avermelhado (Figura 4a), reagindo positivamente
ao teste do tanino (Johansen 1940).
257
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Figura 3 - Swarlzia laurifolia Bentham. Nervura central em corte transversal (3mm);
a) Região proximal; b) Região mediana; c) Região distai. Anel de fibras perivasculares
= AFP; Epiderme adaxial = EAD; Epiderme abaxial = EAB; Célula pétrea = CPT;
Colênquima=CO; Idioblasto taninífero = IT (composto fenólico); Feixe vascular = FV;
Parcnquima fundamental = PF,
258
Anatomia dos folíolos de Swartzia brachyrachis^Harms var. snelhlageae (Ducke) ...
Figura 4 - Swartzia laurifolia Bentham. Pecíolo em corte transversal, a) Aspecto geral
(50mm). b) Região cortical (8mm). c) Região medular (3mm). Anel de fibras perivasculares
= AFP; Célula pétrea = CPT; Cristais prismáticos = CP; Idioblastos taniníferos = IT; Feixe
vascular = FV; Parênquima fundamental = PF.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Observa-se que o parênquima cortical é formado por várias
camadas de células parenquimáticas irregulares, de paredes finas,
algumas contendo cristais semelhantes quanto a forma e composição,
aos encontrados na região da nervura central (Figura 4b).
Preenchendo a região medular, observa-se o parênquima
fundamental constituído de células ovais e heterodimensionais com
fibras perivasculares, que formam um anel em tomo do feixe vascular,
sendo este semi-circular envolvido por camadas de células
esclerenquimáticas, com pequenos feixes vasculares intercalados por
raios parenquimáticos e idioblastos taniníferos na região mais central
(figura 4c).
CONCLUSÃO
Fatores ambientais como transpiração excessiva, intensa
luminosidade, alta concentração de salinidade, entre outros fatores
produzem o desenvolvimento de caracteres morfológicos e anatômicos
considerados adaptativos de acordo com Starr (1912), Shields (1950)
e Morretes (1988), assegurando a sobrevivência destas espécies
vegetais nestes ecossistemas com déficit hídrico.
Acredita-se que a presença de caracteres anatômicos como
cutícula espessadas, presença de hipoderme, esclerênquima bastante
evidenciado, parênquima paliçádico mais diferenciado que o
parênquima lacunoso, apresentados pelos taxa estudados, nos levem
a concluir, com base nos autores acima citados, que tanto Swartzia
brachyrachis Harms var. snethlageae como Swartzia laurifolia,
apresentam caracteres adaptativos a esta área de déficit hídrico, neste
ecossistema de restinga.
260
Anatomia dos folíolos de Swartzia brachyrachis Harms var. snethlageae (Ducke) ...
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Recebido em: 24.11.99
Aprovado em: 26.07.01
262
CDD; 584.15
LOCKHARTIA IVAINAE: UMA NOVA
ESPÉCIE DE ORCHIDACEAE JUSS.
PARA O ESTADO DO PARÁ, BRASIL»
Manoela F. P. da Silva^
Alvadir T de Oliveira^
RESUMO: Uma nova espécie do gênero Lockhartia Hook
(Orchidaceae Juss.), coletada no Estado do Pará, é descrita e
ilustrada. Lockhartia ivainae Silva & Oliveira não apresentou
afinidade com nenhuma espécie descrita para o gênero Lockhartia
Hook., conforme consulta em bibliografia especializada.
PALAVRAS-CHAVE: Lockhartia Hook, Orchidaceae, Taxonomia.
ABSTRACT: A new species of Lockhartia Hook (Orchidaceae Juss),
collected in Pará State, is described and illustrated. Lockhartia
ivainae Silva & Oliveira has no affinity with any other species
described in specialized bibliography on genus Lockhartia Hook.
KEY WORDS: Lockhartia Hook., Orchidaceae, Taxonomy.
INTRODUÇÃO
Segundo Dressler (1993), o gênero Lockhartia inclui-se na
Subfamília Epidendroideae Lindley, Tribo Maxillarieae Pfitzer,
Subtribo Oncidiinae Benth., e é representado por aproximadamente
trinta espécies, com distribuição desde o México e Tiinidad até o Brasil,
Bolívia e Peru.
Projeto Integrado do CNPq/Processo: 521148/96-0.
MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi, Coordenação, de Botânica. Pesquisadora. Caixa Postal
399, Cep. 66040-170, Belém-PA. E-mail; manoela@museu-goeIdi.br.
MPEG/FBMM-Museu Paraense Emílio Goeldi/Fundação Margaret Mee. Av. Central,
Q04, 07, Residencial Sabiá - 40 Horas. CEP 67120-000. Ananindeua-Pa. E-mail:
alvadir@ 2 ipmail.com.br.
263
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Em um estudo taxonômico sobre as Orchidaceae da Amazônia
Brasileira, coletou-se no município de Água Azul do Norte, estado
do Pará, uma amostra pertencente ao gênero Lockhartia Hook., que
não se enquadrou em nenhuma das espécies já descritas para a flora
orquídica, conforme foi constatado analisando-se os trabalhos de
Cogniaux (1906), Hoehne (1949), Flora de Venezuela (1970), Pabst
& Dungs (1975) e Dressler (1993).
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE
Lockhartia ivainae Silva & Oliveira, sp. nov.
Tipo. Brasil, estado do Pará, município de Água Azul do
Norte, margem do rio Água Azul , 06/1999. A.T. de Oliveira, 03.
Holótipo MG: 150584. Figura 1; ibidem, 19 km da sede do município,
campina na margem do rio Água Preta, 06/1994. J.B.F. da Silva &
P. Magalhães , 330. Parátipo MG: 146090.
Epiphyta pendula; inflorescentia solharia, sub-terminali, flore
erecto, sepala dorsali lanceolata, erecta, lateralibus oblongo-
lanceolatis, retrorsum arcuatis; petalis ovato-lanceolatis; labello
convexo, longitudinaliter oblongo-ligulato, apice obtuso-emarginato,
marginibus loborum lateralium laevibus; disco intra lobos laterales,
protracto usque ad apicem labelli, dum hoc adrupte reflexo, praedito
callositate debile, oblongo-ovata, in base habeníe partem sub-
oblongam, minutissimis pilis; columna brevi, angusta in basin, apice
duabus alis; anthera terminali, operculata; duobus poliniis.
Epífita pendente, caules 14 cm compr., 0,7 cm larg., verdes,
numerosos, fasciculados, eretos. Folhas 1,5-3 cm compr., 0,5- 1,5 cm
larg., verdes, rígidas, dísticas, imbricadas. Inflorescência solitária,
subterminal, flor 1 ou mais , amarela. Brácteas florais 4 mm compr.,
3 mm larg., apressas aos pedicelos, membranáceas, cordado-
orbiculares. Pedicelos 9 mm compr., cilíndricos, arqueados a partir do
264
Lockhartia ivainae: uma nova espécie de orchidaceae juss. para o Estado do Pará, Brasil
Figura I - Lockhartia ivainae. A) Hábito; B) Detalhe da flor; C) Partes da flor: sépala dorsal
■ sd, sépala lateral - sl, pétala — p; D) Coluna; E) Detalhe do labelo; F) Labelo em vista
frontal; G) Polinário com as polínias; H) Antera.
265
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
terço médio. Sépalas 4 mm compn, 2-3 mm larg., amarelas, côncavas,
a dorsal lanceolada, ereta, as laterais oblongo-lanceoladas, arqueadas
para trás. Pétalas 6 mm compr., 2 mm larg., amarelas, convexas,
lanceolado-ovadas. Labelo 6 mm compr., 3 mm larg, amarelo, com
duas pequenas máculas vermelho-vinho no disco, convexo,
longitudinalmente oblongo-ligulado, ápice obtuso-emarginado; bordas
dos lobos laterais lisas; disco 4 mm compr., entre os lobos laterais,
estendendo-se até próximo ao ápice do labelo, quando este
abruptamente arqueia-se para baixo, formando uma calosidade fina,
oblongo-ovada e apresentando na base uma porção suboblonga de
minúsculos tricomas. Coluna 2,1 mm compr., 1,5 mm diâm., amarela,
com mácula vermelho- vinho, curta, estreitando-se para a base, ápice
com um par de alas ; antera 1,5 mm compr., 1 mm diâm., terminal,
operculada, polínias 2.
O epíteto específico é uma homenagem dos autores à Sra. Ivaina
Tavares de Oliveira, progenitora do co-autor deste trabalho.
Pelos aspectos morfológicos, Lockhartia ivainae Silva & Oliveira
não apresenta afinidade com nenhuma espécie descrita para o gênero,
conforme constatado em consulta bibliográfica.
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Secco (CBO/MPEG), pelas críticas e
sugestões; ao Pe. José Maria Albuquerque (FCAP) pela elaboração
da diagnose em latim; à Fundação Botânica Margaret Mee (FBMM),
pela bolsa concedida ao co-autor e ao Sr. Antônio Elielson Rocha
(CBO/MPEG), pela ilustração da espécie.
266
Lockhartia ivainae: uma nova espécie de orchidaceae juss. para o Estado do Pará, Brasil
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COGNIAUX, A. 1906. Lockhartia. In: MARTIUS, C.P.F. VON & EICHLER, A.G.
(eds.). Flora Brasiliensis, 3(6): 450 - 456. Frid. Lipsiae,. Fleischer.
DRESSLER, R.L. 1993. Phylogeny and classification of the Orchid Family.
Cambridge, Harvard University Press, 314 p.
FLORA DE VENEZUELA. 1970. Orchidaceae. v.l5. Caracas, Instituto Botânico/
Direccion de Recursos Naturales Renovables, part. 5: 96-109.
HOEHNE, FC. 1949. Iconografia de Orchidaceas do Brasil. São Paulo,
Secretaria de Agricultura, 301 p. il.
PABST, G.F.J. & DUNGS, F. 1975. Orchidaceae Brasiliensis II. Hildeshein.
Brucke-kurt Scwersow, 418 p.
Recebido em: 01.03.00
Aprovado em: 14.04.01
267
CDD: 584.15
CORYANTHES MÍNIMA: UMA NOVA
ESPÉCIE DE ORCHIDACEAE JUSS.
PARA O ESTADO DO PARÁ, BRASIL*
Alvadir T. de Oliveira^
João Batista F da Silva^
RESUMO - Uma nova espécie do gênero Coryanthes Hook.
(Orchidaceae Juss.), Seção Coryanthes, coletada no estado do Pará,
é descrita e ilustrada. Coryanthes minima está relacionada com
Coryanthes cavalcantei Silva & Oliveira, diferenciando-se desta por
significantes aspectos da morfologia floral.
PALAVRAS-CHAVE: Coryanthes Hook., Orchidaceae, Taxonomia.
ABSTRACT - A new species of Coryanthes Hook, (Orchidaceae
Juss.), section Coryanthes, from Pará States, is described and
illustrated. Coryanthes minima is related to Coryanthes
cavalcantei Silva & Oliveira, both species different for several
floral morphology aspects.
KEY WORDS: Coryanthes Hook., Orchidaceae, Taxonomy.
INTRODUÇÃO
Segundo Dressler (1993), o gênero Coryanthes Hooker inclui-
se na Subfamília Epidendroideae Lindley, Tribo Maxillarieae Pfítzer,
Subtribo Stanhopeinae Benth., e é representado por aproximadamente
' Projeto Integrado do CNPq/Processo: 521148/96-0.
^ MPEG/FBMM-Museu Paraense Emílio Goeldi/Fundação Margaret Mee. Av. Central, Q04,
07, Residencial Sabiá/40 horas. CEP 67120-000, Ananindeua-PA.
’ Trav. 14 de Março, 894, Bloco C, Apto 101, Umarizal. Cep. 66055-490, Belém-PA.
E-mail: jbfdasilva@zipmail,com.br
269
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
trinta espécies. Na Amazônia está representado por quatorze espécies,
sendo que os estados do Amazonas e Pará apresentam maior
diversidade de ocorrência delas para o Brasil.
Dando prosseguimento ao estudo taxonômico das Orchidaceae
da Amazônia Brasileira, coletou-se no município de Moju, estado
do Pará um exemplar pertencente ao gênero Coryanthes, que não
se enquadrou em nenhuma das espécies já descritas para a flora
orquídica, conforme foi constatado analisando-se os trabalhos de
Cogniaux (1902), Hoehne (1942), Flora de Venezuela (1970),
Gerlach & Schill (1993), Dressler (1993).
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE
Coryanthes minima Oliveira & da Silva sp. nov.
Tipo: Brasil, estado do Pará, município de Moju, igapó do
Igarapé do Luso. 09/199.7.5.E da Silva, 860. Holótipo MG; 150577.
Figuras 1-2.
Epiphyta. Inflorescencia 1-2 flori tenninalibus, pendulis; sepala
dorsalis subreniformis, aciita; eaedem laterales falcato-ovatae,
acuminatae. Petalae falcato-lanceolatae, acutae, labellum magnum,
hipochilio leviter áspero, reflexo, elmifonnis, trilobato, in dimidium
longitudinalis fissum leviter pubescente, lobi medianus membranaceus
cum sini bini magnitiidi diversi, superiori minor et inferior majus,
apice obtuso-emarginatis; mesochilium camosum, aspenim, reflexiim,
extra piibescens, carina longitudinali percurrens; epichilium
subelipticum, membranaceo, marginibus inde a parte mediana
manifeste arcuatis, pubescentibus, rotimdatis. Columna robusta,
carnosa, claviformis, basin versus angustata, cornis nectariferibus
ornata; anthera terminalis carnosa, polliniis 2.
270
Coryanthes mínima: uma nova espécie de orchidaceae juss. para o Estado do Pará, Brasil
epiquílio; C) Antera; D) Polinário com as polínias; E) Flor em vista lateral;
F) Flor em corte longitudinal; G) Pétala; H) Sépala dorsal; 1) Sépala lateral.
271
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Figura 2 - Exemplar de Coryantlies mínima Oliveira & da Silva (Foto: J.B.F. da Silva).
Epífita, pseudobulbos 10 cm compr., 2 cm diâm., agregados,
eretos, sulcados. Folhas 50 cm compr., 3 cm larg., linear- lanceoladas,
levemente côncavas, com três nervuras longitudinais, destacadas entre
outras mais finas. Inflorescência 1-2 flores, terminais, pendentes,
amarelas, intemamente maculadas de vermelho-vinho, ráque 43 cm
compr., 3 mm diâm., com bainhas espaçadas de 15 mm compr..
Brácteas florais apressas aos pedicelos, lanceoladas, 24 mm compr.,
7 mm larg.. Pedicelos cilíndricos, 37 mm compr., 4 mm diâm., torcidos,
arqueados próximo a região apical, com fendas longitudinais em toda
a extensão. Sépalas amarelas, a dorsal 20 mm compr., 32 mm larg.,
posicionada no sentido transversal, subovada, com ápice agudo,
bordos ondulados, enrolados; as laterais 50 mm compr., 30 mm larg.,
falcado-ovadas, os ápices acuminados, bordos ondulados, enrolados.
Pétalas amarelas, 30 mm compr., 10 mm larg., falcado-lanceoladas,
agudas, bordos ondulados, enrolados. Labelo amarelo, intemamente
maculado de vermelho-vinho, hipoquflio 13 mm eompr., 17 mm diâm..
272
Coryanthes minima: uma nova espécie de orcbidaceae juss. para o Estado do Pará, Brasil
elmiforme, trilobado, os lobos com fendas longitudinais levemente
pubescentes; o lobo mediano obovado, membranáceo, apresentado
duas reentrância de tamanhos diferentes, a superior menor, circular,
1 mm prof., a inferior maior , oblonga, próximo ao ápice, 3 mm
prof., ápice do lobo mediano obtuso-emarginado; lobos laterais
carnosos, falcados, ásperos, reflexos, bordas lisas; mesoquflio 17 mm
compn, 8 mm diâm., amarelo, intemamente maculado de vermelho-
vinho, carnoso, reflexo, bordas viradas para dentro, lisas,
externamente percorrida na região central por uma quilha
longitudinal, pouco evidente, com até 3 mm larg., a parte basal
apresentando uma pequeníssima excrescência pontiaguda (como),
2 mm alt.; epiquílio 20 mm prof., 18 mm larg. na parte basal, 15
mm larg. na parte apical, exteraamente amarelo e intemamente
maculado de vermelho-vinho, subelíptico, membranáceo ,com
cavidade profunda em vista lateral, bordas arcadas para fora a partir
da região mediana, lisas, arredondadas; a parte mediana próxima à
coluna com uma reentrância nas bordas em direção à parte apical;
parte apical com uma protuberância ereta ( como), aguda, 3 mm alt.,
próxima a extremidade tridentada, os dentes laterais com ápices
falcados e o mediano ligular-obtuso. Coluna 24 mm eompr., 5 mm
larg., amarela, claviforme, robusta, carnosa, estreitando-se para a
base, bordas aladas, com dois cornos nectaríferos encurvados, 6 mm
compn, 4 mm diâm.; antera 6 mm compn, 4 mm diâm., subelíptica,
terminal, polínias 2.
O epíteto específico refere-se ao tamanho das flores presentes
no táxon.
Coryanthes ininima Oliveira & da Silva está incluída na seção
Coryanthes. Pelos aspectos morfológicos, apresenta maior afinidade
com Coryanthes cavalcantei Silva & Oliveira (Figura 3),
diferenciando-se por apresentar flores menores; labelo eom o lobo
273
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
mediano obovado, membranáceo, apresentado duas reentrância de
tamanhos diferentes, a superior menor, circular, 1 mm profundidade,
a inferior maior , oblonga, próximo ao ápice, 3 mm profundidade,
ápice do lobo mediano obtuso-emarginado; mesoquílio extemamente
percorrida na região central por uma quilha longitudinal, pouco
evidente, a parte basal apresentando uma pequeníssima excrescência
pontiaguda (como), 2 mm de altura.
Figura 3 - Exemplar de Coryanthes cavalcantei Silva & Oliveira (Foto: J.B.F. da Silva).
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Secco (CBO/MPEG), pelas críticas e
sugestões; ao Pe. José Maria Albuquerque, pela elaboração da
diagnose em latim; à Fundação Botânica Margaret Mee (FBMM), pela
bolsa concedida ao primeiro autor e ao Sr. Antônio Elielson Rocha
(CBO/MPEG), pela ilustração da espécie.
274
Coryanthes minima: uma nova espécie de orchidaceae juss. para o Estado do Pará, Brasil
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COGNIAUX, A. 1902. Coryanthes. In: MARTIUS, C.P.F.VON & EICHLER, A.G.
(eds.). Flora Brasiliensis, 3(5); 508 - 516. Frid. Lipsiae, Fleischer.
DRESSLER, R.L. 1993. Phylogeny and classification of the Orchid Family.
Cambridge, Harvard University Press, 314 p.
FLORA DE VENEZUELA. 1970. Orchidaceae. v. 15. Caracas, Instituto Botânico/
Direccion de Recursos Naturales Renovables, part. 4: 48-109.
GERLACH, G. & SCHILL, R. 1993. Die Gattung Coryanthes Hook. ( Orchidaceae):
eine monographische Bearbeitung imter besonderer Berücksichtigung der
Blütenduftstoffe. Tropische und subtropische Pflanzernwelt. Maiz, Akademie
der Wisselssenschaften und der Literatur. 205 p.
HOEHNE, F.C.1942. Coryanthes. Flora Brasílica. São Paulo, 12(6):172-186.
Recebido em: 03.03.00
Aprovado em: 17.04.01
275
CDD: 582.16041
OCORRÊNCIA DE CRISTAIS NO
TECIDO XILEMÁTICO DE ESPÉCIES
ARBÓREAS TROPICAIS*
Ademir Castro e Silva-
RESUMO - Foi analisado o tecido xilemático de 289 árvores da
Amazônia com potencial madeireiro, com o objetivo de observar a
presença de cristais nos seus diversos elementos celulares visando a
subsidiar a inferência sobre o desgaste de serras e equipamentos
comuns durante o processamento de madeiras. A grande maioria dos
cristais ocorre no parênquima axial e com menor frequência nos
raios e fibras. O conhecimento da ocorrência de cristais no tecido
xilemático, contribuiu para identificação de madeiras de difícil
separação macroscópica ( lOX) e visual.
PALAVRAS-CHAVE: Cristais em madeira, Madeira tropical.
ABSTRACT - Xylematic tissue of Amazonian trees with timber
potential were analyzed with objective to observer crystals in the
various elements to be useful inference about equipment abrasion
during wood working with abundance of this mineral encrustation.
The major frequency is on axial parenchyma occurring also in rays
and fibers. Crystals contributed to separate woods that are hard to
distinguish even using a hand lens or visually.
KEY WORDS: Crystal in wood, Tropical woods.
' Trabalhô apresentado no 51" Congresso Naeional de Botânica. Brasília, DF, 2000.
^ UTAM-Instituto de Tecnologia da Amazônia. Manaus-AM. E-mail: adcastro@osite.com.br
277
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
INTRODUÇÃO
A presença de cristais no tecido xilemático de espécies tropicais
é comum e, o tamanho, a quantidade e distribuição pode ser usado
na identificação anatômica da madeira e classificação (lAWA
Committee 1989; Freitas et al. 7992; Vasconcellos et al. 1993).
Atribui-se a presença de cristais de oxalato de cálcio no tecido
xilemático como uma forma da planta compensar o excesso de cálcio
que ocorre nas paredes celulares como pectato e que aparentemente
influencia sua elasticidade.
Está claro que há diferenças entre as espécies nas suas
habilidades de acumular esse elemento essencial, porém, é consenso
geral que os tipos e as concentrações de elementos minerais
encontrados em plantas são influenciados pelos tipos e concentrações
encontradas no solo onde crescem.
Neste sentido, Epstein (1972) argumenta que a comparação dos
tecidos das plantas poderia ser usado como indicativo da presença ou
ausência de certos elementos minerais no solo.
Cristais parecem aumentar em quantidade no tecido xilemático
de Acacia nilotica (L.) Willd. ex Delile crescendo em sítios com um
alto nível de cálcio permutável (John 1990). Entretanto, há casos em
que o número de cristais por unidade da área varia em sítios com tipo
de solo similar e com o mesmo nível de cálcio e magnésio.
Além do xilema, esses cristais de oxalato de cálcio, podem
ocorrer no floema secundário e nas células parenquimáticas tanto do
sistema axial, quanto do radial. Podem ocorrer ainda nas iniciais
radiais do câmbio (Rao & Dave 1984) e nas células fusiformes
(Deshpandes & Vishwakarma 1992).
Em Gmelina arbórea Roxb. ex Sm, os cristais se tomam mais
abundantes depois de cessada a atividade cambial. Desta forma, a
ocorrência de cristais de oxalato de cálcio em todas as células
278
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
fusiformes, de uma fileira radial, enfatiza a similaridade das
células meristemáticas da zona cambial (Deshpandes &
Vishwakarma 1992).
Ao que tudo indica, durante o período de maior atividade
meristemática, as células fusiformes no câmbio e as células do
parênquima axial na zona de condução do floema secundário, em
Gmelina arbórea Rox. ex Sm, parecem ficar livres de cristais. Essa
flutuação sazonal observada nesta espécie também foi reportada por
Venugupal & Krishnamurthy (1987), no floema de ramos jovens de
várias árvores.
O padrão de distribuição e o arranjo dos cristais no xilema de
espécies da família Lecythidaceae, tem sido de valor no diagnóstico
para se diferenciar as madeiras de Couropita e Couratari que são
macroscopicamente similares (Richter 1982; Botosso 1987).
Neste contexto, é que se baseia o presente trabalho, objetivando
verificar em quais elementos xilemáticos ocorre maior freqüência de
cristais; assim como, relacionar as espécies que apresentam estas
incrustações no seu tecido para servir de base ao seu processamento
tecnológico.
MATERIAL E MÉTODOS
As observações microscópicas ocorreram em lâminas histológicas
com cortes transversal, longitudinal tangencial e longitudinal radial do
tecido xilemático, usando-se os corantes safranina e hematoxilina.
O material foi preparado seguindo normas usuais em anatomia da
madeira (lAWA 1989).
Foram analisadas também lâminas pertencentes ao laminário do
Laboratório de Anatomia da Madeira do Instituto de Tecnologia da
Amazônia-UTAM (Manaus/AM) e consultados trabalhos sobre
anatomia da madeira, publicados em revistas especializadas.
A Tabela 1 mostra local de coleta do material examinado e registro
de lâmina e número da xiloteca.
279
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Tabela 1 - Relação das espécies analisadas, procedência e registro.
Famílias/Espécies
Procedência
Xilo./Lam
ANACARDIACEAE
Astronium lecointei Ducke
Mune. Parintins (AM)
UTAM795
Spondia lulea Linn.
Est. Mao-Ita km 64 (Manaus/AM)
UTAM36
Tapirira guianensis Aubl.
Est. Mao/Ita km 74 (AM)
UTAml93
Tapirira myriantha Tr. Et Pl.
Est. Mao-lta km45 (Manaus/AM)
UTAM103
ANNONACEAE
Annona sericea Dun.
IPT (Local coleta: Amazonas)
IPTI0155
Rollinea insignis R.E. Fries
Est. Mao-lta km 32 (Manaus/AM)
INPA754
Rollinia exsucca (Dum.) A. DC
Manaus/AM
UTAM37
APOCYNACEAE
Aspidospenna album R. Benth.
Est. Mao-lta km-94 (Manaus/AM)
UTAM439
A.spidosperma obscurinervium Azambuja
Est. Mao-Caracarai km 8 (AM)
INPA774
Couma guianensis Aubl.
Projeto Jari/PA
UTAM396
Malouetia duckei Mgf.
Jard. Bot. RJ604
LINPA181
Parahancornia amapa (Hub.) Ducke
Igarapé Cachoeira Alta
BOMBACACEAE
Bômbax globosum Aubl.'”
(Tarumã/AM)
UTAM12
Catostema albuquerquei Paula
Est. Mao-lta km 139 (AM)
INPA4918
Catostema sclerophyllum Ducke
Res. Flores. Ducke- Cach. Acará
Ceiba pentandra Gaertn.'”
(Manaus/AM)
INPA3800
Matisia ochrocalyx Schum.
Pachira insignis Sav'”
Quararibea ochrocalyx
Munic. Barreirinha/AM), rio Auaté
INPA41 15
Scleronema micranthum Ducke
BORRAGINACEAE
Cordia bicolor A.DC.'^*
Est. Mao-lta Km-55 (Manaus/AM)
UTAM530
Cordia goeldiana Huber
Cordia sagolii J.M. Lobinsten.'^'
Santarém/PA
UTAM54
BURSERACEAE
Tetagrastris trifoliata (Engl.) Cuart.
Est. Mao-lta Km 79 (Rio Preto da
Eva/AM)
UTAM616
CAESALPINIACEAE
Bocoa viridiflora (Ducke) Cowan
Est. Mao-lta km-55 (Manaus/AM)
UTAM186
Cassia grandis Linn.
Manaus/AM
UTAM240
Cassia leiandra Benth.
IPT (Local coleta: Belém/PA)
IPTI95
Copaifera duckei Dwyer.
CTFT (Local coleta: Amazonas)
UTAM870
Copaifera marlii Hayne
Marapiriim/PA
INPA7087
Copaifera multijuga Hayne
R.F.Ducke-Manaus/AM
INPA2881
Copaifera officinalis Will.
Jard. Bot. RJ (Coletado Belém/PA)
LINPA153
Copaifera reticulata Ducke
Est. Cuiabá-Acorizal Km 28
INPA7104
Dicorynia macrophylla Ducke
Condado de Loreto, PERU
INPA4195
continua...
280
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
Tabela 1 - Relação das espéeies analisadas, procedência e registro.
(Continuação)
Famílias/Espécies
Procedência
Xilo./Lam
Dimorphandra gigantea Ducke
Jard.Bot. RJ1196
(coletado era Belém/PA)
L1NPA149
Dimorphandra glabrifolia Ducke
Est. Mao-Ita Kra 118 (AM)
INPA6072
Dimorphandra multiflora Ducke<''>
Floresta Nacional do Tapajós/PA
Dimorphandra parvifolia Benth.
Reserva Ducke (Manaus/AM)
LUTAM5
Dimorphandra pennigera Tul.
Tarumã - Manaus/AM
LUTAM4
Dimorphandra vernicosa Benth.
Tarumã - Manaus/AM
LUTAM2
Eperua bijuga Mart.
Jard. Bot. RJ 611
(coletado Belém/PA)
L1NPA163E
Eperua leucantha Benth.
Floresta Nacional do Tapajós/PA
Hymenaea courbaril L.
Área Projeto Jari- PA
UTAM391
Hymenaea oblongifolia Hub.
Jar. Bot. RJ 2817 (coletado em
Belém/PA)
LlNPA-151
Lecointea amazônica Ducke
Município de Parintins/AM
LUTAM46
Macrolobium acaciefolium Benth
Jard.Bot/ RJ2745
(coletado em Belém/PA)
LUTAM39
Mora paraensis Duche**'
Floresta Nacional do Tapajós/PA
Swartzia aptera DC
Curuá-Una - Santarém/PA
UTAM636
Swartzia argentea 5pr. Ex Benth
Praia grande (Rio Negro)
- Manaus/AM
UTAM106
Swartzia benthamiana Miq.
Bacia Rio Solimões
- SP de Olivença (AM)
L1NPA179
Swartzia corrugata Benth.
Est. Mao-lta km-55 (AM)
UTAM220
Swartzia laevicarpa Amsh.
Praia Grande (Rio Negro,
Manaus/AM)
UTAMI04
Swartzia recurva Poepp. Ex Endl.
Est. Mao/Caracaraí, Km 60
(Reserva Biologica INPA)
INPA8884
Tachigalia myrmecophylla Ducke
Reserva Florestal Ducke
(Manaus/AM)
LUTAM 110
Tachigalia pumblea Ducke
Est. Mao/lta, Kra 105 (AM)
1NPA3244
Vouacapoua americana Aubl.
Área do projeto Jari/PA
UTAM286
CARYOCARACEAE
Caryocar microcarpum Ducke
Rio Uatumã - Balbina (AM)
INPA511
Caryocar villosum Pers.
Est. Mao-lta, Km-55 (AM)
UTAM200
CLUSIACEAE
Calophyllum angulare A.C.Smith
Reserva Florestal Ducke
(Manaus/AM)
INPA3363
Calophyllum brasiliense Comb.
Manaus/AM
UTAM8
Moronobea pulchra Ducke
Área Cidade Nova (Manaus/AM)
UTAM13
Vismia brasiliense Choisy*"
nUCKEODENDRACEAE
Duckeodendron cestroides Kuhim
Est. AM-010, Km-100 (AM)
UTAM1087
elaeocarpaceae
Sloanea porphyrocarpa Ducke
Lago do Jacaré- Manacapuru/AM
UTAM248
continua...
281
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Tabela 1 - Relação das espécies analisadas, procedência e registro.
(Continuação)
Famílias/Espécies Procedência Xilo./Lam
EUPHORBIACEAE
Glycydendron amazonicum Ducke
llevea guianensis Aubl.
Hevea spruceana (Benth.) MUIl. Arg.‘’>
Hura crepitans L.
Joannesia heveoides Ducke*^'
Mabea caudata Pax. et Hoffm.
Micrandropsis scleroxylon W. Rodr.
FABACEAE
Alexa grandiflora Ducke
Área de Balbina (Presidente
Figueiredo/AM)
INPA8929
Diplotropis duckei Yakoviev
Est. Mao-lta Km 89 (AM)
INPA3973
Diplotropis martiusii Benth.
Manaus/AM
UTAMI4
Diplotropis purpurea (Rich.) Amsh.
Área do Projeto Jari/PA
UTAM273
Diplotropis racemosa (Hoehne) Amsh.
Manaus/AM. Próximo Baln.
Ponte da Bolívia
INPA4I32
Diplotropis rodriguesii H.C.Lima
Est. Mao/lta Km 120 (AM)
INPA3642
Dipteryx cordata (Ducke) R.S.Cowan
Esta. Mao-Caracaraí (AM)
Igarapé da Lagei
INPA6532
Dipteryx odorata Willd.
Área do Projeto Jari/PA
LUTAM47
Ormosia coccinea (Aubl.) Jacks
Mun. Itacoartiara (AM)
LUTAM723
Ormosia costulata Kleinh.
Área da Pona Negra- Manaus (AM)
INPA956
Ormosia flava (Ducke) Rudd.
Área do Projeto Jari/PA
UTAM264
Ormosia macrocalyx Ducke
Lago Inemazinho (Cambixe/AM)
1NPA1506
Ormosia nobilis var. nobilis Tul.
Igarapé. Cachoeira Alta (Manaus/AM) INPA942
Ormosia paraensis Ducke
Ormosia insignis Sav.‘’>
Est. Mao-lta Km 165 (AM)
INPA3689
Vatairea sericea Ducke
Estação Curuá-Una/PA
INPA3I13
FLACOURTIACEAE
Laetia procera (P. & E.) Eichl.
Laetia suaveolens Benth.*”
Est. Mao/lta, Km32 (AM)
LUTAM 112
GOUPIACEAE
Goupia glabra Aubl.
Mune. São Paulo de Olivença/AM
LINPA289E
HUMIRIACEAE
Vantanea parviflora Lam.
Área Projeto Jari/PA
UTAM285
Vantanea uclii Lam.
Munic. Itacoatiara (AM)
ICACINACEAE
Emmotum glabrum Miers.*”
Res. Madeireira Mil
UTAm986
Emmotum nitens Miers.
Prov. Mus. Bot. RJ4963
Emmotum orbiculatum Miers*”
(Coletado AM)
L1NPA499
Área Projeto Jari/PA
Área Projeto Jari/PA
UTAM290
UTAM403
Cambixe (Manaus/AM) UTAM15
Floresta Nacional do TapaJós/PA
Est. Mao-Ita Km 32 (AM) LINPA246
Est. Mao-lta Km 94 (AM) UTAM438
continua...
282
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
Tabela 1 - Relação das espécies analisadas, procedência e registro.
(Continuação)
Famílias/Espécies
Procedência
Xilo./Lam
Poraqueiba guianensis Aubl.
Poraqueiba paraensis Ducke^’'
Est. Mao-Caracaraí, Km 14 (AM)
INPA1093
LECYTHIDACEAE
Bertholletia excelsa H.B.K.
Cariniana brasiliense Casar.
Santarém/PA
UTAM47
Cariniana decandra Ducke
Cariniana excelsa Casar.*’'
PRORADAM85.396, Colômbia
INPA7024
Cariniana integrifolia Ducke
Res. Flor. Ducke (Manaus/AM)
INPA677
Corytbophora alta R. Knuth.
Est. Mao/Ita, Km-155 (AM)
UTAM34
Couratari guianensis Aubl.
Est. BR165, Km 85
INPA6786
Couratari oblongifolia Ducke & Knuth.
Mune. Itacoatiara (AM)
UTAm986
Couratari stellata A.C.Smith
Est. ZF-2 Manaus/AM
INPA8883
Couropita guianensis Aubl.
Escliwielera scliomburgkii
Vila do Cambixe (AM)
INPA2016
CBerg.) Nield.*’'
Curuá-Una/PA
Holopyxidium jarana (Huber) Ducke
Est. AM-010, km 55 (AM)
UTAM199
Lecythis usitata Miers.
Rio Cuieiras
Próx. Lago Pirarucu (AM)
UTAM206
MALPIGHIACEAE
Byrsonima chrysophylla H.B.K
Manaus, Est. Paredão Km 3 (AM)
INPA220
Byrsonima coriaceae Kunth.
Manaus/AM
INPA2
Byrsonima schomburgkiana Benth.
Igarapé da Normandia
(Rio Branco/AC)
INPA42
meliaceae
Carapa guianensis Aubl.
Manaus/AM
UTAM142
Cedrela odorata L.
Santarém/PA
1NPA1132
mimosaceae
Cedrelinga cataneaformis Ducke
Rio Trombetas/PA
LUTAM43
Dinizia excelsa Ducke
Manaus - Área Cidade Nova
UTAM479
Enterolobium maximum Ducke
Enterolobium scliomburgkii
Área Projeto Jari/PA
UTAM341
(Berg.) Nield.
Est. Mao-lta, Km 155 (AM)
UTAM34
higa brevialata Ducke
Cidade Nova (Manaus/AM)
UTAM500
Inga edulis Mart,
Área Projeto Jari/PA
UTAM350
Parkia decussata Ducke
Área do Projeto Jari/PA
UTAM327
Parkia multijuga Benth.
Santarém/PA
UTAM51
Parkia opositifolia Spruce ex Benth.
Parkia paraensis Ducke
Área do Projeto Jari/PA
UTAM325
Parkia pendula Benth.
Rio Branco - Serra Cigana.
LUTAM42
Parkia ulei Kuhlm.
Área do Projeto Jari/PA
UTAM364
Peltogyne catingae Ducke
Rio Canumã (AM)
INPA4841
Peltogyne Jloribunda (H.B.K.) Benth.
Mune. Bareirinha (AM)
LUTAM38
Peltogyne paradoxa Ducke
Proc. JBRj94
L1NPA474
Piptadenia comunis Benth.
Área do Projeto Jari/PA
UTAM355
continua...
283
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Tabela 1 - Relação das espécies analisadas, procedência e registro.
(Continuação)
Famílias/Espécies Procedência Xilo./Lam
Piptadenia suaveolens Miq.
Pithecolobium amplissimum Ducke''>
Pithecolobium jupumba (Wild.) Urb.
Pithecolobium pedicellare
(DC) Benth.'"
Platymiscium ulei Harms.
MORACEAE
Brosimum acutifolium Huber
Brosimum rubescens Taub.
Clarisia racemosa Ruiz et Pav.
OLACACEAE
Curupira lefeensis
Minquartia guianensis Aubl.
PAPILIONACEAE
Bowdichia nitida Benth.
Hymenolobium modestum Ducke'^*
Hymenolobium pulcherrimum Ducke
Pterocarpus amazonicus
Mart ex Benth.
POLYGONACEAE
Triplaris surinamensis Cham<’'
RUTACEAE
Zanthoxylum compactum Waterm.
SALICACEAE
Salix marliana Leyb.
SAPOTACEAE
Manilkara cavalcantei Pires & Rodr.
Maquira scleropliylla (Ducke)
C.C Berg
SIMAROUBACEAE
Simarouba amara Aubl.
TILIACEAE
Apeiba aspera Aubl.
Apeiba burchellii Sparguc
Apeiba echinata Gacrtn.
Santarém/PA
Área do Projeto Jari/PA
Área do Cambixe/AM
Área do Projeto Jari/PA
Cruzeiro do Sul/AC
Res. Flor. Ducke (Manaus/AM)
Rio Guieiras (Próx. Lago
Pirarucu/AM)
Projeto Jari/PA
Floresta Nacional do Tapajós/PA
Lago de Balbina
(Presidente Figueiredo/AM)
Lago Paracuuba
(Mun. de Manacapuru/AM)
Municipio Aripuanã
Costa do Baixio
(Rio Solimões/AM)
Est. Mao-Ita, Km 55 (AM)
Res. Flor. Ducke (Manaus/AM)
Est. AMOl, Km 49 (AM)
Município Manacapuru/AM
(Lago do Jacaré)
Jard. Bot. RJ45a
UTAM53
UTAM415
UTAMI6
UTAm421
INPA6283
INPA7I47
UTAM205
UTAM283
1NPA8866
UTAM528
1NPA6375
INPA6862
UTAMI84
INPA3885
INPA3287
UTAM246
INPAI39E
continua...
284
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
Tabela 1 - Relação das espécies analisadas, procedência e registro.
(Continuação)
F amllias/Espécies
Procedência
Xilo./Lam
VIOLACEAE
Rinorea macrocarpa Kuntze.
Est. BR174, Km 60 (AM)
INPA959
VOCHYSIACEAE
Erisma uncinatum Warm.
Area do projeto Jari/PA
UTAM382
Qualea albiflora Warm.
Santarém/PA
UTAM632
Qualea cassiquiarensis
Área do Projeto Jari/PA
Spruce ex Warb.
UTAM388
Qualea paraensis Ducke
Área do Projeto Jari/PA
UTAM392
Vochysia maxima Ducke
Santarém/PA
UTAM67
'"SUDAM (1983)
ni Fedalto et a/., (1989)
Vasconcellos et al. (1995)
I" Vasconcellos et al. (1993)
RESULTADO E DISCUSSÃO
Do total (289) de espécies analisadas, 60% apresentaram a
ocorrência de cristal no seu tecido xilemático (Tabelas 2-3).
A grande maioria das espécies (58%) apresentou a ocorrência
de cristais solitários, do tipo rombóide no xilema. Em
algumas espécies, como em Holopixidium jarana (Hub.) Ducke
(Lecythidaceae) observou-se a abundância de cadeias cristaliferas.
O parênquima axial (77%) é o elemento xilemático que mais
apresenta a ocorrência de cristais, seguido dos raios e, em menor
freqüência as fibras (Tabela 1). A ocorrência de cristais,
simultaneamente, nos três elementos celulares considerados, ocorreu
apenas em Caryocar villosuni (Aubl.)Pers, Cassia grandis L.f.,
Copaifera martii Hayne, Dimorphandra pennigera Tul., Lecointea
omazonica Ducke e Salix martiana Leyb.
Algumas espécies, cuja similaridade visual não permitiu
uma identificação instantânea, nem mesmo através de um exame
microscópico, puderam ser diferenciadas pela presença ou não dessa
285
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
incrustação mineral. Foi o caso de Pterocarpus roheii Vahl e
Pterocarpus amazonicus Huber., que são similares no visual
apresentando um cerne de cor pardacenta, tendo uma certa similaridade
do tecido xilemático, difícil de serem separadas pela anatomia.
Entretanto, a ocorrência de cristais do tipo rombóide nos raios e fibras
de P amazonicus e a ausência desses minerais no xilema de P. roheii
fez com que pudéssemos separar facilmente essas duas espécies.
Analisando a deposição de sílica e cristais no xilema de espécies da
família Caesalpiniaceae, Vasconcellos et al. (1993) também
constataram em alguns gêneros, a possibilidade de separar algumas
espécies pela ocorrência de cristais.
Uma característica interessante aconteee com algumas
espécies dos gêneros Emmotum e Poraqueiba pertencentes
à família leacinaceae. As três espécies do gênero Emmotum
(E.glabrum Miers, E.orbiculatum Miers e E. uchi (Huber)
Cuatr. e as duas do gênero Poraqueiba (P.guianensis Aubl e P.
paraensis Ducke), apresentaram a ocorrência de cristais somente
nos raios. Poucos gêneros apresentaram essa tendência. Se a
tendência continuar para as outras espécies desses dois gêneros, a
presença de cristais nessa família poderá ser de grande valor
taxônomico.
A mesma tendência de ocorrer cristais somente no tecido
radial foi observada para Tapirira guianensis Aubl, T. myriantha
Tr. et Pl. e Astronium lecointei Ducke pertencentes à família
Anacardiaceae, Cordia bicolor A. DC e Cordia sagotti
J.M.Lobinsten (Boraginaceae) e para Ducke odendron cestroides
Kuhlm (Duckeodendraceae). Vasconcellos et al. (1995)
encontraram resultado similar para Byrsonima chrysophylla H.B.K,
B. coriaceae Kunth e B. schomburgkiana Benth. pertencentes à
família Malpighiaceae. Claro que para aceitar tal proposição deve-
se examinar mais espécies dentro desses gêneros e principalmente
286
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
levar em consideração que a concentração desses minerais pode
variar com a idade e posição na árvore.
Fedalto eí al. (1989), observaram a ocorrência de cristais no
xilema de Enterolobium maximum Ducke (Mimosaceae) e Sterculia
speciosa K. Schum (Sterculiaceae) provenientes da Floresta Nacional
do Tapajós. Entretanto, amostras provenientes de outra região
(Curuá-Una) não apresentaram cristais no tecido radial. Isto,
entretanto, não exclui a possibilidade de sua ocorrência. Um caso
semelhante ocorreu com a amostra analisada de Goupia glabra Aubl,
onde foi observada a presença de cristais nos parênquimas axial e
radial. Entretanto, Vasconcellos et al. (1995), não observaram a
presença dessa incrustação mineral na sua amostra. Esta situação não
invalida a separação de espécies dentro de um mesmo gênero baseada
na presença de cristais.
Ao inferir nesse aspecto verifica-se que, sendo o cálcio um
ativador de enzimas e ocorrendo em quantidade considerável na parede
celular como pectato de cálcio (Salisbury & Ross 1985), as espécies
com grande concentração desse mineral nas suas células poderiam estar
ativando enzimas específicas inerentes àquela espécie, e que o excesso
estaria sendo acumulado na forma de oxalato ou carbonato de cálcio
no tecido.
Franceschi (1989) e Deshpandes & Vishwakarma (1992), por
outro lado, sugeriram que a formação desses cristais em certos tecidos
pode ser um fenômeno reversível e que pode representar uma reserva
de cálcio ao invés de resíduo devido ao excesso desse mineral.
Prior & Cutler (1992), por exemplo, argumentam que cristais
de oxalato de cálcio presente nas espécies de Acacia kanoo Linn.,
Acacia tortilis (Forssk.) Hayne (Mimosaceae), Cochlospennum
mepane (Cochlospermaceae) e Combretum apiculatum Sond.
(Combretaceae), são importantes nas propriedades retardantes de
287
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
fogo dessas espécies, isto porque, a combustão inicial produz
monóxido de carbono, o qual aumenta a temperatura para cerca
de 370° C fazendo com que o oxalato de cálcio se quebre liberando
oxigênio. Este, por sua vez, age como uma chama retardante e
promove uma combustão similar àquela do carvão vegetal. Nas
duas espécies do gênero Cassia analisadas (C. grandis Linn. e
C. leiandra Benth) observou-se uma abundância de cristais
presumivelmente oxalato de cálcio, no tecido xilemático, podendo-
se deduzir que estas espécies provavelmente possuem boas
propriedades retardantes de fogo.
A Tabela 2 apresenta as espécies cujas amostras não ocorreram
a presença de cristais.
Tabela 2 - Ocorrência de cristais nos elementos celulares observada no xilema
de espécies tropicais.
ESPÉCIE
PARÊNQUIMA RAIO FIBRA
Aldina heterophylla Benth.
Aldina latifolia Spr. Ex Bth.
Alexa grandiflora Ducke
Annoiia sericea Dun.
Apeiba aspera Aubl.
Apeiba burchellii Spargue
Apeiba echinata Gaertn.
Aspidosperma album R. Benth.
Aspidospenna obscurinervum Azambuja
Astronium lecointei Ducke
Bertlwlletia excelsa H.B.K.
Bocoa viridiflora (Ducke) Cowan
Bômbax globosum Aubl.
Bowdichia nítida Benth.
Brosimum acutifolium Huber
Brosimum rubescens Taub.
Byrsonima clirysophylla H.B.K.
Byrsonima coriacea Kunth.
Byrsonima sclwmburgkiana Benth.
Calophyllum angulare A.C.Smith
Calophyllum brasiliense Comb.
Carapa guianensis Aubl.
Cariniana brasiliense Casar
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
continua...
288
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
Tabela 2 - Ocorrência de cristais nos elementos celulares observada no xilema
de espécies tropicais. (Continuação)
ESPÉCIE
PARÊNQUIMA
RAIO
FIBRA
Carianiana decandra Ducke
X
Cariniana excelsa Casar
X
Carianiana integrifolia Ducke
X
Caryocar microcarpum Ducke
X
X
Caryocar villosum Pers.
X
X
X
Cassia grandis Linn,
X
X
X
Cassia leiandra Benth.
X
X
Catostema albuquerquei Paula
X
Catostema sclerophyllum Ducke
X
Cedrela odorata L.
X
X
Cedretinga cataneaformis Ducke
X
X
Ceiba pentandra Gaertn.
X
X
Clarisia racemosa R. et P.
X
X
Copaifera aromatica Dwyer.
X
Copaifera duckei Dwyer.
X
Copaifera guianensis Aubl.
X
Copaifera martii Hayne
X
X
X
Copaifera multijuga Hayne
X
Copaifera officinalis Will.
X
Copaifera reticulata Ducke
X
Cordia bicolor A.DC.
X
Cordia goeldiana Huber
X
Cordia sagotii J.M. Lobinsten
X
Corythophora alta R. Knuth.
X
Couma guianensis Aubl.
X
Couratari guianensis Aubl.
X
Couratari oblongifolia Ducke & Knuth.
X
X
Couratari stellata A.C. Smith
X
X
Couropita guianensis Aubl.
X
Crudia amazônica Spruce ex Benth.
X
Crudia oblonga Benth.
X
Crudia tomentosa Aubl.
X
X
X
Curupira tefeensis Black
X
Dicoryna macrophylla Ducke
X
Dimorphandra gigantea Ducke
X
Dimorphandra glabrifolia Ducke
X
Dimorphandra multiflora Ducke
X
Dimorphandra parviflora Benth.
X
Dimorphandra pennigera Tul.
X
X
X
Dimorphandra vernicosa Benth.
X
X
Dinizia excelsa Ducke
X
Diplotropis duckei Yakovlev
X
X
Diplotropis martiusii Benth.
X
Diplotropis purpurea (Rich.) Amsh.
X
Diplotropis racemosa (Hoehne) Amsh.
X
X
Diplotropis rodriguesii H.C.Lima
X
X
289
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Tabela 2 - Ocorrência de cristais nos elementos celulares observada no xilema
de espécies tropicais. (Continuação)
ESPÉCIE PARÊNQUIMA RAIO FIBRA
Dipteryx cordata (Ducke) R.S. Cowan
Dipleryx odorata Willd. X
Duckeodendron cestroides Kuhlm.
Emmotum glabrum Miers.
Emmoíum nitens Miers.
Emmotum orbiculatum Miers.
Endopleura ucbi (Huber) Cuatr. X
Enterolobium maximum Ducke
Enterolobium sclwmburgkii (Bergs)Nielti.
Eperua bijuga Mart. X
Eperua leucantha Benth. X
Erisma uncinatum Warm. X
Eschweilera sclwmburgkii (Bergs)Nield. X
Fagara compacta Huber ex Albuq.
Glycydendron amazonicum Ducke X
Goupia glabra Aubl. X
Hevea brasiliensis Muell. Arg. X
Hevea guianensis Aubl. X
Hevea spruceana (Benth. )Müll. Arg. X
Holopixidium jarana (Huber) Ducke X
Hura crepitans L. X
Hymenaea courbaril L. X
Hymenaea oblongifolia Hub. X
Hymenaea palustris Ducke X
Hymenaea parvifolia Hub. X
Hymenolobium modestum Ducke X
Hymenolobium pulcherrimum Ducke X
Inga brevialata Ducke X
Inga edulis Mart. X
Joannesia tieveoides Ducke X
Laetia procera (P. & E.) Eichl.
Laetia suaveolens Benth. X
Lecointea amazônica Ducke X
Lecythis usitata Miers. X
Mabea caudata Pax. Et. Hoffm. X
Macrolobium acaciefolium Benth. X
Malouetia duckei Ngf. X
Manilkara cavalcantei Pires & Rodr. X
Maquira sclerophylla C.C. Berg
Matisia ochrocalyx Schum. X
Micrandopsis scleroxylon W. Rodr. X
Minquartia guianensis Aubl. X
Mora paraensis Ducke X
Moronobea pulclira Ducke X
Ormosia coccinea (Aubl.) Jacks X
Ormosia costulata Kleinh. X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X X
X X
X
X
X
X
continua...
290
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
Tabela 2 - Ocorrência de cristais nos elementos celulares observada no xilema
de espécies tropicais. (Continuação)
ESPÉCIE PARÊNQUIMA RAIO FIBRA
Ormosia flava (Ducke) Rudd. X
Ormosia macrocalyx Ducke X
Ormosia nobilis var. nobilis Tul.
Ormosia paraensis Ducke X
Pachyra insignis Sav. X
Parahancornia amapa (Hub.) Ducke X
Parkia decussata Ducke X
Parkia multijuga Benth. X
Parkia opositifolia Spruce ex Benth. X
Parkia paraensis Ducke X
Parkia pendula Benth. X
Parkia ulei Kuhlm. X
Peltogyne catingae Ducke X
Peltogyne floribunda (H.B.K.) Benth.
Peltogyne paradoxa Ducke X
Piptadenia comunis Benth. X
Piptadenia suaveolens Miq. X
Pithecolobium amplissimum Ducke X
Pitliecolobium jupunba (Wiild.) Urb. X
Pithecolobium pedicellare (DC.)Benth.
Platymiscium ulei Harms. X
Poraqueiba guianensis Aubl.
Poraqueiba paraensis Ducke
Pterocarpus amazônicas Marth ex Benth.
Qualea albiflora Warm. X
Qualea cassiquiarensis Spruce ex Warb. X
Qualea paraensis Ducke X
Quararibea ochrocalyx Vischer X
Rinorea macrocarpa Kuntze. X
Rollinea insignis R.E. Fries X
Rollinia exsucca (Dum) A.DC X
Salix martiana Leyb. X
Scleronema micranthum Ducke X
Simarouba amara Aubl. X
Sloanea porphyrocarpa Ducke X
Spondia lutea Linn.
Sterculia speciosa K. Schum. X
Swartzia aptera DC X
Swartzia argentea Spr. Ex Benth. X
Swartzia benthamiana Miq. X
Swartzia corrugata Benth.
Swartzia laevicarpa Amsh.
Swartzia recurva Poepp. Ex Endl.
, Swartzia ulei Harms.
Tachigalia mymercophylla Ducke
Tachigalia pumblea Ducke
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X X
X X
X
X X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
continua...
291
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Tabela 2 - Ocorrência de cristais nos elementos celulares observada no xilema
de espécies tropicais. (Continuação)
ESPÉCIE
PARÊNQUIMA
RAIO
FIBRA
Tapirira guianensis Aubl.
X
Tapirira myriantha Tr. et Pl.
X
Tetagrastris trifoliata (Engl.) Cuart.
X
Triplaris surinamensis Cham.
X
Vantanea parvoflora Lam.
X
Vantanea uclii Lam
X
Vatairea sericea Ducke
X
Visrnia brasiliense Choisy.
X
Vochysia maxima Ducke
X
Voucapoua americana Aubl.
X
Zantlwxylum compactum Waterm.
X
X
Tabela 3 - Espécies estudadas que não apresentaram cristais.
Agonandra brasiliensis Micrs.
Agonandra salvalica Ducke
Anacardium spruceanum Benth ex. Engl.
Andira parviflora Ducke
Aniba afjinis Mezz.
Aniba burchellii Kosterm.
Aniba ferrea Kubitzki
Aniba hostamaniana (Nees) Mez.
Aniba saníalodora Ducke
Aniba terminalis Ducke
Anisopliylla manauensis Pires et Rodr.
Antonia ovata Phol,
Apeiba membranacea Spruee
Aspidosperma oblongum A.DC.
Astronium fraxinifolium Schott.
Bixa arbórea Huber
Bocageopsis multiflora R.E. Fries
Bômbax longipedicellatum Ducke
Brosimum parinariodes Ducke
Brosimum polabile Ducke
Calycophyllum spruceanum Benth.
Cecropia purpurascens C.C.Berg
Cedrela odorala L.
Chrysophyllum cuspidalum Hoehne.
Clarissa racemosa R & P.
Couma macrocarpa Barb. Rodr.
Manilkara amazônica Standl.
Manilkara sigueiraii Ducke
Mezilaurus decurrens Kost.
Mezilaurus itauba Taub.
Mezilaurus lindaviana Scliw. & Mez
Miconia affins DC
Micropholis gardnerianum (A.DC.)Pierre
Microplwlis venulosa Pierre
Mouriri brevipes Ilook.
Nectandra amazonicum Nees.
Nectandra rubra (mez) C.K. Allen
Nectandra spumea Kubitzki.
Neumaluma anomalum Baillon.
Ocotea coslulala Mez.
Ocotea cujumari Mart.
Ocotea cymbarum H.B.K.
Ocotea grandifolia Mez.
Ocotea guianensis Aubl.
Ocotea pallida Nees
Ormosia coutinhoi Ducke
Ormosia excelsa Benth.
Parinarium monthanum Huber
Polygonanthus amazonicus Ducke
Poraqueiba sericea Tul.
Pouteria guianensis Aubl.
Pouteria macrocarpa (Mart.) D. Dietr.
continua...
292
Ocorrência de cristais no tecido xilemático de espécies arbóreas tropicais
Tabela 3 - Espécies estudadas que não apresentaram cristais.
(Continuação)
Croton maturensis Aubl.
Dugetia iilei (Dielsj R.E. Fries.
Duguetia quiatarensis Benth.
Endlicheria arunciflora Mez.
Endticheria sericea Nees.
Euxylophora paraensis Huber
Guarea carinata Ducke
Guaterria cf sessilis R.E.Fries.
Gustavia elliptica Mor.
Ilimatanthus attenuata Woodson
Inga alba (SW.) Willd.
Iryantbera grandis Ducke
Iryanthera macrophylla
Iryantbera tricornis Ducke
Jacaranda amazonensis Vattimo
Jacaranda brasiliana Pers.
Jacaranda paraensis Vattimo
Laetia procera (P. et E.) Eichl.
Licania apetala (E. Mey) Fritseh.
Licania caudata Prance
Pouteria venosa (Mart.) Baehmi.
Pseudomedia laevigata Trec.
Pseudoxandra polypheba R.E. Fries
Pseudroxandra polyphylla
Pterandra arbórea Ducke
Pterocarpus roheii Vahl.
Qualea brevipedicellata Staflew
Qualea cff dinizii Ducke
Rauwolfia duckei Muell. Arg.
Ragala sanguinolenta Pierre
Saccoglotis guianensis Benth.
Schefflera morototoni (Aubl.) Decne et Plan
Scleronema praecox Ducke
Simaba guianensis Aubl.
Sterculia pilosa Ducke
Sterculia pruriens (Aubl.) Schum.
Swietenia macrophylla King.
Tabebuia barbata (E.Mey.) Sandwith.
Trichilia guianensis C.DC
Licania rigida Benth.
Licaria amara Kosterm.
Licaria canella Kosterm Ducke
Licaria guianensis Kosterm
Licaria vernicosa Kost.
Macoubea guianensis Aubl.
Unonopsis floribunda Diels.
Unonopsis guaterriodes (A.DC.) R.E.Fries
Virola albidiflora Ducke
Virola calophylla Warb.
Virola cuspidata (Benth.) Warb.
Virola elongata Warb
Virola guggenheimii W. Rod.
Virola loretensis A. C. Smith
Virola michela Heckel.
Virola pavonis Smith
Virola venosa Warb.
Vismia duckei Maguire
Vochysia guianensis Aubl.
Vochysia inundata Ducke
Vochysia obscura Warm.
Vochysia vismiaefolia Spr. Ex Warm.
Xylopia aromatica (Lam.) Mart.
Xylopia benthamii R.E. Fries.
Zanthoxylum rhoifolium Lam.
continua...
293
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
CONCLUSÕES
• O parênquima axial, é notadamente o elemento celular onde
ocorre com maior freqüência, a presença de cristais (77%), sendo
característica comum em alguns gêneros.
• Existe, entretanto, a necessidade de estudos específicos visando
evidenciar os cristais como característica taxonômica; assim como,
para determinar o grau de influência sobre o processamento mecânico
das madeiras que possuem essa incrustação mineral.
• Os cristais podem ser importantes nas propriedades retardantes
de fogo.
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Recebido em; 17.08.00
Aprovado em: 09.07.01
295
CDD: 584.904526367
O GÊNERO PANICUM L. (GRAMINEAE/POACEAE)
NA RESTINGA DA PRAIA DA PRINCESA, APA DE
ALGODOAL/MAIANDEUA, MARACANÃ, PARÁ'
Antônio Elielson Sousa da Rochar
Maria de Nazaré do C. Bastos^
Ricardo de Souza Secco^
RESUMO - O gênero Panicum L. na restinga da Praia da Princesa,
Maracanã, Pará Brasil, está representado pelas seguintes espécies:
P. discrepans, P. laxum, P. polycomum, Ptrichoides. Para facilitar a
identificação das mesmas são fornecidas uma chave dicotômica,
distribuição geográfica, sinonímia, ilustrações, bem como
comentários adicionais sobre tais táxons. Dentre as espécies
estudadas, algumas apresentam potencial forrageiro e outras são
fixadoras de dunas.
PALAVRAS-CHAVE: Panicum, Poaceae, Taxonomia, Restinga.
ABSTRACT — The genus Panicum L. on the Coastal “Princesa ” Beach
in the municipality of Maracanã, Pará, Brasil, is represented by the
following species: P. discrepans, P. laxum, P. polycomum,
P. trichoides. Some of the studied species have potencial as forage
plants for animais, and other are anchoring the duns against erosion.
A key for the species and data on geographical distribuition are
presented. The four species are illustrated
KEY WORDS: Panicum, Poaceae, Taxonomy, Sandy Coastal.
' Parte da Dissertação de Mestrado em Biologia Vegetal Tropical do primeiro autor, pela
Faculdade de Ciências Agrárias do Pará-FCAP.
^ MCT-Muscu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Bolsista. Caixa Postal 399.
Cep: 66040-170, Belém-PA. E-mail: aeliclson@boI.com.br
’ MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Pesquisadores. Caixa Postal 399.
Cep; 66040-170, Belém-PA. E-mails: nazir@museu-goeldi.br; rsecco@museu-goeldi.br
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INTRODUÇÃO
Para o litoral brasileiro, os trabalhos tratando exclusivamente das
Gramineae (Poaceae) são raros. Aqueles especificamente taxonômicos
são ainda em menor quantidade, podendo-se destacar entre os mais
recentes o de Silva (1997), que trata das espécies do litoral arenoso e
do manguezal da ilha do Cardoso, no litoral do estado de São Paulo; e
o de Sarahyba (1993), que trata das Poaceae da Área de Proteção
Ambiental de Massambaba, no litoral do Rio de Janeiro.
No estado do Pará, mesmo com a intensificação dos estudos sobre
a vegetação de restinga a partir da década de 90, destacamos apenas o
de Vicente ei al. (1999), que tratam da família Tumeraceae A.P. de
Candolle, justamente para a ilha de Algodoal. Com relação as
Gramineae, não temos conhecimento de nenhum estudo desta natureza,
exceto listagens de espécies citadas em estudos fitossociológicos, como
os de Bastos (1996) e Santos & Rosário (1988).
O gênero Panicum L. é um dos mais importantes dentro da família,
possui aproximadamente 500 espécies que habitam, preferencialmente,
as regiões tropicais e subtropicais, com algumas estendendo-se às
regiões temperadas (Zuloaga 1975). Ao longo do litoral brasileiro a
presença de Panicum é confirmada em diversas listagens, de norte a
sul (Rocha 2000).
Na Restinga da praia da Princesa, o gênero Panicum está
representado por 4 espécies, todas ocorrendo na formação campo entre
dunas, o que difere do que foi observado por Sarahyba (1993) no litoral
do Rio de Janeiro, onde as espécies deste gênero ocorrem nas formações
halófila e psamófila reptante.
O objetivo do presente trabalho é o estudo taxonômico das espécies
de Panicum ocorrentes na restinga da praia da Princesa, como forma
de contribuir para o conhecimento das Poaceae do litoral paraense,
como parte de um estudo taxonômico que vem sendo realizado pelo
autor na referida área.
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o gênero Panicum L. (gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
MATERIAL E MÉTODOS
Área de Estudo
A ilha de Algodoal pertencente à APA de Algodoal/Maiandeua,
localiza-se no litoral nordeste do Pará, no município de Maracanã, entre
as coordenadas geográficas de 00° 34’ 4” a 00° 34’30” S e 47° 3 1 ’ 05”
a 47° 34’ 12’ W. (Figura 1). O solo na Ilha está representado por cinco
unidades taxonômicas dominantes, Podzólico Amarelo, Pdzol
Hidromórfico, Areia Quartzoza, Solo Aluvial, Solo Aluvial Sódico e
Soloncchak Sódico (Amaral 1998).
A Ilha é constituída por vegetação de manguezal nas porções sul,
centro e norte; campos hiper-salinos (apicuns) no interior ou próximo
ao manguezal, e vegetação de restinga cobrindo grande parte da planície
arenosa, na porção norte, nordeste e oeste.
A área de estudo é a restinga da Praia da Princesa, localizada na
parte norte da Ilha, desde a zona de preamar até o contato com o
manguezal. A área é de aproximadamente 800 metros, e está
constituída, segundo Bastos (1996), por cinco formações vegetais
distintas: psamófila reptante, brejo herbáceo, campo entre dunas, campo
arbustivo aberto e mata de Myrtaceae.
Coleta do material
As coletas foram realizadas no período de um ano, iniciando-se
em maio de 1998. Durante este período foram realizadas 4 visitas ao
local, em estações climáticas diferentes no ano, duas no período de
maior intensidade pluviométrica e duas no período de menor
intensidade. Em cada coleta foi percorrida toda a faixa delimitada como
área de estudo, no sentido mar/continente e no sentido paralelo à praia,
nas diversas formações vegetais. Os procedimentos para tratamento
do material coletado foram baseados em Filgueiras (1992).
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escala : 1:100.000
Figura 1 - Localização da área de estudo, restinga da praia da Princesa, APA de Algodoal/
Maiandeua, Maracanã, Pará.
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Além da coleta, foram visitados os Herbários do MG, lAN e
IBGE. O material seco utilizado foi preparado em solução de amónia
70%, as espécies foram devidamente medidas e ilustradas com auxílio
de lupa Zeiss equipada com câmara clara. As partes analisadas foram
a inflorescência e espigueta, abreviadas como (inf) e (esp),
respectivamente, no material examinado.
Os sinônimos adotados para as espécies em estudo foram
extraídos dos seguintes autores: aqueles referidos por Cremers & Hoff
(1993) são adotados para Panicum polycomum Trin., P. laxum Sw.;
aqueles referidos por Renvoize (1984) são adotados para Panicum
trichoides Sw.
TRATAMENTO TAXONÔMICO
Panicum L., Sp. Pl. 55: 1753.
Milium Adans, Fam. 2: 34. 1763, non L. 1753.
Eatonia Raf., Phys. Chim. Hist. Nat. Arts 89: 104. 1819.
Talasium (Thalasium) Spreng., Syst. 4, pt. 2:22. 1819.
Coleataenia Griseb., Symb. Fl. Argent. In Goett. Abh. 24: 308.
1879.
Phanopyrum Raf. Ex Nash in Small, Fl. Southeast. U.S. 104,
1327. 1903.
Steinchisma Raf. Ex Nash in Small, Fl. Southeast. U. S. 105,
1327. 1903.
Chasea Nieuwland, Am. Midland Nat. 2: 64. 1911.
Neohusnotia A. Camus, Buli. Mus. Paris 26: 664. 1920.
Polyneura A. Peter, Fedele Rep. Spec. Nov. Beih. 40, pt. 1: 203.
1930.
Dichanthelium F. W. Gould, Brit. 59. 26: 1974.
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ERVAS anuais e perenes; colmos eretos ou decumbentes,
cespitosos ou rastejantes, estoloníferos; bainhas abertas, arredondadas
ou raramente carenadas; lígula membranácea, glabra, pilosa, ou com
uma fileira de tricomas; lâmina linear a ovada. INFLORESCÊNCIA
panícula aberta ou contraída, racemosa, terminal ou axilar.
ESPIGUETAS lanceoladas até subglobosas ou obovoides, dorsalmente
comprimidas, sem arista, 2 flósculos; primeira gluma herbácea,
Vj- V 3 do tamanho da espigueta, raramente ausente; segunda gluma
semelhante ao lema estéril; flósculo inferior neutro ou masculino; lema
superior cartilaginoso, rígido, liso e lustroso, com margens abraçando
a pálea semelhante; lodículas 2; estames geralmente 3; estigmas 2,
plumosos. CARIOPSE elipsóide ou globoso.
Espécie-tipo: Panicum miliaceum L.
Chave para separação das espécies de Panicum da Restinga
da Praia da Princesa
1- Flósculo fértil piloso na base e no ápice, primeira
gluma 1 P. discrepans
V - Flósculo fértil glabro ou levemente piloso apenas no ápice, pálea
presente
2- Lígula membranácea glabra, lâmina até 2,5 cm de
comprimentos 2 P polycomum
2’- Lígula membranácea ciliada, lâmina acima de 3 cm
de comprimentos
3- Lâmina 8-12 cm de comprimento, linear-lanceolada,
base subcordata, espiguetas solitárias, segunda gluma
5 -nervada 3 p laxum
3’- Lâmina 3-6 cm de comprimento, ovada-lanceolada,
base cordata, espiguetas pareadas, segunda gluma
3 -nervada 4 P. írichoides
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1. Panicum discrepans Doell in Mart., Fl. Bras. 2 (2); 252. 1877.
Tipo. Brasil, Spnice 602 (Síntipo, MO). (Figura 2).
ERVA perene; colmo 20-30 cm de compr., decumbente a
largamente reptante, enraizando na base, ramificado; nós e entrenós
glabros; bainha pilosa nas margens e parcialmente pilosa na face adaxial;
lígula com 1 fileira de tricomas, membrana ausente; lâmina 1,5-7 cm
de compr., 3-7 mm de larg., plana, pilosa. INFLORESCÊNCIA 2,5-
3,5 cm de compr., piramidal, terminal, contraída, ascendente; racemos
glabros, até 30, 2 cm de compr.. ESPIGUETA 1,2-1,6 mm de compr.,
0,5-0,7 mm de larg., solitária, achatada dorsalmente, aguda, glabra ou
esparsamente pilosa; segunda gluma 3-nervada; lema inferior
semelhante à segunda gluma, 1,2- 1,6 mm de compr., 0,5-0,7 mm de
larg., 3-nervado, glabro ou esparsamente piloso; pálea estéril ausente;
flósculo fértil, 1,1-1,3 mm de compr., 0,5-0,6 mm de larg., liso, brilhante,
piloso na base e ápice; lodículas 2, ápice irregular 0,3-0 ,4 mm de compr.,
0,2 mm de larg.; anteras amareladas. CARIOPSE não observada.
Distribuição Geográfica: Cuba, Costa Rica, Venezuela, Guianas
e Brasil (Davidse etal. 1994).
Material Examinado: BRASIL. Maranhão: AltoTuriaçu, entre
Araguanã e Nova Esperança, campo baixo, 28-XI-1978 (esp), J.
Jangoux & R.P Bahia 01 (MG); Amazonas: Humaitá, Rio Madeira,
“Banks” do Rio Ipixuna, 26-XI-1966 (esp), G. T Prance et al. 3345
(IBGE); Mato Grosso: Córrego do gato, 3-X-1968 (esp), Harley et
al. 10.444 (lAN); Pará: Belterra, campo úmido, lO-X-1978 (esp), R.
Vilhena et al. 201 (MG); Maracanã, Ilha de Algodoal, Restinga da
Praia da Princesa, margens de lagos temporários, campo entre dunas,
02-11-1991 (esp), M.N.C. Bastos et al. 722 (MG); Altamira, Ilha do
Inferno Verde, 28-XI-1986 (esp), A. Dias et al. 630 (MG).
Patiicum discrepans diferencia-se das demais especies do genero
ocorrentes na área, por apresentar inflorescência piramidal contraída e
flósculo fértil com ápice e base pilosos. Parece ser boa forrageira
(Black 1950).
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inflorescência; c: Detalhe da raque; d: Espigueta - lado da segunda gluma; e: Segunda gluma
em vista dorsal; f: Lema estéril em vista dorsal; g: Lema fértil em vista dorsal; h: pálea em vista
dorsal; i: Lígula; j; Flor.
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Na restinga da praia da Princesa, P. discrepans forma pequenas
populações com indivíduos esparsos na formação campo entre dunas,
sempre no período chuvoso. Os indivíduos vegetam nas margens de
lagos temporários, podendo ser encontrados também sobre dunas.
Foram observados indivíduos de P. discrepans em floração entre
os meses janeiro a fevereiro.
2. Panicum polycomum Trin., Mém. Acad. Sei. Pétersb. Sér. 6, 3: 306.
1834. Tipo. R. das Guianas (? LE ). (Figura 3)
Panicum siceaneum Trin., Linnaea 10: 298. 1836.
P. obovaíum Doell in Mart., Fl. Bras. 2(2): 256. 1877.
P. perpusillum Benoist, Buli. Mus. Nat. D’Hist. Nat. (Paris) 22:
277. 1950.
P. tamayonis Luces, Boi. Soc. Venez. Cienc. Nat. 15:24 F. 17.
1953.
P. /roeríf Swallen, Phytologia. 14(2):70. 1966
ERVA anual, cespitosa; colmos delgados, eretos ou ascendente,
8-20 cm de compr., ramificado; nós e entrenós glabros; bainha mais
curta que os entrenós, 5-8 mm de compr., margens ciliadas, dorso glabro
a esparsamente piloso; lígula membranácea, com margem recortada;
lâmina, 0,5-2,5 cm de compr., 1-3 mm de larg., plana ou involuta, glabra
a esparsamente pilosa no dorso, apressa ou ascendente, estreitamente
lanceolada, acuminada. INFLO RESCÊNCIA panícula oval, 5-15
espiguetas, flexuosa, 1-3 cm de compr., esparsamente ramificada,
racemos e pedicelos muito finos. ESPIGUETA elíptica, obovada ou
subglobosa, 1-1,5 mm de compr., 0,6-0,8 mm de larg., glabra a
esparsamente pubescente; primeira gluma V^- do comprimento da
espigueta, uninervada, ligeiramente acuminada, triangular-ovada com
tricomas esparsos; segunda gluma do comprimento da espigueta, ovada,
5-nervada, esparsamente pubescente, quando madura dobrando-se,
mostrando o ápice do lema fértil; lema fértil semelhante a segunda gluma
mas 3-nervada; pálea estéril ausente; flósculo fértil liso, brilhante.
CARIOPSE não observada.
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Distribuição Geográfica: Guianas e Brasil (Renvoize 1984).
Material Examinado: BRASIL. Pará: Marabá, Serra dos
Carajás, campo, 3-IV-1977 (esp), M. Silva et al 3023 (MG); Tucuruí,
Margem do Rio Tocantins, campina de areia branca, 30-V-1980 (esp),
M. Silva & C. Rosário 5263 (MG); Região do Ariramba, Campo da
Taboleta, 30-V-1957 (esp), G.A. Black et al. 57-19780 (lAN); Vigia,
Campina da Palha, savana, 31-III-1980 (esp), G. Davidse etal 17686
(MG); Colares, campina, 16-VIII-1913 (esp), A Duck 12566 (MG);
Marapanim, Vila de Marudá, Praia do Crispim, campo, 16-VI-1991
(esp), M.N.C. Bastos et al 1057 (MG); Maracanã, Ilha de Algodoal,
Restinga da Praia da Princesa, campo entre moitas, rocinha, 19- VI-
1991 (esp), M.N.C. Bastos et al. 853 (MG); ibidem sobre dunas, 20-
111-1999 (esp), A.E.S. Rocha 22 (MG);
Na restinga da Praia da Princesa, P. polycomum pode ser
encontrada vegetando nas formações campo arbustivo aberto e campo
entre dunas, desempenhando um importante papel na fixação das dunas
devido, principalmente, ao seu rápido crescimento, formando uma
superfície protetora.
Em geral, as populações desta espécie na restinga da Princesa são
densas.
Foram observados indivíduos de P. polycomum em floração entre
os meses dejaneiro ajunho.
3. Panicum laxum Sw., Prodr. Veg. Ind. Occ.: 23. 1788; Doell in
Martius, Fl. Bras. 2(2): 212. 1877. Tipo. Jamaica, Swartz
(Holótipo, S). (Figura 4)
Panicum agrostidifon7ie Lam.,Tah\.Encyc\. 1: 172. 1791
P. tenuiculmum G. Meyer., Prim. Fl. Esseq. 58. 1818.
P. leptomerum Presl., Rei. Haenk. 1:311. 1830
P. diatidrum Kunth., Rer. Gram. 2: 393. Pl. 110. 1831.
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Agrostis nigrecens Salzm. ex Steud., Nom. Bot. Ed. 2.1: 41. 1840,
nom. nud., Syn. Pl. Glum. 1:65. 1854.
P. psilanthum Steud., Syn. Pl. Glum. 1: 66. 1854.
P. ramuliflorum Hochst. ex Steud., Syn. Pl. Glum. 1: 65. 1854.
P agrostis Ness ex Doell in Mart. Fl. Bras. 2(2): 213. 1877.
P. liiticola Hitchc., Contr. U.S. Nat. Herb. 22: 485. F. 82. 1922.
Panicum caroniense Luces, Boi. Soe. Venez. Cienc. Nat. 15:26.
F. 18.1953.
ERVA perene, 20-100 cm de alt., colmos eretos a decumbentes,
moles, geniculados para a base; nós escuros, glabros, os inferiores
ramificando-se, produzindo raízes; entrenós glabros e comprimidos;
bainha carenada com uma margem membranácea e outra ciliada; lígula
diminutamente ciliada; lâmina, 8-12 cm de compr., 0,8-1 mm de largura,
linear lanceolada, subcordada na base, ligeiramente escabrosa nas
margens. INFLORESCÊNCIA laxa, terminal, solitária, piramidal,
7-15 cm de compr., racemos alternos, raque angulosa. ESPIGUETA
1.3- 1.5 mm de compr., oblongo-elíptica, largo-subaguda, geralmente
pareada com pedicelos desiguais; primeira gluma ca. do
comprimento da espigueta, 3-nervada com nervura central levemente
escabrosa; segunda gluma ligeiramente mais curta que o lema estéril,
5-nervada, 1.2-1. 3 mm de compr.; lema estéril semelhante à segunda
gluma, mas 3-nervado; pálea estéril lanceolada, hialina, nervuras
levemente escabrosas; flósculo fértil agudo-lanceolado, pouco mais
curto que o lema estéril, liso e brilhante; lema fértil 3-nervado; pálea
fértil com ápice levemente escabroso; anteras 3. CARIOPSE não
observada.
Distribuição geográfica: México, Brasil, Paraguai c Argentina.
(Cremers & Hoff, 1993).
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o género Panicum L. (gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Material Examinado: BRASIL. Pará: Vigia, Savana, 29-III-
1980 (esp), G. Davidse et al. 17594 (MG); Bom Fim, Rio Juruá, 1 1-
XI-1900 (esp), Ule 5305 (MG); Almerim, Monte Dourado, B. Pacanari,
13-V-1986 (esp), M.S. Pires & N. Silva 916 (MG); Conceição do
Araguaia, floresta de galeria, 24-11-1980 (esp), T. Plowman et al. 9107
(MG) Jacundazinho, Praia arenosa, 9-VI-1949 (esp), G.A. Black 49-
8014 (lAN); Marabá, Serra dos Carajás, campo rupestre, 17-III-1984
(esp), M. Silva et al. 1 855 (MG); Marapanim, Praia do Crispim, restinga,
margem de córrego, 14-VI-1991 (esp), MA. C. Bastos et al. 1105 (MG);
Maracanã, Ilha de Algodoal, Restinga da Praia da Princesa, campo
entre dunas, 15-IX-1999 (esp), A.E.S. Rocha 25 (MG).
Panicum laxum desenvolve-se preferencialmente em solos alterados,
comuns nas capoeiras, raramente nos capoeirões (Smith et al. 1982). A
espécie é rara na restinga da Praia da Princesa, sendo encontrada
vegetando na formação campo entre dunas, às margens de lagos ou em
áreas úmidas e ligeiramente sombreadas; Black (1950) trata esta espécie
como ruderal, sendo que o mesmo é dito por Cabral-Freire & Monteiro
(1993) no litoral maranhense, no entanto na área de estudo a ocorrência
desta espécie se dá também em áreas não impactadas.
Panicum laxum fornece forrageira tenra, de qualidade regular,
que em alguns lugares desfruta de melhor reputação (Corrêa 1926).
Foram observados indivíduos de P. laxum em floração entre os
meses de junho a dezembro.
4. Panicum trichoides Sw., Prodr. 24. 1788. Tipo. Jamaica, Swartz
(holotipo, S). (Figura 5)
Panicum capillaceum L., Tab. Encycl. 1:173. 1791; Doell in
Martius, Fl. Bras. 2(2): 249. 1877.
P. micranthum H. B. K., Nov. Gen. & Sp. 1: 105. 1815.
ERVA anual; colmos 10-70 cm de compr., decumbentes,
ramificados; nós e entrenós pilosos; bainhas arredondadas, estriadas,
pilosas, ciliadas, 1-4 cm de compr., 2-4 mm de larg.; lígula curta,
membranácea, ciliada; lâmina 3-6 cm de compr., 0,6- 1,5 cm de larg..
310
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
o gênero Panicum L. (gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
ovada a ovado-lanceolada, plana, esparsamente pilosa em ambas as
faces, do ápice à base, assimétrica, base cordata e ligeiramente
amplexicaule. INFLORESCÊNCIA 5-45 cm de compr., terminal e
axilar, laxa ou densa, racemos até 30, 2-6 cm de compr.; raque pilosa,
escabrosa. ESPIGUETA 1, 1-1,3 mm de compr., 0,6-0 , 8 mm de larg.,
solitária, pubescente, aplanado-convexa, subaguda; primeira gluma 0 , 6 -
0,8 mm de compr., 0, 5-0,7 mm de larg., do comprimento da
espigueta, pilosa, 3-nervada, aguda, deltoide; segunda gluma, 1-1,2
mm de compr., 3-nervada, pilosa, sub aguda; lema estéril 1,2- 1,5 mm
de compr., 3-nervado, piloso, subagudo; pálea estéril 0,5-0,7 mm de
compr., 0 , 2 - 0,3 mm de larg., V,- V 3 do comprimento do lema estéril,
subaguda, pilosa; flósculo fértil 0,8-l,2 mm de compr., 0,5-0,6 mm de
larg., subagudo, liso, brilhante. CARIOPSE não observada.
Distribuição Geográfica: Em toda a América Tropical,
introduzida na África Tropical e Malásia. (Renvoize 1984)
Material Examinado: BRASIL. Tocantins; Pium, Ilha do
Bananal, Parque Nacional do Araguaia, 29-III-1999 (esp), M. A. Silva
etal 4213 (IBGE); Ceará; Paramgaba, Taperaóba, 18-VI-1955 (Inf),
G.A. Black 55-18350 (lAN); Pará; Maracanã, Ilha de Algodoal,
restinga da Praia da Princesa, sobre dunas, Ol-VII-1992 (esp), L.C.
Lobato et al. 492 (MG);
Panicum trichoides é muito semelhante a P. trichantliurn Nees,
mas diferencia-se por apresentar espiguetas glabras e primeira gluma
muito curta, em forma de escama (Renvoize 1984).
Na restinga da Praia da Princesa, P. trichoides encontra-se
principalmente na base das dunas, com preferência por terrenos abertos
e cultivados. Fornece forragem de boa qualidade. É considerada como
uma das boas Poaceae forrageiras do Brasil, sendo mais utilizada para
pastagem direta que para feno, mas devido ser pouco resistente ao
pisoteio e relativamente fraca na luta contra outras plantas, é pouco
utilizada (Corrêa 1926).
Foram observados indivíduos de P. trichoides em floração entre
os meses de junho a dezembro.
311
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Figura 5 - Panicum trichoides Sw. (LC. Lobato et al. 492). a: Hábito; b: Detalhe da
inflorescêneia; c: Espigueta - lado da primeira gluma; d: Primeira gluma em vista dorsal; e:
Segunda gluma em vista dorsal; f: Lema estéril em vista dorsal; g: Pálea estéril em vista
dorsal; h: Lema fértil em vista frontal;!: Pálea fértil em vista frontal; j: Lígula; 1: Flor.
312
o gênero Panicum L. (gramineae/poaceae) na restinga da praia da princesa...
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér Bot. 17(2), 2001
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ZULOAGA, F. 1975. El genero Panicum (Gramineae) en la Provincia de Jujuy.
Boi. Soei. Argent. Botá., 16(4):420-425.
Recebido em: 20.09.00
Aprovado em: 09.07.01
314
V
FENOLOGIA FLORAL DE VIROLA
SURINAMENSIS (Rol.) WARB. (MYRISTICACEAE)
Cléo Gomes da Mota'
Mário Augusto G. Jardim^
Milton Guilherme Mota^
RESUMO - É apresentada a fenologia floral de Virola surinamensis
(Rol) Warb. visando contribuir no entendimento da dinâmica
evolutiva da espécie e na estrutura floral. O estudo foi desenvolvido
em uma população natural, localizada no campus da Faculdade de
Ciências Agrárias do Pará, em Belém, estado do Pará, durante os
anos de 1998 a 1999. O desenvolvimento reprodutivo foi
acompanhado desde a formação dos botões florais, formação dos
frutos e mudanças nas características florais como cor e odor.
Veriflcou-se que a espécie é dióica, suas flores são unissexuais,
amarelas, variando de amarelo pálido a ouro; possuem odor suave
e adocicado, com antese diurna para ambos os sexos. As
inflorescências masculinas apresentam maior display floral, isto é,
são maiores (conspícuas) com maior número de flores e maior
duração do display floral quando comparadas as femininas. As
flores pistiladas são maiores em largura e as estaminadas em
comprimento. O ciclo de vida das inflorescências masculinas (54
dias) foi maior que das inflorescências femininas (35 dias), o mesmo
aconteceu para o período em que as flores das inflorescências
permaneceram acessíveis aos agentes visitantes (masculinas 24 dias
e femininas 16 dias). Em termos de unidade floral, as flores
' FCAP-Faculdadc de Ciências Agrárias do Pará. Mestre em Agronomia, Av. Tancredo Neves,
s/n. Cep 66077-530, Belém-PA.
^ MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botâniea. Pesquisador. Caixa postal
399, Cep 66040-170, Belêm-PA, E-mail: jardim@museu-goeldi.br
’ FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor Visitante. Av. Tancredo Neves, s/n.
Cep 66077-530. Belêm-PA. E-mail: mota@amazon.eom.br
315
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
estaminadas são efêmeras, duram em média 24 horas e as pistiladas
persistentes, com durabilidae média de sete dias; os mecanismos de
atração dos visitantes das plantas masculinas devem-se à grande
quantidade de flores oferecidas por um período mais prolongado,
isto é, grande display floral, oferecendo como recurso o pólen e
odor. O odor foi mais intenso durante o período da manhã.
PALAVRAS-CHAVE: Virola surinamensis, Fenologia floral, Biologia
reprodutiva de plantas.
ABSTRACT — Study about floral fenology of Virola surinamensis
(Rol.) Warb were realized for understanding of the evolutionary
dynamics of floral structure the species and for future works. The
study was developed in a natural population located in the Faculted
Agrarian Science of Pará during 1998 to 1999. The reproductive
development was accompanied from the formation of the floral
buttons to the fruits formation changes in the floral characteristic
as color and scent. The masculine inflorescences presents larger
floral display and number of flowers in long time cycle of life (54
days), when compared with feminine inflorescences (35 days). The
floral unit, the flowers estaminate is ephemeral, they last 24 hours
and the persistent pistilate on the average with médium duration of
seven days. The scent was felt with larger intensity during the period
of the morning.
KEY WORDS: Virola surinamensis. Floral fenology, Reproductive
biology plants.
INTRODUÇÃO
Virola surinamensis (Rol.) Warb. é uma espécie dióica e pertence
à família Myristicaceae considerada filogeneticamente como uma das
famílias mais primitivas (Rodrigues 1980 e Bawa 1980). É encontrada
em altas concentrações em áreas de várzea e igapó da bacia amazônica.
Na região do estuário representa importante fonte comercial, em
função da utilização do óleo de suas sementes pelas indústrias de
cosméticos. Entretanto, a principal utilização industrial está na madeira,
que possui boas características para uso na construção civil, fabricação
de cabos de vassoura e indústrias de compensados e laminados.
316
Fenologia floral de Virola Surinarnensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
A grande pressão nas populações naturais da espécie tem
despertado o interesse da comunidade científica para realização de
pesquisas que visem obter conhecimentos básicos e subsídios
biológicos para programas de conservação, manejo, aspectos
evolutivos do taxa e no melhoramento genético.
A fenologia floral de uma espécie faz parte dos estudos de
sua biologia reprodutiva. Tais estudos são importantes para
reprodução sexual e adoção de estratégias para cruzamento com
outras espécies do gênero. O nível de assincronismo de épocas de
floração, da receptividade do estigma e comportamento floral
podem determinar o isolamento reprodutivo de um taxa em relação
ao outro, portanto, pode-se contribuir para estudos evolutivos do
grupo (Venturieri & Silva 1997). Nesta pesquisa determinou-se a
fenologia floral da Virola surinarnensis (Rol.) Warb., visando
contribuir com informações para o entendimento da dinâmica
evolutiva e da estrutura floral da espécie.
MATERIAL E MÉTODOS
Localização da área de estudo
O estudo foi realizado em uma área de várzea localizada no
campus da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, próximo a bacia
do igarapé Murutucum, lado direito do rio Guamá, município de
Belém, estado do Pará. Apresenta as coordenadas geográficas
01° 27’ 253 e 0r27’ 399 latitude S e 48‘’26’026 e 48‘’26’ 148
longitude W Gr. A altitude no ponto mais alto da área de estudo é
41m. O clima de acordo com Kõppen é do tipo Afi. A precipitação
média anual é de 2900 mm e a temperatura média anual é de 25‘’C,
variando entre 21 e 3rC. A umidade relativa está em tomo de 84%;
e a insolação anual é de 2219 horas e os meses mais chuvosos de
janeiro a março.
317
SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Obtenção dos Dados
Os dados fenológicos foram coletados com auxílio de duas torres
metálicas do tipo andaime com cerca de 20 metros de altura, instaladas
próximo da copa de 10 árvores masculinas e 10 femininas para
visualização das inflorescências e flores individuais. O período de
observação das fenofases florais masculinas foi janeiro de 1998 a
Janeiro de 1999 e das fenofases florais femininas de junho de 1998
a agosto de 1999, nos dois casos com avaliação das flores
diariamente. As observações compreenderam os estádios de
desenvolvimento, desde a formação do primórdio floral até a
completa formação de sua arquitetura e o tempo decorrido até a
abscissão total das flores nas inflorescências. Foram utilizados
binóculo e lupa micrométrica.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Plantas Masculinas
Durante o período de estudo foram registrados dois picos de
floração. As árvores masculinas iniciaram o primeiro pico de
floração na segunda metade do mês de abril, tendo seu auge em
maio. Ao final deste mês surgiram novos primórdios florais, que
originaram um outro pico de floração em junho e julho, findando
em agosto. A floração foi contínua, durou em média 102 dias. No
mês de julho foi observado o maior número de árvores, de ambos
os sexos, florescendo na população. O outro período de floração
das árvores masculinas iniciou em novembro, estendendo-se até o
início do mês de janeiro, durou em média 90 dias. A floração das
plantas femininas foi difícil de ser percebida, pois foi inconspícua,
enquanto que na masculina foi conspícua a distâncias maiores que
50 metros, visto que a cor amarelo das inflorescências contrastou-
se com o verde das folhas.
A Figura 1 mostra os estádios de desenvolvimento da
inflorescência masculina e sua respectiva arquitetura floral.
318
cm
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Fenologia floral de Virola Surinamensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
Ç)>.
^
9 ^
Estádio Estádio Estádio 03 Estádio
01 02
9 ^
Estádio
^ 06
Estádio 09
Figura 1 - Estádios de desenvolvimento da inflorescência masculina de Virola surinamensis
(Rol.) Warb. e sua respectiva arquitetura floral, em uma população natural localizada no
Campus da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, no período de 1998 a 1999.
319
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11
14
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
O estádio 01, ou seja, o primórdio floral corresponde ao
surgimento no ápice do ramo de um botão coberto por um par de
brácteas que se abre longitudinalmente. O processo de abscissão das
brácteas ocorre conforme o crescimento do botão, entretanto, elas só
desprendem-se quando os botões qile irão formar o primeiro par de
ráquilas laterais, abrirem-se lateralmente, afastando-se do botão que
iria formar a raque central (ou eixo central). O estádio 02 foi atingido
em média dez dias após o estádio 01, correspondeu a formação da
primeira tríade^ , ou seja, a primeira trifurcação na raque central, que
originará o primeiro par de ráquilas opostas. No estádio 03, formou-
se o segundo par de ráquilas na raque central. No primeiro par de
ráquilas formou-se a primeira tríade. Os botões que iriam originar o
terceiro par de ráquilas começaram a afastar-se lateralmente. Do
estádio anterior a este decorrem em média mais sete dias, totalizando
17 dias. No estádio 04, o segundo par de ráquilas continuou a crescer
e teve inicio a formação do terceiro par de ráquilas (opostas). Este
estádio foi atingido após 21 dias. No estádio 05 houve a formação da
segunda tríade (sub-ráquilas) no primeiro par de ráquilas. No segundo
par de ráquilas formou-se a primeira tríade. O terceiro par de ráquilas
continuou a se desenvolver. Neste estádio teve início a formação do
quarto par de ráquilas (alternas) da raque central. Este estádio foi
atingido após 26 dias. O estádio 06 ocorreu em média, apenas dois
dias após o estádio 05, totalizando cerca de 28 dias. Neste estádio,
formou-se no primeiro par de sub-ráquilas do primeiro par de ráquilas,
a primeira tríade. O segundo par de botões que iriam formar o segundo
par de sub-ráquilas, continuou a crescer e o botão apical desta raque
perdeu suas brácteas, porém, os botões ainda continuaram juntos.
No segundo par de ráquilas houve a formação do primeiro par de sub-
ráquilas. O terceiro e o quarto par de ráquilas continuaram crescendo.
No estádio 07 formou-se a segunda sub-ráquila do primeiro par de
ráquilas, neste formou-se também a terceira tríade de botões.
No segundo par de ráquilas teve início a formação da terceira tríade.
Trifurcação resultante do desenvolvimento dos meristenias apical e secundários.
320
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Fenologia floral de Virola Surinamensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
No terceiro par de ráquilas formou-se a primeira tríade. O quarto e o
quinto par de ráquilas perderam as últimas brácteas. Neste estádio, 30
dias após o estádio 01 ocorreu a antese das primeiras flores. No
Estádio 08, a arquitetura da inflorescência já encontrava-se completa
e as inflorescências já haviam perdido todas as suas brácteas. No
estádio 09 houve a abscissão total das flores, após 54 dias do primeiro
estádio.
As flores das inflorescências masculinas permaneceram acessíveis
aos agentes visitantes durante 24 dias. A seqüência temporal das
fenofases florais das inflorescências masculinas pode ser observada
na Figura 2.
A antese das flores estaminadas ocorreu durante o dia, com início
logo nas primeiras horas da manhã (6:00 h) e término no final da tarde,
sendo que o maior pico de abertura das flores ocorreu das 12:00 às
16:00h. Em média abriram 27 flores diariamente. No momento da
antese, os grãos de pólen encontravam-se expostos nas aberturas
longitudinais das anteras e certa quantidade foi observada na parte
interna das pétalas. As mudanças florais que ocorreram nas flores
estaminadas iniciaram na antera, que após 6 horas apresentavam
coloração marrom escura. Após 24 horas da antese, observou-se o
inicio da senescência floral. As bordas das pétalas adquiriram uma
coloração amarelo mais escuro, ocorrendo concomitante com início
da abscissão. Por esse comportamento, as flores masculinas foram
consideradas efêmeras, pois permaneceram pouco mais de 24 horas
presas à inflorescência.
Plantas Femininas
As árvores femininas observadas, floresceram duas vezes em
períodos distintos. Cinco árvores iniciaram a floração em junho e
tiveram pico de abertura das flores na segunda metade do mês de julho,
estendendo-se até a segunda metade do mês de agosto. O tempo de
floração foi de 82 dias. Outras árvore femininas começaram a emitir
primórdios florais em novembro e tiveram seu pico de floração em
321
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dezembro, findando em janeiro. Apesar do acompanhamento contínuo
(mensal) da floração ter sido realizado em um número reduzido de
árvores, os dois picos de floração observados ocorreram nos períodos
de menor pluviosidade e maior insolação (no caso, o mês de julho) e
maior pluviosidade e menor insolação (novembro).
A Figura 3 mostra os estádios de desenvolvimento da
inflorescência feminina e sua respectiva arquitetura floral.
O estádio 01 foi semelhante ao descrito para a masculina.
O estádio 02 foi atingido três dias após o estádio 01. Neste estádio
ocorreu a formação da primeira tríade, que iria dar origem ao primeiro
par de ráquilas opostas. No estádio 03 observou-se a formação de nova
tríade na raque central que iria dar origem ao segundo par de ráquilas.
No primeiro par de ráquilas, os botões começaram a afastar-se
lateralmente. Este estádio ocorreu seis dias após o estádio 01.
No 04 observou-se a formação de nova tríade na raque central, que
deu origem ao terceiro par de ráquilas. No primeiro par de ráquilas
pode-se observar, o primeiro par de sub-ráquilas. A inflorescência leva
em média 09 dias para atingir este estádio. O estádio 05 caracterizou-
se pelo surgimento de novas sub-ráquilas, no primeiro par de ráquilas.
No segundo par de ráquilas formou-se a primeira tríade. A raque
central continuou a desenvolver-se formando nova tríade que originaria
o quarto par de ráquilas. Neste estádio ocorreu a queda das últimas
brácteas que envolvem os fascículo e a antese dos primeiros botões
que encontravam-se nas posições apicais da inflorescência. Este estádio
para ser atingido levou em média 19 dias. Após 23 dias as
inflorescências femininas encontravam-se no estádio 06, isto é, com
a arquitetura completa e cerca de 50% de suas flores já abertas.
O estádio 07 correspondeu ao início da formação dos frutos, quando
o ovário das flores polinizadas começaram a se desenvolver. Neste
estádio, as pétalas destas flores já completamente secas, persistiam
presas a base do pequeno fruto em formação. A disposição temporal
destes estádios pode ser observada na Figura 2.
322
cm
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Fenologia floral de Virola Surinamensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
— ■ — Masculina
— « — Fem inina
Figura 2 - SeqUência temporal de desenvolvimento das inflorescências masculinas e femininas
de Virola surinamensis (Rol.) Warb. e seus respectivos estádios. Belém (PA), 1999.
p Estádio 04
Estádio 07
Figura 3 - Estádios de desenvolvimento das inflorescências femininas de Virola surinamensis
(Rol.) Warb c sua respectiva arquitetura floral, em uma população natural localizada no Campus
da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, no período de 1998 a 1999.
323
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Na inflorescência feminina, as flores permaneceram disponíveis
para os visitantes florais em tomo de 16 dias. A antese ocorreu durante
o dia desde as primeiras horas da manhã até o final da tarde com início
por volta das 8:00 horas. Entretanto, as observações demonstraram
que o màior número de flores em antese ocorreu em dois picos durante
o dia, pel!^ manhã das 9:00 às 12:00 h e a tarde das 12:00 às 16:00 h.
Neste último pico houve um número maior de flores abertas.
Em média, abriram 10 flores diariamente. A flor pistilada ao abrir
apresentou odor suave adocicado e cor amarelo-pálido. O estigma
encontrava-se receptivo, entretanto, com os lóbulos estigmáticos
fechados, com tonalidade verde limão, sendo fácil de perceber a
presença do exsudato, isto é, um líquido na superfície estigmática.
Os lóbulos estigmáticos abriram no decorrer do dia. O estigmá
permaneceu com esta cor cerca de 48 horas.
As mudanças florais na flor pistilada tiveram início 48 horas após
sua abertura tendo iniciado pelo estigma que foi adquirindo
progressivamente uma coloração marrom escura das bordas para o
centro. Após 72 horas da antese as flores apresentaram uma tonalidade
amarela mais escura. Após 168 horas (T dia) as bordas das pétalas
começaram a escurecer (marrom) e iniciou o processo de abscissão
daquelas que não foram polinizadas, persistindo apenas as polinizadas,
onde já se observava uma ligeira dilatação do ovário. Após 360 horas
da abertura da flor (15° dia), continuaram presas na inflorescência
apenas os ovários daquelas flores que estavam no processo de
formação do fmto, ou seja, com o ovário dilatado. As pétalas totalmente
secas ainda persistiam presas na base do ovário.
Estas observações coincidem com os estudos de Pina-Rodrigues
& Mota (1996) e Pifia-Rodrigues (1999) sobre os padrões de
florescimento c fmtificação de Virola surinamensis, em uma população
implantada em Belém. De acordo com os autores “os maiores picos
de florescimento e frutificação ocorreram na estação seca (julho a
setembro). Nas plantas masculinas registrou-se maior intensidade de
324
cm
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Fenologia floral de Virola Surinamensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
florescimento, podendo apresentar até dois eventos durante o mesmo
ano, o que não foi observado nas femininas. No período das chuvas
(dezembro a março) ocorre o florescimento de outro grupo de plantas,
originando um pico de menor intensidade. Em nível de espécie, o
padrão de floração foi anual a irregular, porém, em nível de indivíduo
foi regular. Foi constatado que existem plantas masculinas e femininas
que apresentam florescimento simultâneo e único, com formação de
grupos de sub-populações de indivíduos que trocam fluxo gênico
apenas entre si. Isso poderia levar ao seu isolamento reprodutivo.
Newstrom et al. (1994), faz referência aos modelos de floração
em florestas tropicais e aos níveis de análise desta floração, que podem
focalizar a pesquisa em nível de flores, inflorescências, ramos, plantas
individuais, até em níveis de população e comunidade.
O estudo dos eventos fenológicos de Virola foram
acompanhados nas inflorescências e flores individuais.
O desenvolvimento das inflorescências para ser melhor caracterizado
foi classificado em estádios conforme a disposição arquitetônica.
De acordo com Endress (1994), o movimento dos lóbulos
estigmáticos tem função ecológica, afeta a hercogamia e age como
um sinal visual para aos polinizadores. O estudo dos padrões
fenológicos de plantas tropicais em flores e inflorescências individuais
e sua respectiva duração, tem merecido pouca atenção por parte dos
pesquisadores, contudo, importantes estudos como os realizados por
Frankie et al. 1983; Bawa 1983; Gori 1983; Primack 1985 e
Newstrom et al. 1994, têm sido desenvolvidos nesta área do
conhecimento para esclarecer este fenômeno.
As observações das fenofases florais das inflorescências
masculinas e femininas de virola, demonstram disparidade no período
de formação da inflorescência antese das flores formação e duração
do display floral. A floração masculina prolongada c antecipada antes
do período aincrônico máximo de floração também pode ser importante
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na atração e manutenção do número de polinizadores necessários para
o aumento do sucesso reprodutivo. Muitas destas diferenças na floração
têm sido atribuídas como conseqüência do alto custo fisiológico da
produção de fmtos resultando em um aumento proporcional na alocação
de recursos tanto para a reprodução feminina como para a masculina
(Delph & Meagher 1995).
De acordo com Newstrom et al. (1994), em espécies dióicas
(como a virola) existem sensíveis diferenças no modelo de floração
entre plantas masculinas e femininas. Os resultados encontrados nessa
espécie estão em concordância com o proposto por Willson 1979;
Bawa 1980; Stephenson & Betin 1983; Bawa 1983 e Newstrom et
al. 1994, pois, na inflorescência, o tempo gasto para a formação
completa da arquitetura e a duração do display floral em plantas
masculinas é bem maior que em femininas.
Os resultados indicam que possivelmente plantas masculinas
possuem a função de atrair visitantes oferecendo -grànde quantidade
de alimento por um período prolongado, mantendo um polinizador
específico. Bullock (1982) obteve resultados semelhantes para a
espécie dióica Campsoneura sprucei (A. DC.) Warb. (Myristicaceae)
na Costa Rica. A espécie apresentou comportamento diferenciado em
árvores masculinas e femininas, com relação ao número de
florescimento por ano, número de inflorescência por árvore e número
de flores por inflorescência, caracterizando ocorrências similares nas
árvores masculinas, sendo que o tempo de permanência da flor
pistilada foi bem maior que da flor estaminada.
Frankie et al. (1983), estudando espécies arbóreas na Costa Rica,
também mostraram diferenças temporais na produção de recursos
entre flores estaminadas e pistiladas. De acordo com os autores, a
ausência de sincronismo no fluxo de néctar entre flores de sexos
diferentes que apresentam vários picos de produção diária facilitou o
movimento dos polinizadores entre os indivíduos masculinos c
femininos.
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Fenologia floral de Virola Surinamensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
De acordo com Crestana (1993), a espécie dióica Genipa
atnericatia L. apresenta características diferenciadas para flores de ambos
os sexos; sua duração não é efemêra diferente da maioria das espécies
arbóreas tropicais. As flores pistiladas apresentam antese diurna, com
maior número de flores em antese por volta das 10:00 horas da manhã;
muito embora algumas iniciem a antese até no máximo às 17:00 horas,
permanecem presas ao ramo cerca de sete dias. As flores estaminadas
também possuem antese diurna, com o maior volume de flores iniciando
a antese por volta de 8:30 horas. Entretanto, um número cada vez menor
de flores inicia a antese até no máximo às 15:00 horas. Estas flores
permanecem presas na planta em tomo de seis dias.
Bawa & Beach (1981) correlacionaram modos de polinização e
os sistemas reprodutivos com a fenologia, analisando padrões de
florescimento de plantas tropicais em termos de horário, duração e
freqüência. Nas espécies dióicas, as árvores masculinas apresentam
antecipação do horário de antese, com maior duração do período de
floração e em alguns casos, maior freqüência de florescimento em
comparação com as plantas femininas. Estes fenômenos combinados
ao assincronismo ou sincronismo floral são vistos como mecanismos
para otimizar a eficiência da polinização.
A antese das flores estaminadas e pistiladas de virola ocorreu em
média aos 30 e 20 dias (após o estádio 01) respectivamente.
As inflorescências masculinas e femininas levaram cerca de 34 e 23
dias para alcançar sua arquitetura completa. Este período mais
prolongado na masculina deve-se ao maior número de flores e maior
complexidade de ramificações na formação de sua arquitetura, em
comparação com as inflorescências femininas, que possuem um número
significa-tivamente menor de flores e arquitetura menos complexa. Nas
flores individuais, os resultados continuaram demostrando diferenças
intersexuais na longevidade floral. As flores masculinas são efêmeras,
permanecendo cerca de 24 horas presas na inflorescência, enquanto que
as femininas permanecem cerca de 168 horas (7 dias).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Bawa (1983) enfatizou que pode ser esperado em plantas
masculinas e femininas, diferenças na duração da floração com base
na seleção sexual e na relativa energia gasta na produção de gametas,
pois, se de fato a quantidade de acasalamentos é realmente enfatizada
pelo macho, um extenso período de floração pode ser mais vantajoso
para os machos que para as fêmeas. Por outro lado, o comprimento
do período de floração feminina pode ser encurtado, se o sucesso
reprodutivo feminino for limitado pelos recursos disponíveis para a
produção de frutos e não pela sua capacidade de ser polinizada.
Os resultados obtidos parecem concordar com esta teoria, visto
que as flores masculinas funcionam somente como doadoras de pólen
e investem principalmente na quantidade, e em flores pequenas de
curta longevidade; enquanto que as flores femininas investem mais na
qualidade da fertilização, possuindo flores maiores que permanecem
mais tempo na inflorescência. Estudos sobre a longevidade floral
realizados por Ashman & Schoen (1996) em 280 espécies
demonstraram maior número de espécies com flores efêmeras, ou seja,
de um a dois dias. Entretanto, com esse número decrescendo conforme
aumenta a longevidade floral. O autor sugere que esta longevidade
floral é um caráter que reflete a adaptação da planta a uma variedade
de condições ecológicas.
Primack (1985) discutiu um modelo no qual a duração floral é
determinada por uma possível interação (trade-ojf) entre a baixa
aptidão (fitness) até o custo fisiológico de produção da flor e
manutenção da estrutura floral, a qual deve-se adicionar o risco do
parasitismo floral e o ganho de aptidão aumentando diretamente a
probabilidade do sucesso reprodutivo para flores de vida longa. Flores
de um dia devem ocorrer em plantas onde a probabilidade de ser
visitada em um dia é igual a 1 (um) e podem por essa razão habitar
locais onde as flores podem vir a ser rapidamente saturadas com pólen,
suficiente para alcançar o máximo de sementes formadas e
possibilitando o conhecimento das limitações do recurso. Sob estas
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Fenologia floral de Virola ^"•''"nmensis (Rol.) Warb. (Myristicaceae)
condições a manutenção das flores abertas mais tempo pode incorrer
um custo desnecessário.
Durante o período funcional a flor recebe recursos para se manter
viva e atrativa para os polinizadores. Deste modo, a manutenção dos
gastos florais pode competir com a produção de uma nova flor ou outra
função na planta, se os recursos forem limitados. Por essa razão, para
uma perspectiva de adaptação, a longevidade floral das plantas deve
(ou pode) refletir o balanço entre a conseqüente aptidão à polinização
e a manutenção dos custos (Primack 1985).
O tempo que uma flor permanece aberta pode influenciar no
número total de visitantes polinizadores e pode afetar a quantidade
e a diversidade de pólen que uma flor recebe e, também, a
quantidade de pólen disseminado. A longevidade floral contribui para
determinar o número de flores que abrem em determinado período
e na duração do display floral', além do número total de flores por
plantas (Primack 1985). Ultimamente, muitos estudos têm
demonstrado que a longevidade floral influencia na qualidade e na
quantidade de progénies produzidas por uma planta (Ashman &
Schoen 1996).
CONCLUSÕES
Constatou-se que o assincronismo floral é evidente nas plantas
masculinas e femininas ao longo do período de florescimento. Porém,
existe sobreposição de fases florais masculinas em relação as fases
femininas, o que permite a fecundação cruzada da espécie. Portanto,
uma das estratégias da longa permanência das flores masculinas seria
manter recursos florais até o momento em que as flores femininas
iniciam sua antese e, por conseguinte, aptas para fecundação.
Associado ao tempo de vida das flores masculinas estão os recursos
florais que são considerados estratégias de manutenção de visitantes
e polinizadores.
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CDD: 58152643
COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E ESTRUTURA
DE UMA FLORESTA DE VÁRZEA DO
ESTUÁRIO AMAZÔNICO, ILHA DO COMBU,
ESTADO DO PARÁ, BRASIL
Mário Augusto G. Jardim}
Ima Célia Guimarães Vieira^
RESUMO - Esta pesquisa analisa a composição florística e estrutura
de uma floresta de várzea localizada na ilha do Combu, munícipio
de Belém, estado do Pará. Foram delimitadas dez parcelas de um
hectare, alocadas em dois ambientes (cinco parcelas em várzea baixa
e cinco em várzea alta) e divididas em transectos de 10 x 100 m.
Foram consideradas as árvores e palmeiras com diâmetro a 1,30 m
do solo (DAP 10 cm). Registrou-se o DAP e altura. Para Famílias e
Espécies calculou-se a frequência relativa (FR); densidade relativa
(DR); dominância relativa (DoR); índice de valor de importância
(IVI%) e índice de valor de cobertura (IVC). As amostras botânicas
coletadas de árvores e palmeiras foram classificadas pelo Sistema
de Cronquist, adotando-se o “nomina conservada ” para Leguminosae
e incorporadas ao Herbário João Murça Pires do Museu Paraense
Emílio Goeldi/MG. Os resultados mostraram 18 famílias, 41 gêneros
e 45 espécies na várzea baixa e 29 famílias, 56 gêneros e 67 espécies
na várzea alta. Nos dois ambientes a palmeira açaí foi dominante. As
palmeiras foram mais representativas na várzea baixa, enquanto as
árvores na várzea alta. Possivelmente, os fatores do meio influenciam
na adaptabilidade das espécies nos respectivos ambientes.
PALAVRAS-CHAVE: Fitosscxiiologia, Floresta de várzea. Várzea baixa,
Várzea alta.
' MCT-Museu Paraense Emílio Gocldi. Coordenação dc Botânica. Pesquisador. Caixa Postal, 399,
Cep 66040-170. Belém-PA. E-mail: jardira@museu-gocldi.br
' MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação dc Pesquisa e Pós-Graduação.
Pesquisadora. Caixa Postal, 399, Cep 66040-170, Bclóm-PA, E-mail: ima@muscu-goeldi.br
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ABSTRACT— The objective ofthis research went know to composition
and it structures floristic of a forest of located floodplain in the
Island ofCombu, municipal district of Belém, State ofPará. Ten plots
of I hectare allocated in two dijferent environments were defined
(being five plots in the low floodplain and five plots in the high
floodplain) and divided in transects of 10 x 100 meters. Soon after
mensured the trees and palm trees with diameter (D AP ■* 10 cm) and
was considered the height. For Families and Species was calculated
relative frequency (FR); relative density (DR); relative dominance
(Pain); index ofvalue of impo rtance (IV1%) and index of covering
value (IVC) through the Program FITOPAC. The collected botanical
samples of trees and palm trees were classified by the System of
Cronquist the “nomina conserved” for Leguminosae being
incorporated in Herbarium João Murça Pires ofthe Museum Paraense
Emílio Goeldi/MG. The results showed 45 species distributed in 18
families and 41 genera in the low floodplain and 67 species in 29
families and 56 genera in the high floodplain. In the two enviroments
the açaí palm was dominant. The palms trees went more representative
in to low floodplain, while the trees in the high floodplain. Possibly,
the factors ofthe half influence in the adaptability of the species in
the respective enviroments.
KEY WORDS: Fitossociology, Floodplain, Floodplain Low,
Floodplain High.
INTRODUÇÃO
As várzeas do estuário amazônico foram denominadas de
“várzeas de maré” por Ducke & Black (1954); Pires (I 974 );
Prance (1979); Pires & Prance (1985) e Prance (1985) em decorrência
das inundações constantes provocadas indiretamente por águas
oceânicas, que bloqueiam e revertem o fluxo de água doce que corre
pelos rios e baías do estuário e causam modificações topográficas,
estabelecendo dois ambientes denominados de “várzea baixa” e
“várzea alta” que podem ser diferenciados na composição e estrutura
flonstica. Essas diferenças estruturais parecem refletir numa intónseca
relação entre os fatores edáficos e a topografia nos dois ambientes
(De Granville 1992; Smith 1996).
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Composição Jlorística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
Quanto às caractensticas ambientais, a várzea baixa é constituída
por palmeiras e menor diversidade em espécies arbóreas florestais, cujo
solo é Glei Pouco Húmico e permanece temporariamente alagado.
A menor ocorrência de árvores está associada à falta de oxigenação
dos solos e ao crescimento radicular limitado (Lunt et al. 1973; Esau
1974 e Pelacani 1993). Na várzea alta são encontradas espécies
arbóreas com maior freqüência e palmeiras, Latossolo Amarelo que
apresenta-se compactado com pouca influência hídrica (Pires 1974;
Smith 1996 e Pelacani 1993).
Inúmeros estudos têm sido desenvolvidos sobre a flora existente
em áreas estuarinas amazônicas com a finalidade de entender e
conhecer a potencialidade local (Black et al 1950; Conceição 1990;
Ayres 1993; Ferreira & Stohlgren 1999 e Rabelo 1999). As referidas
pesquisas apresentaram resultados voltados à composição florística e
estmtura. Toma-se importante nestes estudos conhecer a composição
florística ocorrente nos dois ambientes (várzea baixa e alta), pois
segundo Prance (1985) e Pires (1974) as marés provocam mudanças
na estrutura do solo e topografia, o que limitaria ou permitiria o
estabelecimento de espécies nestes ambientes.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização da Área de Estudo
A ilha do Combu localiza-se no município de Belém, estado do
Pará, na margem esquerda do rio Guamá e abrange uma área total de
aproximadamente 15 km^ na latitude 48° 25 W; longitude 1° 25 S,
cerca de 1,5 km ao sul de Belém (Figura 1). O Clima é do tipo Am,
segundo a classificação de Kõppen; pluviosidade com média anual de
2.500mm e temperatura média anual de 27°.
Quanto a vegetação e topografia é uma área de floresta natural
composta continuamente de cipós, árvores, arbustos, lianas e espécies
de sub-bosque; apresenta estrutura e composição florística variada.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
incluindo floresta primária e secundária (Jardim 1991). As influências
sedimentares e topográficas causam efeitos importantes na estrutura da
vegetação, condicionando a formação de dois ambientes topográficos
de várzea (baixa e alta) e, por conseguinte, determinando diversidade
florística diferente (Hamp 1991).
Para Hamp (1991), Sampaio (1998) e Silva & Sampaio (1998), na
várzea baixa o solo é do tipo Glei Pouco Húmico, com alta percentagem
de siltes, argila e baixa percentagem de areia, em decorrência de
sedimentos transportados pela ação constante das águas do Rio Guamá.
Apresentam baixa saturação com pH em tomo de 4,5 - 5,0 e com valores
médios de fósforo inorgânico (0,27 mg), fósforo orgânico (0,04 mg) e
carbono (85 ± 16 mgC/g).
O solo da várzea alta resulta do acúmulo muito recente de
sedimentos, imperfeito a mal drenado, de coloração acinzentada ou
neutra (compostos reduzidos de ferro) que se apresenta por vezes
mosqueado de vermelho-amarelado, como conseqüência da oscilação
do lençol freático. São geralmente argilosos com elevado teor de limo
na composição granulométrica, pH de 7,5 - 8,0 e valor médio de
fósforo inorgânico de 0, 10 mg, fósforo orgânico 0,07 mg e carbono 83
± 27 mgC/g (Silva & Sampaio 1998). Está localizada numa faixa nas
margens de rios e igarapés, com uma diferença topográfica em relação
a várzea baixa, de aproximadamente 1,5 a 2,0 metros. É formada por
intensa deposição de matéria orgânica e com drenagem eficiente onde
durante os meses menos chuvosos apresenta solo totalmente seco e
compactado.
Análise Fitossociológica
Foram delimitadas dez parcelas de um hectare divididas em
transectos de 10 x 100 m e distribuídas aleatoriamente nos dois
ambientes, sendo as parcelas 01, 03, 04, 06 e 07 na várzea baixa e as
parcelas 02, 05, 08, 09 e 10 na várzea alta (Figura 2).
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Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
Figura I - Mapa de localização geográfica da ilha do Combu, município de Belém (PA).
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oO bened,^^
I LHA
DO ,
MAR/SCUJA
M
VA- vorzeo Alta
VB_ vdrzeo Baixa
Figura 2 - Croqui de alocação de 10 parcelas de 1 hectare em ambiente de Várzea Baixa
(VB) e Várzea Alta (VA) na ilha do Combu, município de Belém (PA).
Para localizar a várzea baixa e a várzea alta seguiu-se a descrição
dos ambientes e orientação topográfica de Hamp (1991) e Sampaio
(1998). Adotando-se a metodologia utilizada por Curtis & Mcintosh
(1950) e Mueller-Dombois & Ellenberg (1974), foram mensuradas as
árvores com diâmetro a 1,30 m do solo e (DAP^ 10 cm) e estimada a
altura. A medição das palmeiras foi baseada em Scariot et al. (1989),
adotando-se o DAP ^ 10 cm e estimando-se a altura. Nos açaizeiros
foram medidos todos os estipes da touceira com DAP^ 10 cm,
estimando-se a altura. As amostras botânicas coletadas de árvores e
palmeiras foram classificadas pelo Sistema de Cronquist; adotando-se
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Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
O “nomina conservada” para Leguminosae. As amostras foram
incorporadas no Herbário João Murça Pires do Museu Paraense Emílio
Goeldi/MG.
Com os dados obtidos foram calculados para família e espécie os
parâmetros fitossociológicos de freqüência relativa (FR); densidade
relativa (DR); dominância relativa (DoR); índice de valor de importância
(IVI%) e índice de valor de cobertura (IVC), através do Programa
FITOPAC, desenvolvido pelo Prof. Dr. George John Shepherd do
Instituto de Biologia da UNICAMP, São Paulo.
RESULTADOS
Várzea Baixa
Foram amostradas 45 espécies distribuídas em 18 famílias e 41
gêneros. Para análise das espécies e famílias considerou-se apenas os
valores ^ 5% dos parâmetros fitossociológicos estudados (Tabela 1).
Os valores de freqüência e densidade relativa mais representativos
foram das seguintes espécies: Euterpe oleracea (24,55%) e (56,35%),
Qiiararibea guianensis (12,50%) e (9,92%), Astrocaryum murumuru
(6,70%) e (4,17%) e Carapa guianensis (5,36%) e (2,58%). Para a
dominância relativa: Euterpe oleracea (32,46%) continuou obtendo a
primeira posição seguida de Pseudobombax munguba (17,05%),
Brosimum lactescens (6,90%), Hura creptans (6,44%), Virola
surinamensis (5,53%), Astrocaryum murumuru (5,47%) e Quararibea
guianensis (5,38%). Quanto ao índice de valor de importância,
destacam-se: Euterpe oleracea (37,79%), Quararibea guianensis
(9,27%), Pseudobombax munguba (6,82%) q Astrocaryum murumuru
(5,44%). Para o índice de valor de cobertura: Euterpe oleracea
(88,81%), Pseudobombax munguba (18,24%), Quararibea guianensis
(15,30%), Astrocaryum murumuru (9,64%), Hura creptans (8,03%),
Brosimum lactescens (7,10%) e Virola surinamensis (6,72%).
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Tabela 1 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas em 5 hectares da várzea baixa com Família, Nome Científico,
Frequência Relativa (FR), Densidade Relativa (DR), Dominância Relativa (DoR), índice de Valor de Importância
(IVI%) e índice de Valor de Cobertura (IVC) na ilha do Combu, município de Belém, Pará. As espécies encontram-
se organizadas em ordem decrescente de IVI (%). (Continuação)
Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
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341
Rubiaceae Uncaria guianensis (Aubl.) Gmel. 0,45 0,20 0,05 0,23 0,25
Malpighiaceae Malpighia sp. 0,45 0,20 0,03 0,22 0,23
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Neste ambiente nota-se a ocorrência da etnovariedade conhecida
por açaí-espada, com freqüência relativa de 3,13%, densidade relativa
(1,39%), dominância relativa (0,37%) e os índices de valor de
importância (1,63%) e cobertura (1,76%). Estes valores são menores
do que aqueles alcançados para o açaí-preto. Entre as famílias,
Arecaceae apresentou maior número de espécies e índice de valor de
importância em relação às demais. As dicotiledôneas alcançaram cerca
de 34 espécies em relação as palmeiras (Monocotiledôneas) com 1 1
espécies. Embora as dicotiledôneas estejam em maior número de
espécies, constata-se que a densidade relativa, dominância relativa e
índice de valor de importância foi maior para Arecaceae. Juntas elas
representam mais de 50% do valor de importância (Tabela 2).
A densidade relativa da Arecaceae atingiu 70,65%, Bombacaceae
(11,90%) e Leguminosae (5,18%). Isto mostra com clareza a
representatividade das 1 1 espécies de palmeiras encontradas. Quanto
a dominância relativa as famílias que se destacaram foram: Arecaceae
(45,85%), Bombacaceae (23,07%), Euphorbiaceae (7,80%), Moraceae
(7,05) e Myristicaceae (5,53%).
Quanto ao índice de valor de importância, Arecaceae (54,70%) e
Bombacaceae (17,16%), Leguminosae (5,82%) e Euphorbiaceae
(5,19%) apresentarem indíces de valores ^ 5%.
Várzea Alta
Foram amostradas 67 espécies distribuídas em 29 famílias e 56
gêneros. Para análise das espécies e famílias considerou-se apenas
aquelas que apresentaram valores ^ 5% dos parâmetros
fitossociológicos estudados (Tabela 3).
Os valores de freqüência e densidade relativa mais representativos
foram das seguintes espécies: Astrocaryum murimuru (8,06%) e
(8,82%); Euterpe oleracea (6,64%) e (7,98%) e Sarcaulus brasiliensis
(6,64%) e (6,30%) respectivamente.
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Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
Tabela 2 - Parâmetros fitossociológicos das famílias amostradas em 5 hectares
da várzea baixa com número de espécies (NE), Densidade Relativa
(DR), Dominância Relativa (DoR) e índice de Valor de Importância
(IVI%) na ilha do Combu, município de Belém, Pará. As espécies
encontram-se organizadas em ordem decrescente de IVI (%).
FamQia
(NE)
DR
DoR
IVI(%)
Arecaceae
11
70,65
45,85
54,70
Bombacaceae
3
11,90
23,07
17,16
Leguminosae
10
5,18
2,46
5,82
Euphorbiaceae
3
2,39
7,80
5,19
Meliaceae
2
2,78
2,09
3,55
Moraceae
3
0,60
7,05
2,99
Myristicaceae
1
1.19
5,53
2,98
Clusiaceae
1
1,39
3,67
2,43
Sapotaceae
1
1,19
0,39
1,58
Sterculiaceae
2
0,80
1,58
1,23
Melastomataceae
1
0,40
0,11
0,47
Sapindaceae
1
0,40
0,13
0,53
Ulmaccae
1
0,20
0,06
0,23
Combretaceae
1
0,20
0,05
0,23
Hemandiaceae
1
0,20
0,03
0,23
Chrysobalanaceae
1
0,20
0,04
0,23
Rubíaceae
1
0,20
0,05
0,23
Malpighiaceae
1
0,20
0,02
0,22
Para dominância relativa: Spondias mombin (28,60%), Euterpe
oleracea (11,29%) Terminalia dichotoma (9,18%) e Astrocaryum
mummiiru (6,08%) sobressairam-se em relação as demais espécies.
Quanto ao índice de valor de importância, destacam-se: Spondias
mombin (10,43%), Euterpe oleracea Astrocaryum murumuru
(7,65%) e Sarcaulus brasiliensis (5,10%). Quanto o índice de cobertura:
Spondias mombin (29,86%), Euterpe oleracea (19,21%), Astrocaryum
murumuru (14,90%), Terminalia dichotoma (10,44%), Sarcaulus
brasiliensis (8,67%), Quararibea guianensis (6,78%), Protium krukofii
(6,49%), Pithecelobium cauliflorum (6,18%), Rheedia macrophylla
(6,05%) e Trichilia quadrijuga (5,46%).
343
Tabela 3 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas em 5 hectares da várzea alta com Família, Nome Científico,
Frequência Relativa (FR), Densidade Relativa (DR), Dominância Relativa (DoR), índice de Valor de Importância
(IVI%) e índice de Valor de Cobertura (IVC) na ilha do Combu, município de Belém, Pará. As espécies encontram-
se organizadas em ordem decrescente de IVI (%).
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
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Tabela 3 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas em 5 hectares da várzea alta com Família, Nome Científico,
Frequência Relativa (FR), Densidade Relativa (DR), Dominância Relativa (DoR), índice de Valor de Importância
(IVI%) e índice de Valor de Cobertura (IVC) na ilha do Combu, município de Belém, Pará. As espécies encontram-
se organizadas em ordem decrescente de IVI (%). (Continuação)
Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico.
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Ochnaceae Elvasia sp. 0,47 0,42 0,03 0,31 0,45
Annonaceae Anona montana Mart. 0,47 0,42 0,04 0,31 0,46
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Aqui, destaca-se a ocorrência da etnovariedade conhecida por
açaí-branco, com freqüência relativa de 0,47%, densidade relativa
(0,42%), dominância relativa (2,62%) e os índices de valor de
importância (1,17%) e cobertura (4,87%), todos valores abaixo de 5%.
Entre as famílias, Leguminosae apresentou o maior número de
espécies (13) e Arecaceae o maior índice de valor de importância
(27,10%) em relação as demais. A riqueza de espécies de
dicotiledôneas (61 espécies) é muito maior em comparação com as
monocotiledôneas (6 espécies de palmeiras) (Tabela 4). Das 29
famílias amostradas constatou-se que a densidade relativa foi maior
para Arecaceae (18,09%) seguida de Leguminosae (18,06%),
Sapotaceae (9,66%), Meliaceae (6,72%), Lecythidaceae (5,88%) e
Bombacaceae (5,04%). Quanto a dominância relativa, Anacardiaceae
(28,6%), Lecythidaceae (15,03%), Leguminosae (12,36%),
Arecaceae (11,69%), Combretaceae (9,29%) e Meliaceae (5,63%).
Arecaceae (27,10%), Leguminosae (15,19%), Anacardiaceae
(10,43%), Lecythidaceae (9,18%), Sapotaceae (7,82%) e Meliaceae
(6,65%) apresentaram os maiores valores de IVI. Arecaceae teve boa
representatividade (6 espécies), em comparação com as demais
famílias, que apresentaram no máximo 4 espécies com exceção de
Leguminosae (13 espécies) e de Lecythidaceae (6).
DISCUSSÃO
Na várzea baixa, as palmeiras estão adaptadas às condições
favoráveis do solo fértil e do teor de umidade e são consideradas
dominantes em relação à outras espécies, seguidas de Leguminosae
comuns em ambientes sujeitos a inundação. A deposição de matéria
orgânica é proveniente das árvores, arbustos e do material lixiviado
pelos rios (Sampaio 1998). Verifica-se abundância de palmeiras como:
açaizeiro (Eiiterpe oleracea), murumuru {Astrocaryiim murumuru),
jupati (Rhapia taedigera), inajá (Maximiliana maripa), buriti {Mauritia
Jlexuosa), marajá grande (Bacíris major), marajá pequeno {Bactris
minor), ubim (Geonoma sp.) e paxiúba {Socratea exorrizhá).
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cm
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Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
Tabela 4 - Parâmetros fitossociológicos das famílias amostradas em 5 hectares
da várzea alta com número de espécies (NE), Densidade Relativa (DR),
Dominância Relativa (DoR) e índice de Valor de Importância (IVI%)
na ilha do Combu, município de Belém, Pará. As espécies encontram-se
organizadas em ordem decrescente de IVI (%).
Família
(NE)
DR
DomR
IVI(%)
Arecaceae
6
18,09
11,69
18,05
Leguminoseae
13
18,06
12,36
15,19
Anacardiaceae
1
1,26
28,6
10,43
Lecythidaceae
6
5,88
15,03
9,18
Sapotaceae
2
9,66
3,39
7,82
Meliaceae
3
6,72
5,63
6,65
Combretaceae
2
2,52
9,29
4,29
Bombacaceae
2
5,04
2,20
4,15
Burseraceae
2
4,62
2,53
4,12
Clusiaceae
2
3,36
3,61
3,43
Chrysobalanaceae
3
2,94
1,03
2,43
Violaceae
1
2,52
0,24
1,87
Sterculiaceae
4
2,52
0,63
1,84
Simaroubaceae
1
2,10
0,18
1,39
Malpighiaceae
1
1,68
0,35
0,99
Myrtaceac
2
1,26
0,17
0,95
Euphorbiaceae
1
1,26
0,10
0,93
Bignoniaceae
1
1,26
0,11
0,93
Lauraceae
1
1,26
0,10
0,93
Dilleniaceae
2
1,68
0,14
0,92
Olacaceae
2
0,84
0,30
0,70
Ulmaceae
1
0,42
1,09
0,66
Myristicaceae
1
0,84
0,10
0,63
Anonaceae
2
0,84
0,11
0,63
Thymelanaceae
1
0,84
0,07
0,62
Celastraceae
1
0,42
0,54
0,48
Erythroxylaceae
1
0,42
0,04
0,31
Icacinaccac
1
0,42
0,03
0,31
Ochnaccac
1
0,42
0,03
0,31
Segundo Lunt et al. (1973); Kahn & Castro (1985); Anderson et
al. (1995) e Henderson et al. (1995), a várzea baixa é um ambiente
caracterizado por condições mais favoravéis ao desenvolvimento das
plantas, onde os solos aluviais são ricos em nutrientes com pH entre
7,0 e 8,5 e as palmeiras adaptam-se perfeitamente a estas condições.
Estas áreas do estuário têm baixa diversidade vegetal e dominância
347
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
por poucas espécies de árvores, em contraposição às várzeas altas
estuarinas (Hamp 1991 e Sampaio 1998). Na realidade, a várzea
baixa demonstra ser um sistema em constante sucessão pela queda
freqüente das árvores e a dinâmica de regeneração de espécies
(Anderson etal 1985; Anderson & Jardim 1989; Anderson &Ioris
1989 e De Granville 1992).
O açaizeiro é uma espécie que demonstra plena adaptação e
dominância em relação às outras espécies árboreas localizadas na várzea
baixa, por isso apresenta alta dominância e alta densidade populacional
em consequência de possíveis fatores ambientais e estruturais, como por
exemplo: luminosidade, nutrientes no solo e capacidade de perfilhamentos
por planta-matriz (Ohashi 1990; Jardim 1991 e Oliveira 1995). Quanto
a densidade relativa, o açaizeiro ocorreu em mais de 50% em indivíduos
(touceiras) em 5 hectares da várzea baixa, que associado à dominância
relativa perfaz alto grau de representatividade, quando comparado aos
indivíduos de outras espécies como: Quararibea guianensis e
Astrocaryum murumuni, que apresentaram densidade relativa acima de
4%. O fato de Astrocaryum murumuni apresentar valores relativamente
altos de densidade relativa (4,17%); dominância relativa (5,47%) e índice
de valor de importância (5,44%), pode estar associado com a capacidade
de germinação das sementes (Kahn 1977 e De Granville 1992).
Segundo Kahn (1977), Dransfield (1978) e De Granville (1992),
nas várzeas baixas do estuário amazônico, a palmeira mais conhecida
e manejada é o açaizeiro. Sua dominância é incomparável com as
demais palmeiras em consequência do intenso perfilhamento basal e
da frutificação contínua que permite a reprodução sexuada e
assexuada, além dos fatores do meio como as condições de
sombreamento e a influência hidríca, que favorecem o
desenvolvimento estrutural e dinamizam a regeneração natural. Na
várzea baixa, outras espécies arbóreas podem ter o crescimento
limitado devido ao stresse hídrico ou pela falta de capacidade de
absorver nutrientes do solo (Pelacani 1993).
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Composição florística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
Na várzea alta, a dominância de dicotiledôneas tem sido muito
citada na literatura (Anderson et al. 1985 e Rabelo 1999).
Provavelmente, existem fatores favoráveis a estas adaptações como a
condição nutricional dos solos e o baixo déficit hidnco. Observando-
se a Tabela 4, constata-se que a dominância de Arecaceae (11,69%)
está bem acima das outras famílias. Muitas árvores típicas de terra firme
foram registradas na várzea alta, como as do gênero: Inga, Spondias,
Lecythis, Eschweilera e Terminalia, entre outras.
As espécies de Arecaceae apresentaram valores de IVI acima do
determinado para outras famílias. Este índice, deve-se ao fato da maior
frequência de indivíduos por espécie, por exemplo: Euterpe oleracea
e Astrocaryum murumuru. A densidade relativa destas espécies, deve-
se ao elevado número de estipes que em geral caracterizam estas
espécies, que são comuns nos ecossistemas de várzea. Porém, quando
se refere à dominância relativa é notável a presença de árvores das
espécies Spondias mombin, Quararibea guianensis, Sarcaulus
brasiliensis, Terminalia dichotoma e Carapa guianensis, que chegam
atingir entre 75 a 120 cm de DAP e 45 m de altura. São espécies que,
embora possuam considerável biomassa vegetal, têm capacidade de
regeneração baixa em relação às espécies de palmeiras. Desta forma, o
número de indivíduos por espécie, chega a ser muito reduzido.
A várzea alta é um ambiente com solos mais ácidos, deficientes
em nutrientes minerais e matéria orgânica (Ducke & Black 1954; Pires
1974 e Hamp 1991). Muitas árvores adaptam-se nos solos de várzea
alta em consequência das propriedades físicas e químicas diferentes
entre si, permitindo variação de pH de 6,5 a 8,5, favorável ao
desenvolvimento de espécies que necessitam de muitos nutrientes
associados ao tipo de solo mais seco, devido a pouca influência das
águas dos rios (Pires 1974; Pelacani 1993 e Sampaio 1998).
Segundo Jackson & Drcw (1984), Kozlowski & Pallardy (1984)
e Atwell & Steer (1990), em ambientes alagados ocorre um decréscimo
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
na concentração de oxigênio do solo que ocasiona alterações no
crescimento e desenvolvimento radicular. A dominância de palmeiras
na várzea baixa está diretamente relacionada com a água, pois, segundo
Fisch (1998), o grau de tolerância das plantas em condições de solos
inundados e/ou encharcados varia entre as espécies. Por isso, muitas
espécies arbóreas e herbáceas conseguem sobreviver ao encharcamento
radicular, enquanto outras morrem durante a fase de plântula e as que
sobrevivem formam raízes adventícias para absorver água e nutrientes
(Jackson & Drew 1984)
Hamp (1991) afirma que o meio oxigenado é essencial para
iniciar e manter a expansão radicular, porém pode limitar o
crescimento de outras espécies que não têm a capacidade de modificar
seu sistema radicular. Ressalta, ainda, que a sobrevivência e o
crescimento de algumas espécies em condições de solos inundados
deve-se ao desenvolvimento de estruturas morfo-anatômicas e/ou
adaptações metabólicas; isto permitirá encontrar estruturas
diferenciadas entre indivíduos de uma mesma espécie. Pelacani (1993)
cita que as modificações morfo-anatômicas para o açaizeiro em
ambientes alagado e seco pode indicar uma estratégia de
sobrevivência, no entanto, comenta que algumas mudanças
fenotípicas devem ser consideradas como indicadoras de variedades.
Para Vartapetian & Jackson (1997) e Sampaio (1998), as alterações
estruturais na maioria das espécies tolerantes à água favorecem sua
estrutura e composição, devido a formação de aerênquimas, lenticelas
e raízes adventícias, no entanto, a composição também poderá ser
limitada pela água e pelos nutrientes do solo.
CONCLUSÕES
• O número de espécies arbóreas ocorrentes na várzea baixa foi
menor em comparação com a várzea alta, sendo que a palmeira açaí foi
encontrada como a mais representativa em freqüência e dominância nos
dois ambientes, embora o número de estipes seja maior na várzea baixa;
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Composição Jlorística e estrutura de uma floresta de várzea do estuário amazônico...
• Os aspectos fitossociológicos mostraram que a várzea baixa
apresenta um menor número de espécies em comparação com a várzea
alta. Porém, Arecaceae demonstrou maior índice de valor de importância
em ambos ambientes;
• Comparando-se as populações do açaí-preto nos doi s ambientes
de várzea, constata-se maior significância em touceiras e estipes em
relação as populações de açaí-espada e açaí-branco;
• A população de açaí-preto na várzea baixa é alta quando
comparadas entre si e com outras espécies, pode-se afirmar que a
frequência, densidade e dominância podem estar relacionadas com
fatores do ambiente tais como; nutrientes do solo e água. Estes fatores
podem estar determinando e/ou influenciando a estrutura e composição
nos dois ambientes;
• Constatou-se que o açaizeiro e outras palmeiras são dominantes
nas várzeas baixas do estuário amazônico, variando sua freqüência
quando comparada com outras espécies de árvores em ambientes mais
secos; provavelmente devido as características ambientais que poderão
determinar a composição e estrutura de certas espécies.
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Recebido em: 29.01.01
Aprovado em; 18.07.01
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CATASETUM CAXARARIENSE, CATASETUM
OSAKADIANUM E CATASETUM ALATUM: NOVAS
ESPÉCIES DE ORCHIDACEAE JUSS. PARA O
ESTADO DE RONDÔNIA, BRASIL^
Manoela F F da Silva^
Alvadir T de Oliveira^
RESUMO - Três novas espécies do gênero Catasetum LC. Rich. ex
Kunth (Orchidaceae - Cataseíinae), siibgênero Orthocatasetum,
seção Isoceras (duas espécie) e Anisoceras (uma espécie), coletadas
no estado do Rondônia, são descritas e ilustradas para Amazônia
brasileira. C. caxarariense Silva & Oliveira apresenta afinidade com
C. denticulatum Miranda, C. osakadianum Silva & Oliveira não
apresenta afinidade com nenhuma outra espécie do gênero e
Catasetum alatum Silva & Oliveira apresenta afinidade com
Catasetum fimbriatum (Morren) Lindl.
PALAVRAS-CHAVE: Catasetum , Orchidaceae, Taxonomia Vegetal.
ABSTRACT - Three new species of the genus Catasetum L.C. Rich.
ex Kunth (Orchidaceae - Catasetinae), subgenus Orthocatasetum,
sections Isoceras (two species) and Anisoceras (one species),
collected in Rondônia State (Brazilian Amazon), are described and
illustrated. C. caxarariense Silva & Oliveira presents affinity with
C. denticulatum Miranda, C. osakadianum Silva & Oliveira has no
affinity with any other species from the genus and C. alatum Silva
& Oliveira is related with C. fimbriatum (Morren) Lindl.
KEY WORDS: Catasetum, Orchidaceae, Plant Taxonomy.
Projeto Integrado do CNPq/Processo: 521148/96-0.
MCT-Museu Paraense Emílio Goeldi, Coordenação, de Uotânica. Pesquisadora. Caixa
Postal 399, Cep. 66040-170, Ilelém-PA. E-mail: manocla@museu-goeldi.br.
MPEG/FBMM-Museu Paraense Emílio Goeldi/Fundação Margarct Mee. Av. Central,
Q04, 07, Residencial Sabiá - 40 Horas. CEP 67120-000. Ananindcua-PA. E-mail:
alvadir@zipmail.com.br.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
INTRODUÇÃO
O gênero Catasetum L. C. Rich. ex Kunth apresenta uma
ampla distribuição geográfica na América Tropical, sendo que na
Amazônia é encontrado em ambientes terrestre, rupícola e epifítico.
Os estados do Amazonas e Pará apresentam maior diversidade de
espécies de Orchidaceae, mas outros estados vêm sendo
investigados (ex. estado do Maranhão) e revelando uma rica flora
orquídica.
Durante o Zoneamento do estado de Rondônia, realizado em
1997, o Museu Goeldi participou com uma equipe para o levantamento
florístico daquele estado. Uma das áreas mais interessantes para o
projeto “Estudo e Conservação de Orquídeas em áreas Críticas na
Amazônia Brasileira”, foi a Ponta do Abunã, localizada na vila Nova
Califórnia, que pertencia ao estado do Acre e por plebiscito, passou a
fazer parte do estado de Rondônia. Nesta área, foram coletadas três
novas especies do gênero Catasetum, que são apresentadas neste
trabalho, bem como outras possíveis novidades que posteriormente
poderão ser publicadas.
Foram realizadas consultas nos trabalhos de Cogniaux (1902),
Mansfeld (1932), Hoehne (1942,1949), Flora de Venezuela (1970),
Pabst & Dungs (1975), Miranda (1986), Romero & Jenny (1993) e
Silva & Silva (1998), para confirmar se as espécies descritas a seguir
eram novas ou não para a ciência.
DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES
Catasetum caxarariense Silva & Oliveira, sp. nov. Tipo: Brasil,
estado de Rondônia, Porto Velho, Vila Nova Califórnia, Reserva
Indígena Caxarari, 10/97. J.B.F. da Silva, 792. (holótipo, MG
150575). Figuras 1-4.
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Catasetum caxarariense, catasetum osakadianum e catasetum alatum: novas espécies...
calosidade da base do Labelo; D) Coluna; E) Labelo em corte longitudinal; F) Fartes da
flor; Sépala dorsal - sd, sépala lateral - sl, pétalas, - p; G) Antera; H) Folinário mostrando
polínias.
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Figura 2 - Catasetum osakadianum Silva & Oliveira. A) Hábito; H) Flor cm vista frontal;
C) Labelo cm vista lateral; D) Partes da flor: Sépala dorsal - sd, sépala lateral - sl, pétalas -
p; E) Labelo em corte longitudinal; F) Labelo em vista frontal; G) Coluna; H) Antera; I)
Polinário mostrando polínias.
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Catasetum caxarariense, catasetum osakadianum e catasetum alatum: novas espécies...
Epiphyta, inflorescentia pendula, floribus curn sepalis lanceolatis,
petalis lanceolatis, marginibus serndatis; labello infero, carnoso,
sacciforme, foramine frontali vel ostio sub-elliptico; interne prope
basin praedito complexa elataque callositate, fonnata parvis lamellis
assimetricis, prolongatis intra saccum labellis; sacco labelli profundo;
marginibus loborum lateraliwn irregulariter denticulatis, assimetricis,
sub-applanatis; lobo tenninali triangulari, apiculato, leviter deorsum,
formato complexa elataque callositate, regione centrali, cum parvis
dentibus assimetricis, punctiacutis, marginibus irregulariter
denticulatis; columna sub-triangulari, cum antennis parallelis; anthera
sub-triangulari, pollinis duobus.
Epífita, pseudobulbo verde, fusiforme, sulcado, ereto, 8 cm
compr., 3 cm diâm.; folhas verdes, lanceoladas, côncavas, 18 cm
compr., 3 cm larg.. Inflorescência masculina pendente, roxa, 1-3
anelada; brácteas amplexicaules, lanceoladas, 9 mm compr.; raque 12
cm compr., 2 mm diâm.. Flores 5 ou mais, arroxeadas, ressupinadas,
eretas, distribuídas no terço superior da raque; brácteas florais apressas
aos pedicelos, triangulares, 9 mm compr.; pedicelos arroxeados,
cilíndricos, eretos, 22 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas verdes,
pintalgadas de marrom, lanceoladas, côncavas, a dorsal ereta, as
laterais ligeiramente arqueadas para trás, 22 mm compr., 7 mm larg.;
pétalas verdes, pintalgadas de marrom, lanceoladas, convexas, eretas,
margem serrilhada, 25 mm compr., 8 mm larg.; labelo infero, formando
ângulo de 90° com a coluna, carnoso, sacciforme, com abertura frontal
ou ostio subelíptico, internamente creme, com uma complexa
calosidade elevada próximo à base, formada por pequenas lamelas
assimétricas, que se prolongam para dentro do saco do labelo;
extemamente castanho; saco do labelo pouco profundo, 5 mm prof.,
4 mm larg.; bordas dos lobos laterais irregularmente denticuladas,
assimétricas, subaplanadas; lobo terminal triangular, apiculado,
levemente voltado para baixo, foirnado por uma complexa calosidade
elevada na região central, com pequenos dentes assimétricos.
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
pontiagudos, sendo as bordas do lobo terminal irregularmente
denticuladas; coluna arroxeada dorsalmente e esbranquiçada
ventralmente, robusta, carnosa, totalmente exposta, ereta, subtriangular,
rostrada, estreitando-se para a base, rostro arqueado na porção
mediana, 15 mm compr., 5 mm larg.; antenas paralelas, pequenas, 4
mm compr.; antera esbranquiçada, subtriangular, rostrada, 7 mm
compr., 2 mm diâm., polínias 2.
O epíteto específico refere-se ao local onde a espécie foi
encontrada (Reserva Indígena Caxarari).
Catasetiim caxarariense Silva & Oliveira está incluída no
subgênero Orthocatasetiim, seção Isoceras. Assemelha-se com
Catasetum denticulatum Miranda, diferenciando-se por apresentar
flores com sépalas e pétalas lanceoladas; labelo com abertura frontal
ou ostío subelíptico, com uma complexa calosidade elevada
internamente próximo a base, formada por pequenas lamelas
assimétricas, que se prolongam para dentro do saco do labelo; bordas
dos lobos laterais irregularmente denticuladas, assimétricas,
subaplanadas; lobo terminal triangular, apiculado, levemente voltado
para baixo, formado por uma complexa calosidade elevada na região
central, pequenos dentes assimétricos, pontiagudos, sendo as bordas
do lobo terminal irregularmente denticuladas.
Catasetum osakadianum Silva & Oliveira, sp. nov. Tipo: Brasil,
estado de Rondônia, Porto Velho, Vila Nova Califórnia, Reserva
Indígena Caxarari, 10/97.J.B.F. da Silva, 805. (holótipo, MG 150576).
Figuras 2-5.
Epiphyta, infloresceiitia erecta, floribus cum sepalis et petalis
lanceolatis; labello supero, sacciforme, foramine frontali vel ostio
triangulari; interne prope basin praedito complexa elataqiie
callositate, formata tribus parvis dentibus simetricis, directis in lobos
late rales, et regione centrali longo dente punctiacuto, prolongato supra
cavidatem labelli; marginibus loborum lateralium bipartitis, anibobus
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Catasetum caxarariense, catasetum osakadianum e catasetum alatmn: novas espécies...
irregulariter denticulatiSyfrímbiatisque, assimetricis; lobo terminali
triangulari, fortiter carnoso, apiculatoque; deorsum marginibu
laevibus; columna sub-triangulari, marginibus alatis, properostrum,
cum antennis parallelis; anthera sub-triangulari, pollinis duobus.
Epífita, pseudobulbo verde, fusiforme, sulcado, ereto, 8 cm
compr., 2 cm diâm.; folhas verdes, lanceoladas, côncavas, 26 cm
compr., 5 cm larg.. Inflorescência masculina ereta, verde, 1-4 anelada;
brácteas amplexicaules, lanceoladas, 10 mm compr.; raque 22 cm
compr., 2 mm diâm.. Flores 5 ou mais, verde-claras, ressupinadas,
eretas, distribuídas no terço superior da raque; brácteas florais apressas
aos pedicelos, triangulares, 10 mm compr.; pedicelos verde-claros,
cilíndricos, arqueados a partir do terço médio, 20 mm compr., 2 mm
diâm.; sépalas verdes, lanceoladas, côncavas, a dorsal ereta, as laterais
arqueadas para baixo, 32 mm compr., 8 mm larg.; pétalas verdes,
lanceoladas, convexas, eretas, 30 mm compr., 7 mm larg.; labelo
branco, supero, formando ângulo de 90° com a coluna, carnoso,
sacciforme, com abertura frontal ou ostío triangular, com uma
complexa calosidade intemamente próximo à base, formada por três
pequenos dentes simétricos direcionados para os lobos laterais e na
região central um longo dente pontiagudo que se prolonga por sobre
a cavidade do labelo; saco do labelo profundo, 9 mm prof., 5 mm
larg.; bordas dos lobos laterais bipartidos, ambos irregularmente
denticulados a fimbriados, assimétricos; lobo terminal triangular,
fortemente carnoso, apiculado, voltado para baixo, bordas lisas; coluna
verde-clara, robusta, carnosa, totalmente exposta, ereta, subtriangular,
estreitando-se para a base, com bordas aladas próximo ao rostro,
20 mm compr., 5 mm larg.; antenas paralelas, 6 mm compr.; antera
esbranquiçada, subtriangular, longamente rostrada, 1 1 mm compr.,
3 mm diâm., polínias 2.
O epíteto específico é uma homenagem ao Sr. Osakada Yasunao,
orquidófilo e membro da Sociedade Paraense de Orquídofilos (SPO).
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Catasetum caxarariense, catasetum osakadianum e catasetum alatum: novas espécies...
Figura 4 - Exemplar de Catasetum caxarariense Silva & Oliveira (Foto J.B.F. da Silva).
Catasetum osakadianum Silva & Oliveira não apresenta
afinidade com nenhuma espécie já descrita para o gênero, pois exibe
características incomuns para o gênero, tais como as bordas dos lobos
laterais bipartidas, ambas irregularmente denticuladas a fimbriadas e
assimétricas. Entretanto, por apresentar antena paralela, sugere-se sua
posição sistemática no subgênero Orthocatasetum, seção Isoceras.
Catasetum alatum Silva & Oliveira, sp. nov. Tipo: Brasil,
Estado de Rondônia, Porto Velho, Vila Nova Califórnia, Reserva
Indígena Caxarari, 10/97. J.B.F. da Silva, 904.(holótipo, MG
150579). Figura 3.
Epiphyta, inflorescentia pendula, floribus cum sepalis lanceolatis,
petalisque oblongo-lanceolatis, marginibus serrulatis; labello supero,
sacciforme, foramine frontali vel ostio elliptico; marginibus loborum
lateralium alatis semi-volutis, leviter serrulatis, assimetricis elatis;
lobo terminali triangulari, apiculato, deorsum , marginibus laevibus;
columna sub-triangulari, cum antennis cruciatis; anthera
sub-triangulari, pollinis duobus.
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
Epífita, pseudobulbo verde, fusiforme, sulcado, ereto, 4 cm compr.,
1,5 cm diâm.; folhas verdes, lanceoladas, côncavas, 15 cm compr.,
2 cm larg.. Inflorescência masculina pendente, verde-clara, 1-3 anelada;
brácteas amplexicaules, lanceoladas, 11 mm compr.; raque 24 cm
compr., 3 mm diâm.. Flores 6 ou mais, verde-claras, ressupinadas, eretas,
distribuídas a partir do terço médio da raque; brácteas florais apressas
aos pedicelos, triangulares, 12 mm compr.; pedicelos verde-claros,
cilíndricos, eretos, 35 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas verde-claras,
lanceoladas, côncavas, a dorsal ereta, as laterais arqueadas para trás,
acuminadas, 35 mm compr., 10 mm larg.; pétalas verde-claras,
pintalgadas de vermelho-vinho, oblongo-lanceoladas, convexas, eretas,
margens serrilhadas, 35 mm compr., 15 mm larg.; labelo súpero,
formando ângulo de 90° com a coluna, carnoso, sacciforme, com
abertura frontal ou ostío elíptico, intemamente verde-claro, com mácula
branca próximo à base, extemamente verde-claro; saco do labelo
profundo, 9 mm prof., 15 mm larg.; bordas dos lobos laterais fortemente
aladas, semi-enroladas, levemente serrilhadas, assimétricas, elevadas ;
lobo terminal triangular, apiculado, voltado para baixo, bordas lisas;
coluna verde-clara, robusta, carnosa, totalmente exposta, ereta,
subtri angular, rostrada, estreitando-se para a base, 18 mm compr., 6 mm
larg.; antenas cruzadas, 10 mm compr.; antera esbranquiçada,
subtriangular, rostrada, 10 mm compr., 5 mm diâm., polínias 2.
O epíteto específieo provém do latim alatu, “alado, que tem
forma de asa”, em alusão à forma alada das bordas dos lobos laterais
do labelo nas flores masculinas.
Catasetiim alatiini Silva & Oliveira está incluída no subgênero
Orthocatasetwn, seção Anisoceras. Assemelha-se com Catasetiim
fimhriaíiim (Morren)Lindl., diferenciando-se por apresentar flores com
sépalas lanceoladas e pétalas oblongo-lanceoladas; labelo com abertura
frontal ou ostío subelíptico; bordas dos lobos laterais fortemente aladas,
semi-enroladas, levemente serrilhadas, assimétricas, elevadas ; lobo
terminal triangular, apiculado, voltado para baixo, com bordas lisas.
364
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Catasetum caxarariense, catasetum osakadianum e catasetum alatum: novas espécies...
Figura 5 - Exemplar de Catasetum osakadianum Silva & Oliveira (Foto J.B.F. da Silva).
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Secco (CBO/MPEG), pelas críticas e
sugestões; ao Sr. João Batista F. da Silva, pela coleta do material
botânico; ao Pe. José Maria Albuquerque, pela elaboração das
diagnoses latinas; à Fundação Botânica Margaret Mee (FBMM),
pela bolsa concedida ao co-autor, e ao Sr. Antônio Flielson Rocha
(CBO/MPFG), pelas ilustrações das espécies.
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cm
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Goeldi, 121 p. il.
Recebido em: 02.03.00
Aprovado em: 25.09.01
366
CDD: 582.1600981132
574,52642
\í*>
V
DIFFERENCES OF PRIMARY AND SECONDARY
TERRA FIRME FORESTS ALONG THE
UAICURAPA RI VER NE AR PARINTINS,
AM ACCORDING TO THE RELATIONSHIP
BETWEEN Individual tree size and vessel
AREA IN STEM CROSS SECTIONS
Akio Tsuchiya'
Mario Hiraoka?
ABSTRACT - Forest inventory and stem disk sampling were carried
out in a primary forest (FP), 20 year-old and 8 year-old secondary
forests (C20, C8) on a terra firme site along tfie Uaicurapa River
near Parintins, AM. The relationship between individual tree size
and vessel area (%) in stem cross sections was investigated. The
number of species and individuais was 68 and 253 in the FP (T2500
nr). 23 and 45 in the C20 (/lOO nP), 18 and 102 in the C8 (/lOO m-),
respectively. Species richness recovered along with time following
abandonment, but only two species occurred commonly. The average
tree height was 4.10 m in the C8 and 12.99 m in the FP. It was
estimated from the standard deviation (C8: ±1.82 m, FP: ±7.15 m)
that the development of strata had occurred with the passage of
time. The aboveground biomass also differed greatly between the
two stands (C8: 1.60 t/ha, FP: 259.59 t/ha). Most species showed a
dijfuse vessel arrangement. The vessel area (%) oftall trees tended
to be high in contrast to small individuais. This means that the
percentage of vessels conveying the sap vertically is dependent on
tree height. Further, the vessel area ofthe juvenile forest was larger
than that of primary forest even under comparable tree heights. It
is belicved that the low and uniform tree height with limited light
stress causes the rapid growth rate in juvenile secondary forests.
• Department of Environmental Stuclies, Faculty of Integrated Arts and Sciences, Hiroshima
University, Higashi-Hiroshima, Hiroshima 739-8521, Japan. E-mail: tsuchiya@hirosliima-u.ac.jp
2 Department of Geography, School of llumanities and Social Sciences, Millcrsville University,
Millcrsville, PA 17551-0302, U.S.A.
367
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 17(2), 2001
KEY WORDS: Primary forest, Secondary forest, Strata, Tree height,
Vessel area.
RESUMO - O inventário florestal e a coleta das amostras dos cortes
transversais dos troncos foram feitas em uma floresta primária ( FP),
e em uma floresta secundária de 20 e 8 anos (C20, C8) em terra
firme ao longo do Rio Uaicupura perto de Parintins, AM, para
investigar a relação individual entre o tamanho da árvore e a área
de vaso(%) nas secções de cortes tranversais dos troncos. O número
de espécies e indivíduos foram 68 e 253 em FP (/2500 m^), 23 e 45
em C20 (/lOO nr), e 18 e 102 em C8 (/lOO nd), respectivamente.
Apesar de muitas espécies terem sido recuperadas com tempo devido
apos ao abandono, somente duas espécies aparecem comumente. A
média de altura das árvores é de 4.10 m em C8 e 12.99 m em FP.
Baseado no desvio-padrão (C8: ±1.82 m, FP ±7.15 m) foi estimado
que o desenvolvimento dos estratos ocorreu devidamente com o
tempo. A biomassa também difere bastante entre as duas parcelas
(C8: 1.60 t/ha, FP: 259.59 t/ha). A forma de distribuição da maioria
das espécies apresentou um arranjo difuso. Houve uma tendência
para que a área de vaso ( %) de árvores altas fosse maior que das
árvores pequenas. Isso significa que a porcentagem de vasos, os
quais são responsáveis pelo transporte vertical da água, é
independente da altura da árvore. Assim sendo, a área de vaso da
floresta juvenil foi maior que da floresta primária, mesmo em casos
de árvores com alturas similares. Acredita-se que árvores de pequeno
porte e uniforme com pouca assecibilidade a luz, são responsáveis
pela grande taxa de crescimento das florestas secundárias Juvenis.
PALAVRAS-CHAVE: Floresta primária, Floresta secundária, Estratos,
Altura da árvore. Área de vaso.
INTRODUCTION
The landscape of the Middle Amazon is characterized by the
seasonal inundation forest (várzea), where plants are subjected to
altemating aquatic and terrestrial phases, and by the non-flooded
upland forest (terra firme). Internai migrations to the region, inhabited
mainly by indigenous and part-indigenous caboclos, was triggcrcd by
the late ninetccnth ccntury rubber boom. Following the collapse of
the latex-bascd cycle of cxtractivism, the emigrants who rcmained in
368
Diferences of primary and secondary terra firme forests along the uaicurapa river...
the region began the development of the várzea and adjoining terra
firme. Riverine changes began to accelerate after the 1950s with jute
farming, and particularly after the 1980s with the replacement of jute
by cattle. During the low water season, cattle are pastured on the
abundant natural grasses of the várzea. The livestock are shifted to
the terra firme in the high water season, when the bottomlands are
submerged (Sternberg 1998). To accommodate the increasing
demands for beef by Amazonian urban centers, particularly Belém and
Manaus, herds expanded and along with them the deforestation of
terra firme adjoining the várzea. In the late 1990s, the speculative
growth began to be tempered as a result of severe competition from
other breeding areas and pasture abandonment is beginning to take
place. At present, researchers are debating how regeneration occurs
in such places (Feamside 1998; Uhl et al. 1998).
On the other hand, traditional land use has been carried out next
to the cattle ranches on the terra firme. Manioc (Manihot esculenta
Kantze.), the main staple of local inhabitants, is cultivated along with
other crops under shifting cultivation. One to two hectare plots are
opened in the forest by slash-and-bum, and manioc is cultivated for two
years. Then, the land is fallowed, and a new site is opened. Therefore,
secondary forests with differing ages are scattered on the terra firme.
Rapid inroads into the Amazon rain forest, increasingly evident
sincc the 1980s, are changing the trend of vegetation Science. For
example, evaluation of deforested areas, development of selective
logging methods, and afforestation techniques, are gaining ground, as
opposcd to studies of specics diversity and exploration of lumber
resources (LBA 1997). Long-tcrm monitoring of regeneration
processes, simulation studies of optimum logging intervals, and
enriched agroforestry systems are being favored (Higuchi 1994; Van
Leuween er a/. 1997).
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A drawback of vegetation Science and plant ecology is the
absence of a perspective that investigates the processes ranging from
germination, establishment, and succession to the recovery of a natural
forest. Studies of plant communities generally focus on species
richness and aboveground biomass. Limited attention is given to
species and individuais that select their own life space following the
development of strata. In the field of fluid dynamics, it is well known
that the amount of fluid passing through a cylinder is proportional to
the product of the fourth power of the diameter and the number of
cylinders (Calkin et al. 1986; Tyree & Ewers 1991). For a tree, it is
equivalent to the diameter of vessels and their density. Canopy species
are required to absorb soil water so as to cope with the potential water
gradient between the ground surface and the leaf layer (Zimmermann
1983; Fitter & Hay 1985). From comparisons of vessel areas in stem
cross sections and individual tree sizes in a secondary forest at the
Caxiuanã National Forest, Pará, where the development of strata had
begun, Tsuchiya et al. (s.d.) demonstrated that the vessel area of
canopy species is larger than species remaining dose to the forest
floor. However, the relationship has not been discussed for a primary
forest where trees exist in multiple layers. Further, it has not been
investigated whether the vessel area remains equivalent between the
primary and secondary forests when tree sizes are equal. Therefore,
the first objective in this study is to compare the vessel and tree sizes
in a primary forest. Secondly, it compares the relationship between
the primary and secondary forests.
MATERIALS AND METHODS
The study site is located on a terra firme site along the Uaicurapa
Ri ver near Parintins, AM (Figure 1). As is true with other areas of
the Middle Amazon, transhumance of cattle between várzea and terra
firme, small scale logging, extraction of forest products and manioc
cultivation are the main activities of local inhabitants. In March 1999,
370
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Diferences of primary and secondary terra firme forests along lhe uaicurapa river...
we established quadrats in a primary forest (2500 m^) and in two
secondary forests (100 each). Hereafter, they are called FP,
C20 and C8. The forest age of FP is unknown. The landowner
has never used it. The C20 is a 20 year-old secondary forest
fallowed after manioc cultivation. Likewise, the C8 is an 8 year-
old secondary forest.
Parintins
Uaicurapa River
50 km
Figure I - Study arca (Rio Uaicurapa). Rivers and lakcs are sliadcd in black. Várzea is doltcd.
cm
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Tree height, DBH and the number of stems per individual were
investigated. The tree height was estimated from a distance with a
Leica-Disto and the angle of elevation with a range finder. The DBH
was measured with a tape measure for individuais over 5 cm in the
FP and over 1 cm in the other two stands. From these parameters,
the aboveground biomass of each individual tree was estimated using
allometric equations proposed by Higuchi et al. (1994), and the total
biomass (DW: t/ha) was calculated (individuais of DBH<5 cm were
eliminated due to the regulation). Small trees at the FP were measured
separately in a sub-quadrat (100 m^) established within the large
quadrat. Dead trees, fallen trees and palms were also counted but they
were not included among the living trees. Species were identified from
the local name and leaf samples were taken to the herbarium of the
Museu Paraense Emílio Goeldi for identification. Stem core samples
were obtained with an increment borer in the FP and C20 (height: 1
m, core length: 10 cm). In the C8, stem disks were obtained by cutting
down the trees. Two samples were obtained from each individual. It
was impossible to take samples from all the individuais in the quadrats.
The following percentage of samples and number of species were
covered: 37% (58 species) in FP, 44% (13 species) in C20, and 34%
(15 species) in C8, respectively. Attention was paid to obtain samples
from different tree sizes.
Growth ring measurements were condueted only with disk
samples from C8. Core samples from FP and C29 were not used
because it was difficult to identify the ring boundaries. Both core and
disk samples were glued in a piece of wood, and were polished with
a sand paper attachcd to a grinder (Nichika, RG-A30S). Then, the
1998 tree-ring was obtained with the image analysis software (Mitani,
Mac Scope 2.5) through a CGD camera (Tokyo Denshi, CS5510)
mounted on a measure scope (Nikon, MM-22). The magnification
was x50 to xlOO. When the ring width was too large, the input was
divided over several times since each input could accommodate an
372
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area between 1.4 mm^ (xlOO) to 6.0 mm^ (x50). The area of each
vessel, its number, its diameter, and circumference and brightness were
measured, but we used mainly the vessel area (% of vessel area in
the 1998 tree-ring) in this study. In addition, the distribution pattem
of the vessel and parenchyma was also investigated.
RESULTS
Species richness, slratification, aboveground biomass at the stand levei
Table 1 shows the results from the forest inventory in each stand.
The number of botanical families, species and individuais appearing
in all the three stands was 34, 87, 400, respectively. The FP (2500
m^) was made up of 253 individual trees (DBH=5 cm) consisting of
over 31 families and 68 species. The C20 (100 m^) was represented
by 45 individuais, consisting of over 15 families and 23 species. In
C8 (100 m^) there were 102 individuais, with over 12 families and
18 species (DBH=1 cm). Species richness increased with time after
abandonment. However, as is shown in black circles (Figure 2), the
commonly appearing number of families was only 9 (Melastomataceae:
N” 22, Guttiferae: N" 14, Lauraceae: N” 16, Annonaceae: N“ 2,
Sapindaceae; N” 30, Boraginaceae: N” 5, Apocynaceae: N” 3,
Anacardiaceae: N" 1, Celastraceae: N” 8), and that of species was only
2 (Miconia spp.: N” 41, Maramara and Cordia alliodora (R. & P.)
Cham.: N” 15). Species appearing frequently in the FP were Protium
heptaphyllum (Aubl.) March. (Burseraceae, n=32), Pithecellobium
latifolium (L.) Benth. (Leg-mimo., n=23), Eschweilera spp.
(Lecythidaceae, n=18. Morrão). Individuais of Lauraceae (n=17) and
Sapotaceae (n=16) were also large. In C8, the largest species were
made up of Miconia spp. (n=50), Vismia cayennensis (Jacq.) Pers.,
Vismia giiianensis Choisy, Vismia latifolia (Aubl.) Choisy (n=23 in
total). There was no consistency both in families and species between
the two stands.
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Table 1 - Results of forest inventory: number of species, families and individuais,
DBH (cm) and tree height (m), aboveground biomass (DW: t/ha).
Stand
Species
Families
Individuais
DBH
cm
r\\
m
DW
t/ha
M’
68
31
253/2500 m’
16.03
12.99
259.59
Primary forcsl
DBH<5 cm:
not included
1012/ha
±10.92
±7.15
n=253
C20
23
15
45/100 m'
8.18
7.72
112.20
20 ycar-old forest
DBH<1 cm: not included
4500/ha
±6.23
±4.33
n=30
C8
18
12
102/100 m’
3.77
4.10
1.60
8 ycar-old forest
DBI{<1 cm: not included
10200/ha
±2.51
±1.82
n=27
Botanical family
n: 400
° «oiíMaíilMTnííríTMmolTIlTMTTMManmTriOTrjsM
4142805261 23468155 2999 4 2776 1734 5 535651 626521 162277 B 83 84
5844481237 1530265754663643137031 2 6 6338503519727578 7 8587
Species
FP
C20
C8
Figure 2 - Number of families (uppcr) and species (lowcr) appcaring in cach sland.
374
Diferences of primary and secondary terra firme forests along lhe uaicurapa river...
Except for Astrocaryum murumuru Mait., the dominant palm
species was different between the secondary and primary forests.
Bactris maraja Mart. and Syagrus inajai (Spruce) Becc. were
dominant in the primary forest, but Lepidocaryum tenue Mart., Cocos
nucifera L. f. and Maximiliana maripa (Cor. Ser.) Drude were found
in the secondary forests. Also, the secondary forests were characterized
by numerous vines and stumps of original trees which had re-sprouted.
There was not a large difference in the number of dead trees among
the stands, but the mean diameter of dead trees reached 31.4 cm in
the FP and gaps were found in places.
Both tree height and DBH became greater with time, but the
Standard deviation also increased. In sorting them by size, the division
between the large-sized individuais and the small ones becomes
evident in the FP (Figure 3). Most of the trees are composed of
médium and shrubby individuais lower than 20 m and 20 cm, but a
small number of large-sized individuais, which form the canopy layer,
pushcs up the standard deviation. Plot C20 shows similar
characteristics, but the stand itself remains small. The dcvelopment of
strata at C8 is not evident yet. Most trees are lower than 10 m in height,
and the DBH is less than 10 cm. The stand is uniform and little
difference is found both in tree height and DBH. The relationship
between tree height and DBH is shown in Figure 4. They are not
regressed by a linear functiòn but the tree height in the FP pcaks at
40m and the DBH=40 cm. There was not a large difference in the
relationship of small individuais among the stands. They were
distributed in the lower Icft of Figure 3.
The alxtvcground biomass (DW) estimated by allomctric cquations
combining tree height and DBH varied grcatly from 1.60 t/ha (C8) to
259.59 t/ha (FP). Although the number of individuais used in the
estimate in C20 was 30 and in C8 was 27, the difference in DW attaincd
more than 160 times, since individuais with DBH<5 cm were not
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included in the calculation. The interannual change is shown in Figure
5. The horizontal axis cannot be cannot be indicated precisely because
the forest age of FP is unknown. However, it is possible to observe that
the DW at C20 has recovered to about one half that of FP.
40.00
, 30.00
■&
•Jj 20.00
JC
10.00
0.00
70.00
E
ü 40.00
m 30.00
Q
Individual tree
Figure 3 - Trcc hcight (uppcr) and DBU (lower) of cach stand .sorlcd by size.
376
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377
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Individual tree size and vessel area
Examples of stem cross sections are shown in Figure 6. They
are all 1998 growth rings, but they do not include the year’s entire
ring. Trattinickia rhoifolia Willd. at the FP (Figure 6-1, upper) is a
tall tree (tree height: 35.0 m, DBH; 68.0 cm, DW: 4.8966 t) and the
vessel area covers 29.69%. Guatteria citriodoria Ducke is a small tree
(tree height: 7.0 m, DBH: 8.0 cm, DW: 0.0006 t) and the vessel area
reaches 3.49% ((Figure 6-1, lower). In the case of C20, they are 17.0
m, 22.0 cm, 0.2526t for Tapirira guianensis Aubl., and are 4.0 m,
2.5 cm, 0.0000 t for Cecropia jaranyana A. Rich. (Figure 6-2). In
the same way, comparable figures for Didymopanax mowtoíoni Dence
are TH: 10.0 m, DBH: 12.0 cm, DW: 0.0020 t, and for Sapindus
saponaria L. TH: 2.5 m, DBH: 3.0 cm, DW: 0.0000 t (Figure 6-3).
Since some individuais had DBH less than 5 cm, they are shown with
a zero DW. The vessel distribution pattem for all examples shows a
diffused arrangement. Single or a few united vessels are randomly
distributed in a radial pattem. One hundred thirty seven individuais,
or 92% of all the individuais sampled, were diffused porous wood,
and the others had the radial arrangement. There were two types of
parenchyma: the vasicentric parenchyma of paratracheal type and the
reticulate/banded parenchyma of apotracheal type. Parenchyma is
dependent on the species, but there was a tendency that a tall tree
represented the paratracheal type and a small tree the apotracheal type.
Each figure illustrates two examples for each stand with different tree
sizes and vessel areas. The species are different, but the vessel areas
seemed to depend on the individual tree size.
Figure 7 shows the relationship between tree height and vessel
area. In spite of including 58 species in the FP, the relationship
was almost linear. When comparing the relationship among the
three stands, it can be observed that the gradient was steeper in
thejuvenile forest. Forexample, when the tree height is 10 m, the
vessel area was less than 10% in the FP, about 10% in the C20,
and more than 10% in the C8.
378
cm
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C'20; No.406
Tapirira guiancnsis Aubl, ANACARDIACEAE
Difluse porous wooil, Paratraclical parenchyma
Vcssel area: 21.60%
C20
C20: No.380
Cecropia juranyana A. Rich., MORACEAE
DifTuse poroiis wood, Apotractical parcnrhyina
Vea-icl arca: 7.98%
I
0
1000// m
Picurc 6-1 * ExDmpIcs of vcsscls in stcni cross scclions from cíich stând (ciliptic tissucs)
379
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
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Figure 6-2 - Examplcs of vcsscis in stem cross scctions from cach stand (ciliptic tissucs).
C20
C20: No.406
Tapirira guianensis Aubl., ANACARDIACKAE
DifTuse porous wood, Paratracheal parcnchyma
Vcssel area: 21.60%
C20: No.380
Cccropia juranyana A. Rich., MORACEAE
DifTuse porous wood, Apotraclical parenchyma
Vcssel area: 7.98%
I 1
0 1000
380
Diferences of primary and secondary terra firme forests along íhe uaicurapa river...
CS: No.365
Sapindus saponaria L., SAPINDACEAE
UifTusc porous wood, Apotrachcal parcnchyraa
Vcsscl arca: 4.20%
1000 ti m
Figure 6-3 - Examples of vcsscls iti stcm cross scctions froni cach stand (clliptic tissucs)
SciELO
C8: No.277
fíiJymopanax morototoni Dencc. et Pianch., ARAUACEAE
DifTuse porous wood, Paratracheal parenchyma
VesscI arca: 1 3.98%
cm
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Tree height (m)
40.00
Figure 7 - Relationship between tree height and vessel area in each stand.
DISCUSSION
More than 50 forest inventories have been carried out in
Amazonian primary forests (Brown et al. 1989). The aboveground
biomass ranges between 90 and 397 t/ha, and the average is 268 t/
ha. Feamside (1987) reported a figure of 215 (±61.7 t/ha), and Higuchi
et al. (1994) cited 228 t/ha. The result of this study (259.59 t/ha) is
close to the previously reported values. Regarding the species richness
and the number of individuais, Almeida et al. (1993) reported that the
number of families is between 31 and 47, species 84 and 196, and
individuais (DBH=10 cm) 347 and 727 (/ha). It is impossible to
compare the species and families because the quadrat area is different,
but the number of individuais limited to DBH=10 cm at the FP (700/
ha) is larger than other inventories.
All species appearing in the three stands were classified into
three classes in terms of potential tree height (shrub species: <10 m,
médium species: 10-20 m, canopy species: >20 m), and the number
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Diferences of primary and secondary terra firme forests along the uaicurapa river...
of individuais is indicated in percentages (Table 2). The result
indicated that the shrub species predominated in the C8 (74.5%), while
the canopy species dominated in the FP (53.2%). This suggests that
plant succession occurs continuously, and the species composition
changes from shrub species to several groups of species with different
heights. Thus, the change of species composition is related to the
development of strata as shown in Figure 3.
Table 2 - Classification of tree species in each stand according to the potential
height.
Stand
AG(%)
AM(%)
AP(%)
FP
53.2
37.0
9.8
C20
51.1
11.1
37.8
C8
23.5
2.0
74.5
AG: >20 m in tree height, AM: 10-20m, AP: <10 m
Reports refer to wood anatomy of Amazonian hardwood species,
but the relationship between individual tree size and vessel parameters
are not described (Sudam 1981; Loureiro et al. 1997). Trees must
absorb water necessary for photosynthesis through vessels. The
increase in vessel number and diameterTiring about the increase in
vessel area. This is a scheme to absorb as much water as possible
against the gravity in the extension growth (Fitter & Hay 1985).
Decrease in friction drag inside the vessel is accomplished by an
increase in vessel diameter (Poiseuille’s law: Zimmermann & Brown
1971). When the mean diameter is large, the vessel area also becomes
larger, even if the number of vessels decreases. Long distance and
large quantity transportation of sap is realized by this mechanism
(Figure 7). However, the extension growth is not unlimited. After a
given height thickening growth comes to surpass extension growth
due to the potential water gradient (Figure 4). Although a high
correlation coefficient exists between the vessel area and DBH, it is
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a secondary product resulting from the dose relationship that exists
between tree height and DBH. Thickening growth, which is a
horizontal growth, has no connection with vertical water potential.
In a stratified forest, e.g., primary forest, small individuais are
light stressed, while in a juvenile secondary forest tree size is
uniform and annual growth is large. In measuring the annual ring
width of 35 stem disks obtained in C8, the tree age was found to
be 6.36 and the mean radius to be 36.241 mm (Figure 8). As
diameter is twice the radius, the annual growth is 1 1.389 mm. The
average tree height of these individuais was 5.67 m, while
extension growth averaged 0.89 m. As most core samples did not
reach the pith, and their tree-ring boundaries could not be identified
precisely, it is not possible to compare the primary and secondary
forests directly. However, it is unlikely that primary forest shrubs
have the same growth rate as those in the secondary forest. Not
only shrubs but also canopy individuais cannot attain annual
extension growth comparable to those of secondary forests.
Similarly, the 1998 tree ring width from the FP is 1.850 mm (S.D.;
±0.467 mm). This is less than one sixth of C8. Consequently, it is
concluded that trees in a juvenile secondary forest with uniform
forest structure can grow fast, and this fact makes the vessel area
increase to support the growth.
In this study, the comparison of individual tree sizes and vessel
areas from three stands with different ages indicates that the
extension growth is dependent on the vessel area. However,
extension growth varies between primary and secondary forests due
to differences in forest structure. As a future project, we plan to
measure the photosynthetically active radiation and conduct imagc
analysis of the stomata aperture of leaves in primary and secondary
forests.
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Diferences of primary and secondary terra firme foresis along the uaicurapa river...
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C8 (n: 35, Spe.: 15)
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Year
Figure 8 - Annual change in cumulative ring widths of 35 stem disks from the C8.
ACKNOWLEDGEMENTS
Financial support for this study carne from the Fukutake Science
and Culture Foundation. Mr. Carlos Rosário da Silva at the Department
of Botany, Museu Paraense Emílio Goeldi, assisted us in identifying
the plant species and in estimating the potential tree heights.
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Recebido em: 25.09.00
Aprovado em: 05.10.01
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CDD: 581.981152
581.526325
A VEGETAÇÃO DA ILHA CANELA, MUNICÍPIO
DE BRAGANÇA - PARÁ, BRASIL
Dário Dantas do Amaral'
João Ubiratan M. dos Santos^
Maria de Nazaré do Carmo Bastos'
Denise Cristina Torres Costa^
RESUMO - A ilha Canela é considerada como um dos principais
locais de ocorrência de aves aquáticas e migratórias da região, sendo
uma Área de Conservação. Com o objetivo de conhecer sua flora e de
contribuir com o seu plano de manejo, efetuou-se um levantamento
botânico e análise fitossociológica da vegetação. Na restinga, através
de um perfú traçado desde a linha média de maré alta até o contato
com o manguezal, com 148m de extensão aplicou-se o método de
parcelas, e no manguezal, o método do ponto quadrante. Na ilha,
que apresenta uma cobertura vegetal em 80% de manguezal e 20%
de restinga, foram identificadas 32 espécies, representantes de 19
famílias. As espécies ocorrentes na área são em geral comuns ao
longo do litoral nordeste do Estado do Pará, com exceção de
Caesalpinia bonducella (L.) Roxb. que não consta das listagens
científicas das floras litorâneas locais. Caracterizaram-se duas
formações vegetais para o ecossistema em estudo, a psamófila reptante
dominada por Ipomoea imperati (Vahl) Griseb., Alternanthera
ficoides (L.)Br. e Canavalia rosea DC. e o brejo herbáceo, no
qual destacam-se Fimbristylis cymosa R. Bre Fimbristylis spadicea
(L.) Vahl.. No trecho de manguezal inventariado foram registradas
duas espécies, Rhizophora mangle L. e Avicennia genninans (L) Steam.
tendo a última se destacado em dominância, densidade e freqiiência.
PALAVRAS - CHAVE: Restinga, Manguezal, Florística, Estrutura.
MCT-Muscu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Pesquisador. Caixa Postal 399.
Cep: 66040-170, Belém-PA. E-mails: dario@muscu-gocIdi.br, nazir@muscu-gocldi.br
FCAP-Faculdadc de Ciências Agrárias do Pará. Professor Visitante. Av. Tancredo Neves, s/n.
Cep. 66077-530, Belém-PA. E-raail: bira@museu-goeldi.br
MCT-Muscu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Bolsista DCR/CNPq/MPEG.
Caixa Postal 399. Cep: 66040-170, Belém-PA.
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ABSTRACT - Canela Island, on the coast of Pará State, northern
Brazil, is considered one ofthe region ’s largest ecological sanctuaries
for aquatic and migratory birds and is a recognized conservation
area. A botanical survey of the island was undertaken in order to
better know the regional flora and to contribute to its management
plan. Botanical material was collected and vegetation structure was
analyzed. A baseline ofI48 m was drawn from the rnean high tide line
at the shore to the mangrove forest, and parcels of vegetation were
analyzed along this line. In the mangrove forest, the quadrate method
was used. On the island, 80% ofwhose area is in mangroves and 20%
in dunes, 32 plant species from 19 plant families were identified. For
the most part, these plant species are those that are common to the
shore vegetation of northeastern Pará, except for Caesalpinia
bonducella (L.) Roxb., a species not previously listed for the local
shore flora. Two vegetation formations were characterized for the
ecosystem under study: the low psammophile formation dominated
by Ipomoea imperati (Vahl) Griseb., Alternanthera ficoides (L.) Br.
and Canavalia rosea ( Sw. ) DC., and the herbaceous swamp formation,
in which Fimbristylis cymosa R. Br. and Fimbristylis spadicea (L.)
Vahl. are most evident. In the mangrove qiiadrats, two species were
found, Rhizophora mangle L. and Avicennia germinans (L.) Stearn.,
the latter ore being more dominant, denser, and more abundant.
KEY WORDS: Sandy Coastal, Mangrove, Structure, Floristic.
INTRODUÇÃO
A ilha Canela localiza-se no município de Bragança, nordeste
do estado do Pará, a 10 km da costa. O local apesar de relativamente
pequeno, não ultrapassando a 8 km de perímetro é considerado um
importante refúgio de aves aquáticas da região (Roma et al. 1996;
Ayres apud Teixeira 1996).
A área abriga um notável ninhal de guarás (Eudocimus niber),
que de acordo com censo realizado em 1996, apresenta uma população
em tomo de 10.000 aves, figurando entre as maiores já observadas
em território brasileiro (Roma et al. 1996). A fim de assegurar a
continuidade das aves que ali se encontram, protegendo-as da
perturbação ambiental humana no local, foi sugerido à Secretaria de
Ciência e Tecnologia do Estado do Pará (SECTAM) transformar o
local em Área de Preservação da Vida Silvestre (Roma et al. 1996).
390
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A vegetação da ilha Canela, município de Bragança - Pará, Brasil
Relatos dos moradores mais antigos da ilha, informam que o
local, quando dos primeiros habitantes, resumia-se a um pequeno
“lombo branco” desprovido de vegetação (Teixeira 1996). Atualmente
a vegetação é constituída em 80% de Manguezais e 20% de restinga.
A restinga encontra-se geralmente margeando a ilha,
estendendo-se, em poucos locais, até o centro da mesma,
intercalando-se ao manguezal. É constituída em sua maioria por ervas
e alguns arbustos. O manguezal é dominante, ocupando várias porções
da ilha, apresentando, dentre suas espécies características, Avicennia
schaueriana (Stapf.) Leechman, pouco freqüente nos manguezais do
litoral nordeste do Pará.
Este trabalho tem como objetivo a caracterização florística e
fitossociológica da vegetação da ilha Canela, de modo a contribuir
com o conhecimento do ecossistema litorâneo amazônico.
MATERIAIS E MÉTODOS
Area de Estudo
A ilha Canela pertence ao litoral nordeste do estado do Pará,
situada no município de Bragança, entre as coordenadas 0”47’06" S
e 46“43’41" W (Figura 1). Apresenta 363,23 ha de área e
aproximadamente 8 km de perímetro, dista 4.500m do continente, e
30.350m da cidade de Bragança (Teixeira 1996).
Amostragem da vegetação
Para a amostragem da vegetação, utilizou-se, na restinga, o
métodos de parcelas (Mueller-Dombois & Ellenberg 1974) e no
manguezal, foi utilizado o método dos Quadrantes (Martins 1991).
Na restinga, a partir de uma linha base estendida sobre a vegetação,
foram lançadas 100 parcelas de 1 m-, sendo tomadas anotações das
espécies ocorrentes e estimadas suas coberturas percentuais (área
ocupada na parcela), bem como áreas com detritos c/ou sem vegetação.
Elaborou-se um perfil esquemático de distribuição e extensão das
formações vegetais, orientado no sentido mar - centro da ilha.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Figura 1 - Mapa esquemático de localização da área de estudo. Ilha Canela, Bragança, Pará:
A) Localização cm relação ao Pará e ao Brasil; B) Fotografia aérea.
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A vegetação da ilha Canela, município de Bragança - Pará, Brasil
Para a amostragem do manguezal, considerou-se os indivíduos
com DAP (circunferência a 1,30 m do solo) igual ou superior a 10 cm.
A metodologia baseou-se em Pontos Amostrais. Em cada Ponto
Amostrai registram-se os quatro indivíduos mais próximos do centro
do ponto, com respectivos dados de circunferência, distância ao Ponto
Amostrai e altura total. A distância entre os pontos amostrais foi de
cinco metros. Tal medida foi estabelecida preliminarmente ao
estabelecimento dos pontos, a partir de medições testes, de modo a
evitar a inclusão de um mesmo indivíduo em mais de um ponto amostrai.
Foi efetuado um levantamento geral das espécies nas nas áreas
não amostradas. A identificação botânica foi feita por comparação com
o material existente no herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi
(MG), estando o material coletado incorporado ao referido herbário.
Parâmetros fitossocíológicos
Os parâmetros fitossociológicos calculados foram Densidade,
Dominância, Freqüência e o Valor de Importância das espécies
(Mueller-Dombois & Ellenberg 1974), gerados através do programa
Fitopac, versão 2.0 (G.J. Shepherd, UNICAMP-SP).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Florística
Foram levantadas um total de 34 espécies, distribuídas em
21 famílias, com informações de hábito de crescimento e local de
ocorrência (Tabela 1). Destas, cinco ocorreram no manguezal, outras
28 na restinga e uma (Spartina hrasiliensis L.) nas enseadas lamosas
banhadas pela maré.
As espécies ocorrentes na área de estudo são de maneira geral
comuns ao longo do litoral nordeste do Pará (Bastos 1996; Costa Neto
et al. 1995; Costa Neto 1999; Lisboa et al. 1993), à exceção de
Avicennia schauericma e Caesalpinia honducella.
393
Tabela 1 - Listagem florística das espécies amostradas e observadas com respectivos hábito de crescimento e
local de ocorrência. Ilha Canela, Bragança - PA. PR = Psamófila reptante; BH = Brejo herbáceo.
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394
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A vegetação da ilha Canela, município de Bragança - Pará, Brasil
Avicennia schaueriana ocorre no manguezal da área de estudo
em população pouco abundante, sendo facilmente confundida com
A. germinans, dada a semelhança em aspectos vegetativos. No Herbário
do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG), registra-se coleta para tal
espécie nas regiões de Salinas, São Caetano de Odivelas e Bragança.
A outra ocorrência mencionada {Caesalpinia bonducella),
corresponde a um arbusto de aproximadamente 1,5 m de altura, o qual
não foi encontrado referência em listagens da flora litorânea local.
Fitossociología
Restinga
A restinga da ilha Canela está representada por duas formações
vegetais, denominadas de psamófila reptante (plantas com hábito
reptante de crescimento, ocorrentes em cordões de dunas) e brejo
herbáceo (vegetação herbácea, ocorrente em áreas periodicamente
inundadas, geralmente localizada nos reversos de dunas) (Figura 2).
Conforme retratado no perfil esquemático (Figura 3) a área amostrada
caracteriza-se por um cordão dunar de aproximadamente 1 m de altura
em relação ao nível da praia, com extensão que atinge 100 m, onde se
desenvolve a formação pasamófila reptante. Segue-se a esta formação,
em ^18 m de extensão, um brejo herbáceo, apresentando como limite
posterior uma faixa de manguezal.
Na Tabela 2, encontram-se ordenadas em Valor Importância (VI)
as 20 espécies amostradas. Ocupam as cinco primeiras posições,
respectivamente, Cassita filifonms, Sporoholus virginicus, Fimbristylis
cynwsa, Fimbristylis spadicea e Ipomoea imperati. Estas espécies juntas
representam 74,14% do VI total. As demais 15 espécies correspondem
aos 25,86% restantes.
Das doze (12) espécies apenas observadas na restinga, cinco (05)
Chrysobalanus icaco, Byrsonima crassifolia, Hibisciis furcellatus,
Caesalpinia bonducella, Dalbergia ecastophylla, correspondem a
art)Ustos, não abrangidos pelo método herbáceo empregado.
395
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Em dominância nota-se coerência nos valores em relação a
ordenação das espéeies em VI, diferente do observado em freqüência,
onde Sporobolus virginicus e Impomoea imperati, respeetivamente 1“
e 3” maiores valores neste parâmetro ocupam a 2“ e 5® posição em VI.
Figura 2 - Vista geral da restinga; A) psamófila reptante, B) brejo herbáceo; ao fundo manguczal.
Ilha Canela, Bragança, Pará.
Proio
Psomo fi lo Reptante
” 100 m
Bre jo
48n
Maoguezol
Figura 3 - Perfil esquemático da restinga. Ilha Canela, Bragança, Pará
396
A vegetação da ilha Canela, município de Bragança - Pará, Brasil
Tabela 2 - Espécies amostradas na restinga e seus parâmetros fitossociológicos.
Ilha Canela, Bragança, Pará. DoR = Dominância relativa;
FR = Frequência relativa; VI = Valor de importância.
Espécies
DoR (%)
FR(%)
VI
VI(%)
Cassytha filiformis
20,42
12,67
33,10
21,86
Sporobolus virginicus
13,32
16,21
29,19
19,28
Fimbristylis cymosa
12,40
6,62
19,02
12,56
Fimbristylis spadicea
11,32
5,71
17,03
11,25
ípomoea imperati
8,82
7,99
16,81
11,10
Alternanihera ficoidea
4,46
7,19
11,65
7,70
Pycreus polystachyos
2,11
4,34
6,45
4,26
Brutaparon portulacoides
1,14
3,65
4,80
3,17
Canavalia rosea
1,21
2,74
3,95
2,61
Paspalum vaginal um
1,06
1,60
2,65
1,75
Sesuvium portulacastrum
0,53
1,94
2,47
1,63
Vigna luteola
0,24
0,91
1,16
0,76
Ambrosia microcepliala
0,44
0,68
1,12
0,74
Cyperus ligularis
0,35
0,57
0,92
0,61
Eleocharis geniculata
0,09
0,46
0,54
0,36
Turnera melochioides
0,04
0,23
0,27
0,18
Rhabdadenia bijlora
0,04
0,23
0,27
0,18
As espécies consideradas características da formação psamófila
reptante por Bastos et al. (1995); Bastos (1996) e Costa Neto et al.
(1995), para as restingas da praia da Princesa e Crispim,
respectivamente, são encontradas, neste estudo, juntamente a
representantes típicas do brejo herbáceo, como Fimbristylis cyinosa,
Fimhrístylis spadicea e Pycreus polystachyos.
Semelhante ao observado noutras áreas do litoral nordeste do
Pará (Bastos 1996; Costa Neto eia/. 1995; Costa Neto 1999), espécies
próprias de manguezal como Avíce/iía genninans e Rhizophora tmingle,
geralmente em forma de propágulo, distribuem-se na área do brejo
herbáceo, auxiliadas quase sempre por canais de maré que circundam
tais áreas, contudo, não se estabelecem definitivamente.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 17(2), 2001
Manguezal
Os manguezais estão distribuídos no Brasil desde o paralelo
4°20’N até o paralelo 28”30’S, estendendo-se desde o Cabo Orange,
no Amapá, até a cidade de Santa Catarina, sendo representados por
bosques, com características estruturais bem variadas (Scheffer-Novelli
& Cintrón 1988).
Neste estudo, inventariou-se um trecho de manguezal situado na
porção norte da ilha (Figura 4). A partir de 20 pontos amostrais, foram
amostrados 80 indivíduos, correspondendo a 0,1 12 ha de manguezal.
Apenas duas espécies foram registradas, Rhyzophom mangle e Avicenia
germinans. A densidade foi de 716,91 indivíduos/ha., com área basal
de 22,037 m^a.
A não inclusão das outras espécies listadas para o manguezal,
Lagunciilaria racemosa e Conocarpus erectus é explicada em função
do desenho amostrai. Tendo sido a amostragem direcionada ao centro
do manguezal, não abrangeu tais espécies, cujo hábito de ocorrência é
limitado às bordas do manguezal. No caso deAvicennia schaueriana,
a não inclusão deve-se, como Já mencionado, a sua baixa abundância
na área, aliado ao próprio fator de casualidade da amostragem.
Análises comparativas de parâmetros estruturais obtidos neste
estudo a outros realizados em manguezais do litoral paraense são
limitadas, em função das diferenças metológicas na obtenção dos dados.
Estudos como o de Lisboa et al. (1993), Almeida (1996) e Bastos &
Lobato (1996), investigando manguezais em diferentes trechos deste
litoral, utilizaram parcelas em suas amostragens, incluindo indivíduos
(a 1,30 m do solo) com DAP variando de 5 a 10 cm.
No que pese às diferenças metodológicas nas análises
comparativas desses estudos, registra-se uma densidade variando de
200 a 1860 indivíduos por hectare, referente aos manguezais de
Salvaterra/Marajó (Lisboa et al. 1993) e do Crispim/Marapanim (Bastos
& Lobato 1996), respectivamente. Em parâmetros de área basal,
exemplifica-se uma variação de 6,25 a 43,8 metros quadrados por
398
A vegetação da ilha Canela, município de Bragança - Pará, Brasil
hectare, respectivamente aos manguezais de Salvaterra/Marajó (Lisboa
et al. 1993) e Algodoal/Maracanã (Bastos & Lobato 1996).
Almeida (1996) sugere uma relação de padrões de densidade de
indivíduos e riqueza de espécies vinculados a teores de nutrientes e
salinidade do ambiente, numa análise de que quanto mais próximo do
estuário, menor o estress salino, maior a disponibilidade de nutrientes
via descarga do rio Pará e portanto maior a possibilidade de colonização
vegetal. Não obstante a esta interpretação, deve-se, obviamente,
considerar as idades dos manguezais, assim como as particularidades
geomorfológicas onde estes se econtram.
A Tabela 3 apresenta os dados estruturais das duas espécies
amostradas, onde se evidencia a nítida superioridade de Avicenia
genninans em todos os parâmetros analisados, atingindo índices maiores
que 50% em relação a Rhyzophora mangle, em alguns parâmetros
como Densidade, Dominância e VI.
A expressividade estrutural de Avicenia genninans não
surpreende em se tratando de manguezais do litoral do Pará, este fato é
comum ao longo do litoral do estado, conforme detectado por outros
autores como Almeida & Lobato (1990) e Lisboa et al. (1993).
Figura 4 - Vista geral do manguczal. Ilha Canela, llraganva, Pará.
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Tabela 3 - Espécies amostradas no manguezal e seus parâmetros fitossociológicos.
Ilha Canela, Bragança, Pará. N“ Indiv = número de indivíduos; Dens.
Rei = densidade relativa (%); Dom. Rei. = dominância relativa (%);
Freq. Rei = frequência relativa (%); VI = valor de importância.
Espécies
N" Indiv.
Dens. Rei.
Dom. Rei.
Freq. Rei.
VI
%VI
Avicennia germinans
50
62,50
74,20
55,56
192,26
64,08
Rliizophora mangle
30
37,50
25,80
44,44
107,74
35,92
CONCLUSÃO
Foram identificadas na ilha Canela um total de 34 espécies,
ocorrentes no manguezal e restinga, sendo a grande maioria (58,82%)
de hábito herbáceo, comuns da restinga. Levando em consideração os
ambientes e foramações vegetais envolvidos, este número de espécies
segue um padrão de normalidade em riqueza florística no litoral paraense.
Falha no desenho amostrai referente ao caminhamento dentro do
manguezal, prejudicou a metodologia empregada (quadrantes), tendo
em vista a não inclusão de espécies típicas de borda, como Laguncularia
racemosa e Conocarpiis erecíus.
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Dirk Schories, pelo apoio logístico em Canela e
Bragança; ao pesquisador Inocêncio Gorayeb, pelas informações
fornecidas e material didático sobre Canela e ao Elielson Rocha, pela
confecção do perfil esquemático da restinga.
400
A vegetação da ilha Canela, município de Bragança - Pará, Brasil
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Recebido em: 22.09.00
Aprovado em: 22.01.02
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E CATASETlMAIATCMi NOVAS ESPÉCIES DE 0RCIIIDACF:AE
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1)11 1 ERENCES OI PRIMARV AND SECONDARY TERRA FIRME
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