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ATUAL QUADRO DE PESQUISADORES DO
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIENCIAS NATURAIS
DIRETOR
Pe. Balduíno Rambo S. J.;
ENTOMOLOGIA
Ludwig Buckup — Dr. rer. nat., Bacharel-Licenciado em História Natura;
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Antônio Carlos Pradél Azevedo — Bacharel-Licenciado em História
Natural;
“Thales de Lema — Bacharel-Licenciado em História Natural;
MALACOLOGIA .
José Willibaldo Thomé — Bacharel-Licenciado em História Natural;
ORNITOLOGIA
“Eduardo Casado Marques.
Tôda correspondência referente à |
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deve ser enviada ao
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS
NATURAIS
CAIXA POSTAL N.º 1188
Pôrto Alegre — Rio Grande do Sul — Brasil
Desejamos estabelecer permuta.
We wish to establish exchange.
Wir wünschen Austausch.
Oswaldo Baucke
NOTAS ENTOMOLÓGICAS — | a Ill
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NOTAS ENTOMOLÓGICAS — La II (*)
Oswaldo Baucke (**)
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Fulgurodes sp. (Geometridae, Ennominae)
em Araucaria brasiliensis A. Rich.
No dia 15 de março de 1957 realizamos uma viagem ao município de
S. Francisco de Paula, com a finalidade do estudo e coleta de material
de um inseto-praga, ocorrendo em pinheiro bravo — Podocarpus sp. e
pinheiro industrial — Araucaria brasiliensis A. Rich.
O referido trabalho foi efetuado na localidade denominada Eletra
(ex-Salto), na propriedade do sr. Odon Cavalcanti. As indicações, en-
tretanto, sôbre a ocorrência da praga abrangem, não só S. Francisco de
Paula, mas também Canela, Gramado e Caxias do Sul, como segue, dos
dados obtidos nos arquivos do Serviço de Entomologia:
E 193/55, de 13.XI1I.55, S. Fco. de Paula: “lagartas em pinheiro”;
E 234/56, de 17.XII.56, Canela e Gramado: “crisálidas em Podo-
carpus sp.”;
E 236/56, de 17.XII.56, Caxias do Sul (4º e 7.º distritos): “crisálidas
e lagartas de Geometridae em Podocarpus sp.”;
E 17/57, de 6.11.57, S. Fco. de Paula (Eletra): “crisálidas de Geome-
tridae em Podocarpus sp.”.
Quando da mencionada viagem, tivemos oportunidade de coletar
insetos adultos, crisálidas e lagartas, estas em reduzido número, e ainda
em ccmecos de desenvolvimento. Anotamos, como plantas hospedeiras,
não somente o pinho bravo ou pinheiro bravo — Podocarpus sp. (prova-
velmente o hospedeiro selvagem) e o pinheiro industrial — Araucaria
brasiliensis A. Rich., mas também o pinheiro europeu, camboim, cipreste
. e macieira
As conclusões a que pudemos chegar, induzindo-as das observações
feitas na ocasião, são as seguintes: os insetos adultos surgem no verão,
eclodindo das crisálidas paulatinamente, atingindo o máximo para o
final do estio; a postura consequente é desuniforme, e assim o compro-
vam as lagartas encontradas, em distintos graus de desenvolvimento,
desde as recém-nascidas até as de segundo estádio. Tais lagartas, con-
cluida sua evolução, transformam-se em crisálidas, fase em que a es-
pécie, provävelmente, atravessa o inverno. A êsse respeito, estabelece-
mos uma confirmação: a 6.XII.58, ainda na mesma localidade, não
(*) “Trabalho entregue para publicação em 22 de agösto de 1959.
(**) Engenheiro Agrônomo do Serviço de Entomologia da Secretaria da Agricultura
do Rio Grande do Sul.
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6 O. Baucke — Notas Entomolögicas — I a UI
comprovamos, nem insetos adultos, nem lagartas, mas sim crisalidas
eclodidas (da geração próxima anterior de adultos) e não-eclodidas (as
quais constituiriam a geração estival próxima futura de adultos).
Os insetos adultos encontram-se pousados nas plantas mencionadas,
e são facilmente coletados; possuem um vôo irregular e relativamente
lento e, segundo observações do proprietário do local, não são atraídos
por fontes luminosas artificiais.
Apresentam coloração fundamental marron-enegrecido, mais assi-
nalada pela parte inferior das asas; pela parte superior, tanto as asas
quanto o tórax e o abdome revelam disposição variegada de branco,
em listras e desenhos irregulares que, por vêzes, dominam sôbre o co-
lorido básico, isso sempre pela parte superior das asas. A notação com-
pleta das manchas alares poderá ser apreciada, mais do que uma des-
crição, na Est. II, fig. 1-4, que reproduz um casal de Fulgurodes sp.
A referida praga, que assinalamos para a família Geometridae, foi
enviada ao Dr. A. M. da Costa Lima, a quem solicitamos a identificação
específica. O mencionado entomólogo determinou o inseto para o gê-
nero Fulgurodes Guenée, 1857 (Geometridae, sub-família Ennominase,
tribo Cingiliini). Tal gênero, consoante Costa Lima, conta com várias
espécies, não só do Brasil, mas também da Colômbia, México, Equador
e Peru. Para o Brasil, já foram identificadas e descritas 4 espécies
para o Rio de Janeiro (Nova Friburgo), uma para São Paulo e duas
para Santa Catarina (Lages), das quais Fulgurodes baldwini Schaus.
1929 situa-se como a mais próxima da relatada na presente nota.
O inseto aqui mencionado acha-se depositado nas coleções do Serviço
de Entomologia, caixa n.º 21 (Lepidoptera, Geometridae), sob o n.º de
ordem 1404.
Os insetos adultos, emergindo das crisálidas, iniciam o acasala-
mento e a postura, que é desuniforme no tempo. As lagartas atacam
as plantas que mencionamos e, para o caso relatado, de forte infestação,
aquelas são extensamente desfolhadas.
Concluindo o desenvolvimento, iniciam as formas larvais a con-
fecção do casulo, o qual é feito, unindo a lagarta fölhas e ramos, te-
cendo um casulo de coloração amarelo-sujo, e que se apresenta bas-
tante resistente, revelando típica formação rendada, conforme se pode
apreciar na Est. I, fig. 1.
Comumente, porém, a crizalidação é efetuada ao longo dos galhos
mais grossos e troncos, contando-se, não raro, várias dezenas de casulos
agrupados.
No interior dêsses casulos a lagarta atinge a fase de crisálida. Esta
é típica para a ordem Lepidoptera: é a denominada “pupa obiecta”,
onde se diferenciam claramente as antenas, olhos e tecas alares, que
são aplicados junto ao corpo. É a chamada “forma imóvel”, onde üni-
camente o abdome revela algum movimento. A coloração geral da
crisálida é amarelo-ocre, mais acentuado para os segmentos abdomi-
nais; apresenta manchas e desenhos variegados marron-claro, escure-
cidos para o abdome e enegrecidos para a cabeça e região ocipital,
conforme se pode observar na Est. I, fig. 2-3. O segmento anal é ene-
grecido, assim como o “cremaster”, que é formado de quatro pares de
an quitinosos, dos quais o da extremidade é o mais desenvolvido e
robusto.
A descrição pormenorizada das diversas formas evolutivas dêsse
geometrídeo será dada, quando da completação do estudo da biologia
e identificação específica da praga, aqui assinalada pela primeira vez
para o Rio Grande do Sul.
dec TES
Sibine barbara Dyar, 1905 (Lepidoptera, Eueleidae)
em erva-mate no Paraná
No dia 17 de setembro de 1958 recebemos uma consulta da Delegacia
Regional em Pörto Alegre, do Instituto Nacional do Mate, por inter-
médio do Eng.º Agr.º A. Paiva Netto, com referência a lagartas em erva-
mate, material coletado em 14 de agösto de 1958, na localidade de 5.
Mateus, no Paraná.
Pudemos comprovar tratar-se de uma espécie do gênero Sibine (Le-
pidoptera, Eucleidae). Para atingirmos a designação específica e es-
tudarmos a biologia da espécie, foram as lagartas mantidas em criação.
A presente nota é o resultado das observações realizadas, acrescida de
considerações gerais sôbre as espécies do gênero.
Para o Rio Grande do Sul, em acôrdo com os dados colhidos nos
arquivos do Serviço de Entomologia, e na literatura correspondente à
entomo-fauna riograndense e a nós acessível, foi assinalada a espécie
Sibine nesea (Stoll-Cramer, 1781), para as seguintes localidades, hospe-
deiros e datas:
Montenegro (Pareci Novo): 20.VII.36, M. von Parseval det.: “As la-
gartas da espécie Sibine nesea... comem as fôlhas e brotos das laran-
jeiras;... roem, também, superficialmente, os frutos”;
Novo-Hamburgo: 21.IX.38, em laranjeira (M. von Parseval det.);
Caí: 26.VII.40, em laranjeira (R. Gomes Costa det.);
Pôrto Alegre (Belém Novo): 9.VIII.46, em pereira (D. C. Redaelli
det.);
Santa Cruz do Sul: 26.1.49, em tungue (J. N. Botelho det.)
Ainda com relação a Sibine nesea (Stoll-Cramer) RONNA (4) assi-
nala as seguintes plantas hospedeiras: aroeira prêta, capororoca, laran-
jeira, madresilva, mamoneiro e sarandi; GOMES COSTA (2) menciona
laranjeira, abacateiro e pereira.
Uma outra espécie do gênero: Sibine trimacula (Sepp, 1848), é men-
cionada para o Rio Grande do Sul por MABILDE (3) sôbre “sarandy,
madresilva, capororoca, aroeira, laranjeiras e outras”.
Com referência à erva-mate temos observado regular número de ca-
sulos eclodidos de Sibine sp., aglomerados nos galhos grossos e tronco:
E 296/58, Ilópolis (Encantado): 21.XI.58;
E 211/58, Veranópolis: 28.XI.58.
Anotamos ainda forte infestação, com caráter de praga, em Ilópolis
(Encantado): 9.VI.59 (A. Paiva Netto leg.). Dezenas da casulos agru-
pados, a maioria eclodidos, e muitos revelando ação parasitária. Os
casulos estão de tal forma ligados entre si que, tentando-se retirar um,
o mesmo desloca regular número de outros, destacando-se todos do galho
ou tronco, presos a um segmento de casca da árvore. As lagartas, em
grande número, em distintos graus de desenvolvimento, desde as de 1.º
e 2.º estádio (muitas formando colônias, agrupadas para a mudança de
3 O. Baucke — Notas Entomolögicas — I a IIi
pele) até as de quase completa evolução. Quando da completação do
estudo da biologia desta espécie de Sibine, e a sua notação sistemática,
publicaremos nota complementar a respeito.
Para a erva-mate, como o dissemos ao início, possuimos uma terceira
espécie de Sibine, cujas lagartas criamos em laboratório, anotadas para
o Paraná. E ” 2
— "Trata-se da espécie Sibine barbara Dyar, 1905. A determinação foi
levada a têrmo pelo Dr. A. M. da Costa Lima, a quem havíamos solicitado
identificar o inseto. Os pontos da biologia dessa espécie em muito se
assemelham aos das duas outras citadas: a respeito daquelas, uma boa
descrição da biologia de Sibine trimacula (Sepp) pode ser apreciada em
BOURQUIN (1).
As lagartas de Sibine barbara Dyar, à semelhança das que perten-
cem às demais espécies do gênero, são limaciformes, isto é, de corpo
achatado ventralmente e abaulado na face dorsal. Daí o nome
Limacodidae (limax — lesma) com o qual foi a princípio designada a
família. Possuem patas toráxicas muito reduzidas, providas de gancho
agudo e recurvo, e são destituidas de patas abdominais, as quais são
substituidas por pares de discos ou ventosas, localizados nos sete primei-
ros segmentos do abdome. Por essa razão deslocam-se como lesmas, por
contrações e distensões da face ventral abdominal, prendendo-se forte-
mente às fôlhas de que se alimentam.
Coloração geral esverdeado pela parte superior e amarelado pela
inferior; dorso glabro, com pares de processos carnosos toráxicos alaran-
jados, os quais se repetem para os dois últimos segmentos do abdome e,
lateralmente, menos conspicuos e amarelados, em tôda a região abdo-
minal e anal. Tais processos são orlados de formações espinhosas,
curtas, agudas e escurecidas, bem visíveis para os processos dorsais, as
quais são urticantes. Uma fina linha escurecida, situada logo acima da
linha lateral de protuberâncias, separa-as da região dorsal. A cabeca
esconde-se sob o primeiro segmento toráxico, e o aspecto geral da la-
garta lembra o de um tanque: Est. III, fig. 1.
Não possuimos dados a respeito da duração da fase larval devido a
«que, em nossa criação, partimos de lagartas já em adiantado desenvol-
vimento. Para o final do mês de setembro e primeira quinzena de
outubro completaram as lagartas sua evolução, iniciando a confecção
do casulo. As lagartas atingem, no máximo desenvolvimento, 26-21 mm
de comprimento, por 8-9 mm de largura e 6-7 mm de altura.
O casulo é quase esférico, semelhando um Övo de pássaro; a prin-
cípio é pcuco consistente à pressão, e apresenta coloração esverdeada.
Em 24 horas, mais ou menos, torna-se marron-escuro e adquire maior
consistência, endurecendo bastante nos dias subsequentes. Fios cas-
tanho-escuro ligam o casulo a qualquer superfície: madeira, vidro, etc.
Rompendo-se o casulo, é o mesmo restaurado pela lagarta, e isso por
mais de uma vez. A capacidade de restauração do orifício praticado
no casulo decresce com o tempo de permanência da lagarta no interior
do mesmo.
Os casulos são fortemente fixados pela lagarta à superfície em que
é confeccionado. Em a natureza, como o dissemos, os casulos de Sibine
formam aglomerações nos galhos e troncos.
No interior do casulo a lagarta cumpre uma fase de imobilidade:
“prae-pupa”, a qual é bastante variável. Nesse estado a lagarta con-
serva seu aspecto primitivo, mas sem se alimentar, e revelando fracos
movimentos quando molestada. Ésses movimentos são tanto menos
evidenciados quanto mais se aproxima a ocasião da transformação em
crisálida. Em nossas observações anotamos a formação das crisálidas a
IHERINGIA — Zoologia n.º 12 — janeiro de 1960 9
partir de meados de novembro. As crisálidas, uma vez formadas, per-
_ manecem algum tempo no interior do casulo, antes do surgimento do
inseto adulto; muito embora observações reduzidas em número não
permitam induzir os pontos da biologia de uma espécie, transcrevemos,
para orientação, os seguintes dados:
formação do casulo: 16 de outubro.
início do casulo: 14 de outubro de 1958.
crisálida: 19 de novembro.
adulto ou imago: 30 de janeiro de 1959.
Obtivemos insetos adultos até a primeira quinzena do mês de fe-
vereiro. A julgar pelos dados de coleta obtidos em outras ocasiões,
o surgimento do inseto adulto deve prolongar-se para além do mês
de fevereiro.
O imago, para sair do casulo, pratica um orifício circular, fazendo
saltar o opérculo, situado na parte inferior do casulo. O tempo ano-
tado para a distensão alar é de 5-7 minutos, com as asas dispostas ver-
ticalmente. Em 15-20 minutos as asas dispõem-se horizontalmente.
O inseto adulto mede 30-45 mm de envergadura; corpo robusto e
peludo. Coloração geral castanho-escuro, mais evidenciado para as
asas anteriores, pela face superior. Antenas e patas castanho-claro,
essas densamente cobertas de pêlos. Asas anteriores, vistas superior-
mente, com duas manchas irregulares amareladas sub-apicais (as quais
coalescem em alguns exemplares) e mancha irregular amarelada pró-
ximo à base: Est. III, fig. 3.
A mencionada espécie acha-se depositada nas coleções do Serviço
de Entomologia, caixa n.º 14, sob o n.º de ordem 1403. O material em
apr&co consta de quatro insetos adultos, seis lagartas, quatro exúvias
larvais, cinco casulos abertos, uma crisálida não eclodida e quatro
crisálidas eclodidas.
LITERATURA CITADA
1. BOURQUIN, F. — Mariposas argentinas. Bs. Aires, “El Ateneo”,
1944, ed. do Autor. p. 57-58, fig. 1-7.
2. COSTA, R. GOMES DA. — Alguns insetos e outros pequenos animais
que danificam plantas cultivadas no Rio Grande do Sul. Sec. Agric.
Ind. Com., Secção Inf. e Prop. Agricola, Serie A, bol. 172: 133-134,
fig. 96-97. 1958.
3. MABILDE, ADOLFO P. — Borboletas do Rio Grande do Sul. Pörto
Alegre, Gundlach & Schuldt, 1896. p. 174.
4. RONNA, A. — Catálogo dos insetos até hoje encontrados nas plantas
do Rio Grande do Sul. Egatéa 18 (1-2): 52; (4): 197; (6): 334. 1933.
ibid. 19 (1-2): 16-17; (5): 278. 1934.
— HI —
O gênero Automeris Hübner, 1819 (Lepidoptera, Hemileueidae)
no Rio Grande do Sul
Relatamos nessa nota as espécies de Automeris Hübner, 1819 (Lepi-
doptera, Hemileucidae). até a presente data citadas para o Rio Grande
do Sul, tanto quanto nos permitiu concluir, não só o estudo do ma-
terial depositado nas coleções do Serviço de Entomologia da Secretari:
da Agricultura e na Secção de Entomologia do Instituto Agronômico do
Sul, mas também a consulta da literatura correspondente e a nós aces-
sivel.
Considerações gerais em törno ao gênero: variabilidade dos indivi-
duos, principalmente nc que concerne à disposição das linhas e apre-
sentação de cöres nos insetos adultos, podem ser apreciadas em KOHLER
(12), cujo trabalho traz indicações várias e úteis sôbre algumas das es-
pécies aqui relacionadas.
A característica maior para o gênero é o apresentarem os insetos
adultos, no meio das asas posteriores, uma grande mácula ocelada,
razão pela qual, entre nós, os nomes populares conferidos às mariposas
de Automeris Hübn. referirem-se, via de regra, àquela particular apre-
sentação alar, como segue (3):
“ôlho de pavão alaranjado”: A. illustris (Walk.)
“ôlho de pavão ruivo”: A. incarnata Walk.
“ôlho de pavão cinzento”: A. viridescens (Walk.)
Na Argentina, a citada mancha é denominada “ojo de pavo” ou
“pavo real”. Importa notar que não só as dimensões e colorido do
“ôlho de pavão” variam grandemente, como também não é fácil com-
provar, de imediato, e reconhecer pelas descrições, a correta posição
relativa do mesmo; a êsse respeito, ainda KOHLER (12) fornece, na
lâmina VIII, excelentes desenhos ilustrativos, afirmando, para a es-
trutura e coloração do ocelo: “todos estos componentes varian” Tal
variação repousa ainda no estado de conservação dos exemplares sendo,
evidentemente, mais constante a coloração em espécimes novos, obtidos
de uma única postura, os quais constituem, quando se dispõe de um
grupo, o melhor material para uma tentativa de identificação espe-
cífica.
A maioria das espécies aqui relatadas não possue expressão eco-
nômica; muitas atacam plantas ornamentais e florestais e algumas
constituem-se, por vêzes, em verdadeiras pragas, como ocorre com Auto-
meris incarnata Walk. em Eucalyptus e A. viridescens (Walk.) em
Solanum variabile e S. tuberosum Linn.
Os insetos adultos, mormente os machos, são atraídos por fontes
luminosas artificiais. A evolução das diferentes espécies é, em geral,
muito lenta, com um tempo de permanência da crisálida no casulo de
vários meses, até mesmo de mais de meio ano, conforme tivemos opor-
tunidade de verificar.
12 O. Baucke — Notas Entomológicas — I a MI
As lagartas dos hemileucídeos enumerados a seguir, assim como as
pertencentes a gêneros próximos, como Hylesia Hübner, 1820, caracte-
rizam-se por possuirem pêlos urticantes, ao contato dos quais, não raro,
registram-se casos de dermatite pruriginosa, que se verificam também
com o simples manuseio dos casulos e exúvias larvais.
elataremos as espécies de Automeris Hübn. com a procedência e
plantas hospedeiras para o Estado, assim como forneceremos indicações
sôbre sua distribuição geográfica, mencionando a literatura correspon-
dente. Não sendo, evidentemente, essa relação completa, faremos seguir
outras à mesma, à medida que identificarmos as demais espécies que
possuimos, e as que coletarmos para o futuro.
Espécies de Autemeris Hübn. para o Rio Grande do Sul:
1. AUTOMERIS BECKERI (Herr. — Schäff., 1856)
Para o Rio Grande do Sul
Pelotas, em cincho: Sorocea ilicifolia Miqg., Urticaceae (18: 199),
Para a America do Sul
Argentina (13).
2. AUTOMERIS ILLUSTRIES (Walk., 1855)
Hyperchiria illustris Walk., 1855
Nas celeções do Serviço de Entomologia
caixa n.º 7, n.º de ordem 42, exemplares machos
Pelotas, 5.%.38: C. M. de Biezanko leg. et det.;
Pôrto Alegre, Ii.41: Cecy Paim Cesta leg., R. Gomes Costa det.;
Caxias do Sul, X.46 (in Ficus benjamina): F. C. Rezende leg.
caixa n.º 7, n.º de ordem 324, exemplares fêmeas
Pörto Alegre, 12.II 59: E. Corseuil leg., O. Baucke det.;
Pörto Alegre, 11.11.59: E. Corseuil leg., O. Baucke det.
envergadura alar: para os machos: 90-105 mm;
para as fêmeas: 87-107 mm.
Para o Rio Grande do Sul
lagartas sôbre ingazeiro, salseiro e madresilvas (15);
lagartas sôbre “espinilho, esponja, ingäzeiro, madresilva, man-
gueira, plátano, roseira, salseiro chorão e outros” (9);
Osório (Conceição do Arroio), X.34: “pouco comum; é atraída
pela) Nur, GE
Pelotas, XII.35, III-IV.38 (in Platanus orientalis L.): 4;
Peloias, II.47, VI.48, XII.49;
Rio Grande, XII.36, IV.38 (6).
Para o Brasil
Alagoas (“Maceió. Comum”: 8);
Ceará, em Inga sp. (F. Dias da Rocha, in Costa Lima: 14, p. 238,
o jo
>)
IHERINGIA — Zoologia n.º 12 — janeiro de 1960 13
Rio de Janeiro, em Candiuba (L. Travassos, in Costa Lima: 14,
p. 238, n.º 853);
Rio de Janeiro, em mirindiba (Aristóteles Silva, in Costa Lima: 14,
p. 238, nº 853);
Minas Gerais, em Citrus spp. (11);
Santa Catarina (Itaiópolis, XII.37; Alto Paraguassú, XII.38): 5;
Santa Catarina (Pörto União-União da Vitória, X-XI.32):2.
Para as Américas
México, Bolívia, Honduras (12);
Argentina (Missões): 12;
“vive en muchos árboles; según Blanchard y Ogloblin em Yerba
Mate (Ilex paraguayensis): 12.
AUTOMERIS MELANOPS (Walk., 1865)
Para 9 Rio Grande do Sul
“a lagarta acha-se na aroeira e grão de uva, de outubro a ja-
nero (15).
pa ra o Brasil
Rio de Janeiro e Espírito Santo: em Rosa sp., amendoeira ou
chapéu de sol (Terminalia cataipa Linn.), algodoeiro bravo ou
da praia (Hibiseus tiliaceus Linn.), tamarindeiro (Tamarindus
indica Linn.), arceira vermelha (Sehinus therekenthifolius
Raddi): 16;
São Paulo, em Plantanus orientalis Linn. (Azevedo Marques, in
Costa Lima: 14, p. 238, nº 855;
Ceará, em amendoeira e tamarindeiro (F. Dias da Rocha, in Costa
Rimas dp 228º measenH:
Distrito Federal, em cedrinho, oiti, pequiá marfim e Tipuana
speciosa (Aristóteles Silva, in Costa Lima: 14, p. 238, n.º 855)
Para a América do Sul
“|. desde Colombia y Ecuador hasta Tucumán y Misiones” (12)
AUTOMERIS INCARNATA Walk.
Para o Rio Grande do Sul
Encantado, em Eucalyptus e Citrus sp.; lagartas em 3-8.X1.54;
um adulto-fêmea em 5.VI.55;
Pelotas, 111.34; Pelotas (Morro Redondo), III.32 (4).
AUTOMERIS COMPLICATA (Walk., 1855)
Hyperchiria complicata Walk., 1855
14 O. Baucke — Notas Entomolögicas — I a llE
Para o Rio Grande do Sul
a lagarta... “Acha-se em marco e abril, depois em setembro e
outubro na unha ou pata de vaca (angélicas) e acácia mimoza”
15):
Pelotas, IX«X.37; I-II.38, lagartas em pereira (Pyrus communis
Linn.), pata de vaca (Bauhinia forficata Link.), tipa (Tipuana speciosa
Benth.), glicinia (Wistaria sinensis D. C.) e ameixeira (Prunus triflora
Roxb.): 4;
“Pelotas e em todo o Estado. Encontra-se... especialmente nos pri-
meiros mezes do anno, em plantas silvestres de tôda espécie, em mimosa-
ceas, árvores fructiferas, pata de vaca (Bauhinia spp) etc. Criamos nu-
merosas lagartas em mamoeiro árboreo cultivado, e em cafeeiro no nosso
quinta!” (17); em plátano: “dois mezes foram sufficientes para o estado
metamorphico da chrysallida” (17);
além das plantas acima enumeradas RONNA (18) menciona as se-
guintes: estremosa: Lagerstroemia indica Linn. (“em dezembro de 1932
esta lagarta apareceu como verdadeira praga nos viveiros de Estremosa
io Horto Municipal — Pelotas” — Ronna, op. cit. 18 (5): 276); giesta:
Spartium junceum Linn.; goiabeira: Psidium guajava Raddi (“Pelotas —
apareceu como praga em 1932-33” — Ronna, op. cit. 18 (6): 329); jasmi-
neiro: Jasminum sp.; laranjeira: Citrus aurantium Linn.; maracujá:
Passiflora sp.
Para a América do Sul
“Venezuela bis Brazilien” (Draudt in Seitz, op. cit. no final)
6. AUTOMERIS AURANTIACA Weymer, 1907
Nas coleções do Serviço de Entomologia
caixa n.º 8 n.º de ordem 41, exemplares machos
Pelotas, 28.X.38: C. M. de Biezanko leg. et det.;
Pörto Alegre, II.54 (in Pyrus communis Linn.): E. Corseuil leg.,
E. Vargas det.;
Pôrto Alegre, s/data (in Psidium guajava Raddi): A. Tocchetto
leg.; D. C. Redaelli det.;
Pôrto Alegre, 4.11.55: E. Corseuil leg., E. Vargas det.;
Pörto Alegre, 14.11.45: D. C. Redaelli leg. et det.;
Pôrto Alegre, 5.XII.52 (crisálida em amoreira): M. N. Machadg
leg. O. Baucke det.
caixa n.º 8, n.º de ordem 981, exemplares fêmeas
Pôrto Alegre, 10.XII.53: E. Corseuil leg., E. Vargas det.;
Pôrto Alegre, 27.X1.54: E. Corseuil leg., E. Vargas det.;
Pörto Alegre, 22 .1I1.58: D. C. Redaelli leg. O. Baucke det.;
Pörto Alegre, 12.1.55: E. Kober leg., E. Vargas det.;
Pörto Alegre, 27.IX.54: E. Corseuil leg., O. Baucke det.;
Pörto Alegre, 25.IX.48: R. Gomes Costa leg. et det.;
Pôrto Alegre, 12.1.55 (in Pyrus communis Linn.): E. Corseuil le
E. Vargas det.;
o
ted
IHERINGIA — Zoologia n.º 12 — janeiro de 1960 15
Pôrto Alegre, II. 54 (in Pyrus communis Linn.): E. Corseuil leg. ei
det.
Pôrto Alegre, 9.1II.45 (in Bignoniaceae): C. Nogucira e Oliveira
leg. O. Baucke det.;
Pôrto Alegre, 5.XII.52 (crisálidas em amoreira, dois exemplares):
M. N. Machado leg., O. Baucke det.;
Pörto Alegre, 17.VII.54 (lagarta em Ligustrum sp., coletada em
29.111.54): E. J. Garbim leg., O. Baucke det.
envergadura alar: para os machos: 60-65 mm;
para as fêmeas: 70-85 mm.
Para o Rio Grande do Sul
Rio Grande (Ilha dos Marinheiros): X.35; I-IIII, X.36; I-iI,
X.37. Lagartas em janeiro, abril e maio, em Bauhinia forficata
Link, Mimosa sepiaria Benth., Acacia longifclia Willd. e Pyrus
communis Linn. (6).
Para o Brasil
Sao Paulo. “Muito frequente. Lagartas polífagas” (10);
“Brasil austral” (12).
Para a América do Sul
Argentina: “la oruga de este lepidóptero de las regiones sub-
tropicales causó danos de importancia... en las plantaciones
de yerba mate, Flex paraguariensis... en Misiones, Alto Paraná”
“.. como planta alimenticia la madreselva, Lonicera, el
guayabo, Feijoa Sellowiana Berg, y la yerba mate...” (7).
7. AUTOMERIS VIRIDESCENS (Walk., 1855)
Hyperchiria viridescens Walk., 1855
Io viridescens Burmeister, 1878
Hyperchiria memusae Wardle, 1887 nec Walker, 1855
Automeris memusae f. viridescens Schüssler, 1934
do “índice sinonímico” de Ricardo N. Orfila (in Bourquin: 7,
p. 197)
Nas coleções do Serviço de Entomologia
caixa n.º 7, n.º de ordem 982, exemplares machos
Pôrio Alegre, 15.XII.53: M. N. Machado leg., E. Vargas det.;
Pôrto Alegre, 27.III.46 (in Lonicera sp.): D. C. Redaelli leg., O.
Baucke det.;
Pörto Alegre, 21.IX.54: E. Kober leg., O. Baucke det.;
Cangussu, II.56 (lagartas em grande quantidade sôbre Solanum
variabile): A. Bertels leg. et det.
caixa n.º 7, n.º de ordem 796, exemplares fêmeas
Pôrto Alegre, 12.III.54 (em jacarandá: E 52/54): J. Barros de
Souza leg. E. Vargas det.;
8.
O. Baucke — Notas Entomológicas — I a III
Pörto Alegre, 27.II1.46 (in Lonicera sp.): D. C. Redaelli leg., O.
Baucke det.;
Pörto Alegre, 5.1.48 (em jacarandá, adultos a 4.11.48): P. T.
Daunis leg., O. Baucke det.;
Pôrto Alegre, 16.X.54: O. Baucke det.;
Pörto Alegre, 30.XII.54: E. Vargas leg. et det.;
Pörto Alegre, 31.1.44: J. P. da Costa Neto leg., R. Gomes Costa
det.;
Cangussu: 11.56 (lagartas em grande quantidade sôbre Solanum
variabile): A. Bertels leg. et det.
envergadura alar: para os machos: 60 mm;
para as fêmeas: 70-90 mm.
Para o Rio Grande do Sul
“A lagarta, com 70, é muito abundante em Fevereiro e Março,
depois em Novembro e Dezembro, em madresilvas, sarandy,
corticeiras, japecangas e muitas outras” (15);
Rio Grande (Ilha dos Marinheiros): X.28. Lagartas sôbre fôlhas
de Pyrus communis Linn. e Erythrina crista-galli Linn. (6);
Veranópolis, 14.XII.55 (lagartas em erva-mate: E 194/55): W.
Castro leg., E. Vargas det.;
Pelotas (4); Pelotas, 11.56 (lagartas em Solanum tuberesum
Linn.): A. Bertels det.
Para o Brasil
Rio de Janeiro, em fôlhas de jurubeba (Azevedo Marques, in
Costa Lima: 14, p. 239, n.º 856);
Rio de Janeiro, em Sponia micrantha (F. d'Almeida, in Costa
Lima: 14, p. 239, n.º 856);
Rio de Janeiro, em Acacia e Erythrina (14);
Minas Gerais: “num único pé de oliveira... uma dúzia de lagar-
tas QUI)
São Paulo: “Comum. Lagartas polifagas” (10);
Alagoas (“Maceió. Não é rara”): 8.
Para a América do Sul
Argentina: “la planta alimenticia... es Erythrina crista-galli
(ceibo) y además se alimenta en segundo lugar de várias sola-
náceas” (12); “...desde el sur de Buenos Aires a través del
Uruguay, Entre Ríos y Corrientes hasta mucho más al norte
de Río de Janeiro” (12); “...desde el sur de la provincia de
Buenos Aires hasta el norte del Brasil” (12);
Argentina: “en las hojas de ceibo o en varias Selanäceas...” (7).
AUTOMERIS DIOXIPPUS (Boisd., 1875)
Nas coleções do Servico de Entomologia
caixa n.º 9, n.º de ordem 1401, exemplar macho
Ses 11.X.58, à luz: O. Baucke leg., A. M. da Costa Lima
det.
envergadura do espécime: 88 mm.
IHERINGIA — Zoologia n.º 12 — janeiro de 1960 17
9. AUTOMERIS GRAMMIVORA Jones, 1908
Nas coleções do Serviço de Entomelogia
caixa n.º 9, n.º de ordem 1405, exemplar macho
Pelotas, 16.X.52: A. Bertels leg. et det.
envergadura do espécime: 70 mm.
Para o Rio Grande do Sul
Pelotas, 10.VII. 51: A. Bertels det,
Para a América do Sul
Argentina: lagartas sôbre Rottboellia compressa L. f. var. fasci-
culata (Lam.) Hackel (7);
“Patria: Rio Grande y Argentina (Draudt), Curityba (Hill Mus.),
Tigre-Buenos Aires (Bourquin y Breyer leg.)”: 12;
“Brasilien (Castro, Paraná; Rio Grande do Sul)”: Draudt in
Seitz, op. cit. no final.
10. AUTOMERIS CONVERGENS (Walk., 1855)
Nas coleções do Serviço de Entomologia
caixa n.º 9, n.º de ordem 1402, exemplares machos
Pörto Alegre, 30.IV.56 (à luz): A. De Gasperi leg., A.M. da Costa
Lima det.;
Pörto Alegre, 7.V.56 (a luz): A. De Gasperi leg., A. M. da Costa
Lima det.
envergadura alar: 55-59 mm.
A totalidade das espécies enumeradas estão representadas e descri-
tas na obra de Seitz:
DRAUDT, M. in Seitz, A. Die Gross-Schmetterlinge der Erde. II
Abteilung: Die Gross-Schmetterlinge des Amerikanischen Faunen-
gebietes. 6 Band: Die Amerikanischen Spinner und Schwärmer:
727-748. Ausgegeben 25.X.1929-18.XI.1929.
As representações e descrições situam-se como segue:
Automeris beckeri (H. S.): 727, texto; vol. 6, 106 a, figura (macho);
.illustris (Walk.): 729, texto; vol. 6, 107 a, figuras (macho e fêmea);
. melanops (Walk.): 734, texto; vol. 6, 109 a, figura (macho);
.incarnata Walk.: 735, texto; vol. 6, 109 c, figura (macho);
. complicata (Walk.): 736, texto; vol. 6, 109 e, figura (macho);
. aurantiaca Weymer: 736, texto; vol. 6, 109 e, figura (macho);
. viridescens (Walk.): 739, texto; vol. 6, 111 b, figura (macho);
Pprp>>»
ES
ú
08
10.
Jan:
©. Baucke — Notas Entomolögicas — I a TI
. dioxippus (Boisd): 740, texto; vol. 6, 111 Aa, figura (macho);
. grammivora Jones: 741, texto; vol. 6, 111 e, figura (macho);
. convergens (Walk.): 742, texto; vol. 6, 111 Ab, figura (macho).
PP»
LITERATURA CITADA
BIEZANKO, C. M. DE. Apontamentos lepidopterolögicos. Bol.
Biol (NS) 32122..31938
——— Dois meses de caça lepidopterolögica nos arredores
de Pôrto União e União da Vitória, em outubro e novembro de
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& BAUCKE, O. Nomes populares dos lepidópteros no
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—_ 2 & FREITAS, RAMÃO GOMES DE. Catálogo dos in-
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cículo I: Lepidópteros. Escola de Agronomia “Eliseu Maciel”,
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& PITON, Pe. JOÃO. Breves apontamentos sôbre
alguns lepidópteros encontrados nos arredores de Itaiópolis. Escola
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& SETA, FRANCISCO DANDOLO DE. Catálogo dos
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BOURQUIN, F. Mariposas argentinas. Bs. Aires, “El Ateneo”,
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CARDOSO, ALDO. Lepidöpteros de Alagoas. Rev. de Ent. 20:433-
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COSTA, R. GOMES DA. Alguns insetos e outros pequenos animais
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HAMBLETON, E. J. Alguns dados sôbre lepidópteros brasileiros do
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LIMA, A. DA COSTA. Terceiro catálogo dos insetos que vivem nas
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q
15.
16.
MT.
18.
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MABILDE, ADOLFO P. Borboletas do Rio Grande do Sul. Pörto
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RONNA, E. Apontamentos de Microfauna Rio-Grandense. Egatea
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—_—- (Catalogo dos insetos até hoje encontrados nas plantas
do Rio Grande do Sul. Egatea 18(1-2):47-53; (3):96-100; (4):197-
202; (5):275-278; (6):329-334. 1933.
ibid. 19(1-2):15-20; (3):115-120; (5):277-278; (6) :319-329. 1934.
SELLOWIA
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
órgão do Instituto Anchietano de Pesquisas
Diretor: Balduíno Rambo, S. J.
Trabalhos de investigação científica nas linguas ocidentais de
uso corrente na ciência
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Pórto Alegre
Caixa Postal, 358 — Rio Grande do Sul — BRASIL
PESQUISAS
Anais Botânicos do Herbário “Barbosa Rodrigues”
Fundada em 1949
Fundador e editor: P. Raulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Botânica, com artigos em português,
alemão e inglês
HERBÁRIO “BARBOSA RODRIGUES”
Itajai — Santa Catarina — BRASIL
EEE SST IT VT ET ET BEER
ESTAMPAS — I alll
Estampa I — Fulgurodes sp. (Geometridae, Ennominae)
Fig. 1 — casulo com a crisalida
Fig. 2 — crisálida: vista ventral
Fig. 3 — crisálida: vista dorsal
IHERINGIA — ZOOLOGIA N.º 12 — JANEIRO 1960 Estampa 1
mie. 3
fotos L. Buckup
Estampa II — Fulgurodes sp. (Geometridae, Ennominae)
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
+ OoOnNH
macho, vista dorsal
macho, vista ventral
fêmea, vista dorsal
fêmea, vista ventral
IHERINGIA — ZOOLOGIA N.º 12 — JANEIRO 1960 Estampa I
fotos L. Buckup
Estampa III — Sibine barbara Dyar, 1905 (Eucleidae)
Fig. 1 — lagarta, vista dorsal
Fig. 2 — crisalida eclodida
Fig. 3 — inseto adulto
IHERINGIA — ZOOLOGIA N.º 12 — JANEIRO 1960 Estampa III
Fig 3
fotos L. Buckup
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SERIES CIENTÍFICAS
USEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
acta end N.º 13 — JANEIRO DE 1960
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NOTAS SÖBRE OS REPTEIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
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NOTAS V — VIII
* Thales de Lema ;
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA | | Não
f RIA } ' á { 4 j ” E
NA Syn DIVISÃO DE CULTURA |. Re
DIRETORIA DE CIÊNCIAS | x Dan Re |
IA | sem. Z00L. | No 19 [ PAG: 1-30) EST. I-VIL | P. ALEGRE | JANEIRO— 19000
wi
PRC museu RIO: GRANDENSE DE
| EO DIRETOR Ei >
[e Pe. Balduíno Rambo S. 3: al
| ENTOMOLOGIA
| "HERPETOLOGIA Sa
| ER " Antônio Carlos Pradél Azevedo — Bacharel- Licenciado em
| Ba N NS Nature; |
| N BR ma " - 'Thales de Lema — Bacharel-Licenciado em História Natural;
| N ; 4 Cimo
| N MALACOLOGIA
q na _ ORNITOLOGIA
' Eduardo Casado Marques.
Tôda correspondência referente a
IHERI N GI E
* deve ser enviada ao
MUSEU RIO- GRANDENSE DE CIÊNCIAS —
NATURAIS
PRAÇA D. FELICIANO, 78 o
Desejamos estabelecer permuta.
We wish to establish exchange.
Wir wünschen Austausch.
Thales de Lema
NOTAS SéBRE OS RÉPTEIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
— BRASIL —
NOTAS V — VIII
1960
Oficinas Gräficas da Imprensa Oficial
PORTO ALEGRE
RN
12
por
SER. ZOOL. | N.º 13| PAG. 1-36 | EST. I-VII | P. ALEGRE | JANEIRO-1960
IHERINGIA
|
|
|
|
|
NOTAS SOBRE OS RÉPTEIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
— BRASIL —
NOTAS V — VIII (S)
Thales de Lema (SS)
Continuando a série de notas söbre os répteis do Estado do Rio
Grande do Sul, que iniciamos no ano próximo passado (vide Iheringia,
Zool. 10), apresentamos agora mais quatro observações, tôdas sôbre Ser-
pentes. Esperamos com isto, contribuir, ainda que modestamente, para O
incremento das pesquisas herpetológicas no extremo-sul do Brasil.
(S) “Trabalho entregue para publicação em 19 de janeiro de 1960.
($$) Bacharel-Licenciado em História Natural;
Assistente-Técnico do Museu Rio-grandense de Ciências Naturais.
TUTOR MAY 2 9
BE A
SÔBRE A ESPÉCIE BOTHROPS COTIARA (GOMES, 1913) E SUA
OCORRÊNCIA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. (Serpentes:
Crotalidae). (*)
(Estampas I — IV)
Bothrops cotiara GOMES foi descrita em 1913 baseada em 3 exem-
plares do Paraná (Br.) remetidos ao Instituto Butantan. Até então
esta espécie era confundida com cutras semelhantes como B. jararaca
(WIED), B. alternata DUM., BIBR. & DUM. e B. neuwiedii sspp.
(WAGLER & etc.). O Instituto Butantan recebeu grande quantidade
de exemplares desta espécie de outras procedências, mas, sua presenca
no Ric Grande do Sul é cientificamente desconhecida. A distribuição
geográfica de B. cotiara está restrita aos Estados do Sul do Brasil e aos
países platinos. AMARAL (1930-B) deu a seguinte distribuição: “do
SE. de Minas Gerais e depois do Paraná para o sul”; o mesmo A. em
1930-A, generalizou: “Brasil sul-oriental”; em 1930-C afirmou: “desde
a região da Serra do Mar no SE. de Minas Gerais e de São Paulo para
o sul, especialmente no Paraná e Santa Catarina”; por fim, em 1935,
detalhou mais: “Estados de Minas Gerais (SE.), Rio de Janeiro (SO.),
São Paulo (NE.), do Paraná para o sul”. Revendo a literatura consta-
tamos que a maioria dos AA. se limitavam a transcrever as citações
acima de AMARAL e não encontramos uma citação clara, expressa,
para o Rio Grande do Sul, apesar da última citação de AMARAL induzir
a isso. Em uma obra de divulgação de F. DA FONSECA há referência
da ocorrência desta espécie no Rio Grande do Sul, mas, não citando a
localidade nem a parte do Estado, além de ser uma obra sem pene-
tração científica. Recebemos exemplares e notícias desta serpente do
município de Erechim, Estado do Rio Grande do Sul e comparamos os
dados de três indivíduos de cada um dos Estados do extremo-sul do
Brasil. Após isso revimos a literatura sôbre a espécie e comparames
tais dados com os da literatura e, por fim como consequência, amplia-
mos a descrição original fornecendo maiores e novos detalhes.
Consignamos aqui nossos sinceros agradecimentos aces amigos e co-
legas, A. C. P. de Azevedo, Dr. O. M. Fróes, E. W. Grumann, pela coope-
ração, à E. Vianna pela cessão dos exemplares do R. G. S. e ao Dr. L.
Buckup pela fotografia.
a. Material Examinado
; Métodos: O sexo do material fixado em formol foi verificado por
dissecção da cauda. As medidas foram tomadas da cabeca, do corpo e
da cauda, porque acreditamos que essas três partes do animal devem
guardar uma interrelação especiliea, apesar da maioria dos AA. não
(S) “Trabalho terminado em dezembro de 1958.
IHERINGIA — Zoologia n.º 13 — janeiro de 1960 7
levarem isso em conta. O comprimento da cabeça é contado a partir
de uma normal ao eixo horizontal do animal que encosta no ponto
mais alto da rostral e, posteriormente, até outra normal que passa no
lado externo da articulação da mandíbula com o quadrado e endopte-
rigóideo. As ventrais foram contadas a partir daquela em que predo-
mina a largura sôbre a altura, na zona gular; subcaudais contadas a
partir das que primeiro se tocam desprezando-se as anteriores incom-
pletas, que se dispõem quase em semicírculo em tôrno da abertura
cloacal. Mancha ou linha prêta sôbre as supralabiais é uma mancha
alongada para baixo que toca o bordo póstero-superior (às vêzes o in-
ferior) da 2.º (às vêzes até a 42) supralabial. As intersupraoculares
foram contadas na altura da parte posterior das supraoculares e as in-
tercantais na altura do centro das cantais. Nas infralabiais levaram-se
em consideração aquelas que tocam as mentais. Nas gulares foram
contadas as séries que atravessam entre a 1.2 ventral e o último par de
mentais. Nas manchas dorsais foram consideradas somente da pri-
meira que segue à cruz supracefálica até a que fica sôbre a zona da
cloaca.
Material: (Vide Tabela I) convenções: D — dorsais, V — ven-
trais, SC — subcaudais, SL — supralabiais, IL — infralabiais, ISO —
intersupraoculares, IC — intercantais, PréO — preoculares, PO —
postoculares, IO — infraoculares, F — fosseta, M — mentais, G —
gulares, M/N — esquerda/direita (lados), Mancha SL — mancha es-
cura sôbre as SL, EA — Escola de Agronomia e Veterinária, Pôrto Alegre
(RS), ICN — Instituto de Ciências Naturais, Pôrto Alegre (RS), MRCN
— Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, Pörto Alegre (RS),
TL — Coleção particular do Autor, Pôrto Alegre (RS).
Notas sôbre os exemplares examinados: Todos os exemplares apresen-
tam séries de escudos entre as SL. e a ocular, dispostas em 2 filas
conforme a fórmula:
1 1 1 1
+- p= 1 =p +
há | tá
poa,
IS
1 Le sii Ele,
com exceção do ex. MRCN.748, que possui 4 séries.
A 1. SL. a 42 e as demais, são alongadas e a 2% e 32 são mais
curtas.
A 22 SL. está quase sempre em contato com a frenal anterior ou,
então há uma pequena placa entre, tocando a 3.º SL.
As Postocul. seguem a normalidade, exceto no ex. EA.1252, que
possui 4/3 e o ex. ICN. Cr. 6, que possui 3/3, sendo que a 3.2 do lado
direito é bem pequena e não toca a ocular. Tais escudos mais parecem
escamas e não se arranjam sempre com regularidade.
As SL. do ex. EA. 1252 não são completas, mas completadas por
dois pequenos escudos.
As IL. que estão em contato com as mentais são, em geral, a 12 ea
2.2, mas, os exx. EA.1252, TL.838, possuem até a 3.º IL. em contato com
a 1.2 mental; as demais IL. não estão em contato com as mentais porque
|
8 THALES DE LEMA — Notas sôbre os reptis do Estado do R.'G. do Sut
uma série de escudos gulares avançam entre elas separando-as sendo,
nessa altura, tais escudos, muito pequenos.
O aspecto das cantais e internasais é marcado pelo sulco longitu-
dinal que salienta o canthus e tal sulco em alguns exx., não é muito
pronunciado.
Ex. EA.1252 apresenta as mentais ant. sulcadas anteriormente quase
as dividindo transversalmente.
Ex. ICN.Cr.6 possui a cauda mutilada.
Quanto à coloração os exemplares do R.G.S. apresentam uma to-
nalidade castanha pronunciada, enquanto os de S. Catarina e Paraná
seguem à coloração geral (= castanho-olivácea). Todos os exemplares
apresentam o substrato prêto. Desenho cruciforme supracefálico apre-
senta-se assimétrico no ex. EA.1252 (Est. III, fig 11-c), com braços in-
distintos no ex. ICN.Cr.6 e com área central escurecida no ex. TL.836.
(Est. II, fig. 5-c). Marcas dorsais: ex. TL.837 apresenta fusão com as
paraventrais e fusão pelos vértices (Est. III, fig. 10-A); o ex. TL.839
possui as marcas irregulares, alongadas e com fusões das paraventrais.
(Est. II, fig. 4A e B); o ex. MRCN.750 tem a coloração dominante
pardo-clara. As faixas negras sôbre as gulares são mais nítidas nos
exs. TL.837, ICN.Cr.6, e mais fracas nos demais, algumas até vestigiais,
tingindo levemente as primeiras e as últimas infralabiais (Est. III, fig.
10-C). Coloração ventral: ex. EA.1252 possui garganta branca e uma
série de manchas pequenas, pretas, na parte anterior e central das
ventrais e que vão se condensando e aumentando em tamanho até as
caudais (Est. III, fig. 11-D). O ex. ICN Cr. 6 apresenta a zona gular
branca e ventrais (algumas) inteiramente pretas e dispostas a espaços
regulares, dando um aspecto listrado; tal sucessão vai aumentando para
o fim do ventre terminando por enegrecê-lo completamente até as últi-
mas subcaudais
b. CONCLUSÕES
Comparando os dados registrados pelos AA. com os poucos exem-
plares examinados do Rio Grande do Sul e de outros Estados do Brasil,
conforme Tabela 2, não é possível afirmar que essa espécie esteja
subespeciada cu formando populações distintas. Os exemplares do Rio
Grande do Sul que examinamos procedem de uma zona vizinha e se-
melhante a do sul de Santa Catarina, zona essa enquadrada pela clas-
sificação do I.B.G.E. (1956) na Zona do Alto Uruguai, parte alta
sôbre o planalto, coberta de vegetação pobre. É bem provável, pois,
que as faunas dessa zona e da vizinha do Estado de Santa Catarina
sejam iguais. Como não temos notícia da ocorrência dessa espécie em
qualquer outra parte do Rio Grande do Sul e como não encontramos
exemplares da mesma nas coleções das escolas do interior visitadas por
nós, tampouco referências populares a um crotalídeo de ventre prêto
neste Estado, acreditamos que não ocorra em nenhuma outra localidade
do mesmo, mas, somente naquela do Alto Uruguai. Procuramos explicar
isso pela semelhança corológica citada antes e o fato de haver um grande
desnível de quase 450 metros do vale do rio Uruguai e que é coberto
de mata exuberante, subtropical e que serve de barreira ecológica para
a franca difusão dessa espécie no Estado do Rio Grande do Sul. Por
outro lado, parece não existir uma barreira natural suficiente para
evitar que a espécie se difunda de Santa Catarina para o Rio Grande
a Sul, na área em que foram encontrados os exemplares que motivaram
esta nota.
TABELA
1
$ E | E | | | | ee ee
Sexo Idade Medidas (mm) Relação D. V. Sc. | Comp. SL. IL. ISO. | IC. | PreO. | M G. | Mancha
(com/cau) | unha” | | | | SL. paraver
| = = | E | ] | | | tebrais
— 1 Vebrais |
TL 836 PARANÁ: Pörto União macho | adulto 35-+-6224100=757 | 1/7,57 | 29-27-23 | 163 | 47/47 | (|| 8/8 BAR et | 7 | 2/2 — esquerda sup. | 3/3 2 ausente 17/16
6.1V 1955 | | | | | | forma canthus |
ER | | | | | Ra | Bias =
TL, 837 PARANA: Pörto Uniäo | femea | sims | aa adulto 44--784-+90—=918 1/10,2 | 29-27-23 | 167 | 38/38 5 9/9 | ya dio al) 7 | 2/2 — esquerda sup. | 1/1 | 6 2-3/3 | 16/17
; 8 1V 1955 | | | | | | | forma canthus | | |
—_ | ] | | |
FA, 1252 PARANÁ: macho adulto | 3947314104= 874 1/8,4 | 28-25-21 | 1647 46/4600] Ce N ya | 8 | 2/2 — esquerda sup. 2/2 | 5 2-3/2-3 15/13
18 X 1921 | | | | | forma canthus | |
pa | | | | | | oa
TL. 838 S. CATARINA: Tangará E macho | jovem | 34+557-87=678 1/7,44 28-27-23 158 43/42 4 | 9/9 | 12/11 | 14 7 | 2/2 — esquerda sup. 1/1 5 2-3/2-3 | 14/16
b ci 18 | E; = E | | | | não forma canthus | | |
ES | | | | | 7 = J AS
TL. 839 S. CATARINA: Tangará macho | adulto | 34-1558-108= 1700 1/6,48 29-25-23-21 158 50/59 E 5 | 8/8 | 12/11 12 7 2/2 — esquerda sup. 1/1 4 3/3 15/15
6.1V. 1955 | | ; e | | forma canthus E» EA É
I0N.Cr.6 | S. CATARINA: Videira | fêmea | adulto [53/8351 (67N) —945N] — 28-27-23-21 | | | | | RS ee [1-21 7 l
24.11.1953 | 166 | 22/22 >= 8/8 | wu | 14 |8 | —/2—esg su 2
| | [ENS | | ESA ta a | = Ira
| | | 5 | | [| forma canthus a!
| | | | | | Tr
MRCN. 748 | RIO G. DO SUL: Erechim | fêmea | adulto | 37-+5904+80="07 | 1883 | 28-28-23 1680 | 42/4200 — 9/10 11/11 12 | 8 | 2/2 — esquerda sup. | 1/1 4 | 4/4 17/18
11.1956 | | | E | | | ] a] | forma canthus | | |
E | | | | | | 1] | =
MRCN.749| RIO G. DO SUL: Erechim | fêmea | adulto | 3546404 (52N) =127N | — — | 29-29-23 | 167 | 28/29 | — | 10/9 [| 12/12 14 To o esquerda sup. | 2/1 || 3/3 18/17
11.1956 | | ! | | LE SEN a | I | não forma canthus | 8
MRCN. 750 | RIO G. DO SUL. | femea | adulto | 40-+699-+75 = 814 | 1/10,85 | 29-28-23 161 | 39/39 | 5 9/10 | GA EE Da Toya = esquerda sup. 1/1 | 4 3/3 16/16
Col. antiga II | | | | | | | | | não forma canthus | |
ee a a TaRaaaacaS >
aaa
JHERINGIA = Zoologia n.º 13 -— janeiro de 18960 9
TABELA 2
Autöres | Rio Grande | Paraná-Santa
| co Sul | Catarina
|
Comprim. máx. 870 mm | 814 945-+N
Dorsais 25-29 28-29 | 28-29
Ventrais 152-168 161-168 158-163
Subcaudais 39-74 | 28-42 | 22-50
Supralab. 10-11 9-10 | 8-9
Infralab. 10-11 | OR 11-12
Intersupraoc. | 11-14 | 12-14 | 11-14
Intercantais 7-8 | 7-8 | 7-8
Sendo B. cotiara animal terrestre, a única barreira que teria de
vencer seria o rio Uruguai mas, êste, em alguns trechos, é tão pouco
profundo que uma pessoa pode passá-lo caminhando; além disso há
cheias que arrebatam troncos, galhos, etc. que são, ou levados para
diante, ou podem encalhar na mesma margem ou na oposta e, muitas
vêzes, levam animais juntos. Pode também acontecer que exemplares
sejam levados no meio de palha, madeira, fardos, etc. em veículos.
Por outro lado está provado que os centros de dispersão da espécie são
os Estados de S. Catarina e Paraná, tendo se irradiado, por um lado
pela serra do Mar, por outro para a Argentina e, para o sul por S.
Catarina.
Como consegiiência destas observações descobrimos alguns dados
que não são encontrados na literatura e, por isso, fizemos uma am-
pliacäo da descrição original que apresentamos em nota a parte.
Summary
A new record to the distribution of Crotalid Snake, Bothrops cotiara
(Gomes, 1913), it's presented, and notes on the lepidosis and coloration
formed a contribution to the knowledge of this species. The locality
is Erechim, in Rio Grande do Sul, Brasil, and the notes on the varia-
bility of the scutelation and the color-pattern, indicates which species
is very variable.
Bibliografia
AMARAL, A. do
1930-A — Estudos sôbre ophidios neotropicos — XVIII: Lista re-
missiva dos ophidios da região neotropica. — Mem. Inst.
Butantan, 4: 129-271.
1930-B — Contribuição ao conhecimento dos ophidios do Brasil.
— IV: Lista remissiva dos ophidios do Brasil. — Mem.
Inst. Butantan, 4: 69-125.
10 THALES DE LEMA — Notas sôbre os reptis do Estado do R.G. do Sul
1930-C — Campanhas anti-ofidicas. — Mem Inst. Butantan, 5: 195-
232, figg. 1-23.
FONSECA, F. O. M. da
1949 — Animsis Peeenhentos. — Instituto Butantan, S. Paulo.
GOMES, J. F.
1913 — Uma nova especie de serpente venenosa: Lachesis cetiara.
— Ann. Paulistas de Med. & Cir., 1 (3): 65, tab. 8.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA
— Divisão Regional do Rio Grande do Sul. — Bol. Biol. n.º
4: 1-10, 1 mapa. Secr. Agr. Ind. Com. R. G. S. edit.
RAMBO, S. J., Pe. B.
1956 — A Fisionemia do Rio Grande do Sul. Ensaio de mono-
grafia natural. Pörto Alegre.
BET!
AMPLIAÇÃO DA DESCRIÇÃO ORIGINAL DE BOTHROPS COTIARA
(GOMES, 1913). — SERPENTES: CROTALIDADE
A revisão da literatura que nos foi possível consultar, o exame de
alguns exemplares fixados e a observação de alguns exemplares vivos,
permitiu-nos fazer uma descrição maior, com mais detalhes do que a
descrição original do Dr. J. Florêncio GOMES (1913) e trabalhos subse-
quentes e, por acharmos útil essa nossa descrição, apresentâmo-la aqui.
embora saibamos que ainda estamos longe de conhecer completamente
esta espécie.
SINONÍMIA E BIBLIOGRAFIA
Lachesis cotiara GOMES, 1913: 65, tab. VIII; VITAL BRAZIL, 1514:
107-11, figs. 1-6,tab. col. XVIII; HOUSSAY, 1923: 9;
AMARAL, 1925: 53, tab. XII (5); GLIESCH, 1925; MA-
GALHÃES, 1925: 152, tab. II (2); AMARAL, 1926-B;
1927: 178; VELLARD, 1928: 9, 11-2, 14-9, figs. 18-21;
BARROS, 1931: quadro (fig. 2 (2)).
Bothrops cotiara AMARAL, 1930-A: 235; 1930-B: 113; 1930-C: 196, 201,
203, 215, 218-9, quadro 2(11); 1931: 7; 1932: 84, figs. 8-9;
1934: 163; 1936: 156; MACHADO, 1943: 355-6; AMARAL,
1944-B; PRADO,1944: 175-7; AMARAL, 1945: 54, 74-6,
138, fig. 38; MACHADO, 1945: 43-9, 51, 54, 56 (fig.), 62;
PRADO, 1945: 37, 96, tab. XIX; ABALOS, 1949;
FONSECA, 1949: 13-4, 18, 39, 103-4, 118, 122, 136-7, 159,
154-5.--157,- 170, 180, 205, fies. 61-2, tab. col: VE;
PEREIRA, 1949: 5; MERTENS, 1950: 127-144, 3 tabs.;
SCHOTTLER, 1951: 489; RUIZ, 1951: 111-3, fig. 13;
HOGE, 1952: 269-70; FRÓES, 1952: 99-103; MELLO-
LEITÃO, 1954: 121; SILVA, JR., 1956: 119-20, 127, 216,
238-9, 263-7, 274, figs. 90, 126-7, 128 (col.), 129, 163.
GENERALIDADES
Distribuição. — SE. de Minas Gerais para o SO. de Rio de Janeiro,
Distrito Federal (MACHADO, 1943), NE. de São Paulo e, pela Serra do
Mar, atinge o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (zona do
planalto chamada “serra”), extendendo-se para o O. catarinense até a
República Argentina (ABALOS, 1949). A concentração maior de indi-
viduos encontra-se nos Estados de Paraná e Santa Catarina e devem
ser os focos de dispersão da espécie.
Nomes populares e autóctenes. — Nomes usados no sul do Brasil
(principalmente São Paulo e Paraná), de origem tupi-guarani: “cotiara”,
“coatiara”, “quatiara”, “boicotiara”, “boicoatiara” e “boiquatiara” —
12 THALES DE LEMA — Notas söbre os reptis do Estado do R. G. do Sul
formados pelos vocábulos “CUATIA” — pintado, tatuado, “M'BOI” —
cobra e “ARA” — quantidade, logo, com o seguinte significado: “cobra
que pinta” (AMARAL, 1926-B). No entender do índio, quando esta
serpente morde a vítima (pessoa) fica manchada. Em Santa Catarina
é conhecida por “jararaca de barriga preta” e “jararaca preta”. No Rio
Grande do Sul é praticamente desconhecida, mas, na zona do planalto
costumam chamar de “cotiara” a espécie B. alternata D., B. & D. Veri-
ficamos que muitos agricultores da zona de São Francisco de Paula e
daí para o Oeste do Estado do Rio Grande do Sul distinguem uma
“jararaca preta” e, conforme a opinião de alguns que possuem folhetos
ilustrativos de serpentes venenosas, não é igual à B. jararaca nem à
B. alternata, mas, pensamos, poderá ser uma população melânica de
B. jararaca. Os exemplares que serviram de base à nota anterior,
procedentes de Erechim, vieram com o nome local de “jararaca” sômenie.
DESCRIÇÃO
Morfologia. Cabeça com focinho arredondado, canthus saliente,
sulco longitudinal mais ou menos pronunciado. Corpo relativamente
curto, grosso, com aresta dorsal pouco pronunciada. Cauda curta mais
ou menos alongada nos machos, oferecendo resistência ao encurvamento
e com urostegas divididas, não preênsil. Há um espessamento córneo:
na extremidade caudal, formado pela fusão das últimas sub e supra-
caudais, com forma cônica e levemente curva (Est. III, fig. 10-B).
Comprimento médio: 850 mm., podendo atingir 1000 mm.
Lepidose. a) Cabeça — rostral tão alta ou quase tão alta quanto
larga; nasais divididas, sem poro; internasais em contato entre si e se-
paradas por uma pequena escama, com sulco: longitudinal que acentua o
canthus rostralis; cantais sulcadas também, em continuação às inter-
nasais; supracefálicas pequenas, fortemente carenadas, achatadas, em
número de 10-14 entre as supraculares e de 7-8 entre as cantais, sendo:
maiores quanto mais próximas do focinho; supraoculares inteiras, umas
3 vêzes mais longas do que largas, levemente voltadas para fora; préo--
culares: 2, superior maior do que inferior e formando ou não, o canthus;
postoculares pequenas, carenadas, em n.º de 2-3; infraoculares separadas
das supralabiais por duas séries de placas pequenas que partem da
fosseta loreal e esta está em contato com a 2.º supralabial ou separada
da mesma por 1 ou mais placas pequenas por seu bordo ântero-inferior;
supralabiais de 8-9, baixas, sendo a 3.2 um pouco mais alta e a 22
separada ou não, da prefrenal; infralabiais: de 10-12, sendo a 12 ea 2.2
em contato com as mentais e, estas, em n.º de 1-3, pares; gulares pe-
quenas, em 2-5 séries entre as mentais e as ventrais; temporais de 2-3,
carenadas, pequenas; escamas da 1.2? série sôbre as supralabiais lisas ou
fracamente carenadas.
b) Corpo e cauda — escamas fortemente carenadas da cabeca à
cauda; dorsais em n.º de 27 séries em geral, variando de 25 a 29; carena
cchatada e alongada; ventrais de 152-168; anal inteira; escamas supra-
caudais semelhantes às do corpo, algumas fusionadas com subcaudais e
formando na extremidade, uma ponta cônica apical; subcaudais pares
de 47-52, havendo dois casos registrados de limites extremos: 39/39
ns 1932) e 35/35 (HOGE, 1952) verificados em exemplares anö-
malos.
Coloração. — a) Geral — verde-olivácea com ventre negro (alguns
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — janeiro de 1960 13
exemplares apresentam forte tom castanho no dörso) e, sôbre êsse
fundo, desenvolvem-se longitudinalmente quatro sérics de marcas com
contornos limitados por preto e áreas internas castanhas havendo zonas
mais claras entre as marcas.
b) Cabeca — parte superior como o dörso e há um desenho cruci-
forme formado pelas marcas cervicais que avançam sôbre a cabeça;
essa cruz possui dois braços (“cruz de Lorena”) e caracteriza esta espécie,
o primeiro braço, isto é, o mais baixo, é maior do que o segundo, mas,
pode variar, pois há exemplares em que os braços não são bem diferen-
ciados ou a área interna dos mesmos é escurecida. Faixa negra posto-
cular mais ou menos larga que se dirige para trás e para baixo até a
comissura bucal e acentuando, superiormente, o contôrno posterior da
cabeça; paralela a essa há outra faixa de estrutura igual a das marcas
dorsais e que finaliza na comissura bucal também. Labiais branco-
amareladas sendo as primeiras e as últimas levemente manchadas de
castanho, como também, o bordo posterior da 3.2 ou, da 22 e 3.2 juntas,
ou ainda, sômente a parte superior dessas supralabiais formando aí,
geralmente, uma mancha preta. Inferiormente a cabeça é branco-
amarelada com larga faixa preta paralela à linha da mandíbula, sôbre
as gulares e atingindo somente as primeiras e as últimas infralabiais.
c) Corpo — fundo oliváceo, pardo ou castanho, marcas dorsais
dispostas longitudinalmente em quatro séries: a serie das marcas prin-
cipais, maiores, que caracterizam a espécie e que possuem a forma de
um polígono subtriangular, com vértice truncado, semelhante às de
B. neuwiedii sspp., sendo, porém, mais curtas; essas marcas estão dis-
postas de cada lado do dôrso ora alternando-se as de um lado com as
do outro, ora se opondo; no intervalo dessas marcas principais há outra
série de marcas menores, alongadas, havendo ora uma em cada inter-
valo, ora duas (geralmente) ou mais, em cada lado; de cada lado do
paraventre corre outra série de marcas poligonais dispostas duas a duas
correspondendo cada par a uma marca principal e, como que repre-
sentam os prolongamentos das marcas dorsais principais (vide esquema
Est. I, fig. 1). A estrutura cromática de tôdas essas marcas é igual a
das cefálicas: área interna castanha, um pouco mais escura do que a
côr de fundo geral, contôrno preto e uma zona geralmente clara (às
vêzes branca) circundante, dando maior realce às marcas. Ventre:
preto uniforme sendo as ventrais alternadamente coloridas nos lados
de preto e creme; zona gular e primeiras ventrais branco-amareladas;
zonas paraventrais com uma série de manchas pretas regularmente dis-
postas de cada lado (Est. I, fig. 1-A).
à) Anomalias cromáticas. Dificilmente encontramos dois exem-
plares iguais, apesar de muitos dêles servirem de padrão de coloração
para a descrição da espécie. Há sempre variações quer na forma das
marcas, quer na coloração geral, quer na intensidade e distribuição dos
pigmentos pretos. Há, também, variações mais raras, como marcas
principais arredondadas, com ângulos aparados, reniformes, coalescidas
umas com as outras, quer pelos vértices, quer pelos lados como com as
paraventrais ficando, neste caso, semelhante às de B. alternata.
AMARAL (1932) cita um caso de coalescência das marcas princivais
com suas correspondentes inferiores paraventrais considerando-o como
uma anomalia cromática rara (Est. I, fig. 3), o que pomos em dúvida
pois, já vimos vários exemplares assim (vide Nota V dêste Boletim).
Aberrações raras: AMARAL (1932) apresentou outro caso em que houve
estriamento das marcas principais (Est. I, fig. 2). HOGE (1952) re-
gistrou um exemplar xântico cuja coloração reduziu-se ao amarelo-
dourado e as marcas de um amarelo-dourado um pouco mais escuro.
14 THALES DE LEMA — Notas sôbre os réptis do Estade do E. G. do Sul
ESPÉCIES PRÓXIMAS
Descrita por GOMES (1913) como sendo do gênero Lachesis Daudin,
1803. Estudos preliminares de AMARAL (1926-C, 1944-B), MASLIN (1942)
e RUIZ ((1950/1), filiaram-na ao gênero Bothrops Wagler, 1824, junta-
mente com as demais espécies americanas que estavam naquele gênero
(exceto L. muta (L. 1766)), conforme o ótimo histórico de AZEVEDO
(1957).
As espécies que lhe são próximas são: B. alternata D., B. & D. 1854 e
B. neuwiedii sspp. (no Estado do Rio Grande do Sul: B. neuwiedii
pubescens (Cope, 1869)).
A diferenciação destas três espécies é baseada num conjunto de
caracteres; os dados da lepidose não cooperam bastante porque os
campos de variabilidade das três espécies se superpõem conforme o se-
euinte quadro:
Desenhos supra- cruz simples ou | 3-5 marcas for-
QUADRO I
Elementos B. cotiara | B. alternata | B. neuwiedii
| sspp.
|
Faixa negra post- E + | == | +
ocular | | EA ul
| |
Supralabiais | 8-9 | 8-9 | 8-9
ea gia Aa Be
| |
Intersupraoculares | 10-14 | 10-14 | 10-14
| | en
| | |
Dorsais 25-29 | 29-35 | 21-27
; a | |
Ventrais E 152-160 | 167-131 | 163-187
| | ar
Subcaudais | 47-52 34-51 41-53
| |
|
|
cruz de Lorena
cefálicos ' (2 praços) um Y mando ou não
| uma cruz
Marcas dorsais | subtria: nzula | forma de ©, ge- | trapezcidais e
ares,
| unidas ou não | ralmente não | sempre desuni-
| às paraventrais, interrompido das das para-
| | | ventrais
|
IHERINGIA — Zoologia n.º 13 - — Janeiro de 1960 E 15
Coloração geral | oliváceo ou cas-| castanho cu | variável do par-
dorsal tanho | pardo- averme- | do-cinzento ao
lhado castanho escuro,
| | zona violäcea
| paraventral (vá-
| rias sspp.)
Coloração do ag preto ı branco-amare- | manchas peque-
lado com sé- nas irregulares
ries longitudi- | castanhas cla-
nais irregula- | ras ou escuras
res de manchas
R hi pretas |
|
Palatino 3 dentes | 2 dentes 2 dentes
| alto | alto baixo
|
VELLARD (1923) tentou a diferenciação das Bethrops do Brasil
Meridional, isto é, ocorrentes entre 20.º e 30.º de latitude, baseado em
caracteres hemipenianos. Infelizmente o hemipênis de B. alternata é
quase igual ao de B. cotiara: ambos são alongados duas vêzes mais lon-
gos do que largos no mínimo, espinhas ausentes na face ventral da
parte basal, com a seguinte pequena diferença: essa zona é lisa em
B. cotiara e finalmente granulada em B. alternata. O hemipênis de B.
neuwiedii (ssp.) é semelhante aos de B. cotiara e B. alternata mas,
muito mais curto, tão alto quanto largo, com espinhas externas muito
desenvolvidas e recurvas, pelo menos nos exemplares examinados por
aquêle A. (de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Gresso). Assim,
VELLARD coloca estas três Bothrops num grupo à parte às outras ©
caracterizado por possuirem hemipênis com separação pouco profunda
e com base inteira, pelo menos 1/3 da altura total do órgão, na face
ventral, com espinhas em pequeno número, pouco desenvolvidas, exceto
algumas longas e recurvadas situadas na parte súpero-externa.
No mesmo trabalho VELLARD citou um caso de hibridismo entre
B. cotiara x B. jararaca, apenas baseado em caracteres hemipenianos,
mas, AMARAL (1930-D) considerou dito exemplar como típico de B.
estiara.
HABITOS. OFIDISMO
Como a maioria das espécies do gênero Bothrops é terrestre, no-
turna, rodentivora, ovovivípara e, quando irritada costuma achatar-se
contra o solo, como B. alternata. Coabita as mesmas áreas geográficas
de B. aiternata e B. jararaca, conforme as listas de recebimento de ser-
pentes do Instituto Butantan de São Paulo.
Estatísticas dos Institutos Soroterátpicos de São Paulo e Rio de
Janeiro (Institutos Pinheiros, Butantan e Vital Brazil) B. cotiara está
situada entre os Crotalideos sulamericanos mais frequentes e isso está
lögicamente relacionado com o número de acidentes por ela determina-
16 THALES DE LEMA — Notas söbre os reptis do Estado do R. G. do Sul
dos. Em ordem da maior à menor fregüencia ocupa o último lugar
entre as seguintes:
I. B. jararaca (Wied),
II. B. alternata D., B. & D,,
III. B. neuwiedii sspp. (Wagler & outros),
IV. B. atrox atrox (L.),
V. B. jararacussu Lacerda e
VI. B. cotiara (Gomes).
Os mesmos boletins informativos dos Institutos citados nos infor-
mam que o veneno de B. cotiara é bastante pesado e que a espécie possui
grande capacidade glandular, conforme os seguintes dados: o volume
médio de cada exemplar é de 0,4 cc. de veneno líquido e de 0,120 mgrs de
veneno sêco em labcratörio, o que nos dá um pêso relativamente alto
(AMARAL, 1930-C; V. BRAZIL, 1914). A intensidade de ação do veneno
está, mais ou menos, dentro do alcance de neutralização dos sôros e o
envenenamento segue, em linhas gerais, ao das demais espécies do
gênero, afastando-se de sua espécie próxima B. alternata. O número
de acidentes é pequeno porque a fregiiência desta espécie é pequena.
NOTA FINAL. — Estando já completa esta nota foi publicado um
estudo de HOGE (1957/83) pelo Instituto Butantan, descrevendo uma
nova espécie de Bothrops muito afim de B. cotiara, B.fonsecai, baseado
em exemplares d eMinas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e, resumi-
camente damos aqui as diferenças entre as duas:
Elementos B. cotiara B. fonsecai
na ; dentes Se m dentes .
a en | cinzento oliváceo m | cinzento escuro quase
castanho prêto
ER = base lisa a base com espinhos nes
(face ventral)
Marcas principais suktriangulares, em forma de C
dorsais unidas às vêzes
Ventrais 152-160 165-179
—m meme em — — —_ — — =.
Subcaudais 47-52 39-56
IHERINGIA = Zoologia n.º 13 == janeiro de 1960 Pad eds)
SUMMARY
The revision of the literature, the observation of fixed and living
specimens, and the comparision between the chosen data and those
registered by AA. made possible a wider description of the species,
Bothrops cotiara (Gomes, 1913). This species occurs in the Brazilian
States, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Guanabara, São Paulo, Paraná,
Santa Catarina, and Rio Grande do Sul, and in the Republica Argentina;
popular names: “cotiara”, “jararaca-da-barriga-preta”; size: 850-1000
mm.; loreal pit in contact with the 2nd supralabial; supralabials: 8-9;
infralabials: 10-12; dorsal scales: 25-29 (27); ventrals: 152-168; anal:
1; subcaudals: 47-52; general coloration olivaceous or brown, with a
series of ovoids, paravertebral markings corresponding onte to each
other with series of polygonals dorsal and paraventral markings, sub-
triangular form, bordered of black and evidencied by clear zone; belly
entirely black. Similar species are: B. alternata Dum.. Bibr, & Dum.
1854, and B. neuwiedii sspp. (Wagler, 1824 & others). They are different
in the morphology of hemipenis, palatine, ventrals coloration and gene-
rally, in the general dorsal coloration, supracephalics drawings and
poison. It is different from the B. fonsecai HOGE 1958, recently disco-
vered by palatine, hemipenis, belly signed and number of ventrals.
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— VII —
ALBINISMO PARCIAL EM LEIMADOPHIS POECILOGYRUS
PICTOSTRIATUS AMARAL.
(Serpentes: Colubridae).
(Estampa V)
Recebemos um filhote de “cobra verde comum” (Leimadophis
poecilogyrus pictostriatus Amaral) com evidente deficiência pigmentar
e êste é o primeiro caso que nós observamos apesar de virmos colecio-
nando répteis e anfíbios do Rio Grande do Sul há quase duas dezenas
de anos. Agradecemos ao Sr. Pedro Carpeggiani pela oferta do exem-
plar, aos colegas Dr. L. Buckup pelas fotografias e A. C. P. de Azevêdo,
pela colaboração.
A literatura sôbre deficiências pigmentares em vertebrados poiqui-
lotérmicos é relativamente grande, mas, o maior número de referências
recai sôbre serpentes, talvez porque existam mais estudiosos neste
campo do que nos outros da Herpetologia. Outro fato é que o maior
número de trabalhos sôbre tais casos é de herpetologistas norteameri-
canos, isso, também, é devido ao fato de exstirem mais herpetologistas
na América do Norte do que na do Sul.
O conhecimento dos casos de aberrações cromáticas, quer por de-
ficiência, abundância ou deformação é importante porque lança luz
sôbre alguns problemas de sistemática e aumenta o conhecimento sôbre
a variabilidade das diversas formas. Há tipos cuidadosamente deposi-
tados em museus célebres que não passam de formas anômalas de outras
já conhecidas. Um exemplo, mais ou menos recente, é o seguinte:
em 1905 DITMARS descreveu Crotalus pulvis (exemplar tipo, n.º 7044
do Mus. Comp. Zool., Cambridge, U.S.A.); em 1927 AMARAL considerou-
o um albino de Cretalus t. terrificus (Laur.); em 1936 GLOYD afirmou
ser da espécie C. unicolor descrita por DE JEUDE (1877) como €. horridus
unicolor — motivo pelo qual BOULENGER (1896) colocou a subespécie
de DE JEUDE como sinönima de €. t. terrificus; em 1936 KLAUBER
revalidou €. unicolor e, mais tarde (1956) e, também, GLOYD (1940),
afirmaram a identidade de C. pulvis com C. unicolor. O engano todo
residia no fato de C. unicolor ser uma espécie de côr muito clara
sugerindo um Crotalus com deficiência pigmentar.
Quanto ao albinismo em si é um acidente devido ao aparecimento,
por mutação, de gens específicos inibidores da formação de pigmentos e
que só se declaram quando em estado de pureza, formando par alélico,
por constituir um fator recessivo, como já foi provado em aves e ma-
míferos. Em serpentes, contudo, poucas pesquisas existem; devemos a
PERKINS provar o mesmo em répteis: obteve êle uma linhagem pura
albina de Pituophis eatenifer arnectens (fide KLAUBER, 1956:199). A
literatura norteamericana cita czsos de albinismo em serpentes, croco-
dilanos (ALLEN & NEILL, 1956), tartarugas (COOPER, 1958; BURT,
IHERINGIA — Zoologia n.º ee janeiro de 1960 Ri
1944), salamandras, anuros e peixes. KLAUBER (1956) e LEVITON
(1958) justificam a raridade de serpentes albinas na natureza pela
provável inabilidade que tais mutantes têm de competirem com os
normais de sua comunidade, de serem fäcilmente vistos por seus pre-
dadores e daí poucos alcançarem o estado adulto; por outro lado outra
razão seria o baixo grau de incidência que, segundo KLAUBER (loc. cit.)
era de 0,1 a 0,01 em uma população estudada.
Segundo os registros dos diversos AA. a coloração das serpentes
albinas é geralmente branca, mas, há exemplares com tonalidades ora
amarelada, ora acinzentada, ora azulada, rosada, olivácea ou parda,
apresentando ou não, a marcação típica ou vestígios dela, em todo
caso sempre em taxa muito baixa de melanina. HOGE (1952) assinalon
transparência em dois exemplares de Crotalus durissus terrificus (Laur.),
que lhe permitiu ver a coluna vertebral e os intestinos dos dois albinos.
Apresentamos um caso de albinismo parcial em Leimadophis poeci-
logyrus pictostriatus Amaral 1944, “cobra verde comum” de Pórto Alegre
e municípios vizinhos. Tanto o presente exemplar como outros, nor-
mais, todos recém-nascidos, foram encontrados pelo mesmo doador na
mesma época e no mesmo local, isto é, dormindo sob vãos de pilhas
de tábuas em firma madeireira situada em uma rua no bairro São
João, Pôrto Alegre; o terreno apresenta-se com pouca vegetação, esta
constituída principalmente de Gramíneas, com poucos alagadiços per-
manentes, que aumentam por ocasião da época chuvosa, pouco fre-
quentado a não ser em parte pelos trabalhadores da dita firma. É
provável, pois, que todos êsses filhotes pertençam a uma só ninhada.
O exemplar ssmi-albino foi mantido vivo de 5 a 10.III.1959, em caixa
fechada, sem luz, sômente com água e foi fotografado no dia em que
morreu (conforme Est. V).
Descrição — Ex. TL. 1609, recém-nascido, macho, proc. RGS.: Póôrto
Alegre (cidade), capturado em 5.3.59, por P. Carpeggiani; V.: 145; SC.:
46, pares; D.: 19; Dent. max.: 1542; Dent. mand.: 9; Medidas: 114146,
5 /- 32,5 — 190 (mm). Coloração: A coloração dos filhotes desia sub-
espécie normalmente, conforme temos observado inúmeras vêzes e
conforme se apresentavam os filhotes capturados no mesmo local, é a
seguinte: cabeça preta com desenhos pretos, um colar preto no pescoço
e as labiais amarelo-limão intenso, uma zona clara orla a margem
posterior do anel do pescoço acentuando-o, corpo com marcas pretas
dispostas em séries paralelas ao longo do dôrso e nos lados sôbre fundo
verde claro cem tons amarelo-limão intenso ou, às vêzes, esbranquiçado
e o ventre branco com barras transversais pretas incompletas mas o
suficiente para escurecer todo o ventre, visto em conjunto; apenas um
dos filhotes colhidos no mesmo local apresentava uma suave coloração
alaranjada no ventre. O exemplar semi-albino ostentava as seguintes
côres (observação em 6.3.1959, in vivo): olhos totalmente apigmentados,
vermelho-rosado (circulação sanguínea), cabeça cinzento oliváceo
suave, corpo amarelado, ventre branco. Anel nucal preto descorado,
zona clara post-anelar amarelo intenso; marcação dorsal preta típica
dos filhotes desta raca muito descorada e esmaecendo gradativamente
para a cauda onde desaparece; as marcas são vestigiais, isto é. não
possuem o contôrno completo, estão reduzidas, mas estão completadas
por concentração de xantina; no ventre observamos as marcas pretas
reduzidas em número, em tamanho e na intensidade da melanina, em
relação aos anormais. A porcentagem da melanina era aproximada-
mente de 1/8 do normal na cabeça, 1/3 no colar, 1/5 no dôrso e 1/3
no ventre. A côr de fundo, que deveria ser verde-claro e amarelo-limão,
era amarelo-ouro um pouco alaranjado nos pontos de maior concen-
tração, como na cauda e acompanhando as marcas dorsais.
vw
vo
THALES DE LEMA — Notas sôbre os réptis do Estado do R. G. do Sul
Após a morte do animal foi o exemplar deixado fora de qualquer
preservativo para observar qualquer variação de colorido e isso foi
verificado umas duas horas após, ocasião em que, temerosos de que a
alteração aumentasse muito, providenciamos em fotografá-lo: a tona-
lidade amarela empalideceu sensivelmente tendendo ao oliváceo e a
marcação melânica acentuou-se levemente; umas 40 horas após, ainda
sem preservativo, havia empalidecido mais, tendo se decomposto a pele
da cabeca ficando o crânio exposto. Após isso, fixamô-la em formol a
10%, tornando-se branca.
CONCLUSÕES
O exemplar em questão possuia uma taxa muito baixa de melanina
em relação aos exemplares normais da mesma subespécie, tanto da
mesma localidade e época, como de outras localidades e épocas dife-
rentes. As áreas melânicas eram bem menores do que nos exemplares
normais e eram completadas por concentração de pigmentos de xantina,
que não ocorre em exemplares normais.
Os olhos e a cauda eram completamente destituidos de melanina.
A literatura consultada (vide Bibliografia) cita vários casos de
exemplares albinos em que permaneceu a xantina e esta se concentrava
mais nas áreas normalmente melânicas, fato interpretado por AMARAL
(1934) como uma prova de que as marcas melânicas normais numa
determinada forma nas serpentes, são o resultado da invasão da me-
lanina e sua concentração nos depósitos primitivos de xantina, no
derma, antes da queratinização durante a embriogênese.
Não resta dúvida, pois, que se trata de um caso de albinismo parcial,
além disso chamou-nos a atenção dois fatos: a. a decomposição da pele
da cabeca do animal, tal fato nunca ocorreu com outros exemplares,
mesmo depois de entrar em decomposição, filhotes, quer acidentalmente
nos viveiros, quer encontrados na natureza; b. a passagem imediata
da côr para branco, outro fato que só ocorreu em filhotes após muitos
anos terem sido colocadas em formol e deixadas no mesmo, peis,
normalmente, o que ocorre é o exemplar tornar-se azulado e, caso fique
no formol, êsse azul torna-se muito escuro, quase preto.
Assim, parece-nos que, além da deficiência pigmentar, o presente
exemplar apresentava uma deficiência na estrutura da pele e quiçá
de outras partes.
SUMMARY
A. newborn partial albino of the snake subspecies Leimadophis
peecilegyrus pictostriatus Amaral 1944, the common “cobra verde” (green
snake), from Pôrto Alegre, Rio Grande do Sul. The eyes are pinkish,
the black pigment it was not completelly absent, and the vellow
pigment was present.
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70 mapas..
— VIII —
TENDÊNCIA AO ESTRIAMENTO DAS MARCAS DORSAIS NOS
CROTALÍDEOS — DESCRIÇÃO DE DOIS CASOS NOVOS.
(Estampa VI)
Em nota anterior (1958) registramos um caso de estriamento em
marcas dorsais de um exemplar de Bothrops alternata Dum., Bibr. &
Dum. Agora, um exemplar de B. jararaca (Wied) estriado em mãos e
um registro anotado sôbre outro caso nesta última espécie, provocaram
a presente nota.
É relativamente grande e recente o número de trabalhos sôbre
anomalias cromáticas em serpentes, como, também, os tipos de ano-
malias encontrados. Queremos aqui falar apenas da anomalia que
constitui a fusão das marcas dorsais normais formando estrias ou linhas
longitudinais. O conhecimento de afastamentos tão grandes da nor-
malidade trazem luz sôbre o comportamento fisiológico da formação e
distribuição dos pigmentos durante a embriogênese.
A frequência de exemplares com o padrão cromático estriado é
muito baixa e isso afirmamos baseados em nossa experiência própria,
na consulta da literatura e observações do Instituto Butantan: AMARAL
(1932) afirmou que foram enviadas uma média de 20.000 serpentes por
ano ao Instituto Butantan até 1932 e, apenas foram verificados 22 indi-
víduos com coloração aberrante, sendo diversos dêles possuidores de
outras anomalias que não o estriamento das marcas.
A maioria dos registros feitos pelos diversos AA. é de serpentes da
família Crotalidae. MAGALHÃES (1925) descreveu uma nova espécie
de serpente do Rio Grande do Sul baseado em dois exemplares (Bothrops
inaequalis) e AMARAL (1925-B), revendo essa espécie e seus respectivos
tipos, considerou-a sinônima de B. alternata Dum., Bibr. e Dum. e os
exemplares como indivíduos aberrantes da mesma. No mesmo trahalho
AMARAL afirmou que a espécie B. alternata possui duas tendências de
aberração cromática: a) fusão transversal das marcas laterais e b) anas-
tomose longitudinal das marcas laterais (estriamento), exemplificando
as duas tendências dom a descrição de um caso para a, de outro para b
e indicando os dois exemplares de MAGALHÃES como do tipo b. No
mesmo trabalho AMARAL descreve um exemplar estriado de B. cotiara
(Gomes). Mais tarde (1927) o mesmo A. estudou as variações das
marcas dorsais de Crotalus durissus terrificus (Laur.) e fixou duas
populações, considerando-as subespécies: C. terrificus var. collirhom-
beatus — marcas poligonais no pescoço (NE. Brasil) e €. t. var. collili-
neatus = estrias no pescoço (Centro, SE. e S. Brasil). Parece-nos que
os demais AA. não aceitaram a divisão. Em setembro de 1958, nosso
colega A. C. P. de Azevêdo, em visita aos serpentärios do Instituto
Butantan, observou vários exemplares de Mato Grosso que apresentavam
os dois padrões de coloração no pescoço (deveria ser apenas var. colli-
lineatus). No mesmo trabalho AMARAL registra um indivíduo de €.
IHERINGIA — Zoologia n.º 13 — ianeiro de 1960 29
durissus terrificus com corpo unicolor apresentando marcas somente
no pescoço. Em 1932 AMARAL descreveu vários indivíduos estriados:
1 ex. de Bothrops jararaca (Wied) quase completamente estriado, 3 exx.
de B. alternata Dum., Bibr. & Dum. todos estriados, 1 ex. de B. cotiara
(Gomes) estriado e 1 ex de B. neuwiedii pauloensis Amaral com estria-
mento — entre outros exemplares dessas espécies citadas com outros
tipos de anomalias cromáticas. Em 1934, AMARAL estudou exaustiva-
mente a espécie B. alternata apresentando uma gama das variações
que sofrem as marcas supracefálicas e as dorsais e que podemos re-
sumir nas seguintes possibilidades: coalescência das marcas entre si,
tanto pelos lados (estrias) como pelos vértices, formando barras ou,
então, entre as bases de cada marca individualmente, formando marcas
em 0.
GLOYD (1935) descreveu um exemplar estriado de Crotalus h.
horridus (L.) e outro de C. c. confluentus (Say).
MACHADO (1945) descreveu um exemplar estriado de Bothrops
jararaca (Wied).
KLAUBER (1956) descreveu 1 ex. de Crotalus h. horridus (L.) e 2
exx. de C. atrox B. & Girard, todos estriados e, em consequência das
observações que fêz sôbre o estriamento em cascavéis, quer por si quer
pela consulta da literatura, estabeleceu que: a) a maioria dos indivíduos
apresentam estriamento na parte anterior do corpo — observações feitas
em €. s. scutulatus (Kennicott), €. lepidus morulus Klauber, C. trise-
riatus aquilus Klauber, C. r. ruber Cope, C. v. viridis (Rafinesque), ©. v.
oreganus Holbrook, C. v. helleri Meek, C. mitchelli stephensi Klauber;
b) algumas espécies são normalmente estriadas no pescoco — €.
durissus terrificus (Laur.), e outras;
c) um exemplar apresentava estriamento anterior e posterior — C. r.
ruber Cope;
d) um exemplar com estriamento no meio do corpo — C. v. oreganus
Holbrook:
e) uma ninhada de C. v. oreganus Holbr. anômala, com estriamento
no pescoco;
f) em espécies cujo padrão normal é uma série de marcas simples
localizadas no meio do dörso houve coalescência obliquamente for-
mando uma só estria — C. t. triseriatus, C. r. ruber Cope;
£g) marcas dorsais alongadas para baixo formando anéis — C. r. ruber
Cope e 1 ex. de C. durissus terrificus (Laur.) (*).
COOK. JR. (1955) apresentou um caso de hibridismo entre Crotalus
viridis oreganus X C. s. scutulatus, em que 5 filhotes de 12, apresentavam
estrias: 2 na parte posterior, 1 na parte posterior e no pescoço, 1 no
pescoço e, por fim, 1 exemplar com coalescência lateral posteriormente.
GLOYD (1958) descreveu vários exemplares aberrantes de Crota-
lídeos norteamericanos, inclusive um de Agkistrodon contortrix mokeson
(Daud.) com estriamento no meio do corpo, e outro de Crotalus s.
seutulatus (Kennicott) com estriamento na parte anterior.
Temos notado, por nossa vez, sem contudo termos registrado, dois
casos de estriamento das marcas dorsais em Bothrops jararaca (Wied).
O primeiro caso foi observado por nös em um exemplar vivo capturado
em Viamäo (RGS.) em 1955, de propriedade do Sr. T. Fragoso; jovem,
que apresentava a seguinte coloração: as marcas dorsais possuiam seus
(*) AMARAL, 1932.
30 THALES DE LEMA — Notas sôbre os réptis do Estado do R. G. do Sul
prolongamentos inferiores interrompidos, afastados e êstes eram alon-
gados longitudinalmente formando uma estria pontilhada de cada
lado do paraventre. O segundo caso observamos nos viveiros do Sr.
Haas, em Curitiba, em dezembro de 1947: uma fêmea capturada em
uma fazenda no norte do Paraná dera-à-luz 12 filhotes apresentando
todos coloração anômala com tendência ao estriamento; segundo apon-
tamentos eram as seguintes as anomalias cromáticas apresentadas por
tais filhotes: 1.º redução do tamanho das marcas dorsais, 2.º isolamento
dos prolongamentos das mesmas, 3.º truncamento do vértice e escure-
cimento interno das marcas dorsais semelhando a figura de um trapézio
com base menor muito pequena em relação à base maior, 4.º partes iso-
ladas no paraventre alongadas, aproximadas entre si e formando
coalescências em vários trechos — no conjunto o paraventre apresenta-se
com uma série de estrias e de pontos irregular e longitudinalmente dis-
tribuidos (conforme desenho esquemático, Est. VI, fig 15). KLAUBER
(1956) registro um caso semelhante em Crotalus viridis oreganus, isto é,
uma ninhada completamente anômala na coloração.
Dois casos registramos aqui na espécie Bothrops jararaca (Wied) e
aproveito para agradecer ao Sr. Horst Oskar Lippold a doação do:
exemplar de Santa Maria e ao Sr. Luis Recht (Rio de Janeiro) a
oportunidade de termos observado o exemplar de Canela (RGS.).
Descrição — 1) Bothrops jararaca (Wied) — jovem, proc. Canela, R.G.S,,
zona da “serra”, observado em março de 1958, vivo, apresentando a
seguinte coloração (vide desenho esquemático, Est. VI, fig. 16): marcas
dorsais alongadas longitudinalmente e coalescendo logo no primeiro
têrco do corpo, entre si, pelos lados, formando duas longas estrias um
pouco onduladas em alguns trechos, com estrutura cromática igual a
das marcas dorsais normais, havendo marcas normais anterior e poste-
riormente e ocupando as estrias uns dois têrços do comprimento total
do animal; uma orladura branco-creme externa a cada estria formavam
um contraste forte de córes.
2) Bothrops jararaca (Wied) — jovem bem maior do que o anterior,
macho, proc. Santa Maria, R.G.S., arredores da cidade, em 12.3.1959,
por H. O. Lippold que o remeteu já fixado mas, com as cöres ainda
normais, lesionado, foi depositado sob o número MRCN.0123 nas coleções
científicas do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais. V.: 192;
SC.: 55/55 + 1 longa; D.: 28-25-20: SL.: 8/8 (2.2 formando fosseta); IL.:
12/11 (D/E); Ment.: 2 pares (ant. maior d. q. post.); 1-4/1-3 IL. em
contato com Ment. Ant., demais separadas por Gulares das Ment. Post.;
Gulares: 5 séries, de cada lado, entre últimas IL. e primeiras V. e 3
séries entre as Mentais e V.; A.: 1; Intersuprac.: 10. Na zona supra-
cefálica anterior há escamas Intercant. e InterSOc., algumas, com duas
ou três carenas incompletas representando coalescência de duas ou
três escamas entre si ou, por outro lado, formação de escamas juntas
sem separação. Medidas: 21 -+ 313 + 54 — 393 mm. Coloração: geral
castanho-clara com um tom oliváceo, apresentando, na parte anterior,
vestígios das primeiras marcas dorsais, alongados, muito distanciados
um do outro, surgindo primeiro no lado direito; tais vestígios são cons-
tituidos apenas dos braços das marcas típicas em A, afastados um do
outro e um pouco inclinados para dentro; à medida que progridem as
marcas êsses braços vão se inclinando mais para dentro até unirem e
formarem vértice, de acôrdo com a marcação típica, se bem que não
chegam a formar uma marca; típica porque vem alongamento e coales-
cência lateral formando estrias, uma de cada lado e tendem a norma-
lizar um pouco antes da zona anal. O número de marcas é contável
até a altura da cloaca porque depois sucede intensa divisão das marcas
IHERINGIA — Zoologia n.® 13 -— janeiro de 1960 ; 31
confundindo-a, há 16 no lado direito e 13 no esquerdo (vide desenho
esquemático, Est. VI, fig. 17). Achamos interessante descrever cada
marca dorsal para mostrar como o alongamento é progressivo e, depois
da metade do corpo em diante, é regressivo:
a) lado direito: 1.º — lados afastados e pouco inclinados para
dentro, côr de fundo entre os braços igual a do dôrso, havendo pontos
pretos entre esta e a 2º na altura das bases; 2.2 — braços mais pro-
ximos, área entre êles escura, parecendo estar unidos, mas sem ápice,
havendo uma estria castanho-anegrada entre esta e a 32 na altura
das bases; 3.2 — lados mais inclinados ainda, quase formando ângulc,
zona interior escura, havendo duas estrias negras, curtas, entre as
bases desta e da 4.2; 42 — lados unidos formando ângulo, mas, de
tamanho muito reduzido com interior castanho-escuro e o braço pos-
terior afastando-se para trás, interrompido e a continuação projetando-
se exageradamente para baixo e para trás ocupando o espaco basal
entre esta e a 5.2; 5.2 — semelhante a de um indivíduo normal mas,
muito estreita, isto é, alongada, apresentando os braços encurvados
para dentro, sendo o posterior semelhante ao da marca anterior, se bem
que maior; 6.º — não é uma marca apenas, mas a união de várias
marcas, podendo-se apenas distinguir a primeira e a última, não se
podendo notar quantas marcas entraram na coalescência; 7.2 — se-
melhante a de indivíduos normais mas, muito estreita, em linha que-
brada, unida pelo vértice com a do lado oposto, sem escurecimento
da área interna; da 8º em diante tende a normalizar, mas, também,
começam a dividir-se até ao ponto de se tornarem indistintas umas das
outras, a divisão se inicia na 10.2;
b) lado esquerdo: 1.º — surge na altura da linha transversal ao
eixo do corpo que passa um pouco após a 1.2 do lado direito, possui os
braços muito curtos e afastados e dificilmente se distinguiria perten-
cerem a uma marca dorsal derivada da forma típica em A normal:
22 — um pouco próxima da 1.º, igual à 22 do lado direito e no mesmo
plano transversal daquela; 32 — mais afastada, na altura da estria
basal entre as marcas do lado direito, margens dos braços muito irre--
gulares e, êstes, são muito curtos, deformados, entre esta e a 42 há
uma estria negra linear; 4% — tende à normalidade mas, muito es-
curecida internamente, com bordos irregulares, na altura do espaço
entre duas pequenas estrias do lado direito; 5.2 — coalescência látero-
longitudinal de várias marcas dorsais que se inicia sob a forma de faixa
reta longitudinal, na altura do espaço entre a 5? e a 6.2 do lado direito
e, depois encurva para cima lentamente e, após essa longa curva, vai
baixando até a altura da metade da estria dorsal direita, finalizando
por uma marca quase normal com ápice truncado; 62 e 72 — seme-
lhantes entre si, com ápice truncado, lados um pouco côncavos e bases
curvas para dentro; 8? — coalescida pelo ápice com a 7. do lado
direito; daí em diante as marcas tendem a normalizar e iniciam a
subdividir-se da 10.2 em diante, como no lado direito.
O ventre é manchado de castanho escuro e branqueia na altura da
30.2 SC., ficando branco (sinal de jovem nesta espécie).
A cabeça apresenta a parte superior de côr clara com desenhos
castanho-anegrados típicos dos exemplares jovens.
CONCLUSÃO
Há uma tendência, nas serpentes, para o estriamento das marcas
dorsais, notadamente nas serpentes da família CROTALIDAE, tanro
nas do gênero Crotalus como Bothrops. A incidência parece ser maior
32 THALES DE LEMA — Notas sôbre os réptis do Estado do R. G. do Sul
nas serpentes Bothrops alternata Dum., Bibr. & Dum. e Bothrops
jararaca (Wied), se bem que os casos até agora registrados sejam
muito poucos para que se possa afirmar algo de definitivo. Infeliz-
mente nada podemos adiantar sôbre a causa dessa aberração curiosa,
mas KLAUBER (1956) afirmou que o estriamento do padrão em ser-
pentes é devido a uma aberração no mecanismo gênico que causaria
uma rotação de 90.º no padrão de serpentes normalmente aneladas ou
manchadas; no caso presente essa rotação seria de 45.º, isto é, to-
mando a inclinação média dos braços da marca dorsal típica em relação
ao eixo longitudinal do corpo do animal.
SUMMARY
There is a tendence to transformer the pattern into longitudinal
stripes in the snakes of family Crotalidae, principly in Bothrops alter-
nata and Bothrops jararaca. There are many cases recorded by several
AA. This paper contains a detailed description of one specimen of PR
jararaca from Santa Maria, R.G.S., with stripes, and notes of another
specimens with the same aberrations.
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ÍNDICE DAS ESTAMPAS
Estampa I— Fig. 1:
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Estampa II — Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
a
>
>
ann
to 09 =1
Estampa III — Fig. 10:
Fig.
Fig
Fig
10-A:
. 10-B:
. 10-C:
Esquema dos tracos simétricos de uma
marca dorsal principal típica de Bothrops
cotiara.
Marca dorsal principal típica de B. cotiara.
Aspecto lateral das marcas dorsais princi-
pais do ex. IB.5104 de B. cotiara, seg.
AMARAL (1932, fig. 8):
parte anterior e média do corpo;
parte média e posterior do corpo.
Acpecto lateral doc marcas dorsais prin-
cipais do ex. IB .6732, seg. AMARAL (1932,
fig. 9) de B. cotiara:
parte anterior e média do corpo;
parte média do corpo.
Asnecto lateral das marcas dorsais prin-
cipais do ex. TL.839 de B. cotiara:
parte anterior e média do corpo;
parte posterior e final do corpo.
Aspecto lateral das marcas dorsais prin-
cipais do ex. TL.836 de B. cotiara:
parte anterior (primeira) e média (segun-
da) do corpo;
parte posterior;
Ornamentação supracefálica do ex. TL.836
de B. cotiara.
Aspecto lateral das marcas dorsais princi-
pois do ex. TL. 838 de B. cotiara — parte
média do corpo.
Idem, do ex. MRCN.749.
Idem, do ex. MRCN.750.
Idem, do ex. MRCN.748 — parte anterior
(primeira) e posterior (segunda) do corpo.
Aspecto lateral das marcas dorsais prin-
cipais do ex. TL.837 de B. cotiara:
fusão pelos vértices (primeiro) e parte
média (segundo) e posterior (terceiro) do
corpo.
Extremidade da cauda do ex. TL.837 da
B. cotiara, mostrando fusão das escamas ®
escudos — coloração: a. branco, b. preto,
c. castanho-escuro.
Manchas pretas gulares aparecendo as
partes terminais infero-posteriores das
manchas postoculares.
IHERINGIA — Zoologia n.º 13 — janeiro de 1960 35
Fig. 11:
Fig. 11-A:
Fig. 11-B:
Fig. 11-C:
Fig. 11-D:
Estampa IV — Fig. 12:.
Estampa V— Fig. 13:
Fig. 14:
Estampa VI — Fig. 15:
Fig. 16:
Fig. 17:
Fig. 17-A:
Fig. 17-B:
Aspectos do ex. EA.1252 de B. cotiara:
aspecto lateral da parte anterior do corpo
mostrando uma marca anômala;
idem, mostrando a parte anterior do
corpo com agrupamentos de marcas para-
vertebrais;
ornamento supracefálico;
aspecto ventral, parte anterior, média e
posterior do corpo, com coloração preta
descontínua.
Vista geral do ex. MRCN.749 de B. cotiara
de Erechim, Rio Grande do Sul.
Aspecto geral dorsal do ex. TL.1609 de
Leimadophis poecilogyrus pictostriatus
Amaral, semi-alhino, de Pörto Alegre, Rio
Grande do Sul.
Idem, aspecto geral ventral.
Aspecto geral dorsal esquematizado de um
filhote de Bothrops jararaca (Wied) do
Paraná (Brasil), segundo notas do A.
Aspecto geral dorsal esquematizado de um
jovem de B. jararaca (Wied) de Canela,
Rio Grande do Sul, segundo notas do A.
Aspecto geral dorsal esquematizado do ex.
MRCN.123 de B. jararaca (Wied) de Santa
Maria, Rio Grande do Sul:
parte anterior e média do corpo;
parte média e posterior do corpo.
NOTA: Fotografias do Dr. L. Buckup; desenhos esquemáticos do A.
ESTAMPAS
IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 13 — Janeiro
de 1960 — ESTAMPA I
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IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 13 — Janeiro de 1960 — ESTAMPA II
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IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — Nº 13 — Janeiro de 1960 — ESTAMPA III
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IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 13 — Janeiro de 1960 — ESTAMPA IV
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IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 13 — Janeiro de 1960 — ESTAMPA V
THERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 13 — Janeiro de 1960 — ESTAMPA VI
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IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 13 — Janeiro de 1960 — ESTAMPA VII
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PESQUISAS
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
Órgão do Instituto Anchietano de Pesquisas
Diretor: Balduíno Rambo, S. J.
Trabalhos de investigação científica nas línguas ocidentais de
uso corrente na ciência.
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Pórto Alegre
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Fundada em 1949
Fundador e editor: P. Raulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Botânica, com artigos em português,
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HERBARIO “BARBOSA RODRIGUES”
Itajaí — Santa Catarina — BRASIL
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E SERIES CIENTÍFICAS
“BA E DO -
[USEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
NOTES ON CORAL SNAKES (I-Il)
(Serpentes — Elapidae) à
Antônio Carlos Pradêl Azevedo
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIVISÃO DE CULTURA
DIRETORIA DE CIÊNCIAS
NGIA | sem. ZOOL. |N.º 14 [rer 11] EST. I-VI. | P. ALEGRE | MARÇO — 1960
ERINGIA
a N.º 14 Bis MARCO DE 1960 .
4
MUSEU RIO- GRANDENSE DE CIÊNCIAS NA
usa
1
DIRETOR
Pe. Balduino Rambo S. J.;
ENTOMOLOGIA
Ludwig Buckup — Dr. rer. nat., Bacharel-Licenciado em Histo a Na
HERPETOLOGIA E |
Antônio Carlos Pradél Azevedo — Bacharel- Licenciado. em 1
Natural;
“Thales de Lema — Bacharel-Licenciado em RR
MALACOLOGIA
ORNITOLOGIA
Eduardo Casado Marques.
Tôda correspondência referente à
' VHERINGIA E
“deve ser enviada ao . Sen
MUSEU RIO- GRANDENSE DE CIÊNCIAS ih
NATURAIS a SSR
PRAÇA D. FELICIANO, 78.
CAIXA POSTAL 1188 : N
Pörto Alegre — Rio Grande do Sul — Brasil
Desejamos estabelecer | permuta.
We wish to establish exchange.
Wir wünschen Austausch, |
Antônio Carlos Pradel Azevedo
NOTES ON CORAL SNAKES (I-Il)
(Serpentes — Elapidae)
Introduction
! — About the eggs of Ccral Snakes.
A new observation of the behaviour of Micrurus frontalis multicinctus
and its relationship with folklore.
x
k
1960
Oficinas Gráficas da Imprensa Oficial
PORTO ALEGRE
EST. I-VI | P. ALEGRE
|
| IMERINGIA | SER. ZOOL. | N.º 14 [Pine 1-14 MARCO — 1960
NOTES ON CORAL SNAKES (*)
Antönio Carlos Pradel Azevedo (**)
INTRODUCTION
The present notes represent the first results of two years of 1e-
search and observations on coral snakes, which studies would have
been quite impossible without the aid of my friend, Thales de Lema.
The problem of inter-relationship between the forms frontalis,
lemniscatus, altirostris and ibiboboca has caused plenty of controversy
among those who dedicate themselves to the study of neotropical
reptiles.
K. P. Schmidt (1), in 1936, accepted as independent the species
Micrurus lemniscatus (Linnaeus, 1758),Micrurus ibiboboca (Merrem,
1820) and Micrurus frontalis (Dumeril, Bibron et Dumeril, 1854), consi-
dering Micrurus altirostris (Cope, 1859) as a subspecies of M. frontalis.
A. do Amaral (2), in 1944, made a revision in which he broached
the problem of affinities existing among the forms mentioned above,
establishing a new form which he named multicinctus and determining
a subspecific dependency of all these forms to M. lemniscatus.
P. E. Vanzolini (3), in 1948, in a work on the reptiles of Cachoeira
de Emas, published a note in which he disagreed from the point of
view of Amaral and proposed the elevation of frontalis to the specific
category with the subspecies multicinetus and altirostris, and consi-
dering the form ibiboboca as a subspecies of M. lemniscatus.
B. Shreve (4), in 1953, published a work in which he revised the
subspecies of M. frontalis, considering it independent of M. lemniscatus.
and the form multicinctus as invalid, judging it as a compound oi
altirostris and frontalis. In this same work was revived the form
pyrrhocryptus, described by Cope in 1862, and which Schmidt in 1936
considered allied to M. frontalis and Amaral in 1944 placed in synonymy
with M. lemniscatus frontalis.
During an internship in São Paulo in 1958, I examined the spe-
cimens used by Vanzolini to draw up his note of 1948, and at the
same time I had an opportunity to discuss the problem with him,
with Dr. Amaral and with A. R. Hoge of the Butantan Institute.
Shreve’s opinion seems to me interesting; however, the small
quantity of material examined by that author does not permit me to
adopt it without examining a greater number of specimens. j
In the midst of these opinions I did not yet succeed in arriving at
(*) Trabalho entregue para publicacäo em 23 de fevereiro de 1960.
(**) Professor de Biologia da Pontificia Universidade Catölica do Rio Grande
do Sul.
enormen MAY2S 1961
6 Antönio Carlos P. Azevedo — Notes on Coral Snakes
a personal conclusion on this subject, and, for this reason, I decided
to follow the nomenclature proposed by Vanzolini in regard to the
denomination of the forms mentioned in these works.
These first works on the Elapids, my favorite group of snakes, are
dedicated to Dr. Karl Patterson Schmidt, Chief Curator Emeritus, De-
partament of Zoology of the Chicago Natural History Museum, deceased
September 26, 1957, who with his kindness and encouragement
orientated me at the beginning of my studies.
I thank Dr. L. Buckup for the photographs, Fr. Th. Frantz S. J. for
the revision of the English translation and graduate student Geraldo
Hoffmann for the drawings.
THE AUTHOR
REFERENCES
1 — Schmidt, K. P.
1936. Preliminary account of coral snakes of South America.
Zool. Ser. Field Mus. Nat. Hist., vol XX, n.º 19, pp. 189-203.
2 — Amaral. A.
1944. Notas sôbre a Ofiologia Neotrópica e Brasílica. XI — Sub-
espécies de Micrurus lemniscatus (L.) e suas afinidades com
M. frontalis (Dm. & Bibr.). Pap. Av. Dept. Zool., São Pauio,
vol. 5, n.º 11, pp. 83-93.
3 — Vanzolini, P. E.
1948. Notas sôbre os ofídios e lagartos da Cachoeira de Emas, no
Município de Pirassununga, Estado de São Paulo. Rev. Bras.
Biol., 8 (3), pp. 383-385.
4 — Shreve, B.
1953. Notes on the races of Micrurus frontalis (Dumeril, Dumeril
and Bibron). Breviora, Mus. Comp. Zool., n.º 16, pp. 1-6.
I — ABOUT THE EGGS OF CORAL SNAKES
Reviewing the bibliograpny I possess about the genus Micrurus, I
verified that little has been written about its reproduction and, more
particularly, about the number, size and form of its eggs.
Wright and Wright (1), refer to the following authors:
Conant and Bridges (1939), who cite for Micrurus fulvius fulvius
(Linnaeus, 1766) from 3 to 12 eggs.
Schmidt and Davis (1941), mention for the same species from 2 to 4
eggs.
Davis and Brimley (1944), cite from 3 to 12 eggs also for M. f. fulvius.
Werler (2), cites for M. fulvius tenere (Baird and Girard, 1853)
9 eggs not entirely developed, making reference to the size of the eggs
and the consistency of the same.
Ditmars (3), with respect to M. fulvius barbouri Schmidt, 1928, says
the eggs are elongated and 7 in number.
Roze (4), cites for M. isozónus (Cope, 1860) 6 yellow soft-shelled
eggs, giving their size.
Ditmars (5), refers to 11 eggs of M. fulvius ssp.
Telford Jr. (6), cites 7 eggs for M. fulvius fulvius, giving data about
the form, color and size.
It is interesting te observe that in the references which I possess,
I did not find any photograph of the eggs, and, except Roze, the other
authors always refer to M. fulvius.
Having in my possession for study the corals of the Museum of
Natural History of Montevideo, I noticed that the specimen n.º 54,
Micrurus frontalis altirostris, proceeding from Tambores, Departament
of Tacuarembó, Uruguay, on 22/VIII/1957 was with one egg partially
out of cloacal slit. (Fig. 1). When I dissected the animal, I found in
its interior another egg.
The egg which was partly out was more or less shrivelled, and the
color of the exterior portion was darker than the interior. (Fig. 2 and 3).
For determining more exactly the colors, I used the Atlas of Villa-
lobos (7), and according to it the color of the exterior part would be
D— 6.º — 8 (Orange) and of the interior part, as also of the egg totally
inside the coral, would be 0 — 8.º — 16 (Orange).
It should be remembered that the animal was already set and
conserved in alcohol more than 2 years, which fact surely modified the
natural color of the eggs.
The egg which was more or less shrivelled was 37,5 mm long;
however, when the wrinkled part was stretched I found the lenght to
be 40,0 mm and the width 11,5 mm. The interior portion of the egg was
18,5 mm long. In figure 3 we see the egg before the exterlur part was
stretched.
The egg within the body of the coral was 47,5 mm long and 11,5 mm
wide. (Fig. 4).
8 Antônio Carlos P. Azevedo — Notes on Coral Snakes
On 22/1X/1959 I received from Mr. Oscar Menna Barreto Grau,
proceeding from the Mestria Agriculture School, in the Township of
Viamão, State of Rio Grande do Sul, a coral snake, which received the
number 100 in my private collection, and was placed in Box IV for
observation.
Between the 13th and 14th of December of 1959 it laid 6 eggs, 4 in
a group and 2 separate, and these were photographed on December
14th at 2:30 P. M. and were white. (Fig. 5).
The eggs were placed within a Petri dish containing water.
On 2/1/1960, at 9:35 A. M., the eggs were photographed again, after
being changed from the position in which they were put there. (Fig. 6).
On this day they looked dry and their color was yellowish, YYO —
3.0 — 19 (Yeilow-Yellow-Orange). On the same day they were mea-
sured and weighed, the results being as follows:
WEIGHT LENGHT WIDTH
| | |
| | |
I | 1.5056 gr | 36.25 mm 13.50 mm
| | |
|
II | 1.4840 gr | 34.00 mm | 14.00 mm
| [ |
| | |
III | 1.5268 gr | 29.50 mm 14.00 mm
| | |
IV | 1.5368 gr 31.00 mm | 15.25 mm
us | |
| |
V | 1.5525 er 2 | 31.00&mm 14.50 mm
ne >. as O {
| | N
VI | 1.5276 gr | 32.00 mm | 14.75 mm
The eggs were weighed in the Technological Institute of the State
of Rio Grande do Sul.
I waited for some time and as the eggs did not manifest any appea-
rance of being developed, I placed them in alcohol under piece n.º 100
of my collection.
The coral is still alive and for this reason it was not possible for me
to make a strict conclusion in regard to the same; it is probably a M.
frontalis multicinctus.
Examining the measurements taken by me and by other authors,
I tried to do what Telford Jr. already did, that is, I determined the
quotient between the lenght and the width (ratio L/D) of the eggs
and established the maximum, the mean and the minimum ratio for
each of the series of eggs for which I had the measurements.
| In figs from 7 to 10 I present the ratios obtained for each egg
individually, and in fig. 11 are found the maximum and minimum
ratios as presented by Telford Jr., for this author does not cite indi-
vidual measurements.
IHERINGIA — Zoologia n.º 14 — marco de 1960 s
In fig. 13 I present the minimum, mean and maximum ratios of
the 5 forms of the genus Micrurus of which I had the data, thus
making it possible to verify that these ratios are distinct.
In fig. 12 I present a drawing of the approximate form which the
eggs should have, based on the average width and lenght of the same.
With the exception of Telford Jr., the other authors do not cite
the lenght of the coral snakes mentioned by them. Comparing the
lenght of the coral cited by this author, plus the lenghts of the speci-
mens studied by me, with the average lenghth presented by its eggs, we
have the following ratios:
L/coral L/egg Ratio L/L
| |
Micrurus fulvius fulvius 899 mm | 358 mm |. 231
| |
Micrurus frontalis altirostris | 495 mm | 43,7 mm 3
R Etta pes | |
| |
Micrurus frontalis multicinctus | 840 mm | 32,28 mm | 26.2
CONCLUSION
The number of citations about the eggs of coral snakes is as yet too
small for making any definites conclusions.
Fig. 13 indicates the differences among the 5 forms compared;
however, I had at my disposal only one series of eggs of each form
what does not give any firm evidence.
I believe that the comparative study of greater individual series of
each form and of the series of eggs of a greater, number of formas, will
perhaps constitute a valuable element in differentiating the same.
ZUSAMMENFASSUNG
In der vorliegenden Arbeit beschreibt der Verfasser die Form, Farbe,
Zahl und Groesse der Eier von verschiedenen Formen aus der Gattung
Micrurus (Serpentes: Elapidae); Der Quotient zwischen Laenge und
Breite der Eier wird festgestellt; der Vergleich zwischen den Minimum-,
Mittel- und Maximum- Quotienten der verschiedenen Formen, gibt merk-
bare Unterschiede zu erkennen.
RESUMO
O autor faz um estudo da forma, côr, número e tamanho dos ovos
em várias formas do gênero Micrurus (Serpentes: Elapidae), determi-
nando o quociente entre o comprimento e a largura dos mesmos e re-
lacionando os quocientes mínimos, médios e máximos das várias for-
mas, notando diferenças sensíveis entre os mesmos.
10 Antônio Carlos P. Azevedo — Notes on Coral Snakes
REFERENCES
1 — Wright, A. H. and Wright, A. A.
1957. Handbook of Snakes of the United States and Canada
Comstock Publishing Associates, Vol. 2, pp. 885-900.
2 — Werler, J. E.
1951. Miscellaneous Notes on the Eggs and Young of Texan and
Mexican Reptiles. Zoologica, Scientific Contr., N. Y. Zool.
Soc., vol. 36, part 1, pp. 46.
3 — Ditmars, R. L.
1951. The Reptiles of North America. Doubleday & Company.
4 — Roze, J.
1955. Revision de las corales (Serpentes: Elapidae) de Venezuela.
Acta Biol. Venezuelica — Univ. Centr. Venezuela, Vol. 1 -
art. 17, pp. 458.
5 — Ditmars, R. L.
1955. Reptiles of the World. The Macmillan Company.
6 — Telford Jr., S. R.
1955. A Description of the Eggs of the Coral Snake Micrurux f.
fulvius. Copeia, n.º 3, pp. 258.
7 -- Vilialobos, C. and Villalobos, J.
1947. Colour Atlas. Libreria El Ateneo Editorial, pp. 7 and 10.
II — A NEW OBSERVATION ON THE BEHAVIOUR OF Micrurus
frontalis multicinetus AND ITS RELATIONSHIP WITH FOLKLORE
There are few works relating observations on the behaviour of
coral snakes.
In the bibliography which 1 possess, the interesting observations of
Mertens (1) are outstanding. He mentions, too, the observations
of Grijs (1898) in M. fulvius, of Lankes (1928 and 1938) in M. frontalis
and M. lemniscatus and another work of his authorship with obser-
vations in M. corallinus, of 1927.
Unfortunately, I did not succeed in consulting the bibliography men-
tioned by this author; however, since he does not mention the pheno-
menon described by me, I suppose he had not observed it.
On the 5th of March of 1954, Mr. Bernardo Dreher added to his-
collection a M. frontalis multicinctus found in Ipanema, Township of
Pörto Alegre, State of Rio Grande do Sul, which on being captured
projected the hemipenis. The snake was found on the grass on a hot
sunny day.
The specimen in question was given to Prof. Thales de Lema who
in turn gave it to me and I placed it in my private collection under n.º
30.
The fact that the animal projected the hemipenis when captured
attracted my attention; however, since I received the specimen already
dead and I couldn’t observe the phenomenon, I took note of the fact
and decided to wait for an opportunity to observe it further.
On the 14th of August of 1958, was caught on the Sitio Real in
Morungava, near the Road Pörto Alegre-Gravatai, Township of Gra-
vatai, State of Rio Grande do Sul, a M. frontalis multicinctus, which
was given to me, taking n.º 11 of my private collection.
The specimen was under my observation in Box III until March
30th of 1959, when I found it dead.
The coral was captured on a trail, on a hot sunny day. On being
captured it projected the hemipenis, which fact was communicated to
me and which induced me to try to make it repeat the mentioned
reaction.
On 25/VII/1958 I tried to catch it with pincers and after various
efforts to get a hold of it, the snake became quite irritated, and when
it was caughi near the head, besides the costumary elevation and rolling
up of the tail, the coral projected one of the hemipenis.
On 27/VIII, 1958 I tried to hold its head against the floor using a
ruler, which the coral made efforts to bite. Immediately it raised and
rolled up its tail (or rather, the hind part of the boay), making abrupt
movements with the same, accompanied by rapid movements of the
body. With the movements of the tail region one of the hemipenis was
projected.
After this, I held it with one hand at the head and with the
12 Antönio Carlos P. Azevedo — Notes on Coral Snakes
other near the tail. The coral began to make lateral movements with
the tail, generally projecting the left hemipenis and sometimes the
right, without any correspondence between the hemipenis projected and
the side on which the tail was folding. At no moment did I observe
concomitant projection of the hemipenis.
Remaining captured, fed regularly, little by little this reaction was
ceasing, and, after seven months such a reaction was not observed any
more, although the animal was highly irritated. Unfortunately, it was
not possible to photograph the coral with the hemipenis projected.
On October 17th, 1959, I received from Mr. Oscar Menna Barrcsto
Grau a M. frontalis multicinctus, proceeding from the Mestria Agri-
culture School, in the Township of Viamäo, State of Rio Grande do
Sul. The coral was placed in Box I and took n.º 99 of my private
collection.
On 22/X/1959 I needed to take its measurements and as this was
being done, the animal became very irritated, raised and rolled up
its tail and projected the two hemipenis at the same time.
When it was let free, it made rapid lateral movements with the
tail, projecting now one, now another hemipenis, but not projecting
the two at the same time. The movements of the tail vere lateral,
occompanied by the rolling up of the same, which was photographed
at the moment. (Fig. 1, 2 and 3).
After 4 months of captivity, the coral, which is young, does not
present this reaction.
The coral snake is very much feared in the State of Rio Grande
do Sul and in my excursions through the State I observed that the
belief that it bites with the tail is widely spread, as it is also affirmed
that it has a sting in the tail.
Fr. Schupp (2), already in 1913 confirmed this belief, saying that
.t was common among the farmers.
Amaral (3), says that the farmers attest that the corals bite with
N mouth during half of the year, and with the tail during the other
alf.
Rosenberg (4), cites the same fact for Argentine, saying that the
farmers believe that the coral snake bites with the tail, and besides
this, that it has a sting and not teeth in the tail.
Comparing my observations with the folklore account, it seems to
me that this reaction is the explanation of the legend.
The farmer, seeing the coral lifting and rolling up its tail and
making abrupt movements, perhaps even noting that this tail rolls
itself about any nearby object — since during my observations not a
few times it rolled itself around my fingers or my wrist — naturally
would be led to believe in some form of attack by this means. If,
besides this, he will see that almost at the end of the tail appear a
white and thorny projection, as is the hemipenis of the coral, it can
be readily understood how he judges this organ to be the sting used
to bite him.
CONCLUSION
The number of opservations seems to be sufficient to affirm that
the phenomenon is a general one, or at least in the species in question,
for I have not observed the males of others.
In regard to its relation with folklore, I find perfectly unders-
IHERINGIA — Zoologia n.º 14 — março de 1960 13
tandable. the association of the faet observed with the popular belief
that the coral snake as a sting in its tail.
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser beschreibt eine noch unbekannte Reaktionsweise von
Micrurus frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae), wenn diese sich
im gereiztem Zustand befindet. Diese Reaktionsweiese, ein Hervortreten
der Kopulationsorgane, wird mit dem Volksglauben in Verbindung ge-
bracht, wonach die Korallenschlangen im Stande sein sellen, mit einem
Stachel am Schwanze zu-stechen.
RESUMO
O autor relata uma nova reação observada em Micrurus frontalis
multicinctus (Serpentes: Elapidae), caracterizada pela eversão dos he-
mipênis quando irritada, e relaciona esta observação com a lenda
popular de que as corais picam com um ferrão situado na cauda.
REFERENCES
1 — Mertens, R.
1956. Beobachtungen an Korallenschlange «ni. Terrarium.
Die Aquarien-und Terrarien-Zeitschrift, Jahr. 9 (3), pp. 74-77
und 9 (4), pp. 103-106.
2 — Schupp, A.
1913. As cobras do Rio Grande do Sul. Typ. das “Vozes de Pe.
trópolis”, pp. 64.
3 — Amaral, A.
1945. Animais veneniferos, venenos e antivenenos. Caça e Pesca,
Editora Ltda., pp. 60.
4 — Rosenberg, T.
1946. La serpiente en la Medicina y en el Folklore. Ediciones del
Tridente S.A.C., pp. 72-73.
ESTAMPAÄAS
Fig. 1 — M. frontalis altirostris with one egg partially out of cloacal slit.
Fig. 2 — The same, caudal region only.
Fig. 3 — The same egg, showing the exterior portion darker than the interior.
Fig. 4 — The egg within the body of the coral snake.
IHERINGIA — Serie ZOOLOGIA — N. 14
— marco de 1960 — Estampa I
SER
un sua
ET?
|
Fig. 5 — The six eggs, as laid by M. frontalis multicinctus within a Petri dish.
Fig € — Thz same eggs.
IHERINGIA — Serie ZOOLOGIA — N.º 14 — março de 1960 — Estampa II
Fig. 7 — Ratio lenght/width of the eggs of M. fulvius tenere.
Fig. 8 — The same oi M. isozonus.
Fig. 9 — The same of M. frontalis multicznctus.
IHERINGIA — Serie ZOOLOGIA — N.º 14 — março de 1960 — Estampa III
1,57
Micnunrus PuLvius TENTAL
Fic?
Mıcnunus Isozonus
Tıo.8
Micaunus FRONTALIS MucTIiCcIiNÇTUS
Fig. 10 — Ratio lenght/width of the eggs of M. frontalis altirostris.
Fig. 11 — Maximum and minimum ratios, of M. fulvius fulvius.
Fig. 12 — Approximate form of the eggs.
Tıo.1
„-„caewan uw u534>-30
marco de 1960 — Estampa IV
SUIIF-FCONFE-U
TFrç. io
-
w-urıeIn WEORFEAI-Nn FEJm=EO WE if)
zZ -0NONOZIU
IHERINGIA — Serie ZOOLOGIA — N. 14
Fa 12
Fig. 13 — Minimum, mean and maximum ratios of the five forms of the genus
Micrurus
IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 14 — marco de 1960 — Estampa V
n
M. FROTALIS ALTIRDSTRIS
ae — M. FULVIUS FULVIUS
——— — — M.ISOZONUS
----------- M. FRONTALIS MULTICINCTUS
M.FULVIUS TENERE
Fic 13
Fig. 1 — Photograph cf the coral snake projecting one hemipenis.
Fig. 2 — Drawing from photograph.
Fig. 3 — Drawing from phetograph, projecting the two hemipenis.
IHERINGIA — Série ZOOLOGIA — N.º 14 — marco de 1960 — Estampa VI
SELLOWIA
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
Órgão do Instituto Anchietano de Pesquisas
Diretor: Balduíno Rambo, S. J.
Trabalhos de investigação científica nas línguas ocidentais de
uso corrente na ciência
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Pórto Alegre
Caixa Postal, 358 — Rio Grande do Sul — BRASIL
PESQUISAS
Anais Botânicos do Herbário “Barbosa Rodrigues”
Fundada em 1949
Fundador e editor: P. Raulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Botânica, com artigos em português,
alemão e inglês
HERBÁRIO BARBOSA RODRIGUES”
Itajai — Santa Catarina — BRASIL
SERIES CIENTIFICAS
N | DO |
EU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
OGIA | N ABRIL DE 1960
PENTATOMIDEOS NEOTROPICAIS — II
Contribuição ao conhecimento dos ASOPINAE da América do Sul.
am
ta
(Hem. Het. — Pentatomidae)
Ludwig Buckup Dr.rer.nat.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIVISÃO DE CULTURA
DIRETORIA DE CIÊNCIAS
TGIA | sem. z00L| N.º 15 | Págs. 1-25 | PORTO ALEGRE ABRIL — 1960
ATUAL QUADRO DE PES
. MUSEU RIO- GRANDENSE DE CIÊNCIA }
DIRETOR
Pe. Balduino Rambo S. J.,
ENTOMOLOGIA N
Ludwig Buckup — Dr. rer. nat., Bacharel-Licenciado em História Nati
HERPETOLOGIA ve
Antônio Carlos Pradél Azevedo — Ganges un em Histó
Natural;
“Thales de Lema — Bacharel-Licenciado em História Natural;
MALACOLOGIA
José Willibaldo Thomé eo Bacharel-Licenciado em História Natura
ORNITOLOGIA
Eduardo Casado Marques. i 4
Tôda correspondência referente à
“THERINGIA |
deve ser enviada ao : ço jm
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS
NATURAIS
PRAÇA D. FELICIANO, 78 yr
CAIXA POSTAL 1188 |
Pörto Alegre — Rio Grande do Sul — Brasil hi
Desejamos estabelecer permuta.
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Ludwig Buckup Dr.rer.nat.
PENTATOMIDEOS NEOTROPICAIS — II
(Hem. Het. — Pentatomidae)
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* Contribuição ao conhecimento dos ASOPINAE da América do Sul,
1960
Oficinas Gráficas da Imprensa Oficial
PORTO ALEGRE
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| IHERINGIA | SER. ZOOL. [No 15 | Págs. 1-25 | PÓRTO ALEGRE ABRIL — 1960
| MEROS a jo eee f
PENTATOMIDEOS NEOTROPICAIS — Ii
Contribuição ao conhecimento dos ASOPINAE da América do Sul.
(Hem. Het. — Pentatomidae) (*)
Ludwig Buckup Dr. rer. nat. (**)
INTRODUCAO
De diversas instituicöes cientificas e de colecionadores par-
ticulares do Brasil, recebemos, nestes últimos anos, várias coleções
de Pentatomideos neotropicais. Por meio de uma contínua ativi-
dade de colecionamento, conseguimos aumentar sensivelmente o
número de exemplares pertencentes a esta família nas coleções do
Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, instituição à qual
servimos. Durante os trabalhos de determinação dêste material,
surgiram inúmeras novidades, algumas de natureza geográfica,
outras de natureza taxionômica. O presente. trabalho reúne as
conclusões de nossos estudos sôbre 32 espécies neotropicais da
Sub-família ASOPINAE.
As instituições científicas e as coleções particulares de onde
procede o material que serviu de base para o presente trabalho,
são identificadas junto às informações de coleta, através de um
código, que deve ser interpretado da seguinte maneira:
-—
SEABRA — Coleção Carlos Alberto Campos Seabra (Rio de Janeiro)
DIRINGSHOFEN — Coleção Ricardo von Diringshofen (São Paulo)
IB — Instituto Biológico de São Paulo (São Paulo)
DZ — Departamento de Zoologia do Estado de São Paulo (São
Paulo)
MNSS — Museu do Seminário Nossa Senhora da Salete (Marcelino
Ramos — Estado do Rio Grande do Sul)
CA — Colégio Anchieta (Pôrto Alegre, Rio Grande do Sul)
SE — Serviço de Entomologia da Secretaria de Agricultura do
Rio Grande do Sul (Pôrto Alegre, Rio Grande do Sul)
Sul)
MRCN — Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais (Pôrto Alegre)
(*) “Trabalho entregue para publicação em 7 de março de 1960.
(**) Professor de Zoologia na Pontifícia Universidade Católica do R. G. do Sul e
Professor de Biogeografia na Universidade do Rio Grande do Sul.
Marmumon MAS 8 1961
L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — II
Aos prezados colegas que nos obsequiaram com a remessa de
suas coleções ou das coleções da instituição a que servem, ficam
aqui expressos os agradecimentos do autor.
As pesquisas que precederam à presente publicação foram
realizadas no Setor de Entomologia do Museu Rio-Grandense de
Ciências Naturais.
Família PENTATOMIDAE
Sub-Família ASOPINAE
Tribo ASOPARIA
Gênero Marmessulus Bergroth, 1891
1) Marmessulus nigricornis (Stal, 1864)
Espécie conhecida da Argentina, do Uruguai e dos Estados de
São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil. Registrâmo-la, pela primeira
vez, para o Estado do Rio Grande do Sul, no Sul do Pais.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 23/12/1939, 2 machos e 2 fêmeas, (col. MNSS)
Procedência desconhecida
2 machos na col. DZ, n.º 72230 (2502)
Gênero O piomus Spinola, 1837
Sub-Gênero Catostyrax Amyot & Serville, 1843
2) Oplomus (Catostyrax) catena (Drury, 1782)
Examinamos um lote de 38 exemplares pertencentes à esta
espécie. Todos os exemplares examinados e determinados proce-
dem dos 5 Estados meridionais do Brasil. Diversos autôres tenta-
ram dar tratamento nomenclatural às inúmeras variedades cromá-
ticas desta espécie, sem no entanto terem chegado a um resultado
satisfatório. O exame do material contido neste lote, convenceu-nos
que nenhuma das variedades anteriormente descritas, apresenta
suficiente estabilidade ou limitação dentro da população natural
da qual procedem. Existem formas de transição entre uma varie-
dade e outra. Por outro lado, verificamos que as 3 primeiras va-
riedades de STAL (1872) (var. a, b, c) ocorrem nas mesmas loca-
lidades no planalto sul-brasileiro, o que exclue da discussão os
argumentos de natureza zoo-geográfica para justificar a criação de
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 7
categorias infraespecíficas. Nota-se nesta espécie uma sensível
diferença na coloração dos dois sexos. A descrição original de
DRURY (1782), limitada depois por STAL (1870) para a sua var. a,
é útil apenas para a caracterização das fêmeas. Existem fêmeas
com ou sem manchas sôbre o cório (disco) dos hemiélitros. Entre
esta forma, aliás mais frequente, e aquela descrita por STAL
como var. b, em que o amarelo do fundo é substituido pelo vermelho,
vimos um tipo de transição, em que o escutelo e uma linha média
sôbre o pronoto, excluindo naturalmente as manchas pretas, man-
têm-se amarelas, enquanto que o cório dos hemiélitros e a parte
restante do pronoto tornaram-se vermelhos. Alguns machos cabem
bem na descrição de STAL de sua var. c. As duas manchas da
base do escutelo podem estar unidas ou não, formando um arco
com concavidade anterior. Em algumas formas notamos que as
manchas claras estão muito reduzidas ou até completamente ausen-
tes. Em uma fêmea de São Paulo e em outra de Marcelino Ramos,
Estado do Rio Grande do Sul, nota-se apenas duas faixas amarelas
próximas aos ângulos laterais do pronoto; a parte restante da face
dorsal! é uniformemente violácea com reflexos esverdeados. Um
macho de Palmeira, no Estado do Rio Grande do Sul, apresenta
apenas duas pequenissimas máculas amarelas junto aos ângulos
basais do escutelo. Outros machos e também fêmeas procedentes
de várias localidades no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina,
possuem apenas a extremidade apical do espinho ventral de côr
amarela ou vermelha, todo o corpo restante é de coloração verde-
violácea, ou apenas violácea. Diante de nossas observações, acima
expostas, sentimo-nos animados a propor a extinção de todos aquêles
nomes anteriormente criados para identificar algumas das varie-
dades existentes nesta espécie. Com o exame de séries maiores,
procedentes de maior número de localidades, talvez venha a ser
possível, no futuro, elevar algumas das variedades existentes à
categoria de subespécies.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Rio de Janeiro
Itatiaia, 2/1955, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 294)
Estado de São Paulo
São Paulo (Capital), 2/1938, 1 fêmea, Schw. col., (col. IB)
São Paulo (Jabaquara), 3/1945, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 103)
Estado do Paraná
Rolândia, 10/1955, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 295)
Ponta Grossa, 12/1938, 2 fêmeas, Camargo col., (col. DZ)
Estado de Santa Catarina
Rio Benedito, Mun. Rodeio, Timbó, 1/1956, 1 macho e 1 fêmea, (col.
DIRINGSHOFEN resp. n.º 302 e 575)
Timbó, 12/1938, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 296)
Anitápolis, 12/1936, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 304)
8 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — 1
Itapiranga, 9/1953, 1 macho e 1 fêmea, (col. MRCN)
Santa Catarina, 27/12/1939, 1 macho e 1 fêmea, (col. MNSS)
Estado do Rio Grande do Sul
São Francisco de Paula, 2/1944, 1 fêmea; 25/1/1939, 1 macho, (col.
MRCN)
Bom Jesus, 12/1954, 2 machos e 4 fêmeas; 1/1955, 2 fêmeas, Camargo
col. (col. MRCN)
Marcelino Ramos, 22/11/1939, 1 macho; 24/11/1939, 1 macho; 5/12/1939,
1 fêmea; 8/12/1939, 1 macho e 1 fêmea; 17/12/1939, 1 macho;
22/12/1939, 1 fêmea; 23[12/1939, 1 macho; 25/12/1939, 1 femea;
20/1/1940, 1 macho; 12/3/1940, 1 fêmea; sem data, 1 macho; (col.
MNSS)
Palmeira, 1/1929, 1 macho, (col. MRCN, ex. col. CA)
Procedência desconhecida
1 fêmea, R. Spitz col., (col. MRCN)
Sub-Gênero Oplomus Stal, 1870
3) Oplomus (Oplomus) cruentus (Burmeister, 1835)
Comum na Argentina, no Uruguai e no Brasil meridional.
Citamos esta espécie pela primeira vez para os Estados de Parana
e Santa Catarina no Brasil. Um dos machos coletados em Viamão,
no Rio Grande do Sul, apresenta as manchas dorsais e ventrais de
côr amarela, em lugar de sanguíneas ou esbranquiçadas como quis
BURMEISTER (1835) na descrição original.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Paraná
Curitiba (Capital), 10/1938, 1 macho, (col. IB, ex. col. Claretiano)
Estado de Santa Catarina
Timbó, 1/1954, 1 macho, (col. DIRINGSHOFEN n.º 301)
Estado do Rio Grande do Sul
Viamão, 9/1956, 3 machos e 1 fêmea, (col. MRCN)
Bom Jesus, 12/1954, 1 macho, O. Baucke col., (col. MRCN)
Pôrto Alegre, s. data, P. Buck col., (col. CA)
São Francisco de Paula, 12/1936, 2 machos, P. Buck col., (col. CA)
4) Oplomus (Oplomus) lunula Horvath, 1911
A espécie de Horvath (1911) é baseada num exemplar macho
procedente de Assuncion (Paraguai). Encontramos uma fêmea na
coleção de Marcelino Ramos que reune as características desta es-
pécie. Registrâmo-la pela primeira vez para o Brasil. Outrossim
designamos êste exemplar alótipo fêmea. Excluindo os dimorfismos
morfológicos sexuais neste grupo de Hemipteros. a descrição do
macho serve bem para os exemplares do outro sexo.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 8/12/1939, 1 fêmea (alótipo), (col. MNSS)
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 9
5) Oplemus (Oplomus) marginalis (Westwood, in Hope, 1837)
Parece tratar-se de uma espécie limitada às regiões mais ele-
vadas do Brasil meridional. Registramos aqui a sua ocorrência,
pela primeira vez, ao Sul do Rio Uruguai. Uma das fêmeas de
Marcelino Ramos, Rio Grande do Sul, apresenta exatamente os
caracteres cromáticos descritos por WESTWOOD (1837); as duas
outras fêmeas, coletadas na mesma data e no mesmo local, mostram
a mancha transversal clara na base do escutelo interrompido no
meio, restando apenas 2 manchinhas amarelas nos ângulos basais.
Material examinedo:
BRASIL
Estado de Santa Catarina
Anitápolis, 12/1936, 1 macho, (col. DIRINGSHOFEN n.º 299)
idem, idem, 2 fêmeas, (col. DIRINGSHOFEN resp. nos. 298 e 303)
Timbó, 12/1938, 1 macho, (col. DIRINGSHOFEN n.º 300)
Rio Vermelho, 3/1956, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 297)
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 17/12/1939, 3 fêmeas, (col. MNSS)
6) Gplomus (Oplomus) ventralis Dallas, 1851
DALLAS, ao descrever esta espécie, não conhecia a sua pro-
cedência. Posteriormente DISTANT (1880) reencontrou-a no Mé-
xico. Recebemos uma fêmea de São Paulo (Cantareira), Brasil,
cujos caracteres coincidem com a descrição de DALLAS. Seria êste,
pois, o primeiro registro da espécie para a América do Sul.
Materia! examinado:
BRASIL
Estado Ge São Paulo
Cantareira, 12/1953, 1 fêmea, (col. MRCN)
Gênero Aleaeorrhynchus Bergroth, 189]
7) Alcseorrhynchus grandis (Dallas, 1851)
Quase todos os 52 exemplares examinados e incluidos nesta
espécie, procedem do Brasil meridional. Em Viamão, Estado do
Rio Grande do Sul, encontramos um casal acompanhado de 8 larvas,
estas talvez no 5.º instar, sôbre um arbusto de “Assobieira” (Schinus
dependens). A espécie mostra algumas variações na coloração.
A côr das paats varia entre o vermelho-coral e o amarelo-palha.
O lado dorsal pode ser dotado de maior ou menor quantidade de
manchinhas amareladas ou esbranquiçadas. Notamos ainda que
10 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — 11
ur DD,
as fêmeas procedentes de regiões mais elevadas são um pouco mais
robustas e de coloração geral! mais clara.
Material examinado:
BRASIL
Território de Guaporé
Guajarä-Mirim, 8/1/1953, 1 fêmea, Alvarenga col., (col. SEABRA)
Estado dê São Paulo
Indiana, 1/1943, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 307)
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1953, 1 fêmea, (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, sem data, 4 fêmeas, (col. MNSS)
Itapoã, Mun. de Viamão, 4/12/1958, 19 machos e 6 fêmeas, (col. MRCN)
Viamão, Mun. de Viamão, 4/1956, 5 machos, 2 fêmeas e 8 larvas, (col.
MRCN)
Pörto Alegre, Capital, 1/1954, 1 macho, (col. MRCN)
PARAGUAI
Formosa, Gran. Guardia, 11/1953, 1 fêmea, Foerster col., (col. MRCN)
Procedência desconhecida
1 macho e 2 fêmeas, R. Spitz, col, (col. MRCN)
Gênero Tynacantha Dallas, 1851
8) Tynacantha morgineta Dallas, 185]
Examinamos 20 exemplares pertencentes a esta espécie.
HORVATH (1911), criou uma nova espécie neste gênero, Tynecentha
sanguinolenta, procedente do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
Considerando que a grande maioria dos exemplares por nós exa-
minados procedem justamente dêste Estado brasileiro, procuramos
encontrar nos mesmos as características descritas por HORVATH
naquela sua nova espécie. Na realidade, tôdas as características,
tanto as cromáticas como as morfológicas, assinaladas por
HORVATH para distinguir T. sanguinolenta de T. margineta, ocor-
rem nesta última espécie, em forma de caracteres variáveis isolados,
que nos vários graus de variação se combinam livremente nos di-
versos indivíduos. Assim, notamos que a coloração vermelha, pode
estar ligada a machos e a fêmeas de vários tamanhos. Esta colo-
ração vermelha é tão frequente na espécie como a amarela-clara
da descrição original de DALAS. Em relação ao comprimento do
segmento basal do rostro notamos grande variação na série que
examinamos. A instabilidade cêste caráter parece ser própria da
espécie. A nitidez da carena sôbre o pronoto, igualmente, varia
bastante nos exemplares os quais em relação aos demais caracteres
coincidem perfeitamente com a descrição original de DALLAS.
Cremos, portanto, que HORVATH teve diante de si apenas uma
das muitas variedades de Tynacontha marginata, pelo menos se
tomarmos por base a diagnose que acompanhou a criação de sua
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 TI
7
nova espécie. Incluimos, pois, Tynacantha sanguinoienta Horvath,
1911 nao sinonimia de Tynacantha margincta Dallas, 1851. Em
relação à Tynacantha marginata var. cyanescens Horväth, 1911
fazemos restrições da mesma natureza. Parece-nos imprudente
dar-se um tratamento nomenclatura! a uma simples variedade cro-
mática. Queremos lembrar que os exemplares de Tynacaptka, sob
a influência dos diversos processos de preparação e de conservação
para a coleção, sofrem profundas modificações em sua coloração.
Em exemplares antigos, a coloração verde do dorso termina sendo
completamente substituida por uma coloração palha uniforme.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Pará
Belém, 2/1956, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN) n.º 308)
Estado de São Paulo
Indiana, 2/1942, 1 macho e 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN resp. nos.
309 e 310)
Estado do Paraná
Londrina. 2/1943, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 311).
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 17/12/1939, 1 fêmea; 30/11/1939, 1 fêmea; sem data,
2 fêmeas, (col. MNSS)
Pinhal, 12/2/1940, 2 machos; 23/11/1941, 1 macho e 1 fêmea, (col.
MNSS)
Parecy Novo, sem data, 1 fêmea, (col. MRCN
Serro Azul, 2/1943, 1 fêmea, 1/1931, 1 fêmea, (col. MRCN)
Guaiba, 1/1947, 1 fêmea, Redaelli col., (col. SE)
Pórto Alegre, (Capital), 11/7/1949, 1 macho; 3/1955, 1 fêmea, (col.
MRCN)
PARAGUA!
Formosa, Gran-Guardia, 11/1953, Foesster col. 1 fêmea, (col. MRCN)
Gênero Supputius Distant, 1889
9) Supputius cincticeps (Stal, 1860)
Esta espécie é conhecida do Rio de Janeiro & do Estado de
Minas Gerais no Brasil. Registramos aqui, pela primeira vez, a
sua ecorrência nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
no Brasil meridional. Examinamos 2 machos e 3 fêmeas.
Material examinado:
BRASIL
Estado de Santa Catarina
Pinhal, 30/10/1939, 1 fêmea; 29/11/1939, 1 fêmea; 12/12/1940, 2 fêmeas
(MNSS)
Fstado do Rio Grande do Sul
Pôrto Alegre (Capital), 7/1951, 1 macho; 3/1/1955, 1 macho; sem data.
1 fêmea; (col. MRCN)
Rio Grande do Sul, sem data, 2 fêmeas, (SE n.º E 283)
12 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — II
Gênero Coryzorhaphis Spinola, 1837
10) Coryzorkephis leucocephale Spinola, 1837
SPINOLA (1837) e AMYOT & SERVILLE (1843), ao respecti-
vamente, descreverem e redescreverem esta espécie, limitaram-se a
indicar “Brasil” como local de procedência. Os 5 exemplares que
examinamos procedem das margens do alto Rio Uruguai no Sul
do Pais.
Material examinado:
BRASIL
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1952, 1 fêmea, (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 17/12/1939, 1 fêmea; 19/12/1939, 1 fêmea; 3/12/1949,
1 fêmea; sem data, 1 macho, (col. MNSS)
11) Coryzorkaphis spinoice Signoret, 1862
Os 15 exemplares que examinamos coincidem perfeitamente
com a descrição original da espécie.
Material exeminado:
BRASIL
Estado do Pará
Óbidos, Canta Galo, 12/1956, 4 machos e 10 fêmeas, (col. DIRINGSHO-
FEN respectivamente n.ºs 551, 555, 561, 562, 449, 450, 452, 453, 454,
456, 457, 458, 459, 460); 11/1953, 1 macho, J. Brazilino col. (col.
SEABRA)
Gênero Podisus Hahn & H.-Schaeffer, 185]
Sub-Gênero Pedisus Stal, 1867
i2) Podisus (Podisus) crassimergo (Stal, 1860)
Espécie originalmente conhecida apenas do Rio de Janeiro,
extende-se no entando até a extremidade meridional do País, con-
forme pudemos verificar pelos representantes que tivemos nas mãos.
Material examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
Campos do Jordão, 26/12/1944, 1 macho, F. Lane col., (col. DZ)
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1953, 1 macho, (col. MRCN)
Estadão do Rio Grande do Sul
Pörto Alegre, sem data, 1 macho, (col. MRCN)
IHERINGIA — Zoologia n.0 15 — abril de 1960 13
13) Podisus (Podisus) mellipes Bergroth, 1891
Apenas um único exemplar parecia reunir os caracteres desta
espécie. Esta fica bem definida pela descrição de BERGROTH.
Material examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
São Paulo (Capital), 12/1952, 1 macho, (col. MRCN)
14) Podisus (Podisus) nigrispinus (Dallas, 1351)
Esta parece ser a espécie mais comum do gênero no Sul do
Brasil e regiões adjacentes. Os caracteres cromáticos variam mais
do que os autöres do século passado os caracterizaram. Há formas
de coloração geral mais escura e outros de coloração geral mais
clara.
Material examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
Indiana, 1/1943, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 313)
Estado do Ric Grande do Sul
Marcelino Ramos, 30/11/1939, 1 macho, (col. MNSS)
Pôrto Alegre, Ipanema, 4/1956, 1 fêmea, (col. MRCN); idem, Capital,
3/1954, 1 fêmea; 20/4/1949, 1 fêmea; sem data, 1 macho.
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1953, 3 fêmeas, (col. MRCN)
ARGENTINA
Santiago del Estero, Rio Salado, sem data, 1 fêmea, Wagner col. (col.
IB)
15) Podisus (Podisus) obscurus (Dallas, 1851)
DALLAS colocou esta espécie junto à anterior, nigrispinus, com
a qucl se parece bastante. Assim mesmo pode-se encontrar com
nitidez os caracteres de DALLAS em vários exemplares.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 9, 11 e 12/1939, 1 macho e 5 fêmeas (col. MNSS)
16) Podisus (Podisus) sagitta (Fabricius, 1794)
O Estado de São Paulo parece ser o limite meridional desta
espécie. Não a encontramos nas coleções procedentes de Santa
Catarina e Rio Grande do Sul.
Material examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
Sao Paulo (Estado), sem data, 1 fêmea, O. Monte det. e col. (col. IB)
14 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — II
Sub-Gênero Tyiospilus Stal, 1870
17) Podisus (Tylospilus) distans Bergroth, 1891
Anos atrás havíamos enviado ao Prof. Costa Lima (Rio de
Janeiro) um Podisus subg. Tyiespilus, solicitando o obséquio de uma
determinação. Em 1957, o Prof. Costa Leite, assistente do citado
Professor, descreveu o exemplar como pertencente a uma espécie
ainda desconhecida, a qual denominou formesus. O holötipo
acha-se depositado nas coleções do Museu a que servimos. La-
mentamos discordar daquela determinação, pois tanto o holótipo
de formesus como mais 4 outros exemplares, machos e fêmeas que
nos chegaram às mãos, coincidem perfeitamente com a descrição
de BERGROTH (1891) para Podisus distans. Na realidade o “callo
magno subbasale curvato totam latitudinem scutelli occupante
laevibus eburneis”, mencionado por BERGROTH, em alguns exem-
plares (como no holótipo), pode estar mais ou menos nitidamente
interrompido ao meio por algumas pontuações. Outrossim há pe-
quenas variações no comprimento e na conformação dos espinhos
laterais do pronoto. Estes caracteres parecem-nos, entretanto, insu-
ficientes para justificar a criação de uma nova espécie. Propomos,
pois, a inclusão de Pedisus (Tylopilus) formosus Costa Leite, 1957
na sinonimia de Podisus (Tylospilus) distens Bergroth, 1891.
Meaterisl examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
Estrada de Cotia, Km. 50, 12/1953, 1 macho, (MRCN)
São Caetano, 4/2/1940, 1 fêmea, (col. MNSS)
Estado do Rio Grande do Sul
Bom Jesus, 12/1954, 1 fêmea e 1 macho, O. Baucke col., (col. MRCN)
Vila Oliva, 29/1/1952, 1 macho (hoiötipo de P. formosus Costa Leite,
1957) (MRCN)
18) Podisus (Tylospilus) nigrobinotetus (Berg, 1879)
Esta especie somente era conhecida do Uruguai e da Argentina.
Registrämo-la pela primeira vez para o Brasil, especialmente para
os Estados de Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Material examinado:
BRASIL
Estado de Mato Grosso
Riacho do Herval, Rio Paraná, 12/1952, 1 macho e 1 fêmea, (col.
DIRINGS n.ºs 14, 15 e 13)
Estado do Ric Grande do Sul
Marcelino Ramos, 6/12/1939, 1 fêmea, (col. MRCN)
Ilha do Lage, Mun. Pôrto Alegre, 18/1/1953, 1 fêmea (col. MRCN)
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 15
Gênero Heteroscelis Laporte, 1833
19) Heteroscelis servillei Laporte, 1833
Esta espécie era originalmente conhecida apenas das regiões
setentrionais da América do Sul. Pelo material que examinamos,
verificamos que sua área de ocorrência se extende mais para o
Sul, até o Estado do Rio de Janeiro no Brasil.
Matericl examinado:
BRASIL
Estado de Goiás
Pirenópolis (Piratininga), 20/6/1942, 1 macho, F. Lane col., (col. DZ
n.º 10516)
Estado aa Bahia
Água Preta, sem data, 1 fêmea, P. Silva col., (col. IB)
Estado do Rio de Janeiro
São Bento (D. Caxias), 11/1953, 1 fêmea, P. A. Telles col., (col. SEABRA)
Tribo DISCOCERARIA Schouteden, 1907
ênero Stiretrus Laporte, 1832
Sub-Gênero Stictonotion Kirkáldy, 1905
20) Stiretrus (Stictonotion) decastigmus (H. Schaeffer, 1837)
Trata-se novamente de uma espécie em que quase cada
exemplar constitui uma variedade cromática. Os autôres que se
ocuparam desta espécie foram pródigos na utilização de têrmos
nomenclaturais para identificar algumas das variedades. A lite-
ratura registra: var. cardinelis Horvath, 1911; var. flavoguttata,
var. mangoldi e var. bicolerats Schumacher, 1912. Sugerimos a
abolição de todos êstes têrmos. Examinamos 11 machos e 12
fêmeas pertencentes a esta espécie. Entre a forma típica e var.
flavoguttata, (da qua! possuimos um exemplar de Vila Oliva, Estado
do Rio Grande do Sul, e 2 exemplares do Estado do Paraná,) vimos
vários tipos intermediários. A var. cardinalis, da qual possuimos
um exemplar de Vila Oliva, Rio Grande do Sul e outro do Estado
do Paraná, parece constituir um extremo, isto pela ausência total
das manchas escuras no promoto, no escutelo e no cório dos hemié-
litros. No entanto, também no sentido dêste extremo cromático
parecem existir formas de transição; BERG (1891-2) descreveu um
exemplar de Belgrano (Buenos Aires), Argentina, ainda sob o nome
antigo septemguttatus, que coincide gom a var. cardinalis, porém
16 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — II
ainda apresenta máculas escuras pequenas na parte anterior do
pronoto.
Materie! examinado:
BRASIL
Estado do Paraná
Ponta Grossa, 12/1938, 4 machos e 3 fêmeas, Camargo col, (col. DZ)
Estado de Santa Catarina
São Bento do Sul, 1/1952, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 282)
Anita Garibaldi, 2/1940, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 283)
Joinville, Rio Bracinho, 1 macho e 1 fêmea, 1/1957, (col. DIRINGS-
HOFEN n.ºs 570-1)
Pinhal, 2/2/1940, 1 fêmea, (col. MNSS); 12/1952, 1 macho, A. Maller
col. (SEABRA)
Itapiranga, 9/1953, 1 macho, (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, sem data, 2 fêmeas, (col. MNSS)
Bom Jesus, 12/1954, 1 macho, O. Baucke col. (col. MRCN)
Vila Oliva, 9/2/1950, 1 macho, (col. MRCN)
Lageado Grande, 1/1941, 1 fêmea, (col. MNSS)
ARGENTINA
Buenos Aires, sem data, 1 macho, Bosq col., (col. IB)
Sem origem conhecida
1 macho, (col. DZ 72536); 1 macho, (col. DZ 72535); 1 fêmea (col.
DZ 72541)
21) Stiretrus (Stictonotion) rugosus Germar, 1839
GERMAR (1839) autor da espécie e HAHN & H. — SCHAFFER
(1839) que a redescreveram depois, citam “aureo-viridis” ao ca-
racterizarem a sua coloração. SCHUMACHER (1912), que viu os
tipos de GERMAR, encontrou ainda variedades com reflexos azuis e
outros de coloração preta, chamando-as, respectivamente, var.
cyanea e var. nigra. Quanto ao valor dêstes nomes fazemos as
mesmas restrições que, fizemos aos nomes que identificam as va-
riedades das espécies anteriormente descritas. No material que
determinamos vimos além das variedades acima referidas, ainda
outras variedades de posição intermediária entre cyanea e a forma
típica. Um exemplar macho do Departamento de Zoologia, São
Paulo, possui reflexos acobreados tão intensos que a coloração
verde fundamenta! quase se torna invisível. Os 4 machos e as 5
fêmeas que examinamos procedem dos 3 Estados meridionais do
Brasil.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Paraná
Curitiba, Matto Grego, 12/1937, 1 macho, (col. IB)
Ponta Grossa, 12/1938, 1 macho e 1 fêmea, Camargo col. (col. DZ)
Estado de Santa Catarina
Rio Vermelho, 3/1951, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 578)
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 17
Estado do Rio Grande do Sul
Bom Jesus, 1/1955, 1 macho e 1 fêmea, Baucke col.; 12/1954, 1 fêmea,
Baucke col., (col. MRCN)
Frecedência desconhecida
1 macho, col. DZ n.º 71853 e 1 fêmea col. DZ n.º 72335 (18531)
Sub-Gênero Stiretroides Schouteden, 1907
22) Stiretrus (Stiretroides) loratus Germar, 1839
SCHUMACHER (1912) criou duas variedades para esta espécie,
que identificou com var. abbreviata e var. thoreyi, a primeira do
Estado de Espírito Santo, Brasil, e a outra apenas com a referência
Brasil. Não comentamos estas variedades, porque os 4 machos e
as 4 fêmeas que examinamos, procedentes do Sul do País, não
apresentam cs caracteres cromáticos das variedades de SCHUMA-
CHER. Os nossos exemplares apresentam grande uniformidade na
coloração dorsal. Apenas num macho, procedente de Itapiranga,
Santa Catarina, notamos nas patas uma coloração castanha clara.
A literatura ainda não registrou esta espécie para o Brasil meri-
dional.
Materie! examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
São Paulo (Capital), 1/1/1947, 1 macho, Rabeilo col., (col. DZ)
Estado de Santa Catarina
Lagesdo Grande, 1/1941, 1 macho, (col. MNSS)
Colônia Hansa, 11/1940, 1 fêmea, A. Maller col., (col. IB)
Itapiranga, 9/1853, 2 fêmeas, (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
Cêrro Azul, 9/1939, 1 macho; 12/1942, 1 macho e 1 fêmea, (col. MRCN)
Sub-Gênero Stiretrus Stal, 1870
23) Stiretrus (Stiretrus) ebdeminalis Germar, 1839
Desde a sua redescrição, sob o nome Stiretrus rufiventris, por
parte de FALLOU (1891), nunca mais esta espécie foi reencontrada.
Nas coleções do Departamento de Zoologia, São Paulo, tivemos a
felicidade de encontrar uma fêmea que apresenta exatamente
aquela mancha abdominal a que se referem os autôres do século
passado. Lamentamos não possuir dados mais exatos sôbre a
procedência do material.
Material examinado:
1 fêmea, col. DZ. n.º 72451.
18 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — U
24) Stiretrus (Stiretrus) circumdatus (Spinola, 1837)
A diagnose original desta espécie e a de Stiretrus (Stiretrus)
trilincatus Germar, 1839, referem-se, aparentemente, à mesma
espécie. A figura de HAHN & HERRICH-SCHAEFFER (Tab. CXLVI,
fig. 458) (1839) serve perfeitamente para a descrição de SPINOLA
(1837) de "Stiretrosoma circumdata”. O exame de um lote de 20
exemplares (8 machos e 12 fêmeas) confirmou a nossa hipótese.
As pequenas variações cromáticas, na nossa opinião, não poderiam
justificar a existência de duas espécies distintas. Stiretrus (Stire-
trus) trilineetus Germar, 1839 deve pois ser considerado sinônimo
de Stiretrus (Stiretrus) circumdatus (Spinola, 1837). Em alguns
exemplares nota-se a presença de uma estreita faixa amarelada ou
alaranjada que une, na metade anterior do escutelo, as margens
igualmente coloridas do mesmo. Surge assim, com maior ou menor
perfeição, uma figura em cruz sôbre a metade anterior do escutelo.
Desde o tipo original representado pela figura de H.-SCHAEFFER,
até a variação aqui descrita existem várias formas intermediárias.
Material examinado:
BRASIL
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1953 e 1/1954, 8 machos e 6 fêmeas, (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, 29/11/1939, 1 fêmea, (col. MNSS)
Cêrro Azul, 12/1943 e 2/1944, 3 fêmeas, (col. MRCN)
Parecy Novo, 10/1936, 1 fêmea, (col. MRCN)
São Francisco de Paula, 2/1935, 1 fêmea, (col. MRCN)
25) Stiretrus (Stiretrus) decacelis Berg, 1883
As variações na coloração desta espécie ainda vão além da-
quelas já descritas na literatura (BERG). Nos machos sempre bem
menores que nas fêmeas, as manchas dorsais são extremamente
reduzidas ou simplificadas. Nas fêmeas, as manchas dorsais sôbre
o escutelo podem ser tão grandes que acabam se fundindo criando
a imagem de uma letra U. No lote de 16 exemplares que exami-
namos, (7 machos e 9 fêmeas), notamos que as manchas são
alaranjadas apenas nas fêmeas. Nos machos as manchas são de
côr amarela-clara, quase branca.
Material examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
Indiana, 2/1944, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 275)
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1953 e 1/1954, 6 machos e 5 fêmeas, (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
bo
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 19
Marcelino Ramos, 1/10/1939, 1 fêmea, (col. MNSS)
Viadutos, 11/1941, 1 fêmea, (col. MNSS)
Cêrro Azul, 12/1942, 1 macho e 1 fêmea, (col. MRCN)
26) Stiretrus (Stiretrus) decemguttetus (Le Peletier & Serville, 1825)
Examinamos um lote de 175 exemplares (81 machos e 94
fêmeas) pertencentes a esta espécie. Originalmente havíamos
procedido à classificação de uma série de 82 exemplares que apre-
sentavam, com clareza, os caracteres de Stiretrus (Stiretrus) atri-
capillus Westwood, in Hope, 1837, conforme descrição original e
redescrições posteriores; para nossa grande surprêsa notamos que
todo êste lote era constituido exclusivamente de fêmeas. Ao iden-
tificarmos como Stiretrus (Stiretrus) decemguttatus a um outro lote
constituido de 75 exemplares, procedentes, na maioria, das mesmas
localidades de onde procede o lote de “atricapillus” anteriormente
citado, encontramos apenas machos! Levantamos a hipótese de
ser St. etricapillus apenas a fêmea de St. decemguttatus. Vimos
nossa hipótese confirmada quando encontramos 7 exemplares cla-
ramente identificáveis com a descrição de HORVATH (1911) para
Stiretrus atricapillus var. flavatus, todos do sexo feminino, e que
ocupam em relação ao caracteres cromáticos, uma posição inter-
mediária entre etricapillus e decemguttatus. Pelo exposto, deve-se
considerar Stiretrus (Stiretrus) atricapillus Wetswood, in Hope, 1837
como sendo sinônimo de Stiretrus (Stiretrus) decemguttatus Le
Peletier & Serville, 1825.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Rio Grande do Sul
Itatiaia, 2/1945, 1 macho e 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.ºs 274,
278);
Itatiaia (Maromba), 1200 m. 26/12/1953, 1 fêmea (col. SEABRA)
Estado de São Paulo
Batatais, sem data, 1 macho, (col. IB)
Cantareira, 12/1953, 1 fêmea, Nick col., (col. MRCN)
Jabaquara, 11/1945, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 279)
Estado do Paraná
Rolândia, 2/1952, 1 macho, A. Maller col., (col. SEABRA)
Ponta Grossa, 3/1939, 1 macho, Camargo col., (col. DZ)
Estado de Santa Catarina
Itapiranga, 9/1953, 55 machos e 65 fêmeas; 1/1954, 9 machos e 9 fêmeas;
Itapiranga, 12/1954, 3 machos e 2 fêmeas. (col. MRCN)
Colônia Hansa, 2/1940, 1 macho (col. IB)
Pinhal, 12/1952, 2 machos e 1 fêmea, A. Maller col., (SEABRA)
Neu Bremen, 11/1937, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 280)
Anita Garibaldi, 2/1940, 1 fêmea (col. DIRINGSHOFEN n.º 281)
Rio Benedito Mun. Rodeio, Timbó, 10/1956, 1 fêmea e 2 machos, (col.
DIRINGSHOFEN n.ºs 563, 564, 565)
Rio Vermelho, 12/1950, 1 macho (col. DIRINGSHOFEN n.º 573); 3/1950,
20 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — 1I
1 macho (n.º 574) e 1 fêmea (n.º 567); 10/1950, 1 fêmea, (col.
DIRINGSHOFEN n.º 566)
Joinville, Rio Bracinho, 1/1957, 1 macho e 1 fêmea, (col, DIRINGS-
HOFEN n.ºs 568-9)
Timbó, 2/1936, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 277)
Estado de Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, sem data, 2 machos e 4 fêmeas, (col. MRCN)
Rio Grande do Sul s. 1. 1 fêmea, (col. DZ. n.º 71821)
iretrus (Stiretrus) erythrocephalus (Le Peletier & Serville, 1825)
Dentro do gênero Stiretrus esta espécie parece ser a que apre-
Anta maior estabilidade nas cöres. Examinamos um total de 142
xemplares (41 machos e 101 fêmeas). Em relação à coloração
não notamos diferenças notáveis entre os sexos. A variação mais
nitida que observamos consiste numa maior extensão das áreas
amareladas do lado dorsal. Esta variação parece ser muito mais
frequente entre as fêmeas que entre os machos. O caso mais
extre mo que registramos foi o de uma fêmea de Itapiranga, Estado
de Santa Catarina, na qual as áreas amarelas se dispõe da seguinte
moneira: ducs áreas na metade anterior do pronoto, ligadas aos
ângulos anteriores do mesmo; tôda a orla antero-lateral do pronoto;
e uma linha mediana, estreita, que principia sôbre o disco do pro-
noto e termina no disco do escutelo. A grande maioria dos exem-
plares coincide, entretanto, com as características contidas na des-
crição original.
Material examinado:
BRASIL
Estado de São Paulo
Indiana, 2/1942, 2 fêmeas, (col. DIRINGSHOFEN n.ºs 282, 305)
Vila Marina (Capital), 5/1940, 1 macho, (col. DIRINGSHOFEN n.º 288)
Ipiranga, (Capital) 29/8/1960 (!), 1 fêmea, Schrottky col. (col. DZ
72.420)
São Paulo, (Capital) 2/1941, 1 fêmea, (col. MNSS)
Estadão do Paraná
Arapongas, 2/1952, 1 fêmea, A. Maller col. (col. SEABRA)
Ponta Grossa, 12/1938, 1 fêmea, Camargo col. (col. DZ)
Londrina, 4/1944, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 87)
Estado de Santa Catarina
Timbó, 1/1954, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 286)
tapiranga, 9/1953 e 1/1954, 40 machos e 93 fêmeas, (col. MRCN)
28) Stiretrus (Stiretrus) Iythrodes Germar, 1839
Apenas uma fêmea, das coleções do Sr. von Diringshofen,
pareceu-nos reunir as características desta espécie. Fazemos esta
determinação com reservas, pois temos a suspeita que esta espécie
é apenas uma variedade de Stiretrus (Stiretrus) smaragdulus (Le
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 21
Peletier & Serville). Aguardaremos o exame de maiores series de
exemplares dêste tipo para esclarecer o problema.
Material examinado:
BRASIIL
Estado de Santa Catarina
Anita Garibaldi, 2/1940, 1 fêmea (DIRINGSHOFEN n.º 284)
29) Stiretrus (Stiretrus) smaragdulus (Le Peletier & Serville, 1825)
Nas coleções que examinamos encontramos 45 exemplares que
julgamos poder incluir nesta espécie. Na realidade as caracteris-
ticas cromáticas desta espécie não nos facilitaram esta tarefa.
7 machos e 12 fêmeas coincidem perfeitamente com a descrição
origina! de Le Peletier et Serville, e as redescrições dos autöres
mais recentes. As características da var. chalybea H.-SCHAEFFER,
1836 encontramos em 4 fêmeas apenas. Um único exemplar macho,
coletado no mesmo local e na mesma ocasião que as fêmeas acima,
apresenta a cabeça e as patas de côr castanha clara. Além disso,
numa série de 16 fêmeas, tôdas de Itapiranga, Estado de Santa
Catarina, notamos a côr castanho-clara na cabeça e nas patas,
sendo o resto do corpo de coloração igual à forma típica. Parece,
portanto, que a presença da côr castanha-clara se encontra ligada
ao sexo, dentro de cada uma das variedades cromáticas. Na va-
riedade ehalybea apenas os machos possuem cabeça e patas casta-
nhas-claras. Na forma típica, apenas as fêmeas, porém não tôdas,
apresentam esta coloração. A inexistência de formas intermediá-
rias e a ocorrência regular de certas aberrações cromáticas ligadas
ao sexo na forma acima descrita, indicam que nesta espécie devem
existir grupos sub-especificos mais definidos do que simples varie-
dades cromáticas. A natureza das informações de procedência e
data de coleta que encontramos no material determinado, não nos
permitem, no entanto, definir de imediato estas unidades sub-espe-
cíficas. Lembramos que tôdas as variedades acima foram colecio-
nadas numa mesma localidade.
Materia! examinado:
BRASIL
Estado do Espírito Santo
Rio S. José, 9/1942, 1 fêmea, (col. DZ.)
Estado de Goiás
Leopoldo Bulhões, 10/1935, R. Spitz, 1 fêmea, (col. MRCN)
Estado de São Paulo
Cantareira, 1933, 1 fêmea, (col. DZ 72348)
Estado de Santa Catarina
Pinhal, 12/1952, 2 fêmeas, A. Maller col., (col. SEABRA)
Joinville, Rio Bracinho, 3/1955, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN 291)
Timbó, 4/1956, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN 292)
Anitápolis, 12/1936, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 293)
22 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — II
Rio Benedito, Munic. Rodeio, Timbó, 2 fêmeas, 1/1956, (col. DIRINGS-
HOFEN n.ºs 576-7) N
Itapiranga, 9/1953, 6 machos e 16 fêmeas, (col. MRCN); idem 1/1954,
2 machos e 6 fêmeas; idem 12/1954, 2 fêmeas (col. MRCN)
Estado do Rio Grande do Sul
Marcelino Ramos, sem data, 1 fêmea, (col. MNSS)
Passo do Cotiporã, Rio das Antas, 2/1953, 1 fêmea, (col. MRCN)
Sem procedência
1 fêmea, col. DZ. 71859 (5166)
Tribo DISCOCERINI Schumacher, 1912
Gênero Acanthodiscocera Schumacher, 1910
30) Acanthodiseocera muellenhoffi (Schumacher, 1910)
Desta espécie, descrita originalmente como procedente da
Bahia, no Brasil, Schumacher somente conhecia o macho. O Sr.
van Diringshofen enviou-nos um outro macho do Estado do Pará.
A fêmea desta espécie continua desconhecida.
Materia! examinado:
BRASIL
Estado do Pará
Canta Galo (Óbidos), 12/1956, 1 macho, (col. DIRINGSHOFEN n.º 579)
Gênero Discocera Laporte, 1832
31) Discocera coccinea (Fabricius, 1798)
Espécie apenas conhecida do Nordeste e Leste do Brasil. Re-
gistrâmo-la, pela primeira vez, para o Estado do Paraná, na região
Sul do Pais.
Meaterial examinado:
BRASIL
Estado de Paraná
Arapongas, 2/ 1952, 1 macho e 1 fêmea, A. Maller col. (col. SEABRA)
32) Discocera ochrocyanea (Le Peletier & Serville, 1825)
É a espécie mais frequente no gênero no Norte e Leste do País.
Desta região citamos 2 machos e 1 fêmea.
Material examinado:
BRASIL
Estado do Amazonas
Borba, Rio Madeira, 3/1943, 1 macho, (col. DIRINGSHOFEN n.º 272)
Estado do Pará
Canta Galo (Óbidos), 11/1956, 1 fêmea, (col. DIRINGSHOFEN n.º 306)
IHERINGIA — Zoologia n.º 15 — abril de 1960 23
er eo |
Estado da Bahia
Água Preta (Pedrito Silva), 1 macho, “predador da larva de Cryno-
malus discoidens F'.”, (col. IB: n.º 351)
ZUSAMMENFASSUNG
NEOTROPISCHE PENTATOMIDEN Il — Beitrag zur Kenntnis der
suedamerikanischen A so pin.a e (Hem. Het. Pentatomidae)
Neue Angaben ueber die geographische Verbreitung von 32
neotropischen Arten aus der Unterfamilie ASOPINAE (Hem. Het.
Pentatomidae) gaben Anlass zu dieser Arbeit. Folgende Synonyme
werden besprochen: Tynacantha sanguinolenta HORVATH, 1911
gleich Tynacantha marginata Dallas, 1851; Podisus (Tylospilus)
formosus Costa-Leite, 1957 gleich Podisus (Tylospilus) distans
BERGROTH, 1891; Stiretrus (Stiretrus) trilineatus GERMAR, 1839
gleich Stiretrus (Stiretrus) circumdatus (Spinola, 1837); Stiretrus
(Stiretrus) atricapillus Westwood, in Hope, 1837 gleich Stiretrus
(Stiretrus) decemguttatus (Le Peletier et Serville 1825). Der Allotypus
weiblichen Geschlechtes von Oplomus (Oplomus) lunula HORVATH,
1911 wird aufgestellt, an Hand eines Vertreters aus SuedBrasilien.
Der Verfasser bespricht von Fall zu Fall die Faerbungsvarietaeten
der verschiedenen Arten und aeussert sich ueber den nomenkla-
rorischen und taxonomischen Wert der Nahmen, die von frueheren
Autoren zwecks Identifizierung der erwaehnten Varietaeten uns
stellt wurden.
e. ta VSEE JE
24 L. Buckup — Pentatomideos Neotropicais — II
LITERATURA CITADA
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An, Soc. Cient. Argent. XV., 1883. Total 213 pp.
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PESQUISAS
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
Órgão do Instituto Anchietano de Pesquisas
Diretor: Balduíno Rambo, S. J.
Trabalhos de investigação científica nas línguas ocidentais de
uso corrente na ciência.
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Pörto Alegre
Caixa Postal, 358 — Rio Grande do Sul — BRASIL
SELLOWIA
Anais Botânicos do Herbário “Barbosa Rodrigues”
Fundada em 1949
Fundador e editor: P. Raulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Botânica, com artigos em português,
alemão e inglês.
HERBARIO “BARBOSA RODRIGUES”
Itajai — Santa Catarina — BRASIL
SR
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SERIES CIENTÍFICAS
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OS PENTATOMÍDEOS | Ka
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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
(BRASIL)
(Hemiptera-Heteroptera-Pentatomidae)
Ludwig Buckup Dr.rer.nat.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA “A Bro
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DIVISÃO DE CULTURA
DIRETORIA DE CIÊNCIAS
ZOOL. | N.º 16
SER. Pägs. 1-24 | P. ALEGRE JANEIRO — 1961
DIRETOR
Pe. Balduino Rambo 8. u
EN TOMOLOGIA
HERPETOLOGIA
Antönio Carlos Pradél Avetedo ==
Nat ERBE TERS
Thales de Lema — Bacharel- Licenciado em História Natural
MALACOLOGIA
* ORNITOLOGIA | I
“Eduardo Casado Marques. er
Töda correspondência referente a
IHERINGI A
deye ser enviada ao
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MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIENCIAS
NATURAIS i
PRAÇA D. FELICIANO, 78
CAIXA POSTAL 1188
Pôrto Alegre . — Rio Grande do Sul — Brasil
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Ludwig Buckup Dr.rer.nat.
OS PENTATOMIDEOS
DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
(BRASIL)
(Hemiptera-Heteroptera-Pentatomidae)
1961
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PORTO ALEGRE
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| IHERINGIA | ser. zoor.| N.º 16 | Pägs. 1-24 | P. ALEGRE | JANEIRO — 1961
05 PENTATOMIDEOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (BRASIL)
Hemiptera-Heteroptera-Pentatomidae (*)
Ludwig Buckup Dr.rer.nat. (**)
INTRODUÇÃO
Desde há vários anos vimos nos ocupando do estudo dos Hemipteros
da família dos Pentatomideos. Procurando atender aos interêsses re-
gionais da instituição de pesquisas a cujo quadro de funcionários per-
tencemos, concentramos as nossas atividades, desde o início, nos re-
presentantes da família acima citada que ocorrem no Estado do Rio
Grande do Sul. O recolhimento de informações bibliográficas e os
trabalhos de colecionamento a que nos temos dedicado, trouxeram como
resultado um volume satisfatório de material informativo, o qual, em
nossa opinião, justifica a publicação de um trabalho de síntese sôbre os
estudos efetuados até a presente data com relação à região geográfica
em questão. Reconhecemos que como resultado de um inventariamento
da fauna regional de Pentatomideos, as nossas conclusões são passíveis
de críticas. É preciso reconhecer, no entanto, que o atual estado da
sistemática dos Pentatomideos neotropicais. com grande número de
espécies não descritas, com inúmeras formas sem enquadramento ge-
nérico satisfatório, enfim, com problemas fundamentais de sua taxio-
nomia a serem ainda resolvidos, não facilita de forma alguma o tra-
balho daquele que visa elaborar catálogos regionais e listas faunisticas.
O trabalho presente foi elaborado com a finalidade de ser útil na
solução dos problemas zoogeográficos que envolvem a região geográfica
abrangida pelo território do Estado do Rio Grande do Sul. A faunística
comparativa, único método que no estado atual dos conhecimentos
sôbre a fauna continental sulamericana pode prometer algum resultado
quando aplicado aos problemas da zoogeografia sulamericana, utiliza-se,
em primeira linha, dos catálogos e das listas faunísticas regionais. NO
caso particular dos Pentatomidae, surgiram nos últimos anos alguns
trabalhos similares ao presente, referentes principalmente ao Uruguai,
Argentina, Paraguai e Bolívia (PIRAN, 1948 & 1956; RUFFINELLI &
PIRAN, 1959), áreas geográficas vizinhas ou próximas ao Rio Grande do
Sul. A comparação dos nossos resultados com as informações contidas
nos trabalhos acima e ainda com o que é conhecido de outras regiões
( *) Trabalho entregue para publicação em 31 de janeiro de 1961.
(**) Zoölogo do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
6 L. Buckup — Os Pentatomideos do Estado do Rio Grande do Sul — Brasil
sulamericanas, especialmente do Brasil, poderia proporcionar conclusöes
úteis ao enquadramento e caracterização zoogeográficos da fauna de
Pentatomideos do Rio Grande do Sul.
A literatura clássica sôbre os Pentatomideos neotropicais mostrou-se
extremamente pobre em citações sôbre espécies procedentes do Rio
Grande do Sul. As citações “Brasilia”, tão frequentes na literatura,
evidentemente não poderiam ser úteis aos nossos propósitos; não as
consideramos. Também as indicações “Brasilia meridionalis” tiveram
que ser rejeitadas, pois tal têrmo era aplicado pela maioria dos autores,
especialmente por STAL, para tôdas aquelas regiões que no mínimo
hoje constituem a Região Sul do Brasil, incluindo portanto além do
Rio Grande do Sul, os Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo,
Rio de Janeiro e Guanabara. A família dos Pentatomideos abriga al-
gumas espécies oue constituem ou pragas das plantas cultivadas ou
formas predadoras, eventualmente úteis, estas últimas, para o combate
biológico das pragas da agricultura. Tal fato fêz com que o grupo
tivesse merecido vez por outra a atenção dos pesquisadores no campo
da entomologia aplicada. Surgiram assim alguns Pentatomideos sulrio-
grandenses incluidos em listas de pragas de plantas cultivadas, que
afinal constituiram fonte bibliográfica de certa utilidade para o pre-
sente trabalho. Salientamos os trabalhos de REINIGER & FERREIRA-
LIMA (1935); COSTA LIMA (1936); RONNA (1923); MONTE (1939);
BIEZANKO, BAUCKE & BERTHOLDI (1949) e GOMES COSTA (1944).
A maior parte das informações obtidas, procedem, no entanto, das
coleções do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais e de outras co-
leções em instituições similares do Estado e do Brasil. Tanto na con-
sulta à literatura como no exame das coleções, surgiu frequentemente o
problema da validez dos nomes encontrados quando referidos à espéci-
mens procedentes do território sul-riograndense. Nas citações contidas
em literatura muito antiga, os exemplares correspondentes tornaram-se.
evidentemente, inacessíveis para nós. Neste caso procuramos apenas
examinar a validez nomenclatural do nome científico. O material aqui
citado como pertencente a uma determinada coleção foi, sempre que
possível, pessoalmente examinado por nós com a finalidade de confir-
mar ou não, à luz dos trabalhos mais modernos, as determinações ante-
riormente efetuadas por outros especialistas.
A lista contida no presente trabalho reune as espécies sul-riogran-
denses em ordem alfabética. Neste grupo de Hemipteros ainda não
foram feitos estudos realmente significativos sôbre as relações filogené-
ticas entre as unidades das categorias infra-familiares, motivo pelo qual
deixamos de utilizar aqui tal critério. Para a sequência das Subfamílias
adotamos o sistema contido no recente trabalho de CHINA, W. E. &
MILLER, N. C. E. — (1959), “Check-List and Keys to the families and
subfamilies of the Hemiptera-Heteroptera”, Bull. Brit. Museum (Nat.
Hist.) Entom. 8(1),45pp.. As diversas tribos estão indicadas entre pa-
rênteses, após o nome de cada espécie.
As localidades das quais procedem as espécies arroladas e que estão
citadas em nossa lista surgiram ou da literatura ou das etiquetas de
procedência que encontramos no material examinado. O autor e a
data de publicação indicam a fonte bibliográfica; informações mais
precisas poderão ser obtidas na lista bibliográfica que acompanha o
trabalho. Para as localidades geográficas encontradas nas etiquetas de
procedência, procuramos manter a redação original ali contida, mesmo
quando os nomes geográficos sofreram alterações depois das datas de
coleta. Com tal procedimento queremos facilitar o reencontro de exem-
plares aqui citados como pertencentes a determinada coleção. Acres-
centamos, porém, ao nosso trabalho, uma definição geográfica mais
IHERINGIA — Zoologia n.º 16 — janeiro de 1961. 7
precisa de cada uma das localidades mencionadas (vide Vocabulário
Geográfico p. 14), visando facilitar o trabalho interpretativo do
zoogeögrafo.
As coleções das quais procede o material examinado estão identi-
ficadas na lista das espécies através das seguintes abreviaturas:
MRCN — Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais da Diretoria
de Ciências da Divisão de Cultura da Secretaria de Edu-
cação e Cultura do Rio Grande do Sul, (Pôrto Alegre).
MNSS — Museu do Seminário Nossa Senhora da Salete, Marcelino
Ramos, Estado do Rio Grande do Sul.
CA — Colégio Anchieta, Instituto Anchietano de Pesquisas, Pôrto
Alegre, Estado do Rio Grande do Sul.
SE — Serviço de Entomologia da Secção de Defesa Sanitária
Vegetal da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio
Grande do Sul, Pörto Alegre.
BECKER — Coleção particular de Johan Becker, Rio de Janeiro, Museu
Nacional.
GRUMAN -—- Coleção particular de Eugênio W. Gruman, Pörto Alegre,
Estado do Rio Grande do Sul.
Desejamos deixar registrados aqui cs nossos mais sinceros agra-
decimentos a todos aquêles que nos permitiram examinar as suas cole-
ções e, à Srta. Euterpe Couto de Almeida, pela sua assistência durante
a elaboração dêste trabalho.
As pesquisas que conduziram a esta publicação foram realizadas
no Setor de Entomologia do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
em Pörto Alegre.
Fam.PENTATOMIDAE (Leach, 1815)
Subfam. ASOPINAE (Amyot & Serville, 1843)
Alcaeorrhynchus grandis (Dallas, 1851) (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS); Itapiranga (col. MRCN); Itapoã e
Viamão (col. MRCN); Pôrto Alegre (col. MRCN, col. CA); Tra-
mandai (col. Becker),
Coryzorhaphis leucocephala Spinola, 1837 (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS); Itapiranga (col. MRCN).
Marmessulus nigricornis (Stal, 1864) (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS). É
Oplomus (Catostyrax) catena (Drury, 1782) (Asoparia)
São Franciscc de Paula, Bom Jesus, Palmeira e Itapiranga (col.
MRCN); Marcelino Ramos (col. MNSS).
Oplomus (Oplomus) cruentus (Burmeister, 1835) (Asoparia)
Bom Jesus e Viamäo (col. MRCN); Säo Francisco de Paula e Pörto
Alegre (col. CA); Pelotas (Capäo do Leäo) (RONNA, 1923, como
predador de Ammalo helops Walker, Lepidoptera).
Oplomus (Oplomus) lunula Horvath, 1911 (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS).
8 L. Buckup — Os Pentatomideos do Estado do Rio Grande do Sul — Brasil
Oplomus (Oplomus) marginalis (Westwood, in Hope, 1837) (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS).
Podisus (Podisus) crassimargo (Stal, 1860) (Asoparia)
Pörto Alegre e Itapiranga (col, MRCN).
Podisus (Podisus) nigrispinus (Dallas, 1851) (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS); Ipanema e Itapiranga (col. MRCN).
Podisus (Podisus) obscurus (Dallas, 1851) (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS).
Podisus (Tylospilus) nigrobinotatus (Berg, 1879) (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS); Pörto Alegre (Ilha do Lage) (coi.
MRCN); Gramado (col. Becker).
Podisus (Tylospilus) distans Bergroth. 1891. (Asoparia)
Bom Jesus, Vila Oliva (col. MRCN).
Stiretrus (Stictonotion) decastigmus (Herrich-Schaeffer, 1837) (Disco-
ceraria).
Marcelino Ramos e Lageado Grande (col. MNSS); Vila Oliva, Bom
Jesus e Itapiranga (col. MRCN); São Francisco de Paula, Palmeira
e Pôrto Alegre (col. CA).
Stiretrus (Stictonotion) rugosus Germar, 1839 (Discoceraria)
Bom Jesus, (col MRCN).
Stiretrus (Stiretroides) loratus Germar, 1839 (Discoceraria)
sêrro Azul e Itapiranga (col. MRCN).
Stiretrus (Stiretrus) circumdatus (Spinola, 1837) (Discoceraria)
Marcelino Ramos (col Mnss); Itapiranga, Serro Azul, Parecy Novo
e São Francisco de Paula (col. MRCN).
Stiretrus (Stiretrus) decacelis Berg, 1883 (Discoceraria)
Serro Azul, Itapiranga e Pôrto Alegre (col. CA).
Stiretrus (Stiretrus) erythrocephalus (Le Peletier & Serville, 1825)
(Discoceraria).
Serro Azul (col. CA); Itapiranga (col. MRCN).
Stiretrus (Stiretrus) septemguttatus (Le Peletier & Serville, 1825), (Dis-
coceraria).
ee Ramos (col. MNSS); Rio Grande do Sul e Itapiranga (col.
Stiretrus Rd smaragdulus (Le Peletier & Serville, 1825) (Disco-
ceraria).
Marcelino Ramos (col. MNSS); Passo do Cotiporã e Itapiranga (col,
MRCN); Palmeira (col. CA).
Supputius cincticeps (Stal. 1860) (Asoparia).
Pôrto Alegre (col. MRCN, col. Becker).
IHERINGIA — Zoologia n.º 16 — janeiro de 1961. 9
Tynacantha marginata Dallas, 1851 (Asoparia)
Marcelino Ramos (col. MNSS); Pinhal (col. MNSS); Parecy Novo,
Serro Azul e Pörto Alegre (col. MRCN); Guaíba (col. SE); Rio
Grande do Sul (BERG, 1891/2; Horváth, 1911).
Subiam. TESSARATOMINAE (Sta, 1865)
Piezosternum (Piezosternum) thunbergi Stal, 1860 (Oncomerini),
Marcelino Ramos (col. MNSS); Itapiranga (col. MRCN); Santa
Maria (col. MRCN); Osório (col. MRCN).
Subfam. CYRTOCORINA E Distant, 1880
Gyrtocoris gibbus (Fabricius, 1803)
Serro Azul (col. CA).
Subfam. PENTATOMINAE (Amyot & Serville, 1843)
Acledra kinbergi (Stal, 1859) (Pentatomini)
Bajé (col. MRCN); Rio Grande do Sul (col. IB).
Agroecus brevicornis Buckup. 1957 (Pentatomini)
Pinhal (loc. Tip.) (col. MNSS).
Agroecus griseus Dallas, 1851 (Pentatomini)
Pôrto Alegre, São Lecpoldo, Itapiranga (BUCKUP, 1957).
Agroecus scabricornis (Herrich-Schaeffer, 1844) (Pentatomini)
Itapiranga (Buckup, 1957).
Arocera apta (Walker, 1867) (Pentatomini)
Rio Pardo (col. MRCN).
Arvelius albopunctulatus (De Geer 1773) (Pentatomini)
Marcelino Ramos (MNSS); Ponta Grossa, Ipanema, Alto da Feliz e
Pôrto Alegre (col. MRCN); Sêrro Azul (col. CA); Pörto Alegre (col.
MRCN, col, CA, Col. Gruman — sôbre Solanum auriculatum; col.
SE — sôbre Tomateiro, Solanum lycopersicum); Pelotas (no Hörto
Botânico do Inst. Agronômico do Sul sôbre Solanum ciliatum Lam.);
Canoas (col. SE).
Bothrocoris quinquedentatus (Spinola, 1837) (Pentatomini)
São Leopoldo (col. MRCN).
Brachystethus geniculatus (Fabricius, 1787) (Pentatomini)
Pelotas, Pôrto Alegre, Viamão, Santa Maria, Ipanema, Emboabas e
Itapiranga (col. MRCN).
Chlorocoris tau Spinola, 1837 (Pentatomini)
Vila Oliva, Viamão, São Leopoldo, Ipanema (col. MRCN); Pórto
Alegre (col. Becker).
Dichelops punctatus Spinola, 1837 (Pentatomini)
Spinola, São Leopoldo (SPINOLA, 1837).
10 L. Buckup — Os Pentatomideos do Estado do Rio Grande do Sul — Brasil
Dichelops mutabilis Walker, 1867 (Pentatomini)
Vila Oliva (MRCN); Pörto Alegre (col. MRCN, col. Becker).
Dinocoris gibbus (Dallas, 1851) (Discocephalini)
Pörto Alegre (col. MRCN — sôbre “três marias”, Bougainvillea sp,,
“Mimo-de-vênus”, Hybiscus rosa-sinensis e sôbre “Jacarandá”).
Dinocoris strigatus (Walker, 1868) (Discocephalini)
Marcelino Ramos (col. MNSS).
Dryptocephala punctata Amyot & Serville, 1843 (Discocephalini)
Marcelino Ramos (col. MNSS): Itapiranga (col. MRCN).
Dryptocephala spinosa Mayr, 1864 (Discocephalini)
Colönia Säo Pedro (col. MRCN).
Edessa carnosa (Wetswood, in Hope, 1837) (Edessini)
Bom Jesus, Ipanema (col. MRCN).
Edessa flavida Westwood, in Hope, 1837 (Edessini)
Marcelino Ramos, Pinhal, Lageado Grande (col. MNSS); Pörto
Alegre, Rio Grande do Sul (MRCN).
Edessa meditabunda (Fabricius, 1794) (Edessin!)
Pelotas (Hörto Botânico do Inst. Agronômico do Sul — sôbre
Solanum gracile); Barra do Ribeiro (col. SE — sôbre “Girassol”,
Helianthus annuus); São Leopoldo (col. CA); Pörto Alegre (col, CA;
dol. Gruman — sôbre Solanáceas; col. SE — sôbre “Aboboreira”,
Cucurbita pepo; col. Becker).
Edessa nigropunctata Berg, 1884 (Edessini)
Parecy Novo (col. SE); Itapiranga (col. CA); Brasil meridional
(Berg, 1891/2).
Edessa ovalis Stal, 1872 (Edessini)
Parecy Novo (Col. CA); São Leopoldo (col. SE).
Edessa polita (Le Peletier & Serville, 1825) (Edessini)
São Francisco de Paula, (col. CA); São Leopoldo (col. SE).
Edessa pictiventris Stal, 1872 (Edessini)
Pôrto Alegre (col. CA — sôbre “Corticeira”, Erytrina cristagalli).
Edessa rufomarginata (De Geer, 1773) (Edessini)
Sobradinho (col. Becker — sôbre “Fumo Bravo”, Solanum auricu-
latum); Pelotas (Biezanko, Baucke & Bertholdi, 1949 -- sôbre
“Beringela”, Solanum melongena e “Batata inglêza”, Solanum tu-
berosum); Pelotas (Hôrto Botânico do Inst, Agronômico do Sul —
sôbre Solanum sisymbriifolium).
Euschistus anticus Stal, 1860 (Pentatomini)
Gramado (col. Becker — sôbre “Caragoatá”, Eryngium eburneum);
Brasil meridional (BERG, 1891/2).
Euschistus circumfuscus Berg, 1884 (Pentatomini)
Vila Oliva e Gramado (col. Becker).
IHERINGIA — Zoologia n.º 16 — janeiro de 1961. 11
Euschistus cornutus Dallas, 1851 (Pentatomini)
Marcelino Ramos e Pinhal (col. MNSS); Itapiranga (col. MRCN).
Euschistus picticornis Stal, 1872 (Pentatomini)
Marcelino Ramos (col. MNSS); Vila Oliva, Tôrres, Viamão, Ipanema,
São Francisco de Paula, Gramado, Bom Jesus, Pinhal, Itapiranga
(col. MRCN); Sobradinho (col. Becker — sôbre “arroz”, Oriza sativa)
Euschistus triangulator (Herrich-Schaeffer, 1842) (Pentatomini)
Pinheiral (col. MRCN).
Glyphepomis androguensis Berg, 1891 (Pentatomini)
Taim, Pelotas, Gravataí (col, MRCN); Rio Grande do Sul (col. SE).
Glyphepomis setigera Kormilev & Pirán, 1952 (Pentatomini)
Pôrto Alegre (col. MRCN); Rio Grande do Sul (col. SE).
Harpagogaster willineri Kormilev, 1957 (Discocephalini)
Vila Oliva (col. MRCN).
Lopadusa augur Stal, 1360 (Pentatomini)
São Francisco de Paula (col. MRCN).
Loxa deducta Walker, 1867 (Pentatomini)
Pôrto Alegre, Ipanema, Viamão e Itapiranga (col. MRCN).
Loxa flavicollis (Drury, 1773) (Pentatomini)
Pôrto Alegre e Itapiranga (col. MRCN).
Loxa picticornis Horvath, 1925 (Pentatomini).
Pörto Alegre, Santa Maria e Itapiranga (col. MRCN).
Macropygium reticulare (Fabricius, 1803) (Halyini)
São Leopoldo (SPINOLA, 1837).
Mayrinia curvidens (Mayr, 1864) (Pentatomini)
Pôrto Alegre, São Leopoldo (col. MRCN); Marcelino Ramos e Pinhal
(col, MNSS).
Mecocephala acuminata Dallas, 1851 (Pentatomini)
Pôrto Alegre (col. MRCN).
Mecocephala rubripes Berg, 1894 (Pentatomini)
Viamão e São Leopoldo (col. MRCN).
Mormidea exigua Berg, 1891 (Pentatomini)
Pôrto Alegre (col. Gruman); Pelotas (Biezanko, Baucke e Bertholdi,
1949 — sôbre “arroz”, Oryza sativa); Rio Grande do Sul (COSTA
LIMA, 1936 — sôbre “arroz”, Oryza sativa).
Mormidea iheringi Berg, 1891 (Pentatomini)
Rio Grande do Sul (BERG, 1891/2).
Mormidea notulifera Stal, 1860 (Pentatomini)
Pôrto Alegre (col. Gruman — sôbre Ricinus comunis e Plygonum
acre); Emboaba (col. MRCN).
12 L. Buckup — Os Pentatomideos do Estado do Rio Grande do Sul — Brasil
Mormidea ochraceipennis (Herrich-Schaeffer, 1837) (Pentatomini)
Pörto Alegre (col. CA).
Mormidea spegazzinii Berg, 1884 (Pentatomini)
Gramado (col. Becker).
Mormidea ypsilon (Linnaeus, 1759) (Pentatomini)
Pelotas (Beizanko, Baucke e Bertholdi, 1949 — sôbre “arroz”, Oryza
sativa); Itapiranga (col. MRCN).
Mormidea v-luteum (Lichtenstein, 1796) (Pentatomini)
Iraí (col, SE — sôbre “arroz”, Oryza sativa); Pelotas (Biezanko,
Baucke e Bertholdi, 1949 — sôbre “arroz”, Oryza sativa); Rio Grande
do Sul (col. IB); Itapiranga (MRCN).
Nezara viridula (Linnaeus, 1758) (Pentatomini)
Marcelino Ramos e Pinhal (col. MNSS); Santa Rosa, Canoas, Viamão,
Ipanema, Santa Maria, Bom Jesus (col. MRCN); Pörto Alegre (col.
MRCN, col. Gruman; col. SE — sôbre “Aboboreira”, Cucurbita pepo);
Pelotas (col. MRCN, col. SE, Biezanko, Baucke e Bertholdi, 1949 —
sôbre “Feijoeiro”, Phaesolus vulgaris; Hörto Botânico do Instituto
Agronômico do Sul — sôbre sôbre Solanum sisymbriifolium).
Odmalia quadripunctata Bergroth, 1914 (Pentatomini)
Sobradinho (col. Becker).
Olbia elegans (Herrich-Schaeffer, 1837) (Edessini)
Pôrto Alegre e Florida (col. MRCN).
Pallantia macula (Dallas, 1851) (Pentatomini)
Gramado (col. Becker).
Peromatus sulcifer Berg, 1892 (Edessini)
Pörto Alegre (col. CA).
Pharypia (Dichropepla) generosa Stal, 1864 (Pentatomini)
Pörto Alegre (col. CA).
Proxys albopunctulatus (Palisot de Beauvoir, 1805) (Pentatomini)
Törres, Passo do Cotiporä, Ipanema, Tramandai, Itapeva (col.
MRCN); Marcelino Ramos (col. MNSS); Parecy Novo (col. CA);
Runíbia perspicua (Fabricius, 1798) (Pentatomini)
Pôrto Alegre (col. CA — sôbre solanáceas e col. MRCN).
Pelotas (BIEZANCO, BAUCKE e BERTHOLDI, 1949 — sôbre Brun-
felsia hopeana e Pyrus comunis); São Leopoldo, Parecy Novo e
Pelotas (col. CA); Pörto Alegre e Sobradinho (col. MRCN, col.
Gruman — sôbre “videira”, sôbre Begonia semperflorens, sôbre
Eu sp. e söbre Brunfelsia hopeana); Pörto Alegre (col.
ecker).
Serdia (Brasiliicola) calligera Stal, 1860 (Pentatomini)
Pinhal (col. MNSS).
Serdia (Serdia) limbatipennis Stal, 1860 (Pentatomini)
Vila Oliva (col. MRCN).
IHERINGIA — Zoologia n.º 16 — janeiro de 1961. 13
Solubea grisescens Sailer, 1944 (Pentatomini)
Pôrto Alegre (SAILER, 1944 — sôbre “arroz”); Rio Grande do Sul
(col. MRCN — sôbre “trigo”); Viamão, Ipanema, Sobradinho (col.
MRCN).
Solubea poecila (Dallas, 1851) (Pentatomini)
Pörto Alegre (col. MRCN, col Becker — sôbre Polygonum acre);
Sobradinho e Gramado (col. Becker — sôbre Polygonum acre);
Pelotas (BIEZANKO, BAUCKE e BERTHOLDI, 1949 — sôbre “Milhä”,
Panicum sanguinale L.; Hôrto Botânico do Instituto Agronômico do
Sul — sôbre Solanum sisymbriifolium Lam.); Maquiné (col. SE);
Gravataí, São Gabriel, Guaíba, Camaquã, Rio Pardo, Tapes e São
Lourenço (REINIGER & FERREIRA LIMA, 1935 — sôbre “Joá”,
Solanum sisymbriifolium; “Pimenta Brava”, Solanum sp.; “Milha”,
Panicum saguinale L.; “Capim arroz”, Panicum crusgalli).
Solubea ypsilon-griseus (De Geer, 1773) (Pentatomini)
São Gabriel (col SE — sôbre “arroz”, Oryza sativa); General Vargas
(col. SE); Rio Grande do Sul (col. IB); Ipanema, Pörto Alegre e
Sobradinho (col. MRCN).
Thoreyella brasiliensis Spinola, 1850 (Pentatomini)
Vila Oliva e Bom Jesus (col. MRCN).
Thyanta casta Stal, 1862 (Petatomini)
Florida e Ipanema (col. MRCN); Pörto Alegre (col. MRCN e col.
Becker).
Tibraca limbativentris Stal, 1860 (Pentatomini)
Ipanema, Törres, (col. MRCN); Pörto Alegre (col. MRCN, col.
Becker); Rio Grande do Sul (MONTE, 1939 — sôbre “arroz”); Santa
Maria e Camaquã (SE — sôbre “arroz”).
Vulsirea violacea (Fabricius, 1803) (Pentatomini)
Pörto Alegre (col. MRCN),
Subfam. SCUTELLERINAE (Leach, 1815)
Augocoris sexpunctatus (Fabricius, 1781) (Scutelleraria)
Pörto Alegre, Parecy Novo e Itapiranga (col. A).
Chelycoris oblongus Haglund, 1868 (Tetyraria)
Pelotas (MRCN).
Chelysoma leucoptera (Germar, 1839) (Tetyraria)
Itapiranga (col. CA).
Galeacius martini Schouteden, 1904 (Tetyraria)
São Leopoldo (col. MRCN).
Pachycoris torridus (Scopoli, 1772) (Tetyraria) I 2
São Francisco de Paula (col. MRCN); Parecy Novo, Itapiranga, São
Leopoldo, Sêrro Azul, São Francisco de Paula (col. CA).
Symphylus ramivitta Walker, 1868 (Tetyraria)
Pôrto Alegre (col. MRCN).
14 L. Buckup — Os Pentatomideos do Estado do Rio Grande do Sul — Brasil
VOCABULÁRIO GEOGRÁFICO
Com o presente vocabulário desejamos proporcionar ao leitor
informações mais detalhadas sôbre as localidades geográficas sul-rio-
grandenses citadas no texto do trabalho. A localidade Itapiranga, inú-
meras vêzes citada ao longo da lista das espécies pertence politicamente
ao Estado de Santa Catarina, no entanto fica situada tão próxima da
fronteira do Rio Grande do Sul e é fisiograficamente tão semelhante
às regiões riograndenses mais próximas, que não hesitamos em consi-
derar as espécies de Pentatomideos ali colecionadas como formas repre-
sentativas do território de que trata êste trabalho.
O sinal * que se encontra junto a algumas localidades indica a
existência de várias localidades sul-riograndenses com o mesmo nome.
Diante da inexistência de outros dados nas respectivas etiquetas de
procedência dos exemplares examinados não nos foi possível efetuar as
indicações que justificaram o presente vocabulário.
+
Alto da Feliz — Próximo à Vila de Feliz, região ocidental
do município de Caí.
Município de Bajé (ex-Bagé)
Distrito, Município de Guaíba, à margem
direita do Rio Guaíba.
Bajé
Barra do Ribeiro
A
Bom Jesus — Município de Bom Jesus.
Camaquã — Municipio de Camaquã.
Canoas — Município de Canoas.
Colônia São Pedro — Povoado, à noroeste do Mörro da Laran-
jeira, Município de Tórres.
Emboabas — Região à margem esquerda da estrada
Osório-Tramandaí, município de Osório.
Florida — Balneário à margem direita do Rio Guaíba,
Município de Guaíba.
General Vargas — Município de Marcelino Ramos.
Gramado — Vila, na região setentrional do município de
Taquara.
Gravatai — Município de Gravataí.
Guaiba — Município de Guaíba.
Hha do Lage — Denominação local de uma das ilhas do
delta do Rio Guaíba, no município de Pörto
Alegre, capital do Estado.
Ipanema — Subúrbio de Pörto Alegre, capital do Es-
tado.
Iraí — Município de Iraí.
Itapeva — Pequeno povoado ao Norte da Lagoa de
igual nome ao Sul do município de Tórres.
Itapiranga — Distrito de Itapiranga, na região Sul-Oci-
dental do município de Xapecó, em Santa
Catarina, à margem direita do Rio Uruguai,
Itapoã — Mörro de Itapoã na ponta de Itapoã, à bar-
ra do Rio Guaíba no município de Viamão.
Lageado Grande — *
Marcelino Ramos — Distrito pertencente ao município de José
Bonifácio, à margem esquerda do Rio
Uruguai.
Maquiné — Distrito na região ocidental do município
de Osório.
*
Palmeira =
IHERINGIA — Zoologia n.º 16 — janeiro de 1961. 15
Parecy Novo
Distrito na regiäo oriental no municipio de
Montenegro.
No arröio do Cotiporä, afluente da margem
direita do Rio das Antas, municipio de Al-
fredo Chaves.
Municipio de Pelotas.
*
Passo do Cotiporã
Pelotas
Pinhal
Pinheiral
Ponta Grossa
*
Mörro da Ponta Grossa, na Ponta Grossa,
margem esquerda do Rio Guaiba, munici-
pio de Pörto Alegre.
Capital do Estado, sede do municipio de
Pörto Alegre.
Municipio de Rio Pardo.
Municipio de Säo Francisco de Paula.
Municipio de Säo Gabriel.
Município de São Leopoldo.
Município de São Lourenço.
Municipio de Santa Maria.
Município de Santa Rosa.
Pórto Alegre
Rio Pardo
São Francisco de Paula
São Gabriel
São Leopoldo
São Lourenço
Santa Maria
Santa Rosa
Io e
Sêrro Azul Município de São Luiz Gonzaga.
Sobradinho Município de Sobradinho,
Tapes Município de Tapes.
Tórres Município de Tórres.
Tramandaí Vila e Distrito na região oriental do muni-
cípio de Osório.
Viamão — Município de Viamão.
Vila Oliva — Vila no Município de Caxias.
BIBLIOGRAFIA
A presente lista bibliográfica não reúne apenas os trabalhos que
tratam especificamente dos Pentatomideos do Rio Grande do Sul,
porém tôdas aquelas publicações que se tornam direta ou indiretamente
indispensáveis durante o estudo dos Pentatomideos que ocorrem no
mencionado território.
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IHERINGIA — Zoologia n.º 16 — janeiro de 1961. 23
ZUSAMMENFASSUNG
Die Pentatomiden von Rio Grande do Sul, Brasilien
Vorliegende Arbeit enthaelt ein Verzeichnis aller bis jetzt aus
dem Staate Rio Grande do Sul, in Brasilien, bekannten Heteropteren
aus der Familie Pentatomidae. Ein Teil der Angaben stammt aus der
Literatur, der groessere Teil, jedoch wurde den Fundortetiketten der
wichtigsten brasilianischen Insektensammlungen entnommen. Ein allge-
meines Literaturverzeichnis ueber die in Rio Grande do Sul vorkommen-
den Pentatomiden wurde der Arbeit hinzugefuegt.
PESQUISAS
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
Órgão do Instituto Anchietano de Pesquisas
Diretor: Balduíno Rambo, S. J.
Trabalhos de investigação científica nas línguas ocidentais de
uso corrente na ciência
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Pórto Alegre
Caixa Postal, 358 — Rio Grande do Sul — BRASIL
SELLOWIA
Anais Botânicos do Herbário “Barbosa Rodrigues”
Fundada em 1949
Fundador e editor: P. Raulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Botânica, com artigos em português,
alemão e inglês
HERBÁRIO “BARBOSA RODRIGUES”
Itajai — Santa Catarina — BRASIL
SR ALA
BEWEES-CIEN FIREGCAS
IHERINGIA
DO
USEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
ZOOLOGIA
IHERINGIA
SER. z00L. Nº 17
— N. 17 — JANEIRO DE 196]
NOTAS SÓBRE OS RÉPTEIS DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL.
NOTAS IX — XI
Thales de Lema
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIVISÃO DE CULTURA
DIRETORIA DE CIÊNCIAS
8 Ests.;
21 Figs. | P. ALEGRE | JANEIRO — 1961
Págs. 1-20
DIRETOR
Pe. Balduino Rambo ST:
ENTOMOLOGIA
Ludwig Buckup — Dr. rer. nat., Bacharel-Licenciado em So Na U
HERPETOLOGIA
Antônio Carlos Pradel Azevedo — Bacharel-Licênciado em Históri:
“Natural; o na
Thales de Lema — Bacharel-Licenciado em História Natural;
MALACOLOGIA
José Willibaldo Thomé — Bacharel- “Licenciado em História Natural;
ORNITOLOGIA
Eduardo Casado Marques.
Töds correspondência referente a Ro Ee -
IHERINGIA Ras
deve ser enviada ao
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIENCIAS pen:
NATURAIS hs
PRAÇA D. FELICIANO, 78
CAIXA POSTAL, 1188 >
Pörto Alegre — Rio Grande do Sul — Brasil
—_- er me Ea a
E mi em ei
Desejamos estabelecer permuta.
We wish to establish exchange.
Wir wünschen Austausch.
Thales de Lema
NOTAS SOBRE OS REPTEIS DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL.
NOTAS IX — XI
1961
Oficinas Gráficas da Imprensa Oficial
PORTO ALEGRE
Sul
INSTITUTION =!
3 1952
| ENADE
| IHERINGIA | SER. z00L No 17 | Päss. 1-20| Eq I ALEGRE | »anzıro — 1961 |
21 Figs.
NOTAS SÖBRE OS RÉPTEIS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
— BRASIL.
NOTAS Ix—XI (*)
Thales de Lema (**)
IX — PRESENCA DE HELICOPS CARINICAUDA CARINICAUDA
(WIED) NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (Serpentes:
COLUDPIIAAC)E Ar ae ee E
X — ESTUDO DAS MARCAS VERTEBRAIS DE LYSTROPHIS
DORBIGNYI (DUM., BIBR. & DUM.) E DESCRIÇÃO DE UM
EXEMPLAR ANÖMALO. (Serpentes: Colubridae) ....... 11
XI — BICEFALIA EM XENODON MERREMII (WAGLER). — (Ser-
DEDEST ColuBelsae) as serao ee a ae ae 15
( *) Trabalho entregue para publicação em 31 de janeiro de 1961.
(**) Zoólogo do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
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PRESENCA DE HELICOPS CARINICAUDA CARINICAUPA (WIED) NO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. (Serpentes: Colubridae).
(Figs. 1-3)
Em nota anterior (1958) revalidamos a subespecie Helicops cari-
nicauda infrataeniata (JAN) GRIFFIN e confinamos a subespécie típica
aos Estados de São Paulc e Rio de Janeiro. Na presente nota regis-
tramos a forma típica para o Estado do Rio Grande do Sul, baseados
em exemplares capturados no município de Törres, ficando, assim
bastante ampliada a área de distribuição da forma descrita por WIED.
Descrevemos os exemplares encontrados e comentamos os problemas
suscitados pela ocorrência, uma vez que na mesma localidade já foi
vista por nós a outra, forma de JAN.
Agradecemos ao Dr. Hans Thofern e à sua equipe da Comissão
de Desenvolvimento Econômico do Litoral do Estado do Rio Grande
dc Sul, pelo fornecimento de um mapa detalhado da região de Tórres
e possibilidade de exame de farto material aerofotográfico, que nos per-
mitiu estudar a fisionomia da região melhor do que a observação “in
loco” por automóvel. Agradecemos ao Dr Ludwig Buckup pelas exce-
lentes fotografias e, ao mesmo, ao professor José W. Thomé e às Irmãs
do Ginásio São Domingos de Tórres, pela aquisição e cessão dos exem-
plares.
Matérial: Dois exemplares de Helicops carinicauda carinicauda (WIED
1825), adultos, fixados em álcool fraco, capturados numa lagoa pequena
dentro da sede municipal de Törres, cnamada “Lagöa do Violão” ou
“Lagöa de Tórres”, aproximadamente em fins de 1955. O exemplar
apresenta boa conservação dos tecidos e das côres, conforme Abbil-
dungen de WIED, e material colecionado no Museu Nacional do Ris
de Janeiro, Departamento de Zoologia de São Paulo e Instituto Butantan
de São Paulo e isso dizemos por não conhecermos exemplares vivos dessa
serpente.
Descrição:
A) MRCN.1113 — Adulto; fêmea. Lepidose: SL. — 8/9 (4-5 em contato
com órbita), IL. = 11 (1-5 em contato com Ment. Ant,, 6 com Ment.
Post.), Temp. = 143, PréO. = 1, PostO. an V.= 138 (9 1382
com um leve sulco central longitudinal). A 1/2 (cada uma das
partes da A. possue um sulco central longitudinal como uma bifur-
cação do sulco da última V.), SC. = 15+N/14+N (amputada, fe-
chado por pele), pequenos escudos marginando cloaca, D. —- 19-19-1",
carenadas fracamente nc início da zona vertebral e depois forte-
mente do segundo têrço do corpo em diante, nas escamas laterais a
carena é quase imperceptível e nos lados inferiores as escamas
são lisas, Dentes Max. = 1342. Coloração: lado dorsal castanho-
anegrado uniforme, lado ventral amarelo-pálido uniforme com
8 T. de Lema — Notas söbre os repteis do Estado do R. G. do Sul — Notas IX-XI
duas séries longitudinais de manchas pretas semielipticas e uma
série de manchas pretas de contornos irregulares entre aquelas
semelhando uma área sombreada e que vai esmaecendo para o fim
do corpo extinguindo-se totalmente na zona préanal; cauda de côr
amarelo-pálida com uma faixa preta central larga na base e
estreitando-se para a extremidade; labiais e gulares amareladas,
Medidas: 33+685+(55+N) = 778+N (respectivamente, compri-
mento da cabeca, do corpo, da cauda e total).
B) MRCN.1347 — Jovem; macho. Lepidose: SL, = 8/9 (4/4-5 em
contato com órbita), IL. = 10 (1-5 em contato com Ment. Ant. e
5-6 com Ment. Post.), Temp. = 142/1143, PréO. = 1, PostO. = 2, V.
= 140, A, = 1/2 (há um pequeno par de escudos na parte anterior
do 1.º par de SC. sob a A.), SC. = 49 pares+Terminal que tem
forma prismätica, deprimida lateralmente e com 5 mm de compri-
mento, D. = 19-19-17 carenadas como no exemplar anterior (A),
Dentes Max. = 10+2/11-+2. Coloração: dörso castanho-anegrado
tendendo ao cinzento-oliváceo nos lados inferiores, ventre amarelo-
pálido sujo com duas séries de manchas pretas longitudinais como
no indivíduo anterior (A) e uma série de manchas irregulares entre
aquelas duas e que se extingue no início do último têrço do ventre;
cauda amarelo-pálida com uma faixa preta mediana larga na base
e que se afina para a extremidade marginando os contornos in-
ternos das SC. como uma linha em ziguezague; zona infracefálica
amarelo-pálida e uns poucos pontos pretos no fim das Mentais
Post. e nos escudos gulares medianos, seguindo pelas V., onde se
misturam ou dão início às séries longitudinais de manchas ventrais.
Medidas: 29+485+125 = 639 mm (comprimentos).
CONCLUSÕES
Ocorrendo a forma típica nos Estados de Rio de Janeiro (loc. tipo)
e São Paulo e tendo sido agora constatada sua existência no Estado
do Rio Grande do Sul, parece-nos provável que seja esta a forma
existente nos Estados de Santa Catarina e Paraná, dos quais, aliás,
nada sabemos no tocante a serpentes do gênero Helicops.
Por outro lado, a ocorrência da forma típica na região de Törres
onde, também encontramos a forma infrataeniata, coloca-nos diante da
seguinte alternativa:
a. ou as duas formas são subespécies válidas,
b. ou as duas formas são espécies independentes,
Excluimos a possibilidade dessas formas serem variações (opinião
da maioria dos AA.) porque temos elementos para separá-las e que
estamos estudando, mantendo nosso ponto de vista (1958).
Para solucionar o problema deve ser verificado:
1.º — se as duas formas estão isoladas na região de Törres;
2º — se não estiverem isoladas, se ocorrem intergradantes;
3.º — se não estiverem isoladas, se não ocorrerem intergradantes, tentar
o cruzamento entre elas.
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. s
Os elementos que dispomos, por enquanto, são os seguintes:
I — Material — Quatro exemplares coletados em Törres em locais
diversos:
2 exx. de carinicauda carinicauda coletados em pequena lagöa na cidade
de Tôrres (“Lagöa de Törres”) — fig. 1 — rodeada de terreno panta-
noso.
2 exx. de carinicauda infrataeniata coletados na margem NE da Lagoa
Itapeva — 1 macho de coloração ventral vermelha-escura capturado em
valeta dágua em zona pantanosa da margem — 1 fêmea de coloração
ventral amarelo-canário intenso capturada na água da própria lagoa
— ambos adultos, sendo que a fêmea pariu em laboratório, e enqua-
dräveis no tipo cromático “C” de BOULENGER (1893). Todos os quatro
indivíduos são típicos da forma a que pertencem, não são intergradantes,
II — Fisionomia da região — O município de Törres está situado no
canto extremo NE do Rio Grande do Sul com o Atlântico a leste, o
Estado de Santa Catarina ao norte, o município de Osório ao sul e o
de São Francisco de Paula ao oeste. Todo o município é recortado por
muitos rios, arrôios e com muitos banhados, lagoas e águas menores,
destacando-se o rio Mampituba e a Lagoa Itapeva. O rio Mampituba
faz a divisa do Estado do Rio Grande do Sul com o de Santa Catarina,
ao norte de Törres, desaguando no mar. É formado pelo rio Verde que
corre de oeste a leste e recebe as águas do rio Glória e outros sôbre o
planaito, De Santa Catarina o Mampituba recebe vários rios pequenos
destacando-se o Sertão e a sanga da Lagoa do Sombrio, situada mais
para o interior e para o leste daquele Estado. O rio Mampituba é muito
acidentado e de seus 60 Km de curso apenas 25 Km são navegáveis.
A Lagoa Itapeva é uma grande lagoa de forma alongada no sentido
norte-sul acompanhando a linha do litoral e situada próxima à costa
extendendo-se do centro ao sul. Entre a Lagoa Itapeva e o rio Mampi-
tuba existe uma série de banhados e rios pequenos, inclusive uma lagoa
chamada “do Jacaré”, e êles fazem ligação indireta entre o Mampituba
ea Itapeva. A Lagoa de Törres, por sua vez, é ligada ao rio Mampituba
por um canal, conforme se pode observar na fig. 1.
Conclusões — Provavelmente Helicops c. carinicauda (WIED) entrou no
Rio Grande do Sul pelo rio Mampituba e, tenha ido populacionar a
pequena lagoa existente na sede do município de Tôrres. Assim, também,
é bem provável que ela tenha se difundido pelo interior do município
através da rêde fluvial-lacustre descrita, pois não há barreiras de monta
que possam evitar isso. Reforcamos esta idéia com o exemplo de que
inúmeras espécies vegetais e animais que existem em Törres e inexistem
no resto do Estado, ocorrerem em Santa Catarina, daí vários ecologistas
chamarem aquela região de “a porta de Törres” de entrada de fauna
e de flora para o Estado do Rio Grande do Sul.
Apesar das lagoas e açudes de Tôrres comportarem perfeitamente
populações de serpentes aquáticas, pelo seu volume dágua, pela sua
constante renovação e pela piscosidade, infelizmente não temos ma-
terial para comprovação. O rio Mampituba deve possuir a forma típica
de WIED e a Lagoa do Sombrio — água mais importante por perto —
também, falta apenas coletar para verificar isso, inclusive se as duas
raças se misturam.
SUMÁRIO
Foram encontrados exemplares de Helicops carinicauda carini-
cauda (WIED) na localidade de Törres, Estado do Rio Grande do Sul,
10 T. de Lema — Notas sôbre os répteis do Estado do R. G. do Sul — Notas IX-XL
ficando ampliada a distribuição geográfica da mesma, que era conhecida
dos Estados de Rio de Janeiro (loc. tipo) e São Paulo. A área interme-
diária dos Estados de Paraná e Santa Catarina fica por verificar quai
a forma que ocorre, pois nada há registrado.
ZUSAMMENFASSUNG
Das Auffinden einiger Exemplare von Helicops carinicauda carini-
cauda (WIED) in Törres, Rio Grande do Sul, Brasilien, gaben Anlass zu
dieser Arbeit. Diese Schlange war urspruenglich nur aus den Staaten
Rio de Janeiro und São Paulo bekannt. Ueber das Vorkommen dieser
Art. in den beiden anderen suedlichen Staaten Paraná und Santa Ca-
tarina ist, bis jetzt, noch nichts bekannt.
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(Serpentes: Colubridae).
(Figs. 4-15)
Lystrophis dorbignyi (DUMERIL, BIBRON & DUMERIL 1854) é
uma serpente muito frequente no Estado do Rio Grande do Sul onde é
conhecida pelos nomes de “jararaca-da-praia”, “bicuda” e “cobra-coral”,
sendo êstes dois últimos pouco difundidos. Temos coletado regular
número de exemplares e notamos que a marcação tanto dorsal como
ventral é bastante variável. Notamos também que há uma tendência
ao estriamento das marcas vertebrais pelo alongamento e coalescência
resultando estrias interrompidas ao lado da linha média do dörso.
Descrevemos aqui um exemplar em aque tôdas marcas são anômalas
com estrias.
Ainda não havia sido registrada no Brasil essa anomalia cromá-
tica em serpentes da Família Colubridae, mas, sim da Família Crotalidae,
inclusive verificamos isso em Bothrops alternata DUM., BIBR. & DUM.
e Bothrops jararaca (WIED) no Rio Grande do Sul (1958, 1960). Entre-
tanto, na fauna norteamericana há vários estudos interessantes sôbre
indivíduos ou mesmo populações estriadas de Colubrídeos. BROWN (1901)
observou uma população de Lampropeltis c. calligaster (HARLAN) com-
pletamente estriada, em que o padrão normal era melänico, constituin-
do-se então em “fases cromáticas” apresentadas por aquela espécie.
BLANCHARD (1921) estudou o mesmo caso ao fazer sua revisão do
gênero Lampropeltis. ALLEN (1932) registrou um indivíduo estriado de
Natrix sipedon clarki (BAIRD & GIRARD). GLOYD (1935) encontrou dois
exemplares estriados de Elaphe laeta (BAIRD & GIRARD). KLAUBER
(1936, 1939) registrou exemplares estriados de Lampropeltis getulus cali-
forniae (BLAINVILLE), constatando que o fato ocorria numa população
inteira e foi considerado, então, dois padrões cromáticos normais da
espécie: a)anelado e b) estriado. O mesmo A, (1956) citou exemplares
estriados de Pituophis c. catenifer (BLAINVILLE). WRIGHT & WRIGHT
(1957), em sua monumental obra, cita todos os registros feitos nos Es-
tados Unidos da América e no Canadá.
Agradecemos à Direção da Escola de Maestria Agrícola da Secre-
taria de Educação e Cultura pela franquia de suas terras para coleta e
ao estudante Oscar Menna Barreto Grau pela colaboração no trabalho
de campo. Ao Dr. Ludwig Buckup agradecemos o trabalho fotográfico.
Descrição — Exemplar TDL. 1751 — Adulto. Fêmea. Lepidose: D.
20-22-17, V. — 135, SC. — 36 pares, A. = 1/2, SL. = 7 (senaradas da
órbita por um escudo suborbicular longo sôbre as SL. 3-5/4-5), IL. = 8
(1-4/1-3 tocando- Ment. Ant. e 4 tocando Ment. Post.), Ment. Ant. = 2,
12 T. de Lema — Notas sôbre os répteis do Estado do R. G. do Sul — Notas IX-XI
Ment. Post. — 2, sendo Ant. maior d. q. Post., Temp. = + 2,PréO. = 1.
PostO. = 1, Dent. Max. — 4 + 2. Medidas: 22 +407 + 68 — 497 mm
(respectivamente, comprimento da cabeça, do corpo, da cauda e total).
COLORAÇÃO: geral dorsal castanho-claro com as marcas em castanho-
escuro mais reforçado nas vertebrais do que nas laterais, desenhos su-
pracefálicos castanho-anegrados, ventre branco no início depois branca-
cento que passa para creme, creme-rosado, rosa e, por fim, encarnado
suave que aparece no fim do segundo terço do ventre; sôbre êsse fundo
há grupos de manchas de contornos irregulares espaçadas ora de um
lado do ventre ora do outro, rareando no meio do ventre e apenas vesti-
gios punctiformes na cauda. Anomalia cromática: tôdas as marcas
dorsais são anômalas, as marcas vertebrais são alongadas simplesmente,
algumas, outras são alongadas e inclinadas para a esquerda e outras,
por fim, são muito alongadas e voltadas ora para a direita ora para a
esquerda e fusionadas por suas extremidades formando linhas quebra-
das formando ângulos obtusos de 140-160.º. A cada grupo de marcas
coalescidas segue-se um grupc de marcas alongadas isoladas de maneira
mais ou menos regular. As marcas laterais, que correspondem às ver-
tebrais, são também tôdas alongadas longitudinalmente. As marcas
vertebrais que ocorrem sôbre a cauda são também alongadas e há uma
estria de 5 marcas coalescidas ao contrário dos indivíduos normais em
que essas marcas são romboidas e coalescidas pelos lados com as la-
terais.
Procedência: Terras da Escola de Maestria Agrícola da Secretaria de
Educação e Cultura do Estado do Rio Grande do Sul — “Passo do Vi-
gário — município de Viamão (Est. do Rio Grande do Sul, Brasil), 15, v.
1959, O. Menna Barreto Grau col. leg., zona de campo com alagadiços na
época das chuvas (Fig. 15).
MARCAS VERTEBRAIS DE LYSTROPHIS DORBIGNYI
Tanto a marcação dorsal como a ventral, bem como a coloração
de fundo, variam muito nessa espécie. Interessa-nos somente as marcas
vertebrais na presente nota.
Considerando-se como sendo a marca normal, típica para a es-
pécie e de acôrdo com o exemplar-tipo descrito pelos DUMERIL e por
BIBRON em 1854, aquela que fôr mais fregüente em um indivíduo e,
portanto, a que fôr mais frequente na maioria dos indivíduos, vamos
ter a seguinte marca: um círculo marginado de preto e com o centro
castanho escuro ocupando 8-10 escamas inteiras (Fig. 4). Essa marca,
na zona posterior próxima à cauda, apresenta uma tendência à forma
losangular (Fig. 5) resultante do prolongamento dos lados e extremi-
dades vertebrais ou resultante do encurtamento de uma marca oblíqua.
Dêsse tipo figurado na (Est. III, Fig. 4) derivam vários outros:
I — alongada longitudinalmente com vértices arredondados — bas-
tante frequente (Fig. 6);
II — alongada longitudinalmente com vértices angulosos e voltada
para a esquerda (Fig. 7) na maioria dos indivíduos — ou para
a direita (Fig. 3) geralmente na parte posterior;
III — fusão de marcas: fusão de duas marcas é o caso mais comum
se bem que ocorrendo em poucos exemplares, dá-se em duas
marcas consecutivas que tenham se alongado e se estreitado
muito e voltadas em sentidos contrários de modo a formar um
ângulo obtuso que varia de 100-160.º (Fig. 9) — fusão de três:
ou mais marcas formando uma linha quebrada (Fig. 10) é um
caso bem mais raro e geralmente os exemplares que o possuem
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. 13
apresentam-na na parte anterior do corpo; como nessas fusões
há arestas parece que se dão sempre com manchas do tipo II
— em filhotes é muito frequente duas marcas coalescidas for-
mando um ângulo aproximadamente reto (Fig. 11) e de con-
tornos muito bem definidos, aliás a marcação dos filhotes é
muito irregular diferindo sensivelmente do adulto.
IV — uma marca normal alonga-se para a esquerda ou para a direita
e coalesce com uma lateral exageradamente alongada transver-
salmente (Fig. 12) — isso acontece muito poucas vêzes mas há
alguns exemplares que possuem muitas marcas assim — nor-
malmente ocorre fusão das vertebrais com as laterais na zona
caudal (Fig. 13).
Além dessas existem outras marcas mas de formas tão diversas e
bizarras que não apresentam frequência significante e são como que
deformações dos tipos citados.
Tôdas essas marcas podem ocorrer conjuntamente em um indi-
víduo mas sempre predominando ou a forma normal (maioria dos in-
dividuos) ou uma derivada imediata da normal, como, por exemplo, as
Te II. (Fig. 14).
No exemplar anômalo descrito aqui não há marcas normais, há
do tipo I, II (só para a esquerda), III (de 2-5 marcas) e IV (caso seme-
lhante ao da Fig. 13).
CONCLUSÕES
Apesar da variabilidade da marcação vertebral cromática de
Lystrophis dorbignyi (DUMERIL, BIBRON & DUMERIL), podemos afir-
mar, baseados numa boa série de exemplares do Rio Grande do Sul.
que há uma forma de marca dominante, normal, da qual derivam as
demais formas. Por outro lado o exame de filhotes, de jovens e de
adultos nos indicam uma variação cromática ontogênica que tende a
normalizar-se à medida que envelhece o indivíduo. Assim são pouquis-
simos os exemplares velhos, avantajados, que possuam marcas diferentes
da normal ou de uma derivada imediata. Ao contrário, nos filhotes, a
marcação vertebral é irregular, apresentando os tipos citados e muitos
outros, inclusive partes (fragmentos) de marcas dispostas anáârquica-
mente.
Finalmente a observação dessas marcas mostram uma nítida ten-
dência ao estriamento e o exemplar descrito aqui representa um grau
alto de estriamento do padrão cromático dorsal — concretizando 70%
da tendência evidenciada pela grande maioria das marcas dos demais
indivíduos, Não temos notado isso em nenhuma outra forma sulameri-
cana da Família Colubridae.
Um registro de estriamento dos motivos cromáticos num indi-
víduo de uma Geterminada espécie é uma aberração isolada, muito rara,
mas, um indivíduo estriado pertencendo a uma população rica de
sinais de estriamento é já um processo de modificação do padrão cro-
mático daquela população, que tenderia a criar um novo tipo, estriado,
normal para aquela população. Tal é o caso de Lampropeltis getulus
californiae (BLAINV.) estudado por KLAUBER (anteriormente citado).
SUMÁRIO
As marcas dorsais que ocorrem na linha vertebral de Lystrophis
dorbignyi (DUMERIL, BIBRON & DUMERIL 1854) apresentam uma
14 T. de Lema — Notas sôbre os réptéis do Estado do R. G. do Sul — 'Notas IX-XT-
variação digna de ser estudada pois apresentam tipos constantes e uma
marcada tendência à formação de estrias. É o que se observa em alto
grau num exemplar de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul (Brasil),
e que é descrito.
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser befasst sich mit den Variationen der dorsalen
Flecken auf der Wirbellinie von Lystrophis dorbignyi (DUMERIL,
BIBRON & DUMERIL, 1854). An einem Exemplar aus Viamão, im Staate
Rio Grande do Sul, Brasilien, wird die Verwandlung der Fiecken zu
Linien beschrieben.
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WRIGHT, A. H. & A. A. WRIGHT
1957 — Handbook of Snakes. 2 volumes: XVIII — IX — 1105 pp...
304 figg. 70 mapas,
XI
BICEFALIA EM XENODON MERREMII (WAGLER)
(Serpentes: Colubridae)
(Figs. 16-21)
Recebemos um filhote de Xenodon merremii (WAGLER 1824)
possuindo duas cabeças capturado no 2.º Distrito do município de
Farroupilha (“Linha Jacinto”), Estado do Rio Grande do Sul (Brasil),
10-X-1957 por Anselmo Anselmi o qual levou-o ao Dr. Jayme R. Róssler
do Hospital de Farroupilha o qual fêz as seguintes observações: a ser-
pente mordeu um pé do sr. A. A. e que poderia tê-lo feito com a outra
cabeça também; apresentava movimentos com ambas as cabeças pro-
curando morder. O exemplar apresenta ferimento no primeiro têrço
do corpo. Dito exemplar foi doado ao Centro de Tradições Gaúchas
“Paixão Córtes” de Caxias do Sul ao qual agradecemos o empréstimo.
Agradecemos, também ao Dr. Ludwig Buckup pelas fotografias e ao Dr.
Darcy A. Ilha pelo trabalho radiográfico.
Descrição: Exemplar MRCN.1474, filhote recém-nascido (pelo tamanho
e pouca calcificação), macho. Lepidose: D. = 19-19-17; V. — 142 inteiras
+ 10 divididas + 2 na cabeça direita e 2 na esquerda e + N (zona lesio-
nada), com vários ázigos tanto à direita como à esquerda; SC. — 38/39
+ Terminal com extremidade arredondada; A. = 1; Cabeças:
a) direita = SL. = 7/7 (3-4/3-4 em contato com órbita); IL. = 8/10
(1-5/1-6 em contato com Ment. Ant. e 5/6 com Post.); PréO. = 1/1; PostO.
= 3/3 Temp. = 1.12/142; Ment. Ant. — 2/2; Ment. Post. = 2/2 — sendo
Ant, maiores d. q. Post.; Séries de escudos gulares — 5/5; Frenal = 1/1.
b) esquerda = SL. = 8/7 (4-5/3-4 em contato com órbita); IL. = 9/9
(1-5/1-5 em contato com Ment. Ant. e 5/5 com Ment. Post.); PréO. — 1/1;
PostO. = 3/3; Temp, — 14 2/1-HN; Ment. Ant. = 2/2, Ment. Post. — 2/2
— sendo as Ment. Ant. maiores d. q. Post.; séries de gulares = 3/3;
Frenal — 1/1.
Coloração: Geral pardo-escuro com motivos orlados de pardo-amarelado,
ventre pardacento. Nas cabeças as marcas são diferentes entre si apre-
sentando os motivos típicos da espécie. As marcas grandes ocipitais ti-
picas das duas cabeças que ficam contíguas estão muito aumentadas
principalmente a esquerda, tendendo a ocupar a área alargada da bi-
furcação. (Fig. 17).
Medidas: (em mm.)
a) comprimento da cabeça direita pelo lado externo = 16, lado interno =
e 15
‚b) idem, cabeça esquerda pelo lado externo = 16, lado interno = 15
c) comprimento do corpo a partir do vértice do ângulo de bifurcação =
155
d) comprimento da cauda = 22,5
e) comprimento total = 192,5
16 T, de Lema — Notas sôbre os répteis do Estado do R. G. do Sul — Notas IX-XT
e [2] ns
f) afastamento entre as duas cabeças pelos planos frontais tangentes
aos focinhos = 5.
Medidas dos ângulos formados:
a) afastamento entre as duas cabeças = 45.º
b) ângulos formados pelas cabeças com o eixo longitudinal do corpo
(lateralmente) — cabeça direita = 16.º, cabeça esquerda = 51,º
c) inclinação das duas cabeças em relação ao eixo longitudinal do
corpo (para baixo) = cabeça direita = 40.º, cabeça esquerda — 72.9
d) torção das duas cabeças em relação ao plano horizontal do corpo
(para fora) — cabeça direita — “0.º, cabeça esquerda = 55.º
e) ângulo de torção das duas cabeças entre si (para fora) por meio de
seus planos horizontais = 55.
BICEFALIA: O exame externo mostra-nos um exemplar filhote com
um pescoço muito alargado e duas cabeças, logo teratódimo (NAKA-
MURA, 1938) e o exame interno (radiográfico) mostra-nos duas cabeças.
com dois pescoços independentes, logo deródimo (idem) unidos por
tecido muscular e pele. Externamente notamos que a cabeça esquerda
parece ser menor do que a direita mas o exame radiológico acusa mesma
medida (15 mm de comprimento cada uma) e a esquerda estã um
pouco para trás e ambas estão muito torcidas em vários sentidos em
relação ao eixo longitudinal do corpo do animal: I. torção para os
lados (afastamento), II. torção para baixo, III. torção dos planos
horizontais das cabeças para fora (vide Medidas dos ângulos). To-
mando-se as diversas radiografias (das quais não reproduzimos nenhu-
ma por estarem inúteis para clichê) notamos que há mais vértebras no
pescoço direito do que no esquerdo, que a cabeça direita parece seguir
a linha do corpo e a esquerda parece ramificada, lateraimente, dando
um aspecto assimétrico — aliás as próprias medidas dos ângulos apon-
tam isso. O exemplar descrito recentemente por BELLUOMINI (1957/8)
parece apresentar o mesmo tipo de bifurcação.
Outras irregularidades: Como vimos a. escutelação apresenta várias ir-
regularidades, inicialmente na cabeça, o número e a disposição das
Temporais que é igual no lado direito de ambas e completamente dife-
rente no lado esquerdo da cabeça esquerda onde há duas séries de es-
cudos grandes (Temporais?). Na zona infracefálica pela torção para fora
das Mentais do lado direito da cabeca esquerda, pelo número de IL e
de gulares. Na zona ventral há maiores irregularidades: inicialmente
notamos que há duas ventrais na cabeça direita — uma pequena e
outra maior, partida e duas na cabeça esquerda — a primeira dividida
e quase indistinta, menor e a segunda maior, dividida mas melhor iden-
tificável — após essas surge uma grande de bordo livre anguloso, na
área comum às duas cabeças mas torcida para cada cabeça e com
prega convexa central — a ela seguem duas V. muito divididas e as
partes afastadas e daí em diante surgem normais contáveis até a 17.2
onde há um ferimento em cujos bordos a pele está enrugada parecendo
não faltar muitos escudos ventrais (Fig. 18-19); o primeiro escudo que
segue ao ferimento parece ser um fragmento e, por medida de segurança,
desprezâmo-lo, há uma inteira de bordo livre proeminente, duas V. par-
tidas, uma inteira semelhando a citada antes, surge um ázigo esquerdo
que parece deformar as V. subsegüentes que possuem o lado esquerdo
do bordo livre mais avançado que o direito e normalizando aos pouccs
nas seguintes. (Fig. 20). Entre a 992 e a 107.2 há um sulco divisor que
apenas marca as duas últimas sem dividi-las (Fig. 21).
IHERINGIA -—- Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. 17
CONCLUSÖES
O presente exemplar é o terceiro caso que registramos de bicefalia
para o Estado do Rio Grande do Sul, sendo o primeiro de derodimia em
Liophis miliaris semiaureus (COPE) e o segundo de opodimia em Heli-
cops carinicauda infrataeniata (JAN) (1957, 1958). Tendo recentemente
BELLUOMINI (1957/8) descrito um deródimo de Xenodon merremii
(WAGLER) procedente do Rio Grande do Sul, somam a quatro os casos
recentemente observados para êsse Estado o que, considerando-se a
raridade do fato, provoca-nos a indagação de que o pequeno número
de casos registrados na América do Sul seria devido ao pequeno número
de pesquisadores existentes? ou êsse número recente de casos no Rio
Grande do Sul seria mera casualidade? Interessante notar que o exem-
plar de Xenodon merremii de BELLUOMINI citado parece possuir a
mesma assimetria na bifurcação descrita nesta. Outro detalhe a sa-
lientar é o de todos os bicéfalos por nós encontrados são filhotes com
pouco tempo de vida e a consulta bibliográfica corrobora isso, por isso
estranhamos o exemplar de 33 cm. de DANIEL da espécie Bothrops atrox
ssp., se bem que temos observado em laboratório filhotes de Crota-
lídeos ficarem sem se alimentar por mais de meio ano e crescerem dis-
pondo apenas de água. E-nos difícil aceitar que uma serpente bicefala
possa se alimentar porque os dois cérebros dificilmente trabalharão em
concordância. De acôrdo com as observações feitas na ocasião da cap-
tura citadas linhas antes, as duas cabeças deram um exemplo claro de
que se comportam diferentemente, tendo mordidc o coletor com uma
cabeça apenas.
Tivemos oportunidade de revisar uma regular quantidade de li-
teratura e fizemos um balanço de tudo o que foi dito sôbre a gênese
formal de tais monstruosidades e não temos nada de novo a acrescentar
visto não dispormos de elementos, apenas queríamos fazer um reparo
com respeito ao fato de vários AA. citarem a polispermia normal que
há com os Sauropsídios como uma possibilidade de dupla formação no
embrião. Perguntamos, então por que não ocorre nas Aves ou por que
ocorre mais frequentemente em Mamíferos, que não são polispérmicos?
Por outro lado a ccorrência de ovos com dois discos germinativos e as
experiência de constrição e seccionamento de ovos em estádio inicial
de clivagem são pistas seguras.
SUMÁRIO
Foi capturado um indivíduo recém-nascido de Xenodon merremii
(WAGLER 1824) apresentando derodimia acentuada e assimetria na
bifurcação bem como irregularidades na escutelação ventral e cefálica.
Uma das cabeças parece seguir o alinhamento do corpo. Foi capturado
em Farroupilha, Estado do Rio Grande do Sul (Brasil).
ZUSAMMENFASSUNG
An einem jungen Exemplar von Xenodon merremii (WAGLER
1824) beschreibt der Verfasser einen Fall deutlicher Derodimie, mit assy-
metrischer Zweiteilung des Koerpers und unregelmaessiger Beschuppung.
des Bauches und des Kopfes. Das Tier wurde in Farroupilha, im Staate
Rio Grande do Sul, in Brasilien, gefangen. ?
18 T. de Lema — Notas sôbre os répteis do Estado do R. G. do Sul — Notas IX-XI
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ESTAMPAS
Fig. 1 — Mapa da extremidade NE. do municipio de Törres, vendo-se o canal que
liga a Lagoa de Törres ao rio Mampituba.
(Gentileza da C.O.D.E.L. e do desenhista G. R. Hoffmann).
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa I
O Helicops carinicauda Carinicauda)
DD Helicops carinicauda intrateniata
" 1:100000
o
CODEL - RGS:
Fig. 1
Helicops carinicauda carinicauda (WIED) — aspecto dos exemplares encontrados
em Törres (Rio Grande Go Sul); n.ºs MRCN.1347 e MRCN.1113 respectivamente da
da esquerda para a direita:
Fig. 2 — Aspecto dersal.
Fig. 3 — Aspecto ventral.
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa I
Aspecto das marcas vertebrais de Lystrophis dorbignyi (DUM., BIBR. & DUM.):
Fig. 4 — Normal.
Fig. 5 — Losangular (zona posterior).
Fig. 6 — Alongada.
Fig. 7 — Obliqua voltada para a esquerda.
Copiado de exemplares fixados do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa III
Fig. 4 Fig. 5
Fig. 8 — Aspecto da marca dorsal alongada para a direita.
Fig. 9 — Coalescência de duas alongadas para a direita e para a esquerda.
Fig. 10 — Coalescências de quatro marcas alongadas para a direita e para a es-
querda, em zigue-zague.
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa IV
Fig. 8
Fig. 9 Fig. 10
Fig. 11 — Coalescência dupla em filhote.
Fig. 12 — Coalescência de vertebral com lateral esquerda.
Fig. 13 — Coalescência de vertebral com correspondentes laterais (cauda).
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa
Fig. 11
Fig. 12
Fig. 14 — Exemplar MRCN.1238 de Lystrophis dorbignyi (DUM., BIBR. & DUM.)
de Rio Grande (Rio Grande do Sul) apresentando värios tipos de marcas
vertebrais.
Fig. 15 — Exemplar TDL.1751 de Lystrophis dorbingyi (DUM., BIBR & DUM.)
procedente de Viamão (Rio Grande do Sul) apresentando tôdas as marcas
vertebrais e laterais anômalas (retorcado p. A.).
IHERINGIA — Zoolcgia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa VI
Xenodon merremii (WAGLER) — bicéfalo, nº MRCN.1474, de Farroupilha (Rio
Grande do Sul):
Fig. 16 — Aspecto geral dorsal.
Fig. 17 — Aspecto superior das duas cabeças, vendc-se a forma das marcas supra-
cefálicas, as posições das duas cabeças e área comum a ambas.
i I
IHERINGIA — Zoologia n.º 17 — janeiro de 1961. Estampa DVI
Fig. 16
18
o AS)
. 20
oil
Aspecto ventral da bifurcacäc, vendo-se a escutelacäo
Esquema da escutelacäo vista na figura 18.
Idem, da zona logo apös o ferimento (ventre).
Esquema de escudos partidos ventrais (vide texto).
irregular.
janeiro de 1961. Estampa VIII
IHERINGIA — Zoologia n.º 17
EIS
Fig 18
Fig. 21
Fig. 20
PESOUISAS
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
Órgão do Instituto Archietano de Pesquisas
Diretor: Balduinco Rambo S. J.
Trabalhos de investigação científica nas línguas ocidentais de
uso corrente na ciência.
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Porto Alegre
Caixa Postal, 358 — Rio Grande do Sul — Brasil
SELLOWIA
Anais Botânicos do Herbário “Barbosa Rodrigues”
Fundada em 1949
Fundador e editor: Pe. Paulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Betârica com artigos em Português,
alemão e inglês.
HERBÁRIO “BARBOSA RODRIGUES”
Itajai — Santa Catarina — BRASIL
R- SERIES CIENTÍFICAS
DO
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
JANEIRO DE 196]
DIVISÃO DE CULTURA
ZOOLOGIA ee
“a NOTAS SÖBRE COBRAS CORAIS (SERPENTES: ELAPIDAE)
Il a VIH
É Antônio Carlos Pradel Azevedo
a
a SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA
DIRETORIA DE CIÊNCIAS
P. ALEGRE JANEIRO — 1961
Págs. 1-23 | 14 Figs.
IHERINGIA | SER. ZOOL. | N.º 18
DIRETOR Er
Pe. Balduíno Rambo S. J.
ENTOMOLOGIA ita
Ludwig Buckup — Dr. rer. nat., Bacharel-Licenciado em ia Natural;
HERPETOLOGIA a
Antônio Carlos Pradel Azevedo — Bacharel-Licenciado em História
Natural;
Thales de Lema — Bacharel-Licenciado em História Natural;
MALACOLOGIA
José Willibaldo Thomé — Bacharel- Liesneisde em Histöria Natural;
ORNITOLOGIA
Eduardo Casado Marques.
Tôda correspondência referente à
| IHERINGIA
deve ser enviada ao
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS
NATURAIS
PRAÇA D. FELICIANO, 78
=
ER ME mo mid nn Te DS gi rn
CAIXA POSTAL, 1188
Pôrto Alegre — Rio Grande do Sul — Brasil”
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Desejamos estabelecer permuta.
We wish to establish exchange.
Wir wünschen Austausch.
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É NOTAS SÖBRE COBRAS CORAIS (SERPENTES: ELAPIDAE)
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1961
Oficinas Gráficas da Imprensa Oficial
PORTO ALEGRE
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IHERINGIA | SER. ZOOL.| N.º 18 | Págs. 1-23 14 Figs.
P. ALEGRE | JANEIRO — 1961
NOTAS SÖBRE COBRAS CORAIS — (Serpentes Elapidae)
Il a VII (5)
Antônio Carlos Pradel Azevedo (“*)
INTRODUÇÃO
As presentes notas constituem a continuação da série iniciada
na lheringia, série Zoologia, n.º 14, marco de 1960, sôbre a bio-
logia e sistemática dos Elapídeos americanos. As Instituições de
onde procede o material citado nestas notas, são identificadas
pelas seguintes abreviaturas:
F.M.N.H.: Field Museum of Natural History — Chicago
— U.S.A.
Mus. Nac.: Museu Nacional do Rio de Janeiro — Brasil.
FEC.P.R.: “Coleção particular do- Autor.
Agradeço ao fotógrafo do Departamento de Zoologia do Es-
tado de São Paulo e ao Dr. Ludwig Buckup, Zoólogo do Museu
Rio-Grandense de Ciências Naturais, pelas fotografias, bem como
ao estagiário Acadêmico Geraldo Hoffmann, pelos desenhos apre-
sentados nestas notas. Agradeço ao Dr. Robert Inger, do Museu
de Chicago, pela contagem dos dentes e empréstimo do exemplar
de Micrurus pyrrhocryptus, bem como aos Padres T. Frantz e B.
Rambo S. J., respectivamente pelos resumos em Inglês e Alemão.
Quero deixar registrados aqui meus agradecimentos a Profa. Maria
Moritz, DD. Diretora da Divisão de Cultura, que me forneceu os
recursos necessários para que pudesse realizar nas Instituições do
Rio de Janeiro e São Paulo, as pesquisas que precederam a redação
dêste trabalho.
O Autor
(*) “Trabalho entregue para publicação em 31 de janeiro de 1961.
(**) Zoólogo do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
6 A. C. P. Azevedo — Notas söbre Corais ((Serpentes Elapidae) — Ta AVR
— SÖBRE A ESPÉCIE Elaps pyrrhocryptus Cope, 1862
Cope, em 1862 (1), descreveu uma nova espécie de coral, a
qual denominou Elaps pyrrhocryptus, considerando esta espécie
aliada a Elaps marcgravii e a Elaps meianogenys.
Peracca, em 1895 (2), publicou detalhada descrição de Elaps
pyrrhocryptus, baseado no estudo de dois exemplares, por jul-
gar a diagnose de Cope algo falha. Os exemplares procediam do
Chaco Argentino e do Rio Apa, no alto Paraguay.
Boulenger, em 1902 (3), descreveu uma nova espécie, pro-
cedente de Cruz del Eje, próximo a Córdoba, a qual denominou
Elaps simonsii, do -a estreitamente ligada a Elaps frontalis.
Amaral, em 1929 (4), colccou a espécie Elaps simensii na
sinonímia de Micrurus frontalis.
Schmidt, em 1936 (5), colocou Elaps simonsii de Boulenger,
na sinonimia de Mierurus pyrrhocryptus, ao mesmo tempo em que
designou a localidade típica, que não fôra designada por Cope,
como sendo Rio Vermelho, no Chaco Argentino.
Amaral, em 1935 (6), continuou mantendo E. simensii na si-
nonimia de M. frontalis.
O mesmo autor, em 1944 (7), colocou M. pyrrhoeryptus na
sinonímia de Mierurus lemniscatus frontalis.
Shreve, em 1953 (8), colocou a forma "pyrrheeryptus” como
uma subespécie de M. fronta elis, ocorrendo a mesma na Argentina
setentrional, onde seria conhecida nas Províncias de Mendoza e
Córdoba e daí até ao Departamento de Santa Cruz, na Bolívia.
Segundo êste autor, provavelmente ocorreria também a este dos
rios Paraguay e Paraná.
Observamos, ao estudar as diagnoses da forma “pyrrhecryptus”,
o seguinte:
Peracca observou que: “Dietro i parieteli (interamente neri)
osservasi una zona rosso-corello che occupa in lunghezza lo spezio
di sette scaglie.”, complementando o que Cope, ao escrever: "Neck
to occipital plates covered by a red space.”, não explicara bem.
Boulenger, na descrição de Elaps simonsii, notou que: "..
the space beiween the parietals and the first black annulus only 2/3
the lenght of the head; ...”, o que me levou a determinar quantas
escamas aproximadamente caberiam no espaço de 2/3 do compri-
mento da cabeça de uma coral. O número que achei, verificando
alguns exemplares, é de 6 a 8 escamas aproximadamente.
Nota-se com isto, que tanto Elaps pyrrhocryptus como Elaps
simonsii, tem como caráter específico básico, a separação entre
os parietais e a primeira tríade por um largo espaço vermelho, o
IHERINGIA — Zoologia n.º 18 — janeiro de 1961. 7
que confirma a opinião de Schmidt, considerando E. simonsii como
sinônima de M. pyrrhocryptus.
Resta ver se a forma “pyrrhocryptus” esta realmente ligada
subespecificamente a M. frontalis, como afirmou Shreve. Este
autor separou a subespécie “frontalis” da subespécie “pyrrhocryptus”
pelo fato de a primeira ter um espaço de 42 a 34 escamas entre
os parietais e aprimeira tríade, enquanto que a segunda tem um
espaço de 5/2 a 8 escamas no mesmo local.
Examinando exemplares de M. frontalis, jamais encontrei for-
mas em que a distância entre os parietais e a primeira tríade
fôsse de molde a supor uma intergradação, o que já fôra observado
por Schmidt ao descrever M. pyrrhocyptus, em que êste autor es-
creveu: “No intergrades betwcen this species and frontalis have
been found,...”. Além disto, parece-me fora de dúvida de que
coincidem, em parte, as distribuições geográficas de “frontalis” e
“pyrrhocryptus”. Baseado nisto, julgo mais correto manter a
opinião de Schmidt, considerando M. pyrrhocryptus como espécie
válida.
Hoge, em 1955 (9), descreveu uma nova espécie de coral, a
qual denominou Micrurus tricolor, considerando-a aliada a M. fron-
telis. Examinando a descrição dêste autor, constata-se que, basi-
camente sua M, tricolor distingue-se de M. frontalis, pela posição
do primeiro anel da primeira tríade, que em M. tricolor é separado
dos parietais por um espaço de 7 a 9 escamas vertebrais, enquanto
que em M. frontelis o espaço é de somente 1 a 3 escamas. Além
dêste caráter, M. tricolor tem 7 dentes palatinos e 4 dentes pteri-
goides enquantc que M. frontalis tem 10 e 3, respectivamente.
A localidade do tipo de M. tricolor é Garandazal, Mato Grosso,
próximo ao ponto em que confluem as fronteiras dêste Estado, do
Paraguay e da Bolívia. Os paratipos procedem de localidades
próximas.
Comparando as diagnoses de M. tricolor e de M. pyrrhocryptus
nota-se que ambas distinguem-se de M. frontalis pelo mesmo ca-
ráter básico, isto é, por terem um largo espaço entre os parietais e
a primeira tríade.
Em M. pyrrhocryptus êste espaço varia entre 6 a 8 escamas e
em M. tricolor entre 7 a 9 escamas.
O Dr. Robert Inger, (do Field Museum of Natural History,)
enviou-me a contagem de dentes dos exemplares de M. pyrhocryp-
tus dêste Museu, em número de dois, o n.º 16788 de Buenavista,
Bolívia e o n.º 21856 de Mendoza, Argentina, a qual acusou 7
dentes palatinos e 5 dentes pterigoides para o primeiro e 8e 4,
respectivamente, para o segundo.
8 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
Comparando, no quadro abaixo, vários elementos das diag-
noses destas duas espécies, temos:
aa MZ ici do í
a m
M. tricolor M. pyrrhocryptus
Escamas entre parietais e |
primeira tríade | 7.30.92 6a8
Dentes palatinos | 7 | 7 ano
Dentes pterigoides | 4 A ass
|
Ventrais 218.0 2950 1.0204 aa
| |
Sub-caudais | 2170.30 | DA a 30
|
3 |
Número de Triades Sara Salto
Sed] |
Vemos que há forte concordância entre os caracteres das 2
espécies, além disto, esta concordância se verifica entre outros
caracteres de menor importância, como por exemplo, a largura
do anel negro mediano da tríade que é aproximadamente igual ao
döbro da largura do anel negro marginal, a perfeita continuação
dos anéis na região ventral, o negrume dos parietais, e outros. A
distribuição geográfica de M. tricolor está localizada dentro da
zona de ocorrência de M. pyrrhocryptus.
Baseado nestes dados, escrevi uma carta a Hoge, em abril de
1959, em que enunciava meu ponto de vista de que M. tricolor era
indistingúível de M. pyrrhocryptus, devendo passar para a sinoni-
mia da mesma.
Este autor, junto com A. R. Lancini, publicou em 1959, (10),
breve nota revelando mostrar-se de acôrdo com o ponto de vista
expresso na carta acima referida. Na mesma nota dizem os ci-
tados AA., que M. balzani é sinônima de M. pyrrhocryptus.
IHERINGIA — Zoologia n.º 18 — janeiro de 1961. 9
Amaral, em 1929, (11), considerou E. balzani Boulenger, 1898
e E. regularis Boulenger, 1902, como sinônimas de M. c. corallinus,
tendo Schmidt, em 1936 (loc. cit.), discordando dêste ponto de
vista, considerando M. balzani como espécie válida e colocando E.
regularis como sinônima da mesma.
Examinando as descrições de BOULENGER (12 e 13) e compa-
rando as mesmas com a descrição de M. pyrrhocryptus, constatei
que E. balzani e E. regularis apresentam ventrais em número de 198
e 214 respectivamente, números êstes mais baixos que o mínimo
verificado em M. pyrrhocryptus. O número de anéis negros em
E. regularis é de 39, o que totalizaria 13 triades, bem acima do
máximo verificado para M. pyrrhocryptus; em E. balzani o número
de anéis negros é de 26, número que nem é múltiplo de 3, o que
me parece afastar a hipótese de tríades, salvo a ocorrência de
alguma anomalia, determinando a fusão de 2 tríades.
A êstes dados se somam os fatos de que os anéis negros em E.
regularis e em E. balzani são iguais e equidistantes e que êstes
anéis são iguais ou quase iguais em largura aos vermelhos em E.
regularis e mais largos que os vermelhos em E. balzani. Em M.
pyrrhocryptus os anéis negros não são equidistantes e os anéis ne-
gros medianos das tríades, pelo que constatei, são geralmente mais
curtos que os anéis vermelhos.
Em virtude dêstes fatos, discordo da inclusão de M. balzani na
sinonímia de M. pyrrhocryptus, não tendo, tcdavia, elementos para
julgar da validez ou não desta espécie.
Baseado no que acima foi visto, a espécie Micrurus pyrrho-
cryptus (Cope, 1862), pode ser sumariamente redescrita, da se-
guinte maneira:
MICRURUS PYRRHOCRYPTUS (COPE)
Elaps pyrrhocryptus Cope, Proc. Acad. Nat. Sci. Phila., p. 347, 1862.
Elaps simonsii Bculenger, Ann. Mag. Nat. Hist., (7), 9, p. 338, 1902.
Micrurus frontalis Amaral, partim, Mem. Inst. But., IV, p. 230,
1929.
Micrurus lemniscatus frontalis Amaral, partim, Pap. Av. Dep. Zool.,
2 11, 'p:-92, 1944:
Micrurus frontalis pyrrhocryptus Shreve, Breviora, n.º 16, p. 5-6,
1953.
Micrurus tricolor Hoge, Mem. Inst. But., 27, p. 67-72, 1955.
Escamas vertebrais entre os parietais e o primeiro anel negro da
10 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
primeira tríade em número de 6 a 9; dentes palatinos, 7 a 8; den-
tes pterigóides, 4 a 5; ventrais 218 a 235; sub-caudais, 21 a 30;
tríades no corpo, 6 a 11.
A distribuição geográfica vai desde as Províncias de Mendoza
e Córdova, na Argentina, até o Suleste da Bolívia, Paraguai e
Sudoeste do Estado de Mato Grosso, Brasil. O exemplar típico é
proveniente do Rio Vermelho, no Chaco Argentino.
RESUMO
O Autor confirma a opinião de Schmidt (1936) considerando
M. pyrrhocryptus (Cope, 1862) espécie válida. Demonstra que M.
tricolor Hoge, 1955 é sinônima de M. pyrrhecryptus, discutindo a
afirmativa de Hoce e Lancini (1959) de que M. belzeni (Boulenger,
1898) seja sinônima desta. Por fim, apresenta sumária redescrição
de M. pyrrhocryptus.
Verfasser bestaetigt die Ansicht von SCHMIDT (1936), ueber
die Gueltigkeit von M. pyrrhocryptus (Cope, 1862) und beweist,
dass M. triesier HOGE, 1955 als Synonym von M. pyrrhocryptus
(COPE, 1862) anzusehen ist. Zudem untersucht er die Bencao
von HOGE und LANCINI (1959), als sei Mn: baizeni (Boulenger,
1898) ein Synonym von M. pyrrkoeryptus (COPE, 1862). Eine
kurze Neubeschreibung von M. Sans ıs (COPE, 1862) ist der
Arbeit hinzugefuegt.
The author confirms the opinion of Schmidt (1936) on the
specitic validity of M. pyrrhecryptus (Cope, 1862). Moreover, he
demonstrates that M. tricolor Hoge, 1955 is synonymous to, and
discusses the affirmation of Hoge and Lancini (1959) as if M.
baizani (Boulenger, 1898) were synonymous to M. pyrrhocryptus.
Finally, he gives a brief redescription of M. pyrrhocryptus.
BIBLIOGRAFIA
1 — Cope, E. — Catalogue of the Reptiles, obtained during the
explorations of the Paraná, Paraguay, Vermejo
and Uruguay Rivers, by the Capt. Thos. J. Pagem
U.S.N.; and those procured by Lieut. N. Mich-
IHERINGIA — Zoologia n.º 18 — janeiro de 1961. 1
10 —
ler, U.S. Top. Eng., Commander of the Expedi-
tion conducting the Survey of the Atrato River.
— Proc. Acad. Nat. Sci. Phila., p. 347, 1862.
Peracca, M. G. -— Viaggio del dott. Alfredo Borelli nella
Repubblica Argentina e nel Paraguay. X. Rettili
ed anfibi. — Boll. Mus. Torino, X, n.º 195, p.
19-20, 1895.
Boulenger, G. A. — List of the Fishes, Batrachians, and
Reptiles collected by the late Mr. P. O. Simons in
the Provinces of Mendoza and Cordova, Argen-
tina. — Ann. Mag. Nat. Hist., (7, 9, p. 338-339,
1902.
Amaral, A. — Estudos sôbre Ophidios Neotropicos. XVII —
Lista Remissiva dos Ophidios da Região Neotro-
pica. — Mem. Inst But. IV; p. 230, 1929.
Schmidt, K. P. — Preliminary account of Coral Snakes of
South America. — Field Mus. Nat. Hist. Zool.
Ser; 20: n.º 19º p. 199-200, 1936.
Amaral, A. — Contribuição ao conhecimento dos ofídios
do Brasil. VIII — Lista Remissiva dos Ofídios do
Brasils—- Mem Inst. But. X,.p. 152, 1935-36.
Amaral, A. — Notas söbre a Ofiologia Neotröpica e Bra-
sílica. XI — Subespécies de Mierurus lemnisca-
tus (L.) e suas afinidades com M. frontalis (Dm.
& Bibr). — Pap. Av. Dep. Zool. São Paulo, V,
mo Th poda SMA.
Shreve, B. — Notes on the races of Micrurus frontalis (Du-
méril, Duméril and Bibron). — Breviora, n.º 16,
Bro OSS:
Hoge, A. R. — Uma nova espécie de Micrurus (Serp. Elap.)
do Brasil. — Mem. Inst. But., 27, p. 67-72,
1955-56.
Hoge, A. R. e Lancini, A. R. — Nota sôbre Micrurus suri-
namensis nattereri Schmidt e Micrurus pyrrho-
cryptus Cope. — Mem. Inst. But., 29, p. 9-13,
1959.
12 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
11 — Amaral, A. — Estudos sôbre ophidios Neotrópicos. XVII,
Valor systematico de varias formas de ophidios
Neotrópicos. — Mem. Inst. But., IV, p. 51-52 e
pu 56-57. 1929
12 — Boulenger, G. A. — LIV — Descriptions of New Batrachians
and Reptiles from the Andes of Peru and Bolivia.
— Ann. Mag. Nat: list (2), 10, p. 402 0028
13 — Boulenger, G. A. — Ann. Mus. Genova, (2) XIX: 130-131.
1898.
IV — NOVAS SÉRIES DE OVOS EM COBRAS CORAIS
Em uma nota anterior publiquei duas observações sôbre ovos
de Micrurus frontalis altirostris < Micrurus frontalis multicinctus,
fazendo ao mesmo tempo, uma comparação com as observações
feitas por outros autores em ovos de cobras corais.
Examinando as corais da Coleção do Museu Nacional do Rio
de Janeiro, encontrei 3 exemplares com ovos, dois de Micrurus
corallinus corallinus e um de Micrurus frontalis frontalis.
Em cuidadosa revisão do material de minha coleção parti-
cular, encontrei três exemplares de Micrurus frontalis multicinctus
também com ovos no seu interior.
Conforme já fizera na nota anterior, medi o comprimento e
a largura dos ovos, estabelecendo o quociente entre o comprimento
e a largura dos mesmos (Q-c/1) e determinei o valor médio dêste
quociente para cada série de ovos. Por outro lado determinei tam-
bém o comprimento médio dos ovos de cada série, estabelecendo
o quociente entre o comprimento da coral e o comprimento médio
dos ovos da mesma (Q-C/c).
Ovos de MICRURUS CORALLINUS CORALLINUS:
Exemplar n.º 2718, procedente de Caxias, Estado do Rio, com
10 ovos no seu interior, apresentando as seguintes medidas:
COMPRIMENTO LARGURA Q-c/]
22.1 “mm 12,0 mm 1,84
18,8 mm 12,4 mm 1,31
22,1 mm 11,4 mm 1,93
25,0 mm 13,7 mm 1,82
19,8 mm 12,5 mm 1,58
26,9 mm 13,7 mm 1,93
24,1 mm 13,2 mm 1,82
25,6 mm 12,7 mm 2,01
24,3 mm 12,6 mm 1,92
22,7 mm 12,2 mm 1,86
Observamos que o Q-c/1 tem como valor médio 1,82.
14 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
Exemplar n.º 1539, procedente da Tijuca, Estado da Guana-
bara, com dois ovos, apresentando as seguintes medidas:
COMPRIMENTO LARGURA Q-c/1
38,1 mm 09,3 mm 4,09
34,4 mm 10,0 mm 3,44
Observamos que o Q-/1 apresenta como valor médio 3,76.
Infelizmente não medi os exemplares em questão, não po-
dendo determinar o Q-C/c dos mesmos.
Ovos de MICRURUS FRONTALIS FRONTALIS:
Exemplar n.º 2497, procedente de Manga, Minas Gerais, com
seis ovos, apresentando as seguintes medidas:
COMPRIMENTO LARGURA Q-c/1
21,9 mm 07,0 mm 3,10
DIA mim 07,2 mm 2,97
23,3 mm 07,6 mm 3,06
219 mm 08,2 mm 2,67
2 mim 07,3 mm 2:94:
23,0 mm 08,3 mm Dra:
O Q-c/1 tem como valor médio 2,92 e o Q-C/c é igual a 12,2.
Ovos de MICRURUS FRONTALIS MULTICINCTUS:
Exemplar n.º 98, procedente de Viamão, Rio Grande do Sul,
com quatro ovos, com as seguintes medidas:
COMPRIMENTO LARGURA Q-c/1
22,8 mm 10,0 mm 228
26,2 mm 07,8 mm 3189
22.3 mm 11,0 mm 2,04
19,1 mm 08,4 mm 2327.
O Q-c/1 tem como valor médio 2,48 e o Q-C/c é igual a 30,1.
Exemplar n.º 35, procedente de Belém Velho, Pôrto Alegre,
a S., com quatro ovos no seu interior, com as seguintes me-
idas:
IHERINGIA — Zoologia n.º 18 — janeiro de 1961. 15
COMPRIMENTO LARGURA Q-c/1
21,9 mm 07,4 mm 2.95
17,0 mm 07,1 mm 2,39
17,3 mm 07,6 mm 2:27
20,9 mm 08,2 mm 2,57
O Q-c/1 tem como valor médio 2,54 e o Q-C/c é igual a 36,2
Exemplar n.º 116, procedente de Candelária, Rio Grande do
Sul, com seis ovos no seu interior e as seguintes medidas:
COMPRIMENTO LARGURA Q-c/1
32,6 mm 12,5 mm 2,61
28,8 mm 11,4 mm 2.32
32,4 mm 12,2 mm 265
29,9 mm 12,3 mm 2,43
29,4 mm 11,7 mm 2,51
33,1 mm 11,6 mm 2,85
....0.Q-c/1 tem como valor médio 2,59 e o Q-C/c é igual a 20,3.
Na bibliografia que possuo nada consta acerca de ovos de
M. c. corallinus (fig. le 2) e de M. f. frontalis (fig. 3), sendo inte-
ressante notar a grande diferença na forma, tamanho e Q-c/1, das
duas séries de ovos de M. c. corallinus.
As três séries de ovos de M. f. multicinctus examinadas (fig.
4, 5 e 6), mais a citada na nota anterior, apresentam os seguintes
valores:
Q-c/1 mínimo Q-c/1 máximo Q-c/1 médio Q-C/c
nº 116 DAS 2,85 2,59 20,3
nº 35 237 2,95 2,54 36,2
nº 98 2,04 3,35 2,48 30,1
n.º 100 2,03 2,61 2,24 26,2
Observamos no quadro acima que o Q-c/1 médio apresenta
valores aproximados, variando de 2,24 a 2,59 e com um valor mé-
dio de 2,46. O Q-C/c parece não ser muito significativo, todavia
considero que o número de séries examinadas é ainda pequeno e
esta variação provavelmente se deve a diferentes estados de desen-
volvimento dos ovos. Em dois exemplares foram encontrados quatro.
16 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
cvos e em outros dois, seis ovos, o que dá uma média de cinco
ovos por exemplar.
RESUMO
O autor estuda 2 séries de ovos de Micrurus corallinus coralli-
nus (Serpentes: Elapidae), uma série de ovos de Micrurus frontalis
frontalis e 3 séries de ovos de Micrurus frontalis multicinctus, com-
parando estas 3 séries com uma série da mesma forma descrita em
nota anterior.
SUMMARY
The Author studies two series of eggs of Micrurus corallinus
corallinus (Serpentes: Elapidae), a series of eggs of M. f. frontalis,
and three series of eggs of M. frontalis multicinctus, comparing
these three series with a series of the same form described in a
previous note.
ZUSAMMENFASSUNG
Verfasser untersucht zwei Reihen Eier von Micrurus corallinus co-
rallinus, eine Reihe von Micrurus frontalis frontalis und 3 Reihen
von Micrurus frontalis multicinctus wobei die drei Reihen mit einer
Reihe der gleichen Form verglichen werden, die früher schon einmal
beschrieben worden ist.
BIBLIOGRAFIA
Azevedo, A. C. P. — Notes on Coral Snakes. | — About the eggs
of Coral Snakes, Iheringia, série Zoologia, n.º 14,
pp. 7 — 10, 1960.
V — INTERESSANTE CONTEÚDO ESTOMACAL DE UMA
Micrurus frontalis multicinctus
Examinando o conteúdo estomacal do exemplar n.º 53, de
minha coleção particular, procedente de Viamão, Rio Grande do
Sul, encontrei o seguinte material:
Uma Sibynomorphus mikanii mikanii medindo 436 mm, com
a região cefálica parcialmente. destruida, notando-se perfeitamente
os parietais, tendo o têrço anterior bastante amassado, principal-
mente em sua porção mais extrema e a região posterior em perfei-
tas condições, apresentando a coloração quase que normal.
Além dêste exemplar, encontrei um outro menor, filhote de
Sibynemorphus mikanii mikanii, medindo 164 mm, apresentando
a metade anterior bastante amassada e a metade posterior em boas
condições, não se notando neste exemplar vestígio algum da região
cefálica.
Juntamente com êstes dois exemplares encontrei três ovos
bastante enrugados, um dos quais apresentando-se com a forma
de um V, como se fôssem dois ovos unidos por uma das extremi-
dades.
Abrindo a Sibynomorphus maior, encontrei no interior da
mesma mais cinco ovos, com as seguintes medidas:
COMPRIMENTO LARGURA
26,2 mm 10,0 mm
25,0 mm 11,3 mm
28,7 mm 10,4 mm
23,7 mm 10,4 mm
30,6 mm 09,8 mm
Êstes cinco ovos estavam em perfeitas condições.
A região cefálica da Sibynomorphus maior estava posterior-
mente situada dentro da Coral, que media 935 mm de comprimento.
RESUMO
O autor descreve um interessante conteúdo estomacal de Mi-
crurus frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae)
18 A. C. P. Azevedo — Notas söbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
SUMMARY
The Author describes an unusual stomacal contents of M.
frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae)
ZUSAMMENFASSUNG
Verfasser beschreibt die bemerkenswerte Mageninhalte von
Micrurus frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae).
VI — DOIS CASOS DE ANOMALIAS EM LEPIDOSE EM COBRA
CORAL
Parece não ser muito comum em cobras corais anomalias na
lepidose, pois tais ancmalias chegam a motivar dúvidas quanto a
determinação das espécies, como é o caso de Elaps fischeri, descrita
por Amaral e que mais tarde êste autor reconheceu tratar-se de um
exemplar anômalo de Micrurus decoratus (Jan). A espécie des-
crita por Amaral diferenciava-se de M. decoratus pela contiguidade
da sinfisal as mentais anteriores e pela presença de temporal ante-
rior, caracteres êstes que constituem anomalias na lepidose.
Examinandc constantemente exemplares de cobras corais,
notei dois casos de anomalias, todos os dois na lepidose cefálica.
a) Anomalia em Micrurus lemniscatus ibiboboca (Merrem, 1820),
n.º 2971 da coleção do Departamento de Zoologia do Estado
de São Paulo, procedente de Raul Soares, Minas Gerais.
Lepidose: Ventrais 5 + 237; Subcaudais 28p + 3; Supralabiais
6/6; Infralabiais 7/7; Temporais esquerdas 1-1, direitas 241.
Sexo e medidas: Macho jovem, 3354-27 — 362 mm.
Anomalia: Na região supra cefálica nota-se a presença de um
escudo INTER-PREFRONTAL, que limita anteriormente com as
Internasais, lateralmente com as Préfrontais, no meio das quais
parece estar inscrito, e posteriormente com a Frontal. (Figs.
Ele 12):
b) Anomalia em Micrurus frontalis multicinctus (Amaral, 1944),
n.º 30, pertencentes à minha coleção particular, procedente
de Ipanema, Pôrto Alegre, Rio Grande do Sul.
Lepidose: Ventrais 34220; Subcaudais 22p; Supralabiais 7/7;
Infralabiais 7/7; Temporais 1+1.
Sexo e medidas: Macho jovem, 457129 — 486 mm.
Anomalia: Apresenta as INTERNASAIS e as PRÉFRONTAIS
fundidas, formando duas grandes placas, limitadas anterior-
mente pela Rostral e pelas Nasais anteriores, lateralmente pelas
Nasais posteriores e pelas Préoculares e posteriormente. pela
Frontal e pelas Supraoculares. A placa INTERNASAL-PRÉ-
É FRONTAL esquerda apresenta em seu bordo mediano externo
20 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
uma cissura que termina aproximadamente na regiao central
da mesma. Parece-me que esta cissura representa o lugar
onde se deveria ter dado a separação das duas placas. (Fig.
13 e 14).
RESUMO
O autor descreve 2 casos de anomalias na lepidose cefálica de
duas cobras corais (Serpentes: Elapidae).
|
SUMMARY
The Author describes two cases of anomalous cephalic lepidosis of
two coral snakes (Serpentes: Elapidae).
ZUSAMMENFASSUNG
Verfasser beschreibt zwei Fälle von Anomalie an der Beschup-
pung des Kopfes von zwei Korallenschlangen (Serpentes: Elapidae).
VII — UM CASO DE ENVENENAMENTO POR COBRA CORAL
Em carta de 30/X11/1958, recebi a comunicação de meu
amigo Horst Oskar Lippold, de Santa Maria, de um caso de enve-
nenamento por cobra coral, e, araças a minuciosa descrição feita
e ao exemplar de coral que me foi enviado, resolvi publicar a pre-
sente nota, em virtude de serem pouco comuns os casos de acidente
com estas serpentes.
O Fakir Kassmann, bastante conhecido no interior de nosso
Estado, já a algum tempo exibia-se com uma cobra coral nas mãos,
quando bateram com a ponta de um lápis na cabeça da mesma.
A coral, com um movimento rápido mordeu o fakir na mão direita
(prega digito-palmar do polegar), sendo que êste imediatamente
jogou-a no chão, tendo logo em seguida agarrado a mesma, sem
qualquer reação por parte da coral.
Momentos após dirigiu-se para casa, sendo que antes mesmo
de chegar a mesma, que não distava muito do local, começou a
perder a visão, chegando à mesma tonto e quase caindo. Horas
mais tarde comecou a sentir fortes dôres em todo o braço e à noite
vieram vômitos e dificuldades para falar.
No dia seguinte sômente sentia döres no braço, estando um
pouco abatido, sendo que com o correr dos dias as dôres foram
cessando. Em sua mão podia ver-se nitidamente as marcas dos
dois dentes, logo após a mordida.
A coral, uma Micrurus frontalis multicinctus, procedente de
São Miguel, Município de Cachoeira do Sul, recebeu o n.º 77 de
minha coleção particular, sendo jovem e medindo 352 mm.
Consultando a literatura, observei que, em linhas gerais o
envenenamento por cobra coral obedece a seguinte sintomatologia:
Perturbações visuais — cansaço muscular — salivação abundante
— espasmos da glote — dispnéia — paralisia progressiva — coma
e morte.
No caso descrito, parece-me que os sintomas foram sômente
até a fase de espasmos na glote, regredindo em seguida, em vir-
tude de tratar-se de um animal jovem e em virtude de ter sido
rápidamente, impedido de continuar a inocular o veneno.
22 A. C. P. Azevedo — Notas sôbre Corais ((Serpentes Elapidae) — III a VII.
RESUMO
O autor descreve um caso não fatal de envenenamento por
Micrurus frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae).
SUMMARY
The Author describes a non-fatal case of poisoning by M.
frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae).
ZUSAMMENFASSUNG
Verfasser beschreibt einen nicht tödlichen Fall von Vergiftung
durch Micrurus frontalis multicinctus (Serpentes: Elapidae).
BIBLIOGRAFIA
Testut, L. e Jacob, O. — Compêndio de Anatomia Topogräfica com
aplicações médico-cirúrgicas. — Ed. Labor, 1947.
Cecil & Loeb — A Textbook of Medicine. — Saunders Co., 9.º ed.,
1955:
Silva Junior, M. — O Ofidismo no Brasil. — Ser. Nac. Ed. Sani-
taria, 1956.
nn ee re LU EEE A
PESQUISAS
REVISTA DE PERMUTA INTERNACIONAL
órgão do Instituto Anchietano de Pesquisas
Diretor: Balduíno Rambo S. J.
Trabalhos de investigação científica nas línguas ocidentais de
uso corrente na ciência.
BOTÂNICA ANTROPOLOGIA
ZOOLOGIA HISTÓRIA
INSTITUTO ANCHIETANO DE PESQUISAS
Pórto Alegre
Caixa Postal, 358 — Rio Grande do Sul — Brasil
SELLOWIA
Anais Botânicos do Herbário “Barbosa Rodrigues”
Fundada em 1949
Fundador e editor: Pe. Paulino Reitz
Revista Sulbrasileira de Botärica com artigos em Português,
alemão e inglês.
HERBÁRIO “BARBOSA RODRIGUES”
Itajai — Santa Catarina — BRASIL
hi H 1.3
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Fig. 1 — M. pyrrhocryptus, n.º 21856, F.M.N.H.
Fig. 2 — Região cefálica da mesma.
DISTRIBUIGAD GEOGRAFICA DE
Micrurus pyrrhucryptus Cop
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Field Museum of Natural History;
Micrurus tricolor. Hoge
Elaps simonsii. Boulenger
Micrurus frontalis pyrrhocryptus. Shreve
Elaps pyrrhocryptus . Peracca
Localidade típica . segundo SchmidF
et” Area provável de ocorrência da especie
Fig. 5 — M. ce. corallinus, n.º 2718
RE
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Fig. 6 — Micrurus frontalis frontalis n.º 2497
Fig. 7 — Micrurus frontalis multicinctus n.º 98
Fig. 8 — Micrurus frontalis multicinctus n.º 35
Fig. 9 — Micrurus frontalis multicinctus n.º 116
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Fig. 10 —
Conteúdo estomacal do
n.º 53, Micrurus frontalis
multicinctus
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HERINGIA
SERIES CIENTIFICAS
DO
JSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
TETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIÊNCIAS
OLOGIA ENS E. JANEIRO DE 1962
CAMEBAS E FORAMINÍFEROS DO ARROIO CHUÍ (SANTA
VITÓRIA DO PALMAR, R. GRANDE DO SUL, BRASIL)
Darcy Cross e MArLY MADEIRA
(Secção de Paleontologia,
Instituto de Ciências Naturais, URGSul)
Iimirndindão SE se ar Oda Ela arca ERP TRES RR ROD IC 3
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i RSA É TABELA | poRTo | JANEIRO
ERINGIA | SER. ZOOL. N.º 19 44 PÁGS. | 7 ESTS. E LEGRE 962
1 MAPA ALEGRE 1962
A
A, u Tr
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IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962 3
INTRODUÇÃO
Sempre crescente tem sido nos últimos anos o interêsse no conhe-
cimento dos pequenos organismos unicelulares, conhecidos como Te-
camebas. Este interesse advém da necessidade de separação dêstes
organismos dos Foraminiferos aglutinantes, com os quais têm sido
muitas vêzes confundidos, e do conhecimento de sua distribuição geo-
gráfica e ecológica, principalmente a última, pois a sua presença em
associações faunísticas de ambientes de águas mixohalinas e límnicas
(doces) é importante como indicador da paleoecologia dos sedimentos.
O presente estudo é o primeiro de uma série que visa descrever os
Foraminiferos e Tecamebas de águas mixohalinas e doces das lagoas
e rios de nosso Estado. São examinados Tecamebas e Foraminíferos
encontrados em amostras coletadas no Arroio Chuí e parte sul das
Lagoas Mangueira e Mirim, pontos situados dentro do Município de
Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do País.
Os Foraminiferos, em sua maioria, já eram conhecidos de publica-
ções anteriores, referentes a nossa costa, com exceção das espécies aglu-
tinantes Miliammina fusca, Textularia earlandi, Ammotium salsum,
Trochammina inflata e Trochammina ochracea, assinadas pela primeira
vez para o nosso htoral. As Tecamebas, entretanto, segundo consta
da literatura examinada, foram citadas uma única vez para a costa
brasileira, referindo-se às Tecamebas coletadas na Baía do Flamengo,
Estado de São Paulo (Boltovskoy, 1959 a, pp. 10-11).
As condições ecológicas da zona estudada são muito variadas. O
Arroio Chuí é invadido regularmente por águas salgadas, em especial
nos períodos com vento sul. Tais águas, entretanto, não ultrapassam
normalmente a Ponte Internacional (Mapa, ponto 1) e, conseqüente-
mente, encontramos uma zona, relativamente pequena, com salinidade
mais alta, correspondente às zonas poli- e mesohalınas, da classifica-
cao de Redeke-Vaelikangas. O resto do Arroio apresenta valores de
salinidade muito baixos, em tôrno do 0%, portanto águas límnicas
(doces).
Os sedimentos que predominam na maior parte do Arroio Chuí
sao a areia média e fina. A quantidade de areia muito fina, silte e
argila aumenta na zona situada entre as localidades 1 e 2.
Nas amostras do sul das Lagoas Mangueira e Mirim, a salinidade
também situa-se em tôrno de O %.. Predominam a areia fina e muito fina.
As Tecamebas mais abundantes são as seguintes: Difflugia mitri-
formis, Difflugia capreolata e Difflugia urceolata. Entre os Foramint-
feros algutinantes Miliammina fusca é a forma mais frequente enquanto
que entre os calcários, encontrados vivos somente nas amostras das
águas represadas junto à praia, Elphidium discoidale, Quinqueloculina
seminulum, Buccella frigida e Rotalia beccaru parkinsoniana são os
mais comuns.
4 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
Agradecemos às seguintes pessoas que prestigiaram a nossa pesquisa:
Ao Sr. Emídio ?. Martino e colaboradores de Santa Vitória do
Palmar, pelas amostras gentilmente enviadas.
Ac Prof. Iraja Damiani Pinto, Diretor da Escola de Geologia,
pelo contínuo apõôio dado ao trabalho.
Ao Prof. Cícero Marques Vassão, Engenheiro Chefe da Secção Rio
Grande do Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, em cujos
laboratórios foram obtidas as análises de salinidade.
A Srta. Emma Vallandro e Sr. J. P. Capella devemos os desenhos
e fotografias que ilustram o trabalho.
Os exemplares descritos ficarão depositados no Departamento de
Paleontologia da Escola de Geologia sob N.º de Catálogo MP-F-386
a 413.
DESCRIÇÃO GEOGRÁFICA DA ÁREA
O Arroio Chuí situa-se no extremo sul do País, na fronteira com
o Uruguai. Sua extensão total é de aproximadamente 60 Km, percor-
rendo, desde a nascente até a foz, o Município de Santa Vitória do
Palmar. Na maior parte de seu leito, não apresenta grandes pro-
fundidades, com exceção dos trechos represados artificialmente para
a retenção das águas durante os períodos de sêca. Na maior parte do
ano as águas são rasas, no máximo com dois a três metros de profun-
lidade em sua parte central. A largura média é de doze metros.
O desnível é muito pequeno, da ordem de 0,40 m por Km. Somente no
período de inverno, o volume de águas pode aumentar temporária-
mente. As águas correm mansamente, em virtude das condições topo-
gráficas acima expostas.
A vegetação nas margens, ao longo de seu percurso, não é muito
desenvolvida, sendo composta, em sua maioria, de pequenas planta-
coes de leguminosas enquanto que matas nativas cobrem apenas um
quinto das margens.
O Arroio Chuí desemboca no mar, rompendo as barrancas arenosas
de pequena altura (quatro a seis metros), características daquele trecho
de nossa faixa litorânea. Ás águas, geralmente turvas por material
em suspensão, podem ser represadas pela areia de praia, acumulada
pelas ondas (pl. 1, figs. 1 e 2). Este represamento é que determina
as variações ocasionais da posição de desaguamento. As tempestades
de vento sul introduzem grande quantidade de água salgada Arroio
acima, podendo as águas alcançar grandes valores de salinidade até
a Ponte Internacional.
MÉTODO DE TRABALHO
As amostras, de aproximadamente meio litro cada uma, foram
conservadas em formalina neutralizada com borax. Após lavagem em
peneiras de 0,061 mm (250 Mesh), recobriu-se o sedimento com uma
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962 5
solução de Rosa Bengala (Método de Walton) para corar as testas
com protoplasma. Após secagem do sedimento, separaram-se os Forami-
niferos e Tecamebas pelo processo de Tetracloreto de Carbono (CCI).
Na classificação tivemos a oportunidade de comparar nosso ma-
terial com as espécies de l[ecamebas e Foraminíferos, descritas por
Boltovskoy (1956, 1959), do Rio da Prata e da Baia do Flamengo
(São Paulo), depositadas nas coleções do Museo Bernardino Rivadavia
em Buenos Aires.
As amostras foram coletadas, em diferentes épocas do ano, nas
seguintes localidades:
Localidade 1: Ponte Internacional da Barra do Chuí, localizada
pouco distante do Farol e das barrancas da desem-
bocadura.
Localidade 2: Campo do Dr. Anselmi, aproximadamente a meio
caminho entre as localidades 1 e 3.
Localidade 3: Ponte Chuí, Estrada da Barra - Xuí, localizada junto
à cidade de Xuí (Fronteira Uruguai-Brasil).
Localidade 4: Talayer, na estrada ao Balneário Hermenegildo.
POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE THECAMOBINA
Os representantes do grupo de Thecamoebina têm sido intensa-
mente estudados há quase um século desde os estudos clássicos de
Leidy (1879). A posição taxonômica do grupo, entretanto, tem dado
origem a discussões ainda pendentes. As Tecamebas reunem, num
grupo taxonômico artificial, aquelas Amebas que possuem uma testa
aglutinante unılocular. A subdivisão taxonômica do grupo e as suas
relações com os demais Rizópodos são discutidas detalhadamente por
Doflem & Reichenow (1952), Deflandre (1952) e mais recentemente
por Pokorny (1958).
Phylum: Protozoa
Subphylum: Rhyzopoda
Clasis 1: Lobosa Leidy, 1879
Ordo 1: Amoebaea
Ordo 2: Testacealobosa
Class 2: Filosa Leidy, 1879
Ordo 1: Acorchulina
Ordo 2: Testaceafilosa
Clasis 3: Granuloreticulosa De Saedeleer, 1934
Ordo 1: Athalamia
Ordo 2: Thalamia
Ordo 3: Foraminifera
6 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
A Ordem Thalamia Haeckel, 1862, reune as Tecamebas no sentido
atual. Deve-se notar anda que o limite entre Thecamoebina e Fora-
minifera nem sempre é claro e preciso. Assim é que, na literatura
atual, alguns autores (Doflem & Reichenow, 1952; Deflandre, 1953)
consideram o grupo da Família Allogromidae como pertencente à
Thecamoebina, outros (Cushman, 1948; Arnold, 1948-1954; Pokorny,
1958) os classificam entre os Foraminíferos. Alguns foraminiferolo-
gistas têm descrito uma série de espécies que foram reestudadas por
Boll & Saunders (1954), os quais sinonimisaram as referidas espécies
de “Foraminiferos” por pertencerem à Thecamoebina.
LISTA DE AMOSTRAS
Amostra M60190
Ponte Barra Chuí Internacional
Data de Coleta: 1-5-1960
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 19,92 %.
Temperatura: 19,5° C
Amostra M60937
Ponte Chuí, Estrada da Barra
Data de Coleta: 14-12-1960
Profundidade: 0,5m
Salinidade: 0,011 %o
Femperatura: 19° C
Amostra M60938
Arroio Chuí — Campo Dr.
Data de Coleta: 14-12-1960
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 0,011 %
Temperatura: 20° C
Anselmi
Amostra M60939
Ponte Barra Chuí Internacional
Data de Coleta: 14-12-1960
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 11,68 %c
Temperatura: 18° C
Amostra M60940
Entrada Böca da Barra, Zona das Barrancas
Data de Coleta: 14-12-1960
Profundidade: 0,20 m
Salinidade: 14,28 %
Temperatura: 19,50 C
Amostra M60941
Böca da Barra-Zona, represamento
Data de Coleta: 14-12-1960
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 17,63 %o
Temperatura: 19,5° C
Amostra M60960
Talayer (Estrada Sta. Vitória-Hermene-
gildo)
Data de Coleta: 25-1-1961
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 0,040 %o
Temperatura: 20º €
Amostra M60961
Ponte Barra Chuí Internacional
Data de Coleta: 25-1-1961
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 27,08 %o
Temperatura: 20º C
Amostra M61268
Ponte Chuí, Estrada da Barra
Data de Coleta: 14-6-1961
Profundidade: I m
Salinidade: 0,018 %o
Temperatura: 17°C
Amostra M61269
r
Entre Ponte Internacional e Böca da Barra
Data de Coleta: 14-6-1961
Profundidade: 0,5 m
Salinidade: 15,68 %o
Temperatura: 18° C
IMIE ENIEHE Seslugias n.º 19 — kin vo de 1962
NN es ar) E 7
Amostra M61270 Amostra M61267
Ponte Barra Chuí Internacional Lagoa da Mangueira, Passo da Lagoa,
Data de Coleta: 14-6-1961 Fazenda Dupuy
Profundidade: 1,5 m Data de Coleta: 14-6-1961
Salinidade: 13,41 % Profundidade: 0,5 m
lemperatura: 17,5º C Salinidade: 0,017 %.
1864
1957
Temperatura: 16º C
Amostra M61266
Lagoa Mirim, Fazenda Irmãos Castro
Data de Coleta: 14-6-196]
Profundidade: Im
Salinidade: 0,046 %.
Temperatura: 16º C
DISCUSSÃO DAS ESPÉCIES
Ordem THECAMOEBINA (TESTACEA)
Família DIFFLUGIIDAE
Gênero DIFFLUGIA Leclerc, 1815
Difflugia urceolata CARTER
(pl. 4, figs. 11-14)
(pl 5, figs. 1-4)
Difflugia urceolata — Carter, Freshwater Rhizopoda of England and Índia,
DEZ pl fio: a7.
Lagunculina vadescens — Cushman & Bronnimann, Trinidad, p. 15, pl. 3, figs. 1,2.
Lagunculina vadescens Cushman & Bronnimann — Parker, Buzzard Bay, E 451
DIR tias:
Difflugia urceolata C: stacea Kunratice, p. 45, fig. 9 F.
Lagunculina vadescens Cushman & Bronnimann — Parker, Phleger & Peirson.
Dans Antonio Bay pr 10spla Te Hess:
Difflugia urceolata Carter — Bolh & Saunders, Thecamoebina, pp. 47-48, fig. 1.
Difflugia urceolata Carter — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata, p. 304,
DER, figo 77.
Difflugia urceolata Carter — Todd & Bronnimann, Gulf of Paria, p. 7, pl. 1,
fig. 1.
Descrição: Testa ınflada, arredondada ou ovalada. Extremidade pos-
terior arredondada e a oral estrangulada com anel oral bem des-
tacado, pequeno, retilineo ou recurvado em direção à extremidade
posterior. Parede aglutinante, áspera e constituída de grãos na
maioria bastante grandes, a maioria de quartzo, raramente espi-
culas. Parede interna lisa. Secção transversal circular. Cör ama-
relada ou esbranquiçada.
8 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chuí
Dimensões: 0,22 — 0,28 mm (*)
Ocorrência: Ponte Chuí, estrada Barra (MR), Arroio Chuí, campo do
Dr. Anselmi (A), Ponte Barra Chuí Internacional (R), Talayer (E),
Ponte Chuí Barra, estrada cidade Chuí (A), Lagoa Mangueira (E).
Observações: Espécie muito característica. Apesar das constantes mas
pequenas variações em seus diferentes caracteres morfológicos tais
como inflação, forma e tamanho do nel oral e granulacao da
parede, os exemplares são típicos. — Muito abundante no material
examinado.
Dijflugia corona WALLICH
(pl. 4, figs. 15-16)
(pl. 6, figs. 10-11)
1864 Difflugia proteiformis (Ehr.), subsp. giobularis (Dus.), var. corona — Wallich,
Difflugian Rhizopoda. p. 241, pl. 16, figs. 19, 20.
1902 Difflugia corona Wallch — Penard, Rhizopoda Leman, p. 287.
1952 Difflugia corona Wallıch — Grassé, Thecamoebiens, p. 121, figs. 85-86.
1952 Difflugia corona Wallch — Stepánek, Testacea Kunratice, p. 16, figs. 12 C-D.
1956 Difflugia corona Wallıch — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata, p. 307, pl.
etc:
Descrição: Testa quase esférica, por vêzes com abaulamentos laterais,
achatada na sua regiao oral. Parede composta de grãos de quartzo
mrregulares e algumas espículas, bem cimentados com o maternal
quitinoso. Superfície externa lisa. A concha apresenta, de sua
metade até o bordo aboral, espinhos do mesmo material da parede.
O número dêstes espinhos é variável, no máximo sete. A maioria
dos exemplares é de pequeno tamanho, mostrando pequeno número
de espinhos ou sendo destituído dêstes. Abertura grande a arre-
dondada, provida de cinco a vinte dentes mais ou menos do mesmo
tamanho. Cör amarelada.
Dimensões: 0,12 — 0,33 (sem incluir espinhos).
Ocorrência: Ponte Chuí, estrada Barra (E), Arroio Chuí, compo do
Dr. Anselmi (E), Ponte Barra Chuí Internacional (MR), Talaver
(R), Ponte Chuí Barra, estrada cidade (A), Lagoa Mangueira
(MR).
Observações: As variações de tamanho e principalmente do número
de dentes e espinhos já foram assinaladas pelos autores anteriores.
Tais variações, entretanto, segundo os estudos de Jennings (1916),
parcialmente reproduzidas por Grassé (loc. cit.) seriam causadas
() — As dimensões correspondem ao mínimo e máximo de comprimento.
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962 9
1952
1954
1957
pelo meio ambiente, chamando êste autor atenção para o pro-
blema da delimitação da espécie, difícil quando o organismo modifica
os caracteres morfológicos em relação ao meio ambiente. Interes-
sante observar que Stepánek (loc. cit.) descreve seus exemplares
com a presença de apenas um espinho. — Escassa frequência mas
regularmente presente.
Difflugia capreolata PENARD
(pl ‚has. 3-5)
(pl. 5, fıgs. 5-6)
Difflugia capreolata Penard — Stepänek, Testacea Kunratice, Do or he, KO) Tal:
Difflugia capreolata Penard — Bolli & Saunders, Thecamoebina, p. 48, fig. 2.
Difflugia capreolata Penard — Todd & Bronnimann, Gulf of Paria, DeIOspl IE
fig. 3.
Descrição: Testa de forma oval. Extremidade aboral inflada e arre-
dondada, enquanto que a oral apresenta um estrangulamento, for-
mando um pescoço pouco destacado, relativamente grande com
mais ou menos um terço do comprimento da concha. Abertura
arredondada. Parede aglutinante, em geral formada de grãos de
quartzo de tamanho médio, aparecendo também algumas espículas.
Superfície externa da parede áspera. Abertura oval até arredonda-
da. Cör branca ou amarelada.
Dimensões: 0,25 — 0,34 mm.
Ocorrência: Arroio Chuí. Campo do Dr. Anselmi (E), Talayer (A),
Ponte Chuí Barra, estrada cidade Chuí (A), Lagoa Mangeıra (R).
Observações: Esta espécie assemelha-se bastante a Difflugia pyriformis
mas apresenta um estreitamento mais destacado da região oral,
dando origem a um verdadeiro “pescoço”. Sua extremidade aboral,
por outro lado, é bem mais inflada e as partículas aglutinantes
dao à superfície externa um aspecto mais áspero que em D. pyri-
formis, possuindo esta maior quantidade de cimento. Estudos
comparativos, atualmente em curso, com material mais numeroso
de diferentes rios e lagoas do Estado visam mostrar as relações
entre ambas as espécies. A figura apresentada por Stepánek não
corresponde à sua descrição, mas corresponde perfeitamente a de
nossos exemplares. — Forma abundante.
Difflugia mitriformis WALLICH
(pl. 4, figs. 6-7)
(pl. 6, figs. 1-4)
10
CLOSS & MADEIRA — Tecamzbas e Foraminiferos do Arroiw Chui
1864
1902
1952
1956
Difflugia proteiformis (Ehr.), subsp. mitriformis — Wallıch, Difflugian Rhizo-
poda; ‚pP. 240, pl.215, 1107, plo oo
Difflugia acuminata, var. inflata — Penard, Rhizopoda Lémann, pp. 233-234,
fig. 10.
Urnulina difflugaeformis Gruber — Parker, Buzzards Bay, p. 461, pl. 1, fig. 10.
Difflugia mitriformis Walhch — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata, p. 305
poll Il, za, 2%
,
Descrição: Testa de forma oval ou arredondada, inflada e levemente
achatada no bordo oral. Extremidade aboral arredondada, rara-
mente possuindo um ou mais espinhos. Extremidade oral truncada
com abertura oval e arredondada. Anel oral não existe. Secção
cransversal oval-arredondada. Parede quitinosa, aglutinante. Ma-
terial aglutinante é quartzo de tamanho variável. Alguns aglutinam
diatomáceas e espículas. Abertura oval. Cör amarelada ou esbran-
quiçada.
Dimensões: 0,15 — 0,24 mm.
Ocorrência: Ponte Chuí, estrada Barra (E), Arroio Chuí, campo do
Dr. Anselmı (E), Talayer (R), Ponte Chuí Barra, estrada cidade
Chuí (A), Lagoa Mangueira (A), Lagoa Mirim (A).
Observações: Nossos exemplares conferem perfeitamente com aqueles
descritos por Boltobskoy (loc. cit.) bem como com Urnulina difflu-
gaeformis de Parker (loc. cit.). Exemplares variam bastante em
tamanho, inflação e granulação. Dentro desta espécie caberia cer-
mente um grande número das descritas por Penard (loc. cıt.).
De máxima importância seria uma revisão taxonômica dos tipos
de Penard. — Escassa na frequência, sendo em alguns lugares
muito abundante.
Difflugia pyriformis PERTY
(pl. 4, figs. 1-2)
(pl. 6, fies. 5-6)
Difflugia pyriformis — Perty, Kennt. Lebensf. Schweiz, p. 187, pl. 9, fig. 9.
Difflugia pyriformis Perty — Carter, Freshwater Rhizopoda of England and
Indian p 2, pie os 17
Difflugia pyriformis Perty — Penard, Rhizopoda Leman, p. 214.
Difflugia pyriformis Perty — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata, p. 303,
DIR ro 3% -
Difflugia pyriformis Perty — Todd & Bronnimann, Gulf of Parıa, p. 21, pl. 1,
ler 2,
Descrição: Testa oval alongada com extremidade posterior mais inflada
e arredondada. Extremidade cral levemente estrangulada, sem
mostrar nítida divisão. Secção transversal circular. Parede aglu-
tinante, constituída de grãos irregulares, a maioria de quartzo, que
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962 11
tornam a superfície externa rugosa. Abertura aproximadamente
arredondada. Anel oral ausente. Cör das testas é esbranquiçada
até amarelada. — Maioria dos exemplares de pequeno tamanho.
Dimensões: 0,18 — 037 mm.
Ocorrência: Ponte Chuí, estrada Barra (E), Arroio Chuí, campo do
Anselmı (F), Talayer (E), Ponte Chuí, Barra, estrada cidade
Chuí (É), Lagoa Mangueira (E), Lagoa Mirim (MR).
Observações: Formas muito típicas. Passagem da extremidade oral
para a aboral por vêzes pouco estrangulada mas na maioria a infla-
ção é progressiva. Quantitativamente esta espécie é escassa sendo,
entretanto, regularmente encontrada nas amostras.
Difflugia lageniformis WALLICH
(pl. 5, figs. 7-8)
1864 Difflugia proteifirmis (Ehr.), subsp. mitriformis, var. lageniformis — Wallich,
Difflugian Rhizopoda, p. 240, pl. 15, fig. 2b (non pl. 15, fig. 2c, pl. 16, figs. 15-16).
1956 Difflugia lageniformis Wallich — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata, p. 306,
Pla tie 3%
Descrição: Testa ovalada, com a extremidade aboral arredondada e
ınflada, a oral levemente achatada e separada por um estreita-
mento, formando um pescoço curto. Parede quitinosa, aglutinante.
Graos sao na maioria de tamanho médio, por vêzes grandes em
relaçao ao tamanho da testa. Secção transversal oval. Abertura
ovalada. Cör amarelada, por vêzes esbranquiçada.
Dimensões: 0,10 — 0,15 mm.
Ocorrências: Ponte Chuı, estrada Barra (E), Ponte Chui, estrada cida-
de. Chuí (R).
Observações: Esta espécie for redescrita por Boltovskoy (loc. cıt.),
o qual também esposa as idéias de Wallich (loc cıt.), segundo as
quais Difflugia lageniformis seria uma forma transitória de Difflugia
mitriformis. Esta, entretanto, mostra uma testa menos ovalada
que aquela, o estreitamento da regiao oral também é menor, a
abertura é muito maior e mais ovalada. A própria inflação e
tamanho de D. mitriformis, também maiores, permitem diferenciar
ambas as espécies facilmente. — Esta espécie é relativamente
escassa no material examinado, não tendo sido descrita ou figu-
rada pela maioria dos autores consultados.
12. CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
Difflugia slobularis WALLICH
(plane 5)
(pl. 4, fıg. 17)
(pls tire)
1864 Difflugia proteiformis (Ehr.), subsp. globularis — Wallıch, Difflugian Rhizopoda,
Do 2, lb. MS 202 2 ol Ion cais, 117%,
1902 Difflugia globulosa Duj., subsp. globularıs Wallıch — Penard, Rhizopoda Léman,
p: 258.
1956 Difflugia globularis Wallich — Boltovskoy Tecamebas Rio de la Plata, p. 307,
DS a US
Descrição: Testa aproximadamente esférica com parede aglutinante e
espêssa. Partículas aglutinantes de minerais de diferentes classes,
de tamanho variado, a maioria grande e angulosa. Superfície exter-
na áspera e a interna lisa. Abertura arredondada, de tamanho
variado, geralmente pequena e preenchida. Anel oral quase im-
perceptível. Cör amarelada ou esbranquiçada.
Dimensões: 021 — 0,25 mm.
Ocorrência: lalayer (E), Ponte Chuí Barra, estrada cidade Chuí (R).
Observações: Esta espécie é reconhecida entre as formas globulares
descritas, pelas paredes tipicamente mais espêssas e ásperas, aber-
tura pequena com anel oral pouco destacado e inflação constante. —
Esparsamente encontrada nas amostras.
Gênero PONTIGULASIA Rhumbler, 1895
Pontigulasia compressa RHUMBLER
(pl. 4, figs. 8-10)
(pls Sa mes LOS)
1895 Pontigulasıa compressa — Rhumbler, Beitraege Kennt. Rhizopoden, p. 105, pl. 4,
tie. 13,
1939 Priteonina compressa — Cushman & Me Cúlloch, Report arenaceous Foram.,
0.20, ol, I, us 10)
1945 Proteonina eocenica — Cushman, Foram. Twiggs Clay of Georgia, p. 1, pl. 1,
figs. 1-2.
1952 Pontigulasia compressa Rhumbler — Stepänek, Testacea Kunratice, p. 47, fig.
12 IR,
1952 Pontigulasia compressa Rhumbler — Grasse, Thécamoebiens, p. 130, pl. 91,
figs. F-H.
1956 Pontigulasia compressa Rhumbler — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata,
pP» 308 pl o eo)
Descrição: Testa em forma de cantil. Pequena inflação. Bordo aboral
arredondado. Parede aglutinante, pouco áspera, com grãos médios,
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962 13
quase que exclusivamente de quartzo. Pescoço curto, pouco desta-
cado. Secção transversal oval. Em exemplares rompidos, pode-se
observar, no interior da concha, junto à parte estrangulada, um
apêndice alongado unindo as duas paredes opostas. Abertura ova-
lada. Côr branca ou amarela clara.
Dimensões: 0,13 — 0,19 mm.
Ocorrência: Ponte Chuí, estrada Barra (R), Arrcio Chuí, campo do
Dr. Anselmı (R), Talayer (F), Ponte Chuí Barra, estrada cidade
Chuí (A), entre Ponte Internacional e Bôca da Barra (MR), Lagoa
Mangueira (R).
Observações: Característico para o gênero Pontigulasia é o apêndice
alongado, em forma de “ponte”, sob a abertura oral que interliga
as duas paredes (Grassé, 1952, p. 130). O achatamento lateral
seria típico, segundo Bclh & Saunders (1954, p. 50) mas êste
pode ser também observado em algumas formas de Difflugia. —
Forma escassa mas constante.
Família CENTROPYXIDAE
Gênero CENTROPYXIS Stem, 1857
Centropyxis (Cyclopyxis) arenata (CUSHMAN)
(pl. 3, figs. 3-4)
(pls6, fig 7)
1930 Pseudoarcella arenaa — Cushman, Foraminifera Choctawhatchee Formation, p. 55,
pl. 1, fig. 3a-b.
1939 Pseudoarcella arenata Cushman — Cushman & McCulloch, Report arenaceous
Hora p. 43 “pls 2 tie A.
1945 Leptodermella arenata (Cushman, Foram. Twiggs Clay of Georgia, p. 3, pl. 1,
fig. 6.
1956 Centropyxis (Cyclopyxis) arenata (Cushman) — Boltovskoy, Tecamebas Rio
des asRlatarı pa 310 pl. 1% tie 10;
1957 Centropyxis (Cyclopyxis) arenatus (Cushman) — Todd & Bronnimann, Gulf
Olaias 08 20 ol o fios.
Descrição: Concha de contôrno circular, lado dorsal convexo, pouco
inflado, e o ventral côncavo, pouco acentuado na maioria dos exem-
plares. Abertura arredondada, pequena, central e quase sempre
preenchida. Parede quitinosa aglutinante, fina, quase transparente.
Cör amarelada.
Dimensões: 0,10 — 0,12 mm.
Ocorrência: Ponte Chuí, Barra, estrada Barra (R), Lagoa Mangueira
(MR).
14 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminíferos do Arroio Chuí
u = E
Observações: As paredes finas sao características e mostram a menor
espessura em todo o material. Os exemplares conferem perfeita-
mente com as descrições de Cushman (loc cit.). — Forma rara.
Centropyxis (Centropyxis) marsupiformis (WALLICH)
(ol Sn 2)
(pl. 6, figs. 8-9)
1864 Difflugia proteiformis (Ehr.), subsp. marsupiformis — Wallıch, Difflugian Rhizo-
poda pr 2416 pls tie Sad Sm plo:
1956 Centropyxis (Centropyis) marsupiformis (Wallch) — Boltovskoy, Tecamebas
Rioide la Blaita pas 09 ro
Descrição: Concha achatada, assimétrica, de contôrno arredondado.
Lado ventral côncavo e o dorsal convexo, sendo a convexidade mais
acentuada na extremidade posterior. Inflação maior no bordo pos-
terior, terminando o anterior por vêzes afilado. Inflação total e
convexidade da testa muito variável. Abertura mais ou menos
arredondada, bastante grande, situada numa depressão perto da
periferia. Posição e tamanho da concavidade também variável.
Parede aglutinante, fina, coberta de grão de quartzo relativamente
pequenos e irregulares, aparecendo aında dıatomaceas. Côr esbran-
quısada ou amarelada.
Dimensões: 9,09 — 913 mm.
Ocorrência: Ponte Chuí Barra, estrada cidade chuí (R), Lagoa Man-
gueira (A), Lagoa Mirim (MR), Campo do Dr. Anselmı (MR).
Observações: Espécie bastante variável mas característica. Inflação,
posiçao e tamanho da concavidade, aglutinações da parede e con-
tornos são os caracteres mais variáveis. — Forma escassa, somente
abundante na Lagoa Mangueira.
Centropyxis (Tentropyxis) constricta (EHRENBERG)
als 7, ne 5)
1954 Centropyxis (Centropyxis) constricta (Ehrenb.) — Bolli & Saunders, Theca-
moebina, p. 48, fig. 2, n.º 6a, b.
1956 Centropyxis (Centropyxis) sp. — Boltovskoy, Tecamebas Rio de la Plata,
1 30), ol Il, ©,
Descrição: Concha pequena, bastante achatada, assimétrica, com ambos
os lados inflados e as duas extremidades arredondadas. Inflação
pequena. Abertura bastante grande, arredondada, situada numa
depressão do lado ventral, perto da extremidade anterior. Bordo
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — Janeiro de 1962 15
posterior da abertura profundo e o anterior truncado. Paredes
aglutinantes cobertas de graos de quartzo bastante grandes em
relação ao tamanho da concha. Grãos irregularmente dispostos,
nem sempre bem cimentados com o material quitinoso, dando à
concha uma superfície bastante áspera. Alguns exemplares apre-
sentam no lado dorsal da extremidade posterior pequenos espinhos
em número de um a quatro.
Dimensões: 0,07 — 0,09 mm.
Ocorrência: Lagoa Mangueira (A), Lagoa Mirim (E).
Observações: Esta espécie é semelhante à anterior. As principais di-
ferenças são o menor tamanho, a posição da abertura mais próxima
da extremidade e a superfície bem mais áspera. — Forma encon-
trada sômente nas Lagoas, não tendo sido observada no Arroio Chur.
Ordem FORAMINIFERA
Família ZITUOLIDAE
Gênero AMMOTIUM Loeblich & Tappan, 1953
Ammotium salsum (CUSHMAN & BRONNIMANN)
(pl. SA)
(plz hp 2)
1848 Ammobaculites salsus — Cushman & Bronnimann, New Genera of Foraminifera,
people 3, fios 7-9"
1959 Ammotium salsum (Cushman & Bronnimann) — Parker & Athearn, Poponesset
Bay, p. 340, pl. 50; figs. 6, 13.
1961 Ammotium salsum (Cushman & Bronnimann) — Todd & Low, Martha’ Vı-
neyardı pr 1 plo figs 223.
Dimensöes: 0,24 — 0,42 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (A).
Família TEXTULARIIDAE
Gênero TEXTULARIA Defrance, 1824
Textularia earlandi PARKER
(pl. 3, figs. 5-6-7)
kpl nes, 0)
CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chuí
1952 Textularia earlandi — Parker, Postsmouth, p. 458, pl. 2, figs. 4-5.
1959 Textularia earlandi Parker — Parker & Athearn, Poponesset Bay, p. 340, pl. 50,
tie. 7.
1959 Textularia earlandi Parker — Boltovskoy, Foram. Sur Brasil, p. 42, pl. 2,
figs. 8-9.
Dimensões: 0,30 — 0,34 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacınal (R).
Família TROCHAMMINIDAE
Gênero TROCHAMMINA Parker & Jones, 1859
Trochammina inflata (MONTAGU)
hell 74, se ID)
1808 Nautilus inflatus: Montagu — Testacea Britannica, Suppl, p. 81, pl 18 fe 3
1959 Trochammina inflata (Montagu) — Parker & Athearn, Poponesset Bay, p. 341,
pl. 50, figs. 18-20.
1961 Trochammina inflata (Montagu) — Todd & Low, Martha's Vineyard, p. 15, pl. 1,
figs. 22-23.
Dimensões: 0,22 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (MR).
Trochammina ochracea (WILLIAMSON)
(pl. 2ºB, fig; <8)
1858 Rosalina ochracea — Williamson, Great Britain, p. 55, pl. 4, fig. 112, pl. 5,
figa IS):
1954 Trochammina ochracea (Williamson) — Boltovskoy, San Blas, p. 265, pl. 22,
figs. 5a-b.
Dimensões: 0,16 — 0,30 mm.
Ocorrência: Ponte Internacional, Barra Chuí (MR).
Família SILICINIDAE
Gênero MILIAMMINA Heron-Allen & Earland, 1930
Miliammina fusca (H. B. BRADY)
Col 7 ie 7)
1870 Quingueloculina fusca, n. sp. — H. B. Brady, Tidal River, p. 286, pl. 11, figs.
Macio,
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962 17;
1931 Quinqueloculina fusca H. B. Brady — Cushman, South America, p. 3, pl. 1, fi
‚ figs.
9a-c.
1959 Miliammina fusca (Brady) — Parker & Athearn, Poponesset Bay, p. 340, pl. 50,
figs. 11-12.
Dimensöes: 0,22 — 0,45 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (A).
Observações: Nossa espécie confere com aquelas descritas pelos auto-
res precedentes.
Família MILIOLIDAE
Gênero QUINQUELOCULINA d’Orbigny, 1826
Quinqueloculina seminulum (LINNÉ)
pl So tier 10)
1884 Miliolina seminulum, Linné, sp. — Brady, Challenger, p. 157, pl. 5, fig. 6a-c.
1929 Quinqueloculina seminulum (Linnaeus) — Cushman, Atlantic Ocean, pt. 6, p. 24,
pl fios: =?
1959 Quinqueloculina seminulum (Linné) — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras., p. 45,
piRZ fig: 6:
1960 Quinqueloculina seminulum (Linné) — Closs & Barberena, Foram. Cassino, p. 12,
pl. 3, fig. 5a-b.
Dimensões: 0,28 — 0,57 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (R), Zona barrancas (F),
Bôca da Barra (A).
Observações: Espécie encontrada até a zona da Ponte Internacional
(correspondente ao nosso ponto 1). [Exemplares na maioria peque-
nos com câmaras bem ınfladas.
Quinqueloculina aff. frigida PARKER
(pl. vote E)
1952 Quinqueloculina frigida n. sp. — Parker, Portsmouth, p. 406, pl. 3, figs. 20a-b.
1957 Quinqueloculina aff. frigida Parker — Boltovskoy, Rio de la Plata, p. 24, pl. 4,
fig. 7.
1959 Quinqueloculina aff. frigida Parker — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras., p. #8,
pu fio SE
Dimensões: 0,37 — 0,40 mm.
Georrência: Böca da Barra (R).
18 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
Gênero PYRGO Defrance, 1824
Pyrgo nasuta CUSHMAN
(ll 35 m ll)
1935 Pyrgo nasutus, n. sp. — Cushman, 14 n. sps., p. 7, pl. 3, figs. 1-4.
1959 Pyrgo nasuta Cushman — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras., p. 57, pl. 6, figs.
al
Dimensões: 0,34 mm.
Ocorrência: Bôca da Barra (R).
Família LAGENIDAE
Gênero LAGENA Walker & Jacob, 1798
Lagena laevis (MONTAGU)
(la 9)
1803 Lagena laeve — Montagu, Test. Brit., p. 524.
1959 Lagena laevis (Montagu), forma typica — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras.,
Do 77, ol So na 7%.
Dimensões: 0,39 mm.
x
Ocorrência: Ponte Barra Chur, Internacional (MR).
Gênero OOLINA d'Orbigny, 1839
Onlina costata WILLIAMSON
Co 2A, ie, 5)
GO, os)
1858 Entosolenia costata, nob. — Williamson, Foram. G. Britain, p. 9, pl. 1, fig. 18.
1954 Oolina costata (Williamson) — Boltovskoy, San Jorge, p. 156, pl. 6, fig. 7.
Dimensöes: 0,22 — 0,28 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (R), Zona Barrancas (R),
BocaldanB arma Wr
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — Janeiro de 1962 19
Família BULIMINIDAE
Gênero BULIMINELLA Cushman, 1911
Buliminella elegantissima DORBIGNY
(pls cgi: 8)
1839 Bulimina elegantissima — d’Orbigny, Amer. Merid., p. 51, pl. 7, fig. 13, 14.
1931 Buliminella elegantissima d’Orbigny — Cushman & Parker, South America, p. 13.
pls ires. MMS:
1957 Buliminella elegantissima VOrbigny — Todd & Bronnimann, Gulf of Paria, p. 32,
Dill 8, a oo 2,
1959 Buliminella elegantissima d’Orbigny — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Brasil, p. 76,
pl rose o
Dimensões: 0,12 — 036 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chur, Internacional (R), Zona Barrancas
972
1931
1959
(MR).
Gênero BOLIVINA VOrbigny, 1839
Bolivina striatula CUSHMAN
Bolivina striatula, n. sp. — Cushman, foram. Tortugas, p. 27, pl. 3, fig. 10.
Bolivina striatula Cushman — Cushman & Parker, South America, p. 16, pl. 3,
rita le
Bolivina striatula Cushman, forma typica — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras.,
DES pl tro
Dimensões: 0,18 — 0,52 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (R), Zona Barrancas
(MR), Bôca Barra (R).
Família ROTALIIDAE
Gênero DISCORBIS Lamarck, 1804
Discorbis williamsoni (CHAPMAN & PARR)
(pl. 7, fie: 6)
Rotalina nitida, nob. — Willamson, Foram. Britain, p. 54, pl. 4, figs. 106-108.
Discorbis nitida (Willamson) — Cushman & Parker, South America, p. 19, pl. 4,
fig. 4.
Discorbis nitida (Williamson) — Carvalho & Chermont, São Paulo, p. 93, pl. 1.
fig. 16.
20 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
1959 Discorbis williamsoni (Chapman & Parr) — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras.,
p. 89.
1960 Discorbis wilhamsoni (Chapman & Parr) — Closs & Barberena, Foram. Barra,
p: 40) pl 5 ntiest anne
Dimensões: 0,15 — 0,25 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (E), Zona Barrancas (E),
Böca da Barra (F).
Gênero POROEPONIDES Cushman, 1944
Poroeponides lateralis (TERQUEM)
Gall Anos 2,9, 8)
1878 Rosalina lateralis — Terquem, Rhodes, p. 25, pl. 2, fig. 11.
1955 Poroeponides cf. P. lateralis (Terquem) — Tinoco, Cabo Frio, p. 38, pl. 4,
es E
1959 Poroeponides lateralis (Verquem) — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras., p. 91,
pl. 13, figs. 4a-b.
1960 Poroeponides lateralis (Terquem) — Closs & Barberena, Foram. Cassino, p. 20,
pl. 2, figs. 3a-b.
Dimensões: 0,52 — 0,82 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (MR), Bôca da Barra
(CASE
Gênero BUCCELLA Andersen, 1952
Buccella frigida (CUSHMAN)
1931 Eponides frigida (Cushman) — Cushman, Atlantic Ocean, pt. 8, p. 45.
1959 Buccella frigidus (Cushman) — Boltoyskoy, Foram. Rec. Sur Bras., p. 92, pl. 13,
figs. 5a-b.
1960 Buccella frigida (Cushman) — Closs & Barberena, Foram. Cassino, p. 21, pl. 2,
fig. 5.
Dimensões: 0,19 — 0,40 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (E), Zona Barrancas (A),
Boca ida” Barra POA):
Buccella peruviana campsi (BOLTOVSKOY)
(pl23, fig. 9)
1954 Eponides peruvianus campsi n. subsp. — Boltovskoy, San Jorge, p. 205, pl. 17,
figs. 6-8.
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — Janeiro de 1962 21
1955 Eponides cf. E. peruvianus campsi Boltovskoy — Tinoco, Cabo Frio, p. 36, pl. 4,
of SL
1959 peruviana campsi (Boltovskoy) — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras.,
Sa mh I, sit 7%
1960 En peruviana campsi (Boltovskoy) — Closs & Barberena, Foram. Cassino,
Ds 22 oh hit A
Dimensões: 0,24 — 0,37 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (E), Zona Barrancas (E);
Bôca da Barra (A).
Observações: Exemplares menores que Buccella frigida.
Gênero ROTALIA Lamarck, 1804
Rotalia beccarii ex gr. parkinsoniana (OORBIGNY)
(pl DA fes 6,10)
1840 Rosalina Parkinsoniana — d'Orbigny, Isla de Cuba, p. 105, pl. 4, figs. 25-27.
1959 Rotalia beccarii ex gr. parkinsoniana (d’Orbigny) — Boltovskoy, Foram. Rec.
Sur Bras: po 93; pl. 14, fies. la, b, 2; 3.
1960: Rotalia beccarii Dar kinsoniama (d’Orbieny) — Closs & Barberena, Foram, Cassıno,
p. 19, pl. 2, figs. la-b, 2a-b.
Dimensöes: 0,15 — 0,31 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (A), Zona Barrancas (E),
Bôca da Barra (F).
Observações: Esta espécie é muto numerosa nas amostras com baixa
salinidade. Região umbilical do lado ventral preenchida pelos orna-
mentos em grande número de exemplares.
Família ELPHIDIIDAE
Gênero ELPHIDIUM Montfort, 1808
Elphidium discoidale (DORBIGNY)
(pIZA, figo vd)
1840 Polystomella discoidalis (d’Orb.) — d’Orbigny, Isla de Cuba, p. 76, pl. 6, figs.
23, 24.
1930 Elphidium discoidale (d’Orbigny) — Cushman, Atlantic Ocean, pt. 7, p. 22,
pl. 8, figs. 8-9.
1959 Elphidium discoidale (d’Orbigny) — Boltovskoy, Foram. Rec. Sur Bras., p. 94.
DG US Sófia dl
1960 Elphidium discoidale (d’Orbigny) — Closs & Barberena, Foram. Cassino, p. 23,
2, figs. 8-9.
22 SE & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chw
Dimensöes: 0,19 — 0,55 mm.
Ocorrência: Ponte Barra Chuí, Internacional (A), Zona Barrancas (A)
Boca dal Barra ADE
5
Observações: Uma das espécies mais numerosas nas amostras. Ta-
manho relativamente grande. Umbilicus comumente com botão
umbilical. Bordo externo arredondado, raramente sub-agudo. Aber-
turas dos poros canais bem destacadas.
COMENTÁRIO SÓBRE A FAUNA ENCONTRADA
O Arroio Chuí pode ser dividido, quanto à distribuição de Teca-
mebas e Foraminíferos, duas zonas ecológicas distintas. A primeira,
situada entre a desembocadura e a Ponte Internacional (localidade lb
na qual são muito abundantes o Foraminiferos calcários, tipicamente
marinhos, escassos os aglutinantes de águas mixohalinas e ausentes as
Tecamebas. Os Foraminíferos marinhos penetram nestas águas, corres-
pondentes às zonas meso e polıhalına (11-27 dc) da classificação de
Redeke, juntamente com as águas da maré alta e, em especial.
durante os períodos de vento sul. Destacam-se numericamente entre
êstes Foraminiferos as seguintes espécies: Elphidium discoidale, Buccella
frigida, Quinqueloculina seminulum e Rotalia beccarn parkinsomana.
Em menor número encontram-se Oolina costata, Pyrgo nasuta, Buhmi-
nella elegantissima, Bolivina striatula, Discorbis wilhamsoni, Poroeponı-
des lateralis, Lagena laevis e Buccella peruviana campsi. A maioria
dos exemplares foi encontrada morta, isto é, o protoplasma não foi
corado pelo método de Walton. É lícito admitir que os referidos exem-
plares penetraram no Arroio durante um período em que a salinidade
era relativamente alta, morrendo posteriormente pela sua diminuição.
A distribuição dos Foraminiferos marinhos poderia indicar as sucessivas
amplicudes das invasões de águas marinhas. Não existem sinais de
desgaste das testas que pudesse indicar um transporte das mesmas.
As espécies encontradas vivas em águas poli- e mesohalinas já haviam
sido citadas anteriormente por outros autores também de zonas ecoló-
gicas de menor salinidade. Junto a estas espécies tipicamente marinhas
encontramos espécies características de águas mixohalinas. Mais fre-
quentes sao Mikiammina fusca e Ammotium salsum. Em amostras
isoladas encontramos Textularia earlandi, Trochammina inflata e Tro-
chammina ochracea. As Tecamebas estão completamente ausentes.
A segunda zona corresponde ao Arroio pröprıamente dito, desde a
nascente até a Ponte Internacional. Nesta zona não são observados
Foraminiferos, os quais são substituídos pelas Tecamebas. As águas
apresentam salinidade cm tôrno de O %o, correspondente à zona límnica
(doce) de Redeke. As Tecamebas mais numerosas são: Difflugia mitrı-
IHERINGIA — Zoolegia n.º 19 — janeiro de 1962 23
formis, D. Capreolata e D. urceolata. Em menor número são encon-
tradas Difflugia corona, D.«pyriformis, D. lageniformis, D. globularis,
Pontigulasia compressa, Centropyxis arenata, C. marsupiformis e 6.
constricta.
Concluindo poderiamos resumir que relativamente pequeno é o
espaço invadido pelos Foraminiferos marinhos, encontrados somente
até a Ponte Internacinal, o que pode ser explicado pelo afluxo con-
tinuo de águas doces, as quais não permitem um aumento considerável
na salinidade, necessário para a sobrevivência dos Foraminiferos. O
número de exemplares vivos das espécies marinhas é maior nas águas
parcialmente represadas entre os Barrancos e a lImha de praia. Ha
um decréscimo sensível nas amostras da Ponte Internacional, onde
aumenta o número dos exemplares das espécies mixohalinas. Há uma
transição, portanto, desde uma associação marinha, passando por uma,
mesclada com espécies marinhas e mixohalinas e, finalmente, o desapa-
recimento dos Foraminiferos substituídos pelas Tecamebas.
A ausência de Tecamebas nas amostras tomadas desde a Ponte
Internacional até a praia parece ser o resultado das condições ecoló-
gicas adversas ou então as Tecamebas teriam sido destruídas durante
o transporte pois existem em amostras pouco distantes da Ponte.
A associação de Tecamebas das amostras das Lagoas Mirim e Man-
gueira não mostram diferença fundamental em relação aquelas do
Arroio Chuí. Não foram encontrados Foraminiferos nas referidas
amostras.
TABELA DE FREQUÊNCIA
a — =| <«
L|l w = z| É
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AMMOTIUM SALSUM E
ENTRE PONTE E B.BARRA
TEXTULARIA EARLANDI
INTERNACIONAL
MANGUEIRA
TROCHAMMINA INFLATA
EBREÊ| PONTE
MILIAMMINA FUSCA
BUINDUELOCULINA SEMINULUM
: F
E E
D. AFF. FRIGIDA
RI
Ei
PYRGO NASUTA Ba RT!
LAGENA LAEVIS — = =
OOLINA COSTATA I MAIR E| |
POROEPONIDES LATERALIS
BUCCELLA FRIGIDA
BULIMINELLA ELEGANTISSIMA | | | IR na
BOLIVINA STRIATULLA R MR
DISCORBIS WILLIAMSONI EEE
: É
pP
B. PERUVIANA CAMPSI
ROTALIA BECCARII PARK.
ELPHIDIUM DISCOIDALE
DIFFLUGIA URCEOLATA
; CORONA
: CAPREOLATA
R MITRIFORMIS
je]
b LAGENIFORMIS
oO
GLOBULARIS
_ PONTIGULASIA COMPRESSA
CENTROPYXIS ARENATA
€. MARSUPIFORMIS
c CONSTRICTA
OSTRACODA
GASTROPODA
PELECYPODA
Ei
Mom
H
ERR
E
A
EM
Es
Ea
=
PYRIFORMIS EZ
E
E
EM
pu
ER
EE
E
DIATOMACEAS
CAROFITAS
|
Ss
Fb
ES
Eis
m
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Abstract
A fauna consisting of 11 species of Thecamoebina and 17 of Foraminifera was
fround in the Arroio Chuí, located near the southern boudary of the State of Rio Grande
do Sul. The environmental conditions in the greatest part of the “Arroio” (Creek) are
of fresh (limnic) waters with salinity around 0% but im the last kilometer the
salınıty varıes between 11 and 27% (meso- and polvhaline waters). In the first zone
only Thecamoebians are present with a greater abundance of Difflugia mitriformis, D.
capreolata and D. urceolata. In the second zone, near the shoreline, Zlphidium discoida-
le, Buccella frigida, Quinqueloculina seminulum and Rotalia beccarii parkinsoniana are
dominant and were found alive in a great number. A smaller number of the other
species was also found alive. About 500m far from the sea, where the salinity is
lower, only Elphidium discoidale, Rotalia beccarii and Buccella frigida were found alive,
together with Miliammina fusca, Amotium salsum, Textularia earlandi and Trochammina
inflata. The last two are very rare.
Zusammenfassung
Diese Arbeit befasst sich mit der Beschreibung der Foraminiferen und Theka-
moeben des Arrôio Chuí, im suedlichsten Tei! des Staates Rio Grande do Sul. Die oeko-
logischen Bedingungen des Arroio sind zum groessten Teil suesses, limnischer Gewaesser
und nur em kleiner Teil, der sich nahe des Ufers bzw. des Meeres befindet, zeigt oeko-
logische Verhaltnisse der poly- bzw. mesohalinen Gewaesser. Im ersten Teil sind die
Thekamoeben vorwiegend und keine Foraminiferen wurden beobachtet. Difflugia mitri-
formis, D. capreolata und D. urceolata sınd die verbreitesten Arten. Die Zone, die
sich nahe des Meeres befindet, zeigt eme grosse Anzahl von lebendigen Exemplaren fol-
gender Arten: Elphidium discoidale, Buccella frigida, Quinqueloculina seminulum und
Rotalia beccarii parkinsoniana. In seltenen Faellen wurden auch die anderen Arten
lebendig aufgefunden. In ca. 500m vom Meer entfernt sind die Salzgehaelte niedriger
und nur Elphidium discoidale, Rotalia Beccarii und Buccella frigida sınd noch lebendig
aufzufinden zusammen mit Miliammina fusca, Ammotium salsum, Textularia earlandi
und Trochammina inflata, die beiden letzten seltener.
28 CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
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30
Fig.
Fig.
Fig.
CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
BSR AIM
Desembocadura do Arroio Chuí. Ao fundo, as barrancas
arenosas com 4-6 metros de altura e o farol do Chuí.
Arroio Chuí temporariamente represado pelas areias da praia.
Águas poli- ou mesohalinas em dependência do afluxo de
águas doces.
Ponte Internacional da Barra do Chuí. Fotografia tomada
do lado uruguaio. Barrancas de aproximadamente 3 metros
de altura. Salinidades ainda relativamente altas (zona
mesohalina).
Fotogr. Closs, maio 1960
[ERINGIA — Zoologia n.º
19 — janeiro de
1962
31
32
CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
EN
ES IME
Associação de Foraminiferos da zona das barrancas na bôca da
Arroio Chuí. Destacam-se porcentualmente Elphidium discoidale
(fig. 1), seguindo-se Rotalia beccaru (figs. 6 e 10), Buccella
peruviana campsi (figs. 7 e 9), Quinqueloculina seminulum (dig.
4), Poroeponides lateralis, figs. 2, 3 e 8). Em menor número
Oolina costata (fig. 5).
ca. 40 x
Associação de Foraminiferos de amostra da Ponte Internacional
da Barra do Chuí. Ainda destacam-se Quinqueloculina seminu-
lum, Buccella peruviana campsi e Rotalia beccarn. Os Foramini-
feros aglutinantes são mais numerosos, como por exemplo Textu-
lara earlandı (fig. 6), Mihammina fusca (fig. 11), Trochammina
inflata (fig. 10) e Trochammina ochracea (hg. 8).
ca. 40x
IHERINGIA — Zoologia n.º 19 — janeiro de 1962
33
34
CLO3S & MADEIRA — Tecemebas e Foraminiferos do Arroio Chuí
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
EAST AIM ERAS
1 — Associação de Tecamebas. Estação Talayer, Estrada Santa
Vitória — Hermenegildo.
ea 10%:
2 — Centropyxis (Centropyxis) marsupiformis (Wallich)
140 x
. 3-4 — Centropyxis (Oyclopyxis) arenata (Cushman)
160 x
5 — Difflugia globularis Wallıch
125 5%
6-7 — Textularia earlandi Parker
100 x
8 — Ammotium salsum (Cushman & Bronniammn)
120 x
9 — Buccella peruviana campsi (Boltovskoy)
100 x
10 — Quingueloculina semiculum D'Orbigny
110 x
11 — Pyrgo nasuta Cushman
70 x.
HERINGIA —
Zoologia
n.º
19 —
taneiro
de
1962
36
CLOSS & MADEIRA — Tecamebas ce Foraminiferos do Arroio Chuí
ESS Ace RAD
Diffluea, pymilonmes Renta an 10
130 x
Dura capneolatan Benandı a 9
130 x
Difflugia mitriformis Wallich" ................. 9
130 x
Pontigulasia compressa Rhumbler ............. 12
150 x z
Distance olanaE& mter 7
150x, 130x, 130x e 140x respectivamente.
oil cononaENNallıcherr 8
140 x
Disluenan voleriheras NNE a sro caps anadee 12
140 x
37
de 1962
janeiro
IHERINGIA — Zoologia n.º 19
38
CLOSS & MADEIRA — Tomaten e eos do No Chui
Fig.
F;
g
1-4
5-6
Ta
oo
. 10-11
BASE A MIRA
Difflugia urceolata Carter .......
140x, 120x, 100x e 120x respectivamente.
Difilugia capreolata Penard ......
130 x
Difflugia lageniformis Wallıch ...
110 x
Diftlugia zlobularıs Wallch .....
120 x
Pontigulasıa compressa Rhumbler
150 x
39
janeiro de 1962
19
IHERINGIA — Zoologia n.'
40
CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
ESSA MIBR
Diftlugia miätriformis Wallich .................
140 x, 160 x, 200x e 180x respectivamente.
Dinar Dymlonmus \entya
120 x
Centropyxis (Cyclopyxis) arenata (Cushman)..
60 x
Centropyxis (Centropyxis) marsupiformis Wallıch
70 x
Data coroa Niallbidn doses cacoso Becas osoc
505 E TA.
15
14
[IHERINGIA — Zoologia n.º
19 — Janeiro de 1962
=
CLOSS & MADEIRA — Tecamebas e Foraminiferos do Arroio Chui
ES Ra NER 7
Fig.:1 — Trochammina inflata (Montagu) ................ 16
100 x
Fig. 2 — Ammotium salsum (Cushman & Bronnimann) .... 15
110 x
Fig. 3 — Centropyxis constricta (Eherenberg) .............. 14
130 x
Fig. 4+ — Quinqueloculina aff. frigida (Parker) ............. 17
120 x
Figos = NesstulamanNearlanda Barker nr ee 15
100 x
Fig. 6 — Discorbis wiliamsoni (Chapman & Parr) ......... 19
180 x
His 7, — Mıhammina tasca (Brady) m 16
100 x
Fig. 8 — Bulliminella elegantissima. D'Orbigny ............. 19
240 x
Bio O = neo cos Monta) ee 18
150 x
43
1962
Janeiro de
19
IHERINGIA — Zoologia n.º
ONE
"emma e
ar = SEADE
DU RENO Ad
NEE
Nur
203037
HERINGIA
SERIES CIENTIFLCAS
DO
USEU RIO-GRANDENSE DE CIENCIAS NATURAIS
CRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIÊNCIAS
RTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
OLOGIA RES JANEIRO DE 1962
I CAMPANHA OCEANOGRÁFICA DO MUSEU RIO-
GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS — A VIAGEM
DO “PESCAL IP’ EM JULHO DE 1959.
Lupwıc Buckur e
José WiLLiBaLDO THoMÉ
(do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais)
EN EIRIOD LIC ÃO
Procurando extender às áreas marítimas o levantamento faunístico
do Estado do Rio Grande do Sul (Brasil), iniciado em 1954, os autores,
zoólogos do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, partiram em
missão de colecionamento e estudo a bordo do navio pesqueiro nacional
"PESCAL II”, em julho de 1959.
A realização da mencionada campanha oceanográfica foi plane-
yada como uma complementação natural do inventäriamento faunistico
do Estado, preocupação básica das investigações do Museu desde a sua
criação. Visava-se, outrossim, fazer uma contribuição significativa para
o conhecimento da fauna efetivamente existente sôbre a plataforma
PORTO
ALEGRE
JANEIRO
1962
HERINGIA | SER. ZOOL.
N.º 20 E PÁGS. | 2 ESTS. 1 MAPA |
2 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
continental do lıtoral sul-brasileiro e para a solução dos problemas
zoogeográficos ligados a esta Fauna.
A literatura especializada apresenta poucas referências à Fauna
marinha procedente da zona situada entre cs 29 e os 34 Graus de
Latitude Sul. As informações existentes resultam do exame de uma
ou outra peça zoológica casualmente coletada ao longo do litoral do
Estado. Raras vêzes encontramos especimens da fauna marinha sul-
rıograndense nas coleções dos museus do pais e do exterior. As coleções
de estudo do Museu Ric-Grandense de Ciências Naturais abrigam
alguns exemplares, coletados geralmente em condições precárias sôbre
as praias marítimas.
As duas mais importantes massas de água marítima do litoral
orienta! sul-americano, as águas sub-tropicaıs quentes da corrente do
Brasil e as águas frias da corrente das Malvinas, se tocam frontal-
mente durante a maior parte do ano, ao largo das costas do Rio
Grande do Sul. Esta circunstância deve criar condições ecológicas
especiais nesta Latitude, com efeitos marcantes sôbre a fauna marinha
da região. Coletas anteriores, embora superficiais, revelaram a ocor-
rência de espécies tipicamente patagônicas e chilenas ao lado de espécies
tropicais, fato que ressalta o caráter de transição da zona mencionada.
Para que a contribuição do Museu Rio-Grandense de Ciências
Naturais na solução dos inúmeros problemas científicos contidos nos
antecedentes supramencionados pudesse ser realmente útil, far-se-ıa
necessário um empreendimento de maior envergadura, com coleciona-
mentos e observações em pontos distanciados da costa e abrangendo
a maior área possível. Não possuindo o Museu embarcação própria,
foram realizadas gestões junto a administração da Firma PESCAL
(Indústria Brasileira de Peixe), da cidade de Rio Grande, visando a
obtenção de permissão para que dois zoólogos do Museu pudessem
acompanhar um navio pesqueiro em uma de suas viagens regulares
de pesca.
A solicitação do Museu encontrou pronto acolhimento, pelo que
nos cabe manifestar os nossos mais sinceros agradecimentos à direção
da mencionada organização industrial. Queremos registrar, outrossim,
a nossa especial gratidão ao comandante Ewald Bruns e à tripulação
do “Pescal II”, que antes, durante e depois da viagem não pouparam
esforços para favorecer as atividades dos autores.
O presente relatório contém apenas uma síntese dos resultados
gerais da campanha e os informes mais destacados de cada uma das
59 operações de pesca e coleta efetuadas. O Museu Rio-Grandense de
Ciências Naturais deverá publicar, posteriormente, os resultados dos
estudes sôbre os diversos grupos colecionados e observados durante a
campanha.
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
ZIORGANITZACGAO,DOS TRABALHOS
Os autores partiram do pörto de Rio Grande à bordo do navio
pesqueiro PESCAL II em 18 de julho de 1959 às 6:30 horas, retor-
nando ao mesmo pôrto em 28 de julho às 7:00 horas.
O PESCAL II é um navio pesqueiro tipo “Trawler”, construído
em 1955 na Holanda. Seu comprimento é de 39 metros, deslocando
232 Toneladas brutas. Seu calado é de 4 metros, possuindo um motor
a Diesel de 650 CV. Sua estação de rádio opera na onda de 75 metros
em 4379 e 4073 Quilociclos.
Os materiais para o colecionamento e os instrumentos científicos
foram acomodados no compartimento de prôa do porão, local desti-
nado normalmente para as rêdes de reserva e para os cabos e correntes
de uso da embarcação. Os autores obtiveram permissão para se ins-
talar pessoalmente na cabine do contra-mestre, dotada de dois beliches
superpostos.
A viagem do PESCAL II inha por fim a captura de pescado
para o suprimento das indústrias de peixe da cidade de Rio Grande.
Resultou dai que os autores tiveram que adaptar seus planos ao
ritmo de trabalho à bordo, cabendo apenas ao comandante a escölha
da rota, o local e o nümero das operações de pesca. Não obstante,
houve amplas possibilidades para que cs autores pudessem concretizar
grande parte dos planos que os conduziram ao alto mar. A rota per-
corrida pelo navio cobriu, efetivamente, quase tôda a costa meridional
do Estado, desde os 32 Graus e 5 minutos até os 34 Graus e 11 minutos
de Latitude Sul, respectivamente o Pörto de Rio Grande, ao Norte e o
Cabo Polônio, ao Sul, já na costa do Uruguai. O maior afastamento
da costa foi registrado aos 51 Graus e 32 minutos de Longitude Oeste.
A pesca com a rede de arrasto foi realizada em 59 operações, em pro-
fundidades que variavam entre 12 e 40 metros, atingindo diversos
tipos de fundo.
A rede de arrasto era ıcada para o convés em intervalos cuja
duração média era de 3 horas. Era esta a oportunidade em que os
autores procuravam acompanhar de perto a seleção do pescado, a fim
de recolher o material zoológico trazido pela rêde. Os invertebrados
foram acondicionados de imediato em sacos de material plástico e fixa-
dos em Formol à 5% ou Alcool à 70%. Os peixes de especial ımpor-
tância científica foram recolhidos à caixas de madeira e acondicionados
em gêlo, juntamente com os peixes de importância comercial, no porão
principal do navio.
Sôbre a ponte de comando eram anotados, logo após o novo lan-
çamento da rêde, os dados para o diário de operações.
A coleta de Plancton foi realizada apenas durante o primeiro dia
das operações. Duas rêdes especiais foram usadas pelos autores. Du-
4 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
rante o arrasto normal da rede, a velocidade relativamente alta do
pesqueiro (cerca de 6 nós) era inadequada para o uso da rede de
Plancton. Os autores tiveram, pois, que aproveitar os momentos antes
e depois do içamento do arrastão, pela redução da velocidade da em-
barcação. Duas manobras imprevistas do barco arrastaram, no entanto,
as rêdes para junto da hélice, com consequente perda do material.
As poucas amostras de Plancton coletadas foram conservadas em
Konmollau5yz:
Nos intervalos entre dois içamentos foram realizadas inúmeras
observações, especialmente sôbre a avifauna. Outrossim procuraram os
autores completar, em tais oportunidades, o acondicionamento e a con-
servação do material zoclógico anteriormente coletado e realizar tra-
balhos fotográficos.
O trabalho à bordo constituiu-se, para os autores, a par da satis-
fação constante pelas inúmeras novidades científicas, como um período
de sacrifícios físicos de töda a sorte. O jôgo violento da embarcação
relativamente pequena, o ritmo ininterrupto das operações de pesca que
se sucediam em intervalos de 3 em 3 horas, a falta de repouso regular,
as baixas temperaturas atmosféricas que obrigavam ao uso de pesado
vestuário, o intenso odor de vísceras de peixe e dos gases de escape
dos motores no interior da embarcação e o trabalho incômodo no abafado
porão de pröa, contribuiram para a acentuada exaustação física dos
autores ao final da viagem.
Tödo o material zoológico coletado for levado à sede do Museu
Rio-Grandense de Ciências Naturais, em Pörto Alegre, catalogado,
reacondicionado e encaminhado aos especialistas dos diversos ramos.
A relação das Operações (Capítulo 3) encerra os dados básicos
de cada operação de pesca e coleta. A data da operação corresponde
ao início do processo de arrasto. A hora se refere ao início e ao fim
do arrasto. As coordenadas geográficas da primeira linha indicam o
local do lançamento da rede e as da segunda linha ao local do ıcamento.
A natureza do fundo foi constatada pelo perfil da Eco-Sonda, em cuja
leitura os autores puderam contar com a grande experiência do coman-
dante Ewald Bruns. A profundidade também foi constatada pelas ındı-
cacoes da Eco-Sonda e confrontada com os dados das cartas marítimas
da região. Os “principais resultados da pesca de valor comercial”,
aqui apresentados pelo conjunto em quilogramas, foram informados
oficialmente pelo contra-mestre, tomando-se por base uma média de
50 kg de peixe em cada balaio levado ao porão. Os autores procura-
ram conservar os nomes comuns usados à bordo para a identificação
dos peixes. Sob a indicação “principais resultados zoológicos” os autores
procuraram indicar desde já, os resultados mais marcantes de cada
operação. (O leitor encontrará com fregiiência apenas indicações de
Gênero. Trata-se de casos em que a determinação exata dependerá de
revisões mais completas por parte de especialistas do ramo. Nas
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 5
E Me: | | 2 se, dj
“observações” procuramos conservar a redação original do diário de
operações, ressaltando os aspectos mais importantes ou Interessantes
de cada operação.
SEO PERAÇOES EPETUADAS
OPERAÇÃO I
Mara: 18/7/1959 Hloxa: ts — 1400
Duração: 165 minutos
Coord. geográf.: 32° 26° S — 52° 07’ W
3307 GAS — 57010 N.
Fundo: lama Profundidade: I8m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
Alkescadinhar 2.1 sait cum ess ae ai 600 kg
EPA Convina o Es MM u 300 kg Total: 900kg
2 — Principais resultados zoológicos:
CRUSTACEA
Libinia spinosa Milne Edwards, 1834
OPERAÇÃO II
Data: 18/7/1959 Hora: 14:20 == 17:00
Duração: 160 minutos
Coord. geográf.: 32° 34 S — 52º 10 W
3222678 5204057 W
Fundo: lama Profundidade: 18m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
Mieleseadinhast.+.......::0..::2 750 kg
DIC onvinas er bei ro io mi so 700 kg Total: 1.450kg
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasihana (Solander, 1786)
6 BUCKUP & THOME — I Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
CRRRALOBRODA
Loligo sp.
GRUSTACEA
Hepatus princeps (Herbst, 1785)
OPERAÇÃO IH
Datas 191721959 ora as OA
Duração: 180 minutos
Coord. geogräf.: 320 DOS 59052
Se DOM = De 0 W
Fundo: lama Profundidade: 22 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
Prejudicado.
2 — Principais resultados zoológicos:
Prejudicado.
3 — Observações:
O registro das informações acima foi prejudicado por motivos de
ordem técnica.
OPERAÇÃO IV
Datas 18/7559 Hiora: 20302700
Duracao: 210 minutos
Coord" Beograt. 22 DOM — DO (057 WW
Prejudicado
Fundo: lama Profundidade: 20 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
an keseadinkha er er Ra 550 kg
b) Corina di a 1.000 kg Total 1550;
2 — Principais resultados zoológicos:
CRUSTACEA
Libima spinosa Milne Edwards, 1834
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 Te
3 — Observações:
Neste lance da rêde predominaram as “Corvinas” (Micropogon
opercularis) de pequeno tamanho,
OPERAÇÃO V
Data: 19/7/1959 Hora: 00:20 04:00
Duração: 220 minutos
Coord. geográf.: Prejudicado
SOB Sr — SAN
Fundo: lama Profundidade: 18m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
a) Bescadinha .e Pescada ...... 300 kg
b).Corvina eCastanha sc. cs 1.200 kg Total: 1.500 kg
Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
CRUSTACEA
Libima spinosa Milne Edwards, 1834
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
OPERAÇÃO VI
Data: 19/7/1959 Eloras 04:20 07:50
Duração: 190 minutos
Coord. geográf.: 323525 5 DOSE INI
NBS. — 520 0570
Fundo: lama Profundidade: 20 m
Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
Bebesescdinhas 1 ces dio ii 06 350 kg
bi) Pescada” „Ua... BI: EIN. ern 350 kg
enCoryina e Castanha 2.0 ss 350 kg Total: 1.050kg
BUCKUP & THOME — I Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasılıana (Solander, 1786)
CRUSTACEA — ANOMURA
1 exemplar em Tonna galea brasiliana Moerch, 1877
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
OPERAÇÃO VIH
Data: 19/7/1959 Flora: 08:00 = 10:00
Duração: 180 minutos
Coord. geogräf.: 3203025 — 220521
3223025 — 205)
Fundo: lama Profundidade: 18 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
a)Beseadinhar. are waere. 350 kg
bjiConvimare as o NR a 550 kg
Cn Castamban eure 550 kg Total: 1.450 kg
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
CRUSTACEA — ANOMURA
1 exemplar
CRUSTACEA
Hepatus princeps (Herbst, 1785)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Notamos, pela primeira vez, um grande “lobo marinho” (Otaria
jubata) rodeando a embarcação, durante as operações de içamento e
lançamento de rêde.
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 9
OPERAÇÃO VIII
Data: 19/7/1959 Hora: 112081420
Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 32° 30° 5 — 52º 05° W
SU SE Se 52200 W.
Fundo: lama Profundidade: 22 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
Castanha Be! 2.900 kg Total: 2.900 kg
2 — Principais resultados zoológicos:
CRUSTACEA
Libimia spinosa Milne Edwards, 1834
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Constatamos nesta região a ocorrência de grande número de
“tubarões”, na quase totalidade fêmeas grávidas, tendo sido recolhidos
17 embriões de dentro do útero de uma fêmea evicerada no convés,
(Eulamia sp.).
OPERAÇÃO IX
Data: 19/7/1959 Hlora2 5515:00-7172:05
Duração: 125 minutos
Coord. geográf.: 3223 SSD OL)
3227. 5 52 SC
Fundo: lama Profundidade: 24-18 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
a) Corvina, Castanha e outros ... 2.000 kg Total: 2.000 kg
2 — Principais resultados zoológicos:
Nenhum animal de nosso interêsse.
10 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERACAO X
Data: 1971959 Hlora:01720= 20:00
Duração: 160 minutos
Coord. geográf.: SU DIA — 322 (O Ni
MO PY S == 529 15º Ny
Fundo: lama Profundidade: 18m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
Prejudicado.
2 — Principais resultados zoológicos:
Prejudicado.
3 — Observações:
Consoante informação do Capitão do barco, estamos demasiada-
mente próximos da praia, o que fez com que a rêde viesse praticamente
vazia.
OPERAÇÃO XI
Data: 19/7/1959 Elorac 7202072335
Duração: 175 minutos
Coord. geográf.: 322 2978 2152
O AS => 522 0? WW
Fundo: lama dura Profundidade: 15-18 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
a) Pescadara ara ERRA oa 100 kg
by Gastanhass me Ds Rea a 2.800 kg Total: 2.900 kg
1 bagre
3 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
OPERAÇÃO XII
Data: 20/7/1959 Hora: 00:05 05515
Duração: 190 minutos
Coord. geográf.: 32038335210 W
2036/05 == 5201027 W
Fundo; arenoso Profundidade: I8m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
Rescada a es aan es eres 150 kg
Di Cormna-e Castanha J........ 1.900 kg Total: 2.050kg
5 bagres
7 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
A rêde apareceu rasgada tendo sido imediatamente consertada.
OPERAÇÃO XIII
Data: 20/7/1959 Hora: 03552 70655
Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 329 3675 —— 520 (02";W
3208352 Su 90562 W
Fundo: arenoso Profundidade: 18-24 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
less RR 500 kg
BILESBRRaN. AR N hen 4.200 kg Total: 4.700 kg
3 bagres
1 cação
12 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
2 — Principais resultados zoológicos:
POLICHAETA
1 exemplar
ASTEROIDEA
1 exemplar (Astropecten sp.)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
OPERAÇÃO XIV
Data: 20741959 Hora: - 08:20 — 10:40
Duração: 140 minutos
Coord. geogräf.: 322 35.8 — 51056 NM
32 3975 SiS
Fundo: arenoso Profundidade: 24-30m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
ajibescada a. Wann ern 400 kg
Db) Coryina so AR 850 kg
cjuCastanhaç = e NS 450 kg Total: [700kg
4 bagres |
8 cacoes
2 — Principais resultados zoológicos:
SCYPHOZOA
1 exemplar
CEPHALOPODA
Loligo sp.
PISGES
Seriola sp.
OPERAÇÃO XV |
Data: 20/1/1959 Lora: 14:05 11125
Coord. geogräf.:
Fundo: pedregoso
Duração: 200 minutos :
322 3905 SO air
322 A is — SO 45º W à
Profundidade: 30-40 m
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
13
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
2 Coruma e Castanha ......... 700 kg Total: 700 kg
30 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Zidona angulata (Swainson, 1821)
BOLYGCHABRTA
Aphrodite sp.
3 — Observacöes:
A fauna parece tornar-se mais varıavel com a profundidade,
porém escasseiam os peixes de valor comercial.
OPERAÇÃO XVI
Data: 20///1959 Flora + 14451725
Duração: 160 minutos
Coord. geográf.: 32° 48° S — 51º 45’ W
322485 — 52º 000 Ny
Fundo: pedregoso Profundidade: 40-30 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
IE sta PODER RE RR 400 kg Total: 400kg
2 — Principais resultados zoológicos:
Nada recolhemos neste lance.
3 — Observações:
O peixe apesar de muito abundante, era constituído quase exclu-
sivamente de animais muito pequenos. A pesca foi suspensa e rumamos
para o Sul, em direção ao Cabo Polônio — Uruguai.
14 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERAÇÃO XVII
Data: 210174959 Elora: 072000945
Duracao: 165 minutos
Coord. geogräf.: 3409 (Ss 530 122 MW
Gui TS 550 107 W
Fundo: lama Profundidade: 25 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
a üBeseadan My A E 250 kg
DJ Coryanar po E pe ir 500 kg Toralez 27502
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
Zidona angulata (Swamson, 1821)
CEPHALOPODA
Loligo sp.
CRUSTACEA
Libinia spinosa Milne Edwards, 1834
PINS EIS
Merluccius hubbs: Marını, 1935
Callorhynchus callorhynchus (Linné, 1758)
3 — Observações:
O número de aves marinhas está muito reduzido. No momento
dêste registro, se nota um “Albatroz” (Diomedea melanophris) e alguns
“Fradinho” (Daption capensis). As “raias” (Holorhinus goodei?) tem
surgido em nümero impressionante na rede. Neste lance contamos
mais de 500 exemplares.
OPERAÇÃO XVII
Data: 21/7/1959 Elora: 102027230
Duração: 140 minutos
Coord. geográf.: 340 Sc SRD
34020525: 75307082W
Fundo: lama Profundidade: 25-22 m
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
15
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
escada ese a das ss SEE o raia 200 kg
BR cenas o so RIAA DA 400 kg Total: 600kg
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZO A
Renilla sp.
PISCES
Discopyge tschudu Heckel, 1846
Holorhinus goodei (Garman, 1885)
Psammobatis microps (Guenther, 1880)
Tharsitops lepidopoides? Lesson, 1830
3 — Observações: .
Continua ocorrendo grande abundância de “raias”. Surgiram muitos
glaucus?) e “palombeta” (Trachinotus sp.).
“pampo” (Trachinotus
OPERAÇÃO XIX
Bata: 2177/1959 klera 2 19:50, 15-30
Duração: 160 minutos
Coord. geográf.: 349 05° 5 º 08” W
3, Su ESSO 08 MV
Fundo: lama Profundidade: 26 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
Prejudicado.
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
Zidona angulata (Swainson, 1821)
CEPHALOPODA
Loligo sp.
PISCES
Dactylopterus volitans (Linné, 1758)
16 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
3 — Observações:
Continua a franca predominância de “raias” de diversas espécies.
OPERAÇÃO XX
Data 217771959 Hoxa: IG SR 719:00
Duração: 165 minutos
Coord. geográf.: 340 0525 555208283
34 0257 Say
Fundo: lama Profundidade: 26-18-25 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
a). Bescadinhar 2 ern co Re SE 50 kg
bojo ana RR e a ar ui RO 150 kg Totale 2001;
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Cymbiola) beckn (Broderip, 1836)
Zidona angulata (Swainson, 1821)
CRUSTACEA
Libinia spinosa Milne Edwards, 1834
3 — Observações:
Novamente a pesca foi suspensa por falta de peixe. Navegamos
em direção NO, observando a éco-sonda, na espera de melhores cardumes.
OPERAÇÃO XXI
Data: 21-22/7/1959 Flora: 2773200270240
Duração: 160 minutos
Coord. geográf.: Prejudicado
Fundo: rochoso Profundidade: 25-38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
a) BPescadas a a a ee 300 kg
b) 'Corvima ern A 200 kg Dotal: S00lks
4 cações
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 17
2 — Prineipais resultados zoolögicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
PELEGY PODA
Ostrea sp.
GASTROPODA
Cymbiola (Pechycymbiola) brasihana (Solander, 1786)
Zadona angulata (Swainson, 1821)
CEPHALOPODA
Loligo sp.
CRUSTACEA — ANOMURA e MACRURA
Vários exemplares.
ASTEROIDEA
1 exemplar (Astropecten sp.?)
OPERAÇÃO XXII
atas. 22/7/1959 Eloraso e 02:10: 05:10
Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 330 43’ S — 520 22 W
SI SAS 1520300 W
Fundo: rochoso Profundidade: 38-20m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado):
Ae scans mi DID O a id 250 kg
DE Coma Ps secs ma raso 200 kg Total: 450kg
2 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pechycymbiola) brasıhana (Solander, 1786)
Zidona angulata (Swainson, 1821)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
18 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERAÇÃO XXIII
Data: 22/7/1959 Hora: Po => NOS
Duração: | prejudicado
Coord. geogräf.: Prejudicado
332002855 520 DG ni
Fundo: lama Profundidade: 22 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
ajmpescadias in. ma pr e 300 kg
Du Corno Ap E 200 kg
ce). Castanha te Da 450 kg Total: 950kg
4 cacoes
2 — Principais resultados zoológicos:
CEPHALOPODA
Loligo sp.
3 — Observações:
As aves marinhas reapareceram em grande quantidade. Também
estamos reencontrando o peixe “cabrinha voadora” (Dactylopterus vo-
htans), que é devolvido ao mar, já morto, aos milhares.
OPERAÇÃO XXIV
Data: 22/7/1959 Flora: 21:00 AIBESO
Duração: 150 minutos
Coord. geogräf.: 33º 0005 — 529 060
330200237 SS
Fundo: lama Profundidade: 22 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado:
a) Pescada e ee Rr RO 900 kg
b) Corvinal do Me en 500 kg
eG astanhamr N 750 kg Toral:722150)ks:
1 bagre
10 cações
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
19
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pechycymbiola) brasihana (Solander, 1786)
CEPHALOPODA
Loligo DE
OPERACAO XXV
Data: 22/7/1959 lonas 13507 71645
Duração: 175 minutos
Coord. geogräf.: 33º 00° S — 52º 06° W
33º 007 S — 522.067 W
Fundo: lama Profundidade: 22 m
i — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado:
DiBeseadasr. 2... ei: 450 kg
3 DE RE 150 kg
EURO as tamanco amas am aos 500 kg Total: 1.100kg
2 bagres
4 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
CEPHALOPODA
Loligo sp.
3 — Observações:
Observamos neste ponto pela primeira vez, o aparecimento de
uma ave marinha, do porte do “albatroz”. Posteriormente verificamos
tratar-se do Macronectes giganteus. Ficava a
maiores distâncias e
parecia ter maior dificuldade em levantar vôo do que as demais aves
marinhas.
OPERAÇÃO XXVI
Bata: 22/7/1959 Hora: 17:05 — 20:00
Duração: 175 minutos
Coord. geográf.: 33010075 — 520 064
339. 002.5. 920º 062 W
Fundo: lama Profundidade:
22 m
20 BUCKUP & THOME — I Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
a Pescada vi een ra 150 kg
Db); Corymanı.. m eu er 100 kg
ce) Castanha sem 0 300 kg Total: 550kg
2 — Principais resultados zoológicos:
CRUSTACEA — ANOMURA
1 exemplar em Tonna galea brasiliana Moerch, 1877
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Na pesca de valor comercial devemos ressaltar que estão incluídos
uma grande quantidade de “pampo” (Trachinotus sp.).
OPERAÇÃO XXVII
Data 1953 lonas 20:20 == 23:15
Duração: 175 minutos
Coord. geográf.: 33º 00° S — 52º 06° W
320 4475 — 519587 W
Fundo: lama Profundidade: 22-24 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
a)ı Beseadar 1: an a en 200 kg
b)) Corvana ce 800 kg
cj Castanha es Se 200 kg Total: 1.200 kg
4 bagres
1 vıola
|
Principais resultados zoológicos:
ASTEROIDEA
3 exemplares (Astropecten sp.?)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
; 21
OPERAÇÃO XXVIII
Data: 2223/7/1959 Hora:z -23:50% 03:40
Duração: 250 minutos
Coord. geográf.: 320 44° S — 51º 58 W
32.2927 90 2° SO SS7 NW
Fundo: lama Profundidade: 24 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado):
a) Castanha, Corvina e Pescada. 4.500 kg Total: 4.500 kg
1 cação
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
CRUSTACEA
Libima spinosa Milne Edwards, 1834
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
\
Foi esta uma das melhores operações para o peixe comerciável.
O “cação mangona” (Carcharias platensis), guardado nos porões do
barco, media mais de 3m.
OPERAÇÃO XXIX
Data: 23/7/1959 Eloras 704:10 = 07355
Duração: 185 minutos
Coord. geográf.: 3292397 55 — 310358. W
Dos 52206 W
Fundo: lama Profundidade: 24-18m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
a) Castanha, Corvina e Pescada. 3.250kg Total: 3.250 kg
Ss
22 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
2 — Principais resultados zoológicos:
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Peixes em grande abundância, com homogeniedade de espécies;
predomínio da “Castanha” (Umbrina sp.), o que propiciou à tripulação
o uso de pás para recolher o peixe aos porões, evitando-se o exaustivo
trabalho de seleção manual.
OPERAÇÃO XXX
Data 2311959 Hora; 07:45 41040
Duração: 145 minutos
Coord. geográf.: 302 Se DO (Dor NY
3221625 52205739
Fundo: lama Profundidade: 18-14 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
a) Corvinal e ABescada PR 1.500 kg Total: 1.500 kg
1 cação
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Remila sp.
3 — Observações:
A operação de pesca foi realizada à vista da praia do Cassino,
poucas milhas ao Sul dos molhes da barra de Rio Grande. Pela pri-
meira vez vê-se a terra depois de cinco dias. Nas proximidades do
barco um grupo de 3 “Lobos marinhos” (Otaria jubata), surgiram na
superfície da água, procurando abocanhar os peixes que, finda a opera-
ção de pesca, eram atirados de volta ao mar.
OPERAÇÃO XXXI
Data: 23/1/1959 Flora: 19:00 72:00
ix Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 322 1 8 — 322 (057 WW
322162 ST 5902052
Fundo: lama Profundidade: 14m
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 23
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
2) FEN O em DO s 300 kg
ERRORS ro es see aaa 450 kg Total: 750kg
Bagres (50 kg)
2 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Notamos enorme quantidade de “peixe-espada” (Trichiurus leptu-
rus) neste local.
OPERAÇÃO XXXII
Data: 23/7/1959 Hora? 77140271735
Duração: 195 minutos
Coord. geográf.: 265 DA NV
3231795 NASA DI
Fundo: lama Profundidade: 14-24m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
escada nennen veses 500 kg
BR Corvina e Castanha: a... 3.550kg Total: 4.050 kg
2 — Principais resultados zoológicos:
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
PISCES
Squalus cubensis Howel & Rivero, 1936
3 — Observacöes:
Os 3 “lobos marinhos” (Otaria jubata) continuam presentes. As
aves marinhas contam-se aos milhares. Raríssimas as “raias”. Reco-
lhemos só neste lance 75 “escudos de Sao Jorge” (Encope emarginata).
24 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C Naturais.
OPERAÇÃO XXXIII
Dara São Elona= 1831029109
Duração: 170 minutos
Coord. geográf.: 320 Ss SS sm
920442 Ss SO AN
Fundo: lama Profundidade: 24-30 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
Au escadas fr DER 50 kg
b) Corvina e Castanha 2... 350 kg Total: 400kg
1 bagre
1 viola
3 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GRUSDACHA
Libinia spinosa Milne Edwards, 1834
ASTEROIDEA
1 exemplar (Astropecten sp.?)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
SEIS
Pogomas ehromis
3 — Observações:
Notamos que escassearam novamente os “pampo” (Trachinutus sp.)
e “peixe-espada” (Trichiurus lepturus) aumentando as “raias”. O peixe
“cabrınha” (Prionotus alıpioms) veio em quantidades enormes e parece
que quanto mais ocorre êste peixe, pior se torna o resultado comercial
da pescaria.
OPERAÇÃO XXXIV
Data: 23/7/1959 Hora: 21:50 00:80
Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 32° 44° S — 51° 47’ W
322 554.8. 522 000
Fundo: pedregoso Profundidade: 30-27 m
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 25
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
MN ESS Er er Lisa do mu 100 ke
BCs tania em ER. aan 1.000 kg Total: 1.100 kg
1 bagre
1 viola
2 cações
l garoupa
2 — Principais resultados zoológicos:
DEMOSPONGIAE
Diversas colônias
GASTROPODA
Buccinanops gradatum Deshayes im Lamarck, 1844
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
CRUSTACEA — ANOMURA
4 exemplares
CRUSTACEA — BRACHYURA
Libinia spinosa Milne Edwards, 1834
ASTEROIDEA
3 exemplares (Astropecten sp.?)
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Segundo informações do Comandante do barco, o fundo do mar
neste local é rochoso ou pedregoso, trazendo perigo para a rêde. Con-
forme estava assinalado em seu mapa de bordo, já perdeu aqui uma
rêde inteira, há tempos atraz.
OPERAÇÃO XXXV
Bata 24/7/1959 Hora: 01:00 — 04:00
Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 32º 557 S — 52° 00° W
220460 5 = SM am,
Fundo: pedregoso Profundidade: 27-18 m
26 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
a) access (0 PRM se 150 kg |
Db) Corvinal e Castanhal 650 kg Total: 800kg
2 bagres
3 violas
I eacao
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Zıdona angulata (Swaınson, 1821)
CRUSTAGEA
Libinia spinosa Milne Edwards, 1834
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
PISGES
Acanthistius patagonicus (Jenyns, 1842)
9
I
Observações:
Vimos observando que nestas últimas 10 operações o número de
“raias” é mais ou menos constante, calculando-se em cêrca de 20 exem-
plares por lance. Continuam presentes os “lobos marinhos” (Otaria
jubata).
OPERACAO XXXVI
Data: 24/7/1959 Elora:,204502 07:45
Duração: 175 minutos
Coord. geográf.: SO diogo 8 — 522 107 Nil
320 2929 — SO 597 WW
Fundo: lama Profundidade: 18-25 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
al Beseada@ rn ala. Amar 300 kg
5): Corvina e Castanha soocoss 5.200 kg Total: 5.500 kg
1 Linguado
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 27
2 — Principais resultados zoológicos:
CEPHALOPODA
Loligo sp.
CRUSTACEA
Libima spinosa Milne Edwards, 1834
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Este lance foi um dos maiores efetuados, quanto a quantidade
de peixe comercial. A maioria do peixe foi “Castanha” (Umbrina sp.)
de mais ou menos 25 cm de comprimento. No convés recolhemos diversas
conchas de micro-gastropodos, contendo crustáceos-Anomuros.
OPERAÇÃO XXXVII
Data: 24/7/1959 Elena: 2:05.15 1050
Duração: 155 minutos
Ccord. geogräf.: 320: 42" S:— 51055" W
32º 25" S.—..52º 00" W
Fundo: lama Profundidade: 25-24 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
Be Scaday en ce coe 300 kg
Dia@ossna & Castanha .......- 1.050 kg Total: 1.350ke
2 bagres
ZcaçõEs
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
CRUSTACEA — MACRURA
4 exemplares
CRUSTACEA — ISOPODA
1 exemplar parasitando as brânquias de um Elasmobrânquio.
ECHINOIDEA |
Encope emarginata (Leske, 1778)
28 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERAÇÃO XXXVII
Data: 24/7/1959 Hora2 2A
Duração: 176 minutos
Coord. geogräf.: 32° 257 S — 52° 007 W
3222522008
Fundo: lama Profundidade: 24 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
aj) estada kr. Mn pasa Aare 50 kg
bi Conyimade Casanbamn ze er 850 kg Total: 900 kg
1 bagre
1 viola
4 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
OPERAÇÃO XXXIX
Data: 24/7/1959 Eloras 22502917280
Duração: 180 minutos
Coord. geogräf.: 3202525522001
US — SO (NOM W
Fundo: lama Profundidade: 24-22 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
a) Pescada ann ne canas a o pop e 50 kg
Db) CorvinameNCastanhar a 200 kg Total Sis:
1 bagre
1 viola
4 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
GASTROPODA
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
CRUSTACEA — ANOMURA
1 exemplar
ERUSTA@EHN — BRACHIURA
Labima spinosa Milne Edwards, 1834
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
O resultado desie lance ficou sumamente prejudicado devido a
um grande rombo na rêde. Achavam-se rondando o barco 5 “lobos
marinhos” (Otaria jubata). E interessante observar que os mesmos
só aparecem quando o barco está parado, desaparecendo assim que o
barco se poe em movimento.
OPERAÇÃO XL
Datas 24/7/4959 Eloraz a, 17:50 21:00
Duração: 190 minutos
Coord. geogräf.: 323075 520 097 W
SD a SSD OZ AV
Fundo: — arenoso Profundidade: 22-17 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
a) Se ses msn Sata 50 kg
Bia oryimna e Castanhal... ecc 500 kg Total: 550/Es
2 bagres (1 com mais de 60 cm)
1 viola
2 cacoes
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Buccinanops gradatum Deshayes in Lamarck, 1844
ECHINOIDEA
Encope emarginata (Leske, 1778)
PISCES
Peprilus xanthurus (Quoy & Gaimard, 1824)
30 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERAÇÃO XLI
Data: 24/7/1959 Tales 72150 10030
Duração: 180 mınutos
Coord. geográf.: II 8 Sue TOA \M
SPV DIS — 528 05° WW
Fundo: arenoso Profundidade: 17-21 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
ada escada 0 RR 100 kg
bi Coryimar e Castanha 450 kg Koral2 550
2 bagres
10 vıolas
2 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Buccinanops gradatum Deshayes in Lamarck, 1844
Cymbiola (Pachycymbiola) brasılıana (Solander, 1786)
Zadona angulata (Swainson, 1821)
ASTEROIDEA
1 exemplar (Astropecten sp.?)
ECHINOIDEA
Encope emerginata (Leske, 1778)
3 — Observações:
Após êste lance a pesca foi suspensa e rumamos em direção SE.
O mar encontrava-se muito agitado.
OPERAÇÃO XLII
Dakar, 257471959 klora: 2 0835 11600
Duração: 165 minutos
Coord. geográf.: 322 OA Ss > SO SM Ny
SUE as = SO 59” MY
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 31
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
IA Onda E as sois EN 2.200 kg Total: 2.200 kg
6 bagres
1 viola
30 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ASTEROIDEA
6 exemplares (Astropecten sp.?)
PISGES
Sphyrna sp.
Auxis sp.
Trachinotus sp.
Peprilus xanthurus (Quoy & Gaimard, 1824)
Trichrurus lepturus Linné, 1758
OPERAÇÃO XLIII
Data: 25/7/1959 Elora: 2 1220 — 14:00
Duração: 160 minutos
Coord. geogräf.: 32° 41725 519350,
Sue EN EN
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
BE onimal Gorro ns dE HO 1.600 kg
Ene a 23a 600 kg Total: 2.200 kg
16 cações de mais de 2m
33 cações de mais de 1m
2 — Principais resultados zoológicos:
PISCES
Pomatomus saltatrix (Linné, 1758)
Scomber sp.
3 — Observações:
A “enchova” (Pomatomus saltatrix) é um peixe de superficie e
aqui considerado de alto valor comercial e que só excepcionalmente é
colhido em rêde de arrasto.
s2 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERAÇÃO XLIV
Data: 25/7/1959 Eloras 22302 77229
Duracao: 170 minutos
Coord. geogräf.: 3240 5 SOSSE
SAVE SON
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
Ay. Borvinan Bee O 1.550 kg
Dinho va qi ee RR 100 kg Total: 1.650 kg
52 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
CEPHALOPODA
Lolhgo sp.
ASTEROIDEA
l exemplar (Astropecten sp.?)
3 — Observações:
Queremos ressaltar a grande quantidade de “cações” de várias
espécies que tem surgido na ade nestes últimos lances; encontrando-se
animais de todos os tamanhos. Os animais de mais de um metro são
recolhidos aos porões do barco, após eviscerados e decapitados; quanto
aos menores, sao devolvidos ao mar.
OPERAÇÃO XLV
Data 25/7/1859) Elorasl 2,40 DES
Duração: 170 minutos
Coord. geográf.: 320417 5 — 510337 MW
320412 5 2 ISSN
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
GL) AC o dive fe ge É anne 1.050 kg
Babres (50 kg)
12 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Renilla sp.
ASTEROIDEA
5 exemplares (Astropecten sp.?)
3 — Observações:
Total: 1.050 kg
Continuamos pescando em círculos na mesma região. O peixe €
demais fauna estão rareando.
OPERAÇÃO XLVI
Datas 25/7/1959 Horas Di QUE 300210
Duração: 190 minutos
Coord. geográf.: 320 41" 58 — 51° 33” W
SRA SU ANNA
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
Ea) VOR ee PR 900 kg Total: 900kg
+ bagres
1 viola
15 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
Nada recolhemos neste lance.
OPERAÇÃO XLVII
Data:26/7/1959 Hora: "09:30: 04:00
Duração: 210 minutos
Coord. geográf.: 390478 510335 W
3224175, — 51033 W
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
34 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
a) Corina are 550 kg MoralpAo Sao:
3 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
CEPHALOPODA — OCTOPODIDAE
1 exemplar
ASTEROIDEA
Alguns exemplares (Astropecten sp.?)
OPERAÇÃO XLVIHI
Data: 26/7/1959 Flora: 7104:30=708:00
Duração: 210 minutos
Coord. geográf.: 3254105 033
MO AS el NW
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (péso apro-
xımado):
a) Corina se RE re 400 kg Total: 400 kg
Alguns cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ASTEROIDEA
Alguns exemplares (Astropecten sp.?)
OPERAÇÃO XLIX
Data: 26/7/1959 Bora: QBis == 111500)
Duração: 165 minutos
Coord. geogräf.: 320 4108 — 51° 332 W
929 A129; — SO BS NI
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
COINA Be A os DA Ss ss ça 950 kg Total: 950kg
Alguns cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ASTEROIDEA
Vários exemplares (Astropecten sp.?)
PISCES
Mustelus sp. (4 filhotes)
OPERAÇÃO L
Data: 26/7/1959 flora 11.202950
Duração: 150 minutos
Coord. geográf.: 32° 41" S — 51º 33’ W
Spas ES N
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
N ee 2.100 kg Toatl: 2.100 kg
Bagres (50 kg)
25 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
ASTEROIDEA
Diversos exemplares (Astropecten sp.?)
3 — Observações:
O “peixe-espada” (Trichiurus lepturus) continua predominando na
rêde. São centenas de animais recolhidos em cada um dos últimos lances.
Julgamos que os “cações” devem alimentar-se dêstes peixes. Pudemos
observar que um “cacao-anjo” (Squatina sp.) de cerca de 2 metros de
comprido, regorgitou 3 “peixe-espada”, quando deitado no convés do
barco.
36 BUCKUP & THOME — I Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
OPERAÇÃO LI
Data: 26/7/1959 lalorag . sl) == 1178115
Duração: 175 minutos
Coord. geográf.: 922 207 8 — SO 55º \W
MU dy Ss SO 85
Fundo: lama dura Profundidade: 38m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
A) Conan UE MRI 600 kg Total: 600 kg
19 cacoes
2 — Principais resultados zoológicos:
CEPHALOPODA
Lohgo sp.
PISCES
Menticirrhus martinicensis (Cuvier, 1830)
3 — Observações:
Continuavam predominando francamente os “peixe-espada” (Tri-
chiurus lepturus).
OPERAÇÃO LII
Data: 26/7/1959 Eloa 2175022030
Duração: 180 minutos
Coord. geográf.: 329 952,80 035
320 3508 SOL
Fundo: pedregoso Profundidade: 38-40 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
xımado):
LEE Er a A ED 350 kg Total: 350kg
2 bagres
4 cações
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 37
2 — Principais resultados zoológicos:
ANTHOZOA
Elhsella elongata (Pallas, 1766)
CEPHALOPODA
Loligo sp.
CRUSTACEA — ANOMURA
3 exemplares
OPHIUROIDEA
Gorgonocephalus chalensis Ludwig, 1889
3 — Observações:
A pesca ficou novamente suspensa, pois a rêde rompeu-se nas
pedras do fundo marinho.
OPERAÇÃO LIHI
Datas 2744/1059 ora: 20055: 0340
Duração: 185 minutos
Coord. geográf.: 32310 552 52.0 W
322705723 2510487 W
Fundo: lama Profundidade: 12-18 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
AMRS er... sen gene. 150 kg
by) Corwmare Castanha ....: ...-- 1.400 kg Eotal: 1.550kg
5 bagres
5 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Buecinanops gradatum Deshayes in Lamarck, 1844
Cymbiola (Pachycymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
CRUSTACEA — MACRURA
Alguns exemplares
38 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
2 — Observações:
Reapareceram neste lance a “pescada” (Cynoscion striatus) e
um pouco de “castanha” (Umbrina sp.). O “peixe-espada” (Trichiurus
lepturus) tornou-se raro, bem como diminuiram os “cações”.
OPERAÇÃO LIV
Datas 271,959 Fora: 0205 070%
Duração: 175 minutos
Coord. geográf.: 320x085 SS
Me SAS SO So
Fundo: lama Profundidade: 18 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
"— ximado):
a) Beseadas mer 08, ne 950 kg
b) Coryinalie @astanha 22... % 4.550 kg
ed Enchowa 4. Be o 150g Total: 5.650 kg
2 — Principais resultados zoológicos:
Nada que pudessemos recolher apareceu.
3 — Observações:
Este lance da madrugada foi o mais abundante em peixes de
aproveitamento comercial de tôda a viagem.
OPERAÇÃO LV
Data: 27/0/0059 Flora: 0/50 95
Duração: 125 minutos
Coord. geogräf.: 3220525 SO Asa
3222055 SORA
Fundo: lama Profundidade: 18m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (pêso apro-
ximado) :
a) Corvınane Castanha 0. 1.550 kg
b) Encheva,s 2. ner 1.200 kg Total: 2.750kg
2 cações (de mais de 3 metros)
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962 39
2 — Principais resultados zoológicos:
Nada que pudessemos recolher apareceu.
3 — Observações:
Os “cações” aqui recolhidos são denominados de “mangona” (Car-
charias platensis), como também de “corta-garoupa” pelos pescadores
do Rio de Janeiro. O grande volume de peixe comercial, parece ter
afungentado a fauna que nos interessa mais de perto, ou seja, inverte-
brados.
OPERAÇÃO LVI
Data: 27/7/1959 Flora: 10:00 =" 12:20
Duração: 140 minutos
Coord. geogräf.: 32° 05° 5 — 51º 49° W
Oss = Sto Am
Fundo: lama Profundidade: I8m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
= Corvına e Castanha »....2.- 800 kg
Dr Enchova. cs... AI EN, 1.100 kg Total: 1.900 kg
1 bagre
3 cações
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Buccinanops gradatum Deshayes im Lamarck, 1844
Cymbiola (Pachycymbiola) brasılıana (Solander, 1786)
3 — Observacöes:
Notou-se novamente a ausência quase total de “cabrınha” (Prio-
notus alipionis) nestes últimos lances.
OPERAÇÃO LVII
Data: 27/17/1959 Hora: 12.45 — 15:00
Duração: 135 minutos
Coord. geográf.: 3207057 Sr 10 AB W
329055 — 512 480 W
Fundo: lama Profundidade: 18m
40 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (p&eso apro-
xımado):
a). pescada a sans 250 kg
by Corvana o Kurs. Be 100 kg Total: 350kg
a
5 violas
liicação
2 — Principais resultados zoológicos:
GASTROPODA
Buccinanops gradatum Deshayes im Lamarck, 1844
Cymbiola (Pachycymbiola) brasılıana (Solander, 1786)
CRUSTACEA — ANOMURA
Alguns exemplares
3 — Observações:
O barco nesta altura já estava bastante lotado de peixes. À rêde
neste lance veio novamente rasgada. Contudo, o Comandante insistiu
em consertar a mesma e prosseguir na pesca.
OPERAÇÃO LVHI
Data 2797791959 Hora- GEO SEIO,
Duração: 150 minutos
Coord. geográf.: SON OSS E OA NW
320205285 SI alem WY
Fundo: lama Profundidade: 18 m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
ximado) :
a)uBeseadan tn er Re KR
b) Commnare castanha 2.2. 1.250 kg Total: 1.350 kg
3 vıolas
2 cações
2 — Principais resultados zoológicos: |
GASTROPODA
Cymbiola (Pachyeymbiola) brasiliana (Solander, 1786)
CRUSTACEA |
Diversos exemplares
IHERINGIA — Zoclogia n.º 20 — janeiro de 1962 41
OPERAÇÃO LIX
Datas 27/7/1959 Hora: — 19:507 23:00
Duração: 250 minutos
Coord. geográt.: 9201057 Sy— 51º 480 W
320 (5 — SIS ASA
Fundo: lama Profundidade: I8m
1 — Principais resultados da pesca de valor comercial (peso apro-
xımado):
ARES Calda 3.5 nn 300 kg
DiEeDsanas ESA E 300 kg Total: 600 kg
2 — Principais resultados zoológicos:
POLYCHAETA
Vários exemplares
OPHIUROIDEA — OPHIURAE
Vários exemplares
PROTOCHORDATA
Cephalodiscus sp.
3 — Observações:
Com êste lance, após dez dias de pesca, o Comandante encerrou
a viagem, rumando para o pörto de Rio Grande, onde chegamos ao
amanhecer do dia 28/7/1959.
42 BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
4 CONCLUSÕES
A Viagem do PESCAL II constituiu-se como uma primeira inicia-
tiva de maior envergadura, por parte do Museu Rio-Grandense de
Ciências Naturais, no campo da Oceanografia e da Biologia Marinha.
Considerando o caráter experimental da realização, os resultados podem
ser considerados significativos. Faz-se necessário, no entanto, que o
material colecionado e as informações recolhidas possam sofrer agora a
análise minuciosa dos especialistas nos diversos ramos do Reino Animal.
Os especimens colecionados se encontram em perfeitas condições de
conservação, depositados nas coleções dêste Museu.
Para a determinação e revisão do material colecionado, o Museu
vem recebendo a contribuição dos seguintes zoológos:
Cnidaria-Anthozoa — F. Bayer (United States National
Museum, Wash. USA)
Annelida-Polychaeta — E. Nonato (Instituto Cceanográfico
de São Paulo, BRASIL)
Echinodermata — L. Tomması (Instituto Oceanográfico de
São Paulo, BRASIL)
Mollusca — Jose W. Thomé (Museu Rio-Grandense de
Ciências Naturais, Pörto Alegre, BRASIL)
Crustacea — Geraldo R. Hoffmann (Museu Rio-Grandense
de Ciências Naturais, bolsista do Conselho Nacional de
Pesquisas)
Pisces — Thales de Lema (Museu Rio-Grandense de Ciên-
cias Naturais, Pôrto Alegre, BRASIL)
Os resultados destas pesquisas serão publicados oportunamente
pele Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais.
HERINGIA — Zoolcgia n.º 20 — ianeiro de 1962 Mapa
@ARRDO GRANDE
32°
30
Osaçuarão
| E
— : © 07 30
‚34°
. "
O Roteiro do |PESCAL I |
PRIMEIRA ESPEDIÇÃO QCEANOGRÁFICA
DO, MUSEU RIO-GRANDESE DE CIÊNCIAS |,
> NATURAIS - Julio de 1959 |
Escolo Il. 000 -
DESENHO - CODEL
BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
Fig. 1 — “PESCAL II”; Fig. 2 — Comte. Ewald Bruns do “PESCAL
Il”; Fig. 3 — Recolhimento da rede; Figs. 4 e 5 — Separação dos
Peixes; Fig. 6 — Os autores com um “cação” capturado na rede.
Fotos Buckup,
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
Estampa |
STAMPA I
BUCKUP & THOME — | Camp. Ocean. do Museu Rio-Gr. C. Naturais.
Fig. 7 — Um “albatróz” (Diomedea melanophrys) capturado sôbre
o convés; Fig. 8 — Diomedea melanophrys e Daption capensis na
esteira do navio pesqueiro; Figs. 9 e 10 — Daption capensis, “Frade”,
“Fradinho” ou “Pomba-do-Cabo”. Fotos Buckup.
IHERINGIA — Zoologia n.º 20 — janeiro de 1962
Estampa Il
ESTAMPA II
203038
Dr
HERINGIA
SERTPES CLENTIFI CAS
DO
USEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
RETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIÊNCIAS
RTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
JOLOGIA — N.º 21 — JANEIRO DE 1962
SÓBRE A ESPÉCIE BOTHROPS ITAPETININGAE (BOU-
LENGER, 1907) E SUA OCORRÊNCIA NO ESTADO DO
“RIO GRANDE DO SUL, BRASIL (Serpentes, Crotalidae)
THALEs DE LEMA
(do Museu Rio-Grandense
de Ciências Naturais)
Em 1958 recebemos um exemplar de Bothrops itapetiningae
(BOULENGER, 1907) do interior do Estado do Rio Grande do Sul
+ sendo esta espécie conhecida apenas dos Estados de São Paulo e
Paraná e, além disso, tendo nós comparados os dados que apresenta o
supracitado exemplar com os que se encontram registrados na litera-
tura específica chegamos a conclusões, que comunicamos aquí, con-
victos de que estamos colaborando para um melhor conhecimento
dessa curiosa espécie de serpente. Não podemos deixar de registrar os
nossos agradecimentos ao nosso colega, Dr. Ludwig Buckup, pela co-
cperação efetiva que prestou, tanto de ordem técnica como científica.
Agradecemos, também, ao Irmão Joaquim, ex-aluno nosso, pela oferta
do valioso exemplar.
HISTÓRICO
Esta espécie passou a ser conhecida a partir de 1907, quando o
Instituto Butantan, em São Paulo, Brasil, recebeu dois exemplares
procedentes da localidade Itapetininga (interior do Estado de São Paulo).
Apesar da forte semelhança com Bothrops neuwiedü (WAGLER) o
Diretor daquêle Instituto, Dr. Vital Brazil, percebeu tratar-se de uma
espécie nova e os remeteu ao Dr. BOULENGER do British Museum,
Londres e, naquêle mesmo ano êsse cientista descreveu-os com o nome
PORTO JANEIRO
[BRINGIA SER. ZOOL. N.º 21 | 12 PÁGS. 4 ESTS. ALEGRE 1962
2 LEMA, Th. de — Söbre Bothrops itapetiningae...
de Lachesis itapetiningae, aproveitando o nome da localıdade tipo.
Infelizmente BOULENGER não ilustrou sua descrição.
BRAZIL (1911, 1914) transcreveu a descrição original em magni-
fica obra de divulgação, acrescentando alguns dados especialmente sôbre
a peconha, além de ilustrar a descrição com uma bela estampa a cöres.
O valor da contribuição de BRAZIL está no estudo comparativo da
peconha dessa espécie com o de outras da América do Sul.
Após essas três publicações nada mais se escreveu de importante
sôbre essa espécie e resumimos as contribuições posteriores à descrição
original:
R. v. IHERING (1911), em sua incompleta monografia, conside-
rou-a subespécie de Bothrops neuwiedu, registrando-a, além de, para
S. Paulo, também para a Bahia (colalidade Vila Nova). A ocorrência
pairalESA Paulo, que cıtou, foi an em um exeplar de Itapetininga
ommeale, so Mitnsan Eanes: pelo, Dr. V. Brazil, aliás, o terceiro exem-
plar do lote típico. A ocorrência para a Bahia for baseada em três
exemplares enviados ao Museu Paulista. Baseado, assim, nesses poucos
exemplares, ampliou considerâvelmente o campo de variabilidade de
certos caracteres da espécie.
WERNER (1921) repetiu ocorrências de R. v. IHERING.
AMARAL (1923), após examinar os exemplares do Museu Paulista
citados por R. v. IHERING, afirmou que os três indivíduos proce-
dentes da Bahia pertenciam a sua recente nova espécie Bothrops erythro-
melas.
WERNER (1924) registrou novamente a ocorrência dessa espécie
na Bahia baseado em dois exemplares que depositou no Museu de Viena.
MAGALHAES (1925) registrou-a para oc Estado do Rio Grande
do Sul, baseado em quatro exemplares remetidos ao Instituto de
Higiene de Pelotas, naquêle Estado. Inexplicâvelmente tal registro não
tem sido levado em consideração pelos demais AA.
AMARAL (1926), transcreveu o artigo de 1923 (citado antes),
modificando o que afirmara, dizendo, agora, que os exemplares da
Bahia em poder do Museu Paulista, pertencem à espécie Bothrops
neuwsedi!
VELLARD (1928) descreveu o hemipênis dessa espécie compa-
rativamente com o de outras serpentes sulamericanas.
AMARAL (1930-A), ao fazer a revisão da nomenclatura das
formas neotropicais de serpentes, afirmou que os exemplares da Bahia
em poder do Museu Paulista (mencionados antes) e que os exemplares
citados por WERNER (1924), também da Bahia, são todos de sua
espécie Bothrops erythromelas. (O mesmo A. citou-a em várias listas
(1930-B, 1930-C, 1930-D, 1930-E, 1931, 1935/6) e acrescentou alguns
dados em sua Sinópse dos Crotalídeos (1937).
Em obras de divulgação saídas no mesmo ano (1945), AMARAL,
PRADO e MACHADO, citaram ou repetiram descrições conhecidas,
+
IHERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1562
inclusive a fotografia de AMARAL (1937) e que vem sendo repetida
m quase todos os folhetos e livros de divulgação.
VELLARD (1946) complementou o estudo que fez dos hemipênis
de várias serpentes, lançando uma classificação baseada nesse caracter,
associando-a às espécies erythromelas e ammodytoides.
FONSECA e DIIMARS, em obras excelentes de divulgação, saídas
no mesmo ano (1949), fizeram referências a essa espécie.
Por fim, FRÕES (1952), examinou um exemplar e concluiu pela
ampliação de alguns dados.
Finalmente, estando nós de posse de um exemplar do Rio Grande
do Sul, fazemos aquí a descrição do mesmo:
DESCRIÇÃO DE EXEMPLAR DO RIO GRANDE DO SUL:
— TDL. 824 — jóvem; macho; interior do município de Pelotas,
R.G.S., 1958; Irmão f[oaquim adquiriu-o de museu escolar daquêle
município, tendo sido coletado por estudantes,
Morfologia. CABEÇA alongada com canthus rostralis acen-
tuado, formando um ângulo agudo com o plano da superfície supra-
cefálica; um pouco estreita na parte posterior, lembrando Bothrops
alternata DUM., BIBR. & DUMÉRIL 1854 (se a imaginarmos um
pouco mais distendida, pois está desidratada). Escudetes internasais e
cantais com um profundo sulco, arredondado, na margem externa,
acompanhando o contorno da cabeça. Focinho sensivelmente encurvado
para cima, ocasionando um ângulo agudo formado pelos lados superior
e anterior das nasais e tornando alta a rostral. Fossetas loreais gran-
des, separadas das supralabiais por um sulco marginal, e separadas, de
cada lado, da 2.º supralabial, por pequenos escudos (Fig. 5). TRONCO
mais ou menos reforçado e marcado fortemente por linhas elevadas,
lengitudinais e paralelas, formadas pelas carenas das escamas dorsais
e que, portanto, são altas. CAUDA relativamente pequena, cerca de
1/10 do comprimento total, com extremidade obtusa, cuja terminal
possue um sulco incompleto, inferiormente.
Lepidose. Rostral alta, alargada em baixo; Internasais grandes,
sulcadas nos bordos externos, em contato entre si, cujo sulco divisor
mede 1,07 mm.; Cantais grandes, uma de cada lado, também sulcadas
nos bordos externos em continuação ao sulco das internasais e ınclı-
nadas para cima; Supraoculares grandes, medindo 4,5 mm. cada uma;
Inter-supraoculares em 9 séries (contadas na linha transversal me-
diana às supraoculares), grandes, com carena nítida, pigmentada e um
pouco elevada (algumas possuem carena bem elevada na região cen-
tro-apical da carena); Nasal partida, porção anterior é cerca de 3x
a área da porção posterior e está inclinada para cima e para diante;
Préoculares 2 de cada lado, sendo a superior muito maior do que a
infericr: Sub-ocular 1 de cada lado, muito alongada e encurvada para
cima nas extremidades, acompanhando o contorno orbicular e está
4 LEMA, Th. de — Söbre Bothrops itapetiningae...
separada das supralabiais por uma série de pequenos escudos em número
de 5/4, isto é, 5 escudetes no lado direito e 2 pequenos + 2 alongados
no lado esquerdo; Postoculares 3 de cada lado, a superior é uma
escama de ápice obtuso no lado direito e uma escama perfeita no lado
esquerdo, a média e a inferior são fracamente carenadas; escamas
Temporais lisas; Supralabiaıs 8 de cada lado, sendo a 32 e a 42
maiores (a 3.2 é bem maior do que as demais, enauan‘:o que a 4.2 é
um pouco maior do que a 5.2); Sinfisal grande: Infralabiais 10 de
cada lado sendo a 4.2 a maior e as 3 primeiras estão em contato com
as mentais anteriores. a 3.2 está em contato com as mentais anterior e
posterior de cada lado; Mentais Anteriores são 1,5 x maiores do aue
as Posteriores; Gulares 6 séries inclinadas para trás entre infrala-
biais e ventrais: Ventrais 2 + 144: Anal inteira; Subcaudais 28
pares, havendo 3 escudos no lado direito e 2 escudos no lado esquerdo
contornando a abertura da cloaca; Terminal medindo 1,88 mm. (vide
MORFOLOGIA): Dorsais, fórmula 26-26-21, fortemente carenadas,
carena mais baixa do que nas supracefälicas.
Medidas. Cabeça: 24 mm.; tronco: 305 mm.; cauda: 35 mm. Total:
364 mm.
Coloração: Coloração geral castanho-avermelhada com 30 marcas
típicas de cada lado do dôrso (tronco). Essas marcas são muito seme-
lhantes às de Bothrops neuwiedn, mas apresentando variação desde
o pescoço até a zona préanal: inicialmente são um pouco largas, mas
altas, divididas ao meio longitudinalmente; depois vão se tornando
mais estreitas transversalmente lembrando faixas; à medida que se
aproximam da zona préanal vão se alargando lateralmente lembrando
as marcas das demais Bothrops; por fim começam a se fragmentar,
afastando-se as partes, inicialmente há separação mediana no sentido
transversal e depois no sentido longitudinal, restando quatro blocos
cromáticos de cada marca, que vão se irregularizando tornando-se um
desenho irreconhecivel. Não há coalescência de marcas pela Inha ver-
tebral. As carenas escurecidas de pardo-negro sobressaem sôbre o painel
cromático descrito. Supracefälicamente é semelhante à B. neuwiedn |
com leves modificações: u'a mancha transversal, ovóide, sôbre inter-
cantais; duas faixas de cada lado, partindo, cada uma, do lado interno
e posterior das supraoculares e inclinando-se um pouco para os lados
da cabeça e atingindo a zona parieto-temporal e como estão, ambas
as faixas, interrompidas à mesma altura após supraoculares, dão o
aspecto de 4 manchas independentes em disposição simétrica, sendo
as duas anteriores, poligonais, curtas e as outras duas posteriores,
alongadas e ınclınadas para fora. De sob cada ôlho parte u'a mancha
larga quase preta que se prolonga para baixo e para trás tingindo as
supralabiais e infralabiais. A parte inferior da cabeça, bem como a
parte anterior do ventre, são imaculadas, brancacentas.
As marcas supracefálicas e dorsais possuem a mesma estrutura
IHERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1962 5
romática, que é a seguinte: margens negras cercadas por uma orladura
lara quase branca em volta, e parte ınterna da marca de côr castanha
scura. As ventrais apresentam o bordo distal pigmentado de castanho
laro e essa pigmentação condensa-se em manchas irregulares em número
e 3 a 4 em cada gastrostega; a pigmentação vai se condensando cada vez
ais à medida que se aproxima à zona anal, terminando por macular quase
êda a área de cada ventrak as manchas tornam-se cada vez mais
econhecíveis e escuras no bordo proximal; só os Jados das ventrais
não é maculado o que contrasta com a linha escura das paraventrais
Riss. 6 e 7).
DISCUSSÃO E COMENTARIOS
Os dados que colhemos do presente exemplar foram comparados
com os registrados na bibliografia sôbre a espécie (vide BIBLIOGRA-
FIA) e dessa comparação encontramos alguns pontos discordantes:
I — As escamas supracefálicas são relativamente grandes, pois
apenas existem 9 séries entre as supraoculares, enquanto que em outras
espécies de Bothrops geralmente há mais de 10 séries. Entretanto
tanto na descrição original quanto em outras, há a afirmativa de que
tais escamas são pequenas ou, mesmo, muito pequenas.
II — As escamas supracefálicas são, no presente exemplar, não
imbricadas, contrariando a opinião dos AA.
III — As escamas temporais são lisas mas, BOULENGER (1907):
afırmou que sao carenadas.
IV — BOULENGER (1907) não faz referência ao encurvamento
do focinho para cima e que verificamos com evidência no presente
exemplar. Não se poderia alegar que isso se deva à pouca idade porque
o exemplar mede 364 mm. Além de não acreditarmos que tal fato afetasse
tão fortemente a morfologia.
V — Sendo o tôpo da cabeça manchado, fato reconhecido pela
quase totalidade dos AA,, inclusive é devido a isso, entre outras cousas,
que se a compara com a espécie D. neuwiedü, é de causar estranheza a
afirmativa de MACHADO (1945) de que esta espécie possue a região
supracefálica imaculada.
VI _ A maioria dos AA. descreveu as marcas típicas como sendo
faixas transversais, mas as fotografias apresentadas por BRAZIL (1911,
1914) e AMARAL (1937), que são as principais, mostram que são
muito semelhantes às das demais Bothrops, principalmente àquelas do
complexo alternata-cotiara-neuwiedu e isso foi o que observamos no
presente exemplar (Figs. 3 e 6).
Nada podemos concluir dessas discordâncias a não ser que alguns
AA. tenham se enganado, ou que sejam variações individuais, ou, ainda,
anomalias, por exemplo, no “pattern”. Por outro lado, fizemos uma
criteriosa seleção dos dados apresentados pelos mais diversos ANGE
6 LEMA, Th. de — Söbre Bothrops itapetiningae...
Fe
acreditamos poder reformular a descrição dessa espécie da seguinte
forma:
BOTHROPS ITAPETININGAE (BOULENGER)
— Lachesis itapetiningae BOULENGER 1907 — Ann. & Mag. N. H.
(7) 20: 338; BRAZIL 1911 — Defeza Ophid.: 48, 60-64, 101 e 1022
fig. 23, BRAZIL 1914 — Defense Ophid.: 104- 107 est. ZE MAGA-
LHAES 1925 — Mem. Inst. Osw. Cruz, 18 (1): 152; VADIA
ao Inst NV Brazil OMR
— Lachesis neuwiedü itapetiningae R. IHERING 1911 — Rev. Mus.
Paulista, 8: 360 e 361, 342 (partım).
— Bothrops itapetiningae AMARAL 1923 — Proc. N. Engl. Zool.
CL, 8: 97; AMARAL 1926 — Arch. Mus. Nac. Rio, 26 (sep.): 21;
AMARAL 1930 — Mem. Inst. Butantan, 4: 59, 114, 235; AMARAL
1930 — Ann. V Congr. Bras. Hyg (sep.): 147, quadro I; AMARAL
1930 — Mem. Inst. Butantan, 5: 196, quadro 2; AMARAL 1931 —
Arch. Soc. Biol. Montevideo (supl.), (1): 7; AMARAL 1935/6 —
Mem. Inst. Butantan, 10: 157; AMARAL 1937 — Mem. Inst.
Butantan, 11: 227, fig. 13; AMARAL 1944 — Pap. Av. Depto:
Zool. S. Paulo, 5 (3): 17, AMARAL 1945 — Anım. Venen. 54
75, fig. 39: PRADO 1945 — Serp. Brasil 43, 972 N Ne
1245 Bol. Inst. V. Brazil, 3 2): 48 e 49 Sie 2a res
(p. 60); VELEARD 1946 — Acta Zool. Lilo 3: 282 HONSEOS
1949 — Anım. Peconh.: 104, 119, 122, 129, 205, fig. 65; DITMARS
orld: 137, est. 58; FRÕES 1952 — Ciênc) Beta
Kacı Kilos“ peste ODE IOMMI
Nomes vulgares: “COTIARINHA”, “BOIPEVA”, “JARARACA-
DO-CAMPO?” e “FURTA-COR” (BRAZIL 1911). O nome mais fre-
quente parece ser “cotiarınha”, isto é, “pequena cotiara”.
Distribuição geográfica: Própria do Brasil Meridional: Estados
de São Paulo e Paraná (interior) extendendo-se para o Rio ‘Grande
do Sul, devendo ccorrer, portanto, no Estado de Santa Catarina. Loca-
lidades citadas na bibliografia da espécie: Itapetininga (Est. S. Paulo)
— lecalıdade- po; Pirassununga e Santa Rita do Passa Quatro
(ambas no Est. de S. Paulo): Pelotas, interior (Est. do Rio Grande
do Sul). A área em que está a localidade-tipo pode ser deserminada
como o Centro e o SW do Estado de São Paulo, isto é, entre os meri-
dianos 47º e 48º de longitude O. de Greenwich e entre os paralelos
21º e 24° de latitude S. (AMARAL 1923, 1926).
DESCRIÇÃO: a) Morfologia: CABEÇA alongada, canthus ros-
tralis acentuado, focinhc afilado e levemente munido. desssitas loreais
grandes, separadas dos escudetes supralabiais. “TRONCO reforçado.
CAUDA pequena, cerca de 1/10) do comprimento total nos machos e cerca
IHERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1962 7
de 1/7 nas fêmeas, grossa, nao preênsil, com formação terminal globosa.
TAMANHO: pequena, cerca de 500 mm. de comprimento — é a menor
espécie da Família Crotalidae que ocorre no Brasil. LEPIDOSE: Ros-
tral: mais alta do que larga, mais larga em baixo do que em cima;
Nasal: partida, parte anterior bem maior do que posterior e inclinada
para diante e para cima; Internasais: 2, grandes, que se tocam; Supra-
cefálicas: 7-9 séries entre supraoculares, grandes e fortemente carena-
das; Supraoculares: inteiras, grandes; Cantais: 1 de cada lado, gran-
des, menores dc que internasais; Préoculares: 2 de cada lado, peque-
nas; Postoculares: 2-3, pequenas, fracamente carenadas; Subocula-
res: 1 de cada lado, bastante alongada e curva acompanhando contorno
da órbita; separadas das supralabais por uma série de pequenes escudos;
Temporais: lisas ou carenadas; Supralabiais: 8, sendo a 32 e a 4.º
maiores e a 2.º não forma a fosseta loreal; Sinfisal: grande; Infralabiais:
10, as 3 primeiras em contato com as mentais anteriores; Mentais
Anteriores: maiores do que Mentais Posteriores; Gulares: em muitas
séries entre infralabiais e ventrais devido ao alongamento da cabeça;
Dorsais: 25-27 séries, fortemente carenadas, Carena longa e leve-
mente arqueada; Ventrais: 144-160; Anal: 1; Subcaudais: 28-33 pares;
Terminal: grande, globosa. HEMIPENIS: bifurcado, ramos apicais
155
b) . ‚ - “17 >
longos cerca de —— do comprimento total do örgao, subcilindricos,
3
terminando por área alveolada bem desenvolvida com ápices supe-
riores arrendodados; uma série de espinhos numerosos, encurvados para
a base, mais cu menos iguais em tamanho, desde a área lisa dos ramos
até o corpo romboidal do órgão; sulcos espermáticos nas faces infero-
internas dos ramos apicais.
COLORAÇÃO: Coloração geral dorsal castanho-escura avermelha-
da, rosada cu alaranjada com uma série de marcas dorsais típicas de
cada lado, grandes, alongadas transversalmente, ovais ou quadrangulares,
interrompidas no têrço inferior das mesmas, equidistantes a espaços
iguais a sua largura e se alternando ou coindidindo as de um lado com
as do outro, podendo haver fusão pela Imha vertebral semelhando,
então, uma faixa anelar e podendo, ainda, apresentarem-se fragmenta-
das em 2 ou mais pares; na cauda elas sempre se fragmentam, afas-
tando-se as partes (Fig. 3). Essas marcas possuem a seguinte estrutura
cromática: margens negras, com estreita área branca ou muito clara
em volta e internamente castanho-escuras. Ventralmente a coloração
geral é branco ou brancacento com pontuações castanhas mrregularmen e
dispostas no primeiro terco do ventre, e que «
a ventral, formando manchas escuras que, à
1 zona anal, vão se tornando mais escuras,
= er 1
lepois vão se condensand)
na porção proximal de cad
medida que se aproximam d:
portanto, mais nítidas, mas
culados, constrastando com o castanho
4). A coloração da cabeça é a seguinte:
ficando sempre os lados das ventrais ima-
carregado das paraventrais (Fig.
lados do focinho brancos;
8 LEMA, Th. de — Söbre Bothrops itapetiningae...
debaixo de cada ôlho parte uma faixa castanha e segue para trás,
alargando- -se e baixando vai tingir as labiais (supra-e- na (dat 2):
töpo da cabeça com coloração geral igual a do dôrso e com 3- : marcas
de mesma estrutura cromática que as dorsais, tais marcas se dispõem da
Segue maneira: uma oval transversalmente colocada sôbre intercantais,
duas alongadas, nos lados da cabeça, na região interocular, uma de cada
lado, que se dirigem para trás da cabeça e para fora (se-estiverem inter-
rompidas formarão 5 marcas em vez de 3, dispostas simetricamen:e,
como em Bothrops neuwiedn WAGLER) (Fig. 1).
NOTAS BIOLÓGICAS. Habita exclusivamente campos e serrados,
alımentado-se provavelmente de pequenos “ratos-do-campo”
PRADO (1945) encontrou uma “lacraıa” (Chilopoda) no estômago
de um exemplar dessa espécie.
Segundo a maioria dos AA. é de ocorrência rara. DITMARS (1949)
afirmcu que tem predileção pela vida próxima às habitações humanas,
escondendo-se em montes de palha. (Quando irritada achata-se contra
o solo como o faz B. alternata DUM., BIBR. & DUM. e outras Cro-
talídeas.
A peconha apresenta-se viscosa, quase incolor ou levemente leıtosa
( FONSECA 1949). Estudos de BRAZIL (1911) e KAISER & MICHEL
(1958) mostraram que é muito ativa, a a glândula de muito pe-
quena capacidade, dando uma média de 0,05 cc. por extração. E, por-
tanto, c Crotahdae brasileiro que fornece menor quantidade de pegonha.
Há muito poucos casos de ofidismo verificado por essa espécie e nenhum
dêles mostrou-se grave. (O sôro ancı-ofıdıco do Instituto Butantan e
do Instituto Pinheiros, ambos de São Paulo, Brasil, tem se revelado
muito eficiente na neutralização dessa peconha, conforme foi constatado
por alguns AA. Após à secagem a peçonha é completamente incolor e
branca, sendo muito solúvel nas soluções fracas de NaC!, não preci-
pitando com água destilada, não coagulando quando aquecida a 134º €,
perdendo ação tópica se o aquecimento ultrapassar os 100º C. Osmar
a sua atividade, mostrou-se a mais ativa, depois da Crotalus durissus
terrificus (LAUR.), para o “pombo” doméstico, e uma das menos ativas
para o “coelho”: a relação por quocient: e, entre as mínimas mortais por
injecoes intramusculares e por injeções endovenosas, é de 10 para o
“pombo” e 40 para o “coelho”. Possue ação hemolítica muito fraca e,
por outro lado, coagula o sangue de cavalo cıtracado em 120 segundos,
portanto é um dos mais lentos coaguladores. Não é rose län. apro-
xımando-se, por êsse aspecto, das peconhas de Crotalus durissus terri-
facus (LAUR.) e de Micrurus frontalis ssps.
NOTAS SISTEMÁTICAS. Muito próxima de Bothrops neuwiedu
WAGLER, principalmente de A. neuwiedi lutzi (RIBEIRO 1915), pela
coloração e marcação supracefálica, dorsal e ventral, diferindo por
possuir as marcas dorsais mais estreitas e mais altas do que nas formas
do grupo neuwiedi. R. IHERING (1911), considerou o desenho su-
HERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1962
racefálico como carácter pouco variável, portanto útil na diagnose,
orquanto serviu-se dêle para filiar esta espécie ao grupo neuwiedü.
Hoje em dia sabemos que tal carácter é bastante variável (entre outros,
ELTESCH 1931, por exemplo). Esta espécie possue o porte menor do
que tödas as formas do gênero Bothrops, seu corpo é mais reforçado
do que 5. neuwiedu, o focinho é encurvado para cima, as ventrais e as
subcaudais são em número menor do que em B. neuwiedü ssps. Alem
de tudo ısso, aında, a acao das peconhas & diferente entre as duas
espécies (BRAZIL 1911). Entretanto essas duas espécies possuem
hemipênis semelhantes, se bem que o de B. itapetiningae é mais seme-
lhante amda com os da espécies B. eryhtromelas AMARAL 1923 e
B. ammodytoides LEY BOLD 1873 (segundo VELLARD 1928, 1946).
As formas neuwiedu ssps., erythromelas e itapetiningae formam um
grupo cujas relações resumimos no seguinte quadro comparativo:
Caracteres B. neuwieduü ssps. B. itapetiningae B. .erythromelas
VENTRAIS 163-187 | 144-160 | 139-158
Br. | peu
SUBCAUDAIS | 41-53 | 28-33 | 33-35
Aa | ui 5 25-27 | 21-27
INTERSUPRA-
CCULARES 5-9 7-9 5
|
MANCHAS SUPRA- en
CEFÁLICAS | 5 (geralmente) 5 (geralmente) indistintas)
FAIXA NEGRA | + (geralmente
POSTOCULAR | Je 4 ee)
ss
Sc" =
MARCAS DORSAIS| em “C” deitado, com | em “C” deitado, com| em “C” ou de “V
braços interrompi- braços interrompi- deitados, um pouco
dos ou não dos e muito estrei- espaçadas entre si
ta e alta, muito
pouco — espaçadas
entre si
DISTRIBUIÇÃO Pan (exceto Brasıl Meridional da Bahıa ao Ceará
GEOGRÁFICA Amazônia) (Santa Catarina?)| (ZONA NORDES-
TINA)
10 LEMA, Th. de — Sôbre Bothrops itapetiningae...
CONCLUSÕES
Em primeiro lugar a ocorrência da espécie Bothrops itapetiningae
(BOULENGER 1907) no Estado do Rio Grande do Sul vem ampliar
de maneira considerável a área de distribuição geográfica dessa ser-
pente, enquadrando quase tôda a Zona Meridional do Brasil. Resta-nos
saber de sua ocorrência no Estado de Santa Catarina. Infelizmente não
conhecemos o material existente no Instituto Butantan e que deve orçar
em não menos do que 200 exemplares, pois, até 1929, seg. AMARAL
(1930-D, 1930-E) aquêle Instituto havia recebido 150 exemplares.
Por outro lado, se for certa a opinião da maioria dos AA. de que esta
espécie é muito rara, essa grande série de exemplares permite um estudo
bastante completo que deverá esclarecer as discordâncias por nós
encontradas. Fica aquí, pois, essa sugestão de trabalho. Quanto à
dispersão da “cotiarinha” parece-nos, face às localidades registradas na
literatura, que o centro de dispersão esteja situado em torno da loca-
lidade-tipo.
Em segundo lugar é de se estranhar que os demais AA. não façam
citação ao registro da “cotiarinha” no Rio Grande do Sul feito por
MAGALHÃES (1925) comunicando ter recebido nada menos do que
4 (quatro) exemplares, dois dêles foram recebidos em outubro de
1918, o terceiro em maio de 1919 e o último em junho dêsse ano, todos
procedentes de Pelotas. Não sabemos onde se encontram tais exem-
plares, como nem sabemos se foram conservados.
SUMÁRIO
O autor descreve um exemplar de serpente “cotiarınha” (Bothrops
itapetiningae 1907) que for encontrado no Estado do Rio Grande do
Sul, ampliando a área de distribuição geográfica dessa espécie para
töda a zona meridional do Brasil. Além disso faz uma revisão criteriosa
de töda a bibliografia sôbre essa espécie reformulando a descrição
original.
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser beschreibt em ausgewachsenes Exemplar der Schlange
“Cotiarinha” (Bothrops itapetiningae (BOULENGER 1907)) aus dem
Staat Rio Grande do Sul und bespricht die Verbreitung der Art im dem
gesammten suedbrasilianischen Gebiet. Als Ergebnis eine: gruendlichen
Durchsicht der Literatur zeigten sich, im Zusammenhing mit der
erwaehnten Art, verschiedene Widersprueche; Eine kritische Auswertung
IHERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1962 11
der frueheren Angaben und eine. erweiterte Beschreibung.der Art, sind
dem Beitrag
hinzugefuegt.
BIBLIOGRAFIA
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ESTAMPAS
IHERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1062 Estampa |
ESTAMPA I
Bothrops itapetiningae (BLGR. 1907) — desenhos esquemäticos da ornamentação e
lepidose (desenhos do A Ir).
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supracefálica: A — com estrias laterais inteiras; B — com
Fig. 1 — Ornamentação
estrias laterais interrompidas.
po Ser
BE pm
= mn
Fis.5
Fig. 2 — Ornamentação laterocefalıca.
Estampa Il LEMA, Th. de — Sôbre Bothrops itapetiningae...
ESTAMPA Ii
A 5 €
Ks
Fig. 3 — Ornamentação tronco-lateral: tipos fundamentais de marcas dorsais — A)
marca mais frequente, geralmente da zona anterior; B) marca semelhante
as de B. neuwiedii WAGLER, geralmente na zona médio-posterior; C) marca
fragmentada da zona posterior.
Fig. 4
Fig. 4 — Ornamentação ventral: algumas gastrostegas da zona média.
IHERINGIA — Zoologia n.º 21 — janeiro de 1962 Estampa Ill
ESTAMPA IH
Ro
ER
f
Bits 5
Fio. 5 — Exemplar TDL. 824 do Rio Grande do Sul. Cabeça vista de lado.
Fig. 6
Estaria "il LEMA, Th. de — Söbre Bothrops itapetiningae...
ESTAMPA IV
Fig. 7
Fig. 7 — Aspecto geral dorsal do ex. TDL. 824 do Estado do Rio Grande do Sul.
203039
7. I8/
E
IHERINGIA
SERIES CIENTIFICAS
DO
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
ECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIENCIAS
>6RTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
EEN Da DR JESERORDER
OCORRÊNCIA DE PHILODRYAS ARNALDO! (AMARAL,
1932) NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL.
(Serpentes, Colubridae)
THALES DE LEMA
(do Museu Rio-Grandense
de Ciências Naturais)
Determinando material herpetológico procedente do alto da serra
do Estado do Rio Grande do Sul, deparamo-nos com um exemplar muito
raro de “parelheira”, Philodryas arnaldo (AMARAL 1932). Exempla-
res desta espécie foram remetidos ao Instituto Butantan de São Paulo,
dos Estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo e eram confundi-
dos com os da espécie P. schotu (SCHLEGEL). AMARAL (1932) des-
cobriu-a e descreveu-a. O encontro dessa espécie no Estado do Rio
Grande do Sul vem ampliar sua distribuição geográfica e vem contri-
buir para o inventäriamento da ofiofauna dêste Estado, continuando a
série de trabalhos que iniciamos (1958, 1960, 1961).
Consignamos aquí nossos agradecimentos ao Dr. Ludwig Buckup,
nosso colega, pelo trabalho fotográfico e efetiva cooperação científica.
PHILODRYAS ARNALDOI (AMARAL 1932)
— Chlorosoma arnaldo; AMARAL 1932 — Mem. Inst. Butantan, 7:
9-101, Figs. 2-4.
— Philodryas arnaldor AMARAL 1935/6 — Mem. Inst. Butantan, 10:
140.
SER. ZOOL.
IHERINGIA
PORTO JANEIRO
ALEGRE 1962
EEE
2 LEMA, T. de — Ocorrência de Prillodryas arnaldoi no RGSul
EXEMPLAR N. ICN. CO. 237:
Adulto. Macho. Procedência: Sao Francisco de Paula: matas: do
Instituto Nacional do Pinho (Rio Grande. do Sul), coletado por
Jorge A. Petersen em outubro de 1959 e depositado nas coleções de
estudo do Instituto de Ciências Naturais da Universidade do Rio
Grande do Sul, Pörto Alegre.
Aspecto geral: Cabeça alargada, focinho alargado, canthus rostralis
pouco evidente, arredondado, superfície supracefálica plana; corpo es-
creito e alongado e cauda muito longa, robusta, de animal dendricola.
Muito semelhante à Philodr vas schottir (SCHEGEL) mas distinguível
pela forma da cabeça e pelo colorido (Figs. 3-4).
Lepidose: dorsais: 19-19-15, cada escama com uma fosseta api-
cilar bem distinta, as dorsais da parte anterıor do corpo são mais
estreitas do que as da zona média, à medida que se aproximam da
extremidade posterior vão se alargando, ocasionando muitas reduções
de filas longitudinais; na cauda são mais largas do que longas (Fig. DS
ventrais: 188 + preanal; anal: 1/1: SE: 130/130 4 terminal muito pe-
quena, cônica (além dessas há 3 esquilos (2 pequenos e 1 maior) de
cada lado da abertura cloacal): cabeca (ie) 2): supralk za Eee
em contato órbita): infral.: 10/9 (no lado direito há uma supl. pequena,
extra, contada como a 4.2), 1-5/1-4 em contato com mentais anteriores
e 5-6/4-5 com mentais posteriores; mentais iguais em comprimento, sendo
as anteriores mais largas d.q. posteriores; gulares irregulares entre as
mentais e a 1.2 ventral e dispostas em 4 séries, de cada lado, entre
infralabiais e ventrais; préoc.: 1/1, muto altas e estreitas; postoc.: 2/2;
temp.: 1-1, em cada lado; ocipital: muito grande e postemporais
grandes na maioria. Dentes maxilares: 11 ones | alveolos + 2
dentes grandes, sulcados, sob prega membranosa separados dos outros
per diásiema; os dentes cbservados (11) são longos, fortes, muito
pequenos na frente, vão aumentando de tamanho para trás, sendo os
últimos muito curvos. Medidas: 26 4 665 + 347 — 1038 mm. (Cau-
de el).
Coloração: Lado dorsal pardo-oliváceo claro com escamas enegre-
cidas em suas extremidades apicais; regiao supracefálica clara com es-
cudetes finamente marginados de negro e margem superior das supra-
labiais, especialmente nas maiores, negra. Lado ventral inicialmente
branco-amarelado, imaculado na zona gular e nas ventrais primeiras
(até a-172): da 17.2 ate 51º ha um escurecimento suave no borda
livre, lateralmente, ficando o centro imaculado; isso vai se acentuando,
surgindo pontos pretos no centro do bordo livre, mas, só da 72.2 em
em diante é que os pontos se condensam de tal maneira que enegrecem
todo o bordo livre, mas não formando uma linha negra uniforme. Apenas
do 2.º têrço do ventre em diante é que as gastrostegas possuem margem
IHERINGIA — Zoologia n.º 22 — janeiro de 1962
livre inteiramente negra. Outra diferença que apresenta de P. schotta
Z = kurs
está nessa acentuação melânica das margens dos escudos e escamas, fato
ja indicado por AMARAL (1932).
COMENTÁRIOS. CONCLUSÕES
Os dados do presente exemplar conferem com os referidos na des-
crição original, exceto no n.º de supralabiais, que no tipo e paratipos
são 8, estando a 4.º e a 5.2 em contato com a órbita e possuindo, excepcio-
malmente, 4 infralabiaıs em contato com mental anterior (segdo.
AMARAL, idem) — no presente exemplar temos: SL.: 7/7 (32 — 4.2).
IL. em contato M.A.: 5/4, logo além do limite excepcional citado.
Ao ser colhida com a mão demonstrou grande docilidade, apenas
um pouco assustadiça. Encontrada em zona de matas conservadas
pelo Instituto do Pinho na zona do planalto do Estado do Rio Grande
do Sul, cuja fisionomia, flora e fauna são muito semelhantes com as do
vizinho Estado de Santa Catarina naquela parte extrema. As proce-
dências registradas por AMARAL são: São Bento do Sul e Pörto
União da vitória (ambas ao norte dêsse Estado, quase no limite com
o Est. do Paraná): União da Vitória e Dorizon (ambas ao sul do
Estado do Paraná, quase no limite com Santa Catarina); por fim,
Franca (ao nor:e do Est. de S. Paulo, no limite com o Est. de Minas
Gerais). Apesar dos espaços vazios entre essas localidades nos quatro
Estados meridionais, parece ocupar uma área bem definida e de fisiono-
mia semelhante. Resta registrar outras ocorrências a serem feitas para
cobrir essa área, unindo os pontos citados. Parece, pois, que essa espécie
se distribue conforme-a distribuição de matas densas subtropicais que
se extendem de São Paulo para o sul através da zona centro-meridional.
SUMÁRIO
O Autor regisira a ocorrência de uma rara “parelheira” (Philodryas
arnaldo; (AMARAL)) no Estado do Rio Grande do Sul, descrevendo
o exemplar que serviu de base ao registro. Com essa referência iica
ampliada a área de distribuição dessa espécie para tôda a zona meridional
do Brasil.
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser meldet das Vorkommen im Staate Rio Grande do
Sul, Brasilien, einer seltenen “Parelheira” (Philodryas arnaldo (AMA-
RAL) und beschreibt das aufgefundene Exemplar. Hiermit erstreckt
sich die Verbreitungszone der erwaehnten Schlange ueber das gesammte
suedbrasilianische Gebiet.
4 LEMA, T. de — Ocorrência de Philodryas arnaldoi no RGSul
BIBLIOGRAFIA CITADA
AMARAL, Afrânio do
1932 — Contribuição ao Conhecimento dos Ophidios do Brasil. VI. Uma nova
espécie de Colubrideo opisthoglypho, do gênero Chlorosoma WAGLER,
1830.
Mem. Inst. Butantan, 7: 99-101, figg. 2-4.
1935/6 — Contribuição ao Conhecimento dos Ophidios do Brasil. VIII. Lista
remissiva dos ophidios do Brasil. 2.2 edição.
Mem. Inst. Butantan, 10: 87-162 + xıx.
IHERINGIA — Zoologia n.º 22 — janeiro de 1962 Estampa |
ES ADAM
Philodryas arnaldo, (AMARAL) — exemplar ICN. CO. 237. (desenho do Autor.
Fig. 1 — À Fig. 1 — B Fig. 1 — €
Fig. 1 — Aspecto morfológico e cromático das escamas dorsais: A) escama da zona
anterior; B) escama da zona mediana e äntero-posterior; C) escama da zona
posterior e caudal.
Estampa Il LEMA, T. de — Ocorrência de Philodryas arnaldoi no RGSul
ESTAMPA II
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Fig. 4 — Aspecto ventral geral.
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USEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
ZRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIENCIAS
RTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
JOLOGIA — Nº 23 — JANEIRO DE 1962
CONSIDERAÇÕES SÓBRE DOIS SAURIOS COM CAUDA
DUPLA (Reptilia, Squamata)
THALEs DE LEMA
(do Museu Rio-Grandense
de Ciências Naturais)
Encontramos dois lagartos apresentando a extremidade caudal dupla.
Revimos a bibliografia sôbre o assunto e verificamos que até agora
nada foi registrado para a fauna neotropical. Assim, pois, acreditamos
que o presente registro e considerações sôbre êsse fato, serão úteis para
o incremento das pesquisas herpetolögicas em nosso meio.
Agradecemos a cooperação dos professöres, Antônio Carlos Pradel
Azevedo, Milton Menegotto e Dr. Joseph R. Bailey. Ao Dr. Darcy
A. Ilha, pelas radiografias diversas que fez desinteressadamente. Ao
nosso colega, Dr. Ludwig Buckup, pelo trabalho fotográfico. Pe
depositados no Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, (MRCN.)
DESCRIÇÃO
ar I — MRCN. 1800 — Hemidactylus mabowa maboma
(JONNES 1818) — Fam. Gekkondae.
Procedência: Rio Grande do Sul (Pórto Alegre, cidade, no ın-
terior de residência): 8 nov. 1961. Esteve vivo em cristalizador de 8 a
26 nov. 1961, não iendo sofrido modificações aparentes durante êsse
curto período, sua dupla extremidade caudal.
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ERINGIA SER. Z00L. N 6 PÁGS. ALEGRE 962
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5 LEMA, Th. de — Considerações sôbre Saurios...
Características: Adulto. Macho. Supral.: 9; Infral.: 8/9; Poros
femurais: 17/17; Medidas: 16,5 mm (cabeça), 42 mm (tronco), 48 mm
(cauda simples), 12 mm (continuação da cauda normal) e 5 mm (cauda
supranumerária). Coloração: cinzento-clara com manchas transversais es-
curas, dorsais, pouco distintas, mais evidentes na zona caudal, onde são
contáveis em número de 6, estreitas, sendo a primeira (na base da cauda)
vestigial. As manchas dorsais estão quase desaparecidas por retração
dos cromatóforos, talvez na hora em que foi morto com emanações de
éter sulfúrico.
Anomalia: A cauda parece estar completa, mas, possue uma outra
cauda, menor, que sai do lado direito da normal, a uns 48mm da
base da mesma. No ponto de inserção dessa cauda extra, a normal
inclina-se para o lado esquerdo, dando o aspecto geral de uma for-
quilha e, à primeira vista pareceria tratar-se de um caso de “bifurca-
ção caudal” (Fig. 1), e que não é, conforme considerações que se en-
contram mais adiante. À escamação da cauda normal inclinada é normal,
de acôrdo com a parte anterior axial, enquanto que a escamação da
cauda extra é mais ou menos irregular. Além disso, essa cauda extra é
torta, isto é, possue duas inclinações: a primeira, dh -se para O lado
dedão com 2 mm de extensão e depois ınclına-se para trás (segunda
inclinação) extendendo-se por 3 mm. Tais inclinações formam os se-
guintes ângulos: o formado pela parte axial, normal com a primeira
ınclınacao para a direita == 160º; o formado pelos braços das duas ın-
clinações da cauda extra =- 65º: o formado pela cauda axial normal
sua inclinação para a esquerda: 128°; e, por fim, o formado pela pseu-
dobifurcação —= 75º.
Além dessa anomalia caudal notamos a ausência do 2.º e 3.º dedos
da pata anterior direita.
Exemplar II — MRCN. 1808 — Tupinambis teguixın (L. 1758) —
Fam. Tendae.
Procedência: Rio Grande do Sul (interior, próximo a Pörto Ale-
gre), 1959.
Características: Adulto. Fêmea. Supral.: 11; Infral.: 8, Escamas
dorsais (desde ocipital até base da cauda): 117; Escamas caudais (desde
base da cauda até início regeneração): 57 (nessa altura insere-se uma
cauda extra) mais 6 (após inserção), totalizando 63 cintas de escamas
caudais contáveis. Medidas: 140 mm (cabeça), 335 mm (tronco), 370 mm
(cauda axial, normal). Poros femurais: 16/16. Coloração: cinzento-clara,
com escamas brancas espalhadas dorsalmente e grandes faixas trans-
versais pretas, mas pouco nítidas em seus contornos, caracterizando um
indivíduo velho.
Anomalia: Cauda normal axial curta, com 250 mm até ponto em
que emerge uma cauda extra no lado esquerdo, prosseguindo por mais
IHERINGIA — Zoologia n.º 23 — janeiro de 1962
w
120 mm sem mudar a direção. A cauda extra é longa, mais fina, com
181 mm de extensão, dirigida, inicialmente para o lado, depois inclina-se
para trás. Não há, portanto, o aspecto de bifurcação simétrica. de
forquilha, mas, sim de um ramo lateral. As duas caudas formam um
“angulo de 40º entre si. Quanto à escamação há 57 cintas caudais até
ponto de inserção da cauda extra e essa cauda extra destaca-se por
apresentar escamas bem menores do que a cauda normal e ırregular-
mente distribuidas, mas que tendem à regularização à medida que se
distribuem para a extremidade apical; após essa cauda extra há mais
6 cintas de escamas caudais no ramo axial sem quebra de continuidade
no alinhamento das mesmas, mas, depois surge uma área de escamação
menor, irregular, que é típica de regeneração, que termina por um côto
apical. A cauda normal completa, correspode, no presente exemplar,
a 1/3 do comprimento total da cauda normalmente desenvolvida num
exemplar normal de mesmo porte.
DISCUSSÃO
A regeneração é um processo muito observado em todos os Phyla
animais, mas pouco conhecida fisiolögicamente, pelo que pudemos cons-
tatar pela revisão bibliográfica. Realmente há uma regular quantidade
de: dados conquistados experimentalmente, mas os diversos AA. não
têm interpreções iguais para os mesmos casos, em muitos dêles. Na
bibliografia especial sôbre Reptilia há a indicação de uma série de
fatöres que podem determinar ou influir direta ou indiretamente, no
processo regenerativo. Mas, apenas nos Sáurios foi constatada uma
predeterminação anatômica-histológica e que lhes permitem lançarem
mão da autotomia para escaparem aos inimigos. Mas se em Sáurios
a autotomia e consequente regeneração é bem conhecida, em serpentes
é bem mais rara e apenas encontramos as referências de BERGMAN
(1956) que observou-o em Natrix subminiata (SCHLEGEL) do sul
da Ásia e de DANIEL (1941) que a observou em Drymobius bivittatus
(DUM., BIBR. & DUMÉRIL), a qual, segura pela ponta da cauda,
começou a descrever círculos com o corpo até desprender-se, ficando
a extremidade em suas mãos! Sem dúvida essa autotomia é muito
rudimentar em relação à verificada em Sáurios, que possuem alto poder
regenerativo na parte posterior, recuperando a cauda perdida, às vêzes
até em duplicidade (“bifurcação”), o número de partes que se pode
partir a cauda, os planos de autotomia, a regeneração de patas ampu-
tadas, etc. Para a explicação do nosso caso lançaremos mãos de alguns
conhecimentos.
Em primeiro lugar é sabido que os Sáurios (maioria) possuem
“planos de quebra” na cauda, que os músculos são miomerizados para
êsse fim, e que a escamação disposta em cintas facilita a segmentação
em anel. Por outro lado é também conhecido que a cauda regenerada
4 LEMA, Th. de — Considerações sôbre Saurios...
não é igual à anterior perdida, que é de estrutura muito mais simples,
não regenerando a coluna vertebral mas, sim, um tubo cartilaginoso,
que não regeneram os gânglios espinhais e a parte regenerada é coman-
dada pelos nervos muito alongados do último segmento não quebrado,
que essa nova cauda não atinge o tamanho da anterior e que, por fim,
a escamação nova é irregular e de tonalidde mais escura. (*) Por outro
lado é também conhecido e discutido que o poder regenerativo está
em relação com a multiplicidade de áreas, que a ausência de tensão
nos tecidos que ficaram expostos pela amputação provocaria regenera-
ção. Foi visto, também, que realmente existem células embrionárias
em cauda de lagartos, como, também, que células especializadas da
cauda podem, por desdiferenciação e consecutiva anaplasia, formar
outros tipos de células, regenerando assim os tecidos perdidos e for-
mando a nova cauda.
CONCLUSÕES
Em face aos elementos apresentados e aos dois casos em maos
podemos analisá-los concluindo:
I — (MRCN. 1800) — Vê-se claramente que a cauda normal esta
quebrada e que essa quebra não foi total, ficando desviada para o
lado esquerdo e que a cauda extra surgiu da área que ficou livre pela
quebra, mais fina, mais longa, desviando-se para o lado e depois para
trás tomando, então a direção paralela à coluna vertebral. Talvez,
ainda estivesse em crescimento, mas o pouco tempo que o mantivemos
vivo não nos permitiu observá-lo.
II — (MRCN, 1808) — Neste exemplar vê-se claramente que a
cauda extra surge no trajeto final da cauda normal, parecendo que
emergira desta. Entretanto, o exame radiográfico (Fig. 3) mostra que
as vértebras na altura da inserção da cauda extra, estão fora do alınha-
mento, indicando traumatismo, prosseguindo assim, até a ponta, mas na
parte do cöto final há uma haste cartılagınosa, indicando regeneração.
Quanto à cauda extra, apresenta, na radiografia, uma haste cartilaginosa
em tôda a extensão, indicando ter sido completamente neoformada a partir
daquêle ponto de traumatização da coluna vertebral. Neste caso con-
clumos que houve amputação parcial de uma cauda que já estava
em fase de regeneração e isso ocorrera um pouco antes da parte em
regeneração, formando-se, na área livre, uma cauda a mais, que, pelo
seu alongamento e encurvamento para trás, mostram que tenderia a
ficar paralela à coluna vertebral do réptil. Quanto à coluna trauma-
tizada, solidificou-se sem quebra do alinhamento externo, apesar da
(*) Notamos que em Pantodactylus schreibersü schreibersi (WIEGMANN), “lagar-
tixa” muito comum nos campos do Rio Grande do Sul, o poder regeneratívo caudal é
muito elevado, pois a cauda regenerada é quase do tamanho da anterior, bem como
a neoescamação, entretanto, a coloração, é bem mais clara.
o
IHERINGIA — Zoologia n.º 23 — janeiro de 1962
convulsão violenta que sofreu.
Assim, pois, os dois casos são a conseqiiência de uma autotomia
incompleta com formação de uma cauda supranumerária na área de
quebra que ficou exposta. (Quanto aos tamanhos diferentes das duas
caudas em ambos os casos, acreditamos que, o material plástico foi
desviado da cauda normal em regeneração (no segundo caso) e que,
portanto parou ou diminuiu sensivelmente o crescimento. Acreditamos.
que não poderiam crescer muito mais, mas isso não pudemos constatar
e deixamos registradas aquí as perguntas: qual o tempo de crescimento
de uma cauda de sáurio em regeneração até que ponto poderiam
crescer as duas caudas — e se uma cresceria em detrimento da outra?.
SUMÁRIO
O autor descreve dois exemplares de sáurios (Hemidactylus ma-
bowa mabowa (JONNES) e Tupinambis teguixin (L.)), adultos, que
possuem duas caudas. Os exames externo e interno (radiológico) reve-
laram ter havido uma quebra na cauda normal e que não houve des-
prendimento da mesma, soldando-se em posição defeituosa pela for-
mação de uma cauda extra na área de quebra livre.
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser beschreibt die doppelten Schwanzenden zweıer
Eidenchsen (Hemidactylus mabouia mabowa (JONNES), Tupinambis
teguixin (L.)). Aeussere und innere (roentgenologische) Untersuchun-
gen deuten auf einen frueheren ınneren unvollstaendigen, Bruch des
urspruenglichen Schwanzes hın. Durch die Entwicklung eines neuen
Schwanzendes auf der freien Bruchflaeche erklaert sich die anormale
Position des urspruenglichen Schwanzendes.
BIBEIOGRAFTIA
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ESTAMPAS
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IHERINGIA — Zoologia n.º 23 — janeiro de 1962 Est I
stampa
ESTAMPA I
Fig. 1 — Hemidactylus m. mabouia (JONNES) — exemplar MRCN. 1800.
Fig. 2 — Tupinambis teguixin (L.) — exemplar MRCN. 1808 — aspecto ventral
da “bifurcação” das duas caudas.
Estampa Il LEMA, Th. de — Considerações sôbre Saurios...
ESTAMPA I
Fig. 3 — Tupinambis teguixin (L.) — exemplar MRCN. 1808 — radiografia das
duas caudas.
(Gentileza do Dr. D. A. Ilha).
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USEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
ZRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIÊNCIAS
3RTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
DOLOGIA ER JANEIRO DE 1962
DEFORMAÇÃO ACIDENTAL EM XENODON MERREMII
(WAGLER, 1824) (Serpentes, Colubridae)
THALES DE LEMA
(do Museu Rio-Grandense
de Ciências Naturais)
O Museu “Julio de Castilhos” do Estado do Rio Grande do Sul,
em Pörto Alegre, recebeu em meados do ano de 1949 uma curiosa peça
acompanhada da indicação: “cobra com chifres”. O fato teve reper-
cussão na imprensa daquela capital. A peca foi depositada nas cole-
ções daquela instituição. Mais tarde, tivemos a oportunidade de exa-
minar dita peça e anchamos o caso digno de registro. Trata-se da
cabeça com uma parte do pescoço, de serpente Xenodon merremu
(WAGLER 1824), vulgarmente conhecida como “boipeva”, apresen-
tando duas protuberâncias cônicas atrás da cabeça, em continuação às
mandíbulas. Além disso o remetente acrescentou que encontrara essa
serpente “lutando” com outra, uma “cruzeira” (sic.). Não mandou os
dois exemplares porque queria ficar com as peles.
Mandamos tirar várias radiografias, examinamos a peça externa-
mente e, por fim, decidimos dissecar O crânio e o comparamos aos de
exemplares normais, conforme O trabalho de ANTHONY & SERRA
01955).
Consignamos aqui nossos agradecimentos ao Dr. Darcy A. Ilha,
pelo desinteressado trabalho radiológico e, ao Dr. Ludwig Buckup, pelo
trabalho fotográfico bem como por sua cooperação. O exemplar acha-se
nas coleções do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais (MRCN.).
e ——
er a | RES PORTO JANEIRO
N.º 24 6 PÁGS. 2 ESTS. ALEGRE 1962
IHERINGIA SER. ZOOL.
2 LEMA, Th. de — Deformacäo acidental em Xenodon merremii
DESCRIÇÃO
— Peça MREN. P. 70 — Cabeça e parte do pescoço: de Menodon
merremü (WAGLER 1824), de exemplar adulto.
Procedência: Rio Grande do Sul, município de São Francisco
de Paula; data: 1949. Doador: Sr. Francisco Spinellı.
Lepidose: SL.: 7 (3-4 em contato com órbita); IL.: 10 (1-6 em
contato com Mental Anterior e 6.2 em contato com Posterior); Preo.:
3: Posto.: 2: Temp.: 1-1: Loreal: 1; Mentais Ant maroresgdag
Mentais Post.; Gulares: em 2 séries entre Mentais Post. e 1.2 Ventral
e em 5 séries entre IL. e 1.2 Ventral; V.: 9+N (seccionado), sendo
ato eielónes Dye 20,
Dentes: böca muito lesıonada.
Coloração: pardo-amarelada um pouco descorada, com algumas
marcas típicas dessa espécie.
Medidas: cabeça com 35 x 27 mm (vide ANOMALIA).
ANOMALIA. — A cabeça possue duas protuberâncias cônicas,
de côr pardo-avermelhada, situadas na parte posterior, dirigidas para
trás e um pouco para os lados. “Tais protuberâncias irrompem através
da pele, como se as tivesse perfurado e o exame lateral mostra que se
situam em continuação aos ossos das mandíbulas (Figs. 2 e 3). A ponta
direita mede 5 mm e a esquerda mede 7 mm. Há fraturas nos dois
ramos mandibulares, que estão um pouco para dentro, recuados. A
mucosa bucal bem como os dentes, estão muito lesionados e irreconhe-
cíveis devido à ıncrustacao de grande quantidade de graos de rocha.
Isso talvez se deva ao modo como foi morta, isto é, por esmagamento
da cabeça. Quanto ao exame de farto material radiográfico, o qual
não foi bom, devido à péssima fixação da peça, supere que os ramos
mandibulares tenham se alongado para trás de tal maneira que furou
a pele da parte posterior da cabeça. Parece também, pelo exame
radiográfico, que os ossos quadrados, tenham se alongado e, como
estao articulados com as mandíbulas, tenham se exteriorizados juntos,
a semelhança de “chifres”. Externamente essas pontas apresentam-se
revestidas de uma capa resistente, que lembra matéria córnea. Nas
radiografias tais pontas aparecem densas: (Fig. 4). Pela dissecção
cuidadesa constatamos que as duas mandíbulas estão fraturadas na
mesma altura, ou seja, na parte mediana do össo dentário; que os ossos
frontal e parietal estão fraturados de tal maneira que a caixa craniana
se isolou em duas partes após a retirada dos tecidos que a circunda-
vam; que a articulação da mandíbula com os ossos do crânio (quadrado
e pterigóideo) está forrada pelos músculos temporais e pterigoidianos
(interno e externo) fortemente espessados, principalmente na parte
o
IHERINGIA — Zoologia n.º 24 — janeiro de 1962
que se exterioriza. A pele estava aderida em volta às excrescências.
Infelizmente não pudemos examinar que tipo de espessamento houve com
os músculos nessa região porque o material, como já dissemos antes,
estava em mau estado de conservação não se prestando ao estudo
histológico.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Pela revisão da literatura específica de teratologia e traumatologia
em Répteis, pouca cousa se poderia concluir. Destacamos o trabalho
de BOULENGER (1896) de uma Stenhorhina degenhardti (BER-
THOLD) que não possuia focinho e ném a maior parte do maxilar,
ficando os olhos voltados para diante sôbre as mandíbulas projetadas
para diante. Merece citação destacada, também, os estudos de ANTHO-
NY & SERRA sôbre fraturas consolidadas em posição viciosa em ser-
pentes (1951).
Pela dissecção não encontramos nenhuma deformação óssea mas
pareceu-nos que os ossos pterigóideo, quadrado e mandíbula, eram des-
proporcionais em relação ao volume da cabeça, isto é, maiores do que o
normal, além de parecer-nos, também, que a mandíbula esquerda fôsse
maior do que a direita. Em vista disso fizemos medições nesses ossos,
tanto do crânio aparentemente anômalo como de um outro normal. Os
resultados foram os seguintes:
Medidas: A) comprimento do crânio (da tangente que toca 9 inter-
maxilar à tangente que toca a abertura posterior do
ocıpıtal);
B) comprimento da mandíbula (acompanhando a curvatura
do össo ;
C) comprimento do quadrado (em linha reta);
D) comprimento do pterigöideo (idem anterior):
OBS.: medidas em mm, tomadas em micro-estereoscópio.
BR peças |
er | MRCN. 70 | MRCN. 137
medidas És | |
A 25 21
B 34 / 34 30,5 / 30,5
© | | | 12,6 / 12,6
|
D | 248 / 24,8 | 19,7 / 19,7
LEMA, Th. de — Deformacäo acidental em Xenodon merremii
ES
Por essa tabela concluimos que os ossos, em cada cabeça, são iguais
entre sı, não havendo, pois, maior alongamento da mandíbula esquerda
no crânio “anömalo”
Quanto ao maior tamanho em relação ao crânio, a proporção
mostra o seguinte:
ER peças
TE MRCN. 70 MRCN. 137
relações na
B
25 1,36 1,45
A
C
an 0,604 0,6
A
D
— 0,952 0,938
A
Concluimos que os ossos de ambas as cabeças são perfeitamente
proporcionais, não havendo, pois, aumento, conforme a impressão que
tiveramos com o exame das radiografias. As pequenas diferenças que
a tabela apresenta são, para nós, mera variação.
CONCLUIMOS, finalmente, que os ossos implicados no aspecto
monstruoso da peça em questão, são normais. Quanto à idéia de for-
mação de “chifres” é ridícula. Explicamos o fenômeno da seguinte
maneira: a serpente deve ter sofrido um deslocamento para trás das
mandíbulas, arrastando um pouco os ossos pterigóideos e quadrados e,
dessa forma, houve perfuração da pele. Com o tempo houve formação
de um tecido cicatricial protetor (aliás, não foi constatada a natureza
dêsse tecido protetor) fixando tais ossos em posição defeituosa, com
reförco dos músculos que revestem e movimentam as mandíbulas. Não
sabemos se a serpente podia abrir e fechar a bôca ou em que grau de
abertura podia fazê-lo. Quanto à causa do deslocamento achamos que
teria ocorrido ou em luta com outro animal (inclusive com outra ser-
pente, como é o caso referido pelo doador) ou durante a deglutição
de um “sapo” (Bufo sp.) muito grande, que, como se sabe, é a prêsa
predileta dessa espécie.
IHERINGIA — Zoologia n.º 24 — janeiro de 1962 5
Observações sôbre os dados de coleta
— O exemplar foi classificado como “jararaca” e o estado em que
se encontra bem demonstra o modo como foi morta e isto indica O
temor que esta serpente infunde nas pessoas moradoras daquela zona
do Rio Grande do Sul. O nome “boipeva” não tem sido constatado
por nós em nenhuma parte do Rio Grande do Sul, a não ser entre pes-
soas que leram obras de divulgação procedentes dos Institutos de Rio
e São Paulo. Além disso o doador informou que encontrou esta ser-
pente “lutando” com uma “cruzeira”. Acreditamos tratar-se da Bothrops
alternata D., B. & D. porque essa espécie é muito comum no Rio Grande
do Sul, especialmente na zona citada. Além disso temos visto peles da
mesma em casa de muitos lavradores daquela região e, nas coleções
do Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais e do Instituto de Ciên-
cias Naturais, ambos de Pörto Alegre, existem exemplares de Bothrops
alternata procedentes da mesma área. Quanto ao fato de estarem “lu-
tando”, achamos provável porque é sabido que B. alternata lança mão
da ofiofagia na falta da prêsa predileta e podemos afirmar que essa
espécie aceita muitos tipos diferentes de vertebrados, conforme o com-
provamos em cativeiro, inclusive poiquilotermos. KRAUS (1923) citou
um caso de B. alternata devorando uma B. cotiara (GOMES). Talvez
o estado indefeso da Xenodon merremia permitisse a B. alternata atacá-la
facilmente. Por outro lado podiamos aventar a hipótese de que ambas
estariam tentando a cópula, ou então, uma das duas. Afirmamos isso
baseados no que vimos nos serpentários do Instituto Butantan de São
Paulo, não pröprıamente com essa espécie mas com muitas outras da
Fam. Colubridae, que procuravam entrar em relações sexuais com indi-
víduos de espécies diferentes e, às vêzes, de porte bem maior; o coletor
podia ter interpretado da mesma forma que muitos visitantes do Ins-
tituto Butantan interpretaram ao verem serpentes em atitudes eróticas
nos serpentários e algumas dessas pessoas nos perguntaram se as ser-
pentes estavam “brigando”. Além disso tudo, ainda, é conhecido de
vários AA. casos de cópula heteróloga em serpentes, inclusive necrofilia!
SUMÁRIO
O Autor descreve uma cabeça de serpente “boipeva” (Xenodon
merremü (WAGLER 1824)) apresentando duas protuberâncias cônicas
em sua parte posterior. Afirma que os exames radiológico e anatômico
revelaram ter havido um recúo traumático das mandíbulas com pos-
terior fixação nessa posição defeituosa. As excrescências cônicas externas
eram as extremidades posteriores dos ossos articulares das mandíbulas.
A peça procede do Rio Grande do Sul, Brasil.
6 LEMA, Th. de — Deformacäo acidental em Xenodon merremii
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser beschreibt zwei paarıg angelegte Auswuechse an
dem Hinterkopf einer “Boipeva” (Xenodon merremu (WAGLER 1824)).
Roentgenologische und anatomische Untersuchungen zeigten eine anor-
male Rueckverlegung der Mandibeln. Die kegelfoermigen Auswuechse
selber erwiesen sich als hintere Enden der Mandibular-articulations-
Knochen. Das untersuchte Tier wurde im dem Staate Rio Grande do
Sul, ın Brasilien, gesammelt.
BIBLIOGRAFIA CITADA
ANTHONY, J. & R. G. SERRA
1951 — Novos casos de fraturas consolidadas em posição viciosa em serpentes
sul americanas.
Rev: Brasil Biol., 11 (1): 101-103, 4 fies.
1955 — Anatomie de l’Appareil de la Morsure chez Xenodon merremii B., Serpent
Aglvphe de "Amérique Tropicale.
Arq. Mus. Nac., Rio de Janeiro, 42 (1): 21-47, 15 figs.
BOULENGER, G. A.
1896 — On a case of Simous Malformation in a Snake.
Ann. & Mag. Nat. Hist. (6) 18: 399.
KRAUS, Rudolf
1923 — Noções Geraes sobre Cobras.
Cia. Melhoramentos, S. Paulo.
“sr
ESTAMPAS
IHERINGIA — Zoologia n.º 23 —
Estampa |
janeiro de 1962
ESTAMPA 1
70
Fig. 1 — Aspecto geral da cabeça e do pescoço, vista dorsal.
Xenodon merremii (WAGLER) — Peça MRCN. 70.
Estampa Il LEMA, Th. de — Deformação acidental em Xenodon merremii
ESTAMPA II
Fig. 2 Fig. 3
Fig. 2 — Cabeça: vista dorsal.
Fig SE Cabeças vista! lateral.
Fig. 4 — Radiografia da peça inteira: vêm-se os ossos quadrados, pterigóides e man-
díbulas formando articulações que se projetam para trás.
(Gentileza do Dr. D. A. Ilha)
LIVRARIA
203042
RINGIA
ERIES CIENTIFICAS
HERI
USEU RIO-GRANDENSE DE CIENCIAS NATURAIS
RETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIENCIAS
RTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
OLOGIA ENS JANEIRO DE 1962
INSETOS — HÓSPEDES DE SOLANÁCEAS
A. BERTELS
(Engenheiro-Agrônomo)
Os estudos preliminares da biocenose de solanáceas do R.G.S.
representam, além de importância zoogeogräfica, anda valor puramente
prático. Acontece que, em muitos casos, os insetos-pragas de solanáceas
cultivadas se encontram também nas selvágens. Entretanto, analisando
as listas de insetos observados como hóspedes de solanáceas selvagens
pode-se constatar entre elas grande diferença, tanto nas espécies como
no seu número. Este fato leva a supor que existe diferenças bastante
acentuadas no teor de matérias repelentes nos sucos celulares das plantas
diminuindo se não excluindo esta planta como fonte de alimentação
para certos Insetos.
Assim, pelas observações no campo, confirmadas por testes feitos
no laboratório, constata-se completa ou quase completa repelência de
certas plantas do gênero Solanum para lagartas de lepidópteros total-
mente para algumas e de modo limitado para outras espécies. Basta
ver a relação de insetos-hóspedes sôbre Solanum eracile para o Julga-
mento dêste fenômeno. É possível supor, que estas características de
plantas selvagens, seriam muito vantajosas nas solanáceas cultivadas
e as a elas aparentadas filogenêticamente.
Outro assunto de grande importância prática é a presença, nas
biocenoses, de solanáceas selvagens dos possíveis vetores de virus. O
problema de transmissão de virus pelos insetos esta traçado, em linhas
= Tr DDD DAI TT
IHERINGIA SER. ZOOL. N.º 25 11 PÁGS. | PORTO ALEGRE JANEIRO 1962
Er DV 17
—n „ru ur , Fri
2 BERTELS, A. — Insetos-Hóspedes de Solanáceas
gerais na ciência moderna, especialmente para as culturas de batata e
tcmate, mas o estudo dos vetores e da sua biologia está muito atrasado
no nosso meio, de maneira que, por exemplo, para a região Sul do país,
região de cultura de batata e outras solanáceas, seria difícil apontar
as espécies de insetos sugadores, vetores de virus, definitivamente
constatados.
Daí nossa tentativa de apresentar as listas de insetos-hóspedes de
solanáceas selvagens pessoalmente observados e verificados como ver-
dadeiros hóspedes das plantas indicadas.
Achamos oportuno anexar as listas das pragas de solanáceas culüı-
vadas, para comparação com as relações dos insetos das plantas selvagens.
RELAÇÃO DE INSETOS ENCONTRADOS SÓBRE
PLANTAS HOSPEDEIRAS DA FAMÍLIA SOLANACEAE
SOLANÁCEAS SELVAGENS
I) Solanum varıabıle
Hemiptera
1) Edessa rufomarginata (De Geer, 1773) Pentatomidae
2) Nezara viridula (Linn., 1758) Pentatomidae
3) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
4) Corythaica planarıs (Uhler, 1893) Tingitidae
5) Gargaphia torresı (Costa Lima, 1922) Tingitidae
Ö)
6) Engitatus geniculatus (Reuter, 1876) Miridae
N
II
Homoptera
1) Macrosiphum solanıfohi (Ashm, 1881) Aphididae
2) Myzus persicae (Sulz., 1776) Aphididae
Lepidoptera
1) Automeris memusae (Walker, 1855) Saturnidae
Coleoptera
1) Doryphora quadrisignata (Germar) Chrysomelidae
2) Colaspis flavipes (Oliv., 1808) Eumolpidae
3) Colaspis prasina (Lef., 1878) Eumolpidae
4) Freudeita cupripennis Lef. Eumolpidae
5) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
6) Epicauta atomaria (Germar, 1821) Meloidae
IHERINGIA — Zoologia n.º 25 — janeiro de 1962
II) Solanum pseudocapsicum
Hemiptera
1) Phthia picta (Drury, 1770) Coreidae
III) Cestrum parguu
Lepidoptera
1) Epityches eupompe (Geyer, 1832) Ithomüdae
2) Halisydota catenulata texta (Her.-Sch., 1855) Arctudae
Coleoptera
1) Lema reticulosa Clark, 1886 Chrysomelidae
2) Lema scapularis Lac., 1845 Chrysomelidae
IV) Solanum auriculatum
Hemiptera
1) Gargaphia torresi Costa Lima, 1922 Tingitidae
2) Corythaica planaris (Uhler, 1893) Tingitidae
3) Corythaica monacha (Stal, 1858) Tingitidae
Lepidoptera
1) Mechanitis Iysinnia (Fabr., 1793) Ithomidae
Coleoptera
1) Freudeita sp. Eumolpidae
2) Colaspis prasina (Lef., 1878) Eumolpidae
3) Chrysodina cuprescens (Boheman, 1858) Eumolpidae
4) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
5) Epitrix parvula (Fabr., 1801) Alticidae
V) Solanum flagellare
Hemiptera
1) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
2) Athaumastus haematicus (Stal, 1859) Coreidae
3) Hypselonotus interruptus (Hahn, 1831) Coreidae
4) Corythaica planaris (Uhler, 1893) Tingitidae
4 BERTELS, A, — Insetos-Hóspedes de Solanäceas
Homoptera
1) Leiocysta niger (Fonseca, 1936) Membracıdae
2) Xerophloea viridis (Fabr.,) Cicadellidae
3) Myzus persicae (Sulz., 1776) Aphididae
4) Macrosiphum solamifoli (Ashm., 1881) Aphididae
VI) Solanum reimeckn
Coleoptera
1) Macraspis dichroa Mann. Scarabaeidae
2) Epicauta atomarıa (Germar, 1821) Meloidae
3) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
4) Doryphora quadrisignata (Germar) Chrysomelidae
5) Cosmograma decora (Stal) Chrysomelidae
6) Colaspis trivaalıs (Boh., 1858) Euwmolpidae
7) Colaspis prasina (Lef., 1878) Eumolpidae
8) Chrysodina cuprescens (Boheman, 1858) Eumolpidae
VII) Solanum atropurpureum
Coleoptera
1) Doryphora quadrısıgnata (Germar) Chrysomeldae
VIII) Solanum aculeatissimum
Hemiptera
1) Arvehus albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
2) Edessa meditabunda (Fabr., 1794) Pentatomidae
3) Euryophthalmus rufipennis (Laporte, 1832) Pyrrhocoridae
Lepidoptera
1) Mechanitis lysimnia (Fabr., 1793) Tthomiidae
Coleoptera
1) Colaspıs prasina (Lef., 1878) Eumolpidae
2) Gratiana graminea (Klug, 1829) Chrysomelidae
3) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
4) Apion sp. Otiorhynchidae
Homoptera
1) Tettigoma pruinosa (Walker, 1851) Cicadellidae
2) Leiocysta niger (Fonseca, 1936) Membracidae
IHERINGIA — Zoologia n.º 25 — janeiro de 1962
IX) Solanum gracile
Hemiptera
1) Corecoris fuscus (Thunberg, 1783) Coreidae
2) Acanthocerus clavipes (Fabr., 1803) Coreidae
3) Leptoglossus impictus (Stal, 1859) Coreidae
4) Phthia picta (Drury, 1770) Coreidae
5) Hypselonotus fulvus (De Geer, 1775) Coreidae
6) Hypselonotus interruptus (Hahn, 1831) Coreidae
7) Nezara marginata (Palisot, 1805) Pentatomidae
8) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
9) Edessa meditabunda (Fabr., 1794) Pentatomidae
Homoptera
1) Tomaspıs flexuosa (Walker, 1851) Tomaspididae
2) Tettigoma pruinosa (Walker, 1851) Cicadellidae
3) Agalliana sticticollis (Stal, 1859) Bythoscopidae
4) Aphas rumicis (L., 1767) Aphididae
5) Myzus persicae (Sulz., 1776) Aphididae
Coleoptera
1) Phyrdenus muriceus (Germar, 1824) Curculionidae
2) Pantomorus xanthographus (Germar, 1824) Curculionidae
3) Apıon sp. Curculionidae
4) Liscus impressus (Boheman) Curculinidae
5) Gratiana graminea (Klug, 1829) Chrysomelidae
6) Epicauta adspersa (Germar, 1825) Meloidae
7) Epicauta atomaria (Germar, 1821) Meloidae
X) Datura sp.
Hemiptera
1) Edessa meditabunda (Fabr., 1794) Pentatomidae
2) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
3) Nezara viridula (L., 1758) Pentatomidae
4) Athaumastus haematicus (Stal, 1859) Coreidae
5) Phthia picta (Drury, 1770) Coreidae
Lepidoptera
1) Placidula euryanassa (Felder, 1862) /thomudae
6 BERTELS, A. — Insetos-Höspedes de Solanäceas
2) Mechamitis Iysimma (Fabr., 1793) Ithomndae
3) Ecpantheria indecisa (Walker, 1855) Arctudae
[ Solanum sisymbrifolium
XI) 4 Solanum incarceratum
| Solanum balbisu
Hemiptera
1) Edessa rufomarginata (De Geer, 1773) Pentatomidae
2) Nezara viridula (L., 1758) Pentatomidae
3) Mormidea poecila (Dallas, 1851) Pentatomidae
4) Dinocoris sp. Pentatomidae
5) Corecoris sp. Coreidae
6) Corythaica planaris (Uhler, 1893) Tingitidae
7) Corythaica monacha (Stal, 1858) Tingitidae
8) Engytatus geniculatus (Reuter, 1876) Miridae
Lepidoptera
1) Phlegethontius sexta paphus (Gram., 1779) Sphingidae
2) Mechanitis Iysımnia (Fabr., 1793) Ithomudae
3) Dircenna dero (Hübn., 1820 - 1824) Tthomiudae
4) Heliothis (Chloridea) tergemina Felder Noctuidae
5) Lineodes integra (Zeller, 1873) Pyraustidae
Coleoptera
1) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
2) Epicauta atomarıa (Germar, 1821) Meloidae
3) Gratiana graminea (Klug, 1829) Chrysomelidae
4) Phyrdenus mursceus (Germar, 1824) Curculionidae
5) Apion sp. Otiorhynchidae
6) Faustinus cubae (Boheman, 1884) Curculionidae
7) Epitrix parvula (Fabricius, 1801) Alticidae
SOLANACEAS CULTIVADAS
I) Batata
Hemiptera
1) Edessa meditabunda (Fabr., 1794) Pentatomidae
2) Nezara viridula (Linn., 1758) Pentatomidae
3) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
4) Thyreocoris cruralis (Stal) Thyreocoridae
IHERINGIA — Zoologia n.º 25 — janeiro de 1962
5) Corecoris fuscus (Thunb,, 1783) Coreidae
6) Acanthocerus clavipes (Fabr., 1803) Coreidae
7) Athaumastus haematicus (Stal, 1859) Coreidae
8) Phthia picta (Drury, 1770) Coreidae
9) Phthia sp. Coreidae
10) Engytatus geniculatus Reuter, 1876 Miridae
11) Engytatus notatus (Dist., 1893) Miridae
Homoptera
1) Tomaspıs flexussa Walker, 1851 Tomaspididae
2) Empoasca fabae (Harris, 1841) Cicadellidae
3) Agalhana sticticollis (Stal, 1859) Bythoscopidae
4) Agalha albidula Uhler, 1895 Bythoscopidae
5) Myzus persicae (Sulz., 1776) Aphididae
6) Macrosiphum solanifoli (Ashm., 1881) Aphididae
7) Entylia gemmata (Germar, 1818) Membracidae
Lepidoptera
1) Agrotis ypsilon (Rottb., 1776) Noctuidae
2) Agrotis malefida (Guenée, 1852) Noctuidae
3) Peridroma margaritosa (Haw., 1809) Noctuidae
4) Prodenia eridania (Cramer, 1782) Noctuidae
5) Gnorimoschema operculella (Zeller, 1783) Gelechiidae
6) Ecpantheria indecisa Walker, 1855 Arctiidae
7) Automeris memusae (Walker, 1855) Saturniidae
8) Phlegethontius sexta paphus (Cramer, 1779) Sphingidae
Coleoptera
1) Epicauta atomarıa (Germar, 1821) Meloidae
2) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
3) Epicauta excavata (Klug, 1825) Meloidae
4) Epicauta griseonigra Fairm., 1873 Meloidae
5) Enema paniscus Burm., 1847 Scarabaeidae
6) Epitrix parvula (Fabricius, 1801) Alticidae
7) Systena s. httera sb. sp. tenuis Alticidae
8) Systena exclamationes Boheman, 1858 Alticidae
9) Phaedon confinis (Klug, 1829) Chrysomelidae
10) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
11) Chrysodina cuprescens Boheman, 1858 Eumolpidae
12) Colaspis prasina Lef., 1878 Eumolpidae
13) Pantomorus leucoloma (Boheman, 1840) Curculiondae
14) Pantomorus xanthographus (Germar, 1824) Curculionidae
8 BERTELS, A. — Insetos-Hóspedes de Solanáceas
Hymenoptera
1) Acromyrmex striatus Roger, 1863 Formicidae
II) Tomate
Thysanoptera
1) Thrips sp. Thripidae
Hemiptera
1) Edessa meditabunda (Fabricius, 1794) Pentatomidae
2) Nezara viridula (Linnaeus, 1758) Pentatomidae
3) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
4) Corecoris fuscus (Thunberg, 1783) Coreidae
5) Phthia picta (Drury, 1770) Coreidae
6) Athaumastus haematicus (Stal, 1859) Coreidae
Homoptera
1) Myzus persicae (Sulzer, 1776) Aphididae
2) Macrosiphum solanıfoln (Ashm., 1881) Aphididae
3) Empoasca fabae (Harris, 1841) Cicadellidae
4) Agalhana ensigera Oman Bythoscopidae
Lepidoptera
1) Laphygma frugiperda (Smith & Abbot, 1797) Noctudae
2) Prodenia ormthogalh Guenée, 1852 Noctuidae
3) Prodenia latifascia Walker, 1856 Noctuidae
4) Heliothis virescens (Fabricius, 1781) Noctuidae
5) Helhothis tergemina (Fabricius, 1781) Noctuidae
6) Plusia nu (Guenée, 1852) Noctuidae
7) Cirphas umpuncta (Haworth, 1809) Naemndas
8) Ecpantheria indecisa Walker, 1855 Arctiúdae
9) Phlegethontius sexta paphus (Cramer, 1779) Sphingidae
10) Neoleucinodes elegantalıs (Guenée, 1854) Pyraustidae
Coleoptera
1) Epicauta atomarıa (Germar, 1821) Meloidae
2) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
3) Diabrotica tijuquensis n. sp. (Marq.) Galerucidae
4) Systena s. httera sb. sp. tenuis Alticidae
5) Epitrix parvula (Fabricius, 1801) Alticidae
6) Phyrdenus muriceus (Germar, 1824) Curcuhonidae
IHERINGIA — Zoologia n.º 25 — janeiro de 1962
III) Pimenta
Hemiptera
1) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
2) Edessa meditabunda (Fabricius, 1794) Pentatomidae
Lepidoptera
1) Phlegethontius sexta paphus (Cramer, 1779) Sphingidae
Coleoptera
1) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
2) Epitrix parvula (Fabricius, 1801) Alticidae
IV) Pimentão
Hemiptera
1) Euryophthalmus rufipennis (Laporte, 1832) Pyrrhocoridae
2) Edessa meditabunda (Fabricius, 1794) Pentatomidae
3) Solubea poecila Dallas, 1851 Pentatomidae
Homoptera
1) Tettigonia pruinosa Walker, 1851 Tettigonidae
2) Aphis sp. Aphididae
Lepidoptera
1) Phlegethontius sexta paphus (Cramer, 1779) Sphingidae
2) Laphygma frugiperda (Smith & Abbot, 1797) Noctuidae
Coleoptera
1) Epicauta atomarıa (Germar, 1821) Meloidae
2) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
3) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
4) Epitrix cucumeris (Harris, 1851) Alticidae
V) Quiabo
Hemiptera
1) Arvelius albopunctatus (De Geer, 1773) Pentatomidae
2) Leptoglossus impictus (Stal, 1859) Coreidae
10 BERTELS, A. — Insetos-Höspedes de Solanäceas
Coleoptera
1) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
VI) Beringela
Hemiptera
1) Edessa meditabunda (Fabricius, 1794) Pentatomidae
2) Athaumastus haematicus (Stal, 1859) Coreidae
Lepidoptera
1) Laphygma frugiperda (Smith & Abbot, 1797) Noctuidae
2) Prodenia ornithogalh Guenée, 1852 Noctuidae
3) Ecpantheria indecisa Walker, 1855 Arctudae
4) Heliothis virescens (Fabricius, 1781) Noctuidae
5) Phlegethontius sexta paphus (Cramer, 1779) Sphingidae
6) Automeris memusae (Walker, 1855) Saturnudae
Coleoptera
1) Euphoria lurıda (Fabricius, 1775) Scarabaeidae
2) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Galerucidae
3) Epitrix parvula (Fabricius, 1801) Alticidae
4) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
5) Phyrdenus muriceus (Germar, 1824) Curculionidae
6) Faustinus cubae (Boheman, 1884) Curculionidae
VID Fumo
Thysanoptera
1) Thrips tabacı Lindeman, 1888 Thripidae
Hemiptera
1) Edessa meditabunda (Fabricius, 1794) Pentatomidae
2) Edessa rufomarginata (De Geer, 1773) Pentatomidae
3) Nezara viridula (Linnaeus, 1758) Pentatomidae
4) Corecoris fuscus (Thunberg, 1783) Coreidae
5) Corecoris dentiventris Berg, 1884 Coreidae
6) Leptoglossus impictus (Stal, 1859) Coreidae
7) Euryophthalmus rufipennis (Laporte, 1832) Pyrrhocoridae
8) Scaptocoris terfinus Sch., 1894 Cydnidae
9) Engytatus geniculatus Reuter, 1876 Miridae
10) Engytatus notatus (Distant, 1893) Miridae
IHERINGIA — Zoologia n.º 25 — janeiro de 1962
Homoptera
1) Agalhana sticticolhs (Stal, 1859) Bythoscopidae
2) Myzus persicae (Sulzer, 1776) Aphididae
3) Macrosiphum solanifolii (Ashm., 1881) Aphididae
Lepidoptera
1) Agrotis ypsilon (Rettenburg, 1776) Noctuidae
2) Agrotis malefida (Guenés, 1852) Noctuidae
3) Peridroma margaritosa (Haw., 1809) Noctuidae
4) Prodenia ornithogalh Guenée, 1852 Noctuidae
5) Gnorimoschema operculella (Zeller, 1873) Gelechidae
6) Phlegethontius sexta paphus (Cramer, 1779) Sphingidae
Coleoptera
1) Epicauta adspersa (Klug, 1825) Meloidae
2) Epicauta atomaria (Germar, 1821) Meloidae
3) Diabrotica speciosa (Germar, 1824) Gelerucidae
4) Epitrix parvula (Fabricius, 1801) Alticidae
5) Epitrix sp. Alticidae
LIVRARIA
203043
HERINGIA
SERIES CIENTIFICAS
DO
USEU RIO-GRANDENSE DE CIENCIAS NATURAIS
ECRETARIA DE EDUCACAO E CULTURA — DIVISAO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIENCIAS
ÓRTO ALEGRE — ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — BRASIL
— N.º 26 — JANEIRO DE 1962
OOLOGIA
ANOMALIAS OBSERVADAS EM SER PENTES DO GENERO
MICRURUS WAGLER, 1824 (Serpentes, Elapidae)
ANTÔNIO CARLOS PRADÉL AZEVEDO
(do Museu Rio-Grandense de Ciências
Naturais)
Na observação e estudo de exemplares de cobras corais sempre me
-“hamou a atenção anomalias no “pattern”, algumas frequentes, como
em M. corallinus, (objeto de outro trabalho), outras, menos comuns,
no grupo das corais com anéis em tríade.
Já em 1958, na IV Semana Universitária Gaúcha de Debates Bio-
Nota prévia sôbre os Elapídeos do Rio Grande do Sl
algumas anomalias observadas. O exame de outras
lógicos, numa *
apresentava eu
coleções levou-me a ampliar minhas observações.
As anomalias observadas podem ser classificadas nos seguintes
tipos:
a) ANOMALIA DE MANCHA: Quando aparece uma mancha ou
faixa, sem fazer parte das tríades. Quando estas manchas chegam
a formar um anel completo nos espaços amarelos, podem surgir
as quinquades falsas.
b) ANOMALIA DE FUSÃO: Quando duas tríades se fusionam total
ou parcialmente, de maneira regular ou irregularmente, quando a
fusão é total e regular surgem as quinquades verdadeiras.
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IHERINGIA SER. ZOOL. N.º 26 6 PÁGS. 1 EST. ALEGRE 1962
causoNi a Lodi
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2 AZEVEDO, A. C. P. — Anomalias do gênero Micrurus
c) ANOMALIA DE DEFICIÊNCIA: Quando falta parte de uma
tríade ou de um anel.
d) ANOMALIA DE TORSÃO: Quando a tríade apresenta-se com
torsão de um ou mais anéis.
e) ANOMALIA DE DUPLICAÇÃO: Quando um anél se biparte,
total ou parcialmente, dividindo-se total ou parcialmente em dois.
Esta classificação das anomalias está sujeita, naturalmente, a adição
de outros tipos e, quem sabe mesmo, a uma terminologia mais ade-
quada. Algumas anomalias se enquadram em mais de um dos tipos
citados, nestes casos a anomalia que parece mais evidente é a prin-
cipal e a outra ou outras são as secundárias.
Verificando a Bibliografia não encontrei muitas citações de anoma-
las, o que leva-me a concluir que os autores não tem dado muita
importância as mesmas.
SCHMIDT, cita casos de fusão regular, parcial e total com a for-
mação de quinquades verdadeiras, em exemplares de Micrurus tschudi.
GLOYD cita um caso de coral totalmente negra, todavia isto foge
ao sentido em que emprégo a palavra “anomalia”, pois no caso citado
o melanismo total faz desaparecer o “pattern”.
JAN, na estampa de Elaps marcgravi, apresenta uma anomalia de
fusão parcial e regular entre a terceira e a quarta' tríade e, em Elaps
fulvius, variedade affinis, apresenta anomalias de deficiência no segundo,
quarto e quinto anéis.
BERST, afirmando ter observado anomalias no pigmento de varios
exemplares de corais, (as quais não apresenta), cita um caso de ano-
malia em “M. lemniscatus”, (as aspas são do próprio autor), que pela
figura apresentada parece não haver dúvida que se trata de uma
Micrurus pyrrhocryptus, procedente de San Pellegrino, Sierra de Cor-
doba. Na anomalia em questão ocorre uma fusão entre a terceira e a
quarta triades, fusao esta verificada no lado direito, entre o anel negro
marginal posterior da tríade anterior e o anel negro marginal anterior
da triade posterior. Esta anomalia é curiosa, pois ocorre uma mancha
entre as triades fusionadas, a qual no lado esquerdo, oposto ao da
fusão, estende-se lateralmente, sendo bordeada, segundo o autor, por
uma franja branca em formato de meia lua.
Descrição das anomalias:
1) Anomalıas em M. frontalis multicinctus
Os exemplares n.º 1557, da Coleção do Museu Rio-Grandense de
Ciências Naturais e n.º 003, da Coleção do Instituto de Ciências Natu-
rais, da Universidade do Rio Grande do Sul, apresentam Anomalia de
Mancha, sob a forma de uma mancha alongada, irregular, na região
IHERINGIA — Zoologia n.º 26 — janeiro de 1962 3
vertebral dos inter-espaços vermelhos. No exemplar n.º 1557 só não
verifiquei a referida mancha entre a sexta e a sétima e entre a sétima
e a oitava das 13 tríades do mesmo. No exemplar n.º 003, observa-se
a anomalıa nos inter-espaços vermelhos da primeira a quarta triades.
(Bis. 1).
O exemplar n.º 129, da Coleção particular do autor, apresenta uma
Anomalia de Mancha, sob a forma de uma grande mancha negra
ovalada, regular, entre a 13.2 e a 14.2 tríades. (Fig. 2).
O exemplar n.º 1789, da Coleção do Museu Rio-Grandense de Ciên-
cias Naturais, apresenta uma Anomalia de Fusão, total e irregular,
entre a 13.2 e a 14.2 tríades, em que os anéis negro marginal posterior
da tríade anterior e o negro marginal anterior da tríade posterior se
fusıonam no lado esquerdo, apresentando Anomalia de Deficiência se-
cundária no lado direito e os anéis negros medianos das tríades se
fusionam no lado direito, formando um arco. Os anéis negro marginal
anterior de 13.2 tríade e o negro marginal posterior da 14.2 tríade
apresentam Anomalia de Torsão secundária.
O exemplar n.º 22, da Coleção particular do autor, apresenta uma
Anomalia de Fusão, parcial, regular, entre a 42 e a 5.2 tríades, na
qual o anél negro marginal posterior da 4.2 tríade se funde com o negro
marginal anterior da 5.º tríade, por meio de duas faixas negras laterais,
deixando o inter-espaço vermelho reduzido a um retângulo entre as
triades consideradas. (Fig. 3).
Um exemplar sem número, do Museu Paranaense, a mim enviado
para estudo, apresenta uma Anomalia de Fusão, total, regular, com
pequena Anomalia de Torsão secundária, da esquerda para a direita,
mais acentuada nos anéis posteriores, entre a 112 e a 12% triades,
formando uma quinquade verdadeira. (Fig. 4).
O exemplar n.º 380, da Coleção do Museu Rio-Grandense de Ciên-
cias Naturais, apresenta o caso típico de Anomalia de Fusão, total,
regular, sem torsão, formando uma quinquade verdadeira entre a 10.2
eBa li triades: (Figo 5):
O exemplar n.º 373, da Coleção” do Museu Rio-Grandense de Ciên-
cias Naturais, apresenta uma Anomalia de Deficiência no lado es-
querdo do anel negro marginal posterior da quarta tríade. (Fig. 6).
O exemplar n.º 132, da Coleção particular do autor, apresenta uma
Anomalia de Deficiência na 12.2 tríade, no lado direito, faltando
totalmente a metade da tríade. Na região ventral verifica-se o mesmo.
(ig 7).
O exemplar n.º 27, da Coleção particular do autor, apresenta Ano-
malia de Torsão do anél negro marginal anterior da primeira tríade.
Esta torsão é em forma de linha quebrada. (Fig. 8).
O exemplar n.º 373, já citado, apresenta Anomalia de Duplica-
ção do anél negro marginal posterior da terceira tríade, sômente havendo
ligação entre a duas partes do anél duplicado por meio de uma es-
treita faixa negra na região vertebral. (Fig. 9).
4 AZEVEDO, A. C. P. — Anomalias do gênero Micrurus
2) Anomalias em M. frontalis frontalis
O exemplar n.º 80, da Coleção do Departamento de Zoologia do
Estado de São Paulo, apresenta Anomalia de Fusão do anel negro
mediano com o anel negro marginal anterior, na primeira tríade, por
meio de uma faixa negra vertebral. (Fig. 10).
O exemplar n.º 2552, da Coleção do Departamento de Zoologia,
apresenta um curioso caso de Anomalia de Fusão do anel negro
marginal anterior com o anel negro mediano da primeira tríade. Esta
fusão é acompanhada de uma Anomalia de Torsão secundária, (no
lado lireito do anel marginal anterior, havendo um desencontro, deixando
pequena deficiência, entre o lado direito com torsão, e o esquerdo,
regular. À hipótese de que a Anomalia de Torsão seja a principal e
que a Anomalia de Fusão seja a secundária parece-me também ser
aceitável. (Fig. 11).
3) Anomalias em M. lemmiscatus ıbıboboca.
O exemplar n.º 1317, da Coleção do Museu Nacional, apresenta
Anomalia de Mancha, sob a forma de manchas irregulares, situadas
na zona vertebral dos inter-espaços vermelhos, que não ocorrem sômente
entre a quarta e a quinta e entre a oitava e a nona triades, das 11
tríades do corpo do exemplar.
O exemplar n.º 1317, já citado, apresenta Anomalia de Mancha,
sob a forma de anéis negros formados pelo enegrecimento total de
escamas dos aneis amarelos, constitundo quinquades falsas, da pri-
meira a nona tríades.
O exemplar n.º 1318, da Coleção do Museu Nacional, apresenta
uma Anomalia de Deficiência no anel negro mediano da 5.2 tríade,
que falta na região vertebral. Nos lados o anel aparece sob forma
triangular, com a base ventralmente situada. Na região posterior do
anel negro marginal anterior e na região anterior do anel negro mar-
ginal posterior, aparecem duas proeminências negras vertebrais, repre-
sentando talvez o esbôço de uma Anomadia de Fusão destes anéis
com o mediano, ou quem sabe, uma tentativa de fusão do mediano
com o marginais, que teria provocado a deficiência.
O exemplar n.º 1317, já citado, apresenta uma Anomalia de De-
ficiência no anél negro mediano da 11.2 tríade. Este anél se apresenta
interrompido lateralmente, ficando sob a forma de uma longa mancha
negra vertebral, com o comprimento de 10 escamas.
Observação: Estes exemplares, (1317 e 1318), foram determinados
por A. R. LANCINI como M. f. frontalis, todavia, apesar de estarem
ambos com a cabeça parcialmente esmagada, parece-me que pertencem
a forma ibiboboca, que, segundo considerações feitas na Introdução de
um trabalho anterior, considero ligada a espécie M. lemniscatus.
IHERINGIA — Zoologia n.º 26 — janeiro de 1962
aq
4) Anomalias em M. decoratus
O exemplar n.º 68, da Coleção do Departamento de Zoologia,
apresenta entre a 7.2 e 8.º triades uma Anomalia de Fusão total e
irregular, semelhante a anomalia descrita no exemplar n.º 1789,
M. frontalis multicinctus, sómente que nesta
direito. (Fig. 12).
de
a fusão se deu no lado
O exemplar n.º 66, da Coleção do Departamento de Zoologia,
apresenta uma Anomalia de Fusão entre a 16.2 e 17.2 tríades, seme-
lhante a do exemplar n.º 68, sômente que nesta a fusão é no lado
esquerdo, notando-se claramente esta fusão pelo fato de que o anel
negro marginal posterior da tríade anterior e o anel negro marginal
anterior da tríade posterior se fundem formando um segundo arco menor,
delimitando um pequeno espaço vermelho, na região paraventral es-
querda, que corresponde ao inter-espaço vermelho entre as tríades
fusionadas e que determina a classificação desta anomalia como fusão
parcial e irregular.
Um exemplar sem número, da Coleção do Museu Nacional, apre-
senta uma Anomalia de Fusão total e regular, entre a 144 e a 15.4
tríades, que se caracteriza pela fusão na região lateral dos dois anéis
negros medianos, deixando um espaço ovalado amarelo, no centro do
qual encontramos uma mancha negra, que corresponde a fusão do anel
negro marginal posterior da tríade anterior com o anel negro marginal
anterior da tríade posterior. Estes dois anéis, além da fusão, apresentam
uma Anomalia de Deficiência secundária, pois faltam na região lateral.
A anomalia sugere a possibilidade de não ser a mesma o resultado
da fusão de duas tríades, mas de uma Anomalia de Duplicidade do
anel negro mediano, com ligação lateral, apresentando ainda uma Ano-
malia de Mancha secundária no espaço livre entre o anel duplicado,
mancha esta que corresponderia, na primeira hipótese, a fusão com
deficiência dos anéis negros marginais das triades contíguas. Ambas
hipóteses são aceitáveis, todavia, baseado nas anomalias desta espécie
acima descritas, parece-me mais aceitável que a mesma represente uma
variação da anomalia descrita nos exemplares n.º 66 e 68, em que a
ligação dos anéis negros medianos não se deu sômente em um lado,
mas em ambos, sendo que a mancha lateral observada nestes exem-
plares corresponde a mancha central desta.
5) Anomalıas em M. spixu
Nos exemplares n.º 440 e 1538, da Coleção do Museu Nacional,
observei uma Anomalia de Fusão entre o anel negro marginal ante-
rior e o anel negro mediano da primeira tríade, fusão esta observada
em ambos no lado esquerdo. A anomalia apresenta ainda uma torsão
secundária da esquerda para a direita.
6 AZEVEDO, A. C. P. — Anomalias do gênero Micrurus
O exemplar n.º 533, da mesma Coleção, apresenta na última tríade
do corpo uma Anomalia de Deficiência, em que falta o anel negro
marginal posterior desta tríade, que se restringe a uma pequena mancha
negra vertebral.
No estudo destas anomalias não levei em consideração a frequência
com que as mesmas ocorrem, limitando-me sômente a relatar os tipos
observados dentro de cada forma. Desconheço o pensamento dos outros
autores a respeito, todavia parece-me racional, nos casos de Anomalias
de Fusão, total, regular ou irregular, de tríades, que se considere duas
triades no registro do número de tríades do exemplar.
RESUMO
O Autor faz um estudo das Anomalias no “pattern” de Micrurus
frontais multicinctus, Micrurus f. frontalis, Micrurus lemmscatus ibido-
boca, Micrurus decoratus e Micrurus spixu, (Serpentes: Elapidae),
propondo uma Classificação para estas anomalias.
ZUSAMMENFASSUNG
Der Verfasser untersucht ungewoehnlich gestaltete Farbenmuster
bei Micrurus frontals multicinctus, Micrurus f. frontalis, Micrurus lem-
niscatus ibiboboca, Micrurus decoratus und Micrurus spixu. (Serpentes,
Elapidae). Eme neue Klassifikation fuer ungewoehnliche Farbenmuster
wird vorgeschlagen.
BIBLIOGRAFIA
SCHMIDT, K. P. and SCHMIDT, F. J. W. — New Coral Snakes from. Peru —
Field. Mus. Nat. Hist. Publ. 230, Zool. Ser., vol. XII, n.º 10, pp. 129-133,
figs. 1-2, 1925
GLOYD, H. — A case of poisoning from the bite of a Black Coral Snake — Herpe-
tologica, vol. 1, pp. 121-124, Plate XII, 1938
JAN, G. e SORDELLI, F. — Iconographie generale des ophidiens. Tomos XII, XIII,
Liv. 42, 1870-81
BERST, A. — Un curioso caso de cromatismo en una Vibora de Coral, “Micrurus
lemniscatus” (L.) — Publ. Zool. do Mus. Cien. Nat. “P. Carmelo Barone”, do
Col. de la Immaculada Concepcion de Santa Fe, 3 pp., 2 figs., 1954
AZEVEDO, A. C. P. — Notes on Coral Snakes, Introduction — Iheringia, Ser. Zool.,
n.º 14, pp. 5-6, 1960
JERINGIA — Zoologia n.º 26 — janeiro de 1962
Estampa
et
P6.4Y
LIVRAR IA
203044
252
HERINGIA
SERTES CIENTIFICAS
DO
MUSEU RIO-GRANDENSE DE CIÊNCIAS NATURAIS
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURA — DIVISÃO DE CULTURA — DIRETORIA DE CIÊNCIAS
SOBRE UMA POPULAÇÃO DE MICRURUS FRONTALIS
FRONTALIS (D. & B., 1854) DE LAGÖA SANTA, MINAS
GERAIS, BRASIL. (Serpentes, Elapidae)
ANTÔNIO CARLOS PRADÉL AZEVEDO
(do Museu Rio-Grandense de Ciências
Naturais)
Examinando a Coleção do Museu Nacional, encontramos uma série
de 14 exemplares de Micrurus f. frontalis, de n.º 1348 a 1361, proce-
dentes de Lagöa Santa, Minas Gerais.
Lepidose : Ventrais 219-230, média: 2243: sub-candais 17-24, média:
21,3; anal partida; pré-oculares 1/1; post-oculares 2/2;
supra-labiais 7/7; infra-labiais 7/7 e temporais 1 +1.
Colorido : Triades no corpo 10-13, média 11,3; na cauda 1% a 1%.
Os anéis negros marginais são tão largos ou mais largos
que os anéis negros medianos. Os anéis amarelos tem
escamas com ápices negro abrangendo meia escama em
média. Os inter-espaços vermelhos apresentam escamas com
os ápices negros, predominantemente nas escamas da região
vertebral.
Sexo : Dos 14 exemplares observados. 7 «* »achos, 4 possivelmente
o são e os restantes são “
“EIRO
IHERINGIA SER. ZOOL. | N
SS
a
AZEVEDO, A. C. P. — Söbre uma população de M. f. frontalis
Dimensão: O comprimento dos exemplares em geral não ultrapassa
800 mm, todavia os seguintes exemplares apresentam com-
primento bastante grande:
nO ASS == O mam
2.051550 1002 mm
201952 1007 mm
n.º 1348 = 1013 mm
n.º 1358 = 1044 mm
I
Nestes 14 exemplares nota-se uma tendência para o melanismo,
que pode ser observada nos seguintes caracteres:
I — O primeiro anel da primeira tríade funde-se com os parietais, ne-
gros, em 12 dos 14 exemplares. (Fig. 5).
II — O ápice negro das escamas amarelas tende a aumentar, enegre-
cendo frequentemente töda a escama e determinando uma forte
tendência a formação de quingüades falsas, (fig. 6). Estas quin-
qüades falsas são perfeitamente evidenciadas nos seguintes exem-
plares:
n.º 1349: com 11 + 1% triades, apresentando quingüades
falsas na segunda, terceira, quarta, quinta, sétima e
oitava triades.
n.º 1352: com 11 + 1% tríades, apresentando quingüades
falsas na segunda, terceira, quarta, quinta, sexta, sé-
tima e décima tríades.
n.º 1353: com 12 + 1% tríades, apresentando quingüades
falsas na segunda, terceira, quarta e quinta tríades.
n.º 1356: com 11 + 1% tríades, apresentando quingüades
falsas na segunda, terceira, quarta, quinta, sexta, sé-
tima, nona, décima e décima primeira tríades.
III — Nos exemplares n.ºs 1348, 1354 e 1355 nota-se a fusão mediana
entre um par de tríades contíguas, por meio de uma faixa negra,
o que aumenta o aspecto melânico do conjunto. (Figs. 1,3 e 4).
No exemplar 1353 nota-se uma anomalia de mancha entre duas
triades. (Fig. 2).
A cidade -ıtuada um pouco ao Norte de Belo
Horizonte ‘de varia de 600 a 1000 metros,
no “o”, com uma vegetação típica
segundo Köppen.
e outros tem se referido
\eterminadas áreas de sua
IHERINGIA — Zoologia n.º 27 — janeiro de 1962 3
m [DD
ee geográfica, o que me parece ser o caso em relação a Micrurus
f. frontahis.
; Ta
E Hellmich, Ra três tipos de melanismo, parecendo-me que o caso
escrito - 5 Imos ti é, “Nigri
d enquadra-se nos dois últimos tipos, isto é, “Nigrismus” e
Abundismus”.
RESUMO
O Autor estuda uma população de Micrurus frontalis frontalis (Ser-
pentes: Elapidae) de Lagöa Santa, Minas Gerais, apresentando os
dados da população e notando tendência ao melanismo na mesma.
ZUSAMMENFASSUNG
In vorliegender Arbeit untersucht der Verfasser die Tendenz zur
Melanie einer Micrurus frontalis frontalis — Population aus Lagôa
Santa, Minas Gerais, Brasilien. (Serpentes: Elapidae).
BIBLIOGRAFIA
ATLAS DO BRASIL — Organizado pela Divisão de Geografia do Conselho Nacional
de Geografia. 1959.
LOGIER, E.B.S. — Melanism in the garter snake, Thamnophis s. sirtalis, in Ontario.
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Copeia, n.º 1, 20, 1930.
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KLAUBER, L. M. — Rattlesnakes. Vol. 1, pp. 202-204, 1956.
HELLMICH, W. C. — On Ecotypic and Autotypic characters, a Contribution to the
knowledge of the Evolution of the genus Liolaemus (Iguanidae). Evolution,
vol. 5, n.º 4, pp. 359-369, 1951.
Estampa
AZEVEDO, A. C. P. — Söbre uma população de M. f. frontalis
FIG 2 — Nº 1353
FIG 1 — Nº 1355
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FIG. 3 — Nº 1348
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FIG 5 — N.º 1360
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