CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E TECNOLÓGICt)
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA \
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDh
NOVA SÉRIE
BELÉM — PARA — BRASIL
BOTÂNICA
N<? 47
8, MARÇO, 1975
O PÓLEN EM PLANTAS DA AMAZÔNIA
V — CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA FAMÍLIA ICACINACEAE (*)
Teresinha A. P. de Andrade (**}
Iviuseu Goeldi
Hortênsia P. Bautista (**)
Museu Goeldi
RESUMO — Morfologia polínica de dez espécies de Ica-
cinaccac dos gêneros Dcndrobangia Rusby, Discophora
Miers, Humirianthcra Huber, Mappia Jacq. e Pleurisan-
thes Baill. de ocorrência na região amazônica.
Introdução
A família Icacinaceae de distribuição pantropical, abran-
ge cerca de 400 espécies em 45 gêneros (Engler, 1964), dos
quais 7 estão representados nos herbários amazônicos.
Já tendo sido estudados os grãos de pólen dos gêneros
Emmotum Desv. e Poraqueiba Aubl. (Carvalho, 1971), reali-
za-se no presente o estudo dos gêneros Dendrobangia Rus-
by, Discophora Miers, Humirianthera Huber, Mappia Jacq e
Pleurisanthes Baill., complementando, assim, os dados polí-
nicos dos representantes desta família nos herbários da
região.
O gênero Pleurisanthes Baill. embora figurando no ma-
terial examinado por 3 espécies, .somente P. parviflora for-
neceu material para exame, sendo que P. simpliciflora e P.
artocarpi não constam neste estudo; P. simpliciflora por fal-
I ' ) — Os números I, II, III e IV desta série não foram Indicados o cor-
respondem aos números 42, 43, 44 e 46 deste Boletim.
(**) — Bolsista do CNPq.
\
BAUTISTA & ANDRADE — O PÓLEN EM PLANTAS DA AMAZÔNIA
ta de material e P. artocarpi por determinação duvidosa.
Também uma espécie de Dendrobangia — D. tenuis Ducke
— não ofereceu material para observações e medidas.
Segundo Le Cointe (1947: 270), Humirianthera duckei
Huber e H. rupestris Ducke, conhecidas por "mairá” (Óbi-
dos), “apoló” (Faro) e “mandioca-açu" (Monte Alegre —
por confusão) possuem um grande tubérculo do qual se ex-
trai amido, utilizado na alimentação. Da mesma forma, o
fruto também fornece amido, se bem que em quantidade
menor.
Métodos
O material polínico para observação e medição foi pre-
parado segundo o método padrão da acetólise (Erdtman,
1969) e montado em gelatina-glicerinada em lâminas micros-
cópicas, lutadas com esmalte incolor. Os dados foram to-
mados com microscópio Olympus FH e as microfotografias
em microscópio NU2 Zeiss JENA com aumento de 504 X, re-
veladas em várias ampliações.
As medidas foram efetuadas no menor espaço de tem-
po possível, após a confecção das lâminas, procurando-se,
desta forma, neutralizar os efeitos do intumescimento pro-
gressivo dos grãos de pólen acetolisados, fenômeno já fri-
sado (Erdtman & Praglowski, 1959).
Para cada espécie foram medidos o eixo polar, o diâme-
tro equatorial, o comprimento dos colpi e a espessura da
exina em 20 grãos, tomados aleatoriamente. Para o eixo
polar e o diâmetro equatorial calculou-se a média aritmé-
tica (X, Y), o desvio padrão (S x , S y ), o erro padrão da mé-
dia (S x . Sy ), o coeficiente de variação (CV%) e o interva-
lo de confiança da média ao nível dos 95%. Os resultados
desse tratamento estatístico podem ser observados na ta-
bela I.
Aplicou-se o teste “t” de significância para o eixo po-
lar e o diâmetro equatorial.
— 2 —
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI; BOTANICA, 47
Material e distribuição geográfica
Material florífero de exsicatas existentes nos herbários
do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG), do Instituto Na-
cional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Instituto de
Pesquisa Agropecuária do Norte (IAN), conforme especifi-
cação a seguir :
Dendrobangia boliviana Rusby — Pará, Belém, Água
Preta. Leg.: A. Ducke s/n (MG 15534), 26-XI-1 914.
Dendrobangia multinervia Ducke, typus — Amazonas,
Esperança, rio Javary, igarapé Jurará. Leg.: A. Ducke
1084 (IAN), 10-X-1942.
Discophora brasil iensis Mart. — Amazonas, São Pau-
lo de Olivença. Leg.: A. Ducke 569 (MG), 3-VI-1940.
Discophora froesii Pires, typus — Amazonas, rio Ne-
gro, Taraquá. Leg.: J. M. Pires et alii 148 (IAN) , 28-11-1959.
Discophora guianensis Miers — Pará, Belém, IPEAN.
Leg.: J. M. Pires et N. T. Silva 10834 (IAN), 4-IX-1967.
Humirianthera ampla (Miers) Baehni — Pará, Belém,
IPEAN. Leg.: J. M. Pires 3295 (IAN), 10-VI-1951.
1 Humirianthera rupestris Ducke — Amazonas, Manaus,
Estrada do Aleixo. Leg.: A. Ducke 1992 (MG), 1 7-IX-1 946 .
Mappia cordata (Vell.) Engl. — Pará, Belém, rio Gua-
má. Leg.: A. Ducke 1240 (MG), 4-VI-1943.
Mappia nitida (Miers) Engl. — Maranhão, Piry-Mirim.
Leg.: A. Ducke s/n (INPA 11724), 3-X-1903.
Pleurisanthes parviflora (Ducke) Howard — Amazonas,
rio Madeira, Município de Humaitá, rio Livramento. Leg.:
B. A. Krukoffs s/n (IAN 39290), 12-X/6-XI-1934.
Resultados
Dendrobangia boliviana Rusby
Grãos 3-colporados, isopolares, zonotremes, amb sub-
triangular, goniotremes, prolato esferoidais, P/E = 1,09/x,
— 3 —
cm
BAUTISTA & ANDRADE — O PÓLEN EM PLANTAS DA AMAZÔNIA
ta de material e P. artocarpi por determinação duvidosa.
Também uma espécie de Dendrobangia — D. tenuis Ducke
— não ofereceu material para observações e medidas.
Segundo Le Cointe (1947: 270), Humirianthera duckei
Huber e H. rupestris Ducke, conhecidas por " mairá” (Óbi-
dos), “apoló” (Faro) e "mandioca-açu” (Monte Alegre —
por confusão) possuem um grande tubérculo do qual se ex-
trai amido, utilizado na alimentação. Da mesma forma, o
fruto também fornece amido, se bem que em quantidade
menor.
Métodos
O material polínico para observação e medição foi pre-
parado segundo o método padrão da acetólise (Erdtman,
1969) e montado em gelatina-glicerinada em lâminas micros-
cópicas, lutadas com esmalte incolor. Os dados foram to-
mados com microscópio Olympus FH e as microfotografias
em microscópio NU2 Zeiss JENA com aumento de 504 X, re-
veladas em várias ampliações.
As medidas foram efetuadas no menor espaço de tem-
po possível, após a confecção das lâminas, procurando-se,
desta forma, neutralizar os efeitos do intumescimento pro-
gressivo dos grãos de pólen acetolisados, fenômeno já fri-
sado (Erdtman & Praglowski, 1959).
Para cada espécie foram medidos o eixo polar, o diâme-
tro equatorial, o comprimento dos colpi e a espessura da
exina em 20 grãos, tomados aleatoriamente. Para o eixo
polar e o diâmetro equatorial calculou-se a média aritmé-
tica (X, Y), o desvio padrão (S x , S y ), o erro padrão da mé-
dia (S x , S y ), o coeficiente de variação (CV%) e o interva-
lo de confiança da média ao nível dos 95%. Os resultados
desse tratamento estatístico podem ser observados na ta-
bela I.
Aplicou-se o teste "t" de significância para o eixo po-
lar e o diâmetro equatorial.
— 2 —
SciELO
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BAUTISTA & ANDRADE — O PÓLEN EM PLANTAS DA AMAZÔNIA
sendo o eixo polar de 24,96 /x (variando de 24,00 /x a 26,40 /x)
e o diâmetro equatorial de 22,92 /x (variando de 19,20 /x a
24,00 /x] . Colpi longos, crassimarginata, medindo cerca de
20,16 /x de comprimento (variando de 19,20/x a 21,60 /x). Ora
lalongata. Exina fina, Esp/E = 0,08 /x, medindo cerca de
1,88 /x de espessura (variando de 1,40 /x a 2,60 /x), reticulada;
sexina e nexina mais ou menos com a mesma espessura.
L.O. bom. N.P.C. = 3.4.5.
Dendrobangia multinervia Ducke
Grãos 3-colporados, isopolares, zonotremes, amb sub-
triangular, goniotremes, subprolatos, P/E = 1,15 /x, sendo o
eixo polar de 24,24 /x (variando de 21,60 /x a 26,40 /t) e o diâ-
metro equatorial de 21,00 /t (variando de 19,20 /x a 24,00 /x) .
Colpi longos, tenuimarginata, medindo cerca de 18,72 jn de
comprimento (variando de 16,80/x a 19,20/x). Ora peque-
nas, lalongata. Exina espessa, Esp/E = 0,10 /x, medindo
cerca de 2,18 /x de espessura (variando de 1,6 /x a 2,6/x), bem
reticulada; sexina e nexina de fácil distinção e mais ou me-
nos com a mesma espessura nos polos, e no equador a ne-
xina um pouco mais espessa. L.O. forte. N.P.C. = 3.4.5.
Discophora brasiliensis Martius
Grãos 3-4-porados, isopolares, zonotremes, amb varian-
do entre subtriangular, subcircular e subquadrangular, gonio-
tremes nos grãos de amb subtriangular e subquadrangular,
suboblatos, P/E = 0,87 /x, sendo o eixo polar de 17,88 /x (va-
riando de 14,40 /x a 19,20 /x) e o diâmetro equatorial de 20,40 /t
(variando de 19,20 /x a 21,60 /x). Poros circulares. Exina
fina, Esp/E = 0,08 /x, medindo cerca de 1,73 /x de espessura
(variando de 1,00 /x a 2,40 /x), levemente reticulada, sendo
nos polos mais espessa e o retículo mais acentuado; sexina
e nexina bem distintas e, mais ou menos com a mesma es-
pessura. L.O. fraco. N.P.C. = 3.4.4. ou 4.4.4.
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Material e distribuição geográfica
Material florífero de exsicatas existentes nos herbários
do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG), do Instituto Na-
cional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Instituto de
Pesquisa Agropecuária do Norte (IAN), conforme especifi-
cação a seguir :
Dendrobangia boliviana Rusby — Pará, Belém, Água
Preta. Leg.: A. Ducke s/n (MG 15534), 26-XI-1914.
Dendrobangia multinervia Ducke, typus — Amazonas,
Esperança, rio Javary, igarapé Jurará. Leg.: A. Ducke
1084 (IAN), 10-X-1942.
Discophora brasiliensis Mart. — Amazonas, São Pau-
lo de Olivença. Leg.: A. Ducke 569 (MG), 3-VI-1940.
Discophora froesii Pires, typus — Amazonas, rio Ne-
gro, Taraquá. Leg.: J. M. Pires et alii 148 (IAN) , 28-11-1959.
Discophora guianensis Miers — Pará, Belém, IPEAN.
Leg.: J. M. Pires et N. T. Silva 10834 (IAN), 4-IX-1967.
Humirianthera ampla (Miers) Baehni — Pará, Belém,
IPEAN. Leg.: J. M. Pires 3295 (IAN), 10-VI-1951 .
Humirianthera rupestris Ducke — Amazonas, Manaus,
Estrada do Aleixo. Leg.: A. Ducke 1992 (MG), 1 7-IX-1 946 .
Mappia cordata (Vell.) Engl. — Pará, Belém, rio Gua-
má. Leg.: A. Ducke 1240 (MG), 4-VI-1943.
Mappia nitida (Miers) Engl. — Maranhão, Piry-Mirim.
Leg.: A. Ducke s/n (INPA 11724), 3-X-1903.
Pieurisanthes parviflora (Ducke) Howard — Amazonas,
rio Madeira, Município de Humaitá, rio Livramento. Leg.:
B. A. Krukoffs s/n (IAN 39290), 12-X/6-XI-1934.
Resultados
Dendrobangia boliviana Rusby
Grãos 3-colporados, isopolares, zonotremes, amb sub-
triangular, goniotremes, prolato esferoidais, P/E = 1,09/*,
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI; BOTÂNICA, 47
Discophora froesii Pires
Grãos 3-4-porados, isopolares, zonotremes, amb subcir-
cular, suboblatos, P/E = 0,88/*, sendo o eixo polar de 19,44 /*
(variando de 16,80/* a 21,60 /*) e o diâmetro equatorial de
22,20/* (variando de 19,20/* a 24,00/*). Poros circulares.
Exina fina, Esp/E = 0,07 /*, medindo cerca de 1,74/* de espes-
sura (variando de 1,20/* a 2,40/*), reticulada; sexina e nexi-
na de distinção obscura, sendo que a sexina parece ser um
pouco mais espessa que a nexina. L.O. fraco. N.P.C. =
3.4.4. ou 4.4.4.
Discophora guianensis Miers
Grãos 3-4-porados, isopolares, zonotremes, amb subtrian-
gular nos grãos com 3 aberturas e subcircular nos grãos com
4 aberturas, suboblatos, P/E = 0,83/*, sendo o eixo polar de
15,24/* (variando de 12,00/* a 16,80/*) e o diâmetro equato-
rial de 19,56/* (variando de 16,80/* a 21,60/*). Poros circu-
lares. Exina fina, Esp/E = 0,08/*, medindo cerca de 1,72/*
de espessura (variando de 1,00/* a 2,40/*), levemente reticu-
lada; sexina e nexina bem distintas e, mais ou menos com
a mesma espessura. L.O. fraco. N.P.C. = 3.4.4. ou 4.4.4.
Humirianthera ampla (Miers) Baehni
Mappia ampla (Miers) Engler
Humirianthera duckei Huber
Leretia ampla Miers
Grãos 3 -colporados, isopolares. zonotremes, amb triloba-
do, prolato esferoidais, P/E = 1,12/*, sendo o eixo polar de
37,68 /* (variando de 33,60 /* a 40,80 /*) e o diâmetro equato-
rial de 33,72 /* (variando de 28,80 /* a 36,00 /*) . Colpi longos,
crassimarginata, medindo cerca de 28.92/* de comprimento
(variando de 21,60/* a 33,60/*). Ora lalongata. Exina fina,
Esp/E = 0,06/*, medindo cerca de 2,06/* de espessura (va-
riando do 1,60/* a 2.60/*), reticulada, com báculas dispostas
— 5 —
BAUTISTA & ANDRADE — O PÓLEN EM PLANTAS DA AMAZÓNIA
regularmente, tenuitectata (altura do tecto inferior à altura
da bácula), sendo o retículo mais acentuado na região do
mesocólpio; sexina e nexina bem distintas, e mais ou menos
com a mesma espessura. L.O. forte. N.P.C. = 3.4.5.
Humirianthera rupestris Ducke
Grãos 3-colporados, isopolares, zonotremes. amb triloba-
do, prolato esferoidais, P/E = 1,07/x, sendo o eixo polar de
27,00 /x (variando de 24,00 /x a 28,80 /x) e o diâmetro equato-
rial de 25,30 /x (variando de 21,60 /x a 26,40 m) . Colpi lon-
gos, crassimarginata, medindo cerca de 19,56 /x de compri-
mento (variando de 16,80 /x a 21,60 /x). Ora subcirculares.
Exina fina, Esp/E = 0,08 /x, medindo cerca de 2,10 /x de es-
pessura (variando de 1,60 /x a 2,40 /x), fortemente reticulada,
tenuitectata (altura do tecto inferior à altura da bácula); se-
xina e nexina de fácil distinção e apresentando mais ou me-
nos a mesma espessura nas regiões polares, sendo na região
equatorial a nexina mais espessa. L.O. forte. N.P.C.
= 3.4.5.
Mappia cordata (Vell.) Engler
Leretia cordata Vellozo
Grãos 3-colporados, isopolares, zonotremes, amb sub-
crrcular, prolato esferoidais, P/E = 1,14 /x, sendo o eixo po-
lar de 42,48/i (variando de 40,80 /x a 45,60 /x) e o diâmetro
equatorial de 37,32 /x (variando de 33,60 /i a 40,80 /i) . Colpi
longos, crassimarginata, medindo cerca de 34,56 /x de com-
primento (variando de 31,20 /x a 38,40 /x) . Ora subcircula-
res. Exina fina, Esp/E = 0,06 /x, medindo cerca de 2,38 /x
de espessura, (variando de 1,20/x a 3,00 /x), reticulada, sen-
do a reticulação mais acentuada no mesocólpio; sexina e ne-
xina apresentando mais ou menos a mesma espessura na
região polar, sendo na região equatorial a nexina mais es-
pessa. L.O. forte. N.P.C. = 3.4.5.
— 6 —
cm
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Mappia nitida (Miers) Engler
Leretia nitida Miers
Grãos 3-colporados, isopolares, zonotremes, amb trian-
gular, goniotremes, subprolatos, P/E = 1,31 /x, sendo o eixo
polar de 45,12 /x (variando de 40,80 /x a 52,80 /x) e o diâmetro
equatorial de 34,56 /x (variando de 31,20 n a 40,80 /*) . Colpi
longos, de ápices agudos, medindo cerca de 34,56 ^ de com-
primento (variando de 31,20 /x a 43,20 /x). Ora circulares,
pequenas. Exina fina, Esp/E = 0,07 /x, medindo cerca de
2,32 ;u de espessura (variando de 2,10 /x a 2,60 /x), bem re-
ticulada; sexina e nexina distintas, sendo a sexina mais
espessa que a nexina. L.O. bom. N.P.C. =3.4.5.
Pleurisanthes parviflora (Ducke) Howard
Leretia parviflora Ducke
Grãos 3-colpados, isopolares, zonotremes, amb sub-
triangular, goniotremes, prolatos, P/E = 1,63/x, sendo o
eixo polar de 45,24 ja (variando de 38,40 n a 50,40 /x) e o
diâmetro equatorial de 27,72 /x (variando de 21,60 /x a 33,60
Colpi longos, tenuimarginata, medindo cerca de 33,24 /x de
comprimento (variando de 28,80 /x a 38,40 /x) . Exina fina,
Esp/E = 0,07 /x, medindo cerca de 1,95/x de espessura (va-
riando de 1,40 /x a 2,60 /x), reticulada; sexina mais espessa
do que a nexina. L.O. forte. N.P.C. =3.4.3.
Comentários
Os resultados da análise polínica expostos neste tra-
balho corroboram a afirmativa de Erdtman (1952: 211) de
ser a família Icacinaceae europalinar.
A acetólise revelou bons resultados para este estudo,
não se fazendo necessário diafanização.
— 7
cm
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BAUTISTA & ANDRADE — O PÓLEN EM PLANTAS DA AMAZÓNIA
No gênero Discophora as aberturas são simples (ora],
enquanto em Dendrobangia, Humirianthera e Mappia são
aberturas compostas (colpi + ora) o que evidencia um de-
senvolvimento filogenético mais aprimorado. Já no gênero
Pleurisanthes a abertura é do tipo colpi.
Quanto ao tamanho, verifica-se pela tabela I dois gru-
pos distintos. O primeiro formado por Discophora e Den-
drobangia apresentando grãos menores, e o segundo por
Mappia e Pleurisanthes apresentando grãos maiores, haven-
do entre eles uma faixa de transição representada por Hu-
mirianthera, sendo Discophora guianensis a espécie que pos-
sui grãos menores e Pleurisanthes parviflora a que possui
grãos maiores.
Pela relação entre o eixo polar e o diâmetro equatorial
(P/E), tem-se que a forma dos grãos de Dendrobangia boli-
Pleurisanthes parviflora (Ducke) Howard
Mappia nitida ( Miers) Engler H
Mappia cordata ( Vell. ) Engler m L a
Humirianthera ampla (Miers) Baehni
Humirianthera rupestris Ducke
Dendrobangia boliviana Rusby
Dendrobangia multinervia Ducke
Discophora froesii Pires
^ Discophora brasiliensis Martius
_ Discophora guianensis Miers
eixo polar
IO
15
30
35 ;
-10
55p
Gráfico 1 — Diagrama comparativo para o eixo polar de grãos de pólen
de dez espécies de Icacinaceae. A linha horizontal representa a faixa
do variação do tamanho dos grãos do pólen; o retângulo preto indica o
intervalo de confiança a 95%; a linha vertical representa a média
aritmética.
— 8 —
cm
SciELO
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI; BOTÂNICA, 47
viana, Humirianthera ampla, H . rupestris e Mappia cordata
é prolato esferoidal; Dendrobangia multinervia e Mappia
nitida com grãos do tipo subprolatos; as espécies do gêne-
ro Discophora mostram grãos suboblatos e em Pleurisanthes
parviflora o grão apresentou-se do tipo prolato
Para todas as espécies a exina apresentou-se reticula-
da, sendo para Humirianthera rupestris fortemente reticula-
da, para Dendrobangia multinervia e Mappia nitida bem re-
ticulada, para Dendrobangia boliviana, Discophora froesii,
Humirianthera ampla e Mappia cordata reticulada e para
Discophora brasiliensis e D. guianensis levemente reti-
culada.
A aplicação do teste “t" de significância, para o eixo
polar e diâmetro equatorial, revelou que no grau de liberda-
de 19 e na probabilidade de 1%, todas as variáveis estão
Mappia -cordata (Vell.) Engler
Moppia nitida (Miers) Engler
Humirianthera ampla ( Miers) Baehni —
Pleurisanthes parviflora
( Ducke) Howard
— "K Humirianthera rupestris Ducke
Dendrobangia boliviana Rusby
, Dendrobangia multinervia Ducke
Discophora froesii Pires
Discophora brasiliensis Martius
1^ Discophora guianensis Miers
diâmetro equatorial
10
20
25
30
35
40
45
50
55p
Gráfico 2 — Diagrama comparativo para o diâmetro equatorial, em vista
equatorial, de grãos de pólen de dez espécies de Icacinaceae. A linha
horizontal representa a faixa de variação do tamanho dos grãos de pólen;
o retângulo preto indica o intervalo de confiança a 95%; a linha vertical
representa o média aritmética.
— 9 —
cm
SciELO
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BAUTISTA & ANDRADE — O POLEN EM PLANTAS DA AMAZÔNIA
dentro do valor 2,86, o que demonstra que os dados se en-
quadram perfeitamente nas suas respectivas populações.
Aplicando-se o mesmo teste, para os mesmos caracteres, na
probabilidade de 5%, notou-se que algumas variáveis não
estão enquadradas no valor 2,09, possivelmente por fatores
estranhos ao acaso, como sejam, deformações na preparação
e montagem dos grãos de pólen, ou, erros visuais.
Humirianthera ampla, Mappia nitida e Pleurisanthes par-
viflora, comparadas com as demais espécies, apresentaram
maior discrepância quanto às dimensões dos grãos, como se
pode observar pelo desvio padrão.
Segundo Sá (1960: 90), o coeficiente de variação de
séries que apresentam média muito pequena, podem dar
uma idéia errônea do índice de dispersão, como é o caso de
Discophora guianensis quanto ao seu diâmetro polar e
Pleurisanthes parviflora quanto ao seu diâmetro equatorial.
O intervalo de confiança da média ao nível de 95%, mos-
tra que o tamanho dos grãos constitui uma boa característi-
ca para a identificação das espécies. Esse fator juntamen-
te com a forma dos grãos, o tipo de abertura e a estrutura
da exina são os principais valores na separação das espécies.
Agradecimentos
À ProP Normélia C. Vasconcelos, da U.F.Pa., pela re-
visão deste trabalho e pelo empenho na confecção das mi-
crofotografias. Ao botânico, Paulo B. Cavalcante, Chefe
da Divisão de Botânica do Museu Goeldi, pelas sugestões e
colaboração no preparo dos originais.
SUMMARY
The pollen grains of 10 species of Icacinaceae — Dem
drobangia boliviana Rusby, D. multinervia Ducko, Discophora
brasiliensis Mart., D. froesii Pires, D. guianensis Miors,
Humirianthera ampla (Miers) Baehni, H. rupestris Ducke,
— 10 —
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI; BOTÂNICA, 47
Mappia cordata (Vell.) Engl., M. nitida (Miers) Engl.,
Pleurisanthes parviflora (Ducke) Howard — from the States
of Amazonas, Pará, and Maranhão were examined.
The family is eurypalynous one and the separation of
genera and species is possible through the palynological
data and represents an important factor in its taxonomy.
The kind of grain aperture, the shape and the structure
and sculpture of the exine are the main characters in this
diferentiation.
BIBLIOGRAFIA CITADA
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Entregue para publicação em 22/1/75
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em
SciELO
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Estampa 1 — 1, 2 e 3) Dendrobangia multinervia — 1 e 2) Vistas equa-
toriais, 3) Vista' polar; 4 e 5) Discophora brasiliensis, vistas equato-
rial e polar, respectivamcnle; 6 e 7) D froesii, idem; 8 e 9) D. guia-
nensis, idem.
SciELO
Estampa 2 — 1 e 2) Humirianthcra ampla, vistas equatorial e polar, res-
pectivamente; 3, 4 e 5) H. rupestris — 3) Vista equatorial, 4 e 5) Vistas
polares; 6 e 7) Mappia cordata, vistas equatorial o polar, respectiva-
mente; 8, 9 e 10) M nitida — 8) Vista equatorial, 9 e 10) Vistas pola-
res; 11 e 12) Pleurisanthes parviflora, vistas equatoriais.
cm
SciELO
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pólen em plantas da Amazônia. V — Contribuição ao es-
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RESUMO ; Morfologia pollnlca do dez espécies de Icacinaceae dos
gêneros Dendrobongia Rusby, Discophora Miers Humirianthera Hubcr,
Mappia Jacq. o Plourisanthes Baill. do ocorrência na região amazônica.
CDU 582.771.2—133.12(811) (045)
CDD 583.27
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