ISSN 0077-2216
BOLETIM DO
MUSEU
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EMÍLIO GOELDI
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Vol. 4
BOTÂNICA
Dezembro de 1 988
Np 2
cm 12 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
Governo José Sarney
Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT
Ministro - Ralph Biasi
Conselho Nacional de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnológico - CNPq
Presidente - Crodowaldo Pavan
Vice-Presidente - José Duarte de Araújo
Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
Diretor - Guilherme M. de La Penha
Vice-Diretor de Pesquisas - Adélia E. de O. Rodrigues
Vice-Diretor Executivo - Celso Martins Pinto
Comissão de Editoração - MPEG
Presidente - Guilherme M. de La Penha
Vice-Presidente - /Idé/ia £. de O. Rodrigues
Editor-Associado - Pedro L. B. Lisboa
Apoio Editorial - Marisa Rotenberg
Graça Overal
CONSELHO CIENTIFICO
Consultores
Anthony B. Anderson - Museu Paraense Emílio Goeldi
Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Dana Griffin III - University of Florida
Ghillean T. Prance - Royal Botanic Gardens
Graziela M. Barroso - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Enrique Forero - Missouri Botanical Garden
João Murça Pires - Museu Paraense Emílio Goeldi
Luís F, G, Labouriau - Instituto Venezoelano de Investigaciones Cientificas
Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Richard Evans Schultes - Ilarvard University
Walter Handro - Instituto de Biociências - USP
Walter B. Mors - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Warwick E. Kcrr- Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia
© Direitos de cópia/Copyright 1988
por/by/MCT/CNPq/Museu Goeldi
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ISSN 0077-2216
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Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 4(2)
Belém - Pará
Dezembro de 1988
2 3 4 5 6
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
MUSEU PA RAENSE EMiLJO GOELDI
Ministério da Ciência e Tecnologia
CNPq — Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíiico e Tecnológico
Parque Zoobotânico — Av Magalhàes Barata, 376, São Braz
Campus de Pesquisa — Av Perimetral Guamá
Caixa Postal 399 Telex (091) 1419 Telefones Parque, (091) 224-9233
Campus, (091) 228-2341 e 228-2162
66 040 Belém, Pará, Brasil
o Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi fundado
em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual Boletim é
sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1 894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1 896. The
present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this
publication.
Apoio concedido, neste número:
MCT/CNPq/EINEP - Programa de Apoio a Publicações Cientificas.
SciELO
CDD: 5«3.95
DIALISSEPALIA NO GÊNERO SANDWITHIA
LANJ. (EUPHORBIACEAE): UMA NOVIDADE
BOTÂNICA DO ALTO RIO NEGRO
E DA VENEZUELAi
Ricardo de S. Secca^
RESUMO- Diagnose e ilustração de Sandwithia heterocalyx, uma nova
espécie cujos caracteres marcantes são as sépalas livres na Jlor feminina,
a inflorescència masculina em fasciculo, os estames com filetes curtos e as
anteras eliptico-lanceoladas com tecas lineares, discretas, e os conectivos
acuminados nos ápices. Aspectos relacionados com a evolução do género
e sua provável origem, baseados principalmente na morfologia do cálice
da flor feminina, são apresentados.
PALAVRAS-CHAVE: Dialissepalia, Sandwithia, Evolução.
ABSTRACT— The author proposes a new species, Sandwithia heterocalyx,
which has a dialisepalous calyx as its most singular character. Aspects of
the origin and evolution of the fenus Sandwithia are presented.
KEY WORDS: Dialisepaly, Sandwithia, Evolution.
INTRODUÇÃO
O género Sandwithia foi estabelecido por Lanjouw (1932) e apresenta-se
distribuído na Venezuela, na Guiana e no Brasil, aqui abrangendo o Estado do
* Trabalho subvcncior)ado pelo CNPq - Proc. 40l339/86-Zo-FV/30l. 252/86, apresentado no
XXXIX Congresso Nacional de Botânica, Belcm-PA, 1988.
^MCT/CNPq- Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2), 1988.
Amazonas e Território do Amapá (Figura 1 ) tendo como habitat preferencial as
matas de terra-firme.
Analisando-se uma boa coleção de exsicatas, provenientes dos herbários do
lAN, INPA, NY e UB, verificou-se que a amostra Steyermark et al. 122236
discordava das demais por apresentar o cálice feminino com sépalas livres
(dialissepalia), aparentando uma notória semelhança com o gênero Sagotia
Baill., o qual vem sendo freqüentemente confundido com Sandwithia. A
descrição genérica de Sandwithia, atribui “Calyx tubulosus, lobis 4, oblongis”
ao referido gênero, o que pode ser perfeitamente observado na espécie-tipo
Sandwithia guianensis Lanj. Esse tipo de cálice representa uma situação de
carãter evoluído e que contrasta grandemente com aquele de sépalas livres,
portanto mais primitivo, da amostra Steyermark et al. 122236. Assim, compa-
rando-se a citada amostra com a espécie-tipo do gênero, verificaram-se outros
caracteres discordantes entre embas, particularmente com relação à flor mascu-
lina. No decorrer desse estudo novas amostras foram analisadas (ver parátipos),
o que forneceu mais base para a proposição da nova espécie abaixo descrita.
TO
60
50
10
10
1
Figura I - Distribuição geogránca atual do ginero Sandwithia.
178
Diassepalia no género SandwiihiaLa;;/. (Euphorbiaceae).
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE
Sandwithia heterocalyx R Secco, sp. nov.
(Figuras 3A, 4AC, 5)
Arbor monoica. Inflorescentiae masculae feminaeque in fasciculis terminali-
bus (vel axilaribus?), paucifloribus. Stamina filamentis brevibus, antheris
eliptico-lanceolatís, thecis linearibus, discretís, connectivis accuminatis in apice.
Fios femineus calyce dyalisepalo, 5-sepalo liberorum, styli ramis incrassatis,
ramificatione terminali bifida. Fructu non viso. Species distinctior a S. guianen-
sis, quia calycem floris feminae dialyssepalum habeL
TIPO: VENEZUELA, Território Federal Amazonas, Depto. Atures, floresta
ao longo do rio Cataniapo, 48 km a Sudeste de Puerto Ayacucho, J.A.
Steyermark et aL 122236, 10/05/80, fl (holótipo NY). Paràtipos: Venezuela,
serra da Neblina, florestaentre Maloca e rio Cauaburi, M/o T. Silva& Umbelino
Frazão 60773, 29/12/65, bot, fr (NY, DAV). BRASIL, Amazonas, Pari-
Cachoeira, Uaupés, rio Negro, J.M. Pires 8021, \2I06I62, fl (UB; lAN).
Arvore monóica 2-5 m de altura, ramos estriados. Folha com pecíolo de 1-3
cm de comprimento, canaliculado, pulvino acentuado, rugoso; limbo 6- 1 4 cm de
comprimento por 2,5-5 cm de largura, elíptico-lanceolado, cartàceo, base
atenuada, ápice acuminado, nervura principal e secundárias mais acentuadas na
face dorsal, rede de vênulas bem nítidas na mesma face. Inflorescèncias
masculina e feminina em fascículos terminais (também axilares?) paucifloras, as
masculinas também caulifloras. Botões masculinos 2-2,5 mm, subglobosos,
pubcscentes e glabros, cálice com prefloração valvar, ápice acuminado e
achatado, sutura pilosa, pcdicelos 5-9 mm de comprimento, pubescentes; pétalas
(vistas apenas no botão) 5, imbricadas, livres, côncavas, glabras; estames
numerosos ca. 1 ,5 mm, filetes curtos, ligeiramente dobrados no botão, base do
receptáculo estaminal pilosa, anteras basefixas, elíptico- lanceoladas aclavadas,
tecas lineares, discretas, conectivos acuminados no ápice. Flores femininas com
pedicelos ca. 12 mm, sulcados, levemente pilosos; cálice petalóide, com 5
sépalas livres, linear-lanceoladas, 4,5-5,5 mm de comprimento por 1-1,3 mm de
largura, os pelos mais concentrados no ápice, pétalas 5 (?), minúsculas (0,5-1
mm), subocultas, orbiculadas a clavadas, decíduas (?), pilosas; ovário ca. 2x2
mm. trissulcado, 3-locular, um óvulo por lóculo. denso- piloso, estilete trifido, os
ramos bifurcados com terminações bífidas. Fruto não visto.
O epitelo especifico alude ao cálice da flor feminina que é diferente
(dialissépalo) daquele da espécie-tipo, S. guianeitsis.
O género conta agora com duas espécies que se separam pela chave abaixo’
1 . Inflorescéncia masculina cm fascículo; estames ca. 1 ,5 mm, anteras cliptico-
lanceoladas, tecas lineares, discretas, conectivos acuminados nos ápices; flor
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi sér. Bot., 4(2), 1988.
feminina com cálice de 5 sépalas livres, ovário com estilete de ramos espessados,
ramificação terminal bífida Sandwithia heterocalyx
1. Inflorescência masculina em panícula; estames 5 mm-1 cm, anteras suborbi-
culadas, tecas volumosas, concetivos achatados nos ápices; flor feminina com
cálice concrescido, ovário com estilete de ramos delicados, ramificação terminal
indivisa S. guianensis
Seceo (1987) publicou um estudo envolvendo aspectos sistemáticos e
evolutivos do gênero 5a«í/vví7///a, sendo que a amostra a/. 122236
foi interpretada no referido estudo como pertencente á espécie Sandwithia
guianensis e o cálice feminino de sépalas livres seria apenas uma etapa inicial
para a formação do cálice feminino de sépalas concrescidas (gamossepalia), que
parece ser a situação mais comum para o género. Entretanto, constatou-se aqui
que a amostra em foco é uma espécie autônoma e, levando em consideração o
cálice da flor feminina a nivel genérico, postula-se que S. heterocalyx é uma
espécie primitiva em relação a S. guianensis, por apresentar o cálice com
sépalas totalmente livres (Figura 3A) que se opõe ao concrescimento parcial ou
total das sépalas verificado em S. guianensis (situação mais avançada - Figura
3BCD). Essa interpretação, relacionada ao concrescimento das sépalas, ganha
suporte no pensamento de diversos flogenistas, como Cronquist (1968) e
Hutchinson (1973), para os quais uma das tendências aceitas em evolução é a
agregação das partes de uma estrutura.
A descoberta de S. heterocalyx leva à proposição de novas hipóteses com
relação aos aspectos evolutivos do género. Assim, embora não se queira
superestimar o valor taxonòmico do cálice feminino em Sandwithia, admite-se
que ele tem destacado papel na explicação de sua provável origem e história
evolutiva, uma vez que:
- Considerando que cálice de sépalas livres é um caráter primitivo, pode-se
postular que o género Sandwithia provavelmente teria se originado de um
ancestral com esse caráter (semelhante a S. heterocalyx).
- Embora de todo o material até hoje coletado e estudado proveniente da
Venezuela, Guiana e Brasil, apenas duas amostras da Venezuela e outra do alto
rio Negro (J. M. Pires 8021) apresentem o fenómeno da diassepalia na flor
feminina, aflora uma hipótese; o provável centro de origem do género Sandwithia
estaria no Escudo das Guianas (Figura 2).
Talvez o ápice da evolução no género Sandwithia, ainda com relação á llor
feminina, possa ser da seguinte forma idealizado: uma espécie com o cálice
feminino totalmente concrescido, ausência de pétalas c estilete mantido acima do
cálice como atração aos polinizadores. Porém, é preciso lembrar que, de acordo
com Cronquist ( 1 968), uma planta apresenta sempre um mosaico de caracteres
primitivos c avançados, e a flor masculina do género Sandwithia apresenta
variações de características que parecem primitivas (estames com filetes longos,
de 5 mm- 1 cm de comprimento - Figura 4BD) e avançadas (estames com filetes
180
Diassepalia no gênero SandwithiaLafy. (Euphorbiaceae).
ESCUDO DAS GUIANAS
/
Figura 2 - Escudo das Guianas, provável centro de origem do gênero Sandwithia (mapa adaptado,
muito simplificado, de Schubart(1983)).
curtos, ca. 1,5 mm de comprimento - Figura 4AC). Essas questões, evidente-
mente, são de natureza hipotética, pretendendo-se discuti-las mais amplamente
no desenrolar de novas pesquisas sobre o género Sandwithia.
É compreensível quando o leigo confunde o género Sandwithia com Sagotia,
que provavelmente é seu parente mais próximo no Novo Mundo. Afinal, o cálice
feminino é um caráter instável em ambos, a nível genérico, conforme pode ser
visto abaixo:
CÁLICE FEMININO
Sandwithia
S. guianensis
parcial ou totalmente gamossépalo
S. heterocalyx
dialissépalo
Sagotia
S. racemosa
acrescente, dialissépalo, sépalas linear-lanceoladas
S. brachysepala
acrescente, dialissépalo, sépalas oblongo-elípticas a
obovadas
Mas as diferenças observadas entre ambos, considerando-se flores mascu-
linas, femininas e grãos de pólen ( Secco 1987), leva à conclusão de que se tratam
de géneros bem naturais, em nada justificando confundi-los.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
Figura 3 - Flor feminina do gênero Sandwithia. A) S. heterocalyx, com cálice de sépalas totalmente
livres {Pires 8021), também evidenciando estilete (e) c pétalas (p); B, C) S. guianensis, com cálice de
sépalas totalmente concrescidas {B. Coelho INPA 6538; Sandwith 1524, respectivamente); D) S.
guianensis, com cálice de sépalas parcialmente livres (Prance et aL 22704)
182
Diassepalia no género Sandwithiaia/y. (Euphorbiaceae).
Figura 4 - Tipos de androceu e anteras no gênero Sandwithia. A) S. heterocatyx, androceu com
estames de Tiletes curtos; C) idem, antera eUptico-lanceoladas; B) S. guianensis, androceu com
estames de filetes longos: D) idem, antera suborbiculadas. (A, C = Pires 8021; B, D •= Maguire&
Cowan 39343).
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Diassepalia no gênero SandwithiaLa/iÀ (Euphorbiaceae).
AGRADECIMENTOS
Aos colegas João Ubiratan, Jacques Jangoux e Dr. Paulo Cavalcante, com
quem discutimos parte do assunto em foco; ao Padre José Ma. Albuquerque, da
Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, pelo auxílio na diagnose latina. Aos
curadores dos herbários citados no texto pelas coleções emprestadas, e aos
revisores pelas colocações críticas.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CRONQUIST, A. 1968. The Evolution and classification offloweríng plants. Boston, 396p.
HUTCHINSON, J. 1973. The families of flowering plants. Oxford University Press, 968p.
LANJOUW, J. 1932. Contributions to thefíora of tropical America (New Euphorbiaceae colected
...) XXIII. Buli. Misc. Inform., 4:183-187.
SCHUBART, H. O. R 1983. Ecologia e utilização das florestas. In: SALATTI, E. etal. Amazônia:
desenvolvimento, integração e ecologia. São Paulo, Brasiliense; Brasília, CNPq, p. 101-143.
SECCO, R. S. 1987. Aspectos sistemãticos e evolutivos do gênero Sandwithia Lanj. (Euphorbia-
ceae) em relação as suas afinidades. Boi. Mus. Para. Emilio Goetdi, sér. Bot., 3(2): 157-1 81.
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CDD: 583.79098115
IPOMOEA MARABAENSIS, NOVA
CONVOLVULACEAE DA SERRA DOS
CARAJÁS (PA)
Daniel F. Austin^
Ricardo de S. Secco^
RESUMO - Diagnose e ilustração de Ipomoea marabaensis, uma nova
espécie das Convolvulaceae que pode ter vindo do mesmo ancestral de
Ipomoea cavalcantei. A diferença básica entre as duas espécies está no
tamanho, cor e forma das corolas e no maior comprimento das sépalas.
PALAVRAS-CHAVE: Composição floristica, fitossociologia, estrutura
da floresta.
ABSTRACT - The authors propose a new species, Ipomoea marabaensis^
which is similar to the related endemic I. cavalcantei D. Austin. The
former dffers in having longer, lilac, funnel-shaped corollas and longer
sepals.
KEY WORDS: Ipomoea, Taxonomy, Ecology, Endemism.
INTRODUÇÃO
Ipomoea L. é um gênero com 300 a 500 representantes em ambos os
hemisférios, encontrado nas zonas tropicais e temperadas, sendo que tem a
maioria de suas espécies americanas endémicas no Brasil (Austin & Cavalcante
1982).
1 Flórida Atlantic University (U.S.A.)
2 MCT/CNPq - Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Recentemente foram isoladas duas novas espécies para o gênero (Austin
1 98 1 ) na serra dos Carajás: I. carajasensis D. Austin e I. cavalcantei D. Austin,
a segunda já um símbolo da chamada vegetação de canga.
Um número considerável de novidades taxonómicas tem sido registrado na
serra dos Carajás, o que vem despertando um crescente interesse nos especialis-
tas em Sistemática para a preservação e o estudo da flora e fauna daquela região.
Assim, como parte de um programa de avaliação da flora rupestre dos Carajás, o
segundo autor coletou na serra Sul (Figura 1) amostras de Ipomoea bastante
discordantes das espécies ali descritas para o género. Posteriormente, fez coleta
nas cercanias de N5 (serra Norte, Figura 1), obtendo algumas amostras que
discordavam um pouco do material da serra Sul, conforme será discutido adiante.
Uma pesquisa baseada principalmente nos recentes trabalhos desenvolvidos
na família Convolvulaceae (Austin 1981; Austin & Cavalcante 1982), aliada a
um minucioso estudo de campo e laboratório, revelou a nova espécie aqui
apresentada.
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE
Ipomoea marabensis D. Austin & R. Secco, sp. nov (Figuras 2, 3, 4, 5).
Herba erecta vel procumbens, ramis adpresse pilosis; foliis vulgo oblongis vel
ellipticis, obovatis, lanceolatis linearibusque; utrinque pilis applicatis instructis;
floribus solitariis vel cymis terminalibus axilaribusque; sepalis plus minusve
ovatis, duobus exterioribus glabris aut sparsim sericeis intemisque sericeis;
corollis lilacinis, infundibuliformibus, pubescentia alba sive lutea inter zonas
plicatas ornatis; staminibus quinque inclusis; ovário subgloboso vel elliptico,
stigmate capitato; fructibus ovoideis aut rotundatis, 4-valvatis, glabris, seminibus
lanosis, in marginibus extemis valvarum insertis.
TIPO: Pará, Marabá, Carajás, serra Sul, vegetação de canga semelhante à serra
Norte, 16/04/86, R.S. Secco et. al. 708, bot. fl. (holótipo MG); estrada para a
repetidora de TV, vegetação de canga, 22/04/86, R.S. Secco & R. P. Bahia 730,
bot., fl. (parátipo MG; isoparátipo FAU).
Erva com caule ereto a procumbente, ramos pilosos com tricomas adpressos.
Folhas geralmente oblongas, podendo ser elípticas, obovadas ou lanccoladas a
lineares, 5-12 cm de comprimento por 0,3-2 cm de largura, as bases obtusas e
cuneadas com um par de nectários presentes ou ausentes, os ápices obtusos,
arredondados, raramente acuminados, com pubesccncia adprcssa nas páginas
superior e inferior. Flores 1-13, solitárias ou em cimos terminais ou axilares ou
próximas das terminações dos ramos; sépalas 14-15 mm de comprimento, mais
ou menos ovadas, os ápices agudos e obtusos e mucronados, as 2 mais externas
glabras e esparsamente sericeas, as internas sericeas pelo menos na porção
coberta com indumento adpresso amarelo ou esbranquiçado; corolas lilases,
infundibuliformes, 7-9 cm de comprimento, com pubcscència branca ou amare-
188
Ipomoea marabaensi^ nova Convolvulaceae da Serra dos Carajás (PA).
Sarro Sul ( FG.)
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Figura I - Mapa ilustrando as ocorrências de /. marabaensis na serra Norte - N5 e na serra Sul.
lada entre as zonas dobradas: estames 5, de ca. de 3, 5-4, 5 cm, em geral dois altos
e très baixos, insertos; ovário subgloboso a elíptico com estigma capitado. Frutos
ovoides a arredondados, com 4 valvas, glabros, marrons; sementes 5-8 mm de
comprimento, ovoides, marrons, lanosas nas margens externas com tricomas de
até 1 cm de comprimento, com aspecto de asa pela sobreposição desses tricomas.
Os exemplares coletados para essa pesquisa (/?.S. Secco & R.P. Bahia 730 e
R.S. Secco et ai 708) apresentam ligeiras diferenças como seguem:
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. BoL, 4(2), 1988.
Exemplar de N5: Exemplar da serra Sul:
- nectários grosseiros, pouco - nectários nítidos, bem definidos,
definidos na base do limbo
e do botão floral.
- folhas lanceoladas a lineares com - folhas geralmente ehpticas
tendência a sofrer dobras nas (semelhante às de Ipomoea
margens. (Figuras 2A, 5) cavalcantei. (Figuras 2B, 4)
Uma análise acurada dos exemplares acima mencionados revelou que as
discordâncias entre os mesmos são de pouco valor taxonòmico, permanecendo
ambos como Ipomoea marabaensis. Entretanto, considerando que os indivíduos
de N5 (serra Norte) e da serra Sul estão isolados por uma barreira de mata, que é
o ponto divisório entre as citadas serras, é possível supor que haja diferenciação
entre ambos, evidenciando caminhos de especiação em uma fase bastante
preliminar.
Figura 2 - Ramos de I. marabaensis, evidenciando o polimorfismo foliar. A) Indivíduo da serra
Norte - N5; B) Indivíduo da serra Sul.
190
Ipomoea marabaensia nova Convolvulaceae da Serra dos Carajaps (PA).
"I
I /
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ll /
B|
Figura 3 - Morfologia floral e fruto de I. marabaensis. A) Flor completa; B) Corte evidenciando
androceu e gineceu; C) Gineceu; D) Fruto.
Essa espécie apresenta uma certa semelhança com I. cavalcantei (Figura 6),
que é geograficamente bem próxima, diferindo por apresentar corola maior,
infundibuliforme, lilás e com as sépalas também maiores. Vale salientar que I.
cavalcantei apresenta estames excedendo o tubo da corola e não exibe nectários
nas bases da folha e do botão floral. Por outros aspectos /. cavalcantei e I.
marabaensis são similares, sendo que provavelmente se originaram de um
mesmo ancestral. Hã também uma similaridade superficial da nova espécie com
/■ argentea Meisner in Martius. Entretanto, as folhas de I. argentea são mais
densamente pubescentes, o caule é completamente ereto e as flores são bem
menores.
Levando em consideração a divisão infragenérica proposta por Austin (1979,
1980), 7. marabaensis estaria na seção Eriospermum H. Hallier ao lado de 7.
cavalcantei e 7. carajasensis.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
IMPORTÂNCIA DA ESPÉCIE - Da mesma forma que I. cavalcantei, I.
marabaensis é uma espécie de extrema beleza, destacando-se por suas flores
lilases e pelo exotismo de suas folhas que podem exibir um curioso arranjo
aciculiforme (Figura 5). Dessa forma, é perfeitamente recomendável como
espécie ornamental.
NOTAS ECOLÓGICAS - O grupo das Ipomoea tem singular expressividade
nos campos de Carajás, em termos de atração aos agentes polinizadores. Suas
corolas, em geral bem coloridas, quer espalhadas rasteiramente ou enramadas
em outras espécies vizinhas, são pontos marcantes para o trabalho dos insetos.
Apresentam os estames excertos ao tubo da corola (/. cavalcantei) ou insertos ao
mesmo (/. carajasensis e /. marabaensis). Esses estames são bastante aprecia-
dos por insetos, sendo comum encontrá-los roídos no interior das corolas. Assim,
os insetos obtém estames e néctar como alimento, ao mesmo tempo participando
da polinização da planta. São muito encontradas flores com o tubo da corola
perfurado na base por insetos como formigas, meliponídeos e marimbondos, em
busca de néctar para alimentação.
O fruto de I. marabaensis é leve, deiscente, apresentando sementes lanosas
com tricomas de 1 cm, o que lhes permite uma boa dispersão pelo vento ou água.
Coletada com flores em março, abril e maio, crescendo em solo de canga
(rocha de ferro). Com frutos em abril.
Figuras 4 e 5-4) Hábito de/, marabaensis, indivíduo da serra Sul; 5) idem, individuoda serra Norte
-N5.
192
Ipomoea marabaensia nova Convolvulaceae da Serra dos Carajás (PA).
Figura 6 - Hábito de I. cavalcantei (reproduzido de Austin (1981))
AGRADECIMENTOS
Ao padre José Ma. Albuquerque, da Faculdade de Ciências Agrárias e ao Dr.
Carlos Rizzini, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pelo auxílio na diagnose
latina. Ao desenhista Rafael Alvarez pela colaboração nas gravuras. Ao colega
Márcio Ayres, do Núcleo de Primatologia do Museu Goeldi, com quem o
segundo autor discutiu parte do assunto em foco. Aos revisores pelas sugestões
apresentadas.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AUSTIN, D. F. 1979. An Infrageneric classification for Ipomoea (Convolvulaceae). Taxon,
28(4): 359-361.
AUSTIN, D. F. 1980. Additional comments on infrageneric taxa in Ipomoea (Convolvulaceae).
Taxon, 29(4) : 501-502
AUSTIN, D. F. 1981. Novidades nas Convolvulaceae da flora amazônica. Acta Amazon., 1 1(2) :
291-295
AUSTIN, D. F. & CAVALCANTE, P. B. 1982. Convolvulàceas da Amazônia Publ. Avulsas
Mus. Para. Emílio Goeldi, (36) : 1-134.
194
CDD; 574.52642
ANALISE ECOLOGICA DA VEGETAÇAO
UMA FLORESTA PLUVIAL TROPICAL
DE TERRA FIRME, RONDÔNIAl
DE
Rafael de Paiva Salomão^
Pedro L, B. Lisboa^
RESUMO - Foi inventariado 01 ha de floresta pluvial tropical de terra
firme no trecho entre os municípios deJi-Paranà e Presidente Mèdici, no
Estado de Rondônia. Estudou-se a composição floristica e analisaram-se
os parâmetros fltossociológicos necessários à determinação do indice de
valor de importância ecológica para familias (VIF) e espécies (IVI). A
estrutura da vegetação foi também analisada. Observou-se que hã
necessidade de se tomarem medidas preservacionistas urgentes devido ao
desmatamento acelerado, não só do trecho estudado, como de todo o
Estado.
PALAVRAS-CHAVE: Composição floristica, Fitossociologia, Estrutura
da floresta.
ABSTRA CT - The results of an inventory ofOI ha of tropical terra firme
rain forest located in the road BR-364 between the municipalities of Ji-
Paraná and Presidente Médici in Rondônia State, Brazil, are presented
Floristic composition was studied, and phytosociological parameters
necessary to determine ecological importance by family (FIV) and by
species(IVI) were analyzed Vegetation structure was also analyzed. The
1
CNPq/SUDECO/BIRD.
Trabalho rmanciado pelo Programa Polonoroeste com recursos repassados pelo Convênio
MCT/CNPq/Museu Paraense Emilio Goeldi- Depto. de Botânica.
195
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
urgent need for conservation tneasures to check the rapid deforestation in
both the area studied and the entire State was noted.
KEY WORDS: Floristic composition, Phytosociology, Rainforest structure.
1 - INTRODUÇÃO
Rondônia, devido aos projetos de desenvolvimento ali conduzidos, é um
Estado sob constantes e intensas modificações do ambiente. A cobertura vegetal,
conseqüentemente, é o componente natural mais afetado na dinâmica da
colonização e desenvolvimento da região.
O Programa Integrado de Desenvolvimento do Noroeste do Brasil (POLO-
NOROESTE), estende-se entre os paralelos de 8° a 18° de latitude sul e
meridianos 54° e 66°20' de longitude oeste, incluindo a ãrea de influência da
ligação rodoviária Cuiabã-Porto Velho (BR-364), cuja área total é de, aproxima-
damente, 304.500 km2, sendo que 80% pertence a Rondônia e o restante aos
municípios de Mato Grosso localizados dentro das referidas coordenadas
(MME/DNAEE 1985), ou seja, toda área do Estado de Rondônia e a parte
ocidental do Mato Grosso.
Fearnside (1987) relata que: “em maio de 1981, teve inicio o Programa
POLONOROESTE que, financiado pelo Banco Mundial, tinha por objetivo
precípuo promover o desenvolvimento econômico de Rondônia. Elemento
central do programa era construir e pavimentar uma importante via de acesso ao
Estado: a rodovia Cuiabã-Porto Velho (BR-364). Concluído o asfaltamento de
seus 1 500 km em setembro de 1 984, ela foi rebatizada de Rodovia Marechal
Rondon. A partir de então o fluxo migratório para o Estado se intensificou. Nos
três primeiros meses de 1985, 15 mil famílias chegaram a Rondônia. Em julho
daquele ano 50 mil aguardavam assentamento”.
Do orçamento do POLONOROESTE para o período 1981-85 (1,55 bilhão
de dólares), 0,5% (7,75 milhões de dólares) foi destinado a pesquisas cientificas.
Diversas são as Instituições que ali desenvolvem estudos. Na área de Ecologia
Vegetal, operam o Museu Paraense Emilio Goeldi (MCT/CNPq), o Museu
Nacional (MN/UFRJ), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia (INPA)
e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O Departamento de Botânica, do Museu Goeldi, participa do Subprojeto
Ecologia Vegetal que tem, entre outros objetivos, o estudo da tlora sob a faixa de
influencia da BR-364 e, por extensão, do conhecimento mais detalhado da
vegetação do Estado.
Somente nas duas últimas décadas, é que se tem estudado com maior
intensidade a vegetação de Rondônia. Dados esparsos e gerais da flora
rondoniense podem ser encontrados nos trabalhos de Ilochnc &. Kuhlmann
(1951), Guerra (1953), Ducke & Black (1954), Kuhlmann (1954, 1977) e
Rizzini ( 1 963). Trabalhos mais detalhados foram desenvolvidos, recentemente.
196
Análise ecológica de floresta de terra flrme, Rondônia.
pelo Projeto RADAM( 1978; 1979), SUDECO (1975), Lisboa eí o/. (1987),
Carreira & Lisboa (prelo), Macial & Lisboa (prelo), entre outros.
Muitos cientistas têm chamado a atenção das autoridades governamentais no
sentido de se ordenar a ocupação do Estado, de forma a se atenuarem as
conseqüências danosas ao ambiente a curto, médio e longo prazo.
Fearnside & Salati (1985) analisando o gráfico do desmatamento em
Rondônia, cujos dados foram obtidos através da interpretação de imagens do
satélite Landsat, constatam que a manter-se a proporção atual de floresta
derrubada anualmente, o desmatamento assumirá niveis alarmantes aparente-
mente exponenciais. Ainda, segundo Fearnside ( 1984), a se manter a tendência
atual de desmatamento, Rondônia estará virtualmente sem floresta por volta de
1990.
De acordo com os dados do IBDF ( 1 983), a área desmatada em Rondônia até
1980 era de 7.579,27 km2, correspondente a 3,1 1 8%. Tais valores são bastante
subestimados como comprova Fearnside (1984). Em 1982, com o emprego de
uma nova técnica, baseada nos levantamentos do satélite Landsat, o Estado de
Rondônia já apresentava uma área de 1 1 .400 km2 de floresta derrubada,
equivalente a 4,69% (FBCN/MUDES 1987).
Estes dados, somados ao fato da não observância, por parte das autoridades
governamentais, dos limites geográficos estabelecidos por lei para as reservas
biológicas e florestais, parques nacionais, estações ecológicas, reservas indige-
nas e outros tipos de reservas, mostram que o Estado de Rondônia, num curto
espaço de tempo, terá sérios problemas advindos da não preservação de suas
florestas.
Fearnside & Ferreira ( 1 985) expõem alguns dados relevantes sobre a política
de ocupação em detrimento da conservação e preservação da cobertura vegetal
em áreas estratégicas.
Lisboa eí ai ( 1 987) chamam a atenção para dois problemas graves que estão
ocorrendo em Rondônia: com a extração madeireira seletiva que já exauriu as
florestas remanescentes da região de Ji-Paraná, estão se perdendo espécies (fato
já registrado em outras regiões tropicais) e, ocorrendo a “erosão genética". A
perda de espécies não é fato novo na Amazónia, como consequência da grande
pressão da extração seletiva de madeira e de projetos de colonização e
industrialização, restando indivíduos de qualidade biológica inferior para a
perpetuação das espécies. O “mogno” (Swietenia macropliylla King.) e
a “cerejeira" (Torresia acreana Ducke) são dois exemplos em Rondônia.
2 - MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Caracterização da Area de Estudo
O local de amostragem, aonde foram executados os trabalhos de campo, fica
localizado ao longo da rodovia BR-364. entre os municípios de Ji-Paraná c
197
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Presidente Mediei (RO), em um ramal a 17 Km da rodovia (coordenadas
aproximadas: 1 1° S, 61o57’ W GR).
Localizada na região Norte, Rondônia possui características do domínio
climático dos mais pluviosos do pais. A parte norte do Estado enquadra-se na área
de maior total pluviométrico anual, com valores que ultrapassam os 2500 mm.
Existe um decréscimo acentuado na precipitação de norte para sul, em
decorrência da circulação atmosférica atuante na área. Através do Mato Grosso,
um “corredor” menos chuvoso passa por Rondônia, onde ocorrem 3 meses secos,
por se tratar da periferia meridional da Amazônia. Contudo, a existência de
período ou estação seca não se caracteriza por secas intensas, podendo ocorrer,
nestas épocas, dias de chuvas abundantes. A insuficiência, do ponto de vista
ecológico, ê bastante para determinar um curto período ou uma estação seca. A
precipitação máxima, em 3 meses consecutivos, dezembro, janeiro e fevereiro,
ocorre na parte sudoeste do estado e, no restante da área, o periodo vai de Janeiro
a março. A amplitude pluviomêtrica anual varia de norte para sul do estado.
Enquanto no norte, ela fica entre 350 a 400 mm, no sul varia de 250 a 300 mm. A
distribuição média das chuvas durante o ano pode ser avaliada analisando-se o
histograma de médias mensais na Figura 1, traçado a partir de um periodo de
nove anos consecutivos, observados ou estendidos (MME/DNAEE 1985).
O comportamento térmico ê bastante variado em virtude dos fatores geográfi-
cos e dinâmicos atuantes. A Chapada dos Parecis, pela altitude bem acima da
planura regional, possui temperatura média anual inferior a 24“ C e, aí,
termômetros já registraram 0“C. As médias das temperaturas mínimas variam de
14 a 18° C, embora seja de 1 2° C na parte sudeste sobre a chapada. Segundo a
classificação xerotérmica, a maior parte da região está nos domínios sul-
termaxérico ou tropical quente e subseco com curta estação seca, 1 a 2 meses.
De acordo com a classificação de Kôppen, a região tem como clima predomi-
nante o Am (MME/DNAEE 1985).
Em linhas gerais, o relevo de Rondônia apresenta suas áreas mais elevadas ao
sul. No centro-sul, estão localizadas formações como a Chapada dos Parecis-
Pacaás Novos, enquanto sua parte central, em declividade suave, desce para o
norte em direção à planície amazônica (MME/DNAEE 1985).
Os melhores solos em Rondônia são encontrados ao sul do estado. O Pod-
zôlico Eutrófico vermelho-amarelo é o principal, sob o ponto e vista agrícola, e
cobre cerca de 50% dos municípios de Ji-Paraná (local deste estudo) c Cacoal c,
aproximadamente, 30% de Ariquemes. A parte restante consiste de Latos-
solos, Cambissolos e Podsolos distróficos vermelho-amarelos, alguns destes
totalmente inadequados para o cultivo. Um estudo sobre a capacidade do solo
para aptidão agrícola mostrou que Rondônia possui 10% da área sem maiores
restrições para culturas anuais ou perenes, ca. 60% apresentaram restrições
moderadas às culturas anuais; 7% seriam melhor utilizadas para pastagens e
198
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
CODIGO; 0I06I00I período; 1975/1983
FONTE : MME / DNAEE
Figura 1 - Histograma da precipitação mensal média, para um período de 9 anos, Ji-Paraná, Rondônia.
23% não apresentam aptidão adequada (MME/DNAEE 1985). Feamside
(1987) mostra a distribuição dos solos em relação ã colonização de Rondônia.
Excetuada a Chapada dos Parecis e outros pequenos trechos, Rondônia estã
sob o dominio da Floresta Perenifôlia Higrôfila Hileiana Amazônica. O cerrado,
outro tipo característico da vegetação, ocorre na Serra dos Pacaàs Novos e
aparece espalhado pelo Estado sob a forma de manchas. Esta vegetação, tanto do
ponto de vista fisionômico como florístico, difere do cerrado típico da região
Centro-Oeste.
No local da amostragem, a fioresta era aberta com palmeiras e sub-bosque
denso, com presença de “tabocarana" (Guadua cf weberhaueri Pilg.) em
algumas partes e “cacau” {Theohroma cacao L.) nas partes mais úmidas.
199
cm
SciELO
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Boi. Mus. Para Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2), 1988.
2.2 Métodos e Parâmetros Utilizados
Para execução dos trabalhos de campo, foi aberta uma picada de 500 m de
comprimento, que foi balizada de 25 em 25 m. Portanto, obtiveram-se 20
parcelas de 25 x 20 m (500 m^), totalizando 1 ha. Para estudo da vegetação do
sub-bosque foram alocadas 10subparcelasde5xl m(5 m2), dentro das parcelas.
Nas parcelas, procedeu-se da seguinte forma: todo indivíduo com CAP
(circunferência a 1,30 m do solo ou acima da sapopema) igual ou superior a 30
cm era identificado, media-se sua circunferência e estimava-se a altura do fuste e
da copa. Foi coletado material botânico de todas as espécies para posterior
herborização. Foram também retiradas amostras de madeira para a xiloteca.
Nas subparcelas, foram os seguintes os critérios empregados: todo indivíduo
com CAP < 30 cm e altura total > 2 m eram identificados e determinado seu
perímetro (CAP), bem como estimada a altura total. Aqueles indivíduos que
apresentavam altura total ou inferior a 2 m eram identificados e distribuídos em
classes de abundância (abundante, comum, freqüente, ocasional e rara).
Para as estimativas das alturas, usou-se uma vara de 5 m de comprimento,
dividida de metro em metro.
Foram calculados os seguintes parâmetros: índice de Shannon e Weaver
conforme Ricklefs (1979), citado por Martins (1979); índice de valor de
importância da família (VIF) segundo Mori et al. (1983) e da espécie (IVI)
segundo Mueller-Dombois & Ellenberg (1974). Estimou-se, também, uma
equação de regressão linear simples (Spiegel 1 978) para a curva espécie x área.
3 - RESULTADOS
3.1. Composição Floristica e Parâmetros Fitossociológicos
Os 573 indivíduos com CAP > 30 cm amostrados em 1 ha, acham-se
distribuídos em 43 famílias, 1 30 géneros e 1 7 1 espécies discriminadas na Tabela
1 . A relação espécie/ género é igual a 1 ,3. Deste total de indivíduos, 8 1 espécimes
são palmeiras e 9 são cipós. São estes: .4 cac/a multipinnata ( 1 indivíduo), Derris
sp. 2 ( 1 ), Memora schomburgkii ( 1 ), Paragonia pyramidata ( 1 ), Salacia cf.
opacifolia ( 1 ), Strychnos jobertiana ( 1 ), Tanaecium cf. praelongum (3) e, um
epífito-estrangulador (Ficus cf. paraensis).
A amostragem dos indivíduos com CAP inferior a 30 cm abrangeu uma área
de 50 m2 e apresentou os indivíduos distribuídos em 33 famílias, 78 géneros e
101 espécies. A razão espécie/género foi, também, de 1,3. Treze foram as
famílias exclusivamente amostradas nestas subparcelas: Araceae, Compositae,
Convolvulaceae, Graminae, Hernandiaceae, Icacinaceae, Marantaceae, Menis-
permaceae, Musaceae, Piperaceae, Polypodiaceae, Ulmaceae e Zingiberaceae.
Todos os dados doravante apresentados neste trabalho referem-se aos indiví-
duos com CAP igual ou superior a 30 cm (DAP > 9,5 cm) que, convenciona-se
200
Tabela 1 - Espécies (CAP > 30 cm) e respectiva família, encontradas em 1 ha de floresta pluvial tropical de terra firme; Rodovia
BR-364, Rondônia
Análise ecológica de Jloresta de terra firme, Rondônia.
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14
Abreviatura da família segundo WEBER, 1982.
Tabela 1 - continuação
BoL Mus. Para. Emílio Goeidi, sér. Bot., 4(2), 1988.
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204
Hasseltia Jloribunda 1 1 0,0215 0,072 0,17 0,23 0,06 0,46
Lindackeria latifolia Bth. 3 3 0,0459 0,285 0,52 0,70 0,14 1,36
Tabela I - continuação
Análise ecológica de Jloresta de terra firme, Rondônia.
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LECYTHIDACEAE (LCY)
Berthollethia excelsa H. & B. 2 2 3,7147 65,361 0,34 0,47 11,96 12,77
Eschweilera coriacea Man. ex Berg. 1 1 0,0161 0,067 0,17 0,23 0,05 0,45
Tabela 1 - continuação
10 11 12 13 14 15
Tabela 1 - continuação
Análise ecológica de floresta de terra flrme, Rondônia.
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T. verrucosaC.BC. 5 5 0,1513 0,978 0,87 1,18 0,48 2,53
Tabela 1 - continuação
Boi Mus. Para. Emilio Goeldi, sér. Boi, 4(2), 1988.
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Ficus cf paraensis (Miq.) Miq. 1 1 0,1146 0,000 0,17 0,23 0,36 0,76
Helianthostylis sprucei BaiW. 1 1 0,0811 0,284 0,17 0,23 0,26 0^66
Helicosn-lis pedunculata Ben. 3 3 0,1928 1,605 0,52 0,70 0,62 1,84
Maq uira guianensis Auhl 5 4 0,1642 1,020 0,87 0,94 0,52 2,33
Naucleopsis caloneura Huh. 1 1 0,0296 0,331 0,17 0,23 0,09 0*49
Tabela 1 - continuação
Análise ecológica dejloresta de terra firme, Rondônia.
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OCHNACEAE (OCH)
Ouracea catanaefolia (DC.) Eng}. 1 1 0,0133 0,037 0,17 0,23 0,04 0,44
Tabela 1 - continuação
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sir. Boi. 4(2), 1988.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2), 1988.
sejam arbóreos. Referências à família Leguminosae abrangem as 3 subfamílias
desta (sensu lato).
Pela análise da Figura 2 que relaciona o número de espécies adicionais por
parcela, acumulativamente, deduz-se que a amostragem foi subdimensionada,
ou seja, em conseqüência da altíssima diversidade (171 espécies) dever-se-ia
amostrar uma área maior para se ter um melhor conhecimento da flora local. O
ajustamento da referida curva, através de uma regressão linear simples foi obtito
pela equação; Y = 0,0147x -f 31,8632 (r2 = 0,96).
Na Tabela 2 são apresentadas as famílias que ocorreram na amostragem, com
respectivo índice de valor de importância ( VIF). Moraceae foi a que apresentou
maior índice: 53,24 equivalente a 17,9%, seguindo-se Leguminosae com 38,89
(13,1%), Burseraceae com 28,50 (9,6%), Palmae com 24,48 (8,2%), Sapota-
ceae com 17,76 (6,0%), Lecythidaceae com 13,68 (4,6%) e Meliaceae com
13,02 (4,4%). Estas 7 famílias correspondem a 63,6% do total da soma dos
índices das 43 famílias registradas. Doze (28%) famílias apresentaram índices
inferiores a 1,0 e 21 (49%) os apresentaram com valores inferiores a 3,0, o que
equivale a afirmar que, praticamente, metade das famílias tém índices inferiores a
1 %.
Figura 2 - Curva acumulativa de espécies adicionais (espécie X área), floresta de terra nrme.
Rodovia BR-364, Rondônia.
214
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Tabela 2 - Famílias em ordem descrescente do índice de valor de importância (VIF), floresta de terra firme, BR-364, Rondônia.
SciELO
10 11 12 13 14 15
Tabela 2 - conclusão
Bol Mus. Para. Emilio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
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216
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SciELO
10 11 12 13 14 15
Vide legendas Tabela 1.
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
Analisando-se o número de espécies, verifica-se que Leguminosae com 27,
Moraceae com 25 e Sapotaceae com 14 espécies foram as famílias que
sobressaíram-se e, conseqüentemente, apresentaram maior diversidade relativa
(15,77%, 14,61% e 8,18%, respectivamente). Dezesseis (37,2%) famílias
apresentaram somente 1 espécie; 7 (16,3%) tiveram 2, e as 17 (40%) famílias
restantes têm entre 3 a 6 espécies.
Quanto ao número de indivíduos, Moraceae com 111, Leguminosae com 83,
Palmae com 8 1 e Burseraceae com 70 são as famílias de maior densidade relativa
com, respectivamente, 19,2%, 14,3%, 14,1% e 12,2% do total de indivíduos.
Doze (28%) famílias apresentaram apenas 1 indivíduo. Cinco famílias apresen-
taram 376 espécimes, correspondente a 65,6% do número total de indivíduos.
Os maiores valores de dominância relativa pertencem às famílias Moraceae
(19,40%), Burseraceae (12,81%) e Lecythidaceae (12,01%), e, com valores
inferiores a 1% foram observadas 27 (63%) famílias.
As 1 7 1 espécies identificadas neste inventário acham-se listadas na Tabela 1,
em suas respectivas famílias.
As espécies que apresentaram maior número de indivíduos são: Tetragastris
altíssima com 60, Iriartea ventricosa com 34, Poecilanthe effusa com 28 e
Iriartea exorrhiza com 27. Conseqüentemente, tais espécies apresentaram
também maiores valores de densidade relativa: 10,47%, 5,93%, 4,88% e
4,71%, respectivamente. Oitenta e cinco (49,7%) espécies tèm apenas 1
exemplar (Tabela 3), 28 (16,4%) têm 2, entre 3 a 20 indivíduos tem-se 54
(31 ,6%) espécies e, finalmente, acima de 20 indivíduos tem-se apenas 4 (2,3%)
espécies.
A dominância relativa assume os maiores valores em Tetragastris altíssima
( 1 2,20%), Bertholletia excelsa ( 1 1 ,96%), Cedrela odorata (6,74%) e Tabebuia
serratifolia (5,15%). Com valores de dominância inferiores a 1% tem-se 152
(88,9%) espécies.
Em termos de freqüência absoluta, Tetragastris altíssima ocorreu em 17
(85%) das 20 parcelas deste estudo; seguindo-se Poecilanthe effusa em 14
(70%); Iriartea exorrhiza em 1 3 (65%); 7. ventricosa, Pseudolmedia laevis, P.
rígida e Pourouma cf. guianensis em 10 (50%) parcelas. Conseqüentemente,
essas espécies são as de maior freqüência relativa. Oitenta e oito (51,5%)
espécies ocorreram numa única parcela.
O Índice do valor de importância da espécie (IVI) variou de 26,68 a 0,42.
Tetragastris altíssima apresentou o maior valor (26,68) equivalente a 8,9%,
seguindo-se Bertholletia excelsa com 12,77 (4,3%) e Iriartea ventricosa com
1 2,06 (4%). Vinte c três ( 1 3,5%) espécies apresentaram índices superiores a 3,0,
equivalente a 1 % (Tabela 4) c, conseqüentemente, as 1 48 (86,5%) remanescen-
tes tem índices inferiores ao referido.
217
2 3 4
:SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Tabela 3 - conclusão
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
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219
Convenções: A. A. = área amostrada em ha; DAP MIN = diâmetro mínimo tomado a lm30 m do solo, adotado pelo autor, SPP RARAS = espécies
raras; H = indice de diversidade de Shannon e Weaver - valores em asterisco foram calculados por MARTINS (1979).
Tabela 4 - Espécies que apresentaram indice de valor de importância (IVI) igual ou superior a 3,00 (equivalente a 1 %), em 1 ha de flo-
resta pluvial tropical de terra firme. Rodovia BR-364, Rondônia.
Boi Mus. Para Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2), 1988.
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220
Tabela 4 - conclusão
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
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O
H
221
Vide legendas na Tabela 1.
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi, 4(2), 1988.
o índice de diversidade de Shannon e Weaver calculado para esta floresta foi
de 4,44.
3.2. Estrutura da Floresta
A distribuição dos 573 individuos em classes de DAP é apresentada na
Tabela 5.
A média dos diâmetros foi de 22,3 cm. Com DAP maior ou igual a 25 cm
foram registradas 1 38 árvores; acima de 45 cm (diâmetro comercial) 30, e, com
mais de 1 m de diâmetro encontraram-se 4 árvores. As espécies com DAP maior
ou igual a 45 cm acham-se listadas na Tabela 6.
Na Tabela 7, sâo demonstradas as espécies que apresentaram 10 ou mais
individuos na amostragem, e que foram estudadas à parte. Dessas 9 espécies,
Poecilanthe ejfusa e Iriartea exorrhiza em 4? e 5? posições, respectivamente,
apresentaram todos os indivíduos nadasse de diâmetro \ , Iriartea ventricosa{3?
posição) apresentou 38% de indivíduos na classe 1 e 62% na 2, e Naucleoopsis
glabra (12.») teve 92% e 8% nas respectivas classes anteriormente referidas.
Tabela 5 - Distribuição dos individuos amostrados em classes de DAP, floresta de terra
firme, Rodovia BR-364, Rondônia.
N.° DA CLASSE
DE DAP
INTERVALO DE
CLASSE (cm)
NÚMERO DE
INDIVÍDUOS
%
1
9,5- 19,9
364
63,5
2
20,0- 29,9
118
20,6
3
30,0- 39,9
48
8,4
4
40,0- 49,9
20
3,5
5
50,0- 59,9
10
1,7
6
60,0- 69,9
3
0,5
7
70,0- 79,9
3
0,5
8
80,0- 89,9
0
0
9
90,0- 99,9
3
0,5
10
100,0- 109,9
1
0,2
11
110,0- 119,9
0
0
12
120,0- 129,9
1
0,2
13
130,0- 139,9
0
0
14
140,0- 149,9
0
0
15
150,0- 159,9
2
0,3
TOTAIS
-
573
100,0
222
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
Tabela 6 - Árvores com DAP > 45 cm amostradas em 1 ha de floresta de terra firme.
Rodovia BR-364, Rondônia.
ESPÉCIE
DAP
A.F.
A.C.
A.T.
AB
V
- m -
- m -
- m -
- m -
-m2-
- m3 -
Tetragaslrís c.ltissima
0,45
8,0
10,0
18,0
0,1590
0,891
Giiarea alígera
0,45
6,5
4,0
10,5
0,1590
0,724
Hevea brasiliensis
0,46
18,0
12,0
30,0
0,1662
2,094
Tetragaslrís altíssima
0,47
7,0
13,0
20,0
0,1735
0,850
Jacaratia spinosa
0,47
10,0
4,0
14,0
0,1735
1,214
Tetragaslrís altíssima
0,49
12,0
10,0
22,0
0,1886
1,584
Perebea mollis
0,49
15,0
10,0
25,0
0,1886
1,980
Tetragaslrís altíssima
0,51
8,0
13,0
21,0
0,2043
1,144
Bonafousia undulata
0,51
13,0
13,0
26,0
0,2143
1,859
Precurella lanceolata
0,51
19,0
7,0
26,0
0,2143
2,717
Tetragaslrís altíssima
0,52
9,0
13,0
22,0
0,2124
1,338
Zaiitlioxylum regnelliana
0,55
17,0
12,0
29,0
0,2376
2,827
Jacaratia spinosa
0,56
10,0
0,0
10,0
0,2436
1,724
Neoxythece elegans
0,57
16,0
15,0
31,0
0,2552
2,858
Tabebuia serratifolia
0,57
13,0
15,0
28,0
0,2552
2,322
Perebea mollis
0,57
17,0
11,0
28,0
0,2552
3,037
Brosimum potabile
0,58
23,0
8,0
31,0
0,2642
4,252
Dialium guianense
0,60
13,0
12,0
25,0
0,2827
2,573
Castilloa ulei
0,67
18,0
10,0
28,0
0,3526
4,443
Hevea brasiliensis
0,68
18,0
8,0
26,0
0,3632
4,576
Cecropia sciadophylla
0,70
12,0
12,0
24,0
0,3848
3,233
Cedrela odorata
0,76
15,0
14,0
29,0
0,4536
4,763
Tetragaslrís altíssima
0,78
10,0
8,0
18,0
0,4778
3,345
Cedrela odorata
0,95
16,0
15,0
31,0
0,7088
7,939
Apuleia molarís
0,95
19,0
16,0
35,0
0,7088
9,428
Sapium cf. lanceolatum
0,96
12,0
15,0
27,0
0,7238
6,080
Cedrela odorata
1,08
16,0
15,0
31,0
0,9161
10,261
Tabebuia serratifolia
1,21
10,0
15,0
25,0
1,1499
8,050
Bertlwllethia excelsa
1,51
20,0
15,0
35,0
1,7908
25,072
B. excelsa
1,56
30,0
0,0
30,0
1,91 13
40,140
SUBTOTAIS 30 SPP
-
-
-
-
13,7716
163,320
REMANESCENTES 543
-
-
-
-
17,2797
107,799
TOTAIS 573
-
-
-
-
31,0513 271,119
• A. F. “ allura do fupe; A. C. altura da copa: A. T. =“ altura total (alturas do fuste + copa);
AB área basal; V “ volume de madeira em pc (f 0,07).
223
cm
:SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
Tabela 7 - Espécies que apresentaram mais de 10 individuos na amostragem, floresta de
terra firme, Rodovia BR-364, Rondônia.
ESPÉCIES
N.° DE
INDIV.
IVI
POSIÇÀO
VALOR
N.° DE CLAS- MÉDIA
SES DE DAP DAP
OCUPADAS (cm)
Tetragastrís altissima
60
1.“
26,68
7
25,5
Iriartea ventrícosa
34
3.“
12,06
2
21,2
Poecilanihe effusa
28
4.“
9,50
1
15,2
Iriartea exorrhiza
27
5.“
9,01
1
15,6
Pseudolmedia rígida
15
6.“
7,83
4
27,7
P. laevis
16
9.»
7,17
4
21,9
Pourouma cf. guianensis
14
10.“
6,97
3
23,6
Dialium guianense
10
11.“
5,60
6
28,0
Naucleopsis glabra
12
12.“
4,93
2
15,8
A distribuição dos indivíduos das espécies que ocupam mais de 2 classes de
DAP é ilustrada na Figura 3.
Figura 3 - Distribuição das espécies com mais de 10 individuos em classes de DAP; floresta de terra
firme, Rondônia. Legendas: SP A “ Telragaslris altíssima: SP B = Pseudolmedia rígida:
SP C “ P. laevis: SP D =• Pourouma cí.guianensis: SP E “ Diaiiumguianense(McT\a\o(icc\asses
na Tabela 5).
224
SciELO
cm
2
3
5
10 11 12 13 14 15
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
A área basal calculada foi de 3 1 ,05 1 3 m^/ha, média de 0,0542 m2/indivíduo.
As árvores que tiveram maior expressão em área basal estão listadas, individual-
mente, na Tabela 6.
A distribuição dos individuos em classes de alturas (do fuste e total) é
apresentada na Tabela 8. Nesta, a altura do fuste (convencionada como sendo a
compreendida entre o nível do solo á primeira ramificação “expressiva”) e total,
diferem quanto ao número de indivíduos, devido ao fato de se estimar, para os
cipós, somente a altura total. A altura total média estimada foi de 1 6,5 m e, para o
fuste foi de 10,9 m..
Tabela 8 - Distribuição dos individuos (CAP > 30 cm) em classes dc altura total e do
fuste, floresta de terra firme. Rodovia BR-364, Rondônia.
N? DA
CLASSE
INTERVALO DE
ALTURA (m)
ALTURA TOTAL
ALTURA FUSTE
NP INDIV.
%
Np INDIV.
%
1
0,1 - 4,9
6
1,1
52
9,2
2
5,0- 9,9
63
11,0
210
37,2
3
10,0- 14,9
196
34,2
196
34,7
4
15,0- 19,9
163
28,4
85
15,0
5
20,0 - 24,9
90
15,7
18
3,2
6
25,0- 29,9
33
5,8
3
0,5
7
30,0 - 34,9
18
3,1
1
0,2
8
35,0 - 39,9
4
0,7
0
0
TOTAIS
-
573
100,0
563
100,0
O volume estimado de madeira em pé, usando-se o “fator de forma” (f) igual a
0,7, foi de 27 1 , 1 1 9 m^/ha (CAP > 30 cm), média de 0,5625 m^/árvore.Para
esta estimativa, não foram consideradas 81 espécies de palmeiras, nem os 10
cipós.
4-DISCUSSÀO
Nos inventários floristicos realizados pelo 1NPA( 1985), na área de influência
da BR-364, no trecho de Cachoeira de Samuel-Ariquemes, em floresta densa de
terra firme, ficou evidenciado que a maioria das espécies encontradas pertence
ás famílias Lecythidaccae {Lecythis spp., Eschweilera spp.), Burseraceae
(Protium spp. Trattinickia spp., Tetragastris spp.) e Leguminosae (/’///;m’//o-
hium racemosum Duckc c Dinizia excelsa Ducke). No trecho compreendido
entre Ariquemes-Ouro Preto do Oeste, inventariaram-se 2 ha(DAP > 10cm)de
floresta tropical, sendo que Leguminosae {Slryphnodendron spp., Copaifera
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sp.), Moraccac. Sapindaccae (Ihlisici sp.) c Sapotaceac (Glycoxyluiii spp.)
foram as famílias que apresentaram a maioria das espécies. Já no trecho de Ji-
Paranà-Alvorada do Oeste, em floresta densa, relevo suavemente ondulado,
ficou caracterizada a alta incidência de cacau-silvestre (Tlieobroma cacao) e
considerável número de indivíduos de palmeiras tais como “açaí" (Euterpe
oleracea Mart.), "paxiába'' {Socralea c.xorrlüza Wendl.), "urucuri" (Sc/icclca
martiana Burret) e “murumuru" (Astrocciniun muriinnint Mart.). No trecho
que compreende o municipio de Jaru. dados preliminares de inventários em
floresta densa alta de terra firme, apontam um total de 107 1 indivíduos com DAP
> 1 0 cm distribuídos em 40 famlias, sendo Leguminosae, Moraceae, Lecythida-
ceae e Sapotaceae as mais representativas. Finalmente, no trecho que liga Jaru a
Ouro Preto do Oeste, também em fioresta densa de terra firme, o estrato arbóreo
teve em Moraceae, Meliaceae (Giiurca sp.), Btirseraceae (Prolium sp.).
Sapotaceae, Sterculiaceae, Rutaceae, Euphorbiaceae e Olacaceae (Hcisicrici
sp.) a maior abundância. Conclui-se que a fiora dessas regiões é muito
semelhante, em termos de familias e géneros, com a da regiào deste estudo.
A análise da curva acumulativa de espécies adicionais esclarece alguns
fatores da amostragem. Nenhuma parcela deixou de apresentar espécies novas,
devido, talvez, á área da parcela (500 m^) ser o dobro das usualmcnte adotadas
(250 m2). Porém, o número de espécies (171) por ha amostradas neste estudo é
dos maiores ja registrados na Amazônia. Prance el al. (1976) nos arredores de
Manaus (AM), em I ha de floresta densa, com DAP > 15 cm, registrou 179
espécies distribuidas em 41 familias, sendo, talvez, a maior diversidade já
registrada na Amazónia brasileira. A equação do ajustamento da curva
apresentou um coeficiente de correlação (r = 0,98) bem próximo de 1,
acarretando numa reta com inclinação positiva. O coeficiente de determinação
(r2) que indica qual percentual da variaçào explicada pela regressão representa
da variação total, foi alto: 96%. A acentuada inclinação da reta demonstra que a
amostragem foi subdimensionada.
A Tabela 2 mostra que 21 (48.8%) familias tém índices de importância
inferiores a 3,0 ( 1%). Não há diferença significativa entre as primeiras familias
(de maior VI F ). que acarrete predominância de uma cm relação ás demais. A alta
diversidade apresentada por Leguminosae (27) e Moraceae (25) contrastam com
as 16 familias que apresentaram somente 1 espécie.
O índice de diversidade de Shannon e Weaver calculado neste trabalho foi de
4,44. Martins (1979) calculou, desde que fossem fornecidas as infomiações
necessárias, alguns índices de diversidade referentes, entre outros, aos trabalhos
efetuados na Amazônia por Bastos (1948), Black ei al. (1950), Pires cl al.
( 1 953), Cain cl al. ( 1 956), Rodrigues ( 1 963), Prance cl al. ( 1 976) c Porto cl al.
( 1 976); tais valores são apresentados na Tabela 3 c assinalados cm asterisco. Os
demais foram calculados desde que, também, fossem fornecidas as informações
necessárias. Verifica-se existir uma coerência entre os valores apresentados. A
floresta de igapó estudada por Black cl al. (1950). devido ãs condições de
Análise ecológica de floresta de terra firme, Rondônia.
permanente encharcamento do solo, apresenta o menor índice de diversidade,
decorrente da especialização de poucas espécies adaptadas a este ambiente. A
floresta de várzea, do levantamento de Campbell et al. (1986) e a “mata-de-
baixio” amostrada por Porto et al. (1976), apresentam índices sucessivamente
superiores àquele. Tal fato pode ser explicado pelo maior nümero de espécies
aptas às condições de alagamento temporário a que sào submetidos os solos
dessas áreas. Quanto à floresta pluvial tropical, os valores variam de 3,58
(Bastos, 1 948) a 4,76 (Prance et al . , 1 976). Ducke & Black ( 1 954) estranharam
o fato de a longitude desempenhar um papel muito mais importante que a latitude
na composição das floras; citam que “todas as observações acusam número
maior de espécies para o centro e noroeste da Amazônia que para as partes
orientais e ocidentais da região". Analisando-se os índices de diversidadde
apresentados na Tabela 3, comprova-se a observação destes autores. O maior
índice observado foi o obtido através do levantamento de Prance etal. ( 1 976), em
Manaus (no “centro" da Amazônia); à medida que se desloca do “centro" para
as partes ocidentais e/ ou orientais há uma diminuição no valor dos indices. Neste
trabalho o valor do índice foi de 4,44, bem próximo ao de Prance ( 1 .c.), apesar da
distância pela latitude ser, aproximadamente, três vezes superior ã distância pela
longitude. Tal fato corrobora a observação de Ducke & Black (l.c.).
Lisboa & Lisboa (no prelo) em levantamento realizado em floresta pluvial de
terra firme, com indivíduos com DAP > 9,5 cm, na altura do Km 90 da Rodovia
Presidente Médici - Costa Marques (RO-249), encontraram maior número de
indivíduos em Moraceae (117), Leguminosae (57), Meliaceae (47), Bursera-
ceae e Lauraceae com 46 cada. Também neste estudo Moraceae e Leguminosae
estão na l.“ e 2.° posições (quanto à densidade) com 111 e 83 indivíduos,
respectivamente; Burseraceae ocupa a 4.“ posição nas 2 amostragens.
Lccythidaceae com apenas 3 árvores tem o 3.° maior valor para a dominância
relativa; Moraceae e Burseraceae com 111 e 70 indivíduos estão na 1? e 2.“
posições, respectivamente. Tal desproporção é explicada pela presença de 2
“castanheiras" (Bcrtlwllctia e.xcelsa) entre os indivíduos amostrados de Lecy-
thidaceae e, como estas tem um crescimento em diâmetro muito grande (senão o
maior para as essências amazônicas), consequentemente, a área basal será
elevada, acarretando numa alta dominância relativa.
Os indices do valor de importância ecológica das famílias (VIF) têm valores
próximos nos dois extremos; o superior com Moraceae, correspondente a 1 7,9%
de importância, Leguminosae (13,1 %) e Burseraceae (9,6%). Jâ o inferior, 2 1
familias têm indices inferiores a 1%. Percebe-se não haver predomínio de uma
família, nem tampouco tendência acentuada.
Tetragastrís altíssima foi a espécie que mais se sobressaiu, tanto neste estudo,
como no de Lisboa & Lisboa ( 1 .c.).
A diversidade da floresta pluvial tropical é muito grande; praticamente, a me-
tade (49,7%) das especies ocorrem com densidade de apenas 1 individuo/ha, fa-
to t.nmbcm observado por Black eí al. ( 1 950). J.M. Pires (comunicação pessoal
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
1988) afirma que “este é um caráter geral para os trópicos úmidos: muitas
espécies raras (baixa densidade) e poucas espécies abundantes (alta densidade);
no geral, poucas espécies dão 50% dos indivíduos e este é um dado interessante -
quanto maior esse número, mais polimorfa (desuniforme) é a vegetação”.
Continuando o raciocínio, acrescenta que “nem sempre as espécies de maior
densidade têm maior cobertura (dominância, área basal); a relação cobertura/
densidade (área basal/número de indivíduos) indica o “porte” da espécie”.
Devido à complexidade e à grande diversidade observada na floresta pluvial
tropical, deve-se amostrar uma área maior, com conseqüente aumento do número
de parcelas, visando a um melhor entendimento da floresta. Para estudos
fitossociológicos, deve-se procurar padronizar, pelo menos, o tamanho e a forma
das parcelas, para que se tenha mais consistência na comparação dos valores
obtidos e, particularmente, dos valores de freqüéncia, tanto absoluta como
relativa.
O índice do valor de importância (I VI) da espécie tem valor muito relativo. T al
índice não serve para comparar trabalhos com metodologias variadas. A
dependência do tamanho, forma e número de parcelas é fundamental. Se numa
amostra de 2 ha, com 2 parcelas, for encontrado 1 indivíduo de determinada
espécie, sua freqüéncia é de 50% (ou está numa ou na outra parcela); se forem
adotadas 100 parcelas, poderá dar apenas 1%. Nestas condições o índice não
tem valor de comparação (J.M. Pires, comunicação pessoal 1988).
Dos inventários florestais realizados em Rondônia, pelos pesquisadores do
MPEG, este com 573 indivíduos foi de menor densidade por ha. Lisboa & Lisboa
(no prelo), na altura do km 90 da Rodovia RO-429, encontraram 593 indiví-
duos/ha. Maciel & Lisboa (prelo), no km 1 5 da mesma rodovia, registraram 602
árvores/ha e, J.U. Santos (comunicação pessoal 1987) em Vilhena encontrou
600 espécimes/ha. Todos adotaram 9,5 cm (CAP > 30 cm) como limite mínimo
de DAP.
No trecho Ariquemes-Ouro Preto do Oeste, na BR-364, a equipe de pes-
quisadores do INPA ( 1 985) registrou 2.200 árvores com DAP > 10 cm em 2
ha de amostragem ( esta altíssima densidade implica uma pequena grossura dos
troncos); no trecho que compreende o Município de Jaru, o total de indivíduos
com DAP > 10 cm foi de 1071, não sendo citada a área de amostragem.
A distribuição dos indivíduos em classes de DAP apresenta, graficamente, a
conformação de um “jota” invertido, ou seja, maior número de indivíduos nas
menores classes de diâmetro e menor número nas maiores. Em outras palavras, o
gráfico é semelhante ao das espécies adaptadas ã sombra na floresta, ou de
mistura de espécies.
Analisando a distribuição diamétrica das espécies com 1 Ü ou mais indivíduos
(Tabela 7 e Figura 3), pode-se chegar a algumas constatações: Poecilanthe
cjfusa e Iriartea exorrhiza (palmeira quase não varia de diâmetro) dificilmente
atingem o limite superior da classe de diâmetro 2 adotada neste trabalho;
Tetragastris alíissimu e Pseudolmcdia laevis têm distribuição semelhante à
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Análise ecológica de Jloresta de terra firme, Rondônia.
forma geral (todos os indivíduos) de floresta inequiànea; certamente Dialium
guianense e Pourouma cf. guianensis tèm, também, essa distribuição (não
configurada neste trabalho devido, talvez, à subamostragem); Pseudolmedia
rígida parece seguir a distribuição de Bertholletia excelsa que Heinsdijk &
Bastos (1963, apud Carvalho 1981) comentam ser muito provavelmente a
forma geral dos histogramas de distribuição por classes de diâmetro das árvores
da floresta pluvial tropical e, que, segundo Pires (1981), têm mais indivíduos nas
classes de 1,10 e 1'3Ò cm de DAP e menos nas classes anteriores e posteriores.
A área basal desta floresta, que foi de 3 1 ,05 1 3 m2/ha é pouco inferior à
calculada por Maciel & Lisboa (no prelo) de 34,54 m2/ha, no km 16 da Rodovia
RO-429 e um tanto superior à encontrada por Lisboa & Lisboa ( no prelo) que foi
de 26,0740 m2/ha, na altura do km 90 da referida Rodovia. O resultado aqui
obtido permite afirmar tratar-se de uma floresta com biomassa pesada, conse-
qüência da intensa atividade fotossintética das áreas tropicais. Cedrela odorata,
Tabebuia serratifolia e Beríholletia excelsa, geralmente, apresentam diâmetros
consideráveis e, conseqüentemente, valores de área basal altos (Tabela 6).
A altura total média estimada de 16,5 m está bem aquém da observada por
pesquisadores do INPA (1985), no trecho de Cachoeira de Samuel-Ariquemes,
na BR-364, que foi de 27,0 m. Através da observação grosseira, não se definem
estratos na floresta pluvial tropical, concordando-se com Schulz ( 1 960 apud
Pires 1973), Heinsdijk & Bastos (1963 apud Pires 1973) e Pires (1973, 1981)
que também não reconheceram estratos em florestas tropicais.
O volume de madeira em pé estimado de 27 1 , 1 1 9 m3/ha ficou bem abaixo dos
encontrados por Lisboa & Lisboa (no prelo), na Rodovia RO-429, altura do km
90, que foi de 367,45 m^/ha e, de Maciel & Lisboa (no prelo) no km 15 da
referida rodovia, que estimaram um volume de 317,87 mVha. Porém, anali-
sando-se as espécies e sua respectiva volumetria individual (Tabela 6), percebe-
se tratar-se de uma floresta altamente viável à exploração comercial, desde que
racionalmente planejada e, minuciosa e adequadamente manejada, não só pela
finalidade económica, como também visando à conservação da floresta como um
todo.
5 -CONCLUSÕES
A composição floristica da floresta estudada é riquíssima; 43 famílias, 130
géneros e 171 espécies com DAP > 9,5 cm comprovam esta afirmativa
Moraccae e Lcguminosac foram as famílias com maiores índices de importância.
Tetragaslrís altíssima c Beríholletia excelsa foram as espécies de maior IVI.
Porém, devido à grande diversidade da flora e a baixa densidade das espécies, os
valores do índice de importância de famílias (VIF) são muito próximos, não
havendo, portanto, predomínio de nenhuma família, tampouco de tendência
pronunciada. Raciocínio idêntico pode ser aplicado ás espécies que tém os
valores de densidade, freqücncia e dominância relativas muito próximos nos
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BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2), 1988.
extremos, não havendo, portanto, destaque significativo para a importância
relativa de espécie alguma.
Tendo a Amazônia composição florística variada de local para local, a
percentagem de espécies raras é elevada, implicando um alto índice de
diversidade, desde que seja amostrada mais intensamente a área em estudo da
floresta tropical. Portanto, para se ter melhor conhecimento da composição
florística e dos parâmetros fitossociológicos, assim como da estrutura da
vegetação florestal, deve-se proceder amostragens num maior grau de intensi-
dade nas áreas de estudo (aumentar a área amostrada).
A biomassa da floresta é pesada, (31,0513 m2/ha) e o volume (271,119
m^/ha) é alto sendo as espécies de valor econômico relativamente abundantes.
Deve-se através de mecanismos legais e práticas eficazes de fiscalização,
proteger urgentemente determinadas áreas de florestas, além dos 23% da área do
Estado que não apresentam aptidão agrícola adequada para que, num futuro não
muito distante, a riqueza desta exuberante floresta não seja irremediavelmente
perdida.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. João M. Pires e Dr. William A. Rodrigues pela revisão e sugestões no
texto. Ao Nelson A. Rosa pela identificação do material botânico e ao Paulo
Cabral Filho e Altemir P. Sarmento pelo apoio na informatização dos dados.
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CDD; 584.90981
-A NEW SPECIES OF THRASYA H.B.K.
(GRAMINEAE) FROM BRAZIL
Alasdair G. fíurman^
Mana de Nazaré do Carmo Baslos^
ABSTRACT-A new species inthe genusThrasyaH.B.K., T. longiligulata
Bastos & Burman.from the Serra dos Carajás, State of Pará, isdescribed,
discussed, and illustrated. The new combination Paspalum cinerascens
Doell. Burman & Bastos is made, on the basis o/Panicum cinerascens
Doell.
KEY WORDS: Gramineae, Thrasya, Serra dos Carajás and Taxonomy.
RESUMO- Uma espécie nova do género Thrasya//.fi./w., T. longiligulata
Bastos á Burman, da Serra dos Carajás, Estado do Pará, foi descrita,
discutida e ilustrada. Uma nova combinação Paspalum cinerascens
(Doell) Burman & Bastos foi feita com base em Panicum cinerascens
Doell.
PALAVRAS-CHAVE: Gramineae, Thrasya, Serra dos Carajás, Taxo-
nomia.
1 Instituto dc Botânica (Bolsista do CNPq) C.P. 4005 Sào Paulo - SP
2 MCT/CNPq/Museu Paraense Emílio Goeldi- Dcpto. de Botânica.
235
cm
:SciEL0
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
SYSTEMATIC TREATMENT
Thrasya longiligulata Bastos & Burman, sp. nov.
(Figure 1, 2)
Gramen apparentur annuum; culmi caespitosi, tenues, erecti, ad nodos valde
ramificantes, glabri vel sparse puberulentes, usque ad 60 cm longi; foliorum
vaginae pubcscentes, fauce pilis longis munitae; ligiila conspícua, membrana-
cea, erosa, 1. 5-2.0 mm \onga: foliorum laminae planae, lineares, acuminatae,
dense pubescentes, pilis longis sparse munitae, 8.9-1 3.5 cm longae, 2. 9-4. 9 mm
latae; inflorcscentiae 1 - 3 ad nodos superiores; Spicae terminales, solitariae, 2.5
- 4,5 cm longae; rhachis alata, ca. 2.0 mm lata, marginibus inconspicue ciliatis;
spiculae 2.0 — 2.5 mm longae, ca. 0.8 mm latae, ellipticae, acutac, gluma prima
ca. 0.1 mm longa, membranacea, ener\is-, gluma secunda quam lemma sterile
leviter brevior, quam anthoecium conspicue longior, 5-nervis, scaberula, apice
emarginata bifidaque; lemma sterile acutum, quam secunda gluma rigidius,
plerumque sulcatum, glabrum; lemma feríilc ca. 1.5 mm longum, inílatum,
subacutum, papilloso-striatum; palea fertilis glabra; caryopsis elliptica, pallida.
Apparently annual; culms tufted, thin, erect or asccnding. When ascending
rarely rooting at lower nodes, branching vigorously at almost; nodes glabrous or
very sparsely puberulent, up to 60 cm long; nodes glabrous or sparsely pilose;
leaf-sheallis distinctly shorter than intemodes, comprcssed-keelcd, pubescent
with a few longer hairs near throat; ligulc conspicuous, membranaccous, erose,
1 .5 - 2,0 mm long; leaf-blades flat, linear, acuminate, densely pubescent with
scattered long white hairs (up to 5.0 mm) at margins and on adaxial surface in
lower 1/3 of length, (8.5) 8.9 - 13.5 (18.0) cm long, (2.5) 2.9- 4.9 (5.5) mm
broad; inflorescences 1 - 3 at the four uppermost nodes, short- to long - exserted;
spikcs terminal, solitary, arcuate, (2.4) 2.5 - 4.5 (6.0) cm long; rhachis winged,
ca. 2.0 mm broad, glabrous on dorsal surface, the margins inconspicuously
ciliate, the cilia ca. 0.5 mm in the lenght, delicate; spikelets 2.0 - 2.5 mm long, ca.
0.8 mm broad, elliptical, acute; Jirsl glume ca. 0.1 mm long, truncate,
membranaccous, ncrvcless, scale-likc; second glume slightly shorter than the
sterile lemma, conspicuously longer than the anthecium, chartaceous, 5-ncrvcd,
onc or botli lateral nerves sometimes supprcsscd, minutcly scabcrulous, apex
emerginate or bifid; sterile lemma longer than second glume and anthecium,
acute, slightly more rigid in texturc than the second glume, usually decply sulcate,
splitting casily, glabrous; sterile palea well-dcvelopcd, almost the length of the
lemma;/erí(7e lemma ca. 1 .5 mm long, inllatcd, subacute, lacking an apical tuft,
regularly papillatc-striatc;yèr/í/e/7a/í’« glabrous, the margins hyalinc; caryopsis
elliptical, pale, style-bases separate, cmbryo rather less than half the lenght of the
caryopsis, hilum linear.
236
A neyv species o/Thrasy a H. B. K. (Gramineae)from Brazil.
»IV4 |'MI. ‘ •MUN, ,tu *ifl «« a* «Uul«.
Iiit l'ii • rtv la vvivia «laia.
• H.fc.i. ..a » H » »-..ia nil^a |*.C4 .Im\
Figure 1 - Holotypus of Thrasya longiligulata Bastos & Burman
cm 123456
SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Figure 2 Thrasya longiligulata Bastos & Burman
A - Junction of leaf shcat and bladc, showing ligulc.
B - Section of spikc
C - Section of rhachis, with marginal cilia
D - Spikelct, showing bifid apex of second glume
E - Spikelet, show first glume and stcrile lemma dccply sulcatc
238
A new spedes o/Thrasya H. B. K. ( Gramineae)fmm Brazil
HOLOTYPUS: “Brasil, Pará, Marabá, Serra dos Carajás, Mina Norte 1,
vegetação rupestre sobre lajedos de ferro, a 650 m de altitude; erva pouco
comum; 19 de abril de 1985, N.A. Rosa & M.F.F. da Silva 4691." Holotype
MG; isotypes MG, SP, RB, INPA.
DISCUSSION
The genus Thrasya H.B.K. contains at present 20 species, all New World,
primarialy tropical from Central America and the north-eastern area South
America, with limits of distribution in Paraguay to the south and México in the
north. Of the 1 1 Brazilian species, 5 are so far recorded from the Amazon region:
T. petrosa (Trin.) Chase, T. trinitensis Mex, T. auricoma A.G. Burman, T.
panmla A.G. Burman, and T. longiligulaía, described hcre. In spite of numerous
misidentifications the type species of the genus, T. paspaloides H.B.K., is not
know from Brazil. Seven further species are recorded from countries contiguous
to northern Brazil, and there are indications that the centre of dispersion of the
genus is the Orinoco basin.
Chase (1911) indicated four factors for delimitation of the genus: the “strictly
racemosc” inflorescence, the reversed position of one spikelet in each pair, the
sulcate or split sterile lemma, and the indurate fertile lemma and palea. In
contemporary terminology, the inflorescence would probably better be described
as a unilateral spike, as the spikeletes are so short-pcdicelled as to be sessile on
the axis. Of the other three factors, two deserve mention: the position of the
spikelets and the splitting of the lower (sterile) lemma.
The most conspicuous characteristic of the 'core' group of species of Thmsva
is the 'back-to-back' position of the spikelets on the rhachis. Elongation and
torsion of the pedicel of the upper spikelet of each pair places the spikelets at more
or less equal distance one from another; the fact of the elongation being
imperceptible, due to the pedicefs being adnate to the septum of the rhachis, gives
the impression that the spikelets are solitary. As rcalized by Chase and others,
they are always paired - a condition made evident by dimorphism of the first
glume in the spikelets of each pair in less specialized species of the genus. The
upper of each pair of spikelets has the fertile lemma tumed toward the rhachis,
whilc the lower has the fertile lemma turned away from the rhachis. Thus the llrst
glume sides of each pair of spikelets are turned towards each other, while the
second glume sides are turned towards the spikelets of the adjacent pairs.
The tendency of the mature sterile lemma to split lengthwise is a less safe
diagnostic factor than has been supposed. In on small group of species, the sterile
lemma is extremely tliin and does not split at all, while in unspecialized species,
the tendency to split is much rcduced.
Consideration of the thesc factors points to the possibility of di.sccrning:
a. A group of specialized species of Thrasya, in wich the spikelets are clearly
‘back-U>back' and the sterile lemma habitually splits
239
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
b. A group of unspecialized species, in which the spikelets adopt a posiüon similar
to that found in the Decumbentes groups of genus Paspalum, and in wich the
sterile lemma rarely shows signs of splitting
c. A small group of species which should perhaps not be in the genus at all.
The hypothetical dividing line betwen unspecialized species of Thrasya and
a number of species of Paspalum is by no means clear; a pragmatic solution
would perhaps be revalidation of the genus Dimorpliostachys Foum., to
accomodate all species with dimorphic first glumes in each pair of spikeletes -
including Thrasya cultrata Nees, T. reticulata Swallen, Paspalum cinerascens
(Doell) Burman & Bastos, and P. unispicatum (Scribn. & Merr.) Nash.
Thrasya longiligulata falis clearly into the largest and least poorly defined
group - that of specialized species, quite distinct from Paspalum'. the disposition
of the spikelets on the rhachis is ‘classically' back-to-back, the sterile lemma
splits without any provocation. Itdiffers from other species in the same group in a
number of ways. Among the 12 species in the specialized group. Only 3 have
spikelets wich are not conspicuously pilose: T. schumannii Pilg., T granítica
A.G. Burman, and T longiligulata. The remaining species have surface and
marginal hairs on the upper third of the sterile lemma, and is most cases also a
partially pilose 2nd glume. T. schumannii is a distinctive species known only
from the type collection (from Mato Grosso); the second glume, well-developed
in T. granitica and T. longiligulata, is nerveless, membranous, and does not
exceed 1/3 of the total lenght of the spikeleL The fertile lemma has a very small
apical tuft of hairs. The nearest apparent ‘relative’ of T. longiligulata is T.
granitica, from formations in the Voltzberg mountains of Suriname (Burman
1 980). The two species may be compared as in table 1 .
Tabel 1 - Comparison of Thrasya granitica and Thrasya longiligulata
T. granitica
Distinct row of white hairs bchind
ligulc
Average lenght of spike ca. 6.0 cm
Rhachis margin irrcgularly pilose;
hairs ca. 3,5 mm long, sparse
Sccond glume shorter than anthecium
Second glume 7-nerved, the nerves
anastomosing at the apex
Perenial
T. longiligulata
No row white hairs behind ligule
Average lenght of spike ca. 3.5 cm
Rhachis margin regularly ciliate;
hairs ca. 0,5 mm long, frequent
Sccond glume conspicuously longer
than anthecium
Second glume 5-nerved, the nerves
not anastomosing
Apparcntly annual
240
A new species o/Thrasya H. B. K. (Grarpineae)from Brazil.
DISTRIBUTION
T. longiligulata is so far know only from the type collection, made during
investigation of the new area of iron-mining in the Serra dos Carajás. It appears to
be locally frequent, and may occur on similar soils elsewhere in the region.
In the general context of this paper, it seems useful to make a necessary
nomenclatural change.
Paspalum cinesracens (Doell) Burman & Bastos, comb. nov.
Panicum cinerascens Doell in Mart., Fl. Bras. 2(2): 189. 1871-1877. “Ex
campis provinciae Minarum a cl. Lund inter Paspalum plicatulum communi-
catum, nec non inter plantas Guianenses, Cayennae lectas, mihi trans-
missum”. The whereabouts of the type collection is unknown; possibly S.
Paspalum cinerascens is apparently not very common; it is known to occur in the
States of São Paulo and Minas Gerais. It is among the bordeline species of
Paspalum group Decumbentes, where that group appears to lose its distinction
with the unspecialized species of Thrasya. Though there is no doubt about the
affinities of the species, the need for a new combination seems to have been
overlooked.
ACKNOWLEDGMENTS
The authors wish to thank the Conselho Nacional de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnológico (CNPq), the Directors of the Instituto de Botânica de
São Paulo and Museu Paraense Emilio Goeldi and Companhia Vale do Rio
Doce - CVRD (accord CVRD/MPEG/CNPq).
LITERATURE CITED
BURMAN, A.G. 1980. Notes on the genera Thrasva H.B.K. and Thrasyopsis Parodi. Brittonia
32(2): 217-221.
CHASE, A. 1911. Notes on genera Paniceae IV. Proc. Biol. Soc. IVash. 24: 103-159.
241
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CDD: 588.098116
BRIÓFITAS DO TERRITÓRIO FEDERAL DO
AMAPÁ, BRASIL
Olga Yano^
Regina C. L. Lisboa^
RESUMO - Relacionam-se 43 espécies de briófitas coletadas no Território
Federal do Amapá. Destas, 41 são ocorrências novas para este Território e uma
delas, Lepidopilum surinamense C. Muell, é ocorrência nova para o Brasil. As
espécies mais freqüentes são Taxithelium if[aYmm(Brid) Mitt., Sematophyllum
subsimplex^^/Zeí/w.^ Mitt. e Trichosieleum papillosum Estão
incluídos dados sobre distribuição geográfica, habitat e comentários de cada
espécie, além de referências sobre descrições e ilustrações já existentes em
literatura.
PALAVRAS CHAVE: Briófitas, Musgos, Hepáticas e Flora do Amapá.
ABSTRACT - Forty-three bryophyte species are mentioned for the Território
Federal do Amapá, Brazil. Of these 41 are mentioned for the first time for the
territory, and Lepidopilum surinamense C. Muell. is a new occurrence for
Brazil. The commonest species tvaj Taxithelium planum^^Br/í/.^ A//Ya, Semato-
phyllum subsimplex (Hedw.) Mitt., and Trichosteleum papillosum (Homsch.)
Jaeg. Geographical distribution, habitat comments of each species and
refercnces to descriptions and ilustrations in the literature are included.
KEY WORDS: Bryophytes, Mosses, Liverworts, Flora of the Amapá.
2 Instituto dc Botânica - CP. 4005, CEP 01051, São Paulo-SP.
MCT/CNPq/Muscu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica.
243
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2). 1988.
INTRODUÇÃO
O Território Federal do Amapá está localizado no extremo norte do Brasil,
limitado a NE pelo Oceano Atlântico; a SE, S e SO pelo Estado do Pará e a NO
pela Guiana Francesa e Suriname, com superfície de 137.419 km2.
Segundo Leite et al. ( 1 974) o tipo de vegetação deste território apresenta as
seguintes formações: Cerrado, Vegetação de Contato de Cerrado/Floresta,
Formações Pioneiras, Floresta Tropical Densa, Floresta Tropical Aberta e os
Refúgios (Afloramentos Rochosos).
No Amapá, atualmente existem Parques e Reservas Biológicas que foram
citados, com exceção de Floresta Tropical Aberta e Refúgios. Mais tarde, em
1965, com uma superfície de 526.000 ha que apresenta os tipos de vegetação já
citados, com exceção de Floresta Tropical Aberta e Refúgios. Mais tarde, em
1967 foram criadas duas Reservas Biológicas, a de Oiapoque com 1.473.000
ha e predominantemente de Floresta Tropical Densa e a do Lago Piratuba com
570.500 ha, apresentando Formações Pioneiras e Floresta Tropical Densa.
Estas formações vegetais e clima quente {24“C em média) e úmido com um a très
meses de seca são propícios para o desenvolvimento de briófitas. Apesar disso,
até o momento, apenas seis espécies de briófitas tinham sido mencionadas para o
território, segundo Grolle (1984), Yano (1981a, 1982, 1984) e Yano et al.
(1985). Estas espécies são Callicosta hipinnata (Schwaegr.) C. Muell.,
Cyclolejeunea convexistipa (Lehm. & Lindenb.) Evans, Leucobryum niartia-
/iMm(Hornsch.) Hampe, Octoblephanun albidum Hcdw., O. pidvinatum Mitt. e
Sphagnum palustre L.
As espécies da família Leucobryaceae não foram tratadas aqui porque fazem
parte de um trabalho específico para esta família no Brasil, a ser posteriormente
publicado pela primeira autora.
O objetivo do trabalho foi estudar as coleções do Território Federal do
Amapá, ampliando a distribuição geográfica de cada espécie para o Brasil,
verificando que, em áreas onde não estão mencionadas nenhum briófita ou
apenas poucas, isto se deve, quase sempre, à falta de coletas deste grupo.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi baseado principalmente em duas coleções depositadas no
Herbário Paraense Emílio Goeldi (MG), uma feita por C.S. Rosário, técnico do
Museu, em agosto de 1 983 e outra por Scott A. Mori, pesquisador do New York
Botanical Garden em dezembro de 1984 e janeiro de 1985, durante uma
expedição do Projeto Flora Amazônica. Além dessas coleções foram acrescen-
tadas coletas esparsas feitas por outros coletores e que se encontram depositadas
no Museu Goeldi, no Herbário do Museu Nacional do Rio de Janeiro (R) e da
EMBRAPA- Belém (lAN).
Briófitas do Território Federal do Amapa, Brasil
Para a identificação das espécies foram consultadas as chaves de Bartram
(1949), de Florschütz (1964), de Hell (1969), de Griffin (1979), de Schuster
(1980) e de Crum & Anderson (1981). As identificações de cada espécie de
musgo foram confirmadas pelo Dr. W. C. Steere, algumas hepáticas pela Dra. B.
Thiers e outras comparadas com as já existentes no Herbário do Instituto de
Botânica (SP).
Para cada espécie tratada foram indicadas referências de descrição e
ilustração. As descrições foram feitas quando sõ existia diagnose latina da
espécie e ilustração em apenas um caso em que não foi encontrada em literatura,
da espécie Ceratolejeunea marítima (Spruce) Steph.
RESULTADOS
As famílias, géneros e espécies de briófitas estudadas estão relacionadas em
ordem alfabética, em duas listas; uma para Bryopsida e outra para Hepaticopsida.
Bryopsida
CALYMPERACEAE
Calymperes erosum C. Muell., Linnaea 21: 182.1848.
Localidade-tipo: Suriname
Descrição e ilustração: Florschütz (1964).
Material examinado; Amapá, municipio de Oiapoque, BR- 15 6, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca 3o39’N, 51°39’W,
nonrinundated moist forest, on recently fallen trunk, col. S. A. Mori & J. Cardoso
17111 pp., 2-XII-1984 (MG109470); idem, BR-156, at bridge over Rio Caci-
poré on road between Calçoene and Oiapoque, 134 km SSE of Oiapoque, ca.
2o53’N, 5 1°27’W, non-inundated moist forest, on rotten log on forest floor, col.
S.A. Mori & R. Souza 17323, 9-XII-1984 (NY).
Comentários - Calymperes erosum cresce sobre árvores vivas, madeiras em
decomposição e raramente sobre rocha, muito comum nas florestas chuvosas,
savanas e também nos cerrados brasileiros.
A espécie pode ser facilmente reconhecida pelas formas angulares formadas
com a costa e as cancelinas, células muito mamilosas no ombro.
Calymperes erosum ocorre nos Estados do Pará, Pernambuco, Bahia e Mato
Grosso (Yano, 1981a): Acre e Rondônia (Reese, 1 979) e Amazonas (Edwards,
1980).
A amostra de Mori & Cardoso 17111 está misturada com Leucomium
strumosum (Hornsch.) Mitt.
Calymperes lonclwpliyllum Schwaegr., Spec. Musc. Suppl. 1 (2): 333. 98. 1816.
Localidade-tipo; Guiana
245
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2). 1988.
Descrição e ilustração: Florschütz ( 1 964).
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
Reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, local
muito umido, col. C. S. Rosário 216, 222, VIII- 1983 (MG99142, MG99143);
municipio de Oiapoque, BR-156, 109 km SSE of Oiapoque on road between
Oiapoque and Calçoene, ca. 3“0‘N, 51°30"W, non-inundated moist forest, on
tree trunk within 2m from ground, col. S.A. Mori, J. Cardoso & J. Rcitsma
17231, 6-XII- 1984 (MGl 09575); municipio de Macapá, 156 km NW of Porto
Grande on the highway “Perimetral Norte” (BR-210), ca. 1°30’N, 53°30'W,
non-inundated moist forest, on tree trunk, col. S.A. Mori, H.P. Belo & R. Souza
17533, 29-X1I-1984 (MG109844); idem. Rio Araguari, na casca de árvore,
mata sombria, col. R.L Froés& G.A. Black 27735 pp., 25-VII-195 1 (IAN64720).
Comentários - Calymperes lonchophyllum cresce sobre troncos de árvores e
arbustos, raramente sobre madeira em decomposição. Muito comum nas
florestas baixas, raramente nas regiões costeiras.
A espécie possui filidios lineares e muito longos, quando secos anelados e
tortuosos. Pode ser confundida com C. venezuclanum (Mitt.) Reese, mas esta
apresenta uma interrução na lâmina logo acima das células cancelinas, e ainda
com C. levyanum Besch., que tem células superiores escuras e densamente
papilosas.
Calymperes lonchophyllum ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Mato
Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo (Yano, 1981a); Acre e Rondônia (Reese,
1979).
Calvmperes nicaraguense Ren. & Card., Buli. Soc. R. BoL Belg. 33(2):
1 17. 6. 1895.
Localidade-tipo: Nicarágua.
Descrição e ilustração: Florschütz (1964).
Material examinado: Amapá, municipio de Calçoene, BR-156, between Cal-
çoene, and Rio Amapá Grande, 30 km S of Calçoene, patches of forest in cer-
rado, ca. 2“1 5’N, 50“55’ W, on rotten log in small forest patcli, col. S.A. Mori &
R. Cardoso 17384, 12-XII-1984, det. W. Steere (MG 1097 19); idem, ca.
2°28N, 51°W, cerrado intermingled with large patches of foresL the cerrado
recently burned, on tree trunks in forest from 0,5 to nearly 4m, col. S.A. Mori &
R. Cardoso, 8-XI 1-1984 (NY).
Comentários - Ca/vwpcrM nicaraguense cresce sobre tronco cm decomposição
nos campos mais abertos.
A espécie pode apresentar uma grande variação das teniolas, mas bem
distintas. Normalmcntc é confundida com C. guildingii Hook. & Grev. e C.
donnellii Aust. Nesta última as teniolas são muito menos distintas, com isto as
cancelinas se tomam mais largas. Em C. nicaraguense não se separam
abruptamente das células cm direção á margem; cm C. donnellii as células cm
direção ã margem são muito curtas, isodiamétricas.
246
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Terrítorio Federal do Arnapa, Brasil
Calymperes nicaraguense ocorre nos Estados do Pará, Mato Grosso e
Espírito Santo (Yano 1981a) e Rondônia (Recse 1979 e 1984).
Calymperes palisolti Schwaegr. subsp. richardii (C. Muell.) S. Edwards, J.
Bryol. 11:81. 1980.
Localidade-tipo: Brasil
Descrição e ilustração: Edwards ( 1 980).
Material examinado: Amapá, município de Macapá, Parque Florestal da
Fazendinha, road from Macapá to Fazendinha, 8 km S of Macapá, ca. 0°rS,
51°5'W, cerrado and non-inundated moist forest surrouding large march, tree
trunk 2-6m from ground, at edje of forest, therefore exposed to sun and drying,
col. S.A. Mori 17413, 16-XII-1984 (MG109740).
Comentários - C. palisotii subsp. ríchardii ocorre nos mais variados substratos,
mas ocasionalmente sobre rochas. Na região do Nordeste brasileiro é a espécie
mais comum nos troncos de árvores de ruas, dos parques e jardins.
A espécie apresenta os caracteres mais constantes, as células superiores dos
Tilidios são geralmente papilosas no lado dorsal.
C. pàlisotii subsp. richardii ocorre nos Estados do Amazonas, Goiás,
Pernambuco e Ilha de Fernando de Noronha (Yano, 1981a como Calymperes
richardii)', Rondônia ( Reese, 1979, como C. richardii).
Syrrhopodon hornschuchii Mart., Fl. Bras. 1 (2): 6. 1840.
Localidade-tipo: Brasil.
Descrição c ilustração: Reese (1977).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, 109 km SSE of
Oiapoque on road bctween Oiapoque and Calçoene, ca.0'N, 51‘>30’W, non-
inundated moist forest, on buttresses at base of large tree, col. S. a. Mori, J.
Cardoso & J. Reitsma 17230, 6-XII-1984, det. Steere (MG 109574).
Comentários - Syrrhopodon hornschuchii cresce em tufos baixos, na casca de
árvores, madeiras, ramos e sobre humo, até uma altitude de 900m.
A espécie apresenta os caracteres mais homogêneos dentro do táxon, mas
pode ser confundida com 5. circinatus {Búd.) Mitt. porque esta possui cancelinas
pequenas como a espécie em estudo mas a margem é denteada na parte superior.
Syrrhopodon hornschuchii ocorre nos Estados do Amazonas, Mato Grosso,
Minas Gerais e Território de Roraima (Yano 1981a); Rondônia (Reese 1979) e
Pará (Lisboa 1984).
Syrrhopodon incompletus Schwaegr., Spec. Musc. Suppl. 2(1): 1 19. 1824.
Localidade-tipo: Cuba.
Descrição e ilustração: Florschütz (1964).
f^atcrial examinado: Amapá, municipio de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque. 60 km SSE of Oiapoque. ca. 3°18’N, 51°39’W, non-
inundated moist forest. on tree trunk, 2m from ground, col S.A. Mori & J.
Cardoso 17124, 2-XII-1984 (MG109483).
247
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Comeniáxios - Syrrhopodon incompletus cresce nos mais variados substratos. É
uma espécie muito variável quanto à forma das células na parte superior do
filidio. Com isto Florschütz (1964) considera variedades quanto a esta
modificação, mas aqui o material foi considerado apenas a nível específico.
A espécie ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e no Território
de Roraima (Yano 1981a) e nos Estados do Acre e Rondônia (Reese 1979).
Syrrhopodon leprieuríi Mont., Ann. Sc. Nat. Bot. sér. 2, 2:379.1834.
Localidade-tipo: Guiana Francesa.
Descrição e ilustração: Florschütz (1964).
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
Reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
tronco seco, local muito úmido, col. C.S. Rosário 212, VIII-1983 (MG99138).
Comentários - Syrrhopodon leprieurii cresce sobre tronco de árvore e rochas,
aparentemente de interior de florestas, sendo comumente encontrada nas partes
mais elevadas.
A espécie é facilmente reconhecida pelo ápice muito espinhoso-papiloso e
células fortemente unipapilosas (lado ventral). Os cílios longos nos ombros do
filidio são também característicos, mas algumas vezes ausentes, numa mesma
planta. Quando ausente observar a seta mais longa e cápsula estreita (pequena).
Syrrhopodon leprieurii ocorre no Estado do Amazonas (Yano 1981a) e
Rondônia (Reese 1979).
Syrrhopodon ligulatus Mont., Syll. 47. 1856.
Localidade-tipo: Guiana Francesa.
Descrição e ilustração: Florschütz (1964).
Material examinado: Amapá, município de Calçoene, BR-156, between Cal-
çoene and Rio Amapá Grande, 30 km S of Calçoene, patches of forest in cerrado,
ca 2°15’N, 50o55’W, forming cushion at base of tree. In small forest patch, col.
S.A. Mori & R. Cardoso 17381, 12-XII-1984 (MG 109716).
Comentários - Syrrhopodon ligulatus cresce sobre material podre, tronco de
árvore, ocorrendo no interior de florestas chuvosas. Esta espécie pode ser
reconhecida pelos filídios pequenos com ápice arredondado-obtuso e emarginado
e de células pequenas, muito escuras na parte superior do filidio. O bordo hialino
é muito variável mesmo nos filídios de uma mesma planta, algumas vezes se
estendendo até o meio do filidio (raramente até quase o ápice).
Esta espécie ocorre nos Estados do Amazonas, Goiás, Minas Gerais (Yano
1981a); Pará(Lisboa 1984); Mato Grosso (Reese 1984); São Paulo (Egunyomi
& Vital 1984) e Rondônia (Reese 1979).
DALTONIACEAE
Callioscta hipinnala (Schwacgr.) C. Mucll., Linnaca 21: 189. 1848.
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
Basiónimo: Neckera bipinnata Schwaegr., Spec. Muc. Suppl. 1 (2): 156. 1816.
Lxx:alidade-tipo: Guiana Francesa.
Descrição e Ilustração: Crosby (1969) e Florschütz-De Waard (1986).
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, col.
C.S. Rosário 174, 190, 196, VIII-1983 (MG99099, MG99115, MG99121);
municipio de Oiapoque, BR-156, 109 km SSE of Oiapoque, on road between
Oiapoque and Calçoene, ca. 3°0’N, 51°30’W, non-inundated moist forest, col.
S.A. Mori, B. Rabelo, D. Daly & J. Reitsma 17179, 4-XII-1984(MG109525);
idem, on branches of shrubs and small trees, col. S.A. Mori, R. Nonato & R.
Souza 17207, 5-XII-1984 (MG109552); idem, 134 km SSE of Oiapoque, ca.
2°53’N, 5 1°27’W, on branch of low tree, 2m from ground, col. S.A. Mori & R.
Souza 17319, 9-XII-1984 (MG109661).
Comentários - Callicosta bipinnata cresce sobre galhos de árvores e arbustos,
ocasionalmente sobre madeira nas florestas até 500m de altitude, ocasional-
mente a 1700 m. A costa de C. bipinnata é relativamente longa, bifurcada e às
vezes variando no seu comprimento o que a toma facilmente separável de todas
as outras espécies de Callicosta exceto C. rugifolia (C. Muell.) Crosby. Esta
espécie possui filídios regularmente e conspicuamente mgosos e cápsula imersa,
enquanto que C. bipinnata pxjssui filidios planos pouco ondulados na base e
cápsula emersa.
Segundo Yano (1981 a), Callicosta bipinnata foi encontrada nos Estados do
Amazonas, Pará, Minas Gerais, São Paulo e Território de Amapá (mencionada
como Pilotrichum bipinnatum (Schwaegr. Brid.).
Lepidopilum scabrisetum (Schwaegr.) Steere, Bryologist 51:140. 1948.
Basiónimo: Neckera scabriseta Schwaegr. Spec. Musc. Suppl. 1(2): 153. 82.
1816.
Lx)calidade-tipo: Guiana Francesa.
Descrição: Crum & Steere (1957) e Sehnem (1979).
Ilustração: Florschütz-De Waard (1986).
Material examinado: Amapá, municipio de Oiapoque, BR-156, 109 km SSE of
Oiapoque on road between Oiapoque and Calçoene, ca. 3‘>0'N, 51°30’W, non-
inundated moist forest, on twigs of shrubs, col. S.A. Mori, R Nonato & R. Souza
17208, 5-XII-1984, dct. W. Steere (MG 109553).
Comentários - Lepidopilum scabrisetum cresce nos galhos de árvores e sobre
humo de serra.
A espécie apresenta ramos curtos e largos, quando fértil a seta equinada
longamente.
Lepidopilum scabrisetum ocorre no Estado do Riode Janeiro (Yano, 1 98 1 a);
Santa Catarina ç Rio Grande do Sul (Sehnem 1979).
Cepidopilum surinamense C. Muell., Linnaea 21:193. 1848.
249
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Lx)calidade-tipo: Suriname.
Descrição e ilustração: Florschütz-De Waard (1986).
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
tronco seco, mata muito úmida, col. C.S. Rosário 179, VIII- 1983 (MG99104).
Comenlàrios- Lepidopilum surinamense cresce sobre ramos de árvores, lianas,
base de árvores, ocasionalmente no solo de florestas úmidas.
A espécie difere de L. scabrisetum pela disposição dos filidios imbricados,
contorcidos quando secos.
Lepidopilum surinamense está sendo citada pela primeira vez no Brasil.
HOOKERIACEAE
Schizomitrium pallidum (Hornsch.) Crum & Anderson, Mosses E. N. Amer.
2:822. 1981.
Basiònimo: Hookeria pallida Hornsch, in Mart., Fl. Bras. 1(2): 64. 1840.
Localidade-tipo: Brasil
Descrição e ilustração: Crum & Anderson (1981).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3ol8’N, 51°39’W, non-
inundated moist forest, on fallen rotten branch, col. S.A. Mori & J. Cardoso
17112, 17141pp., 2-XII-1984 (MG109471, MG109495); município de Ma-
capá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino, reserva do IBDF, mata alta de Terra
Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre tronco seco, col. C.S. Rosário 230,
VIII-1983 (MG99156).
Comentários - Schizomitrium pallidum cresce sobre tronco em decomposição,
margem de riachos ou no leito dos rios periodicamente inundados. Esta espécie
foi descrita como Hookeria pallida em 1840 por Hornschuch e depois
transferida para Callicostella pallida em 1876 por Aongstroem. Atualmente é
válida a combinação Schizomitrium pallidum proposta por Crum & Anderson
(1981).
Segundo Yano (1981a), S. pallidum, com o nome de Callicostella pallida,
ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio
de Janeiro e São Paulo. Schnem ( 1 979) relata sua ocorrência para Paraná c Rio
Grande do Sul.
HYPNACEAE
Leucomium strumosum (Hornsch.) Mitt., J. Linn. Soc. Bot. 12: 502. 1869.
Localidade-tipo: Brasil.
Descrição: Bartram ( 1949).
Ilustração: Bartram (1949) c GrifTm (1979).
Material examinado: Amapa, Macapá, Rio Araguari. braço do Rio Falcino,
250
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
tronco seco, local muito úmido, col. C.S. Rosário 187, 238, VIII - 1983
(MG99112, MG99164); municipio de Oiapoque, BR-156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3°18’N, 51°39’W, non-
inundated moist forest, on recently fallen trunk, col. S.A. Mori & J. Cardoso
17111pp., 2-XII-1984 (MG109470).
Comentários - Leucomium strumosum cresce nos troncos caídos e podres ou
sobre tocos ou humo de florestas sombreadas e úmidas.
A espécie tem caracteres compativeis com Hypnaceae, sendo uma das
diferenças mais óbvias a forma de caliptra e presença de pouca pilosidade nesta
estrutura.
Leucomium strumosum ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Rio de
Janeiro e São Paulo (Yano 1981a) como L. lignicola.
Chryso-hypnum diminutivum (Hampe) Buck, Brittonia 36: 182. 1984.
Basiònimo: Hypmim diminutivum Hampe, Linnaea 20: 86. 1847.
Lx)calidade-tipo: Venezuela.
Descrição e ilustração: Crum & Anderson (1981).
Material examinado: Amapá, municipio de Oiapoque, BR-156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3°18’N, 51°39'W, non-
inundated moist forest, covering small twigs of liana at base of tree, col. S.A.
Mori & J. Cardoso 171 18, 2-XII-1984, det. W. Steere (MG109477).
Comentários - C/l diminutivum cresce em vários substratos como
calcàrcos, madeira podre, na casca e base de árvores.
Esta espécie é pequena e arrepiada, com ramos algumas vezes folioso-
complanados. O caráter mais importante é a presença de papilas no lado dorsal
dos filidios formando projeções na parte superior terminal da célula.
A espécie ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul (Yano 1981a) como Mittenothamnium diminutivum).
Rhacopilopsis trinitensis (C. Muell.) Britt. & Dix., J. Bot. 60:86, 88. 1922.
Basiònimo: Hypnum trinitense C. Muell. Syn. 2: 284. 1851.
Lx)calidade-tipo: Trinidad.
Descrição: Bartram ( 1 949).
Ilustração: Bartram ( 1 949) c Griflln ( 1 979).
Material examinado: Amapá, municipio de Oiapoque, BR-156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3"18'N, 51"39'W, non-
inundated moist forest, on tree trunk, forming dense patch, 2m from ground, col.
S.A. Mori & J. Cardoso 17108, 2-X1I-1984 (MG109467).
Comentários - Rhacopilopsis trinitensis cresce sobre tronco de árvore, forman-
do densos tapetes na floresta úmida.
A espécie possui filidios claramcntc dimorfos, aqueles da fila dorsal bem me-
nores que os da lateral.
251
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Rhacopilopsis trinitensis foi citada para o Estado do Amazonas (GrifTin
1979) e Pará (Reese 1984 e Lisboa 1984).
LEUCODONTACEAE
Leucodontopsis geniculata (Mitt) Crum & Steere, Sc. Surv. Porto Rico 7:5 1 1 .
1957.
Basiònimo: Leucodon geniculata Mitt., J. Linn. Soc. Bot. 12:409. 1869.
Localidade-tipo: Peru.
Descrição: Crum & Steere (1957) e Florschütz (1964).
Ilustração: Florschütz ( 1 964).
Material examinado: /Iwapá, município de Macapá, 156 km of Porto Grande on
the highway “Perimetral Norte” (BR-210), ca. 1°30’N, 53°30’W, non-inunda-
ted moist forest, col. S. Mori & J. Cardoso 17556, 30-X1I-1984 (NY).
Comentários - Leucodontopsis geniculata cresce nos galhos e raminhos de
árvores, algumas vezes sobre tronco caído e raramente epífila; ocorre comumente
nas plantações e nos cerrados brasileiros.
A espécie possui a margem dos filídios revoluta com exceção dos filídios do
ápice dos ramos; células papilosas de ambos os lados.
Leucodontopsis geniculata ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Alagoas,
Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo (Yano 1981a).
METEORIACEAE
Squamidium nigricans (Hook.) Broth., Nat. Pflanzenfam. 1 (3): 808. 1906.
Basiònimo: Hypnum nigricans Hook. In Kunth. Syn. Pl. Aequin. 1 : 64. 1 822.
Localidade-tipo: Equador.
Descrição e ilustração: Bartram (1949).
Material examinado: /Imapá, Rio Flechal, 1°45’N, 50°58’W, epiphyte on shrub
on rock, common, col. J. Murça Pires & Paulo B. Cavalcante 52490, 1 1-VIII-
1982 (lANl 17972); idem, RioOiapoquc, perto de Clevelàndia, col. R.L. Froés
25937pp., 8-II- 1 950 (IAN52 1 76); município de Calçoene, BR- 1 56, 1 2 km W of
Calçoene, ca. 2°28’N, 51°0’W, cerrado intermingled with large patches of
forest, the cerrado recently burned, on the trunk in forest from 0.5 to nearly 4m,
col. S.A. Mori & R. Cardoso 17293pp., 8-XII-1984 (MG109635).
Comentários - Squaniidiu?n nigricans apresenta os ramos secundários penden-
tes atingindo mais de 30 cm de comprimento, são verde-amarelados, algumas
vezes tingidos de preto. Os filídios côncavos com o ápice agudo diferindo de S.
leucotrichum (Tayl.) Broth. que tem o ápice filiforme-alongado de comprimento
igual ao da lâmina do filídio.
A espécie é mencionada para o Estado do Rio de Janeiropor Yano ( 1981a) e
por Sehnem (1980) para Rio Grande do Sul e por Klein (1979) para Santa
Catarina.
252
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Território Federal do Amapá. Brasil
Zelometeorium patulum (Hedw.) Manuel, J. Hattori BoL Lab. 43:1 18.1977.
Basiònimo: Hypnum patulum Hedw., Spec. Musc. 279. 1801.
Localidade-tipo: Jamaica.
Descrição e ilustração: Manuel (1977).
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
folhas verdes (epiTilas), mata muito úmida, col. C.S. Rosário 1 77pp., VII-1 983
(MG99102).
Comentários - Zelometeorium patulum apresenta larga distribuição através da
América tropical e subtropical. Os filidios dos ramos apresentam geralmente
forma ovado-lanceolada e lanceolada com ápice acuminado a longo-acuminado.
Quando secos, os filidios dos ramos ficam esquarroso-espalhados e esquarroso-
recurvados.
A espécie apresenta grande variação morfológica, mesmo no material de um
mesmo local de coleta. Ela é identificada normalmente como Meteoriopsis
patula (Hedw.) Broth., considerada sinónimo desta espécie.
Zelometeorium patulum ocorre nos Estados do Acre, Amazonas, Pará, Mato
Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo,
Paraná. Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Yano 1981a).
NECKERACEAE
Neckeropsis undulata (Hedw.) Reichardt., Reise Oesterr. Freg. NovaraBot. 1:
181. 1870.
Basionómio: Neckera undulata Hedw., Spec. Musc. 201. 1801.
Localidade-tipo: Jamaica.
Descrição: Sehnem (1980) e Crum & Anderson (1981).
Material examinado: Amapá, Rio Oiapoque, growing on fallen branch in forest
shade. Cachoeira Très Saltos, 2°12’N, 52°53’W, nearFrench Guiana, col. H.S.
Irwin, J.M. Pires & L.Y.T. Westra 47962, 2-XI-1960 (lANl 1762).
Comentários - Neckeropsis undulata cresce sobre tronco de árvore na mata
aberta.
A espécie pode ser reconhecida pelos filidios sem ápice, com ondulações
transversais e pelos fihdios periqueciais interiores lineares e longos.
Neckeropsis undulata ocorre nos Estados do Amazonas, Mato Grosso,
Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul (Yano, 1981a): Pará (Lisboa, 1984) c Pernambuco (Sehnem,
1980).
ORTHOTRICHACEAE
^acromitrium pentastichum C. Muell., Linnaea 2.: 186. 1848.
Localidade-tipo: Suriname.
Descrição e ilustração: Florschütz (1964).
253
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari. braço do Rio Falcino,
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, nào perturbada, solo argiloso, sobre
pau seco, col. C.S. Rosário 193, VIII-1983 (MG99118); Município de
Oiapoque, BR- 156, road between Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of
Oiapoque, ca. 3°18’N, 5 1°39’W, non-inundated moist forest, on recently fallen
log., col. S.A. Mori & J. Cardoso 17115, 2-XII-1984 (MG109474); município
de Macapá, 1 56 km NW of Porto Grande on the highway “ Perimetral Norte”,
BR-2 1 0, ca. 1 °30'N, 53°30’W, non-inundated moist forest, on fallen branch, col.
S.A. Mori, H.P. Belo & R. Souza 17541, 29-X1I-1984 (MG109852).
Comentários - Macromilrium peníastichum cresce sobre tronco vivo de
vegetação mais aberta, geralmente nào escolhe substratos.
A espécie pode ser facilmente reconhecida pela disposição dos filídios em 5 ou
raramente 4 filas, margens planas e pontuações nas células basais do filidio.
Macromilrium peníastichum ocorre apenas no Estado do Amazonas ( Yano
1981a) e São Paulo (Egunyomi & Vital 1984).
PHYLLODREPANIACEAE
Plwllodrepanium falcifolium (Schwacgr.) Crosby, Revue Bryol. Lichén. 37(2):
346. 1970.
Basiònimo: Fissidensfalcifolium Schwaegr., Spec. Musc. Suppl. 1(2): 9. 1816.
Localidade-tipo: Hispaniola.
Descrição e ilustração: Yano (1981b).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 17 km SSE of Oiapoque, ca. 3°39’N, 51<’46’W, non-
inundated moist forest, on trunk of fallen tree, col. S.A. Mori, J. Reitsma & R.
Cardoso 17142, 3-X1I-1984 (MG109496); município de Calçoene, BR-156 in
vicinity of government road camp “Carnof’,53-72 km WNW of Calçoene, ca.
2°33-38’N, 51°16’W, non-inundated moist forest, col. B.V. Rabelo, S.A. Mori,
R, Cardoso & R. Souza 2981 , 1 1-XII-l 984 (MG 113499).
Comentários - Pliyllodrepanium falcifolium cresce sobre tronco em decompo-
sição próximo a riacho nas matas úmidas. É facilmente reconhecida pelo filidio
falcado, brilhante, com uma das lâminas bastante estreita e com células
diferenciadas c mais alongadas na margem.
Segundo Yano (1981a) foi encontrado nos Estados do Amazonas, Pará c
Mato Grosso e Yano (1981a) para o Território de Roraima.
PLAGIOTHECIACEAE
Pilosium chlorophyllum (Hornsch) C. Mucll, in Broth., Flora 83:340. 1897.
Basiònimo: líypnum chlorophyllum Hornsch., Fl. Bras. 1:89. 1840.
Localidade-tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Bartram ( 1 949), Griffin ( 1 979) c Buck & Ircland ( 1 985 ).
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari. braço do Rio Falcino,
254
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Território Federal do Amapá. Brasil
reserva do IBDF, mata alta Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
tronco verde, mata muito úmida, col. C.S. Rosário 197, VIII- 1983 (MG99122);
municipio de Oiapoque, BR- 156, road between Calçoene and Oiapoque, 17 km
SSE of Oiapoque, ca. 3°39'N, 5 1°46’W, non-inundated moist forest, on log, col.
S.A. Mori, J. Reitsma & R. Cardoso 17158, 3-XII-1984 (MG 109509).
Comentários - Fí7oí/«/n chlorophyllum cresce sobre tronco podre, sobre solo e
na base de tronco vivo de floresta úmida. São brilhantes e muitos filidios
apresentam na base uma dobra larga.
Segundo Yano (1981a), a espécie ocorre nos Estados do Amazonas, Pará.
Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
PTEROBRYACEAE
Orthostichopsis tetragona (Sw. ex Hedw.) Broth., Nat. Pflanzenfam. 1(3):
805. 1906.
Basiônimo: Hvpnum tetragona Sw. ex Hedw., Spec. Musc. 246, pl. 63. 1801.
Localidade-tipo: Jamaica.
Descrição: Florschütz (1964).
Ilustração: Hedwig (1801) e Florscljütz (1964).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3°1 8’N, 5 1°39'W, non-
inundated moist forest, on fallen branch, col S.A. Mori & J. Cardoso 17137, 2-
XII-1984 (NY).
Comentários - Orthostichopsis tetragona cresce nos raminhos e galhos de
árvores e arbustos, ainda comumente pode ocorrer nos ramos de árvores isoladas,
bem como de florestas chuvosas e escuras.
A espécie pode ser facilmente reconhecida pelas fortes pregas, mucronadas
nos filidios dos ramos, presença de costa e as células alares em um grupo
triangular na base do filidio.
Orhostichospsis tetragona ocorre nos Estados do Pará, Ceará, Minas Gerais
(Yano 1981a).
SEMATOPHYLLACEAE
Acroporium pungens (Wcáw.) Broth., Nat. Pflanzenfam. 1 1:436. 1925.
Basiônimo: Hypnum pungens Hedw., Spec. Musc. 237. 1801.
Localidade-tipo: Jamaica.
Descrição e ilustração: Bartram (1949).
Material examinado: Amapá, municipio de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 17 km SSE of Oiapoque, ca. 3“39’N, 51“46’W, non-
inundated moist forest, on fallen log, col. S.A. Mori, J. Reitsma & R. Cardoso
17144, 3-X11-1984 (MG109498); idem, on branch of Protium, 10 m from
ground, col. S.A. Mori, B. Rabelo, D. Daly & J. Reitsma 17182, 4-Xl 1-1984
(MG 1095 28); idem, on twigs near forest lloor, mixed with leafy livcrwort. col.
255
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
S.A. Mori, R. Nonato & R. Souza 17209pp., 5-XII-1984 (MG109554); idem,
on branch of sampling 1,5 m from ground, col. S.A. Mori, J. Cardoso & R
Reitsma 17249, 6-XII-1984 (MG109593); município de Calçoene, BR-156,
12 km W of Calçoene, ca. 2°28’N, 51°0’W, cerrado intermingled with large
patches of forest, the cerrado recently burned, col. S.A. Mori & R. Cardoso
17292, 8-XII-1984 (MG109634).
Comentários -^crapor/M/n pungens cresce formando coxins laxos sobre galhos
e troncos de árvores vivas.
A espécie pode ser reconhecida pela coloração amarelo-pálida do gametófito,
filidios com células alares consideravelmente largas sem células pequenas
agrupadas acima e pelo ápice subtubuloso.
Acroporium pungens ocorre nos Estados do Amazonas, Minas Gerais, Riodc
Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina (Yano 1981a).
Sematophyllum caespitosum (Hedw.) Mitt., J. Linn. Soc. Bot. 12: 479. 1869.
Basiónimo; Leskea caespitosa Hedw., Spec. Musc. 233. 1801.
Localidade-tipo; Ilha Hispaniola.
Descrição e ilustração: Crum & Anderson (1981).
Material examinado: Amapá, municipio‘de Mazagão, Camaipi, EMBRAPA
reserve and vicinity, 30 km NW of Mazagão, ca. 0°10'N, 51°37'W, non-
inundated moist forest, on rotten log, col. S.A. Mori, B. Rabelo & J. Cardoso
17491. 22-XII-1984 (MG109806).
Comentários - Sematophyllum caespitosum cresce sobre tronco podre, às
vezes no solo úmido ou sobre rochas ou pedras úmidas. No Brasil é comumente
encontrada nas regiões sul e sudeste.
A amostra de Mori et al. 17491 está misturada com S. subsimplex.
Segundo Yano (1981 a), S. caespitosum ocorre nos Estados do Amazonas,
Pará, Pernambuco, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná, Santa Catarina c Rio Grande do Sul. Para a região Norte do
Brasil é pouco encontrada.
Sematophyllum subsimplex (Hedw.) Mitt., J. Linn. Soc. Bot. 12: 494. 1869.
Basiónimo: Hypnum subsimplex Hedw., Spec. Musc. 270. 1801.
Local idade- tipo; índias Ocidentais.
Gametófito baixo, brilhante, subpinalado; ramos curtos meio prostrados;
filidios de base larga-oblonga, curta c estreitamente acuminados, pouco unilate-
rais, 1 ,3 X 0,5 mm; costa ausente; células alares em uma enorme série, inlladas,
pigmentadas, por cima células menores parenquimatosas; células da lâmina
muito alongadas 10:1 ou mais lisas; filidios pcriqueciais lanccolado-acuminadis-
simos, 2,0 X 0,5 mm; seta alaranjada, 12-15 mm; cápsula pequena horizontal;
peristómio duplo, exóstoma, 330 x 70 mm. processos um pouco menores, cilios
longos singulos; opérculo cônico- rostrado.
Ilustração; Hcdwig(I801) c GrifTin (1979).
256
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
Material examinado; Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
pau seco, mata muito úmida, col. C.S. Rosário 166, 176, 202, 215, 225, 226,
227, 228, 232, 239, 241, VIII-1983 (MG99094, MG99101, MG99127-8,
MG99141, MG99151, MG99152, MG99153, MG99154, MG99158,
MG99165, MG99167); municipio de Oiapoque, BR-156, road between Cal-
çoene and Oiapoque, 17 km SSE of Oiapoque, ca. 3°39'N, 51°46'W, non-
inundated moist forest on log. col. S.A. Mori, J. Reitsma & R. Cardoso
17159pp., 3-XII-1984 (MG109510); municipio de Calçoene, BR-156, 12 km
W of Calçoene, ca. 2°28’N, 5 1°0'W, cerrado intermingled with large patches of
forest, the cerrado reccntly burned, on tree trunk near ground in forest, col. S.A.
Mori & R. Cardoso 17280, 8-XII-1984 (MG109623); idem, on rotten log in
forest, Col. S.A. Mori & R. Cardoso 17289, 8-Xl I- 1 984 ( MG 1 09622 ); idem, on
fallen log in forest, col. S.A. Mori& R, Cardoso 17283, 8-XII- 1984 (MG 109626;
municipio de Calçoene, BR-156 in vicinity of govemmcnt road camp “Carnot",
53-72 km WNW of Calçoene, ca. 2o33-38'N, 51°16’W, non-inundated moist
forest, col. B.V. Rabelo, S.A. Mori, R. Cardoso& R. Souza2980, 1 l-XII-1984
(MGl 13498); municipio de Calçoene, BR-156, between Calçoene and Rio
Amapá Grande, 30 km S of Calçoene, patches of forest in cerrado, ca. 2°15"N,
50"55’W on tree trunk, forest, col. S.A. Mori & R. Cardoso 17374, 17382, 1 2-
XII-1984 (MG109710, MG109717); municipio de Macapá, Parque Florestal
da Fazendinha, road from Macapá to Fazendinha, 8 km S of Macapá, ca. 0° 1 5’ S,
51o5’W, cerrado and non-inundated moist forest surrounding large march, in
forest on tree trunk, forest dry, relativelty free of mosses, col. S.A. Mori 1 7407,
17408, 16-X1I-1984 (MG109734, MG109735); municipio de Mazagào, BR-
1 56, road under construction which will connect Macapá with Monte Dourado,
81 km WSW ofMacapá, ca. 1 1 km SW ofRio Preto, ca. 0°8'S, 51°48'W, non-
inundated moist forest, on trunk of palm {Maximiliana sp.), col. S.A. Mori & J.
Cardoso 17439, 19-XII- 1984 (MG 109761); idem, on fallen log, col. S.A. Mori
& J. Cardoso 17441, 19-XII-1984 (MG109762); idem, on rotten log. col. S.A.
Mori, D. Daly & J. Cardoso 17505pp., 23-XII-1984 (MG109819); municipio
de Macapá, 156 km NW of Porto Grande on the highway "'Perimetral Norte"
(BR-210), ca. 1°30’N, 53°30’W, non-inundated moist forest, on buttrcss roots,
col. S.A. Mori, H.P. Belo & R. Souza 1 7526, 29-XII- 1 984 ( MG 1 09837 ): idem.
growing in bands on tree tmnk, the bark of which shade in irregular patches. col.
S.A. Mori, M.P. Belo & R. Souza 17527. 29-XI1-1984 (MG109838).
Comentários - Sematopliylium subsimplex cresce geralmente sobre madeira
podre na mata ou sobre tronco vivo.
A espécie pode ser facilmente reconhecida pela forma do filidio oblongo e
estreitamente acuminado e pelas células alares diferenciadas e células muito
alongadas e lisas da lâmina.
Scmalophylium subsimplex apresenta uma ilustração muito bem feita no
257
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
trabalho de Hedwig( 1801 ), cujo nome é Hypnum subsimplex Hedw. (Prancha
69, figura 11-14).
Esta espécie ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Goiás, Distrito Federal,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul (Yano, 1981a); Maranhão (Egunyomi & Vital 1984) e Mato Grosso
(Guarim Neto & Yano 1985).
Taxitiielium planum (Brid.) Mitt., J. Ünn. Soc. Bot. 12:496. 1869.
Basiónimo: Hypnum planum Brid., Musc. RecenL Suppl. vol. 1:97. 1812.
Descrição e ilustração: Crum & Anderson ( 1981) e Buck(1985).
Material examinado: /Iwapá, municipio de Macapá, Rio Araguari, braço do Rio
Falcino, reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo
argiloso, sobre tronco seco, mata úmida, col. C.S. Rosário 165, 167, 168, 172,
175, 178, 181, 186, 188, 192, 194, 195,204,207,208,214,217,229,233,234,
235, 236, 240, 242, VlIl-1 983 (MG99090, MG99092, MG99093, MG99097,
MG99100, MG99103, MG99106, MG99111, MG99113, MG99117,
MG99119, MG99120, MG99130, MG99133, MG99134, MG99140,
MG99143, MG99155, MG99159, MG99160, MG99161, MG99162,
MG99 1 66, MG99 1 68); municipio de Macapá, vicinity of Serra do Navio, 8 km
NNW of village of Serra do Navio on road to Água Branca ( 1°3’N, 52o4’W),
non-inundated moist forest, on large rotten log, completely covering log, a very
common moss, col. S.A. Mori & J. Cardoso 17639, 3-1-1985 (MG109928);
idem, 156 kmNW of Porto Grande on the higway“Perimetral Norte” (BR-2 10),
ca. 1°30’N, 53°30'W, non-inundated moist forest, formingdense maton log, col.
S.A. Mori, H.P. Belo& R. Souza 17528, 29-Xll-l 984 (MG 109839); idem, on
rotten logwith sporophytes, col. S.A. Mori & J. Cardoso 17561, 30-Xll- 1984
(MG109865); idem, Riozinho, 122 km NW of Porto Grande on the highway
“Perimetral Norte” (BR-210), ca. l°2rN, 53°15'W, non-inundated moist
forest, on tree trunk along river, col. S.A. Mori & R. Souza 17624, 1-1-1985
(MG 1099 15); município de Calçoene, BR- 156, in vicinity of govcmment road
camp“carnot”, 53 km WNW of Calçoene, ca. 2°33’N, 5 1°16’W, wct forest on
Terra Firme with scattered granitic out crops. At base of tree trunk at cdje of
granitic outerop, col. S.A. Mori & B. Rabelo et al. 17344, lO-XIl-1984
(MG109685); município de Oiapoque, BR-156, on road between Calçoene and
Oiapoque, ca. 3°0-39’N, 51°30-46’W, non-inundated moist forest, col. S.A.
Mori & J. Cardoso 17109, 17126, 2-X1I-1984 (MG109468, MG109485);
idem, col. S. A. Mori, J. Rcitsma &R. Cardoso 17 155, 3-Xn- 1984 (MGl 09507);
municipio de Macapá, Rio Araguari, na casca de árvore, mata sombria, col. R.L.
Frocs&G. A. Black 27735pp.,25-Vll- 1951 (1AN64720); Rio Oiapoque, perto
de Clevelàndia, col. R.L. Froes 25937pp., 8-11-1950 (1AN52176); Rio Jari,
Cachoeiras das Guaribas 0o24'N, 53°7’W, elev. ca. 110 m, on prostratc rotting
log, partial shade in forest, col. W.A. Egler & H.S. Irwin 46454, 16-V111-1961
(lANl 13324).
258
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
Comentários - Taxithelium planum ocorre nos mais variados substratos e
ambientes, e é comuníssima na região Norte do Brasil.
A espécie é facilmente reconhecida pela coloração verde- amarelada, brilhan-
te e as células do filidio alongadas com 3-4 (-5) pàpilas no lúmen celular.
Segundo Yano ( 1 98 1 a) é citada para os Estados do Amazonas, Pará, Bahia,
Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa
Catarina.
Trichosteleum papillosum (Homsch.) Jaeg., Ber. S. Gall. Naturw. Ges. 1876-
77:419. 1878.
Basiònimo: Hypnuni papillosum (Hornsch.) Fl. Bras. 1(2): 82. 1840.
Local idade-tipo: Brasil.
Gametófitos cespitosos, pequenos; ramos primários prostrados com rizóides
na parte inferior, pardos; ramos secundários pouco curvos, densamente foliosos.
Filídios 1, 5-1,8 mm de comprimento, côncavos, amarelos, margem irregular-
mente serrulada ou integérrima, células na parte superior externa papilosas e
mamilosas; células alongadas a lineares e retangulares a quase paralelogramas na
base; células alares grandes, amareladas, 2-3. Esporófito não examinado.
Ilustração: Hornschuch (1840).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road bctween
Calçocnc and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3° 1 8’N, 5 1 °39’ W, non-
inundated moist forest, on rotten log, col. S. A. Mori & J. Cardoso 17141 pp., 2-
XlI-1984 (MG109495); idem, 17 km SSE of Oiapoque, ca. 3°39'N, 5 1°46'W,
non-inundated moist forest, on log, col. S.A. Mori. J. Rcitsma & R. Cardoso
17159pp., 3-X1I-1984 (MG109510); idem, 134 km SSE of Oiapoque, ca.
2‘>53’N, 5 l‘’27'W, non-inundated moist forest, on rotten logon forest floor, col.
S.A. Mori & R. Souza 17323, 9-XI1-1984 (MG109664); município de
Calçoenc, BR- 156, 12 kmofCalçocne, ca. 2'’28’N,5 1“0'W, cerrado intermingled
with large patches of forest, the cerrado recently burned, on log in forest, col. S.A.
Mori & R. Cardoso 1 7281, 8-Xll-l 984 (MG 109624); idem, wct forest on Terra
Firme with scattered granitic out crops, on burned log in full sun on granitic out-
crop. col. S.A. Mori & B. Rabelo et ai 17343, lO-Xll-1984 (MG109684);
idem, bctween Calçoene and Rio Amapá Grande, 30 km S of Calçoene, patches
of forest in cerrado, ca. 2ol5’N, 50"55'W, on fallcn rotten log in small forest
patch, col. S.A. Mori & R. Cardoso 17382pp.. 12-X11-1984 (MG109717);
município de Mazagão, Camaipi, EMBRAPA reserve and vicinity 30 km NW of
Mazagão, 0‘'10'N, 51“37'W, non-inundated moist forest. on rotten log on
ground, col. S.A. Mori, D. Daly & J. Cardoso 17505pp., 23-X11-1984
(MG 1098 1 9); município de Macapá, Riozinho 1 22 km NW of Porto Grande on
the highway “Perimctral Norte" (BR-210), ca. l°2rN, 53"! 5’ W, non-inundated
moist forest, on log, col. S.A. Mori & R. Souza 1 7600, 1-1-1985 (MG 109897).
Comentários - rnc/íoi/c/fnm papillosum cresce sobre troncos de árvores, sobre
madeira cm decomposição nas matas, raramente sobre rochas.
259
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot., 4(2), 1988.
A espécie fx)ssui uma papila grande no lúmen central das células alongadas, o
ápice do filidio apiculado não torcido e com dentículos na margem.
Trichosteleum papillosum ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Minas
Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina (Yano,
1981a).
SPHAGNACEAE
Sphagnum erythrocalyx Hampe in C. Muell., Syn. 1:92. 1848.
Localidade- tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Yano et al. (1985).
Material examinado: Amapá, Oiapoque, área do aeroporto, solo arenoso, col.
R.L. Froés 26752, 20-X-1950, det. Andrews (IAN59903).
Comentários - Sphagnum erythrocalyx cresce sobre rochedos, em brejos e
barrancos úmidos, no solo da floresta tropical.
Esta espécie apresenta heteromorfismo dos filidios tanto no caubdio como nos
ramos.
Sphagnum erthocalyx ocorre nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e São
Paulo (Yano, 1981a; Yano et al. , 1 985); Goiás, Minas Gerais e Paraná (Yano,
1981a) e Pernambuco (Yano et al., 1985).
Sphagnum palustre L., Spec. Pl. ed.2. 1106. 1753.
Localidade-tipo; Europa.
Descrição e ilustração: Yano et al. (1985).
Material examinado: Amapá, Oiapoque, campo de aviação, local alagado,
em almofadas sob moitas, col. W.A. Egler 1448, 26-IV-1960 (MG24604).
Comentários - Sphagnum palustre cresce nos brejos úmidos ou encharcados, até
submersos em lagoas, riachos e rios. Na região amazônica pode ser encontrada
nas margens ou no topo ou escarpas de morros úmidos. Ela é encontrada fértil nos
períodos de novembro e fevereiro, isto é, no verão brasileiro.
Sphagnum palustre apresenta grande heteromorfismo dos filidios tanto no
caubdio como nos ramos.
A espécie foi mencionada pela primeira vez por Yano et al. (1985) para o
Amapá. Yano (1981a) e Yano et al. (1985) citam a sua ocorrência para os
Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul e Yano et al. ( 1 985) relatam para o Território de Roraima e Amapá e para os
Estados do Amazonas, Pará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Minas Gerais.
THUIDIACEAE
Thuidium involvens (Hedw.) Mitt., J. Linn. Soc. BoL 12:575. 1869.
Basiònimo: Leskea involvens Hedw., Spec. Musc. 218. 1801.
Local idade-tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Crum & Anderson (1981).
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
Material examinado: Amapá, Macapá, Rio Araguari, braço do Rio Falcino,
reserva do IBDF, mata alta de Terra Firme, não perturbada, solo argiloso, sobre
pau seco, mata muito úmida, col. C.S. Rosário, VIII- 1983 (MG99129).
Comentários - Thuidium involvens cresce geralmente sobre troncos podres ou
sobre pedras úmidas, nas matas muito úmidas. Pode ser reconhecida pela
ramificação pinalada, filidios quando secos fortemente catenulados e os filidios
periqueciais não franjados nas margens.
Segundo Yano (198 la), a espécie é mencionada para os Estados do
Amazonas e Mato Grosso.
Hepaticopsida
ANEURACEAE
Riccardia alata (Steph.) Hell, Bolm Fac. Filos. Univ. S. Paulo 25: 95. 1969.
Basiônimo: Aneura alata Steph., Buli. Herb. Boissier 7: 730. 1899.
Lx»calidade-tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Hell ( 1 969).
Material examinado: Amapá, município de Macapá, Riozinho, 122 km NW of
Porto Grande on the highway “Perimetral Norte” (BR-210), ca. l°2rN,
53°15’W, non-inundated moist forest, on log, col. S.A. Mori & R. Souza 17601,
1-1-1985 (MG109898).
Comentários - Riccardia alata cresce sobre solo e gravetos no chão da mata
formando pequenos tufos, de mistura com outras briófitas.
A espécie é muito semelhante a R. metzgeriaeformis (Sicpá.) Hell, diferindo
pela asa que apresenta 2-3 células na margem do talo.
Riccardia alata ocorre nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Yano
1984).
Riccardia metzgeriaeformis {Steph.) Hell, Bolm Fac. Filos. Univ. S. Paulo 25:
104. 1969.
Basiônimo: /l«ez/ra metzgeriaeformis Steph., Buli. Herb. Boissier7: 753. 1899.
Local idade-tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Hell (1969).
Material examinado: Amapá, município de Macapá, Riozinho, 122 km NW of
Porto Grande on the highway “Perimetral Norte” (BR-210), ca. l°2rN,
53°15’W, non-inundated moist forest, col. S.A. Mori& R. Souza 17602pp., l-I-
1985 (MG109899).
Comentários - Riccardia metzgeriaeformis cresce nos barrancos c madeira em
decomposição formando tapetes uniformes.
A espécie difere de R. alata por não apresentar asas de 2-3 células nas
margens do eixo principal.
Riccardia metzgeriaeformis ocorre nos Estados do Rio de Janeiro e São
Paulo (Yano 1984).
261
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 4(2), 1988.
GEOCALYCACEAE
Lophocolea martiana Nees in G.L. & N., Syn. Hep. 152. 1845.
Localidade-tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Fulford (1976).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3°18’N, 5 1°39'W, non-
inundated moist forest, on buttresses near ground, col. S. A. Mori & J. Cardoso,
2-XI1-1984 (MG109473).
Comentários - Lophocolea martiana cresce no solo úmido e madeira em
decomposição nas matas.
A espécie difere de L. perissodonta principalmente por apresentar margem
superior do filídio inteira, sem dentes.
Lophocolea martiana ocorre nos Estados do Amazonas, Minas Gerais, Rio
de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande doSul(Yano 1984)
e Pará (Lisboa 1985).
Lophocolea perissodonta (Spruce) Steph., Spec. Hep. 3: 151.1907.
Basiònimo: Lophocolea martiana Nees \ar. perissodonta Spruce, Trans. Proc.
Bot. Soc. Edinb. 15: 432. 1885.
Localidade-tipo: Brasil.
Descrição e ilustração: Fulford (1976).
Material examinado: /fwapd, município de Macapá, 156 km of Porto Grande on
the highway“Perimetral Norte" (BR-210), ca. 1°30'N, 53°30’W, non-inundated
moist forest, forming dense mat on log, col. S.A. Mori, H.P. Belo & R. Souza
17259, 29-XII-1984 (MG109840).
Comentários - Lophocolea perissodonta cresce sobre solo e tronco podre em
decomposição em locais úmidos da mata.
A espécie é caracterizada pela forma sub- retangular do filídio e presença de 1 -
2 dentes na margem anterior de alguns filídios.
Lophocolea perissodonta ocorre nos Estados do Amazonas, Pará, Rio de
Janeiro, São Paulo e Santa Catarina (Yano 1984).
LEJEUNEACEAE
Ceratolejeunea marítima (Spruce) Steph, Spec. Hep. 5: 423. 1913.
Basiònimo: Lejeunea marítima Spruce, Trans. Proc. Bot. Soc. Edinb. 15: 210.
1885 (Figuras 1-12).
Localidade-tipo: Brasil.
Gametófitos vermelho-pardacentos, pardo-avermelhado-escuros, densos,
comprimido-cespitosos, corticícolos c rupicolos. Ramos 25 mm de comprimento,
irregularmente ramificados. Filídios caulinares imbricados, perfeitamente aber-
tos, ápice recurvo, agudo, em plano ovado, 1 mm de comprimento, 0,83 mm de
largura, assimétrico, margem posterior subereta, anterior levemente curva.
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
subápice pouco denteado, inserido na base. base anterior truncada. Células
superiores arredondadas, 18 ;Lim; basais 26-36 jum; ocelos basais 36-48 (-54)
jirm. Lóbulos pequenos, bem abertos, ovados. Anfigastro da base do ramo, 0,58
mm de largura e do ápice 0,83 mm de largura, ápice bífido, curvo-estreito, lobos
apiculado-agudos.
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3°18’N, 51°39’W, non-
inundated moist forest, on recently fallen log, col. S. A. Mori & J. Cardoso 17117,
2-XII-1984, det. B. Thiers (MG 109476); idem, sobre rochas, col. P. Luetzelburg
20298, VII- 1927 (R87679); idem, on fallen log, col. S.A. Mori, J. Reitsma& R.
Cardoso 17148, 3-XII-1984 (MG109502).
Comentários - Ceratolejeunea marítima é geralmente corticícola, às vezes
crescendo sobre rochas.
A espécie apresenta coloração castanho-brilhante, os anfigastros pequenos na
base do gametófito, aumentando de tamanho à medida que atinge o ápice; possui
um ocelo na base do filídio.
Ceratolejeunea marítima ocorre nos Estados do Amazonas e Pará (Yano,
1984).
Cyclolejeunea angulata Herz., Hedwigia 71: 341. 1931.
Localidade-tipo: Brasil.
Gametófitos pardo-enegrecidos, às vezes canela, ramificados subpinados
flcxuoso-rasteiros, epifilos, rizóides verticilados cm disco, 20 mm de compri-
mento, 1 ,5 mm de largura com filidios, às vezes ramos longos heterófilos. Filidios
caulinares, ângulo obtuso ca. 45°, imbricados, subunidos até convexo-espalha-
dos, 0,95-1,0 X 0,38-0,40 mm, assimétrico, bastante estreito-elíptico; margem
ventral com lóbulo de ápice levemente arqueada, livre e ápice espiculoso-
denticulado, espinhos de cada célula triangular-saliente; margem ventral integér-
rima; células perfeitamente arredondado-hexagonais, diâmetro apical ca. 20-24
jtrm, basais 30-36ium, trigónios cm todas células, pequenos, agudos; ocelos basais
l-2(-3), infiados, falcado- truncados, ângulo obtuso, carena levemente arqueada,
margem angulosa, excurrente. Filidios do ramo agudos; margem dorsal com ápice
cspinuloso-denteado, lóbulo mais inflado, estreitamente torcido, subápice
constrito, carena arqueada, sinuado-dobrado perto da base, margem excurrente
na forma aberrante. Anfigastro caulinar menor, suborbicular, bifido, lobos
agudos, fenda estreita, margem pouco denticulada; dos ramos, maior até 2 a 3
vezes, margem reclinada, dorso-cóneavo biloba profunda, margem agudamente
cspinulosa aumentando para o ápice. Perianto não examinado.
Ilustração; Herzog (1931).
Material examinado; /Iwa/jó, município de Oiapoque, BR-156, 109 km SSE of
Oiapoque on road between Oiapoque and Calçoene, ca. 30°0'N, 5 1°30'W, non-
inundated moist fórest, on pinna or undivided terminal pinna ofAstrocaryum leaf
263
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sèr. Bo!., 4(2), 1988.
(Palm), col. S.A. Mori, J. Cardoso & J. Reitsma 17214, 17215, 6-XII-1984
(MG109559, MG109560).
Comentários - Cyclolejeunea angulata é epífila de dicotiledòneas e palmeiras.
A espécie tem muita semelhança com Odontolejeunea lunulata (Web.)
SchifFn., mas difere pela forma do anfigastro, presença de ocelos na base do filidio
e a forma do lóbulo.
Cyclolejeunea angulata ocorre no Estado do Amazonas (Yano 1984).
Mastigolejeunea auriculata (Wils. & Hook.) Schiffn., NaL Pflanzenfam. 1(3):
129. 1893.
Basiônimo: Jungermannia auriculata Wils. & Hook. in Drummond, Musci
Amer. Exsic. 170. 1841.
Localidade-tipo: América do Norte.
Descrição e ilustração: Schuster (1980).
Material examinado: Amapá, município de Mazagão, BR- 156, road under
construction which will connect Macapá with Monte Dourado, 8 1 km WN W of
Macapá, ca. 1 1 km SW of Rio Preto, 0°8'S, 51°48’W, non-inundated moist
forest, on branches of crown of large tree 30 m from ground, col. S.A. Mori & R.
Cardoso 17481, 20-XII-1984 (MG109797).
Comentários - Mastigolejeunea auriculata cresce geralmente sobre troncos de
árvores e galhos. É reconhecida pela coloração parda (ocasionalmente quase
preta), os eixos dos ramos fracamente distantes do substrato. Sob microscópio,
os oleocorpos são grosseiramente botrióides, em número de 1-3 por célula,
sempre.
A espécie apresenta larga distribuição nos neotrópicos em direção à América
do Sul. No Brasil ocorre nos Estados do Pará, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e
Paraná (Yano 1984).
Odontolejeunea lunulata (Web.) Schiffn., Nat. Pflanzenfam. 1(3): 128. 1893.
Basiónimo: Jungermannia lunulata Web., Hist. Musc. Hepat. Prodr. 33. 1815.
Localidade-tipo: América Tropical?
Descrição e ilustração: Evans (1904).
Ilustração: Herzog ( 1957).
Material examinado: Amapá, município de Oiapoque, BR- 156, road between
Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque, ca. 3°18’N, 51o39’W, non-
inundated moist forest, on Tovomita leaf, col. S.A. Mori & J. Cardoso 17123, 2-
XII-1984(MG 109482); município de Macapá, Riozinho, 122 km NWof Porto
Grande on the highway “Perimetral Norte” (BR-210), ca. l°2rN, 53°15'W,
non-inundated moist forest, covering Calathea leaf, col. S.A. Mori & R. Cardoso
17584, 31-XII-1984 (MG109800).
Comcn\.áx'\o%- Odontolejeunea lunulata é geralmente epífila de folhas velhas de
arbustos ou árvores.
A espécie apresenta as margens do fllídio denteadas e o anfigastro lunado com
dentes na margem e na base tufos de rizóides. A coloração é parda até canela.
264
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
Odontolejeunea lunulata ocorre nos Estados do Amazonas, Pará e São Paulo
(Yano 1984).
Svinbiezidium transversale{Svi.) Trev., Mem. Real. IsL Lomb. Sei. Mata. NaL
sér. 3, 4: 403. 1877.
Bãúòrúmo: Jungermannia transversalis Sw., Prodr. Fl. Ind. Occ. 144. 1788.
Localidade-tipo: Jamaica.
Descrição e ilustração: Evans (1907) e Gradstein & Van Beek (1985).
Material examinado: y4/77a/Já, município de Macapá, 156 km of Porto Grande on
the highway “Perimetral Norte” (BR-210), ca. lo30’N, 53°30’W, non-inundated
moist forest, on branches of tree, 10 m tall. col. S.A. Mori, H.P. Belo & R. Souza
17540, 20-XII-1984 (MG109851); município de Oiapoque, BR-156, road
between Calçoene and Oiapoque, 60 km SSE of Oiapoque. ca. 3°18'N,
51o39’W, col. S.A. Mori&J. Cardoso 17141pp., 2-XII-1984 (MG109495):
idem, on fallen log, from sames log as 17148, col. S.A. Mori, J. Reitsma & R.
Cardoso 17147, 3-XII-1984 (MG109501).
Comentários - Symbiezidium transversale cresce sobre galhos e troncos de
árvores em locais bem úmidos da floresta.
A espécie pode ser reconhecida por ser bem maior que as outras Lejeunea-
ccac, possuem anfigastros grandes, perianto lateral num ramo curto e com uma
inovação curta, mas apresenta uma grande variação no tamanho e forma do
gametófito.
Symbiezidium transversale ocone noEstadodo Riode Janeiro(Yano 1984);
Amazonas (Griffin 1979 e Gradstein & Van Beek 1985) e Pará(Lisboa 1985).
PLAGIOCHILACEAE
Plagiochila rulilans Lindenb., Spec. Hep. 47. 1841.
Localidade-tipo: Brasil.
Gametófitos prostrados, ramos eretos pouco ramificados. Filídios livres,
patentes, divergente-reclinados, subverticais, oblongos, margem basal dobrada,
integérrimo com ápice plano, denticulado, acima estreito convoluto; trigónio das
células inchados. Esporófito terminal, perianto oblongo-tetrágono, margem
estreita-alada (sem asa), bilabiada; lábio curto espinuloso-denteado.
Ilustração: Lindcnberg ( 1 844) e Griffin (1979).
Material examinado: /Iwapá, município dc Macapá, Riozinho, 122 km of Porto
Grande on the highway “Perimetral Norte” (BR-210). ca. lo2rN. 53°15‘W,
non-inundated moist forest, col. S.A. Mori & R. Souza 17602, 1-1-1985
(MG109899).
Comentários - Plagiochila rutilans cresce sobre casca de árvore.
A espécie pode ser facilmente reconhecida pelos filídios encolhidos quando
secos, ás vezes deflexos e os trigónios das células inchados.
Plagiochila rutilans ocorre nos Estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São
Paulo e Santa Catarina (Yano, 1984) c Pará (Lisboa, 1985).
265
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 4(2), 1988.
Plagiochila thysanotis Spruce, Trans. Proc. Bot. Soc. Edinb. 15: 491. 1885.
Localidade-tipo: Brasil.
Gamelófitos aderidos ao córtex, dicótomos, 25-70 mm de comprimento.
Filidios verdes ou verde-amarelados, imbricados, semi-cordado-ovado-oblon-
gos, ou quase paralelogramos, ápice truncado, 4-5 espinhos; margem anterior,
recurvo longamente oblíquo-decurrente, apenas junto do ápice claro e 1-2
denteada; margem posterior espinuloso-serrada, com espinhos até 30; células
pequenas, equilaterais, com ângulos conspícuos, espessados. Perianto nào
examinado.
Ilustração: Griffin (1979).
Material examinado: Amapá, município de Macapá, Riozinho, 1 22 km NW of
Porto Grande on the hi^way “Perimetral Norte” (BR-210), ca. l°2rN,
53°15'W, non-inundated moist forest, on branches of Theobroma, 6 m from
ground, col. S.A. Mori & R. Cardoso 17583, 31-XII-1984 (MG109889).
Comentários - Plagiochila thysanotis cresce sobre galhos de árvores c é muito
comum nesta região de Macapá.
A espécie pode ser reconhecida pelos filidios dispostos densamente próximos
escondendo a superfície dorsal do caulídio, a margem do filidio inteira. Esta
espécie foi confundida com P. serrata (Roth.) Lindenb. No trabalho de Yano
( 1 984) cita P. serrata e P. thysanoides que é erro gráfico, sendo o primeiro nome
sinónimo desta espécie. Com isto, P, thysanotis ocorre nos Estados do
Amazonas e São Paulo (Yano, 1984, como P. serrata) e Mato Grosso (Yano,
1 984, como P. thysanoides),
RADULACEAE
Radiila complanata (L) Dum., Comm. Bot. 1 12. 1822.
Basiònimo: Jiingermannia complanata L., Spec. Pl. 1 133. 1753.
Local idade-tipo: Europa.
Descrição e ilustração: Schuster ( 1 980).
Material examinado: /Iwíj/já, município de Oiapoque, BR- 156, 109 km SSE of
Oiapoque and road between Oiapoque and Calçoene, ca. 3‘>0’N, 5 1“30'W, non-
inundated moist forest, on log with 17220, col. S.A. Mori, J. Cardoso & J.
Reitsma 17221, 6-XII-1984 (MG109566).
Comentários - Radula complanata geralmentc é corticícola na base das árvores
de regiões com umidade relativa alta. Sobre rochas aparece como pioneira
juntamente com vários outros liquens.
A espécie apresenta o lóbulo subquadrado, com a parte posterior inflada e
geralmente com tufo de rizóides.
Radula complanata ocorre nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro
(Yano 1984).
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
CONCLUSÕES E DISCUSSÕES
Dentre as 43 espécies mencionadas, 12 são hepáticas e 31 são musgos.
Considerando a superfície do Território (137.419 km2) a ocorrência de
diferentes tipos de vegetação e o fato de que a maioria das espécies aqui estudadas
são de regiões de Florestas Densas ou Abertas e duas principais coletas feitas em
áreas relativamente pequenas, não se pode ainda ter uma visão completa sobre a
brioflora do TerVitório Federal do Amapá. Mas pode-se fazer as seguintes
colocações:
Dentre as espécies relacionadas, todas são ocorrência nova para o Amapá, com
exceção de Callicosta bipinnata e Sphagnum palustre.
Lepidopilum surinamense está sendo citada pela primeira vez no Brasil.
- Muitas espécies tinham sido mencionadas apenas para as regiões Sul e Sudeste
do Brasil.
-Pelo número de amostras examinadas, as espécies que ocorrem com mais
freqüència são: Taxithelium planum, Sernatophyllum subsimplex e Trichos-
teleum papillosum, todas da família Sematophyllaceae, que é urna familia de
ocorrência abundante em toda a região Amázõnica, portanto este resultado não
foge ao padrão já esperado.
- Posteriormente, coletas deverão ser feitas, procurando abranger outros tipos de
formações vegetais da região estudada, quando então deverá ser aumentada a
lista de espécies para este Território.
AGRADECIMENTOS
As autoras agradecem a S.A. Mori e C.S. Rosário pela coleta de material na
região do Amapá, ao Dr. W.C. Sterre e Dra. Barbara M. Thiers pela confirmação
das identificações de musgos e hepáticas, respectivamente.
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268
SciELO
cm
2
3
5
10 11 12 13 14 15
Briófitas do Território Federal do Amapá, Brasil
SEHNEM, A. 1980. Musgos sul-brasileiros 7. Pesquisas, sér. Bot.. São Leopoldo. 34: 1-121.
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269
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2). 1988.
50]jm
5a
I
5b
50 pm
10
50 pm
1 00 pm
8
11
Figuras 1-12. Ceratolejeunea marítima. 1-2. Aspecto geral do gametófito; 3. Esporófito; 4. Filidio;
4a. Células do fílidio com ocelo; 4b. Células medianas do filidio; 4c.Células do lóbulo com papilas; 5 ,
a, b. Anfigastro; 6. Bractéola periquecial; 7-8. Bráctea periquecial; 9. Corte transversal do caulidio;
10. Corte transversal da seta; 1 1. Elatérios; 12. Corte transversal do periàncio.
270
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
CDD; 583.240981 1
DUAS NOVAS ESPÉCIES DE PICRAMNIA
(SIMAROUBACEAE) PARA A FLORA DO
NORTE DO BRASIL
José Rubens Pirani^
IVrn. fVavt Thomas^
RESUMO - Neste trabalho são descritas duas espécies novas do gênero
PicTamma(Simaroubaceae): Picramnia ferrea á Thomas, arbusto
ou arvoreta da vegetação de canga da Serra de Carajás, Pará, e Picramnia
elliptica Kuhlmann ex Pirani & Thomas, com distribuição no Mato
Grosso, Pará e Amazonas. São ilustrados o hãbito, flores e frutos de
ambas as espécies, e discutidas as relações destas com outras do gênero.
PALAVRAS-CHAVE: Simaroubaceae, Picramnia, Taxonomia.
A BSTRACT- Two new brazilian species of Simaroubaceae are described:
Picramnia ferrea Pirani & Thomas, known only from the "canga"
vegetation (plants growing directly on iron rich outcrops) of the Serra dos
Carajás in Pará; and Picramnia elliptica Kuhlmann ex Pirani & Thomas,
found from Mato Grosso to Pará and Amazonas. The peculiar characters
andspecific relationships of each species are discussed, and illustrations
of fertile shoots, flowers andfruits are presented.
KEY WORDS: Simaroubaceae, Picramnia, Taxonomy, Angiosperms.
* Universidade de Sào Paulo - Instituto de Biociências - Depto. de Botânica. Sào Paulo-SP.
2 Herbarium, New York Botanical Garden, Bronx, NY, E.U.A.
271
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 4(2). 1988.
INTRODUÇÃO
No curso dos estudos em andamento de revisão taxonòmica de Picramnla
Sw., género neotropical de plantas dióicas da família Simaroubaceae, foram
encontradas duas espécies ainda não descritas. Uma delas é conhecida de sete
coleções da Serra de Carajás, no Pará, enquanto a outra parece ter distribuição
mais ampla, do Mato Grosso ao Pará e Amazonas, tendo inclusive sido
observada e coletada na natureza pelos autores.
Picramnia ferrea Pirani &Thomas, sp. nov. (Figura 1).
Frutex vel arbuscula 1-2 m alt., ramis initio apicem versus denseflavido-vel
ochraceo-tomentosis, tandem glabrescentibus. Folia 10-17 (-20) cm longa,
alterna, plerumque imparipinnata vel uno foliolo paris ultimi instar foliolo
terminalis ordinato pinnata; petiolus incrassatus cum rachi pubescens,
striatus, (4-) 7-11 foliolis alternis suboppositisve, lanceolatis vel oblongo-
lanceolatis vel plus minusve ovatis, foliolo terminali symmetrico allis majus,
lateralibus plus minusve obliquis, basalibus minoribus, omnia apice attenuatis
vel caudatis mucronulatis vel obtusis rotundatis, margine revolutis, chartaceis
vel subscoriaceis, supra (siccitate) plerumque brunneis vel nigrescentibus
nitidis parce pilosis vel glabris, subtus imprimis ad nervum médium atque
marginem parce pilosis rariusve glabrescentibus, (2-) 3-7 (-9) cm longis, 1-2, 5
(-3) cm latis; venatio brochidodroma, nervo principali supra valde sulcato,
subtus prominenti, nervis lateralibus venisque reticulatis supra sulcatis vel
indistinctis, subtus prominentibus. Racemi terminales solitari penduli
flavido-vel ochraceo-tomentosi, striati, feminei 9-15 cm longi simplices,
masculi 7-15 (-20) cm longi interdum ramulo laterali instructi. Flores rubri(4-)
5 (-6) -meri, pedicello ca. 0,5mm tandem ca. 2,0 mm longo suffulii, feminei
liaud fasciculati, masculi solitari vel 2-3 (-4) fasciculati, basi bracteis linea-
ribus villosis sujfultis; sepala (4-) 5 (-6) triangularia vel oblongo-ovalia,
acuta, margine integra vel rarius irregulariter sublacerata, extus
flavido-pilosa, intus glabra, 1-1,7 mm longa; pétala (4-) 5 (-6) lanceolata,
sepalis aequilonga, glabra vel interdum pubenda. Flores masculi: stamina (4-)
5 (-6) exserta, ad discum subtilem inserta, filamentis subulatis, antheris
globosis; ovarii rudimentum dense pilosum conicum disci lobis circundatum.
Flores feminei: staminodia linearia ananthera vel anthera sterili provisa;
ovarium 2 (-3)-gynum, globosum, dense aureo-pilosum (pilis subclavatis
elongatis), stigmatibus 2 (-3) recurvatis obtusis rubris coronatum, 2 (-3)-
loculare, loculis ex apice biovulatis. Bacca oblonga vel obovoidca, ca. I cm
longa, ca. 6 mm lata, dense ochraceo-pilosa, stigmatibus persistentibus
coronata, 1-2-sperma, pedicello 2 mm longo sujfulta.
Typus: BRASIL, PARÁ, “Serra dos Carajás, 2 km castof AMZA campN-1 ,
6‘>02’S, 50°17’W, alL 700 m, scrub vegetation on ferric rock outcrops, small tree
272
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Duas novas espécies de Picramnia (Simaroubaceae), Norte do Brasil.
2,0 m tall, growing in small thicket”, Sperling et al. 5829, 25-V-1982, fl 9
(holotypus, MG; isotypi, INPA, K, NY, RB, SPF, US).
Paratypi: PARÁ, “Serra dos Carajás, Serra Norte, near AMZA Exploration
Camp, ca. 6°S, 50°15’W, alt. 600 m”, Berg & Henderson 459, 1 l-X-1977, fr
(INPA, K, MG, NY, RB); mesma localidade, “25-30 km NW of Serra Norte
mining camp, approx. 5°55’S, 50°26’ W”, Daly et al. 1711, 5-XII-1981, fr.
(INPA, MG, NY, RB); mesma localidade, “alt. ca. 700 m”, Sperling et al. 5631,
13-V-1982, fl 9 (MG); mesma localidade, “entrada para mina de ferro.
Formação rupestre sobre afloramento rochoso de canga”. Lima et al. 114,
3-VI-1986, fl Cf (IBGE, MG, RB, SPF); mesma localidade, “Transição de
campo com afloramento de canga para a mata de terra firme de encosta". Lima et
al. 124, 3-VI-1986, fl. cf (IBGE, MG, RB, SPF); mesma localidade. Lima etal.
136, 3-VI-1986, fl. 9 (IBGE, MG, RB, SPF).
Espécie afim de Picramnia guianensis (Aubl.) Jansen-Jacobs, do norte do
Pará, Amapá e Guianas, a qual é distinta pelas folhas maiores, de ( 1 1-)15-26(-
29) cm, pelos folíolos mais numerosos, 9-19(-25), sempre cartáceos com
margem densamente ciliada. elípticos a ovais, as nervuras nunca sulcadas na face
adaxial, sendo a nervura média plana. A acentuada redução dos folíolos basais
em relação aos demais exibida por P. guianensis não se observa em P. ferrea. A
inflorescència é basicamente semelhante em ambas, sendo contudo bem mais
longa em P. guianensis, onde alcança (16-)24-43(-55) cm. O característico
indumento do ovário, com longos tricomas clavados ou de ápice bem arredon-
dado, é encontrado nas duas espécies, assim como em Picramnia campestris
Rizz. & Occh., de Minas Gerais.
P. ferrea apresenta como peculiaridades mais notórias os folíolos de apice
bem agudo ou até mucronulado, caráter pouco comum noutras espécies do
gênero, as nervuras sulcadas na face adaxial do limbo, e o habitat, pois parece
tratar-se de entidade endémica da vegetação que cresce sobre os afloramentos
rochosos ricos em ferro da região da Serra de Carajás, área onde segundo Silva et
al. (1986) c Secco e Mesquita (1983) ocorrem outros endemismos.
Picramnia elliptica Kuhlmann ex Pirani & Thomas, sp. nov. (Figura 2).
Frutex vel arhuscula 0, 7-2m alt., ramis initio apicem versus dense tomento-
sis, tandem glabrescentibus. Folia alterna, 18-40 (-55) cm longa, plenimque
imparipinnata vel uno foliolo paris ultimi instar folioli terminalis ordinato
pinnata; petiolus incrassatus cum rachi initio ochraceo-vel ferrugineo-tomen-
tosi tandem glabrescenti, striati; ( l-)3-5(-7) foliola alterna suboppositisve,
saepe late elliptica vel rotundato- vel oblongo-elliptica, foliolum terminale
symmetrice aliis majus, lateralia paullum obliqua, basalia minora, omnia
apice rotundata vel paullum attenuata vel breviter acuminata, basi obtusa vel
subcordata aut attenuata, margine valde revoluta, chartacea vel subcoriacea.
273
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
supra (siccitate) plerumque olivacea vel brunea glabra, subtus imprimis ad
nervos atque marginem pallido- vel ferrugineo-pubescentia, ( 6-)9, 5-2 1(-25) cm
longa, 4-10 cm lata; venatio brochidodroma, nervo medio supra valde sulcato,
subtus valde prominenti, nervis lateralibus arcuatis cum venis reticulatis
utrinque prominentibus, nervis submarginalibus valde distinctis. Racemi
terminales solitari penduli, 18-30 cm longi, ochraceo-velferrugineo-tomentosi,
striati. Flores rubri pedicello 1-2 mm longo sujfulti in glomendos distantes
dense congesti, basi bracteis lanceolatis villosis sqffulti, masculi 3-4(-5)-meri,
feminei 4-5(-6)-meri; sepala plerumque ovalia, acuta, saepe inaequalia,
margine integra vel irregulariter sublacerata, extus ochraceo-pilosa, intus
glabra, ca. 0,6-1, 0 mm longa; pétala nulla vel lanceolata, sepalis aequilonga,
glabra. Flores masculi; stamina 3-4(-5), paullo exserta, ad discum subtilem
inserta, antheris globosis; ovarii rudimentum pilosum valde reductum disci
lobis circumdatum. Flores feminei; staminodia antherifera (an semper?), plus
minusve complanata; ovarium digynum globoso-ovatum, dense ochraceo-
villosum, biloculare, loculis ex apice biovulatis, stylo brevi stigmatibusque 2
reflexis extus pilosus coronatum. Bacca pedicello 2-5 mm longo sqffulta,
oblongo-obovoidea vel ellipsoidea, glabra, rubra, nitida, ca. 1 5 mm longa, ca. 8
mm lata, ad apicem obtusa vel sulcata, stigmatibus persistentibus coronata,
1-2-sperma.
Typus; BRASIL, MATO GROSSO, “ Santo Antonio do Leverger, ca. 70 km
W of Cuiabá, 5 km SW of São Vicente near Gruta de São Vicente (Casa de
Pedra), 15o52’S, 55°23’W, in shade of gallery forest ravines, on slope”,
Thomas, Pirani etal. 4537, 23-X-1985, fr. (holotypus, INPA; isotypi, F, GH,
K, MICH, MO, NY, SPF, US).
Paratypi: MATO GROSSO: “Serra dos Coroados”, Hoehne 4268, IV- 1 9 1 1 ,
fl. Cf (RB); “Cuiabá, proximidade da Gruta de São Vicente”, Macedo &
Assumpção 605, 25-VI-1977, fr. (INPA); “Cuiabá, Chapada dos Guimarães,
Cachoeira da Cascatinha”, Saddi 3071, 28-V-1983, fr. (CH); “Road Buriti to
Cuiabá, rocky escarpment of Chapada dos Guimarães, 720 m”, Prance et al.
19280, 22-X-l 973, 0. 9 , fr. (MO, NY); “Barra do São Manoel”, Hoehne 51 13,
III- 1912, n. 9 (RB). PARÁ: “Rio Tapajós, cachoeira inferior (Uruá)”, Ducke
17084, 27-VM918, fl. cf (MG); “Juruti, Lago Curumuauri”, Ducke 16806,
19-IV-1917, fl. Cf (MG). AMAZONAS: “Parintins”, Pires & Black 1226, 10-
IV- 1946, fl. Cf (lAN, UB); “Manaus, igarapé do Tarumã”, Rodrigues s. n.,
16-11-1955, fl. Cf (INPA 815); “Estrada Manaus-Itacoatiara km 133”, Ro-
drigues & Loureiro 9480, 1 l-VIl-1974, fr. (INPA).
Espécie distinta pelos amplos folíolos, com forma basicamente elíptica, em
numero pequeno por folha (geralmente 3-5), pouco pilosos na face abaxial, e
pelas inflorcscéncias cm racemo terminal longo c rclativamcnte espessado, com
densos glomérulos de flores, os quais parecem estar parcialmente imersos no eixo
na inflorescéneia cstaminada( Figura 2B). O epíteto "elliptica" foi atribuído por J.
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Duas novas espécies de Picramnia (Simaroubaceae), Norte do Brasil.
G. Kuhlmann na etiqueta do espécime coletado por Hoehne n? 4268 na Serra dos
Coroados, MT, mas nunca foi publicado.
Analogamente ao que se observa Picramnia juniniana Macbride, o cálice
em P. elliptica apresenta variação pouco usual no n.° de elementos. O número
básico - ou mais freqüente - parece ser 4, e muitas das variações expressas na
descrição podem*ser observadas numa só inflorescència, embora predomine um
número em cada coleção estudada. Flores estaminadas 3-meras são comuns,
mas este número não foi reportado para flores pistiladas, que podem por sua vez
ter até 6 sépalas. Deve-se ressaltar, contudo, que quase sempre as sépalas são
pouco a muito desiguais, sendo uma delas bem menor e assemelhada a um lacinio
de uma das sépalas adjacentes. Tal impressão é reforçada pela margem
freqüentemente lacerada de modo irregular das sépalas de muitas flores em
alguns espécimes {Ducke 1 7084 e Hoehne 4268) (Figuras 2F, 2G), e também
pelo fato de existirem flores com 5 sépalas mas com 4 estames e disco 4-lobado!
As pétalas estão completamente ausentes em algumas coleções, o que
também já foi observado em P. ramiflora Planchon. Num espécime (Prance et
al. 19280), foram encontradas flores pistiladas velhas com estaminódios com
“anteras” estéreis (Figura 2M).
Picramnia elliptica ocorre na mata de terra firme, no Amazonas e Pará, e
também nas florestas do norte do Mato Grosso, alcançando as florestas-galeria
da região dominada por cerrados de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Serra dos
Coroados. Floresce de fevereiro a julho, frutifica de maio a outubro. Na
população estudada próximo a Cuiabá, observaram-se indivíduos numerosos,
esparsos pela submata da floresta-galeria, à sombra intensa, em solo com folhedo
abundante.
Embora o número de coleções conhecidas da espécie não seja muito grande,
pode-se apreciar uma tendência a foliolos maiores, mais numerosos (5-7), mais
acuminados e pubescentes, nas populações da floresta amazônica. As plantas da
região de Cuiabá têm menos foliolos - (l-)3-5 -, mais largos e de ápice
arredondado ou mais raramente apenas subacuminados (Figura 2A). No entanto,
essas formas não estão sempre ligadas a áreas geográficas distintas: a coleção de
Rodrigues & Loureiro n.° 9480, de Manaus, é idêntica às plantas do sul do Mato
Grosso, enquanto o espécime colhido na Barra do Rio São Manuel (ou Teles
Pires, na confluência do mesmo com o Rio Tapajós) por Hoehne sob nP 5113
(Hoehne 1951) exibe aspecto semelhante ao dos demais espécimes da Amazô-
nia. Além disso, existe também variabilidade daqueles caracteres numa mesma
coleção, e enfim torna-se impraticável a distinção de tàxons infra-especificos.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
AGRADECIMENTOS
Os autores expressam agradecimentos a Emiko Naruto pela ajuda nas
ilustrações, aos curadores dos herbários citados no texto pelo empréstimo de
material, a Rupert Bameby pela revisão do latim das diagnoses, e aos
companheiros do grupo de trabalho da Expedição ao Mato Grosso do Projeto
Flora Amazônica (Convênio CNPq/ NSF-INPA, MPEG e NYBG), realizada
em 1 985: Carlos Alberto Cid Ferreira, David Ackerly, José Guedes de Oliveira,
José F. Ramos, Raimundo P. Lima e João A. Coelho.
Trabalho parcialmente subsidiado, para o primeiro autor, pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HOEHNE, F.C. 1951. índice bibliográfico e numérico das plantas colhidas pela Comissão
Rondon. São Paulo, Secretaria da Agricultura.
SECCO, R. S. & MESQUITA, A. L. 1983. Notas sobre a vegetação de canga da Serra Norte. Boi
Mus. Para. Emilio Goeldi, sér. Bot. (59): 1-13.
SILVA, M. F. F.; MENEZES, N. L; CAVALCANTE, P. B. & JOLY, C. A. 1986. Estudos botâ-
nicos: histórico, atualidade e perspectivas. In: ALMEIDA Jr., J. M. G. & (Ed.) Carajás:
desafio politico, ecológico e desenvolvimento. São Paulo, Brasiliense; Brasília, CNPq.
p. 184-207.
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BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bou, 4(2), 1988.
Figura 1 - Picramnia ferrea Pirani & Thomas: A. Ramo com inflorescència pistilada; B. Flor
estaminada, removidas 1 sépala e 2 pétalas; Cl. Flor pistilada cora bráctea; C2. A mesma em corte
longitudinal; D. Flor pistilada fecundada, note o pedicelo alongando-se e lestaminódio; E.
Estaminódío; F. Flor pistilada da qual foram removidas 2 sépalas, expondo 1 pétala e o disco na base
do ovário; G, H. Sépalas; I-M. Pétalas; N. Fruto; O. Detalhe da superfície do fruto; P. fruto em corte
longitudinal; D. Flor pistilada fecundada, note o pedicelo alongando-se e estaminódio; E.
M. Sperling et al. 5829- B. Lima et at. 124;F, T-V. Daly etal. I711\ N-S. Berg & Henderson 459).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 4(2), 1988.
Figura 2 - Picramnia elliptica Kuhlmann ex Pirani & Thomas: A, Ramo com infrutescència; B,
Trecho de inflorescéncia estaminada no início da antese; C, Flor estaminada 4-mera; D. A mesma
removida uma sépala e cortado um estame, note disco lobado e pistilódio; E. Pétala e estame; F, G.
Sépalas irregularmente laceradas; H, I. Estames, vistas ventral e dorsal; J. Flor pistilada fecundada;
L. A mesma em corte longitudinal; M. Flor pistilada formando fruto, note 2 estaminódios anteriferos
e indumento parcialmente decíduo; N. Fruto; O, P. Fruto, cortes longitudinal e transversal; Q.
Semente; R-U. Folíolos. ( A, N. Thomas et ai 453 7; B, E, S. Hoehne 4268-, C, D. Ducke 16806; F-I,
U. Ducke 17084: J, L, T. Pires & Black 1226: M, R. Prance e! al. 19280: 0-Q. Rodrigues &
Loureiro 9480).
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citados, com exceção de Floresta criados pelo governo Federal,
Tropical Aberta e Refúgios. Mais como o Parque Nacional de
tarde. Cabo Orange,
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI '
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CONTEÚDO
Artigos Originais
DIALISSEPALIA NO GÊNERO SANDWITHIA LANJ. (EUPHORBIACEAE) UMA
NOVIDADE BOTANICA DO ALTO RIO NEGRO E DA VENEZUELA
Ricardo de S. Secco 177-186
IPOMOEA MARABAENSIS, NOVA CONVOLVULACEAE DA SERRA DOS
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Daniel F. Austin <fi Ricardo de S. Secco 187-194
ANÁLISE ECOLÓGICA DA VEGETAÇÃO DE UMA FLORESTA PLUVIAL
TROPICAL DE TERRA FIRME. RONDONIA
Rafaei de Paiva Salomão & Pedro L. B. Lisboa 195-234
A NEW SPECIES OF THRASYA H. B. K. (GRAMINEAE) FROM BRAZIL
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