ISSN 0077-2216
i BOLETIM DO
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidente da República - Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Ciência e Tecnologia - Roberto Amaral
Museu ParaenseEmílioGoeIdi- MPEG
Diretor - Reter Mann de Toledo
Diretor Adjunto de Pesquisa - Ima Célia Guimarães Vieira
Diretor Adjunto de Difusão Científica - Antonio Carlos Lobo Soares
Comissão de Editoração - COED
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor Associado - Mário Augusto G. Jardim
Editora Chefe - Iraneide Silva
Editoras Assistentes - Socorro Menezes, Angela Pizzani
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Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B . Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeidi
Tlierezinha Sant’ Anna Melhem - Instituto de Botânica de São Paulo
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William A. Rodrigues - Universidade Federal do Paraná
© Direitos de Cópia/Copyright 2003
por/by MCT/Museu Gocldi
1 2 ABR. 2004
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
DOAÇAO
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Museu Paraense Emílio Goeldi
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
o
Série
BOTÂNICA
Vol. 18(2)
Belém - Pará
Dezembro de 2002
2 3 4
cm
1 SciELO
10 11 12 13 14 15
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MUSEU PARAENSE EM f LIO GOELDI
Parque Zoobotânico -Av. Magalhães Barata, 376 (São Braz)
Campus ele Pesquisa -Av. Perimetral, 1901 (Terra Firme)
Caixa Postal 399. CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
Fones: (55-91) 219-3301, 217-6000. Fax: (55-91) 249-0466
http://www.museu-goeldi.br
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Etlmographia foi fundado
em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual Boletim é
sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Etltnographia was founded
in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896. The present
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this publication.
Financiamento:
CNPq
CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO
CIENIÍHCO e TECNOLÓGICO
Aceredited with the International Association for Plant Taxonomy (lAPT)
for the purpose of registration of all new plant names
CDD: 583.420981152
PADRAO DE VENAÇAO EOLIAR DE ESPECIES
DO GÊNERO MYRCIA DC. EX. GUILL.
(MYRTACEAE), DA RESTINGA DE ALGODOAL,
MAIANDEUA-PARÁ‘
Aclalgisa da Silva Alvarez'
Rainuiitda C. de Villieiia Potigiiara’
RESUMO - Foi realizado lan estado do padrão de venação de seis
espécies do gênero Myrcia DC. (Aulomyrcia), Myrtaceae, da restinga
de Algodoal/Maiandena no estado do Pará, para fins taxonôinicos.
Na análise da venação foliar o padrão brocjiiidródoino foi observado
em todas espécies avaliadas, entretanto, foi possível construir uma
chave dicotômica com características como: rede de nervuras, e
terminação vascular, com o propósito de auxiliar na identificação
das espécies estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Myrcia, Restinga, Nervação foliar.
ABSTRACT -A study ofthe venation patterns oftlie six species oftlie
geniis Myrcia DC. (Aulomyrcia) , Myrtaceae, ofthe saiidy Coastal the
Algodoal/Maiandena in the Pará. State, present with a ta.xonomics
piirpose. In the analyse ofthe leaf venation brochidrodonious patterns
were observed in the all species, however, it hyw the possible to niake
a dichotomoiis key, with caracteristics how: vein net, and vascular
termination, in order to aid the identification ofthe stiidied species.
KEY WORDS: Venation patterns, Myrcia, Sandy Coastal.
' Trabalho financiado pelo CNITp
• l’R/MCT-Mnscn Paraense Emílio Cioeldi. Coordenação de llotâniea. Bolsista de
Desenvohimenlo Científico Regional, gisare 7 .@bol.eom.br;
' BR/MCT-Mnsen Paraense Emílio (ioeldi. Coordenação de Botânica. Pest|nisadora. Caixa
Postal 399. ()()()4 1 7-970, Belenn-PA. raipoly@musen-gocldi.br.
205
Boi. Mus. Para. Emílio GoeUli, sér. Boi. IS(2), 2002
INTRODUÇÃO
O ecossistema restinga pode ser considerado uma rica fonte para
obtenção de conhecimentos acerca da diversidade ecológica de
espécies vegetais, porém existem poucos trabalhos sobre sua origem,
flora e ecologia.
Ao realizarmos um levantamento bibliográfico do ecossistema
restinga na região Norte, destacamos os trabalhos de Pires (1973), que
classificou os diversos tipos de vegetação da Amazônia, tratando à
parte a vegetação de restinga e Braga ( 1 979), que definiu a vegetação
da restinga amazônica, como uma biomassa medíocre, de fisionomia
uniforme, com penetração de luz excessiva, vegetação halófita com
árvores e arbustos baixos de galhos tortuosos.
Nas restingas do litoral nordeste paraense temos os registros dos
trabalhos de Santos & Rosário (1988), pioneiros em estudar a vegetação
fixadora de dunas da ilha de Algodoal, Bastos (1988), que realizou um
levantamento florístico das espécies da ilha de Maiandeua (PA), Lisboa
et cil. (1993), que desenvolveram um estudo sobre a vegetação dos
campos de Salvateira na ilha de Marajó (PA), Bastos et al. (1995) e
Costa Neto & Bastos (1995), que descreveram a fitofisionomia e a
composição florística das restingas de Algodoal e Crispim,
respectivamente, e Bastos (1996), que fez um estudo do perfil
fitossociológico das comunidades vegetais da praia da Princesa, na
ilha de Algodoal (PA), classificando os tipos vegetais desta restinga.
De acordo com Santos & Rosário ( 1 988), a restinga de Algodoal/
Maiandeua possui uma diversidade florística considerável, com
inúmeras famílias, c mais de 200 espécies. Dentre estas, a família
Myrtaceae R.Br., destaca-se com cinco gêneros, sendo Myrcia c
Eugenia os mais representativos pelo maior número de espécies,
comuns nas restingas de norte a sul do Brasil. Esta família de acordo
com Bastos ( 1 996), apresenta um elevado número de indivíduos na
ilha de Algodoal, com grande área de cobertura c alta freqüência em
relação as demais famílias nesse ecossistema.
206
cm
SciELO
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Padrão de veiiação foliar de espécies do género Myrcia...
Quanto ao estudo taxonômico da família Myrtaceae, Bairoso et
fl/.(1984) enumeram cerca de 3.500 espécies, subordinadas a mais ou
menos 100 gêneros, citando como característica anatômica numerosos
canais oleíferos, sob a forma de pequenos pontos translúcidos.
O gênero Myrcia pertence à subfamília Myrtoideae, subtribo
Myrciinae, o qual foi estudado por Mc Vaugh (1969), dando tratamento
taxonômico a mais de 300 espécies neste gênero. Suas espécies são
utilizadas nos mais diferentes setores da economia, algumas destas,
sobretudo as frutíferas, já foram bastante exploradas e outras destacam-
se na indústria madeireira e medicinal.
Analisando-se a problemática taxonômica que envolve esta família,
chama a atenção o fato de vários taxonomistas referirem-se às
dificuldades que encontram para identificar seus taxa. Entre estes
autores, Mc Vaugh (1969) ressalta em seu trabalho que as espécies
americanas de Myrtaceae são muito semelhantes em seus caracteres,
tornando-se muito difícil e tedioso o trabalho de identificá-las e
classificá-las. Este autor foi respaldado por Barroso et í//.( 1984) que
afirmaram serem estas espécies um problema difícil de solucionar, e
que somente um levantamento cuidadoso, em cada região, aliados a
estudos de biossistemática, poderiam esclarecer e delimitar os taxa.
PaiTiell (1999) ressalta que apesar do modesto tamanho, esta família
apresenta, desproporcionalmente, complexos problemas taxonômicos,
evidentes em muitos níveis na hierarquia taxonômica. Devido à
problemática taxonômica das espécies do gênero Myrcia, o presente
trabalho tem por objetivo estudar a organização da rede de nervuras,
visando auxiliar na identificação dos taxa.
ÁREA DE ESTUDO
O litoral nordeste paraense possui 500 km do extensão e
localiza-se entre as baías de Marajó (()°30’e 4°WGr) e de Gurupi
(()°30’e46 WGr).
207
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi. 18(2), 2002
Integrando esta área costeira, situa-se o município de Maracanã,
entre as coordenadas geográficas 00°35’03” a 00°38’29” de latitude
Sul e 47°34’54” a 47°34’57” de longitude WGr, onde está localizada
a ilha de Algodoal/Maiandeua, considerada Área de Proteção
Ambiental (APA); Algodoal com 385 hectares e Maiandeua 1.993
hectares (Bastos 1996).
MATERIAL E MÉTODOS
Material estudado
As espécies foram coletadas da ilha de Algodoal/Maiandeua, e
incoiporadas ao herbário João Murça Pires do Museu Paraense Emílio
Goeldi (MG), com a seguinte numeração: Myrcia bracteata DC. MG
1457782; Myrcia ciiprea (Berg) Kiaersk MG 141 1044; Myrcia fallax
(Richard) DC. MG 141045; Myrcia miiltiflora (Lam.) DC. MG 141034;
Myrcia rufipila Mc Vaugh MG 141061; Myrcia sylvatica (Mey.) DC MG
147504. Esta área de restinga é formada por manguezais, apicuns, restingas,
mata peirnanentemcntc inundada, e de vegetação secundária (Bastos 1996).
As amostras foram coletadas nos pcriodos seco e chuvoso. Destas foram
retiradas folhas do terceiro, quarto e quinto nós, respectivamente, e
conservadas em EA A, para serem processadas em laboratório.
Clima
Esta região apresenta clima tropical úmido do tipo Awi da
classificação de Koppen, a temperatura do mês mais frio é de 18°C, e
nos períodos mais secos os índices pluviométricos são menores que
60 mm (Bastos 1996).
Método
O processamento c a análise do material foram feitos no
Laboratório de Anatomia Vegetal (MPEG), c as amostras submetidas à
técnica de diafanização. Para a realização desta técnica, folhas inteiras
e divididas cm pequenas regiões (ápice, base e região mediana da
208
Padrão de venação foliar de espécies do gênero Myrcia...
nervura central ), foram imersas em uma solução aquosa de hidróxido
de sódio (NaOH) a 5% aquoso (Arnott 1959), a solução foi trocada
diariamente até a completa clarificação do material. As folhas inteiras e
os detalhes foram corados em safranina 5% hidro-alcoólica (Johansen
1940), por 24 horas, sendo desidratadas em série alcoólica crescente
(50%, 60%,70%, 80%, 90%, 100%) e em série acetato-butílica crescente
(1, II, III, puro). As folhas inteiras foram montadas entre lâminas de
vidro e os detalhes entre lâminas e lamínulas, ambas em resina sintética.
As descrições foram baseadas em Handro (1964), Felipe & Alencastro
(1966) eHickey (1973).
Foram confeccionadas dez lâminas de cada espécie, folha inteira
e detalhes, pennanentes e provisórias, perfazendo um total de sessenta
lâminas.
- As lâminas das folhas inteiras foram usadas como negativo nas
ilustrações, inseridas diretamente em um ampliador, com imagem
impressa em papel fotográfico. As lâminas em detalhes foram
fotomicrografadas em fotomicroscópio Zeiss.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diante dos resultados, observa-se que as espécies analisadas
apresentam caracteres comuns, quanto: ao padrão de venação, todas
são do tipo broquidródomo, ou seja, as nervuras secundárias unem-
se formando arcos, sem atingirem as margens; nervação reticulada,
nervura primária única (mediana) afilando-se em direção ao ápice;
nervuras secundárias alternas assimericamente dispostas em relação
ã nervura primária e pontos translúcidos. Entretanto, ainda que estas
espécies mostrem-se semelhantes, foi possível separá-las utilizando-
se earacteres como: presença ou ausência de bainha parenquimática,
número de pai cs de nervuras secundárias, malha de nervuras, e tipos
de terminações vasculares.
209
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi. IS(2), 2002
Quanto à presença ou ausência da bainha parenquimática, apenas
duas espécies apresentam esta característica. Dentre estas, verifica-
se que em Myrcia bracteata esta é delgada (Figura 1 ), enquanto que
em Myrcia sylvatica a mesma é espessada (Figura 2). Nas espécies
estudadas este caráter foi relevante para a separação dos taxa.
PotigLiara et al. (1991) descreveram dez espécies e uma variedade do
gênero Acrtc/a; neste trabalho, a presença de bainha parenquimática
serviu para auxiliar na identificação das mesmas.
Quanto ao número de nervuras secundárias agrupamos os taxa:
Myrcia riifipila (Figura 3) com 8 a 10 pares; Myrcia inuítiflora (Figura
4) e Myrcia bracteata (Figura 5) com 12 a 14 pares; Myrcia fallax
(Figura 6) com 18 a 20 pares; Myrcia sylvatica (Figura 7) e Myrcia
ciiprea (Figura 8) com 12 a 16 pares.
Quanto à malha de nervuras foi possível agrupar as espécies
em: laxa Myrcia bracteata, Myrciafallax, e Myrcia imiltiflora, (Figura
9, Figura 10 e Figura 11), densa em Myrcia ciiprea, Myrcia sylvatica,
Myrcia riifipila (Figura 12, Figura 13 e Figura 14).
Outro aspecto abordado é quanto a terminação vascular, onde
foi possível agruparmos alguns taxa, tais como: a) terminações livres
dicotômicas em Myrcia bracteata (Figura 15) e Myrcia sylvatica
(Figura 16); b) terminações vasculares livres e múltiplas em Myrcia
ciiprea (Figura 17) e Myrcia riifipila (Figura 18); c) terminações
vasculares livres dicotômicas do tipo escorpióide em Myrcia
imiltiflora (Figura 19); d) terminações livres dicotômicas em Myrcia
fallax (Figura 20).
Observa-se que a presença de cavidades secretoras havia sido
descrita como característica da família por Solcredcr (1908), Mctcalfe
& Chalkd 957) cFahn (1979).
210
Padrão de venação foliar de espécies do género Myrcia...
Bainha parenquimática. Figura 1- Myrcia hracteaía DC.; Figura 2 - Myrcia
sylvatica (Mcy.) DC. BP = bainha parenquimática.
211
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot. 18(2), 2002
Aspecto geral da rede de nervuras. Figura 3 - Myrcia nijipila Mc Vaugh DC.;
Figura 4 - Myrcia miiltijiora (Lani) DC.; Figura 5 - Myrcia hracíeaía DC; Figura
6 - Myrcia íallax (Richarci) DC.
SciELO
Padrão de veiiação foliar de espécies do gênero Myrcia...
Aspecto geral da rede de nervuras. Figura 7 - Myrcia sylvalica (Mey) DC.; Figura 8
Myrcia caprca (Berg) Kiaersk.
213
I
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Rede de nervura laxa. Figura 9 - Myrcia hracteata DC.; Figura 10 - Myrcia fallax
(Ricli) DC; Figura 11- Myrcia miiltijloru (Lani.) DC. Rede de nervura densa.
Figura 1 2 - Myrcia cuprea (Berg) Kiaersk. Figura 1 3 - Myrcia sylvatica (Mey.)DC.;
Figura 14 - Myrcia rajipila Me Vaugh.
214
Padrão de venação foliar de espécies do gênero Myrcia...
Terminação vascular. Figura 15 - Myrcia hracleaUí DC.; Figura 16 - Myrcia
nylvaíica (Mey.) DC , -Figura 17 - Myrcia cuprea (Berg) Kiaersk; Figura 18 -
Myrcia rajipila Mc Vaugh; Figura 19 - Myrcia maltijlora (Lam) DC. Figura 20 -
Myrcia fallax (Rich.) DC.;
215
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
CHAVE DICOTÔMICA
1. Terminação com bainha parenquimática
2. Rede de nervura laxa com terminação vascular
geralmente livre dicotômica M. bracteata
2'. Rede de nervura densa com terminação vascular
geralmente livre dicotômica M. sylvatica
r. Terminação sem bainha parenquimática
3. Rede de nervura laxa com terminação vascular
livre dicotômica do tipo escorpióide M. imdtiflora
3'. Rede de nervura laxa com terminação
vascular livre dicotômica M.fallcix
4. Rede de nervura densa com terminação vascular
livre e múltipla com 12 a 16 pares de nervuras
secundárias M. cuprea
4'. Rede de nervura densa com terminação vascular
livre e múltipla com 8 a 10 pares de nervuras
secundárias M. rufipilci
CONCLUSÃO
Apesar das espécies estudadas mostrarem-se semelhantes quanto
ao padrão de venação foliar, outras características como: número de
pares de nervuras secundárias, malha da rede de nervuras, terminação
vascular e a presença bainha parenquimática possibilitaram a confecção
de uma chave analítica para auxiliar na identificação dos taxa.
216
Padrão de venação foliar de espécies do gênero Myrcia...
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Recebido em: 01.10.01
Aprovado em: 16.07.02
218
CDD: 582.1509811
AVALIAÇAO DA FLUORESCÊNCIA DE
MADEIRAS AMAZÔNICAS
Ademir Castro e Silva'
Mareia Bananeira Castro e Silva'
Jasequeson Oliveira'
RESUMO - Este trabalho mostra a possibilidade de se caracterizar a
fluorescência dos extratos de madeiras da Amazônia de forma a
contribuir como subsídio à identificação de espécies amazônicas. A
determinação da fluorescência e a cor dos extratos das madeiras
foram obtidas em extratos aquoso e etílico (álcool 95%), seguindo as
recomendações do lAWA Committee. A cor verde predomina e
representa cerca de 37% do total de espécies fluorescentes em água,
a cor azul e amarela perfazem juntas cerca de 25,5% das espécies
analisadas, a cor laranja é observada em 10% das espécies. As espécies
de Hymenaea courbaril e H. parvifolia, por exemplo, podem ser
diferenciadas pela fluorescência dos seus extratos. As espécies Andira
parviflora, Bertholletia excelsa, Dinizia excelsa, Micrandropsis
scleroxylon, Parkia multijuga e Swartzia laevicarpa apresentaram
coloração vermelha para a fluorescência determinada em extrato de
álcool. O resultado obtido mostra que tanto os extratos em água
como os em álcool podem ser utilizados como parâmetro para as
espécies que cqyresentam dificuldades na identificação.
PALAVRAS-CHAVE: Madeiras amazônicas. Fluorescência, Extrato,
Ultravioleta, Identificação de madeira.
ABSTRACT - This paper shows the possibility to characterize
fluorescence extracts of amazonian woods as a contribution for their
identification. Determination of fluorescence and color of wood
extracts were made in water and ethanol media as recommended bv
the lAWA Committee. The green color predominates and represents
ncarly 377r of total fluorescent species. The orange color is observed
lITAM-lnsliluto dc Tecnologia da Amazônia. Deparlamcnto dc Engenharia Florestal.
Av. Darcy Vargas. 1200, 1’arqne 10. Cep 09055-040, Manaus-AM. adeastro@osite.com.br
219
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi. 18(2), 2002
in 10% of the species wliile lhe blue and yellow colors inake itp
together about 25,5% of the species analysed. The species Hymenaea
courbaril and H. parvifolia, for exainple, can be differentiated by
fluorescense oftheir extracts. Andira parviflora, Bertholletia excelsa,
Dinizia excelsa, Micrandropsis scleroxylon, Parkia multijuga and
Swartzia laevicarpaí/íovco red color fliiorescence for alcohol extract.
The residts obtained show that water as well as alcohol extracts can
be iised as a paraineter for species that are difficidt to identify.
KEY WORDS: Amazonian woods, Flnorescence, Extract, Ultraviolet,
Wood identification.
INTRODUÇÃO
A caractenstica mais notória do revestimento florestal amazônico é
a sua grande diversidade botânica. A Amazônia rica e variada apresenta
uma flora arbórea com muitas espécies indistintas e cada qual com
caracteres lenhosos próprios inconfundíveis sob exame detalhado.
Na indicação e seleção da madeira mais adequada a cada uma das
várias fonrias de emprego ou no caso de substituição de madeiras escassas
por espécies novas ou de outra origem, surge com freqüência o problema
da identificação, que é primordial tanto do ponto de vista tecnológico
como econômico. A falta de informações concretas sobre suas
propriedades e uma eficiente identificação são fatores deteirninantes ao
desenvolvimento e utilização de novas espécies florestais da Amazônia.
Vários trabalhos de anatomia da madeira têm sido publicados
descrevendo características macro e microscópica de madeiras
amazônicas como parâmetros para sua identificação (Loureiro & Lisboa
1979; Loureiro e/ «/. 1997; IBAMA, 1997; Fcldato et n/. 1989 dentre
outros). Para que possamos identificar macroscopicamente essas
madeiras, é necessária uma lupa c uma amostra cujo campo seja
suficiente para visualizar os elementos anatômicos, entretanto, pequenas
lascas de madeira são difíceis de serem identificadas. Neste contexto,
surge o estudo da fluorescência dos extratos de madeira como parâmetro
alternativo para sua identificação.
220
Avaliação cia fluorescência de madeiras amazônicas
Estudos de fluorescência da madeira foram feitos há mais de
sessenta anos e os anatomistas têm focalizado muita atenção para as
suas características visualizando sua importância na identificação de
madeiras (lAWA 1989).
A possibilidade de se usar a fluorescência como meio de
identificação foi proposta por Krishna & Chowdhury (1935) apud
AveWü et al. (1988).
Sabe-se que a coloração do cerne é uma das principais
características organoléticas para sua identificação, porém, quando a
madeira fica exposta à umidade, à luz solar e a alguns minerais e
microorganismos, essa coloração pode ser alterada consideravelmente
dependendo da espécie de madeira. Devido a essa alteração, muitas
vezes é necessário recomer a outros meios ou técnicas de identificação
e, por isso, o estudo da fluorescência tem grande importância nesse
campo em que são raras as informações existentes na literatura sobre a
cor da madeira através da incidência da luz ultravioleta (fluorescência).
Alguns autores têm abordado este importante assunto na
identificação da madeira, como, Panshin & de Zeewn (1980), Avella et
fl/.,(1988), Dyer (1988), Vetter (1992) eFeireira (1994).
Assim, o presente trabalho caracterizou a fluorescência dos extratos
de madeiras de fornia a auxiliar a identificação de espécies amazônicas.
MATERIAL E MÉTODOS
As madeiras utilizadas neste estudo foram selecionadas e obtidas
na xiloteca do Instituto de Tecnologia da Amazônia/UTAM, num total
de 67 amostras de ceme ( 1 indivíduo cada), distribuídas em 27 famílias.
Das amostras foram retiradas lascas finas do cerne e colocadas em
frasco. A determinação da fluorescência e a cor dos extratos das
madeiras foram realizadas em extratos em aquoso e etílico (álcool 95%)
seguindo recomendações do Committe of International Association of
Wood Anatomist-IAWA (1989). Os extratos assim obtidos foram
221
Boi. Mus. Para. Emílio Coelcli, sér. Dot. 18(2), 2002
colocados na presença de luz ultravioleta (UV) a uma distância de
lOcm para determinação de fluorescência e cor. O extrato em água foi
obtido utilizando-se água destilada tamponada em pH 6,86 determinado
no Potenciômetro de pH Quimis Q.400' Após determinação da
fluorescência os frascos contendo extrato em água foram aquecidos
numa chapa quente durante dois minutos e a cor dos extratos
devidamente anotada.
RESULTADO E DISCUSSÃO
Com exceção de Cedrela odorata, as espécies apresentam
fluorescência tanto em água como em álcool (Tabela 1). A cor verde
predomina e representa cerca de 37% das espécies, enquanto que
as cores azul e amarela perfazem juntas cerca de 25,5% das espécies
analisadas.
Estes resultados são diferentes daqueles encontrados por Avella
et al. (1988) para madeiras da coleção Tervuran da Bélgica, pois estes
autores encontraram a cor amarela dominante em cerca de 94% do
total de espécies fluorescentes e somente poucas espécies apresentaram
fluorescência verde ou laranja. Ressalta-se, entretanto, que esses autores
determinaram fluorescência na madeira e não nos extratos conforme
determinado no presente trabalho. Da mesma maneira Feireira (1994)
observou predominância da cor maiTom e suas variações nas amostras
de madeira da Amazônia cuja fluorescência foi detenninada dirctamente
na superfície da madeira.
Dyer (1988), estudando a fluorescência de 852 espécies de
madeiras da África do Sul, encontrou que a maioria dos cernes
apresentou lluorescência amarela ou amarela-esverdeada. Ele também
reporta ter encontrado as cores azul, verde, amarela-esverdeada para
fluorescência dos extratos obtidos em água, similar aos resultados
encontrados para as madeiras amazônicas analisadas neste trabalho.
222
Tabela 1 - Coloração apresentada pelas amostras sob ação de luz UV e do extrato obtido.
Avaliação da fluorescência de madeiras amazônicas
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Avaliação da fluorescência de madeiras amazônicas
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225
registro na xiloteca do Inst. Tecnologia da Amazônia- UTAM
registro na xiloteca do Centro de Pesquisas de Produtos Florestais/INPA.
Boi. Mu.':. Para. Emílio Goeldi, .sér. Boi. 18(2), 2002
No presente estudo, não podemos afirmar se o extrato em água
de algumas famílias mostra fluorescência para todas as espécies dentro
de um determinado gênero, considerando que às vezes somente uma
espécie está representando a família. Entretanto, podem-se observar
alguns fatos interessantes, por exemplo, o gênero Hymenaea
representado neste trabalho por H. coiirbaril e H. pannfolia e cuja
fluorescência detenninada em água apresenta-se verde para a primeira,
enquanto que a esta última não ocorre nenhuma fluorescência. Da
mesma maneira 11. courbaril apresenta cor verde-claro para extratos
em álcool, enquanto que 11. pannfolia não apresenta coloração. Este
fato é interessante para auxiliar na identificação dessas duas espécies,
considerando a similaridade de suas madeiras. Por meio da
fluorescência dessas duas madeiras, poderíamos diferenciá-las sem a
necessidade de cortes histológicos. Ressalta-se, entretanto, que seria
necessário o estudo dos extratos das outras espécies desse gênero.
Na família Bombacaceae, representada neste trabalho por dois
gêneros {Scleronema e Ocliroiiia), a fluorescência do extrato de água
mostrou-se verde. Dyer (1988), entretanto, não observou fluorescência
na espécie Adausporia digitata dessa família. Avella et «/.(1988),
também não observaram fluorescência em 25 gêneros, representados
por 7 1 espécies desta família para as madeiras depositadas na xiloteca
Tervuren do Museé Royal de Afrique Centrale, Bélgica.
Embora Miller (1981) tenha encontrado resultado positivo para
todas as espécies de Anacardiaceae, as madeiras amazônicas
representativas dessa família, geralmente não seguem esta tendência.
Os resultados encontrados no presente trabalho, para a família
Anacardiaceae, concordam com àqueles encontrados por Dyer ( 1 988)
para os gêneros que ocorrem na África do Sul. Ferreira (1994)
encontrou uma fluorescência violeta clara para a espécie A/zí/a/zv//'/////
gigauteuni. A (luorescência dos extratos do mesmo espécime apresentou
uma cor branco-turva para o extrato em álcool c não se observou
nenhuma coloração para os extratos em si. Poi' outro lado, aquele autor
226
Avaliação da fluorescência de madeiras amazônicas
encontrou para o gênero Astronium uma coloração amarelo-brilhosa.
No presente trabalho, o resultado mostrou que representante desse
gênero {Astronium unindeuva) pode apresentar uma coloração amarela
para os extratos obtidos em álcool.
No geral, os extratos obtidos em álcool apresentaram uma maior
variedade de coloração para a fluorescência. Embora não mostre uma
ampla predominância de uma deteuninada coloração, como ocoire para
a fluorescência obtida em água, a fluorescência do extrato alcoólico
apresenta coloração de várias tonalidades (branco-turva, vermelha,
verde, bege, amarela, laranja, azul). Ocoire uma predominância relativa
do branco-turvo seguido do vermelho-escuro na fluorescência
determinada em extratos obtidos em álcool.
A Tabela 2 mostra as espécies que apresentaram fluorescência
veimelha para os extratos obtidos em álcool com o seu correspondente
para extratos em água. Os resultados obtidos mostram que os dois tipos de
extratos podem ser usados com sucesso para propósitos de identificação.
Ambos são testes simples e rápidos. Extratos com cores caractensticas
podem ser utilizados como parâmetro para espécies que apresentam
dificuldades quanto a identificação. Ressalta-se, entretanto, que espécies
diferentes também apresentam as mesmas colorações de fluorescência nos
Tabela 2 - Espécies que apresentaram fluorescência de cor vermelha para o extrato
obtido em álcool.
NomcCicntírico
Família
Registro
Fluorescência
xilotcca
agua
álcool
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cristalino
vermelho
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Lccythidaeeac
47(11)
cristalino
vermelho
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Fabaccac
450(u)
verde
vermelho
Iflnizia c.xccisa Duckc
M icrandropsis scicro.xylon
Lcg. Mimosoidac
42(u)
cristalino
vermelho
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Eupliorbiaccac
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amarelo
vermelho
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Lcg. Mimosoidac
51(u)
cristalino
vermelho
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vermelho
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cristalino
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i= N° registm na xilotcca do Centro dc Pesquisas dc Produtos Florestais- INPA
227
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
mesmos extratos, o que dificultaria a identificação utilizando somente
fluorescência. Este é o caso das espécies Lecythis usitata/Licciria aritii e
Inga sp/Lcietia pwcera/Ochroma pymmiclales/Ocotea fragantissima/
Scleronema inicranthum as quais apresentam coloração verde/amarelo
esverdeado e verde/cristalino respectivamente da fluorescência.
Em relação à cor dos extratos a quase totalidade das espécies
estudadas, independentes de serem madeiras escuras ou claras,
apresentaram uma cor amarela, variando do claro ao forte para extrato
em água. A única exceção ocoireu na madeira de Aniba canellila
(Lauraceae) cuja coloração para o extrato de água foi esverdeada.
Interessante foi o fato da cor verde ter aparecido para essa espécie no
teste de fluorescência (Tabela 1). Outro fato importante para
identificação ocorreu com as espécies de llyinenaea courbaril e H.
parvifolia. Comentou-se anterioimente que poder-se-ia separaras duas
espécies pelo tipo de fluorescência que ocoireu tanto para o extrato em
água como cm álcool. Hymenaea courbaril, por exemplo, apresenta
fluorescência verde, enquanto que II. par\’ifolia apresenta coloração
cristalina para esses extratos.
Swratzia laevicarpa, que é uma madeira de cor bege-clara, apresenta
fluorescência em água de cor verde e um extrato em água de cor amarela,
enquanto que a fluorescência e o extrato em álcool são de cor vermelha.
De um modo geral, o extrato em álcool mostrou uma maior
variedade de cores. Na grande maioria das vezes, a cor da fluorescência
foi a mesma do extrato. As espécies que apresentaram coloração
vermelha para extrato cm álcool foram : Micraiulopsis scleroxylon
(Euphorbiaceac), Vismici sp (Clusiaceae), Andira pandjlora (Lcg-
Papilionoidae), Dinizia excelsa (Leg-Mimosoidae) c Swartzia
laevica rpa ( Lcg- Pap i 1 i on i i dac) .
Deve-se chamar a atenção que a cor é um parâmetro subjetivo e é
imprescindível que alguma forma de padronização seja utilizada cm
estudos futuros.
228
Avaliação da Jluorescência de madeiras amazônicas
CONCLUSÃO
Com base no resultado obtido pode-se concluir que a
determinação das reações dos extratos da madeira em água e álcool à
exposição da luz ultravioleta pode ser um método rápido e fácil cujos
resultados são importantes para se verificar a identificação de algumas
espécies. Ressalta-se, entretanto, a ocon-ência de espécies diferentes
com a mesma coloração da fluorescência advindo daí a necessidade
de uma avaliação abrangendo um número maior de espécies e
indivíduos oriundos de diferentes locais.
Da mesma maneira é importante uma padronização do item
“cor” tanto para a fluorescência como para os extratos.
AGRADECIMENTO
Ao Instituto Evaldo Lodi-IEL/AM pela concessão de bolsa para
a execução deste trabalho.
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Recebido em: 03.09.01
Aprovado em: 28.06.02
230
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
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CDD: 588.330981152
OS GENEROS CYRTOLEJEUNEA EVANS E
DREPANOLEJEUNEA STEPH. (LEJEUNEACEAE)
NA ESTAÇÃO CIENTÍFICA FERREIRA PENNA
(PA) E NOVAS OCORRÊNCIAS
Anna Liiiza Ilkiu-Borges'
Regina C. L. Lisboa'
RESUMO - Em nm inventário da família Lejeuneaceae (Hepaticae)
na Estação Científica Ferreira Penna, município de Melgaço, Pará,
foi observada a ocorrência de uma espécie de CyrtoIejeuneaA. Evans
e de três espécies de Drepanolejeunea Steph., das cptais D. fragilis
Bischler e D. orthophylla (Nees & Mont.) Bischler são novas para o
estado do Pará. Todas as espécies estão descritas e ilustradas e
separadas por uma chave artificial, com comentários adicionais.
PALAVRAS-CHAVE: Briofiora, Lejeuneaceae, Hepáticas,
Fitogeografia, Pará.
ABSTRACT -A survey of tlie Lejeuneaceae (Hepaticae) family was
performed at Ferreira Penna Research Station, Melgaço municipality,
Pará, where was observed one species o/Cyrtolejeunea A. Evans and
three species o/ Drepanolejeunea Steph., which D. fragilis Bischler
and D. orthophylla (Nees & Mont.) Bischler are new occurrences to
Pará State. The species are described and illustrated and separated
by an artificial key, with additioiial commentaries.
KEY WORDS: Bryofiora, Lejeuneaceae, Livervvorts, Phytogeography,
Pará.
' l’R/MCT-Miiseu Paraense Emílio Oockli. Coordenação dc liotânica. Itolsisla dc
Desenvolvimento Cienlífieo Regional. Cai.xa Postal 399. 660417-970. I!clcm-PA.
ilkiiiborgcs@yalioo.eom.hr
■ PR/MCT-Museu Paraense Emílio Oocidi. Coordenação dc Itolânica. Pesquisadora. Caixa
Postal 399. 660417-970, Heldm-PA. regina@miiscu-goeldi.br
231
Boi. Mii.s. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. IS(2), 2002
INTRODUÇÃO
Na região Norte do Brasil não foram realizados muitos trabalhos
com a família Lejeuneaceae, além do grande inventário de Richard
Spruce, cm sua obra Hepaticae Amazonicae et Andinae, originalmente
publicada em 1884-1885 e reeditada em 1984 (Spruce 1984), que é
resultado de 1 5 anos de coletas na região amazônica durante a primeira
metade do século XIX.
Entre os trabalhos mais recentes que abrangem a família
Lejeuneaceae na Amazônia, estão: Griffin III (1979), Lisboa (1985),
Yano & Mello (1992), Vital & Visnadi (1994), Lisboa & Ilkiu-Borges
(1995), Lisboa & Nazaré (1997). Entre esses, apenas Griffin III (1979),
apresenta uma chave para a identificação de espécies. Os demais
trabalhos apenas relacionam as espécies encontradas.
Em mais uma contribuição ao conhecimento da brioflora do estado
do Pará, através de um inventário da família Lejeuneaceae (Hepaticae)
realizado na Estação Científica Feireira Penna, município de Melgaço,
Pará, foram estudados os gêneros Cyrtolejeunea A. Evans e
Drepanolejeunea Steph., pertencentes à subfamília Lcjeuneoideae
Massal. e à tribo Lejeuneae Schuster.
Segundo Evans (1903), o gênero Cyrtolejeunea é monotípico,
com a espécie Cyrtolejeunea holostipa (Spruce) A. Evans reportada
para a América tropical. Entretanto, Gradstein ( 1 998) cita para o mesmo
gênero, duas espécies.
Drepanolejeunea é um gênero pantropical, com 30
representantes para a América tropical de acordo com Bischlcr (1964)
que, em seu trabalho, descreve, ilustra c discute essas espécies c
algumas variedades.
O objetivo deste trabalho é contribuir para o conhecimento da
família Lejeuneaceae no estado do Pará c ampliar a distribuição
geográfica de espécies dos gêneros Drepanolejeunea c Cyrtolejeunea.
232
Os géneros Cyrtolejeunea Evans e Drepanolejeunea Sleph....
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado é proveniente de coletas realizadas na Estação
Científica Feireira Penna (ECFPn), localizada na Floresta Nacional de
Caxiuanã, município de Melgaço, estado do Pará, Brasil. A coleta do
material seguiu o método adotado porYano (1984a) e Lisboa (1993).
As espécies foram classificadas de acordo com o tipo de substrato
onde foram coletadas, segundo Robbins (1952).
A identificação taxonômica foi feita através de bibliografia
especializada e/ou comparação com espécies identificadas por
especialistas.
As pranchas apresentadas neste trabalho foram executadas pela
primeira autora, com auxílio de microscópio Nikon com câmara clara.
O hábito das plantas e suas partes em separado, estão desenhadas no
mesmo aumento para todas as espécies, a fim de que se possa comparar
seus tamanhos.
O material estudado encontra-se depositado no Herbário “João
Murça Pires” (MG), do Museu Paraense Emílio Goeldi.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para a área da ECFPn, foram identificadas uma espécie de
Cyrtolejeunea A. Evans e três de Drepanolejeunea Steph.
Destaca-se, como uma das principais características do gênero
Drepanolejeunea, a presença de ocelos organizados em uma fila
descontínua e com praticamente o mesmo tamanho das eélulas
adjacentes. A outra característica é o ápice das folhas, geralmente
itCLiminado ou apiculado (Bischler 1964).
O gênero Cyrtolejeunea caracteriza-se pela presença de anfigastros
inteiros, lóbulos com um dente longo e falcado e papila hialina distai
(Evans 1903).
233
líol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2), 2002
A seguir são apresentadas as espécies identificadas, acompanhadas
de descrição, distribuição geográfica, material examinado e uma
pequena discussão.
Cyrtolejeunea holostipa (Spruce) Evans, in Buli. Toirey Bot. Club,
30: 553. 1903. (Figura 1 A-H).
Basiônimo: Lejewiea holostipa Spruce, in Trans. Proc. Bot. Soc.
Edinburgh, 15: 171. 1884.
Tipo: Brasil. Pará, Caripi aliisque locis fl. Amazonicwn ostiisproximis,
Spruce L219 (Lectótipo - MANCH, 18199).
Gametófitos pequenos, amarelados, prostrados, 8-lOmm de
comprimento e 0,22-0,3 mm de largura. Caulídio em secção transversal
com 7 células epidérmicas circundando 4 células medulares, merófito
ventral com 2 células de largura. Filídios obovado-orbiculares, sub-
imbricados,com 160-250mm de comprimento e 100-180mm de largura,
ápice obtuso, margens inteiras, margem antical reta na base, próximo à
inserção, células medianas do lobo isodiamétrica, 10-12 mm de
diâmetro, trigônios grandes, 0-2 espessamentos intercelulares. Lóbulos
ovalado-orbiculares, quilha fortemente arqueada, 110-120 mm de
comprimento e 90mm de largura, fortemente intlado, margem livre
involuta, dente apical formado por 1 célula longa, falcada, papila hialina
distai. Anfigastros inteiros, distantes, mais ou menos orbiculares,
margens inteiras, 50-80 mm de comprimento e 40-70 mm de largura,
linha de inserção mais ou menos reta. Androceu intercalado no ramo
principal ou lateral, com 3-4 pares de brácteas, bractéolas apenas na
base da espiga. Gineceu, perianto e esporófito não observados.
Distribuição geográfica: Ocorre no Brasil, Colômbia, Costa Rica,
Cuba, Equador, Guadaloupc, Guiana, Guiana Francesa, Honduras,
México, Peru, Porto Rico, St. Vincent, Suriname e Venezuela (Lücking
1995). No Brasil, além do estado do Pará, também Já foi encontrado
nos estados de PE, ES, R.I, (Yano 1984b. 1995) e SP (Visnadi 1998).
234
O.v gêneros Cyrlolejeunea A. Evans e Drepanolejeunea Steph....
Discussão: C. liolostipa pertence a um gênero neotropical que possui
apenas duas espécies (Gradstein 1998). Segundo Evans (1903), é uma
espécie corticícola, raramente epífila. Na ECFPn ocorre tanto sobre
folhas como sobre troncos de árvores, em ecossistema de terra firme
ou várzea. Facilmente reconhecida pelos anfigastros inteiros,
gametófitos pequenos e principalmente pelos lóbulos grandes e inflados,
com um longo dente apical, geralmente falcado e papila hialina distai.
Material examinado: Melgaço (PA), ECFPn: margem esquerda do
rio Curuá, terra firme, sobre folhas vivas de Dodecastigma sp.
(Euphorbiaceae), 02. XII. 1997, A.L. Ilkiu-Borges et ai 880; idem,
várzea, sobre planta jovem no sub-bosque, 08.XII.1997, A.L. Ilkiu-
Borges et al. 1028; margem direita do rio Curuá, várzea, sobre tronco
de árvore viva, 06.X1.1996, R. Lisboa et al. 6176.
Drepanolejeunea Stephani
1 . Filídios ovalado-lanceolados, falcados a levemente falcados, margens
fortemente denteadas, margem antical com 1-6 dentes com tamanho
variado, margem postical 1-4 dentes pequenos e 1 longo dente sempre
presente, com 2-3 células enfileiradas; 2 ocelos por lobo, 1 suprabasal
e 1 central D. crucianella
1’. Filídios elíptico-lanceolados a triangular-lanceolados, margens
inteiras ou com 1-3 pequenos dentes; 2-7 ocelos por lobo 2
2. Filídios triangular-falciformes, margens crenuladas a denticuladas;
2 ocelos, dispostos em uma fila interrompida por 2-3 células não
oceladas; anfigastros 2-3 vezes a largura do caulídio
D.jhigillis
2’. Filídios elíptico-lanceolados, margens às vezes involutas, mais ou
menos inteiras a crenuladas por células projetadas; 3-7 ocelos no
lobo, dispostos em uma fila mais ou menos reta, interrompida por
células não oceladas, alcançam até 2/3 do comprimento do lobo, às
vezes ocelos agrupam-se na base ou dispõem-se ao lado da fila;
anfigastros 4-3 vezes a largura do caulídio D. ortliopliylUi
2?>5
fíol. Mus. Para. Emílio Goetdi, sér. Boi. 18(2), 2002
Drepanolejeiinea criicianella (Tayl.) A. Evans, in Buli. ToiTey Bot.
Club, 30:33. 1903. (Figura 1, 1-Q).
Basiônimo: Lejeunea cntcianella Tayl., in London Joum. Bot., 5; 393.
1846. (não Lejeunea (Lepto-lejeiinea) crucianella Spruce, in Trans.
Proc. Bot. Soc. Edinburgh, 15: 197. 1884).
Tipo: Guiana Inglesa. Deinerarci, in Radula Boryana, s. d., s. col., hb.
Lehmann 85 b (S-PA).
Gametófitos verde-pálidos a amarelo-acastanhados (secos), muito
pequenos, delicados, 3-lOmm de comprimento e 0,25-0,4mm de
largura. Caulídio prostrado, secção transversal com 7-8 células
epidérmicas circundando 3-4 células medulares menores, merófito
ventral de 2 células de largura. Filídios ovalado-lanceolados, revolutos
quando secos, falcados a levemente falcados, distantes a contíguos,
150-250mm de comprimento e 90-130mm de largura, ápice filiforme,
com 3-4 células enfileiradas, margens fortemente denteadas, margem
antical com 1-6 dentes com tamanho variado, com apenas 1-2 células,
mas geralmente pequenos, margem postical 1-4 dentes pequenos e
1 longo dente sempre presente, com 2-3 células enfileiradas; lobos
com 2 ocelos dispostos em uma fila interrompida por células não
oceladas, 1 suprabasal, raramente visto, outro no centro do lobo,
geralmente do mesmo tamanho das células adjacentes, células do lobo
levemente alongadas, com 10-20x9- lOmm, trigônios inconspícuos,
paredes delgadas. Lóbulos ovalados, inflados, grandes, ocupam 1/2
a 2/3 do comprimento do filídio, 1 10-130mm de comprimento e
70-90mm de largura, quilha fortemente arqueada, margem livre mais
ou menos involuta da base até o meio do lóbulo, no ápice mais ou
menos plano, dente apical formado por 1 célula longa e levemente
falcada, papila hialina na base proximal do dente apical, no ápice do
lóbulo forma-se uma boca quase circular, com um dente pré-apical
no final da quilha, mais ou menos perpendicular à margem postical
do lobo. Anfigastros distantes, bífidos, lobos divergentes, formados
236
Os géneros Cyrtolejeunca A. Evans e Drepanolejeunea Sleph....
por 1-2 células enfileiradas, separados por duas células, sinus convexo,
50-70mm de comprimento e 60-70mm de largura, linha de inserção
reta. Androceu não observado. Gineceu em curtos ramos
especializados, com 1 inovação do tipo lejeuneóide, brácteas com
lobos ovalados, com 1 ocelo central, ápice agudo, lóbulos
lanceolados, bractéola mais ou menos retangular, tão longa quanto
as brácteas, bem maior que um anfigastro, bífida, lobos eretos,
margens das brácteas e bractéolas fortemente denteadas. Perianto e
esporófito não observados.
Distribuição geográfica; Mencionada para Brasil, Colômbia, Costa
Rica, Cuba, Equador, Guadalupe, Guiana, Guiana Francesa, Honduras,
Jamaica, Porto Rico, Suriname e Trinidad (Bischler 1964). No Brasil é
citada para os estados do AM e PA (Yano 1984b).
Discussão: Espécie epífila na ECFPn. Distingue-se pelos lobos
fortemente denteados com pelo menos 2 longos dentes (o próprio ápice
e um na margem postical), além de pequenos dentes em quantidade
variável distribuídos nas margens. Geralmente só é observado 1 ocelo
no centro do lobo, caracteiistica também observada por Bischler (1964).
Material examinado: Melgaço (PA), ECFPn: margem esquerda do
rio Curuá, teira firme, sobre folhas deAspidospeniia sp., 02. XII. 1997,
A.L. Ilkiu-Borges et al. 879; idem, sobre folhas, 02. XII. 1997, A.L.
Ilkiu-Borges et al. 881; idem, 02. XII. 1997, A. L. Ilkiu-Borges et al.
882; idem, sobre tronco de ata-ameju, 05.XII. 1997, A.L. Ilkiu-Borges
et al. 909; igarapé Laranjal, caminho para o laranjal, mata de capoeira,
sobre folhasdepalmeira, 07.XII.1997, A.L. Ilkiu-Borges, 1007; idem,
várzea, sobre planta Jovem, 08. XII. 1997, A.L. Ilkiu-Borges etal. 1040;
idem, sobre folhas, 08. XII. 1997, A.L. Ilkiu-Borges c/c//. 1 107;igarapé
Grande, várzea muito úmida, sobre plântula viva e folhas, 17.1.1993,
R. Lisboa, 2310; igarapé Retiro, picada para o inventário 12, teira finne,
sobre folha de palmeira, 0 1 .XI. 1996, R. Lisboa et al. 6033.
237
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi. 18(2), 2002
ventral; B. anfigastros; C, D e E. filídios; F. células da região mediana do
filídio; G. secção transversal do caulídio; H. lóbulos (R. Lisboa et al. 6176);
Drcpaiiolcjciiiiea criiciaiiclla (1-Q) I. hábito com gineceu, vista ventral; J.
anfigastros; K. variação encontrada nos filídios; L. gineceu com inovação;
M. secção transversal do caulídio; N. gineceu, vista dorsal; O. células da
região mediana do filídio e ocelo; P e Q. filídios em detalhe (A.L. Ilkiu-
Borges et al. 1 107); Escalas: A = I mm; C, D, E. I, K, L e N = 200pm; B, G, 11,
J, M. P e Q = lOOpm; E e O - óOpm (Desenho: A.L. Ilkiu-Borges, 1999).
238
Os gêneros Cyrtolejcunea A. Evans e Drepanolejeunea Steph....
Drepanolejeimea fragilis Bischier, in Revue Bryol. Lichenol., 33(1-
2): 123. 1964. (Figura 2, A-J).
Tipo: Porto Rico. El Yunque, 9. VII. 1902, Evans 36 (Lectotipo, NY).
Gametófitos verde-pálidos a amarelo-acastanhados (secos), muito
pequenos, delicados, 3-lOmm de comprimento e 0,3-0,6mm de largura.
Caulídio prostrado, secção transversal com 6-7 células epidéiTnicas
circundando 3-4 células medulares menores, merófito ventral de
2 células de largura. Filídios triangular-falcifonnes, revolutos quando
secos, distante a contíguos, 210-380mm de comprimento e 70-100mm
de largura, margem antical arqueada, crenulada, com 1-3 pequenos dentes
airedondados, foimados por células projetadas, margem postical convexa,
levemente crenulada a mais ou menos inteiras, às vezes com 1-3 pequenos
dentes como na margem antical, ápice longo, agudo a apiculado,
terminando 3 células enfileiradas, 2 ocelos, dispostos em uma fila
inteiTompida por 2-3 células não oceladas, sendo 1 basal, às vezes maior
que as células adjacentes, e o outro no centro do lobo, do mesmo tamanho
das células adjacentes, células do lobo isodiamétrica-poligonais a levemente
alongadas, com 10-20x9- lOmm, trigônios inconspícuos, paredes celulai-es
delgadas. Lóbulos ovalados, inflados, 100-120mm de comprimento e
60-80mm de largura, às vezes reduzidos, quilha fortemente arqueada,
margem livre mais ou menos involuta, dente apical fonnado por uma
célula longa e levemente falcada, papila hialina na base proximal do dente
apical, no ápice do lóbulo foima-se uma boca quase circular, com um
dente pré-apical no llnal da quilha, inclinada a mais ou menos peipendicular
à margem postical do lobo. Anfigastros distantes, bífidos, lobos divergentes,
formados por 2 células enfileiradas, separados por 2 células, sinus
convexo, 50-60mm de comprimento c 70mm de largura, linha de inserção
i'cta. Androceu, gineceu, perianto e csporóllto não observados.
l)istril)iiição geográfica: Ocorre no Brasil, Guiana Francesa, Porto
l^ico, Suriname e Trinidad (Bischier 1964). No Brasil é citada para
os estados do AM, PE e SP (Yano 1984b, 1995). Essa é a primeira
citação para o estado do Pará.
239
Ilol. Mus. Para. Emílio Goelili, sér. liol. IS(2), 2002
Discussão: Espécie epífila, muito frágil, conforme explica o epíteto
específico, bem aderida ao substrato. Apresenta, como característica
distintiva, a presença de 1 ocelo diretamente na base do filídio (na
linha de inserção) e Bischler ( 1 964) destaca esta característica entre as
outras espécies de Drepanolejeiinea. Possui filídios falciformes e
acuminados eom margens mais ou menos inteiras e crenuladas, às vezes
com pequenos dentes unicelulares. Raramente são encontrados filídios
com lóbulos reduzidos, mas geralmente em filídios jovens.
Material examinado: Melgaço (PA), ECFPn: igarapé Laranjal,
caminho para o laranjal, mata de capoeira, sobre folha de palmeira,
07.XII.1997, A.L. Ilkiu-Borges, 1007; igarapé Retiro, eaminho para o
inventário 12, terra firme, sobre folha de palmeira, 01. XI. 1996,
R. Lisboa et al. 6033.
Drepanolejeimea orthophylla (Nees & Mont.) Bischler, in Revue B170I.
Lichenol., 35: 102. 1967. (Figura 2, K-Q).
Basiôninio: Lejeitnea orthophylla Nees & Mont., in Montagne, Ann.
Sei. Nat. Paris, sér. 2, Bot., 19:265. 1843.
Tipo: Guiana. Lcg. Leprieur.
Gametófitos verde-pálidos a amarelo-acastanhados (secos),
muito pequenos, delicados, 5-12mm de comprimento e 0,5-0,6mm
de largura. Caulídio prostrado, secção transversal com 7-8 células
epidérmicas circundando 3-4 células medulares menores, merófito
ventral de 2 células de largura. Filídios clíplico-lanceolados, revolutos
quando secos, distantes, 300-420mm de comprimento e 100-130mm
de largura, ápice agudo a apiculado, margens às vezes involuta, mais
ou menos inteiras a crenuladas por células projetadas, às vezes até
crenulado-denticLiladas, 3-7 ocelos no lobo, dispostos em uma fila
mais ou menos reta interrompida por células não occiadas, alcançam
até 2/3 do comprimento do lobo, às vezes ocelos agrupam-se na base
240
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Os gêneros Cyrlolejeunea A. Evans e Drepanolejeunea Steph....
OU dispõem-se ao lado a fila, ocelos levemente maiores que as células
adjacentes, 23-30xl5-22mm, células do lobo levemente alongadas,
com 10-20x9-10mm, trigônios inconspícuos, paredes celulares
delgadas. Lóbulos ovalado-retangulares a retangulares, inflados na
base, 130-150mm de comprimento e 50-70mm de largura, quilha mais
ou menos reta a levemente arqueada, margem livre mais ou menos
involuta, dente apical formado por 1 célula longa e foitemente falcada,
papila hialina proximal, no ápice do lóbulo forma-se uma boca
lunulada a quase circular, com um pequeno dente pré-apical no final
da quilha, mais ou menos perpendicular à margem postical do lobo.
Anfigastros distantes, bífidos, lobos levemente divergentes, formados
por 2-3 células enfileiradas, separados por duas células, distantes,
si nus convexo, 100-150mm de comprimento e 100-130mm de largura,
linha de inserção reta, formada por 4 células. Androceu, gineceu,
perianto e esporófito não observados.
Distribuição geográfica: Ocon e na América Central e América do
Sul, de acordo com Bischler (1967). No Brasil, é mencionada para os
estados do AM, RJ, SP e SC, (Yano 1984b, 1995). Aqui é citada pela
primeira vez para o estado do Pará.
Di.scussão: Essa é uma espécie epífila segundo Bischler (1967), assim
também na ECFPn. Apresenta como características mais marcantes a
presença de até 7 ocelos nos lobos dos filídios, formando uma fila
inteiTompida da base até o ápice, muitas vezes mais agrupados na base,
com ocelos fora dessa linha.
Material examinado: Melgaço (PA), ECFPn; igarapé Grande, várzea,
muito úmida, sobre plântula viva e lolhas, 17.1. 1993, R. Lisboa, 2310.
241
Bul. Mus. Para. Emílio Gocldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 2 - Drcpanolejeiiiicd frai^ili.s (A-J) A. hábito, vista ventral; B e C. filídios;
D, lóbulo; E. anfigastros; F. secção transversal do caulídio; G. células da região mediana
do filídio; II, I e .1. filídios, vista dorsal (R. Lisboa cr ai 6033); Drciniuolcjcuncci
ortiiophyllii (K-Q) K. hábito, vista ventral; L e M. anfigastros-; N. variação encontrada
nos niídios; O. lóbulos; P. secções transversais do caulídio; Q. células da região
mediana do filídio (R. Lisboa, 2310); Escalas; A = Imm; B, KeN = 200|.im;C, D, E, F,
1 1, 1, J, L, M, O e P = 100(.im; G e Q = 50|.im (Desenho: A. L. Ilkiu-Borges, 1999).
242
Os gêneros Cyrlolejeunea A. Evans e Drepanolejeiinea Stcph....
CONCLUSÕES
Drepanolejeiinea fragilis e D. orthophylla são mencionadas
pela primeira vez para o estado do Pará.
Entre as espécies de Drepanolejeunea encontradas na Estação
Científica Eerreira Penna, observa-se que o substrato mais utilizado
foi o de folhas de plantas do sub-bosque, com exceção de D.
crucianella que ocorreu também sobre tronco de árvore viva.
D. orthophylla foi coletada somente no ecossistema de várzea.
D. fragilis foi encontrada tanto no ecossistema de terra firme, como
no de capoeira, enquanto D. crucianella foi mais freqüente na terra
firme (5 ocorrências), do que na várzea (3 ocorrências), com apenas
uma ocorrência no ecossistema de capoeira.
Cyrtolejeimea holostipa foi coletada duas vezes sobre tronco
de árvore viva e apenas uma vez sobre folhas vivas.
Com isso conclui-se que as espécies do gênero Drepanolejeunea
e a espécie de Cyrtolejeimea holostipae não são exclusivamente
epífilas e que o ecossistema influi na diversidade de espécies de
Drepanolejeunea.
Neste trabalho, duas espécies de Lejeuneaceae são
iTiencionadas pela primeira vez para o estado do Pará, o que vem
confirmar a importância e a necessidade de se estudar a brioflora da
região Norte, ainda pouco conhecida, talvez devido, principalmente,
‘I grande extensão, dificuldade de acesso e carência de recursos
liumanos.
243
Ilol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. liol. 1S(2), 2002
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Recebido em: 05.05.01
Aprovado cm: 28.06.02
243
CDD: 583.9310436
RAZÃO E DIMORFISMO SEXUAL EM
ESPÉCIMES DE VIROLA SURINAMENSIS (ROL.)
WARB. (MYRISTICACEAE)'
Cléo Gomes cia Mota-
Mário Augusto G. Jcircliin^
Milton Guilherme Motci’
RESUMO - Estuda o dimorfismo e a razão sexual de Virola
surinamensis (Rol.)Warb visando a contribuir para o entendimento
da ecologia reprodutiva da espécie. O estudo foi desenvolvido no
campus da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará no período de
1998 a 1999. Foram coletadas flores e inflorescências de ambos os
se.xos para descrever a morfologia florcd e quantificar o display foral.
A razão sexual foi determinada em três níveis: produção de fores/
inforescência; produção de inforescências/ramo e indivíduos com
DAP> 15 cm reprodutivos e não reprodutivos. Os resultados indicam
que as fores pistiladas são maiores em largura e as estaminadas em
comprimento; que a produção de fores estaminadas foi superior as
pistiladas; que não ocorreu diferença na razão sexual da população
entre as inforescências masculinas e femininas.
PALAVRAS-CHAVE: Razão sexual, Dimorfismo sexual, Virola
surinamensis.
ABSTRACT - Study tlie sex ratio and sexual dimorphism in natural
population o/ Virola surinamensis (Rol.) Warb. This study was
developed in Belém, State of Pará diiring the years from 1998 to
1999. Flowers and inforescences of botii sex were collected to
describe the foral morfology and quantify the foral display. The
' l’ai'le da dis.serlação dc iiicsirado do piimciro aulor aprcscnlada à Faciddade dc Cicncias
Agrárias do Pará.
’’ PPKA-Univcrsidadc f-cdcial Kural da Amazônia. Engenheiro Hore-slal. Mestre cm Agronotnia.
^ ('aixa Postal 917. Cep 66077-530. Belém-PA.
I’l<-MCT/Museii Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Pesipiisador. Caixa
l‘ostal 399, CEP 06040-170. Belém-PA. jardim@miiseti-goeldi.hr
PFKA-Universidade Federal Rural da Amazônia. Engenheiro Agrônomo, Ihofessor visitante.
Laixa Postal 917, CEP 66077-530, Belém-PA.
247
Boi. Mii.s. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2), 2002
sexual ralio was cletermined in tliree leveis: prodiiction of flowers/
infloresceuces; infloresceiices production/braucli and individuais
witli DAP> 15 cm reproductives or not. h was observed iliat the
species presents sexual diinorphisin in the flowers and
infloresceuces. The pistillates flowers are larger in width and the
staininates in length; the production of flowers staminates was
higher to the pistillates; sexual reason of the population didn’t
differ of inale infloresceuces and feinale.
KEY WORDS: Sexual ratio, Sexual dimorphism, Virola surinamensis.
INTRODUÇÃO
A evolução do sistema sexual é o tema central da biologia
evolucionária. O desenvolvimento da função sexual (macho e fêmea)
em uma, ou mais formas, é um tema intrigante. O dimoifismo sexual
caracteriza-se pela presença de características diferenciadas para cada
sexo. Em plantas, está relacionado com as diferenças no tamanho,
número de gametas masculinos e femininos, isto é, razão pólen: óvulo,
razão sexual e antecipação na idade reprodutiva.
De acordo com Pianka (1983), a razão sexual é a proporção de
indivíduos masculinos na população e é classificada em razão sexual
primária, secundária, terciária e quaternária, em função do ciclo de
vida dos organismos, estudada, principalmente, em espépies cultivadas
de elevado valor econômieo, que apresentam algum tipo de separação
sexual. O conhecimento da razão sexual é importante feiramenta para
o manejo destas espécies, visto que está intimamente relacionado com
sucesso reprodutivo e a produtividade. Um exemplo é a colheita de
espécies dióicas, nas quais existem incentivos econômicos para
capacitar as pessoas a distinguirem plantas masculinas e femininas em
estado precoce durante o ciclo de vida (Meagher 1981).
Na razão sexual primária, a expectativa é de se obter uma razão
de 1:1. Essa expectativa deve-se ao fato das plantas dióicas se
reproduzirem sexualmente e as progénies produzidas conterem
complementos paternais iguais para os seus progenitores (macho e
248
SciELO
10 11 12 13
Razão e diniorfisnw .sexual em espécimes de Virola surinamensis...
fêmea). Se na população existir um excesso de um dos sexos, o aumento
pode ser devido à adaptação de indivíduos do sexo oposto e/ou como
resultado de mutações. Portanto, o aumento em número de um dos
sexos pode ser favorecido pela seleção natural (Opler & Bawa 1978).
A razão sexual secundária pode ser resultado de mecanismos
genéticos que conduzem a números iguais de progénies masculinas e
femininas, ou pode ser resultado de diferenças na história de vida pós-
zigótica dos mesmos (Meagher 198 1 ) e a diferentes investimentos paternais
nas progénies, até o final do período de cuidado dos pais (Pianka 1983).
Vários estudos desenvolvidos em espécies dióicas tropicais e
não-tropicais têm apontado para o excesso de um dos sexos, em
populações naturais (Opler & Bawa 1978; Meagher 1981). Para os
autores, os possíveis responsáveis pela modificação na razão social
seriam as diferenças nas taxas de mortalidade, statiis reprodutivo e
seleção gamética.
Bawa & Opler (1975) estudaram o tamanho e o número de flores
produzidas por 20 espécies tropicais. Segundo os autores, 14 espécies
apresentaram flores pistiladas com grandes corolas, maiores que as
estaminadas e uma tendência nas plantas masculinas de produzirem
mais flores. Este excesso de flores masculinas, segundo Opler & Bawa
(1978) e Delph (1996) favorece seu potencial de atração de visitantes.
Virola surinamensis (Rol.) Warb. é uma espécie dióica, ou seja,
apresenta flores estaminadas e pistiladas em plantas separadas,
pertence à família Myristicaceae e é encontrada em altas concentrações
em áreas de várzea e igapó da bacia amazônica. Na região do estuário,
representa uma importante fonte comercial, em função da utilização
industrial de sua madeira, que possui boas características para o uso
em serrarias, construção civil, fabricação de cabos de vassoura e,
principalmente, para indústria de compensados e laminados
(Rodrigues 1976, 1980; Mota 2000).
249
Bi)l. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2). 2002
Desta forma, o objetivo desta pesquisa foi estudar o dimorfismo
sexual da V. surinainensis (Rol.) Wab., visando a contribuir para o
entendimento da ecologia reprodutiva da espécie e fornecer indicadores
para futuros trabalhos de melhoramento.
MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi desenvolvido em uma área de várzea, localizada no
campus da Universidade Federal Rural da Amazônia-UFRA, que faz
parte da bacia do igarapé Murutucum, ao lado direito do rio Guamá,
município de Belém, estado do Pará. Apresenta as seguintes coordenadas
geográficas: 01° 27’ 253 e 01° 27’ 399 latitude S e48° 26’ 148 longitude
W Gr. A altitude no ponto mais alto da área de estudo é 41 m.
A classificação climática, de acordo com Kõppen, é do tipo Afi.
A pluviometria média é de 2900 mm e temperatura média anual de
25,9°C, variando entre 2 1 a 3 1 °C. A umidade relativa está em tomo de
84% e a insolação anual em 2219 horas. Os meses de maior pluviometria
são janeiro, fevereiro e março.
Morfologia floral e Dimorfismo sexual
Foram coletadas inflorescências de ambos os sexos em 6 árvores
com flores femininas e 8 com flores masculinas. Parte deste material foi
fixado em álcool a 70%. A descrição da morfologia floral foi feita no
laboratório de botânica da UFRA. As variáveis morfológicas mensuradas
foram, a saber: número de inflorescências/ramo novo. Foram observados
6 ramos/árvore; o comprimento e a largura das flores foram medidos em
10 flores/árvore em 6 árvores de cada sexo. Foram também mensurados
o comprimento c a largura de 05 inflorescências em 06 árvores de cada
sexo. Para quantificar o display floral foi calculada a área estimada de
cada inllorescência, adaptando-sc a Idmiula de cálculo da área do losango
(eixo maior x eixo menoi72) e o número de flores/inHorescência em 6
árvores masculinas e 5 femininas. Para isso foram utilizados lupas de
lOx e paquímetro mecânico.
250
Razõo e dimorfismo sexual em espécimes de Virola surinamensis...
Razão sexual
A razão sexual foi determinada em três níveis, conforme
metodologia adaptada de Opler & Bawa (1987) e Armstrong & Irvine
(1989a): (a) produção de flores por inflorescência; (b) produção de
inflorescências por ramo e (c) indivíduos com DAP> 15 cm,
reprodutivos ou não na população. Para se obter o número de flores
por inflorescência, foram contadas 05 inflorescências/árvores em 05
árvores. O número de inflorescências/ramo foi obtido em 5 árvores de
cada sexo.
Análise Estatística
Para análise estatística dos dados foi utilizado o teste t (Student)
e o qui quadrado (x").
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Morfologia floral
Inflorescência estaminada em panículas axilares e subaxilares,
subterminais ou raramente terminais, média de 4 inflorescências por
ramo, desinflora, densamente ramificada, 40,5 mm a 125 mm de
comprimento (média de 99 mm), 45 mm a 105 mm de largura (média
87 mm), quando está com arquitetura completa; da raque principal
surgem as primeiras ráquilas, opostas, e as demais ráquilas ao surgirem
são alternas ou às vezes são opostas; cor amarelo-escura, tendendo ao
verde, puberulenta; brácteas oblongas, puberulentas, de 5,55 mm a
7,89 mm de comprimento, percebidas quando a inflorescência é nova,
sendo mais tarde decíduas; apresenta de 4 a 24 flores por fascículo;
média de 1253 flores por inflorescências.
Flor estaminada cíclica, actinomorfa, perianto finamente camoso
ou submembranáceo, 1,97 mm a 1,76 mm de comprimento; perianto
com 1,6 mm de comprimento, trilobado, cerca de 2/3 do seu
comprimento, lóbulos oblongos, obtusos, indumento tomentoso;
251
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2). 2002
androceu de 1,47 mm a 1,80 mm de comprimento (média 1,60 mm),
andróforo camoso de 0,80 mm a 1,15 mm de comprimento (média
0,97 mm), anteras 3, de 0,64 mm a 0,80 mm de comprimento (média
0,68 mm) soldadas até o ápice, oblongas, basifixas, rimosas, com
cobertura longitudinal (Figura 1).
E
E
B
Figura 1 - Aspecto morfológico das flores estaminadas de Virola siirinaiuensis
(Rol.) Warb.: A- flor estaminada após antese; B- androceu eC- fascículo masculino
com botões em pré-antese.
Inflorescência pistilada em paniculas axilares e subaxilares,
SLibterminais ou raramente terminais, em média com 5 inflorescências
por ramo, 35 mm a 125 mm de comprimento (média 99,3 mm), largura
45 mm a 1 15 mm (média 87,9 mm), quando está com arquitetura
completa. Apresenta ráquilas puberulentas de cor amarelo-escuras
tendendo ao verde; possui de 5 a 24 flores por fascículo, sendo que em
média cada inflorescência possui 123 flores.
Flor pistilada cíclica, actinomorfa, varia de 3,25 mm a 4,75 mm
de comprimento, monoperiantada, corola gamopétala, campanulada,
cor amarelo-pálida, perianto trilobado, até cerca de metade de seu
comprimento, lobos oblongos, pclúcidos, puncteados; pedicelo de
252
Razão e dimorfismo sexual em espécimes de Virola surinamensis...
1,65 mm a 4,55 mm de comprimento; brácteas de até 8 mm
comprimento, visíveis na inflorescência quando jovem; ovário supero,
unilocular, uniovular, unicaipelar, densamente puberulento, estilete
grosso, menor que 0,5 mm de comprimento; placentação axial, óvulos
ortótropos; estigma bífido, abertura de 180° quando receptivo,
apresenta coloração verde clara, passando a marrom quando
senescente (Figura 2).
Figura 2 - Aspecto morfológico das flores pistiladas de Virola surinamensis (Rol.)
Warb.; A- flor pistilada após antese; B- gineceu e C- fascículo masculino com
botões em pré-antese.
Os caracteres florais mensurados (Tabela 1) apresentam diferenças
estatísticas significativas (Teste t) em relação ao sexo da planta. As
inflorescências masculinas foram significativamente maiores do que
as femininas, tanto em largura (t= 7,45629192, p= l,9453E-09), como
em comprimento (t= 6,01509689, p= l,7427E-07) e apresentam maior
(lispkiy floral, sendo conspícuas a distâncias superiores a 50m. As
inflorescências femininas são menores, em geral inconspícua a
distâncias superiores a lOm.
As flores mensuradas apresentam diferenças significativas em
relação ao comprimento (t= 2,74859289, p= 0,01), sendo as flores
253
liol. Mus. Para. Emílio Goetdi, sér. Boi. 18(2). 2002
Tabela 1 - Diferenças morfológieas nas estruturas florais de ambos os sexos em
uma população natural de Virola surinamensis (Rol.) Warb. Belém-Pará, 1999.
Masculina
Dimensões da Flor
Dimensões da Inflorcscência
Comprimento
Largura
Comprimento
Largura
g
3,8280909
2,680833
11,388571
11,78
a
0,6082691
0,374008
3,0220534
3,30
n
60
60
30
30
Feminina
Dimensões da Flor
Dimensões da Inflorcscência
Comprimento
Largura
Comprimento
Largura
g
3,6884
3,8592
6,836
6,22
o
0,354616
0,449743
2,7923825
2,46
n
50
50
25
25
t
2,74859289
14,7564147
6,01509689
7,45629192
p
0,01
3,5389E-28
l,7427E-07
l,9453E-09
o - desvio padrão; n - número; t - teste student; p - probabilidade
estaminadas mais compridas, enquanto que, em largura, as flores
pistiladas foram mais largas que as estaminadas, apresentando diferenças
altamente significativas (t= 14,7564147, p= 3,5389E-28). Isto é fácil
de entender, pois na flor pistilada, conforme vimos nas Figuras 1-2, o
ovário necessita de mais espaço que os estames, pois estes são
concrescidos, formando uma só coluna. Além da largura das flores
femininas proporcionada pelo ovário, existe um espaço maior entre o
ovário e as pétalas, que possibilita aos insetos pequenos penetrarem no
interior da flor, em busca de néctar.
Conforme o descrito acima, o tipo de inflorcscência das árvores
com flores masculinas e com flores femininas de V. surinuwensis são
similares, isto é, inflorescências em panículas axilares e subaxilares,
subterminais ou raramente terminais. Esta descrição coincide com as
de V. surinaniensis feitas por Rodrigues ( 1 980) na qual o autor descreve,
minuciosamente, a espécie V. surinaniensis.
254
Razão e dimorfismo sexual em espécimes de Virola surinamensis...
Algumas pequenas diferenças detectadas nas estruturas florais
provavelmente são atribuídas à variabilidade genética da espécie. Os
resultados da morfologia floral de V. surinamensis, observados neste
estudo, mostraram-se contrários aos resultados obtidos por Rodrigues
(1980), para as dimensões das inflorescências de ambos os sexos,
(“inflorescência masculina de 7-17 mm e inflorescência feminina de 60-
1 10 mm de comprimento”). O autor citado relata que, no gênero, as
dimensões das inflorescências são muito variáveis, porém as
inflorescências femininas são, de forma geral, menores que as masculinas,
confiiTnando haver dimorfismo sexual no gênero quanto ao tamanho
das inflorescências. Para Pinã-Rodrigues etal. (1993) as flores femininas
de V. surinamensis são raras e as masculinas abundantes.
O dimorfismo sexual encontrado na espécie só é notado quando
se faz uma análise mais detalhada, pois, por tratar-se de árvores, e suas
inflorescências encontrarem-se localizadas na parte externa da copa,
fica difícil perceberas pequenas diferenças.
Com relação ao tamanho das flores, estes resultados estão em
consonância com os resultados encontrados em outras espécies tropicais.
De acordo com Bawa & Opler (1975), de 20 espécies estudadas, 14
apresentaram flores pistiladas com grandes corolas, maiores que as
estaminadas. Segundo tais autores, isso poderia ocoirer em função das
flores pistiladas possuírem grandes ovários e nectários.
Bell (1985) apresentou e testou a primeira hipótese funcional, isto
é, de atração, relacionada ao tamanho das flores. O referido autor declarou
que a flor é primeiramente um órgão masculino, sendo a estrutura floral
destinada primeiramente à exportação do pólen, do que a fertilização de
óvulos. A suposição básica desta hipótese é que a função masculina
requer mais visitas dos polinizadores o, por isso, a alocação para a atração
pode ser mais importante na função masculina. Das 79 espécies estudadas
por Bell (1985), 74 possuem pequenas corolas em flores femininas,
quando comparado com flores masculinas hennafroditas.
255
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
A hipótese apresentada por Bell não é invalida para V. surínamensis,
pois a unidade de atração dos visitantes florais não é a flor,
individualmente, mas o conjunto delas que é foiTnado pela inflorescência;
esta sim possui maior número de flores, maior dimensão e,
consequentemente, maior vistosidade. Isso é fácil de entender quando
observado à luz da teoria da seleção sexual proposta por Willson (1979,
1980); Bawa (1980); Stephenson & Bertin (1983) e Bawa (1983).
De acordo com Delph (1996), as flores masculinas são sempre
maiores que as femininas. Em espécies monóicas e dióicas as flores
femininas são maiores e geralmente possuem pétalas maiores.
Com relação ao número de flores produzidas, os dados obtidos
em campo indicaram que árvores masculinas produzem mais flores
que plantas femininas. Este excesso de flores masculinas, de acordo
com Opler & Bawa (1975) e Delph (1996) favorece o potencial de
atração de visitantes. O que leva a sugerir que as estratégias de atração
dos polinizadores, utilizadas pelas árvores masculinas e femininas de
V. surínamensis, foram diferentes. Esta característica do display floral
indica que as árvores masculinas apresentam mecanismos de atração
mais diretamente ligados à percepção visual {display floral) que as
árvores femininas. Este padrão de display floral apresentado na
população de Virola surínamensis é comum para as espécies tropicais
com grande display floral em espécimes masculinos, quando
comparados aos femininos.
Estudos indicam quanto mais copioso (vistoso, abundante,
chamativo etc.) o display floral, maior é a contribuição para o
movimento direcional (atração) de polinizadores e pólen (Wilson &
Price 1977 eArmstrong& Irvine 1989b).
Razão sexual
Conforme foi descrito na morfologia floral, a formação das
inllorcscências estaminadas e pistiladas de V surínamensis são similares,
isto é, inflorescências cm paniculas axilares c subaxilares, subterminais
256
Razão e dimorfisino sexual em espécimes de Virola surinamensis...
ou raramente terminais. Essa característica é também observada em
outras espécies do mesmo gênero, conforme dados apresentados na
revisão taxonômica de Rodrigues (1980).
Os dados sobre a proporção sexual em V. surinamensis estão
expressos na Tabela 2. A média de inflorescências masculinas e femininas
produzidas por ramo foi de 1 1 ,50 e 3,5. Para as inflorescências masculinas
este valor foi obtido a partir da multiplicação de 3,833 (média de
inflorescências produzidas por ramo) por 03, que comesponde ao número
de lançamento de inflorescências em uma sessão de florações da planta
masculina que ocoireu no mesmo pen^odo de observação.
A i-azão de flores estaminadas/pistiladas encontrada em inflorescências
de V. surinamensis foi 1253:123, isto é, cerca de 10 flores estaminadas
para cada 01 flor pistilada (10: 1). Se considerarmos que em cada ramo da
planta masculina é produzida 1 1 ,50 inflorescências e na feminina apenas
3,5 inflorescências por ramo, a razão de flores produzidas por ramo fica
em tomo de 33:1 (1253,37 x 11,49:123,32 x 3,53). O número de
inflorescências por árvore não foi quantificado, devido às bameiras físicas
impostas, por se tratar de árvores com alturas superiores a 15 metros. Os
reáultados encontrados em V. surinamensis demonstram claramente a
supeiioridade na produção de flores estaminadas sobre as pistiladas.
Tabela 2 - Dados de razão sexual em uma população natural de Virola surinamensis
(Rol.) Warb. Belém-Pará, 1999.
Árvores
NF/I
Nl/R/A
M
F
M-i-F
Total
M/F
FE
FP
FE/FP
M
F
Média
-
-
-
-
0,7
1253,37
123,32
10,16
11,50
3,53
o
-
-
-
-
-
689,70
38,09
-
-
-
n
22
31
53
76
-
30
25
-
30
30
%
41,51
58,49
100
M-macho; F-íêmea; M+F- macho + fêmea; NF/I-niimero de llores/inflorescências;
NI/R/ A-número de inflorescência/ramo/árvore; M/F- razão sexual; FE-flor
estaminada; FP-flor pistilada; FE/FP-razão de flor estaminada/flor pistilada.
257
Boi. Mus. 1’ara. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Resultados semelhantes foram encontrados por Armstrong &
Irvine (1989b) em Myristica fragans, na qual não houve diferença
no número de inflorescências por unidade de comprimento do ramo
(10,3/m em masculinas e 1 1,7/m em femininas), contudo as plantas
masculinas produziram 2,14 vezes mais flores que femininas, por
unidade de comprimento do ramo, no mesmo período de floração.
Na população estudada de V. surinamensis, das 76 árvores
existentes somente 53 (69,74%) foram observadas em estágios
reprodutivos durante o período de estudo (florindo e/ou frutificando).
Para determinar a razão sexual da população, foram consideradas apenas
as árvores reprodutivas (53), sendo que destas 22 (41,51%) são
masculinas e 3 1 (58,49%) femininas.
A razão sexual da população foi 0,709 (Tabela 2). Apesar de ter
sido encontrado um número maior de árvores femininas na população,
o teste de qui quadrado (x^: 1,5283; p: 0,2164) demonstrou não haver
diferença significativa na freqüência observada e a esperada, e que os
desvios provavelmente são creditados ao acaso, ou seja, a razão sexual
da população está próxima da esperada que é 1 .
Resultados semelhantes foram encontrados por Pinã-Rodrigues
et al. (1993) em uma população de V. surinamensis localizada em
Belém. Foram encontradas as seguintes proporções: 14 (39%) plantas
femininas para 9 (29%) masculinas e 5 (32%) não apresentaram
florescimento durante o período estudado.
Vários estudos apontam para a inclinação masculina na razão sexual
de espécies dióicas, sendo atiibuída às diferenças nas taxas de mortalidade
em ambos os sexos (Lloyd 1974; Opler cS: Bawa 1978; Meagher 1981;
Armstrong & Irvine 1989a, b), ou seja, a evolução do dioicismo pela
seleção sexual prediz a inclinação masculina na razão sexual, antecipação
na idade de reprodução e no período de floração, além do aumento de
indivíduos masculinos florindo (Willson 1979, 1980; Bawa 1980;
Stephenson & Bertin 1983; Armstrong & Irvine 1989b).
258
Razão c dimorfismo sexual em espécimes de Virola surinamensis...
Bawa (1983) e Newstron et al. (1994) indicam existir uma
tendência das ái-vores masculinas possuírem mais unidades reprodutivas
e mais recursos para a polinização que as femininas. Essa inclinação
masculina na proporção de flores produzidas é encontrada em várias
espécies dióicas. Na própria família Myristicaceae, Campsoneiira
spriicei (A. DC.) Warb., segundo Bullock (1982) apresenta
comportamento diferenciado em árvores masculinas e femininas, com
relação ao número de florescimento por ano, número de inflorescências
por árvore e número inflorescências de flores por inflorescência,
caracterizando concomitância nas ocomências, com maior quantidade
nas árvores masculinas. Armstrong & Irvine (1989b) encontraram
resultados semelhantes emMyristica fragans.
Opler & Bawa (1978) estudaram a razão sexual de 23 árvores da
floresta tropical úmida e encontraram forte inclinação na produção de
flores estaminadas, na razão sexual. Dentre as espécies estudadas,
Triplaris americana foi a que apresentou resultados mais próximos
aos encontrados em V. surinamensis, ao nível de flores/inflorescência
(1287:206) e razão sexual da população (0,71).
Estudos indicam que quanto mais copioso o display floral, maior
a contribuição para o movimento direcional (atração) de polinizadores
e pólen (Wilson & Price 1977; Armstrong & Irvine 1989b).
Quanto à função exercida pelo excedente floral, em plantas
masculinas, podemos supor que este pode exercer tanto função de
atração de insetos visitantes, que atuam como polinizadores, como
também na ação de herbívoros. A exemplo do proposto por Wolf
(1997), que estudou a herbivoria diferencial e foimação de galhas sobre
plantas masculinas e femininas de Neea psychotrioides, e obteve
resultados consonantes com a hipótese da herbivoria diferencial, na
qual os danos causados às flores e o custo energético da produção de
galhas estariam exercendo um grande gasto para as plantas masculinas,
resultando, com o passar do tempo, na morte dessas árvores e originando
259
Boi. Mus. Para. Entílio Goeldi, sér. Bot. 18(2), 2002
uma inclinação na razão sexual para o lado feminino. Esta hipótese, se
verdadeira, poderia explicar a inclinação feminina na razão sexual da
população de V. surinamensis. Entretanto, para isso é necessário testar
essa hipótese devidamente.
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Recebido em: 20.01.01
Aprovado em: 28.06.02
261
CDD: 584.50981152
581.64
338.1749745
CARACTERIZAÇÃO DO BENEFICIAMENTO DO
PALMITO DE AÇAIZEIRO (EUTERPE OLERACEA
MART.) POR MORADORES RIBEIRINHOS,
BREVES, PARÁ, BRASIL
Denise Cristina Torres Costa
Mário Augusto G. Jarclinr
Peclro Luiz Braga Lisboa'
RESUMO — Nas comunidades ribeirinhas do estuário amazônico
existem grandes populações naturais de açaizeiro fEuterpe oleracea
Mart.), que é considerado o principal produto extrativista em níveis
alimentar e socioeconômico. A industrialização do palmito de
açaizeiro teve início no final da década de 60, quando inúmeras
fábricas sulistas migraram para a Amazônia. O processo de uso dos
açaizais estuarinos foi rápido e intenso, colocando, em pouco tempo,
o estado do Pará como maior produtor nacional. Este estudo
caracteriza a indústria caseira de produção de palmito, praticada
por ribeirinhos do município de Breves, Pará. Os métodos de campo
basearam-se em entrevistas previamente estruturadas e observação
direta. Foram entrevistados 12 moradores ribeirinhos, atuantes na
extração e beneficiamento artesanal do palmito. Aí informações
obtidas neste estudo expuseram a precariedade das fabriquetas de
palmito, que proliferam ao longo dos rios do município sob análise.
Elas abastecem as fábricas de maior porte com o palmito pré-
industrializado e agem na clandestinidade, sem comprometimento
ambiental através de um plano de manejo. Desprovidas de um
necessário apoio técnico, elas se mantêm em condições precárias de
higiene, o que põe em risco a saúde humana.
PR/MCT-Miiscu l’araciisc Emílio Goclcli. Coordenação de Botânica. Bolsista
dcDcsenvolvimento Científico Regional. Cai.xa Postal 399. CEP 66040-170, Belém-PA.
dtoires@m iiseti-goeldi.br
l’R/MCT-Muscti Paraense Emílio Gocidi. Coordenação de Botânica. Pesquisadores. Cai,\a
l’ostal 399. CEP 66040-170. Belém-PA. |ardim@muscu-gocldi.br; plisboa@imuscu-goeldi,br
263
liol. Mus. Para. Emílio GoeUli, sér. Boi. JS(2), 2002
PALAVRAS-CHAVE: Extrativismo, Eitterpe oleracecí. Palmito,
Amazônia.
ABSTRACT — Tliere is ci big natural heart pahn fEuterpe oleracea
Mart.) populations in lhe riverine cominiinities ofthe Ainazon River
estuary, whicli is considered the principal object of extrativism for
bothfood and social-econoiny. The heart pahn industrialization began
in lhe end ofthe 1960s when nianysouth industries carne to Amazônia.
Since lhe beginning, the use ofthe pahn groves was intense and fast,
(pdckly placing the Pará State as the largest national producer of
heart pahn. This sludy typify the hoine-inade industry of heart pahn,
niade by natural population of Breves municipality, Pará. The Jleld
niethods were based in previousiy siruclured interviews and field
observations. Twelve river-dwellers answered the interview, whose
Work extracting and craft iinproving the heart pahn. The information
obtained with this study expose the precarious conditions of the
cottage industries, whose proliferates along the rivers of the studied
municipality. Those cottage industries suppiy the largest industries
with pre-industrializcd heart pahn, and they operate clandestinelv,
without legal cnvironment manage plan. Deprived of a needed
technical support, they remain under precarious hygienic conditions,
placing the human heallh under risk.
KEY WORDS: Extrativism, Euterpe oleracea. Heart palm, Amazon.
INTRODUÇÃO
Nas comunidades ribeirinhas do estuário amazônico, a prática
extrativista representa uma atividade marcante do cotidiano. Nestas áreas,
segundo Calzavara (1972), estão concentradas grandes populações
naturais da palmeira açaizeiro {Euterpe oleracea Mart.), considerada o
principal produto extrativista, em níveis alimentar e socioeconômico.
O açaizeiro apresenta uma ampla opção de uso, em que todas as
partes vegetais são englobadas. O grande destaque, sem dúvida, são
os frutos e o palmito, ambos de elevada importância econômica para a
região (Jardim & Anderson 1987).
Entre as décadas de 40 c 70, a produção básica dc palmito era
oriunda da região Centro-Sul do Brasil, sendo extraído da palmeira
juçara ou jiçara {Euterpe eduU.s Mart.). Essa espécie caracteriza-se por
264
Caraclerização cio beueficiametUo do patmilo de açaizeiro...
apresentar estipe único, cujo coite para a obtenção do palmito elimina
a planta. O acelerado ritmo de exploração, sem a preocupação de
conservação, contribuiu para o esgotamento das reservas naturais desta
espécie, provocando escassez de matéria-prima para as indústrias
(Nascimento 1993).
Foi nesse contexto que os açaizais do estuário amazônico entraram
em cena, passando a ser vistos como um grande potencial na produção
de palmito, possível de substituir a espécie antes explorada. Na década
de 70, muitas empresas sulistas de palmito migraram para a região Norte,
principalmente para o estado do Pará.
De acordo com dados do IBAMA apudMomão (1999), em 1988
existiam catalogadas 130 empresas produtoras de palmito, somente no
Pará. Dessas, apenas 22, consideradas grandes, localizavam-se em
Belém. As 108 restantes estavam no interior, com alta concentração na
região das ilhas (oeste), do Marajó (nos municípios de Breves, Portei,
Anajás, Afuá, Ponta de Pedras, CuiTalinho e Muaná).
As estatísticas oficiais mostram que em 1977, o Pará já participava
com 85% da produção nacional, mantendo-se com elevados índices, não
só nos anos restantes da década de 70, como ao longo da década de 80.
Em pouco mais de vinte anos da extração do palmito na Amazônia,
já se pode perceber os sinais da exploração dos açaizais, em que a
frequência e intensidade de corte colocam em risco a manutenção futura
da atividade palmiteira.
Algumas pesquisas têm enfocado a problemática da exploração do
palmito, com abordagens sobre os seus aspectos ecológicos, produtivos
e econômicos, tais como Brabo (1979), Nascimento & Moraes (1991),
Mesquita& Jardim (1996), Jardim (1996), Pollakera/. (1996).
A microrregião dos furos de Bi-cves insere-se numa realidade de
uso dos recursos naturais que muito se assemelha aos trabalhos citados.
265
Boi. Mu.s. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2), 2002
Ela corresponde à prineipal área de produção de palmito do estado do
Pará, com uma participação de 70% no total da produção paraense.
De acordo com estatísticas do IBAMA (1970-1993) apud
Deusdará Filho (1995), a microrregião dos furos de Breves ocupa o
segundo lugar em concentração de indústrias palmiteiras (29%),
perdendo para Belém (40%).
Portanto, mediante o acentuado nível de exploração do palmito,
observado empirieamente em Breves, objetivou-se, através do presente
estudo, caracterizar e analisar o processo de beneficiamento artesanal
em comunidades ribeirinhas, contribuindo no entendimento da situação
da atividade palmiteira, de suas possibilidades e limitações.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
Os estudos foram realizados no município de Breves (01°40’ S,
50°28’ W), localizado na mesoiregião leste paraense, no arquipélago
da ilha do Marajó, pertencendo à micromegião dos furos de Breves,
estado do Pará, Brasil (Figura 1).
As atividades econômicas de maior expressão coirespondem à
indústria madeireira e ao extrativismo do palmito.
Dentro do município de Breves, esta pesquisa abrangeu moradores
ribeirinhos, residentes nas margens dos rios Praeaxi, Paraucá, Ajará-
Mirim, JupatitLiba, Macena Parijós e dos furos de Breves, Alambique
Vira Saia, Tajapuru e Urubu.
Coleta e análise dos dados
Os métodos de campo basearam-se em entrevistas estruturadas
(questionários) e observação direta. Foram entrevistados 12 moradores
ribeirinhos atuantes no beneficiamento artesanal do palmito para o preparo
da conserva. Os dados foram levantados ao longo do ano de 1998.
266
Caracterização do beneficiameuto do palmito de açaizeiro...
Figura 1 - Localização do município de Breves, ilha do Marajó, Pará.
267
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, .sér. Boi. 18(2), 2002
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Produção
As fabriquetas proliferam ao longo dos rios do município de
Breves. Na cadeia de comercialização do palmito industrializado, a
fabriqueta figura como elemento de base, uma vez que abastece médias
empresas que, por sua vez, são fornecedoras de grandes empresas
localizadas em Belém.
Neste sistema de beneficiamento artesanal inexiste o devido
comprometimento ambiental com o plano de manejo exigido pelo
IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis). Estimuladas a funcionar, em decorrência da instalação
das médias empresas que as regi mentam, as fabriquetas prosseguem
explorando desastrosamente sua região, em troca de irrisórios e
exploradores preços.
Neste estudo, foi registrado que o beneficiamento artesanal do
palmito utiliza geralmente mão-de-obra familiar, na qual são envolvidos,
em média, 3 integrantes.
As instalações são em estilo rústico. Em geral, compõe-se de
bamicões abertos, com cobertura de palha e balcões de madeira.
Processamento
As atividades de rotina em uma fabriqueta constituem-se de;
classificação da matéria-prima, descascamento da cabeça de palmito
(para retirada das folhas c bainhas restantes até o aparecimento da gema
apical, que é o palmito), corte em toletes, imersão na salmoura,
arrumação dos toletes nos vidros, preenchimento dos vidros com a
salmoura c cozimento em banho-maria.
Segundo Nascimento (1993), o processamento industrial de uma
fabriqueta é relali vamente simples, em cuja operação de produção são
utilizados: bancada ou balcão de corte e lavagem, balde de 60 litros
para salmoura, tambor de cozimentos, tanque de fibrocimento de 500
litros, facas, termômetros, medidor e balança.
268
Caracterizoçãíf do benefivianiento do palmito de a{’aizeiro...
Para o corte em toletes, alguns ribeirinhos utilizam um talhador
de madeira, o qual possui uma escala com as dimensões exatas para o
encaixe e posterior corte da cabeça de palmito.
Após o corte, os toletes são mergulhados em uma salmoura de
espera constituída de água, sal (cloreto de sódio) e ácido cítrico (para
cada 100 litros de H.O é adicionado 1 kg de ácido cítrico e 1 kg de sal).
Os toletes, em geral, possuem entre 8 e 10 cm de comprimento
e a an-umação nos vidros obedece a uma prévia classificação quanto
ao padrão de qualidade (Te 2"), que está relacionado ao diâmetro
da cabeça de palmito e ao número de toletes por vidro (Tabela 1).
Porém, estes valores estão sujeitos a variações em diferentes zonas
do estuário, em função da disponibilidade de matéria-prima e do
nível de comercialização.
O palmito de primeira qualidade está mais raro de ser encontrado.
Por sua vez, o de segunda qualidade tem sido o mais comercializado,
Justificavelmente por essa escassez do de primeira qualidade.
Tabela 1 - Classificação do palmito de T' e 2“ qualidades, beneficiados por
moradores ribeirinhos no município de Breves, estado do Pará.
Classificação do Palmito
Diâmetro (cm)
N° de Toletes/Vidro
1“ Qualidade
3
7 a 10
2“ Qualidade
2,5 a 3
11 a 15
Segundo Pollack et al. (1996), palmitos grandes, capazes de
que apenas dois toletes encham uma lata de 1 kg, são raros. Os autores
afirmam que a indústria almeja preencher a lata de 1 kg com palmitos
de 4 estipes diferentes. No entanto, eles identificaram fábricas
processando latas, com toletes de mais de 10 estipes. Essas evidências
representam as consequências geradas peia exploração desordenada e
Ireqüente aos açaizais do estuário, tornando cada vez mais escasso o
palmito sclvíigcm (grande tamanho) e, forçando ainda mais a frenética
extração do palmito.
269
Boi. Mu.s. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Conforme os dados de Nascimento (1993), existe oscilação do
número de cabeças necessárias para se produzir 1 kg de conserva, que
varia tanto de região para região, quanto com relação à qualidade do
palmito. A autora informa que no município de Gurupá o rendimento é
melhor do que em Breves, por se tratar de uma área comparativamente
menos degradada. Em Gurupá o palmito de primeira, com 3 cabeças,
rende 1 kg e o de segunda, com 5 cabeças, rende 1 kg. Já em Breves,
são necessárias 6 a 8 estipes para produzir 1 kg do palmito de segunda
e 4, para o de primeira.
Segundo informações de 14 extratores de palmito, ocorrem
variações nas dimensões da cabeça de palmito com relação ao
comprimento e ao diâmetro. Constatou-se que uma cabeça de palmito
atinge, em média, cerca de 72,5 cm de comprimento por 15,0 cm de
diâmetro.
No cozimento em banho-maria os potes são arrumados em
camburões de ferro. Em média, são alocados 90 potes por camburão.
O tempo de fervura é de 30 a 45 minutos no fogo à lenha.
A água utilizada em todo o processo de beneficiamento é
proveniente do rio e costuma ser tratada com sulfato de alumínio. A
qualidade da água é duvidosa, uma vez que nas comunidades analisadas
inexiste saneamento básico.
Mesquita & Jardim (1996), ao efetuarem análise da composição
físico-química e microbiológica em um lote de palmito em conserva
em Gurupá (PA), registraram a presença de coliformes fecais e
Stapliylococciis ciitreiis, ainda que em baixas proporções. Atribuíram a
contaminação encontrada ã qualidade da água utilizada na salmoura,
que foi minimizada pelo tratamento químico. Detectaram, também, cm
análise da água do rio, a impossibilidade de uso, tanto para
balncabilidadc como para fim industrial. Por fim, é aconselhado um
maior rigor no tratamento da água, aumentando as dosagens dos
produtos químicos.
270
Caracterização do beneficiaiiteitlo do palmito de açaizeiro...
O tratamento químico, devidamente empregado nas fábricas de
palmito, promove a acidificação da solução (através de pH menor ou
igual a 4,6) da conserva, o que, consequentemente, evita a produção
de toxinas pelo Clostridium botulinwn. Essas toxinas são de caráter
altamente perigoso e, freqüentemente, fatais para o homem.
Menezes & Leitão (1967) analisando amostras de palmito enlatado,
verificaram que a maioria delas apresentou pH acima de 4,6,
acarretando riscos de desenvolver os microorganismos responsáveis
pelo botulismo.
Nascimento (1993) alerta que devido à falta de conhecimento
técnico adequado e insuficiente controle de qualidade, o produto
geralmente chega ao consumidor com pH acima de 4,6.
Além da má qualidade da água, procedimentos inadequados
relativos à higiene foram observados no beneficiamento caseiro. A fonna
de manipulação do produto pode induzir a uma série de contaminações,
servindo como veículo de transmissão de agentes microbiológicos, que
provocam danos à saúde.
Entre os entrevistados, foram mencionados fatos de alguns de
seus lotes de palmito serem descartados pela fábrica grande, em
decoirência de sujeira na solução da conserva ou toletes escurecidos,
já em fase de degradação.
Foi observado também, ao longo dos rios percoiridos, que nos
airedorcs das fabriquetas acumulam-se restos das palhas das cabeças e
pontas de palmito. Todo esse resíduo em decomposição serve de
alimento aos animais domésticos (porcos, patos etc.), representando
uma importante e, muitas vezes, única alternativa alimentar.
Calzavara (1992) menciona que os resíduos provenientes da
retirada do palmito são aproveitados como ração para bovinos e suínos,
após a decomposição, além de servir como adubo orgânico para
hoilaliças c frutíferas.
271
liol. Mus. Para. Eiiiilio Gaeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
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274
CDD: 584.50981 131
582.01662
BIOLOGIA FLORAL DO INAJÁ - ATTALEA
MARIPA (AUBL.) MART. (ARECACEAE) EM
MANAUS, AMAZONAS, BRASIL
Eliana Ferncindez Storti'
Atílio Storti Fillio-
RESUMO - Attalea maripa é uma palmeira solitária e moiióica
conhecida popularmente no Brasil por inajá, inchami (Peru), cucurito
(Venezuela) entre outras denominações. É uma espécie amplamente
distribuída e de grande importância para as populações da Amazônia,
pelos seus frutos, folhas, brácteas e também pelo e.xcelente palmito. O
objetivo deste trabalho é conhecer biologia floral de A. maripa e
identificar entre os visitantes de suas inflorescências, quais são seus
possíveis polinizadores. Este estudo foi realizado na área da Estação
de Aquicultura do INPA, Manaus (3°05’46”S - 59°59'67” W) de 1989
a 1999, onde foram coletados dados de morfologia da flor,
receptividade do estigma, presença de osmóforos, reflexão de
ultravioleta, fertilidade dos grãos de pólen e animais visitantes. Estes
últimos foram capturados com o auxílio de sacos plásticos, eterizados
e fi.xados a seco para posterior identificação. /Ij inflorescências de
A. maripa foram visitadas por 103 espécies de insetos pertencentes
às seguintes ordens: Diptera, Hemiptera, Hymenoptera, Lepidoptera,
Orthoptera e Coleoptera que foi a mais frequente (74,80 %)
representada em 71,40 % pela família Nitidulidae. Os Curculionidae
representaram 1,82 % das visitas e os demais Coleoptera foram
distribuídos entre as famílias: Cerambicidae, Colydiidae,
Crysoinelidae, Citcujidae ( /,55 %). A. maripa pode ser considerada
uma espécie cantarófila (polinizada por besouros) onde os
Coleoptera da família Nitidulidae são seus prováveis polinizadores,
enquanto que os outros coleópteros podem ser considerados
polinizadores adicionais, devido à sua bai.xa freqiiência.
' INPA-liislitiito Nacional dc l’csi|iiisas da Amazônia. Coordenação dc Pesquisas em Ecologia.
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PALAVRAS-CHAVE: Amazônia, Cantarofilia, Inajá, Polinização.
ABSTRACT - Attalea maripa is a solitary and monoecioiis paliu tree
commonly known as inajá in Brazil, inclianü (Peru), cuca rito
(Venezuela) ainong otliers. It is a widely spread species, which is aiso
very econoniically iinportant for the Aniazonian native population,
on account of its friiits, Icaves, bracts plus first rate heart palin. The
aini of tlüs study is to know the flower biology of A. maripa and to
identify which are the possible pollinators ainong all the flowering
visitors. The present study was conducted in the area of the Estação
de Aquicultura do INPA, Manaus (3°05’46” S - 59°59’67" W) froni
1989 to 1999, where data were collected on the flower niorphology,
stigina receptivity, presenee of osmophores, ultra-violet reflection,
pollen grain fertility and visiting animais. The latter were captured
with the aid of, sterilised and dry fi.xed for later Identification plastic
bags. Flowerings of A. maripa were visited by 103 insect species
belonging to the following orders: Diptera, Hemiptera, Hyinenoptera,
Lepidoptera, Orthoptera and Coleoptera, which was the inost
frequent one, (74.80 %) represented on 71.40 % by the Nitidiilidae
fainily. Curciilionidae represented 1.82 % of the visits and the rest of
the Coleoptera were distributed ainong the fainilies: Cerainbicidae,
Colydiidae, Crysonielidae, Cucujidae ( 1.58 %). A. maripa has a
cantharophilous pollination syndroine (pollination by beetles).
Coleoptera of the Nitidididae fainily are its probable pollinators
while the other beetles inay be considered to be opportunist additional
pollinators on account of their low freqiiency.
KEY WORDS: Amazon, Cantarophily, Inajá, Pollination.
INTRODUÇÃO
O interesse na biologia da polinização é tão antigo quanto a
civilização do homem (Real 1983). A biologia floral vem sendo
estudada desde as pesquisas e observações de Christian Konrad
Sprengel contidas no seu livro The secret ofnatiire in the foriu and
feríilization of jlowers discovered, publicado cm 1793 (Pcrcival 1965)
c vem aumentando acentuadamente nos últimos 30 anos, como citado
por Kearns & Inouye ( 1 993).
Os estudos da polinização de palmeiras foram iniciados com
Martins ( 1 823) que analisou os efeitos do calor, odor e produção de
276
Biologia flora! do inajá - Allalea Maripa...
néctar nas inflorescências de palmeiras e concluiu que o primeiro
destes fenômenos atraía insetos, paiticularmente coleópteros da família
Curculionidae.
Muitos autores, como por exemplo Delpino (1870), Drude (1889)
e Kerner von Marilaun (1895) acreditavam que as palmeiras tinham
caractensticas de plantas polinizadas pelo vento (anemófilas). Henderson
(1986a) fazendo uma revisão dos trabalhos de biologia da polinização
das palmeiras verificou que existe uma grande diversidade no modo
de polinização nesta família, mas cantarofilia (polinização por besouros),
melitofilia (polinização por abelhas) e miiofilia (polinização por moscas)
são os que predominam.
Mais recentemente, Storti (1993) estudando a biologia floral
de Mauritia flexuosa na mesma área de estudo deste trabalho
verificou a ocorrência de cantaro filia para esta espécie de palmeira.
O mesmo foi encontrado por Jardim & Macambira (1996) para o
açaizeiro (Eiiterpe oleracea) na qual quatro espécies de Coleoptera
da família Curculionidae foram consideradas como prováveis
polinizadores. Küchmeister et al. (1998) estudando onze espécies
de palmeiras, entre elas duas de Attalea (A. attaleoides e A.
microcarpa) e nove de anonáceas que apresentam termogênese,
verificaram que a polinização por coleópteros foi a mais freqüente,
c que algumas espécies das duas famílias foram visitadas pelas
mesmas famílias de insetos, inclusive espécies de coleópteros. Ervik
& Barfod (1999) também verificaram que a termogênese está
amplamente distribuída nas palmeiras e que, com poucas exceções,
cia está associada à polinização por coleópteros.
Allalea maripa (Aubl.) Mart. pertence ã subfamília Arecoideae,
tribo Cocoeae, subtribo Attaleinae e tem como sinonímias A. ciyptaiilhera
Wess. Bocr, Maximiliaiui maripa (Aubl .) Di'udc e Maximiikma martuma
• I. Karst., entre outras. É uma palmeira das mais comuns cm florestas de
leira fimie, cm vegetação secundária c em savanas; espontânea cm áreas
277
BoL Mus. Para. Enülio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
degradadas abeitas, em solos arenosos ou argilosos. Ocoire na Venezuela,
Guianas, Bolívia e em todo o Brasil equatorial, tendo sua maior incidência
no estuário amazônico, onde parece ter tido sua origem (Cavalcante 1988;
Kahn & de Granville 1992; Lorenzi et cil. 1996). É conhecida
popularmente por inajá e anajá (Brasil), inchami e inayauca (Peru),
cucurito e uagua (Venezuela), huacava e motacusillo (Bolívia), guichire
(Colômbia), kokerite palm (Guiana), maripa (Guiana Francesa e
Suriname), aritá e aritaré pelos índios Mundurucus, entre outras
denominações (Kahn & de Granville 1992).
Afirma-se que a presença de A. maripa indica prévio assentamento
humano (Schulz 1960;Pesce 1985;Balée 1 988) e está freqüentementc
associada a sítios arqueológicos sobre solos bem drenados (Balée 1988).
Seus frutos e palmito são muito apreciados pelas comunidades locais e
suas folhas e caule são utilizados na construção de casas rurais e
artesanato popular (Vilhena-Potiguara et al. 1987; Oliveira et al. 1991;
Valente & Almeida 2001).
Já existe uma bibliografia extensa sobre a biologia floral de
algumas espécies de Arecoideae - Cocoeae (Shouldt & Mitchell
1967; Silberbauer-Gottsbcrger 1973; Syed 1979; Mora-Uipi & Solis
1980; Bullock 1981; Anderson 1983; Henderson 1986b; Listabarth
1 999, entre outros), mas são poucos os conhecimentos da biologia
floral de A. maripa. Macambira & Jardim (1997) estudando os
insetos visitantes das inflorescências do inajá, no município de
Igarapé-Açu (Pará), verificaram que os Coleoptera foram os mais
frequentes e os consideraram os possíveis polinizadores desta
espécie de palmeira.
O objetivo deste trabalho foi estudar os visitantes florais de A.
maripa por ser uma espécie vegetal de grandes potencialidades
econômicas c amplamcntc distribuída na região amazônica e, ainda,
identificar entre os animais visitantes, quais seriam seus prováveis
polinizadores na região de Manaus, Amazonas.
278
Biologia floral do inajá - Allalea Maripa...
METODOLOGIA
O estudo foi realizado nas dependências da Estação de Aqüicultura
do INPA, Manaus (3°05’46” S - 59°59’67” W) em outubro de 1988,
março de 1990, outubro de 1995, setembro de 1998 e setembro de
1999, em oito inflorescências de cinco plantas deAttalea maripa.
As observações foram feitas das 07h00 às 22h30 durante o período
de floração das plantas em estudo. Para uma melhor observação dos
eventos florais foram construídas escadas de madeira, com platafoiTnas
próximas às inflorescências.
Os métodos empregados são os usuais em trabalhos de ecologia
da polinização, em que são identificados as plantas e os visitantes florais,
os recursos oferecidos, o comportamento dos visitantes, entre outros
(Baker & Hurd 1968; Keams & Inouye 1993).
A morfologia das flores foi determinada com o auxílio de um
microscópio estereoscópico binocular e através de fotografias.
Os osmóforos foram detectados utilizando-se vermelho-neutro
segundo Vogei (1962). Dados sobre a reflexão de luz ultravioleta nas
flores foram obtidos utilizando-se hidróxido de amónia (Gertz 1938).
Lâminas do pólen da planta foram montadas segundo o método
de acetólise de Erdtman, modificado por Salgado-Labouriau (1971)
para posterior identificação.
Foram coletados grãos de pólen de anteras rccém-abertas, de
anteras abertas há um dia c aqueles encontrados no solo, trazidos pela
ação da gravidade c da atividade dos insetos visitantes, para testes de
fertilidade, utilizando a técnica do azul de algodão cm lactofenol,
segundo Radford ct al. (1974).
As coletas dos insetos visitantes foram realizadas das ()8hü() às
22h()(), de hora cm hora, com o auxílio de sacos plásticos, para envolver
Ioda a inflorcscência no horário da coleta. No laboratório, os insetos
279
liol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
foram triados, fixados a seco e mantidos em caixas de madeira, para
posterior identificação através de comparações com a coleção
entomológica do INPA e também por especialistas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Caracterização da planta
O inajá é uma palmeira solitária, monóica de 5 a 7 metros de altura.
As plantas observadas apresentaram, em média, cinco inflorescências.
Nas oito inflorescências observadas foi verificado que o ráquis possui
em média 1 m de comprimento. Seis das inflorescências apresentaram
uma média de 3 19 ráquilas de aproximadamente 10 cm, as quais surgem
a partir de 27 cm da base do ráquis. Em cinco delas, foi encontrada uma
média de 138 flores estaminadas por ráquila, com uma estimativa de
cerca de 44000 flores masculinas por inflorescência; na sexta
inflorescência foram observadas 6 ráquilas com 1, 2, 3 ou 5 flores
femininas e 16 ráquilas com 1 flor feminina abortada. As outras duas
inflorescências apresentaram 530 ráquilas com uma média de 7 flores
femininas por ráquila (variando de 1 a 1 1 flores) e uma média de 90
flores masculinas por ráquila. Nela, o total de flores femininas foi de
3852 c o de masculinas foi estimado em 47700. As flores femininas,
quando presentes, encontram-se mais próximas ã base das ráquilas.
As flores estaminadas (masculinas) são de cor amarelo-claro a
bege, de 10a 12 mm de comprimento, sésseis, com 3 sépalas distintas,
3 pétalas lanceoladas mais longas do que as sépalas, 6 estames muito
conspícuos, de filamentos delgados e anteras dorsifixas. As flores
pistiladas (femininas) são arredondadas, de cor amarelo-claro a
ligeiramente esverdeadas, de 20 a 22 mm de diâmetro, com 3 sépalas,
3 pétalas c 3 estigmas elongados (Figura 1 ).
Nas inflorescências de A. maripa estudadas constatou-se a presença
de inflorescências com ráquilas exclusivamcntc masculinas (5),
predominanlemcnle masculinas (1) e andróginas (2). Cravo (1998)
2<S()
Biologia Jloral do inajá - Atlalea Maripa...
observando a produção de inflorescências em 5 1 indivíduos de A. maripa
verificou a ocorrência, além destes três tipos, de inflorescências
predominantemente femininas. Verificou, ainda, que nos quatro primeiros
meses foram produzidas inflorescências masculinas e, somente no quinto
mês, é que abriram espatas de inflorescências predominantemente
femininas e andróginas, e que em um indivíduo as exclusivamente
masculinas antecedem aos demais tipos. Provavelmente cinco das
inflorescências estudadas eram provenientes de plantas que estavam
produzindo sua primeira floração. É característico das Attaleinae
inflorescências de mais de um tipo na mesma planta, andróginas e
estaminadas ou algumas vezes também pistiladas (Uhl & Dransfield 1987).
I-igiira 1- Detalhe de parte da inflore.seência de Atlalea imiripa (Aubl.) Mart. a)
llures pistiladas (femininas), b) llores estaminadas (masculinas).
A proporção de flores tnasculinas pant llores femininas encontrada
iia itiflorescência andrógina de A. maripa loi de 12 : 1. Em paltiiciras
motióicas e dióicas, as proporções de flores tnasculinas c femininas
são difíceis de determinar, devido ã variação dentro c entre
2cSI
Hol. Mus. Para. Emílio GoeUli, ser. Boi. 18(2), 2002
inflorescências individuais. Essa proporção pode estar influenciada por
fatores nutricionais, como ocoire para algumas espécies de Elaeis, em
que a proporção de flores femininas para flores masculinas é dependente
do balanço de carbono/nitrogênio em toda a palmeira (Tomlinson 1990).
As flores pistiladas de A. imiripa têm um tamanho duas vezes
maior do que as estaminadas. A diferença no tamanho de flores
masculinas e femininas em espécies monóicas é muito complexo,
porque pode existir uma “competição” por um mesmo recurso em uma
mesma inflorescência (Tomlinson 1990). Mais estudos devem ser
elaborados para verificar quais seriam os fatores, tanto para tamanho
como também para quantidade, que estão influenciando a produção de
flores masculinas e femininas em A. nuiripa.
Como uso do vennclho-ncutro foi verificadoque as flores masculinas
ficaram coradas apenas no ápice das anteras, e nas flores femininas o
estigma ficou bem corado c também alguns locais do cálice e da corola,
dctcctando-se aí a presença de osmóforo (células produtoras de odor).
Utilizando-se o hidróxido de amónia, verificou-se que as flores
estaminadas de A. maripa ficaram bem coradas, ocorrendo,
portanto, reflexão de luz ultravioleta. Nestas flores, as abelhas
provavelmente estão sendo atraídas pelo estímulo visual e o recurso
procurado são os grãos de pólen. Já as flores femininas ficaram
ligeiramente coradas, o que indica que quase não ocorre reflexão
de luz ultravioleta e, desta forma, outro estímulo está atraindo os
visitantes a estas flores.
Pode-se dizer que a atração às flores de A. maripa se faz pelo
estímulo olfativo c que o estímulo visual ocorre apenas para as flores
estaminadas. Este fato também foi observado por Storti (1993 ) em
Maiiritiajlexiiosa.
Certas características influenciam a atrati vidade de uma flor para
seu polinizador potencial. Entre elas, estão a cor, a textura da superfície,
forma, aioma, entre outras (Proctor &Yeo 1 972). Como recurso floral.
282
Biologia floral do inajá - Allalea Maripa...
as palmeiras oferecem aos seus visitantes pólen e néctar e suas
inflorescências podem fornecer proteção, local de acasalamento e de
nutrição para larvas de insetos (Tomlinson 1990).
Os grãos de pólen são de aproximadamente 60 pm, elípticos,
monosulcados e de exina reticulada. Utilizando-se o azul de algodão foi
verificado que a viabilidade dos grãos de pólen foi de 97 %, 98 % e 84 %,
respectivamente, para o momento de abertura das anteras, com um dia de
abertas e nos grãos coletados no solo (apesar da pequena quantidade).
De acordo com a classificação de Erdtman (1952) os grãos de
pólen de A. maripa são considerados de tamanho grande, pois estão
no intervalo de tamanho de 50 a 100 pm e pertencem ao grupo III
(Salgado-Labouriau 1971). Quase que a totalidade dos grãos de pólen
estão viáveis no momento da abertura e um dia após a abertura das
anteras. Storti (1993) verificou uma taxa um pouco menor para
Maiiritia flexuosa (aproximadamente 80 %), mas após duas horas,
esta taxa caía para 7 %.
Biologia floral
No dia anterior ã abertura da bráctea, foi observada a presença de
diversos indivíduos de Trigoiia (71) cfr. branneri (Cock 1912) raspando
a bráctea extemamente.
Primeiro dia: por volta das 17h30 a espata começa a abrir e as
anteras começam sua deiscência. As anteras abrem, longitudinalmente,
do ápice para a base. Às 17h45 foram observados diversos indivíduos
<Jc Trigona (T.) cfr. branneri cApis mellifera scntellata (Lepeletier
1836) coletando pólen. Por volta das I9h a bráctea apresenta uma
abertura de 1 cm, as abelhas estão ausentes e são observados diversos
insetos SC aproximando.
Segundo dia: pela manhã a abertura da bractea c de 2,5 cm c as
abelhas continuam a coletai' o pólen durante todo o dia até as 19h,
‘'Pioximadamcntc.
283
Boi, Mus. Para. Emílio Gocldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Terceiro dia: as inflorescências podem ou não ficar completamente
expostas com a abertura da espata (inflorescências exclusivamente
masculinas). As anteras encontram-se secas e as abelhas estão ausentes.
A Tabela 1 apresenta o número de espécies visitantes, o número
de indivíduos durante os três dias de abertura da espata e o total de
animais visitantes das inflorescências de A. nuiripa. O horário de maior
frequência de visitas foi entre 18h e 19h sendo encontrado um total de
103 espécies.
A ordem Coleoptera foi a mais frcqüente, com 48 espécies
(74,80% do total de indivíduos coletados); representada em 71,40%
pela família Nitidulidae, em que seus membros podem ser considerados
os polinizadores efetivos de A. maripa. Os outros coleópteros ficaram
distribuídos entre as famílias Ccrambicidac, Colydiidac, Crysomelidae,
Cucujidae, Curculionidae, Passalidae, Scarabaeidae, Scolytidae,
Staphilinidae e Tenebrionidae. Henderson (1986a) verificou que os
besouros polinizadores de palmeiras são, de um modo geral,
pertencentes às famílias Nitidulidae c Curculionidae e que aparecem
confinados às flores masculinas, sendo geralmente de vida curta e
dispensáveis quando terminada a produção de pólen.
Tabela 1 - Visitantes das inflorescências de Alialea nuirípa (Aubl.) Mart (N = 8).
Número de espécies, número de indivíduos durante os três dias de abertura da bráctea,
e total de indivíduos, número (n°) e porcentagem (%).
Ordem
Família
Espécies
Indivíduos
Total de
indivíduos
%
l°dia
2° dia
3° dia
%
Hymenoptera
22
(21,4)
2243
19.30
443
4616
(10,0)
Diptera
26
(25,2)
5071
1455
.381
6907
(15,0)
Coleoptera
48
(46,6)
23266
8659
1535
.34460
(74,8)
Nitidulidae
4
22849
7997
2045
.32891
Curculionidae
14
240
386
214
840
Outras
.K)
177
276
276
729
Outros
7
(6,8)
10
6
C)8
84
(01)
TOTAL
103
30590
12050
.3427
46067
284
Biologia floral do inajá - Allalea Maripa...
Das 22 espécies de Hymenoptera, 7 são da família Apidae, 6
da família Formicidae e 9 pertencentes a outras famílias de
Hymenoptera, com 10,02% do total de indivíduos coletados. Dentre
as Apidae foram coletadas apenas fêmeas de Apis mellifera
sciitellata; Trigona (T.) cfr. branneri; Partamona aff. cupira,
Melipona seminigra merrillcie Cock., 1919; Augochloropsis sp.;
Frieseomelitta sp. e Melipona compressipes manaosensis (Schwartz,
1932). As abelhas ocorreram, predominantemente, nos dois
primeiros dias de abertura da bráctea. Apesar delas estarem presentes
nas inflorescências exclusivamente masculinas coletando pólen, nas
inflorescências predominantemente masculinas e andróginas além
do pólen, elas andavam sobre as flores femininas raspando a
superfície da corola, provavelmente coletando o pólen caído das
anteras. Portanto, podemos considerá-las “ladras de pólen”, pois
não estão participando efetivamente da polinização.
Dentre os Diptera, estiveram presentes as seguintes famílias:
Calliphoridac, Drosophilidae, Muscidac, Phoridac e Sphaeroceridae, e
a porcentagem total de indivíduos foi de 15%. Eles ocorreram,
piincipalmente, no primeiro dia de abertura da bráctea e na inflorescência
andrógina não foi constatada sua presença. Estes resultados estão de
acordo com os obtidos por Henderson (1986a), em que os Diptera que
polinizam palmeiras aparecem entre três gaipos; Calliphoridac, Syiphidae
c Drosophilidae, que parecem ser atraídos para alimentaçaoe reprodução.
Entre os outros visitantes das inflorescências de A. maripa
encontram-sc insetos das ordens Hemiptera, Lepidoptera c Orthoptera
c outros artrópodos, Chilopoda c Arachnida (Acari, Araneida e
Chcloncthida).
Muitos dos animais visitantes de A. maripa sao pequenos, o que
riiliculta sua identificação c a I inalidade da sua visita, se estão obtendo
>'ccui'sos das flores ou se estão presentes para acasalamento, oviposiçao
proteção.
285
Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi. 18(2), 2002
O grande número de besouros que visitaram as inflorescências de
A. maripa para acasalamento e oviposição resultou no grande número
de ovos e larvas encontrados nas amostras a partir das 1 8h do segundo
dia de abertura das brácteas. Em Astrocaryuin cf. gratwn, Desmonciis
cf. mitis e em espécies de Bactris, os besouros Curculionidae e
Nitidulidae, que polinizam estas palmeiras, reproduzem-se nas flores
masculinas, desenvolvendo uma estratégia de polinização muito
complexa (Listabarth 1992).
As flores de A. maripa possuem cores de amarelo-claro a
esverdeado, um aroma agradável e uma grande quantidade de grãos
de pólen produzidos por anteras extremamente expostas. Estas
características estão de acordo com Faegri & Pijl (1979) que
consideram flores de cores apagadas, freqüentemente esverdeadas
ou esbranquiçadas, odor forte, atrativos abertos, facilmente expostos
(pólen, néctar) como uma das características da síndrome de
cantarofilia. Portanto, conclui-se que A. maripa pode ser considerada
uma espécie cantarófila, da qual os Coleoptera da família Nitidulidae
são seus prováveis polinizadores.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Francisco J. Aguilera Peralta e Dr. José Albertino Rafael
(CPEN-INPA) e a Dra. Nair Otaviano Aguiar (UA), pela identificação
dos insetos, ao Dr. Antônio Carlos Marques Souza (CPBO-INPA),
pela ajuda para a confecção das lâminas de pólen, Dra. Elisiana
Pereira de Oliveira (CPEC-INPA) pelo apoio, a Sérgio Fonseca
Guimarães (CPAQ-INPA) pelas sugestões ao manuscrito c a todo o
pessoal da CPAQ-INPA, pela colaboração no desenvolvimento do
trabalho de campo.
286
Biologia /loml do inajá - Atlalca Maripa...
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Recebido em: 03.09.01
Aprovado em: 28.06.02
289
CDD: 583.42
MELASTOMATACEAE JUSS. DE VEGETAÇÃO
SECUNDÁRIA (CAPOEIRA), NO DISTRITO DE
TIJOCA, BRAGANÇA, PARÁ
Antônio EUelson Sousa da Rocha'
Manoela Ferreira Fernandes da Silva'
RESUMO — São estudadas as espécies da família Melastoinataceae
de floresta secundária (capoeira), ocorrentes no distrito de Tijoca,
Bragança, Pará. A família está representada nesta área por oito
gêneros e 13 espécies. São apresentadas chaves de identificação
para gêneros e espécies, descrições, ilustrações e distribuição
geográfica dos táixons estudados.
PALAVRAS-CHAVE: Taxonomia, Melastoinataceae, Floresta
secundária.
ABSTRACT - The results of a study of the genera and species of
Melastoinataceae occurring in secondary forests (capoeiras) in the
District of Tijoca, Bragança, Pará, are presented. In this area, the
family is represented by eight genera and 13 species. Included are
keys identiflcation for genera and species, descriptions, illustrations
and geographic distributions of the studied ta.xa.
KEY WORDS: Taxonomy, Melastoinataceae, Secondary forests.
INTRODUÇÃO
O distrito de Tijoca, bem como toda a Zona Bragantina no
nordeste paraense, é constituído, em sua maioria, por florestas
secundárias (capoeiras) de diversas idades. Dentre os vários níveis
' I’K/MCT-lV1uscu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Itolâniea. liolsisla DCR/CNPq. Av.
Perimetral, 1901. Caixa Postal 399. CEP 66017-970, Heléni-PA. aelielson@hol.com.hr
HIFRA-Universidade Federal Rnral da Amazônia. Professora visitante; MCT/Miiscu Paraense
Emílio Goeldi/Coordenação de Hotánica. Pesí|isadora bolsista. Av. Perimetral. 1901. Caixa
Postal 399, CEP 66017-970. I?clém-PA, manocla@miisen-goeldi.br
291
Dol. Mus. Para. Emílio GoeUli, scr. Bot. 18(2), 2002
sucessionais, é observada uma nítida diferença florística com
espécies ou famílias características (Almeida & Vieira 2001).
Melastomataceae é uma delas, representada na sua maioria por ervas
e arbustos, sendo que algumas de suas espécies, neste tipo de
ambiente, criam mecanismos de reprodução adequados (Renner
1984 //! Baumgratz & Silva 1988), o que permite a abundância
de indivíduos, tornando-as um componente característico desta
vegetação.
O conhecimento desta família poderá contribuir para futuros
sistemas de manejo para a produção de mel, haja vista que, nas
análises melissopalinológicas do mel de Apis mellifera L. nessas
áreas, a família é citada entre as mais visitadas por abelhas sociais,
tanto em número de indivíduos quanto de espécies (Gonçalves et
al. 1996), e nas amostras de mel, seus pólens estão presentes durante
todo o ano (Guibu et al. 1988).
Para o manejo, as características morfológicas peculiares da
família facilitam a sua identificação, seja pela nervação curvinérvea
das folhas ou pela morfologia dos estames (Lawrence 1977). No
entanto, a separação de gêneros e espécies é mais difícil devido ao
grande número de gêneros mal delimitados (Barroso 1984).
A família está constituída por 4.200 a 5.000 espécies,
distribuídas em 185 gêneros e 1 1 tribos (Renner 1993); na flora
brasileira, ela está representada por 69 gêneros c cerca de 1500
espécies (Baumgratz 1983).
Em vista da carência de estudos taxonômicos cm
Melastomataceae do estado do Pará, as informações sobre tal família
provém, sobretudo, de listagens. Visando a ampliar os
conhecimentos a respeito deste grupo, foi realizado o presente
estudo, tendo o distrito de Tijoca, no município de Bragança, como
área inventariada.
292
Melasloiiiataceae ju.s.s. de vegetação secundária...
MATERIAL E MÉTODOS
O distrito de Tijoca, localizado a leste do município de Bragança
(PA), está inserido na antiga área da colônia de Benjamin Constant,
distando cerca de 20 km da sede do município (Figura 1).
As coletas foram realizadas em três pontos do distrito: em uma
área de aproximadamente 300 ha., na comunidade de EnfaiTusca; na
unidade agrária do senhor Manoel Horácio e no trecho entre o rio Tijoca
e a estrada do Km 29 (Figura 1).
O material coletado foi prensado, processado e incorporado ao
acervo do herbário do Museu Paraense Paraense Emílio Goeldi (MG).
A identificação das espécies foi baseada em literatura
especializada e por comparação com material de herbário.
Para as descrições e ilustrações foram usados, além do material
coletado, estruturas conservadas em meio líquido e material herborizado.
A terminologia adotada está baseadaem Wurdack (1962), Bairoso
(1984) eWurdack (1986).
CHAVE PARA OS GÊNEROS
1 . Flores tetrãmeras
2. Estames 5, férteis, alternados
por cinco estaminódios 8. Rhynchanthera
2. Sem essa característica
3. Pétala obovada 7. Pterolepis
3. Pétala lanceolada
4. Cálice com lobos dentados 1 Aciolis
4. Cálice com lobos lanccolados
5. Folha com base atenuada, hipanto glabro 3. Comolia
5. Folhacom Lxuse aircdondada, hipanto piloso 6 . Nepsera
293
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. A/íu. Para. Eiiiílio Gocicli, sér. Bot. 18(2), 2002
I^igura 1 - Mapa de localização da área.
294
Melastomataceae juss. de vegetação seeiindária...
1 . Flores pentâmeras
6. Inflorescência caulinar. 4. Henríettea
6. Inflorescência não caulinar
7. Inflorescência teiminal 5. Miconia
1. Inflorescência axilar ou subteiminal 2. Clicleniia
DESCRIÇÃO DOS TÁXONES
l.Aciotis D. Don
Áciotis indecora (Bonpl.) Triana, Trans. Linn. Soc. London 28: 52.
1871. (Figura 2)
Rhexia indecora Bonpl., Rhex. 131. Pl. 49. 1823.
Erva de 80 cm de altura, ereta; ramos, pecíolos, eixo da
inflorescência e hipanto esparsamente recobertos por tricomas simples,
glandulares; pecíolos 2,5-3 cm de comprimento, lâmina foliar 5-8 cm
de comprimento, 2,5-4 cm de largura, ovada ou ovada-oblonga, base
aiTedondada ou levemente cordada, ápice agudo, acuminado, margem
inteira, 5-nervada, as nervuras laterais pouco visíveis, com tricomas
simples, glandulares, em ambas as faces. Inflorescência terminal I5cm
de comprimento; bractéolas caducas; flores brancas, 7-8 cm de
comprimento, tetrâmeras, cálice 3,5-4 mm de comprimento com lobos
dentados, pétalas 2, 5-2, 8 mm de comprimento, lanceoladas com uma
fileira central de tricomas simples glandulares, na face inferior; estames
8, antera 1,4- 1,6 mm de comprimento, puipúreas, filete 2-2,3 mm de
comprimento, ápice curvado; ovário 1 ,5-2 mm de comprimento, com
tricomas simples glandulares no ápice, estilete 5,5-6 mm de
comprimento, levemente curvado, ultrapassando os estames.
Distribuição: Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e America
Central.
Material examinado: BRASIL, Pará: Vizeu, 11/1979, J.M. Pires et al.
11 (lAN); Benevides, 24/1/1979, T. Plownum et al. 8062, 11 (MG);
295
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2), 2002
Figura 2 - Acioíis iiulccora . A: Ramo com inriorescência; B; Flor; C: Gineceu; D:
Base da follia; E: Pétala; F: Estame (A.E.S. Rocha SS).
296
(U uj
Melastoniataceae jiiss. de vegetação secundária...
Bragança, 1 l/X/1979, J. Jangoux 1208 & M.F. Silva, fl. (MG);
Bragança, Tijoca, 20/VI/2001, A.E.S. Rocha 105, fl. (MG);
Amapá; Macapá, Piaçacá, 17/X/1980, B. Rabelo 679, fl. (MG);
SURINAME, Distr. Nickerie: Area of Kabalebo Dam Project, 16/
IX/1980, J.C. Lindemam et al. 399, fl. (MG).
l.Clidemia D. Don
Chave para as espécies:
1 . Eixo da inflorescência constituído de poucos nós, flores inseridas em
um par de bractéolas bífidas 2.2. C. capitellata
1 . Sem essas earacterísticas
2. Lacínia externa curta, ovário com ápice piloso 2.1. C. bullosa
2. Lacínia externa longa, ovário com ápice glabro 2.3. C. hirta
2.1. Clidemia bullosa DC., Prodr. 3: 158. 1828. (Figura 3).
Arbusto de 50 cm de altura; ramo e pecíolo densamente recobertos
por tricomas estrelados, entremeados por simples, alongados, esparsos;
pecíolo 1,5-2, 5 cm de comprimento; lâmina foliar 7-12 cm de
comprimento, 4-6 cm de largura, densamente revestida por tricomas
estrelados na face inferior e simples alongados, esparsos, entremeados
por estrelados na face superior, 5-nervada, com as nervuras laterais
pouco visíveis, margem levemente crenulada, ci liada, ápice acuminado,
base anedondada. Inllorescência axilar, com eixo densamente recoberto
por tricomas estrelados entremeados por simples alongados; bractéolas
persistentes; ílores 8-9 mm de comprimento, brancas, pentâmeras, cálice
1 ,8-2,2 mm de comprimento, lacínias curtas, com ápice ciliado, pétalas
oblongas, 2,5-3 mm de comprimento, glabras, ápice arredondado,
apicLilado; antera 1,3- 1,5 mm de comprimento, branca; filete 1,2- 1,4
mm de comprimento; ovário 2 mm de comprimento, ápice piloso;
esti lete reto, 3-3,5 mm de comprimento, estigma capitado.
297
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2). 2002
Figura 3 - Clidciiiid huUosa. A: Ramo com iiifloresccncia; I?: Flor; C; Pétala;
D: Estame; Eillipanto; F‘: Corte da flor. (A.E.S. Rocha 70).
298
2 mm
Melaslomalareae jiiss. de vegetação secundária...
Distribuição: Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Guiana Francesa,
Equador, Peru e Bolívia.
Material examinado: BRASIL. Pará: Bragança, 8/IV/1980,
G. Davidse etal. 18066, fl. (MG); Bragança, Tijoca, Enfairusca,
17/III/2001, A.E.S. Rocha 70, fl. (MG); Amazonas: rio Negro, V/
1980, M. Goiilcling 2204, fl.(MG); Acre: Cruzeiro do Sul, 08/11/
1976, R Monteiro & C. Danüão 185, fl. (MG).
2.2. Clideniia capitellata (Bonpl.) D. Don., Mem. Wem. Nat. Hist.
Soc. 4(2): 310. 1823. (Figura 4).
Melastoma capitellatwn Bonpl., Monogr. Melast. 1 : 5-6, t. 3. 1806.
Arbusto de 60 cm de altura, ramos., pecíolos e eixo da
inflorescência, densamente recobertos por tricomas estrelados menores,
entremeados por simples, alongados e esparsos; pecíolo 1,5-2 cm de
comprimento; lâmina foliar 6-12 cm de comprimento, 4-6 cm de largura,
recoberta por tricomas simples, esparsos na face superior e estrelados,
condensados, pouco conspícuos, entremeados por simples alongados
e esparsos na face inferior; 5-nervada, as laterais pouco visíveis, margem
levemente crenulada, ci liada, ápice acuminado, base airedondada ou
levemente cordada. Inflorescência axilar, 5-10 cm de comprimento,
eixo constitu‘í'do de poucos nós; flores sésseis, brancas, pentâmeras,
1-3 por pedicelo, 4,5-5 mm de comprimento, inseridas em um par de
bractéolas bífidas, ciliadas; hipanto 2 mm de comprimento, globoso,
piloso, cálice com lacínias internas triangulares, com a face interna
glabi-a e a externa recoberta por tricomas simples alongados e estrelados
a externa com prolongamento ciliado, glabro na face interna; pétala
3 mm de comprimento, obovada, glabra, ápice levemente agudo,
apicLilado, anteras 1,8-2 mm de comprimento, brancas; filete 2 mm de
comprimento; ovário 1 ,6- 1 ,8 mm de comprimento, ápice com tricomas
simples, glandulares; estilete 3 mm de comprimento, reto, estigmas
glandulares. Fruto ovado recoberto por tricomas simples e estrelados
esparsos, roxo enegrecido, cálice persistente.
299
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mi/.v. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 4 - Clideniia capitcllata. A: Ramo com inílorcsccncia; B: Brácleas florais
C: Estame; D: Pétala; E: Corte do hipanto; F: Flor [A.E.S. Rocha 76).
3()()
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
2 mm
Melastomataceae juss. de vegetação secundária...
Distribuição; do Brasil até o México.
Material examinado; BRASIL, Pará; Breves, 21/IX/1968, R Cavalcante
2003, fl. (MG); Bragança, 8/IV/1980, G. Davidse etal. 18065, fl.
(MG); Bragança, Tijoca, Enfaniisca, 17/III/2001,/1i.£’.5. Rocha 76,
fl. (MG); Amazonas; rioPums, 1 lA^II/1971, G. Pranceetal. 14116,
fl. (MG); GUIANA FRANCESA, Cayena; Roche Koutou, 18/VIII/
1987, J. Granville et al. 9445, fl. (MG).
2.3 Clidemia lürta (L.) D. Don., Mem. Wem. Nat. Hist. Soc. 4; 309.
1823. (Figura 5).
Melastoma hirtwn L., Sp. Pl. 1; 390. 1753
Arbusto de 1 ,5 m de altura, ramos e pecíolos densamente recobertos
por tricomas estrelados, entremeados por simples, alongados, esparsos;
lâmina foliar 7-15 cm de comprimento, com ambas as faces recobertas
por tricomas simples, alongados, esparsos e estrelados somente nas
nervuras, 7-nervada, com as nervuras laterais pouco visíveis, margem
crenulada, ciliada, ápice acuminado, base airedondada ou levemente
cordada. Inflorescência axilar, raramente subterminal, 2,5-4 cm de
comprimento; flores 1,2-1,5 cm de comprimento, brancas, pentâmeras;
cálice 4-5 mm de comprimento, lacínia interna pouco conspícua e a externa
alongada, ciliada; hipanto recoberto por tricomas simples alongados e
estrelados; pétala 3 mm de comprimento, glabra, oblongo-obovada, ápice
arredondado; antera 3-3,5 mm de comprimento, branca, filete 3 mm de
comprimento; ovário 1-1,2 mm de comprimento, ovado, glabro; estilete
2,5-3 mm de comprimento, inclinado.
Distribuição; Neotropical.
Material examinado; BRASIL. Pará; Pau D’ arco, 13/V/ 1997, J.
Grof>an 272, fl. (MG); Bragança, 8/IV/1980, G. Davidse et al.
18043, fl. (MG); Bragança, Tijoca, 10/11/2001 , A. Rocha 33,
fl. (MG); Amazonas; Rio Javari, 23/X/1976, G. Prance et ai
24065, fl. (MG); Maranhão, Santa Helena, 12/VII/1978,/V. Rosa
2680 N O. Cardoso, fl. (MG).
301
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mu.'!. Para. Emílio Goeldi, .sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 5 - CUdenüa hirta. A: Ramo com inflorescência; B: Corte da flor com
exclusão das pétalas; C: Flor; D: Pétala; E: Estame. (A.E.S. Rocha 4S).
302
2 m m
Melasloiitalaceae juss. de vegetação secundária...
3. Comolia DC.
ComoUavillosa (Aubl.)Triana,Trans. Linn. Soc. London 28: 37. 1871.
(Figura 6).
Rliexia villosa Auh\., Hist. Pl. Guiana 334, t. 129, 1775.
Erva de 40 cm de altura, ramos avermelhados, com tricomas
simples esparsos; lâmina foliar obovado-elíptica, 1-2 cm de
comprimento, 0,5-1 cm de largura, com tricomas simples esparsos
na face inferior e glabrescentes na superior, margem serrilhado-
ci liada, base atenuada com tricomas simples na inserção do pecíolo,
ápice agudo ou levemente arredondado, 3-nervada. Inflorescência
1-3 flores terminais ou axilares; flores 1,8-2 cm de comprimento,
tetrâmeras, brancas; cálice 6-8 mm de comprimento, lobos verdes,
lanceolados, ciliados; hipanto glabro; pétalas 1-1,2 cm de
comprimento, glabras, oblongo-lanceoladas, ápice agudo; estames
8, antera 4-4,5 mm de comprimento, purpúrea, filete 5-6 mm de
comprimento; ovário 1,8-2 mm de comprimento, glabro,
arredondado, estilete 1-1,2 cm de comprimento, reto, delgado.
Distribuição: Brasil, Trinidad, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Material examinado: BRASIL, Pará: Marapanim, Vila de Marudá, 25/
IX/2000,R.S.F Sarqiiis et al. 39, fl. (MG); Maracanã, Ilha de Algodoal,
3/VII/1992,L. Carlos et al. 539, fl. (MG); Santa Isabel, 12/VII/1973,
A.M. Coute Leite 11, fl. (MG); Bragança, Tijoca, Estrada entre o no
Jandiá e o Km 29, 10/11/200 1 , A.E.S. Rocha 31, fl. (MG).
303
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mu.':. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 7 - Ucuriettea .'iuccosa. A: Ramo; B: Inflorcscência; C; Corte da flor
com exclusão das pétalas; D: Pétala; E; Gineceu; F: Base da folha; G: Estame
(A.E.S. Rocha 47).
306
Melaxtomalaceae jiisx. de vegetação secundária...
5. Miconia Ruiz & Pav.
Chave para as espécies:
1. Ramos quadrangulares, folhas sésseis 5.1. M. alata
1 . Ramos cilíndricos, folhas pecioladas
2. Ramos recobertos com indumento pubérulo-estrelado
5.3. M. eriodonta
2. Ramos glabros
3. Lâmina com margem ciliada e base cuneada 5.2. M. ciliata
3. Lâmina com margem glabra e base arredondada
5.4. M. mimitiflora
5.1. Miconia alata (Aubl.) DC., Prodr. 3: 184. 1828. (Figura 8).
Meslastoma alata Aubl., Pl. Guiane 410, pl. 158. 1775.
Arbusto 1,5-2, 5 m de altura; ramos quadrangulares, alados,
revestidos por tricomas ferrugíneo-estrelados; folhas sésseis, lâmina
foliar 10-20 cm de comprimento, 8-10 cm de largura, elíptica, ápice
agudo, base atenuada, margem inteira, 6-nervada, com as nervuras
laterais pouco visíveis. Inflorescência terminal, 10-12 cm de
comprimento; flores 1 cm de comprimento, brancas, sésseis,
pentâmeras; pétalas 4-4,5 mm de comprimento, glabras, ápice
assimétrico; cálice 3,5-4 mm de comprimento, lobos dentados, hipanto
globoso, com tricomas iguais aos do ramo; estames 10, anteras
3,5-4 mm de comprimento, brancas, filete 4-4,5 mm de comprimento;
ovário 2 mm de comprimento, ápice glabro; estilete 5-6 mm de
comprimento, reto.
I)i.slril)uiçã(): Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Guiana Francesa,
Equador e Peru.
Material e.xaminado: BRASIL, Pará: Bragança, Tijoca, 2/X/ 1999,
E.S.G. Júnior 13, 11. (MG); Bragança, 8/X1I/1975, E. Oliveira
307
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 8 - Miconia alatii.A: Ramo com inllorescência; B: Segmento do caule;
C: Pétala; D: Flor com exclusão das pétalas; E: Base da folha; F: Estame; G: Corte
do hipanto {E.S.G. Júnior 13).
308
2 mm
Melasloinataceae juss. de vegetação secundária...
6372, fl. (MG); ilha de Marajó, 19/X/1984, G.L. Sobel et al.
4722, fl. (MG); Amapá: Porto Platon, \3IXJ\916,B.G.S.Ribeiro
1471, fl. (MG).
5.2. Miconia ciliata (Rich.) DC., Prodr. 3: 179. 1828. (Figura 9).
Meslatoma ciliata L. Rich., Act. Soc. Hist. Nat. Paris 1792:
109. 1792
Arbusto até 2 m de altura; ramos, pecíolos, eixo da inflorescência
e hipanto, glabros, esverdeados; pecíolos 2-2,5 cm, com tricomas
simples; lâmina foliar 10-15 cm de comprimento, 4-6 cm de largura,
elíptico-lanceolada a oblongo-lanceolada, base cuneada, ápice agudo
a acuminado, margem ciliada, inconspicuamente serrilhada,
3-5-nervada, ambas as faces glabras. Inflorescência teirninal, brácteas
e bractéolas caducas; flores 7-8 mm de comprimento, brancas, sésseis,
pentâmeras, cálice 4-5 mm de comprimento, lobos dentados, pétalas
3,5-4 mm de comprimento, brancas, ápice truncado; estames 10,
anteras 2-2,2 mm de comprimento, purpúreas, filete 6-7 mm de
comprimento; ovário 1-1,5 mm de comprimento, glabro, estilete
3,5-4 mm de comprimento, ápice curvado.
Distribuição: Brasil, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Colômbia,
Equador, feru, Bolívia, até o México.
Material examinado: BRASIL, Pará: Bragança, 1 l/X/1979,y. Jangoux
1182 & M.F. Silva, fl. (MG); Bragança, Tijoca, entre o rio Jandiá
e o Km 29, 20/ V 1/2001, A. A. 5. Rocha 106, fl. (MG); Amapá:
Macapá, 16/X/1980, B. Rabelo 661, 11. (MG); Roraima: Vila
Pacaraima, 1 7/X/ 1 99 1 , S. Almeida 496 & M. Cordeiro, fl. (MG);
Maranhão : Alcântara, 17/X/ 1995, A. Araújo 15 & S.J.M.
Gom^alves, fl. (MG).
309
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 9 - Micouia ciliciia. A: Ramo com inflorescência; B: Flor; C: Base da
folha; D: Estame; E: Corte da Hor (A.E.S. Rocha S9).
2 mm
Melastomataceae juss. de vegetação secundária...
5.3. Miconia eriodonta DC., Prodr. 3: 185. 1828. (Figura 10)
Arbusto de 2 m de altura, ramos, eixo da inflorescência, bractéolas,
hipanto e cálice revestidos por tricomas feiTugíneo-estrelados; pecíolo 2-
2,5 cm de comprimento, lâmina foliar 15-20 cm de comprimento, 4-6
cm de largura, elíptico-lanceolada, base aiTedondada a cuneada, ápice
agudo ou levemente acuminado, margem inteira; 3-nervada, face superior
verde-escuro, face inferior feirugíneo-estrelado. Inflorescência terminal
até 30 cm de comprimento, piramidal, brácteas e bractéolas caducas;
flores 0,8-1 mm de comprimento, brancas, subsésseis, pentâmeras, cálice
2,5-3 mm de comprimento, revestido por tricomas feiTugíneo-estrelados,
lobos triangulares; estames 10, anteras 3-3,2 mm de comprimento,
brancas, filete 4,5-5 mm de comprimento; ovário 0,8-1 mm de
comprimento, glabro, estilete 6-7 mm de comprimento, reto.
Distribuição: Brasil e Guiana Francesa.
Material examinado: BRASIL, Pará: Almerim, 20A^P1979, M.R. Santos
645, fl. (MG); Benevides, 24/1/1980, T. Plowinan et al. 8089, fl.
(MG); Bragança, Tijoca, 20/V1/2001, A.£.5. Rocha 102, fl. (MG);
Amapá: Oiapoque, 25/1V/1960, W.A. Egler 1413, fl. (MG);
Maranhão: São Luís, 6/V11I/1980, M.G. Silva 5659, fl. (MG).
5.4. Miconia nüniitiflom (Bonpl.) DC., Prodr. 3: 189. 1828. (Figura 1 1).
Melastonia minutiflora (Bonpl.) DC., Prodr. 3: 189. 1828.
Árvores de 2-6 m de altura, ramos, pecíolos e eixo da inflorescência
verdes, glabros ou glabrescentes; pecíolo 0,6-1 cm de comprimento,
lâmina foliar 6-12 cm de comprimento, 2, 5-3, 5 cm de largura,
membranácea, oblongo-lanceolada, base arredondada, ápice agudo-
acLiminado acaudado, margem inteira, levemente ondulada; 3-nervada,
glabras ou glabrescente. Inflorescência terminal, 10-20 cm de
comprimento; flores 5-6 mm de comprimento, brancas, pentâmeras,
cálice 1,4- 1,6 mm de comprimento, verde, lobos dentados, glabro;
pétalas 1,8-2 mm de comprimento, ovadas, ápice levemente agudo;
311
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Aíh.s'. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(2), 2002
Figura 10 - Miconia eriodonla. A: Ramo com inflorescência; B: Ilipanto;
C: Gineceu; D: Flor; E: Base da folha; F: Estame; G; Pétala {A.E.S. Rocha S7).
312
Melaslomataceae juss. de vegetação seeiotdária...
estames 10, anteras 1,8-2 mm de comprimento, brancas, filete 1,8-2
mm de comprimento; ovário 0,8-1 mm de comprimento, glabro, estilete
3 mm comprimento, expandido no ápice.
Distribuição: do Brasil ao México.
Material examinado: BRASIL, Pará: Igarapé-Açu, 23/1V/1996, RPM.
Oliveira 92 & L.Carlos, fl. (MG); Bragança, 21/111/1978, E.
Oliveira 6772, fl. (MG); Rondônia: Vilhena, 21/111/1978, C.S.
Rosário et al. 402, fl. (MG); Porto Velho, 18/1/1989, U.N. Maciel
etal. 7757, fl. (MG).
6. Nepsera Naudin
Nepseraaqiiatica (Aubl.) Naudin, Ann. Sei. Nat. Sér. 3, 13: 28. 1850.
(Figura 12).
Melastoma acpiatica Aubl., Hist. Pl. Guian. 430, t. 169. 1775.
Arbusto, 80 cm de altura; ramos e pecíolos densamente recobertos
por tricomas simples, avermelhados; pecíolo 0,5-08 cm; lâmina foliar
2-8 cm de comprimento, 1-4 cm de largura, com tricomas simples,
esparsos em ambas as faces, com maior concentração nas nervuras da
face inferior, ovada, base anedondada ou levemente cordada, ápice
agudo a acuminado, margem levemente senilhada, 7-nervada, as laterais
pouco visíveis. Inflorescência axilar e terminal, 20 cm comprimento;
flores 0,8-1 mm de comprimento, brancas, tetrâmeras, cálice 5-6 mm
de comprimento, lobos lanceolados, glabros, verdes com tons
avermelhados; pétalas 5-6 mm de comprimento, lanceoladas, glabras;
estames 8, anteras 5-6 mm de comprimento, purpúreas com dois
apêndices projetados na base, filete 3-4 mm de comprimento, mais
claros que a antera; ovário 0,8-1 mm de comprimento, airedondado,
glabro, estilete 6-7 mm de comprimento, ereto, delgado.
Distribuição: Brasil, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Colômbia,
Equador, Venezuela e América Central.
313
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 1S(2), 2002
Figura 1 1 - Miconia luiniitijlora. A: Ramo com inlVutescência; B; Flor; C: Gineceu;
D: Base da folha; E: Estame {E. Oliveira 6772).
314
m m
Melastoinataceae juss. de vegetação secundária...
Figura 12 - Nep.sera aciitalica. A: Ramo com inHorescência; B: Flor; C: Base da
folha; D: Estame; E: Ilipanto; F: Gineceu (A.E.S. Rocha 74).
315
2 mm
liol. Mus. Para. Emílio GoeUli, séi: Boi. IS(2). 2002
Material examinado: BRASIL, Pará: São Domingos do Capim, 3/
VII/1974, R Cavalcante 2960, P. (MG); Bragança, 22/VII/1978,
E. Oliveira 6812, fl. (MG); Bragança, Tijoca, Enfarrusca, 17/111/
2001, A.E.S. Rocha 74, fl. (MG); Capitão Poço, 23/X/1981, L.
R. Martinho 634, fl. (lAN); Amapá: Macapá, l/XI/1980, B. Rebelo
1019, fl. (MG); Maranhão: Turiaçu, l/XII/1978, N. Rosa 2792 &
H. Vilar, fl. (MG); GUIANA FRANCESA, Rio Surinam, 20/VII/
1908, Tresling 185, fl. (MG).
7. Pterolepis (DC.) Miq.
/
Pterolepis trichotoiua (Rottb.) Cogn., Fl. Bras. 14(3): 261. 1885.
(Figura 13).
Rhexia tricliotoina Rottb., Descr. Rar. Pl. Surin. 9. 1776
Erva de 10 a 50 cm de altura; ereta; ramos quadrangulares eom
tricomas simples, glandulares, curtos e esparsos; pecíolo de 2-3 mm de
comprimento; lâmina foliar eom tricomas iguais aos dos ramos, em
ambas as faces, 1-5 cm de comprimento, 0,5-2 cm de largura, ovada,
ápiee acuminado e base anedondada, 3-5-nervada, margem inteira.
Infloresccneia terminal, flores 1-1,2 em de comprimento, tetrâmeras,
róseas, cálice 1,8-2 mm de comprimento, lobos lanceolados, com ápice
aeuminado, margem ciliada e dorso eom tricomas simples, glandulares,
esparsos; hipanto estreito-campanulado com tricomas simples,
glandulares e cerdas bi ou trifurcadas; pétalas 0,8-1 em de comprimento,
obovadas, margem glandulosa-ciliada; estames 8, antera 4-5 mm de
comprimento, arqueada, filete 3-4 mm de eomprimento; ovário 3,5-4
mm de comprimento, oblongo, quase glabro, com alguns tricomas
simples no ápice; estilete 8 mm de eomprimento, sinuoso.
Distribuição: do norte da America do Sul ao Sul do México.
Material examinado: BRASIL, Pará: Bragança, Centro de treinamento
do IDESP, 21/V11/1978, E. Oliveira 6755, fl. (MG); Bragança,
Tijoca, 20/Vl/2()01, A./i.X Rocha 108, fl. (MG); São Miguel do
316
Melastomataceae jiiss. de vegetação secundária...
Figura 1 3 - Ptcrolcpi.s triclwioiiia. A: Ramo com inllorescência; B: Flor; C: Pétala;
D: Gineceu; E: Estame; F: Tipos de tricomas do hipanto; G: Hipanto. (A.E.S.
Rocha 90).
317
Boi Mus. Para. Emílio Goetdi, sér. Bot. 18(2), 2002
Guamá, 15/VIII/1959, M. Kiihlmann 11 & S. Jimbo, fl. (MG);
Castanhal, Estrada de Capanema, 12/VII/1973, A. M. Conte Leite
13, fl. (MG); Capitão Poço, Centro de Treinamento do IDESP,
14/8/1974, E. Oliveira 6207, fl. (MG).
8. Rhynchanthera DC.
Rhynchanthera hispida Naudin, Ann. Sei. Nat., Bot. Ser. 3. 12(10):
212-213. 1849 (Figura 14).
Arbusto de 80 cm de altura; ramos e pecíolos com tricomas
simples, glandulares, avermelhados; pecíolo 0,5-1 cm de
comprimento, lâmina foliar 3-5 cm de comprimento, com tricomas
iguais aos do ramo, em ambas as faces, 5-7-nervada, margem
serrilhada-crenulada, ápice agudo ou acuminado, base arredondada
ou levemente cordada, involuta. Inflorescência axilar; flores 1,5-2 cm
de comprimento, purpúreas, tetrâmeras; cálice 6-8 mm de
comprimento, com hipanto e sépalas verdes, com tricomas simples
glandulares, avermelhados, esparsos, pétalas 1,2-1, 4 cm de
comprimento, semi-orbiculares, margem ciliada; estames 5, férteis,
iguais, alternados por 5 estaminódios purpúreos; antera 4-5 mm de
comprimento, filete 6-7 mm de comprimento; ovário 2 mm de
comprimento, ápice pubescente, estilete 1,2-1,4 mm de comprimento,
curvado. Cálice persistente, vermelho no ápice.
Distribuição: Pará, Rondônia e Mato Grosso.
Material examinado; BRASIL. Pará: Tucuruí, 13/V1/1980, M.G.
Silva 5488, fl. (MG); Bragança, Tijoca, 20/V1/2001, A.E.S.
Rocha 109, fl. (MG); Rondônia: Vilhena, 23/V/1979, M.G. Silva
4612 & C. Rosário, fl. (MG); Mato Grosso: Porangatu, 29/Vn/
1978,i./k/. Pires 16291 & M.R. Santos, fl. (MG).
.■^18
Melastomataceae juss. de vegetação secundária...
Figura 14 - Rliyiicliaiitliem hispida. A: Ramo com inflorescência; B: Flor com
exclusão das pétalas; C: Gineceu; D: Base da folha; E: Estaminódio; F: Fecíolo;
G: Pétala; H: Estame {A.E.S. Rocha 91).
319
Boi. Mus. Para. Emílio Gocldi, sér. Boi. 18(2). 2002
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos doutores Ricardo Secco e João Ubiratan Santos,
pelas sugestões, e aos técnicos Carlos do Rosário e Luiz Carlos Lobato,
pelo auxílio nas coletas.
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Aprov.ido em: 08. 1 1 .02
320
CDD: 582.1304166
582.0334
THE EFFECT OF SUBMERGENCE ON SEED
GERMINATION IN TREES FROM AMAZONIAN
FLOODPLAINS
Pia ParoUn'
W J. Jiink'
ABSTRACT - Rapicl and exactly timed seed gennination is esscntial
for the eslablislinient and survival of seedlings in Central Ainazonian
floodplains, wliere the non-flooded period is short. The peak of
frititing occiirs at high water, and the seeds inust tolerate extended
periods of flooding and often snbniergence. Gennination starts
immediately after the retreat of the flood, bnt it is not clear if
snbniergence is directiy responsible for the inhibition of seed
gennination. In the present paper, an experinient was perfonned
with twelve tree species froin Ainazonian floodplains to test whether
seed gennination occiirs only in non-flooded seeds. Ten pairs of
each species consisting of I plastic ciip + seed + soil, and 1 ciip +
seed + soil 4- water (5 cm) were tested for gennination. Thirty to
100 % of the non-siibinerged seeds gerniinated after seven weeks.
Foiir species showed radicle growth, bnt no species prodnced a
shoot as long as it nas snbnierged. Independent froin phylogenetic
constraints and froni growth strategies aniong the twelve chosen
species, the tiiiiing of gerniination was closely linked to retreating
flood water, gnaranteeing efficient seediing establishnient in the
floodplains prior to re-snbniergence.
KEY WORDS: Aniazonian floodplains, Seed gerniination,
Submergence, Tree establishment, Viability.
ABSTRACT - O período e.xato e rápido da germinação de sementes
c essencial para o estabelecimento e a sobrevivência de plântnias em
áreas alagáveis da Amazônia Central, onde a fase terrestre c limitada.
O pico de frutificação ocorre durante a fase acpiática, e as sementes
' Ma.x-l’lanck-lnstitiite fiir Limncilogy. A(1 Tropcniikologio. 1’ostl'ach 165. 24302 IMon.
(ienuany. |)iapaioliii@gin.x.iJc
321
Boi. Mus. Para. Emílio Goelili, sér. Boi. IS(2), 2002
têm que suportar extensos períodos de inundação e, muitas vezes, de
submersão. A germinação inicia-se imediatamente com a fase terrestre
mas, por enquanto, não está claro se a submersão é diretamente
responsável pela inibição da germinação. Neste trabalho, realizou-se
um experimento com 12 espécies das áreas alagáveis da Amazônia
para testar se a germinação ocorre somente em sementes não-
inundadas. Em dez pares de cada espécie consistem em / copo plástico
+ semente + solo, e 1 copo plástico + semente + solo + água (5 cm) foi
testada a germinação. Entre 307c e 1007c das sementes não-inundadas
germinaram após 7 semanas. Quatro espécies mostraram crescimento
de raiz, mas nenhuma espécie produziu um caule durante o tempo de
inundação. Independente da constituição fdogenética e das estratégias
de crescimento das doze espécies selecionadas, a velocidade de
germinação está relacionada ao decréscimo da inundação, garantindo
um estabelecimento eficiente nas áreas alagáveis.
PALAVRAS-CHAVE: Áeas inundáveis. Germinação, Submersão,
Estabelecimento, Viabilidade, Amazônia.
INTRODUCTION
Plant eslablishment in Central Amazonian floodplains oceurs in
thc terrestrial rather than aquatic period. On the lower leveis in the
flooding gradient, the non-flooded phase may be as short as 5 months.
Rapid and exactly timed seed germination is, therefore, essential for
the establishment and survival of the seedlings. The peak of fruiting in
most species oceurs at high water, several weeks to months before dry
land appears after the receding flood (Worbes 1997; Wittmann &
Parolin 1999), in order to gnarantee dispersai by water and fish
(Goulding 1983). Therefore, the seeds must tolerate extended periods
of submergence. Kubitzki & Ziburski (1994) observed that there is a
fine-tuned mechanism of dormancy that enables the diaspores to start
germinating immediately after the retreat of the flood. Nevertheless, it
is not clear whether submergence is dircctiy rcsponsiblc for the
inhibition of seed germination. Thc present experiment aimed at
answcring thequestion: does seed germination of Amazonian floodplain
trees oceur only under non-flooded conditions?
322
Gcnuinaíiou of submerged seeds froni jloodplains
MATERIAL AND METHODS
Twelve tree species from Central Amazonian floodplains were
chosen for this study. They display a wide variety of ecological features
including distribution (occuirence in nutrient-rich whitewater floodplains
or nutrient-poor blackwater floodplains), successional status (pioneer/
non-pioneer), leaf phenology (evergreen/deciduous), levei in the flooding
gradient, andgermination type (epigeal/hypogeal) (Table 1).
Mature seeds of each species were collected during the period of
high water leveis (July/August) in the floodplains of the Rio Amazonas
(Solimões) and Rio Negro in the vicinity of Manaus, Brazil. They were
transported to the Amazon Research Institute (INPA) in Manaus and
kept in plastic basins filled with river water, which was changed at 3-d
intervals until the experiment started. All species were subjected to
submergence for 6-33 d before the experiment. This was necessary
because not all seeds matured at the same time, and because some
species (e.g. Crateva henthawi, Tabehiiia barbata, Nectandra
ciwazonum) require submergence to break dormancy (Ziburski 1991).
Seeds of all species, intended for other experiments, were kept in the
water-filled basins for up to 76 days.
The germination experiment was performed at an open
experimental site at the INPA below a tree, so that it was sunny in the
moming and in the aftemoon, but shady between 1 1.00 and 14.00 h.
Air tempcrature varied between 23°C and 35°C, with an average of
30.8°C during the experimental period. Soil and water temperature did
not exceed 30. 1°C, with an average of 28.9°C. The timing of the
experiment corresponded to the non-flooded period, in which seedling
cstablishmcnt occurs naturally in the field.
Ten pairs of seeds of each species, consisting of 1 plastic cup
(300 ml) with 1 seed and wcll watered floodplain soil or 1 cup with
1 seed, floodplain soil and floodplain water, were tested for
"crmination. Seeds were sown on lhe soil surface and submerued
323
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Table 1. Twelve species chosen for this study, with different distribution (seeds collected in nutrient-rich whitewater floodplains
W. in nutrient-poor blackwater floodplains B), successional stage (P pioneer, NP non-pioneer, sensii Swaine and Whitmore
1988). leaf phenology (E evergreen, D deciduous), levei on the flooding gradient (L lovv: 18-25 m asl, H high; 25-28 m asl),
diaspores sink (S) oí float (F), and germination type (E epigeal, H hypogeal); in order by family.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, ser. Boi. 18(2), 2002
Germination
type
rc
K
tu
K
tu
w
E
tu
Diaspore
sinks /
floats
tu
tu
C/3
Eí;
tu
C/^
tu
tu
C/3
c/3
C/3
È
C/3
U-.
Levei in
flooding
gradient
E
hJ
K
K
X
K
hU
hU
Leaf
phenology
Si
w
Q
Q
tu
Q
Q
Q
Q
tu
w
p
Successional
stage
NP
NP
NP
NP
cu
NP
NP
NP
NP
Pu
NP
NP
Seed
collection
site
pq
pq
pq
pq
pq
pq
Family Species
Aldincí latifolia Spruce ex Benth.
Caiiwsiciiulra coniosa Benth. ^
Cnidia amazônica Spruce ex Benth.
Mora paraensis Ducke
Senna reticiilata (Willd.) Irwin & Barn
Ü
Q
"o
W
Vatairea ginanensis Aubl.
Tabebiiia barbata (E.Mey.) Sandwith
Cratera benthanü Eichler
Cecropia latiloba Miq.
Nectandra aniazonum Nees
Vitex cyinosa Benth.
Caesalpiniaceae
Fabaceae
1
Biiinoniaceae
(U
C3
fU
CJ
X
D
B
U
Cecropiaceae
Lauraceae
1
Verbenaceae
324
Geniiiimíioii of siibiiierged seeds froni floodplains
by a water column of approximately 5 cm. Evaporated water was
replaced daily. Germination was calculated as the number of seeds
that germinated after 7 weeks in relation to the total initial seed number
(in percent). The form of germination was differentiated as seed
swelling (after absoiption of water), radicle growth, and shoot growth.
A statistical analysis (ANOVA) of the differences in germination
defined as number of radicle emergence between non-submerged and
SLibmerged seeds was performed with SYSTAT.
RESULTS
In the unsLibmerged conditions, 30 to 100 % of the seeds of all
species geiminated (at least radicle emergence) after seven weeks (Figure
1). Of the SLibmerged seeds, seven species opened after swelling (10 -
100% of the planted seeds), but in five they remained unchanged. Only
foLir SLibmerged species showed radicle emergence, and no seeds of any
species exhibited germination of the shoot (Figure 1). The statistical
analysis showed highly significant differences in germination, defined
as radicle emergence, between non-submerged and submerged seeds
in nine species (P < 0.05) (Table 2).
Seeds were flooded between 6 and 33 days in the plastic basins
prior to initiation of the experiment. The seeds of Cnidia amazônica and
Tahehiiia barbata were viable at least for a month, but most of the seeds
of these two species started to rot thercafter. In the other ten species,
seeds remained visually sound at least for 63-76 days (datanot shown).
DISCUSSION
The present experiment showed that seed germination of
Amazonian floodplain trees occurs mainly in non-floodcd seeds.
Submerged seeds of some species may initiate germination, which is
shown by the emergence of a radicle, but no species was able to produce
a shoot as long as it was submerged. The seeds of the floodplain trees
32.5
Boi. Mus. Para. piiiílio Goeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
g^nnination gcrmination gpnnination germinal ion
^Aldina latifolUi
□ CumpsUimIra como.su
H Cruíiia amazônica
□ .\íora paraensis
■ Senna reticulata
^Swartzia polyphylla
S Vatairea giiiancnsis
□ Tabebuia barbata
M Crateva henthami
□ Cccropia latiloba
@ Nectandro amazoniim
□ Vifex cymosa i
Figure 1 - Seed germination (seed swelling, emergence of the radicle or the shoot)
in twelve species from the Central Amazonian floodplains in seeds placed on a
wet soil surface under submerged or unsubmerged conditions.
are very well adaptecl to the changing environment. After fruit
maturation, the seeds fali into the water and may be submerged for
several weeks. Whether they float or sink (Table 1), they do not
germinate until the flood recedes and the conditions are favourable for
seedling growth. Conipetitive advantages can bc achieved by
gcrmination under water if the flood regime is shallow and short li ved.
Under decp and prolonged flooding, as in central Amazonian
floodplains, the capacity of seeds to remain dormant or quicscent under
water tends to prevent losses of entire seed crops. Also, seeds of the
spccies that dominatc the swamps in the Southern United States
(Taxodium dislidium, Ny.s.sa aquatica, Nys.m .sylvalica) do not genninate
under water, and the natural rcgcncration is usually limited to drought
periods whcn the soil surface is exposed (Hook 1984). A number of
botlomland hardwood spccies may germinate under water, but the
326
Geniiiimlion of submergcd seeils froiii Jloodplainx
Table 2. Resuits of statistical analysis (ANOVA) of the differences of germination
defined as radicle emergence between non-submerged and submerged seeds of
the twelve study species (P > 0.05).
F-ratio
P
Aldina latifolia
13.500
0.002
Campsicmdni coiiiosa
3.857
0.065
Cecropia latiloba
9.000
0.008
Crateva bentiianii
3.857
0.065
Criidia amazônica
9.000
0.008
Mora paraensis
21.000
0.0001
Nectandra ainazoninn
6.081
0.024
Senna reticidala
81.000
0.0001
Swartzia polyphylla
100
0.0001
Tabebuia barbata
3.857
0.065
Vatairea guianensis
36.000
0.0001
Vitex cyniosa
13.500
0.002
floocling regime on such sites is usually shorterandshallowerthan in
Amazonian floodplains. Hence, germination under water may have
some ecological signifieance (DuBairy 1963).
As long as the seeds of the chosen species were in the water, they
remained viable. Seeds which were kept in the air dried or decomposed
within a few days (e.g. Tahehiiia Ixirhata, Nectandra aiuazoinim) or
weeks (e.g. Sewui reticiihita, Aldiua laíifolia), whereas submerged
seeds of ten of the 1 2 species remained viable for at least 60 days if the
water was changed frcqiicntiy (Parolin 2001). This stands in contrast
to the majority of land plants, whose seeds losc their viability if
submerged for prolongcd periods (1 look 1 984). Seeds that opened under
water had a highcr viability than seeds that remained closcd; a highcr
percentage germinated, and they germinated faster after water rcccdcd,
comparcd with the non-swollcn seeds of all species.
327
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Bot. Mus. Bara. Eniíliti GoeUli, sér. Boi. 18(2), 2002
Although seed mass (Parolin 2000) and establishment strategies
(Parolin 1 998) vai^ considerably among the chosen species, the pattems
of germination were rather similar between them, even when
phylogenetic relationships are considered, e.g. within the
Caesalpiniaceae to which 5 of the 12 chosen species belong.
Independent from phylogenetic constraints, a close relationship between
retreating floodwater and germination has evolved which guarantees
proper timing for efficient seedling establishment in the floodplains
prior to rc-SLibmergence.
ACKNOWLEDGEMENTS
This study was realized in collaboration between the Max-Planck-
Institute for Limnology/Plbn, Gcrmany and the National Amazon
Research institute (INPA)/ManaLis, Brazil. I wish to thank Leandro V.
Feireira for help with the experiments and discussions, and P. J. Grubb,
K. Thompson, H. Pritchard and M.A. Cohn for helpful comments on
the manuscript.
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derLiteratur, p. 1-96.
Recebido em: 24.06.01
Aprovado em: 28.06.02
329
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SciELO
10 11 12 13 14 15
0
CDD: 583.54
CARACTERÍSTICAS MORFO-ANATÔMICAS
DE PLANTAS INVASORAS. I - MEMORA
ALLAMANDIFLORA BUR. EX K. SCHUM.
(BIGNONIACEAE)*
Silvcine Tavares Roclrigiies-
Rainumda Conceição de Vilhena Potigiiaird
Manoel Enclides do Nascimento^
Joaquim Ivanir Gomes'
RESUMO - Memora allamandiflora Bur. Ex K. Schum é uma liana
escandente, considerada como planta invasora de pastagens. Neste
trabalho, são apresentadas características morfológicas dos órgãos
vegetativos e reprodutivos e anatomia dos órgãos vegetativos dessa
espécie.
PALAVRAS-CHAVE: Memora allamandiflora. Planta invasora, Estado
do Pará, Anatomia, Morfologia.
ABSTRACT - Memora allamandiflora Bur. Ex K. Schum is a trailing
liana which is considered to be a invader plant. This work presents
the morphological characteristics of the vegetative organs and
reproductives, and anatomical characteristics of the vegetative
organs.
KEY WORDS: Memora allamandiflora, Weedy specie, State of Pará,
Anatomy, Morphology.
' 1’arlc do piojclo 1’loiUas Invusoms í/c Píislagcm da Endnapa Amazônia Oricnlal.
■ Eiiibrapa Amazônia Oricnlal. Laboratório dc liolânica. Caixa Postal 48, CEP 66017-970,
lidem -PA. silvanc@cpatu.embrapa.br: ivanir@cpalu.cmbrapa.br
' PR/MCT-Muscu Paraense Emílio (iocidi. Coordenação dc liotânica. Pcsi|uisadora. Caixa
Postal 399. 660417-970. licIcm-PA. raipoty@muscu-gocldi.br
' lIEKA-lliiivcrsidadc Federal Kiiral da Amazônia. Prolessor. Caixa Postal 917, CEP 66077-
530, lielém-PA.
331
cm
SciELO
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Boi. Mus, Para. Eiiiílio Ooeldi, sér. Boi. 18(2), 2002
INTRODUÇÃO
Os tei-mos plantas daninhas e plantas invasoras muitas vezes, em
sua definição, confundem-se, pois nem toda erva daninha é invasora,
como nem toda invasora é uma erva daninha. Diante dessa dificuldade
de definição, entre outros autores, Fisher (1973), apud Beltrão & Azevedo
(1994), define como plantas daninhas aquelas que se caracterizam por
apresentarem rusticidade, grande vigor vegetativo e reprodutivo, tendo
capacidade de sobreviver, crescer e reproduzir em condições extremas
do ambiente, porém o principal desafio refere-se à grande problemática
que essas plantas provocam às pastagens. Gonçalves et al. (1974) já
citaram que as invasoras têm sido o grande problema enfrentado pelos
pecuaristas, pois, a tentativa de controle das ervas pelo fogo apresenta
resultados negativos, causando grandes prejuízos na produção
agropecuária. Esta preocupação existe há séculos, em países como a
Inglaterra e Estados Unidos, que empregaram cerca de
U$3,000.000.000 no combate às invasoras.
A vegetação daninha é uma consequência das condições
ecológicas criadas artificialmente pelo homem nas culturas, as quais,
aliadas à eficiência dos órgãos de propagação que lhe permitem migrar
das associações circunvizinhas para áreas cultivadas, possibilitam a
sua sobrevivência sob diversos tratos culturais (Blanco 1972 apud
Albuquerque 1980). Apesar da gravidade do problema que as plantas
invasoras causam à economia nacional, são poucos os estudos sobre
a biologia dessas espécies. Segundo Dias Filho (1994), a maioria
dos estudos relaciona-se aos aspectos dos mecanismos de dispersão
de sementes, frutos e composição c tamanho do banco de sementes
do solo. O mesmo autor comenta que as técnicas de controle dessas
plantas, geralmente, são baseadas em um padrão indiscriminado, ou
seja, não são consideradas as características que distinguem cada
táxon, o que seria importante para entender a dinâmica c manejo da
população de invasoras.
332
Características iiiorfo-aiiatâiiiicas de plantas invasoras...
A freqüente invasão de ervas daninhas em áreas de pastagens na
região amazônica contribui para o processo de devastação da floresta,
devido à procura de novas áreas pelos pecuaristas, tornando-se
necessário o estudo da biologia dessas espécies invasoras, com a
finalidade de auxiliar o seu controle nessas áreas.
Em Teira Alta, município de Castanhal (PA), está sendo realizado
o levantamento flonstico de plantas invasoras de pastagens, destacando-
se o táxon Bignoniaceae que segundo Gentry (1992), é uma das mais
importantes famílias de plantas madeireiras e de lianas da América
Central. Feireira et al. (1990), relatam ainda que as Bignoniaceae são
conhecidas por apresentarem efeitos citotóxicos em células neoplásicas
e pelo potencial como agentes trypanosomicida e virucida.
Representando o táxon Bignoniaceae foram encontradas na área
de estudo duas espécies pertencentes ao gênero Memora: M.flavida e
M. allainandiflora Bur. ex. K.Schum, o que propiciou uma abordagem
multidisciplinar, com a espécie Memora allamandiflora que é uma liana,
com a finalidade de se conhecer a morfologia reprodutiva e vegetati va,
além da anatomia das folhas, caule e raízes da mesma.
METODOLOGIA
Para os estudos morfológico e anatômico de Memora
allamandiflora, o material foi coletado em Teira Alta, município de
Castanhal, na Fazenda Belém - Campus Experimental da Embrapa.
Foram coletados cinco indivíduos férteis da espécie, de acordo com as
técnicas convencionais de coleta de material botânico, sendo
posteriormente herborizados e incorporados ao Herbário lAN da
Embrapa Amazônia Oriental sob os números 166355 e 166556. Foram,
também coletadas flores dos espécimes a serem estudados, e
conservadas em álcool 70%. No laboratório proccdeu-sc a análise
taxonômica e morfológica, por meio de literatura especializada ou
comparação com material de herbáiáo e mensurações dos órgãos
vegelativos c reprodutivos, respectivamente. Utilizou-.se a terminologia
333
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. IS(2), 2002
de Gentry (1974) e Vidal (1978) para descrição das folhas e peças
florais. As ilustrações foram feitas com o auxílio de estereomicroscópio
acoplado a uma câmara clara.
Para os estudos anatômicos, os folíolos foram seccionados e
fixados em álcool 70%, para posteriormente serem realizados a
dissociação da cpideime, cortes histológicos, segundo Johansen (1940),
corados em Astrablau/Safranina (Gerlach 1977) e montados em resina
sintética. Quanto à anatomia do caule e da raiz, foram feitos coipos de
provas, fervidos, seccionados em micrótomo de deslize e corados em
Astrablau /Safranina. As microfotografias das lâminas confeccionadas
foram realizadas em fotomicroscópio Leicaem vários aumentos. Para
a realização da microscopia de vairedura, o material foi submetido a
uma prévia fixação em glutaraldeido a 3,0%, dissolvido em uma solução
tampão de fosfato de sódio, deixando o mesmo acondicionado na
geladeira por, aproximadamente, 8 horas. Em seguida, o material foi
lavado em tampão puro, desidratado pela série alcóolica em
30,50,70,90,100% durante 15 minutos; em cada concentração, o
material foi submetido ao secador de ponto crítico ou no clorofórmio
durante 8 horas na geladeira; depois, o material foi colocado no suporte
sobre a fita de cobre, metalizado pela pulverização com ouro e
fotografado (esta técnica é usual na microscopia de varredura da
Embrapa Amazônia Oriental).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Morf ologia externa
Memora allamaiuliflora é uma liana de caule marrom no estágio
adulto, com fileiras de lenticelas organizadas longitudinalmente,
rugosidade inteipeciolar conspícua; raiz pivotante atingindo mais de
70 cm de pi ofundidadc; folhas compostas, opostas, dísticas, 1 7,5- 1 9 cm
de comprimento, bipinadas, constituídas de 3-4 pares de folíolos, opostos,
impari penados, glabros, lanceolados, 3,5-7,6x 1 -2,9 cm, de base cuncada
334
Caravleríslicas iiwrfo-analôinicas de plantas invasoras...
e ápice cuspidado, cartácea; no ápice da planta as folhas se dividem em
um par de folíolos (Figura 1 A); o raque modifica-se em apêndice de
fixação e o pecíolo se apresenta sulcado. Inflorescências axilares,
racemosas, tipo cacho simples, com flores amarelas, hermafroditas,
actinomoifas, androceu isostêmone, com 4 estames férteis, didínamos, e
um estaminódio; gineceu com um estilete teirninal, estigma bilamelado,
ovário supero, situado no ápice de um disco nectarífero (Figura 1 A-G);
fruto cápsula scptífraga, sementes aladas (Figura 1FÍ,I), sendo esta última
característica um fator que facilita a sua dispersão a grandes distâncias.
Outra característica morfológica é a presença de uma raiz profunda, que
pode tomar a planta resistente aos danos mecânicos ou ao fogo, podendo
regenerar quando as condições são propícias. Com relação ao tipo de
morfologia da flor, este enquadra-se no tipo anemopaegma descrito por
Gcntiy (1974), o qual é caracterizado por apresentar corolas conspícuas,
membranáceas, amarelas, produtoras de néctar, glabras, fauce conspícua
e anteras incluídas. Este autor comenta, ainda, que as espécies que
apresentam este tipo floral são polinizadas em sua maioria por abelhas.
Segundo Barroso et cit. (1999) o tipo de fruto descrito delimita
tribo Bignonieae dentro das Bignoniaceae e este caracteriza-se por
apresentar sementes sem endospcima; presença de réplum, entre outras.
Segtmdo a mesma autora a fonnação de réplum é um caráter considerado
evoluído, sendo este fator preponderante na dispersão da espécie em
áreas de pastagem.
Descrição anatômica
Quando foram realizados cortes transversais na região mediana
do pccíolo, observou-se que a porção dorsal é convexa e a face ventral
apresenta duas projeções laterais curtas, delimitando uma região côncava
central onde oconem tricomas (Figura 2 A). Este corte revelou, também,
que o pecíolo é envolvido por uma camada de células epidérmicas
revestidas por uma cutícula conspícua. Estas células epidérmicas
apresentam um conteúdo castanho, que reagiu positivamente ao teste
para substâncias fcnólicas, provavelmente tanino (Figura 2 C).
.1.1.5
cm
SciELO
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Boi. Mux. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. IS(2), 2002
Figuiit 1 - Mcinorii (ilIauunuHjloia Buee. Ex K.ScInim.: A- Ramo florírcro;
B- Morfologia externa da Hor; C- Vista longitudinal da tlor; D- Detalhe do cálice e
bractea; E- Detalhe do disco nectarífero (DN) e ovário (OV); E- Detalhe do estigma;
G- Detalhe do estame; 1 1- Aspecto geral do fruto; 1- Aspecto geral da semente.
336
Características iiiorfo-aiiatôiiücas de plantas invasoras...
Subjacente ao tecido de revestimento, ocoire uma região eortical
formada por cerca de 5 camadas de células parenquimáticas
heterodimensionais. Nas camadas mais internas dessa região, geralmente
as células contêm grãos de amido e a camada mais interna é circundada
por uma bainha esclerificada e pluriestratificada, com cerca de até 6
estratos de células ao nível do floema (Figura 2C). Este tecido reagiu
aos testes histoquímicos para lignina. O tecido condutor formado a
partir do câmbio vascular é constituído por ninhos de floema, entre os
quais, esporadicamente, notam-se raios parenquimáticos, cujas células
possuem paredes menos eselerificadas. Internamento, o xilema
encontra-se distnbuído continuamente e circularmente em todo o órgão,
delimitando uma região medular formado por células arredondadas de
paredes delgadas (Figura 2 B). Esporadicamente, observam-se
pequenos agrupamentos de elementos de floema entre o xilema e o
parênquima medular (Figura 2 A e 2 B).
A região da nervura central, em corte transversal, revela uma
cutícula revestindo as faces adaxial e abaxial da folha, sendo mais
espessada na superfície adaxial. As células epidérmicas em ambas
as faces são muito semelhantes, sendo as células da face adaxial
relativamente maiores que as da face abaxial. Subjacente à epiderme,
ocorre um colênquima angular formado de 4 camadas, nas quais
algumas vezes ocorrem braquiesclereídeos (Figura 3 A). A região
vascular é envolvida por uma bainha espessada de fibras
eselerificadas onde o xilema encontra-se voltado para a região
central, disposto radialmente e limitado externamente pelo floema
(Figura 3 A), criando uma região central, formada de células de
paredes espessadas.
O mesofilo em corte transversal é dorsiventral, apresenta
parênquima paliçádico e lacunoso bem definidos, contendo idioblastos
(do tipo esferocristais e cristais nucleares). Ainda na mesma figura
percebe-se c|ue o parênquima paliçádico é foi niado por 3 a 6 camadas
de células retangulares, hclcrodimcnsionais c justapostas (Figura 4 A).
337
cm
SciELO
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llol. Mus. Para. Eiuília Goelcli, sér. liai. IS(2), 2002
Figura 2 - Mciiu/ni (illíiiii(iiiilijli>rii 15ur. cx. K.Schum. Fccíoki cm corte transversal,
a) Vista geral (73. 2X). b) Detalhe da organizaçãodos tecidos ( 183X). e) Detalhe da
epiderme adaxial (366X). e - cutícula; ct - célula com conteúdo lenólico (tanino);
r - rioema; x - xilema; cv - cambio vascular; be - bainha esclerenc|uim;ítica;
rc - região central.
.338
Caraclerísiicas iiiorfo-anatôinica.s cie plantas invasoras...
I'igura 3 - Mctnora íilltiiiKiiiíliJltirti l?ur. ex K.Schum. Nervura cciilral cni corte
transversal, a) Vista geral (183X). b) Detalhe cia nervura central (183X).
col - colc’nc|uiina: x - xilenia; f - floenui; bl - bainha llbrosa ; rc - região central.
339
llol. Mus. Para. Emílio Goeidi, sér. liol. IS(2), 2002
Os feixes vasculares distribuem-se entre as células do parênquima
lacLinoso e cada feixe compreende elementos do xilema e do floema,
envolvidos por uma bainha de fibras e uma parenquimática (Figura 4 B).
Na margem foliar, as células epidémiicas apresentam-se reforçadas
pela cutícula, que é mais espessada em relação às demais partes da
folha. O parênquima paliçádico, ao aproximar-se da margem foliar,
diminui gradativamente, tornando difícil diferenciá-lo do parênquima
lacLinoso (Figura 4 C).
A superfície foliar adaxial, em vista frontal, revela células
epidérmicas heterodimensionais com paredes espessas, levemente
onduladas, com campos de pontuações evidentes. Essas células
organizam-se radialmente em relação à base dos tricomas e, quase sempre,
a célula central é refringente ( Figura 5 A). Na face abaxial, as células são
de foimato in-egular em virtude da grande ondulação de suas paredes
anticlinais. Os estômatos são paracíticos, medindo em média 12 pm de
comprimento e 10 pm de largura, freqüência de, aproximadamente, 80
estômatos por 0,14.5 mm^. As células estomáticas apresentam paredes
internas bem espessadas. Sobre as nervuras, as células epidérmicas são
alongadas, de paredes retas ou levemente onduladas. Na face abaxial,
também foi observada base de tricoma, porém sem a organização radial.
As células epidéiTnicas da base dos tricomas apresentam as paredes
anticlinais, fortemente onduladas (Figura 5 B).
Existem poucas referências sobre anatomia de representantes da
família Bignoniaceae, mencionando-sc Metcalfe & Chalk (1950), os
quais apresentam algumas características gerais sobre essa família, tais
como: presença de idioblastos do tipo csferocristais no mesofilo,
presença de fibras escleri ficadas ao redor dos feixes, células da epiderme
abaxial com paredes anticlinais onduladas, presença de tricomas simples
e glandulares, estômatos anomocíticos presentes, hipoestomáticos,
mesofdo dorsiventral. Vidal (1978) fez um estudo da epiderme foliar
das espécies de Memora'. M. campicola Pilg., M. f^Iaherrima (Chain.)
K Sch., M. iiodo.sa (Manso) Miers, M. vallida K.Sch. e M. piihcscens
.540
Carncterísiicas iiuirfii-aiialôinicas de plaiUas invasoras...
Figura 4 - Mentora allatiiaitdijlora Bur. cx K. Scluiiii. Região do uicsoíilo (36()X).a)
Vista geral, tieslaeanclo os idioblaslos; b) Vista geral, detalhando os parêiií]iiinias;
e) Vista geral da margem foliar (366X). ed - epiderme adaxial; eb - epiderme
abaxial; id - idioblaslos; fv -feixe vaseular; pp - parêntiiiima paliçádieo;
pl - parêiK|UÍma lacuiioso; eut - eulíeula.
cm
SciELO
tioL Mus. Para. Eiiiílio GocUli, sér. l!ol. IS(2), 2002
r-iguiíi 5 - Memorei (ill(mniiulifloríi Biir. ex K.Scluim. IJmbo Inliar cm vista frontal,
a) Microscopia ótica da siiirerlícic adaxial (366X). b) idem da superfície abaxial
(366X). c) MBV da superfície tibaxial. bt - base tricoma; est - estômato.
342
Caracleríslicas morfo-atiatôinicas de plantas invasoras...
(Spreng.) K. Sch. var. riedelli Bur. & K. Sch. Observou-se que todas
as espécies apresentam as mesmas características descritas por Metcalfe
& Chalk (1950) para a família. Entretanto, embora o táxon estudado
tenha apresentado características semelhantes quanto à superfície foliar,
não se constatou nenhuma referência qualitativa e quantitativa, e muito
menos quanto à estrutura do caule e da raiz da mesma.
O caule em início de crescimento secundário é anômalo, caráter
frequente nas lianas da família Bignoniaceae, segundo Metcalfe e Chalk
( 1 950); quando é visto em corte transversal, nota-se a delimitação dos
tecidos: revestimento, cortical e vascular (Figura 6A). O tecido de
revestimento apresenta uma epiderme unisseriada coberta por uma
cutícula que penetra por entre as paredes anticlinais. Ainda nessa
epidenne, foram encontrados tricomas tectores unicelulares e secretores
pluricelulares (Figura 6B). Nota-se, algumas vezes, a presença de uma
peri derme, originária do felogênio, com lenticelas, formadas por tecido
frouxo de células suberificadas (Figura 5C). Abaixo desse tecido de
revestimento, ocorre a região cortical onde encontra-se o colênquima
angular, não muito regular, e braquiesclereídeos isolados. O xilema e
o floema são formados a partir do câmbio vascular, o qual possui 7 a
10 camadas de células. O floema é agrupado em ninhos e protegidos,
extemamente, por uma bainha de esclerênquima. Os elementos de vaso
do xilema, juntamente com fibras, foimam um anel central mais espesso,
limitando à região central, que é formado por células arredondadas e
heterodimensionais. É comum a presença de floema incluso.
O caule em crescimento secundário, cm cortes transversal, radial
c tangencial, apresenta o parenquima axial zonado em linhas com 2-3
células seriadas. Os vasos apresentam diâmetro variando de 40-50,8-
70 pm, com a secção oval. Os raios são homogêneos constituídos, na
maioria, por células horizontais; os multisseriados apresentam
0,22.-0,35- 0,50 mm, com 7- 1 5-25 células de altura; o diâmetro varia
dc 20-37-50 pm, com 2-3 células de largura (Figura 7 A-C). Má presença
de cristais romboidais nas células do parênquima axial (Figura 7D).
343
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi. 18(2), 2002
Figura 6 - Memora allamaiulijlora Bur. cx K.Sclium. a) Corte transversal do caule
I83X; b) Detalhe da epiderme com tricomas glandulares (tg), tricomas tectores (t).
braquiesclereídeos (br) (36òx; e) Detalhe da lenticela.
344
Características marfo-anatômicas de plantas invasoras...
Nos mesmos tipos de cortes, porém nas raízes, observou-se que
o parênquima axial é do tipo zonado em faixas e difuso. Vasos de
dois tipos, ou seja, grandes (mais próximos à medula ) com diâmetro
variando de 145,5-63,9-179,5 pm e pequenos (mais próximos à casca)
com diâmetro variando de 50-73 - 110 pm; tilos esclerosados são
muito freqüentes nos vasos de maior diâmetro que estão próximos à
medula. A forma da seção dos vasos apresenta uma tendência
arredondada, embora haja vasos de seção oval. Raios homogêneos
constituídos por células horizontais; os multisseriados de 0,13-0,54-
0,84 mm com 6-18-32 células de altura; o diâmetro varia de 50-89-
140 pm com 2-4-6 células de largura; os raios unisseriados apresentam
de 1-4-8 células de altura (Figura 8 A-D).
CONCLUSÕES
Memora allamandiflora Bur. Ex K.Schum. apresentou
características morfológicas c anatômicas comuns à família
Bignoniaceae, como a presença de disco nectarífero, sementes
aladas; tipo de fruto com formação de répium; folhas
hipocstomáticas; mesofilo dorsiventral, estômatos anomocíticos,
presença de tricomas etc. Muito embora apresentando caracteres
comuns à família, observou-se que existem características qualitativa
c quantitativa específicas deste táxon, tais como: formação de raízes
profundas, tipo de corola como o tipo anemapoegma, identificação
histoquímica de substâncias fcnólicas, parênquima paliçádico
pluricstratificado, presença de idioblastos cristalíferos, bainha
esclerênquimática ao redor dos feixes vasculares, presença de grãos
de amido na camada subepidérmica do pccíolo, presença de tilos
no caule e cutícula espessa. Essas informações poderão favorecer
um melhor entendimento da biologia dessa espécie e,
consequentemente, auxiliar no controle da mesma em áreas de
pastagem da Amazônia.
345
Ilol. Mks. Para. pinílio Goehti, séi: Hol. 1812), 2002
Figura 7 - Memora allamaiulijlora Bur. ex K.Schum. Caule em crescimento
secundário (47 X). a) corte transversal; b) corte radial; c) corte tangencial (93 X),
d) detalhe dos cristais na região medular ( 146 X).
|•igura 8 - Memora allamaadijlora Bur. cx K.Schum Raiz. a) corlc transversal
(47 X). h) tangencial (93 X); c) transversal próximo a região central (47 X); d)
sela indicando célula com tilo (ll).
34 ()
Características marfo-aiiatâmicas de plantas invasoras...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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Recebido cm: 12.03.01
Aprovado cm; 29.10.02
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
INSTRUÇÕES AOS AUTORES PARA A PREPARAÇÃO DE MANUSCRITOS
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submeter o trabalho à publicação. A citação de comunicação dc caráter pessoal, nos
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completo. No caso dc múltipla autoria, as separatas serão enviadas ao primeiro autor.
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Submetidos ao Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi” ou contato com a Editoração
Científica: Tcls. (91) 219.3316/3317. Fax: (91) 249.0466. E-mail: editora© muscu-
gocldi.br
CONTEÜDO
Artigo.^ originais
PADRÃO DE VENAÇÃO FOLIAR DE ESPÉCIES DO GÊNERO
MYRCIA DC. EX. GUILL. (MYRTACEAE), DA RESTINGA
DE ALGODOAL, MAIANDEUA-PARÁ
Aílalgisa cia Silva Alvarez, Raimuiula C. de Vilhena Potiguara
205-218
1 AVALIAÇÃO DA FLUORESCÊNCIA DE MADEIRAS AMAZÔNICAS 1
Ademir Castro e Silva, Mareia Bananeira Castro e Silva,
Jascc/iieson Olivei ra
219-230 .
OS GÊNEROS CYRTOLEJEUNEA EVANS E DREPANOLEJEUNEA
STEPH. (LEJEUNEACEAE) NA ESTAÇÃO CIENTÍFICA
FERREIRA PENNA (PA) E NOVAS OCORRÊNCIAS
Antift l.tdza Ilkiu-Borges, Regina C. L. Lisboa
231-245
RAZÃO E DIMORFISMO SEXUAL EM ESPÉCIMES
DEVIR0LASURINAMENSIS(R0L.)WARB.(MYRLSTICACEAE)
déo Gomes da Mota, Mário Augusto G. Jardim, Milton Guilherme Mota
247-261
CARACTERIZAÇÃO DO BENEFICIAMENTO DO PALMITO
DE AÇ A IZEI RO ( EUTERPE O LERA CEA M ART. )
POR MORADORES RIBEIRINHOS, BREVES. PARÃ, BRASIL
Denise Cristina Torres Costa, Mário Augusto G, Jardim,
Pedro Luiz Braga Lisboa
263-274
BIOLOGIA FLORAL DO INAJÃ -ATIALEA MARIPA ( AUBL.)
MART. (ARECACEAE) EM MANAUS, AMAZONAS, BRASIL
Eliana Fernandez Storti, Atilio Storti Filho
275-289, ;
MELA.STOMATACEAEJUSS.DEVEGETAÇÃOSECUNDÃRIA-
(CAPOEIRA), NO DISTRITO DETIJOCA. BRAGANÇA, PARÃ
Antônio Elielson Sousa da Rocha, Manoela Ferreira Fernandes da Silva
291-320 ••
THE EFFECT OF SUBMERGENCE ON SEED GERMINATION
IN TREES FROM AM AZONI AN FLOODPLAINS
Pia Parolin, \V. J. Junk
321-329
CARACTERÍSTICAS MORFO-ANATÔMICAS DE PLANTAS
\m ASOB.AS.\- MEMORA ALLAM AN DIFLORA BUR.
EX K. SCHUM. (BIGNONI ACEAE)
Silvane Tavares Rodrigues, Raimunda Conceição de Vilhena Potiguara,
Manoel Euclides do Nascimento, Joaquim Ivanir Gomes
331-347
BRASIL
SciELO
cm