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Iheringia
série Zoologia
BL ISSN 0073-4721
DUARTE, L.F.L. & MORGADO, E.H. Crustaceos parasitos de invertebrados
associados à esponja Zygomycale parishii (Bowerbank) e ao briozoário
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Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
D
Publicado com auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Processo: 40.1189/82
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Crustáceos parasitos de invertebrados associados à esponja Zy-
gomycale parishii (Bowerbank) e ao briozoário Schizoporella
unicornis (Johnston, 1847)*
Luis Francisco Lembo Duarte**
Eloisa Helena Morgado**
RESUMO
Espécies de crustáceos parasitas foram encontradas utilizando como hospedeiros, invertebrados
associados à esponja Zygomycale parishii (Bowerbank) e o briozoário Schizoporella unicornis (Johns-
ton, 1847). Dados sobre Thespesiopsyllus sp. (Copepoda), em Ophiactis savignyi Müller & Troschell,
1842) e O. /ymaniLjungman, 1871 (Ophiuroidea); uma espécie de Rhizocephala (Cirripedia), em Pilum-
nus dasypodus Kingsley, 1875 (Decapoda, Brachyura); Bopyrella harmopleon (Bowman, 1956) (Iso-
poda, Epicaridea) e uma espécie da família Phryxidae (Isopoda, Epicaridea), em Synalpheus brevicar-
pus (Herrick) (Decapoda, Caridea); Aporobopyrus curtatus (Richardson, 1904) (Isopoda, Epicaridea),
em Petrolisthes galathinus (Bosc, 1801) (Decapoda, Anomura) são aqui apresentados.
O parasitismo de Rhizocephala no caranguejo Pilumnus dasypodus, constitui uma ocorrência
nova para o Brasil.
ABSTRACT
Species of parasite crustaceans found in invertebrates, associated with the sponge Zygorfiycale
parishii (Bowerbank) and the bryozoan Schizoporella unicornis (Johnston, 1847), are recorded. Data
on Thespesiopsyllus sp. (Copepoda) in Ophiactis savignyi (Müller & Troschel, 1842) and O. /ymani
Ljungman, 1871 (Ophiuroidea), a species of Rhizocephala (Cirripedia) in Pilumnus dasypodus Kingsley,
1879 (Decapoda, Brachyura), Bopyrella harmopleon (Bowman, 1956) (Isopoda, Epicaridea) and one
species of the family Phryxidae (Isopoda, Epicaridea) in Synalpheus brevicarpus (Herrick) (Decapoda,
Caridea), Aporobopyrus curtatus (Richardson, 1904) (Isopoda, Epicaridea) in Petrolisthes galathinus
Bosc, 1801 (Decapoda, Anomura) are given.
Pilumnus dasypodus as host of Rhizocephala is referred in Brazil for the first time.
* Aceito para publicação em 16.1V.1982.
** Professores Assistentes de Zoologia no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Cam-
pinas, Caixa Postal 6109, 13100 Campinas, SP, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar. 1983
4 DUARTE, L.F.L: & MORGADO, E.H.
INTRODUÇÃO
Um amplo estudo para o conhecimento da endofauna presente na es-
ponja Zygomycale parishii (Bowerbank) e nas colônias do briozoário Schi-
zoporella unicornis (Johnston, 1847) e os fatores que condicionam suas pos-
siveis associações, levou à realização de coletas regulares no litoral norte do
Estadc de São Paulo, municípios de Ubatuba e São Sebastião. Após a
triagem do material encontrado no interior do briozoário e da esponja,
durante o exame de identificação dos organismos, foi constatada a presença
de diferentes espécies de crustáceos parasitando ofiúros e crustáceos de-
cápodos.
MORGADO & DUARTE (1979) relacionaram os parasitos e hospedeiros
encontrados na esponja e no briozoário estudados neste 'trabalho, onde
representantes de Copepoda, Cirripedia e Isopoda, principais taxa da classe
Crustacea com espécies parasitas, foram registrados.
Este trabalho tem por objetivo divulgar a ocorrência da relação pa-
rasitária entre diversas espécies de crustáceos parasitos e seus hospedeiros,
que participam da endofauna de Z. parishii e S. unicornis.
OBSERVAÇÕES SOBRE PARASITAS E HOSPEDEIROS
Copepoda
Os copépodos parasitam diversos invertebrados aquáticos, tais como
cnidários, anelídeos, moluscos, equinodermos e protocordados, assim como
peixes (BAER, 1971). O parasitismo nestes últimos é provavelmente, o mais
conhecido.
No material examinado, foram encontradas duas espécies de ofiúros,
Ophiactis savignyi (Müller & Troschel, 1842) (Fig. 1-3) e O. /ymani Ljungman
1871 (Fig. 4-6), parasitadas por um crustáceo em estágio larval. BOFFI
(1972) cita a ocorrência, para esses mesmos hospedeiros, de um copépodo
endoparasita em estádio de metanáuplio provavelmente do gênero Thes-
pesiopsylius, já mencionado como parasita de ofiúro. Devido à semelhança
do material em estudo, com as características do copépodo referido por
BOFFI (1972), acredita-se tratar-se do mesmo parasita.
Assim como observado por BOFFI (1972), o metanáuplio vive na
cavidade do corpo do ofiúro, podendo ser detectado pela ocorrência de uma
pequena protuberância alaranjada no disco do hospedeiro (Fig. 2 e 5).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar 1983
Crustáceos parasitos de... 5
Cirripedia
Os rizocéfalos são parasitos comuns, embora sejam poucos os regis-
tros de seus hospedeiros (VEILLET, 1945). Todas as espécies conhecidas
parasitam crustáceos decápodos, porém a biologia de apenas algumas es-
pécies é conhecida, de maneira que, segundo BAER (1971) é prematuro
generalizar o grau de especificidade por hospedeiro.
Apesar do cirripédio em estudo não ter sido identificado, torna-se
relevante registrar sua ocorrência no Brasil, bem como o hospedeiro por ele
utilizado.
O hospedeiro de Rhizocephala, observado neste estudo, foi o caran-
guejo da família Xanthidae, Pilumnus dasypodus Kingsley, 1879. Embora seja,
relativamente comum, a associação com Z. parishil e S. unicornis, foi cons-
tatada a ocorrência do parasito em apenas dois indivíduos. Ambos os casos,
entretanto, apresentaram-se distintos em relação à saculina externa: como
uma única bolsa carnosa (Fig. 7) e como duas bolsas carnosas (Fig. 8) na
superfície inferior do abdome do caranguejo, conferindo-lhe o aspecto de
uma fêmea ovada.
Isopoda
Os isópodos da subordem Epicaridea são todos parasitos invariavel-
mente associados a outros crustáceos (NAYLOR, 1972). Esses isópodos são
extremamente modificados e um grande número de espécies ocupa a ca-
vidade branquial de decápodos, de forma que normalmente, o parasita é
detectado pelo minucioso exame do hospedeiro.
Três isópodos foram encontrados parasitando um crustáceo natante da
família Alpheidae e um Anomura, Porcellanidae.
O bopirídeo Bopyrella harmopleon (Bowman, 1956) parasita a cavidade
branquial do alfeídeo Syna/pheus brevicarpus (Herrick), provocando uma
saliência lateral em sua carapaça (Fig. 9). Este mesmo hospedeiro pode ser
parasitado por um isópodo da família Phryxidae, que ccupa a região ventral
posterior do abdome (Fig. 9).0 parasitismo por esses dois isópodos pode
ocorrer isoladamente ou, como mostra a figura 9, concomitantemente.
Macho e fêmea de uma outra espécie de bopirideo, 4porobopyrus cur-
tatus (Richardson, 1904), foram encontrados na cavidade branquial do por-
celanídeo Petrolisthes galathinus (Bosc, 1801), tornando a carapaça do
anomuro ligeiramente saliente no local onde os parasitos estão alojados (Fig.
ON.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar. 1983
6 DUARTE, L.F.L: & MORGADO, E.H.
DISCUSSÃO
O parasitismo de Thespesiopsyllus sp nos ofiúros foi, dentre os obser-
vados, o mais frequente. Entretanto, deve-se levar em consideração que os
ofiúros constituem o grupo mais abundante da endofauna da esponja Z.
parishii e do briozoário S. unicornis. Embora neste estudo não se tenha tido
a preocupação de se avaliar a taxa do parasitismo, BOFFI (1972) registrou
uma maior porcentagem de indivíduos parasitados (7,61%) no inverno, o
que parece ser igualmente válido para os ofiúros encontrados em $S. unicor-
nis e Z. parishit. Quanto ao número de parasitos por hospedeiro observou-se
comumente nos exemplares examinados, um copépodo ocupando a cavi-
dade visceral do ofiúro (Fig. 6), sendo que, em alguns casos, encontrou-se
um máximo de dois indivíduos por ofiúrio (Fig. 3), enquanto que BOFFI
(1972) menciona um máximo de quatro parasitos por hospedeiro, em O
savignyi.
O parasitismo de Rhizocephala no caranguejo P. dasypodus constitui
um registro novo para o Brasil. Das 10 espécies de braquiúros que parti-
cipam da endofauna de Z. parishii (DUARTE, 1980) e S. unicornis (MOR-
GADO, 1980), cinco pertencem à família Xanthidae; somente em dois in-
dividuos da espécie P. dasypodus a ocorrência do parasito foi verificada.
Devido ao pequeno número de indivíduos parasitados, torna-se pre-
maturo qualquer comentário sobre a especificidade parasitária. TURQUIER &
PLAYER (1978), por outro lado, enfatizam a fraca especificidade do rizocéfalo
Loxothylacus panopei (Gissler, 1884), registrado em diversos hospedeiros,
todos da família Xanthidae, o que sugere que estes crustáceos sejam sus-
ceptíveis ao parasitismo por Rhizocephala.
Para o caso do exemplar de P?. dasypodus com a saculina externa cons-
titulda por duas bolsas, nada se pode afirmar a respeito de como se deu o
parasitismo. VEILLET (1945) apresenta dias hipóteses para explicar os casos
de infestação múltipla. Este autor estudando Sacculina carcini (Thomson),
onde a porcentagem de infestação dupla é baixa, mostra que quando isto
ocorre só pode ser devida à fixação concomitante de duas larvas cypris e
nunca em períodos diferentes. Os dois parasitos estão, portanto, no mesmo
estádio de desenvolvimento. No caso em que o parasitismo múltiplo -cons-
titui a regra, VEILLET (1945) admite a possibilidade de que seja devido a um
brotamento de um “núcleo” resultante da fixação de uma única larva cypris.
Isópodos da família Bopyridae tem sido registrados como parasitos de
crustáceos decápodos (SCHULTZ, 1969). O parasitismo por isópodos na
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar. 1983
Crustáceos parasitos de... 7
“cavidade branquial de camarões é mencionado por diversos autores (LEMOS
DERERASIRON 1965, SCHULZ 1909; /CHACE; 19727 NAYLOR, 19727, TSU-
KAMOTO, 1981).
O fato de dois isópodos utilizarem os mesmo hospedeiro é também
bastante conhecido. SCHULTZ (1969) cita para a cavidade branquial de Sy-
nalpheus longicarpus (Herrick) dois parasitos, Hemiarthus subcaudalis (Hay)
e Synsynella deformans (Hay).
Quanto a S. brevicarpus, registrou-se neste um duplo parasitismo que
pode ocorrer concomitantemente, entretanto, neste caso B. harmopleon
parasita a cavidade branquial, enquanto que o isópodo da familia Phryxidae
se comporta como ectoparasita da região ventral posterior do abdome. Essa
localização distinta dos parasıios no hospedeiro, explorando-o de forma
diferente, evidencia a inexistência de competição entre esses isópodos, O
que provaveimente não acontece entre os parasitos de S. /ongicarpus
Bopirideos parasitos de Porcellanidae (Crustacea, Decapoda) são bas-
tante comuns. BOURDON (1976) faz uma revisão de 33 espécies encon-
tradas em representantes dessa família de Anomura. Dentre esses parasitos,
Aporobopyrus curtatus & citado no Brasil em P. galathinus e Porcelana
sayana (Leach, 1820) e na Flórida apenas em P. ls (LEMOS DE
CASTRO & BRASIL LIMA, 1980).
Todos esses casos relatados revelam uma complexidade de interações,
mesmo em microhabitats como Z. parishii e S. unicornis e indicam a neces-
sidade de se conhecer a biologia de seus comensais. No caso específico de
parasitos e hospedeiros, tais estudos são imprescindíveis para a compreen-
são dos mecanismos de infestação e grau de especificidade nas interações.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Alceu Lemos de Castro pela identificação dos isópodos parasitos e ao colega Thomas
Michael Lewinsohn pela realização das fotos que ilustram o trabalho.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar. 1983
Crustáceos parasitos de...
Fig. 1-6 : 1-3. Ophiactis savignyi (Müll & Trosch, 1842): 1
sitado; 2. vista dorsal de indivíduo parasitado, notando-se o disco ligeiramente saliente; 3. disco aberto
dorsalmente mostrando os parasitos (setas) na cavidade do corpo; 4-6. Ophiactis Iymani Ljungman,
1871: 4. vista dorsal de indivíduo parasitado, notando-se o disco ligeiramente saliente; 6. disco aberto
mostrando o parasito (seta) na cavidade do corpo.
. vista dorsal de indivíduo não para-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar. 1983
10 - DUARTE, L.F.L. & MORGADO, E.H.
Fig. 7-8: Pilumnus dasypodus Kingsley, 1879 parasitado por rizocéfalo. 7. Com apenas uma
saculina externa; 8. Com duas saculinas externas.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar 1983
Crustáceos parasitos de... 11
ee OO ee se
Fig. 9-10: 9. Synalpheus brevicarpus (Herrick) parasitado por Bopyrella harmopleon (Bowman,
1956) na cavidade branquial e por um isópodo da família Phryxidas na região ventral posterior do ab-
dome; 10. Perrolisthes galathinus (Bose, 1801) com a carapaça protuberante devido à presença de
Aporobopyrus curtatus (Richardson, 1904) na cavidade branquial.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):3-11, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia Gray, 1867 (Porifera, Spongillidae)*
Beatriz Mothes de Moraes**
RESUMO
No presente trabalho é oferecido um estudo revisivo do gênero Drulia Gray, 1867, baseado em
ampla amostragem proveniente de vários locais da região Neotropical, cobertura geográfica esta ainda
não alcançada, anteriormente, em estudos deste gênero.
Redefiniu-se o gênero incluindo nele atualmente quatro espécies: Drulia brownii (Bowerbanck,
1863), Drulia cristata (Weltner, 1895), Drulia conifera Boneto & Ezcurra de Drago, 1973 e Drulia
ctenosciera Volkmer-Ribeiro & Mothes de Moraes, 1981, que tiveram suas descrições ampliadas.
Foi elaborada também uma chave de identificação para as espécies.
ABSTRACT
E revisive study of genus Drulia Gray, 1867, of freshwater sponges is offered. The work was based on a
large collection of specimens provenient from quite distant localities in the neotropical region and covering
thus a geographical area hitherto notencompassed in studies of this genus.
The genus was redefined and was seen to contain presently four species: Drulia brownii (Bower-
bank 1863), Drulia cristata (Weltner, 1895) Drulia conifera Bonetto & Ezcurra De Drago, 1973 and
Drulia stenosclera Volkmer-Ribeiro & Mothes de Moraes, 1981. An eniargered description of the
species as well as key for species identification are offered.
INTRODUÇÃO
GRAY (1867) eregiu o gênero Drulia para conter as espécies Spongilla
brownii Bowerbank, 1863; Spongilla batesii Bowerbank, 1863 e Spongilla
corallioides Bowerbank, 1863.
CARTER (1881), ignorando a proposição de GRAY (1867), instituiu o
gênero Parmula para conter Spongilla brownii e Spongilla corallioides.
* Aceito para publicação em 13.V.1982. Contribuição FZB nº 256. Tese de Mestrado em Biociências
— área de Zoologia defendida em 18 de setembro de 1981 na Pontíficia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul (PUC-RS).
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul (MCN), Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológica (CNPq. PROC.
30.0652/77-0C-07).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
14 MOTHES DE MORAES, B.
DE LAUBENFELS (1936) nomeou. S. brownii como espécie-tipo do
gênero Drulia e S. batesii como espécie-tipo' do gênero Parmula.
; JEWELL (1952) e PENNEY (1960) citaram, ainda, Drulia e Parmula
como gêneros distintos e distribuíram diversas espécies entre esses dois
gêneros.
PENNEY & RACEK (1968), ao redefinirem o gênero Drulia indicaram a
necessidade de uma nova revisão para o gênero, e mantiveram ainda a dis-
tinção a nível específico entre D. brownii (Bowerbank, 1863) e D. batesii
(Bowerbank, 1863). Atendendo ao critério de prioridade, incluíram na si-
nonimia de Drulia o gênero Parmula. Tais autores, provavelmente, desco-
nheciam o trabalho de BERROA-BELÉN (1966) em que já havia sido fun-
damentado o mesmo posicionamento. Comentaram, ainda, que as espécies
D. brownii, D. geayi (Gravier, 1899), D. cristata (Weltner, 1895) e D. batesii
eram quantitativa e significativamente pouco representadas nas coleções es-
tudadas. Observaram, também, a escassez de elementos que possibilitassem
resolver problemas de variação intragenérica. E, ainda, ressaltaram que D.
rusby (Potts, 1887) e D. brownii tuberculata (Potts, 1887) não foram exa-
minados em seu trabalho de revisão.
Após o trabalho de Penney & Racek novas espécies foram descritas
dentro do gênero Drulia. D. uruguayensis Bonetto & Ezcurra De Drago, 1968
e D. conifera Bonetto & Ezcurra De Drago, 1973, são espécies, cujas des-
crições incluem característicos significativos não abordados, até então, na
definição do gênero.
Além do exposto, a existência no Museu de Ciências Naturais da Fun-
dação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN), de uma rica coleção de
espécimes do gênero Drulia, provenientes de vários locais da região Neo-
tropical e cuja identificação específica não havia sido ainda realizada, tam-
bem motivou a realização deste trabalho.
Levou-se a término um estudo mais detalhado das espécies integrantes
deste gênero, e que culminou com uma proposição de critérios para solu-
cionar problemas de variações intra-específicas.
MATERIAL E MÉTODOS
Os espécimes, objetos do presente estudo, são provenientes de vários locais da região Neo-
tropical e estão depositados no Setor de Porifera do MCN, conservados a seco.
A metodologia empregada seguiu as recomendações de VOLKMER-RIBEIRO, 1981a e 1981b.
Os desenhos e mensurações micrométricas dos espículos foram elaborados em microscópio
biológico Leitz binocular com câmara clara.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 15
A tomada das fotografias foi realizada pelo Prof. Dr. Arno Antônio Lise e a arte final dos de-
senhos pela desenhista Rejane Rosa.
Siglas usadas no texto: BMNH — British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra; BR —
Brasil; INALI — Instituto Nacional de Limnologia, Santa Fé, Argentina; MCN — Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, BR; MNHN — Muséum
National d’Histoire Naturalle, Paris, França; ZMHU — Zoologisches Museum der Humboldt Univer-
sität, Berlim, República Democrática Alemã
RESULTADOS
Gênero Drulia Gray, 1867, redefinição
Drulia GRAY, 1867, p.552 (part); GEE, 1931, p.31 (part); DE LAUBENFELS, 1936, p.36; JEWELL,
1952, p.450; PENNEY, 1960, p.39; BERROA-BELÉN, 1966, p.41; BONETTO & EZCURRA DE
DRAGO, 1968, p.211; 1973, p.19; PENNEY & RACEK, 1968, p. 154; KILIAN & WINTERMANN -
KILIAN, 1976, p.87; VOLKMER-RIBEIRO, 1981b, p.89.
Parmula CARTER, 1881, p.99; POTTS, 1887, p.256; WELTNER, 1895, p.114; GRAVIER, 1899, p.128;
CORDERO, 1923, p.134; 1925, p.113; 1928, p.259; GEE, 1931, p.33; 1932, p.35, PENNEY, 1960,
p.D4..
Espécie-tipo: Spongillabrownii Bowerbank, 1863.
Redefinição: esponjas neotropicais com gemoscleras em forma de es-
cudos.
Megascleras. eströngilos ou, algumas vezes, oxeas com extremidades
gradual ou abruptamente aguçadas; delgadas ou extremamente robustas;
lisas; retas ou levemente encurvadas; constituindo uma única série ou duas
séries distintas em tamanho. Nesse último caso, a megasclera beta mostra
tamanhos correspondentes a metade ou a dois terços dos da megasclera al-
fa; apresenta exepcionalmente alguns poucos espinhos cônicos e constitui
uma cápsula gemular.
Microscleras: oxeas de pequenas a diminutas, fusiformes, com
extremidades variando de gradual a abruptamente aguçadas ou em ponta de
arpão; retas ou encurvadas; providas de espinhos retos, cônicos, com ex-
tremidades frequentemente lanceoladas, distribuídos em quase toda a super-
fície ou, somente, na porção mediana; com microespinhadura cobrindo as
extremidades ou toda a esclera; participam frequentemente da camada
pneumática da gêmula; geralmente abundantes.
Gemoscleras: em forma de pequenos escudos, com contorno
elíptico ou circular, com bordas altas ou baixas, geralmente onduladas e en-
curvadas em direção a uma proeminência central da face externa provida ou
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
16 MOTHES DE MORAES, B.
não de espinho alto ou baixo, cônico ou em forma de quilha, liso, ou com
microespinhadura na sua extremidade.
Gêmulas: farta ou escassamente distribuídas pela rede esqueletal do
centro para periferia da esponja; grandes ou microscópicas, esféricas, he-
misféricas ou ovóides, contidas ou não em cápsula gemular de malhas bem
abertas ou bem fechadas; com camada interna espessa, com uma ou várias
camadas de gemoscleras sobrepostas, atingindo, às vezes, a camada
pneumática; gemoscleras dispostas com as bordas imbricadas ou apenas se
tocando e com o espinho voltado para a face externa da gêmula; camada
pneumática fina e muito espessa, granular, de contorno ondulado “a liso;
camada externa fina; microscleras presentes ou ausentes na camada
pneumática e na externa; foramen com tubo foraminal mais ou menos lon-
go, reto, discretamente cônico, com bordas retas ou recurvadas, revestido
por gemoscleras.
Esponjas: com forma esférica, hemisférica ou incrustante; desen-
volvem-se ao redor de galhos submersos na água (formas esféricas) ou
sobre substratos rochosos: superfície de forte à levemente híspida; rede es-
queletal formada de malhas muito abertas ou fechadas, algumas vezes
ocorrendo fibras esqueletais principais e secundárias; ósculos geralmente
perceptíveis; consistência de muito dura a extremamente frágil; cor do
material seco variando de amarelo esbranquiçado até o preto, passando pelo
marrom claro e cinca esbranquiçado.
Chave para as espécies do gênero Drulia Gray, 1867.
1. Gemoscleras com escudos grandes, de contorno elíptico, com proeminência central em forma de
quilnairasarOULaUsente rca ut oe ee soa Er RS co E RD D. conifera.
1’. Gemoscleras com escudos pequenos, de contorno circular, com proeminência central constituind
espinho’sallenten santas ca iuesans sie ne Sarau e ae een nennen é pra a! EN US 2
2. Gêmulas contidas em cápsulas; duas séries de megascleras presente........2222222... D. brownii.
2'. Gêmulas não contidas em cápsulas; megascleras constituindo uma única serie..............: ERAS
3. Microscleras com poucos espinhos proeminentes na porção mediana ............:222... D. cristata
3". Microscleras com espinhos proeminentes distribuídos ao longo de toda esclera...... D. ctenosclera
Drulia brownii (Bowerbank, 1863)
(Fig. 1-5, 18-21)
Spongilla brownii BOWERBANK, 1863, p.457
Spongilla batesii BOWERBANK, 1863, p.459
Drulia brownii GRAY, 1867, p.552; PENNEY, 1960, p.39; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1968,
p.211; 1973, p.19; PENNEY & RACEK, 1968, p.156; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-
BARBOSA, 1974, p.286; KILIAN '& WINTERMANN-KILIAN, 1976, p.83; VOLKMER-RIBEIRO,
1981b, p.89.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 17
Drulia Batesii GRAY, 1867, p.552; BERROA-BELEN, 1966, p.42; 1968, p.289; BONETTO & EZCURRA
DE DRAGO, 1968, p.211; 1973, p.19; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1974, p.286;
KILIAN’& WINTERMANN-KILIAN, 1976, p.85; VOLKMER-RIBEIRO, 1981b, p.89.
Parmula brownii CARTER, 1881, p.99; POTTS, 1887, p.257; WELTNER, 1895, p.114; ARNDT, 1930,
p.48; SCHRÕEDER, 1932, p.161; GEE, 1932, p.35.
Parmula brownii var. tuberculata POTTS, 1887, p.258; GEE, 1932, p.35.
Parmula rusby POTTS, 1887, p.259
Parmula geayi GRAVIER, 1899, p. 126; GEE, 1931, p.39; 1932, p.35; PENNEY, 1960, p.55.
Parmula brownii var, rusby GEE, 1931, p.48; 1932, p.35.
Parmula batesii CARTER, 1881, p.99; POTTS, 1887, p.256; WELTNER, 1895, p.114; CORDERO,
1923, p..134; 1925, p.113; 1928, p.259; GEE, 1931, p.33; 1932, p.35; DE LAUBENFELS, 1936,
p.37;' JEWELL, 1952, p.450; PENNEY, 1960, p.54; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO , 1962,
p-22:
Drulia brownii var tuberculata PENNEY & RACEK, 1968, p.156; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO,
1968, p.211; 1973, p.19.
Drulia rusby PENNEY & RACEK, 1968, p.156; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1968, p.211, 1973,
p.19; KILIAN'& WINTERMANN-KILIAN; 1976, p.85.
Drulia geayi. PENNEY & RACEK, 1968, p.157; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1968, p.211; 1973,
p.19; KILIAN'& WINTERMANN-KILIAN, 1976, p.85; VOLKMER-RIBEIRO, 1981b, p.89.
Drulia uruguayensis BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1968, p.211, 1970, p.81; 1973, p.19; EZ-
CURRA DE DRAGO, 1975; p. 175; VOLKMER-RIBEIRO, 1981b, p.89.
Material examinado: VENEZUELA. Rio Orenoco, fragmentos de parátipos de D. geayi
MCN 759, 760, 761, 1883-1885, M. Chaffanjon leg., parátipos depositados no MNHN; Rio Orenoco,
MCN 608, 609, 610, 611, 612, 613, 614, 615; 616, 617, 19.V1.1979, S.M. Pauls leg.; Rio Casiquiare
(afluente do Rio Orenoco) MCN 607, 23.1.1979, S.M. Pauls leg.; BRASIL. Amazonas: Rio Cuieiras,
MCN 28, 29, 30, 31, 32, 33, 38, 469, 18.X11.1961, E.J. Fittkau leg.; Amazonas: Igarapé Amataura
(afluente do Rio Solimões) MCN 73, 74, 75, XII. 1962. E. J. Fittkau leg.; Rio Amazonas; fragmento do
holótipo de D. brownii MCN 641, 02.V11.1855, R. Brown leg., holótipo depositado no BMNH; Lago
Grande 'de Manacapuru (afluente do Rio Solimões), MCN 509, V:1977, R. Braga !eq.; Rio Negro, MCN
76, X.1960, E.J. Fittkau leg.; Rio Tarumä-Mirin (afluente do Rio Negro) MCN 503, 504, 505, 506,
V.1977, R. Braga leg.; Rio Preto da Eva (afluente do Rio Amazonas) MCN 55, 56, 57, 10.X11.1962,
E.J. Fittkau leg.; Rio Uatumä (afluente do Rio Amazonas) 5 MCN 501, 15.X11.1972, R.P. Leal leg.;
Rio Juruá (Eirunepé), MCN 104, 105, 12.X1.1950, J.C. de Mello Carvalho leg.; Rio Juruá (Conceição
do Raimundo), MCN 88, 95, 96, 197, 210, 499, 25.V1.1950, J.C. de Mello Carvalho leg.; Rio Tefé-Ega
(afluente do Rio Amazonas), fragmentos de parátipos de D. batesii MCN 632, 634, 635, 638,
22.V11.1856;’H.W. Bates leg., parátipos depositados no BMNH; Rio Tapajós, fragmento do holótipo de
D. batesii, MCN 633, 1853, "H.W. Bates leg., holótipo depositado no BMNH; Rio Xingu (Igarapé Ga-
rapt), MCN 68, 26.V111.1965, E.J. Fittkau leg.; Mato Grosso: Rio Liberdade ou Comandante Fontoura
(afluente do Rio Juruá, Barra do Garças), MCN 268, 269, 26.V11.1974, W.Bokermann leg.; Rio Bento
Gomes (Parque de Exposições Poconé) 2 MCN 581, 07.V11.1970, F. Silva leg.; ARGENTINA. Santa Fé;
Lagoa Guadalupe ou Setubal, MCN 26, 571, 572 e 4 MCN 577, IX.1967, |. Ezcurra De Drago leg.; Rio
Colastiné (afluente do Rio Paraná), MCN 19,30.1X.1961, |. Ezcurra De Drago leg.; Entre Rios: Rio
Uruguai (Federacion), parátipo de D. uruguayensis, MCN 44, 1968, |. Ezcurra De Drago leg.
Esponja: forma esférica, hemisférica ou quando jovem, apresentam
placas incrustantes, desenvolvem-se, em geral, ao redor de galhos submer-
sos na água (formas esféricas) mas podendo ocorrer, também, sobre subs-
trato rochoso (formas hemisféricas). As esponjas que se fixam em galhos
submersos apresentam um crescimento que leva, primeiramente, ao envol-
vimento do substrato e, numa etapa subsequente, a um crescimento linear e
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
18 MOTHES DE MORAES, B.
após radial. As formas inscrustantes jovens podem ter, por exemplo, 2mm
de altura, mm de largura e 40mm de comprimento. O espécime de forma
esférica mais desenvolvido, dentre os estudados, mediu 430mm de diâmetro.
Superfície fortemente híspida. Nos espécimes maiores foram observados ós-
culos bastante conspícuos com diâmetros em torno de 10mm, enquanto, em
outros espécimes, tornou-se difícil tal distinção. Os ósculos são pouco
numerosos, com contorno mais ou menos circular.
Nos espécimes secos, o pinacoderma pode apresentar-se muito fino e
translúcido, quando reduzido a pequenas porções que se formam em torno
dos eixos principais; em casos extremos espesso, cor amarelada e estenden-
do-se de modo mais ou menos contínuo, logo abaixo dos äpices das fibras
axiais, pelas quais é perfurado.
As gêmulas ocorrem do centro para a periferia da esponja. Em geral,
extremamente abundantes e de cor esbraquiçada, ocupam toda a massa da
esponja logo abaixo da superfície. Em alguns espécimes, elas são per-
feitamente visíveis através das malhas superficiais, em outros ocorrem a
maior profundidade, apresentam cor mais escura e tornam-se menos distin-
tas.
O material seco apresenta-se de muito duro a extremamente frágil, com
cor variando de amarelo esbranquiçado a preto, passando pelo marrom claro
e cinza esbranquiçado. As esponjas que apresentam a tonalidade cinza ou
amarela são as de textura mais delicada.
O esqueleto é constituído por um retículo de fibras principais radiais e
fibras secundárias laterais, de malhas, geralmente, muito abertas. O retículo
apresenta um gradiente de constituição que varia, em alguns espécimes,
desde fibras muito finas, retículo delicado com espaços pequenos entre as
malhas, até fibras muito robustas com espaços mais abertos entre as ma-
lhas. As extremidades das fibras que se projetam em direção ao exterior da
esponja, conferindo-lhe superfície híspida, são longas e bifurcadas. Esta
bifurcação é ampla e com extremidades curtas nos espécimes que apresen-
tam as malhas mais desenvolvidas; por outro lado, esta bifurcação forma um
ângulo menor e com extremidades mais longas nos espécimes que apresen-
tam malhas delicadas. Nos espécimes jovens, observa-se nitidamente a dis-
posição das fibras principais, as quais se orientam mais ou menos paralelas
umas às outras, a partir do suporte. Este vai sendo envolvido pela esponja
quando, então, as fibras principais passam a ter disposição radiada. Tais
fibras apresentam-se ligadas por fibras secundárias, mas já com uma camada
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 19
muito grande de gêmulas, que se implantam em torno das fibras, desde a
base do substrato. Em uma segunda etapa de crescimento, as novas fibras
principais que se formam não dão continuidade às primeiras e, assim, suces-
sivamente em cada etapa subsequente de crescimento.
As megascleras constituem duas séries distintas em forma e tamanho.
Megascleras alfa: oxeas geralmente retas, algumas vezes le-
vemente encurvadas, robustas, lisas, podendo variar, num mesmo espécime,
de oxeas com extremidades gradualmente aguçadas e abruptamente pon-
tiagudas, e apresentar, também, grande variação de tamanho:
Medidas: comprimento 552-314 um; largura 43-16 um.
Megascleras beta: oxeas geralmente com metade ou dois terços
do comprimento do das megascleras alfa; retas ou mais frequentemente en-
curvadas; lisas ou apresentando, excepcionalmente, poucos espinhos cô-
nicos distribuídos desigualmente pela superfície; extremidades gradualmente
aguçadas ou abruptamente pontiagudas.
Medidas: comprimento 367-128um; largura 37-14 um.
Microscleras: oxeas diminutas com extremidades gradualmente
aguçadas, retas ou, mais raramente, com leve curvatura. Apresentam, na
porção mediana, um agrupamento de espinhos com extremidades lanceo-
ladas. Os espinhos tornam-se menores e mais esparsos, à medida que se
aproximam das extremidades da esclera. Estas terminam em ponta de arpão
e são revestidas por uma microespinhadura que se estende até, mais ou
menos, um terço das microscleras.
A quantidade de microscleras, bem como, de megascleras beta difere
de espécime para espécime, variando da quase ausência à abundância.
Medidas: comprimento 99-34um; largura 10-2 um.
Gemoscleras: escleras em forma de minúsculos escudos um-
bonados com contorno geralmente circular, algumas vezes elíptico; mais ou
menos espessos, com bordos ondulados e voltados em direção a proemi-
nência central que é constituída por um espinho implantado em elevação
mediana da face externa; o contorno da implantação é circular ou elipsoidal
e o espinho, mais ou menos longo, com a extremidade apical variando de
aguçada à romba; em algumas destas extremidades, podem ser percebidos
microespinhos coroando a porção apical; o tamanho e a forma do espinho
variam bastante de um espécime para outro e, às vezes, numa mesma
gêmula.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
20 MOTHES DE MORAES, B.
Medidas: diâmetro da rótula 36-20 um.
Gêmulas: de forma esférica, podendo, entretanto apresentar forma
hemisférica. Encontram-se geralmente fixas ao retículo esqueletal por meio
de cápsulas constituídas exclusivamente por megascleras beta, formando
rede de malhas abertas ou bem fechadas. Em casos extremos, esta rede se
adensa a ponto de formar uma cápsula completamente fechada em torno da
gêmula, restando, apenas um orifício por onde se projsta o tubo foraminal.
Na maioria das gêmulas, as ondulações da camada pneumática passam
através das malhas da cápsula, formando projeções esbranquiçadas que
contrastam com o esqueleto escuro do retículo da cápsula. As gêmulas
apresentam, em geral, uma camada interna espessa na qual as gemoscleras
estão densamente embebidas em fileiras sobrepostas, de três a quatro, com
o disco voltado para a porção interna da gêmula e o espinho dirigido para a
porção externa. Algumas gemoscleras encontram-se esparsamente embe-
bidas na camada pneumática, podendo sua proeminência apical perfurar a
camada externa, projetando-se na superfície da gêmula. Tanto a camada
pneumática quanto a externa são guarnecidas por um número variável de
microscleras com disposição tangencial. A camada pneumática, sempre
muito espessa, tem aspecto granular e contorno geralmente ondulado. A
camada externa é fina, acompanhando o contorno ondulado da camada
pneumática. O forâmen é provido de tubo foraminal curto, levemente recur-
vado e revestido, também, por camadas sobrepostas de gemoscleras.
Comentários: a comparação do material tipo e parátipos das es-
pécies aqui incluídas na sinonimia de D. brownii, permitiu-nos constatar que
as características invocadas pelos autores daquelas espécies, como distin-
tivas, integram-se de fato em séries gradativas, postas em evidência ao es-
tudar-se um conjunto maior de espécimes provenientes de áreas geográficas
mais próximas entre si. Consideramos digna de nota a diversificação pela
qual passa a constituição da cápsula gemular do material estudado, variando
de uma rede com malhas bem abertas a uma rede de malhas completamente
fechadas; é óbvio que as projeções da camada pneumática, que se dão
através dela, apresentam-se maiores ou menores, conforme o tamanho da
malha ou, ainda, inexistentes, se a cápsula tiver paredes compactas. O tipo
de projeção da camada pneumática foi considerada por BOWERBANK
(1863) como característica importante na distinção entre S. brownii e S.
batesi. Constatamos que o número de camadas de gemoscleras na gêmula,
considerado por GRAVIER (1899) fundamental na distinção de P: geayi, está
sujeito à ampla variação, tanto nas gêmulas de um mesmo espécime, quan-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 21
to nas gêmulas de espécimes distintos, indo as gêmulas desta espécie de
uma só camada de gemoscleras esparsamente embebidas, com uma camada
pneumática fina, até as camadas compactadas em estratos sobrepostos,
tendo uma camada pneumática muito grossa.
De acordo com BOWERBANK (1863), PENNEY & RACEK (1968) e
VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1974) uma das características
distintivas de S. batesii seria a grande quantidade de microscleras incrus-
tadas na parede gemular por cima das gemoscleras. Constatou-se, no entan-
to, que a ocorrência das microscleras na gêmula obedecia a uma relação in-
versa à da ocorrência de megascleras beta na cápsula que continha a gê-
mula: quanto mais fechadas eram as malhas destas cápsulas e portanto
maior a quantidade de megascleras beta, mais raras se tornavam as micros-
cleras na parede da gêmula, chegando a praticamente faltar nas gêmulas
contidas em cápsulas de paredes fechadas.
Os espinhos das megascleras beta, referidos por POTTS (1887) como
característica de P. brownii var. tuberculata, foram por nós percebidos em
maior ou menor quantidade em vários espécimes da série estudada.
POTTS (1887), ao descrever P. rusby, referiu como característica dis-
tintiva da espécie a ausência de pedúnculo na gêmula. Apesar de não ter-
mos podido examinar o material-tipo, cremos que essa proposição carece de
maior sustentação, uma vez que, ao termos exeminado uma série de es-
pécimes, observamos que, nos exemplares jovens, o pedúnculo está em es-
tado inicial de desenvolvimento. Com base nesta observação, reforçada pela
ausência de qualquer menção referente à distinção do complexo espicular,
tão significativo para a validade da espécie, concluímos pela não validade de
P. rusby, ja que o autor deve ter trabalhado sobre um espécime jovem de O.
brownii.
BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1968), ao descreverem D.
uruguaiensis referem como característico distintivo a presença de gêmulas
com uma superfície lisa (ausência de projeções) particularidade esta que a
distinguiria de D. brownii. Ao examinarmos o parátipo de D. uruguayensis,
constatamos entre o retículo esqueletal, a presença de algumas gêmulas as
quais apresentavam uma delicada cápsula, constituída por um número re-
duzido de fibras, com espaços muito abertos entre as malhas. Esta cons-
tatação permite estabelecer uma conotação com a ausência de projeções da
superfície da gêmula devido a inexistência de barreiras, ocasionadas pelas
malhas da cápsula. Foi, também, observada, uma incidência maior de
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
22 MOTHES DE MORAES, B:
ae e ti a o Ss —
megascleras alfa na cápsula gemular em relação à quase ausência de megas-
cleras beta. Como não foi constatada diferença mais significativa entre as
escleras, tanto do esqueleto quanto da gêmula desta espécie e as de D.
brownii, optamos pelas inclusão da espécie na sinonimia de D. brownii, jus-
tificada, ainda, pela ocorrência de megascleras beta. Consideramos o espes-
samento marcante do pinacoderma como variação ecomórfica já que, na
série de espécimes estudados, o material de D. urguayensis integraria uma
população situada num dos extremos da área de ocorrência de D. brownii,
ocorrendo, ainda, em habitat atípico para D. brownii ou seja, em leito ro-
choso de águas rápidas.
Drulia cristata (Weltner, 1895)
(Fig. 6-9, 22-23)
Parmula cristáta WELTNER, 1895, p.143; GEE, 1931, p.36; 1932, p.35; PENNEY, 1960, p.D5.
Drulia cristata PENNEY & RACEK, 1968, p.158; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1968, p.211;
1973, p.19; KILIAN & WINTERMANN-KILIAN, 1976, p.85; DE ROSA-BARBOSA, 1980, p.87; VOLK-
' MER-RIBEIRO, 1981b, p.89.
Material examinado: BRASIL. Amazonas: Rio Tapajós (afluente do Rio Amazonas), lâminas
do holótipo de Parmula cristata, MCN 550, 1895, holótipo depositado ZMHU.
Esponja: com forma hemisférica, tendo cerca de 40mm de altura a
7/Omm de diâmetro maior, superfície levemente hispida, sulcada por mean-
dros, dentro dos quais estão contidos os ósculos; orifícios circulares mais
profundos, de vários tamanhos, bastante numerosos. A porção basal con-
tem um certo número de sulcos radiais que se estendem da superficie para O
interior, não atingindo, no entanto, a porção central da esponja. Estes sulcos
são mais largos próximos à superféie. O pinacoderma é pouco perceptível.
Gêmulas escassas, ocupando a porção central da esponja, e com cores in-
distintas da do esqueleto.
O material seco apresenta-se frágil e quebradiço, com cor marrom
enegrecida na porção superior e marrom amarelada na porção basal (DE
ROSA-BARBOSA, 1980).
Esqueleto: constituído por uma rede fechada, porém delicada,
apresentando pouca diferenciação em fibras longitudinais e transversais. Em
certos locais podem ser notadas fibras longitudinais muito delgadas, que
protraem na superfície, e fibras transversais mais delgadas do que aquelas,
constituídas por uma ou duas escleras. O espécime encontra-se com seu
retículo completamente obstruido por grãos de sílica de diversos tamanhos,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 28
levando a supor que se tenha desenvolvido em substrato junto ao fundo do
rio. (DE ROSA-BARBOSA, 1980).
Megascleras: eströngilos robustos, lisos, retos ou ligeiramente
curvos; as megascleras jovens säo anfioxeas.
Medidas: comprimento 650-442 um; largura 69-39 um.
Microscleras: oxeas pequenas, delicadas, retas, ou ligeiramente
curvas, com extremidades gradualmente aguçadas, superfície densamente
microespinhada, apresentando, na porção mediana, um número reduzido de
espinhos.maiores com extremidades lanceoladas e com microespinhos.
Medidas: comprimento 104-61 um: largura 10-4 um.
Gemoscleras: escleras em forma de pequenos escudos umbo-
nados com contorno geralmente circular ou, algumas vezes, elíptico; mais
ou menos espessos, com bordos ondulados e voltados em direção a
proeminência central constituída por um espinho implantado em elevação
mediana da face externa; o contorno da implantação é circular ou elipsoidal
e o espinho, mais ou menos longo, com a extremidade apical geralmente
arredondada e destituída de microespinhadura; o tamanho do espinho é bas-
tante variável e sua forma pode ser cônica ou apresentar diversos tipos de
mal formação.
Medidas: diâmetro de rótula 36-22 um.
Gêmulas: esféricas, sem cápsula gemular, camada pneumática po-
bremente desenvolvida; raras vezes ocorrem microxeas na parede gemular;
gemoscleras embebidas na camada gemular interna em um único extrato,
com suas rótulas estreitamente justapostas, ou mesmo, sobrepostas; o tubo
foraminal é curto, discretamente cônico com implantação esparsa de gemos-
cleras.
Comentários: A espécie caracteriza-se, assim, por apresentar
microscleras com raros espinhos medianos; um retículo esqueletal com
malhas fechadas, o que lhe confere, segundo DE ROSA-BARBOSA (1980),
um aspecto distinto. Confirmamos no presente trabalho, essa observação
que vem refutar a descrição de que o retículo esqueletal é semelhante ao
das demais espécies do gênero, apresentada por PENNEY & RACEK (1968).
Constatamos, também, como WELTNER (1895) que as gêmulas desta
espécie diferem das de D. brownii, pela ausência de cápsula gemular.
PENNEY & RACEK (1968), assim como WELTNER (1895), observaram
a megasclera do tipo anfistrôngilo, sendo que PENNEY & RACEK (1968)
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
24 MOTHES DE MORAES, B.
reforçaram, ainda, a caracterização da espécie, mencionado a presença de
uma segunda megasclera do tipo oxea, com extremidades abruptamente
pontiagudas. Tal fato foi ressaltado por DE ROSA-BARBOSA (1980) como
sendo um espinho colocado no extremo do eixo em uma das pontas, ou em
ambas, podendo ser confundido com oxeas. Com base nas observações
realizadas, constatamos que esta ocorrência, além de ser rara, é uma forma
jovem de megasclera do tipo estrôngilo que se encontra em desenvolvimen-
to, apresentando ainda seu eixo orgânico e as extremidades abertas.
Confirmamos, conforme já fora observado por PENNEY & RACEK
(1968) e DE ROSA BARBOSA (1980) a presença de uma camada pneu-
mática pouco desenvolvida.
Os característicos específicos acima arrolados são de tal importância
que justificam plenamente a manutenção do status desta espécie, apesar de
só dispormos até o presente, do espécime holótipo.
A espécie em questão relaciona-se com D. brownii no que diz respeito
ao aspecto do seu retículo esqueletal com fibras principais e secundárias,
apesar de que em D. cristata, tais fibras não oferecem uma tão nítida distin-
ção, e no que diz respeito à visível semelhança de suas microscleras que
parecem oferecer um gradiente de variação entre as duas espécies, desde
uma-microsclera bastante espinhada, D. brownii, até as microscieras de D.
cristata que já apresentam um número muito reduzido de espinhos distri-
buídos pela superfície.
Por sua vez, D. cristata apresenta, também, um relacionamento mais
próximo com a espécie D. conifera, caracterizada por uma única série de
megascleras (estrôngilos) e pela ausência da cápsula gemular.
A forma hemisférica do espécime, bem como o fato de estar seu
retículo obstruído por grãos de sílica evidenciam sua proveniência de habitat
junto ao fundo ou margem de rio. É provável que coletas futuras no local
revelem espécimes esféricos.
Drulia conifera Bonetto & Ezcurra de Drago, 1973.
(Fig. 10-13, 24)
Drulia conifera BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1973, p.20; VOLKMER-RIBEIRO, 1981b, p.89.
Material examinado: VENEZUELA. Ciudad Bolivia: Rio Orenoco, fragmento de parátipo
de D. conifeta, MCN 575, VIII. 1975, Azambuja leg., parátipo depositado no MNHN; Rio Orenoco,
fragmento de parátipo de D. conifera, MCN 579, 1881-1885? M. Chaffanjon leg., parátipo depositado
'no MNHN.
1HERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 25
Esponja: formando lâminas incrustantes, de espessura apreciável e
das quais se elevam, a espaços regulares projeções cônico-tubulares robus-
tas. Os fragmentos estudados medem 20mm de altura e 50mm a 60mm de
comprimento, mas a esponja deve constituir, provavelmente, na natureza,
crostas de dimensões maiores. As projeções tubulares podem variar de
tamanho, sendo que as maiores observadas atingem 15mm de altura; são
relativamente numerosas, apresentando-se isoladas ou dispostas em uma
sequência mais ou menos linear. Observa-se, em seus ápices, orifícios os-
culares, em geral circulares ou levemente elípticos, com regular variação do
diâmetro alcançando alguns até 3mm de diâmetro.
Superfície nitidamente reticulada e, muitas vezes, hispida, contrastan-
do com uma superfície quase compacta e lisa nas porções mediana e distal
dos cones. Hispidez resultante da projeção de algumas fibras esqueletais na
superfície da esponja. Pinacoderma muito delgado, conspícuo em algumas
porções da esponja e contendo grande quantidade de microscleras. As
gêmulas ocorrem próximo à porção basal da esponja, são escassas de cor
marrom amarelada. O material seco apresenta-se extremamente duro, porém
quebradiço. As cores deste material variam de cinza claro à marrom escuro.
Esqueleto: constituído por um retículo de malhas uniformes, muito
fechadas, onde não se distinguem fibras axiais e transversais. As fibras são
curtas e grossas, quase destituídas de espongina e unidas a espaços re-
gulares, de modo a delimitarem câmaras poliédricas.
Megascleras: estrôngilos muito robustos, longos e largos, lisos,
discreta ou acentuadamente encurvados; com canal axial bastante largo. Es-
te apresenta, às vezes, expansões terminais. As megascleras jovens são an-
fioxeas.
Medidas: comprimento 484-352 um; largura 97-52 um.
Microscleras: oxeas pequenas, retas ou ligeiramente curvas, com
extremidades gradualmente aguçadas, algumas vezes, abruptamente pon-
tiagudas ou rombas; com superfície microespinhada, embora, na porção
mediana, as escleras apresentem alguns espinhos maiores, esparsos, retos e
com extremidades rombas.
Medidas: comprimento 126-69 um; largura 12-3 um.
Gemoscleras: escleras em forma de escudos planos, com contor-
no geralmente elíptico, raramente circular, com bordos proeminentes, de
retos a ligeiramente encurvados; com uma proeminência central muito leve,
em forma de quilha, de contorno arredondado, raramente, com um espinho
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
26 MOTHES DE MORAES, B.
muito curto e rombo ou proeminência inteiramente inexistente, reduzindo-se,
então, a esclera a um escudo cuja parte exterior mediana é ligeiramente
elevada.
Medidas: diâmetro da rótula 40-25 um.
Gêmulas: apresentando forma de esféricas a ovóides, sem cápsula
gemular, camada pneumática muito fina e granulosa; quantidade regular de
gemoscleras embebida em uma única camada na parede gemular; o tubo
foraminal é curto, discretamente cônico, de bordas retas, revestido, tam-
bém, de gemoscleras.
Comentários: D. conifera distingue-se das demais espécies do
gênero por sua forma típica com pequenos cones em cujos äpices são en-
contrados ósculos; pelo seu retículo esqueletal onde fibras transversais e
axiais não se apresentam distintas, formando-se um retículo com malhas
muito fechadas; pelo tamanho avantajado e forma elíptica desuas gemos-
cleras, com uma discreta saliência em forma de quilha; pela forma bem dis-
tinta de suas microscleras com poucos espinhos maiores de extremidades
rombas.
A forma dos espécimes estudados parece indicar preferência por
habitat em fundos rochosos ou pedregosos.
Conforme menção já feita por BONETTO & EZCURRA DE DRAGO
(1973), a espécie em questão avizinha-sede D. cristata (Weltner, 1895) pela
presença de uma única série de megascleras, tipo estrôngilo. Este relacio-
namento interespecífico é baseado, ainda, na ausência da cápsula gemular e
no fato de apresentarem as duas espécies uma única camada de gemos-
cleras revestindo a gêmula.
Drulia ctenosclera Volkmer-Ribeiro & Mothes de Moraes, 1981.
(Fig. 14-17, 25)
Drulia ctenosclera VOLKMER-RIBEIRO & MOTHES DE MORAES, 1981, p.117.
' Material examinado: BRASIL. Amazonas: Rio Negro (afluente do Rio Amazonas), ho-
lótipo MCN 178 e parätipos MCN 82, 179, X.1965, E.J. Fittkau leg.
Esponja: incrustante, constituída por alinhamentos de minúsculas
projeções mamilares, encimadas, cada uma, por um orifício oscular cons-
pícuo. Cada mamilo comunica-se com os dois que lhe são imediatamente
contíguos por meio de prolongamentos de seu esqueleto, oferecendo ao
conjunto um aspecto semelhante ao de um colar ou rosário. Os alinhamen-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 27,
tos podem apresentar-se retilineos ou meandriformes; algumas vezes, uns
paralelos aos outros; outras vezes, o crescimento produz-se de modo a um
alinhamento atravessar outro ou emaranhar-se com outro. As maiores
projeções mamilares observadas atingem 3mm de diâmetro. Poros dispostos
tipicamente em uma área cribiporal circular em torno dos ósculos.
Gêmulas: microscópicas, escassas, de cor marrom escura, incluídas
na porção interna dos mamilos, perceptíveis somente quando um destes
mamilos é destacado do substrato rochoso e observado ao microscópio es-
tereoscópico através da sua membrana basal rompida; somente os mamilos
maiores contêm gêmulas em número de duas a quatro.
O material seco apresenta textura friável e cor marrom escura.
Esqueleto:tanto dos mamilos quanto de seus prolongamentos la-
terais, integrado externamente por uma única camada de escleras, as quais
se justapõem horizontalmente em forma de mosaico, constituindo uma
superfície bastante lisa. A região interna, imediatamente subsequente a esta,
é formada por um retículo de malhas de início apertadas, mas que, pos-
teriormente, se alargam em direção à porção central do mamilo. A rede é
constituída por fibras uniespiculares que não se contactam pelas extremi-
dades das escleras, mas apóiam-se em suas porções medianas. Dada a dis-
posição particular dos poros e a constituição das malhas do esqueleto, mais
apertadas junto à periferia dos mamilos, supomos que os canais incurrentes
estejam situados junto à porção externa da esponja e que os excurrentes
convirjam para o único canal central. As expansões laterais dos mamilos
são, também, percorridas por canais.
Megascleras: estrôngilos curtos, robustos, lisos, encurvados,
raramente retos.
Medidas: comprimento 251-136 um; largura 37-20 um.
Microscleras: microxeas diminutas, retas ou curvas, com extre-
midades abruptamente aguçadas e cobertas, em quase toda a sua extensão, por
espinhos cônicos, retos, com extremidades lanceoladas, uniformemente dis-
tribuídos e que deixam livres, apenas, as extremidades da microsclera, nestas é
observadas uma microespinhadura; os espinhos da porção mediana da esclera
são ligeiramente maiores.
Medidas: comprimento 64-47 um; largura 4-2 um.
G emoscleras: escleras em forma de minúsculos escudos com con-
torno circular, bordos baixos, geralmente encurvados em direção a proe-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
28 MOTHES DE MORAES, B.
minência central em forma de espinho cônico, robusto e alto, em geral
gradualmente aguçado, tendo sua porção apical revestida com microespi-
nhadura.
Medida: diâmetro da rötula 17-14 um.
Gêmulas: microscópicas, esféricas, algumas vezes ovóides, sem
cápsula gemular, camada pneumática muito fina e granulosa; uma só ca-
mada de gemoscleras na parede gemular; as gemoscleras estão dispostas de
tal modo que as rótulas apenas se tocam pelas extremidades de suas bor-
das, ocorrendo, raramente, superposição das rótulas; número de gemos-
cleras reduzido; tubo foraminal reto e relativamente longo; algumas poucas
microscleras aparecem implantadas na parede gemular.
Comentários: a espécie descrita apresenta características notavel-
mente distintivas das demais até agora conhecidas. Dentre as peculiaridades
mais evidentes, destacamos o aspecto de microsclera, a qual apresenta, em
sua superfície, uma distribuição generalizada de espinhos. A gemosclera é
portadora de um espinho que, comparado ao das demais espécies, é des-
proporcionalmente alto. Por outro lado, as gemoscleras, nessa espécie, im-
plantam-se na parede gemular de modo mais esparso do que o observado
nas demais espécies, suas rótulas raramente se superpõem, apesar de se
tocarem pelas bordas. Os espécimes estudados aparecem incrustados sobre
pedras mais ou menos volumosas que foram coletadas nas margens do rio.
No presente trabalho, não é apresentado como caráter distintivo da
espécie sua forma externa, dado ao fato de a amostragem ter sido limitada
a somente um número reduzido de espécimes e, portanto, a aparência
poderia indicar ou espécimes jovens ou a variação ecomórfica resultante de
ocorrência em habitat adverso.
A espécie avizinha-se de D. conifera pela presença de uma única série
de megascleras e pela ausência de fibras axiais e transversais. Por outro
lado, assemelha-se a D. cristata e D. conifera, uma vez que apresenta, tam-
bém, número reduzido, de gêmulas, megascleras do tipo estrôngilo, ausên-
cia de cápsula gemular e, ainda, uma única camada de gemoscleras na
parede gemular.
CONCLUSÃO
O estudo realizado levou à observação de características específicas de
significação e amplitude muito distinta das que haviam sido inferidas até
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 29
PENNEY & RACEK (1968), bem como à distinção atual de quatro espécies
no gênero em questão. Tais espécies apresentam aspectos notavelmente
marcantes no que diz respeito ao tamanho e à forma das gemoscleras; à
presença ou ausência da cápsula gemular; ao tipo das microscleras e ao
retículo esqueletal.
De acordo com PENNEY & RACEK (1968), as espécies D. brownii; D.
geayi; D batesii; D. rusby e D. brownii var. tuberculata estariam muito
próximas, guardando apenas, diferenças no que diz respeito às caracteris-
ticas gemulares.
Ao compararem-se os tipos e parätipos de D. brownii, D. batesiie D.
geayi, bem como, um número considerável de exemplares provenientes de
uma ampla área geográfica, observou-se que característicos evidenciados até
então como de importância não apresentaram, na série estudada diferenças
tão marcantes que pudessem manter o status específico dessas espécies.
Sugerimos a supressão do termo parmuliforme da definição da gemos-
clera do gênero Drulia e permanência do termo escuteliforme, usado na
definição original de BOWERBANK (1863), uma vez que parmuliforme, ter-
mo introduzido por PENNEY & RACEK (1968), lembra o gênero colocado
em sinonímia.
Com base no material estudado, o gênero Drulia contêm atualmente
dois grupos de espécies:
a) D. conifera, constituindo um grupo à parte com gemoscleras
apresentando um escudo grande destituído de espinho ou eixo
proeminente.
b) D. brownii, D. cristata e D. ctenosclera, com gemoscleras providas
de um espinho ou eixo proeminente.
PENNEY & RACEK (1968) ao realizarem seu estudo, utilizaram material
proveniente de escassos pontos de coleta, assim sendo não tiveram a opor-
tunidade de abordar o aspecto de distribuição geográfica deste gênero. A
coleção no presente estudo inclui espécimes provenientes do Rio Orenoco,
da bacia hidrográfica do Amazonas-Solimões, do Rio Beni e do Rio Paraguai
da região do Pantanal Mato-Graossense, da bacia inferior do Rio Paraná e
do curso inferior do Rio Uruguai. As evidências, no presente, disponíveis in-
dicam uma aispersão do gênero ao longo das grandes bacias interiores da
América do Sul.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
30 MOTHES DE MORAES, B.
AGRADECIMENTOS
Expressamos nosso especial reconhecimento à Dra. Cecília Volkmer Ribeiro pela orientação pres-
tada durante a execução do trabalho, que constituiu nossa Dissertação de Mestrado.
Manifestamos gratidão ao Prof. Dr. José C. de Mello Carvalho do Museu Nacional do Rio de
Janeiro, Prof. Dr. Ernst Josef Fittkau do Museu de Zoologia de Múnchen, Alemanha, aos zoólogos
Renato P. Leal do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, Flávio Silva do Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e Sheila M. Pauls mestranda na Universidad
del Oriente, Cumaná, Venezuela, pelos inúmeros espécimes coletados.
Registramos a obsequiosa atenção da Dra. Inés D. Ezcurra De Drago do Instituto Nacional de
Limnologia e de Miss Shirley M. Stone do Setor de Porifera e Polychaeta do British Museum por
remeterem o material tino solicitado.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
32 MOTHES DE MORAES, B.
————
| 50,4m
Fig. 1-6. Drulia brownii (Bowerbank, 1863). Tipos de escleras: 1. série de megascleras alfa; 2
série de megascleras beta; 3. série de microscleras; 4. série de gemoscleras; 5. conjunto de megas-
cleras alfa, megascleras beta, microsclera e gemosclera no mesmo aumento.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 33
504m
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Fig. 6-9. Drulia cristata (Weltner, 1895). Tipos de escleras: 6. série de megascleras; 7. série de micros-
cleras; 8. série de gemoscleras; 9. conjunto de megascleras, microscleras e gemoscleras no mesmo aumen-
to.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
34 MOTHES DE MORAES, B.
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Fig. 10-13. Drulia conifera Boneto & Ezcurra De Drago, 1973. Tipos de escleras: 10. serie de
megascleras, 11. serie de microscleras; 12. série de gemoscleras; 13. conjunto de megascleras, mi-
croscleras e gemoscleras no mesmo aumento.
50Am
FIG.10-13
IHERINGIA. Sgr. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Revisão do gênero Drulia... 35
50,4m
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Fig. 14-17. Drulia ctenosclera Volkmer-Ribeiro & Mothes de Moraes, 1981. Tipos de escleras: 14.
serie de megascleras; 15. serie de microscleras; 16. serie de gemoscleras; 17. conjunto de megasclera,
microscleras e gemoscleras no memo aumento.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
36 MOTHES DE MORAES, B.
24
Fig. 18-25. 18-21. Drulia brownii (Bowerbank, 1863). 18. MCN 268, vista geral; 19. vista parcial,
em ıque se evidencia o adensamento e robustez das fibras esqueletais e grande número de gêmulas
distribuídas logo abaixo da superfície da esponja; 20. MCN 503, vista geral, em que se evidencia um
dos extremos de fragilidade de constituição das fibras esqueletais; 21. MCN 44, vista geral, observan-
do-se a estrutura radial das fibras principais e secundárias do esqueleto; 22-23. D. cristata (Weltner,
1895). Holótipo. 22. MCN 550, vista basal; 23. vista dorsal; 24.D. conifera Bonetto & Ezcurra De
Drago, 1973. Parátipo MCN 579, vista geral evidenciando-se em alguns lugares a estrutura reticular da
esponja; 25. D. ctenosclera Volkmer-Ribeiro & Mothes de Moraes, 1981. Holótipo MCN 178, vista
geral, observando-se er cada mamilo o orifício oscular.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):13-36, 24 mar. 1983
Descrição e biologia de uma nova espécie de Hy/a Laurenti,
1768 (Amphibia, Anura, Hylidae)*
Adão J. Cardoso**
RESUMO
Uma nova espécie de Hylidae, Kyle ibitiguara, é descrita de sul do Estado de Minas Gerais,
Brasil. A espécie em questão foi encontrada em área montanhosa e é semelhante a Hyla martinsi
Bokerman, 1964, Hyla saxicola Bokerman, 1964 e Hyla nanuzae Bokerman & Sazima, 1973. São re-
feridas também, observações sobre a biologia
ABSTRACT
A new species of Hylidae, Hyla ibitiguara is described from montains in the south of Minas Gerais
State, southeastern Brazil. This new species resembles Hyla martinsi Bokermann, 1967, Hyla saxicola
Bokermann, 1964 and Hyla nanuze Bokermann & Sazina, 1973. Obsaervations on the biology of the
new species are also refered.
INTRODUÇÃO
O grupo de espécies do gênero Ayla com características semelhantes
às de Hyla circumdata (Cope, 1871) tem sido tratado de maneira bem diver-
sa. Assim, MIRANDA-RIBEIRO (1926) considerou H. circumdata como
variedade de Hyla faber Wied, 1824 e COCHRAN (1955) a considerou como
sinônimo de Hyla crepitans Wied, 1824. No entanto, diversas espécies deste
grupo, procedentes de localidades não muito distantes, foram descritas nas
duas últimas décadas, com base principalmente em características morfo-
lógicas.
No presente trabalho é descrita uma nova espécie do grupo circum-
data, Hyla ibitiguara encontrada inicialmente na serra do Juca Leandro,
designação local do segmento meridional da Serra da Canastra, ao lado da
* Aceito para publicação em 19.V.1982.
** Departamento de Zoologia, Universidade Estadual de Campinas, Caixa Postal 6109, 13100 Cam-
pinas, Estado de São Paulo.
-IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):37-45, 24 mar. 1983
38 CARDOSO, A. J.
represa de Furnas, Estado de Minas Gerais, Brasil. O nome aplicado à es-
pécie em questão é de origem Tupi (ibitiguara, ibitiriguara = ybytyriguara) e
significa morador da serra.
MATERIAL E MÉTODOS
Além da série-tipo de H. ibitiguara, foram examinados exemoplares de Hyla martinsi Bokermann,
1964 (Coleção Werner C. A. Bokermann, São Paulo, Brasil, 14758), Hyla manuaze Bokermann &
Sazima, 1973 (Departamento de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brasil —
ZUEC — 2555) e de Hyla saxicola Bokermann, 1924 (ZUEC 2088 e 3045).
Os exemplares adultos de H. ibitiguara foram coletados à noite, quando emitiam vocalizações.
As larvas foram coletadas em covos, contendo pedaços de presunto e de carne de peixe como iscas.
As medidas das larvas e dos adultos foram feitas com paquímetro e dos ovos com ocular mi-
crométrica. As medidas são expressas em milímetros.
As vocalizações foram registradas em aparelho UHER 4000 IC e analisadas em sonógrafo KAY
6061 A, com filtro wide.
As abreviaturas usadas para identificação das coleções referidas são: JJ — Coleção Jorge Jim,
depositada no Departamento de Zoologia do Instituto Básico de Biologia Médica e Agrícola
(1.B.B.M.A.) da Universidade Estadual Paulista, Campus de Botucatu, São Paulo, Brasil; MN —
Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; WCAB — Coleção
Werner C. A. Bokermann, São Paulo, Brasil; ZUEC — Departamento de Zoologia da Universidade Es-
tadual de Campinas, São Paulo, Brasil.
Hyla ibitiguara Sp.n.
(Fig. 1-8)
Material tipo: holótipo 3 MN 4152, Fazenda Salto (20º40'S,
46º16'W; aproximadamente 900m de altitude) Alpinópolis, Minas Gerais,
Brasil, 02.1V.1980, A.J. Cardoso, G.V. Andrade e C.F. Haddad leg.; pa-
rátipos 4 é ZUEC 4207-10 e 1 9ZUEC 4211, 14.X.1980, A.J. Cardoso, C.F.B.
Haddad, G.V. Andrade e C. Sandoval leg.; 1 ? MN 4153 14.X.1980, A.J.
Cardoso, C.F.B. Haddad e G.V. Andrade leg.; 2 5 WCAB 48003-4,
17.X11.1978, A.J. Cardoso e J. Vieira leg.; 13 JJ 6023, 05.11.1979; A.J. Car-
doso leg. Todos os parátipos procedem do mesmo local que o holótipo.
Diagnose: Espécie de porte médio (8 42mm), com aparência de H
saxicola; constituição robusta; prépolex simples, desenvolvido e crista hu-
meral desenvolvida; vocalização constituída por cerca de quatro a seis notas
primárias, seguidas de cerca de 10'notas secundárias, mais curtas.
Descrição do holótipo: Porte médio e aspecto robusto (Fig.
cabeça larga (14,8) e curta (14,2), com largura cabendo pouco menos de
três vezes no comprimento total (42,0); focinho em vista dorsal (Fig. 2)
arredondado, com narinas salientes e levemente voltadas para trás; em vista
lateral (Fig. 3) arredondado; loros côncavos, com canto rostral pouco salien-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):37-45, 24 mar. 1983
Descrição e biologia de uma... So
te; olhos laterais, em ângulo levemente inclinado para frente, pouco salien-
tes e com o seu maior diâmetro (4,7) comparável ao espaço interocular
(4,9); timpano distinto, circular, com diâmetro (2,8) quase a metade dos
diâmetro ocular; prega timpânica acentuada; saco vocal em posição guiar,
simples, pouco desenvolvido. Dentes vomerianos dispostos em duas séries
entre as coanas, formando ângulo obtuso. Língua de tamanho mediano,
livre nas bordas laterais e posteriores.
Membros anteriores (Fig. 4) curtos e robustos, com antebraços espes-
sados; projeção humeral desenvolvida, na parte anterior da extremidade
basal; margem posterior do húmero com crista na extremidade distal; dedos
largos, com vestígio de fimbria e discos menores que o timpano. Calos sub-
articulares desenvolvidos. Prépolex bem desenvolvido, com extremidade ós-
sea única.
Membros posteriores (Fig. 5) esbeltos, com tíbia e fêmur de tamanho
semelhante (21,0); membranas interdigitais pouco desenvolvidas, atingindo
metade do comprimento dos dedos; discos pouco menores que os dos
dedos; falos sub-articulares bem desenvolvidos; calosidade carpal acentuada,
pouco alongada, na base do 1º artelho. Articulação tíbio-tarsal com prega
cutânea discreta.
Pele lisa no dorso e granulosa no ventre, com excessão da região
gular, que também é lisa. O colorido ventral é cinza-claro, com a região
gular um pouco amarelada e de bordas escurecidas; dorso cinza-escuro,
com algumas manchas escuras de forma e tamanho irregulares; pontuações
escuras e irregularmente distribuídas; fêmur e pés com barras castanho-
escuras; flancos com manchas retículadas castanho-escuras.
Quando vivo, o holótipo tinha o dorso castanho, com manchas irre-
gulares mais escuras. Membros anteriores castanho-claros, com tons
amarelados; ante-braço com diversas pontuações brancas e manchas reti-
culadas escuras; braços com três barras estreitas, violeta-escuras; partes
ocultas, violeta-pálidas. Membros posteriores castanho-claros, com faixa
longitudinal amarelada na coxa e na tíbia; pés e tíbias com pontuações bran-
cas; partes ocultas violeta-pálidas, com sete barras escuras. Flancos com
tons amarelados, que se acentuam nas proximidades do membros poste-
riores. Íris amarela.
Variação intraespecífica: as principais diferenças individuais
encontradas na série-tipo referem ao tamanho(Tabela),ao colorido dorsal,que
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):37-45, 24 mar. 1983
40 CARDOSO, A. J.
varia de castanho-escuro e ao número de barras das coxas, que variam de
sete a nove. Alguns exemplares apresentam, no dorso, manchas brancas
com formas diversas. As fêmeas são de tamanho semelhante ao dos ma-
chos, não apresentam engrossamento do ante-braço, nem tons amarelos na
região gular; seu prépolex é menor que o dos machos.
Discussão taxonômica: a nova visão sistemática que se tem
verificado no grupo circumdata é decorrente, em parte, do maior número de
pessoas que atualmente se dedicam ao estudo de anuros no sudeste bra-
sileiro, com consequente intensificação do conhecimento destes animais no
seu habitat. De fato, o reconhecimento de diversas espécies só foi possível
após observação de seus hábitos, vocalizações e coloração em vida. O
conhecimento das vocalizações, com as características na discriminação en-
tre os indivíduos de uma mesma espécie, neste grupo, torna-se de grande
valia para estabelecer as relações entre as diferentes espécies.
H. ibitiguara tem semelhança superficial a H. martinsi e H. saxicola. A
nova espécie distingue-se de H. martinsi pelo menor tamanho, focinho mais
curto e olhos menos salientes e forma do prépolex: de H. saxicola pelo
maior espessamento do ante-braço, presença de prépolex bem desenvolvido,
patas posteriores mais curtas e robustas, focinho mais curto e timpano
maior, além da ausência de região glandular inguinal que ocorre nos machos
de H. ibitiguara. Comparada também a H. nanuzae, desta se distingue nelo
porte mais robusto, colorido da região inguinal, ante-braço mais espessado e
pelo canto nupcial.
Descrição da desova e da larva: um casal coletado em
amplexofoi mantido no interior de um saco plástico contendo água, onde a
fêmea desovou. À desova era formada por 386 ovos, com cerca de 2mm de
diâmetro, envoltos em cápsula gelatinosa de 5,bmm. Os ovos possuíam dois
polos nitidamente diferenciados, sendo o polo animal (escuro) pouco menor
que o vegetativo (claro). Na desova havia, também, 12 cápsulas pequenas,
com cerca de 2,bmm, que não continham ovos.
Um girino no estágio 35 (Fig. 6) tem 62mm de comprimento, com a
cauda ocupando cerca de dois terços deste total. Visto de cima, seu corpo é
ovalado, com largura máxima de 15,/mm; de perfil é alongado, com altura
de 13mm. A cauda tem altura máxima de 15mm e ponta afilada. O espiráculo
está localizado na região mediana do corpo. Os olhos são dorso-laterais,
com diâmetro pouco maior que a metade da distância interocular, de bmm.
A íris é amarela. A boca, de tamanho mediano, ocupa posição ventral, com
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):37-45, 24 mar. 1983
Descrição e biologia de uma... 41
lábios bem desenvolvidos. O lábio superior é marginado por uma única série
de papilas (Fig. 7) interrompidas na região mediana. O lábio inferior total-
mente marginado por esta série de papilas, apresenta amplas franjas dér-
micas laterais e um pequeno entalhe em V, na região mediana. No lábio
superior há duas fileiras de dentes, sendo a externa contínua e a interna in-
terrompida. No lábio inferior há quatro fileiras, a interna é interrompida e as
demais contínuas; a fileira externa bem menor, está localizada entre as fran-
ias dérmicas laterais. As peças do bico córneo são finamente denteadas.
O colorido do dorso é castanho-escuro, uniforme; no ventre, é cas-
tanho-escuro, com tons metálicos, prateados. A cauda apresenta-se casta-
nho-escura com pigmentação mais acentuada na membrana superior e a
porção muscular próxima ao corpo, com manchas castanho-claras alon-
gadas.
A coloração dos girinos muda no decorrer do seu desenvolvimento:
nos estágios iniciais são totalmente escuros, tornando-se mais claros a partir
do estágio 37 ou 38, quando então, as patas posteriores já estão bem de-
senvolvidas e com colorido cinza-prateado, contrastante com o escuro do
corpo e da cauda.
Os jovens recém metamorfoseados medem cerca de 23mm. Seu dorso
é cinza-claro, com tons prateados e pontuações escuras dispersas irregular-
mente nos lados; face dorsal dos membros e dedos com pontuações es-
curas; fêmur com tons amarelos. Ventre cinza-claro, com a região gular
clara e algumas pontuações escuras acompanhando os limites da mandíbula.
Face ventral dos membros clara, translúcida nos membros anteriores e tam-
bém nas tíbias e pés.
Habitat: adultos de H. ibitiguara foram encontrados em ambientes
rupestres, onde os machos coaxavam sobre pedras ou árvores, próximos a
pequenas quedas de água, principalmente nas cabeceiras de riachos pe-
renes. Em uma única oportunidade, por ocasião de chuva fina, um macho
desta espécie foi ouvido no interior de uma bromélia. Na localidade-tipo e no
Parque Nacional Serra da Canastra, onde esta espécie também ocorre, o
período de vocalizações é de setembro a maio.
Os girinos são encontrados nas poças maiores formados no leito de
riachos pedregosos, principalmente próximos às cabeceiras e onde há pe-
quenas quedas de água. Durante os meses de outubro e novembro foram
encontrados somente girinos recém eclodidos ou próximo de completarem a
metamorfose; nos meses de março a abril foram encontrados somente gi-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):37-45, 24 mar. 1983
42 CARDOSO, A. J.
rinos grandes porém pouco desenvolvidos (estágio 25). Estes dados, aliados
ao fato dos girinos se desenvolverem em riachos perenes e de água fria,
sugerem que as desovas de H. ibitiguara ocorram no início da estação
chuvosa e que o desenvolvimento dos girinos até a metamorfose demore
cerca de dez meses.
Vocalizações: a vocalização de H. ibitiguara (Fig. 8) é constituída
por uma série de quatro a seis notas longas contendo de 15 a 18 pulsos
cada uma, as quais são seguidas por cerca de 10 notas curtas, formados por
cinco ou seis pulsos. O espaçamento entre as notas longas é regular, em
torno de 0,15s, podendo haver, entremeadas, notas de apenas dois ou três
pulsos. Os pulsos de todas as notas são semelhantes, sem modulação e se
distribuem de 1,1 a 2,0kHz. A frequência com maior intensidade está entre
1,5 e 2,3kHz nas notas longas e entre 1,8 e 2,5kHz nas notas curtas. O can-
to de diversos machos desta espécie, no mesmo local, lembra o cacarejar de
galinhas, quando ouvido a certa distância. Quando dois machos cantam
muito próximos entre si, comumente um deles emite apenas as notas longas
enquanto o outro emite somente as notas curtas, de forma mais espaçada.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Ivan Sazima pela leitura do manuscrito, sugestões e pela fotografia; ao Dr. Jorge Jim
pela leitura do manuscrito e sugestões; a Werner C.A. Bokermann pelas sugestões e empréstimo do
material; ao Dr. Jacques Vielliard pela confecção do sonograma e sugestões; a Márcio R. Martins
pelas ilustrações; a Célio F.B. Haddad e Gilda V. Andrade pela participação em atividades no campo.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):37-45, 24 mar. 1983
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Fig. 1-7: Hyla ibitiguara sp. n.: 1. Parátipo ZUEC 4208, macho adulto de Alpinópolis, Minas
Gerais, comprimento total 40,7/mm; 2-5. Parátipo ZUEC 4209. 2-3. Cabeça em vista dorsal e de perfil;
4-5. Mão e pé em vista ventral; 6-7. Girino, perfil do corpo e detalhe da boca.
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Descrição e biologia de uma... 45
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Fig. 8: Sonograma de vocalizagäo de Hyla ibitiguara,sp. n., ZUEC 4207, Alpinöpolis, Minas
Gerais, 14.X.1980, 20h, temperatura do ar 21°C e da água 18°C. As marcas na escala de temperatura
indicam 0,1s.
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Importância dos anelideos poliquetos no regime alimentar de
Etropus longimanus Norman, 1933 e Symphurus jenynsi Ever-
mann Kendall, 1907 (Pisces, Pleuronectiformes). *
E. Kawakami**
A.C.Z. Amaral***
RESUMO
Os exemplares de Ftropus longimanus Norman, 1933 e Symphurus jenynsi Evermann Kendall,
1097 utilizados neste estudo foram capturados na plataforma continental entre Torres, Rio Grande do
Sul, Brasil (29º21'S) e Maldonado, Uruguai (34º54'S) nos períodos correspondentes ao inverno e
primavera de 1972.
No inverno £. /ongimanus alimentou-se basicamente dos poliquetos Onuphis sp. e Paraprionos-
pio pinnata Ehlers, 1901 e na primavera de Anaitides tamoya Nonato, 1982. Onuphis nebulosa Moore,
1911 foi a espécie predominante no conteúdo estomacal de S. jenynsi, nas duas estações conside-
radas. Os resultados mostram existir uma relação entre a ocorrência mais frequente das espécies de
peixes estudadas em determinados tipos de fundo e a ocorrência de poliquetos, que constituem a
base do seu regime alimentar.
ABSTRACT
Two species of flat-fish, Etropus /ongimanus Norman, 1933 and Symphurus jenynsi Evermann
Kendall, 1907 were collected by otter-trawl and beam-trawl on the continental shelf from Torres, Rio
Grande do Sul State, Brazil (29º21'S) to Maldonado, Uruguay (34º54'S) in the winter-spring of 1972.
The stomach contents were analysed considering frequency and percentual volume for each animal.
Results show that the two species feed mainly on polychaetous annelids. In the winter, 86,2%
of the food ingested by E. /ongimanus consisted of Polychaeta, Onuphis sp. and Paraprionospio pin-
nata Ehlers, 1901 being the most frequent. In spring the annelids contributed with 66,2% of total
volume and a Phyllodocid, Anaitides tamoya Nonato, 1982 was the predominant species. Onuphis
nebulosa Moore, 1911 is an important food item for S. jenynsi, a few other species representing
66,0% the content of adult's digestive tract.
Both species fish seem to prefer bottoms where their principal source of food, the Polychaeta,
are usally found.
* Aceito para publicação em 30.V1.1982. Trabalho realizado com o auxílio da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
** Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB)
*** Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Zoologia, Caixa Postal 6109, 13100 Cam-
pinas, SP.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
48 KAWAKAMI, E. & AMARAL, A.C.Z.
INTRODUÇÃO
O estudo do regime alimentar dos peixes é de grande importância,
existindo uma relação bastante estreita entre a quantidade, qualidade e dis-
ponibilidade de alimento, distribuição e abundância.
Estudos realizados por KAWAKAMI (1975) revelam que os Pleuronec-
tiformas alimentam-se das comunidades bentônicas, apresentando variações
ontogenéricas e sazonais em seu regime alimentar. Como os poliquetos con-
stituem um dos organismos mais abundantes no bentos e um relevante item
alimentar para um grande número de organismos demersais, julgou-se im-
portante realizar um levantamento das espécies que ocorremm no conteúdo
estomacal dos Pleuronectiformes £tropus /ongimanus Norman, 1933 e Sym-
phurus jenynsi Evvermann Kendall, 1907 da Região Sul do Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
Os exemplares de E. /ongimanus e S. jenynsi utilizados neste estudo foram capturados ao longo
da plataforma continental, entre Torres (29º21'S), Rio Grande do Sul, Brasil, e Maldonado (34º54'S
Uruguai, em períodos correspondentes ao inverno (03-28/VIIl) e primavera (27-X/03-XI) de 1972.
As coletas foram realizadas utilizando-se redes de arrasto de porta (otter-trawl) e redes de arras-
tão de vêrga (beam-trawl) cujas especificações estão descritas em IWAI (1973).
O material foi fixado imediamente após a captura, com formol neutro a 10%, injetado na ca-
vidade visceral e conservado em sacos plásticos com o mesmo fixador. No laboratório os tratos diges-
tivos foram retirados e preservados em álcool 70%.
Na análise estomacal considerou-se separadamente jovens e adultos de cada espécie, a fim de
observar possíveis variações da dieta com o desenvolvimento. O critério adotado para distinguir os
dois grupos foi o do comprimento total: £. /ongimanus — jovens, com menos de 80mm; adultos, com
80mm ou mais; S. jenynsi — jovens, com menos de 200mm; adultos com 200mm ou mais.
O volume do conteúdo estomacal foi avaliado pelo método volumétrico (KAWAKAMI, 1975).
Devido a importância dos poliquetos foram identificadas as espécies, sempre que possível. Procurou-
se relacionar, também, a variedade de poliquetos encontrados com o tipo de fundo predominante na
região da captura.
RESULTADOS
A análise do conteúdo estomacal de 63 exemplares de £. /ongimanus
capturados no inverno, e de 109 capturados na primavera, revelou que os
poliquetos predominam no regime alimentar dos adultos, contribuindo res-
pectivamente, com 86,2% e 66,2% do volume total dos organismos presen-
tes e identificáveis (Fig. 1).
A figura 2 representa os volumes percentuais dos Ítens alimentares
para Os jovens e adultos de S. jenynsi. Para os 87 exemplares desta espécie
capturados no inverno e os 95 capturados na primavera, os poliquetos cons-
titufram o principal item do regime alimentar dos adultos, perfazendo, res-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
Importância dos anelídeos... 49
pectivamente 52,9% e 66,0%. Em relação aos jovens, ocorre praticamente o
mesmo, nos quais os poliquetos representam 40% do total no inverno e
51,3% na primavera. Constatou-se que o consumo de poliquetos é dire-
tamente proporcional ao desenvolvimento. Os peixes adultos consomem
proporcionalmente maior volume de poliquetos que os jovens. S. jenynsi ex-
plorou maior número de ítens alimentares na primavera, mostrando alte-
rações no regime alimentar com o desenvolvimento e com o período con-
siderado. Provavelmente, essa variação é devida à própria disponibilidade
dos diferentes itens alimentares no local e período do ano. Tem sido obser-
vado que o tipo de fundo pode influir na ocorrência de determinadas es-
pécies de poliquetos (NEWELL, 1970).
A análise sistemática dosanelideos poliquetos encontrados no estô-
mago de £. /ongimanus e S. jenynsi revelou uma diversidade de espécies
(Tabelas | e Il), mais evidente em £. /ongimanus. Na primavera, os poli-
quetos mais frequentes foram Anaitides tamoya Nonato, 1982, Notomastus
lineatus Cloparede, 18/0, Paraprionospio pinnata Ehlers, 1901 e Onuphis
eremita Aud. & Milne Edw, 1833. No inverno, as espécies consumidas foram
apenas Onuphis sp. e P. pinnata.
Os jovens e adultos de S. jenynsi, nos dois períodos considerados,
consumiram predominantemente Onuphis nebulosa Moore, 1911. Tal fato
pode ser explicado pelos hábitos gregários desse poliqueto, cujos tubos,
segundo HARTMANN (1944), formam extensos bancos em certos locais.
S. jenynsi é uma espécie de águas pouco profundas e concentra-se
preferencialmente na faixa de 20-25m de profundidade sobre fundos de areia
lodosa (KAWAKAMI, 1975), substrato propício à ocorrência de um grande
número de poliquetos. £. /ongimanus ocorreu em fundos de areia fina.
Esses resultados parecem mostrar uma relação entre a ocorrência mais
frequente de S. jenynsi e E. longimanus sobre certos tipos de fundo , e a
presença de determinadas espécies de poliquetos que se constituem a base
do seu regime alimentar.
AGRADECIMENTOS
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo pelas bolsas concedidas (Proc. Biol.
73/359 e Proc. Biol. 73/357).
Ao Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, através do Convênio como o grupc
Executivo de Desenvolvimento Industrial da Pesca do Rio Grande do Sul (GEDIP-PRGS), pelo material
cedido e demais facilidades.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
50 KAWAKAMI, E. & AMARAL, A.C.Z.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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geles, 10(1):1-238; 18est.
IWAI, M. 1973. Pesquisa e estudo biológico dos camaräes de valor comercial. Publicação Especial do
Instituto Oceanográfico, São Paulo (3,pt.1):501-34.
KAWAKAMI, E. 1975. Alimentação de Pleuronectiformes (Análise comparativa e Bionomia). Disser-
tação (Mestrado Oceanografia Biológica) Instituto Oceanogáfico, USP. São Paulo. Não pu-
blicado
'NEWELL, R.C. 1970 Biology of intertidal animals. London, Logos Press. 555p.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
51
Importância dos anelídeos...
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
KAWAKAMI, E. & AMARAL, A.C.Z.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
Importância dos anelídeos... 53
Jovens inverno Adultos inverno
Polychaeta
5
Gammaridae
Cumacea
Mysidacea
Brachyura
Adultos primavera M isopoda
Ascidiacea
N Outros
Fig. 1: Volume porcentual dos Itens alimentares para peixes jovens e adultos de Etropus /ongi-
manus Norman, 1933, capturados no inverno e primavera de 1972, ao longo da plataforma continen-
tal, entre Torres (29º21'2), Rio Grande do Sul, Brasil e Maldonado (34º54'S), Uruguai.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
54 KAWAKAMI, E. & AMARAL, A.C.Z.
Jovens inverno Jovens primavera
Adultos inverno Adultos primavera
Fig. 2: Volume porcentual dos itens alimentares para peixes jovens e adultos de Symphurus je-
nynsi Evermann Kendall, 1097, no inverno e primavera de 1972 ao longo da plataforma continental,
entre Torres (29º21'S), Rio Grande do Sul e Maldonado (34º54'S), Uruguai.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):47-54, 24 mar. 1983
Alimentaciön de aves en el valle aluvial del rio Paraná. IV -
Agelaius cyanopus cyanopus Vieillot, 1819 (Passeriformes, Ic-
teridae). *
Adoifo Héctor Beltzer**
Graciela Paporello***
RESUMEN
El objeto de este trabajo es determinar el espectro trófico de Agelaius cyanopus cyanopus
Vieillot, 1819 y sus fluctuaciones a través de un ciclo anual, en ambientes leníticos y lóticos del tramo
medio del rfo Paraná, Argentina.
Si bien se trata de una especie común en el área estudiada, no existen antecedentes referidos a
su alimentación.
Los resuldatos sefialan una dieta omnivora integrada por semillas, insectos, peces, crustáceos de-
cápodos y moluscos, con una variación en la composición específica del espectro trófico a lo largo del ano
en dos períodos; verano-otofio e invierno-primavera.
RESUMO
Determina-se o espectro trófico de Agelaius cyanopus cyanopus Viellot, 1819 e suas flutuações
ao longo de um ciclo anual, em ambientes lênticos e lóticos do curso médio do rio Paraná, Argentina.
Os resultados mostram que 4.c. cyanopus tem uma dieta onívora constituída por sementes,
mosluscos, crustáceos decapodes, insetos e peixes; com uma variação na composição específica do
espectro trófico ao longo do ano, evidenciando dois períodos: verão-outono e inverno-primavera.
INTRODUCCION
El objeto de este trabajo es determinar el espectro trófico de Agelaius
cyanopus cyanopus Vieillot, 1819 (tordo negro de laguna) y sus fluctuaciones
através de un ciclo anual, en ambientes leniticos y lóticos del tramo medio del rio
Paraná, Argentina.
* Aceptado para publicación en 27.VIIl. 1982.
** Becario del Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas y Técnicas de la Republica Argentina
(CONICET). Instituto Nacional de Limnologia (INALI). Jose Maciá 1933. 3016 Santo Tomé (Santa
Fe, Argentina).
*** Técnico Asociado del CONICET. (INALI).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):55-60, 24 mar. 1983
56 BELTZER, A.H. & PAPORELLO, G.
Si bien se trata de una especie común en el área estudiada, no existen
antecedentes referidos a su alimentación.
Se efectúa asimismo un estudio comparado de lo explotado por el ave
y los organismos susceptibles de ser depredados (fauna del pieuston).
MATERIAL Y METODOS
Se obtuvieron 49 ejemplares capturados en horas del día con arma de fuego (setiembre
1979 — julio 1981), en ambientes leníticos y lóticos de las islas Carabajal, Berduc, Sirgadero (31º41'S y
60º42'0) y Zona Chapetón (31º35'S y 60º18'0), Argentina.
Los estómagos se estudiaron individualmente, se tomó volumen y peso del contenido y se efec-
tuo la cuantificatión e identificación de sus organismos.
Las observaciones realizadas sobre la conducta trófica de esta especie y los resultados de los
análisis de los contenidos estomacales a lo largo de las cuatro estaciones, permitieron agruparlos en 2
períodos: verano-otofio e invierno-primavera, habiendose determinado para cada uno de ellos la mues-
tra mínima (Fig. 1).
Con la finalidad de determinar la contribución de cada categoría de alimento a la dieta del ave,
se aplicó el Índide de importancia relativa (IRI) (PINKAS et alii, 1971), IRI = FO (N+V), donde N es el
porcentaje numérico de una categoría de alimento;V su porcentaje volumétrico y FO su porcentaje de
frecuencia de ocurrencia. Para el cálculo de este Índice, los contenidos estomacales de cada uno de
los 2 períodos establecidos, fueron tratados como una muestra única.
Simultäneamente se tomaron muestras de la comunidad pleustónica del lugar de captura del
ave, a los efectos de compararlas con las ingestas y se cuantificaron sus grados de similitud utilizando
el fndice de JACCARD, 1932 (%J).
Las muestras de pleuston se obtuvieron mediante un muestreador en forma de enbudo de chapa
galvanizada de 30 cm de diámetro superior y 17 cm inferior, con un reborde para sujetar una bolsa de
polietileno. El filtrado se efectuó con un tamiz de 500 micrones de abertura de malla, procediêndose al
análisis cuali y cuantitativo de cada una de las muestras.
Se estimó el coeficiente intestinal RI (relación entre el conducto gastrointestinal y la longitud de!
ave).
Se refiere el material no identificado con la abreviatura n.i..
RESULTADOS
Todos los estömagos analizados contuvieron alimento. El espectro
trófico correspondiente al período verano-otoAo (muestra mínima 6 estó-
magos) estuvo integrado por 5 taxa, correspondientes a semillas, insectos y
moluscos. Las semillas constituyeron el alimento dominante durante este
período tanto en número como en volumen y ocurrencia, correspondientes a
Paspalum sp; Echinochloa sp. y Polygonum sp. consumidas en estado
acuoso, lechoso y maduro. Los insectos estuvieron representados unicamen-
te por coleotéros, curculiónidos (Neochetina sp.) en tanto que los moluscos
por restos de un planórbido no identificado, hallado en un estómago so-
lamente.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):55-60, 24 mar. 1983
Alimentación de aves... 57
Los valores obtenidos por la aplicación del IRI fueron, para semilla =
18400, insectos = 1220 (Fig. 2) y moluscos = 2,8.
Para el período invierno-primavera (muestra mínima 20 estómagos) el
espectro trófico se diversifica considerablemente, hallândose compuesto por
22 taxa, correspondientes a: semillas, insectos, peces, crustáceos decápodos
y moluscos (Cuadro).
Las especies de semillas ingeridas durante este período fueron las mis-
mas del verano-otoão e las que debe agregarse las compuestas; esta ca-
tegoria de alimento fue ingerida con los organismos del pleuston. Este
período sefiala una marcada diferencia con el anterior en lo que se refiere a
la composición específica del espectro. Esto se debe a la activa explotación
que realiza el ave de la fauna asociada a la vegetación con notoria selecti-
vidad por el tamafio de los insectos Belostoma sp., Tropisternus sp., Eulalia
sp. y del crustáceo Trichodactylus borellianus Nobili, 1896 oscilando entre 5
y 15mm. Los organismos de mayor tamafio estuvieron representados por los
peces, correspondiendo a Apistograma corumbae (Regan, 1906) y un lori-
cárido no identificado, ambos comunes en la vegetaciön acuática y cuyos
rangos oscilaron entre 15 y 30mm.
Los valores obtenidos del IRI fueron para las semillas 3337; insectos
4977; peces 1488; crustáceos decápodos 65 (Fig. 3)y moluscos 1,6.
La aplicación del índice de similitud (%J) utilizado para comparar la
composición del espectro y la comunidad pleustónica arrojó un valor de 35.
El valor promedio del coeficiente intestinal fue 1.
CONCLUSIONES
A. c. cyanopus posee una dieta omnivora integrada bäsicamente por
semillas, insectos, peces, crustáceos decápodos y moluscos.
De las observaciones efectuadas sobre la conducta trófica de esta es-
pecie y de la comparación de los espectros tróficos de los períodos esta-
blecidos (verano-otofo e invierno-primavera), se puede observar que el tordo
negro de laguna presenta una fluctuación a lo largo de un ciclo anual que
responde al esquema estacional precitado. Esta afirmación está avalada por
la explotación que efectúa durante el verano yel otofo de las semillas en
planta, en estado acuoso, lechoso y maduro de algumas gramíneas (Pas-
palum sp., Echinochloa sp.) y de otras macrófitas acuáticas (Po/ygonum sp.)
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):55-60, 24 mar. 1983
58 BELTZER, A.H. & PAPORELLO, G.
La gran disponibilidad de este tipo de alimento lo convierte en este período
del ao en marcadamente granívoro, razón por la cual presenta un espectro en
comparación manifiestamente estrecho.
Para el período invierno-primavera, el espectro se amplia considera-
blemente, explotando los organismos asociados a la vegetación acuática
(fauna del pleuston), siendo de interês mencionar la presencia de los peces
en la dieta, ya que no existen antecedentes que sefialen a esta clase de or-
ganismos como integrantes del alimento de los ictéridos y mucho menos
para la especie estudiada.
El valor del índice de silimitud (%J=35) confirma los resultados que
sefialan a 4. c. cyanopus como selectivo de los organismos de mayor ta-
mafio. El coeficiente intestinal (= 1) indica un intestino relativamente corto,
según lo que corresponde a las aves omnívoro-granivoras (DORST, 1971).
AGRADECIMIENTOS
Los autores desean expresar su agradecimiento al Dr. Henrique H. Bucher y la Prof. Clarice P.
de Hassan por la lectura crítica del manuscrito; a la Prof. Olga B. Oliveros por la identificación de los
peces; al Ing. Victor H. Lallana por la determinación de semillas y a los Sres. Ulises Molet, Ambrosio
Regner y David Acosta por la colaboración en las tareas de campafia y laboratorio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DORST, J. 1971. La vida de las aves. Destino, Barcelona, 1:1-400.
JACCARD, D. 1932. Die statisfich floristiche method als grundalge der Pflanzensoziologia. Hambd.
Biol. Arbeitsmeth. Adberhalden, 11:165-202.
PINKAS, L., OLIPHANT, M.S., IVERSON, Z.L. 1971. Food habits of albacore bluefin tuna and
bonito in California waters. Dep. of Fish and Game Fish Bull., Sacramento, 152::1-105.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):55-60, 24 mar. 1983
59
Alimentaciön de aves...
Espectro tröfico de Agelaius cyanopus cyanopus Viellot 1819 (período
verano-otofio, invierno-primavera) en ambientes leniticos y lóticos de las islas
Carabajal, Berduc, Sirgadero en Zona Chapetón, tramo médio del rio Pa-
raná, Argentina.
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IHERINGIA. Sér. Zool
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Fig. 1-3. Agelaius cyanopus cyanopus Vieillot, 1819: 1. Muestra mínima de contenidos esto-
macales; 2-3. IRlI= composição porcentual de número, volumen y ocurrencia de las distintas cate-
gorias de alimento. Los moluscos no fueron representados por los bajos valores obtenidos. 2. Período:
varano-otofio; 3. Período: inverno-primavera.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):55-60, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda.e Rineloricaria quadrensis, duas novas
espécies de Loricariinae do sul do Brasil (Pisces, Siluriformes,
Loricariidae), *
Roberto E. Reis**
RESUMO
São descritas duas novas espécies do gênero Rineloricaria Bleeker, 1862, do Estado do Rio
Grande do Sul, Brasil. A descrição de Rineloricaria longicauda,sp. n.,é baseada em 43 exemplares
procedentes do Banhado do Taim, em Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Arroio Grande. Rine-
loricaria quadrensis,sp. n.,é baseada em 25 exemplares procedentes da Lagoa dos Quadros e curso in-
ferior de seus afluentes, em Osório. As espécies A. cadeae (Hensel, 1868) e A. strigilata (Hensel,
1868) são comparadas e discutidas.
ABSTRACT
Two new species of Rineloricaria Bleeker, 1862, are described from Rio Grande do Sul State,
Brazil. The description of Rineloricaria longicauda,sp. n.,is based on 43 specimens from the region of
Taim, in Rio Grande, Santa Vitória do Palmar and Arroio Grande. Rineloricaria quadrensis,sp. n.,is
based on 25 specimens from the Quadros lagoon and low course of its tributaries, in Osório. The new
species are compared with. AR. cadeae (Hensel, 1868) and. A. strigilata (Hensel, 1868). The new
species are diagnosed as follows: AR. /ongicauda, breadth of body at leve of first anal ray 7 timesin the
distance of this point to the caudal fin. Head length 4.8 times in the standard length, depth 2.4 times
in its length. Snout with an elongate horizontal naked area, reaching beyond the last pore of the infra-
orbital canal. Three longitudinal series of plates in abdomen, between the ventro-lateral plates. Scales
in the post-cleitral lateral series 15-18 + 11-15, usually 16 + 14. Pectoral fins reaching usually the
base of ventral fins. R. quadrensis: breadth of body at level of first anal ray 6 - 7 times in the distance
of this point to the caudal fin. Head length 4.8 times in the standard length, depth 2.6 times in its
length. Snout tip with a roundish naked area, never reaching the last pore of the infra-orbital canal.
Three longitudinal series of plates in abdomen, between the ventro-lateral plates. Scales in the post-
cleitral lateral series 15-18 + 12-15, usually 17 + 14. Pectoral fins reaching usually the base of ventral
fins.
* Aceito para publicação em 03.1X.1982.
** Museu Anchieta, Av. Nilo Peçanha 1521, Caixa Postal 358, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
62 REIS, R.E.
INTRODUÇÃO
Os espécimes do gênero Rineloricaria Bleeker, 1862, distribuem-se por
toda a América do Sul. Mais de 40 espécies foram descritas. O estado atual
da sistemática deste gênero é um tanto confuso e complexo, sendo que
nada ainda foi feito em termos de revisão genérica para o Rio Grande do
Sul,
HENSEL, 1868, descreveu R. cadeae e R. strigilata para o Rio Grande
do Sul e, ao mesmo tempo citou, para Santa Cruz, R. lima (Kner, 1854),
REGAN, 1904, em sua monografia sobre a família Loricariidae reuniu todas
as espécies até então conhecidas, descrevendo para o Rio Grande do Sul A.
microlepidogaster.
GOSLINE, 1945, listou todas as espécies descritas e válidas de Silu-
riformes, estando entre as mesmas as de Aineloricaria. Pouco mais tarde
GOMES, 1947, citou para o rio Maquiné uma espécie típica do noroeste da
Argentina, A. steinbachi Regan, 1906, espécie que atualmente encontra-se
no gênero /xinandria Isbrúcker & Nijssen, 1979.
Após estes autores, FOWLER, 1954, em seu catálogo de peixes de
água doce do Brasil, reuniu toda a sinonímia das espécies já citadas.
Atualmente, dois pesquisadores, Isaäc Isbrúcker e Han Nijssen, muito
têm contribuído para o conhecimento da sistemática e taxonomia desta
família e do gênero Rineloricaria, especialmente através de ISBRÜCKER &
NIJSSEN (1976, 1979) e ISBRÜCKER (1979, 1980).
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados e medidos 43 exemplares de A. /ongicauda,sp. n.,e 25 exemplares de A.
quadrensis,sp. n., que encontram-se depositados nas coleções das seguintes instituições: Museu de
Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP); Museu Anchieta, Porto Alegre (MAPA); Depar-
tamento de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (DZUFRGS) e
Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (MCN).
Refere-se no texto, também as seguintes siglas: USNM — United States National Museum, Washing-
ton,e RS — Rio Grande do Sul.
As medidas, feitas com paquímetro e expressas em milímetros, constantes nas tabelas | e Il são
abreviadas da seguinte forma: CT — comprimento total; CP — comprimento padrão; CC — com-
primento da cabeça, medido da ponta do focinho até o fim do supra-occipital; LC — largura da ca-
beça; AC — altura da cabeça, medida da cintura escapular até o ponto mais alto da cabeça; CF —
comprimento do focinho, medido da ponta do focinho até a margem orbital anterior, DO — diâmetro
do olho; IO — distância interorbital; PA — distância pós-anal, medida do primeiro raio anal até o fim
do pedúnculo caudal; LCo — largura do corpo, medida ao nível do primeiro raio anal. As medidas e
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e... 63
contagens foram feitas, nos peixes pequenos, com auxílio de microscópio estereoscópico. Nos peixes
com menos de 37 mm as contagens de escudos não foram feitas, em razão destes não se encon-
trarem completamente formados.
Nas descrições e discussão, as proporções correspondem ao menor e ao maior valores encon-
trados, seguidos entre parêntesis da média e seu erro padrão.
Os desenhos foram feitos em câmara clara acoplada em microscópio estereoscópico. Os de-
senhos do parátipo DZUFRGS 0682, foram feitos após clareamento com peróxido de hidrogênio a
20% e coramento com alizarina em solução de hidróxido de potássio a 1%.
Para os cálculos de regressões e proporções, foram examinados 25 exemplares de A. strigilata e
50 exemplares de R. cadeae, dos quais 27 eram topótipos.
Materialexaminado de Rineloricaria cadeae (Hensel, 1868)
BRASIL, RS. Topótipos MAPA 1111, 1112, 1113, 1114, 1115 e 1116 (Rio Cadeia) entre Picada
Café e Joaneta, Nova Petrópolis, 20.,V11.1980, P. A. Buckup, L. R. Malabarba, R. E. Reis leg.; MAPA
1140, 1141 e 1142 (córrego afluente do Rio Cadeia) Joaneta, Nova Petrópolis, 20.V11.1980, P.A. Buc-
kup, L. R. Malabarba, R.E. Reis leg., ; MAPA 1143, 1144, 1145, 1146, 1147, 1148, 1151, 1152, 1153 e
1154 (Rio Cadeia) entre Joaneta e Pinhal Alto, Nova Petrópolis, 20.VIl.1980, P. A. Buckup, L. R.
Malabarba, R. E. Reis leg.; MAPA 1155, 1156, 1157, 1158, 1159, 1164, 1165 e 1166 (Arroio Isabela),
Picada Café, Nova Petrópolis, 20.V11.1980, P.A. Buckup, L. R. Malabarba, R.E. Reis leg. Outros es-
pécimens MAPA 1214 (Arroio Três Mares) São Sebastião do Caí, 14.X11.1980, P. A. Buckup leg.,;
MAPA 1194, 1196, 1197, 1198, 1200, 1201, 1202 e 1203 (Arroio em Rio Claro) São Sebastião do Cal,
14.X11.1980, P. A. Buckup, C. F. M. Souto, L. R. Malabarba, R. E. Reis leg.; MAPA 1188, (Rio Cal)
São Sebastião do Caí, 14.X11.1980, L. R. Malabarba leg.; MAPA 1219 (Rio Cadeia) estrada para São
Sebastião do Caí, 14.X11.1980, R. E. Reis leg.; MAPA 1221, 1354, 1355, 1356, 1357, 1358 e 1359
(arroio em Vila Conceição) São Sebastião do Cal, 14.X11.1980, P. A. Buckup, C. F. M. Souto, L. R.
Malabarba, R. E. Reis leg.: MAPA 1274 (rio dos Sinos) estrada Tabal/Canoas, Canoas, 27.1.1981, R.
E. Reis leg.; MAPA 1088 e 1089 (Canal ao sul do dique do rio Gravataí) 2 km a leste da BR-116, Ca-
noas, 05.V1.1980, P. A. Buckup, C.F.M. Souto, R. E. Reis leg.; DZUFRGS 0445 (Arroio dos Ratos
RS-105, divisa Gualba/São Jerônimo, 19.1.1980, P. A. Buckup, C. F. M. Souto, D. Wilhelm Fº leg.
Materialexaminado de Rineloricaria strigilata (Hensel, 1868)
BRASIL, RS. 2 ex. MAPA 1224 (Rio Caí) São Sebastião do Cal, 14.X11.1980, L. R. Malabarba
leg.; 2 ex. MZUSP 16081 (Rio Caí), cerca de 5,5 km de São Sebastião do Cal, 08.X11.1977, expedição
MZUSP & USNM leg.; MZUSP 15491 (Rio Paranhama) confluência com Rio dos Sinos, Taquara, 03-
05.1.1979, J. Casado Neto leg.; DZUFRGS 0411 e 0412 (Barragem do Rio Caí) São Sebastião do Cal,
19.1.1980, P. A. Buckup, C.F.M. Souto, 'D Wilhelm Fº leg.; MAPA 1269 (Rio Jacuí) Conde, São
Jerônimo, 23.1.1981, R:E. Reis leg.; MAPA 1263 (Rio Gravatal) sob ponte da BR-290, Gravataí
19.1.1981, R. E. Reis leg.; MAPA 0827 (Delta do Rio Jacuí) Porto Alegre, 3.X11.1978, P. A. Buckup
leg.; DZUFRGS 0446 e 0447 (Arroio dos Ratos) RS-105, divisa Gualba/São Jerônimo, 19.1.1980, P. A.
Buckup, C. F. M. Souto, D. Wilhelm Fº, B. Wilhelm leg.; MAPA 0919 (arroio no Sítio Refúgio) es-
trada da Branquinha, Viamão, 25.V.1978, V. B. Goidanich leg.; DZUFRGS 0656, 0657, 0658, e 0659
(Rio Guaíba), Ponta Grossa, Porto Alegre, 17.V.1981, L. R. Malabarba & J. R. Stehmann leg.; 2 ex.
MZUSP 16088 Passo do Lami, Porto Alegre, 07.1V.1966, J. J. Bertoletti leg.; DZUFRGS 0668, 0669,
0670 e 0671 (Rio Camaquã) BR-116 divisa Camaquã/São Lourenço do Sul, 07.V.1981, P. A. Buckup, L.
'R. Malabarba, J. R. Stehmann, R, E. Reis leg.: MAPA 0887 (Rio Camaquã) Pacheca, divisa Cama-
quãa/São Lourenço do Sul, 28.1.1979, P. A. Buckup leg.; MAPA 0242, sem dados de procedência.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
64 REIS, R. E.
Rineloricaria longicauda,sp. n.
(Fig. 1-8, 10-14. Tab. le III)
" Material tipo: Holótipo 8 MZUSP 16078 (canal a oeste da BR-471, 200 m ao sul da sede
da Estação Ecológica do Taim) Rio Grande, RS, 07.V.1981, R. E. Reis & J. R. Stehmann leg.: pa-
rátipos MZUSP 15488 (Arroio Sarandí rodovia Pelotas/Jaguarão), Arroio Grande, RS, 14.X11.1979, ex-
pedição MZUSP & USNM leg.; DZUFRGS 0574 (margem sudeste da Lagoa das Flores) Rio Grande,
RS, 05.X11.1980, L. R. Malabarba e P. A. Buckup leg.; DZUFGRS 0443, 0629, 0630, 0631, 0632, 0633
e 0634, (poço de saída da casa das bombas) Estação Ecológica do Taim, Rio Grande, RS, 10.V11.1979,
C. F.M. Souto, P. A. Buckup, L. R. Malabarba leg.; DZUFRGS 0682 (canal a oeste da BR-471, 200m
ao sul da sede da Estação Ecológica do Taim) Rio Grande, RS, 7.V.1981, R. E. Reis & J. R.
Stehmann leg.; MAPA 1335, 1336, 1337, 1338 e 1339 (canal a leste da BR-471, 600m ao sul da sede
da Estação Ecológica do Taim) Rio Grande, RS, 08.V.1981, R. E. Reis leg.: DZUFRGS 0435, 0436,
0437, e 0438 (canal da Lagoa do Nicola, ao lado da estrada-do Albardão) Estação Ecológica do Taim,
Rio Grande, RS, 22.1V.1979, P. A. Buckup, C. F. M. Souto, K. L. Leyser leg.; DZUFRGS 0440, 0441
e 0442 (canal a leste da Lagoa do Nicola, ao lado da estrada do Albardão) Estação Ecológica do Taim,
Rio Grande, RS, 9.V1.1979, P. A. Buckup & C. F. M. Souto leg.; DZUFRGS 0439, (Arroio Taim; Es-
tação Ecológica do Taim, Rio Grande, RS, 07.V11.1979, N. A. Menezes & L. F. A. Jardim leg.;
DZUFRGS 0557, 0558, 0559, 0560, 0561, 0562, 0563 e 0564 (canal novo do Arroio Taim) Estação
Ecológica do Taim, Rio Grande, RS, 11.X11.1979, P. A. Buckup & L. R. Malabarba leg.; DZUFRGS
0565 e 0566 (canal paralelo á BR-471, km 145) Estação Ecológica do Taim, RioGrande, RS,
11.X11.1979, P. A. Buckup, C. F. M. Souto, L. R. Malabarba leg.; DZUFRGS 0434, 0635, 0636, 0637,
0638 e 0639, Estação Ecológica do Taim, Rio Grande, RS, 05.1.1979, P. A. Buckup leg.; MAPA 0690
(canal na Estação Ecológica do Taim) Rio Grande, RS, 28.V11.1978, L. Buckup leg.; MAPA 1333 (canal
de irrigação da Granja Santa Marta) Santa Vitória do Palmar, RS, 08.V.1981, R. F. Reis leg..
Localidade tipo: Banhado do Taim, município de Rio Grande, RS.
Etimologia: nome específico em alusão ao grande comprimento do
pedúnculo caudal.
Diagnose: A. /ongicauda apresenta largura do corpo ao nível do
primeiro raio anal 7 vezes na distância deste ponto até a caudal. Cabeça 4,8
vezes no comprimento padrão, altura da cabeça 2,4 vezes no seu compri-
mento. Margem do focinho com uma área nua estreita e alongada horizon-
talmente, sempre ultrapassando o último poro do canal sensorial infra-orbital
(Fig. 8). Três séries de placas no abdômen entre as placas látero-ventrais.
Escudos da série lateral pós-cleitral 15-18 + 11-15, normalmente 16 + 14.
Nadadeiras peitorais, quando adpressas ao corpo alcançando, no máximo, a
base das ventrais.
Descrição: corpo deprimido e muito alongado, estreitando-se para
trás, gradativa e continuamente, desde a intersecção das peitorais.
Cabeça de 4,06-5,33 (4,78 + 0,05) vezes no comprimento padrão; altura
da cabeça 1,89-2,75 (2,41 + 0,03) vezes, largura da cabeça 1,26-1,47 (1,35
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e.. 65
+ 0,01) vezes no seu comprimento. Comprimento do focinho 1,93-2,27 (2,09
+ 0,01) vezes, diâmetro do olho 5,50-8,80 (6,96 + 0,11) vezes no com-
primento da cabeça. Diâmetro do olho 1,07-2,43 (1,78 + 0,04) vezes na dis-
tância interorbital. Narinas na parte posterior de um par de depressões que
iniciam na ponta do focinho e terminam na margem orbital anterior, separadas
entre si, por uma crista elevada que inicia na ponta do focinho, dividindo-se na
altura das narinas e desaparecendo entre as órbitas. Tais cristas reaparecem no
supra-occipital e prolongam-se nos dois primeiros escudos pré-dorsais. Entalhe
pós-orbital com cerca da metade do diâmetro do olho. Lateralmente aparecem
seis poros do canal sensorial infra-orbital, ficando o sétimo poro ventralmente
situado na margem do focinho. Margem do focinho com uma área nua estreita
e alongada horizontalmente, sempre ultrapassando o último poro do canal sen-
sorial infra-orbital (Fig. 8). As cerdas rostrais dos machos são pouco desenvol-
vidas. Lábios com o barbilhão lateral presente e não maior que o diâmetro do
olho. Quatro a nove dentes, normalmente seis ou sete na série funcional, em
cada lado de ambas as maxilas; os inferiores mais desenvolvidos (Fig. 4).
Série lateral pós-cleitral composta por 15-18 + 11-15 placas, normal-
mente 16 + 14, unidas posteriormente. Abdômen coberto por três séries de
placas que, anteriormente às placas látero-ventrais, tornam-se menores e
numerosas, atingindo nos adultos a borda anterior da ponte escapular. Placa
pré-anal, em geral, bordeada anteriormente por três placas e estas por
outras cinco. As placas látero-ventrais são em número de 5-9, normalmente
7; variam grandemente e, muitas vezes, um mesmo peixe apresenta um
número de um lado e outro no lado oposto.
Pedúnculo caudal muito estreito, deprimido e alongado. Largura do
corpo ao nível do primeiro raio da nadadeira anal cabendo 5,45-9,79 (7,41
+ 0,18) vezes no comprimento pós-anal. Comprimento pós-anal cabendo
1,64-1,87 (1,74 + 0,01) vezes no comprimento padrão.
Nadadeiras — D 1.6.1, P 1.6, V 1.5, A 1.4.1, C1.10.]. Ocorrem poucas
variações destas contagens: apenas DZUFRGS 0437 apresentou as peitorais
com |.7 raios. Nos machos adultos o espinho e os raios das nadadeiras
peitorais são cobertos superiormente por pequenas cerdas. Comprimento do
primeiro raio da dorsal, em geral, levemente menor do que o comprimento
da cabeça. Nadadeiras peitorais, quando adpressas ao corpo, atingem
apenas a base das ventrais, estas, quando muito, atingem a base da anal.
Quatro a cinco placas dispostas a cada lado da base da dorsal. Raio caudal
superior ligeiramente maior que o inferior, contudo, não prolongado. Entre
IHERINGIA. Sér Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
66 REIS, R.E.
as nadadeiras dorsal e caudal 17-19, normalmente 18 escudos; 15-17, nor-
malmente 16, entre a anal e a caudal.
Cor castanho-escura dorsalmente e amarelada na superficie inferior.
Parte posterior da cabeca mais escura. Cinco faixas transversais escuras, 4
primeira atravessando a parte anterior da base da dorsal. Nadadeira dorsal
escura no ápice; caudal escura na base e na metade posterior. Todas as
nadadeiras com raios bastante manchados; men.hranas inter-radiais sem
manchas.
Rineloricaria quadrensis, sp. n.
(Fig. 9, 15-19 Tab. Il e IV)
Material tipo: Holótipo 9 MZUSP 14363 (Lagoa dos Quadros) Osório, RS, 26.V11.1978, C.
P. Silva leg.; parátipos MZUSP 14218, 16079 e 16080 (Lagoa dos Quadros) Osório, RS, 27.V11.1977, C.
P. Silva Leg.; MAPA 1259 (Rio Maquiné) Maquiné, Osório, RS, 03.1.1981, J. L. Reis & R. E. Reis
leg.; MAPA 1255, 1313, 1314, 1315 e 1316 (Arroio Água Parada) Maquiné, Osório, RS, 03.1.1981, J.
L. Reis & R. E. Reis Leg.; MAPA 1102 (Rio Maquiné) Maquiné, Osório, RS, 19.1.1979, P. A. Buckup
leg.; MAPA 1100, 1101 e 1312 (Rio Maquine) entre BR-101 e foz, Osório, RS, 19.1.1979, P. A. Buc-
kup leg.; MAPA 1256 (canal do João Pedro) estrada para Capão da Canoa, Osório, RS, 03.1.1981, J.,
L. Reis & R. E. Reis leg.; MCN 3755, 3756, 3757, 3758, 3759, 3760, 3762, 3763, 3764 e 3765 (açude
junto à estrada Osório/Capão da Canoa) Osório, RS, 14.X1.1977, A. A. Lise leg.
Localidade tipo: Lagoa dos Quadros, município de Osório, RS.
Etimologia: nome específico em alusão à localidade- hg da espécie,
Lagoa dos Quadros.
Diagnose: R. quadrensis apresenta largura do corpo ao nível do
primeiro raio anal 6-7 vezes na distância deste ponto até a caudal. Cabeça
4,8 vezes no comprimento padrão, altura da cabeça 2,6 vezes no seu com-
primento. Margem do focinho, junto à ponta, com uma área nua de forma
oval, nunca atingindo o último poro do canal sensorial infra-orbital (Fig. 9).
Três séries de placas no abdômen entre as placas látero-ventrais. Escudos da
série lateral pós-cleitral 15-18 + 12-15, normalmente 17 + 14. Nadadeiras
peitorais, quando adpressas ao corpo, alcançando, no máximo, a base das
nadadeiras ventrais.
Descrição: corpo deprimido e alongado, estreitando-se para trás,
gradativa e continuamente, desde a intersecção das peitorais.
Cabeça de 4,08 -5,39 (4,77 + 0,07) vezes no comprimento padrão;
altura da cabeça 2,17 - 2,77 (2,55 + 0,03) vezes, largura da cabeça 1,28
1,46 (1,37 + 0,01) vezes no seu comprimento. Comprimento do focinho
2,00 - 2,19 (2,09 + 0,01) vezes, diâmetro do olho 5,73-8,16 (6,82 +
0,13) vezes no comprimento da cabeça. Diâmetro do olho cabendo 1,18
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e... 67
2,29 (1,55 + 0,05) vezes na distância interorbital. Narinas na parte posterior
de um par de depressöes que iniciam na ponta do focinho e terminam na
margem orbital anterior, separadas entre si, por uma crista elevada que inicia
na ponta do focinho, dividindo-se na altura das narinas e desaparecendo en-
tre as órbitas. Tais cristas reaparecem no supra-occipital e prolongam--se
nos dois primeiros escudos pré-dorsais. Entalhe pós-orbital com cerca da
metade do diâmetro do olho. Lateralmente aparecem seis poros do canal
sensorial infra-orbital, ficando o sêtimo poro ventralmente situado na mar-
gem do focinho. Margem anterior do focinho com uma área nua de forma
oval, nunca atingindo o último poro do canal sensorial infra-orbital (Fig. 9).
As cerdas rostrais dos machos são pouco desenvolvidas. Lábio com bar-
bilhão lateral presente e não maior que o diâmetro do olho. Quatro a nove
dentes normalmente seis ou sete na série funcional, em cada lado de ambas
as maxilas; os inferiores mais desenvolvidos
Série lateral pós-cleitral composta por 15-18 + 15-15 placas, normal-
mente 17 + 14, unidas posteriormente.
Pedúnculo caudal estreito, deprimido e alongado. Largura do corpo ao
nível do primeiro raio da anal cabendo 5,14-9,69 (6,69 + 0,23) vezes no
comprimento pós-anal. Comprimento pós-anal 1,60-1,82 (1,72 + 0,01)
vezes no comprimento padrão.
Nadadeiras — DI.6.; P 1.6, V 1.5, A 1.4.i., C 1.10.]. Ocorrem poucas
variações destas contagens: MAPA 1312 apresentou a caudal com |.9.| raios
e MCN 3763 apresentou a anal com 1.4 raios. Nos machos adultos o espinho
e os raios das peitorais são cobertos superiormente por pequenas cerdas.
Comprimento do primeiro raio dorsal, em geral, levemente menor do que o
comprimento da cabeça. Nadadeiras peitorais, quando adpressas ao corpo,
atingem apenas a base das ventrais, estas, quando muito, atingem a base da
anal. Quatro a cinco placas dispostas a cada lado da base da dorsal. Raio
caudal superior ligeiramente maior que o inferior, contudo, não prolongado.
Entre as nadadeiras dorsal e caudal 17-19, normalmente 18 escudos; 15-17,
normalmente 16 escudos, entre a anal e a caudal.
Cor castanha dorsalmente e amarelada na superfície inferior. Parte
posterior da cabeça mais escura. Cinco faixas transversais escuras, a pri-
meira atravessando a parte anterior da base da dorsal. Nadadeira dorsal escura
no ápice; caudal escura na base e na metade posterior. Todas as nadadeiras
com raios bastante manchados; membranas inter-radiais sem manchas.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
68 REIS, R.E.
DISCUSSÃO
As duas novas espécies são muito semelhantes. Aproximam-se na maio-
ria das proporções corporais, inclusive, naquela que as afasta das demais
espécies: a largura do corpo ao nível do primeiro raio anal, na distância deste
ponto à caudal; em A. /ongicauda esta proporção é de .5,45-9,79' (7,41 +
0,18) eem AR. quadrensis é de5,14-9,69 (6,69 + 0.23) Afastam-se en-
tretanto, pela forma da área nua da ponta do focinho (Fig. 8-9). R. /ongi-
cauda apresenta uma área nua em forma de faixa estreita e alongada, cir-
cundando a ponta do focinho. Esta faixa estende-se para trás, sempre até
além do sétimo poro do canal sensorial infra-orbital. Em A. quadrensis esta
área nua está reduzida, formando uma mancha oval, nunca atingindo o
sétimo poro. Além disso, AR. /ongicauda tem o focinho levemente arredon-
dado e série lateral pós-cleitral 15-18 + 11-15, normalmente 16 + 14, en-
quanto que em A. quadrensis o focinho é mais pontiagudo e a série lateral
pós-cleitral apresenta 15-18 + 12-15, normalmente 17 + 14 placas.
Dentre as demais espécies ocorrentes no Rio Grande do Sul, duas
devem ser consideradas. R. strigilata aproxima-se das novas espécies, prin-
cipalmente as fêmeas e jovens, pela forma geral do corpo. No entanto, A.
strigilata apresenta a proporção da largura do corpo na distância pós-anal
igual a 33,3-7,50 (4,91 + 0,23); série lateral pós-cleitral 16-18 + 11-14,
normalmente 17 + 12 e abdômen recoberto por 3 a 5 séries longitudinais de
placas. Ainda, em AR. strigilata as nadadeiras peitorais adpressas ao corpo
atingem o primeiro terço ou até o meio das ventrais e ocorre um padrão de
colorido com pequenas manchas distribuídas por toda a face dorsal do cor-
po. Em A. longicauda e R. quadrensis as peitorais adpressas ao corpo atin-
gem a base das ventrais e não ocorre o padrão manchado de colorido.
R. cadeae aproxima-se das novas espécies pelo padrão de colorido,
forma e tamanho das nadadeiras e pela disposição das placas ventrais. Afas-
ta-se claramente, no entanto, pois apresenta a proporção da largura do cor-
po na distância pós-anal igual a 3,77-5,89 (4,62 + 0,07) e a série lateral
pós-cleitral com 16-20 + 10-13, normalmente 17 + 12 placas. Ainda, os
machos de R. cadeae desenvolvem densas cerdas rostrais. Finalmente, pela
forma da área nua da margem do focinho R. /ongicauda aproxima-se de A.
cadeae e R. quadrensis aproxima-se de R. strigilata.
Outras diferenças das proporções de largura do corpo e comprimento
pós-anal, comprimento da cabeça e comprimento padrão e altura da cabeça
HERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e... 69
no comprimento da cabeça podem ser verificadas nos gráficos comparativos
apresentados (Fig. 1-3).
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Prof. Fernando Rodrigues Meyer, Diretor do Museu Anchieta, onde este
trabalho foi realizado, pelo seu constante estímulo; ao Dr. Isaäc J.H. Isbrúcker, do Instituut voor
Taxonomische Zoologie, Zoblogisch Museum, de Amsterdam, pela leitura do manuscrito e valiosas
sugestões; ao Dr. Heraldo A. Britski, do Museu de Zoologia da Universidade do Estado de São Paulo
e à Profº Leda F.A. Jardim, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, pelo empréstimo de material, leitura de parte do manuscrito e sugestões apresentadas; ao colega
Paulo A. Buckup, do Museu Anchieta, pelo constante estímulo, valiosas sugestões e auxílio nas
coletas; à Profº Karin M. Grosser, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, pelo empréstimo
de material. Por fim, expressamos profundos agradecimentos à Luiz R. Malabarba pelas fotografias
que ilustram este trabalho e também, juntamente com Jaury L. Reis, Cláudio F. M. Souto e João R.
Stehmann, pelo auxílio prestado durante as coletas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FOWLER, H.W. 1954. Os peixes de água doce do Brasil 4. Arg. zool. São Paulo, 9: i-ix, 1-400
GOMES, A. L. 1947. A small collection of fishes from Rio Grande do Sul, Brazil Misc. Publ. Mus.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
70
REIS, R.E.
CT" CRE GEH JLC
DZUFRGS 0574 123,01 109,0! “20,8 15,4
DZUFRGS 0441 122:/08107,01:22/05 17,0)
DZUFRGS 0682 120,5 106,0 21,4 16,3
MZUSP 16078 120,0 105,6 21,5 16,3
DZUFRGS 0440 120,0 104,0 19,5 15,0
DZUFRGS 0435 WS 001010! 9/83,
DZUFRGS 0438 113,0/100,5 19,013,3
MAPA 1333 113,0 99,4 20,3 15,0
DZUFRGS 0436 109,0 94,0 17,8 13,0
DZUFRGS 0437 108,0/',05,0/ 18,5 13,
MAPA 0690 94,0 82,8 16,0 11,5
DZUFRGS 0442 82,0 72,4 14,3 10,7
MAPA 1335 77,8 680 13,5 10,0
MZUSP 15488 75,5 66,4 12,5 9,4
MAPA 1336 75/91 165,8/ 112/40 9,0
MAPA 1337 795 109,0) I2)b 972
MAPA 1338 70,5 61,2 12,9 9,4
MAPA 1339 66,4 58,3 11,8 8,8
MAPA 1334 62,4 55,0 11,4 8,6
DZUFRGS 0439 58:07 :511,6.210,2 250
DZUFRGS 0633 49,0 430 93 6,8
DZUFRGS 0565 47,.05.41,04 187701658
DZUFRGS 0563 47,0 40,6 83 6,6
DZUFRGS 0559 46,5 40,0 80 6,2
DZUFRGS 0634 44,5.7.39,311778,5: 726,2
DZUFRGS 0638 44,0 380 85 6,3
DZUFRGS 0557 43,5 384 7,7 60
DZUFRGS 0632 42,6 36,6 80 6,0
DZUFRGS 0639 42,0. 36,8 7,8 6,0
DZUFRGS 0560 40,07535,02247,004..5,7.
DZUFRGS 0558 39,0 34,0 78 5,6
DZUFRGS 0434 37.00.32. 000772553
DZUFRGS 0636 36,0 31,6 66 4,9
DZUFRGS 0562 35,0 881,07 7:02725;5
DZUFRGS 0630 34,0/:30,014017,0) 15,8
DZUFRGS 0631 34,0 20,6, 116,5, v4,9
DZUFRGS 0637 32/00 27/50 bi9PAs
DZUFRGS 0561 31,0 264 60 4,4
DZUFRGS 0566 30,5 260 64 4,6
DZUFRGS 0635 30,2, :26,4.1:/6]0: 4,5,
DZUFRGS 0443 27,1 024,00. Bi/ AS
DZUFRGS 0564 26,8 234 5,6 4,2
DZUFRGS 0629 25,31.:22,0, 15,00 08,9
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Tabela | — Medidas (em milímetros) de Aineloricaria longicauda,sp. n.,
Rio Grande do Sul, Brasil.
Rineloricaria longicauda e... 71
Tabela II — Medidas (em milímetros) de Rineloricaria quadrensis, sp.
n., Rio Grande do Sul, Brasil.
GEESCH EC LE “AC. CE BO IO - PA LCo
MCN 3755 165,0.147,0..31,0 23,0: 11,6. 14,5°=73,8’ 16,1. 82,0. 15,6
MZUSP 14218 162,0 143,0 30,4 22,2 12,3 14,4 45 6,3 81,0 15,3
MCN 3759 1bZ0 1345.26.58" 2100 10,8 139 - 397257 457) 134
MZUSP 16079 o TAG 0 12970" 26,7 20,2 11,00 126. 3,9) 5,67 78,0. 14,2
MCN 3756 44,5 127,50 27,0 20,0 710,2 212,8. 4,1 5,4. 71,3; 12,2
MCN 3760 140,0 122,4 24,2 17,0 9,3 114 34 50 72,6 11,2
MCN 3757 137.02121,8.2.25,3: 18,7. 29,8» 12.0.7359 75,2 263,0, 11,7
MZUSP 16080 134,0 120,0 25,8 19,6 10,6 11,8 39 50 69,0 13,4
MAPA 1101 132:9.1190.5223.3.217,9. 23,90 711,9 23,8. -4,9. 267,5. 120
MCN 3764 123,/07119,9722.877716.9. 29,3 210,8 29 46648. 11,2
MCN 3765 126,0 111,7 220 16,4 "87 11,0 2,8= 41 644 11,2
MZUSP 14363 123,0 110,0 20,7. 15,6 7,7 100 28 40 66,5 10,3
MCN 3758 108,4 96,0 38,5 127 £L0 SO 26 33 b80 90
MCN 3763 107,00 97,2 182 127.0) BA 26 40688-806
MCN 3762 105,6: 972/00 18/0 7127 65 87 v2.6 39" 60,0 86
MAPA 1255 4,0247070 510.0727,0923,8€ 5,09 71,677 2,4 2790 36
MAPA 1312 53,92748,0.89/61417,060 3,7. 04,67 1,6) = 2,4 30/0037
MAPA 1102 50,0 44,0 96 69.34 45 15 24 256 3,4
MAPA 1100 46,0: 41,8 08,006,20 3,40 = 4,2 1,50 2,20 25.00 8,3
MAPA 1316 99,0) 3482 8,2. 59 34. 4,7 1,47 22 19,2,» 28
MAPA 1313 SA A SUP 77.0.2750 DZ SD. LO. 31972170. 72,8
MAPA 1314 48 30,0 7,1 .60 29 34 1,1. 20.149 2,3
MAPA 1259 90,0. 25,5 Bl 47 Zoo 300.140. 1,8148... 1,8
MAPA 1256 30:02 26,8 8,90 AA" 26 28. 20,9: 1,7 15,5. “16
MAPA 1315 PIB ZU A 5,00 3,9 “2/8, 24. 07 46 31,2°#7.5
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
72 REIS, R.E.
Tabela Ill — Dados de regressão de Aineloricaria /ongicauda sp. n. Rio
Grande do Sul, Brasil, a — constante de regressão; b — coeficiente de
regressão; R2 — coeficiente de determinação. Número de exemplares com-
putados: 43.
a b R2
GERT ER 1,383 0,18 0,97
AC X.CR 0,57 0,36 0,98
PA X CP — 0,20 0,58 0,99
LCoX PA — 1,10 0,18 0,98
EC EC 0,08 0,74 0,99
A CIAÇEG 0,55 0,48 0,98
ERISEE 0,05 0,47 0,99
DOCE 0,17 0,13 0,94
DO X IO — 0,15 0,64 0,88
IO X CC 0,64 0,19 0,94
Tabela IV — Dados de regressão de Rineloricaria quadrensis, sp. n.,
Rio Grande do Sul, Brasil; a — constante de regressão; b — coeficiente de
regressão; R2 — coeficiente de determinação. Número de exemplares com-
putados: 25.
a o) R2
GEIGER 0,50 0,20 0,99
AC X CC 0,08 0,39 0,93
PAX CP 1,00 0457 0,99
LCoX PA — 1,39 0,19 0,97
LO X EC — 0,19 0,74 0,99
AG LE 0,19 0,52 0,99
CE X CL 0,14 0,47 0,99
DOIX GE 0,19 0,13 0,97
DO X IO — 0,30 0,76 0,96
IO X-CC 0,68 0,17 0,98
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62!:61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e... 73
LCo
20
d
c
15
b
a
10
5
DS EANES SMT
7 20 30 40 50 60 PA
d
ee
a
C b
20
10
L&————— >>> [um NM TG
Guta 50 70 90 mo CP
Fig. 1-2: 1. Gráfico de regressão da largura do corpo (LCo), ao nível do primeiro raio anal,
sobre a distância pós anal (PA); a - Rineloricaria longicauda, sp. n.; b - R.quadrensis, sp.n.; c - R.
cadeae (Hensel, 1868); d - A. strigilata (Hensel, 1868); 2. Gráfico de regressão do comprimento da
cabeça (CC), sobre o comprimento padrão (CP); a - Rineloricaria longicauda,sp. n.; b- R. quadrensis,
sp.n.; c- R. cadeae (Hensel, 1868); d - R. strigilata (Henseli 1868).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
74 REIS, R.E.
12
Fig. 3-4: 3. Gráfico de regressão da altura da cabeça (AC) sobre o comprimento da cabeça (CC);
a - Rineloricaria longicauda sp.n.; b - R.quadrensis, sp.n.; c - R. cadeae (Hensel, 1868); d - A. stri-
gilata (Hensel, 1868); 4. Rineloricaria longicauda, sp. n. holótipo d MZUSP 16078, Estação Ecológica
do Taim, Rio Grande, RS, Brasil, boca.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e...
75
Fig.5-7: 5. Rineloricaria longicauda, sp.n., parátipo é DZUFRGS 0682, Estação Ecológica do
Taim, Rio Grande, . RS, Brasil: 5. vista dorsal; 6. vista laterel; 7. vista ventral. Comprimento total
120,5mm.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
76 REIS, R.E.
ID =
ES ga > NANN N
0 SAS SIIIISSITIN Ny ] ?
man US N VAN NAN
S-ZII TITAN N INN
ER RENAN
TVA ENS SÉ
ES RU NS
= AD ES
EISEN
een
Eiras Dao fr
SEI EIS IEESESZYyyy
Fig. 8-9 Desenho esquemático da área nua rostral. 8. Aineloricaria longicauda, sp.n.; 9. R.
quadrensis, sp.n.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e... 77
E
Fig. 10-12. Rineloricaria longicauda,sp.n. holótipo-S MZUSP 16078 Estação Ecológica do Taim,
Rio Grande, RS, Brasil: 10. vista ventral; 11. vista lateral; 12. vista dorsal. Comprimento total
120,0mm.
-Bınsiä Ser Zool., Porto Alegre!62):61-80, 24 mar. 1983
78 REIS, R. E.
x RE
Rito A
S N,
Fig. 13-14 e 18-19: 13-14. Cabeça de Rineloricaria longicauda, sp.n. holótipo SMZUSP 16078. Es-
tação Ecológica do Taim, Rio Grande, RS, Brasil: 13. vista dorsal; 14. vista ventral. 18-19. Cabeça de
Rineloricaria quadrensis, sp. n. holótipo ? MZUSP 14363 Lagoa dos Quadros, Osório, RS, Brasil: 18.
vista dorsal; 19. vista ventral.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Rineloricaria longicauda e... 19
I6
Fig. 15-17: Rineloricaria quadrensis,sp. n.,holótipo 9 MZUSP 14363 Lagoa dos Quadros, Osório,
RS, Brasil: 15. vista dorsal; 16. vista lateral; 17. vista ventral. Comprimento total 123,0mm.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
80 REIS, R. E.
E
a Rineloricaria cadeae
r R. strigilata
e R. longicauda sp. n.
e R. quadrensis sp. n.
Fa
TE
JU
"a
Fig. 20: Mapa dos pontos de coleta do material examinado, procedente do Rio Grande do Sul,
Brasil, de Rineloricaria cadeae (Hensel, 1868), A. strigilata (Hensel, 1868), R. /ongicauda,sp.n., e R.
quadrensis, sp.n..
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):61-80, 24 mar. 1983
Uma nova espécie de Fuschistus Dallas, 1851 (Heteroptera,
Pentatomidae)*
Ruth Hildebrand**
Jocélia Grazia***
RESUMO
Uma nova espécie de Zuschistus Dallas, 1851, do subgênero Lycipta Stal, 1862 é descrita e ilus-
trada. É apresentado ainda um estudo da genitália de ambos os sexos.
ABSTRACT
A new species of Euschistus Dallas, 1851, subjenus Lycipta Stal, 1862, is described and illus-
trated. A detailed study of the geritalia of both sexes is also presented.
INTRODUÇÃO
O gênero Euschistus Dallas, 1851 foi amplamente estudado por ROLS-
TON (1971, 1972, 1974, 1978) na última década, principalmente aquelas espécies
com distribuição na América Central, México e norte da América do Sul. Recen-
temente ROLSTON (no prelo, — cópia recebida) redefiniu o subgenero Lycipta
Stal, 1862, o qual tem ampla distribuição na região centro-sul da América do Sul,
tendo registros para o Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Obtivemos no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo três
machos e uma fêmea procedentes de Mato Grosso, que após exame de-
* Aceito para a publicação em 1º.X.1982.
** Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Proc.
104640/80. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Av.
Paulo Gama, s/nº 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
*** Professor Adjunto, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do RioGrande do Sul (UFR-
GS). Av. Paulo Gama, s/nº 90000 Porto Alegre, RS, Brasil. Bolsista do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) Proc. 301840/76-Z0-07.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
82 HILDEBRAND, R. & GRAZIA, J.
talhado constatamos tratar-se de uma nova espécie de Zuschistus a qual in-
cluímos no subgênero Lycipta por possuir as paredes laterais da cápsula
genital infladas, formando tumescências; ductus seminis distalis enrolado
em helicóide; processos da phallotheca alargados na base. Ainda, a parede
externa da área vesicular do receptaculum seminis na região proximal é mais
esclerotizada, formando uma estrutura em forma de funil, e o ápice da
cabeça apresenta-se com uma incisão entre o clípeu e as jugas.
MATERIAL E MÉTODOS
O material examinado é proveniente da coleção do Museu de Zoologia da Universidade de São
Paulo (MZSP). Um parátipo foi depositado no Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica
do Rio Grande do Sul (MCN), Porto Alegre.
A genitália foi tratada em KOH a 10% a frio, para diafanização e corada em Vermelho Congo. A
terminologia empregada é a proposta por DUPUIS (1970).
As medidas estão expressas em milímetros e foram tomadas como segue: comprimento total
sobre a linha mediana longitudinal; largura do abdome ao nível do Ill segmento abdominal; compri-
mento da cabeça, pronoto e escutelo sobre a linha mediana longitudinal; comprimento da cabeça
diante dos olhos até a extremidade das jugas; largura da cabeça ao nível dos olhos; largura do pro-
noto e escutelo na base; largura do pronoto ao nível dos úmeros; distância interocular na linha média
dos olhos; artículos antenais em vista dorsal.
Euschistus (Lycipta) /ongicornis sp. N.
(Fig. 1 - 10)
Macho: corpo ovolado, ocre, densamente pontuado, pontuações
[predominantemente ferrugíneas.Comprimento total 9,66, largura do abdome
4,76. Cabeça: comprimento 2,31; largura 1,78; clipeo mais longo que as
jugas, pontiagudo, levemente voltado para cima, jugas pontiagudas e se-
paradas do clípeo por uma incisão, a porção do clípeo que ultrapassa as
jugas representa cerca de 1/4 do comprimento da cabeça diante dos olhos.
Comprimento da cabeça diante dos olhos 0,92. Distância interocular 0,89.]
Comprimento dos artículos antenais: | 0,67; Il 0,86; 111 1,17; IV 1,29; V 1,53.
Búculas evanescentes, 1º artículo do rostro não ultrapassando as mesmas.
Pronoto: margens ântero-laterais serrilhadas; ângulos umerais lateralmente
expandidos em longos espinhos dirigidos para cima e para frente. Com-
primento 2,34, largura com espinhos 8,54, largura sem espinhos 5,42. Es-
cutelo: em triângulo isósceles, estendendo-se até o final do 5º segmento ab-
dominal; largura 3,39; comprimento 3,50. Fóveas presentes nos ângulos
basais, densamente pontuadas de preto. Ápice do escutelo com um hemi-
círculo, anteriormente bisinuado, de coloração amarelada, sem pontuações.
Hemiélitros: densamente pontuados, membrana ultrapassando o ápice do
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
Uma nova espécie de Euschistus... 83
abdome, veias da membrana enfuscadas. Conexivo parcialmente exposto
dorsalmente; ângulos apicais do 7º segmento do conexivo alongados em es-
pinho. Face ventral: levemente mais clara que a dorsal; pontuações ferru-
gíneas menores e mais concentradas no abdome. Patas ocre-avermelhadas
com pequenas manchas ferrugíneas irregularmente distribuidas, mais con-
centradas nas tíbias.
Genitália: pigóforo de contorno quadrangular, margem ventral
bisinuada, convexa no meio; paredes laterais da cápsula genital levemente
infladas, formando discretas tumescências. Borda dorsal em forma de “U”
aberto. Parâmeros de diâmetro quase uniforme em todo seu comprimento,
com porção distal mais ampla, projetada dorsalmente, provido de pêlos.
Phallotheca globóide, abrindo-se posteriormente, com um par de processos,
alargados na base e divergentes, quase atingindo o ápice da conjuntiva que
é ampla e apresenta no centro uma área mais esclerotizada em forma de
calha por onde provavelmente corre o ductus seminis distalis quando dis-
tendido por ocasião da cópula. Processus capitati em forma de folha, mais
largos na base e estreitando-se em direção posterior; conetivos dorsais cur-
tos (Fig. 2-7).
Fêmea: semelhante ao macho, porém, pouco maior. Comprimento
total 10,27; largura do abdome 5,76. Cabeça: comprimento 2,61; largura
2,33; comprimento da cabeça diante dos olhos 0,95. Distância interocular
0,92. Comprimento dos artículos antenais: | 2,20; II 3,00; Ill 4,00 IV 4,20; V
4,60. Pronoto: comprimento 2,48; largura ao nível dos úmeros 9,62; largura
na base 6,66. Escutelo: largura 3,97; comprimento 3,68.
Genitália: borda posterior do esternito VII côncava. Gonocoxitos 8
quadrangulares, borda posterior com pequena reentrância sobre a margem
lateral externa dos laterotergitos 9; bordas suturais adjacentes, com apro-
ximadamente 3/4 do comprimento da genitália medido ao longo do eixo
mediano longitudinal. Laterotergitos 8 destituídos do espiráculos, terminan-
do posteriormente em longos espinhos que têm aproximadamente a metade
do comprimento total dos laterotergitos 8 medido desde a borda posterior do
segmento VII até o final do espinho. Gonocoxitos 9 em forma de hexágono
irregular com a base maior voltada anteriormente, superfície inteiramente
coberta por cerdas. Laterotergitos 9 claviformes, com a metade posterior
também coberta por cerdas. Chitinellipsen presentes, amplas. Vias genitais
ectodérmicas: parede dorsal da pars communis com espessamento da íntima
vaginal em forma de bolha, bem mais longa que larga; orificium receptaculi
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
84 HILDEBRAND, R. & GRAZIA, J.
abrindo-se na parte posterior do espessamento. Região do ductus recep-
taculi posterior à área vesicular dilatada com diâmetro superior a duas vezes
o diâmetro do ductus na região anterior à área vesicular. Estrutura em funil
presente na região proximal da área vesicular. Capsula seminalis globosa,
desprovida de dentes ou projeções. Pars intermedialis levemente retorcida
(Fig.8-10).
Material tipo: holótipoS, MZSP, Barra do Tapirapé, Mato Grosso, Brasil, 16-26.1.1964, R. Mal-
kin leg.; parátipos 16 MCN 46335 e 15 e 19 MZSP, (Rio Tapirapé) Porto Velho, Mato Grosso, Brasil,
IV.1964, R.T. Lima leg.
Diagnose difrencial: pela morfologia geral externa se aproxima
de duas espécies do subgênero Zuschistus DALLAS, 1851, a saber: E. 'E.)
atrox (WESTWOOD, 1837) e E. (£.) rufimanus STAL, 1872, porém distin-
gue-se destas espécies pelo padrão da genitália que é o do subgênero /ycip-
tal STAL, 1862. Em £. (E.) atrox a margem posterior do pigóforo é trisi-
nuada em vista ventral e dorsal e o ductus seminis distalis é curto, não
enrolado em helicóide. Em £. (E.) rufimanus a margem posterior do pigóforo
é bisinuada, côncava no meio, em vista ventral e dorsal; o ductus seminis dis-
talis é enrolado em helicóide, formando cerca de 4 voltas, porém apresenta
os processos da phallotheca mais curtos estendendo-se pouco além da
metade da conjuntiva. E. (L.) /ongicornis diferencia-se ainda de ambas, pelo
comprimento relativo dos espinhos umerais: em E.(E.) atrox e E. (E.) ru-
fimanus os espinhos têm menos de 1/3 de largura do pronoto na base, en-
quanto que em E. (L.) /ongicornis os espinhos têm quase a metade da lar-
gura do pronoto na base. No subgênero Lycipta o padrão da genitália é bas-
tante estável, praticamente não apresentando diferenças marcantes entre as
espécies, salvo a forma dos parâmeros, forma e extensão das tumescências
e recorte da margem ventral do pigóforo. E. (L.) /ongicornis, pelo aspecto da
tumescência e recorte da margem ventral do pigóforo, se aproxima de £.
(L.) illotus Stal, 1860. As demais espécies do subgênero Lycipta são facil-
mente distinguidas de £ (L.) /ongicornis pela morfologia externa, principal-
mente pelos seus espinhos umerais que quando presentes, são mais robus-
tos e menos longos do que na nova espécie ora descrita.
AGRADECIMENTOS
Queremos expressar nossos agradecimentos ao Dr. Ubirajara Martins, do Museu de Zoologia,
USP, pelo empréstimo do material.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
Uma nova espécie de Euschistus... 85
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86 HILDEBRAND, R. & GRAZIA, J.
Fig. 1. Euschistus (L.) /ongicornis,sp. n., parátipo 6 MCN 46335 Rio Tapirapé, Porto Velho, Mato
Grosso, Brasil (vista dorsal).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
Uma nova espévcie de Euschístus... 87
05 mm
Fig. 2-7. Euschistus (L.) /ongicornissp. n.: 2-3. Pigóforo: 2. vista dorsal, 3. vista ventral, 4.
Parâmero esquerdo: A vista lateral interna; B vista lateral externa. 5-7. Phallus: 5. vista dorsal ; 6. vis-
ta ventral; 7. vista lateral. BD borda dorsal; CD conetivos dorsais; Cj conjuntiva; DSmD ductus
seminis distalis; EjR ejaculatory reservoir; GS gonporo secundário; Me membranblase; MV margem
ventral; Par parâmero; PC processus capitati; Pht phallothaca; Plb placas basais; PrPht processo da
phallotheca; PT ponticulus transversalis; Tu tumescência; IX 9º segmento; X 10º segmento.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
88 HILDEBRAND, R. & GRAZIA, J.
Fig. 8-10. Zuschistus (L.) /ongicornis,sp. n., genitália da fêmea. 8. Placas genitais a seco; 9.
Placas genitais diafanizadas; 10. Vias genitais ectodérmicas. CAA crista anular anterior; CAP crista
anular posterior; Ch chitinellipsen; CS capsula seminalis; DR ductus receptaculi; ElV espessamento da
Íntima vaginal; GB gonapófise 8; G9 aonapöfise 9; Gc8 gonocoxitos 8; Gc9 gonocoxitos 9; Laß. la-
terotergitos 8; La9 laterotergitos 9; OR orificium receptaculi; PC pars communis; Pl pars intermedialis;
X 10º segmento.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):81-88, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758). (Sauria,
Teiidae)*
Thales de Lema**,
RESUMO
Faz-se uma contribuição ao conhecimento da biologia de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758)
(Teiidae), espécie comum a leste da América do Sul, tropical e subtropical. Relata-se a estratégia de
fuga, reação defensiva e ofensiva a cães e ao homem, bem como postura bipedal, assumida para
fuga, defesa e ataque. O exame das proporções dos membros, tronco e cauda indica uma espécie
com evidentes modificações para as condições ideais de bipedalia, segundo SNYDER (1949, 1952,
1954, 1962).
ABSTRACT
A contribution to the biology of the South American Monitor, Tupinambis teguixin (Linnaeus,
1758) (Teiidae), a common species of tropical and subtropical areas, east of the Andes, is given. It is a
macroteiid lizard that inhabite forested regions in Rio Grande do Sul State, Southern Brazil. Its major
activities are in the warmest hours of summer days. The escape strategy, defensive and aggressive
behaviou against man and domestic dog, and the bipedalism used for escaping or attack are des-
cribed. The bipedal running is similar to Amphibolurus type. Despite of the ratio of the trunk, mem-
bers and tail that show that T. teguixin is a species on evident modification to the bipedal running
conditions, as it was pointed out by SNYDER (1949, 1952, 1954, 1962), it is not a typical one.
INTRODUÇÃO
A marcha bipedal em sáurios recentes tem sido observada por diver-
sos autores nas famílias Agamidae, Iguanidae, Varanidae e Teiidae, as quais
contém espécies de grande porte. Algumas espécies tomam postura bipedal
com certa frequência, sendo chamadas bipedais e outras fazem-no raramen-
te. Ainda há espécies que são chamadas bipedais parciais. As tipicamente
bipedais são encontradas nas famílias Agamidae e Iguanidae e possuem
* Aceito para publicação em 01.X.1982. Contribuição FZB nº 273
** Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Bol-
sista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq Proc. 30-IIll-
6090/76). Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
90 LEMA, T. de.
adaptações morfológicas para esse tipo de marcha (SNYDER, 1949, 1952,
1954, 1962).
Durante a corrida bipedal o ângulo de inclinação do tronco varia com a
espécie, tendo sido relatadas posturas erguidas a 25º, 45º, 75º ou mais,
quase em ângulo reto. Algumas espécies arrastam a cauda durante a corrida
bipedal, outras a erguem do solo, em maior ou menor grau.
As espécies que até agora foram vistas em postura bipedal, quer par-
cial, quer total, são:
1. Família AGAMIDAE. Agama atra (FITZSIMONS, 1943), Agamas-
tellio (SAVILLE-KENT, 1898), Amphibolurus cristatus (Mitchell, citado por
SNYDER, 1952), Amphibolurus muricatus (SAVILLE-KENT, 1898), Am-
phibolurus rufescens (BARRETT, 1950; WORRELL, 1963), Amphibolurus sp-
p. (BÓKER, 1935-37), Calotes versicolor (SMITH, 1935; LOVERIDGE, 1945),
Chlamydosaurus kingii (DE VIS, 1884; SAVILLE-KENT, 1895; GADOW,
1901; OSBORN, 1916), Otocryptis weigmanni (SMITH, 1935; SNYDER,
1952), Physignathus cocincinus (SMITH, 1953) Physignathus lesueuri
(SAVILLE-KENT, 1889; OSBORN, 1916; BARRETT, 1931; SNYDER, 1949),
Sitana ponticeriana (SMITH, 1935; SNYDER, 1952).
2. Família IGUANIDAE: Basiliscus basiliscus (SAVILLE-KENT, 1898;
SNYDER, 1949; BALLAIRS, 1969), Basiliscus plumifrons (SNYDER, 1949),
Basiliscus vittatus (COPE, 1875), Callisaurus draconoides (BARBOUR, 1926),
‘Corythophanes cristatus (Bogert citado por SNYDER, 1952), Crotaphytus
collaris (DITMARS, 1933; SMITH, 1946; SNYDER, 1952), Deiroptyx sp.
(BARBOUR, 1926), Dipsosaurus dorsalis (BÖKER, 1935-1937; SNYDER,
1952), Gambelia wizlizenii (SNYDER, 1952; GUIBÊ, 1970), /guana iguana
(BELLAIRS, 1969), Laemanctus serratus (BARBOUR, 1926), Sce/oporus un-
dulatus (SNYDER, 1952), Uma inornata (SNYDER, 1952).
3. Família TE//DAE: Ameiva surinamensis (SAVILLE-KENT, 1898),
Cnemidophorus maximus (VAN DENBURGH, 1922), Cnemidophorus tes-
sellatus (BURT, 1931), Kentropyx sp. (BÖKER, 1935-1937), Tupinambis
teguixin (SAVILLE-KENT, 1898).
4. Família VARANIDAE: Varanus giganteus (BARRETT, 1950; SNY-
DER, 1952; BELLAIRS, 1969), Varanus gouldii (LOVERIDGE, 1934; SNY-
DER, 1952), Varanus salvator (LOVERIDGE, 1945).
A corrida bipedal foi melhor estudada nas espécies, C. kingil, C. co-
llarıs, B. basilscus e Amphibolurus spp. Exceto B. basiliscus, que é ar-
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 91
bórea, os demais são de desertos. 4. rufescens é chamada de “lagarto
bicicleta” pelos movimentos pedalantes que executa durante a corrida bi-
pedal (WORRELL, 1963). C. kingil assume postura bipedal com frequência,
principalmente para a conhecida atitude aposemática, corre com o tronco
inclinado a 60º. B. vittatus foi vista correndo bipedalmente sobre a superfície
da água (COPE, 1875). LOVERIDGE (1934) observou postura bipedal defen-
siva em V. gouldii. Os varanídeos geralmente erguem-se nas patas trazeiras,
quer para observar o ambiente quer para a busca de alimento. Apesar de
terem o tronco longo, com frequência correm bipedalmente, principalmente
V. giganteus. O mesmo vale para /. iguana, de tronco muito longo e de
hábitos arborícolas, se bem que esta raramente adota postura bipedal.
SNYDER (1952) mediu a velocidade dos dois tipos de corrida: qua-
drupedal e bipedal, através de curtas filmagens. Comprovou que a bipedal é
mais veloz que a outra. Em milhas por hora verificou, por exemplo, que
B. basiliscus corre de 6a 8, C. collaris e Amphibolurus spp. de 12 a
16; na quadrupedal as marcas foram menores.
SNYDER (1952) verificou que há dois tipos de movimentos na corrida
bipedal: um (a) observado em B. basiliscus, em que os passos são muito
grandes, as patas descrevem uma elipse horizontal, há grande dispêndio de
energia; o outro (b) foi observado em Amphibolurus spp. em que as patas
movimentam-se proximamente e junto ao solo, em movimento pendular,
com grande economia de energia e maior velocidade. Geralmente os grandes
bipedais usam o primeiro tipo, inclusive aqueles de tronco longo; enquanto
que o segundo é próprio dos Agamidae em geral. O segundo tipo é o que se
observa na corrida quadrupedal de Crocodylia e Mammalia.
SNYDER (1954, 1962) notou algumas pequenas modificações na
anatomia e proporções das partes nas espécies de lagartos bipedais. Isso
pode ser interpretado como sendo a marcha bipedal dos sáurios, uma con-
quista muito recente. As modificações observadas foram: A. Anatômicas (a)
cintura pélvica mais estreita; (b) processo iliacal mais longo e mais refor-
çado; (c) processo proacetabular mais eficiente e erguendo mais a estrutura;
(d) processos transversos vértebro-sacrais soldados mais solidamente; (e)
musculatura dos membros mais deslocadas para cima e para dentro do tron-
co, ficando a coxa e a perna mais leves e delgadas; (f) músculos caudife-
murais mais desenvolvidos, inserindo-se nas vértebras caudais inicialmente e,
terminalmente na parte dorsal do fim do fêmur; (g) finalmente, a presença
de longo tendão nos membros posteriores e que atinge o dorso do joelho;
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
92 LEMA, T. de.
B. Proporcionais (a) membros anteriores reduzidos, principalmente as mãos;
(b) membros posteriores mais alongados em Iguanidae, principalmente os
segmentos proximais, enquanto que em Agamidae não há alongamento ou,
se há, este ocorre nos pés; (c) comprimento do tronco tende a redução; (d)
cauda geralmente longa e pesada, funcionando como contrapeso para o
tronco e cabeça erguidos, como balança cujo pivô é o acetábulo. SNYDER
(1962) verificou que, em C. collaris, bipedal típico, o comprimento do mem-
bro anterior esta para o posterior assim como 1:2; a mesma proporção em
/. iguana, bipedal raro, é de 1:1,5; nos Iguanidae bipedais em geral, os
membros anteriores são bem menores que os posteriores; o pé é o maior
que a coxa; esta é igual à perna. SNYDER (1949) verificou que, amputando
cerca de 2/3 da longa e pesada cauda de 2. basiliscus este não conseguia
assumir postura bipedal.
Em sáurios da América do Sul há apenas uma referência para 7.
teguixin (SAVILLE-KENT, 1898).
T. teguixin & o lagarto mais comum e com maior distribuição geográfica na
América do Sul. Conhecido vulgarmente no Brasil como lagarto-do-papo-
amarelo, tejú-açú ou, simplesmente, lagarto comum, ocorre desde o México até
a Argentina, a leste dos Andes. Possui hábitos terrestres e eventualmente
aquáticos, sendo um grande predador de ovos de aves e de outros répteis, como
tartaruga. Não há registros do ataque ao homem, quadrupedal ou hipedalmente.
A referência de SAVILLE-KENT (1898) é apenas uma citação e a única
publicação desse autor é um resumo de congresso, cujo original, pelo que
pudemos apurar, não foi publicado.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados 55 espécimens fixados que estão depositados na coleção de répteis do
Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN) em Porto Alegre,
Rio Grande do Sul, Brasil, cujos números e procedências seguem-se: BRASIL. Ilha de Fernando
de Noronha (7112). Rio de Janeiro: Ilha do Governador (7140, 7141). Santa Catarina: Rio Fortuna
(6458). Rio Grande do Sul: sem localidade (0736, 5876, 7687), Erechim (6161), Passo Fundo (0964),
Vacaria (4807), Camabará do Sul (4194), São Francisco de Paula (0944, 2505), Torres (6225), Traman-
dal (0951, 6256), Gravataí (3006), Viamão (0943, 1278, 1455, 5229, 5230, 5231, 5822, 5864), Sapucaia
do Sul (6184, 7054), Porto Alegre (0945, 0950, 1120, 4094, 4095, 4714, 6648), Tapes (2648), Triunfo
(7463), Sarandi (5872), Arroio do Tigre (6837), Rio Pardo (0946, 0947, 0948, 0949), Bagé (5865), São
Borja (5907, 5908), Ijuí (5909), Rosário do Sul (2581, 2582, 2583, 4734), Livramento (6096), Quaraí
(4735, 6741). URUGUAI. Serro de Animas (3472). ARGENTINA. Sem localidade (3337).
"Medidas. Fortam aferidas as medidas de comprimento do membro anterior (MA), do membro
posteriór (MP), do braço (BRA), do antebraço (ANT), da mão (MÃO), da coxa (COX), da perna
(PER), do pé (PE)-, do tronco (TR) e da cauda (CAU). A medida da cauda forneceu poucos elementos
porque a maioria dos espécimens estava com a cauda partida ou regenerada.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 93
Proporções. As partes medidas foram relacionadas obtendo-se os seguintes Índices: Rj =
MA/BRA, Ra = MA/ANT, R3 = MA/MAO, R4 = MP/COX, R5 = MP/PER, Rg = MP/PE, R7 =
MP/MA, Rg = TR/MA, Rg = TR/MP, Rıo = CAU/TR, Rı1ı = MA/MP, Rı2 = MP/TR, Rıa =
TR/CAU. Dessas proporções obtiveram-se as médias e construiram-se polígonos de frequência.
Os relatos aqui apresentados não obedecem a um critério científico uma vez que as observa-
ções foram feitas por outras pessoas e descritas ao autor.
ANÁLISE
Estudamos 7. teguixin do ponto de vista SNYDER (1954, 1962) no que
se refere à morfologia externa.
As medidas das caudas forneceram poucos dados porque geralmente
os adultos a tem partida ou regenerada. Apenas nos jovens encontramos
caudas originais inteiras. É difícil, um lagarto atingir o estado adulto com a
cauda inalterada e, a cada regeneração, a cauda encurta mais. Sendo assim,
os indivíduos mais velhos a tem mais alterada.
Pela Tabela | é possível, inicialmente, verificar que o tronco de T.
teguixin é curto em relação a outras espécies de sáurios ocorrentes no Rio
Grande do Sul, como, por exemplo, Pantodactylus schreibersii (microtei-
deo). Os membros posteriores são maiores que os anteriores, cerca de 1:1,5.
A mão é o pé são os maiores segmentos em seus membros respectivos, sen
do o pé muito maior que a mão. Em média, os segmentos proximais são
maiores que os intermediários (braço e coxa) exceto nos filhotes. Os mem-
bros posteriores apresentam musculatura bem desenvolvida, mais que nos
anteriores. A cauda é muito longa e pesada, afinando suavemente até uma
ponta muito fina e igualmente longa. A cintura pélvica é reforçada e, tanto
ela como a base da causa, são bastante muscularizadas.
Com base em SNYDER (1954, 1962), um sáurio bipedal deve apresen-
tar: (a) tendência à redução do tronco, (b) maior desenvolvimento dos mem-
bros posteriores, (c) segmentos proximais dos membros mais desenvolvidos
que os intermediários, por dedução, (d) cauda muito longa e pesada. Sob
estes aspectos, o lote examinado apresentou três padrões morfológicos. (A,
B, C,) e que são:
LA | MA: BRA ANT< MAO n B MA: BRA< ANT< MAO
MP: COX PER <PE MP: COX << PER <PE
ml. CÊ MA: BRA = ANT < MAO
MPB COX— PER PE
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
94 ; LEMA, T. de.
eae
O padrão A configura um bipedal típico; o B, um não bipedal; e o C
um tipo intermediário ou parabipedal, se considerarmos que os segmentos
proximais estão em desenvolvimento.
Foram encontrados, também, os padrões combinados dos seguintes
modelos:
IV. Aug | MA: BRA> ANT< MAO y pra | MA: BRA <ANT<MAO
MP: COX < PER <PE MP: COX >PER <PE
VI. AxC ) MA: BRA> ANT <MAO vIl. CxA MA: BRA = ANT<MAO
MPZECOR = PERES RE MP: COXP> PERP<SDE
vil. Bxc | MA: BRA <ANT <MAO
Mi COX = PER <PE
Os tipos intermediários (IV a VIII) parecem representar uma variação ao
acaso. Entretanto, podem ser também, modificações adaptativas ao bipe-
dalismo na espécie.
Como para a postura bipedal é importante o desenvolvimento dos
membros posteriores, os padrões com coxa maior seriam do tipo bipedal. Is-
so ocorre nos grupos aqui convencionados com A, B+Ã e C+aA.
A frequência percentual foi,para 60 elementos,a que segue.A:16,60%,
B: 11,67%, C: 6,67%, A ou B: 1,67%, A+B: 3,33%, B+A: 30,00%, A+C:
1,67%, C+A: 26,67%, B+C: 1,67%.
Logo, a maior porcentagem recai sobre os grupos portadores de seg-
mentos proximais mais longos, ou seja, em 73,34%.
Procurou-se relacionar os grupos com a procedência, avaliando cada
exemplar e plotando-se em mapas. O resultado foi um mosaico de distri-
buição geográfica, ou seja, não há relação.
Procurou-se relacionar com a idade e com o sexo, fazendo-se o re-
lacionamento dos segmentos dos membros pelo membro todo, dos mem-
bros entre si, do tronco com os membros e do tronco com a cauda. Às
razões (R) obtidas variaram em torno dos valores seguintes (intervalos de
variação):
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 95
=
|
=
>
|
E )80a4401X = 347)
BRA
R2 = Mae 2,80 a440 (x = 3,43)
ANT
Ega oa leere 240]
MAO
Ru Ne o aa A BO = 8 44)
COX
Be MET ao = 427)
| PER
R6 = Kirn 1,80 a 2,50 (x = 2,13)
PE
MP
R7 = = 1,30 a 1,90 (x = 1,56)
MA
Ag UR o za
MA
2,00)
TR ii
Rg = 1.03 al, As. (x = 427)
MP
= 1,67a3,05(%x = 2,55)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
96 LEMA, T. de.
Rqs=MA 059.2 07648 =:064)
MP
Ra ENDE. 0,5940,97 (x = 0,74)
TR
R13= Er. = 0,33 a0,60 (x = 0,39)
CAU
A distribuição das frequências das relações (Quadro) forneceu os
elementos para a construção dos polígnos de frequência da amostra ana-
lisada (Fig. 1- 2).
As relações referentes a cauda ficaram prejudicadas pelo baixo número
de exemplares com cauda inteira (26 exemplares somente).
Quanto ao sexo observou-se dimorfismo sexual no comprimento da
cauda. Em igual número de exemplares de ambos os sexos (13), a razão en-
tre o tronco e a cauda variou de 2,24 a 2,68 nas fêmeas e de 2,58 a 3,05 nos
machos, sendo as médias 2,44 e 2,74, respectivamente.
As razões foram graficadas (Fig. 3 - 15), tendo em vista o aumento
crescente com a idade. O exame dos gráficos permite formular as conclu-
sões que se seguem: os membros posteriores são muito maiores que os an-
teriores; os segmentos proximais são iguais, menores ou maiores que os
intermediários; a média das proporções indica os segmentos proximais como
sendo os maiores; nos filhotes o crescimento das partes é equivalente mas,
nos adultos, diverge; os membros posteriores crescem mais rapidamente que
os anteriores; os membros crescem menos que o tronco; o braço apresenta
crescimento igual ao antebraço; a coxa apresenta crescimento maior que a
perna; a mão e o pé crescem mais que os membros a que pertencem, res-
pectivamente; os segmentos proximais e intermediários crescem menos que
os membros correspondentes, respectivamente; a coxa cresce mais que o
braço; os membros posteriores e os segmentos proximais tem crescimento
maior que os membros anteriores e os segmentos intermediários.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 97
OBSERVAÇÕES
Não vimos marcha bipedal em 7. teguixim, mas observamos inúmeras
vezes a fuga. Notamos dois tipos de marcha na fuga, de um modo geral,
quando dentro do mato. O primeiro tipo consiste numa corrida quadrupedal
ruidosa, rápida, desabalada, dentro do mato ou da margem deste para den-
tro; O segundo tipo segue-se ao primeiro e consiste numa marcha muito
mais lenta, reptante, silenciosa, geralmente quando o animal está fora da
visão do perseguidor. Provocamos experimentalmente a fuga do animal
procurando sempre que possível mantê-lo sob a vista. Iniciamos a perse-
guição com evidência, fazendo bastante ruído e diminuindo-o a seguir, até
que silenciavam os sons produzidos pelo animal. Pudemos então, observar
que o animal continuava andando, lentamente, parecendo uma serpente.
Quando, acidentalmente, pisávamos em um galho seco que estalava rui-
dosamente, o lagarto novamente disparava dentro do mato ruidosamente.
Parece-nos evidente que o animal age assim estrategicamente para despistar
o inimigo. Procurando-o onde o som cessou não mais o encontrávamos.
Em diversas ocasiões surpreendemos 7. teguixim cercado por cães de
caça, enfrentando-os. Os cães latiam freneticamente em sua volta tentando
morder o réptil, avançando e recuando, mostrando temor de chegar perto
do lagarto. Este, mantinha-se quadrupedalmente, com a cauda curva para O
lado e para a frente, o dorso muito arqueado e alto, a cabeça semi-virada e
a boca entreaberta em atitude ameaçadora. Quando um cão chegava muito
perto do lagarto, este dava uma chicotada com a cauda e tentava mordê-lo.
Quando o lagarto mordia ficava vulnerável, ocasião em que recebia uma ou
mais mordidas rápidas dos cães na região do tronco geralmente. Nestas cir-
cunstâncias o lagarto quase sempre sucumbia ao ataque dos cães, quando
estes eram muitos (mais de 10). Em outras ocasiões o lagarto disparava para
o mato mais próximo em postura quadrupedal. Alguns exemplares que
retiramos dosrataques de ca&s, vieram a morrer depois e apresentavam
hematomas mais ou menos extensos decorrentes das mordidas. O cão
quando mordido pelo lagarto saia ganindo de dor.
Relato I: Clódio Sinval Marros, laboratorista do MCN. Local fazenda
situada a uns 40 km da cidade de Vacaria, Rio Grande do Sul, em zona de
campo com pasto alto e alguns capões isolados. Época: verão, entre dezem-
bro e março (data não registrada). Descrição — Cerca das 8h30min de um
dia muito quente, com sol, o relator e mais dos acompanhantes, auxiliados
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
98 LEMA, T. de.
por um cão de caça perdigueiro, estavam caçando perdizes. Em dado
momento o cão acuou um lagarto adulto, com cerca 1,50m. O cão foi
chamado pelos caçadores e obedeceu prontamente, enquanto o lagarto, que
havia enfrentado o cão, virou-se, fugindo velozmente em direção a um
capão de mato próximo e, logo após uma pequena corrida quadrupedal, er-
gue-se bipedalmente, ocasião em que sua velocidade aumentou sensivel-
mente, desaparecendo logo dentro do mato. Duran.s a marcha bipedal man-
tinha o corpo um pouco inclinado para a frente, arrastava a cauda e mo-
vimentava as patas junto ao solo em movimento pendular.
Relato Il: Breno Galli de Lema, universitário. Local: Guaíba Country
Club, Km 47 da rodovia BR 290, município de Guaíba, Rio Grande do Sul. A
região é de planície com coxilhas, predominando gramados e plantações
exóticas de eucalipto e acácia negra. Descrição — Cerca de 10h30min de um
dia quente de sol do mês de janeiro, o relator e mais dois acompanhantes,
junto com um cão de caça, caminhavam sobre um platô gramado, cercado
de mato, quando o cão acuou um lagarto de grande porte (cerca de 2m) a
quase 100m dos caçadores. O cão latia furiosamente, rodeando o réptil, ten-
tando mordê-lo, enquanto este mantinha-se sempre de frente para o cão, de
boca aberta, girando sobre si mesmo. Um dos homens, que não o relator,
adiantou-se para o lagarto empunhando uma faca em riste e parou a cerca
de dois metros do mesmo, ocasião em que o lagarto virou-se para o homem
e ergue-se bipedalmente, com a boca muito aberta, ostentando os dentes
cônicos agressivamente e a pele do pescoço inflada desde o mento até o
tórax; ato contínuo o lagarto jogou-se contra o homem que fugiu rapida-
mente sendo perseguido pelo lagarto bipedalmente até onde o platô declina.
O homem esquivou-se e o lagarto desceu correndo bipedalmente e entrando
no mato, tomando logo a postura quadrupedal e fugindo entre a vegetação.
O trajeto que o lagarto correu bipedalmente foi de cerca de 10m em linha
reta. A postura do réptil era quase em ângulo reto, ficando o animal muito
alto. O movimento das patas era pendular e a velocidade desenvolvida foi
tão grande que exigiu esforço do homem para escapar. A cauda era mantida
baixa, mas não foi visto se era arrastada ao solo.
Relato Ill: Pedro Canísio Braun, biólogo do MCN. Local: Bossoroca,
Rio Grande do Sul. Observou que, em dias quentes com sol forte, geral-
mente em torno do meio dia, a frequência de lagarto aumentava. Numa
ocasião viu um lagarto adulto de grande porte ser atacado por um pequeno
cão Fox Terrier. O lagarto levantou-se bipedalmente para atacar o cão, er-
guendo um pouco o tronco em cerca de 30º. Essa postura bipedal foi obser-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 99
vada mais duas vezes em ataque de lagartos de grande porte ao mesmo
cão.
Relato IV: Hugo Merlini, biólogo. Local: Parque Nacional de Palenar,
Entre Rios, Argentina. No dia'26/XI1/80 avistou um grande exemplar de
lagarto. Ao dirigir-se rapidamente ao mesmo para capturá-lo, esse ergue-se
bipedalmente contra ele, correndo cerca de 2m nessa postura. A corrida
cessou com a captura do lagarto.
Relato V: Esteban Astort, biólogo. Local: biotério do Instituto Nacional
de Microbiologia Dr. Carlos G. Malbrán, em Buenos Aires, Argentina. No dia
30/1X/81 o relator atacou com um sarrafo (estudos de comportamento) um
lagarto adulto e o mesmo ergue-se bipedalmente, inflando o pescoço e
correndo contra o agressor. A experiência foi repetida por mais duas vezes,
ocorrendo a mesma atitude. Nas três observações a corrida bipedal foi sus-
tada pelo biológo, usando a própria madeira do ataque na imobilização do
réptil.
CONCLUSÕES
O exame de 55 espécimens de 7. teguixin fixados mostram uma es-
pécie com condições para a marcha ou postura bipedal, ou seja, a presença
de um tronco curto, cauda muito longa e pesada, patas posteriores maiores
que anteriores.
Entretanto, as proporções entre as partes corpóreas não indicam um
bipedal típico mas, sim, uma espécie que está em processo de adaptação a
esse tipo de marcha.
Pelos relatos a marcha bipedal de 7. teguixim & do tipo pendular com
arrastamento da cauda e a inclinação do corpo é variável.
O ataque ao homem e ao cão indica ser uma espécie agressiva. A
postura bipedal com inflamento do pescoço e a exibição dos dentes seria,
por outro lado, apenas uma atitude aposemática. Porém, a investida efetiva,
conforme as experiências de Astort (relato V), mostra claramente tratar-se
de uma atitude de agressão.
Observando-se os registros feitos pelos diferentes autores pode-se
concluir que a bipedalia em suários é mais comum do que se pode pensar.
Esse tipo de postura parece surgir como um recurso extremo no sentido de
aumentar a velocidade, após ter se tornado insuficiente a marcha quadru-
IHERINGIA. Ser. Zooi., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
100 LEMA, T. de.
pedal, após ter se tornadc insuficiente a marcha quadrupedal. Nos relatos Il,
Il e V a bipedalia surgiu como uma atitude de agressão porque esta espécie
de lagarto é realmente agressiva. Nos relatos de outros autores a bipedalia
aparece como uma fuga de predador ou a uma condição adversa, por exem-
plo, para cruzar rapidamente uma área deserta, quente, de grande extensão
e em hora de maior insolação; ou, ainda, como uma atitude aposemätica,
como ocorre em Chlamydosaurus kingii.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a Hugo Merlini, Professor e Pesquisador do Centro de Zoologia Aplicada de la
Universidad Nacional de Córdoba, Argentina; a Esteban Astort, do Departamento de Ponzofias do Ins-
tituto Nacional de Microbiologia Dr. Carlos G. Malbrán, de Buenos Aires, Argentina; a Pedro Cenísio
Braun e Clódio Sinval Marros, do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Gran-
de do Sul, Porto Alegre, Brasil; e a Breno G. de Lema, pelos relatos fornecidos. A José Renato
Collares, estagiário do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
pelo auxílio prestado na análise e tomada de dados. Finalmente à João Oldair Menegheti, do Museu
de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, pelo aconselhamento estatls-
tico.
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102
LEMA, T. de.
Tabela | — Medidas de comprimento de 55 exemplares de Tupinambis
teguixin (Linnaeus, 1758) empressas em milímetros. ANT = antebraço, BRA
coxa, MAE = membro anterior esquerdo,
MAO = mão, MPE = membro posterior esquerdo, NºCOL = número do
exemplar na coleção, PE = pé, PERN = perna, T = total, TR = tronco.
= braço, CAU = cauda, COX =
Nº MAE MPE
COL BRA+ANT+MAO=T COX+PER+PE=T TR CAU
0736 50+59+60 = 169 65+68+90 = 223 347 722+N
5907 52+51+57 = 160 71+52+97 = 220 315 —
2583 48+43+58 = 149 82+53+83 = 228 312 530+N
7463 49+44+63 = 156 66+49+ 105 = 220 310 480+N
6648 42+45+56 = 143 67+48+95 = 210 280 =
4734 41+38+55 = 134 67+46+90 = 203 280 —
5872 42+34+55 = 131 40+53+86 = 179 250 523+N
0951 36+37+49 = 122 52+41+82 = 176 250 552+N
0964 25+25+40 = 90 43+36+65 = 144 245 245+N
6225 34+37+51 = 122 55+43+90 = 188 245 =
6096 35+38+45 = 118 58+44+76 = 178 25 -
6837 33+33+52 = 118 59+49+85 = 183 240 630
2648 38+38+54 = 130 51+50+85 = 186 240 460+N
5865 38+34+51 = 123 64+33+89 = 186 230 535
5876 32+37+50 = 119 55+45+83 = 183 230 —
3337 32+33+39 = 104 48+42+71 = 159 215 482
6256 34+27+41 = 102 55+32+80 = 167 215 555
7112 36+36+42 = 114 53+48+78 = 179 210 =
5909 34+30+41 = 105 56+38+78 = 172 205 -
2582 22+33+39 = 94 44+37+81 = 182 200 517
1455 36+29+50 = 115 50+42+88 = 180 200 269+N'
5908 24+28+42 = 94 51+34+73 = 158 195 520
1120 23+26+440 = 89 45+34+68 = 147 190 502
2581 27+32+43 = 102 48+36+76 = 158 190 428+N
4714 26+29+33 = 88 40+34+61 = 135 180 330+N
4194 29+29+41 = 99 41+35+63 = 139 173 378+N
0950 24+24+33 = 81 38+32+63 = 133 170 280+N
6161 20+24+34 = 78 29+38+60 = 127 158 205+N
4735 24+417+34 = 75 38+27+56 = 121 150 375
4095 19+19+25 = 63 30+22+51 = 103 142 237+N
0944 22+23+31 = 86 36+29+53 = 118 137 402
0945 24+18+26 = 68 29+18+50 = 97 135 132+N
0943 16+21+24 = 61 21+20+49 = 90 127 335
7687 13+15+23 = 51 29+23+41 = 93 113 303
7054 17+16+26 = 59 23+26+47 = % 110 320
2505 15+12+19 = 46 28+21+40 = 89 109 212+N
3472 14+13+22 = 49 21+20+38 = 79 103 245
6184 12+13+420 = 45 22+15+36 = 73 102 270
4094 13+14+20 = 47 24+18+38 = 80 93 261
5864 11+12+21 = 44 21+17+39 = 77 9 225
4807 12+13+16 = 41 18+15+31 = 64 89 225
5229 11+15+18 = 44 23+17+33 = 73 85 215
3006 13+12+20 = 45 21+15+37 = 73 85 130+N
5231 9+13+18 = 40 19+15+29 = 73 84 213
5230 12+14+18 = 44 21+16+32 = 69 79 210
6458 12+13+20 = 45 22+17+34 = 73 75 229
5822 12+14+21 = 47 18+17+34 = 69 75 205
0946 11+11+17 = 39 19+14+31 = 64 74 200
1278 11+11+18 = 40 19+15+31 = 65 73 120+N
0947 10+10+13 = 33 14+13+29 = 56 70 172
6741 11+ 9+11= 3 15+13+26 = 54 70 57+N
0948 12+ 9+15 = 36 15+14+26 = 55 67 114+N
0949 10+ 9+16 = 35 15+10+29 = 54 66 175
7140 11+ 9+14 = 34 15+14+22 = 51 65 110+N
7141 11+10+13 = 34 15+14+27 = 56 65 153
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 103
Tabela II — Proporções (R) entre as medidas de comprimento dos
membros, tronco e cauda de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758). NºCOL
= número do exemplar na coleção, Ri = membro anterior/braço, R2 =
membro anterior/antebraço, R3 = membro anterior/mão, R4 = membro
posterior/coxa, R5 = membro posterior/perna, Rg = membro posterior/pé,
R7 = membro posterior/membro anterior, Rg = tronco/membro anterior,
Rg = tronco/membro posterior, R10 = cauda/tronco, R1j] = membro an-
terior/membro posterior, R12 = membro posterior/tronco, R13 = tron-
co/cauda.
Nº Rr O R2 RR R4 O Rs R6 R7 Rg R9 Ryo AR Rı2 Rag |
coL
0738 3,40 2% 280 340 330 250 10 205 156 - 076 064 —
5907 3,10 310 280 310 420 23 140 1,97 143 - 073 070 -
2583 310 350 260 280 43 240 150 200 17 - 065 073 -
7463 360 3,30 450 210 140 199 1,41 — 0,21. 071 =
6648 340 3,20 250 310 440 2,20 150 196 13 - 068 05 -
4734 330 35 240 300 440 220 1,50 209 1,38 - 066 072 -
5872 310 380 240 450 340 210 1,40 1,91 140 - 073 072 -
0951 340 3,3 250 340 4% 210 1,40 205 142 - 069 070 -
0064 3,60 3,60 220 33 400 220 1,60 272 10 - 062 059 —
6225 360 330 240 340 44 210 150 201 130 - 065 07 -
6096 3,40 3,10 260 310 40 23 150 208 138 - 06 073 —
6937 3,60 360 23 310 370 210 1,50 203 131 263 0,64 0,76 0,38
2648 340 3,40 240 3,60 3,70 220 1,40 1,85 1292 - 070 08 -
5865 3,20 3,60 240 290 5,680 210 150 1,87 124 233 0,66 081 0,43
5876 370 320 240 330 410 220 150 193 126 - 065 079 —
3337 3,20 310 270 35 380 220 1,50 207 1,35 224 0,65 074 045
6256 300 3,80 250 300 520 210 1,60 21 1,29 258 0,81 078 0,39
7112 320 320 270 34 370 230 1,60 184 1417 - 064 085 —
5909 3,10 350 260 310 450 220 160 15 119 — 061 084 —
2582 430 280 240 370 440 200 1,70 213 1,23 25º 0,58 081 0,39
1455 320 400 23 360 43 20 150 1,74 11 - 064 0% -
5908 3,90 3,40 220 3,10 460 220 1,70 207 1,23 2,67 059 081 0,37
1120 390 3,40 2,20 330 430 220 1,60 213 1,29 264 0,60 079 0,38
2581 380 320 240 340 440 210 1,50 1,86 1,20 0,64 083 —
4714 3,40 300 2,70 3,40 400 220 1,50 204 133 - 065 075 -
4194 340 340 2,40 340 400 220 140 1,75 1,24 - 071 080 —
0950 340 3,40 240 3,50 420 210 1,60 204 1,28 - 061 078 —
6161 30 320 2,30 440 3,30 210 1,60 202 1,24 — 061 080 —
4735 3,10 440 2,20 320 450 2,20 1,80 200 1,24 250 0,62 0,81 0,40
4095 3,30 3% 250 340 470 20 160 225 18 - 061 072 -
0944 3,90 3,70 280 33 410 220 1,60 225 1,16 243 073 08 0,33
0945 280 380 2,60 3,30 540 1,90 140 198 139 - 070 072 —
0943 380 2,9 250 43% 450 1,80 150 208 141 264 0,68 0,71 0,38
7687 390 340 220 320 400 230 1,80 221 1,21 268 0,55 082 0,3
7054 350 370 230 4% 370 200 1,80 1,86 1,14 291 0,61 087 0,34
2505 310 380 240 320º 40 20 19 27 12 - 02 082 -
un 35 3,80 220 380 39 210 1,60 210 1,30 238 062 07 0,42
6184 370 3,50 2,20 330 490 200 1,50 227 1,40 26 062 071 0,38
4094 260 340 230 330 440 2,10 1,70 1,988 1,15 281 0,59 086 0,36
5864 400 370 210 370 450 20 1,70 204 1,17 250 058 0,86 0,40
4807 340 310 260 350 430 210 160 217 13 253 0,64 0,72 0,39
5229 400 290 240 3,20 430 2,20 1,50 1,93 1,16 253 0,60 0,86 0,39
3006 3,50 370 220 350 49 200 160 1,89 1,16 - 062 086 —
5231 440 310 220 380 49 250 1,80 210 1,15 254 055 087 0,39
5230 37 310 240 3% 430 210 1,60 1,79 1,14 2,66 0,64 0,87 0,38
6458 3,70 350 220 330 430 210 1,60 1,67 103 305 062 0,97 0,33
5822 3,90 310 270 380 400 200 1,50 1,59 109 273 0,68 092 0,3
0946 250 3,50 23 240 +60 210 1,80 1,90 1,18 2,70 0,61 0,86 0,37
1278 360 360 220 3,40 4,30 210 1,60 182 112 - 061 089 -
0947 3,30 3% 250 400 430 1,90 1,70 212 1,25 246 059 0,80 0,41
6741 2,80 340 280 360 410 210 1,70 226 130 - 057 07 -
0948 3,00 4,00 240 3,70 3% 210 1,50 186 1,22 - 05 082 —
0949 350 39 2,20 3,60 540 1,90 1,50 1,88 1,22 265 0,65 0,82 0,38
7140 3,10 3,80 240 340 360 23 150 19 17 - 067 078 —
7141 3,10 340 260 370 400 210 1,80 19 1,16 235 0,61 0,86 0,42
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IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
LEMA, T. de.
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104
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 105
Fig. 1. Polígno das frequências das proporções Rj a Rg numa mostra de 55 espécimens de
Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758). Rq = membro anterior/braço, Ra= membro anterior/antebraço,
R3= membro anterior/mão, R4= membro posterior/coxa, R5 = membro posterior/perna, Rg= mem-
bro posterior/pé.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 2. Polígno das frequências das proporções R7 e Rı3 numa mostra de 55 espécimens de
Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758). R7= membro posterior/membro anterior, Rg= tronco/membro
anterior, Rg= tronco/membro posterior, Rıg= cauda/tronco, R11= membro anterior/membro pos-
terior, Rj2= membro posterior/tronco, R13= tronco/cauda.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 107
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Fig. 3. Distribuição das medidas de comprimento do braço (BRA) e do antebraço (ANT) (R4)
numa amostra de 55 exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 4. Distribuição das medidas do braço (BRA) e do membro anterior (MA) (R2) numa amos-
tra de 55 exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
109
Bipedalia em Tupinambis teguixin...
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Fig. 5. Distribuição das medidas da coxa (COX) e da perna (PER) (R3) numa amostra de 55
exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 6. Distribuição das medidas da coxa (COX) e do membro Posterior (MP) (R4) em 55 exem-
plares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 111
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Fig. 7. Distribuição das medidas do membro anterior (MA) e do membro posterior (MP) (R5)
em 55 exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 8. Distribuição das medidas do membro anterior (MA) e do tronco (TR) (Rg) em 55 exem-
plares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin...
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Fig. 9. Distribuição das medidas do membro posterior (MP) e do tronco (TR) (R7 em 55 exem-
plares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 10. Distribuição das medidas do antebraço (ANT) e do membro anterior (MA) (Rg) em 55
exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin...
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Fig. 11. Distribuição das medidas da mão (MAO) e do membro anterior (MA)
exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 12. Distribuição das medidas da perna (PER) e do membro posterior (MP) (Rıg) em 27
exemplares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
Bipedalia em Tupinambis teguixin... 117
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Fig. 13. Distribuição das medidas do pé (PE) e do membro posterior (MP) (R11) em 55 exem-
plares de Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 14. Distribuição das medidas do braço (BRA) e da coxa (COX) (R12) em 55 exemplares de
Tupinambis teguixin (Linnaeus, 1758).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):89-119, 24 mar. 1983
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Fig. 15. Comparação da variação das proporções Rj a Rıg em 55 exemplares de Tupinambis
teguixin «Linnaeus, 1758), exceto (Rıo) que contou só com 27 exemplares. Rj = membro anterior
/brago,, Ra= membro anterior/antebraço, R3= membro anterior/mão, R4= membro posterior/coxa,
R5= membro posterior/perna, Rg= membro posterior/pé, R7= membro posterior/membro anterior,
Rg= tronco/membro anterior, Rg= tronco/membro posterior e Rıg= cauda/tronco.
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Captura de Belostomatidae (Hemiptera, Heteroptera) com ar-
madilha luminosa. |.- Lethocerus annulipes (Herrich-Schaffer,
1846). *
Dionísio Link**
Maria Elizabeth Lanzer de Souza***
RESUMO
Com uma armadilha luminosa equipada com lâmpada ultravioleta FI5T8BL,15 watts efetuou-se a
captura de 250 Lethocerus annulipes (Herrich-Schaffer, 1846) em Santa Maria, Rio Grande do Sul,
Brasil, no período de agosto de 1971 a julho de 1974. Correlacionou-se a atividade de vôo deste belos-
tomatideo com os dados meteorológicos nos dias de coleta. A maior quantidade de indivíduos co-
letados ocorreu nos meses mais quentes, predominando espécimes machos. Obteve-se correlação
simples e positiva significativa somente entre a insolação e o número de machos capturados.
ABSTRACT
A search was made to study the capture of Lethocerus annulipes (Herrich-Schaffer, 1846) with
blacklight trap, at Santa Maria, Rio Grande do Sul State, Brazil, during August 1971 to July 1974.
The date were correlated with meteorological factors.
The greatest montly captures occured during the hot season, and males were dominant.
There is a positive and significative correlation beetwen insolation and the number of males cap-
tured.
INTRODUÇÃO
A capacidade de serem atraídos pela luminosidade é bastante difundida
entre os Belostomatidae, porém é pouco o que se sabe sobre seu relacio-
namento com os fatores meteorológicos.
* Aceito para publicação em 28.X.1982. Contribuição FZB nº 274. Parte do projeto: Entomofauna
de Santa Maria e arredores.
** Professor adjunto do Departamento de Defesa Fitossanitária (DDF), Centro de Ciências Rurais
(CCR) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS).
**º Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul (MCN) e Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tec-
nológico (CNPq, processo 30.0278/78-Z0-07).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):121-131, 24 mar. 1983
122 LINK, D. & LANZER DE SOUZA, M.E.
O conhecimento da atividade de vôo de insetos aquáticos predadores,
especialmente Belostomatidae, é importante não só para tentar elucidar as
causas que os levam a abandonarem seu ambiente natural como também
para explicar seu poder de dispersão. As barreiras climáticas, por exemplo,
podem determinar limites que se refletem efetivamente sobre a ecologia da
fauna local e sobre as migrações pelas diversas regiões do Estado.
CUMMINGS (1933) apenas comenta que durante a noite os belos-
matídeos adultos podem ser atraídos por focos luminosos, situados próximos
ao seu habitat, devido ao seu alto poder de percepção.
Já em 1935, DE CARLO afirma que, em dias de baixa pressão atmos-
férica, estes insetos aquáticos saem da água e se lançam ao vôo.
Em 1964, BOWDEN estuda a influência das fases lunares sobre a dis-
persão de duas espécies etiópicas de Belostomatidae, em Gana, África. Pos-
teriormente, CULLEN (1969) em Trinidad, na América Central, analisa a in-
fluência da lua cheia e de estações chuvosas sobre a atividade de vôo des-
ses hemípteros, estabelecendo ainda que o ritmo de sua atividade noturna é
estreitamente dependente da temperatura.
GONSOULIN (1973) salienta que, dentre os Belostomatidae, os es-
pécimes do gênero Belostoma Latreille, 1807 e Lethocerus Mayr, 1853 são
os que mais se deixam atrair pelos diferentes focos luminosos das lumi-
nárias das ruas.
Em 1974, DUVIARD estuda o correlacionamento da atividade de vôo
de 5 espécies de Belostomatidae com a temperatura noturna, as épocas de
chuva e ritmos lunares, determinando para Diplonychus nepoides (Fabricius,
1803), a mais abundante, correlação positiva altamente significante entre o
número de exemplares coletados e a temperatura noturna, bem como, um
ritmo lunar bem marcado, salientando que a época de chuva não demonstra
ser um fator importante.
Por sua vez, LANZER (1975b) comenta sobre a frequente incidência de
Belostoma e, principalmente Lethocerus esvoaçando junto às luminárias de
mercúrio que se localizam próximo ao seu habitat, em noites quentes, quan-
do a temperatura se aproxima de 30ºC. Em outra oportunidade LANZER
(1975a) analisa a distribuição geográfica de Lethocerus annulipes (Herrich-
Schaffer, 1846) no Estado do Rio Grande do Sul, registrando novas ocorrên-
cias e ampliando o conhecimento sobre sua dispersão no Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):121-131, 24 mar. 1983
Captura de Belostomatidae... 123
A extensiva coleta efetuada com armadilha luminosa teve o principal
objetivo de investigar a ação dos fatores meteorológicos da microrregião de
Santa Maria sobre as espécies de belostomatídeos e, mais especificamente,
sobre Lethocerus annulipes devido sua ocorrência abundante nessa mi-
croregião. Além disto, esse estudo propicia novas correlações e os dados
obtidos, inclusive sobre outras espécies, estão sendo computados, poden-
do oportunizar novas conclusões sobre a disseminação desses insetos no
Estado do Rio Grande do Sul (RS).
MATERIAL E MÉTODOS
Instalou-se uma armadilha luminosa modelo “Luis de Queiróz” (SILVEIRA NETO & SILVEIRA,
1969), com as modificações realizadas por CARVALHO et alii (1971), equipada com lâmpada ultra-
violeta, modelo F15T8BL, 15 watts, na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Univer-
sidade Federal de Santa Maria, RS, situada a 95 metros de altitude e distante cerca de 30 metros da
Estação Climatológica Principal, cujas coordenadas geográficas são: latitude 29º42'S; longitude
53742'W.
A armadilha ficou localizada na parte mais elevada do terreno, ficando a lâmpada distante 1,5
metros do nível do solo. A vegetação predominante num raio de 150 metros compreendia pastagens
de gramíneas com alguns arbustos de pequeno porte. O curso de água mais próximo dista cerca de
500 metros da armadilha em direção norte. Interpondo-se entre o curso de água e a armadilha situa-se
uma barreira de Pinus taeda L. com mais de 10 metros de altura, à semelhança de um quebra vento
compacto, interferindo na ação da luminosidade em toda área a oeste da armadilha.
O desnível do terreno desde o local da armadilha até o curso de água é superior a 20 metros.
A lâmpada permaneceu ligada das 18 horas às 8 horas do dia seguinte, por cinco noites durante
a semana, retirando-se o material diariamente pela manhã.
O período de coleta estendeu-se de 1º de agosto de 1971 a 31 de julho de 1974.
Os espécimes coletados, armazenados, primeiramente em álcool 70% e, posteriormente (após
rápida secagem) em envelopes entomológicos, foram identificados de acordo com DE CARLO (1935),
MENKE (1963) e NIESER (1975) e separados por sexo.
Parte do material estudado está incorporada à coleção entomológica do Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN) e outra parte encontra-se no Depar-
tamento de Defesa Fitossanitária da Universidade Federal de Santa Maria.
Fez-se a análise de regressão e correlação entre o total de L. annulipes, bem como entre o
número de exemplares machos e o de fêmeas com registro simultâneo dos seguintes fatores me-
teorológicos: velocidade do vento às 21 horas (Vv), pressão barométrica (Pb), temperatura máxima
absoluta diária (TM) temperatura mínima absoluta diária (Tm), temperatura média diária (TA), umidade
relativa (UR), nebulosidade (N), evaporação (Evp), insolação (|) e precipitação pluviométrica diária (Pr)
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA, 1971 e 1975a, b, c).
Para a análise de regressão e correlação simples e múltipla seguiu-se SOUTHWOOD (1971) e foi
usado o computador IBM 1130 da Universidade Federal de Santa Maria.
RESULTADOS
Capturou-se um total de 250 espécimes de L. annulipes, discriminados
em 182 machos e 68 fêmeas, sendo que em aproximadamente 40% das cap-
turas ocorreu somente um exemplar.
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Durante todo o período de coleta a captura destacou-se sobremaneira
nos meses mais quentes do ano, sendo fevereiro o mais representativo. Nos
meses pertencentes às estações de outono e inverno a captura foi baixa e,
por vezes, inexpressiva ou até mesmo nula (Fig. 1)
Obteve-se um total de 68 dias de apreensão, onde, ao acaso, por 55
vezes ocorreram machos e por 37 vezes fêmeas (Tabela |).
A correlação simples entre os fatores meteorológicos e o número
de espécimes capturados permitiu o estabelecimento de uma correlação
positiva significativa, ao nível de 5%, somente entre insolação diária e o
número de indivíduos machos coletados (Tabela ||).
As correlações múltiplas positivas e significativas aos níveis de 1% e
5% indicaram uma ação conjunta de vários fatores meteorológicos anali-
sados, tanto para o número total de espécimes capturados quanto para o de
machos isoladamente (Tabela Ill).
As correlações múltiplas significativas estabelecidas entre os dados
meteorológicos e o número de machos (Tabela Ill) determinou como único
fator negativo, a temperatura mínima do dia.
DISCUSSÃO
O fato de ocorrer apenas um exemplar de L. annulipes em cerca de
40% das capturas pode ser explicado pela distância da localização da ar-
madilha em relação ao seu habitat, podendo, entretanto, comprovar a gran-
de capacidade de vôo desses hemipteros (CUMMINGS, 1933 e DUVIARD,
1974).
As maiores coletas mensais de exemplares ocorrentes nos meses mais
quentes do ano demonstram que as baixas temperaturas diminuem a ati-
vidade de vôo desses hemipteros aquáticos.
A proporção dos sexos, de cerca de três machos para uma fêmea cap-
turada, contraria, em parte, a hipótese de BOWDEN (1964) de que os adul-
tos utilizavam-se do vôo para colonizar novos habitats e se aproxima mais
daquela de CULLEN (1969) de que a falta de alimento induz a força de
migração.
A correlação simples positiva e significativa entre a insolação e o
número de machos /. annulipes capturados, deve-se, provavelmente, a um
aumento de temperatura da água de seu habitat, o que estimula sobre-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):121-131, 24 mar. 1983
Captura de Belostomatidae... 125
maneira a atividade de vôo desses hemípteros (DINGLE, 1961). Entretanto,
ainda dependentes da ação de uma fonte luminosa qualquer como atrativo
(CUMMINGS, 1933).
A correlação negativa e não significativa entre a precipitação pluvio-
métrica e o número de exemplares atraídos pela armadilha, choca-se frontal-
mente com os dados obtidos por BOWDEN (1964) e CULLEN (1969), mas
concorda plenamente com os resultados de DUVIARD (1974). O fato de não
haver estação de seca definida nas localidades de Santa Maria e Foro-foro
(DUVIARD, 1974), ao contrário do que ocorre nos locais estudados por
BOWDEN (1964) e CULLEN (1969) pode explicar a semelhança entre os
resultados obtidos com os de DUVIARD (1974).
Os baixos valores obtidos nos elementos meteorológicos: insolação,
evaporação e umidade relativa, indicam capturas mínimas ou nulas e ao
contrário, leva a bons resultados de coleta, sendo isto, a causa provável de
ter-se obtido duas vezes elevado número de espécimes numa noite, quando
ocorreram valores elevados nestes elementos meteorológicos no dia pre-
cedente.
BOWDEN (1964) também capturou, numa só noite, um elevado nú-
mero de Belostomatidae, sem explicação aparente, entretanto, não efetuou
nenhum relacionamento do fato com os fatores meteorológicos mencio-
nados nesse trabalho.
A ação negativa da temperatura mínima diária determina que abaixo de
certo valor, apesar de outros elementos favoráveis, não haverá atividade de
vôo desses insetos. Isto indica o valor deletério deste elemento meteoro-
lógico, concordando parcialmente dom DUVIARD (1974) de que baixas tem-
peraturas reduzem a atividade de vôo e consequentemente a possibilidade
de captura.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao professor Valdulno Estefanel a prestimosa colaboração nas análises estatísticas
e interpretação dos resultados.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre(62):121-131, 24 mar. 1983
127
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128
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tados com armadilha luminosa na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade
Federal de Santa Maria, RS, no período de agosto de 1971 a julho de 1974.
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Fig. 2. Frequência mensal da captura discriminada de machos e fêmeas de Lethocerus annulipes
(Herrich-Schaffer, 1846) coletados com armadilha luminosa na área experimental do Departamento de
Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, RS, no período de agosto de 1971 a julho de 1974.
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Naturais, Jardim Botânico e Parque Zoológico da FZB. E publicado em quatro séries: BOTÂNICA,
ZOOLOGIA, ANTROPOLOGIA e GEOLOGIA.
Cada série é editada em fasciculos com numeração corrida independente, podendo conter um ou
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O periódico em seu todo ou cada uma das séries individualmente é distribuído a Instituições
congêneres em regime de permuta. Mediante entendimento prévio pode também ser enviado a cientis-
ta e demais interessados.
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given to articles dealing with the flora, the fauna and the natural resourses of Rio Grande do Sul
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ZOOLOGIA
CONSELHO EDITORIAL
Dr. Adão José Cardoso — Universidade Estadual de Campinas.
Campinas, Brasil.
Dr. Adolfo H. Beltzer — Instituto Nacional de Limnologia,
Santa Fé, Argentina
Dr. Alceu Lemos de Castro — Museu Nacional do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil.
Dra. Ana Timótheo da Costa — Museu Nacional do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil.
Dr. Arnaldo C. dos Santos Coelho — Museu Nacional no Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil.
Dr. Fernando D. de Avila Pires — UFRGS,
Porto Alegre, Brasil. =
Dr. Argentino Bonetto — Centro de Ecologia Aplicada del Litoral,
Corrientes, Argentina.
Dr. Enrique H. Bucher — Centro de Zoologia Aplicada,
Cördoba, Argentina.
Dr. Fernando da Costa Novaes — Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia — Museu Paraense
Emilio Goeldi,
Belém, Brasil.
Dr. José C. de Melo Carvalho — Museu Nacional do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil.
Dr. José Felipe Ribeiro Amato — Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil
Dr. José Henrique Guimarães — Museu de Zoologia da USP,
São Paulo, Brasil.
Dr. José Luiz Leme — Museu de Zoologia da USP,
São Paulo, Brasil.
Dr. Julio Cesar Garavello — Universidade Federal de São Carlos,
São Carlos, Brasil.
Dr. Luiz Dino Vizotto — Universidade Estadual Paulista
São Paulo, Brasil.
Dra. Maria Elena Galiano — Museu Argentino de Ciências Naturales Bernardino Rivadavia,
Buenos Aires, Argentina.
Buenos Aires, Argentina.
Dr. Newton Castagnolli — Coordenadoria de Pesquisa de Recursos Naturais,
São Paulo, Brasil.
Dr. Petrônio Alves Coelho — Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, Brasil.
Dr. Renato Contin Marinoni — Universidade Federal do Paraná,
Paraná, Brasil.
Dra. Sylvia M. Lucas — Instituto Butantan — Seção de Artrópodes Peçonhentos,
São Paulo, Brasil.
Dr. Ubirajara R. Martins — Museu de Zoologia da USP,
São Paulo, Brasil.
Dr. Wladimir Lobato Paraense — Instituto Oswaldo Cruz,
Rio de Janeiro, Brasil.
Dr. Walter Narchi — Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo,
São Paulo, Brasil.
Dr. Werner Bokermann — Fundação Parque Zoológico de São Paulo,
São Paulo, Brasil.
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21- =|
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série Zoologia
BL ISSN 0073-4721
VOLKMER - RIBEIRO, C. et alii The unexpected occurence of Drulia brown
(Bowerbank, 1863) (Porifera, Spongilidae) in an oxbow lake at the ex
treme south of Brazil ; FRE
THOMÉ, JW. Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais: primeira
ocorrência nas Ilhas Christmas (Australia) do Oceano Indicc
+
MENEGHETI, J.O. Aspectos da relação de coexistência entre Nothura ma
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com a descrição de uma nova espécie (Heteroptera, Pentatomidae, Pen
tatomini)
Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
Tecnológico (CNPq), Processo: 40.1656/ 83.
D
Publicado com auxilio no Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e
FUNDAÇÃO ZOOBOTÂNICA DO RIO GRANDE DO SUL
Entidade de direito privado, instituída pela Lei Estadual nº 6497 de
20/12/72. (Supervisionada pela Secretaria de Estado da Agricultura).
ZOOBOTÁNICA
Governador do Estado
JAIR DE OLIVEIRA SOARES
Secretário de Estado da Agricultura
JOÃO SALVADOR DE SOUZA JARDIM
Presidente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
JOSE WILLIBALDO THOME
Diretoria da Fundacao Zoobotänica do Rio Grande do Sul
Diretor-Superintendente
HERACLIDES SANTA HELENA
Diretores-Executivos
do Jardim Botänico — ALBANO BACKES
do Museu de Ciências Naturais — GILBERTO CARVALHO FERRAZ
do Parque Zoológico — CLÁUDIO GIACOMINI
Impresso com autorização e sob a responsabilidade do
Diretor Superintendente da FZB (alinea d,
art. 14, dos Estatutos — Decreto RS
nº 22.683/73)
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The unexpected occurrence of Drulia-browni (Bowerbank, 1863)
(Porifera, Spongillidae) in an oxbow lake at the extreme South of
Brazil. *
C.Volkmer-Ribeiro **
R. De Rosa-Barbosa **
H. Fonseca Mello ***
RESUMO
A notícia da ocorrência de espécimes de uma esponja de água doce com tamanho avantajado, nos
rios Toropi e Ibicuí (bacia de captação do médio Uruguai) na parte central do Estado do Rio Grande do
Sul, foi averiguada pelo autor senior. Em expedição ao local, diversos espécimes da esponja foram
coletados em um lago em crescente (oxbow lake) próximo ao rio Ibicuí, no Município de São Vicente do
Sul. Todos os espécimes disponíveis, coletados na área, foram estudados pelos dois primeiros autores
e identificados como Drulia browni (Bowerbanck, 1863) sensu Mothes de Moraes (1983). O presente
registro, além de ampliar sobremodo a distribuição meridional da espécie ne Continente é também o seu
primeiro para o sul do Brasil. Uma descrição suscinta da área é oferecida pele primeiro e terceiro au-
tores.
ABSTRACT
The notice of the ocurrence of some large specimens of a freshwater sponge in Toropí and Ibicuí
rivers (catchment area of middle Uruguay River) in the central part of Rio Grande do Sul State, extreme
South of Brazil, was checked by senior author. Upon a collecting trip to the area several specimens
were picked from an oxbow lake by Ibicuí River in São Vicente do Sul county. All the specimens
available collected from the area were studied by the first and secend author and identified as Drulia
browni (Bowerbanck, 1863) sensu MOTHES DE MORAES (1983). The present register extends the
range of the species farther south in the Continent and it is the first for the south of Brazil. A brief des-
cription of the area is offered by the first o ll authors.
INTRODUCTION
The notice of some large specimens of a freshwater sponge, recently
collected in the central part of Rio Grande do Sul State (RS) and deposited at
* Accepted for publication on 05. |.1983. Contribution FZB nº 277:
** From Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal
1188, 90000 - Porto Alegre, RS, Brasil. Research fellows of Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), Brasil.
*** Geographer of the Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, acting at Museu de
Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
4 VOLKMER - RIBEIRO, &etalii
Museu de Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul,
made the senior author to organize a little expedition to confirm this record.
These specimens exibited the peculiar aspect of specimens of Drulia browni
(Bowerbanck, 1863) typical of the Amazon River. Spicular preparations con-
firmed the first glance identification. A brief description of the material collec-
ted as well as of the habitat is next offered.
MATERIAL EXAMINED
MCP (Museu de Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) 41-55 lagoa
placed by the confluence of Ibicuí-Mirim and Toropi rivers, Sáo Vicente do Sul, RS, 04.V.1981, Abrahão
Cargnin leg.; MCN (Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul) 915,
919-923, lagoa by Ibicuí River, Fazenda Santa Fé, São Vicente do Sul, RS, 01.X11.1981, C.V. Ribeiro
leg.; MCN 916, lagoa by Ibicuí River, Fazenda Santa Fé, São Vicente do Sul, RS, 01.X11.1981, I.L.
Veitenheimer Mendes leg.; MCN 917, lagoa by Ibicuí River, Fazenda Santa Fé, São Vicente do Sul, RS,
01.X11.1981, S. Drügg Hahn leg.; MCN 918, lagoa by Ibicuí River, Fazenda Santa Fé, São Vicente do
Sul, 01.X11.1981, Zune Just leg.
DESCRIPTION OF THE SPECIMENS
The sponges are spherical and have grown around submersed branches
of the riparian trees. Some of these sponges must have been some time out of
the water but the largest ones must problably have been under the water for
several years what explains their largesize. Specimen MCP 54, which has
resulted from the growing together of three sponges (Fig. 1), makes up the
largest sample of freshwater sponge up to present deposited (largest diameter of
this sample is 42,0cm and that of the largest of the three sponges is 31,3cm).
The oscular appertures can be easily seen (Fig. 1).
The sponges collected from the lagoas by Ibicuí River have a blackish
colour and its skeletal fibers are slimmer and more brittle than in those spon-
ges collected by Pe., Cargnin from the lagoa by the confluence of Toropi and
Ibicuí-Mirim Rivers. These last ones are stout sponges with a brownish colour.
The spicular components of all specimens are however comparable and con-
form perfectly the spicular assemblages of D. browni as illustrated in MO-
THES DE MORAES (1983). Microscleres are abundant. Gemmules are also
abundant and held inside cages built up of beta megascleres.
BRIEF DESCRIPTION OF THE AREA
The lake the sponges were picked from by the expeditien is a typical ox-
bow lake (HUTCHINSON, 1957, STRAHLER, 1974), resulting from the cutting
of a meander in the floodplain of Ibicuí River in this area (29º48'30"'S and
54° 36° 30'’W) (Fig.2). The interpretation of vertical aerophotographies
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
The unexpected occurence of Drulia brown... 5
(Scaled 1:60.000/1966 and 1:110.000/1975) evinced the existence of oxbow
lakes, islands, and swampy areas all along the flood plain of low Ibicuí River
between São Vicente do Sul and Cacequi counties,Rio Grande do Sul State.
The study of the aerophotographies also evinces the formation of a ge-
neration of such oxbow lakes showing that the river has shifted its course in
this area with time. Ibicuí River in this region cuts through the geomor-
phological province of the Depressão Periférica (CARRARO et alii, 1974). The
floodplain is about 6.500m large (Fig. 2). The oxbow lakes are inplaced in the
innundation strip of forest left along the river banks. Many years of agriculture
practicing in this region (at present rice is the main crop) have certainly re-
duced a larger forest previously existent.
At the time of the expedition work (last week of Spring) the lake visited
had standing waters of brown colour. Most of the forest ground crossed to
reach the lake was wet and one little brook and several swampy spots evin-
ced the alimentation of these lakes by run-off waters from the hills not far
from this region.
FORTES (1959) writes about large floods of Ibicuí River. At such oc-
casions the main river and its contributors may have their level raised eight to
ten meters in a few hours, what lefts the riparian trees completely submersed.
Such largefloods may also dam the waters from the contributors and even
stablish in them conspicuous countercurrents.
The floodplain of Ibicuí River may thus, in a certain sense and for much
shorter periods, behave here as do some vast areas in the Amazon floodplain.
MOTA (1951) layed down in a map the Koeppen's classification of
climates for the Rio Grande do Sul State. In this map the Ibicuí hidrographic
basin was included in the general variety Cfalg’ (a subtropical type of cli-
mate). The caractheristics of this type are: 1) humid, no distinct dry seasons;
2)coldest month less than 18°C but warmer than -3ºC; 3) warmest month
above 22°C; 4) four months or more, above 10°C; and 5) maximum tem-
peratura after Summer solstice.
According to Pe. Cargnin personall communication the sponges can al-
so be picked up a little north of the area visited, along the margins of Toropi
River.
When the expedition reached the lake one of the smallest sponges was
readily seen out around a branch of a tree that was fallen in the water. When
this branch was pulled out of the water larger specimens were seen along it.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
6 VOLKMER - RIBEIRO, C. et alii
The first sponges collected in these lakes seem to have been noticed when
fishing nets were trapped in such submersed branches. Efforts to rescue the
nets endep up in the discovery of the sponges.
DISCUSSION
Drulia browni is certainly the most common and conspicuous species of
sponge in Amazonian rivers. This species was selected by GRAY (1867) as ty-
pe species of the genus Drulia. In a recent revisional work on the genus
Drulia, MOTHES DE MORAES (1983) demonstrated that it contains ac
tually four species, D. browni (Bowerbanck, 1863), D. cristata (Weltner,
1895), D. conifera Bonetto & Ezcurra de Drago, 1973 and D. ctenosclera Volk-
mer-Ribeiro & Mothes de Moraes, 1981. That author listed under the synony-
my of D.browni a number of species, among them D. uruguayensis Bonetto
& Ezcurra de Drago, 1968, thus extending the occurrence of D. browni as far
south as middle Uruguai River. The author also demonstrated that D. browni
has a continuous occurence from Uruguay River to Parana River, Amazon
River and Orinoco River, having as preferred habitat waters at the innun-
dated forests along those large South American rivers. The specimens des-
cribed by Bonetto & Ezcurra de Drago as D. uruguayensis were considered by
MOTHES DE MORAES (1983). D. browni ocurring in.a habitat not typical
for the species. Such would be the rocky bottom and fast waters of middle
and upper Uruguay River..
The present record brings full evidence of the occurrence of D. browni
as far South as the catchment area of middle Uruguay River and of what is
thought to be the preferred habitat of the species.
ACKNOWLEDGEMENTS
The authors are indebt to J. J. Bertoletti of Museu de Ciências of Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, for loaning the specimens MCP 41-55; to H. Santa Helena and G. C. Ferraz of
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, for allowing the realization of the expedition. Heartly
thanks are expressed to Pe. A. Cargnin, for most valuable personall information; to L. Cardoso of Ins-
petoria Veterinária da Secretaria da Agricultura in São Vicente do Sul forhelping with personal contacts;
to A. Xavier Pereira for hospitality in the area of field work and to Mr. Zune Just for voluntary and
dedicated field guiding; to Departamento de Recursos Naturais Renováveis da Superintendência de
Desenvolvimento da Região Sul (SUDESUL) for loaning of the aerophotographies.
REFERENCES
CARRARO, C.C.; GAMERMANN, N,: EICK, N.C.; BORTOLUZZI, C.A.; JOST, H; PINTO, J. F. 1974.
Mapa geológico do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. UFRGS. Instituto de Geeciências.
Imapa. Escala 1:1.000.000.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
The unexpected occurence of Drulia brown... 7
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
8 VOLKMER - RIBEIRO, C. etalii
Fig. 1. Three specimens of Drulia browni (Bowerbanck, 1863) have grown together so as to produce
the aspect of one single specimen (MCP 54 lagoa placed by the confluence of Ibicuí-Mirim and Toropi
rivers, São Vicente do Sul county, RS, Brazil). This is the largest sample of freshwater sponge presently
deposited in a Museum. (Photo A. A. Lise).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
The unexpected occurence of Drulia browni... o)
Fig. 2. The arrow points to the oxbow lake at the right margin of Ibicuí River, Rio Grande do Sul
State, Brazil where the specimens of Drulia browni (Bowerbanck, 1863) were found. Some of the brooks
which may contribute with their water in alimentation of such lakes can be seen in this photography which
was enlargened from aerophotos scaled 1:110.000/1975. These oxbow lakes are locally referred to as
lagoas.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
10 VOLKMER - RIBEIRO, C. etalii
BRAZIL
29º 48'30"S
54º 36'30" W
500 Fo) 500 1000 1500 km
ESSES
Fig. 3 N
Fig. 3. Localization of Ibicuí River in the South American Continent.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):3-10, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais: Primeira
ocorrência nas Ilhas Christmas (Austrália) do Oceano Índico. *
José Willibaldo Thome**
RESUMO
Com base no material do Westem Australian Museum, de Perth, é proposta a recaracterização do
gênero Semperula Grimpe & Hoffmann, 1924 e são descritas duas espécies novas.
ABSTRACT
Upon the material of the Western Australian Museum, Perth, is redescribed the genus Semperula
Grimpe & Hoffmann, 1924 and two new species are described.
INTRODUÇÃO
Os Veronicellidae americanos vem sendo revistos ultimamente (THOME,
1975a,b) e irão merecer renovados estudos pelo autor. Os africanos foram
abordados revisivamente por FORCART (1953) e os restantes Veronicellidae
só foram abordados sistematicamente na revisão de HOFFMANN (1925).
Tendo agora reunido a quase totalidade da bibliografia existente sobre
essa família, propomo-nos abordá-la em estudos sistematizados, de abrangên-
cia pantropical. Para isto contamos também com o empréstimo de numerosas
coleções, de grande número de Museus e Instituições científicas de todos os
continentes.
MATERIAL E MÉTODOS
Dentre os lotes recebidos dos Museus australianos, verificamos a ocorrência de algumas espécies
pertencentes a três gêneros. Curiosamente as espécies atribuíveis ao gênero Semperula Grimpe & Hoff-
mann, 1924, distribuídas em quatro lotes, eram de procedência exclusiva de uma só ilha no Oceano In-
dico, para a qual nunca havia sido registrada a ocorrência de Veronicellidae.
O material examinado recebido do Western Australian Museum (WAM), Perth, Austrália, compõe-
se de 8 espécimes, em quatro lotes. Neste trabalho são considerados apenas 2 lotes, que contêm um
espécime cada um e que são propostos como espécies novas.
* Aceito para publicação em 05.1.1983. Contribuição FZB nº 278.
** Da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB), Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS,
Brasil. Professor Titular de Zoologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-
RS) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPa), Proc.
nº 30.1590/79.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
12 THOME, J.W.
HISTÓRICO
O gênero Semperula foi proposto por GRIMPE & HOFFMANN em 1924,
redefinido pelos mesmos (1925a), por HOFFMANN (1925) e novamente por
GRIMPE & HOFFMANN (1925b), tendg como espécie tipo Vaginula idae
Semper, 1885. A sinonimização e valid&de dos gêneros propostos por Hoff-
mann foram discutidas acertadamente por BAKER (1925) o qual considerou
Semperula como gênero válido. HOFFMANN (1927) reconhecendo seu
procedimento incorreto em trabalhos anteriores, aceita com relutância as
proposições de Baker.
A recaracterização proposta por GRIMPE & HOFFMANN (1925b) foi a
seguinte: Vaginuliden mit braunem, dicht und fein geflecktem Notum; wei-
bliche Geschlechtsöffnung in der Lage wechselnd, doch artkonstant (ent-
weder Imm vom Perinotum entfernt oder in oder proximad der Hyponotum-
quermitte; Querindex 2 oder Z 2, doch nie mehr als 3); vordere Darmschlinge in
der Leber”; Fussdrüse gerade; Pedalnervenstränge nur ein kurzes Stück
parallel verlaufend, dann rasch divergierend; Receptaculum seminis kurzges-
tielt, Penis relativ kurz, pleurocaul, vielfach mit ausgeprägten Kragenbildun-
gen an der Basis, zuweilen gestielt, stets mit deutlich abgesetzter, volumi-
nöser (kugeliger, keuliger, retortenartiger) “Glans”, die an der Oberfläche sel-
ten glatt, dagegen meist mit Wabenstrukturen usw. versehen ist, und nie mit
terminaler, sondern stets unterständiger Öffnung, meist auf einer (schornstei-
nartingen) Erhebung ohne Endzäpfchen; Reispapille konisch, mit — je nach den
Arten verschieden — 9 bis 30 mässig langen Drüsenschläuchen.
Esta recaracterizacäo foi a ültima proposta, das quatro surgidas quase
simultaneamente e & täo abrangente e confusa como as outras. Os dados
morfológicos não apresentam valor diagnóstico, pois são extremamente
variáveis, como já foi observado em THOMÉ (1975b). A grande importância
que é conferida à posição do poro genital feminino não seria contudo um
característico genérico como mencionado na própria diagnose, onde afirmam
que a posição do mesmo só seria constante para as espécies. Sabemos hoje,
por grande número de exames feitos em exemplares de uma mesma popu-
lação, em diversas espécies americanas, que O posicionamento do poro é
variável também a nível específico. A posição da alça anterior do intestino, em
relação ao lóbulo da glândula digestiva, talvez possa ser utilizada, porém está
a exigir maior estudo sobre o grau de sua variabilidade, para definir o seu em-
prego como característico diagnóstico. O mais provável é que deva ser em-
pregado em categorias supragenéricas. A glândula pediosa, já demonstramos
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... le!
ser utilizável como característico específico (THOME, 1976). Ao aspecto da
disposição dos nervos pediosos, aplica-se o que mencionamos para a posição
da alça anterior do tubo digestivo. Com referência a espermateca ampliamos
as peculiaridades como característicos genéricos. O pênis, peto seu aspecto
diversificado, é o melhor indicador específico, desde que minuciosamente
descrito e proveniente de espécimes maduros sexualmente, o que se deduz
inclusive, da longa descrição, com múltiplas variáveis, apresentada pelos au-
tores anteriores citados. Finalmente, a glândula penial é um bom caráter diag-
nóstico a nível genérico, especialmente no que se refere a uniformidade ou diver-
sidade dos túbulos, o que foi desprezado pelos autores. Esses indicaram a forma
cônica da papila, que é um caráter geral na família e portanto sem valor diagnós-
tico. Quanto aos túbulos mencionam e seu número variável, dando limites
mínimo e máximos, que também não tem valor genérico, pois se sobrepõe em
diversos outros gêneros e, como eles mesmos afirmam, seria constante apenas a
nível específico.
RESULTADOS
Desse modo e baseado no exame do material disponível, propomos uma
recaracterização genérica, dentro da sistematização anteriormente proposta
para os Veronicellidae americanos (THOME, 1975b).
Semperula Grimpe & Hoffmann, 1924 :177; 1925a:384-5; 1925b: 24; HOFFMANN, 1925:175,
254; BAKER, 1925:15, 18; HOFFMANN, 1927:3.
Espécietipo: Vaginula idae SEMPER, 1885; Borneu, Indonésia;
designação original dos autores.
Redescrição: oreto penetra no tegumento bem junto ao poro
genital feminino. A glândula penial está presente, com túbulos de compri-
mento variados e diferenciados em dois conjuntos, um com os túbulos bem
mais longos que os do outro. Espermateca globulóide à saculiforme, assen-
tada sobre grosso canal, que em geral se alarga em direção ao tegumento; o
deferente médio e o ducto de ligação de comprimento semelhantes, bem cur-
tos, sendo que o último penetra no canal, muito próximo ao tegumento, dis-
tante da espermateca. Não ocorre bolsa acessória.
GRIMPE & HOFFMANN (1925a, b) e HOFFMANN (1925) propõem
como pertuncentes a este gênero as espécies: Semperula idae (SEMPER,
1885); S. birmanica (THEOBALD, 1864); S. maculata(TEMPLETON, 1858
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
14 THOMÉ, J.W.
sensu SEMPER, 1885); S. siamensis (MARTENS, 1867) e a subespécie S.
siamensis schneideri (SIMROTH, 1895). Recaracterizam as espécies de modo
variado nos diversos trabalhos simultâneos que publicaram na época e si-
nonimizam, sob estes cinco nomes, de 52 a 58 espécies ou nomes específicos
e subespecíficos (variando nos diversos trabalhos considerados), descritos
para a Região Oriental e Australiana. Os trabalhos apresentam um alto grau de
afoiteza e mesmo alguma superficialidade, o que chegou a ser admitido por
HOFFMANN (1927), ante as críticas de BAKER (1925).
As diagnoses das cinco espécies são extensas, porém calcadas quase
que exclusivamente sobre a coloração do noto, a posição do poro genital
feminino e as medidas de um espécime. Acrescentam apenas o número de
túbulos da glândula penial e um generalizado aspecto do pênis. Comparando
aquelas diagnoses com as descrições originais, pode-se facilmente verificar
que não há coincidência. Nalguns casos, a descrição original é sumaríssima e
contém apenas alguns dados morfológicos, o que a priori impede a identi-
ficação, sem o reexame dos tipos. Quando a descrição original possui dados
anatômicos, estes também não coincidem com os apregoados por HOFF-
MANN (1925) e ou GRIMPE & HOFFMANN (1925a, b).
HOFFMANN (1930, 1941) inicia a revalidação de diversas espécies,
baseado sobretudo no exame dos tipos, dos quais contudo só apresenta, em
poucos casos, o pênis e permanece na especulação para a identificação e
sinonimização da maioria das espécies. É significativo destacar o que consta
do último trabalho de HOFFMANN (1941):231-2 (segundo informação verbal
do Dr. A. Zilch, Hoffmann “desapareceu” na guerra, naquele ano) quando
discute a revalidação de Vaginula wallacei Issel, 1874 e Vaginula reinhardti
Semper, 1885, que ele havia colocado na sinonimia de Vaginula idae Semper,
1885: /ch habe früher ... umgekehrt die Isselsche Art der S. idae untergeord-
ner, da andernfalls letztere nur als Species spuria hätte gelten konnen (o grifo
é nosso). Portanto, quando não conseguia identificar uma espécie, a colocava
na sinonímia de alguma que ocorresse no mesmo lugar ou em área próxima.
E segue logo adiante, na referência, a Vaginula reinhardti: Wie ich
bereits früher (1925) anführte, war eine Nachuntersuchung des Typstuckes von
S. idae nur teilweise möglich, da gerade das wichtigste Erkennungsmerkmal,
der Penis, von Semper entfernt worden war. Ein Paratypoid aus dem Wiener
Museum war aber zu jugendlich, um einen sicheren Anhalt über die Form eines
adulten Penis zu erhalten. Ich war daher von vornherein auf Spekulationen
angewiesen (Hoffmann, 1925. S.187) und zog Formen mit gleicher perinotal-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca Gastropoda) pantropicais... 15
wärts verschobener Poruslage zum Formenkreis der S. idae. Als solche kam
zunächst Semperula reinhardti von Macao (China) in Frage, von der ich aber
nur ganz jugendliche Paratypoide (aus dem Berliner Museum) vor mir hatte,
während beim Typexemplar durch Semper der Penis entfernt war. So war
eine Nachprüfung unmöglich, und ich nahm zwei Exemplare mit gleicher
Poruslage von Hongkong (aus dem Museum Berlin) als Grundlage, deren
Penis als entwickelt gelten konnte ... (os grifos são nossos). Isto demonstra
que, quando não tinha dados anatômicos, valiam somente os morfológicos
mesmo e quando os dados anatômicos eram de animais jovens, escolhia ar-
bitrariamente algum adulto de lugares próximos e atribuía a anatomia deste
último à espécie “problema””, para “resolver” a identificação.
Os espécimes que possuímos para identificação não se enquadram em
nenhuma das cinco espécies propostas ou aceitas por GRIMPE & HOFFMANN
(1925b) ou HOFFMANN (1925) e confrontando os mesmos com as diag-
noses existentes, desde que possuam dados anatômicos suficientes para con-
frontação, também não são identificáveis. Enquanto os espécimes tipos dos
numerosos nomes propostos não forem redescritos com detalhamento
anatômico suficiente para uma segura identificação e a fim de evitar maiores
confusões sistemáticas, geográficas e ecológicas, sempre julgamos preferível
propor nomes novos a uma errônea identificação.
Desse modo conseguimos distinguir no material disponível duas es-
pécies novas pertencentes ao gênero Semperula, as quais são a seguir des-
critas.
Semperula insularis sp.n (Fig. 1 - 7)
Diagnose: espécie do gênero Semperula de glândula pediosa
achatada com abertura alargada, depois quase uniforme até a ponta, com for-
te prega na região proximal, sofrendo dobramento para a direita no 1/3 final e
a região distal fortemente dobrada para a esquerda, com a cicatriz do vaso
sanguíneo subterminal, com zona clara externa, em ambos os lados, distinta e
larga, desde a região proximal até a ponta e zona interna amarela, estreita,
uniforme até quase a extremidade da região distal; pênis pleurocaule, cilin-
drico, alargado, ponta romba com soquete curto, de 1/6 do comprimento
total, com superfície amolgada, separado da glande por leve nervura anelar
oblígua e com glande muito alongada, lisa, que na região proximal está algo
comprimida e apresenta uma saliência cônica, voltada para a base, em cujo
ápice se abre o deferente.
/HERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
16 THOME, J.W.
Dre:sreir cravo:
1.Morfologia (Fig. 1-3, espécime fixado); animal pequeno, pouco
curvado sobre a sola, perinoto fracamente demarcado; sola clara, sem linha
mediana; poro genital feminino no meio do comprimento e mais próximo do
sulco pedioso; ânus circular, mediano, encoberto pela sola do pé. Cor geral
do noto marrom, com forte pigmentação marrom escura, esparsa em duas
áreas longitudinais, deixando larga faixa mediana e faixas largas laterais junto
ao perinoto, sem pigmentação. Hiponotos com leve tom marrom, sem pig-
mentação.
Dimensões: comprimento do noto 26,0mm; largura do noto
10,0mm; altura do corpo 6,0mm; largura da sola 2,3mm; largura do hiponoto
direito 3,6mm; distância do poro genital feminino da frente 10,0mm, de trás
10,0mm, do sulco pedioso 1,1mm; índice transverso 3,27.
2.AnatomiaflFig.4-7): alça intestinal anterior apenas
recoberta pelo estreito lóbulo anterior da glândula digestiva.
Reto penetrando no tegumento junto e acima do oviduto (Fig. 6).
Nervos pediosos afastam-se lentamente por cerca de 1/3 de
seu comprimento, quando ficam além do respectivo sulco pedioso, seguem
então paralelos, bem afastados, até o final da cavidade geral, aderidos ao
tegumento.
Aorta estende-se diretamente até sob o glânglio pedioso.
Glândula pediosa achatada, com abertura alargada, depois se
estreitando um pouco, para distender-se com largura uniforme até a ponta.
Apresenta uma prega no 1/3 inicial e dobra-se completamente pela direita
para a frente no 1/3 terminal, sofrendo a ponta uma destacada e forte dobra
para esquerda. A zona amarela interna bem delimitada, é estreita (1/3 da lar-
gura) e se distende até perto da extremidade distal, aparecendo na ponta a
larga cicatriz de penetração do vaso sangúíneo, subterminalmente. As zonas
claras laterais são largas, juntas alcançando cerca de 2/3 da largura da glân-
dula e destacando-se nitidamente até a extremidade distal. Comprimento da
glândula em posição natural 2,5mm; largura máxima na altura da abertura
ksmmNkEg, %.
Espermateca globulóide, algo comprimida, assentada sobre
um canal grosso, este ligeiramente alargado para a região proximal e com um
comprimento semelhante ao tamanho da espermateca. Ducto de ligação cur-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca Gastropoda) pantropicais... 17
to, tanto quanto o deferente médio, ambos levemente mais curtos do que o
canal da espermateca. Ducto de ligação penetra no canal quase na base do
mesmo, bem distanciado da espermateca, a cerca de 1/8 do comprimento
total do canal. Oviduto penetra no tegumento atrás do canal da espermateca
e é mais estreito do que o canal. Deferente médio penetra no tegumento logo
abaixo do canal da espermateca (Fig. 6).
Glândula penial com papila cônica, não afilada, pequena, com
cerca de 1,0mm de comprimento por 0,bmm de diâmetro na base; com 14
túbulos, dispostos em dois conjuntos, um com 8 túbulos longos e outro com
6 túbulos mais curtos a bem curtos. Os túbulos variam no comprimento desde
3,0mm até 8,0mm e têm um diâmetro uniforme de até 0,2mm (Fig.b).
Pênis pleurocaule, cilíndrico, alongado, reto, com ponta romba;
apresenta um curto soquete de cerca de 1/6 do comprimento total (ca
0,/mm), com superfície não lisa, mas amolgada, com mossas e está separado
da glande por leve nervura anelar, oblíqua. A glande é cilíndrica, alongada,
quase reta, lisa, com a ponta romba, apresentando na base um entalhe ou es-
trangulamento donde se projeta uma protuberância cônica, voltada para o
soquete, em cujo ápice abre-se o deferente. A protuberância tem cerca de
0,3mm de comprimento e a glande, com aproximadamente 0,/mm de diä-
metro, alcança algo mais de 3,0mm de comprimento (Fig. 4).
Material tipo: holótipo WAM 630/79 (ilhas Christmas) 10°S 105°W, Austrália, (Oceano In-
dico), IX-X.1969, S. Slack-Smith & A. Paterson leg. (expedicäo de 1969).
Localidade tipo: ilhas Christmas, Austrália, (Oceano Índico).
Observações: um só espécime, que os coletores informam terem encontrado
em um recipiente com água (in fresh water container).
Discussão: S. insularis, com relação ao pênis, aproxima-se da S.
idae Grimpe & Hoffmann, 1925 nec Semper, 1885 diferindo da mesma pela
protuberância cônica, bem maior e distinta, com a abertura do deferente vol-
tada para a base e pelo soquete amolgado e separado da glande por fraca
nervura. Nisto também se diferencia da S. wallacei (Issel, 1874) sensu Hoff-
mann, 1941, bem como da S. boviceps (SARASIN & SARASIN, 1899) e ain-
da das subespécies S. wallacei reinhardti Hoffmann, 1941 nec Semper, 1885 e
S. w. celebensis Hoffmann, 1941. As demais espécies incluídas na sinonímia
de S. idae Grimpe & Hoffmann, 1925 nec Semper, 1885 não podem ser con-
sideradas, tendo em vista o desconhecimento da respectiva anatomia, bem
como pelo procedimento pouco ortodoxo de Hoffmann, que sinonimizava as
espécies para que não fossem nomen nudum, baseado somente em dados
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
18 THOME, J.W.
morfológicos lábeis (posição do poro genital), como ele mesmo afirma
(HOFFMANN, 1941).
Semperula christmasis sp.n. (Fig. 8-14)
Diagnose: espécie do gênero Semperula de glândula pediosa inicial-
mente achatada, alargada, para logo se tornar cilindróide, de largura mais ou
menos uniforme e a ponta novamente algo alargada, com uma forte dobra
pela direita em seu 1/3 distal, voltada para a frente e com a ponta algo vol-
tada para a direita, com cicatriz do vaso sanguíneo subterminal, com zona
clara externa em ambos os lados distinta, mas bem estreita, faltando na ex-
tremidade da ponta. Pênis pleurocaule, cilíndrico, alongado, ponta romba,
com soquete curto, de 1/7 do comprimento total e superfície não lisa, limi-
tado por uma bainha clara, oblíqua, donde se projeta a glande, algo mais en-
grossada e estreitando-se levemente para a extremidade, onde sofre um
dobramento; bem próximo ao soquete, surge na glande uma pequena saliên-
cia tubiforme, voltada para a extremidade distal, com a abertura do deferente
na ponta.
Descrição:
1.Morfologia (Fig. 8-10, espécime fixado): animal pequeno, não
curvado ventralmente, com perinoto bem demarcado; sola clara, sem linha
mediana; poro genital feminino levemente posterior à metade do comprimen-
to e mais próximo ao sulco pedioso do que do perinoto; ânus circular, quase
mediano, não totalmente encoberto pela sola do pé. Cor geral marrom forte
no noto, com fraca pigmentação marrom mais escuro, esparsa, mosqueada,
não punctiforme, deixando perceber levíssima linha mediana clara; perinoto e
hiponotos sem pigmentação, claros.
Dimensões: comprimento do noto 38,0mm; largura do noto
14,0mm; altura do corpo 4,0mm; largura da sola 21,0mm; largura do hiponoto
direito 5,Imm; distância do poro genital feminino da frente 18,0mm, de trás
16,0mm, do sulco pedioso 1,/mm; índice transverso 3,00.
2. Anatomia (Fig. 11-14): alça intestinal anterior atrás do
lóbulo anterior da glândula digestiva.
Reto penetrando no tegumento junto e acima do oviduto (Fig. 13).
Glândulas salivares frouxas, com ácinos finos, mas distintos.
Nervos pediosos afastam-se lentamente por 1/3 de seu com-
primento, até a altura do poro genital feminino, quando atingem o afastamen-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 19
to máximo. Seguem então paralelos até quase o final da cavidade geral, onde
desaparecem no tegumento. Comprimento total 20,0mm.
Aorta estende-se diretamente até sob o gânglio pedioso.
Glândula pediosa com abertura larga, no início achatada, para
logo se estreitar e tornar-se subcilíndrica, apresentando então, diâmetro
uniforme até próximo à ponta onde se alarga um pouco; com leve curvatura
para a esquerda no primeiro 1/3 do seu comprimento, seguindo-se curva de
180º pela direita à 2/3 da região proximal e logo a seguir a região distal curva-
se levemente, ainda mais para a direita; com cicatriz de penetração do vaso
sanguíneo subterminal e com zonas claras externas bem estreitas ao longo de
toda glândula, faltando só na ponta e alcançando juntas pouco mais de 1/5
da largura total da glândula. Comprimento da glândula em posição natural
4,00mm; largura máxima na altura da abertura 1,6mm (Fig. 14).
Espermateca globulóide, assentada não distalmente sobre grosso
canal, que se alarga levemente e tem um comprimento levemente superior ao
diâmetro da espermateca. Ducto de ligação curto, tanto quanto o deferente
médio e ambos só atingindo cerca de 1/10 do comprimento do canal. Ducto
de ligação penetrando no canal, bem junto à base, distante da espermateca, a
cerca de 1/10 do comprimento total do canal. Oviduto penetra no tegumento
atrás do canal da espermateca e é mais estreito do que o canal. Deferente
médio penetra no tegumento abaixo do canal da espermateca (Fig. 13).
Glândula penialcom papila cônica, de ponta romba, pequena,
com cerca de 1,Iimm de comprimento e 0,5mm de diâmetro na base; com 12
túbulos, dispostos em dois conjuntos, um com 7 túbulos mais longos e outro
com 5 túbulos mais curtos, neste conjunto um túbulo está trifurcado. Os
túbulos têm um diâmetro uniforme de O,Imm e comprimentos variados, que
no conjunto dos mais longos chegam até 7,5mm e no dos mais curtos até
4,0mm (Fig. 12).
Pênis pleurocaule, cilíndrico, alongado, ponta romba, com soquete
curto de cerca de 1/7 do comprimento total (0,4mm) e superfície não lisa,
limitado por uma bainha clara, oblíqua, donde se projeta uma glande, cilin-
drica, lisa, algo mais engrossada, que vai se afilando para a ponta romba e es-
tá curvada em S, com a dobra distal menor que a proximal. Na região basal
da glande, cerca de 1/20 do comprimento total, bem próximo à bainha do
soquete e onde este é mais curto, projeta-se uma curta saliência tubiforme,
voltada para a extremidade distal do pênis, em cuja extremidade abre-se o
/HERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
20 THOMÉ, J.W.
deferente. Saliência tubiforme com cerca de 0,Imm de comprimento, numa
glande com até 0,5mm de diâmetro e até 3,0mm de comprimento (Fig. 11).
Material tipo: holötipo WAM 629/75, Settlement (ilhas Christmas), Austrália, (Oceano In-
dico), IX.1969, Slack-Smith & Paterson leg.
Localidade tipo: Settlement, ilhas Christmas, Austrália, (Oceano Índico).
Observações: um só espécime, pequeno e bem achatado, que os co-
letores informam terem encontrado num recipiente com água (in fresh water
container).
Discussão: Segundo os critérios de HOFFMANN (1925), novamen-
te a presente espécie não se enquadra em nenhuma das cinco propostas pelo
mesmo. Assim, com referência ao índice transverso do poro genital feminino,
um dos característicos diagnósticos considerados dos mais seguros por aquele
autor, a presente espécie teria semelhança com S. siamensis Hoffmann, 1925,
nec Martens, 1867; (na de Hoffmann o valor é 2,75, na presente é 3,00). Con-
tudo com referência aos caracteres diagnósticos correspondentes ao pênis,
também utilizado por HOFFMANN (1925) a presente espécie se aproximaria
de S. idae Hoffmann, 1925, nec Semper, 1885 e mais ainda de S. wallacei (Is-
sel,18/4) sensu Hoffmann, 1941 diferindo contudo da mesma na conformação
da glande do pênis, bem como nas dimensões e proporções do soquete e da
saliência tubiforme, onde se encontra a abertura do deferente.
AGRADECIMENTO
Ao Dr. S.M .Slack-Smith do Western Australian Museum pelo empréstimo do material. À Clélia,
minha esposa, pelas fotos e à Rejane Rosa e Tania Carvalho, pelos desenhos e datilografia, respectiva-
mente.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
N)
N
THOMÉ, J.W.
Pi
Fig. 1-3. Semperula insularis sp.n. holótipo WAM 630/79: 1. vista dorsal; 2. vista lateral; 3. vista
ventral.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 28
Fig. 47. Semperula insularis sp.n. holótipo WAM 630/79: 4. pênis; 4º vista frontal; 4b. vista la-
teral, ada= abertura do deferente anterior; ba= bainha do pênis; da= deferente anterior; gl= glande;
ne= nervura entre o soquete e a glande; so= soquete; 5. glândula penial, pa= papila; tu= túbulos; 6.
órgãos junto ao poro genital feminino, ce = canal da espermateca, dl= ducto de ligação, dm = deferen-
te médio, dp= deferente posterior, e= espermateca, r= teg = tegumento, ov= oviduto; 7. vista
dorsal da glândula pediosa; 7º em pequeno aumento; 7b. em maior aumento; ab = abertura anterior em
fenda transversal.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63) :11-25, 17 out. 1983
24 THOMÉ, J.W.
Fig. 8-10. Semperula christmasis sp. n. holótipo WAM 629/75: 8. vista dorsal; 9. vista lateral; 10.
vista ventral.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 25
Fig. 11-14. Semperula christmasis sp.n. holötipo WAM 629/75: 11. pênis; 11º vista lateral; 11b.
vista frontal, gl= glande, so= soquete; 12. glândula penial, com parte dos túbulos truncados, pa =
papila, tu= túbulos; 13. órgãos junto ao poro genital feminino; 14. glândula pediosa, vista dorsal.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):11-25, 17 out. 1983
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Aspectos da relação de coexistência entre Nothura maculosa
(Temminck, 1815) e Rhynchotus rufescens (Temminck, 1815)
(Aves, Tinamidae) no Rio Grande do Sul.*
João Oldair Menegheti **
RESUMO
No tocante a relação entre Nothura maculosa (Temminck, 1815) e Rhynchotus rufescens (Tem-
minck, 1815) apresentam-se e analisam-se alguns critérios.
Há ocorrências simultâneas das duas espécies em campos do Rio Grande do Sul. A partir de
amostras obtidas com caçadores, faz-se uma estimativa do grau de associação entre elas.
Pela análise dos artigos já publicados sobre as dietas das duas espécies, percebe-se que há uma
superposição parcial, porque R. rufescens é capaz de alimentar-se de um espectro alimentar mais am-
plo, incluindo até vertebrados.
ABSTRACT
The relationship between Nothura maculosa (Temminck, 1815) e Ahynchotus refescens (Tem-
minck, 1815) is analised considering some criteria.
There are simultaneous occurrences of both species in grasslands of Rio Grande do Sul State
(Southern Brazil). With samples obtained from hunters, an estimate of association intensity was made.
By the analysis of articles about their diets, published till now, it is noted a parcial superposition,
because R. rufescens. would feed a more ample diet espectrum, including vertebrates also.
INTRODUÇÃO
Em algumas regiões do Rio Grande do Sul é comum a ocorrência simul-
tânea, em mesmos campos, de Nothura maculosa (Temminck, 1815) e Rhyn-
chotus rufescens (Temminck, 1815). A questão é se ambas espécies teriam al-
gum tipo de relação entre si. Usam-se como indicadores a distribuição geo-
gráfica das duas espécies, e a superposição e diferença de dietas. Para qualificar
a intensidade da possível relação, registra-se a presença das duas espécies ou
ausência de uma nas amostras.
* Aceito para publicação em 25.X1.1982. Contribuição FZB nº 275.
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul (MCN). Caixa Postal, 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
28 MENEGHETI, J.0.
O exame sem maiores detalhes das dietas alimentares, propõe que haja
competição interespecífica com intensidade desconhecida. De fato isto pode
ocorrer, porém com fraca intensidade, já que não se percebe, em campos on-
de coexistem, a tendência para exclusão de uma ou de outra espécie.
N. maculosa e R. rufescens são duas espécies difíceis de serem detec-
tadas no campo. Ambas usam com habilidade a cobertura vegetal como
abrigo. Por esta razão, sua presença e abundância numa dada área são cons-
tatáveis pela utilização de um cão de aponte.
MATERIAL E MÉTODOS
Neste estudo usou-se um cão Pointer de pedigree registrado no Brasil Kennel Club para detectar
as espécies N. maculosa e R. rufescens.
Como expressão da densidade em cada área foi usado um Índice de abundância que consistiu na
determinação do número de indivíduos que levantaram vôo, pelo tempo gasto na atividade do cão para
conseguí-lo.
Para determinar-se a proporção de N. maculosa e R. rufescens consideram-se apenas os registros
efetuados em campos onde se constatou ocorrência simultânea de ambas as espécies.
Para avaliação do grau de associação, foram obtidos dados simultâneos sobre N. maculosa e R.
rufescens em barreiras de fiscalização de caça do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBD-
F) efetuadas na rodovia BR 116, na entrada de Porto Alegre. Os dados, obtidos em 1976, foram
aproveitados nas amostras.
Descrição sumária das áreas de estudo
As observações foram efetuadas na Fazenda da Taipa, localizada no
Município de Rosário do Sul (30º15'27"S e 54°57'57''W), na Fazenda São
Martim localizada no município de Dom Pedrito (30º58'54"'S e 54º39'56"'W) e
na Fazenda do Boqueirão localizada no município de Bom Jesus (28º40'09"S
e 56°26’05’’W) (Fig. 1).
As duas primeiras propriedades estão situadas na Zona Fisiográfica do
Estado, denominada Campanha. A terceira está situada na Zona Fisiográfica
de Campos de Cima da Serra.
Enquanto outras zonas tem sofrido alterações, subdividindo ou aglu-
tinando municípios, a Campanha tem mantido quase a mesma configuração
espacial. A única alteração sofrida foi quando do início da vigência da última
classificação (FORTES, 1959) com a retirada do município de Cacequi
(29º52'54"'S e 54º49'36''W). Isto permite supor que a Campanha tem uma
maior homogeneidade em suas características naturais. Esta homogeneidade
refere-se à fisionomia da região e ao clima, pois que sob o ponto de vista
geológico e pedológico, as diferenças são marcantes.
A Campanha é a Zona de maior extensão no Estado com 47.153 km2,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
Aspectos da relação da coexistência... 29
constituída de 8 municípios. É formada por peneplano ondulado de escassa
altitude média. E área sujeita a estiagem.
Eocalização daslazendas da Talpa-elSao Martim:
tendo em vista a localização das duas propriedades rurais em relação ao
limite interzonal, verifica-se que a Taipa está situada próxima a outra Zona
Fisiográfica, a Depressão Central; enquanto que a São Martim está próxima à
Serra do Sudeste. Como os limites entre as Zonas Fisiográficas foram tra-
cados tendo como base a divisão intermunicipal, e talvez por isto, não corres-
ponde aos limites fisiográficos reais; é possível que a Taipa e São Martim es-
tejam situadas na transição entre Campanha e Depressão Central, Campanha
e Serra do Sudeste.
Relevo e solo: a Depressão Central se caracteriza por possuir
terrenos com pouca altitude que acompanham a calha do Rio Jacuí, e a Serra
do Sudeste, por terrenos elevados que atingem cotas de cerca de 400m de al-
tura, com pendentes de maior declividade do que na anterior. Verificando-se
as altitudes das duas fazendas e arredores, constata-se que na Taipa existem
terrenos com mais de 160m de altitude e na São Martim com cerca de 340m
de altitude e pendentes com declínio acentuado.
Com base no mapa ''Levantamento de Reconhecimento do Solo do Es-
tado do Rio Grande do Sul” (CARRARO et alii, 1974), Taipa e São Martim es-
tão situadas em solo correspondentes às unidades de mapeamento Santa
Maria e Bexigoso.
A Taipa está situada em solo cujo material origem são siltitos e arenitos.
O relevo é suavemente ondulado. Ocorrem altitudes de 100 a 200m.
Há ainda solos derivados de sedimentos aluviais recentes provenientes
de arenitos e siltitos. Neste caso o relevo é plano na várzea do arroio do Sal-
so.
Na Säo Martim os solos säo provenientes de granito e gneiss.
Estäo a uma altitude de 200 a 400m.
Geologia:a fazenda da Taipa está localizada sobre a formação
Rosário do Sul que é formada por arenitos vermelhos de granulação média e
muito fina, com estratificação cruzada e intercalações de siltitos e laminitos
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, 1974). Há no interior
da propriedade, um grande banhado que mostra diferença litológica, indican-
do existir até depósitos aluviais do Quaternário (sedimentos atuais e subatuais
em planície de inundação, areia e argilas).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
30 MENEGHETI, J.O.
Segundo a mesma fonte mencionada anteriormente, São Martim está
situada sobre área geolögicamente muito antiga: Grupo Cambai (migmatitos e
granitos associados).
Clima: o clima da região onde se encontra a Taipa, é do tipo fun-
damental Cfa 2 da classificação de Koeppen. A temperatura média anual varia
de 17,9º a 19,2°C. A precipitação média anual varia de 1404 a 1760mm.
Podem ocorrer chuvas torrenciais de 182mm em 24h e geadas de abril a
novembro. Os períodos secos com deficit de umidade maior do que 100mm
são frequentes em 5 vezes cada 8 anos. Os períodos secos são mais frequen-
tes entre os meses de novembro a janeiro.
O clima da região onde se encontra São Martim, é do tipo fundamental
Cfa 1 de Koeppen. A temperatura média anual varia de 16,6º a 17,7ºC. A
precipitação média anual varia de 1414mm a 1655mm, podendo ocorrer
chuvas torrenciais de 166mm em 24h e geadas de abril a novembro. Em parte
da área, podem ocorrer períodos secos com deficit maior que 100mm, 7 vezes
em cada 10 anos e maiores do que 300mm, uma vez cada 10 anos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As quotas máximas para o abate de N. maculosa e R. rufescens por
caçador e por caçada foram respectivamente de 15 e 2 indivíduos. As quotas
foram atingidas frequentemente, por isto não se pôde considerar o número de
indivíduos abatidos por caçador para medir a relação quantitativa entre as
duas espécies. Além desta restrição, a eficiência média de abate deve ser
diferente entre as duas espécies, em consequência especialmente das diferen-
ças entre os tamanhos e de capacidades de vôo. Estas duas características in-
troduzem um vício que não permite se usar este tipo de informação para com-
parações.
R. rufescens ja teve distribuição mais ampla do que possui atualmente.
BELTON (Comunicação pessoal, 1979) fez observações de aves no Rio Gran-
de do Sul entre 1946-1948. Voltou a fazê-lo entre 1976 a 1978. Entre 1948 a
1976 ocorreram mudanças drásticas nas práticas adotadas para o uso do solo.
Isto acarretou consequências sobre a fauna. Há registros, ainda feitos por
BELTON, da ocorrência de A. rufescens em regiões próximas a Porto Alegre,
como nos municípios de Guaíba e Barra do Ribeiro. Atualmente esta espécie
foi erradicada destes municípios. Também no litoral, caçadores abatiam A.
rufescens, como nos municípios de Tramandaí e Osório, onde hoje não se
registra mais sua ocorrência. Por outro lado, N. maculosa ampliou sua área de
distribuição anterior com a derrubada e/ou queima de matas e consequente
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
Aspectos da relação de coexistência... 31
transformação em campos. É evidente que há diferentes respostas das den-
sidades das populações de N. maculosa aos diferentes graus de alteração,
mas mesmo em ambientes bastante degradados encontra-se N. maculosa,
desde que tenham vegetação que lhe possa servir de abrigo.
Em consequência da diferença de distribuição entre as duas espécies,
usando-se dados obtidos de caçadores, para fazer-se a estimativa do grau de
associação, consideram-se as quadrículas onde foram constatadas ocorrên-
cias simultâneas das duas espécies. Isto ocorre nas quadrículas 12, 20, 21, 22,
23, 27, 32, 63, 75, 77, 1/8e 91. Estas quadrículas encontram-se nos municípios
de Bagé, Dom Pedrito, São Lourenço, Lavras do Sul, Dom Feliciano, São
Jerônimo, Butiá, Tapes, Uruguaiana, São Francisco de Assis, Itaqui, San-
tiago e São Gabriel (Fig. 2).
Foram fiscalizados 366 caçadores sendo que 121 capturaram N. ma-
culosa e R. rufescens durante a caçada. Por outro lado, 245 capturaram
apenas N. maculosa, apesar de supostamente terem caçado em área onde
ocorrem ambas espécies. O fato de caçadores só terem caçado N. maculosa
não significa que não tenham constatado A. rufescens na mesma área. Pode
ter ocorrido que simplesmente não conseguiram abater indivíduos da última
espécie. Optou-se por considerar as duas espécies como ocorrendo juntas na
mesma área, quando foram abatidas por mesmos caçadores. Assim, é pos-
sível que o índice esteja subestimado, mas não tanto a ponto de desfazer a
nítida impressão que se tem de que N. maculosa alem de ser mais abundante,
é também mais amplamente distribuída, sendo que isto é consequência pos-
sivelmente de exigências ambientais diferentes.
Não se teve condição de fazer um inventariamento da vegetação mesmo
que sumária nos campos de São Martim e Taipa. Sobre as várias caracterís-
ticas já descritas dos mesmos, aquelas que parecem diferir mais entre si, são a
geologia e a edafologia da Taipa e São Martim. Dada a estrutura tão diferente
nos dois locais, é de se supor que se expresse em campos com composições
florísticas e fitossociologia diferentes. Assim,. uma possível explicação nas
razões observadas de N. maculosa: R. rufescens na Taipa e São Martim seja a
diferença nas características da vegetação que é mais favorável à N. maculosa
na segunda propriedade rural em relação a R. rufescens. Outra possível ex-
plicação reside nas diferenças observadas no uso do solo destas propriedades.
Na São Martim, a área era usada exclusivamente para a criação de gado
bovino, equino e ovino. Na Taipa, aproximadamente 30% da área, era usada
para plantio de soja, milho, arroz e uma pastagem (azevém).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
32 MENEGHETI, J.0.
Na São Martim, verificou-se que o habitat suportou um certo número de
N. maculosa e R. rufescens. Na Taipa, o número de indivíduos da primeira es-
pécie também foi alto, mas aumentou a densidade de A. rufescens. Na com-
paração entre as razões obtidas em São Martim e Taipa, deve-se considerar a
primeira como padrão, ou controle. Neste caso, verifica-se que A. rufescens
se favoreceria mais do que N. maculosa no aproveitamento de grãos de cul-
tivos agrícolas.
Ambas as espécies comem grãos de cultivos. HEMPEL (1949),
SCHUBART et alii (1965) observaram presença de grãos de cereais na alimen-
tação de A. rufescens. SANDER (Comunicação pessoal, 1980) verificou num
papo a ocorrência de 313 grãos de Oriza sativa Linnaeus, 1753. Pela época,
junho, julho de 1977, as áreas de cultivo estavam sob a forma de resteva. De
N. maculosa, SILVA e SANDER (1981), examinaram 178 papos, dos quais
três continham grãos de Avena sativa Linnaeus, 1753; 29 com grãos de O.
sativa, três grãos de Sorghum vulgare Pers; três com grãos de Triticum aes-
tivum Linnaeus 1953; 23 com grãos de Zea mays Linnaeus 1753; e 39 com
grãos de G/ycine max (Linnaeus, 1753) Merril. Um aspecto importante que se
destaca é o fato de ocorrerem estes grãos no papo de N. maculosa e R. rufes-
cens exatamente quando as áreas se encontram sob a forma de resteva.
Na fazenda do Boqueirão, havia plantio de maças e azevém, mas que
representavam uma área relativamente pequena. O restante todo era para
criação, especialmente de ovinos e um pouco de bovinos. A possívei expli-
cação da baixa razão, bem como o baixo número total de indivíduos levan-
tados na fazenda do Boqueirão, é que lá se encontravam campos muito
baixos, pastejados por ovelhas e, campos sujos com vegetação alta nas es-
carpas de terrenos que apresentavam acentuada declividade, ou seja ambos
desfavoráveis à N. maculosa. O campo limpo, por não oferecer condição de
abrigo e o campo sujo por dificultar seu deslocamento pelo terreno.
Usando o índice de Czekanowski de similaridade citado por (CLIFFORD
& STEPHENSON, 1975), verifica-se que o valor correspondente para indicar a
associação de N. maculosa e R. rufescens foi de 0,4969. Tendo em vista que
o valor máximo do índice é de 1, e o mínimo é zero, o que foi obtido é um ín-
dice médio.
Com os dados obtidos através de caçadores nas barreiras, não foi pos-
sível se estabelecer a relação quantitativa.
A relação quantitativa entre as duas espécies só pôde ser determinada
pelo número de levantes provocados pela atividade do cão em área de
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
Aspectos da relação de coexistência... aa
ocorrência das duas espécies. O procedimento para levante de N. maculosa é
o mesmo para levante de A. rufescens. Supõe-se que o cão tenha aproxi-
madamente igual eficiência na detecção e levante das duas espécies.
Os dados obtidos estão na tabela a seguir:
TOTAL N.maculosa R.rufescens IRAZÃO N.macu-
AMOSTRADO JAMOSTRADAJAMOSTRADA |/osa:R.rufescens
Rosärio do Sul 157 132 25 5:28:
Dom Pedrito 181 177 4 44 25:1
Bom Jesus 36 SUA
Como se pode perceber, a proporção variou de 3:1 em Bom Jesus até
aproximadamente 44:1 em Dom Pedrito, sempre com maior número de N.
maculosa.
Diferença entre as dietas de N. maculosa e R. rufescens:
há semelhanças nas dietas das duas espécies. Tanto uma quanto a outra são
omnivoras, ingerindo alimento de origens vegetal e animal. Entretanto, as
dietas não se superpõem totalmente. Isto é provavelmente consequência da
diferença significativa nos comprimentos dos bicos entre as duas espécies.
Para que se tenha uma idéia da magnitude desta diferença, o comprimento do
bico de N.maculosa esta em torno de 2,13cm e o de A.rufescens em torno de
4,50cm (WEEKS, 1973), desde a implantação do bico até a sua extremidade.
Segundo KLOPFER (1969) tem se afirmado que diferenças nos tamanhos de
bicos de 30% ou mais, determinam diferenças significativas de alimentação.
Ao examinarem-se detidamente os registros da: literatura, verifica-se que há
semelhanças na alimentação das 2 espécies, mas que há também algumas
diferenças. HEMPEL (1949) registra que a principal parte da dieta de R. rufes-
cens é de origem vegetal, como raízes tenras e entre os animais aqueles que
são tipicamente subterrâneos. SANDER (Comunicação pessoal, 1980) es-
tudou o conteúdo de oito papos de R. rufescens, observando que o alimento
de origem vegetal constituia-se principalmente de bulbos. Realmente, ao per-
correr-se o campo, notam-se os buracos feitos no solo por esta espécie. O
mesmo foi notado com indivíduos criados em cativeiro. Este mesmo compor-
tamento alimentar, raramente é observado em N.maculosa (BUMP & BUMP,
1969). Nos estudos até agora feitos com conteúdos de papo de N. maculosa,
poucas são as ocorrências de raízes, caules ou animais subterrâneos. Esta
diferença deve residir nas características do bico, pois além de ser maior e
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
34 MENEGHETI, J.O.
mais forte, como já mencionado, o de R.rufescens ainda é levemente curvado
para baixo, o que favorece o fato de cavar.
A literatura cita ainda outra diferença. R. rufescens é capaz excep-
cionalmente, dependendo da disponibilidade de alimento, de comer animais
de maior porte. COMI (1927) e RENARD (1924) verificaram que esta espécie
alimenta-se ocasionalmente de ratos. Em cativeiro WEEKS (op. cit.) cons-
tatou que A. rufescens é capaz de ingerir cobras, com 30cm de comprimento
até maiores do que 35cm, sendo a maioria Thamnophis sp. e um indivíduo de
Lampropeltis doliata (Linnaeus, 1766). O mesmo autor cita que indivíduos de
R. rufescens comeram também pequenas rãs (Rana pipiens Schreber, 1782 e
Rana clamitans Latreille, 1802) e sapos (Bufo americanus Holbrook, 1836).
Alem de alimentar-se de raízes, caules subterrâneos e fauna subter-
rânea, e ainda ser capaz de, se necessário, alimentar-se de presas de maior
porte (vertebrados); soma-se ainda a caraterística observada por WEEKS
(op.cit.) em cativeiro, de que R.rufescens é capaz de aumentar o seu espaço
tridimensional para obtenção de alimento, ao pular até aproximadamente 1
metro de altura desde o solo para bicar insetos da vegetação, ainda que,
segundo o mesmo autor, a precisão do salto caia marcadamente entre 0,85 a
1,00m. Portanto, pode-se crer que sob o ponto de vista dos recursos para ob-
tenção do alimento, A.rufescens é mais bem dotado do que N. maculosa, o
que confere ao primeiro a capacidade de explotar um maior espectro alimen-
tar. Como consequência, não seria o fator alimentação que explicaria o suces-
so de N. maculosa na ocupação de ambientes com diferentes graus de alte-
ração, em contraste com a distribuição restrita de A. rufescens, e sim outro
fator.
Altura da vegetação como abrigo paraN. maculosa e
R. rufescens: segundo BUMP & BUMP (op.cit.) a vegetação para servir como
abrigo de N. maculosa deve ter no mínimo 0,72m, enquanto a altura ideal se
situa entre 0,13m e 0,38m. Por outro lado, em relação a A. rufescens, Hudson
citado por WEEKS (op.cit.) descreveu seu habitat como sendo grandemente
dominado por umas poucas espécies de gramas grosseiras de 1,00 a 2,50m de
altura e crescendo em grandes tufos.
Mais recentemente, BUMP & BUMP (1965) determinaram que a altura
da vegetação de campo, preferencial para A. rufescens, situa-se entre 0,40m
a 0,90m, sendo o primeiro valor correspondente ao mínimo necessário para
servir como abrigo.
Pelo que se pode depreender das observações anteriores, N.maculosa e
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
Aspectos da relação de coexistência... 35
R. rufescens não habitariam exatamente o mesmo ambiente, pois que se dis-
tribuiriam em diferentes estratos da vegetação do campo. Realmente o campo
com vegetação mais baixa é o preferido por N. maculosa por seu desloca-
mento ser mais facilitado. Por outro lado, em vegetação mais alta se encon-
traria R.rufescens. Isto propõe, por exemplo, que em campos de relevo on-
dulado, a primeira espécie seja encontrada mais na coxilha, enquanto que a
segunda seria encontrada mais entre coxilhas ou em várzeas, onde a vege-
tação tem maior porte. O fato de R. rufescens viver preferencialmente entre
coxilhas, próximo a banhado ou várzea de rio ou arroio, é justificado por dois
motivos. Por um lado, é onde se encontra a vegetação mais alta e que desta
forma, lhe oferece abrigo. Por outro lado, é onde o solo geralmente tem maior
teor de água e, com isto contém maior abundância de fauna de solo que lhe
serve de alimento e onde o solo é mais fácil de cavar com seu bico.
AGRADECIMENTOS
O autor é grato ao Diretor Superintendente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul,
Médico Veterinário Heraclides Santa Helena e ao Diretor Executivo do Museu de Ciências Naturais,
Biólogo Gilberto Carvalho Ferraz por proporcionarem todas as facilidades para a execução deste tra-
balho. Agradece também aos colegas pesquisadores Biólogos Ms. Marisa Ibarra Vicira, Maria Inês Burger
Marques, Ms. Flávio Silva e Dione Bretschneider pela prestimosa colaboração na coleta dos dados, bem
como à Geógrafa Helena F. Mello pelo seu assessoramento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BUMP, G. & BOHL, W.H. 1965. Some Tinamous of Argentina and Chile. Interim Report. United
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Instituto de Geociências Mapa 77x78cm. Escala 1:1.000.000.
CLIFFORD, H. T. & STEPHENSON, W. 1975. An Introduction to Numerical Classification. New York,
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COMI, P.L. 1927. Voracidad de la perdiz colorada. Hornero, Buenos Aires, 4(1):70-1.
FORTES, A.B. 1959. Geografia Física do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Globo. 393p.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
Aspectos da relação da coexistência... 27
º Fazenda Taipa
* Fazenda São Martim
Fig. 1. Localização das Fazendas Taipa e São Martim e dos municípios da Zona da Campanha do
Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
38 MENEGHETI, J.0.
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ss
Fig. 2. Quadrículas onde se registrou ocorrência simultânea de Rhynchotus rufescens (Temminck,
1815) e Nothura maculosa (Temminck, 1815), situadas nos municípios de Bagé, Dom Pedrito, São
Lourenço, Lavras do Sul, Dom Feliciano, São Francisco de Assis, Itaqui, Santiago e São Gabriel, no Es-
tado do Rio Grande do Sul, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):27-38, 17 out. 1983
Notas sobre Parandrinae (Coleoptera, Cerambycidae) Vi.
Parandra solomonensis, sp.n.*
Tania Heloisa de Araujo Arigony**
RESUMO
É descrita uma nova espécie do subgênero Parandra s.str. (Coleoptera, Cerambycidae), oriunda
das Ilhas Salomão, Melanésia Britânica, Pacífico Sul. São estabelecidas suas correlações com as es-
pécies que lhe são próximas: P. janus Bates, 18/5e P. heterostyla Laméere, 1902.
ABSTRACT
Parandra (Parandra) solomonensis, sp.n., is described. Head, mouth parts, genitalia, legs, parony-
chium setae, prosternum, mesosternum, metasternum and wings are illustrated. P. so/omonensis from
Solomon Islands is related with P. janus Bates, 1875 and P. heterostyla Laméere, 1902. This relationship
is commented.
INTRODUÇÃO
O gênero Parandra LATREILLE 1804 possui 42 espécies distribuídas em
três subgêneros: Archandra Laméere, 1912, Neandra Laméere, 1912 e Paran-
dra Latreille, 1804. O subgênero Parandra str.s., onde estão agrupadas 22 es-
pécies, distribui-se pelas regiões Neotropical, Etiópica, Oriental e Australiana;
contidas na faixa equatorial do globo, têm localização nitidamente gond-
wânica. P.so/omonensis é a próxima de P.janus BATES, 1875 e P.heterostyla
LAMEERE, 1902 apresentando características nítidas que justificam sua
proposição como espécie nova.
MATERIAL E MÉTODOS
llustro neste trabalho, cabeça, peças bucais, genitália, pernas, prosterno, mesosterno, metasterno
e asas. Tais peças, dissecadas sob microscópio estereoscópico Wild M-5, com câmara clara acoplada, en-
contram-se conservadas em cápsulas de vidro, mergulhadas em uma solução de ácido fênico 5%,
glicerina pura 45% e água destilada 50%. Durante a execução dos desenhos trabalhei as peças em placa
* Aceito para publicação em 07.1V.1983.Parte da Dissertação defendida e aprovada para a obtenção do
grau de Mestre em Ciências Biológicas, área Zoologia, em 7.1V.82, na Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. Contribuição FZB nº 282
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul (MCN), Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil e Bolsista do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Proc. nº 30.5366/76-Z0 07).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):39-44, 17 out. 1983
40 ARIGONY, T.H.deA.
de Petri, com fundo de areia fina e branca, imersas em álcool 70%, o que possibilitava a fácil acomo-
dação do material à posição desejada para as mensurações. Estas são expressas em mm.
O material examinado procede das Ilhas Salomão, Melanésia Britânica, tendo sido depositados
dois casais no Museu de Ciências Naturais da Fu: 'ação Zoobotânica (MCN), Porto Alegre, o holótipo e
alguns dos parátipos no Staatliches Museum fúr Tierkunde (SMTD) Dresden, e os restantes parátipos
no Bernice P. Bishop Museum (BPBM), Honolulu e Smithsonian Institution-United States National
Museum (USNM), Washington.
As ilustrações a traço foram feitas pela autora e a de cabeça e protórax por Eduardo Arigony, a
quem agradeço.
Parandra solomonensis, sp.n.
(Figs. 1-18)
Material-tipo: holótipo Ö SMTD 57213112, Ins. Santa Anna, Salomonen, Tippmann leg;
parátipos: 3 Ö MCN 56502, 56503,2 Q MCN 56501, 56504, 61212, Ins. Santa Anna, Salomonen; 3 Cor
40 SMTD, Ins. Santa Anna, Salomonen, 1 Q BPBM, Santa Isabel Is., Solomon, 24.
V1.60,C.W.O’Brien leg.
Os indivíduos provenientes de SMTD, portam rótulos onde se lê “Ankauf Muche”.
Localidade-tipo: Ilha Santa Ana, Arquipélago das Salomão, Melanésia Britânica.
Etimologia: onome específico refere-se à localidade-tipo.
Diagnose: cabeça não achatada; fronte com gibosidades, sem
depressão central em “V”, clípeo-labro sem tubérculo, com a região central
da borda anterior em projeção arredondada; área malar acima de alvéolo an-
tenal, sem processo tuberculado; área sensorial da antena nãe dividida e não
visível de lado.
Macho: (fig. 18); largura da cabeça dividida pelo seu comprimento
parcial (2,06), pela sua altura (1,45); largura da fronte dividida pelo compri-
mento parcial da cabeça (1,60), fronte com gibosidades, sem depressão cen-
tral em “V”, clípeo-labro sem tubérculo, com a região central do bordo an-
terior em projeção acuminada e pronunciadamente convexa; mandíbulas com
dente ínfero-apical presente; comprimento dos artículos dos palpos maxilares
em ordem crescente de comprimento (1234), ápice da gálea atinge a metade
do 2º artículo do palpo; submento claramente delimitado por fina sutura e
com a superfície grosseiramente pontuada; largura da cabeça dividida pelo
comprimento da gena (6,87), distância entre os bordos externos dos lobos
superiores dos olhos dividida pela largura da fronte (1,49), maior comprimento
da órbita dividida pela sua menor largura (2,80), 12 omatídeos na menor lar-
gura; área malar acima do alvéolo antenal sem processo tuberculado, área
sensorial da antena não dividida e não visível de lado, sem área porífera no
bordo exterior do artículo XI.
Largura do pronoto junto ao bordo posterior dividida pelo seu com-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre {63):39-44, 17 out. 1983
Notas sobre Parandrinae... 41
primento (1,04), comprimento do pronoto dividido pela maior distância entre
o pronoto e o prosterno (1,13), bordo lateral do pronoto anguloso, bordo an-
terior do pronoto saliente e recurvo; comprimento do pronoto dividido pelo
comprimento do prosterno (1,40), comprimento do prosterno dividido pelo
menor comprimento do prosterno, anterior à cavidade cotilóide, paralelo ao
eixo longitudinal (2,28), comprimento prosternal dividido pela maior largura do
processo prosternal (4,75), distância entre os ápices dos proepímeros dividida
pela maior largura do processo prosternal (2,50), maior largura do mesotórax
na altura do mesepímero dividido pelo comprimento do mesosterno (2,00),
maior comprimento do metasterno dividido pela maior largura do metasterno
(0,73), menor comprimento do metasterno dividido pela maior largura do
metasterno (0,56). Comprimento elitral da base umeral ao ápice elitral
(11,30), largura umeral (2,05), pontuação elitral igual a 38 pontos/mm2.
Comprimento da asa dividida pela distância da R1 ao ponto de ligação da
rM (4,03), distância da ri ao ponto de ligação da rM com a M3, dividida pela
distância do ápice da rM até o bordo da asa (sobre a M3) (3,17), nervura Cu2
a A1 fundidas na base,r1-r2 presente e Il r2-m2 completa.
Maior comprimento da coxa anterior dividida pela sua maior largura
(1,72), maior comprimento da coxa posterior dividido pelo maior comprimento
da coxa anterior (1,28), maior comprimento do abdome dividido pelo com-
primento do fêmur posterior (1,86), maior comprimento da tíbia anterior di-
vidido pelo maior comprimento do fêmur anterior (1,15), maior comprimento
da tíbia posterior dividido pelo maior comprimento do fêmur posterior (0,92),
tíbias com a face externa côncava, esporões tibiais desiguais em todas as per-
nas, dentes do ápice das tíbias desiguais em todas as pernas, comprimento
dos 1º,2º e 3º tarsômeros dividido pelo comprimento do 5º tarsômero (0,85),
escovas tarsais com área ou linha média glabra no 1°, 2° e 3° tarsômeros.
Maior comprimento do abdome dividido pela sua maior largura (1.16),
apófises do pênis convergentes no ápice.
F ême a: submento não delineado por sutura e com superfície apenas
pontuada; distância entre os bordos externos dos lobos superiores dos olhos
dividida pela largura da fronte (1,66), maior comprimento do abdome dividido
pelo maior comprimento do fêmur posterior (2,27); maior comprimento da
tíbia posterior pelo maior comprimento do fêmur posterior (1,04).
Discussão Taxonömica: P. solomonensis próxima de P.
janus e P. heterostyla particulariza-se por apresentar muitos omatídeos na
menor largura do olho, bordo lateral do pronoto anguloso, prosterno anterior
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):39-44, 17 out. 1983
42 ARIGONY, T.H. de A.
à cavidade cotilóide longo, mesosterno muito largo, pontuação elitral muito
constante, distância da rM ao bordo da asa, longa, comprimento da tíbia an-
terior menor do que o do fêmur anterior e apófises do pênis convergentes no
ápice.
P. janus diferencia-se de P. solomonensis por apresentar o comprimento
dos artículos dos palpos maxilares conforme padrão 1324, submento apenas
pontuado, gena larga, prosterno curto, pontuação elitral escassa, distância da
rM ao bordo da asa, curta, fêmur posterior longo e apófises do pênis retas.
P. heterostyla evidencia-se por possuir submento não claramente de-
lineado, área malar acima do alvéolo antenal com processo tuberculado, área
sensorial da antena não dividida e não visível de lado, élitros médios, ümeros
estreitos, pontuação constante, esporões tibiais desiguais apenas na 1º perna,
tarsômeros anteriores longos e escovas tarsais sem área ou linha média
glabra.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BATES, HW. 1875. New genera and species of Prioninae (Longicorn, Coleoptera). Entomologist's
mon. Mag., London, 12:47-53.
LAMEERE, A. 1902. Revision des Prionides. Annls, Soc. ent. Belg., Bruxelles, 46:59-111.
LATREILLE; P.A. 1804. Histoire naturelle, generale et particuliêre des crustacês et des insectes. Paris,
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):39-44, 17 out. 1983
Notas sobre Parandrinae... 43
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Té 13
Fig. 1-17: Parandra solomonensis sp. n. parätipo © MCN 61212. 1-3.Cabeça. 1. vista dorsal; 2.
vista ventral; 3. vista lateral; 4-5 mandibula; 4. vista dorsal; 5. vista ventral; 6. maxila e palpo maxilar 7-
10. tórax; 7. prosterno; 8. protorax, vista lateral; 9. mesosterno; 10. metasterno; 11. antena, vista ven-
tral; 12-14. perna posterior; 12. coxa; 13. fêmur; 14. tíbia; 15. élitro; 16. asa; 17. genitália.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63): 39-44, 17 out. 1983
ARIGONY, T.H. de A.
Parandra solomensis sp.n holótipo © SMTD 57213112. Cabeça e protorax.
Fig. 18
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63): 39-44, 17 out. 1983
Notas sobre Dacnis nigripes Pelzeln, 1856 (Aves, Coerebidae).*
Luiz Pedreira Gonzaga**
RESUMO
O saí-de-pernas-pretas, Dacnis nigripes Pelzeln, 1856, pouco conhecido, contrasta com o saí-azul,
Dacnis cayana (Linnaeus, 1766), distribuldo numa área muito maior e frequentemente encontrado por
observadores e coletores. O principal caráter distintivo entre os machos das duas espécies, no campo,
muito semelhantes no colorido da plumagem, é a cor escura dos tarsos de D.nigripes, embora o
abreviado tamanho das retrizes deste possa servir como indicador de sua identidade, quando as con-
dições de luz não são boas e apenas a silhueta do pássaro pode ser vista.
Assinala-se a ocorrência de D. nigripes no Estado de São Paulo, faz-se uma revisão de sua dis-
tribuição geográfica e relacionam-se os exemplares da espécie depositados em museus brasileiros. Cons-
tata-se o aparecimento sazonal de D. nigripes em Magé, na baixada fluminense, Estado do Rio de
Janeiro e apresentam-se observações sobre o comportamento, alimento e relações de D.nigripes com
outras espécies de passeriformes.
ABSTRACT
Dacnis nigripes Pelzeln, 1856, an endemic bird of southeastern Brazilian has recently been found in
Magé Country (22º34'S;43º02'W), Rio de Janeiro State, during winter time. Several birds of this
species were seen, searching for nectar and insects on flowering trees (Mabea brasiliensis Muell. Arg.
1866, Euphorbiaceae, as they exploited other food sources, from July 29 to August 2, 1981. They also
joined mixed flocks of local resident birds such as Pachyramphus viridis (Vieillot, 1816), Hemithraupis
flavicollis (Vieillot, 1818), Dacnis cayana (Linnaeus, 1766) and Conirostrum speciosum (Temminck,
1824).
The color, size and distribution of D.nigripes and D.cayana paraguayensis Chubb, 1910 are discus-
sed. Weight and size characteristics of all available specimens in Brazilian collections are given. By
examining of four specimens from the Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, the São Paulo
State is now included in the range of D.nigripes.
INTRODUÇÃO
Dentre as cinco espécies de saís do gênero Dacnis Cuvier, 1816 que
ocorrem no Brasil (DE SCHAUENSEE 1966, 1970), destaca-se naturalmente
Dacnis nigripes Pelzeln, 1856, não só pela sua área de dispersão relativamente
* Aceito para publicação em 24.1V.1983. Trabalho apresentado no IX Congresso Brasileiro de Zoo-
logia, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em fevereiro de 1982.
** Bolsista de Pós-Graduação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq). Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ), Quinta da Boa Vista, 20942 Rio de Janeiro,
RJ, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
46 GONZAGA, L.P.
pequena, incluída na de Dacnis cayana (Linnaeus, 1766) e pela extrema se-
melhança de colorido entre os machos dessas duas espécies, como pela
aparente raridade de D. nigripes. Esta espécie, descrita por PELZELN em
1856, permanece até nossos dias mal representada nas coleções ornitológicas
e praticamente ausente dos relatos de naturalistas, a despeito de serem o sul
e o sudeste brasileiros, onde ocorre, regiões intensamente exploradas, por
inúmeros colecionadores e ornitólogos, desde o começo do século.
A observação de indivíduos de D.nigripes, recentemente, em migração
na baixada de Magé, Estado do Rio de Janeiro, enseja a apresentação das
notas que seguem, sobre a bionomia desta espécie.
MATERIAL E MÉTODOS
Material examinado: Dacnis nigripes — BRASIL. Espírito Santo: Santa Teresa, 1 O
Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ) 28873, 09.X1.1942, A. Ruschi leg.; Rio de Janeiro: Ma-
ge(Santo Aleixo), 30 MNRJ 32537, 32538 e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) 34056, 02.VI11.1981
e 4 Q' MNRJ 32539, 32540, 32541 e MPEG 34058, 29.VIl e 01.V111.1981, L.P.Gonzaga leg.; Resen-
de (Parque Nacional de Itatiaia), 1 Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo(MZUSP) 36373,
25.X11.1953, J.L.Lima leg.; São Paulo: Sáo Bernardo do Campo(Alvarenga), 1 & MZUSP 51262,
21.11.1962, R. Grantsau leg.; Santo André(Paranapiacaba), 1 ©’ MZUSP 62559, 02.V11.1966, W.Boc-
kermann leg.; Juquiá (Primeiro Morro, Rio Ipiranga), 1 C) MZUSP 48806, 20.1X.1962, {Porto Estrada,
Rio Ipiranga), 1 MZUSP 48833, 19.X.1962, A.M.Olalla leg.
Dacnis cayana — BRASIL. Espírito Santo: Linhares 2 & MNRJ 26580 e 26861, 17 e 19.1X.1939 e
3 9’ MNRJ 26317, 26420 e 26864, 17.1X., 02.X. e 19.1X.1939, Schneider & Sick leg.; Itaguaçu (Jati-
boca), 16 MNRJ 26867, 08.VIl.1940 e 2 Q MNRJ 26863 e 26869, 03.VIl e 11.V111.1940, H.Sick leg.;
Santa Teresa, 3 O MNRJ 21156, 21157 e 21158, 20.11.1941, 27.1X.1940 e 17.11.1941 e 1 OQ" MNRJ
19704, 11.V11.1940, A. Ruschi leg.; Rio de Janeiro: Magé (Santo Aleixo), 25 MNRJ 32135 e 32944,
20.V.1979 e 4.VII1.1982 e 1 Q' MPEG 34057, 01.V111.1981, L.P.Gonzaga leg.; Resende (Parque Nacional
de Itatiaia), 1 MNRJ 31023, 06.V111.1966, E.Gouvêa leg.
As presentes notas são parte de um estudo sobre avifauna de formação vegetal secundária na
baixada de Magé, realizado no período de 1975 a 1982.
Para a observação das aves no campo foi utilizado binóculo 8x30.
Para a coleta de exemplares, foi utilizada espingarda calibre 36 e o material foi preparado pela téc-
nica de taxidermia.
Para as medidas foi utilizada trena flexível milimetrada, com o auxílio de compasso de pontas
secas. O peso dos exemplares coletados pelo autor foi tomado com balanças Pesola com capacidade
para 50 g e precisão de 0,5 g. Foram também utilizados os pesos anotados nas etiquetas dos exem-
plares obtidos por outros coletores.
A medida da asa corresponde à da asa esticada, ou arco da asa, e foi tomada diretamente com a
trena. As demais medidas foram transferidas para a trena com o auxílio do compasso. Do bico, foram
tomadas a medida do cúlmen exposto e a medida da borda anterior da narina à extremidade distal do
bico.
A nomenclatura científica utilizada para as aves segue DE SCHAUENSEE (1966) e PINTO (1944).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
Notas sobre Dacnis nigripes... 47
RESULTADOS
Distribuição: D.nigripes ocorre nos Estados de Minas Gerais, Es-
pirito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, numa faixa
do litoral brasileiro situada aproximadamente entre os paralelos de 19º e 27°.
Dentro dessa área, os registros de ocorrência da espécie têm sido irregulares e
ocasionais, o que não acontece com D.cayana, espalhada numa área muito
maior, onde é encontrada com elevada frequência (Fig. 1).
PELZELN (1856) descreveu D.nigripes baseado em dez exemplares
coletados por Beske em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, que foram enviados
ao Museu de Viena. BURMEISTER (1856) assinalou a ocorrência da espécie
em Minas Gerais, descrevendo um macho em plumagem juvenil, proveniente
de Lagoa Santa, que referiu à D.cayana auct. (non Motacilla cayana Lin-
naeus, 1766). O último registro seguro de D.nigripes, feito no século passado,
é o de BERLEPSCH (1873), referindo-se e um exemplar procedente de Blu-
menau, cidade situada quase ao nível do mar, no Estado de Santa Catarina.
Em semelhante situação topográfica fica a cidade de Joinville, de onde é
proveniente um outro exemplar de D.nigripes, citado por HELLMAYR (1935).
A ocorrência de D.nigripes no Espírito Santo, registrada por RUSCHI
(1953), esta documentada com a pele de uma fêmea, coletada em Santa
Teresa e depositada no MNRJ.
SCHERER NETO (1980) relaciona D.nigripes entre as aves do Paraná,
sem aduzir comentários. Esse registro foi baseado na observação de um
exemplar cativo, na casa de um caboclo que o capturara, em maio de 1979,
no Município de Antonina, região de baixa altitude situada no leste do Estado
(Scherer Neto, in litt., 1981).
Baseado em PELZELN (1868), IHERING (1898) presume a ocorrência de
D.nigripes no Estado de São Paulo, no que o acompanharam HELLMAYR
(1935) e PETERS (1970). Ao elaborar seu catálogo, PINTO (1944) não dis-
punha de qualquer exemplar da espécie na coleção do MZUSP, mas, atento à
sua possível presença no Estado, bem como à sua raridade, faz alusão ao as-
sunto em nota de rodapé. Cabe-nos, portanto, assinalar a ocorrência de
D.nigripes no Estado de São Paulo, com base em quatro exemplares cole-
tados em Alvarenga, Paranapiacaba e no Rio Ipiranga, que se encontram no
MZUSP e que aparentemente não foram objeto de qualquer comunicação até
agora. No referido Museu encontra-se, ainda, um exemplar coletado no lado
fluminense do Parque Nacional de Itatiaia por J. L. Lima, em dezembro de
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
48 GONZAGA, L.P.
1953. Nenhuma referência à espécie, todavia, consta na publicação de PINTO
(1954) sobre as aves do Itatiaia.
Em 21 de agosto de 1977 observamos D.nigripes, provavelmente, pela
primeira vez na baixada de Magé (22º34'S; 43º02'W), Rio de Janeiro, segun-
do notas de nosso diário em que descrevíamos um pássaro com as caracterís-
ticas da fêmea (ou imaturo) desta espécie. Somente no ano seguinte, porém,
nos familiarizamos com D.nigripes, aprendendo a distinguí-la de D.cayana, ao
estudarmos exemplares vivos, de ambos os sexos, no criadouro do Sr. Mário
Dias, no Rio de Janeiro. Esses exemplares eram procedentes de Petrópolis,
onde a espécie só é notada no período outonal (abril a junho), quando podem
ser capturados muitos indivíduos nas fruteiras (M.Dias, com.pess., 1981).
Realizamos, então, mais quinze visitas de curta duração àquela baixada,
nas diversas estações dos anos seguintes, sem encontrar D.nigripes, mas ob-
servando D.cayana em muitas ocasiões. No inverno de 1981, todavia, encon-
tramos D.nigripes, coletando sete exemplares que faziam parte de um grupo
muito maior em migração na baixada de Magé, entre os dias 29 de julho e 2
de agosto. Durante esse período, observamos a espécie diariamente. Um mês
depois, acompanhados por H.Sick, no período de 28 a 30 de agosto, não a
encontramos mais na localidade e uma sensível mudança nas condições
fenológicas indicava que a onda migratória já tinha passado.
Coloração: os machos de D.nigripes são extremamente semelhan-
tes, no colorido da plumagem, aos de D.cayana. Em ambos, a cor dominante
é o azul vivo, que varia do turquesa ao cobalto, de acordo com o ângulo de
incidência da luz, sendo a localização das áreas negras a mesma. Na exten-
são, porém, da mancha gutural, uma pequena diferença pode ser notada en-
tre D.nigripes e D.cayana paraguayensis Chubb, 1910, sendo um pouco
maior nesta subespécie, fato mais nítido quando comparamos indivíduos
vivos, lado a lado. Em três machos recém abatidos de D.nigripes, esta man-
cha media 20 milímetros desce o gônis até a extremidade, contra 28 mili-
metros no único macho de D.cayana paraguayensis medido nas mesmas con-
dições.
Uma importante diferença pode ser percebida nas rêmiges primárias e
na cauda dos machos das duas espécies. Enquanto em D.nigripes as pri-
márias e as policiais são completamente negras, em D.cayana as mesmas
apresentam estreita fimbria azul na margem externa, que não chega a atingir a
extremidade da pena. Na cauda de D.cayana, em certos indivíduos, distingue-
se uma fímbria azul nas margens das retrizes do par central; em D.nigripes es-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
Notas sobre Dacnis nigripes... 49
ta fímbria é mais extensa e visível na margem externa das retrizes centrais,
avançando ainda pela margem interna até cerca de um terço de seu com-
primento. A partir do par subcentral é restrita à margem externa das retrizes,
diminuindo gradativamente em largura e extensão, até tornar-se ausente por
completo no par externo.
As fêmeas (bem como os imaturos) das duas espécies são inconfun-
díveis, mesmo no campo. Em D.nigripes, fugindo ao conhecido padrão verde
da fêmea de D.cayana, encontra-se cor acanelada desde o mento até as
coberteiras subcaudais. O manto é pardo escuro. As asas e cauda são ene-
grecidas, com fimbrias esverdeadas nas margens das penas. Toda a parte su-
perior da cabeça (incluindo as auriculares) até a nuca, o uropígio e as su-
pracaudais apresentam tonalidade azulada em mistura com pardo.
Os tarsos em D.nigripes são escuros, cor de chumbo, em contraste com
D.cayana, cujos tarsos são de cor parda, alaranjada ou rosada, mais eviden-
ciada pela robustez dos mesmos em D.cayana paraguayensis, o que constitui
o principal distintivo entre os machos de ambas, no campo.
As duas espécies diferem também no colorido das íris, que são cas-
tanho-escuras, ou marrons, em D.nigripes e castanho-claras, avermelhadas,
em D.cayana, independentemente do sexo ou da idade.
Tamanho: comparada com D.cayana paraguayensis, com a qual es-
tabelece simpatria, D.nigripes é no conjunto um pouco menor, distinguindo-
se principalmente pelo tamanho das retrizes, visivelmente menores e pela
constituição, mais frágil, do bico e dos tarsos, em D.nigripes. Nota-se em
D.nigripes que o bico apresenta menor comprimento, maior curvatura do cúl-
men e mais acentuado afinamento da ponta (figs. 2-3). Em média, o peso e a
asa são menores em D.nigripes (Tabelas | e Il).
Gônadas: todos os indivíduos coletados em Magé estavam em
repouso sexual, a julgar pelo aspecto das gônadas. Em nenhuma das fêmeas
o ovário excedia a 3 milímetros de comprimento, nem o oviduto exibia sinal de
desenvolvimento. Da mesma forma, nos machos os testículos mediam em
torno de 1 milímetro, apenas. Embora em ótimo estado nutricional, como O
demonstram seus valores ponderais, esses indivíduos não apresentavam gran-
de acúmulo de gordura nos depósitos subcutâneos, sendo mesmo pouco
avolumadas as massas peitorais e abdominais de gordura amarela.
Mu d a: a plumagem fresca de quase todos os exemplares procedentes
de Magé e a ausência de rêmiges ou retrizes em muda (apenas um macho e
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
50 GONZAGA, L.P.
uma fêmea exibiam algumas plumas do corpo e da cabeça em muda) demons-
tram que o período de muda na população migrante estava por se findar.
Neste aspecto destoava a fêmea capturada no dia 29 de julho. Este exemplar
(MNRJ 32539) apresenta algumas plumas do corpo em muda e a cauda, com
aspecto fresco, já tinha completado sua muda. As rêmiges, todavia, estão
bastante desgastadas. A cabeça e o uropígio quase não se destacam do
colorido do dorso, ou seja, o pardo domina totalmente a tonalidade azulada
dessas partes. Poderia tratar-se de um indivíduo nascido na quadra repro-
dutiva anterior, que migrou sem completar a primeira muda. Reforçam esta
idéia dois dos machos capturados, que apresentam ainda secundárias da
plumagem juvenil, completamente desgastadas, ao lado das demais rêmiges,
novas, da plumagem adulta.
Bandos: D.nigripes foi encontrado em Magé nas copas floridas de
Mabea brasiliensis Muell.Arg., 1866 (Euphorbiaceae), perto de clareiras e na
borda do capoeirão, onde podiam ser vistos grupos em intensa atividade, logo
ao dispersar das brumas matinais. Nessas ocasiões, um movimento incessan-
te tomava conta das ramagens, em torno das infiorescências, num vaivém
contínuo. Eram muitos indivíduos, possivelmente dezenas deles, que emitiam
chiados fraquinhos, à procura dos túrgicos nectários e de pequenos insetos,
com tamanha avidez que os fazia descuidar-se de todo perigo. Eventualmen-
te, um ou outro indivíduo de D.cayana infiltrava-se no grupo, compartilhando
pacificamente o mesmo alimento.
Quando a manhã avançava, o movimento de pássaros nas copas das ár-
vores da orla da mata aumentava. Eram indivíduos de diversas espécies de
passeriformes que se aproximavam, formando um bando misto ao qual se
reuniam indivíduos de D.nigripes, passando a explorar copas de outras är-
vores, durante o resto do dia. Formavam esses bandos, com maior frequên-
cia, Pachyramphus viridis (Vieillot, 1816), P.polychopterus (Vieillot, 1818),
Platypsaris rufus (Vieillot, 1816), Vireo olivaceus (Linnaeus, 1766), D.cayanna,
Conirostrum speciosum (Temminck, 1824), Hemithraupis flavicollis (Vieillot,
1818), Tachyphonus cristatus (Linnaeus, 1766), Thraupis palmarum (Wied,
1821) e Saltator maximus (P.L.S.Muell., 1776).
Conteúdo estomacal:no exame dos aparelhos digestivos de
seis exemplares de D.nigripes e de uma fêmea de D.cayana, verificamos que
o alimento se constituía, na ocasião, de bagas de Miconia spp. (Melasto-
mataceae) e de outra fruteira não identificada (provavelmente Casearia sp.,
Flacourtiaceae), sementes ariladas de Xy/opia sp. (Annonaceae) e, entre os
insetos, imagos de Coleoptera, dentre os quais Vacusus apicicornis (Laferté,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
Notas sobre Dacnis nigripes... 51
1848) (Anthicidae), Diptera (Chloropidae e Sciaridae!. Hymenoptera (Chal-
cidoidea) e lagartas de poucos milímetros. A fêmea de D.nigripes capturada
no dia 29 de julho, à tardinha, junto de um bando misto de pássaros, tinha,
ainda no esôfago, três bagas de Miconia sp. e, no estômago, além de restos
de insetos, fragmentos de mais seis a oito dessas bagas, que o tingiam inter-
namente com sua cor azul-arroxeada escura.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Visitando periodicamente a baixada de Magé desde janeiro de 1975,
somente no inverno de 1981 comprovamos a ocorrência de D.nigripes no
local, como espécie migrante, o que poderíamos atribuir a diversos fatores.
D.nigripes ê uma espécie cujos machos são muito semelhantes aos de
D.cayana, espécie mais comum e que ocorre em todo o Brasil, ao contrário
de D.nigripes, que apenas esporadicamente tem sido registrada dentro de
uma área restrita ao sul e sudeste do país.
Nossas excursões à baixada normalmente não excederam quatro dias de
duração, o que poderia ter causado eventuais desencontros com D.nigripes
nos anos em que não registramos esta espécie, a qual certamente permanece
poucas semanas no local, quando o visita. Além disso, não estivemos vol-
tados, em especial, à procura de D.nigripes, mas antes ao objetivo, mais
geral, de manter um registro das espécies ocorrentes na região. Não possuin-
do voz distintiva e imiscuindo-se nos bandos de pássaros que frequentavam
os estratos mais altos da vegetação, os indivíduos de D.nigripes exigiam es-
pecial atenção para que fossem localizados e identificados pelas sutis diferen-
ças que os dintiguiam dos indivíduos de D.cayana, quando se tratavam de
machos.
É possível, por outro lado, que D.nigripes seja um visitante irregular na
área de estudo em Magé, e que seu aparecimento esteja ligado não só aos
fatores climáticos, mas também ao ciclo de floração de certos vegetais, nos
quais busca o seu alimento. D.nigripes não foi observada no inverno de 1982,
embora outras espécies de aves migrantes, que também estiveram no local
em 1981, tenham retornado regularmente no ano seguinte. Em 1982 o inverno
foi menos rigoroso no sul do país, mas ao mesmo tempo é digno de nota que
nenhum dos indivíduos de Mabea brasiliensis, observados floridos em 1981,
floresceu em 1982. A importância da floração de uma outra espécie deste
gênero, M.fistulifera Mart., 1828, no aparecimento de muitos beija-flores
(Trochilidae) em lotes de mata no planalto paulista foi ressaltada por WILLIS
(1979).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
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Os movimentos sazonais de D.nigripes devem ter sua origem nas partes
mais próximas da Serra do Mar, ou, menos provavelmente, em regiões mais
meridionais de sua área de dispersão. Outros pássaros, que também só foram
encontrados na baixada de Magé durante o inverno, ocorrem, assim como
D.nigripes, ao sul e ao norte do Trópico de Capricórnio, e neste último caso,
são normalmente achados, durante a maior parte do ano, em pontos mais ou
menos elevados da Serra do Mar. Observações realizadas por DAVIS (1945)
em Teresópolis e por WILLIS (ibid.) no planalto paulista, comparadas com as
nossas próprias em Mage, sugerem-nos a existência de um complexo padrão
de migrações altitudinais nessas regiões do país, envolvendo essas espécies.
Contudo, somente um programa de anilhamento desses pássaros poderá lan-
car uma nova luz sobre essa velha questão, impossível de solucionar pelo sim-
ples registro da presença ou da ausência dos mesmos nas diversas regiões e
estações do ano.
É ilícito supor que muitos imaturos de D.nigripes acompanhem os adul-
tos na migração, em seu primeiro ano de vida. A observação dos bandos na
baixada de Magé mostrou-nos que a proporção de machos em plumagem
adulta era baixa, talvez de um terço do total de indivíduos, os demais devendo
se constituir de fêmeas e machos em plumagem juvenil, que somente no
começo da migração no ano seguinte realizariam sua muda para a plumagem
adulta.
Em Magé, a julgar pelos exames dos aparelhos digestivos de indivíduos
capturados entre 7h e 7h15min, junto a inflorescências de M.brasiliensis, a
jornada iniciava-se pouco antes desta hora, incluindo anterior ou paralela-
mente, no seu roteiro, árvores frutificadas. A repetição de certos ítens alimen-
tares, em dias sucessivos, indica que o grupo seguia o mesmo trajeto dia-
ramente. Em M.brasiliensis, é difícil saber o que os pássaros procuravam
principalmente, se néctar ou insetos. Provavelmente o primeiro é o principal
fator de atração, mas como o líquido presente no estômago escorria pelo bico
logo após a,morte da ave, como observamos em uma das fêmeas abatidas, é
difícil saber se as aves ingeriam apreciável volume de néctar. Notamos que
uma das aves tinha a fronte e o mento recobertos de pólen daquela eufor-
biácea onde fora capturada, confirmando a introdução do bico nas inflores-
cências, como observáramos através do binóculo. Os resultados dos nossos
exames concordam com as indicações constantes na literatura sobre a ali-
mentação dos Coerebidae: frutinhos, artrópodes e néctar (SCHUBART etal.,
1965). Em Coereba Vieillot, 1808 e Conirostrum Lafresnaye & d'Orbigny,
1838, o alimento que aparece em exames de conteúdos estomacais é quase
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
Notas sobre Dacnis nigripes... 53
exclusivamente de origem animal. Sabe-se, porém, que Coereba é essencial-
mente nectarívora, o que só pode ser notado pela observação de seu compor-
tamento na natureza, pois nos estômagos de indivíduos mortos, somente ar-
trópodes são encontrados. O mesmo ocorre com os Trochilidae.
Em PETERS (1968, 1970), os gêneros tradicionalmente incluídos em
Coerebidae são listados em Emberizidae, Thraupinae, exceto Coereba e
Conirostrum, que são incluídos em Parulidae, num grupo de gêneros incertae
sedis. STORER (1969) sugere que Dacnis Cuvier, 1817, Chlorophanes Rei-
chenbach, 1853 e Cyanerpes Oberholser, 1899 são gêneros de Thraupinae que
se tornaram adaptados para o regime nectarívoro. É interessante nötar como
D.nigripes poderia ser inserido, com muito maior propriedade do que D.ca-
yana, no esquema delineado por STORER (ibid.) para mostrar os prováveis
rumos evolutivos da forma do bico entre os Thraupinae, no sentido da for-
mação de um grupo de nectarívoros que teria sua expressão máxima em
Cyanerpes caeruleus (Linnaeus, 1758).
AGRADECIMENTOS
Aos dirigentes da União dos Escoteiros do Brasil, proprietária da área de estudo em Magé, Luiz
Paulo C. Maia e Ivan B. Monteiro, pelo imprescindível apoio às nossas pesquisas no local, bem como ao
zelador daquela propriedade, Sr. José P. da Rosa. Ao Prof. Hélio F. de A. Camargo, pela permissão
para o estudo dos exemplares depositados no MZUSP. Ao Sr. Mário Ventura Dias, pela franquia do seu
criadouro para observações sobre indivíduos de D.nigripes e D.cayana. Aos entomologistas Miguel A.
Monné e Hugo de S. Lopes, pela identificação dos fragmentos de insetos presentes nos conteúdos es-
tomacais. À Dra. Graziela M. Barroso e à Dra. Margareth Emmerich, pela determinação dos vegetais. À
ecologista Dorothy S. de Araujo, pela ajuda na elaboração do abstract. À Profº Rejan R. Guedes pelos
comentários sobre o manuscrito. Ao Dr. H.Sick, pela crítica enriquecedora. Aos meus pais, pelo apoio
estimulante, um especial reconhecimento.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
Notas sobre Dacnis nigripes... 55
TABELA |. Medidas(mm) e peso(g) de exemplares de Dacnis nigripes Pelzeln,
1856.
Exemplar Sexo Asa Cauda Bico Tarso Peso
MNRJ 32537 o 65 38 11/8 14 15
MNJR 32538 o 60 36 11/8 14 13
MPEG 34058 o 63 38 11/8 14 14
MZUSP 36373 (6) 63 36 11/8 14 —
MZUSP 51262 O 63 38 11/8 14 12
MZUSP 48806 o 62 36 1178 14 —
MZUSP 48833 o 61 So — 14 —
MNRJ 28873 Q 60 36 11/8 14 14,5
MNRJ 32539 Q 60 35 11/8 14 13,5
MNRJ 32540 Q 58 35 11/8 13 11
MNRJ 32541 Q 64 38 11/8 le) 14
MPEG 34056 Q 61 37 11/8 14 14,5
MZUSP 62559 Q 63 36 11/9 15 155
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
GONZAGA, L.P.
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Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
IHERINGIA. Ser. Zool.,
Notas sobre Dacnis nigripes... 57
ayana cayana
- Paragueyensis
Fig. 1. Distribuição de Dacnis nigripes Pelzeln, 1856, Dacnis c.cayana (Linnaeus, 1766) e Dacnis c.
paraguayensis Chubb, 1910 no Brasil e em países limítrofes. Minas Gerais: 1. Lagoa Santa (750 m); Es-
pírito Santo: 2. Santa Teresa(850 m); Rio de Janeiro: 3. Nova Friburgo(850 m), 4. Parque Nacional de
Itatiaia(850 m). 5. Petrópolis(850 m), 6. Magé(0-50 m); São Paulo: 7. Alvarenga (750 m), 8. Parana-
piacaba(750 m), 9. Rio Ipiranga(0-50 m); Paraná: 10. Antonina(0-50 m); Santa Catarina: 11. Joinville (O-
50 m), 12. Blumenau(0-50 m).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
58 GONZAGA, L.P.
7 F
Ha
eira nenem Re
Figs. 2-3. 2a. vista dorsal da cabeça de Dacnis nigripes Pelzeln, 1856; 2b. vista dorsal da cabeça de
Dacnis cayana paraguayensis Chubb, 1910; 3a. vista lateral da cabeça de D.nigripes; 3b. vista lateral da
cabeça de D.c.paraguayensis (Fotos: Olga Caldas Brasiliense).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):45-58, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae from Brazil. *
George Hechtel**
ABSTRACT
Fourteen new species of marine Demospongiae are described from Brazil, namely Anchinoe ra-
mosus, Aplysina pergamentacea, Callyspongia laboreli, Crelloxea spinosa, Didiscus oxeata,Echinodicty-
um dendroides, Halichondria braziliensis, Perissinella fosteri, Prianos grayi, Rhabdastrella fibrosa,
Rhizochalina nodulosa, Spheciospongia symbiotica, Stylaxinella bistyla, and Stylaxinella braziliensis,
Crelloxea is established as a new genus in the family Crellidae.
RESUMO
São descritas quatorze espécies novas de Demospongiae marinhas do Brasil, a saber: Anchinoe
ramasus, Aplysina pergamentacea, Callyspongia laboreli, Crelloxea spinosa, Didiscus oxeata, Echinodicty-
um dendroides, Halichondria braziliensis, Perissinella fosteri, Prianos grayi, Rhabdastrella fibrosa,
Rhizochalina nodulosa, Spheciospongia symbiotica, Stylaxinella bystilla and Stylaxinella braziliensis.
Crelloxea & proposto como um gênero novo da família Crellidae (Porifera).
MATERIAL AND METHODS
The new species of Demospongiae described in this report are based on alcohol-preserved speci-
mens in the Foster an Laborel collections of the Yale Peabody Museum (YPM), New Haven, Connecticut.
Foster's material was taken in a single dredge station off Recife, Pernambuco (PE), (07°38.5S,
34º37'W), ata depth of 27m. Specimens were associated with coral and calcareous debris.
Laborel’s material was taken in the course of his coral reef survey (LABOREL, 1969), by shore col-
lecting, scuba diving, and dredging. Specimens cited in the present report came from the Archipelago of
Fernando de Noronha, localities near Recife, and sites along the coast of Bahia. Several specimens lack
precise locality data, due to disintegration of labels.
| referred previously to the new species, using only generic designations, in my zoogeographic dis-
cussion of Brazilian marine Demospongie (HECHTEL, 1976). Two species have an altered generic pla-
cement in the present paper, namely Adocia sp. (to Rhizochalina)and Verongia sp. b (to Ap/ysina). The
latter transfer is based on the revisions of WIEDENMAYER (1977) and VAN SOEST (1978). | have not for-
maly described Auletta sp., in the hope of obtaining more complete material. Verongia sp. a may be cons-
pecific with 4p/ysina lacunosa (Pallas), as revised by VAN SOEST (1978).
* Accepted for publication on 01.V11.1983. The project was supported by a grant-in-aid from the
Graduate School at Stony Brook, and research grant 021-7102 A from the Research Foundation of
the State University of New York. This is a contribution of the Ecology and Evolution program at
Stony Brook.
** Researcher of Ecology and Evolutin, State University of New York at Story Brook, Stony Brook, New
York 11794.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
HECHTEL, G.
Skeletal measurements were taken from randomly selected fibers and spicules. Spicule data are
presented as ranges and means of measured samples, taken from specimens in the order cited under
material. The number of measured lengths and diameters is given in parentheses (i.e., nu.lenghts/nu,
diameters, or nu. lenaths/nu. shaft diameters/nu. head diameters).
SYSTEMATIC SUMMARY
Order KERATOS A
Family APLYSINIDAE
Aplysina pergamentacea, Sp.n.
Orden HH APEOSCILERIDA
Family HALICLONIDAE
Callyspongia laboreli, sp. N.
Prianos grayi, SP. NOV.
Family NEPHELIOSPONGIIDAE
Rhizochalina nodulosa, sp. n.
Order POEGCIFOSCKEERIDA
Family ANCHINOIDAE
Anchinoe ramosus, Sp. n.
Echinodictyum dendroides, sp. n.
Family CRELLIDAE
Crelloxea spinosa, gen. nov., Sp. n.
Order HALICHONDRIDA
Family HALICHONDRIIDAE
Halichondria braziliensis, sp. N.
Order AXINELLIDA
Family AXINELLIDAE
Perissinella fosteri, sp. n.
Stylaxinella bistyla, sp. n.
Stylaxinella braziliensis, sp. n.
Order HADROMERIDA
Family LATRUNCULIDAE
Didiscus oxeata, SP.N.
Family SPIRASTRELLIDAE
Spheciospongia symbiotica, sp. n.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 61
Order CHORISTIDA
Family ANCORINIDAE
Rhabdastrella (Aurorella) fibrosa, sp. n.
RESULTS AND DISCUSSIONS
Order KERATO SA Grant sensu DELAUBENFELS (1936)
Family APLYSINIDAE Hyatt sensu VAN SOEST (1978)
Genus 4p/ysina Nardo sensu WIEDENMAYER (1977)
Aplysina pergamentacea sp.n.
(Fig. 1)
HECHTEL, 1976, as Verongia sp. b.
Type material: holotype YPM 9004 and paratype YPM 9005, Piedade, near Recife, PE. See
LABOREL (1969, map, fig. 23).
External: YPM 9004 is a compressed ax-shaped sponge, with ma-
ximum dimensions of 7 (ht.)x5.8x0,8cm. Its narrow base is caked with debris.
One surface has a torn longitudinal ridge, suggesting the existence of another
lamella. YPM 9005 is an apical fragment, 1.5 (ht.)x4.5x1.2cm, which does not
match the torn outline of the holotype. Both pieces are dull reddish-brown,
compressible and resilient. Broad lateral surfaces are microtuberculate, with
conules under 0.25mm in height and less than 0.bmm apart. Conules are blunt
and joined occasionally to neighbors by low ridges. Narrow apical and lateral
surfaces are very sparsely conulose. Oscules are confined to rims and imme-
diately adjacent areas. They form two irregular rows on YPM 9005, and one to
two apical rows along the convex lateral rim of the holotype. Singly scattered
ostia, 30-100um in span, are less than 0.2b5mm apart at the edges of rims and in
adjacent conulose areas. Pores are rarely detectable between oscules
ortoward the base of lateral surfaces.
Anatom y: the specimens are compact, with canals seldom greater
than 100um in span. Pigment cells, about 9x 7/um, are common in the flesh,
particularly at the periphery. Flagellated chambers are 15-25 um in span. The
skeleton is a coarse fibroreticulation, with rectangular to polygonal meshes,
300-1000um in maximum span. Fibers are golden, laminated, and provided with
a narrow pith. Fiber diameters (35)46-81.4 + 18.5-129; 46-67 + 8.2-82um. Pith
as a % of fiber diameter (35) 8-19.2 + 6.4-33; 14-23.3 + 4.7-33%
The species is characterized by its spongy consistency, compressed
mellate form, and marginal oscules. The name reflects a similarity in habitus
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
62 HECHTEL, G.
to Callyspongia pergamentacea (Ridley). It would be interesting to compare my
material with a Pandean pipe 4p/ysina reported by CARTER (1882), if that
specimen is still extant (see WIEDENMAYER, 1977).
Aplysina capensis CARTER, 1881, reported from Brazil by DE LAUBEN-
FELS (1956), has a foliate lettuce-like habitus. It differs from 4. pergamentacea
in having scattered oscules and broadly-pithed fibers (CARTER, 1881; LEN-
DENFELD, 1889). In addition, CARTER reported occasional sand grains in the
pith of his South African material, which casts doubt on its generic position.
Order HAPLOSCLERIDA Topsent, 1928
Family HALICLONIDAE de Laubenfels, 1932, sensu
WIEDENMAYER (1977)
Genus Callyspongia Duchassaing and Michelotti, 1864, sensu
DE LAUBENFELS (1936)
Callyspongia laboreli, sp. N.
(Figs. 2-3)
Type material: holotype YPM 8944 and paratype 8945 A-D, ona reef patch, Abrolhos Reef, off
Bahia, 10-15m. See LABOREL (1969, map, fig. 45).
External: the material consist of five pieces of a single (?) light tan,
resilient, easily torn conulose sponge. The holotype has two conical vases,
8(ht.)x4.3cm and 7(ht.)x3x2cm, joined by a broad solid bridge that bears an
exhalant opening. YPM 8945 A has three hollow elevations arising from a thick
solid base, with the largest elevation 7(ht.)x3x2.bcm. YPM 8945 B consists
of two cylindrical tubes, 6 and 4.bcemin height, joined by a narrow basal! junction.
YPM 8945 C and D are small fistulose fragments. The surface in all pieces is uplif-
ted into prominent conical conules, 2-5mm in basal diameter, 2-10mm in height,
and 4-8mm apart. Apical conules are particularly well developed, and grade into
solid digitations that reach a maximum height of 2.5cm. The oval cloacal ope-
nings,1.5-2.5cm in span,are essentially terminal but may be surmounted by high
conules and solid projections. The cloacae are 0.8-6cm in depth,and extend
nearly to the base of vasiform regions. Their walls aresmooth and are pierced by
exhalant openings, 2-3mm in diameter. Stout endosomal fibers are visible be-
neath the outer skin, particularly in condensed columns below conules.
Anatomy: the ectosome is an intergrading double network ofspongin
fibers. Pauci-to multispicular coarse fibers are 15-60, commonly 20-30um in
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 63
diameter. They outline irregularly polygonal or triangular meshes, 200-400um in
span. The fine dermal network has uni-and bispicular fibers, 5-15 um in dia-
meter, with interstices 40-100um in span. Endosomal fibers are 30-300, typically
80-200 um in diameter. They are packed with spicules, and cemented by a spon-
gin film. The fibers outline a coarse network of oval, circular or rectangular
meshes, with spans of 100um to several mm (commonly 200-500 um). The
skeleton is condensed in conules and their descending skeletal columns, where
parallel longitudinal fibers are typically 80-250 um apart. The flesh of both skin
and endosome contains a few scattered megascleres and pale spherular cells,
9-12umin diameter.
Spicules: strongyles, ranging to oxeas, nearly straight to slightly cur-
ved. In YPM 8944 and 8945 A, 90% of the spicules have tapered but definetely
rounded ends. The remainder are oxeote or near oxeote, with mucronate, has-
tate, or irregular apices. In YPM 8945 B, nearly 1/2 of the spicules are oxeote.
Spicufe analyses: diactinal spicules, lenhgts (50)71-87.4 +8.1-
110;69-77.5 + 5.3-94; 74-88.8 + 7.6-104um. Widths 0.8-1.6um.
Callyspongia laboreli is characterized by a distinctive assemblage of
features, including a highly conulose surface, partially fistulose habitus, and
predominantly strongylote spicule complement. It would be placed in Spi-
nosella Vosmaer if WIEDNMAYER'S revision (1977) becomes accepted.
Spicule-packed endosomal fibers are unusual but not unknown in Callys-
pongia. For example, similar fibers occur in C. fibrosa (RIDLEY & DENDY,
1886), originally described from Bahia, Brazil (possibly the type locality) and the
Philippines. All subsequent reports of C. fibrosa are from the Pacific (cf. LIND-
GREN, 1898; WILSON, 1925; LÉVI, 1961; BERGQUIST, 1969). C. fibrosa fur-
ther resembles C. /aboreli in having a spinose surface and a variable proportion
of strongylote spicules.
C. fibrosa differs from C. /aboreliin having a decidedly ramose form, with
scattered exhalant openings. Its oscules are broad, and have shallow bow!-
shaped depressions rather ten deep cloacae. The spicules are typically thicker
(2-6um) than in C. /aboreli. The and mesh dimensions do not agree in detail. For
exemple, RIDLEY and DENDY described the dermal skeleton as including mul-
tispicular primary fibers, 100um in span, and delicate unispicular secondaries.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
64 HECHTEL, G.
Genus Prianus Gray, 1867
Prianus grayi, SP.N.
(Fig.4)
Type material:holotype YPM 9008, Fernando de Noronha, Laborel collection.
External:the material consists of numerous fragments, possibly from
a single sponge. The largest piece has dimensions of 3(ht.)x3x2cm. The frag-
ments are light brown and crumbly, and have a microhispid to microtuberculate
surface. The two largest pieces have an apical oscule, bmm in span, and one
specimen has two additional lateral vents.
Anatomy: the skeleton consists of a unispicular reticulation, which
grades into a coarse network of loose tracts. The tracts are 30-80, occasionally
100 um in span, and 200-600 um apart. Meshes of the unispicular network sel-
dom exceed 5O um in span. Spongin occurs at skeletal nodes, and may extend
along spicules and tracts as a cementing film. The skeleton ends at the surface
without specialization. Ostia could not be detected in the dermal membrane.
The flesh is compact, with canals seldom larger than 150um in span. A few thin
developing spicules lie freely in the flesh.
Spicules: Strongyles, slightly to strongly curved, rarely straight
(100/50) 201-333.7 + 44.3-433 x 3.5-6.9 + 1.6-10um. The region of maximum
shaft curvature may be central or eccentric. The apices of mature spicules are
clearly strongylote, but ends of developing spicules may be narrow-blunt.
P. grayi is congeneric with Reniera cratera SCHMIDT, 1862, known from
the Mediterranean Sea and West Africa. TOPSENT (1925) considers A. cratera
to be a senior synonym of the briefly described A. amorpha SCHMIDT, 1864,
which is the type species of Prianus GRAY, 1867. R. cratera has an isodictyal
reticulation of elongate strongyles, with spongin-coated nodes (SCHMIDT,
1862; TOPSENT, 1925; LEVI, 1957). Prianus therefore is a haplosclerid sponge,
albeit one with unusually large spicules. Several authors (BURTON, 1956;
LÉVI, 1957; SARA & SIRIBELLI, 1960) place R. cratera in Haliclona, s.1., while
GRIESSINGER (1971) and PULITZER-FINALE (1977) retain it in Reniera. |
prefer to maintain a separate genus for the few species of Reniera like sponges
with a predominance of strongyles. Prianus grayi differs from P. craterus in
having its strongyles partly grouped into multispicular tracts. The spicules of P.
grayt are longer and thinner than those of most specimens of P. craterus, al-
though their maximum lenght is equalled by the Ischian specimen of PULIT-
ZER-FINALE (1977). There is no sign of the conspicuos fistules found in most
specimens of P. craterus.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 65
DE LAUBENFELS used Prianus for Hymeniacidon like sponges with a
confused feltwork of diactinal, mostly strongylote spicules. His species, P.
problematicus (1930, 1932), P.tierneyi (1953), P.phalox,P. melanos and P. osiris
(1954) should be transferred to Strongylodesma LÉVI, 1969.
Family NEPHELIOSPONGIIDAE Clarke sensu WIEDENMAYER (1977)
Genus Rhizochalina Schmidt, 1870 sensu DE LAUBENFELS (1936)
Rhizochalina nodulosa, sp.n.
(Figs. 5-6)
HECHTEL, 1976 as Adocıa sp.
Type material: holotype YPM 5705 Recife, PE, 27m, Foster Collection.
External: the specimen is dome-shaped, with a narrow base of at-
tachment to a coral. It is 8cm in height and 14cm in maximum span. Above the
base, the margin is ringed by an irregular fringe of solid nodules and cylindrical
to volcano-shaped projections, 0.5-2cm in lenght and 0.5-Icm in diameter. In
alcohol, the exterior is reddish brown to drab, and the interior a dull yellow. The
sponge is only slightly compressible, aside from the thinner marginal projec-
tions. Algae and calcareous debris cover considerable parts of the surface, par-
ticularly near the base. Uncovered areas are minutely wrinkled.
Conspicuos oscules, 2-6mm in span, occur on the dome-shaped upper
surface, mostly at apices of projections. Cloacae may extend inward for several
cm, and often contain brittle stars. Some of the marginal projections have
lateral or subapical depressions, which may be closed oscules.
Anatomy: the dermal skeleton is bound closely to that of the endo-
some. It is an irregular network of oxeas and raphidiform spicules, placed singly
and in loose clusters. Spongin occurs at network nodes, in varied amounts.
The endosomal skeleton includes an irregular network of thin uni-to
biserial fibers, and a coarse reticulation of multiserial ones. Thick fibers are 20-
210um in span, and typically 200-400um apart. In deeper parts of the sponge,
they grade into broad spiculiferous sheets of spongin. Raphidiform spicules are
present, particularly in thin fibers, but are less common than in the ectosome.
Interstitial spicules are rare. Marginal projections are supported by multispicular
longitudinal fibers, 160-265um in span, linked to each other and to the surface
by thin connectives.
Spicules: oxeas and raphidiform oxeas.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
66 HECHTEL, G.
Oxeas, slightly curved, nearly isodiametric, typically with short blunt ter-
minal tubercles, (100/35) 13.6-182.7 + 21 - 221x3.5-4.5 + 0.6 -5.9um. Apices
are sometimes hastate or stair-stepped. Less than 5% of the spicules are styles
or strongyles. Ectosomal spicules seldom exceed 190um in lenght.
Raphidiform oxeas, possibly developmental stages, mostly ectosomal,
slightly curved, typically hastate, but occasionally with terminal tubercles,
(25/-) 71-84.8 + 7.5-99x1.6, rarelv 2.4um,
Rhizochalina nodulosa is characterized by its external form, well-
developed spongin, and oxeas with modified apices. Some spicules resemble
those of Strongylophora amphioxa DE LAUBENDELS (1950), from Bermuda, an
otherwise very different sponge, without fistules, and with a confused architec-
ture.
Tubercle-tipped and mucronate spicules do occur as variants in other
species of Rhizochalina, including R.fistulosa (BOWERBANK, 1873). A. fis-
tulosa is a wide-ranging species, kown from Australian waters, the Indian
Ocean, and the Azores. RIDLEY & DENDY (1887) reported a possible Brazilian
specimen, (with the geographical location rendered uncertain by a labelling
error). Some specimens of R. fistulosa resemble mine in having a category of
smaller ectosomal spicules, which, moreover, are no more than half the lenght
of endosomal ones (cf. RIDLEY, 1884; TOPSENT, 1904).
R. fistulosa differs from my specimen in having long thin fistules, little
spongin, and a pronunced bast-like subsurface layer. Its oxeas are gradually
pointed to hastate, rather than irregularly-tipped, and are typically more robust
than in my sponge (cf. RIDLEY & DENDY, 1887; TOPSENT, 1904).
In external form, A. nodulosa resembles the specimen of A. putridosa
(Lamarck) figured by RIDLEY & DENDY (1887). RIDLEY and DENDY regarded
some fistule fragments from Bahia, Brazil as conspecific with their Australian
material. Their specimens of A. putridosa differ from my sponge in having
uniformly hastate, sharp-ended oxeas. Lamarck's type specimen of A. putri-
dosa, as redescribed by TOPSENT (1933), differs from mine in having a com-
plex triple bast layer and typically hastate oxeas. R. putridosa has slighly thicker
oxeas than A. nodulosa, and apparently has no spongin.
Order POECILOSCLERIDATopsent; 1928
Family ANCHINOIDAE Topsent, 1928
Genus Anchinoe Gray, 1867 sensu STEPHENS (1921)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 67
Anchinoe ramosus, sp.n.
(Figs. 7-8)
Type material: holotype YPM 8969, Santo Antonio Bank, Bahia, 60m, Laborel collection.
External:theholotype has a small encrusting base and two cylindrical
upgrowths, 3x 0.6 and 13x 0.7 x 0.3cm. It has a light brown surface and a dull
yellowish-brown interior. The sponge is compressible, resilient, and rubbery,
and has a smooth to microtuberculate surface. A thin (30-50 um) skin is easily
separable from underlying tissues. Oscules are numerous, flush with the sur-
face, and generally under 0.bmm in span. Dermal pores, less than 100 um in
span, overlie small subdermal cavities, and render much of the surface punc-
tiform.
Anatomy: the ectosome contains tangentially-oriented tornotes,
which are scattered single or in loose clusters, and numerous arcuate isochelas
of two size classes. The endosome is a fibroreticulation, with fibers 30-120 and
meshes typically 150-300um in span. Spongin cements the coring tornotes and
forms a peripheral film or a well-developed fiber sheath. Numerous acanthost-
yles are embedded basally in the sheaths, and project outward at right angles to
fiber axes. The flesh contains scattered tornotes, sparsely scattered isochelas,
and considerable debris. The debris includes sand, foraminifera, and foreign
spicules such as diancistras and grapnels. The interior is traversed by numerous
canals, all under Imm in span.
Spicules: acanthostyles, tornotes of varied form, arcuate isochelas of
two size categories.
Acanthostyles, echinating, straight, sharply pointed, (50/35) 49-68.5 +
14.5-115 x 3.5-3.9 + 0.7-6um. Except for the apical 8-12 m, the shaft is covered
by numerous small conical spines, wich are 0.8-1.5 um in height. Longer spi-
cules generally have lower and more sparsely scattered spines.
Tornotes, thin, straight, occasionally slighly curved, generally tapered
toward the ends, (50/35) 138-166.8 + 8.7-188x 1.5- 1.8 + 0.5-3 um. A majority
of the spicules are substrongyles or strongyles, with round or narrow-bluntends.
The apices of an individual spicule are often unequal in diameter. Twenty
parcent of the spicules are stylote, with one apex narrowing abruptly to a point
over a distance of 2-3um. Tornotes exhibit a similar range of form and size in all
parts of the sponge.
Isochelas, arcuate, large (35) 18-21.4 + 1.4-23 x 1.5 um (shaft). The
spicules have a large tooth gap, which is about tour times clad length.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
68 HECHTEL, G.
Isochelas, arcuate, small, (35) 10-11.7 + 0.7-13 x 0.8um (shaft). The
spicules are similar in form to the larger isochelas, end have a tooch gap three
to four times clad length. A few palmate isochelas, 13-16 m in lenght, occur in
strews and some sections. They are regarded as foreign inclusions, in view of
their sporadic occurrence and low numbers.
Anchinos ramosus is clearly congeneric with Hymeniacidon perarmatus
Bowerbanck, 1866, the type species of Anchinoe Gray, 1867. Both
species contain smooth diactines as dermal, auxiliary and skeletal coring
spicules. Their spicule complement is completed by arcuate isochelas and
acanthostyles, with the latter arising from the substsatum or fibers. A.ramosus
is characterized within the genus by its ramose habitus, short acanthostyles,
and predominantly strongylote diactines. A. tenacior Topsent, 1925 from the
Mediterranean, has strongylote megascleres, but differs in having two sizes of
acanthostyles and a coriaceous dermis. à
A. ramosus is also congeneric with a sponge identified by BURTON
(1954) as Phorbas amaranthus Duchassaing and Michelotti, 1864. Burton's
specimen, from the Mosquito Bank, off Honduras, differs from A. ramosus in
having a massive form, oxeote tornotes, and two sizes of acanthostyles. Bur-
ton found his material comparable with a preparation from the type of P.
amaranthus. If his account is correct, Anchinoe is a junior synonym of Phorbas.
However, DE LAUBENFELS (1936) also had access to the type, and described
the megasclere complement of P. amaranthus as including two sizes of oxeas
and echinating acanthoxeas. In view of the conflicting accounts, | prefer to
retain Anchinoe as the generic designation for my material.
Genus Echinodietyum Ridley, 1881
Echinodictyum dendroides, sp.
(Figs. 9-10)
Type material: holotype YPM 8946 on limestone in slightly brackish estuary, Maria Farinha,
near-Recife, PE, intertidal and paratype YPM 8962, Santo Agostinho, near Recife, See LABOREL (1969,
map figs. 18, 27).
External:the shrub-shape specimens consist of branching and anas-
tomosing fleshy columns, which arise from a thin basal plaque. The larger
specimen, YPM 8946, has overall dimensions of 7 (ht.)x6x3.5cm. Individual
columns are compressed and 1-3mm in span. Their anastomoses outline a net-
work of gaps, which reach several mm in maximum span. Peripheral columns
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 69
extend 1-7, typically 2-3mm beyond the level of outermost connectives.
Both specimens are pale yellow to pale tan, and slightly compressible. Column
surfaces are microphispid and microtuberculate. The few possible oscules are
flush with the surface and under 0.5mm in diameter.
Anatomy: the fibroreticulate skeleton has oval and irregular meshes,
200-300 um in maximum (longitudinal span. Primary fibers are oriented longi-
tudinally and linked by anastomoses, conncetive fibers, and single spicules.
Primaries are 100-300 and secondaries 50-100um in diameter. Fibers are packed
with oxeas, cemented by conspicuos spongin, and echinated abundantly by
acanthotylostyles. Echinators typically have bases embedded in spongin, and
stand at right angles to fiber surfaces. Peripheral fibers terminate in narrow tufts
of projecting oxeas. Elongate styles are scattered sparsely in the skeleton,
without any obvious relationship to the surface tufts. Most are embedded
basally in fibers, but some seem independet of the fibroreticulation. The flesh
contains a few oxeas and a considerable amount of coarse sand.
Spicules: acanthotylostyles, oxeas, styles.
Acanthotylostyles, straight, entirely spined, with a well-developed head,
no neck, and a narrow-blunt apex. Shaftspines are conical, often recurved, and,
under 1.2 um in height. Basal spines may be conical or tuberculose. Long
spicules generally are thinner and have lower, less frequent spines than short
ones.
Oxeas, varied in lenght, straight to moderately curved, often with a slight
curve or bend, with hastate or subhastate apices. Five percent of the spicules
have narrow-blunt or round apices. Few oxeas (5%, 7%) are greater than 450
um, and only 12% of these spicules in YPM 8962 are over 300 um ıin lenght.
Styles, elongate, stightly curved, isodiametric over most of their lenght,
and then gradually pointed. Ten to fifteen percent of the spicules are substylosty-
lote. About 20% are greater than 400 um in length.
Spicule analyses: acanthotylostyles, lengths (100)87-111.8
+
11.188, 8383-101 +:9,7-120 um, Shaft widths, (35) 78.5 + 0.9-10; 67.1 +
0.9-9 um. Head widths (35)9-12 + 1.4-14; 7-10.1 + 1.6- 14 ur um.
Oxeas, lengths (100)175-321.4 + 107.1-742; 150-256.5 + 90 .9-656 um.
Widhts (35)5-9.9 + 2.3-15; 4.2-7.6 + 2.2-12 um.
Styles, lengths (14)325-708.6 + 327-5-1257; (25)351-833.3 + 344-1494 um.
Widths (14)7-12.7 + 2.8-16; (25)3.5-9.7+ 4.4-17 um.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
70 HECHTEL, G.
Echinodictyum dendroides is characterized by its combination of elongate
oxeas, acanthotylostylote echinators, and individually placed elongate styles.
In most species, the echinators are acanthostyles and the elongate styles (if
present) are grouped into surface bundles. Three species of Echinodictyum oc-
cur in tropical or South Atlantic waters. E. /ugubre and E. pennata (DUCHAS-
SAING DE FONBRESSIN & MICHELOTTI, 1864), from the Antilles, are poorly
known, but differ clearly from £. dendroides in having a purple color, E. pennata
differs further in having terminally flattened lobes and also, according to
WIEDENMAYER (1977), very flexuous oxeas. E. macroxifera Lévi (1969), from
the Vema Seamount in the South Atlantic, differs in having fibers with few
corers, many scattered oxeas, and smallacanthostylote echinators.
The most similar Indo-Pacific species is E. oykii (Carter, 1879) from
Mauritius, which differs in having a purple color and echinators with strongylote
apices.
Family CRELLIDAE Hentschel sensu TOPSENT (1928)
Genus Crelloxea, gen.nn.
Crellidae with dermal and interstitial acanthoxeas and acanthostrongyles,
with skeletal oxeas and without microscleres or echinators. Type species,
Crelloxea spinosa, Sp. n.
Crelloxea spinosa, Sp. n.
(Fig. 11)
Type material: holotype YPM 9019, tropical Brazil, Laborel collection.
External: the specimen is a soft grayish-drab encrustation, growing
over leaves and stems. The sponge attains a maximum thickness of 8mm but
seldon exceeds 2mm. The largest piece is 15cm long and as much as tem wide.
Hispid tubercles and ridges, Imm in height, give the surface a shaggy appearan-
ce. A few small possible oscules are present in depressions between tubercles.
Anatomy: surface peels contain scattered acanthoxeas and acanthos-
trongyles, along with the ends of skeletal bundles. The endosomal skeleton
consists of uni-to paucispicular tracts of oxeas that grade into loose bundles,
30-100 um span. A film of spongin cements the tracts and bundles. The flesh
contains loose oxeas, patchily distributed acanthostrongyles, and very nu-
merous acanthoxeas.
Spicules:acanthoxeas, acnathostrongyles, and oxeas.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 71
Acanthoxeas, nearly straight or slightly curved, fusiform, sharp, finely
spined, (50/35)81-109+13.8-140 x 2.3-3.5 + 0.5-5 um (total diameter).
Acanthostrongyles, straight to slightly curved, with a maximum width at
mid-lenght, and apices of most spicules clearly rounded (50/50)78-99.8 + 9.9-
117 x 6-6.7 + 0.9-9um (shaft diameter). The spines, usually less than 1.2 umin
height, are conical or recurved toward mid-shaft. Spines may be scattered
uniformly over the shaft or concentrated at the ends. Less frequently, they are
concentrated at tips and middle, or absent from an eccentrically-located region
of the shaft. Terminal spines are usually recurved but are occasionally straight,
giving a stylote or oxeote form to the spicule. No intermediates are present bet-
ween the thin acanthoxeas and the various forms of acanthostrongyles.
Oxeas, straight to slightly curved, fusiform, gradually and sharply pointed
(100/35) 294- 356.4 + 26.6-407 x 10-17.7 + 3-24um Many spicules have a con-
spicuos central canal, and a few abnormal ones have an oblique extra spike.
Clelloxea spinosa resembles Crella as originally defined by DE LAUBEN-
FELS (1936). Gre/la was established for Yvesia carnosa Topsent, 1904, a spon-
ge with acanthoxea and oxeas. However, TOPSENT (1928) reported echinating
acanthostyles in his redescription of the sponge, making Grella a synonym of
Crella Gray. The Brazilian sponge differs from Crella by the absence of spiny
echinators and the presence of acanthostrongyles. In addition, its shaggy sur-
face differs markedly from the complex cribriform surface of Cribella elegans
Schmidt, 1870, the type species of Crella.
Order HALICHONDRIDA Vesmaer sensu WIEDENMAYER (1977)
Family HALICHONDRIIDAE Gray sensu DELAUBENFELS(1936)
Genus Halichondria Fleming sensu DE LAUBELFELS (1936)
Halichondria braziliensis, Sp. n.
(Figs. 12-13)
Type material: holotipe YPM 5709 and paratypes YPM 5701, 5704, 90299032 A, B, Recife, PE
27m, Foster collection, YPM 8988 A, B, Recife, 33m Laborel collection. É
External: the sponges are thickly encrusting to massive and cake-
shaped. The largest specimen (YPM 5709) has dimensions of 7 (ht.)x15x11cm.
YPM 5701, 5709, and 9032 A, B have a few solid projections arising from the
general surface, which attain a maximum size of 10x3mm. In alcohol, most
specimens have a dull reddish- brown exterior and a pale drab to brown interior.
YPM 8988 A, B are pinkish-drab fragments. The sponges are only slightly com-
pressible, but are crumbled easily.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
72 HECHTEL, G.
The surface is even to irregular and microhispid. Oscules are few in num-
ber and scattered. They reach a maximum size of 1.5x0.5cm in YPM 5709, but
are typically less than! mm in diameter in the smaller specimens. Oscules may be
flush or elevated on irregular low mounds. Much of the surface of YPM 5704 is
covered by debris.
Anatomy: there is a minimum of dermal specialization. Near the surface,
spicules are oriented predominantly toward the surface, and many of them pro-
ject throug the dermal mebrane However, some peripheral spicules are placed
tangentially or obliqualy. Dermal tracts, surface tursts and subdermal cavities are
absent. Pores could not be detected. The endosomal skeleton consists of thickly
and irregularly strewn spicules of varied size. Loose clusters of spicules oc-
cur infrequently near the surface and canal linings, but well defined tracts are
absent. Canals are numerous and reach several mm to a cm in span.
Spicules: oxeas, of varied size, slightly to considerably curved, ty-
pically with gradually narrowing points. A few spicules are bowed or straight,
or have narrow-blunt points. A very small number (less than 2%) are clearly
stylote.
Spicules analyses: Oxeas, lenghts (100)341-587 + 136.5-919;278-
466.2 + 77.7-672; 362-5/9.6 + 119.7-803; 326-498.8 + 86.1-756; 273-532.5 +
115.4-819; 319- a: 81 .4-680; 299-531.5 + 113.3-815; 278- 529.4 + 99.9-
757 um. Widths 4.8-1 11.8 + 3.8-22; (35)7-8.9 + 2.8-12; 4.8-11.2 + 3.2-19; 5.4-
10,2 29218. 3/5108 510/5100 3.738, 3.5-9.7 + 3.5-21; 3.5-10.4 +
ne =
Discussion: YPM 5701 and9032 B have less elongate spicules than
the remaining specimens, but resemble them in external and skeletal features.
Halichondria braziliensis differs from the common West Indian A. me-
lanadocia delaubenfels 1936 by the absence of a tangential dermal reti-
culation. H. magniconulosa Hechtel, 1965, from Jamaica, also has a poorly
developed dermal skeleton, but differs from the Brazilian species in having a
conulose surface, slender oxeas, and well-developed radial spicule tracts.
Several European and Indo-Pacific species of Halichondria have oxeas
with a size range similar to that of H. braziliensis, but differ in external, cyto-
logical or skeletal features. As examples, H. moorei Bergquist, 1961,
from New Zealand, has tissues packed with pigment cells; H. variabilis
Lindgren, 1898, from the China Sea, has endosomal tracts; and A. tuberculata
Keller, 1891, from the Red Sea, has conules and spicule tracts. H. agglomerans
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 7a
Cabioch, 1968, from the English Channel, has an abundance of internal debris
and a well-developed dermal reticulation.
Order AXINELLIDA Bergquist, 1967
Family AXINELLIDADE Carter sensu WIEDENMAYER (1977)
Genus Perissinella Topsent, 1928
Perissinella fosterisp.n.
(Figs. 14-15)
Type material: holotype YPM 9009, on rocks, Recife, PE, 30m, and paratype YPM 8984,
Recife, harbor, 18m, Laborel collection.
External: the holotype consists of a cylindrical upgrowth,
4(ht.)x1.5x1cm, arising from an oval, thinly encrusting base, 1(ht.)x4x2cm. The
base is toughly spongy and light brown, while the projection is pale drab and
spongy. YPM 8984 is a dull-orange, compressed lobate sponge,
6.5(ht)x2.4x2em.In YPM 9009, branching and anastomosing columns termi-
nate in hispid peripheral tufts, 1-bmm in height and 1-1.5mm in basal span.
Gaps between inter-tuft junctions reach several mm in span, and may penetrate
the entire sponge. The axial region is more compact, althougt separate columns
are evident in places. YPM 8984 has low surface tufts, 1-2mm in height, and
interior cavities that may be inter-column gaps.
Anatomy: the fleshy columns contain one to many longitudinal primary
fibers, which are tipically 50-200 Hm in span and 100-600 'um apart. Basally,
primaries may expand into broad sheets, up to 0.bmm in span. Primaries are
linked by anastomoses and also by secondary fibers, 15-70 um in diameter. Ty-
pical fibers have an abundance of laminated spongin, and are cored sparsely by
irregularly oriented tylostyles. Most skeletal spicules protrude outward from
fibers for a considerable part of their length, but may retain a thin spongin film.
The surface hispidation is due to protruding echinators and compact terminal
clusters of coring spicules. In basal sections of YPM 9009, echinators are com-
mon only toward the periphery, with internal fibers unechinated or even as-
piculous over intervals as great as one mm. No differences in size or form are
found between echinators and corers, or between basal and peripheral spicule.
The flesh contains a few loose spicules, including developmental stages.
Spicules: Tylostyles, smooth, round-headed, without necks, and with
straight to moderately curved, mostly slightly curved shafts. The region of
maximum curvature may be displaced toward the spicule apex. Most spicules
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
74 HECHTEL, G.
are apically hastate, but 1-2% have narrow-blunt apices. Central canals are of-
ten conspicuous and may have a prominent basal enlargement.
Tylostyles, lengts (100) 319-457.3 + 76.2-675; 330-427.5 + 44.3-597 um.
Shaft widths (35)7-12 + 2.5-17; 8-13.8 + 2.8-18 um. Head withs
(35) 10-15.4 + 3-22; 12-17 + 2.3-21um.
Discussion:the specimens are referred to Perissinella Topsent, 1928,
which was established as a subgenus of Sty/otella. The type species, P. ma-
deirensis, from the Madeira Islands, is characterized by pedominantly tylos-
tylote spicules in spongin rich fibers. Unlike P. fosteri, it has no echinators, al-
though its spicules may be placed irregularly in fibers. P. madeirensis differs
further in spicule details and in having a thick aspiculous dermis with conspi-
cuos exhalant canals.
Stylaxinella Vacelet, 1960 resembles Perissinella in having a reticulation
of spongin-rich fibers, but differs in having stylote, occasionally oxeote spicule,
(see below). Both genera are atypical members of the Axinellidae in skeletal
structure, and the dermis of P. madeirensis is also aberrant. The two genera
have at least superficial similarities with the poecilosclerid genera Ulosa de
Laubenfels, 1936 and Pandaros Duchassaing and Michelotti, 1864. sensu de
Laubenfels (1936). Information on reproduction wouldbe invaluable in asses-
sing the systematic position of these genera.
Genus Stylaxinella Vecelet, 1960
Stylaxinella bistyla, sp.n.
(Figs. 16.17)
Type material:holotype YPM 8994 Recife, PE, 30m ,Laborel collection and paratype
YPM 5739 A, B, Recife, 27m, Foster collection.
External: the holotype is an irregular cluster of pale yellow, micro-
tuberculate finger-shaped projections, which arise from a common base. The
sponge has overall dimensions of 6 (ht.)x6x4cm and a basal area of 2cm2. In-
dividual projections are 1-3cm in height and 5-8mm in apical diameter. Lateral
fusion of digitations results in several thick, terminally bifid lobes, attaining a
maximum span of over one cm. YPM 5739 A and B are dark reddish-brown
conulose sponges, 2-3 and 3.3cm in height. Conules are blunt, 1-bmm in
height, and 1-2mm in apical span. Theymay be incipient projections. All
specimens are firm, compressible and resilient. Apertures include a few os-
RINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 75
cules, 0.5-2 in span and numerous smaller openings that are attributed to
maceration.
Anatomy: primary fibers radiate outward to the surface and terminate
in compact projecting spicule tufts. Primaries are 40-120 umin span, pauci-to
multispicular, and spongin-sheathed, Skeletal styles may form an axial series or
loosely fill the fibers. Apices of strongly curved spicules may project out of en-
dosomal fibers. Secondaries are uni-to trispicular, and 15-30, occasionaly bOum
inspan. They form a series of short ladder-like rungs between primaries. Styles
of the elongate category occur singly and sparsely among the smaller skeletal
styles, without any obvious localization. The flesh contains some debris and a
few thin developing styles.
Spicules: styles, of two size categories.
Styles, short, skeletal, slightly to strongly curved, with gradually pointed
apices. The region maximum curvature often is displaced toward spicule base.
Skeletal styles in YPM 8994 are conspicuously,fusiform, while those of YPM
5739 A, B are isodiametric to subfusiform.
Styles, elongate, straight to slightly curved, isodiametric over most of
their lenght, with gradually pointed apices. The region of maximum curvature is
typically in the basal quarter of the shaft.
Spicule analyses: styles, skeletal, lengths (100)242-283.3 + 18.5-
325; (50)206-248.2 + 18.5-299; 222-263.7 + 17.5-299 um.Widths (50)6-13.3 +
3.5-18; (35)7-8.3 + 1.2-10;6-9.2 + 1.8-13 um Styles, elongate, lengths(35)489-
665.4 + 80.3-850; (20) 484-628.3 + 70.814; (16) 433-559.3 + 75.2.706 um.
Widths (35)3.8-8.1 + 2.3-13;5-6.2 + 1.4-8,6-7.6 +1.2-10 um.
Discussion: YPM5/394A, B are considered conspecific with the
holotype, since they have a similar form and anatomy and a special category of
elongate styles. Stylaxinella bistyla is considered specifically distinct from S.
brazillensis, sp. n. although their skeletal styles overlap in dimensions. S. bis-
tyla differs in having a digitate rather than massive form, and a special category
of elongate styles.
Stylaxinella braziliensis, Sp. N.
(Figs. 18-19)
Type material: holotype YPM 5727 Recife, PE,27m, Foster collection and paratypes YPM
8967, 9011, tropical Brazil, Laborel collection.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
76 HECHTEL, 6.
External: YPM 5727 is thickly encrusting to massive, with maximum
dimensions of 3(ht.)x4x/em. The other samples are amorphous fragments,
with a maximum thickness of 3.5cm. YPM 8967 is pale drab, while the other
sponges have a dark reddishbrown surface and pale interior. All specimens are
easy to tear and crumble. The surface is uneven and microtuberculate. Oscules
are few in number, apical, flush with the surface, and 1-4mm in span. YPM
8967 and YPM 5727 have numerous smaller openings, which may be due to
maceration.
Anatomy: the skeleton is a fibroreticulation, with irregularly polygonal
rectangular and triangular meshes. Primary fibers are 30-50, occasionally 85 um
in span, and one to three spicule lengths apart. They are bi-to polyspicular and
have a continuous spongin sheath, which is best developed at intersections and
connectives. Terminal spicules project beyond the surface, but do not form
well-defined tufts. Connectives are 15-30 um in span, uni to bispicular, and of-
ten enveloped in spongin. They form a series of ladderlike rungs between
primaries at the periphery, but build an irregular network deeper in the endo-
some. The flesh is compact with canals under 0.5mm in diameter. It contains a
few scattered spicules, mostly thin developmental forms.
Spicules: styles, elongate, smooth, slightly to moderately curved,
with isodiametric shafts, and short, gradually pointed or hastate apices. A few
spicules are sharply curved, bent, or sinuous. The region of maximum cur-
vature often is displaced toward the spicule base, and may be adjacent to it.
Axial canals are often conspicuous. Abnormalities are rare in YPM 9011 and
5725, but occur in 15% of the spicules in YPM 8967. They include hastate or
mucronate bases, shaft spikes, and shaft swellings.
Spicule analyses: styles, lengths (100)231- 282 + 16.8-315; 237;
301.8 + 27.8-355; 186-284.6 + 29.4-335 um. Widths (35)4.7-8.2 + 1.7-10.5; 5-
6.9 + 0.9-8; 6-7.4 # 0.9-9um.
Discussion: Stylaxinella braziliensis differs from S.bistyla, sp. n. in
form and spiculation, as discessed previously.
Order HADROMERIDA Topsente sensu WIEDENMAYER (1977)
FamilyLATRUNCULIDAE Topsent, 1928
Genus Didiscus Dendy, 1922
Didiscus oxeata, SP.n.
(Figs. 20-21)
Type material: holotype YPM 8968, Bahia, 60m. Laborel collection.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 77
External: the lobate sponge has dimensions of 2.5 (ht.)x4x2.5cm. It is
light tan, soft, and easily crumbled. The cortex, partially torn and incomplete, is
papery, easily removed, and under 0.5mm in thickness. Two oval oscules (?),
one and three mm in maximum span, are apical in position. The surface is
even, rough to the touch and microgranular.
Anatomy: the cortex has some fibrous tissue and a feltwork of oxeas,
200-300 um in depth. The oxeas are robust but varied in length. Many superficial
megascleres are vertical to the surface but deeper ones may be horizontal or
oblique. The hispidating spicules entrap some fine debris. The cortex overlies
oval sub-dermal cavities, 0.5-Imminspan and 1-1.5mm in depth. The cavities
are separated by pillars, 200-300um in span, into which the cortical layer extends.
Most megascleres in the pillars are vertically or obliquely oriented. Blunt-
tipped discordhabds are common in the outer 100 um of the cortex, with an
outer row forming an ectochrote. Ectochrotal chessmen have shafts vertical to
the surface, with the small-disked end facing outward.
The endosome has a loose skeletal framework, with long robust oxeas in
uni-to paucispicular tracts and in loose bundles up to 100umin span. Spongin is
present at nodes and may extend along spicules as a thin film. Skeletal meshes
aretriangular to polygonal in shape. The flesh contains scattered small thick
oxeas, thin developmental stages of oxeas, and discordhabds.lunt-tipped and
sharply pointed discorhabds occur in about equal number. The flesh also con-
tains scattered debris and spherular cells, 9-14 um in span, with pale spherules,
2 umin span.
Spicules: oxeas, discorhabds.
Oxeas, straight or slightly curved, with smaller spicules sometimes bent,
and shafts gradually narrowing to form sharp apices, (100/50)206-455.3 +
265.7-1586 x 4.6-12.2 + 4.4-22um.
Discorhabds, typical, with straight blunt-tipped shafts and two eccen-
trically placed disks, (35/35)58-65.1 + 3.7-74 x 3.5-4.4 + 0.7-6 um. Blunt dis-
corhabds occur in both cortex and endosome, Disks are 2-3 umin thickness and
have microspined edges. Disks on a spicule may be straight and vertical to the
shaft, or concave in the samer or opposite directions. The smaller (outer) disks
are (35) 10-13.1 + 1.4-16um in diameter, and (35) 10-13.1 + 1.6-16um from the
near end of the shaft. Large disks are (35)13- 15.9 + 1.4-18um in diameter and
(35)9-9.9+ 0.9-12um away from the small disks. The shaft reaches a maximum
diameter near the large disk. Small spines, under 1.1um in height,cover the shaft
between the apical end and the small disk ,and along the terminal 10 um of the Op-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
78 HECHTELAG;
posite. end. The ramainder of the shaft is usually smooth, and has atmost a few
scattered spines. A few spicules have abnormal disks, which are reduced to low
irregular roughened nodes.
Discorhabds, thin, with oxeote ends, (35/35)55-61.2 + 2.8-67x1.5-2.5
+ 0.5-3.5ym .Disks are 1.2-1.5umin thickness. Small disks are (35)8-10.4 + 1.2
um and large disks (35)9-12.7 + 1.6-15 m in diameter. The interdisk distance is
(35)9-11 + 0.9-13umand a tip to small whorl distance is (35)9-12.4 + 1.8-16ym.
Oxeote chessmen are confined to the endosome, and may be developmental
stages of the blunt-tipped ones.
A few strongyles, 138-237x1.2-2.3 um, occur in the dermal membrane
along with debris. Their irregularly enlarged central canals suggest dissolution
and | regard them as foreign.
Discussion: Didiscus oxeota is the firts member of its genus to be
described from tropical American waters, although FAULKNER & SMITH
(1970) record a Honduran specimen as Didiscus sp. In discorhabd form, the
Brazilian sponge resembles D.styfiferus Tsurnamal, 1969, from the Israeli
Mediterranean and also Madagascar (VACELET & VASSEUR,1971);D. p/acos-
pongioides Dendy, 1922, from the Indian Ocean; and D. acerata (Ridley & Den-
dy, 1887), which probably was taken near Tristan da Cunha in the South Atlan-
tic. D. styliferus differs from D. oxeota in having styles, tylostyles and small
oxeas or strongyles. D. placospongioides differs in having a peculiar surface, an
auxliar network of aspiculous fibers, echinating tylostyles, and entirely oxeote
discorhabds. D. acerata differs in having small thick dermal strongyles, short
discorhabds and oxeas with ends that are often irregular.
Family SPIRASTRELLIDAE Ridley and Dendy, 1886
Genus Spheciospongia Marshall sensu DE LAUBENFELS (1936)
Spheciospongia symbiotica, Sp. n.
(Fig. 22)
Type material: holotype YPM 9026 and paratypes YPM 5702,5708, A-E,9026 all from Recife,
PE, 27m, Foster collection.
External: all specimens of Spheciospongia symbiotica are overgrown
basally by a keratose sponge, Psammaplyssilla sp. Only oscular regions of
Spheciospongia are visible externally, usually as hollow, finger-shaped projec-
tions.
The visible portions of the holotype of S. symbiotica consist of six aper-
ture-bearing projections, 2-3 (ht.) xIcm, and a depressed sieve area, 0.8(dep-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 79
th)x2xicm. Two projections have a single opening, while the others have 6-10
in an apical or subapical sieve area. The depressed area has four apertures
overlyng a cavity that extends several cm into the interior. Apertures are 1-
1.Dmm in span on projections, and 3-/mm wide in the depression.
YPM 5708 is an assemblage of five fragments (A - E), which do not fit
together. They have one to four hollow projetions, with 2-24 openings in apical
or subapical sieves. YPM 5702 has two such projections. YPM 5708 B was
separated from the overgrowing specimen of Psammaplysilla. It extends to the
base of the complex as a tapered hollow cone, with walls 2-3mm in thickness.
All specimens of S. symbiotica are spongy, resilient, and smooth-
surfaced. Projecting surface are light to reddish brown, while overgrown sur-
faces and the interior are dull brown. Overgrown surfaces are pierced by singly
scattered apertures, 0.5-0./mm in span and 1-3mm apart, which may equi-
valent to the intermediate openings of Spheciospongia vesparia (Lamarck).
They are similar in size and abundance to apertures of the overlying keratose
sponge, and at least in some cases are paired with them, suggesting a passage
of water between sponges. Cloacal surfaces of S. symbiotica are membranous,
and marked by numerous depressions, 0.25-0.5mm in span, which are probably
closed exhalant apertures. In YPM 5708 B, groups of depressions are enclosed
by low ridges.
Anatomy: the endosome in compact, with canals seldon greater than
200 um in span, Microscleres are scattered sparsely in canal linings, and are
very rare in the flesh. Coarse debris may be abundant in the flesh, as in YPM
9026. Tylostyles may be scattered individually, clustered into loose bundles, or
interlaced in matworks, 80-300 um in span. The only dermal specializations are
and inconspicous ectochrote of streptasters and an abundance of pigmentcells,
about 9x7 um, in the peripheral 100 um. Cloacal surfaces are densely pigmen-
ted and nearly aspiculous
Spicules: tylostyles, streptasters. Tylostyles, and subtylostyles, with
round to oval, occasionally trilobed bases, inconspicuous neckes, and hastate to
subhastate apices. Shafts are strainght to moderately curved, with a maximum
curvature typically in their basal third. In 5-15% of the spicules, bases are
weakly tyled or stylote. Stair-stepped and mucronate apices occur, and are
frequent in YPM 5708 C and E.
Streptasters, thin, 0-5, usually2-4bends and low, blunt spines. The
spicules are only 1.2-1.5, rarely 2 umin overral span. Spines seldom exceed 1
um and are cften less than 0.7 um in height. Over 90% of the spicules are mul-
IHERINGIA..Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
80 HECHTEL, G.
tiangulated spirasters, and the remainder are straingth amphiasters and sa-
nidasters. Short spicules usually have few bends, thick shafts, and'sparse, mos-
tly terminal spines.
Spicule analyses: tylostyles, lenghts (50) 186-264.7 + 31.9-309;
170-279.1 + 39.1-335, 155-279.1 + 45.3-345; 165-270.9 + 40.2-330; 155-2647
ia 27.1.319, 201. 269: I Use, 21.6-; 314; 165-285.3 + 37.1-335 um. Shaft widths
(35)5- 6.4+ 0.98; 5-7.4+ 1.2-9; 6-7.1+ 0.79; ar 0.9-9; 5-7.1+ 1.2-9;
0.9-8 um. Head widths (35)6-7.8 + 1.2-9 um; 7- 9.4 +
9.7 +
6-6.9+ € 0.7-8; 3.5-6.7 +
8- 1.2212,.,7. 8.936 31.2.1077 7-92 + 0.910:7-83 £
1.2-12; 6-8.3 + 0.9-10;
0.9-10.
Streptasters, lenghts (35)12-
ia present OSC sal
21 um.
ri 3-23;8-14.5 + 2.8-21; 12-15.4
-18;.9-12.7. + -1.8-17,8-12:956 2085
Discussion: the systematic placement of the specimens is obscured
by the possible effects of associated sponges on external form and aperture
distribution. The assignment to Spheciospongia is based on the presence of
sieve areas, and the restricted distribution of streptasters..
When dissected free of the keratose sponge, YPM 5708 B resembles
young specimens of Spheciospongia yesparium (Lamarck), as recorded by DE
LAUBENFELS (1949, 1953). The Brazilian sponges certainly differ greatly in
habitus from massive woody mature specimens of the West Indian species.
They differ further in having thinner streptasters and smaller tylostyles. The
tylostyles of S. yesparium are larger, having and average size similar to the
maximum for S. symbiotica, and attaining a length of 400 - 600um (TOPSENT,
1933; DE LAUBENFELS, 1936).
Spheciospongia othella De Laubenfels, 1950, from Bermuda has small
tylostyles, as in S. symbiotica. It differs in having enormous oscules, a black
color in alcohol, minute streptasters, and numerous tangential megascleres at
the periphery. WIEDENMAYER (1977) regards S. othella as merely an eco-
phenotype of S. vesparium (Lamarck.)
Order CHORISTIDA Sollas sensu DELAUBENFELS (1936)
Family ANCORINIDAE Schimidt sensu DELAUBENFELS (1936)
Genus Rhabdastrella Thiele, 1903
Subgenus Aurorella De Laubenfels, 1936
Aurerolla De Laubenfels was a replacement for the preoccupied Aurora
Sollas, and is utilized for Stellettidae with triaenes and a cortical localization or
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 81
concentration of spherasters. It is employed here as a subgenus of Rhabdas-
trella. The typical subgenus has a similar anatomy and microsclere complement,
but devoid of triaenes.
Rhabdastrella (Aurorella) fibrosa, sp. n.
(Figs. 23-24)
Type material: holotype YPM 5730 Recife, PE, 27m, Foster collection.
External: thespecimen is massive and somewhat compressed, with
dimensions of b(ht.)x4x3cm. The exterior is a light reddish-brown, the oscular
rim and surface streaks a dull pinkish-brown, and the interior drab to dull pink.
In consistency, the specimen is tough and only slightly compressible. The
surface is microtuberculate and rough to the touch.
Most of the flattened apical surface is occupied by a rimmed oscule and
rimmed depression, each /x4mm. The oscule provides exit for a cylindrical
cloaca, one cm deep, into which minute exhalant canals open. The depression
contains several pits that may be closed oscules. A few possible additional os-
cules, rimless and one mm in span, occur on lateral surface. Pale streaks extend
outward from the apical rims. On one surface, they are nearly flush andendata
rectangular indentation. The indentation, 1 (depth)x1.5x0.8cm, may indicate
the position of an object around which the specimen grew. The lateral surface
below the indentation has partially fused low ridges, but no streaks. On the op-
posite surface, streaks extend for 1-2cm onto conspicuous vertical lamellae. The
lamellae, 2-3, wide and 0.3-Icm high, converge toward the apex from the
specimen base, with some subapical fusion.
Anatomy: thesponge has a two layered cortex, which contains a thic-
kness of (mm. No skeletal peculiarities are evident beneath the surface streaks.
The cortex is transversed by numerous vertical canals, 25-35 um is span, which
extend into the endosome, presumably from ostia. Some sections have small
subcortical cavities, 150-200 (ht.)x 100-150 um.
The outer layer of the cortex is thick and non-fibrous. Itis packed with the
expanded ends of skeletal bundles, which are composed mainly of thin oxeas.
Triaene cladomes occur in a few sections, but may have been displaced from
the inner cortex by sectioning. Small euasters are present but rare.
The fibrous inner cortex, 150-200 um in thickness, is visible to the unaided
eye as a white line, nearly Imm below the surface. Small euasters are scattered
in abundance within it, while lumpy spherasters form one to several irregular
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63).59-89, 17 out. 1983
82 HECHTEL, G.
and discontinuous basal rows. Skeletal bundles traverse the layer, and triaene
cladomes lie just within or below its base.
The endosome is compact, with most canals less than 0.5mm is span.
The peripheral mm contains radially placed triaene rhabds and numerous bun-
dles and clusters of oxeas. Bundles are typically 210-315 um in span, and are
composed largely ofslender oxeas. The interior of the endosome contains a
confused meshwork of predominantly robust oxeas, singly scattered or
grouped into loose clusters. Long-rayed euasters are common, particularly in
canal linings and the periphery of the endosome.
Spicules: orthotriaenes, oxeas, thin-rayed euasters of two categories,
and spherasters.
Orthotriaenes, with slightly curved or straight rhabds and straight to wavy
clads. Rhabds have sharp or narrow-blunt bases, and clads have narrow-blunt
tips. Rhabds (35/35)288-/18.6 + 135-966 x 5.11.7 + 3.7-21 um. Clads
(35/35)62-101.9 + 24.4-156 x 5-10.4 + 4-18 um.
Oxeas, straight to slightly curved, with points gradually tapered or elon-
gate and wedge-shaped, (50/35) 604-903 + 135-1166x3.5-8.5 + 2.5-15 um.
Euasters, small, cortical, with 5-7 rays (35) 4.7-7.1 + 1.1-10.bum in
total span. When viewed under oil immersion, the rays have a finely roughened
surface and truncate non-tylote ends. A centrum may be absent or account for
nearly 1/3 of the spicule diameter.
Euasters, large, endosomal, with 5-8 long thin cylindrical rays and a small
centrum, total diameter (35)12-17.4 + 3.5-24 um. The centrum typically oc-
cupies about 1/6 of the total span. When viewed under oil immersion, rays are
finely spined, and have narrow but truncate or slightly tylote apices
Spherasters, with very short rays and a large centrum, (50) 19- 28.4 +
4.2-35um in total span. The centrum typically occupies 4/5 of the spicule
diameter. Developmental stages and a few mature spicules have oxeote rays,
but most mature spicules have blunt, tubercular ones. Blunt rays are often 2.4-
3.b5um in apical span, and some are terminally bifid.
Rhadastrella (Aurorella) fibrosa is distinguished from other members of its
subgenus by the form and size of its euasters, and the restriction of cortical
spherasters to an inner fibrous layer. Rhabdastrella virgula Boury-Esnault, 1973,
described from Brazil at 07º29'S, is a member of the triaeneless typical sub-
genus, and differs further from A. fibrosa in having peculiar spirastral micros-
cleres.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 83
ACKNOWLEDGMENTS
| would like to express my appreciation to Dr. Willard D. Hartman of the Yale Peabody Museum,
who made the Foster-Laborel collections evailable for study. Dr. Jacques Laborel provided valuable infor-
mation on his collections. My wife, Florence M. Hachtel, prepared specimen drawings and aided in the
preparation of spicule drawings. The final manuscript was typed by Ms. Mary Burke. The project was sup-
ported by a grant-in-aid from the Graduate School at Stony Brook, and research grant 021-7102 A from
the Research Foundation of the State University of New York. This is contribution nº 468 of the Ecology
and Evolution progran at Stony Brook.
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86 HECHTEL,G.
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Figs. 1-6: 1. Ap/ysina pergamentacea, sp.n.; holotype YPM 9004; 2-3. Callyspongia laboreli, sp.n.:
2. Holotype YPM 894; 3. Spicules from holotype; 4. Prianos grayi, sp. n., spicules from holotype YPM
9008. A. strongyles; B. apices strongyles; 5-6. Rhizochalina nodulosa, sp.n.: 5. Holotype YPM 5705; 6.
Spicules from holotype. A. slender oxeas; B. robust oxeas; C. apices of robust oxeas.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae... 87
Figs. 7-13: 7-8. Anchinoe ramosus, sp.n.: 7. Holotype YPM 8969; 8. Spicules from holotype. A.
apices of tornotes; B. acanthostyles; C. small isochelas. D. large isocheles; 9.10. Echinodictyum den-
droides, sp.n.: 9. Holotype YPM 8946; 10. Spicules from holotype. A. oxeas; B. apices of oxeas; C. style;
D. acanthotylostyles; 11. Crelloxea spinosa, gen.n., sp.n., Spicules from holotype YPM 9019. A. oxeas;
B. apices of oxeas; C. acanthostrongyles; D. acanthoxeas; 12-13. Halichondria brasiliensis, sp.n.: 12.
Holotype YPM 5709; 13. Spicules from holotype. A. oxeas; B. apices of oxeas.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
HECHTEL, G.
Figs. 14-19: 14-15. Perissinella fosteri, sp. n.:14.Holotype YPM 9009; 15. Spicules from holotype. A.
tylostyles; B. bases of tylostyles; C. apices of tylostyles; 16-17. Sty/axinella bistyla, sp.n.: 16. Holotype
'YPM 8994; 17. Spicules from holotype. A. skeletal styles; B. elongate styles; C. apices of skeletal styles;
D. bases of skeletal styles; 18-19. Stylaxinella brasiliensis, sp. n.: 18. Holotype YPM 5727; 19. Spicules
from holotype. A. styles; B. apices of styles.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
New species of marine Demospongiae...
topm
Figs. 20-24: 20-21. Didiscus oxeata, sp.n.: 20.Holotype YPM 8968; 21. Spicules from holotype. A.
oxeas; B. apices of oxeas; C. discorhabds; D. oxeate discorhabd; 22. Spheciospongia symbiotica, sp.n.:
Spicules from holotype YPM 9026. A. tylostyles; B. bases of tylostyles; C. apices of tylostyles; D. strep-
tasters; 23-24. Rhabdastrella (Aurorella) fibrosa, sp.n.: 23. Holotype YPM 5730; 24. Spicules from holoty-
pe. A. oxea; B. apices of oxeas; C. orthotriaene; D. cladomes of orthotriaenes; E. spherasters; F. small
euasters; G. large euasters.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):59-89, 17 out. 1983
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Nivel de oxigeno y mínimo de supervivencia de Hoplias mala-
baricus malabaricus (Bloch, 1794) (Pisces, Erythrinidae).*
Maria Julieta Parma de Croux**
RESUMEN
Se determinó el nivel de oxigeno letal como así también el grado de supervivencia y la capacidad de
recuperación de Hoplias malabaricus malabaricus (Bloch, 1794) a bajas concentraciones de oxígeno en
condiciones experimentales controladas.
El punto de volteo encontrado osciló entre 0,35 y 0,90 ppm y el nivel de oxígeno letal entre 0,30 y
0,80 ppm para temperaturas entre 13 y 28°C.
El nivel mínimo, en el cual comienzan a manifestarse síntomas de trastornos en las frecuencias y am-
plitudes respiratorias, fue de 2,00 ppm.
En comparaciön con otras especies, la tararira se caracteriza por sus bajos requerimientos de oxi-
geno, gran resistencia a los niveles mínimos y-Óptima capacidad de recuperación.
RESUMO
Determinou-se o nivel de oxigênio letal, bem como o grau de sobrevivência e a capacidade de re-
cuperação de Hoplias malabaricus malabaricus (Bloch, 1794) a baixas concentrações de oxigênio em con-
dições experimentais controladas.
O punto de volteo, momento em que os peixes manifestam dispnéia pronunciada, incapacidade
para manter o equilíbrio e redução de seus movimentos, oscilou entre 0,35 e 0,90 ppm e nível de oxigênio
letal entre 0,30 y 0,80 ppm para temperaturas entre 13e 28°C.
O nível mínimo, no qual começaram a se manifestar sintomas de transtornos nas frequências e am-
plitudes respiratórias, foi de 2,00 ppm.
Em comparação com outras espécies, a traíra suporta baixas quantidades de oxigênio, apresenta
grande resistência aos níveis mínimos e Ótima capacidade de recuperação.
INTRODUCCION
La cantidad de oxigeno disuelto en el agua depende, entre otros fac-
tores, de la presión parcial de oxigeno en la atmösfera, de la acción del viento
sobre su superficie, de los movimientos propios del agua, de la densidad de
población y actividad de los animales y plantas acuáticas, de la temperatura y
* Acepto para publicación en 07.V1.1983.
** Becaria del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas. Instituto Nacional de Lim-
nologia, José Maciä 1933, 3016 Santo Tomé (Sta. Fe), Argentina.
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de la intensidade de la luz solar. Asimismo, sus déficits suelen ser consecuencia
de agentes contaminantes conteniendo materia orgánica en estado de decom-
posición.
Ninguno de estos procesos ocurren a un ritmo constante y cambian con
las condiciones ambientales. La disponibilidad de oxigeno disuelto puede variar
de abundante a crítica si las mismas se alteran abruptamente (PHILLIPS, 1969).
La construcción de la futura represa Paraná Medio, cuyo cierre sur
(Chapetón) estará ubicado a 31°35’S y 60º20'W, aproximadamente 30 Km al
norte de la ciudad de Paraná (Provincia de Entre Ríos), causará considerables
cambios en la calidad de sus aguas. Debido a la inundación de tierras que hasta
el presente se encuentran sobre el nivel del agua o que son anegadas tem-
porariamente, una cantidad considerable de materia orgânica se solubilizará
produciendo una reducción en la concentración de oxigeno disuelto. Esto
originará, durante el período de Ilenado, problemas de anaerobiosis (GOLTER-
MAN, 1981).
Segun BASTOS (1956) la tasa minima de oxígeno indicará si las con-
diciones de determinados cuerpos de agua son favorables ono para el buen
desarrollo de una o varias especies ícticas.
ITAZAWA (1971) define el nivel de oxigeno mínimo como aquél crítico
para la vida normal de un pez. Agrega que su conocimiento puede ser de gran
utilidad en piscicultura para estimar la capacidad de tanques de cria y la reno-
vación de agua por unidad de tiempo.
De los motivos expuestos, surge la necessidad de estimar los requeri-
mientos mínimos de oxígeno de las principales especies de peces del río Pa-
raná, con el objeto de conocer el comportamiento y capacidad de adaptación e
los posibles cambios en las condiciones del medio.
El trabajo tiene por objeto determinar el nivel de oxigeno letal, como así
también el grado de supervivencia y la capacidad de recuperación de la tararira
(Hoplias malabaricus malabaricus) a bajas concentraciones de oxígeno en
condiciones experimentales controladas. Es considerado un complemento de
otro anterior (PARMA de CROUX, en prensa) relativo al conocimiento de los
requerimientos metabólicos de esta especie.
MATERIAL Y METODOS
Los peces provinieron de diferentes ambientes de los rios Paraná, Colastiné y Salado. Fueron man-
tenidos en acuarios de 50 litros de capacidad, a temperatura ambiente y alimentados con presas vivas de
Thoracocharax stellatus (Kner, 1860) y Aphyocharax sp. (Pisces, Characidae) hasta el dia previo al en-
sayo. El tamafio de los peces osciló entre 59 y 180mm de longitud eständar y el peso entre 3,2 y 124,7 g.
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Nivel de oxigeno letal... 93
Fueron sometidos a un período de aclimatación, a las condiciones de experimentación dentro del respi
rómetro (luz, temperatura, oxígeno inicial y dimensiones del recipiente), durante aproximadamente una
hora. Los registros de oxígeno se efectuaron al inicio, continuando en forma periódica hasta el final de las
experiencias. Los equipos de respirometria y el oxigenómetro utilizados fueron ya descriptos (PARMA de
CROUX & LORENZATTI, 1981).
El punto’de volteo se definió como el momento en que los peces manifestaron disnea pronunciada,
incapacidad para mantener el equilibrio, recostândose sobre uno de los flancos o bien volteândo-se sobre
el dorso y redujeron sus desplazamientos.
Se realizaron 19 ensayos para determinar el punto de volteo y el nivel de oxígeno letal (Tabla |) e in-
dependientemente 8 para estimar el nivel de oxígeno mínimo de supervivencia de los peces a bajas con-
centraciones (Tabla Ill)). En este caso, los ejemplares fueron mantenidos hasta observar síntomas agudos
de disnea, siendo retirados luego y colocados en acuarios similares con agua muy bien aireada. Se efec-
tuaron alli observaciones sobre capacidad y velocidad de recuperación, como así también posibles mor-
tandades.
Los ensayos se realizaron a temperatura ambiente, cubriendo un rango entre 13 y 28°C.
Se aplicó el método de la regresión lineal simple para relacionar el nível de oxigeno letal (expresado
como porcentaje de saturaciön) con el peso de los ejemplares (Tabla Il).
RESULTADOS
Los primeros trastornos comenzaron a manifestarse con un aumento en
la frecuencia e intensidad respiratória, es decir en la cantidad y amplitud de los
movimientos operculares por minuto. A medida que la falta de oxigeno se hizo
más pronunciada, se evidenció una mayor alteración en los peces, con tenden-
cia a nadar agitadamenteintentando aprovechar almáximoeloxígeno disponible.
Cuando el nivel se volvió crítico, los desplazamientos se hicieron más violentos
e incoordinados hasta llegar a la pérdida del equilíbrio.
El punto de volteo fluctuó entre 0,35 y 0,90 ppm y el nivel de oxigeno letal
entre 0,30 y 0,80 ppm. Como se aprecia, el intervalo entre un estado y otro fue
muy próximo, dado que al iniciar-se el volteo, el consumo de oxigeno se redujo
al mínimo, hasta que finalmente sobrevino la muerte. El tiempo transcurrido
varió en funciön de la temperatura y su relación con el consumo de oxigeno a
través del mayor grado de actividad manifestado por los peces (PARMA de
CROUX, en prensa), pero en general no superó la hora.
Los movimientos operculares de esta especie en estado de reposo, no
son regulares y suelen alternar con pausas de algunos segundos de duración.
Los normales registrados para H. malabaricus malabaricus estuvieron en el or-
den de 16 a 30 por minuto para concentraciones de hasta 3,20 ppm de oxigeno
(fig. 1). Con la disminución del mismo se observó un ligero incremento a partir
de 2,80 ppm (32 a 40 mov/minuto) que se acentuó a medida que decayó el nivel
de oxigeno (76 a 92 mov/minuto a 1,10 ppm), Ilegando a valores máximo de
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104 - 105 (a 0,70 ppm) y 108 (a 0,75 ppm). A partir de ese registro comenzó
nuevamente la disminución en la frecuencia y el consiguiente aumento en la
amplitud de los movimientos respiratórios, hasta que finalmente sobrevino la
muerte.
El tiempo transcurrido entre el início de las experiencias y la muerte de los
ejemplares fue mayor a menores temperaturas. Las reacciones ante la falta de
oxigeno fueron similares pero con movimientos más lentos.
Del análisis de la regresión lineal simple (Tabla Il) se observa que la
ecuación que mejor representó relación entre el peso y el nivel de oxigeno letal
(como % saturación) es la número 2 con un coeficiente de correlación de -0,72
(significativo al nivel del 1%) (fig. 2). De lo analizado se deduce que, en líneas
generales, dentro del rango de temperaturas estudiadas, los peces más pe-
quefios serían menos tolerantes a las bajas tensiones de oxigeno.
En la determinación del nivel de oxigeno mínimo de supervivencia (Tabla
III) se ensayaron tenores desde 2,00 a 0,45 ppm para temperaturas entre 19 y
26ºC. No se registraron casos de mortandad, aun cuando los ajemplares tar-
daron en superar la disnea y se mostraron con visibles sintomas de stress. Una
vez colocados en un medio bien oxigenado, disminuyeron los desplazamientos
agitados y los respiratorios se hicieron mas lentos. En el transcurso de las 48
horas de observaciön, retomaron su actividad normal.
DISCUSION
No existen antecedentes conocidos para la zona de influencia del rio
Paraná en su tramo medio, razón por la cual solo podemos remitirmos, a modo
de comparacion a trabajos realizados para otras especies aunque en condi-
ciones experimentales diferentes.
BASTOS (1956) determino la tasa de asfixia media de diversas especies
para un rango de temperatura entre 27,5 y 30,0ºC, encontrando que para As-
tronotus ocellatus (38,0 - 62,69) aquélla fue de 0,38 ppm; para Trachycorystes
sp. (38,0 - 55,0 9), 0,26 ppm y Plagioscion squamosissimus (16,5 - 25,0 g) fue
1,53 ppm. En nuestros ensayos, el nivel letal fue ligeramente superior al hallado
para las dos primeras y marcadamente inferior para la tercera.
Con respecto alnivel do oxigeno mínimo de supervivencia, fue dado a
conocer, entre otros, por BASTOS (1956) para las tres especies mencionadas y
por CHIBA (1965) y NOMURA et al. (1964), en ITAZAWA (1971) para la carpa y
trucha arco iris, respectivamente. Del análisis de la Tabla IV se deduce que A.
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Nivel de oxigeno letal... 95
malabaricus malabaricus es, de las especies citadas, la mayor resistencia a las
bajas concentraciones de oxigeno. Estas apreciaciones, ratifican y confirman lo
expresado en un trabajo anterior (PARMA de CROUX, en prensa) acerca de sus
bajos requerimientos metabölicos y capacidad para adaptarse a condiciones
hidrolögicas anormales.
CONCLUSIONES
El punto de volteo encontrado para H. malabaricus malabaricus osciló en-
tre 0,35 y 0,90 ppm y el nivel de oxigeno letal entre 0,30 y 0,80 ppm para tem-
peraturas entre 13 y 28°C.
Los ejemplares expuestos a concentraciones entre 2,00 y 0,50 ppm (a
pesar de evidenciar en este último caso, alteraciones respiratorias conside-
rables), una vez colocados en agua bien oxigenada lograron recuperarse en el
termino de 48 horas.
El nivel minimo .de oxigeno, en el cual comienzam a manifestar-se sin-
tomas evidentes de trastornos en las frecuencias y amplitudes respiratörias,
seria de 2,00 ppm para un rango de temperatura de 19,0 - 26,0°C y de peso de
9,00 - 105,20 g. Por debajo del mismo la respiraciön se hace más rápida y
forzaday, en general, acompafiada de uma disminución en la utilización del
oxigeno pues en proporción, sólo una pequefia parte es tomada por la sangre.
Por tal motivo, y para compensar esas deficiencias, los peces necesitan hacer
circular mayor cantidad de agua por sus órganos respiratorios (JONES, 1964).
El tiempo necesario para alcanzar el nivel de oxigeno letal varió en funciön
del mayor consumo registrado a temperaturas elevadas.
El análisis estadístico demostró que los peces más pequefios seriam
menos tolerantes a las bajas concentraciones de oxigeno.
De las investigaciones realizadas en este ensayo, como así también de un
estudio anterior (PARMA de CROUX, en prensa) podemos concluir que, en
comparación con otras especies (Tabla IV), la tararira se caracteriza por sus
bajos requerimientos de oxígeno, gran resistencia a los niveles mínimos y
óptima capacidad de recuperación.
AGRADECIMIENTOS
A la Lic. Silvia Drugg Hahn del Museu de Ciencias Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Gran-
de do Sul, Porto Alegre, por la traducción del resumen del trabajo al portugués.
A la Prof. Elly C. de Yuan por el constante apoyo brindado y al Sr. Aldo R. Paira por la colaboración
prestada en la captura y mantenimiento de los ejemplares utilizados en las experiencias.
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Figs. 1-2. Hoplias malabaricus malabaricus (Bloch, 1794). 1. Movimientos operculares a distintas
concetraciores de oxigeno; 2. Relación entre el nivel de oxigeno letal (% de saturación) y el peso.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):91-101, 17 out. 1983
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A list of the fishes of the Taim Ecological Station, Rio Grande do
Sul, Brazil.*
Paulo Andreas Buckup**
Luiz Roberto Malabarba***
ABSTRACT
The Taim swamp and associated aquatic environments, situated at Rio Grande and Santa Vitória do
Palmar counties, State of Rio Grande do Sul, Brazil, are briefly characterized. A list of fish species
inhabiting the Taim Ecological Station (Estação Ecológica do Taim) is presented, based upon extensive
field work carried out from 1976 to 1981.
RESUMO
O banhado do Taim, situado nos municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, Rio Grande
do Sul, Brasil, e corpos d'água associados são brevemente caracterizados. Apresenta-se uma lista das es-
pécies de peixes ocorrentes nos ambientes límnicos da Estação Ecológica do Taim, com base em extensas
coletas realizadas no período de 1976 a 1981.
INTRODUCTION
The freshwater fishes of the State of Rio Grande do Sul have been
studied by many authors, both in systematic and local faunal works. The most
important of these are commented on by GROSSER & HAHN (1981). Never-
theless, few of these were dedicated to the aquatic environments situated in
the coastal region. In the available literature there in nothing dealing with the
freshwater ichthyofauna of the area situated between the Lagoa Mirim and the
Atlantic Ocean.
* Aceito para publicação em 21.V1.1983. Trabalho realizado sob a coordenação da Profº Leda F. A.
Jardim, Departamento de Zoologia, com auxílio financeiro do Núcleo Interdepartamental de Estudos
Ecológicos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre.
** Laboratório de Ictiologia, Fundação Universidade do Rio Grande, Caixa Postal 474, 96200 Rio Gran-
de, Rio Grande do Sul (RS), Brasil.
*** Laboratório de Ictiologia, Departamento de Zoologia, UFRGS, Av. Paulo Gama s/n, 90000 Porto
Alegre, RS, Brasil.
HERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):103-113, 17 out. 1983
104 BUCKUP, P.A. & MALABARBA, L.R.
In the present paper a check list of the fish species inhabiting the Taim
Ecological Station is given to fill the information gap in this area and to offer a
useful tool for further biological and ecological research.
Description of the area: the Taim Ecological Station(Estação
Ecológica do Taim) is situated in the extreme southern part of Brazil, in Rio
Grande and Santa Vitória do Palmar counties, State of Rio Grande do Sul (fig.
1). It embraces an extensive swamp area (32,000 ha) situated between the
Lagoa Mirim and the Atlantic Ocean at the North of the Lagoa Mangueira (lat.
2º 52 to 5225075210n9..022 2671052232 WI.
Before 1950, the swamp had an important role as a natural control of the
water flow between the Lagoa Mangueira and Lagoa Mirim, with the Arroio
Taim communicating the swamp with the Lagoa Mirim. This pattern was al-
tered by the construction of a highway road across the area and the digging of
artificial drainage canals. Latter, the natural water flow of the Arroio Taim
through the original highway bridge was transferred to a system of tunnels un-
der the highway at a distance of six kilometers. In spite of this, the region is still
outstanding for its extensive aquatic environments and high degree of preser-
vation from alteration by human activity.
There are two small lagoons in the Ecological Station (Lagoa do Jacare
and Lagoa do Nicola) with macrophytes in the margins and mud in the bottom.
These lagoons have fish species (eg. Loricariichthys anus Valenciennes, 1840
and Atherinidae) wich are rare or absent in the swamp environments in the
vicinity. At the periphery of the swamp, there are some small brooks, many of
them canalized. The general water level may vary as much as two metters ac-
cording to the season.
The sediment of the region is sandy, with a superficial compact layer of
dark organic matter in the swamp. The Pleistocene and Recent origins of the
area are clearly indicated by its marine conchological deposits and high salt
content of the soil (SENA SOBRINHO, 1961). According to GODOLPHIM
(1976) the Taim swamp corresponds to an ancient broad connection between
the Lagoa Mirim and the Atlantic Ocean.This connection was completely closed
with the general lowering of the sea level during the last 6,000 years. The
correlation of this recent origin with the presence of endemic fish species and
its zoogeographical pattern in relation to surrouding terrestrial areas presents
some interesting aspects that deserve future work. We think that further re-
search should aim to determine how has the lagunar system of the Lagoa dos
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):103-113, 17 out. 1983
A list of the fishes of... 105
Patos and Lagoa Mirim influenced in the present composition of the fish com-
munities between this lagunar system and the ocean.
Additional information on the area may by found in KRAUSE et al.
(1982).
MATERIAL AND METHODS
The majority of the specimens examined during the preparation of this list were obtained from four
expeditions to the Taim area made during 1979. One-hundred and five samples were taken from 35 collec-
ting stations, yielding a total of more than 5,580 specimens. Other material came from occasional samples
made by ourselves and other researchers in the years of 1976 to 1981.
The fishing gear employed included set gilland trammel nets, cast nets, dip nets, seine and fish trap.
The main fishing effort was concentrated in the artificial canals and peripheral brooks due to the difficulty
in penetrating the swamp proper. One station was located at the northwestern margin of the Lagoa Mirim.
The gill and trammel nets were usually employed in the Jacaré and Nicola lagoons.
There are oral references to the ocurrence of mullets (tainhas, Mugil sp.) but we have never seen ac-
tual examples of this fish from the area. Their absence in our samples may be due to an unknown sea-
sonality of their movements in the Lagoa Mirim or to the recent construction of floodgates in the Canal de
São Gonçalo, with connects the Lagoa dos Patos and Lagoa Mirim. This species is not included in the
present list.
The bulk of the material is deposited at the Departamento de Zoologia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, but some specimens have been donated to various institutions.
The classification of the families and major groups was made according to NELSON (1976), with
modifications by GERY (1977), MAGO LECCIA (1978), FINK & FINK (1981), PARENTI (1981) and WEITZ-
MAN & GERY (1981).
References are given to those species which are not cited in the more general works such as FOW-
LER (1948, 1950, 1951, 1954) and RINGUELET et al. (1967) or whose taxonomic status have recently
been changed. In the following list these references are indicated by “Ref.”
EISTORSPECIES
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Family CLUPEIDAE
01. Platanichthys platana (Regan, 1917)
Ref.: WHITEHEAD (1968)
Order CHAR A CI FORMESRMES
Family ERYTHRINIDAE
02. Hoplias malabaricus (Bloch, 1794)
Common name: traira
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106 BUCKUP, P.A. & MALABARBA, L.R.
Obs.: The predacious traíra, the largest fish species in the area, is of com-
mercial importance in the local fishery.
Family CURIMATIDAE
03. Pseudocurimata gilberti (Quoy & Gaimard, 1824)
Common name: biru
Obs.: The genus Pseudocurimata Fernandes-Yepes, 1948, has been fre-
quently considered as a synonym of the broader genus Curimata Bosg,
1817. GERY (1977) gives further information concerning the generic po-
sition of this species.
Family CHARACIDAE
Subfamily Characidiinae
04. Characidium (Jobertina) theageri Travassos, 1952
Subfamily Tetragonopterinae
05. Astyanax bimaculatus (Linne, 1758)
Common name: lambari
06. A. eigenmanniorum (Cope, 1894)
Common name: lambari
Obs.: This may eventually prove to be a complex of more than a single
species.
07. A. fasciatus (Cuvier, 1819)
Common name: lambari
08. A. hasemani Eigenmann, 1914
Common name: lambari
09. Bryconamericus iheringii (Boulenger, 1887)
Common name: lambari
Obs.: Only one specimen was captured in the Taim Ecological Station, al-
though it is relatively abundant in adjacent areas, where it occurs in sandy
bottom environments free of vegetation.
10. Hyphessobrycon bifasciatus Ellis, 1911
Common name: lambari
11. H. luetkenii (Boulenger, 1887)
Common name: lambari
Obs.: This is the most abundant characid, representing 9.6% of the total
number of fishes captured with seine and dip net.
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12. H. reticulatus Ellis, 1911
Common name: lambari
13. H. meridionalis Ringuelet, Miquelarena & Menni, 1978
Common name: lambari
Ref.: RINGUELET, etal. (1978)
Subfamily Cheirodontinae
14. Cheirodon interruptus (Jenyns, 1842)
Common name: lambari
15. Cheirodon sp.
Common name: lambari
Obs.: This species maybe distinguished from the previous one by the
higher anal fin count and paler dark spot at the base of caudal fin. The
problem relating to its correct Identification will be the object of a future
paper ofone ofus (L.R.M.).
16. Macropsobrycon uruguayanae Eigenmann, 1915
Common name: lambari
Subfamily Glaudulocaudinae
17. Glandulocauda inegualis Eigenmann, 1911,
Common name: lambari
18. Pseudocorynopoma doriae Perugia, 1891
Common name: lambari-bandeira
Subfamily Characinae
19. Asiphonichthys stenopterus Cope, 1894
20. Oligosarcus jenynsii (Günther, 1964)
Common name: tambicu
Ref.: MENEZES (1969)
21. O. robustus Menezes, 1969
Common name: tambicu
Ref.: MENEZES (1969)
Orden SI EW-R-FFEOFRM-ES
Suborder SILUROIDEI
Family ASPREDINIDAE
22. Bunocephalus iheringii Boulenger, 1891
Obs.: The original description of this species is very brief making the iden-
tification of the species uncertain.
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108 BUCKUP, P.A. & MALABARBA, L.R.
Family PIMELODIDAE
23. Heptapterus sp.
Obs.: This is a new species presently being described by the senior author.
It differs from all other described species of the genus in having the anal fin
broadly connected with the caudal fin.
24. Microglanis cottoides (Boulenger, 1891)
25. Parapimelodus valenciennes (Kröyer, 1874)
Common name: mandim
26. Pimelodella laticeps australis Eigenmann, 1917
Common name: mandim
Obs.: We follow EIGENMANN (1917) in using this trinomial, but it does not
imply in any kind of judgement on the validity of the subspecific rank of
this taxon.
27. Pimelodus maculatus Lac&pede, 1803
Common name: pintado
28. Rhamdia sp.
Common name: jundiá
Obs.: Our specimens appear to be conspecific with “Rhamdia sp.” of
GUEDES (1980). We note that this species is similar to R. quelen (Quoy &
Gaimard, 1824).
Together with Hoplias malabaricus, this species is very important to the
local fishery. This is due to their large size and abundance.
1
Family TRICHOMYCTERIDAE
29. Homodiaetus sp.
Obs.: Our specimens are related possibly to Homodiaetus vasferreirae
Devincenzi, 1939.
Family CALLICHTHYIDAE
30. Callichthys callichthys (Linné, 1758)
Obs.: This fish is rare at the Taim Ecological Station.
31. Corydoras paleatus (Jenyns, 1842)
Family LORICARIIDAE
Subfamily Hypostominae
32. Hypostomus sp.
Common name: cascudo
Obs.: Our specimens may be identified as Hypostomus commersoni Valen-
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A list of the fishes of... 109
ciennes, 1840, but this identification should be regarded as tentative, since
the genus Hipostomus Lacépêde, 1803, is in need of revision.
Subfamily Hypoptopomatinae
33. Microlepidogaster taimensis Buckup, 1981
Common name: cascudinho
Ref.: BUCKUP (1981)
Subfamily Loricariinae
34. Loricariichthys anus Valenciennes, 1840
Common name: cascudo-viola
35. Rineloricaria longicauda Reis, 1983
Common name: cascudo-viola
Ref.: REIS (1983)
Suborder GYMNOTOIDEI
Family HYPOPOMIDAE
36. Hypopomus sp.
Obs.: Our material probably belong to Hypopomus brevirostris (Stein-
dachner, 1868), but this species is presently poorly defined.
Order eFPRINOBONTIFORM ES
SuborderAPLOCHEILOIDE|!
Family RIVULIDA E
37. Cynolebias melanotaenia (Regan, 1912)
Obs.: The occurrence of adults of this annual fish is much restricted to the
rainy season. It occurrs in specific habitats, such as the small stagnant
peripheral brooks.
Ref.: PARENTI (1981)
38. Cynolebias sp.
Obs.: This fish is even more rare than the previous one. We have only one
sample collected in the Station in July, 1976.
Ref.: PARENTI (1981)
Suborden CY PRINODONTOIDE!I
Family ANABLEPIDAE
39. Jenynsia lineata (Jenyns, 1842)
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Common name: barrigudinho
Obs.: This species represented 9.0% of the total number of fishes captured
with seine and dip net in 1979.
Ref.: PARENTI (1981)
Family POECILIIDAE
40. Cnesterodon decemmaculatus (Jenyns, 1842)
Common name: barrigudinho
Obs.: This species represented 30.2% of the total number offishes cap-
tured with seine and dipnet in 1979.
41. Phalloceros caudimaculatus (Hensel, 1868)
Common name: barrigudinho
Obs.: This species represented 13.4% of the total number of fishes cap-
tured with seine and dip net in 1979.
Order ATHERINIFORMES
Suborder ATHERINOIDEI
Family ATHERINIDAE
42. Odonthestes sp. A
43. Odonthestes sp. B
44. Odonthestes sp. C
Common name: peixe-rei
Obs.: There are possibly three species referable to the genus Odonthestes
Evermann & Kendall, 1906, which deserves a thorough revision. Our
material is presently being studied by Dr. Gilda O. Benvegnú Lé from the
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
Order SEN BRANCHIEORMES
Family SYNBRANCHIDAE
45. Synbranchus marmoratus Bloch, 1795
Common name: mucum
Order PERCIFORMES
Suborder PERCOIDEI
Family CICHLIDAE
46. Aequidens portalegrensis (Hensel, 1870)
Common name: carä
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):103- 113, 17 out. 1983
A list of the fishes of... jan
47. Cichlasoma facetum (Jenyns, 1842)
Common name: cará
48. Crenicichla lacustris (Castelnau, 1855)
Common name: mixola
49. C. lepidota Heckel, 1840
Common name: joaninha, mixola
50. Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824)
Common name: cará
51. Gymnogeophagus gimnogenys (Hensel, 1870)
Common name: cará
Ref.: GOSSE (1975)
52. Gg. rhabdotus (Hensel, 1870)
Common name: cará
RerGOSSE (1975)
Suborder GOBIOIDEI
Family GOBIIDAE
53. Gobionellus shufeldti (Jordan & Eigenmann, 1886)
Ref.: GROSSER & HAHN (1981)
ACKNOWLEDGMENT
We thank Dr. Stanley Weitzman, Smithsonian Institution, Washington, D.C., Dr. William Fink,
Division of Biologicai Sciences, University of Michigan, Ann Arbor, Michigan, Dr. Naércio A. Menezes,
Museu de Zoologia, Universidade de Säo Paulo, Säo Paulo, SP, and Dr. Labbish Ning Chao, Fundação
Universidade de Rio Grande, Rio Grande, RS, for critically reading the manuscript; Dr. Naércio A. Me-
nezes for his help in characid identifications; the Núcleo Interdepartamental de Estudos Ecológicos (UFR-
GS), through Dr. Tuiskon Dick, for partially supporting the work; Prof? Leda Francisca Armani Jardim of
the Departamento de Zoologia (UFRGS), who was the responsible for the project, in connection with
which this work was made; and Prof. Fernando Rodrigues Meyer, Director of the Museu Anchieta, Porto
Alegre, where the senior author worked during the research project. We also thank all those persons who
have helped us during the field activities. A special thank is directed to our colleague Cláudio Mota Souto,
who played a considerable role in both field and laboratory work.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):103-113, 17 out. 1983
A list of the fishes of... 113
ATLANTIC
OCEAN
Fig. 1. Localization of the Taim Ecological Station (Estação Ecológica do Taim), State of Rio Grande
do Sul, Brazil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):103-113, 17 out. 1983
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Vier neue brasilianische Stenus-Arten (Coleoptera, Staphylini-
dae). 16. Beitrag zur Kenntnis der Steninem. *
Lubomir Hromädka**
ABSTRACT
Four new species of Steninae, Stenus (Parastenus) bechyneae, S. (P.) josefa, S. (P) brigita and S.
(P.) xenia,Coleoptera, Staphylinidae from Brazil are described. Stenus (Parastenus) pedator Sharp, 1876
and S. (P.) klimschi Bernhauer, 1916 male characters are figured for the firts time.
RESUMO
São descritas quatro novas espécies de Steninae, Stenus (Parastenus) bechynese, S. (P.) josefa, S.
(P.) brigita e S. (P.) xenia, Coleoptera, Staphylinidae, do Brasil. São configurados, pela primeira vez, os
caracteres dos machos de Stenus (Parastenus) pedator Sharp, 1876 e S. (P.) klimschi Bernhauer, 1916.
Stenus (Parastenus) bechyneae, sp.n.
(Figs. 1-3)
Schwarz, ziemlich slänzend, grob punktiert. Fühlerbasis gelbbraun, die
Mittelglieder braungelb, Keule braun, Taster gelb. Beine gelbbraun, die Knie
verdunkelt.
Der breite Kopf ist deutlich breiter als die Flügeldecken (64:58), seine
breite Stirn (mittlerer Augenabstand: 32), zeigt zwei deutliche Lädgsfurchen,
ihr Mittelteil ist deutlich schmäler als jedes der Steitenstücke, flach breitrund
erhoben, erreicht nicht die Höhe des Augeninnenrandes. Die Punktierung ist
grob, der mittlere Punktdurchmesser entspricht dem grössten Querschnitt des 6.
Fühlergliedes, die Punktzwischenräume sind überwiegend kleiner als die Punk-
te. Die hintere Hälfte des Mittelteiles ist ohne Punkte und sehr geglättet.
Die schlanken Fühler überragen zurückgelegt deutlich den Hinterrand des
Halsschildes. Länge der Glieder: 1:8; 11:6; 11:12; IV:9; V:8; V1:7; V11:6; VII:5;
PRO AE: 81:7.
Der Halsschild ist etwas langer als breit (46:42) etwa in der Mitte am
breitesten, nach vorn flach konvex, nach hinten mässig konkav verengt. In der
* Angenommen am: 24.V1.1983.
** Anny Letenske 7. 12000 Praha 2, Tsechoslowake.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
116 HROMÁDKA, L.
Hinterhälfte ist eine flache kurze Längsfurche. Die Punktierung ist grob und
dicht, etwas gröber als am Kopf, der mittlere Punktdurchmesser entspricht
dem grössten Querschnitt des 3. Fühlergliedes, die Punktzwischeuräume sind
kleiner als die Punkte.
Die Flügeldecken sind deutlich schmäler als der Kopf (58:64), breiter als
lang (58:54), ihre Seiten hinter den eckigen Schultern lang rundlich erweitert,
im hinteren Viertel deutlich, aber nicht stark eingezogen, ihr Hinterrand ist mäs-
sig rundlich ausgebuchtet (Nahtlänge:42). Der breite und flache Nahteindruck
erlischt zur Flügeldeckenmitte, der Nahteindruck ist deutlich. Die Puntierung
istkaum gröber als am Halsschild und kaum weniger dicht.
An den schlanken Beinen sind die gelappten Hintertarsen gut drei Viertel
schienenlang, ihr 1. Glied ist etwa so lang wie die drei folgenden zusammen.
Länge der Glieder: 1:16; 11:7; 111:3; IV:7; V:11.
Abdomen ist nach hinten mässig verschmälert, die Seitenrandung
schmal, kaum so breit wie das 2. Fühlerglied, mit einzelstehenden ziemlich
feinen Punkten, die Punktierung ist vorn grob und dicht, fast so grob wie neben
den Augen, die Punktswischenräume sind so gross wie die Punkte, nachhinten
wird die Punktierung feiner, aber kaum weitläufiger, auf dem 7. Tergit sind die
Punkte so gross wie eine Augenfacette, ihre Abstände sind zweimal grösser
wie die Punkte.
Männchen: VIII Sternit (fig. 2); IX Sternit (fig. 3) Aedoeagus (fig. 1).
Lange: 3,9 - 4,2mm
Diagnose: Stenus (Parastenus) bechyneae, sp. n., unterscheidet sich
von Stenus (P.) xenia, durch feinere Punktierung des Halsschildes und Flügel-
decken, schmälere Flügeldecken, von Stenus (P.) klimschi Bernhauer, 1916
durch breiteren Kopf und dichtere Punktierung des ganzen Körpers, von beiden
durch anderen Bau des Aedoeagus.
M aterial: Holotypus O ;Brazil,18km NE Orixima 13-14.X1.1969, JM-BA Campbell, Coll, Biosys-
tematics Research Institute Ottawa. Paratypen: 2 7 ; dieselben Daten wie der iHolotypus, Coll. Biosys-
tematics Research Institute Ottawa, ein Paratypus in meiner Sammlung.
Ich widme diese neue interesante Art Frau Dr. Bohumila de Bechyne aus Maracay Venezuela.
Stenus (Parastenus) josefa, sp.n.
(Figs. 4-8)
Schwarz, glänzend, grob und dicht punktiert, Abdomen deutlich
behaart. 1. bis3. Fühlerglieder gelbbraun, 4. bis6. Fühlerglieder braungelb, 7.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
Vier neue brasilianische Stenus - Arten... 117
bis 11. Fühlerglieder gelbschwarz. Taster gelb. Beine gelbbraun, die Knie wenig
dunkler.
Der Kopf ist fast so breit wie die Flügeldecken (68:70), die ziemlich breite
Stirn zeigt zwei tiefe Längsfurchen, ihr Mittelteil ist etwa so breit wie jedes der
schräg nach innen abfallenden Seitenstücke, stark rundbeulig erhoben, sie
liegt etwas unterhalb des Niveaus der Augeninnenränder. Die Punktierung ist
grob und dicht, der mittlere Punktdurchmesser erreicht etwa den grössten
Querschnitt des 5. Fühlergliedes, die glänzenden Punktzwischenräume sind
kleiner als die Punkte, Antennalhöcker und Stirnmittelteil sind umfangreich
geglättet.
Die ziemlich Schlanken Fühler überragen zurückgelegt deutlich den Hin-
terrand des Halsschildes. Länge der Glieder: 1:8; 11:7; 111:13; IV:10; V:10; VI:7;
Mil; VIIED; IX:55%6: X 1:8:
Halsschild etwas länger als breit (50:48), knapp vor der Mitte am breites-
ten, nach vorn mässig verengt, nach hinten gebogen verengt. In der Mitte ist
eine flache, kurze Furche. Die Punktierung ist grob und sehr dicht, etwas
gröber als am Kopf, der Punktdurchmesser entspricht dem grössten Quers-
chnitt des 3.Fühlergliedes, die Punktzwischenraume sind kleiner als die Punkte.
Flügeldecken sind etwas breiter als der Kopf (70:68), deutlich breiter als
lang (70:62), ihre Seiten hinter den eckig hervortretenden Schultern schwach
rundlich, erweitert, im hinteren Fünftel am breitesten, der Hinterrand ist
breitrund ausgerandet (Nahtlänge:50). Der Nahteindruck ist deutlich und lang,
in der vorderen Hälfte etwas breiter, der Schultereindruck ist deutlich, aber
schwach. Zwischen der Naht und dem Schulterneindruck ist eine beulenartige
Erhebung. Die Punktieung ist etwas feiner als am Halsschild.
Beine beim Männchen mit stark entwickelten Schenkeln, die in der Mitte
am breitesten sind. Die gelappten Hintertarsen sind kürzer als die Schienen
(50:64), ihr 1.Glied ist etwas kürzer als die drei folgenden zusammen und viel
länger als das Klauenglied. Länge der Glieder: 1:18; 11:10; 111:5; IV:7; V:10.
Das Abdomen ist nach hinten deutlich, aber nicht stark verschmälert, Die
Seitenrandung schmal, etwas breiter wie das 2.Fühlerglied in ihr befinden sich
einzelstehende Punkte. Die Punktierung ist von grob und dicht, fast so grob
wie neben den Augen, die Punktzwischenräume sind kleiner als die Punkte,
nach hinten wird die Punktierung feiner und mässig weitläufiger, auf dem 7.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
118 HROMÁDKA, L.
Tergit sind die Punkte so gross wie eine Augenfacette, ihre Punktzwischen-
räume sind zweimal grosser als die Punkte.
Männchen: VIII Sternit (fig. 4); IX Sternit (fig. 5); Aedoeagus (fig. 6).
Weibchen:VIll sternit (fig. 7); Valvifera (fig. 8)
Länge: 5,0 — 5,3mm.
Diagnose: Stenus (Parastenus) josefa, sp. n., unterscheidet
sich von Stenus (P.) klimschidurch gröbere Punktierung des ganzen Körpers,
breiteren Halsschild und Flügeldecken, von Stenus (P.) bechyneae, durch
gröbere Punktierung des Halsschildes und Flügeldecken und durch breitere
Flügeldecken, von Stenus (P.) xenia, durch dichter punktierte Flügeldecken, von
Stenus (P.) brigita, durch breitere Flügeldecken und dichtere Punktierung des
ganzes Körpers, vonallen Arten durch anderen Bau des Aedoeagus.
Material: Holotypus O; Brazil. DF. 1000m Parque Nacional, 9.11.1970, JM-BA Campbell,
Coll. Biosystematics Research Institute Ottawa, Paratypen: 5 0/1 Q, dieselben Daten wie der Holotypus,
Coll. Biosystematics Research Institute Ottawa; 10”, 15km N. Brasilia, DF, 05.111.1970, 1250m, JM-BA
Campbell, Coll. Biosystematics Research Institute Ottawa.
Stenus (Parastenus) brigita, Sp.n.
(Figs. 9-11)
Schwarz, stark glänzed, grob und dicht punktiert. 1. und 2. Fühlerglied
braungelb, 3.bis 5. Fühlerglieder gelbbraun, restliche Fühlerglieder braun, Tas-
ter gelb, Beine Gelbbraun, die Knie dunkler.
Der Kopf schmäler als die Flügeldecken (60:64), seine ziemlich breiteStirn
zeigt zwei deutliche, tiefe Längsfurchen, ihr Mittelteil ist etwas breiter wie
jedes der Seitenstücke, rundlich, aber nur wenig erhoben, er erreicht aber nicht
ganz die Höhe des Augeninnenrandniveaus. Die Punktierung ist grob und
weitläufig, der mittlere Punktdurchmesser entspricht dem basalen Querschnitt
des 3. Fühlergliedes. Die Fühlerhöcker und je eine kleine, abgessetzte Partie
neben dem hinteren Augeninnenrand sind punktfrei. Die Stirnmitte ist höchst
weitläufig und zestreut punktiert, die Punktabstände sind hier mehr als doppelt
so gross wie die Punktdurchmesser.
Die sehr schlanken Fühler überragen züruckgelegt mit ihren letzten
beiden Gliederen den Hinterrand des Halsschildes. Lange der Glieder: 1:8; 11:6;
ISIN: O NC O VS VESES ES RO:
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
Vier neue brasilianische Stenus - Arten... 119
Der Halsschild ist deutlich, aber nicht viel langer als breit (48:46), knapp in
der Mitte am breitesten, nach vorn konvex, rückwärts deutlich konkav verengt,
seine Punktierung ist deutlich gröber und dichter als diejenige des Kopfes, der
mittlere Punktdurchmesser entspricht dem grössten Querschnitt des 6. Fühler-
gliedes, die Punktzwischenraume sind kleiner als die Punkte. In der Mitte
befindet sich eine flache und kurze Lângsfurche die nicht breiter als zwei Punkte
zusammen ist.
Die Flügeldecken sind etwas breiter als der Kopf (64:60), breiter als lang
(64:60), ihre Seiten hinter den eckigen Schultern rückwarts gerade erweitert,
im hinteren Sechstel deutlich, aber nicht stark eigezogen, ihr Hinterrand rund
ausgerandet (Nahtlänge:48). Der breite flache Nahteindruck ist ebenfalls flach,
zwischen beiden sind die Flügeldecken beulig aufgetrieben. Die Punktierung ist
wenig gröber und weitläufiger als am Halsschild.Der mittlere Punktdurchmesser
entsprich dem grössten Querschnitt des 3. Fühlergliedes, die Punktzwischen-
raume sind beinahe so gross wie die Punkte.
Abdomen ist rückwärts wenig verengt, lateral schmal aufgebogen
gerandet, die Seitenrandung ist etwa so breit wie ein Halsschildpunkt. Auf dem
3. Tergit ist die Punktierung etwa so grob wie am Halsschild, aber weiläufiger,
auf den folgenden Tergiten wird sie immer feiner, auf dem 7. Tergit sind die
Punkte etwa so gross wie eine Augenfacette, die Punktzwischenräume gut
doppelt so gross wie die Punkte.
An den kräftigen Beinen sind die Hintertarsen gut zwei Drittel schienen-
lang, ihr 1. Glied ist so lang wie die drei folgenden zusammen, viel länger als
das Endglied, das 4. Glied ist lang gelappt.
Männchen: VIII Sternit (fig. 9); IX Sternit (fig. 10); Aedoeagus (fig. 11).
Weibchen: VIII Sternit abgerundet, in der Hinterrandmitte knappe ver-
gezogen, Valvifera mit deutlichem Lateralzahn.
Länge: 3,8-4,1mm.
Diagnose: Stenus (Parastenus) brigita, sp. n., unterscheidet sich von
Stenus (P.) josefa durch schmälere Flügeldecken und weitlaufigere Punktierung
des ganzen Körpers, con Stenus (P.) xenia, durch feinere und weiläu figere
Punktierung des ganzen Körpers, von allen Arten durch anderen Bau des Ae-
doeagus.
Material: Holotypus O; Brazil, 18km NE Orixima, 13-14.X1.1969. JM-BA Campbell, Coll. Biosys-
tematics Research Institute Ottawa. Paratypen: 1029 , dieselben Daten wie der Holotypus, Coll. Biosys-
tematics Research Institute Ottawa; 10° ,2Q, Pará, Belém, IPEAN 17-18.111.1970, BA Campbell, Coll.
Biosystematics Research Institute Ottawa.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
120 HROMÁDKA, L.
Stenus (Parastenus) xenia, sp.n.
(Figs. 12-14)
Schwarz, deutlich glânzend, grob punktiert. Fúhlerbasis gelbbraun, die
Mittelglieder braungelb, Keule dunkelbraun. Basalglied der Taster gelb, 3.
Glied gebräunt. Beine gelbbraun, die Knie schmal dunkler.
Der Kopf ist so breit wie die Flügeldecken (64:64), seine breite Stirn zeigt
zwei tiefe Längsfurchen, ihr Mittelteil ist gut so breit wie die Seitenstücke, ihr
Mittelteil liegt etwas unterhalb des Niveau der Angeninnenrander. Die Punk-
tierung ist grob und dicht, der mittlere Punktdurchmesser des basalen Punktes
entspricht dem grössten Querschnitt des 4. Fühlergliedes. Die Punktzwishen
raume sind kleiner wie die Punkte, die erhobene Stirnmitte ist aber weitläufig
punktiert, hier können die Punktabstände grösser als die Punkte sein.
Die ziemlich schlanken Fühler überragen zurückgelegt deutlich den Hin-
terrand des Halsschildes. Länge der Glieder: 1:8; 11:6; 111:12; IV:9; V:11; VI:8;
YIEZEMIES2IE6 DET RER:
Halsschild etwas länger als breit (48:46), knapp vor der Mitte arn breites-
ten, nach vorn konvex, nach hinten konkav verengt. In der Langsmitte befindet
sich eine abgekürzte flache Längsfurche, jederseits von ihr und in der vorderen
Hälfte, befinden sich flache Eindrücke. Die Punktierung ist sehr grob und dicht.
Der Punktdurchmesser entspricht dem grosten Querschnitt des 3. Fühlerg-
liedes, die Punktzwischeräume sind minimal.
Die Flügeldecken sind so breit wie der Kopf (64:64), breiter als lang
(64:62), ihre Seiten hinter den eckig hervortretenden Schultern schwach run-
dlich erweitert, im hinteren Fünftel rund eingezogen, ihr Hinterrand ist rundlich
ausgerandet (Nahtlänge: 46). Der Nahteindruck ist lang und deutlich der Schul-
tereindruck mehr oder weniger schwach, zwischen ihnen kann eine beulenar-
tige Erhebung sichtbar sein. Die Punktierung ist etwas gröber als am Halsschild.
Das gewölbte Abdomen ist nach hinten massig verschmalert, die Seiten-
randung schmal, kaum so breit wie das 3. Fühlerglied. Die Punktierung ist vorn
grob und dicht, fast so grob wie neben den Augen ‚diePunktzwischenräume sind
jedoch, besonders gegen die Tergithinterränder, etwas grösser, nach hintenwird
die Punktierung feiner, aber kaum weitlaüfiger, auf dem 7. Tergitsind die Punk -
te so gross wie eine Augenfacette ihre Abstände sind immer noch deutlicn
kleiner als die Punkte.
And den mässig kräftigen Beinen sind die gelappten Hintertarsen vier Fünf-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
Vier neue brasilianische Stenus - Arten... 121
tel schienenlang, ihr 1. Glied ist etwas lânger wie die beiden folgenden zus-
samen, zweimal länger als das Klauenglied, das 4. Glied ist deutlich galappt..
Männchenn: VIII Sternit (fig. 12); IX Sternit (fig. 13); Aedoeagus (fig. 14).
Weibchen: VIII Sternit abgenrundet, in der Hinterrandmitte ist eine stumpfe
Spitze, Valvifera apikolateral mit spitzem Zahn.
Länge: 3,8 -4,Imm.
Diagnose: Stenus (Parastenus) xenia, sp. n., unterscheidet sich von
Stenus (P.) bechyneae durch grossere Punktierung des Halsschildes und
Flügeldecken, von Stenus (P.) josefa, durch weitläufigere Punktierung der
Flügeldecken, von diesen beiden Arten durch anderen Bau des Aedoeagus.
Material: Holotypus O; Brazil, 18km NE Orixima, 13-14.X1.1969, JM-BA Cambell, Coll. Biosys-
tematics Research Institute Ottawa. Paratypen: 40, 5Q, dieselben Daten wie der Holotypus, Coll. Bio-
systematics Research Institute Ottawa; 1Q Pará, Belém, Faz. Pirelli, 28.X1.1969, JM-BA Campbell coll.
Stenus (Parastenus) pedator Sharp, 1876
(Figs. 15-16)
Material:Holotypus O, BMNH, von mir untersucht, Rio Purus. VIII Sternit (fig. 15); Aedoeagus
(fig. 16).
Stenus (Parastenus) klimschi Bernhauer, 1916
(Figs. 17-19)
Material: Männchen; Brazil, 30km SW Brasilia. VIII Sternit (fig. 17); IX Sternit (fig. 18); Ae-
doeagus (fig. 19).
DANKSAGUNG
Herrn Dr. Ales Smetana stellte mir dieses interante brasilianische Material zur Verfügung, das aus
den Samirmiungen des Biosystematics Research Institute Ottawa stammt, zur Bearbeitung, wofür ich
ihn auch hier meinen herzlichsten Dank ausspreche.
LITERATUR
BENICK, L. 1928. Amerikanische Steninen. Col. Staph. Wien.ent.Ztg., Urien, 45:33-52.
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BERNHAUER,M. 1911. Zur Staphyliniden-Fauna von Südamerika. Dt.ent.z., Berlin:403-22.
1921. Neue Staphyliniden-Fauna aus Südamerika. Verh.zool.bot.Ges.Wien, Urien. 71:1-23.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
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SHARP, D. 1876. Contributions to an insect fauna of the Amazonas Valley. Col. Staphy. Trans. R.
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
Vierneue brasilianische Stenus - Arten... 123
Figs. 1-8: 1-3. Stenus (Parastenus) bechyneae, sp.n., holotypus G 1. Aedoeapus,ventral;2. VIII
Sternit, 3. IX Sternit; 4-8 Stenus (Parastenus) josefa, sp.n.; 4-6. Holotypus ©. 4. VIII Sternit; 5. IX
Sternit; 6. Aedoeagus, ventral; 7-8. Paratypus, weibchen. 7.VIII Sternit; 8. Valvifera.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
124
HROMÁDKA, L.
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Ape A
IM N ST)
el
Figs. 9-19: 9-11. Stenus (Parastenus) brigita, sp.n., holotypus o: 9. VIII Sternit; 10. IX Sternit; 11.
Aedoeagus, ventral; 12-14. Stenus (Parastenus) xenia, sp.n., holotypus O: 12: VII Sternit; 13. IX Sternit;
14. Aedoeagus, ventral; 15-16. Stenus (Parastenus) pecator Scharp, 1876, holotypus p: 15. VIII
Sternit. 16. Aedoeagus, ventral; 17-19. Stenus (Parastenus) klimschi Bernhauer,1916, Mannchen: 17. VIII
Sternit; 18. IX Sternit; 19. Aedoeagus, ventral.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):115-124, 17 out. 1983
Behavioral aspects of «Brachidontes darwinianus darwinianus
(Orbigny, 1846) and Brachidontes solisianus (Orbigny, 1846)
(Bivalvia, Mytilidae) in response to a salinity gradient.*.
Wagner E. Paiva Avelar**
Walter Narchi***
ABSTRACT
A study in Laboratory was undertaken on the behavior of Brachidontes solisianus and B. darwi-
nianus darwinianus (Bivalvia, Mytililidae), when submitted to different sea water dilutions. The two
species are euryaline and probably osmoconforming; B. darwinianus darwinianus showed more resistence
to lower sea water dilutions whereas B. solisianus showed greater tolerance for water with higher salinity,
thus suggesting that salinity may be one of the factors accounting for the isolation between the two
populations. In experiments of 30 days duration, the death rate for B. solisianus was 50% on the eighth
day after exposure to 6º/00 and 50°/oo salinity. However, for 22º /00-and 32º/00 salinity the death rate
was 0%. On the other hand, for B. darwinianus darwinianus, the death rate was 50% after 16 days of ex-
posureto 0º/00 and 50º/00 salinity after 26 days of exposure to22º/00 salinity, and after 20 days of ex-
posure to 32º /00 salinity.
RESUMO
Alguns aspectos do comportamento de Brachidontes solisianus e B. darwinianus darwinianus,
Bivalvia, Mytilidae, foram analisados, quando submetidos .os animais a diferentes diluições de água do
mar.
As duas espécies são eurialinas e provavelmente osmoconformadoras.
B. darwinianus darwinianus mostrou-se mais resistente a diluições de água do mar de salinidade
mais baixa, enquanto que 2. solisianus apresentou maior tolerância por águas de salinidade mais ele-
vadas, sugerindo que a salinidade seja um dos fatores de isolamento entre as populações.
Nos experimentos com duração de 30 dias registrou-se 50% de mortalidade, para B. solisianus, nas
salinidades de 6º/00 e 50º /00 no décimo oitavo dia e no décimo dia na salinidade 0º/00. Entretanto para as
salinidades de 22º /00 e 32º/00 a taxa de mortalidade foi de 0%. Por outro lado, para B. darwinianus dar-
wininus, 50% dos exemplares morreram após o décimo sexto dia, nas salinidades de 0º /00 e50°/oo,vi-
gésimo sexto dia na salinidade de 22º /00€ no vigésimo dia na salinidade de 32º /00.
* Accepted for publication on 01.V11.1983.
** Prof. Dr. do Departamento de Biologia, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (USP), 14100 Ribeirão Preto, SP, Brasil.
*** Prof. Titular do Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo,
Caixa Postal 20520, 01000 São Paulo, SP, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):125-132, 17 out. 1983
126 AVELAR, W.E.P. & NARCHI, W.
INTRODUCTION
Tides, temperature, substrate, salinity, oxygen, light, nutrients are fac-
tors whose complex interactions characterize the natural environment of the lit-
toral zone. None can be controlled and all vary continuously. In this complex
situation, physical and biological variables are expected to cause measurable
changes in littoral zone conditions (PUGH, 1975).
According to PROSSER & BROWN (1961), the osmotic limitations im-
posed to the distribution of a group of aquatic animals can be obteined by ob-
servation of the response to osmotic stress. The animals in the intertidal zone
tend to tolerate wider ranges of salinity (euryaline animals), the more so the
higher they are located in the environment (ZUIN et al., 1980). The data on this
subject are “scarce” for the genus Brachidontes. Schlieper (1957) apud PROS-
SER & BROWN (1961) and NEWELL (1964) studied Mytilus edulis (Linné, 1758)
acclimated to 30º/00 salinity in the North Sea and to 15º/00 salinity in the
Western Baltic Sea. GILLES (1972) studied Glicymeris glycymeris (Linné, 1758)
and M. edulis acclimated to sea water dilutions of less than 25°/oo, and ZUIN
et al.(op. cit.) worked with 2. solisianus and Perna perna (Linné, 1758) accli-
mated to different concentrations of sea water.
Brachidontes darwinianus darwinianus (Orbigny, 1846) and Brachidontes
solisianus (Orbigny, 1846) inhabit the intertidal region, where they live attached
to the rocky substrate by their byssus. The objetive of the present study was to
eluciadate some biological aspects of these bivalves by field and laboratory ob-
servations made during studies on their functional anatomy. Among the va-
rious abiotic factors, only salinity was analyzed.
The temperature is one of the limiting factors for survival in the intertidal
zone. Airtemperature oscillates much more during the day and night cycle than
sea water temperature, which requires several hours to change 1 to 2°C. The
temperature on the rocks reaches much higher levels than in the sea or sedi-
ment (NEWELL, 1970) According to NEWELL (op.cit.) the sand may actas a
protection against solar heat, since when air temperature is 34ºC, sediment
temperature is 29ºC at a few centimets below the surface. This does not occur
on rocks, where temperature can reach 37°C or more. However, in regions
where small streams are present, temperature varies more as a function of river
water temperature.
The species studied here are affixed to rocks inbedded in a sandy beach;
sand may be deposited up to a thickness of 30cm due to environmental con-
ditions, thus burying the part of the population. The animals are also subject to
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):125-132, 17 out. 1983
Behavioral aspects of Brachidontes... 127
rising and ebbing tides and to possible increases in fresh water volume from
streams during the rainy season. Furthermore, the downward slope of the
beach, a characteristic that facilitates rainwater or high tide drainage, exposes
the animals to variable conditions of salinity and of amounts of organic matter.
MATERIAL AND METHODS
Field observations on B. darwinianus darwinianus and B. solisianus were made at Lamberto beach,
in Ubatuba, State of São Paulo (23°, 30'S, 45° 04' 20"). The animals live in the intertidal zone of inlets and
bays, where they form clusters of hundreds of individuals. For laboratory studies, the animals were collec-
ted with the aid of a spatula and transported in a stryrofoam box to the laboratories of the Departmento
de Zoologia, Instituto de Biosciências, Universidade de São Paulo, where they were kept alive, in sea
water, at a temperature of 22ºC.
Sea water salinity was determined with a Goldberg refractometer model 1423, and temperature was
measured with a thermometer (0 to 80°C).
Groups of 35 animals of each species were placed in separate glass containers after they had been
gradually acclimated to concentrations of 0º/00, 6º/00, 22º/00, 32º/00, and 50º /00 at 22ºC.
The salinity of sea water was increased to 22º /00, 32°/oo and 50º /00at22ºC.
The salinity of sea water was decreased to 22º/00,6º /oo and O°/oo by addition of distilled water at a
flux of 60 drops/ min. When the salinity was close to 0º/00 the animals were transfered to fresh-water. The
salinity of sea water was increased to 50°/oo by addition of NaC| saturated solution, at 60 drops by
minute. A few rocks to which the animals could attach themselves were placed in the glass containers.
The animals were observed twice a day, in the morning and in the afternoon, in order to ascertain survival
conditions. The specimens were considered to be dead when remained with their valves open and failed to
react to mechanical stimulation.
Observations at the collecting site were made at low tide. Although the most favorable conditions
had been selected, unexpected meteorolical changes caused alterations in the tides, which occur twice a
day along the coast of the State of São Paulo, where high and low tides are of very long duration.
RESULTS
B. darwinianus darwinianus is found in inlets or bays near the mouths of
rivers or streams, mostry in the basal part of the rocks near the substrate. In
contrast, B. solisianus is found along protected straight coastlines, where the
impact of the waves is not very strong, and attaches itself to rocks at higher
levels than B. darwinianus darwinianus. Variations in the distributions of the
two species, however, were observed at the sites studied. Both species are
found at Lamberto beach. B. solisianus appears at a distance of approximately
30 to 40 meters from the mouth of the stream that flows into the sea near the
North Base of the Oceanografic Institute. This is the only point where B. dar-
winianus darwinianus and B.solisianus are found together From the stream
mouth to the region where B. solisianus occurs and on the rocks located up-
river up to the point where the influence of salt water is felt, we only find 6.
darwinianus darwinianus. We might say that, in terms of habitat, B. solisianus
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128 AVELAR, W.E.P. & NARCHI, W.
and B. darwinianus darwinianus recall the Australasian Mytilidae Xenostrobus
pulex (Lamarck, 1819) and X. securis (Lamarck, 1819), both of them studied by
WILSON (1967).
The fauna associated with B. darwinianus darwinianus includes a reduced
number of species, with predominance of polychaetes, polycladids, nemer-
tines, oysters and gastropods, whereasta considerably diversified fauna is en-
coutered in association with B. solisianus including briozoans, coelenterates,
echinoderms and other bivalves that seek shelter among or below the bivalve
population.
Due to the habitat used by B. darwinianus darwinianus specimens, they
are often covered with sand, especially at high tide or in the presence of strong
wave action, which may accumulate large amounts of sand over the bivalves. If
the water of the stream near which they live does not drain the excess matter
that cover them, they can die in a matter of a few weeeks. The specimens of B.
darwinianus darwinianus which live at the mouth of the stream have a mean
lenght of 2.8cm, which decreases gradually to 1.5em with distance from the
mouth.
B. darwinianus darwinianus and B. solisianus, when covered with up to
2cm of sand, continued to form byssus filaments and move upwards until they
reach the surface of the sand substrate. If the thickness of the sand layer is 3cm
or more, the mollusks can not move; this fact confirms the obervations of
SEED (1976) on mussels.
The salinity of interstitial water is similar to that of sea water. The values
differ because of evaporation or of interference of fresh water at sites near
streams. The salinity at the stream mouth was 22°/ 00.
B. darwinianus darwinianus shows the following behavior at the different
salinity concentrations (fig. 1): at 0º/00 (salinity during low tide), the animals
keep their valves shut and remain alive for 8 days, after which they start to die,
with no survivors left by the 20 days, in fresh water. At 6°/oo the specimens
opened and closed their valves regularly. At this concentration, about 22% of
the animals died during the first 21 days an the remainder live more than 30
days. At 22°/oo (mean salinity during high tide at the mouth of the stream) and
at32º/00 (salinity of Lamberto beach), the animals remained always with their
valves open and all withstood immersion for about 10 days, after which they
started to die, with a higher mortality rate at 32º /00 despite the fact that a few
animals. were able to tolerate this level of salinity for more than 30 days. At
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Behavioral aspects of Brachidontes... 129
50º/00, the animals always kept their valves shut and started to die after the 5th
day, with, no survivors left by the 14th day. é
B. solisianus was submitted to the same sea water concentrations (fig. 2)
At 22º/00 and 32°/ooithe specimens remained with their valves open, while at
6º/00 and 50º/00 they always kept their valves shut. During the initial 8 days of
the experiment, all animals survived all salinity concentrations to which they
were submitted. However, at 0º/00, the number of survivors decreased after
the 8th day by the 13th day there being no survivors. At 6°/00, 97% of the ex-
perimental animals were in good condition for 16 days, with death occuring
over the next five days. At 22º/00 and 32º /00, 100% of the animals continued to
live throughout the experiment. At50°/oo, 90% of the specimens tolerated im-
mersion for 16 days, with no survivors left by the 20 st day.
A few rocks containing B. solisianus were removed from the collecting
site and carried to the mouth of the stream while rocks containing an appro-
ximately equal number of B. darwinianus darwinianus were put in the place
from which the rocks containing B. solisianus had been removed. The result
was that after 15 days the B. solisianus specimens had died, while a few B. dar-
winianus darwinianus were still alive. This result demonstrates that B. soli-
sianus has a lower tolerance to reduced salinities than B. darwinianus darwi-
nianus, showing that the environment of the two species are incompatible and
that salinity probably acts as a barrier.
DISCUSSION AND CONCLUSIONS
B.darwinianus darwinianus is found mainly at the mouth of small streams,
or in regions with low salinity. B. solisianus is found along rock coastlines in
Brazil, where It can withstand higher salinities. Both species showed tolerance
for the dilutions to which they were submitted in the laboratory. Salinity at the
collection site varied between 0º/00 and 22°/oo, thus confirming the obser-
vations of KLAPPENBACH (1965), who stated that PB. darwinianus darwinianus
has greater tolerance for low-salinity water. According to Schlieper (1957) apud
PROSSER & BROWN (1961), Mytilus edulis also has a significant tolerance to
reduced salinities, since it is found in waters having salinity of 30°/oo (North
Sea), 15°/oo (Baltic Sealand 4-6º/00 (Bay of Finland).
RICCI (1957) observed that Mytilus galloprovincialis (Lamarck, 1819),
when placed in diluted sea water, adapts well up to /0% sea water, whereas
adaptation to a more diluted medium is more difficult and only partial. Accor-
ding to PROSSER & BROWN (op. cit.), the Mytilus species are euryaline and
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130 AVELAR, W.E.P. & NARCHI, W.
osmoconforming, although they suffer considerable stress when living in di-
luted sea water.
When immersed in water with 0º/o00 salinity, B. solisianus had a survival
rate of 100% during the first 8 days, the same being true for B. darwinianus
darwinianus. All individuals of the latter species, however, died during the
following 5 days, showing lower tolerance than 2. solisianus. We may infer that
at 6º/00 B. solisianus behaved similarly to B. darwinianus darwinianus when
the latter was submitted to 0º/00 salinity. The survival rate of B. solisianus at
22º /00 and 32º/00 was 100% throughout the experiment, indicating a greater
tolerance for waters with higher salinith. At.50°/oo, B. solisianus showed
greater tolerance than B. darwinianus darwinianus, since almost 90% of the
animals lived for 16 days, dying over the next 3 days. These data agree with the
results of ZUIN et al. (1980) for B. solisianus.
The results of the present study indicate that the two species studied are
euryaline, |. e., they tolerate higher out lower than normal salinity, and probably
osmoconfirming, in agreement with reports by other investigators Schlieper
(1957) apud PROSSER & BROWN (1961); RICCI (1957); WILSON (1967);
PIERCE (1970); ZUIN et al. (1980).
The environment of the two species is incompatible, with salinity acting
as a barrier.
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1983
132 AVELAR, W.E.P. & NARCHI, W.
Nº ANIMALS
0900 6%oo 22%o0 32%o0 509/00
SALINITY SALINITY SALINITY SALINITY SALINITY
o
E
a
2
ö
tus
30 O 5 IOmm.
29 Nº ANIMALS
u
- nu» u on mDw
oo 500
22/00 32º/0
SALINITY SALINITY SALINITY SALINITY SALINITY
Figs. 1-2. 1 Brachidontes darwinianus darwinianus (Orbigny, 1846) submited to different sea water
diluatians; 2 Brachidontes solisianus (Orbigny, 1846) submitted to different sea water dilutians.
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Revisão do gênero Marghita Buckes, 1964 com a descrição de
uma nova espécie (Heteroptera, Pentatomidae, Pentatomini).*
Jocélia Grazia**
Rafael Taboada Koehler***
RESUMO
O presente trabalho contém uma revisão do gênero Marghita Ruckes, 1964. É descrita e ilustrada
a genitália de ambos os sexos de M. crepuscula Ruckes, 1964, M. simílima sp. n. é descrita e ilustrada.
ABSTRACT
This article concerns the taxonomic revision of the genus Marghita Ruckes, 1964, based on the mor-
phological study of the genitalia of both sexes. M. similima sp. n. is here described, and figured, as well as
M. crepuscula Ruckes, 1964.
INTRODUÇÃO
O gênero Marghita foi estabelecido por RUCKES, em 1964, com uma única
espécie M. crepuscula procedente de Misiones, Argentina. RUCKES (1964) in-
clui, tentativamente, este gênero na tribo Halyini, da subfamília Pentatominae,
ressaltando que M. crepuscula diferia, em alguns aspectos, dos haliineos do
Novo Mundo.
Em 1966, PIRÁN, ao examinar um parátipo de M. crepuscula depositado
no Museu de La Plata, considerou esta espécie um sinônimo junior de Marmes-
sulus brasiliensis Schouteden, 1906, de subfamilia Asopinae. ROLSTON &
McDONALD (1979), sem fazer referência à sinonimia proposta por PIRÁN
(1966), transferiram, com propriedade, o gênero Marghita, para Pentatomini.
De acordo com ROLSTON & McDONALD (1979) Halyini pode ser caracteriza-
* Aceito para publicação em 01.V11.1983. Dissertação de Bacharelado em Zoologia do autor junior,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul (RS), Brasil.
** Professor Adjunto, Departamento de Zoologia UFRGS, Av. Paulo Gama s/nº, 90000 Porto Alegre
RS, Brasil. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq.
Proc. 30.1840/76-Z20-07).
*** Estagiário do Departamento de Zoologia UFRGS.
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134 GRAZIA, J. & KOEHLER, R.T.
da por apresentar membrane of hemelytra with arborescent dark markings on
frosty background; preapical tooth present on lateral margin of juga. Em Mar-
ghita estes caracteres não estão presentes.
A validade de M. crepuscula é indiscutível, pois esta espécie distingue-se
de M. brasiliensis por apresentar os caracteres diagnósticos da subfamilia Pen-
tatominae; SCHOUTEDEN (1907) ao descrever M. brasiliensis a enquadrou
com propriedade na subfamilia Asopinae, por apresentar rostrum crassum; ain-
da apontou como característica de M. brasiliensis femoribus anticis spina acuta
armatis. M. crepuscula alêm de não possuir espinho nos fêmures do 1º par de
pernas, apresenta os caracteres comuns aos Pentatominae, principalmente na
estrutura da genitália de ambos os sexos. Vale ressaltar a ausência de conjun-
tiva no phallus de M. crepuscula; apesar de ser comum a presença de conjun-
tiva na tribo Pentatomini, em algumas espécies de Loxa Amyot & Serville, 1843
e Chlorocoris Spinola, 1837 ela está ausente (McDONALD, 1966).
Ainda, é descrita neste trabalho uma nova espécie de Marghita, com am-
pla distribuição no sul do Brasil e Argentina.
MATERIAL E MÉTODOS
No material examinado, as coleções estudadas e o depósito do material tipo estão indicados pelas
seguintes siglas: AMNH American Museum of Natural History, New York; BM(NH) British Museum
(Natural History), Londres; DZPR Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba
Brasil (BR); IOC Fundação Instituto Oswaldo Eruz, Rio de Janeiro, BR; LHR L.H. Rolston, Baton Rouge,
Louisiana; MCN Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, BR; MEV Museu de Entomologia, Departamento de Biologia Animal, Universidade Federal de
Viçosa; Minas Gerais, BR; MLP Facultad de Ciencias Naturalesy Museo, La Plata, MN Museu Nacional,
Rio de Janeiro, BR; MZSP Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, BR; MZRS Museu de Zoo-
logia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, BR.
As medidas estão expressas em milímetros e correspondem ao que segue: comprimento total do
corpo ao longo da linha média longitudinal, até o ápice do VII tergito nos machos, e até o ápice do IX nas
fêmeas; comprimento da cabeça, cabeça diante dos olhos, pronoto e escutelo, sobre a linha média lon-
gitudinal; largura da cabeça e distância interocular na altura dos olhos; largura do pronoto ao nível dos än-
gulos umerais; largura do escutelo na base; largura abdominal no ápice do Ill segmento; comprimento dos
artículos antenais em vista dorsal.
A genitália foi macerada em KOH a 10%, a frio, diafanizada em fenol e corada em Vermelho Congo.
A terminologia adotada segue DUPUIS (1970).
RESULTADOS
Gênero Marghita Ruckes, 1964
Marghita RUCKES, 1964:261; ROLSTON & McDONALD, 1979:189;ROL-
STON etal., 1980:122.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
Revisão do gênero Marghita 135
Espécietipo: Marghita crepuscula Ruckes, 1964.
Descrição: 1º artículo antenal ultrapassando o ápice da cabeça; bú-
culas bem desenvolvidas, paralelas e decrescentes em direção posterior, ter-
minando em linha com a margem posterior dos olhos; em RUCKES (1964), ao
contrário, é descrito Bucculae well developed, parallel, very gradualy increasing
in height posteriorly... 1º artículo do rostro contido nas búculas. Ängulos
umerais do pronoto retos, margens ântero-laterais sinuadas. Ângulos basais do
escutelo com pequenas fóveas negras. Mesosterno, no meio, com uma estreita
linha elevada, convexo de cada lado desta sub-carena. Metasterno hexagonal,
mais elevado posteriormente, decrescendo em direção anterior; margens an-
terior e posterior menores que as demais, margem anterior reta, margem pos-
terior levemente côncava, onde encaixa a protuberância do meio do 3º seg-
mento abdominal; sub-carena do metasterno em continuidade com a do
mesosterno, alcançando o meio daquela; metade posterior do metasterno com
a superfície moderadamente deprimida. Espiráculos elípticos, ferrugíneos;
tricobótrios situados para fora da linha imaginária longitudinal que tangencia os
espiráculos. Tíbias dorsalmente plano-sulcadas. Demais caracteres de acordo
com RUCKES (1964), exceto o comprimento do rostro, a forma das jugas e a
extensão do 1º artículo antenal além das jugas que variam nas espécies em
questão.
Genitália do macho: pigóforo retangular, pouco mais longo do
que largo; abertura dorso-posterior da cápsula genital limitada a, aproxima-
damente, metade do pigóforo; parede interna das margens laterais do pigóforo
com projeções auriculares que se justapõem aos ângulos póstero-laterais do X
segmento; ângulos póstero-laterais do pigóforo com um volumoso e denso
tufo de cerdas apicais, dirigidas para o eixo médio-longitudinal do pigöforo.
Segmento X com margens laterais cobertas por pêlos. Parâmeros achatados
lateralmente, contidos num estreito espaço entre a parede lateral interna do
pigöforo e o X segmento. Phallus: placas basais do aparelho articular robustas,
em forma de ''H’'; conetivos dorsais curtos, menores que os processus capitati,
estes em forma de funil e alcançando a extremidade distal da phallotheca;
membranblase entre os conetivos ventrais, no ápice com uma pequena saliên-
cia digitiforme mediana. Phallotheca com ampla abertura dorso-posterior; na
base dorsal situa-se um par de processos da phallotheca; conjuntiva ausente;
vésica bem desenvolvida; ejaculatory reservoir saculiforme.
Genitälia da fêmea: margem distal do esternito VIl emarginada,
apresentando duas sinuosidades, uma ao nível dos laterotergitos 8 e outra ao
nível dos gonocoxitos 8. Laterotergitos 8 de forma triangular, dotados de es-
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piráculos; gonocoxitos 8 cobrindo os ângulos internos dos laterotergitos 8;
gonapófises 8 fusionadas medianamente formando o triangulum, do tamanho
quase equivalente a um dos gonocoxitos 8; laterotergitos 9 claviformes; go-
nocoxitos 9 (pseudoesternito) com longas expansões laterais da margem an-
terior, formando dois braços divergentes entre si e dirigidos lateralmente;
gonapófises 9 fusionadas medianamente, apresentando de cada lado da linha
média, as chitinellipsen; espessamento da íntima vaginal, no qual se abre o
orificium receptaculi, de contorno quadrangugar; segmento X (tubo anal)
retangular, pouco mais longo que largo. Vias genitais ectodérmicas: ductus
receptaculi, em sua região anterior à área vesiculár, maior que o dobro do com-
primento deste em sua região posterior à área vesicular; anel membranoso da
pars intermedialis, junto à crista anular posterior; capsula seminalis com 3 den-
tes de tamanho aproximadamente igual.
Diagnose: o gênero Marghita aproxima-se de Stictochilus Ber-
groth, 1918 pelo facies e principalmente pelo padrão da genitália do macho,
apresentando a abertura do pigóforo dorso-posterior, diferenciando-se dele
pelo tamanho maior e pela forma e disposição da carena metasternal (ROLS-
TON et al., 1980). Em Stictochilus a carena percorre inteiramente o metasterno
que é longitudinalmente arqueado.
Marghita crepuscula Ruckes, 1964
Marghita crepuscula RUCKES, 1964: 262-265; PIRÁN, 1966: 88-89.
Material -tipo: holótipo macho, M. Biraben, 01.X11.1957, depo-
sitado no MLP; examinado.
Localidade-tipo: Aristobulo del Valle, Misiones, Argentina.
Descrição: deacordo com RUCKES (1964).
M a c h o: comprimento total 15,55 (15,28-15,84); largura abdominal
8,91 (8,48-9,36); cabeça diante dos olhos 1,25 (1,20-1,28); distância interocular
1,65 (1,60-1,68); comprimento da cabeça 2,42 (2,32-2,48); largura da cabeça
2,99 (2,96-3,04); artículos antenais: | 1,25 (1,20-1,28); 11 1,31 (1,28-1,36) III 2,08
(2,00-2,16); IV 2,48 (2,40-2,56); V falta. Pronoto: comprimento 3,22 (3,12-
3,28); largura 7,84 (7,76-8,00). Escutelo. comprimento 5,94 (5,84-6,00); largura
4,83 (4,64-4,96).
Genitália: pigóforo retangular, pouco mais longo do que largo, aber-
tura dorso-posterior da cápsula genital limitada à metade posterior do pigóforo.
De cada lado das projeções auriculares um pequeno tubérculo presente; face
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
Revisão do gênero Marghita 137
dorsal dos ângulos póstero-laterais do pigóforo com um nítido processo, vol-
tado em direção aos parâmetros, denteado na face anterior (fig. 1). Margem
ventral rasamente escavada, refletida, no meio com um grande tubérculo (fig. 2).
Segmento X retangular, com as margens laterais densamente cobertas por
pêlos. Parâmeros conforme descritos por RUCKES (1964) (fig. 3). Phallus:
(figs. 4 e 5) conetivo ventral do aparelho articular espesso, quase tão largo
quanto longo; placas” basais envolvendo a metade proximal da phallotheca,
com amplo ponticulus transversalis. Phallotheca sub-cilíndrica, de comprimen-
tomaiorquealargura,afilando-se moderadamente em direção à base com oterço
apical levemente dilatado; bordo posterior da phallotheca; levemente sinuado;
vésica bem desenvolvida, apresentando-se como um capacete protetor do
gonopóro secundário, ccm um par de processos dorsais (processus vesicae 1)
em longos braços paralelos entre si; no lado ventral a vêsica termina em um tu-
bérculo e sobreposto a este um par de abas auriculares, unidas posteriormente
(processus vesicae 2); ductus seminis longo; ejaculatory reservoir saculiforme;
curso do ductus seminis ilustrado na figura 6.
F& me a:comprimento total 14,88 (14,56-15,12); largura abdominal 8,69
(8,48-8,88); cabeça diante dos olhos 1,22 (1,20-1,28); distância interocular 1,62
(1,52-1,68); comprimento da cabeça 2,24 (2,16-2,32); largura da cabeça 2,96;
artículos antenais: | 1,20; || 1,25 (1,20-1,28); Il 1,78 (1,76-1,84); IV 2,04 (2,00-
2,08) V falta. Pronoto: comprimento: 3,17 (2,96-3,36); largura 7,60 (7,20-7,92).
Escutelo: comprimento 5,73 (5,36-5,92); largura 4,61 (4,40-4,72).
Genitälia: laterotergitos 9 pouco ultrapassando os laterotergitos 8;
gonocoxitos 8 quase duas vezes mais largos do que longos junto aos bordos
suturais; gonocoxitos 9 (pseudoesternito), nos exemplares observados à seco,
de contorno retangular (figs. 7 e 8); chitinellipsen com diâmetro quase igual ao
do orificium receptali. Vias genitais ectodérmicas: (fig. 9) ductus receptaculi,
em sua região anterior à área vesicular, com comprimento cerca de quatro
vezes o do ductus na região posterior à área vesicular, nesta região inicialmente
estreito e aumentando em diâmetro na porção média, para novamente es-
treitar-se e a seguir dilatando-se em direção à crista anular anterior; capsula
seminalis globular, os três dentes pouco ultrapassando a crista anular posterior.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Porto Alegre,
Q MCN 46511. ARGENTINA. Misiones: Loreto, 2 © e4 O MZSP, 1960, A.
Martinez leg.; Loreto, É MCN 46512, 1960, A. Martinez leg.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
138 GRAZIA, J. & KOEHLER, R.T.
Marghita similima sp. n.
(Figs. 10-19)
Material - tipo: holótipo macho, M. Alvarenga, IX.1978, depositado
no MN.
Localidade-tipo: Conceição do Macabu, Rio de Janeiro, Brasil.
Diesecr ção:
Macho: (fig. 10) cor geral castanha média, superfície dorsal inten-
samente pontuado de ferrugíneo; pontuações maiores formando rugosidades
no pronoto e escutelo. Comprimento total 16,40 (15,28-17,84); largura ab-
dominal 9,54 (8,80-10,64). Ápice dos jugas em ângulo agudo; margens internas
justapostas, ou não, na altura do clípeo. Rostro estendendo-se até o meio do
metasterno. Cabeça diante dos olhos 1,32 (1,28-1,44) bem menor que a distân-
cia interocular 1,81 (1,68-1,92); comprimento da cabeça 2,49 (2,24-2,72) bem
menor que a largura 3,17 (2,96-3,36); 1º artículo antenal ultrapassando as jugas
em um terço de seu comprimento, artículos antenais aumentando em com-
primento do | ao V; às vezes o 2º artículo pode igualar ou ser menor que o 1º;
medidas dos artículos: | 1,28 (1,20-1,44); 11 1,30 (1,12-1,44); 111 2,16 (1,84-2,48);
IV 2,45 (2,08-3,04); V 2,53 (2,32-3,04). Pronoto: comprimento 3,34 (3,12-3,60);
largura 8,34 (7,52-9,20). Escutelo: comprimento 6,23 (5,60-6,80); largura 4,99
( 4,48-5,52). Base do escutelo, no meio, com uma pequena área circular des-
tituída de pontuações e de coloração amarelada. Terço apical do cório com
pequenas pontuações ferrugíneas mais numerosas que nas demais áreas. Uma
pequena mancha amarelada no ápice da veia radial. Lado ventral de coloração
mais clara que a superfície dorsal, com pontuações escassas. Pernas com pon-
tuações ferrugíneas mais densas nos fêmures, raras nas tíbias.
Genitália: pigóforo retangular, pouco mais longo que largo; aber-
tura dorso-posterior da cápsula genital limitada a pouco menos da metade do
pigóforo. Face dorsal das áreas póstero-laterais do pigóforo côncavas (fig. 11).
Margem ventral escavada em “U” aberto que ocupa o terço apical do pigóforo;
de cada lado e na altura média do "U” situa-se um processo digitiforme dirigido
para a linha média do pigóforo (fig. 12). Segmento X trapezoidal; tufos de
pêlos presentes ao longo das margens laterais, ápice pouco coberto por pêlos.
Parâmeros, em vista lateral, com uma dupla projeção na margem anterior, a
basal rombóide e dotada de longas cerdas e a apical em forma de gancho (fig.
13). Phallus: (figs. 14 e 15) aparelho articular com conetivos ventrais afilados,
bem mais longo do que largos; placas basais envolvendo o terço basal da
phallotheca. Phallotheca piriforme, de comprimento maior que a largura,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
Revisão do gênero Marghita 139
afilando-se para a base, com sua metade apical dilatada; bordo posterior da
phallotheca, em vista ventral, recortado em “U””: vésica bastante volumosa,
apresentando dois grandes pares de processos: um par proximal (processus
vesicae 1) com duas projeções digitaformes, uma menor lateral e outra maior
dorsal, que se apresentam como se fossem braços protegendo a abertura da
phallotheca; ooutro par,. distal, (processus vesicae 2) bastante amplo, as-
semelhando-se às abas de um chapéu, projetado dorsalmente em bico sobre o
gonoporo secundário e latero-ventralmente em braços menbranosos no ápice;
ductus seminis distalis curto, abrindo-se na distância média entre os processus
vesicae 1 e processus vesicae 2; ejaculatory reservoir saculiforme; curso do
ductus seminis ilustrado na figura 16.
Fêmea: comprimento total 16,72 (14,64-18,16); largura abdominal 9,47
(8,24-10,24); cabeça diante dos olhos 1,34 (1,12-1,52); distância interocular
1,81 (1,68-1,92); comprimento da cabeça 2,54 (2,24-2,80); largura da cabeça
3,17 (2,96-3,44); medidas dos artículos antenais: | 1,30 (1,20-1,44); || 1,25
(1,12-1,36); 112,14 (1,76-2,56); IV 2,24 (2,00-2,64); V 2,46 (2,24-2,80). Pronoto:
comprimento 3,45 (3,04-3,84); largura 8,27 (7,20-9,12). Escutelo: comprimento
6,32 (5,60-6,88); largura 5,01 (4,40-5,44).
Genitália: laterotergitos 9 quase igualando os laterotergitos 8; go-
nocoxitos 8 quase tão longos quanto largos, de forma trapezoidal, ângulos
suturais truncados; gonocoxitos 9 de contorno trapezoidal (pseudoesternito),
nos exemplares examinados à seco, a margem anterior formando uma prega
entre estes e as gonapófises 9 (figs. 17e 18). Diâmetro das chitinellipsen bem
menor que o orificium receptaculi. Vias genitais ectodérmicas: ductus recep-
taculi, em sua região anterior à área vesicular, com comprimento cerca de três
vezes o do ductus na região posterior à área vesicular, aí aumentando gra-
dativamente, em diâmetro, em direção à crista anular anterior; capsula se-
minalis semi-globular, os três dentes atingindo a crista anular posterior (fig.
9).
Material-tipo: holötipo © MN, Conceição do Macabu, Rio de
Janeiro, BR, IX.1978, M. Alvarenga leg.; parätipos: 2 MZRS, sem dados; 9
AMNH, Encruzilhada (960 m), Bahia, BR, |X.1972, M. Alvarenga leg.; © MEV,
Viçosa, Minas Gerais, BR, VII, 1938, Snipes leg.; 2 9 MN, Parque Sooretama,
Linhares, Espírito Santo, BR, sem data, D. Zajciw leg.; 9 MN, São Bento, Rio
de Janeiro, BR, 18.X1.1945, Defesa Sanitária Vegetal; © IOC, Itatiaia, Rio de
Janeiro, BR, 22.X1.1943, J. F. Zikân leg.; © IOC, Itatiaia, Rio de Janeiro, BR,
28.X1.1946, J. F. Zikän leg.; 9 IOC, Itatiaia (7/00 m), Rio de Janeiro, BR,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
140 GRAZIA, J. & KOEHLER, R.T.
26.1V.1939, J. F. Zikan leg.; © MN, Corcovado, Rio de Janeiro, Rio de Ja-
neiro, BR, 25.X1.1952, Zajciw leg.; © MN, (BR 116), Rio-São Paulo Km 47, Rio
de Janeiro, BR, 8.XI1.1944, Antenor leg.; @ MN, (BR 116) Rio-São Paulo Km
47, Rio de Janeiro, BR., X1.1944, Wygod. leg.; O MCN 46509, Jarinú, São
Paulo, BR., 11.1944, V. Autuori leg.; 9 MZSP, Ilha da Vitória, São Paulo, BR.,
16-27.111.1964, Expedição Departamento Zoologia leg.; 9? IOC, Fazenda Santa
Maria, Monte Alegre (1100 m), São Paulo, BR, 24-30.X1.1942, Zoppei &
d’Amico leg.; e © DZPR, (Banhado Quatro Barras), Paraná, BR, 28.X1.1970,
Becker & Laroca leg.; Os oO MN, Corupá, Santa Catarina, BR,XI1.1953, A.
Müller leg.; 2 9 MN, Corupá, Santa Catarina, BR., IX.1953e X.1954, A. Müller
leg.;3 © e2 6 LHR, Nova Teutônia (300-500 m, 27º 11'B 52º 23'L), Santa
Catarina, BR., XI1.1970, IX.1973 e 1.1974, F. Plaumanleg.;2 © eo MN, Nova
Teutônia, Santa Catarina, BR., Xl e XI1.1975, F. Plauman leg.; 2 O MN, Nova
Teutônia, Santa Catarina, BR, IX e X1.1974, F. Plauman leg.; é AMNH, Nova
Teutônia, Santa Catarina, BR, 11.1974, F. Plauman leg.; © BM (NH), Nova
Teutônia, Santa Catarina, BR, XI1.19/3, F. Plauman leg.; Q MN Pinhal, Santa
Catarina, BR., 12.11.1940; 2 Q MCN 46510, Vila Oliva, Rio Grande do Sul, BR,
23.11.1950, Q MLP, Delicia, Misiones, Argentina, 19.1X.1967.
Diagnose: M. similima é extremamente semelhante a M. crepuscula
na forma geral do corpo e coloração, distinguindo-se pelos seguintes aspectos:
em M. crepuscula as jugas são arredondadas no ápice e o 1º artículo antenal as
ultrapassa em metade de seu comprimento, enquanto que em M. similima as
jugas são agudas no ápice e o 1º artículo antenal as ultrapassa em um terço de
seu comprimento. O rostro atinge o meio do metasterno em M. similima e em
M. crepuscula alcança a margem posterior do 3º urostergito. As maiores di-
ferenças porem, encontram-se na genitália. Nos machos de M. similima des-
taca-se a presença de um par de processos na margem ventral do pigöforo. Nas
fêmeas, a forma dos gonocoxitos 8 distingue as duas espécies.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos responsáveis pelas coleções entomológicas e, ou, pelo empréstimo de material:
L. H. Rolston (Louisiana State University), J. S. Moure (DZPR), J. Jurberg (IOC), J. C. M. Carvalho
(MN), 'U. Martins (MZSP), M. H. Galileo (MCN). Agradecemos também à Ruth Hildebrand pela cola-
boração prestada e à Miriam Becker e Fernando Dias de Ávila Pires pelas oportunas críticas e contribui-
ções.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
142 GRAZIA, J. & KOEHLER, R.T.
Figs. 1-9. Marghita crepuscula Ruckes, 1964: 1. Pigóforo, vistadorsal; 2. Pigóforo, vista ventral; 3.
Parâmetro direito, vista lateral; 4. Phallus, vista dorsal; 5. Phallus, vista ventral; 6. Phallus, vista lateral; 7.
Placas genitais, vista ventral; 8. Placas genitais com transparência, vista ventral; 9. Laterotergitos, go-
nocoxitos e gonapófises do IX segmento e vias genitais ectodérmicas. (BD = bordo dorsal, CAA = crista
anular anterior, CAP = crista anular posterior, CD = conetivo dorsal, Ch = chitinellipsen, CS = capsula
seminalis, CV = conetivo ventral, DR = ductus receptaculi, DuSmD = ductus seminis distalis, EIV = es-
pessamento da íntima vaginal, EjR = ejaculatory reservoir, G8 = gonapófise 8, G9 = gonapófise 9, Gc8
= gonocoxito 8, Gc9 = gonocoxito 9, GS = gonoporo secundário, La8 = laterotergito 8, La9 = late-
terotergito 9, Me = Membranblase, MV = margem ventral, OR = orificium receptaculi, Par = parä-
metro, PC = processus capitati, PCo = pars communis, PD = processo digitiforme, Ph = phallotheca,
PI = pars intermedialis, Plb = placa basal, PP = processo dos ângulos póstero-laterais do pigóforo, PrPh
= processus phallothecae, PrV| = processus vesicae 1, PrV2 = processus vesicae 2, V = vésica). Valor
das escalas = 1 mm.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
Revisão do gênero Marghita 143
Fig. 10: Margita similima,sp.n., macho.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
144 GRAZIA, J. & KOEHLER, R.T.
Figs. 11-19. Marghita similima, sp. n.: 11. Pigóforo, vista dorsal; 12. Pigóforo; vista ventral; 13.
Parâmetro direito, vista lateral; 14. Phallus, vista dorsal; 15. Phallus, vista ventral; 16. Phallus, vista lateral;
17. Placas genitais, vista ventral; 18. Placas genitais com transparência, vista ventral; 19. Laterotergitos,
gonocoxitos e gonapöfises do IX segmento e vias genitais ectodermicas. Valor das escalas = 1 mm.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (63):133-144, 17 out. 1983
IHERINGIA é o periódico de divulgação de trabalhos científicos inéditos do Museu de Ciências
Naturais, Jardim Botânico e Parque Zoológico da FZB. É publicado em quatro séries: BOTÂNICA,
ZOOLOGIA, ANTROPOLOGIA e GEOLOGIA.
Cada série é editada em fascículos com numeração corrida independente, podendo conter um ou
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O periódico em seu todo ou cada uma das séries individualmente é distribuído a Instituições con-
gêneres em regime de permuta. Mediante entendimento prévio pode também se enviado a cientista e
demais interessados.
IHERINGIA is the official scientific periodical of the “Museu de Ciências Naturais”. Its aim is the
publishing of reports elaborated by the scientific staff of the three joining Instituts of “Fundação Zoo-
botânica do Rio Grande do Sul”, the Museum of Natural Sciences, the Botanical Garden and the Zoo-
logical Park.
Articles from other national and foreign Institutions researchers may be accepted. Emphasis is given
to articles dealing with the flora, the fauna and the natural resourses of Rio Grande do Sul State.
IHERINGIA is issued in four series, Botany, Zoology, Anthropology and Geology. Each series is is-
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changing basis and may also be available to scientists and other interested parties on previours arran-
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2. Terão prioridade os artigos dos pesquisadores do Museu de Ciências Naturais, Jardim Botânico e Par-
que Zoológico da FZB. A juizo, podem ser aceitos artigos de pesquisadores de Instituições nacionais
ou estrangeiras cujas investigações versem preferencialmente sobre assuntos relacionados à flora,à
fauna e os recursos naturais do Rio Grande do Sul.
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geira (alemão, inglês, espanhol, italiano e latim) devem ter, obrigatoriamente um resumo em portu-
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7. O título geral do trabalho, o nome do autor, os eventuais subtítulos bem como as palavras latinas ou
gregas usadas no texto devem ser sublinhados com um traço reto.
8. Os nomes de autores que seguem os nomes genéricos, específicos, ou outros devem ser escritos em
caixa baixa e os que dizem respeito a referências bibliográficas em CAIXA ALTA.
9. As referências bibliográficas deverão estar dispostas em ordem alfabética e cronológica, dentro das
normas da NB-66 da ABNT, salvo a indicação do ano de publicação que deverá seguir o nome do
autor, obedecendo a seguinte ordem de elementos:
a) Para artigos de periódicos: sobrenome do autor seguido das iniciais do(s) prenome(s), ano do
trabalho, título do trabalho, nome do periódico (sublinhado com um traço reto e abreviado de acor-
do com 6 “World List of Scientific Periodicals”) local, volume (em algarismos arábicos e subli-
nhado), número ou fascículo (entre parênteses) seguido de dois pontos, página inicial e final.
Ex.: FRENGUELLI, J. 1925. Diatomeas de los arroyos del Durazno y en las Brusquitas en los
arredores de Miramar. Physis. Buenos Aires, 8(29):19-79. set. 2 est.
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(sublinhado com Uumtraço reto), edição (em número arábico, seguido de ponto e da abreviatura no
idioma da edição), local, editora número de páginas (seguida de p.), número de volumes (seguida
de v.) ou então, páginas consultadas ounúmero do volume consultado (precedidos de p. ev. res-
pectivamente).
Ex. SANTOS. E. ''1952. Da ema ao beija-flor. 2.ed. rev. ampl. Rio de Janeiro, F. Briquiet. 335p.
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CONSELHO EDITORIAL
Adão José Cardoso — Universidade Estadual de Campinas
Campinas, Brasil
Adolfo Beltzer — Instituto Nacional de Limnologia
Santa Fé, Argentina
Alceu Lemos de Castro — Museu Nacional do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Brasil
. Ana Timótheo da Costa — Museu Nacional do Rio de Janeiro,
Rio de Janeiro, Brasil
Argentino Bonetto — Centro de Ecologia Aplicada del Litoral
Corrientes, Argentina
Arnaldo C. dos Santos Coelho — Museu Nacional no Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Brasil
Enrique H. Bucher — Centro de Zoologia Aplicada
Cordoba, Argentina
Fernando da Costa Novaes — Museu Paraense, Emilio Goeldi
Belém, Brasil
Fernando D. de Avila Pires - UFRGS
Porto Alegre, Brasil
José C. de Melo Carvalho — Museu Nacional do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Brasil
José Felipe Ribeiro Amato — Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, Brasi!
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São Paulo, Brasil
José Luiz Leme — Museu de Zoologia da USP
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José M. Cei
Cascais, Portugal
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São Carlos, Brasil
Julio Rafael Contreras — Centro de Ecologia Aplicada del Litoral
Corrientes, Argentina
Luiz Dino Vizotto — Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho
São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil
Marcos A. Freiberg
São Francisco, California, E.U.A.
. Maria Elena Galiano — Museu Argentino de Ciências Naturales Bernardino Rivadavia
Buenos Aires, Argentina
Newton Castagnolli — Coordenadoria de Pesquisa de Recursos Naturais.
São Paulo, Brasil.
Paul Müller — Universitat des Saarlandes
Saarbrücken, Alemanha
Petrönio Alvez Coelho — Universidade Federal de Pernambuco
Pernambuco, Brasil.
Raymond F. Laurent — Fundación Lillo
Tucuman, Argentina
Renato Contin Morinoni — Universidade Federal do Paraná
Paraná, Brasil.
. Sylvia M. Lucas — Instituto Butantan — Seção de Artrópodes Peconhentos
Säo Paulo, Brasil.
Ubirajara R. Martins — Museu de Zoologia da USP.
São Paulo, Brasil.
Wladimir Lobato Paraense — Instituto Oswaldo Cruz.
Rio de Janeiro, Brasil.
Walter Narchi — Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo
São Paulo, Brasil
Werner Bokermann — Fundação Parque Zoológico de São Paulo,
São Paulo, Brasil.
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174
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heringia
série Zoologia
| Ki BL ISSN 0073-4721
MENEGHETI, J. ©. Acasalamento em Nothura maculosa (Tem-
minck, 1815) (Aves, Tinamidae) duração, período, magnitude e
ERROR eo aa DE Re Re CR N Spa nr proa e De, - 03
TROIS, C. A. A. Strepsiptera ER I. Nova espécie de
Paraxenos Saunders, 1872 e a descrição do macho de Bra-
sixenos bahiensis Kogan & Oliveira, 1966 (Insecta, Stylopidae) p. 15
TROIS, C. A. A. Strepsiptera brasileiros. Ill. Duas novas espécies
de Stylopidae (Insecta) parasitas de REST (Insecta, Hy-
RR CA N EIERN SS, END 2
THOME, J. W. Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropi-
cais: Ill. Redescrição de 5 espécies, com base no exame dos
tipos depositados no “Naturhistoriska Rikmuseet”” de Estocol-
RR NR E ETR e Ra RS O NS OD oe sia SO BL Gio TSE Dr 29
BELTZER, A. H. Alimentaciön de Phaetusa simplex (Gmelin, 1789)
(Aves, Sternidae) en el valle aluvial del rio Parana medio, Ar-
Ig CSS Ve SS N RE N en. p. 47
LEMA, T. de Sobre o gênero Flapomorphus RR 1843
(Serpentes, Colubridae, Elapomorphinae) ........ we RE DE" 53
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(Coleopterã, Cerambycidae, Parandrinae): Estudo fenético e
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Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
E,
| º Publicado com auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Processo: 40.5309/83
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ZOOBOTÁNICA i Br : :
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Acasalamento em Nothura maculosa (Temminck, 1815) (Aves,
Tinamidae) duração, período, magnitude e sua variação*
João Oldair Menegheti**
RESUMO
Usou-se o termo acasalamento segundo acepção proposta por DAVIS (1955) que inclui pelo
menos duas fases: o pareamento e a cópula. Pode incluir também a corte nupcial que se situa entre
as duas mencionadas.
O método consistiu em registrar os indivíduos de Nothura maculosa (Temminck, 1815) que
levantavam vôo em duplas, forçados pela atividade de um cão Pointer. Usou-se a proporção dos que
levantaram em dupla, bem como a razão de abundância. Adotou-se também, como indicador qua-
litativo, a emissão do tipo de canto.
O período de observação sistemática foi de abril de 1979 a julho de 1980 e esporádica até
novembro de 1981.
Verificou-se em cinco duplas capturadas que efetivamente eram casais.
Praticamente, o acasalamento teve expressão estatística de setembro a dezembro, sendo que a
moda foi obtida em outubro.
ABSTRACT
In the present study, mating was considered in the sense proposed by DAVIS (1955). It in-
cludes at least two stages for the breeding process: pairing and coitus. It may also include courtship.
Individuals of Nothura maculosa (Temminck, 1815) were compelled to fly by the activity of a
Pointer dog. Records were taken of those flying in couples. The proportion of individuals that fly in
couple was used as a qualitative indicator also.
The observation period extended from April 1979 to November 1981.
Mating had statistical significance from September to December, the mode occurring in Oc-
tober.
INTRODUÇÃO
O termo acasalamento adotado neste trabalho, segundo nomenclatura
usada por DAVIS (1955), inclui em sua acepção duas fases sucessivas na
reprodução, o pareamento e a cópula. Pode haver ainda uma terceira fase: a
corte nupcial que se situa cronológicamente entre as duas já mencionadas.
O pareamento significa o estabelecimento de um laço psicológico entre o
macho e a fêmea. Tipicamente, o pareamento se dá após o macho ter es-
tabelecido seu território. Em Nothura maculosa (Temminck, 1815) WEEKS
(1973) verificou que há um comportamento específico e preparatório para a
* Aceito para publicação em 23.VIl.1983. Contribuição FZB nº 290.
** Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MC-
N), Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
4 MENEGHETTI, J. O.
cópula. Entretanto, não se sabe se alcançaria o nível de elaboração exigido
para a aplicação do termo corte nupcial.
Segundo RICKLEFS (1974), antes da postura do primeiro ovo, os in-
divíduos engajam-se em atividades que incluem estabelecimento do território
e sua defesa, O pareamento, eventualmente, corte nupcial e cópula, e a
construção do ninho. Estas atividades são cruciais à reprodução, mas não
estão diretamente envolvidas na relação pai-descendente quando do cuidado
de prole. Todas elas porém, têm sua importância porque vão repercutir pos-
teriormente. A territorialidade influencia na programação do uso de tempo
do macho, a construção do ninho interfere na economia de energia durante
a incubação, para manter a temperatura. A consciência da importância des-
tas atividades preliminares tem-se desenvolvido só recentemente. Em pri-
meiro lugar, pensava-se que exerciam influência direta irrelevante no sucesso
dos pais em criar seus filhos e, em segundo lugar, porque é difícil fazer-se
estudos especialmente quantitativos desta fase.
Pela observação realizada neste trabalho, não há como identificar em
qual das fases já mencionadas, estaria o casal. Assim, optou-se em usar O
termo acasalamento porque é mais abrangente.
No processo de reprodução, o acasalamento é o primeiro momento.
Portanto, a determinação do limite inferior do período de reprodução é feita
com o início do processo de acasalamento. ROSENE (1969) estudando
Colinus virginianus (Linnaeus, 1758) antecipa mais ainda este limite ao con-
siderá-lo como correspondente ao primeiro canto nupcial emitido pelo
macho.
As informações sobre o acasalamento foram obtidas principalmente
baseando-se no conhecimento de que N. maculosa é uma espécie que tem
hábito solitário (SERIE & SMITH, 1923; R.D. 1923; HUDSON, 1928; LIE-
BERMAN, 1936; BUMP & BUMP, 1969). Segundo LANCASTER, 1964, esta
é uma particularidade constatada também entre outras espécies de tina-
mídeos, como em Crypturellus boucardi (Sclater, 1859). Isto é válido apenas
para o período de repouso gonadal, já que durante a reprodução é comum
encontrar-se indivíduos distribuídos em casais, o que pode ser utilizado para
delimitar o perído e a intensidade com que se dão os acasalamentos.
O estabelecimento da curva de acasalamento, especialmente a época
em que se da a moda é de grande importância para a ecologia da repro-
dução da espécie. Entre outros aspectos, esta moda deve deslocar-se para
etapas sucessivas de reprodução como a moda da postura, a da incubação,
a da natalidade e a do recrutamento. Por outro lado é importante frisar que
os dados de acasalamento obtidos no início do perído de reprodução dão in-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
Acasalamento em Nothura maculosa... 5
dicações pouco confiáveis sobre a quantificação de filhotes nascidos no
início do processo de reprodução. O pareamento, no início, tem caracteris-
ticas tais que tornam fraca a relação entre machos e fêmeas. Isto repercute
sobre o número dos primeiros filhotes que nascem na estação de repro-
dução. GENELLY (1955) trabalhando com Lophortyx californicus (Shaw,
1798) verificou que durante a estação de reprodução, o grau de acasalamen-
to varia. No início, os indivíduos que compõem o casal não são encontrados
juntos todo o dia, o que ocorre após algum tempo. Por outro lado, o mesmo
autor verificou que o aumento do grau de associação de um par estava es-
treitamente relacionao ao aumento da agressividade dos machos não pareados
que estavam pelos arredores. Outros autores mencionam também esta frouxa
relação entre machos e fêmeas no início da estação. WEEKS (op. cit.) em ob-
servações feitas com ARhynchotus rufescens, (Temminck, 1815) comenta que
nas primeiras cópulas da estação ocorre, normalmente, uma inaptidão para a
cópula. O mesmo autor observou cópula em N. maculosa, em cativeiro. Este
trabalho pretende informar a respeito do período em que ocorre o acasalamen-
to e a variação de suas intensidades.
MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi desenvolvido na Estação Experimental Agronômica da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, situada no município de Gualba (30º01'53"'S e 51°13'19’’W); e numa propriedade rural
situada no município de Butiá (30º06'47"'S e 51°57'10'’W) (Fig. 1).
Fez-se também observações sobre N. maculosa em Aceguá, Cachoeira do Sul, Alegrete e
Uruguaiana.
O período de observações de campo compreendeu os meses de abril a dezembro de 1979, ex-
ceto maio; de janeiro a julho de 1980, exceto março e abril; e, esporadicamente, até novembro de
1981.
Os dados obtidos nos dois locais de observação foram agrupados por não haver significativa
diferença estatística entre as séries de um e outro local.
Para obtenção de parte dos dados, usou-se um cão da raça Pointer treinado para a detecção e
levante de N. maculosa.
Basicamente, o método consistiu em registrar, de forma especial, os indivíduos de N. maculosa
que levantaram vôo em pares, e que se verificou que constituiuam casais. A partir destes dados, e
com o objetivo de quantificar a intensidade de acasalamento, adotaram-se dois critérios. O primeiro
refere-se à proporção de indivíduos levantados em pares. Para o cálculo desta proporção, tomou-se o
número de indivíduos levantados em pares e dividiu-se pelo número total de indivíduos levantados. O
segundo critério refere-se à razão de abundância de pares de indivíduos. A razão de abundância
corresponde ao quociente entre o número de indivíduos levantados em pares e o tempo gasto para
obter este número. O objetivo de se usar dois critérios de quantificação foi de poder comparar as
variações ocorridas entre os dados de um e os de outro.
Paralelamente, registrou-se também época e hora do dia em que se dava a emissão do canto
que coincide com o período de atividade gonadal de N maculosa. Não houve preocupação de quan-
tificar o canto, desta forma, seu aproveitamento como informação, tem caráter qualitativo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para verificar se realmente indivíduos levantados em duplas constituem
um macho e uma fêmea, fez-se esta determinação em cinco duplas. Como
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
6 MENEGHETI, J.O.
N. maculosa não apresenta dimorfismo sexual detectável com facilidade, foi
necessário sua captura para a identificação dos sexos. Em dois de julho de
1981 verificou-se que a dupla era formada por um macho e uma fêmea. No
mesmo dia constatou-se a ocorrência de outros três indivíduos juntos, um
macho e duas fâmeas. Os cinco indivíduos capturados nesie dia não
apresentavam condições para a reprodução. Os machos tinham o pênis ain-
da vermiforme, o que não lhes dá condição de copular. As fêmeas não ti-
nham o oviduto e nem os ovócitos em desenvolvimento, de tal forma que
foi possível identificá-las como virgens, o que só é possível quando o pri-
meiro ainda não está se desenvolvendo para a reprodução (MENEGHETI, no
prelo). Posteriormente outras três duplas foram capturadas, em sete de
agosto, dezesseis de setembro e dez de novembro de 1981. Estas duplas
eram constituídas de uma fêmea e um macho. Na primeira dupla, o macho
já tinha o pênis apto para a cópula e a fêmea tinha o oviduto ainda pouco
desenvolvido, tanto que foi possível identificar que não era uma fêmea vir-
gem, o ovócito maior media 4,65mm, Na segunda dupla, o macho também
estava apto para a cópula e a fêmea tinha o oviduto já bem desenvolvido e
dois ovócitos já no oviduto que mediam aproximadamente 19mm e 22mm.
Na terceira dupla, o macho estava com o pênis e os testículos bem desen-
volvidos e a fêmea tinha um ovo no final do oviduto e 4 folículos ovulados.
A proporção do levante em pares de indivíduos de N. maculosa, pela
atividade do cão, pode fornecer indicações sobre o período e a magnitude
do acasalamento. Entretanto, deve-se salientar que a ocorrência de levantes
de N. maculosa em duplas deu-se durante todo o período de observação (13
meses).
A proporção de indivíduos levantados em pares e sua variação durante
o período de observação podem ser vistos na figura 2. Pela análise da figura
nota-se que a moda de acasalamento deu-se em outubro sendo que as
proporções de setembro e dezembro são semelhantes e próximas àquela ob-
tida em outubro. No mês de novembro ocorreu uma ruptura de tendência
que pode ser atribuída possivelmente a erro de amostragem. Os demais
meses, além destes já mencionados, formam duas caudas cujas proporções
são bem inferiores. Há uma brusca elevação da proporção de pares entre
agosto e setembro de 0,217 a 0,391, que corresponde a um aumento in-
questionável de aproximadamente 80%. Por outro lado, o oposto ocorre en-
tre dezembro e janeiro, porque entre os dois meses houve uma brusca
queda da proporção de pares de 0,390 a 0,185, que corresponde a uma
redução de aproximadamente 52,7%.
Observando-se a figura 2, dividiram-se as proporções obtidas em cada
mês em três grupos. Fazem parte do primeiro grupo as proporções obtidas
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
Acasalamento em Nothura maculosa... 7
em junho, julho e agosto; do segundo grupo aquelas proporções obtidas em
setembro, outubro, novembro e dezembro. Finalmente do terceiro grupo
fazem parte as proporções obtidas em janeiro, fevereiro, maio, junho e julho.
Os meses do primeiro e do segundo grupo são de 1979 enquanto que os do
terceiro são de 1980. Para o tratamento estatístico dos dados, usou-se estes
três grupos.
A tabela | discrimina os meses, o número total de indivíduos de N.
maculosa levantados em cada mês e as proporções correspondentes aos
pares de indivíduos.
Tabela |: Proporção de indivíduos de N. maculosa que estavam em
duplas.
MÊS TOTAL DE INDIVÍDUOS PROPORÇÃO DE DUPLAS
abril/79 59 0,339
junho 76 0,132
julho 67 0,209
agosto 175 0,217
setembro 87 0,391
outubro 47 0,426
novembro 61 0,274
dezembro 41 0,390
janeiro/80 65 0,185
fevereiro 91 0,139
maio 98 0,204
junho 77. 0,130
julho 43 0,186
Calculou-se o qui-quadrado para todas as proporções obtidas sem con-
siderar ainda os grupos mencionados anteriormente. O valor foi igual a
44,61. O qui-quadrado detabela para 11 graus de liberdade para o nível de
significância de 0,001 foi de 31,26. Portanto, para este nível hä diferença
significativa entre estas proporções. Considerando-se as proporções agru-
padas, calculou-se o qui-quadrado que foi igual a 24,68 para verificar se
havia diferença entre os grupos. O qui-quadrado de tabela para 2 graus de
liberdade e para o nível de significância de 0,001 é igual a 13,82. Portanto,
há diferença significativa entre os três grupos de proporções.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
8 MENEGHETI, J.O.
A seguir, calculou-se o qui-quadrado em cada grupo para verificar se
haveria diferença significativa ou não das proporções dentro do grupo
(Tabela ||).
Tabela Il: Resultados dos testes de significância aplicados em cada
grupo de proporções de N. maculosa em pares.
Grupos Qui-quadrado Número Graus Nível de Qui-Quadrado Decisão
Proporções Calculado Liberdade Significância Tabela
| 2,28 2 0,3 2,41 Aceita-se Ho
|| 3,70 & 0,2 4,64 Aceita-se Ho
I 1,94 4 07 2,20 Aceita-se Hg
A anälise dos dados da tabela 1 indica para os 3 grupos de proporcöes
a mesma conclusäo, ou seja: näo hä diferenca significativa entre as propor-
cöes de cada grupo.
A seguir, procurou-se identificar quais dos três grupos eram diferentes
entre si, comparando-os dois a dois (Tabela Ill).
Tabela Ill: Resultados dos testes de significância aplicados entre
grupos de proporções de N. maculosa em pares.
Qui-Quadrado Número Graus Nível de Qui-Quadrado
Cotejos Calculado Liberdade significância Tabela pecado
Grupo | x Grupo Il 26,46 6 0,001 22,46 Rejeita-se Ho
Grupo Il x Grupo Ill 37,26 8 0,001 26,12 Rejeita-se Ho
Portanto, as proporções obtidas em junho, julho e agosto em 1979 não
são significativamente diferentes das proporções obtidas em janeiro, feve-
reiro, maio, junho e julho de 1980. Por outro lado, cada um destes conjuntos
de proporções é significativamente diferente das proporções obtidas em
setembro, outubro, novembro e dezembro.
A análise estatística confirma que no conjunto de meses correspon-
dentes a setembro, outubro, novembro e dezembro, as proporções de
duplas são significativamente maiores que nos demais meses de observação.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
Grupo | x Grupo III 6,69 7 0,3 8,38 Aceita-se Ho
Acasalamento em Nothura maculosa... 9
Praticamente pode-se dizer que o acasalamento tem expressão quantitativa
nos 4 meses mencionados anteriormente.
Ao comparar-se as proporções de indivíduos em duplas e as razões de
abundância de duplas, verificou-se que nas figuras 2 e 3 os padrões de
variação são bastante semelhantes entre si. As diferenças situaram-se nas
variações ocorridas entre setembro e outubro de 1979 que são bem maiores
no índice de abundância de duplas, e também entre junho e julho de 1980.
(Tabela IV).
Tabela IV: Razões de abundância de indivíduos de N. maculosa obser-
vados em duplas.
MÊS TEMPO DE ATIVIDADE | RAZÃO DE ABUNDÂNCIA
abril/79 4h07min 4,86
junho 3h46min 205
julho 2h15min 1,28
agosto 6h25min 2,96
setembro 4h40min 3.43
outubro 1h48min un
novembro 2h43min 5,15
dezembro 1h48min 8,89
janeiro/80 4h27min 2,70
fevereiro 3h04min 3,26
abril 3h28min 4,62
maio 5h08min 3,90
junho 1h5fmin 2,16
julho 1h39min 8,48
BURGER-MARQUES, 1981
(Comunicação pessoal) estudando a va-
ração de volume dos testículos de N. maculosa verificou que os maiores
foram observados entre novembro de 1980 e janeiro de 1981. Sabe-se que
ha uma relação entre o volume do testículo e o número de túbulos semi-
niferos que contém e ainda o diâmetro do túbulo. Certamente, entre novem-
bro e janeiro os machos estavam aptos à reprodução. Apesar da diferença
de observações ser de um ano, percebe-se que há uma diferença de um mês
entre o período maior de acasalamento e o período em que os machos estão
mais aptos à reprodução. É compreensível esta diferença que corresponde
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
10 MENEGHETI, J.O.
ao tempo de retardo, já que o acasalamento como já foi citado, inclui tam-
bém o pareamento. Este que já se inicia no fim do inverno é como se fosse
um ensaio para as cópulas que virão posteriormente, já que foram capturados
casais no fim do inverno, quando os machos estavam com o pênis vermifor-
me e as fêmeas sem o oviduto desenvolvido. Assim, ambos os sexos ainda
sem condição para a cópula.
Conforme MENEGHETI (1981), a emissão de canto que coincide com a
atividade gonadal, durou, aproximadamente, 10 meses.
O fato de haver emissão de canto ainda no final do inverno não causa
surpresa tendo em vista observações feitas em 1979 e 1980 (MENEGHETI,
op.cit.).,
Entre os machos as observacöes de final de julho em 1979 e 1980
apresentam percentuais semelhantes (18,0%, 20,5%) e maiores do que em
junho em que o percentual é baixo (9%). No caso das fêmeas, os registros
são mais irregulares, uma vez que o ovário tem desenvolvimento rápido, de
tal forma que um dado momento, uma destas gônadas que esteja pouco ou
nada desenvolvida, pode rapidamente tornar-se apta à reprodução. Os tes-
tículos, são em geral melhores indicadores sobre o período de reprodução
em aves, pois que seu desenvolvimento dá-se de forma lenta e gradativa.
Para se verificar se estava ou não desenvolvido, usou-se o volume como in-
dicador.
O período absoluto de reprodução, parece ser difícil de determinar,
pois que há atividade sexual fora do período regular entre alguns indivíduos
dei N. maculosa. É possível que, como os registros foram obtidos em di-
ferentes anos, haveria influência do comportamento climático sobre a es-
pécie, o que determinaria diferenças nos períodos de reprodução. Como
exemplo deste comportamento sexual irregular, citam-se os seguintes fatos:
foram constatadas duas fêmeas com grandes ovócitos em 29 de julho de
1979, cinco fêmeas em 30 de junho de 1980 e duas em 27 de julho de 1980.
Os locais de origem foram respectivamente Aceguá e Cachoeira do Sul para
as duas primeiras; Alegrete para as cinco segundas; e Alegrete e Uruguaiana
para as duas terceiras. Estas observações estariam a indicar a probabilidade
de ocorrer reprodução durante o período em que,se presume, haja repouso
gônadal. É importante mencionar que deve-se ter muita cautela ao usar este
tipo de registro para estabelecer-se um intervalo de reprodução, já que as
fêmeas de pelo menos algumas espécies de aves podem reabsorver o
ovöcito.
Filhotes pequenos com recém adquirida capacidade de vôo foram cons-
tatados em 23 de abril de 1978 em rosário do Sul e em 14 de junho de
1979, em Guaíba. Tinham de um a dois meses de idade. Portanto, o pri-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
Acasalamento em Nothura maculosa... 11
meiro teria nascido entre fins de fevereiro e de março, enquanto que o
segundo teria nascido entre fins de março e de abril. Saliente-se que estas
foram as únicas observações feitas de ocorrências de filhotes fora da época
considerada como normal, tendo em vista que desde 1977 vem se fazendo
observações de campo. SERIÉ (1921) narra que encontrou vários filhotes de
N. maculosa, bem como um ninho com três ovos, em 27 de março. Os
filhotes tinham alguns dias pela descrição do autor. Por tudo isso pode-se
concluir que há eventualmente reprodução fora do período esperado, mas a
frequência é baixa.
AGRADECIMENTOS
O autor agradece aos Diretores da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e Museu de Ciên-
cias Naturais, respectivamente médico veterinário Heraclides Santa Helena e biólogo Gilberto Carvalho
Ferraz, pelo apoio prestado. E grato também a bióloga Maria Inês Burger Marques pela colaboração no
trabalho de campo e pela revisão do texto. Pelo último motivo agradece também às biólogas Marta Fabián
e Tania Arigony. Agradece a Rejane Rosa pelos desenhos.
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
12 MENEGHETI, J.O.
Fig. 1: Depressão Central e respectivos municípios (Rio Grande do Sul) onde foram efetuadas
observações, sobre o acasalamento de Nothura maculosa (Temminck, 1815); 1. Butiá, 2. Gualba, 3.
Barra do Ribeiro.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
Acasalamento em Nothura maculosa... 13
0,4992
0,4680
0,4368
0,4056
0,3744
0,34 32
0,3120
0,2808
0,2496
0,2184
E E E
0,1560
Proporção de N.maculosa em duplas
0,1248
0,0936
0,0624
0,0312
ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL
1979 1980 MESES
Fig. 2: Proporções de duplas de Nothura maculosa (Temminck, 1815) observados e sua va-
riação anual entre abril de 1978 a julho de 1980.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
14
12,00
10,00
a
Razoes de abundância
8,00
4,00
JUN
JUL
AGO SET
393729
OUT
NOV
MENEGHETI, J.O.
Fig. 3: Razöes de abundäncia de duplas de Nothura maculosa (Temminck, 1815) e sua variagäo
entre abril de 1979 a julho de 1980.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):3-14, 25 jun. 1984
Strepsiptera brasileiros: Il. Nova espécie de Paraxenos Saunders,
1872 e a descrição do macho de Brasixenos bahiensis Kogan
& Oliveira, 1966 (Insecta, Stylopidae)*
Cesar A. C. Trois**
RESUMO
Paraxenos bucki, sp. n., ocorrente no Brasil, distingue-se de P. taschenbergi (Brethes, 1922),
da Argentina, por apresentar a membrana cefalotoräcica limitada pelas mandíbulas, pela posição dos
espiráculos metatorácicos e por estilopizar hospedeiros diferentes.
ABSTRACT
Paraxenos bucki, sp. n., described from Brazil, it may be distinguished of the closely related
species, P. taschenbergi (Brethes, 1922), from Argentina, by the cephalothoracic membrane limited by
the mandibles, the position of the metathoracic spiracles and by the different host specie .
INTRODUÇÃO
No gênero Paraxenos estão incluídas três espécies com ocorrência as-
sinalada no Brasil: P. westwoodi (Templeton, 1841) que foi descrita com
base em material coletado no Rio de Janeiro, originalmente incluída no
gênero Xenos Rossius, 1/93 e transferida posteriormente para vários gê-
neros. A segunda espécie, P. piercei (Brethes, 1922) foi descrita de La Rioja
(Argentina), originalmente incluída no gênero Ophthalmochlus Pierce, 1909 e
registrada no Brasil por OLIVEIRA & KOGAN (1959). A terceira espécie, P.
inclusus (Oliveira & Kogan, 1963) descrita do Estado do Espírito Santo, foi
originalmente incluída no gênero Pseudoxenos Saunders, 1872.
Essas espécies foram transferidas para o gênero Paraxenos por KIN-
ZELBACH (1971), assim como outras cinco espécies parasitas de marimbon-
dos e distribuídas pela Região Neotropical: P. argentinus (Brethes, 1922), P.
fuliginosi (Brêthes, 1922), P. mendonzae (Brêthes, 1922), P. striati (Brethes,
1922) e P. taschenbergi (Brêthes, 1922), descritas da Argentina.
Brasixenos bahiensis foi descrita por KOGAN & OLIVEIRA (1966) com
base em material coletado na Bahia, referente à fêmea e triungulinos obtidos
* Aceito para publicação em 16.1.1984.
** Engenheiro-Agrônomo, Professor-Assistente na Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia,
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 143, 97500, Uruguaiana, RS,
Brasil.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):15-21, 25 jun. 1984
16 TROIS, C.A.C:
parasitando Polybia ignobillis (Haliday, 1836). Posteriormente, HOFLING &
MACHADO (1979) citaram a ocorrência de machos, fêmeas e triungulinos
em ninhos de vespas dessa espécie no município de Rio Claro, São Paulo.
O gênero Brasixenos Kogan & Oliveira (1966) ainda é formado por
outras seis espécies: B. acinctus Kogan & Oliveira, 1966; B. araujoi (Oliveira
& Kogan, 1962); B. brasiliensis Kogan & Oliveira, 1966; B. fluminensis
Kogan & Oliveira, 1966; B. occidentalis Kogan & Oliveira, 1966; e B. zikani
Kogan & Oliveira, 1966. Das espécies de Brazixenos que ocorrem no Brasil,
apenas B. araujoı toi citada por KINZELBACH (1971) como ocorrente no
Panamá.
MATERIAL E MÉTODO
O material estudado constou de: uma fêmea do gênero Paraxenos Saunders, 1872; um macho,
três fêmeas e doze pupas de machos de Brasixenos bahiensis Kogan & Oliveira, 1966, que se encon-
tram depositados na Coleção FAGR, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre.
Também foi examinada a série-tipo de B. bahiensis formada por uma fêmea e dezenas de triun-
gulinos, que se encontra depositada na Coleção FIOC, Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Rio de
Janeiro.
A fêmea de Paraxenos, o macho e as fêmeas de B. bahiensis foram preparados e montados em
lâminas para microscopia segundo a técnica proposta por TROIS (1982); as ilustrações foram reali-
zadas em câmara clara acoplada a microscópio óptico e sem correções de assimetria. As medidas es-
tão expressas em milfmetros.
Paraxenos bucki, sp.n.
(Figs. 1-4)
Fe m ea: Cefalotórx de contorno sub-ovolar; ligeiramente mais
largo do que longo, alargado ao nível dos espiráculos e constrito na base.
Coloração castanho-clara da base ao nível dos espiráculo, e castanho-escura
desde o nível dos espiráculos até a membrana cefalotoräcica; esta é estreita,
não atingindo as margens do cefalotórax e limitada pelas mandíbulas. Es-
clerito hipofaringeal com a margem anterior côncava e a posterior retilinea.
Abertura bucal conspícua, evidenciada por uma ligeira depressão que
apresenta a margem anterior formando aproximadamente um ângulo reto.
Mandibulas com margem anterior côncava, margem externa quase retilinea,
terminando em uma projeção arredondada na ponta; a margem interna
sinuosa termina em um dente ligeiramente curvo e agudo na ponta, um
pouco mais longo do que a projeção da margem externa. Espiráculos me-
tatorácicos encaixados em sulcos laterais que iniciam logo além dos limites
cefálicos. Margem torácica da abertura genital bem quitinizada em relação às
demais áreas do cefalotórax. Tegumento torácico finamente enrrugado após
a constrição basal.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):15-21, 25 jun. 1984
Strepsiptera brasileiros: Il. ... 17
Medidas principais. Cefalotórax: comprimento 1,13; largura na base
1,05; largura entre os espiráculos 1,16; largura maior 1,18; distância dos es-
piráculos à extremidade da cabeça 0,67. Cabeça: comprimento na linha
mediana 0,14; comprimento maior 0,41; largura ao nível da membrana
cefalotorácica 0,47; distância entre as mandíbulas 0,28.
Abdômen: cerca de três vezes mais longo e duas vezes mais largo do
que o cefalotórax, com três túbulos genitais.
Hospedeiro: Ammophila sp. (Hymenoptera, Sphecidae).
Material-tip o: BRASIL: Rio Grande do Sul, Montenegro, holótipo Q FAGR
0031, IV.1932, Pe. Pio Buck leg.
Etimologia: o nome específico foi dado em homenagem
ao entomólogo sul-riograndense Pe. Pio Buck, iniciador da Coleção de In-
secta do Museu Anchieta, Porto Alegre, na qual se encontrava depositado o
material, doado e atualmente depositado na Coleção FAGR.
Dainsze russ sã o: P.- bucki, spin: pode-ser.confundida- com: R;
inclusus por também estilopizar marimbondos do gênero Ammophila Kirby,
1798; distingue-se desta espécie através do exame microscópico do formato
das mandíbulas: no holótipo fêmea da primeira espécie com margens an-
teriores côncavas e dentes ligeiramente curvos e pontiagudos; no holótipo
fêmea da segunda espécie (FIOC 0054) as mandíbulas são mais largas do
que longas, as margens anteriores quase retilineas e os dentes retos. Os es-
piraculos metatoräcicos, caracteres secundários, em P. bucki, sp.n., são en-
caixados em sulcos laterais e em P. inclusus são marginais.
Pelo formato das mandíbulas assemelha-se ainda a P. taschenbergi. No
entanto, nesta espécie, segundo BRETHES (1922), o dente não é mais longo
do que a projeção da margem externa, a membrana cefalotorácida não é
limitada pelas mandíbulas, os espiráculos estão situados a mia distância en-
tre os prolongamentos cefálicos e a base do cefalotórax, e o hospedeiro é
Neosphex pumillio (Taschenberg, 1869).
Brasixenos bahiensis KOGAN & OLIVEIRA, 125
(Figs. 5-14)
Brasixenos bahiensis KOGAN & OLIVEIRA, 1966:353, figs. 44-7, HOFI ING & MACHADO,
1979:687.
Xenos (Brasixenos) bahiensis: KINZELBACH, 1971:170.
Xenos bahiensis: CARVALHO, 1978:354.
M ac h o: Coloração geral: antenas, olhos compostos, asas an-
teriores e tórax castanho-escuros; cabeça, pernas e abdômen castanho-
claros; asas posteriores hialinas.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):15-21, 25 jun. 1984
18 TROIS, C.A.C.
Cabeça: largura maior 0,99; Largura entre os olhos (linha anterior)
0,46; (linha mediana) 0,44; (linha posterior) 0,44. Olhos com cerca de 25
omatídios em vista dorsal, microtríquias inter-omatidiais curtas e densas.
Tubérculo frontal ligeiramente arredondado na fronte, excedendo-se à linha
anterior dos olhos; esclerito pós-frontal semi-eliptico, excedendo-se ligei-
ramente entre a base das antenas. Área epicraniana aparentemente unifor-
me. Mandíbulas longas e delgadas, achatadas, agudas nas pontas e ultra-
passando a abertura bucal. Corpos maxilares muito curtos; palpos maxilares
quase tão longos quanto as mandíbulas, angulosos na porção mediana, es-
treitados na base e no ápice, e inteiramente recobertos por cerdas diminutas
regularmente distribuídas. Antenas com os dois primeiros artículos aparen-
temente sem estruturas sensitivas; o terceiro artículo e o flabelo, mais o
quarto artículo recobertos por sensilas placóides circundadas por microtri-
quias; comprimento dos artículos antenais: | e Il juntos 0,08; Ill (com flabelo)
1,06; IV 1,08; o flabelo do terceiro artículo atingindo cerca de 6/7 do com-
primento do quarto artículo.
Tórax: protórax estreito, de aparência bilobada devido às projeções do
pró-noto; acrotergito de formato aproximadamente pentagonal. Mesotórax
também estreito; escutos do pró-noto formando uma cinta em torno do
acrotergito; pós-noto prolongado lateralmente em ambos os lados. Meso-
tórax cerca de duas vezes e meia mais longo do que o protórax. Metatórax
com o pré-escuto quase tão longo quanto largo e de formato pentagonal,
ligeiramente pontiagudo no ângulo anterior, quase três vezes mais curto do
que o escutelo; o sulco escuto-escutelar bem definido delimita anterior e
lateralmente o escutelo de formato triangular; o pós-lumbio é amplo, prolon-
gado anterior e posteriormente em margens arredondadas; pós-escutelo
muito longo, constrito ao nível do pós-lumbic, alargando-se e constringindo-
se novamente até a extremidade amplamente arredondada; comprimento
dos escleritos metatorácicos: pré-escuto + escutelo 0,/0; pós-lumbio +
pós-escutelo 1,37; comprimento total do matatórax 2,07; Largura ao nível
dos escutos 0,96.
Abdômen: ectofalo com o espinho dorsal curto; acúmen alongado,
quase em ângulo reto com o escapo do adeago; falobase cerca de duas vezes
mais larga do que o adeago e amplamente arredondada na margem distal.
Proctígero subretangular, encaixado no nono urômero. Esse possui um proces-
so articular na extremidade distal.
Pernas: trocânteres anteriores e medianos quase tão longos quanto os
fêmures correspondentes; trocânteres posteriores muito pequenos; fêmures
anteriores finos e achatados; tíbias dos três pares de pernas finas e sub-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):15-21, 25 jun. 1984
Strepsiptera brasileiros: Il. ... 19
cilíndricas; tarsos delgados e pilosos, basitarso cilíndrico e alongado, quase
do tamanho dos outros artículos tarsais reunidos.
Asas: anteriores com uma nervura do setor radial que atinge a base da
expansão apical das asas; mediana apenas indicada por uma estria pigmen-
tada. Asas posteriores com a área costal pigmentada; primeira radial ter-
minando na metade do comprimento da margem costal, bifurcada na ex-
tremidade; segunda radial iniciando em continuação à extremidade inferior da
bifurcação da primeira; terceira radial iniciando antes e abaixo da bifurcação;
quarta radial estendendo-se regularmente desde a base até a margem exter-
na; mediana anterior, primeira e segunda cubitais anteriores estendendo-se
regularmente desde a base até próximo da margem interna; cubital posterior
difusa em estria pigmentada.
Hospedeiro: Porybia ignobillis (Haliday, 1836) (Hyme-
noptera, Vespidae)
Material examinado: BRASIL: Bahia, Salvador, holótipo © FIOC
0077A; parátipos triungulinos, FIOC 0077B, 13.11.1959, S. J. Oliveira & A. Jesus leg. São Paulo, Rio
Claro, 1 O FAGR 0032; 3 OQ FAGR 0033-0035; 12 pupas de machos com pupários FAGR 0036-
0047, X11.1978, J. C. Hofling leg..
Disc us s & o: das sete espécies que constituem o gênero
Brasixenos, apenas B. bahiensis, B. fluminensis, B. occidentalis e B. zikani
têm os machos conhecidos. Os machos de B. bahiensis distinguem-se dos
machos das outras três espécies pela forma dos escleritos metatorácicos,
principalmente a do pré-escuto que é pentagonal; pelo ectofalo, no qual a
falobase é nitidamente mais larga do que o espaço do edeago; e pelos pal-
pos maxilares que não anqulosos na porção mediana e afilados tanto na
base quanto no ápice.
€ AGRADECIMENTOS
O autor deseja expressar seus agradecimentos ao Prof. Fernando Meyer, Diretor do Museu An-
chieta, Porto Alegre (RS); à Profa. Vera Lígia Letízio Machado, do Instituto de Biociências da Univer-
sidade" Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Rio Claro (SP), pela doação de material atualmente de-
positado na Coleção FAGR; aos Dr. Orlando Vicente Ferreira e Dr. José Juberg, da Fundação Ins-
tituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro (RJ), pelo acesso ao material da Coleção FIOC.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Revta Fac. Agron. Univ. nac. La Plata, La Plata, 15:41-56, 4pl.
CARVALHO, E. L. 1978. Contribution à I'étude des Strepsipteres du Brésil. Revue suisse Zool.,
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KINZELBACH, R. 1971. Morphologische Befunde an Facherfluglern und ihre Phylogenetische
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):15-21, 25 jun. 1984
ti SO CSA re a E TETE
Strepsiptera brasileiros: Il. ... 21
Figs. 1-14: 1-4. Paraxenos bucki, sp. n., holótipo Q FAGR 0031: 1. Vista dorsal do abdômen
de Ammophila sp. com o cefalotörax do holótipo protraído; 2. Holótipo, vista ventral; 3. Cefalotórax,
vista ventral; 4. Mandíbula direita, vista ventral. 5-14. Brasixenos bahiensis Kogan & Oliveira, 1966,
FAGR 0032:'5. Metatórax, vista dorsal; 6. Antena esquerda, vista dorsal; 7. Mandibula esquerda, vista
ventral;'8. Maxila esquerda, vista ventral; 9. Asa anterior direita, vista dorsal; 10. Asa posterior direita,
vista dorsal; 11. Perna anterior esquerda, vista dorsal; 12. Perna mediana esquerda, vista dorsal; 13.
Perna posterior esquerda, vista dorsal; 14. Ectofalo, vista lateral.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):15-21, 25 jun. 1984
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Strepsitera brasileiros: Ill. Duas novas espécies de Stylopidae
(Insecta) parasitas de Vespidae (Insecta, Hymenoptera) *
Cesar A. A. Trois**
RESUMO
Duas novas espécies de Stylopidae (Strepsiptera) são descritas: Xenos rostratus, sp. n., parasita
de Polistes ruficornis sspp. (Hymenoptera, Vespidae), ocorrente no Brasil, Paraguai e Peru, e Pseudo-
xenos itatiaiae, sp.n., parasita de Eumenes sp. (Hymenoptera, Vespidae) do Brasil.
ABSTRACT
Two new species of Stylopidae (Strepsiptera) are described: Xenos rostratus, sp.n., parasitic on
Polistes ruficornis sspp. (Hymenoptera, Vespidae) from Brazil, Paraguay and Peru, and Pseudoxenos
itatiaiae, sp.n., parasitic on Eumenessp. (Hymenoptera, Vespidae) from Brazil.
INTRODUÇÃO
Para a fauna brasileira são conhecidas quatro espécies do gênero
Xenos Rossius, 1/93. Duas dessas espécies, foram descritas por OLIVEIRA
& KOGAN (1962): Xenos hospitus e X. indespectus, a primeira com ocor-
rência assinalada para Santa Catarina e a segunda para São Paulo. As es-
pécies restantes, também registradas para o Brasil, por aqueles autores, são:
Xenos bonariensis descrita por BRETHES, em 1922, da Argentina; e X.
bohlsi descrita por HOFFMANN, em 1914, ocorrente no Paraguai. KINZEL-
BACH (1971) ampliou os registros de distribuição desta última espécies,
citando-a também para a Argentina.
Alem dessas espécies, existem outras quatro com ocorrência assi-
nalada para a Região Neotropical, segundo KINZELBACH (1971) e TEIJI
(1979): X. argentinus Brethes, 1922 e X. nigrescens Brues, 1903, da Argen-
tina; X. boharti Hofmann, 1965, do Chile; e X. peruensis Teiji, 1979, do
Peru.
Com relação ao gênero Pseudoxenos, descrito por SAUNDERS (1872),
e segundo a sistemática proposta por BOHART (1941), haviam três espécies
* Aceito para publicação em 16.1.1984.
** Engenheiro-Agrônomo, Professor-Assistente na Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia,
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 143, 97500, Uruguaiana, RS,
Brasil.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):23-27, 25 jun. 1984
24 TROIS, C.A.A.
ocorrentes no Brasil. Essas espécies foram transferidas por KINZELBACH
(1971) para o gênero Paraxenos Saunders, 1872, ocasião na qual o gênero
Pseudoxenos, formado basicamente por endoparasitas de vespas solitárias
(Hymenoptera, Vespidae), ficou sem representantes para a entomofauna
brasileira.
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado está depositado na Coleção FIOC, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Rio de
Janeiro.
Os espécimens encontram-se fixados em solução de creosoto-terpinol 2:1 e foram examinados em
montagens temporárias com o emprego de gotas da solução fixadora. Os desenhos foram realizados em
câmara clara acoplada a microscópio óptico e sem correções de assimetria. As medidas estão expressas
em milímetros.
Xenos rostratus, sp.n.
(Figs. 1-2)
F& m e a: Cafalotórax de contorno subovalar, ligeiramente mais
longo do que largo; alargando-se progressivamente desde o ápice até a
base. Coloração do espécimen (em solução de creosoto-terpinol 2:1): cas-
tanho-clara. Cabeça estreita, prolongamentos cefálicos laterais e curtos. Es-
clerito hipofaringeal pequeno, semicircular; abertura bucal evidenciada por
uma linha curva que contorna o esclerito hipofaringeal. Mandíbulas mais
longas do que largas, alargando-se progressivamente até a base; margem
anterior côncava, dente quase reto e agudo na ponta; projeção da margem
externa indistinta; margens interna e externa ligeiramente curvas. Membrana
cefalotorácica estreita, inconspícua em vista ventral. Cabeça inteiramente
delimitada pela margem anterior, bem quitinizada, do protórax. Pró, meso e
metatórax sem estruturas perceptíveis tanto em vista ventral quanto dorsal.
Espiráculos metatorácicos marginais, pequenos e salientes, situados próximo
à base do cefalotórax; sistemas traqueal ramificado desde a base do cefa-
lotórax.
Medidas principais. Cefalotórax: comprimento 1,58; largura na base
1,13; largura entre os espiráculos 1,35; largura maior 1,37; distância dos es-
piráculos à extremidade da cabeça 1,35. Cabeça: comprimento na linha
mediana 0,28; comprimento maior 0,38; largura ao nível da membrana
cefalotorácica 0,83; distância entre as mandíbulas 0,27.
Abdômen: cerca de 2,2 vezes mais longo e uma vez e meia mais largo
do que o cefalotórax, com quatro túbulos genitais e sistema muito ramifi-
cado.
H'os pe d e ir o: Polistes ruficomis ruficoris" (Fabricius,
1804)e ?. ruficornis biglumoides (Ducke, 1904) (Hymenoptera, Vespidae).
IHHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):23-27, 25 jun. 1984
|
Strepsiptera brasileiros: III. ... 25
Material-tip o: BRASIL: São Paulo, São José dos Campos, holótipo Q FIOC
0096, X.1933, H. S. Lopes leg.; PARAGUAI: Villarica, parátipo Q FIOC 0099, 1.1928, Schade leg.; PERU:
Ayacucho, Nihabamba, parätipo Q FIOC 0108, s.d., J. F. Zikan leg. Outro material examinado: BRASIL,
Säo Paulo, Säo Jose dos Campos, pupärio de macho FIOC 0097, mesmos dados do holötipo; PARA-
GUAI, Villarica, pupário de macho FIOC 0098, mesmos dados do parätipo FIOC 0099.
BIS rr pru io 3 o. BRASIE São Paulo; PARAGUAI,
Villarica; e PERU, Ayacucho.
Discussão: das especies do gênero Xenos, X. rostratus,
sp.n., assemelha-se a X. bohlsi, X. bonariensis e X. hospitus pelo formato
geral do cefalotórax; e principalmente a X. bonariensis por apresentar a
cabeça e os prolongamentos cefálicos bem delimitados pela margem anterior
do protórax.
Fêmeas de X. rostratus, sp.n., podem ser distinguidas pelo rostro do
pupário amplamente arredondado e prolongado adiante da abertura bucal,
pela forma das mandíbulas e por estilopizarem vespas e subespécies de
Polistes ruficornis, registradas pela primeira vez como hospedeiros de Strep-
siptera.
Pseudoxenos itatialae, sp.n.
(Figs. 3-4)
F& m e a: Cefalotórax decontorno subtriangular, alongado, alar-
gado ao nível dos espiráculos e constrito na base. Coloração geral (em
solução de creosoto-terpinol 2:1) castanho-clara; área bucal e mesotórax
com pontuações diminutas. Cabeça de formato subtriangular, ocupando cer-
ca de 1/5 do cefalotórax, prolongamentos cefálicos longos e estreitos. Aber-
tura bucal conspícua, indicada por uma depressão emarginada por uma
carena curva e localizada próximo à extremidade da cabeça. Esclerito hi-
pofaringeal muito grande, sub-retangular, localizado próximo à extremidade
posterior da cabeça, com a margem anterior côncava e a posterior indistinta.
Mandíbulas quase tão longas quanto largas, margem anterior côncava; den-
tes curtos, arredondados nas pontas, quase tão longos quanto as projeções
das margens externas e que também são arredondadas nas pontas. Mem-
brana cefalotorácica perceptível em vista ventral, não atingindo as margens
do cefalotórax e distante das mandíbulas. Pró e mesotórax delimitados pos-
teriormente por áreas curvas, fracamente pigmentadas e com pontuações
diminutas. Espiráculos metatorácicos salientes e marginais.
Medidas principais. Cefalotórax: comprimento 1,23; largura na base
0,86; largura entre os espiráculos e largura maior 1,04; distância dos es-
x
piraculos à extremidade da cabeça 1,07. Cabeça: comprimento na linha
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):23-27, 25 jun. 1984
26 TROIS, C.A.A.
mediana 0,21; comprimento maior e largura ao nível dos espiráculo 0,46;
distância entre as mandíbulas 0,15.
Abdômen: cerca de duas vezes mais longo e 1,8 vezes mais largo do
que o cefalotórax, com três túbulos genitais e sistema traqueal muito ra-
mificado na metade anterior do abdômen.
Hospedeiro: Eumenes sp. (Hymenoptera, Vespidae).
Material-tip o: BRASIL: Rio de Janeiro, Itatiaia, holótipo Q FIOCO119,S.d.,S.
S. Jantis leg.
Discussáão na Região Neotropicalalúnicaespécie des-
crita de Pseudoxenos é P. vigili (Brethes, 1922) parasita de Montezumia vigili
Brêthes, 1922 (Hymenoptera, Vespidae (= Eumenidae)), ocorrente na Ar-
gentina.
P. itatialae, sp.s., distingue-se de P. vigili pela espécie do hospedeiro;
pelo formato subtriangular da cabeça, com os ramos cefálicos longos e es-
treitos; pelas áreas pigmentadas do cefalotórax, e principalmente pela forma
do esclerito hipofaringeal.
AGRADECIMENTOS
O autor deseja expressar seus agradecimentos ao Dr. Orlando Vicente Ferreira, Curador das co-
leções entomológicas da Fundação Instituto Osvaldo Cruz pelo acesso ao material estudado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):23-27, 25 jun. 1984
Strepsiptera brasileiros: Ill. ... 27
Figs. 1-4: 1-2: Xenos rostratus, sp. n., holótipo Q FIOC 0096. 1. Cefalotórax, vista ventral; 2. Man-
díbula esquerda, vista ventral. 3-4:Pseudoxenos itatiaiae, sp.n., holótipo Q FIOC 0119. 3. Cefalotórax,
vista ventral; 4. Mandíbula esquerda, vista ventral.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (64):23-27, 25 jun. 1984
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Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais: Ill. Redes-
crição de 5 espécies, com base no exame dos tipos depositados
no “Naturhistoriska Rikmuseet’’, de Estocolmo, Suécia. *
José Willibaldo Thome**
RESUMO
Com base no exame dos tipos, são redescritas as espécies Vaginulus reticulatus Westerlund,
1883; Vaginula ocellata Odhner, 1919; Vaginina odhneri Hoffmann, 1927; Pseudoveronicella zootoca Hof-
fmann, 1927 e Pseudoveronicella (Pseudoveronicella) sjoestedti Forcart, 1953.
ABSTRACT
Upon the examination of the types, the species Vaginulus reticulatus Westerlund, 1883; Vaginula
ocellata Odhner, 1919; Vaginina odhneri Hoffmann, 1927; Pseudoveronicella zootoca Hoffmann, 1927 and
Pseudoveronicella (Pseudoveronicella) sjoestedti Forcart, 1953 are redescribed.
INTRODUÇÃO
Com vistas à revisão dos Veronicellidae pantropicais, prosseguimos na
redescrição uniformizada das espécies cujos tipos estão disponíveis no
“Naturhistoriska Riksmuseet’’ (NRS), de Estocolmo, dentro da sistemati-
zação já utilizada para as espécies americanas (THOMÉ & PITONI, 1976;
THOME, 1983; THOME, no prelo). Desse modo não abordaremos por ora a
sinonímia das espécies em redescrição, nem o possível enquadramento
genérico, o que ficará reservado a futuros trabalhos revisivos.
* Aceito para publicação em 26.1V.1984. Contribuição FZB nº 297.
** Presidente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, (FZB), Caixa Postal 1188, 90.000 Porto
Alegre, RS; Professor Titular de Zoologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-
RS); Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Proc.
30.1590/79 - Pesquisador |-A.
REDESCRIÇÃO
Vaginulus reticulatus Westerlund, 1883
(Figs. 1-7)
Vaginulus reticulatus WESTERLUND, 1883:49.
Semperula siamensis HOFFMANN, 1927:36, pt.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
30 THOME, J.W.
Material tipo: lectótipo NRS-116a, Point de Galle (=Galle), Ceylon (= Sri
Lanka), Expedição ''Vega’' leg. (designação presente);
Paralectótipos: 12 espécimes, NRS-116b, mesmos dados do lectótipo.
Localidade - tipo: Galle, Sri Lanka (designação presente).
Observações: no vidro da coleção encontramos 13 espécimes, sendo 3
maiores, adultos e 10 muito pequenos, juvenis. Apenas um dos espécimes
maiores estava dissecado, atravês de um corte longitudinal pelo meio do
hiponoto esquerdo. Examinamos anatomicamente os 3 exemplares adultos,
constatando serem da mesma espécie e escolhemos o previamente disse-
cado (por Hoffmann, 1927?) como lectótipo.
E Morto o guia, e X test n.as.Wlgsaulsshzes-
pécime fixado): animal pequeno, levemente curvado sobre a face ventral,
bem mais largo do que alto; noto abaulado, perinoto bem demarcado, hi-
ponotos horizontais; sola mais estreita do que o hiponoto direito, sem linha
mediana; poro genital feminino na metade ou um pouco atrás da metade do
comprimento e afastado do sulco pedioso cerca de 1/3 da largura do hi-
ponoto; ânus circular, mediano, encoberto pela sola do pé. (Cor geral não
mais verificável, visto todos os animais estarem desbotados.) Sob luz inten-
sa, em determinados ângulos, pode-se perceber que o noto deveria apresen-
tar pontuações que deixam livre uma listra mediana longitudinal. (Medidas
do lectótipo: comprimento: 36,0mm, largura: 18,0mm, altura: 6,6mm, lar-
gura da sola: 3,Imm, largura do hiponoto direito: 4,4mm, distância do poro
genital feminino, do sulco pedioso: 1,bmm, da frente: 14,8mm, de trás:
14,ômm).
2,..M osr ft O) OG a glano toe pndtae Rosa
ve a loga on tes tiijncal cant ermirormaarnosEaNoe
estreito e curto lóbulo da glândula digestiva.
Glandulas salivares comacinostinosiem
parte frouxos e em parte compactados.
R e t o penetra no tegumento bem junto ao canal da espermateca
(fig. 6).
Neri VOS pe dio so s _juntos, paralelos por curto es-
paco, quando se afastam um do outro em ängulo agudo por um trecho ate
atingirem o afastamento máximo, seguindo então afastados, paralelos até
próximo o final da cavidade geral, onde penetram no tegumento da sola.
(Medidas do lectótipo: comprimento total:18,2mm, juntos: 3,9mm, afas-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 31
tamento máximo: 2,6mm, penetram no tegumento a 2,0mm do fim da
cavidade geral).
A o r t a estende-se diretamente até sob o ângulo pedioso.
Gram id uia pre obinoNs a (fig. 7): achatada, estreita,
alongada, levemente mais estreita para a ponta, esta de formato lanceolado;
apresenta longitudinalmente duas ondulações serpenteantes e a ponta vol-
tada totalmente para a frente; zona clara estreita ao longo das bordas até a
extremidade lanceolada; zona amarelada mediana, homogênea, com cicatriz
de penetração do vaso sanguíneo subterminal. (Medidas do lectótipo: com-
primento em posição natural: 3,9mm, largura máxima: 1,5mm, comprimento
aproximado distendido: 5,2mm).
ERES piner lime air ee. :ä (fig. 6): globulóide (de paredes fláci-
das), assentada na extremidade de um canal de paredes duras e grossas,
alongado e afilado para as duas extremidades; ducto de ligação mediano,
sinuoso, penetra no canal na metade do comprimento deste; deferente
médio também de comprimento mediano, sinuoso, bem assim o deferente
posterior, todos de diâmetro semelhante; oviduto penetra no tegumento
atrás e à esquerda do canal. (Medidas do lectótipo: espermateca, diâmetro:
2,Imm; canal, comprimento: 3,0mm, diâmetro maior: 1,5mm: ducto de
ligação, comprimento: 1,3mm, diâmetro: 0,4mm; deferente médio, com-
primento: 0,/mm, diâmetro: 0,4mm; deferente posterior, comprimento:
2,9mm, diâmetro: 0,4mm; próstata, diâmetro maior: 4,6mm).
Ga ama, tina pres nam! (fig.D): com papila cônica,
acuminada, (no lectótipo torcida), possui túbulos de diâmetro uniforme e
comprimentos variados, sem destaque para grupos, notando-se apenas que
"3 túbulos são bem curtos e alguns bem longos, sendo estes últimos si-
nuosos. Todos estão envoltos na base por uma bainha translúcida. (Medidas
do lectótipo: papila, comprimento: 2,0mm, diâmetro maior: 1,/mm; túbulos,
diâmetro: 0,25mm, comprimento de 1,3mm a 14,3mm, maioria com
10,0mm, número de túbulos: 32).
P& nis (fig. 4): alongado, com soquete cilíndrico na base, ex-
pandindo-se levemente na extremidade distal, onde se forma um ““ombro”
num lado e uma aba saliente do lado oposto, sob a qual ocorrem duas rugas
transversais; a glânde globulóide, nasce do soquete bem estrangulada,
apresentando um hemisfério distal recoberto por formações semelhando uma
crista de galo e o outro hemisfério proximal liso, brotando equatorialmente
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
32 THOME, J.W.
grossa saliência cônica, com a abertura do deferente na ponta; o hemisfério
liso, a área estrangulada da glande e o soquete apresentam a superfície sul-
cada longitudinalmente. O deferente anterior é extremamente longo, muito
redobrado, com paredes duras, elásticas. (Medidas do lectótipo: comprimen-
to total: 6,6mm; soquete, comprimento: 3,6mm, diâmetro na base: 1,2mm,
diâmetro distal: 2,Imm; glande, diâmetro maior: 2,7/mm).
Vaginula ocellata Odhner, 1919
(Figs. 8-13)
Vaginula ocellata ODHNER, 1919:46-8, est. 4, figs. 59-60.
Meisenheimeria ocellata; — HOFFMANN, 1925:128.
Material tip o: holótipo NRS-1335(1453), Tamatave, República Malgache (=
Madagascár); W. Kandern, leg. 20.1.1912; (durante tempo chuvoso, sobre tronco de árvore).
Localidade-tipo: Tamatave, República Malgache (designação presente).
Observações: o espécime tem conservação precária, parcialmente des-
botado. Estava aberto pelo noto por curto corte longitudinal e rasgado para
a esquerda. Órgãos genitais anteriores, bem assim os demais órgãos dessa
região, danificados por dissecação. Etiqueta de nº 1335 colada ao vidro,
dentro do mesmo outra com o nº 1453.
ik Morfologia externa lose 0 es:
pécime fixado): animal de tamanho mediano, algo curvado sobre a face ven-
tral, mais largo do que alto; noto abaulado, perinoto grosso, demarcado,
hiponotos oblíquos; sola levemente mais larga do que o hiponoto direito,
sem linha mediana; poro genital feminino para trás da metade do compri-
mento e afastado do sulco pedioso a apenas 1/5 da largura do hiponoto;
ânus mediano, puchando para a direita até dentro do hiponoto, encoberto
pela sola do pé. Colorido prejudicado pelo desbotamento; percebe-se pig-
mentação enegrecida, esparsa, irregular na metade posterior do noto com
listra mediana longitudinal sem pigmentação, que não alcança o perinoto
posterior; perinoto desbotado; hiponotos desbotados, percebendo-se ainda
leve pigmentação enegrecida ao longo do perinoto; sola sem pigmentação
perceptível. (Medidas: comprimento: 60,0mm, largura: 22,0, altura: 12,0mm,
largura da sola: 7,Imm, largura do hiponoto direito: 6,6mm, distância do
poro genital feminino, do sulco pedioso: 1,3mm, da frente: 23,5mm, de trás:
21,0mm).
2% Mi Roda ande oe un) TE ecronigal ugs
13). vanloiçras inc tre sat WnZadio Kane on atrasaade
estreito e curto lóbulo da glândula digestiva.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 33
(Grelatinitia ud amis sea innastre se ccombácinos finos;
frouxos.
R e t o penetra no tegumento bem junto ao oviduto (fig. 12).
Nereunsv Os Deo 0:15: 2065 surgem levemente afastados
entre si, seguem assim paralelos por curto trecho, afastando-se então um do
outro, por forte arco, até alêm dos sulcos pediosos e a seguir paralelos e
afastados até quase o fim da cavidade geral, onde se perdem no tegumento.
(Medidas: comprimento total: 27,5mm, levemente afastados: 4,0mm, afas-
tamento máximo: 8,0mm, penetram no tegumento à 5,0mm do final da
cavidade geral).
Posição da aorta não mais verificável, destruída por dissecação an-
terior.
Gelandula predios a (fig.13): achatada e larga na
frente, para a seguir estreitar-se fortemente, tornando-se subcilíndrica, alon-
gada, delgada uniformemente até a ponta; apresenta, logo ao estreitar-se
uma volta para a esquerda, seguindo-se outra para a direita e com a ponta
refletida; toda glândula de aspecto homogêneo, parece ser constituída
apenas do tecido da zona amarelada e com a cicatriz da penetração do vaso
sanguíneo, subterminalmente. (Medidas: comprimento em posição natural:
5,0mm; largura máxima: 4,0mm; largura da região estreitada: 1,0mm; com-
primento aproximado distendida: 10,0mm).
Espermateca(fig12)Jl globulóide assentada na ex-
tremidade afilada de um canal cilíndrico, delgado, muito longo, sinuoso;
ducto de ligação também delgado, longo, sinuoso, cerca da metade do
comprimento do canal, encontrando-se concrescido ao mesmo por cerca de
4/5 de seu comprimento distal, penetrando na espermateca juntamente com
o canal; deferente médio curto, delgado, penetra no tegumento junto ao
canal e oviduto; deferente posterior com diâmetro semelhante ao canal,
comprimento mediano, pouco sinuoso, recebe uma glândula prostática gran-
de, alongada; oviduto penetra no tegumento à direita do deferente médio e
o reto à direita do oviduto. (Medidas: espermateca, diâmetro maior 3,2mm;
canal, comprimento: 11,/mm, diâmetro: 0,5mm; ducto de ligação, com-
primento: 5,2mm, diâmetro: 0,4mm; deferente médio, comprimento: 1,3mm,
diâmetro: 0,4mm; deferente posterior, comprimento: 5,2mm, diâmetro:
0,omm; próstata, comprimento: 9,7mm, diâmetro maior; 0,4mm).
Gula nn aula pre mn irao (gs) “com “papila” “cônica;
afilada; possui túbulos de diâmetro uniforme, com aspecto individualizado
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
34 THOMÉ, J.W.
rígido, homogêneos, de tamanhos variados, sem constituírem grupos di-
ferenciados; na base conjuntamente envoltos por bainha grossa e curta.
(Medidas: papila, comprimento: 2,omm, diâmetro maior: 1,2mm; túbulos,
diâmetro: 0,45mm, comprimentos, de 20,0 a 40,0mm, número de túbulos:
19.
P&en is (fig.11): cilíndrico, alongado, delgado, liso, com curto
soquete seguido de uma intumescência anular e prolongando-se numa glân-
de muito longa, que vai se afilando e na região distal está como que
enrolada, apresentando a abertura do deferente distal, atrás de pequeno
lábio. (Medidas: comprimento total: 30,0mm, diâmetro maior (anular):
1,3mm; soquete, comprimento: 1,5mm, diâmetro: 1,1mm).
Vaginina odhneri Hoffmann, 1927
(Figs. 14-19)
Vaginina odhneri HOFFMANN, 1927:2, 26-28, figs.11-4.
Vaginina (Heterovaginina) odhneri, — KRAUS, 1953:65.
Heterovaginina odhneri; — FORCART, 1957:96.
NES
<
art er neivar| tip o: holötipo NRS-949 (1052), procedência desconhecida; doação
do Museu Berolini (= Museu de Zoologia de Berlim).
Localidade-tipo: desconhecida.
Observações: o espécime estava aberto longitudinalmente pelo meio
do hiponoto esquerdo, dissecado, com as vísceras muito danificadas e o
pênis extraído. Animal bem desbotado. No vidro havia 3 etiquetas: numa
consta o nº 949 acrescido da palavra “Typsaml.””, na outra consta o registro
nº 3599 do “Mus. Berolini”, e na etiqueta original de Hoffmann, consta a
data de: “Jena, Ill 1927” e habitat: “África?”
iz Mort'olo gia ex terna ig ao es;
pécime fixado): animal de tamanho mediano, reto, com o dobro da largura
em relação à altura e as duas extremidades como que truncadas; abaulado
dorsal e ventralmente; noto muito levemente abaulado, perinoto bem demar-
cado, grosso, hiponotos oblíquos; sola levemente mais larga do que o hi-
ponoto direito sem linha mediana; poro genital feminino bem mais para trás
da metade do comprimento e distante do sulco pedioso cerca de 1/4 da lar-
gura do hiponoto; ânus mediano, para a direita, penetra levemente no hi-
ponoto, não totalmente encoberto pela sola livre do pé. Colorido não iden-
tificável, visto o espécime estar totalmente desbotado; os hiponotos deixam
perceber, que possivelmente eram marmorados por pigmentação escura.
(Medidas: comprimento: 40,0mm, largura: 16,0mm, altura: 8,0mm, largura
da sola: 5,9mm, largura do hiponoto direito: b/omm, distância do poro
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidãe (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 35
genital feminino, do sulco pedioso: 1,4mm, da frente: 21,5mm, de trás:
17,5mm).
Za NORTE EGOR gr nase dm teen. ar figss/=19):
antera Pipe spin ante ri or atrás de curto,
mas distinto lóbulo da glândula digestiva.
Gr learn ado |.tares Sica tp Sam pues com ácinos grossos,
mais ou menos compactos.
Brest © penetra no tegumento bem junto e à direita do oviduto
(fig. 18).
Nervos pedios os levemente afastados, para-
lelos para a seguir irem se afastando gradativamente até a altura do poro
genital feminino, quando se afastam um do outro em forte arco, o da es-
querda mais arqueado do que o da direita, para então afastados seguirem
paralelos para trás até o fim da cavidade geral. (Medidas: comprimento total:
28,0mm, juntos: 10,bmm, afastamento máximo: 4,0mm).
Amor ta destruída por dissecação anterior, não mais verificável a
posição.
Glândula pediosa (fig.19: algo danificada em
dissecacäo anterior; achatada, curta, larga na frente, para se estreitar, alon-
gar e novamente alargar um pouco (com a ponta destruída); zona clara bem
definida em ambas as bordas, desde a frente até a área posterior; zona
amarelada mediana, recortada junto à abertura em forma de V, depois se es-
treitando um pouco por 2/3 do comprimento, quando novamente se alarga,
e segue até a ponta (?) apresentando perto desta uma depressão circular
mediana; (não mais verificável a cicatriz de penetração do vaso sanguíneo)
(Medidas; comprimento em posição natural (aproximado): 4,00mm, largura
máxima: 2,2mm, largura mínima mediana: 1,1Imm).
Espermate ca _(fig.18): globulöide (de pnaredes flácidas,
danificadas) assentada sobre um canal grosso, cilindrico, uniforme, de com-
primento mediano; ducto de ligação curto (?), delgado, penetra no canal na
metade do comprimento deste; deferente médio e posterior, bem assim a
próstata, todos muito danificados e seccionados; oviduto penetra no te-
gumento levemente à frente e à direita do canal. (Medidas: espermateca,
diâmetro maior: 4,4mm; canal, comprimento: 2,6mm, diametro: 1,4mm;
ducto de ligação penetra no canal a 1,2mm da espermateca).
Gall as naduusl, a pe ni a I näo encontrada. (Segundo
HOFFMANN, 1927, näo possuia gländula penial).
Penis (fig.17): curto e largo, com soquete curto, largo, pla-
no/convexo, que se continua indistinguivelmente para a glândula globulóide,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
36 THOME, J.W.
esta alargada transversalmente e com uma saliência cônica lateral na direção da
face plana do soquete, onde se abre subterminalmente o deferente. (Medidas:
comprimento: 2,9mm, largura maior: 2,4mm, espessura maior: 1,6mm; so-
quete, comprimento: 0,9mm, largura: 1,4mm, espessura: 0,85mm).
Pseudoveronicella zootoca Hoffmann, 1927
(Figs. 20-26)
Pseudoveronicella zootoca HOFFMANN, 1927:2, 9-11, 15, 17, figs.5-6.
Pseudoveronicella zootoca; — DEGNER, 1934:299-301, fig.56. ,
Pseudoveronicella (Hoffmannia) zootoca zootoca; — FORCART, 1953:43-45, est.1, fig.b,est.
Ch tifojdo);
= Pseudoveronicella (Afroveronicella) zootoca; — FORCART, 1954:21.
Material tipo: holótipo NRS-952(1047), Kamerun (= República dos Cama-
röes), Y. Sjöstedt leg.
Localidade-tipo: Repüblica dos Camaröes (designada por FORCART, 1953:45).
Observações: o espécime estava aberto longitudinalmente pelo hi-
ponoto esquerdo e dissecado, com as vísceras danificadas e alguns órgãos
extraídos. Animal bem desbotado. No vidro há dois números, o 952 acres-
cido de: “Typsaml.” Também duas etiquetas, uma antiga, com a identifi-
cação: “Veronicella pleuroprocta v. Martens, det. Odhner” e outra com:
“Hoffmann determ., Jena, März 1927”, com a identificação: “Pseudove-
ronicella bakerinov. spec.” Pode-se deduzir desta segunda etiqueta que
Hoffmann ao examinar o espécime, considerou-o uma espécime desco-
nhecida e rotulou-o com este nome. Porém, ao redigir o trabalho (HOFF-
MANN, 1927) preferiu, com dúvidas, atribuir ao mesmo espécime o nome P.
zootoca Simroth, 1914, sem trocar a etiqueta que ele juntara ao espécime,
com a rotulação de P. bakeri. P. zootoca, contudo, como HOFFMANN
(1927) indicou à p.2, seria um “nom.nud.”, acrescentando: “nov.”; na p.9
ele mencionou novamente o nome atribuindo-o a Simroth como “nóm.nud.”
e acrescentando “emend.”; na p.11 (HOFFMANN, 1927) mencionou que o
nome “Pleuroprocta zootoca” fora utilizado por “Simroth em 1914, à p.668”
para referir-se a uma espécie vivipara, mas que nunca foi descrita e, final-
mente à p.17 (HOFFMANN, 1927) repetiu o nome Pf. zootoca para diagnos-
ticar a espécie, atribuindo-a a Simroth 1914, como “nom.nud.” e acrescen-
tando, contudo, o seu próprio nome “Hoffmann” como autor. O espécime
continuava e continua rotulado como holótipo de P. bakeri (etiqueta original
de Hoffmann), espécie esta nunca descrita o que ora retificamos, propondo
a anulação da etiqueta.
le Mor fosco ig car wer X’ ter Pntarltgsae20 22mmes-
necime fixado): animal pequeno, curvado sobre a face ventral, algo mais lar-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 37
go do que alto, levemente mais estreito na frente do que atrás; noto
abaulado, aparentando uma leve carena longitudinal mediana, perinoto bem
demarcado, hiponotos levemente obliquos; sola levemente mais larga do que
o hiponoto direito, sem linha mediana; poro genital feminino um pouco à
frente da metade do comprimento e afastado do sulco pedioso cerca de 1/3
da largura do hiponoto; ânus arredondado, levemente à direita da linha
mediana, totalmente no hiponoto, sem qualquer contato com o sulco pe-
dioso e não coberto pela sola livre posterior do pé. Colorido não identifi-
cável, visto o espécime estar totalmente desbotado. (Medidas: comprimento;
28,0mm, largura: 14,0mm, altura: 9,0mm, largura da sola: 4,0mm, largura do
hiponoto direito: 3,/mm, distância do poro genital feminino, do sulco pe-
dioso: 1,3mm, da frente 10,0mm, de trás: 12,0mm).
23 MIRON Ton or gr ars irn rer rn ar tios. 20
orale are meisten N Yalın Terrors. nao re-
coberta pelo curto e estreito lóbulo anterior da glândula digestiva.
Grand ua s sad iywares destruídas (a pequena
porção restante aparenta ter ácinos grossos, grandes, frouxos).
R e t o penetra no tegumento bem junto à direita e em parte à
frente do oviduto (fig.25).
Nereu Os pe dio s os surgem distanciados levemen-
te um do outro e logo se afastam entre si fortemente, para entäo seguirem
por curto trecho paralelos; afastam-se, entäo, brusca e fortemente mais ain-
da, seguindo novamente paralelos e bem afastados até o fim da cavidade
geral. (Medidas: comprimento total: 10,bmm, trecho do primeiro afastamen-
to: 3,3mm, afastamento máximo: 3,1mm).
A or t a estende-se diretamente até sob o gänglio pedioso.
Grlma nd u la pe diogsaã(fig.26): prejudicadapor dis-
secação anterior. À abertura anterior, ampla, segue-se forte estreitamento;
porção posterior bem estreita, uniforme, achatada, em curvas, só com zona
amarelada, demarcada mediana e longitudinalmente até bem junto à ponta.
(Medidas: maior largura na frente: 1,3mm; maior largura da porção pos
terior: O,3mm, seu comprimento: 3,9mm; esta porção posterior encontra-se
aderida ao tegumento, transversalmente, a 5,9mm da frente do animal).
Espermatoegcaãà (fig.2b): danificada por dissecação an-
terior, resta uma porção subglobulöide, que recebe um canal! cilíndrico, del-
gado, reto, de comprimento mediano; ducto de ligação bem curto penetra
no canal, à cerca de 2/3 de seu comprimento, desde a espermateca; de-
ferente médio bem curto, delgado, penetra no tegumento atrás do canal;
deferente posterior mediano, sinuoso, delgado como o canal; próstata
uniforme, pequena; oviduto penetra no tegumento à direita do canal.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
38 THOMÉ, J.W.
(Medidas: espermateca, diâmetro maior da porção restante: 1,9mm; canal,
comprimento: 1,3mm, diâmetro: 0,45mm; ducto de ligação, comprimento:
0,6mm, diâmetro: 0,2mm; deferente médio, comprimento: 0,4mm, diâmetro;
O,imm, deferente posterior, comprimento: 4,0mm, diâmetro: 0,4mm; prós-
tata, comprimento: 3,bmm, maior diâmetro: 1,6mm).
Gr as. 1.24 Una pen ia | (fig.24) com papila cônica,
acuminada; possui túbulos de diâmetro e comprimentos uniformes, enfei-
xados na base pcr cerca de 1/4 de seu comprimento por uma bainha trans-
lúcida; esta bainha na região distal, donde se prolonga o músculo retrator,
estreita-se, como que estrangulando o conjunto dos túbulos na sua saída.
(Os túbulos apresentam em secção transversal formato triangular (fig.24c) o
que ocasiona aspecto peculiar aos mesmos, aparentando estarem fendi-
lhados medianamente até quase a ponta (fig. 24b). (Medidas: papila, com-
primento: 1,3mm, diâmetro maior: 0,8mm; bainha, comprimento: 2,6mm,
diâmetro maior; 1,6mm; túbulos, comprimento, até 5,2mm, diâmetro:
0,2mm; número de túbulos: 17).
P&en is (fig. 23): muito pequeno, com aspecto geral cônico, não
se destacando o soquete; uma glânde com larga base, cônica, lisa, perto do
ápice projeta-se circularmente uma ampla aba, acima da qual prolonga-se
conicamente a glände até a ponta, onde se abre o deferente; a porção acima
da aba apresenta tecido mais flácido. (Medidas: comprimento: 1,6mm, com-
primento até a aba: 1,2mm; diâmetro na base: 0,8mm, diâmetro da aba:
0,6mm).
Pseudoveronicella (Pseudoveronicella) sjoestedti
Forcart; "1903:
(Figs. 27-37)
= Pseudoveronicella (P.) sjöstedti [sic] FORCART, 1953:39-41, 43, est.1, fig.3, est.3, fig.4,
tab.4, mapa 2.
Material tipo: holótipo NRS-1358, Ngolo N'diam ( = Ngolo Ndiam), Repú-
blica dos Camarões, Y. Sjöstedt leg., 22.05.1891.
Parätipo: NRS-1338, mesmos dados do holötipo.
Localidade-tipo: Ngolo Ndiam, República dos Camarões (designação original).
Observações: o holótipo estava aberto longitudinalmente pelo meio do
noto, muito danificado, totalmente eviscerado, permanecendo no lugar
apenas a espermateca e canais; a maior parte das vísceras estava solta no
vidro junto ao tegumento vazio; num vidrinho menor encontramos o pênis, a
glândula penial e a glândula hermafrodita e noutro partes do oviduto e da
glândula de albumina e alguns embriões. Faltam o bulbo bucal e órgãos
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 39
próximos, inclusive a glândula pediosa. Em outro vidro estava o parátipo
único, aberto longitudinalmente, pelo meio do hiponoto esquerdo; o pênis,
estocado à parte e os demais órgãos bastante mutilados, especialmente na
região anterior e sob o bulbo bucal, não mais se localizando a glândula
pediosa. Pelas diversas etiquetas nos vidros, verifica-se que os espécimes já
haviam sido examinados por d'Ailly, por Hoffmann (Ill. 1927) e naturalmen-
te por Forcart.
ik Mor iTKonl0rg 4. res tre: near. (figQ8:27.32; es-
pécimes fixados): animal de tamanho mediano, algo curvado sobre a face
ventral, bem mais largo do que alto, levemente constricto na frente; noto
abaulado, com uma leve carena longitudinal mediana, perinoto bem demar-
cado e hiponotos quase horizontais; sola marcadamente mais larga do que o
hiponoto direito, sem linha mediana; poro genital feminino bem à frente da
metade do comprimento e afastado do sulco pedioso um pouco menos do
que a metade da largura do hiponoto; ânus em fenda de posição oblíqua, da
linha mediana para à direita e para a frente, no hiponoto, sem qualquer con-
tato com o sulco pedioso e não atingido pela sola livre posterior do pé.
Colorido totalmente desbotado. (Medidas do holótipo, seguidas das do lec-
tótipo: comprimento: 67,0 - 63,0mm, largura: 20,0 - 14,0mm, altura: 10,0 -
10,0mm, largura da sola: 10,0 - 11,0mm, largura do hiponoto direito: 6,8 -
6,0mm, distância do poro genital feminino, do sulco pedioso: 2,6 - 2,5mm,
da frente: 23,5 - 21,5mm, de trás: 31,0 - 31,0mm).
24 MIRROR 110%. IR SO O las ut zer, Mar SLTlOS. , SS
37): alecH a enetsess len: al anterior atrás de
um estreito lóbulo da glândula digestiva.
Gas near iu las us amava: nes com ácinosfinos, no
conjunto com aspecto compacto.
R e t o penetra no tegumento bem junto, à direita do oviduto
(fig. 35).
Ni eh VO Ss presa | 0:28.50 :S surgem juntos e seguem
paralelos um curto trecho, para então se afastarem um do outro em arco,
mais arqueado o nervo esquerdo, seguindo então afastados, paralelos até o
fim da cavidade geral. (Medidas do holótipo, seguidas das do parátipo: com-
primento total: 44,0 - 38,0mm; juntos: 13,0 - 4,0mm; afastamento máximo:
4,0 - 4,2mm).
A o rt a estende-se direto ou quase diretamente até sob o gân-
glio pedioso (no holótipo alcança os nervos 1,3mm antes do gânglio pe-
dioso).
Grand tu ahaa pres del os .as prejudicada! “nes dois «ves-
pécimes por dissecações anteriores, não mais localizada.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
40 THOME, J.W.
Espermateca(fig35): reniforme a saculiforme, recebe
lateralmente canal delgado curto, engrossado na base; ducto de ligação bem
curto, delgado, penetra no canal a cerca de 1/4 de seu comprimento, desde
a espermateca; deferente médio bem curto, delgado, penetra no tegumento
à esquerda do canal; deferente posterior mediano, reto, delgado, como o
canal; próstata desenvolvida; oviduto penetra no tegumento junto e parcial-
mente atrás do canal. (Medidas do holótipo: espermateca, diâmetro maior:
11,0mm, diâmetro menor: 5,2mm; canal, comprimento: 2,/mm, diâmetro na
base: 0,9mm, diâmetro na ponta: 0,6mm; ducto de ligação, comprimento:
1,2mm, diâmetro: 0,4mm; deferente médio, comprimento: 0,5mm, diâmetro:
0,25mm; distância desde a espermateca até a penetração do ducto de li-
gacäo no canal: 0,60mm. Medidas complementares do parátipo: deferente
posterior, comprimento: 3,3mm, diâmetro: 0,6mm; próstata, comprimento:
7,8mm, maior diâmetro: 3,3mm).
Gran cas umlida penial (figs.34-37) com papila cônica,
engrossada, de ponta romba; possui túbulos de diâmetro e comprimentos
uniformes, enfeixados na base por cerca de 1/4 de seu comprimento por
bainha translúcida, recoberta por tecido frouxo, este proveniente da bainha
da papila; a bainha envolvente estreita-se distalmente, permanecendo pe-
quena abertura, por onde saem os túbulos em feixe compacto, achatados,
tornando-se logo cilíndricos. (Medidas do holótipo, seguidas das do pará-
tipo: papila, comprimento: 2,9 - 3,Imm, diâmetro maior: 2,1 - 2,2mm;
bainha da base dos túbulos, comprimento: 4,1 - 3,8mm, diâmetro maior: 2,5
- 2,2mm; túbulos, comprimento até: 13,0 - 14,3mm, diâmetro: 0,4 - 0,25mm;
número de túbulos: 25 - 20).
P&en is (figs.33-36): mediano, com soquete curtíssimo, cilin-
drico, como se fosse um estrangulamento basal, com uma borda saliente
contra a bainha concrescida; a glânde está limitada, basalmente por bainha
saliente sobre o soquete, seguindo-se uma formação cônica, alongada, de
paredes grossas, toda espinhosa, com os espinhos voltados em qualquer
direção e distalmente uma formação cilíndrica, alongada, de paredes del-
gadas e lisas, com a abertura do deferente larga, na ponta, que pode estar
frangeada por tecido extrovertido. (Medidas do holótipo, seguidas das do
parátipo: comprimento: 4,3 - 3,5mm; diâmetro maior: 1,4 - 1,2mm; soquete,
comprimento: 0,4 - 0,3mm, diâmetro maior: 1,3 - 1,2mm; glânde, parte es-
pinhosa: comprimento: 2,1 - 2,2mm; parte lisa: comprimento: 1,8 - 1,imm,
diâmetro: 0,65 - 0,50mm).
(Obs.: nesta espécie o deferente anterior é extremamente longo, enovelado;
junto ao pênis com paredes rígidas e mais para junto do tegumento com
paredes flácidas).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 41
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. A. Anderson, curador do Naturhistoriska Riksmusset de Estocolmo pelo empréstimo dos
espécimes; ao Prof. Dr. Lars Orrhage, Diretor do Naturhistoriska Museet de Göteborg, Suécia, que teve a
amabilidade de trazer os tipos e me proporcionar local e equipamento adequado ao exame dos mesmos
em seus laboratórios. ao Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD) de Bonn, República Federal
da Alemanha. que me proporcionou bolsa de pesquisa no período de junho/setembro de 1982, (3 meses),
ensejando o estudo dos tipos. A Clélia, minha esposa, pelas fotografias \ Rejane, Rosa e Tânia Carvalho
pelo acabamento dos desenhos e datilografia do MS, respectivamente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
42 THOME, J.W.
rs oberturo
Lad
FITIITIETTTI TITTEN TTS ST T
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1 Escalas em mr 2 3 E a I au
deferente XN O tir
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zona cmareia ; O
/ abertura reirator da &
glänculs perio;
cicatriz
_-Pröstato
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FA —— bainha
esperriateco
\
ducto de f \
defgrente to q
médio: —= ligação us
|
oviduto Ps
peretroção Pad Ds
no fegumento reto
6
Figs. 1-7: Vaginulus reticulatus Westerlund, 1883, lectótipo NRS-116a: 1. vista dorsal; 2. vista
lateral; 3. vista ventral; 4. pênis; 5. glândula penial; 6. espermateca e órgãos junto ao poro genital femi-
nino; 7. glândula pediosa, vista dorsal.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais...
1
TERTETETERERTESTETTTERTEETTTETTTTTITTTITTITN TEN
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10
o HETERO
vovalas em mm
Figs. 8-13: Vaginula ocellata Odhner, 1919, holötipo NRS-1335(1453): 8. vista dorsal; 9. vista la-
teral; 10. vista ventral; 11. pênis e glândula penial, (reproduzido de ODHNER, 1919:47, fig. 4); 12. esper-
mateca e órgãos junto ao poro genital feminino; 13. glândula pediosa (porção distal rompida), vista dorsal.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
qa THOME, J.W.
14 Escalas em mm 15
18
Figs. 14-19: Vaginina odhneri Hoffmann, 1927, holötipo NRS 949 (1052): 14. vista dorsal; 15. vista
lateral; 16. vista ventral; 17a-b. pênis; 17a. vista lateral; 17b. vista frontal; 18. espermateca e órgãos junto
ao poro genital feminino (faltam parte do ducto de ligação, o deferente médio e posterior e a próstata,
perdidos por dissecações anteriores); 19. glândula pediosa (danificada na região anterior e na ponta, por
dissecações anteriores.)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Veronicellidae (Mollusca, Gastropoda) pantropicais... 45
TELTTERTE
20 21
22
240 |
Figs. 20-26: Pseudoveronicella zootoca Hoffmann, 1927, holötipo NRS-952 (1047): 20. vista dorsal;
21. vista lateral; 22. vista ventral; 23. pênis; 24a-c. glândula penial, 24a. vista geral, 24b. porção terminal
de 2 túbulos, 24c. secção transversal de um túbulo; 25. espermateca (danificada por dissecação anterior)
e órgãos junto ao poro genital feminino; 26. porção terminal (distal) da glândula pediosa (porção anterior
destruída por dissecação anterior).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
THOMÉ, J.W.
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Figs. 27-37: Pseudoveronicella (P.) sjoestedti Forcart, 1953 27-29. holótipo NRS-1358; 27. vista
dorsal; 28. vista lateral; 29. vista ventral; 30-32. parätipo NRS - 1338; 30. vista dorsal; 31. vista lateral; 32.
vista ventral; 33-35. holötipo NRS-1358; 33. pênis; 34. glândula penial; 35. espermateca e órgãos junto ao
poro genital feminino; 36-37. parátipo NRS-1338; 36. pênis; 37. glândula penial, com os túbulos sec-
cionados.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):29-46, 25 jun. 1984
Alimentación de Phaetusa simplex (Gmelin, 1789) (Aves, Ster-
nidae) en el valle aluvial del rio Paraná medio, Argentina*
Adolfo H. Beltzer**
RESUMEN
El objetivo del trabajo ha sido conocer el espectro trófico de Phaetusa simplex (Gmelin, 1789),
tamafio y selectividad de las presas, evaluando la intensidad con que la especie se encuentra incluida en el
ecosistema acuático. Para este estudio fueron capturados 56 ejemplares durante el período febrero 1981-
enero 1983.
El análisis de los contenidos estomacales reveló un espectro trófico compuesto por 23 entidades
taxonómicas.
Por la aplicación del índice de importancia relativa (IRI) se pudo establecer que los peces integran la
dieta básica del ave, en tanto que los insectos constituyen una categoría secundaria de alimento.
Se establecieron grados de fidelidad para los ambientes de aguas abiertas, selva en galería y playa
arenosa que constituyen el área de influencia del ave. Se observó una activa participación y dependencia
trófica al ambiente de aguas abiertas donde tiene su principal fuente de alimento. La presencia de algunos
taxa terrestres revela una conducta trófica particular, explotando insectos de la corteza de los árboles que
utiliza como apostaderos.
RESUMO
Determina-se o espectro trófico da gaivota Phaetusa simplex (Gmelin, 1789), tamanho e seleti-
vidade das presas e avalia-se a intensidade com que a espécie se encontra no ecossistema aquático. O es-
tudo baseia-se em 56 exemplares capturados na ilha Carabajal, Santa Fe, Argentina, durante o período de
fevereiro de 1981 a janeiro de 1983.
A análise dos conteúdos estomacais permitiu a determinação de 23 entidades taxonômicas.
Pela aplicação de um índice de importância relativa (IR|), constata-se que os peixes integram a
dieta básica da ave, enquanto que os insetos constituem um alimento secundário.
Estabelecem-se graus de fidelidade para os ambientes de águas abertas, matas de galeria e praias
arenosas que constituem área de influência da ave. Observa-se uma participação ativa e dependência
trófica ao ambiente de águas abertas. A presença de alguns táxons terrestres revela uma conduta trófica
particular, indicando a explotação de insetos existentes nas cáscas das árvores que utilizam para pouso.
INTRODUCCION
El trabajo tiene por objeto conocer el espectro trófico de Phaetusa sim-
plex (Gmelin, 1789) (gaviotin común), tamafo y selectividad de las presas,
aspectos de gran importancia en lo que se refiere al afecto que causan los
depredadores sobre las poblaciones de peces susceptibles de ser explotados
por las aves ictiófagas.
* Aceptado para publicaciön en 24.1V.1984.
** Carrera del Investigador Científico del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas
(CONICET). Anstituto Nacional de Limnologia (INALI) José Maciä 1933 — 3016 Santo Tomé (Prov.
Santa Fe, Argentina).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):47-52, 25 jun. 1984
48 BELTZER, A.H.
Compete tambien a este estudio, la determinación de los grados de
fidelidad y participación trófica del ave a los diversos ambientes del acosis-
tema acuático del tramo medio del río Paraná, Argentina.
MATERIAL Y METODOS
Se utilizaron 56 ejemplares capturados con arma de fuego durante el período febrero 1981-enero
1983, habiendose determinado la muesra mínima correspondiente. Las aves colectadas se colocaron en
bolsas plásticas. Para detener el processo digestivo, se les inyectó formol al 10% usando jeringas conven-
cionales. Hasta al momento del registro de medidas y desecciön, las aves se preservaron en congeladores.
Los estómagos fueron estudiados individualmente, se tomó volumen y peso del contenido, cuen-
tificândose e identificândose las ingestas a distintos niveles taxonómicos. Para el conteo de los organis-
mos en avanzado estado de digestión, se consideraron como individuos aquellos que conservaron estruc-
turas O piezas claves para su identificación (cabezas, élitros).
Con el objeto de determinar la contribución de cada categoria de alimento a la dieta de la especie,
se aplicó el Índice de importancia relativa, IRI = FO (N + V) (BELTZER, 1983; BELTZER y PAPORELLO,
1983; ZACCAGNINI y BELTZER, 1982).
Con la finalidad de expresar la frecuencia con que la especie se encuentra incluida en el acosistema,
se establecieron los grados de fidelidad. Los mismos se cuantificaron por presencia en los diversos am-
bientes donde la especie fue observada. Los estudios se realizaron en la isla Carabajal (Santa Fe, Argen-
tina, 31º39'S - 60942'W).
Las observaciones a campo permitieron describir el comportamiento alimentario del ave. Los por-
centajes que expresan los grados de participación trófica en los ambientes frecuentados por la especie, se
obtuvieron considerando los taxa que componen el espectro trófico hallado y el habitat propio de cada
uno de ellos. Para determinar el habitat de cada organismo que integra la dieta, se emplearon trampas en
los ambientes, además del conocimiento propio de la biologia de cada especie.
RESULTADOS
COMO pe SO! ES rio Ion o DR Ber dire ade
análisis de los contenidos estomacales (muestra mínima 30 estömagos fig.
1), se pudo establecer un espectro trófico compuesto por 23 entidades
taxonómicas (tabla |) integrado por peces e insectos.
La contribución de cada categoría de alimento a la dieta del gaviotin
comün obtenida por la aplicación del índice de importancia relativa (IRI)
arrojó los seguientes valores: peces = 18240, insectos = 130 (fig. 2).
Los peces constituyeron la dieta básica del ave, representada por 20
especies correspondientes en su mayorla a formas de aguas abiertas y
próximas a àreas vegetadas. El rango de longitud total de las presas osciló
entre 10 y 120mm (fig. 3), las presas de mayor tamafio correspondieron a los
peces tales como Eigenmania virescens, Astyanax sp., Gymnotus carapo,
Apareiodon affinis, Salminus maxillosus y Crenicichla sp.
La especie capturada con mayor frecuencia fue Ho/oshesthes pequira
(tabla |), cuyo rango de longitud total osciló entre 30 y 35 mm.
Los insectos estuvieron escasamente representados tanto en número,
como en volumen y ocurrencia, integrados por formas acuáticas como
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):47-52, 25 jun. 1984
Alimentación de Phaetusa simplex... 49
Belostoma sp. y Ranatra sp. y algunos caräbidos terrestres no identificados.
Se registraron tambien odonatos anisópteros y ortópteros (Locustidae ?).
No se observaron variaciones estacionales significativas en la com-
posición de la dieta.
Rider | insdoa do yo pranrat se opaca 6 ni tencos
fica: los porcentajes obtenidos en la determinación de los grados
de fidelidad a los ambientes donde la especie fue observada son los seguien-
tes: aguas abiertas (en vuelo) 60%; selva en galeria 30% y playa arenosa
15% (fig. 4).
Los valores que expresan la participación trófica en el acosistema
acuático son los seguientes: aguas abiertas 96% y selva en galeria 4%.
De las especies halladas en los estömagos el 72% correspondiö a es-
pecies propias del ambiente de aguas abiertas, tales como Astyanax sp.,
Apareiodon affinis, Salminus maxillosus, Hyphessobrycon lutkeni, Auchenip-
terus sp.; en tanto que el resto frecuenta además zonas vegetadas (flotante
y arraigada) como Cheirodon sp., Gymnotus carapo, Eigenmania virescens,
Crenicichla sp. y otras especies no identificadas.
02m o feticarim nein au nomes int trarmanosia
estrategia habitual seguida por Phaetusa simplex para obtener alimento, la
afectüa mediante sus permanentes vuelos, comportamiento que le permite la
visualizaciön de sus presas a las que captura con rápidas y violentas zam-
bullidas.
Es común observar bandadas de numerosos individuos posados en la
selva en galeria, utilizando como apostaderos ajemplares viejos y secos de
sauce (Salix humboldtiana) yaliso (Tessaria integrifolia). No se observaron
zambullidas con fines de pesca desde estos apostaderos. No obstante, la
presencia de esta especie en el ambiente de selva en galería, permitiria ex-
plicar el hallazgo en los estömagos de algunos taxa terrestres o que frecuen-
tan la corteza de los árboles, como los carábidos.
DISCUSSION Y CONCLUSION
Los antecedentes para el área del rio Paraná medio, sehalan Únicamen-
te a los peces como alimento de Phaetusa simplex (DE LA PENA, 1977;
NORES e IZURIETA, 1980). El análisis de los contenidos estomacales de este
estudio, permite establecer una dieta carnívora, compuesta por peces como
dieta básica, en tanto que los insectos representan una categoría secundaria
de alimento que, de acuerdo a los valores obtenidos por la aplicación del ín-
dice de importancia relativa, son de escaso aporte energético.
La no observancia de variaciones estacionales significaticas en la com-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):47-52, 25 jun. 1984
50 BELTZER, A.H.
posición de la dieta, tanto en lo que se refiere a su riqueza específica como
al tamafio de las presas, permiten sefialar que se trata de una especie opor-
tunista.
La presencia de Holoshesthes pequira como especie más frecuent:-
mente capturada no debe interpretarse como una conducta selectiva, = n
que debe relacionarse mas bien con el comportamiento en cardúmenes v s:ı
gran disponibilidad en el área de estudio.
Al hallazgo de insectos en los estómagos se le debe asignar,el carã e!
de alimento específico, ya que no pudieron ser considerados como integran-
tes de la dieta de los peces previamente ingeridos por el ave. Su presercia
es reveladora de un comportamiento alimentario particular y que permite in-
dicar que algunas especies como los carábidos terrestres, ortópteros y
odonatos son capturados en la corteza de los árboles que el ave utiliza como
apostaderos; en tanto que los hemípteros (Be/ostoma sp. y Ranatra sp.) bien
podrian ser ingeridos en sus desplazamientos en aguas abiertas, operando
con la misma estrategia que utiliza para la captura de los peces.
Los resultados obtenidos en la determinación de los grados de fide-
lidad, permiten establecer que, de los ocho ambientes identificados en el
ecosistema del rio Paraná medio, el área de influencia de esta especie com-
prende sólo tres de ellos: aguas abiertas, selva en galeria y playa arenosa.
Se establece una activa participación y dependencia trófica al ambiente
de aguas abiertas donde tiene su principal fuente de alimento; la conducta
alimentaria en la selva en galeria corresponde a la predación sobre los taxa
terrestres que se registraron en la dieta; en tanto que la playa arenosa res-
ponde a otro aspecto de sus exigencias ecológicas, tales como reproduciön
y nidificación.
AGRADECIMIENTOS
A la Prof. Clarice P. de Hassan por la lectura del manuscrito; a las Profas. Olga B. Oliveros y
Graciela Paporello de Amsler por la determinación de algunos taxa de peces e insectos respectivamente; a
los Sres. Ulises Molet, Ambrosio Regner y David Acosta por la colaboración en las tareas de campafia y
laboratorio.
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ZACCAGNINI, M. E. & BELTZER, A. H. 1982. Alimentación de Bubulcus ibis ibis L. 1758 su relación
trófica con Egretta thula thula (Molina, 1782) en Leales, Tucumán (Ciconiiformes: Ardeidae). Rev.
Asoc. Cienc. Nat. Litoral, Santa Fe, 13:73-80.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):47-52, 25 jun. 1984
Alimentación de Pahetusa simplex...
BECES N. Fl INSEC Be:
Characidae | Hemipteros
Astyanax sp. 1 6 4 Belostoma sp. de=]
Astyanax sp. 2 Bos Ranatra sp. 2
Holoshesthes pequira Eig., 1903 174 18 | Coleöpteros
Apareiodon affinis (Stein., 1879) Zu W2 Carabidae (n.i.) 9 4
Salminus maxillosus Val., 1840 a Curculionidae (n.i.) 1 1
Hyphessobrycon lutkeni (Boul., 1887) 10 3 | Odonatosanisöpteros 2 1
Cheirodon sp 1 1 | Ortöpteros
(n.i.) 2812 Locustidae (?) ig
Curimatidae (n.i.) 4.3
Serrasalmidae
Sarrasalmus nattsreri Kner, 1860. Ea 9]
Gymnotidae
Gymnotus carapo L., 1758 bu
Rhamphichthydae
Eigenmania virescens (Val., 1847) Za
Auchenipteridae
Auchenipterus nuchalis (Spix ,1829) 1 1
Pimelodidae
Pimelodella sp. re]
(n.i.) Aim A
Callichthyidae
Corydoras hastatus Fig. & Eig., 1888. 1 1
Sciaenidae
Pachyurus sp. ie]
Cichlidae
Crenicichla sp. 4 2
Cichlaurus bimaculatus (L., 1758) ee
(mio) 223
Tabla |: Espectro tröfico de Phaetusa simplex (Gmelin, 1789); 56 es-
tömagos analizados procedentes de ambientes del rio Paraná medio, Argen-
tina, durante el periodo febrero 1981 - enero 1983. N = nümero de organis-
mos; F = frecuencia de captura; n.i. = material no identificado.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):47-52, 25 jun. 1984
52 BELTZER, A.N.
(o) 5 10°, 15 207 25 30 95 40 45 ":50":55
Estomogos 1
100
É |
«
a
o 50
° 100-
uu
u 1
>
z
ae INSECTOS 8
E
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E
ê
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= |
z
504
3
9 10-29 30-59 60-89 90-120 mm
T A, rem
e omoÃo presas 3
100
% FRECUENCIA DE OCURRENCIA
| 4
| %
® © 100-80
| | 79-60
ae
59-40
|
39-20
®)
Figs. 1-4: 1. Muestra minima de 56 contenidos estomacales analizados de Phaetusa simplex
(Gmelin, 1789); 2. IRI = Composiciön de número, volume y ocurrencia de las categorias de alimento
halladas en P.simplex; 3.Relación entre número y tamafio de las presas capturadas por P.simplex en am-
bientes del rio Paraná medio, Argentina; 4. Grados de fidelidad (F)y participaciön (PT). | águas abiertas; 2
vegetaciön acuática; 3 albardón; 4 selva en galeria; 5 pajonal; 6 pastizal; 7 monte; 8 playa arenosa. Los as-
teriscos en los números sefalan el área de influencia de P. simplex (1, 2, 4y 8). Los círculos claros indican
los porcentajes de especies propias de aguas abiertas y de aquellas que frecuentam la vegetación acúa-
tica.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):47-52, 25 jun. 1984
Sobre o gênero E/apomorphus Wiegmann, 1843 (Serpentes,
Colubridae, Elapomorphinae)*
Thales de Lema**
RESUMO
O autor faz uma avaliação da sistemática e taxonomia das espécies e subespécies do gênero
“Elapomorphus Wiegmann, 1843. O gênero é dividido em dois subgêneros, Zlapomorphus contendo as es-
pécies portadoras de dois escudos prefrontais e Phalotris Cope, 1862, compreendendo aquelas com
apenas um prefrontal. O nome E. spegazzinii Boulenger, 1913 é usado para designar a espécie mais co-
mum da Argentina e £. /emniscatus Duméril, Bibron et Duméril, 1854, para a espécie própria do Brasil
meridional e Uruguai. £. trilineatus Boulenger, 1889 e £. iheringi Strauch, 1885 são consideradas subes-
pécies de E. (Phalotris) lemniscatus. E descrita uma nova subespécie, £. (Phalotris) lemniscatus divittatus,
ocorrente nas serras baixas que se estendem do sudeste do Rio Grande do Sul ao sudeste do Uruguai.
Chave, diagnose, distribuição, habitat e desenhos a cores da pele do tronco são oferecidos.
ABSTRACT
A systematic and taxonomic account of the genus Elapomorphus Wiegmann, 1843 is presented.
The genus is divided in two subgenera, Elapomorphus, for the species with two praefrontal shields, and
Phalotris Cope, 1862, for the ones with single praefrontal. The name E. spegazzinii Boulenger, 1913 is
used to assign the most common species from Argentina, as well as E. /emniscatus Duméril, Bibron et
Duméril, 1854 to assign the ones from southern Brazil and Uruguay. E. trilineatus Boulenger, 1889 and £.
iheririgi Strauch, 1885 are considered here as a subspecies of £. (Phalotris) lemniscatus. E. (Phalotris) lem-
niscatus divittatus is described for first time; it occurs n highlands of southeastern part of the State of Rio
Grande do Sul, Brazil to southeastern Uruguay.
Key, synonymy, characterization, distribution maps and colour illustrations of the trunk skin are
provided.
The genus now comprises the following species and subspecies in South America. Subgenus
Elapomorphus with 3 species, E. (E.) quinquelineatus (Raddi, 1820) from eastern Brazil, E. (E.) /epidus
Reinhardt, 1861 and £. (E)wuchereri Günther, 1861, both from southern part of the State Bahia to Espírito
Santo, in Southeast, Brazil; Subgenus Phalotris with 6 species placed in four species group: the tricolor
Goup with red dorsal colour, and white belly, two species — E. (P.) tricolor Duméril, Bibron et Dumeril,
1854 from Chaco region and adjacent areas (Bolivia, Brazil, Argentina); E. (P.) mertensi Hoge, 1955 from
Southern Brazil (States of Minas Gerais, São Paulo, and Paraná); the spegazzinii Group with dorsal
striped pattern and black markings in the belly, two species — E. (P.) spegazzinii Boulenger, 1913 from Ar-
gentina, with two subspecies, E. (P.) spegazzinii spegazzinii from the Provinces of Buenos Aires and La
Pampa, with dispersions to northeastern Provinces; E. (P.) spegazzinii suspectus Amaral, 1924 from
Subandean and arids districts of Argentina; the nasutus Group, with pointed snout, contains one species
E. (P.) nasutus Gomes, 1915 from South Brazil, states of São Paulo, Paraná, Santa Catarina to southern
Paraguay. E. (P.) punctatus Lema, 1979 is an intermediate species between tricolor and spegazzinii groups
* Aceito para publicação em 05.VII.1984. Contribuição FZB nº 299.
** Pesquisador do Museu de Ciências Naturais (MCN), Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Proc. 30-
6090/83. Professor e Pesquisador do Instituto de Biociências e Museu de Ciências da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90.000 Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
54 LEMA, T. de
INTRODUÇÃO
O gênero Flapomorphus foi nomeado por Wiegmann (1843) e apresen-
tado por DUMÉRIL et al. (1854). O conceito então dado ao mesmo era
muito amplo, compreendendo espécies que, atualmente, estão designadas
para outros gêneros. COPE (1862) restringiu o conceito do gênero para as
espécies possuidoras de dois escudos prefrontais, propondo o gênero
Phalotris para aquelas que possuem um prefrontal, e o gênero Apostolepis
para as que têm dois longos escudos paralelos, entre o rostral e o frontal. A
primeira revisão foi de STRAUCH (1885) que continuou usando E/apomor-
phus sensu lato, reunindo as espécies em grupos com base em COPE
(1862). BOULENGER (1896) aceitou Apostolepis, mas incluiu Phalotris em
Elapomorphus, situação que perdura até o momento.
Tanto STRAUCH (1885) como BOULENGER (1896) apresentaram
chaves para determinação das espécies. AMARAL (1929) criticou a chave de
Boulenger afirmando que a escutelação cefälica dessas serpentes era muito
variável, não servindo para diagnose diferencial das espécies. Outrossim,
AMARAL (op. cit.) reduziu o número de espécies. LEMA (1970) analisou a
variação do caráter sutura entre escudos internasais e propôs a divisão de E.
bilineatus sensu AMARAL (1929) em subespécies; posteriormente (1977),
LEMA analisou as variações nesse táxon, redescreveu os exemplares tipo e
descreveu subespécies, reformulando as propostas anteriormente (1970).
LEMA (1978a; 1978b; 1979a) propôs as subespécies “E. /emniscatus spegaz-
zinil” e “E. lemniscatus suspectus” bem como o emprego do nome E. /em-
niscatus em lugar de E. bilineatus, porque este último foi apresentado com
base em um exemplar intergradante entre as duas subespécies, E. (P.)
spegazzinii spegazzinii e E. (P.) spegazzinii suspectus. LEMA (1979b) des-
creveu uma espécie para a Argentina, E. (P.) punctatus e apresentou uma
chave para a identificação das espécies do gênero.
Finalmente, SAVITZKY (1982) analisou aspectos morfológicos e
ecológicos do gênero E/apomorphus e afins, inclusive africanos, especial-
mente a osteologia craniana e hemipênis de algumas espécies de E/apomor-
phus e Apostolepis, comparando-os com os de serpentes proteroglifodontes
da subfamília Micrurinae. Concluiu pela revalidação da subfamília Elapomor-
phinae Jan, 1862 (partim) e derivação evolutiva dos Micrurinae a partir dos
Elapomorphinae.
A única revisão que existe do gênero é, pois, de STRAUCH (1885).
Uma nova revisão com base nos dados até agora registrados é impossível,
pois de muitas espécies ainda não se conhece o hemipênis. apenas se
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 55
| SÍ (O) do ea DREI e ES N re ee EN,
conhece o crânio de E. (E.) quinquelineatus (Raddi, 1820), parcialmente des-
crito e figurado por SAVIZTKY, (1982).
Neste artigo apresentamos uma apreciação sinóptica dos status do
gênero e das espécies que o representam, reformulando a taxonomia de al-
guns e descrevendo uma nova subespécie, E. (Phalotris) lemniscatus divit-
tatus.
Chave para determinação dos subgêneros, espécies e subespécies de E/apomorphus:
1. Com um par de escudos prefrontais. Coloração dorsal parda a pardo-cinábria com 3 a 5 estrias es-
curas longitudinais; coloração ventral branca... ......ccciiicilsci een: E. (Elapomorphus) 2
Prefrontal único. Coloração dorsal parda ou vermelha, com ou sem estrias pretas longitudinais;
coloração ventral branca imaculada ou com manchas pretas transversais ............E.(Phalotris) 4
2. Coloração dorsal pardo-amarelada com cinco estrias escuras longitudinais, que são mais nitidas nos
jovens (fig. 1). Mental, infralabiais e margem dos ventrais, com pontos pretos . E. (E) quinquelineatus.
Coloração dorsal cinábria com três estrias escuras longitudinais que esmaecem com a idade. Cabeça
escura com faixa amarela transversal sobre os parietais, podendo escurecer com a idade e ficar indis-
3. Parietais de comprimento igual ao dobro de sua largura. Ventrais 176 a 184. Jovens estriados, adultos
apemasicomiestrialventeb ralltfig. 2) aut een acento fo nen Aa ern a e E. (E.) wuchereri.
Parietais de comprimento menor que o dobro de sua largura. Ventrais 190 a 234. Estrias dorsais sem-
preievidemies ga) Da epa ea aa ne Ta aa eiserne Ea eme e E. (E.) lepidus.
4. Focinho fortemente afilado. Escudo temporal anterior ausente, quinto supralabial contata com pa-
rietal. Coloração dorsal parda com escamas orladas de escuro; lados pleurais escurecidos formando
faixas; ventre branco ou levemente escurecido, lateralmente (fig. 12)............... E. (P.) nasutus.
Focinho arredondado. Geralmente com dois escudos temporais isolando parietais dos supralabiais .. 5
5. Estrias longitudinais indistintas; coloração ventral branco-amarelada; colares nucais branco-
aimareladojeipretojpresentes ta o a o ado ais SAM ee O a ER RD een 6
Estrias pretas longitudinais presentes; lados pleurais pretos; coloração ventral brancacenta com man-
ehalpretastransversallemieadaleseudor nu. amp eia eo DM E di AU RR ema DO ee. 8
6. Dorso pardo-ocre com zona paraventral branco-amarelada; zona vertebral com fino pontuado preto,
aproximadamente disposto em estrias longitudinais (fig. 5); colar nucal preto da largura de 6 a 12 es-
CamasiventebraIS ANNE noso a ea, ot dia rod A Ui Aa a sda ee E. (P.) punctatus.
Coloração dorsal vermelha com zona paraventral clara; colar nucal preto da largura de 3 a 6escamas
Vento DIA SER een are ee A INS a PU RS U
7. Colar preto nucal da largura de 3 a 4 escamas; escamas dorsais com ápice preto (fig. 4). Escudos ven-
traisiac imaide:223h e E A E raca EN a SS DR ta an SS at RO E. (P.) mertensi.
Colar preto nucal da largura de 6 ou mais escamas; escamas dorsais imaculadas (fig. 3). Escudos ven-
traisimenos de223U qu o esa ee eh Ap a EO E. (P.) tricolor.
8. Coloração dorsal pardo-ocräcea com fino pontuado preto na zona vertebral, delimitada por duas es-
trias pretas longitudinais, cujas escamas não são debruadas de branco; estria vertebral geralmente
ausente. Manchas ventrais com borda livre irregular ......ccccccciiiiiii E (P.) spegazzinii 9
Dorso cinábrio a pardo-rosado, sem pontos pretos na zona vertebral; geralmente com três estrias
pretas longitudinais dorsais cujas escamas são marginadas de branco; manchas pretas ventrais de
bordailivreiunitorme; rt. era ee a og abc no nen erh Den E. (P.) lemniscatus 10
9. Cabega marmorizada de pardo-anegrado; colares nucais vestigiais ou ausentes; zona vertebral fina e
homogeneamente pontuada de preto; estria vertebral geralmente ausente; estrias pleurais largas;
ápices das escamas pleurais manchados de preto e unidos entre si obliquamente, com a estria pleural,
e com manchas ventrais; estas são grandes, com margem livre muito irregular (fig. 6) . E. (P.) spegaz-
zinii.
Cabeça preta; colares nucais creme e preto evidentes; zona vertebral sem pontuado ou este restrito à
linha mediana vertebral ou, ainda, com uma estria preta vertebral, estrias pleurais pretas estreitas.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
56 LEMA, T. de
Paraventre e ventre brancos, com manchas ventrais de bordas levemente irregulares e lados bise-
lados, semelhando figura semilunar (fig. 7) ......... cc coceeerue. E. (P.) spegazzinii suspectus.
10. Cabeça preta, colares preto e creme evidentes; zona vertebral cinábria geralmente sem estria vertebral
que, quando presente, é em forma de uma série de pontos pretos medianos; lados e ventre pretos,
com ou sem estria creme paraventral (fig. II) ........ 22 oo oceeeeeeeeee E. (P.) lemniscatus iheringi.
Cabeça preta ou marmorizada de preto; colares cervicais nem sempre evidentes; zona vertebral geral-
mente-com'três estrias pretas.e:lados pleuraisiereme....... 02a... aaa one ran e oro LAR RS ER RE 11
11. Duas estrias pretas longitudinais evidentes; colares creme-amarelado e preto evidentes; manchas
ventrais largas de lados biselados (fig. 9). RE: o ARA AR . E. (P.) lemniscatus divittatus.
Três estrias pretas longitudinais dorsais; colares nucais s presentes OU-NÃO ee ER 12
12. Estrias dorsais largas sobre fundo cinábrio; colares nucais evidentes; cabeça preta; manchas ventrais
largas:eiretangularesihiguS) a gas ee E ER Ea E E. (P.) Jemniscatus lemniscatus.
Estrias dorsais geralmente estreitas ou mesmo muito finas, sobre fundo vertebral pardo-rosado e
acobreado; colares nucais ausentes ou vestígios do colar claro; cabeça marmorizada de preto; man-
chas ventrais estreitas semilunares a cordiformes, muito pequenas; jovens com cabeça afilada e fo-
cinho arredondado, e adultos com cabeça larga e focinho afilado (fig. 10) .... E. (P.) /emniscatus trili-
neatus.
Elapomorphus Wiegmann, 1843.
Elapomorphus Wiegmann (part.), 1828, Isis v. Oken, 21(3-4):377 tcit.); Wiegmann (part.) in Fitzinger,
1843, Syst. rept., 1:25; — Dumeril, Bibron & Duméril (part.), 1854, Erp.gen., 7:832; — Boulenger,
Cat:sn:,9:31],298".
Calamaria Schlegel (part.), 1837, Phys.serp., 2:25.
Elapsomorphus Duméril (ex-errore; part.), 1853, Méms Acad. Sci. Paris, 23:489.
Espécie-tipo: Calamaria blumii Schlegel, 1837 (= E. (Elapomorphus) quin-
quelineatus (Raddi, 1820)).
Diagnose: Morfologia: corpo longo, subisodiamétrico,
diminuindo o diâmetro na cauda, secção cilíndrica; cabeça curta e alta com
focinho alto ou deprimido e arredondado ou um pouco afilado e apenas uma
espécie com focinho pontudo; zona parietal plana ou reentrante mediana-
mente; olhos pequenos, reentrantes, com pupila circular; narina em escudo
inteiro; boca pequena, com mandíbula um pouco recuada; cauda muito cur-
ta e grossa, extremidade romba e escudo terminal com aresta vertical.
Folidose: preocular |; postoculares 2; nasal |, mais alto anterior que pos-
teriormente; rostral mais largo que alto, geralmente; supralabiais geralmente
6, Il, Ill e IV tocando a órbita; loreal ausente; internasais |/I; prefrontais |/|
ou |; temporais | + | ou O + |, normal ou anomalamente, havendo contato
entre parietais e supralabiais; escamas dorsais lisas, sem fossetas apicilares,
dispostas em 15 filas longitudinais, sem redução; as escamas dorsais tendem
à forma quadrangular, sendo as paraventrais e cervicais mais altas que lon-
gas, as menores são as da linha vertebral; ventrais arredondados, em menor
número nos machos que nas fêmeas; anal duplo e alongado, subcaudais
pares, em maior número nos machos, podendo ocorrer subcaudais inteiros
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 57
principalmente nos machos e geralmente no primeiro terço caudal; também
nos machos observa-se número maior de irregularidades na escamação sub-
ventral. Dentição: dentes maxilares 4 a5 + 2, dentes sólidos muito menores
que sulcados, o primeiro sólido 'muito menor que demais; presas muito lon-
gas, sob linha que passa no meio do olho, maxilar muito curto; presas
profundamente sulcadas, ligam-se a glândulas veneniferas grandes, diferen-
ciadas nitidamente das salivares; dentes mandibulares subiguais. Hemipênis;
conhecidos apenas nas espécies, E (P.) mertensi, conforme SAVITZKY
(1982) e E.(P.) lemniscatus, segundo LEMA (ms.a.) apresenta-se muito lon-
go em ambas, sulco bifurcado na extremidade apical, e espinhos do meio
para O ápice, com base lisa; no ápice, em P. (P.) mertensi, mostra-se bifur-
cado, e em E.(P.) /emniscatus não há bifurcação; em ambos não há espi-
nhos grandes; os lábios do sulco espermático são espinulados; a ornamen-
tação apical de E. (P.) mertensi é caliculada e, na outra, é aparentemente
lisa.
DAS tee il DAS ln BO gre vorig WA. ft doca: desde o
litoral da Bahia, Brasil até o litoral da Patagônia, Argentina, pelo lado orien-
tal; para dentro do continente elas ocorrem pelo sul de Minas Gerais, Brasil
para São Paulo, Mato Grosso, até Bolívia oriental edaí para o sul até Ar-
gentina setentrional; atinge toda a região pampeana da Argentina e chega a
escalar as primeiras elevações da Cordilheira dos Andes (cerca de 2.000 m).
A Patagônia é uma barreira para sua dispersão, mas uma subespécie disper-
sa-se ao longo do litoral atlântico baixo até Puerto Madryn, Província
Chubut. Quanto a referências antigas de ocorrência de uma espécie (F. (£.)
quinquelineatus) no norte do Brasil e Suriname, devem ser reexaminadas
ig. 15)
O bs ervaçó6 es: predomina nas planícies gramadas
(savanas), tanto do cerrado como dos campos de cima da serra (Planalto
Meridional do Brasil); ha uma subespécie própria dos altiplanos do Brasil
meridional, E. (P.) /emniscatus iheringi que vive nas regiões florestadas de
araucária; outra, E. (P.) /emniscatus divittatus, N. ssp., vive nas elevações a
sudeste do Rio Grande do Sul, Brasil a sudeste do Uruguai; na Argentina,
há populações de E. (P.) spegazzinii que vivem. em elevações ao sul de
Buenos Aires ou na prê-cordilheira. São serpentes criptozóicas, vivendo
geralmente em galerias no solo, escavadas por outros animais (roedores,
tatus, lagartos (LEMA ms.b), ou por raízes que morreram; comem geralmen-
te anfisbênios (LEMA, ms.b) e preferem sair à noite. As regiões de maior
ocorrência situam-se entre Mato Grosso do Sul, Brasil e Paraguai oriental,
extremo sudeste do Brasil e lado oriental do Uruguai, e na Província de
Buenos Aires, Argentina.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
58 LEMA, T. de
Divisão: com base em COPE (1862) propomos dois sub-
gêneros, Elapomorphus (Elapomorphus) e Elapomorphus (Phalotris).
|. Elapomorphus (Elapomorphus) Wiegmann, 1843.
Elapomorphus — Cope, Proc. Acad. nat. Sci. Philad. (1861) 13:302; — Strauch (part.), 1885, Mel. biol.
Acad. Sci. imper. St. Pétersb., 12:155.
Elapocephalus Günther, 1858, Cat. col. Snakes:276, espécie-tipo: Elapocephalus taeniatus Günther, 1858
(= Elapomorfhu (E.) quinquelineatus (Raddi, 1820)).
Espécie-tip o: Elapomorphus (E.) quinquelineatus (Raddi, 1820).
Diagnose: Morfologia: cabeça larga, curta e alta, focinho
redondo e curto. Folidose: escudos supracefálicos entre rostral e frontal,
dois internasais e dois prefrontais. Coloração: primária pardo-amarelada ou
cor de lacre, com estriação escura longitudinal mais evidente nos jovens, es-
maecendo ou mesmo desaparecendo nos adultos; ventre branco-amarelado.
Disaster bu Ir 20 gseso gra rare saiia 16):
restrita ao litoral do sudeste do Brasil, com dispersões para o centro-oriental
adjacente.
|.1. Elapomorphus (E.) quingquelineatus (Raddi, 1820)
(Fgis. 1, 16)
Coluber 5-lineatus Raddi, 1820, Mem. Soc. ital. Sci. Modena (2, Fisica)18:339.
D. [ubérria] quinquelineata — Fitzinger, Nev class. Rept.: D6 (Brasil).
Calamaria blumii Schlegel, 1837, Phys serp., 1:133; 2:45 - localidade-tipo: Estado de São Paulo, Brasil.
[Elapomorphus] blumii' — Wiegmann, in Fitzinger, 1843, Syst. rept., 1:25.
Abastor arythrogramus — Gray (part.), 1849, Cat. col. sn.: 78 (apenas o espécimen doado a GUNTHER
(1858), cuja procedência é “North America”).
Elapsomorphus blumii — Duméril (ex errore, nom. nudum) Mêéms Acad. Sci. Paris, 23:489.
Elapocephalus taeniatus Gunther, 1858, Cat. col. snakes (Append.):276 - localidade-tipo: “North Ame-
rica” (espécimen de GRAY (1849)) design. por BOULENGER (1896), América do Sul.
Elapomorphus taeniatus — Günther, Wiegmann's Arch. Naturg.(1858)1:243.
Elapomorphus quinquelineatus — Hoge, 1959, Mems Inst. Butantan, 28:267, 270, figs. 1-5.
Material-tip o: RADDI (1820) usou dois espécimes para descrever sua espécie:
HOGE (1958) procurou-os nas coleções da Europa, não os encontrando, descreveu um exemplar do
Muséum National d'Histoire Naturelle de Paris, MHNP 3673, procedente de “Brésil”, designando-o ''Sin-
tipo.”
Localidade-tip o: arredores da cidade do Rio de Janeiro (RADDI, 1820),
Brasil.
Diagnose: Morfologia: atinge até um metro de comprimen-
to; cabeça achatada, obtusa; focinho algo saliente, com escudo rostral um
pouco proeminente; cauda um pouco afilada, destoando levemente das
demais espécies do gênero. Folidose: porção do rostral, visível de cima,
igual à metade de sua distância ao frontal; internasais cerca de um terço
mais curtos que prefrontais; parietais longos, menos de duas vezes a sua
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Flapomorphus... 59
largura; escudos supracefálicos mais longos que os infracefálicos, sendo estes
conspicuamente mais largos; ventrais, 169-191; subcaudais, 24-45. Colo-
ração: primária dorsal pardo-ocrácea com cinco estrias longitudinais pretas
ou castanho-escuras, desde o pescoço até a ponta da cauda; geralmente a
estria vertebral cruza o anel nucal creme; as estrias, vertebral e pleurais são
as principais, mais largas e mais escuras, enquanto que as demais são inter-
mediárias e menos nítidas que àquelas, esmaecendo com a idade ou mesmo
ficando indistintas; cabeça preta ou manchada de castanho-anegrado dorsal-
mente, com mancha amarela sobre supralabiais atingindo maior área do Ill e
IV; ventralmente a cabeça é branca com pontos pretos circulares sobre in-
fralabiais e gulares, um ponto na margem externa de cada escudo; anel nucal
branco-amarelado marginado de escuro anterior e posteriormente, atingindo
estrias pleurais; tronco branco ventralmente com ou sem mancha escura no
ângulo de cada ventral, com continuação do padrão infracefálico.
DRI te pis Dr UgencHa or gr euvo gr africa, MG: 16):
Brasil oriental e meridional, desde o sul da Bahia até Santa Catarina, com
penetrações para oeste pela Serra do Mar, atingindo Minas Gerais e São
Paulo; há citações de antigos viajantes, bem como exemplares no Museu de
Paris, indicando essa espécie para as Guianas (”Cayenne”, “ Suriname”) e
acreditamos que se trata de exemplares com procedência errada ou mal
identificados.
Observações: própria de terrenos acidentados flores-
tados pela mata atlântica, sendo comum nas matas da Tijuca, Rio de Ja-
neiro.
1.2. Elapomorphus (E.) lepidus Reinhardt 1861
(Figs. 2, 16)
Elaphomorphus lepidus Reinhardt, 1861, Vidensk. Meddel. Nathurh. Foren Kjöb. (1860), 2:239, est. 4,
figs. 6-9.
Elapomorphus wuchereri Günther (part.), 1861a, Ann Mag. nat. Hist. (3)7:415, fig., localidade-tipo:
Ilhéus, Bahia, Brasil (apenas dois exemplares).
Apostolepis lepidus — Cope, 1862, Proc. Acad. nat. Sci. Philad. (1861) 13:524.
Material-tip o: holótipo depositadono Universitets Zoologiske Museum de
Copenhague.
Localidade-tip o: Arraial do Bicudo, próximo ao Rio da Casca, Estado de
Minas Gerais, Brasil; MULLER (1927), que reexaminou o holótipo, afirmou que este procede de
“Fazenda Feixão cru, Staat Minas Gerais, Brasilien”, o que deve ser erro.
Diagnose muito semelhante à £. (Elapomorphus) quin-
quelineatus. Morfologia: espécie de porte pequeno; cabeça mais alta e longa
que em E. (£.) quinquelineatus, com focinho mais largo e não proeminente;
cauda mais curta e grossa que na espécie anterior. Folidose: rostral curvo,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
60 LEMA, T. de
porção visível do mesmo apenas perceptível; frontal subisodiamétrico; pa-
rietais de comprimento menor que o dobro de sua largura; ventrais, 190-234;
subcaudais, 30-45. Coloração: geral dorsal vermelho-lacre claro, com três es-
trias longitudinais estreitas, escuras, mais ou menos distintas; cada escama
de estria possui centro claro de modo que a melanina tinge perifericamente e
o aspecto geral da estria é de uma linha pontilhada ou interrompida de bran-
co; ventre branco-amarelado; face dorsal da cabeça preta com larga faixa
amarela transversal sobre parietais, que a distingue bem da anterior; nos
exemplares muito grandes, a faixa clara é escurecida com melanina, poden-
do mesmo ficar indistinta.
Di ls Tur 1:2 U21 cra o. "gredo ra rasto ranníia! 16):
restrita ao sudeste do Brasil, do litoral sul da Bahia ao Rio de Janeiro, com '
dispersão para terras adjacentes de Minas Gerais e, provavelmente, São
Paulo. AMARAL (1929) indicou-a para o nordeste do Brasil, não sabemos
com base em que espécimens, pois não os encontramos nas coleções do
Brasil, e nas principais da Europa e dos Estados Unidos da América.
Observações: sobre sua ecologia e habitat nada se
sabe, deduzindo-se que seja igual ao da espécie anterior.
1.3. Elapomorphus (E.) wuchereri Günther, 1861.
(Fig. 16)
Elapomorphus wuchereri Günther (part.), 1861a, Ann Mag. nat. Hist. (3)7:415, fig.
Elapomorphus accedens Jan, 1862, Arch Zool. Anat. Fis. Torino, 2:46, localidade-tipo: Bahia, Brasil.
Elapomorphus lepidus — Amaral (part.), 1929, Mems Inst. Butantan, 4:47, 107, 224.
Material-tip o: dois síntipos depositados no British Museum (Natural-
History); dois outros síntipos de GUNTHER (1861) depositados na mesma coleção, foram reidentifi-
cados por BOULENGER (1896) como de £. (E.) /epidus.
Localidade-tip o: região do rio Ilhéus, Estado da Bahia, Brasil, conforme
BOULENGER (1896).
Diagnose: pouco difere de E (F.) lepidus. Morfologia:
cabeça um pouco mais afilada que aquela. Folidose: frontal mais longo que
largo, cabendo a largura uma e meia a uma e dois terços no comprimento,
seu comprimento é igual ou maior que a distância de si à ponta do focinho;
parietais muito longos, o dobro de sua largura; ventrais, 176-184; subcau-
dais, 27-45. Coloração: dorsalmente é vermelho-lacre com três estrias es-
curas longitudinais que desaparecem no adulto; ventre branco; cabeça man-
chada de castanho-escuro de forma marmorizada, escurecendo mais ainda
para os lados; uma faixa amarela larga, tinge do Ill ao VI supralabiais e que,
com a idade, desaparece com o escurecimento, conforme GUNTHER (1861).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 61
L
Comentário AMARAL (1929) afirmou que é sinônimo
de £.(£.) /epidus.
Bars teratbaunine a o" igero a r art era (ng: 16):
igual a £. (£.) /epidus.
Observações: hábitos e habitat desconhecidos, mas
devem ser iguais aos da espécie anterior.
2. Elapomorphus (Phalotris) Cope, 1862.
Phalotris Cope, 1862, Proc. Acad. nat. Sci. Philad. (1861) 13:524.
Elapomorphus — Strauch (part.) 1884, Mel. biol. Acad. imper. Sci. St. Pétersb., 12:155
Espécie-tipo: E. (Phalotris) tricolor Dumeril, Bibron et Dumeril, 1854.
Diagnose: Morfologia: cabeça reforçada, variando de um
nouco alongada a muito larga, com focinho projetado sobre a mandíbula, de
ponta arredondada ou afilada ou mesmo pontuda; olhos muito pequenos e
eentrantes, diminutos, semelhantes aos de Micrurus Wagler, 1824; decli-
vidade do dorso do focinho menos acentuada que em E. (Elapomorphus);
ıuda muito curta, grossa e romba. Folidose: dois internasais e um prefron-
| grande, transversal; temporais podem faltar. Coloração pardo-ocrácea a
vermelha.
BRs tin beurine avo qe o gr a fica tio 1705
Brasil sul, sul da Bolivia, Paraguai, Argentina e Uruguai.
Comentário: subgênero representado por seis espécies
que podem ser distribuídas em quatro grupos morfocromáticos:
a) Grupo tricolor, cor uniforme vermelha:
1. E (Phalotris) tricolor Duméril, Bibron et Dumeril, 1854.
1. E (Phalotris) mertensi Hoge, 1955.
b) Grupo spegazzinii, cor estriada de preto, com manchas pretas ven-
trais e colares, nucal e anal:
3. E. (Phalotris) spegazzinii Boulenger, 1913.
4. E. (Phalotris) lemniscatus Duméril, Bibron et Dumeril, 1854.
c) Grupo punctatus, intermediário entre (a) e (b):
5. E (Phalotris) punctatus Lema, 1979.
d) Grupo nasutus focinho pontudo, intermediário entre E/apomorphus
e Apostolepis:
6. E. (Phalotris) nasutus Gomes, 1915.
José Miguel Cei (comunicação epistolar, 1984) descreveu espécie,
Elapomorphus cuyanus, com base em espécimens das Províncias argentinas
de Mendonza e San Juan, a sudoeste da Argentina não patagônica. A es-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
62 LEMA, T. de
pecie nova de Cei, cuja descrição está no prelo, apresenta-se muito próxima:
de E. (P,) spegazzinii. 7
2.1. Elapomorphus (P.) tricolor Duméril, Bibron et Duméril, 1854.
Rigs 7)
Elapomorphus tricolor Duméril, Bibron & Duméril, 1854, Erp.gen., 7:837.
Phalotris tricolor — Cope, 1862, Proc. Acad. nat. Sci. Philad. (1861) 13:302.
Material-tip o: holótipo depositado no Muséum Nationale d'Histoire Natu
relle, Paris.
Localidade-tipç o: Santa Cruz, Departamento Santa Cruz, Bolívia, confor-
me VANZOLINI (1948).
Diagnose: espécie de porte pequeno. Morfologia: cabeça
curta, com focinho redondo, zona parietal elevada plana em cima ou en-
talhada. Coloração: cabela preta superiormente, com colares nucais branco-
amarelado e preto, este último da largura de 5 a 6 escamas dorsais verte-
brais; zona vertebral vermelho-cinábria (conforme SÉGUY, 1936), que se tor-
na clara na linha paraventral; ventre branco.
Dist ricbulilca o qe cara Ticiano 17):
própria da região do chaco, desde a Bolívia meridional até o norte e nordes-
te da Argentina; um registro para nordeste do Uruguai; nc Brasil ocorre na
região sudeste (oeste de São Paulo e Mato Grosso para Mato Grosso do
Sul).
O bs ervaçó es: campos do tipo cerrado.
2.2. Elapomorphus (P.) mertensi Hoge, 1955.
(Eigs.3,.17)
Elapomorphus tricolor — V. Brazil, 1914, Defense ophid.: est. 8, fig.3; — Vanzolini, 1948 (part.), Rev-
ta. bras. Biol., 8:3):383.
Elapomorphus mertensi Hoge, 1955, Senckenb. biol., 36(5/6):301, est.27, 29, fig.3.
Material-tip o: holótipo depositado no Instituto Butantan, São Paulo, IBSP
16425; 133 parátipos por designação original, depositados, 121 no mesmo Instituto e 11 no Museu de
Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, procedentes dos Estados de Minas Gerais, São
Paulo e Paraná, Brasil.
Localidade-tip o: Serra Azul, nordeste do Estado de São Paulo, Brasil.
Diagnose: Pode atingir até 1,5m, sendo, portanto, o táxon
de maior porte do gênero. Aspecto geral de £. (P.) tricolor, com a qual es-
teve confundida. Folidose: sutura entre os internasais ausente; ventrais, 223-
252; subcaudais, 21-36. Coloração: cabeça preta superiormente, colares
nucais creme-amarelado e preto, este da largura de 2 a 3 escamas dorsais
semelhando ser apenas uma margem do colar claro; zona dorsal vermelho-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 63
cinábria (conforme SEGUY, 1236), com a fila paraventral clara, quase bran-
ca; escamas. dorsais com ápice preto; faces inferiores brancas. 2
DAS rd bruno: Amor agueno gif ár fulugrar (fig, un:
centro-sul do Brasil, Estados de Minas Gerais (sul), São Paulo e Paraná
(norte).
Comentários: HOGE (195) aventou a possibilidade de
existir uma subespécie a sudoeste do Estado de São Paulo e no de Mato
Grosso, por ter notado diferenças nos exemplares procedentes dessa região,
mas não citou-as. É possível que E. (P.) mertensi seja simpátrica com E. (P.)
tricolor na área indicada e, como são espécies muito próximas, que haja
hibridização entre elas.
Observações: pela distribuição geográfica dos exem-
plares colecionados no Instituto Butantan, parece ser uma espécie que
ocorre tanto na zona da mata como no cerrado. É relativamente comum nas
matas úmidas do Instituto Butantan, em São Paulo.
2.3. Elapomorphus (P.) spegazzinii Boulenger, 1913.
Elapomorphus lemniscatus — Boulenger (part.), 1885, Ann. Mag. nat. Hist. (5) 15.321, est.10; —
Serie, 1915, Ann. Mus. Hist. nat. Buenos Aires, 27:106.
Elapomorphus spegazzinii Boulenger, 1913, Ann. Mus. civ. St. nat. Genova (3)6:49; — Marelli, 1924,
Mems minist. Obras publ. Argentina (1922-23):593.
Elapomorphus bilineatus — Amaral (part), 1929, Mems Inst. Butantan 4:47, 107, 223.
Material-tip o: holötipo depositado no Museo Civico di Storia Naturale
Giacomo Doria, Genova, MSNG 30651.
Localidade-tip o: cidade de La Plata, Província de Buenos Aires, Argen-
tina.
Diagnose: espécie de tamanho médio. Morfologia: focinho
redondo com rostral curvo, nunca proeminente; mandíbula pouco recuada;
cabeça um pouco alongada e alta, focinho nunca deprimido. Folidose: inter-
nasais geralmente não formam sutura entre si; escudos supracefálicos alon-
gados, de lados paralelos; ventrais, 187-222; subcaudais, 21-38. Coloração:
geral ocrácea (SÉGUY, 1936), geralmente com duas estrias pretas longi-
tudinais cujas escamas não apresentam debrum claro; estria vertebral nem
sempre presente, podendo apresentar-se vestigial; zona vertebral com fino
pontuado preto, estando os pontos dispersos por toda a zona ou concen-
trados na linha neural; pontos pretos atingem principalmente a periferia de
cada escama; lados sob estrias pleurais são branco-pardacentos manchados
ou não de preto; manchas ventrais grandes com borda livre irregular.
Disto ro bina lach apos igiesorig- nanda erasmilfig: 16):
Argentina, exceto as terras áridas a noroeste desse país como quase toda a
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
64 LEMA, T. de
Patagônia; na Patagônia, a espécie ocupa apenas a estreita faixa do litoral
atlântico até cerca de 42º LS. E
O bis es-mevi are so les: espécie própria da Província Zoo-
geográfica Pampeana, de savanas úmidas e secas, clima temperado com
temperaturas acentuadas em períodos curtos no verão ou no inverno.
Niloutcoa s bias on! O mi cia” DUMERIL, SF PIBRONERE
DUMÉRIL (1854) descreveram Flapomorphus bilineatus com base no espé-
cimen MHNP 3667 (Museu de Paris), procedente da Província Corrientes,
Argentina e Elapomorphus lemniscatus, cujo holótipo procede de Monte-
videu, Uruguai, segundo LEMA (1977, 1979a). STRAUCH (1885) e BOU-
LENGER (1896), aceitaram ambas como espécies válidas. AMARAL (1929)
sinonimizou E. /emniscatus com E. bilineatus. LEMA (1977, 1979a) reviu
todos os tipos dos nomes sinonimizados com £. bilineatus sensu AMARAL
(1929) e analisou a variação dessas serpentes em toda a área de ocorrência,
propondo subespécies. Concluiu que o holótipo de £. bilineatus era um in-
tergradante entre as subespécies da Argentina, suspectus x spegazzinii, e
que o holótipo de £. /emniscatus representava uma subespécie própria dos
pampas que se estendem do Uruguai para o Rio Grande do Sul, Brasil. Nes-
te artigo, após análise crítica dos caracteres dos táxons da Argentina com-
parados com os do Brasil e Uruguai, consideramos as duas subespécies ar-
gentinas como pertencendo a espécie diferente do material do Brasil e
Uruguai. Tendo em vista os artigos | e 24c do Código Internacional de
Nomenclatura Zoológica, rejeitamos o nome e o tipo de £. bilineatus, usan-
do E. (P.) spegazzinii para a espécie ocorrente na Argentina, e £. (P.) /em-
niscatus para a que ocorre no Brasil e Uruguai, sendo que os holótipos de
ambas representam a contento ambas as espécies.
Divisão: conforme LEMA (1978a, 1978b) esta espécie está
dividida em duas subespécies, a nominal e E. (P.) spegazzinii suspectus
Amaral, 1924.
2.3.1. Elapomorphus (P.) spegazzinii spegazzinii
Boulenger, 1913.
(Eigs..5, 1%)
Elapomorphus lemniscatus — Boulenger (part.), 1885, Ann. Mag. nat. Hist. (5):15:321, est.10.
Elapomorphus bilineatus — Amaral (part.), 1929, Mems Inst. Butantan, 4:47, 107,223.
Elapomorphus spegazzinii Boulenger, 1913, Ann. Mus. civ. St. nat. Genova (3)6:49.
Elapomorphus bollei Mertens, 1954, Senckenb. biol., 34:183, fig.1, localidade-tipo: serras próximas a
Tándil, Buenos Aires, Argentina.
Elapomorphus bilineatus spegazzinii — Lema, 1978, Comunic. Mus. Ci. PUC-RS (17):12.
Elapomorphus lemniscatus spegazzinii — Lema, 1979, Iheringia (Zool.) (54):80.
Material-tip o: vide £.(P.) spegazzinii.
Localidade-tipo: vide E(P.) spegazzinii.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 65
Diagnose em relação ao gênero, é uma subespécie de
porte médio e aspeto reforçado, com cabeça um pouco alongada. Colo-
ração: geral dorsal, pardo-clara (ocre) rica em melanina sob a forma de fino
pontilhado preto esparso sobre toda a zona vertebral, entre duas largas es-
trias pleurais pretas longitudinais; estria vertebral presente ou ausente, ou
mesmo vestigial; lados, sob estrias, pardo-claros e brancos com as escamas
fortemente pigmentadas de preto ântero-superiormente que, em conjunto,
formam estrias oblíquas que atingem a primeira fila paraventral e mesmo
contatando com as manchas ventrais; cabeça marmorizada densamente de
preto sobre fundo ocre vivo; vestígios de colar nucal claro sob a forma de
manchas claras nem sempre distintas; com ou sem vestígio de colar nucal
preto; zona gular marmorizada de preto; há espécimens melânicos com
cabeça preta dorso-ventralmente, sem vestígios de colares nucais; manchas
pretas ventrais largas, com borda livre muito irregular semelhando picos de
uma cordilheira; subcaudais fortemente manchadas de preto em quase toda
a extensão, mas principalmente em suas margens internas, sendo suas -bor-
das livre irregulares.
Ec 6ti p o: ao sul da Província de Buenos Aires existem ele-
vações de cerca de 500m acima do nível do mar, em média, próximas à
cidade de Tändil e que se dispõem de leste a oeste, sendo que na extre-
midade ocidental ocorre a Sierra de La Ventana — a população existente
nessas elevações isoladas no meio do pampa argentino apresenta a colo-
ração mais clara, estrias mais estreitas e lados pleurais difusamente pon-
tuados de preto, dando um aspeto geral cinzento; também o porte é menor;
dessa área procede o tipo de “E. bollei” Mertens, 1954 que aqui apresen-
tamos como um ecótipo. Entretanto, é bem possível que uma amostragem
melhor na área venha a demonstrar a existência de uma subespécie endê-
mica dessas elevações.
Dees Spire aros gr 8.0. qr a) Talea, (Ng 18):
principalmente na Província de Buenos Aires, com dispersões para nordeste
(mesopotâmia) e oeste, atingindo zonas semi-áridas e aí se encontrando e
intercruzando com a outra subespécie (E. (P.) spegazzinii suspectus); para O
sul até a Patagônia.
O bs ervaçó es subespécie própria dos pampas planos
tipo savana, ricos de água e gramados, sendo chamada em alguns locais de
“culebra de los esteros” ou “culebra de los bafiados””; evita, portanto, as
regiões áridas; a única parte elevada que ocorre se situa ao sul do território
(vide Ecótipo).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
66 LEMA, T. de
2.3.2. Elapomorphus (P.) spegazzinii suspectus Amaral, 1924
(Figs. 6, 17)
Elapomorphus bilineatus — Amaral (part.), 1929, Mems Inst. Butantan, 4:47, 107, 223; — Scolaro &
Cei (part.), 1979, Copeia, 1979:745, fig.1.
Elapomorphus lemniscatus — Boulenger (part.), 1885, Ann. Mag. nat. Hist (5)15:321, est.10.
Elapomorphus suspectus Amaral, 1924, Joúr. Wash Acad. Sci., 14:202.
Elapomorphus bilineatus suspectus — Lema, 1978, Comunic. Mus. Ci. PUC-RS(16):2, figs. 1-3.
Elapomorphus lemniscatus suspectus — Lema, 1979, Iheringia (Zool.) (54):80.
Material-tip o: holótipo depositado no United States National Museum,
Washington, USNM 48939.
Locairidade-tip o: cidade Pilar, Província Córdoba, Argentina.
Diagnose: Subespécie de porte pequeno e aspeto geral
delgado, com leve depressão cervical. Coloração: cabeça preta, colares
nucais presentes, ambos estreitos; zona gular clara com mancha preta em
forma de “Y” na linha mediana, ligada a uma linha preta em arco sobre in-
fralabiais e sinfisal; cor dorsal geral ocre clara com duas estrias pretas lon-
gitudinais e zona vertebral com ou sem pontos pretos formando ou não linha
falhado; ou, em menor frequência, estria preta nítida vertebral; lados, sob
estrias, brancos e, assim, a face ventral, cujas manchas são retangulares ou
semilunares não tocando os lados de cada escudo, a borda livre levemente
irregular, subcaudais com manchas reduzidas apenas à borda interna de
cada escudo subcaudal, ou formando uma linha preta em ziguezague ou
mesmo, pontos isolados, ficando a face subventral praticamente branca; es-
ta subespécie possui, pois, baixa taxa de melanina. Para a região sudoeste
da Argentina há espécimens sem pontos pretos na zona vertebral.
Bisi =s-t ro bue ao “geo Tg, Frart ic aeg: 18):
pröpria do Distrito Zoogeogräfico Subandino na Argentina, atingindo ele-
vações altas da pré-cordilheira; dispersa-se para nordeste até a mesopotämia
dos rios Paraná e Uruguai onde intergrada com a subespécie nominal; dis-
persa-se para leste intergradando com a raça nominal ao longo de uma linha
N-S; para sudeste atinge até o litoral baixo atlântico da Patagônia até a
localidade de Puerto Madryn, Província Chubut, 42º30' LS (SCOLARO &
CEI, 1979), sendo o extremo meridional da distribuição do gênero E/apomor-
phus.
2.4. Elapomorphus (P.) lemniscatus Duméril,
“Bibron et Duméril, 1854.
(Fig. 17)
E. [lapsomorphus] lemniscatus Duméril (ex errore; nomen nudum), 1853, Mems Acad. Sci. Paris,
23:489.
Elapomorphus lemniscatus Duméril, Bibron & Dumeril, 1854, Erp. gen., 7:840; — Boulenger (part.),
1896, Cat. sn., 3:238, 240, 242, fig .17.
Phalotris lemniscatus — Cope, 1862, Proc. Acad. nat. Sci. Philad. (1861) 13:302.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 67
Elapomorphus bilineatus — Amaral (part.), 1929, Mems Inst. Butantan, 4:47, 107, 223.
Material-tip o: holótipo depositado no Muséum National d'Histoire Naturelle,
Patis, MHNP 3668, coletado por Charles Darwin.
Localidade-tipç o: “Amérique du Sud” designata (LEMA, 1977) como
Montevideo, Uruguai.
Diagnose Morfologia: porte maior que E. (P.) spegazzinii;
cabeça mais larga nos adultos e focinho tendendo ao cônico com a idade; os
jovens com cabeça um pouco mais alongada e focinho arredondado. Co-
loração: primária vertebral vermelha, com estrias e/ou faixas pretas longi-
tudinais, cujas escamas são sempre bordeadas de branco ou pálido; cabeça
geralmente preta; colares nucais geralmente presentes; zona vertebral sem
pontos pretos, exceto por vestígio da estria vertebral (em uma subespécie);
manchas ventrais com borda contínua, nunca irregular. Folidose: ventrais,
180-217; subcaudais, 19-36.
Dina ter, rg dl Ciao O SOB) 17 ant Cr do Mig; 172:
Brasil meridional ao Uruguai; dispersöes no sentido NE-SW atingindo o nor-
deste da Argentina, onde a subespécie nominal é simpátrica com E. (P.)
spegazzinii; parece atingir também, o lado oriental do Paraguai e terras ad-
jacentes da Bolívia, conforme material muito antigo depositado no Museu de
Paris.
ObservacodÖ e s: esta espécie ocupa uma região de clima
temperado com alguma influência subtropical, desde zonas florestadas
elevadas (Planalto) até planícies costeiras arenosas e savanas ricas e úmidas;
duas subespécies de elevações e duas de planos; as primeiras bilineadas e
com porte grande e as últimas trilineadas e menores.
Divisão: quatro subespécies, com a seguinte distribuição:
1. E (P.) lemniscatus lemniscatus: pampas uruguaio-brasileiros.
2. E (P.) lemniscatus trilineatus: litoral.
3. E (P.) lemniscatus iheringi: planalto.
4. E (P.) lemniscatus divittatus: serras do sudeste pampeano.
2.4.1. Elapomorphus (P.) lemniscatus lemniscatus Dumeril,
Bibron et Dumeril, 1854.
(Figs.. 7, 18)
Ph otris melanopleurus Cope (part.), 1885, Proc. amer. philos, Soc., 22.189.
Elapomorphus bilineatus lemniscatus — Lema (part.), 1970, Iheringia (Zool.) (38):103.
Elapomorphus lemniscatus lemniscatus — Lema, 1979, lheringia (Zool.) (54):80.
Material-tipo: vide E(P.) lemniscatus.
Localidade-tip o: vide E(P.) /iemniscatus.
Diagnose: Morfologia: porte médio, cabeça curta e larga,
focinho redondo afilando nos adultos mais desenvolvidos. Lepidose: rostral
visível de cima maior que a sutura entre internasais, sendo essa sutura geral-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
68 LEMA, T. de
mente longa; ventrais, 185-212. Coloração: cabeça castanho-anegrada, colar
branco-amarelado e colar preto sempre presentes e evidentes; região ver-
tebral vermelha com três estrias longitudinais pretas e largas; lados sob es-
trias creme, manchados difusamente de preto e com pontos nos indivíduos
melânicos; ventre branco-amarelado com manchas largas de lados retos ou
curvos e, neste último caso, com aspeto semilunar; manchas pretas dos
subcaudais de margem livre oblíqua, mais largas internamente, com aspeto
de uma folha composta de pteridófita no conjunto.
Dis terrbuicç ão gre o gor à fivevar aiiarisdo
Estado do Rio Grande do Sul, Brasil para o Uruguai; dispersa-se para o lado
da Argentina, a nordeste deste país, onde é simpátrica com E. (P.) spegaz-
zinii e, parece se dispersar para noroeste atingindo o Paraguai meridional e a
Bolívia atê Santa Cruz; no lado oriental do Rio Grande do Sul e Uruguai en-
contra e intergrada com a subespécie litorânea, E. (P.) lemniscatus trili-
neatus; para o nordeste da Depressão Central do Rio Grande do Sul, disper-
sa-se pelas elevações escalariformes que transicionam do pampa para o
planalto e aí intergrada com a subespécie serrana, E. (P.) /emniscatus iherin-
gi; das intergradações citadas resultou um número elevado de fenótipos que
podem destoar do conhecido o que vem ocasionando através dos tempos,
descrições de “novas espécies” por parte de vários especialistas.
O bservaçóes: subespécie própria de campos gra-
mados e ricos de coleções de águas, de clima temperado com chuvas e frio,
mas principalmente ventoso; povoa algumas elevações ocorrentes nos pam-
pas onde também surgem vegetais arbustivos e escassas árvores.
Mel anismo: no lado oriental do Uruguai e extremo sul do
Rio Grande do Sul adjacente, em estreita faixa de terra alongada de N-S
paralela ao litoral atlântico, ocorrem espécimens com taxa melânica elevada,
nos quais as estrias longitudinais são mais largas que o normal, acompa-
nhadas de pontos pretos laterais e pontos pretos na zona nuco-cervical que
podem tornar indistinto o colar nucal claro, que é cruzado pela estria ver-
tebral — parece tratar-se de melanismo populacional, pois vimos exemplares
de outras espécies de escamados procedentes dessa área ricos em melanina
(LEMA, 1977).
2.4.2. Elapomorphus (P.) lemniscatus trilineatus Boulenger, 1889.
(Bigs.'9,.18)
Elapomorphus trilineatus Boulenger, 1889, Ann. Mag. nat. Hist. (64:266.
Elapomorphus bilineatus lemniscatus — Lema (part.), 1970, Iheringia (Zool.) (38):103, fig.2b.
Material-tip o: holótipo depositado no British Museum (Natural History),
Londres, BMNH 89.8.24.1.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 69
Localidade-tipço: região do rio Camaquã, São Lourenço do Sul, Estado
do Rio Grande do Sul, Brasil.
Diagnose: subespécie de porte pequeno, com variação
morfológica ontogênica, sendo os filhotes ejovens de cabeça alongada e
focinho redondo, corpo afilado e delgado; adultos com cabeça curta, larga,
focinho cônico e corpo reforçado, praticamente com um só diâmetro em
toda sua extensão. Coloração: geral clara, com baixo teor de melanina; cor
vertebral pardo-clara levemente rosada, às vezes de tom cobre; sobre esse
fundo correm três estrias longitudinais pretas geralmente estreitas mas que
alargam-se nos exemplares com mais idade: cada estria tem a largura varian-
do de duas metades de escamas a uma escama ladeada de metade de cada
fila adjacente (1/2 + 1/2 ou 1/2 + 1 + 1/2); cada escama de estria preta,
além de ter sua margem pálida, possui a melanina distribuída principalmente
nos ápices e medianamente formando a figura de uma seta de pontas opos-
tas; lados, sob estrias pardo-amarelado claros ficando quase brancos na
face ventral, onde as manchas são pequenas e semilunares; a cabeça é mar-
morizada de preto com fundo pardo, sendo mais escura nos filhotes e jovens
e cinzenta nos adultos; colares nucais ausentes ou vestigiais, sendo o claro
cruzado ou não pela estria vertebral; o subventre é pobre de melanina, es-
tando esta restrita às suturas internas dos subcaudais, geralmente formando
uma estria preta em ziguezague.
DM spend Dr url serao os ugre oe Iresam(iig: 18):
restrita ao litoral arenoso e baixo do Brasil meridional até Maldonado,
Uruguai; intergrada com a subespécie pampeana, E. (P.) /emniscatus lemnis-
catus ao longo de uma linha geográfica N-S a leste da área, como que li-
mitando sua dispersão para oeste; no extremo nordeste do Rio Grande do
Sul ela dispersa-se pelas elevações crescentes que bordejam o Planalto
Meridional do Brasil e ai encontra e intergrada com a subespécie serrana, E.
(P.) lemniscatus iheringi; inclusive é possível encontrar nessa área indivíduos
intergradantes das três subespécies.
O bservaçóeçs: subespécie própria do litoral arenoso
meridional, vivendo enterrada na areia ou em galerias de tuco-tuco (Ctenom-
ys sp.); é mais ou menos comum nos campos costeiros, quer só de ve-
getação rasteira, quer arborizado com árvores exóticas (eucalipto).
Ecótipo: no extremo sudeste do Rio Grande do Sul parece haver uma
forma própria da área, de aspeto muito delgado, estrias muito finas e man-
chas ventrais cordiformes muito estreitas; em análise realizada por nós
(LEMA, 1977) considerâmo-la, previamente, um fenótipo regional (forma
leptolineata), que é simpátrica com indivíduos do padrão geral.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
70 LEMA, T. de
2.4.3. Elapomorphus (P.) lemniscatus iheringi Strauch, 1885.
(Figs. 10,18)
Elapomorphus iheringi Strauch, 1845, Mel. biol. Acad. St. Pétersb., 12:185.
Phalotris melanopleurus Cope (part.), 1885, Proc. amer. philos Soc., 22:189, localidade-tipo restricta
(LEMA, 1977): encosta do nordeste do Rio Grande do Sul, Brasil.
Elapomorphus bilineatus reticulatus — Lema (part.), 1970, Iheringia (Zool.) (38):104, fig.2a.
Material -t ip o: holötipo depositado no Zoological Institute of Academy of
Sciences, Leningrado, ZIL 3811.
Localideade- ti p o Mundo Novo, Taquara, Rio Grande do Sul, Brasil.
Diagnose Morfologia: subespécie de maior porte, podendo
atingir quase um metro de comprimento; possui aspeto reforçado, cabeça
alta, focinho redondo. Coloração: cabeça preta, colares nucais evidentes e
largos; zona vertebral vermelho-cinábria; zona pleural e ventral, pretas; as
escamas paraventrais (uma ou duas filas) podem apresentar a margem än-
tero-inferior clara mais larga ou mesmo serem claras, formando uma estria
clara paraventral; na linha vertebral podem haver pontos esparsos, represen-
tando vestígios da estria vertebral própria das raças dos planos baixos.
Djs tordob uso do geo g rá Teiler anellier 18):
subespécie própria do Planalto Meridional do Brasil, principalmente em sua
porção oriental, de São Paulo ao Rio Grande do Sul; dispersa-se para su-
doeste atingindo Misiones, Argentina; nas encostas meridionais do Planalto,
no Rio Grande do Sul, encontra e intergrada com a subespécie nominal,
bem como no limite nordeste do planalto, ainda no Rio Grande do Sul, in-
tergrada com E. (P.) /emniscatus trilineatus — desses cruzamentos surgem
fenótipos trilineados que vem confundindo pesquisadores alheios a esses
problema, como COPE (1885) e MERTENS (1954).
Observac oÖ e s: subespécie própria das florestas Úmidas
de araucária ou das que lhe substituíram nas partes mais altas do Brasil
meridional; o solo dessa região é formado pela desagregação do basalto,
mesmo assim a serpente se oculta rapidamente; no inverno cai neve nas
secções mais altas do extremo sul (São Joaquim, no Estado de Santa
Catarina e na “serra” do Rio Grande do Sul) e, normalmente, esta região é
bastante chuvosa e úmida, com frequentes cerrações.
2.4.4. Elapomorphus (P.) lemniscatus divittatus, ssp.n.
(Figs. 8, 18)
Elapomorphus lemniscatus — Boulenger, (part.), 1885, Ann. Mag. nat. Hist. (5)15:194; — Villagran,
1956?, Museu Dámaso Larränaga, Montevideo:25 (fig.).
Material-tip o: holótipo depositado no Museu de Ciências Naturais, Fun-
dação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, MCN 3784, parátipos na mesma instituição,
números MCN 1772, 4458, 4476; na Facultad de Humanidades Y Ciencias, Montevideo, FHCM
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 7A
0348; no Instituto Butantan, Säo Paulo, IBSP 1644, 1648; no Zoologische Sammlung des Bayerischen
Staates, München, ZSM 20714.
Localidade -t ip o: Passo do Atalho, Canguçú, Rio Grande do Sul, Brasil.
Diagnose destaca-se das demais por possuir apenas duas
linhas longitudinais pretas e as manchas pretas ventrais são largas e se-
milunares.
Descrição Morfologia: subespécie de porte grande,
semelhante a E. (P.) lemniscatus iheringi; cabeça alta e longa, com focinho
redondo. Coloração: cabeça preta, com colares nucais evidentes, sendo o
colar preto um pouco estreito; zona vertebral de cor coral, delimitada por
suas estrias pretas longitudinais largas; os lados sob estrias são amarelados e
imaculados; as faces inferiores são branco-amareladas com manchas pretas
transversais largas mas de lados biselados, com aspeto semilunar; possui
colar preto cloacal em forma de sela, como as demais subespécies.
East De Use do «q eco og "Aa fi Ca Mg: 18):
subespécie endêmica das serras a sudeste do Rio Grande do Sul, Brasil
(Serra do Sudeste) que se estendem para o sudeste do Uruguai até Punta
del Este e Montevidêo.
O bservaçóes: raça própria de campos altos cobertos
parcialmente de capões de mato, cuja altitude média é de 500m; o clima é
do tipo temperado para frio, sofrendo influência dos ventos que sopram nos
pampas.
2.5. Elapomorphus (P.) punctatus Lema, 1979.
(Figs. 4, 16)
Elapomorphus puncatus Lema, 1979, Revta. bras. Biol., 39(4):835, figs. 1-26.
Elapomorphus bilineatus — Scolaro & Cei (part.) 1979, Copeia, 1979 (4):746.
Material-tip o: holótipo depositado no Museo de La Plata, Buenos Aires,
MLPA 0579; cinco parátipos depositados: um no Departamento de Ponzofias do Instituto Nacional de
Microbiologia "Gustav. G. Malbran”, Buenos Aires, CHINM 3310, atualmente transferido para o
Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (o exemplar ainda não foi incorpora
o a esta instituição); dois estão na Fundación Miguel Lillo, Tucumán, FMLT 0015, 0710; um no Museu
de Ciências Naturais, Porto Alegre, MCN 6443; finalmente, um no Museo Civico de Storia Natural e
Giacomo Doria, Genova, sem número.
Localidade-tipo: Rosário de la Frontera, Salta, Argentina.
Diagnose Morfologia: espécie de porte pequeno, de
padrão cromático semelhante a E. (P.) tricolor mas de coloração primária
igual a E. (P.) spegazzinii suspectus. Coloração: cabeça preta, colares nucais
evidentes, sendo o colar preto muito largo, cerca de 6 a 12 escamas dorsais
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
72 LEMA, T. de
de largura; zona vertebral ocre, sem estrias, somente pontos pretos dimi-
nutos esparsos que desaparecem no terço final; aparentemente os pontos
estão irregularmente dispostos, entretanto, um exame cuidadoso mostra que
tendem à disposição em filas longitudinais, basicamente em número de três
filas, com vestígios do padrão trilineado; lados pleurais pardo-claros tornan-
do-se creme-amarelados para o paraventre; lado inferior branco imaculado,
da cabeça à cauda.
Deles rel cute a o. "ge o qr af orale 1):
noroeste da Argentina com dispersão para nordeste até Misiones, e para O
sul atê cerca de Mendonza.
ObservacdÖ e s: própria da região árida, parecendo ser
um táxon chaquense.
2.6. Elapomorphus (P.) nasutus Gomes, 1915
Rigs: 1° 12,17)
Elapomorphus nasutus Gomes, 1915, Ann. paul. Med. Cirurg., 4(6):121, est.3, figs.1-3; — Hoge &
Garcia, 1948, Mems Inst. Butantan, 21:67, est. 1,2.
Material-tip o: holötipo no Instituto Butantan, São Paulo, IBSP 0873; pa-
rátipo no mesmo instituto, IBSP 3085.
Localidade-tip o: Paineiras, Uberaba, Estado de Minas Gerais, Brasil.
Diagnose: Morfologia: difere das demais espécies por
apresentar focinho acuminado, aproximando-se de Apostolepis ambiniger
(Peters, 1869); tronco de diâmetro nitidamente maior que a cauda, que é al-
go afilada. Folidose: internasais apenas se tocam, sendo, cada um, trian-
guiar; frontal largo, pentagonal; temporais anteriores ausentes e parietais
tocam supralabiais; ventrais, 135-210; subcaudais, 20-39. Coloração: cabeça
pardo-escura, com tons mais claros, marmorizadamente; colar occipital claro
marginado de escuro ântero e posteriormente; tronco e causa de cor geral
pardo-rosada e castanha, com escamas dorsais orladas de escuro; lados
pleurais com dorsais escurecidas, destacando-se como faixas longitudinais
da largura, cada uma, de quatro filas de escamas no tronco e 2,5 na cauda;
essa faixa é mais escura em alguns exemplares que em outros; ventre claro,
rosado em vida, assim também a estreita fila paraventral.
Comentários: um exemplar do Paraguay, descrito par-
cialmente por LAURENT (1974) e que examinamos, mostra-se muito diferen-
te, no colorido, das descrições de GOMES (1915) e HOGE & GARCIA
(1948); a região vertebral apresenta-se pardo-escura com um forte tom
avinhado, faixas pleurais muito escuras e zona paraventral de igual cor e os
lados dos ventrais também são escuros; sobre a linha vertebral há uma série
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 73
de traços pretos, como vestígios de estria fina; este exemplar aproxima-se na
cor, bastante de Apostolepis erythronota (Peters, 1880) (fig. 12).
BRs otrrbpoyiirçÃãaro qe og ra triica lilo. 17):
espécie de distribuição mais concentrada ao sul de Minas Gerais e São
Paulo, Brasil, com dispersão para o norte de Santa Catarina; um registro
para o Paraguai oriental (LAURENT, 1974).
O bservaçó es: espécie própria do cerrado; pouco se
sabe de seu habitat.
CONSIDERAÇÕES ZOOGEOGRÁFICAS E FILOGENÉTICAS
As serpentes do gênero Flapomorphus são altamente modificadas pela
adaptação ao meio subterrâneo, como, também, para a inoculação de
peconha. Aproximam-se dos gêneros americanos, Tantilla Baird & Girard,
1853, Apostolepis Cope, 1862, Parapostolepis Amaral, 1921 (opistoglifodon-
tes), Micrurus Wagler, 1824 e Micruroides Schmidt, 1928 (proteroglifodon-
tes); aproximan-se, também, dos gêneros africanos, Calamelaps Günther,
1866, Polemon Jan, 1858 e Xenocalamus Günther, 1868. LAURENT (1974)
acredita que E. (P.) nasutus possa pertencer a outro gênero, próximo a
Xenocalamus, pela forma do focinho. SAVITZKY (1982) afirma o mesmo em
relação ao gênero Zlapomorphus, mas separa àquelas africanas na Sub-
família Aparallactinae, revivendo para as americanas, Elapomorphinae Jan,
1862 (partim). O gênero E/apomojus Jan, 1862, que AMARAL (1929) re-
conheceu em sua lista, foi descrito com base em um exemplar e até agora
não se encontrou outro; pelo exame do mesmo (LEMA, ms.c), vimos tratar-
se de um espécimen rico de anomalias de Apostolepis erytrhonota e que,
pela Lei de Prioridade, passa a chamar-se Apostolepis dimidiata.
Selecionamos diversos caracteres para avaliação do grau evolutivo
dessas serpentes fortemente adaptadas à vida subterrânea e que são: forma
da cabeça (alta, deprimida; longa, curta; afilada, larga; plana, angulosa;
focinho arredondado, cônico; pontudo), dentição maxilar (número, tamanho
relativo, forma, sulco da presa, posição desta em relação ao olho), escamas
dorsais (número de filas, redução ou não, e a forma na linha neural, e nas
nucais, occipitais, cervicais, paraventrais, caudais, e dos escudos supranais),
padrão cromático (dorsal, ventral; estrias, faixas, liso; vertebral, pleural,
paraventral), coloração primária (pardo, lacre, cinábrio, coral), colares nuco-
cervicais (presença, ausência, vestígios; largura, absoluta e relativa), co-
loração da cabeça, anelanal, tamanho do olho, número de escudos su-
pracefálicos, diâmetros (cabeça, cervical, tronco e cauda; anterior e pos-
teriormente), abertura bucal, forma da fenda e escudo anal. Com base na
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
74 LEMA, T. de
avaliação da polaridade evolutiva de tais caracteres, elaboramos o clado-
grama (fig. 13), que mostra uma derivação evolutiva genérica transacional
para as Micrurinae, confirmando complementarmente o exposto por SAVIT-
ZKY (1982).
Elapomorphus bilineatus sensu AMARAL (1929) é considerada aqui
como um composto taxonômico de duas espécies, E. (P.) spegazzinii e E.
(P.) lemniscatus mas com a mesma origem, formando subespécies ao longo
das áreas que iam ocupando no processo de dispersão; outro enfoque, seria
o de terem centros de origem próprios. Considerando como válida a pri-
meira hipótese, o centro de origem teria sido a Província de Buenos Aires,
onde ela é mais comum e variável, tanto no porte como no colorido e na
forma; daí dispersou-se para oeste e norte, sendo barrada, a leste, pelo
oceâno Atlântico, ao sul pela Patagônia e a noroeste, pelas zonas áridas e
salinas e, no extremo oeste, pela Cordilheira dos Andes. O contingente que
atingiu os terrenos junto à cordilheira, diferenciou-se na raça E. (P.) spegaz-
zinii suspectus. O contingente que atingiu o Uruguai, logo viu-se isolado
pelo rápido e recente alargamento do Río de La Plata, diferenciando-se na
espécie £. (P.) /emniscatus, pela total interrupção do fluxo genético da
população-mãe. Esta última dispersou-se livremente pelo pampa e pela res-
tinga de terras costeiras litorâneas, então isoladas do continente pela linha
das lagoas emendadas, desde Laguna, Santa Catarina, Brasil até o Uruguai,
subespeciando-se como E. (P.) /emniscatus trilineatus. O táxon originador
deste, £. (P.) /emniscatus lemniscatus, povoou todas as partes baixas pam-
peanas do Uruguai e Rio Grande do Sul inclusive atingindo as bordas do
Planalto Meridional do Brasil e as serras do lado oriental da área; as que
povoaram a margem sul do Planalto foram se dispersando até São Paulo,
vindo a constituir-se na E. (P.) /emniscatus iheringi, e aquelas que ficaram
isoladas nas serras baixas meridionais, constituíram-se em E. (P.) /emnis-
catus divittatus. Com o levantamento geológico do litoral meridional (DE-
LANEY, 1966), as lagoas foram se isolando, estabelecendo-se pontes ligando
o litoral com o continente e, por elas dispersaram-se indivíduos de E. (P.)
lemniscatus trilineatus, encontrando-se e intercruzando com a raça pam-
peana (nominal), processo esse que está em franco andamento e poderá
resultar no desaparecimento da raça litorânea ou na formação de um fe-
nótipo novo. Essa teoria baseia-se não só no estudo meticuloso que fizemos
de razoável amostragem de exemplares (LEMA, 1977) como na fisionomia de
toda a secção meridional do Brasil e Uruguai (LEMA, 1982), bem como nos
“Centros de Dispersão de Vertebrados" propostos por MULLER (1973).
A segunda possibilidade, isto é, de cada uma das espécies ter tido
centro de origem diferente; £. (P.) spegazzinii teria surgido no Centro Bo-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Flapomorphus... 75
nariense e ocorrido a dispersão antes descrita, enquanto que, £. (P.) /emnis-
catus teria surgido no Centro Paranaense e se dispersado para o sul, po-
voando o pampa, aí formando E. (P.) Jemniscatus lemniscatus, e no litoral
então isolado, surgiu E. (P.) /emniscatus trilineatus, bem como povoando as
serras de sudeste da área, surgindo £. (P.) /emniscatus divittatus. Esta, por
povoar área de características ambientais semelhantes às do Planalto, man-
tem muita afinidade com E. (P.) /emniscatus iheringl.
O cladograma da (fig. 14) foi construído com base, principalmente nos
caracteres das diferentes subespécies, destacando-se: porte, forma da
cabeça, padrão cromático e análise da corologia (LEMA, 1977).
As serpentes da subfamília Elapomorphinae formam um grupo natural
bastante homogêneo do ponto de vista da morfologia, ainda que a osteo-
logia craniana e o hemipênis ainda são pouco conhecidos. Aproximam-se
fortemente dos Aparallactinae e Micrurinae, apresentando todas esas ser-
pentes, um tipo resultante da evolução convergente pelas modificações
adaptativas ao meio subterrâneo. Do ponto de vista da dentição, por outro
lado, vemos um sentido evolutivo de aperfeiçoamento que tende de um tipo
não peconhento. Assim, a dentição maxilar dos Elapomorphinae, em par-
ticular as do gênero Elapomorphus, mostra-se como de um tanatofídio, com
presas muito longas, bastante anteriores, glândula peconhögena muito gran-
de (LEMA, 1977) e outros aspetos (SAVITZKY, 1982).
Finalmente, a comparação da morfologia da cabeça entre as diferentes
espécies de E/apomorphus, como cabeça curta e larga, longa e afilada, lon-
ga e larga, cônica, alta ou deprimida, possibilitou-nos construir cladogramas
das espécies, subespécies, relacionando-as aos habitats, seguindo a linha de
pensamento exposta para explicar a formação das diferentes subespécies de
E. (P.) spegazzinii e E. (P.) lemniscatus.
AGRADECIMENTOS
À Dra. Carmen Lúcia dos Santos Cordeiro, Chefe da Seção de Herpetologia do Instituto Butan-
tan, São Paulo, pela franquia da coleção. À Rejane Rosa, desenhista do Museu de Ciências Naturais,
Porto Alegre, pelo acabamento final das ilustrações (mapas e cladogramas).
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78 LEMA, T. de
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Figs. 1-4: Desenhos esquemáticos da região média do tronco de: 1. E.(E.) quinquelineatus
(Raddi, 1820); 2. E.(E.) /epidus Reinhardt, 1861; 3. E.(P.) mertensi Hoge, 1955; 4. E.(P.) punctatus
Lema, 1979 (holótipo).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 79
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Figs. 5-8: Desenhos esquemáticos da região média do tronco de: 5. E.(P.) spegazzinii spegazzinii
Boulenger, 1913; 6. E.(P.) spegazzinii suspectus Amaral, 1924; 7. E.(P.) lemniscatus lemniscatus
Dumeril, Bibron et Duméril, 1854; 8. E.(P.) /emniscatus divittatus SSP.n.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
80
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Figs. 9-12: Desenhos esquemäticos da região média do tronco de: 9. £.(P.) lemniscatus trili-
neatus Boulenger, 1889; 10. E.(P.) /emniscatus iheringi Strauch, 1884; 11. £.(P.) nasutus Gomes,
1915; 12. E.(P.) nasutus, exemplar do Paraguai (Desenhos do autor.).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Flapomorphus...
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Fig. 13: Cladograma mostrando um gradiente transicional de Elapomorphus Wiegmann, 1843
para Micrurus Wagler, 1824. (A) Parapostolepis Amaral, 1921; (B) Elapomorphus; (B') Elapomorphus
(Elapomorphus); (B'') Elapomorphus (Phalotris) Cope, 1862; (C) Apostolepis Cope, 1862; (D) Micrurus
sensu lato.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
81
82
LEMA, T. de
Fig. 14: Cladograma das subespécies de £.(P.) spegazzinii Boulenger, 1913
catus Duméril, Bibron et Duméril, 1854. Em hachurado as subespécies derivadas.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
e de E.(P.) /emnis-
Sobre o gênero Elapomorphus... 83
TRÓPICO
45ºW GREENWICH
Fig. 15: Area (a) presumivelmente ocupada pelos representantes do gênero Elapomorphus Wieg-
mann, 1843.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
84 LEMA, T. de
TRÓPICO
45ºW GREENWICH
Fig. 16: Distribuição geográfica das espécies de Flapomorphus. (Elapomorphus) Wiegmann,
1843; (q) E.(E.) quinquelineatus (Raddi, 1820); (2) E.(E.) /epidus Reinhardt, 1861; (w) E.(E.) wuchereri
Gunther, 1861.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
Sobre o gênero Elapomorphus... 85
TRÓPICO
45ºW GREENWICH
Fig. 17: Distribuição geográfica das espécies de Elapomorphus (Phalotris) Cope, 1862: (1) E.(P.)
lemniscatus Duméril, Bibron et Dumeril, 1854; (m) E.(P.) mertensi Hoge, 1955; (n.) E.(P.) nasutus
Gomes, 1915; (p) E.(P.) punctatus Lema, 1979; (sp) E.(P.) spegazzinii Boulenger, 1913; (t) £.(P.)
tricolor Duméril, Bibron et Duméril, 1854.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
86
LEMA, T. de
TRÓPICO
Hr FIG.I8
45ºW GREENWICH
Fig. 18: Distribuição geográfica das subespécies de Elapomorphus (Phalotris) spegazzinii
Boulenger, 1913 e de E.(P.) /emniscatus Duméril, Bibron et Duméril, 1854: São indicadas apenas as
áreas nuclerares, isto é, aquelas em que predominam indivíduos não intergradantes: (d) E. (P.) /emnis-
catus divittatus, ssp.n.; (i) E.(P.) /emniscatus iheringi Strauch, 1885; (I) E.(P.) lemniscatus lemnis-
catus; (sp) E.(P.) spegazzinii spegazzinii; (su) E.(P.) spegazzinii suspectus Amaral, 1924.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra Latreille, 1804 (Coleoptera, Ceramby-
cidae, Parandrinae): Estudo fenético e cladístico de 12 espé-
cies*
Tania Heloisa de Araujo Arigony**
RESUMO
A morfologia das espécies do gênero Parandra acha-se insuficientemente estudada o que di-
ficulta o correto estabelecimento das suas relações.
Com base em dissecações e desenhos dos diferentes tagmas, foi levantado elevado número de
caracteres que possibilitou acrescentar novas informações sobre as espécies.
A partir desses dados, foram redescritas 11 espécies, e descrita Parandra (Parandra) solomo-
nensis Arigony, 1983.
A relação entre as espécies foi estabelecida pelos métodos fenético e cladístico.
Discutidos os resultados, propõe-se a formação de três grupos de espécies.
ABSTRACT
The present paper aims at enlarging knowledge of morphology of species of subgenus Paran-
dra, genus Parandra. This morphological study was necessary to establish characters which would
allow a more precise description of species leadind to a more objective approach to understanding in-
trageneric relationships.
A large number of characters were selected after analysis of drawings and dissections of dif-
ferent structures. This study added new information to the existing knowledge on the species of
genus Parandra, s.str.
Using selected data, upon tagmata, eleven species were redescribed and a new one described
Parandra (Parandra) solomonensis Arigony, 1983.
Fenetic and cladistic methods were used to establish relationships between the species.
After discussion of results the twelve species were grouped into three groups. The first one
with P. gabonica, P. frenchi and P. araucariae, the second one with P. capicola, P. lata, P. murrayi
and P. araucana and, the last one, with P. passandroides, P. austrocaledonica, P. heterostyla, P.
solomonensis and P. janus.
INTRODUÇÃO
Os poucos conhecimentos sobre as espécies da Parandra s.str., prin-
cipalmente a carência de estudos morfológicos com vistas à descoberta de
novos caracteres e, a ausência de descrições mais detalhadas motivaram o
presente trabalho. O tratamento mais pormenorizado desse grupo de es-
pécies, tem como objetivo principal a proposição de elementos que definam
* Aceito para publicação em 05.VII.1984. Contribuição FZB nº 300. Parte da tese de Mestrado em
Ciências Biológicas, área de Zoologia, em 07.1V.82, na Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul (PUC-RS).
** Pesquisador do Museu de Ciências Naturais (MCN), Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul,
Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvol-
vimento Científico e Tecnológico (CNPq) Proc. 1111.5366/76-Z0-07.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
88 ARIGONY, T.H. de A.
novos caracteres, permitindo melhor estudo do subgênero. A pesquisa está
baseada em 12 espécies que se caracterizam pela presença de mandíbulas
não falciformes, com dente apical ventral presente, exceto em P. french,
carena paraocular nítida e sempre com carenas nas faces anterior e posterior
das tíbias.
Este grupo cosmopolita foi estudado a partir de caracteres obtidos de
machos, estabelecendo-se as relações através das análises fenética e cladis-
tica.
Posição sistemática d emEpraniman
drin ae: LATREILLE (1804), ao criar o gênero Parandra, colocou-
o entre os Cucujidae e, posteriormente em 1807 (apud LAMEERE, 1902)
situou-o em Cerambycidae. SERVILLE (1832) excluiu-o desta família, baseado
em caracteres das peças bucais e na presença do paroníquio tarsal. Desde
essa data até 1869, a posição deste gênero foi constantemente alterada, ora
constituindo família, ora incluído nos Cucujidae ou Cerambycidae conforme
LAPORTE (1840), BLANCHARD (1845), WHITE (1853) e THOMSON (1860;
1864).
A partir de LACORDAIRE (1869), a posição sistemática de Parandra,
constituindo uma tribo dos Prioninae, atualmente subfamília, mantêm uma
relativa estabilidade.
LAMEERE (1902) considerou o gênero Parandra como o ancestral dos
Cerambycidae s.l., relacionando esses longicórneos aos Trogositidae. O
mesmo autor (1912; 1913) continuou desenvolvendo estudos em Parandra,
tendo confirmado tal gênero dentre os Prioninae e proposto diversos sub-
gêneros. Não deixou, porém, de destacar a semelhança entre Parandra e
Passandra (Cucujidae).
CROWSON (1955) opôs-se às teorias de LAMEERE e, estabelecendo
algumas relações filogenéticas, registra que Prioninae, Anoplodermatinae e
Parandrinae formariam um grupo mais ou menos natural e que Parandra não
deveria ser o ancestre de todos os Cerambycidae. CROWSON (1960) torna a
registrar que Parandra é um Prioninae autêntico e como LAMEERE, rela-
ciona-o aos Trogositidae, apesar de apresentar justificativa diversa.
LINSLEY (1962) considerou este grupo como formado por longicór-
neos arcaicos, indicando uma série de caracteres que permite separá-los tan-
to de Prioninae quanto de Spondylinae. Destacou, ainda, que, apesar de ser
a larva do tipo primitivo, concordaria com outros grupos de Cerambycidae.
Atualmente Parandrinae conta com 3 gêneros: Parandra Latr.. 1804,
Erichsonia Westwood, 1849 e Hesperandra Arigony, 1978. Este último, des-
crito a nível de subgênero, foi elevado à gênero por VILLIERS, em 1980.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 89
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o gênero Parandra tem 44 espécies distribuídas em 3 subgêneros:
Parandra, Archandra Lameere, 1912 e Neandra Lameere, 1912.
Archandra, monotípico, caracteriza-se por apresentar duas setas no
paroníquio tarsal; gálea curta e pouco pilosa, lábio em três planos e man-
dibulas da fêmea com forte reentrância externa lateral. Espécie-tipo: P. cas-
pia Mênétriês, 1832.
O subgênero Neandra, restrito à fauna neártica, caracteriza-se pela
ausência de setas no paroníquio; cavidades coxais anteriores fechadas atrás;
mandíbulas dos machos falciformes, com dente basal interno truncado. Es-
pécie-tipo: P. brunnea (Fabricius, 1798).
As espécies de Parandra s.str., caracterizam-se por apresentarem uma
seta no paroniquio tarsal e cavidades coxais anteriores abertas atrás. Es-
pécie-tipo: P. laevis Latreille, 1804.
Este subgênero tem espécies nas regiões Neotropical, Etiópica, Oriental
e Australiana. São neotropicais: P. laevis Latreille, 1804; P. angulicollis
Bates, 1879; P. lata Bates, 1884; P. cribata Thomson, 1860; P. /ucanoides
Thomson, 1860; P. punctata White, 1853; P. punctatissima Thomson, 1860;
P.cubaecola Chevrolat, 1862; P. murrayi Lameere, 1912 e P. araucana Bosg,
1951.
São conhecidas duas espécies da Região Etiópica: ?. capicola Thom-
son, 1860 e P. gabonica Thomson, 1858.
As espécies da Região Australiana são: P. puncticeps Sharp, 1878; P.
striatifrons Fairmaire, 1879; P. passandroides Thomson, 1867; P. austro-
caledonica Montrouzier, 1861; P. frenchi Blackburn, 1895 e P. araucariae
Gressitt, 1959.
E, finalmente, registram-se cinco espécies para a Região Oriental: P.
janus Bates, 1875; P. heterostyla Lameere, 1902; P. formosana Miwa &
Mitono, 1939; P. shibatai Hayashi, 1961; P. so/omonensis Arigony, 1983.
Destas 23 espécies foram estudadas 12, que se caracterizam por
apresentar mandíbulas falciformes, com dente apical ventral, exceto P. fren-
chi, carena fronto-orbital nítida e todas as tibias com carenas nas*faces an-
terior e posterior. O estudo deste grupo de 12 espécies foi sugerido em
trabalho preliminar (ARIGONY, 1978) quando, pela constatação das carac-
terísticas supracitadas, evidenciou-se a formação de dois grupos de espé-
cies.
A não separação em täxon formal foi devida à necessidade da reali-
zação de estudos comparativos com as demais espécies.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
90 ARIGONY, T.H. de A.
O elenco das espécies estudadas com a respectiva distribuição geo-
gráfica é o seguinte: P. frenchi Blackburn, 1895, Austrália; P. araucariae
Gressit, 1959, Nova Guiné; P. gabonica Thomson, 1858, Chad, Camarões,
Guiné Equatorial, Uganda, Sudão, República Centro Africana, Congo, Zaire,
Tanzânia, Nigéria, Fernando Póo, S. Tomé; P. capicola Thomson, 1860,
Africa do Sul; P.lata Bates, 1884, México;P.murrayi Lameere, 1912, Brasil;
P.araucana Bosg, 1951, Chile, Argentina; P. janus Bates, 1875, Indonésia
(Filipinas, Java, Nova Guiné); P. solomonensis Arigony, 1983, Melanesia
(Ilhas Solomon); P. heterostyla Lameere, 1902, Indonésia (Ilhas Cêlébes); P.
austroceledonica Montrouzier, 1861, Melanésia (Nova Caledônia); P. passan-
droides Thomson, 1867, Melanésia (Nova Caledônia).
Parandra lata foi estudada a partir de fêmeas pela impossibilidade de
serem obtidos machos. Foram considerados os seguintes elementos para sua
inclusão: 1) a fêmea apresenta as características da espécie; 2) os caracteres
sexuais dimórficos foram definidos por estimativa supondo-se que sejam al-
tas as probabilidades de que possuam características semelhantes as dos
machos das espécies dos quais mais se aproximou; 3) a filogenia estabe-
lecida pode ser revista caso alguns caracteres estimados não se confirmem e
OS caracteres mensuráveis mostrem-se também altamente dimórficos.
Neste estudo não estão incluídas Parandra formosana Miwa & Mitono,
1939 e Parandra shibatai Hayashi, 1961 (relacionadas a P. janus Bates, 1875)
por não ter sido possível examinar nenhum exemplar.
MATERIAL E MÉTODOS
Material as coleções recebidas para estudo provieram das seguintes instituições:
AMNH (American Museum of Natural History, New York); BMNH (British Museum (Natural History),
London); BPBM (Bernice P. Bishop Museum, Honolulu); CASC (California Academy of Sciences, San
Francisco); CCCS (Coleção Campos Seabra, Rio de Janeiro); CUOC (Carleton University, Ottawa);
DEIB (Institut für Pflanzenschutzforschung, Eberswalde); IMLT (Instituto Miguel Lillo, Tucumán);
DZUP (Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná, Curitiba); FHCM (Facultad de
Humanidades y Cienciãs, Montevideo); IPCS (Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuárias
do Centro-Sul, Rio de Janeiro); IRSN (Institut Royal des Sciences Naturelles, Bruxelles); MNHB
(Museum für Naturkunde, Humboldt Universität, Berlin); MAGD (Museum and Art Gallery, Doncas-
ter); MNHN (Museum National d’Histoire Naturelle, Paris); MZSP (Museu de Zoologia da Universidade
de Säo Paulo, Säo Paulo); NHRS (Naturhistoriska Riksmuseet, Stockholm); NMSM (Natur Museum
und Forschung Institut Senckenberg, Frankfurt); SMTD (Staatliches Museum für Tierkunde, Dresden);
USNM (National Museum of Natural Histofy, Washington).
Na indicação das instituições norte-americanas foram utilizadas as abreviaturas conforme AR-
NETT & SAMMUELSON (1970).
Definição idos caracteres: inicialmente foram arrolados 64
caracteres que ficaram reduzidos a 51, após a transformação dos quantitativos em Índices.
Os valores dos caracteres quantitativos indicados por medidas das estruturas foram convertidos
em Índices, a fim de possibilitar uma comparação relativa das estruturas. Assim, por exemplo, dividin-
do-se o comprimento parcial da cabeça (fig. 2b) por sua largura (fig. 2a) obteve-se um Índice que per-
mite definl-la como estreita (até 2.50) ou larga (acima de 2.50). Os limites para as suas amplitudes
foram estabelecidas arbitrariamente. Todos os Índices foram codificados em estados.
Os caracteres qualitativos foram, também, codificados em estados, tantos quantos eram as di-
ferentes alternativas apresentadas e ordenados, em uma sequência lógica, tal como: ''Comprimento dos
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 91
artículos dos palpos maxilares: os artículos indicados em ordem crescente de comprimento fornecem
padrões: 1234(1), 1324(2), 1342(3)'.
O levantamento dos caracteres para estudo fenético e cladístico foi baseado nos desenhos do
exemplar macho por espécie. Quando havia mais de um exemplar,era selecionado o de tamanho médio.
A fêmea foi utilizada, apenas quando não se dispunha do macho. Os caracteres estudados, exceto os
mensuráveis, foram aqueles que não apresentavam variação intra-específica.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Cana e t'e res. (figs. 1-62):
1. Largura da cabeça (fig.2,a) dividida pelo seu comprimento parcial
(fig.2,b): estreita, até 1.50(1); larga, acima de 2.50(2).
2. Largura da cabeça dividida pela sua altura (fig.62,a): não achatada,
até 1.50(1); achatada, acima de 1.50(2).
3. Largura da fronte (fig.2,c) dividida pelo comprimento parcial da
cabeça: estreita, até 2.00(1); larga, acima de 2.00(2).
4. Fronte plana (1) (fig.2); com gibosidades (2) (fig.3,a); elevada la-
teralmente, não gibosa (3) (fig.5).
5. Fronte com depressão em “V” com vértice voltado para trás (2)
(fig.5,a) ou sem (1) (fig.2).
6. Clipeo-labro: com tubérculos (2) (fig.5,b) ou sem tubérculos (1)
(fig.2).
7. Clipeo-labro: com a regiäo central do bordo anterior em projecäo
arredondada (1) (fig.3,b); truncada (2) (fig.b).
8. Mandibulas padrão A(1) (fig.15); padrão B(2) (fig.17); padrão C(3)
(fig. 14); padrão D(4) (fig. 16).
9. Mandibulas sem dente infero-apical (2); com dente infero-apical(1)
(g>3):
10. Comprimento dos artículos dos palpos maxilares — indicado em
ordem crescente de comprimento — fornece padrões: 1234(1) (fig.37);
1324(2) (fig. 38); 1342(3) (fig. 36).
11. Ápice da gálea: atinge a base do 2º artículo do palpo (1) (fig.36); a
metade do 2º artículo (2) (fig.38); o 3º artículo (3) (fig.37).
12 Submento claramente delimitado por fina sutura (2) (fig.1,a) ou não
delimitado (1) (fig.4).
13. Submento com a superfície apenas pontuada (1) (fig.4); gros-
seiramente pontuada (2) (fig.1).
14. Largura da cabeça (fig.2,a) dividida pelo comprimento da gena
(fig.1,c); gena longa, até 4.99(1); gena curta, acima de 4.99(2).
15. Distância entre os bordos externos dos lobos superiores dos olhos
(fig.2,d) dividida pela largura da fronte (fig.2,c): olho pouco saliente, até
1.50(1); olho saliente, acima de 1.50(2).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
92 ARIGONY, T.H. de A.
16. Maior comprimento da órbita (fig.62,b) dividida pela sua menor lar-
gura (fig.62,c): curta, até 3.50(1); longa, acima de 3.50(2).
17. Número de omatídeos na menor largura do olho (fig.46): poucos,
até 10(1); muitos, acima de 10(2).
18. Área malar — acima do alvéolo antenal —: com um processo
tuberculado (2) (fig.62,d) ou não tuberculado(1).
19. Área sensorial da antena: não dividida e não visível de lado(1)
(fig. 43,45); dividida e não visível de lado (2) (fig. 41,42); dividida e visível de
lado! (3) (fig.39, 40).
20. Largura do protórax junto ao bordo posterior (fig.8,a) dividida pelo
comprimento do pronoto (fig.8,b): protórax largo, acima de 1.00(2); protórax
estreito, até 1.00(1).
21. Comprimento do pronoto dividido pela maior distância entre o
pronoto e o prosterno (fig.9): protórax achatado, acima de 1.20(2); protórax
não achatado, até 1.20(1).
22. Bordo lateral do protórax: anguloso (2) (fig.8,c) ou não anguloso
(1) (fig.6,a).
23. Bordo anterior do pronoto: saliente e procurvo (1) (fig.7); saliente e
recurvo (2) (fig.6); não saliente e recurvo (3) (fig.59).
24. Comprimento do pronoto dividido pelo comprimento do prosterno
(fig.11,a): prosterno curto, acima de 1.50(2); prosterno longo, até 1.50(1).
25. Comprimento do prosterno dividido pelo menor comprimento do
prosterno anterior à cavidade cotilóide, paralelo ao eixo longitudinal (fig.
11,b): prosterno anterior à cavidade — longo, até 3.00(2); prosterno an-
terior à cavidade — curto, acima de 3.00(1).
26. Comprimento prosternal dividido pela maior largura do proces-
so posternal (fig.11,c): processo prosternal — largo, até 5.00(2); processo
prosternal — estreito, acima de 5.00(1).
27. Distância entre os ápices dos proepimeros (fig.11,d) dividida pela
maior largura do processo prosternal: cavidades coxais anteriores muito aber-
tas atrás, até 3.00(1); cavidades coxais anteriores pouco abertas atrás, acima
de 3.00(2).
28. Maior largura do mesotórax na altura do mesoepimero (fig.10,a)
dividida pelo comprimento do mesosterno (fig. 10,b): mesosterno muito lar-
go, até 2.00(1); mesosterno largo de 2.01 até 3.00(2); mesosterno estreito,
acima de 3.00(3).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgenêro Parandra... 93
29. Maior comprimento do metasterno (fig.12,a) dividido pela maior
largura do metasterno (fig.12,b): metasterno longo, até 0.80(1); metasterno
curto, acima de 0.80(2).
30. Menor comprimento do metasterno (fig. 12,c) dividido pela maior
largura do metasterno: metasterno largo, acima de 0.79(2), metasterno es-
treito, até 0.79(1).
31. Maior comprimento elitral (fig.18,a). curto, até 10.00(1), longo,
acima de 10.00(2).
32. Maior comprimento elitral dividido pela maior largura umeral (fig.
18,b): úmeros largos, até 2.00(1); úmeros estreitos, acima de 2.00(2).
33. Pontuação elitral — pontos por mm? = (fig.18,c): escassa, de 13-
24(1); densa, de 25-37(2); muito densa, de 38-53(3).
34. Comprimento da asa — do árculo do ápice — (fig.21,a) dividido
pela distância da R1 ao ponto de ligação da rM com M3 (fig.21,b): asa lon-
ga, acima de 4.00(1); asa curta, até 4.00(2).
35. Distância da Rl ao ponto de ligação da rM com M3 dividida pela
distância do ápice da rM até o bordo da asa — sobre a M3 — (fig.21,c): dis-
tância — do ápice da rM ao bordo da asa — curta, até 2.00(1); distância —
do ápice da rM ao bordo da asa — longa, acima de 2.00(2).
36. Nervuras Cu2 e Al: fundidas na base(2) (fig.22,a) ou não fundi-
das(1) (fig. 21,d).
37. Nervura r1-r2 ausente(1) (fig.20,b) ou presente(2) (fig. 21,b).
38. Nervura Il r2-m2. ausente(1) (fig.21,e); incompleta(2) (fig.19,b);
completa(3) (fig.20,a).
39. Maior comprimento da coxa anterior (fig.26,b) dividido pela sua
maior largura (fig.26,a): coxa anterior longa, acima de 2.00(2); coxa anterior
curta, até 2.00(1).
40. Maior comprimento da coxa posterior (fig.27) dividido pelo maior
comprimento da coxa anterior: coxa posterior grande, acima de 1.50(2),
coxa posterior pequena, até 1.50(1).
41. Maior comprimento do abdome (fig.22,a) dividido pelo maior com-
primento do fêmur posterior (fig.24): fêmur posterior curto, acima de
2.00(2); fêmur posterior longo, até 2.00(1).
42. Maior comprimento da tíbia anterior (fig.2b,a) dividido pelo maior
comprimento de fêmur anterior: tíbia anterior maior, acima de 1.00(2); tíbia
anterior menor, até 1.00(1).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
94 ARIGONY, T.H. de A.
43. Maior comprimento da tíbia posterior (fig.23) dividido pelo maior
comprimento do fêmur posterior: tíbia posterior maior, acima de 1.00(2);
tíbia posterior menor, até 1.00(1).
44. Tíbia com a face externa: côncava (1) (fig.30); aplanada (2) (fi-
9.31); arredondada (3) (fig.29).
45. Esporões tibiais desiguais em todas as pernas (2) (fig.25,c) ou
desiguais apenas na primeira perna (1).
46. Dentes do ápice das tíbias desiguais em todas as pernas (2) (fig;
25,b) ou iguais em todas as pernas (1).
47. Tarsômeros basais anteriores — comprimento do 1º, 2° e 3º (fi-
9.44) dividido pelo comprimento do 5º (fig.28): tarsömeros basais curtos, até
1.00(1); tarsômeros basais longos, acima de 1.00(2).
48. Escovas tarsais com área ou média glabra: em nenhum tarsômero
(1) (fig.32); só no 3º tarsómero (2) (fig.34); no 2º e no 3º tarsómero (3)
(fig.35); no 1º, 2º e tarsômeros (4) (fig.33).
49. Maior comprimento do abdome dividido por sua maior largura
(fig.22,b): abdome curto, até 1.20(1); abdome longo, acima de 1.20(2).
50. Apófises do pênis: convergentes no ápice(1) (fig.48); retas(2)
(fig.47); divergentes (3) (fig.49).
51. Zoogeografia: Neotropical (1); Etiópica (2); Australiana (3); Oriental
(4).
Análise fenética: o fenograma de distância
(tabela |) apresenta dois ramos distintos: o primeiro mostra duas espécies —
P. austrocaledônica e P. passandroides — que são próximas entre si com
um nível de semelhança igual a 1.09; o segundo evidencia a presença de 4
grupos — P. araucana que se separa de todas as demais espécies ao nível
de 1.50; P. araucariae, P. frenchi unidas ao nível de 1.25; P. gabonica, P.
janus, P. heterostyla, P. capicola, P. solomonensis; P. murrayi e P. lata,
unidas ao nível 1.12. Estes dois últimos grupos unindo-se ao nível de 1.30.
Este fenograma apresentou um índice de correlação cofenética igual a 88.42.
O fenograma de correlação (fig.63) apresenta, também, dois ramos dis-
tintos: o primeiro, com duas espécies — P. austrocaledonica e P. passan-
droides — e o segundo, contendo 10 espécies, subdivide-se em dois grupos.
O primeiro deles é formado por P. araucariae, P. araucana e P. frenchi que
estão unidas a um nível de semelhança igual a 0.22. O segundo está divi-
dido, ainda, em dois subgrupos: um, com quatro espécies — P. gabonica,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 95
P. heterostyla, P. januse P. solomonensis — unidas ao nível de 0.01; e
outro, com três espécies — P. murrayi, P. lata, P. capicola — unidas a um
nível de — 0.01. O índice de correlação cofenética deste fenograma foi de
79.86.
Pelo exame dos dois fenogramas, observa-se que em ambos se man-
têm os seguintes grupos de espécies: P. austrocaledonica — P. passan-
droides e P. murrayi — P. lata Da mesma forma, pode-se observar a
manutenção do grupo gabonica — heterostyla — janus — solomonensis,
embora ocorram alterações nas posições relativas entre as espécies, e ca-
picola, que está associada a este grupo no estudo por distância, se liga ao
grupo /ata — murrayi no estudo por correlação. No fenograma por corre-
lação, araucana __ araucariae e frenchi constituem um grupo, enquanto, no
fenograma por distância, pode-se notar o afastamento de araucana.
Os valores de semelhança fenética por distância euclidiana foram os
que proporcionaram um fenograma mais ajustado pois o índice de correlação
cofenética foi de 88,42 em oposição aos valores obtidos a partir do cálculo
de correlação cujo índice foi de 79,86.
LAMEERE (1902) propôs uma classificação do subgênero colocando as
espécies em grupos, como segue: grupo Australiano, ao qual pertenceriam
as espécies passandroides, austrocaledonica e frenchi; o grupo Paleotropical,
formado por Janus e gabonica; grupo Lemuriano, constituído por thunbergi
(= capitola Thomson) e heterostyla; grupo “caraibes”, incluindo a espécie
lata. Não constavam as espécies murrayi, araucariae, araucana e solomo-
nensis, desconhecidas na época.
Comparando os dois fenogramas, pôde-se notar que alguns dos
grupos formados correspondem aos propostos por LAMEERE, (op.cit.) tais
como passandroides-austrocaledonica; janus-gabonica-heterostyla-caplcola,
espécies estas mais estreitamente relacionadas no fenograma de distância.
Convem destacar que LAMEERE utilizou, como elemento importante para o
estabelecimento dos grupos de espécies, a distribuição geográfica. Esta ten-
do sido incluída como um caráter na análise fenética que resultou nos fe-
nogramas referidos.
Auanmabulalıs jeto: Ikasıd- ess, to era. pela: Mútilização: do
Programa WAGNER - 78 foram feitos dois estudos: um, com 23 caracteres,
e outro, com 14 caracteres apenas. A escolha destes caracteres foi feita de
acordo com o indicado em resultados e discussão.
Do primeiro estudo cladístico (fig.64), utilizando 23 caracteres, obteve-
se como resultado a formação dos seguintes agrupamentos:
Grupo A — constituído por gabonica, frenchi e araucariae definido
pelo caráter 44(1): tíbia com a face externa côncava.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
96 ARIGONY, T.H. de A.
Grupo B — constituído por capicola, lata, murrayi e araucana, defi-
nidos pelos caracteres 44(2): face externa da tíbia aplanada; 4(1) fronte
plana.
Grupo C — constituído pelas espécies passandroides, austrocaledo-
nica, heterostyla, solomonensis, janus tendo como caráter de base 44(3):
tibia com a face externa arredondada.
Neste grupo formaram-se os subgrupos:
Subgruno C 1 — constituído por passandroides e austrocaledonica, es-
tabelecido por uma série de caracteres apomórficos, principalmente 1(2)
cabeça larga; 4(3) fronte elevada lateralmente, não gibosa; 5(2) fronte com
depressão em “'V”” com vértice voltado para trás; 7(2) clípeo labro com a
região do bordo anterior em projeção truncada; 21(1) protórax achatado.
Subgrupo C 2 — constituído de heterostyla e solomonensis, estabe-
lecido pelos caracteres 10(1): comprimentos dos artículos dos palpos ma-
xilares segundo padrão 1234; 13(2) submento com a superfície grosseira-
mente pontuada; 19(1) área sensorial da antena não dividida e não visível de
lado; 41(1) fêmur posterior curto.
Subgrupo C 3 — constituído por janus, definido pelo caráter 33(1):
pontuação elitral escassa.
Este primeiro estudo revelou um valor alto de homoplasias igual a
282—, com uma taxa de desvio de 0.36, relativamente alta para o número
de caracteres empregados. As homoplasias foram representadas principal-
mente pelos caracteres 2 — largura da cabeça —, 13 — superfície do sub-
mento —, 18 — presença ou não de tubérculo na área malar acima do al-
véolo antenal —, 22 — bordo lateral do pronoto —, 26 — comprimento do
processo prosternal —, 27 — abertura das cavidades coxais anteriores —, 33
— padrões de pontuação elitral —, 41 — comprimento do fêmur posterior
— e 49 — comprimento do abdome.
No segundo estudo (fig.65) foram utilizados apenas os caracteres com
taxa de consistência superior a 0.35, totalizando 14 caracteres. O número
das OTU's aumentou para 13 com a inclusão de uma espécie ancestral
hipotética — ancestre, ponto inicial da árvore.
Resultaram três grupos bem definidos cujas espécies neles distribuidas,
pouco mudaram na configuração do cladograma anterior.
Tendo como definidores os caracteres 44 — face externa da tíbia e 4
— tipo de escultura da fronte, estabeleceram-se os seguintes agrupamentos:
Grupo A — constituído por frenchi, gabonica, araucariae, definido
pelos caracteres 4(2) — fronte com gibosidades — e 44(1) — tíbia com a
face externa côncava.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 9%
As espécies P. araucariae e P. frenchi constituem um ramo definido
pele carater 19(3) — ärea sensorial da antena dividida e visivel de lado.
Grupo B — constituído por /ata, murrayi, capicola e araucana, definido
pelo caráter 4(1) — fronte plana e 44(2) — tíbia com a face externa apla-
nada.
A espécie P. capicola aparece como ancestre das demais espécies que
têm, em um dos ramos ata e murrayi apresentando, em comum, o caráter
20(1) — protórax largo junto ao bordo posterior.
Grupo C — constituído por janus, heterostyla, solomonensis, aus-
trocaledonica e passandroides, definido pelo caráter 4(2) — com gibosidades
e 44(3) — tíbia com a face externa arredondada.
A espécie P. janus aparece como ancestre das espécies restantes, ten-
do em um dos ramos P. heterostyla e P. solomonensis, que apresentam o
mesmo padrão de comprimento dos artículos dos palpos maxilares — caráter
10 — e o mesmo tipo de área sensorial da antena — caráter 19 —, em
oposição ao ramo em que se encontram austrocaledonica e passandroides,
identificados pelos caracteres 4(3) — fronte elevada lateralmente, não gi-
bosa; 5(2) — fronte com depressão em “'V” com vértice voltado para trás;
7(2) - clípeo-labro com a região central do bordo anterior em projeção trun-
cada.
Comparando-se com os resultados da análise fenética e cladística, cons-
tata-se que, nesta última, houve uma maior consistência dos agrupamentos
de espécies definidas por caracteres diagnósticos precisos,excluindo a influên-
cia do fator distribuição geográfica. A não influência desse fator pode ser
notada pelo deslocamento de capicola (etiópica), para junto das espécies
murrayi-lata (neotropicais), bem como pelo posicionamento de araucana, da
mesma forma que gabonica (etiópica) juntou-se a frenchi-araucariae (aus-
tralianas). Por outro lado, as espécies passandroides e austrocaledonica que,
nos fenogramas, não mostraram relação mais estreita com nenhum grupo,
uniram-se às espécies jJanus-heterostyla-solomonensis, no estudo cladistico.
Estes mesmos elementos de relacionamento, estabelecidos entre os
fenogramas e os cladogramas, podem ser indicados para os grupos for-
mados por LAMEERE (1902), consideradas apenas as espécies conhecidas
na época. Dos grupos supramencionados, propostos por este autor, só per-
siste nos cladogramas a relação passandroides-austrocaledonica.
Tratando-se de um grupo gondwänico (LAMEERE, 1902; CROWSON,
1955) deve-se admitir que já estivessem as espécies estabelecidas antes da
separação dos atuais continentes, não implicando, portanto, que as espécies
afins ou irmãs, co-existissem na mesma área zoogeográfica, conforme o es-
tudo de LAMEERE.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):5, 125, 25 jun. 1984
98 ARIGONY, T.H. de A.
As análises cladísticas — com 23 caracteres ou com 14 — mantiveram
os mesmos agrupamentos de espécies, visando apenas as distâncias e a
posição relativa entre os grupos de espécies. Mediante simples comparação
entre as duas “árvores”, pôde-se verificar que a retirada de 9 caracteres não
mudou a configuração dos grupos.
Como resultado, o método indica dois caracteres fundamentais na for-
mação dos agrupamentos: (4) o tipo de fronte e (44) características da face
externa da tíbia.
Deve-se destacar que a distribuição geográfica não foi utilizada como
um caráter, neste estudo cladístico.
Eihra vie para os GRI UMpaors de espécies:
1. Fronte plana; tibiaicom:a face extermalaplanadas. 2.2... 2.0 site cao on rapa a SR Grupo B.
Fronte com gibosidades ou forte depressão em “'V” e tibia com outro aspecto.......... 22222...
2. Tíbia com a face externa côncava: fronte com gibosidades ou com forte depressão em “V”.. Grupo A.
Tíbia com a face externa arredondada; fronte sempre com gibosidades ................. Grupo C.
G ru po JA: As espécies do grupo A caracterizam-se por
apresentar cabeça não achatada; fronte com gibosidades sem depressão
central em “V”; clipeo-labro sem tubérculo, com a região centrai do bordo
anterior em projeção arredondada; área malar acima do alvéolo antenal com
um processo tuberculado; protórax, junto ao bordo posterior, largo, não
achatado; tíbia com a face externa côncava.
Gihi avv-e prarnea caso Jess pré cai er Ss = dro) gSTzURpRoSE A:
1. Comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 1(1234) área sensorial da antena
não dividida e não visível de lado; Região Etiópica.........cccciicciiiiiiiciicta P. gabonica.
Comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324); área sensorial da antena
dividida-evisivelide'lado. . =... = soares aa o 020% ers ers ne dada ee Foo dao ga a RE DEAR RR 2:
2. Mandibula padrão B, com dente infero-apical; Região Australiana................... P. araucariae.
Mandíbula padrão C, sem dente Ínfero-apical; Região Australiana ........... 22222220. P. frenchi.
Parandra (Parandra) frenchi, Blackburn, 1895.
(Figs. 39, 54)
Parandra frenchi BLACKBURN, 1895:57; LAMEERE, 1902:95; 1013:4; 1919:260; LEA, 1919:26; DUFFY,
1953:31.
Diagnose: mandíbulas padrão C, sem dente infero-apical;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares com padrão 2(1324); área
sensorial da antena dividida e visível de lado.
Reprdue STEH Gráro; M a c h o: cabeça estreita (2.27),
não achatada (1.36); fronte larga (2.03), com gibosidades; sem depressão
central em “V”:; clipeo-labro sem tubérculo, com a região central do bordo
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 99
anterior arredondado; mandíbulas padrão C, sem dente infero-apical; com-
primento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324); ápice
da gálea, atingindo a base do 2º artículo do palpo; submento claramente
delimitado por fina sutura e de superfície apenas pontuada; gena longa
(4,03); olho pouco saliente (1.30); órbita curta (2.30); olho com poucos
omatideos na menor largura; área malar, acima do alvéolo antenal, com um
processo tuberculado; área sensorial da antena dividida e visivel de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.20), não achatado (1.09),
com bordo lateral não anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e
procurvo; prosterno longo (1.36), com comprimento anterior à cavidade
cotilóide longo (2.00); processo prosternal estreito (5.50); cavidades coxais
anteriores muito abertas atrás (2.75). Mesosterno largo (2.50). Metasterno
curto (0.89), estreito (0.57). Élitos curtos (8.75; úmeros estreitos (2.27); pon-
tuação elitral densa.
Coxa anterior longa (2.50); coxa posterior pequena (1.21); fêmur pos-
terior longo (1.96); comprimento da tíbia anterior maior do que o do fêmur
anterior (1:02); comprimento da tíbia posterior menor do que o do fêmur
posterior (0.96); tíbia com a face externa côncava; esporões tibiais desiguais
apenas na primeira perna; dentes do ápice das tíbias desiguais em todas as
pernas; tarsômeros basais anteriores longos (1.14); escovas tarsais com área
ou linha média glabra presente nos 1º, 2º e 3º tarsômeros.
Abdome longo (1.22).
Fêmea: fronte estreita (1.50); gena curta (5.73); órbita longa
(3.96), olho com muitos omatídeos na sua menor largura; bordo anterior do
pronoto não saliente e recurvo; cavidades coxais anteriores pouco abertas
atrás (3.20); mesosterno muito largo (1.14); élitros longos (14.00); fêmur
posterior curto (2.08); comprimento da tíbia posterior maior do que o do
fêmur posterior (1.17); tarsômeros basais anteriores curtos (0.97).
Distribuiçaàão Região Australiana.
Material-tipo: não foi examinado o material-tipo. HORN & KAHLE (1935-37)
registram a coleção French para Melbourne, Bruxelas ou Paris.
Material examinado AUSTRALIA. Queensland: 1 © BMNH, 1 Q
BMNH,1Q IRSN, 1Q MNHN;Nova Gales do Sul: 1 OQ BMNH,1 OQ NHRS,2 Q IRSN.
DAS eus Sis ato e rar tor no. mer io ar P% frenchi
caracteriza-se como única espécie de todo o grupo que não apresenta dente
infero-apical nas mandíbulas dos machos e denota aspecto peculiar, pois hä
notável redução do abdome em relação às proporções do protórax. Apro-
xima-se de P. araucariae por apresentar o comprimento dos artículos dos
palpos maxilares segundo padrão 2(1324) e antena dividida e visível de lado;
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):8/-125, 25 jun. 1984
100 ARIGONY, T.H. de A.
diferencia-se pela mandíbula padrão C. Difere de P. gabonica principalmen-
te, pelo tipo de antena e pelo padrão das mandíbulas.
Parandra (Parandra) araucariae Gressitt, 1959.
(Figs. 4,7,27,28,30,33,40,49,56)
Parandra araucariae GRESSITT, 1959:65.
Di ag no se: mandíbulas padrão B, com dente infero-apical;
comprimento dos articulos dos palpos maxilares segundo padräo 2(1324);
área sensorial da antena dividida e visível de lado.
Rreidres ec iriic ado. M a c h o: cabeça estreita (2.45),
não achatada (1.50) fronte estreita (1.84), com gibosidades, sem depressão
central em ''V’'; clípeo-labro sem tubérculo, com a região central do bordo
anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão B, com dente Infero-
apical; comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão
2(1324);, ápice da gálea, atingindo a metade do 2º artículo do palpo; sub-
mento não claramente delimitado por fina sutura, com a superfície apenas
pontuada; gena longa (4.89); olho pouco saliente (1.40); órbita longa (3.08),
olho com poucos omatídeos na menor largura; área malar acima do alvéolo
antenal com um processo tuberculado; área sensorial da antena dividida e
visível de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.10), não achatado (1.04),
com bordo lateral anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e procurvo;
prosterno curto (1.53), com comprimento anterior à cavidade cotilóide longo
(1.71); processo prosternal largo (4.82); cavidades coxais anteriores muito
abertas atrás (2.45). Mesosterno largo (2.07). Metasterno curto (0.93), largo
(0.80). Élitros médios (10.50); úmeros estreitos (2.21); pontuação elitral
muito densa.
Asa curta (3.47); distância, da rM ao bordo da asa, curta (2.67); ner-
vura Cu2 e Al não fundidas na base; nervura r1 - r2 ausente, Il 12 - m2 in-
completa.
Coxa anterior longa (2.29); coxa posterior pequena (1.21) fêmur pos-
terior curto (3.14); comprimento da tíbia anterior menor do que o do fêmur
anterior (0.87); comprimento da tíbia posterior maior do que o do fêmur
(1.16); tíbia com a face externa côncava; esporões tibiais desiguais apenas
na primeira perna; dentes dos ápices das tíbias iguais em todas as pernas; tar-
sômeros basais anteriores curtos (0.98); escovas tarsais com área ou linha
média glabra nos 1º, 2º e 3º tarsömeros.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgenêro Parandra... 101
Abdome longo (1.35). Apófises do pênis divergentes no ápice.
Fêmea: Gena curta (5.39); órbita curta (1.93); olho com muitos
omatídeos na menor largura; protórax achatado (1.02), com bordo lateral
não anguloso; bordo anterior do pronoto não saliente e recurvo; prosterno
longo (1.02); cavidades coxais anteriores pouco abertas atrás (3.33); élitros
longos (11.50); ümeros largos (1.92); fêmur posterior longo (1.85); com-
primento da tíbia anterior maior do que o do fêmur anterior (1.08).
Distribuicçáão: Região Australiana.
Material-tip o: GRESSITT, 1959:66 registra:
"Holotype O (BISHOP 2773) Wum. 840m, upper Jimmi Valley, SE Sepik drainage, NE New
Guinea, 16 July 1955, on felled Araucaria, GRESSITT...
Foram trabalhados, apenas, alguns dos parátipos mencionados por GRESSITT.
Meastle:r ia love x ami; n/ ade: ‚NOVA GUINE:Wau, 130: | 90. .BPBM;
Bulolo, 1 O ‚2 Q BPBM, parätipos; Feramin, 1 O ,2 Q BPBM.
DRIREsge uns smaco taxonômica a araucariae
aproxima-se de P. frenchi por apresentar o comprimento dos palpos ma-
xilares segundo padrão 2(1324) e antena dividida e visível de lado; dela
diferencia-se por apresentar mandíbulas padrão B com dente infero-apical.
Aproxima-se de P. gabonica somente quanto ao padrão mandibular e ao
dente infero-apical, dela diferenciando-se quanto ao padrão de comprimento
dos palpos maxilares e tipo de área sensorial da antena.
Parandra (Parandra) gabonica Thomson, 1858.
(Figs. 3,18,22,35,43,45,46,48,52,62)
Parandra gabonica THOMSON, 1858:145; 1867:112; 1878:4; LAMÉERE, 1902:97; 1912:116; 1913:6;
1919:18 (partim); SCHOUTEDEN, 1920:122 (partim); BURGEON, 1928:2; 1930:57; 1931:71 (par-
tim); PAULIAN & VILLIERS, 1941:205 (partim); FRANZ, 1942:47 (partim); LEPESME &
BREUNING, 1952:49 (partim);LEPESME, 1953:509 (partim); GILMOUR, 1954:4; 1956 (4-8) (par-
tim); FERREIRA & FERREIRA, 1955:178 (partim); DUFFY, 1957:12, 36, 48, 50 (partim); VILLIERS,
1946:48; 1957:147; 1966:1 (partim); QUENTIN & VILLIERS, 1977:128; FERREIRA, 1980:11
(partim).
Parandra beninensis MURRAY, 1862:452; 1870: 432; THOMSON, 1867: 107, 118; 1878:4; LAMÉERE,
1913:7.
Parandra aterrima QUEDENFELDT, 1882:320; LAMEERE, 1913:7.
Parandra conradti KOLBE, 1893:241, LAMEERE, 1913:7.
Parandra comoriana FAIRMAIRE, 1895:205.
Diagnose mandíbulas padrão B, com dente infero-apical;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 1(1234);
área sensorial da antena não dividida e não visivel de lado.
Ruten diseiss. ie Tuliçia o: M a c h o: cabeça estreita (2.38),
não achatada (1.48); fronte estreita (1.89), com gibosidades e sem depressão
central em “V”; clípeo-labro sem tubérculo, com a região central do bordo
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102 ARIGONY, T.H. de A.
anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão B, com dente infero-
apical; comprimento dos artículos dos palpos maxilares conforme padrão
1(1234); ápice da gálea, atingindo o 3º artículo do palpo; submento clara-
mente delimitado por fina sutura, com a superfície apenas pontuada; gena
longa (4.06); olho pouco saliente (1.34); órbita curta (2.35); olho com
poucos omatídeos na menor largura; área malar acima do alvéolo antenal,
com um processo tuberculado; área sensorial da antena não dividida e não
visível de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, estreito (1.02), não achatado
(1.13), bordo lateral não anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e
recurvo; prosterno curto (1.80) com comprimento anterior à cavidade co-
tilóide longo (2.00); processo prosternal largo (4.27); cavidades coxais an-
teriores pouco abertas atrás (3.33). Mesosterno largo (2.42). Metasterno lon-
go (0.79), estreito (0.66). Élitros longos (10.50); úmeros largos (1.68); pon-
tuação elitral densa, com aspecto rugoso.
Asa longa (4.09); distância, do ápice da rM ao bordo da asa, curta
(1.76); nervura Cu2 e Al não fundidas na base; nervura ri - r2 presente; ner-
vura || r2 - m2 incompleta.
Coxa anterior curta (1.83); coxa posterior grande (1.57); fêmur pos-
terior curto (2.10); comprimento da tíbia anterior menor do que o do fêmur
anterior (0.98); comprimento da tíbia posterior menor do que o do fêmur
posterior (1.00); tíbia com a face externa côncava; esporões tibiais desiguais
apenas na primeira perna; dentes do ápice das tíbias desiguais em todas as
pernas; tarsômeros basais anteriores curtos (0.71); escovas tarsais com área
ou linha média glabra nos 2º e 3º tarsômeros.
Abdome curto (1.13). Apófises do pênis convergentes no ápice.
Fêmea: gena curta (5.94); órbita longa (3.97); prosterno longo
(1.07); processo prosternal curto (9.09); mesosterno muito largo (1.90);
élitros longos (14.00) e úmeros estreitos (2.15); coxa anterior longa (2.56);
coxa posterior pequena (1.18); comprimento da tíbia posterior maior do que
do fêmur posterior (1.04).
D'icstribuica o Região-Etiópica;
Material-tip o: QUENTIN & VILLIERS, 1977:128 registram P. gabônica, lec-
tótipos (sic.) C'e QMNHN, Paris; P. beninensis, holótipo O BMNH, Londres; P. aterrima, holötipo O
MNHN, Paris; P. conradti, lectotipo ®) MNHB, Berlin; P. comoriana, holötipo O MNHN, Paris. No
presente estudo, näo foi visto nenhum dos tipos relacionados.
Material examinado: CHAD. Mongó, 2 Q MZSP. GUINÉ. Fernando
Pöo, 11 O NHRS; 10 Dr BMNH; Ilhas Annobon, 4 O USNM, 3 O IRSN, 1 Q MAGD. CAMA-
RÕES. Tiko, 1 © DEIB; Buea,2 O ,3 Q IRSN,3 0,7 Q- CASC,4 9 ,4_Q NHRS,30,2
Q DEIB; Musake, 4 0,3 Q IRSN; Ekoko, 2 0,6 QIRSN; Lolodorf, 1 O, 3 Q CUOC; Efluen, 1
5,4 Q CUOC; Joko, 6 & 2 SMTD, 1 O NMSM,1 GIRSN,1 O AMNH, 2 CUSMN; Soppo, 1
5 NMSM, 4 Q SMTD; Batanga, 1 Q CUOC; Niam, 1 O IRSN. GUINÉ EQUATORIAL. Beni, 1 ©
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O subgênero Parandra... 103
BMNH; Ilha São Tomé, 1 5,2 ) BMNH; Ilha Principe 1 Q BMNH. UGANDA. Entebbe 2 OQ BM-
NH; Kivuvu, 2 Q BMNH; Tero, 1 Q BMNH; Msoyi, 1 d BMNH. GABÃO. Ogoué, 9 5,21 QIR-
SN; Ebebying, 3 O, 1 Q MZSP. SUDÃO. Medje, 2 GO, 16 OQ AMNH. REPÚBLICA CENTRO
AFRICANA. Mongouba, 3 3, 13 Q IRSN; Lingunda, 1 OQ IRSN. CONGO. Pangala, 1 Q IRSN;
Mayombe, 1 Q USMN. ZAIRE. Kinda, 1 6) SMTD; Parque Nacional de Alberto, 3 0,1 Q IRSN.
TANZÂNIA, Nguelo, 2 OG NMSM, 5 0,3 Q IRSN,3 O, 4 QSMTD.
BDRIMSSE uses aro toa xo in 6. malscha: | Pisgabonica está
nitidamente separada das duas outras espécies do grupo, principalmente,
pelo tipo de antena e pelo padrão dos palpos maxilares. Separa-se de P.
frenchi por apresentar mandíbulas padrão B com dente infero-apical.
Aproxima-se de P. araucariae somente quanto ao padrão mandibular e à
presença de dente infero-apical, diferindo por todas as demais estruturas
diagnósticas.
GRUND ıO B: as espécies do grupo B caracterizam-se por
apresentar fronte plana, sem gibosidades e sem depressão central em “V”:;
clipeo-labro sem tubérculo, com a depressão central do bordo anterior em
projeção arredondada; mandíbulas com dente infero-apical; tíbia com a face
externa aplanada.
Ciunmamvrer pra poa darso espe ci eus dio. gr u pro "Bi
1. Mandíbula padrão A; comprimento dos leo: dos palpos maxilares segundo padräo 1(1234);
área sensorial da antena visível de lado; Região Neotropical ..........222 22 2ceeeeen P. araucana.
Mandibula padrão B; comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324); área
sensorialidarantenainão; visivel de lado. sas santas ss 0 un age ea namen anne a ea aba an RANA aa 0 2.
2. Área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; Região Neotropical ...... P. lata.
Área malar, acima do alvéolo antenal, com processo tuberculado........iccciiiisiiiiii 3
Em rotoraxilargomReg/doNEtIO pical E pets o msn iate no e açao E o cone Ea fe capicola.
Protórax estreito; Região Neotropical .......cciiciiiiii essen P. murray.
Parandra (Parandra) lata Bates, 1884.
(Figs. 17,50)
Parandra lata BATES, 1884:226; LAMEERE, 1902:88; 1913:6; 1919:17, BLACKWELDER, 1946:551.
Diagnose: cabeça achatada; mandíbulas padrão B; com-
primento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324); área
malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área sensorial
da antena dividida e não visível de lado; protórax estreito.
Rilendre ste nica o. M are, ho: “não estudado:
Fêmea: cabeça estreita (2.45) achatada (1.63); fronte larga
(2.05), plana, sem gibosidades e sem depressão central em “V”; clipeo-labro
sem tubérculo, com a região central do bordo anterior em projeção arredon-
dada; mandíbulas padrão B, com dente Ínfero-apical; comprimento dos ar-
tículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324); ápice da gálea atingin-
do à metade do 2º artículo do palpo maxilar; submento delimitado por fina
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104 ARIGONY, T.H. de A.
sutura, com a superfície grosseiramente pontuada; gena longa (4.45); olho
pouco saliente (1.27); órbita curta (2.64); olho com poucos omatídeos na
menor largura; área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuber-
culado; área sensorial da antena dividida e não visível de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, estreito (0.93), não achatado
(1.09); bordo lateral não anguloso; bordo anterior do pronoto não saliente e
recurvo. Prosterno curto (1.65) com comprimento anterior à cavidade co-
tilóide longo (2.08) e processo prosternal estreito (7.43); cavidades coxais
anteriores pouco abertas atrás (3.43). Mesosterno largo (2.86). Metasterno
longo (0:77), estreito (0.65). Élitros curtos (8.25); úmeros largos (1.88); pon-
tuação elitral densa.
Coxa anterior longa (2.27); coxa posterior pequena (1.17); fêmur pos-
terior longo (1.59); tíbia anterior menor do que o fêmur anterior (0.91); tíbia
posterior menor do que o fêmur posterior (0.96); face externa da tíbia
aplanada; esporöes tibiais desiguais apenas na primeira perna; dentes do
ápice das tíbias iguais em todas as pernas; tarsômeros basais anteriores cur-
tos (0.67); escovas tarsais com área ou linha média glabra presentes no 1º,
2º e 3º tarsômeros.
Abdome longo (1.28).
DB» st ri bu ca o: Região:-Neotropical:
Material-tip o: foi estudado o tipo enviado por R. T. Thomson de British
Museum (Natural History), Londres. A present descrição é feita a partir deste material.
Material examinado MEXICO. 1 O MNHB. Vera Cruz: Córdoba, 1
O BMNH, TYPE.
Disc us sa 0: «tax con O mais c' au VPlatameo uma
espécie muito relacionada à P. murrayi e P. capicola. Apresentam em co-
mum, além das características do grupo, os mesmos padrões de mandíbula,
de palpos labiais e de antena. De P. murrayi, da qual é mais próxima, P. lata
difere pela ausência de tubérculo na área malar, pela pontuação elitral e pela
falta de angulosidade lateral do protórax; de P. capicola, difere principal-
mente pela ausência de tubérculo acima do alvéolo antenal.
Parandra (Parandra) murrayi Lameere, 1912.
(Figs. 1,2,9,11,15;23,24/92/38,48,0])
Parandra murrayi LAMEERE, 1912:115; 1913:6; 1919:18; MELZER, 1919:24; ZIKÁN, 1948:40, ZIKÁN &
ZIKÁAN, 1944:2; BLACKWELDER 1946:551.
Diagnose: cabeça não achatada; mandíbulas padrão B;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324);
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O subgênero Parandra... 105
área malar, acima do alvéolo antenal, com processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e não visível de lado; protórax estreito.
Retido is Cr CA o, M a c h o: cabeça estreita (2.10),
não achatada (1.38); fronte estreita (1.55), plana, sem gibosidades, porém
um pouco ondulada e sem depressão central em “V”; clipeo-labro sem
tubérculo, com a porção central do bordo anterior em projeção arredondada;
mandíbulas padrão B, com dente infero-apical; palpos maxilares com com-
primento segundo padrão 2(1324); ápice da gálea atingindo à metade do 2º
artículo do palpo, submento claramente delimitado por fina sutura, com
superfície grosseiramente pontuada; gena longa (4.000) com superfície pon-
tuada quato a do submento; olho pouco saliente (1.48); órbita longa (3.81);
olho com poucos omatídeos na menor largura; área malar, acima do alvéolo
antenal, com processo tuberculado; área sensorial da antena dividida e não
visível de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, estreito (1.000), não achatado
(1113), bordo lateral anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e recurvo;
prosterno longo (1.38), com comprimento anterior à cavidade cotilóide curto
(3.53) e processo prosternal estreito (11.61); cavidades coxais anteriores
pouco abertas atrás (6.79). Mesosterno largo (2.29). Metasterno longo
(0.72), estreito (0.59). Élitros longos (11.80); úmeros estreitos (2.36); pon-
tuação elitral escassa.
Asas longas (4.59); distância, do ápice da rM ao bordo da asa, curta
(1.68); nervuras Cu2 Al não fundidas na base; nervura r1 - r2 presentes; ner-
vura Il 12 - m2 completa.
Coxa anterior longa (2.44); coxa posterior pequena (1.39); fêmur pos-
terior curto (2.54); tíbia anterior menor do que o fêmur anterior (0.84); tíbia
posterior maior do que o fêmur posterior (1.33); face externa da tíbia
aplanada; esporões tibiais desiguais apenas na primeira perna; dentes do
ápice das tíbias desiguais em todas as pernas; tarsómeros basais anteriores
curtos (0.69); escovas tarsais com área ou linha média glabra em todos os
tarsömeros.
Abdome longo (1.31). Apöfises do pênis retas no ápice.
Fê m e a: Cabeça larga (2.52); bordo anterior do pronoto saliente
e procurvo; comprimento anterior à cavidade cotilóide longo (2.15); cavi-
dades coxais anteriores muito abertas atrás (2.95); élitros longos (10.50);
tíbia posterior menor do que o fêmur posterior (0.91).
DEISE tor pipa ic aro: Região Neotropical.
Material-tip oo: LAMEERE (1912:115) registra ter estudado um macho do
British Museum (Natural History), Londres e uma fêmea do Museu Für Naturkunde der Humboldt -
Universitat zu Berlin. Não designa tipo. Não foi estudado esse material.
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Mora tie. iriau! examinado: BRASIL. Amazonas: Teffé, 1 O AMNH. Mato
Grosso Jacará 1 Q CCCS Minas Gerais: Passa Quatro, 1 Q IPCS Rio de Janeiro: 2 Q BMNH Nova
Friburgo, 1 Q MCZC. São Paulo: Alto da Serra, 4 IPCS; Campos do Jordão, 1 Q IPCS; Pias-
sagúéra 1 c$ IPCS; Salesópolis 1 SG, 1 Q MZSP, DZUP. Paraná: 1 Q BMNH; Antonina, 1 Q
DZUP. Santa Catarina; Corupá, 1 OQ USMN; Mafra, 1 O IPCS; Rio Natal 1 OQ AMNH; Rio Grande
do Sul: Bento Gonçalves, 2 Q FHCM.
Dl SG UNS 45 ás O») tar x 0:n6 mal vetar Pina
discutida junto à P. lata, dela mais se aproxima, parecendo formar um grupo
natural juntamente com P. capicola. Esta espécie tem muitos caracteres em
comum com P. murrayi, dela diferindo por não ter protórax estreito e
achatado. Além destes caracteres que foram arrolados para todas as es-
pécies, deve-se destacar que P. murrayi difere de P. capicola pela presença
de pelos longos no ápice da gálea e pela existência de uma área sensorial,
porifera, elíptica, bastante evidente, na face externa do artículo antenal XI.
Estes dois caracteres não foram indicados no estudo geral, por serem bas-
tante instáveis em algumas espécies, podendo ou não estar presentes em
determinados exemplares.
Parandra (Parandra) araucana Bosq. 1951.
(Figs, 13,31,37,59)
Parandra araucana BOSQ, 1951:191; DUFFY, 1960:48.
Diagnose: cabeca näo achatada; mandíbulas padrão A;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 1(1234);
área malar, acima do alvéolo antenal, com processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e visível de lado; protórax largo.
Rivera e US Ca CR a Os M a c h o: cabeça estreita (2.38),
achatada (1.54); fronte estreita (1.68), plana, com alguma pontuação, sem
gibosidades e sem depressão central em ''V’'; clipeo-labro sem tubérculo,
com região do bordo anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão
A, com dente infero-apical; comprimento dos artículos dos palpos maxilares
segundo padrão 1(1234); ápice da gálea atingindo o 3º artículo do palpo;
submento não claramente delimitado por fina sutura, com a superfície
apenas pontuada e com alguma pilosidade; gena longa (4.63); olho saliente
(1.52); órbita curta (2.88); olho com muitos omatídeos na menor largura;
área malar, acima do alvéolo antenal, com processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e visível de lado.
Protórax largo (1.08), não achatado (1.20), bordo lateral anguloso; bor-
do anterior do pronoto não saliente e recurvo; prosterno curto (1.67) com
comprimento anterior à cavidade cotilóide longo (1.79), processo prosternal
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O subgênero Parandra... 107
estreito (9.30); cavidades coxais anteriores pouco abertas atrás (6.80).
Mesosterno muito largo (1.18). Metasterno curto (0.93), largo (0.86). Élitros
curtos (8.85); úmeros estreitos (2.19); pontuação elitral muito densa.
Asa longa (4.03); distância, do ápice da rM ao bordo da asa, curta
(2.00); nervuras Cu2 e Al não fundidas na base; nervura r1 - r2 ausente;
nervura || r2 - m2 ausente.
Coxa anterior longa (2.05); coxa posterior pequena (1.29); fêmur pos-
terior curto (2.32); comprimento da tíbia anterior maior do que o do fêmur
anterior (1.06); comprimento da tíbia posterior menor do que o do fêmur
posterior (1.00); tíbia com a face externa aplanada; esporões tibiais desiguais
apenas na primeira perna, dentes do ápice das tíbias iguais em todas as per-
nas; tarsômeros basais anteriores longos (1.07); escovas tarsais com área ou
linha média glabra nos 1º, 2º e 3º tarsômeros.
Abdome curto (1.19). Apófises do pênis retas no ápice.
Fre» me: a: gena curta (5.80); olho com poucos omatideos na
menor largura; bordo anterior do pronoto saliente e recurvo; prosterno longo
(1,23); mesosterno largo (2.22); comprimento da tíbia anterior menor do que
o do fêmur anterior (1.00).
Dass er Isa tu il socar o: Região Neotropical
Material-tipo: BOSQ (1951:193) registra Holótipo (É Neuquén), alótipo y 4
parátipos en el Instituto Miguel Lillo, Tucumán, sendo parátipos en Investigaciones Entomológicas,
Universidad de Chile, en la Sociedad Claudio Gay y Col. Izquierdo, o en la colección del autor. Foram
trabalhados, apenas, alguns parátipos.
DRI sm ceu ssosma lo: tax on O mica” -P araucana é
bastante distinta das demais espécies do grupo, diferindo pelo padrão man-
dibular A, pelos palpos maxilares segundo padrão 1 e pela área sensorial da
antena dividida e visível de lado.
Parandra (Parandra) capicola Thomson, 1860.
(Figs. 41,53)
Parandra capicola THOMSON, 1860:81; 1867:107, 112; 1878:4; Lameere, 1902:100; QUENTIN & VI-
LLIERS, 1977:128.
Parandra thunbergi THOMSON, 1867:112; LAMEERE, 1902:100; 1912:116; 1913:7; 1919:18; FERREIRA
& FERREIRA, 1952:27; 1955:178; GILMOUR, 1956:45; QUENTIN & VILLIERS, 1977:128; FER-
REIRA,1980:16.
BR ia rogrm 05:6: cabeça não achatada; mandíbulas padrão B;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324);
área malar, acima do alvéolo antenal, com um processo tuberculado; área
sensorial da antena dividida e não visível de lado; protórax largo.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
108 ARIGONY, T.H. de A.
Ro end erssc irincicar o M a c h o: cabeça estreita (2.38),
não achatada (1.27); fronte estreita (2.00), plana, sem gibosidades e sem
depressão central em “V”:; clipeo-labro sem tubérculo, com a região central
do bordo anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão B, com
dente infero-apical; comprimento dos artículos dos palpos maxilares, segun-
do padrão 2(1324); ápice da gálea atingindo o 3º artículo do palpo; submen-
to claramente delimitado por fina sutura, com superfície grosseiramente
pontuada; gena longa (4.75); olho pouco saliente (1.35); órbita longa (3.92);
olho com poucos omatídeos na menor largura; área malar, acima do alvéolo
antenai, com um processo tuberculado; área sensorial da antena dividida e
não visível de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.26), não achatado (1.00),
bordo lateral não anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e recurvo;
prosterno longo (1.49), com comprimento anterior à cavidade cotilóide longo
(2.11); processo prosternal estreito (4.07); cavidades coxais anteriores muito
abertas atrás (2.50). Mesosterno largo (2.88). Metasterno curto (0.82), es-
treito (0.63). Élitros longos (12.00); úmeros largos (1.92); pontuação elitral
densa.
Asa curta (3.90); distância, do ápice da rM ao bordo da asa, longa
(2:41); nervuras Cu2 e Al não fundidas; nervura r1 - 12 presente e Il 12 - m2
completa.
Coxa anterior longa (2.53); coxa posterior pequena (1.29); fêmur pos-
terior longo (1.91); comprimento da tíbia anterior menor do que o do fêmur
anterior (0.93), comprimento da tíbia posterior menor do que o do com-
primento do fêmur posterior (0.95); tíbia com a face externa aplanada; es-
porões tibiais desiguais apenas na primeira perna; dentes do ápice das tíbias
desiguais em todas as pernas; tarsómeros basais anteriores longos (1.27);
escovas tarsais com área ou linha média glabra presente no 2º e 3º tarsó-
meros.
Abdome curto (1.04). Apófises do pênis convergentes no ápice.
F êm e a: não estudada.
D' Insotrricbousi cia ros! - Região Etiópica:
Material-tip o: QUENTIN & VILLIERS (1977:128) registram “...lectotype O
MNHN, Paris... P. thunbergi, holotype O...” Este material não foi examinado.
Material examinado: AFRICA DO SUL. CidadedoCabo. 1 C
MAGD.
Da SAC is Sina t.a x on 6-m i:c.a Pafeapieolaman
teriormente comentada, apresenta estreita afinidade com P. lata e P. mur-
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O subgênero Parandra... 109
ray, sendo que os principais caracteres diferenciais já foram discutidos junto
àquelas espécies.
LAMEERE (1902) considerou P. capicola Thomson, 1860 sinônimo de
P. gabonica Thomson, 1868. Todos os demais autores após LAMEERE
acompanharam-no em sua interpretação. QUENTIN & VILLIERS (1977),
baseados no estudo de tipos, revalidaram P. capicola ao mesmo tempo que
consideraram P. thunbergi sinônima desta mesma espécie.
FERREIRA (1980) manteve P. capicola como sinönima de P. gabonica
e P. thunbergi como espécie válida e não relacionou a classificação proposta
por QUENTIN & VILLIERS (1977), provavelmente por desconhecê-la.
Grupo Ci: As espécies do grupo C caracterizam-se por
apresentar mandíbulas com dente infero-apical, protórax achatado, junto ao
bordo posterior, largo; face externa da tíbia arredondada.
CE hranvãe poaPra-ias wer sup. ereni] es mdlor -ginrumpro:
1. Cabeça achatada; fronte elevada lateralmente, não gibosa, com depressão central em “V”; clipeo-
labro com bordo anterior em projeção truncada; mandíbulas padrão C; comprimento dos artículos
dos palpos maxilares segundo padrão 3(1342); área sensorial da antena visível de lado .......... 2.
Cabeça não achatada; fronte com gibosidades e sem depressão central em ''V”; clipeo-labro com
bordo anterior em projeção arredondada, mandíbulas e comprimento dos artículos dos palpos
maxilares segundo outros padrões; área sensorial da antena não visível de lado
2. Clipeo-labro sem tubérculo; Região Australiana ....... cc can P. austrocaledonica.
Clípeo-labro com tubérculo; Região Australiana......... 2 co nen P. passandroides.
3. Comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1324); área sensorial da antena
divididare: não 'visivel de lado; Região Oriental Lisias ssa na e ans ps ahah P. janus.
Comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 1(1234); área sensorial da antena
naosdivididadeinãomMisivel deslado qc ran ori E fee a NE e ee tree ae Ra ala ol ala na 4.
4. Mandibula padrão B; área malar, acima do alvéolo antenal sem tubérculo; Região Australiana....:.
RPA RR IPOs Ao PINS ME RA A ee Mg EB, ae fern P. solomonensis.
Mandíbula padrão D; área malar, acima do alvéolo antenal com tubérculo; Região Australiana .....
N OR 6 ARDER A DEN AGU DR PDR ea ce ER A P. heterostyla.
Parandra (Parandra) janus Bates, 1875
(Figs. 12,19,29,42,44,57)
Parandra janus BATES, 1875:47; LANGSBERGE, 1884:135; LAMEERE, 1902:97, 104; 1912:116;
1913:6; 1919:18; FISHER, 1935:581; KANO, 1938:115; GRESSITT, 1951:9.
Diagnose: cabeça não achatada; fronte com gibosidades,
sem depressão central em “V”; clipeo-labro sem tubérculo, com a região
central do bordo anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão B;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 2(1234);
área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e não visível de lado.
Reresd. es cr iiciá 0. M a c ho: cabeça estreita (2.16),
não achatada (1.47); fronte estreita (1.69), com gibosidades sem depressão
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
110 ARIGONY, T.H. de A.
central em “V”: clípeo-labro sem tubérculo, com a região central do bordo
anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão B, com dente infero-
apical presente; comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo
padrão 2(1324); ápice da gálea atingindo a metade do 2º artículo do palpo;
submento claramente delimitado por fina sutura e com superfície apenas
pontuada; gena longa (4.41); olho pouco saliente (1.45); órbita curta (2.50),
poucos omatídeos na menor largura; área malar, acima do alvéolo antenal,
sem processo tuberculado; área sensorial da antena dividida e não visível de
lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.14) não achatado (1.17),
bordo lateral não anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e recurvo;
prosterno curto (1.53), com comprimento anterior à cavidade cotilóide longo
(1.88); processo prosternal largo (4.77); cavidades coxais anteriores muito
abertas atrás (2.92). Mesosterno largo (2.26). Metasterno curto (0.83), es-
treito (0.66). Élitros longos (11.70); úmeros estreitos (2.03); pontuação elitral
escassa.
Asa curta (3.92); distância, do ápice da rM ao bordo da asa, curta
(2.00); nervuras Cu2 e Al fundidas na base, r1 - r2 presente; Il r2 - m2 com-
pleta.
Coxa anterior curta (1.94); coxa posterior pequena (1.19); fêmur pos-
terior curto (2.14); comprimento da tíbia anterior menor do que o compri-
mento do fêmur anterior (0.96); comprimento da tíbia posterior menor do
que o comprimento do fêmur posterior (0.96); tíbia com a face externa
arredondada; esporões tibiais desiguais em todas as pernas; dentes do ápice
das tibias desiguais em todas as pernas; tarsômeros basais anteriores curtos
(0.72); escovas tarsais com área ou linha média glabra nos 1°, 2º e 3º tar-
sômeros.
Abdome curto (1.14). Apófises do pênis retas no ápice.
Fêmea: prosterno longo (1.11); metasterno estreito (0.70);
coxa anterior longa (2.03); esporões tibiais desiguais apenas na primeira per-
na.
m
Distrib uic ä o: Região Oriental.
Material-tip o: HORN & KAHLE (1935-37) registram a coleção Bates, onde se
encontra o tipo desta espécie, para o Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris. Não foi examinado
este material.
Material examinado: FILIPINAS. Mindanao: Bukidnon, 1 [6) CASE:
Lindabón, 1 5,6 Q SMTD; Luzón Bagui, 2 Q SMTD; JAVA. 2 © MNHN. NOVA GUINÉ. 1 ©
NMSM.
BD is "cr us Ss, alo trasco nom mie, da as
aproxima-se de Pf. so/omonensis, e P. heterostyla por apresentar cabeça não
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 111
achatada; fronte com gibosidades, sem depressão central em “V”: clipeo-
labro sem tubérculo com a região central do bordo anterior acuminada e
protórax largo e achatado; concorda, ainda, com P. solomonensis, por
apresentar comprimento dos palpos maxilares segundo padrão 2 e área sen-
sorial da antena dividida e não visível de lado. P. janus separa-se de P.
heterostyla pelo padrão mandibular, pelo padrão do comprimento dos pal-
pos, pela área malar sem processo tuberculado, pela área sensorial da an-
tena. P. janus, juntamente com P. solomonensis e P. heterostyla, separam-
se de P. austrocaledonica e P. passandroides, por diferirem, principalmente
quanto ao padrão mandibular e padrão dos palpos maxilares.
Parandra (Parandra) solomonensis Arigony, 1983.
Parandra (Parandra) solomonensis ARIGONY, 1983: 9-44.
Diagnose: cabeça não achatada; fronte com gibosidades,
sem depressão central em “V”, clipeo-labro sem tubérculo, com a região
central do bordo anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão B;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 1(1234);
área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área sen-
sorial da antena não dividida e não visível de lado.
Observação: A descrição da espécie segundo idêntica
metodologia, encontra-se em ARIGONY, 1983:9-44.
Piaszchursusnaro, trarxo nm o'm'i’c a: P! solomonensis
esta próxima de P. heterostyla e P. janus, em oposição às espécies P. aus-
trocaledonica e P. passandroides. Separa-se de P. heterostyla por apresentar
padrão mandibular B e pela área malar, sem processo tuberculado. Difere-se
de P. janus pelo padrão do comprimento dos palpos maxilares e pela área
sensorial da antena não dividida e não visível de lado. Um caráter exclusivo
desta espécie é a existência de uma forte protuberância na região central do
clipeo-labro, que a distingue prontamente das demais espécies. Registrou-se
a presença de uma divisão longitudinal da área sensorial dos últimos arti-
culos antenais. Por razões de padronização, este caráter foi considerado
como “área sensorial não dividida”. à
Parandra (Parandra) heterostyla Lameere, 1902
(Figs. 16,60)
Parandra heterostyla LAMEERE, 1902:100; 1912:116; 1913:7; 1919: 18.
Diagnose: cabeca näo achatada, fronte com gibosidades,
sem depressão central em “V”:; clípeo-labro sem tubérculo com a região
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
112 ARIGONY, T.H. de A.
central do bordo anterior com projeção arredondada; mandíbulas padrão D;
comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 1(1234);
área malar, acima do alvêolo antenal, com processo tuberculado; área sen-
sorial da antena não dividida e não visível de lado.
Rede S.cHhr 1.0.8.0, M a c h o: Cabeça estreita (2.24),
não achatada (1.21); fronte estreita (1.84), com gibosidades, sem depressão
central em “V”; clípeo-labro sem tubérculo, com a região central do bordo
anterior em projeção arredondada; mandíbulas padrão D, com dente ínfero-
apical; comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão
1(1234); ápice da gálea atingindo a metade do 2º artículo do palpo; submen-
to não claramente delimitado por fina sutura, com a superfície grosseiramen-
te pontuada; gena curta (5.31); olho pouco saliente (1.43); órbita curta
(2,00); poucos omatídeos na menor largura do olho; área malar, acima do
alvéolo antenal, com um processo tuberculado; área sensorial da antena não
dividida e não visível de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.15), não achatado (1.06),
com bordo lateral não anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e recur-
vo; prosterno longo (1.32) com comprimento anterior à cavidade cotilóide
longo (1.84); processo prosternal estreito (5.18); cavidades coxais anteriores
pouco abertas atrás (3.09). Mesosterno largo (2.50). Metasterno curto (0.86),
estreito (0.67). Élitros longos (10.05); úmeros largos (1.99); pontuação elitral
densa.
Coxa anterior curta (1.94); coxa posterior pequena (1.26); fêmur pos-
terior longo (1.84); comprimento da tíbia anterior menor do que o do fêmur
anterior (0.85); comprimento da tíbia posterior menor do que o do fêmur
posterior (0.91); tíbia com a face externa arredondada; esporões tibiais
desiguais apenas na primeira perna; dentes do ápice das tíbias desiguais em
todas as pernas; tarsômeros basais anteriores longos (1.04); escovas tarsais
com área ou linha média glabra ausente em todos os tarsômeros.
Abdome curto (1.05)
Fe m e a: desconhecida.
Distrilbuiçaàão: Região Australiana.
Material-tip o: foi estudado o tipo proveniente do Staatliches Museum für
Tierkunde, Dresden. A presente redescrição foi feita a partir deste material.
Material examinado: INDONÉSIA. Halmaheira,1 5; Celebes, (SMTD).
Di rss UunsasFaroer jar 00 1 OL me heterostyla
separa-se de todas as demais espécies do grupo por apresentar mandíbulas
padrão D e área malar, com processo tuberculado.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 113
Parandra (Parandra) austrocaledonica Montrouzier, 1861.
lFigs: 8,10,20/32/30,58)
Parandra austrocaledonia MONTROUZIER, 1861:278; THOMSON, 1867:113, 107; LAMEERE, 1902:94,
104; 1913:6; 1919:17.
Parandra neocaledonca BORRE, 1881:138; LAMEERE, 1913:6; 1919:17.
Diagnose: cabeça achatada; fronte elevada lateralmente,
não gibosa, com depressão central em “'V”; clipeo-labro sem tubérculo, com
a região central do bordo anterior com projeção truncada; mandíbula padrão
C; comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 3(1342);
área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e visível de lado.
nveed eus cr inçeã ro, Mova c ho: cabeça larga) 12:63),
achatada (1.62); fronte estreita (1.70), elevada lateralmente, não gibosa, com
depressão central em “NV”, com vértice voltado para trás; clípeo-labro sem
tubérculo, com a região central do bordo anterior em projeção truncada;
mandíbulas padrão C, com dente infero-apical; comprimento dos artículos
dos palpos maxilares segundo padrão 3(1342); ápice da gálea atingindo a
base do 2º artículo do palpo; submento claramente delimitado por fina
sutura e com a superfície apenas pontuada; gena curta (5.83); olho saliente
(1,69), órbita curta (2.80); olho com poucos omatídeos na menor largura,
área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e visivel! de lado.
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.18), achatado (1.27), bordo
lateral anguloso; bordo anterior do pronoto saliente e recurvo; prosterno lon-
go (1.48) com comprimento anterior à cavidade cotilóide longo (1.76);
processo prosternal estreito (4.00); cavidades coxais anteriores muito abertas
atrás (2.33). Mesosterno estreito (3.17). Metasterno longo (0.78), estreito
(0.56). Élitros longos (11.10); úmeros largos (1.71); pontuação elitral muito
densa.
Asa longa (4.18); distância, do ápice da rM ao bordo da asa longa
(2.20); nervura Cu2 e Al não fundidas na base; r1 - r2 presente, Il 12 - m2
completa.
Coxa anterior longa (2.21); coxa posterior pequena (1.43); fêmur pos-
terior curto (2.01); comprimento da tíbia anterior menor do que o compri-
mento do fêmur posterior (0.86); comprimento da tíbia posterior menor do
que o comprimento do fêmur posterior (0.90); tíbia com a face externa
arredondada; esporões tibiais desiguais apenas na primeira perna; dentes do
ápice das tíbias desiguais em todas as pernas; tarsômeros basais anteriores
“longos (1.03); escovas tarsais com área ou linha glabra no 3º tarsômero.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
114 ARIGONY, T.H. de A.
Abdome curto (0.99). Apófises do pênis convergentes no ápice.
Fêmea: protórax largo (1.22), não achatado (0.88); mesosterno
muito largo (1.86); ümeros estreitos (2.15); dentes do ápice das tíbias de-
siguais apenas na primeira perna; tarsômeros basais anteriores curtos (0.80).
Distribuição: Região Australiana.
Material-tip o: segundo HORN & KAHLE (1935-37) o tipo encontra-se de-
positado no Museum National d'Histoire Naturelle, Paris. Não foi visto este material.
Material examinado: NOVA CALEDÔNIA. Monte Koghi, 2 3,1 Q
BPBM; Monte Panié, 2 5,2 Q BPBM,1 Q AMNH, 1 0,20 SMTD,2 O MAGD3G,2 oO
BMNH.
Di ser us sia ro ta xo nO meil,c an Demausmoc as
ledonica é muito próxima de P. passandroides, dela diferindo pela ausência
de tubérculo no clipeo-labro. Estas duas espécies separam-se de P. janus, P.
solomonensis e P. heterostyla, em particular, pela fronte elevada lateralmen-
te, não gibosa, com depressão central em “V”; clípeo-labro com projeção
do bordo anterior truncada, padrão mandibular C e pela área sensorial da
antena visível lateralmente. P. austrocaledonica caracteriza-se, ainda, por
apresentar área sensorial no artículo XI que se estende até o bordo externo.
Parandra (Parandra) passandroides Thomson, 1867.
(Figs. 5,6,14,21,26,55)
Parandra passandroides THOMSON, 1867:116; 1878:4; LAMEERE, 1902:94; 1913:6; 1919:18.
Diagnose: cabeça achatada; fronte elevada lateralmente,
não gibosa, com depressão central em “V”; clipeo-labro com tubérculo com
a região central do bordo anterior em projeção truncada; mandíbulas padrão
C; comprimento dos artículos dos palpos maxilares segundo padrão 3(1342);
área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área sen-
sorial da antena dividida e visível de lado.
Red es ciriicão. M ach o: cabeça larga (2.63),
achatada (1.91); fronte larga (2.10), elevada lateralmente, não gibosa, com
depressão central em “V”, com vértice voltado para trás; clípeo-labro com
tubérculo, com a região central do bordo anterior em projeção truncada;
mandíbulas padrão C, com dente infero-apical; comprimento dos artículos
dos palpos maxilares segundo padrão 3(1342); ápice da gálea atingindo a
metade do 2º artículo do palpo; submento claramente delimitado por fina
sutura, com a superfície apenas pontuada; gena curta (5.00); olho pouco
saliente (1.36); Órbita curta (2.45); poucos omatídeos na menor largura do
olho; área malar, acima do alvéolo antenal, sem processo tuberculado; área
sensorial da antena dividida e visível de lado.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgenêro Parandra... 115
Protórax, junto ao bordo posterior, largo (1.13), achatado (1.21), bordo
lateral anguloso, proeminente; bordo anterior do pronoto saliente e recurvo;
prosterno longo (1.43) com comprimento anterior à cavidade cotilóide longo
(1.87); processo prosternal curto (3.73); cavidades coxais anteriores muito
abertas atrás (2.13). Mesosterno largo (2.31). Metasterno curto (0.84), es-
treito (0:64). Élitros curtos (9.65); úmeros estreitos (2.03); pontuação elitral
muito densa.
Asa curta (3.84); distância, do ápice da rM ao bordo da asa, longa
(2:29); nervuras Cu2 e Al não fundidas na base; nervura r1 - r2 presente,
nervura Il 12 - m2 ausente.
Coxa anterior longa (2.04); coxa posterior pequena (1.38); fêmur pos-
terior curto (2.48); comprimento da tíbia anterior menor do que o do fêmur
posterior (0.97); comprimento da tíbia posterior maior do que o do fêmur pos-
terior (1.04); tíbia com a face externa arredondada; esporões tibiais desiguais |
apenas na primeira perna; dentes do ápice das tíbias desiguais em todas as per-
nas; tarsômeros basais anteriores curtos (0.91) área ou linha média glabra das.
escovas tarsais ausente em todos os tarsômeros.
Abdome curto (1.03). Apófises do pênis retas no ápice.
Fêmea: fronte estreita (1.75); gena curta (8.88); olho saliente
(1.53); olho com muitos omatídeos na menor largura; élitros médios (10.52);
comprimento da tíbia anterior maior do que o do fêmur anterior (1.10); tar-
sômeros basais anteriores longos (1.05).
Distribuiçaàão Região Australiana.
Material-tip o: segundo HORN & KAHLE (1935-37) o tipo encontra-se de-
positado no Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris. Não foi visto este material.
Material examinado: NOVA CALEDÔNIA. Ilha Uvéa: 1 O AMNH;
Ilha Lifou: 1G SMTD, 2 O) IRSN, 1 O USNM,2 O BMNH.
Dis e US S ado irarsec or nor mI=c=as Po passan
droides, conforme referência anterior, é muito próxima de P. austrocale-
donica e como esta, também apresenta área sensorial, estendendo-se até o
bordo externo do artículo antenal X!.
CONCLUSÕES
Os trabalhos de dissecação dos exemplares e a confecção dos de-
senhos das várias estruturas permitiram levantar um número elevado de
caracteres, com a utilização de novos, bem como, a redefinição e/ou confir-
mação de outros já tradicionais usados na sistemática de Parandra, confec-
cionando um quadro analítico (Tabela |).
Estes elementos possibilitaram redescrições de 11 espécies e a des-
crição de Parandra (Parandra) solomonensis.
IHERINGIA. Ser. Zoo!., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
116 ARIGONY, T.H. de A.
A utilização metodológica da taxonomia fenética e cladística levou às
seguintes conclusões:
1) os fenogramas mostraram agrupamentos muito próximos àqueles
propostos por LAMEERE (1902) para as espécies até então conhecidas, prin-
cipalmente o que envolveu a formação dos valores de semelhança por dis-
tância;
2) a análise cladística com 23 ou 14 caracteres, nela incluindo uma
unidade ancestal hipotética estabelecida com base nos princípios de MAS-
LIN (1952) e Wagner apud (KLUGE & FARRIS, 1969), apresentou grupos
de espécies mais consistentes, tendo-se destacado:
a - a inexistência da influência do fator geográfico na constituição dos
grupos;
b-a identificação de caracteres básicos para o estabelecimento dos
grupos: 4 - o tipo de fronte e 44 - características da face externa da tíbia;
c - a constituição de agrupamento de espécies: Grupo À - P. gabonica,
P. araucariae, P. frenchi; Grupo B - P. araucana, P. lata, P. capicola, P.
murrayi; Grupo C - P. austrocaledonica, P. passandroides, P. janus, P.
solomonensis, P. heterostyla. Registre-se, novamente, que a não separação
em táxon formal é devida à necessidade de realização de maiores estudos
relativos às demais espécies do grupo.
d - a plausível conclusão de que os atuais grupos de espécies se es-
tabeleceram anteriormente à separação dos continentes gondwänicos, com
espécies-irmãs localizadas em regiões zoogeográficas atuais distintas.
AGRADECIMENTOS
A Renato C. Marinoni (DZUP), orientador amigo, pelo acompanhamento efetivo e eficiente
durante toda a execução do trabalho. A Ubirajara Martins (MZSP) e Pe. J. S. Moure (DZUP) pela
leitura do manuscrito, sugestões e inúmeros esclarecimentos. A todos os colegas que de alguma
maneira contribuiram para a realização desta pesquisa. A Eduardo Arigony pelo desenho dos exem-
plares, fico penhorada.
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IHERINGIA. Ser. Zoo:., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 119
ESC.1
Figs. 1-26: CABEÇA. Vista ventral. 1. Parandra (Parandra) murrayi; 4. PAP.) araucariae. Vista
dorsal. 2. P.(P.) murrayi; 3. P.(P.) gabonica; 5. PP.) passandroides. PROTORAX. Vista dorsal. 6.
PHP.) janus; 7. P.(P.) araucariae, 8. P.(P.) austrocaledonica. Vista lateral. 9. P.(P.) murrayi. MESOS-
TERNO. Vista lateral. 10. P.(P.) austrocaledonica. PROSTERNO. Vista ventral. 11. P.(P.) murrayi.
METASTERNO. Vista ventral. 12.P. (P.) janus. MANDÍBULA. Vista dorsal. 13.P.(P.) araucana; 14.
P.(P.) passandroides; 16. P.(P.) heterostyla; 17. P.(P.) lata. Vista ventral. 15.P.(P.) lata. ELITROS.
Vista dorsal. 18. P. (P.) gabonica. ASA. 19. P.(P.) janus; 20. P.(P.) austrocaledonica; 21. P.(P.) pas-
sandroides. ABDOME. 22. P.(P.) gabonica. PERNAS. Tibia posterior. 23. P.(P.) murrayi; Fêmur an-
terior. 24. P.(P.) murrayi; Tibia anterior. 25. P.(P.) gabonica; Coxa anterior. 26. P.(P.) passandroides.
Escala 1, figs.1-9; 11-18; 22. Escala 2, figs. 10, 23-26. Escala 3, figs. 10-21.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
120 ARIGONY, T.H. de A.
Figs. 27-49: PERNAS. Coxa posterior. 27. Parandra (Parandra) araucariae. Tarsômero un -
guicular. 28. P.(P.) araucariae. Secção transversal da tíbia, face externa superior. 29. P.(P.) janus; 30.
P.(P.) araucariae; 31. P.(P.) araucana. Tarsômeros basais anteriores. Vista Ventral. 32. P.P. murrayi;
33. P.(P.) araucariae; 34. P.(P.) austrocaledonica; 35. P.(P.) gabonica. MAXILA. 36. P.(P.) austro-
caledonica; 37. P.(P.) araucana; 38. P.(P.) murrayi. ARTÍCULOS APICAIS DAS ANTENAS. Vista
lateral. 39. P.(P.) frenchi; 41. P.(P.) capicola; 45. P(P.) gabonica. Vista interna. 40. P.(P.) araucariae;
42. P.(P.) capicola; 43. P.(P.) gabonica. TARSOMEROS BASAIS ANTERIORES. Vista dorsal. 44.
PP.) janus. OLHO. 46. P.(P.) gabonica. PENIS. 47. P. (P.) murrayi; 48. P.(P.) gabonica; 49. P.(P.)
araucariae. Escala 1, fig. 46. Escala 2, figs. 27-36; 38-45; 47-49. Escala 4, fig. 37.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 121
EG?
\
I
;
Figs. 50-53: CABECA E PROTORAX. 50. Parandra (Parandra) lata Bates, 1884; 51 ç.
P.(P.) solomonensis Arigony, 1983; 52. O P.(P.) gabonica Thomson, 1858; 53. O. P.(P.) capicola
Thomson, 1860.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
ARIGONY, T.H. de A.
122 um man uni Dr ee wi mn nn ARE
EVER EN
Figs. 54-57. CABEÇA E PROTORAX. 54 & PP.) frenchi Blackburn, 1895; 55. O P.(P.) pas-
sandroides Thomson, 1867; 56. O P.(P.) araucariae Gressitt 1959; 57. O P.(P.) janus Bates, 1875.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
O subgênero Parandra... 123
Figs. 58-62: CABEÇA E PROTORAX. 58 O. P.(P.) austrocaledonica Montrouzier, 1861; 59 &
P.(P.) araucana Bosq, 1951; 60. S PP.) heterostyla Laméere, 1902; 61. O PP.) murrayi Laméere,
1912. CABEÇA. Vista Lateral. 62.0 P.(P.) gabonica.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
124 ARIGONY, T.H. de A.
passandroides
N
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4
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E
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Fig.66
Figs. 63-66: Estudo fenético e cladístico de 12 espécies do subgênero Parandra. 63. Fenograma
de distância entre 51 OTU's obtido pelo UPGMA. Em ordenada valores de distância. Variáveis estan-
dardizadas; 54. Fenograma de correlação entre 51 OTU's obtido pelo UPGMA. Em ordenada valores
de correlação. Variáveis estandardizadas; 65. “Árvore de Wagner”. A partir de 23 caracteres sem es-
pécie ancestral hipotética; 66. “Árvore de Wagner”. A partir de 14 caracteres e com uma espécie an-
cestral hipotética.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
125
Tabela |. Matriz de dados de 12 espécies de Parandra, com base em 51
caracteres (C) qualitativos expressos em estados e quantitativos em índices
(ver texto). NC = 99.99 (Não comparável). Abreviaturas: murr = P.(P.)
murrayi; gabon = P.(P.) gabonica; arauae = P.(P.) araucariae; jan = P.(P.)
janus; austro = PP.) austrocaledonica; passan = P.(P.) passandroides;
araua = P.(P.) araucana; heter = P.(P.) heterostyla; lata = P.(P.) lata; fren
= PP.) frenchi: solom = P.(P.) solomonensis; capic = PP.) capicola.
TAXONS
murr gabon arauae jan ausiro passan araua heter lata fren solom :capic
2: 2. 2: 2: 2): 2.38 2.24 2,45 2,27 2.06 2.38
T. 1 1% DA 1% 105% 1.21 1.63) 1.36 1.45 1627,
1. 1. 1. e: 2, 1.68 1.84 2.05 2.03 1.60 2.00
2% 2. 2: 3. ge 1.00 2.00 1.00 2.00 2.00 1.00
1 1% 1 2% 2° 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00
1. PE % ir 2. 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00
q 1% E 2. 2, 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00
2: 2% 2. 3% 3% 1.00 4.00 2.00 3.00 2.00 2.00
1% 1% ir T. AR: 1.00 1.00 1.00 2.00 1.00 1.00
le 2% 2, 3; 3% 1.00 1.00 2.00 2.00 1.00 2.00
So Zn Dia 1% 2. 3.00 2.00 2.00 1.00 2.00 3.00
2. 1% Zi 2 2. 1.00 1.00 2.00 2.00 2.00 2.00
l. 14 1. ho 1, 1.00 2.00 2.00 1.00 2.00 2.00
4. 4. Zn Sa SA 4.63 5.31. 4.45 4.53 6.87 4.75
1, 1% TE 1% 18 1.52 1.43 1.27 51.30 1.49 1235
2: Elo 2. 2% 2% 2.88 2.00 2.64 2.30 2.80 3.92
% 1. 1% 1% 1% 2.00 1.00 1.00 1.00 2.00 1.00
Qu 2 1. le 1: 2.00 2.00 1.00 2.00 1.00 2.00
A 3% 2% 3% % 3.00 1.00 2.00 3.00 1.00 2.00
de 1% 1% Lo 1% 1.08 1.15 0.93 1.20 1.04 1.26
ie 1. ni 1% La 1.20 1.06 1.09 1.09 1.13 1.00
1% 25 1 Zr 2% 2.00 1.00 1.00 1.00 2.00 1.00
2. 1, 2. 2. Dis 3.00 2.00 3.00 1.00 2.00 2.00
la Ta 1% % 1, 1.67 1.32 1.65 1.36 1.40 1.49
2a Ls 1. 1. e 1.79 1.84 2.08 2.00 2.28 Zu
4. 4. 4. 4. 3% 9.30 5.18 7.43. 5450 4.75 4.07
3. 2. 2; 2, 2. 6.80 3.09 3,432 72.75 2.50 2.50
2% 2% 2% 3% 2% 1.18 2.50 2.86 2.50 2.00 2.88
0. 0 0. 0. 0. 0.93 0.86 0.77 0.89 0.73 0.82
Ou 0. 0% 0. 0. 0.86 0.67 0.65 0.57 0.56 0.63
0. 0. 1% 1% 9, 8.85 10.05 8.25 8.75 11.30 12.00
1 2: 2% 1% 28 2.19 1.99 1.88: 2,27 2.05 1.92
2. 3% 18 3% 3 3.00 2.00 2.00 2.00 3.00 2.00
4. 3% 3 4. 3% 4.03 99.99 99.99 99.99 4.
bla 2. a 2. 2. 2.00 99.99 99,99 99.99 3,
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):87-125, 25 jun. 1984
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Reavaliação da fauna espongológica continental do Estado do
Rio Grande do Sul, Brasil, frente a novas coletas*
Rosária De Rosa Barbosa**
RESUMO
No presente trabalho foram examinados 270 exemplares de esponjas de água doce, proceden-
tes do Rio Grande do Sul, o que propiciou uma reavaliação da fauna espongológica continental do Es-
tado. Determinaram-se 17 espécies das quais 15 já estavam registradas para alguns ambientes Ifmnicos
do Rio Grande do Sul e duas constituem registros novos: Radiospongilla ornata Bonetto & Ezcurra de
Drago, 1970 e Oncosclera schubarti (Bonetto & Excurra de Drago, 1967).
Das espécies estudadas, juntamente com os registros bibliográficos já existentes, foram feitas
correlações com os tipos de ambiente lótico e lêntico. Constataram-se espécies de distribuição ampla
e de distribuição restrita. Efetuaram-se ilustrações dos componentes espiculares das espécies com
primeiro registro para o Estado, assim como das duas espécies que apresentaram variações ecomör-
ficas.
Relacionaram-se as 21 espécies de esponjas de água doce, até o presente identificadas para o
Rio Grande do Sul, Brasil, nas diferentes bacias hidrográficas do Estado e realizou-se um confronto
entre os registros da fauna espongológica do Rio Grande do Sul e os do Brasil, da Argentina e do
Uruguai.
Elaborou-se o mapeamento da distribuição das esponjas de água doce do Rio Grande do Sul,
Brasil.
ABSTRACT
Two hundred and seventy specimens of fresh water sponges which were deposited in the
Porifera Section of Museu de Ciências Naturais and had not yet been identified were examined. The
material studied was all from Rio Grande do Sul State what allowed a re-evaluation of the continental
sponge fauna of the mentioned State. Seventeen species were identified and two of them are new
registers for the State — ARadiospongilla ornata Bonetto & Ezcurra de Drago (1970) and Oncosclera
schubarti (Bonetto & Ezcurra de Drago 1967).
The species here identified, as well as the ones previously registered were grouped according to
the different hydrological basins of the State.
According to the studies performed, some topics are discussed here: a comparison between the
species previously registered for Rio Grande do Sul State and the ones presently registred; some con-
siderations about the distribution of the species in the State are provided; a preliminary understanding
of some inter-specific associations; a comparison of the sponge fauna of the different hydrological
basins of the State; comparison between the sponge fauna of Rio Grande do Sul, with the ones of
Brazil, Uruguay and Argentina.
* Aceito para publicação em 05.V11.1984. Contribuição FZE nº 301. Tese de Mestrado em Biociên-
cias — Área de Zoologia defendida em 20 de maio de 1983 na Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul (PUC/RS).
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Gran-
de do Sul (MCN). Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) Proc. nº 30.1128/77. Caixa Postal 1188, 90000, Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
128 DE ROSA BARBOSA, R.
—————sms ST DO
INTRODUÇÃO
O primeiro registro de ocorrência de esponjas de água doce no Estado
do Rio Grande do Sul é o de WELTNER (1895) com a descrição de Ephydatia
facunda.
Posteriormente, outras espécies tiveram sua ocorrência registrada no
Estado: Uruguaya corallioides (Bowerbank, 1863) citada por CORDERO
(1924), para o rio Uruguai, em Uruguaiana; Spongilla jewelli descrita por
VOLKMER (1963b) para o rio Tainhas, município de São Francisco de Paula;
Heteromeynia insignis Weltner, 1895 redescrita por VOLKMER (1963a), a
partir de material coletado no arroio Dom Pedro |, no município de São
Francisco de Paula; Uruguaya repens Hinde, 1888 redescrita por VOLKMER-
RIBEIRO (1969), com base em material coletado na Cachoeira de Santa
Cecília, rio Itu, município de São Francisco de Assis e Houssayella iguazuen-
sis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966, também redescrita por VOLKMER-
RIBEIRO (1971) a partir de material coletado no rio Itu.
Para o “rio” Guaíba, VOLKMER-RIBEIRO et alii registraram, em 1975,
a ocorrência de oito espécies. Esta fauna na bacia do “rio”” Guaíba foi, pos-
teriormente, ampliada em trabalho realizado por VOLKMER-RIBEIRO &
GROSSER (1981), que utilizaram evidências obtidas a partir de conteúdo es-
tomacal de paivas (Leporinus obtusidens sensu von lhering, 1898 — Pisces,
Characoidei).
VOLKMER-RIBEIRO et alii (1981) efetuaram levantamento de esponjas
na Lagoa Negra, Parque Estadual de Itapuã, município de Viamão.
Ainda mais recentemente, foi registrada pela primeira vez para o Rio
Grande do Sul por VOLKMER-RIBEIRO et alii (1983) Drulia browni (Bower-
bank, 1863) sensu MOTHES DE MORAES (1981), ocorrendo em um lago
crescente junto ao rio Ibicuí-Mirim, no município de São Vicente do Sul.
Tendo-se feito um breve levantamento dos locais de onde provieram os
espécimes — objeto das publicações supramencionadas — verificou-se que
a abrangência geográfica do material estudado não era ampla salientando-se
uma maior incidência de esforços de coleta no “rio” Guaíba.
A necessidade de tal estudo somada ao fato de existir, no Setor de
Porifera do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotänica do Rio
Grande do Sul, uma numerosa coleção de espécimes provenientes de distin-
tos cursos de água do Rio Grande do Sul e cuja identificação, a nível de es-
pécie, não havia sido, ainda, realizada, motivaram a seleção do tema da
presente pesquisa.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 129
MATERIAL E MÉTODOS
Os espécimes são provenientes de vários locais do Rio Grande do Sul (fig.11) e integram a
coleção de Porifera do Museu de Ciências Naturais (MCN) da Fundação Zoobotânica do Rio Grande
do Sul, e Museu de Ciências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCP), e estão
conservados a seco.
A metodologia empregada no estudo dos espécimes foi a descrita por VOLKMER-RIBEIRO
(1981).
Apenas as espécies que figuram aqui com o primeiro registro para o Estado vêm acompanhadas
de ilustrações dos componentes espiculares, visto já terem sido as demais suficientemente figuradas
em publicações anteriores.
A listagem dos gêneros segue a ordenação proposta por VOLKMER-RIBEIRO (1981) enquanto a
das espécies é apresentada por ordem alfabética.
O critério geral utilizado na divisão das bacias hidrográficas segue o proposto no Ill Plano
Básico de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, 1982 (RECURSOS Naturais Hídricos). Es-
te plano apresenta o Rio Grande do Sul dividido em duas grandes bacias: a do Uruguai e a do Atlân-
tico Sudeste. Com base nesta divisão-mestra, fracionaram-se estas bacias maiores em sub-bacias, de
modo a facilitar o estudo comparativo da fauna espongológica nelas existentes, com os registros dis-
poníveis atualmente. Resultou assim, um número total de onze sub-bacias (tabela |). Para fins de
elaboração da tabela Il foi considerado como unidade o registro de uma determinada espécie em cada
uma das bacias listadas, independentemente do número de exemplares analisados em cada ocorrên-
cia. Posteriormente, foi calculado o percentual de ocorrência de cada espécie, sobre o total de sub-
bacias estudadas (em número de 11). A seguir estipulou-se as espécies incluídas na faixa de percen-
tual entre 9% e 27% seriam as de ocorrência mais rara e na faixa de 36% e 54% as de ocorrência
mais ampla.
LISTA DAS ESPÉCIES
OrdemrerEl CAP Por OS AC E Rito DO A
Família SPONGILLIDAE Gray, 1867 sensu VOLKMER-RIBEIRO, 1981.
Genero Eunapius Gray, 1867 sensu PENNEY & RACEK, 1968.
Eunapius fragilis (Leidy, 1851) sensu PENNEY & RACEK, 1968.
Spongilla fragilis LEIDY, 1851:278; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1964a:246.
Spongilla (Eunapius) fragilis; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1967b: 332; EZCURRA DE DRAGO,
1972:116.
Eunapius fragilis; PENNEY & RACEK, 1968:25 (e sinonlmia); VOLKMER-RIBEIRO et alii, 1975:39.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Farroupilha, lago
artificial no Parque Santa Rita, MCN 737, 17.X.1978, A.G. Pereira leg.; Osório, lagoa dos Quadros
(Estação de Piscicultura da Secretaria da Agricultura), MCN 1032, 27.V.1978, |.L. Mendes & V.L.
Pitoni leg.; General Câmara, rio Jacul, MCN 948, 10.11.1982, B.M. ae Moraes leg..
Gênero Radiospongilla Penney & Racek, 1968.
Radiospongilla crateriformis (Potts, 1882) sensu PENNEY & RACEK,
1968.
Meyenia crateriformis POTTS, 1882:12.
Ephydatia crateriformis var. arndti CARVALHO, 1942:267.
Ephydatia crateriformis paranensis BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1964:329.
Radiospongilla crateriformis; PENNEY & RACEK, 1968:66 (e sinonimia); EZCURRA DE DRAGO,
1975:180; VOLKMER-RIBEIRO et alii, 1981:16-21.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Montenegro,
banhado próximo à Rodovia BR 386, MCN 1039, 27.1X.1977, A.G. Pereira leg.; Triunfo, açude na
Fazenda Delapieve, MCN 1038, 04.X.1977, R. DE R. Barbosa leg.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
130 DE ROSA BARBOSA, R.
Radiospongilla ornata Bonetto & Ezcurra de Drago, 1970.
Radiospongilla ornata BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1970:39-43.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Nova Petrópolis,
rio Cal, MCN 697, 7.11.1980, R.De R. Barbosa leg.; rio Cal, MCN 1031, 20.11.1980, C.V. Ribeiro leg.;
Santana da Boa Vista, arroio do Moinho, rio Camaquã, MCN 703, 735, 20.1.1980, C. V. Ribeiro leg.
Gênero Corvospongilla Annandale, 1911, sensu PENNEY & RACEK,
1968.
Corvospongilla boehmi (Hilgendorf, 1883) sensu PENNEY & RACEK,
1968.
Spongilla böhmii [sic] HILGENDORF, 1883:87.
Corvospongilla seckti BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1966:133; 1967a: 332, 337; 1969:352;
1970:52, 55.
Corvospongilla böhmii sic PENNEY & RACEK, 1968:56 (e sinonímia); VOLKMER-RIBEIRO et alii,
1975:38, 39; VOLKMER-RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-180; VOLKMER-RIBEIRO etalii,
1981:16, 18,21.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre,
rio Jacuí ajusante da Barragem Itaúba, MCN 740, 767, 800, 802, 803, 804, 805, 806, 896, 897,
12.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba, MCN 762, 808, 809, 13.1V.1978,
A. G. Pereira leg.; rio Jacul a jusante da Barragem Itaúba, MCN 807, 816, 14.1V.1978, A. G. Pereira
leg.; a jusante da Barragem Itaüba, MCN 813, 814, 24.1V .1978, A. G. Pereira leg.; rio Jacuí a jusante
da Barragem Itaúba, MCN, 765, 766, 768, 791, 811, 812, 813, 815, 850, 851 ‚877, 25.1V.1978, A. G.
Pereira leg.; rio Jacuí a jusante da Barragem Itaúba, MCN 890, V.1978, A. A. Lise leg.; Santa Maria,
Barragem Saturnino de Brito, rio Ibicuí-Mirim, MCN 1041, 13.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; arroio
Biriva, rio Ibituí-Mirim, MCN 1045, 14.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; rio Ibicui-Mirim, MCN 1048,
14.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; General Câmara, rio Jacu, MCN 976, 979, 983, 984, 985,
25.11.1983, M.C.D. Mansur, I.L.V. Mendes, C. Marros leg.; rio Jacul, MCN 1024, 28.1V.1982, R. De
R. Barbosa leg.; São Jerônimo, rio Jacuí, MCN 1012, 5.1V.1982, R. De R. Barbosa leg.; Gualba/ Porto
Alegre, Canal 'da Maria Conga, rio Jacuí, MCN 280, LS.1V.1974, S.M. Pauls leg..
Gênero Ephydatia Lamouroux, 1816 sensu PENNEY & RACEK, 1968.
Ephydatia facunda Weltner, 1895 sensu DE ROSA-BARBOSA, 1979.
Ephydatia facunda WELTNER, 1895:140; PENNEY & RACEK, 1968:92 (e sinonímia); POIRRIER,
1974:346; EZCURRA DE DRAGO, 1975:157, 158, 165, 168; DE ROSA-BARBOSA, 1979:27-34;
VOLKMER-RIBEIRO et alii, 1981:16, 17, 21.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Bagé, banhado
próximo à estrada para o Forte Santa Tecla, MCN 925, 27.X1.1981, R. De R. Barbosa leg.; São
Lourenço do Sul, Lagoa dos Patos, Lat. 31º23', Log.51º56'09"", MCN 468, 24.V.1976, 7º Cruzeiro do
Projeto Lagoa da Fundação Universidade de Rio Grande leg.; Rio Grande, lagoa Jacará (Estação
Ecológica do Taim), MCN 647, 16.X1.1980, R. Lanzer leg..
Gênero Trochospongilla Vejdovsky, 1883 sensu PENNEY & RACEK,
1968.
Trochospongilla delicata Bonetto &- Ezcurra de Drago, 1967 sensu
VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1972.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 131
Trochospongila delicata BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1967c (partim): 159, estampa |, figs.,
la, 2a, 2b; estampa Il, figs. 1 e 2b; 1973:18; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA,
1972:312; VOLKMER-RIBEIRO et alii, 1975:37.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: General Câmara,
rio Jacul, MCN 963, 10.11.1982, E.T. Carvalho leg..
Trochospongilia lanzamirandai Bonetto & Ezcurra de Drago, 1964.
Trochospongilla lanzamirandai BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1964b:333; 1965:96; 1967c:159,
164; 1967b:332, VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1972:311; VOLKMER-RIBEIRO et
alli, 1975:36, 37.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Soledade, arroio
do Fão, rio Jacul, MCN 739, 17.11.1980, R. De R. Barbosa leg.;Nova Petrópolis, rio Cal, MCN 603,
11.V.1979, C.V. Ribeiro leg.; São Vicente do Sul, lagoa na confluência dos rios Ibicuí-Mirim com
Toropí, MCN 928 (microespécime sobre MCP 54), 4.V.1981, A. Cargnin leg.; General Câmara, rio
Jacul, MCN 986, 987, 25.11.1982, M.C.D. Mansur, |.L.V. Mendes leg.; Triunfo/ Canoas, rio Caí, MCN
369, 21.VII1.1974; S.M. Pauls leg.; Porto Alegre, rio Gravatal, MCN 597, 28.VIIl.1974, S.M. Pauls leg..
Trochospongilla minuta (Potts, 1887) sensu VOLKMER-RIBEIRO, 1973.
Meyenia minuta POTTS, 1887:218.
Trochospongilla minuta; WELTNER, 1895:121; GEE, 1930-31:43; 1932:18; PENNEY & RACEK,
1968:135; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA BARBOSA, 1972:314; VOLKMER-RIBEIRO,
1973:137-44; VOLKMER-RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-79.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Nova Petrópolis
rio Cal, MCN 689, 691, 692, 694, 695, 696, 793, 795, 906, 912, 7.11.1980, R. De R. Barbosa, A.G
Pereira, 'S. Maciel leg.; rio Caí, MCN 773, 785, 787, 788, 904, 905, 20.11.1980, R. De R. Barbosa leg.
ro Chi, MCN 778, 779, 780, 782, 783, 784, 790, 20.11.1980, C.V. Ribeiro leg.; Montenegro, rio Caí,
MCN 484, 6.V.1977, R. De R. Barbosa leg.; Uruguaiana, arroio Touro Passo, rio Uruguai, MCN 831,
15.1.1974, M. Bombim leg.; São Vicente do Sul, lagoa na confluência dos rios Ibieuí-Mirim com
Torobi, MCN 932 (microespécime sobre MCP 53),04.V.1981,A. Cargnin leg.; General Câmara, rio
Jacuí, MCN 951, 952, 957, 958, 959, 960, 961, 965, 966, 10.111.1982, E.T. Carvalho, B.M. de Moraes,
J.L. Pinto leg.; São Jerônimo/ Butiá, arroio do Conde, rio Jacuí, MCN 1018, 1021, 10.11.1982, C.V.
Ribeiro, R. De Rosa Barbosa, C. Marros leg.; arroio do Conde, rio Jacul, MCN 974, 1017, 25.I11.1982,
|.L'V. Mendes, M.C.D. Mansur leg..
Trochospongilla paulula Bowerbank, 1863 sensu VOLKM ER-RIBEIRO &
DE ROSA-BARBOSA, 1972.
Spongilla paulula BOWERBANK, 1863:454.
Tubella paulula; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1962:209-211; 1964a: 249; 1967b:332, 336;
1970:55.
Trochospongilla paulula; PENNEY & RACEK, 1968 (e sinonímia); VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-
BARBOSA, 1972:310; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1973:13, 17, 18; VOLKMER-RIBEIRO
et alii, 1975:35-36; VOLKMER-RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-179.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Nova Petrópolis, ro
Caí, MCN 602, 11.V.1979, C.V. Ribeiro leg.; rio Caí, MCN 794, 797, 7.11.1980, R. De R. Barbosa leg.;
rio Chf, MCN 789, 20.111.1980, C.V. Ribeiro leg.; São Vicente do Sul, lagoa na confluência dos rios
Ibituí-Mirim com Toropi, MCN 930 (microespécime sobre MCP 53), 04.V.1981, A. Cargnin leg.; Triun-
fo, açude na Fazenda Delapieve, MCN 1040, 4.X.1977, R. De R. Barbosa leg.; General Câmara, rio
Jacuí, MCN 956, 10.11.1982, C. Marros leg..
Trochospongilla repens Hinde, 1888 sensu VOLKMER-RIBEIRO & DE
ROSA-BARBOSA, 1978.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
132 DE ROSA BARBOSA, R.
Uruguaya repens HINDE, 1888, v.2:2; CORDERO, 1924:117; PENNEY & RACEK, 1968:146 (e sino-
nímia); BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1964a: 253; 1967a:338.
Uruguayella repens; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1964a:253, 259.
Trochospongilla repens; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1978:507; VOLKMER-RIBEIRO
& GROSSER, 1981:177-180.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre,
rio Jacuí e jusante da Barragem Itaúba, MCN 763, 880, 26.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a
jusante da Barragem Itaúba, MCN 801, 886, 895, 898, 899, 12.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a
jusante da Barragem Itaúba, MCN 853, 857, 875, 876, 883, 891, 25.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio
Jacuí a jusante da Barragem lItaúba, MCN 854, 861, 887, 02.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a
jusante da Barragem Itaúba; MCN 888, 13.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a jusante da Barragem
Itaúba, MCN 894, |V.1978, A.A. Lise leg.; Jaguari, rio Jaguari, MCN 1027, IV.1982, J. Cavaleski leg.;
Santa Maria, arroio Biriva, rio Ibicuf-Mirim, MCN 1043, 14.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; rio Ibicuí-
Mirim, MCN 1046, 14.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; Uruguaiana, arroio Touro Passo, rio Uruguai,
MCN 829, 830, 834, 837, 841, 842, 844, 845, 15.1.1974, M. Bombim Leg.; rio Uruguai, MCN 10,
29.X11.1969, M. Ribeiro leg.; General Câmara, rio Jacuí, MCN 977, 981, 982, 25.111.1982, M.C.D. Man-
sur, 1.L.V. Mendes, C. Marros leg.; lagoa Santarém, MCN 994, 5.1V.1982, C. Marros leg.; São Je-
rönimo, rio Jacul MCN 996, 997, 999, 1002, 1006, 1011, 1014, 5.1V.1982, C.V. Ribeiro, R. De R. Bar-
bosa, C. Marros, E.T. Carvalho leg.; São Jerônimo/ Butiá, arroio do Conde, rio Jacul, MCN 1025,
28.1V.1982, R. De R. Barbosa leg.; Porto Alegre, Saco do Arado, “rio” Guaíba, MCN 325, 19.111.1975,
S.M. Pauls leg.; Saco do Arado, “rio” Guaíba, MCN 337, 341, 344, 827, 19.111.1975, R. De R. Barbosa
leg..
Trochospongilla variabilis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1973.
Trochospongilla variabils BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1973:15, VOLKMER-RIBEIRO et alii,
1975:37.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Triunfo/Canoas,
ro Caí, MCN 277, 21.VII1.1974, S.M. Pauls leg.; Porto Alegre, açude no Morro Santana, MCN 495,
3.1X.1977, A.A. Lise leg.; açude no Morro Santana, MCN 580, 25.X.1978, A.G. Pereira leg..
Gênero Heteromeyenia Potts, 1881 sensu PENNEY & RACEK, 1968
Heteromeyenia insignis Weltner, 1895 sensu VOLKMER, 1963a.
Heteromeyenia insignis WELTNER, 1895:127; GEE, 1930-31:40; OLD, 1932:452; VOLKMER, 1963a:275-
278; PENNEY & RACEK, 1968:105.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Torres, lagoa en-
tre dunas, MCN 202, 5.V11.1972, M.L. Porto leg..
Heteromeyenia stepanowi Dybowsky, 1884 sensu PENNEY & RACEK,
1968.
Dosilia stepanowii [sic] DYBOWSKY, 1884:507.
Heteromeyenia insignis BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1964a:252, 258; 1967a:332 (non H. insig-
his Weltner, 1895).
Heteromeyenia stepanowii sic ; PENNEY & RACEK, 1968:108 (e sinonímia); EZCURRA DE DRAGO,
1972:122; VOLKMER-RIBEIRO etalii, 1975:40,41; VOLKMER-RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-
79; VOLKMER-RIBEIRO et alii, 1981:13, 16, 17, 21.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Soledade, arroio
do Fão, rio Jacuí, MCN 758, 17.11.1980, R. De R. Barbosa leg.; Santa Maria, Barragem Saturnino de
Brito, Rio Ibicuí-Mirim, MCN 1042, 13.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; rio Ibicul-Mirim, MCN 1049,
14.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; Montenegro, açude na Fazenda das Marrecas, MCN 496,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 133
27.1X.1977, R. De R. Barbosa leg.; açude na Fazenda das Marrecas, MCN 540, 10.X11.1977, R. De R.
Barbosa leg.; açude na Fazenda das Marrecas, MCN 516, 6 XI1.1977, R. De R. Barbosa leg.; São
Vicente do Sul, lagoa na confluência dos rios Ibicuf-Mirim com Toropí, MCN 927, 931 (microespé-
cimes sobre MCP 54), 4.V.1981, A. Cargnin leg.; Triunfo, açude na Fazenda Delapieve, MCN 497,
4.X.1977, R. De R. Barbosa leg.; arroio Passo Raso, rio Jacul, MCN 492, 28.V1.1977, R. De R. Bar
bosa leg.; arroio Passo Raso, rio Jacuí, MCN 494, 19.V11.1977, C.V. Ribeiro leg.; Arroio Passo Raso,
rio Jacul, MCN 487, 3.V1.1977, R. De R. Barbosa leg.; Canoas, rio Caí, MCN 490, 6.V.1977, R. De R.
Barbosa leg.; Canoas/Porto Alegre, rio Gravatal, MCN 378, 1037, 28.V111.1974, S.M. Pauls leg..
Gênero Houssayella Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966.
Houssayella iguazuensis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966.
Houssayella iguazuensis BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1966:130-33; 1967b:338; VOLKMER-
RIBEIRO, 1971:53-59; VOLKMER-RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-82.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre,
rio Jacuí a jusante da Barragem Itaúba, MCN 893, 25.1V.1978, A.G. Pereira leg..
Ordem HAD RO MUCER DD A
Família POTAMOLEPIDAE Brien, 1967 sensu VOLKMER-RIBEIRO,
1981. 5
Gênero Oncosclera Volkmer-Ribeiro, 1970.
Oncosclera navicella (Carter, 1881) sensu VOLKMER-RIBEIRO, 1970.
Spongilla navicella CARTER, 1881:87; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1962:212, 1964a:247,
1967a:336; 1970:45,52; PENNEY & RACEK, 1968:41 (e sinonimia); VOLKMER, 1963b:272;
BRIEN, 1970:183.
Spongilla (Stratospongilla) navicella; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1967b:339, 345; 1968:429,
430, 431, 435; 1969:352, 353; 1970:47, 53.
Oncosclera navicella; VOLKMER-RIBEIRO, 1970:435; VOLKMER-RIBEIRO et alii, 1975:42; VOLKMER-
RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-180.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre,
rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba, MCN 860, 884, 12.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a
jusante da Barragem Itaüba, MCN 881, 889, 892, 25.1V.1978, A.G. Pereira leg.; Nova Petrópolis, rio
Caí, MCN 690, 911, 913, 7.11.1980, R. De R. Barbosa leg.; rio Caí, MCN 770, 771, 786, 20.11.1980, R.
De R. Barbosa leg.; Santa Maria, arroio Biriva, rio Ibicuí-Mirim, MCN 1044, 14.V11.1982, R. De R. Bar-
bosa leg.; rio Ibicul-Mirim, MCN 1047, 14.V11.1982, R. De R. Barbosa leg.; São Vicente do Sul, lagoa
na confluência dos rios Ibicuí-Mirim com Toropi, MCN 934, 942, 944, 947, (microespécimes respec-
tivamente sobre MCP 55, 43, 44, 55), 4.V1.1981, A. Cargnin leg.; lagoa junto ao rio Ibicuí, Fazenda
Santa Fé, MCN 968, 969, 970, 971, 972, 1.X11.1981, C.V. Ribeiro leg.; General Câmara, rio Jacul, MC-
N 967, 10.111.1982, E.T. Carvalho leg.; rio Jacuí; MCN 978, 979, 980 ‚988, 989, 990, 1016, 25.11.1982,
|.L!'V. Mendes, M.C.D. Mansur, C. Marros leg.; rio Jacul MCN 950, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; São
Jerônimo, rio Jacuí, MCN 1000, 1008, 1009, 1013, 1015, 5.1V.1982, R. De R. Barbosa, C. Marros, E.T.
Carvalho leg.; São Jerônimo/Butiá, arroio do Conde, rio Jacuí, MCN 1019, 1020, 1022, 10.11.1982,
CV. Ribeiro, R. De R. Barbosa, C. Marros leg.; arroio do Conde, rio Jacuí, MCN 908, 909,
28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg..
Oncosclera petricola Bonetto & Excurra de Drago, 1967.
Spongilla (Stratospongilla) petricola BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1967b:332, 344; 1970:53.
Oncosclera petricola; VOLKMER-RIBEIRO & GROSSER, 1981:177-182.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre,
rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba, MCN 801, 817, 882, 12.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a
jusante da Barragem Itaúba, MCN 873, 02.1V.1978, A.G. Pereira leg.; São Francisco de Assis, rio Itu,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
134 DE ROSA BARBOSA, R.
MCN 1026, 18.11.1968, C.V. Ribeiro leg.; Nova Petrópolis, rio Caí, MCN 693, 07.11.1980, A.G. Pereira
leg.; rio Caí, MCN 772, 20.11.1980, R. De R. Barbosa leg.; Candelária, rio Jacuí, MCN 991, 22.11.1982,
M.C. Pons leg.; General Câmara, rio Jacul, MCN 953, 954, 962, 964, 10.111.1982, E.T. Carvalho, B.M.
de Moraes, J.L. Pinto leg.; rio Jacuí, MCN 975, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; rio Jacuí, MCN 998,
1003, 1004, 1005, 1010, 05.1V.1982, R. De R. Barbosa, C. Marros, E.T. Carvalho leg.; rio Jacul, MCN
949, 955, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro, E.T. Carvalho, R. De R. Barbosa leg.; lagoa Santarém, rio Jacul,
MCN 992, 995, 05.1V.1982, C. Marros, E.T. Carvalho leg.; São Jerônimo/ Butiá, arroio do Conde, rio
Jacul, MCN 1023, 10.1!1.1982, C.V. Ribeiro leg..
Oncosclera schubarti (Bonetto & Ezcurra de Drago, 1967).
Spongilla (Euspongilla) schubarti BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1967b:339-341; 1968:429, 430,
435; 1970:52, 56.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre,
rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba, MCN 818, 02.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a jusante da
Barragem Itaüba, MCN 885, 12.1V.1978, A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba,
MCN 810, 25.1V.1978, A.A. Lise leg.; rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba, MCN 856, 25.1V.1978,
A.G. Pereira leg.; rio Jacuí a jusante da Barragem Itaüba, MCN 858, 859, 878, 26.1V.1978, A.G.
Pereira leg.; Nova Petrópolis, rio Cal, MCN 781, 20.11.1980, C.V. Ribeiro leg.; rio Cal, MCN 675, 699,
700, 701, 702, 792, 796, 798, 907, 910, 914, 07.11.1980, R. De R. Barbosa, A.G. Pereira, S.B. Maciel
leg.; rio Cal, MCN 777, 20.11.1980, R. De R. Barbosa, leg.; Uruguaiana, arroio Touro Passo, rio
Uruguai, MCN 832, 833, 835, 836, 838, 839, 840, 843, 846, 15.1.1974, M. Bombim leg.; Porto Alegre,
Saco do Arado, “rio”” Guaíba, MCN 326, 327, 328, 336, 342, 345, 346,19.111.1975R. De R. Barbosa
leg..
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
O estudo comparativo dos resultados obtidos na presente pesquisa,
com os apresentados em trabalhos precedentes para o Estado, apontaram
novamente registro para as espécies anteriormente citadas, excetuando-se:
U corallioides, O. jewelli, D. brownie M. reticulata. As espécies R. ornata e
O. schubarti tiveram neste trabalho seu primeiro registro de ocorrência para
o Estado.
Inexistia comprovação da ocorrência de M. reticulata e O. petricola,
através de espécimes obtidos pelos métodos clássicos de coleta; estas es-
pécies eram identificadas somente através de conteúdo estomacal de peixes.
Na presente pesquisa, alcançou-se registro com exemplares de O. petricola,
permanecendo, ainda, a descoberto M. reticulata.
Das ocorrências registradas, Heteromeyenia stepanowi, Trochospon-
gilla paulula, T. minuta, T. repens, T. lanzamirandai, C. boehmi, O. navi-
cella, O. schubarti, O. petricola e Houssayella iguazuensis foram as espécies
para as quais se comprovou ocorrência mais ampla no Estado (tabela Il).
Dentre elas, 7. repens, O. petricola, O. schubarti e H. iguazuensis ocorrem
no Estado, até o momento, somente em ambiente lótico. As demais, em
ambientes lótico e lêntico.
Em contraposição, como espécies mais restritas encontram-se: E.
fragilis, E. facunda, Heteromeyenia insignis, T. delicata, T. variabilis, R.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 135
crateriformis, R. ornata; O. jewelli e D. browni. E, entre elas, E. fragilis,
Heteromeyenia insignis e T. variabilis, ocorreram em habitat lótico e lEntico; '
T. delicata, R. ornata e O. jewell, em ambiente lótico; E. facunda, R.
crateriformis e D. browni, em lêntico.
Algumas espécies revelaram tendência a ocorrerem juntas, no mesmo
tipo de substrato, tais como O. schubarti e T. repens, no arroio Touro Passo
(rio Ibicuí) e, em menor intensidade, no Saco do Arado (“rio Guaíba), por-
tanto, em duas bacias hidrográficas bem distintas.
Na sub-bacia do rio Cal, a associação mais constante é a de O.
schubarti com T. minuta.
No rio Jacuí, a jusante da Barragem Itaúba, ocorre associação entre C.
boehmi e T. repens. Entretanto, para o mesmo rio, no município de São
Jerônimo, existem várias espécies habitando o mesmo substrato. A asso-
ciação mais comumente encontrada é a de O. petricola com O. navicella,
sendo que estas duas podem, por sua vez, juntas ou separadamente, es-
tarem associadas com 7. minuta ou T. repens.
Certas espécies de esponjas podem, servir de substrato para outras.
VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1972) estudaram, para o rio
Juruá, no Amazonas, um exemplo de associação em que ocorria estratifi-
cação de esponjas, Acalle recurvada (Bowerbank, 1863) ocupando o estrato
inferior, e várias espécies do gênero Trochospongilla, o superior. O mesmo
fato foi verificado em exemplares de D. browni, coletados em um lago em
crescente no rio Ibicuí e que serviram de substrato para microespécimes de
T. paulula, T. minuta, T. lanzamirandai, Heteromeyenia stepanowi e para
uma grande quantidade de diminutos exemplares de O. navicella.
Comparações baseadas na divisão mais geralda bacias — Uruguai e
Atlântico Sudeste — indicam que as espécies 7. delicata, T. variabilis, R.
ornata, R. crateriformis, O. jewelli, M.:reticulata, Heteromeyenia insignis e E.
fragilis, ate o momento, estão restritas à do Atlântico Sudeste, enauente D.
browni limita-se à do Uruguai.
Constatou-se, na sub-bacia do Jacuí, uma comunidade de esponjas de
água doce muito semelhante à da sub-bacia do Guaíba, com a diferença tãc
somente de que O. jewelli, ocorreu, apenas, na sub-bacia do Jacuí e 7.
variabilis na do Guaíba. Nestas duas sub-bacias foi registrado o maior nú-
mero de espécies, tendo sido identificadas 15 das 21 espécies catalogadas
até o presente no Rio Grande do Sul.
Na sub-bacia do Caí, registraram-se 13 espécies de esponjas de água
doce. A fauna espongológica deste rio é semelhante áquela encontrada no
Jacuí e no Guaíba. Entre as espécies listadas para o Caí, destacaram-se A.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
136 DE ROSA BARBOSA, R.
crateriformis, R. ornata e Heteromeyenia insignis que são espécies consi-
deradas como de distribuição mais restrita (tabela Il).
Já na bacia do Gravatal, dado à escassez de coletas, registraram-se,
apenas, as espécies: Heteromeyenia stepanowi e T. lanzamirandai.
E. facunda foi coletada, até o presente, em um banhado localizado em
Bagé (Bacia Uruguai), lagoa dos Patos e na lagoa Jacaré (Estação Ecológica
do Taim).
A consulta aos dados existentes sobre as espécies citadas para o Brasil
demonstra que incide na região Amazônica o maior número de pesquisas
realizadas para este grupo faunístico; para as demais localidades do País,
ocorrem, apenas, citações esparsas.
Como espécies comuns ao Rio Grande do Sul e à região Amazônica.
encontram-se R. crateriformis, C. boehmi, T. paulula, T, minuta, T. lan-
zamirandai, T. delicata, T. variabilis, M. reticulata, D. browni e U. cora-
lioides. Das espécies registradas para o Brasil, excetuando-se a região
Amazônica, ocorreu no Rio Grande do Sul, A. crateriformis citada para o rio
Ribeira de Iguape (São Paulo) e Heteromeyenia insignis para o rio Itajaí
(Santa Catarina).
Até a presente data, não há citação, na bibliografia argentina, da
ocorrência, nesse país, das seguintes espécies: Heteromeyenia stepanowi, E.
facunda, T. minuta, O. jewellie M. reticulata.
Dentre as espécies acima referidas, VOLKMER-RIBEIRO et alii (1975)
incluiram Heteromeyenia insignis Bonetto & Ezcurra de Drago (non 4. insig-
nis Weltner), na sinonímia de Heteromeyenia stepanowi, ficando, portanto,
registrada a ocorrência da mesma para as águas argentinas.
EZCURRA DE DRAGO (1975) incluiu £. facunda Weltner, 1895 na
sinonimia de E. fluviatilis ramsayi (Haswell, 1882), a qual ocorre na Argen-
tina, deprendendo-se assim, que £. facunda deva ocorrer na Argentina. Vis-
to que a autora no citado trabalho não teve oportunidade de analisar o
material-tipo de £. facunda, sugere-se que a identidade específica de E.
facunda deva ainda ser mantida, até a realização de estudos revisivos com
maior número de espécimes.
VOLKMER-RIBEIRO (1973) descreveu 7. minuta e demonstrou que
Bonetto & Ezcurra de Drago (1967c) realizaram a descrição original de
Trochospongilla delicata com base em material que constitula uma asso-
ciação entre esta espécie e 7. minuta. Como este material provinha de águas
argentinas, ficou assim evidenciado que 7. minuta ocorria na Argentina.
Restam, portanto, das espécies agora indicadas para o Rio Grande do
Sul e sem registro de ocorrência na Argentina O. jewellie M. reticulata, esta
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 137
última com registro somente indireto e sujeito a confirmação, para o Rio
Grande do Sul.
Na bibliografia argentina há registro, porém, de uma série de espécies,
cuja ocorrência não se verificou até agora para o Rio Grande do Sul. BO-
NETTO & EZCURRA DE DRAGO (1962) registraram Spongilla fragilis para o
rio Paraná; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1963) descreveram Tro-
‚ahospongilla ringueletti para o rio Paraná e Uruguai; BONETTO & EZCURRA
DE DRAGO (1964b) descreveram Ephydatia crateriformis paranensis com
ocorrência no rio Paraná; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1965) regis-
traram Trochospongilla leidyi (Bowerbank, 1863) e T. -horrida (Weltner, 1893)
para o rio Paraná; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1966) descreveram
Corvomeyenia australis, também para o rio Paraná; BONETTO & EZCURRA
DE DRAGO (1967a) registraram Ephydatia fluviatilis (Linné) para os rios
Negro e Paraná; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1967b) refizeram a
descrição de Spongilla (Euspongilla) stolonifera do rio Paraná; BONETTO &
EZCURRA DE DRAGO (1968) publicaram para o rio Uruguai o primeiro
registro das espécies Spongilla (Stratospongilla) ponsi e S. (Stratospongilla)
tonollii; BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1970) descreveram, para o rio
Paraná, Trochospongilla tenuissima, Spongilla (Stratospongilla) atrata além
de nova ocorrência de S. (Stratospongilla) ponsi Bonetto & Ezcurra de
Drago (1968). EZCURRA DE DRAGO, em 1974, apresentou a descricäo de
Corvomeyenia heterosclera, também, para o rio Paraná.
T. ringueletti conforme proposição avançada por VOLKMER-RIBEIRO
& DE ROSA-BARBOSA (1978), deverá, provavelmente, ser incluída na
sinonimia de 7. repens, segundo critério de que todas as espécies referidas
ao gênero Uruguaya Carter, 1881 mas possuidoras de gemoscleras com duas
rótulas, a ela devem pertencer.
Os caracteres diferenciais de 7. tenuissima em relação à T. minuta
necessitariam ser revisados devido ao grau de semelhança existente entre as
duas espécies.
BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, em 1965, registraram 7. horrida
para a Argentina, sugerindo, a possível inclusão daquele material na sino-
nimia de 7. minuta. O insuficiente número de espécimes estudados não per-
mitiu, entretanto, que chegassem a uma conclusão definitiva.
Assim, o material de 7. horrida e T. leidyi registrado para a Argentina
merece ser reestudado, pois estas duas espécies, conforme PENNEY &
RACEK (1968) tem ocorrência, apenas, no Hemisfério Setentrional.
Por sua vez, S. (Stratospongilla) ponsi; S. (Stratospongilia) tonollii e
S. (Stratospongilla) atrata necessitariam de um reestudo, frente à redefinição
do gênero Uruguaya e à redescrição de sua única espécie U. corallioides
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
138 DE ROSA BARBOSA, R.
efetuadas em 1978 por VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA. U.
corallioides tem ampla distribuição já comprovada em águas argentinas.
Uma diferença marcante entre a fauna espongológica da Argentina e a
do Rio Grande do Sul constitui, sem dúvida, a não ocorrência de C. australis
Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966 e C. heterosclera Ezcurra de Drago, 1974
em águas do Estado. O gênero Corvomeyenia Weltner, 1913, até o presente,
não tem registro para o Rio Grande do Sul, enquanto Metania, Gray 1867
até agora, não mostrou qualquer indício de ocorrência em águas argentinas.
Do exposto, pode-se presumir que, sem a realização de uma série de
revisões, não há possibilidades de se recorrer as espécies citadas para a Ar-
gentina, como apoio para estudos de distribuição geográfica comparada.
Em síntese, as distinções entre as duas faunas consistem, com base
nos conhecimentos atuais mais irrefutäveis, na ausência de citações para o
Rio Grande do Sul do gênero Corvomeyenia, nas escassas evidências de
ocorrência, no Estado, do gênero Uruguaya e na falta de registro do gênero
Metania para a Argentina.
É praticamente inviável a realização de estudos comparativos entre a
fauna espongológica do Rio Grande do Sul e a do Uruguai, uma vez que
pouquíssimos são os registros existentes para este país. BELÉN (1968) listou,
para o rio Uruguai, apenas quatro espécies: U. corallioides, D. browni, T.
repens e Trochospongilla pigmaea (Hinde, 1888). Destas, as três primeiras
ocorreram, também, no Rio Grande do Sul.
Sugere-se para 7. píigmaes, pelos mesmos motivos apresentados
quando da discussão de 7. ringueletti, um estudo revisivo de seu status.
Com base nos dados obtidos até o presente, pode-se prever uma semelhan-
ça entre a fauna espongológica do Uruguai com a do Rio Grande do Sul.
Ao efetuarem-se comparações entre os diversos espécimes de uma
mesma espécie, ocorrentes em diferentes área de coleta, verificou-se que £.
fragilis e O. schubarti apresentaram variações ecomórficas, bastante sig-
nificativas, em seus componentes espiculares.
E. fragilis, no rio Jacuí (fig.3) e no “rio” Guaíba (fig.4), apresentou
gemoscleras mais curtas e mais grossas. Em algumas delas as pontas são
arredondadas e a sua espinhadura geralmente é mais pronunciada, enquanto
as megascleras são maiores. Na lagoa dos Quadros (fig.5) e no Parque
Santa Rita (fig.6), todos os componentes espiculares apresentaram-se mais
delicados. A espécie apresentou, portanto, variações características para
ambientes lótico e lêntico.
Em O. schubarti salientaram-se as seguintes variações espiculares:
gemoscleras com espinhos menos numerosos e mais pronunciados, além de
uma grande quantidade de gemoscleras mal formadas em espécimes pro-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 139
cedentes do arroio Touro Passo (fig.7); a maior semelhança entre as gemos-
cleras dos exemplares oriundos dorio Caí (fig. 8) e as do Saco do Arado
(fig. 9); gemoscleras com extremidades arredondadas e pronunciados es-
pinhos ou extremidades aguçadas, em material procedente do rio Jacuí
(fig. 10). As megascleras, nos exemplares das quatro localidades estudadas,
variaram quanto a tamanho — o comprimento máximo atingido por elas foi
verificado nos exemplares procedentes de Itaüba — que além disto mos-
traram micro-espinhadura nas extremidades de algumas destas escleras.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos de modo especial à Profa. Dra. Cecília Volkmer Ribeiro — do Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica, — pela orientação segura, pelo apoio significativo e pela riqueza
dos conhecimentos propiciados; ao Dr. Jeter Bertoletti, Diretor do Museu de Ciências Naturais da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pelo solícito empréstimo de alguns exemplares.
A Geógrafa Helena F.-Mello do MCN, pelo assessoramento na determinação de localidades geogrä-
ficas. À estagiária Rosângela Melotto Tobim, pelo auxílio prestado na montagem de dados e à bióloga
Jané E.M. de Almeida e à Sra. Elsi Tim de Carvalho pela ajuda na preparação de lâminas. À desenhis-
ta Rejane Rosa do Museu de Ciências Naturais, pela realização da arte final das ilustrações.
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142 DE ROSA BARBOSA, R.
Ss
Fig. 1: Componentes espiculares de Radiospongilla ornata Bonetto & Ezcurra de Drago, 1970,
da bacia do Atlântico Sudeste, Rio Grande do Sul. A megasclera; B gemoscleras.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 143
Fig. 2: Componentes espiculares de Oncosclera schubarti (Bonetto & Ezcurra de Drago, 1967),
da bacia do Atlântico Sudeste, Rio Grande do Sul. A megascleras: B gemoscleras.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
144 DE ROSA BARBOSA, R.
Figs. 3-6: Variações da forma e tamanho dos componentes espiculares de Eunapius fragilis
(Leidy, 1851) procedentes dos seguintes ambientes límnicos. 3. Rio Jacul; 4. “Rio'' Gualba; 5. Lagoa dos
Quadros; 6. Lago artificial no Parque Santa Rita.
HERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 145
io
Figs. 7-10: Variações da forma e tamanho dos componentes espiculares de Oncosclera schu-
barti (Bonetto & Ezcurra de Drago, 1967) procedentes dos seguintes cursos de ägua: 7. Arroio Touro
Passo; 8. Rio Cal; 9. Saco do Arado; 10. Rio Jacul.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64): 127-148, 25 jun. 1984
146 DE ROSA BARBOSA, R.
Escara
e © oO m vma
pesa a a aa aa
Fig. 11: Mapa da amostragem atual da fauna espongológica Continental no Rio Grande do Sul,
Brasil: os círculos assinalam as áreas amostradas, até o presente, nas distintas bacias hidrográficas e
municípios do Estado. A linha tracejada delimita, à esquerda, a Bacia do Uruguai e, a direita, a Bacia
do Atlântico Sudeste (Mapa base: RIO GRANDE DO SUL. D.C.M., 1380). Áreas de coleta: 1. Rio Itu
(São Francisco de Assis); 2. Rio Jaguari (Jaguari) ; 3. Rio Ibicuf-Mirim (Santa Maria); 4. Rio Ibicul-
Mirim com Toropi (São Vicente do Sul); 5. Rio Uruguai (Uruguaiana); 6. Arroio Touro Passo (Uru-
guaiana); 7. Banhado no Forte Santa Tecla (Bagé); 8. Arroio do Fão (Soledade); 9. Rio Tainhas (São
Francisco de Paula); 10. Lago artificial no Parque Santa Rita (Farroupilha); 11. Rio Jacuí (Arroio do
Tigre); 12. Lagoa (Torres); 13. Rio Caí (Nova Petrópolis); 14. Lagoa dos Quadros (Osório); 15. Rio Cal
(Montenegro); 16. Rio Jacuí (Candelária); 17. Rio Jacul (Triunfo. General Câmara, São Jerônimo e
Butiá); 18. Rio Jacuí, Rio Cal e Rio Gravataí (Delta); 19. “Rio” Guaíba (Guaíba e Porto Alegre); 20.
Lagoa Negra (Viamão); 21. Arroio do Moinho (Santana da Boa Vista); 22. Lagoa dos Patos (São
Lourenço do Sul); 23. Lagoa Jacaré (Rio Grande).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Reavaliação da fauna espongológica 147
TABELA |: Distribuição das 21 espécies de esponjas de água doce regis-
tradas nas bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul, Brasil. (L. Nor-
te= Litoral Norte; L. Patos = Lagoa dos Patos; L. Sul= Litoral Sul).
ATE AN TICO SUDESTE
Lagoas Costeiras
Uruquai Negro Ibicuí |Jacui Cai Guaiba Camaqua Gravatai L.Norte L.Patos L.Sul
URUGUAI
acias Hidrograficas
E ub-bacias
Especies
Eunapius fragilis E O E
Radiospongilla crateriformis EI O)
ip
[e}
3
eu
E
au
E
Se E So o E A A O)
Ephydatia facunda E o!
Trochospongilla delicata E
1. lanzamirandai EE BE
T. minuta
T. paulula a = A 2
1. repens ® E
T. variabilis
rap zoeor Here ee
0. petricola [|
0. schubarti >
D+tBE>O DDD
+B >»
rd
- Reaistro novo para o Estado;
- Primeiro registro da especie para a bacia;
- Espécies indicadas na bibliografia para a bacia com base no conteudo estomacal de neixes e, presen-
temente confirmadas ;
ZN - Espécies, atê o momento indicadas na bibliografia apenas pelo conteúdo estomacal de peixes;
2) - Especies com reaistro bibliográfico para a bacia e com novo registro de ocorrência;
- Espécies com registro bibliográfico para a bacia e sem novos registros de ocorrencia.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
148 DE ROSA BARBOSA, R.
Tabela Il: Percentual de ocorrência das espécies de esponjas de água
doce, comprovadas por coleta de espécimes
em relação às onze sub-bacias hidrográficas estudadas,
do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
escondo ice ua 9% 18% 27% 36% 45% 54%
Espécies - ” 5
Eunapius fragilis x
Radiospongilla crateriformis X
R. ornata X
Corvospongilla boehmi x
Ephydatia facunda x
Trochospongilla delicata x
T. lanzamirandai x
T. minuta X
T. paulula x
T. repens x
T. variabilis x
Heteromeyenia insignis X
H. stepanowi X
Houssayella iguazuensis x
Drulia browni X
Oncosclera jewelli x
O. navicela
O. petricola
O. schubarti
X X x
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):127-148, 25 jun. 1984
Consideraciones sobre Pachycheles haigae Rodrigues da Costa,
1960 — y P. chubutensis Boschi, 1963 en Monte Hermoso (Re-
pública Argentina) (Crustacea, Anomura, Porcellanidae)*
Claudia S. Bremec**
Néstor J. Cazzaniga***
RESUMO
Pachycheles haigae e P. chubutensis são os únicos crustáceos Porcellanidae do litoral marinho
da Argentina e de acordo com a literatura, habitam geralmente em diferentes comunidades de subs-
trato duro, com Mytilidae. Nosso material foi obtido na localidade balneária Monte Hermoso (39º00'S -
61º16'W), entre 4 e 12m de profundidade, em infralitoral de fangolita, sem mexilhões, em populações
mistas de ambas as espécies em quantidades quase equivalentes.
A única diferença morfológica destacável, em relação as descrições originais, é que as fêmeas
de P. chubutensis frequentemente apresentam 7 placas no telson, em vez das 5 placas normais. Es-
tuda-se a relação largura/comprimento nas duas espécies.
Além do material de Monte Hermoso, mais quatro espécimens de P. chubutensis foram regis-
trados no estuário interno da Bahía Blanca, um ambiente com grandes variações de salinidade e tem-
peratura.
ABSTRACT
Pachycheles haigae and P. chubutensis are the only two Porcellanidae crustaceans known from
the Argentine littoral. They are usually found in different communities, on hard bottoms, generally
among Mytilidae. Presently, they were obtained both in Monte Hermoso beach (39º00'S - 61º16'W),
between 4 and 12m depth, in infralittoral “fangolita”” zone without mussels, in mixed populations. Only
one morphological difference with the original descriptions was found: many females of P. chu-
butensis have seven telson plates, instead of the commonly five. The proportion width/lenght is
studied in both species.
Besides the material from Monte Hermoso, P. chubutensis was obtained in the inner estuary of
Bahía Blanca, where salinity and temperature are very variable.
INTRODUCCION
Pachycheles haigae Rodrigues da Costa, 1960 y Pachycheles chu-
butensis Boschi, 1963 son los únicos crustáceos anomuros de la familia Por-
cellanidae conocidos para el litoral marino de la Argentina.
* Aceptado para publicatión ei 13.V1l.1984. Contribución nº 65 del Instituto Argentino de Ocea-
nografia (l.A.D.O.).
** Becaria del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). 1.A.D.O., Av.
Alem 53, 8000 Bahia Blanca, República Argentina.
*** Investigador de la Comisión de Investigaciones Científicas de la Provincia de Buenos Aires. De-
partamento de Biologia, Universidad Nacional del Sur, Av. Alem 1253, 8000 Bahía Blanca, Re-
pública Argentina.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
150 BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
Se los encuentra en litorales rocosos, generalmente en comunidades
de Mytilidae, en la Subregión Templado-Cálida (= Provincia Argentina)
(BOSCHI, 1976; 1979). Según la literatura, es habitual que ambas especies
estén ecológicamente separadas. Pachycheles haigae se ubica en horizontes
mesolitorales entre piedras y con Brachydontes rodriguezi (Orbigny, 1846).
SCELZO & BOSCHI (1973: 205) la mencionan como especie costera en el
“mediolitoral e infralitoral”, sin más detalle. El resto de la bibliografia la
sefiala sólo para el mesolitoral (BOSCHI, 1963, 1978; BOSCHI et alli, 1967;
OLIVER et aiii, 1966; RODRIGUES DA COSTA, 1960). Por su parte, Pachy-
cheles chubutensis habita infralitorales rocosos con Mytilus platensis Orbigny,
1846, según BOSCHI (1979).
El material que se da a conocer aquí, procedente del infralitoral de
Monte Hermoso (Provincia de Buenos Aires, Argentina), sobre substrato
duro sin mitílidos, está compuestos por lotes mixtos de ambas especies, que
aparecen así compartiendo el hábitat.
En este trabajo se analizan algunos aspectos biométricos y de distri-
bución, así como ciertas consideraciones bio-ecológicas.
MATERIAL Y METODOS
Los lotes estudiados proceden de muestreos de infralitoral, destinados a un relevamiento de
fauna bentónica frente a la localidad belneária de Monte Hermoso (39º00'S - 61º16'W). Corresponden
todos a una facie de fangolita arcillo-limosa, con matriz cementante calcárea. Fueron colectados con
rastra tipo Piccard, entre 4 y 12m de profundidad. Constan de 1014 ejemplares, según se detalla en las
tablas | y Il. El primero (30/07/81) y el último (22/01/82) corresponden a aproximadamente 3 minutos
de arrastre; en los restantes el muestreo duró unos 9 minutos.
Tabla | — Detalle del material de Pachycheles haigae Rodrigues da
Costa, 1960, colectado en Monte Hermoso, Argentina.
Muestra nº Fecha Indif. oc a Total
postura ovigeras
1 30/07/81 3 78 36 20 13%
2 23-25/09/81 8 70 58 15 15i
3 30/10/81 3 60 16 41 120
4 22/01/82 14 54 14 28 110
Total 28 262 124 104 518
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
Consideraciones sobre Pachycheles... 151
Tabla II — Detalle del material de Pachycheles chubutensis Boschi,
1963, colectado en Monte Hermoso, Argentina.
Muestra nº Fecha Indif. ato we Total
postura ovigeras
1 30/07/81 0 Sa 28 13 74
2 23-25/09/81 5 75 39 26 145
3 30/10/81 3 44 19 32 98
4 22/01/82 24 71 76 8 w3
Total 32 223 162 79 496
Los ejemplares de ambas especies pueden discriminarse sexualmente a partir de los 2,0mm de
largo de caparazón (fig. 1). La proporción de sexos por especie y por lote fue evaluada por el test de
x2. Se pudieron separar 493 ejemplares de P. haigae y 465 de P. chubutensis, que fueron medidos
sobre una escala gráfica (largo y ancho de comparazón). Con estos datos se calculó el índice x = an-
cho/largo, que fue comparado para cada grupo de individuos mediante el test de t, com previa trans-
formación para lograr una distribución normalizada. Con este fin se ensayaron várias fórmulas em-
píricas, obteniendo los mejores resultados con la seguiente:
x = arcos 3 in x
La media aritmética de los índices transformados (x') corresponde a una media no aritmética
(angular-geométrica) de x. El desvio típico de X’ se anotó como s”.
Una nueva estimación de la media de x se obtiene por la transformación inversa de x’. Este
nuevo valor se anotó como X'. Del mismo modo se calcularon límites máximo y mínimo para X:
X = antiln (cos R')3
N A mp, 4
Xmáx = antiln [ cos K-s 1] 3
n y a
Xmin = antiln [ cos (X' + s)] 3
Habitualmente los contrastes par a par mediante test de t no tienen suficiente potencia estadís-
tica. Sin embargo, cuando los valores obtenidos son espectaculares, como ocurre en el presente caso,
el método adquiere la confiabilidad requerida.
Para graficar los índices (x) se ensayó su transformación logarítmica. Por tratar-se de valores
próximos a 1, esto equivale prácticamente a realzar la escala de ordenadas para los datos sin transfor-
mar. Se optó entonces por graficar los índices crudos, con sus intervalos de confianza para 95% .
RESULTADOS
Pachycheles haigae Rodrigues da Costa, 1960
(Figura 2)
La descripción original es bastante detallada y fue ampliada por BOS-
CHI (1963), quien además agregó nuevas localidades y observaciones
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
152 BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
º
ecológicas. Nuestro material concuerda con ambas descripciones.
Medidas: el holotipo mide 8,0:85mm (RODRIGUES DA
COSTA, 1960). El material de Mar del Plata estudiado por BOSCHI (1963)
alcanza 16,0mm de ancho de comparazón. BOSCHI et alli (1967) sefialan
que el último estadio larval de esta especie (megalopa) mide 1,5 a 1,6mm de
largo por 1,1 a 1,4mm de ancho.
Los ejemplares de Monte Hermoso varian entre 1,5 y 14mm de largo.
Los de menor tamafio corresponden al estado “primer cangrejo” y su ca-
parazón es isodiamétrico (relación acho/largo = 1). Nótese que en todos los
lotes el 85 al 95% de los ejemplares se ubican entre los 2,0 y 7,0mm de lar-
go, y son escasos los de mayor tamafio (fig. 5).
Disotribou ci ón: RODRIGUES DA COSTA (1960
BOSCHI (1963) la mencionan para la costa de Brasil, al sur de Pernambuco,
y para la costa argentina hasta Mar del Plata y Miramar.
Nueva locali dad: este registro en Monte Her-
moso amplia su distribuciön un poco más al sur. Se trata de una costa que
corre en dirección E-W, de poca pendiente, con playas de arena, expuestas
a frecuentes tormentas del sector SE y con una amplitud de mareas de 1,5 a
2,0m.
Material estu dia do: ARGENTINA. Província de Buenos Aires, Santa
Clara del Mar; 10,2 QQ (1 ovigera), 1.A.D.O., diciembre de 1982, A. Amor leg.; Mar del Plata, 1 Q,
Museo Argentino de Ciencias Naturales ''B. Rivadavia” (Buenos Aires) nº 12006, sin fecha ni colec-
tor; Monte Hermoso, 252 OO, 22800, 28 crias (tabla |), 1.A.D.O., setiembre de 1981 a enero de
1982, C.S. Bremec leg.
Pachycheles chubutensis Boschi, 1963
(Figura 3)
Es una especie muy afin a la anterior, pero de fácil identificaciön a
através de la detallada descriptión original.
Según BOSCHI (1963) los machos de esta especie presentan siete
placas ventrales en el telson, a diferencia de lös de P. haigae que tienen sólo
cinco. Las hembras, en cambio, tendrian cinco placa en ambas especies,
pudiendo las de Pf. chubutensis poseer las dos posteriores parcialmente
divididas.
En un lote de nueve hembras colectadas por nosotros en el mesolitoral
de Puerto Pirámides (Chubut) observamos seis ajemplares con las placas
posteriores parcialmente divididas y tres que presentan siete placas bien
difenciables (fig.4). La casi totalidad de las hembras obtenidas en Monte
Hermoso poseen siete placas.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
Consideraciones sobre Pachycheles... 153
Los ejemplares más australes tienen mayor cantidad de sedas que los
de Monte Hermoso. BOSCHI (1963) menciona diferencias de este tipo pare
distintas localidades.
Los restantes caracteres son coincidentes con lo descrito e ilustrado
con anterioridad.
Medidas: el holótipo mide 11,0:10,0mm y rango de tallas
dado por BOSCHI (1963) es de 5,0 a 14,0mm de ancho de caparazón.
Nuestro material de Monte Hermoso mide entre 1,0 y 11,0mm de lar-
go, predominando también en este caso las tallas inferiores a 7, 0mm (fig.d).
Distrib uci 6 n: esta especie está citada para locali-
dades comprendidas entre paralelos 34°S y 44ºS (Cabo Polonio a Rawson),
hasta 23m de profundidad, correspondiendo las problaciones mäs profundas
a la zona de los 39°S (Monte Hermoso) (BOSCHI, 1963).
Nvu eva localidaãd: se estudiaron cuatro ejem-
plares obtenidos sobre paneles de acrílico para estudios de incrustaciones
biológicas en Puerto Ingeniero White (38º47'S - 62º14'W). Esta localidad
resulta de interés por estar ubicada en la zona interna del estuario de la
Bahia Blanca, que sufre considerables variaciones de salinidad y tempera-
tura. En veranos secos se comporta como estuario hipersalino; en veranos
con abundantes Iluvias el aporte de agua dulce por los arroyos del Sistema
de Ventania es importante. FREIJE et al. (1981) dan como valores extremos
para el período 1974-1979 los seguientes:
Salinidad máxima absoluta: 39,663% u el 06/02/76
Salinidad mínima absoluta: 25,458%o el 30/11/76
Temperatura máxima del agua: 23,90ºC el 02/03/78
Temperatura mínima delagua: 5,70°C el 15/06/79
Material estudia do: ARGENTINA. Provincia de Buenos Aires: Monte
Hermoso, 22200, 24100, 32 crias (tabla Il), 1.A.D.O., setiembre de 1981 a enero de 1982, C.S.
Bremec leg.; Puerto Ingeniero White, 235, 200, 1.A.D.O., febrero de 1982, D. Martinez leg. Provin-
cia de Chubut: sin localidad, 1 CO, Museo Argentino de Ciencias Naturales “B. Rivadavia” (Buenos
Aires) nº 26392, sin fecha, B. Bustamante leg.; Puerto Pirâmides, 500, 9 OQ ovigeras, 1.A.D.O.,
noviembre de 1982, C.S. Bremec y N.J. Cazzaniga leg.
ERS TR, planta ce lion PENSO Im de tas ih Vera d e
las dos espécies: se discriminaron los valores por
especie y por sexo, distinguiendo las hembras ovigeras de las que no llevan
posturas de huevos. La relación ancho/largo dio valores entre 0,70 y 1,15
(fig.6), con escaso margen de variación para cada grupo de ejemplares. Los
valores obtenidos se resumen en la tabla Ill.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
154
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0961 “e1so9 ep sanBupoy sebrey sayayaAy9ed
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"sepeipnise |saıosdsa sop sej us oBie|/oyoue ugiojodoJd ej ap seipojy — III elgeL
XV OO RAS END g(,X SOD) Ujnue = x
‚X ap oaldj} OlASep = ,S x ul /> SOL = X
x ap oold] OlASop = S oßıel/oysue = X
Grr6'0 q9€6 0 cco8B'0 99LO'L E386 0 266 0 UU x
8666 0 v866 0 0066'0 6760’ L ErLO'L Gc00'L XgUIx
8886 0 LL86'0 9996'0 9yro'L 0000'L 0000’ x
%trr'6 %9L'B %BP'L %BP'8 %G9'GL %69'8
SpL/'6 6r65'8 vesz'8 vres'g 0660'YL 09c8'/
core coL G/ZE'GOL OLEZ'OLL LLBE'69 8360'06 g8/0'06
%BP'c WC E %B3'€ %BC'E HEBEL Wc |
Srzo’O ELEO'O 6EE0 0 LvE0'0 g6c0'0 zz10'0
vL86'0 3696 0 0€v6'0 6€40'L 8900'L 0666 0
62 col CCC EOL Cel O2€
sessBino ÓÓ einjsod uıs Só selaßlno dó einsod uis dó DO
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64): 149-162, 25 jun. 1984
Consideraciones sobre Pachycheles... 155
A través de la transformación x’ se pusieron en evidencia algunas
diferencias interesantes entre especies y entre grupos dentro de cada una de
ellas (tabla IV). Todas las comparaciones interespecíficas dieron valores de t
significativos o altamente significativos, corroborando las apreciaciones mor-
fológicas de BOSCHI (1963).
Tabla IV Comparación de medias por sexo y especie del índice X‘.
Pachycheles haigae Pochycheles chubutensis |
ERC
sin post. | ovigeras sin post. ovigeras
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
156 BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
En P. haigae, los machos no difieren de las hembras sin posturas; los
individuos de ambos grupos son cuadrangulares y, al hacer la transforma-
ción inversa de x’ se obtiene medias estimadas idênticas (X = 1,0000). Las
hembras ovígeras tienen diferencias altamente significativas con ambos (X =
1,0446), es decir que ensancharían su caparazón cuando están incubando.
En P. chubutensis, en cambio, no ocurre lo mismo. Los machos son
más alargados (X = 0,9566) y significativamente diferentes de todas las
hembras, que tienen anchos similares entre si (X = 0,9888 para las ovígeras
y 0,9817 para las que no portan huevos).
DISCUSION
El reconocimiento del género Pachycheles Stimpson, 1858 puede
hacerse con la clave dada por CHACE (1942), modificada por MAIG (1956).
Es un género bien representado en el Caribe y Golfo de México. HAIG
(op. cit.) menciona siete especies para esa región, que se elevan a nueve en
el trabajo de WERDING (1977). Frente a las costas de Brasil, SCELZO &
BOSCHI (1973) citan cuatro especies, a las que deben agregarse otras dos,
descritas por COELHO (1964) y por COELHO et alli (1980). Hacia el sur de
Brasil, P. haigae pasa a ser más abundante y a la altura de Cabo Polonio
(Uruguay) comienza a aparecer P. chubutensis. Ambas especies son fre-
cuentes en las costas de la Provincia de Buenos Aires (Argentina), alcanzan-
do P. chubutensis el timite austral del género, como única especie en el nor-
te de la Patagonia, hasta Rawson (SCELZO & BOSCHI, op. cit.).
Casi todas las especies de Porcellanidae son litorales o sublitorales
(CHAGE, 1942). P. chubutensis se encuentra desde las costas hasta 28m de
profundidad. Nuestro material proviene del mesolitoral de Puerto Pirâmides,
entre algas coralináceas, y del infralitoral de Monte Hermoso. Su hallazgo en
la Bahía Blanca enfatiza su condición eurioica. P. haigae, que es típicamente
costera, en Monte Hermoso alcanza ambientes infralitorales, conviviendo
con la especie anterior.
Los lotes estudiados fueron extraídos de un muestreo para relevamien-
to general de fauna y abarcan materiales obtenidos en invierno, primavera y
verano; carecemos de información para el otofio. Si bien no son estricta-
mente cuantitativos, los datos resultan sugestivos sobre algunos aspectos
bioecolögicos.
En todos los lotes ambas especies están bien representadas; no hay
neto predominio de ninguna de ellas y en todos los casos, la proporción de
sexos es de 1:1 (tabla V). La existência de problaciones mixtas de especies
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
Consideraciones sobre Pachycheles... 157
Tabla V — Proporciön de sexos de Pachycheles haigae Rodrigues da
Costa, 1960 y Pachycheles chubutensis Boschi, 1963 en Monte Hermoso,
Argentina.
Muestra nº Pachycheles haigae Pachycheles chubutensis
GS, SÃO x? Sd 29 x2
1 78 56 3;61 33 41 0,86
2 70 73 0,06 75 65 071
3 60 97. 0,08 44 Si 0,52
4 54 42 1750 TÁ 84 1,09
Total 262 231 1,94 223 242 0,78
Todos los valores son no significativos para el nivel de 0,05.
tan afines presupone algün tipo de mecanismo de aislamiento o bien una ac-
tiva interacciön competitiva. Este punto deberä ser resuelto a traves de una
investigaciön especifica.
En P. chubutensis se registra un reclutamiento importante en verano,
con disminuciön de los ejemplares adultos (fig.5). Esto sugiere un ciclo de
vida anual. Con la información actual no puede afirmarse lo mismo para P.
haigae.
En esta última especie la morfologia de las hembras no variaria al in-
cubar huevos, mientras que en P. chubutensis la diferencia entre hembras
ovigeras y no ovigeras es considerable.
BOSCHI (1963) afirma que hay hembras ovígeras de P. haigae a lo lar-
go de todo el afio. Nuestro material contiene hembras ovigeras de las dos
especies, en las tres estaciones del afio consideradas, pero son proporcional-
mente más abundantes en primavera (fig.5). Coinciden ambas especies en
que las ovigeras de menor tamafio tienen 30mm de largo del caparazón (fig.
IR
CONCLUSIONES
— Pachycheles haigae y P. chubutensis conviven en el infralitoral de Monte
Hermoso (39°00S’ - 61º16'W), entre 4 y 12m de profundidad, en sus-
tratos duros sin mitilidos.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
158 BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
— Es frecuente que las hembras de P. chubutensis presenten siete placas
en el telson, diferenciändose de las de P. haigae, que sólo poseen cinco.
— Se amplia la distribución de P. haigae hasta los 39º00'S se registra P.
chubutensis en un ambiente estuarial con condiciones ambientales am-
pliamente variables.
— Los datos parciales considerados sugieren algunas características
bioecológicas tales como: la proporción de sexos en ambas especies es
de 1:1; hábria diferencias morfológicas entre las hembras ovigeras y no
ovigeras de P. haigae, mientras que las de P. chubutensis no difieren en-
tre sí; esta espécie tendria un ciclo de vida anual.
AGRADECIMIENTOS
Al Prof. Juan L. Botto, Jefe de la División Invertebrados Marinos del Museo Argentino de
Ciencias Naturales “B. Rivadavia”, quien nos facilitó material de colección. Al Lic. Daniel Martínez,
del 1.A.D.O., por los ejemplares de Puerto Ing. White. Al Lic. Ricardo Camina, del |.A.D.O., por su
colaboración en el tratamiento estadístico de los datos. Al personal técnico del |.A.D.O., que nos brin-
dó su apoyo en campafias y confección de gráficos y fotografias.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
160 BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
PACHYCHELES CHUBUTENSIS PACHYCHELES HAIGAE
3 35 mm
Indiferenciados
Machos
Hembras sin postura de huevos
Hembras ovigeras
Figs. 1-4: 1, Proporción de individuos indiferenciados, machos y hembras en las tallas menores del
material estudiado; 2. Pachycheles haigae Rodrigues da Costa, 1960, G: 3. Pachycheles chubutensis
Boschi, 1963, Q; 4. Pachycheles chubutensis Boschi, 1963. Ejemplar Q que presenta siete placas
ventrales en el telson.
HERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
Consideraciones sobre Pachycheles... 161
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Fig. 5: Histogramas de frecuencias de tallas para ambas especies, discriminados por sexos y por
fecha de recolección.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
162 BREMEC, C.S. & CAZZANIGA, N.J.
2 3 4 5 6 {0 “ 12mm.
largo caparazón
2? sin huevos
22 con huevos
Fig.6: Proporciön ancho/largo para ambos sexos en las dos especies estudiadas. Para las tallas
menores, mejor representadas en el muestreo, se graficaron los intervalos de confianza para el 95%.
Rayado horizontal y circulos negros: Pachycheles haigae Rodrigues da Costa, 1960; rayado vertical y
círculos blancos: Pachycheles chubutensis Boschi, 1963.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (64):149-162, 25 jun. 1984
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Ex
b)
12.
14.
15;
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