BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série ZOOLOGIA
Semestral
Presidente do CNPq. — Lynalclo Cavalcanti de Albuquerque
Diretor do MPEG — José Seixas Lourenço
Editor Chefe — Mario F. Simões
Editor Associado — Fernando da Costa Novaes
CONSELHO CIENTÍFICO
Adriano L. Peracchi
Aristides Pacheco Leão
Fernando da C. Novaes
Gilberto Richi
ilabib Fraiha Neto
Herbert Schubart
Horst O. Schwassmann
João M. F. de Camargo
Jorge Arias
José Cândido de M. Carvalho
Michael Goulding
Nelson Papavero
Paulo E. Vanzolini
Roger H. Arlé
Willian L. Overal
Assinatura anual — USS 5,00 ou equivalente
(porte simples)
Endereço: Av. Magalhães Barata, 376 — C.P. 399
66 . 000 - Belém - Pará - Brasil
1 4 MAR 1985
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Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDi
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Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
ZOOLOGIA
Vol. 1 (1)
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BELÉM - PARÁ
Abril, 1984
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APRESENTAÇÃO
O Museu Paraense Emílio Goeldi, em
atendimento a recomendações especiais do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien-
tífico e Tecnológico — CNPq, vem de refor-
mular seu antigo BOLETIM DO MUSEU PA-
RAENSE EMÍLIO GOELDI, buscando garantir
um padrão correto e de alto nível desta re-
nomada publicação. As inovações introduzi-
das são :
— periodicidade determinada, com edi-
ções semestrais nas 4 séries tradicio-
nais — Antropologia, Botânica, Geo-
ciências e Zoologia;
— formação dos Conselhos Científicos
de cada série, constituídos de pesqui-
sadores de reconhecida competência
na comunidade científica nacional e in-
ternacional;
— aceitação de trabalhos não só na língua
portuguesa, como também em inglês,
francês ou espanhol.
Certos de que estas inovações contribui-
ião para o maior aprimoramento deste quase
secular Boletim, solicitamos a colaboração
dos leitores no sentido de aumentar sua efi-
ciência como veículo de divulgação de resul-
tados de pesquisaè científicas.
José Seixas Lourenço
Diretor
Museu Paraense Emílio Goeldi
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Série Zoologia.
v. 1 — n. 1 — 1984 —
Belém, Museu Paraense Emílio Goeldi.
Semestral
1 . Zoologia - Amazônia
CONTEÚDO
WILSON R. LOURENÇO — Revisão crítica das espécies de
Tityus do Estado do Pará (Scorpiones, Butidae) 5
DAVID C . OREN — Resultados de uma nova expedição zooló-
gica a Fernando de Noronha 19
INOCÉNCIO DE S. GORAYEB & JOSÉ A. RAFAEL — Ta-
banidae (Diptera) da Amazônia. V. Descrição de duas
espécies novas 45
RONALDO B. BARTHEM — Pesca experimental e seletivi-
dade de redes de espera para espécies de peixes ama-
zônicos 57
JOAO M. F. CAMARGO — Notas sobre hábitos de nidifica-
ção de Scaura ( Scaura ) latitarsis (Friese) (Hymenop-
tera, Apidae, Meliponinae) 89
HORST O. SCHWASSMANN — Species of Steatogenys Bou-
lenger (Pisces, Gymnotiformes, Hypopomidae) 97
JOÃO M. F. CAMARGO — Notas sobre o gênero Oxytngona
(Meliponinae, Apidae, Hymenoptera) 115
VICTOR PY-DANIEL — Simuliidae (Diptera : Colicomorpha)
no Brasil. II — Sobre o Simulium nahimi sp. n 125
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA. VOL. 1 (1): 5-18. ABRIL, 1984
Revisão crítica das espécies Tityus do
Estado do Pará (Scorpiones, Butidae).
Wilson R. Lourenço
Muscum National d’Histoire Naturelle, Paris
Resumo : Uma revisão crítica é proposta para as
espécies de Tityus do Estado do Pará. Tityus cambrid-
gei, T. silvestris, T. duckei, T. metuendus, T. magnimanus
e T. carvalhoi são espécies válidas; T. amazonicus, T. pa-
raensis e T. sampaiocrulsi são sinônimos de T . cambrid-
gei, enquanto que T. paraguayensis bispinosus é sinôni-
mo de T. silvestris.
INTRODUÇÃO
Entre 1897 e 1945, um total de 10 espécies pertencentes
ao gênero Tityus foram descritas ou confirmadps para o Es-
tado do Pará. Pocock (1897a), num artigo tratando de Arac-
nídeos coletados no Baixo Amazonas, descreveu as duas pri-
meiras espécies: Tityus cambridgei e Tityus silvestris;
Mello-Leitão em seu trabalho monográfico (1945) descreveu
Tityus carvalhoi e Tityus evandroi, as duas últimas espécies
com suas localidades típicas no Pará. ^
Nas monografias e trabalhos de revisão produzidos nes-
se período (Mello-Campos, 1924; Mello-Leitão, 193,1a, 1939,
1945), nenhuma revisão crítica foi proposta para as espécies
de Tityus do Estado do Pará, e os diferentes autores que se
sucederam aceitaram a validade das mesmas sem discussão.
Um trabalho giobal, tratando do levantamento e interpre-
tação da fáuna de escorpiões da Amazônia, passa obrigato-
riamente por revisões críticas; nesse sentido o presente tra-
balho constitui uma parcela importante desse projeto.
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
MATERIAL E MÉTODOS
A presente revisão foi realizada a partir do estudo de
um importante material do Estado do Pará e de regiões vizi-
nhas, tais como o Território do Amapá, Estado do Amazonas,
Estado de Mato Grosso, Guiana Francesa e Amazônia perua-
na. Sempre que possível, os tipos das espécies interessan-
tes ao estudo foram consultados, salvo nos casos em que os
mesmos se encontram definitivamente perdidos ou extravia-
dos.
As siglas utilizadas no presente trabalho são :
BMNH — British Museum (Natural History).
MNHN — Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris.
MNRJ — Museu Nacional, Rio de Janeiro.
IRSNB — Institut Royal des Sciences Naturelles de
Belgique.
MIZST — Museo ed Istituto di Zoologia Sistemática,
Torino.
ZMB — Zoologisches Museum, Berlin.
WL — Coleção Wilson Lourenço.
SINOPSIS DAS ESPÉCIES DE TITYUS DO ESTADO DO PARÁ
Tityus cambridgei Pocock, 1897a
(Fotos 1-6)
Tityus cambridgei foi descrito do Pará, sem indicação de
uma localidade precisa; é a espécie de Tityus mais freqüen-
temente encontrada no Estado, e exemplares de várias loca-
lidades foram examinados.
Essa espécie é válida, e uma diagnose completa é apre-
sentada num trabalho recente (Lourenço, 1983a) tratando da
fauna de escorpiões da Guiana, Francesa, região onde T. cam-
bridgei é igualmente muito comum.
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Lourenço, W.R. — Revisão crítica das espécies...
Material estudado: Pará: Belém: WL, 5$, 6$, 6 ima-
turos, A. Corrêa col., 15/111/1970. MNHN-RS-3285, 1 S . 1 $
1 6/XI/1 957 . Óbidos: MNHN-RS-1 128, 2 <$ , 1 $ . Sem locali-
dade: BMNH-1897, 1 <$ , 1 $ (tipos), E.E. Austen-F.P. Cam-
bridge leg.
Tityus silvestris Pocock, 1897a
(Fotos 7-9)
Esta espécie foi descrita de Santarém, Estado do Pará.
Ela é conjuntamente com Tityus cambridgei uma das duas
espécies mais comuns, do gênero, existentes nesse Estado.
Examinamos numerosos exemplares do Pará, Amazonas, Ama-
pá e da Guiana Francesa, o que nos leva a constatar que a
mesma deve corresponder a uma espécie polimórfica for-
mando raças locais que se destacam, em particular, pelo
tamanho dos indivíduos, que apresentam diferenças impor-
tantes nas relações morfométricas de diversos segmentos.
Esta espécie é válida sem nenhuma dúvida, e sua condição
de provável espécie polimórfica explica em parte as dificul-
dades de identificação encontradas por certos autores.
Material estudado: Pará: Belém: WL, 2 <5 , 3$, A. Cor-
rêa col., 15/111/1970. Santarém: BMNH-1897,' *1 3 (tipo), E.E.
Austen-F.P. Cambridge leg.
Tityus metuendus Pocock, 1897a
Tityus metuendus foi descrito de Iquitos, no Peru. Em
um trabalho recente (Lourenço, 1983b) esta espécie foi ana-
lisada e seu status confirmado como válido. A mesma foi
encontrada em ao menos duas localidades confirmadas para
o Estado do Pará: rio Curuá-Una e rio Tapajós.
Material estudado: Pará: rio Curuá-Una: WL, 1 $, O. F.
Pires col., 6/XI/1978 .
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
Tityus magnimanus Pocock, 1897b
Esta espécie foi descrita do Brasil, sem nenhuma pre-
cisão de localidade típica. Conquanto o coletor tenha sido
E. E. Austen, o mesmo responsável das coletas de Tityus
cambridgei e T. silvestris, a única precisão possível é que a
mesma teria sido coletada na região amazônica.
Mello-Leitão (1945) indica a ilha de Marajó no Estado do
Pará como localidade típica, o que é totalmente injustificado.
A confirmação da presença desta espécie no Estado do Pará
dependerá de novas coletas.
O estudo do exemplar-tipo demonstra que T. magnimanus
é uma espécie válida.
Tityus paraensis Kraepelin, 1896
Tityus paraensis foi descrito do Estado do Pará, sem a
precisão de uma localidade típica exata. O estudo do exem-
plar-tipo, um imaturo provavelmente $ , demonstra que esta
espécie é na realidade um sinônimo de Tityus cambridgei.
Material estudado: Pará: ZMB-kat. nr. 7658, 1 imaturo
($?) (holótipo).
Tityus duckei Borelli, 1910
Esta espécie foi descrita do Estado do Pará, igualmente
sem a precisão de uma localidade típica exata. O estudo
do exemplar-tipo nos leva a conclusão que se trata de uma
espécie válida, que apresenta diferenças importantes em re-
lação às outras espécies da região estudada; no entanto,
tendo-se em conta que o exemplar-tipo foi o único examina-
do, será prudente o estudo de um material mais abundante
a fim de confirmar-se a diagnose original.
Material estudado: Pará: MIZST-Sc-456 1 $ (holótipo).
8 —
Lourenço, W.R.
Revisão crítica das espécies...
Tityus amazonicus Giltay, 1928
Tityus amazonicus foi descrito de Castanhal Grande,
Óbidos, no Estado do Pará. O estudo do exemplar-tipo, um
imaturo ($), demonstra que esta espécie é igualmente um
sinônimo de Tityus cambridgei.
Material estudado: Pará: Óbidos - Castanhal Grande:
IRSNB-IN. 35 Ar. Mod. II, 1$-imaturo, P. Brien leg., 1922.
Tityus sampaiocrulsi Melli-Leitão, 1931b
Esta espécie foi descrita a partir de dois exemplares,
1 â e um imaturo, coletados na região do rio Cuminá, no
Estado do Pará. O tipo depositado no Museu Nacional, Rio
de Janeiro, encontra-se extraviado, não podendo ser estudado.
Em nosso recente trabalho sobre a fauna da Guiana
Francesa (Lourenço, 1983a), examinamos dois exemplares
imaturos que correspondem bastante à descrição original
de T. sampaiocrulsi; porém em nossa discussão levantamos
dúvidas quanto à validade da espécie. Uma reanálise do
material disponível e da descrição original, leva-nos a crer
que esta espécie igualmente teria sido descrita sobre exem-
plares imaturos de Tityus cambridgei.
A confirmação da presente sinonímia fica condicionada
ao estudo de mais material proveniente da localidade típica
(topótipos).
Tityus paraguayensis bispinosus Pessoa, 1935
Num trabalho sobre alguns escorpiões dos gêneros
Tityus e Bothriurus, Pessoa (1935) mencionou ter examinado
3 exemplares [2 3, 1$) de Tityus paraguayensis Kraepelin.
Ele considerou que um dos machos coletado em Parintins,
Estado do Amazonas, e a fêmea coletada em Terreno Mato
Grosso, concordaram perfeitamente com a descrição dada
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
por Kraepelin (1895) para T. paraguayensis; no entanto, o
segundo macho, coletado em Santarém, Estado do Pará, lhe
pareceu um pouco diferente, e ele propôs para essa forma
uma nova variedae que é denominada bispinosus.
Em seu trabalho monográfico, Mello-Leitão (1945) con-
derou Tityus bispinosus como uma espécie distinta, no en-
tanto nenhuma justificação é dada para tal mudança de status.
Lourenço (1979) num trabalho sobre diversas espécies
de Tityus recaracterizou T. paraguayensis, aceitando erronea-
mente a existência desta espécie no Estado do Pará. Já
nessa oportunidade, a questão do status da forma bispinosus
foi levantada; no entanto, tendo-se em vista a perda dos
exemplares estudados por Pessoa, nenhuma conclusão foi
obtida.
O estudo de um importante material da espécie Tityus
silvestris e a reanálise dos desenhos fornecidos por Pessoa
(1935), permitem-nos concluir que a forma bispinosus é um
sinônimo da primeira. Pessoa (1935), aliás, aproximou sua
variedade de T. silvestris, no momento em que a caracteriza.
As diferenças existentes entre silvestris e bispinosus são
unicamente de ordem intraespecífica.
Tityus carvalhoi Mello-Leitão, 1945
(Fotos 10-12)
Mello-Leitão (1945) descreveu esta espécie a partir de
uma $ coletada em Barra do Tapirapés, Estado do Pará. Por
ocasião de nosso estudo sobre as espécies do complexo
Tityus trivittatus (Lourenço, 1980) foram estudados dois
exemplares de T. carvalhoi, o tipo e um exemplar imaturo
coletado em Coluene-Xingu, Estado de Mato Grosso
Tityus carvalhoi é uma espécie válida, que se aproxima
bastante das espécies do complexo T. trivittatus, fugindo
assim ao padrão apresentado pela maior parte das espécies
amazônicas.
10 —
Lourenço, W.R. — Revisão crítica das espécies...
Material estudado: — Pará: Barra do Tapirapés: MNRJ,
1 $ (tipo), col., L. de Carvalho.
Tityus evandroi Mello-Leitão, 1945
Esta espécie foi descrita a partir de um exemplar Ç ,
coletado em Piratuba, Estado do Pará. O exame do exemplar
tipo não foi possível, visto que o mesmo se encontra igual-
mente extraviado.
Uma análise detalhada da descrição original e dos de-
senhos apresentados por Mello-Leitão (1945) demonstram
que esta espécie é estreitamente associada a Tityus metuen-
dus; no entanto, unicamente o estudo de topótipos poderá
resolver a questão do status de T. evandroi.
DISCUSSÃO
Se autores experientes como Kraepelin, Giltay e Mello-
Leitão descreveram espécies novas a partir de imaturos de
uma espécie já conhecida, deve-se este fato ao total desco-
nhecimento do desenvolvimento pós-embrionário e da evolu-
ção ontogenética das espécies em questão. Na verdade, es-
corpiões como Tityus cambridgei e Tityus meluendus, que
são totalmente negros quando adultos, apresentam os está-
giso imaturos de um colorido claro, amarelado, com inúme-
ras manchas escuras sobre o corpo. O padrão de colorido
subcuticular não muda com o desenvolvimento; no entanto,
após a aquisição do estágio adulto, a cutícula passa por um
processo de intensa esclerificação, escurecendo-se total-
mente, dando ao escorpião adulto o colorido negro e, ao mes-
mo tempo, impedindo a visualização das manchas subcuti-
culares (Lourenço, 1983c).
Outra questão importante é a presença de espécies po-
limórficas na região amazônica, como é o caso de Tityus
silvestres ■ Perante esse tipo de situação, muito cuidado é
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
necessário a fim de evitar-se que indivíduos isolados de po-
pulações diferentes [raças locais) venham a ser tomados por
espécies diferentes.
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos Drs. P. D. Hillyard (BMNH), Anna T. da
Costa (MNRJ), L. Baert (IRSNB), O. Elter (MIZST) e M.
Moritz (ZMB) pelo empréstimo do material-tipo necessário
ao presente trabalho. A J. Rebière pela realização das foto-
grafias.
SUMMARY
A criticai revision is proposed for the species of Tityus
from the State of Para (Brazil). Tityus cambridgei, Tityus
silvestris, Tityus metuendus , Tityus magnimanus and Tityus
carvalhoi are good species. Tityus amazonicus, Tityus pa-
raensis and Tityus sampaiocrulsi are synonyms of Tityus
cambridgei, and Tityus paraguayensis bispinosus is a synonym
of Tityus silvestris. Some comments concerning ontogenetic
variability and polymorphic species are also added.
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1897b— Descriptions of some new Species of Scorpions of the
Genus Tityus, with notes upon some forms allied to
T. amcricanus (Linn.). Ann . Mag. Nat. Hist., ser. 6,
19: 510-521.
(Aceito para publicação cm 05/37/83)
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELD1
ZOOLOGIA. VOL. 1 (1): 1944. ABRIL, 1984
Resultados de uma nova expedição zoológica
a Fernando de Noronha
David C. Oren
Museu Paraense Emílio Goeldi
Resumo : Resultados de uma expedição zoológica
ao arquipélago de Fernando de Noronha, de 1 a 13 de de-
zembro de 1982. As espécies de aves Egretta thula, Hy.
dranassa tricolor, Pluvialis squatarola, Charadrius semi-
palmatus, Catoptrophorus semipalmatus, Caliãris minu-
tilla, Limnodromus griseus, Hirundo rústica, Sporophila
leucoptera e Sicalis flaveola são registradas para o ar-
quipélago pela primeira vez. Tentativas de introdução
de Coragyps atraius e Amazona farinosa fracassaram
nos últimos anos, enquanto ainda permanece indetermi-
nada a situação de Aratinga solstitialis e Melopsittacus
undulatus, que poderão estabelecer-se em estado selva-
gem no futuro próximo. A situação dos demais verte-
brados do arquipélago é também discutida.
INTRODUÇÃO
O arquipélago de Fernando de Noronha, território federal
brasileiro localizado a 356 km da costa nordestina, é pouco
conhecido em termos de sua história natural. Recentemen-
te, Olson (1981) fez um relatório sobre os vertebrados, vivos
e extintos, que encontrou durante uma visita de 6 de julho
a 18 de agosto de 1973, e Oren (1982) revisou os dados or-
nitológicos disponíveis, acrescentando outros obtidos duran-
te uma visita de algumas horas em 1980. Em 1 de dezembro
de 1982, iniciamos uma pesquisa de 13 dias sobre a avifauna
noronhense, coletando também dados sobre os outros verte-
brados encontrados.
— 19
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
Dezembro marca o quinto mês da época seca em Fer-
nando de Noronha (Fig. 1), mas chuvas esparsas cairam du-
rante três dias de nossa estadia. A vegetação mostrava um
aspecto bastante seco, com exceção das árvores do gênero
Tabebuia (Bignoneaceae) que começavam a florescer abun-
dantemente. Os arredores da vila dos Remédios, que são
bem arborizados, também apresentavam condições mais
amenas do que a maioria das ilhas. Em nenhum riacho das
ilhas corria água, mas dois açudes represavam pequena quan-
tidade de água doce. Rebanhos de cabras e carneiros anda-
vam soltos, principalmente na parte central e oriental da ilha
Grande (ilha principal), desnudando a vegetação das poucas
folhas verdes que portava.
Concentramos a pesquisa na ilha Grande e na pequena
ilha do Meio, importante lugar de nidificação das espécies
de Sula (Fig. 2). A ilha Grande foi explorada pormenoriza-
damente, desde a ponta da Sapata até a baía de Santo An-
Fig. 1 — Precipitação mensal no arquipélago de Fernando de No-
ronha. (Fonte : Governo do Território de Fernando de Noronha e
Governo do Estado de São Paulo, 1981 : 16) .
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Oren, D.C. — Resultados de uma nova expodição...
Fig. 2 — Mapa do arquipélago de Fernando de Noronha, a = Açu-
de de Xaréu; c ilha do Chapéu do Sueste; f ilha de Fora;
i = ilha Ovos; ra ilha do Morro do Leão; q = Quixaba;
x = vila militar do aeroporto.
tònio. Fizemos recenseamento de aves marinhes com um
barco da Força Aérea Brasileira ao longo de leda a costa
norte do arquipélago, desde a ilha Rata até a ponta cia Sapa-
ta. As condições do mar impossibilitaram exploração simi-
lar na costa sul. Todavia, confirmamos por terra que a coete
sul era de pouca importância para aves marinhas por ser a
parte ba. I, aventa do arquipélago, recebendo c vento a as on-
das com toda sua força. Observações foram feitas com
binóculo. A coleta de espécimes foi efetuada com redes cie
captura ("mist nets") e espingarda. A coleção do 42 espé-
cimco de aves do arquipélago, agora ' depositado no Museu
f racr.se Emílio Goeldi, representa o único acervo brasileiro
do mote dal ornitológico proveniente do Fernando c!e Noro-
nha, com exceção da pequena coleção do cinco exemplar 3
— 21
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
doada ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, fruto da pesqui-
sa de Olson (1981). Os espécimes anatômicos de duas das
espécies de aves endêmicas nessa nova coleção são os úni-
cos existentes nos acervos do mundo.
Uma descrição da geologia e história do arquipélago
encontra-se no trabalho de Oren (1982). Antes de passar
para a administração da FAB, o arquipélago estava sob ju-
risdição do Exército Brasileiro, não da Marinha, como cons-
tado naquela referência. A FAB e a Marinha Brasileira ainda
colaboram com o abastecimento de Fernando de Noronha,
cabendo à Marinha a entrega do combustível, e à FAB, das
demais necessidades.
Este relatório inclui 10 espécies de aves anotadas pela
primeira vez no arquipélago, informações sobre tentativas
de introdução de mais duas, e dados sobre a situação atual
dos demais vertebrados.
Família phaethontidae
Phaethon aethereus aethereus Linnaeus
Das duas espécies de Phaethon encontradas no arqui-
pélago, P. aethereus é a mais rara. Durante os 13 dias que
passamos nas ilhas, observamos somente sete indivíduos,
quatro dos quais nas vizinhanças do morro do Pico, e outros
três sobrevoando a ilha Sela Gineta.
Phaethon lepturus ascensionis (Mathews)
Esta espécie, conhecida pelos ilhéus como “rabo de
junco", era bastante comum nos escarpados da ilha Grande
e ilhotas com pelo menos 50 m de altura. Os nichos usados
para nidificação eram buracos naturais na face das encostas
dos morros e escarpas das ilhas. A população total desta
espécie compreendia aproximadamente 200 indivíduos.
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Família fregatidae
Fregata magnificens Mathews
Esta espécie, conhecida como “alcatraz" ou “grapira"
no Brasil continental, leva o nome “catraia" no arquipélago.
Escolhia arbustos grandes ou árvores pequenas nas encostas
mais altas das ilhas para a construção de seus frágeis ninhos
de gravetos. Quatro a trinta ninhos foram agrupados um per-
to do outro. Foram machos os mais freqüentemente encon-
trados sentados nos ninhos. Não vimos nenhum macho com
o “papo" vermelho inflado, uma indicação de que os ninhos
já abrigavam a prole em desenvolvimento (Murphy, 1936).
As catraias se concentravam em redor do frigorífico da baía
de Santo Antônio, aguardando os pescadores que chegavam
no barco de pesca da FAB, em grupos de até 50 indivíduos.
Formavam uma revoada agitada, à espera das vísceras ex-
traídas do pescado. Em áreas onde existe o urubu, Fregata
magnificens só come restos animais que flutuam na água,
deixando o que cai nas praias para os urubus (Murphy, 1936).
Todavia, em Fernando de Noronha, onde não há urubu, a
catraia comia vísceras tanto as em terra como na água, apa-
nhando-as em vôo.
Freqüentemente observamos F. magnificens molestançlo
as várias espécies de Sula, a fim de forçar a regurgitação do
alimento ingerido por estas. Normalmente isto era feito
quando os dois voavam, mas, também, com a Sula pousada,
na água ou na terra. As agressões da catraia, às vezes,
chegavam a ser violentas, pegando a Sula no bico, na asa,
nas costas ou na cauda. Quando a Sula finalmente regurgi-
tava, a catraia apanhava comida no ar com muita habilidade.
Durante as visitas ao açude de Xaréu, freqüentemente
observamos indivíduos de F. magnificens descer e deslisar
na superfície da água com o bico aberto, a fim de beber a
água doce do reservatório. Raramente, alguns indivíduos
tocavam a superfície com o peito repetidas vezes, afrouxan-
— 23
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
do as penas ao tomar banho. Nunca observamos machos
neste contexto, sendo este comportamento limitado às fê-
meas e indivíduos com plumagem juvenil.
A população de F. magnificens no arquipélago é estima-
da em, aproximadamente, 300 indivíduos.
Família sulidae
Sula dactylatra dactylatra Lesson
1 pele HfPEG 34643 Cjov.) e 2 adultos e 1 jovem em álcool
Sula dactylatra é a espécie do gênero mais rara no ar-
quipélago. Preferia as planícies rochosas de superfície lisa
em áreas sem ratos e gatos para sua nidificação, uma con-
dição rara no arquipélago. Estas aves se concentravam
somente na ilha do Meio, ilha do Morro do Leão e na ilha
Ovos (Fig. 2), com uma população de 300 indivíduos aproxi-
madamente. A época de reprodução já havia terminado al-
gum tempo antes da nossa chegada, e 20% da população era
representada por indivíduos de plumagem juvenil, embora
já de tamanho adulto. Em redor do “ninho”, um mero ran-
gido nas rochas, não se apresentavam evidências do anel de
fezes característico, o que implica na nidificação em tempo
suficientemente distante, permitindo que as chuvas tenham
lavado as rochas (Murphy, 1936: 852). Quando pousada,
S. dactylatra se associava em grupos de quatro a vinte indi-
víduos. Esta usava a elevação dos escarpados das ilhotas
ao voar, correndo uma curta distância antes de se lançar
ao ar.
Sula leucogaster leucogaster (Boddaert)
2 peles MPEG 34633/45 Cá, jov.) e 1 adulto em álcool
A população de Sula leucogaster no arquipélago inteiro
totalizou aproximadamente 2000 indivíduos em dezembro de
1982. Oren (1982:7) estimou 2000 indivíduos para a popula-
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cm l
SciELO
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Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
=, IIBUdEM I
ii-
ção da limitada porção da costa que visitou em novembro
de 1980. A espécie estava em fase de nidificação em 1980,
enquanto que em dezembro de 1982 já tinha encerrado a re-
produção. A diferença nas estimativas da população pode
ser explicada pelo afastamento de parte da população no
término do ciclo reprodutivo (Murphy, 1936). É provável que
a porção da costa visitada em 1980 seja o local principal de
nidificação desta espécie no arquipélago.
Um terço da população desta ave encontrada em 1982
portava plumagem juvenil. Embora chamado de “atobá” no
Brasil continental, Sula leucogaster leva o nome de “mombe-
bo" em Fernando de Noronha. A espécie é exímia mergu-
lhadora e pescava na arrebentação das ondas da costa bar-
laventa, a qual era evitada pelas outras duas espécies de
Sula. Quando pousava em terra, sempre ficava perto da
água nas rochas recortadas e esculturadas pelo mar, voando
mais prontamente que as outras espécies do gênero. Sula
leucogaster é a menor espécie de “mombebo” em Fernando
de Noronha, o que facilita a pirataria de Fregata magnificens,
a qual mostrava preferência em perseguir esta espécie. Um
indivíduo de Sula leucogaster foi atacado, às vezes, por duas
ou mais “catraias" no mesmo tempo.
Sula sula sula (Linnaeus)
2 peles MPEG 34641/42 (?, J) e 1 adulto em álcool
Sula, sula, o “mombebo branco” dos populares, é a única
espécie do gênero em Fernando de Noronha que nidifica em
árvores e arbustos. A ave se encontrava em plena fase re-
produtiva em dezembro de 1982. Sempre escolhia as encos-
tas sotaventas para a colocação dos ninhos, construídos de
gravetos para formar uma plataforma para o ovo único; ra-
ramente, a fêmea põe dois ovos, mas somente um filhote
sobrevive (Murphy, 1936:866). Provavelmente é a única es-
pécie de Sula que ainda se reproduz em grandes números
— 25
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
na ilha principal do arquipélago, onde seus ninhos estavam
concentrados na costa norte (Fig. 2). Também nidificava
nas ilhas menores, mas em menor escala. Na ilha principal,
a grande maioria dos ninhos desta espécie já se encontrava
com os ovos ou filhotes, e alguns dos filhotes já tinham
atingidos a metade do tamanho dos adultos. Em contraste,
poucos ninhos da ilha do Meio já continham ovos. Ao visitar
esta ilhota, notamos que os adultos sentados em ninhos
vazios voavam quando nos aproximavamos a menos de dois
metros, enquanto a maioria dos adultos que chocava ovos
recusava absolutamente afastar-se do ninho, defendendo-se
com violentas bicadas.
Sula sula apresenta duas fases de plumagem em Fer-
nando de Noronha: branca e parda. A grande maioria das
aves portava plumagem da fase branca e, aproximadamente,
4% era da fase parda. Notamos que a fase parda mostrava
uma preferência pelas árvores próximas ao topo das es-
carpas.
Os filhotes mais desenvolvidos descançavam durante o
dia deitando-se no ninho com a cabeça e pescoço penden-
tes, o que dava o aspecto de estarem mortos. Mas com a
chegada de um dos pais, estes filhotes “mortos" logo se
animavam para receber alimentação.
No censo das aves marinhas, contamos aproximadamen-
te 4000 indivíduos de Sula sula em todo o arquipélago, 80%
dos quais na ilha Grande.
Família ardeidae
Egretta thula thula (Molina)
No dia 12 de dezembro de 1982 observamos uma “garça
branca" pousada na beira do açude do Xaréu. Era muito
tímida e levantou vôo ao perceber nossa presença. Vários
ilhéus e militares nos informaram que um casal desta garça
26 —
Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
costumava aparecer na pista de pouso do aeroporto e em
um pequeno lago perto da pousada Esmeralda, desde o iní-
cio de novembro. Na semana anterior de nossa chegada,
alguém baleou e comeu uma das garças. Desde então o
sobrevivente se afastava da presença humana, provavelmen-
te se alimentando na costa do arquipélago. Este é o primei-
ro registro para Egretta thula em Fernando de Noronha.
Hydranassa tricolor tricolor (Müller)
Um indivíduo jovem deste ardeídeo se encontrava dia-
riamente entre 2 a 7 de dezembro na margem do açude do
Xaréu. Voava 20 a 50 m ao perceber nossa presença, pou-
sando em pequenas árvores uns 5 m da beira do reservató-
rio. Depois levantava vôo de novo rumo à costa sul da ilha
Grande. Este é o primeiro registro da espécie em Fernando
de Noronha e a ocorrência mais ao sul já registrada para
H. tricolor, que normalmente se distribui no Equador (paísi
Peru, leste da Venezuela, Guianas e na costa norte do Brasil,
do Amapá ao Piauí (Mayr & Cottrell, 1979:208). A família
Ardeidae é bem conhecida pela tendência dos jovens para
vagarem e indivíduos, às vezes, aparecem a centenas ou
milhares de quilômetros de sua distribuição normal (Hancock
& Elliott, 1978). Assim, não é tão surpreendente descobrir
este indivíduo errante.
Família charadriidae
Pluvialis squatarola (Linnaeus)
Este é o primeiro registro de Pluvialis squatarola em
Fernando de Noronha. É comum ao longo de toda a costa
brasileira durante o inverno setentrional (Pinto, 1978). Em-
bora, não abundante, era comum ver quatro a dez indivíduos
espalhados ao longo da costa pedregosa durante visitas ao
— 27
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
litoral. Nunca se aglomerou em grupos. Usualmente apa-
receu em associação com Arenaria interpres e era mais
comum na costa barlaventa.
Pluvialis dominica dominica (Müller)
Em 6 de dezembro de 1982, observamos, pela manhã,
um único indivíduo desta espécie na pista de pouso do aero-
porto. Pela tarde no mesmo lugar, vimos um bando de três
indivíduos se associando com cinco Numenius phaeopus.
Aparentemente a espécie passa pelo arquipélago no caminho
para destinos mais ao sul e não permanece além de períodos
breves. Não sabemos se P. dominica também passa por
Fernando de Noronha nas migrações rumo ao norte.
Charadrius semipalmatus Bonaparte
Vimos alguns indivíduos desta espécie de maçarico dia-
riamente na costa e também no reservatório do Xaréu. Nor-
malmente se encontrava sozinho, mas, uma vez, observamos
dois indivíduos descansando juntos a um grupo de 19 Are-
naria interpres e dois Catoptrophorus semipalmatus na
costa da ponta das Caracas. Charadrius semipalmatus se
reproduz no interior e na costa norte-americana, ocorrendo
nas costas pacífica e atlântica da América do Sul durante o
inverno setentrional. Este é o primeiro registro para a es-
pécie em Fernando de Noronha.
Arenaria intrepres morinella (Linnaeus)
1 adulto em álcool
Bandos numerosos de Arenaria interpres eram comuns
em Fernando de Noronha em dezembro de 1982, tanto na
costa rochosa como na beira do reservatório do Xaréu. Ge-
28 —
.SciELO,
Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição..
ralmente andavam em grupos de quatro a vinte indivíduos,
mas, às vezes, aparecia sozinha. Associava-se com outras
espécies de aves costeiras e, nos campos salgados perto
da praia do Atalaia, este maçarico forrageava em associação
com Zenaida auriculata. Arenaria interpres, bem como Ca-
toptrophorus semipalmatus e Numenius phaeopus, eram
ocasionalmente caçados pelos residentes de Fernando de
Noronha que abatiam as aves a tiro de espingarda.
Família scolopacidae
Actitis macularia macularia (Linnaeus)
Observamos este “maçariquinho" em quatro ocasiões
no açude do Xaréu, possivelmente o mesmo indivíduo, pois
sempre aparecia sozinho na margem lamacenta. Este é o
primeiro registro para a espécie em Fernando de Noronha.
Catoptrophorus semipalmatus semipalmatus (Gmelin)
Observamos esta espécie de maçarico duas vezes em
dezembro de 1982. No dia 3 dois indivíduos descansavam
na costa rochosa da ponta das Caracas em companhja de
Arenaria interpres e Charadrius semipalmatus . No dia 5 um
indivíduo forrageava na beira do açude do Xaréu em asso-
ciação com várias outras espécies de Limicolae. Este é o
primeiro registro para a espécie em Fernando de Noronha,
o que não surpreende, pois é bem conhecida na costa brasi-
leira, desde o Amapá até o Rio Grande do Sul (Pinto,
1978:102).
Calidris minutilla (Vieillot)
Observamos um indivíduo de Calidris minutilla na mar-
gem do reservatório do Xaréu em 5 de dezembro. Era me-
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nos tímido do que as outras espécies de maçaricos, possi-
bilitando uma aproximação muito grande. Este é o primeiro
registro em Fernando de Noronha para a espécie, sendo esta
amplamente distribuída na costa brasileira desde o Amapá
até a baía de Todos os Santos durante o inverno setentrional
(Pinto, 1978:103).
Numenius phaeopus (Linnaeus)
O “maçarico de bico torto" era uma espécie notável na
costa do arquipélago, no reservatório do Xaréu e na pista de
pouso do aeroporto. Sempre andava em pares ou grupos
maiores de até seis indivíduos. Era bastante tímido, pois
os residentes da ilha Grande o caçavam com espingarda.
Numenius phaeopus espantava as outras espécies de Limi-
colae ao afastar-se voando enquanto vocalizava. Olson
(1981) coletou dois indivíduos de N. phaeopus durante sua
visita em 1973, sendo um da subespécie hudsonicus que
nidifica na América do Norte, enquanto o outro era da raça
européia (N. p. phaeopus), que é o primeiro relato desta for-
ma na América do Sul. Existe uma grande probabilidade de
que os indivíduos vistos em dezembro de 1982 eram N. p.
hudsonicus, mas, faltando espécimes, não podemos discer-
nir a que forma pertenciam.
Limnodromus griseus griseus (Gmelin)
Um par de Limnodromus griseus andava na água rasa
do açude do Xaréu e aprofundava o bico até mergulhar a
cabeça, em 3 de dezembro. Os dois estavam em companhia
de outros maçaricos, mas não se associavam intimamente
devido à maneira única de procurar comida. Este é o primei-
ro registro da espécie em Fernando de Noronha.
30 —
Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
Família laridae
Sterna fuscata fuscata Linnaeus
Embora presente em pequenos números em Fernando
de Noronha em dezembro de 1982, o arquipélago não apre-
senta condições propícias para a espécie, pois esta prefere
áreas planas em ilhas sem predadores. Confirmamos a ni-
dificação somente na pequena ilha de Fora onde a espécie
usava o topo arredondado da ilhota. A população de Sterna
fuscata em Fernando de Noronha não foi além de 50 indiví-
duos. É bem possível que indivíduos nidificando no atol da
Rocas, distante a 134 km a oeste, visitem Fernando de No-
ronha regularmente, pois alí a população atinge dezenas de
milhares de indivíduos (Anon., 1979); a espécie se afasta do
atol durante a época não reprodutiva.
Anous stolidus stolidus (Linnaeus)
Esta espécie é abundante em Fernando de Noronha,
onde os ilhéus a chamam de “viuvinha”, sem distinguí-la da
outra espécie do gênero. Anous stolidus preferia os nichos
pequenos dos escarpados quase verticais da costa sotaven-
ta, mas também usava as plataformas mais largas na beira
do mar para descançar. A. stolidus não estava se reprodu-
zindo durante nossa visita em dezembro de 1982, quando a
população era de aproximadamente 2000 indivíduos.
Anous minutus atlanticus (Mathews)
2 peles, MPEG 34466/67, 9 ’s, e 1 adulto em álcool
Anous minutus era a espécie de ave marinha mais co-
mum do arquipélago em dezembro de 1982, com uma popu-
lação de pelo menos 5000 indivíduos. Muitos destes pas-
savam o dia pousados em árvores perto da beira-mar na costa
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sotaventa. Eles acumulavam algas e outro material vegetal
para a construção de ninhos nos galhos mais grossos das
árvores. Também construíam os ninhos nos escarpados.
Nenhum indivíduo ainda tinha posto ovos, mas a defesa dos
pequenos territórios em redor dos ninhos era agressiva, o
que implica crescente prontidão para a reprodução.
Gygis alba alba (Sparrman)
Esta espécie de larídeo é chamada de “viuvinha branca”
pelos ilhéus. Quase sempre se achava em grupos de dois,
três ou quatro indivíduos; observei um indivíduo solitário
uma única vez. A espécie mostrava uma acentuada, prefe-
rência para o distrito desabitado do leste da ilha Grande,
onde era freqüentemente vista pousada em galhos de árvo-
res ou voando. Até ao pescar andava em grupos pequenos.
Tinha uma concentração dispersa de aproximadamente 60
indivíduos em árvores nas encostas entre a enseada do Car-
reiro da Pedra e a ponta da Sapata (Fig . 2). É provável que
estes indivíduos estivessem em fase reprodutiva, mas a área
era inacessível, impossibilitando a verificação. Gygis alba
não constrói ninho nenhum, mas põe o único ovo direta-
mente num galho (Murphy, 1936:1167). Às vezes, usa ro-
chas para nidificar, mas somente em ilhas sem vegetação
arborescente. A população desta ave em Fernando de No-
ronha em dezembro de 1982 era de, aproximadamente, 250
indivíduos. G. alba facilmente permitia a aproximação
quando pousada, e olhava o observador com aparente curio-
sidade. Casais em vôo, também aproximavam-se dos seres
humanos, especialmente os de traje branco, uma cor atraen-
te para as aves. A vocalização mais comum da espécie era
uma estranha combinação de um guincho com um rosnado,
o que compara bem com a primeira nota do canto do tucano
Ramphastos tucanus.
32 —
Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição..
Família columbidae
Zenaida auriculata noronha Chubb
1 pele MPEG 34468 ( $ ), e 1 adulto em álcool
A “arribaçã” era muito abundante em Fernando de No-
ronha em dezembro de 1982, encontrada em todos os habi-
tais, desde a costa rochosa pouco distante da arrebentação
das ondas até os topos dos morros mais altos. Zenaida
auriculata é a única ave terrestre que se encontra no arqui-
pélago inteiro, e se movimentava livremente entre as ilhas.
É notável a observação de Oren (1982) que viu um casal
voando para a costa nordestina, distante uns 50 km de
Fernando de Noronha, pois, isto implica na possibilidade de
movimentos regulares de Z. auriculata entre o arquipélago
e o continente.
Em dezembro encontramos somente três ninhos da “ar-
ribaçã” colocados em árvores de 5 — 8 m de altura. Através
dos habitantes do arquipélago, a informação é de que a gran-
de maioria destas aves nidifica em maio a junho, às vezes,
estendendo até agosto a época reprodutiva. Mil-hares de
casais se concentram na pequena ilha do Chapéu do Sueste,
localizada na entrada da baía do Sueste (Fig. 2). Antigamen-
te, a espécie era perseguida predatoriamente na ilha do
Chapéu do Sueste. Atualmente, a “arribaçã” goza de pro-
teção quase que completa na ilhota durante a época repro-
dutiva, devido à ordem do Governador do arquipélago. A
nidificação na ilhota é exclusivamente no chão.
Durante a época seca, muitos residentes de Fernando
de Noronha caçam Z. auriculata com espingarda. Sua popu-
lação, entretanto, é tão grande que, por enquanto, esta caça
não representa uma ameaça à espécie no arquipélago, uma
vez que se estende somente durante a fase não reprodutiva.
Ao mesmo tempo, alguns habitantes expressavam o desejo
de caçar esta "pomba de bando” a fim de vendê-la como
tira-gosto no continente. Além de violar as leis brasileiras
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que protegem a fauna, tal atividade modificaria completa-
mente a situação da espécie em Fernando de Noronha. Cal-
cula-se uma população de pelo menos 500.000 indivíduos de
Z. auriculata no arquipélago, o que serve perfeitamente para
o aproveitamento da comunidade humana local, mas acabaria
logo com a introdução de caça com fins de exportação para
o continente.
A presença de Z. auriculata em Fernando de Noronha é
antiga, pois Olson (1981) encontrou restos fossilizados desta
espécie. A introdução de Rattus rattus, Felis cattus, e, ulti-
ma‘mente, o teju, Tupinambis teguixin, provavelmente tenha
modificado muito a situação da “arribaçã" no arquipélago.
Onde estes predadores existem a nidificação no chão torna-
se inviável, e nem os ninhos em árvores são sempre salvos
ao rato e gato. É incalculável o número de aves desta es-
pécie que as ilhas abrigavam antes da introdução dos preda-
dores.
Durante nossa visita de 1982, Z. auriculata se mantinha
quase que completamente muda. Escutamos um baixo e
longo “coooo!" menos de dez vezes. Quando forrageava,
freqüentemente misturava-se com Arenaria interpres na cos-
ta barlaventa. Foi observada voando sozinha ou em grupos
de até 50 indivíduos, sendo que bandos de dois a seis eram
os mais comuns. O alimento preferido da espécie era a
semente de arbustos do gênero Croton (Euphorbiaceae),
também de suma importância na dieta desta ave no conti-
nente (Aguirre, 1976).
Família psittacidae
Aratínga solstitialis jandaya (Gmelin)
Um indivíduo do psitacídco conhecido como “jandaia”
pelos populares vivia solto num estado semi-selvagem nos
arredores da vila dos Remédios em 1982. Soubemos atra-
Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição..
vés dos ilhéus que tinha escapado do cativeiro alguns me-
ses antes. Havia pelo menos mais três exemplares cativos
desta espécie no arquipélago.
Melopsittacus undulatus (Shaw)
Um macho desta espécie escapou de cativeiro na vila
militar perto do aeroporto em 6 de dezembro. Os residen-
tes afirmaram que não era o primeiro “periquito australiano”
a fugir de gaiola durante os últimos tempos, o que alimenta
a possibilidade de que a espécie se estabeleça aqui no esta-
do selvagem no futuro. Havia várias colônias deste periqui-
to entre as casas dos residentes.
Família tyrannidae
Elaenia spectabilis ridleyana Sharpe
6 peles MPEG 34469-74 (5o , 1$) e 4 adultos em álcool
Este tiranídeo endêmico a nível de subespéeie era co-
mum nas partes da ilha Grande menos afetadas pelos ani-
mais domésticos. Os ilhéus a chamavam de “cocuruta",
nome também aplicado aos membros deste gênero no Nor-
deste brasileiro. Enquanto dois machos coletados tinham
testículos grandes, os demais espécimes não estavam em
condição reprodutiva. Não observei nenhum ninho ou outra
evidência de reprodução por parte da Elaenia em dezembro.
Todos os espécimes tinham depósitos consideráveis de gor-
dura no corpo. Esta espécie de Elaenia andava em pequenos
grupos de dois a oito indivíduos, e era muito barulhenta,
com vocalizações altas e freqüentes. Eram bastante variá-
veis e incluíam assobios melodiosos, trinados em séries
descendentes e silvos ásperos. Lembravam notas similares
de E. flavogaster do continente, embora emitidas com maior
freqüência.
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A cocuruta preferia os hábitats bem arborizados onde
comia frutos e insetos apanhados na folhagem. Forrageava
desde a faixa baixa da vegetação até o topo das árvores,
usando principalmente os comportamentos " upward hover
glean" e “perch glean" e, raramente, “aerial hawk" (senso
Fitzpatrick, 1980:44). Embora muitas vezes mais rara do que
o Vireo ou Zenaida, a poupulação da Elaenia em Fernando de
Noronha era numerosa, estimada em aproximadamente 1000
indivíduos espalhados principalmente no centro e oeste da
ilha Grande. Olson (1981) observou a Elaenia na ilha Rata
durante sua estadia em 1973, mas nós não visitamos aquela
ilha. Podemos confirmar, porém, que a espécie não ocorria
ilha do Meio.
Família hirundinidae
Hirundo rústica rústica Linnaeus
Um único indivíduo jovem desta espécie de andorinha
pousava num fio elétrico em Quixaba na ilha Grande em 4
de dezembro de 1982. O pássaro era muito manso, possi-
bilitando uma aproximação muito grande. Confirmamos que
o centro do abdômen era branco puro e que as manchas
brancas da cauda eram bastante reduzidas, o que nos leva
a crer que se tratava da subespécie européia deste pássaro
migratório. Este é o primeiro registro para a espécie em
Fernando de Noronha e para a raça européia na América do
Sul.
Família vireonidae
Vireo gracilirostris Sharpe
13 peles MPEG 34475-87 (3 $ , 59, 5 jov.) e 4 adultos em álcool
Esta, a única ave endêmica a nível de espécie em Fer-
nando de Noronha, era abundante em todos os habitats com
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Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
boa cobertura vegetal em 1982. Não observamos nenhum
ninho ativo e a população incluia muitos jovens. A pluma-
gem dos adultos era muito gasta. Tudo isto leva a crer que
a reprodução deste vireonídeo é estacionai, provavelmente
ligada à época chuvosa. Principalmente os jovens, mas
também alguns adultos, sofriam de infestação de pequenas
larvas de dípteras nos músculos da parte distai do tibiotar-
so. Mesmo a infecção deixando a perna muito inflamada
com exsudações, as larvas não pareciam incomodar os pás-
saros.
Os ilhéus chamavam esta espécie de “sebito", nome
também dado a inúmeros passarinhos pardacentos sem ca-
racterísticas de destaque no Nordeste. Este pássaro mos-
trou flexibilidade impressionante na procura de sua comida,
que constava exclusivamente de pequenos artrópodos. Co-
letava sua alimentação nas folhas, no tronco de árvores, em
inflorescências e no chão e pendurava-se habitualmente de
cabeça para baixo ao forragear (cf. Olson, 1981). Procurava
comida desde o topo das árvores até o chão, onde corria
pequenas distâncias atrás da presa, lembrando mais um tro-
gloditídeo do que um vireonídeo. A voz era bastante variá-
vel e incluia pios simples que lembravam a voz do pardal
(Passer domesticus), um canto de quatro notas típico dos
vireonídeos, e um alto e fino assobio. A espécie não tinha
medo de seres humanos, e foi fácil atrair até 20 indivíduos
de uma vez fazendo simples chios. Sua mansidão era até
charmosa, mas apresentava certo perigo aos passáros que
eram alvo preferido das baladeiras dos meninos residentes
do arquipélago.
Família btungillidae
Paroaria dominicana (Linnaeus)
O “galo de campina” mantém uma tênua ocorrência em
Fernando de Noronha, onde a espécie era rara em 1982.
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Através dos ilhéus soubemos que a população de Paroaria
dominicana estabelecida no arquipélago por pássaros que
fugiram de cativeiro, dizimou com a seca de 1980-81. Porém,
a população local é reforçada periodicamente com a libera-
ção de novos indivíduos provenientes do mercado de Recife.
Permanece incerto se P. dominicana virá estabelecer-se con-
cretamente no estado selvagem em Fernando de Noronha.
Sporophila leucoptera subsp.
Uma forma de Sporophila leucoptera habitava a extensa
área de capinzal ao redor do açude de Xaréu em 1982. Este
passarinho era raro e nunca vimos mais de três indivíduos
ao mesmo tempo. O macho era cinza com uma pequena
mancha branca na asa, o centro da barriga branco e o bico
preto. A única vocalização ouvida era um fraco “pio!" dado
ao voar. Comia sementes de capim e flores da erva Lantana.
É curioso que nenhum residente em Fernando de Noronha
sabia da presença desta espécie no arquipélago. Infeliz-
mente, não obtivemos espécimes desta Sporophila que, ou
foi introduzida, ou é forma natural do arquipélago que pas-
sou despercebida à ciência até agora. Aparentemente a dis-
tribuição da espécie limita-se aos arredores do açude, o
único habitat dominado por gramíneas no arquipélago. A
verificação da posição sistemática deste passarinho deve ser
prioritária para futuras pesquisas em Fernando de Noronha.
Sicalis flaveola brasiliensis (Gmelin)
Soubemos através dos ilhéus que tentativas deliberadas
da introdução do “canário da terra" em Fernando de Noronha
fracassaram nos últimos anos. A primeira em 1952 não teve
sucesso, pois todos os 60 indivíduos importados eram ma-
chos! Desde então outros indivíduos foram trazidos e libe-
rados, mas a seca de 1980-81 dizimou a pequena população.
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Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
Observamos somente um indivíduo livre em 1982 e vários
outros em cativeira. Os ilhéus não reconhecem a diferença
de plumagem existente entre o macho e a fêmea, o que di-
ficulta o verdadeiro estabelecimento desta espécie em es-
tado selvagem no arquipélago.
OUTROS VERTEBRADOS
A fauna silvestre de vertebrados em Fernando de Noro-
nha inclui quatro espécies de mamíferos, quatro de répteis
e dois de anfíbios. Todas são introduzidas, com exceção
de dois répteis que são endêmicos.
O roedor Kerodon rupestris, chamado de “mocoó" pelos
ilhéus, foi introduzido na ilha Grande em 1967, e era encon-
trado ocasionalmentc nas encostas rochosas dos morros. O
camundongo Mus musculus era muito abundante, bem como
o gato doméstico Felis cattus. Não vimos nenhum rato
(Rattus rattus), mas os ilhéus informaram da presença dele
na vila. Além destes mamíferos adaptados ao estado selva-
gem em Fernando de Noronha, o arquipélago também abriga-
va cabras, carneiros, bovinos, cachorros e cavalos que per-
maneciam domésticos.
O lagarto endêmico Mabuya maculata era abundante em
habitats com boa cobertura arbustiva e arbórea, mas substi-
tuído quase que completamente pelo teju, Tupinambis tegui-
xin, nas áreas sob influência das cabras e carneiros. Atra-
vés dos ilhéus, soubemos que um único casal de T. teguixin
foi introduzido em 1960. Em 1982 a espécie dominava certas
partes da ilha Grande, apesar de ser caçada como fonte ali-
mentar pelos residentes. Os filhotes eram muito comuns
no chão nos pastos das cabras e carneiros, correndo rapida-
mente ao aproximar-se um ser humano. Em contraste, a
Mabuya maculata preferia árvores e superfície verticais e
mostrava hábitos muito meigos, deixando o ser humano
aproximar muito, até subindo em pessoas sentadas. O ge-
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
conídeo Hemiclactylus mabouia era ocasionalmente visto em
habitações durante a noite. Sua presença no arquipélago
data pelo menos do século XIX, pois Boulenger (1890) rela-
tou os espécimes que Ridley coletou em 1887. Olson (1981)
indicou que a endêmica Amphisbaena ridleyana, o “lagarto
de duas cabeças", era comum durante sua visita de 1973.
Porém, procuramos a espécie em vários lugares e só a en-
tramos uma única vez, escondida em baixo de pedras no
jardim do Governador. É possível que A. ridleyana esteja
em declínio no arquipélago.
As duas espécies de anfíbios introduzidos, Bufo parac-
nemis e Hyla ruber, são noturnas. O número de indivíduos
do Bufo era impressionante à noite quando saíam do esgoto
e outros esconderijos perto de habitações. Alguns atingiam
tamanhos impressionantes de mais de 20 cm. A perereca
(H. ruber) era antropófila, também, preferia banheiros e ou-
tros ambientes úmidos em domicílios. Estas duas espécies
de anfíbios não constam nos relatórios antigos da zoologia
do arquipélago e provavelmente foram introduzidos durante
o presente século.
INTRODUÇÕES DE
ANIMAIS ALIENÍGENAS NO ARQUIPÉLAGO
Em geral, a fauna de Fernando de Noronha vem aumen-
tando ultimamente graças as introduções de animais aliení-
genas ao arquipélago. Além das espécies acima tratadas,
soubemos da existência de tentativas de introdução de mais
duas espécies de aves e de uma cobra. As aves são o urubu
preto (Coragyps atratus) e o papagaio moleiro (Amazona
farinosa), trazidas nos anos 60. A identidade exata da cobra
é ignorada. Nenhuma destas espécies se estabeleceu com
êxito. Tais introduções continuam até hoje, facilitadas pelo
livre acesso dos residentes ao continente através de trans-
porte aéreo. Os residentes regularmente voam para Recife
a fim de fazer compras, voltando ao arquipélago no mesmo
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Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
dia e freqüentemente trazem animais. No caso das aves,
guardam os animais por algum tempo. Se a ave cantar bem,
permanece em cativeiro; se não, é liberada. Considerando
a pobreza biológica dos ambientes terrestres das ilhas, algu-
mas destas introduções são recomendáveis, como a do
mocoó (Kerodon rupestris). Ao mesmo tempo, até hoje o
saldo destas introduções é negativo, por modificar profunda-
mente os sistemas naturais. A ilha Grande, por exemplo,
já não pode ser utilizada pela grande maioria das aves ma-
rinhas para sua nidificação devido à presença de gatos e
ratos. Lembramos do descobrimento de fosseis de uma nova
espécie de ralídeo no arquipélago, realizado por Olson (1981);
é provável que esta ave entrasse em extinção devido à intro-
dução de predadores pelos europeus.
O governo atual do território está preocupado com o
desenvolvimento econômico do arquipélago. A política de
introduções é importante neste contexto. Tentativas de am-
pliação da agricultura poderão ser frustradas caso o periquito
australiano (Melopsittacus undulatus) e a jandaia (Aratinga
solstitialis) se estabelecerem em estado selvagem, pois es-
tas espécies atacam plantações. A inoportuna introdução
do lagarto teju impossibilita o estabelecimento da qualquer
espécie de ave que nidifica no chão, como o caso dos inham-
bus e outros tinamídeos, que seriam benéficos no arquipé-
lago. É recomendável o maior controle de importação' de
animais silvestres por parte das autoridades responsáveis
pelo território. Apesar das modificações sofridas até agora,
o arquipélago de Fernando de Noronha é ainda um recurso
natural singular com populações importantes de aves mari-
nhas e terrestres. É necessário uma política explícita que
proteja estes recursos para que as introduções não planeja-
das sejam evitadas. Os critérios para a seleção de espécies
a serem introduzidas deliberadamente na área devem ser
estabelecidos por biólogos especializados no assunto, usan-
do a maior cautela possível, para que a balança natural dos
sistemas existentes no arquipélago seja garantida.
— 41
SciELO
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
AGRADECIMENTOS
Somos gratos a: F.C. Novaes (Museu Goeldi) pelo au-
xílio crítico do manuscrito; ao Cel. Wellington de Carvalho,
Governador do Território Federal de Fernando de Noronha e
à Força Aérea Brasileira, especialmente Maj. R. Hoog, chefe
do gabinete do Governador, pelo apoio generosamente cedi-
do no arquipélago; ao Capitão K. Bauer-Schmidt, G.T. Prance
(N Y Botanical Garden) e a gerência da Society Expeditions
(Seattle, EUA), que possibilitaram o desembarque em Fer-
nando de Noronha; a S.A. Marques (Museu Goeldi) e S.M.L.
Resende (IBDF) pela assistência com o português; e a M.F.
Simões (Museu Goeldi) pelo auxílio editorial.
SUMMARY
This paper reports the results of a zoological study of
the archipelago of Fernando de Noronha conducted in
December 1982 with emphasis on the avifauna. The follow-
ing bird species are recorded for the archipelago for the
first time: Egretta thula, Hydranassa tricolor, Pluvialis squa-
tarola, Charadrius semipalmatus, Catoptrophorus semipalma-
tus, Calidris minutilla, Limnodromus griseus, Hirundo rústica,
Sporophila leucoptera and Sicalis flaveola. Individuais of
Aratinga solstitialis and Melopsittacus undulatus have re-
cently escaped from captivity on the main island and may
establish breeding populations in the future. Past attempts
to establish Coragyps atratus and Amazona farinosa in the
wild failed. Population estimates of the avifauna are reported,
as well as the status of the archipelagos four species of
mammals, four reptiles and two amphibians. The 42 specimen
avian collection is today deposited in the Goeldi Museum in
Belém. Past introductions of exotic animais have profoundly
modified many of the habitats of Fernando de Noronha; intro-
Oren, D.C. — Resultados de uma nova expedição...
ductions continue up until today. A general policy which
Controls the importation of animais to the archipelago is
recommended to guarantee the integrity of the island group's
unique natural resources.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Nordeste, Zenaida auriculata noronha Chubb. Rio de Ja-
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Nacional do Pico da Neblina, Parque Nacional da Serra
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of Comparative Zoology. V. 1.
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1936 — Oceanic birds of South America. New York, American
Museum of Natural History.
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA. VOL. 1 (1): 45-55. ABRIL, 1984
n
Tabanidae (Diptera) da Amazônia. V. Descrição
de duas espécies novas
Inocêncio de Sousa Gorayeb (’)
José Albertino Rafael ( 2 )
Resumo : Descritas duas espécies novas de mutu-
cas (Diptera : Tabanidae) : Philipotabanus (Melasmata-
banus) pictus e Tabanus sextriangulus. São apresenta-
das diagnose diferencial para as duas espécies, chave
para as espécies de Philipotabanus (Melasmatabanus) e
um gráfico da possível distribuição sazonal de T. sex-
triangulus. Desenhos da fronte, antena, palpo, asa e
abdômen ilustram as descrições.
INTRODUÇÃO
Muitas espécies de tabanídeos das regiões de florestas
subtropicais e tropicais úmidas são desconhecidas. "Isso
devido: 1) — ao baixo número dí- coletas específicas e diri-
gidas até hojo executadas; 2) — a precariedade e restrições
dos meios de coleta; e 3) — as vastas áreas de difícil aces-
so até hoje pouco exploradas por entomólogos.
Vê-se ainda hoje na literatura um considerável númeio
de trabalhos descritivos, caracterizando a fase em que se
encontra o conhecimento dos tabanídeos destas florestas
nas regiões neotropicais. Muitas espécies são conhecidas
somente pelas fêmeas, outras pelos poucos exemplares da
série típica e quase nada se conhece da biologia, ecologia e
comportamento destes insetos.
(1) — Museu Paraense Emílio Goeldi
(2) — Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
— 45
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
Este trabalho contribui para o conhecimento dos tabaní-
deos neotropicais, apresentando a descrição de Pbilipotaba-
nus (Melasmatabanus) pictus e Tabanus sextriangulus.
Philipotabanus (Melasmatabanus) pictus sp. n.
(Fig. 1 a-c, 3 a)
Espécie de tamanho médio a pequeno, fronte estreita,
asa com enfuscação transversal escura, patas negras.
Fêmea: corpo com 10,8mm e asa com lO.Omm. Olhos gla-
bros, cor não observada em vida. Fronte (Fig. Ia) 7,5 vezes
mais alta que a largura basal; calo frontal brilhante, proje-
tando-se para cima; vértice com placa ocelar sub-brilhante
e sem vestígios de ocelos. Subcalo polinoso, amarelo-ferru-
gíneo. Frontoclípeo e gena com polinosidade cinzento-escu-
ra, pêlos esparsos e de colorido mais claro. Antena (Fig. 1b)
com o escapo e pedicelo castanhos, de pêlos negros; flagelo
de placa basal alaranjada e o estilo escuro. Palpo (Fig. 1c)
delgado, castanho e de pêlos negros curtos. Probóscida con-
sideravelmente mais longa que o palpo, labela mole, grande
e ocupando aproximadamente metade da probóscida.
Mesonoto de marrom a castanho, com pêlos negros
curtos mesclados com alguns mais claros na parte anterior.
Escutelo mais claro, com margem posterior castanho-clara,
quase amarela, possuindo pêlos brancos. Mesopleura cin-
zenta, mais clara que a face, de pêlos brancos. Patas ante-
riores negras com pêlos negros; patas médias e posteriores
marrom-avermelhadas escuras, também com pêlos negros;
coxas mais claras que o restante das patas. Asa como na
Fig. 3a basicosta com algumas cerdas esparsas, fáscia escu-
ra larga, sua borda distai chegando até a forquilha da 3^ veia
e sua borda posterior difusa, mas quase chegando até a
borda posterior da asa.
Urotergitos abdominais escuros, com pêlos negros e
pruinosidade cinza-azulada, os flancos dos segmentos 1-3
Gorayeb & Rafael — Tabanidae (Diptera) da Amazônia. V.
com pêlos brancos, o quarto urotergito apresenta um triân-
gulo mediano de pêlos brancos, porém não muito distinto;
uroesternitos mais claros e de pruínosidade mais dispersa,
as bordas posteriores dos esternitos com franja de pêlos
brancos.
Macho: desconhecido.
Distribuição geográfica: Brasil (Rondônia e Mato Grosso)
Material examinado :
Holótipo $, Brasil, Rondônia, Vilhena, 06. XI. 1979, col.
Jorge Arias. Depositado na coleção de Entomologia Siste-
mática do INPA, Manaus.
Parátipos ; 2 $ $, Brasil, Rondônia, Vilhena, 06-XI-1979,
Col. Jorge Arias. Depositados no Museu Paraense Emílio
Goeldi, Belém, Pará e na Coleção de G. B. Fairchild, Gaines-
ville, Flórida, Estados Unidos.
Observação: 3 fêmeas de Maria Mobra (sic), Mato Gros-
so, 25-XI-1 911, ex. coll. Ad. Lutz, uma com etiqueta verme-
lha “TIPO", todas danificadas, informam somente a prèéença
desta espécie em Mato Grosso.
DIAGNOSE DIFERENCIAL
Ph. pictus sp. n. é estruturalmente próxima de Ph.
fuscipennis Macq. e Ph. criton Krõber, mas o padrão de en-
fuscação das asas é intermediário entre estas duas espécies.
Ph pictus também se assemelha à Ph. nigripennis Wilk.,
diferindo por apresentar a asa menos enfuscada e a fronte
mais estreita. Wilkerson (1979) apresenta figuras das asas
para as três espécies supracitadas, podendo ser comparadas
com a figura da asa de pictus, aqui apresentada.
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R/V
'A
h
»
0,1 mm.
Fig. 1 — Philipotabanus (Melasmatabanus) pictus sp. n.: a) fronte;
b) antena; c) palpo (Holótipo $ )
CHAVE PARA FÊMEAS DE PHILIPOTABANUS (MELASMATABANUS)
1 — Célula basal da asa com mais da metade
da parte basal preta 2
1’ — Célula basal com menos de 1/3 da parte
basal preta 4
2 — Asa inteiramente preta, exceto pela parte
basal da célula costal amarelada, pela
célula subcostal hialina e pela pequena
mancha hialina no fim proximal da célula
discai nigripennis Wilkerson
2' — Asa como acima, mas com mancha hialina
cobrindo 1/4 a 1/3 de ambas as células
basais 3
3 — Ápice da asa claramente hialino quase até
a forquilha da terceira veia fascipennis Macq.
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Gorayeb & Rafael — Tabanídae (Diptera) da Amazônia. V.
4’ —
Ápice da asa, no máximo, levemente
cinzento fascipennis ecuadoriensis Krõb.
Fáscia escura da asa mais larga, sua bor-
da distai chegando até a forquilha da 3^
veia e sua borda posterior difusa, mas
quase chegando até a borda posterior
da asa pictus sp. n.
Fáscia escura da asa mais estreita, não
estendendo-se distalmente além do fim
da célula discai, sua borda discai dentea-
da, sua borda posterior bem demarcada
e denteada, não chegando até a borda
posterior da asa criton Krõb.
Tabanus sextriangulus sp. n.
(Fig. 2 a-d, 3 b)
Espécie de tamanho médio, abdômen com três faixas
longitudinais brancas, olhos com 3 bandas verdes, subcalo
brilhante, protuberante, tíbias anteriores bicoloridas, todos
os fêmures mais ou menos enfuscados e asas hialinas.
Fêmea: corpo com 12,3mrn e asa lO.Omm. Olhos glabros,
três bandas verdes sobre o fundo púrpura. Fronte (Fig. 2a]
com vértice mais largo que a base; calo frontal e mediano
pretos. Subcalo marrom, liso brilhante, protuberante, sepa-
rado do calo frontal por polinosidade amarela. Frontoclípeo
e gena brancos, apresentando leve tonalidade cinzenta, bar-
ba branca. Antena e palpo como na Fig. 2b e c. Antena
com escapo pálido, pedicelo e placa basal alaranjados e es-
tilo quase negro. Palpo com polinosidade branca, pêlos ne-
gros decumbentes dispostos principalmente na metade dis-
tai e pêlos brancos na metade basal.
Mesonoto quase negro, com duas faixas polinosas para-
centrais mais claras, porém não muito distintas; pêlos ne-
gros e iridescentes mesclados, os últimos formando linhas
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indistintas. Escutelo da mesma cor. Lobo notopleural
mais claro, entre castanho e vermelho, com pêlos negros
mais longos que os do mesonoto. Mesopleura e coxas com
polinosidade cinzenta e pêlos brancos. Profêmur, terço api-
cal da protíbia e protarso negros, enquanto 2/3 basal da
protíbia apresenta tonalidade branca e pêlos brancos; meso-
fêmur e metafêmur cinzentos, como a mesopleura, sendo
o mesofêmur mais escuro, meso e metatíbia castanho claros
com pêlos brancos, ápice mais escuro; tíbia posterior com
franja de pêlos negros e todos os tarsos negros. Asa hiaiina
(Fig. 3b) com nervação normal, estigma marrom claro.
Urotergitos (Fig. 2d) predominantemente marrom escu-
ro, ficando mais escuro em direção ao ápice. Faixa media-
na com triângulos alongados e contíguos, de cor branca, atin-
gindo os segmentos 1-6; faixas paramedianas também bran-
cas de triângulos ligeiramente mais largos que os medianos
porém não contíguos, atingindo os tergitos 1-5 e levemente
o 69 corrn uma leve mancha branca. Os flancos dos segmen-
tos 1-6 brancos apresentando pêlos brancos. Uroesternitos
mais claros, castanhos, com polinosidade branca, principal-
mente os primeiros segmentos; os esternitos 3-7 com poli-
nosidade escura no meio e na parte anterior de cada seg-
mento, sendo mais evidente nos segmentos posteriores.
Macho: corpo com 11,1 mm e asa 8,8mm. Olhos glabros,
omatídeos superiores maiores, ocupando cerca de 2/3 de
olho, bem delimitados dos pequenos omatídeos que mar-
geiam o olho até o vértice. Triângulo frontal marrom escuro,
sub-brilhante. Subcalo polinoso branco, tendendo ligeiramen-
te para o cinzento. Antena mais delgada que na fêmea, estilo
com a mesma tonalidade da placa basal. Palpo elevado
(porrect), oval, não afilado apicalmente, pálido, com pêlos e
polinosidade brancos. Frontoclípeo e gena semelhantes aos
da fêmea.
Mesonoto e escutelo escuros de pêlos brancos mescla-
dos com alguns iridescentes. Lobo notopleural mais claro
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
que o mesonoto. Mesopleura e coxa escuras, com polinosi-
dade bem mais acentuada que na fêmea. Patas como na
fêmea. Asas hialinas com o estigma amarelo claro.
Abdômen mais claro que na fêmea, um pouco destituído
de pêlos, mas com as mesmas características das faixas
medianas e paramedianas; último urômero mais escuro;
ventralmente os tergitos apresentam polinosidade cinzenta
e o último apresenta pêlos negros maiores e eretos.
Distribuição geográfica: Brasil (Amazonas, Pará, Mato Gros-
so), Peru, Colômbia.
Material examinado:
Holótipo 9, Brasil, Amazonas, C. Univ., no cavalo,
19- VIII-1978, col. J.A. Rafael;
Alótipo S, mesma localidade, 21-VIM979, malaise trap,
col. J.A. Rafael. Depositados na coleção do Museu Pa-
raense Emílio Goeldi, Belém-Pará.
Parátipos depositados na coleção de Entomologia Sistemática
do INPA, Manaus-AM : 3 9$, Brasil, Amazonas, Manaus, Campus
Universitário, 1 em 4-VIII-78, 2 em 3-VIII-1979, col. J. A. Rafael;
15 9 9, Brasil, Amazonas, Manaus, Reserva Ducke, 3 em 21-VIII-1981,
6 em 10-VIII-1981, 1 em 15-IX-1981, .1 .em 17-IX-1981, 1 em
21-IX-1981, 1 em 24-1X-1981, 2 em 31-VIII-1982, col. J. A. Rafael;
1 9, Brasil, Amazonas, Manaus, Reserva Ducke, em 20-IX-1977, col.
Jorge Arias; 3 9 9, Brasil, Amazonas, Manaus, BR-319, km 102, em
17-IX-1979, col. Jorge Arias; 2 9 9, Brasil, Amazonas, Manaus, Re-
serva Ducke, 1 em 6-IX-1978 e 1 em 20-IX-1978, col. J. Arias & N.
Penny; 6 9 9, Brasil, Amazonas, BR-319, km 102, em 29-VII-1979,
col. Eloy & João Vidal.
Parátipos depositados na coleção do Museu Paraense Emílio
Goeldi, Bclém-Pará : 2 9 9, Peru, Avispas, Madre de Dios, em 10 a
20- IX-1962, col. L. Pena; 1 9, Peru, Madre de Dios, Rio Tambopar
ta Res . 30 air km SW Pto . Maldonado, 290 m, 16 a 20-XI-1979, sub-
tropical moist forest, col . J . B . Heppner; 2 9 9, Peru, Madre de
Dios, Rio Tambopata Res. 30 km (air) SW Puerto Maldonado 290 m,
52 —
Gorayeb & Rafael — Tabanidae (Diptera) da Amazônia. V.
A
Fig. 3 — Asa direita de : a) Philipotdbanus (M.) pictus sp. n.; eb)
Tábanus sextriangulus sp. n.
Épocas do ano em que se coletou Tabanus sextriangulus
sp. n.
Fig. 4
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1(1)
em 20 a 31 X-1982, col. R. Wilkerson; 1 ?, Colômbia, km 17 W. of
Leticia, clev 100 m, em 25-VII-1973, col. Wilkerson & Young; 1 9
e 1 $, Colômbia Meta, El Porvenir, 100-150 m, em 27-11-1979, col.
R. Wilkerson; 1 9 , Brasil, Pará, 165 km W. of Altamira, em
6-IX-1974, col. J. F. Reinert; 1 9, Brasil, Mato Grosso, Rio Ari-
puanã, Humboldt, 59 a 27 W. 10=10, S, em 12 a 16-VIII-1974, col.
D. G. Young; 2 9, Brasil, Amazonas, vic. Manaus, Reserva Ducke,
1 em 24-VII-1981, 1 em 4-VIII-1981, col. G. B. Fairchild; 1 9, Brasil,
Amazonas, 60 km N Manaus, Reserva Campina, em 6-VIII-1981, col.
G . B . Fairchild .
Parátipos depositados na coleção do Dr. G. B. Fairchild,
Gainesville, Flórida, Estados Unidos: 7 9 9, Brasil, Amazonas, Ma-
naus, Res. Ducke, 7-VIII-1981, col. G. B. Fairchild; 13 9 9, Brasil,
Amazonas, Res. Campina, 6-VIII 1981 col. G. B. Fairchild; 2 9 9, Bra-
sil, Mato Grosso, Aripuanã, Res. Humboldt, 12 a 16-VIII-1974, col. D.
G. Young; 2 9 9, Brasil, Amazonas, Manaus, Campus Universitário,
2-16-IX-1978, col. J. A. Rafael; 1 9, Brasil, Pará, Norte de Marabá,
vizinhanças de Bacuri, 26-X-1974, col. J. F. Reinert; 1 9, Brasil,
Pará, km 165 W. de Altamira, 8-XI-1974, col. J. F. Reinert; 2 9 9,
Peru, Madre de Dios, Res. Rio Tambopato, VII-VIII-1982, col. R.
Wilkerson; 1 9, Peru, Loreto, Mishana, Callicelus, Research Station,
Rio Nanay 25 km SW. Iquitos, 10-17-1-1982, col. J. B. Heppner
DIAGNOSE DIFERENCIAL
A espécie descrita aqui difere de T. platycerus Fchld.
por apresentar as asas hialinas e as faixas dos urotergitos
atingindo os segmentos 1-6. De T. trivittattus Fab. e T.
callosus Macq., difere por apresentar o lobo notopleural mais
claro que o mesonoto, além das características das antenas.
Distribuição sazonal: A Fig. 4 ilustra a época do ano em que
se coletou Tabanus sextriangulus ■ Estes dados foram obti-
dos 74 exemplares da série típica. Observou-se que a maio-
ria foram coletados na época seca, com um pico de ocorrên-
cia em agosto. Provavelmente, a sazonalidade desta espécie
se mostra como ilustrada na Fig. 4.
Variação: Observou-se variação, principalmente nos dese-
nhos e disposição dos triângulos do abdômen entre exem-
plares coletados nas diferentes regiões.
54 —
Gorayeb & Rafael — Tabanidae (Diptera) da Amazônia. V.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. G. B. Fairchild pela leitura do manuscrito, pela
confecção da chave de Philipotabanus (Melasmatabanus) e
pela ajuda nas diagnoses diferenciais. Ao Sr. Antônio Car-
los Seabra Martins pelos desenhos deste trabalho.
SUMMARY
Two new species of horseflies (Diptera: Tabanidae) are
described from the Amazon Basin: Philipotabanus (Melas-
matabanus) pictus and Tabanus sextriangulus . Differentia!
species diagnoses are given for each species, as are figures
of the frons, antenna, palp, wing and abdômen. A key is
presented for the females of the subgenus Melasmatabanus
of the genus Philipotabanus . A graph of the seasonal
occurrence of T. sextriangulus is also given.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
WILKERSON, R. C.
1979 — Tabanus (Diptera : Tabanidae) de los departamentos
dei Choco, Vale y Cauxa. Cespedesia, 8(31-32): 87-435).
(Aceito para publicação em 09/08/83)
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'
.
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL. 1 (1): 57-88 ABRIL, 1984
Pesca experimental e seletividade de redes
de espera para espécies de peixes amazônicos
Ronaldo Borges Barthem
Museu Paraense Emílio Gocldi
Resumo : Foram realizadas diversas pescarias ex-
perimentais utilizando-se um conjunto de redes de espe-
ra com malhas variando entre 4 e 12 cm, em diferentes
localidades da Amazônia Oriental. Os dados de compri-
mento de cada indivíduo, por espécie, foram relacionados
com o tamanho da malha da rede que o emalhou. Uti-
lizando o método de Holt (1957), foram calculadas as
equações e curvas de seletividade e a composição em
comprimento das populações disponíveis à captura nos
ambientes amostrados, para as espécies : Pellona flavi-
pinnis, Plagioccion squamosissimus, Hemiodopsis micro-
lepis t Hemiodopsis immaculatus e Gasterotomus latior.
Foram ainda estimadas, para cada espécie, os tamanhos
das malhas que otimizaram as capturas e que não-inter-
feriram com as populações de indivíduos jovens.
INTRODUÇÃO
Em qualquer região onde há intensa atividade pesquei-
ra o controle da pesca se faz necessário, para que o forne-
cimento total do pescado se mantenha em nível próximo do
máximo a ser sustável pelas populações de peixes explora-
das.
Algumas informações que auxiliam no monitoramento
da pesca, tais como a composição em tamanho e idade da
população de peixes, devem ser estimadas a partir dc dados
coletados aleatoriamente. O método padrão de amostragem
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
consiste em medir muitos exemplares de amostras estrati-
ficadas de diferentes regiões ou subáreas, obtidas a partir
do pescado desembarcado (Gulland, 1969). No entanto, o
comportamento biológico das espécies e as características
seletivas dos aparelhos de pesca empregados introduzem
vícios nessa amostragem, tornando-a não representativa da
população como um todo (Ricker, 1971). A caracterização
da seletividade dos aparelhos de pesca permite na prática a
correção dos dados amostrados pelos aparelhos. Essa de-
terminação teoricamente resulta numa estimativa não vicia-
da dos parâmetros (Trent & Hassler, 1968) e avaliará com
acuidade as conseqüências do uso de determinados tama-
nhos de malhas na composição em tamanho e idade da po-
pulação explorada (Olsen, 1959; Hamley, 1975).
A rede de espera, conhecida nas pescarias das regiões
Norte e Nordeste como malhadeira, foi introduzida na Ama-
zônia há poucas décadas (Mesckat, 1958). Atualmente, seu
uso encontra-se bastante difundido, principalmente com o
advento dos fios de nylon e poliamida, que propiciaram
maior durabilidade ao aparelho.
Segundo Petrere (1978), como resultado da pesca com
malhadeira no ano de 1976, foram desembarcados pela frota
pesqueira de Manaus 10.466,8 toneladas de pescado, equi-
valente a 34% do total resultante da pesca de todos os
aparelhos empregados. A rede é simples, composta de ma-
lhas losangulares iguais e de linha fina, nas quais o peixe
fica retido quando, não percebendo o aparelho, tenta atra-
vessá-lo (Mesckat, 1958).
O modo como a rede captura o peixe a caracteriza como
sendo duplamente seletiva. A relação entre o número de
peixes capturados c os que se encontram disponíveis à cap-
tura, em termos de classe de comprimento, atinge um valor
máximo para um determinado tamanho considerado “ótimo"
ou "médio” (Lm), que é proporcional à dimensão da malha
empregada. Para comprimentos menores ou maiores que
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Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
este “ótimo” a relação tende a diminuir: os peixes peque-
nos passam através das malhas (escape) e os maiores não
são emalhados (evitação) (Santos, 1978).
Holt (1957) descreve um método algébrico para deter-
minar os parâmetros da curva de seletividade, através de
pescarias experimentais, utilizando somente a rede de es-
pera. Diversos trabalhos foram publicados empregando o
seu método, mas Garrod (1961), Regier & Robson (1966) e
Gulland & Harding (1961) verificaram que em certos casos
a curva de seletividade obtida não apresenta variância cons-
tante e Hamley & Regier (1973) obtiveram formas e ampli-
tudes de curvas diferentes daquela proposta por Holt.
O método de Holt não é o que esboça com maior preci-
são as características seletivas da rede de espera, entre-
tanto é o mais comumente empregado (Hamley, 1975) devi-
do provavelmente aos poucos recursos que exige e a simpli-
cidade de suas "assumptions" .
O presente trabalho descreve as curvas de seletividade
da rede de espera, utilizando o método de Holt, para as se-
guintes espécies de peixes amazônicos: Pellona flavipinnis
(Clupeidae), Plagioscion squamosissimus (Scianidaeh He-
miodopsis microlepis e Hemiodopsis immaculatus (Hemio-
didae) e Gasterotomus latior (Curimatidae).
MATERIAL E MÉTODOS
COLETAS
Os dados foram coletados em 10 pontos diferentes da
Amazônia Central, nos lagos situados na periferia dos rios
Amazonas, Solimões, Japurá e Branco e desembocaduras de
afluentes dos rios Branco e Negro (Fig. 1). Para as pesca-
rias experimentais, utilizou-se um conjunto de redes de es-
pera construídas a partir de um tamanho modelo de 10 m de
comprimento por 2m de altura e com as malhas (distância
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
entre nós extremos) variando entre 4 e 12 cm (Tab. 1). As
redes de nylon sólido (monofilamento) foram estendidas em
série, amarradas uma as outras, formando um conjunto linear
único de 60 metros de comprimento. A seqüência dessa
série era alterada a cada pescaria experimental, sendo cada
nova seqüência determinada através de um sorteio.
Os indivíduos capturados foram retirados periodicamen-
te das redes para evitar a intensa predação por parte das
piranhas (Serrasalmus spp.). Após a identificação, cada
exemplar era medido (comprimento forcai) e pesado. Alguns
indivíduos foram abertos para a observação do sexo e es-
tádio gonadal e conservados para análise do conteúdo es-
tomacal .
As espécies estudadas neste trabalho foram identifica-
das com base nos trabalhos de Gery (1977), Campos (1942)
e Whitehead (1973). Para obtenção do comprimento forcai,
utilizou-se intervalos de classes de comprimento de 0,5 cm,
com aproximação ao 1/2 cm inferior. Para a determinação
do peso de cada indivíduo capturado foram utilizadas balan-
ças de 1 kg, 2kg, 3kg e 20kg, com precisões de ±5g, ±10g,
il25g e ±250g, respectivamente.
TABELA 1 — Tamanho das malhas das redes usadas. As medidas
da distância entre nós extremos da malha foram feitas com auxílio
de paquímetro, com uma amostragem de 35 malhas para cada rede
usada
Tamanho segundo o
fabricante (cm)
Tamanho médio de
35 molhas (cm)
Desvio
Padrão
4
3,99
0,097
5
5,09
0057
6
5,82
0,111
8
7,51
0,109
10
9,49
0,115
12
11,49
0,097
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Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
t
+
4 -
°+
4 -
0 /
4 i“
/aj °
f-
+
4-'
BRASIL
LEG ENDA
Lago
Mono quiri
Logo
Janauacd
Lago
dos Reis
Lago
Ama no
Lago
Macuari
Rio
Xeruini
Rio
C u i u n i
Rio
Arira ro
Rio
M a r o u i o
PLANTA CHAVE
10- Igarapé Rui-Baro'
FIGURA 1 — Posição geográfica das áreas onde se localizou as pes-
carias experimentais com redes de espera : 1 — lago Manaquiri, 2 —
lago Janauacá, 3 — lago dos Reis, 4 — lago Amanã, 5 — lago Macuari,
6 — rio Xeruini. 7 — rio Cuíuni, 8 — rio Arirará, 9 — rio Marauiá e
lü — igarapé Rui-Bará.
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cm l
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
O sexo e estádio gonada! foram determinados com base
na classificação macroscópica por Nikolskii (1963), para pei-
xes da região temperada.
As pescarias experimentais foram realizadas em dife-
rentes épocas do ano e localidades, abrangendo dessa for-
ma grande diversidade de ambientes. Para caracterizá-los,
utilizaram-se as seguintes medidas e observações: trans-
parência e cor da água, profundidade, localização vertical
da rede, correnteza, tipo de vegetação próxima e nível do
rio.
ANALISE DOS DADOS COLETADOS
D
Cálculo de seletividade.
O método descrito por Holt (1957), para determinar a
curva de seletividade para a rede de espera, é expressa pela
curva normal.
Cm (L) = e
E. (L-h.m) 2
Sendo Crh (L) a freqüência relativa de retenção de indi-
víduos de comprimento “L", capturados pela malha de tama-
nho “m", e “E” e “h" constantes estimadas pelas equações:
E =
-b 2 (m. + m 1 + .)
h =
- 2. a
4.a. (m i+ : — mj)
b. (m j + m 1 + 1 )
A avaliação da composição em comprimento da pooula-
ção de peixes disponível à captura foi obtida a partir da rela-
ção entre os indivíduos capturados e a freqüência relativa de
retenção da rede, para cada classe de comprimento :
„ . Cm (L)
Nm (L) =
Crh (L)
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cm 1
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Barthom, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
Onde Nm(L) representa o número de indivíduos de com-
primento “L”, disponível à captura pela malha de tamanho
“m”, e Cm(L) o número de indivíduos da mesma classe de
comprimento capturados pela mesma malha.
Os comprimentos máximos e mínimos capturáveis pela
malha são definidos como sendo 50% da captura do tamanho
médio (Cm (L) = 0,5) (Santos, 1976).
Os dados de comprimento forcai foram agrupados den-
tro de classes de comprimento "L" e em intervalos de 0,5
ou 1,0cm. A fim de que a pequena amostragem conseguida
em algumas classes de comprimento não prejudicasse o
cálculo da seletividade, foi necessário reagrupar os dados
de captura em intervalos maiores de comprimento. Com os
dados acumulados, calculou-se a relação logarítmica entre
o número de peixes de cada par de rede analisada por classe
de comprimento. Estimou-se a seguir a regressão linear,
pelo método dos mínimos quadrados, entre log [Cm* 4- 1 (*-)/
Cmi (L)J e o ponto médio de classe de comprimento “L",
obtendo-se então os valores de “a” (coeficiente angular),
“b" (intercepção do eixo vertical) e “r” (coeficiente de cor-
relação linear de Pearson). A partir desses dados e da soma-
tória das malhas comparadas (mj+rrii.^), calculou-se:
-2. a/b, “E”, “h” e os comprimentos médios (Lm), mínimo
(Lmin) e máximo (Lmax) para cada rede comparada Tabelas
2, 3, 4, 5 e 6).
A distribuição das freqüências de indivíduos capturados
por classe de comprimento “L", (Cm(L)); as curvas de sele-
tividade, (Crh ( L)) ; a distribuição das freqüências estimadas
dos indivíduos disponíveis à captura para cada tamanho de
malha, (Nm (L)), e a composição em comprimento da popu-
lação estudada, obtida a partir dos valores de Nm (L) de cada
malha, nos comprimentos onde a rede é menos seletiva,
(N (L)), estão representadas para cada espécie nas figuras
2,3,4,5e6 .
— 63
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1 Boletim do
Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
| TABELA
2 — Pellona flavipinnis. A —
Freqüência de indivíduos
í capturados, por
classe de comprimento,
nos diferentes tamanhos
1 de malhas; B -
- Cálculo da relação logarítmica e da regressão
I linear com os dados de captura reagrupados; C — Análise dos da-
I dos de seletividade, fornecendo os valores de: -2. a/ta, (mi-fmi+i),
I E, h, Lm
Lmin e Lmax para as malhas 5,
6 e 8 cm.
—A—
Comp.
Malhas (cm)
Comp.
Malhas (cm) ( C m)
04 05 06 08 10 12
(cm)
04 05
06
08 10 12 28
— — 4 2 1 —
13
1 1
— — — 29
— — — 4 — —
14
— 1
— — — 30
— — — 2 2 —
16
1 10
3iL
— — — 32
— 1 1 — — —
17
— 11
1
— — — 33
18
— 6
15
1 — — 34
— — — — 3 —
19
— 12
23
1 — — 35
— — — — 1 —
‘ 20
— 5
45
3 — — 36
I 21
1 3
20
— — — 37
22
1 2
20
9 1 — 38
1 — 1 _ 3 _
23
1 1
18
15 1 — 39
— — — 1 — 1
24
— 3
13
13 — — 40
— — — — 1 1
25
— 3
4
17 1 - 41
26
— —
2
15 2 — 42
27
7 — — 43
— — — — — 1
— B —
Comp .
Malhas
(cm)
05
06
08 ln 06/05 ln 08/06
18
17
16
1 -0,0606
2,7726
20
17
68
4 1,3863
■ 2,8392
22
5
40
10 2,0794
1,3863
24
1
31
28 3,4340
0,1018
26
6
32 —
1,6740
a = - 10,03
13,87
b = 0,5588
0,5812
r = 0,99
0,96
n = 4
5
— C—
Malhas -
—2 . a/h
(m.
+m i+0 E h
Lm Lmin Lmax |
05
17,0 14,0 20,0 1
06/05
35,89
10,9 0,1212 3,29
06
20,0 17,0 23,0 i
08/06
47,72
13,3 0,0476 3,59
08
27,5 24,5 30,0 1
Média
0,0844 3,44
64 —
cm l
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Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
TABELA 3 — Plagioscion squamosissimus e P. sp . — A — Freqüên,
cia de indivíduos capturados por classe de comprimento, nos dife-
rentes tamanhos de malhas; B — Cálculo da relação logarítmica e
da regressão linear com os dados de captura reagrupados; C — Aná-
lise dos dados de seletividade, fornecendo os valores de: —2. a/b,
(mi + miq-i), E, h e Lm, Lmim e Lmax para as malhas 6, 8 e 10 cm.
Comp .
Malhas
Comp
Malhas
(cm)
04 05
06
08
10
12
(cm)
04
05
06
08
10
12
—A—
31.
1
1
4
2
15
3
1
32
5
2
1
16
1
1
33
1
1
5
1
17
34
2
2
1
6
.2
18
— -
1
35
1
7
1
19
36
a
8
1
20
1
1
37
7
1
21
38
1
i
5
*1 )
9
3
39
1
1
23
2
3
1
40
1
1
i
1
.3
24
— -
1
1
1
41
2
2
25
1
2
7
42
1
i
1
4
26
— -
1
5
43
2
1
27
— -
2
10
44
2
2
28
1 -
5
13
45
1
1
39
1
1
2
13
1
1
46
30
1
1
1
4
1
47
1
■ — B
Comp.
Malhas
I
II
-
(cm)
06 08
10
ln B/A
ln
C/B
24,5
9 8
1
-0,1178
26,5
3 15
1,6094
28,5
7 26
1
1,3122
-3
;,2581
30,5
2 8
2
1,3863
-1
,3863
32,5
— 6
7
0
1,1542
34,5
— 2
13
I
.,8718
a
— —
4,75
-27,32
b
0,2107
0,846.'
c
0,69
0,99
n
=
4
4
* — C—
Malhas
-2 . a/b
(mH
m
i+r
' E
h
Lm
Lmin
Lmax
6
21,5
17,0
25,5
8/6
45,07
13,3
0,0183
3,38
8
28,5
24,0
33,0
0,0557
3,79
10
35,5
31,4
40,0
média
0,0370
3,59
cm l
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Boletim do Museu Paraense
Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
TABELA 4 — Hemiodopsis microlepis — A
— Freqüência de indivi-
duos capturados, por classe de comprimento, nos diferentes tama-
nhos de malhas; B — Cálculo da relação log;
aritmica e da regressão
linear
com os dados de captura reagrupados; C — Análise dos da-
dos de seletividade, fornecendo os
valores de
! : -2. a/b, (mj+m i+i)
E, h e
Lm, Lmin e Lmax para as malhas de 4, 5 e 6 cm.
—A—
Ccmp .
Malhas
Comp.
Malhas
(cm)
04 05 06 08 10 12
(cm)
04 05 06 08 10 12
15,5
1 — — — — —
21,0
13 16 15 1 — —
16,0
2 — 1 — — _
21,5
23 17 15 — — —
1 16,5
5 — 1 — — —
22,0
10 21 19 1 — —
| 17.0
17 2 — — — —
22,5
9 8 16 — — —
17,5
13 2 — — — —
23,0
7 3 11 — — —
18,0
13 4 3 — — —
23,5
1 3 3 _ _ —
18,5
19 6 — — — —
24,0
2 2 2 — — —
19,0
10 13 3 — — —
24,5
1 2 2 — — —
19,5
11 16 1 — — _
25,0
— — 2 1 — —
20,0
19 23 4 — — —
25,5
1 1 — — — — 1
20,5
19 20 6 — — —
26,0
1
— B—
Comp.
Malhas
(cm)
04 05 06
ln 05/04
ln 06/05 J
17,75
43\ 10 3
-1,4586
-1,2040 I
19,25
40 35 4
-0,1335
-2,1696
20,75
51 59 25
0,1457
-0,8587
22,25
42 46 50
0,0910
0,0834
23,75
10 8 16
-0,2231
0,6931
25,25
2 3 4
0,4055
0,2877
a =
-3,88
-7,48
b =
0,1714
0,3236
r =
0,73
0,84
n =
6
6
— C—
Malhas
—2. a/b (m,+m i + l )
h
Lm Lmin Lmax
04
18,0 14,5 22,0
05/04
45,27 9,1 9,1
0,0383
4,97
j 05
23,0 19,0 26,5
06/05
46,28 10,9 10,9
0,0545
4,24
06
27,5 23,5 31,0
média
0,0464
4,6!
66 —
cm l
SciELO
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Barthem,
R.B. — Pesca experimental
e seletividade... 1
TABELA 5 — Hemiodpsis immaculatus : A — Freqüência de in- 1
divíduos capturados, por classes
de comprimento,
nos diferentes |
tamanhos de malhas ; B — Cálculo da relação logarítmica e da re- 1
gressão
linear com os dados de captura reagrupados ; C — Análise 1
dos dados de : —
2. a/b, (m^m^
]), E,he
Lm, Lmin e Lmax para 1
as malhas de 4,5
e 6 cm.
—A—
Comp.
Malhas
Comp.
Malnas 1
(cm)
04 05
06 08 10 12
(cm)
04 05
06 08 10 12
I 14,0
2 —
19,0
8 2
2 — — —
14,5
5 —
19,5
4 2
15,0
23 —
20,0
2 7
1 — — — j
15,5
29 —
20,5
1 1
16,0
40 —
21,0
2 2
1 — — —
16,5
49 —
21,5
2 1
1
17,0
35 2
— — — —
22,0
1 —
1 — — —
17,5
14 1
2 — — —
22,5
— 3
— — — —
18,0
14 1
— — — —
23,0
18,5
3 7
1 — — —
23,5
2 — — —
— B—
Comp .
Malhas (cm)
ln 05/04
ln 06/05
(cm)
04 05
06
18,25
31 9
3 =
1,2368
-1,0936
19,75
14 11
3
0,2412
-1,2993
21,25
5 4
2
0,2321
-0,6931 -
22,75
1 3
3
1,0986
0
a =
-9,75
-6,10
b =
0,4683
0,2601
r =
0,95
0,88 1
n =
4
4 I
— c —
Malhas -
—2. a/b (mi+mi+i) E
h
Lm
Lmin Lmax
04
17,5
14,0 21,5
05/04
45,27
9,1 0,0512
4,58
05
1 " .
22,0
18,0 26,0
06/05
46,94
10,9 0,0431
4,30
06
26,5
22,5 30,0
i média
0,0471
4,44
— 67
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goolrii, Zoologia, 1 (1)
TABELA 6 — Gasterotomus latior. A — Freqüência de indivíduos
capturados, por classe de comprimento, nos diferentes tamanhos
de malhas; B — Cálculo da relação logarítmica e da regressão li-
near com os dados de captura reagrupados; C — Análise dos dados
de seletividade, fornecendo os valores de: —2. a/b, (mi+mi-|_,),
E, h e Lm, Lmin e Lmax para as malhas 4, 5, 6 e 8 cm.
—A—
Comp.
Malhas
Comp.
Malhas
(cm)
04 05 06 08 10
12
(cm)
04 05
06
08 10 12
14,5
2 — — —
20,0
2 19
25
— — — i
15,0
1
2 — — —
20,5
3 12
21
7 — —
15,5
3 — — —
21,0
1 10
12
6 — —
16,0
2
2 1 — —
21,5
1 7
14
7 — —
16,5
3
1 1 — —
22,0
1 6
3
4 — —
17,0
4
3 1 — —
22,5
1 5
1
7 1 —
17,5
5
7 2—1
23,0
— 1
4
5 — —
18,0
4
5 10
23,5
— —
1 1 —
18,5
11 11 19 — —
24,0
_ —
1
3 — —
19,0
5 23 31 — —
24,5
19,5
6 27 28 2 —
25,0
1 — —
— B —
Comp.
Malhas
(cm)
04
05 06 08
ln 05/4
ln 06/05
ln 80/06
16,5
5
3 2 —
-0,5108
17,5
9
10 3 —
0,1054
-1,2040
18,5
15
16 23 —
0,0645
0,5947
19,5
11
59 59 2
1,5141
0,1655
20,5
5
31 46 14
1,8245
0,3947
-1,1896
21,5
2
17 26 13
0,4249
-1,0116
22,5
2
11 4 11
0,0116
23,5
14 6
0,4055
a =
10,69
-5,89
-14,39
b =
0,6106
0,3058
0,6488
r =
0,95
0,66
0,84
n =
5
5
4
— C—
Malhas
—2, a/b
» (nh+m,-!-,)
E
h
Lm
Lmin Lmax
04
14,0
10,5 17,5
05/04
35,02
! 9,1
0,0785 3,89
05
17,5
14,0, 21,0
06/05
38,50
10,9
0,0437 3,50
06
21,0
17,5 24,5
08,06
44,35
13,3
0,0512 3,17
08
28,0
24,5 31,5
média
0,0578 3,52
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
Finalmente, representou-se graficamente os valores de
— 2. a/b de cada coluna com a correspondente soma das
malhas comparadas, sobreposta pela reta “Lm = h.m” (Fig. 7).
2) — Cálculo da relação peso e comprimento.
Com base nos dados de comprimento forcai de cada
indivíduo capturado e seu respectivo peso, estimulou-se a
elação log peso x log comprimento, pelo método dos míni-
mos quadrados, obtendo-se a equação do tipo :
log W= a + b. log L
sendo W o peso e L o comprimento do indivíduo (Tab. 7).
RESULTADOS
A seletividade resulta de fatores extrínsecos, relativos
ao aparelho de pesca, de fatores intrínsecos, relativos à bio-
logia e comportamento das espécies, e da interação entre
estes fatores (Ricker, 1971). Utilizando os dados obtidos
nas 676 horas de pescaria com o conjunto de redes de espe-
ra em diversos pontos da Amazônia Central, foi passível
esboçar um quadro geral dos aspectos seletivos do aparelho
para cada espécie estudada. Determinou-se as equações da
curva de seletividade e a composição em comprimento das
populações disponíveis à rede de espera e relacionou-se a
sua captura com as informações obtidas sobre o comporta-
mento, o habitat e a reprodução de Pellona flavipinnis, Pla-
gioscion squamosissimis, Hemiodopsis, microlepsis, Hemio-
dcpsis immaculatus e Gastrotomus lation.
SELETIVIDADE
As tabelas 2, 3, 4, 5 e 6 reproduzem os cálculos para os
valores de -2. a/b, E, h e os comprimentos médios, mínimo'j
— 69
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
e máximos para cada par de rede analisada e para cada es-
pécie. As equações das curvas de seletividade calculadas
foram :
n i, -0,0844. (L -3,44. m]2
Peliona ilavipinnis, Cm (LJ = e
PlagiOScion # — 0,0370. (L-3, 59. mp
squamosissimus e P.sp., CmtL) = e
Hemiodopsis micrclepis, Crn (L) = e
0,0464 . (L— 4,61 . mp
0 0471 . CL — 4, 44. mp
Hemiodopsis immaculatus, Cm (L) = e
0,0578 . (L — 3,52 . m) 2
Gasterotomus latior, Cm (L) = e
A correção da distribuição das frequências dos ir.diví
duos capturados por espécies e por classe de comprimento,
q que se destina o uso dessas equações, é demonstrada nas
figuras 2, 3, 4, 5 e 6.
TABELA 7 — Relação log peso X log comprimento estimada pelo
método dos mínimos quadrados,
para
as
espécies
estudadas.
r
N Lmin Lmax
-6
3,166
Pcllona flavipinnis
W =
4,88.
.10.
L 0,95
164
13,0
43,0
-6
3,144
Plagioscion squamosissimus
W =
5,53
.10.
L 0,98
134
18,5
47,5
-6
3,331
Hemiodopsis microlepis
W =
2,61.
10.
L 0,95
411
14,0
28,0
-6
3,189
Hemiodopsis immaculatus
W =
5,33.
10.
L 0,95
271
14,0
23,5
-6
3,309
Gasterotomus latior
W =
2,85.
10.
L 0,94
231
13,5
25,0
w = peso em gramas* L comprimento forcai em milímetro* r = coeficiente
de Pearson; N — números de exemplares amostrados* Lmin = menor exem-
plar medido (cm)j Lmax = maior exemplar medido (cm).
70
cm 1
2 3
■SciELO
10 11 12 13 14 15
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
0 modelo proposto por Holt supõe que a curva de sele-
tividade é normal e com variâncias constantes, cuja demons-
tração seria evidenciada pela linearidade dos pontos de
Ln [Cm i + jíLj/Cm j (L)] relacionados com (L). A figura 8
mostra a distribuição dos pontos obtidos dessa relação lo-
garítmica para cada par de rede analisada e para as espé-
cies estudadas. A linearidade dos pontos obtidos para
Pellcna tlavipinnis nas malhas pareadas 4/5 e 5/6 sugere
que a curva de seletividade se aproxima de uma normal nos
comprimentos entre 18 e 26 centímetros, que representaram
as classes mais importantes para a captura.
Plagioscion squamosissimus e P. sp. Apresentaram
uma linearidade semelhante à espécie anterior para as ma-
lhas 6/8 e 4/5 nas classes de comprimento maiores que
28,5cm, que representaram substancial parte da captura. Os
pontos obtidos para os exemplares menores discreparam
visualmente da tendência linear, assim a correção de distri-
buição das freqüências dos indivíduos capturados nestas
classes de comprimento é pouco precisa.
Hemioclopsis microlepis apresentou linearidade razoá-
vel somente nos comprimentos maiores que 19 cm para as
malhas 4/5. Na comparação entre as malhas 5/6 e nos com-
primentos menores que 19 cm nas malhas 4/5, a distribuição'
dos pontos se afastaram da tendência linear. Desde que
as malhas 4 e 5 capturaram 77% do total das oranas flechei-
ras e desta quantidade 76% se encontravam entre as clas-
ses de comprimento acima de 19 centímetros, 58% do total
capturado se encontravam então nos trechos em que a curva
de seletividade se aproxima a uma normal.
Hemiodopsis immaculatus apresentou uma tendência li-
near mais acentuada nas duas redes comparadas, 4/5 e 5/6,
nas classes de comprimento entre 18 e 23 centímetros, que
não foram as mais abundantes da população capturada.
— 71
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
Finalmente, Gasterotomus latior apresentou tendências
linear razoável nas redes de malha 4/5 e nos comprimentos
entre 19,5 e 21,5 centímetros dos pares de redes 5/6, sendo
essa últimas classes de comprimento as que foram mais im-
portante para a captura desta espécie.
O cálculo dos indivíduos disponíveis às redes, N(L),
estimados a partir de Nm (L) e combinados com os trechos
menos seletivos de Cm (L), determina a distribuição de fre-
qüência de comprimento da população real, (N CL)), como
mostra as figuras 2, 3, 4, 5 e 6.
A figura 8 mostra a estimativa do comprimento médio
ou ótimo para os diferentes tamanhos de malhas para cada
espécie.
COMPORTAMENTO E HABITAT
Pellona flavipinnis (apapá branco)
Predadora de hábitos predominantemente pelágieos,
essa espécie de Clupeidae foi mais capturada em áreas aber-
tas de áreas alagadas e nas vizinhanças de locais muito ra-
sos, cobertos ou próximos à vegetação marginal alagada, e
de ambientes confinados por ressacas ou por margens de
igarapés estreitos. Nesses habitats o apapá branco foi en-
contrado predando pequenos Characoidei, Engiaulididae, in-
setos e pedaços de raios de nadadeiras e escamas, estas fo-
tos e pedaços de raios de nadadeiras e escamas, estas fo-
ram encontradas empilhadas como cartas de um baralho,
proveniente de peixes de porte maior ou igual ao do preda-
dor. As presas, que constantemente eram mais de uma
em cada estômago, nunca ultrapassaram 20% do compri-
mento forcai do predador, sendo mais freqüente as espécies
da família Engraulididae. Em uma ocasião observei diversos
exemplares de Pellona flavipinnis, predando em formação
de cardumes, pequenos peixes de família Characidae que,
— 73
SciELO
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
devido a época seca, se encontravam desprotegidos pela
vegetação marginal alagada. Os apapás lançavam-se com
muito ímpeto, um de cada vez, para os trechos mais rasos
onde as presas se encontravam, chegando mesmo nesta
ocasião a saltar fora d’água.
Plagioscion squamosissimus e P. sp. (pescada)
Foram reconhecidas durante as coletas duas espécies
de Plagioscion: P. squamosissimus e P. sp. Como a seme-
lhança entre essas duas espécies é muito grande,, os seus
dados de captura foram agrupados para os cálculos dos
parâmetros de seletividade. Não foi percebida nenhuma
distinção entre o comportamento e o habitat desses Scianí-
deos. Frequentemente as duas espécies de Plagioscion
eram capturados no mesmo ambiente, juntamente com
Pellona ilavipinnis que apresentava hábitos semelhantes ao
destas pescadas. No entanto, os Plagioscion penetram um
pouco mais nos igarapés e nas áreas de vegetação alagada
e predam com mais frequência espécies de peixes de há-
bitos mais sedentários, como os Chichlidae, todos com ta-
manhos que nunca ultrapassaram 30% de seu comprimento.
Hemiodopsis (oranas)
As duas espécies de oranas estudadas foram quase
que somente capturadas em períodos restritos do ano.
Hemiodopsis microlepis (orana-flecheira ou rabo-de-fogo)
foi encontrado abundantemente no início da subida dac
águas no Janauacá e durante o período de seca no lago
Amanã. Hemiodopsis immaculatus (orana-branca) foi cap-
turada apenas nas águas pretas do lago Amanã, no mesmo
período de águas baixas. Apesar de não ter sido possível
realizar uma identificação acurada da massa alimentar en-
contrada em seus estômagos, observou-se em alguns exem-
plares de H. microlepis tufos de algas filamentosas, de cor
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
FIGURA 2 — Pellona flavipinnis : A — distribuição das freqüências
de indivíduos capturados por classe de comprimento “L” ; Cm(L),'
B — curvas de seletividade, Cm(L); C — distribuição das freqüên-
cias estimadas dos indivíduos disponíveis _à captura, para cada ta-
manho de malha, Nm(L) ; D — composição em classes de compri-
mento da população estudada vulnerável ao aparelho, N(L).
— 75
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
semelhante a do material do conteúdo estomacal das duas
espécies, presos às suas brânquias, indicando ser este um
dos seus itens alimentares.
As oranas encontravam-se em formação de cardumes
nos períodos em que foram capturadas e, pelo menos H-
microlepis, se encontravam em adiantado estádio de matu-
ração gonadal.
Gasterotumus latior (branquinha comum)
Essa espécie de Curimatidae, de hábitos detritívoros,
ocorreu com maior freqüência nos lagos de várzea em água
branca ou misturada. Durante os períodos de água baixa,
os exemplares dessa espécie se encontravam em formação
de cardumes e com as gonadas em adiantado estádio de
maturação, igiialmente às oranas, devendo provavelmente
estarem esperando a subida das águas para desovarem.
PESCA
A partir dos cálculos anteriores, dos dados de captura
por rede de espera e dos comprimentos dos menores indi-
víduos maduros sexualmente observados, pode-se sintetizar
na tabela 8 as informações necessárias para tentar-se ade-
quar o malheiro das redes aos estoques disponíveis de cada
espécie.
Dos 349 exemplares de Pellona flavipinnis capturados,
com o comprimento compreendido entre 13 e 43 cm, 48%
se emalharam nas redes com malha de 6 centímetros. Uma
moda importante ocorreu na classe de comprimento de 20
centímetros, representando provavelmente indivíduos de
uma única classe etária, e outras duas de menor importân-
cia entre 22 e 24 centímetros e 25 e 27 cm. A freqüência
de indivíduos capturados com comprimentos menores que
16 centímetros é muito baixa e o menor indivíduo captura-
76 —
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Barthem, R.B.
Pesca experimental e seletividade...
A
FIGURA 3 — Plagioscion squamosissimus e P. sp : A — distribuição
das freqtiências de indivíduos capturados por classes de compri-
mento "L”, Cm(L) ; B — curvas de seletividade, Cm(L) ; C — dis-
buição das freqüências estimadas dos indivíduos disponíveis à cap-
tura para cada tamanho de malha, Nm(L) ; D — composição cm
classes de comprimento da população estudada vulnerável ao apa-
relho, N(L).
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
do mediu 13 cm. Tendo em vista que o Lmin estimado
para a malha de 4 cm foi de 11 cm e as classes de com-
primento entre 11 e 16 cm foram pouco representadas.
A raridade desses indivíduos ocorreu provavelmente por
não terem como habitat preferencial os ambientes onde a
rede atuou. O menor exemplar em fase de reprodução ob-
servado para esta espécie foi de 16,5 cm para os machos
e 18,5 cm para as fêmeas. Como a rede que otimizou a
captura da população estudada possuía uma malha de 6 cm,
com um Lmin estimado de 16 cm, a exploração pesqueira
para essa espécie, utilizando redes de malha igual ou maior
que 6 cm, não afetará as populações de indivíduos jovens.
Placjioscion squamosissimus e P. sp. foram analisadas
juntas, de maneira que um quadro detalhado de sua biolo-
gia fica difícil de ser esboçado. Capturou-se um total de
204 exemplares, entre as classes de comprimento de 15 e
47cm, sendo que 73% ficaram retidos nas redes com ma-
lhas de 6,8 e 10 cm. O Lmin estimado para a malha de
4 cm foi de 11 cm, implicando que os exemplares menores
não foram capturados pela rede por não se encontrarem
nas áreas próximas em que ela foi estendida. Os menores
exemplares maduros de P. squamosissimus examinados
possuíam 28 cm de comprimento forcai. Chacon (1978)
cita , que as pescadas da represa “Pereira - Miranda”, Pen-
tecoste, Ceará, encontravam-se maduras com 17,5 cm para
ambos os sexos. Com essas informações, o tamanho mí-
nimo das malhas que devem ser utilizadas para não captu-
tarem os jovens dessa espécie deve ser de 6cm, cujo Lmin
é igual a 17,5 cm. Esses dados confirmam em linhas ge-
rais os resultados e conclusões obtidos por Chacon.
Hemiodopsis microlepis foi a espécie numericamente
mais abundante de todas as estudadas. Sua captura resul-
tou em um total de 466 indivíduos, distribuídos entre 14 e
26 cm, sendo que 99% ficaram retidos nas malhas de 4, 5
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
FIGURA 4 — Hemiodopsis microlepis : A — Distribuição das fre-
qüências de indivíduos capturados por classe de comprimento "L",
Cm(L) ; B — curvas de seletividade, Cm(L) ; C — distribuição das
treqüências estimadas dos indivíduos disponíveis a captura para
cada tamanho de malha ; D — composição em classes de compri-
mento da população estudada vulnerável ao aparelho, N(L).
— 79
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 Í1)
e 6 cm. Duas modas importantes foram percebidas entre
as classes de comprimento de 17,5 e 18,5 cm e na de 20,5
cm, nas populações dos dois lagos visitados. O Lmin es-
timado para a malha de 4 cm foi de 14 cm, que apesar de
próximo ao comprimento do menor indivíduo capturado
permite notar que os indivíduos menores de 17 cm, bem
próximo a Lm, foram pouco freqüontes nos locais onde a
rede atuou. Os menores indivíduos analisados, que esta-
vam em maturação, mediam respectivamente 16,5 cm para
os machos e 18,5cm para as fêmeas. A malha que otimi-
zou a captura das populações dessa espécie foi a de 5cm,
cujo o Lmin estimado foi de 19,5 cm, superior ao menor in-
divíduo adulto.
Hemiodopsis immaculatus ocorreu somente no lago
Amanã, cuja captura alcançou um total de 274 indivíduos,
distribuídos entre as classes de comprimento de 14 e
23,5cm. No entanto, 85% desse total foi emalhado pela
rede de 4cm de malha, com uma moda na classe de compri-
mento de 16 cm, e os resultantes pelas redes de 5 e 6 cm
de malhas.
Gasterotomus latior foi a segunda espécie mais abun-
dante numericamente, com total de 416 exemplares captu-
rados e distribuídos entre as classes de comprimento de
14,5 e 25cm. Desse total, uma única moda de classe de
comprimento de 19,5 cm foi percebida, indicando provavel-
mente representar uma população em sua maior parte de
classe etária única. O Lmin estimado para a malha de
4 cm foi de 10,5 cm e, como abaixo de 18 cm a abundância
cai consideravelmente, pode-se dizer que os exemplares
dessa espécie começam a se expor às redes com um tama-
nho próximo a 18 cm. O menor indivíduo maduro analisa-
do mediu 17,5 cm, o que coincidiu com o Lmin estimado
para a rede que otimizou a captura das populações amos-
tradas, a de malha de 6 cm.
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
FIGURA 5 — Hemiodopsis immaculatus : A — Distribuição das
íreqüências de indivíduos capturados por classe de comprimento
"L" Cm(L) ; B — Curvas de seletividade, Cm(L); C — Distribuição
das íreqüências estimadas dos indivíduos disponíveis à captura
para cada tamanho de malha; D — Composição em classes de com-
primento da população estudada vulnerável ao aparelho, N(L).
— 81
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, I (1)
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
As pescarias experimentais, com uma série de redes
de espera de tamanhos padronizados e de malha diferen-
tes, permitiu não apenas estimar as características seleti-
vas do aparelho como também conhecer alguns aspectos
biologia das espécies estudadas nos ambientes onde a
rede atuou.
A proximidade entre a estimativa e a real disponibili-
dade das populações à captura pela rede de espera, teori-
camente se acentua à medida que a curva de seletividade
se ajusta a uma normal. Esse ajuste é demonstrado pela
linearidade da relação entre log (Cm i+1 (L)/Cm j (L)) e (L),
nas classes de comprimento onde as freqüências de captu-
ra foram altas, com exceção de H. immaculatus.
A distribuição de freqüências em comprimento dos in-
divíduos disponíveis às redes, N(L), mostram que poucas
modas e um reduzido número de classes de comprimento
foram amostrados da população natural pelas redes de es-
pera. Principalmente em Hemiodopsis e Gasterotomus,
apesar das redes possuírem chances dc capturarem um es-
pectro maior de classes de comprimento. Tendo em vista
que o número de modas é relacionado com o número de
classses etárias e que os ovos maduros, observados para
as espécies dos gêneros Hemiodopsis e Gasterotomus, que
ocupam c nível dc consumidores primários na cadeia ali-
mentar, são de tamanho pequeno e numerosos, podemos
considerar que o curto ciclo de vida e alta taxa de fecundi-
dade são respostas fenológicas das espécies às grandes
alterações sazonais do nível do rio (Lowe-McConned, 1979).
A ausência de indivíduos de comprimento inferior a
14cm, comum às cinco espécies estudadas ocorreu prova-
velmente em decorrência do processo de recrutamento, em
relação ao tipo de aparelho empregado. Isso é compreen-
dido ao constatarmos a presença marcante de diversas es-
FIGURA 6 — Gasterotomos latior : A — Distribuição de freqüên-
cias de indivíduos capturados por classe de comprimento "L",
Cm(L) ; B — Curvas de seletividade, Cm(L) ; C — Distribuição
das freqtiências estimadas dos indivíduos disponíveis à captura
para cada tamanho de malha ; D — Composição em classe de com-
primento da população estudada vulnerável ao aparelho, N(L).
83
I 2 4 6 8 10 12 14 16 18
Tamanho da malha 'm' ou m. ^ + m ( . ' (cm.)
FIGURA 7 — Justaposição entre a reta 'Lm=.m' e os valores de
— 2. a/b’ relacionados com (mi-fi+m )ipara cada espécie. Os inter-
valos no eixo das ordenadas correspondem 10 cm.
84
logaritmo natural de Cm U |(Ü/Cm; (O
Barthem, R.B. — Pesca experimental e seletividade...
péciec de predadores nos locais onde as redes atuaram.
Os indivíduos menores são presas naturais de predadores
de porte médio, como Cichla occelaris, Acestrorhynchus
spp., Plagioscion squamosissimus, Pellona spp. e outros. A
— — o „ n tre logaritmo natural de Crn (L)/Cm (D
FIG. 8 — Re S r (L) . A — pellona flavipinnis; B — He-
e o comprimento I __ pi ag i OS cion squamosissimus; ^
miodopsis microiepi , _ Gastero i omus latior .
miodopsis immaculatus e r- __
D
He-
- 85
SciELQ
Boletim do Museu Paraense Emílio Goaldi, Zoologia, i (1)
presença de presas de comprimento maior de 14cm nos es-
tômagos dos predadores capturados durante as pescarias
experimentais foi nula, sendo provavelmente este o tama-
nho em torno do qual a exposição do indivíduo torna-se
msnos perigosa nos ambientes onde a rede atuou.
Das cinco espécies estudadas, obtivemos 4 tamanhos
de maihas diferentes que otimizaram as suas capturas, as
de 4,5,6 e 8 cm. As malhas ideais para H microlepis e G.
lacior atuam de forma predatória para as espécies P. flavi-
pinnis e P. squamosissimus, capturando os indivíduos jo-
vens. Como a Amazônia possui heterogeneidade muito
grande quanto ao tamanho médio das espécies comerciali-
záveis, a sua pesca apresenta conseqüentemente uma varia-
ção proporcional quanto ao tamanho da malha empregada.
Dessa forma, uma legislação simples para a pesca, proibin-
do determinados tamanhos de malhas, surtirá pouco ou ne-
nhum efeito para o manejo da pesca da região.
AGRADECIMENTOS
A Naercio A. Menezes e a Peter B- Bayley, pela orien-
tação c estímulo durante o desenvolvimento deste trabalho.
A Miguel Petrere Jr-, pela revisão final do texto- Aos pesca-
dores e à Divisão Peixe e Pesca do Instituto Nacional do
Pesquisas da Amazônia (INPA), pelo apoio e auxílio presta-
do nas atividades de campo. Finalmente, ao Museu Goeldi,
pela oportunidade da publicação.
SUMMARY
The purpose of the present sludy is to undorstand the
selectivity of gillnets in catching various fish species in.
Amazonian lakes and streams. For experimental fishing, a
series of gillnets was utilized ; each gillnet was ten meters
in lenght and tvjo meteis in height, and mesh size (stretched)
86
cm l
; SciELO
10 11 12 13 14
Barthem, R.B. — Pesca experimenta! e seletividade...
ranged between four and twelve ceniimeters. Selectivity cur-
ves werc estimated by the method developed by Holt (1957),
for following species: Pellona flavipinnis, Plaçjioscion squa-
mosissímus, Hcmiodcpsis microlepis, Hemiodopsis immacu-
tatus e Gasterotomus latior.
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(Aceito para publicação cm 13/08/83)
88 —
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL. 1 (1): 89-95. ABRIL, 1984
ti
Notas sobre hábitos de nidificação
de Scaura (Scaura) latitarsis (Friese)
(Hymenoptera, Apidae, Meliponinae)*
João M. F. Camargo
Universidade Federal do Maranhão
Resumo : Doscrição da estratégia de ocupação progres-
siva de cupinzeiros pela abelha sem ferrão Scaura lati-
tarsis. Para aumentar o tamanho do seu ninho, S. lati-
tarsis constroi pequenas câmaras de cera e resina fixa-
das à parede da cavidade interna de um cupinzeiro. As
abelhas trabalham dentro destas câmaras, isoladas de
contato com os cupins, raspando e modificando as gale-
rias do cupinzeiro. Assim, as abelhas estão seguras
contra invasão dos cupins.
Tenho estudado os hábitos de nidificação de Meliponi-
nae há muitos anos, especialmente na Amazônia, onde já
examinei, em detalhes, cerca de 500 ninhos. Em uma des-
tas viagens, observei certos aspectos, com respeito a es-
tratégia de fundação e ampliação de ninhos, em S. latitarsis,
que nidifica em termiteiros vivos, que me pareceram dignos
de figurar na literatura.
A estratégia de enxameação e fundação de novos ni-
nhos en. Meliponinae, já é conhecida desde o trabalho de
Nogueira-Neto (1954), todavia, em espécies que não se uti-
(*) — Este trabalho foi realizado com auxílio financeiro da Funda-
ção de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP),
projeto 79/1014 e Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). O barco (Pyatã) e a tripu-
lação foram cedidos pelo Instituto Nacional de P?squisas
da Amazônia (INPA). O técnico Sr. Menderson Mazucato
nos auxiliou nos trabalhos de coleta.
— 89
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
liram, como substrato, de ninhos de outros insetos sociais,
portanto, processos pacíficos de enxameação.
Várias espécies de Meliponinae, além de S. latitarsis
fcf. Schwarz, 1948 ; Camargo, 1970 e Wille & Michener,
1973 ), nidificam reguiarmente em termiteiros ou formiguei-
ros vivos (p. ex.: Partamona spp, Trigona chanchamayoensis
Schwarz, Trigona pallens (Fab.), Trigona fuscipennis Friese,
Trigona cilipes (Fab.), entre outras, na região Neotropical
— cf. Schwarz, 1948 ; Kempf-Mercado, 1962 ; Kerr et ai,
1967 ; Camargo, 1970 , 1980 e ob. pessoais e Wille & Miche-
ner, 1973 — Axestotrigona sawagodoi Darchen e A. ebur-
nensis Darchen na África, cf. Darchen, 1970 ), contudo, a
estratégia de ocupação destes nichos não é conhecida, ex-
ceto com relação a algumas observações feitas por Wille
& Michener ( 1973 : 31 , 127 , 136 ) e Michener ( 1974 : 331 ) em
S. latitarsis.
Esses últimos autores, observaram que S. latitarsis
constroi, inicialmente, um pequeno lubo na superfície do
termiteiro (Nasutitermis) e, a partir daí, estendem a ocupa-
ção para o interior do ninho do hospedeiro.
No alto rio Negro (Curicuriari, AM, Brasii) observei, em
16 - 17 / 07 / 1980 , já em andamento, o processo de ocupação
do um termiteiro (Nasutitermis, situado em uma palmeira
a 5 m do solo) por S. latitarsis; o processo se resume no
seguinte: as operárias transportam resinas pegajosas e de-
positam na superfície externa do termiteiro, até delimitar
uma área de cerca de 30-40 cm 2 (de uma maneira semelhan-
te ao observado por Kerr, in Kerr et ai, 1967 em Melipona
marginata), de maneira a impedir que aí cheguem formigas,
cupins e outros insetos; no centro desta área, constroem,
com cerúmen cU-ro pegajoso, provavelmente transportado
do ninho mãe, uma estrutura tubular semelhante a um tubo
de entrada (o que mais tarde realmente virá a ser), porém,
com a base expandida (veja fig. 1). Dentro desta câmara
as operárias iniciam a abertura de um canal ou túnel, ras-
90 —
cm l
; SciELO
10 11 12 13 14
Camargo, J. M. — Notas sobre hábitos de nidificação...
FIG. 1. Scaura latitarsi (Friese). Nota-se uma área delimitada com
aplicações de resinas e, ao centro, o tubo (com 7,5 cm decompri-
mento) construído para orientar e abrigar as operárias no proces-
so inicial de ocupação do termiteiro. Algumas formigas são vistas
grudadas no tubo e na sup n rfície resinosa. O tubo pode ser fechado
rapidamente em caso de ataques por outros insetos.
pando as galerias do termiteiro e delimitando-a com resinas,
como já referido por Wille & Michener (1973). Aparente-
mente, algumas operárias pernoitam no interior do tubo.
O fato mais curioso, entretanto, observamos em um ni-
nho já velho de S. latitarsis, em 23/07/1980 (alto rio Negro,
— 91
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
próximo à foz do rio Cauaburi), também em termiteiro ar-
bóreo (Nasutitermis) . O ninho em sí, não diferia daquele
estudado em Rondônia (Camargo, 1970): todo o interior do
ninho revestido por uma camada de cerúmen pegajoso; o
que chamou a atenção foi a presença de duas pequenas câ-
maras fixadas na parede do ninho, construídas com material
semelhante ao das paredes c medindo 1,0 x 1,5 cm e com
um orifício na parte superior de 0,6 cm. Ao lado ds uma
dessas câmaras havia um grande depósito de resinas pe-
gajosas.
Essas estruturas são muito semelhantes as celas para
aprisionamento de rainhas virgens observadas em algumas
espécies de Trigonini (cf. Moure, Nogueira-Neto & Kerr,
1958; Juliani, 1962 e Camargo, 1974), contudo, não me pa-
receram servir para essa finalidade, principalmente pelo
fato de apresentarem as paredes pegajosas como no tubo
de entrada. Mesmo com o ninho danificado, pude observar
abelhas entrando e saindo dessas câmaras; em seu interior,
notei que havia aplicações novas de resinas em pequenas
reentrâncias junto às galerias do termiteiro.
Por essas evidências e por analogia ao processo inicial
de ocupação do termiteiro, parece provável que essas câ-
maras sejam construídas e utilizadas pelas abelhas quando
há necessidade de expandir ou ajimpliar o seu ninho. As
operárias trabalham, supostamente, dentro dessas câmaras,
conforme figura 2, no processo de raspagem das galerias do
íe-miteiro. Se, durante as atividades de ampliação do ninho,
houver invasão por parte dos térmitas (que aparentemente
nãc convive pacificamente com seu hóspede) a entrada das
câmaras são fechadas, suponho (como o fazem no tubo de
enirada em ocasiões semelhantes), mesmo com as abelhas
que se encontram aí dentro, mantendo o ninho em completa
sugurança. É uma estratégia de valor adaptativo segura e
engenhosa. Além do mais, as abelhas se beneficiam da
proteção e estabilidade térmica do termiteiro.
92
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Camargo, J.M. — Notas sobre hábitos de nidificação...
PIG. 2. Scaura latitarsis (Friese). Esquema: na parte superior
vê-se a câmara com três operárias em seu interior em seus presu-
míveis afazeres de raspar as galerias do termiteiro ; logo abaixo
um depósito de resinas que é utilizada na construção das paredes
do ninho. À direita, um conjunto de potes de mel e pólen ; à es-
querda, galerias do termiteiro com dois térmitas em seu interior.
SUMMARY
The strategy of occupation of termites nests by a
stingless bee — Scaura latitarsis — is described.
For the enlargement of their nest, S. latitarsis construct
small chambers (with cerumen and resins) fixed to the wall
of the cavity; the bees work in the interior of these chambers
to scrape the termite galleries. This strategy guarantes the
security of the bee nest from invasion by the termites.
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(Aceito para publicação em 18/11/83)
— 95
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL. 1(1): 97-114. ABRIL, 1984
Species of Stsafogenys Boulenger (Pisces,
Gymnotiformes, Hypopomidae)
Horst O. Schwassmann ’
Univcrsity of Florida, Gainesyille
Abstract : Steatogenys (Tateichthys) duidae (La Mon-
te) is recognized as a sibling species to S. elegans (Stein-
dachncr). The two taxa are sympatric but allotopic, S.
duidae being restricted to small streams with fast
flowing water, while S. elegans is normally found in
larger bodies of water with little or no current. Mor-
phological characteristics distinguishing the two species
are illustrated and a key for identification is given.
Among the essential features serving for diagnosis are
six versus five pairs of pleural ribs and a conspicuous
dorsal bend in the posterior part of the abdominal
vertebral column in S. duidae. Also peculiar for S.
duidae is an exposed postpectoral part, and a much re-
duced number of electrocytes in the humeral region,
both of the accessory electric organ. The frequency of
electric organ discharges during the nocturnal activity
phase is significantly higher in S. duidae.
INTRODUCTIUN
One member of the electric knife fishes of tropical
South America, Steatogenys, has been of more than normal
interest to scientists because of the presence of accessory
electric organs, visible as subepidermal tubes and flaps on
the head and anterior trunk. Previously considered a mo-
notypic genus, this paper documents the existence of two
species of Steatogenys, validating Steatogenys (Tateichthys)
( * ) — Recipient of a research fellowship and grant .(32.741-
40 5694/82) of the Brazilian Research Council (CNPq).
— 97
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
duidae [La Monte 1929) which had been regarded synony-
mous with S. elegans (Myers, 1936; Nijssen and Isbrücker,
1972).
The first record of Steatogenys seerns to be by Ferreira
with a probable date of 1787. Although reícrred to as
“Sarapó" on page 100 of the text (Ferreira. 1885) as well
as in the i I lustration legend (plaíe 26 in Ferreira, 1971), the
minute detail of the colored drawing (Figure 1) indicates the
humeral part of the accessory organ which, in addition to
the general body shape and the pattern of pigment stripes
on the anal fin, identifies the specimen as Steaiogenys
elegans. Though no locality is indicated, Ferreira's account
is from his travei to the captaincy of Rio Negro.
Steindachners original description was bssed on twa
syntypes from the vicinity of Manaus, Amazonas. In text
and i I lustration, lie ciearly recognized the submentai and
humeral parts of the accessory electric organ, without real-
izing their electrogenic nature (Steindachner, 1880). Boulen-
ger (1898), when introducing the new generie name Steato-
genys, referred only to “a filament of adipose (sic) tissue
in a groove along each side of the mental region". While
properly describing the lateral filaments as “skinny flaos”
on page 166 of his monograph, Ellis (1913) failed to mention
this humeral part of the accessory organ in the generie and
spccies description. Lowrey (1913), who cuuld establish
histological evidence for the mental filament's eletrogenie
nature, failed to see their continuation into the "lateral
skinr-y flaps” of Steindachner above the anterior lateral
line.
When proposing Tateichthys duidae as a ncw genus and
spccies, La Monte (1929) seerns to have been the victim
of a misunderstanding. La Monte did not refer to Steato-
genys by name but was probably awarc of the externai simi-
larity. Her statement of “no filaments in the mental region”
in th o genus diagnosis could have been based on the mis-
taken belief of these being freely attached and easily dis-
98
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Schwassmann, H. O. — Species of Steatogenys Boulenger...
Figure 1. Sarapó (Steatogenys elegans) from “Travei to the Cap-
taincy of Rio Negro” in 1785-1788 by Alexandre Rodrigues Ferreira.
Photographed from a colored drawing (Peixes, est. 3, Livro Museu
Nacional) of plate 26 of a reprint (Ferreira, 1971). The existing
original is actually a copy made during Ferreira’s life in the Real
Jardim Botânico, and presented to the then Minister of Brazil in
Lisbon, Antonio de Menezes Vasconcellos Drummond.
cernible, as, for example, in Steindachner’s [1880) figure
1,a, wbere they are shown dissected out. Many collection
specimens have the submental filaments dissected, similar
to ths "dorsal filament” of the Apteronotidae which is also
not free, nor visible without dissection, but shown in this
manner in many illustrations. When inspection of the
Tateichthys material revealed the presence of paired mental
filaments, Tateichthys duidae was considered a synonym of
Steatogenys elegans (Myers, 1936; Nijssen and Isbriicker,
1972 1 .
Superficial Iy similar to, but smaller than Steatogenys
is Hypopygus lepturus, first described by Hoedeman (1962).
The two species are frequently lumped together in museum
collections; as, for example, in La Monte's Tateichthys
material. On the basis of extensive new material, Nijssqn
and Isbriicker (1972) redescribed Hypopygus and established
the distinguishing characteristics between Hypopygus and
Steatogenys. Instead of having mental and humeral accesso-
ry organs, Hypopygus exhibits only a small postpectoral
organ. When stating meristic and morphometric data for
their Steatogenys specimens, Nijssen and Isbriicker ca-
refully separated one specimen (BMNH 1926. 10. 27. 240)
from the other three, pointing out several striking differ-
ences. Unfortunatcly, they could not obtain La Montes ma-
terial for comparison, lest they would have been able to
recognize the identity of their one singled-out specimen.
— 99
SciELO
10 11 12
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
Studying the ecology of stream-dwelling Gymnoti-
tormes, I encountered occasional specimens of Steatogenys.
These were found syntopically with Gymnorhamphichthys in
the same swiftly flowing waters of smali streams. While
tho íatter were always buried in the sand during daytime,
the Steatogenys were detected hiding in the foiiage of
aquatic macrophytes. Having coilected Steatogenys previ-
ously always in the still, or merely slowly flowing waters of
floodplain lakes, Lhe occurrance of these fishes in smali
streams with strong currents was puzzling. Glose exami-
nacion of the stream specimens revealed striking differences
from the lake Steatogenys that eventual ly set the two forms
apart as distinct species. The two species are aliotopic,
confined to two different biotopes, and no hybrids nor clines
have been detected. Later examination of type and cotypes
of Tateichthys duidae established the identity of my stream
dwellers as belonging to La Monte 's not sufficiently well de-
scribed species.
This paper compares Steatogenys elegans with S. (Ta-
teichthys) duidae on the basis of 102 specimens of the
former and 10 of the latter species, all of which were closely
examined. Since the paper by Nijssen and Isbrücker (1972)
on Hypopygus lepturus includes a detailed description of
Steatogenys elegans, the present account emphasizes new
information, especially with regard to the differences be-
tween the two species. Another report, comparing different
geographic populations of Steatogenys based on new ad-
ditional material, is in press (Schwassmann, ms.).
MATERIAL AND METHODS
Specimens of both species were studied in their natural
habitat and in smali aguaria where their electrical discharges
were recorded on magnetic tape. In addition to newly coi-
lected specimens, mostly deposited in the Museu Goeldi in
Belém (MPEG), material from the Alpha-Helix expedition to
100 —
cm l
.SciELO
10 11 12 13 14
Schwassmann, H.O. — Species of Steatogenys Boulenger...
the Rio Negro in 1967 was utiíized for detailed measure-
menrs and statistical analysis. These specimens are de-
posited with the Museum of Comparative Zoology of Harvard
University (MCZ) and the Museu Goeldi (MPEG). Additional
preserved material was obtained from the American Mu-
seum of Natural History in New York (AMNH) (holotype and
paratypes of Tateichthys duidae), and from W. F. Heiligen-
berg, University of Califórnia, San Diego (deposited with the
Museu Goeldi). The two syntypes of S. elegans were not
inspected since Steindachners account (1880) was con-
sidered adequate, and a recent redescription exists (Nijssen
and Isbrücker, 1972).
Standard and total length were measured by ruler to the
nearest millimeter, while other dimensions were obtained
by the use of calipers and to the nearest tenth of a milli-
meter. Standard length in Gymnotiformes is the distance
from lhe tip of snout to the end of the anal fin. The tip of
the long tail is frequently missing, or is regenerated; oc-
casional damage to the anal fin is also sometimes noted.
Mapy clder specimens of Steatogenys have the accessory
electric organ missing, or damaged by dissection. Conse-
querdlv, counts and measurements had to be limited to
intact specimens. The Alpha-Helix collection of S. elegans
was selected for comparison with the S. duidae samplo,
being from the same general area as four of the S. duidae
specimens. Since the two syntypes of Steindachner origi-
nats from the várzea lakes of the Solimões near Manaus
(“Ausstánde des Amazonenstromes zunáchst der Mündung
des Rio Negro”), Heiligenbergs sample from the Janauacá
lake would have been best suited for representing the r vpe
specimens; unfortunately, most of them had incompiete
tails.
Radiographs were taken of eleven S. elegans and seven
S. duidae and served for pterygiophore and vertebra counts.
Two S. elegans were cleared and stained for osteological
detail (Dingerkus and Uhler, 1977). Pterygiophore counts
— 101
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
from radiographs were consistently one to two digits higher
than direct fin ray counts; tho variation arnong repeated
counts of the same anal fin was one to two.
In order to make the electrocytes in the humeral part
of the accessory organ visible for coimting under the dis-
section scope, several minutes of surface drying and obüque
illumination were necessary. Bilateral counts of these e-
lactrocytes were used for statistical purposes, while other
mtasurements were always taken from only the left body
side of specimens.
Steatogenys Boulenger
Sieatogenys Boulenger, 1898. Type species by original
monotypy Rhamphichthys (Brachyrhamphichthys) elegans
Steindachner, 1880.
Tateichthys La Monte, 1929. Type species by original
monotypy Tateichthys duidae La Monte, 1929.
Diagnosis : Steatogenys differs from all other Gym-
noiiformes by the presence of biiateral submental and hu-
mcral accessory electric organs.
The occurrance of humeral subdermal accessory organs,
formerly called filaments, is peculiar to this genus. Sub-
mental accessory organs are also seen in Gymnorhamphich-
thys where the electrocytes are few and relatively large,
meeting medially. A small postpectoral accessory organ is
found : n Hypopygus (Nijssen and Isbrücker, 1972).
The humeral filaments (“háutige Lappen") were already
described by Steindachner (1880) but were omitted by
Boulenger (1898) when renaming the genus. The exact
nature of the accessory organ as a contiguous structure,
extending from the submental region backwards to under
and a liitle behind the pectoral fin base where they turn
upwards partially, or entirely covered by the skin, to a point
slightly above the lateral line from whence they continue
102 —
í, |SciELO
Schwassmann, H. O. — Species of Steatogenys Boulenger...
backwa^ds as flattening and gradually elongating electro-
cytes, was mentioned first by Ellis (1913), and was re-
d'scovered by Myers (1936) and by Hoedeman (1962).
Lowrey (1913) reported “about fcrty parallel discs" inside
cach cylindrical filament of the mental organ, while Ellis
(1913) s^ated their number as from sixty-eight to eighty.
Being exposed on the surface and flattened posteriorly, the
electrocytes of the organs humeral portion are easily
counted and their number serves to differentiate the two
species of Steatogenys.
The type description by Steindachner (1880) is adequate
for the genus with the exception of the stated number of
anal fin rays (176, 165) which pertains to S. elegans while
S. duidae has a significantly smaller number.
The second and third vertebral centra are fused. the
fifth carnes the first neural spine and also the first pair
of pleural ribs of which five (elegans), or six (duidae) are
present. The 15th centrum carries the first hemal spine and
marks the begin of the caudal vertebral column (Figure
2, a. b).
Key to the two Species of Steatogenys
Vertebral counts are presented in Figure 3, other dis-
tinguishing meristic characters and proportional data are
shown in Table I and Figure 4.
1 . Bands of dark pigment across anal fin relatively thin
to sometimes incomplete, or, rarely, almost absent; non-
pigmented intervals between stripes always much larger
than the dark stripes (Figure 5,a). Rays in anal fin 159-188;
number of eletrocytes in humeral organ 15-21; postpectoral
part of accessory organ not visible on surface (Figure 6, a).
Caudal peduncle in intact specimens 2.46-3.33 times in total
length; greatest body depth 5.6-6.8 times in standard length;
head length 7.7-8.6 times in standard length. Five pairs of
pleural ribs; posterior part of abdominal vertebral column
straight (Figure 2. a) S. elegans
— 103
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Figure 2. Radiographs of S. elegans (A) and S. duidae (B) show
thc distinguishing features in the precaudal axial skcleton : five
versus six pleural ribs, and the straight alignment of precaudal
centra (elegans) versus a distinct dorsal bend involving centra 12
and 13 (duidae).
104 —
cm i
SciELO
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
2. Heavy patches of pigment on anal fin, each in shape
of a stubby inverted Y; pigment-free intervals smaller than
pigmented areas, especially near edge of anal (Figure 5,b).
Rays in anal fin 140-164; electrocytes in humeral portion of
accessory organ 5-7; postpectoral part exposed, at least in
its dorsal aspect (Figure 6,b). Caudal peduncle 2.26-2.43
times in tota! length; greatest body depth 4. 6-5.0, and head
length 6. 8-7. 4 times each in standard length. Six pairs of
pleural ribs; conspicuous dorsal bend of vertebrae 12-13
(Figure 2,b) S. duidae
Schwassmann, H.O. — Species of Steatogenys Boulenger...
1 . Steatogenys elegans (Steindachner)
Rhamphichthys ( Brachyrhamphichthys ) elegans Steindachner,
1880, p. 89, plate IX, original description, two syntypes, type
locaiity “Ausstãnde des Amazonenstromes zunãchst der
Mündung des Rio Negro”, which indicates the floodplain
lakes of the Solimões near Manaus where the species is
quite abundant; Wiener Museum.
Steaíogenys elegans, Boulenger, 1898, p. 428, col . Bach
1897, Rio Juruá; British Museum.
Already pictured and listed as Sarapó in 1787 by Alexan-
dre Rodrigues Ferreira during his traveis to the Rio Negro,
S. elegans has been reported from the Peruvian (Maranon)
and Brazilian Amazon, and the Demerara river of Guyana.
It probably also occurs in the Orinoco basin, although I
cannot recall any published account in support of this as-
sumption. In Brazil it is found in many white water rivers
and their floodplain lakes, and in black water streams and
their flooded forests. It is also reported from clear water
rivers and their 4 ributaries. I have never encountered S.
elegans in the swift waters of igarapés of the terra firme,
nor do I know cf any such published locaiity. Elegans
secms to be restricted to large bodies of still or only slowly
flowing water.
The color pattern is unique but slightly variable. A
series of 8-15 saddle-shaped dark-brown patches are located
along the sides of the body. They are wide, almost flowing
into each other on the back; they become smaller, sometimes
disappearing, or set-off from more ventral pigment patchcs,
towards the anal fin.
Material examined.
MCZ 9445, 4, s.l. 94-115 mm, Thayer exp 1865, Manacapurú;
MCZ 46883, 46891, 52136, 62 specimcns, 80-128 mm, Alpha-Helix 1967,
Rio Negro/Rio Branco; AMNH 42901 (HOS 365), MPEG (HOS 366),
2, 21-94 mm, H.O.S. 1976, Anavilhanas, Rio Negro; MPEG (HOS
601-616, CAS 51631, 16 specimens, 73.166 mm, Heiligenberg 1976,
Lago Janauacá, Solimões near Manaus.
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 11)
2. Steatogenys duidae (La Monte)
Tatcichthys duidae La Monte, 1929, p. 1-3, fig. 1, original
description, holotype AMNH 9599 and two paratypes AMNH
33993 and AMNH 9600 (part), type local ity Burned Mountain
creelc, Mount Duida, Orinoco drainage, Venezuela.
La Montes original description lacks several details and
is incorrect in part. The type specimen and two paratypes
possess an accessory electric organ similar to that of S.
elcgans. In contrast to that of the latter where the post-
pectoral portion is not visible on the surface, its submerged
presence merely marked by a faint groove, S. duidae shows
the postpectoral part exposed and, in additicn, has a signifi-
caníly smaller number of cells in the humera! portion of
the organ (Figure 6,a,b). The number of rays in the anal
fin of the type is 140, not 160-175, as estimated by La
Monte, and is 136 in one paratype. The characteristic color
pattern is described correctly in La Monte’s account, as are
proportional measurements to which those from my speci-
mens collected in the Rio Negro area and in Colombia con-
form, with the exception of having a slightly longer head
than typo and paratypes.
; i Vi V i 7 i‘i 9 i 10 i " i !i AL 4 i 'V 7 i " i
B i-
T
Figure 3. Precaudal vertebral characteristics in S. elegans (A)
and S. duidae (B). In both species centra 2 and 3 are fused, and the
fifth centrum carries the first neural spine as well as the first pair
of pleural ribs (arrow at X). Five pairs of pleural rihs extend to
centrum 9 in elegans while six pairs are present in duidae (arrow
at Y). Centrum 14 carries the first hcmal spine and marks the begin
of the caudal column (arrow at Z).
10G —
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Schwassmann, H. O. — Species of Steaíogenys Boulenger...
Table I. Select meristic and proportional data distinguishing the
two species of Steatogenys.
s.
elegans
S
. duidae
mean
range
n
mean
range
n
anal fin rays
number of cells in
172.2
159-188
44
149.4
140-164
7
humeral acess. organ
18.6
15.21
72
5.9
5-7
6
pairs of pleural ribs
5*
11
6
7
caudal peduncle
in total length
2.86
2.46-3.33
27
2.36
2.26-2.43
6
body depth in
standard length
6.23
5. 6-6. 8
7
4.77
4. 6-5.0
4
head length in
standard length
8.23
7. 7-8. 6
7
7.16
6. 8-7. 4
4
standard length of
specimens
94
80-123
44
84
66-93
7
( * ) — One in eleven specimes had
one additional
abdominal
vcrtebra and
a
single 6 th rib.
Material examined.
AMNH 9599, 9600 (one of three), 33993, 3, 93-102 mm, Tate/Tyler
Duida exp. 1928, Burned Mcuntain creek and Cano Pescado, Esme-
ralda, Mt. Duida, Venezuela; AMNH 42900, MPEG (HOS 305, 357,
358), 4, 66-92 mm, H.O.S. 1976 Igarapés Jiboia and Tarumãsinho,
Estrada Manaus-Caracaraí km 45, Amazonas, Brazil; CAS 51632,
MCZ 60010, MPEG (HOS 817), 3,87-93 mm, H.O.S. 1977, Cano Ema,
El Viento, Serrania, Puerto Lopez, Meta, Colombia.
ADDITIONAL COMMENTS
Some lots of Steatogenys elegans in museum col-
lections contain S. duidae For example, BMNH 1926.10.
27.240, listed as S. elegans and described and illustrated in
Nijssen and Isbrücker (1972) is S. duidae. The characteristic
color pattern on the anal fin and the postpectoral part of
the accessory organ, leading into the humeral part, above
the lateral line, are distinct in the photograph (plate 3,b).
The anal fin ray count of 154, as well as the proportional
measurements also identify the specimen as S. duidae.
— 107
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
N 9 27 h
N 9 6 >-
2.2
B
N ? 44 h
150
160
Figure 4. Length of free tail in overall length (A) and number of
rays in the anal íin (B) as examples of two features that set S. elegans
(upper bars) apart from S. duidae (lower bars). Centrally located
means, standard deviations and ranges are indicated. S, S : two £»'.
elegans syntypes of Steindachner; P, T : paratype and holotype of
S. duidae.
The two species are easily separated by using the
distmguishing features presented in the key. Even super-
ficial examination permits Identification on the basis of the
characteristic pigment stripes Crossing the anal fin, in ad-
dition to the more compact body shape and the less distinct
pattern of saddle-shaped bands on the body of S- duidae
(Figure 5).
When collecting, both species may be found in the
samo general area where small streams (igarapés) enter
várzea lakes, or flooded forest (igapó). They do not normally
108 —
2 3
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Schwassmann, H. O. — Species of Steatogenys Boulenger. . .
occur syntopically, S. duidae being restricted to the fast-
flovving waters of small streams, but occasional overlap
may be noted, especially when an extensive area is fished
out (Schwassmann, ms.).
Because of the infrequent and often doubtful com-
pleteness of the caudal peduncle, and because a varying
number of terminal vertebrae seem to fuse together, total
veriebra counts are not reported. Comparing Steatogenys
with Eigenmannia virescens where osteological details are
available (Mago Leccia, 1978), a total of 14 precaudal verte-
brae are found in both. Only one exception was noted
where one S. elegans (HOS 603) had 15 precaudales. While
Eigenmannia virescens has seven pairs of pleural ribs, S.
elegans has five, and S. duidae six of these.
The electric organ discharges of the two species are
very similar in many aspects. In both species, the rates
are ctable and show no sudden increases whatsoever when
the fish are mechanically disturbed. A similar absence of
sudden bursts is also found among the species with pulse
typc discharges in Hypopygus. This is in contrast to many
other pulse species which exhibit sudden increases when
disturbed, or during swimming and feeding activity at night,
as many species of Hypopomus, in Gymnotus, and in the
Rfnmphichthyidae (Schwassmann, 1976). One striking differ-
enco exists in electric discharge rate among the two species.
The increase in pulse frequency from daytime rest to nightly
activity rate is of the order of only 15 to 20 percent in
S. elegans (Schwassmann, 1971), while S. duidae shows a
more than twofold increase when activity begins at night.
This doubling of discharge rate was recorded in three speci-
mem which were kept separately in aquaria.
No difference among the species in their accessory
organ discharges could be observed; the discharge of that
organ is synchronous with that of the main organ.
Since most specimens used for recording electrical pulse
rates were eilher immature, or at least not in spawning
— 109
cm l
; SciELO
10 11 12 13 14
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zcolcg a, 1 (1)
condition, any possible difference that might exist between
maios and females could not be ascertained. Such sexual
difference ms reported for Sternopygus (Hopkins, 1972),
but seems rather unlikely to exist in Steatogenys, nor was
it foiind in Gymnorhamphichthys.
Figure 5. A: Steatogenys elegans; B: Steatogenys duidac.
ACKNOWLEDGEMENTS
For help in the field arotind Manaus I expross my ap-
preciation to Dr. W. J. Junk, F. M. Carvalho, and U. G. de
Oliveira. During collecting in Colombia in 1976 and 1977
Dr. F. Medem and L. Arango provided much valued hospi-
tality .
I am obliged for loan of collection specimcns to the
American Museum of Natural Flistory in New York, the Mu-
seum of Comparative Zoology at Cambridge MA, the Museu
Paraense E. Goeldi in Belém, the Instituto Nacional de Pes-
quisas da Amazónia in Manaus, and to Drs. T. H. Bullock,
W. F. Heiligenberg, and M. Goulding. Due to the limited
number of Steatogenys duidae specimens, representative
pairs could so far be deposited with only three collections:
CAS 51631, 51632; MCZ 60010, and AMNH 42900, 42901.
Special thanks are due Dr. C.R. Gilbert, G. H. Burgess
Jr., and J. T. Williams of the Florida State Musoum for
Schwassmann, H. O. — Species of Steatogenys Boulenger...
Figure 6. Postpectoral and . humeral extensions of the accessory
olectric organ in S. elegans (A) and S. duidae (B).
111
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
support during evaluation of specimens. Appreciation is
extended to A. C.S. Martins for the artwork.
Financial and logistic assistance was provided by the
instúuto Nacional de Pesquisas da Amazónia (INPA), the
Museu Paraense E. Goeldi/CNPq, the Amazon Research and
Exchange Program and the Department of Zoology, both of
the University of Florida, and, last but not least, by my
family .
RESUMO
Steatogenys (Tateichthys) duidae (La Monte) é uma es-
pécie reconhecidamente denominada como irmã de Steato-
genys elegans (Steindachner), sendo ambas simpátricas mas
alotópicas. S. duidae restringe-se aos habitats de pequenas
corredeiras e S. elegans é mais comumente encontrado em
grandes corpos de água, com correnteza nula ou reduzida.
A chave de identificação e as ilustrações das característi-
cas morfológicas que distinguem as duas espécies são for-
necidas. As características mais importantes para definir
S. duidae são: o número de 6 costelas pleurais — 5 em S.
elegans — , o proeminente arco dorsal da coluna vertebral
na região abdominal e a exposição da parte pés-peitoral c
o reduzido número de eletrócitos da parte humeral, ambos
do órgão elétrico acessório. Observou-se também que a
freqüência de descarga do órgão elétrico, durante a fase
de atividade noturna, é significativamente superior em S.
duidae quando comparada com a de S. elegans.
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Cypriniformcs, Gymnotoidei). Biotropica, Washington,
D.C., 8 : 25-40
113
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
ms — Steatogenys elegans and S. duidae; a comparison of
different geographic populations (Pisces, Gymnotifor-
mes, Hypopomidae.
STEINDACHNER, F.
1880 — Zur Fisch-Fauna des Cauca und der Flüsse bei Guaya-
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Wien, 42 : 55-104, il.
(Aceito para publicação em 18/11/83)
114 —
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL. 1(1): 115-124. ABRIL, 1984
Notas sobre o gênero Oxytrigona
(Meliponinae, Apidae, Hymenoptera)
João M. F. Camargo
Universidade Federal do Maranhão
Resumo : — Descreve-se Oxytrigona ignis, n. sp., do
Estado do Pará, Brasil e Oxytrigona tataira daemoniaca,
n. ssp., do vale do rio Magdalena, Colômbia. Um novo
status taxonômico é proposto para Oxytrigona mulfordi.
O. ignis distingue-se das demais Oxytrigona, pelo te-
gumento predominantemente preto, exceto a parte infe-
rior da cabeça, e pelas asas hialinas, inclusive a célula
marginal. O. t. daemoniaca aproxima-se muito de cagafo-
go exceto, principalmente, pela presença de um pêlo lon-
go no segundo artículo do flagelo e escutelo pretos.
INTRODUÇÃO
Schwarz (1948), revisou este complexo gruoo, Tentando
esclarecer o status das diversas “formas" que o compõem.
Entretanto, muitas dúvidas permaneceram, até mesmo com
relação à identidade de tataira, forma típica do gênero (cí.
pp. 473, 474).
Das “variedades" de Schwarz, apenas obscura (Friese)
tem sido considerada como espécie boa; as demais são
reconhecidas como subespécies de tataira, embora algumas
delas ocorram em simpatria como já foi evidenciado pelo
próprio Schwarz (p. 483).
Neste trabalho, descrevo uma espécie e uma subespé-
cie novas, além de propor uma mudança no status de mul-
fordi (Schwarz) e de tecer algumas considerações sobre as
demais já conhecidas.
— 115
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
Oxytrigona ignis sp.
Fig. 1 e 2
OPERARIA.
Dimensões. Comprimento aproximado, 5.16 mm; com-
primento da asa anterior, 5.00 mm; largura máxima da ca-
beça, 2.54 mm; largura aproximada do abdômen, 1.62 mm.
Cor do tegumento. Predominantemente preto ou ene-
grecido, apenas a parte inferior da face, abaixo dos alvéo-
los antenais — clípeo, áreas malares e áreas malares e
áreas para-oculares inferiores — e ápice das mandíbulas,
bruno-ferrugíneo. O primeiro tergo e pernas posteriores,
tendendo para o negro-ferrugíneo. Nervuras das asas ante-
riores, até a altura do préstigma, ferrugíneas; pterostigma
e veias da parte apical, méleos. Membranas das asas ante-
riores, inclusive a célula marginal, hialinas; apenas as célu-
las Radial, Cubital e a metade basal da Anal, levemente
ferrugíneas.
Pilosidade • Basicamente preta. Na fronte, minúsculos
pêlos pálidos, decumbentes e muito esparsos; no clípeo e
áreas para-oculares inferiores, até a tangente dos alvéolos
antenais, pouco mais desenvolvidos e mais concentrados
Na cabeça, pêlos eretos apenas no vértice; os mais longos,
um pouco maiores que o diâmetro do ocelo médio (0.24;
0.20)('). Escapo das antenas, apenas com 2 ou 3 pequenos
pêlos em seu ápice. Bem desenvolvida no tórax e no abdô-
men a partir do 4 9 tergo; o I 9 tergo com uma franja pré-
marginal muito fina; no segundo mais desenvolvida.
Tegumento . Predominante liso e polido; no disco do
mesoscuto, pontuação pilígera muito fina, quase impercep-
tível, com intervalos 4 a 5 vezes maiores que os pontos.
Fronte, entre a tangente superior dos alvéolos antenais e
os ocelos, muito lisa e brilhante, apenas interrompida por
(1) — Todas as medidas são apresentadas em milímetros.
116 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Camargo, J. M. — Notas sobre o género Oxytrigona . . .
um ou outro pequeno ponto. Clípeo e áreas para-oculares
inferiores, com pontuação grossa, pilígera e muito densa.
Forma e proporções . Cabeça cerca de 1.35 vezes mais
larga que longa (2.54: 1.88); interorbital superior menor
que a média e pouco maior que a inferior (1 .68: 1.84: 1 .60),
e esta maior que o comprimento do olho (1.34). Área ma-
lar muito comprida, maior que o diâmetro do ocelo médio
(0.24: 0.20). Comprimento do clípeo, cerca de 3/7 da dis-
tância clípeo-ocelar (0.60: 1.44); a distância inter-alveolar,
cerca de metade do diâmetro do alvéolo antenal e igual a
inter-ocelar (0.14: 0.24: 0.14); a alvéolo-orbital cerca de
duas vezes maior que o diâmetro do alvéolo e a alvéolo-oce-
lar 3,6 vezes (0.52:0.88). Distância entre os ocelos late-
rais pouco maior que duas vezes o diâmetro do ocelo médio
e levemente maior que a ocelo-orbital (0.44: 0.20: 0.48).
Escapo relativamento longo, atingindo o nível dos ocelos
laterais; seu comprimento maior que a distância alvéolo-
ocelar lateral e cerca de 7.6 vezes o seu diâmetro (0.92:
0.88: 0.12). Flagelo e pedicelo juntos, duas vezes mais
longos que o escapo (1.84). Labro simples, abaulado com
a borda distai plana. Asa anterior com sua largura máxima
cerca dc 3/8 do comprimento (1.88: 5.00). A célula mar-
ginal 4.3 vezes mais longa que larga (1.40: 0.32). Tíbia
posterior aproximadamente 2.5 vezes mais longa que sua
largura máxima (1.96: 0.76); o basitarso posterior um pouco
mais longo que a largura da tíbia e 1 .5 vezes maior que sua
largura (0.84: 0.54); com a parto distai mais larga que a
base e com o bordo posterior suavemente abaulado e o ân-
gulo postero-distal projetado arredondado.
Discussão. Ocorre em simpatria com uma das "formas”
de tataira no sul do Estado do Pará e possivelmente tam-
bém com obscura, que já foi coletada na região noroeste
de Mato Grosso (rodovia Cuiabá-Santarém, Km 606, rio
Iporã e Peixoto, MT, Brasil, Juliani leg., exemplares em nos-
sa coleção). Distingue-se facilmente de todas as “formas"
de tataira e, especialmente de obscura, pelo tamanho avan-
117
cm l
; SciELO
10 11 12 13 14
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoobgh, 1 (i)
tajado, coloração do corpo predominantemente negra e pela
célula marginal hialina. Em obscura, a largura máxima da
cabeça, ao redor de 2.20 mm.
As relações filogenéticas de ignis com os demais gru-
pos, não podem ainda ser estabelecidas com segurança (não
se conhece o macho), embora eu esteja mais inclinado a
situá-la entre as tataira, principalmente pela ausência de
escurecimento da célula marginal.
Tipo e localidade típica- O holótipo, operária, e mais
15 parátipos da mesma casta, com a seguinte etiqueta im-
pressa: “Rio Trairão, PA — Brasil (50 km NE de Gradaús),
SB-22, 51° 49’ W, 7 o 21’ S, 24. VII. 79, Mazucato". São tam-
bém considerados parátipos, 18 operárias (3 em cada alfine-
te), com etiqueta manual: “Belém, PA, Brasil, 19S6, R. Zucchi
leg.”. O holótipo com etiqueta vermelha e os parátipos em
amarelo, encontram-se depositados na coleção do autor,
atualmente no Departamento de Biologia da Universidade
Federal do Maranhão, São Luís, MA, Brasil. Parátipos serão
enviados para o American Museum of Natural History, N.Y.,
U.S.A., Department of Entomology, University of Kansas,
Lawrence, Kansas, U.S.A., Museu Paraense Emílio Goeldi,
PA, Brasil e Departamento de Zoologia da Universidade Fe-
deral do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.
Distribuição . Conhecida apenas nas localidades acima
mencionadas no sul e noroeste do Pará, Brasil.
Oxytrigona tataira daemoniaca ssp. n.
Fig. 4, 5 e 6
OPERARIA.
Dimensões . Comprimento aproximado, 4.80 mm; com-
primento da asa anterior, 4.84 mm; largura máxima da ca-
beça, 2.28 mm; largura máxima do abdômen, 1.72 mm.
118 —
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Camargo, J. M. — Notas sobre o gênero Oxyirigona. . .
Cor do tegumento . A metade superior da fronte, vér-
tice, tórax e pernas por inteiro e os 2/3 basais das mandí-
bulas, fortemente enegrecidos. Genas e áreas para-ocula-
res, entre a sutura epistomal e órbitas anteriores do olho
composto, até o meio da fronte, a meio caminho entre os
alvéolos antenais e ocelos, com o tegumento bruno-amare-
ladc translúcido. Clípeo com duas grandes manchas par-
do-ferrugíneas a cada lado. Pedicelo e metade superior do
escapo das antenas, enegrecidos. Flagelo, toda a parte
inferior do escapo e por inteiro a parte basal, amarelo-fer-
rugíneos. Abdômen inteiramente amarelado, contrastando
Fig. 1 e 2 — Oxytrigona ignis, hclótipo, asa anterior e basitarso pos-
terior. Fig. 3 — O. obscura, basitarso posterior. Fig. 4, 5 e 6 —
O. tataira daemoniaca, asa anterior, antena, mostrando pêlo longo
no segundo artículo e basitarso posterior. Fig. 7 e 8 — O. mulforái,
asa anterior e basitarso posterior. Fig. 9 — O. tataira cagafogo, ba-
sitarso posterior (escala a = 1 mm, corresponde às fig. 1, 4 e 7;
b = 1 mm, fig. 2, 3, 5, 6, 8 e 9).
— 119
í, |SciELO
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
fortemente com o tórax. Membranas das asas levemente
ferrugíneas, especialmente na parte basal da asa anterior.
Nervuras, méleas, apenas a Costal e a Radial um pouco es-
curecidas. Tégulas bruno-ferrugíneas.
Pilosidade ■ Predominantemente preta. Na cabeça, co-
mo em ignis. Escapo com pêlos esparsos e curtos (meno-
res que o diâmetro do flagelo) ao longo na parte dorsal; o
segundo artículo do flagelo com um pêlo longo na parte
anterior basal; seu comprimento um pouco mais curto que
o diâmetro do flagelo. No tórax, os pêlos pretos longos e
eretos, intermeados com pêlos pálidos, decumbentes e p ! u-
mosos, especialmente no mesoscuto e mesepisternos. Nas
pernas, como em ignis. No dorso do abdômen, pêlos desen-
volvidos apenas no último tergo e um pouco nos bordos
laterais e franja pré-marginal do 5?. O 2°, 3 9 e 4 9 tergos.
apenas com uma leve franja pré-marginal.
Tegumento . Liso e polido e com a estrutura como em
ignis .
Forma e proporções • Cabeça, 1.3 vezes mais larga que
longa (2.28: 1.70); interorbita! superior menor que a média
e pouco maior que a inferior (1.50: 1.64: 1.38) e esta,,
maior que o comprimento do olho (1.24). Comprimento da
área malar igualando ao diâmetro do ocelo médio (0.20:
0.20). Comprimento do clípeo um pouco menor que metade
da distância clípeo-ocelar (0.50: 1.06). A distância intero-
ceiar levemente maior que metade do diâmetro do alvéolo
e pouco menor que a inter-ocelar (0.12: 0.22: 0.14); a al-
véolo-orbital pouco mais que duas vezes o diâmetro do al-
véolo e a alvéolo-ocelar 3.7 vezes (0.48: 0.82). Distância
entre os ocelos laterais, ligeiramente maior que duas vezes
o diâmetro do ocelo médio (0.42: 0.20). Escapo atingindo
a tangente inferior dos ocelos laterais; seu comprimento
igual a distância alvéolo-ocelar lateral e 5.2 vezes seu pró-
prio diâmetro (0.82: 0.82: 0.16). Flagelo e pedicelo juntos,
duas vezes mais longos que o escapo (1.60). Labro simples
abaulado. A asa anterior com sua largura máxima cerca de
120
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Sasaima
ãaemoniaca
variávedia
desvio-padrão
holótipo
1
30
0.018
2.28
2
30
0.018
1.50
3
35
0.010
1.64
4
39
0.010
1.38
5
25
0.015
1.24
6
55
0.010
0.54
7
07
0.014
1.06
8
i2|
0.015
0.50
9
83
0.016
0.80
10
12
0.000
0.12
11
47
0.017
0.48
12
34
0.019
0.36
13
49
0.017
0.50
14
41
0.008
0.40
15
14
0.012
0.14
16
84
0.018
0.82
17
19
0.008
0.20
18
20
0.015
0.20
19
67
0.020
1.68
20
83
0.008
0.82
21
84
0.009
0.84
22
84
0.028
4.84
23
78
0.022
1.80
24
77
0.010
1.76
25
69
0.010
0.68
26
75
0.020
0.72
27
48
0.020
0.48
28
02
0.016
1.04
29
46
0.020
1.44
30
6
6
1. Largura 'Largura máxima da asa anterior.
2. Distância Comprimento da tíbia posterior,
3. Distância Largura máxima da tíbia posterior.
4. D.stância Comprimento do basitarso posterior,
5-, ComprimeLargura do basitarso posterior.
6. Largura dQ^primenfo do mesoscuto.
7. Distância Largura do mesoscuto,
8. Comprimeijvjúrpgfo jg hâmulos.
TABELA 1 — Oxytrigona ignis e Oxytrigona tataira daemoniaca, mensurações (mm).
Rio Trairão,
ignis
PA
Belém, PA
ignis
Sasaima
daemoniaca
variáveis
n
limites
média
desvio-padrão
n
limites
média
desvio-padrão
holótipo
n
limites
média
desvio-padrão
holótipo
1
5
2.48—25.4
2.51
0.023
5
2.40—2.48
2.43
0.033
2.54
6
2..28— 2.32
2.30
0.018
2.28
2
5
1.64—1.68
1.66
0.014
5
1.56—1.62
1.58
0.028
1.68
6
1.48—1.52
1.50
0.018
1.50
3
5
1.82—1.84
1.83
0.009
5
1.72—1.78
1.76
0.024
1.84
6
1.64—1.66
1.65
0.010
1.64
4
5
1.56—1.60
1.57
0.016
5 '
1.48—1.52
1.50
0.022
1.60
6
1.38—1.40
1.39
0.010
1.38
5
5
1.32—1.34
1.33
0.009
5
1.28—1.30
1.28
0.009
1.34
6
1.24—1.28
1.25
0.015
1.24
6
5
0.56—0.58
0.57
0.011
5
0.52—0.58
0.55
0.022
0.58
6
0.54—0.56
0.55
0.010
0.54
7
5
1.10—1.16
1.14
0.022
5
1.06—1.12
1.09
0.027
1.14
6
1.04—1.10
1.07
0.014
1.06
8
5
0.56—0.60
0.58
0.020
5
0.52—0.56
0.54
0.017
0.60
6
0.50—054
0.52|
0.015
0.50
9
5
0.86—0.90
0.88
0.020
5
0.84—0.86
0.84
0.009
0.90
6
0.80—0.84
0.83
0.016
0.80
10
5
0.12—0.14
0.13
0.009
5
0.12—0.12
0.12
0.000
0.14
6
0.12—0.12
0.12
0.000
0.12
11
5
0.52—0.54
0.53
0.011
5
0.50—0.52
0.51
0.011
0.52
6
0.44—0.48
0.47
0.017
0.48
12
4
0.34—0.40
0.36
0.025
5
0.28—0.36
0.32
0.037
0.36
6
0.32—0.36
0.34
0.019
0.36
13
4
0.54—0.56
0.55
0.010
5
0.52—0.58
0.55
0.023
0.56
6
0.48—0.52
0.49
0.017
0.50
14
5
0.46—0.48
0.47
0.011
5
0.46—0.48
0.47
0.009
0.48
6
0.40—0.42
0.41
0.008
0.40
15
5
0.14—0.16
0.14
0.009
5
0.12—0.16
0.14
0.020
0.14
6
0.12—0.16
0.14
0.012
0.14
16
5
0.88—0.94
0.91
0.027
5
0.86—0.90
0.88
0.014
0.88
6
0.82—0.86
0.84
0.018
0.82
17
5
0.18—0.20
0.19
0.011
5
0.16—0.18
0.17
0.009
0.20
6
0.18—02.0
0.19
0.008
0.20
18
5
0.24—0.26
0.24
0.009
5
0.22—0.26
0.24
0.005
0.24
6
0.18—0.22
0.20
0.015
0.20
19
5
1.82—1.88
1.86
0.027
5
1.76—1.84
1.80
0.028
1.84
4
1.64—1.68
1.67
0.020
1.68
20
5
0.92—0.92
0.92
0.000
5
0.88—0.88
0.88
0.000
0.92
6
0.82—0.84
0.83
0.008
0.82
21
5
0.92—0.96
0.94
0.020
3
0.88—0.90
0.89
0.012
0.96
5
0.84—0.86
0.84
0.009
0.84
22
4
5.00—5.12
5.04
0.056
5
4.84 — 4.92
4.89
0.036
5.00
5
4.80—4.88
4.84
0.028
4.84
23
2
1.88—1.92
1.90
0.028
3
1.76—1.82
1.79
0.030
1.88
5
1.76—1.80
1.78
0.022
1.80
24
5
1.92—1.96
1.94
0.022
5
1.80—1.84
1.82
0.020
1.96
6
1.76—1.78
1.77
0.010
1.76
25
5
0.72—0.76
0.73
0.018
5
0.68—0.72
0.73
0.018
0.76
6
0.68—0.70
0.69
0.010
0.68
26
5
0.80—0.84
0.82
0.022
4
0.80—0.84
0.82
0.023
0.84
6
0.72—0.76
0.75
0.020
0.72
27
5
0.50—0.54
0.52
0.014
5
0.48—0.52
0.50
0.022
0.54
6
0.48—0.50
0.48
0.020
0.48
28
5
1.06—1.08
1.08
0.067
4
1.04—1.08
1.06
0.023
1.08
6
2.00—1.04
1.02
0.016
1.04
29
5
1.52—1.60
1.55
0.033
5
1.40—1.48
1.42
0.035
1.60
6
1.44—1.48
1.46
0.020
1.44
30
5
6—7
6
"
5
G— 6
6
7
6
6—7
5
6
RELAÇÃO DAS VARIÁVEIS.
1 .
Largura máxima da cabeça.
9.
Distância
clípeo.clveolar.
'6.
Distância clveolocelar lateral.
23.
Largura máxima da asa anterior.
2*
Distância interorbital superior.
10.
Distância
interalveolar.
17.
Diâmetro do ocelo médio.
24.
Comprimento da tíbia posterior.
3.
Diítância máxima interorbital (média).
1 1.
Distância
alveolorbital.
'8,
Comprimento da
área <malar.
25.
Largura máxima da tíbia posterior.
4.
Distância interorbital inferior
12.
Distância
ocelocipital.
19.
Comprimento do
flagelo e pedicdo juntos.
26.
Comprimento do basitarso posterior
5.
Comprimento do olho composto.
13.
Distância
orbitocipital.
20.
Comprimento do
escapo.
27.
Largura do basitarso posterior.
6.
Largura do olho composto.
14.
Distância
ocelorbital (ocelo Jateral).
21.
Comprimento da
mandíbula.
28.
Comprimento do mesoscuto.
7,
Distância clípeo ocelo.médio.
15.
Distância
interocelar (médio lateral).
22.
Comprimento da
asa anterior. i
29.
Largura do mesoscuto.
8.
Comprimento do clípeo.
30.
Número de hâmulos.
TABELA 1 — Oxytrigona ignis e Oxytrigona tataira daemoniaca, mensurações (mm).
Rio Trairão,
ignis
PA
Belém, PA
ignis
Sasaima
daemoniaca
variáveis
n
limites
média
desvio-padrão
n
limites
média
desvio-padrão
holótipo
n
limites
média
desvio-padrão
holótipo
i
5
2.48—25.4
2.51
0.023
5
2.40—2.48
2.43
0.033
2.54
6
2..28— 2.32
2.30
0.018
2.28
2
5
1.64—1.68
1.66
0.014
5
1.56—1.62
1.58
0.028
1.68
6
1.48—1.52
1.50
0.018
1.50
3
5
1.82—1.84
1.83
0.009
5
1.72—1.78
1.76
0.024
1.84
6
1.64—1.66
1.65
0.010
1.64
4
5
1.56—1.60
1.57
0.016
5
1.48—1.52
1.50
0.022
1.60
6
1.38—1.40
1.39
0.010
1.38
5
5
1.32—1.34
1.33
0.009
5
1.28—1.30
1.28
0.009
1.34
6
1.24—1.28
1.25
0.015
1.24
6
5
0.56—0.58
0.57
0.011
5
0.52—0.58
0.55
0.022
0.58
6
0.54—0.56
0.55
0.010
0.54
7
5
1.10—1.16
1.14
0.022
5
1.06—1.12
1.09
0.027
1.14
6
1.04—1.10
1.07
0.014
1.06
8
5
0.56—0.60
0.58
0.020
5
0.52—0.56
0.54
0.017
0.60
6
0.50—054
0.52|
0.015
0.50
9
5
0.86—0.90
0.88
0.020
5
0.84—0.86
0.84
0.009
0.90
6
0.80—0.84
0.83
0.016
0.80
10
5
0.12—0.14
0.13
0.009
5
0.12—0.12
0.12
0.000
0.14
6
0.12—0.12
0.12
0.000
0.12
11
5
0.52—0.54
0.53
0.011
5
0.50—0.52
0.51
0.011
0.52
6
0.44—0.48
0.47
0.017
0.48
12
4
0.34—0.40
0.36
0.025
5
0.28—0.36
0.32
0.037
0.36
6
0.32—0.36
0.34
0.019
0.36
13
4
0.54—0.56
0.55
0.010
5
0.52—0.58
0.55
0.023
0.56
6
0.48—0.52
0.49
0.017
0.50
14
5
0.46—0.48
0.47
0.011
5
0.46—0.48
0.47
0.009
0.48
6
0.40—0.42
0.41
0.008
0.40
15
5
0.14—0.16
0.14
0.009
5
0.12—0.16
0.14
0.020
0.14
6
0.12—0.16
0.14
0.012
0.14
16
5
0.88—0.94
0.91
0.027
5
0.86—0.90
0.88
0.014
0.88
6
0.82—0.86
0.84
0.018
0.82
17
5
0.18—0.20
0.19
0.011
5
0.16—0.18
0.17
0.009
0.20
6
0.18—02.0
0.19
0.008
0.20
18
5
0.24—0.26
0.24
0.009
5
0.22—0.26
0.24
0.005
0.24
6
0.18—0.22
0.20
0.015
0.20
19
5
1.82—1.88
1.86
0.027
5
1.76—1.84
1.80
0.028
1.84
4
1.64—1.68
1.67
0.020
1.68
20
5
0.92—0.92
0.92
0.000
5
0.88—0.88
0.88
0.000
0.92
6
0.82—0.84
0.83
0.008
0.82
21
5
0.92—0.96
0.94
0.020
3
0.88—0.90
0.89
0.012
0.96
5
0.84—0.86
0.84
0.009
0.84
22
4
5.00—5.12
5.04
0.056
5
4.84-4.92
4.89
0.036
5.00
5
4.80—4.88
4.84
0.028
4.84
23
2
1.88—1.92
1.90
0.028
3
1.76—1.82
1.79
0.030
1.88
5
1.76—1.80
1.78
0.022
1.80
24
5
1.92—1.96
1.94
0.022
5
1.80—1.84
1.82
0.020
1.96
6
1.76—1.78
1.77
0.010
1.76
25
5
0.72—0.76
0.73
0.018
5
0.68—0.72
0.73
0.018
0.76
6
0.68—0.70
0.69
0.010
0.68
26
5
0.80—0.84
0.82
0.022
4
0.80—0.84
0.82
0.023
0.84
6
0.72—0.76
0.75
0.020
0.72
27
5
0.50—0.54
0.52
0.014
5
0.48—0.52
0.50
0.022
0.54
6
0.48—0.50
0.48
0.020
0.48
28
5
1.06—1.08
1.08
0.067
4
1.04—1.08
1.06
0.023
1.08
6
1.00—1.04
1.02
0.016
1.04
29
5
1.52—1.60
1.55
0.033
5
1 .40' — 1 .48
1.42
0.035
1.60
6
1.44—1.48
1.46
0.020
1.44
30
5
6—7
6
5
6—6
6
7
6
6—7
5
6
RELAÇÃO DAS VARIÁVEIS.
1 .
Largura máxima da cabeça.
9.
Distância
clípeo_clveo!ar.
16.
Distância clveolocelar lateral.
23.
Largura máxima da asa anterior.
2.
Distância interorbital superior.
10.
Distância
interalveolar.
17.
Diâmetro do ocelo médio.
24.
Comprimento da tíbia posterior.
3.
Distância máxima interorbital (média).
1 1.
Distância
alveolorbital.
18.
Comprimento da área smalar.
25*
Largura máx:ma da tíbia posterior.
4 .
Distância interorbital inferior
12.
Distância
ocelocipital.
19.
Comprimento do flagelo e pedicelo juntos.
26.
Comprimento do basitarso posterior
5.
Comprimento do olho composto.
13.
Distância
orbitocipital.
20.
Comprimento do escapo.
27.
Largura do basitarso posterior.
6.
Largura do olho composto.
14.
Distância
ocelorbital (ocelo Jateral).
21.
Comprimento da mandíbula.
28*
Comprimento do mesoscuto.
7.
Distância clípeo ocelo.médio.
15 .
Distância
interocelar (médio lateral).
22.
Comprimento da asa anterior. i
29.
Largura do mesoscuto.
8.
Comprimento do clípeo.
30.
Número de hâmulos.
■:
|
0
.
>
. •
t
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Camargo, J . M .
Notas sobre o gênero Oxytrigona. .
3/8 do comprimento (1.80: 4.84). A célula marginai cerca
de 4 vezes mais longa que larga (1.40: 0.34). Tíbia poste-
rior aproximadamente 2.6 vezes mais longa que sua largura
máxima (1.76: 0.68). O basitarso posterior mais longo que
a largura de tíbia e 1.5 vezes maior que sua própria largura
(0.72: 0.48), com o bordo posterior amplamente curvado e
o ângulo distai arredondado não projetado.
Discussão. O grupo tataira, no qual incluo cegafogo
(Müller), mellicolor (Packard), mediorufa (Cockerell) e fia ~
veola (Friese) além de daemoniaca, é extremamente com-
plexo, e com o material atualmente disponível, não se pode
cbegar ainda a uma definição segura quanto ao status da
maioria das “formas” que o compõem; comporta uma notá-
vel variação geográfica desde o sui do Brasli até o sul do
México, especialmente junto aos formadores do Amazonas
ao longo da região pré-Andina e nos vales entre as cordi-
lheiras, a exemplo do que ocorre com outras espécies de
Meiiponinae. Examinei exemplares de Medina, Cundinamar-
ca, Colômbia (73° 21’ W, 4 o 30’ N) e de Tauari, PA, Brasil
(rio Tapajós, SA-21, 57° 7’ W, 3 o 5’ S) que não correspondem
as formas já descritas.
Em alguns casos, a alopatria é evidente, como entre
cagafogo e tataira (s.str.). A primeira ocupa a região ao
sul da serra da Mantiqueira, indo cté Sta. Catarina; a se-
gunda, a região ao norte, indo até o Ceará e Maranhão, sem
penetrar a Amazônia, onde é substituída por outras “for-
mas". A zona de contacto e possivelmente de intergrada-
ção está entre o norte de São Paulo e sul de Minas Gerais,
de maneira semelhante ao que ocorre com Melipona bicolor,
bicolor e M. bicolor schencki, M. quadrifasciata quadrifas-
ciata e M. quadrifasciata anthidioides e entre Schwarziana
quadripunctata quadripunctata e S. quadripunctata biparti ta.
Coloquei daemoniaca como subespécie de tataira mais
para demonstrar suas afinidades com o grupo, embora eu
não esteja seguro quanto a sua exclusividade geográfica.
Descrever subespécies sem conhecer todo seu padrão geo-
— 121
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoalogia, 1 (1)
gráfico pode ser oneroso para a ciência, contudo, o simples
registro de um fato rne parece mais relevante que a omissão.
Pode-se, facilmente distinguir daemoniaca pela combi-
nação dos seguintes caractéres: parte superior da cabeça,
tórax e pernas, inteiramente enegrecidos; áreas para-ocula-
res, até o meio da fronte, e o abdômen, amarelados; mem-
branas das asas hialinas, inclusive a célula marginal. De
tataira cagafogo, com a qual poderia ser confundida, apesar
da grande distância geográfica separando-as, distingue-se:
pela conformação do basitarso posterior, estreito na base
e largamente arredondado na margem posterior distai; pelo
enegrecimento de toda a parte superior da cabeça; pela pi-
losidade do abdômen, pouco abundante e restrita ao último
tergo e margem dos demais exceto o primeiro; pela presen-
ça de um (1) pêlo longo no segundo artículo do flagelo e
pelo escutelo enegrecido. Em cagafogo, o basitarso poste-
rior é largo na base e suavemente arredondado na margem
posterior; o enegrecimento da parte superior da cabeça se
restringe apenas as áreas adjacentes aos ocelos; a pilosi-
dade do abdômen é mais abundante e avança até o terceiro
terço; o escutelo é amarelado; não apresenta pêlo longo no
segundo artículo do flagelo.
Examinei um exemplar identificado por Schwarz como
tataira var. tataira, com duas etiquetas de procedência :
“Tingo Maria, Huan., Peru, May, 1949, Alt. 670 m” e "Hua-
nuco, Huan., Peru, Nov. 1946, Alt. 1900 m”. Esse exemplar
realmente combina com cagafogo (considerada por Schwarz
como sinonimo de tataira) em todos os caracteres; é ape-
nas um pouco maior. Ou cagafogo chega até essa região
acompanhando as correntes frias do Chaco Oriental e Beni
ou existe erro de etiquotagem. É um caso para ser escla-
recido.
Tipo e localidade típica. O holótipo, operária, e mais
cinco parátipos da mesma casta, com a seguinte etiqueta
de procedência (manual): “Sasaima, Cundinamarca, Colôm-
bia, 14-X-1976, Guiomar leg.". Outras quatro operárias, tam-
122 —
Camargo, J. M. — Notas sobre o gênero Oxytrigona...
bém consideradas parátipos, de: “TOCAIMA, Cundinamar-
ca, Colômbia, 29-VIII-1 977, G. N. Parra leg.”. Holótipo com
etiqueta vermelha e parátipos em amarelo; todos deposita-
dos na coleção do autor, atualmente no Departamento de Bio-
logia da Universidade Federal do Maranhão. Parátipos serão
enviados para as Instituições relacionadas anteriormente.
Distribuição. Conhecida apenas nas localidades acima
mencionadas, no vale do rio Madaglena, entre as cordilhei
ras Oriental e Central na Colômbia.
Oxytrigona mulfordi (Schwarz, 1948), n. stat.
Trigona (Oxytrigona) tataira variety mulfordi Schwarz,
1948: 481-483.
Tipo e localidade típica. Holótipo, operária, de: “Tumu-
pasa, Bolívia (W. H. Mann) Dec. Mulford Biol. Exp. 1921-22”,
depositado no United States National Museum.
Examinei um dos parátipos da localidade típica que me
foi doado pelo American Museum of Natural History, infeliz-
mente sem a etiqueta de Schwarz.
Esta espécie ocorre em simpatria com flaveola e obs-
cura, como já foi registrado pelo próprio Schwarz (1948:
481, 482, 483, 487) em Tumupasa e rio Beni, na Bolívia. En-
tretanto, esse autor, depois de uma breve discussão con-
clui :
. . . it is interesting to find three varieties of this rather rare
subgenus occupying the same localitics. Here is a case plainly where
the term variety has no implication of geographic race.
Pelo ápice da célula Radial e a Marginal por inteiro,
enfumaçadas ou bruno-ferrugíneas, coloco mulfordi ao lado
de obscura, possivelmente como espécies monofiléticas.
Uma descrição minuciosa pode ser vista em Schwarz
(1948: 481-483).
— 123
SciELO
10 11 12
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
SUMMARY
Oxytrigona ignis, n.sp., frcm Pará Brasil, and Oxytrigona
taiaira daemoniaca, n.ssp., from Maclaglena river valley,
Colombia, are described. A new taxonomic status is pro-
posed for Oxytrigona mulfordi.
O. ignis is distinghished from the other Oxytrigona by
having the tegument predominantly black, except for the in-
ferior part of head, and hyaline wings, including the marginal
cell. In color pattern, O. tataira daemoniaca is closely re-
lated to cagafogo, except for one long hair in the second
basal joint of the flagellum and black thorax and scutellum.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SCHWARZ, H. F.
1948 — Stingless bees (Meliponidae) of the Western Hemis-
phere. Buli. Amer. Mus. Nat. Hist., 90: i-xvii + 1-546
pis. 1-8.
(Aceito para publicação em 08/01/84)
124 —
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL 1 (1): 125- 137. ABRIL, 1984
Simuliidae (Diptera: Culiccmorpha) no Brasil.
II - Sobre o Simuíium nahimi sp. n. ( * }
Victor Py-Daniel
Instituto Nacional dc Pesquisas da Amazônia
Resumo : Uma espécie nova, Simuíium nahimi, do sub-
gênero Simuíium ( Inaequalium) Coscarón & Wygodzinsky
é descrita. Simuíium nahimi é procedente de um sub-
afluente do rio Madeira (rio Aripuanã — igarapé Frei
Canuto), da bacia hidrográfica do Amazonas.
Esta espécie provém do sul da região Amazônica (Norte
do Estado do Mato Grosso), área pertencente ao Complexo
do Pré-Cambriano; suas formas imaturas foram coletadas
em um curso d'água pertencente à bacia hidrográfica do
Amazonas.
Simuíium nahimi sp. n.
fêmea — Coloração geral preta. Comprimento do cor-
po 1, 7-2,0 mm. (espécimes secos). Comprimento da asa
1,S-2,0 mm.
Cabeça enegrecida. Fronte, clípeo e occiput com prui-
nosidade acinzentada. Peças bucais castanho-enegrecidas.
Antenas com escapo, pedicelo e primeiro segmento do fla-
ge'o (desde a metade basilar até totalmente) castanho-la-
ranja, o resto do flagelo castanho-enegrecido; flagelo corn
pilosidade curta e de cor amarelo-esbranquiçado. Compri-
mento das antenas 0,44-0,49 mm. Triângulo fronto-ocular
como na figura 1J. Fronte mais alta que larga (Fig. 1D),
( * ) — Auxílio Pesquisa n? 2222 . 1220/77-CNPq .
125
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 ( 1 )
IF = 1,29-1,43. Áreas fronío-oculares subtriangulares (Fig.
1 D), sem suturas infra-frontais. Cibário (Fig. 1 E) com os
braços laterais esclerotizados, com elevação da porção me-
diana c dentes conspícuos. Segmento apical (V) do palpo
maxilar menor que o dobro do comprimento do segmento
IV (Fig. 1G). Vesícula sensorial (Fig. 1F) do palpo maxilar
alongada e diâmetro igual à metade da largura do segmento
III Maxilas e mandíbulas com dentes em ambas as bordas.
Maxila com 20-22 dentes (8-9/1/11-12); mandíbula com 5-10
dentes na borda externa e 21-28 dentes na interna, Mesono-
to preto, com pilosidade amarela em toda sua extensão, com
pruinosidade acinzentada que muda de posição e forma de-
pendendo da variação do ângulo de incidência da luz (exis-
te uma variação nas formas e posições das áreas pruinosas
em um mesmo espécime ou entre espécimes; estas áreas
apresentam-se desde claramente evidentes até fracamente
visíveis, e até mesmo inaparentes; quando a maioria das
setas caíram, aparecem mais nitidamente as 1 + 1 áreas
cuneiformes alongadas; quando as sotas estão intactas ape-
nas aparecem áreas mais claras sem forma) (Fig. 1A,B e
1C). Úmeros castanho-enegrecidos, com pruinosidade acin-
zentada esparsa. Escutelo amarelo-pálido, circundado por
setas amarelas ou pretas (dependendo do ângulo de incidên-
cia da luz ocorre a mudança de reflexão de cor). Posnoto
preto, com pruinosidade nacarada, glabro. Mesepisterno,
catepistemo e mesepímero pretos, com pruinosidade acin-
zentada esparsa. Sulco mesepisternal bem evidente. Ca-
tepisterno mais largo que alto. Asas com veias castanho-
claras; Sc com 10-15 setas; fll com espinhos apenas na
metade apical; seção basilar do radius com pilosidade dis-
posta em apenas 1 fileira de setas (Fig. 1L). Forma, pro-
porção e disposição da pigmentação das pernas como nas
figuras 10, R e IS. Coxa, trocânter e fêmur do primeiro par
de pernas castanho-amarelados, com setas amarelas e pre-
tas; tíbia com os 3/4 basilares castanho-amarelados (com
pruína alvacenta) e 1/4 apical preto; tarsos pretos. Segundo
126 —
Py-Oaniel, V. — Simuliidae (Diptera: CuÜcomorpha) .
PIG. 1 — Simulium nahimi, sp. n. (fêmea) : A, B e C, variações no
padrão do mesonoto, sob diferentes ângulos de incidência luminosa;
D, fronte; E, porção basilar do cibário; F, órgão sensorial do palpo;
G, palpo maxilar, H, antena; J, área frontocular e triângulo ocelar;
K. unha da garra tarsal; L, bordo anterior da asa; M, oitavo ester-
nito e gonapófises; N, calcípala e pedisulco; P, paraprocto e cerco;
Q, R o S, pernas anterior, mediana e posterior; T, froquilha genital.
SciELO
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
par de pernas com coxa castanho-enegrecida; trocânter e
fêmur castanhos com setas amarelas e pretas; tíbia com
1/2 basilar castanho-amarelado (com pruína alvacenta) e
1/2 apical enegrecido; basitarso com 2/3 basilares casta-
nho-amarelo-esbranquiçados e 1/3 apical preto, o resto dos
tarsos pretos. Par de pernas posterior com coxa preta e
pruína nacarada esparsa; trocânter castanho-amarelado; fê-
mur castanho-enegrecido, com setas amarelas e pretas; tí-
bia com 1/3 basilar amarelo-esbranquiçado e o restante pre-
to; basitarso com 4/5 bacilares amarelo-esbranquiçado e o
restante preto; tarsos pretos. Calcípala e pedisulco (Fig.
IN) bem desenvolvidos. Calcípala tão larga quanto com-
prida, não alcançando o pedisulco. Unhas das garras tar-
sais (Fig. 1K) com dente sub-basilar. Fêmures e tíbias de
todas as pernas com setas espatuliformes, entremeadas
com setas filiformes. Abdome negro, com 1 + 1 áreas na-
caradas no tergito II, tergitos III-IV aveludados, tergitos V-
VIII com brilho céreo. Oitavo esternito com 1 + 1 áreas com
37-38 setas, algumas delas aparecendo inseridas na base
das gonapófises (Fig. 1 M) ; gonapófises subtriangulares,
com abundantes microtríquias alcançando a margem apical
e com o bordo interno esclerotizado. Paraproctos e cercos
como na figura IP. Forquilha genital (Fig. 1T) com o pro-
cesso mediano bem esclerotizado. Espermateca oval, com
espículas internas, a base (pequena área semicircular) e o
dueto espermático membranosos.
macho — Coloração geral preta. Comprimento do cor-
po 1,8 -2,1 mm (espécimes secos). Comprimento da asa
1,69 - 1,75 mm.
Cabeça enegrecida. Fronte e clípeo com pruinosidade
cinza. Peças bucais castanho-escuras. Segmento apical (V)
do palpo maxilar (Fig. 2C) de comprimento menor que o
dobro do segmento IV; vesícula sensorial (Fig. 2E) subglo-
bular, menor e com menos tubérculos que na fêmea. Antena
(Fig. 1D) com coloração igual à da fêmea; comprimento =
0,41 -0,42 mm. Mesonoto preto, podendo ou não apresentar,
128 —
Py-Daniel, V.
Simuliidae (Diptera: Culicomorpha). . .
FIG. 2 — Simulium nahimi, sp. n. (macho) : A, aspecto do me r
sonoto sob incidência de luz frontal; B, mesonoto sob incidência
luz postero-transversa; C, palpo maxilar; D, antena; E, órgão sen-
sorial do palpo; F, calcípala e pedisulco; G, H e J, pernas anterior,
mediana e posterior; K, placa ventral; L, esclerito mediano; M,
N e P, vários aspectos dos distímero; Q, endoparâmetros; R, ba-
símero .
— 129
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
com variações no ângulo de incidência de luz, áreas naca-
radas: com luz póstero-lateral (Fig. 2B) aparecem 1 + 1 fai-
xas laterais que se unem posteriormente a uma faixa naca-
rada e anteriormente a 1 + 1 manchas nacaradas antero-dor-
sais; com luz incidindo anteriormente aparecem as 1 + 1
manchas nacaradas (Fig. 2A); mesonoto com pilosidade
amarela por toda a sua extensão. Úmeros pretos, com pruí-
na nacarada. Escutelo amarelo-pálido, circundado por setas
amarelas ou pretas (dependendo do ângulo de incidência da
luz as setas mudam de cor). Posnoto preto, com pruinosi-
dade nacarada, glabro. Mesepisterno, catepisterno e mese-
pímero pretos, com pruinosidade nacarada esparsa. Asas:
Sc sem setas; R 1 apenas com espinhos (1 seta no ápice
basilar foi observada); Rs apenas com setas; secão basilar
do radius com uma única fileira de setas. Asas com tonali-
dades semelhantes às da fêmea. Coxa, trocânter e fêmur
do primeiro par de pernas (Fig. 2G) castanho-eneqreoidos;
tíbia com os 4/5 basilares anteriores pruinoso-nacarados e
os 4/5 posteriores castanho-escuros, o 1/5 apical preto;
tarsos pretos. Coxa do par mediano (Fig. 2H) castanho-ene-
grecida com pruinosidade nacarada esparsa; trocânter e fê-
mur castanhos; tíbia com 1/2 basilar amarelo-castanho e o
1/2 apical castanho-preto; basitarso com os 3/4 basilares
amarelos e o 1/4 apical preto; o resto dos tarsos pretos.
Coxa do par posterior (Fig. 2J) preta, com pruinosidade
nacarada esparsa; trocânter e fêmur castanhos (o fêmur
pode apresentar-se preto no 1/4 apical); tíbia com o 1/3 ba-
silar amarelo-branco, om pruína nacarada, e o restante cas-
tanho-preto; basitarso com os 4/5 basilares amarelo-esòran-
quiçado com pruína nacarada nacarada e o 1/5 apical preto.
Calcípala e pedisulco (Fig. 2F) bem desenvolvidos; calcípa-
la tão larga quanto longa, não alcançando o pedisulco. Re-
lação comprimento/largura do basitarso posterior = 5,4 -5,6.
Fêmures e tíbias de todas as pernas com setas espatulifor-
mes, entremeadas com setas filiformes. Abdome preto; ter-
gitos II e V-VIII com 1 + 1 áreas nacaradas laterais (no tergi-
130 —
Py-Daruel, V. — Simuliidae (Diptera: Culicomorpha). . .
PIG. 3 — Simulium nahimi, sp. n. (pupa) : A, aspectos gerais do
casulo; B, frontoclípeo; C, D e E, variações das bifurcações bran-
quais; K, brânquia inteira; P, tórax; H, aspecto geral dos tergitos
abdominais; J, aspecto geral dos esternitos abdominais.
— 131
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
to V estas áreas aparecem somente na porção antero-dcr-
sal). Tergito II anterior e medianamente com 1 (uma) área
nacarada. Tergito IX totalmente coberto por pruína nacara-
da. Esternitos com pruína esparsa (do tipo metálica), azul-
esverdeada. Basímero tão longo quanto largo (Fig. 2R) e
tão longo quanto o distímero. Distímero mais longo que
largo, subtriangular, com 4-10 espinhos (o apical sempre
maior) (Fig. 2M,N e 2P). Placa ventral como na figura 2K.
Esclerito mediano com a porção apical alargada, apresen-
tando urna pronunciada incisão mediana. Dentes dos endo-
parâineios bem conspícuos (Fig. 20).
pupa — Comprimento do casulo: dorsal = 2,1 -3,2 mm,
ventral = 3,2 -4,0 mm. Comprimento máximo dos filamentos
branquiais = 3,6 -3,7 mm.
Casulo em forma de “chinelo" (Fig. 3A), com a borda
anterior reforçada: tecido de coloração castanha e malhas
bem evidentes. Brânquias cinza-claras, rendilhadas, compos-
tas de seis filamentos terminais (Fig. 3C,D,E e 3K) finos e
muito longos (da base comum partem dois troncos princi-
pais curtos e relativamente grossos; o dorsal, normalmente
mais curto que o ventral, se bifurca, dando dois ramos se-
cundários, que por sua vez também se bifurcam, num total
de 4 filamentos terminais: o ventral se bifurca e dá mais
2 filamentos terminais). Tórax (Fig. 3F) e cabeça com tu-
bérculos semicircula.res com reentrâncias (as tecas ocula-
res apresentam grande quantidade de pequenos tubérculos).
Ornamentação do frontoclípeo (Fig. 3B) com tubérculos,
com 1 + 1 tricomas faciais longos, múltiplos (4-5 ramos), e
com 2 + 2 tricomas frontais, longos, bífidos e/ou trífidos e/
ou quadrífidos, sem tricomas epicraniais. Tórax com queto-
taxia (Fig. 3F) sendo 5 + 5 tricomas centro-dorsais de 3-5 ra-
mos, 3+3 tricomas laterais simples (os 1 + 1 tricomas late-
rais mais superiores, muito pequenos) e 1 + 1 tricomas
supra-laterais simples. Tergitos abdominais (Fig. 3H) mos-
trando diminuição de esclerotização no sentido antero-pos-
terior; tergito I com 1 + 1 setas longas, filiformes, fronto-la-
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Py-Daniel, V.
Simuliidae (Diptera: Cuiicomorpha). . .
terais; tergitos II -III sem áreas fronto-laterais com den-
tículos. Tergito II com 5 + 5 setas espiniformes, cons-
picuamente esclerotizadas, na região posterior (sendo
4 + 4 com o ápice no sentido longitudinal do abdome e
1 + 1 setas transversais e frontais às setas longitudinais
mais externas). Tergitos III-IV com 4+4 ganchos simples na
região posterior e 1 + 1 setas espiniformes, transversais,
frontais ao espaço existente entre os dois ganchos mais
externos. Tergito V com 5 + 5 setas espini-filiformes sim-
ples no terço posterior. Tergitos VI-IX com 1 + 1 áreas ante-
riores apresentando dentículos (pequenos e grandes). Ter-
gitos VI-VIII com 3 + 3 setas espini-filiformes simples; em
todos estes tergitos as 1 + 1 setas mais laterais aparecem
nos ápices, perto das setas pleurais. Espinhos terminais do
abdome pequenos, agudos. Ao longo do abdome 3 + 3 setas,
simples pequenas, a nível pleural, em cada segmento. Es-
ternitos lll-VIII (Fig. 3J) com 1 + 1 áreas com espinhos em
forma de pente, pequenos. Segmentos esternais IV-Vill di-
vididos medianamente por áreas membranosas estriadas, lon-
gitudinais. Segmento esternal IV com 4+4 setas filiformes,
longas, esclerotizadas. Segmento esternal III com 1 + 1 se-
tas espini-filiformes translúcidas, pequenas. Placas ester-
nais do segmento V com 2 + 2 ganchos bífidos, muito próxi-
mos, e com 2 + 2 setas espini-filiformes laterais aos ganchos
mais externos. Segmentos esternais VI-VII com 2 + 2 gan-
chos simples e/ou bífidos (normalmente externos, simples,
e internos bífidos) e 3 + 3 setas espini-filiformes (1 + 1 fron-
tais aos ganchos mais externos, 1 + 1 setas entre os gan-
chos externos e internos e 1 + 1 setas = no seg. VI, frontais
aos ganchos externos; no seg. VII frontais à seta inter-gan-
chos). Nas membranas intersegmentares (tanto dos tergi-
tos como dos esternitos) aparecem 1 + 1 setas, muito pe-
quenas, simples.
larva — Coloração geral variando de cinza claro a ver-
de claro. Comprimento do corpo = 4,9 -5,0 mm. Máxima
largura da cápsula cefálica = 0,53-0,56 mm.
— 133
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 ( 1 )
Contorno do coiro como na figura 4A. Cutícula com
pequenas setas espiniformes e filiformes. Apódema cefá-
lico (Fig. 4F) castanho, com setas [Fig . 4G) espiniformes
simples. Manchas da cabeça positivas {existe uma mancha
predominante, subtriangular, que engloba todas as outras)
(Fig. 4F) Antenas atingindo os ápices das hastes dos le-
ques cefálicos ou ultrapassando-os um pouco. Proporção
entre os segmentos antenais 1:11:111 = 1: 0,9- 1,03:1,26-1,55
(Fig. 4B e C). Leques cefálicos normais, com 40-43 raios.
Escleritos cervicais (Fig. 4F) mais ou menos elipsóides, pe-
quenos e livres na membrana nucal. Flipostômio (Fig. 4M)
com 4 -6+4 -6 setas laterais e 2 + 2 setas no disco. Dentes
hipostomiais : 1 + 1 pontas (raramente pode aparecer 1 pe-
queno dentículo na base de um dos dentes pontas), 1 dente
central, 3 + 3 dentes intermediários (os dentes pontas, cen-
tral e intermediários apresentam pequenas subprojeções
basilares), 2 + 2 dentes laterais e 4-6 serrilhas bem conspí-
cuas. Fenda guiar profunda; proporção entre a ponte pré-
gular/hipostôn.io = 1:1, 8-2,0 (Fig. 4H). Mandíbulas (Fig.
4J e M) com dentes externos (2), 1 dente apical, 3 dentes
pré-apicais (decrescendo de tamanho do I para o III), 7-13
dentes internos, 2 dentes marginais (o primeiro maior que
o segundo); sem setas supramarginais, PLM retilíneo ou
com dupla curvatura (sinuosidade), com o ápice no máximo
ultrapassando a margem inferior da mandíbula, mas sem
atingir os ápices dos dentes internos. Esclerito lateral do
pseudópodo como na figura 4E. Abdome com 1 + 1 papilas
posteriores, triangulares, pequenas, ventrais. Esclerito anal
como na figura 4N. Disco anal com 68-70 fileiras de gan-
chos, com 10-15 ganchos por fileira. Brânquias anais com-
postas de três ramos, com 15-19 lóbulos em cada um.
etimologia — Simulium nahimi é uma homenagem ao
amigo Nahim José Aguiar, que muito me auxiliou para que
fosse realizado o levantamento de Simuliidae no Estado de
Rondônia (quando ainda era Território).
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Py-Daniel, V. — Simuliidae (Diptera: Culicomorpha). . .
FIG. 4 — Simulium nahimi, sp. n. (larva) : A, aspecto geral da
larva, lateral e dorsal; B e C, variações do antena; D, esclerito Iel
tcral; E, esclerito lateral do pseudópodo; F, apódema cefálico; G,
pormenor das setas do apódema cefálico; H, aspecto ventral da
cápsula cefálica, com a fenda guiar e hipostômio; J e L, porções
apicais de mandíbulas; M, hipostômio; N, esclerito anal.
— 135
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (1)
dados BiON ômicos — O igarapé Frei Canuto, localidade
tipo de Simulium nahimi, é afluente do rio Aripuanã, sendo
este último afluente do rio Madeira. A altitude é mais ou
menos 250-300 metros.
Convive, a nível de estágios imaturos, com Simulium
(Coscaroniellum) cauchense, Simulium (Notolepria) exiguum
e Simulium rorotaense.
DISCUSSÃO
Simulium nahimi, pelo conjuno de caracteres de adul-
tos (macho e fêmea), pupa e larva, se localiza dentro do
subgêncro Inaequalium Coscarón & Wygodzinsky. Diferen-
cia-se nitidamente de todas as espécies descritas para este
subgênero pelo caráter de os distímeros do macho possuí-
rem grande número de espinhos subapicais, enquanto que
nas outras espécies ocorre apenas um espinho.
MATERIAL EXAMINADO — Aripuanã, Núcleo Científico de
Humboldt, igarapé Frei Canuto (abaixo da cachoeira das Andori-
nhas, rio Aripuanã), Estado de Mato Grosso : INPA n? 5125-2 (1 3
em alfinete + exúvia pupal e casulo em álcool — PARÁTIPO),
5125-4 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e casulo, em 2 lâminas),
5125-5 (1 9 em alfinete + exúvia pupal e casulo em álcool — PA-
RÁTIPO), 5125-6 (1 2 em alfinete + exúvia pupal e casulo em ál-
cool — HOLÓTIPO), 5125-9 (2 3+ exúvias pupais e casulos cor-
respondentes em lâmina), 5125-10 (13+ exúvia pupal e casulo
em álcool — PARÁTIPO), 5125-11 (1 3 em alfinete + exúvia pupal
e casulo em álcool), 5125-13 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e ca-
sulo em álcool); 13/XI/1975; cols. Antonio Faustino Neto, Waldo-
miro Albuquerque, Francisco Moraes & Eduardo V. da Silva;
INPA n? 5128-1 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e casulo em ál-
cool — PARÁTIPO), 5128-2 (1 2 em alfinete + exúvia pupal e ca-
sulo em álcool — PARÁTIPO), 5182-3 (1 2 em alfinete + exúvia
pupal e casulo em álcool), 5128-4 (1 2 em alfinete + exúvia pupal
e casulo em álcool), 5128-5 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e
casulo em álcool — PARÁTIPO), 5128-6 (1 2 em alfinete + exúvia
pupal e casulo em álcool — PARÁTIPO), 5128-7 (1 3 em lâmina
+ exúvia pupal e casulo em álcool), 5128-8 (1 2 em alfinete + exú-
136 —
Py-Daniel, V. — Simuliidae. (Diptera: Culicomorpha). . .
via pupal e casulo em álcool), 5128-9 (1 $ em alfinete + exúvia
pupal e casulo em álcool — PARÁTIPO), 5128-10 d 9 em alfinete
+ exúvia pupal e casulo em álcool — PARÁTIPO), 5128-12 (1 3
em alfinete + exúvia pupal e casulo em álcool), 5128-13 (1 3 em
alfinete + exúvia pupal e casulo em álcool), 5128-15 (1 9 em alfi-
nete + exúvia pupal e casulo em álcool), 5128-17 (1 9 em alfinete
+ exúvia pupal e casulo em álcool), 5128-18 (2 9 + exúvias pu-
pais e casulos em 2 lâminas), 5128-19 (1 9 + exúvia pupal e ca-
sulo, em 2 lâminas), 5128-20 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e
casulo em álcool), 5128-21 (1 3 + exúvia pupal e casulo, em 2
lâminas), 5128-22 (2 9 em alfinetes + exúvias pupais e casulos
em álcool), 5128-24 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e casulo em
álcool), 5128-26 (1 3 em alfinete + exúvia pupal e casulo em ál-
cool), 5128 (10 $ e 1 9 em alfinetes), 5128 (larvas e pupas em ál-
cool), 5128 (1 lâmina com 4 larvas); 15/XI/1975, cols. Antonio
Faustino Neto, Waldorniro Albuquerque, Francisco Moraes & Eduar-
do V. da Silva.
SUMMARV
A new species, Simulium nahimi, of subgenus Simulium
(Inaequalium) Coscarón & Wygodzinsky, is described. Simu-
lium nahimi was collected in a Madeira river subaffluent,
Amazon Basin.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PY-DANIEL, V. & COSCARÓN, S.
1982 — Simuliidae (Diptera : Nematocera) no Brasil. I — So-
bre o Simulium rappae sp. n. Rev. Brasil. Biol.,
42(1)’: 155-163.
lAceito para publicação em 29/02/84)
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