a ol
areia ve
sas papa Pants
RATE de
MER ap
a pe & re -
. eira A
NE us
SP rate
mad ria era ‘
COR lus
nes RTL
renee
pa MOON lane oe PME Ar
o
pi ol NORA rio
var
a =
Se Be ne Kay oy
vo 4
"
New As! fy.
AD oat
tan Gry man hs Vy
Ah Oe A ef
ob RA
LAN yeh À \
ET MATE i ago APART A tg Th Pe meet
( ith: PE ACK AR ) Dd Wate à aS) A HR } E
67 boi Ah
LANGUE ONU Hart
RO SA APP
LL ES! MET a ERS,
iy fa) rin FAL Upon) LA,
q A L ‘ee x
du M AU)
MH
REVISTA
] To
TOMO X
SAC PAULO
TYP. DO “ DIARIO OFFICIAL”
isis
SA eae \
À "AP:
‘Ae
y dt; MAR Le Vv
Le n a + i >
É ol
a t
way
ADVERTENCIA
Apés uma interrupçäo de quatro annos 1eappa-
rece a Revista do Museu Paulista. Foi esta pausa
motivada por multiplas circumstancias, sobretudo
pelo periodo anormal pelo qual, em 1915 e 1916,
passou o Museu, com a sua vida regular suspensa
pelos trabalhos do inquerito administrativo a que
nelle se procedeu e, como consequencia, lhe trouxe
a mudança de direcção. Alem desta ordem de ques-
tões de vida interna, occorreram os lorgos e Jaboriosos
tramites do inventario, geral e minuciosissimo, pro-
cedido em todas as collecções do Ypiranga, por or-
dem do Governo do Estado de São Paulo. Este
serviço, que desde muito se impunha inadiavel,
occupou durante varios trimestres — além dos dignos
e conscienciosos inventariantes extranhos ac esta-
belecimento, os srs. drs. Antonio de Barros Barreto,
Reynaldo Ribeiro e Sebastião Felix de Abreu e
Castro — todo o pessoal do Museu.
Em Agosto de 1916, ao dr, Hermann von Ihe-
ring substituiu na Directoria do Instituto, o dr. Ar-
mando da Silva Prado, nomeado en. comraissao. Mui-
to poucos mezes occupou, porém, o novo iirector o
cargo, de que o afastaram as exigencias do seu movi-
mentado escriptorio forense. Em Fevereiro de 1917
cabia-nos substitail-o, egualmente em commissão, e em
virtuds da indicação altamente honrosa. do nosso mo-
desto nome, feita ao Exmo. Sr. Presidente do Estado,
Dr. Altino Arantes, -pelo Exmo. Sr. Secretario do In-
terior, Dr. Oscar Rodrigues Alves. Alheio até então
à esphera dos museus ao assumir a direcção do Mu-
seu Paulista agitava-nos o receio, tão justo quanto
fundado, das responsabilidades do cargo, e o receio
EG | es
de não podermos corresponder plenamente à tão
desvanecedora investidura e à confiança manifestada
pelos altos poderes do Estado. Assim nos ia caber
trabalhar em terreno novo e desconhecido, animado
apenas pela vontade de bem cumprir o nosso dever
e bem servir ao Brazil.
Nesta conjunctura valeram-nos, acima de tudo,
o apoio mora! e material do Secretario a cuja pasta
se subordina o Instituto, o Sr. Dr. Oscar Rodrigues
Alves, que, mau grado as grandes difficuldades da
época atravessada, soccorreu quanto pôde o Museu,
— cuja dotação, de 1916 para 1917, se reduzira de
quasi 35 por cento, em virtude de disposição legis-
lativa, — e conseguiu para o orçamento de 1918 o
restabelecimento de grande parte das antigas verbas.
Prestigiador de seus auxiliares, incansavel em promo-
ver o incremento das repartições a cuja vida superin-
tende, attendendo carinhoso aos institutos scientificos
do Estado, fez o Sr. Dr. Oscar Rodrigues Alves o
que pôde em prol de nossa instituição e não pode-
mos deixar de exprimir quanto foi tal interesse con-
tinuo e extenso no sentido de nos promover a ef-
ciencia da commissão assumida.
Cabe-nos ainda exprimir funda gratidão pelas
grandes demonstrações de amizade, e serviçalismo,
contemporaneamente havidas do Sr. Dr. Arthur Neiva,
o eminente scientista, em tão bôa hora collocado à
testa da defesa sanitaria do Estado de São Paulo,
pelo actual governo. Chefe de Serviço em Man-
guinhos, discipulo muito querido de Oswaldo Cruz,
summamente relacionado nos circulos de natura-
listas, conhecedor perfeito da vida dos grandes mu-
seus do mundo, havendo longamente trabalhado em
Washington, em Buenos Ayres, em Stockolmo etc.,
ao lado de scientistas illustres, não só lhe de-
vemos os mais experimentados e excellentes conse-
lhos e indicações como suggestões de optimas ini-
ciativas e a approximação de varias personalidades
eminentes entre os homens de laboratorio do Bra-
zil e do Exterior.
a hg cu
Apenas empossado da Directoria do Museu co-
gitâmos immediatamente da organização de um tomo
da Revista que havia mais de tres annos não se
editava. Assim, pondo-nos a campo tratämos de
angariar, e com a maior rapidez, elementos para um
numero de quinhentas paginas. Tornava-se neces-
sario demonstrar ao publico, em geral, e sobretudo
aos Institutos do Universo, em relação com o nosso,
que a vida scientifica do Museu Paulista recomeçãra.
Assim recorremos a quantos naturalistas e cultores
em destaque de sciencias biologicas no Brazil conhe-
ciamos, solicitando-lhes o amparo para o novo nu-
mero em elaboração. Tivemos a grande satisfação
de receber de todos os lados adhesões as mais
desvanecedoras e comprobatorias de uma sympathia
sobremodo honrosa.
Cabe-nos aqui exprimir quanto ficâmos a dever
ao nosso presado primo e amigo Sr. Dr. Henrique
de Beaurepaire Aragão, o joven e acclamado proto-
zoologo, uma das fortes individualidades de Mangui-
nhos, como se sabe. Por seu intermedio puzemo-
nos em communicação com varias das nossas mais
elevadas personalidades de laboratorio. Honrou-nos
com um excellente artigo sobre assumpto em que é
tido como mestre e sua recommendação valeu a
Revista a optima contribuição do Sr. Dr. Lauro Tra-
vassos, o tão jovem e reputado helninthologo de
Manguinhos e a do Prof. Mello Leitão, cuja aucto-
ridade em arachnologia tanto honra a nossa cultura
das sciencias naturaes.
Da congregação do Museu Nacional recebemos
contemporaneamente os mais efficientes auxilios, re-
presentados pelos trabalhos dos Professores Alipio
de Miranda Ribeiro, Alberto Betim Paes Leme e
Alberto J. de Sampaio, nomes täo prestigiados no nosso
paiz, quanto no Exterior, e cujas contribuições para
o estudo das sciencias naturaes no Brazil tem o
relevo que se sabe.
Ao mesmo tempo ao nosso appello correspon-
diam os dignos naturalistas do pessoal restricto e
OW ia
desfalcado do Museu: o entomologo Sr. H. Lueder-
waldt e o botanico Dr. EF. C. Hoehne com diver-
sos artigos merecedores de justos encomios, inedi-
tos, conscienciosos e resultantes de aprofundado es-
tudo. De varios especialistas, altamerte reputados,
recebiamos simultaneamente valiosas contribuições
como os artigos dos tão acatados botanicos e ento-
mologos que são os Drs. Alvaro da Silveira, Adol-
pho Hempel e Adolpho Ducke. Refez o ultimo
destes naturalistas o seu ainda inedito Catalogo de
vespas socraes do Brazil pondo-o em dia com as
ultimas descobertas scientificas. Do Revm.° Sr. D.
Amaro van Emelen, O. S. B., cuja sciencia apicola
tanto é conhecida e consultada, nos veio o valioso e
curioso estudo de um caso de symbiose entre abe-
lhas domesticas e sylvestres. Do saudoso Ricardo
Krone, emerito conhecedor das nossas questões de
prehistoria, tão incipientemente estudadas ainda, uma
contribuição nos chegou de alto valor documental,
do Dr. Alberto Childe, o erudito conservador de an-
tiguidades orientaes no Museu Nacional, um estudo
sobre assumpto summamente interessante, do Sr.
Julio Melzer, reputado coleopterologo, optimas obser-
vações sobre um caso em que disserta com verda-
deira mestria. Com a contribuição do Dr. João
Florencio Gomes, o joven e reputado herpetologo,
um dos mais brilhantes elementos do Instituto de
Butantan, chegára rapidamente o nosso tomo às
quinhentas paginas fixadas para o seu desenvolvi-
mento. Attendendo ao facto porém da longa solução
de continuidade havido na publicação da Revista,
decidiramos, mediante previo assentimento do Dr.
Secretario do Interior, dobrar-lhe o volume, e isto
nos proporcionou o ensejo do recebimento de novos
artigos de real merecimento.
Affeitos às questões ethnographicas relativas aos
indigenas de São Paulo, trouxeram à Revista tres
excellentes estudos o virtuoso e abnegado missiona-
rio Frei Mansueto de Val Floriana, evangelisador
forrado de glottologo, e o Sr. Dr. Geraldo H. de
Paula Souza, o joven e prestigiado professor da Fa-
— VII —
culdade de Medicina de Säo Paulo, cuja elevada
cultura geral o levara 4 observaçäo dos nossos ulti-
mos Kaingangs. Deu-nos o eminente zoologo Pro-
fessor Alipio de Miranda Ribeiro quatro artigos sobre
a sua especialidade predilecta, além do bello estudo
de controversia impresso no principio do livro.
Para lhes apontar a importancia e o interesse basta
lembramos que nelles descreve nada menos de cinco
generos e vinte especies novas de peixes brasileiros
e amplia consideravelmente as descripções de nume-
rosas outros generos e especies da nossa ichtyofauna.
Do Dr. Frederico Hoehne, igualmente valiosas foram
as comunicações relativas à descripçäo de varias
novas leguminosas, assim como as do Sr. Lueder-
waldt relativas à biologia, tão mal conhecida ainda
dos bradypodidæ e o estudo dos valiosissimos pa-
drões vicentinos de nossa archeologia, recentemente
incorporados ao Museu, pormenorisada e erudita-
mente estudados por Benedicto Calixto, perfeito co-
nhecedor dos assumptos ventilalos. Ao volume en-
cerra a bibliographia de obras nacionaes e estran-
geiras referentes ao estudo das sciencias naturaes e
biologicas no nosso paiz organisado pelo Sr. Andréa
Do, Bibiiothecario-traductor do Museu. Extensa esta
resenha, trabalhosa e paciente, representa meritorio
labor e prestará, estamos certos, real serviço aos
seus consultantes. Era do nosso dever manifestar
pelas paginas da Revista o jubilo causado, em nosso
Instituto, pela passagem do centenaric da fundação
do Museu Nacionale o profundo pesar que nelle cau-
sara o desapparecimento dos amigos illustres que
foram o sabio geologo Dr. Orville A. Derby e o tão
modesto quanto erudito e operoso Ricardo Krone.
De accordo com excellente ponto de vista dos an-
tigos redactores de nosso orgão — que em quasi todos
os volumes fizeram inserir artigos relembradores dos
grandes vultos de naturalistas a quem deve o Brasil
serviços eminentes — resolvemos publicar no pre-
sente tomo os tres estudos de Alfredo de Carvalho
sobre o Barão de Langsdorff, Swainson e Waterton,
We
nao.sd pelo que valem, como em homenagem à
memoria do illustre e mallogrado historiographo
e brazilologo pernambucano tão cedo arrebatado a
vida.
Devido a grande irregularidade na ordem da
entrega dos artigos não nos foi possivel reunil-os,
como tanto fora de desejar, segundo a similitude de
assumptos a que se subordinam, sob pena de demo-
rar immenso a publicação do volume. 5
Durante vinte annos ( 1895-1915), redigida a
Revista pelos Srs. Dr. Hermann Von Ihering e Ro-
dolpho Von Ihering, dos summarios dos nove tomos
que a este antecedem resalta a noção das preferen-
cias dos dous naturalistas pelos assumptos em que se
especialisaram, angariando justa e dilatada nomeada.
Até agora, quasi exclusivamente, foi uma re-
vista de Zoologia. Dos cento e oito artigos que
nella figuram oitenta e dous correspondem a assum-
ptos zoologicos, de systematica, quasi sempre, quinze
a anthropologicos e ethnographicos, oito a questões
paleo-zoologicas. Sobre mineralogia, geologia e bo-
tanica nenhuma contribuição jamais se inseriu a
não ser umas summarias considerações para c esta-
belecimento de um museu botanico, do Sr. Taubert
e uma pequena notica descriptiva das cavernas da
Ribeira do Sr. Ricardo Krone.
Assumindo a redacção da Revista. pretendemos
modificar-lhe um pouco os moldes. Nella publicare-
mos, sem distincção especial, contribuições que se
refiram não só a todas as sciencias naturaes como à
biologia em geral e à archeolcgia paulista.
K' o nosso intento editar, dentro em breve, e
no menor prazo possivel, novos tomos da Revista,
que para tanto já temos abundante e optimo mate-
rial reunido : trabalhos realizados no Museu, de cor-
respondentes do Instituto e collaboradores diversos.
Desejamos e faremos o possivel para que o nosso
orgão possa sahir com uma regularidade compensa-
dora da grande e ultima demora de sua distribuição.
JA E à CHER
As difficuldades oriundas da contlagração mun-
dial e a alta excessiva de todo o material de im-
prensa, sobretudo de gravura, fizeram com que não
nos fosse possivel illustrar o nosso periodico como
desejariamos faze-lo. Esperamos que em breves e
melhores dias haveremos de supprir a semelhante
inferioridade e inconveniente voltando aos antigos
padrões da Revista.
Altamente injusto seria de nossa parte deixar
de consignar aqui quanto tivemos a nossa tarefa
diminuida pelas attenções e vontade de servir com
que, no Drareo Official, fomos sempre acompanhado.
Cabe-nos portanto manifestar a nossa funda gratidão
aos dignos Director daquella grande casa de trabalho,
Snr. Horacio de Carvalho, e Gerente Snr. Dr. Bento
Lucas Cardoso, de quem recebemos sempre todas as
gentilezas.
Ao digno Chefe das Officinas, Snr. Rubem Leal,
os nossos muito especiaes agradecimentos. Desve-
lou-se em servir ao Musen pelo cuidado com que
encaminhon a impressão da Revista, o interesse
para que a sua factura fosse a mais cuidada e os
prazos de publicação diminuidos. Por todos estes
serviços os nossos mais cordiaes protestos de vivo
reconhecimento.
AFFONSO D EscRAGNOLLE TAUNAY,
Professor na Escola Polytechnica de S Paulo.
Director, em commissão, do Museu Paulista.
Paulo, Outubro de 1918
INDICE GERAL
INDICE GERAL
O Museu Paulista nos annos de 1913, 1914 e
1919
Relatorio do Museu Paulista referente ao an-
no de 1916 .
Notas Myrmecologicas. por IH. Luederwaldt .
As jazidas mineraes brasileiras, pelo Prof.
Dr. Alberto Betim Paes Leme.
Scytodidas e pholcidas do Brasil, nm Prof.
Dr. C. F. de Mello Leitão.
Um caso de symbiose entre a apis sid
e uma melliponida indiigena, a jaty,
por D. Amaro van Emelen O.S. B..
O Mandapuçã, pelo Dr. Alvaro da Silveira .
Notas de prehistoria paulista: o cemiterio
do Pombéva, por R. Krone
Descripção de sete novas especies de cocci-
das, por Adolpho Hempel .
Descripção de uma nova especie de aleuro-
dido, por Adolpho Hempel
Contribuição para o conhecimento da fau-
na helminthologica do Brasil. Especres
brasileiras do genero Thelazia, Bosc.
1819, pelo Dr. Lauro Travassos
Ipemea Glaziovii U. Dann. pelo Prof. A.
J. de Sampaio . aD AR Ce ear ae
Considerações sobre os generos Brachyplatys-
toma e Platistomatichthys de Bleeker,
pelo Prof. Alipio de Miranda Ribeiro .
/e/6
— XIV —
+
O Herbario e o Horto Botanico do Museu
Paulista, por H. Luederwaldt .
Catalogo das Vespas Sociaes do Brasil, pelo
Dr. Adolpho Ducke
Notas Ixodidologicas, pelo Dr. Henrique de
Beaurepaire Aragao
Observação sobre os cerambycidas do grupo
de compsocerinr, por Julio Melzer .
Orchidaceas novas e menos conhecidas dos ur-
redores de S. Paulo, por F. G. Hoehne.
Industrias metallurgicas na antiguidade, pelo
Dr. Alberto Childe
Contribuicao para o conhecimento dos ‘ophi-
dios do Brasil — Opludios do Museu Ro-
cha ( Ceara), pelo Dr. João Florenc o
Gomes .
Ensaio de Grammatica Kainjgang, por Fr.
Mansueto Barcatta de Val Floriana
Uma critica ao « Vocabulario da lingua dos
Kainjgangs» do Visconde de Taunar,
por Fr. Mansueto Barcatta de Val Flo-
riana
Tres generos e dezesete especies novas de
peixes brasileiros determinados nas col-
leccoes do Museu Paulista, pelo Prof.
Dr. Alipo de Miranda Ribeiro
Catalogo e revisão das leguminosas do Her-
bario do Museu Paulista, com a de-
seripção de algumas especies e vare-
dades descobertas no mesmo, pelo Dr.
E. G. Hoehne
Lista dos peixes brasilemros do Museu Pau
lista ( Primeira parte), pelo Prof. Alipio
de Miranda Ribeiro
=
aa
PSS
003
229
965
629
647
TOD
Se ee
Notas sobre uma visita a acampamentos de
indios caingangs, pelo Prof. Dr. Geraldo
ER dean Souza els, io.
Lista dos peixes brasileiros do Museu Pau-
lista ( Terceira parte), pelo Prof. Ali-
node Miranda Ribeiro os.
Dous generos e tres especies novas de pei-
ves brasileiros determinados nas col-
lecções do Museu Paulista, pelo Prof.
Alipio de Miranda Ribeiro .
Observações sobre a preguiça ( Bradypus
tedactylus L.), em liberdade e no ca-
ptiveiro, por H. Luederwaldt .
Notas de archeologia pawlesta, por Benedi-
cto Calixto
O primeiro naturalista de S. Paulo, por Af-
fonsond tes Paunagos Ms:
U centenario do Museu Nacional
Tres naturalistas, por Alfredo de Carvalho .
Necrologia: Orville Adalberto Derby
ECA AG IR TORE Gye ls)! cee
Bibliographia, por Andréa Dó
Relatorio relativo ao anno de 1917.
PGS.
865
875
909
929
939
More
INDICE ANALYTICO
| Le eg
eee fy MAS
UE
ti Nae he An Q
à.
4
a eo Es
o a +
INDICE ANALYTICO
ADMINISTRAÇÃO DO MUSEU :
Advertencia . BESSY SEs ALES DARE SERPENT
© Museu Paulista nos annos de 1913, 1914
e 1915. RO o NRO ET RM PRE
Relatorio do Museu Paulista referente ao anno
de 1916
Relatorio do Museu Paulista referente ao anno
de 1917
BOTANICA :
O Mandapucä, pelo Dr. Alvaro da Silveira,
com uma estampa fora do texto.
A Ipomea Glaziovii, pelo Prof. A. J. de Sam-
palo, com sete estampas fora do texto .
O Herbario e o Horto Botanico do Museu
Paulista, por H. Luederwaldt, com uma
estampa fora do texto
Orchidaceas novas e menos conhecidas dos
arredores de S. Paulo, pelo Dr. F. C.
Hoehne, com tres estampas fóra do texto.
Catalogo e revisão das leguminosas do Her-
bario do Museu Paulista, com a de-
scripcdo de algumas especies e varie-
dades descobertas no mesmo, pelo Dr.
F. C. Hoehne, com oito estampas fora do
texto
PGS. :
973
289
LR
ETHNOGRAPHIA E ANTHROPOLOGIA :
O cemiterio do Pombéva, Ricardo Krone;
com dezesete figuras intercaladas ao
texto e tres fora do texto .
Ensaio de Grammatica Kainjgang, por Frei
Mansueto Barcatta de Val Floriana .
Tina critica ao «Vocabulario da lingua dos
Kainjgangs» do Visconde de Taunay,
por Frei Mansueto Barcatta de Val Flo-
riana RR digit ih Ahn EBD iy te IRL
Notas sobre uma visita a acampamentos de
indios Caingangs, pelo Prof. Dr. Geral-
do H. de Paula Souza, com seis estam-
pas fora do texto.
GEOLOGIA E MINERALOGIA :
As jazidas mineraes brasileiras, pelo Prof.
Dr. Alberto Betim Paes Leme.
ZOOLOGIA :
MAMMALOGIA :
Observações sobre a preguiça, Bradypus tri-
dactylus, L por H. Luederwaldt .
IcHTYOLOGIA :
Considerações sobre os generos Brachypla-
tystoma e Platystomatichthys de Blee-
ker, pelo Prof. Dr. Alipio de Miranda Ri-
beiro, com oito estampas fóra do texto.
Tres generos e dezesete especies novas de pet-
ges brasileiros determinados nas collec-
ções do Museu Paulista, pelo Prof. Dr.
Alipio de Miranda Ribeiro . oa
PGS.
161
O29
69
193
629
— NXI —
Lista dos peixes brasileiros do Museu Pau-
sta (1. Parte), pelo. Prof. Dr. Lo
de Miranda Ribeiro
Lista dos peixes brasileiros do Museu Pau-
lista (3.2 Parte), Le Prof. ane de
Miranda Ribeiro
Dous generos e tres especies novas de peixes
brasileiros determinados nas collecções
do Museu Paulista pelo Prof. Dr. Alipio
de Miranda Ribeiro, com duas estampas
fora do texto
OPHIDIOLOGIA :
Contribuição para o conhecimento de ophi-
dios do Brazil: Ophidios do Museu
Rocha ( Ceará ) pelo Dr. João Florencio
Gomes. Se Pee AG STIRS VAN EAD ARE
ENTOMOLOGIA :
Notas Myrmecologicas, por H. Luederwaldt,
com duas estampas fora do texto
Um caso de symbiose entre a apis mellifera
e uma melliponidea indigena, a jaty,
por D. Amaro van Emelen. tes
Descripção de sete especies novas de coccidas,
pelo Dr. Adolpho Hempel, com uma es-
tampa fóra do texto . ;
Descripção de um nova especie de aleurodi-
de, pelo Dr. Adolpho Hempel
Catalogo das Vespas Sociaes do Brasil, pelo
Dr. Adolpho Ducke one
Observação sobre os cerambycidas do grupo
de compsocerini, por Julio Melzer, com
uma estampa fora do texto.
PGS.
799
780
903
145
471
— XXI —
ARACHNOLOGIA :
Scytodidas e Pholcidas do Brazil, pelo Prof.
Ur. C. F. de Melio Leitão, com trinta e
oito figuras intercaladas ao texto.
Notas Ixodidologicas, pelo Dr. Henrique de
Beaurepaire Aragão 50k pene
HELMINTHOLOGIA :
Especies brazileiras do genero Thelazia,
Bosc, 1819, pelo Dr. Lauro Travassos,
com tres estampas fóra do texto.
PREHISTORIA :
Industrias metallurgicas na antiguidade, pelo
Dr. Alberto Childe ;
ARCHEOLOGIA PAULISTA :
Nolas de archeologia paulista, por Benedicto
Calixto. pio LES evry de
DIVERSOS :
O primero naturalista de S. Paulo, por Af-
fonso VE. Taunay À
O centenario do Museu Nacional
Pres naturalistas, por Alfredo de Carvalho.
NECROLOGIA :
Dr. Orville Adalberto Derby.
Ricardo Krone.
BIBLIOGRAP HIA.
PGS.
AAT
815
829
8695
STO
909
929
939
di Le
A ih
bn 404
Cor
O MUSEU PAULISTA NOS ANNOS
DE 1913, 1914, 1915
Excerptos dos relatorios da Directoria aos Exmos. Srs.
Secretarios dos Negocios do Interior
+—
O MUSEU EM 1913
Excerptos do relatorio do então director Dr. Hermann
von lhering
PESSOAL
Não houve modificação alguma no quadro do pessoal. O
zelador do Museu, por determinação de V. Excia., foi desi-
gnado para escolher o material que conviésse ao Museu da
grande Colleeção Limur, adquirida pelo Governo do Estado.
VISITANTES
A frequencia do Museu por parte do publico foi de
68.102 pessoas em 1913; esse total é inferior ao de 1912
(73.485), devendo ser levado em conta que nesse anno de
1912 houve uma affluencia de 10 mil creangas no dia da
commemoração da Independencia quando, em 1913, nessa
data, foi o Museu visitado por 3.347 pessoas, apenas, isto é :
o duplo de uma bôa frequencia nos domingos communs.
COLLECÇÕES
Além das remessas «le material colligido pelo natura-
lista-viajante (ao todo 12 caixas a houve os accréscimos
constantes da lista annexa.
TRABALHOS SCIENTIFICOS
Os estudos scientificos concluidos durante o anno terão
publicidade na Revista do Museu Paulista, vol. IX, cuja
impressäo foi iniciada em Maio de 1913. Até o fim do
anvo, o Diario Official havia impresso apenas 260 paginas,
trabalho extremamente moroso que prejudica tambem na re-
gularidade das permutas com publicações congeneres. A lista
de taes trabalhos é a seguinte:
Os bugios do genero Alouatta ( Mammif.), com est.
V-VII, por H. von Ihering, pag. 231.
Protecção ds aves por H. von Ihering, pag. 332.
Os Gambás do Brazil, Marsupiaes do gen. Didelphis,
por H. von Ihering, pag. 338-356.
Ae =
Biologia geral das Cuculidas brazileiras, por H. von
Ihering.
Novas contribuições à ornithologia do Brazil (com tres
estampas ), por H. von Ihering.
O Museu Paulista nos annos de 1910, 1911 e 1912.
Necrologios : Dr. Eugenio Hussack ( com est. I), por H..
von Ihering, pag. 25.
Dr. Theodoro Peckolt (com est. IL), por H. von Ihe-
ring, pag. 55.
Analyse der suedamerikanischen Heliceen, Philadelphia,
1913, por H. von Ihering.
Tres Chalcididas parasitas do « bicho do café» ( Leo-
coptera coffeella Tineid) com com 3 fig. no texto e est. III,
fig. 1, por R. von Ihering, pag. 85.
As diga que vivem sobre a preguiça, Bradypophila
garbei n g. n. s p ( Lepid. fam. Pyralyd.) com fig. e est.
HI, fig: 2, e H. von Ihering, pag. 123.
Diagnose de uma Eucoila ( Hymenopt. Cynip.), parasita
das « Moscas das frustas », por R. von Ihering, pag. 224.
O genero Parachartergus Reo Do Wt. ( Vespas sociaes )
por Rk. von Ihering, pag. 226.
As especies brazileiras de Nilionidas ( Coleopt.) e a po-
sição systematica da familia pelo estudo das larvas, est. III,
figs. 2 e 3, por KR. von Ihering, pag. 281.
George Marcgrave, o primeiro sabio que veio estudar a
natureza do Brazil, 1638-44, por R. von Ihering, pag. 307-315.
Duas especies novas de Peixes da fam. Cichlidae, por
R. von Ihering, pags. 333-337 :
Biologia de varias especies de Pinotus por H. Luederwaldt.
O Museu continua a servir a muitos especialistas para
as suas pesquisas, facilitando eu o mais possivel, todos estes
estudos, que, às vezes, adeantam tambem a classificação das
nossas collecções.
Isto refere-se particularmente à revisão da nossa rica
colleeção de cobras, a que esta procedendo, o assistente do
Instituto Serumtherapico de Batantan, Dr. João Florencio
Gomes. No iaboratorio de entomologia trabalharam, de vez
em vez, os srs. A. Hempel do Instituto Agronomico de Cam-
pinas, Gr. Bondar, da Escola Agricola « Luiz de Queiroz »
de Piracicaba, Fr. Iglesias desta Capital e outros. Tivemos
tambem o prazer de auxiliar nos seus estudos os srs. Dr. E.
Brumpt, da Faculdade de Medicina, Dr. João Bach, de Ala-
gõas e A. Usteri ( botanica ). Collegas de outros museus que
nos visitaram com a intenção especial de estudar o nosso
material que se refere ás suas especialidades foram: os srs.
A. Dueke do Museu do Pará, ( hymenopteros ). E. Gounelle
de Paris (Cerambycidae ). Ao Jado destes estudos, conti-
nuaram as consultas feitas por cartas e oflicios, bem como
a consulta da nossa bibliothsca por scieutistas residentes
nesta Capital.
7 a,
..
Da
À
KE DAS D. de
à
Unia lamentavel perda para o trabalho scientifico do
Museu representa o desmembramento da, Estação Biologica
do Alto da Serra. A mesma, em começo do anno, passou
a ser propriedade federal, dependente do Ministerio de Agri-
cultura, visto oomo o (Governo do Estado nada resolveu
sobre a doação que eu lhe fazia. Pouco depois, porém, a
Secretaria da Agricultura manifestou desejo de ter a dita
Estação e matros nellas comprehendidas sob sua direcção e,
apóz accordo com o Governo Federal, passou o dito estabe-
lecimento a depender do serviço florestal do Estado.
EXCURSÕES
O naturalista-viajante, sr. Ernesto Garbe, emprehendeu
em Abril uma longa viagem pelo sertão de Minas e Bahia,
acompanhando o curso do rio São Francisco. Fazendo centro
primeiro em Pirapóra, depois na cidade da Barra, colleccio-.
nou amplos materiaes de todas as classes de animaes; em
especial, segundo minhas indicações, acompanhou a biologia
das aves. | Assim, forneceu-nos ricos materiaes de ovos e
ninhos, acompanhados de dades preciosos que me ermittiram
desenvolver grandemente os . meus respectivos estudos ora
no prélo (vol. IX da nossa « Revista» ). Da mesma forma
recebemos abundante material ichthyologico que em boa
parte tambem foi estudado.
JARDIM BOTÂNICO
O Jardim Botanico atraz do edificio devido aos bons
serviços que pudemos continuar a dispensar-lhe, ainda que
com parcos meios, continuou a prosperar, transformando-se
em um bosque promettedor e viçoso, que já encerra um ele-
vado numero de essencias florestaes. Esse parque presta
assim bons serviços para o estudo da nossa flora e ao mesmo
tempo constitue um refugio para a fáuna tão acossada neste
arrabalde. Em grande contraste com os campos das vizi-
nhanças, onde os desoccupados dão caça aos ultimos passa-
rinhos, aqui no parque abriga-se uma avifáuna bastante
variada, demonstrando assim quão pouco é preciso para rea-
climatar esses elementos tão uteis na nossa natureza.
No relatorio apresentado no começo do anno passado já
expuz quanto havia a dizer com relação à área abrangida
por este parque; nada foi modificado no correr de 1913 e
assim limito-me a confirmar quanto disse, chamando a at-
tenção de V. Excia. para o facto de que o terreno situado atraz
do Museu é insuficiente para os fins biologicos desta re-
partição, inconveniente que vertamente cada anno mais se
fará sentir. Sériamente prejudicado foi o serviço no Jardim
Botanico e até no proprio edificio do Museu, pela constante
falta de agua de que soffrem os encanamentos do edificio.
eae ae
LISTA DAS OFFERTAS AO MUSEU
Do Cap. Henrique Setua, de Santa Rita ( Goyaz ), uma
colleeção de peixes e uma de anthophilos.
Do Gymnasio Sciencias e Lettras, da Capital, uma arara
vermelha.
Do Padre L. Brentano, São Leopoldo de Rio Grand: do
Sul). varias especies de vespideos.
Do Dr. Emygdio Dias Moraes, de Amparo, uma collecção
de ovos.
De D. Maria Elisa Rodrigues Neves, desta Capital, uma
espada, dragonas ete., que pertenceram ao seu fallecido ma-
rido, contra-almirante João Baptista das Neves.
De Joaquim M. Rodrigues, do Paraná, alguns fósseis.
LISTA DAS PERMUTAS
Museu de Entomologia, de Berlim, 12 especies de cinei-
dellidos.
Ad. Ducke, do Pará, uma collecçäo de Anthophilos bra-
zileiros.
Gr. Bondar, de Piracicaba, uma colleccäo de objectos bio=
logicos.
E. Gounelle, um coleoptero raro.
O MUSEU EM 1914
Excerptos do relatorio do então director Dr. Hermann
von lhering.
Durante o anno de 1914, o Museu Paulista funecionou
regularmente como nos annos anteriores e tambem as suas
condições geraes, como estabelecimento scientifico, conser-
varam-se inalteradas. Não obstante terem continuado a vi-
gorar as mesmas disposições orçamentarias, exiguas em extremo,
o que es qualquer desenvolvimento de maior
vulto, foram, ainda assim, consideraveis os progressos reali-
zados, principalmente nas colleeções de estudo. E são estes
materiaes classificados que nos habilitam a responder com
rigor scientifico ás muitas e variadas consultas que ultima-
mente nos têm affluido. Estas, pelo seu numero bastante
elevado, fazem entrar o Museu Paulista em uma nova phase,
que é a da sua utilização pelos scientistas e estudiosos do
Paiz, dedicados à investigação de problemas que se ligam as
condições naturaes do nosso Paiz.
PESSOAL
Não houve modificação alguma no quadro do pessoal do
Museu. Gozaram de licença 0 preparador Sr. João L. Lima,
que teve direito a 6 mezes com vencimentos integraes, o
porteiro sr. Ricardo Lopes, 6 mezes; durante a ausencia
deste ultimo, as suas funccdes foram desempenhadas pelo sr.
André Soares e, para attender ao accrescimo geral de serviço
em todaa repartição, foi, no começo do anno (1 de Feve-
reiro ), auctorizado a contractar mais um servente, ou sejam
tres ao todo.
VISITANTES
Durante o anno de 1914, o Museu foi visitado por....
62.419 pessoas, frequencia algo inferior à do anno anterior
( 68.102) mas perfeitamente explicada pela economia que
nestes tempos precarios se impõe ás classes pobres. O dia
de Setembro » não foi solennizado oficialmente; o cre-
scido numero de visitantes desse dia (4.864 ) foi devido em
parte 4 kermesse organizada pelo « Centro do Ypiranga ».
AQU ERA
COLLECÇÕES
Além dos acrescimentos habituaes, resultado das excur-
sões do proprio pessoal do Museu e notadamente do natura-
lista-viajante sr. Ernesto Garbe, deram entrada no Museu:
uma grande collecgio mineralogica, paleontologica e archeolo-
gica, comprehendendo a maior parte da « Colleeção Limur »,
adquirida na Europa pelo Governo do Estado. Nao contando
o Museu com pessoal suficiente para encarregar-se de mais
este serviço, puramente mineralogico, e achando-se o material
todo em lastimavel desordem, foi todo o conjuncto guardado
em caixões, tal qual como fôra recebido: sómente a parte
authropologica e paleontologica foi estudada minuciosamente
pelo director, que incorporou grande parte às colleeções ja
existentes, ficando outra parte, por falta dos necessarios mo-
veis, guardada de maneira provisoria. A parte mais valiosa
desta collecçäo é sem duvida a archeologica, que, além de
muitas preciosidades, contem objectos authenticos, collecio-
nados por Boucher de Perthes, no valle do Somme e por
Lubbock, na Inglaterra. Trata-se deste modo de objectos
comprobatorios da existencia do homem junto com o Mamuth,
o urso e a hyena das cavernas e outros grandes mammiferos da
Europa; é notavel que taes artefactos ainda estejam provi-
dos do rotulo original, da mão propria do Boucher de Perthes.
Acerescimo valioso para o começo do herbario já organizado
no Museu pelo sr. Hermann Luederwaldt, representa o ex-
tenso herbario Usteri, recebido da Escola Polytechnica.
Trata-se de um total de mais ou menos 10.000 exemplares,
cuidadosamente preparados pelo dr. A. Usteri e quasi tudo
classificado. Tambem esta secção, a botanica, não poude ser
desenvolvida convenientemente, por falta de pessoal e acom-
modação, e, entretanto, é preciso dizel-o, depois de suprimida
a secção botanica da Secretaria da Agricultura. S. Paulo
está desprovido de serviço botanico que habilite qualquer
interessado, scientista ou agricultor, obter informações as mais
triviaes sobre a nossa flora. Apezar de tudo, ainda assim o
Museu não raro attendeu ás consultas que lhe são dirigidas.
TRABALHOS SCIENTIFICOS
Os trabalhos scientificos realizados pelo pessoal do Museu
Paulista consistem apenas em parte de publicações impressas.
Muitos estudos foram apenas iniciados, outros reverteram
em beneficio das colleeções ou das consultas. Entre estes
ultimos trabalhos convem mencionar os novamente emprehen-
didos pelo Dr. H. von Ihering com relação as formigas
cuyabanas como exterminadoras das saúvas e o sr. Rodolpho
von Ihering que, por solicitação do sr. prefeito da Capital,
estudou a proveniencia das mariposas nocturnas ( Myelobia
smerinthia ), que na primeira quinzena de verão infestaram
a cidade.
q Ss O
Co o “Saw
Como já o mencionamos no relatorio apresentado nas
primeiras pagmas da nossa Revista, vol. IX, cada anno
augmenta o numero de scientistas nacionaes ou aqui resi-
dentes, que se utilizam do material accumulado e dos estu-
dos realizados neste Museu. Trata-se principalmente de
medicos que buscam os pontos de contacto da medicina com
a historia natural e de agronomos que precuram conhecer os
animaes uteis ou nocivos à lavoura e 4 criação. Procura-
mos por todos os meios facilitar taes estudos, rejubilando-nos
com essa boa comprehensão dos fins scientificos deste instituto.
Durante o anno de 1914, utilizaram-se das colleccôes
scientificas do Museu:
Prof. Dr. F. Brumpt (da Faculdade de Medicina de
S. Paulo, varios hematophagos, vectores de parasitas huma-
nos, plantas etc. )
Prof. Dr. A. Bovero ( da Faculdade de Medicina de S.
Paulo ), esqueletos para fins de anatomia comparada.
Dr. João Florencio Gomes ( do Instituto Serumtherapico
do Butantan ), estudo do nosso material de cobras.
Ad. Hempel ( Instituto Agronomico de Campinas ), en-
tomologia economica.
Gregorio Bondar ( Escola Agricola Luiz de Queiroz ).
entomologia economica.
Francisco Iglesias, entomologia-economica.
Dr. A. Usteri, botanico, trabalhos de reorganização do
nosso herbario, sr. Julio Melzer, particular, amador, estudos
de coleopteros da fam. Cerambycidae :
Julio Costa, prof. da E. Normal de Guaratinguetá :
exercicios praticos de conservação e preparação de animaes ;
Dr. F. Filippone, Montevidéu : molluscos.
Alem disto, os varios institutos scientificos, taes como
“Oswaldo Cruz”. de Mavguinhos, Rio de Janeiro; Instituto
Agronomico de Campinas, a Camara Municipal de S. Paulo
e muitos particulares continuaram a fazer-nos consultas.
PUBLICAÇÕES
Em Setembro do corrente anno foi terminada a impres-
são do vol. IX da "Revista do Museu Paulista.” O tempo
gasto para a confecção dum volume de 533 paginas foi de
16 mezes, devido á extrema lentidão com que o Diario Offi-
cial fazia a composição por falta de pessoal e de typos. Sao
doze artigos que correspondem ao exercicio de 1914. Alem
disto foi impresso e entregue, em 8 de Dezembro, o fasciculo
3 das Notas Preliminares, contendo os artigos scientificos pu-
blicados pelo Museu, estudos dos seguintes auctores :
DR. H. VON IHERING
Os bugios do genero Alouatta ( Mammif. ) com estam-
pas V—VI.
RODOLPHO VON IHERING
Protecção às aves;
Os gambás do Brazil, Masurpiaes do Gen. Didelphis ;
Biologia e classificação das Cuculidas brazileiras ; e No-
vas contribuições para a Ornithologia do Brazil com est.
IV, VII e IX; Rodolpho von Ihering.
As especies brazileiras de Nilionidas ( Coleopt.) e a po-
sição systematica da familia pelo estudo das larvas, est. III,
fes. 26-3.
natureza do Brazil, 1638 - 44.
Duas especies novas de peixes da fam. Cichlidae ;
Notas entomologicas ( Nilio n. sp. e um 8.º parasita de
Leucoptera.)
Bibliographia zoologica referente ao Brazil, 1911 a 1913.
Diccionario da Fauna do Brazil ( no almanaque de ”Cha-
caras e Quintaes”, de 1914, pag. 253 - 320.
Livrinhos das Aves — com estampas coloridas, trabalho
popular para escolas.
HERMANN LUEDERWALDT
Biologia de varias especies de Pinotus ( Coleopt.) de 5.
Paulo.
FRANCISCO IGLESIAS
Insectos contra insectos. As Coccinellidas, com est.
À E fos IR à
EXCURSOES
De. H. von Ihering demorou-se alguns dias na fazenda
do Dr. Lopes Martins, afim de estudar o viveiro de formi-
gas cuyabanas, estudo ja ha tempos iniciado no Museu e
agora continuado com bom éxito.
O naturalista-viajante sr. Ernesto Garbe, tendo caçado
nos primeiros mezes do anuo nos arredores da Capital, se-
guiu em maio para Castro, no Estado do Parana onde se de-
morou mez e meio; em seguida, foi para Santa Maria da
Bocea do Monte, onde caçou durante algum tempo, dirigin-
do-se depois para o curso do Rio Uruguay, cuja fauna foi
iucumbido de estudar; assim esteve a principio em Uru-
guayana, subindo e descendo depois o rio conforme as con-
veniencias ; ahi permaneceu ainda até a presente data.
O Custos, sr. Rodolpho von Ihering, seguiu, a pedido da
Camara de Monte Alto, em Agosto, para aquella região, afim
de verificar o valor scientifico de um achado paleontologico :
apesar das multiplas excavações que foram feitas, só pude-
ram ser obtidos alguns óssos fragmentarios, restos de gran-
des säurios que correspondem ao periodo intermediario en-
tre os chamados grês de Baurú e de Botucatu.
Geoges Maregrave, o primeiro sabio que veiu estudar a
+. "E
tien Diz
Or
O sr. Joao Lima acompanhou o Prof. Brumpt da Faculdade
de Medicina de São Paulo em excursão a Albuquerque Lins,
obtendo não só bons materiaes para o Museu, como tambem
auxiliou grandemente aquelle distincto scientista em suas
investigações.
O sr. H. Luederwaldt seguiu em Dezembro para o Es-
tado de Santa Catharina, onde se demorou um mez e meio,
collecionando invertebrados, principalmente os representantes
das especies de vermes, geoplana e lumbricidas, estudadas
ha tempos pelo celebre naturalista Fritz Mueller.
O JARDIM
O bello e elegante jardim em frente do Museu, que
pelo seu constructor, o engenheiro Arsenio Puttmans, me foi
entregue em estado imcompleto e que zonsegui successiva-
mente melhorar com excepção dos grammados que necessi-
tavam duma refórma completa, foi confiado pela Secretaria
da Agricultura ao sr. Navarro de Andrade que, no exercicio,
a que me refiro, reconstruiu as sargetas que em grande par-
te tinham sido destruidas e reformou os grammados.
ACQUISIÇÕES
Do sr. Schwanda Junior: colleccäo de couros de mam-
miferos e aves.
Do sr. Curt Schrottki, collecçäo de abelhas do Para-
guay e do Brazil Meridional.
OFFERTAS AO MUSEU PAULISTA RECEBIDAS DU-
RANTE O ANNO DE 1914
Exma. Sra. D. Luisa de Siqueira Macedo, uma garru-
cha de pederneira, (transformada para espoleta), que foi usa-
da pelos voluntarios na guerra de Paraguay.
Dr. Luiz Pereira Barreto, dois craneos de bois fran-
queiros.
Figueiredo & C., colleeção de notas e de moedas antigas
de Bancos e Camaras Municipaes ; |
Francisco Mondino, couros de onça preta e pintada de
outros mammiferos de Matto Grosso.
Companhia de Pesca, Santos ( Nogueira & Almeida), 1
peixe frade e um grande peixe-lua ( 140 kºs.)
Cap. Jayme Marcondes, uma bengala que lhe foi ofte-
recida pelo General M. F. de Campos Salles, que a usára.
Sr. Francisco Novaes, algumas moédas de cobre do Bra-
zil Imperio.
Escola Polytechnica de S. Paulo ( com auctorização do
Governo ) transferencia do Herbario do Dr. A. Usteri. (98,
pacotes, com cérca de 10.000 especimens.)
Secretaria do Interior, a colleeção mineralogica, paleon-
tologica e archeologica, constituida por 30 caixões ( chama-
mada “Colleeção Limur”), da qual parte foi reservada para as
escolas normaes e para a Faculdade de Medicina, por cuja
verba correu a acquisição.
Sr. Jacques Kesselring, objectos historicos da região da
Estrada Madeira, Mamoré, no Amazonas, e uma camisa de
indio.
Sr. Maj. Henrique Silva, diversos peixes de agua doce,
do Rio Doce, Minas Geraes.
À
LE
bo
1
O MUSEU EM 1915
Excerptos do relatorio do então Director, Dr. Hermann
von ihering
OS SERVIÇOS DA REPARTIÇÃO
Tanto a exposição das collecções ao publico, como o tra-
balho scientifico-technico, funccionaram com regularidade. O
Museu foi visitado, durante o anno de 1915, por 64.062 pes-
soas, 0 que é um pouco mais do que no anno procedente.
Uma modificação séria soffreu o serviço pela reducção
da verba para expediente e acquisições, de 34 para 20 contos
de réis. Dando-se o caso de que todo o pessoal extra-nume-
rario está sendo pago pela referida verba, a consequencia
natural seria a reducçäo correspondente do pessoal. Visto,
porêm, o estado de crise pelo qual passa a vida economica,
tambem, em nosso Paiz, resolvi reduzir as despesas o mais
possivel e conservar intacto o pessoal. Em vista de taes diffi-
culdades, não foi possivel augmentar consideravelmente as
colleeções e a bibliotheca, e tornou-se mesmo necessario inter-
romper a distribuição da /evista.
No pessoal da repartição houve algumas modificações.
O amanuense sr. Mario Passos, em virtude de permuta, re-
tirou-se a 25 de Agosto do logar que por longos annos occu-
pou, sendo substituido pelo sr. Arthur Pinto Payaguá. A
31 de Outubro perdemos, por fallecimento, o estimado collega
sr. Bento Barbosa desenhista, a cuja famila o pessoal do Museu,
representado no enterro, auxiliou por meio de uma subscripção.
A 17 de Novembro entrou, para substituil-o, o sr. Paulo Ver-
gueiro Lopes de Leão.
Do serviço de guarda-nocturno, não feito a meu contento
no primeiro semestre, pelos srs. João Baptista e Arnese Ma-
rino, desempenharam-se do melhor modo, na segunda metade
do anno, os guardas Luiz Stevani e Fortunato Bega.
Coincidiu com a mudança do pessoal a installação de
um relogio registrador que funeciona com toda exactidão.
O sr. H. Luderwaldt voltou a 26 de Janeiro da excur-
são ao Estado de Santa Catharina, reassumindo o seu logar.
Muito sentido foi nesta repartição o fallecimento do illustre
estadista, senador dr. Bernardino de Campos, protector desta
repartição, que fundou, quando pela primeira vez presidente
do Estado ; bem como muito sentida foi a morte do nosso antigo
collega sr. Orville Derby, chefe do serviço geologico do Brazil.
Foi grande o numero de visitas de distinetas persona-
lidade durante o anno. Entre ellas mencionaremos os srs.
H. Cameron Forbes, ex-Presidente das Ilhas Philipinas ;
Roger Simons, do serviço florestal e Henry Ferguson do ser-
viço geologico dos Estados Unidos; dr. H. Lotz, do serviço
geologico de Berlim; dr. E. Rimann, do serviço geologico do
Rio de Janeiro; J. Rose, do serviço botanico em Washington ;
Paulo de Camargo Porto, do Jardim Botanico, do Rio de Ja-
neiro; Olavo Bilac; Ad. Duke do Museu do Para e dr. Ph.
Von Liitzelburg; do serviço botanico de Miinchen.
COLLEOÇÕES E TRABALHOS SCIENTIFICOS
O facto mais importante a ser registrado é a installação
da secção botanica, organizada de conformidade com as or-
dens do Governo, que a este Museu transferiu o grande her-
bario da extincta secção botanica da Commissão Geographica
e Geologica de S. Paulo. Esta, junctamente com as colle-
ecções já existentes, foram accomodadas no 2.º andar da torre
occidental, onde, com o auxilio de diversos operarios, foi pre-
parada a respectiva installação. Actualmente, as tres salas D.
6, 7, 8 contêm o herbario e a pequena bibliotheca especial,
ao passo que em tres outras salas se acham accumuladas as
collecgdes de amostras de madeiras, de cipós, borracha, se-
mentes, fructos e objectos em alcool.
Interinamente o sr. H. Luederwaldt accumula este ser- |
viço com o de entomologo; apesar de desempenhar-se do me-
lhor modo possivel e a meu pleno contentamento de ambas
as funeções, claro é que este estado de cousas não poderá
prolongar-se sem prejuizo para uma das secções. Pessoal—
mente, occupei-me, durante mezes, da bella colleeção de amos-
tras de madeira, agora classificada e disposta segundo o systema
botanico.
o O naturalista viajante sr. Ernesto Garbe conservou-se no
começo do anno nas margens do rio Uruguay, no Estado do
Rio Grande do Sul, particularmente em Cacequi, voltando
no mez de Maio, depois de se ter demorado ainda algum
tempo em Santa Maria da Bocea do Monte e Boi Preto, no
mesmo Estado.
Outra excursão o levou, desde 25 de Setembro, a ilha
de S. Sebastião; de ambas as viagens trouxe ricas collecções
e consideramos como um dos melhores successos dos ultimos
annos a exploração do rio Uruguey, cuja fáuna aquatica até
agora poucas vezes tem sido estudada. Si os resultados não
corresponderam de melhor modo à nossa expectativa, a culpa
não foi do habil e diligente caçador e preparador, mas assim
das incessantes chuvas, que estas elevaram extraordinariamente
o nivel das aguas e diflicultaram a pesca.
Na primeira metade do anno, preocupei-me com o estudo
osteologico de nossos cetaceos. A nossa colleeçäo encerra um
esqueleto de Balenoptera «cutorostrata, Lac. e outro de 18
metros de comprimento de Balwnoptera musculus L., bem
como partes isoladas destas especies e de Megaptera nodosa
Bonn. e Balaena australis Desm., todas as especies da costa
do Estado de Sao Paulo.
O Custos do Museu, sr. Rodolpho von Ihering, além dos
trabalhos que lhe competem, fez estudos systematicos e bio-
logicos em diversas ordens da fáuna brazileira, publicando a
respeito varios trabalhos mencionados na respectiva lista.
Com relação a escorpiões tem prompta uma monographia de
todas as especies braziieiras, destinada a ser publicada no
proximo numero da Revista do Museu.
Tive o occasiäo de franquear as collecções para fins de
estudos scieutificos, aos srs. Prof. A. Bovero, illustre lente de
anatomia da Faculdade de Medicina de São Paulo ( osteolo-
gia); dr. João Florencio Gomes, assistente do Instituto Se-
rumtherapico ( herpetologia ); Julio Melzer, especialista no
grupo dos Cerambyeidas; M. Brade, botanico dedicado espe-
cialmente ao estudo dos Filices; sr. Ad. Ducke, do Museu
do Pará ( entomologia hymenopteros ).
Além disso, estudaram no Museu, durante maior espaço
de tempo, o sr. dr. Heitor Maurano, que aqui preparou a parte
systematica da sua these de doutoramento em medicina ( Do
Escorpionismo ) e o sr. Bel. Fausto Lex, que aqui se preparou
para um concurso de Historia Natural, no Gymnasio de Cam-
pinas. Ainda os seguintes srs. tiveram proveito das nossas
collecções, para fins “seientificos: — T. Christowski ( Aves );
H. Maniser, funccionario do Museu Anthropologico de S. Pe-
tersbugo ( Ethnographia ) O. A. Salley ( Biologia das aves ) ;
M. Gude ( Curso nos methodos de preparação ).
Pelo pessoal da repartição foram publicados, durante este
exercicio, os seguintes trabalhos : |
Dr. Hermann von Ihering: The classification of the
family Dendrocolaptidae, The Auk, Vol. 32, Cambridge, pag.
145-153. PI. XI-XII.
Commissão das Linhas Telegraphicas Estrategicas de
Matto Grosso ao Amazonas — Annexo 5, Molluscos, Rio de
Janeiro pag. 1-14, com 3 estampas.
Rodolpho Von Ihering: 1) Estudo Biologico das La-
gartas Urticantes ou Nr 5 Annaes Paulistas de Medi-
cina e Cirurgia. Vol. III n. 6, pag. 129-139 — Est. VII.
— 2) (Osso bregmatics do Pod e em geral dos Simios,
Carnivoros e Desdentados brazileiros ; loc. s. cit. Vol. n. 2a
4, pag. 126-130, Est. VI. — 3) Os escorpiões do Brazil
Meridional, loc. s. cit. Vol. V, n. 2 a 4 pag. 73-81.
ne Gt
OFFERTAS — AUGMENTO DAS COLLECÇÕES
Do Instituto Pasteur — 1 tamandua bandeira.
» » » — 1 jabiru.
Do Sr. Fausto Lex — em Barretos Uma grande borbo-
leta ( gen. Arsenura e outros iasectos ).
Do Sr. Nicolau Toledo Mello — ( Serra Negra ) 1 gavião
vivo ( Polyborus tharus ).
Do Sr. Sacoman — Bairro do Ypiranga — 1 tamanduá-
mirim, vivo.
Do Jardim Publico da Capital — Uma grande tartaruga do
mar ( morta ).
Do Sr. J. de Arruda Campos — Agua Vermelha — 1
jabiru.
Da Secretaria do Interior — 1 fléxa de indio.
Do Museu Nacional — Rio de Janeiro — Moldes em gesso
de ossos de baleia.
Do Sr. Christiano Euslen — Boa Vista, Rio Grande do
Sul — 1 colleeção de diversos objectos preparados : insectos,
conchas, guaiquica ( marmosa pusilla ).
Da Commissão Geographica e Geologica de S. Paulo —
1 grande herbario da extineta secção botanica.
Do Sr. Roberto Linguanotto — Uma bala de canhão en-
contrada no Bosque da Satide e 1 ninho de ave.
Do Sr. J. de Sampaio Ferraz — 1 secretaria estylo ja-
ponez, que pertenceu ao Dr. Prudente de Moraes.
EM PERMUTA
Do Sr. Carlos Bruch —. La Plata, Argentina — Uma colle-
cção de formigas.
Do Sr. Zikan — Espirito Santo — 1 collecçäo de besou-
ros da familia Cicindelidæ.
Do Sr. Julio. Melzer — São Paulo — numerosos besouros
da familia Cerambicidæ.
Da Smithsonian Institution — Estados Unidos — Uma
colleeção de carangueijos.
POR COMPRA
Do Sr. H. Pinder — 3 aves 9145-9146-9148.
Do Sr. Benedicto Pedroso — Plantas e troncos para jar-
dim botanico e herbario.
Do Sr. J. K. Schwanda— Miritiba, Maranhão — Uma
colleeção de couros e aves 9137, 9141.
Uma colleeção de couros de mammiferos 3172, 3178.
Relatorio do Museu Paulista
REFERENTE AQ ANNO DE 1916
Pelo Director, em Commissão,
Affonso d'E. Taunay
Sao Paulo, 30 de Abril de 1917.
Exmo. Sr. Dr. Oscar Rodrigues Alves
Dignissimo Secretario dos Negocios do Interior :
A V. Excia. tenho a honra de enviar o relatorio
do Museu Paulista, para o anno de 1916, de accôrdo com a
recommendação recebida por intermedio do sr. dr. Carlos Reis.
Assumindo a Directoria do Museu a 27 de Fevereiro
proximo findo, julguei que o meu antecessor já houvesse
apresentado à apreciação de V. Excia. este documento. Para
o redigir, sirvo-me dos apontamentos no archivo do Museu
encontrados, notas de actos ofliciaes e informações do pessoal
que no Estabelecimento trabalha.
Durante o anno de 1916 passou o Museu Paulista per
fundas modificações quanto à constituição do seu pessoa!
dirigente.
A 4 de Janeiro nomeava Ex”º. sr. dr. Eloy Chaves, então
Secretario interino do Interior. uma commissão encarregada
de proceder a um inquerito administrativo sobre as nórmas
a que se cingia e regiam a direcção do Museu.
Ficou esta commissão constituida pelos srs. dr. Antonio
de Barros Barreto, lente da Escola Polytechnica de S. Paulo,
Reynaldo Ribeiro, lente da Escola Normal e Sebastião Felix
de Abreu e Castro, chefe de secção na Secretaria do Interior
DIRECTORIA. — TRABALHOS DA COMMISSÃO. — IN-
VENTARIO GERAL
Procedeu a commissão a exame nas contas relativas à
gestão do sr. dr. Hermann von Ihering, e, ao mesmo tempo,
procedeu a inventariação do material existente no Museu.
Começou a sua inspecção a 11 de Janeiro de 1916; a
10 de Maio assumiu o Custos do Museu, sr. B. Rodolpho
von Ihering a direcção do Estabelecimento, interinamente,
Dos trabalhos da commissão resultou o laudo, a V. Excia.
apresentado, sobre o directorado do dr. Hermann von Ihering,
que em principios de Agosto foi dispensado do cargo de Di-
rector do Museu, para o qual foi nomeado o sr. dr. Armando
Prado.
Proseguiu a commissão no inventario encetado ; levou-o
acabo com uma minucia e pertinácia dignas dos maiores
elogios. Ficou a direcção munida de um precioso instru-
mento de avaliação e localização de suas collecções. Reali-
zado com methodo perfeitamente orientado, e verdadeira in-
telligencia do assumpto, de prompto póde este inventario
geral permittir à Directoria apresentar este ou aquelle ob-
jecto reclamado e exposto ou conservado em qualquer das
numerosas salas do edificio.
Commentando estes servicos, ja tive, ao assumir a di-
recçäo do Museu, a occasiäo de a V. Excia. recommendal-os.
Os agradecimentos que V. Excia., em nome do Museu,
à commissão endereçou, foram os mais justos. Tornava-se
imprescindivel a organização desse inventario geral que,
assim mesmo, por absoluta falta de tempo, não poude ser
ultimado.
Assim, quanto à descripção dos objectos ao publico ex-
postos, na sala de numismática, e de que apenas havia sum-
marias indicações.
PESSOAL
Desligou-se do Museu, em principios do anno ( Feve-
reiro ), o dr. Paulo Vergueiro Lopes de Leão, que exercia o
cargo de desenhista.
Foi dispensado o sr. Ernesto Amadeu, servente, por mo-
tivo de restricção de despesas.
A 18 de Outubro entrou em exercicio do cargo de
amanuense o sr. Fernando Prado de Azambuja, que obtivéra
permissão para permutar com o sr. Arthar Pinto Payaguá,
desde algum tempo a servir na Secretaria,
A 13 de Novembro entrou no goso de uma licença de
tres mezes o zelador sr. Rodolpho Von Ihering.
Os restantes funecionarios do Museu estiveram em exer-
cicio assiduo de suas funeções durante todo o anno.
VISITANTES DO MUSEU
Em 1916 foram as nossas salas de exposição visitadas
por 66.247 pessôas ou sejam mais 2.185 do que em 1915.
Temos a convieção de que muito maior teria sido essa fre-
quencia, si os percursos nas linhas da S. Paulo Light fossem
reduzidos.
O simples facto do estabelecimento de via dupla durante
todo o trajecto abreviaria sobremaneira o tempo gasto, para
trazer da cidade ao Museu os visitantes.
Não se realizou a 7 de Setembro commemoração alguma
especial, allusiva à grande data nacional, assim mesmo foi
nesse dia o Museu visitado por 4.455 pessoas.
EXCURSÕES
Durante o anno apenas realizaram os naturalistas do
Museu duas excursões. Constituiu a primeira na viagem do
srs. Ernesto Garbe e IH. Luederwaldt a Piassaguéra, com o
fito de alli pescarem alguns grandes bôtos, intento que se
não poude realizar.
Approveitaram os dous excursionistas a opportunidade
para angariar exemplares da fáuna e da flora dos mangues,
que ao Museu recolheram.
Tendo o sr. dr. Armando Prado conhecimento de que
em Barretos haviam sido descobertos importantes fósseis, du-
rante os trabalhos de perfuração de póços, para lá fez seguir
o sr. E. Garbe, que passou cérea de tres semanas, em No-
vembro e Dezembro, a examinar os restos: assignalados,
achando-os muito fragmentados e de diminuta valia. Ap-
proveitou-se do facto de achar-se naquella região para caçar
pescar, conseguindo reunir algumas dezenas de passaros.
centenas de peixes e insectos, alguns mamiferos e ainda. al-
guns objectos que julgou interessantes.
BIBLIOTHECA
Poucos foram os consultantes, extranhos ao Museu, que
à sua bibliotheca viéram ; devido isto, em parte, aos trabalhos
da Commissão e ao inicio da catalogação geral, de accôrdo
com o systema decimal, emprehendida pelo bibliothecario sr.
Andréa Dó, segundo as determinações da Commissão, e de
que foram redigidas 707 fichas, correspondentes a uns 3.500
volumes.
Escasseäram muito as publicações a ella enviadas, de-
vido. aos acontecimentos que ao mundo enluctam. A remessa
da circular, aos amigos e correspondentes do Museu, notifi-
cando a posse do sr. dr. Armando Prado, fez com que nos
viéssem ter à mão numerosos folhetos e revistas, sobretudo
no te-americanos.
A retirada de mais de cinco mil volumes da bibliotheca
particular do dr. Ihering, livros que se achavam misturados
com os do Museu, occasionou profundo desarranjo em nossas
collecções.
Estão ellas agora com a catalogação em andamento,
organizando o bibhothecario as fichas que deverão assignalar-
lhes a localização exacta e permittir-lhes a immediata con-
sulta. Os serviços de encadernação de livros foram absolu--
tamente insignificantes, por falta de verba.
Decidiu a Commissão que se procedesse a um inven-
tario geral de todos os livros da bibliotheca. Adquiriu-se
um livro especialmente impresso para esse fim, onde estão
sendo registradas todas as obras das nossas collecções e egual-
mente todas as novas aquisições da bibliotheca.
REVISTA
Durante o anno de 1916 só foram expedidos os tomos
da Revista directamente pedidos à Directoria.
Nao permittiu a escassez da verba de expediente a re-
messa de algumas centenas de volumes devidos aos corre-
spondentes do Museu.
O periodo de transição porque passou o estabelecimento
não consentiu à Directoria cogitar em imprimir um tomo
novo da Revista.
TRABALHOS SCIENTIFICOS E OUTROS
Dentre os trabalhos realizados pelo pessoal do Museu e
scientistas que o viéram visitar ou nelle estudar, cecorrem-nos
os seguintes: Os do dr. Hermann von Ihering sobre Mol-
luscos, Vermes e determinações botanicas no herbario do
Museu; do sr. Rodolpho von Ihering sobre entomologia e
zoologia em ceral, como preparação para a sua obra recen-
temente publicada a « Fauna Brazileira » : do dr. Heitor Mau-
rano sobre moscas: dos srs. Fausto Lex, Adolpho Hempel,
Francisco Iglezias sobre entomologia; Julio Melzer sobre ce-
rambycidas. dr. Lauro Travassos sobre vermes; professor dr.
Achilles Bovero, da Faculdade de Medicina de São Paulo,
sobre anthropologia.
Durante o anno inteiro o dr. João Florencio Gomes,
assistente do Instituto Serumtherapico de Butantan, com ex-
traordinaria assiduidade e dedicação, estudou o volumoso
material de ophidios que o Museu possue, fazendo-lhe as de-
terminações, com a proficiencia que lhe é reconhecida, não só
no Paiz como no exterior.
Poucos foram os scientistas extrangeiros que ao Museu
viéram ter em 1916; extranhos a São Paulo, e nelle estudar,
Citemos entre outros o dr. Joseph Nelson Rose, do United
States National Musewm, reputado botanico, especialista em
phanerogamos, em geral; Frank M. Chapman do American
Museum of Natural History, ornithologo bem conhecido nas
rodas scientificas e A. Salley egualmente ornithologo, residente
em Santa Catharina.
Os srs. Ernesto Garbe, João Leonardo de Lima, natura-
lista-viajante e taxidernista do Museu, occuparam-se du-
rante o anno, sobretudo na conservação e reparação das col-
lecções: os trabalhos do Inventario (Geral tomaram-lhes
longos dias de serviço, assim como ao entomologo sr. II.
Luederwaldt, que, no emtanto, proseguiu os seus estudos e
observações myrmecologeios e botanicos, sobretudo acêrea das
formigas e da flóra dos arredores de São Paulo, em vista de
memorias que está a redigir para o tomo decimo da Revista.
CONSULTAS
Sobre assumptos scientificos, recebeu o Museu consultas
de estabelecimentos congeneres, instituições publicas e par-
ticulares e de diversas pessoas.
O - +
a Te:
He.
Entre ellas citemos as do dr. A. Ronna, de Uruguayana,
sobre escorpiões: do. dr. Gomes de Faria, de Manguinhos,
pedindo a classificação de molluscos e de uma Polydora que
perfura cascas; do dr. Jesuino Maciel sobre uma aranha
va lycosa raptoria ); do dr. João Florencio Gomes, um rato
sylvestre ( ocodon cursor ), abundante em Butanten; do dr.
A. Carini sobre uma coruja (a pisorphin1 choliba); eum
ophidio ( thamnoagastis natterei); do sr. Francisco Donato,
da Lapa, Sao Paulo, sobre um escorpionidio caseiro ( scuti-
gera forceps ); do dr. Theophilo Maciel, São Paulo, sobre
insectos perseguidores da apis mellifera; do dr. M. J. Alves,
sobre cocidas que atacam as aveneas; do dt. Francisco de
Paula de Magalhäes Gomes, de Bello Horizonte, pedindo
classificagio de hymenopteros parasitas; dos srs. Amaral Cor-
reia & Comp., pedindo instrucções para combater certo gor-
œulho ; do sr. A. M. Borba, lavrador solicitando informes
sobre um gafanhoto; do sr. J. A. P. Gago, da Penha, São
Paulo sobre formigas que atacam os pomares; do dr. Adol-
pho Lutz requerendo classificação de varios molluscos de
agua doce; do dr. Pirajá da Silva, Bahia, sobre coleopteros
carunchadcres de varios cereaes; do sr. L. A. Pereira, de
Antonina, sobre um mollusco (balanus tintinnabulos ) ;
do sr. Adolpho Hempei, sobre a classificação de varios in-
sectos; de d. Amaro van Emelen O. S. B., sobre nomen-
elatura de apídeos e classificação de melliponidas; do sr.
Francisco Dias da Rocha. da Fortaleza, Ceara, sobre de-
terminação de numerosas aves; do sr. Francisco Iglesias,
numerosas ccnsultas sobre entomologia; do sr. Conde A.
Barbiellini, sobre larvas de coleopteros e coleopteros, além
de numerosas respostas dadas a consultas de menor impor-
tancia, ao Museu endereçadas de muitos pontos do Estado
de São Paulo e do Brazil.
PERMUTAS
A 21 de Setembro combinou a Directoria do Museu, com
o sr. dr. Frank Chapman, conservador da Secção ornitholo-
gica do Museu de Nova York, uma permuta de aves, de
quantas fosse possivel mandar-lhe, contra especies amazoni-
cas, exemplar por exemplar em equivalencia. Fez-se esta
remessa dentro de poucas semanas.
A 13 de Fevereiro recebeu o Museu, do dr. Juan Tre-
moleras, de Montevideo, uma colleeção de coleopteros cara-
bidos, com trinta e nove exemplares; expediu-se uma caixa
a este naturalista, contendo material equivalente, das du-
plicatas do Museu.
DADIVAS E ACQUISIÇÕES
Pouco numerosas foram as dadivas ao Museu em 1916,
Entre as mais valiosas mencionemos :
— 24 —
Do Exmo. Sr. Dr. Eloy Chaves, então Secretario inte-
rino do Interior: 2 albuns referentes ao monumento erecto,
no Prado da Moóca, em honra a memoria de Bartholomeu
Lourenço de (Gusmão, acompanhados pela caneta de ouro que
serviu para as assignaturas do termo de inauguração do mo-
numento.
Do dr. Hermann von Ibering uma osssada de baleia,
que lhe fôra remettida pelo dr. Pirajá da Silva.
Do sr. H. Luederwaldt uma grande collecgao de fétos
da flóra catharinense, cincoenta especies, com quinhentos exem-
plares.
Do dr. Antonio de Barros Barreto, uma collecção de vinte
e oito notas de diminuto valor, bilhetes de bonde e outros
objectos que serviram de moeda divisionaria nos Estados do
Norte.
Do dr. José Bach, amostras ae schistos betuminosos do
Estado de Alagõas.
Entre outras pessoas, offereceram exemplares e aves, inse-
ctos, mammiferos, crustácios, plantas, fructos, sementes e etc. ,
a Companhia de Pesca Santos e a Companhia Silex, os srs. Drs.
A. Ronna, Fausto Lex, Antonio de Barros Barreto, José de
Campos Novaes, Hermann Luederwaldt, conde Barbiellini,
dr. José Bach, Tenente Coronel Pedro Dias de Campos, Ar-
chitecto Kurt Brade, L. Friederichs, Pedro do Couto Junior.
Annibal de Sousa Serrra, Felippe Antucei, Dr. Jesuino Ma-
ciel, Julio Conceição e os Directores da Escola Agricola
Luiz de Queiroz e do Jardim Publico de S. Paulo.
MATERIAL EM MÃOS DE NATURALISTAS EXTRAN-
GEIROS E NACIONAES
Os acontecimentos da conflagração européa têm impedi-
do a devolução de material do Museu desde longo tempo en-
viado, para determinação a diversos naturalistas europeus
como o dr. Adel Seitz, de Darmstadt e o director do Pom-
mersches Museum, de Stettin (Lepidopteros e cicadidos, )
professor J. Silvestri, de Portici, Napolis.
De Buenos Ayres espera o Museu a colleeção de Pom-
pilidas que esta em mãos do dr. J. Brethes; do. Smithso-
nian Instituto uma colleeção de crustaceos, de cuja determi-
nação se encarregou Miss. Rathbun, secretaria dessa notavel
instituição.
A pedido da directoria, prestaram-se para determinar ma-
terial do Museu os snrs. drs. Henrique de Beaurepaire Ara-
gão, Lauro Travassos, do Instituto Oswaldo Cruz e Alipio
de Miranda Ribeiro, do Museu Nacional, scientistas dos mais
acatados nos meios nacionaes e extrangeiros. Promptamente
estudaram o material enviado, que foi recambiado, reintegran-
do-se às svaas collecções.
JARDIM E HORTO BOTANICO
Os trabalhos do Jardim e Horto Botanico continuaram a
cargo do sr. H. Luederwaldt que dedicadamente continuou a
transplantar para © horto numerosos especimens da flóra in-
digena e alienigena. Acham-se ambos muito bem tratados,
tanto quanto foi possivel fazer com tão escasso pessoal -—
tres homens e um meniuo — para uma “área de cérea de
oito hectares. Por falta de verba, não foi posssivel estercar
o jardim, como se devéra fazél-o, nem tão pouco promover a
restauração dos grammados.
Um serviço penoso é o daréga realizado a braços, sendo
conveniente o estabelecimento de uma rêde de canalização
que a permitta por intermedio de esguichos.
EDIFICIO DO MUSEU
Acha-se o edificio do Museu bem conservado. Durante
o anno de 1916 não soffreu reparos de grande monta.
Como numerosas portas e janellas estivessem empenadas,
mandaram, tanto a Commissão, como o sr. dr. Armando Prado,
concertal-as.
As portas exteriores, gradis e portões foram enverniza-
dos e aliuminados.
No telhado fizeram-se diversos pequenos reparos, assim
como nas cálhas.
As fendas notadas nos portaes da galeria do andar ter-
reo não augmentaram, segundo o demonstram os testemunhos,
nelles collocadas em Março de 1914.
MATERIAL FORNECIDO PELO MUSEU
Em 1916, das colleeções do Museu apenas sahiu para a
Escola Normal do Braz, por ordem da Secretaria do Interior
uma pequena colleccäo de aves e de conchas.
GUIAS E PUBLICAÇÕES DO MUSEU
Não se reimprimiu, no anno transacto, o Guia das Col-
leccdes do Museu Paulista, que é tão pedido e tanta falta
faz, assim como nenhuma das demais publicações editadas pelo
estabelecimento.
NOVAS SALAS DE EXPOSIÇÃO
Como era natural, não se poude, no anno de 1916,
abrir nenhuma sala nova de exposição ao publico; nem hou-
ve mesmo nenhuma tentativa de adaptação de algum apo-
sento do andar terreo para este fim.
eT Pe PN SIRO AT SP A ry TR
ELA 4 \ nny
=
São estes, Exmo. Sr. Dr., os principaes tópicos sobre cs
quaes me occorre representar a V. Excia. e attinentes aos
diversos serviços do Museu.
A V. Excia. apresento os sentimentos da minha mais alta
consideração.
AFFONSO D’ESCRAGNOLLE TA UNAY,
Director, em commissão, do Museu Paulista.
EXCURSAO SCIENTIFICA DO NATURALISTA VIAJAN-
TE DO MUSEU PAULISTA A BEBEDOURO,
BARRETOS, VILLA OLYMPIA, de 10 de Novem-
bro a 3 de Dezembro de 1916.
Em meiados de Outubro deste anno, chegou ao Museu
Paulista uma remessa de 6ssos fósseis, amostras de diversas
pedras e de terras provenientes de um poço de Villa Olym-
pia, no noroéste do Estado de S. Paulo.
O remettente desses achados, o professor sr. Fausto Lex,
de Barretos, communicava-nos, ao mesmo tempo. que no poço,
talvez, pudéssem -ser encontrados outros melhores achados,
mediante exploração systematica. Para este fim, o Director
do Museu, Dr. Armando Prado, mandou-me em 10 de No-
vembro proximo passado a Barretos. Alli cheguei após treze
horas de viagem.
No dia. seguinte, procurei o professor Lex, afim de obter
informações seguras a respeito dos taes póços.
Villa Olympia esta sita em uma outra estrada de ferro,
ou melhor, no ponto terminal actual da Estrada de Ferro S.
Paulo — Goyaz. Tive, por conseguinte, que voltar a Bebe-
donro e dahi seguir pela linha da Goyaz. O trem partiu às
6 horas da manhan de Barretos e chegou ás 11 e 40 a Villa
Olympia.
Aqui tratei incontinenti de procurar o poceiro que achára
os fósseis remettidos pelo Prof. Lex.
Na manhan de 12 de Novembro p. p., fui, em companhia
de um official do poceiro, ao sitio do proprietario dos
pócos, o sr. Jacomo Picorato, afim de com elle conferenciar
Este senhor approvou immediatamente a minha pro-
posta, pedindo apenas uma indemnização, que lhe prometti
desde que encontrasse objectos de valor ou destruisse 0 poço,
fazendo as excavações. © proprietario queria continuar a
excavar o poço, apezar de não ter encontrado agua à pro-
Poa
MINT © +
#nndidade de cincoenta metros. Os 6ssos já achados estavam
a 38 ou 40 metros do solo, em terra escura e em camadas de
arenito vermelho. Estando a roldana e as respectivas córdas
em péssimo estado, vi-me obrigado a procurar na villa uma
armação de maior resistencia.
Tive tambem que pedir ao Museu, uma corda mais
comprida, por ser insufficiente a que eu trouxéra, bem como
ama lampada electrica, em virtude de ter-se a luz aberta
apagado à profundidade de 25 metros.
O diametro do poço apenas alcançava, em muitos loga-
res, tres palmos e meio, reinando, por conseguinte, no logar
dos trabalhos ( 40 ms. ), absoluta escuridão.
Os poceiros usaram por occasião do serviço uma rolda-
na fraca, que não offerecia segurança, com uma corda re-
gular ligada a uma táboa, para nesta se sentarem. Assim
desceram ao poco.
A corda, tendo o centro de gravidade na sua extremi-
dade inferior, virava-se com a pessôa ao redor do seu pro-
prio eixo, o que causava desmaios e vertigens, tornando, as-
sim, a descida bastante perigosa.
Para evitar qualquer accidente, construi uma espécie de
elevador: como plataforma servi-me de um barril que tinha
no fundo uma cruz de madeira, em cujas quatro extremidades
Yoram ligadas quatro cordas tensas até a altura de 180 centi-
metros por outra cruz de madeira. Assim tinha o barril ama posi-
cão fixa entre as 4 cordas e o elevador mesmo era suspenso
do cabo da roldana.
Tanto o barril, como o operario, podia-o fazer descer a.
qualquer profundidade, para examinar as paredes do poço,
—Depois de chegarem, de São, Paulo, a corda grossa e 1
lampada electrica e experimentar o “elevador” do poço com
uma carga de pedras, começou o trabalho subterrâneo, —
Apesar do poceiro não ser um homem pesado, o seu peso, 0
do barril, o das ferramentas e o da corda grossa exigiam 4 ho-
mens fortes para permittir a subida e descida.
Ao tempo em que o poceiro excavava óssos e pedras,
nós examinavamos o material excavado, velho, encontrando ape-
nas pequenos vestigios de 6ssos, e tambem o dente de um
saurio. — Depois de, um trabalho de dois dias, com poucos
achados interessantes, desistimos da empresa.
N’um poco da Villa Olympia, encontramos ainda, alem
de alguns fragmentos de 6ssos, alguns pedacos interessantes
de formação calcica, sobre os quaes o Dr. Barros Barreto
publicarä detalhes.
Tambem em outros logares dessa região foram encon-
trados fósseis, especialmente na occasiäo de excavação de
poços. Infelizmente, maiores excavações custariam muito di-
aheiro e o Museu Paulista não tem verba para tanto.
Emquanto esperava os instrumentos de S. Paulo, caça”
va e pescava diariamente, muito embora aquella região não
Po fo EE
seja muito apropriada para isso, por falta de mattas. Os
poucos restos de florestas estão quasi todos destruidos pela
queimada de róças, de modo que os arbustos faltam com-
pletamente. Alem disto, reinava extraordinaria secca que im-
pedia a propagação dos insectos.
O ribeirão da vizinhança da villa não se presta à pes-
caria de rêde. Apenas em uma lagôa, a uma distancia de
cinco kilometros da villa, conseguiu-se um bom numero de
peixes. Visto as condições da excursão. estou satisfeito com o
seu resultado: reuni 58 passaros, 180 peixes, mais ou me-
nos, 16 conchas e 230 insectos, uma cobra, um cachorro do
matto, apanhado numa ratoeira de lobo e ainda alguns
objectos.
A 2 de Dezembro, à 1 hora da tarde, parti de Villa
Olympia, chegando, a 3, às 9,12 horas da manhan a S.Paulo.
ERNESTO GARBE.
Naturalista viajante do Museu Paulista.
NOTAS MYRMECOLOGICAS
POR
H. LUEDERWALDT
Entomologo do Museu Paulista
I Nomenclatura das formigas do Estado de S. Paulo.
II Novas formigas.
HI Nidificacao etc., da ‘‘ Atta góldii, ‘‘luederwaldtii’’ e
“nigrosetosa”.
th =
Nomenclatura das formigas do Estado
de São Paulo
Fez o estudo das formigas, nas ultimas déca-
das, immensos progressos. Era em 1886 0 nume-
ro de todas as espécies conhecidas avaliado em
1.200; em 1893 attingiu a 2.000 e em 1910 a
9.031! A fáuna myrmecologica mais rica, encon-
tra se na região neotrópica, com 1.467 espécies,
das quaes 961, pertencentes à America do Sul,
quando a indo-malaica, que se lhe segue, conta ap-
proximadamente apenas 1.169.
Citou o sr. dr. H. von Ihering, em 1895, no
tio Grande do Sul 84 espécies, emquanto que a
nomenclatura seguinte, do Estado de São Paulo,
importa em 315 especies. Acerca dos outros esta-
dos brazileiros, ignoro si existem dados estatisticos.
No Estado de São Paulo, nos ultimos annos. o
colleccionador, foi especialmente o Museu Paulista ;
fóra delle, em annos anteriores, os drs. Lutz e A.
Goeldi. O restricto numero das localidades, abaixo
registradas, onde até agora foram colleccionadas
formigas, com certa dedicação, deixa entrever no-
vos achados provaveis; crêmos, porém, que em lo-
gares dellas distanciados centenas de kilometros.
Só o prof. dr. A. Forel, que estudou a maior
parte do material myrmecologico dc nosso Museu,
classificou nos ultimos annos perto de 80 novas
formas, colleccionadas exclusivamente no Estado de
São Paulo pelo Museu Paulista. Além do dr. Forel
o sr. prof. dr. C. Ennery determinou formigas do
Museu.
A lista seguinte representa um estudo prelimi-
nar para um catalogo das formigas brazileiras. 0
auctor começou este trabalho no anno de 1908, sob
-—
pes
os auspícios do sr. dr. H. von Ihering, continuan-
do-o até esta data.
E' possivel, comtudo, que nos ultimos annos
tenham occorrido publicações recentes sobre novas es-
pécies. Estas memorias não as recebemos em vir-
tude da conflagração européa; dahi o facto de se
acharem lacunas mais que provaveis nc nosso tra-
balho.
Apontamentos geographicos (*)
Alto da Serra, Estação: Linha de São Paulo --
Santos, na Serra do Mar. Zona de matta virgem,
humida e àspera.
Avanhandava : Estado de São Paulo, interior,
matta virgem e campo.
Baurú: Interior do Estado, matta virgem e
campo.
Belém: estação da «S. Pauio Railway », perto
de S. Paulo. (Campo e matto.
Sotucatúi: Interior. Campo e matta virgem.
Butantan: Arrabaide da Capital de São Paulo.
Campinas: Campo cultivado.
Campo Grande, Estação: Linha São Paulo --
Santos. (Campo e matto.
Campos do Jordão: Fronteiras de São Paulo
e Minas. Na Serra da Mantiqueira. Alt. 1.200 ms.
sobre o nivel do mar. (Campos com capões ralos.
Cantareira: ua Serra da Cantareira, perto de
São Paulo. Matta virgem.
Morro Pellado: Interior, municipio de Rio
Claro.
Conceição de Itanhaen: Villa à beira mar, en-
tre Santos e Iguape. Matto e mangue.
Cubatão. Estação: Linha São Paulo -- Santos.
Zona de mangue e matto.
Franca: Interior. (Campos.
(*) Estes apontamentos relativos à localização das for-
migas, que aos leitores brasileiros serão superfluos, destinam-
se aos ledores extrangeiros da « Revista ».
Guarujá : no littoral da ilha de Santo Amaro,
perto de Santos. Matta virgem.
Iguape: Cidade da costa, ao sul de Santos.
Mangue e matta virgem.
Ilha do Casqueirinho : Pequena ilha com matta
virgem no mangue, perto de Santos.
Ilha de São Sebastião: Costa do mar ao norte
de Santos. Matta virgem.
Ilha da Victoria: Costa do Estado de São Paulo,
ao norte de Santos.
Ituverava: Interior. Matta virgem e campo.
Jaraguá: Montanha mediocre da Serra da Can-
tareira, perto de Taipas, a 20 klms. de São Paulo.
Matto e campo.
José Menino: Arrabalde de Santos.
Jundiahy : Interior. Campo e matta virgem.
Matto Grosso: Um resto de matta virgem de
1 klm. quadrado, pouco mais ou menos, nas vizi-
nhanças de São Paulo ( Ypiranga).
Piassaguéra, Estação: Linha São Paulo -- San-
tos, ao pé da Serra do Mar, na vizinhança de
Santos. Matta virgem.
Pilar, Estação: Linha de São Paulo -- Santos.
Campo e matto.
Piracicaba : Interior. Matta virgem.
Ribeirão Preto: Interior. Região caféeira.
Rio Grande, Estação: Linha de São Paulo --
Santos, perto da Estação de Alto da Serra. Campo.
Salto Grande: Interior, no rio Paranápanema.
Zona fertil de matta virgem.
Santos: Clima humido-quente. Zona de mangue.
São Bernardo, Estação: Linha São Paulo --
Santos, nas vizinhanças de São Paulo. Campo.
São Manoel:. Interior. Zona caféeira.
Sao Paulo ( Capital do Estado ). Nas vizinhan-
ças da Serra da Cantareira. Campo sécco, com al-
guns restos de matto. Alt. 700 ms. sobre o nivel
do mar.
Sorocaba : Interior. Campo.
Ypiranga: Suburbio da cidade de São Paulo,
onde se acha o Museu Paulista.
Nomenelatura das formigas do Estado
de Sao Paulo
J. SUB-FAMILIA : PONERINAE
ACANTHOSTICHUS ( ACANTHOST. ) — serrulatus, Sin.
Franca.
PARAPONERA — Clavata Fabr.
Ituverava.
ACANTHOPONERA — dolo fog.
Ilha de Ss. Sebastião, Alto da Serra,
Salto Grande, Ituverava.
Ip. — dolo, var. schwebelr, n. var.
Alto da Serra.
Ip. — mucronata Rog.
Matto do Governo.
HoLcoPoNERA — simples Hin.
Salto Grande.
Ip. — striatula Mayr. var. angustiloba For.
Ypiranga.
Jp. — striat., subsp. obscura Hin.
Estado de Sao Paulo.
Ip. — striat., var. stinplicoides For.
Santos, Raiz da Serra.
Ecraromma ( Korat.) — edentatum Rog.
Ypiranga, Salto Grande.
Ip. — ( Korat. ) edent., var. iris. For.
Butantan.
Ip. — Eorat. stregosum Hin.
Ypiranga, Campinas.
Ip. (EOTAT.) — strig. var. permagua For.
Franca, Sao Manuel.
Ip. (ECTAT.) — tuberculatum Ol.
Ituverava, Franca.
Ip. (PARECTATOMMA ) — ? triangulare Mayr.
Ypiranga.
Ip. (GNAMPTOGENYS) — annulatuin Mayr.
Raiz da Serra.
Ip. ( GNAMPT.) — mordax Sin.
Ypiranga.
ae
CENTROMRYMEX --- brachycola Rog. var. paulina For
Ypiranga.
Ip. — gigas For.
Ypiranga.
DinoPoNERA — grandis Guér.
Estado de São Paulo.
NEoponERA ( NEoPoN.) — aprcalis Latr.
Jaraguá, S. Grande, Ituverava, Franca.
Ip. (Nropon.) — crenata Rog. .
Ilha de S. Sebastião, Raiz da Serra,
Alto da Serra, Ypiranga.
Ip. (NEoPoN.) — cren., forma moesta Mayr.
Santos, Alto da Serra, Ypiranga, Salte
Grande, Piassaguéra. à
Descripta por Mayr, como subsp.,
pode comiudo ser considerada apenas
forma, por encontrar-se muitas vezes
nos ninhos do typo.
Ip. ( Neopon. ) — obscuricornis Em. var. latreil-
ler For.
Raiz da Serra, Ilha de São Sebastião.
Ip. ( Neopon.) — rellosa Fabr.
Ilha de S. Sebastião, Piassaguéra, Alto
da Serra, Ituverava, Salto Grande,
Franca. |
PacayconNpyLa ( Pacuyc. ) — harpax Fabr.
Raiz da Serra, Salto Grande.
Ip. ( Pacuyc. ) — striata Sm.
Ilha de Säo Sebastiäo, Iguape, Raiz
da Serra, Alto da Serra, Ypiranga,
Jundiahy, Salto Grande, Ituverava.
Euponera ( MESOPONERA ) — leveillei Em.
Botucatu.
Ip. ( Mesor.) — marginata Rog.
Ypiranga, Franca, Ituverava.
Ip. ( TRACHYMESOPUS ) — stigma Fabr.
Raiz da Serra.
PoNERA — distinguenda Em.
Salto Grande.
Ip. — disting., var. histrio For.
Raiz da Serra, Salto Grande.
Ip. — cheringi For.
Alto da Serra, Campos do Jordäo
Ip. — inexorata Wheel. var. inexpedita For.
Alto da Serra.
Ip. — parva For. var. schwebeli For.
Alto da Serra.
Ip. — schinalzr Ein.
Alto da Serra.
Ip. — schmalzi var. paulina For.
Alto da Serra.
LEPTOGENYS ( LOBOPELTA ) — heringi For.
Raiz da Serra.
ip. ( Losop. ) — luederwaldti For.
Ypiranga.
ANOCHETUS ( AnocH.) — altisquamis Mayr.
Raiz da Serra, Alto da Serra.
Ip. ( AxocH ) — altisquamis forma fumata, n. f.
Ypiranga.
ODONTOMACHUS — affints Guér.
Ilha de São Sebastião, Piassaguéra, Pi-
lar, Matto do Governo.
Ip. — chelifer latr.
«Ilha de São Sebastião. Raiz da Serra,
Ypiranga, Campinas, Baurú, Franca,
Ituverava.
Ip. — haematoda L. var. hirsutiuscula F. Sin.
Ypiranga.
lo. — hacinat., subsp. insularis Guer.
Guarujá, Raiz da Serra, Piassaguéra,
Ypiranga, Franca.
Ip. — haemat., subsp. minuta. Em.
Conceição de Itanhaen.
Ip. — hastatus Fabr.
Piassagnéra, Alto da Serra.
II. SUB-FAMILIA : DORYLINAE
Eciton ( Ecrr.)— burchelli West. ( foreli Mayr 9),
Ilha Je São Sebastião, Raiz da Serra.
Alto da Serra, Rio Grande, Matto do
mas bé Ltd à...
Dies Le O,
Governo, Salto Grande, Franca, Jun-
diahy, Ypiranga.
Ip. ( Ecrr.) — quadriglume Hall. (*) ( Latreil-
ler Lep. e fargeant Shuck. &.)
Alto da Serra, Pilar, Jundiahy, Franca,
Salto Grande.
O até agora não foi encon-
trado perto de Sao Paulo.
Ip ( Kerr.) — vagans Ol. (dubitatum Hin. 3 ?,
segundo Ihering ). Franca.
Ip. ( Ecir ) — vag., subsp. francanuin 1hering. Fran-
ca, Ituverava.
Ip. ( Lasipus ) coecum Latr. (juriner Shuck & )
Raiz da Serra, Ypiranga, Ituverava,
Jundiahy. Campos do Jordão.
Ip. ( LaBip. ) — crassicorne Sin. ( esenbecks West.
d', segundo lhering ).
Ypiranga, Franca, Ituverava.
Ip. ( LaBip. ) — praedator Sm. ( & descripto em
1906 por Forel. )
Ilha de São Sebastião, Guarujá, Rio
Grande, Ypiranga, Salto Grande, Itu-
verava, São Manuel.
Ip. (Lapin. ) — schlechtendali Mayr (hartigi
West. 3, segundo Lhering ).
Alto da Serra, Ypiranga.
Ip. ( Lapin. ) — hartigi Westw., subsp. hansi Foi
Estado de São Paulo,
Ip (Acamatus) — diana For.
Ituverava.
Ip. ( ACAMAT. ) — alligert Shuch dg.
Estado de Sao Paulo.
lp. ( ACAMAT. } — legicnis Sm.
Raiz da Serra, Alto da Serra.
In. ( Acamar.) pilosum Sin. (halidayi Shuck à,
segundo Ihering. )
Franca.
(*) A subsp. dulcius For., n. 14.207, não foi collec-
cionada no Estado de Säo Paulo, como diz Forel no seu
« Formicides néotropiques », Extr. Ann. Soc. Ent. Belg.,
LVI, 1912, pag. 42, mas perto da Bahia
a ee
E' provavel, que halidayi Shuck,
não seja o 4 de pilosum Sin., como
Ihering indica, mas com maior pro-
babilidade de raptans For. Os 99 da
ultima especie, como tambem halz-
dayr, não são raros aqui; no emtanto,
piloswir nunca foi encontrado nos ar-
redores de S. Paulo. Aqui existe ain-
da Acam., legionis Sm., cujo d é
conhecido.
Ip. ( Acamat. ) — luederivaldti Em. & (15.748).
Ypiranga.
Colleccionado sómente em um
exemplar.
Ip. ( Acamar.) — pseudops For. var. garbei For.
Franca.
Ip. ( Acamat. ) — raptans For.
Ypiranga.
III. SUB-FAMILIA : MYRMICINAE
Arta — laevigata Sm.
Ilha do Casqueirinho, Ypiranga, Franca.
Ip. — sexdens L. var. bisphaerica For.
Ypiranga.
Ip. — sexd. var. rubropilosa For.
Raiz da Serra, Cubatão, Santos, Ypi-
ranga, Belém, Salto Grande.
ACROMYRMEX — aspersa Sin.
Estado de São Paulo.
Ip. — aspersa, subsp. dinidiata For.
Ypiranga.
Ip. — coronata Fabr. subsp. homalops Em.
Cantareira.
Ib. — discigera Mayr.
Ilha de São Sebastião, Raiz e Alto
da Serra.
Ib. — mesonodotalis Ein.
Ilha de São Sebastião, Ilha da Vi-
ctoria, Raiz da Serra.
Ip. — moeller: For.
Ilha de São Sebastião, Salto Grande.
Ip. — moell. var. mewmerti For.
Estado de Sao Paulo.
Ib. — moell. subsp. modesta For.
Nha de São Sebastião, Raiz 4 Serra,
Franca, Ituverava, Salto Grande.
Ib. — negra Sin.
ranga, Gampos do Jordäo.
Ib. — nigra var. muticinoda For.
Estado de São Paulo.
Ip. — subterranea For.
Alto da Serra.
Ip. — subterran. var. brunnea For.
Raiz da Serra, Alto da Serra, Ypi-
Raiz da Serra e Alto da Serra, Ypi-
ranga
Ip. — sublerran. var. depressiusculis For.
Cantareira, Sao Bernardo,
Serra.
Myocepurus — goeldit For.
Ypiranga.
Ip. — luederwaldti For.
Ypiranga.
TRACHYMYRMEX — oethevi For.
Matto do Governo.
CYPHOMYRMEX — Olitrix For. subsp. lecta
Ypiranga.
Ib. — rimosus Spin.
Franca.
Ip. — rimos. var. fusca, Em.
Santos, Alto da Serra.
Ib. — rimos. var. major For.
Sorocaba.
Ip. — strigatus Mayr.
Raiz da Serra. |
MYRMECOCRYPTA — squamosa Sin.
Ypiranga.
SERICOMYRMEX — squainosus Sin.
Estado de São Paulo.
Alto da
For.
DE PT Per Go FO DR ao Sted es OPA ee Res
7
Ip. — scrobifer For.
Ypiranga.
APTEROSTIGMA — wasinanni For.
Estado de Säo Paulo.
Ip. — pilosum Mayr.
Matto do Governo.
OCHETOMYRMEX — mayre For.
Estado de Sao Paulo.
\VASSMANNIA — auropunctata Rog.
Sartos.
Ip. — auropuncl., var, nigricans Em.
Raiz da Serra.
Ip. — amropunct. var. obscura For.
Santos.
Ip. — cheringr For.
Estado de São Paulo.
ID. == Jutzy For.
Estado de São Paulo.
RHOPALOTRIX — peliolata Maur.
Estado de Säo Paulo.
PROCRYPTOCERUS — striatus Sin.
Estado de São Paulo.
Ip. — striat. subsp adlerz: Mayr.
Y piranga.
Ip. — striat. var. schmalzi Em.
Cantareira, Alto da Serra.
Ip. — subpilosus Sin.
Ypiranga.
In, -— subpil. subsp. lepidus For.
Ypiranga.
CRYPTOCERUS — angustus Mayr.
Raiz da Serra.
Ip. — atratus L.
Raiz da Serra, Poço Grande, I*ranca,
Salto Grande.
Ip. — clypeatus Fabr.
Baurú, Piracicaba, Ituverava, Morro
Pellado.
Ip. — depressus Klug.
Ypiranga, Franca, Sorocaba.
a on Em
ta ee ee
1 = Ÿ + i d ‘
Ip. — depress. var. sorocabensis For.
Sorocaba..
Ip. —? grandinosus Sin.
Estado de São Paulo.
Ip. — menutus Fabr.
Santos.
Ip. —pineli Guér.
Ypiranga, Piracicaba, Botucatu.
Ip. — pusillus Klug.
Ypiranga, Franca, Salto Grande.
CREMATOGASTER --- ? acuta For
Ituverava.
Ip. — bingo For.
Alto da Serra.
In. — brevispinosa Mayr.
Ypiranga.
In. — brevispin., var. schuppi for.
Estado de Säo Paulo.
In. — brevispin., var.-sericea For.
À Botucattt
Ip. — brevispin. subsp. tumulifera For.
Ypiranga.
Ip. = clydia: For.
Botucatu.
Ip. — ? crassipes Mayr.
Franca. :
Ip. — curvispinosa Mayr.
Santos, Alto da Serra, Ypiranga, Ava-
nhandava.
Io. — distans Mayr.
Alto da Serra, Butantan, Franca.
Io. — dist. var. corticicola Mayr.
| Ilha de São Sebastião.
Ib. — dist., subsp. parviceps For.
Ypiranga.
Ip. — dist., Mayr. var. rugiceps Mayr.
Ypiranga, Botucatu.
Ip. — evallens hor.
Botucatu.
Ip. — goeldi For.
Campo Grande, Ypiranga, Piracicaba.
Ip. — theringt For.
Ypiranga.
In. — limata Sin.
Santos, Raiz da Serra.
Ip. — limata var. parabiolica For.
\aiz da Serra..
Io. — lutar For.
Alto da Serra.
Ip. — lutzi., var. florida For.
Estado de São Paulo.
Ip. — ( PaysocREMA ) montezuinia Sin.
Ilha de São Sebastião, Ypiranga.
Ip. — ( Prysocr.) montez., var. fumata For.
Cubatão.
In. — ( Puysocr.) montez., var. ramulinida For.
Ypiranga.
Ip. — quadriforinis Rog.
Ypiranga, Salto Grande, Campos do
Jordao.
Io. — quadrif., var. gracilior For.
Santos, Ypiranga, Botucatu.
Ip. — rochar For.
Ypiranga.
TRANOPELTA — heyert For.
Ypiranga.
SoLexopsis — albidula Em. var. postbrunnea For.
; Franca.
Ip. — clylemnestra Ein. var. leda For.
Alto da Serra.
Ip. — corticalis For. subsp. margotae For.
Ypiranga,
Io. — decipiens Em. var. scelesta For.
Bauri,
Ip. — franki For.
Ypiranga.
Io. — franha., subsp. «dae Lor.
Ypiranga.
Ip, — geminata Fabr.
Ilia de São Sebastião. Santos, Alto
da Serra, São Paulo, Campos do Jor-
or
AS
dão, Franca, Ribeirão Preto, Salto
Grande, Ituverava.
Io. — gem., var. diabola Wheel.
Ilha de São Sebastião, Raiz da Serra
e Rio Grande.
Do. — theringe For.
Raiz da Serra, Campos do Jordão.
In. — laeviceps Mayr.
Sorocaba.
Io. — picta Em. subsp. gensterblumi For.
Ypiranga.
In. — pylades For.
Raiz da Serra, Ypiranga, Santos.
Ip. — pylad., var. incrassata For.
Uha de São Sebastião.
Ip. — succincta Em. var. nicar For.
Franca.
To. — tenuis Mayr.
Raiz da Serra, Ypiranga. »
Io. — tenms var. mainuiscens For.
Santos.
Monomorium — pharaonis L.
José Menino, Piassaguéra.
Ip. — ( Martia) heyerr For.
Ypiranga.
Ip. — ( MARTIA ) rastratum Mayr. var. lueder-
waldt: For.
Salto Grande.
MEGALOMYRMEX — 2heringr For.
Alto da Serra.
PogoxomyRMEX ( EPHEBOMYRMEX ) naegele For.
Ypiranga, Salto Grande, Ituverava,
Piracicaba.
PHEIDOLE — ( ELASMOPHEIDOLE ) aberrans Mayr.
Ypiranga.
Io. — anastasu Em. var. sospes For.
Ypiranga.
Ip. — angusta For.
Ypiranga.
Ip. — auropilosa Mayr.
Ypiranga.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ib.
Ip.
Ib.
Ib.
Ip.
TD:
Ip
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
— bambusaruin For.
Alto da Serra, Säo Paulo.
— breviconus Mayr. subsp. sarcina For.
Botucatu.
— ? crassipes Mayr.
Iranca.
— emeryt Mayr.
Alto da Serra, Ypiranga, Cantareira.
— emer., var. alpinensis For.
Alto da Serra.
— fabricator Sm.
Raiz da Serra.
— fallax Mayr.
Franca.
— flavens Rog. subsp. asperithorax Em. var.
nugas For.
Baurt.
— flav. subsp. asperith. var. semipolita Hin.
Raiz da Serra.
— flav. subsp. tuberculata Mayr. var. putata For.
Santos.
— gertrudae For.
Santos, Raiz da Serra, Botucatu.
— guilelini-inuellert For. subsp. avia For.
Rio Grande e Alto da Serra.
— guil.-muell. subsp. buccuienta For.
Alto da Serra.
— guil.-muell. subsp. heyeri tor. var. injuncta.
Alto da Serra. |
— guil.-muell., var. ultrix For.
Botucatu,
— hraepelini For.
Estado de Sao Paulo.
— luige: For:
Cantareira.
— lutsz, var. heinzi For.
Estado de São Paulo.
= ORYONS fF or.
Ypiranga, Salto Grande.
— oxyops, subsp. régia For.
Ypiranga, Botucatu.
Ib.
lo.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
10.
Ip.
“To.
Ip.
Jo.
o dp E oe rte oe Gs AS Poti DE) Ar
— radoszhowskir Mayr. var. acuta Em.
Ypiranga.
— radoszk., var. discursans For.
Botucatu.
— radoszk., subsp. parvinoda For.
Ypiranga, Bauru.
— radosch., su'sp. parvin. var. erubens For.
Estado de São Paulo.
— radoszk., var. saviozae For.
Estado de São Paulo.
— risit For. |
Matto do Governo.
— rufipilis For.
Ypiranga.
— rufipilis var., divena For.
Alto da Serra, Campus do Jordão.
— triconstricta For.
Franca.
— triconst., var. ambulans ( Em.) For.
Franca.
— wolfringrt For.
Estado de São Paulo.
LEPTOTHORAX --- schwebeli For.
Ip.
Alto da Serra.
— vicinus Mayr.
Ypiranga.
TETRAMORIUM -- reilteri Mayr.
Estado de Säo Paulo.
PsEUDOMYRMA --- acanthobia.
Ip.
Ip.
Jo.
Ip.
Ip.
Sorocaba. Botucatu.
— championi Fer. susp. haytiana. For. var pau-
lina kor,
Estado de São Paulo.
— denticollis Em.
Ypiranga, Ituverava, Salto Grande.
— dentic., var. infusca For.
Ypiranga.
— elegans Sm.
Santos.
— flavidula Sin.
Ypiranga, Franca,
Ip. — goeldir For.
Sorocaba.
Ip. — gracilis For.
Raiz da Serra, Ypiranga, Guarujá,
Ituverava, Franca, Sorocaba.
Ip. — mutica Mayr.
Santos, Raiz da Serra, Ypiranga, Can-
tareira, Campos do Jcrdão, Alto da
Serra. :
Ip. — pallens Mayr.
Alto da Serra.
Ip. — pall. var. gibbinota For.
Bauru.
Ip. — schuppt- For.
Estado de São Paulo.
Ip. — triplarides For.
Jtuverava.
IV. SUB-FAMILIA : DOLICHODERINAE
DoricHoperRUs — attelaboides Fabr.
Raiz da Serra.
Ip. — ( Monacis ) bespenosus Ol.
Ituverava, Salto Grande.
Ip. — ( Hypocuraca ) gebbosus Sm. var. integra For.
Ituverava.
DoRYMYRMEX — goelda For, var. dubia For.
Botucatu.
Ip. — goeld., subsp. fuinigatus For.
Ypiranga.
Ip. — cheringe tor.
Franca.
Ip. — (Conomyrma ) pyramicus Rog. var. allico-
mis For.
Santos.
Ip. — (Conom.) pyram., subsp. flavus M. Cook.
Botucatu.
Ip. — ( Coxom.) pyram., var. nigra Perg.
Santos, Conceição de Itanhaen, Ypi-
ranga, Franca, Ribeirão Preto.
Ip. — (Conom. ) pyram., subsp. brunneus For.
Ypiranga, Piracicaba.
IRIDOMYRMEX — drspertitus For. subsp. micans For.
Alto da Serra.
Io. — humelis Mayr. $
Rio Grande, Conceição de Itanhaem.
Ip. — hunul., subsp. angulatus Em.
Estado de São Paulo.
Io. — miquus Mayr.
Botucatu, Sorocaba.
Ip. — inig., subsp. succinea For.
Alto da Serra.
Ip. — leucomelas Em.
Tarinoma — atriceps Ein.
Ip. — atric. var. breviscapa For.
AZTECA — aesopus For.
Ip:
Jp.
Ib.
Alto da Serra, Salto Grande.
Alto da Serra, Ypiranga.
Raiz da Serra.
Sao Paulo.
chartifex For. var. spirits For.
Estado de São Paulo.
delpim Em.
Estado de São Paulo.
goeldir For.
Estado de São Paulo.
theringr For.
Estado de São Paulo.
lanuginosa Ein.
Matto do Governo.
muellerr Em.
Ilha de São Sebastião, Rio Grande,
Ypiranga, Ilha Victoria.
muell.. forma nigella Em.
Matto do Governo.
- muell., forma wacketi Em.
Matto do Governo.
Encontra-se junto com o typo e
por isto sómente uma forma.
ulei For. var. gibbife a For.
Nha Victoria.
Ip. — wlei, subsp. nigricornis For.
Ypiranga.
V. SUB-FAMILIA: CAMPONOTINAE
BRACHYMYRMEX — coaclus Mayr.
Botucatu.
In. — ? goeldm For.
Botucatu.
Io. — lóngicornis For. var. inununis For.
Raiz da Serra, Ypiranga.
Ip. — snicroinegas Em.
Ypiranga.
Ip. — patagonicus Mayr.
Santos, Raiz da Serra.
Ip. — patag. subsp. cordemoyr For.
Ypiranga.
MYRMELACHISTA — arthuro For.
Ypiranga.
Io. — arth. car. brunneiceps For.
Matto do Governo. :
Ip. — goeldw For.
Botucatu.
Ip. — hloeterst For.
Botucatu.
Ip. — ( DecamarA ) muelleri For.
Santos.
Ip. — paderewski For.
Estado de São Paulo.
Ip. — rush For.
Botucatu.
In. — (Decam. ) ulez, var. dubia For.
Santos.
PRENOLEPIS ( NYLANDERIA ) /ulva Mayr.
Raiz da Serra, Ypiranga, Jundiahy.
Piracicaba, Campinas.
Ip. — ( NYLaND. ) fulva subsp. fumata For.
Raiz da Serra, Rio Grande,
Ip. — ( NyLAND.) ? goeldi For.
Ituverava,
Ip. — longicornis Latr.
Ilha de São Sebastião. .
Ip. — ( NyzaND) vevedula ( Nyl.) Mayr.
Ypiranga.
Ip. — ( NyLAND.) veved., var. antillana For.
Sorocaba.
Ip. — ( NyYLAND.) vivid., subsp. docilis Hor.
Raiz da Serra.
Camponotus — (CoLoBorsis) paradoxus Mayr
subsp. janitor For.
Alto da Serra.
Ip. — (Myrmamptys ) alboannulatus Mayr.
Alto da Serra, Cantareira.
Ip. — (Myrmams.) alboannul., var. nessus For.
Alto da Serra.
Ip. — { Myrmamp. ) fastigatus Rog.
Ilha de Sao Sebastiäo, Santos, Franca,
Campos do Jordäo.
Ip. — (Myrmams.) fastig., subsp. naegilu For.
Estado de São Paulo ?
Ip. — ( MyrmamB.) fastig., subsp. vagulus For.
Bauru.
Ip. — ( MYrRMAME. ) fastig., subsp. verae For.
Ilha de São Sebasiiäo, Raiz da Serra,
Rio Grande.
Ip. — ( Myrmamp.) novogranadensis Mayr.
Santos, Cubatão.
Ip, — ( MYRAMAMB. ) novogranad., var. modestior
For.
Botucatu.
Ip. — ( MyrMams. ) pelletus Mayr.
Santos.
Ip. — (Myrmamp. ) ? personatus Em,
Ypiranga.
Ip. — ( MyrmoTURBA ) maculatus Fabr.
Rio Grande.
Ip. — (Myruor.) maculat., subsp. bonariensis
Mayr.
Rio Grande, Ypiranga.
Ip. — ( Myrmor.) maculat.. subsp. cingulatus
Mayr.
Ilha de Säo Sebastiäo, Alto da Serra,
Yiranga, Avanhandava.
Ip. — ( Myrmor.) maculat., subsp. cingul., var.
lamocles For.
Ypiranga, Franca.
Ip. — (Myrmor.) maculat., subsp. fuscocinctus
Ein.
Ypiranga.
In. — ( Myrmor.) maculat., subsp. guatemalensis
For. var. scheflert For.
Campos do Jordäo.
Ip. — ( Myrmor.) maculat., subsp. parvulus Em
var. opica For.
Ypiranga.
Ip. — ( Myrmor.) maculat., subsp. semillimus Em.
Franca.
ID. — ( Myrmor.) melanoficus Em.
Piassaguéra, Rio Grande, Ypiranga
Franca, Salto Grande.
Ip. — ( Myrmor.) punctulatus Mayr. subsp. lili
For.
Ypiranga.
Ip. — ( Myrmor.) punctul., subsp. termitarius Em.
Ypiranga.
Ip. — ( MyrmocIgas) agra Em.
Avanhandava.
Ip. — ( Myrmoc.) lespesa For.
Ypiranga, Piracicaba, Campos do Jor-
dão.
Ip. — ( MyromcaMELUS ) blandus Sm.
Botucatu.
(Myrmorurix ) abdominalis For. subsp.
atriceps Sin.
Ypiranga.
Ip. — ( MyrmorH.) abdomin., subsp. cupiens For.
Pissaguéra, Rio Grande, Ypiranga,
Franca.
Ip. — (Myrmor. ) abdomin., subsp. fuchsae For.
Ypiranga, Campos do Jordão.
Ip. — (Myruor. ) renggert Em.
Ypiranga, Salto Grande, Bauru.
Ib. -
Ens
Ib.
AD:
Ip.
Ip.
Ip,
Ip.
Ib.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
Ip.
lp.
Ip.
Ip.
— (MyrMoru. ) rufipes Fabr.
Alto da Serra, Campo Grande, Ypi-
ranga, Campos do Jordão, Franca.
— ( MyrmoTk.) rufip., forma cajurensis, n. f.
Alto da Serra. Pilar.
— ( MYRMorTH ) sexguttatus Fabr.
Ypiranga.
— ( MYRMOBRACHYS-) carameno: Em.
São Paulo, Franca, Campos do Jordão.
— ( MyRmoBR. ) crassus Mayr.
Guarujá, Rio Grande, Ypiranga, Cam-
pos do Jordão, Franca, Salto Grande,
São Manoel, Ituverava.
— ( MYyRMoBR. ) crass., subsp. brasiliensis Mayr.
Ypiranga, Botucatu.
— ( MYRMOBR. ) crass., subsp brasil., var. cla-
via For.
Estado de São Paulo.
— ( MyrMoBR. ) senex Sin.
Bauru.
— (Myrmospuincta ) ruficeps Fabr.
Franca.
— ( MyRMEPOMIS ) sericeiventris Gu r.
Ilha de São Sebastião, Raiz da Serra,
Jundiahy, Baurú, Piracicaba. —
— balzani Ein.
Rio Grande, Poço Grande.
— conescens Mayr.
Alto da Serra.
= cuide Har.
Botucatu.
— emeryiodicatus For. subsp. decessor For.
Alto da Serra, “São Paulo.
— emeryiod., subsp. decess., var. opitrix For.
Ypiranga.
— excisus Mayr.
Santos.
— excis., subsp. trapezoideus Mayr.
Raiz da Serra.
Ip. — cheringe For.
Ypiranga, Bauru, Botucatu.
Ip. — lutze For.
Estado de Sao Paulo.
ID. — paves For.
Botucatu.
Inem — schmaltz: Em.
Rio Grande.
In. — trapeciceps For.
Ypiranga.
Ip. — ? trapezoideus Mayr.
Salto Grande.
In. — tripartitus Mayr.
Botucatu.
Novas formigas brazileiras (1)
Camponotus ( Myrmothrix ) renggeri Hin., até
agora tomado por subspecie de Camponotus rufipes
F., deve formar em virtude de ordem biologica,
uma especie propria visto como nunca consirde ni-
nhos como o faz rufipes, vivendo sempre em bura-
cos naturaes, apenas augmentando-os um tanto.
Camponotus ( Myrmothrix ) rufipes F., forma
cajurensis, nova forma (11.813, 17.492 ),
Q Esta forma differe do seu typo pela côr
parda ou pardo-vermelha do corpo, especialinente
do abdomen, pelo menos quanto avs soldados. Peél-
los não vermelhos, mas de cor amarello-dourada.
O prof. A. Forel já a mencionou em 1911. (*)
Até hoje, é apenas conhecida na região da Serra
do Mar, por exemplo, na Estação do Alto da Serra,
bem como na do Pilar, não, porém, se encontran-
do mais na vizinhança de São Paulo. Esta forma
acha-se commumente na Serra, onde vive junto
com o respectivo typo, mas sempre só em ninhos
certos. H. Luederwaldt leg. —
Anochetus altisquamis Maur., forma fumata,
nova forma (18.898, 17.214).
© Inteiramente parda ou mais ou menos par-
do-vermelha; mais claras são as pernas, antenas, a
ponta do abdomen e, ainda talvez, o petiolo e as
mandibulas. Em numerosos exemplares tanto do
Ypiranga, como tambem de Christina ( Est. de Mi-
nas Geraes ). H. Luederwaldt leg.
+
(1) Este artigo devia ser o primeiro da série. Um descuido na entrega
dos originaes veio causar-lhe a interpolação. ( N. do A, ).
(*) Dr. A. Forel «Ameisen des Herrn Prof. yon Ihering aus Brasilien
etc.» Deutsche Entomol. Zeitschrift 1911, pag 310.
e
Pachycondyla metanotalis, nova espécre
C1719 ox,
Q Muito semelhante ao Pachycondyla harpax,
tambem é distincta a sua carina facial, a qual deve,
no sentido estricto, separar os generos Necponera
e Pachycondyla; differencia-se comtudo da pri-
meira pelos caractéres seguintes: Metanoto com-
primido, em cima muito mais estreito de que o da
harpax; o petiolo não é cubico, como nessa, mas
semelhante ao da Neoponera villosa, apenas mais
curto; na parte anterior alcança o seu tamanho
maior, decrescendo para traz quasi immediatamente ;
a superficie superior é marginada e tanto quanto a
trazeira, confundem-se completamente; inclinando-se
para a frente. Corpo um pouco maior e robusto
como o da harpax. Os olhos como os da mesma
especie. Christina (Est. de Minas Geraes). 1 Ex.
H. Luederwaldt leg.
Acanthoponera dolo Rog. var. schwebeli, nova
var. (17.556).
© Differe-se do typo por falta de ambas as
espinhas do metanoto, assim tambem quanto à es-
pinha do petiolo. Um pouco menor do que o typo.
Estação Alto da Serra ( São Paulo). Alguns exem-
plares. E. Schwebel leg.
Eciton ( Labidus) praedator Sm. (19.448).
9 Habito geral é o de uma rainha de cupim.
O corpo anterior ( cabeça, thorax, petiolo) só um
pouco maior, do que o de um operario bastante
grande. O abdomen, porém, extracrdinariamente
desenvolvido; os segmentos pardos, brilhantes das
costas e ventre, separados entre si por membranas
largas e brancas, com excepção do primeiro se-
gmento : formando o abdomen total um só sacco de
Ovos.
Cumprimento total 33 mm. Abdomen cylin-
drico, mais grosso (no terceiro segmento ), tendo
uma largura de 11 mm. e uma altura de JO mm.
O corpo anterior 7 mm. de cumprimento.
==> 5 5 = jo
Cabeça em posição vertical, muito mais alta
de que larga, 4.5 — 3 mm., de largura egual, occi-
put em toda a sua extensão igualmente arqueado ;
brilhante, pontuado finissima e distanciadamente, em
cima do sulcus frontalis pintas de olhos densissima-
mente aggrupadas o que torna a cabeça mais
opaca.
Mandibulas cylindricas, progressivamente afi-
nando-se, fracamente curvas e quando fechadas, to-
cando-se no meio do labrum ; finamente pontuadas.
Palpi masxillares e labiales com 2 articulos. La-
brum forte transversal, na margem posterior duas
vezes mais largo de que comprido, chato, para de-
ante bem estreitado, angulos anteriores arredonda-
dos; margens lateraes um pouco sinuosas, margem
posterior fracamente arredondada. Margem anterior
emarginadamente larga, achatada e um pouco an-
gulosa. Clypeus largo-trianguiar, ligeiramente abo-
badado, transformando-se no sulcus frontalis, bem
distincto e rectilineo. Este terminando em uma co-
vinha, pouco mais ou menos, no meio da cabeça.
Areae frontales muito curtas, sem os lobulos eleva-
dos do operario, maior por dentro ao lado das an-
tennas. Cova das antennas arredondadas, por fora
sem sulco facial do operario maior. Scapus quasi
rectilineo, extendendo-se apenas até o fim do sulco
frontal, comprimido. Na margem inferior estreitan-
do-se ligeiramente para a ponta; a parte extrema
rectilinea. Funiculus quasi tres vezes do compri-
mento do scapo, setiforme, com 11 articulos. O pri-
meiro articulo mais curto, o ultimo mais comprido ;
os outros diminuem-se paulatinamente. Olhos au-
sentes. Thorasx muito mais comprido de que alto,
sem rudimentos de azas. Pro-mesothorax sem su-
turas, em cima muito mais estreito de que abaixo
( visto de frente ), decrescendo em forma de telhado,
muito mais alto de que o metathorax, em cima re-
ctilineo, angulo posterior bem arredondado. anguio
anterior distincto, mas tambem muito obtuso; na
frente rapidamente declinando e, ás poucas, termi-
nando no cabeção um tanto saliente. Metanotuin
horizontal, em cima arqueado, quasi quadrado, com
angulos fortemente arredondados.
O petiolo tem apenas um articulo; postpetiolo
inteiramente cicatrizado com o primeiro segmento
abdominal e delle se destacando sómente pela côr
mais clara e por uma borda finissima. Esse arti-
culo cobrindo o metanoto, esta com elle ligado por
meio de uma saliencia bem curta; absolutamente
differente da dos operarios. Apresenta-se como uma
chapa curta e vertical, com mais de gue 2.5 mm.
de largura, convergente para traz. Esta chapa ca-
vada gamelliforme na sua superficie anterior e com
bordos bastante agudos; o bordo anterior em cima
encurvado para dentro accentuadamente, em ambos
os lados, uma sinuosidade na parte posterior; an-
gulos anteriores (visto por detraz) larga e forte-
mente salientes e na porta largamente embotados.
Membranas lateraes ao abdomen comportam de
5mm. em cima 2-3 mm. de largura. Segmentos
costaes e ventraes aplanados; os primeiros, do se-
gundo em deante, pouco mais ou menos equivalentes a
o mm. (O primeiro seginento cobre o petiolo e me-
tanotum (a saber decrescendo fortemente para baixo
e para atraz), 8 mm. de largura, em cima aos lados
3 mm. de comprimento, encima, na parto anterior,
no meio, profundamente encolhido. Us 3 segmentos
seguintes quasi eguaes, transversaes, de forma um
pouco quadrada, os angulos arredondados. Pygidium
fortemente arqueado, para traz bem estreitado, com
o bordo anterior largo, quasi rectilineo; atraz com
sinuosidade curta; em cima impressão oval e chata ;
a membrana lateral bem estreita. © segmento anal
corresponde a figura 2 em «Genera Insectorum »
fasciculo 102 pag. 6: de comprimento quasi igual
a largura, 1.7 mm, mais ou menos, atraz arredon-
dado; em cima e abaixo densamente pelludo, curto
e de côr amarellada. Cada qual das 5 placas cos-
taes, no meio, com um grupo de pintas finas -bas-
tante densas. Segmentos ventraes transversaes. O
primeiro segmento ventral com bordo posterior bas-
tante rectilineo. Os 4 segmentos seguintes com bor-
\
do anterior profunda e angulosamente encurvados ;
bordo posterior do segundo segmento quasi recti-
lineo, com saliencia triangular no meio; o do 3.°
segmento ligeiramente encurvado e o do 4.º distin-
ctamente anguloso. O ultimo segmento ventral para
traz bem estreitado, cordiforme; tambem o bordo
curto posterior com um corte profundo e anguloso ;
tendo a superficie uma impressão chata. Todos os
segmentos ventraes quasi sem esculptura. O aguilhão
é visivel, ambas as suas sedas têm comprimento
superior a 1 mm.
Pernas em todos os femures e em todas as ti-
bias bem comprimidas. Estas de largura quasi igual
sómente um tanto estreitadas para a ponta, um pouco
encurvadas, com um espinho comprido, terminal.
Todos os pés com 5 articulos. Todas as unhas simples.
A côr brilhante, parda na cabeça, no thorax,
petiolo e nos segmentos dorsaes ; amarello-parda nas
antennas, pernas e nos palpos, segmentos ventraes
e no labrum. Membranas brancas, opacas.
Antennas e pernas pelludas, curtas e ajustadas ;
além disto, o vestimento bem humilde.
Tres vezes o encontrou auctor Eciton praeda-
tor no ninho: uma vez, no matto abaixo de um
cepo de arvore, as outras vezes, no campo em ter-
miteiros deshabitados ou, pelas formigas anterior-
mente despojados de Corzitermes sp. Não se deu
ensejo para examinar os primeiros dois ninhos; no
terceiro, porém, no dia 23. X. 16, conseguiu feliz-
mente descobrir uma femea! Os operarios do Mu-
seu encontraram o respectivo ninho no horto bota-
nico, chamando-lhes a attenção os ataques furi-
bundos, que lhes fizeram. Antes de abrir-se o ter-
miteiro, fez-se uma insufilação de ether sulphurico
no buraco praticado por um ferro agudo, para ton-
tear as formigas. Em seguida tapou-se cos terra,
o buraco, bem comc varias outras aberturas, pelas
quaes as correições surgiram em bandos enormes.
Depois de abrir-se o termiteiro, passados £0 minu-
tos, mais ou menos, viu-se o seguinte:
Logo nas entradas e corredores do envolucro
muito duro, do termiteiro, vestigios abundantes de inse-
ctos muito numerosos documentaram a presenga de ra-
pinantes. Tambem como nucleo exterior estavam
amontoados em diversos logares, restos de insectos
mortos. Os ovos finos e brancos achavam-se em uma
massa só, espalhados em diversos logares, a moda dos
termitos, distribuidos certamente pelos ¢ 9, não po-
dendo fazel-o a femea por causa de seu grande ab-
domen, nem tão pouco o poderia uma rainha de
cupim. Infelizmente esqueci-me de colleccionar ovos,
restabelecendo-se de pouco a pouco as formigas do
desmaio etherico e difficultaram bastante os trabalhos.
Quando, em outra manhan, queria reparar a minha
falta, era já tarde demais, porque as correições tinham
levado, durante a noite, toda a criação. A rainha
estava por mais on menos, no meio do nucleo e
morta por ter sido alcançada pelo ether. Além de
certo numero de larvas miudas de 3-7 mm., esbran-
quigadas, fivalmente articuladas (13 artículos?) —
verosimilmente as larvas das correições — estiveram
em innumeros casulos claro-pardacentos com nym-
phas de operarios, que se achavam amontoados soltos
em todas as partes no nucleo, nos corredores e nas
cavidades, importando a sua quantidade em um litro
e meio. Os casulos são approximadamente de forma
de uma pêra, de côr claro — ou escuro-isabel, opaca ;
os mais pequenos tem 2,5, os maiores 8.0 mm. de
comprimento. Estes têm no seu maior circuito, 3
mm. de diametro, todos a mostra no pólo delgado,
uma côr parda. Os machos tinham já sahido. En-
contrando-se, porém, innumeros tubos vasios de 20
mm. de comprimento e 7 mm. de largura pardo-
claros, opacas, cylindricos, bastante delgados, elas-
ticos, provenientes, não ha duvida, dos machos. O
comprimento total destes tubos importava provavel-
mente em 23-25 mm., pelo motivo de não encon-
trar-se um unico completo.
Não achamos nerhum dos habitantes no ninho,
dos cupins, e sim a colonia de nm Camponotus ab-
dominalis-cupiens de um Crematogaster sp. no en-
volucro. O motivo, pelo qual o praedator tolerava
estas formigas ou, pelo menos, 0 maior Camponotus
na sua intima vizinhança, é talvez a mesma das
martas, que não roubam na vizinhança do seu ninho,
para não revelar a presença.
Para descobrir talvez mais ninhos de correições
examinamos o jardim botanico bem como a sua vi-
zinhança, no dia seguinte, mas sem resultado algum.
Isto, e o facto, de não se encontrar mais esta for-
miga desde a destruição do ninho em cima referido,
a saber, desde 6 mezes, na vizinhança do Museu, dá
a concluir que, pelo menos as especies maiores do
genero Eciton têm ninhos duradouros em certas dis-
tancias. A manutenção de taes ninhos exige um
grande territorio de caça. Tambem as observações
feitas com E. coecum, no borto botanico, sustentam
esta opinião. Porque tambem esta especie parece
não existir mais em roda do Museu, desde a destrui-
ção do ninho descripto pelo Dr. H. von Ihering. (9)
A rainha do Eciton praedator vive, sem duvida,
durante varios annos. No decurso da sua existenca,
fecunda-se annualmente pelos “cd”, provavelmentie
para evitar incesto, por exemplares provenientes de
outros ninhos. O tamanho de seu abdomen faz ac-
creditar em sua existencia mais prolongada. O des-
envolvimento é similhante ao das rainhas dos ter-
mitos. Num cnpim recente encontram-se apenas ¢ 9
com abdomen pouco ou nada desenvolvido; em ni-
nhos velhos, porém, geralmente, taes specimens re-
velam abdomen bem inchado.
A observação em cima relatada por von Ihe-
ring, | c. pag. 227 «Die Ameisen von Rio
Grande do Sul» Berliner Entomol. Zeitschr. Bd.
XXXIX, 1894, pag. 382, a saber, que Eciton não
tem ninhos ambulantes, mas ninhos duradouros, foi
comprovada exactamente quanto a Eciton-Labidus,
pelas indicações acima referidas. E” possivel, que
ninhos recentes em que a rainha está em estado
movel, forçados pelas circumstancias exteriores, ve-
(*) Dr. H. von Ihering « Biologie und iVerbreitung der brasilianischen
Arten von Eciton», Ent.Mitt, 1912, B. I, no 8, pag. 228.
Rs OO é
jam-se obrigados a emigrar para o fim de se es-
tabelecerem novamente, como tambem fazem outras
especies, por exemplo Acromyrmex nigra. Uma vez,
o abdomen crescido, e especialmente em casos de
alcançar o tamanho do exemplar do Museu, pro-
hibe-se uma emigração por si mesmo. Fica a rainha
completamente inutilizada para mover-se no chão
mais do que am millimetro. Pôdem-se encontrar fe-
meas novas, de vez em quando, em romarias de for-
migas ambulantes; não se distinguem por se as-
semelharem superficialmente às grandes operarias.
A nossa rainha devemol-a ao jardineiro do
Horto Botanico do Museu Paulista, sr. Angelo Amadio,
que já, repetidas vezes, mereceu os nossos agrade-
cimentos pelos objectos entregues às nossas collecções.
elt
Nidificacao etc. da Atta góldii, lue-
derivaldti e nigrosetosa
Myocepurus géldi Forel.
Tempo de enxamear: X, XI, I, II.
Muito commum nos campos ao redor da Ca-
pital de São Paulo. escapando à vista por sua pe-
quenez ; ao passo que frequentemente descobrem-lhe
os ninhos os trabalhos da terra. Esta formiga se
alimenta sempre no chão, nunca em cima de plantas.
Recolhe as flores brancas da «aroeira vermelha»
Schinus terebinthifolius Raddi. e amontoa-as em
frente ds suas entradas; collecciona sementes de
Bidens pilosus L., bem como excrementos de la-
gartas.
Säo os ninhos subterraneos, nos campos ou em
capoeiras etc., a uma profundidade de 30 cms., äs
vezes até 1.20 m., em cavidades redondas de dia:
metro de 10 cms., mais ou menos. As paredes destas
cavidades säo polidas e, näo raras vezes, em parte
cobertas com excrementos escuros das formigas.
Apresentam-se as culturas de cogumelos muito
differentes das das outras especies de Atta; estão
suspensas do tecto das cavidades, umas ao lado de
outras, como as roupas em um armario. Attinge-
lhes o cumprimento 4.5 cm., geralmente porém,
mostram-se mais curtas e com uma espessura de 1.5.
Estes lobulos compõem-se, como sempre, de materia
molle, porosa, rescendendo aos cogumelos e pene-
trada de mycetos, geralmente de côr amarello-parda.
Consiste em serragem fina, palhinhas cortadas, pe-
dacinhos de folhas, flores e fragmentos de flores etc.
Em diversos buracos encontraram-se grandes e pe-
IT ta
quenas quantidades de pedaços maiores de plantas,
no fundo amontoadas, escondidas na terra, que não
empregam para as culturas de cogumelos. Creio
que este material, aqui sujeito a um processo de
fermentação, servirá mais tarde, em pedacinhos, para
a organização das referidas culturas. Retiram as
formigas o respectivo lixo dos ninhos, depondo-o
fora, perto das sahidas. As colonias são pequenas
em relação às de Atta s. stv. e Acromyvmex e
contém, talvez, quando muito, algumas centenas de
wwe
Os olheiros correspondem ao tamanho das formi-
gas, de 2 mm., de diametro e säo redondos. Em regra
apenas existe um; por occasião da enxameação e
talvez, do augmento dos formigueiros, abrem-se
numerosas portas, vinte e uma chegâmos a contar.
Em tempo secco as formigas erguem, ao redor
dos olheiros, monticulos funiliformes bem regulares
quanto ao volume, que, entretanto são derrubados
pela primeira chuva. Em tempo chuvoso, porém,
a área collada forma pequenas cratéras, cujos bordos
formam figuras, entre estas o 8 por exemplo, onde
as respectivas portas se approximam muito.
A Atta goldii, consciente da sua fraqueza, fica
immobilisada quando incommodada, encurva-se, si-
mulando a morte. Nunca ataca, nem em vista da
destruição de seu ninho.
Estas formigas enxameam de vp procedendo a
copula em folhas de plantas etc., onde as femeas
passeam procuradas pelos gg muito mais ageis.
Observei uma ©, attacada, varias vezes, por um g',
recusar-se à copula, End parte do abdomen
contra a folha.
Varias vezes occorre que, durante a enxameação
nas vizinhanças de um ninho, só se encontrem dd
em grande numero e quasi nenhuma 9. Em com-
pensação observaram-se, nas visinhanças de um ninho,
apenas estas e nenhum q. Para o fim da enxa-
meação, emquanto as 99 e os S 4 abandonam o
ninho, as Z% começam, outra vez, o seu trabalho,
To
levando novo material havido de vegetaes. Nas
suas excursões os Jd e as GG são muitas vezes
atacados por outras formigas, especialnente Pheidole.
Myocepurus luederwaidti For.
Formigas do campo. Ninhos nos mesmos lu-
gares, como os do Myocepurus góldi, mas muito
mais raros. Um ninho em condições de ser bem
examinado, encontrou-se a uma profundidade de 15
cm. mais ou menos; a cavidade arredondada tinha
um diametro de 4 cms. mais ou menos. Culturas
de cogumelo não compostas de lobulos separados por
baixo pendentes, como no caso da güldir, mas feitas
de uma massa só e homogenea, suspensa, quer do
fundo da cavidade, quer das radiculas, que haviam
penetrado no buraco. Varreduras ao lado da ca-
verna.
Acromyrmex nigroselosa For.
Enxameacao: X, XII.
Formiga do campo, legitima e frequente, pelo
menos nas vizinhanças da cidade de São Panlo.
Ataca, além de muitas outras plantas, as se-
guintes: Araucaria brasiliana Lamb., opuntia ficus
indica Mill. e, a euphorbiacea Sapium biglandu-
losum M. Arg., apesar do seu leite. As folhas aci-
culares dos « pinheiros », especialmente das plantas
novas, corta-as, completamente, carregando-as. Muitas
vezes, estas formigas rompem com os dentes as folhas
bem como a casca e as pequenas pilulas finas, brancas,
tanto quanto outros exsudatos de resina provém ge-
ralmente destas formigas ou das suas parentes.
Os ninhos semelhantes aos de Atta negra, mas
sempre sem recobrimento; tambem no campo, bem
como nas capoeiras ralas, às vezes em termiteiros ;
são sempre subterraneos, mas pouce profundos, cr.
10-30 cm., em cavidades naturaes ou feitas pelas
formigas, por exemplo, em tocas abandonadas de tatu.
Os olheiros dão directamente no ninho ou ficam a uma
distancia de 0.50-1 m. ; existem sempre varios, fora
mesmo do tempo da enxameaçäo. Cheguei a ob-
servar ate 6.
Por baixo da cultura de cogumelos de um ninho
acharam-se 2 Scatophilus exaratus Burm. ; tambem
um Taenilobus sp. habitava o mesmo ninho.
Os enxames são tão numerosos como os de
2
Atta nigra, isto é, contendo alguns milhares de ¢ ¢.
Vale a pena registrar, a seguinte pequena ob-
servação : varios $ $ estavam occupados em fra-
gmentar excrementos humanos meio seccos e tran-
sportal-os. Nesta occasião, subitamente, uma das
formigas atirou-se a uma particula das fézes - ainda,
molhada e curioso ! fugiu o animalejo rapidamente
demonstrando todas os signaes de grande susto e
nojo, a limpar as mandibulas na gramma e na aréa.
4 Ê
LL À À á
5 “
TN.
Ninho de MYOCEPURUS GOELDII, For
Femea de ECITON PRÆDATOR, Sm.
Se. er oe
Lire LE yen Kern
. ALS Dede “dv:
Er A FE O?
As Jazidas Mineraes Brazileiras
7 pelo ;
A Dr. Alberto Betim Paes Leme
- J
À Professor de Mineralogia no Museu Nacional e na Es-
a cola Polytechnica do Rio de Janeiro
tm -
PE ”
fe
a
LE
à
E
CE VP ee . dé. É F °
{
AE
As jazidas mineraes brazileiras (1)
Uma jazida mineral é um corpo de rocha do
qual uma combinação mineral, .ou um metal em
estado nativo, póde ser extrahida economicamente.
Não existe uma porcentagem, fixada de ante
mão, do mineral na rocha a partir da qual essa ro-
cha se torna um minerio.
Exeinplifiquemos : qualquer rocha eruptiva, qual-
quer granito por exemplo, contêm o ferro, o alu-
minio, contém a potassa, a soda, a magnesia e a
cal. São elementos ou substancias extremamente
banaes ra natureza e que têm aliás valor economico ;
entretanto o seu preço de extracção, na maioria
dos casos, não seria compensado pelo valor da quan-
tidade extrahida.
Os progressos da metailurgia moderna têm di-
latado consideravelmente os limites fixados. Minerios
que nenhum valor outrora tinham, são hoje apro-
veitados com vantagem. Os minerios de ferro p.
ex. contendo phosphoro, mesmo em porcentagem
relativamente pequena, permaneceram abandonados
até a descoberta do processo Thomas para a trans-
formação das fontes phosphorosas em aço.
Além de tudo, a proporção do metal no mine-
rio, necessaria ao seu approveitamento industrial,f é
funcção do valor desse metal. Quando se trata por
exemplo do ouro em alluvião, 5 grs. em uma tone-
lada 0,0005 op, representa um excellente minerio.
Ao lado disso os nossos minerios de ferro de Minas
Geraes contendo perto de 700 kilos de metal por
tonelada seja 70 °/, ainda não puderam, por assim
dizer, ser aproveitados.
(1) Prelecção realisada no Museu Nacional, por occasião da inauguração
da « Sala Derby »,
i eo
Apezar das considerações precedentes difficul-
tarem essa definição, resumiremos dizendo com de
Launay, que uma jazida mineral é uma concentra-
cão anormal de uma substancia util.
De modo a figurar o feitio que pode adoptar
uma jazida faremos algumas rapidas considerações
sobre a sua genese.
Recurrererios a uma hypothese, porque a hypo-
these é necessaria à coordenação dos factos. Essa
hypothese é a mais vulgarizada na geologia moder-
na. Deixaremos de mencionar outras mais recentes
e talvez mais arriscadas.
A terra foi primitivamente fluida. Durante a
sua "consolidação, os diversos elementos chimicos
distribuidos até então confusamente, se localizaram
mais ou menos por densidade. ‘Emquanto os mais
pesados constituam um nucleo central, metalico,
era esse nucleo envolvido por uma verdadeira escó-
ria, combinação de metaes mais leves, alcalinos e
terrosos, com alguns metalloides, o oxygenio e o
silício.
Essa escória é formada pelos silicatos diversos
encontrados nas nossas rochas eruptivas. A classi-
ficação por densidade já mencionada, foi perturbada
por turbilhões constantes, localizados, analogos aos
que ora observamos no Sol. Esses turbilhões deter-
minaram a diffusäo de certos elementos metailicos
pesados em regiões mais superficiaes.
Por sua vez em, torno da escória rochosa se
reuniram os elementos mais leves em uma atmos-
phera de cuja parcial condensação, consequente ao
resfriamento, resultaram os mares.
Partindo desse leve esboço. indaguemos como e
onde se encontrarão os elementos metalicos densos
que valorizam as jazidas mineraes.
O seu ponto de partida é o nucleo central, que
nos é inaccessivel. A sua presença na escória que
envolve esse nucleo, isto é no magma eruptivo, é
accidental ; provêm, como dissemos, de turbilhões lo-
caes constantes.
há rir,
E’, pois, em primeiro logar na rocha eruptiva
que encontraremos o minerio. Nessa rocha primi-
tivamente liquida, magma, o metal em seu composto,
isto é no minerio, póde ter crystallizado isoladamente
as vezes em concentrações anormaes. Teremos as
jazidas de inclusão. Tambem no magma por um
processo, que se assemelhou ao processo conhecido
em physica pela lquação, pôde se ter dado uma
differenciação, sob temperatura determinada, resultan-
as segregações de m'neraes utilizaveis.
As jazidas de anclusão ou de segregação. têm
um volume e formas necessariamente caprichosas.
São frequentes nas rochas chamadas basicas, pobres
-em silica, rochas escuras e pesadas. Nellas são en-
contrados metaes ein estado nativo como o cobre e
a platina, metaes oxydados, como a magnetita
( Fe3 04), a ilmenita (ferro titanado ), a chromita
( ferro chromado ) e tambem alguns sulfetos.
As rochas acidas, claras, ricas em silica, são
caracterizadas pela presença de elementos de grande
actividade chimica e de grande mobilidade. os mi-
neralizadores.
Esses elementos, chloretos, fluoretos, vapor
dagua etc., se combinam facilmente aos metaes. Os
productos dessa combinação, mais infusiveis do que
o magma de onde provêm, se distribuem pelas fra-
cturas, pelas fendas de retrahimentos produzidos na
massa do magma quando este se sclidifica, ou em
suas vizinhanças, formando os veios de pegmatito.
Temos assim concentracções mineralizadas em pe-
gmatitos nos veios de retrahimento, nos veios de
contacto ou de desprendimento immediato. Sado as
jazidas de Pneumatolyse ( minereos de estanho, de
tungsteneo, etc. )
Os phenomenos que acabamos de mencionar, li-
gados à solidificação, portanto, ao resfriamento de
um magia em fusão, suppõem em geral a pene-
tração dessa magma em uma região mais fria da
crôsta terrestre.
Esse movimento exige deslocamentos e ruptu-
ras da parte ja solidificada e são consequencias do
seu resfriamento.
Ora, a crosta da terra se acha embebida d'agua
como uma verdadeira esponja. pelas fracturas as-
sim determinadas. essa agua circula movida pelas
condições variaveis de pressão e temperatura.
A agua que desce ao longo de uma fractura se
aquece, alem disso o effeito da pressão fazendo cre-
scer a sua faculdade de dissolver em contacto com
as emanações magmaticas, essas emanações serão
dissolvidas.
Sempre pelo effeito da circulação, quando essa
agua mineralizada tiver volvido a regiões mais frias
ao longo das paredes de fracturas serão depositados
em crostas successivas os elementos dissolvidos.
Teremos assim os veios ou filões das jazidas
hydro-thermaes.
As aguas mineralisadas percorem egualmente
os planos de contacto de camadas diversas e ahi
constituem jazidas de contacto; imbebem as cama-
das permeaveis exercendo às vezes uma acção chimica
da qual resulta uma jazida, deposito por substituição.
Durante esse tempo, durante todos os tempos,
a erosão, isto é, essa raspagem ccnstante exercida
pelos agentes atmosphericos sobre todas as saliencias
do sólo, destrde as cabeças dos veeiros e outras mas-
sas de rochas mineralizadas que afiloram.
Os detrictos da erosão se accumulam nos valles,
nas praias em alluvides, em futuras camadas sedi-
mentarias,
Em certos pontos privilegiados se formam as-
sim por concentração novas jazidas mineraes.
Esses sedimentos podem egualmente ser conse-
quencia de um phencmeno chimico secundario deter-
minando a precipitação mineraes valiosos, tal sejam
os phosphatos, alguns minereos de ferro, alguns cal-
cáreos.
Os vegetaes incluídos nos sedimentos em con-
sequencia de fermentação se transformam, em com-
bustiveis percorrendo um cyclo mal conhecido.
Todos os sedimentos, finalmente sob a acção do
tempo e dos diversos agentes geologicos recrystal-
lizam. Quando essa cristallização affecta as jazidas
mineraes faz-se ella as vezes com purificação e consti-
tuem-se então jazidas de metamorphismo.
Tendo, geologicamente definido os differentes
typos que podem affectar as jazidas mineraes, con-
sideremos, agora, as jazidas mineraes brazileiras a
cuja exposição se acha reservada a nova sala Derby.
Passemos assim, successivamente, em revista o Ouro,
o Ferro, o Manganez, o Cobre, o Chumbo, os me-
taes raros os diamantes e os combustiveis que tão
grandes interesses despertam actualmente.
O Ouro
Consideremos o seu cyclo de transformação
desde o magma eruptivo até 0 sedimento recente,
isto é, o alluvião.
Em Minas Geraes, e muito bem o mostrou Hus-
sak, as jazidas auriferas as mais primitivas têm li-
-gações intimas com um magma granitico.
Vejamos de facto a Mina da Passagem, entre
as cidades de Ouro Preto e de Marianna. Temos
ahi um veio-incluido entre os estratos de um schisto
quartzoso e de um schisto amphibolitico. Esse veio
contem pyritas arsenicaes associada ao quartzo au-
rifero, e em seus geodos notam-se crystaes de feldspa-
tho vêm-se ninhos de turmalinas pretas ( carvoeiras ) ;
alem disso nos contactos com o schisto apparece,
com nitidez, o phenomeno -de metamorphismo, figu-
rado pela presença de distheneo, de granadas, de an-
daluzita. Alcalis dos feldspathos, acido borico das
turmalinas são elementos de um magma granitico
immediato. Por isso Hussak considerou como uma
apophyse extra-acida de um magma granitico, e um
veio de desprendimento immediato desse magma, cujo
affloramento é encontrado distante 1 kilometro.
Km Morro-Velho, um pouco ao Sul de Bello-
Horizonte, o veio se acha encaixado em calco-schistos,
O veio ou antes a massa lenticular alongada como
uma chaminé, já foi explorada até uma profundi-
dade visinha de 2.000 metros (é hoje a mina mais
profunda que existe). Ahio quartzo aurifero é tam-
bem rico em pyritas arsenicaes e em pyritas magne-
ticas; a elle se acham associados crystaes de feld-
spatho (albita }, e de scheelita ( tungstato de cal),
que indicam uma origem granitica. Todavia, a vizi-
nhança parece ser menos immediata. Ha como uma
transição para os veios hydro-thermaes.
E de facto, pouco alem, em Bicalho, a 3 leguas
_de distancia, o caracter hydrothermal dos veios é po-
sitivo. A impregnação no schisto, intima em certos
pontos, é quasi exclusivamente quartzo com crystaes
de pyrita disseminados em sua massa.
Tambem em relações intimas com o granito estão
os veios de Diamantina que segundo Derby são ver-
dadeiros pegmatitos auriferos, ricos em rauscovita,
xenotina e zirconita. Ja temos em Minas portanto
por assim dizer 2 phases na evolução do ouro :
1.º — Relações immediatas com o granito; (Pas-
sagem, Diamantina e Morro Velho).
2.º — Caracteres francamente hydro-thermaes.
A intrusão desse magma granitico aurifero e a
consequente impregnação hydrothermal parecem ter
sido anteriores aos sedimentos denominados itabiritos,
da serie sedimentaria recrystalizada de Minas. De
facto, os veios parecem, em geral, cortar apenas os
schistos argilosos e os quartzitos micaceos inferiores
aos itabiritos.
Provavelmente, os itabiritos foram constituidos,
pelo menos em parte, pela sedimentação de detrictos
de rochas impregnadas ou injectadas por veios auri-
feros, de sorte que, frequentemente, esses itabiritos
são auriferos.
Quando os itabiritos auriferos são friaveis, con-
stituidos exclusivamente por ferro oligisto, chamam-
os Jacutingas onde foram encontradas grandes con-
centrações auriferas. Só jacutinga eram as cele-
bres jazidas de Congo-Soco e de Maquiné que de-
ram até 9 kilos de ouro por tonelada,
Poderemos portanto considerar o ouro do ita-
birito como um ouro sedimentario.
Temos assim uma terceira phase da evolução
do ouro.
Nas regiões de impregnação aurifera as rochas
decompostas, ferruginosas, onde domina o itabirito,
concentraram ainda mais O ouro.
Apparecem ‘assim as lumonitas ou ocres auri-
feras por exemplo perto do Itacolomy de Mariana),
constituindo por assim dizer, uma quarta phase na
evolução do ouro,
Finalmente todas as rochas mais ou menos au-
riferas, continúam a ser raspadas pela erosão. Os
seus detrictos vão sendo concentrados, — vêm sendo
atravez dos tempos geologicos, — nos valles consti-
tuindo alluviões auriferos mais ou menos antigos.
Assim quasi todos os rios do centro de Minas
Geraes são ferteis em ouro. Citaremos, por exem-
plo. o rio das Velhas, o Ribeirão do Carmo que
passa junto da cidade de Ouro Preto e o rio Pira-
cicaba onde se têm feito tentativas de dragagem. Ahi
se acha o ouro na sua quinta e ultima jarida.
Os estudos ainda muito escassos existentes so-
bre outras regiões do Brazil não permittem que
nellas se avalie até que ponto pode se applicar o
cyclo de evolução que acabamos de traçar.
O Ferro
Se encararmos o mesmo cyclo de evolução ap-
plicando-n'o ao ferro poderemos então partir das
proprias rochas eruptivas.
O ferro, represeniando perto de 5°/, da com-
posição media da crosta externa da terra, acha-se
como elemento universal de todas as rochas erupti-
vas onde é encontrado sob a forma de silicatos, de
sulfetos e de oxydo magnetico, às vezes associado
a0 titanio.
Não se trata todavia, em geral, de concentra-
ções anormaes que fariam dessas rochas jazidas de
mineraes de ferro.
Essas concentrações anormaes sob a fórma de
massas mais ou menos volumosas, segregadas em
rochas basicas, constitúem aqui no Brazil geralmen-
te as jazidas de ferro da costa, ao longo da serra
do mar.
São conhecidas essas jazidas em Santa Catharina,
no Paraná ( região de Antonina) em S. Paulo ( Ja-
cupiranga e Ipanema ). |
Provavelmente as jazidas de Angra dos. Reis,
de S. Geraldo e de Macahé, no Estado do Rio mal
conhecidas, pertencem a esse mesmo typo, assim
como, as jazidas de Catalão, em Goiaz ; de Itambé,
da Serra do Presidio e outras de Minas Geraes ; de
Sao Christovam em Sergipe etc.
Nas segregações o ferro e o titanio se sepa-
ram conjunctamente de modo que se trataem geral
de magnetitas titaniferas ou de ilmenitas.
Dessas jazidas faremos referencia maior apenas
is de Jacupiranga e Ipanema. Ahi a magnetita
esti em uma rocha pyroxenica denominada Jacupi-
ranguito, que por sua vez é uma differenciação de
um magma nephelino-syenitico.
Nas phases de evoluçäo que se seguem isto é,
nos veios pneumataliticos e hydrothermaes, o ferro
geralmente sob a forma de sulfetos, ( pyritas ) não
é explorado como minerio de ferro.
As jazidas sedimentarias isto é, na phase que se-
gue, são encontradas as principaes jazidas de ferro
exploradas em outros paizes.
Aqui no Brazil, ou porque não sejam bem conhe-
cidas, ou porque outras jazidas sejam infinitamente
mais valiosas não se lhes têm feito até hoje referencias.
Salvo em sedimentos metamorphoseados isto é, em
sedimentos que pela sua antiguidade e devido à
acção de diversos factores geolegicos como o calor
e a pressão se modificaram numa rocha compacta
e crystallina.
Nessa cathegoria incluiremos os itabiritos, rocha
a que já, nos referimos formada pela alternancia de
ferro oligisto e de quertzo; sendo ora quasi um
quartzito, ora uma massa lenticular de ferro oligisto
compacto com dimensões por vezes consideraveis,
O itabirito é um dos termos da serie geolo-
gica de Minas. E” encontrada em torno da região
da Serra do Espinhaço, em uma faixa de 250 ki-
lometros de largura, dirigida grosseiramente de
Este para Oeste, desde o rio Doce até a região do
Abaeté. A espessura da camada de itabirito póde'
attingir 200 metros. Não nos estenderemos sobre
o modo porque se fez o metamorphismo nem scbre
o typo de rocha que soffre esse metamorphismo.
Não nos parece que haja dados positivos.
Citaremos algumas jazidas no itabirito com da-
dos do nosso competente mestre Dr. Gonzaga de
Campos.
A jazida de Gaia em Sabará, pode conter 288
milhões de toneladas.
As tres jazidas, Conceição, Esmeril, e Caué em
ltabira do Matto Dentro, conjunctamente attingem
O28 milhões.
O Pico de Itabira do Campo, 32 milhões.
Em summa, as nove principaes jazidas do ita-
birito poderão fornecer perto de 1 bilhão de to-
neladas.
Todas essas jazidas de itabirito, expostas em
seus afloramentos às acções meteoricas e a erosão
têm reconstituido novas jazidas de ferro sobre a for-
ma de conglomerados itabirilicos que occupam tal-
vez 10º da área total occupada pelos itabiritos.
Esse conglomerado com perto de 50º/ de ferro é
denominado Canga, abreviação da palavra indigena
Lapanhoacanga.
O Dr. Gonzaga de Campos, attribuindo uma
espessura média de 2 metros a esse conglomerado
e suppondo que elle occupe apenas 5°/, da área
itabiritica, calcula que haja uma reserva de 1.700
milhões de toneladas.
Manganez
As jazidas de manganez brasiletras, segundo os
trabalhos de Derby, parecem pertencer a dois typos.
O primeiro typo está representado nas jazidas
das vizinhanças de Miguel Burnier, em Minas.
Ahi a origem é a francamente sedimentaria. Tra-
ta-so de camada de 2 a 3 ms. de espessura associada
ao Itabirito, e comprehendida entre calcareos. Derby
admitte serem os oxydos de manganez derivados de
um carbonato de manganez. Atiribue aliás, uma
origem semelhante ao peroxydo de ferro dos itabi-
ritos. Acceitando-se essa theoria, de Vogt, a rocha
e o minereo seriam provenientes da descalcificação
de calcareos ricos em Mn ou em Fe.
, Convem notar, em reforço a esse modo de ver,
a ausencia de elementos elasticos, tanto no itabirito,
quanto no minereo e riqueza em Mn. de certos
itabiritos.
A esse typo de jazidas pertencem igualmente
os minerios de Rodeio, da regiao de Ouro Preto ;
os minerios de Bello Horizonte, os depositos de
Urucum, em Matto-Grosso ; e os depositos do Para.
Quanto ao segundo typo, caracterizado pelas
jazidas Queluz — de Lafayette em Minas, a sua ori-
gem nos parece menos bem evidenciada.
Em estupo minucioso Derby provou serem esses
minereos resultantes da decomposição de uma gra-
nada manganesifera, a espersartina. A espersartina
é encontrada em uma rocha, o queluzito, associada
a um pyroxeneo, ao quartzo, as vezes à ilmenita e
ao rutilo. Convém notar tambem a presença fre-
quente de graphito.
Derby vê no queluzito uma segregação magmati-
ca. Esse ponto de vista parece ter sido mais ou
menos acceito por todos os nossos geologos.
Entretanto. Hussak, discorda, considerando o
queluzito como uma rocha metamcrphoseada, me-
tarmophismo de contacto de um magma granitico
com o carbonato de manganez. E de facto, a gra-
nada é o mineral de metamorphismo por excellen-
cia ao contacto dos calcarios, ende se acha justa-
mente associado a silicatos ferro-magnesianos com
os amphiboleos formando a rocha denominada —Kam.
Além disso, a presença de praphito reforçaria a
jheoria de Hiwssak. Segundo Hussak, a origem dos
2 typos de minereos, seria, pois, a mesma, 0 003 Mn.,
Emquanto em Lafayette teria havido metamorphis-
mo por contacto de um magma granitico, em Bur-
nier o metamorphismo seria todo elle devido a
acções meteóricas, metamorphismo esse que nós
chamamos metasomatismo.
As jazidas de Cariguaba em Santa Catharina,
estudadas pelo Dr. Calogeras, pertencem a esse 2.º
typo, assim como as jazidas de Barbacena e as jazi-
das conhecidas na Bahia, em Bomfim, na Serra do
Itiuba, em Nazaret:, etc.
Entretanto, o manganez, associado em menores
proporções ao Ferro inagnetico, que se encontra em
Antonina, deve ser em qualquer hypothese conside-
rado elemento de uma segregação magmatica.
O Chumbo. O Cobre. O Zinco.
O chumbo, o cobre e o zinco, sob a forma de
sulfetos ( blenda, chalcopyrita e galena ) encontram-
se frequentemente associados ao quartzo ou à cal-
cita, em veios hydro-thermaes. Das jazidas de ga-
lena brazileiras. a mais estudada parece ter sido a
do Ribeirão do Chumbo em Abaeté, Minas, onde o
minerio está associado à calcita.
Visitamos juntos o Sumidouro de Marianna, no
Vasado, uma jazida de galena, em quartzo, cortando
o gneiss. Além disso, são conhecidas jazidas em
Yporanga, Apiahy, S. Paulo, no municipio. de Chi-
que-Chique, Bahia etc.
O cobre ( chalcopyrita ou chalcosina ) no veio
se transforma nas regiões submettidas a acções das
aguas meteoricas em carbonato hydrado, malachita
e azurete.
Em Camaquan, no fio Grande do Sul, acha-se
em um conglomerado em contacto com uma rocha
andesitica, cortado por veeiros de chalcosina. A ro-
cha de onde vem esse cobre parece ser um gabbro
Identificado em profundidade pelos trabalhos de ex-
ploração.
Egualmente em (Caçapava e em Quaraim foram
reconhecidos minereos de cobre.
Em Minas-Geraes, junto & Serra da Moeda,
entre os valles do Rio das Velhas e do Paraopéba,
parece existir um veio de quartzo cuprifero, cujo
afloramento se extende por varics kilometros.
O Estanho. O Tungstenio. O Molybdeno.
O Thorio. O Zivconio. O Uranio.
A cassiterita, asylo do estanho, é, por excel-
lencia o mineral vizinho dos magmas graniticos, em
geral, presente nos veios de desprendimento imme-
diato. Actualmente, consta-nos que um Syndicato
Belga está explorando em Encruzilhada, no Rio
Grande do Sul, uma jazida da qual o « Museu Na-
cional » recebeu recentemente amostras. Ignoramos,
todavia, as condições exactas de sua jazida.
Devemos notar que o nosso illustre mestre Dr.
Costa Senna identificou a cassiterita, ha annos, ao
Norte do valle do Rio Jequitinhonha, perto de Sa-
Jinas o
Quanto ao tungstenio, sob a forma de Wol-
fram, foi elle egualmente explorado, em um veio de
quartzo tambem perto de Encruzilhada, no Rio Grande
Grande do Sul.
O Molybdenio é encontrado representado pelo
seu sulfeto, a molybdenita, em Bahu, Santa Catha-
rina, em veios hydro-thermaes dc quartzo, cortando
um gneiss amphibolitico. |
O Uranio, do qual se extrahe o radio, tem
sido caracterizado sob a forma de niobio-titanatos
complexos, a euxenita, em Minas Geraes. No mu-
nicipio de Pomba estudamos uma jazida onde a eu-
xenita se apresenta como elemento de uma apo-
physe ácida, pegmatito, de um magma syenitico.
Muito recentemente identificamos uma nova ja-
zida desse mineral, mais pobre em titaneo, perto de
S. Paulo de Muriahé, na Serra do Pangarito, achan-
do-se então relacionado com um granito associado
a aguas-marinhas e zirconita.
O Thorio acha-se presente na monazita ( phos-
phato de terras raras ).
tes 79 SE,
Essa monazita, é um mineral que existe disse-
minado em alguns granitos e gneiss da Serra do
Mar, especialmente ao Norte do Rio de Janeiro.
Na decomposição e erosão dessas rochas re-
sultaram localizações nas praias de bancos de areias,
com fórmas lenticulares, onde se operaram concen-
trações que têm attingido 30 º/o de monazita.
Sempre, pelo mesmo processo, a monazita appa-
rece nos fundos de rio ao lado dos elementos den-
sos, particularmente dos satellites do diamante.
Quanto ao Zirconio, sob a forma de zirconita,
accompanha elle frequente a monazita na sua evolu-
ção da rocha granitica ao banco de areia.
Existem alem disso grande jazidas nas visinhan-
cas de Poços de Caldas, tanto em S. Paulo ( Cas-
cata ), como em Minas, onde o zirconio se apresenta
sob uma forma differente, em mascas que parecem
ter sido postas em movimento e precipitadas por um
agente aquoso. Torna-se mister um estudo scienti-
fico dessas jazidas.
Aguas-Marinhas. Topazios. Turmalinas.
São mineraes caracterizados pela presença de ele-
mentos que classificamos, ha pouco, de mineraliza-
dores, e cuja funcção e mobilidade foi definida a
proposito dos magmas acidos. Esses mineraes se acham
pois nos veios de desprendimento immediato, nos pe-
gmatitos.
À riqueza da região de Arassuahy, em Minas,
nessas gemmas, faz della uma região privilegiada.
Nas vizinhanças de Ouro-Preto, a jazida de Bôa-
Vista tem sido uma fertil productora de topazios.
O Diamante
O diamante merece uma menção especial entre
as pedras preciosas.
Não parece haver ainda hoje accôrdo absoluto
entre os scientistas quanto à sua origem. Uns que-
rem ver nelle um elemento de um magma eruptivo,
outros um elemento de metamorphismo, isto é, um
St ee
modo de transformação do carbono sob a acção dos
agentes de metamorphismo.
A sua presença no Kimberlito pareceu dar
razão aos primeiros.
O Kimberlito é uma brecha, um agglomerado,
que enche chaminés vulcanicas na Africa do Sul, ag-
glomerado de diabase, de fragmentos de schisto, de
granito e de um eclogito, ( rocha metamorphica de
granadas ).
Os partidarios da origem da metamorphica vêm
ao contrario, no diamante de Kimberlito um elemento
do eclogito, isto é, de uma rocha de metamorphismo.
Entretanto, descobertas recentes do diamante
encaixado numa rocha eruptiva, o dulerito, em Oakey,
Nova Galles do Sul, confirmariam a sua origem eru-
ptiva.
Essas considerações têm algum interesse entre
nós deante da descoberta recente pelo Dr. Draper,
na região diamantifera de Abaeté, de rochas do typo
Kumberlito, com a mesma associação eclogitica da
Africa do Sul,
Exceptuando a descoberta recente do Abaeté,
entre nós o diamante foi identificado como elemen-
to de rochas sedimentares, embutido em um grez
grosseiro, conglomeratico, tanto na região de Dia-
mantina, como na região de Lavras, na Bahia.
Derby vê na formação da Bahia a continuação
da Serra do Espinhaço e, portanto, a continuação da
serra diamantifera de Minas.
O grez conglomerado diamantifero capeia a Serra
de Minas e não parece ter sido affectado, segundo
Derby, pela formação aurifera que cortou e impre-
gnou essa série.
Elemento do conglomerado, o diamante, após a
erosão, se concentrou no leito dos rios em pontos
privilegiados, poços e canaes, pela dureza e pela
densidade do diamante. Nesses pontos são encontra-
dos igualmente outros elementos com a mesma equi-
valencia physica, embora de proveniencia differente.
O diamante denso e duro se encontra no cascalho
grosseiro e com elle os seus satellites, em numero
Er Rip es
de 57, substancias densas das rochas sedimentares,
metamorphicas e eruptivas que margeiam a formação.
Para terminar faremos algumrs referencias aos
combustiveis.
A sua origem é vegetal. Eram plantas teste-
munhas de uma vegetação cuja exuberancia parece
exceder de muito à vegetação actual. Durante os
grandes periodos de enchentes caracterizados por
verdadeiras avalanches de agua, em geologia o gran-
dioso é sempre permittido, os detrictos vegetaes se
accumularam nos deltas dos rios ou nas lagôas onde
elles desembocavam. A sedimentação mineral super-
veniente, capeando esse sedimento, interrompeo o tra-
balho de destruição dos agentes microbianos, seguindo-
se, a um periodo de fermentação, a formação das hu-
Jhas e de lenhitos. Consequente tambem a fermentação,
hydro-carburetos, liquidos expellidos pela massa vege-
tal impregnaram os sedimentos vizinhos, em schistos
betuminosos, e se accumularam em depressões ou
convexidades estratigraphicas, sob a forma de petroleo.
A formação da hulha se prende às vizinhanças
do periodo geologico carbonifero, devido, talvez, à
exuberancia da vegetação e as suas condições cli-
matericas especiaes.
No Sul do Brazil, durante o periodo Permo-
carbonifero, isto é o periodo que succedeu imme-
diatamente ao periodo carbonifero, — deve ter havido
um braço de mar ou uma série de lagôas marinhas
de aguas paradas, ao longe de uma faixa ondulosa
que, partindo do Rio Grande do Sul junto à costa
de Santa Catharina, se internava no Paraná, vindo
terminar ao Sul de S. Paulo.
Em determinados pontos dessa faixa desembo-
cavam grandes rios que depcsitaram, em periodos
de enchentes, os vegetaes dos quaes originou o nosso
combustivel.
Outras sedimentações vegetaes, lagunares, cara-
cterizam o periodo terceiro, dando os lenhitos de
Caçapava em S. Paulo, de Fonseca, de Gandarella,
em Minas, e da bacia do Amazonas.
ae
LT Wie i
A
Scytodidas e Pholcidas do Brasil
pelo
DR. MELLO LEITAO
Lente de Zoologia da Escola Superior de Agricultura,
Director da mesma Escola
I — Phólcidas
No volume TI da Revista do Museu Paulista,
Moenkhaus publicou um pequeno trabalho sobre ara-
nbas, no qual se extende mais para as Pholcidas,
de que descreve seis especies novas. No referente,
porém, à divisão da familia em grupos e generos
se limita a traduzir a chave de Simor. Tendo tido
em mãos quasi todas as especies conhecidas do Bra-
zil atê a presente data, animei-me a escrever esta
breve memoria, com a redescripçäo de todas essas
especies e respectivas chaves de determinação.
As phólcidas constituem uma das mais homo
geneas familias de araneidos, tendo sido criadas por
G. Koch em 1850. Por sua disposição ocular, pelo
desmesurado de suas pernas, pela disposição de suas
peças buccaes, destacam-se de todas as outras ara-
nhas entelegynas.
O céphalothorax dessas aranhas é curto, largo,
quasi circular, não raro reniforme ; a parte cepha-
lica é pequena, elevada, como encravada na parte
thoracica, da qual está nitidamente separada por
um sulco profundo em V; a parte thoracica apre-
senta o sulco mediano profundo, às vezes excavado
em fosseta.
O pediculo que une o cephalothorax ao abdo-
men apresenta sempre duas lacinias chitinosas, ora
parallelas, ora convergentes para traz, onde se re-
unem em V.
O clypeo é altissimo, duas ou tres vezes maior
que a área ocular, levemente excavado abaixo dos
olhos antericres, e convexo e mais ou menos incli-
nado adeante.
Os olhos occupam toda largura da região ce-
phalica e estão dispostos em tres grupos: dois
grupos lateraes de tres olhos nocturnos, formados
pelo lateral anterior e pelo médio e lateral posterio-
Eté
res; e um grupo médio, formado pelos dois olhos
anteriores, diurnos, muito menores que os restantes.
() esterno é plano, largamente cordiforme, tão
ou mais largo que longo, com entalhes lateraes, cor-
respondendo às coxas, e com uma larga truncatura
posterior.
As cheliceras são fracas, cylindricas, sub -paral-
lelas, soldadas entre si em grande parte de sua ex-
tensão, sendo ligadas na parte basal por uma su-
tura membranosa; a truncatura apical apresenta
uma ponta chitinosa, dura, geralmente aguda, op-
pondo-se à garra, que é curta, espessa na base e
pouco curva, de quilha inferior levemente serri-
lhada. No genero Artema a ponta chitinosa apical
é seguida de uma apophyse allongada.
O labio é immovel, inteiramente soldado ao es-
terno, largo, de ápice largamente marginado e mem-
branoso.
Os maxillares são, às vezes, estreitos e paral-
lelos, mas geralmente são largos, fortemente con-
vergentes, contiguos no ápice; a face inferior é
desprovida de escópula ou levemente penicillada na
ponta.
As pernas são excessivamente longas e delga-
das; as coxas cylindricas e contiguas, excepto as
posteriores, largamente separadas; patellas peque-
nas e quasi similhantes ; metatarsos delgadissimos,
mais longos que as tibias; tarsos ainda mais del-
gados, prolongados em onychio curto e membra-
noso, sustentando as unhas. Estas são em numero
de tres: as superiores ponco robustas, levemente
curvas, inteiramente dentadas; a: inferior muito
curva, ponteaguda, com um ou dois dentes mini-
mos.
O abdomen é de forma muito variavel. O tu-
berculo anal é grande, semi-circular ou triangular
obtuso. As fiandeiras anteriores são um pouco se-
paradas, havendo, no intervallo, um pequenino có-
lulo; as fiandeiras posteriores são um pouco me-
nores, conicas, fortemente comprimidas, guarnecidas
de longas crinas villosas.
O palpo do macho é muito caracteristico; o
trochanter é sempre pequeno, appendiculado, não
raro provido de uma apophyse inferior; femur muito
grosso, comprimido e claviforme; patella muito pe-
quena, ora annular, ora mais larga em cima do que
em baixo; tibia entumescida, oval ou globulosa ;
tarso profundamente dividido em dois ramos muito
dissimilhantes; o externo é quasi vesiculoso e o in-
terno allongado em forma de apophyse muito longa ;
bulbo globuloso ou oval com varias apophyses.
Os habitos das phólcidas são muito uniformes :
são sedentarias e moram nos buracos das arvores,
embaixo das pedras, em grutas ou nas habitações
humanas.
As teias ora são irregulares, for nadas de grossos
fios pouco elasticos e pendentes, irregularmente cru-
zados em rêde frouxa; ora apresentam no meio um
grande lençól de tecido mais denso, curvo em cu-
pula, e sustido em cima e em baixo por uma rêde
irregular. A aranha fica sempre ao meio da teia,
na face inferior, em posição invertida.
Todas as pholcidas do Brazil pertencem à sub-
familia das pholcinas. Dos sete grupos em que Si-
mon subdivide esta sub-familia, quatro são repre-
sentadas no Brazil, separadas pelos caractéres da
seguinte chave: |
A — Esterno bruscamente terminado atraz em
pequena ponta obtusa — Arlemeas ;
AA — Esterno largamente truncado atraz;
B — Olhos anteriores, vistos de frente, dispos-
tos em linha recta ou procurva :
C — Olhos posteriores, vistos de cima, dispostos
em linha procurva (os lateraes adeante dos médios )
— Blechrosceleas ;
CC — Olhos posteriores dispostos em linha re-
curva (os lateraes um pouco atraz dos médios ) —
Pholceas ;
BB — Olhos anteriores, vistos de frente, dis-
postos em linha recurva — Sineringopodeas.
RE ea
I — Artemeas
As artemeas se reduzem ao genero Artema, que
différe de todos os outros das pholcidas por ter o
esterno terminado atraz em ponta; as cheliceras
providas, além da ponta chitinosa commum, de uma
segunda ponta mais longa, cylindrica e truncada; e
os maxillares esureitos e quasi parallelos até a pase.
Artema — Walckenaer — 1857
« Cephalothorax mais largo que longo, larga-
mente arredondado dos lados e com bem nitida e
espessa margem; região thoracica com a estria me-
diana inteira muito profunda, dilatada em fosseta ;
região cephalica pequena, não proeminente, separada
por dois sulcos convergentes. Olhos approximados
grandes, similhantes ( os médios anteriores não muito
menores do que os outros ); os quatro olhos anterio-
res equidistantes, pouco afastados, dispostos em linha
recurva, quasi recta; os quatros posteriores em linha
mais recurva, os médios mais affastados entre si
que dos lateraes, mas o espaço interocular não é
muito maior do que um diametro de olho. Area dos
olhos médios trapezoide, geralmente de base e al-
tura eguaes. Clypeo um pouco deprimido abaixo
dos olhos, em seguida muito obliquo, em geral tres
vezes mais alto que a area ocular e muito mais
lonzo que as cheliceras. Esterno mais largo que
longo, muito estreitado para traz entre as coxas pos-
teriores, onde termina em ponta obtusa. As quatro
pernas anteriores são mais longas e mais robustas
do que as outras. Abdomen muito alto, globoso, mais
alto que largo, a região epigastrica coriacea, muito
sailente e, na femea, a eminencia genital situada
pouco atraz do meio do ventre. Palpos da femea
delicados, de tibia terete, tarso muito mais longo
que a tibia com a patella e acuminado. Palpos do
macho de femur muito grande, claviforme; patella
muito pequena, annuliforme ; tibia espessa e dilatada,
tres vezes menor que o femur; tarso pequeno, de
Gane
apophyse externa grande, denteada, truncada e di-
latada no apice. Cheliceras do macho muito de-
primidas e excavadas na face anterior, tuberculadas
e com uma alta quilha na face externa.
Artema atianta — Walckenaer — Ins. Apt.
1827 — Vol. I, p. 656
A. a. — Taczanowski — Horae Soc. Entom.
Ross, 1874, Vol. X, p. 103.
A. a. — Simon — Proc. Zool. Soc. London,
1894, p. 519.
A. v. — Cambridge — Biol. Centr. Amer. —
1902, Vol. IL, p.. 366, pr. 34, É. 19 e 16.
Syn.: À. convexa — Blackwall — Ann. Mag.
Nat. Hist., 1858, Vol. 2, p. 332; e 1866, Vol.
18;, p. 409:;, 1867, Vol. 19, p.. 394
Pholcus rotundatus — Karsch — Stettin Entom.
Zeitung, 1889, Vol. 40, p. 106.
Artema atlantica — Banks — Proc. California
Acad. Soc. — 1898, Vol. I. p. 212.
q —7 mm. Cephalothorax amarello parda-
ceuto muito claro, com uma linha mediana fusca,
mais larga ao nivel da estria thoracica média, bi-
fida na extremidade anterior; dos lados ha algumas
manchas pardo-escuras e o meio da margem frontal
é proeminente e brunea. Cheliceras ver nelho-bru-
neas; maxillares hbranco-amarellados; labio muito
largo, diminuindo para o apice, amarello parda-
cento, bruneo na base e com uma linha curva trans-
versa mais escura, de convexidade anterior, junto
ao apice. Esterno largo, brilhante, cordiforme, com
pequenas saliencias lateraes, amarello-brunete, sendo
a parte posterior bruneo-escura. Abdomen reves-
tido de cerdas, projectando-se sobre a base do ce-
phalothorax, de colorido branco-pardacento, diffusa-
mente manchado de pardo baço. Na linha média do
dorso ha uma série de manchas fuscas e de cada
lado dessas manchas ha listras obliquas da mesma
cor, que se extendem sobre as pleuras. Fiandeiras
pequenas, de apices negros. O tuberculo anal é or-
lado por uma delgada linha negra e apresenta duas
manchas negras transversaes. Epigyno muito des-
envolvido e sºliente, bruneo-avermelhado, mais es-
curo adeante, clareando para a parte posterior.
S — Ta& mm. — Colorido perfeitamente egual
ao da femea. As cheliceras têm o segundo dente
chitinoso da margem interna quasi negro, e essa
margem é levemente serrilhada em sen terço basal ;
a face anterior apresenta um como crista dentada
em sua borda voltada para a face da chelicara ; essa
crista é convexa em sua borda anterior, pontuda,
e de colorido fulvo escuro. Palpos esbranquigados,
o femur muito dilatado, piriforme, de base mais
estreita que o apice, com uma linha escura junto à
articulação da patelia; esta é muito estreita, repre-
sentada por um annel muito delzado, cerca de cinco
vezes mais longa que larga e mais estreita que a
patella, com uma apophyse interna e levemente ex-
cavada no apice, de colorido egual ao do femur;
tarso fulvo-escuro, com apophyse interna quasi ob-
soleta, mamillar, e apophyse externa não muito alon-
gada, achatada, levemente biobada no apice e le-
vemente concava no ponto de inserção do bulbo que
é claro, muito dilatado. terminando bruscamente em
ponta no estylete que é levemente helicoide, pon-
teagudo, quasi negro.
As pernas em ambos os sexos são branco-par-
dacentas ou bruneo-claras, com anneis negros no
apice dos femures e na base e no apice das patelllas
e tibias ; junto a esses anneis negros ha outros, ge-
ralmente mais estreitos, brancos.
O colorido dessa especie, como aliás o de varias
phólcidas das habitações, é muito variavel. Nos
commodos claros, de paredes alvadias, o colorido
geral é branco-pardo-claro e as manchas do abdomen
são cinereas e menos abundantes. Nos logares som-
brios o colorido é pardacento mais escuro, as man-
chas são mais numerosas, mais escuras, fuscas e
violaceas.
Habitat. — Esta espécie, que é encontrada nas
Antilhas, e, no continente, do Mexico até o Paraguay,
é muito commum em todo o littoral do Brazil,
muito menos frequente em localidades do interior.
Il — Blechrosceleas
Phólcidas de olhos posteriores dispostos em
linha procurva, todos de egual tamanho; olhos an-
teriores muito desiguaes, os medios, não raro, cerca
de dez vezes menores que os lateraes, dispostos em
linha recta ( pelos vertices) e de regra, pouco se-
parados. O rebordo. membranoso, ' arqueado, da
peça labial é, no entretanto, muito reduzido, e esta
parte parece transversa e truncada em linha recta
no apice. Pernas muticas em ambos os sexos.
Abdomen de forma muito variavel. Palpo do macho
- curto e torudo, trochanter sem apophyse, femur
muito espesso, patella mais ou menos larga em cima,
delgada em baixc, tibia quasi tão longa quanto o
femur, oval, e tarso muito curto, com uma longa
apophyse externa dirigida para baixo. Cheliceras
macho com um dente, de situação variavel. São
representadas no Brazil por quatro generos, sepa-
raveis de accôrdo com a seguinte chave:
A — Olhos médios da fila anterior muito se-
parados dos olhos lateraes ; trapezio dos olhos medios
de base muito mais larga que a altura — Lietoporus.
AA — Olhos medios da fila anterior contiguos
ou pouco separados dos olhos lateraes ; trapezio dos
olhos medios de base igual du mais curta (rara-
mente um pouco maicr ) que a altura. *
B — Olhos anteriores sub-contiguos, formando
uma linha procurva. Cheliceras do macho com
longo dente uncinado e divergente na borda externa
— Psilochorus.
BB — Olhos medios anteriores mais ou menos
separados dos olhos lateraes, formando com estes
uma linha recta.
C — Abdomen muito convexo; epigyno alcan-
cando o meio do ventre. Pernas do segundo par,
no macho, de femures um pouco mais robustos e
duplamente serrilhados em baixo. — Coryssocneimis.
CC — Abdomen oblongo; epigyno mais curto.
occupando a base do ventre. As pernas do terceiro
par, no macho, é que tem os femures mais robustos,
porém não serrilhados em baixo — Blechroscellis.
Litoporus — Simon — 1893
Olhos anteriores pequenos, os medios contiguos
mas muito mais distantes dos lateraes, dispostos em
linha recta; área dos medios trapezoide, de base
muito maior que a altura. Olhos posteriores em
linha procurva. Abdomen oval curto, sub-globuloso.
Pernas filiformes, similhantes. Cheliceras do macho
providas, adeante, de um dente interno ou de uma
quilha transversa perto da base. Typo — L. aerius
— Simon.
Este genero é representado no Brazil por cinco
especies, que podemos separar pela seguinte chave :
a — Cephdlothorax de colorido uniforme :
b — Todo animal amarello-claro, excepto o es-
terno, o clypeo, os maxillares e o labio que são
enegrecidos; ventre com uma faixa azul, curta —
L. imbecillus (Keys ).
bb — Cephalotorax amarello escuro ; abdomen
branco-amarellado, de escudo ventral alaranjado. —
L. luteus ( Keys).
aa — Cephalothorax manchado :
6 — Cephalothorax tendo no ponto de união da
V cephalico com a estria thoracica uma mancha
em crescente :
c — Abdomen claro unforme ; resto do cephalo-
thorax de colorido uniforme — L. fulrus
cc — Abdomen manchado; cephalothorax com
uma larga faixa — L. iguassuensis.
bb — Cephalothorax sem essa mancha em cre-
scente :
c — Faixa interrompida com uma barra clara
transversal — L. aguassuensis, |
cc — Faixa inteira :
d — Faixa mediana estreita, pardo-avermelhada
ao nivel da estria mediana; margens claras; ab-
domen verde-claro uniforme. — L brasiliensis.
Rae À
dd — Faixa mediana parda, bifurcada ao nivel
do V cephalico, seguindo-o ; margens do cephalo-
thorax com uma linha escura; abdomen azul-cin-
zento no dorso, mais claro dos lados e no ventre
— L. genitals.
Litoporus wnbecillus ( Keys.) . >
L. I. — Moenckhaus — « Revista Ga
do Museu Paulista», 1898, Vol. I],
pag. 104 ( Fig. 4 :) 1
Syn. — Pholcus imbecillus — Keyserling —
Spinnen Amerikas, Brazil. Sp., 1891, pag. 170,
se Ce Oia SS
¢ — 3,1 mm. Toda aranha é amarello-clara ;
o esterno, o clypeo, o labio e os maxillares são
mais escuros, ennegrecidos. As pernas têm, junto
à extremidade dos femures, no meio dos metatarsos,
no meio e na extremidade das tibias, um annel
bruneo, e as patellas são brunetes. No vertre ha
uma curta faixa mediana azul. Olhos lateraes pos-
teriores separados dos lateraes anteriores e dos mé-
dios posteriores cerca de dois diametros. Habitat.
— Diversas localidades dos Estados do Rio de Ja-
neiro e de São Paulo.
Litoporus luteus ( Keys.) (Fig. 2.)
Pe L. I. — Moenckhaus — « Revista do
N Museu Paulista» — Vol. JH, pag. 105.
Syn. — Pholcus luteus — Keyserling
Spinnen Amerikas, Brazil. Sp., 1891, pag. 171,
er. Mo do TLT.
4 — 3,2 mm. Todo cephalothorax, palpos e
pernas amarello-escuros; abdomen branco-amarel-
lado; escudo da parte anterior do ventre e fian-
deiras alaranjados. Abdomen um terço mais longo
que largo. Tem o mesmo habitat da especie an-
terior.
Litoporus fulvus — Moenckaus —
« Revista do Museu Paulista», 1898,
vol Til, pag. 109; pr. 9, É 4 (Figs:
3 e 4).
J — 8,6 mm. — Cephalothorax,
labio, maxillares e esterno de cor des-
maiada com uma pequena sombra de
amarello, especialmente no cephalothorax.
Cheliceras um pouco mais escuras, pardo-
claras na extremidade. No encontro do
V cephalico com a estria thoracica ha uma
mancha pardo avermelhada, em forma de
crescente. Olhos postos em manchas ne-
4 gras. Pernas pardo-amarelladas, tendo no
apice das tibias um annel desmaiado. Palpos ama-
rellos. Cephalothorax quasi nú; o resto do corpo
revestido de pellos trigueiros e brancos; os do apice
do labio são trigueiros e os das cheliceras parda-
centos. Abdomen claro. Em torno da base das
fiandeiras ha um annel amarello, continuo com uma
pequena faixa ventral mediana; adeante dessa faixa
o ventre é amarello. Em alguns exemplares a faixa
amarella é guarnecida de uma linha fina, e ha, dos
dois lados do abdomen, uma faixa azul-clara, lon-
gitudinal, mediana. Fiandeiras pardas, de pontas
mais claras. Hab. Iguape —S. Paulo.
Litoporus 1quassuensis sp. n.
2 —2 mm. Cephalothorax claro tendo a re-
giao cephalica fusca; a região thoracica é clara e
tem uma larguissima faixa longitudinal mediana
fusca que começa na borda posterior e se une à
região cedhalica; no ponto de união ha uma gran-
de mancha clara em V, de vertice posterior, bem
mais larga ao nivel do vertice que nas extremida-
des anteriores; essa mancha é unida à parte clara
marginal por duas curtas faixas obliquas. O clypeo
oastanho escuro. As cheliceras são pardo-claras, le-
vemente lavadas de fusco. As pernas são claras com
um annel negro na regiäo subapical dos femures e
das tibias, com as patellas negras e um annel ne-
gro na base dos metatarsos. Esterno claro, da côr
do cephalothorax; labio e maxillares pardacentos.
O abdomen é subglobuloso, tendo no dorso e dos
lados manchas violaceas esparsas, sendo todo ventre
de colorido uniforme.
O macho que foi apanhado ainda não tende at-
tingido a maturidade sexual é do mesmo porte que
a femea No cephalothorax a faixa mediana da re-
gião thoracica é inteirameute separada da região
cephalica por uma larga mancha transversa paral-
lela O abdomen tem as manchas violaceas muito
mais abundantes, contfluentes no dorso, onde deixam
apenas no meio do dorso uma grande mancha trans-
versal quasi circular, clara. Hab.: Nova Iguassú
( Rio de Janeiro ). Coll. Blanc de Freitas.
Litoporus braziliensis — Mo-
enckhaus — « Revista do Museu
Paulista », 1888, vol. III, p. 110,
DEMO (lies: re 6:
S — 3,0mm. Cephalotorax
desmaiado, com uma linha estreita,
pardo-avermelhada na estria tho-
racica. Olhos situados em areas
negras. Labio, maxillares, che-
liceras e esterno um pouco mais
escuros que o cephalothorax. Per-
nas pardo-amarellas; metatarsos
com um annel basal e metade api-
cal mais claros. Femur e tibia
com um largo annel desmaiado,
precedido de outro escuro, na ex-
tremidade apical; base da tibia
com um annel similhante. Ab-
6 62 d ; .
omen de colorido verde-claro uni-
forme, um pouco mais claro no ventre, duas vezes
mais longo que alto, mais largo logo atraz da mar-
gem anterior, estreitando-se abruptamente logo atraz
5
de ae
do meio, e bem mais baixo junto a extremidade
posterior. Fiandeiras pardas. Hab. Poço Grande
— Sao Paulo.
Litoporus genitals — Moenckaus
— « Revista do Museu Paulista », 1898,
vol. Il, p. 107, pr. 5,f.5. (Figs. 7,
Seas C ,
o —3,0mm. Cephalothorax des-
maiado, com uma linha marginal es 7
curae uma faixa mediana parda
que, ao nivel do V cephalico se
bifurca, seguindo-o. Clypeo com
largas faixas convergentes, indo
dos olhos lateraes à margem.
Olhos em areas negras sendo que
as dos grupos oculares lateraes
têm uma orla azul clara. Che-
liceras pardacentas bem como
os maxillzres e o labio. Esterno
amarello claro. Pernas amarel-
ladas, de metatarsos mais claros
e com um annel claro no ápice dos fe-
mures e tibias, estas com um annel su- Qt
bapical verde-escuro. Palpos pardacentos.
Abdomen de dorso azul-cinereo, de lados
e ventre mais claros. - Dorso do abdomen
com duas linhas longitudinaes parallelas,
medianas, formadas por pequenas manchas;
dos lados ha outras, similhantes, que se
alargam para as fiandeiras. Duas ou tres 9
séries diagonaes de manchas unem as
medias às lateraes. No ventre ha uma faixa longi-
tudinal que vae do epigyno ao terço medio. Fian-
deiras pardas ; epigyno pardo-escuro. Abdomen duas
vezes mais longo que alto, regulamento elliptico
adeante, terminando atraz em ponta.
S— 3,9 — mm. Colorido mais claro; pernas
mais longas e delgadas. Cheliceras com o dente
commum e mais uma proeminencia romba curta no
quarto basai e outra grande, tambem romba, pro-
vida de pellos duros e longos, na parte mediana.
Hab : — Pogo-Grande “ S. Paulo ).
Psilochorus — Simon — 1893
Cephalothorax mais largo que longo, arrendon-
dado dos lados e com espessa margem; região tho-
racica com a estria mediana inteira, muito pro-
funda, dilatada em fossêta; região cephalica pe-
qzena, não ou pouco proeminente, separada por dois
sulcos convergentes. Clypeo um pouco deprimido
abaixo dos olhos, e depois muito obliquo, em geral
tres vezes mais alto que a area ocular e muito mais
longo que as cheliceras. Olhos anteriores subcon-
tiguos, em linha procurva, os médios muito menores
que cs lateraes. Olhos posteriores em linha leve-
mente procurva, os médios atraz € um pouco maiores
que os lateraes. Area dos olhos medios grande, de
base um pouco maior que a altura. Abdomen glo-
buloso ; o epigyno da femea muito grande e muito
alto. Cheliceras do macho providas, na margem ex-
terna, de um dente longo, gh e uncinado. Typo:
Es pullulus ( Hentz ).
Este genero é representado no Brazil por duas
especies conhecidas, a saber :
a — Esterno e escudo ventral pardos; epigyno
bicorne ; area ocular negra — P. ceruleiventris.
aa — Esterno e escudo ventral allaranjados ;
epgyno com os angulos apenas levemente salientes ;
area ocular fulva — P. Fluininensis.
Psilochorus ceruleiventris — Mello Leitão —
Broteria, 1916, Vol. XIV, p. 18.
— 4 mm. Cephalothorax pardo-avermelhado
com a estria mediana thoracica e o V cephalico
bruneo-vermelho-escuros ; area ocular negra. Che-
liceras, maxillares, labio e esterno pardos. Pernas
avermelhadas, com o apice dos femures e patellas
amarellos, terço apical das tibias bruneo. Abdomen
azul-esverdeado, com manchas azues-escuras grandes,
em duas séries parallelas, no dorso. Epigyno ver-
melho-escuro, muito alto, bicorneo, com uma estria
1orizonta a, na base. .— irl ;
| tal, negra, na base. Hab Espirito Santo
Psilochoros fluminensis, sp. n. ( Figs. 10 e 11.)
3% — 8 mm. Cephalotorax amarello-claro, ten.
do no centro uma grande mancha fulva que vae
desde um pouco atraz da
estria thoracica até a mar-
gem do clypeo, occupando
toda a ärea ocular. Olhos
nocturnos com uma orla
negra. Clypeo muito largo,
amarello pallido. Chelice-
ras amarello-fulvas, tendo
além da ponta chitinosa habitual da chanfradura
apical, na face anterior, junto à borda externa, uma
apophyse grossa e terete, curta, cinzento-escura, no
terço apical: e com uma apophyse levemente curva,
uncinada, divergente, provida de pellos trigueiros
no terço basal da margem externa. No ponto de
soldadura das duas cheliceras ha duas estreitas li-
nhas longitudinaes fulvo-escuras, uma em cada che-
licera. Esterno alaranjado; labio e maxillares ful-
vos, estes mais claros; coxas amarellas. Pernas
fulvo-escuras sem annellação, clareando de modo
regular para as pontas dos tarsos. Abdomen, no
vivo, bruneo-fulvo mosqueado. Nos exem-
plares conservados em alcool o abdomen
se torna quasi immediatamente azul-esver-
deado, mosqueado; ha sempre uma faixa
clara na varte anterior do dorso. Ventre
amarello, de escudo anterior, sobre as aber-
turas dos pulmões, alaranjado-fulvo ; a zona 11
ventral junto ds fiandeiras é amarella, côr
de canario. Palpos fulvos; feinur claviforme, com
uma apophyse basal interna e uma carena apical,
cêrca de vez e meia mais longo do que largo no ápice
ao nivel da carena; patella triangular, de ápice in-
terno, mais larga que alta, mais estreita que a base
do femur; tibia mais longa que larga, com uma
apophyse ponteaguda no terço apical da margem
interna; tarso muito curto, aberto em duas apo-
physes, sendo a interna curva, acompanhando a con-
vexidade da base do bulbo, muito longa, bifida na
extremidade, ambas as pontas negras e com duas
cerdas tambem negras, e a externa seguindo quasi
a direcção do tarso, pequena, inamillar, com algu-
mas cerdas em ligeiras elevações; bulbo piriforme,
de estylete achatado, contorcido, bifido; em todos
os segmentos dos palpos ha pellos trigueiros espar-
SOS.
q— 6 a 7 mm. Todo o animal de colorido si-
milhante ao do macho, mas de tons mais claros.
Cheliceras sem as apophyses acima descriptas, ama-
rellas. Epigyno fulvo, muito alto, de angulos late-
raes salientes. Hab.: Pinheiro ( Estado do Rio de
Janeiro ).
Coryssocmenis — Simon — 1893
Cephalothorax similhante ao de Psilochorus ;
olhos posteriores dispostos como nesse genero, mas
os olhos anteriores formam uma linha recta ( tirada
pelos ápices ). Abdomen subglobuloso ; epigyno gran-
de occupando-o meio do ventre. Pernss do macho
muito singulares, com os femures do segundo par
nm pouco mais espessos, levemente angulosos e du-
plamente serrilhados em baixo. Cheliceras do ma-
cho muito granulosas na face anterior e providas
na mesma face de um dente submediano, dobrado
para a margem interna. Typo: CG. callaica-Simon,
O genero Coryssocnemis é representado no Bra-
zil, até o presente, por tres especies já aescriptas,
separaveis de accordo com a seguinte chave :
a — Abdomen sem manchas:
b — Toda aranha azul-cinzenta — C. occultus.
bb — Cephalothorax de colorido differente do
do abdomen :
c — Abdomen cinzento-azulado ; cephalothorax
amarello — ©. discolor.
= AO
ce — Abdomen castanho esruro no dorso e cla-
ro no ventre — O. occultus.
aa — Abdomen manchado :
b — Gephalothorax com uma grande mancha
dorsal em forma de borboleta — C lepidopterus.
bb — Cephalothorax sem essa mancha :
c — Cephalothorax sem faixa longitudinal :
d — Pernas de colorido uniforme — C. banksi.
dd — Pernas com anneis nos femures e nas ti-
bias — C. togata.
cc — Cephalothorax com uma faixa longitudi-
nal — C. alliventer.
Coryssocnemis occullus — sp. n.
2 — 1,5 mm. Cephalothorax reniforme, bran-
co, tendo sémente a área ocular negra; palpos e
cheliceras cinzentos. Pernas cinzentas com o ápice
das tibias, dos femures e as patellas brancas e com
um annel mais claro no terço médio das tibias. Es-
terno claro com uma faixa marginal pardo-esverdeada
em U largo; labio e maxillares pardos. Abdomen
de dorso castanho-escuro com uma estreita faixa
um pouco mais clara na metade anterior; na região
apical ha um curto entalho clero, de colorido igual
ao do ventre que é esbranquiçado uniforme. Alguns
exemplares que foram colhidos na mesma teia e que
me parecem ser da mesma especie são de colorido
uniforme, tendo apenas os olhos com uma orla ne-
gra. Hab Estas aranhas foram apanhadas por mim
em Pinheiro ( Rio de Janeiro ), nas bainhas de fo-
lhas seccas de uma pequena palmeira.
Coryssocneinis discolor — sp. n.
S — 3,9 mm. Cephalothorax, cheliceras e per-
nas pardo-amarellados uniformes; esterno, labio e
maxillares levemente ennegrecidos. Abdomen cin-
nov RO fs
zento negro ou cinzento-azulado uniforme e inteira-
mente revestido de pellos trigueiros curtos. Palpos
de colorido igual ao das pernas, tendo o femur cla-
viforme com uma apophyse romba apical interna e
com am pequeno tuberculo sub-basal, na borda in-
terna; patella triangular; tibia mais de duas vezes
maior que a patella, provida, em sua borda interna,
de uma apophyse interna muito allongada, sinuosa,
ponteaguda, chitinosa; a apophyse externa é curta
e levemente chanfrada ; entre as duas apophyses ha
uma ligeira eminencia mamillar ; o bulbo, quasi dei-
tado sobre a hematodocha, é piriforme allongado, de
apice achatado e levemente sinuoso. Hab.: Nova
Iguassi ( Rio de Janeiro ). Coll. Blanc de Freitas.
Corysscenemis lepidoplerus — sp. n.
5 — 2,2 mm. Cephalothoray pardo-claro com
uma pequena mancha azul-clara mediana, junto à
borda posterior ; na parte anterior da região thora-
cica ha uma grande mancha parda de bordas enne-
erecidas, curvas, de concavidade interna, prolongan-
do-se quasi até o clvpeo, de onde voltas em di-
recçäo ao V cephalico, unindo-se então uma à ou-
tra na linha mediana; na parte média dessa grande
mancha papilioniforme ha uma linha longitudinal
estreita, fulva, bifurcada adiante, formando um Y
muito aberto e lembrando o corpo da borboleta com
as antennas; a região cephalica é parda, de colori-
do igual ao da mancha papilioniforme ; os olhos es-
tão postos em manchas negras. Clypeo e cheliceras
pardos Esterno, labio e maxillares são castanho-
escuros. O abdomen é mosqueado de azul-negro,
tendo uma estreita faixa clara longitudinal no meio
do dorso; o ventre é claro com uma faixa media-
na longitudinal quasi negra, interrompida em seu
tecco anterior pelo epigyno, que é claro, e termi-
nando ao nivel do terço posterior. As pernas são
claras, de colorido uniforme. Hab.: Nova Iguassu
(Rio de Janeiro). Coll Blanc de Freitas.
—— #ROZ cae
Coryssocnemis banks,
Moenkhaus — «Revista do
Museu Paulista», 1898, Vol.
III, p: 96, pr. 5, f-2. ( Digs.
Leeda en Anh,
q — 2, 8 mm: Cepha-
lothorax desmaiado. Clypeo
e uma estreita linha mar-
to) ginal do cephalothorax pardo
amarellados ; a região cephalica e uma , ADE
larga faixa longitudinal da região thora- <]
cica são de cor parda. Chaliceras, maxil-
lares, labio e esterno pardo-avermelha-
dos. Pernase palpos verde-claros, um
pouco avermelhados nas extremidades ;
os olhos posteriores e os lateraes ante-
riores estäo situados em manchas negras
semicirculares e os olhos medios ante- 13
riores em mancha negra oval.
Abdomen com numerosas man-
chas azul-claras, quasi conti-
guas; no meio do dorso ha uma
14
estreita faixa longitudinal que
vae da borda anterior até as
fiandeiras, faixa de colorido
amarello. Ventre claro entre o epigyno e as fian-
deiras; o epigyno é pardo-avermelhado e as fiandei-
ras são pardas, com um annel estreito mais claro
em torno da base.
JS — 2,1 mm. Cephalothorax, cheliceras, ma-
xillares, labio, esterno e pernas mais claros que na
femea, comquanto do mesmo colorido. Manchas do
abdomen egualmente de azul mais claro; ventre bran-
co. Cheliceras providas de uma eminencia comprida,
do terço medio da margem interna e que se dirige
ao nivel obliquamente para deante, para dentro e para
baixo, formando um como espinhv comprido e agu-
do, além do dente chitinoso commuin que se encon-
tra nas cheliceras da femea; a base desse espinho
é granulosa. Ilab.: Poço-Grande ( S. Panlo ).
— 103
Coryssocnemis togata ( Keyser! ).
(Fig. 15).
C. t. — Moenckaus, «Revista do
Museu Paulista», 1898, Vol. III, p. 95.
Syn. — Pholcus togatus, Keyserling, LE
Spinnen Amerikas, Brazil. Sp., 1891, p. 172, pr. V,
oh Le.
Ss — 9, mm Cephalothorax amarello-aver-
melhado ; parte posterior da regiäo cephalica e uma
mancha que cerca os olhos diurnos ( medios ante-
riores ) bruneas. Cheliceras, maxillares, labio, palpos
e esterno amarello-avermelhados. Pernas pardas, com
um largo annel amarello na extremidade dos femu-
res e das tibias. Abdomen de dorso e pleuras ama-
rellos, de dorso ornado de manchas azul-negras, com
excepção da parte anterior, sem manchas. Pernas
densamente pillosas. Abdomen duas vezes mais longo
que largo, cylindrico. Hab.:— Varias localidades
dos Estados de S. Paulo e Rio de Janeiro.
Coryssocnemis altiventer ( Keyserl ).
sá (Fig. 16.) Fe
Cia"
16 C. a. — Moenckhaus, « Revista do Mu-
seu Paulista», Vol. III, 1898, p. 44. Syn, Pholcus
altiventer, Keyserling, Spinnen Amerikas, Brasil.
RR IS9L op. 179, prof 120.
q — 1, 7 mm. Cephalothorax amarello, com
uma larga faixa longitudinal brunea, attingindo
adiante o clypeo e comprehendendo toda a região ce-
phalica, e terminando atraz na estria mediana tho-
racica. Cheliceras, maxillares, !abio e esterno bru-
neos, principalmente este ultimo. Pernas amarello
claras, tendo junto ao apice dos femures e das tibias
um annel bruneo-negro; as patellas são bruneas.
Abdomen amarello-claro, salpicado de manchas es-
curas redondas; na parte posterior do ventre ha
junto às fiandeiras, duas pequenas estrias escuras. O
segmento terminal dos palpos é bruneo escuro. Hab. :
varias localidades dos Estado de S. Paulo e do Rio
de Janeiro.
Blechroscelis — Simon — 1893
Cephalothorax e olhos similhantes aos do ge-
nero Psilochorus, mas os olhos anteriores formam
( pelos apices ) geralmente uma linha recta e os olhos
medios anteriores säo pequenissimos, distinctamente
separados dos olhos lateraes. Area dos olhos medios
bem ampla, de base egualou muito pouco menor do
que a altura. Abdomen oval allongado, raramente
subglobuloso. Epigyno da femea variavel, raramente
ultrapassando o meio do ventre. Pernas muticas,
cobertas de pellos curtos; no macho os femures do
terceiro par de pernas são mais robustos do que os
outros e sensivelmente espessados para o apice. Che-
liceras do macho muticas na margem externa, mas
providas na margem interna de uma apophyse de-
primida, contigua, dirigida para abaixo. Typo. — B.
annulipes ( Keyserl ).
O genero Blechroscelas é até o presente repre-
sentado no Brasil por cinco especies, das quaes uma
nova para a sciencia, e que se podem disunguir pe-
los caracteres da chave abaixo :
a — Dorso do abdomen sem manchas, às vezes
com faixas :
6 — Dorso amarello-azulado ; lado e ventre com
faixas longitudinaes azul-escuras — DB. cyanco . te-
nial.
bb — Todo abdomen de colorido uniforme, ver-
de-amarellado — B. viridis.
aa — Dorso manchado :
6 — Dorso com uma faixa longitudinal media-
na desmaiada e com manchas angulares — B. simoni;
bb — Dorso sem a faixa longitndinal acima re-
ferida ; |
c — Quatro pares de grandes manchas azul-
escuras no dorso ; colorido geral cinzento-esverdeado.
B. cyaneo-maculata ;
cc — Todo abdomen mosqueado de azul-escuro ;
colorido geral cinzento-azulado ; rima das fiandeiras
alaranjada — B. coerulea.
— TOS
Blechroscelis cyaneo teniata ( Key-
serl: )- (Pigs. Vie 18.)
B. c. — Moenckhaus. « Revista do Mu-
seu, Paulista», 1898, Vol IH, p. 99.
Syn. Pinions cyaneo- un Key-
serling, Spinnen Amerikas, Brazil.
SAT ANG pro VE fo 42%
º — 5, mm. Cephalothorax
\ amarello com um largo annel mar-
© ginal vermelho ; olhos anteriores col-
18 locados em uma mancha mais es-
cura; parte posterior da região cephalica egualmente
mais escura. Cheliceras, HN bie. esterno
e palpos vermelho amarellados ; pernas bruneo-claras
com a extremidade dos femures e das tibias assim
como os palpos mais claros. Abdomen amarello de
tons azulados, com faixas longitudinaes azul-escuras,
sendo duas no dorso, uma larga de cada lado ( nas
pleuras abdominaes ) e uma mais estreita no ventre ;
todas estas faixas se estendem sómente até o terço
posterior do abdomen. Epigyno bruneo negro; a
esevação onde estão postas as fiandeiras é amarella,
Abdomen duas vezes mais longo que largo, mais es-
pesso ao nivel do terço medio e um pouco mais es-
“pesso na parte anterior, que ao nivel da inserção
das fiandeiras, que são terminaes.
5 — 6. 1 mm. Colorido e desenho perfeita-
mente eguaes aos da femea, mas as pernas são mais
longas e o cephalotorax que, na femea, é mais lar-
go que longo e é no macho tão longo quão largo.
As cheliceras têm adeante, na borda interna, na
união do terço apical com os dois terços basaes um
pequeno- dente ponteagudo, além do dente chitinoso
apical habitual. Hab: Diversas localidades dos Es-
tados de S. Paulo e do Rio de janeiro.
Blechroscelis viridis sp. n. ( Figs. 19 e 20)
J — 4 mm. Cephalothorax amarello, muito le-
vemente sombreado para as margens lateraes e poste-
rior com uma delgada faixa longitudinal vermelha.
TOR
que começa ao nivel da união da região cephalica
com a região thoracica, comprehende a estria me-
diana thoracica e terinina junto à margem posterior.
Cheliceras, maxillares, labio, palpos
e coxas das pernas são de colorido
egual ao do cephalothorax, sem
o sombreado. Abdomen cylindrico,
mais de tres vezes mais longo do que
largo, de colorido uniforme, veade-
amarellado; no declive apical pos-
terior ha duas pequenas manchas
escuras, só apreciaveis quando se :
observa a aranha por traz; fiandei-
ras negras. Pernas de femures ver- 19
melhos. com os apices amarellados, bem como to-
das as patellas; tibias ennegrecidas de apices ama-
rellos; metatarsos de articulação basal amarella,
tendo em seguida uma zona larga quasi negra eos
dois terços apicaes assim como os tarsos amarel-
los. AS pernas são revestidas de pellos curtos, ex-
cepto as tibias que apresentam em sua face irferior
densos pellos bem mais longos, trigueiros. As che-
liceras apresentam, na base, um tuberculo arredon-
dado, situado na borda externa: na face anterior ha
apenas um pequeno espinho, curto e negro; na
chanfradura da garra ha, além da ponta chitinosa
habitual, uma outra ponta de egual ta-
manho e colorido. Os olhos estão situa-
dos em manchas negras, havendo na dos
olhos anteriores uma pequena ponta me-
diana. Palpos do femur dilatando-se para
o apice, mais longo do que largo; patella
curta, com um pequeno nodulo escuro
na base e outro no apice, ambos na face
20 externa; tibia mais longa que larga, mais
longa do que a patella, dilatando-se tambe. para O
apice, onde é bilobada; tarso muito curto, apresen-
tando em sua parte externa uma longa apophyse
angulosa e tendo no ponto de angulação uma ou-
tra pequena apophyse concava; 0 apice do tarso,
no pouto de inserçäo da hematodocha, é trilobado,
cada lobo com uma cerda trigueira ; bulbo sub-
globuloso, prolongando-se em um estylete curvo, de
ponta escura retorcida ; esse estylete é proximamente
parallelo à apophyse externa. Hab: Pinheiro ( Es-
tado do Rio de Janeiro ).
| Blechroscelis simoni, Moenckhaus — « Revista
do Museu Paulista», 1898, Vol HI, p. 101, pr. V.
fete (ele. La
¢ —1,7mm. O cephalothorax é desmaiado,
tendo na margem uma linha bruneo-clara; a estria
mediana da regiäo thoracica é parda e as estrias ra-
diantes são um pouco mais escuras; a parte ante-
rior da região cephalica é egualmente um pouco
mais escura. Cheliceras des-
maiadas; labio e ifaxillares
mais escuros. O esterno e a
extremidade proximal dos fe-
mures são sombreadas de verde;
os outros segmentos das pernas
são desmaiados. Todas estas
partes são revestidas de pellos
curtos escuros mais abundantes no labio, nos ma-
xillares, no esterno e nas pernas. Abdomen com
abundantes manchas de côr azulada, de forma an-
gular bem definida; os intervallos entre essas man-
chas, uma estreita faixa longitudinal mediana do
dorso e uma area sobre o epigyno são de côr des-
maiada ; todo abdomen tem pellos compridos, seti-
formes, escuros. Fiandeiras desmaiadas, cobertas de
finos pellos pardos. Epigyno desmaiado com uma.
estreita orla brunea. Abdomen quasi espherico, um
pouco mais alto de que longo; epigyno muito grande.
Hab.: Poço-Grande (S. Paulo ).
Blechroscelis cyaneo-maculata ( Keyser! ).
B. c. — Moenckhaus, « Revista do Museu Pau-
lista», 1898, V. III, p. 100.
Syn.: Pholeus cyaneo-maculatus, Keyserling,
Spinnen Amerikas, Brazil. Sp. 1891, p. 173, pr. V.
f. 119-a, 119-b e 119-c.
— Poy
9 — 4,3 mm. “Cephalothorax amarello-averme-
lhado com estria mediana thorácica e a parte pos-
terior da região cephalica bruzeas; cheliceras, ma-
xillares, labio, esterno e palpos amarello-
avermelhados. Pernas pardas com o apice
2 dos femures e das tibias, assim como a
2 base dos metatarsos, amarello. Abdomen
de dorso cinzento-esverdeado com quatro pares de
erandes manchas azues; ventre mais
amarello ; epigyno vermelho-bruneo. Per-
nas com pellos pouco abundantes. Ab-
domen pouco mais longo do que largo,
de dorso muito convexo.
— 43 mm. Colorido e dese-
nho em tudo eguaes aos da femea, 23
mas de pernas mais longas e abdomen
mais terete. Cheliceras tendo adeante, na borda in-
terna, uma pequena apophyse e, na uniäo do terço
apical com os dois terços basaes, um pequeno dente
ponteagudo ; no apice ha a ponta chitinosa commum.
Hab.: ( Rio de Janeiro ).
Blechrescelis coerulea ( Keyserl ).
B. c. — Moenckhaus, «Revista do Museu Pau-
lista »;21898, -V. HI, p. 401;
Syn.: Pholcus cœruleus, Keyserling, Spinren
Amerikas, Brazil: Sp.; 189 -p.: PRE pe NE To
q — Cephalothorax amarello com a estria me-
diana thorácica e a região cephálica pardacentas.
_ Cheliceras, maxillares, labio e esterno ama-
GN rellos; palpos pardos. Pernas bruneo-es-
curas com o apice dos femures e das tibias
amarello. Abdomen cinzento-azulado-claro,
24 mosqueado de azul-escuro dos lados e no
dorso; ventre mais claro; epigyno verme-
lho-bruneo e elevação onde estão situadas as fian-
deiras amarello-allaranjada. Abdomen um terço mais
longo que largo, subglobuloso. Hab.: ( Rio de Ja-
neiro ).
E cs E
HI — Pholeeas
Olhos posteriores dispostos em linha recurva,
estando os olisos médios desta fila situados um pouco
adiante dos lateraes; olhos anteriores dispostos em
linha recta ( quando tomada pelo centro dos olhos ) ;
os olhos médios anteriores são muito pequenos,
quasi contiguos mas largamente separados dos late-
raes; área dos olhos médios geralmente muito mais
larga que alta. A's vezes ha apenas seis olhos, es-
tando ausentes os olhos médios anteriores, os ou-
tros dispostos em dois grupos. Abdomen de fôrma
muito variavel. As pholceas são presentemente re-
presentadas no Brazil pelos quatro generos que se-
paramos na seguinte chave:
A — Os olhos medios anteriores ausentes:
B-- — Olhos mediocres, pouco proeminentes,
formando duas áreas bastante separadas. Abdomen
globuloso ou gibboso — Sperinophora.
B B — Olhos grandus e proeminentes, forman-
do duas áreas muito pouco separadas; abdomen
longo, sensivelmente dilatado para traz, truncado e
fino no ápice — Metagonta,
A A— Os olhos medios anteriores presentes,
de modo que os olhos estão dispostos em duas filas
de quatro :
B — Olhos anteriores subcontiguos Area tra-
pezoide dos olhos medios de base igual ou pouco
maior que a altura — Physocyclus.
B B — Olhos medios anteriores bem separados
dos olhos lateraes; área trapezoide dos olhos me-
dios de base muito maior que a altura. — Pholcus..
Spermophora — Hentz — 1832
Clypeo largo e subvertical ou muito proclive.
Olhos reunidos em duas áreas lateraes, muito sepa-
radas, havendo de cada lado tres olhos pouco pro-
eminentes, quasi eguaes, contiguos ou subcontiguos
e formando um triangulo de vertice voltado para
dentro. Abdomen subglobuloso ou entumescido, po-
dendo por excepção ser longo e fusiforme. Palpos
da femea delicados, de tarso acuminado, geralmente
mais longo que a tibia. Typo: S. meridionalis —
Hentz. Ha no Brazil duas especies deste genero,
ambas descriptas pelo conde Keyserling, que se pó-
dem distinguir :
a— Abdomen manchado, subglobuloso, mais
alto que largo — S. maculata.
aa — Abdomen de colorido uniforme; subcy-
lindrico — S. wnicolor.
Spermophora maculata — Keyserling,
Spinnen Amerikas, Brazil. Np., 1891, p. 2
LT pe VE 1220 rio oi): 25
q — 1,6 mm. Cephalothorax amarello com
uma larga faixa mediana longitudinal brunea, faixa
que comprehende toda a area occular e se estende
adeante atê a base das cheliceras e termina atraz
na estremidade posterior da estria media thoracica,
esta faixa é mais estreita atraz. Maxillares, labio
esterno e pernas amarellos, tendo estas ultimas no
apice dos femures e na base e apice das tibias um
annel bruneo-escuro. emur dos palpos amarello e
os outros segmentos bruneo-negros. Abdomen ama-
rello, tendo na linha media do dorso cinco ou seis
pares de manchas azul-escuras, sendo as anteriores
maiores e indo diminuindo para a parte posterior ;
dos lados ha algumas outras manchas arredondadas,
mais claras. Labio tão longo quão largo. Esterno
arredondado em sua margem posterior. Abdomen
um terço mais longo que largo e tão alto quão
longo. Hab. Blumenau ( Santa Catharina ).
mn" Spermophora unicoior — Keiser-
26 ling, Spinnen Amerikas, Brazil, Sp. 1891,
ps 17SNDIE NT, CMRB e264):
— 1,7 mm. Toda argile é amarello-clara ;
apenas os olhos estäo orlados de vermelho- bruneo.
— III —
Labio e esterno como na especie anterior. Abdomen
um terço mais longo que largo, mas menos alto que
largo, subcylindrico. Hab. Serra Vermelha ( Rio
de Janeiro ).
Metagonia — Simon — 189%
Différe de Spermophora por ter os olhos bem
maiores e muito proeminentes, o olho interno de
cada grupo lateral ( correspondente ac olho medio
posterior das aranhas com oito olhos ) um pouco me-
nor que os demais; os seis olhos formam daas areas
pouco separadas ( cerca do diametro do olho internc ).
Abdomen longo, sensivelmente dilatado para traz,
onde é truncado e bifido. Typo: JZ. brfida — Simon.
,
Este genero é representado no Brazil por duas
especies até o presente conhecidas e que são as
unicas do genero. KHllas se pódem distinguir do
seguinte modo :
a — Abdomen manchado — M. bicornia.
aa — Abdomen de colorido uniforme — A1. bifida.
Metagonia bifida — Simon, Ann. Soc. Entom.
de Frande, 1893, vol. LXII, p. 318.
q — Cephalothorax branco-sujo com a região
toracica ornada de duas pequenas linhas fuscas di-
vergentes muito separadas atraz Seis olhos grandes
orlados de negro. Abdomen branco-sujo, de colo-
rido uniforme, duas vezes mais longo que o cepha-
lothorax, sensivelmente mais largo atraz onde é
truncado, com angulos turbinados e salientes. Hs-
terno e pernas de colorido pallido, tendo estas os fe-
mures e as tibias com dois anneis fusco-avermelha-
dos, dos quaes um é subapical e outro é subbasal.
Epigyno muito grande, convexo, fortemente rugoso
transversalmente, situado no meio do ventre. Hab.
Rio de Janeiro.
Metagomia bicornis ( Keyserl) (Fig. 27).
M. b. — Simon, Hist. Nat. Ar. 1893, Vol 1,
pag. 472.
er Lie)
Syn.: Spermophora bicornis, Keyserling, Spin-
nen Amerikas, Brazil, Sp. 1891, pag. 179, pr. VI,
f 124.
q — 2,4 mm. Toda aranha é amarello clara.
O cephalothorax possue adiante uma curta faixa
transversal negra e atraz desta faixa varias man-
chas de identico colorido. Olhos cerca-
dos de orlas escuras. Esterno com a
parte posterior negra; coxas das per- Es
nas marchadas de negro. Femures com 27
dois anneis negros; na parte sub-apical
das tibias assim como no ápice e na base dos me-
tatarsos ha um annel de egual colorido. Abdomen
manchado de negro no dorso e na face posterior
Abdomen um terço mais longo que largo, estreito
adiante, vae se dilatando e espessando para a ex-
tremidado posterior onde termina em duas apophy-
ses rombas e divergentes, Habit.: Botucatu ( São
Paulo ).
Physocyclus — Simon — 1893
Olhos anteriores dispostos em linha recta, ap-
proximados, quasi contiguos. Olhos posteriores la-
teraes contiguos aos medios. Olhos medios occu-
pando uma área trapezoide maxima, de base igual
ou pouco maior que a altura. Pernas muticas em
ambos os sexos, as posteriores muito mais longas
que as anteriores, com os femures sensivelmente es-
pessados na base. Clypeo, cheliceras e palpos, em
ambos os sexos lembram estas mesmas partes do
genero Artema. Typo: P. globosus ( Taczanowski ).
,
Este genero é representado no Brasil par uma
unica especie que, pela forma do cephalothorax da
femea, é afim do P. Duguesi-Simon.
Physocyclus difficile — sp. n. ( Figs. 28 e 29).
q — 25 mm. Cephalothorax de colorido unifor-
me, desmaiado, assim como o clypeo. Coxas das per-
nas da cor do cepualothorax.
Maxillares, labio e esterno
olivaceos. Pernas de colorido
uniforme, amarello-pallidas,
28 de metatarsos e tarsos inda
um pouco mais desmaiados. Cheliceras
avermelhadas. A forma do cephalotho- 29
rax como no genero Artema. Abdomen
azul-celeste, tendo no dorso uma faixa longitudinal
mediana branca. Venire alvadio. Epigyno fulvo, muito
desenvolvido, com dois grandes cornos muito sa-
lientes, dando ao epigyno altura igual à largura da
base. O esterno tem a chanfradura posterior con-
cava e as margens lateraes terminam adiante em
dois angulos agudos bem salientes. Hab. Pinheiro
( Rio de Janeiro ).
Phoicus — Walckenaer — 1894
Olhos anteriores dispostos em linba recta, os
medios cerca de tres vezes menores que os lateraes,
contiguos, mas separados dos lateraes mais de um
diametro destes ultimos. Olhos lateraes posteriores
contiguos aos medios. Olhos medics occupando uma
área trapezoide de base muito maior que a altura.
Clypeo mais de tres vezes mais largo que a area
ocular, levemente deprimido logo abaixo dos olhos,
e depois obliquamente proclive. Pernas muticas em
ambos os sexos. Cheliceras do macho providas de
um dente dirigido para traz, collocado na base da
margem externa; ha um segundo dente junto ao
apice. Palpos da femea delicados, de tarso acumi-
nado, igual ou pouco mais longo que a tibia. Typo:
P. phalangioides ( Fuesslin ).
Este genero é representado no Brazil apenas
por tres especies, das quaes duas são novas para a
sciencia; as especies dadas por Thorell, Blackwall
e Keyserling como pertencendo a este genero não
pertencem nem mesmo ao grupo das phólceas. As
tres especies se separam facilmente de accordo com
a chave que ora apresentamos :
a — Abdomen allongado, cylindrico ; cephalo-
thorax deprimido, plano, com a estria mediana tho-
racica bem visivel.
6 — Abdomen com uma faixa longitudinal pal-
lida, ramificada, sem manchas ou com manchas par-
das; garra das cheliceras sem cerda basal externa
negra. — P. phalangioides. .
bb — Abdomen com manches azues, em ambos os
sexos; garra das cheliceras (no macho ), com uma
cerda espiniforme basal externa — P. dubio maculatus.
aa — Abdomen globuloso ; cephalotoras con-
vexo — P. anomalus.
Pholcus phalangioides ( Fuesslin ).
P. p. — Walckenaer, Faune
Paris: 1802, Vol) pesa
P. p. — Waickenaer, Ins. Apt.,
1897 Vols Lops, 692;= pr, CMI
Hee See
P. p. — Blackwall, Spiders
Great Britain & Ireland, 1864,
Vol. Il, p. 208.
P. p. — Simon, Arachn. de
France, 1874; Vol. 1,7 p. 261
Emerton, Trans. Connecticut
Acad., Sc., 1882, Vol. VI, p. 30,
Pe Vi tee
P. p. — Keyserling, Spinnen Amerikas, Brasil
Sp. 69d tp: Moo:
P. p. — Rosenberg, Spinnen Deutschland, 1902,
pe 219 prs NEC 00);
P. p. — Emerton, Comm. Spiders, 1902, p
128; "11: 90906" DOM
P. p. — Petrunkewitch, Ann. Entom. Soc. Ame-
rica, 4909, Vol tp SA NOIRE
Syn.: Aranea phalangioides, Fuesslin, Verzi
Schweiz Ins., 1775., p. 61.
Aranea meticulosa, Fourer, 1785, Entom. Pa-
ris, p. 407.
Aranea pluchii, Rossi, Fauna etrusca, 1790,
Vol. Il, p. 134 (ad partem ).
Pholcus nemastomoides, Koch, Die Arachni-
den, 1838, Vol. II, p. 27.
Pholeus ptuchii, Lucas, Rev. Mag. de Zool,
166, Vol. Tsp. 2c.
Pholcus americanus, Nicolet, in Gay — Histo-
ria Nat., Chile, 1849, vol. III, p. 463.
Pholeus atlanticus, Henz, Journ. Boston Soc.,
160 Vol NE dp: 284, pr Xs) 67.
Pholcus opilionoides, Ann. Soc. Entom., France,
feos Vol MP na 120 pr: tr do are
S— Ta 8 mm. Céphalothorax amarello des-
maiado com uma grande mancha parda em fôrma
do folha ra parte mèdia da região thoracica, com-
prehendendo a estria mediana thoracica; adiante
dessa mancha ha uma faixa longitudinal mediana
que se estende pela região cephaiica entre os gru-
pos lateraes de olhos nocturnos e adiante dessa faixa
ha uma pequena mancha parda onde estão os olhos
medios anteriores. Cheliceras quasi tão altas como
o clypeo, bruneo-claras, levemente angulosas na
borda externa com um dente basal externo, dirigi-
do para cima e um pouco para fóra, e um dente
apical interno negro, dirigido quasi em linha recta
para baixo. Labio, maxilares e esterno amarello
desmaiados. Pernas pardacentas, de patelias mais
escuras, e com um annel desmaiado, precedido de
um outro annel quasi negro, no ápice dos femures
e das tibias. Pernas excessivamente allongadas. Ab-
domen pardacento, tendo no dorso tres ou quatro
pares de manchas grandes, situadas nos dois terços
posteriores ; ventre desmaiado, com uma larga faixa
longitudinal escura. Palpos amarellados ; o trochan-
ter tem em baixo um tuberculo pequeno e obtuso ;
femur mais longo que largo; patella triangular ; ti-
bia oval, com uma pequena apophyse romba no
ápice; tarso glebuloso com a apophyse dirigida para
baixo e de bordas laciniadas; a hematodocha é di-
sciforme e distincta; bulbo quasi espherico, de es-
tylete quasi negro, laminoso, e com tres apopbyses
sendo duas em ponta e uma em leque.
— 116 —
q — 5 a 6 mm. Colorido muito similhante ao
do macho; o abdomen, porém, é geralmente de
colorido uniforme, apresentando apenas na parte
média do dorso uma linha translucida, ramificada,
que vae da extremidade anterior até o terço poste-
rior; essa faixa é igualmente presente no macho.
O epigyno é pouco desenvolvido, occupando apenas
o terço anterior do ventre. truncado atraz e tendo
adeante duas saliencias ovaes e obliquas. E” esta
uma especie cosmopolita. Von lhering observou-a
no Rio Grande do Sul. Ella é igualmente muito
commum em Bello Horizonte, mas nunca a obser-
vamos no Rio de Janeiro.
Phoicus dubiomaculatus, sp. n.
(Figs. 31 e 32.) e
£ — 3 mm. Cepkalothorax des-
maiado com uma grande mancha
brunea no meio da região thora-
cica; na parte posterior da região
cephalica, um pouco atraz dos gru-
pos lateraes de olhos, ta uma ou-
tra mancha parda menos nitida e logo atraz dessa
mancha ha um tufo de longos pellos escuros cur-
vos, inseridos em pequenos pontos pardo escuros ;
a região cephalica è regularmente elevada e leve-
mente bicornuda, sendo a base dessa região cepha-
lica mais estreita que o apice (onde estão os gru-
pos oculares lateraes, de olhos nocturnos ); as la-
minas chitinosas do pediculo de união do cephalo-
thorax ao abdomen são negras; olhos medios ante-
riores situados em uma pequena mancha triangular
negra, de base voltada para cima. Clypeo esbran-
quiçado. Cheliceras fulvas, tendo na borda externa,
na base, um dente curvo e dirigido para cima e
para fóra; nessa mesma borda, no apice, no ponto
de inserção da garra, ha uma cerda espiniforme ne-
gra, curva, quasi erecta; na face anterior ha no terço
apical, proximo da margem interna, uma apophyse
chitinosa bruneo-escura, entalhada, com duas pontas
31
— 117 —
agudas, dirigida obliquamente para dentro, para baixo
e para diante; o espinho apical, que se encontra nas
outras especies do genero, é aqui levemente obliquo
para dentro e levemente curvo, negro. Abdomen
cylindrico, acinzentado, mosqueado de branco-argen-
teo no dorso, que apresenta uma faixa longitudinal
mediana translucida; essa faixa occupa os
dois terços anteriores do dorso e termina
em uma grande area escura, formada por
grande numero de pequeninas manchas
azul-escuras ; de cada lado da faixa des-
maiada mediana ha uma outra area simi-
lhantemente formada de pequeninas man-
32 chas azul-escuras, porém bem menores
(cerca de metade da dimensão da area
posterior ) e com muitas manchas pequeninas pra-
teadas. Pernas amarelladas, tendo no apice dos fe-
mures e das tibias um annel esbranquiçado, prece-
dido de outro, menos nitide, bruneo escuro; patel-
las bruneo-fulvas. Esterno, labio e maxillares bru-
neos, lavados de fo-co; coxas anarelladas com a
linha de articulação 40 esterno e uma linha longi-
tudinal interna bruneo-avermelhadas. Ventre do ab-
domen de colorido uniforme, acinzentado ou brunete.
Palpos amarello-pardacentos; trochanter pequeno,
annular, com uma apophyse interna, tendo de com-
primento quasi a largura do segmento, e um pouco
curva para o ápice ( concavidade voltada vara o fe-
mur ); femur cerca de tres vezes mais longo do
que largo, com uma apophyse conica no terço mé-
dio da borda interna; patella com a forma commum
a outras erpecies do genero, isto é, triangular de
vertice interno; tibia dilatada, oval, allongada, mais
comprida que larga, mai: longa que o femur, apre-
sentando na face inferior, na base, uma apophyse
mammillar; tarso com o ramo externo dilatado,
giobuloso, com uma pequena ponta negra; apophyse
interna do palpo fulvo-escura, dilatada n> apice em
tres partes rombas e com um dente uncinado, re-
curvo; bulbo quasi espherico, de estylete mais ou
ments retorcido e com tres apophyses accessorias,
TO se
sendo uma espessa, curva, granulosa, bruneo-fulvo-
escura, outra da mesma cor, flexionada, e uma ter-
ceira ligeiramente bifida, terete, bem mais clara.
As femeas desta especie que podemos observar
inda eram jovens demais para permittir uma des-
cripção definitiva. Observamos tambem um macho
que acabava de soffrer a ecdyse e que apresentava
o colorido geral, em vez de pardacento, branco-
_acinzentado ; nesse exemplar os ápices dos femures
e das tibias eram bem negros. Hab.: Pinheiro ( Rio
de Janeiro ).
Pholcus anomalus, sp. n.
q — Lômm. Toda aranha é de colorido. uni-
forme branco-acinzentado, tendo sómente uma pe-
quena mancha na face, na qual estão collocados os
olhos medios anteriores, negra e transversa. Epi-
gyno levemente fusco. Olbos anteriores em linha
recta tirada pelos apices. Grupos oculares lateraes
( dos olhos nocturnos ) quasi nada salientes. Cephalo-
thorax convexc, quasi como o das aranhas do ge-
nero Scytodes. Abdomen pouco mais longo do que
alto, de dorso muito convexo, subglobuloso, acumi-
nado para traz, sendo as fiandeiras terminaes. Hab.:
Campina Grande ( Parahyba do Norte ). Coll. Tran-
quilino Leitäo.
IV — Smeringopódeas
As Smeringopódeas são as unicas phólciaas
que têm os olhos anteriores dispostos em linha re-
curva, estando o vertice dos olhos médios ao nivel
da base dos olhos lateraes ou mesmo abaixo. Olhos
posteriores em linha recurva. Ellas são represen-
tadas no Brazil apenas pelo genero Smeringopus.
Smeringopus — Simon — 1890
Os quatro olhos anteriores formam uma linha
recurva, os médios geralmente bem mencres que os
lateraes, subcontiguos, mas separados dos lateraes
um diametro ou pouco menos. Olhos posteriores
em linha menos recurva, pequenos, os médios se-
parados entre si cerca de dois diametros. Area dos
olhos medios trapezoide de ba:e maior do que a ai-
tura. Abdomen estreito, longo e terete. Pernas mu-
ticas em ambos os sexos. Tarso do palpo da fe-
mea pequeno, muito mais curto e dilatado que a
tibia. Cheliceras do macho não deprimidas, provi-
das na parte apical da face anterior, junto à base
da garra, de um vequeno dente simples. Typo: S.
geniculatus ( Thorel). Ha no Brazil, até agora de-
scriptas, tres especies deste genero, distinguindo-se
pelos seguintes caractéres :
a) — Ventre com tres faixas longitudinaes dis-
tinctas — S. pallidus.
a a — Ventre com uma unica faixa longitudinal :
6 — Cephalothorax com uma faixa longitudinal
que vae dos olhos à margem posterior; clypeo com
duas linhas escuras longitadinaes — S. purpureus.
bb — Cephalothorax e clypeo sem os caracté-
res apontados acima — S. geniculaius. |
Smeringopus pallidus ( Blackwall ).
Pholcus pallidus, Blacwall, Ann. Mag. Nat.
Hist.,°3.* série, Vol. I, 1858; p. 433; 1861, Vol
VII, p. 444.
q — 6 mm. Cephalothorax branco-amarellado,
as margens lateraes com uma estria dirigida de cada
olho medio anterior para a margem do clypeo, bru-
neo-negras; dos lados do cephalothorax ha duas
manchas irregulares e no meio ha uma faixa lon-
gitudinal, manchas e faixa pardo-escuras. Olhos or-
lados de negro. Cheliceras, maxillares, esterno e
labio pardo-amarellados, e te ultimo de apice mais
claro. Pernas pardo-amarelladas com um annel es-
curo na região sub-apical dos femures e das tibias
e seguidos por outros anneis mais claros apicaes
desmaiados ; palpos claros de tarso bruneo. Abdo-
men oval oblongo, branco-amarellado, com duas li-
= 2) TE
nhas curtas, brunetes, dirigidas para traz, e segui-
das de uma faixa longitudinal fusiforme, bifida e da
mesma cor; a esta faixa se segue uma dupla série
de manchas negro-brunetes, ovaes, dispostas aos
pares e inclinadas uma para a outra; logo acima
das fiandeiras ha um espaço branco-amarellado-claro,
limitado por uma linha negro-brunea; os lados do
abdomen têm quasi na união com o dorso linhas cur-
vas bruneo-negras. Ventre claro, tendo a parte an-
terior ao epigyno e tres faixas longitudinaes bruneo
escuras ; dessas faixas a média é mais curta e mais
estreita que as outras; junto às fiandeiras ha um
espaço branco-amarellado. Epigyno proeminente,
bruneo-avermelhado.
S — 7 mm. Colorido similhante ao da femea.
Palpos curtos, muito robustos, amarello-vallidos ; fe-
mur de face inferior convexa; tibia grandemente
dilatada, de face superior muito convexa; tarso de
desenho irregular, allongado, com um espinho curto,
levemente curvo, de ponta negra, muito acerada;
base da hematodocha proeminente do lado interno
e densamente franjado de longas cerdas curvas e
com uma pequena saliencia vermelho-brunea ; bulbo
pouco desenvolvido, subglobuloso, branco-amarellado,
com duas apophyses curtas, fortes, unidas na base,
de apices bruneo-escuros. Hab.: Pernambuco.
Smeringopus purpureus, Moenckoaus, « Re-
vista do Museu Paulista», 1898, vol. II, p. 91,
pry PR
® —7 mm. Cephalothorax desmaiado com
uma larga faixa mediana de côr parda que se ex-
tende no sentido longitudinal dos olhos até à mar-
gem posterior do cephalothorax ;
esta faixa é mais larga atraz da
estria mediana thoracica e depois
novamente se estreita; a margem
lateral do cephalothorax e tres
áreas triangulares com os apices
voltados para a linha média do
a NIQUES 7
dorso, situadas junto 4s inargens do cephalothorax
são de cor pardacenta; mais duas linhas estreitas
se extendem dos olhos à margem do clypeo. As
cheliceras são amarello-escuras ; maxillares de côr
desmaiada, mais escuros nas extremidades apicaes ;
labio e esterno pardos, aquelle um pouco desmaiado
na extremidade. Pernas pardo-desmaiadas ; tarsos
e metatarsos um pouco mais claros; extrem‘dade
distal dos femures e das tibias com um largo an-
nel branco que é precedido por outro annel pardo-
escuro ; patellas igualmente pardo-escuras ; os pal-
pos são desmaiados com os tarsos pardos. Abdomen
cinzento-claro, apresentando no dorso uma figura
em forma de flécha, cujo fuste termina na parte
posterior em duas manchas ovaes, separadas por
uma área clara; estas manchas são seguidas de
mais quatro pares de manchas similhantes às pri-
meiras, porém menos regulares em forma e dimi-
nuindo de tamanho em direcção à extremidade pos-
terior, sendo que o ultimo par não alcança as fian-
deiras. Paralelas a estas carreiras de manchas ha
mais outros cinco pares, cujas formas são menos
nitidamente determinadas e que se extendem obli-
quamente para baixo e para traz. Ha, em torno
das fiandeiras, um annel largo pardo-escuro; no
ventre ha uma faixa longitudinal mediana de igual
colorido, separada, porém, do annel que circunda as
fiandeiras por uma área clara. Fiandeiras pardo-
escuras. Cephalothorax provido de pellos esparsos,
longos e trigueiros, especialmente na parte anterior
da região cephalica. Cheliceras, labio, maxiilares e
esterno cobertos de pellos finos e escuros. Hab.:
S. Sebastião ( S. Paulo ).
Smeringopus geniculatus ( Thorell). ( Figs. 34
e 39.) :
Pholcus geniculatus, Thorell, Ann. Mag. Nat.
Hist., 1841. vol. VII, p. 477.
Pholcus elongatus, Vinson, Aran. Réunion,
Madag., 1864, p. 135.
2
Pholcus tipuloides, Koch, Arachn. Austr.,
1872, 2p: «2635 private:
Pholcus distinctus, Cambridge, « Journal Lin-
nean Society London», 1876, vol. X, p. 389, pr.
15602839:
Pholcus margarita, NWorkmann, Ann. Mag.
Nat. Hist, 1878) vol: II, p. 458 “pr MSA
Pholcus lipuloide, Marx, Proc. Acad. Phila-
delphia, 1889, 9. 99, pr. IV,
Pholcus tipuloides, Kevserling, Spinnen Ame-
ka abranil, Sp. Loves. pa vi ae
Smeringopus elongatus, Simon. Ann. Soc.
Entom., France, 1890, p. 98.
2 S —9 mm. Cephalothorax par-
MAS do-amarellado com duas delgadas linhas
negras sobre o clvpeo, partindo dos olhos
34 e se estendendo até a bare das chelice-
ras; na região thoracica ha uma faixa pardo-escura
de margens negras, que vae dos olhos posteriores
até a margem posterior do cephalothorax, sendo
mais larga atraz; todo o cephalothorax apresenta,
esparsos, pellos curtos. Os olhos estão postos em
manchas escuras. Pernas revestidas de pellos cur-
tos e finos, trigueiros ; ellas são amarellas ou ama-
rello-avermelhadas, tendo anneis brancos nos ápices
dos femures e das tibias, precedidos
esses anneis por outros negros; tar-
sos e metatarsos mais claros que os
segmentos basaes; patellas escuras.
Palpos em ambos os sexos, curtos e
fortes, amarellos. No macho o bulbo
tarsal do palpo é bem desenvolvido,
mas de estructura relativamente simples, apresen-
tando o estylete com o a-pecto de um como tubo
conico, projectando-se para paixo e com pontas ne-
gras, quando visto pela face externa. Palpo da fe-
mea provido de duas unhas simples. Maxillares
pardo-amarellados ; labio pardo com uma linha es-
cura em sua parte inferior; esterno pardo-escuro ou
fusco. Abdomen subcylindrico, de margem anterior
35
arredondada, projectando-se um pouco sobre o cepha-
lothorax ; colorido amarello com manchas parda-
centas de numero variavel, havendo geralmente no
dorso oito manchas, dispostas aos pares e dimi-
nuindo de tamanho para a extremidade posterior
do abdomen. Epigyno da femea pardo-escuro, com
uma lingueta clara com um como tuberculo na
ponta anterior. Placas epigastricas escuras. Hab. :
Todo o Brazil, no littoral. E” especie cosmopolita.
Os autores dão para esta especie, de accôrdo com
Simon a designação de Smeringopus elongatus ( Vin-
son); no entretanto Thorell já dera anteriormente
dessa mesma especie uma descripçäo bem regular,
com a designação de Pholcus geniculatus. Assim
seudo, aqui fazemos a necessaria correcção, dando
o nome de accôrdo com as leis de prioridade, pas-
sando o phulcus elongatus de Vinson à synonimia.
II
Scytódidas
As scytódidas são as aranhas que maiores affi-
nidades offerecem com as phólcidas, tendo como
estas o labio soldado ao esterno; as cheliceras fra-
cas e soldadas na base; as pernas geralmente lon-
gas e delgadas com as unhas inseridas em um
onychio ; e, muitas vezes, o cephalothorax com uma
estria mediana thoracica profunda, sendo o cephalo-
thorax quasi circular. Na primeira edição de sua
Historia Natural das Aranhas, Simon chegou mes-
mo a approximar umas e outras, formando uma
unica familia; mais tarde, porém, tendo em vista a
estructura dos orgãos genitaes, muito complicada
nas phólcidas e bastante simples nas scytddidas, se-
para-as, collocando estas entre as suas aranhas ha-
plogynas e as primeiras nas entelegynas.
As scytodidas têm o cephalothorax de fórma
muito variavel ( caso queiramos dar a esta familia
toda extensão que lhe dá Simon); só no genero
Loxosceles apresenta a região thoracica uma estria
mediana bem apreciavel.
Todas as aranhas brazileiras desta familia têm
apenas seis olhos, todos do typo nocturno, simi-
lhantes, repartidos em tres pares bastante separados
uns dos outros. O clypeo é sempre largo, vertical
ou inclinado para diante, sem depressão.
As cheliceras são desprovidas de mancha basal
e quasi cylindricas, de base obliquamente trancada,
tendo o angulo interno prolongado em pequena
ponta mais ou menos occulta sob o rebordo do
clypeo; são as cheliceras soldadas uma a outra em
sua parte basal, estando ligadas em cima por uma
sutura membranosa e estão em contacto por suas
partes solidas apenas em am punto, ao nivel do
terço basal; margem superior prolongada por uma
lamina angulosa transparente, muitas vezes mem-
branosa, sendo então sustentada por uma haste chi-
tinosa movel que segue a borda interna da cheli-
cera e termina em ponta aguda. Garra da chelicera '
sempre larga na base, ponteaguda, ora longa e
fortemente arqueada, ora muito curta, de base quasi
globulosa e ponta curta aciculada.
Esterno geralmente variavel com cephalo-
thorax, mas quasi sempre prolongado atraz entre
as coxas posteriores que são mais OU menos sepa-
radas.
Labio immovel e soldado ao esterno, grande,
mais comprido que largo, estreitando-se para a
extremidade obtusa, geralmente um pouco apertado
na base. Maxillares fortemente inclinados e con-
vergentes, largos na ba-e ao nivel da inserção dos
palpos, no resto de sua extensão) estreitos e paral-
lelos: a borda apical, truncada em linha recta e
mais ou menos membranosa, é contigua com a do
lado cpposto.
Pernas mais ou menos longas e delgadas ; co-
xas sempre iguaes e da mesma espessura, nas es-
pecies brazileiras ; patellas pequenas e sempre simi-
lhantes ; tarsos sempre desprovidos de fasciculos e
de escopulas, providos de um onychio em todas as
especies brazileiras. Unhas superiores armadas de
dentes numerosos, dispostos em uma ou duas séries.
|
Ha, não raro, além das duas unhas principaes uma
terceira, inferior, longa.
As fiandeiras são pequenas e reunidas; as in-
feriores são pequenas, cylindricas e levemente se-
paradas na base; as superiores são um pouco mais
curtas, mais delgadas e levemente curvas para den-
tro; cada fiandeira tem um curto segmento apical
conico e, na margem interna, na exiremidade do
segmento basal, alguns pellos negros, espessos, dis-
postos em feixe. Ha sempre um cólulo considera-
velmente longo, mais desenvolvido que no commum
das aranhas, cylindrico e acuminado; o tuberculo
anal é, porém, muito pouco saliente, quasi obsoleto.
O tegumento é geralmente glabro on com al-
gumas cerdas longas e robustas.
Palpo da femea pequeno com a tibia mais lon-
ga que a patella; tarso mais longo que a tibia,
muito acuminado, sempre desprovido de unha.
O palpo do macho obedece geralmente ao mesmo
plano; femur terete e um pouco comprimido ; pa-
tella nodosa e convexa; tibia mais longa que a
patella, mais ou menos dilatada, oval, fusiforme ou
globulosa ; tarso muito mais curto que a tibia, de
base prolongada em um curto pediculo cylindrico
que separa a tibia da hematodocha, que é terminal
mas obliqua; bulbo globuloso bruscamente termi-
nado em ponta delicada, longa e mais ou menos
curva.
Das seis subfamilias em que Simon divide as
scytôdidas tres são representadas no Brazil por ou-
tros tantos generos, que podemos separar de accor-
do com a seguinte chave:
A — Cephalothorax muito deprimido, com uma
estria mediana thoracica profunda e inteira — Lo-
XOCELINAS ( Loxosceles ).
A A — Cephalothorax não deprimido, convexo,
sem estria mediana thoracica.
B — Olhos dispostos em tres pares muito se-
parados, formando os anteriores uma linha muito
recurva — SCYTODINAS ( Scytodes ).
CE Tato
B B — Olhos approximados ; os anteriores dis-
postos em linha levemente procurva — PERIEGOPI-
nas ( Pertica ).
I — LoxoscELINAS
Cephalothorax bastante deprimido, ccm uma
estria mediana thoracica profunda e inteira, em
continuação com as estrias cephalicas que se re-
unem em angulo agudo; parte frontal da região
cephalica obtusa; clypeo largo e obliquamente diri-
gido para diante. Olhos medianos contiguos, situa-
dos adiante dos lateraes que são igualmente conti-
guos mas separados dos medianos. Esterno oval
pouco mais comprido que largo, terminando atraz
em ponta, entre as coxas posteriores que são sepa-
radas. Pernas longas, um pouco lateraes e muito
finas nas extremidades, providas de cerdas, às ve-
zes espiniformes, dispostas em séries longitudinaes ;
tarsos com duas unhas sustentadas por um curto
onychio. Abdomen oval muito convexo; fiandeiras
mais desenvolvidas que no resto da familia. As lo-
xoscelinas são aranhas de médio porte, de tegu-
mentos molles, com algumas cerdas esparsas; colo-
rido geral avermelhado, uniforme. São encontradas
sob as cascas de velhas arvores, nas fendas dos ro-
chedos. sob as pedras e em geral em logares hu-
midos e escuros. Ellas tecem uma teia muito irre-
gular. São representadas pelo unico genero Loxos-
celes.
Loxosceles — Lowe — 1831.
Cephalothorax ligeiramente convexo, larga-
mente truncado atraz, amplamente arredoúdado dos
lados, quasi subitamente estreitado para a frente;
margem frontal truncada, arredondada ; clypeo obli-
quo; estria thoracica inteira «e profunda. Olhos
subiguaes, os dois médios contiguos, situados adiante
dos lateraes que tambem são contiguos entre si.
Esterno oval, mais comprido que largo, pouco es-
treitado para traz; as coxas posteriores pouco se-
paradas. Pernas longas e delicadas, dispostas — II,
BAIN, HE ou IV, E II — providas de. espinhos
ou de cerdas rigidas dispostas em séries. Tarsos
- providos de onychio e com duas unhas longas,
tendo na base seis dentes. Fiandeiras longas. Typo:
L. rufescens ( Duf). Ha deste genero, no Brazil,
já descritas, tres especies. Provavelmente o nume-
ro é muito maior, mas como todas as especies são
proximamente do mesmo colorido, têm escapado à
descripçäo. A chave para a diagnose das tres es-
2
pecies já descriptas é a seguinte :
a a — Cheliceras não granulosas :
b — Tibia do palpo do macho quasi duas ve-
zes mais longa que larga; tarso muito mais largo
que longo — L. rufipes.
bb — Tibia do palpo do macho pouco mais
longa que larga e o tarso mais comprido que largo
— L. surata.
Loxosceles laeta ( Nic.)
L. 1 — Simon, Ann. Soc. Entom. Belgique,
Dr vol EL pt 24775: É <b.
Syn. : Scytodes laela, Nicolet in Gay, Hist.
Chile, 1849, vol. IIl,.p. 349, PESQUISE.
Scytodes nigella, ldem ibidem, p: 25905 | pr;
MOST
Seytodes rufipes, Idem, ibidem, p. 348, pr.
RES rr.
Loxosceles similis, Moenckhaus, « Revista do
Museu Paulista», 1898, vol. III, p. 79, pr. V, f. 7.
çe 4! —T mm. Cephalothorax de côr ama-
rello-clara. A parte anterior da região thoracica e
a região cephalica do cephalothorax pardo-averme-
lhadas; uma linha mediana, pardo-avermelhada, se
extende da estria mediana thoracica atê os olhos
do grupo mediano; ha uma outra linha de igual
colorido que percorre a depressão do V cephalico ;
os lados do cephalothorax e as estrias irradiantes
e OB cce
são um pouco mais escuras. Cheliceras amarello-
pardacentas. Labio e maxilares da cor do cephalo-
thorax, tendo um e outros o apice mais claro.
Esterno e pernas amarello-clarcs, femur em parte
amarello-pardacento. Pernas revestidas de pellos
curtos e escuros; esterno com ábundantes pellos
escuros, longos e direitos. Labio com pellos espar-
sos, iguaes aos do externo, especialmente perto da
base, tendo ainda outros pellos mais finos. Cheli-
ceras, clypeo, lados da região cephalica e margem
do cephalothorax providos de pellos similhantes,
havendo no dorso da região thoracica e na estria
mediana thoracica outros pellos mais curtos. Abdo-
men claro, revestido de longos pellos escuros.
Fiandeiras amarello-claras. Cheliceras escuras adian-
te, quasi inteiramente cobertas de granulos grossos,
negros, desiguaes, dispostos sem ordem. Tibia dos
palpos, vista de cima, oval-allongada, tendo na base
quasi o duplo da espessura do femur. Hab. : Iguape
(S. Paulo). Fora do Brazil foi encontrada na Re-
publica Argentina e no Chile.
Lososceles rufipes ( Lucas ).
L. r. Keyserling, Ver. zool. bot. Gesel. Wien,
Las, pr, 244. Cpr A HE
L. r. — Keyserling, Spinnen Amerikas, Brazil,
Sp., 18945: q. 467.
L. r. — Cambridge, Biol. Centr. Americana,
1899, Ea 1, p.. Ds pr AV "rene,
Li — Simon, Ann. Soc. Entom. Belgique,
1907 E Lip: 247, Ed 6;
Syn. : — Scytodes rufipes, Lucas, Ace de
Zoologie, 1834, pr. VIII, f. 6.
Scylodes ‘omosites, Walckenaer, Hist. Nat.
Ins. Aptéres, 1827, vol. II, p. 273.
Loxosceles RY =f Keyserl., Verh. zool. bot.
Ges. Wien, 1887, p. 474, pr. VI, f. 46.
9 e ¢—T7mm. Cephalothorax vermelho-
pardacento. Abdomen oval, pouco allongado, fulvo-
amarellado, revestido de pellos negros, mais abun-
i E E E E
dantes no ventre. Maxillares allongados, terminados
em pontas arredondadas, vermelhos em quasi toda
sua extensão, mas esbranquiçados na extremidade.
Cephalothorax quasi glabro, coberto de uma leve
pubescencia. Esterno corvexo no centro, sem gib-
bosidades arredondadas, avermelhado. Pernas finas,
avermelhadas, sem manchas, sem pellos e sem es-
pinhos. Palpos avermelhados, curtos. Cheliceras
não graculosas. Tibia dos palpos curta, muito
convexa em baixo; bulbo deprimido, com espinho
apical longo e curvado até ao apice, fino; tarso
transverso, muito mai: largo que longo, proemi-
nente e obtusissimo do lado interno. Hab.: Rio
Grande, S. Paulo. "Temos alguns exemplares, pro-
venientes de 8. João dEl-Rey ( Minas-Geraes ), que
identifico com algumas duvidas a esta especie, sem
ter comtudo elementos suficientes para separar
como nova. Fóra do Brazil esta especie foi encon-
trada em toda a America.
Loxosceles surata — Simon, Ann. Soc. Entom.
Belgique, 1907, vol. LI, p. 247, f. Id.
J — 7 mm. Coloração similhante ao das ou-
tras especies do genero. Cheliceras não granulosas.
Distingue-se de loxosceles rufipes ( Lucas), à qual
é muito affim, por ter o tarso dos palpos oval al-
longado, mais comprido que largo, a tibia grande-
mente dilatada, apenas cerca de um quarto mais
longa que larga (emquanio em loxosceles rufipes
é quasi duas vezes mais longa que larga) e os
olhos maiores. Hab : ?. Simon dá apenas Brazil,
sem determinar a localidade.
Il — ScyTôDINAS
Cephalothorax oval-largo ou quasi arredondado,
muito convexo e subglobuloso, largamente arredon-
dado atraz, inclinado e estreitado para diante, de
borda frontal estreita e truncada, ds vezes, mesmo,
saliente nos angulos; a estria mediana thoracica é
inteiramente obsoleta. Os olhos estäo igualmente
dispostos em tres pares largamente separados, es-
tando o par de olhos médios situado bem adiante
dos pares lateraes, quasi na margem anterior, da
qual estão separados por uma faixa estreita. Cheli-
ceras fracas, de garra muito curta, quasi globulosa
na base e bruscamente terminada em ponta delga-
da, aguda e quasi direita.
Esterno oval, mais longo que largo, estreitado
adiante onde ultrapassa rm pouco as coxas ante-
riores, e largamente arredondado atraz, entre as
coxas posteriores, que são bem separadas; ha sem-
pre, lateralmente, um fino rebordo sinuoso.
Pernas longas e delgadas, pouco desiguaes, de
metatarsos e tarsos muito finos, estes ultimos pro-
vidos de um onychio nitidamente apreciavel.
Unhas largas e curvas, armadas na margem
inferior de uma série de seis a doze dentes robus-
tos, havendo na unha externa, além disso, uma se-
gunda série de dentes mais fracos do lado interno.
A unha inferior ora é presente, posto que quasi
rudimentar, ora inteiramente ausente.
O abdomen apresenta, abaixo dos estigmas
respiratorios, duas largas impressões um pouco en-
durecidas, avermelhadas e arqueadas, mais ou me-
nos proximas da linha média.
Fiandeiras pequenas precedidas de um colulo
longo, cylindrico e obtuso.
Palpo da femea curto, de tarso longo e acu-
minado, tendo no meio pellos duros e tres ou qua-
tro pellos curvos e espatulados.
Palpo do macho com os segmentos basaes
normaes, mas o tarso é de base quasi globulosa,
estreitando-se depois bruscamente, para se prolon-
gar em ponta mais ou menos longa, sempre delga-
da e direita; o bulbo, inserido na base, é pequeno,
oval ou cylindrico, raramente subglobuloso, sempre
muito estreitado em longa ponta cylindrica ou si-
nuosa, que é prolongada por uma haste setiforme.
“stas aranhas são de movimentos lentos; vi-
vem geralmente sob as pedras, nos detrictos vege-
taes, ao pé das arvores ou nas fendas dos roche-
dos, onde tecem uma pequena teia irregular que
lhes serve de abrigo. Em Bello Horizonte, onde é
muito commum a seytodes vittata, encontramos
sempre esta especie em depressões de muros das
habitações. |
As scytodinas comprehendem ainda hoje ape-
nas 6 genero Scytodes.
Scytodes — Latreille — 1804.
Glhos iguaes, dispostos em tres pares muito
separados, o par mediano adiante dos pares late-
raes. Clypeo mais largo que os olhos médios, trun-
cado em linha recta. Pernas delicadas (1, II, IV,
HI ou 1, IV, II, 11), muticas, ( os femures do ma-
cho. no entretanto, são providos de espinhos curtos
em dupla série ).
Typo — S. thoracica — Latreille. O genero
scytodes é representado no Brazil por onze espe-
cies, das quaes quatro são novas para a sciencia, po-
dendo ser separadas pelos caractéres especificos se-
guintes :
a — Abdomen de colorido uniforme :
b — Toda aranha de colorido uniforme, ama-
rello — S. concolor.
6 b — Cephalothorax de colorido differente do
abdomen :
c — Cephalothorax com uma faixa longitudinal
mais escura — S. campinensis.
cc —Cephaiothorax de colorido uniforme —
S. discolor.
a a — Abdomen manchado ou estriado :
b — Cephalothorax branco, com manchas li-
neares e linhas longitudinaes medianas — S. iguas-
suensis.
bb — Cephalothorax amarello ou pardo com
uma faixa longitudinal mediana ou irregularmente
manchado :
c — Cephalothorax sem manchas, apenas com
estrias longitudinaes de colorido differente :
d — Cephalothorax amarello com estrias escu-
ras; abdomen com faixas transversaes na parte pos-
terior — S. lineatipes
dd — Cephalothorax escuro com estrias mais
claras; abdomen manchado, mas sem as faixas
transversaes posteriores — S. fusca
cc — Cephalothorax manchads :
d — Cephalothorax com uma faixa longitudi-
nal mediana :
e — Abdomen sem manchas, com estrias cla-
ras obliquas dos dois lados da linha mediana — S.
vittata
ee— Abdomen manchado :
/ — Faixa mediana do cephalothorax interrom-
pida por uma pequena linha amarella ; pernas ama-
rellas, manchadas de escuro — S. longipes
ff — Faixa mediana do cepialothorax com
manchas pequenas, claras; pernas escuras, com an-
neis claros, às vezes, indistinctos — S. maculata
dd — Cephalothorax sem faixa longitudinal me-
diana — S. depressiventris.
Scylodes concolor — sp. n. (Fig. 36.)
9 — 9 mm. Cephalothorax amarello-parda-
cento unif.rme, apresentando na parte média pellos
trigueiros, esparsos. Cheliceras, maxil-
lares e labio de colorido igual ao do
cephalothorax ; esterno pardo-amarella-
36 do, com uma estreita orla marginal
ver nelho-brunea. Pernas amarellas, de
tons mui levemente pardacentos, de colorido uni
forme. Abdomen branco-amarellado-sujo, de colo-
rido uniforme no dofso e no ventre. Epigyno es-
curo, avermelhado, apresentando uma placa supe-
rior levemente recurva e duas placas lateraes, tri-
angulares, curvilineas, cada qual com uma pequena
mancha mais escura, proxima do angulo superior
interro. Hab.: Nictheroy ( Estado do Rio de Ja-
neiro ).
Seytodes campinensis — sp. n. (Fig. 37.)
2 — 6 m m. Cephalothorax castanho-escuro,
apresentando na linha mediana uma estreita faixa
longitudinal muito escura, que percorre quasi todo
o cephalothorax, partindo atraz um pouco
do terço posterior e se extendendo até
perto do grupo de olhos médios ; as mar- 37
gens lateraes do cephalothorax, sua mar-
gem posterior e um ligeiro entalhe no inicio da
faixa mediana são mais claros que o cephalothorax.
Cheliceras, maxillares, labio e esterno são de colo-
rido igual ao do cephalothorax. Abdomen enne-
grecido, uniforme, revestido de curtos pellos tri-
gueiros. O colorido escuro do abdomen é devido a
um revestimento pulverulento que sae facilmente
pelo attricto, de modo que o abdomen fica de colo-
rido alvadio, permanecendo os pellos com seu co-
lorido trigueiro que têm no vivo. Pernas de colo-
rido similhante ao do cephalothorax, mas uu pouco
mais claras. Epigyno linear simples, com duas pla-
cas vulvares sub-circulares. Hab. : Campina Grande
( Parahyba do Norte). Coll.: Tranquilino Leitão.
Scytodes discolor — sp. n.
g— > mm. Todo cephalothorax, cheliceras,
labio, maxillares, esterno, palpos e pernas de colo-
rido uniforme, fulvos, cor de mogno. O abdomen
é tambem de colorido uniforme no ventre e no dorso,
todo cinzento fusco, revestidos de curtos pellos ne-
eros. Hab. Nova Iguassu ( Rio de Janeiro).
Coll. — Blanc de Freitas.
Scytodes iguassuensis — sp. 0.
q — 5 m.m. Cephalothorax alvadio com del-
gadas linhas castanho-escuras formando varios de-
zenhos; no clypeo ha uma linha transversal, inter-
rompida no centro, situada muito proxima da borda,
a que é quasi parallela; nas extremidades externas
essa linha se dobra em angulo levemente obtuso
para cima, indo terminar nos grupos de olhos late-
ne
raes ; os tres grupos de olhos estäo postos em man-
chas pequenas, castanho-escuras ; do grupo ocular
médio partem tres linhas longitndinaes, das quaes
as duas lateraes são mui ligeiramente curvas de
concavidade externa e se extendem até a parte mais
alta do dorso; a linha média que parte do grupo
ocular médio é dire:ta, termina em ponta em sua
extremilade superior e alcança apenas o primeiro
terço das linhas curvas que lhe são proximas; logo
acima das duas linhas longitudinaes medianas ha
uma linha em U, mui fortemente procurva, abra-
cando as extremidades superiores das linhas longi-
tudinaes; de cada lado dessa linha em U ha qua-
tro linhas curtas, obliquas para baixo, para fóra e
para diante; na parte posterior do cephalothorax ha
uma delgada linha marginal, sinuosa, com um largo
espaço claro ao n vel da articulação com o abdomen ;
quasi parailelas a essa linha marginal ha duas ou-
tras linhas mais grossas, interrompidas; a linua si-
nuosa se continúa logo acima das margens lateraes
do cephalothorax, havendo acima della uma série de
tres linhas curvas que formam outros tantos UU
deitados, de abertura anterior e bem mais largos nas
alças posteriores ' As cheliceras são brancas, como
o cephaloth rax e inteiramente percorridas em sua
face anterior por uma estreita faixa longitudinal es-
cura; a garra das cheliceras é testacea. Labio e
maxillares brancos. Esterno branco, tendo de cada
lado tres manchas marginaes quasi punctiformes e
um ponto submarginal, todos castanho-escuros. Os
palpos têm a face. infericr de todos os segmentos de
colorido branco uniforme; vistos pela face dorsal
elles apresentam manchas e anneis castanho-e curos
em todos os segmento: Pernas brancas, sendo os
femure: muito manchados, apre-entandc numerosas
manchas lineares obliquas, algumas reunidas em V ;
patellas com uma mancha castanho-escura apical na
face superior ; tibias e metatarsos com um annel api-
cal, um annel basal e uma pequena mancha no terço
medio, tudo castanho-escuro. Abdomen de ventre
claro uniforme; dorso pardo violaceo, apresentando
na metade posterior linhas parallelas, transversaes,
sinuosas de voltas largas, algumas interrompidas no
meio, castanho-escuras. Hab. Nova Iguassu (Rio
de Janeiro ). Coll. — Blanc de Freitas.
Scytodes liñnealipes — Taczanowski — Horae
Not Entom: Ross, 1879, vol. X; p. 107. |
S. | — Keyserling, Spinnen Amerikas, Brazil.
Bp tool. DAS priv; 2.112,
S. 1 — Simon, Proc. Zoo: Soc. London, 1891,
p. 910, pr. XLII, ft 16 e 17.
g — 4 mm. Cephalothorax amarello, tendo
ao meio linhas parallelas escuras, que começam nos
olhos médios anteriores, ndo indo até a extremi-
dade posterior, mais finas dos lados e quasi sempre.
arqueadas e recurvas atraz. As margens lateraes
são negras e, acima dellas, ha uma faixa disconti-
nua da mesma côr, havendo fora, de cada lado, al-
gumas estrias dirigidas das margens para a parte
média do dorso. Nas tres faixas do dorso ha cer-
das escuras, umas curvas, recumbentes e outras
erectas. As cheliceras são amarellas, tendo na face
anterior uma estria longitudinal escura. Os maxil-
lares, o labio e o esterno são amarellos. Pernas
amarellas; na face inferior dos femures ha duas
pequenas linhas negras; na face externa dos femu-
res, na parte apical e no meio da face externa das
tibias ha uma mancha igualmente negra. Abdomen
amarello, manchado de escuro dos lados apresen-
tando na parte anterior do dorso algumas manchas
escuras e na parte posterior linhas transversaes,
mais ou menos nitidas, de igual colorido, disconti-
nuas no centro; lados do abdomen manchados de
escuro. Palpos da côr das pernas; femur terete,
mais longo que largo; patella cylindrica ligeira-
mente mais lunga que larga; tibia dilatada no cen-
tro; tarso revestido de curtos pellos trigueiros, di-
latado na base, ao nivel da inserção do bulbo, de-
pois estreitado, levemente pontudo no apice. Bulbo
de base dilatada, globulosa, com um estylete curvo,
terminado em duas cerdas curtas e negras. Tab. :
— 136 —
Friburgo ( Estado do Rio de Janeiro ) e Blumenau
( Santa Catharina ). Fôra do Brazil foi esta espe-
cie encontrada em S. Vicente, no Mexico, na Ve-
nezuela e na Guyanna Franceza.
Scylodes fusca — Walckenaer — Ins. apt , 1837,
vol: Lo pera:
S. f., Simon, Proc. Zool. Soc. London, 1891,
pi 01:
S. f., Banks. Proc. U. S. Nation. Mus., 1901,
vol. XXIV, p. 218 e Calif. Acad. Se., 1898, vol. 1,
p. 209.
Syn. Scytodes guyanensis, Taczanowski, Ho-
rae Soc. Entom. Ross. 1873, vol. X, p. 108:
Scytodes guyanensis, Neyserling, Spinnen Ame-
rikas, Brazil, Sp. 1891, p. 971.
9 — 9,3 mm. Cephalothorax vermelho-bruneo
escuro, com cinco linhas longitudinaes mais claras
e indistinctas. Cheliceras, maxillares, labio e ester-
no pardo-escuros; os maxillares e o labio têm as
extremidades mais claras. Palpos e pernas pardo-
amarellados, sendo os femures escuros. com linhas
iongitudinaes indistinctas e ainda mais escuras.
Abdomen cinzento muito escuro ou quasi negro,
com pequenas manchas amarello-translucidas. O la-
bio é como festonado, excavado no meio, de angu-
los lateraes arredondados e luzidios. Cheliceras co-
bertas de pellos trigueiros.
f — 6 mm. Cephalotnorax avermeihado. Che-
liceras amarellas ou vermelho-pallidas. Maxillares
de um fulvo-esverdeado, com uma risca negra na.
bórda externa; labio amarello-pallido. Esterno ama-
rellado, com ligeiras eminencias manchadas de ne-
gro. Pernas de colorido uniforme, vermelho-ama-
relladas, mas com manchas negras ou bruueas na
face inferior e na extremidade das coxas dos tro-
chanteres e dos femures. Abdomen de colorido e
desenho iguaes aos da femea. Palpos vermelhos
com algans pontos negros; tarso terminado por
uma cupula oval, pontuda na extremidade, na qual
se articula, em angulo recto, um bulbo oval, piri-
— 137 —
forme, terminado por um pequero espinho. Hab.:
Serra Vermelha ( Estado do Rio de Janeiro ). Fora
do Brazil foi encontrada em Bermuda, S Vicente,
Porto Rico, Hayti, Costa Rica, Mexico, Venezuela
e Guyanna Franceza.
Scytodes vittata — Keyserling — Verhandl.
zool. bot. Gesels. Wien, 1877, vol. XXVII, p. 212,
pe. 212, pr Vi, É A
+ g—5 mm. Cephalothorax amarello, apresen-
tando uma larga orla marginal parda, que se ex-
“tende pelas margens lateraes e pela margem poste-
rior; no meio da parte dorsal do cephalothorax ha
uma larga faixa longitudinal que se extende do
grupo de olhos médios anteriores até a parte mais
alta do dorso; essa faixa é, às vezes, interrompida
e tem em sua parte mediana uma estreita linha
longitudinal amarella, na qual ha, por seu turno, uma
pequena estria parda. De um e outro lado da linha
mediana ha algumas pequenas linhas pardas que limi-
tam manchas amarellas. Cheliceras pardas, de apices
amarellos; maxillares amarellos; labio pardacento,
de margem anterior mais clara; esterno pardo, com
manchas mais claras, situadas proximo à inserção
das coxas. Pernas amarellas, de femures pardos e
com anneis indecisos na base, no meio e no apice
das tibias, principalmente nos pares posteriores.
Nos exemplares mais jovens e mais claros todos os
segmentos das pernas são nitidamente manchados,
de femures pardos. Palpos pardos, de tarsos ama-
reilos. O abdomen dos exemplares escuros, de ce-
phalothorax todo pardo, de desenho pouco nitido, é
negro-azulado com raras faixas tansversaes; nos
exemplares mais claros o abdomen é negro e apre-
senta no dorso e dos lados tres pequenas faixas
transversaes, das quaes a anterior termina em baixo,
no ventre, adiante das fiandeiras e as duas poste-
riores acabam nas proximidades das mesmas. Estas
linhas tranversaes claras formam em cima, no
dorso, angulos de vertice voltado para a parte an-
terior ; na parte posterior do dorso, atraz das linhas,
ba um par de linhas similhante:, porém muito cur-
tas e pouco distinctas. A parte superior do cephalo-
thorax é sem brilho e muito pouco pillosa. Unha
inferior do tarso das pernas bem nitida e uniden-
tada; unhas superiore: pluridentadas, uma com uma
série, outra com duas séries de sete a oito den-
tes.
Ss — 6 mm. Cephalothorax amarello-brunete
pallido, com uma larga orla pardo-escura, nas mar-
gens lateraes e posterior, tendo essa orla grandes
manchas amarellas uniseriadas ; na metade anterior
do cephalothorax ha uma estreita faixa parda di-'
reita, que termina junto ao grupo de olhos médios
anteriores; de um e outro lado, junto à linha mé-
dia, ha uma larga faixa brunea de contornos irre-
gulares, mais ou menos sinuosa e occupando toda
a extensão do cepbalothorax ; destas faixas partem
4 pequenas linhas obliquas para a orla marginal,
sem comtudo a attingir, de modo que os lados do
dorso parecem formados por duas faixas muito lar-
gas, claras, denteadas na margem interna. Palpos,
cheliceras, maxillares e labio avermelhados. Pernas
amarellas, de articulações mais escuras ; coxas ama-
rello-pardacentas, claras. Esterno pardo, mosqueado.
Abdomen pardo; as duas primeiras faixas claras,
obliquas, são interrompidas no meio. Na metade
posterior do dorso do abdomen ha quatro faixas
amarellas, transversaes. estreitas, em V muito aber-
to, de ramos quasi horizontaes e vertice anterior ;
o espaço escuro que as separa é proximamente da
mesma largura que ellas. Ventre claro, um pouco
mosqueado de pardo. Tibia do palpo maior e muito
mais larga que a patella, dilatada, fusiforme; tarso
muito delgado, destacado do bulbo em quasi toda
extensão, afilando gradativamente para a ponta;
bulbo saliente, fulvo, destacado, subglobuloso, brus-
camente estreitado em um estylete apical delgado,
filiforme, tão ou mais longo que o resto do bulbo.
Esta especie é muito commum em Bello Ho-
rizonte e as variações de colorido são ainda maio-
res que as assignaladas pelo Conde Keyserling.
O macho cuja descripçäo foi feita por mim pela pri-
meira vez é muito differente do maior numero de
femeas. Encontrámos algumas femeas com o colo-
rido do macho; como, porém, ha todas as grada-
ções entre os especimens que apresentam o: cara-
teres typicos e os similhantes ao macho óra descri-
pto, não são sufficientes para crêar variedade nova.
Algumas femeas apresentam na parte posterior do
dorso uma estreita linha longitudinal amarellada,
interrompida, formada por quatro ou cinco manchas
allongadas.
Hab. : Iguape (São Paulo), Bello Horizonte
(Mines Geraes) e Pinheiro (Rio de Janeiro ).
“Fóra do Brazil esta especie fora enconirada na Co-
lombia. |
Scylodes longipes — Lucas — Ann. Soc. Entom.
Hrance. 1845; p. Tipi Li 2
S. 1., Keyserling, Verh. zool. bot. Ges. Wien.
Tait, ps 2.0. pra Via tos.
S. 1, Simon, Proc. Zool. Soc. London, 1891,
2,007; pi. Mulls T 19. |
S. L, F. Cambridge, Biol. Centr. Americana,
Fee TOM paso o. prol pre Ve Mi lis 2,
Solo woaks. Proc. Us Nate Mas. 190%, vol:
XXIV, p. 218.
Syn.: Scytodes marmorata, Taczanowski, Ho-
sao Soc Entom; Ross, 1619, po 196, prol £8.
Scytodes taczanowskit, Keyserling, Spinnen
Amerikas, Brazil, Sp. 1891, p. 162.
q — 85 mm. Cephalothorax amarello com
manchas pardas irregulares, ovae, allongadas ; dos
lados. no dorso, ha uma faixa longitudinal de colo-
rido igua! 40 das manchas, e interrompida por uma
pequena linha amarella, mais escura dos lados, Che-
liceras amarellas com manchas circulares pardas na
margein interna da face anterior; maxillares ama-
rellos com estrias pardas junto à margem externa.
Labio amarello com a metade apical parda e de
margens amarello-claras. Esterno pardo, tendo ao
centro uma mancha longitudinal amarella, mais
larga em sua parte anterior e acuminada para a
parte posterior; além desta ha ainda no esterno,
dos lados, tres manchas ovaes da mesma cor e uma
outra similhante a estas lateraes adiante, junto ao
labio. Pernas amareiias; os femures manchados de
pardo; as patellas bem mais escuras; tibias com
tres estreitos anneis pouco distinctos, pardos, nas
pernas dos dois ultimos pares; tarsos de extremi-
dades escuras. Palpos amarellcs, indistinctamente
sulcados de escuro, principalmente nas tibias e nos
tarsos. Abdomer amarello sujo tendo, de cada lado,
uma linha ascendente longitndinal, ennegrecida, que
parte das fiandeiras ‘As pontas salientes dessas fai-
xas assim como a cavidade formada atraz, no ven-
tre, pela união de ambas, são igualmente negras,
sendo pardas interiormente. (O dorso e lados do
abdomen são cobertos de muitas pequenas manchas
negras, ovaes ou irregulares, havendo algumas maio-
res, contiguas, junto ao tuberculo anal. Fiandeiras
emarellas, sendo as inferiores de face externa parda.
Todo o annal é escassamente coberto de peilos. As
cheliceras apresentam, em sua face externa, uma
ordem de pequenas eminencias transversaes, com
algumas cerdas. Maxillares mencs inclinados que
nas outras especies, de margens externas não arre-
dondadas. Labio de borda anterior arredondada.
Abdomen oval. Epigyno formado por duas cavida-
des chatas, ovaes, allongadas, approximadas, bri-
lhantes, de margens interna e posterior elevadas
em um como ourelo. Unhas superiores dos tarsos
das pernas com uma série ou duas de oito a nove
dentes ( ha duas séries em uma só das unhas); a
unha inferior é bem apreciavel, unidentada. Hab. :
Blumenau ( Santa Catharina). Fôra do Brazil foi
esta especie encontrada na Colombia, Venezuela,
Paraguay, Panamá, Guatemala, Mexico, Guyannas e
Antilhas.
Scytodes maculata — Holmberg — Anales de
Agricultura de la Republica Argentina, 1876, vol.
IV, p. 3.
-
S. m., Holmberg — Arac. de la Pampa merid.
y de la Patagonia, 1881, p. 127, pr. HI, f. 3.
S m, Keyserling — Spinnen Amerikas, Bra-
zd. Sp., 1891, p. 163.
Ge d — 8 mm. Cephalothorax amarello-par-
dacento, manchado de e-curo, tendo no meio do
dorso uma larga faixa pardo-escura salpicada de
pequenas manchas claras Cheliceras, maxillares, e
labio pardo-avermelhado ,. estes dois ultimos de ex-
tremidade apical mais clara. Esterno pardo com
manchas irregulares mais claras. Pernas pardo-
escuras com estrias longitudinaes mais claras nos
femures e anneis claros nas tibias. Abdomen pardo,
profusamente manchado de manchas irregulares na
forma e no tamanho; fiandeiras de colorido uni-
forme, pardo; epigyno com duas placas triangulares
curvilineas, fulvo. O tarso do palpo do macho é
como nas outras especies do genero, dilatado na
base e estreitado para o apice; bulbo subglobuloso
ao nivel da hematodocha, terminando por um esty-
lete delgado com duas cerdas apicaes, entre as quaes
se nota uma como garra curva. Hab.: Rio Grande
do Sul. O especimen typo desta especie foi encon-
trado por Holmberg na Republica Argentina.
Scylodes depressiventris — Mello Leitão, Bro-
teria, 1916, vol. XIV, p. 13. (Fig. 38.)
q — 8 mm. Cephalothorax verme-
lho-coccineo, inteiramente ornado de
manchas claras irregulares e irregular-
mente dispostas. Cheliceras, maxillares
38 e Jabio vermelho-pardacentos, mais cla-
ros na base. Esterno vermelho-pardo-
escuro, apresentando de cada lado tres manchas
claras; além dessas tres ha ainda uma outra man-
cha central, em fórma de ferro de lança e uma
ultima na parte média da metade anterior, de fór-
ma trapezoide, de base posterior, bem mais larga
que alia e situada no ponto de união do labio com
o esterno; estas duas manchas da linha média do
esterno são igualmente claras. Pernas e palpos
— 142 —
vermelho-coccineo=, com manchas claras esparsas
sem ordem e com alguns anneis do mesmo colorido,
Abdomen allongado, pardo, apresentando no dorso
e dos lados estrias longitudinaes e pontos negros
irregularmente dispostos; o ventre é pardo, com
duas manchas negras allongadas, formadas por es-
trias transversaes muito approximadas. A fórma do
epigyno se afasta da de todas as outras especies;
as placas vulvares symetricas são muito negras,
semicirculares, de convexidade voltada para a linha
mediana; a placa superior impar e mediana tem a
borda inferior sinuosa; esta placa é igualmente de-
negrida. Hab.: S. João d'El-Rey ( Minas Geraes ).
HI — PERIZGOPINAS
Cephalothorax convexo. oval, pouco estreitado
adiante, de fronte larga e obtusa; clypeo vertical,
levemente convexo e muito alto; região thoracica
do cephalothorax provida de estrias irradiantes mas
sem estria mediana. Cheliceras robustas e verti-
caes, de garra bem desenvolvida, muito arqueada e
larga na base; a margem inferior do sulco ungueal
é mutica; a superior é armada de tres dentes des-
iguaes, um pouco divergentes.
Esterno oval e allongado, estreitado na frente
onde ultrapassa um pouco as coxas antericres que
são contiguas; labio muito mais longs que largo,
estreitando-se para a extremidade livre; maxillares
longos, estreitos e paralielos desde a inserção do
trochanter, a qual é quasi basal; elles são providos
no apice de uma densa escópula,
Abdomen oval curto; fiandeiras curtas e espes-
sas, acompanhadas de um cóllulo obtuso, bem des-
envolvido.
Pernas robustas e longas, sem espinhos mas
providas de cerdas rijas, inuito-fortes, dispostas em
séries longitudinaes muito regulares.
Ha desta subfamilia um unico genero que é
representado no Brazil por sua especie conhecida.
Pertica — Simon — 1903
Cephaiothorax convexo, não estreitado para a
parte anterior,sem região cephalica distincta. Seis olhos
apprcximados e quasi iguaes; os quatro anteriores
dispostos em linha mui levemente procurva, os mé-
dios contiguos, separados dos lateraes cerca d: um
diametro ocular; olhos posteriores contiguos aos la-
teraes anteriores. Cheliceras robustas, de garra gros-
sa; a mergem inferior do sulco ungueal é mutica ;
a margem superior é submembranosa e tridentada.
Labio grande, obtusamente triangular, não sendo,
porém, muito mais Jongo que largo em sua parte
basal. Maxillares longos, de apices contiguos, mem-
branosos. Esterno oval. Pernas (IV, J, IL III)
sem espinhos mas providas de cerdas rigidas, orde-
nadas em série. Tarsos providos de onychio, com
tres nnhas, das quaes as duas superiores são pro-
vidas de numerosos dentes bisériados. Abdomen
oval. Fiandeiras anteriores robustas e curtas, se-
paradas por um cóllulo obtuso. Typo: P. badia —
Simon.
Pertica badia — Simon, Ann. Soc. Entom.,
Belgique, 1903, vol. XLVII, p. 12:
5 — 4 mm. Cephalothorax pequeno, oval al-
longado, um pouco estreitado na frente, de fronte
larga e obtusa, de colorido rubro-castanho-opaco,
com pequenos tuberculos de onde partem cerdas;
clypeo largo e convexo. Cheliceras pardo-castanhas
pouco resistentes. Maxiliare:, labio e esterno pardo-
avermelhados. Pernas robustas, pouco allongadas,
revestidas de longos pellos, fulvo-avermelhadas.
Abdomen curto, convexo, negro, revestido de lon-
gas cerdas; os lados e o ventre são do mesmo co-
lorido negro uniforme, mas a região epigastrica é
convexa e fulvo-avermelhada. Hab. : São Paulo.
Rio de Janeiro, 24 de Maio de 1917.
Fig. 1
( Keyserl. )
Fis: \2
> >
» 4
» 5
» 6
» 7
» 8
> 9
» 10
a ALL
mee ee
» 13
>» 14
HN Lo
>» LG
>
( Keyserl. )
Fig. 18
( Keyserl. )
ies
ie 20
Sa PA L
» 22
( Keyserl. )
Fig. 23
( Keyserl. )
Fig. 24
> 25
> "26
$i 2
» 28
» 29
» 30
Fig. 3
> uo UI QU US OF €
So ER UN
y
se
Je imo
I
—]
Leitão.
Explicação das figuras
— Epigyno de Litoporus imbecillus ( femea) —
— Palpo de Litoporus luteus — ( Keyserl. )
— Palpo » >, fuivus — Moenck.
— Chelicera de Litopurus fulvus — Moenck.
— Palpo de > brasiliensis — Moenck.
— Chelicera de » » »
— Epigyno » » genitalis >
= Palpo » > » >
— Chelicera » » » >
— Palpo de Psilochorus fluminensis — sp. n.
— Chelicera de Psilochorus fluminensis — sp. n.
— Palpo de Coryssocnemis banksi — Moenck.
— Chelicera de Coryssoenemis banksi — Moenck.
— Epigyno » > > >
— Palpo > » togata — ( Keys.)
— Epigyno » > altiventer — »
= » » Blechroscelis cyaneotaeniata —
— Palpo de Blechroscelis cyaneotaeniata —
— Palpo de Blechroscelis viridis — sp. n.
— Chelicera de Blechroscelis viridis — sp. n.
-- Epigyno » » simoni — Moenck.
— > > > cyaneomaculata —
— Palpo de Blechroscelis cyaneomaculata —
— Epigyno de Blechroscelis caerulea — ( Keyserl. )
-— > » Spermophora maculata — (Keyserl.)
== > » > unicolor — ( Keyserl. )
— > » Metagonia bicornis — ( Keyser. )
— » » Physocyelus difficilis — sp. n.
— Esterno > » > SE
— Palpo de Pholcus phalangioides — ( Fuess. )
— Palpo de Pholeus dubiomaculatus — sp. n.
— Chelicera de » » > »
— Epigino de Smeringopus purpureus — Moenck.
— » > » geniculata — (Thorell)
— Palpo » » geniculatus — (Thorell)
— Epigyno » Seytodes concolor — sp. n.
— » » » campinensis — sp. n.
— » » > depressiventris — Mello
Um caso de symbiose entre a APIS MELLIFERA
e uma melliponida indigena a jaly
POR
D. Amaro van Emelen, O. S. B.
—————— 110 —____
UM CASO DE SYMBIOSE
Mezes atraz, ao examinar os armazens de uma
colmeia de abelhas italianas, deparou-se-me num
canto uma communidade de abelhinhas indigenas.
Uma casa de Jatys occupava uma das secções ain-
da desprezada pelas irmãs extrangeiras. Determinei
logo não lhes tocar afim de ver o rumo que toma-
vam as cousas, com o secreto desejo de averiguar
um caso de symbiose.
Nesta primeira visita occupavam as abelhi-
nhas indigenas parte dum quadrinho de madeira,
guarnecido com cêra moldada para a construcção
dum pequeno favo, tendo até, ao que me pareceu,
cortado uma diminuta porção da sobredita folha de
céra, com o fim obvio de arrastar o impecilho que
lhes estorvava a organização do ninho. Era bem
no canto do armazem o local escolhido pela Jaty
para a criação dos filhos; quanto aos potesinhos
de mel tinha-os postos na parte correspondente ao
ninho, ao outro lado das porta-secções, porém. O vão
escolhido para a camara da prole media dez centi-
metros de alto e outro tanto de comprido e cinco
de largo, formando uma habitação de meio litro de
capacidade. O local destinado ao mel, porém, pa-
recia muito menos proprio, pois consistia numa
longa faixa de 10 cms. de alto, com quarenta de
comprido e dois de largo. (Correndo este vão ao
longo das porta-secções, na sua maioria occupadas
pelas abelhas apis, apresentava-se muito exposto a
ser saqueado logo que estas se lembrassem de en-
campar os mantimentos das irmãs indigenas.
Por emquanto tudo vivia em bôa paz, pelo
motivo talvez de haver safra abundante de flôres,
de sorte que andavam as operarias muito atarefa-
das, tanto na colmeia extrangeira como na indi-
gena. E” mesmo de crer que a azafama em que
labutava aquella fosse a causa ou occasiäo da oc-
— 148 —
cupação pacifica por estas duma parte da colmeia,
bem que reduzidissima.
Como pudéra a Jaty procurar agazalho neste
local? De certo não pelo elvado da colmeia, que
ahi não deixam as sentinellas penetrar insecto al-
gum, nem abelha extranha, nem vespa, formiga ou
mosca. As vespas e formigas attrahidas, quiçä,
pelo aroria dos mantimentos amontoados nos cel-
leiros, embora corram durante instantes ao longo
do alvado, procurando até transpól-o, arrastam-se
comtudo appressadamente a menor menção de ata-
que por parte das sentinellas. São cobardes e can-
telosas, como verdadeiras ladras, embora mais pos-
santes, como a vespa, e mais vantajosamente arma-
das, ou mais efficazmente defendidas por impenetravel
couraça, como a ‘ormiga; por isso correm menor
apparencia de perigo. Quanto às moscas que, com
impertinente ousadia, procuram transpôr desperce-
bidas as primeiras linhas, por meio de ágeis voltas
e viravoltas, é interessante notar o furor com que
as sentinellas a ellas se arremessam, procurando
ferroal-as sem conseguil-o, e como que irritadas e
ao mesmo tempo enfastiadas com as repetidas ten-
tativas do afoito insecto. Deve-se portanto excluir
a possibilidade da penetração do enxame” de Jatys
pelo alvado a dentro. Cumpria procurar em outra
porta o ponto de penetração.
Entrariam pelo tecto? Não, porque o fórro,
bem ajustado, vedava toda a entrada. Lobriguei
então pequena protuberancia de cêra alva; fina-
mente lavrada em tecido delgado que lhes formava
o alvado. Por elle, de facto, entravam e sahiam
numerosos insectos.
Examinando a portinha de cêra, descobri que
correspondia a diminuta falta de continuidade nas
paredes do armazem no ponto em que repousava
sobre o ninho. Ali se achava uma pequena aber-
tura, pequena demais para dar passagem a uma
abelha italiana, suficiente, porém, para a Jaty.
Por ella chegavam aos seus aposentos no canto do
armazem, mas não sem ter de atravessar uma zona
perigosa, pois a entrada desembocava em pleno na
parte superior do ninho da apis, tendo a Jaty de
palmilhar uns tres ou quatro centimetros no terre-
no em que não só passavam, senão mui provavel-
mente estacionavam muitas abelhas. O facto de
haverem trensitado por este logar durante mezes
faz-me suppor- que apesar de tudo houvera e havia
symbiose.
Achava-se do lado do nascente o alvado da
Jaty. Aconteceu porém, numa visita posterior, ao
repôr o armazem que havia arredado do local para
examinar a colmeia, collocal-o em sentido contrario
ao primitivo, de sorte que foi o alvado occupar o
lado oeste. Sem embargo, grande transtorno para
os insectos que, a não acertar pela porta de cêra,
sua habitual entrada, haviam de percorrer todo o
comprimento do armazem da apes para attingir os
proprios penates agora removidos para o lado op-
posto. Nisto não houve, porém, grande inconve-
niente, pois continuou por muitas semanas a mos-
casinha mellifera a entrar e sahir pelo lado habi-
tual, situado ao nascente, acostumando-se comtudo
paulatinamente a trafegar pelo alvado proximo ao
ninho. E' este phenomeno mais um indício a fa-
vor da hypothese da symbiose.
Em março ultimo haviam-se mudado de den-
tro da secção para um espaço muito baixo que
existe entre a parte superivr das secções e o forro
que as cobre. Neste vão de oito millimetros de
alto encontrei fatias de cria, na vizinhança sempre
dos potes de mel que ainda occupavam a antiga
localidade. Parecia em progresso o pequeno povo
de pygmeus melliferos. Por isso não tive duvida
em remover a cria do logar que julgava inconve-
niente por que havia de desmanchal-o cada vez que
removesse o forro. Outrosim desejava ver reunida
a criação toda num receptaculo facil de remover-se,
porque pretendia, uma vez agasalhadas as abelhi-
nhas no quadrinho seccional, retiral-as e transplan-
tal-as em caixinha appropriada.
Ahi tive uma decepção, porque contara sem o
hospede. Quando um mez mais tarde, a 14 de
maio, fui examinar o armazem, theatro da interes-
sante convivencia, não encontrei mais indício al-
gum da existencia da Jaty.
Apresentam-se-me agora diversas hypotheses.
Ter-se-à afastado proprio motu a pequena abelha,
pelo motivo de se lhe haver tocado no ninho. indo
procurar outra morada mais tranquilla? Ou então
haverá sido trucidada ou expulsa pela italiana ?
Como então explicar a repentina mudança de rela-
ções amigaveis em sentimentos hostis e actos vio-
lentos, após sete mezes de pacifica convivencia ?
Quer me parecer que o desenlace fatal é de-
vido mais a minha intempestiva intervenção do que
a qualquer disposição espontaneamente hostil da
abelha italiana para com a Jaty. Supponho que a
exposição ao ar livre das fatias de cria da melli-
ponida indigena e a remoção para outro ponto da
colmeia pódem tel-a privado ou notavelmente en-
fraquecido o odor da colmeia apis, permittindo so-
bresahir o da Jaty. A ser verdadeira esta hypo-
these haveriam as apzs estranhado a presença de
abelhas domesticas e crias estranhas na sua col-
meia, tratando sem demora de eliminal-as. E” aliás
facto conhecido dos apicultores que tal acontece
com as proprias rainhas que, momentaneamente
afastadas, e logo restituidas, si acaso adquirem al-
gum cheiro provindo dos dedos do operador, são
incontinenti trucidadas pelas proprias abelhas, que,
enganadas pelo odor desconhecido, matam a pro-
pria progenitora.
Em vista de tudo isto parece-me difficil afas-
tar completamente a idéa duma symbiose neste
caso, embora transitoria e precaria.
O MANDAPUCA
(Ciposia Mandapusá Alv. Silv. )
Novo genero das Myrtaceas
PELO
Dr. Alvaro da Silveira
Engenheiro de Minas. Ex-Director da Commissão Geographica e Geologica
e actual Director da Secretaria de Agricultura do Estado de Minas Geraes,
é
=. ~
ORE
2” VIE RE LD LES
: ibe a th LE E CU
GA ao Cine ms mi : nabs: # Bs. E
RA ee ne LC EN
O Mandapuca
Ciposia mandapuçá Alv, Silv.
Novo genero das Myrtaceas
A planta que aqui vou descrever botanicamente
pertence sem duvida alguma à tribu Myrteae de
De Candolle, indicada na magnifica monographia
de Otto Berg, na Flora brasiliensis, de Martius
Pvol XIV pars 1).
Essa tribu é dividida por Berg nas seguintes
sub-tribus :
CONSPECTUS SUBTRIBUUM
J. Semen exalbuminosum.
Embryo cotylis foliaceis,
contortuplicatis; radicula
NL | ae a ee
Embry) cotylis carnosis,
discretis v. margine v.
o unino conferruminat’s ;
radicula abbreviata
Embryo spiralis, subspi-
ralis v. uncinato - curva-
tus; radicula elongata ;
cotylis brevissimis.
1) Stamina creberrima
in alabastro incurva
2) Stamina 4-8, in ala-
bastro retrorsum plicata
MYRCIOIDEAE.
EUGENIOIDEAE.
PiMENTOIDEA E.
MYRRHINOIDEAE.
Il. Semen albuminosum.
A) Stamina in alabastro
recta. Embryo rectus
ORTHOSTEMONOIDEAE.
— = ISA. ==
Por essa divisão, o mandapuçä se encaixa per-
feitamente na sub-tribu Eugenio deae. Quando po-
_rém, Berg indica os detalhes desse grupo, o faz
do seguinte modo :
Subtribus I]. Lugemoideae. Berg. Germen in-
ferum v. semiinferum, 2 —i ioculare, 4 — multi-
ovulatum. Calix clausus, calyptratim v. longitudina-
liter rumpens v. 4 — 6 lobus. Petala 4 — 6. Stamina
plurima, libera; antherae biloculares, longitudinaliter
dehiscentes. Stylus solitarius, stigma simplex. Fructus
baccatus v. drupaceus. Seminis testa membranacea,
arcte adherens v. cartilaginea, nitida. Embryo cotylis
carnosis, discretis v. margine v. omnino conferru-
minatis ; rostello saepissime abbreviato.
Tendo em vista esses caracteres já a minha
planta não poderia pertencer à subtribu Eugenioi-
deae, porque nem os estames do mandapuçã são in-
definidos nem a dehiscencia de suas antheras é
longitudinal.
Em vez de crear um novo grupo ou subtribu
a que devessem pertencer plantas como o manda-
puçá, é claro que no caso de que se trata, melhor
será modificar um pouco da sub-triba, dados em
detalhe por Berg, de modo a não impedir que o
mandapuçã se aliste nesse grupc.
Indicando, portanto, para maior clareza, sobre
a classificação botanica do mandapuçä, a posição
que elle occupa no grupo Eugenioideae, datei os
caracteres desta sub-tribu de accôrdo com as modi-
ficações por mim feitas.
Subtribus EuGENIOIDEAE ( Berg) Alv. Silv. Ger-
men inferum v. semiinferum, 2 — 4 — loculare, 4
— multiovulatum. Calix clausus, calyptratim v. lon-
gitudinaliter rumpens v. 4 — Globus. Petala 4 — 6.
Stamina plurima v. 18 — 12, libera; antherae bilocu-
lares, longitudinaliter v. poris dehiscentes. Stylus
solitarius, stgma simplex. Pructus baccatus v. dru-
paceus. Serninis testa membranacea, arcte adherens
v. cartilaginea, nitida. Himbryo cotylis carnosis,
discretis, v. margine v. omnino conferruminatis ;
rostello saepissimo abbreviato.
CONSPECTUS GENERUM
I. Hypanthium supra germen vix v. haud pro-
ductum.
CARYOPHYLLUS, ÉEUGENIA, PHYLLOCALIX,
STENOCALYX, MERCIANTHES.
Il. Hypanthium supra germen valde productum.
A. Fructos baccatus v. drupaceus, tunc pyre
nis chartaceis.
MITHRANTES, CALYCORECTES, SCHIZOCALYX,
MYRCIARIA, SIZYGIUM, JAMBUSA, SIPHONOEUGE-
NIA, HEXACLAMIS.
R. Drupa pyrenis | — 4, crassis, sublignosis
v. coriaceis.
1. Semina testa crassa, suberosa — AULACO-
CARPUS.
2. Semina testa membranacea — Crposia ALv.
SILV.
Ciposia Alv. Silv.
NOVUM GENUS
Hijpanthium supra germen valde productum
hemiellipsoideum. Calycis limbus 5 — partitus. Pe-
tala 5, sepalis alterna. Stamina 10, ante petala
margini libero calycis tubi inserta, oppositipetala et
oppositisepala ; filamenta libera recta; antherae li-
neares, basifixas, biloculares poris apicalibus dehi-
scentes. Ovariunt inferum, 4 — loculare, loculis 1
— 4 ovulatis. Stylus filiformes. Shgina simplex,
terminale. Drupa calyce coronata, globosa, abortu
i — 4 — sperma, pyrenis corneis. Semen exalbu-
minosum, testa membranacea arcte adherente. Æin-
bryo cotylis crassis, plano convexis ;° rostello basi-
lari, brevissimo.
I 1 x voce Cipo, nomine praedi
Nomen Crposia ex voce Cipo, praed
ubi Mandapuçä primo a me invenitur, derivatum.
— 156 —
Genus ob antheras apice poris duobus laterali-
bus dehiscentibus, valde distinctum.
Species unica
Crposta MANDAPUÇÃ, ALV. SILV. — Frutex 3
— O — metralis, trunco ramisque griseo-sub2rosis.
Ramuli subieretes, novelli tetragoni, glabri, nodis
crassis, vetustiores suberosi et sulculis parvis longi-
tudinalibusque aucti. Æolia elliptica, obtusa vel sae
plus emarginata, apiculata, opposita, coriacea, plana,
breviter petiolata, nervo medio utrinque prominente
et nervis lateralibus suborthoganalibus fere incon-
spicuis, supra fusco-viridia ac nitidula, subtus palli-
diora, opaca interdumque flaxescentia, 2 — 6 cm.
longa, 2— 3 cm medio lata; petiolus 2 mm. lon-
eus. Flores in glomerulis axillaribus dispositi; glo-
meruli multiflori, plerumque 4 — flori. Pedicelle in
pedunculo brevi articulati, brevissime pubescentes,
basi bracteolati, bracteolis squamiformibus linearibus
caducisque, subtetragoni, © mm. longi; Pedunculus
2 mm. longus. Sepala 5, lato-ovata, obtusa, viri-
dia, margine albo-membranacea, brevissime ciliata,
extus sub lente vellutina, intus glabra, petalis bre-
viora, Petala 5, ovato-rotundata, prefloratione con-
torta, alba, utrinque dense breviterque papillosa, se-
palis alterna. Stamina 10, libera; filamenta glabra,
petalis valde longiora, 2,0 cm. longa, recta, in ala-
bastro dimidiatum plicata ; Antherae lineares, paulle
arcuatae, biloculares, apice poris lateralibus duobus
muuitae, basifixae, 3 mm. longae, 1 mm. latae,
dorso incrassato ad insertionem filamenti valde pro-
ducto et in media parte glandula depressa instru-
cto. Ovarzum inferum, 1 — 4 loculare, loculis 1 —
4 — ovulatis. Ovula in placentis centralibus medi-
fixa, conjuncta, elongata. Stylus simplex, filiformis,
circiter 2,9 cm. longus. Sigma subplanum. Drupa
elobosa, calyce coronata, abortu 1 — 4 — sperma;
2—3 cm. diametro lata, pyrenis corneis, in fructu
maturo 1 — 4, magnis, a pulpa dulci uteolaque for-
titer inductis.
In cerrados prope praedium Cipo, Minas Ge-
raes, Aprili, 1905, et in Serra do Cabral, Minas
Geraes, Maio 1910: Alvaro da Silveira; n. 569
in herbario Silveira.
Floret Apr. — Junio; fructificat Oct. — No-
vembri.
Fructus edulis, pulpa dulci et sapore gratissimo
ab incolis valde aestimatus. sub nomine Mandapuçã
in civitate Minas Geraes cognitus.
Alia species, verisimiliter genero Psidio perti-
nens, sub nomine Ma”dapuçä etiam cognitur; ejus
fructus autem multo minus grati saporis est quam
ille Crposiae mandapuçã.
*
* *
Muito conhecido em Minas Geraes é o manda-
puçä cuja descripçäo botanica acabo de fazer. Ape-
sar disso, só em 1905 ouvi falar, pela primeira vez,
na fazenda do Cipó, sobre a existencia dessa fructa.
Procurei nessa occasião conhecer a arvore de
tão afamada fructa, tendo em vista tambem colher
flores que me pudessem servir para a sua classifi-
cação botanica. Só me foi pessivel travar conheci-
mento apenas com a arvore, nessa occasião sem
flo es.
Mais tarde, cinco annos depois, indo à serra
do Cabral, la encontrei arvores de mandapuçä com
abundancia de flores.
Pude, então, com o auxilio de fructos que me
foram gentilmente enviados da fazenda do Cipó, en-
cetar 6 estudo botanico da planta, que logo reco-
nheci ser um genero novo das Myrtaceas, tal a
disposição especialissima para a debiscencia do pol-
len. Nenhuma Myrtacea possuia antheras bilocula-
res cuja dehiscencia fosse por meio de póros situa-
dos nu seu ápice.
Além disso, raras são as Myrtaceas em que os
estames não sejam indefinidos, e desta arte, a mi-
nha vlanta apresentava ainda a particularidade im-
portante e de destaque, de possuir apenas 10 estames.
— 158 —
O mandapuçã vegeta nos logares pedregosos
de terras onde domina a areia.
Os pontos em que já o encontrei — Serra e
fazenda do Cipó e Serra do Cabral — estão situadcs
na bacia do rio das Velhas e têm a mesma con-
stituição geologica.
A rocha ahi dominante é o quartzito branca-
cento, pouco friavel e em camadas com inclinação
variavel.
Apesar de ser uma planta alpestre, isto não
impede que o mandapuçã tambem viva em baixas
altitudes da zona do seu « habitat ».
Assim, na serra do Cabral, elle habita as par-
tes mais altas, a 1.100 metros de altitude, e tam-
bem vive muito bem no pé da serra, a £00 metros.
Dá-se bem, portanto, em ma zona que apresenta,
em altitude, a differenca de 600 metros.
Não me consta que o mandapuçã, apesar de
ser apreciadissima fructa em Minas Geraes, seja
aqui ou em qualquer outra parte cultivada; tão
pouco, ignoro si alguem já tentou a sua cultura.
Actualmente faz tentativas nesse sentido o sr.
dr. George Chalmers, director da (Companhia do
Morro Velho, havendo já plantado em sua fazenda
do Jaguära, à margem do rio das Velhas, uma du-
zia de mudas enraizadas.
Eu proprio plantei algumas sementes de man-
dapuçä, com o intuito de experimentar a sua cul-
tura em meu quintal, em Bello Horizonte. As se-
mentes germinaram muito bem e as plantinhas des-
envolviam-se regularmente. Aconteceu, porém, que
um imprevisto occasionou a perda completa dos
exemplares, que apenas tinham cerca de S centi-
metros de altura.
O mandapuçã, entretanto, merece entrar para o
grupo de Myrtaceas cultivadas, cujos fructos, como
a jaboticaba, os araçäs, o jambo, o cambuca e tan-
tos outros, deliciam o nosso paladar.
kK” verdade que nem sempre é facil tarefa con-
seguir que uma planta se transporte com todas as
suas qualidades para um meio differente daquelle
em que ella vegeta espontaneamente.
A mangabeira, por exemplo, Æancornia spe-
ciosa, GOMES, que na serra do Cabral é uma com-
panheiro do mandapuçä, não poude ser conveniente-
mente cultivada, ao que me conste, em condições
muito difterentes das do seu « habitat ».
Receio, por isso, que tambem o mandapuçã
não vegete de modo conveniente, fóra do meio em
que elle é espontaneo.
Quando o meio póde ser facilmente imitado, a
aclimação não é difficil e por este motivo é que as
jaboticabeiras, as pitangueiras e outras Myrtaceas
se transportaram, sem grande trabalho, para os
nossos quintaes.
Para o mandapuçä, porém. a solução talvez
seja mais dificil, porque não só o terreno em que
elle vive não é facilmente encontrado — terreno em
que ha talvez 60 °/, ou mais de areia —, como
tambem é uma planta, sem duvida alguma, alpes-
tre. KE’ verdade que ella vive nas baixadas, porém,
sómente nas vizinhanças das serras, como nas fa-
zendas do Gipó e do Cabral (fazenda João Pio ).
E', creio eu, por estas razões que têm sido
infructiferos os esforços para a cultura da Hancor-
ma speciosa fóra do seu « habitat ».
E” possivel, todavia, que as experiencias de-
monstrem que o mandapuca poderá viver e fructi-
ficar convenientemente em outros meios, apresen-
tando condições diversas das que caracterizam a
zona do Cipó e do Cabral.
Si tal acontecer, é caso de darmos parabens à
nossa fructicultura pela acquisição de um dos mais
- saborosos productos da benemerita familia das Myr-
taceas.
Bello Horizonte, Junho de 1917.
ad
DT 2
Endocarpium et semen.
Sect transv mn.
Ciposia mandapuca.
Der Atv. Srlv
EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA (1
A especie aqui descripta já foi classificada por Gardner
com o nome de MOURIRIA PUSA, collocada porem, na fa-
milia das Melastomaceas. Verifiquei este facto depois de
ter feito a minha classificação, collocando-a na familia das
Myrtaceas, onde me parece mais natural o seu logar.
Como nessa familia não houvesse um genero onde a
referida especie pudesse ser collocada, criei o genero CIPOSIA.
Fica assim explicada a razão por que dei um novo
nome à MOURIRIA PUSA de Gardner.
Apesar de haver o sr. A. Cogniaux, na FLORA BRA-
SILIENSIS, de Martius, collocado o mandapuçä na familia
das Melastomaceas, estou firmemente convencido de que o
seu logar mais natural é entre as Myrtaceas, de que elle
muito mais se approxima até pelo seu proprio aspecto; e
neste ponto, estou de accordo com A. Richard e Grisebach,
que collocam plantas do genero Mouriria na familia das
Myrtaceas.
E’, para mim, a collocação mais natural, devendo, re-
conhecer todavia, que as duvidas a respeito não são fóra de
proposito ; tanto assim, que plantas do genero Mouriria se-
gundo alguns monographos, são por outros monographos
collocados em outros generos como Petaloma Sw., Bockia
Scop., Olisbea D. C. e Guildingia Hook.
O antigo genero Paepalanthus, por exemplo, desdo-
brou-se em Paepalanthus, Leiothrix e Syngonanthus ; parece
tambem que o genero Mouriria deve desdobrar-se em Ciposia
e talvez mais alguns, todos porém, na familia das Myrtaceas.
Alvaro da Silveira.
(1). Quasi ao terminar a impressão do presente volume enviou-nos o Snr.
Dr. Alvaro da Silveira esta nota que em folha solta ao seu artigo annexamos.
(N, daR.)
a
Ps é
k
1
o
»
Te > 7
sr
fo
nae
ie Lae
E
Ê
DRA ala
E
+
ACT PEN
‘4
Def ADR Re A
e Se do pe a ; ed
val > f a à
-
Ep SUCRES DE AL oie
ro Lee yeh Tike) ES SU AE A LIU Ou bi de
OF ALE entink whiny jae Mt ACCUS PAIN fe pe |
Er. ‘at TE) OUT notando AAMT mali) BUS AT cas
x AND due PIC ea eis ee 1
ñ AT OT LV Tir a silirati Lan | nie
= RIAO! HO co (a ee MINT ato oy holy TS LU be A
Wek OP Ut NUS WAS ta Vy ADU “Ga naps
Side po RARE APITO hry
PATTIE AMEN HP cum pred? Bedi os EM cá fiel dE pé
Ebert Sie 19 AH L'ut MONA scan LUE ats bce ki
| of 10 11 0 CYR ZEN E o ANNE pan RR E ER 1 :
: Alb depot ER TÃO See ee BUD qu
. Su tonta riers = Tee OF ry itn ae té LE na Aja
NS UP EUR MEET UT EA Le . AUTRE e
aoe MOE A Te Pog DT ERR
| | ht:
Ve OF DOTÉ RE BUT AA eed ae pesa a ae
- of? athe oe TPM a A ab LL ahve TS te En
Bit AOU Pr a TE bp ure FUN AO He:
aunt Cee Deere nTn Bien US É as ER ph! (ASA ro E wali tt
Hat wwe note RM By o MR TON NII UP soa bode
Johan bl pr CTI
Duo VU Ae Te vu finding a A pm or TED EL A a
5 Hoa ea i ae yr Yea FO SP ted? oe pata
2 qatar 9 prio rot a ees a A AA ‘ole
E 44 M ri ely Ji IP AT à RU cate chi) pans a eut ‘en
> Fo ) aa
(oleae eur +” ar +
f \ E
. » i 1» LA
1 bo con os APE TUE di) hay a QU POTN on Rues Eae ta
DATE ETC dando AE TL FES MAY wits a tr ie
ATEN tre do PA
f F F I
+
- e as ta pi '
> |
é : é =»
Fi ood a Ri =
: ME DCE
RICARDO KRONE
Membro correspondente do Museu Paulista e dos Museu
Nacional do Rio de Janeiro,
do Para, Philadelphia, Washington, Vienna,
Stockholmo. Tokio, etc.
NOTAS DE PRERISTORIA PAULISTA
O CEMITERIO DO POMBEVA
ces oi
20
me
[ip
pat
Re
+
PREHISTORIA DO LITTORAL PAULISTA
O cemiterio de Pombéva
Constitue o principal objectivo da presente ‘com-
municação dar publicidade a um achado, que des-
venda um modo todo particular de inhumação,
usado por uma tribu dos antigos aborigenes da re-
gião costeira paulista.
Na proximidade de um dos mais modernos
sambaquis, situado na paragem Pombéva, ra liha
do Mar, ou Ilha Comprida chamada, foram casual-
mente descobertos em terreno arenoso, apenas 70
centimetros abaixo da superficie, umas ossadas hu-
manas. Continuada a excavação, achou-se uma série
de 22 craneos, conchegados uns aos outros, for-
mando um circulo completo de 1 metro e 60 cen-
timetros de diametro. Havia ainda dentro desse
circulo os demais ossos dos esqueletos. Apesar do
maior cuidado só puderam ser retirados quatro cra-
neos em condições de servir para estudos, estando os
demais já todos fracturados e principalmente acha-
tados pelo peso do meio envolvente, que é uma
areia fina impregnada de particulas ferreas, cuja cór
vermelhaça tingiu todas as ossadas.
E” patente que todos estes esqueletos foram
trazidos em conjunctc para este logar e enterrados
na mesma occasião e, quando se effectuou esta inhu-
mação, já estavam as ossadas de todo desarticula-
das, porque de columnas vertebraes, costellas e
pelvis quasi nada havia, e a posição dos craneos
demonstrava claramente, que elles se achavam des-
ligados dos respectivos esqueletos na occasião de
serem depositados.
Não se achou artefacto algum, a não ser uma
ponta de flecha, feita de osso de passaro.
= 164 ES
Bem parco é o conhecimento que possuimos
até agora dos povos, que em tenpos prehistoricos
povoaram a zona costeira do Estado de São Paulo.
(1) Nenhuma dessas tribus desapparecidas de
aborigenes nos deixou signal apreciavel de uma cul-
tura, com excepção dos sambaquieiros, que pelos seus
artefactos zoomorphos de pedra, considerados uten-
silios de culto religioso, nos revelaram sua primi-
tiva origem de um povo de certos conhecimentos
elevados. Reconhecemos que, depois de seculares
migrações, aquelle povo chegou à costa do Oceano
Atlantico, onde definitivamente se tornou sessil;
porque durante um lapso de tempo em que se effe-
ctuaram importantes modificações geologicas e geo-
graphicas, vemos seguir e acompanhar os samba-
quis essas modificações locaes.
Affirmado em observações seguras, deve-se con-
siderar a duração da época dos sambaguis em mil-
lenios, e durante este immenso espaço de tempo O
povo que produziu estas casqueiras e as occupava,
conservou os seus costumes de vida. Embora esti-
vessem nos sambaquis mais modernos os armamen-
tos e ornamentos fabricados com maior perfeição e
cuidado, do que nos amontoados primitivos, achamos
porém em todos elles similhante modo de inhuma-
ção de cadaveres e um só typo de craneo humano.
Por emquanto devemos reconhecer esse typo
de raça americano o mais antigo representante do
genero «homo» dessas regiões, e não será facil-
mente descoberto o seu antecessor nessas paragens,
com as mesmas provas fidedignas de major anti-
quidade ; sendo que mesmo os celebres craneos da
Lagoa Santa em Minas Geraes não foram acha-
dos no primitivo logar de inhumação dos respecti-
vos cadaveres, porém em depositos de barro caver-
nario, onde enxurradas tinham mesclado restos os-
(1) Informações ethnographicas do Valle do Rio Ri-
beira de Iguape, na « Exploração do Rio Ribeira de Iguape »,
pela Commissão Geographica e Geolcgica do Estado de São
Paulo.
— 165 —
seos de animaes extinctos e hodiernos com ossadas
humanas.
Tambem o facto da calcificação daquelles cra-
neos de Lund, pôde facilmente provir do meio en-
volvente em que elles estiveram por longo tempo ;
assim como eu conservo parte de esqueleto humano .
completamente calcificado, proveniente de um dos
mais primitivos sambaquis.
Para a região por mim estudada, que compre-
hende o curso inferior do Rio Ribeira com seus
afiluentes. e que se estende na costa do Atlantico
desde a barra do Rio de Una do Prelado a NE,
até à barra do Ararapira, a SO, apparecem, em
fins da época sambaquieira, especiaes difficuldades
para observações e pesquisas prehistoricas. Em vão
mdagamos em que tempo da nossa éra poderá ter
occurrido a desoccupaçäo dos sambaquis; teria ella
sido voluntaria ou forçada ?
Ca e lá encontram-se sepulturas de aborigenes,
parte com vasilhame de barro, parte sem elle, po-
rém não se póde ainda estabelecer a ordem chro-
nologica, em que esses povos se teem seguido.
(Nas informações ethnographicas já citei differentes
achados desta natureza e considero a presente pu-
blicação mais um subsidio para o fim já anterior-
mente visado ).
Por emquanto devo differenciar tres distinctos
feitios de urnas funerarias encontradas e observei
um modo especial de inhumação simples do cada-
ver; indício que, desde o abandono dos sambaquis,
pelo menos quatro differentes povos seivagens ha-
bitaram nesta zona.
Falta de alimento não póde ter sido a razão de
emigração da costa de um povo conchyliophago por
excellencia e creio que os sairbaquieiros foram re-
chassados pelos mais primitivos oleiros, que fabri-
cavam seus vasos por meio de rollos de barro so-
brepostos ; porque na parte superior de sambaquis
modernos foram achados poucos estilhaços de louça
desta natureza e os sambaquieiros não sabiam fa-
bricar louça.
De todos estes povos post sambaquieiros e pre-
colombianos, e que foram mais ou menos peritos
na fabricação de louça, colleccionou-se os obje-
ctos manufacturados, porém ainda não existe uma
série de craneos, que permitta acurado estudo an-
thropologico, meio pelo qual devem resultar valio-
sas deducções.
A ethnologia, neste caso, deve ser auxiliada pela
anthropologia physica, isto é pelo seu ramo de
craneometria em especial; não se devendo porém
esperar de alcançar por este meio mais do que cir-
cumscrever grupos de typos locaes, de tribus quando
muito. e procurar reconhecer o seguimento chro-
nologico desses grupos, pelos artefactos encontrados
nos tumulos, no logar das investigações, ou por
outros indicios de egual valor deductivo.
O operador tambem deve recordar-se, que com
simples tabellas craneometricas e os indices calcula-
dos não satisfaz às exigencias de um estudo das
particularidades craneanas de um typo local; será
de grande necessidade dar uma descripção, a mais
minuciosa possivel, da impressão geral, que os re-
spectivos craneos produzem no seu aspecto em con-
juncto, na sra forma, à vista do observador; im-
pressão geral, que devemos considerar dependente,
não de influencias externas, mas de consequencia
hereditaria, que passa por successão e cujos prin-
cipaes caracteres ainda se encontrarão em produ-
ctos de mestiçagem.
Occupando-me em seguida da descripção dos
craneos do cemiterio indigena do Pombéva na Ilha
do Mar, darei preliminarmenté uma ligeira explica-
ção sobre as medidas tomadas e outros meios au-
xiliares, occupados no presente estudo.
N. 1. Comprimento maximo antero-posterior: Da
glabella à parte mais proeminente do occipital.
N. 2. Comprimento antero-posterior melopico : Do
metopion ac extremo ponto do occipital.
A A
+
A
4
.
— 167 —
3. Comprimento occipito-alveolar : Do ponto ex-
tremo occipital ao ponto alveolar.
4. Comprimento occipito-spinal: Do ponto ex-
tremo occipital à borda inferior da abertura nasal.
o. Largura transversa maxima: Sobre os pa-
rietaes, em qualquer ponto delles aonde apre-
sentarem maior largura.
6. Largura maxima bi-zyqoinatica : Maior dis-
tancia entre as arcadas zygomaticas.
7. Largura frontal maxima: Maior largura
dos « frontalis » na altura da «sutura corona-
ria» ( bi-stephanica ).
8. Largura frontal minima: Menor distancia
entre as cristas frontaes.
9. Largura br-orbital : Maior largura bi-orbital.
10. Largura bi-inalar : Do extremo externo da
estreita sutura fronto-malar ao ponto corre-
spondente opposto.
11. Largura bi-maxillar: Distancia da extre-
midade inferior da sutura maxillo-malar ao
ponto correspondente opposto.
12. Largura bi-gomal: Da parte externa do
angulo maxillar ao outro.
13. Largura da base do craneo: Distancia en-
tres os pontos dos processos mastoides.
14. Largura bi-asterica : Distancia entre os dois
asterion ( Linha de Davis ).
15. Largura bi-jugular: Largura inferior do
occiput.
16. Diametio basilo-bregmatico : Do basico (ba-
sion ) ao bregma.
17. Circumferencia antero posterior, compre-
hende os seguintes sectores: A parte swb-ce-
rebral vae do ponto nasal, no meio da sutura
naso-frontalis, ao ponto « supra-orbitario » ou
« supra-nasal », no meio da menor largura fron-
tal; a parte frontal, dahi até ao « bregma » ;
a parte parietal, do «bregma» ao « lam-
bda»; a parte occipital, do «lambda» ao
« opisthion » ; depois segue pelo comprimento
do «foramen magnum» e do «basion», a
N.
N.
== 168 —
margem anterior deste «foramen», continua
uma recta para a sutura « naso-frontalis », que
foi o ponto de partida da mediçäo.
18. Circumferencia horizontal : Medido sobre os
relevos superciliares e o ponto mais saliente
do occipital.
19. Circumferencia vertical ou curva-supra
auricular : Medido entre os dois pontos su-
pra-auriculares passando pelo bregma.
N.
N.
A
20. Partes anterior e posterior da circumfe-
rencia horizontal: Separadas da medida an-
terior pela curva supra auricular.
21. Linha nasobasilar : Do centro dobordo ante-
rior do foramen magnum ao meio da sutura na-
so-frontalis (basion ao ponto nasal superior ).
22. Comprimento do foramen magnum.
23. Largura do foramen magnum.
24. Altura nasal: Da sutura naso-frontalis à
base do nariz.
25. Largura maxima da abertura nasal.
26. Largura da orbita: Do «dacryon» à mar-
gem externa opposta, seguindo a direcção do
eixo grande.
27. Altura da orbita: Perpendicular à prece-
dente, começando no meio do bordo inferior.
28. Largura inter-orbitaria : Distancia de um
dacryon ao outro.
29. Largura maxima alveolar externa: To-
mada ao nivel da região mclar.
30. Largura externa posterior alvealar: To-
mada atraz do dente de sizo.
. 31. Largura anterior palatina: Tomada entre
os caninos e os segundos incisivos.
32. Larjura posterior palatina: Tomada na
maior largura.
33. Comprimento do «os palatinum » : Do pon-
to extremo da espinha nasal à lamella interna
do bordo alveolar, entre os incisivos médios.
. 34. Altura facial posterior: Do meio da sutu-
ra naso frontalis ao meio da arcada alveolar
da maxilla superior entre os incisivos médios.
N. 35. Altura auricular: Do ponto auricular ao
bregma.
N. 36. Angulo facial pelo methodo de Camper mo-
dificado.
N. 37. Conteiido dos craneos em centimetros cubi-
cos, medido com areia do mar.
Um auxilio de maxima efficacia, para a repre-
sentação das fórmas craneanas, é a iconographia,
ou desenho geometrico do craneo, por meio de pro-
jeccôes orthogonaes. Essas projecções, para mere-
cer toda a confiança, devem ser tomadas directa-
mente sobre o craneo e dellas resulta uma figura
em um dado plano, pela linha de juncção dos pon-
tos de intersecção das rectas, que de todos os pon-
tos de uma imagem forem descidas perpendicular-
mente sobre esse plano.
A projecção do craneo deve ser feita em 3 dif-
ferentes planos, de concordancia com as suas 3 di-
mensões : comprimento, largura e altura; resultan-
ds no plano vertical antero-posterior o perfil late-
ral; no plano vertico-transversal, as vistas de frente
e de traz e no plano horizontal as vistas de cima
e de baixo.
Muitas discussões já têm causado nos anthro.
pologos a escolha do primeiro plano de orientação
do craneo, eo maior numero dos corypheos antigos
desta sciencia trabalhavam segundo um systema, por
cada um julgado o mais perfeito, o mais racional.
Bell, Blumenbach, Baer, Merkel, Daubenton, Hany,
Rolle, d'Aeby e Broca, todos elles tinham e defen-
diam uma orientação especial.
Nas reproducções graphicas das cnrvas sagit-
taes dos craneos do presente trabalho, que para fa-
cilitar estudos comparativos, damos em tamanho
natural, encontra-se não só os pontos de orientação
horizontal de Frankfort, que são os pontos do meio
da margem superior do. conducto auditivo, marcado
por A, e os pontos inferiores da margem orbitarias
marcados por O; como tambem salientou-se os pon-
tos mais usados para este fim, pelos anthropologos
de França, que são o ponto alveolar X e o ponto
inferior dos condylos do occipital, marcado por C.
Na linha ininterrupta da curva sagittal mar-
cou-se mais N — « Nasion», G — « Glabeila », Br.
— « Bregma», L — «Lambda», Op. — « Opisthi-
on» e B—« Basion ».
Os desenhos das linhas exteriores dos craneos
foram feitos, egualmente como as curvas sagittaes,
por meio de um craneographo. usado no «The
United States Army Medical Museum », de Wash-
ington, sende aquelles desenhos geometricos de-
pois diminuidos de metade, por meio de um pan
tographo.
Seguem na tabella craneometrica annexa os
seguintes
INDICES :
I. Index cephalico. geralmente computado de maior
importancia, é o que se haseia sobre © diame-
tro antero-posterior maximo e o diametro tra-
vesso maximo. (Ns. 1 e 5 da tabella craveo-
metrica ).
E” calculado pela formula : ©?
Este index varia nos craneos 1,2 e 3 do
Pombéva entre 78, 4 e 79,8, sendo elles por
isso todos « mesocephalos ».
Il. Index de comprimento e altura (Ns. beer
da tabella é calculado pela formula: 21.
Os quatro craneos do Pombéva apresen-
tam em média para este index o algarismo
77,9, differindo apenas 1,06 da média “do in-
dex cephalico N. I, devido à grande concor-
dancia dos craneos em altura. e largura de
cada um, concordancia que se evidencia ainda
pelo Index N. IV.
São « hypsicephalos », ou craneos altos.
WI. Index de comprimento e altura supra aurt-
cular (Ns. 1 e 35 da tabella ). Calculado pela
DS a en Alt. Ra 100.
formula : en
IV. Index de largura e altura (Ns. 5 e 16 da
tabella ). Calculado pela fórmula : mn dis
Devido à concordancia das medidas de
largura e altura dos craneos medidos, apparece
o algarismo 98, 9 como média deste index
importante.
V. Index facial superior ( Virchow). Calculado
pel formulas SE Ce supe ENS. 40 e 34-da
Larg. bi-malar A
tabella. ) em média 61,6 sendo craneos de face
estreita,
IV. Index zygomatico facial superior ( Kollmann ),
formula : Alt fee. sup. X 10 ( Ns. 6 e 34 da tabella. )
arg bi-zygomat.
Pela média calculada em 48,6 säo estes
cranecs « chamaeprosopicos ».
VII. Index orbital. Calculado pela formula : At orb >< 100
(Ns. 26 e 27 da tabella. ) Cd)
Pelo algarismo 79,3 como média deste
index, são estes craneos « chamaeconchicos ».
VII. Index nasal. Calculado pela fórmula : Lars: r25-X 10
(Ns. 24 e 25 da tabella. ) re
A média calculada deste index é o numerc
47,1, classificando os craneos do Pombéva como
« mesorrhinicos ».
IX. Index palatino. Calculado pela fórmula :
REL O (Ns. 92.6 99 da: tabella.)
ompr. pal.
Uma média de 50,03 colloca os craneos
de Pombéva entre os « mesostapbylinos ».
X. Index frontal ( Broca). Calculado pela fór-
NN) fy ee ENS 5 6" 8 Ga. tabella: ).
Diam. transv. max.
A média da relacäo entre o diametro mi-
nimo da testa e a largura maxima dos craneos
do Pombéva é o algarismo 68,7.
Outros indices de não pouca importancia não
puderam ser tomados, por falta das maxillas infe-
riores dos craneos.
DESCRIPCAO OSTEOLOGICA
O craneo n. 1 da série do Pombéva é o cra-
neo de um homem de edäde de 25 annos, approxi-
madamente. Acham-se nelle vazios. no lado direito
os alveolos do segundo incisivo e dos dois premo-
lares, e no lado esquerdo ha falta do primeiro inci-
sivo e do segundo premolar. Todos estes circo
dentes sahiram « post mortem ».
As corôas dos incisivos e dos caninos estão gas-
tos pelo menos no primeiro terço do seu bordo li-
vre e mostram um gume largo e liso, em que se
desenham, desjuntadas, as laminas do esmalte, fican-
do descoberto entre elles o marfim. A corôa do
premolar é completamente liso e os grandes mola-
res apresentam na sua parte culminante as cuspides
arrazadas. Os dois dentes do sizo ainda não haviam
chegado ao seu completo desenvolvimento.
Na norma facialis nota-se a testa bastante es-
treita, em contraste com a grande largura bi-malar do
rosto, e pelos lados da crista frontal avista-se gran-
de parte do craneo médio. Pelo excessivo desen-
volvimento da face média parece o contorno do
rosto quasi hexagonal.
A norina occipitalis é pentagonal, estando as
quinas superiores bem arredondadas e as linhas la-
teraes pouco convergentes. Ella mostra o arquea-
mento parabolico da parte inferior do occipital. Na
proximidade da bossa parietal direita ha uma solu-
ção de continuidade de forma oval, com os diame-
tros de 13 e 11 millimetros e existe no mesmo lado
um foramen parietal.
Ao 1 fF
Pela norma verticalis verifica-se a forma curto-
oval da calote, pouco estreitada na parte anterior.
As apopnyses zygomaticas são regularmente fortes
e arqueadas.
Na norma basalis apparece o foramen ma-
gnum algum tanto deslocado para traz. O contorno
do occipital é quasi semicircular. Falta a maior
parte dos ossos que constituem a base do craneo e
do foramen magum o bordo do opisthion, até os
condylos de ambos os lados.
Pela norma lateralis nota-se ser bem conca-
vada a sella do nariz e, a partir da sutura naso
frontalis, sobe a linha da testa, quasi verticalmente,
para inclinar-se depois e seguir, sempre bem ar-
queada, para o bregma. De lá continúa em curva
mansa para o lambda e voltèa, em movimento mais
vivo, pelo occipital abaixo, para o foramen magnum.
Existe pronunciado prognathismo do maxillar supe-
rior. A espinha anterior do nariz está fracturada e
existe uma solução de continuidade de 11 por 10
millimetros de diametro na região supramastoidiana,
interessando a parte inferior do respectivo parietal.
Descripção especial. O «os frontalis» não é
alto, mas vem arqueado. Notam-se bem as arcadas
superciliares e a saliencia mansa da glabella. As
«tubera frontalia » convergem para a linha media-
na no « metopion », que é salientissimo.
A sutura coronaria é pouco dentilhada, desde
a linha média, para ambos os lados, em extensão
de tres centimetros e destes puntos em deante, até
aos pontos stephanicos, apresenta ella de ambos os
lados complicado dentilhamento. O pterion do lado
esquerdo é regularmente formado por H, e do lado
opposto não pôde ser observado, por faltar parte dos
seus componentes. Seguindo a sutura sagittal, que
ho t A
corre quasi plana e é lisa, em quatro centimetros
de extensão, chega-s+ à uma solução de continui-
dade, que atravessa a linha do vertice em sentido
perpendicular e se estende approximadamente tres
centimetros de cada lado. E” uma fractura posthu-
ma dos parietaes, causada pela pressão do material
circumdante. Depois continua com bem complicada
dentilhação a sutura até o lambda. As suturas oc-
cipito-parietaes e spheno-squamosas são ricamente
dentilhadas e bem consolidadas. Plana temporalia
— 176 —
são pouco arqueadas e altas. Os iniones são acha-
tados. A parte superior do occipital é relativamente
larga e convexa; as linhas nuchae bem patentes.
As «tubera parietalia» são arredondadas e não
muito salientes. Os ossos malares são fortes e lar-
gos e projectam-se um pouco para fóra do seu an-
gulo externo. As fossas caninas são bem escavadas.
As cavidades orbitarias são quadrangulares. As apo-
physes mastoides são largas, não muito grandes,
mas nem rugosas ; a do lado direito está fracturada.
Na circumferencia antero-posterior participam o fron-
tal com 25,1, os parietaes com 24,25 e o occipital
com os mesmos 24,25 por cento da medida total.
“PA já citada solução de continuidade no parie-
tal direito, interessa a lamina externa na extensão
já descripta de 13 para 11 millimetros, atravessando
porém a espongiosa subjacente. alarga-se a lesão, e
apresenta a lamina interna uma falha de 20 por 20
millimetros, approximadamente. Na fractura, locali-
zada na parte inferior do parietal esquerdo, já ano-
tada na descripção da norma lateralis, dá-se a mes-
ma circumstancia a respeito do alargamento da so-
lução de continuidade, em direcção 4 parte interna
do calote. Quando, depois de exhumado, se esva-
siou o calvarium, sahiu de dentro, com a areia que
o enchia, o pico de uma ponta de frecha quebrada,
feita de pedra. Tomando agora em consideração a
forma das fracturas, seu aspecto antigo e a dif-
ferença na disposição dos bordos nas duas laminas,
está-se levado a suppor que estas lesões foram pro-
duzidas em vida do individuo, por frechadas, de-
vendo ter resultado desses ferimentos a morte do
homem.
O craneo n. 2. da nossa série do Pombéva
pertenceu em vida 4 uma mulher de edade de qua-
renta e poucos annos presumiveis. Post mortem ca-
-hiram os dous incisivos centraes e o dente do siso
do ladu esquerdo. Incisivos, caninos e premolares
PB
om!
são gastos em dois terços das suas cordas e os
grandes molares pelo menos na sua metade. O dente
do siso do lado direito tem a corda bem alisada.
Apezar deste importante gasto dos dentes näo se
observa o minimo indício de carie.
Pela norma facialis apparece o rosto volumoso,
a testa estreita e baixa. Aos lados da crista fron-
— 178 —
talis avista-se grande extensão das escamas tempo-
raes, que são um pouco abaúladas, e bôa parte dos
parietaes.
A norma occipitalis mostra um oval irregular
e grosseiro, com o culmen arredondado e levemente
deprimido e as bossas parietaes salientes. A região
acima das bossas supramastoideas, no lado direito,
é um pouco encavada, emquanto do lado opposto a
mesma região se apresenta relevada, imprimindo 4
vista geral uma forma asymetrica.
E
E
Pela norma verticalis forma o calvarium um
oval quasi regular, afinando-se um pouco pela frente
e apenas prejudicado pela diferença citada nas re-
giões supramastoideas. Os processos zygomaticos
são delgados e de curvatura branda nas duas extre-
midades.
Na norma basalis salienta-se outra vez a asy-
metria já citada. A escama occipital apresenta-se
de contorno parabolico e o foramen magnum é
quasi redondo.
A norma laterals mostra a curva sagittalis
bastante accidentada. E” pouco concavada a sella
do nariz e a glabella pouco desenvolvida. A linha
da testa eleva-se no principio quasi verticalmente e
inclina-se depois em uma curva viva para o bre-
ema, continuando depois, com a mesma animação
de movimento para o lambda. O perfil da escama
occipital é convexo, desde a sua parte superior até
chegar ao opisthion. Nota-se o prognathismo do
maxillar superior pela saliencia das jugas dos inci-
sivos centraes e dos caninos.
Descripção especial. A escama frontalis mos-
tra uma saliencia notavel; pouco sobresahe a gla-
bella, e as arcadas superciliares mal se delinham,
porém as bossas frontaes são salientissimas e re-
unem-se na curva sagittal, formando desusada con-
vexidade dessa linha ( metcpion). A sutura coro-
naria é ricamente dentilhada em toda a sua exten-
são dentro das cristas frontaes; ao passar porém
pelo stephanion do lado esquerdo, essa sutura se
torna singela e quasi apagada até o pter:on, em-
quanto no logar correspondente do lado opposto,
apresenta o mesmo trajecto da sutura profunda sy-
— 180 —
nostose. Todas as mais suturas acham-se bem con-
solidadas, sendo particularmente complicada a den-
ticulação das suturas occipito-parietaes. O plano do
foramen magnum passa no seu prolungamento em
meia altura do vomer. O inion é pouco saliente e
rugoso. A região subiniaca apresenta um torus
largo e chato. Os processos mastoides são bem con-
formados, sem serem muito grandes; os condylos
são fortemente arqueados, o esquerdo delles bastante
fracturado. A pars basilaris é curta e larga, bem
inclinada e de superficie rugosa. Do lado direito
existe o «processus styloideus », confirmando por
sua posição consolidada por synchondrosis o dia-
enostico da edade vital do specimen. Não existem
forancina parietalia. A espinia nasal anterior é bem
saliente e erecta. Os malares são largos, sendo o
do lado direito extensamente fracturado na sua
frente. As cavidades orbitarias são pouco profun-
das, irregularmente quadrangulares e além de não
haver quasi saliencias superciliares, nota-se na parte
superior interna da margem da orbita esquerda au-
sencia completa do rebordo de costume, em uma
Sey es ge
extensão de um centimetro. A abobada palatina
apreseuta-se curta, alia e bem rugosa. Acha-se
fracturada a arcada zygomatica esquerda. Na cir-
cumferencia antero-posterior participa o frontal com
23,8, os parietaes com 25,3 e o occipital com 24,2
por cento do total; manifestando-se assim clara-
mente o excessivo desenvolvimento da parte média
da calote.
O craneo n. 3 do Pombeva é original de um
homem que tinha de 30 a 35 annos. Dos seus
dentes existem ainda no maxillar superior, no lado
direito, o canino, os dois premolares e o primeiro
grande molar; do lado esquerdo o canino, todos os
quatro molares e o dente do sizo. Todos esses den-
tes mostram o gasto typico das cordas correspon-
dente à edade citada. Os dentes que faliam, perdeu-os
o craneo na-occasião da exhumação. FE’ ainda de
notar, que o dente do sizo existente ê excessiva-
mente pequeno, participou porém activamente a
mastigação durante muitos annos.
Este craneo se acha em máu estado de con-
servação, faltando-lhe toda a parte interna do na-
riz, o soalho das orbitas, grande parte do palatino
— 182 —
direito e do respectivo maxillar superior, assim ccmo
a parte sub-nasal com os incisivos.
Pela norma facialis apparece este craneo largo
e baixo e a testa de pouca altura. Emquanto o
rostc médio se salienta por forte desenvolvimento,
impressionam as cavidades orbitarias pelo tamanho
e os ossos malares pela extraordinaria largura, as-
pereza e sua projecção para fóra do seu angulo ex-
terno. Uma nota importante é a existencia da su-
tura médio-frontalis, que com dentilhamento fino
vae do ponto nasal até ao bregma.
A norma occpilalis mostra um pentagonal
baixo, cujas esquinas superiores são bem arredonda-
das e, descendo as linhas lateraes quasi vertical-
mente, se unem peia linha boleada do occipital in-
ferior. Os processos mastoides formam bôas salien-
cias nas quinas inferiores do pentagonal.
Na norma verticalis aprecia-se um oval quasi
perfeito, sO pouco estreitado na parte anterior e
achatado na frente pela largura da face superior.
As apophyses zygomaticas säo fortes e bem arquea-
das para fora.
Pela norma basalis se verifica, que as suturas
basilares e basilo-sphenoides não estão fechadas.
A região iniaca é excessivamente saliente e rugosa
e a linha nuchae de forte desenvolvimento existin-
do mesmo detalhado signal da repartição supra oc-
cipital. O opisthion e a parte direita da margem do
foramen magnum até o basion, com pequena inter-
rupção do extremo direito, se acham fracturados.
Falta tambem a apophyse direita da pars basilaris
e uma parte do sphenoide do mesmo lado. O con-
torno da escama occipital é hemicircular.
Pela norma lateralis mostra-se a linha do per-
fil do craneo muito movimentada ; da profunda ca-
vidade do ponto nasal salientam-se em linha ascen-
dente, grossas arcadas superciliares, que escondem
— 184 —
o ophrion, e, subindo, em alto declive para o meto-
pion segue depois a linha em curvatura mansa para
o bregma. Sem pronunciado achatamento no ver-
tice, centinúa a curva regularmente até o lambda
e adeante, sempre fortemente arqueada, para o
opisthion. Com grande nitidez se desenham as li-
nhas de inserção dos musculos masseter, do inion
sobre o plano parietal para o stephanion. Acha-se
fracturada a arcada zygomatica esquerda.
ho 3d!
E
A
/
ZO
Descripção especial. A denticulaçäo das sutu-
ras é simples nas proximidades do bregma e mais
compiicada na parte trazeira do craneo e nas re-
giões stephanicas. A sutura sagittal parte da coro-
naria, sete millimetros à esquerda da embocadura
do médio-frontal. No meio da sutura lambdoide es-
querda existe um pequeno osso Wormiano. No
frontal, onde se nota acima de salientissimas e
grossas arcadas superciliares, um pequeno achata-
mento, destacam-se baixas bossas frontaes, que em
um plano se ligam ao motopion, pouco saliente.
— 185 —
A regiäo temporal é achatada e a crista temporal,
aspera no seu inicio, voltèa em tinha dupla sobre
os planos parietaes, em curva chata e desce pela
regiäo supra mastoideana, unindo-se 4 raiz longitu-
dinal, bem saliente, da arcada zygomatica. As bos-
sas parietaes säo pouco salientes. As apophyses
mastoides säo muito volumosas, rugosas e convexas
em sua superficie. As numerosas saliencias e rugo-
sidades da região iniaca pódem ser representadas
pelo altimo algarismo da escala de Broca. A pars
basilaris é comprida e rugosa e os condylos occi-
pitaes estreitos e arqueados. O aspecto brutal da
face é augmentado pela excessiva grossura e o ar-
queamento das apophyses orbitarias. Na circumfe-
rencia antero-posterior fazem partes, expressado em
— 186 —
porcentagem, o frontal com 24,4, os parietaes com
29,2 e o occipital com 22,8.
ho 3 f
\
|
,
O craneo n. 4 do Pombéva é muito desfalca-
do na calote, faltando della quasi toda a metade
direita; como porém a parte facial se acha intacta
e medivel, entendemos dever aproveitar mais estes
dados. Post mortem perdeu o craneo o primeiro in-
cisivo e os dois premolares do: lado esquerdo e os
incisivos e premolares do lado opposto. Os 2 den-
tes do sizo, bem desenvolvidos, ainda não chegaram
com suas cordas no plaro de mastigação, indicando
para o specimen uma edade de quinze a dezoito an-
nos e não podia pairar uma duvida sobre a ano-
malia de um canino intraalveolar do lado direito.
Não ha o menor indicio de carie dentaria.
Pela norma facralis logo se recebe uma im-
pressão de rosto juvenil; todas as linhas correm
macias e arredondadas. Pelos extremos da linha do
diametro minimo frontal avista-se grande parte das
paredes lateraes.
A norma occipitalis é impraticavel.
— 187 —
A norma verticalis revela os contornos da ca-
lote serem de forma oval irregular, com estreitamento
da parte frontal e pouca proeminencia da parte oc-
cipital. As bossas parietaes se encontram no meio
do plano e são bem salientes.
Pela norma basalis se vê na pequena parte da
base do craneo, que se acha conservada, a confir-
meção da diagnose da edade do specimen em vida ;
a sutura basilo-sphenoide é largamente aberta e as
cavidades glenoideas são rasas e estreitas.
Na norma lateralis apparece-a linha de perfil
pouco concavada sobre o ponto nasal, a glabella é
pouco saliente e dahi segue a curva frontal bem
movimentada para o bregma. Sem apresentar um
achatamento no vertice, continüa depois a linha
sagittal em curva rasa para o lambda e forma dahi
em deanto um quasi hemicirculo sobre o occipital
atê o opisthion.
Descripção especiol. O frontal offerece uma
convexidade notavel, que culmina no metopion e da
qual pouco se salientam as bossas frontaes. As ar-
cadas superciliares são apenas esboçadas. As sutu-
= 1160 —
ras, que se podem observar, são quasi fechadas e
bem dentilhadas em geral. O pterion é regular-
mente formado em H. A escama temporalis forma
um hemicirculo e é pouco saliente, assim como taim-
bem o é a raiz longitudinal da arcada zygomatica.
A região iniaca é achatada e a parte superior do
occipital larga e pouco convexa. As apophyses mas-
toideas são curtas e pouco desenvolvidas. A pars
basilaris é relativamente comprida e bem rugosa.
A arcada zygomatica é fracturada na sua parte an-
terior, assim como a espinha nasal anterior. Os
malares não são muito largos, porém projectados
para fóra, tornando largo o aspecto do rosto médio.
Ha pronunciado prognathismo da arcada alveolar
superior. As cavidades orbitarias são pouco qua-
drangulares. — Todos os caracteres physicos deste
craneo fazem suppor, que elle pertenceu a um in-
dividuo de sexo feminino, porém, devido à sua
pouca edade, não quero affirmar isto peremptoria-
mente e me contento de etiquetar o craneo como
proveniente de individuo jovem.
CONCLUSÕES
Pelo exame dos craneos do Pombéva em se-
parado, encontra-se para elles um conjuncto, como
tribu, ou grupo local, muitos caracteres, mais ou
menos accentuados e que constituem uma significa-
tiva similhança typica.
Todos elles apresentam uma testa pouco ele-
vada ; não teem bossas frontaes pronunciadas, porém
o metopion é proeminente e a linha do vertice
muito saliente de perfil. Os occipitaes são salientes
e as paredes lateraes dispostas com pouca conver-
gencia. Aliura e largura dos craneos são quasi de
identico tamanho. A base do nariz é pouco depri-
mida. As orbitas são quasi quadrangulares ; os ma-
lares altos, grossos e projectados para fora e em
todos os craneos se nota forte desenvolvimento da
face média. Existe disposição prognatha da arcada
alveolar superior anterior e, de conformidade com
outros typos de craneos americanos antigos, ha
completa ausencia de cárie dentaria e quéda de
Gente em vida do individuo.
Distinguem-se estes craneos pela sua capaci-
dade excessivamente pequena: Achamos o craneo
masculino N. 3 com 1.180 cms cubicos e o femi-
nino N. 2 com 990 cms. cubicos sómente. Os de-
mais craneos, de Ns. 1 e 4, não são mediveis in-
ternamente; porém pelas medidas externas da ta-
bella e pelos desenhos geometricos deve presumir-se
sna plena concordancia com os primeiros, no sen-
tido de capacidade do calvarium.
Já Virchow chamou a attenção para a occor-
rencia de nannocephalia em craneos de origem ame.
ricana. No caso de craneus « Goajiros » este scien-
tista propendia a suppôr como causa desta quasi
microcephalia, a degeneração de raça; no caso dos
craneos do Ponbéva, porém, penso não haver ne-
cessidade de lançar mão deste arbitrio, tanto mais,
quanto pelos estudos do dr. Ehrenreich (*) conhece-
(*) « Anthrop Studien », dr. Paul Ebrenreich, pag. 160-
mos nos « Karayas » outro povo em condições simi-
lhantes. Esse habil observador esteve em condições de
observar os Karayas na sua faina diaria e considera -
lhes a nannocephalia uma particularidade propria da
tribu. Tanto quanto aos Goajiros e aos Karayas tam-
bem vale aos craneos do Pombéva a observação.
de que nelles não ha um só indício que faça lembrar
a apparencia de que não ha pithecoida dos micro-
cephalos propriamente ditos.
Nutrimos a esperança de poder completar mais
tarde o presente estudo da tribu do Pombéva, 4
vista de resultados de futuras pesquisas, que preten-
demos encertar.
Iguape, Junho de 1817.
TABELLA CRANEOMETRICA
| Erarnoo More S | Ju.
| : ENS pete Nee 2 |e Nese TR A
C. 1 || Comprimento maximo antero-posterior . . 169 163! 171 161
2 » antero-posterior metopico , , 172] 164 173] 161
3 » oceipito alveolar. 3° . «as 191 174) — —
4 » » Spinale (ie ray ad Reno 183 173; — —
E. 5 || Largura transversal maxima 9.4.0. 133 130 184
6 » maxima bi-zygomatica . . . cd 136 125 141) —
2 » frontal a rn D NT Ne 111 108 122; —
8 » » ENA yee lL pee Ble ose 93 86} 103 91
9 | » birtorbitale Se Siow NS yA Sad 99 91 100 992
10 » mal arn meres ae, sek th ae Ester 107 95 110 102
11 E Dim aliar eer ty aes ie ii eee 94 92 102} 94,5
12 » DÉPOT ANEERE SEE ER 1, cere: Sere 113 108 118) —
13 » basilar Seg Ses ie Ok nek E es o E 99 102 100) —
14 » bi-asterica AE 12 105 103 108| —
15 » bi-jugular RAA AE UE 81 79 83| —
A. 16 | Diametro basilo-bregmat. . . . . . .|| — 128 133 125
17 || Circumferencia antero-posterior . . . . || 474| ~474) 491| —
18 » hogizontal a EAU AN 488 470 502; —
19 » vertical Beh eee SORT MER 310 295 305) —
20 || Partes anterior e posterior don. 18 . . 225 232 230) —
263 242; 272 84
21 | Linha naso-basilar . , NU hall vs ae 83. —
22 || Comprimento do foramen magnum ASE. fe 31.5) — —
23 || Largura » » » EE res pro 28) 29.5] 300) —
24 | Altura nasal . . TA 48.6| 45.0) 50.0) 47.0
25 || Largura maxima da abertura nasal ee aan 23.5) 23.0) 22.0] 21.0
26 Largura Calor Dita ER RO EME ap vs 40.6] 38.5} 43.0| 41.0
27 Altura dANOEDItAUr a wee Eve RS ici Be 31-5) 30.7] 35.2] 32.0
28 || Largura inter-orbitaria , . Bee OME 18.6] 18.2; — 18.2
29 « maxima alveolar externa .. p 63.0) 60.5] — 60.0
30 « alveolar posterior externa. , . 51.0) 46.0) — 48.0
31 « antemom palatinaça Ne. e, 24.5) 23.0) 24.0) —
32 « posterior palatina . . . . . . 41.0) 42.0) — 41.0
33 || Comprimento do «os palatinum» . . . . 54.0) 49.5) — 50.0
34 || Altura facial superior . . . .. . . 63.0! 64.0} 68.0} 63.0
35 « auricular Virchow . . . . . . || 113.0] 107.0) 113.0| 110.0
36 || Angulo facial . à: . . . . . . . . |79 20/7620 |75° 40°|76° 40”
Siu) Conteudosentiemses 51.559 ff at eae — 990! 1.180} —
iii pantersnb-cerebral =) yh). = sth ote 93| 17 27 18
» frontal . me A COR VE UC. 96! 96 90 99
» Parietal rifa es ii O eek a 115) 120 124 105
» occipital ee AV DS 115 115 112] —
» do foramen magnum ON RR RT 31 38) —
» naso-frontalis, Dn ke, tal | o 92 100 "92
|
| Indices :
N I 78.7] 79.8) 78.4) —
| II Thor’)! issn) Aree tee Fir fee
| HI 66.8! 65 6| 66.1] 68.3
IV — 98.5) 99.2; —
V 58.9] 67.4| 61.7; 61.8
| VI 46.3] 51.2) 48,2] —
| VII 71-510 49.7) 81.8] 78.0
i VIII 48-4) 51-11" 44.0) 4427
IX 76.0| 84.8) — 80.2
| x 70.0} 66.1) 70-0) —
|
BAOGWIOd Op OH9JIL99 ()
|
|
|
|
|
Mm damos
Desenhos geometricos das curvas sagitaes de quatro craneos do Pombéva
B
| he
A
7 /
A A
ae es
va | NPA
x AA ANT UE
Escala: ?/, do tamanho natural.
ado OR ay <i
Ay crores fear Ey eee
AM é RE (NN
aad | 7 =
e
\
\
2 |
a : dl
A /
I RE mn AA /
=0— E
EST Ea Pp
Escala: */, do tamanho natural.
> DAT EN Kee
L LÉ keg ER ath
4 "As mit E DA ie
AE é ub. at eae
LU q 1 LUN ve a
<u miedo
Bly Pis! PCR
; E 4 E raca» poe tece el
Mines 07 PPT A PRET =! : pa Pa pe ia id
i
+
à aty, À + PA ‘
É f
D oc M oe e Mt O
A a pad DAR SET
nen
a]
wea
+ "LR
A
Fe PRE NEC
Escala: 2/,; do tamanho natural.
o! D
sis iy
.
à. | , À
?
k A
ae
RE) ORNE
Escala: %, do tamanho natural.
res
a
Descripção de sete Novas Especies de Coccidas
POR
Adolpho Hempel
Entomologista do Instituto Agronomico de Campinas
CAL
Descripção de sete novas especies de Coccidas
De diversas procedencias, foram recebidas es-
pecies varias de Coccidas novas, cujas descripções
serão agora enfeixadas em um pequeno trabalbo,
para auxiliar aquelles que se interessam no estudo
destes insectos nocivos. |
SUB-FAMILIA Monophlebinae
Icerya purchast Mask. A femea adulta, co-
mecando de fazer o ovisacco, tem 4,25 mm. de
comprimento, 2,00 mm. de largura, e 1,10 mm. de
altura. Tem o corpo ovato, mais largo atraz do
meio. A côr, no lado ventral, é amarella de la-
ranja, com as pernas e antennas castanhas. O lado
dorsal é amarellado acinzentado, devido a uma leve
excreção de cêra. No meio do dorso ha diversos
tufos de cera, e na margem tem cerca de 24 tufos
de pellos compridos, que está ainda guarnecida com
filamentos cerosos, compridos e delgados.
O ovisacco tem 5,25 mm. de comprimento no
lado dorsal e 3 mm. de comprimento no lado ven-
tral, sendo este lado liso, e o lado dorsal estriado
no sentido longitudinal.
Os ovos têm a côr amarello-clara.
A femea adulta, fervida em unia solução de
KOH, torna-se transparente, com a derme molle.
Toda a superficie do corpo esta guarnecida com
péllos compridos, de côr escura, e com pequenas e
grandes glandulas redondas e compostas.
As antennas têm a côr pardo-clara, compõe-se
de 11 articulações, das quaes a ultima é a mais
comprida, e têm cerca de 882 a 1.017 microns de
— 196 —
comprimento. As articulações têm os seguintes com-
primentos (*) 1, 104-1175 2 911105 Solo
4, 59-65: O, 52-008 "6, MS AS NT, TI BASTO,
84; 9, 71-84; 10, 71-78; 11, 123-143; sendo a
fórmula: approximada 11,3, 2, 3, (8,6, 7,9, 10)
(4, 5). Todas as articulações têm pellos compridos.
Ha no lado inferior do corpo, perto da base das
antennas, dois olhos proeminentes, de fórma conica
e côr pardo-escura.
As pernas são compridas, com o tarso muito
curvado, tendo as articulações as seguintes dimensões :
coxa, 162; femur com trochanter, 435; tibia, 403 ;
tarso, 208; unha, 56. Os digitulos são filiformes.
Hab. Soccorro, Estado de S. Paulo, em folhas
e galhos de laranjeiras cultivadas.
Icerya purchast Mask. The adult female, be-
sinning to secrete the ovisac, is 4.20 mm. long,
2.50 mm. wide and 1.10 mm. high. The body is
ovate, being widest posterior of the middle. On the
ventral surface it is colored orange yellow, with
the antennae and legs chestnut. ‘The dorsal surface
is yellowish with a gray tint, due to a fine waxy
secretion that covers it. In the center of the dorsal
surface there are several tufts of wax, and on the
lateral margin there are about 24 tufts of long hairs,
and many fine, long, waxy filaments.
The ovisac is 5.20 mm. long on the dorsal
surface, and 3 mm. long on the ventral surface,
being smooth on this surface and longitudinally
striate on the dorsum.
The eggs are light yellow in color.
In the adult female, boiled in a solution of
KOH, the derm becomes soft and transparent. The
entire surface of the body is ornamented with long,
dark colored hairs, and with small and large, round
componnd glands.
The antennae are light brown in color, are
from 882 to 1,017 microns long, and are composed
(*) Todas as medidas das art'culações das antennas e
pernas são indicadas em micromillimetros.
of 11 joints, of which the last is the longest. The
length of the joints is: 1, 104-117 ; 2, 91-110; 3,
91-97 ; 4, 59-65; 9, 92-69; 6, 71-84; 7, 71-81;
8, 78-84; 9, 71-84; 10, 71-48; 11, 123-143. The
approximate formula is 11, 1, 2, 3, ( 8, 6, 7, 9, 10)
(4, 5). All of the joints are furnished with long
hairs. On the ventral surface of the body, near the
base of the antennae, there are situated two dark
brown eyes, prominent and conical in shape.
The legs are long, with the tarsus much curv-
ed and filiform digitules. The joints of the legs
have the following lengths; coxa, 162; femur and
trocuanter, 435; tibia, 403; tarsus, 308; claw, 56.
Hab. Soccorro, State of S. Paulo, on the leav-
es and twigs of cultivated orange trees.
Icerya luederwaldti n. sp. A femea é intei-
ramente coberta com uma secreçäo de cera branca ;
composta de alguns filamentos no dorso, um na ex-
tremidade anterior, um na extremidade posterior. e
cerca de 7 na margem de cada lado. Estes fila-
mentos são, às vezes, dispostos irregularmente ; elles
são chatos, tendo 0,5 mm ou mais de largura, sendo
o da extremidade posterior mais comprido.
Na extremidade posterior existe ainda um ovi-
sacco branco, tão comprido como o corpo do inse-
cto, com os lados parallelos, estriado, e a extremi-
dade um pouco curvado para baixo. O comprimento
do insecto, inclusive o vvisacco, é 6 mm., e a sua
largura é 3 mm. E' provavel que o insecto attinja
um tamanho maior, pois estes exemplares parecem
ser ainda novos.
Despida de cera, a femea tem o corpo de côr
amarella, com as pernas e antennas pardas. Fervida
em uma solução de KOH, a derme torna-se molle
e transparente, e as antennas e pernas conservam-se
pardas. As antennas têm 0,650 mm. de compri-
mento e compõe-se de 10 ou 11 articulações, sendo
a ultima a mais comprida. Só foram observadas as
antennas de um individuo, nas quaes a quinta arti-
culação tinha uma articulação falsa. () comprimento
das articulações à o seguinte: 1,78; 2,78; 3,97;
— 198 —
4, 695-0, 8450.60 ais sa So OL TE ROME
A formula approximada é: 10, 3,5, (2, 1,9) (17,
8) (4, 6). Todas as articulações estão providas de
pellos compridos. As pernas são compridas com
alguns pellos, tendo cada articulação do primeiro
par o seguinte comprimento: coxa, 140; femur
com trochanter, 507; tibia, 437; tarso, 219; unha,
70. Os digitulos são filiformes.
No lado inferior de cada lado, na base das an-
tennas, existe um pequeno olho conico e de côr
parda. Toda a superficie da derme é coberta de
pellos comprides e de pequenas glandulas compostas.
fab. Santos. Estado de São Paulo Em folhas
de uma planta que gosta de sal. Os individuos são ge-
ralmente agglomerados no lado inferior das folhas per-
to da nervura mediana. Tem o n. 18.335 na col-
lecção do Museu Paulista. Enviado pelo Director
do Museu Paulista e dedicado ao sr H. Luederwaldt.
Icerya Luederwaldti n. sp. The female is en-
tirely covered with a secretion of several filaments
on the dorsum, one atthe anterior extremity, one
at the posterior extremity, and about 7 on the mar-
gin, on each side. These filaments are so netimes
arranged irregularly ; they are flat, about 5 mm.
wide, and the one on the posterior extremity is
the longest. At this extremity there also exists an
ovisac as long as the body of the insect, that has
the sides parallel and striated, and the posterior ex-
tremity slightly curved dowawards. Length of in-
sect and ovisac 6 mm., the width being 3 mm.
It probably grows to a larger size, as these indi-
viduals seemed to be still immature.
Freed from wax, the body is yellow in color with
the ‘legs and antennae brown, Boiled ina solution of
KOH, the derm becomes soft and transparent, but the
antennae and legs preserve their brown color. The
antennae are .83 mm. long and are composed of
10 or 11 joints, of which the last is the longest.
The antennae of but one individual were studied,
and in these the fifth joint had a false joint. The
length of the jomts 187-141, V8; 124850000754
Gass, OP OM ODE PP TESS TE O TS tO. Aaa.
The approximate formula is: 10,3,5,(2,1,9,)
(7, 3) (4, 6). All of the joints are furnished
with long hairs. The iegs are long wiih some hairs,
the following being the length of the joints of the
first pair: coxa, 140; femur with trochanter, 507 ;
tibia, 437; tarso, 219; claw, 70. The digitules are
filiform.
On each side of the ventral surface, at the base
of the antennae, the is a small, conical, brown eye.
The entire surface of the derm is covered with
long hairs and small compound glands.
Hab. Santos. State of & Paulo. On the leav-
es of a salt loving plant. The individuals are gen-
erally grouped no the under side of the leaves
near the central nerve. Bears the N. 18.335 in the
collections of the Museu Paulista, and is dedicated
to Mr. H. Luederwaldt. Sent by the Director of
the Museu Paulista.
SUB-FAMILIA DACTYLOPINAE
Pseudococcus cryptus n. sp. A femea adulta
tem o corpo de forma elliptica, com a derme molle,
e tem cerca de 1,540 mm. de comprimento.
Fervida em uma solução de KOH, a derme tor-
na-se transparente. As antennas e pernas estão bem
desenvolvidas. As antennas têm cerca de 0,440 mm.
de comprimento, tendo as articulações os seguintes.
compuiRentoss 1,00 02 2 50,40 5 452-00 sD,
32; 6, 39; 7, 84. Ha geralmente 7 articulaçôes,
mas, às vezes, a quarta articulação é dividida, fa-
zendo um total de oito articulações. A formula ap-
proxmnadaree TSC? a. C426) s000n. 7, 12) (3;
4, 6), 5. Todas as articulações estão guarnecidas
com pellos compridos e grossos. As articulações
das pernas têm as seguintes dimenções: coxa, 78;
femur com trochanter, 201; tibia, 78; tarso, 71;
unha, 26. Os digitulos são delgados e curvados. Ha
um pequeno olho conico em cada lado, perto da
base das antennas. :
E 200,
Na margem lateral do corpo ha uma série de
84 pequenos tuberculos dispostos em uma carreira
simples. sendo cada tuberculo guarnecido com 2 es-
pinhos grossos e compridos, diversos pellos compri-
dos e numerosas pequenas glandulas redondas, com
os orificios triangulares. O annel anal tem 6 pellos
compridos. O corpo termina posteriormente em dois
tuberculos, cada um guarnecido com um pello com-
prido, sendo toda a derme tambem provida de pellos
e de pequenas glandulas redondas.
Hab. Pennapolis, Estado de S. Paulo. Sobre
raizes de cafeeiro. Remettido pelo Sr. Dr. Theo-
dureto de Camargo.
Pseudococcus cryptus n. sp. The body of the
adult female is elliptical in form, with the derm
soft, and is about 1,54 mm. long.
Boiled in a solution of KOH, the derm be-
comes transparent. The antennae and legs are well
developed. The antennae are about .44 mm. long,
and are composed, regularly, of seven joints, al-
though sometimes the fourth joint is divided, form-
ing eight in all. The length of the joints is as
follows: 1; 98527525 33) 4550 A od seen.
39; 7, 81. The approximate formula is 7, 1, 2, 3,
(A, 6) or 1,112, (3,456) on Alls ofthe one
are furnished with long, thick hairs. The length
of the joints of the first pair of legs is; coxa, 78,
femur and trochanter, 201; tibia, 78; tarsus, 71;
claw, 26. The digitales are fine and carved. There
is a small, conical eye on each side of the body,
near the base of the antennae.
On the lateral margin of the body there is a
series of 34 smail tubercles, arranged in a simple
line, each tubercle being furnished with 2 long,
thick spines, several long hairs, and many small,
round glands with triangular orifices. The anal ring
bears 6 long hairs. The body terminates poster-
iorly in two tubercles, each of which is furnished
whith a long hair, and the entire surface of the
derm is provided with hairs and small, round glands.
qa MAO! 23
Hab. Pennapolis, State of S. Paulo. On the
roots of the coffee tree. Sent by Dr. Theodureto de
Camargo.
SuB-FAMILIA COCCINAE
Cer oplastes rhizophorae n. sp. A femea adulta,
coberta de cera, é grande e alta, de forma oval. A
cera é dura, irregvlar, com um pequeno tuberculo
no dorso um pouco anterior do centro, e não está
dividida em placas.
Não ha nenhum nucleo exposto e visivel, mas
ha duas pequenas linhas brancas em cada Jado nas
regiões cstigmataes. A ponta do corno caudal esta
exposta. A cera tem a côr branca tingida de créme.
O insecto tem 10,5 mm. de altura, 9,25 mm. de
comprimento, e 8,25 mm. de largura. A margem
anterior é um posco entalhada. Descripto de um
unico exemplar.
Hab. Santos, Estado de S. Paulo. Na casca
da ponta inchada de um galho de Rhezophora man-
gle L. Remettido pelo Director do Museu Paulista,
tendo elle o n. 18.334 nas colleccdes daquelle esta-
belecimento.
Ceroplastes rhizophorae n. sp. The adult fe-
male, covered with wax, is large and high, and
oval in form. The wax is hard, irregular, and with
a small tubercle on the dorsum a little anterior ot
the middle, aud is not divided into plates. There is
no nucleus exposed and visible, but there are two
small white lines on each side in the stigmatal areas.
The extremity of the caudal horn is exposed. The
color of the wax is white with a creamy tinge,
The insect is 10,5 mm. high, 9,25 mm. long, and
8, 25 mm. wide. The anterior margin is slightly
notched. Described from but one specimen.
Hab. Santos, State of S. Paulo. On the bark
of the swollen tip of a twig of Rhizophora mangle
L. Sent by the Director of the Museu Paulista, and
numbered 18.334 in the collections of that institu-
tion.
=~ 202°
Neolecanuin subterraneum n. sp. As amos-
tras seccas da femea adulta tem a cor pardo-escura,
quasi preta, com a forma hemispherica, sendo a
superficie ventral chata, e os segmentos do abdomen
indicados, tanto no lado ventral como no dorsal,
por linhas transversaes O corpo tem 3,25 mm. de
comprimento, 2,25 mm. de largura e 1,5 mm. de
altura.
Fervidos em uma solução de KOH, os exem-
plares mais novos tornam-se transparentes, com a
derme molle, ao passo que os exemplares mais ve-
lhos têm a derme mais dura e de cor parda. Ha
exemplares nos quaes as antennas estão bem des-
envolvidas, com 7 articulações, mas em outros exem-
plares as antennas estão pouco desenvolvidas. O seu
tamanho total é cerca de 0,356 mm. sendo o se-
guinte o comprimento das articulações: 1, 98; 2,
39; 3 115 418k O, Dos 6 205 de
mula approximada é 4, 3, 1, 7, 2, 5, 6 ou 4, 3, 1
(7, 2) (5, Ü). As pernas são delgadas e curtas e
pouco desenvolvidas em alguns exemplares, sendo o
seguinte o comprimento das articulações do primeiro
par: coxa, 90; femur com trochanter, 266 ; tibia ;
248; tarso, 130; unha, 39. A margem do corpo
é guarnecida com compridos pellos delgados que
tèm a sua origem em um pequeno tuberculo, e toda
a superficie é ornamentada com pequenas glandulas
circulares. As placas anaes são pequenas, e a fenda
ê curta, com cêrca de 0,325 mm. de comprimento,
e aberto. Os digitulos são pequenos.
Hab. Ypiranga, Estado de S. Paulo. Sobre as
raizes de uma planta do campo. Nas collecções do
Museu Paulista tem o n. 17.354, sendo elle re-
mettido pelo Director deste estabelecimento.
Neolecanium subterraneuin n. sp. Dried spe-
cimens of the adult female are dark brown, nearly
black, in color. hemispherical in shape, with the
ventral surface plane, and the segments of the
abdomen indicated both on the ventral and dorsal
surfaces, by transverse Jines. The length is 3.25
mm., the width 2.25 mm., and the height 1.5 mm.
Boiled in a solution of KOH, the younger spe-
cimens become transparent with the derm soft; while
the older specimens have the derm harder and of
a brown color. The antennae are well developed in
some specimens, with 7 segments, while in others
they are badly developed. The length of the anten-
nae is about .306 mm., and the length of the joints
Pen awe srl A MOTO, 92: 0: 26% 1,
92. The approximate formula is 4, 3, 1, 7, 2, 5, 6,
or 4, 3, 1(7,2) (5,6). The legs are slender and
sbort, and in some of the specimens are badly de-
veloped. The joints of the first pair of legs have
the following lengths; coxa, 90; femur with tro-
chanter, 266; tibia, 208; tarsus,’ 130; claw, 39.
The digitules are small. The margin of the body is
ornamented with fine, long, tuberculated hairs, and
the entire surface of the derm is ornamented with
minute, circular glands. The anal plates are
small, with the anal cleft short, about .325 mm.
tong, with sides not contiguous.
Hab. Ypiranga, State of S. Paulo. On the roots
of an uncultivated plant. In the collections of the
Museu Pautista it has the N°. 17354. Sent by the
Director of that establishment.
Megasarssetia nectandrae n. sp. Nos exemplares
- novos a femea é chata e tem a forma circular ou oval.
e está coberta com uma delgada secreção de cera cin-
zenta. A côr, na superficie ventral, é amarella de
enxofre, com uma margem estreita de verde, sendo
a cor no lado dorsal de baixo da cera, azul. A
derme é molle com muitas glandulas grandes e re-
dondas. Os exemplares maiores têm a forma irre-
gular ou circular, sendo o dorso duro, aspero e
luzento, e coberto de delgadas particulas de cera
cinzenta, que tambem constitue uma pequena franja
na inargem lateral. A côr é de pardo-escura até
preta nos exemplares mais velhcs, e de parda mais
clara nos exemplares mais novos. Tirado do galho,
deixa uma mancha de cera branca na casca.
Fervida em uma solução de KOH, a derme
aos exemplares velhos conserva-se dura e opaca, ao
passo que a dos exemplares mais novos torna-se
transparente e molle na parte central, permanecendo
um annel na margem, duro e de côr parda. A
derme é muito espessa, com as glandulas hem gran-
des. O liquido torna-se turbido e de côr amarella
ou pardo-clara.
Ha uma franja marginal de pellos curtos, grossos
e pontagudos de forma de espinho, com cerca de
19 microns de comprimento, sendo a distancia me-
dia entre dous pellos, 89 microns; mas entre alguns
a distancia é menor, e entre outros maior. O pello
na extremidade posterior tem 92 microns de com-
primento. A fenda anal tem cêrca de 1.400 mm,
de comprimento. com os lados contiguos. As placas
anaes têm a forma hemispherica, tendo o lado in-
terior cerca de 0,227 mm. de comprimento. As per-
nas são curtas e fracas. As antennas são presentes,
porêm pouco desenvolvidas, e não podiam ser exa-
minados nos exemplares preparados.
Hab. Piracicaba, Estado de S. Paulo. Nos ga-
lhos de canella. Nectandra sp. Remettido pelo sr.
Gregorio Bondar.
Megassaissetia nectandrae n. sp. In the ycung
specimens the female is circular ou oval in outline,
and flat. The color on the ventral surface is sulphur
vellow, with a narrow, green, marginal band. The
color of the derm on the dorsum is blue. The older
female specimens on the twigs and branches are
irregular ou circular in outline, with the dorsum
hard, rough and shiny, covered with a fine, thin,
gray, waxy secretion, distributed in particles, and
that also forms a short fringe around the lateral
margin. The color of the oldest specimens is dark
brown to black, that of the younger specimens is
lighter brown. When taken from the branch, it
leaves a patch of white wax on the bark. The
length of the largest specimens is 11 mm., width
&.5 mm, and height 3.5 mm.
Boiled in a solution of KOH, the younger
specimens show a derm that becomes soft and trans-
parent in the central area, leaving a ring on the
margin that is hard and brown in color. The derm
in the young specimens is soft with many large,
round glands, in the older specimens it is very
thick and remains hard and opaque.
There is a marginal fringe of short, stout,
sharp, spine-like hairs, about 19 microns long, with
an average distance of #9 microns between the
hairs ; however some are further apart. some slight-
ly nearer together. The hairs at the posterior
margin, near the anal fissure are 52 microns long.
The anal fissure is about 1.4 mm. long, with the
sides contiguous. The anal plates are hemispherical
in form, with inner side about .227 mm. long.
The legs are short and weak. The antennæe are
present but not well developed, and could not be
defined in tie specimens prepared.
Hab. Piracicaba, State of S. Paulo. On the
branches of Nectandera sp. Sent in by Mr. Gre-
gorio Bondar.
SUB-FAMILIA DIASPINAE
Diaspis minensis n. sp. O escudo da femea
é de forma circular ou sub-circular, pouco convexo,
e de côr branca, tendo cerca de 1.60 mm. a 1,80
mm. de diametro. As pelliculas são expostas, de
côr pardo-clara, e são situadas perto da margem.
A femea adulta tem o corpo de forma larga-
mente oval, com a derme dura, de côr pardo-clara.
O pydidium é pequeno, e tem 4 pares de lobos,
sendo os medianos grandes, largos e simples, com
a margem posterior um pouco recortada; o se-
gundo e o terceiro par são bilobados, e o quarto
par é simples. A margem do pygidum e o corpo perto
deste é finamente crenulada e ornamentada com
cerca de 20 placas em cada lado. Ha cinco grupos
de glandulas circumgenitaes. O mediano compõe-se
de 12a 14 glandulas, os anterior-lateraes de 20 a 27,
e os posterior-lateraes de 14 a 16.
Hab. Christina, Estado de Minas Geraes. Sobre
uma planta não identificada. Remettido pelo Director
— 306 =
do Museu Paulista, tendo elle o n. 17.348 nas
collecçües daquelle estabelecitnento.
Diaspis minensis n. sp. The scale of the adult
female is circular to sub-circular in outline, but
little convex, and white in color, being from 1.6
to 1.8 mm. in diameter. The pellicles are exposed
and nearly marginal, and are ligth brown in color.
The body of the adult female is widely oval
in outline, light brown in color, with the derm
hard. The pygidium is small, and has four pairs
of lobes, of which the middle ones are large, wide
and simple, with the posterior margin slightly in-
dented, the second and third pairsare hilobed, and
the fourth pair is simple. The margin of the py-
gidium and of the immediate body segments is
finely crenulated and furnished with about 20 plates
on each side. There are 5 groups of circumgenital
glands; of which the median group varies from 12
to 14, the antericr-iaterals from 20 to 27, and the
posterior-laterals from 1% to 16.
Hab. Christina, State of Minas Geraes. On an
unidentified plant. Sent by the Director of the Mu-
seu Paulista, being designated as N. 17.348 in the
collections of that establishment
Aspidiotus jaboticabae n sp. O escudo da fe-
mea adulta é de fórnia circular a sub-circular, duro
e opaco e variavel, sendo uns mais convexos do que
os outros, com a côr pardo-escura de chocolate até
preta. O interior do escudo está forrado com uma
secreção branca. Frequentemente a superficie do es-
cudo está coberta de pequenos pedaços de casca. Às
pelliculas são cobertas e indicadas por uma pequena
eminencia perto da margem. A placa ventral é del-
gada, firme e adherente ao escudo dorsal O dia-
metro do escudo varia de 3 a 3,250 mm.
A femea adulta tem a fórma largamente oval,
com a derme fina e transparente, tendo o corpo de
2 a 2,150 mm. de comprimento O pygidinm é pe-
queno, com 4 pares de Jóbulos, sendo a margem cre-
ralada e chitinizada. Os lóbulos do primeiro par es-
tão muito unidos, com a borda exterior com um
entalho. O segundo par é perto do primeiro, com
2 entalhos na borda exterior. O terceiro par é si-
tuado um pouco anteriormente do segundo par, e
tem 3 entalhos na borda exterior. O quarto par é
simples, sem entalho, e está situado um ponco dis-
tante do terceiro par. Ha quatro pares de espinhos,
sendo o primeiro ‘par situado entre o segundo e o
terceiro par de lobos; o segundo par entre o ter-
ceiro e quarto par de lóbulos; e o terceiro e quarto
par na margem anteriormente do quarto par de lo-
bos. Ha cinco grupos de glandulas circumgenitaes,
sendo geralmente os dous grupos lateraes de cada
lado confluentes. O grupo mediano compõe-se de
10 a 11 glandulas, e os lateraes de 25 a 33. Ha
ainda um grupo de poros circulares em cada lado
perto da margem posterior.
Hab. S. Manoel, Estado de S. Paulo. Em Lu-
gemia jaboticaba. Remettido pelo Director do Mu-
seu Paulista, sendo elle designado com o n. 17.350
nas collecções daquelle estabelecimento.
Aspidiotus jaboticabae n. sp. The female scale
is circular to sub-circular in outline, hard, opaque
and variable, some being more convex than others,
and of a dark brown to black color, with the inner
surface lined with a white secretion. The surface
is frequently hidden beneath bits of bark. The
pellicles are indicated by a small boss, placed be-
tween margin and center. The ventral scale is thin
and firm, and strongly adhering to the dorsal
scale. The scale is from 3 to 3.20 mm. in dia-
meter.
The adult female is widely oval in outline, with
the derm fine aud transparent, the body being
fron: 2 to 2.15 mm. in length. The pygidium is
small, with 4 pairs of lobes, of which the first
lobes are close together and have one notch on the
outer edge, the second pair is close to the first,
and has 2 notches on the onter margin. The third
pair is slightly cephalad of the second, and has
three notches ot the outer margim, while the
E Gee
fourth pair is situated cephalad of the third, with
a little space between them, and has the outer edge
entire, without notches. There are four pairs of
spines, of which the first is situated between the
second and third pair of lobes; the second between
the third and fourth pair of lobes; and the third
and fourth pairs are situated cephalad of the fourth
pair of lobes. The margin of the pygidium is chi-
tinisel and crenulated. There are five groups of
circumgenital glands, the two lateral groups of
each side being nearly always confluent. The me-
dian group is composed of from 10 to 11 glands,
and the laterals of from 25 to 33. There is a group
of circular pores on each side near the posterior
margin.
Hab. S. Manoel, State of S. Paulo. On Luge-
nia jaboticabae. Sent by the Director of the Mu-
seu Paulista, being designated as N.º 17350 in the
collections ef that establishment.
Icerya purchasi, Maskell
Le
oes |
É AN
+.
q
Lau Cones mago
+ =
E
é
E Se
e
u
'
ie
i
«
Area te ie,
a
ic
L
®
eo
+
DAT pee Ta Sh a
ADR
| =
RES
ws ©
4
<
de
d
"LA
¥
4
,
Se See ae
e 34
1,
.
-
r
1
1
4
ETA
L +
\
2 wee oS
> ha wee eng 4 PR
= LS & E ar A à a Ja, ess ; a”
O Sm cam aà Laser A ae a dad ws ARTE
Descripção de uma nova especie de ALEURODIDAR
POR
ADOLPHO HEMPEL
Entomologo do Instituto Agronomico de Campinas
‘à A!
PAT
Descripção de uma nova especie de Aleurodidae
Aleurodicus flumineus n. sp. Os individuos
são inteiramente cobertos com uma secreção branca,
que é muito densa na margem, e com muitos fila-
" mentos vitreos compridos e curvados, tendo estes
mais de 25 mms. de comprimento.
A casca da nympha, despida de cera, tem a
cor amarella, e a forma largamente elliptica, com o
dorso nm pouco convexo, e os segmentos do corpo
não plenamente indicados; tendo ella 1,225 mm. de
comprimento, e 0,875 mm. de largura. A margem
do corpo é lisa, mas perto da margem ha uma li-
nha de pequenas glandulas dispostas uma bem perto
da outra, que dá o aspecto de crenulação, e dentro
destas “glandulas ha uma outra fileira de glandulas,
menos numerosas e dispostas mais distantes umas
das outras. Ha ainda uma banda marginal guarne-
cida com muitas pequenas glandulas isoladas. Na
margem posterior do corpo ha dous espinhos com-
pridos, e ha uma fileira destes espinhos em numero
de 20, em roda do corpo, que tem a sua inserção
perto da margem. No dorso ha 7 pares de glan-
dulas compostas, sendo 4 pares grandes, situados na
região abdominal, um par de menores na região ce-
phalica, e dous pares ainda, na região abdominal
perto da margem posterior e em cada lado do ori-
ficio vasiforme.
O orifício vasiforme tem a forma sub-cordata,
mais largo do que comprido; com o operculo de
forma rectangular, e a margem posterior ertalhada
em cada lado e guarnecida com dous espinbos gran-
des. A lingula é saliente e comprida, estreitada
ET oe NE
perto da extremidade posterior, com um entalho
perto do meio e outro perto da extremidade, em
cada lado, cada um dando origem a um espinho
grande. Ha ainda um par de espinhos grandes na
base do orifício vasiforme.
A femea adulta tem a côr amarella, com os
olhos compostos de côr parda. O corpo tem cerca
de 1,66 mm. a 1,83 mm. de comprimento, medido
da cabeça até a extremidade posterior do corpo.
As antennas compõem-se de 7 articulações e têm
cerca de 0,800 mm. de comprimento As azas an-
teriores são hyalinas com tres areas transversaes
escuras, e têm 2,275 mm. de comprimento e 1,260
mm. de largura. As azas posteriores são hyalinas,
geralmente sem areas escuras, e têm 1,070 mm. de
comprimento e 0,700 mm. de largura. A tibia do
ultimo par de pernas tem 0,770 mm. de compri-
mento, e o primeiro segmento do tarso tem 0,183
mm. de comprimento e o segundo segmento tem
0,103 mm. de comprimento.
O macho adulto tem a mesma côr da femea.
A pinça genital tem de 0,700 mm. a 0,752 mm.
de comprimento. e tem as extremidades muito cur-
vadas para dentro.
Hab. Pinheiros, Estado do Rio de Janeiro.
Em folhas de oity, Moquilea toinentosa Bent., sendo
os individuos agglomerados no lado inferior perto
da nervura mediana. Remettido pelo Sr. Dr. Ezequiel
da Rocha Brito. E” muito aparentado com Aleu-
rodicus neglectus Q. e B. e A. dugesi Ckil.
Aleorodicus flumineus n. sp. The individuals
are entirely covered with a white secretion, that is
dense on the margin, and there are also many, long,
curled, glassy filaments present, these being over
25 mm. long.
The pupa case, denuded of wax, is yellowish
in color, broadly elliptical in outline, being 1.225
mm. long and 0.875 mm. wide. The dorsum is
but little convex and the body segments are not
distinct. The margin of the body is not crenulated,
but just inside of the margin there is a row of
minute glands set close together, that gives the
margin a crenulated appearance, and inside of this
there is another row of small glands, fewer in
number and spaced farther apart. The marginal
area also bears many small, isolated glands. Near
the margin there is also a row of long spines, 20
in number, and on the posterior margin there are
two similar spines. On the dorsum there are 7 pairs
of compound wax pores, distributed as follows :
four pairs on the abdominal region, one pair of
smaller cnes on the cephalic region, and 2 pairs
of still smaller placed posteriorly of the large ab-
dominal pores and on each side of the vasiform
orifice.
The vasiform orifice is sub-cordate in outline,
much wider than long; with the operculum rect-
angular in shape, and with the caudal margin
notched on each side, and bearing a pair of stout
spines. Lingula exserted, elongate, narrowed to-
wards the posterior extremity, with one indenture
near middle and another near the extremity on
each side, from each of which springs a strong
spine. A pair of spines is also situated at base of
vasiform orifice.
The adult female is yellow in color, the com-
pound eyes being brown. Length of body, from
head to the posterior extremity of the abdomen, is
1.660 mm. to 1.830 mm. The antenne are com-
posed of seven joints, and are about 0.800 mm.
long. The forewings are 2.275 mm. long and
1.260 mm. wide. They are hyaline with three dusky
transverse areas. The hind wings are 1.575 mm.
long and 0.700 tam. wide. and are usually unmarked.
The length of the hind tibia is 0.770 mm. the
length of the basal segment of the tarsus is 0.183
mm. and that of the distal segment is 0.105 mm.
The adult male is colored the same as the fe-
male. The claspers are from 0.700 mm. to 0.725
mm. long, with the tips strongly curved inward.
The last abdominal segment is 0.437 mm. long.
Hab. Pinheiros, State of Rio de Janeiro. On
the leaves of oity, Moquilea tomentosa Benth. The
individuals are usually clustered on the inferior sur-
face near the midrib. Sent by Dr. Eziquiel da Ro-
cha Brito. This species is closely related to Aleu-
rodicus neglectus Q. & B. and A. dugesii Ckil.
Aleurodicus flumineus, 7. sp.
25
sri a Pent
a een ee eh i ma mia mine
a Er a
Voto SAW QE Sa AR ti een mme Vy = =
s
À ge eq RES on + mg pe nt ogg
a ii mm tte
r
ur
no
CONTRIBUIÇÃO PARA 0 CONHECIMENTO
DA FAUNE HELMINTROLOUICA BRAZILEIRA
Dr auroral ravassos
Assistente do Instituto Oswaldo Cruz
VII
Especies brazileiras do genero THELAZIA Bosc. 1819
2...
Ea DS
ee
«
a,
Va
MAE: Sas de
CONTRIBUICOES PARA O CONHECIMENTO
DA FAUNA HELMINTHOLOGICA BRAZILEIRA
A familia Thelazidae foi recentemente creada
pelo Prof. A. RAILLIET que nella incluiu, além do
genero Thelazia Bosc, 1819, mais os seguintes :
Ceratospirura SCHNEIDER, 1866; Schistorophus
RalLuieT, 1916; Serticeps Ramccier, 1916; Cyste-
decola WALDHEIM, 1897; Galeiceps RAILLIET,
1916; Rhabdochona RaïizzieT, 1916 e Oxyspirura
DRASCHE, 1897.
Examinando detidamente algumas especies deste
grupo de parasitos verificamos que constituem duas
secçües nitidamente distinctas, facto este que nao
foi notado pelo Prof. RaAILCIET provavelmente por
nao ter tido opportunidade de observar especies dos
generos Schistorophus e Serticeps.
No primeiro grupo, caracterizado por um esc-
phago curto e precedido de capsula bucal e não tendo
a parte anterior differenciada em pharinje ficam os
generos: Thelazia, Ceratospirura, com vulva perto
da extremidade cephalica ; Oxyspirura e Rhabdocho-
na com vulva perto da extre:nidade caudal e ainda
pode-se approximar destes, provisoriamente, os ge-
neros Cistidicola de esophago « muito longo » e Ga-
leicep de conformação bucal complicada.
No segundo grupo, caracterizado por longo eso-
phago com porção anterior differenciada em pharinge,
boca com dois labios e ornamentação cephalica, ficam
os generos: Schistorophus e Serticeps.
Este segundo grupo tem affinidades evidentes
com a familia Acuaridae e para elle propomos
uma nova sub-familia, Schistorophinae, que fará
parte da familia Acuridae ao lado das Physalopte-
rinae e Acuarinae. Com esta nova sub-familia
brevemente nos occuparemos.
— 218 —
Genero Thelazia Bose, 1819.
Caracteres: Boca sem labios e seguida de ca-
psula bucal de bordos anteriores salientes e com 6
lobos distincros ; duas papillas lateraes e quatro sub-
medianas. Femeas com cauda conica e arredondada,
com duas papillas lateraes na extremidade; vulva
situada na extremidade anterior, mais ou menos ao
nivel da terminação do esophago; uteros dirigidos
para traz; ovos fazendo eclosão no utero. Machos
de cauda obtusa e curva, sem azas lateraes, com
muitas papillas preanaes e poucas postanaes ; espiculos
muito ou pouco differentes.
Habitat: Olho de aves e mamiferos, geralmente
no canal lacrymal ou sob as palpebras, raramente no
interior do globo.
Especie typo: Thelazia rhodezir ( DESMARET,
1827 ).
Este genero deixa-se dividir em dois sub-ge-
neros: Thelazia, com espiculos de dimensões e fór-
ma muito diversas e Thelaziella, n. subgen., de es-
piculos semelhantes e de dimensões pouce differen-
tes; especie unica: Thelazia ( Thelaziella ) lacry-
males ( Gurlt, (831 ).
Vamos agora dar um catalogo das especies do
genero Thelazia e depois descrever as especies en-
contradas no Brazil de que temos material. As in-
dicações bibliograficas feitas no catalogo correspon-
dem as indicações do « Index Catalogus of Medical
and Veterinary Zoology» de SriLes & Hassan.
Lista (
AS especies (
0 venero “ Thelazia ” Bose, 181)
1) Thelazia (T.) stereura ( Rudolph,
1819) Rauhet & Henry, 1910.
Sin. : Spiroptera stereura Rudolphi, 1819 a p.
»
»
»
Oxyspirura
Thelazia
»
?
»
»
23, 237, E55.
Westrumb, 1821 a p.
69.
Rayer, 1843 a p. 145.
Gurlt, 1845 a p. 246.
Dujardin, 1845 a p.
92, 93.
Diesing, 1851 a p.
ate
Diesing, 1861 a p.
678.
Molin, 1860 D p.
Jom
Schneider, 1866 a p.
108.
v. Linstow, 1878 ap.
113.
Stossich, 1889 fp.
183.
Stossich, 1897 b p.
119.
Ranson, 1904 U.S.
Dep. Agr. Bur. An.
Ind Bulls 60, p. 20
Railliet & Henry,
1910 C. R. Soc. Biol.
p. 216.
Railliet, 1916. J. or
Paras. TI, p.101:
Habitat: Membrana nictitante e meatus audi-
tivo de:
Aquila maculata (GM. ).
Destr. geogr.: Europa.
>) 220
2) Thelazia (T.) rhodesi ( Desmaret,
1827) Railliet & Henry, 1910. (1).
Sin: Thélazie de Rhodes Bosc, 1819 (7 Razl-
leet, 1916 )
Thelazivs Rhodezii Desmaret, 1827 (in Rail-
leet, 1916 ).
Thelazia rhodezii de Blainville, 1828 (in Rail-
het, Agito ).
Filaria bovis Bazllet, 1858 d.
» palpebrarum Bazllet, 1858 e p. 703.
» lacrymalis » 1866 b, pr. part.
» » Raillret 1895 à p. 527, pr. part.
Thelazia rhodesi Razlliet & Henry, 1910 C.
Bu -Soc: Biol tp el
» » Railliet, 1916 J. of. Paras. II,
p. 100
Habitat : Olhos de:
Bos taurus dom. L.
Buffelus bubalus L.
Destr. Geogr. Europa.
3) Thelazia (Thelaziella) lacrymalis
Gurlt 1831) Railliet & Henry, 1910. (2)
Sin: Filaria lacrymalis Gurlt, 1831 a p. 347,
pl, Vi ETS prac.
» » Gerber, 1840 Handl. d.
aly. Anat.p. 214, pl. VII.
fig. 235-236.
» palpebralis Wilson, 1844 ( 1839-
1847 a) nec Pace, 1866 a p. 192.
Filaria lacrymalis Gurlt, 1845 a p. 237.
» » Diesing, 1851 a p. 265, pr.
part.
(1) Esta especie foi por muito tempo confundida com
as: olfortense, gulosa e lacrymalis. Desta ultima pode se se-
parar pelos hospedeiros, das outras é impossivel.
(2) Filaria inrmis GRASSI, 1887, parece, pelo menos
em parte, ser identica a esta. :
Ss 229 6S
Filaria lacrymalis Molin, 1828 cp. 372, pr.
part.
» » Diesing, 1801 ap. 101 pr.
part.
» » Moroni, 1864 a p. 193.
» » Stossich, 1897 bp. 21, pr.
part.
» palpebralis Stossich, 1897 Db p. 17.
Thelazia lacrymalis Razllzet & Henry, 1910
Giles soe, Biol p. 215;
1e
» » Railliet, 1916 J. o: Paras.
TE pe OT:
Habitat: Olhos de:
Equus caballus L.
Destr. geogr. : Cosmopolita.
4) Thelazia (T.) campanulata ( Molin,
1858) Razlliet & Henry, 1910.
Sin: Filaria Falconis magnirostris M. C. V.
n. nud.
Filaria campanulata Molin, 1858 c p. 392, pl.
Peet. org
» » Dresing, 1861 a p.
702.
» » v. Linstow, 1878 a
pA 116:
» » Stossich, 1897 b p.
63.
2 » » Ransom, 1904 U,S.
Dep. Agr. Bur. An.
Ind. Bull, 60, p. 34
f. 26-28.
Thelazia » Railhet & Henry,
1910 C. R. Soc. Biol.
p. 216.
» » Rarlliet, 1916 J. of
Paras.) fap. 104:
Habitat : Sob a nictitante de:
Rupornis magnirostris (GM. ).
Falconidae sp. ?.
Destr. geogr. : Brazil.
Et NA AE
D) Thelazia (‘ ) anolabiata (Mollin, 1860)
Railliet & Henry, 1910.
Sin : Spiroptera Cracis alectoris, M. G. V. n. nud
» anolabiata Mollin, 1860 D p. 981
» anolabiata » Linstoro, 1878 a
p: 124.
» » » Drasche, 1884 a p.
206. :pLUXTI 0 428;
» » v. Linstow, 1889 a p.
AT,
Filaria anolobiata Stossich, 1897 b 5. 51.
? Oxyspirura » Ransom, 1904 U.S. Dep.
Agr. Bur. An. Ind. Bull.
USD SI, ganas
Thelazia » Railhet & Henry. 1910
GR Soc Biblivp. 216
» » Rasilliet, 191€ J. of. Pa-
ras. A, pain.
Habitat: Sob a membrana nictitante de:
Crax fasciolata SPIX.
Destr. geogr. : Brazil.
G ) Thelazia (F.) papillosa ( Molin, 1860 )
Railliet & Henry, 1910.
(1)
Spiroptera Falconis leptopodis M. G. V. x.
nud.
Spiroptera F'alconis Gavial realis M. C. V. 2. nud.
Sin. :
» »
» papillosa
» »
» »
» »
» »
» »
(1) E” provavel que esta
panulata.
Mo CP SV. woes AMG ora.
872, n. nud., nec Rudol-
phi, 1819 a 28,254,
nec M. C. V. a. 11 e 698.
Molin, 1860, b p. 929.
Diesing, 1861 a p. 676.
v. Linstow, 1878 a p. 110,
v. Drasche, 1884 a p. 199,
pl AG, fh 20, ple ocr
v. Linstow, 1889 a p. 41.
v. Stossich, 1897 bp. 95.
especie seja identica a cam-
ED to) a
aa)
? Oxyspirura papillosa Ransom, 1904 U. S.
Dep. Agr. Bur. An. Ind.
Bull. 60, p.. 27.) 1, O
40}
Thelazia » Raillict & Henry, 1910
E RercSoc. Biol. +p. 216:
» » Ruilliet, 1916. J.-of Pa-
ras: po 101,
Habitat : Sob a membrana nictitante de:
Thrasaelus harpya (LL ).
Geranospizia coerulescens ( VIEILL. ;
Distr. geogr. : Brasil.
7) Thelazia (2) cirrura ( Leidy, 1886 )
Railliet, 1916.
Sin. : Filaria cirrura, “Leidy, 1886 e p. 309.
» » v. Linstow, 1889 a p. 37.
» » Soissech, 1897~ b p. 64,
» » Ransom, 1904 U.S. Dep.
Agr. Bur. An. Ind Bull.
GO, p. 34.
Thelazia ? cirrura Razlliet, 1916, J. of Paras.
Ep.» 107.
Habitat. : Orbita de:
Quiscalus inajor VIELL.
Destr. geogr. : America do Norte.
&) Thelazia (T.) gulosa. Raillict &
Henry, 1910.
Sin.: Filaria lacriminalis Gurlt, 1831 a p. 347
pr. part.
» » Dresing, 1851 a p.
260, pr. part.
» » Molin, 1828 c p.
372, pr. part.
» » Diesing, 1861 a p.
101 pr. part.
» » v. Linstow, 1878 a
p. 48.
» » Stossich, 1897 p. 21,
pr. part.
Thelazia gulosa Raillet & Henry, 1910 C.
ERROS. lol. sp. 214,
» » Railliet, 1916 J. of Paras,
taltep; 10t.
Habitat: Olhos de:
Bos taurus dom. L
Destr. geogr. Europa e Sumatra.
9) Thelazia (°) alfortensis, Railhet
& Henry, 1910.
Sin.: Thelazia alfortensis Railhet & Henry,
1910 C. R. Soc. Biol.
p: 214.
» » Raiiliet, 1916 J. of
Paras, II, p. 101.
Habitat: Olhos de:
Bos taurus dom. L.
Destr, geogr. Europa.
10) Thelazia (T.) leesei Railliet &
Henry, 1910.
Sin.: Thelazia leeser Razllet & Henry, 1910
C.:B.:Soc.-Biol p.215,
784.
» » Raïlliet, 1916 J. of Pa-
ras: a, ‘p. 400
Habitat: Olhos de:
Camelus dromedarws L.
Destr. geogr.: Norte d' Africa.
11) Thelazia (*?) callipaeda Railliet &
Henry, 1910
Sin. Thelazia callipaeda Ravllvet & Henry, 1910
C. R Soc. Biol. p. 785.
» » Rae'let & Henry, 1913.
Rec. Med. V. x C, p.
209, fig. 6.
» » Railliet, 1916 J. of Pa-
ras. Al po UE,
Habitat : Olhos de:
Canis familiaris L.
Destr. geogr.: Norte d'Africa.
ton,
12) Thelazia ( Th.) dacelonis ( Johns-
1913) Travassos, 1917.
Sin. : (Filaria) Dacelonis Johnston, 1913 Austr.
Inst. of Trop. Med. Rep.
of the Year 1911,:p:
42,;:pl XI, fo 13;
Habitat : Saco conjuntival de: Dacelo leachu
29: de Horsf.
13) Thelazia (Th.) iheringi n. sp.
Habitat: Sob as palpebras de:
Dasyprocta sp.?
Destr. geogr.: Brazil.
14) Thelazia (T.) lutzi n. sp.
Habitat: Olhos? de:
Penelope sp. ?
Destr. geogr. : Brazil
15) Thelazia (?) digitata n. sp.
Habitat. : Olhos de:
Rhamphastus sp.?
Destr. geogr. : Brazil.
Thelazia ( Thelaziella ) lacrymalis
( Gurlt, 1831 )
CESR fes est UE feitos
Comprimento: &“ 9a 10 mm.; ¢ 14a 18 mm.
Largura: 4 0,30 mm.
Extremidade cephalica arrendondada ; cuticula
com estriaçäo transversal saliente, simulando extreita
annelaçäo e afastadas de cerca de 0,007 mm.; póro
excretor a cerca de 0,28 mm. da extremidade an-
terior; annel nervoso a 0,20 mm. da extremidade
pel sda
cephalica ; capsula bucal com cerca de 0,010 mm. de
de profundidad> per 0,021 mm. de largura; eso-
phago ligeiramente claviforme com cerca de 0,30 a
0,40 mm. de comprimento por 0,05 mm. de maior
largura. Machos com a extremidade posterior di-
gitiforme, curvada ventralmente ; anus a 0,070 mm.
da extremidade posterior, dois pares de papillas pos-
tanaes e numerosas preanaes, estas a principio pro-
ximas, distanciam-se à proporção que se afastam do
anus (não conseguimos observar a papilla impar
preanal); espiculos desiguaes, medem respectiva-
mente 0,14 e 0,19 mm. de comprimento e apre-
sentam nas extremidades distaes azas lateraes.
Femeas com a vulva a 0,56 da extremidade
anterior. : |
Habitat: Olho de Equus caballus L.
O materia] que serviu para nossa descripção nos
foi remetido pelo Prof. A. RAILLIET, porém temos
informação de que este parasito existe no Brazil.
Thelazia ( Thelazia ) campanulata
( Moiin, 1888 )
(Est; 1, fig. 2; Est. Il, fig. 65 Est Mingo 11).
Comprimento : ¢ 23 mm.; g 17 mm.
Largura: 9 0,6 mm.; & 0,4 mm.
Extremidade anterior digitiforme ; cuticula com
annelação muito apparente, tendo frequentes anomalias
(Fig. 2); annelações distantes umas das outras, ao
nivel do esophago, cerca de 0,017 a 0,021] mm. ; ca-
vsula bucal raza, mas de armadura chitinosa fôrte,
mede cerca de 0,017 a 0,011 mm. de profundidade
por 0,028 a 0,035 mm. de largura; annel nervoso a
cerca de 0,40 a 0,42 mm. da extremidade anterior ;
esophago sub-cylindrico, com 6,46 a 0,60 mm. de
comprimento.
Femeas com a vulva a 0,35 mm. da extremi-
dade anterior; ovos com embryão completamente
desenvolvido; extremidade caudal obtusa; anus a
0,80 mm. da extremidade.
Machos com a extremidade caudal curvada para
a face ventral; anus a 0,14 mm. da extremidade
posterior ; 3 pares de papillas postanaes e uma maior
e mediana logo atraz do anus; 7 pares preanaes e
uma outra impar e mediana acima do anus; espi-
culos de dimensões muito diversas, um pequeno e
grosso com cerca de 0,19 mm. de comprimento por
0.028 mm. de largura, com azas lateraes na extre-
midade distal, o outro delgado e muito longo, mede
cerca de 2,67 mm. de comprimento por 0,007 de
largura e apresenta uma nodosidade a 0,64 mm. da
extremidade proximal.
Habitat : Olhos de Rupornis magnirostris (GM.)
e Falconidae sp. ? ( Gavião ).
O material em que trabalhamos foi colhido em
S. Paulo em t-1V-910. O collecionador não foi men-
cionado.
Além desta especie, MOLIN, 1860, descreveu uma
outra tambem de Halconidae com o nome de Spi-
roptera papillosa.
E” provavel que esta especie seja syncnimia da
que acabamos de descrever, mas, si isto se dér, o
nome que deverá prevalecer é o de campanulata.
As descripções de MOLIN permitem esta duvida.
Thelazia ( Thelazia) iheringi n. sp.
Chet io ist TRL es 7s" Hist: THE Sor +25).
Comprimento: ¢ 20 mm.; 4 17 mm.
Largura: ¢ 6,60 mm.;. 4 0,45 mm.
Extremidade anterior digitiforme; cuticula com
annelaçäo transversal apparente e, ao nivel do eso-
phago, distanciadas de cerca de 0,017 a 0,021 mm.
com frequentes anomalias; capsula bucal com re-
vestimento chitinoso forte, funda, mede cerca de
0,028 a 0,031 mm. de profundidade por 0,035 mm.
de Jargura; annel nervoso a 0,32 a 0,53 mm. da
extremidzde anterior; esophago subcylindrico, ecm
cerca de 0,60 a 0,73 mm. de comprimento por 0,070
mm. de largura.
Es
Femea com a vulva situada a 0,60 mm. da
extremidade anterior ; ovos fazendo eclosão no utero
extremidade posterior obtusa; anus a 0,10" da ex-
tremidade.
Machos com a extremidade posterior curvada
ventralmente; anus a 0,071 mm. da extremidade
posterior ; um par de papillas postanaes e 11 preanaes,
não observamos papillas impares; espiculos de di-
mensões e forma muito diversas, o menor mede
cerco de 0,16 mm. de comprimento por 0,028 de
largura, e tem azas na extremidade distal, o maior
mede 1,72 mm. de comprimento por 0,007 mm. de
largura, não apresenta nodosidade na porção proximal
como na especie precedente.
Habitat : Sob-as palpebras de Dasyprocta sp.?
O material em que trabalhamos faz parte da
magnifica colleção helminthologica do Museu Paulista
reunida pelo Prof H. von IHERING, a quem dedi-
camos a especie.
Thelazia ( Thelazia) lutzi n. sp.
(Est. fig. 45 Est AL fie S = Est TI die diay)
Comprimento: ¢ 29 a 27 mm.; & 22 a 24 mm.
Largura: ¢ 0,5 a 0,8 mm. ; & 0,4 a 0.5 mm.
Cuticula com estriação transversal muito apva-
rente e distantes umas das outras, na extremidade
cephalica, de cérca de 0,014 mm. a 0,021 mm. ; ca-
psula bucal com armadura chitinosa forte, mede cerca
de 0,035 a 0,049 mm. de largura por 0,028 mm.
de profundidade; anel nervoso a 0,26 a 0,28 mm.
da extremidade anterior ; esophago subeylindrico ou
ligeiramente claviforme, mede cérca de 0,67 a 0,74
mm. de comprimento por 0,042 a 0,049 mm. de
maior largura.
Femea com a vulva situada a 0,03 mm. da ex-
tremidade anterior, saliente; ovojector ccnstituido
por tres partes, uma delgada e em forma de y, com
cerca de 1,5 mm. de comprimento por 0,07 mm.
de largura média, outra mais grossa e em forma
de bastäo com 2,1 mm. de comprimento por 0,1 mm.
de largura e finalmente a porçäo terminal, muscu-
losa, claviforme, com 0,28 mm. de comprimento por
0,035 mm. de iargura; uteros duplos e volumosos ;
anus a cerca de 0,10 mm. da extremidade posterior
que é obtusa.
Machos com a extremidade posterior curvada
para a face ventral e apresentando, veniralmente, 10
pares de papillas preanaes, uma impar logo acima
do anus e dois pares uma impar postanaes; espi-
culos de forma e dimensões muito diversas, medem :
o maior 0,74 mia. de comprimento por 0,007 mm.
de largura, apresenta uma torsão acêrca de 0,24
mm. da extremidade proximal e tem a extremidade
terminal arredondada ; o menor de cêrca de 0,19 mm.
de comprimento por 0,055 mm. de largura; anus
a 0,085 mm. da extremidade caudal que é obtusa
e arredondada.
Habitat : Penelope sp.
O material que estudamos foi collecionado em
Jacutinga — S. Paulo, pelo Dr. A. LUTZ, a quem
dedicamos a especie, e faz parte da collecçäo do In-
stituto Bacteriologico de S. Paulo.
Thelazia (‘° ) digitata n. sp.
(liste) Es: fie: O er9).
Comprimento: 2 18 mm.
Largura: 9 0,5 mm.
Cuticula com annelação transversal regularmente
apparente e distanciadas, ao nivel do esophago, de
0,014 mm. ; extremidade anterior digitiforme ; annel
nervoso a 0,32 mm. da extremidade anterior; ca-
psula bucal com cêrca de 0,021 mm. de profundidade
por 0,028 inm. de largura; esophago subcylindrico,
com cerca de 0,85 mm. de comprimento por 0,087
mm. de largura; vulva situada a 0,60 mm. da ex-
tremidade anterior; com labios salientes; ovos fa-
zendo eclosão no utero ; extremidade posterior obtusa
curvada para a face ventral; anus a 0,12 mm. da
extremidade porterior tendo a labio posterior papi-
liforme e muito saliente.
Machos desconhecidos.
Habitat : Olhos de Raniphastus sp. ?
O material que examinamos faz parte da col-
leção do Instituto Oswaldo Cruz, não traz a prove-
niencia e é datado de IV-904,
Explicação das figuras
Estampa I fig. 1 Th. ( Thelaziella ) lacrymalis,
extremidade cephalica do
S .
» » » 2 » (Th) campanulata, extre-
midade cephalica da ¢.
» » » 3 » iheringi, extremidade ce-
phalica da ¢.
» » » A » lutzi, extremidade cepha-
lica da ¢.
Estampa II » 5 » (2) digitata, extremidade ce-
phalica da ¢.
» » » 6 » (Th.) campanulata, extremi-
dade caudal da ¢.
» » » T » -iheringi,extremidadecau-
dal da ¢.
» » » 8 » lutz, extremidade caudal
da ¢.
» » » 9 »(?) digitata, extremidade cau-
dal da ¢.
Estampa HI » 10 » (Thelaziella) lacrymalis, ex-
os tremidade caudal do d.
» » » 11 » (Th.) campanulata, extremi-
dade caudal do Gg.
» » » 12 » iheringi, extremidade cau-
dal do ¢.
» » » 13» lutzi, extremidade caudal
do dg.
\\\\\
A
LA
2
RES
=
=
\
a em
SL,
i á
D —
NN
Sy
=
SR
i
Wiha
ISS
Hit.
= —
Lif |
=
TJ
#4
RC
+
=|
ET
i
==
A
mm
LA;
A
EEE:
Rub. FISCHER, del
CON
uw GO
RUD. FISCHER, del.
Ipomaea Glaziovii U. Damm.
Nota sobre o calyce aquifero e O botäo fructifero e bem
assim mais minuciosa descripção dessa especie
— POR —
A. J. de Sampaio
Professor de, Botanica no Museu Nacional do Rio de Janeiro
(Junho de 1917)
Com 59 figuras originaes em VIT estampas
oe Wie add
Var :
i
TA Hi Al
à NE ru
' 1 oe MT
‘ Re ‘en pf
tea A A Wie RIT
. q E
risk
4 rt
Es
“ #
1
, rs
7
1
4 \
?
'
~
, 7 + , yu vk à é e/
| . » b URL RA UE
” = eae Ta
o ‘
. | .
LA .
LA
é L
| L ‘
; - K .
oy 1 I ak x ,
Teo À -
eee SR .
+ f ’ F A o L +
pis A. ” x \
‘ 4 3
‘ A
s
: tt
ça ‘ E
é ] E “ A á
= # à sr Cê À 4
PAT, a, En
“A E
x E Seer if
IPOMAEA GLAZIOVIT u. Damm.
O presente trabalho amplia a nota preliminar
publicada em Chacaras e Quintaes, de S. Paulo, em
o n. de Abril de 1915, com uma estampa original.
Nao tendo tido até hoje conhecimento de ne-
nhum outro estudo anterior a esse, considero como
não sufficientemente conhecida a interessante con-
volvulacea de que mais uma vez me vou occupar.
Para mim o interesse principal do presente es-
tudo, tomando por base o trabalho de Nils Svede-
lius — « Uber das postflorale Wachstum der Kelch-
blitter einiger Convolvulaceen » (1) que considero
o mais recente sobre o assumpto, consiste no du-
plo facto de apresentar Ipomaea Glaziovii botão fructe-
fero maior que os até então observados em Convol-
vulaceas e, a par disso, calice aquifero que consi-
dero perenne, isto é, de um typo ainda não indi-
cado pelos autores na referida familia, parecen-
do-me ainda mais duradorro que o de Ip. alata, o
mais duradouro dos estudados por Nils Svedelius
no citado trabalho.
lpomaea Glaziovii U. Damm. (Est. I-VIT) é
planta communissima no Rio de Janeiro, trepadeira
de robusto forte, frequentemente cultivada em jar-
dins e parques, sobretudo em tapagens e caraman-
cheis, apreciada principalmente pelas suas vulgar-
mente chamadas /lores de madeira (Est. VI-6
e VII-1 ), isto é o fructo com o calyce persistente,
seccos, servindo como belios e permanentes ornatos
para salas.
(1) Flora, vol. 96, fase. 1, 1906.
Pelo seu grande desenvolvimento exige espaço
para a sua cultura; deixada livre, de prompto co-
bre caramanchéis, tapagens, varandas e até casas,
de cada axilla emittindo um ramo que cresce em
24 horas um decimetro.
Em desenvolvimento compara-se ou excede a
Cobaea scandens, Combretum coccinuum, Thunbergia
cœrulea, Ipomaea stipulacea, Luffa e outras; em par-
ques, no Rio de Janeiro, só vi mais robusta En-
tada polystachya, ne Parque Nilo Peçanha, antiga
Quinta da Bôa Vista.
Em Abril começa Ip. Glaziovii a florescer ; vae
atê Setembro com flores novas e desde Maio-Junho
com botões fructiferos adultos. |
A flor tem calyce glabro, dialysepalo, penta-
mero, verde, de sepalos amplexos ac tubo da co-
rolla. ( Est. IT, fig. 1 e Est. IV.)
A corolla é glabra, amarella, ephemera, va-
riando a anthese em duração segundo a intensidade
da luz solar, tanto mais rapida quanto mais intensa
é essa luz; nos dias claros, de sol rutilante, abre-se
das 10 as 11 horas a. m. e dura em média ape-
nas 4 horas; nos dias encobertos ou chuvosos, a
anthese é tardia e dura cerca de 12 horas. man-
tendo-se até algumas horas da noite.
Desde que se esboça o botão floral ( Est. IV.)
verifica-se que existe liquido entre os sepalos; esse
liquido, incolor, aquoso, augmenta à proporção que
o botão cresce, notando-se facilmente por transpa-
rencia entre os sepalos o liquido e bem assim bo-
lhas de ar que se deslocam 4 menor pressão. Ja
então o liquido humedece não só os sepalos como
externamente o tubo da corolla.
Terminada a anthese ( Est. LV ), a corolla des-
prende-se e é repellida pela pressão dos sepalos am-
plexos ao seu tubo, tombando ou ficando, retido pelo
apice dos sepalos.
O liquido passa então a envolver o ovario.
Se houve fecundação que segundo minhas obser-
vações é entomophila, facto frequente aliás em Cou-
volvulaceas, c ovario fecundado entra em evolução,
acompanhada em seu crescimento pelo calyse que fe-
chando-se completamente, passa a constituir então,
com o fructo, o botão fructifero : se não houver fecun-
dação, a esterilidade da flor se denuncia em pouco por
um annel ainarellado na base do espessamento terminal
do pedicello; entra então o calyce a amarellecer e
tomba a flor esteril, destacando-se ao nivel do citado
annel.
Fecundada, no emtanto a flor, o calyce expelle
a corolla e fecha completamente o pequeno orifício
existente então no seu apice, encerrando completa-
mente o ovario em um espaço humido, como na
flor esteril. Inicia-se então o botão fructifero. Con-
tinua nesta segunda phase a secreção que pela sua
ligeira viscosidade devo considerar muco-aquosa ; a
quantidade de liquido é então maior que no botão
floral, sendo o botão fructifero muito maior que este ;
os sepalos tornam-se mais carnosos e cheios de latex
viscoso. ( Est. V.)
Nils Svedelius, em seu supra citado trabalho,
descrevendo o calice aquifero e o botão fructifero
de Stictocardia titiæfolia ( Choisy ) H. Hallier (1)
que observou em estado selvagem no Gevläo, con-
siderou esse botão, muito justamente, como o' maior
entre os até então conhecidas em convolvulaceas,
tendo como dimensões (N. Svedelius 1 c.. p. 234,
fi. 2, tam. nat. ) 3,5 cm. de comprimento por 3,5
cm. de diametro; o botão fructifero ( Est. IV, VI
e VII) de Ipomaea Glaziovii attinge 7 cm. de com-
primento e 4-4,5 cm. de diametro; ha individuos
com botões fructiferos menores. O calyce aquifero
de Ip Glaziovii, pela sua secreção perenne, desde
que se esboça o botão floral atê à maturidade do
tructo, conservando sempre egualmente turgidas as
suas glandulas, excede em duração os de Cleroden-
dron Minahasse e Juanulloa parasitica, indicados,
por Svedelins como typos estudados por Koorders, e
CL) H. Hallier Convolvulaceas em Engler-Bot. Jahrb.
vol. XVIII, pag. 159, tendo como synonimo : Ipomaea cappa-
roides Meissn., cit. pela Fl. Mart. no Rio de Janeiro.
mr a
cuja secreção vae até o começo da evolução do
fructo.
Examinadas ao microscopio, em ligeiras pre-
parações, a epiderme dos sepalos Ipomaea Glaziovii,
deixam ver pellos glandulares, hydatodes, isoladas
umas, outras grupadas, muito semelhantes às veri-
ficadas por Nils Svedelius em os sepalos de Sticto-
cardia tiliæfolia.
Tendo notado que o apice dos ramos novos é
untuoso, examinei-os ao microscopio e verifiquei a
existencia das mesmas hydatodes ( Est. VI), ephe-
meras, porém, pois occupam apenas 10 cent. de
extensão a partir do apice dos ramos, isto é, exacta-
mente o quanto crescem esses ramos diariamente ;
a 10 cm. do apice as glandulas são amarelladas ;
morrem promptamente e tombam, deixando peque-
ninas cicatrizes pouco apparentes.
Esparsas na folha tambem se encontram glan-
dulas identicas, como em Stictocardia tilizefolia ( N.
Svedelius 1. c. ).
Não tive ainda opportunidade de effectuar cor-
tes finos em inclusões para verificar si as glandu-
las de Ip. Glaziovii apresentam crivo indicado por
Svedelius, Koorders e outros em glandulas identicas.
Possuindo abundante material para estudo, te-
rei prazer em fornecer alguns exemplares aos es-
pecialistas que quizerem fazer pesquizas microsco-
picas a respeito.
Examinando a epiderme dos sepalos no botão
floral e no botão fructifero, verifiquei que em am-
bos os casos os pellos glandulares se apresentavam
egualmente turgidos, o que sem duvida é signal de
constante actividade, testemunhado por outro lado
pela presença do liquido excretado.
Ao contrario disso, no apice dos ramos novos
pode-se verificar hydatodes vivas, turgidas e hyda-
todes mortas, engilhadas, amarelladas ; as hydatodes
ahi duram apenas um dia pois estão sempre em
cerca de 10 cm. de extensão, a partir do apice,
exactamente o quantum de crescimento da planta
em 24 horas.
Identificação do material
Discordando os caracteres de Ip. Glaziovii de
todas as diagnoses especificas de IJpomaeas_ brazi-
leiras citadas pelo Fl. Mart, tive occasiäo de veri-
ficar no Herv. Glaziou, do Museu Nacional, um
exemplar identico aos por mim colligidos.
Tratava-se do exemplar n. 15267 de Glaziou,
colligido no littoral do E. do Rio, em Piratininga,
em 4 de Fevereiro de 1884, duplicata do exemplar
original da diagnose (1) de Udo. Dammer, do Museu
de Berlim. Tratava-se pois de Ip. Glaziovii U. Dam-
mer n. sp., verificados os seus caracteres geraes in-
dicados na laconica diagnose original.
O referido auctor indicou desde jogo Ip. si-
nuat2 como a especie mais proxima de Sp. Glaziovii,
attribuindo-a 4 Secçäo Sthrophipomaea.
Apenas dévo ponderar que em vez de sepalos
eguaes, conforme a diagnose de Dammer, Ip. Gla-
ziovil produz sepalos ligeiramente desiguaes, essa
desigualdade podendo passar despercebida em um
exame rapido. ( Est. V.)
A’ vista da laconica diagnose de U. Dammer,
julgo necessaria mais ampla descripçäo da interes-
sante Ipomaea de que me venho occupando.
Diagnose de Ipomaea Glaziovii U. Damm.
( Amphação da diagnose de U. Damm. em
Engl. Jahrb. vol. 23, Beibl. 57 )
Liana robusta, lactifera. glabra (excepto os
filetes estaminaes e as sementes ); sarmento pardo
sub-cylindrico, irregularmente sulcado principalmente
na base, achatado quando enrolado a supporte, irre-
gularmente cicatriculado ; ramos dexthrorgyros, de
longos entrenos cicatriculados e recticulados, untuo-
sos e sob a lente glandulosos no apice, de glandu-
las pyriformes semelhantes às das folhas e dos se-
(1) Engler. Bott. Jahrb. vol. 23 Beibl. 57, 1887, pag. 40.
palos ; extructura anomala, do typo sapindaceo, com
um cylindro central expesso e varios estelos delga-
dos periphericos, immersos em parenchyma pia
com abundantes vasos lactiferos; latex branco, tor-
nando-se rapidamente esverdeado em presença do
ar; enrolados uns sobre outros ( Est. 11-3), os ra-
mos emittem raizes sagadoras nos pontos em con-
tacto ; inserção folear saliente. Folhas isoladas, lon-
eipecioladas, palmi-7 partidas, symetricas, de con-
torno orbicular, supra concavas, e de nervuras im-
mersas, infra salientinerveas ; lobos lanceoiados, acu-
minados, penninerveos, integros, um mediano maior,
dois lateraes anteriores, dois lateraes medios e dois
posteriores, progressivamente menores que o me-
diano, os posteriores por vezes lobulados e sempre
separados até a base posteriormente ; peciolo longo,
liso.
Inflorescencia cymosa, dichasica, pauciflora, axil-
lar, longipedunculada; bracteas caducas, linearlau-
ceoladas, agudas. “lores de pedicello espessado no
apice.
Sepalos 5, livres, amplexos, desiguaes, os tres
externos um pouco maiores, os dois externos ligei-
ramente auriculados na base, todos glandulosos,
muco- aquiferos, persistentes, accrescentes, mais car-
nosos e lacticiferos após a anthese, de glandulas
microscopicas, pyriformes, isoladas ou em grupos,
eguaes às que sob a lente se verificam nas folhas
e no ápice untuoso dos ramos novos. Corolla tu-
bulosa, amarella, ephemera, de tubo subcylindrico
estreitado na base, de limbo patente convexo, quin-
quefasciado, 9-dentado, 5 anguloso, os dentes corres-
pondentes ao apice das faixas longitudinaes e os an-
culos à dobra mediana do limbo entre as faixas no
botão. Estames 5, inclusos, desiguaes ; antheras na-
sifixas, sagittadas, erectas ou horizontaes, bilocula
res, loculicidas, em alguns individuos estéreis ; iilete
cylindroconico, dilatado e pilloso na base; pellos
estaminaes phalloides, de glande branca, alongada,
conica nos pellos maiores. Pistillo glabro, incluso ;
ovario oval, bilocular, 4 ovulado; ovulos basilares ;
estylete terminal, erecto, cylindro — conico; estigma
bilovado, de lobos esphericos, verrucosos. Botão
fructifero oval acuminado, verde na base e aver-
melhado do meio para o apice. Fructo capsula,
quando nova inclusa no calice accrescente, depois
com catyce persistente semi-aberto ; dehiscencia lo-
culicida imperfeita, conservando-se de preferencia o
fructo indehiscente se algum choque não o obriga
a romper-se na linha mediana das lojas ou irregu-
larmente ou destacar-se completamente pela base,
insufficiente porém a rutura mediana para a sahida
das sementes que se disseminam ou pelo dilacera-
mento irregular e brusco do pericarpo, por acção
externa, on pela putrefacção deste em contacto com
o solo humido ou pela acção lenta das chuvas ; pe-
ricarpo pergamentaceo, glabro, rico de estomas quando
verde. Sementes 1-4, grandes, ovoide-triquetras, de
bordos arredondados, negras, densipillosas, com uma
face dorsal convexa e as duas outras planas ou con-
cavas ; hilo basilar, glabro, de contorno orhicular
interrompido inferiormente ; placenta espessa, espon-
josa ; texta negra, dura; tegmen branco-amarellada,
carnoso-sub-coriacea, invaginada formando um septo
longitudinal imcompleto sobre o qual se dobram as
cotyledones, e na base da invaginação, junto do hilo,
um anne) em que fica alojada a radicula, annel re-
tensor das cotyledones que por isso são hypogeas
na germinação. Hmbrydo grande, immerso em sub-
stancia g-latinosa ; cotyledones desiguaes, plicadas,
uma maior, interna, biloba, outra menor, externa,
reniforme; radicula espessa, conica, alojada em annel
do tegumento interno. voltado para o hilo.
istampas 1-VII, habito e, analyse.
Sarmento attingindo 15 em. de diam. na base
e 10-20 ou mais metros de comprimento ; entrenós
7 a 20 cm. lg. Peciolo 10-20 cm. le., 5 mm. cr.
Limbo 10-20 em. lg., 10-32 cm. It. Pedunculo até
20 em. lg:., 3 mm. cr. Braciea 5-8 mm. le..' 1-2
m. It. Pedicellos 4-5 mm. lg., 2 mm. cr. Sepalos
maiores 3-3,9 cm. le., 25 cm. Ît., os internos me-
nores. Corolla de tubo 2,5 cm. Jg., 6 mm. It. na
base e 1 cm. diam. na fauce; limbo com 4-5 cm.
de diam. Æstaines desiguaes, 4-5 mm. lg. os fi-
letes, as antheras 3 mm. lg. Ovario 4 mm. lg., 3 mm.
cr.; estylete {5 mm. lg.; estigma 4 mm. It. Batdo
fructifero 5-7 em. lg., 2,5-4.5 em. cr. Capsula 3,5
em. de diam. Semente 1,9-17 cm. lg., 1-1,5 cm. It.
Habitat : Littoral de Piratininga, E. do Rio:
Herv. Glaziou 15267, Fev. 1884; Campos, E. do
Rio: A. Samp.; Commercio, E. do Rio: Dr. He-
leno Brandäo (Mus. Nac.); Rio de Janeiro: A.
Samp. 1120. Segundo fidedignas informações : Bahia.
Floresce no Rio de Janeiro de Abril a Setem-
bro; em Piratininga em Fev. seg. Glaziou.
Germinacao
Colhido o botäo fructifero em completo desen-
volvimento, isto é, antes de abrir, e posto a seccar
em logar secc> e sombrio, perde pouco a pouco o
liquido secretado ; podem-se então colher sementes
completamente branca, ainda e no emtanto já com
a radicula exserta, em começo de germinação por-
tanto. Ha então germinação precoce provocada, a
meu ver, pela colheita prematura do fructo ainda
incluso e verde.
Em natureza, porém, attendendo-se à imperfeita
dehiscencia ou mesmo indehiscencia do fructo, é
muito longa a vitalidade latente da semente cuja
disseminação, como ficou dito, depende o mais das
veses de um choque brusco que rompa o pericarpo.
Se um choque não intervem desde logo após a ma-
turação, lougo tempo demora a semente no interior
do fructo; varios mezes fica este preso à planta, su-
jeito à acção das chuvas que vão pouco alterando
e ennegrecendo o pericarpo, auxiliadas, por bolores.
A acção dos ventos contribue então fortemente para
a rutura do pericarpo e consequente quéda das se-
mentes que em contacto com o solo humido turgem-
se e entram promptamente em germinação.
A estampa 1, mostra a evolução da plantula.
Lançadas em meio humidu e quente, as semen-
tes verdes germinam no fim de 4 a 5 dias; as seccas
dentro de 15 dias, em média.
Contorme mostra a Est. 1, as cotyledones são
hypogeas, mantendo-se presas no interior da se-
mente pelo annel formado pela invaginação da tegmen,
como ficou dito; não se dá isso em Ip. sinuata Ort.
cujas cotyledones são epigeas.
A radicula em regra allonga-se muito; algu-
mas vezes aborta, sendo supprida pelas raizes se-
cundarias.
O cauliculo, desde que se salienta a inserção
das cotyiedones, começa a desenvolver-se; é epi-
cotyleo, ao contrario do de Ip. sinuata que é hy-
pocotyleo. As primeiras folhas de Ip. Glaziovi não
são. pois, cotyledonares como as de Ip. sinuata; em
regra são :soladas, raro oppostas nas plantulas de-
formadas ( Est. I, fig. a), apresentando desde logo
o typo palmipartido da folha normal. Em Ip. si-
mata as duas primeiras folhas são oppostas, coty-
ledonares, reniformes, como as de Ip. coccinea, Ip.
Nil e outras especies que fiz germinar.
Deformacôes da folha
A est. III mostra, muito reduzidas, uma folha
normal e varias outras deformadas
Estas ultimas encontram-se sempre na base de
cada ramo adulto.
Biologia floral e variações no tamanho
do botão fructifero
Não tenho ainda observações suficientes para
conclusões seguras sobre a biologia floral de Ip.
Glaziovii U. Damm.
Em exemplar que cultivei durante alguns an-
nos na Bocca do Matto, no Rio de Janeiro, nunca
pude encontrar pollen nas antheras.
Attendendo a que a flor é erecta e. tem esty-
lete mais longo que os estames, desde logo tive de
admittir a intervenção de um agente de polliniza-
cao, não sendo possivel a auto-pollinização como
simples effeito de gravidade.
Commummente as flores eram visitadas por
melliponas e o individuo sem pollen fructificava ;
de uma feita pousou sobre o exemplar em cultura
um abundante enxame de abelhas (apis mellifica )
que visitou demoradamente as flores desse exemplar.
Já nas patas das melliponas tinha eu verifi-
cado grãos de pollen “convolvulaceo; após a visita
das abelhas o exemplar em cultura fructificou de
um modo desusado quanto ao numero de fructos.
Esse exemplar em que não pude verificar pol-
len e que devo considerar como um caso de pleo-
camia femea (1), produzia hotões fructiferos do
maior tamanho que tenho observado.
Devo pois admittir que Sp. Glaziovil © uma
planta pleogama entomophila ; alias a entomophilia
é caracter commum nas convolvulaceas. Gutros exem-
plares, vi morphologica e physiologicamente her-
maphroditas, produzindo porém frucios menores que
os do exemplar de antheras estéreis e por isso pleo-
gama femea.
Não pude levar por deante minhas observações ;
creio, porém, que o estudo aprofundado do assum-
pto offerecera maior interesse biologico.
Affinidades
Jonforme indicou U. do Dammer, (2) Ip.
Glaziovii perterce à Secção Strophipomaea, tendo
como especie proxima Ipomaea sinuata Ort.
Tendo como outras especies proximas todas as
demais Ipomaeas-Strophipomaeas de folhas palmilo-
badas, assim póde ser intercalada Ip. Glaziovii na
chave synoptica das especies brazileiras na Fl. de
Martius :
Secção Strophipomaea :
Ser. 1.
(1) F. Pechoutre —. « Biologie Florale ».
(2) Engl. Bot: Jahrb. 1. c.
Ser. II.
RO i
Folha palmi. — 3-7 loba.
Sepalos grandes, glabros :
Folhas hirsutissimas , .
Ip. 135
Folhas glabras :
a) Ramos glabros ; lobos foliares integros .
corolla amarella ; botäo fructifero 5-7’
em. lg.; sementes pretas, pillosas 2-3
em. lg., 2cm. lt.; cotyledones h ypo-
geas.
139 a-/pomaea Glaziovii
Ramss pillosos ; lobos foliares integros
ou sinuosos ; corolla branca; botão fru-
ciitero 29-53" emelo” 2:25 em. lt;
sementes pretas, glabras, 8 mm. lg. e
lt. ; cotyledones epigeas.
3 Folha pillosa,
»
destas differenças outras se verificam,
Alem
136 — Tp. sinuata
etc.
dando em conjuncto o seguinte:
Ipomaea Glaziovii. — U.
Damm.
Trepadeira de grande porte,
com 20-30 ou mais metros de
extensao.
Sarmento com 10 cm. de
diam. nabase. Ramos prima-
rios glabros, com 3-5 cm. de
diam.. Folbas de lobos inte-
gros, 10-20cm. Ig., 10-32
em. It. Corolla amarella, me-
nor que a de Ip. sinuata. Botão
fructifero 5-7 em. Jg.,2,5-
AD. Oia beso SFTUCID <oy—0
em. de diam , todo pergamen-
taceo, amarello-claro, sem es-
pessamentos, apenas mais for-
temente colorido nas suturas e
linhas medianas; nervação se-
cundaria pouco apparente. Se-
mente preta pillosa, 2
ig., 2 cm. de largura.
Ipomaea sinuata. Ort.
Trepadeira de porte médio,
com 5-10 metros de exten-
são.
Sarmento com 2 - 3 em. de
diam. na base. Ramos prima-
rios pillosos, com 2 - 5 mm. de
diam. Folhas de lobos integros
ou sinuosos, 11 em. compr., 15
em. It. Corolla branca. Bo-
tão. fruactitero, 2,5. =.3 “em:
los 2 = Deco. Hr Fru-
cto 1, 5-2 cm de diametro,
amarello — escuro, sem espes-
samentos lopgitudinaes e cor
mais clara nas suturas e li-
nhas medianas; delicada ner-
vação secundaria muito appa-
rente. Semente preta, glabra,
- 3 cm.|8 millimetros de largura e
ecmprimento.
Taes são as differenças que no momento pósso
indicar.
— Phytotechnia —
Alem de planta ornamental como robusta tre-
padeira, apreciada tambem pelas suas vulgarmente
chamadas flores de madeira, pelo aspecto lenhoso
do fructo e dos sepalos seccos, lpomaea Glaziovii não
tem, que o saiba nenhuma outra, utilidade.
Merece ser estudada como planta forrageira
pois tenho visto cabras comerem suas folhas com
avidez.
Tenho a intenção de opportunamente estudar
minuciosamente as hydatodes de Ip. Glaziovii e bem
assim descrever mais minuciosamente Ip. sinuata
Ort.
Rio de Janeiro, Junho 1917.
A J. DE SAMPAIO.
Abreviaturas
cr. — crasso ( de espessura )
lg. — longo ( de comprimento )
It. — lato (de largura ).
Est. T Ipomaea Glaziovii U. Damm.
1.º F.= Primeira folha; 2.º F.= Segunda folha ; f. a.= forma anor-
mal. (Redusidas)
;
. ‘
735 de + i
: 5
roe pra
Cat poe DD.
| ARTS ra
- be 2
D dá PARES E Ra
+ = Y
uf + r .
vg Ls
- » 2.3% “a ‘
' = > EA
a
da Í
; Hi
4
LA
#
J À i
="
4 a
si put Soya ls
rH A
tes i t CEA
a x
-
Te
7 LI
aa We ty
: “o
ea | RE x a.
FAN DA
Est. II Ipomaea Glaziovii U. Damm.
1. ramo; 2. côrte transversal da raiz; 3. sarmento com raizes
sugadoras nos pontos de contacto (xr. s.); 4. córte transversal
do sarmento não enrolado ; 5. córte transversal do sarmento
achatado pelo enrolamento. (Redusidas)
Liv TENTE
E BAGNICE dome HTS Go SR acy 10 DEC ss & sms a Es
ON QUE IP it He PT , VAE Er
EES iy be EP o> an SOR ensohnggare RENO
NET Ae, Ghee: aye ww sree vencia ste menti «
ahi aye +
ba
“*
we
os
iu
(sppisnpat suouop sv ‘npyrydwn u hry) *(oa1gvuayos)
puhiyuaind ='1ed ‘aural ="; “omhiydosow="som “uoraju? o toz.tadns pw hijoua7o9 ="jur {Joo o dus “Tjoo
suorsafur pido = ‘ya *o “ sontadns owopido="dus ‘e + 0goj wn ap mupipou DANAMOU DP jostasuv
ajtoo ="U ‘spsonpafap spyjof ="w-0 “vaou jouiou vyjof ="q “qpstop aanf vjad pjsta qpusou Dj] ="
WUD ‘A WAOIZe(O Beeulody III SA
“7 TOES
ri’.
ite"
tt
as
a dt
Car,
t
LA 4 ti
RS
ns
tio
a
1
*
my
CURE Eli san
“a
LL
LAC
site?
A7
=
=
E F
-
A
G
+
1
==
2
e mo
a is
.
> kad
Pos
A
Ta
Est. IV Ipomaea Glaziovii U. Damm.
Inflorescencias, sendo uma anormal (f. à.) ; flôr; botão fructifero (b. f.)
(Redusidas)
ae a srs
2 Ale se na sia) ms oe dl
miaubtA ;
= e |
4
e é =
<i « EU ET
Est. V Sepalos de Ipomaea Glaziovii U. Damm.
fl.= sepalo na flor ; fr.= sepalo no botão fructifero ; b. fr.= didgram-
ma do botão fructifero cujo fructo tem apenas duas sementes
em desenvolvimento ; cal. f.= curva da differença de compri-
mento dos sepalos na flôr; cal. fr.=idem, idem, no botão
fructifero. (Redusidas)
2
+ time oi ed o mt j
+ |
:
ee Mn mie ae me
A ] qa
eia,
"OL 5
| y
“ ,
y
\ é
EN east
py
liens”
HI"
Ol pa PO m
Est. VI Ipomaea Glaziovii U. Damm.
. Face interna do sepalo interno com glandulas isoladas e em grupos ;
. e 3. glandulas do apice dos ramos novos, identicas ds dos sepalos ;
. glandula morta e amarellada do apice dos ramos ;
. córte longitudinal do botão fructifero com uma perfuração pro-
duzida por insecto (perf. insect.)
. botão fructifero abrindo. (Figs. 1-4 ampliadas, as demais re-
dusidas)
+f :
LE as a
43)
Est. VII Ipomaea Glaziovii U.Damm.
1. fructo maduro; 2. semente: a. face ventral, b. córte transversal,
c. córte longitudinal ; 3. tegumento da semente verde ; 4, tegu-
mento da semente madura.
5. Fructo de Ipomaea sinuata. (Figs. 3 e 4 ampliadas, as outras
redusidas)
ias OO MNO 2 mm mem
à - = eme A je o a ee
; x Dee a rip ?
AA 4 HUVGISé + STO! E ne ane
a
que
2
LE 0 LATE NUE OL VEIT ay) pl A> ho iris ré Fo LS HAE.
: d LA i) a
sh) ahi Eat TAS OSH EU Er ch ou tons ES: E)
NE ay ANT TE oh LL
SIN Ml OH Mis X oid) MONTE is ada
CONSIDERACOES SOBRE OS GENEROS
BRACHYPLATYSTOMA E PLATYSTOMATICHTINS de Bleeker
(Nota lida na Soc. Brasileira de Sciencias em
20 de Agosto de 1917 )
POR
Alipio de Miranda Ribeiro
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS GERERUS
BRACHYPLATYSTOMA E PLATYSTOMATICHTINS de Bleeker
Os generos Brachyplatjstoma e Platystoina-
tichthys de Bleeker ( Nederl. Tydschrift Dierkunde,
] — 1863) encerrarn aquelles peixes do Norte do
Brasil conhecidos vulgarmente por Pirahyba, Dou-
rada, Filhote, Peixe-Lenha etc., de grande impor-
tancia tanto quando considerados velas suas dimen-
sões, em geral avantajadas, como pelos efeitos eco-
nomicos que trazem ao local de sua distribuição
geographica
Varios auctores modernos delles se tem oc-
pado, entre os qnaes o signatario da presente nota,
com os recursos momentaneos, sem que haja, ainda
hoje, um consenso universal sobre as suas varias
formas ou especies.
Ainda esta nota não pretende resolver, duma
feita, o assumpto, senão” trazer-lhe algumas conside-
rações tendentes à esse fim.
Brachyplatystoma
HISTORICO
Em 78/9, num trabalho intitulado: « Ueber
einige neue Arten von Fischen aus der Galtung
SILLURUS ». (Wiedeman's Zoologisches Magazin, I e
HI pt. 1819). Lichtenstein descreveu o primeiro
representante do genero Brachyplalystoma aliás
como um simples « Pimelodes ».
A descripção de Lichtenstein estabelecia que o
lobo caudal superior era prolongado, sendo a re-
lação entre o corpo e esse prolongamento de 9 pol-
legadas para 22 ou seja, quasi uma vez e mera 0 com-
primento daquelle. O barbilhão maxillar era pouco
maior que duas vezes e meia (2% pollegadas) o
— 248 —
comprimento do corpo. O aculeo dorsal flexivel, o
processo occipital distante do aculeo dorsal numa
dimensão egual ao diametro interorbital. A adiposa
egual em comprimento à anal e a mazxrlla superior
mus longa. Os dentes vomerinos e os internos
dos intermagxillares villiformes e os olhos no mero
da cabeça.
Em 1840, (1) Cuvier e Valenciennes descre-
veram uma segunda espécie, no XV volume da
Histoire Naturelle des Poissons, pg. 16. Platystoma
vaillanti, assim chamado « parce que nous en avons
dû les premiers échantillons à ce célèbre voya-
geur.» (Orig. À.)
E’ evidente que na descripção, os ichthyolo-
gistas francezes se referiam à Piramutana ou Pi-
ramutaba, à qual os ichthyologistas modernos tam-
bem addicionam Platystoma affine daqueles aucto-
tes ( Origie B.)
Em 1855, Castelnau reconhecia ter trazido ou-
tro exemplar desta especie, do Araguaya, cujas
aguas terminam no Amazonas; e descrevia, ainda
mais, Bagrus flavicans, B, rousseauxi e B. pun-
ctulatus, evidentemente do genero 4 que viemos nos
referindo,
Do estudo e das descripções e figuras deste
auctor ( Orig. GC.) resultam os seguintes dados :
J. « Aculeo dorsal longitudinalmente estriado
mas não dentado nos bórdos, medindo 12 cms.
Adiposa de 12 cms. de compr. por 3 de altura.
Anal de raios ramosos ( difficeis de se distinguir ),
parecendo em numero de 7. Peitoral com o aculeo
medindo 17 cms, sem denticulação nos bordos. Hu-
mero saliente e formando um casco triangular, co-
berto de asperezas granulosas. Olhos, 8 à 14 cms.
do bordo posterior do opérculo. Barbilhão maxilar
16 cms, isto é, mais curto que a cabeça: os outros
(1) Para melhor julgamento, juntamos ao presente tra-
balho as descripções originaes traduzidas para o portuguez.
De B. filamentusum fizemos uma descripgio nova, baseeda
em exemplares do Museu Nacional.
PE 7
—) 249 =
menos longos Amarello claro uniforme — Ama-
ESS SNe On delire Bagrus flavicans. »
O desenho desta especie revela mais os seguin-
tes caractéres: Cabeça 1/4 do comprimento até a
base da caudal, de focinho truncado; peitoraes não
attingindo as ventraes e com o aculeo denticulado
no bordo interno; adiposa de base maior que a
anal que tem 12 raios; linha lateral presente.
II «Humero apenas sensivel, recoberto de
pelle lisa. Peitoraes mais curtas proporcionalmente
que na especie precedente Adiposa 8 centimetros,
Cauda mais furcada. Barbilhões maxillares muito
maiores que a cabeça. Amarello claro uniforme,
ECO TN SR E o ete B rousseaumxi ».
HI. « Aculeo peitoral com fortes dentes im-
plantados nos bordos anterior e posterior, em an-
gulo recto Ohos à 7 1/2 cms. do lado anterior da
cabeça e à 12 do posterior do opérculo. Barbilhao
maxillar passando notavelmente o comprimento da
cabeça, os outros muito menores sendo que os maio-
res medem a metade da extensão dos primeiros.
Pardo escuro superiormente (individuo sécco )
com a parte anterior do dorso pontuada de ama-
rello claro, o resto do corpo aimarello sujo — Ama-
OS a Das RE co RO ee a res B. punctulalus. »
Ainda a comparação da estampa mostra a anal
com 11 varios, a cabeça 3 e 5/6 no corpo (sem a
caudal), a adiposa maior do quea anal; alinha
lateral delgada; o humeral triangular, exposto,
- rugoso.
Aud. Kner foi quem primeiro bem descreveu os
peixes em questão, nas suas « Contribuições Ich-
tyologicas » ( Sitzungsber. Akad. Wien, vol. 26 —
1857 ( 1858), pag. 376 e seguintes — de material
colligido por Natterer: ( Orig. D )
Nenhuma duvida pôde-se ter quanto ds suas
descripções e Giinther, o primeiro grande codifica-
dor da ichthyologia do Globo, depois de Valen-
ciennes, transcreveu-as na pag. 113 do V volume
do seu «Catalogo» ( 1864), sob o gencro « Pira-
tinga» de Bleeker.
Em nota, o perspicaz mestre-allemão, referia,
entre espécies desse genero: | — Bagrus flavicans,
2— B. rousseauxi e B punclulatus de Castelnau,
julgando impossivel « fixar-lhes a posição no syste-
ma, devido às mas descripções
Ao contrario, Bagrus piramuta de Kner, de-
scripto de exemplares da piramutaua, colligidos e
assim etiquetados por Natterer (o ultimo & de Pi-
ramutaua de Natterer foi tomado por n por Kner,
que escreveu « Piramutana » ) foi descripto ao lado
doutra pretensa especie ( Piromutana dblochir), no
genero Piramutana de Bleexer.
Os generos de Bleeker ( Nederl Tydschr. Dier-
kunde — 1865) eram pois: brachyplatystoma, p.
97, Piramutana e Piratinga, p 99 e Malacoba-
grus, p. 100 da revista citada.
O primeiro tinha por typo Platystoma vaillanti
de Valenciennes; o s:gundo e o terceiro respectiva-
mente Bagrus piramuta e B . reticulatus de Kner
e o quarto o Pimelodus filamentosus de Lichten-
stein.
O professor Carlos Smith Eigenmann e sua se-
nhora, d Rosa S. Eigen:nann, na sua Revisão dos
Nemathognathas Sul-Americanos, revalidaram o ge-
nero Brachyplatystoma de Bleeker, reunindo-lhe na
synonymia e com toda a razão Piratinga e Mala-
bagrus.
Piramutana, ao contrario, foi retido como bom
genero à p. 186. com a especie unica e que serviu
de typo à Bleeker.
As especies consideradas pelos professores Ei-
genmann no genero Brachyplatystona eram, confor-
me a sua chave à p. 195:
a — Barbilhão maxillar passando as ven-
traes,
6 — Pelle rao inteiramente reticulada ;
processo occipital longo, attingindo
a placa dorsal ou ligeiramente mais
OC ERA ER RE A is e ET: à cariliantr
6 6 — Pelle por toda a parte reticulada ;
processo occipital não attingindo a
placa dorsal; raio caudal mais lon-
go, quasi do comprimento da ca-
Degas Pstae4)> Bride =D) t+. 6;
GIN) ee rr reticulatus
a a — Barbilhões maxillares não che-
ADO das WOM LEAS aah, fhe: Anse POUSSCAUHL
A’ synonymia de Brachyplatystoma vaillanti
(Cuv. & Val.) reuniram aquelles professores Pla-
tystoma affine de Guvier & Valenciennes e Pla
tystuma mucosa de Vaillant, descripta na pag. 191
do vol. IV (7.4 Ser.) du « Bulletin de la Societé
Philomatique de France; B goliath. foi ao con-
trario, reunido à synenymia de DBrachyplatystoma
rousseauxt, Castelnau
Os dous outros siluroides descriptos e figura-
dos por Castelnau como B. flaricans e B. puncta-
tus. foram rejeitados do genero brachyplatystoma.
Em 1897 Boulenger descrevia ( Proc Zool. Soc.
Lond., pag. 177) Brachyplatystoma platynema e Br.
juruense em 1818 (Trans. Zool Soc London pt 1.º).
Em 1907 (Bull U S Nat Mus, vol. 31 —
Eigenmann & Bean davam seis especies ao genero
Brachyplatystoma, à saber: DB filamentosuin, vail-
lanti, reticulatuin, rousseauxr, juruense e platinema
— e descreviam Brachyplatystoma goeldi como espe-
cie e Trenionema steerei como genero e an novos.
Nas Sitzungsber. d Aked 7. Wien, n. VII — de
1908, Steindachner (1) assim se pia ve várias
especies deste genero :
« Brachyplatystoma filaimentosuim (Licht ) Hig.
«& Eig. Perfeitamente distincto pelo enorme des-
« envolvimento longitudinal dos barbilhões maxilla-
«res nos jovens e exemplares de meia edade. o
«que näo occorre em nenhuma outra especie de
« Brachyplatystoma ; é tambem frisantemente isola-
« do pela coloração do corpo.
(1) Steindachner redescrevêra e figuarára as especies
de Kner nos Denkschrift d. Akad 7. -- Wien. — 1882.
«
«
«
«
«
«
«
= A
À À
À
«
« Em individuos novos, especialmente, Ba na-
parte superior do corpo grandes manchas escuras
que augmentam de intensidade para o peduuenlo
e são nitidamente delimitadas Em exemplares mais
velhos, apagam-se as maculas do corpo mais ou
menos totalmente até as duas ou tres permanentes
juntas ao lobo caudal superior, as quaes ficam dis-
tinctas. Por asso Platystoma anucosa Vaillant
não pode ser ulentificada à Br. VAILLANTI, como
querem C. H. Eigenmann e Rosa Smith Eigen-
mann, no seu excellente trabalho sobre os Nema-
thognathas Sul-Americanos ( 1890). Tambem cahe
Brachyplatystoma goeldi, Eigenm. & Bean ( 1907 )
e Piratinga peri-aiba (ad ) Goeldi na synony-
mia da Brachyplatystoma filamentosum ( Licht.).
« A notação de Lichtenstein, de 9 raios anaes,
repousa sobre um erro de contagem daquelles raios,
num exemplar secco.
« Da mesma maneira, tambem, parece que Ba-
grus reliculatus Kner ( Brachyplatiystoma reti-
culatum Eigenm. & Eigenm.) muito provavel-
mente seja identico a B. soliath Heckel & Kner,
não entretanto à Brachyplatyslona rousseauxe
( Castelnau ). como se verifica dos typos do Museu
de Vienna
« Que em Brachyplatystoma rousseauxi ( Cas-
telnau ) identica à Prratinga goliath Steind (rec
Heckel & Kner) o processo occipital não attinja,
como nos trabalhos citados foi dito, a placa pre-
dorsal, não é provavel; ambas se tocam, ao menos
em exemplares de meio desenvolvimento, com as
suas delgadas pontas, as quaes, comtudo, ficam
totalmente occultas na pelle.
« Relativamente ao genero Piramutana de Ble-
eker, deve-se notar que Pir. piramuta Kner, pela
dentição dos inter-maxillares, parece-se bem com
as especies de Brachyplatistoma; os dentes da
série interna são especialmente delgados e depres-
siveis. A cabeça é distinctamente mais larga do
que alta, deprimida e não mais ou menos conica,
quasi tão larga quanto alta (op. cit. pag. 99 de
a
—— 255 —-
« Eigenmann). Prramutana piramuta deve, dahi,
« mais correctamente ser incluida no genero Bra-
«chyplatystoma e mesmo ser collocada em Br.
« vaillant:, sendo supprimido o genero Piramulana.»
O trecho correspondente à DBrachyplatystoma
reticulatwm ( INner) tem correcção no capitulo se-
guinte, publicado por Steindachner no n. IX ( 1908)
na Sizungsber. Is. Akad. Wissenschaft z. Wien,
pa 129.4 Orie ES).
Ainda Steindachner, no Akademisthe Anzeiger,
1909, descrevia de novo Br. paraense.
Do que se leu, pois, do venerando mestre da
ichthyologia hodierna, resaltam as seguintes conclu-
sões :
1.º — Platystoma mucosum Vaillant não póde
ser identificada à Br. caillanti Cuv. & Vul.
2.º — Piratinga pira-aba Goeldi Brachy-
platystoma filamentosum ( Licit ) |
3.° — Brachyplatystoma goeldi, Eigenm &
Bean Br. filamentosuin ( Licht. )
4° — Brachyplatystoma reticulatum, ( Kner )
— Species bona ?
0° — Brachyplat: stoma goliath (Kner) Br.
rousseauxt ( Casteln ).
6 ° — Brachyplatystoma rousseauxr ( Steind )
Br. rousseauxi ( Casteln. ).
7.9 — Piramutana Kner Brachyplalystoma
Bleeker.
8.0 — Piramutana piramuta (Kner) Br.
vaillante.
9.° — Brachyplatystoma paranahybae do Para-
nahyba Br. affine Steind. do Amazonas,
10° — Br. paraense — Species bona.
Estes resultados do Conselheiro Steindachner
são altamente notaveis e, até certo ponto, coincidem
com os que eu obtive quando redigi o IV tomo
(parte 4) da «Fauna Brasiliense » ( Peixes ).
Embóra, por motivo explicado em uma mota
final ( pag. final), esse meu trabalho só fosse pu-
blicado em janeiro de 1912, comtudo, desde antes
da communicação de Steindachner que elle estava
escripto e mesmo impresso, tanto que não me foi
possivel incluir as citações bibliographicas das tran-
scripções aqui feitas; e mesmo corrigir, de accdrdo
com os ensinamentos de Steindachner, os erros que
por minha vez ali commetti ou conservei e que elle
resolveu de algum mddo. Aliás, basta saber que a
edição de 1912 foi feita dos salvados do incendio
da Imprensa Nacional em 1911.
Mas não é, entretanto, a prioridade que venho
agora reclamar para a minha opinião e sim a at-
tenção do leitor sobre as identidades de conclusão
à que chegamos, Steindachner com o material typo
conservado em Vienna ou pelo Museu de Vienna
reunido e eu, com o pauperrimo material ao meu
alcance, quando estudei cs peixes do Museu do Rio
de Janeiro.
Com effeito, as conclusões à que cheguei foram
as seguintes :
Especies do genero Brachyplastystoma :
1 — Br. juruense, Boul.
2—. » vaillante (Cuv. & Val.)
3— » platunema, Boul.
E— » rousseauxt. ( Casteln. )
9— » filamentosum, ( Licht. )
Synonymia :
Brachyplast sloma vaillants (Cuv. & Vai.)
( Platystoma vaillanti Guv. & Val; Pl. mucosa,
Vaillant ; Bagrus prramuta Kner ; Piramutana pi-
ramuta Bleeker, Günther, Steindachner, Eigenmann ;
Br. Goeldi Eigenm. & Bean.)
B. platynema Boul.
( Tenionemas teerer. Kignm. & Bean.)
Br. rousseauxr ( Casteln. )
( Bagrus goliath Heck.; Peratinga goliath, Günther,
Steindachner, GoelGi. )
Br. filamentosuin ( Licht.)
( Bagrus reticulatus Kner, Lrach: plasti stoma reti-
culaluin Kigenmann.
Bagrus reticulalus e Piratinga piruiba, Goeldi. )
—=— soe au
Não parou, entretanto, no que já foi dito, o
trabalho sobre este genero, mais variavel do que a
principio pode parecer, pois em Fevereiro do 1910
Eigenmann (GC. H.) republicava o seu catalogo de
Peixes d'agua doce da America do Sul desta vez
Tropical e Sul Temperado.
Brachyplastystoma ahi figura com 8 especies :
ESsPECIES DO GENERO E a
1º — Brachyplatystoma filomentosum Platystoma mucosa.
ui » . piramuta.
ET > vaillanti. > affine.
Bo) = » reticulatum.
Didi » rOUSSEQA WL2.
6.7 — > juruense.
a > parnahybae.
oe » paraense.
Taenionema é retido com duas espécies :
T. steerei e T. platynema.
Ainda o mesmo auctor, tratando dos peixes da
Guiana, reproduz na estampa XVII das Mem. of the
Carnegie Museum — vol. V e pg 180 — 1912, um
dos peixes deste genero como Br. razllant:, Cuv.
e Val
CRITICA
Tomando por base a ordem chronologica dos
factos, vemos que a primeira especie do genero Bra-
chyplastystoma descripta é
1819 — BRACHYPLASTYSTOMA FILAMENTOSUM (Licht )
caracterizada n'um exemplar de 9 pollegadas de
comprimento (corpo e cabeça ). Em tal individuo
os barbilhões maxillares eram de cêrca de 2 e 1/2
vezes O comprimento do corpo, a adiposa egual em
comprimento à anal e a magxilla superior mars longa ;
— os olhos à meio da cabeça.
Uma tal forma já foi achada por Eigenmann*
Bean e Steindachner, como já se vio das consi-
derações precedentes, n'um exemplar de 223 mm.
até o extremo dos raios caudaes medianos, medindo
os barbilhões maxillares 485 mm. e tendo o lobo
caudal superior um filamento que mede 293 Os
intermaxillares são salientes sobre a mandibula, os
olhos ficam quasi no meio do comprimento da ca-
beça, a anal tem a base quasi egual ( menor) à da
adiposa, os barbilhões post-mentaes chegam à axilla
das peitoraes, cujo maior raio attinge a vertical do
penultimo da dorsal. Linha lateral distincta, pelle
reticulada. Coloração provida de manchas conforme
já se viu em Steindachner.
Verificado que Br. goeldi Kigenmann e Bean
é identica à Br. filamentosum Licht., a descripçäo
de Eigenmann e Bean amplia os conhecimentos so-
bre Brachyplatystoma filamentosuin do seguinte
modo :
«O typo (de Be. goeldi) & um exemplar
«unico medindo 223 mm. até o meio dos
« raios caudaes medianos. Barbilhões acha-
« tados; 0 barbilhão de um dos lados mede
a SS CS
A
4S3 mm. O lobo caudal superior, com
co filamento ( quebrado na ponta) mede
«293 mm. A cabeça é deprimida como
«nos outros membros do genero, duas ve-
«zes a sua altura no processo occipital.
« A maxilla superior projectando-se de um.
«diametro orbital sobre a inferior. Olhos
«4 e 1/2 vezes no focinho, 9 e 1/3 na
«cabeça, 2 e 1/2 no espaço interorbital.
« Largura da cabeça, no rictus, egual ao
«focinho e 1/2 da orbita Processo occi-
« pital apenas attingindo a placa dorsal.
« Barbilhão mental chegando à abertura
« branchial e post-mental passando a base
«das peitoraes. acha intermaxillar mais
«larga do que a facha vomerina. Mem-
« branas separadas até o angulo da bocca.
« Rastros delgados e mais curtos do que
«os olhos. Pelle do alto e dos lados da
«cabeça e região ao longo da parte an-
« terior da linha lateral reticulada Acu-
«leo dorsal à meia distancia entre a ponta
«do focinho e o meio da adiposa ; aspero
«adiante e atraz. . Adiposa egual 4 anal
«em comprimento Lobo caudal inferior
«sem filamento. egual à cabeça em com-
«primento. Ventraes chegando à cérca de
«2/3 da anal e as pettoraes à cerca de 2/3
« das ventraes Cor :-Escura superiormente ;
« branca inferiormente; algumas manchas
« redondas na ametade superior do corpo,
« cada uma quasi egual, em tamanho, ao
« diametro da orbita. A base da dorsal,
« dos lobos caudal e anal distinctamente
« ferruginea ».
À
O Museu Nacional possue um exemplar me-
dindo 180 mm., da ponta do focinho ao extremo
dos raios caudaes medianos. Para sua descripçäo
veja-se o original F.
— 258 —
O que se observa de notavel, ahi, nos caracté-
res externos desses exemplares é:
1º — A placa dentaria intermaxillar dividida
em duas partes, a anterior das quaes excede os man-
dibulares que, vistos de baixo e de fora ficam op-
postos à parte posterior, donde a saliencia do foci-
nho sobre o queixo ou melhor, da maxilla superior
sobre a inferior ;
2º — O processo humeral subcutaneo ;
3º — À linha lateral presente ;
4.º — A adiposa de base egual à anal e nas-
cendo ambas no mesmo plano ;
9.º — Os barbilhões maxillares muito maiores
que o corpo no joven, passando as peitoraes recli-
nadas, no adulto ;
6.º — As peitoraes attingindo a vertical do ante-
penultimo raio dorsal;
7.° — As ventraes truncadas ;
8º — À commissura preopercular apparente por
um cordão dermico ;
9.º — Pelle mais ou menos reticulada,
Visto como à synonymia de Brachyplatystoima
filamentosum Lichtenstein, foram levados os exem-
plares descriptos e figurados por Goeldi como Pira-
tings pira-aiba, segue-se possuir a ichthyologia ho-
dierna os meios de identificação entre as fórmas jo-
vens ( Brach. filamentosum, Licht, Brach. goelda,
Eigenm. & Bn. e o exemplar por mim acima descripto )
e forma mais desenvolvida ( exemplares constantes das
figs. 2 e 3 das estampas de Goeldi). Cumprindo notar,
entretanto, que devam ser excluidos os exemplares
representados pelas figs. 1 E 4 DAS DUAS ESTAMPAS
QUE NÃO PERTENCEM À ESPECIL EM QUESTÃO, dos
demais figurados consegue-se uma referencia, pela
qual pode-se concluir alguma cousa à respeito da
preservação dos caractéres principaes.
Mas, esse problema já estava de alguma fór-
ma definido, porque Natterer colleccionára in situ,
exemplares da popular Pirahyba do Amazonas, os
quaes foram descriptos por Kner sob o nome de
Bagrus reticulatus, conforme já se verificou da
transcripçäo da parte historica.
Tambem já no meu trabalho citado eu identi-
fiquei Bagrus reticulatus à Br. filamentosun:, quando
apenas julgava por elementos em poder de tercei-
ros; actualmente não só disponho dum exemplar
analogo ao que foi descripto por Eigenmann e Bean,
como de dous outros gradativamente representando
formas maiores, correspondendo a maior de todas
ao exemplar de Kner.
Dahi poder-se concluir, para caractères essen-
ciaes desta notavel forma, cujo crescimento dizem ir
à mais de 2 metros, à seguinte diagnose:
Intermaxillares passando os riandibulares de
módo à deixar descoberia uma facha de dentes,
pelo menos egual à dos mandibulares. Barbilhão
maxillar attingindo a adiposa. Processo humeral
subcutaneo Barbilhão postmental attingindo a axilla
peitoral. Olhos à meio comprimento da cabeça.
Peitoraes não attingindo as ventraes que são trun-
cadas. Adiposa e anal oppostas e de base subegual.
Linha lateral presente.
Br. waillanti ( Cuc. & Val)
E” evidentemente a especie melhor estabelecida,
em inicio, attendendo-se à descripcio e à estampa
dadas pelos seus auctores. Os jovens, comtudo, são
bem semelhantes aos de Br. filamentosum, conser- °
vando, porém, differenças essenciaes no tamanho dos
barbilhões, posição da mandibula em relação à ma-
xilla, proporções dos olhos, da cabeça, relação entre
a adiposa e a anal, etc. A respeito de Br. affine
Cuv. & Val, conforme já se prevê da transcripção,
não póde ser contida na diagnose de Er. vaillant.
E' claro que o caracter da nadadeira adrposa
menor que a anal em comprimento, affasta de uma
vez esta possibilidade; não ha, portanto, duvida que
Brachyplatystoma affine, se não puder ser identifi-
cada à B. filamentosum ou outra especie com a
adiposa menor que a anal, jamais poderá ser 2.
raillanii, como querem Higenmann & Eigenmann,
= 9600 —
A razão dos Eigenmann esta fundada do se-
guinte modo:
«Cuvier & Valenciennes basearam duas de-
scripções de vazllant:, em especimens de 15 à #8
em. de comprimento, sem a caudal. Em affine o
processo occipilal não attinge a armadura dorsal.
Examinémos especimens de 20 à mais de 80° cm.
de comprimento e achamos no joven a face supe-
rior da cabeça tendo a pelle ossrficada e o processo
attingindo a armadura. Em exemplares maiores a
cabeça é inteiramente recoberta de pelle e o pro-
cesso occipital como descripto em affine; por isso
collocado na synonymia de varllante. »
Outra identificação que não tem razão de ser é
feita por Eigenmann nas « Memoirs of the Carne-
gie Mus.», vol V, pg. 180 e estampa XVII. Basta
a consideração desta estampa para se verificar que
de nenhum módo o peixe chamado Br. vaillanti ali
por Eigenmann, poderá ser referido à esta especie.
Além dos caractéres da cabeça mais curta, mais
quadrangular, do diametro, orbitario, e da fontanella
e sobretudo, da commissura preoperculo-opercular,
ha a relação do barbilhão maxillar que se conserva
sempre muito desenvolvido em Br. vacllante em
vez do que se vê na estampa alludida.
Adiante voltaremos ao assumpto.
E' ainda à esta especie que penso deve ser attri-
buida Brachyplatystoma parnahybae, Steindacliner ;
teria razão de ser esta ultima se fosse uma forma
isolada geographicamente ; comtudo é o Conselheiro
Steindachner o primeiro à identifical-a com dous
exemplares do Amazonas, confórme se leu nas tran-
scripções supra. E dentre as especies dahi conhe-
cidas, apenas duas poderiam conter a nova descri-
pção de Steindachner : Br. filamentosum e Br. vail-
tanto.
Aliás, as duas são promptamente distinctas en-
tre si, pelo que já ficou dito; e da comparação de
seus caractéres, é evidente que 4 Br. vaillanti pode
ser attribuida Br. parnahybae de Steind.
D.
— 261 —
Demais, pela simples consideraçäo de que a adi-
posa é contida 1 e 3/10 ou 1 e 1/2 no comprimento
da cabeça, ao passo que a base da anal o é 2 1/2,
e de que a azal nasce à meio da base da adiposa,
verifica-se que, das especies de Brachyplatustoma
conhecidas, apenas aquella offerece semelhante:
relação. Quanto ao colorido de Br. parnahybae,
tenho à meu dispor uma boa somma de jovens de
Br. caillanti justamente coloridos como o são os
exemplares de Steindachner.
Ainda uma pequena observação e teremos con-
cluido as nossas considerações sobre esta especie:
Eigenmann & Eigenm. ( Nemath. S. Amer., pg. 196 )
citando os Proc. Cal. Acad., 2 da série, vol. |, 1888,
pg. 136, dão Juiz de Fóra para procedencia de
Br. vmiilante. Acho que um tal juizo deve ser sus-
penso, porquanto me parece mais que duvidosa
semelhante distribuição geographica.
Brachyplatystoma flawicans Castelnau
OU
Brachyplatystoma goliath ( Aner)?
Parece de qualquer modo evidente a razäo de
Günther reunindo os diversos peixes descriptos e
figurados por Castelnau e transcriptos aqui sob a
designação generica de Bagrus, em duvida, perto
de Piratinga ( Brachyplatysme ).
Bagrus flavicans Castelnau é, assim, uma in-
terrogação de todo justa, visto como, parece que não
só essa especie foi suficientemente descripta como
figurada e mais, 0 sea typo deve estar preservado
no Museu de Paris, para onde foi levado. Com ef-
feito, à pg. XI da «Introduction» dos « Animaux
Nouveaux ou Rares de VAmer. du Sud», tome se-
cond — Paris — 1885, — lé-se na « Lista das Estam-
pas» a seguinte explicação : « As especies precedi-
das dum asterisco são aquellas de que eu fiz dese-
nhos coloridos sobre individuos vivos; as ostras fo-
ram illustradas sobre individuos preparados»; e
mee) he A
justamente B. flavicans, B. rousseauxi e B. punclu-
latus estäo neste caso.
Ainda à pg. X da mesma introducção, lê-se:
« Tenho a fortuna de poder exprimir aqui o meu
reconhecimento para com os senhores Dumeril, pae
e filho, que tiveram a maior presteza em fazer re-
unir os numerosos objectos que eu envira e que
estavam disseminados nas iminensas colleccões do
Museu ».
O confronto, prúna facie, da fig. 2 da estampa
13, conduz-nos immediatamente à suppor um exem-
plar empalhado duma Dourada.
Dous caractéres desta figura detem o observa-
dor: a truncatura do focinho e a fórma da cauda.
Já se viu, comtudo, que na descripçäo de B. rous-
seauxt Castelnau falla em caudal mais furcada do
que em B. flavicans. Além disso é sabido que,
com a edade, esta ultima varia nos peixes de gran-
de vulto, soffrendo mesmo modificações pelo ataque
de outros peixes. O Museu Nacional possue um |
exemplar da Dourada, cuja forma de nadadeira cau-
dal em nada lembra a forma quasi constantemente
figurada; e isso tambem mostra a relatividade das
cousas que se prendem às formas vivas.
Embôra a truncatura do focinho, a presença
da linha lateral, adiposa mais extensa que a anal,
os barbilhões menores que a cabeça, a ausencia de
processos externos na região cervico-dorsal, exter-
na do processo humeral, fazem-me suppol-o a pri-
meira descripção de Brachyplatystoma golrath ; fora
deste, nas cond'ções citadas. não conheço nenhum
peixe brasileiro capaz de reproduzir-lhe as fór-
mas. ( Paulicéa lulkeni, Steind. 22)
Não é, comtudo, procedente qualquer pretenção
sobre uma determinação especifica e muito menos
quando a generica está em duvida ou quando possa
haver alguma tróca de material. Assim, só um con-
fronto resolverá de vez este assumpto; e ninguem
melhor nas condições de tai trabalho que o Dr. J.
Pellegrin que hoje faz parte do pessoal do Museu
de Paris e se occupa de Peixes Sul-Americanos.
E” verdade que, como tambem eu, Steindachner
“já identificou Br. goliath à Begrus rousseauxi, Cas-
telnau.
Eu, entretanto, agi por intuição. Não sei si o
mesmo fez Steindachner. Comtudo, hoje, uma re-
flexão mais longa faz-me duvidar desse resultado e
para o mesmo fim de um confronto aqui expendo
as minhas duvidas :
Com effeito, a descripção de Castelnau fala de
um peixe tendo 0 humerus subcutanco, as peitoraes
curtas a adiposa menos longa que em B. flavicans
(as estampa dão-n'as oppostas e de base identica ).
Seja como tôr, se como Steindachner affirma,
B. goliath Steindachner é igual à B. rousseauxt
de Castelnau, quer me parecer que esta especie ainda
terá de ser incluida na synonimia de By. flavicans
de Castelnau.
Segundo minha supposição, hoje, attendendo ao
que acima disse, ao tamanho dos barbilhões maxilla-
res, à posição do post-humeral, à saliencia dos inter-
maxillares sobre a mandibula, à presença da linha
lateral, ao tamanho da adiposa em relação a anal, e
à elevação e obliquidade da ruga preopercular, Br
rousseauxi Castelnau deve ser levada à synonymia
de By. filamentosuin.
Br. "goliath (vel. flavicans?) cresce muito,
tanto ou mais que a pirahyba ( Br. filainentosuin )
e os seus barbilhões maxiliares em individuos de
1,m. são pouco maiores ou muito menores que a
cabeça.
A’ meu vêr é aqui que cabe Brachypiatystoma
vullanti Kigenmann (Mem. Carneg. Mus., vol. V. )
Effectivamente, nunca que um exemplar de Br. vaii-
lante poderá offerecer o aspecto exhibido pela bo-
nita figura da est. XVII citada.
A’ menos que os barbilhões maxillares estejam
truncados, quer me parecer que a estampa citada
reproduz Brachyplatistoma goliath Steindachner
( digo assim por que foi Steindachner quem até hoje
deu melhor reproducção desta especie ) que eu con-
sidero identica à B flavicans de Castelnau.
— 264 —
As minhas snggestões sobre as especies de Cas-
telnau ficam, pois, dependentes de verificação; por
isso não nos occuparemos de B. punclulatus que
me parece pelo menos variedade, quando muito es-
pecie affim de Br. vaillante. “ão pois assumptos que
cabem ao Dr. Pellegrin elucidar, se tanto lhe
aprouver. (1)
A conclusão logica de uma tal demonstração é
a seouinte:
As especies typicas do genero Prachr platystoma
são cinco e os seus caractères pôdem ser synthe-
thizados na seguinte chave:
A — Cabeça quando muito 3 e 1/ 2 no comprimento até a
base da cauda. Barbilhôes maxillares passando a cauda, nos
jovens, attingido as ventraes no adulto, post-mentaes passando
o aculeo peitoral. Post-humeral exposto, granuloso, attin-
gido o primeiro terço do aculeo peitoral; este chegando a
meio da articulação das ventraes ; adiposa de base maior
que a anal que lhe nasce ao meio; vesicula natatoria tendo
a parte anterior mais ou menos separada da posterior no
joven e contigua no adulto, communicando-se, as duas entre
si, por dous duetos cylindricos distinctos :
1.º Ventraes quando muito eguaes às peitoraes.
Vesicula natatoria com a parte anterior maior que a
posterior :
Cabeça recoberta de estria-
ções ( e reticulações salientes,
nos adultos ). L. lateral fra-
ca. Coloração uniforme, jo-
vens com a base das nada-
deiras amarello laranja; fa- E
chas dentarias na fórma geral. 1 - Br. VAILLANTI
( Piramutaua )
Coloração transfaciada de
escuro; fachas dentarias dos
palatinos mais estreitas, me-
nores que as vomerinas e ter-
minando afiladamente nos ex-
BrOMOS, «Fish. MENT 2 - Br. JURUENSE
1) Em resposta a este pedido meu, o Dr. Pellegrin,
por estar nas fileiras, na guerra, delegou a solução deste
problema ao Prof. L. Roule, do Mus. de Paris.
— 265 —
2.° Ventraes distinctamente maiores que as poste-
riores. Vesicula natatoria com a parte anterior re-
niforme, menor que a posterior e a ella centigua,
Ho Jovens Voki. ae. Vi > oS BR PHATENENA
B — Cabeça 3 até a base da caudal; adiposa de base
igual e opposta a anal; vesicula natatoria dividida em duas
secções justapcstas sem ductos apparentes, pelle mais ou menos
- reticulada na cabeça e no corpo. Linha latteral forte e saliente.
1.º — Intermaxillares excedendo anteriormente
os mandibulares. Barbilhôes maxillares maiores
que o dobro do corpo no joven, attingido as ven-
traes (no adulto }; post-mentaes attingido a axilla,
menor que o dobro das mentaes tanto no joven como
no adulto; processo humeral sub-cutaneo ; peitoraes
nao attingindo as ventraes e terminando sob o 5.º
raio dorsal; jovens às vezes diffusa e parcamente ma-
culados de negro, adultos uniformemente amarel-
TOS eee A o lar certa vera do BRR AMENTOSUM
( Pirahyba )
2.º Barbilhões maxillares muito pouco maiores
(jovens ) ou menores do que a cabeça; post-mentaes
e mentaes sub eguaes, attingindo a axilla; processo
humeral exposto, granuloso ; jovens uniformente co-
loridos, prateados ou coma parte anterior do corpo
denegrida e a posterior albicante ; nadadeiras de côr
amarello laranja .. . . . . 5- Br. FLAVICANS
( Dourada )
— 266 —
Platystomatychtys
Ficaram exclnidas e, portanto. por ultimas, duas
especies não consideradas até agóra: Brachyplalys=
toma paraense, Steindachner e P. mucosum Vaillant.
Da primeira faltam-me, por emquanto, elementos
para julgar, visto ter perdido o separatum que o
auctor teve a gentileza de me offerecer; quanto à
segunda, começaremos por lhe definir melhor o
nome :
Platystomatichthys mucosus, ( Vazllant )
Do peixe descripto como Platysloma mucosum
por Vaillant, no Bulletin de la Soc. Philomatique
e coiligido pelo Dr. Jobert, no Amazonas, possue o
Museu Nacional um co-typo, mandado por aquelle
auctor após a publicação do seu trabalho. Da den-
tição d'esse co-typo fiz o croquis que esta figurado
na descripçäo de Brachyplatystoma vaillanti (pag.
325 — Fauna Bras. Peixes parte IV ( A.)
Essa figura, entretanto, foi mal executada; e
para dar idéa da distribuição exacta dos dentes,
faço aqui uma reprodução da placa dentaria, am-
pliada, d'aquelle co-typo ; e bem assim outra do mes-
mo individuo visto de cima.
Conforme já vimos Steindachner disse que Pl.
mucosum não podia ser Brachyplatastoma varllanti
( Cuv. & Val.) e toda razão lhe assiste. Digo eu
agora que nem mesmo ao genero Br achyplatystoma
pertence o referido peixe.
Depois de Vaillant, quem melhor A à
deu de Pl. mucosum foi o sr. John D. Hasemann
que, com a descripçäo ( Annals of the Carnegie
Museum, October 1911 — Ser. n. 69 pg. 320 ) deu
egualmente uma esplendida figura, a estampa LIl de
Platysilurus barbatus.
Com elfeito Platysilurus barbatus Hasemann
é synonymo de Platystoma mucosum Vaillant. Resta
saber, agora, se ha ainda razão de ser no genero
Platysilurus.
A’ pg. 7 do Annexo n. 5 ( Pimelodidie usque
o
— 267 —
ad Hvpophthalmidas ) do Relatorio da Commissäo
Rondon eu escrevi.
? Platysilurus barbatus, Hasemann.
«3 exemplares de Manäos. Os machos de Pseu lo”
plastystoma tem os intermaxillares muito salientes
sobre a mandibula ; tal facto me faz pensar a espe”
cie de Hasemann baseada sobre individuos do sexo
feminino de Platystomatichthys sturio, Kner »
Os exemplares que o Museu possue são do sexo
feminino e reproduzem a fig. de Hasemann com toda
a exactidão, exceptuando o barbilhão maxillar gue
é osseo e não flexivel, como erradamente se vê em
Hasemann. O facies geral do peixe reproduz per-
feitamente a forma, inclusive a ossificação da linha
lateral e respectiva reticulação. A disposição dos
dentes paiatinos e vomerinos não deixa de offere-
cer uma semelhanga frisante com a que é dada por
Eigenmann & Eigenmann (South Am. Nemathog.
pg. 219) de Platystomatichthys sturio.
Seja entretanto como. for, por emquanto deve
Platystoma mucosum Vaillant ser revalidado e fi-
gurar na systematica como
Platystomatichthys imuccsus ( Vaillant ),
,
A sua vesicula natatoria é perfeitamente iden-
tica a de Pseudoplatystoma.
A chave decorrente destas considerações para
compreensão do genero ficaria, pois, assim constituida:
Platystomatichthys, Bleecker
(Caracteres já dados à pg. 304 do IV tomo, parte A
da Fauna Brasiliense. Peixes )
| muito proemivente so-
bre a bocca, como succe-
de em Surubiine Hemvi-
sorubrin (caratc. do sexo
ÉOSERO cee DR TR PL sburio; Kner
apenas incluindo a man-
dibula e não proeminen-
te como acima ficou dito
| ( caractc. do sexo 2 2). P. mucosus, Vaill.
208
Descripções originaes
( Orig. A.)
Platystoma vaillanti
« E” notavel pelo excessivo comprimento dos
« barbilhões cujos maxillares, nos jovens, passam a
« ponta da cauda, comquanto esta tenha, por sua
« vez, as pontas dos seus lobos prolongados em lon-
« gos filamentos. Nos individuos maiores os fios da
« cauda são frequentemente truncados, 0 que em cer-
« tos casos poderia fazer desconhecer a especie ».
«A maior altura, na base da dorsal, é contida
«4 e 1/2 no comprimento, sem a caudal que, con-
« forme seus filamentos sejam mais ou menos bem
« conservados, é egual à duas ow tres vezes esta
«maior altura. Possuímos um individuo cujo fila-
« mento do lobo superior é maior que o duplo do
resto da nadadeira. O comprimento da cabeça, to-
« mado da ponta do focinho ao extremo do oper-
« culo, é contido 4 e 1,2 no do peixe, sem a cau-
«dal e sua largura um pouco menos de 14/4 me-
«nor que seu comprimento, e não o diminue an-
« teriormente. Sua altura, na nuca é um pouco mais
«de metade do seu comprimento ; mas ella é muito
«plana superiormente e o seu perfil desce em linha
« recta, donde resulta que o focinho é adelgaçado em
«cunha. Sua circumscripção horizontal é em semi-
«circulo, de modo que, lateralmente, a fenda da
« bocca que é horizontal, apenas penetra um quarto ;
«a maxilla superior avança um pouco mars do que
«a inferior. As fachas de dentes das maxillas são
«largas e os dentes villiformes, mas fortes e pon-
« tudos, sobretudo os anteriores. A facha vomero-
« palatina, tambem muito larga, tem-n'os villiformes
«e mais baixos e é dividida em quatro partes oblon-
«gas que se tócam. O barbilhão maxillar, como já
«o dissemos, se proionga em um filamento muito
«fino que, nos individuos em que elle é bem con-
«servado, attinge ou passa os filamentos da caudal.
«O sub-mandibular externo ou posterior passa fre-
A
« quentemente as pontas das ventraes o interno não
« chega à base das peitoraes.
« Os olhos ficam no meio do cumprimento da
«cabeça, juntos do plano superior; seu diametro
«não é mais que 12 desse cumprimento e ficam à
« quatro diametros um do outro.
« As narinas ficam em linha recta com os
«olhos, a anterior junto ao bórdo da maxilla; a
«posterior no terço da distancia da primeira ao
«olho; a primeira tem um ligeiro rebordo, a ou-
«tra um foramen oval; todas duas são peque-
«nas. O craneo, acima dos olhos, forma uma cara-
« paça mais ou menos quadrada, que emitte poste-
«riormente uma proeminencia inter-parietal estreita,
« quasi do seu cumprimento, um pouco aberta no
« vertice onde ella recebe a ponta duma placa
inter-espinhosa um pouco menos longa do que
ella e que se dilata posteriormente. Esta cara-
« paça e sua proeminencia e o meio desta placa,
« são ligeiramente rugosos, asszin como a ponta hu-
meral, que é mais longa do que larga e aguda;
mas o operculo é liso, ou, no maximo, ligeiramente
venulado. O aculeo dorsal é delgado, apenas sen-
sivelmente dentilhado para traz. O da peitoral é
um pouco mais forte e as denticulações mais pro-
nunciadas, mas ainda muito pequenas, no bordo
posterior. As ventraes tem o cumprimento das
peiloraes. A adiposa, de metade mars longa que
a anal é cortada obliquamente na frente, abaixa-
«se um pouco para traz. Quando a caudal tem seus
« filamentos bem conservados, ella quasi eguala ao
« cumprimento do resto do corpo. B. 11; D. 1 +6;
« A. 13, contados os 3 anteriores; C. 17; P. 1/10;
« V. 6. Nada pudemos ver das visceras deste ani-
«mal pois estavam destrnidas. sómente a vesicula
« natatoria restava ainda no logar; ella é grande,
«dividida em duas paries sobre sua extensão na
« metade da cavidade abdominal; a porção anterior
«tem sobre a frente duas azas, ou melhor, dous lo-
«bos redondos que se alojam sob a armação do
« craneo. O esqueleto nada tem de particular que
A.A
À À À À À À À À À
— 270 —
«não seja apparente exteriormente. O supra-esca-
« pular, unido aos angulos do craneo por suturas, é
« estreito e se apoia, como nas especies precedentes.
« A apophyse espinhosa anterior da grande verte-
« bra, muito separada da segunda, une-se à crista
« vertical formada em grande parte pelos occipitaes
«lateraes sob a longa ponta interparietal. Tem 14
« vertebras abdominaes e vinte e oito caudaes, ahi
« comprehendida a dilatada em leque. Nossos exem-
« plares vem de Cayenna e Surinaim. Estes foram
« trazidos à Europa por Levaillant. O maior indi-
« viduo desta descripção fazia parte das collecções
« dos srs. Leschenault e Doumerc. Conservados no
« alcool pareciam dum fulvo uniforme; em estado
«fresco elles foram prateades ou plumbees. Seu
«cumprimento varia de 6 à 7 pollegadas a 12 e
« 15 pollegadass em os fios da cauda. » ( Cuv. & Val.)
Orig. B.
Platystoma affine
«O Sr. Duque de Rivoli cedeu ao gabinete do
« Rei um peixe empalhado, cujos lobos da caudal
«estão quebrados na ponta, mas similhante ao pre-
« cedente em quasi tudo o mais, excepto em que a
« placa inter-espinhosa muito menor e menos anpa-
«rente, não chega à tocar a proeminencia inter-
« parietal que termina em ponta obtusa; e que sua
«adiposa é pouco menos longa que a anal e muito
«mais afastada da primeira dorsal. Seus barbilhões
«maxilares devam, no minimo, attingir a anal.
«B. 11; 1 — 6; A. 13, etc. O individuo, embora
«com a caudal mutilada é ainda do comprimento
«de 2 pês duas ov tres pollegadas. Parece par-
« dacento superiormente, alvadio ou amarellado in-
« feriormente, e tem algo de avermelhado nas na-
« dadeiras ; rio se vê macula alguma. » (Cuv. & Val.)
( Orig. C.)
I
Bagrus flavieans
« Ex. de 1 metro, altura egual à largura, 19
«cm. Cabeça grande, chata, casco não sensivel-
«
«
«
«
«
«
«
«
«
«
«
«
«
«
«
Co na
Le)
AE: Ve.) Baw wee” |
À À
«
À À
«
«
«
«
A AA BA
«
«
A A
«
A A
«
— 271 —
mente rugoso, formando no bordo posterior dous
angulos de cada lado, e se prolongando em ponta
no meio. Dorsal com 6 raios e um acúleo osseo,
grande, forte, arqueado, um pouco sinuoso, longe-
tudinalmente estriado mas não dentado nos bor-
dos e medindo 12 centimetros ; adiposa alongada,
de 12 cntumetros de comprimento por 3 de
alto, caudal tendo cerca de 18 grandes raios e
cinco outros mais curtos de cada lado, dos quaes
os primeiros apenas fazeudo saliencia acima da
pelle ; anal de raros ramosos difficeis de se distin-
guar mas parecendo ter 7 delles; ventraes com
6 raios, peitoral com 11 tendo um acüleo grande,
arqueado, achatado, de 27 centimetros de com-
premento ; sua superficie é estriada, mas não tem
dentificacdo nos bordos. Humero saliente e for-
mando um cusco triangular coberto de asperezas
granulosas ; olhos à & centenetros de bordo an-
terior da cabeça e à 14 centimetros do bordo pos-
terior de operculo. Barbilhão da maxilla superior
só medindo 16 centimetros de comprimento, isto
é, mais curtos que a cabeça, os outros sensivel-
mente menos longos que os precedentes. Este
peixe é dum amarello claro uniforme. Ama-
zonas. » (Castelnau. )
FT
Bagrus rosseauxi
«Comprimento total 1m., 14. Esta especie
muito se assimilha à precedente, da qual se distin-
gue pelo casco da cabeça, que não é biauguloso
no bordo posterior. A cabeça é mais alta, o hu-
merus apenas sensivel sendo recoberto de pelle
lisa e não formando cascv. As peitoraes são pro-
porcionalmente mais curtas; a adiposa é muito
menos longa e só tem 8 centimetros, bem que o
individuo seja sensivelmente maior ; a cauda é mars
furcada. Us barbilhões maxilares são muto
inaiores que a cabeça e medem 32 centimetros.
Da mesma côr que o q recedente. Rio Amazonas, »
( Castelnau. )
«
A AGA A AVATAR AvAL A
Ro PER
«
AOR
À
— 272 —
ill
Bagrus punctulatus
« Comprimento total 85 centimetros; maior al-
tura 21; maior largura 13 1/2. Cabeça com a
carapaça coberta de rugosidades formando, sobre-
tudo na frente, linhas alongadas. E" biangulosa de
cada lado e prolongada no meio. Dorsal com seis
raios e um aculeo ósseo, recto, estriado e de 11
centimetros. A adiposa alongada, medindo 10 cen-
timetros. A adiposa alongada, medindo 10 centi-
metros de cumprimento e 2 1,2 de altura; cau-
dal com cerca de 20 grandes raios e 3 curtos em
cada lado, anal 7; ventraes de 6 raios peitoraes
grandes, com 11 raios e um acüleo osseo, largo,
medindo 17 centimetros de cumprimento, achatado,
sinuoso e guarnecido, nos dous terços posteriores
de fortes dentes implantados em angulo recto no
aculeo ; olhos à 7 1/2 centimetros do bordo pos-
terior do operculo. Barbilhäo superior de 23 cen-
timeiros de cumprimento, passando notayelmente
o cumprimento da cadeça; os outros muito mais
cnrtos e só medindo 9 a 10 (ou mais longos ) de
comprimento. Este peixe é (individuo secco ) pardo
escuro superiormente, tendo o dorso, na sua me-
tade anterior, cheio de pontos arredondados, de
um amarello claro; a parte inferior do corpo e
das nadadeiras inferiores dum branco amarello
sujo. Rio Amazonas.» ( Casteln. )
( Orig D.)
Bagrus reticulatus
« Elmo revestido de pelle, olhos mediocres,
barbilhões maxilares grandes, aculeo dorsal não
denticulado e alongudo em filamento, cauda com-
prida e delgada, base da anal mais curta do
que a da adiposa, toda a pelle inais ou menos
percorrida por uma fina reticulação.
O comprimento da cabeça (até a abertura das
guelras ) constitue cerca de 1/4 do corpo, sua lar-
«gura é um quarto mais estreita do que o seu
« comprimento, passa, porém, claramente a altura
«da região cervical, parecendo a cabeça, d’ahi, for-
« temente deprimida e larga. O hiato constitue toda
«a largura do focinho que é semicircular e entre o
« rictos à egual à 1/2 do comprimento da cabeça.
« Os inter beasties es sobrepujain os mandibulares
« mteriormente ; ambos são providos de largas fa-
« chas de dentes aciculares e outros mais finos con-
« stituem uma facha arqueada sobre os palatinos e o
« vomer, a qual se dilata para traz em os dous la-
«dos. Os barbilhões inaxillares. mesmo seccos,
«chegam à base das ventraes, os esternos e pos-
«tervores do mento às peitoraes, os anteriores e
“«internos apenas attingem a metade desta extensão.
« Os olhos ficam mais proximos do operculo do que
«da ponta do focinho e proximos do perfil do alto
«da cabeça são transversamente alongados e ficam
« à cinco maiores diametros do meio da orla inter-
« maxilar e à 3 e 1,3 um do outro. O canal ce-
« phalico que lhes passa por baixo @ grosso é se
« estende fortemente para a frente. O heimo total-
«mente recoberto de pelle, constitue uma fonta-
«nella ampla que termina em ponta para traz.
«O processo occipital não chega posteriormente à
« placa basilar da afastada nadadeira dorsal; cober-
«tura das guelras estriada por um enrugamento
« irradiante. De 1/6, A. 12, V. 1/9, P. 1/9 C. 19.
« À dorsal começa sobre a ponta da peitoral en-
«costada ao corpo; seu raio mais comprido eguala
«em comprimento a altura do corpo sob si; o
«aculeo anteriormente liso e só denticulado na
«parte posterior, termina em uma fita compri-
«mida e similiante à uma folha de capim de es-
« tructura caracteristica ( que ulteriormente será dada
« quando tratarmos Galeichthys.) O robusto aculeo
« peitoral, longitudinalmente estriado, é fortemente
« denticulado em todo o comprimento da orla in-
«terna. As ventraes são articuladas sob o ultimo
«raio das dorsaes e passam com a ponta um pouco
«além da abertura genital. A anal fica sob a adi-
«
«
«
«
«
«
«
«
«
MA A
À À A
AS ALA
posa, é de comprimento egual à largura e sua
base mais curta do que a ultima. Os lobos da
profundamente entalhada caudal, terminam em
ponta, a superior algo mais comprida, eguala, com
o mais longo raio, o comprimento da cabeça.
O processo escapular, que se encontra à altura
moderada, sobre os peitoraes, é recoberto de pelle,
curto. e termina em ponta. Não ha póro peito-
ral; branchiostegos 12.
« Um bonito reticulado geralmente formado de
pentagonos recobre os lados da cabeça, sobretudo
as bochechas e de malhas menores tambem sobre
a parte superior da cabeça até o focinho.
« Descubra-se o elmo, vel-o-emos cheio de
fossulas e sulcos em que se implanta a pelle.
Tambem toda a pelle do tronco e da cauda mesmo
no lado ventral, é provida de semelhante reticu-
lação e na verdade na parte anterior do tronco,
sobre e sob a linha lateral, ha grandes malhas
polygonaes ; mais para traz, porém, apenas na me-
tade inferior dessa linha; acima della entretanto,
é provida de uma fina reticulaçäo externa (A.
est. I, fig. 1, mostra um pedaço da pelle dessa
região realmente em tamanho natural). Por sobre
a cauda adquire a pelle quasi aspecto corneo em
que o reticulado apparece moderadamente fino
assim como em todo c lado do ventre. Só o meio
do dorso, uma estria mais para traz da dorsal, a
adiposa e o fim da caudal, ficam livres d'esta re-
ticulação e são totalmente de pelle lisa.
«A linha lateral visivelmente larga, emitte
tubos secundarios apenas para baixo e no ponto
de bifurcação ha win entumecimento osseo. No
pedunculo caudal se espessa bastante e apparece
como um cordão externo que se progecta da re-
ticulacdo densa d'aha até o entalha da cauda.
« Esta tão caracteristica reticulação da pelle
adquire, sem duvida, o maior desenvolvimento das
chamadas veias da pelle de Valenciennes, que
occorrem sobre a cabeça e parte anterior do tronco
de tantos siluroides mais ou menos claramente,
rete eae
« nunca, comtudo, com tal extensão como neste e
«na especie seguinte. Infelizmente possue o Museu
«Imperial apenas exemplares scccos, sem duvida
« grandes exemplares de ambas as especies, o que
«não permitte um exame mais detalhado da es-
«tructura da pelle. Que o tamanho notavel ou o
«resecvainento dos exemplares occasione o que
«acima foi dito sobre esta reticulação, conclue-se
«de que exemplares ainda maiores de outras espe-
« cles, eguaimente empalhadas, não mostrem signal
«de um semelhante desenho.
« No estado secco a cor parece parda uniforme,
« mais escura sobre a cabeça, tendo nas bochechas
«e no preoperculo grandes manchas diffusas de-
« negridas: todas as nadadeiras denegridas. Com-
« premento total do exemplar descripto e etiquetado
« como do sexo masculino, por Natterer, tres pés. (1)
« Procedencia: Salto Theotonio, sobre o rio Aragua-
« ya, Forte do Rio Branco e Rio Madeira. Nome vul-
«gar, segundo Natterer : — Pirahiba, Piratinga. »
( Kner. }
Bagrus Goliath [eck (Ms)
« Focinho estreito, haito mais estreito, barbi-
«lhões imazxillares mais curtos, olhos menores,
« fontanella frontal mars fraca, dorsal mais baixa
«do que na especie anterior.
«Com a ultima, parece-se à primeira vista esta
«especie pela reticulação da pelle, cabeça e placa
predorsal, subcutaneos, aculeo dorsal egualmente
«não denticulado e alongado em ponta filiforme,
«e ainda pelo «facies» das demais nadadeiras, nu-
«mero dos raios branchiostegos (12) e tambem pela
« ausencia de um Porus pectoralis.
« Comprimento da cabeça contido cerca de 3 e 1/2
«no: comprimento do corpo, sua largura, entre os
«operculos, 2/3 do comprimento ou egual à dis-
« tancia entre a ponta do focinho e a orla do pre-
« operculo, a largura do hiato completa quasi 1/2
A
(1) 99 centimetros.
— 276 —
À
comprimento da cabeça, altura da cabeça, na re-
«giäo cervical, mais estreita do que sua largura
«ahi; o perfil até a dorsal é abatido. Ambas as
« maxillas são de egual comprimeuto. A facha den-
« taria transversal no vomer compõe-se de dentes
« que são menores de metade qu? os dos interma-
« xillares e se reunem em cada lado com a facha
«mais estreita de dentes palatinos. Os barbilhdes
«maxilares apenas atingem posteriormente as
«coberturas das guelras, os post-mentaes, porém,
«chegam às peiloraes, os mentaes, ao contrerio,
«não attingem aos peitoraes. Os olhos jazem em
« meio do comprimento da cabeça, longitudinalmente
« ovaes, quasi totalmente supravertidos e à 5 dia-
«metros um do outro e 8 1/2 da orla do focinho.
«O processo occipital que termina arrendondamente
«não chega à subcutanea placa predosal. D. 1/6,
«A. 11-12, V. 1, Detc. A dorsal é mais baixa do
«que em DB. reliculatus, seus maiores raios que
«não attingem a ponta do processo filoforme, não
«attingem a altura do corpo sob si; tambem as
« pertoraes são mais curtas, seus aculeos interna-
«mente denticulados apenas chegam sob o inicio
«da dorsal, sob cujo extremo as ventraes são ar-
« ticuladas. A base da adiposa é apenas mais com-
« prida do que a opposta anal. O pedunculo caudal
«é mais curto e a caudal mais fracamente desen-
« volvida, o seu lobo superior prolongado fica no
« ultimo quarto posterior ao comprimento da cabeça.
«A reticulação que apparece em toda a pelle, mesmo
«na adiposa. só deixa livre as vizinhanças da base
«de ambos os lóbos caudaes, A coloração se asse-
« melha à da especie precedette.
MS
«O Museu Imperial possue tambem desta es-
« pecie apenas exemplares seccos, porém, de 6 pés
« de comprimento e segundo diz Natterer, individuos
«dos dois sexos; 0 exemplar aqui descriplo, ete-
«quetado como macho, mede 26 pollegadas de
«comprimento. Procedencia — Salto Theotonio —
« Nome vulgar: segundo Natterer — Dourada, Pr-
«rámoi». ( Kner. )
— 277 —
( Orig. E.)
Brachyplatystoma parnahyba, Steind.
« Orla anterior do focinho menos achatada do
que em B. varllante, comtudo mais largamente curva
do que em B. rousseauxr. Espaço interorbital trans-
versalmente mui pouco convexo, nas ultimas espe-
cles citadas chatas. Lado superior da cabeça reco-
berto de pelle fina como ein B. filamentosum e B.
rousseauxt, de modo que a fina estriação da fronte
e vertex não apparece externamente. Apenas o pe-
queno e estreito processo occipital fica aié a sua
ponta que é subcutanea à mostra, mediocre e lon-
gitudinalmente rugoso. O barbilhão maxillar é de-
primido, mas não taenorde como em B. rousseauae
projectando-se até a origem e até ao extremo pos-
terior da base da anal, em exemplares de cerca de 47
ou 48 centimentros de comprimento (s. caudal).
Comprimento da cabeça cerca de 3 e 1;2, maior al-
tura do tronco c. 4 e 3/5 no comprimento do corpo
(s. caudal). Diametro ocular 10 até 11, largura
da fronte 3 e 2/5 à 3 e 1/4; comprimento do fo-
cinho indistinctamente mais ou menos 2 vezes, maior
largura da cabeça pouco mais que 1 2/5, compri-
mento das peitoraes cerca de 1 e 2/5, e das ven-
traes cerca de 1 e 3,9, comprimento” da base da
dorsal cerca de 2 e 1/9, altura da mesma cerca de
1 e 1/4, comprimento da base da anal quasi 2 e 1/2
comprimento da adiposa cerca de 1 e 3/10, altura
do pedunculo caudal cerca de 3 vezes, comprimento.
do mesmo cerca de 1 e 5/6 no comprimento da
cabeça. A largura do hiato contém mais de 7/9 do
comprimento da cabeça. Dentes intermaxillares agu-
dos, curtos e mui densamente contiguos, constituindo
uma larga faixa. Os dentes da orla interna são
moveis e apenas menores que os da fila anterior.
As faixas dentarias do vomer e dos ossos palatinos
são muito nitidamente discerniveis comquanto deli-
neadas por um entalhe da orla posterior. Barbilhões
post mentaes chegam, ao menos, ao mero do compri-
— 278 —
mento do aculeo peitoral ou alé o seu extremo e
são c. 2 e 1/2 vezes mais compridos do que os
barbilhões mentaes anteriores. A fontanella frontal
termina na base do processo occipital, que é apro-
ximadamente 3 vezes mais longo do que a sua lar-
cura da base. A ponta d'esse processo fica occulta
sob a pelle e chega à frente da ponta externa da
placa predorsal. O processo humeral é triangular,
sua ponta chega quasi ao meio do 1.º terço nas
peitoraes.
O extremo cutaneo do aculeo dorsal é prolon-
gado em um breve filamento, a orla posterior da
nadadeira é francamente concava. A ponta dos
ultimos raios dorsaes visinhos não altinge o ini-
cio da adiposa. O aculeo dorsal apenas apresenta
na parte, superior da sua orla posterior pequenas
denticulações. O acúleo peitoral, mui fracamente
arqueado, é algo mais robusto do que o dorsal e
provido de denticulações antrorsas. A ponta da pei-
toral, apenas em um exemplar da nossa collecção,
chega à articulação das ventraes. O inicio da anal
fica verticalmente em baixo do meio do compri-
mento da adiposa. A distancia entre a anal e a
base dos ultimos raios dorsaes eguala à cerca do
comprimento da base da parte ramosa da dorsal e
a altura da anal o comprimento das ventraes.
A adiposa e 4 vezes mais alla do que comprida.
(1) <A caudal fortemente entalhada em oval, o lobo
caudal inferior termina em ponta filamentosa, alon-
gada e cada vez mois delgado no seu extremo pos-
terior do que o algo mais robusto e mais longo
lobo superior que deve ter, no nosso exemplar pre-
judicado, os raios marginaes egualmente filamento-
sos. Os raios caudaes medianos são contidos cerca
de 4 vezes no comprimento da nadadeira com ex-
cepção do alongamento filiforme do lobo. O com-
primento total da caudal excede o da cabeça. Lado
(1) Deve haver aqui uma transposição; pelas dimen-
sões acima dadas parece o que o auctor quer dizer é justa-
mente o contrario. Mir. Rib.”
superior da cabeça e miaor ametade superior do
tronco, inclusive a adiposa, cinereo-violeta. Lado
inferior da cabeça, lado ventral e circumvizinhança
da ametade inferior e menor do tronco pranco-
amarellado sem brilho; todas as nadadeiras, exce-
ptuada a adiposa — laranja. Falta um póro peitoral
bem como a caracteristica reticulação da pelle que
se encontra em Bb. reticulatum e B. rousseauxi.
A’ mesma especie podem, com alguma segu-
rança, pertencer dous exemplares bastante menores,
medindo cerca de 25 à 29 centimetros ( caudal excl. )
e procedentes, sem outra indicação mais justa, do
rio Amazonas e devem, só por causa disso, perma-
necer separados sob a designação de « Brachypl.
afjine ».
No menor desses dous exemplares é o centor-
no rostral anterior mais fortemente redondo do que
nos maiores; o lado superior da cabeça é, sobre-
tudo no menor individuo, tão delgado que não só-
mente a estriação do processo occipital mas, tam
bem os ossos da fronte e do vertex apparecem per -
feitamente exteriores. Comtudo, o extremo. termi-
nal daquelle processo e o extremo anterior da placa
dorsal que se tocam mutuamente, ficam occultos
sob a pelle. Processo occipital longo, estreito, cerca
de 3 vezes mais longos do que a largura da base.
O barbilhão maxillar, deprimido, chega quasi
ao extremo do primeiro terço longitudinal da cau-
dal, cujos lobos estreitos são alongados em filamen-
tos e os barbilhões post-mentaes chegam quasi ou
justamente ao extremo posterior das ventraes. O dia-
metro dos olhos pequenos e ovaes, é contido 11 à
12 vezes, a largura da fronte 4 e 1/4 4 4 e 1/5,0
comprimeuto do focinho cerca de 2 vezes, a maior
largura da cabeça mais ou menos 2 e 1,2 vezes, O
comprimento da adiposa cerca de 1 é 1/2, 0
comprimento da base da anal 2 # 1/2 à 3, 0 com-
primento das ventraes 1 e 2/3 à 1 e 3/5, a largura
do hiato cerca de 1 e 3/4 41 e 4/9, altura do pe-
dunculo cerca de 4 vezes, comprimento do mesmo
2 e 1/5 à pouco mais de 2 vezes no comprimento
— 280 —
da cabeça, ultimo cerca de 3 e 1/8 à 3 1/11, al-
tura do tronco cerca de 4 e 2/3 à 5 vezes no com-
primento do corpo (sem a caudal). A altura da
anal é um pouco menor do que o comprimento das
ventraes e a adiposa, cerca de 4 vezes mais longas
do que alta. O aculeo das peitoraes está quebrado
em ambos os exemplares, a sua ponta, póde, com-
tudo, segundo os comprimentos dos raios imme-
diatos, chegar à frente da articulação das ventraes.
Os dentes intermaxillares são decididamente mais
frouxamente dispostos entre si, pouco mais longos e
deleados do que nos dous exemplares grandes do
Paranahyba, e as suas placas dentarias relativamente
menos largas do que nos da ultima. Na coloração
do corpo não ha nada de diverso entre os dous
exemplares menores do Amazonas e os do Para-
hybana e ainda que elles mostrem qualquer differen-
ça, sobretudo nas proporções do corpo attribuiveis à
variação de edade, pertence à uma e mesma especie.
A’ primeira e breve contribuição aqui produ-
zida pelo auctor sobre os exemplare- de Brachy-
platystoma reticulatum e B. goliath ( Kner ) e res-
pectiva identidade, deve ser feita a seguinte corre-
cção; no Museu de Vienna ha tres exemplares da
collecçäo Natterer determinados por Kner como B.
goliath, dos quaes o menor, de c. 83 centimetros e
os dous maiores, ao contrario de 200 centimetros
cada um. O surprehendente tamanho dos ultimos
deu em todo o caso motivo ao nome « Goliath ».
Estes dous grandes exemplares são, porém, identicos
aos exemplares de cerca de 93 cm. descriptos por
Kner como Bagrus reticulalus e possuem, como a
ultima especie, além de uma admiravel e fortemente
desenvolvida retitulação da pelle, barbilhdes mais
longos e os aculeo dorsal e peitoral mais curtos.
O menor exemplar descripto por Kner como B. go-
leath, assim tornados typo (proc. do rio Araguaya)
é comtudo identico à Br. rousseauat (Cast.) e tem
os barbilhões maxillares curtos, delgados e filiformes,
na maxilla e na mandibula — o que é caracteristico
desta especie.
— 281 —
Assim cahe B. goliath Kner, na synonyinia de
Brachyplatystoina rousseauxi, porque só o menor
dos exemplares descriptos (e não os dous maiores
citados apenas incidentemente) deve ser considerado».
Steindachner.
Descripedo F.
Brachyplatystoma filamentosum ( Licht )
Seus barbilhões maxillares 360 mm. ( quebra-
des ); os post-mentaes mal passando a axiila das
peitoraes. O filamento do lobo superior da cauda
mede 222 millimetros ; os barbilhões são achatados
e a cabeça tem as dimensões indicadas por Eigen-
mann e Bean; o seu perfil é recto e até à base da
dorsal; os seus ossos são superiormente estriados no
sentidp longitudinal, como nos jovens de Br. vail-
lanti, havendo, entretanto, uma reticulação sobre a
região temporal; a fentanella é lanceolada, ampla,
vae de entre as narinas posteriores à proximo do
plano em que terminam os bordos preoperculares.
Olhos à 2 e 56 diametros entre si, imedicos de
orla palpebral à orla palpebral, seu maior diametro
longitudinalmente disposto e a sua linha dos centros
sobre o plano do meio da cabeça considerada até a
orla do operculo. Este irradialmente rugoso. O pre-
operculo tem o bordo posterior quasi recto e obli-
quamente disposto, sendo apparente apenas por uma
ruga da pelle. Por sob os olhos passa o ducto mu-
coso que vae do extremo posterior daquella ruga ao
labio superior, junto do barbilhäo maxillar. Denti-
ção intermaxillar composta duma ampla facha cujo
bordo anterior vae a orla intermaxillar labial; en-
tre essa orla e uma posterior que corresponde ao
encaixe da mandibula, essa facha offerece uma su-
perficie plana, em escova, delineada pelas pontas dos
dentes que são os mais fortes e moveis, tendo além
disso um entumecimento esponjoso das gengivas que
os envolve em maior ou menor extensão. Em toda
essa área a facha excede a mandibula de modo no-
tavel, pois o seu diametro em sentido longitudinal
Bee es We
2
do corpo é quasi igual a um diametro orbital; dahi
para traz os dentes são mais finos, e formam uma
facha tambem de bordos parallelos até a symphyse
inter-maxillar, onde o seu bordo posterior se curva
para diante; é sobre essa ametade posterior da fa-
cha intermaxillar que vêm se appôr os dentes man-
dibulares. A’ uma sensivel distancia desses dentes e
separada por um vêo membranoso que se perde pos-
teriormente nos lados da abobada palatina, corre o
bordo anterior doutra facha dentaria constituida de
quatro grupos, dous medianos, vomerinos e dous la-
teraes, palatinos; as fachas palatinas são mais es-
treitas e reproduzem um lozango cuja diagonal to-
que a orla de toda a faixa vomero-palatina justa-
mente no vertice latero anterior de cada placa vo-
merina; as placas vomerinas tem os bordos lateraes
parallelos e longitudinaimente dispostas em relação
ao corpo e o bordo posterior semicircular. Os den-
tes mandibulares nascem sobre o fino e curto labio
inferior, de modo à serem em principio exteriores,
e visiveis ext-rnamente à sua facha, de bordos pa-
rallelos e semicylindrica. Ha 17 rostros no primei-
ro arco branchial e os maiores egualam à 9/6 do
diametro ocular. Branchiostegos 12. O processo oc-
cipital e o processo anterior da placa predorsal
quasi se tocam — são, porém, quasi totalmente sub-
cutoneos. Egualmente sub-cutaneo é o processo hu-
meral, A dorsal nasce justamente cemo dizem Ei-
cemann & Bean; as peitoraes attingem o plano do
4, raio dorsal, não atlingindo as ventraes que nas-
cem sob o 6.º ou ultimo. Ás ventraes são caracte-
risticamente truncadas no bordo posterior e termi-
nam à uma distancia da anal que é egual à desta
e vae aos primeiros raios accessorios da cardal ;
bases da adiposa e anal eguaes e justamente oppos-
tas; anal de bordo posterier imperceptivelmente con-
cavo; linha lateral presente, distincta, provida de
espessamentos equidistantes e de tubulos infraverti-
dos. Coloração superior plumbea, inferior albicante ;
dorsal e peitoral denegridas; a dorsal, as ventraes,
a adiposa, a anal ea caudal tendo a base largamente
— 283 —
cor de laranja; as macuias redondas de que falam
Eigenmann e Bean, presentes (a do pedunculo em
um Jado sómente). O aculeo dorsal tem o bordo
posterior fracamente denticulado e os peitoraes os
dous bordos.
i
Piratinga pirá-aiba Goeldi
f “Piraiba” adult |
\ “Filhote” juv f
Estampa do trabalho do dr. Güldi — A Piruiba; as figuras 1 e 4 reproduzem exemplares da Dourada (Brachyplatystoma flavicans)
embora attribuidos à Pirahyba (Br. filamentosum) figs. 2 e à
‘eINWeIId BNeINWeIIG OOD
CS8T Wa JaUuYydepUIa}S Jod epringi ‘juepeA ewosAjeqdAyIeig op r19Px9 OKdPIUASaIdaI PILOWILId y
‘SPUOZPLIY OP ,,epeinoq,, Bp
PJIPX9 OPSPJU9S9Id9I ead é ,4 — ZegT Wd JaUyepUla}S 10d opeinsy ‘“ouy yyeyoOs snideg
A
‘eZ9|SU] PUPAND PU oprgioo
Jejdwaxe ump ‘yueypiea ‘ag ou uUPWIUAaSIg 10d BpeInSy (IOUM WeIjoS Jg jo
UJSLO SUBITABTY ewoysAjedAyoesg) ,.epeinod,, ep edaqea
o
va
1
EA
- “nr
L PERS
La
1
1
M
O
Vaillant
s mucosus,
7
y
ystomatichth
(A
a
Pl
CR]
. 14
+
chutes uia cd -. -
"OFRI _Bneynwedid,, ep ovdejuasoidas errouid e CIA % AND) ‘HUBJIIEA ewoysAjeldAyoesg
ure, op ANOLSALV'Id
DPD EHOLS ALT Td
PE PE CR D TS =, CRED RON du NR rs |
CES
ep JaarAold (GG8T) ogrjuasaidai estuda é no
‘SPUOZPUIY OP ,,PpPINOC],,
neujaS27 ‘SUBOIAPII sniseg
ro Son -SNVOINWTE SNUOVE 8 >
É WT er
Ihe pipe pos sto md
8030 -Íuan sujdea Boy suo]
|
j
|
é HUBIIIBA “ag — ujo}sed snyeynjound sniseg
(QUI) wnsoquowey euroysÁpejdÁgrIg
seqAyPlid ep (cegT) ovdrjuasaldos eJjouiid B no (USED Ixneossnos sn.iseg) eqÁmeIra
ds æ
Br. platynema Br. vaillanti
Br. filamentosum Br. goliath
Vesiculas natatorias do gen. Brachyplatystoma
O Herbario e o Horto Botamco do Museu Paulista
— POR —
G. LUDERWALDT
Entomologo do Museu Paulista
te
a
,
hg | o
PA de i vi LA a we é
4 si ral
ve;
Herhario o o Homo Botanica do Museu Paulists
PREFACIO
Em 1895, pouco tempo depois da fundação do
Museu Paulista, pretendeu o Dr. H. von Ihering,
então Director deste instituto scientifico, nelle orga-
nizar tambem uma secção botanica.
E' o que documenta um artigo do dr. P. Tau-
bert. (1)
Não se sabe porque este projecto deixou de se
realizar. E' provavel que a existencia da secção
botanica da Commissão Geographica e Geologica do
nosso Estado, possuindo um Horto Botanico na
Cantareira, desde annos abandonado, impedisse a
realização do projecto. Só dez annos mais tarde
passou a ter execução pratica o plano do sr. von
Ihering. Actualmente dispõe o Museu Panlista de
um herbario bastante rico, bem como de bello jar-
dim botanico, que se não compara, é verdade, com
os dos grandes institutos congeneres, mas ainda
assim de notavel utilidade, não sómente para a bo-
tanica, como tambem como reserva e abrigo para
a fauna ornithologica e especialmente entomologica
desta região.
Felizmente, o director sctual, sr. Dr. Affonso
dE. Taunay, dedica especias carinho ao desenvol-
vimento regular da secção botanica do Museu. De-
vido 30 seu interesse foi aberta, em setembro deste
anno, no andar terreo do edificio, uma sala desti-
nada a collecções vegetaes. O fim da exposição bo-
tanica, bem como do jardim é de se completarem
(1) Dr P. Taubert — «O fim e a disposição de um
Museu Botanico » — « Revista do Museu Paulista», vol. I,
1895, pags. 162 - 164.
— 288 —
mutuamente: naquella predomina a systematica, ao
passo que o horto deve mostrar ao visitante a bel-
leza do reino vegetal em plena liberdade da natu-
reza. Como succede nos jardins zoologicos, toda a
systematização deve tambem em hortos botanicos
ser superimida, a favor da demonstração das rela-
çoes naturaes.
I]. —O HERBARIO
Per occasiäo da fundação: do Museu Paulista
não se previu uma secção botanica. Desde o anno
de 1906, porém, e simultaneamente com a organi-
zação do Horto, angmentou tambem o interesse por
estes assumptos. No começo prevalecia o gosto pela
entomologia, mais tarde, porém, desenvolveu-se 0
da botanica.
Ao proprio auctor coube encetar o actual her-
bario com uma collecçäo de plantas de 200 espe-
cles, mais ou menos, recolhida nos Campos do Ita-
tiaya, em 1906. Em 1908 adquiriu o Museu o
herbario de fétos do sr. Wacket, no Alto da Serra;
cedeu o Dr. H. von Ihering uma collecção de plan-
tas do Rio Grande do Sul e o sr. Rodolpho von
Jhering uma pequena collecçäo de gramineas. Em
1914, a rica collecçäo de plantas indigenas e ex-
trangeiras, existente, até então, na Escola Polyte-
chnica desta capital e colleccionada pelo sr. dr. Usteri
e de sua propriedade foi transferida para o Museu,
e o mesmo se deu com o bellissimo e rico herba-
rio da Commissão Geographica e Geologica do Es-
tado de S. Paulo, o qual tinha sido reunido pelos
srs. Alberta Lofgren, Gustavo Edwall e outros.
O auctor deu mais uma collecção de plantas, colhi-
da durante annos anteriores no Estado de Santa
Catharina, inclusive 100 espécies de fetos. Além
disto, dedicou-se sempre a augmentar o material,
colleccionando, especialmente na vizinhança desta
cap tal. é
Está o herbario installado no andar superior
de torre d'oeste do Museu, em 6 salas, dispondo
AS 289 ey
ainda de duas salas de reserva. A divisão é a se-
guinte :
A sala 1 contêm 2 armarios, cada qual com
40 gavetas, cheias de sementes seccas e fructos.
Além deste, outro armario com 12 gavetas gran-
des, contendo cogumelos seccos e uma vitrina com
fibras vegetaes erc..
Na sala 3 estão 2 armarios, cada qual com 40
gavetas, contendo amostras de madeira. Nella ain-
da ha um bom numero de troncos de fêtos arbo-
rescentes ( samambaia-assus ), bem como secções
praticadas em diversas madeiras.
Na sala n. 5, esta organizada, em um armario
envidraçado, uma collecção de bolas de borracha
crua, bem como de artefactos e instrumentos usa-
dos na respectiva producção etc. Existem mais, em
76 latas de folha, plantas de herbario, ainda não de-
terminadas.
Existem na sala 6, em 32 latas de folha du-
plicatas, a bibliotheca botanica, ainda muito incom-
pleta (1), bem como instrumentos etc., para colle-
ccionar, preparar etc..
Encontra-se na sala 7 parte do herbario das
plantas brasileiras, a saber, as cryptogamicas, as ex-
trangeiras do herbario Usteri e o nucleo de uma
collecçäo de plantas cultivadas no Brazil, uteis e de-
corativas.
Finalmente, na sala 8, as phanerogamicas bra-
sileiras.
A sala 2, actualmente servindo para outros fins,
será transformada, mais cedo on mas tarde, em la-
boratorio, por causa da sua situação apropriada
para tal fim, com face para sudeste.
E' sem duvida, a conservação das plantas sec-
cas mais garantida em latas de folha, em regiões
(1) Recebeu este anno o Museu a valiosa contribuição
da bibliotheca da antiga secção botanica da Secretaria da
Agricultura. Dispõe actualmente de obras de grande valor
como da « Flora» completa de Martius, do « Pflanzenfami-
lien de Engler e Pranthel » do « Pflanzenreich » do Sertum
-« Palinarum » de Barbosa Rodrigues ete.
humidas, como as nossas por soffrerem os vegetaes
relativamente pouco do perigo do emboloramento.
Visto o formato desegual dos differentes herbarios,
reunidos no Museu, não podiam ser empregadas as
respectivas latas. Sendo inverosimil que, em conse-
quencia da altura da torre, pudesse a collecçäo sof-
frer estragos pelos ccgumelos, reunimol-a em 2 ar-
marios bem fechados, onde collocamos as plantas
segundo o “ Index Generum Phanerogamoruru ” etc.
de Th. Durand. Nosso formato definitivo orga por
30 X 90 centimetros.
Conforme o ultimo inventario de 1917, contém
o hervario o material seguinte:
Phanerogamae : mais de 4.100 especies brasi-
leiras.
Cryptogamae : 4.500 especies brasileiras, com-
prehendendo 362 especies de Pteridophytas, prove-
nientes, em sua maioria, dos arredores da capital
de São Paulo.
Plantas cultivadas, medicinaes, decorativas ete.,
brasileiras : rar. 500 especies.
Plantas exóticas : cr, 4.450 especies.
1. — A COLLECÇÃO EXPOSTA
Esta collecção, aberta ao publico, desde 7 de
Setembro de 1917, encontra-se na sala A 7 e no
respectivo corredor, do andar terreo, contendo em
6 armarios envidraçados, encostados às paredes,
390 especies de plantas, em sua maioria, brasileiras,
colladas em cartões brancos. Cada divisão mede
A0" ZE;
Duas vitrinas contêm numerosas sementes, fru-
ctas seccas etc..
Outra vitrina no corredor tem resinas, impres-
sões vegetaes, bem como outros objectos paleo-
botanicos ; mais uma collecçäo de cogumelos, fibras
vegetaes, cipds etc..
Em breve franquear-se-ä ao publico uma bo-
nita colleccäo de borrachas e amostras de madeira.
HI. — HORTO BOTANICO
Foi o Sr. Dr. von Ihering o fundador do horto
botanico no Ypiranga. Parece que já em 1898, fez
plantar as primeiras arvores, especialmente Emba-
hubas para estudar a formiga Azteca miilleri, que
nestas arvores mora. Plantaram-se mais tarde ‘ Ca-
nellas ”, “ Cedros ”, Ficus luschnatiana, Schizoiobium
excelsum etc., que se desenvolveram, em parte, ma-
gnificamente. Talvez em 1900 effectuou-se ama
plantação maior a de “ Pinheiros”, com um total
de 300 pés, mais ou menos.
Está o horto directamente atraz do Museu me-
dindo cerca de 4 hectares de superficie, e fechado
por arame farpado.
Por motivo da sua situação alta, descoberta,
quasi plana e por falta completa de aguas naturacs,
bem como de logares humidos, o terreno não está
bem appropriado a um horto botanico, que exige
campo, matta, prados, lagôas, valles e collinas pe-
dregosas. Taes condições são indispensaveis para
estabelecimentos dessa natureza. Tudo isto póde-se
fazer artificialmente; mas é necessario que se tenha
maiores verbas do que agora, votando-se uma somma
sufficiente para concluir a organização do horto
botanico e abril-o ao publico. Uma vez ultimado,
podem 2 jardineiros facilmente administral-o. Em
uma cidade, como S. Paulo, capital do mais rico
estado brasileiro, com a povoação de meio milhão
de habitantes, pôde-se desejar não só um museu,
mas tambem um horto botanico e zoologico.
Com quanto fossem executadas — como já acima
relatamos — plantações de varias arvores em escala
reduzida, já ha cerca de 18 annos, sómente em
1906 começaram os trabalhos mais intensivos para
o borto.
Apenas então se traçaram caminhos e foram
collocados varios barris para a rega. Os trabalhos
aqui feitos não correspondiam a um projecto, de
ante mão, esboçado, porque, para isso, não dis-
punha o Museu de verba suficiente. Contentavamo-
nos de annualmente, pelo menos, cultivar uma area
relativamente pequena. Paulatinamente foram plan-
tadas differentes plantas indigenas, ao longo dos ca-
minhos num pequeno matto, situado a este do horto
botanico. As especies de maior interesse para nós
foram assignaladas por etiquetas de madeira, substi-
tuidas em parte, mais tarde, por eguaes de porcel-
lana, muito mais bonitas e duradouras, fabricadas
na firma Nic Kissling, de Vegesack, perto de Bremen.
Devido à escassez da verba, apenas trabalhava
um jardineiro no horto botanico, excepcionalmente
concedeu o (Governo, em casos urgentes, um au-
xiliar. As demais despesas eram occasionadas por
adubos, ferramentas etc.
Pelos mesmos motivos restringimo-nos 4 cul-
tivar sómente plantas brasileiras, sendo tambem o
terreno insufliciente demais para cultivar plantas
extrangeiras em maior escala. Apenas as plantas
uteis e as no Brasil, em maior extensão cultivadas,
foram tomadas para a cultnra.
Actualmente * podia ser augmentada a area do
horto botanico do dobro, comprando ou desapro-
priando o Estado os terrenos adjacentes o que seria
sufficiente para cultivar em zonas, todas as plantas,
exoticas de maior valor. Esperemos, que o Go-
verno do Estado se resolva a fazel-o quanto antes,
Talvez se pudesse juntar ao horto botanico um
Jardim Zoologico, de modo a dispôr S. Paulo de
um instituto exemplar como apenas o possúem bem
poucas capitaes européas. - Às varzeas confinantes
às divisas do Museu com o ribeirão Ypiranga, se-
riam muito aproveitaveis para tal fim.
Neste logar convém lembrar, que, facilmente,
se póde organizar um parque moderno, ao passo
que um horto botanico limitado à flora indigena,
tem de vencer muitas difficuldades. Na primeira
hypothese pdde adquirir pela horticultura todas as
plantas acclimadas e affeitas às composições do sólo.
No ultimo caso é necessario, antes de tudo, colher
experiencias sobre as condições vegetativas das
plantas indigenas, porque nem sempre depende a
2"
Niue À
sua existencia apenas das condições naturaes, em
que ellas se encontram no estado selvagem. Por
exemplo: varias especies vivendo bem no clima
quente de Santos, preferem aqui no Ypiranga meia
sombra, ao passo que alli são plantas solares. Plan.
tas do mangue crescem aqui ao sol e sem sol;
cultivamos “Crinum americanum ”, legitima planta
dos mangues, aqui no sólo mais secco e sem tra-
tamento algum. ‘Cecropra lyratiloba ”, a Cecropia
de pantanos, cresce no pantano, tanto quanto no
sólo mais secco. “Gynerium sacharoides, plantas
das margens humidas e arêas dos rios, alcança no
citado borto, sem provimento de agua alguma, a
altura de 4-6 m. Uma especie assimilla facilmente
terra de adubo, o que para outras, por exemplo
certas palmeiras, como ‘ Bactris, Geonoma ” etc.,
traria infallivelmente a morte. Umas plantas exi-
gem a terra de paul, outras detrictos. Muitas plantas,
por exemplo certas do campo, preferem o sólo na-
tural, sem adubação alguma, outras acceitam-na com
muito proveito. Assim se podia relatar ainda muitas
circumstancias, que ainda exigem observações mais
exactas. Lembro isto pelo motivo de corrigir a
ignorancia de muita gente, accreditando, que plantas
selvagens não exigem tratamento algum, crescendo
por si mesmas “Teriam razão caso se pudesse cul-
tivar todas as plantas sob as suas condições naturaes.
Assim, porém, no terreno limitado d'um jardim
botanico, já não é isto possivel.
Até agora tem cêrca de 300 especies de plantas
as necessarias etiquetas. Facilmente pôde-se au-
gmental-as, faltando apenas etiquetas de porcellana
que serão encommendadas na Europa. Pódem agora
talvez ser fabricadas em usinas nacionaes, por exemplo
na fabrica “Silex” do Ypiranga. As etiquetas de
madeira com tinta de olec, não resistem neste clima.
Na torre média do Museu, que está situado na
collira mais alta da sua vizinhança, póde-se bem
abranger com a vista o horto botanico e ao mesmo
tempo abre-se uma perspectiva magnifica sobre a
cidade de S. Paulo, bem como sobre os campos
accidentados que se perdem no horizonte afastado
emquanto em frente ao edificio se estende o jardim
de aspecto monumental e harmonico com o do
bello edificio.
Na vizinhança, o sólo do campo contém, numa
profundidade de poucos centimetros, uma camada
horizontai, durissima, de poucas pollegadas de epes-
sura, que só pode ser trabalhada pela picareta. Por
este motivo, seria indispensavel, arregôar o sólo antes
de fazer novas plantações. Por falta de verba, porém,
não se executam em regra, taes trabalhos, restrin-
gindo-nos a abertura de buracos até 1 m. cubico
para as plantas lenhosas, buracos estes que pôdem
ser, mais tarde, ampliados.
Além disto, consta o sólo de uma superficie
extraordinariamente permeavel, arenosa, pouco pro-
funda e infertil em consequencia de queimas continuas.
De vez em quardo. falta a referida camada super-
ficial, dando à luz a camada de laterito abaixo della
que tambem não conserva bem a humidade e e é quasi
infertil sem adubação. Até legitimas plantas de
campo, como, por exemplo, “ Araucaria brasiliana ”
desmedrariam sem a melhoria do sólo. Apenas
gramineas auras, como “ Aristida pallens ” vegetam,
como tambem herbaceas exiguas e modestas, bem
como diversas arvores baixas e arbustos despre-
tenciosos — todas plantas, adaptadas, desde muito,
ao pobre sólo. Mas, as plantas lenhosas sómente o
fariam depois de se formar, por falta de queima,
uma camada de humus, varios annos decorridos,
onde se alimentam as raizes. À esterilidade im-
mensa do sólo do campo, póde-se muito bem avaliar
em que terreno arregõado sem adubação, de vez em
quando, precisa do decurso de um anno inteiro, para
se cobrir de plantas; e ainda mais que tambem o
“ Pteridiuin aquilinum ” absolutamente não quer
vegetar, emquanto cresce muito bem mesmo em
terras cançadas. A causa principal desta infertili-
dade explica-se pela secca deste logar. Póde o sólo
ser melhorado com adubação e arregôamento, pro-
duzindo, assim, em abundancia, verdura, mas só-
a ciais
mente, regando-o bem e diariamente. Em virtude
desta esterilidade de sólo, não se encontra lavoura
alguma nas vizinhanças da capital de S. Paulo.
Pelo mesmo motivo, a maior parte das plantas
provenientes das regiões humidas, não se reprodu-
zem por sementes ou apenas de medo reduzido, não
obstante crescer bem, mediante certos cuidados. As
sementes são germinativas, não brotando, porém, em
terra secca.
A propria chuva é muito irregular. Além de
chover, pouco ou quasi nada, nos À a à mezes mais
frios, de maio a setembro, de modo que o solo,
neste tempo, está completamente secco, mesmo em
capões umbrosos, restringindo-se a vegetação ao or-
valho e às neblinas aqui bastante fortes. No Ypi-
ranga chove, geralmente muito menos de que, por
exemplo, na cidade de São Paulo. Isto é conse-
quencia da quasi completa falta de arvores nesta
região, ao passo que São Paulo está situado mais
perto das serras silvestres da Cantareira. As chu-
vas de trovoadas, vindo no verão quasi diariamente
d'oeste, separam-se geralmente de maneira que,
uma parte se dirige a São Bernardo, outra à Can-
tareira, sem regar o Ypiranga. Assim caminham
as chuvas regulares passando a serra depcis do anno
hom. Neste tempo cahem ainda em S. Paulo volu-
mosas chuvas, emquanto que nossa collina fica sem
ellas, dominando aqui, por isto, duradoura secca.
Durante taes periodos da secca vernal, apresenta
o jardim triste aspecto. As folhas de todas as plan -
tas succosas ficam murchas, por isto deve-se regar
ininterruptamente. E’ muito reduzida, em compara-
ção com o effeito terrivel do sol tropical, a quanti-
dade limitada de agua, disponivel para a conserva-
ção das plantas. Não é possivel, agora, desenvol-
vel-as. As cópas das arvores aclaram-se, curvando-
se as folhas ou cahindo completamente. Differentes
fetos epiphyticos do genero Polypodium encurvam
as folhas, para “ dormir ” durante este periodo de-
solador, bem como nos mezes seccos. Diariamente
espera-se a chuva, mas sempre em vão.
= 296 —
Esta situaçäo muda-se rapidamente, cahindo uma
chuva geral, que se annuncia ordinariamente nos
dias antes por excessivo calor, acompanhado de ven-
tania forte e secca. Um dia só e restabelece-se com-
pletamente a natureza. Todas as plantas reverdecem
novamente, cheias de vida. As arvores mostram-se
bem frondosas, os fétos epiphyticos resuscitam, es-
palhando as folhas. Por toda a parte, no solo, nos
caminhos, nos canteiros brotam novos germens ;
por todos os lados säo galhos novos, verdes, que
apparecem crescendo quasi à vista d'olhos. Assim
como acabamos de descrever, torna-se a transição
da estação fria à quente, cahindo as primeiras chu-
vas quentes. ;
Nos annos de 1914 -- 15. bem como no inver-
no de 1916, pudemos constatar a resistencia da
flora campestre a excessivas sercas. Dizem que des-
de muitos annos, não chovera tão pouco. Por falta
d'agua,para regar sufficientemente uma parte de nossas
plantas, especialmente os fétos provenientes do clima
humído, foi novamente recolhida em vasos, para
melhor conserval-a. A vegetação campestre, porém,
assim como as plantas lenhosas, verdejava e flore-
scla, como em tempos normaes. Epiphytos, como
por exemplo Araceas, Rhipsalideas e Orchidéas con-
servavam-se bem, embora especialmente as Orchi-
deas não florescessem tão abundantemente como
d'antes.
O local do Ypiranga demonstra, claramente, a
influencia perniciosa da devastação dos mattos, em re-
lação às chuvas annuaese em consequencia à lavou-
ra e vegetação campestres. E’ verdade, que tambem
regiões silvestres soflrem de seccas, o que, po-
rém, acontece apenas excepcionalmente ao passo
que similhante flagello se torna regra geral em re-
giões desarborizadas. Protejam-se as mattas! Esta
advertencia nunca é demais repetir. Protecção tam-
bem à capoeira, em casos onde se approveita ape-
nas a madeira de lei, deixando-a desenvolver-se no
correr de annos, sem tratamento algum. A queima
do campo é inevitavel, para destruir as plantas sec-
cas, preparando assim o pasto para o gado, com-
quanto que o solo se torne assim, successivamente,
mais esteril. Em qualquer caso convirä impedir a
propagação do fogo, pelo menos nos matos do Go-
verno, cujas capoeiras, aos poucos, fatalmente des-
apparecerão. Além disto, culturas puras de Euca-
lypto, em grande escala plantadas hoje, em diver-
sos logares, nunca substituirão a matta virgem,
quanto à sua influencia do clima, empora lhes cai-
bam muitas milhas quadradas — documentando isto
as vastas florestas de Eucalyptos na Australia, paiz
conhecido pelo. seu clima secco. Apenas a matta
virgem indigena, com as suas umbrosas copas de
arvores, pode conservar a humidade sufficiente para
formar as chuvas.
Outra desvantagem deste logar consiste nas
geadas nocturnas, durante o inverno. de maio a se-
tembro. Nesta época a temperatura cahe muitas
vezes abaixo de zero e 1º de frio não é raro, es-
pecialmente em regiões baixas. Todas as plantas
succosas morrem, o campo toma um aspecto parda-
cento e o gado do campo pasta com dificuldade e
vence este triste tempo. Geralmente dura este pe-
riodo justamente 3 dias, mostrando-se o segundo em
regra geral mais frio. Felizmente não faz frio #o-
dos os annos. E sabido, que verões seccos são se-
guidos por invernos clementes e vice-versa, e os
ultimos annos seccos confirmam esta opinião. Mas
não é uma regra sem excepção e por isto ê neces-
sario abrigar as plantas mais preciosas contra a
geada.
O auctor lembra-se da geada mais forte aqui no
Ypiranga observada ; occorreu na noite de 19 para
20 de Julho de 1919, quando o thermometro marcou
2°, 2,7° até 3º de frio. De manhan, entre as 7 e 8
horas, ainda geava bastante. As plantas delicadas
abrigadas pelo capão do horto botanico, por exemplo
os fétos, não soffreram como é natural, o que acon-
teceu com as de logares descobertos. Nada soffre-
ram as seguintes plantas, que se encontram tambem
ua região campestre : Araucaria braziliana, Callian-
— 298 —
dra santipauli e axillaris. Mimosa paludosa e sepia-
ria, Schinus terebinthifolius, Cocos romanzoffiana e
eriospatha, Euterpe edulis, Solanum auriculatum,
Gynerium argenteum e Bauhinia pruinosa. Entre
outras soffreram porém bastante: Cecropia adeno-
pus, Fourcroia gigantea, Gynerium sagittatum, Ge-
nipa americana, Lantana camara e sellowiana, Tre-
ma micrantha nas folhas; Schizolobium excelsum,
Aegiphila sellowiana e Cedrela fissilis tambem nos
galhos novos. Todas as arvores, que perdem a sua
folhagem no inverno, despojaram-se completamente
das folhas no terceiro dia de frio. As outras plan-
tas lenhosas do mattozinho nada soffreram, apenas
apparecendo mais ralas. As folhas de Psidium guaya-
va tornaram-se pardo-vermelhas, cahindo porém, ape-
nas em parte. Extranhou-se a vegetação das Ca-
ctaceas aquosas, que deviam soffrer especialmente.
Estas plantas, entre ellas certo numero proveniente
da Bahia, estando completamente descobertas, não
ficaram estragadas, comquanto as plantas do campo,
no seu derredor, se mostraram totalmente queima-
das; tornaram-se apenas amarellas.
Granizos tambem cehem, até em dezembro e
as pedras alcançam o tamanho de uma bala de me-
tralhadora. Contra as ventanias frequentes e fortes,
bem como as trovoadas vernaes ruidosas. começã-
mos a plantar cercas de bambú exotico, bem alto,
nas divisas.
A criação das plantas faz-se em vasos ou la-
tas, por sementes ou mudas, conforme as respectivas
especies. Procuram-se arvores e arbustos, muitas ve-
zes, no mato, mas elles necessitam assim um tra-
tamento, sob a sombra, ao menos de um anno. Não
se pode recommendar a transplantação directamente
do matto, por terem sómente raizame exiguo, neces-
sitando por este motivo de um tratamento duradou-
ro, para enraizar-se novamente. Por isto, seguimos
a regra de transplantar apenas exemplares robustos,
juntos com a terra adherente às raizes. Taes plan-
tas arraigam-se completamente no decorrer do verão,
quando plantadas no começo da estação chuvosa, não
e
EE 299 ao
exigindo mais tratamento durante o seguinte inver-
no secco e duradouro. Apenas em circumstancias
excepcionaes transplantamos directamente arbustos
ou arvores. O tempo apropriado para isto é o in-
verno, junho e julho, sendo então mais reduzida a
circulação da seiva e diminuida a força do sol. E
verdade, que se deve regar diariamente até voltar
o tempo de chuva.
Das palmeiras presta-se para transplantar, em
exemplares maiores, apenas o Cocos romanzoffiana, :
que cresce, bem cuidado, quasi sem raizes. Todas
as outras especies criam-se, com maior facilidade,
de sementes.
Varias plantas, como por exemplo, muitos pe-
quenos fetos, permanecem em latas de folha, enter-
radas até o bordo, sem que restem visiveis. A van-
tagem extraordinaria deste processo consiste em
manter a humidade nos vasos por mais tempo. As
plantas desenvolvem-se assim muito melhor. Em
todo o caso, a terra deve ser reformada, respectiva-
mente melhorada, de vez em quando e, regal-a em
tempo secco, indifferente, si as plantas estão em
vasos ou directamente plantadas no sólo.
Plantamos varias Araceas e Bromeliaccas epi-
phyticas, no .mattozinho, directamente no sólo com o
melhor successo e, a saber, crescem muito melhor
nos detrictos do que sem elles.
Samambaia-assus, plantam-se aqui já bem altos,
“por crescerem neste clima secco apenas vagarosa-
mente. Sômente assim vale apena crial-os. ;
Para adubação, especialmente das plantas le-
nhosas, enpregamos só esterco de vacca bem de-
composto. O estrume de burro ou de cavallo, não
deu bom resultado, por causa da sua mistura com
gramineas de campo, especialmente de “ Barba de
bode”, Aristida pallens, contendo acido salicylico,
o que lhe deprecia ainda a qualidade. O esterco de
vacca, porém, deve ser bem decomposto, porque elle
atträe, quando fresco, cupins, que alacam, muitas
vezes as plantas, roendo as cascas, sobre a raiz, ou
excavando-as.
Além disto. emprega-se grande quantidade de
detricto. Especialmente Palmas, Fétos, Begonias,
plantas aquaticas e pantanosas cultivam-se quasi in-
teiramente nelle. Tambem certas Gramineas e outras
herbaceas preferem esta terra composta; emquanto
que, estas plantas adubadas, por esterco de vacca,
após um periodo de exuberancia, vão rapidamente
definhando. Para o preparo de detricto deve-se eli-
minar plantas de campo e especialmente a “ barba
de bode” Aristida pallens, como meio damninho e
mesmo mortifero. Com maior vantagem serve-se na
fabricação de detricto apenas plantas provenientes de
sólo fertil, porque sômente plantas ce terra boa dão
detricto fertil.
Para imitar a natureza de maneira mais pos-
sivel, as rolhas e galhos miudos deixam-se no pe-
queno matto, afastando apenas tudo, quanto é feio,
como por exemplo ramos fortes quebrados e arvores
tortas etc. As folhas sabidas reabsorvem a humi-
dade das chuvas, impedindo assim a infiltração di-
rectamente no sólo — dada a seccura de nossa região
isto representa uma vantagem relevante — de outro
lado, porém, a camada de fclhas serve de adubo.
Os caminhos do horto, pelo contrario, são conser-
vados sempre limpos.
A planta deste horto botanico. é como segue:
Tres arte:ias principaes, ligadas entre si per ca-
minhos transversaes, atravessam o terreno longitu-
dinalmente. As partes à esquerda, direita e no fundo
foram traçadas como bosques, o meio como região
do campo. No lado septentrional desta zona está
projectada uma pequena lagôa, em parte já excavada
e bordada ccm plantas adequadas e gramas. Entre
a lagôa e o campo extende-se uma pequena varzea
artificial com plantas pantanosas e aquaticas. aquellas
em latas de folha, para conservar a huniidade ; estas
em cartolas com agua. Desistimos de nossas ex-
periencias anteriores, isto é de reunir xs plantas
conforme o seu parentesco, em virtude da diffi-
culdade. Comtado ajuntamos as Aroidaceas, Bro-
meliaceas, Palmeiras, Begoniaceas, Gramineas, Ca-
ctaceas; Bambusaceas, Marantaceas, Piperaceas, Iri-
daceas, como tambem as Samambaia-asstis e outros
fetos, as Orchidaceas terrestres, as Iinbaübas, Hip-
peastrum etc. Assim se encontram as quatro es-
pecies de Rubus, indigenas desta região e as tres
Coniferas brasileiras, uma perto da outra.
No mattinho, occupando um terço, mais ou
menos, da area do horto e a saber ao lado esquerdo,
encontravam-se antes arvores baixas e geralmente
pouco duradouras, pertencentes às familias Verbe-
naceas, Euphorbiaceas, Anonaceas, Solanaceas, Myr-
taceas etc.. misturadas com diversos arbustos, de
que se destaca uma Melastomacea : Miconia ligns-
trioides, o que por falta completa de todas as plantas
ornamentaes, como as Palmeiras, Samambaia-assus,
Marantaceas e outras, não lhe dá uma aparencia
tropical. Além disto existe um pinhal de er. 2.500
m. q. e uma plantação nova, de madeiras legitimas
da matta virgem, sendo a proporçao entre o campo
e o matto approximadamente de um para tres.
Entrando no jardim. do lado esquerdo do Museu
observa-se, a direita, uma collecção de plantas uteis,
mais cultivadas no Sul do Brazil, aliás ainda im-
completa. Confina com um grupo de bambús altos
estrangeiros.
Passando a esquerda, atravez de um pequeno
prado com gramas indigenas, chegamos ao matto
ralo e baixo, composto principalmente de Legumi-
nosaceas, destacando-se 3 especies de Erythrina, varias
Cassias, duas especies de Calliandra, e a bella Gali-
ctia spectabilis.
Passeiando, sob a folhagem de Aroeira ver-
melha, baixa, callosa e sombrosa e outras arvores,
abrigando grupos de fétos, de Calathea zebrina etc.,
chegamos logo, a uma poça pequena cimentada, de
poucos metros quadrados de extensão, em cujo bordo
os fétos pantanosos Osmunda regalis-palustris e cin-
namonea encontram as melhores condições para sua
existencia. Simultaneamente a agua serve para regar
e para os passarinhos beber e banhar-se. Aqui, na
vizinhança desta poça, encontram-se as differentes
Begoniaceas, em numero superior a vinte. Imme-
diatamente após, descemos uma escada de pedra,
achando-nos aqui num dos mais bonitos logares do
horto. Marantaceas grandifoliss e Heliconias, bem
como os fétos finamente fendidos, Philodendrons e
Begonias trepadeiras e Rhipsalidaceas suspensas dos
ramos, junto com Bromeliaceas e Orchidaceas epi-
phyticas, causam de facto a impressão de um trecho
de ipatta virgem.
Pouco depois, entramos no proprio terreno das
Bromeliaceas e Araceas, cultivadas por causa da secca
no sólo, na uitima parte do caminho, até là som-
broso e dahi em diante mais ralo, chamam a atten-
ção do visitante na época da florescencia, diversas
Amaryllidaceas e fridaceas, bem como Costus protu-
berante e a magnifica Alpinia nutans. Não obstante
ser estrangeira, concedemos a esta ultima planta, a
permanencia em nosso horto, por ser encontrada em
todos os lugares. em estado natural, Onde o ca-
minho vira à direita, estäo plantados principalmente
Abutilons Passando os e voltando ao caminho cen-
tral, entramos na região das Graimineas. Estas são
representadas especialmente por um grupo maior de
Gynerium sacharoides, com pendões de flor muito
compridas e a principio pardas, mais tarde esbran-
quiçadas ; Graminea dos pampas tão imponente, aliás
tambem cultivada em Europa; pelo Panicum sul-
catum elegante, pela Gymnothrix tristachya, bella
planta de altura de 1 metro e meio e pela Chloris
distichophyllo encantadora. Antigamente estava aqui
tambem a Coix lacrima, sagrada para os caipiras ;
mas tivemos que transportal-a, por soffrer demais
por parte dos cupins.
Antes de continuar, vale a pena parar um tanto
perante um grupo de vegetaes, que introduz na re-
giao de campo, um caminho laterai. Nelle estão
representadas as plantas de campo mais decorativas
da nossa região. Serviu-nos de modelo o mappa 4
de “ Vegetationsbilder aus Suedbrasilien ”, do Dr.
FR. R. von Wettstein. Contem um Cereus peruviarus,
2 Philodendron selloum e varios arbustos: de campo
ee
um grupo, como se encontra, não raras vezes na
natureza, onde se abordam o campo e a matta. O grupo
no horto estã bastante bem idealizado, tendo sido
supprimido o Philodendron, em cujo logar substi-
tuimos varias outras plantas. Compõe-se agora como
segue: 3 Cocus criospatha fortes, 1 Cocus roman-
zoffiana, 1 Fourcroya gigantea; na frente Polys-
tychum adiantiforme, Opuntia diltenii e Op. ficus-
indica, diversos Ananazes e no fundo Bromelia
fastuosa, Gynerium argenteum e varias outras Gra-
mineas de campo, bem como 2 Cereus peruvianus.
Os tres Butids merecem especial attenção, por-
que em seus troncos, de 1,80 m. de altura e 60
cm. de diametro, vivem varios epiphytos: Polypo-
dium catharinae, Nephrolepis exaltata, Polystichum
adiantiforme e Bromeliaceas. Em um tronco vive e
floresce mesmc um arbusto de Cassia bicapsularis.
Estas bellas plantas, dadivas do ex-director dr. IH.
von Ihering, foram transplantadas em 1914, e outra
vez para aqui em 1913, sem nada soffrerem; ao
contrario, dando-nos varios cachos de fructas !
Em frente a este grupo, do outro lado do ca-
minho, estão reunidas as 3 especies de Cecropia
“ Imbaúbas ” indigenas neste Estado, de que uma,
C. lyratiloba, cresce mais em forma de arbusto.
Varias outras Imbzúbas, especialmente C. adeno-
pus encontram-se espalhadas no capão, dominando-o.
Estas arvores distinguem-se pela formação da copa
em forma de lampadario, bem como pelas formigas,
que sobre ellas habitam ; causando porém má appa-
rencia o facto das folhas grandes, pardas e seccas
ao cahirem, manterem-se suspensas nos galhos e
nos arbustos, aspecto ratural, mas pouco esthetico.
As Imbaúbas assustam, às vezes, o transeunte so-
litario e desprevenido — deixando cahir, com ruido
as suas grandes folhas seccas de ramo em ramo, o
que simula a approximação de algum grande ani-
mal da matta.
Atraz da região das Gramineas, começamos a
plantar palmeiras; até agora já o fizemos para 17
especies. Estas plantas crescem, especialmente no
FRS
\
principio, aqui devagar, por causa do clima secco;
apezar disto podem-se já ver bonitos exemplares,
camo por exemplo: (Coros romanzoffiana e eriospa-
tha, Euterpe edulis, Trithrinax brasiliensis, Glaziova
insignis e Barbosa pseudococos. Todas as outras es-
pecies, ainda jovens, foram aqui collocadas. parte
ainda em vasos, para completar a respectiva colle-
cção. Além dellas existem já no horto varios exem-
plares de Cocos romanzoffiana, entre elles uns espe-
cimens bem fortes. A Geonoma schottiana interessa
pelas suas folhas largas, empregadas pelos colonos,
muitas vezes, para cobertura de casas; emquanto os
troncos delgados de (reonoma elegans servem de
bengalas.
No pequeno prado confinante à lagôa, acima
referida, encontra-se actualmente meia centena, mais
ou menos, de plantas aquaticas e pantanosas, achando-
se entre ellas as mais bonitas plantas do nosso jar-
dim.
Hedychium coronarium, de flores brancas e
amarellas, esta representado por muitos exemplares,
alcançando 1,80 m., emquanto o sólo ainda está fer-
tilizado pelo adubo; mais tarde chega a alcançar
ainda 1 metro. Estas plantas densamente agrupadas
agradam pela verdura fresca das suas folhas, até
durante a secca e o cheiro tão delicioso das suas
flores, as quaes são procuradas à noite, frequente-
mente. por Sphingidos. Depois de morrerem os cau-
les durante o inverno, brotam as raizes novamente
no mez de agosto e setembro.
De Philcdendron simsii, com as suas folhas
grandes e verde-escuras, existe uma duzia de exem-
plares; a “Fabia” Tvpha dominguensis, em me-
nor numero; varias Cyperaceas, entre ellas o im-
ponente Cyperus princeps, algumas Gramineas e
Compostas, bem como a alta Lobelia exaltata; de
Samambaias Biechnum serrulatum e tabulare; de
“ricauliaceas varios exemplares de Ericaulon kun-
thi, que crescem bem na sarapieira; algumas Jun-
caceas e Onagraceas. Em um vaso chato acham-se
Utricularias, em outro Herpestes salzmanni, em ou-
Er 305 PS
tro o Myriophyllum brasiliense, em um quarto uma
Gentianacea Limnanthemum humboldtianum, com
flores pequenas, brancas, mas muito delgadas e fo-
lhas arredondadas e fluctuantes. Em outros vasos-
encontram-se a Pontederia cordata e ovalis magni-
fica, Eichhornia azurea e speciosa, Echinodorus pa-
niculatus e brevipedicellatus, uma Commelinacea
Floscopa sp., com flores de côr rosea e uma ter-
ceira Pontederinacea Hetheranthera reniformis, que
não póde comtudo ser comparada às Pontederias
legitimas. Um leigo não a tomaria por parente da-
quellas, tendo folhas apenas de poucos centimetros
de comprimento, um tanto reniforme e flores hu-
mildes, pequenas e claras. E, finalmente, uma Bu-
tomacea Hydrocleis martii, que reconhece a fertili-
zação pelos detrictos. desenvolvendo em seguida flo-
rescencia abundantissima. Confinante ao prado acha-
se um grupo maior de Eryngium aloifolium, desen-
volvendo caules de flores até um metro e meio de
altura, estando o sólo bem adubado.
Na vizinhança do prado estão plantadas, em va-
sos, varias outras plantas aquaticas, na maioria miu-
das, camo a Lemna, Salvinia, Azolla e outras, como
tambem a Pistia stratiotes, com as suas bonitas ro-
setas de folha, em logar um pouco umbroso, cor-
respondendo melhcr a seu desenvolvimento natural.
A agua conserva-se assim mais fresca, quasi não
apparecendo algas verdes, prejudicando pelo menos
as plantinhas mais frageis.
Para evitar a procreação dos mosquitos, cria-
mos nos vasos os peixinhos “ Guarú-Guarú ”, Hete-
randria januaria. Apezar disto, encoutram-se muitos
mosquitos, pelo menos nos mezes quentes. Elles pro-
vêm das varzeas dos pequenos rios Tamanduatehy
e Ypiranga e, por conseguinte, será difficil exter-
minal-os.
Sobre a região de campo, não vale a pena nos
perdermos em detalhes. Dispomos geralmente, como
acima já mencionamos, de um operario só, sobre-
carregado durante o verão e sómente durante o in-
verno livre para outros serviços, de modo que o
— 306 —
aperfeiçõamento do jardim botanico progride muito
devagar. | lastimavel, porque o campo contém um
erande numero de plantas de bellas flores, que re-
unidas em logares limpos, impressionariam muito
agradavelmente. I'ma plantação de Gactaceas em
uns rochedos pequenos artificiaes, fui, por falta de
pessoal, abandonada ; outras plantações de Piteiras e
Ananazes na região do campo, pela mesma razão,
podem apenas ser tratadas insufficientemente.
Até agora encontram-se no horto cerca de 50 dif-
ferentes especies de plantas, que se cultivam aqui no
Brazil. Com uma verba um tanto maior seria pos-
sivel, completar esta collecçäo utilissima. Não ra-
ras vezes, viajantes de nltra-mar visitam o Museu,
desejando conhecer em natureza as mais valiosas
plantas cultivadas de nosso paiz, pois, por falta de
tempo, não pódem fazer visitas aos outros institutos.
Especialmente esta parte do horto botanico, em que
as plantas uteis estão reunidas em pequeno espaço,
conforme o seu emprego ( plantas fibrosas, farinho-
sas, assucareiras etc. ), deve interessar a qualquer
pessoa. Dois braços apenas, não pôdem, porém, rea-
lizar milagres.
Depois de assim delinear a planta e organiza-
ção geral do horto Bctanico, resta-nos accrescentar
varias observações isoladas.
Encontram-se aqui, além de muitas outras plan-
tas, de 10) especies de fétos, entre elles, 17 Cya-
thaceas; vinte Cactaceas, provenientes da Bahia,
Santa Catharina, S. Paulo e Rio Grande do Sul;
16 Marentaceas, 15 Araceas, 7 Bambusaceas, cr. 7()
arvores, etc., etc..
As plantas da costa do mar são representadas
velos Cereus pitataya, commum à beira mar no Gua-
rujá e vivendo facilmente tambem em nosso clima
secco ; dá annualmente prazer pela roupagem das
suas flóres grandes e brancas.
Cultivamos as plantas de mangue seguintes: Hi-
biscus tiliaceus, Acrostichum aureum, Crinum atte-
nuatum, uma Cyperacea e uma Graminea. Tambem
estas plantas crescem bem aqui, apesar da falta do sol.
Ao passo que a principio não existiam Bam-
busaceas indigenas no hortc, hoje ahi se encon-
“tram já 9 especies. A Guadua distorta “ Taquara-
assû ” espinhosa. provem da Serra da Cantareira,
outra, menos forte, Bambusa tagoara “ Tagoara”,
transplantamol-a do Bosque da Saúde. Ambas se
tesenvolveram magnificamente. florescendo durante
o verão 1916/17 e estão actualmente agonizando.
A Tagoara merece interesse especial por ser-
virem os seus colmos de abrigo às largartas da bor-
boleta nocturna Myelobia smerintha (Iam. Pyra-
lidae). O ex-custcs deste Museu, Sr. Rod. von
Ihering, publicou valioso artigo sobre a bivlogia
deste lepidoptere. A borboleta pardacenta, barriguda
e bastante grande é conhecida de todos os paulistas
por esvoscar em volta dos fôcos electricos. Ao
cahir no sólo, esmagam-n-as os transeuntes nos pas-
selos.
Merecem especial lembrança as “ Urindiuvas ”
Trema micrantha, que alcançam uma altura de 8-10
m. e cuja madeira, leve e branca, emprega-se como
a da Imbaúba no fabrico da polvora, servindo as
suas folhas, como as de Cecropia adenopus, de ali-
mentação para as vaccas. Esta arvore cresce rapi-
damente, tendo, por conseguinte, apenas, ume vida
curta, bem como todas as outras da capoeira. Jus-
tamente neste crescimento rapido consiste o seu
valor, servindo-nos para plantações preliminares, para
o fim de criar em sua sombra, arvores da matta
virgem.
O tempo principal de florescencia é natural-
mente a primavera © o verão. A lista seguinte,
porém, organizada em fins de Junho de 1915, de-
monstra, que o jardim botanico não carece de flores
no inverno.
Em florescencia completa havia :
Pyrostegia venusta Miews.
Rhipsahs reguellii G. A. Lindl.
Barnadesia rosea Lindl.
— 308 —
Epidendron purpureum B. Rodr., como tambem
diversas Orchidaceas epiphyticas.
Salvia splendens Sell.
Bombax longiflorum Schum.
Helicteres sp.
Syphocampylus macropodus G. Dom.
Bougainvillea spectabilis W.
Piper hilarianum Warm.
Floresceram parcialmente :
Tibouchina holosericea Baill.
Tibouchina pulchra Cogu.
Miconia ligustrioides Vaud.
Leandra lacunosa Cogn.
Solanum nigrum L.
Duranta plumieri Jacq.
Lantana trifolia L.
Lantana camara L.
Eantana sellowiana L. et O.
Canna indica L.
Canna warszewiezi Dietr.
Rubus brasiliensis L.
Rubus erythrocladus Meissn.
Rubus rosaefolius Sm. —
Rubus urticaefolius Poir.
Biittneria australis St. Hil.
Mutisia speciosa Hook.
Abntilon venosum Walp.
Abutilon regnellii Mig.
Costus spiralis Rose.
Oxalis rhombeo — ovata St. Hil.
!eliconia bihai Sw.
Fuchsia integrifolia Gamb.
Galactia speciosa D. C.
Calliandra axillaris Benth.
Calliandra santi-pauli Cask.
Erythrina reticulata Prst.
Jacobinia magnifica Lind.
? Galphimia brasiliensis Juss.
Pontederia ovalis Mart.
Além disto, floresceu uma ou outra Begoniacea
e Bromeliacea.
Les Rise
No mez de Agosto, pouco mais ou menos o
mesmo aspecto. Varias especies acabaram de flo-
rescer, sendo substituidas por outras.
A desfolhagem prevalece geralmente no mez:
de junho, dependendo, porém, da respectiva tempe-
ratura. ‘Duas especies de arvores, representadas por
grande numero de exemplares, desfolham-se com-
pletamente : Sapium biglandulosum M. Arg e Ae-
giphila sollowiana Cham ; assim tambem Cedrela fis-
silis Vell., Bombax longiflorum Schum. e Ficus lus-
chnatiana Mig., de maneira que, durante os imezes
frios, o horto mostra-se bastante descalvado. Nem
todos os exemplares da mesma especie desfolham
ao mesmo tempo. Pôdem-se ver, pelo contrario,
muitas vezes, arvores frondosas ao lado de outras
desfolhadas. Assim, differe tambem o brotamento de
primavera por uma a duas semanas. Aqui Aegi-
phila sellowiana começa a enfolhar-se em ultimo
logar, a saber, geralmente em dezembro. Tambem
Schinus terebinthifolius, que se desfolha apenas em
parte, começa a brotar sômenie no mez de novem-
bro. Schizolohium excelsum Vog., uma das arvores
que aqui mais dão na vista, com folhas compostas
de 1 m. e meio de comprimento, fica desfulhada
desde o mez de abril até outubro, isto é, seis me-
zes, mais ou menos. Outras plantas lenhosas no horto
botânico, sujeitas a permuta de folhagem. são : Ery-
thrina reticulata Pers. Jacarandá macrantha Cham.
e J. caroba P. D. CG, Tecoma pediceilata B. e K.
Sch, Pachira insignis Sav., Chorisia speciosa St.
Hil., Enterolobium timbaúva Mart. e uma Bignonia-
cea trepadeira Pithecoctenium echinatum |. Sch.,
“ Pente de macaco ”.
Varias especies que acabamos de citar, como
por exemplo, Bombax longiflorum, Chorisia speciosa,
Pachira insignis, florescem ( desfolhadas ) no inver-
no e, com folhagem, tambem no verão.
Muitas plantas, entre ellas tambem numerosas
arvores e arbustos, crescem devagar durante todo o
anno, descançando apenas em periodos de frio. As
seguintes especies tinham brótos e folhas novas a
1.º de julho de 1914:
Cecropia adenopus Mart.
Genipa americana L.
Schinus terebinthifolius Raddi.
Psidium guayava Raddi.
Lithrae molleoides Engl.
Cordyline sellowiana Kunth.
Alchornea sidaefolia M. Arg.
Alchornea cordifolia M. Arg.
Tibouchina pulchra Cogn.
Tibouchina holosericea Baill.
Abutilon regnelli Mig
Abutilon venosum W alp.
Hymenaea stilbocarpa Heyne.
Ruellia longifolia Gries.
Cascaria silvestris Sw.
EPILOGO
Até agora nunca esteve o horto botanico no
Ypiranga franqueado, como acima dissemos, ao pu.
blico. Para o fazer, deviamos concluir a sua orga-
nização definitiva. Este fim, conseguir -se-á augmen-
tando o pessoal com um segundo jardineiro e assim
mesmo decorrido um anno. O logar deste empre-
gado devia ser permanente, para conservar o jardim
melhor de que até agora.
Ao principio bastará franquear o horto ao pu-
blico, uma vez, semanalmente, nas horas de expe-
diente do Musen, isto é, nas segundas ou quintas
feiras. Nestes dias não se trabalhará no horto,
funccionando os respectivos jardineiros como guar-
das. Para o publico seria mais vantajoso o domingo
como dia de visita. Neste caso, porém, devem-se
empregar guardas especiaes, não se podendo esperar
que os jardineiros, depois de trabalhar todos os dias
uteis, sirvam tambem aos domingos. O caso seria
differente, si os referidos empregados recebessem
uma gratificaçäo regular, ou si o Governo mandasse
policial-o por soldados da Guarda Civica.
A entrada devia ser permittida apenas a crian-
ças e rapazes, que estejam em companhia dos paes
ou tutores. Um horto botanico não é um logar de
divertimento, e sim, um campo de instrucção e de
Museu, em Outubro de 1917.
eysi[ned nosni Op odluriog OOH op sojedsy
Catalogo das Vespas Sociaes do Brazil
PELO
Dr. Adolpho Ducke
NATURALISTA DO MUSEU GOELDI
ti : , ; e: 4 1.4 ix ie A + ens
RON ae aria € à A NE RE
y f ' LAN Da) ur
ae”
i
Li é
‘ …
L cd
2
|
y
Cr ?
Ur »
pa ur
| ‘ é
RR 4 ca
rain 4
| a
| ‘ 7 ‘
2 A
ADA
hs ‘
‘s A t
he » a Ss
L PERDE Ar |
+
d ) , “
a, *
Catalogo das vespas scciaes de Bran
amem mm
Enumeração dos generos, das especies, das princigaes subespécies
Por Adolpho Ducke
As vespas sociaes ou vespinas ( Vespinae) con-
stituem uma subfamilia perfeitamente natural dos
vespideos ( Vespidae), ligada estreitamente à das
vespas solitarias ou eumenidinas ( Eumenidinae ) e
na qual, sem duvida alguma, devemos procurar sua
origem phylogenetica. Esta hypothese justifica-se |
pela evolução gradual (nos caracteres morpholo-
gicos como ethologicos) em que varios generos de
vespas sociaes succedem a generos de vespideos
solitarios, e pelas formas de transição como Jschno-
gaster e outros generos que ainda vivem no velho
continente.
O paiz mais rico em vespas es no mundo
inteiro, é o Brazil, e sua fauna já esta bastante bem
estudada, ao ponto de talvez não haver, neste Paiz
grupo algum de insectos (com exclusão das bor-
boletas diurnas ) melhor conhecido que estas vespas.
O quadro seguinte mostrará a distribuição geogra-
phica das 120 especies bem averiguadas que habitam
o Brazil:
Antilhas; Continente americano, dos E. U. da
America até as dan medianas da R. Ar-
gentina LU 1
Antilhas; Continente americano “do Mexico até
a zona subtropical austral. . . . a
Continente americano, da zona subtropical bo-
real até as partes medianas da R. Argentina. 1
Do Mexico ou da America Central ( exclusive
Panama) até as partes medianas da R.
PR east Cine DEN CAM oo US UM ARR ERP PR RA
— 316 —
Do Mexico ou da America Central ( exclusive
Pananä ) até a zona subtropical austral. . 13
Do Mexico ou da America Central ( exclusive
Panamá) a região tropical austral . . . 4
Do Mexico ou da America Central te
Panasnã:)- ate a. Amazonia © NC ex
Das Republicas de Panama, Colombia ou Ve-
nezuela atè as partes medianas da R. Ar-
gentina . . à atte APTE MAT ONE
Das Republicas de Panamá, “Colombia ou Ve-
nezuela até a zona subtropical austral. . 4
Das Republicas de Panama, Colombia ou Ve-
nezuela até a região tropical austral . . 7
Das Republicas de Panama, Colombia ou Ve-
nezuela à Amazonia. . . : 10
Da Amazonia e Guyana até as partes medianas
da R. Argentina. . . 1
Da Amazonia e Guyana até a zona à subtropical
ANSE Make Ape E : 3
Da Amazonia e Guyana até a região tropical
austral MEP PR ao VARA PR PAR NEIL A A
Amazoma e Cyan. Mest soe oul ane eee
Amazonia superior e inferior: Si caquee een ee ee
Parte Norte da Amazonia inferior e Guyana. 3
Amazonia ‘terior FO OM alah Megat ieee RES
Amazonia superior MOS els ci
Regiäo tropical e subtropical RE ae tee
Regiäo tropical re australis er |). É:
Do Mexico, no hemispherio boreal, e da re-
giao subtropical e temperada do h. austral. 4
As duas principaes faunas que existem no Bra-
zil são a da Amazonia, e a do Brazil central e me-
ridional, exclusivamente à primeira pertencem 53
especies; exclusivamente à segunda 14; e 53 es-
pecies são communs a ambas.
A fauna amazonica, a mais rica do mundo,
acha-se uniformemente distribuida pela immensa pla-
nicie do Rio Mar, sendo, porém, não poucas as es-
pécies que occorrem sómente na parte occidental
(ao oeste do Rio Negro) ou na parte oriental da
região, do que resulta uma divisão natural dessa
féun2 em duas subregides principaes: a da Amazo-
nia superior e a da Amazonia inferior. Tres espe-
cies, limitadas (segundo os nossos conhecimentos
actuaes ) à parte norte da baixa Amazonia, occor-
rem desde a margem esquerda do Amazonas infe-
rior até as coionias européas das Guyanas, onde,
aliäs, encontramos uma fauna geral quasi identica
com a do iorte do baixo Amazonas. Numerosas es-
vécies ainazonicas penetram nos valles orientaes
quentes da Cordilheira dos Andes, e inuitas sobem
ao sul. até o planalto central de Matto Grosso, mis-
turando-se aqui com a fauna meridional. Falta-nos
ainda conhecer a fauna do extenso valle do Tocan-
tins e não sabemos até que latitude chegará ahi a
fauna amazonica; a leste desse importante rio, esta
fauna abrange ainda a parte norte do Estado do
Maranhão, porêm, mais ao sul, o clima progressi-
vamente mais secco determina o desapparecimento
das mattas pluviaes e, com estas, o das especies ty-
picamente amazonicas de insectos.
No Estado do Ceará, centro da região secca
do nordeste do Brazil, encontram-se no meio de uma
fáuna de vespas excessivamente pobre, as primeiras
especies meridionaes. Kista região sêcca do meio
norte, coni asua fauna rica em outras familias de hy-
menopteros, caracteriza-se, quanto às vespas sociaes,
só negativamente, pela ausencia de muitas especies
frequentes em todo o resto do paiz; nas serras hu-
midas, o numero das especies é maior do que nas
adustas planicies sertanejas, mas o accrescimo é de-
vido a especies espalhadas por todas as regiões de
matta, do sul e do norte do paiz. Nada sabemos
ainda sobre a fauna dos Estados do Rio Grande do
Norte, Parahyba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe,
e só podemos suppodl-a uma continuação da fauna
da Bahia, provavelmente ainda empobrecida pela au-
sencia das especies ligadas a clima mais -humido.
Do Estado da Bahia, vasto e de variado aspecto,
existem principalmente collecções antigas, recolhidas
a museus extrangeiros, ao passo que nos Estados do
Espirito Santo e de Minas Geraes, collecções mo-
— 318 —
dernas nos museus brazileiros. Todavia, as mattas
tropicaes destes Estados e mesmo do Rio de Janeiro
e do littoral de São Paulo, podem muito bem ainda
abrigar especies novas para a sciencia, ao passo
que o planalto de São Paulo e as partes limitro-
phes de Minas Geraes e do Sul de Goyaz já pare-
“cem bem explorados. No Noroeste do Estado de
São Paulo a fauna ostenta ainda o caracter tropical,
porém, mais ao sul, as fórmas tropicaes vão aos
poucos desapparecendo, alcançando no emtanto algu-
mas a parte norte do Rio Grande do Sul. As col-
lecções feitas pelo sr. A. W. Bertoni, no Paraguay,
proximo à fronteira do E. do Parana, orientam-nos
sobre a fäuna subtropical do oeste dos Estados me-
ridionaes do Brazil.
Examinei 118 espécies brazileiras; 2 ( Synoe-
coides moesdryt e Mischocyltarus tapuya ) são-me
conhecidas sómente pelas descripções; 11 espécies
insufficientemente descriptas talvez pertençam todas
à synonymia de espécies conhecidas sob outros no-
mes,
Literatura
( Das obras enumeradas no “ Catalogus hyme-
nopterorum ”, de Dalla Torre, cito sómente aquellas
que contêm dados importantes sobre a distribnição
geographica das espécies. )
1. Blanchard: Metamorphoses, mœurs et instin-
cts des insectes. 1868.
2. Bertoni, A. W.: Contribusién à la biologia
de las avispas y abejas del Paraguay. An.
Mus. Nac. Buenos-Ayres (3), XV, 1911,
p. 97 -- 146.
3. Bréthes, J.: Contribucién al estudio de los
. véspidos argentinos. An. Mus. Buenos-Ay-
res (3) J, 1903, p. 412 -- 418.
4. Bréthes. J.: Véspidos y eumenididos sudame-
ricanos (nuevo suplemento ) Ibidem (3)
VI, 1906, p. 311 -- 377.
Ÿ
-
Or
=)
20.
Buysson, R. du: Le nid de Polybia phthisica.
Bull. Soc. Entom.. France, 1899, p. 129.
Buysson, R. du: Espèces nouvelles d’hymé-
noptères. Ibidem 1904, p. 144 -- 146.
. Buysson, R. du: Espèce nouvelle de vespides.
Ibidem, 1905, p. 126 -- 127.
Buysson, R. du: Monographie du genre Ne-
ctarina. Ann. Soc. Entom., France, 1905,
p 937 -- 566.
Buusson, R. du: Monogr. des genres Apoica
e Synoeca. Ibidem 1906, p. 333 -- 360.
. Buysson, R. du : Hyménoptères nouveaux. Re-
vue d’Entom., 1908, p. 207 - 219.
. Buysson, R. du: Vespides et Chrysidides, em :
Embrik Strand, Ilymenopterenfauna von
Paraguay. Zoolog. Jahrbiicher XXIX, 1910,
p. 231 -- 241.
. Cameron, P.: Vespidae, em: Baker, Inverte-
tebrata Pacifica, Santiago de las Vegas
( Cuba), 1904 -- 07.
Cameron, P.: Descript. of new spec. of neo-
trop. Vespidae. Zeitschr. system. Hymen.
Dipter. VI, 1906, p. 380 -- 385.
. Caineron, P.: On. some neotropical Vespidae.
The Entomologist, 1906, p. 191 -- 155.
. Dalla Torre: Cataiogus hymenopterorum, ete.
IX, 1894.
. Dalia Torre: Fam. Vespidae, em: Wytsman,
Genera Insectorum, fasc. 19, 1904.
. Duche, A.: Sobre as Vespidae sociaes do Pará.
Boletim Mus. Pará, IV, fasc. 2-- 3, 1904,
p. 317 -- 374.
. Ducke, A.: Nouvelles contrib. à la connais-
sance des vespides soc. Revue d'Ertom.,
1905, p. 5 -- 24.
. Ducke, A.: Sobre as Vespidae etc., supple-
mento. Boletim Mus. Pará IV, fase. 4,
1905, p. 652 -- 698.
Duche, A.: Contrib. à la connaissance de la
faune hymén. du Brésil central et meridio-
nal. Revue d'Entom. 1906, p. 5 -- 11.
os 320 —
21. Duche, A.: Novas contribuições para o conhe-
25
cimento das vespas da regiäo neotropical.
Boletim Mus. Parä V, 1907, p. 152 -- 199.
2. Duche, A.: Contr. à la connaiss. de la faune
hymeén. du Nord -- Est. du Brésil. Revue
VEntom., 1907, p. 73 — 96; 1908 p. 57 —
87; 1910, p. 18 — 122.
3. Duche, A.: Beitrige zur Hymenopterenkunde
Amerikas. Deutsch. Ent. Zeitschrift 1908,
p. 695- 700.
Duche, A.: Deux vespides nouveaux du Mus.
Nat. Hungrois Ann. Mus. Nat. Hungar.
VII. 1909) p. 626.— 627,
Duche, A.: Révision des guépes sociales po-
lygames @Amérique. Ibidem, VIII, 1910,
p. 449 -- 544.
25.2 Duche, A.: Zur Synonimie ei niger Hymeno-
pteren. Deutsch. Ent. Zeitschr., 1915, p.
330 -- 333.
25.» Duche, A.: Uber Phylogenie und Klassifica-
26.
dO
1
30.
Ma
tion der sozialen Vespiden. Zool. Jahrb.
System. XXXVI, 1914, p. 305 -- 330.
Fox, W. J.: Contrib. to a knowledge of the
Hymen. of Brasil, 9.1 parte, Vespidae.
Proc. Acad. Nat. Sciences of Philadelphia
HI, 1898, p. 445 -- 460.
Gribodo, J : Contribazioni imenotterologiche
n. 4, Bull. Soc. Entom. Ital. 1891, p. 242 --
300. ,
Gribodo, J.: Wymenopterorum novorum dia-
gnose. Miscellanea Entom. IV, 1896.
29. Ihering, R von: Contr. à l'étude des vespi-
des. Ann. Soc. Entom. France 1903, p.
144 -- 155.
Iheriag, R. van: As vespas sociaes do Brazil.
Revista do Museu Paulista VI, 1904, p.
97 — 302:
Kirby: Journal of the Linnean Society Lon-
don XX, 1894, p. 941.
40.
41.
pe
to
. Meade Waldo, J : New species of diploptera
in the coll. of the British Museum. Ann.
and magazine of nat. hist. (8) VII, 1941,
Dio ye Lise
. Saussure, H. de: Etudes sur la fam. des ves-
pides IT, 1853.
. Schrottky, C.: Neue argentin, Hymen. Anal.
Mus. Buencs-Aires (3) 1, 1992, p. 91 -- 117.
. Schuz, W. A.: Krit. Bemerk. z. Hymenope-
terenfauna d nordorstl. Südamerika. Ber-
liner. Entom. Zeitschr. 1903, p. 293 -- 262.
Schulz, W. A.: Materialien z. einer Hyme-
nopterenfauna der nestindischen Inseln. Si-
Sitzungsb. bayer. Akad. d. Wissensch.
XXXII, 1904, p. 451 -- 488.
. Schulz, W. A.: Hymen. Arnazoniens. Ibidem.
Da nb Sae:
. Schulz, W. A.: Hymenopteren--Studien, 4905,
Schulz, W. À.: Spolia hymenopterologica,
1906.
Schulz, W. A.: Alte Hymenopt. Berliner En-
tom Zeitsch 1907, p. 303 -- 333.
Zavattarr, E.: Descrizione di due nuove specie
di Vespidi dell’ Amer. merid. Boll. Mus.
7001 anatom. Univers. Torino XXI, 1906,
D. 925.
2. Zavattari. H.: ‘Viaggio del dr. Enrico Festa
nel Darien, nelPEcuador e regioni vicine.
Diploptera. Ibidem XXI, 1996, n. 529.
3. Zavattari, E : Une nouvelle guépe sociale po-
lygame du Brésil. Ann. Mus. Nat. Hun-
gar. IX, 1911, p. 343 -- 344.
D. ——
322
Indice Systematico
Familia VESPIDAE
Sub-Familia Vespínae ou Vespidae socrales-
A) Polygainae.
1.º Genero Pseudochartergus Ducke
UR ees Charterginus Fox
STOPS Protopolybra Ducke
AIRES Protonectarina Ducke
E at, Nectarma Shuckard
Lp Coad Chartergus Lepeletier
asia e Clypearia Saussure
Oi > Synoeca Saussure
Do » Melapolybia Ducke
LOS Synecoides Ducke
ss ara Tatua Saussure
Rd ey Polybia Lepeletier
RS rte Apoica Lepeletier
AA TS Gymnopolybia Ducke
lH 48 Stelopolybia Ducke
PO Foy Pseudopolybia Saussure
ER ae Parachartergus R. v. lhering
BSN aes Leipomeles Moebius
B) Monogamae
19° Genero Mischocyllarus Saussure
20.0 Genero Polistes 1 atreille
Familia. VESPIDAE
Subfamilia VESPINAE ou VESPIDAE
SOCIALES
A) Polygama
1 genero Pseudochartergus Ducke 1905
1. PSEUDOCHARTERGUS CHARTERGOIDES ((Gyib.)
Nectarina charlergoides Gribodo 1891
Coba chartergoides KR. von Jhering 1904
729 toe
Pseudochartergoiies Ducke 1905
Charterginus cinctellus Fox 1898
Charterginus cinctellus KR. von Ihering 1904
Chartergus acutiscutis Cameron 1907
Chartergus panamensis Zavattari 1906.
Distrib. : (*) Honduras britannico (25), Panama
(25) Perú oriental subandino, Bolivia andina ( Nor-
deste), Guyana (27), Amazonia superior interior
(25), Maranhão (25), Matto Grosso central ( 26 ).
Mus. Paul. : E do Amazonas, Rio Juruá; E.
do Pará. posto fiscal da fronteira no Oyapoc; Perú
Marcapata ; Bolivia, Yungas de La Paz, ( com ninho ).
2. PsEUDOCHARTERGUS FUSCATUS (Fox)
Charterginus fuscatus Fox 1898
Charterginus fuscatus R. von Ihering 1904
Pseudochartergus fuscatus Ducke 1905
Distrib. : Amazonia superior e inferior (25)
Mus. Paul: E. do Pará, Belém.
2 genero Charterginus Fox 1898
Hypochartergus Zavatiari 1906
3. CHARTERGINUS FULVUS Fox 1898.
CHARTERGINUS FULVUs R. von lbering 1904.
CHARTERGINUS FULVUS Ducke 1904.
Distrib.: Amazonia superior e inferior (25),
Perú oriental subandino.
Mus. Paul: E. do Pará, Belém; Pert, Mar-
capata ( com ninho ).
4 CHARTERGINUS HUBERI Duke 1904.
Distrib.: Ladc Norte do baixo Amazonas (25)
Guyana (25).
Mus. Paul: E. do Pará, posto brasileiro no
Oyapoc.
(*) Os numeros entre parenthesis indicam as obras ci-
tadas ; (A) refere-se ao appendice no fim deste catalogo.
3 2)
3 genero Protopolybia Duche 1905
D. PROTOPOLYBIA EMORTUALIS ( Sauss )
Chartergus emortualis Saussure 1855.
Protopolybia emortualis Ducke 1907,
Charlergus rufiventris Dacke 1904.
Protopolybia rufiventris Ducke 195.
Charterginus duche: Buysson 1905.
Distrib. : Guyana, Amazonia superior e infe-
rior (25), Bahia ( 29 ).
Mus. Paul.: Guyana hollandeza; E. do Para.
Obidos. |
6. PROTOPOLYBIA NITIDA Ducke
Chartergus nitidus Ducke 1904.
Proto polybianitida Ducke, 1905.
Distr.: Guyana (25), Lado Norte do baixo
Amazonas (25), Perú oriental subandino
Mus. Paul: E. do Pará, Obidos ; Peru, Pachitea.
7. PROTOLYBIA BELLA (R. Ih.)
Polybia bella R. von Ihering 1903.
Protopolybia bella Ducke 1905.
Polybia cameranw Zavatari. 1906.
Distr.: Republica do Panamä (25), Guyana,
Amazonia superior (29). |
Mus. Paul. : Guyana hollandeza.
8. PROTOPOLYBIA SEDULA ( Savss. )
Polybia sedula Saussure 1855.
Protopolybia sedula Ducke 1910.
Polybia ininutissima R. von Ihering 1904 (ex
parte ).
Protopolybia minutissima Ducke 1905.
Polybia pumila Saussure 1X63.
Protopolybia punctulata-Ducke 1907,
8-a PROTOPOLYBIA SEDULA EXIGUA (Sauss.)
Polybia exiqua Saussure 1852.
Polybia diligens F. Smith 1897.
Polybia palmarum Blanche yd 1868.
—a 325 ==
Distr. : (typo sub-espécie, que se confundem )
America Central (25), R. de Panamá (42), Perú
oriental subandino, Guyana, Amazonia superior e in-
ferior (25), E. do Maranhão (22), Ceará (22), Ba-
hia (33), Goyaz (33), Espirito Santo, Minas Geraes,
São Paulo, Santa Catharina (25), Paraguay (25).
Mus Paul. : Guyana hollandeza. Guyana fran-
ceza, La Mana; Perú, Pachitea; E. do Amazonas.
Rio Juruá; E. do Para, Belém; E. do Espirito
Santo; E. de Minas Geraes, Ponte Nova, Caxambu ;
E. de São Paulo, Os Perús, Rio Feio, Franca, Jun-
diahy, Sorocaba, São Sebastião, Ypiranga, Estação
Rio Grande, Campinas, Campos do Jordão, Piquete.
— À subspecie exigua é répresentada em exempla-
res bem caracteristicos do Rio Juruá e de Belém
do Pará; menos typicos são exemplares de Ypi-
ranga, Sorocaba, Jundiahy, Piquete e São Sebastião.
Um grande numero de ninhos.
9. PROTOPOLYBIA MINUTISSIMA (Spin).
Polistes (Rhopalidia) minutiss‘ma Spinola 1851,
Polybia minutisssima Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904, (ex-
parte.)
= == Zavattari 1906.
Protopolybia — Ducke 1910.
Polybia binominata W. A. Schulz 1906.
Distr.: R. de Panamá (25); Equador oriental
andino ou subandino, -Quixos (33) Guyana hollan-
deza; Guyana franceza, Oyapoc, fronteira do Bra-
al (25).
Mus. Paul. : Guyana hollandeza.
10. PROTOPOLYBIA LABORIOSA (Sauss )
Polybia laboriosa Saussure 1853.
Protopolybia laboriosa Ducke 1910. |
Protopolybia rugulosa Ducke 1907.
Distr. : Mexico (33); Amazonia superior.
Mus. Paul. : E. do Amazonas, Teffe.
11. PROTOPOLYBIA HOLOXANTHA Ducke.
Polybia holoxantha Ducke 1904.
Protopolubia holoxantha Ducke 1905.
Distr.: Guyana; Rio Negro, Barcellos (25);
Amazonia superior ? (25).
Mus Paul.: Guyana franceza, La Mana; E:
do Pará, posto fiscal da fronteira no Oyapoc.
4.º genero: Protonectarina Duche 1910
12. PROTONECTARINA SYLVEIRAE (Sauss.)
Polybia sylveirae Sauss. 1853.
— — R. von Ihering 1904.
Protonectarina sylveirae Ducke 1910.
Polybia enxuy K. Smith 1863.
Distr. : Estado do Ceara (25), Goyaz, Minas
Geraes, Rio de Janeiro (26). Sao Paulo, Rio Gran-
de do Sul; Paraguay (25); Ncrdeste da Republica
Argentina, Misiones (4).
Mus. Paul.: E de Goyaz, ta. Rita de Antas;
E. de Minas Geraes, Ponte Nova, Pocos d= Caldas ;
E. de Sao Paulo, Piquete, Franca, Rio Feio, Ita-
pura, Campos do Jordão; E. do Rio Grande do Sul.
( Varios ninhos ).
5.º genero: Nectarina Shuckard 1840.
Milissaia White 1841.
Neciarina Guerin 1845.
-— Saussure 1853.
Brach:gastra Perty 1833 (não Leach ete.).
Caba KR. von Ihering 1904.
13. NECTARINA SCUTELLARIS ( É. ).
Vespa scutellaris Fabricius 1804.
Brachygastra scutellaris Perty 1833.
Chartergus scutellaris Moebius 1856.
Caba scutellaris R. von Ihering 1904.
Nectarinia scutellaris Ducke 1906
Brachygastra scutellata Spinola 1851.
Nectarinia scutellata Saussure 1853.
‘Nectarinia rufiventris Saussure 1853
Caba ruficentris R. von Ihering 1904.
Distrib : Colombia (8), Perú oriental suban-
“dino, Guyana, Amazonia superior e inferior (25),
Maranhão (25), Piauhy (8). Rio de Janeiro ( 25).
Mus. Paul: Guyana ingleza. Bartica; Guyana
franceza, Cayenna; E. do Pará, Obidos ; Perú, Mar-
capata.
14 NECTARINA BILINEOLATA ( Spin. ).
Brachygastra bilineolata Spinola 1851.
Nectarinia bilineolata Saussure 1853.
Caba bilineolata R. von Ihering 1904.
14-a. NECTARINA BILINEOLATA MOEBIANA
( Sauss ).
Nectarinia moebiana Saussure 1867.
14-h. NECTARINA BILINEOLATA SMITHI (Sauss.)
Nectarinia smitha Saussure 1853
Caba smitht R. von Ihering 1 1904
Caba bilineolata var. fasciata KR. von Ihering:
Distr. : Forma typica: Colombia (8), Guyana
(8), Amazonia inferior (25), Goyaz (8), Matto Gros-
so (8, 26). — Subsp smith: : Guyana, Amazonia su-
perior e inferior (25), Piauhy (25). Subsp. moe-
bana: Guyana (8), Amazonia seperior e inferior
(25), Rio de Janeiro (25), Santa Cathariza (25).
Mus. Paul.: Forma typica: E. do Para, Obi-
dos. Subsp. smithi: Guyana hollandeza; Guyana
franceza, Cayenna ; E. do Amazonas, Tabatinga, Rio
Juruá.
15. NECTARINA BUYSSONI Ducke 1405.
Distr. : Amazonia superior (25).
16. NECTARINA LECHEGUANA (Lalr.)
Polistes lecheguana Latreille 1824.
Nectarima lecheguana Saussure 1853.
Caba lecheguana KR. von Ihering 1904.
Brachygastra analis Perty 1833.
Polistes meliificus Say 1827.
— 328 —
Chartergus sericeus Moebius 185€.
? Vespa sericea Fabricius 1801.
Brachygastra aurulenta Erichson 1848.
Brachygastra velutina Spinola 1841.
Chartergus arizonaensis Cameron 1907.
Chartergus centralis Cameron 1907.
Chartergus aztecus Cameron 1907.
Nectarina cameront Meade Waldo 1911.
Nectarimu binotala Saussure 18 ,3.
Caba borelli Zavattari 196.
Distr.: America do Norte, Arizona (25); Me-
xico (8); Guatemala (8); Panamá (42); Colombia
(8); Venezuela (8); Equador occidental (8); Guya-
na (53); Amazonia superior e inferior (25); Mara-
nhão (25); Ceará (22); Bahia (8); Goyaz (8);
Matto Grosso (8, 26); Minas Geraes, Espirito San-
to, Rio de Janeiro. São Paulo, Santa Catharina (8) ;
Rio Grande do Sul; Paraguay (8); Uruguay (8);
Republica Argentina até Buenos Aires.
Mus Paul: E. do Ceara; E. do Espirito Santo ;
E. de Minas Geraes, Caxambú; Rio de Janeiro;
E. de Sao Paulo; Ypiranga, Itapura, Campo Bello,
Franca, Campos do Jordão; Rio Grande do Sul;
Buenos Ayres. ( Varios ninhos ).
17. INECTARINA AUGUSTI Sauss.
Neclarinia august: Saussure 1853
Caba angusti R. von Ihering 1904
Chartergus amazonicus Cameron 1906
Distrib. : R. de Panamá (8); Venezuela ; Perú ;
Bouivia; Guyana (8); Amazonia superior e inferior
(25); Goyaz (8); Matto Grosso (8,26): Minas
Geraes (20); São Paulo; Paraná; Rio Grande do
Sul (8); Paraguay (8).
Mus Paul. : Guyana holandeza ; Venezuela, valle
do Naricual ; Perú; Bolivia; E. do Amazonas, Teffé,
Rio Juruá; E. Goyaz. Sta. Rita de Antas; E. de
São Paulo, Jundiaby, Franca, Itapura; E. do Pa-
rand, Ourinho. ( Varios ninhos ).
6. genero: Chartergus Lepelletier, 1836.
18. CHARTERGUS CHARTARIUS (Ol).
Vespa chartaria Olivier 1791.
Chartergus chartarius Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904.
— — R. von Ihering 1904.
Vespa artifex surinamensis Christ. 1791.
Vespa nidulans Fabricius 1793.
Epipona nidulans Latreille 1802.
Chartergus nidulans Lepeletier 1836.
Vespa chartifex Vallot 1802.
Chartergus tuberculatus Cameron 1907.
Chartergus globiventris Saussure 1853.
Distrib. : Guyana (25); Amazonia superior e
inferior (20); Maranhão (27); Goyaz, Matto
Grosso (26); Micas Geraes; Norte da Republica
do Paraguay (2).
Mus. Paul.: Guyana franceza, Cayena ; E. do
Amazonas, Rio Juruá; Alto Purús, Manaus; E. do
Pará, Santarem, Belém ; E. de Minas Geraes ; Fru-
etal, Goyaz (varios ninhos).
7.2 genero: Clypearia Saussure 1853
19. CLYPEARIA APICIPENNIS ( Spen. ).
Polistes apicipennis Spinola 1851.
Polybia (Clyperia) apicipennis Saussure 1853.
— — — R. von Ihering
1904.
Clypearia apicipennis Ducke 1905.
Distrib: Valle alluvial do baixo Amazonas nos
municipios de Alemquer, Obidos e Faro ( A. ).
Mus. Paul: E. do Para, Alemquer.
20. CLYPEARIA ANGUSTIOR Ducke 1916.
Distrib : Minas Geraes (25), Rio de Janeiro (25).
9º genero: Synoeea Saussure 1853
21. SYNOECA SURINAMA ( L.).
Vespa surmama Linneu 1767.
Synoeca surinama Saussure 1853.
Vespa cyanea Fabricins 1775.
Epipona cyanea Haliday 1837.
Vesp? nigricornis Olivier 1791.
Polistes coeruleus Fabricius 1804.
Synoeca violacea Saussure 1852,
Synoeca ultramarina Saussure 1852.
Sijnoeca azurea Saussure 1852.
Distrib: Mexico (9), Honduras (9), Nica-
ragua (9). Costa Rica (9), Panama (9). Colombia
(9), Venezuela (9), Guyana (9), Equador -occi-
dental e oriental (42), Perú, amazonia superior e
inferior (25). Maranhão (22), Matto Grosso ( 36),
Goyaz Bahia (9), Espirito Santo, Minas Geraes (9),
Rio de Janeiro, (9), São Paulo, Santa Catharina.
Rio Grande do Sul, Paraguay ( 25).
Mus. Paul.: Panama, Chiriqui; Guyana hol-
landeza; Perú; E. do Pará, Macapá; E. do Espirito
Santo; E. de São Paulo, Ypiranga, Jundiahy; E.
de Santa Catharina; E. do Rio Grande do Sul;
Govaz, Santa Rita de Antas (varios ninhos).
22. SYNOECA IRINA (Spin).
Polistes vrinus Spinola 185}.
Synoeca wrina R. von lherirg 1904.
Synoeca testacea Saussure 1893.
22-a XYNOECA IRINA CHALYBEA (Sauss ).
Synoeca chalybea Saussure 1853.
= — R. von Ibering 1904.
Distr. : Forma typica: Perú oriental suban-
dino, Bolivia (9), Amazonia superior e inferior (25),
Guyana, Piauhy (9). — Subsp ehalybea: Colombia
(25), Guyana (33), Lado Norte do baixo Amazo-
nas (29).
Mus Paul.: Forma typica: Guyana hollan-
deza; E. do Amazonas, Rio Juruá; E. dé Pará,
baixo Rio Xingú; Perú, Marcapata, Pachitea. —
Subsp chalybea : E. do Amazonas, Manaus.
9.º genero: Metapolybea Duche 1905
23. METAPOLYBEA PEDICULATA (Sauss.).
Polybea pediculata Saussure 1853.
= — R. von Ihering 1904.
Metapolybea pediculata Ducke 1905.
Tatua decorata Gribodo 1896.
Polybea suffusa Fox 1898.
Distr.: Mexico (25), Colombia (38), Bolivia
(25), Guyana, Amazonia superior e inferior (25),
Goyaz, Matto Grosso (26), Ceara (25), Espirito
Santo; Paraguay (2); R. Argentina, Cordoba (A.).
Mus. Paul. : Mexico, Oaxaca; Guyana ingleza,
Baruca; E. do Pará, Rio Anauerapucu (Villanova) ;
E. do Espirito Santo, E de Goyaz, Santa Rita de
Antas,
10.2 genero: Synoecoides Duche 1905
24. SYNOECOIDES DEPRESSUS Ducke 1905
Destrab.: Amazonia superior (25) .
Mus. Paul.: E. do Amazonas, Teffé.
25. SYNOFCOIDES MOCSARYI Zavatar: 1911.
Distrib.: Piauby (43)
11.° genero: Tatua Saussure 1853
26. TaTua TATUA ( Cuvier )
Vespa tatua Cuvier 1797.
Epipona tatua Latreille 1802.
Tatua tatua Dalla Torre 1904.
Vespa morvo Fabricius 1798.
Tatua morio Saussure 1853.
— — R. von Ibering 1904.
aoe CAs
Tatua quadiituberculata Gribodo 1891.
+ guerime Saussure 1893.
Distrib.: Mexico (25), Nicaragua ( 25), Hon-
duras britannico ( 25), Venezuela, Equador oriental
e occidental (42), Perú oriental subandino, Guyana
(33), Amazonia superior e inferior (20), Matto
Grosso ( 26), Goyaz, Espirito Santo.
Mus. Paul.: Venezuela; Perú, Marcapata ; E.
do Amazonas, Rio Juruá; E. do Pará, Obidos ;
E. do Espirito Santo; Santa Rita de Anta, E. de
Goyaz. ( Varios ninhos ).
12.° genero Polybia Lepeletier 1836
21: POLYBIA OCCIDENTALIS (ONA:
Vespa occidentalis Olivier 1791.
Polysea occidentalis Saussure 1853.
—— oe R. von Ihering 1804.
Vespa pygmaea Fabricius 1793.
Polybia p'amaea Saussure 1853.
Polistes parvulus Fabricius 1804.
Myrapetra elegans Curtis 1844.
Polybea albopicta K. Smith 1857.
27-a. PotyBIA OCCIDENTALIS SCUTELLARIS —
(White).
Myrapelra scuteilaris White 1841.
Polybia scutellaris Saussure.
— — R. von Ihering 1904.
27-b PoLyRIA OCCIDENTALIS RUFICEPS (Schrott). —
Polybie ruficeps Schrottky 1902.
27-c POLYBIA OCCIDENTALIS JURUANA (R Ih.).
Polybia juruana KR. von Ihering 1904.
27-d POLYBIA OCCIDENTALIS AECODOMA (Sauss.)
Polybia aecodoma Saussure 1853.
Polybia mexicana R. von Ihering 1904 (não
Sa uss. ).
a DA ere
Polybia flavifrons F. Smith 1857 (subespecie
extra-brazileira.
Polybia spilonota Cameron 1904 (subespecie
extra-brazileira).
Polybia fastidiosuscula nigriceps Zavattari
1906 (subespecie extra-brazileira).
Distr.: Forma typica: Continente americano
entre o Mexico e Buenos Aires, excepto sómente as
regiões das quaes não se conhece ainda nenhuma
especie desta subfamilia (as regiões elevadas das ser-
ras, a costa do Perú, e o Chile). — Suôsp. scutella-
ris: Dos Estados de Minas Geraes (25) e Rio de
Janeiro atê a R. Argentina; Guyana franceza (25).
— Subsp. ruficeps: Matto Grosso (2), Norte da R.
Argentina (3). — Subsp. oecodoma : Guyana, Ama-
zonia superior e inferior (29); Perú, Bolivia, Matto
Grosso (26), Bahia (53), Rio de Janeiro (26), E. de
São Paulo; Republica Argentina, Cordoba (11). —
Subsp. juruana R. von lhering 1904: Amazonia
superior (25).
Mus. Paul.: Forma typica: Mexico, Vera-
cruz; Venezuela, Puerto Cabello; Guyana hollan-
deza ; Peru oriental subandino, Marcapata; Bolivia
andina (Nordeste). Yungas de La Paz; Estados do
Amazonas, do Pará, da Bahia, de Goyaz, de Minas
Geraes, de “ão Paulo (muitas localidades), e do Rio
Grande do Sul. — Subsp. scutellaris : Estados de S.
Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul; Montevidéu ;
Buenos Aires. — Subsp. ruficeps : R. Argentina. —
Subsp. oecodoma : Guyana hollandeza; Estado do
Pará, Belém ; Perú, Pachitea; Bolivia, Mapiri; E.
de São Paulo, Os Perús. — Subsp. juruana : E. do
Amazouas, Rio Juruá; Perú (varios ninhos).
28. PoLyBia CATILLIFEX Moebius 1856.
Polybia septentrionalis KR. von Ihering 1904.
Distrib.: Guyana (25), Amazonia superior
(25), Equador oriental (25), Perú oriental suban-
dino, Bolivia, Bahia ( 25).
Mus. Paul.: Perú, Marcapata e Pachitea ; Bo-
livia. (Com ninho ).
AT UE Ne
29. PoLyBIA FASTIDIOSUSCULA Saussure 1853.
Polybia fastidiosuscula R. von lhering 1904:
20-a. PoLYBIA FASTIDIOSUSCULA SAMPAIOI Ducke.
Polybia sampaio: Ducke 1:06.
29-b. PoLYBIA FASTIDIOSUSCULA BUYSSONI (A.
con Îhering).
Polybia buyssoni R. von lhering 1904.
Distrib. : Forma typica: Goy:z (33), São Paulo,
Minas Geraes, Matto Grosso (26), Bolivia. — Subsp.
sampaio: Rio de Janeiro (A.). São Paulo, Parana,
Paraguay. — Subsp. buyssonr : Minas Geraes, São
Paulo, Rio Grande do Sul.
Mus. Paul: Forma typica: Minas Geraes,
Barbacena; E. de São Paulo, Ypiranga, Itatiba,
Campos do Jordão, Cantareira; Bolivia. — Subsp.
sampaio: E. de São Paulo, Ypiranga, Franca;
Paraguay, Villa Encarnacién. — Subsp. buyssoni :
Minas Geraes, Barbacena; E. de São Paulo, Ypi-
ranga, Piquete (varios ninhos).
30. Porysia INCERTA Duche 1907.
Distrib. : Amazonas superior ( Teffe ).
Mus. laul.: E. do Aiwazonas, ( Teffé ).
31. PoLYBlA DUBITATA Duche 1910.
Distrib. : Amazonia superior e i:ferior ( 25).
Mus. Paul: E. do Para, Obidos.
32. PoLYBIA MINARUM Ducke 1906.
Distvib.: Bahia (25), Espirito. Santo (25),
Minas Geraes, São Paulo, Paraguay (25 ).
Mus. Paul.: Minas Geraes, Barbacena; E. de
São Paulo, Campos do Jordão, Piquete, Ypiranga.
3. POLYBIA RUFITARSIS Duche 1904.
Destrib.: Guyana (25), Amazonia superior e
inferior ( 20), Perú crientgl e subandino.
Mus. Paul.: E. do Amazonas, Rio Juruá, Rio
Japurá; Peru, Marcapata.
34. PoLYBIA TINCTIPENNIS Fox 1898.
Polybia ypiranguensis R. von Ihering 1904.
Distrib.: Amazonia superior e inferior (25),
Matto Grosso (26). Minas Geraes, -ão Paulo.
Mus. Paul. : Minas Geraes, Barbacena; E. de
São Paulo, Ypiranga.
35. Porypta atra Saussure 1453, Etudes
etc. Il p. 181, exclusive os synonymos.
Polybia atra Saussure 1853, Études ete. II es-
tampa XXIV no t nota (não em todos os exem-
plares da edição !)
Polybia atra W. A. Schulz 1906, exclusive o
nome do auctor
/ olybia sociulis Saussure 18 3, Etudes etc. II
estampa XXIV, ns. 1 (não socialis Sauss. ibidem
DE Ta)
Loliybia socialis Buysson 1910.
Polybia nigra R. von Ihering 1904 (nao Sauss. )
Distrib. : Guatemala (11), Pan-mã ( 11), Equa-
dor oriental e andino ( 42), , Venezuela (25), oe
yana (25), Gimpos do baixo Amazonas (25). Ma-
Rama (oo ) ne dan ys (22) Géarant22) “\Goyaz,
Matto es (26), Minas Geraes, Espirito Santo,
Rio de Janeiro (20), -ão Paulo, Rio Grande do
Sul, Republica Arsentina até Cordoba (3 ), Paraguay
(11). Bolivia.
Mus. Paul.: Bolivia; Argentina, Cordoba ;
Goyaz; Espirito “ Santo, Minas Geraes, Irara; E. de
São Paulo. Ypiranga, Jundiahy, Campos do Jordão,
Franca. Itatiba, Itapura, Barretos; Rio Grande do
Sul. ( Varios ninhos ).
30, PoLYBIA SERICIA ( OI. ).
Vespa sericra Olivier 1791.
Polyoia sericia Saussure 1853.
— — R. von lbering 1901
Rhopalidia rufithorax Lepeletier 1836. .
Agelaia rufithorax Blanchard 1840.
Apoica cubilalis Saussure 1853.
Distrib.: Costarica ( 11), Colombia (11), Ve-
nezuela ( 11), Guyana, Baixo Amazonas (25), Ma-
ranhão (22), Piauhy (22), Ceará (22), Goyaz
(11), Matto Grosso ( 26), Bahia ( 33 ), Minas Geraes
(20), Rio de Janeiro (20), São Paulo, Rio Grande
do Sul, Bolivia, Andina; R. Argentina até o Sul
da provincia de Buenos Aires.
Mus. Paul.: Guyana hollandeza ; E. do Pará.
Macapá; E. de São Paulo, Franca, Sorocaba, Ypi-
ranga, Itapura, Barretos; E. de Goyaz, Santa Rita
de Antas; Rio Grande do Sul; Bolivia, Yungas de
La Paz; R, Argentina, Sul da provincia de Buenos
Aires, Currumalän ( varios ninhos ).
/
37. POLYBIA CHRYSOTHORAX ( Web.)
Vespa chrysothorax Weber 1801.
Polybia chrysothorax Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904.
Polistes curulentus Sabricius 1804.
Polybia aurichalcea Saussure 1853
Distrib. : Colombia ( 253, Guyana (25), Ama-
zonia inferior (25), Maranhão (25), Ceara (25),
Goyaz ( 25), Matto Grosso (26 ), Bahia (25).
Mus. Paul.: Guyana hollandeza; E. do Pará,
Óbidos; Goyaz.
38. PoLyBia PUNCTATA Buysson 1908.
Polybia aurichalcea Ducke 1907 (não Sauss ).
Distrib. : Bahia (25), Minas Geraes (25),
Paraná, Santa Catharina (11), Rio Grande do Sul
(20 y.
Mus. Paul.: E. do Parana.
39. Porysr, AFFINIS Buysson 1908.
Distrib.: Guyana (25), Lado Nerte do Baixo
Amazonas (25), Amazonia superior (20), Peru
cri: s/a
oriental subandino, Venezuela ?, Equador occidental ?
(25), Bolivia ? |
Mus. Paul. : E. do Pará, Faro; Peru, Marca-
pata; Venezuela ( ?); Bolivia subandina, Mapiri. ?
40. PoryBia micans Ducke 1904.
Distrib. : Colombia ( A. ) Guyana, Amazonia su-
perior e inferior ( 25), Perú oriental subandino, Bo-
livia andina. ( Nordeste ).
Mus. Paul.: Guyana hollandeza ; Guyana fran-
ceza, La Mana, Cayenna; E. do Amazonas, Manäus,
Rio Japurá, Rio Uaupés; Perú, Marcapata ; Bolivia,
Yungas de La Paz.
Al. Porysia vELUTINA Ducke 1907.
Polybia lugubris Ducke 1905, não Sauss.
Distrib. : Amazonia superior (25), Equador occi-
dental e oriental ( 20), Perú oriental subandino, Bo-
livia.
Mus. Paul. : E. do Amazonas, Tabatinga ; Perú,
Pachitea ; Bolivia, Mapièta.
42, PoLyBiA LUGUBRIS Saussure 1855.
-— — R. von Iherig 1904.
Distrib.: Rio de Janeiro (25), São Paulo,
Santa Catharina ( 25), Rio Grande do Sul (25). —
Guyana? (259). -
Mus. Paul.: E. de São Paulo, Jundiahy, Itu-
verava.
43. Potypia DIMIDIATA ( Ol. ).
Vespa dunaidiata Olivier 1791.
Polybia dimidiata Saussure 1904.
— a R. von Ihering 1904.
Distrib. : Guyana (33), Amazonia superior e
inferior (25), Bolivia, Matto Grosso (26), Goyaz,
Minas Geraes, São Paulo, Rio Grande do Sul (25 ).
Mus. Paw'.: E. do Pará, Belém; E. do Espi-
rito Santo, E. de Minas Geraes, Ponte Nova, Ma-
=e Da
rianna; E. de Goyaz, Santa Rita de Antas, Cataläo ;
E. de São Paulo, Franca, Rio Feic ; Bolivia ( varios
ninhos ).
44, PoLIBYA REJECTA ( F. )
Vespa rejecta Fabricius 1798.
Pee rejecta Saussure 1853.
— KR. von Ihering 1904.
Pola bicolor F. Smith 1857.
Polybia litoralis Zavattari 1906 (subespecie
extra-brazileira ).
Distrib.: Mexico (25), America central (29),
Colombia (25), Equador occidental (25), Guyana,
Amazonia superior e inferior (25), Maranhao (22),
Matto Grosso (26), Minas Geraes (37), Bahia (A.) ;
Goyaz.
Mus. Paul.: Guyana hollandeza ; Guyana fran-
ceza, Cayenna, E. do Amazonas, Rio Juruá, Manaus ;
E. do Pará, Belém, E. de Goyaz, Santa Rita de
Antas. ( Varios ninhos ).
45. PoLYBIA LILIACEA (F.).
Polistes liliaceus Fabricius 1804.
Polybia liliacea Lepelletier 1836.
— — R. von lhering 1904.
Distrib. : Venezuela (25), Guyana (25), Ama-
zonia superior e inferior (25), Equador oriental su-
bandino (42), Perú, Bolivia, Goyaz, Matto Grosso
(26), Norte de São Paulo (25). -
Mus. Paul.: Guyana hollandeza ; E. do Pará,
Obidos; E. do Amazonas, Rio Juruá; E. de Goyaz,
Santa Rita de Antas; Perú; Bclivia.
46. Poryeia sycopHANTA Gribodo 1891.
— — R. von Ihering 1904.
Polybia liliacea Saussure 1893, estampa.
— — Dalla Torre 1904, estampa.
Distrib. : Guyana (25), Amazonia superior (29),.
Maranhão (25), Goyaz, São Paulo.
Mus. Paul. : E. do Amazonas, Rio Juruá; E. do
Pará, Almeirim; Goyaz; E. de São Paulo Barretos.
SE lake
47. PoLYBIA GORYTOIDES Fox 1898.
-— — R. von Ihering 1904.
Polybia sculpturata Ducke 1904.
Distrib. : Guyana (25), Amazonia superior e
inferior (25), Matto Grosso central (26).
Mus. Paul. : E. do Amazonas, Rio Juruá; E.
do Pará, Obidos.
48. PoLYBiA BIFASCIATA Saussure 1852.
== — R. von lhering 1904.
Polybia quadricincia Saussure 1853.
Polybia cordata F. Smith 1857.
48-a PoLyBIA BIFASCIATA HEYDENIANA (Sauss.).
Polybia heydeniuna Saussure 1863.
Distr.: Forma typica: Mexico (25), Guyana
(25), Amazonia superior e inferior (25), Perú, Bo-
livia andina, Babia (25), Rio de Janeiro (A). —
Subsp. heydeniana: E. de São Paulo (Noroeste).
Mus Paul.: Forma tymca: E do Pará, Be-
lèm ; Perú; Bolivia, Yungas de La Paz. — Subsp.
heydeneana : Estado de São Paulo, Franca, Rio Feio.
49. PoLyBrA sIGNATA Ducke 1910.
Polybia decorata Ducke 1905, não Sm. 1857.
Distr. : Guyana (25), Amazonia superior (25).
Mus. Paul.: E. do Amazonas, Santo Antonio
do I¢a.
O0, PoLyBiA JURINEI Saussure 1953.
— — R. von Ihering 1904.
Distr. : Guyana, Amazonia superior e inferior
(25), Equador oriental subandiro (42), Perú orien-
tal subandino, Bolivia, Matto Grosso (26), Goyaz,
Minas Geraes (3), Rio de Janeiro (25), Säo Paulo.
Mus. Paul.: Guyana hollandeza, Guyana fran-
ceza, La Mana, Cayena; E. do Amazonas, Rio
Juruá; Perú, Marcapata, Sarayacu ; Bolivia; E. do
Pará, Obidos; Goyaz; E. de São Paulo, Franca, Rio
Feio, Itapura, Piracicaba (com ninho).
iio
51. PoLyBiA suLCATA Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904.
Distr.: Amazonia superior e inferior (25);
Guyanna (A).
Mus Paul.: E. do Pará, Obidos.
92. PoLyBia usHELYI Duche 1909.
Distr.: Guyana (29), Amazonia superior (25).
53. PoLYBIA SINGULARIS Duche 1909.
Polybia emaciata Ducke 1905, não Lucas.
Distrib. : Amazonia superior e inferior (25),
Perú oriental subandino.
Mus. Paul. : E. do Pará, Obidos; Perú, Pa-
chitea.
04. PoLYyBIA FASCIATA Saussure 1853, (Lep. ?).
— — — R. von Ihering 1904.
Polybia cayennensis Moebius 1856, não F.
— — emaciata Lucas 1879.
— phthisica Buysson 1899 ( nao F.)
— fulvofasciata W. A. Schulz 1904 (De
Ger ?).
ont caementaria Ducke 1904.
Distrib.: Panama (25), Venezuela (25), Ama-
zonia inferior e superior (25), Bolivia subandina
(Nordeste), Goyaz, Matto Grosso (26), Minas Ge-
raes (25), Rio de Janeiro (25).
Mus. Paul.: K. do Amazonas, Alto Purús;
Venezuela, baixo Sarare; Bolivia, Mapiri; Minas
Geraes, Araguary; Goyaz, Santa Rita de Antas.
(Com ninho).
do. PotyBrA FURNARIA À. von Lhering 1904.
Distrib. : Amazonia superior e inferior (25).
Mus. Paul.: E. do Pará, Santarem. (Com ninho).
13.° genero: Apoica Lepellelier 1836.
96. <APOICA PALLIDA (Ol.)
Vespa pallida (Ol.)
— 341 —
Apoica pallida Lepeletier 1836.
— — R. von Ihering 1904.
Polistes pallens Fabricius 1804.
Rhopalidia pallens Lepeletier 1836 (segundo
Buysson ).
Polistes translucidus Spinola 1853.
Apoica lineolata Lepeletier 18:36.
Agelaia lineolata Blanchard 1840.
56-a + POICA PALLIDA VIRGINEA ( Fabr. )
Polistes virginea Fabricius 1804.
Apoica virginea Saussure 1855.
56-b APOICA PALLIDA ARBOREA ( Sauss. )
Apoica arborea Saussure 1853.
96-c APOICA PALLIDA THORACICA ( Buyss.)
Apoica thoracica Buysson 1906.
Distrib.: Forma ti pica e subsp. virginea:
Das partes trovicaes do Mexico até Santa Catharina
e o Paraguay (9). — Subsp. thoracica Buysson
1905: Guyana (9), Baixo Amazonas (25), Espi-
rito Santo (9). — Subsp. arborea: Equador ( 42)
e Perú andinos. Guyana (25), Amazonia superior
(14).
Mus. Paul.: Forma typea: E. do Amazonas,
Rio Juruá, Rio Uaupés ; E. do Pará. Obidos; Bahia;
E. do Espirito Santo; E: de São Paulo, Ypiranga,
Itapura. — Subsp. virginea . Guyana hollandeza ; E.
do Amazonas, Rio Juruá, Rio Uaupês; E. do Para,
Rio Xingu, Peru, Marcapata; Bolivia; E. do Pa-
rand, Ourinho. — Subsp. arborea: Perú, Callanga.
( Varios ninhos ).
14.º genero, Gymnopolybia Duche 1914
97. GYMNOPOLYBIA TESTACEA ( JL. )
Polistes testaceus Fabricius 1804.
Polybia testacea Saussure 1858. q (não d ).
Stelopolybia testacea Ducke 1910.
ee
Gyinnopolybia testacea Ducke 1914.
Polybia flavicans Dalla Torre, não F.
— — R,v. Ihering 1904, 9 (não «')
Disirib.: Guyana, Amazonia superior e infe-
rior (25), Equador oriental andino ( 42 ).
Mus. Paul.: Guyana hollandeza; E. do Para,
Ilha de Marajó, Itaituba; E. do Amazonas, Rio
Juruä.
58 GYMNOPOLYBIA ANGULATA ( F ).
Polistes angulatus Fabricius 1804.
Polybia angulata Saussure 1853
— R. von Ihering 1904.
SR DE angulata Ducke 1910.
Gyimnopolybia angulata Ducke 1914.
58-a (GYMNOPOLYBIA ANGULATA ANGULICOLLIS
(Spin.)
Polistes angulicolis Spinola 1851.
Polybia angulicollis Saussure 1853,
— — R. von Ihering 1904.
58-b GyMNOPOLYBIA ANGULATA ORNATA Ducke
Polybia ornata Ducke 1905.
Distr.: Forma typica: Mexico, America Cen-
tral (39), R. de Panamá (42), Venezuela, Equador
oriental andino (37, 42), Perú oriental subandino,
Bolivia andina e subandina (Nordeste), Amazonia
superior e inferior (25), Espirito Santo, Riv de Ja-
neiro (11), São Paulo, Paraná (25), Santa Catha-
rina, Paraguay (29), R. Argentina, Missões (3). —
Subsp. angulicollis : Amazonia inferior (25, 26),
Equador occidental (37). — Subsp. ornata : Amazo-
nia superior (25), Perú andino (A.), Bolivia andina
(Nordeste).
Mus. Paul.: Forma typica: Mexico, Orizaba ;
Venezuela; E. do Amazonas, Rio Japurá; Perú,
Marcapata ; Bolivia, Mapiri, Yungas de La Paz; E.
do Espirito Santo; E. de S. Paulo, Ypiranga, Jun-
diahv, Monte Jaraguá, Franca; Santa Catharina,
eae
Colonia Hansa. — Subsp. angulicollis: E. do Pará,
Belém. — Subsp. ornata: Bolivia, Yungas de La
Paz.
99. GYMNOPOLYBIA CONSTRUCTRIX (Sauss.).
Polybia constructria Saussure 1853.
Stelopolybia constructrix Ducke 1910.
Gyinnopolybia constructrix Ducke 1914.
Distr. : Guyana (25), Lado Norte do baixo Ama-
zonas (25).
Mus. Paul.: Guyana ingleza, Bartica; E. do
Para, Rio Trombetas, Obidos.
60. GYMNOPOLYBIA VICINA ( Sauss ).
Polybia vicina Saussure 1853.
— — Rh. von Ihering 1904.
Slelopolybia vicina Ducke 1910.
Gyinnopolybia vicina Ducke 1914.
2 Myrapetra brunea Curtis 1844.
Distrib. : Espirito Santo, Minas Geraes, Goyaz,
São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Paraguay Ho
Mus. Paul.: E. do Espirito Santo, E. de Minas
Geraes, Ponte Nova, Barbacena; E. de Goyaz; E.
de São Paulo, Franca, Itapura, Itatiba, Piracicaba,
São Bernardo, Rio Feio, Campos do Jordão; E. do
Paraná; E. do Rio Grande do Sul. (Com varios ninhos).
61. GyMNOPOLYBIA PALLIDIPES (Ol).
Vespa pallipes Olivier 1791.
a pallipes Saussure 1853.
— R. von Ihering 1904.
nie pallidipes Ducke 1910.
Gymnopolybia pallidipes Ducke 1914.
Polybia lutea Ducke 1904.
Polybia myrmecophila Ducke 1905.
Polybia anceps Saussure 1853, sub-especie ex-
tra brazileira.
Polybia festae Zavattari 1966 (subespecie ex-
tra brazileira.
= $44 =
Distr. : Honduras britannico (12), Costa Rica
(25), Panamá (42), Colombia (25), Venezuela, Equa-
dor occidental e oriental (42), Guyana, Amazonia
superior e inferior (25), Matto Grosso (26). Ceara
(25), Rio de Janeiro (26), S. Paulo, Paraguay (25),
Bolivia.
Mus. Paul.: Venezuela; Guyana hollandeza ;
Bolivia; E. do Amazonas, Teffé; E. de S. Paulo,
Franca, Barretos.
62. GYMNOPOLIBIA MERIDIONALIS (ft. Lh.)
Polybia meridionalis R. von Ihering 1904.
Stelopolybia ineridionalis Ducke 1910.
Gymnopolybia meridionalis Ducke 1914.
,\ Polistes mullipictus Haliday 1836.
“4 Polybia multipicta Saussure 1853.
62-a. GYMNOPOLYBIA MERIDIONALIS FLAVIPEN-
nis Ducke.
Polybia flaripennis Ducke 1905.
Distr. : Mexico (25), Nicaragua (25), Vene-
zuela (25), Bolivia (25), Amazonia superior (25),
Goyaz, Minas Geraes (29), Rio de Janeiro (A), S.
Paulo, Santa Catharina (25), Paraguay, R. Argen-
tina, Missiones (2).
Mus. Paul.: Forma typica: E. de Goyaz,
Santa Rita de Antas; E. de S. Paulo, Franca, S.
José do Rio Pardo; Rio Grande do Sul, S. Leo-
poldo; Paraguay, Villa Encarnacion (com ninho).
Subsp. flavipennis: E. do Amazonas, Teffé.
63. GYMNOPOLYBIA VULGARIS Ducke.
Polybia vulgaris Ducke 1904.
Stelopolybia vulgaris Ducke 1910,
Gumnopolybra vulgaris Ducke 1914.
Distr. : Mexico (25), Guyana, Amazonia su-
perior e inferior (25), Perú oriental subandino.
Mus. Paul. : Guyana hollandeza; E. do Pará,
Belem; E. do Amazonas, Rio Juruá; Perú, Marca-
pata.
ay UN ae
64. GYMNOPOLYBIA CAYENNENSIS (F. )
Vespa cayennensis Fabricius 1798.
Stelopolybia cayennensis Decke 1910.
Gymnopolybia cayennensis Ducke 1914
Polybia ligaicola Dücke 1904.
Distr.: Guyanna (25), Amazonia superior e in-
ferior (29), Bolivia subandina (Nordeste), Bahia (25).
Mus. Paul.: E. do Pará, Rio Anauerapucu ;
E. do Amazonas, Rio Juruá; Bolivia, Mapiri.
152 genero, Stelopolybia Duche 1910
65. STELOPOLYBIA INFERNALIS (Suwss.) 1853.
Polybia infernalis Saussrre 1853.
a= — R. von Ihering 1904,
Stelopolybia infernalis Ducke 1910.
. App ampullaria Moebius 1856.
— R. von lhering 1904.
De Guyana, Amazonia superior e inferior
(25), Equador (42) e Perú orientaes subandinos,
Maranhão (25), Bahia (25), Espirito Santo, Littoral
de S. Paulo (25).
Mus Paul. : Guyana hollandeza, Guyana fran-
ceza, La Mana; E. do Pará, Macapá; E. do Ama-
zonas, Rio Juruá, Marãos; Perú, Marcapata; E.
do Espirito Santo ( com ninhos ).
66. STELOPOLYBIA PARAENSIS (Spen.) 1891.
Polistes paraensis Spinola 1851.
Polybia paraensis Saussure 1853.
— -- R. von Ihering 1964.
Stelopolybia paraensis Ducke 1910.
66 - a. STELOPOLYRIA PARAENSIS RUFICORNIS
Duche.
Polybia ruficornis Ducke 1905.
Distr.: Panamá (25), Guyana, Amazonia su-
perior e inferior (25), Equador (25), Peri e Boli-
via orientaes subandinos.
Mus. Paul. : Guyana hollandeza; E. do Pará,
belem ; Perú, Macapata ; Bolivia, Yungas de La Paz.
FA BE
OT. STELOPOLYBIA OBIDENSIS Ducke.
Polybia obidensis Ducke 1904.
Polybia paraensis var. luctuosa W. A, Schulz
1904.
Stelopolybia obidensis Ducke 1910.
Distr.: Guyana (25), Lado Norte do baixo
Amazonas ( 25), Parte amazonica da Colombia (A.)
Mus. Paul. : Guyana holandeza; E. do Pará,
Obidos.
16.º genero Pseudopolybia (Saussure 18063 )
Ducke 1914
GS. PseuDOLYBIA DIFFICILIS Ducke.
Parachartergus difjicilis Ducke 1905.
Pseudopolybia difficilis Ducke 1914.
Distr. : Guyana ( 25), Amazonia inferior ( 25).
Mus. Paul: : E. do Pará, Santarem.
69. PseuDOPOLYBIA VESPICEPS ( Sauss. ).
Polybia ( Pseudopolybia ) vespiceps Saussure
1863.
Polybia ( Pseudopolybia ) vespiceps KR. von
Ihering 1904.
Pseudopolybia vespiceps Ducke 1914.
Chartergus vespiceps Ducke 1904.
Parachartergus vespiceps Ducke 1905.
69-a. PSEUDOPOLYBIA VESPICEPS TESTACEA Duche
Paracharterqus vespiceps var. teslacea Ducke
1907.
Distr.: Forma typica: Bahia (25), Espirito
Santo. Minas Geraes ( 29 ). — Subsp. testaceus Ducke
1907 : Guyana, Amazonia superior e inferior (20);
Maranhão (25), Goyaz, São Paulo, Santa Catha-
rina (25).
Mus. Paul. : Forma typica : Espirito Santo. —
Subsp. testacea : Guyana hollandeza ; Guyana fran-
ceza, Cayenna; E. do Pará, Obidos; E. de Goyaz,
Santa Rita de Antas, E. de São Paulo, Franca,
Barretos. ( Com ninhos ).
pe ie
70. PSEUDOPOLYBIA COMPRESSA ( Sauss ).
Chartergus compressus Saussure 1853.
Parachartergus compressus Ducke 1910.
Chartergus luctuosus F. Sm. 1857.
— -— R. von Ihering 1904.
-— laticinctus Ducke 1904.
Pseudonolybia compressa Ducke 1914.
Distr.: Verezuela (27), Equador occidental
(25), Amazonia superior e inferior (25), Perú
oriental subandino.
Mus. Paul. : E. do Amazonas, Rio Juruá, Rio
Japurá, Perú, Marcapata. (Com ninhos ).
71. PSEUDOPOLYBIA PUSILLA Ducke.
Chartergus pusillus Ducke 1904.
Parachartergus pussillus Ducke 1905.
Pseudopolybia pusilla Ducke 1914.
Distr. : E. do Para ( Belém; Fosto fiscal da
fronteira do Oyapoc ).
17.º genero Parachartergus À. von
lhering 1904
72. PARACHARTERGUS FRONTALIS ( J”. ).
Vespa frontalis Fabricius 18014.
Chartergus frontalis Moebius 1856.
Parachartergus frontalis Ducke 1907.
Chartergus ater Saussure 1853.
— — R. von lhering 1904.
Chartesgus zonatus Spinola 1851.
— — KR. von Ihering 1904.
Distr. : Venezuela (25), Guyana (25), Ama-
zonia inferior e superior (25), Matto Grosso cen-
tral (26 ).
Mus. Paul. : E. do Pará, Belém.
13, PARACHARTERGUS FULGIDIPENNIS ( Sauss. ).
Chartergus fulgidipennis Saussure 1853.
Paracharterqus fulgidipennis Ducke 1907.
Chartergus griseus Fox 1898.
348 —
Parachartergus bentobuenor R. von Ihering
1904.
Parachartergus fasciipennis Ducke 1905.
53-a. PARACHARTERGUS FULGIDIPENNIS AMAZO-
NENSIS ( Ducke ).
Parachartergus am4zonensis Ducke 1907.
73-b. PARACHARTERGUS FULGIDIPENNIS FLAVO-
FASCIATUS ( Camer. ).
Chartergus flavofasciatus Cameron 1906.
Distr: Fôrma typica: Amazonia superior e
inferior (29). — Subsp. amazonensis: Amazonia
superior (29). — Subsp. flavofascratus : Amazonia
superior ( 20 )
Mus. Paul. : Forma typica: E. do Amazonas.
Rio Juruá. (Com ninho). — Subsp. amazonensis :
E. do Amazonas, Rio Japura.
74. PARACHARTERGUS SMITHI ( Sauss. ).
Chartergus smithi Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904.
Parachartergus smith: Ducke 1910.
Chartergus fasciatus Fox 1898.
— — R. von Ihering 1904.
Parachartergus colobopterus Ducke 1905, ex
parte (não Web.).
Distr. : Guyana (25), Amazonia superior e in-
ferior (25), Maranhão (25).
Mus. Paul.: E. do Pará, Belem.
79. PARACHARTERGUS WAGNERI Buysson 1904.
Destr.: Rio de Janeiro (25).
76. PARACHARTERGUS APICALIS (F.).
Vespa apicalis Fabricius 1804.
Chartergus apicalis Saussure 1855.
— — Rh. von Ihering 1904.
Parachartergus apicalis Ducke 1905.
Charterqus ater Lepeletier 1836.
ane ey ae
76-a. PARACHARTERGUS APICALIS FRATERNUS
(Grib.).
Chartergus fraternus Gribodo 1891.
76-b. PARACHARTERGUS APICALIS CONCOLOR
(Grib.).
Chartergus concolor Gribodo 1891.
— — Ri. von Ihering 1904.
Distr.: Forma typrea : Mexico, America Cen-
tral (12), Guyana, Amazonia superior (25), Perú
oriental subandino, Minas Geraes (25), Rio de Janei-
ro (25) N. Paulo, Paraguay (20). — Subsp. fralernus:
Venezuela, Guyana (27), Amazonia superior e infe-
rior (25), Perú, Bolivia, Maranhão (25, 27), S. Paulo.
— Subsp. concolor : Venezuela (27), Baixo Amazonas
(25), Goyaz, Minas Geraes (25).
Mus. Paulista: Fórma typica: Mexico, Ja-
lisco ; Guyana hollandeza ; Perú, Marcapacta; E. de
S. Paulo, São Sebastião Subsp. fraternus, Venezuela
Peri Bolivia; E. do Amazonas, Rio Juruá; E. do
Pará, Belem; E. de São Paulo. — Subsp. concolor :
E. do Pará, Obidos; E. de Goyaz, Santa Riia de
Antas, Catalão, Goyaz (com ninho ).
18.º genero: Leipomeles Moebius 1856
77. LEIPOMELES LAMELLARIA Moebius 1856.
— — R. v. lher. 1904
Poiybia nana Saussure 1863.
Distr : Guyana (25, 30), Amazonia superior
e inferior (25) Equador e Peru orientaes subandi-
nos, Bolivia, Bahia (25), Espirito Santo.
Mus. Paul.: E. do Pará, Belém; E. do Ama-
zonas, Rio Juruá; Perú, Pachitea; Bolivia, Bahia
(A.), E. do Espirito Santo, Porto da Cachoeira
(Com varios ninhos ).
B) MONOGAMAE
19. genero Mischocyttarus Saussure 1853
78. MIsCHOCYTTARUS LABIATUS ( F ).
Mischocyttarus labiatus ( F. ).
Ge =
Zethus labratus Fabricius 1804.
Mischocyttarus labiatus Saussure 1863.
— — KR. von Ihering 1904.
Polybia melanaria Cameron 1906.
Distr. : Mexico (11), Honduras britannico (23),
Nicaragua (23), Guyana ( 11), Amazonia superior
e inferior (17, 19, 21), Equador, Pert e Bolivia
orientaes andinos e subandinos, Matto Grosso ( 26),
Espirito Santo, Minas Geraes (20), Rio de Janeiro
(20), São Paulo, Paraná (3), Paraguay (2), Norte
da R. Argentina (3).
Mus. Paul.: Guyana hollandeza; E. do Pará,
Belém; E. do Amazonas, Rio Juruá; Equador, Ar-
chidona; Pert, Callanga; Bolivia; Matto Grosso,
Fazenda da Faya; E. do Espirito Santo; E. de São
Paulo, Franca ( Com ninhos ).
79. MiscHocyTTARUS DREWSENI Saussure 1857
— — R. von Ihering
1904.
Distr. : Colombia ( A.), Guyana (17), Baixo
Amazonas ( 17), Perú andino ( A.), Bolivia, Mi-
nas Geraes (20), São Paulo, Paraná (2), Para-
guay (2) R. Argentina até Buenos Aires.
Mus. Paul.: E. do Pará, Almeirim; Bolivia ;
E. de São Paulo, Ypiranga, Villa Marianna, Jun-
diahy, Campos do Jordão, São Sebastião; Buenos
Aires. (Com ninhos ).
80. MiscHoCYTTARUS SMITHI Savssure 1853.
-— — R. von lhering
1904.
Distr. : Guyana ( A.), Amazonia (33), Ama-
zonia inferior ( Belém do Pará, A.).
81. MisoHOCYTTARUS FLAVICANS ( É. ).
Polistes flavicans Fabricius 1804.
Polybia testacea Saussure 1855, g (não ¢).
Polybia flavicans R. von Ihering 1904, &
( não ¢ ).
Megacanthopus goeldit Ducke 1905.
— 351 —
S1-a. MISCHOCYTTARUS FLAVICANS CARBONA-
RIUS ( Sauss. ).
Polybia carbonaria Saussure 1853.
— —— R. von Ihering 1904.
Megacanthopus carbonarius Ducke 1905.
Distr.: Forma typica: Guyana (A.), Amazo-
nia superior (21) e inferior (19, 23). — Subsp. car-
bonarius: Guyana (A.), Amazonia inferior (A), Bo-
livia andina (Nordeste), Espirito Santo, Rio de Ja-
neiro (26), São Paulo.
Mus. Paul.: Forma typica: E. do Para, Itai-
tuba. — Sudsp. carbonarius : Bolivia, Yungas de La
Paz; Espirito Santo; E. de S. Paulo, Piracicaba,
Rio Feio (com ninhos ).
82. MISCHOCYTTARUS PSEUDOMIMETICUS (W. A.
Schulz.)
Polybia pseudomimetica W. A. Schulz 1903.
Megacanthopus pseudomimeticus W. A. Schulz
1906.
Distr. Amazonia superior (21) e inferior (A.).
Mus. Paul.: E. do Pará, Obidos.
,
83. MISCHOCYTTARUS MOCSARYI Ducke.
Megacanthopus mocsaryt Ducke 1909.
Distr.: Baixo Amazonas, Obidos.
84. MiscHOCYTTARUS ATER (Ol.).
Vespa atra Olivier 1791. |
Polybia atra Saussure 1853, Etudes ete., Il
estampa 24 n. à (não atra Sauss ibidem p. 181).
Polybia atra R. von Ihering 1904.
Megacanthopus ater Ducke 1995,
Polistes ignobiles Haliday 1836.
Polybia socialis Saussure 1853, Etudes etc.,
II p. 17% ( não socialis Sauss. Ibidem estampa XXLV
Al).
Polijbia socialis W. A. Schulz 1904
Megacanthopus imitator Ducke 1905.
ete
Polybia nigra Saussure 1853, Études ete., II
estampa XXIV n. 5, nota ( não em todos os exem-
plares da edição !).
Distr. : Mexico ( A.); Costa Rica ( A,); Co-
lombia (38); Venezuela (A.); Guyana (19): Ama-
zonia superior ( A.); e inferior (17); Goyaz; Rio
de Janeiro (20); São Paulo, Rio Grande do Sul
(30); Paraguay (2); Argentina, Misiones ( À. ).
Mus. Paul.: E. do Pará, Ilha de Marajó;
Goyaz; E. de São Paulo, Ypiranga, Piquete, Jun-
diahy. ( Com ninhos ).
SD. MISCHOCYTTARUS FRONTALIS ( Fox ).
Polybia frontalis Fox 1898.
Megacanthopus frontalis Ducke 1907.
Distr.: Amazonia superior e inferior (21);
Matto Grosso central ( 26 ).
Mus. Paul.: E. de Goyaz, Santa Rita de Antas.
86. MISCHOCYTTARUS RUFIDENS ( Síuss. ).
Folia rufidens Saussure 1853.
— — R. von lhering 1904.
MRS rufidens W. A. Schulz 1906.
Polybia pallidipectus F. Smith 1857.
Distr. : Mexico; Columbia ( A. ): Guyana (33) ;
Equador occidental; Perú; Matto Grosso (26);
Bolivia (30); Ceará; Paraguay (2).
Mus. Paul. : Mexico. Puebla; Kquador, Balza-
pamba; Perú; E. do Ceara, Serra de Baturité.
87. MIsCHOCYTTARUS CASSUNUNGA ( R. ©. lh.)
Polybia cassununga R. von Ihering 1903.
Megacanthopus cassununga Ducke 1906.
Distr. : Espirito Santo, Minas Geraes, Rio de
Janeiro, São Paulo, Santa Catharina ( A. ).
Mus. Paul.: E. do Espirito Santo; E. de Mi-
nas Geraes, Ponte Nova, Barbacena, Caxambu; Rio
de Janeiro; E. de São Paulo, Franca, Itapetininga,
Rio Feio, Itatiba, Campos do Jordão, Perús. ( Com
ninhos ).
AR PPT,
88. MisCHOCYTTARUS METATHORACICUS (SGuss).
Polybia metathoracica Saussure 1853.
-— — R. von Ihering 1904.
Megacanthopus metathoracicus Ducke 1904.
Distr. : Colombia; Guyana (33); Amazonia
superior e inferior (17, 19, 21), Rio de Janeiro
( 20 ), Matto Grosso ( 26 ).
Mus. Paul.: E. do Pará, Belém; Coiombia.
89 MiscHocyTTARUS INJUCUNDUS ( Sauss ).
Polybia imjucunda Saussure 1853.
— — R. von lhering 1904.
Megacanthopus injucundus Ducke 1904.
91 -a. MISCHOCYTTARUS INJUCUNDUS BERTONII
n. subsp.
Distr.: Forma typica: Columbia (A), Guya-
na (17), Amazonia superior é inferior (1%, 19, 21),
Maranhäo (21), Bahia (A).
Subsp bertonw (n. subsp.) Paraguay, Alto Pa-
rand, fronteira do Brazil (A).
Mus. Paul.: Forma typica: E. do Amazo-
nas, Rio Juruá; E. do Pará, Obidos ( com ninhos).
90. MiscHoCYTTARU3S PUNCTATUS Ducke.
Megacanthopus punctatus Ducke 1904.
Mischocyttarus punctatus Ducke 1914.
Distr.: Mexico, Cordoba (A); Trinidad (A);
Amazonia inferior (21); Maranhão (21); Paraguay
AN BA
Mus. Paul. : E. do Pará, Rio Trombetas.
91. MiscHOCYTTARUS TAPUYA ( W. A. Schulz).
Polybia tapuya W. A. Schulz 1905.
Megacanthopus tapuya W. A. Schulz 1906.
Distr.: Belem do Para (38).
92. MiIscHocyTTARUS WAGNERI (buysson).
Megacanthopus wagner: Buysson 1908.
Disti.: Rio de Janeiro, Tijuca (10).
anão © Sia
93. MiscHocYTTARUS COLLARIS Ducke.
Megacanthopus collaris Ducke 1904,
Mischocyttarus collaris Ducke 1914.
Distr.: Guyana (17), Amazonia superior e in-
ferior (1%, 19), Maranhão (22), Rio de Janeiro (A).
São Paulo, Sarta Catharina (A).
Mus. Paul.: E. do Pará, Posto fiscal da fron-
teira no Oyapoc; E. de São Paulo, Villa Emma.
94. MiscHocYTTARUS LECOINTEI Ducke.
Megacanthopus lecointei Ducke 1904.
Polybia ostenta Buysson 1908.
Distr. : Guyana (10), Amazonia inferior e su-
perior A 17, 19,21), Sao Paule:
Mus. Paul. : Guyana hollandeza; E. do Pará,
Posto fiscal no Oyapoc; E. de S. Paulo, Franca,
95. MiscHoCYTTARUS ARTIFEX Ducke 1914.
Distr. : Amazonia inferior ( A. ).
Mus. Paul. : E. do Pará, Obidos. ( Gom ninho ).
96. MiscHOCYTTARUS UNDULATUS Ducke.
Megacanthopus undulatus, Duche, 1905.
Distr. : Guyana (19), Amazonia superior (19).
97. MiscHoCYTTARUS SURINAMENSIS ( Sauss ),
Polybia surinamensis Saussure 1858.
-— — R. von Ihering 1904.
Megacanthopus surinamensis Ducke 1904.
Distr. : Guyana, Amazonia superior e inferior
(17, 19. 21), Perú oriental subandino e andino (A),
Bolivia (A.), Maranhão (22), Ceará (22), Bahia
(A.), Espirito Santo, Rio de Janeiro ( 20 ).
Mus. Paul. : Guyana franceza, La Mana, Cayenna :
E. do Pará, Obidos; E. do Amazonas, Manaus ;
Perú, Marcapata; E. do Espirito Santo.
98. MiscHoCYTTARUS PHTHISICUS ( F. ).
Vespa philusica Fabricius 1793.
Polistes phthisicus Fabricius 1804.
Megacanthopus phthisicus W. A. Schulz 1912.
eRe A qa
Mischocyttarus phthisicus Ducke 1913.
Polybia indeterminabilis Saussure 1853.
Polybia cubensis Ssussure 1852,
99. MIscHOCYTTARUS FILIFORMES ( Sauss ).
Polybia Puro mes Saussure 1853.
— R. von Ihering.
Monacanthocnemis filiformes Ducke 1905.
Distr. : Belem do Para.
100. MiscHocyTTARus BUYSSONI Ducke.
Monacanthocnemis buyssont Ducke 1906.
Distr. : Rio de Janeiro.
Mus. Paul.: Rio de Janeiro.
20.° genero: Polistes Latreille 1802
101. PoLIsTEs CARNIFEX F.
Vespa carnifex Fabricius 1775.
Polistes parti Fabricius 1804.
— FR. von Ihering 1904.
Polistes Mifibênhis Latreille 1805.
Polistes chlorostoma Lepeletier 1836.
Polistes oneratus Lepeletier 1836.
Polistes validus Say 1837.
? Polistes transversestrigatus Spinola 1851.
Distr.: Antilhas (36); Continente americano,
do Mexico até o Rio Grande do Sul, Paraguay (2)
e Nordeste da R. Argentina: Misiones (3).
Mus. Paul.: Mexico, Oaxaca; Panama, Chi-
riqui; E. do Pará, Belem; E. do Amazonas, Rio
Uaupés; E. de São Paulo, Ubatuba, Jundiahy; E.
do Riv Grande do Sul (com ninhos ).
102. POLISTES CANADENSIS (L.).
Vespa canadensis Linneu 1758.
Polistes canadensis Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904.
? Vespa nigripennis De Geer.
Vespa lanis Fabricius 1775.
Vespa marribons Christ 1791.
Polistes erylhrocephalus Latreille 1805.
Polistes infuscatus Lepeletier 1836.
Polistes urceolatus Erichson 1848.
Polistes panamensis Holmgren 1868.
Polistes unicolor Lepeletier 1836.
Polistes ferrer: Saussure 1853.
Polistes cinctus Lepeletier 1836.
Vespa annularis Linneu 1763.
Polistes annularis Fabricius 1804.
— — R. von lhering 1904,
Distr.: Antilhas (85, 36); Continente ameri-
cano, dos Estados Unidos da America (35) até
Buenos Aires.
Mus. Paul.: Panama, Chiriqui; Colombia;
Venezuela; Peri; Bolivia; E. do Amazonas; E.
do Pará, Rio Xingú; E. do Maranhão; E. de
Minas Geraes; Goyaz; E. de São Paulo, Ypiran-
ga, Itatiba; E. do Paraná; E. do Rio Grande do
Sul, São Lourenço; Buenos Ayres ( com ninhos ).
103. PoLisTEs CAVAPYTA Saussure 1833.
Polistes opalinus Saussure 1859.
— — R. von Ihering 1904
Polistes spinolae KR. von Ihering 1904, ex par-
te (não Sauss. ).
Distr.: Mexico; Sao Paulo (59), Rio Grande
do Sul, Paraguay, Uruguay (3), R. Argentina até
Buenos Aires e Mendoza.
Mus. Paul.: Mexico, Puebla; Rio Grande do
Sul, São Leopoldo; Paraguay, Villa Encarnacion ;
R. Argentina, Tucuman, Mendoza, Buenos Aires.
104. PoListEs VERSICOLOR Oi. 17 91.
Vespa versicolor Olivier 1791.
Polistes versicolor Saussure 1893.
— — R. von Ihering 1904.
Vespa myops Wabricius 179%.
Polistes biguttatus Haliday 1836.
Polistes binotatus Saussure 1853.
Ds
Polistes consobrinus Saussure 1858.
Destr.: Panama (42), Colombia, Equador occi-
dental e oriental (42), Guyana, Amazonia superior e
inferior (17, 19), Perú, Bolivia, Bahia (30), Mara-
nhäo (22), Minas Geraes (20), Espirito Santo, São
Paulo, Matto Grosso (26), Rio de Janeiro (26), Pa-
ran3, Santa Catharina, Rio Grande do Sul, Para-
guay (3), R. Argentina até Buenos Ayres, Uruguay
(3) (com ninhos ).
Mus. Paul.: Colombia; Guyana hollandeza ;
E. do Pará. Belém; E. do Amazonas; Perú: Bo-
livia; E. do Espirito Santo; E. de São Paulo,
Ypiranga, Campinas, Ribeirão Preto, Itapura; E.
do Paraná, Curytiba; E. de Santa Catharina; E.
do Rio Grande do Sul; R. Argentina, Tucuman,
Buenos Ayres.
105. PoListes ATERRIMUS Saussure 185.3.
—= — R. von thering 1904.
ex-parte.
1C9-a. POoLIsTES ATERRIMUS RUFIDENS (Suuss.)
Polistes rufidens Saussure 1853.
Distr.: F. Typica: Colombia ( A. ), Venezuela
( A.), Equador, Perú e Bolivia andinos, Amazonia ?
(4,) — Subsp. rufidens : Venezuela, Equador inte-
randino (42) Brazil? ( A. ).
Mus. Paul : F. Typica: Equador oriental an-
dino, Baños ; Perú oriental subandino, Marcapata ;
Bolivia, Yungas de La Paz. — Subsp. rufidens : Ve-
nezuela.
106. Poursres copLDIL Duche 1904.
Sjnoeca surinama NV. A. Schulz 1905 (não L.)
Distr. : Amazonia superior e inferior (17).
Mus. Paul.: E. do Pará, Rio Trombetas.
107. Porisres SUBSERICEUS Saussure 1853.
— — R. von Ihering 1904.
Distr.: Guyana (A.), Gampos do baixo Ama-
mazonas (21, A. )* Matto Grosso ( 26), São Paulo,
Rio de Janeiro (33), Paraguay (11).
Mus. Paul.: Matto Grosso, !azenda da Faya ;
E. de São Paulo, Franca.
108. - PoristES RUFICORNIS Saussure 1852.
Polistes pacificus var. ruficornis R. von lhe-
ring 1904.
108-a. PoLISTES RUFICORNIS BIGLUMOIDES Ducke.
Polistes biglumoides Ducke 1904.
Distr. : Forma Typica: Panama ( A.); Perú,
dep. Cuzco ( A.); Bolivia andina; Matto Grosso
(26); Minas Geraes (20): São Paulo; Paraguay
(11); Uruguay (11). — Sub p. biglumoides; Co-
lombia (A.); Guyana (A.); Campos do baixo
Amazonas ( A. ); Pernambuco ( À. ).
Mus. Paul. : Forma typica: Bolivia, Yungas
de La Paz; Matio Grosso, Fazenda da Faya; E.
de São Paulo, Ypiranga, Jundiahy. — Subsp. bi-
glumoides: E. do Pará, Nha Mexiana.
109. PozisTEs CLARIPENNIS Ducke 1904.
Distr. : Baixo Amazonas, Obidos.
110. Porisres syNoEcoines Ducke 1907.
Distr: Amazonia superior (21).
Mus. Paul.: E. do Amazonas, Santo Antonio
do Ici.
fit. Poristes Anais’ We
Vespa analis Fabricius 1798.
Polistes analis Wabricius 1804.
— — R. von Ihering 1904.
Distr. Colombia, Guyana (17, 38), Amazonia
inferior e superior (17, 19, 21).
Mus. Paul.: Colombia; E. do Pará, Belem;
E. do Amazonas, Rio Juruá.
oO Nos
112. Pozistes NIGER Bréthes 1903.
— — R. von Ihering 1904.
Polistes deuteroleucus Ducke 1906.
Destr.: E. de Minas Geraes (20), E. de São
Paulo (3).
113. PoListes RUFIVENTRIS Ducke 1904.
Di-tr.: Belem do Para.
114. PoLISTES ERYTHROGASTER Duche 1905,
Distr. Amazonia superior (19, 21).
Mu. Paul.: E. do Amazonas, Teffé.
115. Pon'stes occrpiratis Duche 1904.
Distr. : Colombia (A. ), Guyana, Amazonia su-
perior ( A.) e inferior (17, 19), Espirito Santo.
Mus. Paul. : Guyana hollandeza ; Guyana fran-
ceza, Cayenna; E. do Pará, Obidos; E. do Espirito
Santo. (Com ninho ). |
116. Poristes BICOLOR Lepelletrer 1830.
— -— R. von Ihering 1904.
116-a. POoLISTES BICOLOR UNICOLOR Ducke.
Porte: aterrimus KR. von Ihering 1994, ex-
parte (nao Sauss. ).
Polistes bicolor var. wnicolor Ducke 1908.
Distr. : Forma Typ'ea : Colombia, Guyana (38),
Amazonia superior e inferior (17, 21). — Sub.p.
unicolor : Panama, Amazonia superior (21).
Mus. Paul.: Forma Typica : Colombia. — Sub p.
unicolor : Panama, Chiriqui; Peru.
117 Poristes MELANOSOMA Saussure 185.3.
— — R. v. Iher. 1904.
Polistes rhodo-toma Ducke 1905.
Poli tes deceptor W. A. Schulz 1905.
Di tr.: America Central (39), Guyana (38),
Amazonia superior e inferior (18), Bahia, Espirito
— 360 —
Santo, Goyaz (33), Minas Geraes, Säo Paulo, Rio
de Janeiro (39), Santa Catharina (11), Paraguay (2).
Mus Paul.: Bahia; Espirito Santo; Minas
Geraes Caxambu; Estado de São Paulo, Capital,
Jundiahy, S. José do Rio Pardo.
118. Poutstes pacivicus Fabricius 1814.
— — Saussure 1853.
— -— R. von Ihering 1904.
Poli tes fuscatus var. pacificus Saussure 1857.
118-a. PoLISTES FACIFICUS FLAVOPICTUS n. sub:p.
Polite: actaeon Saussure 1853 ex-parte.
— — R. von lhering 1904 e. p.
— — Ducke 1906, 1907.
Distr. : Forma typica: Mexico (A), Colom-
bia (A), Guyana (17), Amazonia superior e infe-
rior (1%, 19, 21), Maranhão (21), Bahia (A). —
Subsp. flavopictus: Bahia, Espirito Santo, Rio de
Janeiro (21).
Mus Paul.: F. typica: E. do Para, Posto da
Fronteira no Oyapoc. — Subsp. flaropictus : Bahia,
Espirito Santo.
119. Poristes ACTAEON Haliday 1830.
= des Sauss, 1853, ex parte.
— — Meade Waldo 1911.
Poiistes linai R. von Jhering 1904.
119-a. POLISTES ACTAEON CINERASCENS (Sauss).
Polistes cinerascens Saussure 1858.
— — R. von Ihering 1904.
Polistes fuscatus var. cinerascens Saussure 1897.
Polistes geminalus Fox 1898 ( aberr. )
119-b. PoLIsTES ACTAEON LILIACEUSCULUS (Saus-
sure.
Polistes liliaceusculus Saussure 1853.
= — R. von Ihering 1904.
119-c. PoLiSTES ACTAEON OBSCURUS (Sauss.)
Polistes obscurus Saussure 1863.
— 361 —
Polistes ob curus R. von Ihering 1904.
Distr.: Horma typica: São Paulo, Paraguay
(3, 4). — Subsp. cinerascens : Colombia, Amazonia
superior e inferior (17, 21), Matto Grosso (26), Mi-
nas Geraes, Säo Paulo, Parana, Rio Grande do Sul,
Paraguay (3), Uruguay, R. Argentina até Buenos
Aires. — Subsp. liliaceusculus : Guyana (21), Ama-
zonia inferior (17). — Subsp. obscurus : Rio de Ja-
neiro (A), Minas Geraes (A), Paraguay (A.).
Mus Paul. : Forma typica: E. de São Paulo,
Ypiranga, Itatiba, Piquete. — Subsp. craerascens ;
Colombia, Minas Geraes, Barbacena, Caxambu; E.
de São Paulo, Ypiranga, Jundiahy, Campos do Jor-
dão, E. do Paraná, Ponta Grossa; E. do Rio Gran-
de do Sul; Uruguay. — Subsp. liliaceusculus : E.
do Amazonas, Manaus ( com ninhos ).
120. PoListTES LILIACIOSUS Saussure 18595.
-— -— +. v. Ihering 1904.
Distr.: Amazonia superior e inferior (LT, 19).
Mus Paul.: E. do Para, Belém.
Especies duvidosas, insufficientemente
descriptas do genero Polistes :
121. Porysrtes RIDLEYL Avrby 1891 — Fer-
nando de Noronha | Ilha).
122. PoLISTES sPINOLAE Saussure 1853 — Mi-
nas Gerass.
123. PoListTES THORACICUS Fox 1898 — Matto
Grosso, Chapada.
Especies insufficientemente descriplas,
culo genero não póde ser reconhe-
cido com segurança :
124. PoLyBia CHAPADAE Fox 189$ — Matto
Grosso, Chapada. — Provavelmente do genero Mis-
chocyttarus.
362 —
125. PoLyBIA FLAVITINCTA Fox 1898 — Baixo
Amazonas, Santarem. — Talvez uma das formas da
Polybia affinis.
126. Potysta LATIOR Fox 1898 —Matto Grosso,
Chapada.
127. PoLyBia MARGINATA Fox 1898 — Matto
(Grosso, Chapada.
128. PoLyBia MELANOCEPHALA Cameron 1906
— Amazonia superior, Rio Purus.
129. PoLyBIA SERICEIBALTEATA Cameron 1906
— Amazonia superior, Rio Purus.
130. PoLyBia TAPAJOSENSIS Cameron 1900
— Amazonia inferior, Rio Tapajoz.
151. PozyBrA TRAILI Cameron 1906 — Ama-
zonia superior, Rio Purtis. — Talvez uma variedade
do 3M? chocyltlarus pseudomimeticus.
Indice alphabetico dos generos & das especies
actwon 118, 119
acutiscutis 1
affinis 39
agelaia XII, XIII
albopicta 27
alfkeni 98
amazonensis
amazonicus 1
ampullaria 65
analis 16, 117
anceps 61
angulata 58
angulicollis 58
angustior 20
annularis 102
apicalis 76
apicipennis 19
apoica XIII
arborea 56
arizonaensis 16
artifex 95
_ artifex surinamensis 18
ater 72, 76, 84
aterrimus 105
atra 33, 86
augusti 17
avrichalcea 37, 58
aurulenta (us) 16, 37
aztecus 16
azurea 21
basimacula 98
bella 7
bentobuenoi 73
bicolor 44, 116
bifasciata 4S
biglumoides 108
biguttatus 104
bilineolata 14
binominata 9
binotata 16
2
J
7
q
a E ea
binotatas 104
borellii 16
Brachygastra VF
brunnea 60
buyssoni 15, 29, 100
caba I, V.
caementaria 54
caeruleus 21
cameranü 7
camerani 16
canadensis 102
carbonaria (us) 81
carnifex 101
cassununga 7
catillifex 28
cavapyta 105
cayennensis 54, 64
centralis 16
chalybea 22
chapadae 124
chartarius 15
Charterginus I, ZZ, III
chartergoides 1
Chartergus I, III, VI, XVI,
XVII.
chartifex 18
chlorostoma 101
chrysothorax 37
cinctellus 1
cinctus 102
cinerascens 119
claripennis 109
Clypearia VIT
collaris 95
colobopterus 74
compressus 10
concolor 76
consobrinus 104
constructrix 59
cordata 43
cubensis 98
cubitalis 56
cyanea 21
deceptor 117
decorata 23, 49
depressus 24
deuteroleucus 112
difficilis 68
diligens 8
dimidiata 43
drewseni 79
dubitata 31
duckei 5
elegans 27
emaciata 53, 54
emortualis 5
enxuy 12
Epipona VI, VIII, XI
erythrocephalus 102
erytbrogaster 114
exigua 8
fasciata 54
fasciatus 74
fasciipennis 73
fastidiosuscula 27, 29
ferreri 102
festae 61
filiformis 99
flavicans 57, S1
flavitrons 27
flavipennis 62
Havitineta 125
flavofasciatus 75
fraternus 76
frontalis 72, 85
fulgidipennis 73
fulvofasciata 54
fulvus 3
furnaria 55
fuscatus 2, 118, 119
geminatus 119
globiventris 18
goeldii 81, 106
gorytoides 47
griseus 73
guerini 26
gymnopolybia XIV
heydeniana 48
holoxantha 11
huberi 4
our
Hypochartergus II
imitator 84
ignobilis 84
incerta 30
indeterminabilis 9S
infernalis 65
infuseatus 102
injucunda ( us ) 89
irina (us) 22
jurinei 50
labiatus 78
laboriosa TO
lamellaria 77
lanis 102
laticinctus 70
latior 125
lecheguana 16
lecointei 94 :
| Leipoweles X VIII
lignicola 64
liliacea 45, 46
liliaceuseulus 119
liliaciosus 120
limai 119
lineolata 56
littoralis 44
luctuosus 70
lugubris 41, 42
lutea 61
marginata 127
marribons 102
Megacanthopus XIX
melanaria 78
melanocephala 128
melanosoma 1/7
melissaia V
mellificus 16
merid:onalis 62
|metapolybia LY
metathoracica (us ) SS
mexicana 27, 98
micans 40
| minarum 32
| minutissima 8, 9
Mischocyttarus XIX
| mocsaryi 25, 83
| moebiana 14
| Monacanthocnemis NIX
moris 26
|multipicta (us) 62
ee Ie
E)
)
myops 104
Myrapetra XII
myrmecophila 61
nana 77
Nectarina I, V
Nectarinia V
nidulans 18
niger 112
nigra 35, 84
nigricornis 21
nitida (us) 6
obidensis 6%
obseurus 119
occidentalis 27
«æcoioma 27
oneratus ‘101
opalinus 103
ornata 58
ostenta 94
pacificus 108, 118
pallens 56
pallida 56
pallidipectus 86
pallidipes 61
palmarum 8
panameusis 1, 102
Parachartergus XVI, XVII
paraensis 66, 67
parvulus 27
pediculata 23
pthisica (us) 54, 98
Polistes III, V, VII, VIII, XII,
EE EY CV XIX,
AX
Polybia III, IV, VII, IX. XII,
HIV, RV VE XVII,
XIX
Protonectarina IV
Protopolybia III
Pseudochartergus I
pseudomimetica (us) 82
Pseudopolybia XVI
pumila 8
punctata 3S
punctatus 90
punctulata 8
pusillus 7/
pygmaea 27
quadricincta 48
quadrituberculata 26
65 —
rejecta 44
rhodostoma 117
Rhopalidia II, XII, XHI
ridleyi 121
ruficeps 27
ruficornis 66, 198
rufidens #6, 105
rufipennis 101
rufitaisis 33
rufithorax 36
rufiventris 5, 13, 113
rugulosa 10
sampaioi 29
seulpturata 47
scutellaris 13, 27
scutellata 13
sedula &
septentrionalis 28
sericea 36
sericeibalteata 129
sericeus 16
signata 49
singularis 53
smithi 14, 74, SO
socialis 35, 84
spilonata 27
spinolæ 122
Stelopolybia XIV, XV
subcericeus 107
suffusa 25
sulcata 51
surinama 27, 106
surinamensis 97
sycophanta 46
sylveiræ 12
Syneca VIII, XX
Synæcoides X
synecoides 110
tapajosensis 130
tapuya 91
Tatua XI
tatua 26
testacea 22, 57, 81
thoracicus 123
tinctipennis 34
traili 131
translucidus 56
transversestrigatus 101
tuberculatus 18
ujhelyi 52
undulatus 96
ultramarina 21
unicolor 102
urceolatus 102
validus 101
velutina 16, 41
versicolor 104
vespiceps 69
vicina 60
violacea 21
virginea 56
vulgaris 63
wagneri 75, 92
ypiranguensis 34
Vespa V, VI, VIII, XI, XII, | zethus XIX
XIII, XIV, XVII, XIX, XX | zonathus 72
APPENDICE
Notas sobre algumas especies brazileiras
de vespideos sociaes
19. Clypearia apicipennis (Spin. ) — Existe
em ambas as margens do valle alluvial do baixo
Amazonas e não sómente ao Norte deste ( como
sahira por engano, na obra citada n. 25).
23. Metapolybia pediculata ( Sauss. ) — Cor-
doba ( Rep. Argentina), Mus. Berlim.
28. Polybia catillifex Mocb. — O exemplar
de Venezuela, conservado no Museu Paulista e ci-
tado em diversos trabalhos, não pertence a esta
especie. |
29. Polybia fastediosuscula Sampaio Ducke.
— Rio de Janeiro ( A. Ducke, Mus. Para ).
39. Polybia atra Sauss. — Citada tambem do
Chile (o. c. 11), o que é certamente devido a uma
etiqueta errada. Não se conhece vespa social alguma
nesta republica.
SO. Polybia sericea (Ol) — Por um erro
de revisão, na o. c. n. 30 sahiu « Guatemala» em
logar de «Currumalän » (Rep. Argentina), sendo
este erro reproduzido nas o. c. ns. 19, 21 e 25.
31. Polybia chrysothorax ( Web.) — A loca-
lidade « Mendoza» (o. c. n. 11) é provavelmente
errada, sendo a especie em questão puramente tro-
pical. Na Rep. Argentina (Chaco) existe, porém,
uma variedade da sericea em que a cor vermelha
desapparece quasi por completo.
40. Polybia micans Ducke — Colombia ( Mus.
Berlim ).
47. Polybra rejecta (F) — Bahia (Mus. Berlim.)
48. Polybia bifasciala heydeniana: Sauss. —
Subspecie meridional, caracterisada pela ausencia
vet 368 la vi
total ou quasi total dos desenhos amarellos. — No
Museu de Berlim ha exemplares do Rio de Janeiro
da forma typica e de uma transição desta à subes-
pecie heydeniana
O1. Polybia sulcata Sauss. — Guyana hollan-
deza, Paramaribo ( Mus. Berlim ).
01. Polybia fasciata Sauss. — Os exemplares
mencionados de Marcapata e Surinam (0. c. n. 30)
não pertencem a esta especie.
59. Gymnopolybia angulata ornata Ducke
— Perú: Iliancabamba, Cerro de Pasco ( 600 —
10000 pés), Mus. Berlim.
60. Gyinnopolybia vicina (Sauss.) — Os exem-
places com a etiqueta Myrapetra brunnea Curtis
que eu vi no British Museum, pertencem a esta es-
pezie, porém, Meade Waldo (o. c. n. 32) da a
brunnea como identica à Polybia rejecta.
GT Gymnopolibya pallidipes anceps Sauss, —
Segundo Sanssure, esta subspecie seria do Brazil,
porêm, typos, conservados no British Museum, não
trazem indicação da patria, e todos os exemplares
que eu vi em outros museus são da Golombia,
62. Gymnopolybia meridionalis (R. lh.)—
Polybia multipicta ( Hal ). Sauss. Será talvez esta
especie, visto nenhuria outra, da fauna de Säo Paulo,
possuir cor e desenhos que melbor correspondam à
descripçäo dada peio auctor. Haliday descreveu a sua
especie de São Paulo, porém nas collecções antigas
as indicações das localidades não merecem muita
confiança. — Stelopolybia meridionalis é conhecida
tambem no Rio de Janeiro (A. Ducke, Mus. Pará).
65. Stepolybia infernalis (Sauss.) — Os espe-
cimens de Venezuela, existentes no Museu Paulista
(o. c. n. 30), não pertencem a esta especie.
67. Stelopolbia obidensis Ducke — Serra de
Cupaty, na parte amazonica da Republica da Colom-
bia (A. Ducke, Mus. Pará).
77. Lipomeles lameilaria Moeb. (Mus. Belém).
XIX genero, Mischocytlarus Sauss. — O ge-
nero Mischocyllarus, nos limites da descripção ori-
ginal, não é mais do que um pequeno grupo de
Fr
especies dum grande genero, até ha pouco tempo,
confundido, na maioria das especies, com o genero
Polybia, do qual eu o separei em 1904 como ge-
nero novo, Megacanthopus. Portanto, seria justo
incorporar Mischocyttarus como subgenero ou grupo
de esvecies ao grande genero Megacanthopus, po-
rém, segundo as regras actualmente vigentes da no-
menclatura zoologica. o primeiro nome deverá ser
conservado, embora primitivamente empregado num
sentido muito mais restricto. — Monacanthocneiniis
é, segundo o meu actual modo de vêr, sómente um
subgenero, caracterisadc por uma unica differença
na morphologia, sem que haja, entretanto, diversi-
dade ethologica.
19. Mischocyttarus drewseni Sauss. — No Mu-
seu de Berlim ha exemplares de Bogota ( Colombia )
e do departamento de Cuzco ( Peri).
80. Mischocyltarus smith: Sauss. — Belém do
Pará ( Ducke, Mus. Para); um exemplar da Guya-
na franceza no Mus. de Paris. Concordam com o
typo de Londres. Esta especie distingue-se pelo pe-
ciolo do abdomen mais dilatado na parte terminal
do que M. labatus, e pela cor inteiramente preta
do corpo.
81. Mischocyttarus’ flavicans (EF), Rio Ma-
deira ( Mus. Pará), La Mana (Mus. Paris), Ca-
yenna ( Mus. Turim ); subsp. carbonarius de Ca-
yenna (Mus. Pariz) e Inhangapy, Pará ( Mus.
Berlim ). Entre as das subspecies ha todas as tran-
sicdes.
82. Mischocyttarus pseudomimeticus W. A.
Schulz — Obidos ( Mus. Para). Os &d têm os ul-
timos articulos das antennas bastante adelgacados e
enrolados.
84. Mischocyttarus ater (OL) — Mexico e Mi-
siones (Mus. Pariz); Costa Rica (Mus. Vienna);
Iquitos (Mus. Budapest); Venezuela (Mus. Para).
85. Mischocyttarus frontalis (Fox). — Anten-
nas de & acuminadas na extremidade (Fox).
S6. Mischocyttarus rufidens (Sauss.). — Vi em
Londres o typo da Polybia pallidipectus Sauss., que
é a especie presente. Antennas dos & &º fracamente
adelgaçadas e não distinctamente enroladas (na o. c.
22 houve engano !). Conhecido ainda de Bogotá
( Mus. Berlim ).
87. Mischocyttarus cassununga (KR. v. lb)
— Santa Catharina ( Mus. Berlim ).
88. Michocyttarus metathoracicus ( Sauss.)
— Forma typica tambem da Republica de Colombia
(Mus. Pariz) e da Bahia (Mus. Berlim ). — Pelo
sr. A. W. Bertoni recebi um exemplar da seguinte
forma meridional da especie.
M. INJUCUNDUS BERTONII, 7. subsp.: A forma
typica differt corpore nígro, solum clypei disco et
apice scutelioque rufescentibus, postscutello toto, ma-
culis duabus magnis longitudinalibus segmenti me-
diani, fasciaque anteapicali segmenti dorsalis primi
laete flavis, alis grisescentibus, margine anteriore et
praecipue cellula radiali plus minusre infuscatis.
Lineae flavae minus conspicuae adsunt: orbitis, pro-
noti margine postico, segmentorum abdominalium
2 et 3 marginibus apicalibus, coxis, trochanterum,
femorum tibiarumque apice q &. Paraguay, Alto
Paraná, Puerto Bertoni ( A. W. Bertoni, Mus. Pará).
Esta variedade ( raça meridional) parece-se à
primeira vista muito mais com o JL mufidens ou
frontalis do que com o injucundus, porém a inspec-
ção dos caracteres morphologicos esclarece-nos logo
sobre a sua posição no systema. Aliás, conheço
uma forma do injucundus do Perú amazonico, que
indica uma transição da forma commum da especie
à variedade agora descripta, sendo o corpo quasi com-
pletamente preto, porém com os desenhos ainda pal-
lidos e as azas ainda bastante ferrugineo-amarelladas.
90. Alischocyttarus punctatus Ducke — Mexico,
Córdoba, ( Mus. de Genebra ); Trinidad (Mus. Lon-
dres). Os exemplares mexicanos tem o vertice e
thorax todo, fortemente pontuados. Os Jd desta
“especie têm as antennas adelgaçadas e enroladas na
parte terminal. — Segundo infurmações obtidas pelo
dr. I]. von lhering, o ninho filiforme desta especie
é conhecido no Rio Grande do Sul.
DATENT
91. Mischocyttarus tapura ( W..A. Schulz)
— Nao conhego esta especie, collocada pelo autor
(o. ce. n. 39) no parentesco de M. punctatus. Pela
descripção, ella parece ter muita affinidade ao JZ.
wagner, distinguindo-se, porém, deste pela escul-
ptura do thorax e pelos ocellos que formam um
triangulo baixo.
92. Mischocytlarus wagner: ( Buysson ).— Vi
o typo, conservado no Museu de Pariz. — E” uma
especie de côr fundamental pardo escura com de-
senhos mediocres, com os ocellos em triangulo equi-
latero, o mesonoto sem esculptura distincta, o pri-
meiro segmento abdominal do comprimento do thorax.
93. Mischocyttorus collaris Ducke — No Mu-
seu de Pariz existem exemplares do Rio de Janeiro
que, como do Maranhão e de S. Paulo, têm o pro-
noto menos perfeitamente arrendondado do e: os
exemplares amazonicos e guyanezes, send, poré
a conformação do ultimo articulo das antennas ds
SS a mesma em todos os individuos, sem distin-
cção da procedencia. Exemplares do planalto de
Santa Catharina, com a mesma forma do pronoto,
existem no Museu de Berlim.
94. Mischocuyttarus lecomtei Ducke — Vi no
Museu de Pariz, o typo da Polybia ostenta, que é
um exemplar da presente especie, em que, devido
à posição das pernas, os espinhos dos tarsos são
dificilmente visiveis. Nesta especie, cs lobulos spi-
niformes dos tarsos são aliás menos compridos que
em todas as outras do mesmo genero.
95. Mischocyttarus artifex Ducke — Tambem
no médio Tapajoz: (Cachoeira do Mangabal ( A.
Ducke, Museu Pará ).
97. Mischocyitarus surinamensis ( Sauss.) —
Variavel em côr (ha exemplares d'um airarello
testaceo carregado, e outros tão pallidos, que são
quasi esbranquiçados ), tamanho, 2 até certo ponio
mesmo na forma e no comprimento do peciolo do
abdomen. A fórma mencionada na o. c. n. 22 como
M. cerberus Buyss. i L é provavelmente uma va-
riedade com o peciolo mais curto e mais cylindrico.
— No Museu de Pariz, coll. Sichel, existe um
exemplar do M. surinamensis com a etiqueta «Cuba»
que é certamente errada. No Museu de Berlim ha
exemplares do Perú ( departam. Cuzco ), da Bolivia
e da Bahia.
98. Mischocyttarus phthisicus ( 1.) — Extre-
mamente variavel nacor, que passa dum amarello cla-
ro cor de enxofre (Dasemacula) ou pardacento (alfkenz)
até um pardo escuro quasi preto. Exemplares desta
cor, do Rio Grande do Sul (onde se encontram
tambem individuos muito claros, qrasi da cor da
subsp. basimacula, além de todas as transições entre
estes dois extre nos ) assemelham-se excessivamente
ao M. cassununga, porém, conservam sempre ao
menos parte da cara amareliada. — As antennas dos
Sd, que têm o articulc terminal apenas um pouco
adelgaçado, distinguem o M. phthisicus de todas as
especies parecidas. A largura do thorax e do pe-
ciolo do abdomen estão sujeitas a alguma variabi-
lidade. A forma alfkeni, unica que occorre na Ama-
zonia, é-me conhecida, para o Sul, até a Bahia (Mus.
Pariz); as variedades claras do Sul do Brazil e do
Paraguay differem um pouco.
103. Polistes cavapyta Sauss. — Esta especie
é muito instavel na cor, porém, facil de conhecer
pela pontuação distincta dos flancos do thorax. Ella
encontra-se na região subtropical e temperada ?us-
tral, e no Mexicc, sem ser conhecida dos paizes
intermedios (uma distribuição semelhante 4 do
apideo Huglossa violacea Blanch. ). Uma variedade
do P. cavapyla, do Rio Grande do Sul, foi por
alguns autores corsiderada como sendo o P. spr-
nolae Sauss., porém bastam, na descripção do ul-
timo, as phrases « métathorax offrant des stries três
indistinctes » e « antennes rousses, la moitié externe
noire en dessus» para vêr que se trata d'uma es-
pecie evidentemente diversa.
104. Polystes versicolor ( Ol.) — O typo do
P. consobrinus, no Museu de Genebra, é um exem-
plar escuro desta especie.
TAN D
105. Polistes aterrtinus Sauss Aparentado
com o P. goeldiz, porém sem o brilho azul deste,
e com estrias fortissimas no segmento mediano. No
Museu de Paris existem exemplares de Colombia e
Venezuela, seudo o ultimo uma forma de transição
à subsp. rufidens, Sauss., a qual se distingue pela
cor ferruginea que apparece em maior ou menor
extensão na cara, nas azas e nas pernas. Saussure
indica como patria do À. aterrimus a Amaxvonia, e
na colleeção do inesmo naturalista, conservada no
Museu de Genebra, existe um exemplar da subsp.
rufidens com a etiqueta «Brazil»; nas collecções
modernas, porém, só se encontram especimens dos
paizes andinos e é com forte duvida, que incluo esta
especie na lista das vespas brazileiras.
107. Polistes subsericeus Sauss. — Surinam
( Mus. Vienna), provavelmente nas savannas; no
Estado do Pará exclnsivamente limitado aos campos
( Calçoene , no litoral da Guyana brazileira; Monte
Alegre, Ariramba e Faro na Amazonia inferior. —
A. Ducke, Mus. Pará ).
108. Polistes ruficornis Sauss. Forma typica :
Panama, Peru, departamento de Cuzco ( Mus. Ber-
lim); subsp. biglumoides Ducke: Saint Laurent
du Maroni ( Mus. Pará): no Estado do Pará ex-
clusivamente nos campos’ Calgoene, Ilha de Ma-
rajó, Ilha Mexiana, Almeirim, Monte Alegre, A.
Ducke. Mus. Para). No Mus. Pariz vi exemplares
desta fórma da Colombia e de Pernambuco.
115. Polistes occipitalis Ducke — Colombia
(Mas. Pariz ); Perú amazonico, Iquitos ( A. Ducke,
Mus. Para ).
117. Polistes melanosoma Sauss. Vi, no « Bri-
tish Museum», o typo do P. deceptor Schulz, sy-
nonymo desta especie. — O Polistes candido: R.
von Ihering 1903 & morphologicamente igual ao
melanosoma, porém ornado de desenhos saturada-
mente amarellos, lembrando a Stelopolybia angulata
ornala, que tambem occorre na Bolivia, patria do
P candido:, Faltam-me ainda as formas de tran-
sição para assignar ao P. candidoi o seu logar no
ae tS
systema como raça local do melanosoma, como ja
pude fazer com as mencionadas formas de Stelo-
polybra.
118. Polistes pacificus F.— Forma typica:
Mexico e Bahia (Mus. Pariz), Colombia ( Mus.
Para). Nos exemplares da Amazonia superior, o
abdomen é muito escaro. A subsp. FLAVOPICTUS 7.
subsp. ( actaeon Ducke, não Hal.) é a raça meéri-
dional da especie, occorrendo no Estado da Bahia
ambas as formas.
119. Polistes actaeon Heliday. — Bertoni ( o.
cit. n. 2) concorda commigo quanto à prodigiosa
variabilidade desta especie, da qual eu conheço as
formas principaes seguintes, ligadas (cada uma a
todas as outras ) por todas as transições imaginavels :
Forma typica — ( limar R. Ih.), ben: preta, sedosa
com reflexos prateadcs, com poucos desenhos d'um
amarello pallido. — Subsp. cinerasceus Sauss., com
fortes desenhos amarellos, e com a pennugem do
corpo e as azas mais ou menos amarelladas ou
pardacentas. — Subsp. liliaceusculus Sauss., com
o thorax e abdomen em grande parte vermelhos. —
Subsp. obscurus Sauss., preta com desenhos insigni-
ficantes, ds vezes da côr do P. melanosoma ( azas
e tomento do thorax, ferrugineos ), porém, facil de
distinguir pela forma do primeiro segmento abdo-
minal, Encontrei esta variedade no Rio de Janeiro
e em Barbacena, Minas Geraes ( Mus. Pará). e
obtive-a tambem de Puerto Bertoni, pelo sr. A. de
W. Bertoni.
120. Polistes liliaciosus Sauss. — Na o. cit.
n. 17 mencionei esta especie como achada ro Oyapoc
quando se trata dum exemplar do P. actaeon lilra-
ceusculus.
NOTAS IXODIDOLOGICAS
PELO
DR. HENRIQUE DE REAUREPAIRE ARAGÃO
ASSISTENTE DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ
as . - RE = 4" ae L ¥
Lt RE EN se ae SM q Se tia A
3 DO VA cai - PARA eee Roo NT
: (Sere Ra ir ts ae
y tt ] Toth | ‘ Py hel) a Re ,
ine PE ROL rue Ae OR
g Ë 3 | CT ANT NI Oba
, | oy, RS AR Pd LATE
, £ f £ cdi q br
' PAPA
NOTAS IXODIDOLOGICAS
PELO
Dr. Henrique de Beaurepaire Aragäo,
Assistente do Instituto Oswaldo Cruz
Correspondendo ao convite que nos fez o ac-
tual Director do Museu Paulista, o exmo. sr. profes-
sor AFFONSO D'ESCRAGNOLLE TAUNAY, para
collaborar na Revista do Museu, escolhemos para
assumpto de nossa contribuição o estudo de algumas
questões referentes à fauna brazileira de Ixodidas, a
sua nomenclatura systematica, e distribuição geo-
graphica de varias especies.
Ha muito que estavamos para elaborar este traba-
lho e agora se nos offereceu para eile opportuni-
dade muito favoravel com o estudo que tivemos
occasião de fazer do material do Museu Paulista,
muito amavelmente posto à nossa disposição pelo
seu illustre Director, ao qual aqui deixamos regis-
trados nossos mais sinceros agradecimentos.
À A variedade do assumpto nos levou a dividir
o trabalho em differentes capitulos.
I
Fauna brazileira de Ixodidas
Nossa fauna de Ixodidas é bastante reduzida,
não encerrando, ao todo, actualmente, mais de 40
especies absolutamente indiscutiveis, após a elimi-
nação daquelles que cahiram em synonymia ou pa-
recem indeterminaveis, mas ainda são mencionados
por NEUMANN nas suas memorias sobre Ixodidas,
embora já não entrem nas suas chaves de classifi-
cação. Tal é o caso das seguintes especies: Aiz-
blyomma denticulatum G. L. KOCH 1844, Am-
blyomma rolundatum G. L. KOCH 1844 e o Am-
blyomma infumatum G. L. KOCH 1844, cujas de-
scripções e gravuras são muito deficientes e os typos
parecem não mais existir no Museu de Berlim, pois
NEUMANN, que examinou o material de KOCH, a
elles não se refere.
Tambem algumas das especies mais recerte-
mente descriptas devem ser postas em synonymia,
como por exemplo, Amblgomina uncatum NUTT.
e WARB. 1907 = Ambl: omma nodosum Nn. 1899 ;
Amblyomma longirostrum COOPER e ROBINSON
1908 = Amblyomma humerale G. L. KOCH 1844;
Amblyomma V--notatum NUTTALL 1910 = Am-
blyoinma geayt Nu. 1899; Memaphysalis leporis
var. proxima ARAGAO 1911; = Hemaphysalis le-
poris palustris PACKARD 1869 (como propõem
NUTTALL e WARBURTON em 1915); Am-
blyomina conspreunim ARAGAO 1913 = Amblyom-
ma pectum Nn. 1906; Aimblyomina concolor Nn.
1899 = Amblyomma auriculare CONIL 1878.
A explicação para a nossa pobreza faunistica
em relação aos carrapatos parece encontrar explica-
ção no facto de não possuirmos tantos nem tão
grandes e variados mammiferos como os existentes
no velho mundo, na Asia e na Africa especialmente.
Os carrapatos brazileiros se acham distribuidos
pelos seguintes generos: Argas LATR. 1796, Or-
nithodorus G. L. KOCH 1844, Zrodes LATR. 1795,
Ambliomma GC. L. KOCH 1844, Haemaphysalis C.
L. KOCH 1844, Rhipicephalus G. L. KOCH 1844,
e Boophilus CURTICE 1890.
Embora bastante differente dos verdadeiros car-
rapatos, convém addicionar à lista acima o genero
Spelaeorynchus, colocado por NEUMANN entre os
Ixodidas aliás como representante de uma familia
aparte.
Não são conhecidos entre nós até agora repre-
sentantes dos generos Cerativodes Nn. 1902, Apo-
nomma No. 1899, Hyalomma C. L. KOCH 1844,
Dermacentor CG 14 KOCH 1844, Rhipicentor
a
NUTT. e WALB. 1907 e dos verdadeiros Marga-
ropus KARSH 1879. Destes generos inexistentes
entre nós, só são seguramente conhecidos na Ame-
rica do Sul, Ceratixodes e Margaropus ( sensu stri-
ctu ) cujo typo de KARSH foi dado como prove-
niente do Chile. Deve ser considerada duvidosa a
presença de Aponomina laeve Nn. 1899, na Pata-
gonia como, com acerto, pondéra LAHILLE, que
tambem assignala muito razoavelmente ser pouco
provavel a existencia Je Dermacentor triangulus
Nn. na Republica Argentina, pois a descripção de
NEUMAMN se baseia em um exemplar femeo in-
completo, o que lhe tira muito o valor.
Convém ainda accrescentar que após as referen-
cias de NEUMANN nenhuma dessas especies foi de
novo encontrada na Republica Argentina ou em
qualquer outro ponto da America do Sul. |
Quanto ao genero Ceratixodes, embora ainda
não tivessem sido assignalados representantes delles
entre nós, não é de todo impossivel o seu appare-
cimento aqui trazidos pelas aves marinhas das re-
giões antarcticas que às vezes nos visitam como, por
exemplo, os pingouins austraes ( Spheniscus mangel-
lanicus FORST. )
Estas aves das regiões polares não raro appa-
recem, em grandes bandos, em differentes pontos da
costa sul do Brazil, trazidas pelas correntes mari-
nhas. Frequentemente chegam ellas atê o Rio de
Janeiro e ainda em meados de 1915 um bando de
umas duas centenas de pingouins penetrou na nossa
bahia e foi visto durante cêrca de um mez na en-
seada de Botafogo, onde afinal, quasi todos fo-
ram apanhados pelos pescadores que os vendiam
como curiosidade. Em Santa Catharina, não raro,
chegam essas aves, aos milheiros, sendo até suas
pelles objecto de commercio. Independentemente da
caça que lhes é feita, elles não supportam o nosso
clima e afinal morrem ao cabo de algum tempo.
Não é difficil, portanto, que dadas as frequentes
incursões de pingouins ds nossas plagas, nos tragam
elles, assim como outras aves marinhas migradoras,
— 380 —
os seus carrapatos caracteristicos, e que aqui, na
falta destes habituaes hospedeiros, se adaptem taes
Ixodidas a outras aves marinhas nossas, como por
exemplo os biguás ( Plotus anhinga Linn.) e as
gaivotas ( Laurus sp. ?).
Vamos dar a seguir uma lista das especies
brazileiras de carrapatos, cuja existencia está per-
feitamente provada entre nós, excluindo della as
que, pelos motivos anteriormente indicados, devem
ser collocadas em synonymia, ou consideradas como
não identificaveis. Assim se estabelece na sua justa
e verdadeira expressão a nossa fauna de Ixodidas.
As especies que consideramos constituir a fau-
na ixodidologica brazileira são as seguintes:
LS Angaspersicus Mig Oe OKEN 1818
2, Ornithodoros-talage . . GUERIN-MENEVILE 1911
3 > rostratus . ARAGAO 1911
4. Ixodes fuscipes . . . C. L. KOCH 1849
De » loricatus Q . . G. NEUMANN 1899
6. » coxaefurcatus . G. NEUMANN 1899
7. Haemaphysalis cinnab -
PENS Toke Cian pa eens C. L. KOCH 1844
8. Haemaphysalis leporis
DOLUGTIOS as PACKARD 191t
9. Iaemaphysalis kochi. . ARAGÃO 1908
10. Rhipicephalus sangui-
(LT TN ga e RR RO LATREILLE 1829
11. Boophilus microplus . CANESTRINI 1890
12. Amblyomma agamum . ARAGÃO 1912
oe » albopictum. G. NEUMANN 1906
14. > america-
FERIU E LINNEO 1758
15. Amblyomma curiculare. CONIL 1878
16. > brasiliense. ARAGAO 1908
1 > cayennense. FAFRICIUS 1794
18. > calcara-
LL AU ACL PRO 3. NEUMANN 1899
19. Amblyomma coelebs . . 3. NEUMMAN 1899
— 381 —
20. Amblyomma cooperi . NUTT. & WARB. 1908
21. » dissimile C. L. KOCH 1844
22. > fossum. . G. NEUMANN 1899
25% » fulvum . . G. NEUMANN 1899
24. > Geayi G. NEUMANN 1899
25. » (Gtoeldii . .: G. NEUMANN 1899
26. > humerale . - C. L. KOCH 1844
27. > incisum . G. NEUMANN 1908
28. > longérostre . Clb. KOCH 1844
29. > maculatum. C. L. KOCH 1844
30. > mantiqui-
Te Ren a ARAGÃO 1908
31. Amblyomma nodosum G. NEUMANN 1899
32. > oblongogutta-
tum da de C. L. KOCH 1844
33. Amblyomma pacae ARAGAO 1911
34. > parvum ARAGAO 1911
35 » pictum . G. NEUMANN 1905
36. > pseudo-conco- Ki
RR Se ARAGÃO 1908
37. Amblyomma scalptura-
Lire RME G. NEUMANN 1906
G. NEUMANN 1899
C. L. KOCH 1844
C. L. KOCH 1844
38. Amblyomma scutatum
ao. >
40. »
striatum .
varium
Das 40 especies acima mencionadas 33 ou 71 °/,
pertencem ao genero Amblyomma que é o dominante
na nossa fauna; a elle se seguem os generos Hae-
maphysalis e leodes com 3 especies cada um, O
genero Ornithodoros com 2 especies e os generos
Argas, Rhipicephalus e Boophilus com uma espe-
cie cada um.
Dentre as especies existentes no Brasil, duas
são seguramente aqui importadas, o Argas persicus
OKEN e 0 Rhipicephalus sanguineus LATREILLE.
A primeira se acha ainda pouco disseminada no
paiz e localizada, quasi que exclusivamente, no lit-
toral; a segunda especie, de origem africana, foi
aqui importada, como em outros paizes, com os
cäes e se dissimina cada vez mais fortemente no
nosso territorio, transportado facilmente, de um ponto
para outro, pelos seus hospedeiros habituaes. O Rhe-
cephalus sanguineus & hoje uma especie conside-
rada cosmopolita.
VA
Denominações vulgares dos carrapatos
brasileiros
Em muitos paizes, especialmente naquelles em
que a importancia economica dos carrapatos é jus-
tamente comprehendida, tem-se procurado chamar
a attenção do povo para esses parasitos, por diver-
sos modos, especialmente dando-lhes designações
vulgares que, fixando certos caractères, os tórnam
mais accessiveis ao conhecimento das pessôas que
não têm nem precisam ter conhecimentos zoologicos
apurados no assumpto.
Deste modo os agricultores e criadores adqui-
rem facilmente noções praticas sobre o modo de
distinguir as differentes especies de carrapatos, dis-
pensando um estudo systematico sempre dificil e
complicado. Seguindo tal orientação, nos Estados
Unidos, nos territorios inglezes do sul da Africa,
na Europa etc. se tem adoptado ou officializado
para as differentes especies de ixodidas ou uma de-
signação vulgar preexistente, ou se têm creado no-
vas para as demais especies que ainda não tivessem
merecido a attenção do povo ou fossem por este
confundidos sob uma mesma denominação. Aliás, tal
orientação é seguida nos paizes em que os estudos
da natureza são tidos na devida conta, em relação
a tudo que a ella se refere, possuindo quasi todos
seus representantes designações populares junctamente
com as scientificas. Entre nós muito existe que
fazer e principalmente que systematizar no assum-
pto. Assim, os grandes animaes e muitos dos pe-
quenos e numerosas plantas, possúem nomes popu-
lares, embora às vezes estes soffram grandes alte-
sine:
393
rações e não pequenas confusões de um ponto para
outro do paiz, o que os tórna muitas vezes inapro-
veitaveis na pratica. A’ proporção, porém, que se
desce na escala zoologica e botanica as denomina-
ções vão tomando cada vez uma amplitude maior
e, afinal, «bicho» e «matto» abrangem todo o
desconhecido.
No que se refére aos carrapatos, poucos são
as especies que. entre nós, são conhecidas por uma
designação especial por terem de algum modo cha-
mado a attenção do povo.
Dada, porém, a importancia economica - geral,
dos carrapatos 6 as suas relações com a pathologia
humana e dos animaes, convém que nesse ponto,
desde já, adcptemos a orientação seguida pelos pai-
zes mais adeantados no assumpto dando designações
populares à maioria das nossas especies de carra-
patos e especialmente às que para nós têm impor-
tancia economica.
Os nomes vulgares dos carrapatos ou são a
consagração de designações populares preexistentes
que merecem ser mantidos e fixados do melhor
modo possivel, ou devem ser tirados de um caracter
particular à especie, quer se refira a um, detalhe
morphologico, à coloração, av parisitismo, à sua dis-
tribuição geographica etc. E” claro que baseada em
taes caractéres, a nomenclatura não pode ser de uma
precisão absoluta. nem esse é o seu objectivo, pois
pao é feita com o fim de estabelecer concurrencia à sua
congenere scieniifica. Nem sempre mesmo estas de-
neminagdes populares deixam de ser um tanto ar-
bitrarias. Assim os Americanos chamam ao Am-
blyomima cajennense FABRICIUS, de cayenne tick,
o que dá uma‘idéia muito restricta da distribuição
g-ographica desta especie, cuja área de disseminação
se extende do sul dos Estados Unidos até a Argen-
tina. Ni FABRICIUS deu, em 1794,a essa espécie
o nome de Amblyomma cajennense, foi porque re-
cebeu os primeiros exemplares della de Cayenna,
mas não parece justo que adoptemos tal criterio pal
designal-a vulgarmente quando sabemos que esse
carrapato é dos mais espalhados no continente ame-
ricano. Uma outra denominação que não nos parece
muito boa é a de Tropical horse tick, dada tambem
pelos Americanos ao Derinacentor nitens, cuja area
de distribuição abranje sómente uma parte limitada
dos tropicos, pois não é conhecido entre nós onde,
se assim quizessemos denominar uma especie, seria
o Amblyomma cajennense, sobre o qual cahiria
nossa escolha,
Para evitar taes inconvenientes, preferimos se-
guir os americanos na parte da nomenclatura em
que elles usam de designações que poem em fóco,
um característico do carrapato e o seu parisitismo
habitual, associando sempre que possivel os dous ele-
mentos de modo a tornar mais facil o reconhecimen-
to das especies, e para ellas chamar a attenção,
orientando o povo e interessando-o no assumpto.
Julgando absolutamente necessaria a introducçäo
de uma tal nomenclatura entre nós, vamos tentar
esboçal-a, esperando que, ulteriormente, possa ella
ser completada e aperfeiçõada.
Procurando realizar esse objectivo, começaremos
aproveitando as denominações populares já existentes
entre nós para algumas espécies e indicando para ou-
tras as que nos parecerem mais acceitaveis e praticas.
Uma das mais communs denominações dadas
pelo povo a carrapatos nossos é a de carrapato es-
trella ou rodoleiro pela qual em muitas regiões do
3razil & mais conhecida a forma adulta do Am-
blyomma cajennense FABRICIUS, provindo esses
nomes da forma em disco ( roda ) que tem c carra-
pato ou por lembrar vagamente uma estrella pela
disposição irradiante das patas e por certos desenhos
do escudo do macho.
Como porém taes aspectos são communs a varios
carrapatos, conviria conservar o nome de carrapato
estrela ou carrapato rodoleiro (1) para o Amblyom-
ma cajennense FABRIC., especie muito commum en-
tre nds no cavallo, mas que ataca egualmente todos os
(1) Segundo nos informou o Professor Meilo Leitão em
muito logares se diz redoleiro ao em vez de rodoleiro.
animaes de sangue quente, e até mesmo alguns
animaes de sangue frio.
Outra designação popular frequente no Brazil
é a de carrapatinho, com que ora se designam as
nymphas, ora as larvas de Amblyomma cajennense.
Estas ultimas, que tambem ainda são conhecidas
pelas denominações de micuim, carrapato polvora,
carrapato fogo etc., tornam-se muito numerosas na
estação secca, e perseguem cruelmente os animaes
e o homem que, por isso, lhe deu essas diversas de-
signações que lembram o seu aspecto e a sensação
pouco agradavel das saas picadas.
O nome de carrapatinho pensamos dever ser
reservado para a nympha do Amblyomina cajen-
nense, facilmente distinguivel da larva pelo maior
tamanho e por possuir 8 patas em logar de 6, que
tem esta.
Ein relação às larvas do Amblyomina cayennense
o nome de micuim deve ser mantido como mais
commum sômente é preciso crêar uma distincção
entre ellas e as larvas de outro acariano, um trom-
bidimm ( Leptus sp. ?) de especie ainda não deter-
minada, tambem conhecida pela mesma designação
popular de cum.
Este outro icuzm tem sido classificado, alias,
erroneamente, ccm o nome de Zetranychus moles-
tissimus. E o bicho colorado das regiões platinas
eo «pou d Agouti» dos francezes, que assim o
chamam por parasitarem elles muito frequentemente
as cotias ( Dusyprocla ) assim como tambem as
pacas ( Agouls paca RENG.) em tão grande abun-
dancia que chegam a formar manchas amarelladas
mais ou menos extensas no focinho, no abdome em
torno das mamas etc.
E" facil distinguir as duas espécies de micuim ;
o micuim larva de Ambl,omma cajennense tem um
colorido castanho, ao passo que o micuim larva de
Trombidium tem a côr amarello-alaranjado. Por-
tanto, para distinguil-os podemos chamar a primeira
variedade de mucus castanho e a segunda micuim
amarello.
Ambas as especies têm por habito se accumular
em grande numero embaixo de certas folhas for-
mando grandes colonias que permacem quasi im-
moveis até que sejam tocados pelo animal ou homem
que passa ao seu alcance; lançam-se então sobre a
sua victima ca picam impiedosamente, causando-lhe
insuportavel prurido e mau estar.
O micuim larva de carrapato é exclusivamente
representado, tanto quanto temos observado, pelas
larvas do Amblyomina cajennense, não parecende
que as larvas de outros Ixodidas tenham o habito
de, em massa, atacar o homem.
Um outro carrapato para o qual existe nome
popular é o Ornithodoros rostratus ARAGÃO, conhe-
cido em Matto-Grosso e Goyaz por « Carrapato do
Chão » pelo habito que tem de viver enterrado na
areia, no sólo das hab tações rusticas e palhoças que
là constroe a gente pcbre sendo, os homens e ani-
maes que nellas habitam, muito perseguidos por esses
argasideos, cujas picadas são tidas como dolorosas
e insupportaveis, quando em grande numero.
Ainda outra denominação dada pelo povo a um
de nossos Ixodidas é a de carrapato de galinha,
pela qual é conhecido entre nós o Argas persicus.
OKEN, cuja habitat de predilecçäo, entre nós, é nos
gallinheiros, cujas frestas escolhe para seu abrigo.
Tambem um carrapato conhecido por nome
popular é a nympha de Amblyomma longirostre
G. L. KOCH, o carrapato de passarinho, pelo
facto de ser co »mumente encontrado parasitando
aves ( Zurdus, Cassicus, Saltador, Penelope Cro-
tophaga etc
Quanto às demais especies que possuimos, não
têm, ao que saibamos, uma designação peculiar; no
maximo ha referencias 90 animal por ellas parasi-
tado. Assim se diz carrapato de boi, de cão, de ca-
pivara etc., sem que haja qualquer ideia de deter-
minação especifica, mesmo porque, geralmente, taes
animaes são parasilados por mais de uma especie
de carrapato que o povo confunde completamente,
PE E A ti
Apresentamos em seguida uma lista de alguns
carrapatos brasileiros com as denominações popula-
res que ja possiem e outras que julgamos poderem
ser aconselhadas para elles. Tass denominações se
referem especialmente aos machos pois que as fe-
meas não apresentam caracteres distinctivos muito
precisos. Assim temos :
« Carrapato de gallinha — Argas per-icus OKEN.
« Carrapato do Chao — Ornithodoros rostratus
ARAGÃO
« Carrapato estrella — Amblyomma cajennense PA-
BRICIUS.
« Carrapatinho — nympha de Amblyomma cajen-
nense FABRICIUS.
« Micuim escnro — larva de Ambl,omma cajennen-
se FABICIUS.
« Micuim amarello — larva de Tronibediuin ( Lep-
tus sp?)
« Carrapato de pernas pretas da gamba
loricalus Nn.
« Carrapato de pernas pretas da paca — /xodes /us-
cipes C. L. COCH.
« Carrapato meudo do veado — Paemuphysalis ho-
cha ARAGÃO
« Carrapato do coelho do matto — Haemaphysalis
leporis palustris PACK.
« Carrapato castanho da paca — Ainblyomma pacae
ARAGÃO.
« Carrapate vermelho do tatu — Ainblyoming au-
riculare CONIL.
« Carraparo castanho do tati — Ainbl; omina pseudo
concolor ARAGÃO.
« Carrapato da iguana — Ambl,omina dissimile C.
L. KOCH
lxodes
« Carrapato do sapo — Aimbliomina agamuim ARA-
GAO.
« Carrapato escuro do kagado — Amblonima hu-
merale G. L. KOCH.
« Carrapato do ouriço cacheiro — amblyomina lon-
grrostre E Eni ROCK
pe. 388 aes
« Carrapato de passarinho — Nympha de Amblyom-
ma longirostre G. L. KOCH.
« Carrapato amarello do porco do matto — Ainbly-
omma mantiquirense ARAGÃO.
« Carrapato com festões prolongados do porco do
matto — Amblyomma brasiliense ARAGÃO.
Carrapato com festões incisados da anta — Am-
bliomma incisum Nn.
« Carrapato vermelho do cão — Rhipicephalus san-
guineus LATREILLE.
« Carrapato amarello do cão — Ambl,omma_ stria-
tum C. L KOCH. ;
« Carrapato castanho brilhante do cão — Amblpom-
ma fossum Nn.
« Carrapato de listras brancas do cão — Amblyom-
ma maculatuin G. L. KOCH.
« Carrapato sul americano do boi — Loophilus mi-
croplus GANN.
« Carrapato castanho escuro da preguiga— Ambl,,-
omma variwm G. L. KOCH
« Carrapato castanho claro da preguiça — Ambli;-
omma Geaye Nn.
« Carrapato esbranquiçado da capivara — Amblyoim-
ma cooper: NUTT. e WARB.
«
E" claro que os caractères aproveitados nesta
nomenclatura não pódem ter uma exactidão abso-
luta, mas na pratica serão de grande utilidade para
orientação dos interessados no assumpto, auxiliando
o reconhecimento aproximado de muitas especies, e
fornecendo-lhes um criterio razoavel pelo qual se
possam guiar as suas pesquisas.
HI
Classificação dos Ixodidas
Não é nosso objectivo nem se enquadra na na-
tureza deste trabalho fazer nelle um estudo detalha-
do dos differentes systemas de classificação até agora
PT ON
propostas para os carrapatos. Sobre o assumpio
existem varios trabalhos, cuja leitura se recommen-
da e destes, especialmente, o recente e muito com-
pleto de NUTTALL e WARBURTON na sua «Mo-
nograph of Ticks”, Part. II.
Apreciando, portanto, o assumpto de um modo
geral vejamos quaes os caracteres mais usados pelos
autores para classificação dos carrapatos.
A separação dos lxodidae das Argasidæ é fa-
cil, levando em conta a presença ou ausencia de es-
cudo, o que os distingue perfeitamente. Tambem
não é difficil encontrar elemento preciso para divi-
são das Arga-idae nos dous generos Argas e Ur
nithodorus pela differenc'açäo ou não das bórdas do
corpo. |
Quando porém se abordam os Ixodidae, os
carrapatos propriamente ditos, se tórna mais ardua
e mais complicada a escolha de bons caracteres dif-
ferenciaes entre os diversos agrupamentos, toman-
do cada auctor este ou aquelle que reputa melhor de
accôrdo com a sua opinião pessoal, Desses cara-
cteres uns são communs aos machos e às femeas
dos Ixodidae, e por isso melhores, devendo ser de
preferencia adoptados a aquelles que apenas se en-
contram nos individuos do sexo masculino.
Dos caracteres communs a ambos os sexos 0
primeiro aproveitado nas classificações dos lxodidie
foi o comprimento dos palpos ou do rostro, sendo
elles divididos em carrapatos de rostro ou palpos
longos e curtos, si bem que com tal caracter nem
sempre possa ser facilinente apreciado. Por isso pen-
saram outros autores que melhor seria tomar para
base da classificação a presença ou ausencia de pla-
cas ventraes nos individuos de sexo masculino, o
que, além de ser elemento unilateral, tem a des-
vantagem de crear grupamentos um tanto hetero-
geneos. () mesmo se póde dizer de uma classifica-
ção fundamentalmente baseada na presença ou au-
sencia de olhos, embora este elemento pertenço a
ambos os sexos.
nd: ee
Todos estes caracteres tem, porém, um grande
valor no estabelecimento das sub-divisões do syste-
ma e permittem, quando bem aproveitados, uma re-
união bastante homogenea dos grupamentos affins.
Um elemento morphologico, cujo valor é hoje
geralmente reconhecido e por isso admitido, sem
discrepancia, por quasi todas as auctoridades no as-
sumpto, foi introduzido na sistematica dos Ixodidas,
pouco mais ou menos ao mesmo tempo, por BANKS
e WARBURTON.
Tomam estes auctores como base para sua ini-
cial divisão dos Ixodidas e localização do sulco anal
adeante ou atraz do anus, caracter este que, além
de muito precioso, tem a vantagem de pertencer a
ambos os sexos. BANKS que foi quem mais se es-
forçou por dispensar na sua classificação os caracte-
res dependentes do sexo do carrapato, procura in-
troduzir como elemento differencial dos diversos
grupamentos de Ixodidas a forma do capitulo e dos
palpos, além da presença dos olhos, o comprimento
do rostro etc. já usados por outros autores.
Quando à posição dos Ixodidas no systema dos
acarianos tambem varia a opinião dos autores mais
modernos. Assim NEUMANN. no seu ultimo tra-
balho de 1913, colloca-os entre os acarianos como
constituindo uma familia com 2 sub-familias Jyxo-
dinze, Speleaovhynchmae, dividida a primeira em se-
eções, tribus etc. com 10 generos, tomando como base
para classificação dos Ixodidas como CANNESRINI
e LAHILLE, a presença, o numero e ausencia de
placas ventraes no macho. LAHILLE crêa para os
Ixodidas, na ordem dos acarianos, a sub-ordem dos
Arpagostoma. BANKS, DON:TZ, NUTTALL e
WARBURTON collocam os carrapatos na super-fa-
milia Zroidoidea, creala em 1904 por BANKS e
a sub-dividem em duas familias com um numero
variavel de generos. E’ esta a orientação hoje mais
seguida. Nenhum destes auctores admitte o genero
Neumaniella LAHILLE, 1905 que foi baseado na
supposta ausencia do sulco anal no Aponomina trans-
versale LUCAS. Quanto aos generas Zrodes, Cera-
LA he nail
tixodes e Eschalocephalus, WARBURTON, DONITZ
e NUTTALL e WARBURTON os reunem em um
só genero /xodes, não vendo motivos para a inclu-
são em genero aparte do Ixodes patus PACKARD
e CAMBRIDGE 1878 e do Zxodes vespertilionis
C. L. COCH 1844. BANKS, porém, considera, a
nosso ver com toda a razão, o genero Ceratixode:
como perfeitamente distincto do genero Ixodes. Na
verdade, o Cerativodes putus se distingue perfeita-
mente dos Ixodes pela forma dos palpos, pela mor-
phologia geral, peta presença dos 5 festões poste-
riores providos de cerdas caracteristicas, pela inser-
ção das carunculas ete. etc.
NEUMANN mantem os 3 generos Ixodes, Es-
chalocephalus e Ceratixodes com o caracter de
sub-generos do genero Erixodes — sub-divisäo esta
que não nos parece muito razoavel nem vantajosa
sob o ponto de vista systematico.
No que respeita ao genero Rhiprcentor, NUT-
TALL e WARBURTON, embora ainda não acceito
por NEUMANN no seu trabalho no ‘Das Tier-
reich” 1913 é admittido pelos demais autores e nos
parece períeitamente justificado.
Em relação aos generos Boophilus GURTIGE
{891 e Margaropus KARSH 1878, provou cabal-
mente DONITZ que não ha razão para julgal-os sy-
nonymos como quer NEUMANN, que sem razão
considerou o Margaropus winthenwt KARSH, como
uma forma monstruosa de Doophilus microplus
CANN. NUTTALL e WARBURTON tambem con-
sideram distinctos os dous generos e pensamos ser
essa actualmente a opinião mais acertada no assumto.
Quanto à familia Spelaeorhynchidae OUDK-
MANS 1902, achamos justificada a inclusão della
feita por NEUMANN ao lado dos Ixodidas na sua
classificação apresentada em 1915.
Das considerações acima feitas e justificado
o modo de pensar dos differentes autores a respei-
to do assumpto, julgamos opportuno dizer qual a
maneira porque achamos razoavel que seja feita a
classificação dos Ixodidas.
= 107
Seguindo a opiniäo da maioria dos autores, col-
locamos os Ixodidas na superfamilia /xoëdoidea
BANKS 1904, a qual d'vidimos em 3 familias Arga-
sidae, Ixodidae e Speleao hynchidae incluindo nel-
las os 14 seguintes generos: Argas LATREILLE
1796, Ornithodoros C. L. KOCH 1844, Zrodes LA-
TREILLE 1795, Ceratixodes NEUMANN !:04,
Dermacentor G L. KOCH 1844 Haemaphysalis C. L.
KOCH 1844, Rhipicentor NUTT. e WARB. 1908,
Rhipicephalus G. L. KOCH 1844, BoophilusCUR-
TICE 1891, Margaropus KARSH 1879, Hvaloni-
ma CG. L. KOCH 1844, Amblsomina G. L. KOCH
1844, Aponomma Nn 1899, Spelaeorhynchus Nn
1902.
Apresentamos a seguir um schema das aflini-
dades destes differentes generos entre si e um esboço
para a classificação dos Ixodidas assim com uma
serie de chaves analyticas para a differenciação das
especies brasileiros de cada genero.
> ES
sngoydosrduyi
Duo qu y snpydoog — 4ojpwoaedeiy ey SOPOXIPDLIQ, SNAOPOJIUA()
snyouhywoajady puimopplizy vumou dy sndoiwhwopy 4OU995U410(T
sqoshydowar sa pox| soi
papi OploxyT
IS 94]U9 SEPIDOX] op SOJUID SHARP SOP SapepIUyJe ap sagdejas sep ELU)
snyouhysoavjads
puwuouod py
puwUolijqu y
puwmojolzy
sn db
snpiydoog
snpvydasrdeya
Lopuaordey yy
LOQUIDDUL LOT
s2posliydvwavyy]
Sapor2gqn.Lag
SopOXT
SRAOPOYJAUA()
svbup
. . . . . . . . .
* sovuepe suovrd
‘SUJOUTISIP SOBUBPE Se]
qeue-oid voerd 7
sopuvpe seorjd 7
. . . .
sovuepe svovid
[Baosexoy
opugtdeo op aseq /
* *avpnsuejod \
opugtdeo op osvq suourd
oub osaey stuur sodped sop omonie "€ |
sop ojnonar ,'€ SP
,
. . . . .
OprTOUQN
Op uo
* SOVUBPE
ose] onb oSuo sir sodped
OU SOUMOJISNF NO sopepnoruuvo sodyeg -IS [UUE oojns
. . . . .
‘avpryouhiywoajads :
SUR fe av ROUTO ines)
Was | 0.500]
ets. ROTO wood | OS 1Y
utoa |
\
{10 | \ À
S00}S0]
u109 \ wos
(* snue op
Zee opeuy
09 :
oJ1n9
01JS0W
soy[o uroo
$0480]
\ wood
wos
soq[o Woes
5 vu osuoy
2 ou sooruoa sodped |
(
- snue op 9}
|-uerpe openy
Ip OJUOUMS was
YIP ojuoungoy O9
SVOICOXE SO OVOVOLAISS VID
-Is [BUR cons
‘ SUSOUVIQUAN SENTUIR]
Bw sopizup
-21 SQULIOUI
POTES.
opnosoa
moo
DP t_poxry
[* *sopRiley
-JU9 seyuep
ep opRue
[BIqUI OT[t*
| Bul OPI8P
ua soprtu
-noa SOI[IXEN |
od109 OP SORTE] PHPAOET) Opnosod
mos
od109 Op sovioje] sepaog | apesvhup
PAPIOPIOX]
+ as
GHAVE ANALYTICA PARA DETERMINACAO DAS ESPECIES
£.
19
NO
perde,
Genero « Argas »
Corpo oblongo, cellulas
quadrangulares na mar-
gem
5 —
deo
Be
A. persicus
Genero « Ornithodorus» Seg
Corpo pontudo, cameros-
tomio invisivel, tarsos
inermes
Corpo redondo, cameros-
tomio, visivel pelo lado
dorsal, tarsos do 1.º par
providos de uma ponta em
cada extremidade
Genero « Zrodes »
Angulos posteriores da
base do rostro prolonga-
dos. Ara ale SR
Angulos posteriores da
base do rosto não a
gados
Base do capitulo sub-tri-
ASE Tks.
Base do capitulo trape-
zoidal .
O. talage
OD. vostratus
NES
I. fuscipes
1. coxaefurcalus
I. loricalus
Genero « Rhipicephalus » S e Q
Escudo sem manchas. com
ponctuagoes | numerosas,
desiguaes e regularmente
repartidas. .
Rh. sanguineus
Genero «Boophilus» 3 e ©
Palpos curtos, espessos,
angulosos, corpo do 5” ter-
>
minado em ponta, 4 filas
de dentes de cada lado
no hypostomio .
M.
Genero « Haeimaphysalis »
A
Quadris do 4.º par com
um espinho, pelo menos
tão longo quanto o arti-
culo SF Hain 1e
Quadris do 4.º par com
1 ponta curta
3.º Articulo dos palpos
com | ponta retrograda
em fórma de gancho .
2.º 3.º Articulo dos palpos
sem espinho retrogrado .
Haemaphysalis
3.º Articulo dos palpos
com uma ponta retrogra-
da em fórnia de gancho.
3.º Articulo dos palpos
sem ponta retrograda
Escudo quasi circular
dscado oval.
id.
vo
FT.
FT:
nu
G
ps
a,
o
o e
H.
nucroplu:
fo
cinnaderina
koclu
leporis-palustris
hocha
cinnaberina
H. leporis palustris
Genero « Ainblromina» ~
Sulco marginal presente
Sulco marginal ausente
Quadril do 1.º par com
uma só ponta ré
Quadril do 1.º par bicus-
pide en
Sulco marginal nitido, li-
mitando todos os festdes
Sulco marginal nitido, não
limitando os festões
A
16.
A.
14.
maculaluin
ao ASS FF
pel tue
CS
}
ve
(de)
10.
11.
+.
SER ve lc
Quadril do 4.° par com
um só tuberculo ou es-
pinho mais curto a 0
articulo |
Quadril do 4.º par com
um espinho, pele menos
tão longo quanto o arti-
a :
º Quadril com is es-
fes dos quaes, um pelo
menos não cobre o arti-
culo seguinte
1.º Quadril com dous es-
pinhos muito longos, co-
brindo o articulo segiunte
1.º Quadril com pontas
iguaes e fortes :
1º Quadril com pontas
desiguaes .
1. Articulo dos palpos
com uma forte saliencia
ventral. É
1.º Articulo dos palpos
sem saliencia ventral.
Face ventral pillosa’.
Face ventral glabra
Escudo castanho verme-
lho.
Escudo castanho amarel-
lado
Face dorsal la
cada
Face dorsal pastels com
manchas esverdeadas ou
amarellas . :
Angulos da base ae ros-
tro PT E
Angulos da base ao ros-
tro não salientes
Quadril do 1.º par com
pontas eguaes . . .
Cr
A. fo:sum
A. coeleb
Lord
i
8.
10.
A. parvum.
a
A. concolor
A. p'eudo-concolor
A. Cooperi
Il -
A. Geayi
pos
longirostre
A. oblongoguttatum
(99)
no:
At),
~
Quadril do 1.° par com
pontas deseguaes
Escudo liso. ;
Escudo com saliencias
Quadril do 1.º par com
duas pontas das quaes a
interna pelo menos não
cobre o articulo seguinte.
Quadril do 1.º par com
2 pontas cobrindo ambas
articulo seguinte . . .
Festôes com prolonga-
mentos ventraes quitino-
sos rectangulares
Festões com prolonga-
mentos ventraes chitino-
sos incisados na borda
poSteridr sos 40 cae meter ee
Quadrl do 4.º par bi-
CUSDITE ae oe
Quadril do 1.º par com
uma só ponta .
Quadril do 4.º par com
EMA SO DOLIR A ON a
Quadril do 4.º Se com 2
pontas . dela ate
Hypostomio com 3 filas
de dentes de cada lado
Hypostomio com quatro
filas de dentes de cada
lado +18
E scudo liso. ; és
Escudo com saliencias
Quadril do 1.º par com
2 espinhos dos quaes um
pelo menos longo .
Quadrii do 1.º par com
espinhos curtos.
Espinhos eguacs ou quasi
C2 udes . .
ispinhos deseguaes
398 —
{2
A. ainericanuinr
A. cajennense
A. striatuin
A. brasiliense
A, incisum
sp
A. albopicluin
18
26
19
29
20
A. varium
VV. — +
vo
2
°),
oo > a
Palpos nodosos.
Palpos não nodosos .
Escudo com pontuações
largas e superficiaes
Escudo com ponctuações
finas e profundas
Pontuações egualmente
distribuidas por todo o es-
cudo ES Su he
Pontuações faltando na
porção central do escudo.
Escudo liso, 2
Escudo com saliencias
2 Tuberosidades afasta-
das no 4.º quadril.
2 Pontas agudas proxi-
mas
Genero « Amblyomima» ¢
Quadril do 1.º par com
uma só ponta muito longa.
Quadril do 4.º oe Di
cuspide ++
Quadril do 4.º par com
uma ssomponta .... .
Quadril do 4º par bi-
cuspide UE
Hypostomio espatulado .
Hypestomio lanceolado .
Hypostomio com 3 filas
de dentes de cada lado
Hypostomio com 4 filas
de dentes de cada lado
Quadril do 1.º par com
dous espinhos muito mais
longos que o articulo sen-
do o externo maior e
agudo. ERRO e ma,
Quadril do 1. °#par com
2 espinhos pouco agu-
A. nodosuim
A. calcaratnm
A. inantiquirense
A. pacae
A. scutatuin
A. fulvum
A. Goeldit
A. pictuii
A. humerale
A. dissiinile
E
A. inaculatvin
A. longerostre
oO
>|
=
Go
10.
EE
13.
cados dos quaes um pelo
menos não excede a es-
pessura do articulo
Ponctuacdes profundas
deseguaes, desegualmente
distribuidas pelo escudo .
Pontuações eguaes, pro-
fundas, egualmente distri-
buidas pelo escudo.
Escudo com ponctuações
mais on menos eguaes
eguaimente distribuidas
por todo elles" ess es
Escudo com pontuações
grandes e superficiaes nas
porções lateraes e me-
diana anterior e finissimas
na porção posterior
Escudo com vestígios de
sulcos lateraes .
Escudo sem vestígios de
sulcos lateraes É
Escudo castanho verme-
lho. 5a ess
Escudo castanho ama-
rellownss = 4
Escudo subtriangular.
Escudo cordiforme
Quadril do 1.º par com
espinhos eguaes ou quasi
equaes. sf ah es
Quadril do 1.º p:r com
espinhos deseguaes.
Escudo esbranquiçado
BCD: castanho com
manchas fea]
Uma faixa escura me-
diana no angulo poste-
rior do escudo .
Escudo sem faixa me-
diana
=)
A.
A.
9
a0)
A. concolor
A. pseudo-concolor
11
19
12
16
13
fossum
striatum
A mantiquirense
. coopers
incisum
E —
+ ets
15.
16.
TE
19.
Face ventral glabra ou
com pelos muito raros
Face ventral pilosa .
Escudo com mancha me-
diana posterior, 2.° arti-
culo dos palpos 3 vezes
mais longo que o 3.º.
Escudo sem mancha me-
diana posterior, 2.º arti-
culo dos palpos 2 vezes
mais longo que o 8.º.
Escudo com manchas
brancas amarellas ou es-
verdeadas.
Esendo sem mancha.
Uma só mancha de colo-
rido metallico muito ni-
tida no angulo posterior
do escudo. .
Manchas espalhadas pelo
escudo .
Escudo com bordas cas-
tanho negras e colorido
esbranquiçado nitido late-
ral e posteriormente.
Escudo com bordas cas-
tanho claras e manchas
quasi imperceptiveis
Escudo esbranquiçado ou
cor de cobre . .
Escudo castanho claro
claro ou escuro com man-
chas . EUR “hs
2.° Articulo dos halves tão
longo quanto o 3.º
2.º Articulo dos palpos 2
vezes mais SA E 0
3
Quadril do 1.º. par com
2 espinhos fortes
15
A. oblongoguttatuin
A. calearatuin
A. nodosum
17
A. parvum
A. americanum
18
A. cajennense
A. pacae
A. coelebs
20
A. geayr
21
A. varium
—— 402 —_—
Quadril do 1.° par com 2
tuberosidades dentiformes. A. scutatum
22. Escudo triangular a ama-
rello . ... 2.116 U2 Scud) goma
Escudo cordiforme com
manchas esbranquiçadas . A. scalpturatwm
23. Uypostomio com 3 filhas
de dentes de cada lado . 24
Hypostomio com 4 filas
de dentes de cada lado . 25
24. Escudo subtriangular. . A. dissimile
Escudo cordiforme . . 26
29. Escudo com pontuações
profundas grandes eguaes
egualmente distribuidas . A. humerale
Escudo com pontuações
superficiaes grandes e pe-
quenas desegualmente dis-
tribuidas » 2. ... o 4. Ovasenense
26. Escudo manchado de ama-
rello 2 pp pese EA DNNERe
27. Escudo com uma só man-
cha no angulo posterior. A. goeldn
IV
Notas sobre algumas collecções
de Ixodidas
Em epochas diversas temos, por diversas ve-
zes, recebido de alguns dedicados colleccionadores
numerosos exemplares de Ixodidas, provenientes de
differentes pontos do territorio nacional. Além desta
valiosa contribuição ha ainda a juntar aqui o estu-
do do material pertencente ao Museu Paulista e que
já por duas vezes tivemos occasião de examinar em.
1907 e este anno.
O resultado do exame dessas collecções é par-
licularmente interessante no que respeita à distri-
buição geographica e parasitaria de muitas espécies.
Antes de entrar com maior detalhe no estudo do
assumpto cumpre-me agradecer muito sinceramente
às pessôas que tão desinteressadamente nos auxiliaram,
enviando-nos esse precioso material e cujos nomes
aqui deixamos com prazer registrados : srs. profes-
sores HERMANN v. IHERING, AFLONSO D'ES-
CRAGNOLLE TAUNAY, COSTA LIMA, drs. RU-
DOLPH v. IHERING, JOAO FLORENCIO GOMES,
LAURO TRAVASSOS, MARQUES DA CUNHA,
OLYMPIO DA FONSECA, SOUSA ARAUJO, e os
srs. GARBE, do Museu Paulista, e FISCHER e
THEOPHILO, funccionarios do Inst. Oswaldo Cruz.
CoLLECÇÃO DO MUSEU PAULISTA
Esta collecção comprehende 29 lotes. Com ex-
cepção d'um só lote, todos os demais estavam con-
servados em alcool. São ennumerados de accôrdo
com o registro do Museu.
Lote 155. 1 vidro com 45 ¢ de Boophilus micro-
plus CANN, em geral repletos de san-
gue; 1 de Amblyomma cajennense q
FABR. Material proveniente de Ypiran-
ga, Cidade de S. Paulo. Sem indicação
de hospedeiro.
Lote 157. Comprehendia 2 vidros Ns. 1 e 2.
Vidro n. 1. 2 Amblyomma cajennense
FABR. e 2 Amblyomma striatuin.
Cc. L. KOCH;
Vidro n. 2. 4 Amblyomina cajennense ¢.
Exemplares repletos de sangue, apanha-
pelo sr. BREY em Belém, E. de São
Paulo, em Janeiro de 1898. Sem indi-
cação de hospedeiro.
Lote 158. 19 Boophilus microplus ¢ CANN. Exem-
plares cheios de sangue, encontrados no
estomago de Milvago china China VE-
XELL em S. Paulo.
Lote 159. 18 Boophilus microplus ¢. Exempla-
res na maioria repletos, colleccionados
pelo sr. DECHERER em Porto Martim
em Dezembro de 1907,
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
166.
829.
830.
832.
1 Amblyomma cajennense q FABR:
De Franca, S Paulo, Novembro de 1902.
1 Amblyomma cajennense & FABR.
de Franca, S. Paulo, Novembro de 1902.
2 Amblyomma cajennense 2 FABR.
Exemplares de Franca, E. de S. Paulo,
Quasi todos cheios de sangue.
2 Amblyomma cajernense q FABR.
Franca, E. de S. Paulo, Novembro de
1902. Exemplares pouco desenvolvidos.
1 Amblyomma cajennense q FABR.;
exemplar quasi repleto de sangue, apa-
nhado em Franca, E de S. Paulo, No-
vembro de 1902.
6 Boophilus microplus ¢. Exemplares
apanhados em Concepción del Uruguay,
Republica Argentina e determinados pelo
sr P.-LAHILDE QN. 1419): |
14 ov, 25 q 30 de Amblyomina cajen-
nense FABR.; mais ou menos cheios
de sangue.
1 Amblyomma cajennense gq FABR..
Ainda não tinha sugado.
1 Amblyomma fossum & Nn. Apanha-
do em Felix Chibigonagon em Pirapóra,
E. de Minas pelo sr. GARBE no anno
de 1912.
1 Amblyomma longirostre & G. L. KOCH
e 1 Amblyomma brasiliense q ARAG..
Apanhado em Harmonia, E. de Santa
Catharina.
1 Ixodes loricatus ¢ Nn. Apanhado so-
bre Didelphys aurita em Ypiranga, E.
de S. Paulo, pelo sr. J. LIMA, em Ser
tembro de 1913.
1 Argas persicus Q OKEN, colleccio-
nado pelo sr. R. v. IHERING em Ju-
nho de 1910. ay.
1 Amblyomma cayennense q FABR.,
3 del 9 de Amblyomma fossum Nn.
apanhados em Procryon Canerivorus, em
Lote 8
Lote |
Lote $
Sem
951.
952.
Villa Nova, no E. da Bahia, no anno de
1908, pelo sr. Garbe.
18 ge 3 q de Amblyomma macula-
tum G. L. KOCH apanhados em Canis
jubatus nc E. de S. Paulo, em Agosto
de 1912.
1 Zxodes loricatus Nn. e 7 nymphas de
Amblyomima cajennense apanhados em
gamba ( Didelphys aurita), pelo sr.
DRECHEHER, no anno de 1907 em Porto
Martim, E. de S. Paulo. .
numero. 1 Amblyomma varium © apa-
nhado em Bradipus marmoratus. Exem -
plar secco.
1 Amblyomma agamum q ARAG., apa-
nhado no Jabuty. Testudo sp. em Co-
rumba, E. de Matto Grosso em Nevembro
de 1917. Conservado no alcool.
21 s. 289 e 1 nympha de Amblyomma
“cajennense FABRIC., apanhados no porco
do Matto Zayassi: Tayassi L. em S. Luiz
de Coceres, E. de Matto Grosso, em No-
vembro de 1917. Conservados no alcool.
2 A. cajennense ¢ FABR., 1 Amblyom-
ma parvum d ARAG., | Sel $ç Am-
blyomma fossum Nn. Apanhados em di-
versos logares no Estado de Mattu Grosso
em Dezembro de 1917. Conservados em
alcool.
A Amblyominc agamum ¢ ARAG., apa-
nhadas na Boa Constrictor, L. nd Es-
tado de Matto Grosso em Novembro de
1917. Conservadas em alcool.
3 d, 2 ¢ de Amblymma cajennense
FABRIC., 1 Amblyomma fossum Nn.,
3 nymphas de Amblyomma longirostre
G. L. KOCH. Apanhadas em diversos
logares do Estado de Matto Grosso, sem
indicações quanto a hospedeiros. Con-
servados em alcool.
Lote 956.
Ot
Lote 9
Lote 958.
— 406 —
2 nympha de Asblyonma cajennense
FABRIC.. apanhadas no cachorro do Gam-
po em Corumbá, Estado do Grosso. Con
servadas em alcool.
31 4, 15 9, 1 nympha de Amblyomma
cajennense FABRIC., apanhados no Tay-
assi tayassh L. em S. Luiz de Caceres,
Estado de Matto Grosso, em Novembro
de 1917. Conservados em alcool.
4 nymphas de Amblyomma crjennense
FABRIC., apanhadas na cotia: ( Dasi-
procta sp.), em Corumbá, Estado de
Matto Grosso em Novembro de 1917.
Conservado em alcool.
2 nymphas de A. crjennense FABRIC.,
apanhadas no marco (Celeus sp. ?). Con-
servados em alcool.
3 Amblyomma cajennense $ apanhadas
em diversos logares do Estado de Matto
Gross» em Novembro de 1917. Conser-
vados em alcool.
CoLLECÇÃO PESSOAL
Esta collecçäo é constituida em sua maior parte
pela contribuição muito valiosa de vários desinte-
ressados collaboradores e pelo material que em al-
œumas excursões temos reunido.
Consta dos seguintes lotes :
Lote 1
Lote 2.
Lote à.
2 Je À g de Amblyomma calcaratum
Nn., apanhados no Tamandua tetrado-
ctyia, em Angra dos Reis, em Dezembro
1914. Exemplares seccos.
1 Amblyomina brasiliense ¢ ARAG. e
e numerosos ~ e ¢ de A. cajennense
FABRIC, apanhados na capivara, /lydro-
choerus capibara, em Angra dos Reis,
em Dezembro de 1914. Exempiares sec-
cos.
T de 3 gde Amblyomma cajennense
FABRIC, apanhados no cavallo em An-
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
o
o
=)
10.
ii
gra dos Reis, em Dezembro de 1914.
Exemplares seccos.
9 Se 1 © de Amblyomma longirostre
C. 1. KOCH, apanhados no Coendu pre-
hensilis. Ouriço cacheiro, em Angra dos
Reis, en Dezembro de 1914. Exempla-
res seccos.
1 Se À g de Amblyomma fossum Nn.,
apanhados no cäo em Angra dos Reis
em Dezembro de 1914. Exemplares seccos.
{ & de Amblyomma fossuin Nn., apa-
nhado no cäo em ue dos Reis.
12 Ixodes fuscipes ¢ G. L. KOCH apa-
nhados na paca, patie paca RENG. em
Angra dos Reis, em Dezembro de 1914.
Exemplares seccos.
{ Nympha de Ainblyomma longirostre C.
L. KOCH, apanhado na guoche ( Cassicus
sp. ), em Angra dos Reis de 1914.
Todos os exemplares dos lotes 1 a 8
foram colleccionados pelos drs. L. TRA-
VASSOS e MARQUES DA GUNHA.
17 Nymphas de Amblyomma cajennense
FBBR., apanbados no tatu, Dasypus, sp.
? em Lassance, E. de Minas, em 10-9-16.
Conservadas em formol a 19 °/,.
1 Amblyomma cajenennse FABR. g e 2
Amblyomma parvuin ARAG. 9, apanha-
dos no cäo em Lassance. Conservados em
formol a 10 °,.
4s e2 A de Amblyomma Cooper
NUTT. e WARB,, apanhados no cavallo
em Lassance, E. de Minas, em 17-7 16.
11 g ec de Amblyomina cajennense
FABR., apanhados no cavallo em Las-
sance, E. de Minas, em 17-7-16.
fie 62 de Bocphilus microplus Ta
de Aiiblyomma cajennense, encontrados
no estomago do gavião milvago sp. ?
3 & de Amblyomma cajennense apanha-
dos no estomago de Siriema em Lassan-
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote :
is
— 408 —
ce, E. de Minas, em 4-9-16. Conservacäo
em formol a 10 °/,,
15 Amblyomina cajennense o IWABR,
encontrados no estomago de Siriema em
Lassance, E. de Minas, em 26-9-16. Con-
servados em formol a 10 °/,.
21 Amblyomma cayennense o VABR.,
encontrados no estomago de Siriema em
Lassance, E. de Minas, em 18-9-16.
Amblyomma cajennense o FABR. en-
contrados no estomrgo de Siriema, em
Lassance, E. de Minas, em 25-9-16. Con-
servados em formol 10 º/,.
10 ¢ el ¢ de Amblyomma fossum Nn.
encontrados em Lassance, E. de Minas.
ionservados em formol a 10 °%,.
2 Amblyomma fossum Nn, encontrados
Lassance, Estado de Minas. Conservados
em formol a 10 °%/o.
43 e2 q de Amblyomma parvum
ARAG., apanhados no mocé Merodon ru-
pestris, na Serra do Cabral, Lassance, E.
de Minas, em Setembro de 1917. Exem-
plares conservados em alcool. Exemplares
muito menores que os geralmente encon-
trados no cavallo.
3 Amblyomma cajennense q KFABR.,
apanhados no cavallo em Aracajú, E. de
Sergipe, 24-7-916. Exemplares secccs.
8 & de Amblyomna auriculare Conil. apa-
nhados no tati em Aracajú, E. de Sergi-
pe, em 23-7-16. [Exemplares seccos.
O material constante dos lotes 9a 51
foi colleccionado pelo sr. Theophilo.
& Ainblyomma longrrostre & apanhados
no ouriço cacheiro em Lassance, pelo sr.
Martins. Exemplares seccos.
6 Amblyomma striatum % C. L. KOCH,
apanhados no cão em Ypiranga, E. do
Paraná em 18 6-16.
da. 9 atl aati ~~
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote
Lote -
Lote =:
36.
AO.
— 409 —
15 Boophilus ineroplus q CANN., apa-
nhados no boi em Ypiranga, E. do Parana
em 18-6-16.
22 Boophilus mecrophus q CANN., apa-
nhados no boi em Pitúmirim, E. do Parana.’
3 & et q de Amblyomina striatum C.
L. KOCH, apanhado no Guaxinin, Pro-
cyon cancrivorus, na Fazenda do Bonito,
Serra da Bocaina, em 20-6-915.
9 Se 2 q de Amblyomina striatum C.
L. KOCH, apanhados no gato do inatto,
em S. Bento, E. de Santa Catharina, em
19-7-915. Exemplares seccos.
Ixodes loricatus o apanhado no gato do-
mestico em S. Bento, Santa Catharina, em
Julho de 1915. Exemplares seccos.
2 Ixodes fuscipes b. G. L. KOCH, meio
repletos de sangue, apanhados na paca,
Agoutr paca, RENG., no Pacáu, sul do
E. de Minas, a 1250 ms. de altitude, em
Fevereiro de 1917. Exemplares seccos.
2 Amblyomma maculatum Q apanhados
no cão, no Pacäu, sul do E. de Minas, a
1250 ms. de altitude, em Fevereiro de
1917. Exemplares seccos.
1 Amblyomina striatum Q apanhado no
cão, no Pacáu, sul do E. de Minas, a
1250 ms. de altitude, em Fevereiro de
1918.
4 Amblyomima longirostre C. L. KOCH,
apanhados no ouriço cacheiro, Coendu
prehensilis, em Santarém, E. do Pará.
Exemplares conservados em alcool.
1 Nympha de Aniblyomma longerostre
C. L. KOCH. apanhado no sabia ( Pur-
dus, sp.?), em Campinho, E. dc Espirito
Santo.
3 Amblyomma agamum q ARAG., apa-
nhados na Lachesis lanceolatus, na Ilha
Queimada Grande no E. de S. Paulo, em
Setembro de 1917.
Lote 44.
Lote 45.
Lote 46.
Lote 47.
some 410 =,
12 4 e g de Amblyomma huinerale, apa-
nhados no jaboty, Testudo sp.? em San-
tarém, E. do Pará, pelo dr. COSTA LIMA.
Conservação em alcool.
6 ¢ e2 q de Amblyomma dissimile,
apanhados na Jguara sp., em Santarém,
E. do Pará.
Diversos exemplares de Amblyoinma ca-
jennense, apanhados no E. do Rio, em 1914.
| Amblyomma varium q, repleta de
sangue, apanhada na preguiça, Bradipus.
Sp. ? pelo dr. R. v. IHERING.
Rio — Novembro de 1917.
ARAGAO, H. B.
ARAGÃO, H.
ARAGÃO, II
ARAGÃO, H.
ARAGÃO, H.
ARAGÃO, H.
BIBLIOGRAPHIA
B.
B.
1908
1908
1908
Poet
1913
1916
Algumas novas espe-
cies de carrapatos bra-
zileiros.
Brazil-Medico, 22 de
Marco
Mais uma .nova es-
pecie de carrapato
brazileiro.
Brazil-Medico, 22 de
Novembro.
Mais uma nova es-
pecie de carrapato
brazileiro.
Brazil-Medico, 8 de
Julho.
Notas sobre Ixodidas
brazileiros.
Mem. Inst. Oswaldo
Origen E Se Ree; 2
p. 145.
Nota sobre algumas
collecções de carra-
patos brazileiros.
Mem. Inst. Oswaldo
Cruz o Eae à
p. 263.
Ixodidas. Nota sobre
diversas collecções.
Publicação 36, An-
nexo O da Commissão
de Linhas Telegraphi-
cas e estrategicas de
Matto Grosso ao Ama-
zonas, Rio de Janeiro.
— AI2 —
BANKS, N. 1904
BANKS, N. 1907
BANKS, N. 1908
CANNESTRINI 1890
CONIL PSA A: 1878
COOPER & ROBINSON 1908
CURTICE 1890
DONITZ, W. 1907
À treatise ou Aca-
rina or mites.
Proc. U.S, Nation:
Mus. Vol. 28.
Classification of ti-
cks (Summary paper).
Proc, Entom. Soc.
Washirgion Vol. 8,
À revision of the
Ixodoidea, or ticks.
of the United Statest
U. S. Departmen.
Ag, n. 15, techn. ser,
pags. 1-60, 10 est
Washington.
Prospecto dell’ Aca-
rofauna italiana—Pa-
dova.
Description dune
nouvelle espèce d'Ixo-
de. Ixodes auricula-
rius.
Actas Acad. Nac. de
Ciencias Exactas.
Buenos Ayres, Vol.
3 pg. 99-110.
On six new species
of Ixodidae, inciuding
a second species on
the new genus Rhi-
p'centur.
Proc. Cambridege
Philos. Soc. Vol. XIV,
pto. V., pags. 407-470.
The classification of
cattle tick.
Warburght. Biol.
Soc.
‘ Die Texasfieber Ze-
cken und das Ixodes
genus Margaropus.
Clé es dé mé.
DONFIZ W:
FABRICIUS
HOOKER, W. A.
BISHOPP, F.
& WOOD, H.
K ARSCH, F.
KOCH, C. L.
KOCH, C. L.
i, AHILLE
LATREILLE, P. A.
LATREILLE, P. A.
= "453
1910
1794
1912
1879
1905
S. B. Ges. Natur-
forsch. Fr.BerlinN. 6.
Die Zecken Sud
Africas.
In Scuuttzes Zool.
u. Anthrop. Demksch.
d. Med.-Naturw, Ges.
ar dena, Vol 16.
Entomologica syste-
matica.
ihe life story and
bionomics of some
North American Ticks.
Bull. 106.
Zwei neue
niden das
Museum.
Mitt. d. Muenchn.
entomol. Verein Ja-
hrg. III.
Systematisch.Ueber-
sicht ueber die Or-
dnung der Zecken.
Arch. f. Naturges.,
Berlin, Jahrg. X, Bd.
1, pgs. 217-239.
Uebersicht des Ara-
clinidensystens.
Nurenberg, Heft 4,
pags. 136, fig. 30.
Contribution à l’étu-
de des Ixodidae de la
Républ. Argentine.
Ann. M. Agricult T.
TES ewe passe 166!
est. 13.
Arach-
Berliner
1795 Magasin encyclopé-
1796
dique. Vol. IV, pg. 15.
Précis des caractè-
LATREILLE, P. À.
LINNEO
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
1806
1798
1899
1901
1902
1905
res des Insects. —
Brive.
yenere crustaceo-
rum et insectorom.
Systema naturae.
Regnum animale Ed.
10.2.
Revision de la fa-
milie des Ixodidés—I.
Mém. Soc. Zool.
France. Vol. IX, pags.
1-44, figs. 1-36.
Revision de la fa-
mille des Ixodidés--II.
Mém. Soc. Zool.
France, Vol. X, pags.
724-420, figs. 1-45.
Revision de la fa-
mille des Ixodidés
ER
Mém. Soc. Zool.
France, Ool. XII, pgs.
107-294, figs. 1-63.
Revision de la fa-
mille des Ixodidés—
IV.
Mém. Soc. Zool.
France, Vol XIV,
pags. 294-372, figs:
1-18,
Notes sur
didés—l.
Arch. Parasit.T. Vi
pags. 109-128.
Notes sur les Ixo-
didés—llI.
Arch. Parasit. T.
VIN, pags. 444-464,
Notes sur les Ixo-
didés—II1.
Arch. Parasit. T. IX,
les Ixo-
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NEUMANN, L. G.
NUTTALL, G. H. F.
NUTTALL, 'G.-H. F. ;
WARBURTON, C. :
COOPER, W. F. &
ROBINSON, L.
|
1906
1907
1899
1907
1910
Lott
pags. 225-241.
Notes sur les Ixo-
didés—l1V.
Arch. Parasite ENO
pags. 195-219.
Notes sur les Jxo-
didés—V.
Ac be. 0Parasit. OT
XII, pags. 215-232.
Anomalies d'Ixodi-
dés.
Arch. Parasit. I, 3,
pags. 463-527. figs.
1-2.
Quatre espéces nou-
velles d'Ixodidés.
Note IX. Notes from
the Leyden Museum,
Vol. XXIX, pags. &8-
100; 7 figs.
Sur quelques espèces
d'ixodidae nouvelles
ou insuffisament con-
nues.
Annales de Sc. na-
tur. — Zoologie. T.
OW oles hao:
Acarina. Ixodidae.
Das Tierreich. Lief.
26.
1910 New especies of ti-
cls.
Parasitology, Vol.
IV. p.546.
Ticks ; a Monograph
1908 of Ixodoidea. Part I.
Agasidae. Part I],
1915 Ixodes. Part III. Hae-
maphysalis. Biblio-
graphy Two parts. —
Cambridge.
one 416 pm,
NUTTALL & 1908 On a new genus of
WARBURTON Ixodoidea together
with a description of
eleven new species cf
ticks.
Proc. Cambrid. Phi-
los. Soc. Vol. XIP, pt.
IV, pags. 391-416.
OKEN 1818 Sogenannte giftige
wanze in Persien.
Isis p. 1968-1970.
PACKARD, A. ‘8. 1869 List of hymenoptera
and lepidoptereus in-
sects collected by the
Smithsonian Expedi-
tion to South America.
Annual Report Pea-
body Acad. of Sc. p.
TEA: P
PACKARD and 1878 An account of the
CAMBRIDGE collections made in
Kerguelen Land du-
ring the transit of the
Venus Expedition,
1871-1879. Zoology :
Arachnida. |
Philos. Transact R.
Soc. London Vol. 168.
ROHR: Cd; 1909 Estudos sobre Ixo-
didas do Brazil.
These de doutora-
mento. Trabalho de
Manguinhos.
SALMON & STIEES 1902 Cattle ticks (Ixodoi-
dea) of the United Sta-
tes. 17 th. Ann. Re-
port. Bureau of Ani-
mal Insdustry. U. S.
Dep. t. of Agric. wa-
shington, pags 380-
491, pls. 74-98 figs.
47-238.
WARBURTON, C. {907 Notes on ticks.
Journ. of economic
Biol: Vol. 2;
“e
RA
A -
a PS
LE
La
citys
Y: o
i" VU
Fa
q
7
ts ‘
4 {
. ‘ 5
.
.
} aa
Mees
AE =
sa
A
or
+)
¢
Po
La
ICO MELZER
Observações sobre os Cerambycidos do
grupo de Compsocerini
TION La in
PA ,
PAR :- E | x
“oe = = 2”
| is =
* o
ne e
he
3
;
|
:
E
:
.
a 27.5
7 a ie
Observações sobre os Cerambycidos do Grupo
de Compsocerin
A Saperda barbicorms Fabr., desde muito,
sempre foi para os entomologos objecto de contro-
versia, pois, ja Fabricius, na respectiva descripção,
alias muito restricta, sustenta que suas antennas são
de côr preta e o fasciculo de cabellos que a adorna,
se encontra no nono articulo, emquanto, eflectiva-
mente, esta elle ligado a) sexto articulo, facto que
Olivier foi o primeiro a rectificar, conforme Gou-
nelle lembra.
A grande semelhança com especies bem apa-
rentadas do grupo dos Coinpsocerini ainda mais
augmentou as duvidas existentes, complicando-se esta
questão, além disto. pela sensivel variabilidade das
cores, a que são sujeitas os elytros, variando seu
matiz de azul atê o roxo e do verde até o auriverde.
Encontram-se varios representantes deste grupo em
todo o Brazil achando-se elles, portanto, espalhados
sobre uma área enorme, e parece que nas differen-
tes regiões predominam esta ou aquella mudança
podendo se encontrar, si bem mais raramente, tam-
bem as outras. Assim, em São Paulo e vizinhanças,
se observam muito mais exemplares com elytros
verdes do que com azues; ao passo que por exem-
plo em (Campinas, parece prevalecer a côr azul, e
Gounelle communica que em Jatahy, no Estado de
Goyaz, foram colleccionados mais frequentemente
exemplares com elytros azues, roxos ou purpu-
reos. do que verdes. Esta observação se refere es-
pecialmente ao Compsocerus equestris Guér., ge.
ralmente bem conhecido, analogo igualmente ao
Paroïnoeocerus barbicornis Fabr. a varios repre-
sentantes do genero Unaia bem como a outros.
Não é admiravel pois, que, dadas estas circumstan-
cias, com o tempo haja augmentado a incerteza da
determinação provocando as novas descripções de
varios auctores, e as quaes deram motivo ao sr. La-
meere, — Ann. de l Ent. de Belg., pag. 90 — ain-
da em 1884, apregoar diversos nomes como syno-
nymos.
Apenas no ultimo tempo procurou-se chegar à
realidade da verdade, assentando ©. Bruch na Re-
vista del Museo de la Plata, tomo XV, segunda
série, tomo Il, pag. 210, uma fórmula, que satisfaz
a esta exigencia, sentindo-se apenas no genero Un-
oia a falta da indicação, quando diz que as ¢¢ do
mesmo assim como as do seu (Bruch) genero
Compsocerus tem na ponta do ultimo segmento ab-
dominal, um fasciculo de cabellos dirigidos para a
frente e cobrindo o anus. Este fasciculo embora
não tão frisante, é tambem característico às Z9 do
cenero Æthemon e encontra-se da mesma maneira
no genero Chariergus, sendo por eile documentado
expressamente o parentesco intimo destes insectos.
Esta formula de Bruch porém não podia ser acceita,
porque o autor collidiu, graças a esta separação,
alias muito bem feita, com o direito da proprie-
dade.
Em seguida, discutiu Gounelle novamente esta
questão em um ensaio — Bull. de la Soc. de Fr.,
1911, p. 15€ —, e com elle pensamos que apparen-
temente o typo da Saperda barbicornis Fabr. não
existe mais no Museu de Kiel, de modo que, ape-
sar de todos os sens cuidados, não se poude resol-
ver definitivamente o problema, continuando a exis-
tir duvidas justificadas, as quaes, pelo contrario, nos
ultimos tempos ainda vão augmentando.
Neste trabalho, o auctor commentou as difleren-
tes publicações existentes a tal respeito e oflerece
uma diagnose detalhada de ambas as secções. Uma
duvida não nos parece admissivel, que Serville se
haja servido para a sua descripção dum Coimpsoce-
rus legitimo, pertencendo portanto à secção I —
Gounelle — e approximando-se no habito da Ortho
schema. Apresenta Gounelle presumpções bem mo-
se À
Par.
tivadas, de que para este fim serviram de modelo
os exemplares de Compsocerus opacipennis da col-
lecção Dejean, hoje pertencente ao British Museum.
Seja como for,a verdade é que Serville já manifes-
tou duvidas, que a Saperda barbicornis Fabr. e a
Saperda plumigera Ol., fazem parte dos seus Com-
psoceri, dos quaes este, bem como Schoenherr, in-
dicam Madagascar como logar de procedencia, ori-
gem que Fabricius desconhecia. Tambem este facto
Gounelle destaca devidamente, e analysando minu-
ciosamente a descripçäo de Olivier descobre que a
Saperda plumigera deste, pertence à secção Il con-
finante com a Unxia.
O merecimento de Gounelle consiste, pois, em
identificar o genero respectivamente à especie descri-
ptos por Olivier e Serville. Após estudos criteriosos
e sobtodos os pontos de vista, tomando-se em con-
sideração o material existente e conhecido, chega o
sabio entomologista a conclusão, de que Fabricius
tratou do Cerambycido, que hoje é conhecido sob
o nome de Paromoeocerus barbicornis.
Esta conclusäo pôde-se classificar como uma
hypothese que pouco deixa a desejar, offerecendo
muitas probabilidades e, tendo por causa da falta da
absoluta authenticidade, a qual unicamente forneceria
o typo de Fabricius, o seu valor relativo ao lado de
outras possiveis. Uma analogia identica existe para
a seguinte supposição.
Na sua descripção da Saperda barbicornis diz
Fabricius: Antennis mediocribus, ante apicem bar-
batts bem como Antennis nigris, articulo nono
fasciculato-piloso. Comparando o & de Parvinoeo-
cerus barbicornis com o & de Compsocerus eques-
tris Guer. ou C. opacipennis Goun., percebe-se im-
mediatamente a grande differenga no comprimento
dos articulos 3, 4 e 5 das antennas nos dois ge-
neros resultando desta desharmonia que o articulo
sexto das antennas, e que é munido com o fasciculo
cabellar, no & do genero Compsocerus alcança e
até ligeiramente transpassa o apice dos elytros em-
quanto este mesmo articulo (6) na genero Paro-
moeocerus chega apenas um pouco além da metade
dos elytros. Assim sendo e decrescendo rapida-
mente os articulos terminaes contados do setimo nas
antennas dos < dos Compsoceri, augmenta-se a
possibilidade de engano na determinaçäo do articulo,
portador do fasciculo, si esta não for feita com todo
o rigor parecendo um lapso inevitavel com um jul-
gamento rapido e superficial.
Com o Paromoeocerus o mesmo não póde acon-
tecer facilmente com o fasciculo cabellar, aqui di-
vide a antenna em partes quasi eguaes no sentido
do comprimento, e neste caso a observação de Fa-
bricius : «ante apicem barbatis » effectivamente seria
inenos comprehensivel,
Esta hypothese exige como condição que I'abri-
cius para a sua descripção se haja servido de um Se
em vista da sua observação « antennis mediocribus »
esta supposição effectivamente não estã fora do campo,
tomando em consideração que Fabricius, neste grupo,
tambem incluiu Cerambycidos com antennas muito
compridas.
Gounelle forneceu-nos com o seu importante
trabalho os esclarecimentos necessarios, cuja falta
sobre as differentes secções e especies se sentiu
tanto e effectivamente não teria valido a pena de se
experimentar em novas theorias, condemnadas a ii-
carem incertas pela provavel falta do original des-
cripto por Fabricius, si uma nova descoberta não
tivesse fornecido motivo fundamentado para tanto:
O Sr. J. IF. Zikan, a quem a sciencia deve
valiosas informações sobre as cicindelidas brasileiras
em geral e particularmente sobre a biologia das es-
pecies do genero Ctenostoma, teve a summa gen-
tileza de colleecionar para nós Cerambycidos, na
l'azenda dos Campos, perto de Passa Quatro, Sul
de Minas, a uma altura de cêrca de 1.500 m. sobre
o nivel do mar, região esta que, pela existencia de
vastas mattas virgens, é muito apropriada a pesquisas
entomologicas. No material importante e summa-
mente interessante, encontravam-se tambem varios
representantes de um Compsocerus com antennas
pretas e pernas pretas, que attrahiram muito a nossa
attenção, pois conheciamos não sómente o trabalho
de Gounclle sobre este assumpto como tambem a
maior parte das especies por elle descriptas fican-
do-nos alheio apenas o Compsocerus parviscopus
Burm.
Na literatura a0 nosso aleance räo enconträmos
base aiguina para dizer se desde as publicações de
Fabricius jamais foi descripto um coleoptero se-
melhante, estando certamente o C. parviscopus fora
da questão, — e assim appareceu um motivo bastante
importante para uma revsão do respectivo mate-
rial, ganhando a hypothese, acima referida, bastante
interesse. A julgarmos certo ( 1), temos a seguinte
diagnose :
Compsocerus barbicornis Fabr.
Rufus, thorace vittis duabus dilute fuscis, con-
traris arcuatis, supra maculato, elytris violaceis,
subopacis, abdomine, antennis pedibusque nigris.
Eon.:3 12-20 mm., g 13-17 mm.
Hab. Passa Quatro, Minas. Typi: Mus. Pau-
lista atque nostro.
Cumpsoceras barbicornis Fabr.
Rufus etc.. de re err EINE Ah Se
C. barbicornis Fabr. assemelha-se extraordina-
riamente ao (. opacipennis Goun.. cuja descripção
bem exacta se pode referir completamente a esse,
salva as seguintes differengas além da côr das pernas
e antennas, já indicada : os elytros de C. opacipennis
são «angulis suturalibus in dentem validum singu-
latim productis» em quanto o apice sutural d9s
elytros do C. barbicornis em ambos os sexos é sim-
ples ou «apice conjunctim rotundata ». No unico
C. opacipennis à nossa disposição, uma ©, este dente
suturoapical dos elytros quasi é imperceptivel, exis-
tindo por consegvinte, a probabilidade, de poder de-
monstrar, dispondo do material sufficiente, a grande
(1) Acceita esta hypothese, o Paromoeocerus barbi-
cornis Fabr., deverá ser denominado de agora em deante P.
plumiger Oliv. x
— 426 —
variabilidade, deste dente. Observa-se ainda que o
scapo de 5 dd e DO gg do C. barbicornis é ver-
melho e apenas uma ¢ tem o 5° segmento ventral
desta mesma côr. Sujeitando todas estas circums-
tancia a uma rigorosa consideração, a supposição
parece fundamentada, de que assim novamente se
descobriu o Cerambycido então descripto por Fa-
bricius.
Convém porém lembrar-se que, Fabricius ex-
pressamente escreveu «elytra laevia» uma quali-
dade não directamente admissivel para o coleoptero
acima, nãc obstante de se distinguir um certo bri-
lho em dadas condições de reflexo. Além disto, es-
pecial attenção ainda merece o termo «ano rufo »
mostrando este característico apenas uma ¢, — te-
mos 28 exemplares, “d e ¢¢ à nossa disposição
— em que o ultimo segmento ventral é colorido,
ruivo, como a diagnose exige, mas esta côr tam-
bem varia consideravelmente em outras especies de
maneira que, se trata talvez de uma fórma local, o
que se poderia verificar com exemplares de diver-
sas procedencias. Assim conhecemos mais um Com-
psocerus com antennas pretas, que denominariamos
«Zikani» em honra ao seu descobridor, si não
existisse tanta probabilidade, de se tratar do legiti-
mo Saperda barbicornis Fabr. A época do appare-
cimento dos besouros estende-se dos mezes de Ou-
tubro a Fevereiro, encontrando-se porém no mez de
Outubro, raras vezes sómente, e tambem excepcio
nalmente no de Ievereiro, dando as pesquisas, nos
demais mezes, resultados mais satisfactorios.
Segundo Lacordaire, como o cita Serville —
Ann. de la Soc. Ent. de Fr., 1834, p. 63 — os
Compsocert são legitimos silvicolas e observações
mais recentes confirmam estas communicações, ao
menos para a maioria destas especies. Os seus prin-
cipaes e mais preferidos paradeiros são os troncos
de arvores feridos ou furados por larvas. Encon-
tram elles ahi rico nutrimento, e delicioso, sugando
o succo que em abundancia derrama sobre a casca ;
alli se reunem os sexos. Em taes logares foi en-
o.
ee, 427 a
contrado o €. barbicornis e em logares semelhantes
observimos tambem o ©. equestris Guer. Este en-
tretanto não recusa tão pouco procurar as flores
aonde se o surprehende frequentemente em compa-
nhia de Paromococerus plumiger Oliv..
O Compsocerus opacipennis, o C. barbicornis
bem como o C. Chevrolati são pouco conhecidos e
parece-nos preciso attribuir esta raridade à sua vida
escondida, pois colleccionar insectos em matta vir-
gem é um serviço ingrato, sob todos os pontos de
vista, e os naturalistas, certamente, só em casos ex-
cepcionaes se dedicam a esta occupação.
Antigamente, quando as florestas não estavam
cortadas em tão elevado grau e enormes districtos
ainda estavam cobertos de denso arvoredo, sem du-
vida, estes besouros tambem se achavam espalha-
dos sobre largas zonas, e isto faz esperar poder-se
achal-os ainda hoje, conhecendo-se agora alguns
costumes do adulto, em regiões mais afastadas.
Esta hypothese parece provada, tomando por
base a distribuição do C. opacipennis, que mostra
tantas affinidades com elle, e cuja patria Gounelle
julga ser o Estado do Espirito Santo. Effectiva-
mente não existe differença sensivel entre a fauna
de Cerambycidos deste Estado e a dos Estados do
Rio de Janeiro e São Paulo de maneira que não seria
extranhavel si se encontrasse neste tambem o C.
opacipenms, conhecido nos dois ultimos Estados.
Assim ao menos existe na colleccäo do Museu Pau-
lista uma © procedente da Serra de Macahé, Esta-
do do Rio de Janeiro, emquanto o exemplar da
nossa collecçäo foi capturado em Säo Paulo dos
Agudos, Estado de Säo Paulo. A distancia entre
estes logares pôde ser classificada como enorme e
este facto permitte a supposição, que a distribuição
do C. barbicornis deve ser tambem mais extensa.
Sobre o C. Chevrolati, Gounelle não póde precisar
o «habitat » e infelizmente tão pouco conseguimos
colher informações mais detalhadas neste sentido
sobre as duas ¢¢@ a nossa disposição como tambem
— 428 —
nos foi impossivel obter dados positivos sobre os
seus costumes.
Para a sua descripçäo do C. Cherrolali, Gou-
nelle teve ao seu alcance apenas um «', e não nos
consta que elle ou outros auctores hajam publicado
informações sobre as 79. Por este motivo apro-
veitamos a occasião para juntar aqui uns dados de
summo interesse.
As artennas dos dd do C Chevrolati, se-
gundo Gounelle, são distinctamente doze — articuladas,
não das ¢¢. ao contrario — infelizmente as anten-
nas de um dos meus exemplares estão estropeadas —,
se distingue sómente onze ar ticulos. Por conseguinte
são normaes sendo o ultimo (o 11°) articulo, como
nas outras espécies conhecidas, provido de uma ap-
pendicula. São um pouco mais compridas do que o
corpo e transpassam o apice dos elytros com os
dois ultimos articulos Nos Sd as pontas suturo-
apicaes dos elytros são «in dentem validum singu-
latim productis » sómente porém uma das duas 9%,
que pude examinar, esta munida deste dente apenas
ligeiramente notavel, sendo na outra completamente
invisivel. Este phenomeno é tanto mais extranho,
quanto justamente o exemplar menor, de 16 mm
de comprimento, mostra tal particularidade que falta
completamente no exemplar maior, de 18,25 mm
de comprimento o ultimo segmento ventral de am-
bos os exemplares é vermelho, os elytros nitido-pur-
pureos, e está provavelmente menos sujeito a variar.
Gounelle serviu-se, na sua chave dos Compso
cert, como distinctivo importante das especies da
presença ou ausencia do dente suturoapical dos ely-
tros e em vista do material exiguo, a sua disposição
era muito natural que aproveitasse estas particula-
ridades para tal fim. Assiin sendo, com excepção
de C. equestris Guer. e C. barbicornis, todas as
demais especies deviam ser munidas de tal dente.
Acontece, porém que, conforme as explicações acima
referidas, tal parricularidade não se mostra constante
nem sempre nas mesmas especies e effectivamente
encontram-se “tambem exemplares de O. equestis,
O. -
principalmente + 4 bem grandes, com o dente su-
turoapical regularmente desenvolvido e nos avista-
mos com outros apresentando esta particularidade
rudimentar de modo que com bastante material po-
der-se-ia, indubitavelmente. mostrar a variabilidade
do apice sutural nesta especie.
Nestas condições, naturalmente não nos parece
recommendavel empregar esta qualidade secundaria
na classificação das especies, e, sem prejuizo algum,
póde-se abster do seu uso, devido a existencia de
suficientes distinctivos relevantes neste grupo, pouco
rico em especies, até hoje conhecidas. Os elytros
nitidos e então quasi sem pontuação ou com o as-
pecto de chagrin e neste caso com ou sem tomento,
a pubescencia, a côr da cabeça e do thorax bem como
a das antennas e das pernas e finalmente o numero
dos articulos das antennas dos Sd offerecem parti-
cularidades sufficientes para formular a chave. Em
harmonia com estas qualidades obtemos a seguinte
combinação, a qual tambem tem por fim, facilitar
aos entomologos menos habilitados no assumpto,
quanto mais possivel, a determinação fomentando
assim talvez o gosto de colleccionar.
Chave: Genus Czipsocerus Serville.
A — Os elytros nitidissimos, não ou quasi não
ponteados, munidos com poucas cerdas, antennas dos
& & cum onze ou doze articulos as das ¢ ¢ com onze.
a) cor vermelha, elytros de cor metallica ou
azul ou violeta ou verde ou auriverde, ventre pardo-
escuro, o apice em geral vermelho, Antennas em
ambos os sexos de onze articulos. C. equestris Guer.
6) Cor preta, antennas e pernas bem como
coxas vermelhos, elytros purpureo-metallicos. An-
tennas dos &d& 12, das ¢¢ 11 articuladas. C. Che-
orolati. Gounelle.
B — Elytros finamente chagrinadas e por isto
pouco nitidos. Antennas em ambos os sexos 11
articnladas.
c) Elytros finamente tomentosos, fasciculo do
sexto articulo antennal bem volumoso.
‘ET
d) Cor vermelha, elytros violeto-metallicos,
ventre preto.
C. opacipennis Gounelle.
e) Cor vermelha, antennas ( excepcionalmente
o scapo vermelho ) e as pernas pretas, elytras vioweto-
metallicas, ventre preto.
C. barbicornis Fabricius.
c. c. Elytros sem tomento, fasciculo do sexto
articulo anternal pouco apparente, às vezes, signifi-
cado apenas por poucos cabellos compridos.
/) Cor vermelha, antennas pretas, com exce-
pção dos dois primeiros articulos que são vermelhos ;
elytros azul-metallicos.
C. parvescopus Burm.
Os dados sobre o (. parviscopus, qne infeliz-
mente não conhecemos, tiramos da descripção de
Burmeister e das communicacdes de Gounelle. Esse
significa como habitat Tucuman, na Argentina, e não
nos constando o contrario parece particular a este
paiz, mas registramol-o para completar a tabella.
Achamos “ainda de bastante utilidade commu-
nicar as demais especies do grupo de Compsocerini,
recebidas tambem de Passa Quatro. Trata-se das
seguintes: Orthoschema ventrale Germ., O. prasi-
nipenne Luc.. O. nigricornis Bates, Paromoeocerus
plumiger Oliv., P. vestiius Goun., Ethemon. lepidum
Thoms., Unxia laeta Buq., U. gracilior Burm:, 0
scopifer Klug. Chariergus signaticornis De). Coremia
erythromera Serv., C. signaticollis Bud.
Apesar de todas as pesquisas até agora não se
conseguiu encontrar em Passa Quatro. o Compso-
cerus opacipennis Goun. e tão pouco nos foi en-
viado ainda desta localidade o C. equestris Guer.
tão commum em todas as partes.
As grandes affinidades deste ultimo com o pa:
romoeocerus plumiger Oliv. desde muito tempo se
conhecen, mas bem surprehendente é que em con-
dições identicas se ache o CG. Chevrolati e isto tam-
bem com um representante do genero Paromoeocerus
o qual, conforme nos consta, parece ter ficado des-:
SA
conhecido atê hoje. Paromoeocerus notabilis nov.
spec. J niger, antennis etc.
Paromoeocerus notabilis nov. sp.
& Niger, antennis, pedibus, coxisque rufis ; ely-
tris violaceis, nitidissimis ; caput inter antennas sul-
catum et leviter concavum, geris mediocribus ;
fronte sulcata, sparsim punctata; vertice inordina-
tim grosse punctata; antennae corpore plus dimi-
dio longiores, subtus basi laxe ciliatae, scapo elon-
gato, obconico, sparsim subtiliter punctato, articulo
4 praecedente et equente breviore, 6 scopa magna
nigra ornato, thorax latitudine maxima perparum
longior, basi et apice constrictus, lateribus paulo
ante medium utrimque obtuse angulato — diaratis,
supra subplanus, nitidissimus, subtiliter sparsim pun-
ctatus, 4 tubercuiatus, subtus transversim rugosus
et subtiliter rufo-pubescens ; scutellum rufo-pubes-
cens; elytra nitidissima, snbtilissime sparsim pun-
ctata, seus nonnulis nigris lineatim ordinatis, apice
conjunctim rotundata, angulis suturalibus haud acutis.
Femora leniter clavata, postica apice elytrorum
haud superantibus, sterna subtiliter flavo-pubescentia,
metasterno in medio glabro, abdomen nitidum, pilis
nonnulis rufis hirsutum, segmentis 6 composito,
segmento ultimo brevi, apice rotundatum. Long.
13 1/2 — 14 mm. 2 ex.
¢ Antennae plus quam duobus articulis apicem
elytrorum superantas, caput pronotusque dense pun-
ctatum, ablomen segmentis 5 compositum, ano se-
tis rufis retrorsum arcuatis obtecto: Long. 15,5
mm.,'ex. Hab.: Joinville, Santa Catharina. Typi
in Mus. nostro.
A cabeca e o thorax da femea estäo cobertos
duma pontuação densa, deixando liso e, portanto. bem
nitido apenas uma linha estreita e longitndinal no
pronoto que se estende na base até um pouco além
da metade. A cor dos elytros conforme o sexo esta
variando um pouco sendo para com os da dum
azul saturado metallico emquanto que nas ¢¢ o bri-
lho metallico é muito menos intenso e assim lembra
muito mais ao Compsocerus Chevrolata, o qual mos-
tra tambem uma pontuação quasi identica na cabeça
e no thorax que a ¢ do Paromoeccerus notabilis.
A pontuação do thorax parece muito mais des-
envolvida nas Z 97 de que nos oo, e encontramos
condições identicas no P. plumiger Oliv., porém em
grãu muito menos perceptivel e expressivo.
Uma outra particularidade do genero Paromo-
eocerus convém notar expressamente. E' a diver-
gencia da quantidade dos segmentos ventraes visi-
veis nos dois sexos que são seis nos J J e 9 nas
29, e facilmente distinguiveis no P. notabilis como
tambem no P. plumiger Ov... Assim temos mais
um caracteristico generico para distinguil-o do ge-
nero Compsocerus Serv. e deve ser aproveitado
para este fim tanto mais quanto nos consta esta
mesma particularidade tambem no unico C. veslils
Goun. ao nosso alcance. Com o genero Compso-
cerus bem como Unxia não se dá o mesmo.
E" curioso, que até hoje ninguem se haja ser-
vido desta qnalidade para este fim, existindo até no
Museu Paulista diversos 4 4 de P. barbicornis
Fabr. (plumiger Oliv.), assim determinados por
Gounelle, os quaes distinctamente mostram os mes-
mos caracteristicos. Verdade é porém, que devido
à côr em geral vermelha do ápice ventral, este
sexto segmento escapa facilmente à vista.
Finalmente podemos ainda accrescentar que co-
nhecemos do genero Coremia, que faz parte tam-
bem dos Compsocerini uma interessante variedade
da Coremia erythromera Serv. As diflerenças
principaes mostram-nas as antennas e as pernas que
são completamente pretas, sendo somente a base do
primeiro articulo tarsal das pernas trazeiras de
cor avermelhada. Ha além disto pequenas deshar-
monias na pontuação etc., dispondo presentemente,
porém, de um só exemplar uma %, seria prematuro,
classifical-o, como espécie nova. Por este motivo o
notamos, por emquanto, como variedade O. atrata,
nov. var., na espécie acima citada. Provém de Mar
de Hespanha, Estado de Minas Geraes.
BIBLIOGRAPHIA
1) — Carlos Bruch. Longicornios Argentinos nuevos
e poco conocidos. Revista del Museu de la Plata
tomo XV, 1908- seg. serie, tomo II, — p. 210.
2)—H. Burmeister. Longicornia Argentina. En-
tomologische, Zeitung, Stettin, 1865, p. 169—
170.
3) — Coleopterorum Catalogus Auspicilis et auxilio,
W. Junk. editus a S. Schenkling. Pars. 39.
Chr. Aurivillius. Cerembycinae, p. 332.
4) — Dejean Catalogue des Coléoptéres de la Col-
letion de M. le Comte Dejean, 3me, ed. 1837.
. 350.
o)—J. CG. Fabricius. Entomologiae Systematicae,
ROS pis Sd;
6)— J. G. Fabricius. Systema Eleutheratorum I.
1501. pr S219 N25.
7)— E. Gounelle. Note sur le genre Compsoce-
rus Serv. et description de deux espéces iné-
dites appartenant à ce genre. Bull. de la Soc.
Ent. de Fr. 1919. p. 136-143.
8) — E. Gounelle. Liste des Cerambycides de la
Région de Jatahy, Etat de Goyaz, Brésil. Ann,
de la Soc. Ent. de Fr. 1911. p. 79.
9)— A. Heyne. Die Exotischen Kaefer in Wort und
Bild, 1893. .p:. 240: fig. Taf 36, N. 21.
10) — Th. Lacordaire. Genera des Coléoptères, 1869,
tome IX. p. 36.
12) — Olivier. Entomologie, 1795. IV. 68. p. 13,
bai fie. 2 an,
13)—C. J. Schoenherr. Synonymia Insectorum.
SL psAot maN. 62.
14) — M. Serville. Nouvelle Classification de la
Famille des Longicornes. Ann. de la Soc. Ent.
de Fr. 1834. p. 62.
15) — J. Thomson. Systema Cerambycarum. 1864,
p. 265.
NOTA
O trabalho acima já estava concluido, quando
chegou às nossas mãos a diagr.ose da Unxia simplex
Auriv., publicada no « Arkiv fór Zoologi, 1911, Band
7, N. 19, pag. 2, sendo a differenga principal entre a
U. simplex e a U scopifer Klug, que esta tem os ar-
ticulos 5 e 6 das antennas munidos com um fasci-
culo de cabellos pretos emquando que as antennas
dessa sómente mostra este fasciculo no quinto se-
gmento. « Aurivillius diz: Der U. scopifer Klug
ahnlich, aber nur auf den fünften Fühlergliede mit
Haarschopf ».
Infelizmente Aurivillius nada informa sobre o
sexo do insecto, por elle descripto, deve-se tratar
porém, evidentemente, dum 6, pois nada elle men-
ciona sobre os cabellos ruivos e recurvados que co-
brem o trazeiro, particularidade esta primeiramente
assignalada nas $$ do genero Paromoeocerus, e
que as ¢¢ do genero Unxia egualmente mostram.
Temos à nossa disposição 7 exemplares, dos
quaes 6 procedentes de Passa Quatro - Minas e
um por nós capuirado no bosque da Saúde, perto
da Capital de São Panlo e que correspondem exa-
ctamente a diagnose de Aurivillius. Todos estes 7
exemplares são dd.
Das mesmas localidades temos às mãos 9 exempla-
res, sendo 3 de São Paulo e 6 de Passa Quatro,
que correspondem quasi exactamente a diagnose de
Unxia scopifer Klug, diagnosa esta que o nosso
amigo, o Exmo Snr. Dr. A. M. da Costa Lima teve
a grande amabilidade de nos enviar, e aproveitamos
esta opportunidade, para lhe apresentar os nossos mais
sinceros agradecimentos por esta sua gentileza.
Estes nove exemplares com as antennas muni-
das com um fasciculo de péllos pretos nos quintos
He? eu
e sextos articulos são todos ¢ ¢, apparecendo assim
a duvida bem fundamentada, si com a Unxia sim-
plex Auriv. foi descripto o 4 da conhecida espécie
de Klug, ou si se trata effectivamente de uma es-
pécie differente.
Os nove exemplares, que julgemos ser U. sco-
pifer Klug e que não temos a minima duvida em
considerar as ¢¢ da U. simplex Auriv., como Já
foi dito não correspondem exactamente à diagnose
de Klug, ficando unicamente as designações: « Ca-
put cupreo micans » e « thorax cupreo tomentosus »
abertas que os nossos exemplares effectivamente nãc
mostram.
Na litteratura não encontramos obras mais de-
talhadas sobre este genero e para esclarecer esta
questão bem interessante seria preciso estudar um
material mais vultoso de outra procedencia e espe-
cialmente do Rio de Janeiro, e esperamos, que isto
em breve se dê.
é
yin o sob MOS
E Raa pod à EC 1j De ge
72
4
+
ER O0 DAS:
¥
À
à ‘=
e
se
É
à 4 ,
wl) 7a
A1 CR
=
et
AE. à Pa aN
À Ed Me Looe
Le PL AE ta
L
* à + Ê . =
‘he PTE f E aie
4 0 3 ARO TNT
UP ARTE EL
o VAE
hey | SHG
. | “14
o
‘ana
wig ao
das =
Pat q" v
EER A e e Oe OTANI AC At RNIN MENTE TE
x = Ree ok re = E » ada É Rai
a +
e
+
'
re é 2
i
FAN
SE É
=
a. es E
Compsocerus barbicornis Fabr
si
Orchidaceas novas e menos
conhecidas dos arredores de S. Paulo
POR
Poo HOERNE
Botanico do Museu Paulista
re
nado od
(Irchidaceas novas e menos conhecidas dos
arredores de S. Paulo
POR
FE. HOEANE
Com o presente damos inicio a uma série de
trabalhos que pretendemos levar a effeito, sobre as
Orchidaceas dos arredores de S. Paulo, em que re-
gistraremos, pouco a pouco, nesta Revista, as espe-
cies mais communs e aquellas menos conhecidas,
e, isto, com o fim especial de tornal-as mais co-
nhecidas e accessiveis áquelles que se interessam
por ellas e que não teem a ventura de poder clas-
sifical-as na Flora Brasiliensis de Martius.
Ao lado de duas novas especies que descreve-
mos neste trabalho, damos tambem uma estampa de
Prescotia viacola, Barb., Rodr. var. polyphylla,
Cogn, planta esta que apparece com frequencia nos
campos seccos e tambem entre os Sphagnos dos
bréjos e alagados que circumdam esta cidade. Além
desta, fazemos tambem uma redescripção da Restrepra
crassifolia, Edw. que com a Isabelia virgenalis,
Barb. Rodr. e outras epiphytas campestres não é
rara nos campos de Butantan.
No proximo numero daremos, talvez, uma re-
lação mais completa possivel de todas as Orchidaceas
dos arredores de S. Paulo.
Restrepia crassifolia, Edwall
( Redescripção, acompanhada de um desenho e
reproducção photographica original ).
— 440 —
Em Setembro de 1917, quando colhiames
plantas nos arredores de Butantan, S. Paulo, tive-
mos a nossa attenção despertada por uma pequena
Orchidacea que ali apparece sobre os ramos e tron-
cos das arvores campestres e, que, apesar de suas
minusculas dimensões, chega a fórmar conjuntos
tapetiformes de alguns decimetros de diametro, exa-
minando-a com mais cuidado, verificamos tratar-se
de uma Restrepia pouco vulgar e bastante interes-
sante. Recorrendo à Flora Brasiliensis de Martius e
aos demais compendios que tratam do assumpto, cons-
tatamos ainda que ella não cabia em nenhuma das
descripções publicalas, mas que tinha grande zffi-
nidade com a Restrepia crassifolia, Edwall, da qual
se afastava pelos caules secundarios ou peciolos dis-
tinctamente desenvolvidos, pedunculos floraes mu-
nidos de uma vagina abaixo do meio da haste flo-
ral e pelos sepalos lateraes mais curtos que o dorsal
e, tal como aquelle, trinervados e labello com pe-
queno espessamento calloso em sua base. Comquanto
estas differenças bastassem para firmar a supposta
nova especie, procuramos, comtudo, no Hervario do
Museu Paulista, o original de Rest. crassifolia,
Edwall, e tivemos a satisfação de o encontrar de
facto, archivado sob. o n. 6025 daquelle Hervario
e, não foi dificil verificar então, que apesar da dis-
crepancia da descripção, tratava-se da mesma es-
pecie. (Considerando que outros poderão ter que se
haver com a mesma especie e descripção, julgamos
de nosso dever modificar esta ultima para o que
segue, pois que de facto os sepalos lateraes são
mais largos e mais curtos que o dorsal e todos
trinervados e não uninervados como foram descriptos.
Planta minuta, caulibus teretiusculis, repenti-
bus, inter sese dense et arcte implectentibus, ramo-
sissimis, tapeta magna usque 3 dm. dm. supra ra-
mos arborum campestris formans, circiter o, 7-9
mm. crassis et ultra 25 cms. longis, ad insertionem
petiolorum et ad internodium inter eas anulatis va-
ginis membranaceis subdiaphanisque plus minusve
dense vestitis; caulibus secundariis vel petiolis dis-
—— fo
= 44 —
tinctis, 0,7-1 mm. longis; foliis sat carnosis, elli-
pticis ovatisve, obtusis rotundatisque, vel acutis, 4 5
mm. longis et 2, 5-3, 2 mm. latis et usque 0,6-3
mm. crassis, non raro minutissime mucronatis vel
cuspidatis, subtus convexis et supra longitudinaliter
sulcatis et non raro levissime undulatis vel rugulo-
sis, caulibus primariis sat arcte adpressis, interno-
diis caulis aequantibus vel saepius levissime supe-
rantibus ; inflorescentiis unifloris, filiformibus, as-
cendentibus, 1, 5-3, 5 cm. longis, circiter 0,3 0,5
mm crassis, glabris, ad basin et médium vel paul-
lulum infra minutissime anulatis et vaginatis, ad
apicem bracteatis et unifloris; vaginis subtubulosis,
{ mm. longis; floribus bracteatis, subhorizontalibus
vel patentibus, fere 6-7 mm. longis; sepalis latera-
libus fere usque ad 3/4 vel 2/5 inter sese concre-
scentibus. trinervatis, ovato lanceolatis, obtusiusculis,
sepalo dorsal et petalis multo latioribus et fere
{ mm. brevioribus, non ultro 4 mm. longis et con-
junt’s inferne ultra 3 mm. latis, pallido-lutescenti-
bus et prope basin indistincte purpureo-lineolatis ;
sepalo dorsali erecto patenti, lineari et abrupte acu-
minato obtusiusculo, 5-5, 5 mm. longo et non ultra
1 mm. lato, pallido lutescenti, trinervato et tristriato ;
petalis sublinearibus, breve acuminatis acutiusculis,
sepalo dorsali aequilongis, uninervatis, pallido lute-
scentibus ; labello sepalis lateralibus breviore, dis-
tincte trilobato, purpureo, lobis lateralibus late tri-
angularibus, erectis, lobo mediano oblongo, ápice
rotundato, inferne aequilato, disco propre basin le-
vissime incrassato et minute bicalloso ; columna se-
miclavata, in parte superiora antice minutissime et
irregulariter denticulata, parte ventrali purpurascen-
tia et dorsali pallido-lutescenti ; anthera glabra.
N. 495 do Hervario do Horto « Oswaldo Cruz »
em Butantan, S. Paulo; colhida em Setembro e n.
6025 do Hervario do Museu Paulista, colhida por
dr. G. Edwall em Morro Pellado no mez de Abril.
( Original da espécie?) Estampa n. II (I e Il, fig.
1-10 ).
— 442 —
Spiranthes oligantha Iloehne (sp. nov.)
Tabula nostra n. I, flg. 1.º -- 1 h.
Planta sphagnicola, parva, glabra; caulibus sub-
filiformibus 8-10 em. altis et 0,6-1 mm. crassis va-
ginis 3-4 laxe vestitis; tuberidiis pilosis, sat carnosis,
1-1,9 cm. longis et 4-5 inm. crassis; foliis radica-
libus, 1-3 contemporaneis, limbo ovato vel oblongo
fere 8-10 mm. longo abrupte rotundatis et ad pe-
tiolum aequilongun levissime decurrentibus, apice
obtusiusculis ; spica breviuscula, laxe 1-3 flora; bra-
cteis triangulari-lanceolatis, ovario aequilongis vel
nonnihil superantibus, acutis vel obtusiusculis, gla-
bris ; floribus ercto-patulis, albidis, cum ovario us-
que 6-7 mm. longis; sepalis inaequalibus, apicem
versus omnibus carnoso-incrassatis et obtuse rotun-
datis, dorsali suboblongo, médio concavo, fere 3
mm. longo et lateralibus dorsali sat longioribus,
horizontaliter porrectis, longitudinaliter concavis, 4
mm. longis et 1 mm. latis; petalis oblongo-lan-
ceolatis, sepalo dorsali aequilongis et arcte conni-
ventibus apice auriculiforme liberis truncato-rotun-
datis; labello petalis aequilongo vel nonnihil lon-
œiore, basi sagittato, ambito sub-oblongo, longitu-
dinaliter concavo, prope apicem contracto. limbo
terminali suborbiculari refracto et emarginato, dense
tenuissimeque visiculoso-granuloso, disco in parte
contracta bicalloso; columna glabra.
N. 488 do Hervario do Horto « Oswaldo Cruz » ;
colhida nos pantanos turfósos de Butantan, vivendo
entre e sobre Sphagnum. Set. 1917.
Foi-nos impossivel identificar esta planta. Ella
tem grande afinidade com Sp. micrantha, Barb.
Rodr., della afasta-se porém, como tambem de todas
as demais, principalmente pelos espessamentos car-
nósos dos sepalos e pela forma do labello, de lim-
bo tenuemente vosiculoso-granuloso e ápice emar-
ginado.
A maior parte das espécies menores descriptas
na «Flora Braziliensis» de Martius e nos traba-
lhos ultimamente publicados por Kraenzlin, sobre as
——— =
ue due
Orchidaceas da America meridional, caracterizam-se
ainda pelo revestimento pilloso das partes vegetati-
vas e das flores e bracteas ; esta é, no emtanto, com-
pletamente glabra.
Quanto à forma das flores e comprimento des-
egual dos sepalos ella lembra nm pouco de Sp.
Lindinanniana, Kr, e de Sp. butantanensis. Hoehne
que, são muito maior do que ella.
Spiranthes butantanensis, Hoehne (sp. nov.)
Tabula nostra n. I fig. 2-a — 2-i
Planta terrestris, sub anthesim aphvlla; radi-
cibus 3-5 subhorizontalibus, sat carnosis, 4-0 cm.
longis, et 3-4 mm. crassis, glabris; foliis ignotis ;
scapo erecto, aphyllo, 20-25 cm. alto, vaginis 6-9
remotis vestito, ubique piloso; vaginis laxe ample-
xicaulibus, acuminatis, internodia caulis sat brevi-
oribus ; spica breviuscula, 4.17 — flora; bracteis lan-
ceolatis, acuminatis, ovario paullo superantibus vel
1-1,3 cm. Jongis, extus dense longeque pilosis ; flo-
ribus albidis viride venulatis; sepalo dorsali et
petalis in labio superiore cuculato conglutinatis, ‘in-
ferne obovato satis concavo, deinde leviter con-
tracto suboblongato et apice cum petalis emargi-
natis, inferne viridi et apice cum parte libera peta-
lornm albido, extus longe piloso, intus glabro, fere
1 cm. longo et quam sepala lateralia satis breviora ;
sepalis lateralibus quam sepalum dorsali sat lon-
gioribus, linearibus, antice elongato-panduratis et
levissime concavis, apice rotundatis, albidis linea
longitudinali viride strisque radiantibus ornatis, parte
libera 1,2 cm. longis, antice 2,5 mm. latis, in parte
connata concavis, extus depresse tennissimeque pi-
losis ; labello, e basi lata obovato, deinde in isthino
lineari sigmoideo-flexuoso contracto. denique in la-
mina suborbiculari et leviter complicata aucto, toto,
1,6 cm. longo et parte ilbera terminali vix 3,5
mm. longa, albo et viride venulato, extus intusque
glabro ; gynostegio longiusculo, rostello bialato.
= eae
N. 395 do Hervario do Horto «Oswaldo Cruz».
Colhida em Butantan, floresceudo em Setembro.
Afim de Sp. Lindimanniana, Kraenzlin., da
qual se afasta pelos desenhos verdes das flores, pelo
sepalo dorsal e petalos emarginados, raizes glabras
e por ser terrestre.
Os petalos fórtemente unidos ao sepalo dorsal,
tendo apenas apice livre e levantado em forma de
duas orelhas, os sepalos lateraes muito mais longos
que o dorsal e a forma interessante e pouco com-
mum do labello, constituem caracteristicos que são
communs a esta e a Spiranthes Lindmannana.
Kraenzlin.
Explicacôes das Estampas
‘Tabula n. I:
Fig. fa-- 1h — Sprrantes oligantha,
Hoehne (sp. nov. ).
{a — planta em tamanho natural.
{ b — flor vista de lado, ampliada.
1 c — labello visto de lado e disterdido, am-
pliado. F
1 d — sepalo lateral, ampliado, mostrando cór-
tes em cima e em baixo.
1 e — sepalo dorsal, ampliado, idem.
1 f — petalo, ampliado e em posição natural.
tg — pollineas, ampliadas.
1h — bractea, ampliada.
Fig 2a --2i — Spiranthes butentaunensis,
Hoehne (sp. nov.)
2a— planta em tamanho natural, cortada no
meio da haste.
2b — flor vista de lado e muito ampliada.
2 c — sepalo dorsal de lado e dentro, ampliado.
2d — sepalos lateraes, vistos por dentro, am-
pliados.
2 e — petalo em posição natural, ampliado.
2 f — labello visto por dentro e de lado em
córte, ampliado.
2 e — rostello, ampliado com e sem a anthera.
2h — anthera vista por cima, ampliada.
2 i — pollineas, ampliadas.
Fig. 3a --3i — Prescotia viacola, Barb.
Rod. var. polyphylla, Cogn.
3a — planta em tamanho natural, cortada no
meio da haste.
= AO
3 b — folha das maiores, em tamanho natural.
3 c—flor vista de frente e lado, ampliada.
3 d — sepalo lateral, ampliado e distendido.
3 e — sepalo dorsal, ampliado.
o
3 f — petalo, ampliado.
3 g — labello, de lado e por dentro, ampliado.
3h — anthera, ampliada.
3 1 — pollineas.
Tabula n. Il:
Est. I — photographia de parte de um grande
exemplar de Restrepia crassifolia, Ewall, reduzido.
Est. I[— a mesma planta com detalhes.
1 — parte de um caule com folhas e flores em
tamanho natural.
2 — folhas vistas de cima e em córte, am-
pliada.
3 — flor vista de lado, ampliada.
4 — sepalos lateraes, distendidos e ampliados.
o — labello distendido e ampliado, visto por
dentro.
6 — sepalo doral ampliado.
7 — petalo, ampliado.
S — anthera, ampliada.
9 — pollineas, ampliadas.
10 — columna vista de lado, ampliada.
As letras juntas aos detalhes da fig. 2 da tab.
I, indicam : © — verde, b — branco.
S. Paulo — 17 Outubro, 1917.
I. CG. Horne.
EEE
ee a ry ÈS ae
“0800 ‘wyJAydAjod “IVA “1p0Y “qIVA ‘V'IODVIA VILO9SHd — Ill
auyooy ‘SISNANYLNVLNS ‘dS — Il ‘?uy20H 'VHLNVDITO SAHLNVAIAS — |
“IP euye0H "> 4
boN VINEVL
‘jap auys0H ‘D “4
1eMpy “HITOAISSHAD WiddaLSay
oN vINdVL
‘youd sanzumuoç ‘f
‘PMP ‘BIPOJISseAD eId911S9M
DE POSER
INDUSTRIAS METALLURGICAS NA ANTIGUIDADE
DG. ALBERT CHILDE
DO MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO
INDUSTRIAS METALLURGICAS NA ANTIGUIDADE
E” muito pouco provavel, apezar das aflirma-
ções em contrário. que os egypcios predynasticos
tenham possuído marinha que lhes permittisse entrar
em relações directas com os povos do mar Egeu «
do occidente. (1)
Eram-!hes os barcos feitos para o Nilo e não
para o mar e os que vêm representados nos vasos
neolithicos são simplesmente (2) naus-templos.
Nem o marfim achado em Creta, nem a obsi-
diana, encontrada no Egypto, embora alheia ao paiz
nos levam a admittir relações directas entre este
paiz e as outras regiões mediterräneas ; a paleonto-
logia, a geographia geologica explicam a presença
de elephantes no Egeu e na Europa, anteriormente
à época das relações invocadas; por outro lado a
obsidiana não é essencialmente asiatica (3) nem
egeense, pois occorre nas ilhas Lipari, nas de Pan-
tellaria e Tenerife, na Hungria e Irlanda, em Jersey,
no Cantal, na Armenia (4). Estas regiões exigindo
comtudo muito distante transporte devemos procurar
os intermediários, já que aos egypcios recusamos o
commercio directo.
+
* *
Encontram-se no Egypto objectos feitos de cobre
puro de época anterior aos tempos dynasticos. (Flind.
Petrie em Negadah e Hieraconpolis, Amelineau em
Abydos). O bronze era conhecido porém, desde a
(1) Jéquier. Hre. de la Civilis. égypt. P. 89. — Dr.
Capitan et abbé Arnauld d'Agrel. Rapports. de l'Egypte et
de la Gaule à l’epoque néolithique ( Rev. Ec. Anthrop. 1905
Sept. (2) A. Childe on the pretended predynast boats. 2d
Pan American Scientific Congr.. (3) Dr. H. Weisgerber
Les Blanes d’Afrique. P. 330. (4) A. Harker. Pétrogra-
— 450 —
primeira dyaastia e mesmo trabalhado em laminas
(tumulo de Abydos) (5). Viesse de onde viesse
o cobre, do Sinai ou de alhures, é certo que o es-
tanho que fórma a liga de bronze não provinha do
Egypto, constituindo assumpto de commercio espe-
cial. Os trabalhos do Snr. Jerge Goffey sobre os
celts irlandezes da época do cobre ( 6) demonstram
como estas armes fabricadas com minerio de com-
posição variavel, cfferecem specimens de cobre quasi
puro ao passo que outros encerram vestígios de es-
ianho, antimonio ete.
Assim se explica a descoberta da liga preciosa
que valorizanão os objectos com ella fabricados,
devido a sua maior resistencia, conduziu a melhorias
de fabricação, a uma selecção commercial e conse-
cutiva exportação.
x.
* *
Ora a analyse dos cobres achaicos egypcios mos-
trou que elles haviam sido utilizados sem liga e que
as impurezas nelles contidas provinham do minerio
original; Berthelot descobriu um pouco de arsenico
mas nunca estanho nem chumbo (7). Dahi é ne-
cessario concluir que o cobre misturado com o es-
tanho, e o próprio estanho vieram ao Egypto do
exterior. Os antigos só conheceram o estanho das
Cassiteridas e talvez o da Italia e o da Bohemia. (8)
Sabemos aliás que a civilização Sumeriana do anno
3000 (9) fabricava idolos de bronze. Si o estanho
proviesse das Indias, onde abunda, seria inexplicavel
que os Phenicios. então estabelecidos no golpho Per-
sico. não houvessem continuado este commercio
oriental, tão importante com o Egypto quando trans-
phie 1902. Coquant. Traité des roches. (5) Mosso. Le
origine della civiliti mediterran. P. 22. (6) G. Goftey.
Irish Copper Celts. Jl. Ant. Inst. V. XXXI. 1901. P. 265-
280. (7) Dr. H. Weisgerber. op. laud. P. 336.
(8) MH. Peake The Irst. Races concerned in thesiege
of Troy. Jl. R. Ant. Inst. 1916. P. 154 et sqq (9) Date
minim. d’Ed. Meyer ( Quinze siceles d'Hre Babyl.-Rev. Arch.
1910. L.æ; 145,
|
te e
migraram para as costas da Syria (10). Os phe-
nicios da antiga Cananéa ( 2700-1550 ), aliás, ainda
não eram navegadores como Dussaud demonstrou.
*
* *
As excavações feitas em (Greta, na Hespanha,
Liguria e França permittiram estabelecer a proce-
dencia occidental do estanho na época neolithica :
Ilhas Cassiteridas, (Inglaterra e talvez Armorica) (11)
Toscana ( Massa Maritima, Monte Calvi ete. (12).
E" difficil sustentar que nesta época o itinera-
rio maritimo dos Phenicios tinha já sido praticado.
As descobertas de silex e de herminettes do typo
egypcio feitas na ilha de Rion pelo Dr. Capitan eo
Padre Arnauld d’Agnel (13) persuadem-nos de que
a estrada terrestre das Boccas do Rhodano à foz
do Loire deve ter sido muito mais antiga do que
qualquer outra.
* *
Para explicar um ponto litigioso na archeolo-
gia é necessario muitas vezes passar de um assum-
pto a outro porque assim elles .se ventilam mutua-
mente. O commercio do estanho, nos tempos que
nos preoccupam, acha-se estreitamente ligado ao de
ambar. Ora, a amostra cretense de ambar que é a
mais antiga, fui descoberta num tumulus do final
do periodo do Minoen primitivo (14). Pelos tu-
mulos da 5.º dynastia porém (15) conhece-se a
precedencia do ambar no Egypto. Este ambar era
pois desconhecido da Creta. Poderia ter vindo de
Catania na Sicilia onde é encontrado ( 15-a), como
(10) A. Childe. Archéol. class. et Américanisme. Arch.
Mus. Nac. Rio de Janeiro. V. 19. P. 140. (11) L. Siret.
Les Cassitérides et Vempire des Phéniciens. L’Anthr. 1908.
P. 129 et sqq. (12) Mosso op. laud. P. 308. (13) Op.
laud. (14) Mosso op. laud. P. 290. (15) S. Reinach.
L’étain celtique. L’Anthr. 1892. P. 276 et sqq.
(15-A) O. Helm. Chemisch. Untersuch. V. Bernstein
Perlen. Z. f. Ethn. T. XXXIII n. 5. ( Verhandl. p. 400)
Berlim. 1901. — E” muito provavel que em certas épocas
tenha sido atilisada a simetita ou résina fossil do Etna,
que é tão bella quanto o ambar e não contem acido succinico.
AR
a obsidiana poderia ter vindo de Pantellaria e das
ilhas Lipari. Fosse como fosse, taes specimens eram
porém de inferior qualidade. No emtanto é por seu
intermedio que presentimos a linha seguida e a li-
cação entre o Rhodano e o Nilo.
x
Na época da renna em França abunda o ambar
(16) mas nenhum objecto oriental se encontra que
permitta suppôr relações directas com viajantes do
Sul. Estavam entretanto estas tribus em relações de
escambo com sociedades originarias de outra raça
que occupavam o centro da Europa e geralmente as
bacias regadas pelo Danubio e seus afluentes. Conhe-
cidas sob o nome de lacustres construiam palafittas,
apreciavam o ambar, cultivavam o linho, a cevada,
o trigo; moldes para a fundição nos provam que sa-
biam fundir o estanho com o cobre para fabricar
as armas de bronze que as acompanhavam.
Fixa Dettweiler esta civilização entre 4000 e
2000 (17), a desccberta do bronze segundo S. Rei-
nach é de 3500 a 3000 (18) e as palafittas da época
do bronze devem sor consideradas como centros de
irradiação commercial da liga preciosa. Destas con-
siderações resulta que os lacustres que se extendiam
para o centro da França e ao norte da Italia, que
tinham industrias communs com estes povos occi-
dentaes e objectos communs como ceramica, pedras
raras, jadeita, serpentina, etc., foram na época da
origem do bronze os primeiros intermediarios pre-
sumiveis entre o occidente e os commerciantes das
costas da Italia e da Sicilia, esses que ligaram os mer.
cados do Rhodano e os da Sicilia, de que falâmos.
Encontraram-se nas estações lacustres grãos de
trigo absolutamente similhantes aos que se acha-
ram num tijolo da pyramide de Dachhur perten-
cente ao rei Snefru. (19) Das diversas variedades
(16) Mosso, op. laud. P. 292. (17) 111. Landwirtsch.
Zeit. 9. Okt. 1912, (18) Guidill. Mus. de St. Germain P. 30.
(19) Zaborovsky. Les peuples aryens d’Asie et d'Eu-
rope. P. 342. — d’après Unger, De Candolle. P. 285.
ail
= 409
de centeio indigena na Europa e que os lacustres
possuiam, é a melhor e unicamente aquella que se
achou nos monumentos egypcios ( 20 ).
*
Quando, para os fins da época neolithica, as
tribus nordicas se impuzeram aos habitantes do cen-
tro europeu (21), uma parte das tribus lacustres
teve de fugir para o Norte subindo os affluentes da
margem esquerda do Danubio ; os que puderam ficar
continuaram a viver nas palafittas da Suissa ou
desceram os contrafortes meridionaes dos Alves, passa-
ram para © Tyrol (22 ) a Venecia ( 25) a Macedonia
e Transylvania (24) onde existiam minas de cobre
que foram o centro de antiquissima exploraçäo.
Foi então tambem que o commercio do ambar
pode deslocar-se e que estradas novas mais orien-
taes do que a primeira deixäram tradições reco-
lhidas por Herodoto (25) semeando o producto
septentrional para Creta e para Ilissarlik.
Entretanto, como uma tradição antiga, tradição
que ainda hoje encontra adeptos de valor, faz provir
o bronze do Oriente, de remota antiguidade, é pre-
ciso examinar a possibilidade desta proveniencia.
Em 1881 escrevia Lenormant que o estanho
dos habitantes da Bactriana só podia provir do Pa-
ropanisus na época de certas passagens dos livros
de Zoroastro «nos tempos mais primitivos» (26)
James Darmesteter provou depois que estes livros
foram escriptos no seculo terceiro de nossa éra, ba-
seados num fundo de tradições — achemenides ( VI
sec., A. CG.) — (27). Mesmo se nós remontasse-
mos ao texto cuneiforme descoberto por Winckler em
Boga Keui para prevar que as tradições do Zend
Avesta podem ser uma herança dos antepassados
(20) Id. op. laud. P. 345. (21) H. Peake. op. laud.
P. 163. (22) Id. P. 162. (23) Hérodote. I. 196.-V. 9.
(24) Zaborovsky. op. laud. P. 314. (25) Hérodote. L. IV. 33.
(26). F. Lenormant. Hre. de l'Orient. T. I. P. 200.
(27). S. Reinach. Le Mirage oriental.
AUS
commums dos Persas e dos Hindüs, quando muito
attingiriamos as immediações de 1400 antes de
Christo. Foi entre 1500 e 1000 que os Indo-Ira-
nianos penetraram no Pendjab occupando o Paro-
panisus e as regides vizinhas. Perto de 1600, porem
estavam ca Armenia onde haviam penetrado
pela Asia Menor septentrional ( 28 ) vinde da Thracia.
E já conheciam a domesticação dos animaes, os
carros e as armas de bronze (29) conheciam pois
o estanho já antes, muito antes de haverem attin-
gido o Paropanisus e deviam tel-o re-cebido como as
demais tribus da Europa Geolithica das cassiteridas.
*
* *
J. de Morgan suppõe que o cobre era extrahido
das montanhas do Alto Kharun no Elam ; quanto ao
estanho ignora absolutamente de onde tenha sahido
(30). Lenormani suggere então que foi da «Iberia
caucasica, da actual Georgia que a gente de Thubal,
na época de Yé-hezqel e os Khalybas da tradição
grega tiravam o estanho para os sens bronzes ce-
lebres. E’ d’alli que devia sahir o do Iran, da Su-
ziana e do valle do Euphrates e do Tigre (31).
Maspéro cita ainda estes mesmos Chalybas entre
os povos da Asia Menor sob o littoral do Ponto
Euxino, como os fornecedores de metaes, do estanho,
dc ouro etc., para o mundo oriental no tempo da
vigesima dynastia egypcia (32). Era a época da
guerra de Troia e entre os alliados dos troyanos
figuram, effectivamente os Halyzonas da longinqua
Alybé: paiz de onde se origina a prata.
E” extranho, porém, que Homero não diga pa-
lavra de seu bronze, nem do estanho, tão precioso
que com elle se faziam anneis no Egypto (33), em-
quanto cita aquelles que mais tarde passaram como
(28). A.J. Reinach. Les Harri et les Aryens. L’anth.
P. 207. (29) S. Reinach. Orpheus. p. 75.
(30). J. de Morgan. Les premiéres civilisations, p. 207.
(31). F. Lenormant. op; laud. T. I. P. 200. (32). G. Mas-
péro. Hre. anc. des Peuples de l'Orient P. 284. (33). Na
O d'à
ee 5 Qu
os proprios fornecedores deste metal (34) Herodoto
nos fornece mesmo, falando de taes povos, famosos
pela sua metallurgia, dados que não deixam de nos
collocar em certa perplexidade. Como fizessem parte
dos exercitos de Xerxes descreve-lhes o armamento.
e se os Khalybas têm capacetes de bronze empunham
dardos de fabricação lyciana, importados, portanto,
o que é exquisito; muito mais extranho, porém, é
ver-se os Mosques, os Tybarenos, os Colcos e os
Saspiros, pertencentes ao mesmo grupo, täo celebre
quanto elles como metallurgistas, cobertos de capa-
cetes de madeira (35). E' a mais perfeita illus-
tração do proverbio portuguez : em casa de ferreiro,
espeto de pau.
*
Como, por outro lado, pôde a tradiçäo biblica
formar-se acérca deste ponto curioso ?
Bernard Stade e Ed. Mezer não admittem tra-
dições históricas na memoria dos Israelitas, ante-
riores à época dos Juizes ( 56 ), mas póde-se admittir
que as tradições mythologicas lhes tenham chegado
ao conhecimento, oriundas de seus paes, contempo-
raneos dos Pastores (37) ou então que elles as
tenham recebido dos povos chananeus na época da
conquista. Seja como fôr, a redação israelita, ou
antes a adaptação israelita não pôde de módo algum
ser anterior à época de Moysés ( 38 ) isto é à XIX.º
dynastia.
*
* ¥
Dos dous documentos do Genesis o Jahvista
indica Tubal como o 6° descendente de Qain, filho
de Cillah, a segunda mulher de Lemech (IV, 22)
e por conseguinte como chronologicamente anterior
a toda a posteridade de Noah.
XVIII. a dyn. S. Reinach. Le Mirage oriental. (34). Homéro
Iiada. II. 856-857.
(35). Hérodote. L. VII. 78, 79. (36 ). Hommel. Hre. de
la Babyl. et de VAssyr. in Hia. Univers. de Oncken. P. 446.
(37). EB. Reuss. L’hre. Sainte et la Loi. T. I. P. 27. (38).
E. Reuss. op. laud. P. 102 et sqq.
= AD =
E’ no Livro des genealogias, a mais recente
das partes do Pentateuco (39) que nós achamos
(X, 2) entre os filhos de Japheth: Tubal e Mes-
schech — Os Tybarenos e os Mosques — sem que
comtudo seja citado sua industria metallurgica.
Mas o que é sobretudo digno da fixar nossa
attenção é que quando o Jahyista designa Tubal, 6.º
filho de Qain, o designa como ferreiro de ferro e
bronze. Isto é um ponto extremamente importante,
porque o ferro não foi considerado até agora como
um metal trabalhado, sinão em épocas bem poste-
riores — e tambem porque se o estanho não é acha-
vel no Caucaso e jamais alli foi encontrado (40)
encontra-se ferro, pelo contrario, nas montanhas da
Media, no Zagros (41). Nas sepulturas de Warka
( Erek) e de Mugheir ( 2500 a. Chr. ) acham-se al-
guns ornamentos de ferro, e Suza o conhecia egual-
mente no tempo do imperio Sumero— Accadiano (42).
Mas as relações entre os povos da Transcaucasia
e os da Mesopotamia semitica são muito posteriores
a este tempo; foi no oitava seculo e no setimo, só-
mente, que a cultura assyria penetrou no valle do
Ara. (43) D'ahi é preciso deduzir que quando os
Hebreus redigiram o capitulo que estudamcs invo-
cando para Tubal — Qain (isto é o ferreiro) o co-
nhecimento do ferro, elles adoptavam uma tradi-
ção local excessivamente antiga e que na Mesopo-
tamia precedeu à primeira invasão semitica. O que
alias concorre a proval-o é que este nome proprio
não se explica pela lingua hebraica (4%) E. Reuss
aceitando Qain como nome semitico (arabe ) e ap-
proximando Tubal — Qain de Vulcano, suggeria a
derivação provavel dos mythos europeus de uma
fonte asiatica (45). Seja como for, veremos que não
(89). F. Lenormant. op. laud. intr. P. XV.
(40). S. Reinach. Le Mirage oriental. (41). G. Mas-
péro. op. laud. P. 556. (42). J. de Morgan. op. laud. P.
197. note 13.
(43). Anoutchine. L’ Archéologie em Russie L’Anthr.
1994. P. 351. (44). Reuss. op. P. 303. (45). E. Reuss, op.
ha motivos para d'ahi se inferir a existencia de uma
fonte semilica.
*
* *
Nestes ultimos annos os trabalhos de J. N. Marr, de
Petrogad, puzeram em evidencia que o radical “ hkn”
japhetico — isto é dos povos pre-indo-europeus do
Caucaso, segundo elle — foi a fonte, sob a fórma
abreviada “Kn” dos termos semiticos: Mana fer-
reiro (entre os arabes) e Kayn forjar ; termos que se
introduziram entre os Arabes provavelmente graças
ao intermedio dos semitas septentrionaes (46). Tudo
faz crêr que no caso vertente taes se nitas tenham
sido os Amoritas que no seculo XVI formavam um
estado na Phenicia (47 ).
*
Ora da Palestina, de Chanaan, pela Syria Se-
ptentricnal até a Asia Menor, encontravam-se então
muitas tribus que nem todas eram semitas. Tribus
Hittitas desceram até Hebron, a oëste do Mar Mor-
to, onde permaneceram muito tempo ( 48); Khalo-
pu, a moderna Alep, pertencia aos Hittitos ou seus
alliados (49). E entre esses occupam o 1.º logar
os Matrinos do reino de Mitanui, nos quaes Win-
ckler reconhece uma penetração aryana. (50) Na
época em que os Israelitas invadiram Canaan, O ii-
perio hebreu e o Mitanni já tinham suceumbido pe-
rante a invasão occidental dos Indo-europeus, mas
as tribus fugitivas que sobreviviam äquelle diluvio
humano não tomaram todas, as estradas do leste e
nordeste; algumas intrincheiravam-se em regiões de
mais facil defesa, ou bordejavam o deserto, como o
fizeram os Madianitas, que devemos, creio, conside-
rar como Matiênos.
In Numeri X, 29, o sogro de Moysés é Iobab,
filho de Raguel, Madianita ; ora estes Madianitas que
laud. P. 303. (46). N. J. Marr. Japhetitcheskie elementy
viazykakh Armenii. Izv. Imp. Ak Naouk. 1911. Feb. n. 2.
P. 137 et sqq. (47). Ed. Meyer. Quinze siècles d’hre. Babyl.
( 48 ).. G. Maspéro. op. laud. P, 215. (49), I. d. 1, d.
P. 216. (50). A. J. Reinach op. laud. P. 207).
wack ee
Moysés foi enconlrar na região Sinaitica, tambem
residiam no oeste do Jordão, onde pouco mais tarde
os vemos combater contra Gedeão (51), isto é, pre-
cisamente nas regiões occupadas pelos Mitanios e os
Hittitas ( Khetas ) antes das guerras contra Ramsés III
Por outro lado, acerca d’aquella allianga, por
casamento de Moysés, o Livre dos Juizes (1, 16)
indica-nos estes parentes como Gineus ou Qainitas,
Hobab, o sogro, é claramente designado como
Oaimitag( Vivia.
Assim, portanto, parece-nos estabelecido como a
raiz « hkn » citada por Marr, poude penetrar até aos
Hebreus, e particularmente como a tradição metal-
lurgista do ferro encontrou asylo na obra attribu-
ida a Moysés; — o que não se podia explicar si os
[sraelitas não chegassem a contacto com populações
já familiarizadas com aquelle metal, na propria épo-
ca em que elles, os emigrantes do Exodo, ainda
apenas viviam no periodo do bronze. Era o bron-
ze para elles ainda rica presa de guerra ou de of-
fertas, emquanto os Cananeus possuiam carros guar-
necidos-de ferro ( 52 ).
a 4 +
Quanto aos Qainitas, suspetamos estreitas re-
lações e antiquissimas entre elles e o Egypto. A
historia de Sinonhit, o aventureiro contemporáneo
de Usertesen 1.º ( XII dyn.), mostra-nos um Egy-
pcio na corte do rei Tonou, onde falavam a lingua
do Egypto, vários hospedes do principe, sendo
Egypeios (53). Tonu éra rei do territorio de Ka-
duma — certamente Sodoma (914), e estava estrei-
tamente relacionado com Dan (55).
Por outro lado, ha uma correspondencia curio-
sa de radicaes entre o hebraico raqiña — fir-
mamento ) da raiz «rqñ » bater com o martello, for-
51”), Tab: Jad; O. VI; 2240, "a3.
52). B. Stade. Hre. ie Péglie d' Israel. (53). G. Mas-
ERA Ctes, populaires de l-Egypte ancienne. (54)
atuma. Paiz na Ph ie rie do lago de Geresareth. ( Bru-
gsch-Géogr. II. 54, (55). Sedom, Sodome, (55. Genese
PATTES
TER É > Aie
jar, e as palavras de formação japhetica nas linguas :
haica, onde existe «erkin » o céu — e grusiana on-
de ha «rkina» o ferro. (56). Isto nos revela
nas crenças cosmogonicas dos povos japheticos uma
relação estreita entre o ferro e o céu. Ora, para
os Egypcios tambem, o ferro era o metal do céu
( Ba-n-Pit) (57).
Expressão tirada e traduzida de crenças ex-
trangeiras, adoptadas pelos Egypcios? ou conceito
egypeio acceito pelos Qainitas ? Sustento a 1.º hy-
pothese, por duas razões pelo menos: 1.º o radical
«hkn» contem os dois conceitos derivados do fir-
mamento e do ferro, com suas respectivas variantes
nas tribus collateraes: rkn, kn, tayn (58) e os
nomes numerosos de locelidades relacionadas com
aquelle radical, de muito anteriores à menção do
texto de Abu-Simbel; 2.º o termo Ba-n-Pit é uma
palavra composta que antes parece ser uma tradu-
eção ao lado do radical «rkn» — Aliás a palavra
composta — metal do céu, — mostra que a desi-
enação do metal, sua qualificação é posterior ao
termo designando o céu, emquanto a palavra unica
referindo duas idéas tão afastadas, parece indissolu-
velmente unil-as, cowo si a descoberta do metal fora
subita revelação da natureza da abobada celeste.
E mais ainda o instrumento do qual os Mas-
nin se serviam para trabalhar o metal, chamava-se
hkr (99), — radical trilittero que creio eu dever
approximar de han, o nome de ferro — como o
mostra Marr nos seus trabalhos, e os Masniu, são
precisamente os ferreiros de Horus, aos quaes at-
tribuiam no Egypto, a introducção dos metaes (60).
#
E *
Suppuzeram que os ferreiros de Horus, os Mas-
niu, provinham do Sul. Si se tratar de Edfu, é
©. XIV. 12. 14. (56). N. J. Marr. op. laud.
(57). Texte d’Abou Simbel (XIX. dyn.) — Lv. dos Mor-
tos. Nr LXIV, 17 et CXLIV, 19. (58) N. J. Marr,o p laud.
(59). A. ‘Erman. Aegypt. Gramm. ( 60). G. Maspéro.
Les forgerons d' Horus Et. de Myth. et d'arch. egypt. T. 2P.
328 et 336.
— 460 —
admissivel que os membros daquella Masnit podiam
ter vindo do Oriente Syrio, pela via de Qocéir 4
Coptos, e ter invadido o Egypto, descendo a cor-
rente do Nilo — assim como os unicos documentos
de baixa época que possuimos até hoje nol-indi-
cam (60 a). Maspero, entretanto admittia, elle pro-
prio, que a pretensão de Edfu bem pode quaiquer
dia achar contestação, em documentos de Zaru où
de Heracleopolis, tendendo a demonstrar o sentido
da invasão como tendo sido de Norte a Sul: (60 b).
Alguns auctores, entretanto, (60 c) consideram
a Ethiopia como o ponto de origem desta invasão.
Não posso admittir esta hypothese para a época
muito archaïca que consideramos actualriente, ainda
que a Ethiopia se extendesse então ao Norte da 1.º
Cataracta, até perto de Edfu (60d), porque os
Masniu de Horus já se revelam mestres na indvstria
do ferro, quando o introduzem no Egypto, — por-
que. embora o ferro exista na Ethicpia, nenhum
objecto feito desta materia Ja foi encontrado (60 e)
— e tambem porque na hora do declinio do Reino
antigo, as tribus que bordejavam os limites Sul do
Egypto, ainda viviam no estado de barbaria (60 f).
*
Objectaram-me muito logicamente (6) g) que
o nome de Ba-n pet, tanto como a dupla significa-
cao de rkn, céu, e férro, podia ter-se originado na
RL que os aerolithos são frequentemente
massas metallicas onde abunda o ferro, donde teria
surgido a illusão referida no « Livro dos Mortos »
de um céu metallico, uma abobada de ferro, — o
ferro seria, portanto, o metal do céu, — e como con-
clusão logica, tambem o ferro do solo proviria de
quédas de fragmentos do céu. Esta objecção me-
rece exame.
(60 a) Id. Id. (60 b) Id. Id. (60c) Ollivier Beaure-
gard. En Orient. L’antiquité du fer en Egypte. P.15/.
(60d). Breasted. Hy of Egypt. P. 37 (60e) Id. Id. P. 136
(60 f) Id. Id. P. 137. (60g) Dr. Nic. Debané, oralement.
-
— 461 —
Entretanto si for exacto que cêrca de .......
20.000.000 de aerolithos cahem diariamente sobre
a terra, e que do numero incalculavel déssas quédas,
desde a Protohis oria atê aos nossos dias — apenas
houve 9 sideritos — isto é 9 meteoritos de ferro
(60 h) — torna-se immediatamente bem pouco pro-
vavel que o mesmo conceito tenha surgido na anti-
guidade sobre pontos vários do mundo habitado, —e
muito mais concebivel que a hypothese de um céu
de ferro, cahindo occasionalmente por pedaços, tenha
se originado no meio de uma tribu que disso fez
a base de uma lenda, disseminando-se esta depois,
no decorrer dos tempos.
Seja como fôr, não parece que a industria me-
tallurgica começasse pela exploração dos aerolithos,
pois que além da extrema raridade dos objectos
désta natureza, conhecidos em archeologia, -tudo
leva a crêr que longe de serem elies utilizados para
fins praticos, conservaram-nos ao contrario religio-
samente. O ferro magnetico ( Fe 20!) elle proprio
foi as vezes objecto do culto: no Palacio minoano
de Phaestos, ao lado de um idolo feminino esteato-
pygico encontrou-se um pedaço de ferro magnetico
de peso de meio kilo, guardado como objecto de
veneração (60 1).
Entendo, portanto, que a crença num céu sóli-
do, metállico, não foi simultânea na origem em lo-
gares diversos, mas sim oriunda dum ponto geo-
graphico unico, — e tendo em vista as considera-
ções feitas, é muito mais provavel ao meu vêr, que
o Egypto a tenha recebido dos Qainitas, do que es-
tes do primeiro.
* +
Parece, portanto, que si não o ferro, pelo me-
nos as crenças que delle relevavam foram recebi-
(60h). George. P. Merrill. Handbook and descriptive cata-
logue of the meteorite collections in the U. S. N. Museum
Wash. Smith, Inst, Bull. 94. 1916. P. 27. (60i). A. Mosso.
op. laud. P. 35.
— 462 —
das pelos Egypeios do mesmo povo que fornecen o
radical «rkn» às linguas japheticas.
O capitulo LXIV do «Livro dos Mortos » pas-
sava por ter sido encontrado sobre um bloco de
baa-Kes (61) no reinado de Menkau-Re (1V* dyn.).
Ora Flind. Petrie encontrou em Abydos um pedaço
de ferro trabalhado, acompanhando cjectos da mes-
ma dynastia (62) o que confirmou as anteriores
descobertas de Maspéro, e põe fóra de duvida a
significação do termo empregado : Baa-kes — ferro.
Mas os Egypcios teriam recebiao do Caucaso
o ferro trabalhado pelo « Masniu » ?
Pôde parecer extranho que pesquisando a res-
peito do bronze, sejamos conduzidos a datar a ap-
parição do ferro como anterior talvez à do bronze
no Egypto (63 ).
Lembrarei aqui que uma 2.º tradição attribuia
a descoberta do mesmo .capitulo LXIV ao reinado
de Semti, o que recuaria o connecimento do ferro
no Egypto até a 1.º dynastia ( cérca de 4266 ) (64).
E" significativo para mim que o «ncme de Zorus »
de Semti era Ten, e que elle passava entre os seus
successores ( Sent.) como medico de fama.
Fiz notar acima a relação entre os radicaes
kn e tayn, — demonstrada por Marr, de Petrograd
— o que me servira de base para attribuir a Ten
uma origem estrangeira, isto é Qainita, e fortificar-
me nesta opinião que os Masniu, — Hor-shesu, fa-
ziam parte das populações ainda enigmaticas, que
viviam sobre os territórios da Palestina, da Syria
septentrional. Encontramos uma vez ainda na 1ra-
dição daquelle principe Ten, medico e ferreiro, um
parentesco symbolico com os Qainitas, os gigantes,
os rebeldes — mais tarde conhecidos com os nomes
de Nephilim, Rephaim, Enagim (65), Horim, Ro-
zenim, Zonzommim (66) todos representantes de
(61). Budge. Hy. of Egypt. (62). 5. Reinach. Le
Fer en Egypte. L'Anthr. T. XV. (63). Dr. H. Weis-
gerber, é da mesma opinião of. Les Blanes d'Afrique, P. 342.
(64). Budg. o p. laud. T. I. P. 198. (65). Lembrar a
cidade de Hanok, fundada por Qain (Genesis) (66). F.
1
|
-
|
|
povos lendarios, anteriores às passagens dos primei-
ros semitas pelo Paddan Hauran, e que são os Ja-
phetidas.
Mas donde vinham elles ? Seriam autochtonos,
occidentaes, ou asiaticos ?
*
* *
O sr. Rhys distinguiu as linguas celticas anti-
gas (67) em 2 grupos: um grupo p ou gaulez e
um grupo q ou celtico. Este ultimo teria domina-
do na Irlanda, na Hespanha e na Italia septentrional.
O grupo p ter-se-ia formado não pelos elementos
que o auctor chama aryanos ( Indo-Europeus ), e sim
pelos allophylos que se tenham aryanizado, na re-
giao dos Alpes. A palavra que serve de caracte-
ristica e de exemplo daquella transformação é o no-
me do cavallo: latim — equus, irlandez — ech, cel-
tico antigo — epos. O sr. Rhys admitte tambem
que as estações lacustres da Suissa tenham sido a
residencia da população mixta daquelles allophylos,
neo-aryanos.
Um phenomeno linguístico analogo encontra-se
nas regiões orientzes que estudamos agora: e Marr
evidenciou recentemente (68 ), que os termos ethni-
cos no Caucaso, revestiam uma on outra das fór-
mas do plu al japhetico, — que Kaspi, p. ex. re-
presentando uma destas formas com o suffixo p da
serie labial, tinha seu equivalente nas outras fórinas
Kas-t-i e Kas- qi. Elle nota mais que este suflixo
se assemelha à variedade Kaspi da lingua da 2.º ca-
tegoria das inscripções cuneiformes “achemenidas,
isto é com a nova e a antiga lingua elamita ( 69 |
*
Estes preliminares conduziram-me a effectuar
uma approximação de mesma natureza entre o povo
de Iapt-lapet, e o povo de Yakt, dos Yaktanidos,
Lenormandt. op. laud. ( Le Xe. Ch. de la Génese) (67)
Rhys. Scottish Review. 1890.
(68). N. J. Marr. Izevest. Imp. Ak. Naouk I. Noiab.
1916. n. 15 (69). N. J. Marr. Zapad. v. Obscht. T. XXIL
— tendendo a mostrar que as tribus japheticas tam-
bem se extendiam na Arabia, no littoral do Mar-
Vermelho, em face ao Egypto. e que sem duvida
devemos ligar à sua occupaçäo os nomes geogra-
phicos como Aden—que encontramos repetidos em
formas parallelas, nos outros territorios por elles
occupados como Dan, Tana, Khatna (70). Sou,
d’outro modo ainda, autorisado à pensar assim pelas
relações estabelecidas, reconhecidas entre os Yakta-
nidos e os Qainitas. Segundo o Genesis (71) os
Yaktanidos provêm de Heber, por Arphaxad e Sem;
ora Heber, segundo o versiculo dos Juizes ( 72
era um Qainita.
Insistirei neste ponto que Heber. Qainita, per-
tencia a tribus já estabelecidas na terra de Ke naan,
muito tempo antes do Exodo. — que as tribus Qai-
nitas respondem aos povos metallurgistas do ferro,
como o mostramos acima, e que este caracter os
afasta absolutamente das tribus Semiticas.
Emfim, direi que não vejo em este Haber o
eponymo dos Hebreus — que Hebreus não eram,
apesar de ter sido assim considerados por alguns
sabios (75), os Habiri, ou Iwrenna, que se acham
entre os povos mercenarios dos Mitannios, e que
pelo contrario, por todas as considerações aqui ex-
postas, sou conduzido a ver nelles povos das mesmas
regiões, anteriores aos Khetas ou Hetheus. e que
foram por estes, absorvidos em parte: — isto é os
Iberos ou Iveros, mui longinquos antepassados dos
Grusianos, dos Tehanos, — considerados por Morgan,
Lehmann e Belk, como mais antigos do que os
Egypcios. (74)
Pag. 74. (70). Segundo S. Bertholon et Chantre, os preten-
sos arabes dolichocephalos do typo d’Aden, são Berbéres no-
mados, outr'ora emigrados. in Recherches anthrop, sur le
Nord de l'Afrique.
(71). Ch, X.-22, 24, 25. (72) Lib TadinO MEV oa:
(73) A. J. Reinach. Le disque de Phaestos. Rev.
archéol. 1910. T. I. P. 29. (74) Baedeker. La Russie. P.
Si, portanto, estamos tratando com Iberos, é ne-
cessario mostrar por que caminho elles chegaram
aquellas regiões, pois que as mais antigas tradições
nol-os relatam como vivendo na peninsula ibérica,
antes da chegada dos Indo-Euroveus (75). Elles
faziam parte, ao mesmo titulo do que os velhos-Li-
guros, os Etruscos, Sardos e Sicilianos, os Lelegos
e Mynios desta raça mediterranea, conhecida como
reiacionadada com o typo de Cro-Magnon (76)
Blau em 1863, ja tinha approximado os Albanezes,
os Lelegos e os Lycios, todos, povos gynecocratas,
assim como os Etruscos e os Iberos ( 77 ).
A mesma raça, portanto, sob suas numerosas va-
riedades, occupava as diversas peninsulas do Sul da
Europa, até à Asia Menor. Sergi que encontra seus
caracteres craniometricos até nos Phrehistoricos do
Egypto, pensa que a raça ancestral provinha da Africa
(78). Como creio ter demonstrado que os Masniu
penetraram no Egypto pelo oriente, é necessario admit-
tir que os Iberos orientaes attingiram as regiões do
alto-Euphrates e da Palestina, quer pelas ilhas me-
diterraneas, ou atravez da Asia Menor ( “8-a)
+
* *
Todos os archeologos concordam que a época
do ferro na Russia parece ter precedido, sem tran-
sição, ao periodo da pedra, e que foi muito mais pre-
matura no Sul do que no centro e no norte do
paiz ( 79).
Por outro lado o parallelo que se pôde estabe-
lecer entre o Baixo Danubio e o Caucaso, mostra que
sio segundo foi devedor de sua industria de bronze
384. (75) Hovelacque. La Linguis'ique. P. 17/. (76) A.
Fouillée. Esq. psych. des Peupl. européens. La Gréce anti-
que. (77) S. Reinach. Man de Philol. class. T. I. P. 224.
(78). Dr. Weisgerber. Les Blanes d'Afrique. P. 22.
(78-a). Hommel. ( Archiv. fi Ant 1891, T. XIX; P. 260).
et de Cara. ( Rev. arch. 1892. I. P. 136) consideram os pó-
vos do Caucaso, os Héthéus, os Pélasgos, os Etruscos,
Ligurios, Bascos, como fazendo parte do velho fundo ana-
ryano da 1.º população. (J. de Morgan. Les Ires C vili-
sations. P. 159, note 3.) (79) Anoutchine. L’Archéol. en
ao 1.º, o intercambio se effectuou em épocas excessi-
vamente remotas e quando a technica ainda era muito
primitiva. O caminho era o littoral septentrional do
Ponto-Euxino, e certamente o estreito de Jenikale.
Um longo silencio succeden então, resultado de
immigrações ou movimentos de povos no sul da
Russia, cortando as communicações entre as duas
regiões, que só pudéram ser reencetadas no fim da
época de Halstatt. (80)
A civilização, ou para melhor dizer, o com-
mercio do bronze, teve seu caminho, portanto, in-
terrompido pelo norte do Ponto Euxine, e foi então
que iniciou vias novas atravez da Ásia anterior, da
Egeida e de Creta para attingir os mercados orientaes.
Aliás vimos que a civilização do bronze não éra pro-
priamente pelasgica; occupava os limites septen-
trionaes dos territorios pisados pelos Pelagos diversos
e estes recebiam, utilisavam os productos, no co-
meço, pelo menos, dos tempos que temos estudado.
Ora, os Pelasgos achavam-se em todas as peninsulas
da Europa meridional, em todas as ilhas mediter-
raneas. Suas relações de parentesco com os Lybios,
com os habitantes primitivos da Hespanha, reconhe-
cidas por Sergi, por Brinton, se denunciam egual-
mente com os habitantes primitivos da Syria, pelos
achados de instrumentos neoliihicos, feitos na Pa-
lestina (81) do mesmo typo que os instrumen-
tos lybicos, e reconduzem até às edades prehis-
toricas do Egypto, os movimentos constantes de
commercio, de transporte entre as duas extremidades
do Mar Interior. Portanto os Iberos, ao nosso ver
se estendiam sobre as duas costas, européa e afri-
cana, talvez anteriormente mesmo à época em que
se formou o estreito das columnas de Mel-gart ou
de Hercules, — e pela região berbérica, attingiram
o Egypto e a Palestina, antes da época eneolithica.
Russie L’Anthrop. T. XX. (80) Wilke. Zeitsch. f. Ethnol.
T, Sov 1904
(81) Frére Néophitus et Pallary. La Phénicie pré-
hist. L’Anthr. 1914.
Creio, portanto, que aconteceu no Egypto, com
os « Ferreiros de Horus» analogo facto ao assi-
gnalado por Bertholon e Chantre 4 respeito dos
Berberos de Aden (82).
Estes povos então nomados, vindos do Occi-
dente, atravessaram o Egypto, foram além no Oriente ;
mais tarde para alli voltaram, mais velhos. ja or-
ganizados, possuindo industrias mais desenvolvidas,
e até o ferro que conheceram nas jazidas metallife-
ras do alto Euphrates, da Armenia.
Sem duvida foram elles os intermediarios en-
tre a civilização mesopotamica e a Asia anterior,
como já tinham estabelecido o laço entre a cultura
occidento-européa e o Egypto —e si o que avan-
çamos aqui for exacto, é logico admittir que o
commercio do bronze, na hora em que o caminho
do sul da Russia lhe era fechado e em que tacteá-
ra as praias meridionaes do Ponto Euxino, — tenha
encontrado pela frente a imposição do intermedia-
rio pelasgico, tanto na Asia anterior, como já o
fora outr'óra no occidente.
* *
Si admitti que os Iberos tenham attingido a
Palestina, a Arabia e a Syria, pela Africa, em tem-
pos predynasticos — näo quero, graças a isto, esta-
belecer como impossivel que outras tribus pelasgi-
cas hajam seguido no mesmo tempo outros cami-
nhos.
A questão pelasgica ainda não esti definida; o
que conhecemos destes povos se refere sómente à
época em que elles tomáram contacto com os povos
historicos, quando se perderam, se diffundiram nelles,
mascarando-se ds vezes com os nomes destes ulti-
mos. Us Pelasgos não representam uma unidade
ethnica, e eu teria a considerar uma civilização pe-
lasgica, melhor do que uma raça pelasgica, da
(82) Cf. not. TO.
a) {ee
mesma forma que se prefere admittir uma civiliza-
ção aryana em vez de uma raça aryana.
Assim os Phrygios que no seculo XII desce-
ram pelo Hellesponto, na Asia Menor, para destruir
os reinos Hittitos, eram da mesma origem que os
Pelasgos. A lenda de Phryxos que symbolicamente
concretiza o caminho que seguiram em busca da
Asia Menor — e talvez o emprego de odres à moda
babylonica para atravessar as aguas — esta lenda
nos deve indicar tambem o caminho seguido pelos
Pelasgos pre-Hetheus, e pelos proprios Hetheus.
Segundo Herodoto (83) Psammetico conven-
ceu-se de que os Phrygios eram o povo mais an-
tigo do mundo: ora, esta tradição ficaria inexplica-
vel, si ella se referisse aos Phrygios apparecidos na
Historia apenas 600 annos antes delle proprio,
Psammetico : mórmente si cotejarmos o dicto de
Herodoto com o de Platão, segundo o qual os sa-
cerdotes egypcios contaram a Solon a lenda da
Atlantide (84). Psammetico tinha, portanto, em
vista não os Phrygios seus contemporaneos, mas
sim seus predecessores, os Pelasgos.
*
* *
Ha na Historia da antiguidade muitos pontos
obscuros, e uma causa de erro frequente, é a faci-
lidade com que os povos adoptaram às vezes as tra-
dições e os deuses dos povos diversos com os quaes
estabeleciam relações, das tribus que submettiam ou
repelliam. Herodoto pretendia que os deuses gre-
gos eram deuses egypcios hellenisados ; sem duvida
exagerava, factos analogos, porém se passaram na
realidade de povo a povo, com Herakles por exem-
plo. Como os egyptios tinham nacionatizado Ptah,
os gregos nacionalizaram Ilephaistos e os Israelitas
lapet. Estes o nacionalizaram até duas vezes: 1.º
(83) Hérodote. Hist. II, 2. (84) A. Childe. Ar-
cheól. class. et Améric. Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro
1916, Pp. 136.
a in.
com o nome do proprio deus Qainita, do deus de
Haber e de Hobab: Iahveh! que Moysés recebeu
no Sinaï (85) — 2.º com o nome de Iaphet, quan-
do se lembraram de estabelecer a genealogia de
seus pretensos antepassados, indo de volta até o
principio do Mundo — tal vontade têm os homens
de serem filhos de Deuses !
Ora, este Japet, cujo nome se differencia se-
gundo as tendencias linguisticas das tribus diversas,
era o Deus do elemento igneo ( lapetos — Iupit-er
Keraunos ) sob seus aspectos diversos : fogo do céu,
chamma, fogo dos vulcdes, fogo das fornalhas,
amigo e Deus dos ferreiros, dos metallurgistas, dos
Titans etc. (89-a).
* +
Si os Pelasgos foram os metallurgistas do ferro
na Asia anterior e na Syria, — os do continente eu-
ropeu, os Etruscos, os Iberos occidentaes, não co-
nheciam este metal, muito menos ainda o traba-
lhavam.
E" minha convicção que o segredo de sua in-
dustria é oriental; que os póvos pelasgicos tendo-o
conhecido nas regiões do Urartu, da Armenia, tran-
sportaram-no preciosamente, ciosamente, atê ao cen-
tro europeu depois da quèda do Imperio Hetheu.
Sabe-se que o ferro na antiguidade era industria
não de um povo, de uma tribu, mas antes de uma
casta, uma « masnit » — e que esta casta, pelo seu
officio particularmente relacionado com o fogo, tinha
(85). Tiele. Gesch. d. Relig. in Alterth. II, pp. 299
et sqq. — Stade. Gesch. d. Volk. Isr. I, p. 131. — E. Renan.
Hre. d. Pple. d'Isr., I vol, p. 88, note: Théodoret nos diz,
que os Samaritanos pronunciavam I ABE — et p. 85, pp.
186-187 -- (85-a ). Segundo as tradições egypcias relatadas
por Decdoro da Sicilia (131) uma arvore tocada pelo raio
no cume de uma montanha incendiou a floresta vizinha.
Vulcano approximando-se do brazeiro durante o inverno en-
treteve o fogo e communicou-o aos homens. Eis-nos em pre-
sença de Héphaistos, Ptah, e a natureza desta lenda mostra
que ella absolutamente não tem origem egypcia, e sim ja-
me eas
um caracter sagrado, isto é, temido (85-b). E' lá
o que póde explicar como, depois da tentativa dos
« Povos do Mar» contra o Egypto, quando as tri-
bus etruscas aparentadas aos Pelasgos (86) emi-
graram para o occidente natalicio ( cèrca de 1050)
(87), não se viu logo florescer espontaneamente uma
industria do ferro occidental ( 87-a ).
Si a transmissäo esotérica desta industria sa-
grada, não teve lugar como creio, e o indico aqui,
estamos obrigados a admittir uma segunda desco-
berta da metallurgia do ferro na região de Halstatt.
7
a:
Mas os Pelasgos-Qainitas teriam elles proprios
descoberto este segredo là no Oriente — ou apenas
encontrado nestes logares, povos de outra origem,
conhecedores desta technica? Não sei, nem tenho
elementos sufficientes para pronunciar-me sobre este
ponto. Apenas assegurarei que o ferro não proveio
dos elementos Semiticos da Mesopotamia, os quaes
entraram em relação com os Japhetidos, sómente
phética. (85-b) W. Belek ( Les Inventeurs de la technique
du fer. Zeits. f. Ethn. 1910. Fase. I., faz remontar as ori-
eens da fabricação do ferro forjado pelo menos 4 2.º metade
do 3.º millenario antes de J. C.. A fabricação do aço se-
gundo elle foi um segredo multisécular, ciosamente guardado
pelos Philisteus. Attribue aos Egypcios um papel negative
na fabricação do ferro, na iniciação do seu emprego. Quante
aos Phenicios acredita-os em relação com Ophir e a India
desde pelo meuos 3000 annos antes de J. C. Mostrámos por-
que nos oppomos inteiramente a esta ultima hypothese.
(86) B. Cara de vaux. La Langue étrusque 1911. —
Benloew. (La Gréce avant les Grecs), Blau Milchhoefer consi-
deram os Pelasgos e os Etruscos como a mesma raça. (87)
A. J. Reinach. Le Disque de Phaestos. (87-a) Déchelette
na sua critica sobre o trabalho de Alberto Grenier ( Bologne
villanovienne et étrusque ), fixa nas immediações do anno 1000
as primeiras habitações ou sepulturas de Bolonha villanoviana
( Benacei I). A cultura de Halstatt accrescenta elle mais
longe, era celtica para uns, illyrica para outros; sabe-se
hoje que elle é ao mesmo tempo celtica, illyrica e mais
ainda; (Rev. Arch. 1943 I. P. 128-131).
Le ee
no tempo em que estes ultimos ja possuiam esta
industria. (88)
Seriam os Sumerianos os verdadeiros iniciado-
res? Mas as relações do pequeno Caucaso com a
Mesopotamia, trahir-se-iam, então, por influencias
estheticas e linguisticas, excessivamente antigas vindo
da Chaldéa, o que nada até hoje deixa liberdade de
invocar. | |
Invocar influencias asiaticas, ongro-finnezes ?
Deveriamos então encontrar uma industria do ferro
bem definida, no habitat daquelles povos na mesma
época; mas sabemos que muito posteriormente ainda
os mongoes e chinezes não trabalhavam senão o
bronze. Vimos que a zona do bronze pertencia ao
littoral superior do Ponto-Euxino, ao grande Gan-
caso, — encontramol-a ainda na Asia Septentricnal
e Oriental (89), mas ella é distincta da cunha ar-
meniana que permaneceu fóra daquella influencia.
Os trabalhos de Terrien de la Couperie (90) e
de R. K. Douglas (91) estabeleceram que cêrca
de 2.300 antes de Chr., as tribus Bak, habitando
a região sul do mar Caspio, emigraram em con-
sequencia das seccas prolongadas para o nordeste
e fundaram a civilização Chineza, Ora, si no tempo
de Yao, no XXII secalo, a technica do bronze era
tão aperfeiçõada que o rei podia mandar gravar
sobre vasos de bronze a descripção figurada das 9
provincias do seu imperio (92) — devemos admittir
que estas tribus estavam perfeitamente iniciadas à
technica do bronze e já desde longos tempos, nesta
época. Si, portanto, tivessem estado em relação es-
treita com os Qainitas de que tratamos, não é só-
mente no bronze que se teriam industriado, mas no
(88) J. de Morgan. Nécropoles préhist. de l’Arménie
russe. Rev. Arch. 1890. II. P. 18.
(85) Soph. Muller, in Matériaux. T. XX. 1886. P. 162.
(90) Terrien de la Couperie Languages of China before
the Chinese; western origin of early chinese civilisation.
(91) R. K. Douglas. The Story of China. P. 3. (92) Ed.
Biot. Considérations sur les anciens temps de l’histoire chi-
TN
proprio ferro. Achar-se-ia entre suas mäos, pelo me-
nos, como armas offensivas: tal não se dá, e por-
tanto, estamos auctorizados a duvidar das relações
entre os Japheticos e os Bak, ou seus antepassados
na região Caspia.
Não deixarei, entretanto, de assignalar uma coin-
cidencia curiosa: é que o radical chinez dos metaes
é precisamente a mesma palavra qainita, significando
o ferro — « Kin». Ella designa hoje o metal por ex-
cellencia, o ouro, mais originariamente tinha um sen-
tido mais lato, e applicava-se ao metal em geral (93).
CONCLUSÃO
Consideramos a industria do bronze como de
origem exclusivamente occidental provindo o esta-
nho das Cassiteridas. A fabricação corrente desta
liga apparece como centralizada pelas populações
lacustres, que della fizeram negocio com os povos
maritimos, exportadores de origem pelasgica, encar-
regando-se do transporte a distancia da troca e da
utilização, nos paizes do sul e do oriente, até os Lo-
rizontes da Chaldea.
For outro lado, a industria do ferro surge para
nós da Armenia e se expande em sentido inverso
da primeira, mas numa área muito mais limitada,
pois no começo se revela exclusivamente oriental,
do Egypto à Mesopotamia. Nós cremos que os Qai-
nitas, ( Iberos-Pelasgos ) hajam sido os iniciadores
desta technica metallurgica, e que sua tribu, guar-
dando ciosamente o segredo do officio, constituiu
uma como corporação sagrada, que se manteve lon-
gos seculos.
Quando os Gregos, Indc-Europeus se encontra-
ram em tempos historicos com os Pelasgos, nas
ilhas de Samothracia, Imbros, Lemnos etc., estes
noise. Jl. Asiatique. VIII. 4e Série. (93) Memoirs of the
Carnegie Mus. Vol. IV. n.º I Pittsb. 1906. — Rev. Fr. H,
Chalfant. Early chinese writing. — W. Belk, ja citado na
nota 85-b, pensa que a China foi um centro muito antigo
et autochtono da fabricação do ferro ( oplaud. ).
AND
ultimos já estavam de volta da Asia Menor. Foram
elles quem iniciou os Gregos ao trabalho dos metaes
(94). Os nomes daquellas corporações, que nus fo-
ram transmittidos pelos Helenos são suggestivos a
este respeito: Telchinos ( onde encontramos o radical
« rkin » ), — Corybantos ( verdadeiro succedâneo de
Chalybos) — e o grupo mysterioso dos Kabiros, no
nome dos quaes constatamos a propria appellação
dos « Habiri » Iwrenna, Iberos.
*
* *
Emfim para responder ds possiveis objecções
dos anthropologos, que se apoiariam sobre as diffe-
renças craniologicas encontradas entre tribus que
nós ligamos à mesma raça, lembraremos que as
condições novas, culturaes e outras, resultando das
migrações, expuzeram tal ou qual tribu a provações
que tribus irmans não atravessaram, e tambem a
cruzamentos modificadores ( raptos de mulheres bra-
chycephalicas por homens dolichocephalicos) (95)
etc..
E” necessario admittir que as raças actuaes se
pódem dividir em dois typos definidos, extremos :
brachy e dolichocephalo, — mas ignoramos a exacta
distribuição primitiva destes dois typos no estado
de pureza; e tres hypotheses são admissiveis, per-
feitamente acceitaveis sob o ponto de vista biolo-
gico: 1.º que o estado de dolichocephalia seja o
typo primitivo da espécie humana, — a brachyce-
phalia sendo uma fórma evolutiva (96); 2.º que
os dois typos sejam absolutamente independentes
um do outro, e de uma origem distincta ( poly-
genismo ); 3.º, que o typo inicial seja uma moda-
lidade média, ponto de partida de duas evoluções
divergentes.
(94) V. Duruy Hre. des Grees. T. I.
(95) Contestação do Sr. C. Lejeune à exposição do
Dr. Ad. Bloch. -- Bull. de la Soc. Anthrop., 1913, p. 419.
(96) Dr. H. Weisgerber, op. laud., p. 285.
a
Não haveria, portanto, impossibilidade invenci-
vel a que tribus pelasgicas, oriundas da grande
massa commum mediterranea, tendo emigrado para
a Asia anterior, a Palestina, o Egypto, se tivessem
la cruzado com tribus locaes, e modificadas — e que
depois das luctas com Ramsés III, voltando para os
berços pelasgicos, essas tribus tivessem podido então
apresentar parallelamente com as tribus não emigra-
das, — algumas daquellas diferenças craniologicas, que
levam ds vezes os anthropologos à subdivisões in-
consideradas.
INDUSTRIES METALLUREIODES. DAMS L'ANnIQUITE
= ER ==
AEBERTROGAIEDE
DU MUSBE’E NATIONAL DE RIO DE JANEIRO
Communication faite a la
SOCIEDADE BRAZILEIRA DE SCIENCIAS de
Rio de Janeiro, le 18 juin 1917
Industries Metallurgiques dans | Antiquité
E
Il est fort peu probable malgré les affirmations
faites en contraire, que les Egyptiens prédynasti-
ques aient possédé une marine, leur permettant
d'entrer en relations directes avec les peuples de la
mer Egée ou de l'occident (1). Leurs bateaux
étaient faits pour le N:l non pour la mer, et ceux
représentés sur les vases néolithiques, sont des ba-
teaux-temples tout simplement (2). Ni Divoire trou-
vê en Crète, ni l’obsidienne trouvée en Egypte, bien
qu étrangére au pays, nobligent à admetre des rap-
ports directs entre cette contrée et les autres ré-
gions méditerranéennes: la paléontologie, la géo.
graphie géologique expliquent la présence d’éléphants
dans l’'Egée et l'Europe antérieurement à l’époque
des rapports invoquês — et d'autre part l’obsidienne
n'est pas essentiellement asiatique (3), ni egéenne;
on la trouve aux Iles Lipari, Pantellaria, Téneriffe,
en Hongrie, en Irlande, à Jersey, au Cantal, en
Arménie (4). Ces localités néammoins exigeant
un transport fort distant, nous devons chercher Vin-
térmediaire si nous refusons aux Egyptiens le ccm-
merce direct.
* i +
On trouve en Egypte des objets faits en cuivre
pur, d'époque antérieure aux temps dynastiques —
(Flind. Petrie a Negadah et Hieracopolis, Ameli.
tA
(1) Jéquier. Hre de la Civilis. égypt. P. 89. — Dr.
Capitan et abbé Arnauld d’Agnel. Rapports de l'Egypte et
de la Gaule à l’époque néolithique ( Rev. Ec. Anthrop. 1905.
Sept. (2) A. Childe. On the pretended predynast. boats.
2d Pan American Scientific Congr. (3) Dr. H. Weisgerber.
Les Blanes d'Afrique. P. 330. (4) A. Harker. Pétrographie.
a Oa
neau à Abydos ). — Mais le bronze était connu dês
la L.'° dynastie, et il était même travaillé en lames
(au tombeau d’ Abydos). (9) D’ot que provint le
cuivre, du Sinaï ou d’ailleurs, il est certain que Vétain
qui forme l’alliage du bronze n'était pas originaire
d'Egypte et faisait l’objet d'un commerce particulier.
x
x
Les travaux de Mr. George Coffey sur les
«celts» irlandais de l’époque du cuivre, (6) ont
montré comment ces armes fabriquées avec un mi-
néral de composition variable, offrent des spécimens
de cuivre presque pur, et d’autres renfermant des
traces d’étain, d'antimoine etc. On s'explique ainsi
la découverte de l’alliage précieux, qui valorisant
les objets ainsi composés, à cause de leur plus gran-
de resistance, a conduit à une recherche de fabri-
cation, à une sélection commerciale et à une expor-
tation consécutives.
À *
Or les cuivres archaiques égyptiens ont mon-
tré à l’analyse qu'ils avaient été utilisés sans alliage,
que les impuretés qu'ils contenaient provenaient du
minérai originel ; Mr. Berthelot y a trouvé un peu
d'arsenic, mais jamais d'étain, ni de plomb ( 7).
[1 en faut conclure que le cuivre mélé d’étain, et que
Petain lui même sont venus en Egypte du dehors.
Les anciens n'ont connu que l’étain des Cassi-
térides, peut-être celui de l'Italie et celui de la Bo-
hème (8). Nous savons d'autre part que la civili-
zation Sumérienne de Yan 3000 (9), fabricait aes
idoles de bronze. Si Vétain en fut provenu des In-
des, où il est abondant, il serait inexplicable que
les Phéniciens alors sur le Golfe Persique, n'eussent
1902, Coquant. Traité des roches. (5) Mosso. Le originé
della civilitá mediterran. P. 22. (6) G. Coffey. Irish Copper
Celts. Jl. Ant. Inst. V. XXXI. 1901. P. 265-280. (7) Dr.
H. Weisgerber. op. laud. P. 336. (8) H. Peake. The Irst.
Races concerned in the siege of Troy. Jl. R. Ant. Inst.
1916. P. 154 et sqq. (9) Date minim. d'Ed. Meyer ( Quinze
siecles d'Hre Babyl.-Rev. Arch. 1910, I. P. 145.
LE es
pas continué ce commerce oriental, si important,
avec l'Egypte quand ils passérent sur les côtes de
Syrie (10). D'ailleurs les Phéniciens du Chanané-
en ancien ( 2700--1550), comme l’a montré Mr.
Dussaud, n'étaient pas encore des navigateurs.
* *
Les excavations faites en Créte. Espagne, Li-
gurie et France, ont permis d'établir la provenance
occidentale de létain à l’époque néotithique: Iles
Cassitérides ( Angleterre et peut-étre Armorique (11),
Toscane ( Massa Maritima, Monte Calvi. etc. ) (12)
Il est difficile de soutenir qu’à cette époque l'iti-
néraire maritime des Phéniciens ait étè déjà prati-
quê. Les déccuvertes de silex et d’herminettes de
type égyptien, faites dans Vile de Riou par le Dr.
Capitan et l'abbé Arnauld d'Agnel (13), nous per-
suadent bien plutôt que la route terrestre des Bou-
ches du Rhône à l'embouchure de la Loire doit
avoir été de beaucoup la plus ancienne.
*
* *
Pour expliquer um point litigieux dans Var-
chéologie il faut souvent passer d'une matière à
l’autre, car elles s’éclairent ainsi mutuellement. Le
commerce de l’êtain est étroitement lié, aux temps
que nous traitors, au commerce de l’ambre. Or
l'échantillon crétois dambre qui est le plus ancien,
a été découvert dans un tumulus de la fin du Mi-
noen primitif (14). Mais on connait l’ambre antérieu-
rement en Egypte, par les tombeaux de la V-™* dyna-
stie (15). Cet ambre était donc ignoré de la Crète.
Il aurait pu venir de Catania, en Sicile, où on
en trouve ( 15-a ), comme [obsidienne pouvait venir
(10 A. Childe. Archéol. class. et Américanisme. Arch.
Mus. Nac. Rio Janeiro. V. 19. P. 140 (11) L. Siret. Les
Cassitérides et l’empire des Phéniciens. L’Anthr. 1908. P.
129 et sqq. (12) Mosso. op. laud P. 308. (13) Op. laud.
(14) Mosso op. laud. P. 290. (15) S. Reinach. L'étain
celtique. L’Anthr. 1892. P. 276 et sqq.
(15-a) O. Helm. Chemisch. Untersuch. v. Bernstein Per-
len....Z. f. Ethn. T. XXXIII, n. 5 ( Verhandl. p. 400)
— 480 —
de Pantellaria et des Iles Lipari. Mais ces produits
de toute façon n'étaient que de seconde qualité.
Néammoins c'est par ces points que nous pressentons
la ligne suivie et la liaison entre le Rhône et le Nil.
me
* *
A l’époque du renne em France l’ambre abonde
(16), mais on ne trouve aucun objet oriental qui
permette de supposer des relations directes avec les
voyageurs du sud. Néammoins ces tribus étaient
en rapports d'échanges avec des sociétées originaires
d'une autre race et qui occupaient le centre de l’Eu-
rope, et généralement les bassins arrosés par le Da-
nube et ses afiluents. Celles-ci, connues sous le nom
de lacustres, qui construisaient les palafitti, appré-
ciaient lambre, cultivaient le lin, l'orge, le blé;
des moules pour la fonte nous prouvent qu'eux mêmes
savaient fondre l’étain avec le cuivre pour fabriquer
les armes de bronze que l’on a trouvées chez eux.
Dettweiler date cette civilisation de 4600 à
2000 (17); —la découverte du bronze selon S.
Reinach est de 3500 à 3000 (18), et les palafitti
de l’époque du bronze doivent etre considérés comme
des centres d'irradiation commerciale de ce précieux
alliage. J] résulte de ces considérations que les lacus-
tres qui s’étendaient vers le centre de la France et au
nord d2 l'Italie, qui avaient des industries commu-
nes avec ces peuples occidentaux et des objets com-
muns comme: céramique, pierres rares, jadéite, ser-
pentine, ect., furent à l’époque de l’origine du bronze
les Irs intermédiaires présumables entre l'occident
et les commerçants des côtes de l'Italie e de la
Sicile, ceux qui ont du joindre les marchés du
Rhône et ceux de la Sicile dont nous avons parlé.
Berlin. 1901. — «Il est très problable qu'on a dû utiliser
aussi à certaines époques la simétite ou résine fossile de
VEtna, qui égale l'ambre en beauté et qui n’a pas d'acide
succinique.
(16) Mosso op. laud. P. 292. (17) III. Landwirtsch.
Zeit. 9. Okt. 1912. (18) Guide ill. Mus. de St. Germain.
P. 30 (19) Zaborowsky. Les peuples aryens d'Asie et
d'Europe. P. 342, — d'aprés Unger. De Candolle. P. 285.
fae? s..
— 481 —
On a trouvé dans les stations lacustres des
grains de blé absolument semblables à ceux ren-
contrés dans une brique de la pyramide de Dach-
hour appartenant au roi Snéfrou (14). Dés diver-
ses variétés d'orge, indigènes en Europe et que
possédaient les lacustres, c'est la meilleure et uni-
quement celle la que l’on a recontrée dans les mo-
numents égyptiens ( 20 ).
* ; x
Quand vers la fin de l’époque néolithique les
tribus nordiques se sont imposées eux habitants du
centre européen (21), une partie des tribus lacus-
tres dut fuir vers le nord en remontant les affluents
de la rive gauche du Danube; ceuxs qui purent
demeurer continuérent à vivre dans les palafitti de
la Suisse, ou descendirent les contreforts méridio-
naux des Alpes, passèrent au Tyrol (22), dans la
Vénétie (23), en Macédoine, en Transylvanie ( 24 ),
où éxistaient des mines de cuivre qui ont été le
centre d’une trés ancienne exploitation.
C'est alors aussi que le commerce de l’ambre
a pu se déplacer, et que des routes nouvelles plus
orientales que la première ont laissé des traditions
recueillies par Hérodote (25), et semérent le pro-
duit septentrional vers la Crète et vers Hissarlik.
*
* *
Cependant, comme une tradition ancienne, tra-
dition qui compte encore aujourd’hui des adeptes de
valeur, fait venir le bronze de l'Orient, de toute antiqui-
té, il faut éxaminer la possibilité de cette provenance.
F. Lenormant écrivait en 1881 que létain des
habitants de la Bactriane ne pouvait provenir que
du Paropanisus à l’époque de certains passages des
livres de Zoroastre « dans les temps les plus primi-
tifs » (26). James Darmestetter a prouvé depuis
(20) Id. op. laud. P. 345. (21) H. Peake. op. laud.
P. 163. (22) Id. P. 162, (23) Hérodote. I. 196. — V. 9.
(24) Zaborovsky. op. laud. P. 314. (25) Hérodote. L. IV.
33. (26) F. Lenormant. Hre. de l'Orient. T. I. P. 200.
— 482 —
que ces livres ont été écrits au IT" siécle de nôtre
ère sur un fonds de traditions Achéménides ( VI:
Se pr. Chr. ). (27). Si méme nous remontions
jusquau texte cunéiforme découvert par Winckler
à Boghaz Keui, pour preuver que les traditions du
Zend Avesta peuvent être un héritage des ancétres
communs des Perses et des Hindous, nous n'arrive-
rions encore que vers 1400 avant nôtre ère. C'est
entre 1500 et 1000 que les Indo-Iraniens ont pé-
nétré au Pendjab, et ont occupé le Paropanisus et
les régions voisines. Mais vers 160 ', ils étaient en
Arménie, où ils avaient pénétré par l'Asie Mineure
septentrionale (28), venant de la Thrace, et ils
connaissaient la domestication des animaux, les
chars et les armes de bronze (29). Ils connais-
saient donc l'étain déjà avant, bien avant, d'avoir
atteint le Paropanisus, et avaient dû le recevoir,
comme les autres tribus de l'Europe énéolithique,
des Cassitérides.
*
* ¥
J. de Morgan suppose que le cuivre était ex-
trait des montagnes du Haut-Kharün, en Elam;
quant à l’étain ii Vignore absolument (30). Le-
normant suggère alors que ce fut «de l'Ibérie Cau-
casique, de l’actuelle Gèorgie, que les gens de Thu-
bal, à l'époque d' Ye'hezgêl, et les Chalybes de la
tradition grecque tiraient l’étain pour ieurs bronzes
célèbres. C’est de là que devait sortir celui de l'Iran,
de la Suziane et de la vallée de l'Euphrate et du
Tigre». (31)
Maspéro cite encore ces mèmes Chalybes par-
mi les peuples de l'Asie Mineure, sur les rives du
Pont-Euxin, comme les fournisseurs de métaux,
détain, d'or, etc., pour le monde oriental au temps
de la XX° dyn. égyptienne (32). C'était l'époque
(27) S. Reinach. Le Mirage oriental. (28) A. J. Reinach.
Les Harri et. les Aryens. L'Anth. P. 207. — 1912. (29)
S. Reinach. Orpheus. P. 75. (30) J. de Morgan. Les Ires.
Civilisations. P, 207. (31) F. Lenormant. op.; laud, T. I.
P. 200. (32) G. Maspéro. Hre, ane. des Peuples de l'Orient.
RER SA
de la guerre de Troie, et parmi les alliés des Tro-
yens figurent effectivement les Halizones de la loin-
taine Alibé: pays d'origine de l’argent. Mais il est
étrange qu Homére ne dise pas un mot de leur
bronze, ni de J’étain si précieux qu'on en faisait des
bagues en Egypte (33), alors qu'il cite ceux-là
mème qui ont passé depois comme les propres four-
nisseurs de ce métal (34). Hérodote nous fournit
mème en parlant de ces peuples renommés pour
leur metallurgie, des données qui ne laissent pas
de nous jeter dans une certaine perpléxité. Comme
ils faisaient partie de l'armée de Xerxés il décrit
leur armement, et si les Chalybes ont des casques
de bronze, il ont cependant à la main des dards de
fabrication lycienne, donc d'importation, ce qui est
singulier; mais bien plus étrange encore est de
voir les Mosques, les Tybarénes, les Colques et les
Saspires, appartenant au mème groupe, aussi célé-
bres qu'eux comme metallurgistes coiffés de casques
de bois! (35) C’est la plus parfaite illustration
du proverbe portugais : em casa de ferreiro, espèto
de pau! ( Chez le forgeron la broche est en bois. )
*
* +
Comment la tradition biblique, d’autre part,
s’est elle formée elle aussi, sur ce point curieux ?
Bernard Stade et Ed. Meyer n'admettent pas
de traditions historiques dans la mémoire des Is-
raélites, antérieures à l’époque des Juges (36), mais
on peut admettre que des traditions mythologiques
leur soient parvenues, qui dataient de leurs pères.
contemporains des Pasteurs (37), ou bien qu'ils les
aient reçues des peuples Chananéens, à l’époque de
la Conquête. De toute façon, la rédaction israélite,
ou mieux l'adaptation israélite ne peut en aucune
P. 284. (33) à la XVIII: dyn.—S. Reinach. Le Mirage
oriental. (34) Homère. Iliade. II. 856-857.
(35 Hérodote. L. VII. 78, 79. (36) Hommel. Hre. de
la Babyl. et de VAssyr. in Hia Univers. de Oncken. P.
446, (37) E. Reuss. l’Hre. Sainte et la Loi. T. I. P. 27.
façon être antérieure à l'époque de Moyse (38),
c'est a dire à la XIX* dynastie.
ae
Des deux documents de la Genése, le Jahviste
indique Tubai comme le 6º descendant de Cain, fils
de Cillah, la 2° femme de Lemech (1V, 22), et
par conséquent come chronologiquement antérieur
à toute la postérité de Noah
C’est dans le livre des Généalogies, la plus ré-
cente des sources du Pentateuque (39), que nous
trouvons (X, 2) parmi les fils de Japheth: Tubal
et Meschech — les l'ybarènes et les Mosques, — sans
que l’on cite toutefois leur industrie métallurgique.
Mais ce qui est surtout digne de fixer notre
attention, c'est que lorsque le Jahviste nommé Tubal,
6° fils de Qain, il le désigne comme forgeron de
fer et de bronze. C'est là un point extrêmement
important, parceque le fer n'a été considéré jusqu'ici
comme um métal travaillé, que dans des temps bien
posterieurs, — et aussi parceque si l’étain est in-
trouvable au Caucase et n’y a jamais été recontré
(40) — on trouve du fer au contraire dans les
montagnes de la Médie, an Zagros ( 41). Dans les
sépultures de Warka ( Erek ), et de Mughéir ( 2500
pr. Chr.), on trouve quelques ornements de fer, et
Suse le connaissait également au temps de l’empire
Sumèro-Accadien (42). Mais les relations entre
les peuples de la Transcaucasie et ceux de la Mé-
sopotamie sémitique sont de beaucoup postérieures :
c'est au VIII.¢ S.° et au VIIº seulement, que la
culture assyrienne a pénétré dans la vallés de l’Ara
(43). Il faut en déduire que lorsque les Hébreux
rédigèrent le chapitre que nous étudions, invoquant
pour Tubal-Qain (c’est à dire le forgeron ) la con-
naissance du fer, ils adoptaient une tradition locale
excessivement ancienne, et qui précédait dans la Mé-
(38) E. Reuss. op. laud. P. 102 et sqq. (39) F. Lenormant
op. laud. Intr. P. XV. (40) S. Reinach. Le Mirage oriental.
(41) G. Maspéro. op. laud. P. 556: (42) J. de Morgan.
op. laud. P. 197. Note 13. (43) Anoutchine. L’Archéologie
lS A cd de cu dt à
UNS RENE We a E E
a” PE
tage. de = ii
sopotamie la première invasion sèmitique. Ce qui
concourt à le prouver d’ailleurs, c’est que ce nom
propre de s'explique pas par la langue hébraïque
(44). E. Reuss acceptant Qain comme un nom
sémitique (arabe), et rapprochant Tubal-Qain de
Vulcain, suggérait la dérivation propable des mythes
européens d'une source asiatique (45). Quoiqu'il
en soit, nous verrons qu'il ne faut pas entendre par
là une source sémitique.
+
* *
Dans ces dernieres années les travaux de J.
N. Marr, de Petrograd, ont mis en lumiére que
la racine «hkn » japhétique, — c'est à dire des peu-
ples pré-indoeuropéens du Caucase, selon lui, — fut
la source, sons sa forme abrégée «kn » des termes
sémitiques : kana, forgeron (chez les Arabes ), et
kayn, forger ; —termes qui ont pénétré chez les Arabes
probablement grace à l’intermediaire des Sémites se-
ptentrionaux (46), et il y a toute apparence que
dans le cas présent ces Sémites aient été les Amorites
quiau XVI.°S.° formaient un état en Phénicie ( 47).
*
Or de la Palestine, de Chanaan par la Syrie
septentrionale jusqu'en Asie Mineure on rencontrait
un grand nombre de tribus alors, les unes sémi-
tes, les autres non. Des tribus Hittites descendirent
jusqu'à Hébron, à l’ouest de la Mer Morte où elles
résidèrent longtemps (48); Khalopou, la moderne
Alep, appartenait aux Hittites ou à leurs alliés ( 49 ).
Et parmi ceuxci ont doit compter en première li-
gne les Matiénes, du royaume de Mitanni, chez les-
quels Winckler reconnait une pénétration aryenne
(90). A’ l’époque où les Hébreux envahirent Ca-
en Russie. L’Anthr. 1904. P. 351. (44) E. Reuss. op. P.
303. (45) E. Reuss. op. laud. P. 305. (46) N. J. Marr.
Japhetitcheskie elementy v'iazykakh Armenii. Izy. Imp. Ak.
Naouk: 1911. Feb. n.º 2. P. 137 et sqq. (47) Ed. Meyer.
Quinze siècles d'hre. Baby].
(48) G. Maspéro, op. laud., p. 215. (49) Id. id., p.
216. (50) A. J. Reinach, op. laud., p. 207.
naan, l'empire héthéen et le Mitanni avaient suc-
combé sous invasion occidentale des Indo-européens,
— mais les tribus éparses et fugitives qui survi-
vaient à ce déluge humain, n'avaient certainement
pas toutes pris le chemin du nord-est et de l’est;
quelques unes se cantonnaient en des régions de
défense plus facile, ou cotoyérent le dèsert, comme
les Madianites qu'il faut, selon moi, regarder comme
des Matiènes.
In Numeri X,29, le beau-père de Moyse est
Hobab, fils de Raguel, Madianite. Et ces Madiani-
tes que Moyse rencontra vers la région Sinaitique,
habitaient encore à l’ouest du Jourdain, où ils com-
battront un peu plus tard contre Gédéon (51), les
régions occupés par les Matiénes et les Jittites
( Khétas ), avant les guerres contre Ramsès III.
D'autre part au sujet de cette alliance par ma-
riage de Moyse, le Livre des Juges (1,16) nous
montre ces parents comme des Cinéens ou Qainites,
et Hobab, son beau-père, est clairement désigné
comme Qainite (IVAI).
Nous pouvons donc mème nous expliquer com-
ment la racine «hkn» citée par Marr, a pu arri-
ver directement chez les Hébreux, et particuliére-
ment comment la tradition métallurgiste du fer a
trouvé sa place dans loeuvre attribuée à Moyse ;
— ce qui ne serait rien moins qu'izexplicable, si les
Israélites ne fussent pas arrivés au milieu de popu-
lations déjà familières avec ce métal, quand eux-
mèmes, les émigrants de l’Exode, en étaient à peine
à l'époque du bronze. Le bronze était por eux en-
core un riche butin de guerre ou doffrandes, tan-
dis que les peuples de Canaan possédaient des cEars
garnis de fer (52).
*
Quant aux Qainites, nous suspectons d'étroites
relations et très anciennes entre eux et l'Egypte.
L'histoire de Sinouhit, l’aventurier contemporain
(51) Lib. Jud.. C. VI, 2, 10, 33. (52) B. Stade. H.re
du Peuple d' Israel.
d'Usertesen 1. ( XII.“ dyn. ), nous montre un égy-
ptien à la cour du roi Tonou, où l’on parlait la
langue d’Egypte, plusieurs hôtes du prince étant
égyptiens (53). Tonou était roi de la région de
Kaduma, qui était certainement Sodome (54), et
avait des liens étroits avec Dan (55).
D'autre part une correspondance trés intéres-
sante de radicaux se dénote entre l'hébraique
(ragina): firmament, de la racine (rqfi), battre
au marteau, forger. et les mots de formation ja-
phetique dans les langues: haique où apparait «er-
kin », le ciel, — et grousienne, où apparait «rkina»,
le fer (56). Dans les croyances cosmogoniques des
peuples Japhétiques nous trouvons done un rapport
évident-entre le fer et le ciel.
Or, pour les Egyptiens aussi, le fer était le
métal du ciel ( Ba-n-Pit }, (57).
Est-ce là une expression tirée et traduite des
croyances étrangères, adoptée par les Egypticiens ?
ou une conception égyptienne acceptée par les Qai-
nites? Je tiers pour la Is hypothèse, au moins
pour deux raisons: d’abord le radical «hkn » con-
tient les deuxs concepts dérivés de firmament ét de
fer, avec ses respectives variantes dans les tribus
collatérales : rkn, kn, tayn (58), et les noms nom-
breux de localités en relation avec ce radical, de
beaucoup -antérieures à la mention du texte d'Abou-
Simbel ; — ensuite le terme Ba-n-Pit, est un mot
composé, qui apparait bien plutôt comme une tra-
duction à côtê du radical «rkn». Enfin le mot
composé — metal du ciel —, montre que la désigna-
tion du métal est postérieure à la désignation du
ciel, tandis que le mot unique servant 4 deux idées
si différentes semble Jes joindre indissolublement,
=.)
(55) G. Maspéro, C.tes populaires de l’Egypte ancienne.
(54) Xatuma. Pays dans le voisinage du lac de Génésareth
( Brugsch-Géogr. III, 54, 55). Sedom, Sodome. Génèse. C.
XIV, 12, 14. (56) N. J. Marr, op. laud. (57) Texte d'Abou
Simbel (XIX dyn.)--Liv. des Morts, Ch. XLIV, 17 et
CXLIV, 19. (58) N. J. Marr, op. laud..
comme si la connaissance du métal était une subite
révélation de la nature de la voûte céleste.
Enfin encore, l’outil dont les Masniou se ser-
vaient pour travailler Je métal s'appelait « hkr »
(59) —, radical trilittére que l’on doit confronter
avec-hkn-le nom du fer comme le montre Marr
dans ses travaux,—et les Masniou sont précisément
«les forgerons de Horus» anxquels on attribuait
en Egypte l'introduction des métaux ( 60 ).
*
x +
On a pu supposer que les forgerons, les Mas-
niou de Horus, provenaient du sud. Sil s'agit
d'Edfu, j'admets à la rigueur que les serviteurs de
cette Masnit ont pu provenir de l'Orient Syrien,
par la route de Qocéir à Coptos, et envahir l'Egypte
en descendant le cours du Nil, comme les uniques
documents de basse époque que ncus possédons nous
l’enseignent jusqu aujourd’ hi (60a). Mais Maspéro
lui même admettait que cette prétention dEdfu
pourrait étre combattue par des documents crigi-
naux de Zarou ou d'Ileracleopolis, tendant à ren-
verser le sens de J invasion, du nord alors vers
le sud (60 b).
Quelques auteurs cependant, (60c) reculent la
source de cette provenance jusqu'à l'Ethiopie Je
ne puis accepter cette hypothese pour l'époque très
archaique que nous occupe: bien que l’'Erhiopie
s’étendit alors jusqu'auprês d’Edfu au nord de la
lere cataracte (60d), parceque les Masniou de
Horus se révèlent comme maitres déjà de l’industrie
du fer quand ils Vintroduisent en Egypte, — ensuite
parceque bien que du fer éxiste en Ethiopie, on
n'y a trouvé aucun ouvrage fait de cette matière
(60e ), — enfin parce que vers le déclin de l’ancien
Empire les tribus qui bordaient le sud de l'Egypte,
(59) A. Erman, Ægypt. Gramm. (60) G. Maspéro.
Les forgerons d’Horus. Et. de Myth. et de arch. égypt. T.
2, p. 328 et 336. ( 60-a) Id. id. (60-b) Ollivier Beauregard.
En Orient. L’antiquité du re en Egypte, p. 151. (60-d)
treasted, Hy. of Egypt, p. 37. (60-e) Id. id. P. 136.
PTS" ET. ee
précisément dans les memes régions, étaient encore
à l’état barbare ( 60 f).
*
* *
On m'a très logiquement objecté (60 g ), que
le nom de Ba-n-Pit aussi bien que la double signi-
fication de rkn-ciel et fer, — pouvait provenir de ce
fait que les aérolithes sont souvent des masses mé-
talliques où le fer est abondant, d’où aurait surgi
l'illusion relatée dans le Livre des Morts, d'un ciel mé-
tallique, d'une voute de fer, — le fer serait en consè-
quence le métal du ciel, — et conclusion aussi logique,
le fer rencontré dans le sol proviendrait de chutes cé-
lestes. Cette objection raisonnable mérite éxamen.
Cependant s’il est éxact que prés de 20.000,000
d'aérolithes tombent journellement sur la Terre, et
que du nombre incalculable de ces chutes depuis la
Protohistoire jusquà nos jours, il n'y eut que 9
sidérites, — c'est à dire 9 météorites de fer ( 60h)
— il devient immédiatement bicn improbable que le
même concept ait surgi dans l'antiquité, sur des
points divers du monde habité, — et beavcoup plus
présumable que l'hypothèse d’un ciel de fer, tombant
occasionnellement par morceaux, ait pris naissance
dans une tribu qui en fit l’objet d'une légende, celle-
ci se répandant dans le cours des temps.
De toute fagon il ne semble guére que ce soit
des aérolithes, que prit naissance l'industrie métal-
lurgique, car outre l’extrème rareté des objets de
cette nature connus par l'archéologie, tout montre
que loin d'être utilisés pour un but pratique. on les
conservait au contraire religieusement. Le fer ma
gnétique lui même, (Fe 01), fut parfois objet
de culte: au palais Minoen de Phaestos, auprès
d'une idole feminine stéatopyge on a trouvé un
morceau de fer magnétique d'un 1/2 kil. de poids.
conservé comme un objet sacré (60: ).
(60-f) Id. id. P. 137. (60-g) Dr. Nic. Debbané, orale-
ment. (60-h) George P. Merrill. Handbook and descri-
ptive catalogue of the meteorite collections in the U. S. N.
Museum. Wash. Smith. Inst. Bull. 94, 1916. P. 27. (60-i)
A. Mosso, op. laud.. P. 35.
aT
Je pense done gue la croyance en un ciel solide,
métallique, n'a pas été simultanée à l'origine en
des lieux divers, mais originaire d’un point géogra-
phique seulement, — et qu'en vue des considérations
antérieures il est beaucoup plus probable que VEgy-
pte l’ait reçue des Qainites, que ceux-ci da la pre-
mière.
*
Il semble donc que sinon le fer, du moins les
croyances qui s y rattachent ont été reçues par les
Egyptiens du meme peuple qui a fourni le radical
«hkn» aux langues Japhétiques.
Le chapitre LXIV du Livre des Morts passait
pour avoir été trouvé sur un bloc de Baa ques (61),
sous le règne de Menkau-Ré (IV). Or Flind Pe-
trie a trouvé à Abydos un morceau de fer travaillé,
acompagnant des objets de cette même dynastie
(62), ce qui a servi à confirmer les découvertes
contestées antérieurement de Maspéro, et élucidé la
signification douteuse du terme Baa-kes (fer).
Les Egyptiens auraient ils donc reçu du Caucase
le fer travaillé par les Masniou ?
Il peut sembler étrange que dans notre recher-
che sur l'origine du bronze, nous en arrivions à
dater l'apparition du fer comme antérieure meme,
peut-être au bronze en Egypte (63).
Je rappellerai ici qu'une 2.º tradition, attribuait
la découverte de ce chapitre LXIV au règne de
Semti, ce qui reculerait encore la connaissance du
fer jusqu'à la 1.º dynastie — ( environ 4266 ) (64).
Il est significatif que le nom de Horus de Semti était
Ten, et qu'il passait chez ses successeurs ( Sent),
pour un médecin célèbre.
Je me baserai sur [iquivalence des radicaux
kn et tayn, démontrée par Marr de Petrograd, pour
(61) Budge. Hy. of Egypt. (62) S. Reinach. Le
Fer en Egypte. L’Anthr. T. XV. (63) Dr. H. Weis-
gerber, est de la même opinion, cf. Les Blanes d'Afrique.
P. 342. (64) Budge, op. laud.. T. I. P. 198.
— o
ag
attribuer à Ten une origine étrangère, c'est à dire
Qainite, et en déduire que ces Masniou, serviteurs
ou suivants de Horus, faisaient partie des populations
encore quelque peu ênigmatiques aujourd'hui qui
vivaient sur les territoires de la Palestine, de la
Syrie septentrionale. Nous retrouvons dans la tra
dition de-ce prince Ten, médecin et forgeron, une
parenté symbolique avec les Qainites, les Géants, les
Rebelles, — connus plus tard sous les noms de Né-
philin, Enagim, (65), Horim, Rozenim. Zonzommim
(CG), peuples antérieurs aux passages des lers Sé-
mites par le Paddan Hauran, et qui sont les Ja-
phétides.
Mais d'où venaient-ils ? Seraient-ils autochtones,
occidentaux, ou Asiatiques ?
*
. «
Mr. Rhys a montré que dans les langues cel-
tiques anciennes (67), on pouvait distinguer 2 grou-
pes: un groupe p ou gaulois, et un groupe q ou
celticain. Ce dernier aurait dominé en Irlande, en
Espagne et dans l'Italie du Nord. Selon lui le groupe
p serait formé non pas par ce quil appelle des
Aryens ( des Indo-européens ), mais par des allophyles
qui se seraient arianisés, dit-il, dans la région des
Alpes. Le mot qui sert de caractéristique et d'êxem-
ple de cette transformation est le nom du cheval
latin-equus, irlandais — ech — ancien celte-epos. Mr.
Rhys en outre, croit possible que les stations lacus-
tres de la Suisse, aient été la résidence de la popu-
tion mixte de ces allophyles néo-Aryens.
Um phénomene linguistique analogue se ren-
contre dans les régions orientales que nous étudi-
ons en ce moment; et Marr a mis récemment en
lumière (68), que les termes ethniques au Cauca-
se, portaient l’une ou l’autre forme du pluriel ja-
phétique, — que kaspi, par exemple, représentant
l’une de ces formes avec le suffixe p de la série la-
(65) A rapprocher la ville de Hanok, fondée par Qain ( Gené-
se). (66) F. Lenormant, op. laud.. ( Le X.e Ch. de la Genèse. )
(67) Rhys. Scottish Review, 1890. (68) N. J. Marr. Iz-
Me ae
biale trouvait son équivalent dans les autres for-
mes kas-t-i et kas-q-i. Il ajoute que ce suffixe p rap-
proche la varieté kaspi de la langue de la 2.° caté-
gorie des inscriptions cunéiformes, Achémenides,
c'est à dire avec la nouvelle et l’ancienne langue
élamite ( 69). |
Ces préliminaires m'ont conduit à avancer un
rapprochement de même nature entre le peuple de
Japt-Japet, et le peuple de Yakt, des Yaktanides ;
tendant à montrer que les tribus japhétiques s’éten-
daient aussi dans l’Arabie sur le bord de la Mer
Rouge, en face de l'Egypte, et que c'est à leur oc-
cupation, qu'il faut sans doute rattacher les noms
gsographiques comme Aden, qui se retrouvent sur
d’autres territoires par eux occupés come Dan, Tana,
Khatna (70). J’ y suis d'autre part autorisé par les
relations établies, reconnues entre les Yaktanides et
les Qainites. Selon la Génèse, (71) les Yaktanides
remontent par Sem. Arphaxad à Heber; or Heber
d’après le verset des Juges auquel j'ai déjà fait allu-
sion (72), état un Qainite.
ss
J'insiste sur ce point que Heber, Qainite, ap-
partient à des tribus déjà établies en Kènaan bien
longtemps avant l'Exode ; — que ces tribus qainites
répondent aux peuples métallurgistes du fer comme
je lai indiqué plus haut, et que ce caractère les
distingue complètement des tribus sémitiques.
Enfin jajouterai que je ne vois point en cet
Heber l’eponyme des Hébreux, — et que nous ne
devons point considérer comme des Hébreux bien
que quelques savants l’aient ainsi pensé (73), les
Habiri, ou Iwrenna qui se trouvaient parmi les peu-
ples mercenaires des Mitanniens, — mais qu'au con-
vest. Imp. Ak. Naouk. I. Noiab, 1916, n. 15. (69) N. J.
Marr. Zapad. v. Obscht. T. XXII, P. 74 (70) Selon MMrs.
Bertholon et Chantre, les prétendus arabes dolichocéphales
du type d’Aden, sont des Berbéres nomades, autrefois émi-
grés... in Recherches anthrop. sur le Nord de l'Afrique.
(71) Ch. X., 22, 24, 25. (72) Lib. Judic. Ch. IV,
(4
lI. 3) A. J. Reinach. Le disque de Phaestos. Rev.
EOE <_<
EE E E NI
Re nr nee do 6 < 0
| —
traire. d'après toutes les considérations antérieures
ici exposées, je suis conduit à voir en eux des peu-
ples de ces mêmes régions, bien antérieurs aux
Khétas ou Hittites, et qui furent par ceux-ci absor-
bês en partie: — c'est à dire les Ibéres ou Ivères,
ces très anciens ancétres des Grousiens, des Tcha-
nes, considérés par Morgan, Lehmam et Belk, comme
plus anciens que les Egyptiens ( 74).
* 4 *
Sil s'agit d'Ibères, il faut démontrer par quel
chemin ils atteignirent ces régions, puisque les plus
anciennes traditions nous les montrent dans la pé-
nisule Ibérique avant l’arrivée des indo-européens
(79). Ils faisaient partie au même titre que les
Vieux-Ligures, les Etrusques, les Sardes et les Si-
cules, les Lélèges et les Myniens de cette race mé-
diterranéenne qui se rattache au type de Cro-Ma-
gnon (76). Blau en 1863 rapprochait déjà les Al-
banais, les Léleges et les Lyciens — tous, peuples
gynécocrates, aussi bien que les Etrusques et les
Ibêres (77). La même race par conséquent,sous ses
variètes nombreuses, occupait les diverses péninsules
méridionales de l’Europe, jusquà l'Asie Mineure.
Sergi qui constate ses caractères craniométriques
jusque chez les prédynastiques d'Egypte, suppose que
la race primitive provenait d'Afrique (78). Comme
je crois avoir montré que les Masniou avaient péné-
tré en Egypte par Vest, il faut donc admettre que
las .lbéres Orientaux avaient atteint les régions du
Haut-Euphrate et de la Palestine soit par les iles
méditerranéennes, soit par l’Asie Mineure ( 78-a )
LA
* *
archéol., 1910. T. I. P. 29. (74) Baedeker. La Russie.
P. 384. (75) Hovelacque. La Linguistique. P. 17/
(76) A. Fouillée. Esq. psych. des Peuples européens. La
Gréce antique. (77) S. Reinach. Man. de Philol. class.
T. I. P. 224 (78) Dr. Weisgerber. Les Blanes d’Afri-
que. P. 22. (78-a) Hommel. ( Archiv. f. Ant., 1891. T.
Sue Le
Tous les archéologues admettent aujourd'hui
que l’époque du fer en Russie, parait avoir succe-
dé sans transition à l’époque de la pierre et que
son apparition fut beaucoup plus prèmaturée dans
le sud que dans ie centre et le nord ( 79).
D'autre part si on suppose que des échanges,
et que l'industrie du bronze au Caucase provien-
nent du Bas-Danube, il faut admettre que ces rela-
tions ont éxisté 4 une époque excessivement ancienne,
et quand la technique était encore singulièrement
primitive. Le chemin suivi était la rive “septentrio-
nale du Pont Euxin, et certainement la Crimée.
Un long silence interrompt ce commerce, —
résultat probable d'immigrations ou de mouvements
de peuples au sud de la Russie, qui coupèrent les
communications; celles-ci ne purent reprendre que
vers la fin de l’époque de Halstatt (80 ).
La civilisation, ou mieux le commerce du lron-
ze vit donc sa route interrompue au nord du Pont-
Euxin, et c’est alors qu'elle suivit de nouvelles voies
à travers l'Asie Anterieure, à travers l'Egéide et la
Crête pour atteindre les marchés orientaux. D'ail-
leurs nous l'avons vu, la civilisation du bronze
n’était pas proprement pélasg:que, elle occupait les
limites septentrionales des territoires tenus par les
Pélasges divers, et ceux-ci recevaient, utilisaient les
produits, au moins au début des temps que nous
venons d'étudier. Or ces Pélasges occupaient tou-
“tes les péninsules de l'Europe méridionale et les iles
méditerranéennes. Leurs relations de parenté avec
les Lybiens, avec les habitants primitifs de l'Espa-
ene, reconnues par Sergi, par Brinton se dénon-
cent également avec les habitants primitifs de la
Syrie, par les trouvailles d'outils néolithiques, faites
XIX. P. 260) et de Cara (Rev. arch., 1892. I. P. 156)
considérent les peuples du Caucase, les Héthéens, les Pélas-
ges, les Etrusques, Ligure , Basques, comme faisant partie
du vieux fonds anaryen de la population. (J. de Morgan.
Les Lres Civilizations. P 159, note 3.) (79) Anoutchine.
L’Archéol. en Russie. L’Anthrop. T. XV. (80) Wilke-
Zeitsch. f. Ethnol. T. XXVI, 1904.
Se ae
en Palestine (81) du méme type que les outils lybiques,
et reportent aux ages préhistoriques de l'Egypte les
mouvements constants de commerce, de transport
entre les deux extrémités de la Mer intérieure. Les
Ibéres donc, selon nous, s’étendaient sur les deux
côtes, européenne et africaine, peut être mème avant
que les colonnes de Mel-Kärt ou d'Hercule ne fus-
sent un détroit, et par la région berbére, atteigni-
rent l'Egypte et la Palestine, et cela même avant
l’époque énéolithique.
Je crois dene, qu'il s’est passé pour l'Egypte
avec les « forgerons d'Horus », un fait analogue à
celui signale par Bertholon et Chantre à propos des
Berbéres d’Aden (82). Ces peuples alors nomades,
venant de l'occident, avaient traversé l'Egypte, ils
furent au delà, plus tard ils y revinrent plus vieux,
déjà organisés, en possession d'industries plus dé-
véloppées, du fer lui même qu'il connurent dans les
eltes metalliféres du Haut Euphrate, de l’Arménie.
Ce sont eux sans doute, qui servirent d'inter-
médiaires entre la civilisation mésopotamienne et
l'Asie Antérieure, comme ils avaient déjà été le lien
entre la culture occidento-européenne et l'Egypte,
— et si ce que nous avançons est exact, il est lo-
gique d'admettre que le commerce du bronze, à
Yheure où la route du sud de la Russie lui était
fermée, et tentant les bords méridionaux du Pont-
Euxin, — ait rencontré en face de lui l'imposition
de l’intermediaire pélasge, aussi bien dans l'Asie
antérieure que là bas en occident.
*
x *
Si j'ai avancé que les Ibéres avaient atteint la
Palestine, l'Arabie et la Syrie, par l'Afrique dans
des temps prédynastiques, — je n'entends point par
là que d'autres routes n'aient pas gé suivies par
d'autres tribus pélasges.
(81) Frére Néophitus et Pallary. La Phénicie préhist.
L’Anthr. 1914. (82) Cf. note 70.
= Age
La question pelasge n'est point encore résolue ;
ce que nous connaissons de ces peuples se rapporte
seulement à l'époque où ils prirent contact avec les
peuples historiques, où ils se perdirent en eux, se
masquèrent parfois sous les noms de ceux-ci. Les
Pélasges ne répresentent pas une unité ethnique, et
je serais tenté de considérer une civilization pélas-
gique, plutôt qu'une race pélasge, comme on admet
mieux une civilization aryenne qu'une race aryenne.
Ainsi les Phrygiens qui au XIL° S.° descendi-
rent par [Hellespont sur l'Asie Mireure, por mettre
fin aux royaumes héthéens, étaient de la mème sou-
che que les Pélasges. La légende de Phryxus qui
concrétise symboliquement le chemin qu'ils avaient
suivi en quête de l’Asie Mineure, et peut-être aussi
l'emploi d'outres, à la mode babylorienne, pour tra-
verser les eaux, — cette légende nous‘indique aussi
sans doute, le chemin suivi par les Pélasges pré-
Hittites, et par les Hittites eux-mêmes.
Selon Hérodote (83) Psammétique se convain-
quit que les Phrygiens étaient le peuple ancien du
monde: or cette tradition serait inexplicable si elle
se rapportait aux mêmes Phrvgiens qui venaient
d'apparaitre dans l'histoire 600 ans seulement avant
lui, Psammétique ; et surtout si on la rapproche de
la tradition de l’Atlantide, racontée à Solon par des
prêtres égyptiens vers le même temps (84). —
Psammétique avait donc en vue, non pas les Phry-
giens ses contemporains, mais bien leurs prédéces-
seurs, les Pelasges.
+ *
Il y a dans l'histoire ancienne bien des points
obscurs, et une cause fréquente d'erreurs, est la
facilité avec laquelle des peuples ont adopte les
traditions et les dieux de peuples differents avec
lesquels il entmient en contact, de tribus qu'ils ré-
duisaient ou repoussaient devant eux. H‘rodote, pré-
(83) Hérodote. Hist. II, 2. (84) A. Childe. Archéol.
class, et Americ. Arch. Mus. Nac. Rio Janeiro. 1916. P. 136.
|
|
|
|
|
|
|
dE. air
tendait que les dieux grecs étaieat des dieux égy-
ptiens naturalisés ; il éxagérait, sans doute, mais en
réalité des faits analogues se sont passés de peuples
à peuples, avec Héraklés, par exemple. — Comme
les Egyptiens avaient nationalisé Ptah, les Grecs
ont nationalisi Hephaistos, et les Israélites ont na-
tionalisé Japet’ Ceux-ci Pont même deux fois: 1.º
sous le nom du propre dieu Qainite, du Dieu de
Haber et de Hobab: Jahveh, que Moyse recut au
Sinai (85), — 2.º sous le nom de Japhet, quand ils
songérent à établir la généalogie de leurs prétendus
ancêtres, en remontant jusqu'au au début du monde.
Or ce Japet, dont le nom se differencie sui-
vant les tendances linguistiques des tribus diverses,
était le Dieu de Vélément igné. ( Jupit-er keraunos ),
sous ses formes diverses: feu du ciel, flamme, feu
des volcans, feu des fournaises ami et Dieu des for-
gerons, des métallurgistes, des Titans, etc. (89-a ).
*
* *
Si les Pélasges ont été les métallurgistes du
fer dans l’Asie Antérieure et la Svrie, — ceux du
continent européen, les Etrusques, les Ibéres occi-
dentaux ne connaissaient pas ce métal, encore moins
le travaillaient-ils.
C’est ma conviction que le secret de son in-
dustrie est oriental, que ce sont les peuples pélas-
giques qui l’ayart connu dans les régions de PUrar-
tu, de l'Arménie, l’ont transporté précieusement, ja-
lousement vers le centre européen après la chute de
l'empire Héthéen. On sait que le fer dans Panti-
quité était l’industrie non pas d'un peuple, d'une
tribu, mais plutôt d'une caste, et que cette caste
avait, sans doute par son ministére particulièrement
(85) Tiele. Gesch. d. Relig. in Alterth. II. Pp. 299 e
seqqs. — Stade. Gesch. d. Volk. Isr. I. p. 131. -- E. Renan,
Hre. du Pple. d'Isr., I vol. P. 88, note: Théodoret nous
apprend que les Samaritains prononçaient IABE, -- et P. 85,
-- pp. 186, 187.--(85-a). Selon les traditions égyptiennes,
= (498 =
lié avec le feu, un caractére à la fois sacré et ré-
véré, c'est à dire redouté (85-b). C'est là ce qui
peut expliquer comment aprês la tentative des peu-
ples de la Mer, contre l'Egypte, quand les tribus
étrusques apparentées aux Pélasges (86) durent
émigrer vers l'Occident natal (vers 1050) (873,
on ne vit pas aussitôt fleurir spontanément une in-
dustrie du fer occidentale ( 87-a ).
Si la transmission ésôtérique de cette industrie
sacrée, n'a pas eu lieu comme je le crois et l'indi-
que ici, nous sommes alors obligés d'admettre "ne
séconde découverte de la métallurgié du fer dans la
région de Halstatt.
+
x *
Mais les Pélasges Qainites avaient-ils eux-mé-
mes découvert ce secret, là en Orient, ou bien avai-
ent-ils rencontré dans ces lieux des peuples d'autre
origine en possession de cette technique ? Je ne le
sais, et nai pas d'eléments suffisants pour me pro-
noncer sur ce point. J’affirme seulement que le fer
ne vint pas des éléments sémitiques de la Mésopo-
rapportées par Diodore de Sicile ('T. 131), un arbre frappé
par la foudre au sommet d'une montagne mit le feu à la
forêt environnante. Vulcain s’en approcha pendant l'hiver,
l’entretint et le communique aux hommes. -- Nous voilà re-
venus à Héphaistos, Ptah, et la nature de cette légende
montre qu’elle n'est absolument pas d’origine égyptienne,
mais bien japhétique (85-b). W. Belck ( Les Inventeurs de
la technique au fer. Zeits. f. Ethn. 1910. Fase. I, fait re-
monter les débuts de la fabrication du fer à forger au moins
à la 2.º moitié du 3.º millénaire av. J. C.. La fabrication de
l'acier serait aussi un secret multiséculaire, et jalousement
gardé par les Philistins, selon lui. -- Il attribue aux Egy-
ptiens un role négatif dans la fabrication du fer et dans.
l'initiation de son emploi. Quant aux Phéniciens il les croit
en rapport avec Ophir et l'Inde dès, au moins, 3000 ans av.
J. C.. Nous avons montré pourquoi nous sommes absolu-
ment opposé à cette dernière hypothèse (86). B. Cara de
Vaux. La Langue étrusque, 1911.— Benloew (La Gréce
avant les Grecs), Blau Milch-hoefer regardant les Pélasges
et les Etrusques comme de même. (87) A. J. Reinach. Le
Disque de Phaestos. (87-a). Joseph Déchelette, dans la
Eds EUR
tamie, qui nentrérent en relations avec les Japhéti-
des que lorsque ceux-ci étaient déjà en possession
de cette industrie (88 ).
Les Sumériens seraient ils leurs initiateurs ?
Mais alors les relations du petit Caucase avec la
Mésopotamie se trahiraient par des influences esthé-
tiques et linguistiques, excessivement antiques ve-
nant de la Chaldée et que rien jusqu'ici ne permet
d'invoquer.
Si l’on appelle aux influences asiatiques, ougro-
finnoises, il faudrait alors retrouver une industrie
du fer bien définie, dans l'habitat de ces peuples à
cette époque, or nous savons que bien postérieure-
ment encore, les Mongols et Chinois n’en étaient
qu'à l’âge du bronze. Nous avons vu que la zône
du bronze appartenait à la rive supérieure du Pont-
Euxin, au Gd. Caucase, et on la retrouve dans | Asie
septentrionale et orientale; (88) mais elle est dis-
tincte de Venclave arménienne, qui demeura en de-
hors de-cette influence.
Les travaux de Terrien de La Couperie (90),
et de R. K. Douglas (91) ont fait connaitre que
vers 2300, les tribus Bak, qui habitaient au sud de
la Mer Caspienne, émigrèrent en conséquence de
sécheresses prolongées, vers le nord-est et fondèrent
la civilisation chinoise. Or si au temps de Yao, au
XXII S.º la technique du bronze avait atteint une
telle sureté, que le roi put faire graver sur des va-
ses la description figurée des 9 provinces de son
empire (92), il nous faut admettre que déjà à cette
critique sur le travail d'Albert Gronier (Bologne villano-
vienne et étrusque ), fixe environ vers l’an 1000 les premiè-
res habitations ou sépultures de Bologne villanovienne ( Be-
nacci I). — La culture de Halstatt ajoute-t-il plus loin, était
celtique pour les uns, illyrienne pour d’autres, on sait au-
jourd'hui qu’elle est à Ja fois celtique, illyrienne et plus
encore. ( Rev. Arch., 1913, I, Ps. 128-130 (88). J. de Mor-
gan. Nécropoles preh. de Arménie russe. Rev. arch., 1890,
II, P. 18 (89). Soph. Muller. in Matériaux. T. XX, 1886,
P. 162 (90). Terrien de la Couperie ( Languages of China
before the Chinese; western origin of early chinese civilisa-
tion (91). R. K. Douglas. The Story of China, P.3 (92),
époque ces tribus étaient parfaitement initiées et de-
puis longtemps à l'industrie du bronze. Si par con-
séquent elles eussent été en contact avec les Qaini-
tes, dont nous avons traité dans cette note, ce n’es
pas dans le bronze seulement qu'elles se seraient
montré avancées, mais le fer aussi se serait trouvé
entre leurs mains, au moins comme armes offensi-
ves; et com ne il n’en est rien, nous pouvons dou-
ter des relations des Japhétides avec les Bak, ou
leurs ancêtres dans la région Caspienne.
Neamoins je ne laisserai pas de signaler une
coincidence curieuse: c est que le radical chinois
des m‘taux est précisément la mème parole qainite,
signifiant le fer «kin». Elle désigne aujourd’hui
le métal par excellence, Vor, mais primitivement
elle avait un sens plus vaste, et s’appliquait au mé-
tal en général (93).
*
* -
CONCLUSION
Nous en sommes arrivés à regarder Vindustr:e
du bronze comme d'origine exclusivement acciden-
tale, l’étain provenant des Cassitérides. — La fabri-
cation réguliére de cet alliage, semble centralisée
par les populations lacustres, qui en firent le com-
merce avec des peuples maritimes, exportateurs d’ori-
gine pélasgique, se chargeant du transport lointain,
de l'échange et de Vutilisation, dans les pays du sud
et de lorient, jusqu'aux confins de la Chaldée.
D'autre part l’industrie du fer surgit pour nous
de l'Arménie et s'étend en sens inverse de la pre-
mière, mais sur une aire beaucoup plus restreinte,
puisqu'au début, exclusivement orientale, de l'Egypte
à la Mésopotamie. Nous croyons que les Qainites
Ed. Biot. Considérations sur les anciens temps de l’histoire
chinoise. Il Asiatique, VIII, 4.º série (93). Memoirs of the
Carnegie Mus., vol. IV, n. 1. Pittsb, 1906. Rev. Fr, Chal-
fante. Early chinese writing. W. Belk, déjà cité dans la
note 85-b, pense que la Chine fut un centre très ancien et
( Ibêres-Pelosges ) furent les initiateurs de cette te-
chnique métallurgiqne, et que leur tribu gardant
jalousement son secret de métier, constitua comme
une corporation sacrée qui se maintint de longs
siécles.
Quand les Grecs, les Indo-europ‘ens, se ren-
contrèrent aux temps historiques avec les Pélasges,
dans les iles de Samothrace, Imbros, Lemnos, etc.,
ces derniers étaient déjà de retour de l’Asie Mineu-
re, et ce sont eux qui initiérent les Grecs au tra-
vail des métaux (94). Les noms de ces corpora-
tions qui nous furent transmis par les Hellènes, sont
suggestifs à ce sujet: Telchines — ( où nous retrou-
vons le radical «rkin » ) —, Gorybantes ( véritable
doublet de Chalybes), et le groupe mystérieux des
Kabires, dans le nom desquels nous constatons la
propre appellation des Habiri, Iwrenna, Ilberes.
* á *
Enfin, pour faire face aux possibles objections
des anthropologues qui se baseraient sur des diffé-
rences craniologiques rencontrées entre des tribus
que nous rattachons à la même race, nous rappel-
lerons que les conditions nouvelles, culturales e au-
tres résultant des migrations, ont dû exposer telle
et telle tribu à des épreuves que des tribus soeurs
n'ont point traversées, et aussi à des croisements
modificateurs (rapts de femmes brachycéphales par
des hommes dolichocéphales) ( 95 ).
Il faut sans doute admettre que les races actuel-
les peuvent se classer sous 2 types définis, extre-
mes: brachy et dolichocéphale, — mais nous igno-
rons l’éxacte distribution primitive de ces deux types
purs ; et 5 hypothèses sont admissibles, parfaitement
acceptables au point de vue biologique: 1.° qui l’état
de dolichocéphalie est le type primitif de Vespéce
humaine, la brachycéphalie étant une forme évolu-
autochtone de la fabrication du fer (op. laud.). (94) V
Duruy. Hre. des Grecs. T. I (95). Contestation de Mr. C.
Lejeune à l'exposé du Dr. Ad. Bloch. — Bull. de la Soc
tive (96); 2.°— que les 2 types sont absolument
indépendants l'un de l’autre, et d’une origine dis-
tincte ( polvgénisme ); 3.º — que le type inítial est
d'une modalité moyenne, point de départ de 2 évo-
lutions divergentes.
Il ny aurait donc point d'impossibilité insur-
montable 4 ce que des tribus pélasgiques, originai-
res de la grande masse commune méditerranéenne,
ayant émigré vers l'Asie antérieure, la Palestine,
l'Egypte. se fussent là croisées avec des tribus lo-
cales, et modifiées, — puis que revenant après les
luttes avec Ramsès III, vers les pays de leur sou-
che, elles pussent alors présenter, en parallèle avec
les tribus non déplacées, de ces différences cranio-
logiques qui conduisent parfois les anthropologistes
à des subdivisions inconsidérées.
Rio de Janeiro, Musée National, 18 Mai, 1917.
A. CHILDE.
Conservateur des Antiquités Classiqnes et Orien-
tales.
Anthrop, 1913, P. 419 (96). Dr. H. Weisgerber, op. laud.,
E. Soa
Uonsbuiedo para O conhecimento dos opkidies do Beart
IL
OPINION DO MUSEU ROCA (CENA )
Dr. J. Florencio Gomes
Assistente do Instituto Sorotherapico de Butantan
TAN f A1 LCR TN EE
PR Rd DAME i
SON ANS rape
| “ato PO EDITE
AAA oe
L 2
.
17
Contribuição para. o conhecimento dos ophidios do Brazil’
FI
OPHIDIOS DO MUSEU ROCHA (CEARA!)
A maior parte dos nossos conhecimentos sobre
os ophidios do Brazil Septentrional limitam-se aos
extremos desta zona. Sobre os da região interme-
diaria ou nordeste brazileiro não ha nenhum tra-
balho de conjuncto, nem estadual, nem local, e
pode-se mesino dizer que, a esse respeito, estamos
até agora reduzidos às informações do Cat. of Snakes
de Boulenger que registra varios ophidios desta região
existentes no Museu Britannico, e à lista das especies
do Piauhy recentemente fornecida por Neiva e Penna
(*) no relatorio da sua viagem scientifica ao nordeste
e centro do Paiz. Pareceu-me, então, que seria
opportuno dar esta relação dos ophidios do Museu
Rocha, que contem 20 espécies do Ceara.
Além disso, a presente collecção tambem com-
prehende varias especies ainda não assignaladas no
Brazil, posto que já conhecidas como pertencentes
à fauna de paizes vizinhos.
Convem dizer algumas palavras sobre o mate-
rial examinado. Elle foi remeitido pelo Sr. Fran-
cisco Dias da Rocha, em tres lótes, ao Instituto de
Butantan, para o fim da determinação das especies
e permuta de duplicatas.
O 1.º lôte, recebido em Março de 1915, continha
ophidios colleccionados no Ceara, sem designação de
localidade e outros dados e um especimen do Ama-
zonas ( Hydrops marti ).
1. Vid. Aun. Paulistas Med. Cir., 1915, IV, pp. 121-129.
2. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, 1916, VIII, Fac. 3, p. 101.
— 506 —
O 2.º léte foi recebido em outubro de 1915,
sem outros dados a não ser a proveniencia, Ceara.
Posteriormente o Sr. Dias da Rocha teve a bon-
dade de transmittir-me as informações do colleccio-
nador, segundo o qual os ophidios deste lóte haviam
sido capturados entre Teuatu e Crato, no sertäo
cearense. O estudo que tenho feito dos ophidios col-
leccionados no Piauhy, estado limitrofe do Ceara,
pelo Sr. Francisco Iglesias, anctoriza-me a admittir
um engano nestes dados; por isso registro como
duvidoso o habitat de cada um dos exemplares deste
lôte. ste material é, porém, certamente do Brazil
Septentrional.
O 3.º léte, recebido em maio de 1917, com-
prehende ophidios do Amazonas e um especimen do
Ceara ( Leptodeira albofusca ).
Não figuran, no material recebido as seguintes
especies do Ceara: Thamnodynastes strigilis (= T.
nattereri) registrada de Aracaty. por Boulenger
no seu Cat. of Snakes, 1896, JU, p. 118, e Cro-
talus lerrificus que o Instituto de Butantan obteve
das seguintes localidades : Quixadá, Uruquê, 8. Vi-
cente, Aroeira e Wloriano Peixoto.
Fam. Typhlopidie
Gen. TyrHLoPps Oppel
Typhlops reticulatus (Linnæus)
Um exemplar do Estado do Amazonas. Com-
primento total 345 mm; cauda 8 mm.; circumfe-
rencia 35; diametro do corpo 11. O comprimento
total é cerca de 3! vezes maior que o diametro do
corpo. 20 séries de escamas ao redor do corpo.
Castanho quasi negro em cima; focinho, uma
faixa transversal ao nivel do anus e parte inferior
amarelados ; porção basal ou” pigmentada das se-
camas finamente orlada de amarello.
a al
— §o7 —
Fam. Boidæ
Gen. Boa Linnæus
Boa hortulana ( Linnzeus )
Como já mostrou Stejneger ! o nome genérico
Boa deve ser reservado ao genero designado pos-
teriormente pelo nome de Corallus Daudin, 1803,
cabendo ao genero actualmente mais conhecido por
Boa a designação de Constrictor.
Um exemplar jovem. Brazil septentrional,
Ceará?. Comprimento total 620 mm. ; cauda 122 mm.
Be e e TL EAN Pata NG. 1 127
Gen. Ericratrs Wagler
Epierates cenchris ( Linnzeus )
Esta especie é conhecida no Ceara pelo nome
vulgar de Salamanta, corruptela de salamandra.
Däo-lhe o mesmo nome nos estados de Alagoas e
Pernambuco.
Dois jovens exemplares do Ceara.
eee Abe Ve A [5 Se do; Supra-
labiaes 13-14.
RR Vo 204 VAL Dy "Se “OO Supras
labiaes 14.
Fam. Colubridæ
AGLYPHA
Gen. Hezicops Wagler
Helicops angulatus ( Linnzeus )
Um exemplar jovem do Brazil septentrional,
Ceara ?
Bees ts eC ern. es OC 11/11
20+13 faixas transversaes castanhas escuras
muito mais largas no dorso; a primeira fórma um
losango na nuca.
1 Proc. U. S. Nat. Mus. 1901, XXIV, N. 1248, p. 184.
— 508 —
Gen. Hyprops Wagler
Hydrops martir ( Wagler )
Um exemplar do Estado do Amazonas.
Gen. DimaDes Gray
Dimades plicatilis ( Linnæus )
Um exemplar do Amazonas.
E, 45; Vs 1298 PAPAS Se? ASI!
8 supralabiaes; nazaes inteiras, em contacto
atraz da rostral. Colorido castanho em cima (7 e
duas meias escamas de largura ) com duas séries de
pequenos pontos negros, sobre a 6.º série de es-
camas de cada lado. Uma faixa negra lateralmente
desde a rostral até a extremidade da cauda. pas-
sando pelo olho. Esta taixa occupa duas escamas
e duas metades, e estreita-se nas extremidades. Su-
pralabiaes escuras com uma risca amarellada do olho
à comissura. Parte inferior amarella, com duas
séries de pequenas manchas negras; parte inferior
da cabeça manchada de pardo.
Gen. Drymosius Cope
Dryinobius bifossatus ( Raddi )
Um exemplar jovem, do Ceara.
E. 195° VMS ARR ise: 00790.
Driymobius dendrophis ( Schlegel )
Um exemplar do Amazonas, medindo 1017 mm.
de comprimento total, sendo 491 para cauda.
E. 145 Vinloas A ds Sc PIB
Escamas fortemente carenadas. Faixas trans-
versaes pardas olivaceas, limitadas por estreitus es-
paços negros no dorso, e nos lados por manchas
esbranquiçadas orladas de negro. Estas manchas
claras são unidas posteriormente e fórmam na cauda
uma faixa de cada lado. Parte inferior branca sal-
picada de preto nos lados.
Este exemplar apresenta numero muito mais
elevado de placas subcaudaes do que geralmente
tem sido registrado pelos auctores. Boulenger ! dá
os seguintes limites para as subcaudaes: 118-155.
Todavia no presente exemplar do Amazonas esse
numero não é tão elevado, quanto o que atribue
Schlegel a um dos especimens de Cayenna ( Guyana
Franceza) que lhe serviram para a creação desta
especie, o qual possuia 140 ventraes e 196 sub-
caudaes.
Gen. HerpETODRYAS Bole
Herpelodryas carinatus ( Linneeus )
Tres exemplares, sendo um do Ceara? e dois
do Amazonas.
N. 1. Ceará? mnito estragado.
No 29 Amazonas; E Ló: V. 140. A 2: Se:
114/114 +n. 8 supralabiaes, 4.2 e 5.º completa-
mente soldadas a direita; 4.º e 5.º contiguas ao
olho; temporaes 1 + 2. As escamas das duas séries
dorsaes fracamente carenadas. Colorido pardo olivaceo.
No ave TAmazonas:! Bj 1250V. M4duc An = "So.
124/124. 9 supralabiaes, 4.º 5." e 6.º contiguas ao
olho. As escamas das duas séries dorsaes forte-
mente carenadas.
Herpetodryas fuscus ( Linnecus )
Um exemplar & do Amazonas, com 1900 mm.
de comprimento, sendo 610 para a cauda.
Ey) 104 Vo 154; Altos Se. 140400; Supra-
labiaes 9; temporaes 1 + 1. Escamas dorsaes lisas.
No corpo escamas pardo avermelhadas e outras
negras distribuidas irregularmente ; as escamas ne-
gras privadas da epiderme têm côr violacea. O cc-
lorido é identico ao da figura de Wagler. ? :
1. Cat. Sn. Brit. Mus. 1894, II. p. 16.
2. Serp. Bras. 1824, Tab. VIII.
Gen. Spirotes Wagler
Spilotes pullatus ( Linneeus )
Um exemplar do Ceara com o nome vulgar de
caninana, designaçäo que parece entäo geral no
Brazil para esta especie.
Ep 1.6.5. Ves al, ls. Sc. 20710
Na cauda e na parte posterior do corpo as
grandes manchas regras säo dispostas em anneis
completos mais ou menos regulares.
Gen. ELapHE Fitzinger
Elaphe corais ( Boie )
Um exemplar do Brazil septentrional ( Ceara ? )
E. 17 (19 no pescoço): Vi 2055: A MERS:
ff
Gen. PuryNonax Cope
Phrynonax fasciatus Peters
Um exemplar jovem, Ceara ?.
E/2268V.- OS And Se Me20/120;:
Escamas fracamente carenadas ; ventraes muito
anguladas. Parda clara com manchas castanhas em
forma de crescente.
Gen. Leproputs Beil
Leptophis ahaelulla ( Linnzeus )
Este nome deve prevalecer sobre o de L. lio-
cercus ( Wied ), pela qual é a espécie mais frequen-
temente conhecida. O assumpto já foi estudado por
Loennberg * e Andersson que examinaram os espe-
cimens Linneanos, e tambem tratado por Stejneger ?.
Um exemplar do Brazil septentrional ( Ceara ? ).
Boao, W- 100; A.) Se as
1. Bihang Till K. Svenska Vet.-Akad. Handl. 1899,
Bd. 22, Afd TV. N. 1, pp. 562€ |
2. Proc. U.S. Nae. Mus. 1901, XXIV. N. 1248. p. 187
dr F1.
Leptophis nigromargimatus Günther
Tres exemplares. Escamas carenadas no corpo
e lisas na primeira série de cada lado, no pescoço
e na cauda; as da série dorsal lisas ou levemente
carenadas. renal ausente; ventraes anguladas la-
teralmente; 8 supralabiaes.
Colorido verde brilhante em cima; escamas e
placas cephalicas marginadas de negro; carenas das
escamas tambem negras. Parte inferior do corpo
branca amarellada ou esverdeada brilhante. Não ha
a faixa negra, do olho à comissura, tão distincta na
espécie precedente.
Além destes caractéres communs, encontram-se
as seguintes variações :
N. 1 Ceara? E. 15; V. 154; A.2: Sc. 152/152,
Nasal inteira; uma pinta negra sobre cada uma das
supraoculares e das parietaes. Compr. total 1.045
mm. ; cauda 405.
Wee o Amazonas: E. los V. 160: A. 2:
Sc. 148/148. Nasal semidividida por uma fenda
que não attinge a venta; 7 infralabiaes em contacto
com as mentaes. Compr. total 1160 mm. ; cauda 430,
N. 3 ¢ Amazonas. E. 15; V. 155; Anal in-
teira; Sc. 144/144. Nazal inteira; 7 infralabiaes
em contacto com as mentaes. Compr. total 1.165
mm. ; cauda 455.
Gen. Lximapoputis Fitzinger
Leimadophis reginae ( Linneeus )
O nome Liophis, usado nos principaes trabalhos
que tratam de ophidios deste grupo, deve ser mu-
dado para Leimadophis, como ja o fizéram Stejneger *
e Barbour. ?
1. Herp. Porto Rico, Rep U.S. Nac. Mus. 1902, p. 694.
2. Contrib. Zoüg. West Indies, Mem. Mus. Comp. Zool.
1914, XLIV, N. 2, p. 388.
— — 512 =
A presente collecção comprehende 9 exemplares
desta especie.
Binh PRE
o re
N. 1 Ceara ET 5152 a Thi
2 » 1713491027 43/4850
3 » 01443018 "68/68
4 » Tu AAS AZ io ATA
de) Ceara? 17 142 2 69/69
6 » 11 AO 2 276 DG
1), 2. Amazonas 17,138 | 2 \;.63,03
8 d » ihe AMD .2 <66/00
9-407. | > 17 1502161104
Nos exemplares ns. 5 e 6 o colorido geral é
oliváceo claro; a maior parte das escamas do dorso
são negras na sua metade posterior, até às da 9.º
série de cada lado; as desta série são quasi intei-
ramente negras na parte posterior do corpo. onde
formam uma risca negra que se prolonga nos lados
da cauda. Duas distinctas manchas amarellas, di-
vergentes se estendem das parietaes à ultima supra-
labial do lado correspondente.
O n. 2 é esverdeado em cima, por toda a ex-
tensão do corpo; os outros são pardo-olivaceos.
Todos os exemplares têm as habituaes manchas
negras do ventre, e as riscas lateraes da cauda e da
parte posterior do corpo.
Leimadophis poecilogyrus ( Wied )
Onze exemplares, nenhum dos quaes apresenta
o colorido tipico do adulto figurado por Wied. Aliás
só tenho encontrado esta coloração em exemplares
dos Estados do Rio de Janeiro, do Espirito Santo
e de Minas Geraes, na zona limitrophe dos dois Ks-
tados precedentes.
Os adultos são de colorido pardo olivaceo, e
ventre quasi sem manchas escuras; os jóvens teem
manchas negras transversaes no dorso, e no ventre
faixas transversaes da largura de uma placa.
E. V Anon Be.
N. 1.9 Ceara EO ISA 2 CSA
D à Cog levy ye ele
As à à RAS eh? nc et OL EN
der gd 19 Lee. 59/02
D jov. » Lye too à 2 01/91
6— » TO Ratos 22:500/00
i JOC LD gorhet. Bb, 50/0
8 jov. » TO el 2 02/02
9 jov. » LOD Biss, 24800" 000/50
LONI OV.< <> Wine tod 25 00/60
£1 jovn «> LOMME A AM Lat 2) (3
Os exemplares ns. 4 e 6 teem esboços de man-
chas transversaes no dorso, e manchas lateraes es-
curas, embaçadas, nos lados do ventre; o n. 6 tem
3 postoculares.
Leimadophis viridis ( Giinther )
Um exemplar do Ceara.
eens EN MO A. DS SC. 1 erie.
Gen. XENopox Boie
Xenodon colubrinus Günther
E exemplares.
Nov Cearaieia E dO Ma Tae Ss Ad
Sc. 40/40: 8 supralabiaes.
Ne don Gearaen E. 10,0 Vo dA: AA;
Sc. 37/37; 8-9 supralabiaes.
Xenodon merremt ( Wagler )
Tres exemplares.
E. V. A. Sc. Supralabiaes
N° 1 q Ceará 19 148 2 34/34 q
BSS 19 488° 2 42/42 É,
Bue > sto Tage 94/94 7
et teal
Xenodon severus ( Linniwus )
Um exemplar joven, com a extremidade da
cauda mutilada; do Ceara ?
E. ag Vi AAO see A 2 Bo CB oe
exemplares. Ventre negro, com manchas lateraes
amarellas.
Gen. AporoPxis Cope
Aporophis lineatus ( Linnzeus )
o exemplares do Ceará.
Neat 19 170 = 60/60 + n
2 19 17 2 76/76
3 19 179 2 66/66
4 SAD e dA abale 68/68
5 19 182 2 cauda mutilada
Uma faixa castanha, orlada de preto no dorso,
occupando tres e duas meias escamas; uma de cada
lado sobre duas e meia escamas; espaço entre estas
faixas longitudinaes é da largura de duas e meia, a
uma e duas meias escamas. Não ha pontos, nem
manchas negras nos lados e no ventre.
Gen. BRiraDINEA Cope
Rhadinæa occipitalis ( Jan.)
Tres exemplares do Ceará.
E. Vice aa ee Se.
NO 148 MUSIER INSERT
2 glad, MOUSE Te
WP eee iene MIE Ne
Rhadinea geninaculata ( Boettger )
Dois exemplares do Ceara, um adulto com 440»
mm. de comdrimento, sendo 79 para a cauda.
N. 10 E, 473 CV: 2604 Ace; Sa e/a9
27 jovs A 204 ; Be 91/97
er
Gen. ArTRACTUS Wagler
Atractus elaps ( Giinther )
Um exemplar do Brazil Septentrional (Ceara) ?
Compr. total 500 mm.; cauda 50 mm.
By toe av oe een Es Sc. 28/28
6 supralabiaes, 4.º e 95.4 em contacto com olho ;
frenal e prefrontal contiguas ao olho; 1 postocular ;
7 infralabiaes, 4 em contacto com a mental. 16
pares de anneis negros completos. Em alguns pares
os anneis estão soldados no dorso. Cabeça negra ;
prefrontaes orladas adeante de amarello; 1.º 2.º
supralabiaes um pouco manchadas de amarello ; uma
estreita faixa da mesma cor (interrompida na su-
tura parietal) desce da parte posterior das parietaes
para as supralabiaes, alargando fortemente em baixo.
Em baixo, os espaços entre os anneis são branco-
amarellados ; parte antero-inferior da cabeça negra
e manchada de amarello na linha mediana.
Atractus lutefrons ( Giinther )
Tres exemplares, dois do Brazil Septentrional
(Ceará?) e um do Amazonas. Os dois primeiros
apresentam 12 pares de anneis negros, separados
por espaços amarellos, onde as escamas são orladas
ou manchadas de negro.
PORT ET Velho; AS bop Ses. 28/28...6) su-
pralabizes, 1 postocular. Uma pinta amarella adeante
do olho sobre a prefrontal e a nasal posterior.
Siok 15 5b Me 16D. As 15in Sex? Exemplar
em mas condições.
O terceiro exemplar, do Amazonas, difere dos
precedentes pela disposição dos anneis negros que
são isolados. 26 +5 anneis, muito mais estreitos
no ventre; excepto o do pescoço, o situado ao nivel
do anus, e os d4 cauda, elles são completos. Est s
anneis são equidistantes e separados por espaços
approximadamente da mesma largura dos anneis.
Cabeça negra com uma faixa amarella adeante do
olio, elevando-se até quasi à linha mediana.
Rire 516 —
Os espaços entre os anneis negros säo amarel-
los, com pontos negros na extremidade posterior
das escamas, e apresentam ainda vestigios de ver-
melho que deve ter sido a sua coloraçäo no vivo.
E. 173) yo dG). A. 1 a oes 98/92. Stpra-
labiaes 6.
Tanto neste, como nos dois exemplares prece-
dentes a 5." supralabial é pouco mais alta que a
4.º, e separada da postocular pela temporal anterior
que está em contacto com a 4.º supralabial. No
exemplar de Atractus elaps ja assignalado e nas
figuras de Jan, que representam esta especie, a 0."
supralabial é muito mais alta que a 4." e está con-
tigua à postocular. Este carácter que Julgo não ter
sido ainda assignalado parece de utilidade, junta-
mente com os numeros de séries de escamas, para
se distinguirem estas duas espécies realmente muito
proximas.
Atractus badius ( Boie )
Dois exemplares jovens do E. do Amazonas.
Lis Boe UT servo. MOB EA: dost See 20288 SIE
pralabiaes 7.
Frontal ligeiramente mais longa que larga, tão
longa quanto a sua distancia da extremidade dc foci-
Lho; prefrontal tão larga quanto longa. Cabeça es-
cura; as supralabiaes ( excepto a 4."), as internazaes
e parte anterior das prefrontaes com manchas bran-
cas; occiput com um colar branco amarellado in-
terrompido na linha mediana, orlado de negro pos-
teriormente. Dorso castanho escuro com pequenos
pontos negros dispostos em duas séries. Ventre
branco amarellado; extremidades das ventraes negras,
Bro HAT piu LOT (GAL bs OS cabra
Colorido semelhante ao precedente.
Gen. PrratoaNatuus Duméril & Bibron
Pelalognathus nebulatus ( Linnæus )
Dois exemplares do Ceara.
|
ee o
Noten ti iG Ao ie dure
2 E 15; V. 190; A. 1: Sc. 80/80
2
Fam. Colubridæ
OPISTHOGLYPHA
Gen. HIMANTODES
Himantodes lentiferus Cope
Um exemplar jovem do .Amazonas, medindo
395 mm. de comprimento, sendo 118 correspondentes
à cauda.
Elos Vin2ao mA. 25, Scrd448/148
Frontal muito mais longa que a sua distancia
da extremidade do focinho (3,0:2,2), em contacto
com a preocular; diametro do olho maior que a
que a sua distancia da extremidade do focinho
(2,6:2,3); 8 supralabiaes, 3.º 4.a 5.º contiguas ao
olho; temporaes 1 + 2: 7 infralabiaes em contacto
com as mentaes.
O desenho da cabeça différe apenas ligeira-
mente da figura de Peracca!. Uma pequena man-
cha castanha na parte posterior da sutura entre os
parietaes, precedida de duas menores, uma sobre
cada parietal, e de outra em fórma de V acompa-
nhando as suturas entre a frontal e as parietaes ;
pequenas manchas e pontos da mesma côr disperses
na parte anterior da cabeça. 35 + 24 manchas cas-
tanhas escuras no corpo e na cauda.
Este exemplar apresenta no estomago um pe-
queno batrácio, já em parte digerido.
Gen. LEPTODEIRA Fitzinger
Leptodeira annulata ( Linnzus )
Um exemplar do Ceara, com 563 mm. de ccm-
primento, sendo 144 para a cauda. -Cabega um
tanto damnificada.
1. Boll. Mus. Zool. Anat. Comp., Torino, 1897, XII, N.
300, p. 18.
LS 518 aes
Ei, 19207V ODE ACENDE
42 + 20 manchas castanhas, orladas de preto, no
corpo e na cauda.
Leptodeira albofusca ( Lacépède )
Tres exemplares.
E. Wawa Se.
N. 1 (Ceara 21 QUE ( cauda mutilada )
ag» 21 202 269/89
3 2 Amazonas 21 189 2 91:91
On. 3 tema côr geral parda escura, e no
quinto anterior do corpo as manchas dorsaes fun-
dem-se em uma faixa negra que começa na nuca,
é recta no pescoço, e sinuosa atraz, antes de ser
substituida pelas manchas rômbicas do dorso. Este
exemplar tem um batrácio no estomago.
Gen. Pseupopoa Schneider
Pseudobou bilorquata ( Ginther)
O nome generico Oxyrhopus Wagler, 1830, é
mais recente que os de Clelia Witzinger 1821 e Pseu-
doboa Schneider, 1801. Stejneger! promove a divisão
dos ophidios deste grupo em dois generos, Cleha
para as especies que possuem subcandaes duplas e
Pseudoboa para as de subcaudaes inteiras. Parece-
me, seguindo Boulenger, preferivel admittir um só
genero para estes ophidios.
A collecção examinada possue um exemplar de
P. bitorquata, colleccionado no Brazil Septentrional
(Ceara? ), com as seguintes dimensões: Compr. to-
tal 495 mms. ; cauda 117 mm.
E Jee Ves 11 5. A) SEO
S supralabiaes, 4.º e 5." contiguas ao olho;. pre-
ocular em contacto com a frontal; internasaes muito
1. Proc US "Nec: Mus. 1901, XXIV Ni 4245 Daio
mais curtas que as prefrontaes; frontal täo larga
quanto longa, tão longa quanto a sua distancia da
rostral; nasal semidividida por uma fenda superior ;
frenal cerca de duas vezes mais longa que alta;
diametro do olho pouco menos de metade da sua
distancia da extremidade do focinho; 5 infralabiaes
em contacto com a mental anterior; 5.º e 6.º con-
tiguas à mental posterior que é tão longa quanto a
anterior.
O colorido é vermelho em cima, as extremi-
dades das escamas negras. (Cabeça negra em cima
até as parietaes, seguida de duas faixas transversaes
da mesma côr. a primeira mais larga. Parte in-
ferior do corpo uniforme, amarellada (em alcool)
apenas um pouco salpicado de pardo na metade
posterior da cauda.
Pseudoboa trigemina ( Duméril & Bibron )
Sete exemplares.
Hie cece | aCe
N. Ceará 19 180 1 60,60
» 19, 188 ud: 02/62
» 19 182 1 24/24 + 3 + 29/29
1 59/59
> 19, . TÓMO
: 19 182 1 56/56
; 19 184 1 62/62
+O Q,
{
2
3
4 » 19 188
D
6
q
O numero de anneis negros no corpo varia
nestes exemplares de 2 + 11X3a2+ 14X3. No
n. { as preoculares são separadas da frontal por
uma curta distancia; no n. 2 só a esquerda está
separada da frontal; nos demais exemplares estas
placas são contiguas.
Pseudoboa petolaria ( Linnuses)
Um exemplar do Amazonas.
Ei ESTE > (Andes) Sat97/9rersu-
pralabiaes ; preocular contigua 4 frontal. Com 1S
faixas transversaes negras, muito mais largas que
os espaços que as separam; cabeça negra até as
temporaes, a 6.º supralabial e quasi à extremidade
posterior das parietaes; à 12.º faixa ao nivel da
região anal. Comprimento total 488 mm. ; cauda 114.
Pseudoboa subinarginata (Peters )
Um exemplar do Amazonas, medindo 555 mm.
de comprimento, sendo 110 para a cauda.
Não pude consultar a descripção original desta
especie; a presente diagnose é baseada nas infor-
mações de Boulenger! sobre um especimen da Bo-
livia.
ESCONDER
8 supralabiaes, 8.º mais longa, 4.º e 5.º contiguas
ao olho; preoculares separadas do frontal; interna-
saes muito mais curtas que as prefrontaes; frontal
pouco mais longa que larga, approximadamente igual
à sua distancia da extremidade do focinho; nasal
semidividida ; frenal mais longa que alta ( 18: 1:09
1 preocular ; 2 postoculares; temporaes 2+8, 9
antero-inferior cuntigua à postocular inferior; a
infralabiaes em contacto com as mentaes, 4 com a
mental anterior; esta é tão longa quanto a poste-
rior.
O colorido é amarello avermelhado ( em alcool),
as extremidades das escamas manchadas de negro,
com indistinctas faixos mais escuras apenas perce-
ptiveis. Uma grande mancha negra sobre a cabeça
e o occiput, começando ao nivel dos olhos. Foci-
nho, supralabiaes e parte inferior amarellados.
Pseudoboa clalia ( Daudin )
Um exemplar jovem ( Ceará?)
Hip teeeeV. 230; , A Be eared
1. Ann. Mus. Civ. St. Nat. Genova, 1898 (2.º) XIX,
P° 130.
7 supralabiaes, 3.º e 4.º contiguas ao olho; frenal
pequena. Cabeça negra atê o bordo posterior da
orbita; uma grande mancha da mesma cor na nuca ;
parte superior do corpo e da cauda amarellada (em
alcool ), parte inferior uniforine.
Pseudoboa querin: (Duméril & Bibron )
Dois exemplares do Ceara.
Dee ayy us IV 20884 cA ES Se GO
ate 195 ARE (ee 82
No exemplar n. 1, a porção da rostral visivel
de cima é igual a 0,8 da sua distancia da frontal ;
no n. 2, é de 0,7. Os dois exemplares são negros
com manchas brancas irregulares.
Pseudoboa neuwredi ( Duméril & Bibron )
Um exemplar do Amazonas.
BS OMS O sANTALS ST
Porção da rostral visivel de cima cerca de 0,4 da
sua distancia da frontal; diametro do olho 1/5 da
sua distancia da extremidade do focinho. Colorido
vermelho em cima, as escamas com fina orla es-
cura; cabeça negra até ao nivel da extremidade
posterior da frontal, o occiput com um annel negro
incompleto ; entre estas manchas negras um annel
amarello. Parte inferior branca amarellada. Com-
primento total 437 mm.; cauda 79.
Gen. Psiropryas Wagler
Philodryas olfersi (Lichtenstein )
Tres exemplares do Ceará, de cor verde uni-
forme (var. reënhardti Gunther, 1862). Esta va-
riedade substitue a forma typica na zona septen-
trional da àrea de distribuição da especie.
——— 522 —-
E. V. A BSR
ig 19 197 2 109/101
2949 197 2 407107
Bitlet oth 183 2 143/148
Philodryas nattereri Steindachner
Um exemplar do Ceara, com 1325 mm. de
comprimento, sendo 915 para a cauda.
E. Bl CV ADO oe eae AR EE ed ET
Diametro do olho 23 da sua distancia da ex-
tremidade do focinho. Internazal pouco mais longa
que larga; frenal pouco mais longa que alta. Su-
pralabiaes 8, 4.*, o." contiguas ao olho, 7.4 muito
maior que a &.% De cada lado do corpo uma risca
negra sobre a 4.º série de escamas, mais distincta
adeante. Ventre roseo salpicado de pontos escuros
com uma risca negra de cada lado.
“sta especie muito pouco frequente nas colle-
cções dos museus tem, con tudo, não pequena área
de dispersão. O typo é de Matto Grosso, o Museu
Paulista possne exemplares da Bahia e de Minas
(reraes e o Instituto de Butantan tres jovens de
Pernambuco, além de nm grande exemplar do Ceara,
( Quixadã ) que foi recebido com o nome vulgar de
cobra corre-campo.
Gen. OxyBetis Wagler
Oxybelis argenteus ( Daudin )
Um exemplar do Amazonas, medindo 830 mm.
de comprimento; cauda 331 mm..
E Wo 20 ES CRE ie ee
6 supralabiaes, 4.º em contacto com o olho; frenal
ausente.
Colorido pardo claro, quasi branco nos lados,
com tres riscas longitudinaes azuladas, a dorsal oc-
cupa uma série de escamas; as lateraes extendem-se
atravéz dos olhos até a extremidade do focinho,
sendo mais larga nos lados da cabeça e do pescoço.
Ne Le
Embaixo amarellado com tres riscas longitudinaes,
verdes, sendo a mediana muito mais estreita e sub-
stituida na cauda e no pescoço por uma série de
pontos. Parte inferior da cabeca com um pontilhado
preto notavelmente symetrico.
Gen. TanTizza Baird & Girard
Tantilla inelanocephala ( Linnecus)
Um exemplar jovem, do Amazonas.
E do; OME iO pe ALC? dbSe "54/04
Gen. ApostToLEPIS Cope
Apostolepis cearensis Gomes!
O typo e mais tres exemplares desta especie,
todos do Ceará, estavam incluidos no primeiro lote
de ophidios recebidos, para determinação, do sr.
Dias da Rocha. Fazem parte actualmente da colle-
ecio do Instituto de Butantan o typo (N. 882) e
mais dois exemplares.
A. cearensis approxima-se de A. assimilis e
de A. coronatus pelo facto de apresentar uma só
supralabial em contacto com a parietal, mas facil-
mente se distingue dellas pela rostral, que se ex-
tende à superficie superior da cabeça, sendo a por-
ção visivel de cima quasi igual à sua distancia da
frontal. O numero de ventraes, 221-243, é ainda
nesta especie inferior ao de A. assimilis, onde va-
riava de 244-269, em 19 exemplares que tive occa-
siäo de examinar.
O colorido é vermelho em cima e branco em
baixo; cabeça negra com focinho amarello e uma
pequena mancha obliqua da mesma côr sobre a su-
tura da 3.º com a 4.º supralabiaes ; um colar ama-
1. Ann. Paulistas Med. Cir., 1915, IV, N. 6, p. 122, PL
HI, Fig. 4-8.
rello na nuca, limitado posteriormerte por uma
grande mancha negra. A cauda é negra no seu
1/4 posterior.
Bi vois s1Asmle tes
N. 1 g (Typo) 15 228 2 28/28
2 q 15 243 2 27,27
a 15 221 2 32/32
CURE 15 222 2 30/30
O maior exemplar (n. 1) mede 490 mm. de
comprimento, sendo 45 para a cauda.
Fam. Colubridæ
PROTEROGLYPHA
Gen. Erars Schneider
Elaps corallinus Wied
Um exemplar ( do Gearä ? ), com 14 + 3 anneis
negros quasi tão largos, alguns tão largos, quanto
os espaços que os separam.
E. 1534 Ma Sid Aves Berea ye
Elaps marcgraci Wied
Seis exemplares, provavelmente do Ceara.
E. Y. A. S Grupos de 3 anneis
negros
1.180282. 2.1, S828 10
EY À CR pe Ay TED 10
= DARE A ASA 10
à 15 234 2 25/95 9
5 15 224 2 O4/OA 10
Os exemplares ns. 1 e 5 apresentam no occiput
uma pequena mancha negra.
Elaps narducci Jan.
Um exemplar do Brazil Septentrional (Ceara ?)
E. 15: V. 287; A. 2; Se. 26
47 manchas amarelladas (em alcool) na parte
inferior do corpo. Temporaes 1 + 1.
Fam. Ambliycephalidw
Gen. Drpsas Laurenti
Dipsas indica Laurenti
Esta especie é mais geralmente conhecida pela
sua synonymia, D. bucephala ( Shaw ), devido pro-
vavelmente à indicação erronea a que induziria O
seu nome geographico; mas uma designação espe-
cifica não póde ser regeitada por impropriedade, de
accórdo com as regras de nomenclatura zoologica.
Seguindo o que já fizeram R. Ihering! e Serié? o
nome presente deve ser retomado.
Do's exemplares do Brazil Septentrional ( Cea-
ras):
RE o Nea AA ay Pe
9 supralabiaes, 4.*, 9.º e 6.º contiguas ao olho; as
infralabiaes dos dois primeiros pares em contacto
atraz da symphisial ; 3 pares de mentaes ; temporaes
2+ 2; 1 preocular acima da frenal.
N. 2. E. 13; Ventraes muito estragadas ;
eric ec. EO Et)
9 infralabiaes; 4.º, 0." e 6* contiguas ao olho à
direita e 4.º e 5.º à esquerda; as infralabiaes dos
dois primeiros pares em contracto atraz da symphi-
sial; 2 pares de mentaes; 1 preocular acima da
frenal.
Dipsas variegata ( Duméril et Bibron, 1854)
Synonimia * Leptognathus variegatus D. B.
Duméril e Bibron assignalam apenas os dentes ma-
1. Rev. Mus. Paulista, 1910, VIII, p. 336.
2. An. Mus. H. N. Buenos Aires, 1915, XXVII, p. 105.
— 526 —
xillares e mandibulares nos dois exemplares em que
basearam a sua descripção desta especie, e nenhum
autor do meu conhecimento se referiu posterior-
mente à sua dentição. No presente exemplar os
pterigoideos são desdentados como em Dipsas in-
dica, typo do genero, caracter que justifica a sua
transferencia do genero Cochliophagus ( Leptogna-
thus ). Mocquard registra a falta de dentes pteri-
goideos no dois especimens typos de Dipsas albi-
fr ons Sauvage, o que pude igualmente veriticar em
exemplares de Hansa e de Joinville, Estado de Santa
Catharina. D. endica, variegata e albifrons teem
2-4 primeiras infralabiaes em contacto com as do
outro lado atraz da symphisial, o que permitte, sem
o exame dos pterigoideos, distinguil-as ‘dos Cochlio-
phagus brazileiros.
Um exemplar do Ceará, com a extremidade da
cauda mutiada. Edo: Vo lido AC dE ate
+ n. Supralabiaes 9, 4.º e 5° à direita, e à es-
querda 4.º, 5.º e 6.º contiguas ao olho. Postocula-
res 3 à direita e 2 à esquerda.
Gen. CocaLiopHaGus Duméril & Bibron
Cochliophagus catesbyi ( Sentzen )
Berg! mostrou que o nome generico Leplogna-
thus Dum. & Bibr. 1853, pelo qual são mais conheci-
dos actualmente estes ophidios, deve ser regeitado como
homonimo de um genero de peixes ( Swaison, 1839 )
e de um genero de colepôter os ( Westwood, 1841 ).
A presente collecgio tem quatro exemplares
desta especie.
Ned «9 tora do) Eos Vo Le ke ieee
102/102. Supralabiaes 8 à direita, 4º. e 5.º contiguas
ao olho ; 94 esquerda, 5.2 e 6.º contiguas ao olho ; 2
preoculares, 2 postoculares. 20 + 11 manchas negras
orladas de claro, de cada lado da corpo e da cauda, as
7 primeiras soldadas na linha mediana com as cor-
1. Comunicaciones del Mus. Nac. de Buenos Aires,
1901, N. 8. 291.
respondentes do outro lado ; as anteriores formam an-
neis quasi completos. Compr. total 335 mm ; cauda 87.
No Amazanas.” E. 13; V. 182: A 1: Sa
89,89. Supralabizes 9,5." e 6.º contiguas ao olho à
direita e 4.º, 9." e 6.º à esquerda; 2 preoculares,
postoculares. 25 + 12 manchas negras orladas de
claro. as 7 primeiras soldadas com as correspondentes
do outro lado; as anteriores formam anneis quasi
completos. Compr. total 595 mm.; cauda 150.
Ra mimazonas, "E, tos Ve 192 AL:
70/70 + n. Supralabiaes 8, 4.º e 5.º RR ao
olho. 2 preoculares; 2 postoculares a direita, 1 a
esquerda. 21 + 8 manchas negras no corpo e na
cauda, cuja extremidade está mutilada. Comprimento
do corpo 413 mm.; cauda 124 + n.
RR o Minazonas. “EO tos Vo ISOS AS E:
Sc. 107/107. Supralabiaes 8, 4.º e 5.º contiguas ao
olho; 2 preoculares; 1 postocular; 1 pequena su-
bocular abaixo da preocular esquerda e outra abaixo
da postocular direita. 20 + 15 manchas negras de
cada lado do corpo e da cauda, as 7 primeiras con-
fluentes no dorso; as anteriores formam anneis
quasi completos.
Fam. Viperida
Gen. Lacnesis Daudin
Lachesis atrox ( Linnieus )
Seis exem plares, do Brazil Septentrional, tres
do Ceara ? ( 1, 2,3.) e tres do Amazonas ( 4, 9,6 ).
Ns. Be NG SK, Sc. Supralabiaes
tejov: 29 197. 1 Tente |
2 jov. 25 198 J 61/61 i
3 or 25 201 4 78/78 7
A Go 49674 60/60 E
See 195. 4 68/68 7
6 joue 390 1 60/60 7
En todos os exemplares, sobretudo nos jovens
o ventre é muito manchado de pardo-escuro. O n.
2 tem uma subcaudal inteira.
fn) La yandivg “ae ar ¢ sobe a fash
Ag aha Rays ME Oats, Lud) are ca? at
e ta | fo: nh he Bek: Whe OCA IE Soo
nl ft Ob. 261 4104 4 tb a or UT ;
Fat Gale X (MEME A Ce aham Mad H ma) Já np mie fh
sh eshelso, 261096) FONCIA Ge ear ehooo todas
ation OUI RÉ Me GR ensaios BLOOM LIN EM esate
LEG, ZA al émet: 2610 cubra ao slags SUD à
Gh, ois > TURC % PEUT LE
Mt re SE WTA EI o 108 Owe ahs ett Re ies A
OE ui ni #4 a ae deleta pe (NOR
<a
(e Bhontu 6 soashesomon Se. 29°16! 1 NOVI E,
À qi 7 if 4 ea , est PMI oe Ta 1 abri pra
à Party} e 1464 HU Pac sf hats A&M Bet «Das
a CATE NT DE ETS tel
i ASUUXAOLE, qu sf VA E
, | IR fete tu ay) TON: sa
i closetzact” E + restnhindga # EE “ont oe
J gi anhes iai PE] FEAT pu sales oa ae
PE TIS °C th sito ih agido Oia
oran 7 280 RUS), abra 04109 0 Chal Ree
€ . À ELO si raids HAVE
201% Ev p 5
s * + a ¢ oe 4
Ms TOG ev FER
E 4 f ad o
4 Aa! CA 41 4 br
i : bit
ert | NT mara sre
| et
|
4 ; á tit? 11 14 ‘ > | ET Ger
Tr p a of
ste ‘ = FOL
| i ' ty ee AO!
f
7 i “~<a { A
> pied à LS + E NOK
« E iv) & FE -
MOA (tj Este. ELU
: ; ' 2()5 AG
‘ tai ri) Gt Gs,
nee Lori yrho ES" En br ro di
‘Mies-orieg of ora! Diya O lago, a Re:
ink lehupidus sels, Woes
ENSAIO DE GRAMMATICA KAINJGANG
POR
FRET MANSUETO BARCATIA DE VALFLORIANA
Missionario da Ordem dos Capuchinhos
PREFACAO
Deveres de gratidão, necessidade de explicar-me com
meus eventuaes leitores obrigam-me a pôr no frontespicio
desta despretenciosa obrinha algumas palavras de prologo.
Compilando este livro, não era meu pensamento tornal-o
publico: devia permanecer. para evitar despesas, a mim
impossiveis, em estado de mauuscripto e, acaso algum dia
reproduzido, em beneficio das Missões. As disposições de
Deus, porém, nem sempre são identicas às do homem. E' o
que se deu commigo.
Tendo mostrado meus manuscriptos ao Ilmo Sr. Dr.
Gentil de Assis Moura, dignissimo Membro e ornamento do
Instituto Historico de São Paulo, o nobre cavalheiro me fez
observar que seria cousa grata ä sua douta Corporação
acceitar o eventual pedido que eu lhe fizesse, para a publi-
cação de minha obra. O meu nobre amigo ainda, se pôz
à minha disposição para endereçar o pedido a illustrada
corporação. E” inutil dizerse vacillei em acceitar, penhora-
do e alegre, similhante e caridosa proposta. Em tempo op-
portuno encaminhou o I1.Ӽ Amigo o pedido, que com muito
gosto foi deferido favoravelmente. A noticia de tão subido
favor, como é facil comprehender, encheu-me de alegria e
reconhecimento; penhpradissimo envio os meus agradeci-
mentos à eminente Associação.
Assim como por intermedio do Dr. Moura soubéra da
probabilidade de obter o que obrive, soube depois do Rev.™°
Wolfang Kretz O. S. B., da possibilidade com que poderia
alcançar identico favor do Instituto Historico Brazileiro, of-
ferecendo-se o digno Religioso a fazer em tempo opportuno
e por mim analogo pedido. Acceitei condicionalmente e pe-
nhoradissimo a proposta, caso não surtisse effeito a primeira
combinação. Como porém esta ultima hypothese não se ve-
rificasse. dispensando o digno Religioso do compromisso con-
trahido, agradeço-lhe penhorado. Agora cumpre-me decla-
rar o motivo pelo qual preferi um offerecimento de São
Paulo. Foi o ter sabido que iria fazer cousa grata ao Go-
verno e ao povo paulista, principalmente o desejo de demon-
strar gratidão áquelle Governo pelo valioso auxilio que, nestes
ultimos annos concedeu à (Ordem dos Capuchinhos deste Es-
tado, nos tentamens que ella fez de evangelizar os indige-
nas do seu territorio a qual, se não logrou maiores resul-
tados, não se deve aos meus Irmãos de Ordem, que com ardor
e zelo verdadeiramente apostólicos se entregaram corpo e
alma à nobre e santa empresa, mas a outras causas inde—
pendentes da sua vontade. Elles, com effeito, supportaram
indiziveis privações e provações, sujeitiram-se a duros e
rudes trabalhos, soffreram em sua saúde as consequencias do
pestifero clima das varias localidades em que se estabelece-
ram sem que até esta hora se tenham restabelecido de todo,
havendo um deles, o saudoso Fr. Seraphim de Piracicaba
perdido a vida, victima do cumprimento de um dever de
caridade.
Não são tão sómente as pessôas mencionadas as que
têm titulos de paternidade sobre esse livrinho: ainda as ha
que pelos conselhos, os favores ou o trabalho, não pouco me
ajudaram na confecção da obra. Agradeço ao Ill.”º Senhor
Coronel Telemaco Morosini Borba que me fez presente de
um exemplar da sua obra volumosa « Actualidade Indigena »,
na qual ao lado de outras e importantes noticias sobre os
nossos Indigenas, ha tambem um Diccionario de vocabulos
Kaingáng. Analogo agradecimento merece o meu irmão de
Habito, o Rev."° Fr. Daniel de Santa Maria por me ter dei-
xado dispôr de um seu Diccion ario kaingáng dos Indios deste
Estado, por elle compilado em Campos Novos do Parana-
panema. Pelo mesmo motivo agradeço ao Jl.”º Sr. Alonso
Junqueira, de cuja amizade muito me prezo, e o Rev.Ӽ
Padre Alexandre Grigolli, dignissimo Superior dos Padres
Estigmatinos, por me terem fornecido colleeções de termos
Kainjgang.
Ha ainda outra cathegoria de Auxiliares a quem devo
agradecimentos e gratidão ; sobretudo ao Ex.”” e Rev."° Bispo
de Taubaté, Dom Epaminondas Nunes d'Avila e Silva, os
meus muito amados Superiores da Ordem, os meus Irmãos
de Habito, o Rev.Ӽ Padre Victorino Ferreira, muito digno
Reitor do Seminario de Taubaté, o Rev.”º Padre Carolino
de Menezes, o Veneravel Clerigo Annibal Gravina. A todos
recompense Nosso Senhor o valioso concurso que prestáram
à minha obra.
Agora duas palavras aos meus eventuaes futuros lei-
tores. (Quem sabe não encontrem talvez este livro a seu
gosto? Talvez por achal-o muito longe de ser completo ?
Reconheço e lamento mais que todos similhante imperfei-
ção; comtudo, creio, medeia muita differença entre não ser
perfeita a obra e ser inutil. Apezar de tudo, parece-me
que dê idéa completa da indole e da feição da lingua, além
do que julgo ainda será não só de grande utilidade imme-
diata para quem tiver de praticar com os Indios, como tam--
bem quem a houver estudado devidamente, terá feito grande
percurso no seu dificil apprendizado, encontrando muito en-
curtado o caminho para attingir 4 méta.
Seja como for, desejára eu ardentemente servir os curiosos
da ethnographia brazileira melhor do que os servi, fiquem,
rari PE Siew
porém, todos sabendo que o que fiz me custou näo poucos
esforços e trabalhos.
A maior parte da materia reunida para este livro
consta de vocabulos por mim colligidos de viva voz dos In—
dios mansos; o contacto porém que com elles podia ter não
era tão frequente quanto necessário para realizar obra mais
completa. Os Indios são mestres que têm muitas qualidades
negativas para ensinar. Os meus mestres kaijngâng eram
de desenvolvimento intellectual apoucado, escasso o seu co-
nhecimento do Portuguez, de fórma que frequentemente ou
não me entendiam ou tomavam uma cousa por outra. E”
necessario portanto ter varios dados comparativos para tirar
conclusões certas. Perdôe o benigno leitor a dificuldade da
empresa, si o não pude servir melhor.
Antes de acabar este prologo, seja-me permittido dar
um conselho. E” preciso, para colher maior fructo no estudo
desta obra, servir-se constantemente e sempre que se compul-
se, qualquer dos dois Diccionarios do outro Diccionario
correspondente. (1) Por exemplo: procure-se, depois de ter
encontrado um vocabulo na parte portugueza — kaingang,
a palavra correspondente na kaijgâng — portugueza, afim de
melhor comprehender os varios sentidos que tem o vocabulo
afim de que cada accepção fique melhor determinada.
Em tempo. Por conveniencia da publicação decidi que
meu trabalho em logar de ser editado pelo Instituto His-
torico de São Paulo, o fosse pela Revista do Museu Paulista,
depois da autorisação e imprimatur do meu superior o Rev.
Commissario Provincial. O actual Director do Museu. ani-
mado da melhor bôa vontade, forneceu-me valiosos elemen-
tos para o estudo do Kaijgáng, como as memorias publica-
das na Revista e a de seu illustre Pae, o glorioso militar e
escriptor Visconde de Taunay.
Mu itoreconhevido agradeço taes obsequios ao Dr. Af-
fonso d’Escragnolle Taunay. Conceda-lhe Nosso Senhor a
merecida recompensa.
Fret Mansueto BARCATTA DE VAL FLORIANA.
S. Paulo, maio de 1918.
(1) Por falta de espaço os diccionarios da autoria do Rev. Fr. Mansueto
deverão apparecer no tomo XI da Revista (N. da Red.
ABREVIATURAS
Subs. : — Substantivo.
Adj. : — Adjectivo.
Imper.: — Imperativo.
Sing. : — Sivgular.
Plon —selorale
Resp. : — Resposta.
Ex. : — Exemplo, por exemplo.
Adv. : — Adverbio.
Posp.: —- Posposição.
Inter. : — Interjeição.
PRIMEIRA SECÇÃO — ORTOEPIA
CAPITULO I — PRONUNCIA
S 2. Alphabeto hangang
No Kaingangse podem exprimir todos os sons
pelas letras seguintes A, B, K, D, E, F, G (que
sempre se pronuncia guttural) H, 1,J, L, M, N,
CRER bee ASSES (JS Vo
S 2. Sons das Vogaes
1. A vogal À tem o mesmo valor que em por-
tuguez, e bem assim as vogaes E, 1 — A vogal
A com trema sobreposto tem nm valor médio entre
Ae E.
2. A vogal O tem tres sons: dois como em
Portuguez e um egual ao Eu francez em bleu com
a differença que em Iaigâng pronuncia-se fechado.
Ex. : Fuóre, pelle. Nos designamos este som, sobre-
pondo ao O um trema. ;
3. A vogal U sôa como em Portuguez, e às
vezes como em francez. Indicamos este ultimo som
sobrepondo um trema. Ex.: Vüire: Elle foi, elle
andon. Pelo facto de pronunciar-se o O com trema
fechado, pouco differera o O e o U com trema; e
por isso nesta memoria os usaremos promiscua-
mente um pelo outro. Os sons fecliados de E e de
O são designados pelo accento circumtiexo ; os sons
abertos pelo agudo e grave. Caso a palavra não
traga outro accento, além do trema, do agudo, etc.
entende-se que o accento se encontra na syllaba as-
sim accentada. Si, apezar de tudo isso, o accento
fica duvidoso, designar-se-4 a syllaba dominante com
differentes caractères. Ex.: Erê, campo. Neste vo-
cabulo o primeiro E é aberto por ser marcado com
o accento grave, e pela mesma razão não constitue
a syllaba dominante.
— 536 —
S 3. Sons das Consôantes
Observação geral. Cumpre notar que os Kaij-
gang costumam pronunciar as palavras fanhosamente.
Porém, como em toda parte, ha tambem entre elles
individuos que por defeito physico dos orgãos na-
saes. não o podem fazer, signal que esta não é
condição essencial da pronuncia da lingua.
Cimtudo este facto produz consequencias tão
importantes, que não se podem deixar de esclarecer,
como apparecera das seguintes explicaçõês.
1. As Consoantes B. D. G. T. pronunciam-se,
com especialidade em principio de palavra, como
fossem mb, nd, ng, nt; antes em vez de mb, etc.,
pronuncia-se às vezes só o M. Exempios :
1. Ma em logar de ba, mba: receber, trazer
parir, carregar, etc.
2. Kron hôtitinti: Elle precisa muito de beber,
tem muita sede-nti, em vez de ti: elle. Por motivo
desta nazalidade, se prepõe às vezes à palavra, a
prothese E ou A. Ex.: engôio, em vez de gõio.
Antonini, carne. Engára, milho, em vez de gára.
- Engire, em vez de gire, menino
2. A letra G pronuncia-se sempre guttural-
mente, como em guerra. Ex.: Kafè ge: Apanhar
café.
3. A letra IH pronuncia-se sempre aspirada ao
modo dos Allemães. Ha,
4. O grupo GH ete se como o grupo
Ch des Allemães na palavra ICH, eu. Ex.: Biiongh,
grande.
o. A letra J é sempre pronunciada nazalada-
mente com o Y hispanhól (entre I e J). Porêm,
os que como, acima dissemos, não pcdem falar fa-
nhosamente, a pronunviam como em Portuguez.
Ex. : Jengrá, levantar-se.
6. <A letra R. precedida na palavra pela vogal
E, deve-se pronunciar nazalada. Nunca tem a pro-
nuncia forte do Portuguez. Approxima-se algo 4
pronuncia do D. Ex.: Aere, ferrão.
ie à AE
7. O som de X é sempre o de Ch chiante,
como na nossa palavra chegar. Ex.: Xavangro :
Minha garganta-x, minha.
8. ON em fim de syllaba é nazal como em
Y
Portuguez. Ex.: Gakén: Cova. De vez em quando
exprimiremos a nazalidade das letras com o signal
til (+) ou em outro signal orthographico sobre-
posto à letra em questão. (=)
CAPITULO II — ACCENTOS
A maioria dos vocabulos kaijgáng: são agudos.
Podem porém às vezes, ter o accento na penultima
syllaba ou na antepenultima. Ex.: Kané: Otho. —
Kronera, bebe tu.
SEGUNDA SECCAO — ORTHOGRAPHIA
CAPITULO 1— PERMUTA DE LETTRAS
Permuta das vogaes
a O A. sas vezesvse muda em E. Ex.: Kan-
gati se muda em kangati: Elle doente? Kaijgang
em Kaijgiing.
dm Mo A Tás vezesse muda em U Ex. > Bua-
tkantin, carregar, em vez de bakantin. Diz-se tam-
bem vuetkantin, buetkantin.
3. O E. ds vezes se transforma em A. Ex.:
1-Emá, povoação, precedida de j, transforma-se em
jamä, minha villa-j, meu, minha-2-Epângh roça; ja-
pangh, minha roça-5-Eixmä se transforma em aixma,
para mim-ma, para.
4. O 1. 4s vezes se transforma em E. Ex.:
Kura ôn ki: Noutro dia; transforma-se em Kuräôn
ke — kurá, dia-ôn, outro, ki, outro. Outras vezes
se muda em U. ou O. Huri se muda em húru, huro,
quando se colloca antes do verbo ao que se refere.
Ex.: Ix jogn húru had ti: Meu pai já sarou had,
sarar-ti, elle.
9. O O. às vezes muda-se em. A. Ex.: Pó,
pedra, às vezes muda-se em pan. Fon, encher, em fan.
Te eee
A’s vezes muda-se em E. Ex. : Tado, relampage :
muda-se em tâde. Afinal às vezes muda-se em U.
Ex.: Jon, brabo; se transforma em jun.
O U. transforma-se às vezes em O. Ex.: Kokä
em vez de kuká, osso.
§ 2.º Permuta de consoúntes
1. Usa-se às vezes a letitra M. em logar da
lettra B. Exemplos-1-Ma, receber, em logar de ba
2-Mréne, cinza, em logar de .bréne.
2. Em lugar de K. usa-se ds, vezes a lettra G.
Exemplos-!-Kurán gémo: Quero costurar ; em logar
de kuran kémo-2-Koi go ix: Eu como jaca. Go
em logar de ko, comer.
3. Em logar de D. usa-se as vezes a lettra J.
Kajére, liso, em logar de kadere. Ao contrario às
vezes em logar de J. usa-se a lettre D. Exemplos :
Id pron: Minha mulher; em lugar de ij pron.
4. Em logar de D. R.; usa-se ds vezes o N.
Exemplos: Fodn e fóren, atirar, se transfôórmam em
fon, fone.
9. I*. ds vezes se muda em V. Exemplo: To-
kfin, amarrar se transforma em togvin e este em
toguin, tokuin. Pelo contrario o V. às vezes se
transforma em F. Vogn. p. ou em fogn, judiar.
6. Para maior harmonia, o N. às vezes se
transforma em T. e em D. Exemplos: Krôd, beber,
em logar de krôn. Butru de: Está brotando, em
de büru ne-ne, está. O R. às vezes se transforma
em D. Kud, correr, fazer uma cousa depressa; em
vez de kur.
mm
i. OL. eo R. especialmente em principio de
palavra se permutam uma noutra. Exemplo: Rai-
ranha, trabalhar, muda-se em lairänha.
S. O V. muito frequentemente se muda em U.
(vide 5). Exemplo: Vin, fallar, transforma-se em
u/n.
9. O R. às vezes se muda em T. Exemplo:
Pur, mergulbar, se muda em put.
10. O T. às vezes se muda em X. Exemplos:
1-Veijiok/inja, correia, muda-se em veinxogfinja-2-
Tógmo, estou, muda-se em xógmo.
11. ON. ás vezes se muda em X. Ti prox ke:
Elle está em vespera de casar, em logar de ti prôn ke.
Com as lettras M. ou U. cordadas com o til,
designa-se um som que se obtem pronunciando fa-
nhosamente e isoladas de toda vogal as distinctas
lettras M. U. Exemplo: Maitka, pronuncia-se como
fosse escripto m-ditka, uaitka.
CAPITULO II — METAPLASMOS
Artigo Primeiro — Addicção de letiras
S 1. Prothese
1. No principio do periodo — e tambem às ve-
zes no começo das palavras collocadas no meio da phra-
se,... — muitas vezes se accrescenta um A. Exemplo :
Ain ra ix tin ge: Eu pretendo ir em casa-in, casa-
ra, para-ge, pretendo.
2. Outras lettras se antepõem às palavras por
harmonia. Exemplos: t-Exaxti pejú je: Elle rouba
de mim-ex, de mim ax, prothese-ti, elle-pejú rou-
bando-je, esta-2-lx akron ne: Eu estou bebendo ; em
vez de ix króre-3-Fin in: Casa della, em vez de fi
in-fi, della-4-Dji, em lugar de ji: ao longe.
4
2. Epenthese
A's vezes no meio da palavra se intercala outra
palavra ou letra Ex.: %i kato fi te: Elle a encon-
trou; em vem de dizer Fi katóte ti-f, ella-katóte,
katôite : encontrou-ti, elle-2-Fuä, perna, chorar, en-
cher; em vez de dizer fa, fan.
S 3. Paragoge
Exemplo de paragoge: Kotxine, filho; em vez
de kotxi, kotxin.
— 540 —
Nota. No nosso Diccionario estas tres figuras
de augmento. são às vezes designadas com a de-
nominação de Connectivos.
Artigo Segundo — Diminurgdo de lettras
A diminuição de lettras se faz no principio pela
apherese, no meio pela syncope, no fim pela apocope.
S 1. Aphérese
Exemplos — 1.º Ran, sol; em vez de Aran — 2
— Reneré, irmão, em vez de alengrê: irmão, com-
panheiro, amigo — 3 — Re, campo; em logar de
are, erê.
2. Syncope
UM
Exemplo. Andéto, ânto: aonde; em vez de
déto,
S 3. Apócope
Exemplo. Nin, mão; em vez de ningé. —
ningé, dedos das mãos; em vez de ningé féie. —
Kar. depois, tudo; em vez de kära —. Gôi, agua,
em logar de gôio —. Hul, hur; em lugar de büri.
APPENDICE
Melathese
Em vez de agn, usa-se tambem ag, ang. —
Em vez de buéghn, se diz tambem buôngh. — Em
vez de jógn, pai; se diz tambem jong, etc.
TERCEIRA SECÇÃO MORPHOLOGIA
CAPITULO I — PARTE DO DISCURSO
im Kaïjgarg não se usa o artigo: Às ou-
tras partes do discurso são como em Portuguez.
FM
CAPITULO II — SUBSTANTIVO
Primeiro Genero dos Nomes
UN
1.0 Só têm genero em Kaijgang os nomes de
animaes e de individuos humanos. O genero se in-
dica não pela terminação dos substantivos ; mas fa-
zendo seguir ao nome, um pronome pessoal de ge-
nero masculino para indicar o masculino, e do ge-
nero feminino para indicar o feminino. Exemplo :
Kambé ti: Veado macho — ti, elle. — Kambé fi:
Veado femea — fi, ella — Kambé ag: Veados ma-
chos — ag, elles. — Kambé fag: veadcs femeas.
2.º Exprime-se tambem o genero dos nomes
em questão, fazendo seguir a elles as ee gre,
macho, e tantô, femea. — Exempios : Kambé gre
(gra): Veado macho. — Kambé ontantô : Veado fe-
mea. Para indicar o plural deve-se neste caso por
depois de gré, etc., os: pronomes pessoaes ag, fag.
Exemplos: Kambe gra ag: Veados machos. —
Kambé ontantô fag: Veados fêmeas.
2.º Os ditos pronomes às vezes se accrescen-
tam ao nome de seres animados ou inanimados,
tambem quando poderiam parecer supérfluos. Aos
ultimos destes nomes usa-se accrescentar 0 prono-
me masculino. Ex.: Ix jógn kantinti : Meu pai (ti)
vem elle.
S 2. Numero dos Nomes
1.º Accrescentämos aqui ao que dissemos do
numero dos nomes no paragrapho antecedente, que
o plural se pode fazer tambem repetindo duas vezes
a palavra a que se quer designe o plural, ou tam-
bem uma sua syllaba, e exactamente a ultima: As-
sim duplica-se não sómente o substantivo, mas tam-
bem o adjectivo e o verbo. Ex.: Pipir étiti : Pou-
quissimo — de pire, pouco, um só.
2.º Os pronomes ti, ag, fag significam tam-
bem : homem, mulher, homens mulheres.
—» 542 —
3.0 A particula VEIN, VEIJ serve para trans-
formar em substantivo qualquer parte do discurso.
Exemplo: Ti veinlairäi kajám: Comprar, pagar o
trabalho de alguem—ti, delle—veinlairäi, trabalho—
kanjäm, comprar. Aqui o verbo lairai foi trans-
formado em nome com a particula véin.
S 3. Complemento dos Nomes
Vejam-se as regras da collocação das palavras
na syntaxe, e as das posposições na morphologia.
S 4. Substantivos Collectivos
Exemplo. Kaïjgarg tin kan, muixka ra ix tin
ke to ne: por andar os Kaijang, eu não posso ( não
quero ) ir para o matto-kan, por-ra, para-ke : posso,
quero.
So. Graus dos Nomes
1. O diminutivo pdde-se fazer pospondo ao
nome as palavras xi, xire, kanxire. — Exemplos ; Gire
xi: Meninozinho — 2 — gara kanxire : Milho miudo,
arroz — 3 — Tôtangh xi: Meninazinha.
2. O augmentativo se faz accresrentando a
palavra buôngh. Exemplos — Gire buôngh : menino
grande — 2 — Ungré buôngh: homem grande.
S 6. Formação dos Nomes
Conforme ja foi falado neste capitulo (§ 2,1),
o prefixo vêin serve para transformar qualquer parte
da oração em substantivo — 1 — Véin ôn ve E
mentira. — On, mentira — ve, é — 2 — Veinpeju, la-
dräo. A mesma fneçäo é exercida tambem pelo
suffixo A. Ex.: Pejüä, ladrão — peiú, roubar.
CAPITULO IT. — ADJECTIVOS
Artigo Primeiro. Adjeclivos Indicativos
1. Demonstrativos. 1— Tag: Este, esta — 2
— Tan, éne: Aquelle -- aquella, —3— Ha: O mesmo
a mesma. Ex.: Tan déto ni? Onde estä aquelle ?
a. dieu
ao Onantitatives,: “a )- | Determinados == a=
Pire, tavin: um só 2. Kara, kangrá-kan : tudo;
toda; todas — S— ôn... ton: ninguem, — Ex.:
Aôn ma ton: Não tem mais ninguem — a, prothese
ma, mais. — On ve: Differente — 6m, outro-ve, é.
b) Indeterminados — 1 — On, ot: Algum, al-
guns. algumas — 2 — Denúm : alguma cousa-de,
cousa-um, algum — 2 — Ag One, fagône: Aiguns
homens, algumas mulheres-ag, elles, homens fag:
ellas, mulheres — 3 — E, ati, étiti, ititi: Muitos,
muitissimos-titi é terminação do Superlativo. Mui-
lissimo póde-se tambem traduzir com korég. Ex.:
Gára korég : Muitissino milho.
c) Vide os pronomes.
Artigo Segundo. Adjectivos Qualificativos
Alguns adjectivos qualificativos se formam ac-
crescentando a modo de suflixos, as palavras kemä,
ema, a outras palavras : neste caso elles significam o
gosto, o vicio, a boa ou ma inclinação que tem
uma pessoa, um animal, um bicho, em fazer alguma
cousa. Ex.: Jôn kemä ne ti: O homem é inclinado
4 raiva — Jon, irado, ti, elle.
Ao contrário a palavra váix, javáix, que não se
usa como suffixo, significa aversão desgosto, vontade
contraria. Ex.: Jôn váix ti: Elle não quer ficar
irado, é manço.
A terminação ma dá ao adjectivo às vezes um
sentido miu. Ex. — 1 Denemá, urutú-dêne, animal,
bicho — 2 — Jônmá malvado, jon, irado.
S 2. Adjechvos Diminutivos e Augmentativos
Os adjectivos não têm genero nem numero.
O diminutivo se faz com o sufixo xin.
S 3. Gráus dos Adjectivos
1. O comparativo se faz com as particulas
far, for, fóre: mais, mais. Ex.: José é mais forte
do que sua mulher. José anprôn kri tára känti
Beek aes
fórem-anprôn kri, do que sua mulher-an, prothese-
pron, mulher-kri, do que-tára, forte-känti, e-fóren,
mais.
2. Porém, afim de significar que alguem é
melhor em bondade, procéde se do modo seguinte,
conforme o ensina este exemplo: José à melhor do
que sua mulher: Fi kri José tampri käne-fi kri:
do que ella-tampri, superior, melhor-kane, kene,
kène. kânti: E.
3. Faz-se tambem o comparativo cem o ad-
verbio pânte, mais Ex.: Ka tan téje je, hára on tan
téje pante kanje « Aquelle pau é alto, mas aquelle
outro é mais alto » — ka, pau— tan, aquelle — je, é
— hára, mas — on, tan aquelle outra — kanje, está.
O superlativo se faz accrescentando os suffixos
e, ti, étiti, ti, ititi angu, eti, hd. Exs.: I— Teje hô:
Muito alto, 2— Arán angu: muito quente — aran,
quente — 3. Ex.: Ex man hôtiti: Eu estou muito
contente, satisfeito; 4 — Kofüititi, pesadissimo.
O superlativo se faz tambem com a palavra ma.
‘Ex.: Kofa ma ve — E” pesadissimo.
S 4, Avulsos
Os adjectivos não têm genero nem numero.
Os adverbios deveras, de tudo, se traduzem
com adverbio tavin. Ex : — Ha tavin: Deveras
bom! 2— Xin tavin: Deveras bonito!
A palavra Hô significa tambem alto.
CAPITULO IV — NUMERAES
1. Acerca dos numeraes, ha Kaingangs que
dizem existirem só quatro, ou quando muito, cinco
numeros na sua lingua. Conforme os primeiros, 0
numero cinco se exprime nesta fórma: Veinkangra
on kafänte — veinkangrá — quatro — ôn, outro —
kafin, além — teem. Os ultimos ao contrario o ex-
primem com a palavra patekla — patekrá, petkara
— pet, um, kara, tudo; a saber: uma mão inteira
com os cinco dedos.
unies
Rd 7
2. Outros Kaingang dizem que chegam até o
numero nove; outros que chegam até vinte, e ou-
tros até cincoenta. Os que dizem que só chegam a
vinte, ensinam que a numeração superior a este nu-
mero se faz pelo quantitativo ititi, muitissimo.
Considerada a cousa sob diverso ponto de vistas
parece que todos têm razão. A numeração até qua-
tro ou quando mais até cinco seria a radical, a mais
commum, a base das numerações superiores; a su-
perior constaria da numeração radical e de outros
vocabulos com os quaes se indica que se faz a nu-
meração superior com calculos de mão.
2. Conforme estes criterios, eis aqui o elenco
dos varios modos pelos quaes se exprimem os nu-
meraes.
{. Pir, pire, pit-pet: um, uma; pouco, pouca,
poucos, poucas.
3. Taktôn, tres.
4 Kangra, veinkangrá, quatro.
D. Ningé petkára, kangra on kafante, patekra,
patekla, petkära : cinco — ningé, mão — ningé féje,
os dedos das mãos — pet, um — kar, tudo.
6 Ningé ( ningé fégie pire) On kanje, ninga ut
pire, ontauét piri, Ix ningé féie ôn kanje: seis —
On, outro, um — känje, esta — ut, outro (0 mesmo
que On, un) onta — da outra, subentendido mäo—ui-
tpiri, veitpiri, um. A saber: a mão inteira, mais
um dedo da outra mão — ix, meu, minha.
7 On tauit alengré, ix ningé féje kara ut
aleneré, ningé ônta ôn: sete. Note-se, por inciden-
cia, que em Kajgäng não ha conjuncção copulativa.
8. On tauit taktôn, veinkangrá veinkangra,
éix ningé kara ut taktôn : oito.
9. On tauit veinkangrä, éix ningé kara ut
veinkangrä ; nove.
10. Ix ningé ôn tauit, ix ningé veikritôn fi,
ix ning’ ut pateklá, ix ninhè féie nt pateklä: dez.
11. Ix ningé ut veitkritôn du pire, ix ningé
ontauit pire: onze.
12. Ix ningé ôntauit alengré, ix ningé vet
krit ôn alengre : doze.
AN Er
13. Ix ningé, etc. (como em doze), taktôn,
veiukangrä, patekla ou tambem petkara: treze, qua-
torze, quinze.
14. Ix ningé ôntauit petkära ut piri: dezeseis.
15. Ix ningé ôntauit petkära ut alengré, ut
taktôn, ut veinkangrä: dezesete, dezoito, dezenove.
16. Ix ningé ontauit fi alengré: vinte — fi,
posto — alengré duas vezes.
17. Ix ningé ôntauit fi taktôr, veinkangrá,
petkära : trinta, quarenta, cincoenta.
Exercicios: 1 — Nos dois: En alengré — en,
nos 2— Azx je: Somos dois — a. Voce — ix, eu —
je, somos 3 — ti ix bre je: Elle está commigo —
ti, elle,o bomem — je. esta — 4, kurán takton kara,
tin ti; Elle vai embora depois de tres dias, — ku-
rin, dia — kara, depois — 5 — Taktôixti : tres vezes.
Nora. Os numeros ordinaes se exprimem
com os cardinaes,
CAPITULO V — PRONOMES
S 1. Pronomes Pesséaes e Possessivos
Eu, meu, minha: Ix, ig, id, xe — ixôn, xa — ix.
Tu; teu; tua: “A, áma, an, aton:
Elle, ‘si, seu : Ti, te, titôn.
Willa; ‘si; sua > Pa
Nos, nosso, nossa: En, éin.
Vos, vosso, vossa: Aia, die, aiang, ag hânde.
Elles, si, seus: Ag, atôn agton.
Ellas, si, suas: Fag, fagtôn.
Exercicios. 1.—Ix an ke hé ve: Eu digo a
verdade — an. connectivo — ke, digo — hô, verdade
— ve. 2—ljo veinkrenôje: Eu faço a carpa —
ij, eu — o, connectivo.
OBSERVACOES
1. A’s vezes depois do nome na mesma pos-
posição se põe o pronome pessoal que indica o
mesmo nome. Ex.: Ti kotxine ti tére: O filho de
Fulano de tal morreu-ti de Fulano de Tal-tére, morreu.
eeecie 7 Qu
Kaimbära ag kofa ne: Logo se fica velho — kaim-
bara, logo — kofa, velho, ne, fica.
3. As expressões: Doe-me a cabeça, doe-me
o ventre e similhantes se traduzem como fossem
expressas deste modo: Dôe minha cabeça, meu ven-
tre: Ex.: Ix krin kangáti: Minha cabeça doente
ella — Ix dun kangáti: Meu ventre doente elle.
S 2. Pronomes Relativos ou Conjunctivos
As expressões aquelle que, aquella que, aquillo
que se traduzem dos seguintes modos. —! — A mu-
lher cujo marido-morreu, esta doente: On ben tére
huri, kangä ti fi — dn, daquella que—bem, marido-
tére, morreu-huri, ja: indica tempo passado-fi, mu-
lher-2-Ti tan jon je, nôromo : Aquelle que esta zan-
cado, agora dorme—ti tan, aquelle que — jon, brabo,
je—esta, noromo, dorme agora-3, — Atän ke x, hat ti
ke: Faça elle o que eudigo—a tan, aquillo que-x
eu-ha, voz de mando—ke, faga-4—Atan ke ix, hi de ve:
O que digo. é verdade— hi; bom; verdade — ve, é,
o—Hi hôó ti ôn e kaixká na tim: Feliz quem vai
para o ceu! — Hi! oh! ho feliz — ti, — muito one,
quem — kaixká, ceu—ra, para, tim, vou.
2. Fora destes, termos não ha expressões par-
ticulares para indicar o Pronome Relativo. Exem-
plos. Iankä dôro ve ix: vejoa porta aberta—ix, eu
2 Ti— jan vankangä, hura had: A mai de Fulano de
Tal, que estava doente, já sarou — jan—mai—vankan-
gà, que estava doente — hüru, já —hadn, esta bom—3
José kavarú kri ni, kantéremo : José que estava a ca-
vallo, está agora apeando — kri, no — ni, que es-
tava sentado — kantéremo, apeia agora.
S 3. Pronome Quantitatiro
1. On, ôt; um, algum, alguma; outro, outra.
2. Kan, kara, gré. Tudo, toda ( gra).
3. On ag kan: Todos os outros — 6n ag, os
outros — kan, todos (em Latim caeteri, caetereae,
caetera ).
ai aa
2. O pronome pessoal indefinito traduz-se em
Kaingáng com o pronome ag: elles, gente. Ex.:
4. Dêt, de toda qualidade. Ex.: Det kanxire
kre: Plantas de toda qualidade pequena — kanxire,
pequena
S 4. Pronomes Interrogativos
1. On? Quem? de quem? — 1 — On pén ne?
De quem é a pegada — pén, pegada — ne, é
2. Dê? Que cousa? Exmán de ve je ti? O
que é que elle me está monstrando ? — exmän, para
mim — ve, mostrar, je, está ti, elle.
S o. Pronomes Reciprocos
1. Jágne: um a outro. Ex.: Jágne bre kün-
gré: Brigar um com outro — bre, junto — kiingré,
brigar.
2. Véin. Exemplos —I— Vein dôn apén ôn
fi: Por um pé atraz do outro — veindôn, um atraz
do outro — pén-pé-fi, poe — 2 — Aningá ôn vai kri
fi: Pos uma mão acima da outra — ninga, mão —
on, uma — kri, acima — fi, põe—3 — Véin krit
On ne: Um está acima do outro —ôn, um — ne,
esta — 4 — Vainxkri kranje: Está unido um a outro
—kranje, unir — 95 — Anfáte veinxd tan kranje,
(tan grénke ): Unir uma perna a outra — an, pro-
these — fa, perna — te, com veinxôn, um a outro
— tan, com, grénke, unir — 6 — Véinkri panfin ti:
Elle une une uma cousa a outra — panfin, amarrar.
S 6. Pronomes Correlativos
As vezes os Kaingäng exprimem só um dos
pronomes correlativos, só um dos membros corre-
lativos da oração, e subentendem o outro. Exemplos
— |] — On ori kanti ton: Um delles vem hoje, outro
não— on, um — ônri, hoje — 2—On jen, kara
kantin: Um vem antes para almogar, outro vem
depois — jen, comer, kära depois.
See =
CAPITULO VI — DOS VERBOS
OBSERVAÇÕES GERAES
1. Em Kaingäng não ha verbo passivo para
indicar a acção, mas só para indicar os resultados
da acção. Exemplos— I — O porco está comido:
Krôugn kô kanti, ko, comer — kânti, esta — 2 —
Kaingäng venharé: Kaingäng tosquiado. Assim esta
proposição: O porco foi comido pela onça, preci-
saria transformal-o assim: O porco está comido
agora: o comeu a onça.
2. As vezes, quando um adverbio de tempo
indica o presente, o passado ou o futuro, o verbo
por elle modificado pode ficar invariavel. |
3. O numero, quando o verbo näo se refere
a cousas inanimadas, e especialmente quando se re-
fere a pessoa, indica-se ordinariamente. só com elles
sem outra alteração.
4. (Quando pelo contexto do discurso não se
pode deduzir o tempo do verbo, indica-se com uma
conjugação muito rudimentar, que só indica o pre-
sente, o passado e o futuro, e bem assim o Im-
perfeito.
O. Os modos são dois, imperativo e não im-
perativo.
6. O presente indica-se com a terminação mo ;
o imperfeito com a terminação ve, tive; e com ja,
os outros passados com a terminação ke. O futuro,
pode-se indicar com a terminação mo como o pre-
sente, posposto ao verbo, ou com a particula hána.
7. O futuro intencional faz-se com o verbo
ke, kémo.
8. Destas regras desviam algo os verbos tin,
ne: ir. estar, como explicaremos em seguida.
Exercicios — 1 — Kóixmo : Como agora — 2 —
Ta ma hana kutéixno. Continuará a chover-ta,
chuva — kuten, cahir-ix. epenthese-nána. .. no, suf-
fixo e particula para indicar o futuro — 3 — Vénve,
eu era-ve, é-ve terminação do imperfeito — 4 — Ke-
vénve, eu queria, eu fazia-ke: querer, fazer, — 9 —
K6 ix kémo, kóix ke: Pretendo comer.
9. Faz-se tambem o futuro com as partien-
las henerikemon, kején, e com outros adverbios de
tempo futuro ( Vide n. 2 deste paragrapho ).
S 2. Conjugação do verbo tin e compostos
MODO INDICATIVO. TEMPO PRESENTE
Singular Plural
Tinmo, tin Mo, mójen, móixno
IMPERFEITO
Misve mojeven
PASSADO
Vüire Kagouve
MODO IMPERATIVO
Tinra, ha tin, kut tin Monéra
S 3. Conjugação do verbo nin, sentar, ser ficar,
MODO NAO IMPERATIVO. PRESENTE
Ni, nimo Nanti, nantimo
IMPERFEITO
Nive Néntive
MODO IMPERATIVO
Nira Nanira, nira
Notas. 1. O verbo had, han, fazer: no im-
perfeito faz hatinve, não hänve.
2. O verbo kut tim é composto de kur, voz
de mando com o sentido de fazer de pressa, e de
tin, ir. Significa: Va depressa.
3. O imperativo affirmativo faz-se accrescen-
tando o suffixo ra com os verbos cujas raizes
acabam por vogal, e o suflixo era com os que aca-
bam por consoantes. O negativo se faz accrescen-
tando o suflixo tongrá ao verbo. Exemplos —
Kronera: Bebe tu — 2 — Krô ton gra: Não bebas.
4 Faz-se tambem o Imperativo com as par-
ticulas ha, kur. Ex.: Ha tin tôn: Não vá.
9, Às vezes 0 imperativo se faz com as par-
ticulas, sem desinencia alguma. Ex. Emin ixmá nim:
Me dê pão — emin, pão bolo-ixmä, para mim — 2
— Nim! Faça a charidade !
S 4. Applicação das regras anteriores e exercicios
1. Arankét ix kóixno, ix kó, Ix kóiven “ Hon-
tem eu comia—arankét, hontem — 2 — Vaika ix ko,
kôixno : Amanhã comerei.
2. A particula adverbial húri significa ja, e
indica tempo passado; ao contrario a particula ha, ja
indica tempo presente. Exemplos — 1 — Häti huri,
ja sarou — 2 — Ha ti ha: ja sara.
2. Com o verbo servil, usa-se muito em Kain-
gang, je, ne, ja, na, nt; e neste caso em portuguez
muitas vezes se traduz sem o servil. Exemplos.
Noro ti je: Elle está dormindo, elle dorme-je, está.
— Hande x kémo : Pretendo fazer-hand, fazer-x, eu.
9. Nive, estava. imperfeito de ni — 1 — Taka
nive: Eu estava aqui.
6. I pia rairânha hô: Eu não sou capaz de
trabalhar — i, eu-pia, não-hô, capaz, poder.
7. Kaka korég ne: Elle esta com cara feia-
kaka, cara, — ne, esta.
8. On éne ni, fi ne: Aquella que está ahi, é
mulher — 6n, aquella que — ene — là — ni, está — fi,
mulher — ne, é.
9. Ino vaitkôno ve: Eu estou descançando —
in, eu-o, paragoge—vaikôn, descançar-o, paragoge-
ve, estou.
10. Tér ke ne ha ti: Elle ja está para mor-
rer — ter, morrer — ke, está para-ha, ja-ti, elle.
11. Kron ix vénve: Eu estava bebendo —
kron, bebendo — vénv:, estava.
12. Kur noro: Durma depressa — kud, kur,
voz imper, à qual esta annexa a ideia de pressa.
13. Hal kie, had ke: Pretendo fazer ke, pre-
tendo. O i de hadkie é epenthetico.
14. Küktan ix sémo: Pretendo curar.
15. Eix prut kéve: Pretendo varrer — prut,
prun: varrer — ke, querendo — ve, estou.
16. Kupri x6gmo: Eu estou pallido — xógmo,
tógmo, estou, kupri. branco.
17. Tére ke ti na ha: Elle está para morrer
— ke, quer — na, está.
18. Tádo kokópke: o raio resplandece — ta,
da chuva — do raio — kôpke, resplandece, repetido,
para significar intensidade de acção.
19. Kantin ve: Vinha, de kantin, vir.
20. Kuxôn tog u: Elle está vermelho, está
com vergonha.
21. Xan gara grúra kéve: Estou querendo de-
balhar milho — xan, eu — gára, milho — ké ve, es.
tou querendo.
22, Venxén ke ve: Uma vez fazia, antiga-
mente fazia.
23. Kajün tongra: Não brinques.
24. A hd a ne: Você é muito bonito — ha,
bonito, bom hé, muito — a, você — ne, é.
29. Ema ki ag judn judn: Chega gente para
a povoação — ema povoação — ki, no-judn judn, re-
petido para significar diversas chegadas de gente
uma posterior a outra, ou contemporaneas.
26. Vêre kuxdu ki ni: Até agora é madru-
gada — vére, atégóra, até aqui — kuxán, manhã
— ki, em.
27. <A particula JA indica tempo presente,
e imperfeito Ex.: Ilad ja: agora está bom, estava
bom.
28. Ke significa poder e querer. Ex.: Penh
hô ve; hárat ke ton ni: Ku era capaz de atirar
(eu era bom atirador; mas agora não posso mais )
— pénho; atirar — hô, capaz — ve, terminação do
Imperfeito — hára, mas — ké, podendo — ni, estou-
Ke ti ni: Elle esta fallando — ke, fallar.
29. Ve: é, está — Korég ve: E’ ruim, é falso.
30. Gôdno: Atiçar.
== DoS
So. Verbos nz, je, na, ve.
Estes verbos significam ficar, estar, tornar-se
— Ni significa tambem sentar.
S 6. Modo de transformar em verbos as pa-
lavras de outra parte da oração
Accrescentando à palavra o suffixo mo, no;
obtem-se um verbo de tempo presente. Ex.: Ku-
xan ti mo: Agora faz frio — kuxän, frio à — ti, elle
— mo, agora.
CAPITULO. VII. POSPOSIÇÕES
S 1. Observações Geraes
1. Como em Kaingäng as que em Portuguez
se chamam preposições, são pospostivas ; a saber se
collocam depois da palavra a que se referem ( com-
plemento ), porisso em Kaingâng devem ser chama-
das posposições. Similhantes ao uso Kaingâng são
as dicções portuguezas : rio acima, rio abaixo. Ex. :
In tonjatô : Fora de casa — in, casa — tonjatô, fora.
2. Visto em Kaingâng não haver posposições
subordinadas, suas funcções são preenchidas por
complementos. Exemplos : Ix prôn javáix ra, jant ex
prôn xórmo : Apezar de que eu não queira casar,
minha mãe quer que eu case — prôn, casar — javáix,
não querer — ra, apezar — jan, mal — xórmo, quer
agora. |
3. Exemplo de um caso em que se póde om-
mittir num complemento circumstancial a posposi-
cao. Em lugar de : Ti xire kan, jog tére ti; po-
de-se dizer: Ti xire, jog tére: Quando elle era pe-
queno, seu pae morreu — ti, elle xire, pequeno jog,
o pal.
4. Porisso, sendo a dicção clara, se podem
ommittir as posposições. In kani: Fica em casa
— in, casa — kâni, fica. Em lugar de dizer: In,
te kàani — te, em — 2 — Ix jogn jénja kanje: Eu
eee) em
estou na cadeira, no lugar de meu pai — kanje, es-
tou — jénja, cadeira, logar — 3 — Ti fa ka ten : Ba-
teu na perna delle com um pau — fa, perna — ten,
bater — ka, porrete.
9. Ordinariamente a posposição segue imme-
diatamente a palavra à que se relaciona, mas pode
tambem vir depois: Ama vüire São Paulo huru la
ton ne? Voce, o Senhor, não esteve ainda em São
Paulo ? — ama, o Senhor — vüire, foi — hüru, ja—
la, para— tôn, não — ne, estar.
6. Não ha posposição para exprimir o com-
plemento objecto, sujeito e de fim.
S 2. Posposições nos Complementos de mo-
vimento e quietude
Nos Complementos de quietude, usam-se as pos-
posições to, te, kan, gan em. Exemplos: — I —
Verexi to ix nôro : Ku durmo no pouso — ix, eu
nôro, durmo — 2 — Jantka kan (gan), jan kanén-
je: A mai esta esperando na porta — jan, mãi —
kanén, esperando — je, esta.
2. Nos complementos de logar, usam-se as
Posposições ra, kan, ara, to.
3. Nos complementos que indicam proceden-
cia de logar, usa-se a posposição te. Ex.: In te
kantinti: Elle vem de casa — kantin, vir.
S 3. Applicação das regras anteriores e exercicios.
1. (Complemento de materia. Indica-se com as
posposições to, ten, tan — | — Exemples: Dégne
goro to, ix perogn hat ke je: Eu estou querendo
fazer sacco das calças, goro, calças — dégne, trazei-
ro, do — perógn, sacco — hat, fazer ke, querendo—
je, estou — 2 — pan ten beng: machado de pe-
dra — beng, machado — pan, pedra — ten, de.
2. (Complemento de meio. Indica-se com as
posposições tan, ten, kan, re. Exemplos — kiifé re
kanite: Bater com a faca — küfé, faca — rê; com
— kanite (nite) bater, percutir — 2 — Küfé tan ix
E ONO ou
arino : eu corto com a faca — tan, Re en,
corto, corto (rüno) — 3 — Pó ten pengrá : Apedre-
ja tu — pó, pedra — ten—com — pengrä, da tiros tu.
3. AS proposições in. synonimo de sobre, e
tambem esta ultima se traduzem com a posposição
kri. Exemplos: — | — Gôio kri: Na Sap
da agua, na beira, no porto do rio — 2 — Ka-
embá pa je ti: Elle está passando na ponte — pa,
passando — je, esta — 3 — Ix krierén ti: Elle pula
a mim — erén, Emprü kri nôromo
: Elle dorme agora a beira da estrada, no bar-
ranco da rua — 0 — Nängja kri: Na cama.
4. Atraz à monte: Krin pan-pan, atraz, alèm
do monte ( contrario de aquem ).
O. Atraz, contraio de adeante: Do. Ex. : Ti do
ix tin: eu vou atraz delle-ti, delle.
6. Adeante, contrario de atraz: Jo, ju, jamé,
jami. Ex.: Ti jami ti tin: elle vai adiante do ho-
mem-ti jami, adiante do homem.
7. Do lado, de parte: kante. Ex.: Aran juro
känte : Oriente-arän, sórjuro, mergulhar, se chegar.
8. De, para indicar separação, traduz-se com
kan, te, ta. Ex.: Anjóg ti kan, hóre kanti ti: Elle
esta fora do pai-an, prothese-jog, pai-hore, fora, kan,
do-kanti, esta.
9. Junto, com, preposicôes de companhia se tra-
duzem por bre, to. Ex.: 1-Kôixno koii langrôto :
Como jacü com feijäo-kôixno, como agora-koii, jacú
langrô, feijäo-2 Ag to jôn tô ti je: Elle não esta
prigando com os Ronin com a gentr-ag to, com
a gente-jôn, brigando-ti, elle-je, esta-3- Eis bre giri
kanjiri: O menino brinca commigo-bre, commigo
girl, menino.
fUeeweniro.: Ki, kira. Ex. 1-Lo kaki: Na
horta-lo, ro: horta, lugar fechado-kaki, dentro-2-In
kára ranho: Entro agora na casa-rânho, entro agora
-kára, dentro.
11. Dentro, significando debaixo: kante. E.:
Góio kante: Dentro da agua.
12. Logo que, no que, nc momento de, no
instante que, ao mesmo tempo que: Kan, ari. Ex.:
No que fallou, morreu: Ti to kan, tére-to, fallar-
tére, morreu-2-Ex amé ti kan, ix fa: Logo que eu
ouvi, chorei-ex, eu-a, prothese-me, perceber-ouvir-fa,
chorei. oa de amé é prothese.
13 Por causa, por molivo. Ex.: Elle morreu
lazarento: Krü kri venmä kan, ti tère-krü, lepra
-venmä, doenga-kan, por motivo de ( krii krii, varias
feridas ).
14. Apezar de: Ra, ld. Ex.: Apezar de estar
em agonia, ainda escapou: Antére kémo ra, kren
ti-an, prothese-tére morrer-kémo, estar proximo, kren:
salvar-se, escapar.
15. A, para (complemente do termo): Man.
1. Ex.: Ixmen pin tambrinke: Elle bate fogo para
mim-ixmän, para mim-pin, fogo-tambrinke, bate.
16. De: kan. Responde à pergunta quando.
Ex.: 1-Kurän kan: De manhan. Neste caso usam-
tambem as preposições ke, ki, te, Ex.: Kotü te:
De noite-2-Kurán ki: de manhan.
16 bis. Fora, em sentido de separação, dis-
tancia, estar fora da companhia : Tonja, tonjatô, ton-
jami, tonjará. Kix.: Intonjatô: Fora de casa.
17. Depois: Kar, kára, karka. Ex.: Festa,
karka : Depois da festa-karka, depois.
18. Debaixo: Kren. Ex. : Debaixo da figueira -
Kavafü kren.
19. 1 Por: Mi Ex é "A=Passou mor ca: Tas
mi katin, tag, cä-kantin, vir. 2-Emprügh mi mäixka
ra vire: Elle foi para o matto pela estrada-máixka,
matto-ra, para.
4. Lraduccdo das proposições consecutivas
à
Para traduzir em Kaingang estas proposições,
deve-se primeiramente trasformal-as uma em casual,
e outra deixal-a principal. Ex.: Estava tão doente
que gritava muito alto ; transforma-se assim : Porque
estava muito doente, gritava muito alto: Kanga
buôngh ti kan, prére étiti-kangä, doente buüngk,
muito-ti, elle, kan, por-prére, gritar-étiti, muito muito.
dé + ee
CAPITULO VIII — ADVERBIOS
S 1. Adverbios de tempo
|-Agora, hoje: Ori —2-Hontem: Arankét —
3-Antehontem é Arankét ont ka — 4-Vaia, vaiaka:
Amanha-ka, em — 5-Vaiá ont ka: depois de ama-
nha — 6-No futuro, no porvir: Enhoérikemon, kején,
karka, kurän te ( kurán, tempo-te, com ). Ex.: Ke-
jéntonjonmo: A’s vezes fica brabo com Fulano de
Tal-jonmo, fica brabo.
6. Antes: Jo, ju. — Uma vez, outro dia : Ven-
xan: — A’s vezes: Kenjèn. — Por algum tempo (op-
posto de sempre): Vére. Ex.: Vére kanjämo :
Agora eu alugo por algum tempo-kanjämo, compro
agora. — Até agora, até aqui: Vére. — Nunca:
Väix. Ex.: Eixmän kanjámo väix : Nunca me paga
kajámo, pagar. — Eixmán, para mim.
12. Logo: Kaimbára-kára, karka, karaxi, logo:
depois, daqui a pouco.
15. Ainda não: Ton. Ex.: Jéntonne: Ainda
não esta commendo-jen, comer, .ne, está.
14 De revente: Ahéra. 15-Improvisamente :
Grôto. 16 Antes do tempo: Javáix, váix. Ex.:
Morreu antes do tempo: Tére javaix ra, tére ti:
Apezar de antes do tempo de morrer, elle morren-
tére javáix, antes do tempo de morrer-ra, apezar.
18. Logo depois: wri, kanxiri ( immediata-
mente depois ):
19. A’s vezes: Kejên. Ex.: A’s vezes fica
coberto com panno, as vezes não: Kejèn kuru ton
ne kuru, panno-tôn, sem-ne, esta. |
S 2. Adverbios de lugar
Vére, ati: Para cá -1-Vére ha... kantin : Venha
para cá, ha, voz de mando-kantin, vir,
2. Para cima, em cima: Küxmä, kóixmá, kóix.
3. Para baixo, em baixo: Kren, gu.
4. Atraz: Dó, dére.— I — Dere tóttin: Vol-
tar para traz — tot tin: Ir de novo.
o. Aqui: Tag, tag mi. Vir aqui: Tagmi kan-
tin. Signfica tambem: Vir por ca.
6. Ali: Tan, éne. Ene... ra tin: Ir para lá.
7. Adiante: Ju, jo, jamé, jami.
A direita: Pénja. A esquerda: Jakäin.
9. Sora: Re, le, hóre. ‘1 — Lera kute: Toca
fora — kite, tocar — ra, para. 2 — Anjôg ti kan. ti
hore ni: Elle esta fora do pai — an, prothese — jog
kan, do pai— kan, do — ni, está. 3— Anjog ti
kanti hore: Elle sahiu do pai — hore, sahiu.
10. Aonde: Déto, ânto.
S 3. Adverbios quantitativos
1. Muito: E, buôngh. Muitos: E, éti, éviti,
ititi. 2 — Muitos homens: Ag étiti — ag: elles, ho-
mens.
Tudo: Kan, kara, kar. 1 — Kan kred: Quasi
todos — kre, quasi. .
3. Nada: Détum ton, denum ton — de, cousa,
-— t, connectivo — On, outro — ton, não.
4. Quasi: Kre, kren, kred — Como quasi tudo :
an kréd k6ô ix — kan, tudo — kó, como.
O. Demais, de um modo extraordinar:o: Ta-
vin. 1— Xin tavin! Bonito demais! xin, bo-
nito, pequeno. 2 — Ha tavin! Bom deveras!
6. Mais, continuar: Ma, man — Had manera
Faça mais, continue a fazer. 2 — Ma ta kite:
Chove mais, continua a chover — ta, chuva — ktte,
cahe.
7. Mais de vinte: ititi.
8. Basta: Getka.
1.
4 Adverbios de modo. affirmativos e negativos
1. Sim! Ha! hé! — 1 hana: Com certeza!
EK” assim mesmo !.
2. Pia, pie, pij ; ton, to, ud. Não. Depois do
Verbo kéira, guarda-te; usa-se he. Ex.: Kéira he:
~
Veja de nao.
ES See re
S o Adverbios dubitativos
Enhôrike mon, kején: Talvez.
S 6. Adverbios exclusivos
1. Só: Pir, tavin, pirmä. 1 — Pir tavin : um
só 2 — Pirmá: Sósinho. 3 — Kura to veinkan-
era tavin judn judn: Só chegam no quarto dia —
kurä, dia — to, no — veinkangrá, quarto, judn, re-
petido, para significar pluralidade de acção.
S 6. Adverbios de modo
1. De costas: paném. 1 — Panim na: Deita
de costas. Tambem: Kôix ma liri ti — panim, de
costas — na, deita — kóixmá, para cima — liri,
olha — ti, elle.
2 — De má vontade: Vaix, jáváix. 1 — Faz
a cousa de má vontade: Javáix ra, hati ti — ra,
apezar — ti, elle.
3. Como: Ve, hórike. 41 — Arän ve: Como
o sol.
4 Devagar, com delicadeza, com respeito :
Kuméera.
O Assim: Get.
6. Difficilmente: Javäix. 41 — Pejú déto ve
javáix : Escondeu onde era dificil achar — pejü, es-
condeu — déto, ânto : onde — ve, vem. achar.
7. Grô-tô— Improvisamente.
S. Iaraxv, kaimbára: Daqui a pouco.
S 9. <Adverbios de ordem
1 — Primeiro : ham. 2 — Depois, em segundo
logar : kar, kára. káraka. 3 — Afinal: Do. O kara
usa-se com frequencia em Kaingäng, quando em
Portuguez se omitte o adverbio depois, em se-
guida a conjuncção copulativa, que não se usa em
Kaingang. Ex.: Comeu e (depois) sahiu : Ko ti,
kar huru vitire — kó, comeu — huru, indica tempo
passado.
eae, 560 =e
CAPITULO IX — CONJUNCCOES
1. No Kaingang, como foi já observado, não
ha proposições subordinadas, e são suppridas por
complementos que na maior parte dos casos não
sendo subjectivos, objectivos ou de fim, são unidos
às palavras que esclarécem ou modificam, com pos-
posições que, sendo claro o sentido, se ommittem.
2. Como já foi mencionado, não ha em Kain-
gang conjuncções copulativas e disjunctivas. Por-
tanto a seguinte proposição : Dê-me pão ou carne;
deve-se exprimil-a com fosse: Dá-me pão: si não
queres, dá-me carne: Emim ixmá nim; javáix, Uni
ixmä nim-emin, bolo, pão — nim, da — javái, não
queres — tni, carne.
3. Conjuncções adversativas — Mas: Hära—2
— Porem: Harato.
4 As copulativas se ommittem simplesmente,
ou se faz de cada Membro que deveria ser ligado
por elies a outro membro, uma proposição, repe-
tindo o respectivo Verbo. Exemplo: Cantava de dia
e de noite. Póde-se transformar em: Cantava de dia,
de noite; e tambem: Cantava de dia, cantava de
noite: IXurán te, kutüugh te kiir. Kurän te kür,
kutügh te kür-kurän, dia — kutiigh, noite.
o. De certo, com tudo, se traduz com hárato.
Ex.: Xa kamen tôn ra, hárato maitka ra tin ton
ne: Embora em não tenha medo, comtudo não vou
para o matto, xa, eu — kamér, temer, ra, apezar
de máitka, matto — ra, para — tin, ir-mo, agora. —
Esta criança é homem ou mulher ?: Gire tan gra
je, ontanti je? -gra, varão — je, é.
6. Kan, então : conjuncção conclusiva,
7. Kara: Ora, ora. Basta escrevel-a uma vez
só no segundo membro ou termo da phrase.
S. Ningé: Tambem. 1 — Ho fi ningé: Tam-
bem ella é boa.
9, Xiri, kára xiri: Logo depois ( kára xi,
kaimbára ).
qe
as 561 aes
CAPITULO X — INTERJEIÇÃO
As Interjeições são pouco usadas em Kaingäng.
A’s mais das vezes os affectos da alma se exprimem
só pela inflexão da voz rápida ou lenta, flébil cu
alegre, confórme o affecto de que é dominado o es-
pirito. Comtudo não falam em Kaingang interjeições
propriamente dictas, sendo porém em numero muito
diminuto. Exemplo de proposição exclamativa sem
interjeição : Kurt pé! Ob! panno bom! — pé le-
gitimo.
4. Interjeigdes de exclamação — Hi! Ex.: Hi
hô one kaikára tin! Oh! feliz quem vai para o
Céu — hod! feliz — ône, quem — kaiká, ceu — ra,
para — tin, val.
2. Desapprovação. Gé! Deiá ! Qual!
3. Aversão: Déja! Não quero !
4. Animação Upá! Eia!
5 Dor. Hen! Kuxatiti ni! Ahi! Que faz muito
frio! — kira, frio. |
6. Desejo. Ara! Oh !— 1 — Ix ha hô ne dra!
Oh! si tivesse saúde ( Prouvera a Deus que eu ti-
vesse saude ) !
7. Interjeição para chamar. Oa! Ja! Old. Oa
se usa para chamar os homens; já para chamar as
mulheres ou senhoras.
CAPITULO XI — AFFIXOS E SUFFIXOS
1 O affixo VEIN, como já foi explicado, trans-
forma as vezes palavras de qualquer parte da ora-
ção em substantivos; às vezes porém deixa a pala-
vra no seu sentido primitivo. Ex.: Kangra, vein-
kangrä : Quatro. Em lugar de VEIN póde-se dizer
vére, béne, van, uân. Vérikupéia: Lavar-se — 2 —
Benkangämo : Estou doente agóra. Tambem : Oa
kangäno.
2. O sufixo be dá ds palavras o sentido de
habito, costume, uso: Elle costuma dormir logo:
kaimbara nôro be ne — kaimbára, logo -nôro, dor-
mindo — ne, está — be, acostumado.
— 562 —
3. O sufixo PE liga à palavra que modifica,
o sentido de verdade, legitimidade, perfeição, bon-
dade, genvidade. Ex.: Kurt pé! Oh! panno bom
( legitimo, verdadeiro ) !
4 A fim de indicar o logar, a residencia, a
séde de alguma cousa, ou o instrumento para fazer
uma cousa, usam-se como suflixos as palavras ja, jafä,
nlafa. Exemplo. : Noro jafä : Lugar de dormir—Na-
neja : Cama — nan, deitar — ja, lugar ou instru-
mento (cama ) para deitar, connectivo.
o. Afim de indicar a precisão, necessidade de
alguma cousa, usa-se o sufixo hô, quero. Exemplos
— 1 — Noro hôütiti, preciso muito de dormir, estou
com muito somno — 2 — Ixrôn hôütiti: Estou com
muita sede, preciso muito de beber. Parece que o
prefixo ki, dê as vezes à palavra o sentido de dentro.
Exemplo. Kit kúti ne: Esta obscuro ( dentro) —
ti, elle ( impessoal ? ).
7. Quanto aos suffixos a, ema ne, kenemä ne;
ja delles falamos noutra parte da grammatica.
QUARTA SECCAO — SYNTAXE
CAPITULO UNIGO
COLLOCAÇÃO DAS PALAVRAS
1. Os adjectivos possessivos collôcam-se antes
da palavra que indica a cousa possuida.
2. Os adjectivos determinativos collôcam-se
depois do nome a que se referem, e antes dos qua-
lificativos. Ex.: 1-Moeda um: Alguma moéda —
2-Gire tag: Este menino. Isto vale tambem para os
numeraes.
3. O complemento do termo e de fim pdem-se
ordinariamente antes do sujeito do verbo, e do verbo
4. Na maior parte dos casos o verbo vai no
fim da oração.
9. O nome que indica a materia de que é
feita uma cousa, vai antes da palavra que indica a
cousa em questão. Ex.: Pó ten ben: Machado de
pedra-tan, ten: de.
a ——_
=
6. Tambem as preposiçoes que com o Verbo
constituem um complemento, vão depois do verbo,
porém nem sempre no fim do complemento. Ex.:
Hino kan fangmo, ix man hôti: Eu estou satisfeito
porque as mulheres estão bôas-hano, estão boas, kan
porque, por-fag : ellas, mulheres-mo, agora-man hôti.
estou satisfeito.
7. Os adverbios em geral se collócam depois
das palavras a que se referem ou que “modificam,
exceptuada a negativa pia (não) que se colloca
antes. — Huru, ja, póde-se collocar antes e depois.
A particula ha (ja), ordinariamente põe-se no fim
da oração e tambem é he (que se usa com o
verbo kéira, acautela-:e ).
S Para obter o complemento de especificação,
prepõe-se ao Nome a palavra que constitue o dito com-
plemento, por ella modificado. Exemplo 1-A doença do
pai: Ix joga veixmä-veixmä : doença, molestia-jogn:
pai-2-Ti in: Casa delle, in, casa-3-Jogn jénja: Ca-
deira do pai, - jenja, meza, para comer, cadeira-ja,
lugar-jen, comer e sentar.
9. Para obter o complemento de termo, ac-
crescenta-se ao nome ou pronome o sufixo ma:
|-Timá ninhero nimera: Dá tu dinheiro a elle-2-
Ixma tok to: Elle me falla - 3 to, fallar-k, conne-
clivo, ti, ella.
10. Näo se diz gara te: Milhal: mas te gara
Uma critica ao “ Vocabulario da mena
dos Kainjane” do Visconde de Taunay
POR
FR. MANSUETO BARCATTA DE VAL FLORIANA
Missionario da Ordem dos Capuchinhos
Introduccao do commentator
Tendo acce'tado do Exmo. Sr. Dr. Affonso d’Escragnolle
Taunay a honrosa inenmbencia de fazer uma critica de um
Glossario Kaingang, composto por seu saudoso pai, o Visconde
de Taunay, cabe-me declarar que não me acho 4 altura de
desempenhar similhante tarefa; apenas posso em parte fa-
zel-o, e isso por duas razões. Apprendi a lingua dos Kain-
gangs do Tibagy, ao passo que o Auctor apprendeu a dos
de Guarapuava, cujo dialecto differe algo dos do Tibagy.
Não acoimarei de erro o Auctor, si no me apparecer evi-
dentemente em falta. Na duvida, porei simplesmente ao
lado das palavras do Auctor, as expressões correspondentes
do meu diccionario. Reconheço que ha erros no trabalho do
A.; creio porém que a maior parte sejam typographicos.
Topando com dicções de todo novas, porei em pratica a
advertencia do antigo pintor. Ne ultra crepidam: Não cri-
tiques o que não conheces.
Nas citações que fizer do A., não lhe mudarei sempre
a orthographia; nas minhas observações porém, em vista da
orthographia do A. não exprimir perfeitamente a phonetica
kaingang, eu respeitando quanto possivel a orthographia
portugueza, introduzirei signaes peculiares para exprimir
com a possivel perfeição a phonetica kaingang. Simplifi-
quei o que pude a orthographia; todas as lettras devem ser
pronunciadas. Por ex. a palavra guerra portugueza, si fosse
kaingang, se deveria pronunciar : g - uer-ra.
As particularidades da pronuncia kaingeng são as que
vamos aqui explicar. Os indios, sempre que não os impeça
defeito organico vocal, falam fanhosamente ou nazalado.
Por isso a lettra J, embora se pronuncie como em Portu-
guez por aquelles que não a podem emittir fanhosa-
mente, pelos outros pronuncia-se como nh pronunciado fa-
nhosamente.
A lettra O pronuncia-se às vezes como EU francez, em
bleu, porém fechada.
A lettra U ás vezes se pronuncia como o U francez.
Indico estes sons com o trema posto encima de O e U, como
se usa na lingua magyar ( O, U ).
O G se pronuncia sempre guttural e nasal. Ex.: Gire
se pronuncia como fosse ñguire (menino ).
O H é sempre aspirado.
ee
Nao faço uso das letras S, C, Ch, não gutturaes, mas
so do X, chiante ( chegar, chegar ).
Para indicar 0 som guttural forte, uso a lettra K.
O J nunea é aspirado e não se pronuncia, como aftir—
mam aiguns erradamente, à maneira do J hespanhol.
Ás vezes, para significar a pronuncia nazal, as consdan-
tes trazem o til (= ).
ACCENTO. — A syllaba dominante, não se pondo outro
acceuto noutra syllaba, cahe na que traz qualquer accento
ou o trema. Sendo aberto o som de E, O, mas não fazen -
do parte da syllaba dominante, trazem o : ccento grave (=),
em caso contrario, trazem o accento agudo (+). O accento
circumflexo indica E e O fechados. O aceento agudo desi-
gna sempre a vogal dominante.
LIBERDADES DA LINGUA KAINGAXG. — Esta lingua per-
mitte que se mudem, alternativamente, uma noutra certas lettras
na mesma palavra, que se augmente a palavra no principio,
no meio e no fim, que se omittam lettras no principio e no
fim, e que se use a figura da metathese.
Para maiores esclarecimentos consulte-se a minha gram—
matica.
ABREVIAÇÕES. — A., significa o Aucter, respectivamente
o dialecto de Guarapcava. M., significa Fr. Mansueto, na
qualidade de critico e de representante do dialecto kain—
gang do Tibagy.
O trabalho do nosso Auctor consta de duas partes: de
uma Monographia ou Introducção, e ce um Diccionario.
OS INDIOS KAINGANGS
( Corôados de Guarapuava )
MONOGRAPHIA
ACOMPANHADO DE UM VOCABULARIO DO DIALECTO DE QUE USAM
POR
Alfredo d Escragnolle Taunay
Socio honorario do Instituto Historico e Geographico Brasileiro
e Senador do Imperio ( ')
Sempre que me achei em zonas habitadas por
indios, procurei sobre elles colher todos os dados
possiveis, organizados com escrupulosa cautella e a
maior consciencia, vocabularios mais ou menos com-
pletos e cujo valor, quanto a verdade sonica, tinha
como dever severo e nunca preterido, verificar mui-
tas e muitas vezes.
Todos quantos se tem achado em contacto com
aborigenes sabem, comtudo, o gráu de difficuldade
que ha nessas tentativas, não só pelo modo de pro-
nunciarem as palavras, deficiencia absoluta de re-
gras gramaticaes e falia de signaes crthographicos
para bem exprimirmos as aspirações gulturaes ou
sibillos que lhes são pecuiiares, como tambem pela
reluctancia em responderem a interrogatorios um
tanto longos e de caracter até certo ponto scientifico.
(1) Revista do Instituto Historico e Geographico Bra-
sileiro, supplemento ao tomo LI, pags. 251-310.
Neste particular, e pelas causas que deixo apon-
tadas, costumam muitos viajantes ser de estupenda
facilidade e despreoceupagao ao constituírem pre-
tendidos glossarios, em que mal se encontra lon-
ginqua parecencia com palavras exactas, certos de
que a verificação é, no mais das vezes, quasi impos-
sivel.
Castelnau, sem citar outros, patenteia então
uma sem cerimonia que: merece o qualificativo de
admiravel, truncando, deformando e adulterando, de
modo muito curioso, os mais simples vocabulos que
a esmo recolheu, ou então inventando outros, que
nunca até existiram.
Depois ha novas considerações a fazer-se.
E" que cada qual toma suas notas de viagem na
lingua que fala, de maneira que muito naturalmente
emprega as lettras, vogaes e diphtongos com os sons
proprios do idioina pátrio.
Dahi equivocos e confusões horrorosas e, si qui-
zerem até engraçadas, mas em extremo prejudiciaes
aos estudos sérios e sinceros, quando uns copiam
dos outros, sem indicarem a fonte onde foram bus-
car aquellas informações glottologicas, ou ainda mais
tendo a peito encobrir essa origem, para camparem
de originaes.
Em longa relação de viagem de um distincto
brasileiro, alias bem conhecedor hoje de cousas in-
digenas, já vi transcriptas, como proprias, paginas
inteiras do allemão Martius, em que abundavam os
Ve W peculiares à lingua materna daquelle illus-
tre botanico e naturalista, e que portanto deviam
ter o valor de fe V portuguez, e não de V e W.
Então, quando appareciam os diphtongos Ei e Eu,
cuja pronuncia é tão especial e difficil, além de
outros, augmentava a confusão e surpresa, para quem
desconhecia, como aconteceu commigo durante lar-
gos annos, a procedencia daquelle modo de escrever
vocabuios de indigenas nossos.
Que gráu de confiança pódem, pergunto, me-
recer trabalhos feitos deste modo ?
Considero-os causa de perigoso cahos e de forma
aleuma adminiculo capaz de concorrer para a bôa
solução do interessante problema proposto pelo grande
philologo e sabio, o já citado Martius, qual seja
chegar-se, pelo cotejo e justa analyse de todos os
vocabularios das tribus do Brasil, à apreciação exacta
das modificações que soffreu a lingua geral tupy e
das ligações que entre todos os dialectos existem,
mais ou menos claramente denunciadas.
Receioso de concorrer para augmentar e aggra-
var a perturbação que se nota nesse melindroso
assumpto, tive sempre, repito, o maximo cuidado,
ao preparar apontamentos e reunir notas destinadas
à publicidade, sob minha immediata responsabilidade.
Da prudencia e cautella com que procedo, con-
segui já bella recompensa, pedindo permissão para
manifestar não pequeno desvanecimento pelo Juizo
que o illustre viajante americano Herbert Smith, tão
laborioso, tão honesto em suas informações, quanto
original em suas descripcões e na redacção dos seus
diarios, exarou sobre o Vocabulario da lingua
chané (Indios guanés, kinikinaus, laianos e terenos )
do Matto Grosso, por mim recolbido, e impresso.
nas paginas da «Revista do Institutos Historico», e
que já mereceu transcripção nos Estados Unidos.
« Difficil é, diz elle, levar mais longe a exa-
ctidão em trabalhos desta natureza. Com o. Diccio:
nariosinho de Taunay em mão consegui muitas ve-
zes entender-me com aqueiles indios. Farei sempre
justiça ao seu vocabulario, que considero de grande
valor e excellente auxiliar ao viajante dessas dis-
tantes paragens ».
Affiango que nesta relação de termos indigenas
agora publicada, empreguei o mesmo processo e
meticuloso zelo, não assentardo em meus cadernos
expressão ou phrase, de que não tivesse quanta cer-
teza podia adquirir nos meus insistentes inqueritos
e penosas confrontaçües.
E desta feita coube-me a felicidade de ser guiado
por precioso collaborador, um intelligente paranaense
que encontrei no sertão de Guarapoava, conhecedor
= $72 ==
perfeito da lingua dos indios daquella grande zona,
e que me prestou os mais detidos esclarecimentos,
concorrendo com o poderoso contingente dos seus
conhecimentos e experiencia, para que hoje eu possa
depositar bastante confiança no presente vocabulario.
E o Sr. Antonio Mendes de Almeida, cuja
proficiencia em assnmptos indigenas é incontestavel
e geralmente reconhecida. Entretanto, como sempre
acontece, entre nós, esta sna aptidão e estudos em
nada foram ainda aproveitados, quando deveriam
já ha muito, ter sido applicados ao chamamento dos
indios coroados, ao seio da civilização brasileira,
tanto mais quanto esses aborigenes, embora de in-
dole mansa e sympathica, manifestam sensivel re-
Juctancia em acceitar os beneficios da sociedade
culta.
I
Logo que cheguei à provincia do Parana, de
que fai presidente pouco mais de sete mezes, de
28 de Setembro de 1885 a quatro de Maio de 1886,
tive que me avir com os chamados indios de Gua-
rapoava. Vagava pelas ruas de Curityba uma turma
seminna dessa gente, reclamando ferramentas, roupas
dinheiro. etc., e lamentando-se de haverem sido mal-
tratados por brasileiros e despojados de terras que
lhes pertenciam.
Procedi a varios interrogatorios e vi que as
suas queixas eram vagas, obscuras e sem objectivo
determinado, por quanto as taes posses, segundo
pretendiam, occupavam superficies enormes, para
poderem contentar os seu habitos nomades e de
simples vagabundagem.
Depois de ter, a muito custo aliás, conseguindo
um começo de vocabulario, mandei-lhes dar alguma
roupa e varios instrumentos aratorios, e fil-os partir
para a cidade de Ponta Grossa, donde deviam se-
guir para o Rio dos Patos e Ivahy. Comsigo le-
varam quantos cães puderam arrebanhar e de cuja
acquisição se mostraram, como é de uso, sobrema-
neira avidos. A esses infelizes animaes, de certo
Ho eee ot
não esperavam vida farta e descansada, pois os que
lhes serviam de companheiros, denunciavam extrema
magreza e irsaciavel voracidade.
Desde principio, porém, me impressionara O
appellido de coroados, pelo que são esses indios
quasi exclusivamente conhecidos em toda a provincia
do Paraná, (1)
Como e porque razão tivera esse nome de ca-
racter meramente portuguez a força e o valor de
eliminar do conhecimento geral a denominação de
etymologia indigena e especial, que essa grande
tribu devia, sem contestação possivel, possuir e con-
servar ?
Bem sabia eu que provinha aquella especifi-
cação do modo porque esses primitivos filhos do
Brasil costumam cortar o cabello, e nenhuma re-
lação immediata os prendia aos ccroados de Matto
Grosso.
No Paraná, porém, pesar das minhas indaga-
ções, ninguem sabia de outra alcunha de feição
autochtona, e fiquei muito admirado quando na
cidade de Guarapcáva, onde cheguei a sete de Abril
de 1886, pela primeira vez ouvi da bocca de um
indio «sais ladino a palavra kaingäng, como deno-
minação geral da tribu, e do interrogatorio a que
os submetti, deprenendi que tintam certo desgosto
em ser chamados coroados.
Causou-me especie esta dade e, insistindo
em tão interessante ponto, pude verificar, depois
de me entender com outros homens e mulheres da
partida, que viéra esperar-me, que este sentimento
de desprazer lhes era commum, ficando muito sa-
tisfeitos quando os tractavam por kaingângs e não
pelo vocabulo portuguez.
(1; Tambem costumam chamal-os bugres, denominação
dada, como a de cabrelo em geral, a todos os indios. Na
provincia de Santa Catharina elles não tem outro nome;
na do Paraná é mais frequente o de Coroados. M. Bugre
antigamente era a denominação que davam aos Ciganos,
abreviação de Bulgaros. Depois pelos portuguezes foi es-
tendidos aos indigenas da America.
= ie on
Communiquei esta observação às pessoas que
me rodeavam, e nas minhas conversagdes com os
moradores mais antigos da localidade a ella de con-
tinuo alludi, mostrando-se todos ignorantes do ver-
dadeiro nome da tribu, que mantém com tudo, desde
OS primeiros annos deste seculo (1816), relações
mais ou menos seguidas com aquelle centro de pu-
pulação.
Dahi me proveio certa ufania - poder reintegrar
na grande familia tupy essc ramo dos coroados,
dando-lhe a legitima e verdadeira appellidação in-
digena.
Esta illusão, porém, desfez-se em Curityba,
quando da volta da longa e aprazivel viagem aos
Campos Geraes, sertão e cidade de Guarapoava, live
occasiäo de manusear o Catalogo dos objectos do
Museu pardnaense remettidos à exposição anthro-
pologica do Rio de Janeiro, que me foi oflvrecido
pelo incansavel creador e conservador daquelle cn-
rioso e instructivo estabelecimento provincial, o sym-
pathico e popular desembargador Agostinho Erme-
lino de Leão.
Esse Catalogo, impresso por crdem do presidente
Carlos Augusto de Carvalho, traz a data de 1882 e
contem como appendices, uma valiosa memoria sobre
os índios kaingangs e camés ( coroados), escripta
pelo missionario capuchinho frei Luiz de Simitille
e vocabularios destes dialectos reunidos pelo Sr, Te-
lemaco Morosini Borba, imperterrito sertanejo, e bo-
mem de longa data atirado a ousadas emprezas e
continuas explorações nos vastos campos e compa
ctas florestas de pinheiros do Oéste da provincia do
Paraná.
Posso comtudo affirmar que somos nós tres dos
primeiros a chamar pelo seu verdadeiro nome os
primitivos habitantes daquella extensa região, pare-
cendo-me ja tempo de acabar com a expressão tão
vaga e indefinida de coroados, que até hoje confunde
muitas tribus, ramificando-se de todos os lados o erro,
com a agoravaçäo, em Matto Grosso, de cs crods
— eS —
Ne
näo usarem a maneira especial de tosquearem os ca-
bellos, abrindo nelles a caracteristica corõa.
Augusto de St. Hilaire, täo cuidadoso em suas
inforinacdes, tão exacto e minucioso sempre, tão util
para quem viaja o Brasil, pois soube para assim dizer
photographal-o, e ainda hoje é em muitas provin-
clas preciosissimo guia, Sant Hilaire tracta extensa-
mente «dos coroados de Guarapoava, de que ca as
paginas 406-457 do §'.° volume de sua viagem às pro-
vincias de S. Paulo e de Santa Catharina um vo-
cabulario muito resumido, de trinta e uma palavras,
cuja exactidão aliás não garante.
A esses indios chama à pag. 425 daquelle vo-
lume kamés e votorões, e mais adiante ( pag. 404 )
guanhans, chegando a crer que fossem os mesmos
Guaianazes dos campos de Piratininga.
A pag. 46 do 2.º volume, diz elle o seguinte:
« Aos bugres vizinhos de Jaguarahiva dão os pau-
listas o nome de coroados, porque, segundo consta,
costumam aquelles selvicolas raspar no alto da ca-
beça uma coroasinha ».
Accrescenta depois com razão que estes coroados
dos Campos Grandes nada tinham commiim com os
coroados do Rio Bonito ( provincia do Rio de Ja-
neiro, ou com os do presidio de Sao João Baptista.
em Goyaz. )
PET
Si a leitura dos modestos trabalhos de frei Ci-
mitille e Telemaco Borba me trouxe certo descon-
solo pela prioridade que lhes cabia, e tive de ceder,
delles colhi, comtudo, não pequenas vantagens.
Com effeito, no glossario do sertanista encon-
trei a melhor das contra provas de que os meus
apontamentos deviam merecer-me fé e confiança.
Quanto à noticia do missionario nella achei coorde-
nadas, e bem coordenadas, muitas notas tomadas
quasi tachygraphicamente, ficando portanto o traba-
lho ane eu teria de fazer, sobremaneira semplificado
ou antes excusado, sem inconveniente algum.
Observo que o vocabulario de Borba traz 262
termos, ao passo que o ineu encerra nada menos de
604, alem de algumas phrases que pude colligir.
Cedo agora a palavra ao digno capuchinho, cor-
rigindo os naturaes lapsos do estylo de sua despre-
tenciosa noticia :
Costumes
« Esta nação dos indios é chamada pelos brasi-
leiros, coroados pelo costume de cortarem os cabellos
à maneira dos frades franciscanos ; não gostam porém,
deste appellido e a si mesmo, se chamam caingäng,
que em lingua portugueza quer dizer indio ou antes
aborigene ». (M. Alguem quer fazer derivar esta
palavra de ka, matto, e de garg gente; porém ka,
no meu modo de ver, não significa matto, mas ar-
vore, pau. Kakänt significa é verdade matto, mas é
pela razão que kakant quer dizer muitas arvores
juntas uma à cutra. Kaingäng no meu diccionario
significa tambem homem. M. Tambem se appellidam
kaingâng pé (indio legitimo) e kaingâng venhare
(M. Venharô, cortado ), indio de cabello cortado,
mas os historiadores sempre os tractam pelo nome
de Cames, palavra cuja etymologia ainda não nos foi
dado de conhecer. ( M. Derivaria de kamé, temer ? ).
Habitam em cabanas cobertas de folhas de pal-
meira, differentes em tamanho, conforme o numero
dos individuos, e quasi sempre assentes em collinas,
à distancia de duzentos a trezentos metros da agua.
Nunca fazem divisões internas, mas conservam um
espaço de tres a quatro pal nos de largura, e de tudo
o comprimento da cabane, para o fogo que eatretem
acceso de roite e de dia.
Em ambos os lados da cabana, extendem gran-
des cascas de arv: res, que lhes servem de assento,
mesa e cama, e onde dormem enfileirados, com os
pés sempre para o fogo e sem distineçäo de sexo.
Antes de adormecerem cantam como tenho presen-
ciadc, uns versos monotonos. Invaqué que penné
imã ará je. (M. Invaké, palavra desconhecida— penne,
os pés — ara je, fique quente — je, ficar. M.)
ta
="
Gé: nn
Gostam muito de criar gallinhas, especialmente
brancas, domesticam tambem bichos e aves silvestres,
mas o cão é o seu animal predilecto, e fazem com
prazer todo o sacrificio para obterem este lugar-
tenente do homem, que lhes é da maior utilidade.
Seguem para Curityba daqui distante umas sessenta
leguas, e ultimamente foram até a cidade de Faxina
ainda mais longe, sómente com o fim de alcançarem
esses animaes que lhes servem de companheiros em
suas viagens e de auxiliar nas caçadas.
Ao -primeiro canto do gallo levantam-se e pro-
curam agua para se lavarem ; ao voltarem assentam-se
em redor do fogo e do cachique ; recebem as ordens
que cumprem sem observações e com pontualidade.
Sustentam-se de caça, peixe, mel e frnctas;
plantam tambem algum milho e feijão. Do milho
fazem uma especie de pão, para o que o põe de
molho na agua até apodrecer, e depois o socam ao
pilão, ou o amassão com as mãos e cuspo, fabricado
uma roda de bom tamanho para assarem-na em
baixo. da cinza, ficando o milho por aquella forma
apodrecido com cheiro tão repugnante, que não ha
pessoa civilisada que o possa tolerar.
Até ao presente são bem poucos os que querem
a comida temperada com sal. Mostram a maior
aversão ao leite e a carne de gado vaccum.®
São francos, alegres e conversadores; tem
grande paixão por missangas, especialmente brancas,
e offerecem de boa vontade o que têm de melhor
em sua casa em troca dessas bagatellas. Quando
organizam suas festas e danças, servem as missangas
de enfeite as mulheres. que as tem em grande estima-
ção, trazendo-as à tiracollo, quantas possam ajuntar.
Quem lhes dá alguma cousa como presente não fica
sem retribuição.
(2) Notei esta predileeção nos indios do Matto Grosso.
( Nota de E. T.).
(3) Verifiquei isto por mim. Mandei em Guarapuava
distribuir-lhes carne de vacca e só os homens nella tocaram.
As mulheres recusaram-se a provar siquer; pediam carne
de porco.
eae ct
Rapam as sobrancelhas, barba e bigodes, e
todos os cabellos do corpo.
As suas armas säo grandes arcos feitos de pau
de guaitiva e todos enleados com casca de cipó imbé,
flexas de dois metros de comprimento com farpas
de osso de macaco ou de ferro, e mostram muita
“habilidade na pintura dellas.
Além dessas armas usam tambem de lanças de
folhas de faca muito polidas, tendo as hastes dois
metros de comprido mais ou menos; com estas
armas fazem a guerra e tambem as suas caçadas
nas quaes mostram grande tinc e habilidade. Quando
voltam para sua cabana, é sua chegada annunciad
de longe com toques de busina, feita algumas vezes
de itaquára, e, quando pôdem obter, com chifre de
gado vaccuin. Gostam muito de facções, machados,
thesouras ou qualquer ferro cortante; mas sobretudo
mostram o maior empenho em obter cachorros,
com estes caçam, mas depois da caça morta não
repartem com os cães, nem mesmo os ossos, depen-
durando-os ou enterrando-os, para que não se tornem
preguiçosos; por isto andam sempre estes magros
e prestes a morrer de fome; entretanto quando lhes
morre algum cão. lamentam e choram como se lhes
tivesse morrido algum parente.
Mostram grande predilecção por espirgardas, e
quando tem a felicidade de conseguir uma, dão-lhe
grande estimação, trazendo-a muito limpa por fora, |
como costumam conservar as armas e as ferramentas,
quasi sempre porém o interior do cano é sujo, talvez
por não saberem ainda desmanchar a arma; são
bons atiradores, e raras vezes perdem o tiro.
Costumam fazer o primeiro casamento quando
apparece perto da lua uma estrella, e depois em
qualquer tempo do anno, devendo o genro acom-
panhar e servir o sogro, aliás ficará sem mulher, e
logo passará para outro que se sujeite às condições
do pai da mulher; mas quando as mulheres ficam um
pouco velha, sera trocada por outra mais muça.
Deste modo casa a moça varias vezes.
mi as
Quando alguem se distingue na guerra ou na
caça, toma duas e algumas vezes tres e mais
mulheres, e chama-se então Tremäni, que quer dizer
valente e forte. (M. Tara, túra, turu: duro, ferte,
apertado, secco-ma, muito-ni, é M.) E com effeito,
os indios mais destemidos são logo conhecidos peio
maior numero de mulheres que possuam. Ao se
encontrarem não costumam trocar cumprimentos ;
mas entrando na cabana do vizinho, sentam-se sem
cerimonia perto das pessoas que lhe são mais affei-
coadas. e assim permanecem até que estas lhes of-
reçam alguma fructa ou quaiquer outra cousa : depois
de terem comido, deitam-se e começam a conversar.
Aquelles que não entram na palestra, guardam
profundo silencio, dardo de vez em quando signal
de interesse com a cabeça, ou mostrando sua appro-
vação com uma palavra guttural — he — que quer
dizer «está bem ».
Consiste sua industria em tecidos de panno
grosso feitos com as fibras de ortiga grande, ( uafs ),
na fabricação de algum utensilio de barro e espe-
cialmente na feitura de lanças, arcos e flexas. Neste
trabalho mostram muita habilidade, polindo as armas
e pintando as de diversas maneiras.
Occupam-se as mulheres no serviço dos teci-
dos e fabricação de louças; os homens nos ador-
nos das armas.
São os pannos tecidos sobre os joelhos, e ser-
vem para cobrir as partes que o pudor feminino
manda esconder ; quanto aos homens andam intei-
ramente nus. Além de pannos para este serviço,
tecem outros com mais delicadeza, feitos com as
mesmas fibras, dando-lhes ordinariamente de seis a
sete paimos de comprimento, bem trabalhados, e so-
bre elles desenham com tinta vermelha, diversos
traços, que segundo me contou o cachique representa-
vam facões, machados e flexas, embora não pudesse
eu achar a menor similhança com taes objectos.
As mulheres, quando se acham pejadas, abstêm-
se de comer carne, alimentando-se sómente com pal-
mitos, fructas, etc..
— 580 —
Dizem que é para não engordar o filho no
ventre. Depois de terem dado à luz, comem sem
escrupulo todas as cousas comestiveis, e logo tanto
a mãe como o filho, se lavam em agua fria. A
recem parida mesma leva o filho para o corrego
mais perto, e com tudo isto ê extremamente raro
que uma india morra de parto ou de suas conse-
quencias.
Reduzem-se a pouca cousa os seus divertimen-
tos; o principal é o combate simulado. Dois par-
tidos contrarios munem-se de grande quantidade de
cacetinhos de 1 e 1 1/2 a 3 palmos de comprido ;
formam-se em grupos, e começam a atirar os cace-
tes uns aos outros, desviando-se como melhor pó-
dem, e neste exercicio mostram muita agilidade e
dextreza. Sempre sahe comtudo algum contuso, e
aquelle que acerta uma cacetada no contrario, ri-se
às gargalhadas. Consiste outro brinquedo em enter-
rarem-se uns aos outros na lama, sem distincção de
sexo; procurarem queimar-se com fachos de palha
accesa, emfim luctarem ou treparem nas arvores
mais altas.
Por qualquer bagatella, fazem grande algazarra.
Si acontece que o marido surre a mulher ou algum
filho, aparta-se o casal sem cerimonia, e logo o ho-
mem cuida de procurar outra esposa.
Quando porém a duvida é com gente civiliza-
da, armam-se com lanças, arcos e flechas ( até crian-
ças) para se vingarem; mas, si não conseguem seu
intento, conservam a lembrança do ultrage até a
morte, e morrendo deixam-na por herança aos filhos.
Viajam com as mulheres que carregam o filho
menor ds costas, preso por um cinto feito de casca
de arvore ( goivira M.), de forma oval, que é pas-
sado na testa da india e dalli para o assento da
criança; levam tambem fogo, e apagando-se, tor-
nam a accendel-o esfregando com dois paus seccos de
encontro um a outro. Andam os homens inteira-
mente nus, mas enleam as pernas com cordinhas,
feitas de casca de cipó imbé, ou do pello de porcos
selvagens, para se livrarem das mordeduras das co-
— 581 —
bras; caminham cinco a seis leguas por dia, e car-
regam pesos de quatro a cinco arrobas arranjadas
dentro de um pisamé ou cesto, seguro por uma
corda que, presa ao cesto, passa na testa do indio;
além das armas levam um bordão que lhes serve
de apoio.
Quando algum delles cahe doente, aperta:n-lhe
o corpo inteiro com cordas de imbé, deitam em
baixo do leito desde a cabeça até o grosso das per-
nas umas hervas sobre brazas para produzirem grossa
fumaça. Sentam-se então de um lado as pessoas
encarregadas de applicarem os remedios, e de outro
lado um homem ou mulher (dos mais velhos ), que
continuamente assoprain em differentes partes do cor
po do enfermo. Quando a doença vae tomando aspe-
cto perigoso, começam as mulheres a chorar em al-
tos gritos, e assim continuam até que percebam
alguma melhora (o que raras vezes acontece) ou
morra o doente.
Exhalado que seja o ultimo suspiro, é imme-
diatamente levado o morto para o logar da sepul-
tura, carregado por tres homens, segurando um a
cabeça, ontro o meio do corpo e o terceiro as per-
nas, indo o cadaver envolto num panno (curl) e
seguro com amarrilhas. (Chegado ao seu destino,
abrem uma cova que mede sempre 7 palmos de
comprido, 3 de largura e 4 de fundo, tendo para
este serviço uma bitola exacta, forram essa cova
com folhas @ palmeira e metade da casca da ar-
vore que servia de cama ao fallecido, e depois com
grande cuidado o depositam na sepultura com a
cara para o poente, servindo de travesseiro os seus
curls e pennas. A” direita collocam todas as suas
armas e um tição de fogo acceso; cobrem depois
com paus que alcançam de um a outro lado da se-
pultura, em cima dos quaes poem a outra metade
da casca da sua cama para evitarem que caia terra
sobre o corpo; tapam todos os orifícios com folhas
de palmito dando-lhe a fórma conica. Acabado o
enterro voltam todos para suas cabanas guardando
rigoroso silencio; as mulheres do fallecido fecham-
— 582 —
se em um pequeno rancho apartado por espaço de
oito dias, tendo de carpir ao romper da aurora, ao
meio-dia e ao entrar do sol; os mais tractam im-
mediatamente de arranjar o necessario para a festa
dos mortos.
Para prepararem as bebidas destinadas a essa
festa mettem o milho e o pinhão juntamente com.
agua em grandes panellas de barro, e perto do fogo
os móem com os dentes para mais depressa fazel-
os fermentar ; depois misturam o caldo do milho
com mel, formando por este processo uma bebida
embriagante, pouco agradavel ao paladar de gente
civilizada, mas muito apreciada dos selvagens, que
a chamam «aquiqui», isto é, aguardente.
Oito dias depois do enterro do morto, a um
signal de busina reunem-se na cabana dos parentes
do fallecido, todas as familias da tribu, com os cor-
pos pintados de preto. Entram em silencio e com
eravidade, sentam-se sem distincçäo à roda do fogo
(que quasi se extende de uma extremidade da ca-
bana à outra), em. duas fileiras, uma em frente da
outra. Sentam-se as mulheres por traz dos homens ;
nesta posição começa o cachique a cantar em lou-
vor do morto uma cantiga monotona; as mulheres
e a do morto sentada a um lado choram, e os ho-
mens offerecem aos convidados comidas e aquiqui
Repentinamente levantam se todos cantando e dan-
cando em torno do fogo, formando uma scena ani-
mada e piltoresca o movimento dos corpos acom-
panhado com a mudança dos passos de certeza ad-
miravel, tendo todos nas mãos uma rama de folhas
verdes ou um bordão pintado a capricho; conti-
nuam com estes folguedos até zcabar-se o aquiqui.
o que geralmente passa de cinco a seis horas; du-
rante o brinquedo alguns delles ficam embriagados
e lançam o aquiqui ao fogo; mas estes são amar-
rados para não fazerem damno aos mais, e quando
acontece que alguma mulher fica neste estado, serve
de caçoada a todos, até crianças. Desta maneira
acaba a dança e todos, suados e sujos de cinza e
fumaça procuram o rio para lavarem e dissiparem
os vapores do aquiqui.
As cabanas em que moram, servem até ficarem
inhabitaveis por causa da immundicie tanto externa
como interna; acham que é mais facil queimar a
velha e construir uma nova do que terem o traba-
lho de afugentar os bichos dos pes e as pulgas que
“os atormentam ou fazer a limpeza necessaria para
destruir esses insectos ; muitas vezes sem estes motivos
não duram as cabanas muito tempo, porque, susci-
tando-se quaiquer duvida entre elles, a primeira vin-
gança que tomam, é procurarem queimar a casa do
contrario.
Em cada cabana grande ha um ou dois indios
que governam os mais, e cada mez sahe um destes
para os alojamentos que ainda existam no sertão
vizinho (que segundo me contou um indio andam
por uns doze ) ; “fazem estas viagens mensaes para
colherem noticias si tem morrido algum.
Voltando o mensageiro com a noticia do fal-
lecimento de algum conhecido, lamentam-se todos e
choram com grande algazarra.
As suas festas ( quando as ha) dão-se quasi
sempre no tempo do milho verde; mandam então
convidar os cachiques dos outros aldeamentos, e pre-
parando-se com tintas e pennas vão ao seu encon-
tro meia legua de distancia, levando-lhes bebida, a
cincoenta braças da cabana, sahem as mulheres car-
regando bonitas pennas, com as quaes enfeitam a
cabeça e o corpo dos convidados.
Em algumas occasiões, primeiro que tudo, vão
ao cemiterio e rezam pelos defunctos; em outras,
sem cuidarem nisso, assentam-sé em torno do fcgo,
com a maior gravidade imaginavel.
Nestas festas recitam algumas poesias, que me
pareceram rimadas; mas nunca lhes pude saber a
significação. (M. Creio que nem os proprios indios
sabem em geral a significação das suas poesias, pois
me parecem formadas de palavras antiquadas e em
tempos remotos, cujas significações em parte não
mais se conhecem. M.)
Estes indios, quando em marcha, deixam vesti-
gios de comida e caçadas, e si lhes apparece algum:
animal feroz deixam tambem signal para avisar a
gente que vem atraz de que aquelle sitio é perigoso ;
quando caminham de noite levam comsigo am ar-
chote ou tição de fogo acceso.
São muito inclinados ao latrocinio ; em podendo. .
lançar mão de qualquer cousa que excite a sua cubiça
não o deixam para logo, e tanta habilidade mostram
no furto como os mais refinados ladrões das grandes
cidades ; entretanto este pessimo costume vai dimi-
nuindo e é licito esperar que com o tempo e educação
desappareça entre a maior parte delles.
Uma das difficuldades na catechese e civilisação
destes indios é a grande facilidade delles se susten-
tarem nas mattas. Offerece-lhes a natureza com mão
liberal tudo de que necessitam : abundam as florestas
em fructas e caça e os rios em peixe ; em qualquer
parte emfim acham com que matar a fome e tendo
elles a barriga cheia, por cousa mais alguma appete
cem.
Religião
Admittem estes indios a existencia de uma di-
vindade como todos os entes racionaes ; ignoram
porém os verdadeiros principios da religião.
Alguns tambem tem noções de um ser malfa-
sejo, a que chamam de Acritão; mas tal crença
não é geral entre elles. M. Chamam tambem ao de-
monio det koré — det, cousa-koré, ruim. —
No dia 12 de Novembro de 1866 perguntei ao
cachique mais velho capitão Manoel Aropkimbé ( que
quer dizer avançador ) quem era o deus a que cha-
mavam de Tupén.
Promptamente respondeu-me era o sopro que
quando algum estava doente, por costume delles deve
ficar uma pessoa ao seu lado soprando-lhe na cabeça,
nas costas e na barriga. E si neste tempo acontece-
lhe haver trovoada com relampagos, cessa de soprar,
porque é prova certa de que deus estava irritado e
que o enfermo provavelmente morria.
Desta conversa deduzi que elles adoravam o re-
lampago e o trovão (como tenho observado) e
tem muito medo da trovoada, chamando-a deus bravo,
Algumas vezes diziam que dets era o sol, outras
a lua e concluiam com uma palavra: Cequikekedi,
quer dizer; nada sei a respeito. M. Precisa dizer
Kikaktin. akikaktin: não sei. Eckikedi é er-
rado. |
Emquanto conversamos, lembrei de uma passa-
gem das aventuras de Robinson Crusoé, quando este
discorria com o seu indio Sexta-Feira acerca da
crença de Deus. |
Era elle quasi da opinião do velho cachique,
mas tinha mais vontade de aprender a verdade:
dizia a Robinson, respondendo às perguntas, que o
seu deus se chamavam Tupén que era o trovão, e
que esse trovão creára a terra, o mar, animaes, plaa-
tas e todas as cousas; que deus era mais velho do
que o sol, a lua, as estrellas e o ceo, e que a mo-
rada desse Deus assentava nas mais altas montanhas,
Ouvindo essa narração, fez Robinson com boas
maneiras ver ao pobre selvagem os seus tristes er-
ros. Dando melhor idea de Deus explicava-lhe que
ninguem pode ver o Ente Supremo por ser invisivel,
perfeitissimo, infinito e omnipotente, sabendo de tudo
que passamos, fazemos e dizemos; um justo remu-
nerador dispensando a cada um premio e castigo
segundo às suas obras, e desejando que os homens
se aperfeiçõem de dia a dia para devois obterem uma
felicidade eterna.
Escutava Sexta Feira estas sublimes e consola -
doras palavras com grande attenção e respeito e de-
sejava todos os dias ouvir as verdades principaes da
religião, julgando-se muito feliz por aprehendel-as,
attribuindo tudo que uma graça particular do Crea-
dor lhe permittira achar-se em companhia de um
homem temente a Deus e tão instrnido.
Mas nas conversações que tive com o velho
cachique, achei-o com disposição em tudo contraria
à do neophyto de Robinson. Nao me foi possivel
fazer-lhe compenetrar-se dos seus tristes erros, nem
convencel-o de que a polvgamia é um peccado e que
devia contentar-se de uma sé mulher em lugar de
quatro (como tinha) em sua companhia; muito
menos persuadil-o” que morando comnosco, devia
aprender a religião, para que tanto elle como a sua
gente se tornassem com o tempo verdadeiros chri-
stãos e bons cidadãos.
O velho polygamo em logar de mostrar desejos
de ser educado, respondeu-me que não podia deixar
de ter as quatro mulheres, porque éra Tremäni ( isto
é valente. )
Si estava morando comnosco. continuou, não éra
por encontrar a felicidade, pois mais feliz se achava
nas mattas virgens, onde a caça, O peixe e a fructa
eram mais aburdantes, e nunca lhe faltara manti-
mento suficiente para o proprio sustento eso da
numerosa familia. (O verdadeiro motivo que justi-
ficava sua permarencia entre nós. era porque não
podia passar mais sem as nossas ferramentas; que
já éra tarde para acceitar uma nova religião sendo
já velho tanto que nunca poude apprender a fazer o
signal da cruz; em fim despediu-se com uma risada
e deu-me as costas, dizendo-me sarcastico adeus.
Visto não ser possivel fazer com que os indios já
maduros apprendam a religião, o meio mais facil a
meu ver, é mocular-lhes o amor ao trabalho, a am-
bição de ganharem e possuírem as cousas, não dadas
de presente que elles mesmo dizem nada valerem,
mas ganhas 4 custa do sen esforço. E’ necessario
incutir-lhes horror ao furto e ao homicídio, a que
são muito inclinados.
Quem pensar que póde sujeitar o indiv a uma
vida sedentaria em poucos annos, pensa erradamente :
os que sahirem drs mattos em idade viril, tarde ou
nunca se acostumam com outro modo de existencia :
os adolescentes e os que nascem nos aldeamentos
são os unicos proprios para receberem instrucção
religiosa.
Si para se extirparem superstições e maus costu-
mes de muita gente que se diz civilizada, é necessario
penoso trabalho. grande perseverança e continuos sa-
crificios, quanto mais com estes filhos das florestas,
que prezando sobre tudo sua liberdade € independencia,
a ninguem obedecem e estão sempre promptos por
qualquer desgosto, a ganhar outra vez o matto? E
uma vez teita esta tenção, não ha conselhos nem
agrados que os levem a mudarem de resolução.
Dialectos
Todas as nações civilisadas tem certas regras
de linguagem seguidas pelos homens intelligentes e
bem educados: mas poucas as que não possuam seus
dialectos nas differentes provincias em que se sub-
dividem : entre os selvagens da mesma nação que
falam a mesma lingua ha tambem dialectos. Com
effeito observei que os indios do aldeamento de São
Jeronymo, bem que sejam da mesma nação que os
de São Pedro de Alcantara, tem muitas palav:as
pronunciadas de uma mareira inteiramente diversa;
do mesmo modo que por isso concluo, si ha dialecto
nas nações civilisadas, os ha tambem entre os indios
selvagens.
Aldeamento de São Jeronymo — Frei Luiz Ci-
mitille ».
IV
Sobre os indios de Guarapoava (*) encontrei
valiosas informações num trabalho do padre Fran-
cisco das Chagas Lima, impresso no tomo IV da
preciosa collecção do Instituto Historico.
y
Segundo o padre Chagas Lima, os indios que po-
voavam os sertões de Guarapoava, por occasiäo da
(4) Segundo o padre Chagas Lima. esta palavra quer
dizer ave de vôo rasteiro em contraposição a gusirá ( passaro
pequeno ).
cxploraçäo e conquista, dividiam-se nas seguintes tri-
bus : cames, votorões, dorins e xocréns, as duas pri-
meiras moradoras do campo. :
A qual dessas subdivisões pertence a denomi-
nação caingang ? A todas deverá extender-se ou ser
mais particularmente applicada aos camés segundo
pretende Martius em uma nota ao vocabulario dessa
tribu ? (6). M. Tambem os indios de São Paulo que fal-
lam a lingua kaingang chamam, a si de Kaingang.
O padre Chagas nunca se refere a semelhante
denominação que não pode comtudo ser posta em
duvida, conforme já deixei dito e demonstrado.
Assim todas as denominações de logares, rios,
corregos e campos dc lado brasileiro, são de origem
e feição kaingáng, mais chegadas do tupy, ao passo
pa do outro tomaram o caracter e typo meramente
cayuá ou guarany.
Assim Gôio — en, Erê, Xanxä è. Chapecó,
Chopin, etc., M. ania corrupção de góio aint,
não vadeavel ( Borba) — Eré. campo — xanxa-re,
campo do cascavel — rê, campo-3 — Chapekô-xä,
salto — embekté, modo de pegar os ratos, applica-
do no rio deste nome para caçar os cascudos.
( Borba )-5 — Ghopin-chu, bulha que faz o fogo quan-
do se apaga com agua — pin, fogo (Borba ).
Os nomes de corregos, ribeiros e rios, sau todos
ygh do lado de lá, e goio de cá. M. ygh pronun-
cla-se úgh.
A lingua e dialecto kaingang é mais ou menos
doce e tem certa harmonia, dando-se no falar cor-
(6) Diese Kamés, den Ansiedlern von São Paulo in
innern von São Paulo unter der Namen der Bugre oder als
indos ne matto bekannt, nennen sich selbst Kaingang
und venn sich unter den Weissen als gezahmt niederlas-
sen, kaiki: Estes Kamés, conhecidos, entre os immigrantes
de São Paulo, sob a denominação de Bugres ou de indios
do matte, se denominam elles mesmos de Kaingáng, e caso
elles se estabeleçam como manços entre os brancos, se cha-
mam Kaiki.
rente muitas allusões que só se podem destrinçar,
quando pronunciam as palavras de vagar e desta-
cadamente. Aliás não ha regras para a declinação
dos nomes e conjugação dos verbos, ou, si as ha,
são summamente deficientes. © complemento re-
strictivo ( genetivo) vem sempre antes da indi-
cação do possuidor; assim: flor de abobora, pacon
féie. M. Féie, féje : Flor, folha. Olho d'agua: goio
kané. M. Kané, olho.
Usam a cada momento do hyperbaton, sendo
a ordem habitual das palavras muito invertida ; assim
o complemento terminativo ou objectivo costuma
ser anteposto ao sujeito que precede o verbo. Por
exemplo. Capitão grande deu a Covare roupa nova
— Curú hô Coveré paimbang moté que ya. M. Kuru,
panno, hd, novo-pai, capitão — buôngh, grande-
moté ke, creio não ser escripta direita esta pa-.
lavra. Talvez devesse ser escripta ba taki: trouxe
aqui (para Coveré). Ou: Ba ti ke ja-ma, ba: tra-
zendo-ke ja: esta agora-ha, trazendo-ke. pretende-ja,
agora-ou senäo ke ja, indica o passado de trazer.
Este verbo dar traz grandes confusdes a quem quer
se iniciar nos acanhados mysterios dessa pobre lin-
gua kaingang, sendo expresso por termos mui di-
versos.
Assim moté ke. nimo, eifé e fiton. V, g. : Dá-me
mel: A mang nimmo. M. A, voce-mang, mel-nimmo
dá agora-mo, agora. Ndéia, não dou. Fi ton: Não
deu. Dar pancadas: Xim. M. Para mi:n estes ver-
bos significam dar só em sentido derivado ä, não
primitivo. Assim ma ‘ ke, significa esta querendo,
trazer ou trouxe, como acabamos de ver-nim mo,
significa rogo-te agora, de nim, rogo-mo, agora.
— Eifé me parece errado; deve-se dizer eix ti-êix,
para mim-fi, ponha. itôn, não por.
Tein elles monosyllabos que exprimem uma idéa,
como rem — pintar o corpo (M. Melhor, ré, rém :)
— pintar simplesmente, e pintar o corpo), quando
pintar é — venharó, venhrüin, venharôn. Jut — uma
cousa que apparece ; put — quando desa pparece. Não
sei — cah. Rom — abrir a porta. M. Don, abrir,
abrir a porta (fechar a porta é — nifäina). M.—
Nifé; niféiera, é o imperativo). Ort — isto é men-
tira. M. Tambem ôn, etc. Possuem tambem certa
abundancia de termos em alguns casos; por exem-
plos : Camisa — xupóin. (M. Vexupóix significa tam-
bem vestido); camisa curta — rôro. (M. Tambem
ruro ); camisa comprida — téka (M. Parece erra-
do, deve ser — téie, tela, teja); camisa sem manga
— krénini. (M. Tambem kranini). Collarinho de
de camisa — tin dui. (M. Ti, de Fulano de tal —
dui, pescoço); botão de camisa — den; casa de bo-
tão — tiren; mangas — tapeuxi; nesgas — tiungré ;
fralda — tindard. Do mesmo modo, dia — kuxa.
M. Parece-me räo significar dia esta palavra, mas
lua, frio ). De dia — kurem. (M. Kurän, significa tam-
bem smplesmente dia); de noite —kory. (M. kutü,
kutiigh — noite, de noite ) ; de manhã — Kuxaki; de
tarde — lérei kéke (M/ Arankaxka-aran — sol.
O vocativo, si se refere a homem, vem segui-
do da particula uaa. (M. Od tambem) e ja si mu-
ver. O Katoxá, o Depery — venha cá: Katoxa ua,
Deperi ja, o ketim (as duas ultimas palavras são er-
radas; em vez de o se ponha ha, voz imperativa;
kantin, venha).
As particulas augmentativas são bang, be, bit.
(M. Para mim é uma só; a saber, buéngh; as ou-
tras são devidas a não saber bem pronunciar-se pe-
los brancos a palavra buôngh); as diminutivas são
xim, xiri; por exemplo: in buôngh, casa grande ;
in Xin, casa pequena.
As conjugações do verbo, diz Chagas Lima, são
em extremo defeituosas, faltando-lhes a clareza ne-
cessaria, para nelles se distinguirem riodos, tempos
e pessoas.
A particula ahurú denota preterito, bem como
ja, ainda que mais raras vezes. (M. Tambem diz-se
húru, hóro.
(9) Daili virá chupim o nome da colonia?
Un.
A negação exprime-se por tom (M. Ton.
Tambem uo). (1º)
Exemplo de conjugação do verco ko, comer ;
Eu como: Ix ko Eu comi: AE
si ; E Hurt. ko
Tu comes: A, ama ko Tu comeste
,
Nos comemos: Ein ko
Vos comeis: Aiáng ko
Elle come: Ti ko
Ella come: Fi ko
Comemos junto: Embra ko ( M. Bre )
Come tu: ha ko
Elles comem: Ag ko
Wile comes Esp EO Eu não como: Ko ton
Eu não comerei: IXó ix ke tôn-ke : quero, pre-
tendo.
Eu comerei : Koia kémon ( M. Kémo ) — Desejo
comer: Koaati. Koia ati M. Deve ser koix ho ti-ix,
eu, hô, quero-ti, muito.
Tu não comeräs : Koia a ke ton ( Koi, comer a,
tu-ke, pretender ).
Não quero comer mais: Ko tôn uá.
M. Não quero ainda comer — ton, ainda não
— uáix, não quero.
Que hei de comer? Oe ko? (M. De, que
cousa ? ).
Este adveroio embra, juntamente, serve tambem
{M. So quando se póde sem alteração do sentido )
de conjuncção e.
Outros verbos — Ir e Vir
Eu vou: Timo ka (M. Significa pretendo ir-tin
ir-mo, agora-ka, ke: pretendo ).
Vamos: Mom (M. Moi, moi, mo ) — I-Vamos
para casa: in to mo ( M. In ra mo-ra, para-in, casa).
Vão todos: Mom (M. Significa simplesmente
vão. Vão todos: Mo kan-kan, todos ).
Venha para cá: O ke tim ( Acho errado. Pre-
cisa-se dizr : Ha kantin-ha, voz limperativa ).
). No meu vocabulario vem tóinetom (M. No Ti-
bagy se diz ton).
Vamos para la: Ha tim ( M. Ha tin-ha, voz
imperativa ).
Vamos juntos: Embra tin. Vamos todos: Mona
(mona, significa simplesmente vamos. Mon kan:
Vamos todos ).
Lavar ou lavar-se: Kupe (M. Tambem fazer banho
{— Já lavei: Kupéia. 2 — Não lavado : Kupé
ton. 3 — Mulher lavou roupa: Kuru faia fini (M.
significa não lavou, mas está lavando. O A. em
lugar de fi usou ti, que significa elle, homem). 4 —
O homen lavou a roupa: Kuru faia ti huri.
Ser ou estar: Ni, a (M. Na), on.
Estar rindo-venja ( M. Estar sentado Ninira
Vendü, venjii), (M. E imper ).
Estar deitado: Nina
(M. Na, deitar ).
Ser surdo: Me tôn (isto é me, ouvir. M. soffrer
— ton, não ).
Ser cego: Kané ton (isto é, kané, ver — ton,
não ).
Estar parado: Ta niki. M. Deve ser: Ta nik-
ti: Elle esta parado lá — ta, la — k, paragoge — ti,
elle. — Estar comendo: Kotim. M. Deve ser ko ti
ni — ko, comendo — ti, elle — ni, esta.
Accender : Pingungra. M. Deve se dizer pingrüra,
e é imperativo de grú, illuminar. Accender se diz
aiènka — pin, fogo.
Accende. M. Accender ; Pingrü — Accendeu :
Pimien kara. M. Deve ser pin aienkaja : accen-
deu o fogo.
Querer: Heiketi. M. H6, ke.
Elle ja quiz: Heiketemja. Hô, querer — ke,
terminaçõo do passado — te, elle — ja, particula
advorbial para indicar o passado. M. Ket huri — 2 —
Elle depois não quiz: Kárake ton xoro. M. Elle de-
pois não quiz desejar — kára, depois — ketôn, não
querer — xôro, desejar.
Sends ae
_ Eu não quero: Ix iritim. M. Palavra nova. Ix
kémo tôn.
Fugir
Guapeju tin: Eu fujo. M. Veipeju tin: Eu vou
fugindo. Tambem ueipejt, pejui. O G de guapejn
para mim é errado: deve ser ommittido. Pode-se
escrever weipeju pronunciando-se ao modo inglez.
Fujamos: Veipeja momôna. M. Mon, plural
de tin.
Ja fugiu: Veipejú já.
Já fagiram: Embra veipeji ja — M. Embre,
junto. Para indicar o plural precisa accrescentar ag,
elles; fag. ellas.
O Dr. Carlos Federico von Martius na sua obra
« Glossaria linguarum brasiliesium » diz com razão
ou não que o dialecto kamé, etc.; Em geral o livro
que o illustre sabio allemão tentou fazer com o fim
tão perspicuo e syntetico pecca, pela fonte duvidosa
e as vezes ma de informações além da gravissima
confusão e disparidade, conforme já notei no co-
meço, o modo de escrever as palavras indigenas.
Vocabulario do dialecto Kaingang
( Coroados de Guarapoava — Provincia do Paraná )
EO Fe ;
ALFREDO DE ESCRAGNOLLE TAUNAY
Senador do Imperio. — Presidente da Provincia do Parana, de Setembro
de-1885 a Maio de 1886.
M. Notas. — 1.º Resolvi adoptar tambem no
texto do A. a minha orthographia por ella ser mais
simples e exacta.
2. As lettras E e O, iniciaes e finaes das pa-
lavras têm o mesmo som em Kaingang como si
estivessem no meio da palavra. Ex. g.: o E da pa-
lavra fuôre soa como o E de cerca.
3.º As notas marginaes do A. ponho no fim
de cada lettra inicial.
Abobora *: Peju.
Abelha: Mang, M. E’ mang, ma.
Acabar : Kara hüri.
Acha bom?: Kei xon ? M. Vocabulo novo.
Achar mel: Man pai hume ? M. Palavra nova.
Mang ve húri? Ve, achar-hume, umd: você.
Adiante : Fontè. M. Palavra nova. Jo, jamé, ju :
adiante.
Agua: Golo.
Aguardente de milho: Goio afé. M. Goiofa.
Idem de pinhäo : Goio aki, goio akiki.
Agua quente: Goio aranjangue. M. G. ara-
nhangiit arän, quente-angiit, muito.
* As palavras com este signal acham-se no pequeno vo-
cabulario do Sr. Telemacco Morocinis ( Morosini M.) Borba,
publicado em 1882. Os jj sôam sempre aspirados, ( Nunca.
M.) bem como os hh.
our
Alambary * : Kanero fuore. M. E' Kankrü fuüre.
Allegre: Vendi. M. E' vendi, venjii: rir, es-
tar allegre.
Amanhã: Naeká. M. E' errado: deve ser vaia-
ka, uaiaká, composto de uaiä, amanhã. e de ka, em
(em amanhã). |
Amargo : Kajä.
Amarrar : Texära, tokfira, texéra. M. São im-
perativos. Tixéra, de ti, a elle — xe, amarrar.
Amar: Ekrinbodin. M. Creio mais correcto, e é
vacabulo certo Kevenhära, kevanhéra: Conhecer,
amar. à
Anno: Plan M. Prin —I— Anno comprido :
Plan taiangue. M. Pran téie gu-teje, cumprido, gu,
muito.
Anta: Nhoro.? M. Jóro, ajóro.
Ante hontem: Nake-honte. 3 M. Está errado.
Precisa dizer arankét oOntka-arankét, hontem-on,
outro-ka, em.
Aprender : Kanherône. M. Tambem kiveinramen.
Aquelle : Ni Kené. M. Parece que significa:
Aquelle que esta ahi-ni, estä-k, paragoge-éne, aquelle.
Arara : Kaëg, * kaéi.
Aranha : Patekli.
Arbusto : Kaxin. M. Ka, pau-xin, pequeno
Arco: Vêie,º guia, uéie. M. Uijei, vuije, uija.
Arrancar: Krivindia. M Konôn.
Arroz: Nára kKanxil.ºM. Gara kanxire. A.
Nara kanchin-gára, m'lho-kanxire, pequeno.
Arvore: Upandoi. M. Ka.
Assar : * Jakxunde.
Assentar-se : Niva. M. Ni, sentado-va, van:
estar. |
Atirar fora: Fon, fonora. M. E só fon, fod;
fonfonora, ou melhor fontônera, significa atirar fora
Notas marginaes do A. I. As palavras com este signal *
acham-se no pequeno vocabulario do Sr. Telemaco Morosini
Borba, publicado em 1882. Os jj são sempre aspirados, bem
como os h. M. O j não é aspirado; mas se pronuncia nasal
lado, e produz o som de nh nasalado. O H sim que é aspirado.
— 596 —
varias cousas, ou que são mu:tos que atiram fora,
ou atirar fóra varias vezes.
Atravessar : Kafa hon. M. Para mim está er-
rado. Kafän significa de cutro lado — Kafän ra tin :
Ir para o outro lado-ra, para. Envez de ton, será tona,
vamos.
Notas marginaes.
Anus: Ti fu-ti, delle.
Avo: In, ban. M. In, minha ban, avo.
Fa: Azedo. * M. Tambem fua, fod.
1. Texéra: tomei eu: egualmente o Sr.
Mendes dos Santos. O Senhor Borba traz toktira.
M. Deve ser ti xéra: elle amarra-ti, elle. Não é
tokfirã; mas tokfira.
2. O Sr. Borba diz mais exactamente Oion ;
o vocabulario bugre do t. XV do Instituto Historico
diz ajoron. M. Eu sempre ouvi dos indios dizer
ajoro. Não me atrevo porém a condemnar o Sr.
Borba, pela razão que às vezes se trocam mutua-
mente as letras r e n, e porque ha muitas vezes
elisão no fim da palavra.
3. Parece palavra hybrida? M. Da explicação
que acabo de dar, ve-se que é pura palavra kaingäng.
4, O Sr. Borba diz kaéi, o vocabulario bugre
diz keag.
O. Essas diversas maneiras de dizer arco provem
do modo porque eu e o Sr. Mendes dos Santos to-
mamos os nossos apontamentos. O Sr. Borba traz ui.
6. A mesma observação da nota supra.
B
Balaio: Gueie. M. Keini.
Boicoral: Pane kongére. M. Pana kongarü-pan,
cobra-kongard, pintado.
Banana: Te ban kané. M. Tügnbuüngh kané
tiign, caieté-buéng, grande-kané, fructa.
Banco: Ninhä. Ninja-ni, sentar-ja, instrumento.
Banhado: Or. M. Oré: brejo, lagõa.
Barba: Joé. M. Joá, juá. 1-Barba de pau:
Ka-jaré. M. Ka, pau.
, Tw Terr
es |
eke | Aa
Barriga: Inajú!. M. Du-in, minha-du, ju,
ventre-a, paragoge.
Barril: Goio fa de M. De. recipiente-gôiofà, da
aguardente. Kurt de: caixa feita de panno.
Bastante: Engétka. M. Tambem getka.
Batata: Pete-hu.. M. Ped'ú, dun.
Batuque: Grengréia. M. Gringréie ( baile ).
Beber : Akrôn?. M: Kron. À ë prothesi.
Bigode: Jenklinä M. Jantkü kri na-jantkii,
bocca-kri, acima-na ( gaix ? }, cabellos, ou na, signi-
fica esta (0 que está ).
Bobo: man karnè. M. Man, que muito
kamé, teme. Na minha opinião, é chamado assim
o bobo pelo facto de ser na apparencia habitual-
menie timido. Os Kaingang exprimem frequente-
mente o apparente com expressões que indicam o
que não é apparente, mas real. Ex. g.: Nôro, si-
gnifica dormir, e fechar os olhos.
Bocea : Jentké?. ‘M. Jantkii Só esta pro-
nuncia ouvi dos indios.
Bolo ou pão: Emin.
Bom: Xitanguit. M. Não é xitagui, mas xin
tavin, ou xin tauin, xitaui-xin, bom, bonito-tavin,
deveras. Em geral os indios usam da mesma pa-
lavra para exprimir bom e bonito.
Bom: Okiténi® M. Hok tavin-hô, bom-k, para-
goge-tavin, deveras.
Bonito: Aguy: M. Ha gu-há bom-gu, muito
y, é superfluo.
Botas : Empemtoro; M. Pentoró-pen, pé-toró,
o que cobre.
Notas marginaes.
1. O Borba diz indú. M. In meu-du, ventre.
2. O Borba traz simplesmente krôn. M. E com razão.
3. No vocabulario Borba jantké. M. Deve ser jantkii.
4. Xitani diz Borba. M. E diz errado. Talvez é erro
typographico. M. Em geral os indios usam a mesma palavra
para exprimirem bom e bonito.
5. Parece o mesmo que xitavin. M. Poderia ser axin
tavin, ou hók tavin k, connectivo -- k6, bom.
Braço: Ipen, ijen®: M. I, meu-pen, braço.
Branco*: Kapri”. M. E errado; é kupri.
Brasileiro: Fong.
Bravo: Nhon. M. Nasalado. Jon: irado.
Braza: pianxô. M. Próix grü-prôis, carvão —
erii, accendido.
Brigar : Inhon. M. I jon-i, eu-jon, brabo.
Bujio : Nhegong®. M. Gogn.
Bugre : Indio do matto : Kaingang.
Buraco *: Doro, de don, abrir,
Cc
Cabaça : Rurinja. M. ru, rund, rundiä.
Cabeça : Krin.
Cabellos: Inhán. M. Gäix-i, meus — nhan, mal
escripto, porque supprime a pronancia do g nasaladc.
Cabello louro: Mei kuxon. M. E' errado: E
gáix kuxon-kusôn, vermelho, louro.
Cabello preto: Caixe. M. Errado; deve ser
aix vis |
Cadeira : In dière. M. In dére-in, minha.
Cahir: Embreia. M. Palavra que não conheço ;
pode-se dizer kúten.
Calças : Danen goro. M. Dégnen goro-dégnen,
nadega-goro, que cobre.
Cama: Nandia. M. Nángja-nan, nang: Deitar-
ja: logar, instrumento.
Caminhar : Emoga. M. Melhor: Kim mo kan:
Nos todos vamos-ein, nós-mo, vamos-ga, kan, todos.
Caminho: Empri héne. Emprü han: Fazer,
concertar a estrada-han, fazer.
6. O H é aspirado. O j soa como em espanhol. M.
Não senhor; soa como ja expliquei.
7. Em geral todo hemem branco.
8. Disse-me o tenente-:reneral Beaurepaire Rohan que
esta palavra provém do signal de fogo, que os indios a cada
instante ouviam da bocca dos portuguezes na perseguições
que estes lhes faziam. M. Assim tambem ensina o padre
Chagas Lima citado por Sebastião Parana.
9. O Sr. Borba simplesmente gong. A prothese não
provem da pronuncia nasalada: é um accrescimo dispensavel.
ee. wai
Camisa : Veixxupdi. M. Veixpóix. Significa
vestuario ; peça qualquer do vestuario.
Campear *: Kané i tin: M. Kané, procurar-i,
eu-tin, vou.
Campo: Eré. M. Tambem rè.
Cançado : Enrorôtiti. M. Aró -En, nos aróro, re-
petida a syllaba para indicar pluralidade — titi, final
do superlativo.
Caneco : Rundiá xin. M. Propriamente significa
cabaça pequena — xin, pequeno.
Cannella: Kainé. M. M: falta competencia para
dar juizo sobre este vocabulo por ser novo para mim.
Canna de assucar: Vacri. M. Pode-se dizer
uakri, vakri, inakri.
Canôa : Kaknéit M. E' kankéi.
Cantar: Taintän. M. Tambem kur, tractando-se
do cantar ou fala dos animaes.
Canto: Taintänia. M. Para mim é instruniento
de canto tambem — ja, instrumento.
Cao: Hau-hau?.
Capim : Eré M. Tambem rè.
Capivara: Kuingrindef. M. Kründüng.
Capoeira: Engoju. M. Engohu.
Carne: Ti nin. M.: nin, ni. Ti nin, tnin:
carne delle, do tal animal — ti, do tal bixo.
Carrapato: Kaxini? M. Uma variedade : krôio,
krujo, krújo.
Carretel: Uamfé. M. Propriamente linha para
costurar, fita.
Carvão: Brái. M. Brene, prüix.
Casa: Hyn® M. Deve ser errado. Sempre eu
ouvi dizer in sem aspiração.
Casa bem feita: In ema ho te M. In ma ho
hati-ma, muito — hé, bem — hati, feita. '
Casca de pau: Koxinione. M. E para mim pa-
lavra nova. Ka fuüre — ka, pau.
Cascavel: Xaxä. M. Tambem xanxá.
Caiteru : Oxixá. M. Okxa.
Cauda: Dére. M. Tambem bu, büigh.
Cauda de cão: Bi ou bu, M. E’ como acima.
Bi é errado.
— 600. —
Casar: ‘man in pro. M. E ix prôn: Eu caso
— ix. eu — pron, caso ( mulher ).
Caviuna: Amanto he. M. Vocabulo novo. Deve
ser hi.
Cedo : Kuxangui. M. Kuxan ki-ki, em.
Cedro : Tou. M. Vocabulo novo.
Cemiterio : Vaikéie. M. Tambem vejkéje, uai-
kèie.
Céo : Gaikan. M. Kaikan. kaika.
Cera: Déia. M. Deje, déje.
Cerca : Ro. M. Tambem lo.
Cesto de taquara : Kucénhe uän-uan, taquara.
Cachin : Guy. M. E’ vocabulo novo.
Cachin de espinho: mamfe.
Chale: Kuru. M. Kuru: panno em geral tam-
bem.
Chapeu: Kritá. M. Krintäue-krin, da cabeça-
taue, que cobre. O pronome conjunetivo na maior
parte dos casos é subentendido.
Charco: Orê.
Chega (M. Basta): Kéteca. M. E” errado;
diga-se gétka-I-Chega de trabalhar : Rainrain, getka.,
Cheirar: Nakain. M. Kain.
Chifre: Nika. M. Tambem ninká.
Chorar: Fuad tong. M. Significa estar chorando.
Chorar : Tá, Tua, doa:
Choro: Fuánomo. M. Para mim deve ser fuânmo:
estou chorando agora.
Chopar : Kixüt. M. Ge.
Chova : tas M Ta:
Cigarro: Maju. M. Vaju.
Cinco : petkre.º M. Petkára; patekra, pateklä,
kangrá (veinkangrä) 6n kafänte-kangrä, quatro-ôn,
outro, kafän, alem-te, no.
Cinza : Brean. M. Bréne.
Cinza: pininja. M. Bréne, pingóng, ninja (fu-
maça)-pin, do fogo.
Cobra : Pan.
Cochas : Ikre. M. I, minhas-kre, cochas (coxas ).
in me Bp q —e
wee
— 601 —
Colher: Ioé. M. Jaué. Propriamente significa
cuia. Tambem javé..
Collar: Ianká. M. lantkã: Rosario ou collar
para ornamento do peito, etc.
Coma mais: Kó gatilim. M. Ko, como-tudo
ga, toda-ti, do animal-lim (rün): parte, pedaço (de
riin, cortar ).
Comer : Ko-l-come ovos: Ko garin kre-garin,
de gailinha — Kre, ovos.
Como se chama? Ti e eriketin? M. Deve ser
errado; corrija-se assim: Ti jiji hôrikéti-ti delle
horike, como-ti, elle, jiji, nome. No fim da proposição
se põe as vezes sem necessidade o pronome que se
refere a um nome da mesina proposição.
Comprar: * Kaiame. M. Kajám, kanjam, kanjame.
Comprido : Taiangúe (1º) M. Teie gu. O e final
é errado : omitta-se.
Concertar : Hahamantin. M. Ha hadn: con-
certar-ha. bom -hadn, fazer. As vezes se diz só hadn. |
Ha ha man ti: Elle faz mais bom-man, mais-ti,
elle-hadn, . faz.
Conhecer *: Kevanhéra. M. Tambem amar.
Conversa: Uén ben. M. Venbedn.
Copular : Paiavra para mim desconhecida : Oikó.
Coqueiro: Tate fea. M. Palavra desconhecida,
Téi, coqueiro, féje: folha.
Coração: Ti fé, M. Ti, delle — fé: Coração,
estomago.
Corda: De oôn xea fan. M. De on, de outra
cousa—xéa, amarrar —fan, instrumento —ôn, outro.
Cordão umbilical : Nundine.
Correr: Tam tam ho. !t M. Voz desconhecida.
Tambem veinvé, venuvó, vo: Correr.
Cortar: Kré.
Cozinhar : Déi.
Cotia: Kixó. M. Aguti, cutia : Kaixó.
Couro: Hare. M. Palavra desconhecida. Fuóre,
couro, casca, pelle.
Cotiära : 2 Pan epé. M. Pan, cobra — epé, le-
gitima.
Cascavel: Pan xaxá. M. Tambem só xanxa.
ao
Urutü : Den pan. M. Den, terrivel — pan, cobra.
Tambem se diz den man.
Criança: Ontxi. M. On, algum — xi, pequeno — t
paragogico.
Guia: Petoró. !º M. Jaué, javé. Petoró pentoro :
botinas — pen, do pé-tord, que cobre.
Cunhado : Jambré. M. — jan, mãi — bre, junto
com.
Cupim : Runin. M. Artin.
Curto: Riúrut M. Tambem viro, roro, lúro.
Significa tambem redondo.
Notas marginaes. T. No vocabulario Borba küten.
2. O Sr. Borba diz iampri. M. Mas erradamente.
3. Na linguagem sertaneja, campear é procurar
animaes.
. O Sr: Borba diz kankéi.
. Perfeitamente onomatopaico.
. O Sr. Borba traz kriindiing.
No vocabulario Borba tire.
. O Sr. Borba diz in.
O Sr. Borba traz patkrä. Un, pire; dois,
rengré ; tres, taktôn; quatro, kangra.
10. O Sr. Borba diz téie.
11. Diz venvóra o vocabulario Borba.
12. Pan significa cobra.
13. O Sr. Borba traz rumbiá.
14. O Sr. Borba traz rúro.
O 00 1 O Gts
D
Dança : * Vaikokefu.
Dar à luz: Akren baure. M. Ila erro: significa
deu à luz: Akren ba huru. Kren, criança-ba, dar à
luz-húru, particula adverbial para indicar o verbo
passado.
De pancada: Impópe kére. M. Impér. Impo-
pekéra.
Dedo da mao: Iningé faé. M. Iningé féie-in,
minha-ningé, mão-féie, dedo.
Dedo do pé: Ipen fáie?. M. Pen, do pé.
— 603 —
Dedos : epenjüja. M. Palavra nova, juja. pontas
dos dedos das mäos, dos dedos do pé.
Deita-te: Ananän. M. Nan. Ananän indica
repetição de acção.
Dente: Nha. M. Ja.
Derrubar : Kutemara. M. Palavra nova neste
sentido. Noutro: Continua tu a cahir-ma, continuar-
ra, terminação do imperativo. Tambem: Corta tu.
Porém é kutmara.
Descer : Tiréra. M. E’ imperativo. Tére, descer.
Téréra : Desci tu.
Deus: Tupén?.
Devagarinho: Kumére tin. M. Significa ir de
vagar-tin, ir-kuméra, de vagar com delicadesa.
Dia: Kurän ( claridade) — I-Dia inteiro *: Aran
xie. M. Arän, sol-xie, palavra nova.
Dizer : Ha ke. M. Significa dize tu-ha, parti-
cula imperativa-ke, dizer.
Disse-te eu: Uin män oenbe tin. M. Significa :
Elle disse para mim — uinmän, ixmän : para min, de
ui, éu-man, para-oenbé ( venbedn ), disse-tin (ti), elle.
Disse-te eu: Uin dma venbend — uin, eu-ama,
para ti ( ma, para), — venbédn.
Dinheiro : * Nhatikambu.
Doce: * Gréin. M. Gren.
Doença: * Kangati. M. Tambem doente.
Dormes muito: Ararore te hy. M. E errado.
Diga-se: Ama nôro hô-nôro, dormir-hé, — a, tu,
muito.
Dormir : * Dorona. M. E errado. Diga se nôrora.
E imperativo.
Dois: Rengré. M. Tambem alengaé, arengré,
ilangré.
Duro: tarangn®. M. Significa iruilo duro-
gu, muito. Tambem türa, türu.
Notas marginaes. 1. Iningé significa mio. M. Minha
mão, i, minha, ningé, mão.
— O42
2. Openpé, palavra nova.
3. Tupan no guarany.
4. Ard em guarany, dia.
5. Tara no vocabulario Borba.
E
Effervescencia: Uanorcmo. M. Significa ferve
agora — de van, vein, vO, ud; ferver — mo, agora.
Embira: Vaebéne — M. Béne, que serve para
amarrar — va é prefixo que muda em nome às ve-
zes a palavra, e às vezes serve só para harmonia.
Embitas Ban. (15)
Enterrar: Rjura. M. E’ errado e imperativo.
Diga-se pejü, imper. pejúra.
Enxada : M. Kritaporé. M. Tampére. Talvez
tambem kritampére e kri, em cima.
Escrever ( riscar). M. Pintar, marcar: Ve-
nharan (2). M. Venharo, aro.
Encher : Tônara. M. Imperativo. E’ fônera de
fon.
Esfregar : latin. M. In tin: Eu esfrego — tin,
esfregar — in, eu.
Espera : Tôre.
Espertar : Endo. M. Palavra nova.
Espeto: Jenga gre — jenga : assar.
Espiar : Kikokan. M. Palavra nova.
Espingarda : bokä.
Espinho: Noi.
Esposo : Pron. M. Significa esposa, mulher,
não esposo.
Está custoso: Guäin coren gue. M. Significa :
muito custoso. Não se diz guáin, mas uáin. vein,
vain — korég, custoso — gu, muito ( wein, pronun-
ciado o w à moda ingleza ).
Está escuro: Guáin kangá hue. M. Significa :
esta doente. Não se diz guáin, mas vein-hue, não
vai bem: se diz ve: é, está.
Está no meio: Foro ti ni ha. M. Significa:
Elle já está no meio — ti, elle — ni, elle — ni, esta
— ha, já.
»
4
À
E.
— 605 —
Este: Ni han. M. Palavra nova. Tag: este,
ni, esta.
Estomago: Indi. (3) M. Significa tambem :
ventre, tripas. BF sti
Estou cançado : Inh arotiti. M. Significa: es-
tou cançadissimo — aro, cancado.
Está morto: Tére io. M. Tére je. — Jo pare-
ce errado. Tére ja: Está morto. Ja — indica acção
completa, ao que parece passada. O A. erra às
vezes usando O por A.
Estou velho: Kufá nim. M. Kofã ix ni-kofa,
velho — ni, estou — ix, eu.
Estou vexado: Ima kutin. M. Palavra nova.
Está vivo: Ariry. M. Liri, ariri: Estar accor-
dado, estar vivo, estar de olhos abertos, ser vivaz.
Estrada : lapri bang. M. Diga-se: emprü buéngh-
baéng, grande — emprii, estrada.
Estrella : Krin.
Excellente : Fi veinmä hô ne. M. Significa: O
presente della é ‘bom-fim, della — veinmä, pre-
sente — hid, bom, nº é.
Excremento ; Nhafa. M. Jafa.
Notas marginaes. J. Arvore peculiar 4 Pro-
vincia do Parana, especie de canella preta de outros
lugares; tem veios muito bonitos, parecendo-se as
vezes os pannos que delle tiram, pecas de tarturuga,
conforme se ve na capella da Misericordia em Cu-
rityba.
2. Borba traz ran.
3. Indu significa egualmente barriga.
F
Faca: Kifé. M. Küfé.
Falla muito bem: Venbem ma hôóti ( Uenbe ).
M. Uenbedn, faliar — ma, muito — hü, bem — ti,
elle.
Falla muito mal: Uenben i korég. M. I, si-
gnifica eu,
Faminto : Nhat kamé. M. M. Talvez jent kamé:
Não tem appetite — jen, comer — kamé, temer.
en D Hb
— 606 —
Farinha de milho: Mentfu.
Fazenda listrada: Kurt kogere. M. kurë kon-
gard. Kurü, panno.
Fazenda preta: Kurt xa. M. Xu.
Fazenda vermelha: Kurt’ kuxôn.
fazer fogo: Nind. M. Palavra nova, Aiénka:
Accender. 2
Fechar a porta: Aromora. M. Dônera — Abre
tu. Imperativo, Fecha a porta: Nifciera. Na intro-
ducção vemos o proprio A. dizer que rom signi-
fica abrir.
Feder: Kokré.
Feijão: Rongró. M. Langró, rangro, langoró.
Femea: Untantän. M. Untantô, tanto.
Festa: Ika. M. Palavra nova.
Fica quieto: Kitône. M. Palavra nova. Katu,
eme, jatû : quieto.
Filho: Ix koxi. M. Significa meu filho-ix, meu
kotxi, filho.
Flôr: Fae. M. Kafeie.
Elexa Dos 475)
Fogo: Pin.
Foi embora: Uere-úere. M. Tambem so ire,
vire. Repetido, significa multiplicidade de acção.
Folhas: Xifeia. M. Féie.
Folhas de palmeira: Xifeia tain. M. Tain feie-
feie, folhas. .Ki pode ser prefixo.
Fome: Kokíre. M. Fôme, estou com fôme.
Formiga: Ruoplin. M. Ruprin, ruprin.
Forno: Totognia bang. M. Totógnia buôngh-
totógn, torrar-ja, instrumento-buéngh, grande.
Foice: Nha pa-pa, pedra ?-nha, de dente.
Frio: Kuxá.
Fracta de guabiroba : Penóa.
» » jaboticabã: Nhamboroti. M. Ma.
> » laranja: Aherin-hen. M. Nerenje kané.
» » limeira: Aherin-enxin. M. Palavra
nova.
Fructa de limoeiro: Nherenie korégne. M.
Korë, ruin.
Fui eu: Uin. M. Ix nive, ix ni hüri.
— 607 —
Fumaça : Nia. M. Ninja.
Fumo: Maju, M. Vaju: cigarro, famo.
Fumo ( fumaça ): Nia, nijá.
Fundo: Digde. M. Dik, ding ( profundo ).
Fuzil: E'me jur, M. Voz nova para mim.
Notas marginaes. I. O Borba diz dou. M. E
dó, não dôu.
G
Gafanhôto : Xukren. M. Krin, cabeça, xu —
preta, suja. BE
Galho de arvore: Titin. M. Fuigh, pen. Ga-
lho pequeno: Ka jovuije — ka, de páu.
Galho quebrado: Titânbreja. M. Fan, brein:
quebrar.
Galho sécco: Titan tara.
Gallinha : Gré. M. Significa : ovo, filho, criança.
Deve-se dizer garzn.
Gallo: Garin gré. M. Gre, macho.
Gato do matto: Grim (1). M. Palavra nova para
mim. Minkxin min — onça, xin — pequena. 7
Geada : Kokrire.
Genro: Jambré. M. Jan, mãe — bré, junto.
Gissara ( palmeira ). M. Féne — én. M. O Bor-
ba diz gissura, Féne-é.
Geriva : Táion. M. Voz nova.
Girão: Kakré. M. Cama, mesa, em sentido se-
cundario.
Gordo: Tange. M. E” tang.
Gostar: Anankure, gedeti. M. Ho, jentdin.
Gralha: Xanxé. M. Voz nova.
Grande: Bangue. M. Ouvi fallar tambem eu
assim esta palavra aos Brazileiros do Tibagy, mas
os Indios sempre pronunciavam buôngh.
Grimpa de pinheiro (espinho, folha ): Tara fé.
M. Pinheiro, fuenk — fé, folha.
Notas marginaes (1) — O sr. Borba diz mikx/n.
— 608 —
Hi
Herva matte; Kongôn ( donde congonha?) M.
Kongôif. ”:
Hoje: Hori. M. EK’: ori.
Hoje vem: Ori katum. M. E’: kantin.
Hombro: Iniril M. O Borba diz jenimbii.
Jenman.
Homem : Ungrê, pahy.
Homem : Fongue (1). M. Fong. Fongue é errado.
Homem bom: Fong ho.
Homem branco: Kupü. M. Kupri.
Homem preto: Xuti (*) xu, preto-ti, elle.
Hontem. Arakéti. (2) M. Arankét.
Notas marginaes. 1. Fonge como dissemos atraz
é o portuguez branco, cuja voz de commando era o
implacavel fogo das armas de tiro.
2. Tambem tomei gai xi (M. gai xu: cabello
preto ). Não sei qual o certo.
3. O Borba traz arankén. M. Acho errada-
merte. :
I
Indio ou Bugre. Kaingéng. (!) Vide introducçäo-
Irma: * Ve.
Irmão: Inhau-he (2). M. Javi Javú ve é o
irmão menor-ve, menor.
Irmão inais velho : Kainh, hé. M. Kaiké, kanké.
Ir: * Tinhra. M. E o imperativo de tin. E su-
perfluo o h.
Notas marginaes. I. Vide introducção.
2. O Sr. Borba diz Arangére. M. É arengré.
J
Jaboticaba : Maa. M. Ma.
Jacaré: * Hapä. M. Hampa.
Jakú :- Pei:{ * ).
Jakotinga: Pein M. Koi.
Jacutirica ? Grun. M. Gruntxi. São Paulo dizem
grânha.
= $09 —
Jararaca : Paraviri: Palavra nova.
Joelho: Hakri (2) M. Fakrén, de fa, da perna-
_krin, cabeça.
Junto: Ambré. M. Significa junto com você.
Notas marginaes. 1. Talvez seja a mesma pa-
lavra pai e pein para exprimir jacú e jacutinga.
2. O vocabulario Borba traz it fakrin. M. It,
meu. A. Tomei iakrin no plural. M. Eu acho muito
improvavel este plural.
K
Kagado : * Pednin.
L
Ladino: Hue vin kamône. M. Vein vin ka-
mone: Elles vêm conversando — vein vin conver-
sar — kamôn, plural presente de kantin, vir.
Ladrão: Pejua. M. Tambem pejúja.
Lama ( lodo ): Tinberére. M. Significa: Cou-
sa molhada da tal cousa — berére, brêre : molhado
— ti, da tal cousa.
Langa: Orugurú, M. Tambem: Urugurt.
Laranja: Nerinhe. M. Nerênhe.
Lavagem : Veikupéia.
Lavar: Kupéia.
Leigengo: Kuiti. M. Tambem kujtij.
Leite: Kefé. M. Palavra desconhecida. M.
Néngje — I — Leite de vacca: Boinongje (1) —
boi, de boi.
Lengo: Kurúi—xi (2) — kurt, panno, xi,
pequeno,
Ler: Uréie. M. Venharü.
Levantar-se: Anai tin. (3) M. Significa ir
deitar — ndi, deitar — tin, ir.
Leve: Kaiúi — hô. (4) M. Significa : muito le-
ve — hô, muito. Tambem kajüj.
Ligeiro: Kury — kury. (5) M, Kur, kuri.
Limpar: Kekônra. M. Palavra nova. Prova-
velmente imperativo. Katóro, limpar.
"610 —
Limpo: Kupli. (6) M. Tambem kupri
Lingua: Inoné. M. Significa minha lingua—ix,
minha — noné, lingua. — 1 — none buôngh, ma lin-
gua — buôngh, grande.
Linha: Uafé. M. Uafé, mafe.
Logo: Karea. (7) M. E kárka, de kar, de-
pois—em, no.
Longe: Korangue. M. E kuvarangu, kuarén
eu — kuvará, longe — gu, muito.
Lontra : Fokfêie.
Lua: Kixa. (8) M. É kixá.
Luctar : Rurüja ( lucta )
Notas marginaes. I. Borba diz nongüje.
2. Xin é pequeno, kurú xin, panno pequeno :
como dizem os hespanhoes panuello.
9. Borba traz negára. M. E” imperativo.
4. Kajüi em Borba. Em geral supprimi o y,
que comtudo tem significação de vogal aspirada.
Torno a dizer, o j deve ser aspirado como em hes-
panhol; o h tambem é aspirado. M. Nem o y nem
o j no uso que faz o A. e o Borba são aspirados ;
mas só nasaes,
5. Borba supprime o segundo kuri, pa-
rece-me, porém, expressivo küri kuri. Kupli tambem
quer dizer branco, alvo.
6. O Borba traz queyéne. Tomei entretanto
estas phrases: logo aprendo: Karea kanherdne:
logo volto: Karea katin. M. Kärka e kejéne, signi-
ficam logo. Precisa dizer kantin.
7. Koxä em Borba.
M
Macaco : Kajére, kaiére.
Machado: Ben. M. Beng. (1).
Macho: Uongré. M. Ungre, ongré, gré-ôn,
algum, gre: macho, vara.
Macuco : Uo:
Madeira Oca: Ka iaké. M. Ka ionké, ka doro-ka,
páu.
Mai: Jan.
> LS °
ei oN pee
Magro: Kaioro. (2) M. Kujo, kajô, kaió-ro, esta.
Mais para la: Ma canni hene. M. Parece-me
que signifique: Aquelle está alegre. Man hô, alegre,
dni, está — ene, aquelle.
Maleita : Nhonhôro. M. Tambem jonjoro, tremer.
Mama: Enongüje. M. Nonguije ( ubre ).
Maminha : Inhoeklin : Nonguje krin, krin, cabeça.
Manda-me dizer : Umbe .nim. M. Deve signi-
ficar: Rogo que falles, uenbéd, conversar-nin, rogo.
Mandioca : Kumín.
Manco: Tin koré. (3) M. Tin, ir-korég, mal
(com difficuldade ). Tambem vaguo.
Manço : Kanherán.
Mao: iningé. M. J, minha.
Mãos: En ningé (‘). M. Significa: Nossas
maos, nossa mao.
Mao de pilão : Kra.
Mau: Bud. M. Bua, palavra nova. M. Korég.
Montanha: Krin bang. M. Krin buôngh : morro
grande-buônhg, grande. ;
Mongango (M. Variedade de abóbora ) Pxo.
Maraca* : Xu,
Marakanan : Kankére. M. Kentkére.
Marido : Kibêne (5). M. Significa meu marido-
elx, meu-ben, béne: marido,
Marreco : Pen bêne. M. Béne, unido ?
Matar: Titelim. M. Ten, tain, tére. Deve ser
ti tére: Ella mata-ti, elle. Tambem tele, mata.
Mata (M. Tu): Ténra. Imperativo.
Matto: Ka. (6) M. Sempre ouvi dizer que Ka si-
gnifica pau, nunca matto. Matto: mua, muáitka.
Matto: kakan. M. Para mim não significa
matto em sentido proprio, sinão varias arvores reu-
nidas, e só neste sentido póde significar matto.
Matto : Udin.
Medir: Emam fi. M. Palavra nova; ou sinão
dê para mim, dê para nós. Vide introducção.
Meio dia : Emendo’ katixa ha. M. Inindo Káxka-
ha, ja.
* Vide Revista do Museu Paulista, Vol. VI p. 37 e 38.
— 612 —
Mel: Mang. M. Ma.
Membro viril: Nhengre.
Menino: Pauim (7). M. Gire, paixin.
Mentira: One.
Muito mentiroso: One ti nin. M. One titi-ône,
mentiroso-titi, final do superlativo.
Mergulhe": Putkeia. M. Putkéra de pur, mer-
gulhar, afundada.
Meu: Ixiôn (5%). M. Ix, ixôn.
Mesa: Nindia. M. Tambem ninja, jénja. Ninja,
significa tambem cadeira de ni, sentar, ja, lugar,
instrumento. Jenja, jen-comer, ja-lugar.
Mez : Kixä pire. M. Signitica um mez. Kiixá,
mez-pire, um.
Mico ( M. Macaco em geral): Kanéhre.
Milho: Gara (º), ñhara. M. Melhor gára.
Milho moido: Pi xi. M. Palavra nova.
Mitho torrado : Antotóro. M. De totógn, tor-
rar-ro, indica o resultado de uma acção. Tem de
certo modo significação passiva.
Moço : Kerôn. M. tambem kiiron ( melhor kü-
ron ). Significa tambem cousa nova.
Moça: Tetan. M. Togtän.
Molbado: (10) Timbrére. M. significa a tal
cousa molhada — ti, a tal cousa — brére, molhada.
Molle: Tanáia. M. significa tambem cosido .e
maduro.
Monjolo: Tandiún. M. Palavra nova.
Montanha : Krin bangh. M. Significa monte
grande — krin, monte — buôngh — grande.
Morango ( abobora ): Pxó. M. Palavra nova.
Morder: Pram M. lIpran: eu mordo — 5, eu.
Morar: Jama. M. Não significa morar, senão
minha morada — ja, minha — ema morada.
Morar se traduz com ni, emá, tambem signi-
fica bairro, povoação, cidade.
Morrer: Terear. M. E' tére.
Morro : Krin.
Mosca: Xóin.
Mosquito: Karin.
ee
As OEP. * +
wal
— 613 —
Mudo: Uene ton. M. Vinbe ton — vin, con-
versar, fallar — tôn, não.
Mulher : Pron (11).
Mulher moça : Untantan. M. Untógian (12).
Mulher virgem : Be ton. M. Significa sem ma-
rido — be, marido — tôn, não. Significa tambem
“mulher mundana.
Mulher velba: Kofuá. M. Significa só- velho.
Deve-se diser kofa fi, fi, ella (não kofuá ).
Muita fome: I koxire. M. Significa simples-
mente estou com fome. Ix kokiréuúti : Estou com
muita fome.
Muito: Ititi.
Muito bom: Ti veinmä ki ne. M. Já encon-
-tramos supra esta dicçäo. Em logar de k, ponha-se
h, e em logar de i, se ponha 6, como acima em B :
e sahirä : o presente delle é bom.
Muito valente: Aure nho be nim. M. Locução
em parie nova, nhom, jom : brabo — be, habitual-
mente — nim (ni) é.
Muito doente: Kanga hi. M. Kanga ho. Hi é
errado.
Muito somno: Nore ti hi. ti, elle-hé, precisa,
quer-ti, muito. É |
Muito veloz : Veinvo mi nim. M. Veinvó, correr-
mi, vos nova ( podes ser ma, miitos — nim, é ).
Notas marginaes. 1. O Sr. Borba traz beng.
2. Kai diz Barba.
3. Tin korég, segundo Borba. |
4. Mingé dizoSr. Borba M. É errado; creio
ser erro typographico.
5. Been no vocabulario Borba.
6. No guarany e tupy é caa, donde caatinga
( matto branco ), caaponam ( matto isolado ).
7. O Sr. Borba diz paixin.
8. Ichôn no vocabulario.
9. Parece que nhára é mais exacto do que
gára. M. Não é, pela razão que precisa neste voca-
bulo, fazer sentir o g guttural, e não se obtem este
effeito com a syllaba nh.
nt 614 seras,
10. Brève segundo Borba.
11. Pran segundo Borba. M. Tyvographico ou
não, é crro.
12. Tantan ou tante, como traz: Borba, é mu-
lher moça. M. Togtan. ,
N
Nadar: Brobrôja (1) M. Brobroje, brabräia,
mraiamraia, marambraia, bregbréje.
Nadega; In dégne. M. In, minha.
Não: Ton, tom. (2?) M. Prefiro ton; para mim
quasi nenhuma palavra pode acabar por m— 1 —
Nao cacel: Tânia ton; M. Tania: Matar. M. Caçar,
enkréja — 2 — Não achei: Vaietôn. M. Ve ton —
3 — Não chamei: Tima to tim. M. Parece signi-
ficar: Chamei a elle. Tima, a ella-to, dizer-tin, de ir.
Não conheço : IXieatón. M. Palavra nova. Kevenhára
ton, kikaktin. — 4 — Não é meu: Ixôn tôn — 5 —
Fanero ton. M. Significa: Não enchas ( Fänera ).
imperativo — 6 — Não melhorei: Hatôn. M. Ha,
bom de saude — 7 — Não pegues: Ba ton. M. Signi-
fica: . Não carregnes — 8 Não queima: Poro ton
— 8 bis. Não quero: Deia — 9 — Não gosto: Ti
kimekrenho aim. M. Palavra nova para mim. Em
lugar de aim, creio deva-se por váix, não gosto — tiki,
em elle — ki, em. 10. Ua: Não sei. M. Agh. — 11
— Não tem nome: Ajiji tôn-a, prolhese — Jiji, nome-
in, ainda não — 12 — Não tenho medo : Uin chi
camé ton (M. uin, eu-kamé, temer). M. Ix kame,
ton — 13 — Não tenho fome: Kokire ton ti nim. M.
Significa elle não está com fome ti, elle — nim (ni)
está — 14 — Não vai ainda; Viriti (*) ne ton. Creio
signifique : Não se está virando ainda — viriti, vi-
rando-ne, está-ton, ainda nio — 15 — Não vem:
Katim ton. M. Kantin ton — 16 — Não vi: Vai tom.
M. Vei ton.
(*) Vüire ti ton: Ainda elle não foi embora — vüire,
passado de tin, ir.
ee à
Rs
— 615 —
Não quero: Déia. M. (3). E uma especie de in-
terjecção.
Nariz: Iminhé. M. Ix. ninhé-ix, meu.-2-Te ni-
hé. M. Ti ninhé: Nariz delle,
Nascer : Alboeti. M. Locuçäo nova. Buro, ku-
ten, kanküten.
Nhambu : Uoaxim. M. Palavra nova—uo, nham-
bú-a, paragoge — Xim, pequeno.
No de pinho: Kuxé. (4) Palavra nova. Kané.
Nome: Ajiji. M. — À, prothese — jiji nome —
(1) Ajiji komangue : Nome feio. M. E’ korég.
Noite: Kúte — | — Noite inteira: Kúte xi hd.
M. Significa: de tardinha, meia noite.
Notas marginaes. J. O Sr. Borba traz albarän-
broia.
2. Posposto sempre, conforme se verifica nas
palavras qne seguem.
3. Não sei que fim levou o négativo ton. M.
Pois, si é interjecção, como é, é negativo por si
sem outro accrescimo ou additivo.
4, () Borba traz kanxé.
O
Olhar : Kánera. M. E” imperativo. Os Kaingang
enunciam sempre o verbo no imperativo.
Olho: Kané. 1 — Olhos: kané. (!) M. O plural
em kaingáng, se conhece do contexto ou repetição
da palavra etc.
Onça : mim.
Orelha : Iningrein. (2) M. J, minhas, minha.
Ouvir: Tiningréin hô, M. Significa: As orelhas
delle, o ouvido delle é bom — ti, delle — ningréin,
orelhas — hô, bom.
Osso : Kuká.
Ovo: Kréin. M. Kren.
Ourinar : iéi. M. Jej.
Notas marginaes. I. Não tenho certeza si a mu-
dança do accento é que differença o singular do
plural. M. Não é, como se disse.
—-616.—
2. O Borba diz inigréim. M. I, significa minhas
orelhas.
P
_ Paca: Kokame. M. Talvez de ko, comer-kamé,
temer. Talvez pela razäo que parece temer, quando
come. Os Kaingang usam verbos que exprimem a
realidade para signicar o que é apparente.
Padre: Pandére. (1)
Pai: Idi. (2) M. Jôgn, jong.
Palha de milho: Gára fere. (3) M. E' fudre.
Palmeira : Táin. ai
Panella: Kokrô. M. Kukrôn.
Panella : Kunknija M. Palavra nova.
Panno : Kuru. (4)
Panno grosso: Kuri bre hô. M. Palavra em
parte desconkecida, bre, grosso ?
Panno fino: Kurt gain. M. .Palavra em parte
desconhecida — gain, cabello ? |
Panno novo: Kurt keron, M. Melhor küron.
Papagaio: languio. (5) M. Kanto.
Para baixo: Enheng#. m. Gu.
‘Para cima : Enhenguixe, M. Palavra nova. Ho.
Para la: Erê taiene. M. Para mim significa :
Aquelle campo la — éré, campo — ta, lá-i, paragoge
—éne, aquelle.
Parente: Kaika. M. Tambem contribulo, ami-
go.
Pau (arvore): Kaa. (6) M. Ka (arvore ou
não. Porrete por ex.).
Pe: Ipén. M. Significa o meu pd—i, meu.
Pes: Empèn. M. Não se faz assim o: plural:
mas accrescentando um adjectivo determinativo.
Ex.: Todos os pés: Kéra pé. Em, nosso, Tam-
bem: pen pen: os pés.
Pedra : Pó, M. Tambem pan.
Peito: Inje. M. Fé, A do A,, ê palavra des-
conhecida.
Peixe: Pirä. (7)
Pelejar : Jakegréne. Ja, eu — kiingréne: Bri-
£o,. pelejo.
— big =
Pello : Keki.
Penis: Ingrafüi. M. Graft.
Penna: Préia. (8) M, Palavra desconhecida.
Féère, féène. =
Pensar : Tore. M. Palavra desconhecida. Krédn,
enkrèdn.
Pente: Oaikuréia. M. Veikuréja. Oäi, uéi,
vei é prefixo em geral para transformar em nome
qualquer palavra, ou simplesmente por harmonia.
Pequeno : Xin. ;
Perder : Vaikréti. M. Mamfore.
Perdix : Koiampampé.
Periquito: Kaioie. P. nova. M. Krikrije.
Perna: Id jua (9) M. Id Significa minha. Ix fa
( fua, foa): Minha perna. — Ix, minha.
Peroba: Penoa. M. Significa guabiroba. Xe,
peroba.
Perto: Kako. -
Perú: Pein bangh. M. Pen buôngh. Buôngh,
grande.
Pesado : Kufa iangú (10). M. Kofä anangú —
anangü, muito.
Pescoço. In dui. M. Significa meu pescoço — in,
meu, ndui, pescoço.
Pestanas : I kané iokii. M. I, minhas — kané,
olhos — jokü, que guarda — jo, guardar — kii p.
desconhecida.
Pica-päu : Jakringo.
Piläo : Kreie ( 11 ), kréia.
Pinheiro: Fuan. (12) M. Acho errado. Fuônk :
pinheiro — 1 — Pinheiro podre: Fuünk dôro. M.
Significa pinheiro ôco — dôro, buraco.
Pintado : Kongére. M. Kongarü.
Piôlho : Engä, ga.
Planicie: Pandói. Significa tambem espigão. Plan-
tar : Xáte. M. Palavra nova. Kren, plantar (13) kren.
Pobre: Nhérenhére kamé (14) M. — Nhere-
nhére, preguiçoso — kamé, tem — medo. Tandatôn :
_ pobre — tan, tem de, cousa — tôn, não.
Pombo: Petkôiun. M. Petküin (15).
Ponte: Kapuin. P. nova. Gafüt : ponte.
618 —
Porco do matto: Kran. M. Kréugn, kriingn (16).
Porungo : Arumia. M. Rud, rudia.
Prato: Pitike. M, Patkü.
Preguiçoso : Nhere-nhére. M. Jenjére, nhenheré.
Prenda : Akexexe. Palavra desconhecida.
Preto: Xäig. M. Xugn.
Primo: Rengré, ( primo irmão ).
Pulga: Kampo.
Punho: Inindé M. Significa tambem: Meu
antebraco.
Notas marginaes. 1. E' evidente a corruptela.
2. O Borba diz iong. M. E com mais razão
parece, ‘
3. O sr. Borba: Nhara fuére. M. Gara fudre.
4. Kurti é um panno entrançado, feito de fibra
de ortiga. Comprei um em Ponta Grossa por 10¢ rêis,
mnito fresco e excellente para dias quentes como
forro de cama. M. Por isso o chamam de kurú
kuxá : panno fresco — kuxa, frio.
5. “O Borba traz. kartou. -Não sei de onde
vem similhante differença. M. E” kantó, não kantou.
6. Matto, arvore, pau, como em guarany.
i. Pirá, palavra gnarany.
8. I*éie no vocabulario do Borba. M. E' crrado.
9. It fa segundo Borba.
0. Kufuiang no vocaculario Borba.
1. Kreie segundo Borba.
2. Tang, segundo Borba. M. Mas é errado.
do. Xeránde segundo Borba, M. Voz nova. *
Em
Nheunhére, segundo Borba. M. Errado ;
acho erro de impressão.
15. Petkóin, seguado Borba.
16. Kreng, segundo Borba.
M. deve ser xe kran de: Eu planto — xe eu —
kran plantou — de, je: estou.
~~ am
NES
ee 619 es
©
Quarto de uma casa: Fafonde. M. Palavra des-
conhecida. Inkafüdüdn, imafódudn. Quarto de uma
casa.
Quatro: Vaikangrá, veikangrá. M. Tambem
kangra.
Quati: Xe.
Quebrar : Kakôpk. M. kokôpke.
Queimar : Pôro. M. Pon.
Queixo : Inrá. M. Era, irá.
Quenie: Aran angüet. M. Aran, anangut. Muito
quente-anangut, muito.
Quero: Hee. Hô.
R
Rabo > Burt) "M "Bu; “burgh. But: tôn-
pitoco, sem rabo.
Rachar : Apri. M. Palavra nova. Riring, rii-
rüng, küktôino.
Rancio: Hi-hin. E” in-in, sem aga (h), e
significa varias casas. Rancho é inxi-xi, pequeno.
Rasgar : Iadiárate. M. significa: lle esta ras-
gado. Jad-jára ti; Elle, a cousa está rasgada-ti,
elle — ra, significa estado, e indica o resultado de
uma acção: é uma especie de passivo.
Rapido, corredeira: Udo. M: Uo.
Rato: Kaxiin. |
. Raso (pouco fundo): Parère. M. Tambem:
palére. |
Rede : Ténia. M. Ténja.
telampago : Tararam ketitim (2). M. Kokó-
pke.
Remedio: Guaikaktke. M. Veiketá, uéiketa, vei-
kata, veikaktá — katá, salutar — vei, prefixo.
Rico: Tandéne. M. Tan, tem — de, cousa, —
ne, esa.
Pobre: Tan da ton, tón, não.
Rio: Goio. (3 )
vo cheio: Gdio ara. M. Ara. P. nova.
See
Rio grande: Gôio banc. M. Gôio buúngh.
Rio limpido : Goio kupli. M. Kupri, kupli.
Rio pardo: Gôio chopi. M.— xo, sujo — pé,
deveras.
Rio pequeno: Gôio xin.
Rio turvo: Góio kaoxiá. M. Kaoxiä, palavra
nova. .
Rio que não tem vão: Gôio en. (4) E affluente
do Rio Uruguay.
Rir: Vendéra. M. Vendiira: Ri tu (impera-
tivo ),
Roça : Ipän. M. Epán, epangh-pangh, derrubar.
Rosto : lamé, iané. M. lané é errado. — Me-
lhor lamê.
Roco: dui geia M. dui, pescoço — ge, preso,
apertado — já, está..
Ruim : Koré. M. Korég. (5)
\
Notas marginaes. 1 — Observa o Borba que
este u sda como u francez.
2 — E' bellissima esta onomatopêia.
3. Esta palavra e seus derivados, tem muita
importancia na questão das Missões e limites com 6s
argentinos. A denominação kaingárg de todos os
rios e pontos daquella região mostra que de tempos
immemoriaes os nossos indios levavam os seus do-
minios até o Rio Paraná, começando dalli a zona
guarany.
4. Affluente do Uruguay. E
5. O sr. Borba diz iangue. M. Palavra nova.
Péde ser jon, jun: brado.
Ss
Sabão : Uanfáia. M. de” uafä, lavar roupa-já,
Instrumento.
Sabiá : Gonoan. M. Gonoa.
Sacco: Parône. M. Perôgn. ,
. Sal: Aran. P. nova neste sentido. Talvez por
erro não tenha mudado sal por sol. Talvez os in-
dios designem assim o sal por causar quentura na
boca? Os de Tibagy, dizem xá.
— 621 —
Salto: Cachoeira. M. Xá. M. Krôugn é salto
de rio pequeno.
Sangue: Fi kauén. Significa sangue della-fi,
della. Diga-se kiivéix, sangue.
Sapato : Pentord. Pen, do pé, toro, coberta.
Scentelha : Pin xi (sc fogo pequeno ).
Secco: Tára ( duro ).
Sede: Ixôn éti. Deve ser errado; Ix krôn ho
ti: Eu quero muito beber, eu tenho sede-hù : que-
ro, tenho precisão krôn, beber-ti, muito.
Seis : Eningä hônte pira M. Jj ningé ônte
pire-ningé, mão (por ellipse, os cinco dedos da
mão ) — ôn, oatro-te, a-pire, um.
Semvergonha : Mogáin. M. Acho errado. Ma
váix: Não gosta de envergonhar-se —. ma, vergo-
nha—vaix, não gosta.
Senhor: Práin-chikáte. M. Palavra nova.
Sepultura : Apejuten, M. Pejú: sepultar.
Sepultura ( M. Cimiterio ) : Vaikeie, vexkeje.
Serra: Rumerôro. M. Palavra nova.
Sete : Enningé honte uenrengrê. Vide seis-ren-
grê, dois-en, nossa.
Sente-se. M. ni min: Sente-se, senta-te tu, eu
te peço-ni, sentar-niim, peço.
Sim : Ondtu ( 2) M. Palavra nova. Poderia
significar : Carregar a outra cousa 6n, outra-da,
cousa-tug, tu: carregar. He, sim.
Sim Serhor : Me. M. He.
Sobrancelhas : Ikaxahu. (2) M. Kaxakü.
Sobrancelhas : Ti-kané joki. M. Ti kané jokü-
ti, delle-kané. olhes-jo, guardar.
Socar : Tandantino (4). M. Toxôn, kun.
Sogro : Ikakrän — i, meu.
Sol: Ard. M. Aran, (5).
Soltar: Ti kauentimo. M. Toväix. A. do A. é
p. nova.
Subir: Tamprira. M. E' imperativo. Tampriigh.
subir.
Sujo: Kavéix.
Sumatico: Déi.
Surdo: Ku ton-tom, não. (6)
— 622 —
Surrar : Mramram. M. Bran-bran. Deriva de
bran, cipó.
Notas marginaes. 1. O vocabulario Borba diz
kriingh que é mais onomatopaico.
2. O Sr. Borba traz he, com H muito aspi-
rado.
3. Ignoro qual das duas palavras seja mais
exacta.
4. Parece, como aliás muitas outras, palavra
composta.
9. Ara ou aran, do guarauy, dia.
6. Borba traz kutúd. Deve ser errado. Aqui a
terminativa tom indica não ouvi. M. Em vista de
os kaingang usarem vocabulos que significam como
real o que é só apparente, e como os surdos às ve
zes mostram apparencia de idiotas; por isso aqui,
a palavra Kutúd, que significa idiota, é posta para
significar os surdos. Quem pois está com a razão,
no meu entender, é o Borba.
T
Tacho: Vainkrindéia — vain, prefixo — kri, em
cima — déi, cosinhar — ja, instrumento.
Tamanduá : Toti.
Tambor : Tororó.
Taquära : Uëne. M. Uâne — I — Taquara fina :
Uan têie-téie, comprida.
Tati: Fene-én. M. Fène-éin.
Tenazes : Katx/ne, ka, pau-t paragoge-xin, pe-
queno.
Terra: Ga — 1 — Terra boa: Ga he. M. Ga hi.
Tesoura: Joaria. M. Deve ser joardja-jod, da
barba — rù, cortar — ja, instrumento. lambem se
diz varrüja — va prefixo — rô, cortar, etc.
Tigre: Min (onça).
Tio: Jog rengré. M. Jogn, do pai — alengré,
Irmão.
Tocar: Mo tin: M. P. desconhecida. M. Tin.
Toda gente: To kamonhe. M. Palavra desco-
nhecida. Kan agn, kara agn-agn, gente.
— 623 —
Torto : Pando.
Trabalhar: Aránha — ranha. Tambem lairänha.
Trovão: ordre buôngh (tambor grande ).
M. Buôngh, grande. Tambem tariro
Traga: Bokantin. M. Bäkantin.
Triste: Imankangäti. M.-1, eu-mankangati, tris-
te-man hôti: contente, alegre.
Tres: Taktôn. (1)
Tucano: Gro. M. Gron. (2)
Notas marginaes. I. Ou taktôm com o m
final. M. Takton.
2. Borba diz grôn. O vocabulario bugre
ngron. ‘sem razão este por pronunciar-se nasal.
EU:
Um: Pire.
Unha: Iningri—i, minha) — 1 — Unhas: Te
ningru. M. Ti ningrú: Unha ou unha delle.
Uru: Pepéèra. M. Pütpüre. (1)
Urutü : Pan nemmä, M. Denumá: Bixo ter-
rivel (uruti )—pan, cobra—ma, terrivol.
Nota marginaes. ./O Borba diz petpuére.
V
secas Uaca (IT)
Valente: Túrumáni (2) — túru, forte, duro
( tra, tára) — ma, muito — ni, é.
“Vento: Kanká. (3)
A Ver: Veie tim: M. Ve ti: Elle vê.
Vamos: Tôna ingrima. (4) M, Tona (so).
Que em vez de ingrimä, não seja embrema ? — embré,
comnosco — ma, mais.
Veado: Kambé.
Velho: Kufa: M. Kofi.
Veas, veias : Ikuei-he. M. Kevéi—1, meu.
Venha: iZakantin. M. Ha, voz imperativa —
kantin, vir.
Vela: Däengrü.5 M. Déje gri—eru, luz, accen-
der — déje, de cera.
— 624 —
Vergonha: Ima kutin. M. Ma—, ima, para
mim — ma, para. Kutim, voz nova.
Vermelho : Koxôn. (6) M, Kuxôn.
Vespa: Xoinhon. M. Feindü — xóin, espinho ?
— nhôn, jon, brabo.
Vestido: Mixupôix. M. Veinxupôix. Mixupôix
é errado.
Viajar: Kuti. M. Parece seja kut tim: Ir de-
pressa ku, kut, de pressa.
Vista: Veja — ja, instrumento — ja, ver.
Voar: Brohe. M. Palavra nova. M. Ten.
Notas marginaes. 1. Carruptela de vacca. Borba :
Turuman 2 e—3 — Borba kakán e o vocabulario
bugre kekan — 4 — Borba tôna — 5 — O vocabula- ©
rio bugre evakangu — 6 — Idem kuxan. M. E
kuxon.
Adjectivos numer aes
Um: Pire. — Dous: Rengré. — Tres: Taktôn,
— Quatro: Kangrá. — Cinco: Petekre. — Seis :
Eningé honte veinvire. — Sete: Eninge, etc. ... ren-
D a L Oo À
gré. — Oito: Eningé... takton. M. Vide encima.
Adjectivos possessivos
Meu: Ixôn. M. Ix, ixôn, — Teu: Aton. M. A,
aton, teu-ôn, é-t, paragoge de a. — Seu: I anton.
M. KE errado. Significa dellas. Delle, della: Ti, fi.
E delle: titon. E” della: fi ton. — Nosso nessa: E'in.
— Vosso: Aiding. — Delles, dellas: agtôn, fagtôn.
Tambem : ag, fag.
Pronomes pessoaes
Eu : i,uin. M. Em Tibagy não dizem uin, mas jj,
ix. — Tu: Ha. M. A. — Elle, ella: fa ou fag. M.
Precisa dizer fag, e significa elias. Elle, ella se tra-
duz com ti, fi. Pelos pronomes pluraes vide Intro-
ducção do A.
Diversas phrases
1. Aqui é bom: Taki ha ne-ha, bom-ne, e-ta,
aqui-ki, em.
estada 7
nad dir ide
oe ee ee eee TOR |
aah ahve ee a ee ee ee ie ee
d'acén *
— 625 —
2. Bugre não cança : Kaingáng aro ti ke ton. —
ke, pretender, ir fazer (etc. ) — ard, cançado-ti, eile.
3. Da-me: Eman fi: M. Ijman fi-fi: por, dar.
— Eman fi nhatikambü : Me de dinheiro.
4. Da-me isto dado: Vaike ma nim. M. De-
ve-se dizer ijmá, para mim — vaiké, presente, do-
nativo.
5. Elles não tem medo: To kamonhe xika-
méte ton: M. Agton kamé tôn-agtón, elles-kamé,
temer-tokamônhe, kamônhe, p. nova — 2 Elles tem
medo : Tokamonha chicamete.
6. Ta hannhoá. M. Ta, lá-ha, voz imper. ( não a )
—hannho, palav. nova: espera. M. Kané. Espera-me 1a.
Eu não trabalho: Uin rairânha déja M. Ix raira-
nha deja ( deia ). — déja, não quero.
8. Ikine kangreta: Eu quero bem. M. Palavra
nova: Ix kevenhára. ;
9. Eu sou solteiro: Uin pro ton. M. Ix prôn
tôn-prôn : mulher, casado.
tO. Ix venhára: Eu sei. M. Ix kevenhára.
11. Eu vi: I vein. M. Ix véi. — Eu tenho
medo ; Uin xicamente. M. Ix kamé. Ki, póde ser pre-
fixo, não xi.
12. Eu tenho mulher : Uin prôe. Ix pron ne-ne,
estou com.
13. Eu tenho saude: Uin ima kangati-imma,
para mim-kangati, triste.
14. E' tarde: Rankète. M. Palavra nova.
Arankdxka : Tarde-ne, é.
Meu pai morreu: [ong icion tereio. M. Ix jogn
tére húri-ix, meu-jogn, pai. Vide supra.
16. Móro longe: lama korangue. M. Significa :
Minha morada é muito longe-jamá, minha morada :
kuvará, longe-gu, muito — é, ni.
17. O sdb está baixinho: Aran pran ha ti ie
ha. M. prán, baixo-ha, ja ti, elle-je, ella-hé, muito.
18. Pode vender-me? Imán kata? M Iman,
para mim-kata, palavra nova.
19. Porque me espancou ? : Déia ti táia ha ton
nine-déia, porque ti, elle-tai, ten, espancar-ha, Ja-tôn,
não-ne, está. Acho errado. Diga-se : Déia ti taix húri.
HOLD —
20. Preguiçoso demais: Nhére-nhére bangue
korégne. M. Buôngh e horégn, cada um dos dois
significa demais : basta por um ou outro.
21. Quantos dias ?: Kurán horike.
22. Quantos filhos tem ? : Cotxini hórike.
43. - Quasi peguei: Ti'srenierén. M Tina,
perto delle — ren pulei.
24. Quem contou ?: Iman ti to. M. Significa :
Contou para mim-imän, para min-ti, elle-to, contar.
29. Quem é aquelle?: One. M. On ne? On,
quem-ne. é.
26. Quem tez esta casa ? : Hônta han ni hype
on, quem-han ni, está fazendo-han, fazer-in, casa-
tag, esta.
27; Quero ir shpat da ME Din ak Emo
— hai (hô, quero) k, connective—i, eu.
28. Inhokuxandia: Quero tirar. M. ix peu:
quero roubar.
29. Quero vêr: Karki véitingua. M. Karka,
depois-vei, vêr-tin, ir-ge, quero.
30. Tambem tu queres ir: Uän timbre tin-
ningéia, ir com elles—uan, voce—timbre, com elle
tambem : ningéia, ningé.
31. Tenho fome: Uin kokire.
32. Tenho quatro irmãos: Inhaué icion uui-
kangrá. M. Ix javü veikangrá nanti-nanti, são-meu, 1x.
33. Tenho séde: Krono hôütiti-hô, preciso
quero-titi, muito
34. Teu rosto está sujo : Uan ime iamé kavéi
M. Ama jamé kavéi, dma. teu (!)—ime é superfluo.
So. Tira daqui: tanguéro. M. Tan géra-tan,
aqui-géra, tira tu.
36. Vá buscar: Ue tin-ué—ve : carregar.
37. Vue tin goio: Va buscar agua.
38. Va buscar lenha: Ué tin pin xin. M. Pin
lenha-xin, pequena
39. Vá buscar milho. Ué tin nhára. M. Vue-
tin, Vué, carregar, trazer ( vue tin ).
(1). Tambem ima, teu, vosso.
atte neta
PE Vas
— VS VU LOS PT re o o OP eee vm VN
a ee DD ET, RD DR ND TT)
asd VOS à
, =
— 627 —
40. Va chamar: Tima tôite: M. Tima, a el-
leto, fallar — paragoge — ti, elle: Elle falla a Fu-
lano de tal.
41. Vou fazer caminho: Ha hé mani empri
hine. M. Ix emprü ha hadn kémo — emprü cami-
nho — hadn, fazer — kémo: vou, pretendo — ha ho-
man hadn, significa concertar — ha, bom, héman,
mais — hadn, fazer. |
42, Va lavar: In kupéra: Significa lava a
casa — in, casa.
43. Va levar: In mom bakutin. M. Vão tra-
zer para casa — mon, vão in — casa — bakantin,
trazer.
43. Vá procurar: Ha karé tin. M. Ha kané
tia — ha, voz de mando — kané, procurar — tin, ir.
44. Veiotin: Vá procurar—ve : M. ver, achar.
45. Vamos conversar: Tôna venbén.
46. Embrä tin: Vamos juntos — e, com.
47. Vamos à roça: Tona empángh.
48, Vamos caçar — Tona enkré.
48. Tona doro nan. M. Tona noro nan: Va-
mos deitar para dormir — nan, deitar.
49. Vamos trabalhar: Tona ramram (rairá-
nha ).
90. Vem cahindo : Krinian. M. P. desconhe-
cida. Kuúte kantin nanti: Elles vem vindo cahindo
— kut, cahir — kantin, veem — udnti, estão.
Ol. Vem cá: Cotim gra. M. Kantingrá.
92. Aconhim: Vem comer. M. Ha ko kan-
tin — ha, voz de mando. Ako nim, significa: Peço
comas-ha, vez de mando-kó, comer — nim, peço.
93. Vem morar aqui: Braninkatingenim. M.
Ix bra kantin ge nim: Peço queira vir morar com-
migo — ix bra, commigo — ge, queiras — nim, te
peço.
of. Kinara: Vira para lá.
vo. De hor táia? M. Significa: Porque bates
o outro ? — de, porque — ôn, outro — táia, bates.
ob. Você é bom: He ti nim. M. Elle é bom
— hod, bom — ti, elle — ni, é.
— 628 —
57. Udn keron: Você é moço. M. Ama keron
âmá-umá, você — kiirôn, moço — ne, é.
58. Uänti keveranhaim: Você me ama. M.
Amä-umä kevanhéra ij-kevanhéra, amar — ij, a mim.
59. Você me disse: Imam senk, bitim. M.
Imam dma venbedn-imam, para mim — venbédn, fal-
lar, ti, elle — semke parece-me erro typographico.
60. Tima re he? Vocé melhorou? M. A’ma
re hé-ré, estar — hd, bom.
ne
61. Uänti kenheräin. M. Errado: é igual ao
N. 58.
61. Você tem fome? Ama kokire? 2).
62. Você tem medo? Ama ( uäan ) chikaméte
— chi, prefixo — kamé, temer.
65. Você viu? Ama (van) nue. M. E' veuê;
não nué. 3
FINIS
(1). O A. diz: Time rehe-ti, elle.
(2). O. A. diz: Uan icokire-ti-uan-você, kokireti, —
ter muita fóme.
(3) A phrase: Man pejù me, posta sob a lettra A.
póde significar: Eu Percebo o cheiro de mel escondido —
man, mel — peju, escondido — me, percebo (cheiro ), ou
por outra: Achei mel.
TRES GENEROS
DEZESETE ESPECIES NOVAS DE PEIXES BRASILEIROS
Determinados nas colleccdes do Museu Paulista
POR
Alipio de Miranda Ribeiro
Aspirophori
PERVSOSTOMI
SCLERACANTIII
Ancistrus taunayr ( 1) sp. nov.
DE ET APS LS Tai-25
Cabeça 2 e 3/1 até a base da caudal; altura
9 e 1/3; machos com poucos barbilhões curtos na
orla lateral do focinho; ramo mandibular 1 e 2/3
no espaço interorbital; este 2 e 2/5 na cabeça.
Olhos 3 no focinho, 5 e 4/2 na cabeça, 2 e 1/6 no
espaço interorbital. 14 espinhos no interoperculo.
Todas as placas, na fórma commum, não carenadas.
Peitoraes chegando à axilla das ventraes na vertical
do 4.º raio dorsal; o seu aculeo é forte, aciculado,
deprimido e curvo, eguala ao comprimento que vae
da ponta do focinho ao angulo da abertura das
guelras; é maior que o dorsal que é quasi egual
ao focinho (1 e 2/3 na cabeça j. Dorsal originan-
do-se antes das ventraes; sua Fase pouco maior
que a distancia que a separa do inicio da adiposa ;
vltimo raio, quando reclinado, chegando, à 2 placas
antes d'esta; as ventraes, de aculeo espesso e curvo
quasi attingindo essa vertical, deixam antes de si,
em sua articulação, o aculeo e o primeiro raio dor-
sal. A anal é pequenissima, maior que o diametro
orbitario apenas de 1 raio d'esse diametro. Caudal
obliquamente truncada, o seu ultimo raio 3/4 da
cabeça. Cor denegrida formando reticulações sobre
a parte anterior do corpo, como em A. stigmaticus
e barras transversaes sobre a posterior, sob fundo
(1) Prof, Dr. Affonso d'E. Taunay, Director do Museu
Paulista. :
miniaceo denegrido. Uma nodoa negra na mem-
brana da base do aculeo e 1 raio dorsal, 3 series
de manchas dessa côr formando barras transversaes
sobre as nadadeiras dorsal, peitoral e ventraes.
Caudal com uma barra basilar transversa e a ponta
dos raios superior e inferior miniaceos ; corpo d'es-
ses raios e O series de pequenas manchas em quin-
cunx sobre os outros raios e orla posterior da
nadadeira negros; a membrana hyalina, o que da ao
conjuncto, um bello efeito. Abdomen negro. 8
exemplares — Itaqui - Rio Lageado. Rio Grande
do Sul. Coll. Garbe — 1914.
Pseudancistrus luderwaldt:, (1) sp. nov.
De 187% AVIS GA
Fórma deprimida; pedunculo comprimido. Ca-
beça de contorno parabolico 3 e 1/4; altura 7.
Olhos 7 vezes na cabeça, 2 no espaço interorbital.
Occipital circumdado por à placas. Ramo mandi-
bular egual ao espaço interorbital. Lados do foci-
nho providos d'uma facha de cerdas finas, curtas e
rijas, de direcção extrorsa. Peitoraes attingindo a
axilla das ventraes, estas o anus. Dorsal occupando
11 series de escamas, anal 7, adiposa 4. Caudal
obliqua e fracamente lunada. Pardo isabeilino com
6 fachas transversaes escuras ; as anteriores ligam-
se sobre os flancos e assim delimitam quatro man-
chas claras sobre o dorso. ocinho claro. Base da
caudal com uma pequena barra que é seguida d'uma
nodoa diffusa. 1 Exemplar, colligido pelo Sr. Lii-
derwaldt em Hansa, Santa Catharina — 1910.
Plecostomus interruptus, sp. nov.
D. 4147; AFI; L Latas.
Cabeça 3 1/4 no comprimento até a base da
cauda, altura 1/6. Olhos 6 e 1/2 na cabeça, 2 1/2
(1) O Snr. G. Luderwaldt, entomologista no Museu de
São Paulo.
— o
aa
no espaço interorbital; este 2 e 2/3 na cabeça.
Ramo mandibular egual à orbita. Occipital margi-
nado por uma unica placa, e tanto ella como os de-
mais escudos do corpo na parte supero-lateral, mui
fracamente carenados ; a carena que parte do post-
temporal interrompida na zona da dorsal: esta com
o aculeo justamente do tamanho do peitóral e con-
tendo 5/6 do comprimento cephalico ; a sua base é
maior que a respectiva distancia da adiposa e o seu
ultimo raio termiza à 5 placas desta ultima nada-
deira. Peitoraes attingindo a axilla das ventraes. Es-
tas não chegando ao meio da anal que apenas oc-
cupa 5 placas quando reclinada. Caudal lunada com
os raios exteriores do comprimento da cabeça. Ab-
domen granuloso. (Cabeça corpo e nadadeiras pun-
ctulados de preto, sendo os pontos maiores, eguaes a
pupila, distribuidos ao longo do aculeo peitoral; outros
se grupam em tres fachas obliquas, duas sob a
dorsal e uma sob a adiposa; os pontos menores fi-
cam sobre a cabeça, parte ramosa das peitoraes e
ventraes e sobre a dorsal. Os da cauda são diffu-
sos, indistinctos. A anal é branca. 1 Exemplar
encontrado n'um frasco com outro do Rio Juquiá —
e com a determinação de Pl. punctatus.
Microlepidogaster depressinotus, sp. nov.
RARA Sos Ea Nat. 20:
Cabeça 2 e 4/5; altura Se 1/4: olhos 4 e 1/2
no comprimento da cabeça, 2 e 1/2 no espaço in-
terorbital. Dentes 14/14 ?. Orbitas salientes. Pei-
toraes attingindo o meio das ventraes; estas che-
gando à 1 placa antes da anal que oceupa 9 placas.
Dorsal nascendo sobre as ventraes e occupando
egualmente, quando reclinada, 9 placas. Região
cervico dorsal deprimida com um sulco mediano ;
região dorsal da parte caudal egualmente sub-depri-
mida. Caudal com os lóbos egualando ao compri-
mento da cabeça. Abdomen com 5 placas lateraes
e algumas pequenas esparsas pelo meio. Quasi to-
do glabro e incolor devido à falta da epiderme. EK’
um exemplar mal conservado, tendo o numero 167
eo rotulo de Plecostomus punctatus. Piracicaba.
Microlepidogaster doceanus sp. nov.
DE PSE Siler doen a eae
Cabeça 3, altura 6, largura 4 no comprimento
até a base da cauda. Olhos 3 no focinho, 6 na
cabeça e 1/2 no espaço interorbital ; peitoraes attin-
gindo o ultimo terço das ventraes que chegam à
primeira placa anterior à anal; adiposa vestigiaria ;
caudal lunada. A dorsal fica sobre a axilla das ven-
traes e attinge a vertical do inicio da anal com o
aculeo e os raios. Abdomen nú. Escamas quasi
perfeitamente glabras. Cor de sépia unifórme com
uma barra negra obliqua occupando quasi o lóbo
inferior e base do superior da caudal. Dentes mui
delgados e longos e com corôa branca. Exemplar
muito mal conservado, tem o umero 1 015 que no
catalogo numerico do Museu accusa Rio Doce — E.
Santo. ( Coll. Garbe — 1906 ),
Microlepidogaster gunther: (1) sp. nov.
Cabeça 3 e 1/5 até a base da caudal; altura
6 e 3/4; olhos 1/5 na cabeca, 1/2 no espaço
interorbital e tendo a orbita ligeiramente sali-
ente. Uma crista baixa pelo meio do focinho, da
ponta ao espaço internasal; narinas em depresões
circulares; placa occipital) com 3 carenas, as lateraes
procedendo das orbitas. Todas as escamas carena-
das, o que produz 5 cristas longitudinaes pelo corpo
que é quasi tão deprimido como a cabeça; ellas são,
além disso, asperas, com excepção das que ficam ao
lado da zona coberta pela dorsal (que é posterior
às ventraes ) e pela anal. Dorsal reclinada attin-
gindo 3 placas; anal 6 Peitoral com o aculeo me-
nor que os raios e tocando axilla das ventraes, cujo
raio é mnito espesso, curvo e apenas chega à uma
(1) Sr. F. Gunther que foi colleccionador do Museu
Paulista.
ay E.
|e
placa antes da anal. Abdomen nti; uma pequenina
placa pré-anal aciculada. Cor dos dentes ferruginea.
Pardo escuro violaceo com as cristas cephalicas, as
nadadeiras pares, 5 grandes manchas pelo dorso,
3 pequenas sobre a base e duas maiores em cada
lobo, da caudal, perto das pontas, de côr carnea. Face
abdominal alvadia. 5 Exemplares colligidos pelo Sr.
F. Günther na llha de S. Sebastião (n. 1.015 =
80) 13, da mesma ilha e colhidos pelo mesmo Sr.
na Praia de Pirahique (n. 710) em 1906.
Microlepidogaster (2) bahrensis sp. nov.
PER a AS aoa o lat. 24.
Cabeça 2 e 2/3; altura 1/5. Olhos 1/6, 2 e 1/2 no
interorbital; este 1/3 da cabeça. Origem da dorsal
sobre a das ventraes. Adiposa presente. Aculeo pei-
toral chegando ao meio das ventraes que atingem
a anal. 6 Placas entre a dorsal e a adiposa, dorsal
reclinada chegando a uma placa anterior áquella na-
dadeira e occupando 10 placas; caudal lunada. Ab-
domen totalmente nú. placas cephalicas e do corpo
aciculadas porém não carrenadas ; 3 filas de espinhos
no occiput, a maior mediana. Pardc com 4 nodoas
claras no dorso. Cauda transfasciada de modo irre-
gular. 2 Exemplares n. 1.071 — registados como
procedentes de Villa Nova, E. da Bahia. — Coll.
Garbe. 1908.
Otocinclus depressicauda sp. nov.
Dele At ph are
Altura 5 e 1/3. Olhos supra-lateraes 1/6 da
cabeça, 2 e 1/4 no espaço interorhital ; este 2 e 1/3
da cabeça. Aculeo peitoral chegando ao nltimo 3.º
das ventraes que mal chegam à placa anterior 4
anal; esta reclinada occupa 7 placas; a dorsal oc-
cupa 9. O occipital e os post-temporaes são sub-
carenados e terminam em ponta. Toda a região cer-
vical é convexa, a parte posterior do corpo, ao con-
trario, é sub-deprimida. Abdomen com placas late-
raes fortes eas medianas pequenas ou ausentes. Par-
do com 9 fachas transversaes escuras no corpo; na
região cephalica desenham ellas um X. Cauda dene-
grida com dous ocellos claros, um em cada lóbo. 11
Exemplares, procedentes de Sorocaba — onde foram
collecccionados pelo Snr. E. v. Zeidler em 1906.
Farlowella henriquei sp. nov.
Li. tat. 32:
Comprimento do rostro 2 e 2/3 na distancia
que vae da sua ponta ao anus e toda a cabeça 3 e
1/3 na que vae da ponta do rostro à base da cau-
dal. Orbita 14 e 1/2 vezes no comprimento da ca-
beça e 2 1/2 vezes no espaço interorbital. ‘Todas as
placas glabras; as da região thoraco-abdominal tem
serie mediana, excepto adiante das ventraes onde ha
uma placa. 7 placas entre a occipital e a dorsal, 20
entre a anal e a caudal, 6 entre as peitoraes e as
ventraes, 21 entreaanalea caudal. Cor de chumbo
com as nadadeiras claras e punctuladas de escuro.
Rio Vermelho, aff do Araguaya (Sta. Rita das
Antas) Coll. Gap. Henrique Silva — 1915.
Pleurophysus, gen. nov.
Fórma gerai de Stegophilus. Dentes subulifor-
mes em uma serie em todo o intermaxillar, os media-
nos mais longos; outros na symphyse mandibular (2)
Operculo e preoperculo com duas series lineares de
aculeos. Dorsal e anal sobrepostas. Caudal trunca-
da, Uma ampola membranosa sobre os flancos, por
detraz das peitoraes.
Pleurophysus hydrostaticus sp. nov.
Dan
Contorno cephalico triangular. Olhos parecendo
de orpita livre; cabeça 5 e 1/2; bocca pequena, com
uma série de dentes longos em todas os intermaxil-
lares e-junto a symphyse mandibular (2). Ancistros
pre- e opercullares distribuidos em duas séries lon-
Lo
Ag
gitudinaes, dando ao conjuncto o aspecto de um
pente. Dorsal e anal no 3.º posterior do corpo,
esta algo posterior e ambas sinuosas com um ligeiro
lôbo posterior. Peitoraes do comprimento da ca-
beça ; caudal truncada, ligeiramente emarginada. Uma
ampola helicoidal, membranosa, exterior, em cada
lado do thorax e sobre as peitoraes. Cor geral
transparente; olhos, peritoneo, uma lirha mediana
superior e inferior (no pedunculo ) negros. 5 exem-
plares de 25 mm. determinados como Stlegophilus
msidiosos e procedentes do Rio Claro.
Pimelodella rudolphi (1) sp. nov.
Cabeça sem póros mucosos. Adiposa 2 e 5/6
no comprimento, até a base da caudal e passando
ligeiramente a ponta da anal. Aculeo peitoral com
3 espinhos espaçados juntos à ponta no bordo an-
terior e alguns outros na base, no posterior. O seu
comprimento eguala ao da dorsal e ê contido justa-
mente 2 vezes na cabeça, cujo meio é tambem o cen-
tro da orbita. Barbilhäo maxillar mal chegando à
origem da anal. Post-mental à axilla da peitoral e
mental não chegando à orla opercular. Olhos 3 e
3/4 na cabeça, eguaes ao espaço interorbital.- Pro-
cesso occipital firmemente reunido à placa predor-
sal. Dorsal redonda, de altura egual ao comprimen-
to do focinho mais um diametro orb'tario ; peitoral
triangular e do mesmo comprimento ; a dorsal nasce
justamente sobre o extremo do angulo postero-inter-
no das peitoraes e termina sobre a origem das ven-
traes que são redondas, tem o aculeo flexivel e o
tamanho do aculeo peitoral ou dorsal. Anal da altura
do aculeo peitoral. Caudal furcada, com os lóbos
eguaes. Coloração uniformemente translucida com
uma facha escura, estreita e diffusa que vae da base
do barbilhão maxillar ao meio da base da caudal. 3
exemplares de 57 millimetros, procedentes do Rio
(1) O Snr. Rudolph v. Ihering sob cujas luzes estavam
as collecçües de peixes do Museu de S. Paulo.
Sorocaba e determinados como P. eigeninanni. Colli-
vidos pelo sr. Zeidler em 1916. 2 exemplares de
110 mm. do Rio Tieté, determinados P. buckleyr,
tem o lôbo caudal superior ligeiramente proeminente
sobre o inferior. 3 outros individuos da mesma proce-
dencia, 125 mm., tem os lóbos caudaes n'esta ulti-
ma condição; são de côr cinerea vinacea uniforme,
com a facha iateral referida e tem a dorsal e a cau-
dal de negridas e adiposa fimbriada de negro. D.
1+6; A 11. Cabeça 4 e 1/3, egual a maior altura.
Mais 12 det. P. wettata. Mercado de São Paulo (n.
538) Mais 3 — Rio Feio Mais 1 (n. 1061) —
Rio Tamanduatehy — ( Lima leg.)
Pinelodella megalura sp. nov.
Di ESEC o fone
Cabeça 5 e 2/3 à 6; alturade 1/3 à 6e 3/4.
Distancia do fulerum dorsal à ponta do focinho con-
tido 2 vezes na que desse fulcrum vae à base da
caudal, no joven, 3 vezes no adulto. Jliato 2 e 1/2
vezes na cabeça. Bariilhão maxillar attingindo o
plano do inicio da anal no adulto, e chegando ao
apice d'essa nadadeira, no joven; mentaes chegando
à cintura thoracica e post-mentaes ao extremo, do
ultimo raio interno tanto no joven como no adalto.
Olh:s 3 e 4/5, no joven, à 5, vo adulto, no com-
primento da cabeça; eguaes ao espaço interocular
n'aquelle e 1 e 1/3 neste. Dorsal na base 1 e 1/3
na altura; o aculoo finamente serrilhado no bordo
anterior, egual ao comprimento que vae do labio ao
meio da orbita e seguido” d'uma parte membranosa
que acompanha o primeiro raio; elle é egual ao
aculeo peitoral que é serrilhado no bordo anterior
junto ao apice e junto à base no posterior; no Jo-
ven, ao contrario, as duas orlas são serrilhadas em
quasi toda a extensão. Ventraes do comprimento
das peitoraes. Anal começando à uma distancia de
junto das ventraes que é egual a que d'ahí vae ao
anus, é redonda e 1 e 1/2 vezes mais larga do que
alta e fica situada à meio da adiposa, no adulto, um
e es
ee CADA oe
PR E Lee!
* as AZ de re.
pouco mais proxima do extremo posterior desta, no
joven. Adiposa longa e elevada, a sua altura se con-
tem 6 vezes no comprimento, no joven, e 8, no
adulto. Os lóbos caudaes são enormemente desen-
volvidos ; o inferior contem o comprimento da ca-
sheca te 4/5, no joven,.e | e 2/3, no adulto; é
redondo, perfeitamente espatulado não terminando
em ponta e é da largura do superior ou mais lar-
go; o superior, egualmente redondo, contem o com-
primento da cabeça 1 e 2/3, no joven, e 2 e 2/3,
no adulto, ou mesmo um pouco mais de 3 vezes,
Cor cinerea translucida com a cabeça e uma facha
lateral denegridas ; abdomen branco,
S. Luiz de Caceres: Matto-Grosso. Coll. Gar-
be-1912.
22 exemplares — o maior mede 22 centimetros.
Prinelodela garbe: sp. nov.
DAT GAS?
Cabeça 1/4 (igual à altura) do comprimento
que vae da ponta do focinho à base da caudal. Pó-
ros mucosos na parte inferior da cauda. Bocca me-
diocre; biato 1/3 da cabeça. Barbilhão maxillar che-
gando à axilla das ventraes; post-mentaes à das pel-
toraes e mentaes à orla opercular. Olhos 4 e 1/2
vezes na cabeça, 1 e 2/3 no espaço interorbital e equi-
distantes da ponta do focinho e da orla do operculo.
Processo occipitai não articulado com a placa pre-
dorsal. Aculeo dorsal 1/5 menor que o aculeo pei-
toral, indistinctamente denticulado na ponta do bordo
anterior e ainda mais fracamente em meio do pos-
terior; elle se contem quasi justamente uma vez na
distancia que vae da ponta do focinho ao meio da
orbita ou 2 e 1/6 na cabeça. A dorsal é obliqua-
mente truncada e a sua altura eguala à um com-
primento do focinho mais um diametro orbital; a
sua base é egual à sua altura. A adiposa começa
no mesmo plano que a anal; ella se contem de 1 a)
no comprimento até a base da caudal e sua altura
elo à
5 no seu comprimento. As peitoraes tem o aculeo
finamente denticulado em todo o bordo anterior e 8
grandes espinhos no meio do posterior ; esse aculeo
é justamente egual à um comprimento do focinho
mais um diametro orbital; mais um desses diame-
tros e ahi temos o comprimento do peitoral que
termina sob o 4.º raio dorsal. Ventraes egua-
lando em comprimento ao aculeo peitoral e afas-
tadas da origem da anal de um diametro orbitario ;
ellas são rendondas ou melhor, espatuladas. Anal
egualmente redonda sendo o seu maior raio
pouco menor que o aculeo dorsal. Caudal furcada,
com os lóbos sub-eguaes ou o superior imperce-
ptivelmente mais longo. Cinerea translucida com a
membrana dorsal, a base dessa nadadeira, uma nodoa
anterior a essa e outra posterior, transversal e entre
a dorsal e adiposa; uma nodoa cervical e outra es-
capular e outra na base da cauda, negras; a metade
terminal da dorsal e orla da anal enfumadas; uma
estreita fimbria na adiposa ; às vezes vestigios de uma
tarja lateral escura que tambem permanece como outra
nodoa entre a adiposa e a anal; as peitoraes dene-
eridas nos dous terços terminaes; as outras nada-
deiras brancas amarelladas como a parte inferior
do corpo. 36 exemplares — Itaqui — Rio Grande do
Sul — Coll. Garbe — 1914, (n. 1.057). Mais 7 exem-
plares do Rio Parahytinga — S. Paulo — colligidos
pelo Sor. Garbe em 1999 e determinados P. ergen-
mannt À. 13. 1 — Rio Itanhaem — Coll. Adam —
1909.
Steindachneria scripta, sp. nov.
D. dish ats, Va Lee Ae
Cabeça 3 e 1/3, anteriormente deprimida em
cunha, tendo a mandibula inferior posterior ao labio
superior que é carnudo, espesso e reflexo no angulo
da bocca, tanto superior como inferiormente. Hiato
amplo, 1/3 da cabeça. Dentes maxillares em larga
facha villiforme que se projecta posteriormente em
agulo agudo, para os lados; o espaço comprehendido
E Ta FT
Eu À
— 641 —
por esses dous processos, occupado por uma placa
semilunar de dentes vomerinos, egualmente villifor-
mes. Facha dentaria mandibular muito mais es-
treita. Barbilhdes maxillares attingindo justamente
o angulo do operculo, teretes e grossos; post-men-
taes chegando à orla opercular e mentaes à base dos
branchiostegos. Narinas anteriores logo por detraz
dos labios e separadas entre si por uma distancia
pouco menor que o focinho; as posteriores ficam-lhe
à um diametro orbitario e ligeiramente mais para
dentro. Olhos supero-lateraes, à 3 e 1/2 diametros
entre si à 3 diametros da base do barbilhão maxil-
lar e à 5 da orla opercular ; póde-se dizer que elles
se contem 10 e 1/2 vezes no comprimento da ca-
beça. 7 branchiostegos; membrana aberta até adiante
da linha orbital anterior, envolvendo o isthmo e
completamente livre; 12 rastros, dos quaes 3 rudi-
mentares, no ramo inferior do arco branchial. Pro-
cesso clavicular externo pontudo, estriado longitu-
dinal e irregularmente, attingindo todo o 4.º basilar
da peitoral. Distancia entre a dorsal e a ponta do
focinho egual à que vae da base do aculeo dorsal
à ponta da adiposa; a nadadeira é redonda e sua
altura maior que a base de 1/3 deste. O aculeo é
flexivel e delgade, egnalando a distancia que vae
da orla anterior do labic ao meio da pupilla; a dis-
tancia da dorsal à adiposa é egual à altura daquella.
Adiposa saliente, elevada e curva, de comprimento
egual à 2/3 da cabeça. Peitoraes subtriangulares, o
aculeo deprimido, fraco, flexivel como o dorsal, ainda
que mais largo e tendo apenas granulações indistinctas
no bordo anterior e separados do corpo do aculeo
por um sulco longitudinal superior e outro inferior ;
o seu comprimento é pouco maior que a altura
da dorsal. Ventraes truncadas, curvas para dentro e
tendo os cantos redondos; ellas quasi representam
3/4 das peitoraes e, passando o anus, não attingem
a anal. Anal redonda, de base egual à altura e,
quando reclinada, passando de pouco a adiposa. Caudal
emarginada com os cantos redondos e o lóbo supe-
rior um tanto mais longo. Olivaceo com rabiscos
negros sobre toda a parte superior do corpo. Na-
dadeiras denegridas, labios alvadios. 1 exemplar em
alcool medindo 49 centimetros e procedente de
Itaqui — Rio Grande do Sul — onde foi colligido
pelo Snr. Garbe em 1914. Outro de 77 centimetros
em pelle mostra rugosidades dos ossos da cabeça de
sob a pelle que a envolve e, finalmente, —outro exem-
plar representa uma variedade que chamarei de
nunctala, differe em ter o corvo e nadadeiras pun-
ctulados de negro e os barbilhões maxillares attin-
gindo a dorsal, emquanto cs post-mentaes attingem
a axilla das peitoraes. Itaqui, mesma procedencia.
Taunayia, gen. nov.
Forma semelhante à Glanidimim com a man-
dibula incluida. Cabeça moderada, espessa. Inter-
maxillares e mandibulares villiformes. Vomerinos e
palatinos ausentes. Olhos sub-cutaneos superiores.
Membrana branchiostesga aberta até a symphyse.
Dorsal 7, sobre as ventraes, anacantha e afastada da
cabeça. Adiposa presente, grande. Peitoraes egual-
mente anacanthas. Ventraes 6. Anal sob a adiposa.
Caudal truncada. L. lat. presente. Pelle vellutina.
Tavnayia marginata sp. nov. |
OT ero eden AD
Cabeça 3 e 1/2; altura 5 e 2/3, pouco modi-
ficada anterior e posteriormente. A parte anterior
larga moderadamente deprimida, de módo à deixar
o perfil anterior ogival. Labios espessos, reflexos
no angulo. Intermaxillares sem projecção postero-
lateral. Barbilhões maxillares não chegando ao bordo
opercular — antes terminando à uma distancia da
orla membranosa que é egual ao espaço entre as
narinas; mentaes chegando inferiormente à orla
brachiotega e os post-mentaes muito pouco maio-
res. Narinas anteriores e posteriores na mesma
linha longitudinal e a distancia que as separa entre
si é quasi egual sendo a transversa mui pouco maior.
Olhos pequenos 1/4 da distancia interorbital 1/18
shoes.
— 643 —
do comprimento da-cabeca. Abertura-branchia] am-
pla até o isthmo e a membrana branchiostega
larga e espessa. Dorsal tendo o primeiro raio
sobre a origem das ventraes; o seu aculeo é ine-
xistente por ser quasi completamente membra-
noso desde a base; ella é ligeiramente curva no
bordo supero-anterior e todos os seus raios são 3
à 4 fidos, membranosos. A distancia da nadadeira
da ponta do focinho é a mesma que a da base do
falso aculeo dorsal à ponta da adiposa; e a sua al-
tura é egual à sua base ou ao comprimento das
peitoraes. Adiposa 4 e 1/5 no corpo, ou 1 vez no
comprimento da cabeça até a axilla opercular. Pei-
toraes pouco menores que 1/2 do comprimento da
cabeça, largas, subtruncadas com os cantos redon-
dos, estando o seu aculeo nas condições do dorsal.
Vantraes um pouco maiores que as peitoraes (1/2
da cabeça ), perfeitamente redondas. Anal redonda
de altura egual à 1/2 do comprimento. Caudal larga,
truncada com cs cantos redondos. Toda a pelle vel-
lutina. Cor amarella; duas tarjas negras diflusas da
nuca à adiposa, pelos lados da dorsal e ligando-se
por fachas transversaes, na nuca, adiante da dorsal
no ultimo raio dessa nadadeira e antes da adiposa ;
outra facha vestigiaria pelo meio dos flancos, uma
tarja ferruginea, em angulo, proxima da orla da
posterior da caudal um exemplar medirdo 125 mm. e
procedente de Piquete (det. como Psewdopimelodus
raninus ),
Glanidiuin melanopterum, sp. nova
Cabeça 3 e 4/5 vezes no comprimento; altura
de 26. Olhos com a palpebra adiposa 1/3 do es-
paço interorbital, 1/5 da cabeça. Barbilhão maxillar
chegando ao ultimo terço dos aculeos peitoraes que
são desprovidos do espinho no bordo anterior até
perto da ponta. Aculeo dorsal liso, 1 e 1/2 no pei-
toral que se contem 1 e 1/6 na cabeça. Ventraes
attingindo o anus. Anal obliquamente truncada, de
cima e de traz para baixo e para a frente — (ao
contrario de Gl. albescens ). Cor cinereo-pardacenta
mais ou menos marmorada de mais escurc; a me-
tade terminal da dorsal, raios e membrana das pei-
toraes, a metade terminal das ventraes, anal e cau-
dal negros retintos. Tudo o mais como em Gl. al-
bescens. 1 — Piquete, S. Paulo. Coll. Gap. H. Silva.
2 Outros individuos que me parecem femeas desta
especie, tem as nadadeiras pares e a anal incolores.
Mesma procedencia. Mais 2 idem — Cachoeira — .
Garbe — 1909.
Ceratocheilus, gen. nov.
Facies geral dos Auchenipteros. Cabeça depri-
mida, revestida de pelle ; é larga, de lados sub-paral-
lelos. Bocca anterior, com estreita fimbria de dentes
minusculos nos intermaxillares e mandibulares eden-
tulos, provida de barbilhdes maxillares osseos, com-
primidos, longos, erecteis ; barbilhões mandibulares
filiformes. Olhos lateraes. Fontarella aberta desde
os intermaxillares sem attingir a base do processo
occipital que se eleva gradativamente sob a pelle,
até a placa pre-dorsal, à que se funde. Abertura
branchial estreita, lateral na base das peitoraes.
Dorsal curta, com o aculeo comprimido e poucos
raios, e estes rijos. Peitoraes estreitas. Ventraes com
13 raios todos muito rijos. Anal falcada, longa,
com os raios anteriores muito desenvolvidos, prova-
velmente portadores «da papilla genital. Adiposa
ausente. Caudal emarginada. Especie conhecida :
Ceratocheilus osteomystax sp. nov.
D.1+5; Vs. 18; A 48.
Cabeça 4 e 4/5 com as narinas anteriores mesmo
sobre a borda anterior dos intermaxiilares e as pos-
teriores à uma distancia d'ellas que é egual à 1
raio orbitario; emquanto que a distancia que separa
as anteriores é quasi duma orbita, a que fica entre
as posteriores é menor de 1/4 d'essa extensão. A
fontanella projecta-se até o meio do occipital, tendo
pad do
os bordos parallelos e sendo continuada até a ponta
do focinho por uma gotteira que ahi se dilata para
os lados, terminando mesmo sobre o bordo inter-
maxillar, abruptamente. Toda a cabeça é revestida
de pelle e o processo occipital que se estreita para
a base da placa predorsal, nella se funde dilatando -
se depois em dois curtos ramos divergentes e de
bordos parallelos. A bocca é anterior, com a man-
dibula incluida e edentula sendo a symphyse mais
ampla, callosa e agindo contra uma ampla depressão
quadrangular dos intermaxillares; a orla d’esses
ossos supporta uma delgada fimbria de denticulos
villiformes, apenas perceptiveis com uma lente. Os
barbilhões maxillares nascem-lhe dos lados, numa
articulação perfeita, pois são osseos em cerca de
6/7 de sua extensão, comprimidos, curvos para traz
e depois para cima e depois ligeiramente para traz,
terminando, por fim, n'um curto filamento que pen-
de ou se contorce para baixo, tal como a trança
dum chicote sobre o cabo; todo o bordo anterior
da parte ossea d'esse bardilhão tem uma fimbria
cutanea que é um pouco mais larga sobre a ponta.
Os barbilhões mandibulares, ao contrario, são fili-
formes, attingindo os post-mentaes a vertical baixada
do ultimo raio peitoral, e o mental à axilla d'essa
nadadeira. Os olhos são grandes, sub-cutaneos
tendo um breve processo adiposo anterior e se con-
tem justamente 3 vezes na cabeça e 1 e 1/2 no es-
paço interorbital. As peças operculares parecem fundi-
das, serdo a abertura opercular eguai à um diametro
orbitario e sendo perfeitamente lateral. A nadadei-
ra dorsal é muito estreita, tem um aculeo fraco ( que-
brado ) comprimido e parecendo liso ; a esse seguem-
se 3 raios o maior dos quaes é egual ao maior raio
ventral; elle representa 3/4 do comprimento da ca-
beça. As peitoraes são triangulares e agudas; pa-
recem ter 12 raios e o seu aculeo, quebrado, pa:
rece liso no bordo anterior. As ventraes são lar-
gas e falcadas; ellas nascem pouca atraz das e peitoraes
attingem a anal com os raios internos, sendo con-
tsituidas de 13 raios. A anal parece constituida de
a 646 ate
48 raios, sendo que os 6 ou 8 anteriores são pro-
longados; o anterior é o então, de modo à ser
o mais longo de todos, (inclusive os caudaes ) e tem
uma raiura anterior. Parece ser elle o portador da pa-
pilla germinativa. Essa nadadeira se contem cerca
2e 1/3 no comprimento até a base da caudal que é
fracamente emarginada e tem os bordos sub-eguaes.
Superiormente o animal é plumbeo escuro com uma
tarja branca do focinho ao occipital e outra d'ahi à
perto do pedunculo, A base da caudal é escura; 0
centro das peitoraes e a ponta do lóbo caudal superior
negros. Olhos e barbilhões post-mentaes negros e negra
tambem é a fimbria cutanea que borda a parte ossea
dos barbilhdes maxillares, até a parte filamentosa
terminal que é branca. Entre a base e a ponta, a
caudal é intensamente amarella de chromo. 20 Cen-
timetros — Santa Rita das Antas — Rio Vermelho
— Goyaz — Coll. pelo Capitão Henrique Silva em
1913.
we Maçã
CATALOGO E REVISNO DAS LEGUMINOSAS DO HERVARIO
MUSEU PAULISTA
COM
a descripção de algumas especies E
variedades novas encontradas no mesmo
POR
F. C. Hoehne
EXPLICACAO
O material de Leguminosas que se encontra no
Hervario do Museu Paulista, compõe-se de colleccdes di-
versas. Todo aquelle recolhido pelos Drs. Alberto Lofgren,
Gustavo Edwall, Alf. Hammar, Arséne Puttemans, Campos
Novaes e Campos Porto, compunha o Hervario da Commis-
são Geographica e Geologica de S. Paulo. Aquelle colhido
pelo Dr. A. Usteri, procede do Hervario da Escola Poly-
technica de S. Paulo e, quasi exclusivamente, aquelle col-
leccionado pelo Sr. Luederwaldt, funecionario do Museu, o
foi directamente para ali.
Encarregados pelo Dr. Affonso d'Escragnolle Taunay
para rever e organizar este material, tivemos o cuidado de
repassar em exame todos os exemplares, quer estivessem ou
não determinados, de forma não só a reunir todos os exem-
plares de uma mesma especie, mas tambem a sanar algu-
mas duvidas que pela troca de rótulos pudessem ter se
dado.
Com o intuito de tornar este material mais conhecido
e por conseguinte util aos que pela botanica se interessam,
resolvemos publicar, ao lado das especies novas constatadas,
a relação completa de todas as identificadas o que fazemos
em ordem alphabetica para facilitar mais as consultas.
Para economia de espaço e tempo, resolvemos adoptar
as seguintes abreviações convencionaes :
S/n. — sem numero.
S/d. — sem data.
S/a. — sem autor. :
S/p. — sem procedencia.
Det. — Estava determinada.
Det. em p. — Determinada em parte.
Ind. — Estava indeterminada.
Obr. cit. — Obra citada.
Especies novas de Leguminosas do Hervario
MUSEU PAULISTA
Acacia subpaniculata, Hoehne (Sp. Nov. ser.
Vulgares )
Arbor parva vel frutex ramosus, armatus, fo-
liola excepta dense breviterque rufo-puberulus, ra-
mulis densiter vestitis, ramis demum glabratis sub-
fuscescentibus, indistincte angulatis, teretiusculis ;
aculeis sparsis, parvis, recurvis ; petiolo communi
12 cm, longo. sparse recuvoque armato; glandula
stipitata in medio petioli infra pinnas inserta ; pinnis
9-10-jugis, rhachibus rufe-puberulis, 6-7 cm. longis ;
foliolis 30-35-jugis, subtus inferne in mesoneuron
paullo excentrice hirsutis, caeterum glabris, asyme-
ticis, linearibus, acutis, 9-6 mm. longis, 1 mm. latis ;
racemis ad apicem ramorum paniculam amplain basi
foliosam dispositis ; pedunculis 2,5 cm. longis, saepius
2-4 aggregatis et dense rufo- ga ulis ; capitulis elo-
bosis cum staminibus usque ad 22 mm. dm., pallido-
lutescentibus ; floribus sessilibus, “densissime agere-
gatis ; calycibus extus puberulis, fere 3 mm. longis
corollis calycibus paullulum superantibus, 4 mm.
longis, glabris ; staminibus numerosis, 8-10 mm.
longis; ovario glabro ; legumine ignoto.
Tabula n. 1.
Museu Paulista: n. 3371, Dr. Gustavo Edwall,
Botucatu, nov. 1896. ( Determinada como Acacia
Marti, Bih., de que se afasta pela forma recurva
dos aculeos, numero de pinnas das folhas, numero
de foliolos etc. ). Ex. Herv. da Commissäo Geogr.
e Geologica de São Paulo.
De Acacia paniculata, Willd. distingue-se pelo
numero de pinnas, tamanho dos foliolos e pela glan-
dula peciolar ete. Talvez possa ser considerada
apenas uma variedade desta ?
Piptadenia Leigreniava, ohne (sp. nov.
ex sect. Eupiptadenice, ser. ©. 1, Fl. Br. Mart)
Frutex scandens, primo intuito Pipt. macra-
denie similis; ramulis dense tomentellis, primum
striatis demum 4-5—angulatis et in angulis aculeis
minimis recurvisque dense armatis; foliis 10-16 cm.
longis, petiolo communi tomentoso aculeis majoribus
sat densis armato ; glandula depressa oblonga prope
basin petioli et minor inter 2-3 pinnis ultimas ; pin-
nis 7-12—jugis, fere 4-6 cm. longis, in rhachibus ~
tomentellis; foliolis crebris 40-45—jugis, anguste
lineari-falcatis costa valde excentrica, fere 4-5 mm.
longis et 3/4-1 mm. latis, margine indistincte ner-
viforme minute ciliolata, discoloribus, subtus subin-
dutis albacentibus et supra nitidis sicco nigricantibus ;
spicis 6:10 cm. longis, in axillis superioribus soli-
taris vel plerzmque 2-3nis, ad apicem -ramorum
saepius numerosis racemis sat longis formantibus ;
(loribus sessilibus, 4-5 mm. longis; calycibus extus
dense pubescentibus, |, 2 mm. longis; corollis in
alabastris subobovatis, prope apicem segmentorum
extus pubescentibus, intus glabris, 3 mm. longis;
stamin bus 10; antheris apice glanduligeris. Legu-
men ignotum.
N. 2470, Lofgren et Edwall, S J. dos Barrei-
ros, 26/IV/94. (Ex “Com. Geog e Geol. de S. Paulo).
Afasta-se da Piptadenia communis, Blh. por
ter ovario villoso e da P. macradenia Bth. por ser
muito mais armada e ter glandula peciolar e folio-
los menores.
A julgar pela differença existente entre os dois
exemplares do mesmo numero, parece-nos que o
numero de aculeos pôde variar, sendo ora mais
bastos, ora mais ralos, aquelles que oraam o pe-
ciolo commum parecem entretanto ser sempre muiio
maiores que os demais. ‘
Calliandra Novaesii Hoehne ( Sp. Nov.)
Frutex ?, ramis glabris, pense albido-verrucosis ;
supulis persistentidus, striatis, triangulari-acuminatis ;
6-7 mm. longis; foliis glabris; petiolo communi
patente subreflexo, glabro, basin versus ‘incrassato,
supra levissime suleato, 1,5 cm. longo; pinnis uni-
jugis, 7-8 cm. longis, divaricatis ; foliolis 8-10-jugis,
glabris, rigido-coriaceis, ad basin 2-5 costatis, asy-
metricis, oblongo-lanceolatis, obtusis, 3-3,6 cm. longis
et 1 cm. latis, basi apiceque obtusatis, sessilibus.
Inflorescentiae axillares, pedunculo communi subra-
cemoso, bracteis rigidis subimbricatis subdense ob-
tecto, fere 2 cm. longo; pedunculis capitulorum 1,5-2
cm. longis, squamis sparsis parvis ornatis et parce
puberulis ; capitulis globosis, cum staminibus 5 cm.
dm. ; floribus sessilibus ; bracteolis parvis, rigidis ;
calycibus rigidis, striatis, 1,5 mm. longis; corollis
striatis, rigidis, 7 mm. longis; staminibus purpuras-
centibus, 2,5 cm. longis, numerosis, tubo stamineo
corolla breviore; ovar:o stipitato, glabro; legumi-
nibus 2-3-spermis, marginibus arte incrassatis, medio
aplanatis, suturis sinuatis inter semina approximatis,
basi in stipito 1,5 cm. longo angustatis, apice acu-
minatis vel acutis, fere 6-9 cm. longis.
Tabula n. 2.
Museu Paulista: n. 5603, Dr. Campos Novaes,
Municipio de inte Ex. Herv. Commissäo
Geog. e Geol. de São Paulo.
As folhas patentes, foliolos rijos e algo coriaceos,
inflorescencias pseudo-racimosas, revestidas de bra-
cteas rijas e persistentes, estriadas e sempre um
tanto incurvadas, flores (corollas e calyces ) rijos e
pessistentes no fructo, legumes de margens espessa-
das e contrahidos entre as sementes raras e distantes
entre si, bem como as dimensdes dos orgäos em
geral constituem caracteristicos inconfundiveis para
esta nova especie.
Desmanthus tatuhyensis, Ilhne (sp. nov. )
Frutex parvus, radice crassa fusiformi, simplice
vel pauciramosa ; caulibus simplicibus vel e basi
plurifurcatis, ascendentibus, tetrangulatis sulcatisque,
— 656 — ;
fere 20-35 em, altis ; foliis 5-8 em, longis; pinnis
saepius 4-jugis, levissime curvatis, 4-6 cm, longis
petiolo communi paullulum superantibus, a basi et
inter sese 7-S mm _ distantibus; rhachibus indistincte
puberulis ; foliolis parvis 30-40-jugis, subobovatis,
acutinsculis marginibus levissime puberulis, 3 mm.
longis, sat imbricatis ; stipulis anguste setaceis, per-
sistentibus, 5-6 mm. longis ; pedunculis axillaribus,
brevissimis, singulis, fere 2-5 mm. longis; capitulis
globosis ; floribus glabris, sessilibus, paucis ; bracte-
olis e basi lata abrupte acuminatis, caylice subae-
quilongis, giabris; calycibus 1, 5 mm. longis, 5-
dentatis ; corollis fere usque ad basin sub-5-fidis, 2,
3, mm. longis, segmentis subspathulatis, acutis ;
staminibus 10, glabris, 5, mm. longis; ovario gla-
bro; leguminibus linieribus, sicco nigricantibus ba-
se apiceque acutis, 11-15-spermis, 30 mm. longis et
fere-4 mm. latis; seminibus oblique insertis.
Museu Paulista: s/n.e s/p..
Horto « Oswaldo Cruz », Butantan; n. 1.412,
F. C. Hoehne, Tatuhy, S. Paulo, 50/1/1918.
Distingue-se das demais especies brasileiras pelo
maior numero de foliolos, por ser completamente
glabra e ter os capitulos floraes quasi sesseis ou
pouco pedunculados.
Frequente nos campos de St. Cruz, em Tatuhy,
onde a encontramos, com flores e fructificada, em
Janeiro de 1918.
Mimosa desmanthoides, Héhne (sp. nov. ex
sect. Habbasiae ),
Frutex erectus, glabriusculus, satis ramosus ;
caulibus ramulisque tretrangulatis et sulcatis; sti-
pulis anguste lanceolatis verruciforme recurvis, per-
sistentibus ; foliis glabris, 8-12, cm. longis; pinnis
9-6 jugis sat patentibus, fere 4-5 cm. longis ; foliolis
[5-20 jugis, inter sese satis distantibus, sparsis,
plus minusve alternautibus, oblongatis, obtusiusculis
fere 29—3 mm. longis, 1-1, 5 cm, latis. Pedun-
PPT
fes
ae) | ==
cul caxillares 4-6 aggregati, erecto-patentes, glabri
2 em. longis; capitulis globosis, cum staminibus fere
18 mm. dm, ; floribus sessilibus, roseis, 4-meris, 8-
andris ; calycibus membranaceis, 3/4 mm. longis,
dentatis ; corollis levissime furfuraceis glabrisve, 2
mm. longis; staminibus 7 mm. longis; ovario gla-
pro. Legumen ignotum.
Tabula n. 3.
Museu Paulista: n.° 4475, Alberto Lofgren,
Paranapanema (Em cultivo no Horto Botanico ).
dez. 1899. Specimem do Herv. Commissäo Geo-
graphica e Geologica do Estado de S. Paulo.
Nao nos tendo sido dado examinar os fructos,
não podemos garantir terminantemente tratar-se de
uma Mimosa pois a primeira vista todo o facies
lembra extraordinariamente de Desmanthus genero
de que se afasta pelas flores 4-meras, 8-andras, o
que veria a constituir uma anomalia para o mesmo.
Não é porém impossivel que os fructos venham
nos convencer mais tarde tratar-se realmente de um
Desmanthus.
Mimosa insidiosoides, Hochne (sp. nov. ex
sect Æumimosae )
Frutex erectus vel subscandens ; caulibus rigi-
dis dense patenteque setuloso-villosis ; pilis setulosis,
horizontaliter patentibus, aculeis sparsis recurvisque
sat longis et pilis brevibus glanduligeris densis in-
termixtis obtectis. Petiolus communis aculeis re-
curvis armatus et patente setuloso-pilosus. ‘3-5 cm.
longus ; pinnis unijugis, rhachibus sparse setulosis,
3-6 em. longis; foliolis 13-16—jugis, oblongo-linea-
ribus, acntis, asymetricis, costis excentricis, ad
basin sub-binervatis, marginibus et dorso foliolae
externae paris infimæ setulo-pilosis, caeterum glabris,
12-18 mm. longis, 3,5-5 mm. latis ; stipulis lineari-
lanceolatis, pilosis, - acutis, persistentibus, 5-3 mm.
longis, 3 mm. latis, striatis, incurvatis. Fedunculi
in axillis summis, solitari, patenti-setulosi, inermi,
2,9-3 cm. longi; capitulis globosis vel indistincte
oblongatis ; floribus sessilibus, subglabris ; calycibus
vix ullis; corollis 3 mm. longis. tetralobatis : sta-
minibus 4; ovario hirsuto ; leguminibus inter mar-
ginem setulosam persistentem biarticulatis, setulosis,
10 mm. longis et 6 mm, latis, sessilibus.
Tabula n. 4.
Museu Paulista: n. 2400, Lofgren et Edwall,
Campo da Bocaina, 11 de abril de 1894. Ex Herv.
Commissão Geog. e Geologica de S. Paulo.
Afasta-se de A. ansidiosa, Mart, unica com que
parece ter alguma affinidade, por ter pellos patentes
cerdésos intermixtos de outros menores glandulige-
ros e aculeos recurvos. De M. dolens. Vell. dis-
tingue-se pela forma dos aculeos ete.
Junto ao exemplar encontra-se uma nota, pela
qual se vê que o Dr. Lófgren já havia chegado ao
mesmo resultado que nós, sem comtudo descrevel-a,
salvo se isto foi feito em publicação que não con-
seguimos consultar.
O revestimente cerdoso que apparece no dorso
do foliolo externo do primeiro jugo de cada pinna
constitue um característico que se observa tambem
na M. ensidiosa, Mart.
Mimosa delicatula, Hoehne (Sp. nov. ex sect.
Humimnose ser. Pedunculose )
Suffrutex diffusus, sparse armatus. Caulibus
tenuibus nunc ramosissimis vix 30-40 cm. longis;
ramulis subfiliformibus sparsissime retrorso-strigosis
subglabris ; aculeis infrastipularis fere sempre ad-
sunt, additis saepius raris recurvis tenuibus; stipulis
late lanceolatis, rigidis, persistentibus, margine ci-
liolatis, fere 2-3 mm. longis; petiolis communibus
sat tenuibus, erecto-patentibus, 18-30 mm. longas,
sparse retrorso — setulosis, seta terminali subulata ;
pinnis unijugis, 15-20 mm. longis, saepius recurvis;
stipellis 2 minutis prope basin cum pilis seu setis
2-4 ad insertionem pinnarum; foliolis 4-14 jugis,
obiongo linearibus, margine incluso glabris, apice
abrupte acutis, sub binervatis, 3-4 mm. longis et
paullo ultra 1 mm. latis; pedunculis axillaribus fo-
lis alte superantibus, filiformibus, 2,5-4 cm. longis;
capitulis cum staminibus fere 8-9 mm. dm.; flori.
bus roseis, parvis, 4-meris, 4-andris ; calycibus par-
vis, subindistinctis; corollis glabris fere 1, 5-2 mm.
longis Legumen ignotum
N 3452, Lofgren, S. Francisco dos Campos,
22/X11/96. Beira da cascata, campo.
De Mim. orthacantha, Bth., com que poderia
ter affinidade quanto 4 presenga dos aculeos infra-
stipulares e entre as folhas, ella afasta-se pela dis-
posição axillar dos pedunculos floraes e comprimento
destes, tamanho das flores etc., e de Mim. multiplex,
Bth., com que tem affinidade pelo porte etc. distin-
gue-se pela presença dos aculeos, tamanho dos felio-
los e outros caracteres considerados na descripção
supra.
Mimosa eriophylloides, ohne (So. nov.
ex sect. Humimosce )
Frutex parvus, cum inflorescentiis usque ad
30-60 cm. altus : caulibus, inflorescentiis, petiolis
pedunculisque dense piloso-tomentosis sublanato-to-
mentosis ; stipulis persistentibus, lanceo-acuminatis,
1-1, 5 cm. longis; petiolis communibus 2-3 cm.
longis ; pinnis unijugis, patentibus, 11-15 cn.. lon-
gis, rhachibus hirsuto-tomentosis ; foholis 9-19-jugis,
sessilibus, subfalcatis, oblongatis, in dorso magis et
Supra minus sericeo-pubescentibus, basi obliqua,
assymetricis, sub-trinervatis, acutis, ( vix us M. ra-
dulce, Bth. semilibus ), 3-4, 5 cm. longis, inferne
infra medium 1, 5 cm. latis. Racemi terminales,
20-30 cm. longi; pedunculis inter sese inferne satis
distantibus et superne magis approximatis, 1-i, 5
em. longis; capitulis globosis. roseis, 2, 5-3 cm.
dm.; bracteis persistentibus, intus glabris, extus
tomentosis, triangulari-ianceolatis, acuminatis, 12
mm. longis ; bracteolis in demidia parte superiora
— 660 —
plumoso-villosis et inferne angustatis nudis, 5 mm.
longs ; calycibus sessilibus, indistinctis, satis parvis;
corollis membranaceis, in tertia parte summa tetra-
lobatis, extus prope apicem levissime pubescentibus,
6 mm. longis: staminibus 4, purpurascentibus, 15
mm. longis; ovario glabro. Legumen ignotum.
Tabula n. 5.
Horto « Oswaldo Cruz >» — 1413, F. C. Hoehne,
Tatuhy, S. Paulo, em 36-1-1918.
Var. lanosa, Hoehne (var. nov.)
In omnia parte dense longeque lanato-villosa,
petiolis communibus sat brevioribus, fere 1-1, 5 cm.
lengis.
Tabula n. 6.
Museu Paulista, n. 5610, Dr. Gustavo Edwall,
" Morre Pellado, jan. 1901. Ex. Herv. Commissäo
Geog. Geol. do Estado de S. Paulo.
Tanto esta variedade como a forma typica
afastam-se de M. eriophylla. Beth., (nu. 106 do
H. «Osw. Cruz»), com que mais affinidade teem,
pelos peciolos e foliolos muito mais desenvolvidos.
Os primeiros säo quasi nullos ou attingem no ma-
ximo 8 mm. e os ultimos o maximo de 27 mm
naquella especie, ao passo que nesta, aquelles teem
de 20-25 mm. e estes até 45 mm. Apezar disto,
é possivel, que, mais tarde se venha encontrar as
fórmas de transição e que se tenha de conside-
ral-as apenas variedades daquella.
De M. radula, Bth., cujo facies é bem seme-
lhante, ella se afasta por ter os pedunculos floraes
sempre bem desenvolvidos.
Cassia Lecfgreniana, [ohne (sp. nov. ex
subg. Sennae, sect. Chamaefistulae, ser. Co-
rymbosae ).
Arbor parva vel frutex usque ad 3 m. altus,
sat ramosus, glaber ; rhachibus foliorum 5-6 cm.
longis ; foliolis bijugis, par infimum supra medium
vel in tertio summo petioli, brevissime petiolulatis,
=e. —
oblongo-lanceolatis, acuminatis et obtusiusculis, in-
ferne levissime attenuatis, subrotundatis, 4-5, D em.
longis et 1, 2— 1,5 cm. latis, glandulis inter utra-
que paria, elongatis, bene distinctis ; racemis in axillis
foliornm summorum in pan culum terminalem breve
corymbosam folia æquantem vel breviorem 1ispo-
sitis ; bracteis parvis, caducis ; pedicellis gracilibus,
14 mm. longis saepius prope apicem racemi aggre-
gatis ; sepalis ovalibus subrotundatis, obtusis, colo-
ralis, majora fere 6 mm. longa; petalis obovatis,
non raro cmarginalis retusisve, inferne attenuatis,
11-15 mm. longis ; antheris cupula tubulosa appen-
diculatis, 3 inferioribus 5 mm. longis, quarum 2
filamentis elongatis 5 mm. longis, tertia filamento
brevissimo fulta, quam caeteris minora, 4 interme-
dis 3, 5 mm. longis, filamentis brevissimis ; stami-
nudis 3, antheris perfectis paullulum brevioribus, in
lamina chcordato-rotundata expansis, filamento bene
evoluto stipitatis ; ovario glabro in stipito brevissime
puberulo ; leguminibus breviter stipitatis, crasse sub-
quadraugulosis cylindraceis, rectis vel levissime in-
curvis, 9-7 cm. longis et ultra 1 cm. crassis, apice
obtusis, suturis haud promiuulis, glabris.
Tabula n. 7.
Museu Paulista : n. 2445 ( fructificado ), i 6fgren
et Edwall, Campos da Bocaina, 18/1V/94 e 3450 ( flo-
rido ), Lofgren, S. Francisco dos Campos, 24/X11/96
Ambos do Herv. da Commissäo Geog. e Geol. de
S. Paulo. Determinada como Cassia viminea, Linné.,
de que se afasta, principalmente, pelas antheras des-
eguaes. pelas quaes muito tem de commum com a
Cas. bicapsularis, L. e Cas. corymbosa, Lam. com
esta ultima parece ter mais afinidade, distinguindo-se
porém, muito bem, pelos foliolos sempre bijugos e
forma differente dos mesmos.
Cassia ignorata, Hoehne ( sp. nov. ex subg.
Sennae sect. Chainaefistulae, ser. bijugae )
Frutex parvus, erectus vel plus minusve pros-
tratus, nunc 20-40 em. altus; caulibus subsimplici-
— 662 —
bus vel e basi ramosis, angulatis, pilis mollibus, al-
bidis, subsparsiuscule vilosis, raro pubescentibus ;
foliolis oblique obovatis, ovatis vel suboblongatis,
obtusis, indistincte petiolulatis, basi ineaquilatis, supe-
rioribus saepius latioribus majoribusque, 3-5 cm.
longis, 2— 3, 5 cm. latis, inferioribus minoribus in
medio vel supra medium petioli insertis, supra pube
parva conspersis et subtus densiter et longius pube-
rulis, glandula conica stipitataque inter inferiora ;
petiolis communibus dense villosis, 2-3 cm. longis ;
stipulis lineari-setaceis, extus dense villosis ; racemis
1-3-floris, in axillis foliorum summorum ad apicem
ramorum dispositis; bracteis anguste lanceolatis,
villosis ; pediceilis angulosis, villosis, 2, 5-3 cm. lon-
gis; sepalis obovalibus oblongatis, brevissime cilio-
latis, majora 10-14 mm, longa; petalis obovatis,
majora 4, 5 cm. longa, ad basin in unguem brevem
contractis, apice rotundatis, infimis angustioribus
brevioribusque et brevius unguiculatis; staminibus
perfectis 7, filamentis majoribus 10 mi. longis ;
antheris 3 inferioribus 14 mm. longis, rostro bre-
vissimo recurvoque 1 mm. longo auctis, 4 interme-
diis vix 8 mm. longis, brevissime uncinato-rostratis ;
staminodiis parvis, orbiculatis longe stipitatis ; ovario
villoso ; leguminibus ignotis.
Tabula n. 8.
Museu Paulista : n. 1409, Alberto Lofgren, Campo
secco, Casa Branca, S. Paulo, 23/IX/89. Ex Hferv.
Commissäo Geog. e Geol. de S. Paulo.
Horto ‘ Oswaldo Cruz ” Butantan, n. 1750, F.
C. Hoehne, Tatuhy, Campo de Sta. Cruz, 30/1/17.
Quando deparamos com o exemplar do Herva-
rio do Museu Paulista, que em 1889 fora pelo Dr.
Lofgren colhido em Casa Branca e determinado como
sendo de Cassia angulata, Vog. tivemos a impres-
são de que se tratasse de um exemplar rachytico
daquella especie, separamol-o contudo para o estu-
dar melhor futuramente. Quando fomos a Tatuby,
em Janeiro deste anno, tivemos a sorte de encontrar
alguns especimes mais ou menos eguaes, pelos quaes
chegamos à conclusäo de tratar-se de uma especie
bem difinida e ainda não descripta, pois ao contra-
rio da C. angulata. Vog., esta planta nunca se de-
senvolve muito, attinge no maximo 20-40 cm. de
altura e é além disto revestida de longos pellos em
todas as partes vegetativas e no ovario. Não se trata
de especimes atrophiados ou de rebentos recentes de
um campo recentemente queimado, são de facto plan-
tas perfeitas e completas.
NPA
Nand! oft Bi |
{LA ole BOK
| SAP 4
M l " . A
‘an eating
E “ith 102
El i + ae 0 A
ah Ea ROUX of Dou qu je Ni a wee WU i
Me ae) | . 4
a dot | aces \ 2 Baer"
Ly NL ed | sta
4 Lg WY Li, had
, a il AL él x [ps j
€ | E y AY 7 HUM yh vi IR als . til
À hs, | ua j vo du x a my ul
ul a 4 UA ay
vii, ht TENTA En Suh
weg diet DVI 4 he
7 , Pres pa eae LUN bi re? ‘
A “; | Wily till L ie 2 uu
Ar 7 ak a ae (30
é DERA
ph
” + fr " LA can ftp! Lande 2
n , | » A E, estos
i. | ; a ani ur ; AIMENT CL
vs
(1)
é é:
SS — ——
311 — Edwall
3
à subpaniculata, Hh.
acl
Ae
JDS Puor.
5603 — C. Novaes
Calliandra Novaesii, Hh.
JDS. Puor,
(III)
ee ee sre ra
FT
LES hae
A EU ie
o mos
TESTE
4475 — Lófgren
JDS Puor.
Mimosa desmanthoides, Hoehne
Mani
E heath qu Dm Ë pr ones #
mu
MR
cd nl TT
»- #
Sd
x
cs
pr
+s Ore ks
DT UE à tu a PT A RENE MAR AIDE SUN fe
En LE «6
ve
[RT
chose
2400 — Lofgren
Mimosa insidiosoides, Hh.
JDS. Prom.
D fé O AA A ps
PRE CSST cdi
À
1513 — Hoehne
JDS. Puor.
hylloides, Hh.
imosa eriop
M
(VI)
Rene”
O é el ic ano td
ra
# D dm
<a]
vo
ps
141
ides, Hh. var. lanosa, Hh.
imosa eriophyllo
M
PHor.
JDS.
Rim
- . 5
£1), RE el rl rte peas
a: na “
d'u LS hi a
2
LA
OVALE
3450 — Lôigren
Cassia Loefgreniana, Hh.
JDS. Puor.
av
oe ç
#
jam)
hs
AT já
ak
(VIII)
\
1750 — Hoehne
PHor.
JDS.
Cassia ignorata, Hoehne
Catalogo das Leguminosas do Hervario
DO
MUSEU PAULISTA
_ — oe
C= =
MIMOSOIDEAE
Acacia : Willd
A. decurrens, Willd ?
N. 67, Usteri, S. Paulo, 10/X/906.
Planta exotica, falta-nos litteratura. Det.
A. Farnesiana, Willd.
Flora Brasiliensis, de Martius, vol. XV. II
pag. 394.
N. 240. Usteri, Manilla, 2/XII/02.
Planta cosmopolita, vulgarmente conhecida por
« Esponjeira ». Det.
A. grandistipula, Bth ?
Ob. cit. pag, 399.
Ns. : 5605, Campos Porto, 3.º Parada, S. Paulo,
17/X11/902, Usteri, um exemplar s/n., Villa Leo-
poldina, 22/1V/906. Este ultimo afasta-se pelo maior
numero de foliolos nas pinnas e poderia ser consi-
derado uma variedade. Det. em p.
A. paniculata, Willd.
Ob. cit. pag. 405.
N. 5595, Dr. Lófgren, Caminho de S. Carlos,
tio Claro, S. S. W., 28/V/88. Det.
A. velutina, D. C.
Ob. cit. pag. 396.
N. 4474, Dr. Lofgren, Paranapanema, 1/X 11/99,
Det. como Prptadenia.
— 668 —
Calliandra, Bth.
Cal. brevipes, Bth.
Ob. cit. pag. 410.
N. 2821, dos Drs. Lofgren et Edwall, Iguape,
Jaru-merim. (Det. como €. axillaris, Bth. de que
se afasta pela forma dos pedunculos ). 30/X,94.
Cal. Tweediei, Bth. var. St. Pauli.
Ob. cit. pag. 424.
N. 1866, Lofgren, Parahybitinga, 10/IX,92, e
mais diversos specimens recolhidos pelos Drs. Ewall,
Usteri, etc. Det. em p.
Planta muito variavel e bem ornamental, que
graças à sua belleza de flores se encontra introdu-
zida em quasi todos os jardins.
Enterolobium, Mart.
Ent. ellipticum, Bth?
Ob. cit. pag. 406.
N. 998, s/a e s/p. Ramo sem flores. Det.
Ent. timbouva, Mart. forma minor.
N. 3248, Lofgren, Rua da Consolação, 9!, S.
Paulo, 2/X1/95 e n. 121 do Dr. Edwall, Exp. Rio
Feio, Jacaré, out. 1905. Este ultimo parece mais |
typico para a especie. Ind.
Inga, Willd.
L'affinis, DG.
Ob, cit. pag. 496.
N. 2820. Drs. Lofgren et Edwall, Jarú-merim,
10/X/94. Det. como J wraguensis, HM. ‘Arn.
I, affinis, D. C.?
N. 3083, Lofgren, Caraguatuba, Praia 23/V 1/95.
Det. como Z vera, Willd, de que se afasta
pelo calyce muito menor e pela distribuiçäo geo-
graphica.
L. campanulata, Bth. ?
Ob. cit. pag. 470.
N. 4217, do Dr. Lofgren. Praia Grande, ca-
minho da fonte, Boqueirão, 22/X1/98. Material de-
ficiente, ind.
1. cylindrica, Mart.
Ob. cit. pag. 473.
N. 112, Elwall (Exp. Rio Feio) Caveira, 1905
e mais n. 395, Campos Novaes, s/p. e s/d. Ind.
I. edulis, Mart.
Ob. cit. pag. 497.
N. 6417, Luederwaldt, Santos, VIII/$415. ( Em
bereich der schwachen Seezeiten ). Exemplar fru-
clificado. Ind.
1. Guilleminiana, Bth.
Ob. cit. pag. 491.
N. 1611, Dr. Edwall, Jardim da Commissão,
S. Paulo, 1/1X,93. Det.
I. marginata, Willd.
Ob. cit. pag. 472.
N. 2215, Luederwaldt. (Im Brackwassergebiet,
Strauch oder kleiner Baum). Santos, XII/15.
Ind.
I. Sellowiana, Bth. ?
Ob. cit. pag. 467.
N. 1664, Dr. Lofgren, Piruide, beira do rio,
matta virgem, 1/X1/91. Det. como 1. heterophylla,
Willd.
I. sessilis, Mart.
Ob. cit. pag. 500.
N. 2395. Drs. Léfgren et Edwall, Campos da
Bocaina, 10/1V/94. Um exemplar fructificado, Dr.
Edwall, Rio Juquery. Ind.
= 670 _
Planta muito variavel, principalmente nas di-
mensões das folhas e respectivos foliolos, e flores.
1. uraguensis, Hook. et Arn.
Ob. cit. pag. 490.
N. 1286, Lofgren, Mugy-giassi, 14/VIII/89.
Det. A’ primeira vista facilmente confundivel com
I Guilleminiana, Bth.
I. vulpina, Mart. ?
Ob. cit. pag. 492.
N. 1611, Edwall, Taipas, capoeira, 31/IX/98.
Det. como sendo J. Guilleminiana, Bth. Sem os
fructos é impossivel precisar-se a especie.
I. spec. ?
N. 2.497, Lofgren, Cubatão, 18/V/94. Speci-
men fructificado, de legumes quasi glabros, chatos,
etc , dado ccmo sendo Z ferrugineo-hirta, Mart.
que não pôde ser. Faltam flores.
Mimosa, L.
M. acerba, Bth.
Ob. cit., pag. 332.
Luederwaldt, s/n. Ipiranga, 7/VI/08, Usteri,
s/n. Ipiranga, 23/111/06, 5.606. Lofgren, Itapetinin-
ga, 1902. Ind.
M. asperata, L.
Ob. cit., pag. 381.
N. 2.547, Lüfgren, Piracicaba, 26/VI/94, beira
do rio. Det.
M. Burchellit, Btu.
Ob. cit. pag. 370.
N. 4.256, Lofgren, Araraquara, São Paulo,
12/1V/99. Afasta-se da descripçäo por ter os folio-
los menores. Det. em duvida.
— 671 —
M. calothamnos, Mart.
Ob. cit. pag. 350.
N. 50, Lofgren et Edwall, Bocaina, 21/111/901,
Det.
M. conferta, Bth.
Ob. cit. pag. 391.
N. 2.164, Lofgren et Edwall, Patr. de Sapu-
eahy, 10/1/93. Det. como M. acerba, Bth., de que
se afasta pelos peciclos mais longos e pelo revesti-
mento menos rijo, bem como pelos capitulos flo-
raes differentes.
M. daleoides, Bth.
Ob. cit. pag. 353.
N. 64, Liófgren, Tatuhy. Diversos exemplares
colhidos perto da Capital pelos drs. Usteri, Lueder-
waldt e outros. Det.
M. dolens, Vell.
Ob. cit. pag. 314.
N. 2.416, Dr. Lofgren e Edwall, Campo da
Bocaina, 14/1V/94, e s/n. Luederwaldt, Ipiranga, Det.
M. incana, Bti.
Ob. cit. pag. 348.
N. 2.444, Lofgren et Edwall, e tambem Put-
temann, Bocaina, Caapuera 18/4/94. Det. como A7.
chrysastra, Mart.
M. insidiosa, Mart.
Ob, cit S13;
N. 3.455. Lofgren, Alto da Pedra, 2/1/97 e
3.451, Idem, Corrego Alegre, 8/1/97. Comprehen-
dendo a forma typica e a variedade 6 major. Det.
S/n. Usteri, Pinheiros, S. Paulo, s/d. Det. como
M. polycarpa, Kunth, de que se afasta pela dispo-
siçäo dos pellos.
— 672 —
M. invisa, Mart..
Ob. cit. pare,
S/n. Luederwaldt e tambem Dr. Usteri, Ipi-
ranga, Parada Zéro etc. Ind.
A1. melanocarpa, Bth. forma paucijuga, Hoehne.
Accrescentar a forma typica ob. cit. pag ‘181.
N. 885, Lofgren, Araraquara, S. Paulo, 14/1X/88.
Det. em duvida.
Da forma typica afasta-se pelo menor numero
de jugos de pinnas.
M. millefoliata, Scheele.
Ob cit, pag 344.
N. 5601, Lofgren, Itapetininga, 26/1V/901. Ind.
M. myriophylla
Ob cit. pag. 342.
N. 2233 ( forma mais hirsuta). Lüforen, São
João da Boa Vista. S'n. Luederwaldt e Usteri nos
arredores de S. Paulo. Det. em p.
M. nuda, Bth.
Ob. cit. pag. 308.
N 5.609, Edwall, Morro Pellado, Jan. de 1901.
Det. em d.
M. oblonga, Bth.
Ob. cit. pag. 313.
N. 2387, Lüfgren et Edwall, Campo da Bo-
caina, 9/1V/94. Det.
M. paludosa, Bih
Ob cit. pag. 381.
N 4205, Dr. Lofgren, Araraquara, beira do
rio Jacaré, 28/11/99. Det.
M. rigida, Bth.
Ob cit. pag. 330.
N. 2.226, Lofgren et Edwall, São João da Boa
Vista, 10/VI/93. Det.
M. rixosa, Mart.
Ob. cit. pag. 305.
S/n. e s/d. Usteri, Jundiahy, São Paulo. Ind,
M. Sello:, Bth.
Obr. cit. pag 579.
Sn. Usteri, arredores de S. Paulo. Março de
1905. Det. em d.
M sensitiva, Linn.
Ob. cit. pag. 305.
N. 2.476, Edwall, S. José do Barreiro, 27/IV/94.
( Frut. patens, fol. supra glabra subtus pilosa, fl.
rosea). Det. como M debilis, Humb. et Bonpl. de
«que se afasta por ter foliolos ovaes e não ob-ovaes.
M, separa, Bth.
Obr. cit. pag. 364.
N. 83, Usteri, Jaraguá, São Paulo, 17/111/907.
Det. :
M. sordida, Bth.
Ob. cit. pag. 853.
N. 2421, Luederwaldt, Ipiranga, e n. 3.451.
Lofgren, Cascata, S. Francisco dos Gampos, 22/X11/96,
Det. em p.
M. subsericea, Bth.
Ob. cit. pag. 339.
N. 332, Lofgren, Itapetininga, 7/XI/87. S/n.,
Puiggari, Jundiahy, Jan. de 1895. S/n. Usteri,
Jundiahy, Jan. de 1907. Det.
Mf. Velloziana, Mart.
Ob. cit. pag. 304.
S/n. Usteri, Freguezia do O, S. Paulo. Ind.
Piptadenia, beth.
P. communis Bth.
Ob. cit. pag. 279.
N. 131, Usteri, Villa Marianna, São Paulo
21/1/906. Det. como M. imillaefolia, Scheele.
P. laxa, Bth.
Ob. cit. pag. 274.
N. 4600, Edwall et Campos Porto, Mogy das
Cruzes, 8/X11/902. Det. em d.
P. macrocarpa, Bih.
Ob crtapas. ol.
N. 173 ( Exp. Rio Feio) Edwall, Rib. da Lapa,
Nov. de 1905. Arvore alta. Ind.
P. rigida, Bth.
Ob. cit paz. 278:
N. 4003 do Dr. Edwall, ( fructos ), Municipio
de Oleo (?), 24/V/98, e Idem, (tlores), Botucatu,
faz. da Boa Vista do Araguá, 29/X/96. Det. em p.
Pithecolobium, Mart.
P Langsdorffii, Buh.
Ob. cit. pag. 438.
N. 656 e 1206 do Horto « Oswaldo Cruz», F.
C. Hoehne, Butantan, em 1917. N. 4118, Lofgren,
Praia Grande, 11/XI/ 98. N. 5604, Idem, Alto
Tieté, 22/X/901 e mais alguns specimens colhidos
por Usteri e Luederwaldt, nos arredores de São
Paulo. Det. em p.
Pelo material verifica-se que a descripção de-
veria ser mudada no que se refere ao numero de
pinnas e comprimento dos pedunculos floraes, para
o seguinte: Pimnis 3-12-jugis, Pedunculi 1-3 poll,
longi.
- Muito caracteristicas para esta especie e al-
gumas outras deste genero são as sementes bico-
lores, verde e branco.
P lusorium. Bth.
si 197
Ob. cit. pag. 137.
N. 2727, Lofgren et Edwall, Ilha do Cardoso,
9/X1/94, e 1651, Lofgren, R. Brco. Piruibe, 1/X1/91
e S/n. Usteri, Guarujá, 13/1/907. Det.
P. Selloi, Bth.
Ob. cit. pag, 447.
N. 2485, Lofgren, Cubatão, 17/V/94. Det. como
P. sanguineum Bth.
Stryphnodendron, Mart.
St. barbatinaäo, Mart.
Ob. cit. pag. 284.
N. 5602, Hammar, Mogy-merim, 14/XI/901.
N. 609, Lofgren, Rio Claro, 7/VII/88, e 184 ( Exp.
Rio Feio), Edwall, 15/X1/905. Este ultimo afasta- °
se dos demais pelas flores menores e racimos ( es-
pigas ) mutto longas bem como foliolos algo me-
nores. Det.
St. obovatum. Bth.
Ob. cit pag. 286.
N. 747, Lofgren, S. Carlos do Pinhal, 18/VII/ 88.
Det. Só com fuctos.
CAESALPINIOIDEAE
Bauhinia, Linn.
PB. affins, Vog.
Ob. cit pag. 201.
S/n., Usteri, Mandaqui, 2/V1/907 e Cantareira,
10/4/905. Ind.
B. Cuyabensis, Steud.
Ob. cit. “pas. 7191:
N° 5612, Lüfgren, St. Cruz, 29/VI/902. Ind.
Presente exemplar representa a forma paules-
tana, Vide nota scb a descripção, pag. 191 do vol.
XV, Il, da Flora Br. de Martius.
B. forficata, Link. forma longzflora.
Ob. cit. pag. 200.
No 448, Hdwall, Botucatu, s/d. — Ind.
B. geminata, Vog. ?
Ob. cit. paz. MID.
S/n. Usteri, s/d. e s/p. — Ind.
Nota: Tem os petalos pillosos na parte exte-
rior, tal como acontece com B. geminata, Vog.
afasta-se porém da descripção pelo numero de ner-
vuras das folhas, revestimento menos basto, flores
em grupos de tres e não de duas sómente.
B. holophijlla, Steud.
Ob. cit. pag. 185.
N.º 1205, Lifgren, Rio Claro, 12/XII/88 e
s/n,e sp. — Ind.
B. aff. Langsdor/fiana, Bong.
Ob. cit: pag. 204.
N. 25 ( Exp. Rio Feio) Edwall, Cascatinha.
affl. do Kio Feio, Junho 25/05. (só fructos ) — Ind.
B. longifotia, Steud. ?
Ob. cit. pas. 192.
N. 4.253, Lofgren, Araraquara, 27/11/99. Ind.
B. rufa, Steud, forma ?
Ob. cits spas. “186.
N.º 525, Lifgren,- Rio Claro, 25/V/88. Det.
B splerdens, H. B. K. forma meridionalis.
Ob. cit. pag. 208.
N.º 1863, Lôüforen et Edwall, S. Luiz do Pa-
rahylinga, 14/1X/92. Det.
Esta variedade distingue-se pelas flores maiores.
Caesalpinia Linn.
C. bonducella, Boxb.
Ob. cit. pag. 65.
N ° 3085, Lofgren (uma folha apenas), S.
Sebastião, 23/VII[;95. Det.
C. pulcherrima, Sw.
Ob. cit. pag 67.
N.º 5635, Campos Novaes, Municipio de Cam-
pinas, s/d. e Luederwaldt, Funil, XII93. Det.
Cassia, Linn.
C. angulata, Vog.
Ob. cit. pag. 101.
N.º 2159 s/p. e s/a. Ind.
C. bicapsulares, Linn.
Ob: cit. pre 106º
N.° 3733, A. Puttmans. Horto Botanico, S.
Paulo. 1910 — S/n. Usteri, Villa Leopoldina, .
22/1V/906. Ind.
C. cathartica, Mart.
Ob. cit. pag. 159.
Ne 2232" etc. Lofgren e .outros 5.40, Ge
Boa Vista, 11/VII/98. Ind.
C. chamaechrista, Linn.
Ob sci. pas. Age
S/n. Luederwaidt, Villa Prudente, S. Paulo,
Ind. As flores säo um pouco pequenas para a
especie.
C. corymbosa, Lam.
Ob: cit, pag MOT
N. 2214-a. Luederwaldt, Santos. Strauch von
1,50 m. Hohe, im brackwassergebiet.
C. debilis, Vogel.
Ob. cit. pag. 149.
N. 122. Dr. Alberto Lüfgren e Ars. Puttemans,
Varzea de Agua Branca, Araraquara e Santa Rita.
1/VIII/88 e 20/I11/97. Det.
C. ferruginea, Schrad.
Ob. cit. pag. 94,
N. 3009, Campos Novaes, Campinas, Dez. de
1894 e Edwall, Fazenda da Cascata, Estação de
Alfredo Rodrigues, Out. 1901. Det.
C. flavicoma, H. B. K?
Ob. cit, pag. 173.
S/n, Luederwaldt, Ipiranga, 7/111/908. Ind.
C. flexuosa, Linn,
Ob. cit. pag. 169.
N 2101, Lofgren et Edwall, Franca 12/1/92.
n. 1844, Edwall, S. Luiz do Parahytinga, 9/IX/92.
—n. 588, Loferen, Rio Claro. Diversos specimens
pelo Dr. Usteri e Luederwaldt, Praia do José Me-
nio, Santos, 12/X/907. Ind. e det. errados.
C. gracilis, Kunth. var. erythrocalyx.
Ob. cit. pag. 159.
S/n. Edwall, Morro Pellado, Jan. 1901 e di-
versos exemplares pelo Dr Usteri, Araçá, Santo
Amaro e arredores de S. Paulo. Ind.
C. hirsuta, Linn.
Ob. cit. pag. 114.
N. 5619, Campos Novaes, Campinas, Det.
como C. neglecta, Vog. a qual se caracteriza por
inflorescencias muito maiores. ( Existem sete anthe-
ras ferteis, duas maiores e cinco menores ).
C. laevigata, Willd.
Ob. cit. pag. 108.
N. 2792, Léfigren et Edwall, Járu-merim.
25/X/94. — S/n. Luederwaldt, Ipiranga, 15/XI/908,
O revestimento lanuloso de um lado da nervu-
ra central do lado 4 parte inferior dos foliolos não
é referido na descripção.
C. Langsdorffu, Kunth.
Ob, cit pag. 158
N. 2061, Lofgren, Franca, 6/1/93. Det. e
S/n. Luederwaldt. s/p.
C. inimosordes, L.
Obs reit. pago 175.
N. 585, Lofgren, e diversos outros, S. Paulo.
Fev. de 1897. Det. em parte como C chamae-
christa, L. e Ind.
= 680 —
C. mullijuga, Rich (typo)
Ob: cit. pag. 125:
S/n. Serra da Cantareira, 21/1i1/902. s/a —Det.
como C. acuruensis, Bth.
C. multijuga, Rich. var. Lindleyana.
Ob. cit. pag. 123.
N° 3449, Lofgren, Corrego Alegre, 51/91, e
mais diversos exemplares dos Srs. Luederwaldt etc.
procedentes de Ipiranga, Alto da Serra etc. Ind.
C. occidentalis, Linn.
Ob. cit. pao, 18:
N. 3644, Dr. Arséne Puttemans, S. João da
Montanha, Piracicaba, Agosto 94. Det.
O. paradictyon, Vogel.
Ob, Gi pag OS:
N. 4473, Lofgren, Paranapanema, 25/X1/99.
Ind.
C. patellaria, D. C.
Ob. cit. pag. 174.
S/n. — Luederwaldt. Ipiranga, e diversos espe-
cimens pelo Dr. Usteri, Stº. Amaro e Pinheiros, Ind.
e sem outras indicações.
C. quinquangulata, Rich. |
Ob. cit. pag: "99.
N. 1730, Edwall, S. Sebastião, 26/111/92. Det.
C. quinquangulata, Rich. var. majius tomentosa.
Ob. cit. pag. 99.
N. 9702, Edwall, 18/111,03. Ind.
C. rotundifolia, Pers.
Ob. cit. pag. 161.
N. 293 e 2111, Lofgren et Edwall, Franca e
Sapucahy, 31/X/87 e 12/1/93. Det. e mais alguns
exemplares do Sr. Luederwaldt, Ipiranga. S. Paulo.
— 681 —
C. rugosa, Don.
Ob. cit. pag. 103.
N. 522, Dr. Arsène Puttemans, 22/111/97. Sta.
Rita do Passa Quatro. Det.
C. speciosa, Schrad.
Ob. cit. pag. 102.
N. 5702, Edwall, S. Paulo.’ Sid. — Ind.
C. splendida, Vog.
Ob. cit. pag. 105.
S/n. Luederwaldt, Diversos especimens, Ipiranga,
S. Paulo. S/d. Ind. — N.216 e 630 do Dr. Arséne
Puttemans, S Paulo, 26/1V/901 Det.
C sulcata, D. C.
Oh, eltivpag: «112,
N. 3628, Lofgren, Jardim da Commissäo, 20/11/97.
—S/n. Luederwaldt, diversos do Ypiranga, São
Pauio, 23/111/907, e 4/1V/907. Ind.
C. supplex, Mart. ?
Ob. cit. pag. 163. o
S/n. Usteri, Estação do Encontro, 3/XI1/90G.
Det. como €. repens, Vog
C. sylvestris, Vell.
Ob. cit. pag. 125.
N. 4261, Lofgren, Araraquara, 12/1V/99. Serra
do Paranapanema, etc. Ind.
C. tecta, Vug.
Ob. cit. pag. 159.
S/n. Luederwaldt e Usteri, Ypiranga e Villa
Marianna, S. Paulo, 1V/912 e5/1V/907T. Det. em p.
C. trichopada, Bth.
Ob. cit. pag. 163.
1602 =—
N. 4252, Lofgren, Araraquara, 12/1V/99 e
Luederwaldt, s/n. Villa Prudente e Varzea do Ypi-
ranga. Ind.
C. uniflora, Spreng.
Ob, cit: page MOT
N. 2618, Lofgren et Edwall, Conceição de Ita-
nhaem, 14/[X/94, etc. S/n. Usteri, Guarujá, Ilha
do mar, etc. Det. em p.
Copaifera, Linn.
Cop Langsdorffu, Desf.
Ob." cit. pag. 6242:
Ns. 5617, Edwall, Pico da Serra Negra, out.
1901 — 5618, Edwall, Pico da Serra Negra ( 1050
m.s. m.) out 1901, (este tem os foliolos mais largos )
— 4018, Lofgren, Itapetininga, s/d. Det.
Cop oblongifolia, Mart.
Ob: cit.) pag 10222;
N. 78 (?)- Queluz, capoeirão, 27/VI/99. (sem
flores ). Det. como C trapesifolia, Wayne.
Dialium, Linn,
D. spe.
N. 301, H. B. Serra da Cantareira, S. Paulo,
13/IV/901, arbusto.
Specimen que ostenta apenas fructos, com maior
numero de foliolos nas folhas que os tem o D. di-
varicatum. Vahl. Ind.
Holocalyx, Micheli.
H. Glaziovi, Taub. ?
Taubert, Engl. & Prantl. Die Nat. Pflanzen-
familien, vol. III, 3, 194.
N. 1426, Lofgren, S. José do Rio Preto, 1/X/89
(sem flores) — n. 5649, Edwall. Faz. da Cascata,
Estação Alfredo Rodrigues, out. 1901 ( Com flores
e fructos ) Det.
Pterogyne, Tul.
Pt. nitens, Tul.
Bentham, Fl. Br. de Martius, vol. XV, IJ, pag.
o.
N. 2938, Lifgren, Jardim da Commissão Geo-
eraphica e Geologica de São Paulo. 16/11/95. Det.
24
Schizolobium, Vog.
Sch. excelsum, Vog.
N. 1031, Luederwaldt, Ipiranga, em cultivo,
s/d. Ind.
Swartzia, Schreb.
Siw. Lagsdorffii, Raddi.
Ob. cit. pag. 24.
N. 4426, Kesselring, Cubatão, dez. 1899. N.
1580, Lofgren, Conceição do Itanhaem, 25/X/91, e
n. 4120, Lofgren, Praia Grande, 14/XI/98. Det.
como Tonatea pulchra, Taub. que ê synonymo.
As flores e alas do peciolo commum são pequenas
para a especie, seguudo a descripção de Bentham.
Zollernia, Nees.
Z. aacifoha, Vog.
Ob. cit. pag. 10.
N. 2659, Lofgren, Iguape, 29/1X/94 e 1746,
Edwall, S. Sebastião, 31/11/92. Det.
PAPILIONATAE
Aeschynomene, Lino.
Aesch. americana, Linn. '
Bentham, Fl. Brasiliensis de Maruus, vol. XV,
i, page 61.
N. 5.993, Dr. Edwall, lpanema, Abril de 1903
Ind.
Aesch falcata, D. C.
Ob. cit. pag. 67.
N. 80 b., Usteri, Jundiahy, 3 2-07, e idem
de Villa Mariana, 15-1-06 e s/n, Luederwaldt,
Ipiranga, 9-53-08. Det. só em parte.
Aesch marginata, Bth. ?
Ob. cit. pag. 66.
N. 4.468, Dr. Lofgren, Paranapanema, sjd.
Det. como A. sensttiva, Sw. de que se distingue
por não ter as estipulas prolongadas abaixo da in-
serção.
Aesch racemosa, Vog.?
Ob. cit. pag. 65.
N. 4.257, Dr. Lofgren, Araraquara, 18-4-99,
ind. ( Afasta-se da descripção por ter foliolos maio-
res. Faltando as flores, difficil se torna identifical-a
com maior segurança).
Aesch. Sellot, Vog.
Ob. cit. pag. 58.
N. 66 (3 specimens), Usteri, Freguezia do O,
28-10-06 e n. 4.470, G. Edwall, Beira do Rio Ja-
guary, out. 1899. Ind.
RS
om
Andira, Lam.
A. anthelminthica, Bth.
Ob cit pag.) 293.
N. 4.004, Edwall, Sant Anna, Capital, 36-10-93,
e 8.014, Dr. Campos Novaes, Campinas, Dez. 1904.
Ind.
A. fraxinifolia, Bth.
Ob. cit. pag. 294.
N. 2.691, Lofgren et Edwall, Morro de Igaa-
pe. 3-10-94. Det.
A. humilis, Mart.
Ob. cit. pag. 298.
N. 5.650, Edwall. Morro Pellado, campo are-
noso, Jan. 1901. Det.
A. parvifolia, Mart. ?
Ob. cit. pag. 295.
N. 4.005, Dr. Lofgren, Father, 4 7-12-97. Ind.
A. Pisonis, Mart. ?
Ob. cit. pag. 294.
Nes: 132, Lofgren, Cubatão, beira do rio Ytu-
tinga, 17-7-95. Det.
Arachis, Linn.
Ar. hypogaea, Linn.
Ob. cit. pag. 327.
S/n. e s/p. — Det. como Arachis glabrata, Btb.,
de que se afasta pelo revestimento e tamanho dos
foliolos.
Ar. marginata, Gardn.
Ob. cit. pag. 87.
S/n. Edwall, Juqueryquecy, s/d. Ind.
— 686 —
Cajanus, D. C.
C. indicus, Spreng.
Ob. cit. pag. 199.
N. 6 (Exp. Rio Feio), Edwall, Pirassununga,
out. 1906. Ind.
Calopogonium, Desv.
Cal. coeruleum, Desv. var. sericeum, Bth. ?
Ob. cit. pag. 139 e Taubert, Engier & Prantl.
Die Nat. Pflanzenfamilien, vol. III, pag. 367. — Na
primeira obra dado como Stenolobium, etc...
N. 4.471, Dr. Lofgren, Cabeceira do Valle do
Paranapanema, Dez. 1899. Ind.
Camptosema, Hook. et Arn.
Campt. grandiflorum, Bth.
Ob. cit. pag. 156.
N. 5.653 e 649, Lofgren, Sta. Branca, 18-10-
901 e Rio Claro, 14-6-88. — S/n. e s/a., Ipiranga,
24-4-908. Ind.
As flores desta planta säo vermelhas, quasi
coccineas.
Canavalia, D. C.
Can. bonariensis, Lindl. ?
Ob. cit. pag. 117.
N. 4.113, Lofgren, Praia Grande, beira mar
pequeno, 18-11-98. Ind.
O pouco desenvolvimento nas flores impossibi-
lita a determinação segura, concordam bem o ca-
lyce e appendices do vexillo.
Can. obtusifolia, D. C.
Ob. cit. pag. 178.
N. 3.087, Dr. Lofgren, S. Sebastiäo, 1-8-95.
Det.
Can. parviflora, Bth. ?
OB cette pas.” 177.
N. 3.413, Lofgren, S. Sebastiäo, praia deserta,
24-7-95. Det. Exemplar desprovido de flores e
fructos.
Can. picta, Mart.
Ob. cit. pag. 117€.
N. 81. G. Edwall, Barreiro, Julho, 995. — N.
2.191, Edwall et Lofgren, Cam. de S. João da Boa
Vista, faz. Sta. Cecilia, 5-6-95. —S/n. Usteri, dois
exemplares, de Candiru, 26-6-95 e Villa Marianna,
22-4-06. Det. em p..
Centrolobium, Mart.
Cent. tomentosum, Bth.
Ob. cit. pag. 265.
N. 895, Lofgren?, Faz. do Dr. Jorge Tibiriçá,
8-3-02 (20 pé da porteira ). Matta. Sja., 3 speci-
mens. Ind.
Centrosema, Bth.
Cent. spc. ?
S/n., Usteri, Jaraguä, quatro epecimens com
apenas uma flor, 17-5-07.
Cent. bracteosuin, Bth.
Ob. cit. pag. 133.
N. 158. S/a, e nota cerrado queimado, Lageado,
17-4-99. Ind.
Cent. brasilianum, Bth.
Ob. cit. pag. 128.
N. 135, Usteri, Modca, S. Paulo, 1-4-06. Det.
— 688 —
Cent. hastatum, Bth.
Ob:-cit.:pam 155:
N. 62, G. Edwall, Agosto 1905, s/p. e sem flo-
res. Ind.
Cent. Plumieri, Bth.
Db. cit. pao. Tor
Ns. 1728 e 2492, Edwall, e Lofgren, 1.º de S. Se-
bastião e 2.º de Cubatão, respectivamente de 26-3-92
e 17-5-94, um com flores e outro com fructos. Det.
Cent. ver inianum, Bth.
Ob. cit. pag. 132.
Ns. 4111 e 4112, Lofgren, Praia Grande,
22-10-98. Det.
Chaetocalyx, D. C.
Chaet. nebecarpa, Bth.
Ob. eit, pass io.
N. 51, Edwall, Corredeira, Jul. 905 — n. 563,
Léfgren, Rio Claro, 29-5-88 —n. 5991. (2?) beira
do rio Corumbatahy, Paraizo, 21-4-04 Det. em p.
Cleobulia, Mart.
Cl. multiflora, Mart.
Ob. cit. pag. 167.
N. 3372, Lofgren, Botucatu, beira do rio Ara-
ragua, fz. do mesmo nome, 29-10-96. Det. como Dio-
clea rufescens, Bth.
Clitoria, Linn.
Clit. glycinioides, D. C. |
Ob: cit. pag. 11%.
N. 56, Usteri, Estrada da Cantareira, 1895.
S/n. Usteri, diversos exemplares todos dos arredo-
res de S. Paulo. Det. em p.
Tn 689 pee
Cht. guyanensis, Bth.
Ob: cit. page, 121.
S/n. diversos exemplares, colhidos pelos Drs,
Usteri e Edwall, em Ypiranga, Moôca, Santo Amaro
etc., nos annos de 1895 4 1913. Det. em p.
Clit. simplicifolia, Bth.
Ob: cit. pag..120.
N. 199i, Lofgren, Franca, 2-!-93. Det.
Crotalaria, Linn.
Cr. anagyroides, H. B. K.
Ob. cit. pag. 31.
N. 5640, G. Edwall, Morro Pellado, Jan. 1901.
. diversos. Ind. |
Cr. breviflora, D. C.
Ob. cit. pag. 20.
N. 3447, Lôfgren, Corrego Alegre, descida da
serra, 2-1-97. Det.
w
=
Cr. flavicoma, Bth.
Ob. cit. pag. 24.
N. 84, Lofgren, Tatuhy, 19-8-87. Det.
Cr. foliosa, Bth.
Ob. cit. pag. 24.
N. 5651, Campos Novaes, Municipio de Cam-
pinas, s/d. Ind.
Cr. Hilariana, Bth.
Ob. cit. pag. 20.
N. 107, e outro s/n. Usteri, Avenida Paulista,
S. Paulo, 21-9-06. Det. cono Cr. pterozaulon, Desv.
Cr. incana, Linn.
Ob. cit. pag. 27.
— 690 —
N. 3016, #7. Potel, Campinas, s/d. — Syn., Us-
teri, dois specimens, Cambucy e Ypiranga, S. Paulo,
Maio e Abril de 1895 e 1906-907. Det.
Cr. laeta, Mart.
Ob. cit. pag. 30.
N. 4265, Lofgren, Araraquara, cerrado lageado,
15-4-99 e n. 1466, Luederwaldt, Pirituba, 2-41-95.
Ind.
A discripção da presente especie, feita por Ben-
tham, na Flora Brasiliensis de Martius, discrepa da
chave para as especies. Material presente esta mais
de accordo com a descripçäo da chave.
Cr. maypurensis, H. B. K.
Ob. cit. pag. 30.
N. 5659, Alfredo Ham mar, Mogy-mirim, 11-2-902.
Ind. — Afasta-se algo pelas folhas maiores em todos
os sentidos.
Cr. paulina, Schranck.
Ob. cit. pag: 22:
N. 2038 e 2517, Edwall, Jundiahy, cultivada
no Jardim da Commissão, 3-94. Det. como sendo
Cr. vespertilio, Bth. de que se afasta principalmente
pelo revestimento pubescente do dorso das folhas,
forma das braeteas e brancteolas, legumes sempre
stipitados etc.
Cr. Pohliana. Bth.
Ob. cit. pag. 20.
N. 106-b, etc., Usteri, Isolamento, Penha e
arredores de S. Paulo. — 4006, Edwall, Horto Bo-
tanico da Cominissäo Geogr. de S. Paulo, (este
ultimo é um pouco mais scandente ). Ind,
Cr. Pohliana, Bth. var. Regnelli.
Ob. cit. pag. 20.
N. 4006, Dr. Edwall, Horto Botanico, Março
de 1898. Ind.
Mo DO e "4
— 691 —
Cr. plerocaula, Desv.
Ob: citi pag 19!
N. 4264, Dr. Lofgren, Araraquara, cerrado do
Ronco, 20-499. Det. — O calyce é um pouco
grande para a descripção.
Cr. striata, 1). €. *
Ob. cit. pag. 26. |
N. 2), Luederwaldt. Praia do José Menino,
Santos, out. 1907. Ind.
Cr. unifoliolata, Bth.
Ob. cit. pag. 24.
N. 3375, Edwall, e 88, Usteri, Botucatu e Jun-
diahy, de nov. 1896 e Fev. 907. Ind. em p.
Cr. velutina Bth.?
Ob. cit. pag. 24.
N. oc 41, Usteri, Morro Pellado, Jan. 901. Ind.
Cr. vitetellina, Ker. var. minor.
Ob, cit. pag. 24.
N. 4115, Lofgren, Praia Grande, 6-9-98. S/n.
Edwall, dois exemplares de Juqueryquecy. Ind.
Dalbergia, Linn.
Dal. ecastophyllum, (L.) Taub.
Ob. cit. pag. 228.
N. 1702, Edwall, S. Sebastiäo, 22-3-92, e s/n.
Usteri, dois especimens de Gaarujá, 24-11-07. Det.
Dal. miscolobium, Bth.
Ob cit: past 222:
N. 5648, Campos Novaes, de Campinas, Ind. s/d.
Dal. variabilis, Vog.
Ob. cit. pag. 220.
N. 2845, J. Piuggari, Jundiahy, 1-95 e n. 5627,
Lofgren, S. Martinho, 18-7-02.
— 692 —
Sn. Usteri, Avenida Paulista, S. Paulo, 1-9-905
etc. Det. em p.
Dahlstedtin, Malme.
Dahls. pinnata, ( Bth. ) Malme.
Malme, Arkiv for Bot. Band 4, n. 9.
N. 2846, Léfgren et Edwall, Jardim da Com-
missão Geogr. e Geol. de S. Paulo, n. 2833, Lüfgren
et Edwall, Xiririca, 28-10-84 — n. 21, Edwal, Pi-
rassununga, 1906. — 4114 (2) Itaipu, (s/f) —n.
1842, Lofgren et Edwal, Pirahytinga, 10-9-92. — n.
1696, Eawall, S. Sebastião, 3-4-92. — n. 5647, Lôf-
gren, Caxoeira, St. Branca, 18-10-01. — 4114, Lof-
gren, P. Grande, 25-10-98. — S/n. s/a. Parque de
Cajurä. 6-919, Ind.
Desmodium, Desv.
Desin. adscendens, D. C.
Bentham, Fl. Br. de Martius, vol. XV, I. pag. 97.
N. 9:03, Edwall et Puttemans, Rio Grande,
2-903. — N. 1649, Lofgren, Pituibe, 31-10-91. —
S/n. Usteri, Alto da Serra e em Pinheiros, s/d. —
e s/a. Ipiranga, 23-3-08. Det. em p.
Desm. albiflorum, Salzm.
Ob. cit. pag. 99.
N. 2144, Lofgren, Patrocinio, Sapucahy, 15/1/93.
Sn. diversos exemplares pelo Sr. Luederwaldt, Ita-
tiaya, etc. Det. em p.
Desm. asperum, Desv.
Ob. cit. pag. 102.
N. 5629, Edwall, Morro Pellado, Jan. 1901. Det.
Desm. axillare, D. C.
Ob. «cit. pag. 99.
N. 4469, Lofgren, Agua Boa, Paranapanema,
30-11-99. Det.
——
== 1695
Desm. barbatum, Bth.
ObMeit pas 96:
N. 580, Lüfgren, Rio Claro, 5 11-88.—n. 0628,
Campos Novaes, “Campinas, s/d.
S/a. e s/n. Horto Botanico da Commissäo Geo-
gr. de S. Paulo, março de 1899. — S/n. Usteri,
Jareguá, 17-3-07. — Sa. diversos, de Ipiranga, S.
Paulo. Det. só em p.
Desm. discolor, Vog.
Ob. cit. pag. 103.
N. 1810, Edwall, Ubatuba, 3-5-92. — n. 4268,
Lofgren, Araraquara, 28-3-99. — n. 1810, Neves
Armond, Pirituba, fev. 1895. — S/n. Usteri, sete es-
pecimens de procedencias varias. Na maioria det.
como Desm. leiocarpum, Don. de que se afasta pela
forma dos articulos dos fructos.
Desm. incanum, D. C.
Ob. cit. pag. 98.
N. 119-b. Usteri, Moóca, 6-1-(6. — S/n. José
Barhoz:, Parada Zero, 26-2-07. n. 16 6, Lofgren,
Piruibe, 31-19-91. ( det. como D. uncinatum, D. C. )
— 284, Lôfgren, Campo de Jundiaranga, s/d. — 230,
Lüfgren, Ipanema, s/d. (estes ultimos. det. como D.
adscendens. D. C. ). Det. e ind.
Desm. unicatum, D. C.
oe Olt: pag. 96.
3630, Hammar, Horto Botanico, 21-3-901.
— n. Mae S. Paulo, 19-3-905:,— n. 4012, s/a:
Rio Claro, S. Paulo, e outros sem ind. completas.
Det. em p.
Dioclea, H. B. K.
? Dioc. reflexa, Hook. et. fil. var. glabrescens.
Ob. cit. pag. 162.
N. 3081, Lofgren, Nha de S. Sebastião, 5 8-95.
Det. como Clitoria Sellor, bth. ? Specimen despro-
vido dos orgäos de reproducção.
Dioc. violacea, Mart. ?
Ob eit: jaey 162,
N. 1709, Edwall, S. Sebastião, 23-53-92, e n. 3135,
Lofgren, Ilha de S. Sebastiäo, 23-7-95, s/f. det.
Precisamos notar que o legume é quasi dnas
vezes maior que o descripto para a especie, e alem
disto, é depresso-pubescente.
Dioc. violacea, Mart. ?
Ob. cit: pas. 162.
N. 4119, Lofgren, Praia Grande. nhandú hu-
mido, 28-10-98. Det. como Mucuna que não pode
ser. Indeterminavel pela falta de flores.
Eriosema, D. C.
Er. Benthamianum, Mart.
Ob. cit. pag. 210.
S/n. e s/n. Campo de São Martinho, 17-VIL-902. Ind.
Er. campestris, Bath.
Ob: Cue Pace edie.
S/n. Usteri, Jaraguá, II-907. Det. como E. con-
gestum. Beth,
Er. crinitum, E. Mey.
Ob. cit. pag. 205.
N. 4007, Edwall. São Paulo, Dez. 1897. —
N. 4266, Lofgren, Araraquara, 19-4-99. Sm. Us-
teri, diversos specimens, Ipiranga etc. em p.
Er. helerophylluin, Beth.
Ob. cit. pag. 210.
Diversos exemplares, dos Dr. Usteri, Liifgren,
Edwall e outros, todos das visinhariças da cidade de
São Paulo. Det. em ».
Er. longrpoliuim, Beth.
Ob. cit. pag. 207.
N. (?) Edwall, Morro Pellado. Jan. 1901. Ind.
o
Erythrina, Linn.
E. cristagalli Linn.
Ob. cit. pag. 172.
N. 5646, Lüfgren, e 134, Usteri, Horto Bota-
nico e Lapa, Säo Paulo. Tambem de Jundiahy,
27-1-07. Ind.
E reticulata, Presl.
Ob. cit. pag. 174.
Sjn., Usteri, São Vicente, perto de Santos,
25-7-07. Det. como E. ensignis, Zos, especie cuja
d scripçäo não logramos encontrar.
Galactia, P. Br.
G. decuinbens, ( Beth.) :
Na FE Br. de Mart. dada como Collaea, D. C.
N. 980, Edwall, Estação da Saude, 25-3-901. —
S/n. Usteri, dois specimens, do Araçá e Villa Ma:
rianna, São Paulo, Março de 1906 e 1907. — Syn.
Luederwaldt, diversos exemplares, do Ipiranga,
3-903. Det. em p.
G. diversifolia, ( Bth. )
Ob. cit. pag. 147, dada como Collaea, D. G.
N. 138, s/a. cerrado lageado. 15-4-99. Ind.’
G. gracilima, Bth ?
Ob. cit. pag. 142.
S/n. s/a. Ipiranga, 10-02. Ind. O revestimento
e flores maiores que as descriptas motivaram a duvida
G. marginalis, Bth.
Ob. cit. pag. 141.
Sin. Usteri, Villa Marianna, 24-11-05. Det.
G. Marti, ( Bth. )
Ob. cit. pag. 152, dada como Collaea D. C.
N. 190, Lofgren, Caminho para Belem e Ita-
petininga, 20-9-87 e 26-8-88.
S/n. Usteri Matadouro, 12-11-905- Det. como.
G. glaucescens, Bth. em parte.
G. Neesu, ( Bth. )
Ob. cit. pag. 152, dada como {ollaea, D. C.
N. 94, Usteri, Villa Marianna, 9-12-906. Det.
como Hriosema glabrum, Mart.
G. scarlatina, Mart.
Ob. cit. pag. 152, dada como Collaea, D. C.
N. 135, Duarte, s/p. Agosto 1910. Ind.
»G. speciosa, (D. C.) Britton.
Ob. cit. pag. 146, dada como* Collaea, D. C.
N. 2310, Lofgren, Campo da Bocaina, 27-3-94.
N. 2200, Lofgren et Edwall, S. J. da Bôa Vista,
6-6-93. — Sjn. Usteri, Santo Amaro, campo, s/d. —
S/n. e s/a. Ipiranga, São Paulo, 5-907. Det. em p.
G. tenuiflora, Wight. et Arn. ?
Ob. cits. pags ds,
M. 196, Edwall, Exp, Rio Feio, beira do rio
«15». Dez. 1995. Ind.
Indigofera, Linn.
Ind. anil, Linn.
Ob. cit. pag. 41 e 326.
N. 3039, Edwall, Jardim da Commissão, Maio
1895. — S/n. Usteri, Agua Branca, 9-4-906. — S/n.’
José Barboza, Parada Zero, 16-2-907. Det em p.
Ind. gracilis, Bong.
bu, pas. of.
N. 851, Lofgren, Feijäo, Campo, arbusto tube-
roso, fl. coccineas, 26-8-88. Det. como Desmodiuin.
S/n. Edwall, Morro Pellado, jan. 901, flores cinna-
barino. ud.
Tratando-se de uma especie bem interessante e
que bastante se afasta do genero, e não existindo
ainda uma estampa que a torne mais conhecida con-
sideramos de grande proveito juntar um desenho da
mesma.
Estampa n. 9.
Ind. lespedezordes, H. B. K.
Ob. cit. pags. 37 e 39.
N. 2120, Lofgren et Edwall, Sapucahy, ca-
poeirão Vilella, 14-41-93. Det.
Lonchoearpus, H. B. K.
L. subglaucescens, Mart.
Ob. cit. pags. 276 e 285.
N. 91. H. B. Março de 1898. — N. 5624, A.
Hammar, São Paulo, 3-3-902. Ind.
Machaerium, Pers.
M. aculeatum, Raddi.
Ob. cit. pag. 237.
N. 5684, Ars. Puttemans, Horto Botanico, (ga-
linheiro ) 28-2-900. Det.
M. acutifolium, Vog.
Ob. cit. pag. 245.
N. 564, Lofgren, Rio Claro, 29-5-88. — N.
9622 Alf. Hammar, Mogy-mirim, 18-2-901. — 56 :6,
Lofgren, São Martinho, 17-7-902. Det.
M. angustifolium, Vog. ?
Ob. cit. pag. 235.
N. XXXVI, s/a.. Pilões, 16-8-99. «Cauvi»,
Sem flores e sem fructos. Ind.
M. Brasiliense, Vog. var. densicomum. ( Mart. )
Ob. cit. pag. 248.
S/n. e s/a. Cubatäo, 22-8-99. Det. como M.
secundiflorum, Mart. var. minor, com que concor-
darism as folhas e respectivos foliolos, mas nunca
os frnctos, que por sua vez muito se assemelham
com os da especie em questäo.
M. lanatuin, Tul. ?
Ob. cit. pag: Zaz;
N. 43, s/a, Matta de Queluz, 22-6-99, s/f. e
syfr. vulgo « Bico de pato ».
N. 2639, Lofgren et Edwall, Iguape, 24-y-94,
arvore alta, s/f. Indeterminavel.
M, oblongifolium, Vog. ?
Obi Veit. pas 256;
N. 1598, s/a. Funil, e n.º 5654, Campos No-
vaes, Municipio de Campinas, s/d. Ind. Diverge por
ter calyce menor que o descripto para esta especie.
M. scleroxylon, Tul. ?
Ob. cit. pag. 240.
-N. 65, s/a, Queluz, matta virgem, 25-6-99,
vulgo « Caviúna» na Flora Br. dada com o de
« Pão ferro ». Ind. — Sendo os espinhos tão espar-
sos é raros parece terem escapado ao autor, pois
ha ramos em que faltam completamente,
M. secundifloruin, Mart. var. major.
Ob. cit. pag. 247.
N. 4117, Lofgren, Praia Grande, nhandú, ca-
minho dentro, 7-XI-98. Ind.
M. stipilatum, Vog.
Ob. cit. pag. 245.
N. 738, Loferer, S .Carlos do Pinhal, 18-7-88.
Vulgo « Sapúva », boa madeira. Det.
M. Villosum. Vog.
Ob. cit. pag.
N. 5633, Ars. Puttemans. Serra da Cantarei-
ra, matta, 19-V-99. Det.
> A
244
Medicago, Linn.
Med. denticuiata, Willd.
Ob. cit. pag. 33.
Sn. Usteri, Campinas, 19-6-905. Idem Pa-
ranapanema, 6-10-905. — Idem, Moóca, 2-10 905, e
sn Luederwaldt, Ipiranga, 4-912. Det. em p.
Med. sativa, Linn.
Ob cit. pag. 38.
N. 98. Usteri, Moóca, out. 1916. Det. como
Vicia sativa, L.
Macuna, Adans.
Muc. altissima, D. C.
Ob. cit. pag. 120.
N. 4116, Lôüôforen, Praia Grande, 26-10-98.
Ind.
As inflorescencias, como tambem ja fizemos ver
na Parte VIII de: nosso Relatorio à Commissão Ron-
don, são muitissimo mais longos que as descriptas
para a especie.
Ormosia, Jacks.
Orin. mitida, Vog.
Ob. cit. pag. 315.
N. 2623, Lofgren et Edwall, Conceição do
Itanhaen, capoeira maritima, « Jandü ». Arvore ele-
gante. Det.
Periandra, Mart.
Per dulcis, Mart.
Ob. cit. pag. 135.
N. 499, Lofgren, Caminho de Tatuhy a Boi-
túva, 21-12-87. — N. 5.620, Edwall, Picco da Serra
Negra, out.. 150]. — Usteri, 2 exemplares, Jara-
gud, 30-1-901. Det. Vulgo « Alcaçuz ».
Phaseolus, Linn.
Ph. appenduculatus, Bth,
Obr. cit. pag. 182.
448, Lofgren, Corrego Alegre, 4-1-97.
Det. como Ph. prostratus, var. ovartfolia, de que
se afasta pela corolla e calyce muito maiores e ió-
bos do calyce 4, superior, emarginado. O appen-
dice do esiame vexillar indica bem que só pode tra-
tar-se desta ou de Ph. membranaceos, Bth.
Ph. appenduculatus, Rth. ?
Ob. sent! parts dB
N. 2, Edwall, Rio Feio, Barreiro, Junho de
1995. Ind.
Os pedunculos floraes muito curtos de duas
pollegadas approximadamente, flores bastante gran-
des etc., deixam-nos duvida sobre a especie.
Ph. clitorioides, Mart.
Ob. cit. pag. 184.
N. 2.963, Lofgren et Edwall, Sapucahy, 19-1-
83. — N. 4.259, Lifgren, Araraquara, 17-4 99. Det.
como Ph obliquifolius, Mart.
O primeiro destes specimens parece pertencer
à variedade snodeslus — caule mais curto, foliolos
oblongos e obtusos. As dimensões do calyce de
apenas duas linhas o caracterizam bem.
Ph. erythroloma, Mart.
Ob. cit. pag. 491.
N. 127, e diversos outros, Usteri, Jaraguá, 17-
3-997 e Villa Marianna, 24-11-905. Det. como PA.
ovalus, Bth. e Ph. hirsutus ?
2h. mongo, L.?
S/n. Usteri, diversos exemplares, Nova Odessa,
10-1-908. Ind. Planta exotica para a qual nos falta
litteratura.
— OI —
Ph. ovatus, Bth. var. glabratus.
Ob. cit. pag. 188.
N. 95, b. Usteri, Jaraguá, 13-1-907. Det.
Ph. peduncularis. I. B. K. ?
Ob. cit. pag. 184.
Diversos exemplares, recolhidos pelos Drs. Us-
teri, Lofgren, Edwall e Sr. Luederwaldt. Planta
muito variavel e pelo Dr. Usteri, dada como PA.
longipedunculatus, var. gracilis, Popp. à que se
oppõe o calyce com apenas quatro segmentos. Ind.
Ph. prostratus, Bth.
Ob: cits pag: 192.
N. 4260, Lofgren, Araraquara, 15-1V-99. Ind.
Ph. truaillensis, H. B. k. 2
Ob. cit. pag. 186.
S/n. Edwall, Rio Juqueryqueré ? In.
Platyeyanus, Bth.
Pl. Regnellu, Bth
Ob. cit. pag. 323.
N. 5645, Edwall, Est. Alfredo Rodrigues, out.
1901 e n. 5644, Lofgren, Brejão, 10-11-901. Ar-
voce grande, fl. violacea. Det.
Platymiscium, Vog.
Plat. praecox, Mart.
Ob. cit: pag. 272.
N. 2201, Luederwaldt, Santos, 11-913. Ind.
Platypodium, Vog.
Pl. elegans, Vog. var. major.
Ob. cit. pag. 262.
N. 5625, Lofgren, S. Martinho, 16-7-902 etc.
em fructo. Det. em p.
Poiretia, Vent.
P. angustifolia, Vog.
Ob. cit. pag. 78.
N. 2.253, Lofgren, Campo do Cambucy, Säo
Paulo, 27-11-93, e n. 188, Usteri, Villa Marianna,
24-11 905. Det. em p.
Tra CI OA, Vo:
Ob. cit. pag. 79.
N. 2.185, Lofgren, Franca, 17-1-94. Det.
P. pubescens, Vog.
Ob. cit. pag. TS:
N. 341, Lofgren, Casa French (?), Itapetinin-
ga, 7-12-87. Det.
P. scandens, Vent.
Ob. cit. pag. 78.
N. 701. Lifgren, Morro Grande, em Rio Cla-
ro, 22-6-88. Dét.
Pterocarpus, Linn.
Pt. violaceus, Vog.
Ob. cit. pag. 268.
N. 2.839, Lofgren et Edwall, Iguape, 9-11-94.
Det. como Pt Rohru, Vahl.
Rhynchosia, Lour.
Rh. corylifolia, Mart.
Ob. cit. pag. 202.
N. 2.246, Edwall, S. Paulo. 27 11-93. — N.
12, Usteri, Villa Marianna, 24-12-905 e s/n. Lue-
derwaldt, Ipiranga, Dez., 1903. Det em p.
Rh. phaseolordes, D. C.
Ob. cit. pag. 205.
N. 4010 e 599, Edwall, Horto Botanico, S.
Paulo, 23-5-94, Ind.
Rh. reticulata, D. C.
Ob. cit. pag. 203.
N. 5652, Campos Novaes, municipio de Cam-
pinas, s/d, n. 1180, Usteri, Penha, 1-1-906. Det.
Sesbania, Pers.
S. exasperata, H. B. K.
Ob. cit. pag. 42.
N. 2514, Edwall. Jardim da Commissão, São
Paulo, Março 1894. Det.
Sophora, Linn.
Sop. tomentósa L.
Ob. cit. pag. 314.
N. 3080, Lofgren, Praia, Caraguatatuba, 23-8-
95, e Idem 3086, sid. Det.
Stvlosanthes, Sw.
St. viscosa, Vog.
Ob. cit. pag. 91.
N. 575, Lofgren, Rio Claro, 5-6-88. — N. 1701,
Edwall, São Sebastião, 22-53-92, e mais diversos
outros de Uster! etc. dos arredores de São Paulo.
Det. em p.
Não raro uma das bracteas está fendida tao
profundamente que dá a impressõo de tratar-se de
2-3 bracteas.
St. gquianensis, Sw. var. gracilis
Ob. cit. pag. 91.
N. 612, Lofgren, Rio Claro, 7-7-88. S/n. Usteri,
S. Paulo, Avenida Paulista, 18-14-906, etc. Det. em p.
St. guianensis, Sw, ( typica )
Obncit: pags 9,
N. 4472, Lofgren, Jaguaretê, Parnápanema,
26-11-99. Sn. Usteri, diversos dos arredores de
São Paulo. Det. em p.
Sweetia, D. C.
Siw. dasycarpa, Bth.
Ob: cit. pas: 5 (roLOR Vo TI);
N. 5614, Dr. Hammar, Mogy-mirim, 12-2-02,
Det.
Siw. elegans, Bth.
Ob: cits; page tt;
N.º 5616, Hammar, Mogy-mirim, 16-12-90].
Det.
Tephrosia, Pers.
T. leptostachya, D. C.
Ob. cit. pag. 48.
N. 4:58, Lofgren, Araraquara, cerrado lageado.
12-1V-99. Det.
T. rufescens, Bth.
Ob. cit. pag. 47.
N. 4261, Lofgren, Araraquara, cerrado lagea-
do, 19-4-99. Det.
Teramnus, Sw. ?
Ter. uncinatus, Sw. ?
Ob. cit. pag. 138.
S/n. Usteri, só com fructos maduros. s/p. Det.
Trifolium, Linn.
Trif. repens, Lion. ?
Ob. cit. pag. 35. |
S/n. Luederwal det, Ipiranga, 21-9-909. Ind:
Zornia, Gmel.
Z. diphylla, Pers, diversas variedades.
Ob. cit. pag. 80-83
Var. reticulatu, lalior, latifolia, stricta, pur.
bescens, gracilis, leptophylla, etc. Material vario,
todos dos arredores da Capital S. Paulo. Ind. em p.
F C. Hoehne del.
INDIGOFERA GRACILIS, Bong.
LISTA DOS PEIXES BRASILEIROS
DTG) SS
Museu Paulista
(1.º PARTE)
POR
ALIPIQ DE MIRANDA RIBEIRO
DR, AFFONSO D’E. TAUNAY.
Eis, a seguir, a primeira parte da collecçäo de peixes
do valioso material do Museu Paulista.
Encontrei 17 especies e 3 generos novos que des—
crevi, bem como, julgando de utilidade algumas notas sobre
varias outras especies já conhecidas, deixei-as exaradas n esta
despretenciosa lista.
Com muita admiração e sympathia
Alipio de Miranda Ribeiro.
S. Paulo — 25 — IV — 918.
LISTA DOS PEIXES BRASILEIROS
DO
MUSEU PAULISTA
Desmobranchios
ACRANEOS
| — Branchiostoma cartbeum (Sund.) 1 — 1.
S. Sebastiäo, coll. H. von Ihering — 1897.
SYNCRANEOS
EPITREMADOS
2 — Scoliodon terræ-novæ ( Richardson) — 3
— Rio de Janeiro.
3 — Carcharias limbatus Mill. & Hle. 1 exem-
plar — Ilha da Victoria. ( Det. como Mus-
telus levis ).
4 — Carcharias lamia ( Raf.) 1 dentadura
sem procedencia; 1 juv. empalhado, San-
tos; det. come Carch. glaucus.
D — Scoliodon terree-nove ( Richardson) — 4
exemplares ( fetos ) procedentes de Santos
e determinados como Mustelus levis. Tra-
zem o nome vulgar de cação - alegrin. 3,
empalhados.
6 — Sphyrna tiburo (L.) 4 — Santos — em-
palhados ; n. v. Cambeba. Um det. como
Zygena tiburo.
7 — Sphyrna tudes ( Val.) 1 — Santos — det.
ae: 708 av
Zygena tiburo.
8 — Sphyrna zygæna (L.) 2 — Santos.
9 — Odontaspis americanus ( Shaw.) 1 sem
proc. Empalhado. 4»
10 — Pristis perrotteti Lath., 1 — Santos —
10-2-906. — Det. R. von Ihering.
11 — Pristis pectinatus Lath. | — Santos.
12 — Rhinobatus percellens ( Walb.) 1 — Iha
de S. Sebastiäo — Coll. Garbe. 4 em-
palhados — Santos.
13 — Raja agassizi, Mill. & Hle. 1 exemplar
— Santos.
14 — Narcine brasiliensis ( Olfers.) 1 — Uba-
tuba — 1 Santos, det. como Rhina squatina.
1 — Ilha de S. Sebastião, coll. Garbe.
15 — Ellipesurus spinicauda (Shomb.) 1 Ama-
zonas, idem.
16 — Dasyatis gyinnura (Mill) 3 exemplares
— Santos.
17 — Aétobatus narinari ( Euphrasen) — | —
Praia de 3. Vicente — Leg. R. von Jhering.
18 — Rhinoptora jussieur (Guv ) 3 exemplares
— Santos.
19 — Mobula olfersi ( Miill.) 1 — Santos — já
determinado.
Eleuther obranchii
ASPIROPHORI
Physostome
SCLERACANTHI
20 — Ancistrus brevipinnis Ren. 2 — Iguape
— S. Paulo, (já determinados — Xenocara
brevipinnis ).
21 — Ancistrus cirrhosus Guv. & Val. 8 — Ca-
ceres. Coll. Garbe — 1917. 2 idem. 2 jo-
vens — Caceres — idem.
22 — Ancistrus stigmaticus Eigm. 16 — Pilões.
Consul Bormann Leg. Já determinado Xe-
nocara stigmatica 1909. 1 — Santos.
Permuta do Museu Britannico.
23 — Ancistrus bufonius (Cuv. & Val) 1 exem:
plar — Bolivia (det. por T. Regan do Mu-
seu Britannico como Xenocara bufonia. )
24 — Ancistrus hoplogenys (Günth ) 1 exem-
plar. Caceres — 1917. Coll. Garbe.
25 — Ancistrus taunay?, sp. nova, descripta
no artigo anterior.
26 — Hemipsilichthys gobio (Lutk.) 28 Rio
Macahé E. do Rio — I, Juv., S. Anna do
Itaborahy — 1909 — Coll. Garbe. Tinha
na etiqueta o nome de H. Garber, R. Ther.
2 nasala de exposição.
27 — Heinipsilichthys calmonr, Steind. 1 exem-
plar (femea) em o qual noto maculas es-
curas do diametro ocular sobre todas as
nadadeiras. Sta. Catharina. Ehrhardt. Ja
determinado.
28 — Hemipsilichthys duseni Mir. Ribº. 1 exem-
plar — R. Bethary — Iporanga. — Já de-
terminado.
29 — Neoplecostoinus granosus ( Cuv. & Val.)
det. como mecrops Steind. 1 — Rio Ben-
gala — N. Friburgo. 1 — Piquete — São
Paulo.
30 — Pseudancistrus luderwaldti — sp. nov.
Descripta no artigo anterior.
31 — Plecostomus alatus ( Casteln.) 14 exem-
plares — Franca. No animal fresco (em
alcool) observo o ramo mandibular 2 ve-
zes no espaço interorbital. 3 Com a de-
terminação de Pl. margaritefer, Rgn. Pi-
racicaba. 2 empalhados e dados como Pl.
garmani e auroguttatus ; de Piracicaba,
e. Teté. 1 Sem procedencia ( Estava com
outro n'um frasco onde se lia Piracicaba
Pl. paulinus. )
32 — Plecostomus alatus ( Casteln.) 1 exem-
plar. Rio Pardo, Coil. Garbe. 2, Pi-
racicaba — Det. Pl. regan. 2— Rio S.
Francisco. Coll. Garbe.
33 — Plecostomus commersonni ( Cuv. & Val.)
Um exemplar — Poço Grande — Rio Ja-
quia, Coll. Moenkhaus ( Det. Pl. punctatus.)
4 — (n. 965) Theophilo Ottoni. Garbe
Coll. 1908. 1 de Porto Real, det. por
Tate Regan como Pl. punctatus. 1 empa-
lhado, em exposição ( Det. Pl. plecostomus ).
7 — Rio Parahyba — S. João da Barra —
Garbe coll, 1911. 1 de Jgnape, det. Pl.
puntactus. 44 — Rio Doce — E. Santo —
já determinados. 14 de Taubaté (det. Pl.
plecostomus ). 3 — Cachoeira — Garbe —
1908 — este determinado Pl. punctatus.
17 — Pirahytinga. 5 — Itaboraliy. Coll. —
Garbe 1909.
34 — Plecostomus garimant Regan — 2 exem-
plares de Piracicaba — determinados como
Pl. regani KR. lher. 10 — Piracicaba, de-
terminados como Pl. cheringi. 3 de Pi-
racicaba. 8 de Piracicaba — Det. : PI.
herman. R. lher. 1908. 6 num frasco
com outros peixes sob o n. 156 de Piraci-
caba — e sob o nome de Pl. paulinus Rud.
lher. 1 (2) Tatuhy — Sem as mandibulas e
com fachas pretas indistinctas transversas. 1
sem procedencia ( Iguape ou Tieté ). 6 — Bi-
cego coll. em Cerqueira Cesar ( 1896 ):
2 seccos em exposição e chamados Pl, au-
roguitalus.
— 7%! —
59 — Plecostomus macrops Eigenm. & Eigenm.
1 Exemplar procedente de Piracicaba e
determinado como Plecostomus regani.
Outro da mesma procedencia e determinado
Pl. hermani. 3 de Piracicaba, n'um frasco
e det. como Pl. regani. 3 de Piracicaba
(n. 156). 10 — determinados aurogut-
tatus, Piracicaba. 1 Tietê — det. P/. com-
mersom. 2 (966) Cerqueira Cesar —
coll. Bicego — 1896.
36 — Plecostomus agna Mir. Ribe 1 — Rio
Ribeira — 4 Sem procedencia — já deter-
minados.
37 — Plecostomus auroguttatus ( Kner ) 7 De-
terminados como Pl. regan: — Piracicaba.
3 sem procedencia — já determinados 3 do
Mercado. 8 de Sorocaba. 5 do Rio Tieté
— determinados Pl. garman:. 1 do Rio
Tatehy)) 4deTatiba (Coll: Lima). 1
det. £1. margaritifer por T. Regan. 3
— Rio Mogy-Guassu ( salto de Pirassunuga
— 1905.) 1 sem procedencia — 26 de Pi-
racicaba ( Zeidler coll. — 1906. 3 — Pira-
cicaba — n. 156 vide obs. sobre este nu-
mero em P. garmam.
38 — Plecostomus wuchereri Günther — 42 do
Rio Parahytinga (det. Pl. lutken:) 2 de
Iguape. 11 de Cachoeira, todos determi-
nados Pl. lutkent. Mais 12 —S. Paulo.
1 Iguape ou Tieté ?.
39 — Plecostomus variopictus Rud. Ther. 4
exemplar — Det. Pl. regant — R.S. Fran-
cisco. 1 exemplar D. 1 +7; A. 1+ 4; L.
lat. 27. Cabeca 1/3 até a base, 1/4 atéa
ponta do lobo caudal inferior. Ramo mandi-
bular 2 e 1/2 no espaço interorbital ; barbi-
lhão mencr que a orbita que é contida 7 ve-
zes e 1/2 na cabeça 2 e 1/2 no espaço inte-
rorbital e 4 e 2/3 no focinho. Alto da cabeça,
deprimido; placa occipital unica; todo
o corpo é hispido, porém os aciculos são
muito baixos e subeguaes; só na pri-
meira fila das placas da parte supero-pos-
terior do corpo ha uma carena baixa
em meio das placas, carena que é ves-
tigiaria em quatro series longitudinaes do
pedunculo. A. dorsal attinge a placa ba-
silar da adiposa com o ultimo raio e
mais tres placas à frente com o acu-
leo. A segunda dorsal occupando 4 placas
e provida de membrana ampla. -Peitoraes
não attingindo o anus como 1.º raio (1);
ventraes attingindo o plano da base do acu-
leo anal. Lados do abdomen, região peria-
nal, base das nadadeiras pares e da dorsal
amplamente nuas; caudal obliquamente lu-
nada. Côr de sépia olivacea com a parte
anterior da cabeça pontuada de branco;
zebruras brancas, largamente afastadas entre
si, por sobre o tronco, parte superior e la-
teral; no pedunculo essas zebruras se trans-
formam em 4 linhas pelas series das es-
camas. Dorsal com uma estria ondulada na
membrana entre os raios. Peitoraes, ven-
traes, anal e adiposa zebradas e pontuadas
de branco; caudal transfasciada dessa cor ;
38 ems. — Rio Pardo.
40 — Plecostomus lexi Rud. Jher. — D. 1+7 ;
A. 1+4; L. lat. 27. — Corpo sub-depri-
mido egualmente recoberto na superficie
abdominal. Placas geralimente sem carenas.
Região em torno da base das nadadeiras
largarmente núa. Cabeça 1/3, egual à maior
largura; olhos 6 vezes no focinho 2 e 1/2
vezes na regiãc post-temporal, 9 e 1/2 na ca-
beça. Ramo mandibular 1/2 do espaço inte-
robital e justamente marcando 6 afastamento
das narinas da orla orbitaria anterior. Pla-
(1) Aculeo quebrado.
cas marginaes do operculo fracamente acicu-
ladas. Placas cervicaes irregularmente disso-
ciadas. Peitoraes attingindo o plano vertical
do anus e tendo os aculeos eguaes à 1 raio
ocular. Adiposa occupando 3 placas e provi-
da de membrana. Ventraes attingindo o
meio da anal; esta occupando & placas tran-
sversaes. Caudal ligeira e obliquamente
sublunada. Dorsal occupando, quando eleva-
da, 7 ordens de placas, quando reclinada, 10.
Adiposa 4 4 placas do extremo da dorsal
reclinada. Emquanto o aculeo dorsal é del-
gado os das peitoraes são espessos e muito
mais fortes. Côr negra purpurea, mais in-
tensa nas membranas das nadadeiras e partes
núas da pelle, esparsa e regularmente pon-
tuado de alvadio glauco em toda a parte
superior do corpo e regiões em torno das
nadadeiras. Aculeos e aciculos ferrugineos
Nadadeiras quando muito pintadas de branco
azulado sobre os raios e isso de maneira
indefinida ou indistincta. As pintas são
em todo o peixe mais ou menos do mesmo
tamanho ou apenas ligeiramente menores
sobre a cabeça e egualam ao diametro da
pupilla. 45 cms. Rio Pardo — Coll. Garbe.
41 — Plecostomus emarginatus ( Guv. & Val. )
1 Amazonas — Coll. Garbe — 1902. Deter-
minado Pl. horridus. 1 Do Rio Tieté —
Amazonas — det. por T. Regan. 1 em ex-
posição.
42 — Plecostomus plecostomus L. 14 — Caceres
Coll. Garbe — 1917. 9 — Tatuhy ( Vieira
de Camargo ) coll. Lima — 1906. 2 idem.
9. Os Perus Coll. Bicego (n. 986) —
1896. 4 Valencia. Rio Cabriale — Vene-
zuela — Coll. Guerra Mendes (149). 2
empalhados em exposiçäo. 15 — Caceres
— Coll. Garbe. 2 — Itapura — Rio Tieté.
10 — Villa Olympia — Garbe Coll. — 1916.
6 — de Sorocaba n. 983. 17 — Pira-
— 714 —
cicaba — já determinados. 4 (juv. )Franga.
S. P. Coll. Dreher — 1910 (mn. 961). 2
— Rio Tietê — ja determinados. Sem pro-
cedeucia. 3 em exposição.
43 — Plecostomus interruptus — sp. nov. des-
cripta no artigo anterior. |
4% — Plecostomus albopunctatus Regn. D.
1+7; A. 1 +4; L. lat. 27. 2 exemplares
num frasco com outros peixes do Salto do
Pirassununga — Rio Mogy-Guassü. Forma
muito semelhante à ae Pl. wuchererv.
Cabeça justamente 1/3 do comprimento ;
altura 176. Ramo mandibular 1 e 3/4 no
espaço interorbital. Este 2 no focinho, 3
e 1j8 na cabeça. Uma unica placa por
traz do occipital. Aculeo dorsal egnalando
a distancia que vae da ponta do focinho
à orbita; esta mais proxima da dorsal de
1jS da distancia que a separa da ponta do
focinho, 10 1/2 a 9 172 vezes na cabeça,
o no focinho e 3 no interorpital. Base da
dorsal egual à distancia que da base do
seu ultimo raio vae ao meio da adiposa e
“este raio, reclinado toca o 4.º ou 6.º dos
6 ou 7 que ficam entre sua base e essa
nadadeira. 12 placas transversaes entre a
anal e o fulcrum inferior da caudal. As
peiioraes tocam o meio da base das ven-
traes que se articulam sob o segundo e
terceiro raios (ramosos) da dorsal. O
aculeo peitoral é mui pouco menor ou
maior (no macho) que o ventral que
passa o meio da anal. Esta nadadeira, re-
cinada, occupa 4 172 placas. As placas
do corpo são hispidas, porém não carena-
das embóra haja uma entumescencia lon-
gitudinal ao longo do meio das placas.
Abdomen totalmente recoberto. Pardo uni-
forme. Peitoraes e ventraes com pequenas
manchas brancas sobre os raios. 280 mm.
Outro exemplar de Castro, Paraná, mais
hispido e intensamente denegrido com as
pontuações azuladas. (Coll. Dr. Madurei-
ra.) Outro exemplar, (n. 411) — Piraci-
caba — tem + escudos depois do occipital.
45 — Plecostomus latirostris Ren. 6 — (n.
156) — Piracicaba. D. 1 + 7; A, 1 +4;
Eat. 27.
46 — ? Plecostomus paulinus Rud. Iher. —
Forma achatada. Cabeça 1/3; altura 5.
Ramo mandibular 1 e 1/2 no espaço in-
terorbital; este 1/4 da distancia que vae
da ponta do focinho à origem da dorsal.
Orbita 1/7 da cabeça, 1/2 do espaço in-
terorbital. Base da dorsal maior que a
distancia que vae da base do ultimo raio
à ponta do aculeo da adiposa; ultimo raio
quasi tocando-lhe a base 5 placas. Peito-
raes attingindo o meio das ventraes; es-
tas não chegando ao meio da anal, que
occupa 0 e 1/2 placas, quando reclinada.
D. 147%; A. 1+3. O primeiro aculeo
dorsal 3/4 do comprimento da cabeça.
Abdomen granuloso. As placas imperce-
ptivel rente carenadas e o vedunculo in-
feriormente deprimido. Lobo inferior da
caudal, que é obliquamente lunada, egual
ao compriipento da cabeça. O aculeo pei-
toral é fortemente hispido bem como as
placas de todo o corpo, ainda que em
grão muito menor. Pardo uniforme com
as nadadeiras manchadas de escuro em
hexagonos indefinidos. 7 Exemplares que
supponho serem os typos de Pl. paulinus
Rud. lherirz; estavam num frasco com
o n. 156 cum varios outros; veja-se as
notas deste numero. Mais 1 — Piracicaba.
47 — Panaque cochliodon Kner. 1 — Matto
Grosso ( Commissão Rondon). Mais 1 —
— 716 —
Matto Grosso — Caceres — Coll. Garbe —
1917;
48 — Plerygoplichthys aculeatus ( Perugia) —
1 exemplar procedente de Piracicaba — já
determinado. 1 do Rio Tieté (det. Ancis-
trus gigas Boul.) 1 empalhado.
49 — Plerygoplichthys etentaculatus ( Spix.)
3— Rio S Francisco — Pirapora. (Coll.
Garbe — 1933 ( Determinados como Pl.
commer sont ) 1 da Barra — Bahia (Garbe)
1913. 1 — Rio S. Francisco (Garbe) Bahia
11 — Bahia — já determinados ( Plecosto-
mus etent. )
80 — Plerygoplichthys multradtiatus ( Han-
cock) 1— Juruá — Garbe coll. — 1902.
P. pardalis ( Syn. ).
Ot — Kronickthys heylandi ( Blgr. ) 1 de Igua-
pe — Ribeirão do Itatim, + Rio Bethary
— Iporanga.
02 — Rhinelepis parahybe Steind. 1 — Rio
Parahyba. Coll. Garbe — 1909. Já deter-
minado. 1 empalhado, em exposição.
03 — Rhinelepis aspera Spix. 2 Exemplares.
— Piracicaba — São Paulo. Plecostomus
( Rhinelepis ) asper Spix — Coll Lima &
Rudolph. 1 Rio São Francisco — Garbe
— 190%.
94 — Rhinelepis rudolphi Mir. Rib’ —4 Pi-
quete — S. Paulo.
(À. microps Rud.)
Além dos caractères já referidos na discripçäo
de R. lhering e dados na F. B., convém notar a
depressão transversal que existe sobre a região
cervico temporal; a occipital é marginada por 6
placas; a bocca é muito larga sendo 9 ramo man-
dibular egual à um diametro interorbital.
do — Parotocinclos maculicauda ( Steind. ) o
colorido differe do descripto. O animal é
de cor isabel tendo os lados do focinho,
e alto da cabeça manchados de escuro de
modo à desenhar um Y claro sobre o ros-
tro; a côr escura se diffunde pelos flancos
até a cauda, onde depois de formar uma
nodoa na base se bifurca em duas mar-
gens que vão quasi à ponta dos lóbos pela
margem interna; na parte dorsal o escuro
dos flancos atravessa a linha mediana em
3 fachas assim delimitando 4 nodoas isa-
bel. 8— Coll. Luderwaldt. — 1910.
06 — Mecrolepidogaster tretensis Eigenm «&
Rud. 1 — Rio Tieté — Typo.
07 — Microlepidogaster depressinotus, sp. nov.
Descripto no artigo antericr.
08 — Microlepidogaster doceanus, sp. nov. Id.
99 — Microlepidogaster giintheri, sp. nov. Id.
60 — Microlepidogaster(?) bahiensis, sp. nov. Id.
61 — Octocinclus depressicauda, sp. nov. Id.
62 — Octocinclus leucofrenatus, Mir. Pub, —
Rio Iporanga — Comp. R. Krone — 4 Han-
sa Santa Catharina. Coll Liiderwaldt —
1910.
63 — Farlowellu henriquei sp. nov. Descripta
no artigo anterior.
64 — larlowella acus ( Kner )— Rio Cabriale
— Valencia — Venezuella — Coll. Guerra
Mendes — 1906 Det. Oxyloricaria sp.
(nº 147, do Cat.)
69 — Hemiodontichthys acipenserinus Kner.
— 1 Rio Juruá — Garbe Coll. 1912 — já
determinado.
66 — Sturisoma lyra Regan 4 — Rio Juruá —
(det Oxyloricaria lyra). Mais 1 idem
idem. Leg. Dr. J. Bach. Mais 2 em ex-
— 718 —
posição ( Oxy. lyra. ) Mais 1 empalhado
det. Lov. rostrata.
67 — Sturisoma rostratum (Spix) —2 8.
Luiz de Caceres — Garbe — 1916. A co-
loraçäo d’este peixe, até agora tida como
olivacea uniforme, mostra-se negra numa
facha iateral do rostro à cauda ( cujo lobo
interior é d'essa côr) com os angulos das
placas brancos, nas carenas. Nadadeiras
maculadas de negro. Uma tarja negra
pelo meio do dorso.
68 — Pogonopoma wertheimeri ( Steind.) 1
exemplar — Theophilo Ottoni. Coll. Garbe.
Placas cervicaes como em Sturisoma e late-
ro-abdominaes tendendo ao mesmo typo.
Placas latero rostraes aciculadas. O mais
como em Plecostomus. Typo — Pl. wer-
theimeri. Um exemplar procedente do rio
Mucury, apresenta a membrana interradial
das nadadeiras denegridas Abdomen nu.
Regan, considerando Pogonopoina como
sub genero para esta e outras especies —
incluído ahi o genero Rhinelepis de Steind,
perfeitamente definido — o que não póde
ser acceito sem erro — pois além de tudo
a morphologia dos dous grupos é perfei-
tamente differente e não carresponde aos
intuitos do preclaro auctor britannico.
69 — Harttia kronet Mir. Ribe — | R. Be-
thary — Iporanga — Compr. Krone.
70 — Harttia loricariformis Steind. — 4 Ca-
choeira. Coll. Garbe. Já determinados
( Oxyloriaria). 146—S. Luiz do Para-
hytings — Garbe coll. 1909. 56 idem.
T1 — Loricaria macrodon Kner. Nome vulgar
Cascudo-Espada — 1 exemplar, n. 7 E. de
S. Paulo. Determinado L. macrodon e L.
macrochir. Rud. & Eigenm. 2 exemplares
— 719 —
(n. 333) de Piracicaba, determinados Lor-
macrochir. 1 exemplar do Rio Mogy-
Guaçü, de Pirassununga n. 998 — 1907.
Coll. et det. R. Ther.
72 — Loricaria mgricauda Regn. 1 (Femea)
Caceres — Matto-Grosso, Garbe — 1917.
73 — Loricaria cataphracta i.— 1 Matto-
Grosso — Comm. Rondon. 1 Rio Jura.
Amazonas — Coll. Garbe — 1902 — Det. L.
carinata.
74 — Loricaria anus Cuv. & Val. — 5 Rio Ita-
borahy —em St. Anna. Coll. Garbe 1909.
Mais 4 —S. J. da Barra — Garbe — 1911.
Mais 2 do Rio Doce — E. Santo. Coll.
Garbe — 1906. Mais 1 exemplar de Itaqui
— Rio Grande do Sul (Coll. Garbe 1914
que prova que estas Loricarias incubam os
ovos na prega externa do labio inferior
n. 970), coia outras Loricarias num mesmo
frasco. 3 exemplares, em exposição. 2 em
alcool, exposição.
19 — Loricaria typus ( Bleeker ) 7, proceden-
tes de Itaqui, Rio Grande do Sul. Coll.
Garbe — 1914. (970) com outras Lori-
carias num frasco. 2 em exposição.
16 — Loricaria nudrrostris Kner. 5 exempla-
res. Coll. Itaqui — Rio Grande do Sul —
Garbe — (n. 970). 1 de Iguape.
cho) de Iguape, ja determinado. Compr.
Krone. (Macho) de Cachoeira — Coll. Garbe
— 1909 — (Det. Lor. cadææ? lima ).
2 (Femea) num frasco procedente do Rio
Grande do Sul — Coll. Dr. H. von thering.
2 de Colonia Hansa, ( Sta. Catharina ) compr.
Ehrhardt. — 1905. 1 do Rio Juquia — Pogo
Grande — Coll. Moenkhaus — 1897. 2 —
Sta. Anna d'Itaborahy (Garbe — 1909). 1
Iguape — Krone — 1902. | de Sant'Anna
do Itaborahy — Garbe — 1909. 1 empa-
lhado, em exposição.
Loricaria steindachneri Regn. 2 encon-
trados num frasco com Lor. imacrodon e
procedencia Piracicaba — ( ns. 334 e 413)
2 idem (n. 333). 2 num frasco com L.
macrodon (n. 998) — Pirassununga — Rio
Mogy-Guacu.
79 — Loricaria latirostris Boul. 17. Pilões-
Cubatão — 1909. Consul Borman leg. 1 da
Coll. Hansa, Santa Catharina. Ehrhardt —
1908 ( n. 999).
80 — Loricaria kroner Mir. Rib. — 7 exem-
plares da coll. Hansa — santa Catharina,
Coll. Luderwaldt — 1910 (n. 957).
81 — Loricaria lanceolata Giinther — R. Ju-
quia — Poço Grande — Coll. Moenkhaus —
1897 — 5 exemplares.
82 — Callichthys callichthys L. 2 Porto Ca-
choeiro— Rio Doce — Coll Garbe — 1906.
Já determinados. 1—coll. Hansa, Santa
Catharina, compr. Ehrhardt — 1998. 3 de
Iguape. 1 de Iguape (Krone). 31 da Ilha
de S. Sebastião. Coll. Bicego. 1 de Sant’
Anna do Itaborahy. Garbe — 1909. 2 em
exposição (Rio Voce} 52 — Ilha de São
Sebastião ( 1896 ). 1 — Iguape — S. Paulo
— Krone — 1901.
83 — Hoplosternon thoracathum (Guv. & Val.)
3 de Boa Vista — Maranhão. Coll. Sch-
wanda — 1907. 3 de Surinam, compr. de
Rolle — 1902.
84 — Hoplosternon littorale Hancock. 2 Matto
Grosso. Comm. Rondon.
85 — Decapogon urostriatum Mir. Rib.” 1 —
Manäos — Comm. Rondon.
86 — Aspidoras rochai, Rud. Ther. 2 — For-
taleza — Leg. Dias da Rocha — 1908.
78
87 — Scleromystax kronet Quoy & Gmard. 2
exemplares — Raiz da Serra (n. 717) —
Garbe coll. 1907. 2 da coll. Hansa, Join-
ville — Ehrhardt — 1968. 2 de Cubatäo,
Santos (n. 153) Typo de Cor. eigenmanne
Rud. Iher. Mais 3 da Raiz da Serra n. 344.
88 — Corydoras nattereri Steind. 32 — Rio
(Panca ?) E. do Espirito Santo. Coll. Garbe.
89 — Corydoras paleatus Jenyns — 41 —
Itaqui — Rio Grande do Sul. Coll. Gacbe
— 1914.
90 — Corydoras flaveolus Rud. Iher. 1 —
Piracicaba (Typo n. 424).
91 — Corydoras ehrhardi Steind. 4 exem-
plares. Coll. Hansa, Santa Catharina (n.
426 — det. Cor. meridionalis ).
92 — Corydoras garbei Rud, Ther. 37 — Rio
Sao Francisco — Coll. Garbe — 1908.
93 — Corydoras juquiæ Rud. Ther. 10 — Coll.
Moenkhaus — 1896 — Rio Juquia.
94 — Corydoras ceneus (Gill. ) 10 — Rio Ca-
briale — Venezuella (Typos de Cor. vene-
zuelanus Rud. Iher.)
95 — Corydoras imicrops Eigenm. 9 — Pira-
cicaba — Coll. Dr. Moraes Barros. Det.
Rud. Ther. & Regan. 1 de Itapura. 8 de
Caceres, Garbe — 1917. 2 de Piracicaba
já determinados.
96 — Corydoras puntactus Bl. D. 17; 4. AL
tura 2 1/2; cabeça 3. Como em Corydoras
splendens Cast. da qual se assemelha: enor-
memente. Labio inferior com 2 barbilhões
curtos na symphyse, o barbilhão maxillar
chegando à abertura das guelras. Maxilla
superior mui finamente aciculada. Focinho
1/2 da cabeça. Suborbitarios mui delgados
quasi lineares. Orbita saliente sobre o perfil
frontal, 3 e 1/2 na cabeça, ! e 2/3 no fo-
cinho e 1/2 no espaço interorbital. ffon-
— 722 —-
tanella partindo da linha do centro dos
olhos e chegando à base do occipital cuja
largura é egual à distancia que vem da
fontanella ao fulerum dorsal; o seu pro-
cesso é estreito e de comprimento egual
ao da placa predorsal. Aculeo dorsal jus-
tamente egual à distancia que vae da ponta
do fecinho ao centro do olho. 4 Pares de
placas entre a dorsal ea adiposa cujo forte
aculeo tem 3 placas impares anteriores.
Peitoraes com o aculeo chegando à 3.8
placa da axilla das ventraes quando recli-
nada ; aculeo denticulado no bordo interno
Anal pequena, o sen aculeo, porém é forte
e egualando a 1 diametro orbitario. Pro-
cessos coracoides amplamente separados
e subcutaneos no thorax. Caudal com ves-
tigios de manchas, sendo que o animal esta
todo desccrado pelo alcool e pela luz, tendo,
de resto, os raios dorsal, anal e caudaes que-
brados. — Rio Juruá. Colligido pelo sr.
Garbe em 1902.
97 — Heimidoras more: ( Steind ) 1 — Manãos
— Comm. Rondon.
98 — Heinidoras brevis ( Kner) 1 — Manãos
— Comm. Rondon.
99 — Hemidoras stenopeltis ( Kner.) 1 —
Juruá — Garbe — 1902. Ja determinado.
Mais | — sem procedencia (738). Já de-
terminado.
100 — Oxydoras niger ( Val.) 1 — sem pro-
procedencia. Ja determinado.
101 — Rhinodoras orbignyi (Kner.) — D.J+T;
A. 12; L. lat. 29. Cabeça subconica an-
teriormente deprimida, acuminada, provida
de bocca mediocre, com os labios espes-
sos e largos, reflexos e expandidos no an-
gulo da bocca, donde sae o barbilhão ma-
xillar que não attinge a orla opercular.
Labio inferior confluente no meio com a
symphyse e tendo justamente ao lado. das
a
—— 723 emo
base do freio mediano assim formado os
dous barbilhões mandibulares, dos cuaes os
internos são os menores e Os externos, pouco
maiores, mal perfazem um diametro do hia-
to. Tanto os iabios como os barbilhões den-
samente papillosos. As narinas occupam os
angulos de um quadrilatero regular sendo as
posteriores equidistantes das anteriores e do
meio da orbita. Esta é pequenina e occu-
paria 1 e 3/4 da distancia interocular, não
tendo palpebra adiposa, embóra sendo sem
palpebra livre. Na cabeça o maior diame-
tro orbitario seria contido 9 vezes. A aber-
tura das guelras é mediocre, não desce
muito sobre a arcada bumeral. O alto da
cabeça é mais ou menos recoberto de epi-
derme, deixando entretanto perceber as ru-
gas osse1es e a fontanella, que se estende
entre os olhos da meio diametro antes até
quasi o meio do focinho. O post-occipital
e seu processo, furdido à placa predorsal
que desenha um braço de cruz de Malta,
forma um todo em ponta de flexa, com as
rugas osseaes que partem do occiput e se
dirigem à supra clavicula. Processo cara-
coide em meia ponta de lança, rugoso-gra-
nuloso, attinge 2/3 do aculeo peitoral, toca
o plano do 2.º raio dorsal. Este é fôrte,
comprimido. curvo, lateralmente estriado e
denticulado nos bordos anterior e posterior ;
o seu comprimento eguala a distancia que
vae das narinas posteriores à orla opercu-
lar, bem como ao aculeo peitoral; a fórma
de toda a nadadeira é de um triangulo iso-
scelles irregular cuja base se contivesse em
“4 da altura, e ella dista tanto da cabeça
pelo lado do aculeo quanto do extremo da
adiposa pelo lado opposto do triangulo. A
adiposa é o seguimento da linha do dorso
que é quasi horizontal nos individuos muito
gordos. As peitoraes não attingem o plano
do ultimo raio dorsal quando reclinado ; o
seu aculeo é egualmente muito forte, curvo,
deprimido, estriado nas faces supericr e
inferior e fortemente denticulado nos bor-
dos externos e internos; a nadadeira é
egualmente sub-triangular com o angulo
postero interne redondo. As ventraes, obli-
quamente subespatuladas, são pequenas,
mui pouco menores que o focinho; elias
ficam a meia distancia da abertura das guel-
ras e da base do primeiro raio caudal ex-
terno. A anal passa um ponco, posterior-
mente, o plano da orla posterior da adi-
posa e tem o bordo posterior recto, um
pouco obliquamente truncado para diante e
o canto inferior redondo, a sua altura
eguala ao comprimento d'uma ventral. Cau-
dal perfeitamente furcada com & lóbo in-
ferior imperceptivelmente mais largo. Cor
cinerea alvadia, profusa e irregularmente
marmorada de negro por todo o corpo;
labios amarellados. Cabeça 3e 2/3: altura
4; L. lat. O exemplar que serviu à pre-
sente descripção mede 27 centimetros e
procede de Itaqui — Rio Grande do Sul; 3
exemplares do Mogy-Guassi — Salto do
Pirassununga — (908 (Det. Oxydoras or-
bignyr). 4 de ltaqui — Rio Grande do
Sul. 1 — Tietê. 1 em exposição.
102 — Doras asterifrons Kner. 1 exemplar —
Pará — 1993. Já determinado.
103 — Doras marmoratus Lutk. 5 — Rio S.
Francisco — Bahia — Garbe 1914. 10 idem
— já determinados. 1 de Pirapora — Mi-
nas — Garbe — 1912. 8 — Rio S. Fran-
cisco — Bahia — Garbe — 1408.
104 — Trichomycterus rivulatus Guv. & Val —
Peru 1 — já determinado.
105 — Trichomyclerus borelli Boul. 1 — Rio
Mendoza — Republica Argentina.
106 — Trichomycterus meride Ren. 4 — Me-
rida — Venezuela — ( Compr. ).
107 — Trichomycterus punclatissimus Castela.
Assim determinado por [hering. (Rud.) Ca-
beça 5 1/2, de altura 7 e 1/3. O que ha
de notavel neste Trichomyetero é que a
cauda tem uma truncatura superior obli-
qua, tal como representou Castelnau. As
vezes ha uma estreita serie de pontos li-
neares ao longo da iinha lateral e que se
pode repetir na akdominal. Os dentes são
villiformes, em facha, os da serie externa
da mandibula maiores. Olhos 1/6. Fila-
mento peitoral pouco maior que o espaço
interorbital que se contêm 3 vezes na
cabeça — D. 10. A. 7. — 3 Exemplares
procedentes de Marianna, Minas Geraes
— 1905. Mais 4 (Typos de Tr. caïi-
beve. Rud. lher. — Rio Tamanduatehy.
Coll. Lima — 1906. Mais 3 idem. Mais
D exemplares da Ilha de São Sebastião,
determinados como Tr. insulanum, Rud.
Iher.
108 — Trichomycterus ttatiaye Mir. Rib. 24
— Rio Macahé — Garbe — 1909. O facto
do encontro de Tr. itatiayoe, da bacia do
Parahyba no Rio Macahé, vem corrobo-
rar a minha opinião de que Hemipsilich-
thys garber Rad. lber. == H. gobro Lutck.,
pois que este foi pela primeira vez apa-
nhado no Parahyba.
109 — rrichomycterus brasiliensis Lutk. 2 de
Piquete — J. Zegk — coll. 1892. 3 de
Franca — coll. Dreher. Ambos determina-
dos.
110 — Trichomycterus theringi Eigemm. D. 9;
A. 8 — Cabeça 1/5; altura, adiante da dorsal
1/6. Placas aciculadas muito dissimuladas
na pelle de modo a serem pouco perceptiveis.
— 726 —
Olhos bem a meio da cabeça, 1/8 neste e 2 1/2
da largura interorbital. Mandibula incluida;
dentes villiformes, em facha; hiato egual
ao espaço interorbital; maior barbilhão 1,2
da cabeça. Peitoraes com o primeiro raio
prolongado, egualando o comprimento da
cabeça. Dorsal truncada nascendo à meia
distancia, entre o meio dos olhos e a ponta
da cauda; ventraes ( truncadas ) anteriores
e anal truncada com o canto redondo pos-
terior à dorsal. Caudal com o vert. trun-
cado — Côr parda mais ou menos uniforme
ou indistinctamente manchada. 2 exem-
plares do rio Bengala — Nova Friburgo.
2 — Rio Bengala ( Det. Tr. góeld:) Nova
Friburgo — 1909 — Garbe. | de Piquete
— Coloração uniforme.
{141 — Trichomycterus amazonicus Steind. 7
— São Luiz de Caceres — Coll. Garbe —
1915.
112 — Vandellia plazai Casteln. 2 Juruá. Gar-
be — 1917.
113 — Vandellia cirrhosa Guv. & Val. 1 Ju-
rua — Garbe coll. — 1902.
114 — Pseudostegophilus paulensis Rud. Ther.
Sp. Nov. D. 9; A. 7. Cabeça 4e 1/2; larga,
deprimida, de contorno semicircular. Hiato
como em Sfegophilus, com 2 séries de
dentes labiaes e duas intermaxillares, os
da mandibula menores, dous barbilhões
em cada angulo da bocca e de compri-
mento egual ao diametro interorbital. Olhos
1/9 do comprimento da cabeça, superiores
porém, de direcção lateral e aspecto de
olhos de batrachio, sendo, comtudo, sub-
cutaneos. Musculos lateraes da cabeça sa-
lientes, deixando uma depressão parabolica
em torno de cada olho. 6 à 8 aculeos
fortes e curvos, pre e operculares. Peito-
raes truncadas com o aculeo membranoso,
comquanto espesso, deprimido e mais curto
que os outros raios externos; o seu com-
primento é mui pouco menor que o da
cabeça; dorsal posterior ao meio do corpo
(excl. a caudal) de um diametro inter-
opercular, ella fica justamente entre as
ventraes e a anal que é redonda, e cuja
maior altura eguala à 1 comprimento das
peitoraes. Caudal furcada, com o lóbo in-
ferior mais longo. Pardo. Olhos negros ;
oito pontos dessa côr na linha mediana
lateral, dous outros na base da cauda,
junto aos raios exteriores. 1 Exempl. 5
mm., det. como Homodietus paulensis.
Rud. Iher. Avanhandava — Rio Tietê. (1)
Pieurophysus gen. nov.,
115 — Pleurophysus hydrostaticus, sp. nov.
descripta no artigo precedente.
116 — Ancentronichthys leplus Eigenm. Ei-
genm. 2 — Itanhaem do Bananal — Rio
Paraná Mirim. Coll. Adam — 1910. N.
1.093.
117 — Heptapterus inustellinus (Guv. & Val.)
1 exemplar — Rio Grande do Sul. Coll.
Dr. H. von lhering. | — São Lourenço
— Rio Grande do Sul.
118 — Heptapterus multiradiatus Rud. Sher.
1 exemplar (n. 294) Alto da Serra —
Typo ?
119 — Heptapterus holland: ( Has.) ! sem
procedencia (n. 1079). 1 — Tatuhy —
Rio das Pedras.
(1). Em veidade, Pseudostegophilus paulensis é uma
especie cuja descripção desconheço e, por esse motivo aqui
a dou. Devo, comtudo, chamar attenção para o facto de que
o exemplar estava etiquetado como Homodietus paulensis
por lettra do punho do Snr. Rud. Ihering.
— 728 —
120 — Conorynchus conirostris (Cuv. & Val.)
2 exemplares em alcool. 1 em exposiçäo,
empalhado.
121 — 1heringichthys westerinanni ( Reinhardt
& Lutken)— 4 (1.044) Garbe (São
Francisco ?). 4 Piracicaba ( det. ).
Mais 1 do Rio Tieté ( det. ). Mais 1 (1.101)
Pirapora ( Minas ) Garbe — 1913. Mais 3
— Ribeirão Francisco — Minas — Garbe.
122 — Typhlobagrus kroner Mir. Rib, 3 —
Comm. Geogr. Geol. S. Paulo. Proced. ?
123 — Pseudopimelodus zungaro (Humboldt) 3
—- de Piracicaba—R. Iher. & Lima—1906.
1 — de Piracicaba — 1905. 2 — idem; 2
— Rio Verde — Minas — Henrique Silva
— 1914. 1 — Rio S. Francisco — Garbe
— 1912. 4 de Piracicaba Rud. Iher. coll.
— 1907. 6 de Itatiba coll. Lima. 2 idem.
1 de Piracicaba (n. 35) 1896. 1 do Rio
Mogy-Guassu, Salto do Pirassununga R.
Iher. 1907. 3 Franca — Garbe — 1910.
8 de Itatiba (Lima — 1907). 4 do Salto
de Pirassununga. Determinados. 1 — Rio
S. Francisco — Bahia — Garbe — 1913. 1
França — Garbe — 1910. 2 do Rio Júquiá
— det. Pseudoprmelodus parahybæ. 1 do
Rio Cabriale, Venezuela leg. Guerra Men-
des. 4 em exposiçüo.
124 — Imparfinnis piperatus Eigenm. & Nor-
ris 2 — Piracicaba — Co-typos.
129 — Rhamdioglanis transfaciatus Mir. Rib.
1 Rio Bethary Iporanga — compr. Krone
— 4909.
126 —-Rhaindioglanis frenatus Rud. Ther. 5
— Ilha de S. Sebastião. — Já determinados
Mais 1 idem.
127 — Lophiosilurus alexandri — Steind. —
Rio S. Francisco, Bahia. Coll Garbe —
1908.
ae ean
Mi — |
128 — Lophiosilurus fowler: ( Hasem.) 1 —
Rio S. Francisco — Bahia — Coll. Garbe
1908.
129 — Rhamdia sapo ( Guy. & Val.) 2 — Tta-
tiba — coll. Lima — 1907. 3 idem. 5 idem
(não determinados). 9 Rio Atibaia, Ita-
tiba. Lima coll. — 1907. 2 — Emas, Rio
Mogy-Guassu — Saito do Pirassunanga
(1908). 3 — Villa Olympia — 1.086 (Gar-
be). Determinados. 4 — Itaqui — Rio
Grande do Sul.f — Ipanema. 2 (1.050)
Castro, Paraná. 1 (n. 761) Castro, Parana.
1 (1.089) Franca.
130 — Rhamdia hiiari (Civ. & Val.) 11 —
Conumba — Garbe — 1917. 47 — Caceres
idem. 1 (735) coll. Bicego — Santos. Det.
quelen. 1 — Lexi coll. — 1907 — Iporanga.
2 — Rio Feio ( Giinther 1505).
131 — Rhamdia quelen (Quoy & Gamrd.) 5
— Coll. Garbe — Rio Parahytinga — 1909.
1 — Hansa, coll. Luderwaldt. — 1910. 1
— Sorocaba. 2 — Mercado de S. Paulo
(ja determinado ). 1 — S. Paulo. 1 — sem
procedencia (já determinado ). 6 — Lagôa
Feia — Rio de Jareiro. 1 — Itanhaem do
Bananal — Paraná Mirim.
132 — Rhamdia sebe (Cuv. & Val.) 2—
“Taubaté — determinados R. quelen. 4 —
Rio Grande do Sul — Garbe — 1914. 5 —
Rio Doce, E. Santo, Garbe — 1906. 6 —
Iguape. Já determinados. Rhamdia sebæ
(Cuv. & Val.) 1 — Itaborahy — Garbe
— 1909. 7 n. 339 Rio Doce, E. Santo —
(det. quelen ).
133 — Rhamdia hilarii (Cuv. & Val.) 1 —
Iporanga. Garbe — 1914. 1 — Rio das Pe-
dras ( Tatuhy ). 1 (1.062) Castro — Parana.
3 — Ribeirão do Engenho Velho, Serra de
Santa Maria, Minas. 2 — Itaqui — Rio
Grande do Sul (Coll. Garbe) 1.052. 2 —
Rio Macahé (1.039). 1 — Iporanga (Lima,
coll. 1906). 1 — Rio Batalha — S. Paulo,
Garhe, coll 1910" 4 n.:1,040 tn)
Pará.
134 — Pimelodus claras L. 1 de França —
Garbe — 1910. 1 em exposição. 3 — Itaqui,
Rio Grande do Sul, Garbe — 1914. 3 —
Rio S. Francisco, Minas Geraes, Garbe —
1913. Garbe — Caceres — 1917. 4 — Pi-
racicaba. 4 — idem. Lima coll. — 1906.
11 — idem idem. 2 — Itapura — ( Garbe,
1904). 3 — Piracicaba, 2 — Rio Grande
— Franca ( Garbe, 1910). 3 — Piracicaba
(a. OTA GATA Iguape (n. 33). 5 sem
procedencia. 4 de Poço Grande — 1898. Já
determinados. 6 — Rio S. Francisco n.
1.043 — Garbe — 1912 — Pirapora. 4 —
Rio S. francisco — Garbe — 1913. 2—
Franca, Garbe — 1902. 3 — idem — 1910.3
(1.023) — Piracicaba — 1906 — Garbe. 3
— Piracicaba— 1901 — já determinados. 7
— Piracicaba — 1894. 4 — Rio S. Francis- .
co — 1894. 1 Coll. Hansa — Luderwaldt—
1910, n. 1.045. 15 — Rio S. Francisco (L.
084). Garbe — 1913. Pirapora — Minas.
20 ( 1.076) — Pirapora — Minas, 1913. 3
— Garbe — idem — 1.101 — 1915. 1 —
Sorocaba ( Tatuhy ).
199 — Pimelodus fur Lutk. 4 Piracicaba —
Determinados como Pimelodus labrosus.
9— Rio São Francisco — Minas, coll.
Garbe — 1912. 4 — Itaqui — Rio Grande
do Sul. 6 — Ribeirão Francisco — Minas
Geraes — Garbe — 1912 (mn. 1.063). 2
(1.078) Rio São Francisco — Garbe.
136 — Pimelodus valenciennis Lutk 22 — Ita-
qui, Rio Grande do Sul ( n. 1.046 ).
os LE ei ii Se cat.
137 — Luciopimelodus platanus ( Günther ) Pi-
racicaba — Lima — 1906. 5 (n. 528) Lima
— 1908. 1 — Itaqui — Rio Grande do Sul
— Garbe — 1914.
138 — Pimelodella transitoria Mir. Rib.” 1 —
do Rio Ribeira. 1 do Rio Lambary — Ino-
ranga — ambos compr. a R. Krone e já
determinados.
139 — Pimelodella buckley: Boul. 5 — Valen-
cia — Venezuela — Rio Cabriale — Guerra
Mendes leg.
140 — Prmelodella megalura, sp. nov., descri-
pto no art. ant.
141 — Pimelodella rudolphi, sp. nov. descri-
pta no artigo anterior.
142 — Pimelodella lateristriga Mill. & Tr
Mandibula e parte inferior das bochechas
providas de póros mucosos. Cabeça 4 e
2/5 a 4 e 1/2, maior altura 6 à 5 e 1/4
vezes no comprimento que vae do fo-
cinho à base da caudal. Barbilhão maxil-
lar mal attingindo a ponta das ventraes
ou passando-a de pouco; post-mentaes a
axilla das peitoraes, mentaes a cintura
escapular. [focinho deprimido. Hiato de
largura egual à um comprimento do foci-
nho. Orbita lateral, 1 e 1/2 -4,1.e 2/8
no focinho, 3 e 2/3 à 4 e 1/3 na cabeça,
maior de 1/3 que o espaço interorbital ou
egual a este (osseo ); que é contido 5 e
1/2 5-4 1/5 ma. cabeca; 2) ie) 1/2: pm Le
4/5 no focinho. Processo occipital nao
articulando com a placa predorsal. Dor-
sal redonda elevada, 1 + 6, seu aculeo
4/5 da cabeça ou 5/0 na altura, sua base
1 e 1/2, separada da adiposa por um com-
primento da propria base. Adiposa 3 e
2/3 no comprimento (até a base da cauda)
elevada. Peitoraes com o aculeo apenas
maior que a dorsal, tendo algumas denti-
culagdes junto ao apice do bordo anterior
e a maior parte do posterior denticulada ;
o seu primeiro raio é ligeiramente fila-
mentoso. A distancia da dorsal à ponta do
focinho é egual à 1/2 da que vae da base
do aculeo dorsal à base da caudal e o
aculeo peitoral termina no plano da base
do 3.º raio dorsal. Ventraes posteriores
à dorsal não attingindo a anal à cuja al-
tura egualam, porém, terminando a meia
distancia entre aquella e o anus. Anal pas-
sando um pouco a adiposa, quando recli-
nada, caudal com o lóbo superior ligeira-
mente maior. Uma facha negra pelo meio
do corpo e cabeça; base da dorsal dene-
orida, orla dessa nadadeira e da caudal.
Um exemplar de 200 millimetros, 1 exem-
plar de Itaboraby ( Garbe — 1909 — já de
terminado ). 1 do Rio Doce. 8 — Rio Doce
— Garbe — 1906, det. Prmelodella late-
ristriga harth. 6 \Iha de S. Sebastião,
Giinther coll. 1906 (1.024). 3 — Rio Pa-
rahyba (S. João da Barra — 1911 Garbe )
n. 1.087. 23 (758) Pirahyque —I. de 8.
Sebastião — F. Günther — 1906. 53 da
mesma procedencia. 3 Iporanga — já deter-
minados. 4 — Itaqui — Coll. Garbe. 7 Mo-
gy-Guassü. Arthur de Oliveira — 1908.
149 — Pimelodela gracilis (Guy. & Val.) 2
— Piracicaba — Coll. R. lhering — 1907
( Já determinados ). 5 — Entre-Rios — Pa-
ranä (idem). 1 — Rio Grande do Sul.
144 — Pimelodella garbe: sp. nov. descripta
no artigo anterior.
145 — Steindachneria scripta, sp. nov. Id.
Taunayia, gen. nov.
Descripto no artigo anterior.
146 — Taunayia marginata, sp. nov. descri-
pta no artigo anterior.
147 — Sorubim lima BI. & Schn. 1 — Juruá
— Garbe coll. 1902. Já determinado.
148 — Surubim luceri ( Weyenbergh.) 1 —
Itaqui — Rio Grande do Sul. 1 em expo-
sIÇÃO. g
149 — Duopalatinus emarginatus ( Guv. & Val,
4 exemplares — Rio S. Francisco — Bahia
— Garbe 1908 (já determinados ).
150 — Paulicea lutkent ( Steind ) 1 — Franca
( 35 centimetros ) coll. Garbe — 1910. 0
exame d'este exemplar mostrou-me a den-
tição tal qual é figurada por Steindachner ;
bem como a villosidade cutanea que se en-
contra em um exemplar do mesmo tama-
nho e que eu collecionei no Mercado de
Manäos — R. Amazonas — Ficam, assim,
completamente dissipadas as duvidas sobre
a identidade das duas pretensas especies.
151 — Pseudoplatystoia coruscans ( Agass. )
2 exemplares, jovens. Rio S. Francisco
Coll. Garbe — 1913. 5 idem — já deter-
minados.
152 — Hemisorubim platyrhynchus ( Cuv. &
Val.) — Coll Garbe Rio Juruá — 1902. 1
exemplar (femea) medindo 9 centime-
tros e procedente de Piracicaba Coll. H.
von Ihering. — 1907. Uniformemente uni-
color.
153 — Tachysurus barbus ( Lacép.)1 — Rio
Tieté —S. Paulo. Mais 1 Santos. 10 Cara-
guatatuba ( S. Paulo) — Rio Juqueriquerè
— Carbe — 1915.
151 — Tachysurus luniscutis Cuv. & Val. 6
— Rio Juqueri-querê — Caraguatatuba —
S. Paulo — Coll. Garbe — 1915. Mais 1
— Santos. Mais 2 idem, ja determina-
dos. Mais 5 idem idem.
EE PE
155 — Tachysurus nuchalis ( Güntuer )— Rio
Juqueri-queré — em Caraguatatuba S. Pan-
lo — Coll. Garbe — 1915. Mais 4 Rio Pa-
rabyba S. João da Barra — Garbe — 1911.
Mais 3 de Santos (já determinados ) sp-
ow. Mais 1 deter. sprxm — Santos.
156 — Tachysurus grandoculis ( Steind.) 1 —
Garbe — Coll. Rio Doce. Mais 2—S.
João da Barra— Rio Parahyba — Garbe
Coll. — 1911.
197 — Genidens genidens (Cuv & Val } 2 —
Rio Juqueriquerè — em Caraguatatuba —
S. Paulo — Coll. Garbe — 1915. Mais 3
S. João da Barra — Rio Parahyba — 1911.
158 — Felichtnys bagre (L.)1 — Santos. +
(n.º 1.085) S. João da Barra.
159 — Pseudauchnipterus nodosus ( Bl.) | —
já determinado porém sem procedencia
160 — Glunidiuin inelanopteruin, sp. nov. des-
cripta no art. anterior.
161 — Glanidium ribeiro: Hasemann | — Ipo-
ranga ( 26 centimetros ) — Rio Ribeiro —
Coll. R. Ihering — 1909 — ( Det. cento )
162 — Tatia intermedia ( Steind. ) 4 — Fique-
te — 5. Paulo 1 Piracicaba.
163 — Trachycorystes galeatus L. 6 — Garbe
coli. no Rio S. Francisco — 19]4 (n.º
1.099). 13 — idem — 1908 (já determi-
nados ). 1 — 1.088 — Rio S. Francisco
— Garbe — 1913. 8 — Itaqui — Rio
Grande do Sul — Garbe — 1914.
164 — Trachycorystes striatulus ( Steind.) —
Rio Doce — E. Santo — Garbe coil. 1906.
Já determinados. 4 idem Garbe — coll. —
1913. 9—B do Parahyba (S. João da
Barra ) — Garbe coll. 1911.
105 — Trachycorystes porosus Eigenm. & Ei-
genm. 2 — Caceres — Garbe coll. 1917.
166 — Pseudocetopsis gobrordes ( Kner. ) 2 (Ma-
cho) — Rio Sapucahy — Minas Geraes —
Pouso Alegre. 1 ( femea, 11 centimetros )
Piracicaba — 1896. (Ja determinado ).
167 — Bunocephalus gronovi Bleeker. 2 — Ca-
ceres — Matto-Grosso — Coll. — Garbe —
1914.
Ceratocheilus, gen. nov.
Descripto no artigo anterior
168 — Ceratocheilos osteomystax, esp. nov.
descripta no artigo anterior.
169 — Pseudagenerosus brevifiles ( Cuv. & Val.)
2 exemplares, Itaqui — Rio Grande do Sul.
Coll. — Garbe — 1914.
170 — Ageneiosus valencrennesi Bleeker 5 —
Itaqui — Rio Grande do Sul. 2 em ex-
posição.
LEIACANTHI
174 — Gumnotus carapo L. 1 — Ilha de São
Sebastiäo — 1906. 1 — sem procedencia. 1
Itaqui, Rio Grande de Sul. 5 — Villa Olym-
pia — Garbe 1903, determinados. 1 — sem
procedencia. 2— Bahia (753). 8 — Rio
Doce — E. Santo. 4— de S. João da Bar-
ra — Garbe 191%. 6 da Ilha de S. Sebas-
tão — F. Günther. 2— de Itanhaem —
Parana-Mirim, Adam coll.
172 — Slernopygus macrurus (Bl. & Schn.) 8
— Rio 8. Francisco — Bahia — Garbe —
1908 (determinado Gymnolus çarapo L.)
4 — Piracicaba (det. Sternarchus brasi-
liensis ). 2 — Boa Vista Schwanda — Ma-
ranhão (determinados Gyimnotus aequila-
bratus nigriceps R. Ther.) 2 — Rio São
Francisco — Garbe — 1912.
173 — Eigenmannia virescens, ( Valenciennes )
30 — Bahia — Cid. da Barra — Garbe —
1943. 4— sem procedencia. 6 — Taubaté
— jà determinados. 1 — sem procedencia
— idem. 2— S, Francisco — Garbo. 1 —
sem procedencia. 4 — Juruá — Garbe 1912
(determinado Sternopygus sp. juv. ?}. 1
— Rio Grande — França — EA coll. 1
— Rio Tieté — S. Paulo. 1 — Itapetiningà
— 8. Paulo 11 — Rio Tietê — 1918. 24
— (n. 794) S Francisco — Bahia — Gar-
be — 1915. 3 — de Ipanema, ja determi-
nados. 2 de Piracicaba. 10 — do Rio Tie-
tê, determinados. 3 — de Itaqui Rio Gran-
do Sal 27 — Rio S. Francisco — Garbe
1913. 9 — Cachoerra — S. Paulo — Garbe
1909 4 — Emas de Pirassununga — R.
lhering coll. 1 — Salto do Pirassununga
— Rio Mogy-Guassi — 1908, 1 — Rio Sa-
pucahy — Minas Geraes.
174 — Sternarchus brasiliensis, Reinhardt. 1 —
Salto do Pirassununga — Rio Mogy-Guas-
si 1908 1.
175 — Orthosternarchus tamanduä ( Boul.) 1
— Rio Jarua — Garbe — coll. 1909.
i ee.
esas ne fi
- i ae aaa
4 re a E = == Figo = =
£ + aa dr >
MTS SOBRE UMA VISITA
ih ACAMPAMENTOS DE INDOS CAINGANGS
ie
FR
a UPS (à 4 a
r Mi j + aro
“ : À des re
= v ) va ¥ ras | ? oe :
DE ANS RER: 1 PER
EA E TE SR lg TN nn; à :
: ‘ E 7. VAL AS eth igh iS ga! rts )
e à | À. o!
E = 4 J É
i, a Ve y Tm * + ] q
$ { hi = a ” 2 | 4 k
E à i We . | :
+ o bly * (= i | À Sree Fa A4
» : e = a » - { 3 Ê em Ve ad ky e es
"Ati > Jen e Ag) RS À LUS
+ ~ ir DIAS) Li ee
> Pt Cn fo ih | =. p Ed ih dant Fes
‘ » k À AT
PET Cr L E Nor o ‘ Ae
o sa 4 4 | 5
' man rt uae à
RTE
- 4 Fi De
po F ee Pie
a be + WA : À -
| + à > + + le
+
4 e R E
LA
; - t
4 . a
= -
|
mn
dy E
a),
4 +
+ +
++ f
TR Ye h
És e
2112 :
\ Wh hd
.- uae
A à - q a
PRA À
' Sindy, oat ip
pa A
bak 4 nd À
4 be UK
7 1 “ ‘ 7k
+ “a i
tare tae
,
poa
\ ne:
RR no 1
L +
à 1
. z ou
sr 2
L al te
‘ re
P
. .
«£ “ f +.
-
o "ae
” à
' ‘+
,
> = + 8
é
La! -
Notas sobre uma visita a acampamentos de
Indios Caingangs
Dr. Geraldo H. de Paula Souza
Aconteceu em dias de Julho de 1916, lembra-
rem-se amigos nossos, de fazerem um passeio às
terras situadas entre os rios do Peixe e Feio, de
propriedade do Sr. Senador Luiz Piza. Pela curio-
sidade natural de visitar uma zona ainda pouco ex-
plorada e a attracção da excellente companhia, nos
fez seguir Noroeste afóra, até Pennapolis (226 k.
além de Bauru), os irmãos Piza, o Dr. Rivadavia
de Barros e o autor destas linhas.
Ver um indigena em carne e osso, ou mais
propriamente em pello e nada mais, se nos afigu-
rava expectaculo a experimentar, de cujo sabor não
tinhamos a idéa perfeita. Sabiamos ainda, que a
benemerita e patriotica acção protectora dos abori-
genes, sob a direcção de Rondon, já havia instal-
lado seu quartel ahi e era mais a opportunidade de
observar o seu proceder, que se nos apresentava agora.
Passimos apenas alguns dias. no convivio da
missão a cargo do Dr. Horta Barbosa e em contacto
com os indigenas. Foi, entretanto, o bastante para
nos convencermos da viabilidade do estabelecimento
de relações humanas e amistosas com esses primi-
tivos donos da nossa terra, fazendo ruir por terra
a lembrança ponco generosa, de alguem de res-
ponsabilidade, que em tempos, nesta mesma revista,
apregoara a necessidade de se exterminar à rifle, o
mal defendido Caingang.
> TAO
Aquillo que um amador, simplesmente, poude
colher, em tao pouco tempo, das ferias que tomou,
é o que a captivante amabilidade do nosso amigo
Dr. A. d'Escragnolle Taunay, achou que deveriamos
trazer a lume, nas eruditas columnas desta Publi-
cação e que despret nciosamente e até com certo
acanhamento passamos a relatar. São apenas al-
gumas notas dessa viagem, na qual gastâmos, ao
todo cerca de uma semana, com uma permanencia
de quatro dias, entre os Caingangs.
Vivem esses indios, no nosso Estado, na zona
comprehendida entre a margem esquerda do Tietê
e do Paranapanema. Grupos ha, que vivem no Es-
tado do Paraná. Toda essa zona é riquissima em
bellissimas mattas, onde o « pan d'alho » abunda em
tal quantidade que chega para perfumar todo o
ambiente. Com a afiluencia de lavradores, grande
numero de novas plantações tem substituido a matta
virgem, reduzindo o terreno occupado primitiva-
mente pelos aborigenes.
Visitâmos dous acampamentos de selvicolas, di-
rigidos pela commissão de protecção. O primeiro
a cerca de 30 k. de Pennapolis, aquem do Feio e
o segundo a cerca de 64 k. da mesma localidade,
entre os rios Feio e Peixe. Ambos acampamentos
estão situados em clareiras na densa matta da re-
giao. Algumas casas, construidas de troncos de co-
queiro e folhas de zinco, abrigam o pessoal da Com-
missão. Vivem os indios em palhoças toscas, con-
struidas pelos mesmos, à moda antiga. Umas, simples
paraventos inclinados, feitos de alguus páus fincados
ao solo, recobertos por folhagens; outras, de dous
lances, em forma de telhado. Como dormem dire-
ctamente sobre o solo, às vezes apenas por sobre
alguma folha de palmeira, não se veem redes nas
suas habitações. Em algumas, um pequenino cer-
cado onde collocam animaes vivos, e sempre um
pequeno brazeiro, quasi que completam o sobrio
apparelhamento da casa Quando dormem, dirigem
os indios, os pés para o brazeiro, para os aquecerem.
Quando visitamos em 1916 essa região, um
— 741 —
grande incendio lavrava na matta, serpenteando ao
sabor do vento, enchendo a atmosphera de densos
vapores, afugentardo caça e mosquitos. Em toda a
viagem, recordamo-nos termos encontrado, apenas
alguns lagartos e visto ao longe dous jacares, no rio
Feio. Mosquitos rarissimos, não nos foi possivel caçar
nenhum.
Reteriram nos que quando viajam, os indios ser-
vem-se por vezes de abrigos semelhantes, aos por
nós vistos, espalhados pela matta, e por outros aban-
donados; quando não os encontram, contentam-se
muito frequentemente em se deitarem em qualquer
ponto mais limpo do chão. Muitas vezes, como bens
escoteiros, pernoitam a sós, o que offerece occasião
de serem atacados por animaes ferozes. ‘Teem todos
um grande pavor da onça. por elles denominada
«mim» ou «amim». As casas, ou melhor, palho-
ças, ao cabo de certo tempo, ficam invadidas por pul-
gas e outros insectos incommodos. Não as limpam,
em geral, preferindo construir nova habitação ao lado,
ao mesmo tempo que destroem pelo fogo. a antiga.
Em 19.6, no primeiro acampamento, no lcatir,
existiam 64 indios, dos quaes 22 homens adultos,
14 menores e o restante mulheres; no segundo, no:
Piran, 31 indios, 12 homens, 13 mulheres e o res-
tante crianças. Outros indios habitavam um aldeia-
mento para os lados do rio do Peixe, aféra os que
viviam mesmo internados na matta. Note-se que
essa população não permanece fixa aos acampamen-
tos: a maioria dos indios, seja por nostalgia ou
por causa outra, vae a matta e volta della para os
aldeiamentos
Os utensis domesticos dos Caingangs, resu-
mem-se em algumas purungas, atadas com fibras de
cipó, onde guardam a agua, de que se servem; ou-
tras purungas partidas ao meio lhes servem de pá
ou colher para certos misteres. As mulheres fabri-
cam vasilhas de barro preto, de fórma lembrando
a do fructo de sapucaia, de diversos tamanhos e que
lhes servem de panellas. Usam de pinças de ma-
deira, feitas de um só pedaço, curvado ao fogo, com
mi
as quaes lidam no braseiro. Fabricam tecidos com
fibras de caragoatä e outras. Vimos cestos lindos,
tapetes, tangas, que usam muito longas, alguns des-
ses objectos com decorações rudimentares. Mostram
erande habilidade no fabrico de flechas, algumas
bem adornadas, revelando certo gosto artistico. São
estas feitas de brotos rectos de aroeira; a porção
que leva as pennas é de bambu atado com imbê
preto e branco. A côr preta é dada enterrando por
longo tempo o imbê no barro negro. As pontas
são geralmente de osso de macaco. Vimos entre-
tanto flexas terminadas por bola de madeira, usadas
para derrubar passaros com vida. Naquellas para-
gens, o mundano «luüulû da Pomerania», é substi-
tuido por grande cópia de passaros verdes, periqui-
tos, jandayas, maitacas e tirivas, micos, porcos do
matto, que fazem o encanto supremo dessa popula-
ção primitiva.
A vida elegante dessa gente exige ainda o com-
plemento de certos adórnos, sem os quaes até a
mais humilde mulher, desmereceria da filiação. pro-
vavel de Eva. São esses, geralmente collares, feitos
de sementes ou dentes de animaes. Modernamente
com o contacto com os brancos, arranjaram contas
com as quaes fazem os seus enfeites. Vimos um
collar, que media 92 centimetros de comprimento e
contava 210 dentes incisivos, perfeitos e iguaes, de
macaco, atados com imbê ennegrecido. A côr
branca, é a que mais os aträe. Cupri & sempre
chinuin, isto é, o branco é sempre bonito. O uso
da tanga é exclusivo da mulher. O homem usa
uma série de voltas de barbante de fibra de aba-
caxi, ao redor da cintura, que lhes serve para pen-
durar caças e provavelmente para segurar o mem-
bro viril. quando correm, ou quando se acha em
erecção.
O Caingang é um indio bonito, de estatura eleva-
da, muito maior que o guarany, geralmente musculo-
so. Sendo muito mais forte que qualquer dos nossos
companheiros, o que vimos, quando tentavamos ar-
mar o seu arco, derrubämol o assim como a outros no
Er a
"CR
yee
ME. GP ahs
jogo da quéda franceza, que, além de certa força,
parece-nos requer certa malicia que elles não pos-
suem. Em virtude dessa prova, cremos que fica-
ram suppondo termos superioridade muscular.
Segundo opinião que ouvimos do Dr. Horta
Barbosa, são, esses indios, dos mais intelligentes do
nosso Paiz, embora possuam rudimentar cultura.
Quer elle crer, que sejam oriundos da Argentina
(das Missões), chegando ao nosso Estado, vindos
atravéz do Paraná. Na sua opinião, teriam elles,
no ponto de origem, civilização menos imperfeita,
sendo que os que aqui vieram ter, como aventurei-
ros intrepidos, só trouxeram o indispensavel com-
sigo, perdendo de vista os elementos de conforto já
conhecidos.
Quanto à côr, acontece com esses indigenas, O
mesmo que com outros de tribus differentes : ha o
typo claro e o escuro No acampamento de Icatú
vimos um afamado indio branco, de tez clara e ca-
bellos louros que, apesar de francamente ser um
caso de albinismo, supportava regularmente a luz
do dia.
_Informaram-nos ter pertencido ao grupo que
em tempos, trucidou o monsenhor Claro Monteiro ;
não nos pareceu peor que os outros e é estimado
entre os seus companheiros.
Deve-se ao Visconde de Taunay o conhecimento
da denominação de Caingang, que significa — indio,
na lingua dessa nação, anteriormente conhecidos por
« Coroados », termo que lhes não apraz ouvir.
O trabalho do Visconde, publicado em 1888,
na Revista do Instituto Historico e Gevgraphico
Brasileiro, muito cheio de dados interessantes, serve
de descripção daquillo que vimos nos sertões pau-
listas, embora fossem observados no Paraná. Natu-
ralmente com o contacto com civilisados, e por não
terem linguagem escripta, tanto em relação à lin-
gua, como costumes, foram se modificando, branda-
mente.
Entre os divertimentos referidos por Taunay,
ha um combate simulado, com cacetes curtos, que
— 744 —
resulta em frequentes contusões, mais ou menos sé-
rias.
Tivemos, em uma noute de luar, occasião de
observar cousa semelhante. Um grupo de mulhe-
res e alguns meninos, faziam grande algazarra que,
impedindo nos de dormir, nos levou a observal-os.
Formaram dous partidos, dispostos frente a frente.
Um emissario de um dos grupos, aproximava-se
um do outro, até que em grande alarido, era per-
seguido pelo grupo contrario. Aos gritos e garga-
lhadas, em grande confusão, desferiam pancadas va-
lentes, com cascas de palmito, não respeitando seios,
nem rosto. Pareceu-nos notavel a indifferença com
que recebiam fortes golpes, nos seios. Após algu-
mas repetições analogas, de novo se foram deitar,
tendo os homens permanecido nas palhoças, sem
tomarem parte na brincadeira. Além de fortes, são
muito ageis, o que pudemos verificar ao vel-os su-
bir em coqueiros como não faria o melhor gym-
nasta.
Quando se permaneceu no acampamento dos
indios tem-se a impressão de que só a mulher tra-
balha. Isso, pela rasão muito simples, de conside-
rar a palhoça e suas immediações como a sua ha-
bitação e sendo todo o trabalho domestico attribui-
ção exclusiva feminina, só a mulher é vista em acti-
vidade. Julgam, parece-nos, desfavoravelmente, 9
homem que se atira a labores dessa ordem. Assim,
um de nós, quiz ajudar varias indias pillarem milho
e este facto, produziu grande hilaridade entre os
homens. Estes, pescam, caçam e guerreiam, cons-
troem as palhoças e fazem o fogo, que a mulher se
encarrega de conservar.
A caça é feita a arco e flecha. Quando querem
pegar passaros vivos, empregam um laço que atam
a paos e com os quaes derrubam maitacas. tirivas
etc.. apanhando-as em seguida com as mãos, tra-
zendo-as e conservando-as atados aos pés, junto a
suas palhoças.
E” curioso notar que a caça que faz um índio,
nao pôde ser comida pelo mesmo. assim como pelos
Mate ii
AP RATE
seus parentes mais proximos, com excepção de sua
mulker. : O indio caça para os outros e nunca para
si. Plantam milho e com este fazem diversos ali-
mentos, sendo os principaes uma especie de pão feito
com a farinha fermentada do milho e a sopa, de
farinha torrada.
O pão é feito segundo esta receita: amassam à
farinha azeda com agua, para o que enchem a bocca
e esborrifam a agua sobre a massa. Uma vez
homogenea a pasta, ccllocam-na, já mcldada, sobre
o brazeiro e cobrem-no todo com cinza. Quando
assado, o pão é retirado das cinzas e lavado, pelo
mesmo processo da « boca torneira ». O resultado
é o previsto, pão amargo. Sô empregam agua. por
intermedio da boca, atê mesmo para se lavarem as
mãos e conseguem regular o jacto como a melhor
torneira.
A sopa de milho torrado é feita lançando sobre
a farinha torrada agua já fervida, quente.
— A unica instituição, que nos pareceu bem
estabelecida é a da familia. Não reconhecem um
chefe supremo, cacique, como em outras tribus.
Acompanham em grupos, este ou aquelle indio mais
popular, porem, que não tem a força de verdadeiro
chefe. Não conhecem especialisações, como a do
pagé, ou padre medico; la, como entre quasi todos
os homens, cada qual tem um pouco de medico e
de louco. Não vimos nem o medico profissional
( page) nem o louco declarado.
A constituição da familia é muito curiosa. A
mulher destinada a um indio, se não quer acom-
panhal o é amarrada ao seu rancho até querer. Ao
contrario do que se observa entre certos povos asia-
ticos, 0 casamento co-sanguineo não é permittido.
Não se pódem casar primos irmãos. São polyga-
mos, sendo a bigamia bem commum Com o con-
tacto dos civilisados, muitas das. mulheres tentaram
induzir os seus maridos a terem só uma esposa,
porém, crêmos, não o conseguiram. Isso não im-
pede já ter havido uma tentativa de suicidio por
— 148 —
parte de uma india, apologista da monogamia, pro-
vavelmente por ter experimentado desgostos do ciume.
Quando nasce uma criança, logo é a mesma
classificada de certa fórma, ficando filiada a grupa-
mentos especiaes. Existem, parece, mais de seis
grupos diversos. Nunca um membro de um desses,
poderá se casar com outro, pertencente ao mesmo
grupo.
Grupamentos ha, que permittem o casamento
com individuos de todos os outros, assim como gru-
pos que só facultam o enlace matrimonial com in-
dividuos filiados a este, ou aquelle grupo. A base
dessa classificação, assim como a razão de ser desses
complicados usos, estão sendo estudados pelo Dr.
Horta Barboza, que foi quem nos relatou essas
minucias.
Vivem nas mattas do sertão paulista, varios
grupos de Caingangs, sempre hostilisando-se mutua-
mente, assim como a outras tribus dealém Parana-
panema. Embóra já possuam armas de fogo, que
manejam com perfeição, nos combates entre indige-
nas, so utilisam varapãos de guarantan, cortados na
hora do combate, de cerca de 3 a 4 metros de
comprimento. Tomam parte nos combates algumas
mulheres, além dos homens. Quando um dos homens
cae, ds pancadas de um adversario, as mulheres
intervêm, impedindo a continuação das bordoadas.
Durante a lucta os vencedores, muitas vezes se
apoderam de crianças dos adversarios e as levam
comsigo. Assim se explica a existencia de varios
«Otis» (Chavantes), raptados quando crianças e que
já se identificaram com os habitos caingangs.
Tivemos occasião de assistir à uma declaração
de guerra, entre dous grupos e que merece ser
descripta. O mais considerado de um grupo sobre
aleum toco de arvore, de braços cruzados, a uma
certa distancia do resto dos seus, brada em direcção
ao grupo inimigo ( que se acha muitas vezes a mais
de 30 k. do lugar ) uma serie de injurias, que se
traduzem mais ou menos em questões relativas ao
seu pouco gosto pelas mulheres, sua falta de viri-
ne 1 ba
lidade, sua pequena faculdade de procrear, etc.
Esperam, assim, que algum adversario as ouça e
vá levar ao campo contrario a relação das injurias.
Prova isso, que não só, conhecem e exercitam a
espionagem, como que ainda ha pouca probabili-
dade de em uma só vez, conseguirem a guerra.
Esta, uma vez declarada é levada a effeito lenta-
mente, segundo nos informaram, pois preparam pri-
meiramente. mantimentos necessarios às jornadas
que vão fazer. As mulheres, durante o discurso de
desafio, com gritos, augmentam o enthusiasmo do
orador. À
— Em relação à parte medica, observâmos o
que se segue. O Caingang é um pobre coitado,
atacado por muitos males, alguns dos quaes trazidos
pelos civilisados. Ao contrario do que se poderia
pensar, os seus recursos therapeuticos, são muito
rudimentares. Como já ficou dito, não conhecem
indio com a funcção de medico, pois não ha o pagé
de outras tribus.
A maleita tem feito grande mortandade entre
essas miseras creaturas, e quando lhes assalta a
febre, recorrem naturalmente à agua fria. Palpämos
baços de varios indios. porém não sendo as nossas
observações, em numero sufficiente, preferimos não dar
relação entre palpaveis e não palpaveis. Citaremos
apenas, que. mesmo entre adultos, encontrámos es-
plenomegalia. Assim no indio Giz, de cerca de 50
annos, encontramos o baço a 5 dedos abaixo do re-
berdo costal; no indio Gozgiz de cerca de 40 annos,
percebemol-o palpavel; aindia Gulchéré ( Oti- cha-
rante) de cerca de 22 annos, com baço palpavel ;
Peréne mulher de 18 annos, com baço palpavel ;
Gueig, homem de 35 annos, com baço 6 dedos
abaixo do rebordo costal. Como se vê, um certo nu-
mero de adultos com esplenomegalia. Isso nos induz
a crer, ser a maleita do lugar, relativamente recente,
entre esses indios, pois se assim não fora, essa re-
acção esplenica teria apparecido na infancia desses
individuos, que hoje, já deveriam ter adquirido uma
certa immunidade. Retirâmos sangue de vários in-
ore | iar
dios, porém, infelismente, perdemes muitas laminas: ~
Nas laminas salvas, encontrámos fórmas em anne
de terçã, no sangue do indio Vauvin. Notemos que
muito indio tem morrido de malaria, nestes ultimos
annos.
A papeira é relativamente commum entre os
Caingangs. Entretanto, não parece que se relacione
com a molestia de Chagas. A determinação da ori-
gem dessa papeira, é um interessante problema que
resolver. Procuramos e indaguamos dos camaradas
da « Com missãod e Protecção », se conheciam o « bar-
beiro », « baratão » transimissor da molestia. foram
todos unanimes em afirmar não existir ahi. Aliás,
as cabanas dos indigenas, seriam mãos meios para
abrigar esses insectos, já pela sua extrema simpli-
cidade, já por serem immediatamente queimadas,
quando atacadas por insectos.
Alem disso, fizemos injecção de sangue do pa-
pudo Goigri (4.º injectados em um gato branco,
animal que conseguimos obter em Pennapolis ), sem
resultado.
Repetimos essa experiencia, com q.“ de sangue
da india papada Tcheik ( chavante-oti ), em um gato
escuro. Tambem nesse caso não conseguimos encontrar
typanosomas no sangue. Sabemos perfeitamente, que
isso não seria o sufliciente para provar a inexistencia
da molestia de Chagas, já pelo pequeno numero de
experiencias feitas, já pelas dificuldades da technica
que não podiam ser resolvidas em um passeio, mais
que excursão scientifica, sem a ajuda de profissionaes
e com dificuldades de transporte, não pequenas. Damos
em seguida a lista dos indios que apresentavam bocio.
No primeiro acampamento :
Gri. Homem, de cerca de 50 annos. Pescoço
de 60 cent. de circumferencia. Papo bilobado, com
mais desenvolvimento para o lado direito.
Esse mesmo indio que tambem é maleitoso tendo
ja accessos febris, na occasião, estava com 37.°, C.
de temperatura, pulso fraco, regular 1(4 por mi-
nuto. O seu baço descia 5 dedos, abaixo do rebordo
costal.
one De «
Ea wa
. o"
RP PI
Goigri. Homem de cerca de 40 annos. Pes-
coço de 42 cent. de diametro; bocio predominando
para o lado direito.
Vauvin (chefe de grupo). Apresentava bocio
com uma cicatriz. Referem os empregados da
« Commissão » que tempos atraz, esse bocio ex-
pontaneamente suprrou, diminuindo entdo de vo-
lume. Registramos esse facto, sem comentarios, por
lhe não termos achado explicação plausivel.
Nocangur. Homem de cerca de 45 annos. Apre-
sentava bocio pequeno, collocado muito alto. Esse
mesmo indio, que tambem é maleitoso, tinha o baço
15 centimetros abaixo do rebordo costal.
Tchaik (chavarte-oti). Mulher, de cerca de
30 annos, apresentava grande bocio. O sangue
dessa india, injectâmos em gato, sem resultado.
No segundo acampamento vimos :
Gueig. Homem, de cerca de 35 annos, tambem
papudo. Accumulava ainda as funcçôes de maleitoso
e o seu baço extendia-se atê 6 dedos abaixo do re-
bordo costal. Era de notar o seu pulso, apenas de
60 por minuto.
Vapin. Homem, de cerca de 30 anros, com
- bocio.
Nhencrii Homem, de cerca de 20 annos
tambem com bocio.
Requencri. Indio de 38 annos, com papeira
datando de cerca de um anno, segundo informes do
pessoal da « Commissäo ». Homem muito sympa-
thico extraordinariamente activo, trabalhador.
Do exposto, se vê, que sobre os 95 indios dos
dois acampamentos, encontramos 9 com hyperthophia
da thyroide.
Essas notas, aqui ficam para orientar, a quem me-
lhor queira se interessar pelo assumpto.
— À influenza e o defluxo de nariz, entre os
indigenas de São Paulo, como entre os do Ama-
zonas, segundo diz Rondon, tem um caracter de es-
pecial gravidade, Quando visitâmos esses coitados,
era notavel o numero de atacados de tosse pertinaz
acompanhada de dôres de cabeça, fobre e abati-
mento geral.
Não encontrámos vestigios de leishmanioses
(ulcera do Baurú), entre os aborigenes, apesar
desses indios viverem no matto, que parece favore-
cer a acquisição dessa infecção, segundo opinião já
emittida por Brumpt e Pedroso em 1913 e confir-
mada pela communicação verbal que nos fez o col-
lega Dr. Urbano Telles de Menezes que teve occa-
sido de tratar de muitos portadores de ulcera em
« Calmon » notando que só a adquiriam aquelles que
dormiam no matto, nunca acontecendo infectar-se
trabalhador que dormisse no campo.
Aliás o mesmo facto da inexistencia dessa mo -
lestia entre indigenas de Matto Grosso, já foi rela-
tado pelo Dr. Roquette Pinto.
No segundo acampamento encontrámos, umuni-
co individuo, com essa molestia, éra o camarada
Paulo Ribeiro, de 20 annos e que apresentava ulcera
de cerca de 3 centimetros de diametro, no antebra-
co direito. Diz elle, tel-a apanhado, quando em
Pennapolis, anteriormente a sua ida para o acampa-
mento
— Em relação ao parto, não obtivemos na oc-
casião dados precisos. — Estes são encontrados na
publicação do Visconde de Taunay, segundo vimos
após.
E’ nutavel o pequenc numero de crianças en-
tre os indios que conhecemos.
A syphilis assim como a gonorrhéa, não faz
parte das molestias existentes entre esses selvicolas,
devido provavelmente ao comportamento exemplar
do pessoal da commissão, e ainda por não se obser-
var, como entre os Guaranys, de perto de Bauru,
a prostituição.
— Toda a therapeutica, limita-se à pratica de
massagens, sargrias, amarraduras 2 banhos frios con-
tra febres.
As massagens são feitas geralmente com os
pes. O doente, uma vez deitado é pizado com cau-
E nae
tella pelo operador, até que este encontre o limite infe-
rior das costellas, momento em que pisa com força
chegando mesmo a sapatear sobre o pobre ventre
do paciente, produzindo essa pratica, por vezes, até
syncopes. Usam esfregar, antes da massagem, um
pô, de raspagem de cascas aromaticas, entre outras
da planta denominada vulgarmente « Maria Preta ».
Dizem elles, esse pô determinar assaduras. Fazem
tambem massagens, por meio de um pedaço de
pau de canella, arredondada, da forma de um
sabonete.
As sangrias feitas nas pontos doloridos, são
largamente applicadas. Procedem-nas por meio de
pedrinhas ponteagudas, (silex etc.,) Hoje em dia,
preferem cacos de vidro. As sangrias são feitas,
em fórma de series de perfurações, não fazendo largas
incisões. |
Outro recurso é a amarradura da cabeça, bra-
ços, dedos, etc, com fibras de caragõatá ou imbé.
Ainda contra dores de cabeça, informaram-nos
do uso de certas folhas aquecidas, que amarram à
testa. Nas feridas, applicam um pó, de cascas quei-
madas de jaborandy.
Contra as mordeduras de cobras, procedem de
forma bem diversa, da aconselhada por Vital Brasil.
Em um estrado inclinado e bastante alto, col-
locam a victima. Um brazeiro por baixo. Ao pa-
ciente dão de beber só agua bem quente, emquanto
regam a ferida com agua tambem aquecida. Ge-
ralmente ao cabo de certo tempo, o paciente vomita.
Referem alguns camaradas da Commissäo, que até
por vezes liquidos com sangue. Esse tratamento é
continuado até julgarem o paciente fora de perigo,
ou que haja o mesmo morrido.
— À linguistica não sendo o nosse forte, dei-
xaremos aqui, tão sómente, consignados alguns voca-
bulos, colhidos no breve convivio entre os Caingan-
gs, vocabulos fornecidos alguns por camaradas, ou-
tros pelo intrepido moço Sr. Augusto de Avellar,
interprete da Commissäo de Protecção aos In-
dios, todos entretanto, por nós verificados, como
verdadeiros. pois com elles, nos fizemos entender, dos
aborigenes. Pareceu-nos ser pobre a lingua Cain-
gang Pobre e primitiva. Os verbos são usados
no infinito, modificados por certas particulas exis-
tentes.
O son 'l,, não usam, sendo que o 'r,, de inicio
das palavras é molle, dando motivo a confusão com
o ‘1, Existe um som semelhante ao 'ch,, allemão
e outro correspondente ao “u,, inglez. na palavra
« bug. »
Contam até o numero trez. O Visconde de
Taunay, dá no seu vocabulario palavras que desi-
gnam até o numero oito.
Numeros elevados, representam pela palavra
«E» que significa, muito. Como têm boa memoria,
quando desejam se referir a numeros superiores a
trez, passam a descrever as particularidades notadas
em cada unidade.
Assim, um grupo de homens, é descripto, ci-
tando o indio, os caracteristicos de cada um; desta
forma os outros, avaliam a quantidade.
Palavras ha, que servem para indicar cousas
diversas. Assim «rangrè » exprime o numero
« dous »,e «Irmão » ao mesmo tempo; «cai ken», é
tanto «primo», como «amigo» e o que é bem
curioso, «gá» quer dizer «terra» e «piolho »,
talvez pela semelhança do animaliculo, com os grãos
de areia. Este ultimo exemplo, faz lembrar, a defi-
nição dada por um humorista francez, à pulga, como
sendo «um grain de tabac à ressort»; pelo menos,
obedece ao mesmo raciocinio. — O idioma Caingang
soffre evoluções e algumas, muito pittorescas. Para
« sapato », fizeram a palavra nova, « pentorá » que
significa « pé que não dôe », para « trem », arranja-
ram «geritan pin » ou seja, «lagarto de fogo » ou
ainda « grande corrida de fogo ».
Revolver é «dô-tchôro » ou flexa curta; « co-
bertor » é «curucutchon » ou « panno vermelho » ;
« soldado » (só conheceram os do exercito de kepi
—— RR et
SS eee D.
7
ree 27
vermelho) é « crin-cutchon » ou « cabeça vermelha ».
Relogio é « ren-tchin » ou seja «pequeno sol». Nota-
mos que não se satisfaziam com a nossa a pronun-
cia, sendo sob esse ponto, ainda mais exigentes do
que os inglezes. Apenas o interprete, Sr. Augusto
de Avellar, conseguia fallar a seu contento.
Eis a lista de vocabulos, trazidos de la e que
foi arranjado, não tendo nós, conhecimento da exis-
tencia de outros vocabularios.
Damos comparativamente os vocabulos publica-
dos pelo Visconde de Taunay.
Os vocabulos, sem correspondentes de Taunay,
são os que não figuram no seu vocabulario.
NOVO VOCABULABIO VOCABULÁRIO TAUNAY
A A
agua — goió goló
aqui — taki
alli = erenki
amigo — cai-ken
arco — vu-iê veié, guia, ueié
B B
beber — «e crônia » . acrôn
bigode ienkiglina
ou = «jovén» ou <iovén»
barba joé
botina — pentora
biscouto ( pão ) = iamim
braço — iopén
hipén ou hijén
branco = cupri cópri
boca — nhent-ké ienké
Cc Cc
cabello — enhen inhan
cabeça — crin crin
calças — fua danengoró
caitetu — cog-tché oxixa
caminho = iamine empri-hâne
cantar — capôt taintan
cavallo =: man-bug (esse bug,
pronuncia-se a inglaza )
ee Ae ET
cesto — cannên
coati — tché
cotia = cui-tchôg quixo
coqueiro — tem (ou taim ) tatefea
comer = côia coon
cortar = kip crê
correr = tchäimuie tamtanhé.
chorar — vuan
cobertor — curucutchon
cobra — pane
corpo = ra
tuang tong
collar == nhent-cá ianea
D D
dar — muni
dente — inhén nha
depois — cara ou onte-hin
descer — cantarê tirera
doente — canga
dormir — nôro
( doença ) = cangate
dorônä
dois — rangré reugre
d'onde vem ? — ren-tê-cantin
dizer — manké haké
dedo — nigué-véia inhenguefaé
E E
eu = ig i ou uin
elle — ti : fa ou fag
elle fallou — ti manké
estrella = crina
esposa = pron
espingarda ( flexa ) — dû
extrangeiro = fóg
erin
( esposo ) — pron
bocá
F F
faca — cufé kifé
farinha torrada — med-furo metefu
fazer — rane
feijão — rangrô rongro
feio == corague ou coregue
fibra (de abacaxi) anhurú ,
fogo = pin pin
G G
pm Mg a A
grande — bug ( pronuncia-se à
ingleza ) bangue, bane, be ou beu
—_ OEE EEE
ie
= ee
or SPO sae
homem — gré
igual — riké
ir — tine
ir junto — imbre-tine
irara — kengren
irmão — rangrê
inhambú — dé
J
jacu = co-hé
jacutinga — pei
jaguatirica — grud
jaho = popô-curo
junto — imbré
L
laço (para passaros ) — vêvê-
cupri
lavar — cupeia
longe — vá
lua — cuitchen ou cuitché
M
machado — begue
macaco — canhêre ou canhene
macuo — ud A
mio — mingué
matto — ven
mandar — curi-manké
maracanã — gnand-gnang
mel — man
menino sinho == curon-tchin
moço = tiai-ô
molhar — iapurã
muito — ê
muito perto — cá-có-tchin
muito longe — có-va-rangue-
cama
N
não — map-tio ou ton
não tem mais == ton
ongré, pahy
tinhra
inhan-hê
pei
pein
grim
cupeia
corangue
kicha
ben
caleré
ud
ininguê
cá, cacant, uäine
kentekére
mang
(menino ) = pauin
kerón
( molhado ) = timbereré
ititi
ton
— 756 —
não saber — canharó-ton
nariz — ninhé
noite = cutê
noiva = pron-ia-kê
o
Olhos = cané
onça — min, amin ou chok-pré
o que é isso ? —-dên-nau-é
P
Pae — iog
pae branco — iog - cupri = (Dr.
Horta Barbosa )
panella = cucrôn
panno = curo ou curt
paca = eriran
palmito —-tanhune
pau d'alho = ken - co - cré
pé = pên
pequeno = tchin
perna = 0a
pedra = pot
peroba — tché
picadão — iaprú
piolho — ga
pomba — pencain
porco do matto — crug
primo = caiken
Q
quantos são ? — cag - rangué
que disse elle ? — reng -i- dê -
tin ou ké-dé-té
quem é? = onaué
quente — ra
R
réde — iaqué
relogio = rên - tchin
resina — tiren (serve para es-
fregar no rosto)
rir == vendiu
roça — iapan
rio grande — goio - bug
rio pequeno == goio tchin
iminhé
cuté
cocró
curú
cocamé
( palmeira ) = tain.
ipen
xin
idjua
po
penoa
enga
pentecoin
crana
iregre
aränhenguet
R
ténia
vendéra
ipan
goio bane
golo — xin
a
mei) É
revolver — dô — tehôro
roubar — péiú
rosto — cakén, iamé ou iané
Ss
saber — canharó
sabia — gonó - ven
sim — an
soldado — erin - cutchôn
sol — ren
sopa — medfuro
sorvete
(doce frio) — man - cutcha
subir = manprú ou toprú
T
tatu — rin - cô
tanga — pé - vin - tchin
teriva — coioi
terra — ga
trabalhar — ren - ren
tres — teng - tong
tu — e - êm
U
um = pirê
urú — put — pure
V
Va buscar—curi - cangu - mira
Veado — kembé
Venha cá — curo - cantin
Vento — corrut
Vir — cantin
TRE =
/
gonoan
ondtu
ara
tamprira
fenin
aranha - ranha
taeton
ha
pire
pepeêre
V
ueetin
cambé
cotingra
cancá
Como se vê, ha differenças entre o vocabulario orga-
nizado pelo Visconde de Taunay, para os Caingangs do Pa-
raná, em 1881 e o que reunimos e verificamos servir para
os mesmos indios de S. Paulo em 1916.
Seguem-se alguns nomes de indios :
Do 1.º acampamento :
Gri — homem de
Goigri » »
Gavanha » >
cerca de 50 annos
> » AO >
> 20120 »
ae ge
Nocangui homem de cerca de 45 annos
Uumbri » » > » 60 »
Vauvin » » BE age
Norengui, menino de » » 12 »
Lagui, '» >» Di 12) »
Voai menina >» » Je »
Leunhegã mulher » » » 30 »
Tehaik » » » » 30 »
( Chavante — Oti)
Do 2.º acampamento :
Requencri — homem de cerca de 38 annos
Vapin » » > hes »
Gueig > > » DU LE >
Nhencri » » » » 20 »
Cutchéve > DU ie a » "92 »
( Chavante — Oti )
Nivura, mulher 2-11, 254
Paréné any > » » 18 »
Ainda encontramos uma mulher com o nome de Naz?
entre outras mais, cujos nomes perdemos.
Terminando, deixamos aqui os nossos agrade-
cimentos aos irmãos Piza, pela gentileza do convite
que nos fez e pelo bom trato que nos proporcionou
em suas terras, bem como ao diligente Sr. José
Candido, Sr. Augusto Avellar e outros membros da
Commissäo de Protecção aos indios, dirigidos pelo
Exmo. Sr. Dr. Horta Barbosa, que não estando nos
acampamentos, durante o tempo que lá permanece-
mos quiz ter a bondade de nos fornecer varios dados
a respeito dos Caingangs. As photographias que
ilustram esta contribuição, foram-nos cedidas gen-
tilmente pelo sr. Rivadavia de Barros, nosso ama-
vel companheiro de excursão.
Ao leitor pedimos, que não veja, nestas notas
mais do que uma pequena contribuição de um cu-
rioso em viagem de recreio, sem os recursos de
conhecimentos especiaes e na parte medica, sem ma-
terial necessario e auxilio technico regular.
a
ee nn ta RN a ay cio eee pt a mm it em
o
PR as O LR
#
SEADE
Uma das bellezas da tribu. No fundo pode-se ver um abrigo de indios,
coberto de folhas de palmeiras,
Meninas, com tangas de tecido de ¢aragoata.
— impaludadas —
ALL ye we
i '
5
LE
AA ; é ‘ 1
av) | r t
ST nd
i : +
4 ‘ i
j e
E J y
é I"
\
t «
,
\
; 7
“ ñ
hi { .
. À
hod |
|] hd bo .
iy À ;
"
e
Indiasinha e menino sentados ao lado de uma das casas da
“Commissão de Protecção aos indios”.
NP ED I De Le AOF O DE “ ‘.
À ’ n |
. - A
É 1. 5
a . E
4
M 4
o
1
+
[a
,
|
\
o
A
; .
«
E
E 1 - 4 ER “
! a 2 E | |
i !
i 1 J FL «
à = E. . e
i My
$ be * af . > 4
i 1 E + 4 =
} É .
’ o
:
' 4 q p
{ 1
: +
. 7 4
, \
à . 1: 2 +
E A À
Ca! A vi t
+ has À 2 ;
net a o! .
1,5 ;
#
A {
rep" + ”
os . hd : »
“ru
i ‘ '
‘ +
7 4 È
> + J bu .
p< ys -
DT E 4)
ote Bae ut
India com tanga, como vivem geralmente,
o
10 € O cesto.
~
+
«
Notar o pil
is pilando milho.
Ind
ef
A =. :
SA yet créé. nt A
pa a
Dous indios papudos.
O da direita está com a cabeça baixa, não deixando ver
perfeitamente o bocio.
LISTA DOS PEIXES BRAZILEIROS
LAN 5 Ye pan Eid
Museu Paulista
(3.4 PARTE)
POR
ALIPIO DE MIRANDA RIBEIRO
a
pes
A
EPA
x
*
+
1]
.
a
É
À es
4.
3
|
?
.
Er
© so
PRE
….
¥
“uy
%
+
À
a
4
=
+
+
-
s
E
et
LA
Rio, 11 de Maio de 19/8.
DR. AFFONSO D’E. TAUNAY.
Mando-lhe a terceira parte da lista de peixes do MU-
SEU PAULISTA, que lhe entreguei a 25 de Abril ultimo.
Precede a segunda, que tem muita materia nova, para
não atrazar o seu expediente,
Encontrei d'esta vez, dous generos e tres especies novas
que, conforme fbi do seu parecer, poderão ser tratados em
separado.
Mui attentamente
ALIPIO DE MIRANDA RIBEIRO.
Alipio de Miranda Ribeiro
LISTA DOS. PERES BRASILEIROS DO MUSEU: PAULISTA
3° PARTE
Eleutherob ranchii
ASPIROPHORI
Physocisti
1 — Tylosurus marinus ( Walb.) 1 — San-
tos determinado — Rio. 2 em exposição,
sem procedencia. 1 — Santos (empalhado )
n. 062.
2 — Hemirhamphus brasiliensis (L)1—
Ilha Grande E. do Rio.
3 — Hyporhamphus unfasciatus (Ranz. ) 5
— determinados no Ric de Janeiro.
4 — Cijpsilurus heterurus ( Raf.) 1—em
exposição e sem procedencia.
9 — Mugil lisa (Cuv. & Val). 1 — Santos
— determinado como M. platanus. 1 —
Mercado de Monstevidéo, Bicego — 1897.
1 — Ilha Grande — Rio de Janeiro —
Garbe coll. 1905.
6 — Mugil curema (Guv. & Val.) 2 — San-
tos — deter ninados como M. brasiliensis.
1 em alcool, em exposição — Santos.
7 — Mugil cephalus L. 1 — Mercado de Mon-
tevidéo — Bicego coll. 1897. 1 idem. 2
idem. 1 empalhado, Santos (mn. 565). 1
idem (564). 1 — idem (566).
8 — Pseudothyrina thering: Mir. Ribo 1 —
Mercado de Motevidéo — Bicego — 1897.
9 — Menidia brasiliensis (Cuv. & Val.) 17 —
Macahé — E. do Rio — Garbe — 1912.
10 — Fistularia tabacaria L. 2 — Ilha de S.
Sebastião — Garbe — 1915.
41 — Doryrhamphus lineatus ( Val.) Kaup.
7 —llha de S. Sebastião (em exposição ).
10 (n. 862) — S. João da Barra — E. do
Rio de Janeiro.
12 — Hippocampus punctulatus ( Guich. ) 1
— Rio de Janeiro — 1896, já determi-
nade. 1 — S. Sebastião. 2 do Rio de Ja-
neiro — determinados. 1 (n.825)— Ilha
de S. Sebastião — Garbe 1915. 1 — Rio
de Janeiro, Bicego — 1895. 1 em expo-
sição e sem procedencia. 2 Rio Negro —
Dr. J. Bach leg. — 1906.
13 — Sphyræna picudilla ( Poey) 1 — Mer-
cado de S. Paulo. 1 — Santos. 1 — em-
palhado, em exposição e sem numero. 2
idem (ns. 485 e 226).
14 — Polydactylus vurgincus (L.) 1 — Em-
palhado em exposição. Santos. 3 —S.
João da Barra — E. do Rio.
15 — Cheilodipterus saltator (L.) (mn. 870
—det. no Rio de Janeiro ) Santos. 3 sec-
cos em exposição (ns. 259, 270 e 281)
Jiha Victoria. 1 — Santos. 2 — Montevidéo.
16 — Trichiurus lepturus L. (n. 766.º) —
Santos det. Rio. 1 em exposição. 1— São
João da Barra — Garbe — 1911. 1 sem
procedencia.
17 — Oligoplitis saliens ( Bl.) 2 empalhados,
em exposição (ns. 558 e 556) Santos. 1
— llha Grande. 3—S. João da Barra —
Garbe — 1911. 2 — Ilha de S. Sebastião.
18 — Oligoplitis saurus (Bl & Schn.) 2
idem (ns.389— Ilha Victoria e 366) — Ilha
de SãoSebastião. 1 idem 557 — Santos.
19 — Trachinotus carolinus (Gml.) 1 em-
palhado, n. 127. Ilha Victoria. 1 (n. 546)
de Santos. (i já determinado ).
20 — Chloroscombros chrysurus \ L.) 4—Uba-
tuba — Garbe, 1905. 4—E. do Rio de
Janeiro 1896. 95 idem. 3 — Santos.
2! — Selene vomer (L.) 1—TIlba Victoria
(ja determinado). 11 — S. João da Barra,
Rio® Parahyba — Garbe 1911. 4 — San-
tos. 1 — Ubatuba — Garbe — 1905. 7
— Rio de Janeiro.
22 — Vomer setipinnis ( Mitchil) 4 — Uba-
tuba — Garbe Coll. — 1 — Pelotas — Coll.
Ihering.
23 — Caranx chrysus ( Mitchill) 3 (ns. 288
e 37Y e outro sem numero ) Ilha Victoria.
1 (0,86 —n. 278) mesma procedencia,
ja determinado
24 — Caranx lugubris (Poey) 2 — Santos
(nome vulgar Carapóca ) n. 105). 1 —
Porto Rico.
25 — Caranx hippus (L.) — Santos. 1 —
Santos... 2 idem.
25 — T, achinotus falcatus (L.) —Ja determi-
nada como tal ( n. 547 ) offerece as seguintes
differenças : Cabeça 4e 1/3; altura 2 ; ma-
_ xillares 3 e 1/2 na cabeça; aculeos dorsaes
fracos ; ventraes 1/3 das peitoraes, occu-
pando o 1.º terço da distancia que as se-
para dos aculeos pre-nasaes, ou pouco
maiores que um diametro orbitario, 4 vezes
na cabeça. 1,6bos caudaes 1/3 do corpo.
Lóbo dcrsal 3 e 3/4, egualando o compri-
mento que vae da ponta do focinho 4s
peitoraes ; anal 1/6 do corpo e 1 e 1/2 na'
cabeça; linha lateral muito pouco elevada
Nome vulgar Sunamby suará — 1lha de
São Sebastião. D. VI + 20, A. Il + 18.
0,"67. 1 joven — São Sebastião. 1 — Rio
Grande do Sul — Coll. Ihering.
27 — Trachynotus glaucus ( Bl.) 1— Ilha dos
Buzios Coll. F. Günther — 1906. 2 —
Ilha Grande — Garbe 1905. |
28 — Trachynotus carolinus (Gml) 2 — São
João da Barra — Garbe 1911.
29 — Trachurops crumenophthalmus (Bl) 1 do
Rio de Janeiro — 1896; 3 — Ilha Grande —
Rio de Janeiro — Garbe — 1905. 5 — Ilha
Victoria — Giinther — 1907. 1 — Rio de
Janeiro.
30 — Carangops amblyrhynchus (Guv. & Val.)
2 — Santos.
31 — Seriola talandi (Cuv. & Val.) — 1
exemplar empalhado — Santos.
32 — Seriola carolinensis (Holbrook) 2 empa-
lhados Ilha Victoria ns. 574 e 944). 3
jovens, em alcool e da mesma procedencia
— Coll. e prep. Giinther — 1907. 2 — em-
palhados (ns. 275 det. S. lalandi) e 395.
(idem (0 271):
53 — Gymnosarda alleterata (Raf.) 4 — (ns.
257, 224, 548 e 244) Ilha Victoria. Mais
4 n. 437.
34 — Sarda sarda ( Bl.) 1 — Santos — Gar-
be — 1912, (n. 436 ).
30 — Peprilus pari (1L.)—1 do Rio de
Janeiro (1896) 1 de Santos — 1893. 3
Rio Grande do Sul — Coll. H. von Ihering.
36 — Scomberomorus maculatus ( Mitch.) n.
269 — det. Sphyr. picudilla. Ilha Victoria
n. 116 — Santos. 1 (n. 913) Santos, já
determinado.
37 — Scomberomorus regalis ( BI ) 2 — Ilha
Victoria ns. 396 — det. Scomberomorus ca-
balla e 558 det. Scomberomorus macu-
latus.
si eM ae
38 — Coryphena hippurus L. 1 Grande exem-
plar — empalhado.
39 — Gobiomorus gronoww (Gml.) 6 exem-
plares procedentes da Ilha de S. Sebastião
— Garbe coll. — 1915.
40 — Mola mola (Gml.) 1,20 até a orla caudal,
Om.70 na maior largura. Dorsal e Anal
Om,53. Caudal 0m,80. Cabeça Om,40. D.
19. A. 16 Orbita Om,03. Peitoraes Om,17.
Caudal com 8 franjas. Dorsal e anal à
Om,63 do focinho. Corpo grandemente as-
pero inclusive nadadeiras peitoraes. (Costas
de S. Paulo.
Outro exemplar menor de Santos, n.
621 — Costas de Santos — D e A eguaes
1/2 do corpo. Focinho egual à caudal. 2
e 2/3 na cabeça. D. 17 —C. 14. — A. 17.
Gol. deve ter sido argyrea.
A1 — Diodon hystrix L. 1 n. 357. Nha Vi-
ctoria.
42 — Chilomycterus spinosus (L. ) 1 — Santos,
em alcool. 2 idem — empalhados ns. 677 e
676 — já determinados. 1 (n. 938.º).
AS
Lagocephalus lœvigatus (L.) 2 empa-
lhados (ns. 633 e 637) Santos. 6 (ns.
625, 626, 627, 628, 629 e 630).
44 — Lagocephalus pachycephalus (Ranz)
LECH te) 1 TO Ja
45 — Spheroides adspersus ( Schreiner & Mir.
Rib. ). —n. 622 — Santos (det. como S.
testudineus ). 1 n. 631, idem. — Ilha de S.
Sebastiäo — Garbe — 1915. 1 idem, idem. &
— Santos, Luderw. — 1913. 1 — S. Sebas-
tão — n. 429. 4— Rio de Janeiro, 2 —
Ilha Grande. 1 — Santos.
46 — Spheroides testudineus (L.) 3 — em-
palhados ( 623, 624 e 632) ja determina-
dos. 2—S. Francisco do Sul — Santa Ca-
tharina e Paranaguä, ja determinados. —
(n. 925) Bahia. 19 n. 936.
47 — Spheroides spengleri ( Bl.) Santos.
48 — Colomesus psittacus (BL & Schn.) 5
— (n. 932) Surinam.
49 — Lactophrys tricorms (L.) 2— ns. 639
e 634 — Santos.
50 — Balistes vetula L. 1 — Santos — 701.
O1 — Balistes carolinensis (Gml.) 2 — Ilha
de S. Sebastião. 2— Ilha de S. Sebastião,
Garbe — 1915.
92 — Monacanthus hispidus (lL. ) 1 — Santos
(mn. 700). 1 idem (n. 699). 1 (n. 698)
idem. 2— Santos, em alcool. 3 (950)
— Rio de Janeiro.
93 — Monacanthus hispidus (L ) 3 — Uha
Grande — Garbe 1900. 5—TIlha de São
Sebastião.
94 — Cantherines qullus (Ranz.) 1—(n.
590 ) Ilha da Victoria. 2 da mesma pro-
cedencia (ns. 111 e 702) já determinados.
d9 — Teuthis ceruleus (Bl. & Schn.) 1 —
empalhado Ilha Victoria. 1 em alcool —
S. Sebastião.
06 — Teuthis bahianus ( Gasteln.) 1 exem-
plar secco — Ilha dos Buzios (n. 285).
01 — Theuthis hepatus L. 4 —n. 229, 1 —
Ilha da Victoria.
OS — Chaetodipterus faber (Brouss.) 2—
Santos. 2 empalhados — em exposição, ns.
190, 705 — Victoria e Rio de Janeiro.
4 — Santos — 2 — n 796 — Santos — Lu-
derwaldt coll. 1 — (con.prado em Berlim )
procd. da America Central — Porto Rico.
4 de São João da Barra — Garbe — 1911,
09 — Pomacanthus arcuatus (L) 4 exempla-
res, empalhados em exposição, um sem nu-
mero e os outros de numeros 138, 287 e
286. Ilha Victoria. (F. Günther ) 1907.
60 — Pomacanthus rathbuni Mir Rib.” 4—
Bahia, Bicego coll. 1896. E’ um joven que
além do collorido descripto e figurado no V
tomo dos peixes tem a mais 5 fachas ama-
rellas, transversaes, sobre o corpo, uina na
bocca, outra atraz dos olhos, outra atraz
das peitoraes, outra adiante do pedunculo
e outra sobre a base da cauda.
61 — Chetodon striatus IL. 1 — Bahia — Bi-
cego coll. 1896. Mais 8 (951) — Bicego,
Bahia 1896.
62 — Pempheris schreineri Mir. Rib.º 3 exem-
plares — Ilha Victoria. Medem os maiores
15 centimetros de comprimento e têm o
focinho, a região dorsal e a base da anal
(em uma estria fina) de coloração dene-
grida purpurea; a dorsal e a caudal en-
fumadas, e o resto do corpo argyreo-cupreo.
Anal e peitoraes brancas amarelladas. Traz
o nome vulgar de Machadinho Preto.
Coll. F. Giúnther — 1907. 2 — llha dos
Buzios (nome vulgar Prava das Pedras). 2
sem procedencia.
3 — Holocentrus ascencionis ( Osb.) 1 — Ilha
Victoria (F. Günther coll. 1906.) 1 Com-
pr.) de Porto Rico. 5 da Ilha dos Buzios
F. Günther 1906. 1 — Bahia. 1 Tlha —
Grande.
64 — Priacanthus arenatus Guv. & Val 4 —
Santos.
69 — Apogon americanus. ( Castelo.) 1 da
Bahia.
66 — Myripristis jacobus Guv. 3 — Ilha Vi-
ctoria.
67 — Oxylabrax undecimalis — BI 1 —
Iguape, det. como Centropomus paralle-
lus. 1— Rio — Garbe Coll. 1 — Ubatuba
TT ore
— id. 14 — Ilha Grande — Rio de Janeiro
— 1905 — Garbe.
68 — Oxylabrax parallelus ( Poey ) 1 — San-
tos — jà determinado. 3 do Rio Doce —
Espirito Santo.
69 — Acanthistius brasilianus (Guv. & Val.)
1 — sem procedencia. 2—lIlha Victoria.
7 — Rio Parahyba.
70 — Alfestes afer (Bl) 1 — Bahia — Bicego
coll. 1896.
71 — Promicrops quttatus (L.) 1 — empalhado.
72
i Garrupa niveala (Casteln.) 1 — em-
“ palhado. 1 — em alcool em exposição.
73 — Cerna gigas ( Brinn.) 2 — Ilha de S.
Sebastião — Garbe — 1915. 1 empalhado
(n. 213) Ilha Victoria. 1 da Ilha Grande.
2 em exposição. 1 joven — llha de S. Se-
bastião ( Garbe ).
74 — Cerna morio (Guv. & Val.) 95 exem-
plares (ns. 100 e 101) Ilha da Victoria.
1 — Ilha de S. Sebastião. |
79 — Cerna catus ( Cuv. & Val.) 1 empalhado
Ilha da Victoria. 1 — Ilha da Victoria
empalhado.
76 — Epinephelus ruber (BL) 1 — Ilha Grande
— E. do Rio — ( Garbe ). 2 empalhados
ns. 260 e 262. Ilhas Victoria e dos Buzios.
2( 242 e 261) 1 Wha Victoria. 1 — Rio de
Janeiro — em alcool.
Epinephelus bonacr ( Poey) 2 — Ilha de
S. Sebastião. 4 (245, exposição ) — llha
da Victcria. 2 — Rio de Janeiro. 2 — Ilha
de S. Sebastião — Garbe 1915.
re
li
78 — Epinephelus venenosus (L.) 1 — empa-
lhado (n. 115 — Ilha dos Buzios).
OE e es e e ie
a Re ee
79 — Serranus flaviventris ( Cuv. & Val.) 1
— sem procedencia.
80 — Haliperca formosa (L.) 3—lIlha de
S. Sebastião — Garbe — 1915. 4 — idem.
81 — Haliperca radialis ( Quoy & Gmrd.) 3
de Santos. 2— idem (n. 894) Santos.
82 — Paranthias furcifer { Cuv.& Val.) 2 —
empalhados— Ilha Victoria —ns. 230 e 246.
&3 — Lobotes surinamensis (BL) 3 empalhados
— em exposição.
84 — Eucinostomus harengulus (Goode & Bean)
3 exemplares — Santos. 1 da mesma pro-
cedencia — em exposição. | — Mercado de
Santos. 4 — Santos. 3 da Ilha de S. Se-
bastião. 1 — Rio de Janeiro. 2 — Santos.
idem.
85 — Eucinostomus gula (Cuv. & Val.) 1 —
Santos. 1 — Ilha de S. Sebastião ( Garbe ).
86 — Eucinostoinus pseudogula ( Poey) 8 —
Nha Grande — Rio de Janeiro — 1905.
87 — Diapterus rhombeus (Guv. & Val) 3 —
Santos — Luderwaldt. 1 — E. do Rio de
Janeiro. 2 — Santos ( Luderwaldt. ).
88 — Diapterus brasilianus (Guv. & Val.) 4 —
Santos. 1 — Espirito Santo, Garbe coll. 5
de S. João da Barra — E. do Rio. 2 —
Ubatuba. 1 —S. João da Barra (Garbe
1911). 1 Rio de Janeiro — 1896.
89 — Rhomboplitis aurorubens ( Cuv. & Val.)
3 — Ilha da Victoria ( ns. 252, 183 e 136).
2 em alcool.
90 — Bodianus brachyrhynus (Mir. Rib.)
A descripçäo desta especie figura em ar-
tigo a parte.
91 — Neomaems synagris (L.) 1—(n. 215 )
empalhado — Ilha da Victcria. 1 — Rio de
er
Janeiro — 9-5-96. 1 — Bahia. 1 — Rio de
Janeiro. Mais 1 (n. 791 — Santos, de-
terminado N. aya). 1 da Ilha Grande —
Garbe —1905. 4 — Bahia—Bicego (1896).
6 — Bahia — idem.
92 — Neomaenis analis — ( Cuv. & Val.) —
empalhados (n. 216) 135 e 381 Ilha da
Victoria (o 1.º determinado. )
93 — Neomaenis griseus ( L. ) var. cyanopterus
(Cuv & Val.) 1 — (n. 569 — determinado
N. aya) 1m,26 — Ilha Victoria. Mais 1
{n. 502 — Santos. 1 em alcool — Ilha de
S. Sebastião. À
94 — Diplodus argenteus (Cuv. & Val.) 8 da
Ilha Grande. 2— Ilha dos Buzios — F.
Giinther 1906. 3 da Ilha de S. Sebastiäo
— Garbe 1915. Mais 1.—TIlha dos Bu-
zios (F. Günther — 1906). 1 — sem prc-
cedencia.
95 — Archosargus unimaculatus ( BL) 1 —
Santos. 3 — Estado do Rio.
96 — Archosargus probatocephalus ( Walb. )
5 — S. João da Barra— Estado do Rio
— Garbe coll. 1911. 9 — S. João da Bar-
ra— Garbe — 1911. 1 de Santos, empa-
lhado, n. 509.
97 — Pagrus pagrus (L.) 1 — Dr. Splend
leg. Santos. 3 — empalhados (ns. 176,
231 e 82) Ilha Victoria. 1 — Ilha Gran-
de — Rio de Janeiro — Garbe 1905. 1 —
Ilha da Victoria — Giinther— 1906. 2—Tlha
Grande — Garbe 1905.
98 — Calamus penna (Guv. & Val.) 1 — Rio
de Janeiro.
99 — Calamus arctifrons (Goode & Bn. )
1 — Ilha de S. Sebastião — coll. Garbe —
1915. 3 idem idem. 1 — Ilha Grande —
Garbe 1905. 1—llha Grande—Garbe 1995.
ass 7 7 64 a
100 — Genyatr emus luteus ( BI.) 1 — Para-
nagua, coll. Dr. H. von Ihering. 1—Iguape
—N. vulg.: Sagud. =
101 — Anisotremus surinamensis (BL) 1 -
Nha dos Buzios? F. Günther. 1 empalha-
do (n. 104) Ilha dos Buzios, Günther coll.
2 idem Ilha Victoria (ns. 264 e 704, ja
determinados ).
102 — Anisotremus virginicus ( |.) 2— Uha
dos Buzios. Günther 1906. ++ em exposição.
1 sem numero. 1 da Ilha Victoria, (nn.
131) e 1 de Angra dos Reis 284. -
103 — Conodon nobilis (L.) 4 exemplares,
empalhados, de Santos e já determinados
— (ns. 43’, 433, 559 e 560). 1 da
Uha Grande — Garbe — 1908. 2 de San-
tos, compr. Mercado de S. Paulo. 1—San-
tos. 1 — Santos. 1 — Ubatuba. 3 — Jha
dos Buzios.
104 — Brachydeuterus corvinaeformis ( Ste-
ind.) o exemplares — de Santos, onde é
conhecido pelo nome de « Escrivão » ; os
olhos são contidos 4 e 1/3 na cabeça e o
corpo tem 4 fachas transversaes por traz
da mancha opercular ; dorsal com as mem-
branas escuras na base e na metade ter-
minal; anal e ventraes escuras. 2— San-
tos. 11 — Santos. Mais 1 —Ilha S. Se-
bastiäo.
105 — Pomadasys crocré (Cuv. & Val.) 4
exemplares — S. João da Barra — Estado
do Rio. 1 exemplar em pelle.
106 — Orthopristris ruber (Cuv. & Val.) 4
— Ilha de S: Sebastião — Garbe— 1915.
{ empalhado (n. 377). 3 — Garbe — 1915.
1 Santos. 1 Rio — 9-5-96.
107 — Bathystoma rimator ( Jord. & Swain.)
3 — Ilha Grande — Garbe — 1915. 3 —
Ilha dos Buzios — F. Giinther.
mA Sk sii
108 — Bathystoma aurolineatuin (Cuv. & Val.)
1 — Bahia — Bicego — 96.
109 — Haemulon steindachneri ( Jord. & Gilb. )
1 — Ilha de S. Sebastião — Garbe — 1915.
1 — Rio de Janeiro — 1896. 1 — lha
Grande — Garbe 1915 — 1 Rio de Janeiro
9-5-96.
110 — Haemulon parra (Desm.) Juv. 2 —
Bahia — Bicego — 1896.
111 — Haemulon sciurus ( Shaw.) 5 — Bahia
Biceëo — 1896.
112 — Eques acuminatus ( Bl. & Schn.) 6 —
Ilha dos Buzios — F. Günther coll. — 1906."
Nome vulgar: « Maria Luiza ». ( Já de-
terminados ).
113 — Pogonias chromis ( 1.) 1 — empalhado,
em exposição. 1 — Montevidéo — Bicego
1897.
114 — Opluoscion adustus ( Agass.) ! — (n.
196 ) empalhado — Ilha Victoria.
115
Menticirrhus martinicensis (Guv. &
Val.) 5 — Santos, já determinados. 2(n.
790) idem idem. 1 S. João da Barra.
116
Nebris nucrops (Cuv. & Val.) 1 —
Ilha Grande — Garbe 1905. 2 — Santos
( mercado) 2 —S. João da Barra — Garbe
— 1911. 3 Ilha de S. Sebastião — Garbe
1911. Todos já determinados.
117 — Polyclemus brasiliensis ( Steind.) 4 —
Santos ( Determinados ). 1 — Rio de Ja-
neiro — Garbe 1908. (Determinados). 3
Ilha de São Sebastião — 1915. 2 ( deter-
minados no Rio) 1 — Mercado de Monte-
vidéo 1897.
zie
paseo WB 0 deu
118 — Umbrina coroides (Cuv. & Val.) 1 —
(n. 430 ) empalhado — Santos (det. U.
broussonneti ). 1 — Santos - - em alcool e
na exposição.
119 — Micropogon opercularis (Quoy & Gmard)
{ — Santos (det. Mer. furmeri). 1 —
Rio de Janeiro — 1896 idem. 11 — Santos
— idem. 3 — Monteviaéo — Bicego coll.
1896. — idem. 25 Santos (n. 795) idem.
1 — Montevidêo — Bicego 1906.
120 — Pachyurus squamipinnis ( Agass. ) 4 —
Rio São Francisco — Garbe coll. — 1911.
121 — Pachypops adspersus ( Steind.) 7 —S.
João da Barra — Rio Parahyba — Garbe
1911, já determinados Mais 4— Rio
Doce — Espirito Santo — Garbe — 1906,
idem. 1 — Lagôa Feia — Estado do Rio
de Janeiro — idem. 4 — Rio Doce — Garbe
190€.
122 — Larimus breciceps ( Guv. & Val). 8 de
Santos — ja determinados. 9 de S. Joäo
da Barra — 1911. Garbe — idem. 4 da
Ilha Grande — idem.
123 — Stellifer rastrifer (Jord. & Eigenm. ) 6
S. João da Barra — Garbe — 1911 já de-
terminados. 2 de Santos — idem. 9 —
Santos — idem. 2 — Iguape. 8 Santos
124 -- Stellifer stellifer (Bl) 1 Santos — ja
determinado.
125 —- Plagioscion squamosissimus (Heckel. )
1 — Rio Juruá — Garbe — 1902.
126 — Bairdiella ronchus (Cuv. & Val.) 3
— Santos — já determinados. 5 — Mercado
de S. Paulo idem. 6 — Mercado de
Santos — idem. 6 — São João da Barra
— idem.
4
127 — Cynoscion leiarchus (Cuv. & Val.) 3
— Santos — já determinados. 3 — Santos
— idem. 2 — S. João da Barra — idem.
128 — Cynoscion acoupa ( Lacép. ):3 — idem
idem.
129 — Jsopisthus parvcipinnis ( Guv. & Val. )
1 — Santos. 4 idem. — todos determinados.
130 — Sagenichthys ancylodon ( Bl. & Schn.)
2 — Montevidéo — Bicego — 1897 — ja
determinados. 2 — Santos.
131 — Abudefduf saxatilis (L.) 4 — Bicego,
Mercado de Montevidéo — 1897. 1 —
Iguape — já determinado. 4 -— Bahia Bi-
cego — 1896. 1 Ilha de S. Sebastião. €
— Bahia — Bicego — 1896.
152 — Eupomacentrus fuscus ( Civ. & Val.)
A —Ilha Victoria — coll. F. Günther. 1 —
Bahia — Bicego — 96.
133 — Eupomacentrus caudalis ( Poey ). 4 —
Bicego — Bahia.
134 — Cremcichla lacustris (Casteln.) 3 —
Cachoeira — Garbe 1909. 5— E. Santo —
Riacho Panco — Garbe 1906 — já deter-
minados. 2 — Rio Juquiá — Poço Grande
(com ocello na dorsal e já determinados).
4 — Lagoa Feia, Garbe — 1911 — Det.
Cr.\dorsocellata. 3 Rio Mucury — typos
de Cr. mucuryna Rud. Iher. 2 — Col.
Hansa coll. Luderwaldt — 1910 —ja de-
terminados. 1 — Santa Catharina — Eh-
rardt. 1 — Piquete — São Paulo — idem.
7—(751). 41—Iguape—idem 3 —
Lagoa Feia. o — Ipanema — já determi-
nados. 1—S. João da Barra — Parahyba
— Garbe — 1911.
135 — Crenicichla lepidota Heckel 3 — Villa
Olympia — S. Paulo — já determinados. 7
ESP RE ee
— Bahia — Rio S. Francisco — Garbe —
1908. 2 — Rio Grande do Sul— idem. 1
— Rio Grande do Sul — Estreito — idem.
8 — Itaqui — Rio Grande do Sul. 16 de
Caceres — Garbe — 1917. 2 — Maranhão
— Schwanda — 1907. 1 Dias da Rocha —
Ceará.
136 — Crenicichla saxatilis ( L.)2 — Surinam
— já determinados.
137 — Equidens vittatus ( Heck.) 8 — S. Luiz
de Caceres — Garbe — 1917.
138 — Equidens tetramerus ( Heck. ) 5 — Rio
Jurua — Garbe — ja determinados.
139 — Æquidens dimerus ( Heck.) 27 — Ca-
ceres — Garbe — 1917. 6 — Itaqui — Rio
Grande do Sul— Garbe — 1914. 14 —
ltaqui — Rio Grande do Sul — Garbe —
1914.
140 — Equidens dimerus ( Heck.) 8 — Villa
Olympia — S. Paulo — Garbe — 1916.
141 — Acarichthys heckeli (Mill & Tr.) 1
— Garbe — Rio Juruá. ( Já determinado
Acará subocularis. )
142 — Cichlasoina facetum Jenyns (L.) 8 —
Rio Doce, já determinados. 2 — Colonia
Hansa — Santa Catharina. 9 — Franca —
S. Paulo — Garbe — 1910 — já determina-
dos. 10 — Rio Parahyba. 5 Hansa — Eh-
rardt — Santa Catharina — 1908 — ja de-
terminados. 2 — Campo Bello — idem. 1 —
Rio Juquiá — idem. 7 — Franca, S. Paulo.
9 — Franca — det. Astronotus facetus. 3
Lagoa Feia — Estado do Rio — Garbe coll.
| — Jguape —S. Paulo. 1 — Arroio São
Lourenço — Rio Grande do Sul — Euslen.
143 — Cichlasoma bimaculatum (L.)9— Rio
S. Francisco — Pirapóra — Minas — Garbe.
a É a
6 — Maranhão — Schwanda. 15 a Bahia
— Rio S. Francisco — já determinados.
144 — Geophagus acuticeps (Heckel) 3 — F.
Schwanda — Bôa Vista — 1907 — Mara-
nhão (det. VG. jurupari. )
145 — Geophagus surinamenses (BI. ) 1 — Rio
Teffé — det. T. Regan. Outro sem proce-
dencia. ( Br. Mus. ? ).
146 — Gymnogeophagus, Gen. nov. Este ge-
nero será descripto em artigo a parte.
{47 — Gyimnogeophagus cyanopterus, Sp. nov.
“sta especie será descripta em artigo à parte.
148 — Geophagus brasiliensis. ( Quoy &
Gmrd.) 24 — Garbe 1906 — já determi-
nado. Apresentam, os maiores, Os cara-
cteres do Acarichihys. 2 — Ubutuba. 12
— Pto. Cachoeira — Espirito Santo, de-
terminados. 19 — Rio Doce — E Santo—
idem. 8 — Rio Parahyha. 1 — Santa Ca-
tharina, Ehrhardt. 5 — Cachoeira — São
Paulo. — 21 — Itaqui— Rio Grande do Sul.
o — Lagoa Feia — Estado do Rio. 5 —
Rio Parahyba — E. do Rio. 3 — Juque-
ryqueré — Garbe — 1915. 10 — Rio Pan-
ca — E. Santo — já determinados. 21 —
Rio Doce — já determinados. 3 Rio Tieté
— 5. Paulo — idem. 3 — Santa Anna do
Itaborahy — idem. 3 -— Santos. 5 — Theo-
philo Ottoni — Minas. 5 — Caraguatatuba.
carbe — 1915. 9 Cubatão — Santos —
Bicego — 1897 — já determinados. 6 —
Bahia ( /tapicurwenses Has.) Ja determi-
nados. 4 — Poço Grande — Juquiá —
idem. 1 — Piassaquera — Raiz da Serra
— idem. 1 Taubaté — idem. 2 — Rio Ju-
quid — idem ( Moenkhaus ) 1898. 7 —
Campo Bello — E. do Rio — Luderwaldt
coll. 1896. 2 — Itanhaem — Rio Paraná Mi-
rim 4910 — idem. 3 — Gachoeira — Espi-
E maq —= tt
e “ROD …
E oe ep E dE
LA
La
SE PANE
rito Santo, — Garbe 1906 — idem. 2 (n.
192 — Santos — agua salobra ) Luderwaldt
coll. idem. 5— Rio Hercilio — Colonia
Hansa — idem. 5— Cubatão — Santos —
Giinther — 1905 — idem. 2 — Rio 25 de
Julho — Garbe — 1912 — idem. 1 — Ca-
maquan — Rio Grande do Sul— Dr. H.
Ihering coll. 2—col. Hansa, Ehrhardt —
1918. 2 (797) Luderwardt coll. Santos
idem. 2— com dous filhotes — det. Geo-
ph. gymnogenys — Gubatäo. 1 — Iguape
— Krone.
149 — Harpe rufa L. 2— Nha dos Buzios —
F. Günther — 1906 — n. 1973 ( Cutiao —
Fogo — n. vulg.: ex F. Gúnther — 6 em-
palhados.
150 — Iridio radiatus (L.) 1 empalhado n.
239 —Itha Victoria. 2 — Ilha dos Bu-
zios — F. Giinther. 1 — Bahia — Bicego
coll. 2 — emralhados ( jovens ) ns. 362 e
241 — comprados, na exposição. 1 — em
alcool — Bahia — Bicego 1896.
161 — Iridio kerschi Jord. & Everm. 7 —
Nha de S. Sebastiäo — Garbe 1916. 7 —
idem. 1 — sem procedencia. — Ilha dos
Buzios — Günther empalhado — Ilha Vi-
ctoria (n. 206 ) 2 empalhados. 1 — Tlha
Victoria — I’. Giinther.
152 — Iridio cyanocephalus ( Bl.) 1 — empa-
lhado (mn. 358 — Ilha Victoria — F. Gün-
ther. ) 1 — Ilha Victoria .
193 — Iridio bivittatus ( Bl.) 2 — empalha-
dos — Ilha Victoria — Giinther.
194 — Scarus quacamaia ( Guv. & Val.) 2 —
empalhados (ns. 110 e 363)—]Jlha dos
Buzios — F. Giinther.
155 — Scarus trispinosus (Cuv. & Val.) 2
empalhados — 265 e 110.
f
Le 780 =
156 — Scarus guacamaia ( Guv. & Val.) n.
365) 1 — Ilha de S. Sebastião.
157 — Sparisoma chrysopterum (Bl. & Schn )
1 empalhado 706 — Ilha Victoria.
198 — Sparisoma frondosuin ( Agass. ) 2 ( 238
e 210 ) Ilha Victoria. 2 — Bahia — Bicego.
159 Sparisoma hoplomystax ( Cope) 1 Ilhade
S. Sebasuão.
160 — Criptotomus beryllinus Jord. & (Swain )
2 — lha deS. Sebastião — Garbe 1915 —.
161 — Malacanthus plumeeri (Bl) 2 — em-
palhados ns. 190 e 146 — Ilha Victoria.
162 — Pseudopercis numida (Mir. Ribº)2 —
empalhados (499 e 440) — Santos.
163 — Pingvepés brasilianus (Guv. & Val.)
‘ 2 — Ilhas Victoria e Buzios — F. Giinther.
164 — Astroscopus y-grecum (Guv. & Val.)
1 — S. Vicente — Santos — José Leite da
Costa leg, — 1900. 1 — Garbe— 1915 1
— em exposição.
165 — Porychthys porosissimus ( Cuv. & Val )
1 — Iguape. 1 Ilha de S. Sebastião. 1 —
Rio Grande do Sul. ( P. Schupp.) já de-
terminado.
166 — Thalassophryne montevidensis Berg.
l São Francisco do Sul Of. do
Dr. Luiz Gualberto. Nome vulg.: Maman
gaba.
167 — Gobiesox barbatulus (Starks ) 2 — Uba
de S. Sebastião. 1 — idem (976) — Garbe
1915.
168 — Percophis brasiliensis ( Quoy & Gmrd )
{—em exposição — Ilha de Sao Sebas-
tião.
À
|
— 781 —
169 — Oncocephalus longirostris (Cuv. & Val )
2— (1910) Iguape — S. Paulo — 1
— S. Vicente Santos. 1 — idem.
170 — Cephalacanthus volitans( L.) 1 — San-
tos (n. 779 Luderwaldt ) 1—S. Sebas-
tiäo Bicego coll. 1896. 2 — Bahia— Bicego.
171 — Cephalacanthus volitans (L.) 1 — Uba-
tuba — São Paulo — Garbe — 1905. 1 —
Sao Francisco do onl. “4 Hha de S. Se-
bastião.
172 — Paragonus — gen. nov.
173 — Paragonus sertori, esp. nov. Este ge-
nero e especie serão descriptos em artigo
à parte.
174 — Prionotus capella ( Mir. Rib.) — 1 Nha
Grande — Garbe — 1905.
175 — Prionotus beani (Rgn ) 2— Ilha Vi-
; ctoria — E. Günther. 1 — Rio de Janeiro.
2 — Ilha de S. Sebastião. 1 — Rio Tieté ?
1 — sem procedencia.
176 — Scorpaena plumier: ( Bl.) 1 — Rio de.
Janeiro — 1896. 1 — item.
177 — Scorprena brasihiensis ( Cuv. & Val.)
1 — Rio de Janeiro. 1— Ilha Grande —
Garbe 1906 1 — Ilha de S. Sebastião —
Garbe — 1915. 1 — Juv. — idem.
178 — Blennius cristatus L. 1 — Ilha dos Bu-
zius — F. Giinther — 1896.
179 — Hypleurochilus geminatus (Wood) —
Iguape — Krone — 1901.
180 — Lepisoma nuchepinnis (Quoy & Gmrd.)
1 — Ilha Grande — Garbe 1905. 7 — Ilha
de S. Sebastião — Garbe — 1915. 4 — Ilha
Victoria — F. Günther — 1906. 1 — sem
procedencia. — llha de S. Sebastião —
— 782 —
Garbe — 1915. 2° — Ilha Victoria — Gün-
ther 1907. 5 — Lha de S. Sebastiäo —Garbe
4915. 1 — Bahia — Bicego — 1896. 1
— sem procedencia.
181 — Leptecheneis naucrates (L.) 1 — Nha
Grande — Garbe — 1905.
182 — Dornutalor maculatus ( Bl.) 2 — Ita-
nhaem — Rio Paraná-Mirim. — Fr. Adam.
coll. 1910.
183 — Eleotris pisonis (Gml) T — Rio Doce
— Espirito Santo — Garbe— 1906.—3 Rio
Doce — no mar — Garbe coll. 1906.
184 — Guavina guavina (Cuv. & Vall. )2—
Itanhaem — Rio Paranä-Mirim — Adam
coll — 1910. 1 — Paranaguá — Estado do
Paraná — já determinado. 2 — Mercado
de S. Paulo.
185 — Gobiordes broussonnets Lacép. 1 — Igual
pe— R. Krone.
186 — Gobius soporator (Cuv. & Val.) coll.
1 — Santos. ! — Ilha de S. Sebastião (Pin-
der coll.) 13 — Ilha de S. Sebastião —
(Garbe — 1915) 2—S. Paulo (Mercado)
já determinados. 4— S. Paulo. 1 — Ilha
de S. Sebastião — Garbe — 1905. 2 — idem.
3 — Ilha de S. Sebastião — Pinder. 11
— Macahé — Garbe — 1912. - 5 — Ilha
de S. Sebastião. 6-— sem procedencia. 1
— S. João da Barra — Garbe — 1911. 11
— Agua doce — Ilha Grande — 1916. Gar-
be 3 [ha Grande — idem. | —llha de S.
Sebastião. 1 — idem ( 1.106). 6 — idem —
Garbe — 1915.
187 — Gobius oceanicus ( Palias) 2 — Santos
Luderwaldt coll. 140 —S. João da Barra
— Garbe — 1911. 1 Santos (n. 891.)
188 — Chonophorus tajacica (Licht.) 10—llha
de S. Sebastião — F. Günther. 1 — Rio
Parahyba — Garbe — 1911. 4—Rio Doce
— Espirito Santo — Garbe 1906. 1—llha
Grande — Garbe 1905. 6 — Rio Branco
— E. Santo — Garbe 1906. t — Rio Doce
— idem. 2—Rio Doce (n. 1.115). 2
— Ilha Grande — Garhe 1906. 1 — Ilha
de S. Sebastião 1915.
189 — Microgobius meeki (Everm. & Marsh.)
{ juv. — Santos, coll. Luderwaldt.
Lj
2
| PS NME
RATE AT nim Gi ae rk meee R
Vas AUS a eke:
a
> — b
he '
é
pr é
| wu
4 - à
. al M =
à C
,
7. ‘
+
4
A " Pr
4 >
‘ a
L
OR - r
/ »
er
Eq id
|
*” =
Le
se
ra
ke e
A e
E i
À
7 ,
i's
+ E 7 o
Pa
1
) 0
À
Ed
4
o
E -
.
, nl * o
'
“ALIPIO DE MIRANDA RIBEIRO
— "20 co —
7
Yous generos e tres especies novas de peixes brasileiros deter-
minados nas colleccües do Museu Paulista
= dd. à
sileiros
Dous generos e tres especies novas de peixes bri
determinados nas colleeções do Museu Paulist:
Bodianus brachyrhynus, Mir. Ribº.
Deere 1s Ae SS P Os Vales:
ae 79:
Cabeça 2 e 2/3 egual à altura; caninos supe-
riores salientes d'um facho intermaxillar maior ; ma-
xillares passando francamente a orla orbital posterior ;
orbita 1/5 da cabeça, 1 e 1/5 no focinho. Preor.
bital 1/2 da - orbita. Preoperculo finamente denti-
culado, com o canto redondo e um ligeiro entalhe
superior a este, 16 rostros. Maior aculeo o 5º,
de contorno continuo com o da segunda dorsal, que
é redonda e termina no mesmo plano que a anal.
Peitoraes attingindo a anal; ventraes o anus; 1.º
aculeo anal 1/2 do 2.º que é maior que o 3.º.
Caudal espatulada. L. lat. e coloração como
em D. fulvus, havendo mais vestígios ( exemplar
descorado pelo alcool e pela luz) de manchas sobre
todo o corpo, as da cabeça e as do pedunculo um
pouco maiores, vestigios que se notam tambem so-
bre a nadadeira dorsal cuja base é escura.
Proc. Bahia — Bicego, coll. 1896.
Paragonus, gen. nov.
Primeira dorsal presente. Membrana
branchiostega ligada ao isthmo com estreita
prega transversa, deixando a margem pos-
terior livre. Ponta do focinho sem aculeo
mediano porém prolongada em dous pares
de espinhos fortes e divergentes. Vomer
edentulo ; focinho, mento e membrana bran-
chiostega com franjas dermicas. Placas do
corpo espinhosas. Infraorbitaes anteriores
e posterior constituindo uma facha de tu-
berculos que se transformam em espinhos
no ultimo. Preoperculo com dous aculeos
divergentes no angulo. Região peri-anal
nua; 2.º dorsal e anal oppostas. Ponta dos
raios peitoraes inferiores livres. Ventraes -
com 3 raios indistinctamente articulados
em meia extensão.
Paragonus sertorii, sp. nov.
D. VI+6; A. 7; LE lat. 34
Hemiclaviforme, com as placas do corpo care-
nadas. Perfil superior, do focinho à base da cauda,
um angulo obtuso cujo vertice jaz sobre a articula-
ção das peitoraes; perfil inferior recto. Projecção
claviforme, muito dilatada nos operculos.
Cabeça 1/4, de córte trapezoide e perfil angu-
lar, em cunha de gume para frente. A bocca, cres-
centiforme, não tem dentes no vomer, a sua denti-
ção cifra-se em uma fscha de dentes villiformes
sobre os intermaxillares e mandibula ; esses dentes
são fracamente implantados, isolados uns dos outros
e deciduos; o hiato eguala ao espaço interorbital.
Os maxillares occultam-se totalmente sob os preor-
bitaes, são fracos e quasi não se projectam além do
angulo da bocca. Ia duas franjas dermicas na base
do rostro, ao lado dos processos intermaxillares e
pendentes sobre o meio do hiato em cada lado da
symphyse. Duas outras ficam em cada angulo do
hiato sobre o extremo posterior dos maxiliares ;
dentarios e toda a membrana branchiostega farta-
mente franjados, como em Agonus cathaphractus.
Ha tambem uma fila dessas franjas no bordo infe-
rior dos ossos Jos lados do focinho e da cabeça.
Focinho e cabeça totalmente osseos como em Pe-
mime E SO
ristedion. Os ossos nasaes projectam-se para frente
em dous espinhos divergentes, sendo o posterior li-
geiramente retrovertido; essa projecção limita um
triangulo dermico onde se recolhem os processos
ascendentes dos intermaxillares; e na crista poste-
rior que parte da base do ultimo espinho, ha ainda,
dous espiculos muito pequenos e facilmente destaca-
veis. Olhos 1/5 da cabeça. Os precrbitaes dilatam-
se inferiormente em dobras mais ou menos espessas
e granulares, emquanto que o sub-orbital se disten-
de num fôrte aculeo retrovertido lamellar que é
secundado, posteriormente por dous fórtes aculeos
em que se prolonga o angulo infero-posterior do
preoperculo. Operculo, comquanto espesso, inerme,
como c são os supra-oculares, embora affectem na
sua elevação sobre a orbita, uma forma aculeada
posterior que se liga à sua congenere do lado op-
posto por uma ruga baixa e transversal. Post-
temporaes projectando-se posteriormente em espi-
nhos espessos e obtusos e tendo pelo lado interno
de sua base uma elevação obtusa. Base das largas
peitoraes espinulosa, os espinhos moveis sobre a ar-
ticulagio dos raios. Secções do corpo como em
Agonus, porém mais finas. Cristas das placas ca-
renadas e terminando em espinho mais ou menos
obtuso ; as duas primeiras, que partem dos lados da
nuca encontram-se sobre o 22 escudo e dahi seguem
em mais 12 escudos pela linha mediana do pedun-
culo. Entre o occipital e a dorsal ha 4 pares de
escudos; entre as duas dorsaes 1 e depois da se-
gunda 4 pares. Os escudos dos flancos, na exten-
são das peitoraes, sem aculeos e ligeiramente care-
nados ; dahi para traz augmentam-se essas carenas
em espinhos que formam duas cristas longitudinaes
até a base da cauda. Placas thoracicas planas, 4
maiores anteriores das ventraes articulam-se em an-
gulo recto; entre as ventraes e 9 anus dous pares
e entre este e a anal seis. A série que parte dos
coracoides, converge para a linha mediana inferior,
encontrando-se com a sua opposta sobre o 22 es-
cudo ; dahi para traz ha 11 placas mais. <A caudal
é muito fraca e alongada, ella se contém no com-
primento que vae do meio da orbita ao extremo do
aculeo post-temporal; ventraes pouco maiores que
1/2 das peitoraes que säo eguaes ao comprimento
da cabeça. Cor no alcool alvadia parecendo ter sido
rosea; iris denegrida anteriormente. Comprimento
170 mm...
Habitat: ao largo de Santos—Costas do Brasil.
Pertencente à collecção antiga (do tempo do
Sr. Sertorio, o iniciador do Museu Paulista ).
Gymnogeophagus, gen. nov.
Facies de Geophagus, mais elevado. Focinhoe
umas estria cervicodorsal nús. Olhos como em Re-
troculus ; membrana branchiostega circumdando o
isthmo até quasi sob as peitoraes; lóbo branchial
como em Geophagus. Dorsal nascendo sobre a orla
posterior da orbita; L. lat. interrompida; caudal
truncada com os raios externos prolongados. A. com
IT aculeos. D. com XIII.
Gymnogeophagus cyanopterus, sp. nov.
D. XU + 145 ANT +8; L. lat 295 ate Oan
Forma clevada, comprimida. Cabeça 2 e 4/9,
de perfil abrupto; olhos 3 e 3/4 situados logo abaixo
da horizontal superior do pedunculo e quasi no bordo
do precperculo. Narinas marcando o 1.º terço sub-
orbital. Dentes como na regra. Queixo largo, as
peças operculares separadas sobre a membrana oper-
cular que envolve amplamente o isthmo até a ver-
tical posterior do preoperculo; este inteiro e recto,
sendo inferior e muito pouco curvo; ha 3 grandes
poros sub-marginaes no angulo. Operculo muito es-
treito, sua largura pouco excede a da orbita que
é contida na altura 2 e 1/2 vezes; sub e inter-oper-
culos largos. Escamas mui finamente catenoides,
presentes no limbo do preoperculo; em 6 filas
obliquas, em 5 no no operculo; em 2 no sub-
operculo. Focinho e região mentoneana, inter-oper-
eis Le
culo, estria fronto dorsal e axilla peitoral nüas ; base
da dorsal espinhosa e ramosa, bem como a base
da anal e quasi toda a cauda escamosas; a linha
lateral interrompe-se no 21.° póro para seguir
na 3.º fila longitudinal inferior; na cauda ella
se trifurca, sendo entretanto o ramo superior dessa
divisão interrompido (em um lado) ou inexistente
no outro. Peitoraes falcadas, grandes, da altura do
corpo sobre o aculeo anal. Ventraes attingindo o
inicio da anal e o aculeo medindo a metade do com-
primento da nadadeira. 3.º aculeo anal egual ao
ventral; dorsal de bordo curvo, subcontinuo e au-
gmentando gradativamente para traz até terminar
num filamento formado pelos raios medianos da na-
dadeira ramosa; esse filamento é symetrico com
outro formado pela anal cujos penultimos raios,
comquanto não tanto, são tambem prolongados.
Caudal vertlcalmente truncada, com o seu raio in-
ferior muito pouco e os dous superiores bastante
prolongados. Cor geral olivacea clara, translucida ;
ha uma /unula branca obliqua sub-marginal, na parte
espinhosa da dorsal, cuja membrana se torna cinerea
glauca vara o bordo e deixa um lóbo entre os
aculeos ; parte posterior da dorsal ramosa ocellada
de branco; ventraes e anal cinereo glaucas finamente
punctuadas de branco na metade posterior; tronco
com estrias finas, transversaes, obliquas, alternando-se
em altas e baixas, sobre o lado dorsal; a estria nua
cervicodorsal, bem como os raios maiores da dorsal
tambem cinereo-glaucos; peitoraes e caudal ama-
rellas olivaceas. 1 exemplar medindo 145 m/m.
sem incluir o filamento caudal. Itaqui — Rio Grande
do Sul. Uma das feições mais interessantes deste
peixe é a constituida pelas carenas adiposas que
vêm da fronte às narinas, deixando uma depressão
mediana que mais se accentüa entre os olhos. —
Garbe, coll. 1914.
— ———————————————— aS
LD TS AU po-pag . : . oe a EF +4
ne O RIR 1110948 § snuobpam 7 |
atm ie ve TE
e MO doute ome mae ao À
ty po pes im grues que Ge Ta Lr
f + » ‘ 4
OBSERVAÇÕES SOBRE A PREGUIÇA
(BRADYPUS TRIDACTYLUS, L.)
EM LIBERDADE E NO CAPTIVEIRO
POR
Me. Lüderwaldt
NATURALISTA DO MUSEU PAULISTA
E do A a DU TR
ey Mas ait Vo A
ha Te av =
Olservações sobre a prevuica, Bradyaus Widactlus L
POR
H. Luederwaldt
Quem acaso durante algum tempo haja obser-
valo uma preguiça engaiolada, sem falta a tomará
por um animal extremamente estupido. A prisio-
neira passa a maior parte do tempo dormindo. Em-
bora vagarosamente a trepar no seu carcere ou ali-
mentando-se, causa triste impressão, o seu modo de ser.
Os animaes engaiolados, ficam dentro em pouco
completamente embotados em consequencia de pro-
vocações maliciosas, ou por causa da alimentação
Inconveniente, bem como pela falta de livre movi-
mentação, o que não dá marg-m para adquirir uma idéa
acertada sobre o seu verdadeiro caracter. O caso é
bem differente, quando o animal se acha num par-
que bem arborisado, em plena liberdade, obrigado a
cuidar elle proprio da alimentação. Sômente nes-
tas condições desenvolvem-se suas faculdades taes
como no estado natural, occasionando muitas
veses interessantes observações. Deste modo pude-
mos constatar que a preguiça não é absolutamente
tão enfadonha e estupida, quanto se acredita geral-
mente. Comparando a descripção destes extranhos
arboricolas. feita pelo celebre naturalista A. Brehm,
na primeira edição da sua conhecida obra Vida dos
anrmaes, com a das edições saguintes, fica-se admi-
rado da sua grande differença. Mas tambem a ter-
ceira edição de 1893 (a ultima que pude consultar ),
contém ainda varios erros, que espero rectificar no
decurso destas linhas. Tinha já concluido o meu
estudo sobre um exemplar de bradypus tridactylus
quando no Museu recebemos mais varios animaes
Foe
desta especie. Visto serem os costumes biologicos
de todos quasi identicos vou referir as minhas ob-
servações primarias ajuntando no fim o que ainda
se verificou de interesse especial.
No mez de Setembro do anno passado (1917)
chegou um portuguez do povo ao Museu Paulista,
offerecendo à venda uma preguiça. O Director do
Museu, Professor Dr. A. dE. Taunay comprou o
animal para soltal-o na pequena capoeira do Horto
Botanico deste Instituto, que nos serve simultanea-
mente como estação biologica; demais contribuiu
especialmente para esta acquisição a existencia de
numerosas € Embaúbas » (Cecropra), plantas favoritas
do animal em questão. Tem o nosso bosque, seja
“dito de passagem, uns dous hectares, talvez. Tupy
(assim baptisei immediatamente o recem-chegado ),
estava sentado numa caixa de kerozene. Quando se
tirou a tampa da gaiola, levantou a preguiça — evi-
dentemente alliviada, vagarosamente, porém, confor-
me o seu natural espiando-nos acanhadamente — a
cabeça, com o seu ar franco e alvar. Ao mesmo
ps estendeu igualmente devagar, ambos os bra-
s, procurando com as unhas compridas e fortes
a fora da caixa um objecto onde se segurasse.
Infelizmente não pude assistir a sua libertação no
horto botanico. O nosso preparador communicou-
me que Tupy trepou immediatamente por uma em-
baúba e começou a comer, circumstancia esta que
dissipou qualquer duvida nossa a respeito de sua
saúde. Durante muitos annos na maita pude pre-
senciar varias vezes que wm passaro ou qual-
quer outro animal de sangue quente deixa-se facil-
mente capturar. ‘Taes criaturas estão quasi sempre
doentes, morrendo geralmente dentro em pouco na
prisão. Tupy fôra capturada no chão num matto
perto de S. Bernardo, Villa não distante de São
Paulo. Com o correr do tempo mostrou sempre
boa saúde. A’ tarde do mesmo dia vi-o a primeira
vez, gozindo a sua liberdade nova. Esteve sentada
na cópa de uma embaúba, perto do tronco, acoco-
rada em fórma de bola. Os cabellos escuros da
ee
-
Te ers
mancha dorsal simulavam como uma ferida grande
e aberta. Encostado com a parte posterior num
ramo horizontal da arvore abraçando-a com as unhas
das pernas posteriores, escondendo a cabeça encur-
vada abaixo dos braços cruzados sobre o peito —
isto é a sna posição commum de dormir — assim
se assemelhava mais a um ninho grande de abelhas,
ao da Trigona ruficrus por exemplo, do que a um
mammifero.
Todos os dias pude então observal-a commo-
damente, porque a preguiça não tem vida nocturna,
como diz Brehm, e sim é um perfeito animal diur-
no e até um typo perfeito de animal de sol, demorando
com preferencia nas cópas claras das arvores, onde
póde facilmente apanhar de todos os lados os raios
do sol. Apenas de vez em quando procura durante
a noite uma corda meio fechada. Evita geralmente
as partes espessas entre tecidos de cipó e lianas
pelo facto dos ramos e trepadeiras lhe impedirem
o livre movimento dos membros compridos. Desde
o começo verifiquei a sensibilidade do Tupi em re-
lação ao frio e à chuva, apezar dos seus cabellos
compridos e densos apresentarem bôa protecção contra
as intempéries Apezar disto nunca a vi apressurada
em tempo chuvoso para procurar abrigar-se por exem-
plo em cópas bem espessas de arvores; ao contrario
permanecia tranquillamente sentado na sua posição su-
pra descripta de dormir deixando cahir em cima de
si o desagradavel liquido. Durante o tempo chuvoso
continuou a permanecer no mesmo logar um, dois
até tres dias, sem alimentar-se de modo algum.
Completamente differente era o seu modo de vida
nos bons tempos.
Pela manhã ds oito horas mais ou menos, no
mez de Outubro, testemunhei varias vezes o seu
despertar, céu ciaro, ar tepido, passaros aqui e alli
a cantar, proximo arrulhando um pombo silvestre,
cuja femea choca em baixo da arvore occupada ac-
tualmente por Tupy, num arbusto, sobre dois pom-
binhos. De longe se escuta a chamada dos sabiás.
Em todos os cantos se levanta o canto agradavel
mi Lio
do tico-tico. Começa a mover-se a bola enrolada.
Bem vagarosamente levanta a preguiça a cabeça fi-
xando os olhos num certo ponto do céu, durante
minutos inteiros. Ora volta a cara na direcção do
observador, os olhos, porêm, não se demoram nelle,
mas na ponta de um ramo de sua embaúba. Tupy
tem fome. Estende bem commodamente um braço
depois de distender as unhas, segue igualmente de
vagar o outro; levanta depois uma perna e em se-
guida a outra. Agora engancha as unhas posterio-
res num peciolo forte. Ve-se bem distinctamente
curvar-se a folha sob o seu peso; mas sem quebrar.
Emquanto ainda o outro braço está colhendo aqui e
alli, as pernas posteriores o corpo esquipatico guin-
da-se para cima. Assim bem de vagar. faz-se a
viagem. Muitas vezes pára o animal; o espaço pa-
rece ser demais. Onde encontra entre os ramos ou
grandes folhas uma base sólida, rasteja a preguiça
ventre-baixo balançando porém nos ramos rasos 0
ventre para cima; descendo numa arvore executa
esta manobra sempre à moda dos homens, com a
cabeça para cima. Kmfim alcança o seu destino.
Elle tinha o fito num broto do cume. Depois de
cheiral-o varias vezes leva a ponta á bocca, co-
meçando a mastigal-a: na forma do costume, bem
de vagar. Após um quarto de hora, mais ou menos
terminado a refeição volta ao pouso anterivr ou pro-
cura outro melhor e mais co:mmodo.
EK’ frequente lèr-se em varios autores que a
preguiça só abandona a arvore, após de haver
exaurido completamente os recursos que ella lhe
pode fornecer e Brehm (pag. 648 Ls. c.) encampa
a mesma opinião. Isto não occorreu com Tupy, nem
com outras preguiças, que tive o ensejo de observar
no parque desta capital. Trocaram de dois a tres
dias de arvore, muitas vezes até diariamente. Meia
duzia de embaubas adultas era o sufficiente para
sustentar um animal, sem destruição das reservas
alimentares.
E’ verdade que se quebram sempre folhas e
mesmo ramos fracos, mas esta perda fica logo sub-
lines
Fog Wie Van
stituida, pelo facto das cecropias terem vegetação
continua e ininterrupta, durante o anno inteiro. lhe
ring ( Lie Cecropien und ihre Schutzameisen » p.
702) diz, que a preguiça não procura a Cecropia
hololeuca Miq., livre de formigas ( Azteca) que se
encontra nos capões e não no littoral. Mas isto
não corresponde à realidade: Tupy, pelo menos, não
fez differenga alguma entre esta alvore e a Cecropia
adenopus Mart. geralmente habitada por formigas.
Comia tambem as folhas de uma terceira especie da
C. lyratiloba Mig. O animal devora sómente as
folhas recem-abertas ao passo que recusa as que já
têm dias. Mas tambem no primeiro caso come
apenas a substancia da folha, evitando as nervuras
mais grossas. Tupy preferia geralmente as folhas
ainda enroladas. (Começou sempre a comer as pontas
evitando a camada molle-coriacea. Meia folha é suf-
ficiente para lhe matar a fome. De vez emquando
comia umas fructas ainda molles, raras vezes se ser-
via das unhas para dobrar uma folha, facilitando
assim a sua apprehensão' pela bocca. Nunca porém
arrancou com as unhas folhas ou fructas, para co-
mel-as. Tupy permaneceu quasi immovel durante o
primeiro tempo, bastante frio e chuvoso, mudando
porém, de habitos após a entrada do verão em De-
zembro. Até então expunha-se horas inteiras ao sol
sem mover-se, de modo algum, fitando o horizonte
commodamente, com a cabeça levantada ; quando mui-
to, de vez em quando procurava coçar-se. Mais tarde
porém, durante o tempo quente, poz-se a trepar ac-
tivamente muitos vezes já ao alvorecer, sem parecer
incommodada pela chuva. Encontrei-o então em po-
sições bastante esquisitas. Um dia estava deitado
meio encostado, preguiçosamente, num ramo horizontal
suspensa apenas por uma mão anterior, a estender
commodamente as tres outras extremidades nos ares.
Outra vez vi-o pendurar-se apenas por um braço
ou uma perna e, mais, balançando todo o corpo a
segurar-se apenas com as mãos posteriores. Em taes
posições coçava-se muitas vezes fortemente, mas
quasi sempre, com as unhas anteriores. Quasi nunca
)
C
— 800 —
o vi dormir em posições pendentes, Apezar da sua
lentidão demonstrava esta virtuosidade para passar
de uma arvore a outra. Isto era facil, onde os
ramos se cruzavam, tornando-se, porém, bastante
difficil, nos casos contrarios. Trepava aqui alli, pro-
curando passagem, agora rastejando até a extremi-
dade de um ramo experimentado com as unhas do
braço, largamente destendido, a pegar a parte mais
proxima dum ramo da arvore visinha, sem porém
alcançar o fito. Retirava se então um pouco, fa-
zendo "ma manobra que eu nunca esperara deste
animal: balançando o corpo agitava o ramo de modo
que, apóz varias experiencias falhadas conseguia al-
cançar o fim.
Cuidadosamente atrahia a ponta do ramo co-
lhido, pegando-a tambem com a outra mão. Disten-
dendo extraordinariamente o corpo, durante minu-
tos inteiros a fazer acrobacia entre céu e terra,
desligava de repente as pernas posteriores e prompto !
Atungia a outra arvore, lançada pela força centripeta
do ramo agitado. Muito ntais facilmente procedia a
esta manobra em tempo ventoso, quando as copas das
arvores se approximam em consequencia do vento. E
admiravel que os ramos nunca se hajam quebrado,
de maneira que parecia Tupy conhecer a firmeza das
diversas arvores. Nunca o vi cahir. E’ verdade, que
nunca se fiou em ramo fraco só segurando -se pelo
contrario com as unhas num segundo ou terceiro
ramo, em todos os casos.
Nas suas excursões, a preguiça percorreu de vez
em quando uma distancia de cem metros em linha
recta, é possivel que o instincto sexuai, houvesse
motivado taes esforços; pois mais tarde recahiu na
mesmo vida contemplativa de antes. O paladar em
taes animaes diz Brehm é mais desenvolvido do
qualquer outro sentido. Acresce ainda que a pre-
guiça não come muito e só material de qualidade
mais tenra. Os olhos são, de facto extraordinariamente
indolentes e quasi sem expressão, como o autor su-
pramencionado indica: Parece ter uma vista fraca
a pequena distancia. EK’ impossivel porém fazel-o
— 801 —
piscar os olhos, por mais que se o provoque. Fóra
disto falha muitas vezes em dar um golpe com as unhas.
Mais uma circumstancia merece ser registrada : pare-
ce não saber distinguir arvores com folhas pequenas
de que se alimenta aliás por exemplo: ce figueiras,
ameixeiras do Japão etc. das outras arvores; uma
vez porêm attingindo taes arvores, parece conhecel-as
pelo olfacto. Diflerente é a reacção tratando-se de.
distancias consideraveis.
Eu pelo menos, cheguei 4 conclusão de que o
achado das cecropias visiveis a grande distancia
pelas suas folhas relativamente gigantescas, bem como
pela.sua feição candelabriforme, a preguiça o faz
em consequercia de tel-as enchergado de longe. Vi
duas preguiças, mãe e filhote no Jardim Publico,
chamado da Luz, no cume de uma arvore olhando
para todas as direcções evidentemente a procura de
uma arvore alimenticia. E com Tupy fiz a mes-
ma observação. A uma exbauba isoiada no nosso
Horto botanico pode-se alcançar atravez de um
entrelaçamento espesso de trepadeiras e lianas. Ape-
zar disto encontrei uma vez o Tupy naquella arvore
bem difficilmente accessivel. Sem duvida possue a
visão de longe. Se assim não fosse teria sem du-
vida evitado o penoso tapume. E” interessante, que
as preguiças, sentadas em arvores, não balancem com
a cabeça como o hom m, os macaco: e outros ani
maes costumam fazer; so contrario permanecendo
em posição natural, o que di a impressão de que
não faz caso do seu ambiente. Quanto ao sentido
auditivo não cheguei a conclusão alguma. .Achando-
se enrollado com a cabeça escondida Tupy não
attendia aos chamadus e apenas quando bem saccu-
dido levantava somnolentamente a cabeça. Mesmo
acordado a expor-se commodamente aos raios do
sol ou passeando lentamente não prestava geralirente
attenção a ruido algum. Talvez simulasse nada es-
cutar. Quando porém um bello dia meu compa-
nheiro soltou grandes gargalhadas, assustou-se O
| animal vehementemente. Talvez tomasse o ruido
a pelo grito de um rapipeiro, uma harpia por exemplo.
— 802 — ‘
Varias outras vezes observei que, interrompeu as
cocegas que se fazia, após a minha chamada, de um
lugar completamente coberto, reacção esta que não
se fez geralmente depressa, como os outros ani-
maes costumam fazer. A sua capacidade intellectual,
mostrou-se tardia e por conseguinte reagiu ante as
influencias externas relativamente de vagar.
Possue memoria local. Prova disto é a sua
preferencia por certas arvores, especialmente um
cedro alto, com corôa fechada, onde sabia bem es-
conder-se e que muitas vezes procurava à noite. De
mais tomou sempre o mesmo caminho procurando
uma embauba distante.
O olfacto é fraco, parece-me porém que Tupy
distinguia por seu intermedio, mais tarde. na gaiola
a alimentação appropriada. Quando lhe traziamos
folhas, elle as cheirava recusando-as no caso de
inappetencia sem experimental-as. Pelo olfacto sabia
tambem distinguir folhas frescas das demais repu-
diando-as se ellas tinham umas doze horas de cor-
tadas, isto no caso de não ter muita fome. Sómente
raras vezes deixou se enganar por este sentido. Para
esclarecer as qualidades intellectuaes de preguiças,
sirvão as observações seguintes: O Snr. Ernesto
Garbe, naturalista viajante do Museu Panlista, en-
controu uma vez numa arvore uma preguiça na vi-
zinhança de sua casa silvestre. Quando voltou, apóz
poucos minutos, com uma escada, para retiral-a tinha
desapparecido sem deixar vestigio algum, apezar da
busca a mais cuidadosa possivel. O animal reco-
nhecendo o perigo, proveniente do encontro, tinha-
se apparentemente escondido cuidadosamente numa
copa espessa de arvore. Assim procedem tambem
certas corujas. Póde-se durante o dia passar perto
do esconderijo das preguiças sem que ellas se movam
Voltando um pouco apôz o mesmo caminho, não
pode mais ser encontrada de modo algum, O autor
encontrou Tupy uma vez numa cecropia trepando
ao longo de um ramo. Mal tinha visto o passante
que se dirigia propositalmente rapido ao tronco
galgando-o. Evidentemente desconfiava da seguran-
— 803 —
ça, procurando mais acima abrigo contra o perigo
imminente. Outra vez encontrou-o, sentado acorda-
do no seu cedro favorito. Parando no camizho e
observando, o animal fitou-me simulando como se
não me tivesse enchergado, mas apaticamente como
entretido com a vista ao longe. Após breve tempo,
porém levantou a cabeça outra vez para escondel-a
novamente, repetindo esta manobra consecutivamente
diversas vezes. Seria isto apenas brincadeira ? ou
tomou-me por inimigo? Faria politica de aves-
truz? Uma tarde vi Tupy numa cecropia à procura
talvez de um albergue.
Quando a alguma distancia se queimaram pe-
quenas fogueiras assustou-se a preguiça vehemente-
mente, escondendo a cabeça, enrolando-se vagarosa-
mente mais e mais em bola e permanecendo assim
durante anoite. Foi esta a unica vez, em que a ob-
servei dormindo em posição pendente.
Não raras vezes encontrei-a baixo, acima do
solo, trepando nos arbustos a procura de outra ar-
vore. Surprehendida demorou-se geralmente immo-
vel nas posições mais incommodas ; num caso durante
meia hora, depois de passar já muito tempo o pe-
rigo. (Certamente esperava assim escapar à obser-
vação. Bem que este animal seja legitimo arboricola
parece chegar mais frequentemente ao solo, do que
se accreditou até hoje. A razão de, apenas raras
vezes ser encontrada no chão, consiste talvez em es-
capar facilmente à vista. Isto acontece já nas arvo-
res, até trepando. Os seus movimentos são tão vaga-
rosos e silenciosos, quasi mysteriosos atrevo-me a
dize-lo, que exige uma vista experimentada para per-
cebel-o apezar de seu comprimento relativamente
grande. As cecropias muitas vezes não estão uma
perto da outra, de maneira que facilmente podia pas-
sar de uma a outra. Tupy, como supra mencionamos,
foi encontrado no chão, certamente estando à procura
de nova arvore alimenticia. O autor viu igualmente as
duas preguiças do Jardim da Luz rastejando na relva.
Outra preguiça que actualmente se encontra num ou-
tro jardim publico de S. Paule, fugiu varias vezes, con-
— 804 —
forme o jardineiro me disse. passando a rua para
alcançar um bosque visinhc. Uma terceira no Bosque
da Saúde, arrakalde de S. Paulo estava principal-
mente no chão, dormindo aqui em regra numa caixa
de kerosene, não obstante ter uma embauba alta 4
sua disposição. Para lhe evitar à fuga inclinou-se a
cerca de mais ou menos de um metro de altura, em
sua parte superior para dentro, de modo que o
animal querendo transpol-a, recahe sempre no chão,
com a referida parte movediça. Mas ha muito tempo
que desistiu de taes tentativas de fuga. Este animal
foi exclusivamente alimentado de folhas de Ficus
luschnatiana. Mas parece magro, sem embargo ter
uma aparencia de saúde regular. Depõe as fezes
sempre no mesmo lugar. Nosso jardineiro Angelo
Amadio fez uma ohservação curiosa: Viu uma tarde
Tupi descer muito depressa da arvore e defecar para
depois voltar, igualmente depressa, ao seu pouso. Uma
vez apenas encontrei-o no chão, como se pode ver
mais abaixo. E' verdade que, em nosso bosque não
precisava fazer vasseios terrestres, visto commoda-
mente poder alar-se de uma arvore a outra.
Encontrando-se as no chão pode-se facilmente ap-
prehender as preguiças: Apanhadas por traz, abaixo
dos braços ou dos pellos dorsaes ficam completa-
mente inermes. Nesta situação não procuram siquer
defender-se, estendendo as quatro extremidades
como crucificadas, deixando-se assim capturar e con-
duzir. Atacadas numa arvore, tentam naturalmente
defender-se com unhadas, procurando attingir os seus
inimigos com as mãos anteriores. De resto nunca
vi as preguiças andar no solo com as unhas acur-
vadas aproveitando-as, ao contrario, para auxiliar a
sua progressão. Os passaros no Horto botanico nao |
se alteraram com o subito aparecimento do Tupy, o
que prova que o tomaram por uma animal com-
pletamente inoffensivo, ao passo que annunciaram
sempre com bastante gritaria gatos, gambás, -coru-
jas, cobras, etc. Apenas os sabiás avizaram-nos de
vez em quanto do paradeiro de Tupy... Um bello
dia, no mez de Janeiro desappareceu o nosso hos-
jee 805 ja,
pede e sômente depois de tres ou quatro semanas
soubemos que tinha cahido em captiveiro. Creangas
encontraram-no num vallo com arbustos em campo
aberto. O porque da sua fuga não o pudemos com-
prehender. Talvez o instigasse ocio. No tempo da
prisão esteve trancado numa gaiola estreita de as-
pecto mesquinho. Tinha as palpebras e o nariz reme-
losos e um olho vasado. Comtudo comia a alimen-
tação offerecida da mão de seus guardas sem mos-
trar a minima inquietação.
Elle tinha-se acostumado ao homem. Não gos-
tava, por isso, que lhe tocassem. Punha-se então a
bufar experimentando tambem golpear o seu pro-
vocador. Poucos dias após deixou-se coçar sem re-
agir hostilmente. Aqui na gaiola usou muitas ve-
zes as unhas de uma mão para se alimentar. Com
ellas apprehendia as folhas do chão, de maneira
pouco apta, conduzindo-as assim 4 bocca. Offerece-
mos-ihe cincventa differentes espécies de folhas pouco
mais ou menos, provenientes de plantas indigenas e
extrangeiras; mas excepto a sua planta predilecta,
à saber a Cecrópia, apenas quiz as de Figueiras:
Ficus benjaminea, luschnatiana Mig. e eximia
Schott.. as folhas bem novas e molles das amei-
xeiras Hriobotrya japonica Lindl., as de uma Lu-
hea e Bombax longiflorum Schum., bem como as
de uva. Todas as outras foram recusadas. Comia
tambem de preferencia os fructos da ameixeira, re-
pudiando com signaes de nojo, bananas frescas e
figos. No corrente anno de 1918 pelo fim do ve-
rão, recebemos mais quatro preguiças, entre ellas
um filhote meio adulto de Santos, onde estes ani-
maes são conservados num jardim publico, alimen-
tando-se principalmente de Ficus benjaminea, por
completa falta de embaúbas. Eram tres femeas e
um macho. (om curiosidade observamos o seu en-
contro com Tupi soltando-se na mesma arvore onde
estava o veterano do nosso horto. Era natural que
este, privado havia mais de sete mezes da compa-
nhia de animaes Ge sua espécie mostrasse algum
interesse por este encontro tanto mais que os recem-
— 000 —
chegados eram sobretudo do sexo feminino. No
emtanto quando algando-se pela arvore acima, as
novas preguiças chegaram ao ponto onde estava
mostrou a maior indifferença e nenhuma cordialidade.
Não fez gestos nem emittiu som algum, apenas voltou
a cabeça somnolentamente e afinal, decorridos muitos
minutos passou uma só vez a mão sobre a cabeça
do animal que estava mais ao seu alcance, uma fe-
mea. Ao passo que as novas preguiças naquelle
dia fizeram muito exercicio, Tupy se manteve 4
principio indifferente e depois tomou uma attitude
ageressiva contra o macho vindo de Santos. A vida
das preguiças do ultimo lote não foi differente da de
Tupy. O macho mostrou-se mais ágil em todos os
seus movimentos e o filhote mais vivo do que as
adultas. Este ultimo tentou defender-se mais ener-
gicamente contra o inimigo, batendo com os bra-
os, bufando ou tomando posições de luta com os
braços estendidos quando irritado. Todas as quatro
recem-chegadas, preferiram immediatamente folhas
de Cecrópias. Soltas, treparam logo às arvores, ex-
pondo-se ao sol em posições phantasticas, extenden-
do-se completamente, ora com as costas, ora com 0
ventre voltados para o sol.
Havendo duas subido ao mesmo galho, este
quebrou-se e os animaes cahiram de uma altura de
seis a sete metros. Não chegaram ao sólo, porém, ha-
vendo conseguido prender-se aos galhos de outras ar-
vores. Permaneceram depois horas inteiras a tomar
sol. Nenhuma preguiça porém cuidou de alisar os
cabellos. Tupy tentou (a 31 de Maio ) uma luta com
o macho recem chegado, separando-se porém em fim
pacificamente. Não se importou com as femeas, vi-
vendo em geral todas as nossas preguiças numa in-
dependencia a mais absoluta possivel. Não raras ve-
zes se encontraram várias na mesma arvore, sem
preocupar-se uma com a ontra. Si acaso se feria
o tronco da arvore onde se achavam, com panca-
das fortes, ora despertavam ora não; às vezes apres-
savam a subida pelo tronco acima. Tambem se-
guiram ae praticas da avestruz. Mostraram medo
— 807 —
quando surprezas em arvores baixas ou arbustos,
justamente como Tupy o fazia. O filhote assobiou
varias vezes ainda na gaiola de transporte con-
forme as declarações do jardineiro.
Todas descansaram e dormiram como Tupy, en-
costadas com o ventre ao tronco. Geralmente co-
miam diariamente duas vezes: de manhã bem cedo,
entre 7 e 8 horas e no decurso da tarde. O resto
do dia passavam dormindo, fazendo mãu tempo, ou
insolando-se, nos dias bonitos, preguiçosamente. Como
Tupy, percorreram as recem-chegadas nos primeiros
dias o bosque inteiro, da manhã à noite ou que me
maravilhava, era que cahiam varias vezes das Ge-
cropias quebrando os ramos até da altura de 8 até
10 metros, sem porém, prejudicar-se mesmo tom-
bando sobre caminhos duros. Deduzimos, que até
então não haviam conhecido as embaúbas e não sa-
bendo por isto avaliar a resistencia de seus ramos.
Proveio esta conjectura do facto de sabermos que
desde muito viviam. no jardim de Santos.
Conforme diz Brehm, é trabalho penoso arran-
car uma preguiça de uma arvore. Depende, porém,
unicamente de certa habilidade: Scltando unha por
unha, até mesmo uma pessoa, sô, facilmente conse-
gue tiral-a.
Infelizmente, em fins de Junho, a 25, scbre o
nosso parque cahiu uma geada extraordinariamente
intensa, de maneira que se queimaram todas as folhas
das arvores alimenticias. As mais cruelmente attin-
gidas foram exactamente as cecropias. Nos pri-
meiros dias encontram ainda sempre alguns brutos
e folhas de embaúbas e começaram a comer folhas
fructos e cascas tenras de figos, embora queimados
que até agora apenas faziam excepcionalmente. Tupy
tentou matar a fome até com as folhas queimadas
e seccas de Aegiphila sellowiana Cham. e com os
restos parcos das flores de LBombax longifloruin
Schum., bem como nas aineixeiras, que se encon-
tram em estado asselvajado em nosso horto e cujas
folhas preferiram mais tarde todas, às das figueiras,
quando engaioladas. Supponho por conseguinte, que
-- 808 —
näo sabiam distinguir estas arvores das outras, pois,
pareciam sempre achar as figueiras tambem por acaso.
Afflictas pela fome subiam agora mais agitadamente
de arvore a arvore, extraordinariamente desattentas
contra os homens. Era evidente o seu extremo
desassocego. Tambem mostraram-se menos refle-
ctidas nos seus movimentos. Varias vezes vi quebrar
ramos pelos quaes quizeram subir. Nestas occasiões
pude verificar a sua força muscular. Perdendo o
equilibrio para traz. seguravam-se com as unhas
posteriores, de maneira que, fazendo meio circulo,
se levantavam outra vez. Durante o frio, dormiam
varias vezes em p:sição pendente e como denun-
ciando frouxidão. Além disto apresentavam um as-
pecto enfermiço. Sustentaram,todas um frio de tres
gráus abaixo de zero, sem correr perigo sensivel
para a sua saúde. E’ verdade, que esta phase ther-
mica durou apenas tres dias, sendo o maximo do
frio só durante uma noite. Mudou-se logo depois o
tempo.
Em 80 de Junho assisti uma lucta entre os
dois machos. Foi pela tarde, era tempo quente, que
percebi um barulho proveniente de uma arvore no
bosque do Horto Botanico, um ‘tanto distante do
caminho. Approximando-me vi Tupy, n'uma figueira
bufando fortemente e com as narinas remelosas, exci-
tado a trepar e tentando alcançar uma arvore viz -
nha. Logo depois encherguei o objecto de sua
agitação : era o macho de Santos, sentado immovel
numa distancia apenas de 3 metros, em posição
erecta, num ramo. Distendendo todas as unhas do
braço direito, como para desferir um golpe, Tupy
parecia ter perdido toda a phlegina, agindo irrefle-
ctidamente nas suas tentativas para approximar-se
do adversario. Emfim, acalmando-se, descobriu uma
ponte para a outra arvore. Mas quanto mais se
approximava do rival, tanto mais de vagar e tar-
dios erara-lhe os movimentos e-numa distancia de
2 metros e meio demoron minutos inteiros assen-
tado. "Tambem não continuou mais a bufar. Olhou
apparentemente apathico numa e outra direcção e
ae ~ +”
— 809 —
já parecia haver tomado resolução diversa. Então
porém levantou os olhos para o outro macho, mo-
vimentando-se em sua direcção. Mal estava Tupy
a um metro distante do macho de Santos, que este
tentava esbofeteal-o, golpe que falhou; não tardou
se engalfinhassem. Durante minutos ennovellaram
os corps, luctando silenciosamente, até que o macho
de Santos assobiando em voz alta, percuciente e
aguda, procurou livrar-se com todas as forças do
amplexo do rival. Em fim conseguiu pelo menos
libertar-se, do abraço do adversario. Declinando
com o corpo para traz, agitou com os braços
no ar, sempre gritando anciosamente e tentando
defender-se de vez em quando. Mas Tupy segurou-o
na parte inferior do tronco, attingindo-o ahi com a
bocca, sem que eu pudesse, aliás, vêr o que fazia.
Afinal pareceu satisfeito. Deixou subitamente a sua
victima, trepando de vagar, conforme o costume, um
pouco mais alto, onde demorou em posição arecta,
passando tambem no mesmo lugar a noite seguinte.
O macho santista porém, retirou-se com todos os
signaes de extremo medo. Mais cahindo do que
trepando escorregou da arvore, parando no chão
perto de mim. Levantei-o, examinando-o, se não
teria varias feridas, sem porém nada encontrar.
Posto no chão, afastou-se com toda celeridade pos-
sivel. Mas sômente após 40 a 50 metros subiu
outra vez numa arvore, onde pernoitou, agora
acalmado.
Estes dois luctadores na sua excitação não eram
mais « preguiças ». Brehm lembra bem, dizendo que
estes animaes merecem o seu nome apenas no es-
tado de tranquilidade.
Depois de uns dias pareceu repetir-se a lucta
novamente. Tupy foi outra vez o agressor. Ora
parecia levantar-se a lucta, ora retirar-se do con-
tendor. Após muitas manobras inuteis retirou-se
Tupy, como a primeira vez mostrando-se irresoluto,
sem claramente saber o que fazer.
Em consequencia da grande geada, acima men-
cionada, começaram as preguiças a fugir para O
= TO ==
campo, visto näo encontrarem nada mais de comes-
tivel no horto. Tres atravessaram um campo aberto,
em parte queimado, sem arvores de especie alguma,
nem arbustos. Uma foi encontrada numa chacara,
a 400 metros de distancia do Horto Botanico, onde
alimentou-se durante varios dias das folhas da amei-
xelra.
Na sua captura não se defenderam conforme o
costume, nem deitando-se de costas em posição de
espera. Pareciam para tanto impossibilitadas.
Visto taes circumstancias, tivemos que engaiolar
as preguiças, que se acostumaram logo à prisão aliás
muito espaçosa, a antiga estufa envidraçada do Hurto
acceitando immediatamente a aiimentação. Após
varias horas, até dois dias, de percorrer incessante-
mente a sua gaiola, socegaram convencidas da im-
possibilidade da fuga.
Servia-lhes de nutrição as folhas de ficus ben-
jaminea, que não tinham soffrido com a geada, mas
não as apreciavam muito. Agua recusavam-na com-
pletamente. Apresentamos-lhes porém geralmente
ramos orvalhados ou molhados. Notei que urinavam
raramente; diz o nosso jardineiro que urinam uma
unica vez, de dois em dois dias, ou mesmo de tres em
tres sendo então a micção muito abundante.
Dormiam sobre prateleiras, postas nas paredes
ou no chão, numa arvore posta adrede para lhes
servir de pouso; ficavam na posição pendente,
somente por falta de ramos fortes e verticaes.
Aqui em espaço estreito, n'um pequeno vivieiro
de plantas, onde um encontro era inevital, realisa-
ram-se novas lutas entre os dois machos. O de Santos
foi tão maltratado por Tupy, que tivemos de o alojar
em outro logar. (Certamente teria sido morto pelo
antagonista. Tinha os pês ensanguentados acima das
unhas e tornou se tão timido, que assobiava baixo
quando apenas tocado delicadamente. Examinando-se
as feridas nos pés, gritava altae medrosamente, sem
porém defender-se. Brebm cita à pag. 651, que a pre-
guiça supporta as feridas graves com a indifferença de
um cadaver e tambem o Sr. Garbe affirma o mesmo.
— 811 —
Nossas observações porém attestam, que as pregui-
ças não são tão insensiveis. Não importa a ausen-
cia de gritos achando-se maltratadas, porque outros
animaes melhor organisados, fazem a mesma coisa.
Conforme as lutas, acima descriptas, parece ser 0
tempo do cio no Estado de S. Paulo para estes ani-
maes os mezes de Junho e Julho e talvez o de
Agosto.
Tambem as femeas mostraram na sua prisão
contendas de menor vulto, uma contra outra. Ap-
proximendo-se uma da outra, tentaram não raras
vezes bater-se, sem porém alcançar o seu fim. De
passagem belliscavam-se sorrateiramente. Muitas
vezes encostavam a cara às partes genitaes da outra,
a aspirar-lhes o cheiro.
A primeiro de Agosto, à tarde nasceu um fi-
lhote, infelizmente morto. Quando o vi ja estava frio.
O macho tinha-ihe comido uma perna trazeira ; facto
que presenciei, admirado. Desapparecera tambem a
placenta provavelmente devorada pela propria par-
turiente como tantas especies o fazem. A mãe dor-
mia sentada.
Nos dias seguintes após ter voltado novamente
o frio, sucumbiram as quatro preguiças de Santos,
sem se ter observado indigestão alguma. Suppo-
mos, que hajam sido atacados de peneumonia. Isto
parece muito verosimil, porque em Santos reina um
clima muito mais quente de que em São Paulo, alli
não havendo geada. Duas dellas tiveram a mais
longa e penosa agonia reveladora de cradelissima
dyspneia o que me faz acreditar na possibilidade de
uma congestão pulmonar provocada pela baixa ex-
cessiva da temperatura.
Apenas Tupy venceu com vigor todos as intem-
peries do inverno excepcionalmente rigorosa de 1918.
E' animal do campo acostumado a um clima mais
aspero oriundo das regiões humidas e frigidas do pla-
nalto. Mas para não perdel-o preferimos prendel-o,
contra eventuaes e novas camadas de geada.
Elle comprehendeu perfeitamente, que a sua
vida dependia do aprovisionamento feito pelos ho-
— 812 —
mens de sua guarda, o que se podia deduzir do seu
comportamento alongando o braço como a im-
plorar soccorro quando ouvia passar uma pessoa.
A preguiça nascida na prisão, tinha 18, 5 em
de comprimento, era completamente pelluda, mos-
trando a mesma cor das adultas, com as duas es-
trias costaes branquicentas bem distinctas. Os den-
tes tinha-os desenvolvidos.
Quando à distribuição de Bradypus tridactylus
seja dito de passagem que se encontra no litoral do
Estado de S. Paulo e no planalto da orla florestal
que vem da serra não raras vezes, faltando porém
no interior. E” abundantissimo nos municipios de
S. Sebastião e Ubatuba. No Estado de Santa Catha-
rina encontra-se ainda, como se acredita, até a cos-
ta de Desterro, em consequencia do seu ciima, sem
geada, mais favoravel de que o de S. Paulo, ( Ca-
pital), onde este phenomeno sobretudo nocturno
occorre muitas vezes.
Encontramos neste animal a Ixodide Amblyo-
ma varium Koch. Sobre outros parasitas ( Micro-
Jepidopteros ) veja-se a «Revista do Museu Pau-
lista», Vol. IX 1914, pag. 123. Tambem uma alga
Chlorococcus sp. vive nos seus cabellos, bem como
diversas Blattidas.
Merece especial menção, que Tupy é muito
mais forte e comprido do que todas as preguiças
até agora por nós observadas. Tambem o seu co-
lorido é differente, antes pardo do que cinzento. Um
numero de nossa collecção, tambem proveniente de
S. Bernardo é egual a Tupy. Esperamos uma no-
va remessa de bradypus afim de estender estas des-
pretenciosas observações biologicas, devendo breve-
mente ser trazidas para o nosso Horto, afim de alli
viverem em liberdade mais cinco ou seis preguiças
adultas. Nada, atê agora, pudemos notar sobre a
sua vida sexual, sendo taes observações ainda muito
deficientes segundo deduzimos da bibliographia de que
conseguimos lançar mão.
: 4 Já É
Rd Pl on go A ES
air ara S E le TES ARS RP batten,
| PARTS gan PRE
al AS ¥ t ta yo vie
a e era 1 po Pa Ye
ve : ou 4
NOTAS DE ARCHEOLOGIA PAULISTA
POR
BENEDICTO CALIXTO
NOTA DA REDACÇÃO
Entre as antiguidades quinhentistas de que de posse
estava a Camara Municipal de S. Vicente as mais notaveis eram
talvez uma lapide com inscripção — a mais remota das que se
conhecem no Estado de S. Paulo, pois data de 1559 — e os
fragmentos do antigo pelourinho da villa. Por inspiração de
Benedicto Calixto — cuja idéa foi vivamente apoiada pelo
Prefeito Municipal Coronel J. Bensdorp e o Vereador Dr.
Persio de Souza (Queiroz — resolveu a municipalidade vi-
centina, em Setembro de 1917, offerecer tão veneraveis ob-
jectos ao Museu Paulista. A este proposito escreveu o Snr.
B. Calixto os dous artigos que no presente tomo da Revista
se inserem e em que o eminente artista e erudito co-
nhecedor das cousas da tradição de S. Paulo estuda a pro-
cedencia e as vicissitudes por que passaram as preciosas re-
liquias.
- a
Reliquias historicas de S. Vicente (°)
I
O pelourinho
Logo que o donatario Martim Affonso de Sou-
sa aportou ás praias de S. Vicente, no dia 22 de
janeiro de 1532, depois de ter a sua frota regres-
sado dos mares do sul, conforme relata o « Diario »
do seu irmão Pedro Lopes de Sousa, deu começo
à fundação immediata de sua colonia, cencedendo
predicamento de villa à povoação que já aqui exis-
tia. talvez, antes da sua chegada.
O chronista vicentino, Fr. Gaspar da Madre
de Dens, diz à pag. 39 de suas « Memorias », que
o capitão Martim Affonso, logo que aqui desem-
barcou, «erigiu, para matriz, uma egreja com o
titulo de Nossa Senhora da Assumpção ; fez cadeia,
Casa do Conselho e todas as mais obras publicas
necessarias; foi, porém, muito breve a duração
destes edifícios, porque tudo levou o mar. »
E” aliás bem conhecido, pelas referencias dos
historiadores e chronistas, e pela tradição — o phe-
nomeno sismico, especie de « maremoto», ou sim-
ples desvio do canal, que produziu o desmorona-
mento da praia, proximo à «llha do Sol» (hoje
«llha Porchat»), onde se achava edificada essa
primitiva villa de Martim Affonso (**).
(*) Extrahido da memoria historica « Donataria de
Martim Affonso », escripta por B. Calixto, a qual está sendo
publicada na « Revista do Instituto Historico de S. Paulo »,
sob o titulo « Capitania de Itanhaen ».
(**) Esse phenomeno — desmoronamento da praia —
ainda se reproduz, na praia de S. Vicente, em certas épocas,
como é bem conhecido de todos os moradores desta antiga
villa.
>
— 816
Accrescenta o chronista vicentino, ao tratar
ligeiramente deste assumpto, que, «no anno de
1942, já não existia a Casa do Conselho, e que a
povoação se tinha mudado para o logar onde hoje
existe, segundo consta de alguns termos de verea-
ções desse tempo, nos quaes termos acho que os
camaristas se congregaram na egreja de Nossa Se-
nhora da Praia, em o dia 1.º de janeiro ( desse anno )
e, em 11 de março; porém, a 20 de maio desse
mesmo anno de 1542, já se reuniam na egreja de
Santo Antonio (para fazerem vereança.) por ter o
mar levado a Casa do Conselho. ( Archivo da Ca-
mara de S. Vicente, Gad. de Vereag., anno 1942). »
« Pela mesma razão, conunüa Fr. Gaspar, se
assentou na vereação de 4 de julho deste anno fa-
zer casa nova para o conselho. A 3 de janeiro de
1545 levaram em conta a Pedro Collaço, procura-
dor do Conselho, no anno antec2dente, a quantia de
00 réis, que se havia gasto em tirar do mar os
sinos e pelourinhos; 300 réis pagos a Jorge Men-
des, que os merecera, no pelourinho da praia; 20
réis a quem conduziu-o para a villa, e 250 réis
que satisfizeram a Jeronymo Fernandes, por dar
pedra, barro e agua necessaria para novamente se
levantar o dito pelourinho. »
Por estes dados preciosos, que nos forrece o
incançavel chronista de S. Vicente, extrahidos des-
ses velhos cadernos do Archivo da Camara de S.
Vicente, que ainda existiam no fim do seculo XVII
e hoje inteiramente desapparecidos — vê-se que o
referido phenomeno, que destruiu completamente a
primeira povoação de S. Vicente, occorreu no mez
de março de 1942; deduzindo-se, portanto, que a
existencia, quasi ephemera, dessa villa, foi apenas
de dez annos.
Esse «pelourinho » symbolo da jurisdicção e
ao mesmo tempo insignia do poder e do rimio na
importante « Capitania das cem leguas de costas » ;
esse « pelourinho », que havia sido erecto solenne-
mente pelo proprio donatario Martim Affonso de
Sousa, no dia em que concedera o predicamento de
— 817 —
villa a essa povoaçäo, que, dahi em deante, ia ser
a séde da sua vasta donataria, até ao anno de 1624;
esse «pelourinho », finalmente, depois de ter sido
“derribado e tragado pelo mar, ia ser erecto de novo
com toda a solennidade, no pateo da nova Casa do
Conselho e da nova matriz, que, por ordem do ca-
pitão Pedro Collaço Villela, cavalheiro fidalgo, es-
tavam sendo erguidas, em face da primitiva egreja
de Santo Antonio, que já ali existia, ha dez annos,
construida pelos religiosos franciscanos vindos de
Lisbôa, na companhia de Martira Affonso de Sousa,
em 1532.
Esse pateo, ou esse largo, no qual se erigin de
novo o « pelourinho » de Martim Affonso, chama-
va-se, com justa razão, largo de Santo Antonio —
pelo facto de estar ahi edificada a primitiva egreja
“desse nome, que, de 1044 até 1559, serviu de ma-
triz e de Casa de Conselho, conforme os documentos
antigos da Camara de S. Vicente, citados por frei
Gaspar, e a inscripção gravada na-« pedra antiga »
da qual nos occuparemos adeante.
O Collegio dos P.P. Jesuitas, que se fundou na
villa de S. Vicente, de 1549 em deante, anterior
ao de S. Paulo e ao de Santos, como é bem co-
nhecido, estava tambem erecto em um dos lados
desse «largo de Santo Antonio», proximo ao «morro
da Biquinha», que era, então, egualmente denomi-
nado — morro de Santo Antonio.
Essas denominações historicas de S. Vicente
estão hoje, infelizmente, esquecidas e substituidas por
nomes extravagantes ou inteiramente extranhos às
_ gloriosas tradicções desta terra.
Era ainda ahi, nesse amplo largo de Santo An-
tonio, em frente do Collegio dos P.P. Jesuitas, que
existia o celebre — Gruzeiro de Anchieta — de que
nos fala o brigadeiro Machado de Oliveira, no seu
« Quadro Historico da Provincia de S. Paulo ». Os
restos desse « Cruzeiro » estão actualmente no « Mu-
seu Nacional do Rio de Janeiro » para onde foram
recolhidos após a Independencia.
— 818 ce
O «pelourinho», apesar de ser considerado
como a «columna infamatoria », onde se puniam os
delinquentes expostos à ignominia publica, era, en-
tretanto, como já demonstramos, o symbolo da ju-
risdicção e do poder.
Em S. Vicente, como em Itanhaen, as duas
villas primitivas do littoral, que mantiveram durante
mais de dois seculos as suas prerogativas de — séde
da importante e vasta capitania de Martim Affonso
de Sousa, os seus «pelourinhos » foram sempre cs
centros em torno dos quaes se disputavam o pre-
dominio e posse dessa extensa jurisdicção « das cem
leguas de costa » durante os periodos agitados desse
famoso e intricado litigio entre herdeiros de Martim
Affonso e de seu irmão Pedro Lopes ; isto é — entre
os condes de Vimieiros e os de Monsanto.
Quer em Itanhaem, quer em S. Vicente, de 1524
a 1721, era «subindo os degraus do Pelourinho,
beijando e empolgando os ferros (argollas) do mesmo
que os locotenentes dos donatarios tomavam posse
solemne em nome de seus constituintes, não só da
villa — Cabeça da Capitania — como de toda a ju-
risdicção da vasta donataria », conforme rezam os
velhos documentos de S. Vicente e Itanhaem.
Durante o periodo da nossa Independencia, em
que as villas do littoral, da antiga donataria de
Martim Affonso, tanto apoio prestaram ao (Governo
Provisorio de S. Paulo e aos principaes factores da
nossa emancipação, antes e depois do famoso «Grito
do Ypiranga», como havemos de provar com os
respectivos documentos do seus velhos archivos mu-
nicipaes, — as duas villas primitivas, S. Vicente e
Itanhaem, apesar do seu odio ao antigo despotismo
colonial, ainda conservaram, por algum tempo, após
a Independencia, esse symbolo da antiga e vasta
jurisdicção dos seus governadores.
Segundo se le em acta da Sessão Extraordinaria
da Camara de Itanhaem, datada de 27 de maio de
1829, o Rev. Vigario Collado, João Baptista Fer-
reira, como presidente da Camara dessa villa, man-
dava ler a seguinte indicação: «Que em vista do
is dica A
wes 81g 5
Foral numero 212 e bem como de um officio em
que o exmo. sr. vice-presidente se admirava de ainda
haver, naquella época, um «tronco» na Freguezia
de Queluz e requeria à Camara que se ordenasse
ao Juiz de Paz — banisse e tirasse tal «tronco » da
vista de cidadãos que gosavam de uma liberdade
legal, que lhe garante a Constituição jurada...
«E, como se achasse um «tronco» tambem |
aqui nesta villa de Itanhaem, que da velha Cadeia
foi trasladado para o logar destinado a prisão pu-
blica, exigia com urgencia que se determinasse ao
fiscal — quanto antes o consumisse; de tal fórma
que nem mais vestigios apparecesse nesta villa de
um instrumento de tortura, flageliador da humani-
dade e banido pela Lei; recordador das victimas
desgraçadas do caduco despotismo... »
As autoridades de Itanhaem que assim deter-
minavam o banimento e extincção completa desses
instrumentos de torturas em 1829, «oitavo da In-
dependencia », toleravam entretanto que no mesmo
pateo do Conselho ( Largo do Cruzeiro ) e na antiga
aldeia de Abarêbebê ( Então aldeia de S. João) se
ostentasse ainda a « columna do Pelourinho », sym-
bolo da antiga jurisdicção da Capitania dos condes
de Vimieiro, herdeiros de Martim Affonso de Sousa.
Em S. Vicente como em Itanhaem as autori-
dades da época da Independencia, pelo grande amor
às tradicções desta terra, tiveram a mesma tolerancia.
O velho « pelourinho », cuja columna se com-
punha de tres secções octogonaes de granito, o qual,
ha trezentos annos, vinha assistindo- aos fastos e ás
vicissitudes desta villa memoravel, ainda se conser-
vou per muitos annos na velha praça que teve
outrora a denominação de Largo de Santo Antonio.
Homens antigos de S. Vicente, como os srs.
João Marcellino de Azevedo e capitão Arlindo das
Neves, ainda viram esse «pelourinho », em seu
respectivo local, após a Independencia, conforme in-
formações que os mesmos nos deram ha muitos
annos.
ae
Uma Camara, menos tolerante e mais radical-
mente inspirada em idéas « liberaes e patrioticas »,
no tempo em que a villa de S. Vicente descia ao
ultimo grau de sua decadencia, ordenou que esse
«symbolo ignominioso» fosse derribado de seu
pedestal
De 1891 a 1900, por cccasião da commemo-
ração do IV centenario da descoberta do Brasil,
procurâmos indagar o paradeiro de algumas peças
do antigo «pelourinho », e conseguimos, com o
auxilio do sr. Antonio Militão de Azevedo e cutros
vicentinos de boa vontade, descobrir esses tres blócos
de granito, por indicação do velho João Marcellino
de Azevedo, os quaes se achavam servindo de pilar
ou de «frade » nos angulos do muro que guarnece
o adro da velha matriz.
Esses tres blôcos, que com outras peças archeo-
logicas fizeram parte da « Exposição de Antiguida-
des » nas mesmas festas do IV centenario, foram
depois confiados à guarda da Camara Municipal vi-
centina, e vão agora, em boa hora, ser enviados ao
Museu Paulista.
II
Uma lapide com inscripçäo antiga
Entre os poucos objectos antigos que ainda
existem na Camara Municipal de S. Vicente, desta-
ca-se um pedaco de granito, toscamente lavrado, em
forma prismatica quadrangular, tendo em uma das
faces, gravados em caracteres antigos, de maneira
original e authentica, estes dizeres : Ihus Po. Cola-
co. VILELA. ME MANDOU FAZER. NA ERA DE
1559. Cuja traducção ou interpretação exacta deve
ser esta: IHS. Pedro Collaco Villela mandou fazer
(esta egreja) no anno (ou era) de 1559.
Esta pedra curiosa, que parece ter servido de
verga ou batente de alguma porta ou janella na
frontaria da egreja matriz da 2.º povoação, que
teve o seu começo de 1542 em deante, foi ca-
8
— 921 —
sualmente descoberta em uma excavação feita nos
arredores do adro da actual egreja matriz em 1878.
O Capitão Gregorio Innocencio de Freitas, que
era nessa occasião, presidente da Camara Munici-
pal de S. Vicente, mandou então recolher a dita
pedra para o velho edificio da Municipalidade, on-
de ainda se conserva.
A unterpretaçäo dos dizeres respectivos, feita
pelos jornaes dessa época, que então se occuparam
dessa descoberta, era que — « essa inscripção fora
mandada gravar ali pelo « illustrissimo Pacocho Co-
laço Villela». Essa opinião foi acceita, e era as-
sim nesse teor que os empregados da municipalida-
de vicentina satisfaziam às indagações curiosas de
algum visitante, amante de velharias. Entretanto, a
interpretação verdadeira dessa velha inscripção epi-
graphica é bem diversa, como se está vendo; e não
precisa ser profundo em conhecimentos paleographi-
cos e epigraphicos para decifrar, com clareza, essa
inscripção quinhentista.
Em primeiro logar, temos a observar que a
primeira palavra, do primeiro grupo de lettras —
Ihus — não pode ser interpretada por « Illustris-
simo », pois que a reunião dessas tres lettras —
IHS, ou Ihus está indicando claramente ser uma
abreviatura do nome de «Jesus», signal esse já
usado nessa época, mais ou menos com tal interpre-
tação, pelos padres da « Gosrpanhia de Jesus». Os
sacerdotes missionarios que estavam domiciliados em
S. Vicente, desde 1549 já deviam usar esse « Sigla »,
ou esse « distinctivo » da sua « Sociedade» ou da
sua «Ordem ». (1).
(1) Sobre a origem grega ou latina dessa palavra
I H §, e da sua verdadeira interpretação, divergem as opi-
niões dos paleographos. Eis o que sobre tal assumpto, diz
o erudito padre I. Botta: « Desde os tempos antigos, dis-
cutin-se si a abreviatura I H S era de origem grega ou la-
tina: as primeiras moedas em que appareceu são do tempo
de Justiniano II (685-695); depois, a reproduziram ou-
tros imperadores. Formando parte de lendas latinas, é mais
natural suppor o I H S como abreviatura do nome de Je-
e O Oe
A abreviatura do nome de Jezus, como se ve-
ra pela « nota» abaixo, era feita, nessa época, e mes-
mo antes, pela forma seguinte: 1hS, Ihs, IHS e al-
gumas vezes IhSvS, ou 1hVS, como vêmos gravado
nesta pedra. A phantasia ou a impericia do grava-
dor, sobre poz o — « u » — minusculo com um tra-
vessão horizontal, mais esse accidente em nada
póde alterar a epigraphia da palavra, que está aliás
bem clara.
Esta por conseguinte provado cue essa pedra,
com a respectiva inscripção, serviu na fronteira da
Egreja Matriz de São Vicente e não na fronte da
casa do conselho, como primeiramente se suppoz ;
pois si ella se destinasse a um edifício que não fosse
destinado às funcgdes do culto religioso não teria
esse signo consagrado a Jesus.
Em segundo logar, as duas letras — Po — que
se seguem ao primeiro grupo, não pddem ser in-
terpretadas como « Parocho », visto que não consta
sus, em latim; no anno de 780 apparece. uma moeda de
Constantino VI com essa sigle, conjugado com a palavra —
XPISTUS NICA (Christo reina), que são evidentemente
gregas; todavia, vê-se clara uma confusão de letras no
idioma usado, principalmente o C em logar de K, segundo
todas as regras da epigraphia grega.
A historia da epigraphia cita outros documentos em
que figurava a celebre sigla I H S ( Ravena, sec. VI, Roma,
sec. IX, Roma, sec. XIII) sempre em conjugação com ou-
tras palavras latinas. Por este motivo, a critica moderna
inclina-se a pensar que sua origem é latina. Todavia, o I
pode bem ser o (ióta) grego e o H — (éta), ou o «é»
longo, que, quando maiusculo, tem a forma de H, e o S
seria o (sigma) final: neste caso, sua osigem seria grega,
cpinião aliás defendida por varios 'escriptores antigos de
grande erudição: penso que a questão ha de ficar sem uma
solução definitiva.
A interpretação dessas tres letras, como Jesus Hominum
Salvator ou Servator, é uma invenção engenhosa dos padres
jesuitas ou pelo menos popularizada por elles; desde então
separaram-se as letras I H S, como que indicando que não
eram abreviaturas de uma palavra só, sinão as iniciaes de
tres palavras differentes ; pois a abreviação do nome de Jesus
era sempre I h S. Ihs. I HS e as vezes I h SVS.
Le
3?
Segoe =
que tivesse havido, em São Vicente, parocho ou sa-
cerdote algum com o nome de Collaco Villela.
As duas letras — Po — säo portanto a abrevia-
tura do nome — Pedro Collago — isto é, do capitão
Pedro Collago Villela, pessôa alias bem conhecida aa
historia da fundação de São Vicente, e que occupava
nessa época, 1043, o cargo de procurador do con-
selho e foi logo depois, de 1559 ou 1561 em diante
nomeado capitão-mór — governador e locotenente de
Martim Affonso de Sousa.
O capitão Pedro Collaço Villela, EO anterior-
mente occupado em São Vicente o cargo de pro-
curador do Conselho, conforme consta do documento
seguinte, citado por Fr. Gaspar: « A 13 de Janeiro
de 1543 levaram em conta a Pedro Collaço, pro-
curador do Conselho no anno anterior, a quantia de
cincoenta réis, que havia gasto em tirar do mar os
sinos e O Pelourinho, da primeira Fopeaiao que o
mar havia destruido. . .».
A edificação da Casa do Conselho, bem como a
da matriz na nova povoação de São Vicente, feitas
sob a direcção de Pedro Collaço, conforme se esta
vendo, foram terminadas nesse anno de 1559, que
foi quando elle, não como procurador do Conselho,
mas sim como governador da capitania, mandou
fazer a dita inscripção para ser collocada na frente
da matriz.
Essa matriz de São Vicente construida em 1559,
conservou-se até ao anno de 1756 em que foi de-
molida por ordem do bispo d. Antonio da Madre de
Deus e reconstruida sob a direcção do Vigario de
São Vicente, padre José Thomé Rodrigues, que a
Inangurou, solennemente, a 22 de janeiro de 1759,
conforme se verifica de um velhc registro que pos-
suimos, tirado do antigo livro do Tombo desta
parochia.
Essa segunda egreja, construida em 1559, sob
a direcção de Pedro Collaco Villela, estava situada
no mesmo local da actual, tendo porém outra orien-
tação. A frente dessa velha martriz estava voltada
para o sudoeste, em direcção ao porto de Tumiarü,
— 824 —
e não para o occidente, como é a da actual egreja
matriz.
Tudo está claramente demonstrado nesse veiho
registro que alludimos ( 2).
Fr. Gaspar da Madre de Deus, na sua « Re-
lação dos Capitães lócotenentes, governadores de S.
Vicente, desde 1536 a 1603», assim se exprime
quando trata desse capitão-mór Pedro Collaço :
« Pedro Collago — Cavalheiro fidalgo: Consta
do livro das veriações que principia em 1561, fls.
17, que aos 11 de maio de 1561 esteve presente na
Camara de S. Vicente o capitão Pedro. Collago. Não
se acha o auto da sua posse nem da sua eleição,
mas infere-se da Carta citada adeante que as duas
Camaras ( Santos e S. Vicente) o elegeram logo
depois de notificarem Francisco de Moraes ( capitão )
que tinha acabado o seu tempo...»
« Vi sesmarias, accrescenta o dito chronista,
passadas por Pedro Collaço, de 18 de julho a 26 de
novembro de 1562 ».
Esse outro capitão Francisco de Moraes Bar-
reto, segunda a referencia do documento citado, foi
o antecessor de Pedro Collaça Villela.
« Consta, diz ainda fr. Gaspar, que Martim Af-
fonso o provêra por tres annos, que tomara posse a
30 de abril de 1558; e que tinha governado a Ca-
pitania até 19 de maio de 1561, dia em que lhe es-
creveram a carta que se acha registrada no archivo
da Camara, livro das veriações, fls. 16».
« Diziam a este capitão ( Francisco de Moraes )
que se tinha outra provisão a mostrasse, para lhe
darem cumprimento; aliás, fariam sua obrigação, a
(2) Por esse mesmo registo do livro do Tombo, vê-
se que a egreja de Santo Antonio, que foi fundada em 1532
pelos religiosos franciscanos, que vieram em companhia de
Martim Affonso, ainda existia nessa épcca no mesmo p'teo
em frente à velha matriz. O bispo de S. Paulo, d. Antonio
da Madre de Deus, interdictou a velha matriz, por se achar
em ruinas, e ordenou que as imagens e o culto fossem tras—
ladados para a referida egreja de Santo Antonio, emquante-
se reedificava a matriz de S. Vicente.
|
|
chat à 2.
sonia ee OS Sc tt à
ET id St
~
— 825 —
qual era juntarem-se com os camaristas de Santos e
elegerem outro capitão ( Pedro Collaco ), como de
facto o fizeram...»
Um dos ultimos actos de Francisco de Moraes
Barreto, antecessor de Pedro Collaço, como gover-
nador de S. Vicente, foi dar provisão, em nome de
Martim Affonso de Sousa, a 23 de abril de 1561,
elevando a povoação de Itanhaen, crêada pelo mesmo
donatario, em 1532, ao predicamento de villa, con-
forme affirma o mesmo fr. Gaspar.
A nomeação de Pedro Collaco foi confirmada
pelo donatario que lhe outorgou, como aos demais
loco-tenentes, poderes de créar villas e conceder ses-
marias e datas de terra, em seu nome, como pro-
vam não só as sesmarias citadas por fr. Gaspar,
como outras «datas de terra » concedidas por elle
conforme se verifica do « Registo Geral da Camara
Municipal de S. Paulo ».
Por um documento registado na dita Camara
de S. Paulo, ve-se que foi o capitão Pedro Collaço
quem concedeu, por sesmaria, as terras para o Rocio
do Conselho da vilia de S. Paulo, durante a sua
administração, na Capitania de S. Vicente, como ca-
pitão-governador.
A pag. 106 e seguintes do « Registo Geral da
Camara de S. Paulo» ( 1637-1660) consta o « re-
gisto do autoamento da Carta de data Rocio desta
villa e do auto de demarcação » que a mesma Ca-
mara mandou proceder no dia 28 de fevereiro de
1598.
Esse registo diz entre outras cousas, 0 seguin-
te: «... Na casa do Conselho, estando ali os offi-
ciaes da Camara deste presente anno ( 1598 ) a saber :
Gonçalo Madeira jniz ordinario e Antonio Raposo e
Diogo Fernandes, vereadores e Pedro Nunes, Pro-
curador do Conselho, por elles foi mandado a mim
escrivão que autoasse uma petição e um despacho
que na caixa da Camara se achou, em o qual Ca-
pitão, que digo passado, que foi nesta Capitaria Pe-
dro Collaco, que. fez doação em nome do sr. Mar-
tim Affonso de Sousa, de certa quantidade de terra,
— 826 —
para datas, para casas e quintaes e rocio do Con-
selho, a qual doação é tal como adeante se contém ;
é por estar maltratada a mandaram autoar para to-
marem posse das ditas terras e lhe porem marcos,
sendo necessario, e se registar tudo para se não
perder ».
Nem neste registo, nem nos autos de « medição
e posse» que se seguem estão declarados o dia e
o auno em que Pedro Collaço fez esta doação das
terras do rocio à Camara de São Paulo em nome
de Martim Affonso de Sousa; porém, como o tempo
da sua gestão no governo da Capitania de São Vi-
cente foi apenas de um triennio, isto é— 1559 a
1562, é provavel que essa concessão houvesse sido
feita durante esse periodo em que elle esteve exer-
cendo o cargo de lóco-tenente de Martim Affonsso.
O que não resta duvida, para a historia da fundação
de São Paulo, é que o donatario Martim Affonso de
Sousa, além de ser o fundador da primitiva povoação
de São Paulo, em Piratininga, foi ainda quem lhe
deu o foral de villa e quem lhe concedeu as terras
para o «rocio do Conselho », por intermedio de seu
lóco-tenente Pedro Collaço Villela.
No auto de demarcação dessas terras consta que
o capitão Pedro Collago, « em vista da petição dos
officiaes da Camara da Villa de S. Paulo, e por ser
justo o seu pedir, lhes doou as ditas terras... as
quaes se estendem em cinco tiros de besta ao ar-
redor da villa... as quaes partirão pelo rio Ta-
mandoatehy até a ponte que serve para... e dahi
irá cortando a terra de Jorge Moreira e outros...
até dar no rio grande... etc. »
Essas terras do rocio doadas por Pedro Gollaço
em 1999 ou 1560 estiveram por perto de quarenta
annos quasi abandonadas, como refere o auto ja
transcripto, que tem a data de 28 de fevereiro de
1598. Como porém já nessa época ( 1598) as « da-
tas de terras» estavam sendo invadidas por intru-
sos, a Camara resolveu tirar do esquecimento essa
doação feita pelo donatario Martim Affonso de Sousa
e mandou não só que se demarcasse e se lavrasse
way
— 827 —
auto de posse dessas terras do rocio, bem como que
ficasse registado o nome de seu doador ; esquecendo,
entretanto, de ordenar, infelizmente, que se declaras-
sem, no dito registo, o dia e o anno em que foi feita
tal doação.
Para supprir de alguma forma essa lacuna, no
velho archivo de São Paulo, quanto ao anno ou a
época em que o capitão Pedro Gollaço Villela fez
essa importante doação à Camara Municipal de São
Paulo, ahi está essa pedra, com a respectiva inscri-
pção epigraphica que em bôa hora foi requisitada
pelo digno director do Museu Paulista, o dr. Affonso
dE. Taunay, a qual attestará em todo o tempo a
época em que Pedro Coilaço exerceu o cargo de ló-
co-tenente de Martim Affonso de Sousa.
Le,
à) A CL é | WE AMIE
: Ls cin M , il NE | Aba —
] D .
» Er aan
j e
|
/
>
\
4
.
{
| \
x 2
~ /
*
. l :
~
/
\
. 1
x
e +
<<"
O PRIMEIRO NATURALISTA DE SÃO PAULO
(DIOGO DE TOLEDO LARA E ORDONHES, 1752 — 1826)
Affonso d' E. Taunay
UM NATURALISTA IGNORADO
nn
.
Referencias aqui e ali encontradas, desde muito
nos chamavam a attenção para a figura, hoje tão
esbatida pelo tempo, de Diogo de Toledo Lara e Or-
donhes, dando-nos a impressão de que se commettia
uma injustiça para com a apagada memoria deste
homem tão erudito quanto modesto. O acaso fez
com que no Archivo do Estado de S. Paulo, entre
os papeis deploravelmente truncados e avariados de
seu irmão, o muito conhecido José Arouche de
Toledo Rondon, se nos deparassem os restos muti-
lados e muito maltratados de uma memoria ácerca
da ornithologia brazileira, concebida e executada so-
bre as bases que regiam o estudo da zoologia nos
principios do seculo XIX, tratado devido à sua.
penna timida e inimiga da publicidade. O exame
dessas laudas desbotadas é quanto basta a nosso ver
para que se lhe attribua a honra de haver sido o
primeiro filho de S. Paulo que haja escripto scien-
tificamente alguma cousa sobre as sciencias natu-
raes; um dos muitos raros brasileiros occupados
com taes assumptos em época já de nós distante.
Inspirado nas concepções lineanas, abeberando”
se no famoso « Systema naturae » do grande sueco,
procurou Diogo Ordonhes ligar os seus estudos or-
nithologicos ao edificio zoologico de seu tempo, fa-
zendo um ensaio de determinação das especies es-
tudadas que, entre paulistas, quiçá entre brasileiros,
salvo quanto a Alexandre Rodrigues Ferreira, vem
a ser a primeira demonstração da systematica e da
biologia entre nós.
De seus estudos poucos vestigios restam : essas
paginas de um fragmento de livro, que devia ter
sido muito mais volumoso, pois está numerado o
— 832 — J
que existe de 124 a 149. E é provavel que se não
limitasse Ordonhes às observações ornithologicas,
pois as 86 notas com que commentou a famosa
carta anchietana: «a descripção das innumeras cou-
sas naturaes que se encontram na provincia de S.
Vicente», bem demonstram quanto era versado em
zoologia geral, falando com segurança sobre mam-
miferos e peixes, aves e reptis. Assim é possivel
que muito tenha escripto sobre a historia natural,
deste grande acervo só existindo o que escapou
graçes ao imeresse de Antonio de Toledo Piza,
piedoso recolhedor, para o Archivo do Estado, do
espolio avariado do general Arouche,
Em todo o caso, o que se salvou basta para
estabelecer uma preeminencia, a nosso ver indis-
cutivel, a favor de Diogo Ordonhes.
A primeira observação elogiosa que a seu res-
peito tivemos o ensejo de ler foram as palavras de
Saint-Hilaire, quando lhe chama «le savant Diogo
Ordonhes » ( « Voyages dans les provinces de St
Paul et de Sainte Catherine», pag. 60). Mostra,
o illustre viajante e naturalista francez, em differen-
tes topicos desta obra, quanto o apreciava, citando-
lhe com verdadeiro acatamento, e frequentemente, as
annotações às « Noticias Ultramarinas », e demon-
stra ter tido conhecimento do facto de haver o es-
criptor paulista corrigido a obra de José Barbosa,
primordial para o estudo da historia de Matto
Grosso e hoje impressa no tomo XXIII dos « An-
naes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro ».
A publicação das « Ghronicas de Cuyabä », de
Joaquim da Costa Siqueira, no tomo IV da « Re-
vista do Instituto Historico de S. Paulo», levada a
effeito por Antonio de Toledo Piza, que tambem
lhes achära o original no espolio do marechal Arou-
che, veiu revelar outra série de notas valiosas, egual-
mente devidas a Diogo Ordonhes e denunciadoras
da sua profunda erudição das cousas brasileiras.
Os estudos sobre Pedro Taques e sua obra nos
trouxeram ainda a convicção de que ao illustre
paulista se deve, talvez exclusivamente, o salvamento
intao Reis ©
ml à à
do que resta da « Nobiliarchia Paulistana ». A cô-
pia que desta existe e hoje pertencente ao Instituto
Brasileiro, codice por onde se fez a impressão da
obra monumental, é quasi toda de sua mão; pro-*
vam-no exuberartemente os cotejos que entre ella
e os seus numerosos autographos levâmos a effeito.
Aliás declara-o, issophismavelmente, o visconde de
S. Leopoldo, ajuntando que collaborara em simi-
lhante cópia. Assim não ha duvida possivel: as
numerosas e excellentes notas da « Nobiliarchia »
são de sua lavra. 151
No prefacio da segunda edição da «Cultura e
Opulencia do Brasil por suas drogas e ininas», a
obra insubstituível de Antonil, outra referencia se
nos deparou reveladora de nova face da cultura do
nosso biographado : a esclarecida e sabia bibliophilia.
Possuia elle, diz o editor, « hum livro que estimava
tanto que não o tinha entre outros de sua estante,
mas sim na gaveta pequena de uma commoda. Pe-
diu-se-lhe muitas vezes que o désse à bibliotheca
hoje publica, ao que nunca se poude resolver, mesmo
dando outros, tanta era a estimação em que o tinha ».
E realmente era este livro um dos quatro unicos
volumes escapos ao confisco e destruição da primeira
edição da obra preciosissima do jesuita italiano, por
ordem do governo de D. João V.
Era o entranhado amor do bibliophilo, do col-
leccionador, que apegava Diogo Ordonhes ao livri-
nho rarissimo, pois generosidade lhe não faltava,
como demonstra © riquissimo presente feito à Bi-
bliotheca Publica, hoje a nossa opulenta Biblio-
theca Nacional, segundo conta o erudito. Alfredo
do Valle Cabral, citado no prefacio de Teixeira de
Mello à edição das «Cartas Anchietanas ». Os va-
liosos serviços autographos do Thaumaturgo, con-
fiscara-os o marquez de Pombal, tomando-os da li-
vraria da casa de S. Roque em Lisboa. Mais tarde
offertara-os a Diogo Ordonhes, que os tratava com
as devidas homenagens, commentando-os como ja ©
iembramos ; deles se desfez, no fim da vida, para
os offerecer ao nosso patrimonio nacional.
ot OB aee: \
Outro documento altamente honroso para a sua
memoria é o que trouxe a lume Antonio Piza de-
monstrando que, si frei Gaspar da Madre de Deus
imprimiu as suas « Memorias para a Historia da ca-
pitania de S. Vicente », si os dois primeiros livros
de sua obra não tiveram a sorte do terceiro, de-
veu-o exclusivamente à intervenção de Diogo Or-
donhes, junto à Academia Real de Sciencias de
Lisbôa. Não fora elle e o plagiario Manoel Cardoso
de Abreu poderia tranquillamente fazer-se passar aos
olhos dos posteros como o autor da famosa chronica.
Na pequena e interessante memoria de Affonso
A. de Freitas « A Constituinte e o dia 3 de Maio»
se transcreve da Revista do Instituto Brazileiro uma
carta de Gonçalves Gomide, senador do Imperio por
Minas pela qual se deduz que a Diogo Ordonhes se
deve, em grande parte, a fixação da data de 3 de
Maio para o dia de abertura dos nossos parlamentos
Nacionaes.
Todas estas circumstancias tao frisantes, de-
nunciadoras do intellectualismo e da cultura desse
homem tão esquecido, levaram-nos à convicção de
que merecia maior destaque do que o simples e res-
trictissimo artigo que nos seus « Apontamentos »
lhe consagrára Azevedo Marques e as poucas linhas
a elle dedicadas por Antonio Piza no seu estudo bio-
graphico sobre o marechal Arouche.
Com os elementos hauridos em documentos
achados no espolio deste official general e outros,
tentemos desenvolver a biographia tão resumida do
deslembrado erudito e ignorado naturalista.
Nascido em S. Paulo, a 16 de Dezembro de
1752, e quarto filho do mais tarde Mestre de Campo
Agostinho Delgado Arouche de Barros Leme, — es-
crivão da Real Fazenda, guarda-mór das minas de
ouro da villa de Parnahyba, — e de d. Maria The-
resa de Araujo Lara, pertencia Diogo de Toledo
Lara e Ordonhes aos mais velhos e illustres troncos
vicentinos. Filiava-se pelo lado paterno aos Chassins
e Bicudos, pelo materno a origem muito mais il-
lustre, pois era neto de Diogo de Toledo Lara, ca-
pitäo-môr regente das minas do Paranapanema e
grande minerador do Cuyaba, bisneto de d. Fran-
cisco Matheus Rendon, terneto do capitao-mér go-
vernador da capitania de S. Vicente, Pedro Taques
de Almeida, homens de enorme prestigio em seu
tempo, quarto neto de Lourenço Castanho Taques,
o grande bandeirante devassador do sertäo dos Ca-
taguazes, e de Amador Bueno da Ribeira. Entre
os seus collateraes citam-se muitos dos mais illus-
tres nomes de S. Paulo colonial.
« Ler a historia dos antepassados de Agostinho
Delgado Arouche e de sua mulher, diz Antonio de
Toledo Piza, é passar em revista todos os factos
occorridos na capitania de S. Paulo. desde os tem-
pos de Martim Affonso até o fim do seculo XIX,
ja pela propria proeminencia, já pelas suas relações
de sangue e de amizade, com tudo quanto a capi-
tania tem de mais fidalgo e mais distincto ».
Não só era Agostinho Delgado Arouche homem
intelligente e amigo da cultura, como dotado de
excelienie coração. Intimo amigo de Pedro Taques
valeu-lhe immenso quando o illustre e infeliz autor
da « Nobiliarchia Paulistana », victima da fatalidade
e da inveja, se viu reduzido à ultima miseria. Foi
ainda quem se encarregou de lhe liquidar a difficil
successão e quem velou pela familia desvalida do
misero linhagista. Manteve sempre egualmente as
mais estreitas relações de amizade com frei Gaspar
da Madre de Deus, de quem era primo. Homem
abastado, smbora pae de quatro filhos e sete filhas,
quiz que os rapazes se forniassem na Europa e man-
dou-os estudar em Coimbra.
Na Universidade conimbricense se matricularam,
pois, Francisco Leandro de Toledo Rondon, nascido
em 1750, Diogo Ordonhes e José Arouche de To-
ledo Rondon, nascido em 1756 e nella seguiram
todos os tres o curso juridico. O quarto, Francisco
Joaquim de Toledo Arouche, recebeu ordens sacras,
vindo a fallecer em S. Paulo, em 1841, como conega
arcipreste da Sê Cathedral.
Intelligentes e estudiosos como eram angaria-
ram os tres irmãos Arouche a melhor reputação
entre collegas e condiscipulos. Havia-os o pae re-
commendado a dois primos illustres e altamente
collocados na sociedade portugueza daquella época,
os irmãos fluminenses Azeredo Coutinho, cuja car-
reira brilhante deslumbrava as imaginações brasi-
leiras setecentistas, nada habituadas a ver, em geral,
os altos cargos occupados por filhos da grande co-
lonia sul-americana.
Com effeito chegara um delles, João Pereira
Ramos de Azeredo Coutinho, ao mais alto tribunal
portuguez e à posição de Procurador Geral da Corda
e o irmão D. Francisco de Lemos de Faria Cou-
tino a mais alta investidura ainda, pois occupára o
solio episcopal da diocese condado de Coimbra e
Arganil e a Reitoria da Universidade conimbricense.
Viveram os irmãos Arouche na intimidade dos
dois illustres patricios e desvelados protectores dos
compatriotas que a Portugal iam ter. Assim é que
haviam feito o possivel para valer ao misero Pedro
Taques durante a sua cruel viagem de pedinte de
justiça e reparação em 1774
Neste anno chegou a Coimbra, onde estavam
seus irmãos, José Arouche, que se formou em 1779,
lendo no desembargo do Pago em novembro 1780.
Como vestigios da sua estada na famosa universi-
dade lusitana restam umas laudas do seu diario, re-
colhidas por Antonio Piza ao Archivo do Estado,
documento interessante que bem merecia as honras
da impressão, muito embora se ache truncado e
mutiladissimo. Concluidos os estudos, regressou lo-
co a S. Paulo, onde começou a advogar adqui-
rindo logo o mais merecido prestigio.
Desejavam ambos os irmãos ser magistrados.
Deixaram-se pois ficar em Portugal até alcançar
alguma nomeação, o que, geralmente, era muito
moroso.
Havendo obtido « bons assentos » em mesa, do
Desembargo do Paço a 12 de outubro de 1780, só
a 20 de março de 1784 conseguiu Ordonhes ver
trás
lavrado o seu despacho para juiz de paz de Cuyabä.
Longinqua como era a séde de sua comarca, gastou
ainda anno e meio para se empossar do logar; a
6 de dezembro de 1785 substituiu ao dr. Antonio
Rodrigues Gayoso como juiz de orphãos, provedor
da Fazenda dos defuntos e ausentes, capellas e re-
siduos, juiz executor dos reaes direitos e superin-
tendente de terras, aguas e mineraes.
A inteligencia e integridade reveladas desde
os primeiros actos, o apego ao trabalho, a affabili-
dade, cultura e cortezia tornaram-n'o um verdadeiro
idolo dos seus jurisdiccionados. Assim tambem a
6 de julho de 1789 era nomeado ouvidor geral e
corregedor da comarca, no meio de estrondosos
applausos de todos os cuyabanos.
Em 1780 foi o anniversario de sua posse o
pretexto para a celebração de uma das mais es-
trondosas manifestações de que nos dão noticia os
annaes coloniaes, festas que duraram cerca de tres
semanas e cuja curiosissima descripção inseriu An-
tonio Piza no tomo V da « Revista do Instituto
Historico de S. Paulo». Constaram ellas de missas
em acção de graças, bailes, farças, cavalhadas, dan-
ças de pardos, entremezes, da representação de cin-
co comedias, quatro tragedias e até da opera de
Porpora «EÉsio em Roma», em que certo José
Monteiro cantou de tenor, no papel de Cesar Va-
lentiniano Ill, e certo Joaquim Leme como soprano
no de Imperatriz Honoria. Quatro sonetos, um dos
quaes «recitado por um sujeito de respeito e me-
recimento, traiado de rica farça de dama « e outro
offerecido por um sujeito de caracter e merecimento
e de perto de oitenta annos, em um bem asseado
papel ». quatro sonetos elevavam às nuvens os me-
ritos do bom juiz.
« Vosso nome será sempre lembrado Emquanto o Cuyabá
tiver viventes »
proclamava um dos poetas, respondendo lie outro:
« Tanto mais vossas glorias são constantes,
Tanto mais vos fazeis ennobrecido »,
e allegando um terceiro vate
« Vosso nome será sempre applaudido
Será por todo o mundo diffundido
Delle a fama dará o maior brado. »
A toda esta abundancia poetica vieram coroar
as 20 endeixas «recitadas por um sujeito de cara-
cter e merecimento > em que o poeta sobremodo
encareceu as virtudes, e as qualidades, a sapiencia
e o amor em que era tido o festejado ouvidor.
« Cuyabá feliz
Em tua historia
Põe por memoria
Lara e Ordonhes »,
arroubado delirava o homem das endeixas.
Desejava Diogo Ordonhes, porém, melhor co-
marca do que a da longinqua capital mattogrossen-
se e assim a 29 de janeiro de 1792, com enorme
sentimento dos povos passou a ouvidoria ao novo
Juiz de Fora dr. Moura Cabral. Recebeu então
novas e estrondosas manifestações de apreço.
Attestaram-lhe as qualidades e as virtudes o
capitão general Luiz de Caceres e o Senado de Cuyaba
nos termos mais elogiosos. Jâmais se vira magis-
irado mais correcto e zeloso, mais cuidadoso do
serviço de sua majestade. Como juiz executor dos
reaes direitos, da administração, arrecadação e fis-
calização da real fazenda, revelara-se um adminis-
trador fora do commum, pelo zelo com que supe-
rintendera os correios, o aprovisionamento da tropa,
emfim todas as diligencias do real serviço.
Assim, quando em 1790 haviam os hespanhoes
ameaçado Corumbä, nada mais notavel do que o
modo pelo qual enviára à praça em vesperas de as-
sedio uma esquadrilha de canoas cheias de viveres
e munições.
Não menos notavel a emergencia em que di-
rigira os aprestos da expedição contra os guaycuriús.
Manifestações desta ordem teve-as Ordonhes nu-
merosas ; uma das mais sigrificativas foi porem a
Te
dos haitantes de um lugarejo visinho de Cuyaba,
São !’edro d’El-Rey. Nao podendo ir à capital ma-
togrossense testemunhar-lhe pessoalmente o apreço
e gratidão, por causa da enorme enchente dos rios
declararam os 43 principaes pedrenses, por documento
publico, de 21 de fevereiro de 1792, jurando aos
Santos Evangelhos, que do seu bom Juiz se despe-
diam «cheios de saudades de suas virtudes ».
« Limpo de mãos, benigno e affavel para todos,
agazalhador dos pobres, dando a cada um o seu,
mantendo a todos os vassallos de S. M. em paz e
justiça » era «finalmente, um ministro de sua ma-
jestade que a grandes e pequenos deixava saudades
pela affabilidade com que os tratava. Isto haveriam
de attestal-o sempre, até em juizo, si preciso fosse ».
Em 1793, estava de novo Diogo Ordonhes em
Lisbôa e alli se demorou por espaço de mais de
sete annos, tendo então ensejo de frequentar assi-
duamente as maiores notabilidades do mundo luzi-
tano. Pleiteava uma boa comarca chegando a pro-
por-se como ouvidor de Macau ou um logar em al-
guma Relação ultramarina. Como não lhe fosse muito
facil obter o que desejava, o pae e os tres irmãos
por acto publico de 7 de julho de 1797 fizeram em
seu favor desistencia de serviços como o auctori-
zavam as leis portuguezas.
Eleito em 1795 socio da Academia Real das
Sciencias de Lisboa, deu-lhe. esta eleição o ensejo,
em 1797, de acompanhar a impressão, por conta da
Academia, das « Memorias para a Historia da Ca-
pitania de S. Vicente », do seu primo e amigo Frei
Gaspar da Madre de Deus, depois de aplainadas al-
gumas dificuldades e acceitas certas exigencias aca-
demicas relativas à mudança do titulo da obra,
escoimal-a de certa adjectivação reputada improvria
e de aiguns brasileirismos qualificados solecisticos.
Jam as cousas com extraordinaria morosidade
nos tempos coloniaes. Emquanto esperava, distra
hia-se Ordonhes em estudar, em copiar a « Nobi-
liarchia Paulistana », cujos originaes pertenciam aos
Azeredos Coutinhos, e annotal-a pondo-a em dia.
— 840 —
Nesta tarefa auxiliou-o um joven estudante, seu
patricio, natural de Santos, mais tarde illustre, José
Feliciano © Fernandes Pinheiro, visconde de São
Leopoldo.
Em 1799 incumbiu-o a Academia de publicar
e commentar a famosa carta anchietana: « Epistola
quam plurimarum rerum raturalium quæ S. Vicentii
(nunc S. Pauli) provinciam incolunt ». Addirou-lhe
86 notas judiciosissimas, geralmente, e merecedoras
dos elogios rasgados de Saint Hilaire. Nellas re-
vela um grande conhecimento das cousas brasileiras
ao par do das sciencias naturaes, dos elementos de
physica e meteorologia de seu tempo. Denunc a
quanto lhe eram familiares as obras não só de Linneu
como as de outros grandes naturalistas do seu tempo
como Gmelin, por exemplo, demonstrando ainda
quanto se achava ao corrente das etymologias tupys
>
referentes à nossa geographia, a nossa flora e fauna.
Av concluir as suas observações, modestamente
declarava : « Emquanto estive no Brasil, nada me
veiu menos ao pensamento, que acrescentar notas à
carta do honrado e douto Anchieta o respeito das
«Cousas Naturaes », por isso, muitas vezès fiquei
indeciso; mas por ordem da Rainha Fidelissima, já
me acho prompto para partir, de novo, para lá. Por-
tanto, as cousas qne omilti, por me serem desco-
nhecidas, e as que puz em duvida, ou si alguma af-
firmei falsamente, dentro de pouco tempo, com o
favor de Deus, serão publicadas com a devida cor-
recção. »
Reproduzidas a carta anchietana e as eruditas
notas na « Gollecção de Noticias para a Historia e
Geographia das Nações Ultramarinas », em 1812,
dizia a Academia de Sciencias Lisbonense : « O
annotador, pela circumspecção com que escreveu
as suas reflecções, fez um trabalho bastante difficul-
toso. E este ainda se fez de maior apreço da Aca-
demia pelas suas proprias observações ».
fm 1800, estava de novo Ordonhes no Brasil,
nomeado para onde é o que não sabemos; num
documento por elle assignado em 1805 lemos que
e NO
CN
ue a
— 841 —
ja era desembargador ; em 1815 occupava o cargo
de conselheiro de Fazenda, segundo affirma o vis-
conde de Beaurepaire Rohan, nos seus « Annaes de
Matto-Grosso ».
Viveu quasi sempre no Rio de Janeiro, mas
nem por isto descurava de seus interesses em São
Paulo.
Assim, em outubro de 1809, requeria à Ca-
mara da villa de S. Carlos (Campinas) a demar-
cação de certas terras existentes no seu termo e por
elle havidas de uma concessão régia. Esta fazenda,
situada às margens do Rio Pardo, e districto da
então villa de Mogy-mirim, passados alguns annos,
doou-a à Santa Casa de Misericordia de 8. Paulo,
que a fez vender, applicando o producto da transac-
ção à construcção do seu hospital.
Por despacho de 22 de janeiro de 1820, con-
cedeu d. João VI ao integro magistrado o titulo
honroso de alcaide-mor da villa de Paranaguá.
Por occasiäo das eleições de deputados à Cons-
tituinte Brasileira, em 1823, lembraram-se os elei-
tores de S. Paulo do seu illustre conterraneo, desde
tanto tempo delles afastado, e, assim, o elegeram ao
Parlamento, ao lado do irmão marechal Arouche, e
de notabilidades como os tres Andradas, Fernandes
Pinheiro, Vergueiro e Paula Souza. Não era Or-
douhes, porém, um homem que se affizesse ac buli-
cio de uma assembléa agitada: preferiu declinar de
tão grande honra, em seu logar tomando assento o
supplente dr. José Corrêa Pacheco e Silva.
Continuou com suas oceupações habituaes do
Conselho de Fazenda, no meio dos seus caros livros
e dos estudos de predilecção, vivendo solitario, e
assim veiu a fallecer no Rio de Janeiro, em 1826,
aos setenta e quatro annos. Recolheu-lhe o espolio —
solteiro que sempre fora — o marechal Arouche, o
que explica como voltaran. a S. Paulo os seus pa-
peis, documentos hoje mutilados e truncados, inclu -
sive esses fragmentos de seu tratado sobre a orni-
thologia brasileira.
— 842 —
Nas 25 paginas do caderno pertencente ao Ar-
chivo do Estado, estudou Diogo Ordonhes 24 aves,
estabelecendo-lhes a nomenclatura scientifica, descre-
vendo os exemplares que teve em mãos e comple-
tando as observações com algumas notas biologicas
e outras relativas à disseminação geographica da,
especias examinadas. Nelle ha referencias a ob-
servações feitas desde 1806 até 1823, e a uma « des-
cripção das aves da Capitania de S. Paulo » ante-
riormente feita. Ali se diz tambem que as observa-
ções sobre a ornithologia fluminense em 1813
datavam de sete annos. Já septuagenario, ainda
occupava o illustre magistrado os seus lazeres
com o estudo da historia natural. Numerosos to-
picos revelam quanto lhe eram familiares as obras
de Linneu, Buffon e Gmelin. As aves descriptas
parecerem provir da fauna fluminense; muitos exem-
plares caçou-os na Serra da Estrella, nas fazendas
de Belmonte e Samambaia, e, sobretudo, nas terras
de Marapicú, o immenso latifundio, que constituia o
morgadio deste nome, pertencente aos seus primos
Azeredo Coutinho, o vinculo extincto, ha seis ou sete
annos, com a morte do ultimo morgado brasileiro,
o nonagenario conde de Aljezur, Francisco de Le-
mos de Faria Azeredo Coutinho, o fidelissimo gen-
tilbomem da Camara Imperial de d. Pedro Il.
Ao descrever as aves de que falämos, ora lem-
bra o naturalista que as vira tambem na cidade e
capitania de S. Paulo ou na de Matto-Grosso.
Tratando do « peru do campo», diz que ape-
nas o avistára uma vez, passados sete annos de in-
fructiferas pesquizas, prova de quanto era tenaz o
seu amor às indagações zoologicas. As vinte e quatro
especies distribue-as pelas quatro ordens dos « Pas-
seres » — generos « Muscicapa », « Turdus Alauda »,
« Motacilla », « Hirundo », « Columba », « Trogon »,
e « Ampeles »; dos « Anseres » — generos « Pele-
canus » e « Plotus »; dos « Accipitres » — generos
«Falco» e «Lanius», e dos «Pici» — generos
« Corvus », « Picus », « Carthia» e « Cuculus »,
Ha ainda notas incompletas sobre o « macucc ».
Naturalmente está toda a sua classificação hoje modifi-
cada e remodelada pela sciencia moderna — obsoleta
e cahida em completo desuso, tendo como ultimo
guia e novidade no assumpto a systematização de
Blainville e Cuvier.
Nem por isso deixa de ser curiosa e valiosa a
tentativa de Ordonhes, cujos estudos foram contem-
poraneos dos de Waterton e Swainson, Spix e
Martius, Saint Hilaire e Natterer, Wied e Pohl no
nosso paiz. Elie que tanto conhecia a jurisprudencia
provavelmente por excesso de modestia applicou às
suas lucubrações ornithologicas o famoso brocardo que
nega o direito aos adormecidos. Sahisse da sombra e
alcançaria valiosa reputação; o depoimento de Saint
Hilaire, chamando-lhe sabio ahi está para lhe at-
testar o valor.
Como exemplo de uma de suas descripções
transcrevamos a que se refere ao « Ciricuä-mirim »
«Ord. Passeres » « Gen. Muscicapa » « Sp. Coronata: »
«Si para determinar a especie eu me guiasse só-
mente pela descripção de 1 inn. na « Coronata » jul-
garia que este lindo passarinho era uma especie
differente, visto que não tem as pontas vermelhas
nem os pés avermelhados, mas como se conforma
inteiramente com o Rubin de Buffon, citado por
Linn., fico certo ser o mesmo da especie « Coronata »,
não obstante Buffon não fazer menção da côr dos
pés e não obstante não ter algumas ondas bran-
quicentas pelas orlas das penas das azas e suas co-
bertas; pois sómente tem uma leve differença de |
côr mais clara ou que branqueja nas ditas margens
que pouco influe no pardo de que se compõe toda
parte superior da ave, excepto a crista ou topete que é
escarlate, assim como toda a parte inferior, desde a
barba até o crisso onde é menos vivo. As azas e cauda
sempre. . . a mesma côr parda. Pés e bico preto,
este sem angulo algum, conico, achatado, agudo na
mandibula superior apice emarginado, defiexo. Uma
mauchinha parda, deante dos olhos. Estes... Ainda
mesmo que esta especie tenha as fontes encarnadas
e os pés avermelhados deve ser em razão da grande
differença da de Linn., do Rio Amazonas, e desta
capitania. O nome de «ciricuá mirim » que lhe deu
o Xer. é muito improprio ». Em outros artigos
refere se Ordonhes aos trabalhos dos ornithologistas
celebres de seu tempo como Veillot por exemplo.
Com grande cuidado assenta dimensões e dados bio-
logicos. Tudo mostra emfim quanto com amor es-
tudava os assumptos.
E” pois pelo menos o precursor da nossa orni-
thologia. Este apego às sciencias naturaes tel-o-ia
contrahido do convivio com Alexandre Rodrigues
Ferreira, quando o celebre naturalista bahiano se
demorou um anno em Cuyaba exactamente na época
em que ali éra elle, Ordonhes, ouvidor ?
Seja como fôr, merece sua memoria muito mais
do que 'o olvido em que jáz o seu nome. A im-
pressão dos seus ineditos no tomo X da « Revista
do Museu Paulista» é a primeira homenagem que
ao seu valor como naturalista será prestada.
Porque não téria Diogo Ordonhes publicado os
seus estudos zoologicos ? Modestia, timidez, des-
prendimento, respeito humano? Acaso recearia os
motejos, ou pelo menos os reparos dos seus gravi-
bundos collegas, desembargadores carranças e conse-
lheiros crcumspectos? Não lhe terá succedido o
mesmo que ao auctor da « Ullysséa » ?, o grande
jurisconsulto que toda a vida sopitara os impulses
do estro e a legitima satisfação da publicidade, com-
pondo, só para si, e em segredo, e mantendo ine-
ditos, até à morte, os versos excellentes das estrophes
do sen poema épico «receoso talvez, peusa Pinheiro
Chagas, de perder o prestigio de jurisconsulto si o
publico tivesse conhecimento de que fazia epopéas
em vez de fazer accordams ? ».
Ao sabio magistrado paulista talvez hajam mo-
vido os mesmos sentimentos que a Gabriel Pereira
de Castro. Que diriam os seus collegas do Con-
selho da Fazenda e a grave legiäo dos graves des-
embargadores, que pensariam El-Rei e toda a côrte
desse desembargador e desse conselheiro que perdia
o tempo a observar passaros e passarinhos ? Sin-
cular mania, singular occupaçäo ! Póde bem ser in-
teiramente gratnita a nossa supposição, não é porém
antagonica ao espirito do tempo e ao de todos os
tempos, aliás.
E assim foram amarellecendo ras gavetas do
ignorado naturalista as laudas do « Tratado das aves
do Brazil». Em 1826, com a sua morte iam ter
às mãos do marechal Arouche; desapparecendo este
não tardou a sua ruina e dispersão. Suscitou porém, o
deus protector dos manuscriptos e promotor da re-
surreição dos escriptores olvidados a interverção
salvadora de Antonio Piza.
Graças a ella uma injustiça se repara cabendo
a Diogo de Toledo Lara e Ordonhes nova e illustre
proeminencia: a de se lhe attribuir, entre paulistas,
quiça mesmo entre brasileiros, salvo quanto a Ale-
xandre Rodrigues Ferreira, a primazia do cultivo
da zoologia, orientada pelo criterio rigoroso, scien-
tifico e moderno.
Fragments do tratado de ornthologia bragileira composto por
DIOGO DE TOLEDO LARA E ORDONIES
Gralha
Ord. Pico — Gen. Corvus Sp.....
O-nome desta ave he bem improprio: pois he
differente ordem e familia. Este mesmo nome tem
na Capitania de “São Paulo. Apparece ao pé da
Serra do Mar, em cujos mattos vivem; talvez ve-
nha de Serra acima. Fica mansa e come de tudo:
mas do milho sómente o olho, segurando-o entre
os dedos. He gentil passaro, de corpo igual ao
de hum pombo grande, mas esbelto. Colloco-o no
Gen. Corvus, por não haver outro com o qual con-
venha; não obstante faltar-lhe rigorosamente o ca-
racter do bico — Convesmm..... : pois nem a man-
dibula superior é totalmente convexa, por ter angulo
obtuso, nem a inferior por ter angulo igual ao de
cima. Quanto à lingua ignoro a sua forma. Ile pois
o bico desta gralha preto, recto, com pouca decli-
nação para a ponta; obtuso, inteiro e igual; rijo e
forte. Quanto às pennas que cobrem as ventas, não
são setaceas ou sedosas, como se diz, no Gen., mas
todo o copytro vertex e poupa que se levanta so-
bre a nuca são de pennas pretas avelludadas e muito
macias. como são as do Pavão ue
se parecem as desta ave, pois a têm no meio da
mandibula superior, feita a dimensão do angulo da
abertura. São pois as outras cores. Olhos pintados
de preto. Pés denegridos talvez fossem vermelho
escuro quando viva. Capistro, vertex e poupa ou
topete arredondado, igual e pouco alto. Sobre a
nuca preto avelludado. Toda a parte inferior do
pescoço até o meio do peito, lados do mesmo pes-
Ro E. -
coco, em vez de unir-se coma poupa preto ou um
pouco desmaiado. Sobre e abaixo dos olhos. . .
ou faces, apanhando a base da mandibula inferior,
azul prussio claro em mancha tendo no meio da de
cima do olho outra manchinha muito clara quasi
branca. Estas tres manchas de cima, de baixo do
olho e das faces formam um bello contraste com o
preto que as cerca. Abaixo da poupa, sobre parte
da nuca azul. . . , que vae carregando para azul
prussio; e este, pouco a pouco, denegrindo-se até
ficar um pardo azuiado pelas costas e coberta das
azas, e com reflexo mais vivo do mesmo azul nes-
tas, ou. . . barbas exteriores, no uropigio e nas
rectrizes, pois que estas rectrizes são pardo-escuras,
mas fechadas mostram sômente o azul ferrete, que
parece arroxeado por ser o fundo pardo. A cauda
é cuneada, comprida, meio aberta, com as pontas
com comprimento de cousa de uma pollegada, bran-
co matte alourado. Este mesmo branco é de todo
o resto inferior da ave, sendo mais lonro pelo ven-
tre. As pennas pretas que terminam no peito sobre
o branco louro similhante 4 camurça clara, são
franjadas de branco nas suas extremidades. A cau-
da mostra um azul mais arroxeado que o dos azas.
Talvez seja a Specie Cayanus, com alguma peque-
na differença nas cores.
Ciricuá-mirim
Ord... Gen... Muscicapa Sp. Coronata
Se para determinar a especie, eu me guiasse
sômente pela descripção de Linn. na Coronata, jul-
garia que este meu lindo passarinho era uma es-
pecie differente, visto que não tem as fontes ver-
melhas; nem os pés avermelhados; mas como se
conforma inteiramente com o Rubin de Buffon,
citado por Linn. fico certo ser o mesme da specie
Coronata, não obstante Buffon não fazer menção da
côr dos pés; e não obstante não ter algumas ondas
branquicentas pelas.... das pennas das azas e suas co-
bertas; pois sômente tem uma leve differença de
cor mais clara, ou esbranquiçada nas d.** margens,
que pouco influe no pardo de que se compõe toda
a parte superior da ave, excepto a crista, ou topete ;
que ê escarlate, assim como toda a parte inferior,
desdè a barba até o crisso, onde he menos vivo. As
azas e caudas tem por baixo a mesma côr parda.
Pes e bico preto: este sem angulo algum, conico
achatado, agudo na mandibula superior apice emar-
ginado, deflexo. Ha uma manchinha parda adiante
dos olhos. Estes. ........ Ainda mesmo esta
especie tenha as fontes encarnadas e os pês aver-
melhados, deve ser em razão da grande distancia
e differença do clima do Pio Amazonas e desta Ca-
pitania. O nome de ciricuä. . .. que deu.... é muito
improprio.
Pica-páu pellado
Ord. Pico. Gen. Picus Sp. Chiorocephalus
Creio ser este pequeno Pica-páu a especie Chlo-
rocephalus, a vista da curta descripçäo de Buffon,
e Linn. não obstante alguma differença, devida tal-
vez ao diverso clima de hum e outro individuo.
Chamam-no Pellado por ser pouco coberto de pennas,
segundo mostra este individuo: ao menos a cauda
é bem roida. A cabeça e pescoço, excepto o jugulo
amarelo gemmado com a nuca escarlate e que vai
ficando alaranjado do ventre à frente e mais vivo
na guella. Nac tem crista, mas as pennas da nuca
são mais compridas. O jugulo, peito, ventre, coxas,
crisso, azeitona, listado transversalmente gonfusa e
bastamente. O resto, estando as azas fechadas é
azeitona amarella, excepto as pontas das azas, e cauda
que são pardas: além disto a borda inferior das
remiges é cor de canella, deixando nas primeiras
maior porção parda para a parte da ponta; e apa-
nhando em toda uma fita ao longo da borda exte-
rior que é azeitona ao longo e chegada a .... a qual
he canella e clareira nas ultimas remiges. Bico e pês
esverdinhados ! Olhos.... E pequeno, terá 7 pol. ?
a 22;
> IS EE I
,
2
ha
Gavião de rapina
Od. Accipitres, Gen...
Eis aqui um Gavião pelo nome que tem, peia
sua physionomia, e pelos seus costumes, mas que
não é do Gen. Falco, sim do Lanius, não obstante
differengar-se dos seus congeneres, quanto à forma
do bico: pois, este é curto e muito largo na base
agudo, um tanto adunco, com o capistro cobrindo
as ventas; branca esverdinhado; com a lingua se-
gundo parece, curta. Assemelha-se além disto aos
Gaviões na distribuição das côres : mas a forma da
crista é, como se vê, muitas especies de Lannius da-
quelle tambem differe pela forma muito aforquilhada ;
porém, vejo que tcdas as especies deste descripto
todas tem as caudas cuneada ou arrendondada ; e só
duas especies... Forficatus e Cerulescens, habitantes da
Asia e Africa, tem a cauda aforquilada. Portanto,
fará o nosso Gavião excepção e será o Gen. Lan-
nius de cauda aforquilhada ; e por isto até se asse-
melha à Specie Cerulescens. que persegue as Gra-
lhas e nisto mostra egual força e animo ao do nosso
Gavião: o qual arrebata pintos e frangos, lançan-
do-se elle como um raio; sendo aliás tão pequeno
que segundo parece não tem mais de 71/2 polle-
gadas até o fim da cauda a qual é de 31/2; e pouco
maior corpo tem do que o Sabiá pardo — côres são
— barba e queixo inferior amarello vivo....... va
longitudinalmente com fôrma de crista meio en-
coberta. Pescoço e parte do peito listrado de preto
e branco, que é maior pela guella; e pelo peito tem
algum amarello esverdinhado. Este mesmo é por
todo o corpo, e uropigio egualmente listrado trans-
versalmente de preto. © mesmo amarello é pelo ver-
tice, coxas e crisso, manchado de branco e alguns...
pretos. De sorte que toda a ave é toda listrada
transversalmente de preto, branco e amarello mais
ou menos, excepto pelo ventre e crisso que é man-
chado e na cabeça que tem a crista côr de fogo;
na barba e queixo inferior que tem o amarello puro.
— 850 —
As azas fechadas säo negras..... fechada é negra
e pardada nos bordos interiores, verde escuro nas
exteriores do ..... a base excepto as.... que não
tem o dito verde. As azassão..... e peuco com-
pridas. Pernas e unhas.....
Perú do Campo
Ord. Passeres Gen. Alauda-Sp. Rissa Lin.
Var... Buffon
E” o primeiro passarinho deste genero que vejo
depois de sete annos de indagações das aves desta
Capitania, não obstante serem communs estas im-
propriamente chamadas Perus do Campo, por vi-
verem sempre passeando nos campos visinhos 4
Cidade do Rio. — Creio ser a segunda especie Ruffa
de Lin. e a Var... de Buffon habitantes das mar-
gens do Rio da Prata. Comtudo o Perú do campo
differe alguma cousa nas cores, porque é louro sujo
o matiz e orla das pennas superiores: e o alvadio
de baixo é salpicado de pardo no pescoço, e no
peito mais forte, onde tambem o alvadio é mais
alourado. As duas pennas lateraes da cauda são
brancas manchadas de pardo na borda interior do
meio para a base. A côr parda dos mais. . . são
irmanados, e são as maiores destas griseos e as me-
nores fuscas. Os pés parecem amarellados. Bico e
mandibula de cima denegrida, inferior branquicenta,
EK” muito delicado, com cabeça muito pequena: e é
do tamanho de um Pintasilgo.
Pintasilgo do Matto Virgem
Ord, Passeres — Gen. Motacilla. Sp ...
Parece-me ser uma especie nova este delicado
passarinho. O bico conico assovelado o põe entre
os dois generos, Fringilla e Motacilla; porém o col-
lôco neste ultimo por que não mostra ser movel a
— 851 —
mandibula superior, na qual comtudo não vejo a menor
chanfradura, como tem muitas especies do mesmo
Genero Motacilla. E difficil a sua descripçäo pela
variedade e encadeamento das suas cores. Ellas
são: canella toda a cabeça descendo pelos lados do
pescoço. .. .. formar na guella uma larga bucolica
onde clarea mais; e pega com um escudo redondo
ouro malhado, qze apanha o jugulo e parte do peito:
nos lados do peszoço deixando livre o cervix ama-
rello vivo: o cervix: e costas azeitona: resto das
costas e uropigio, ouro meliado. Parte do peito e
ventre grisalho esverdinhado, crysta amarello en-
xofar. Azas curtas alguma cousa, e cauda compri-
da igual pardo cortadas exteriormente de azeitona,
excepto a primeira remige. Bico mandibula su-
perior corneo denegrido, inferior claro, ou côr de
oleo. Olhos. ...... Pés pretos! E' do tama-
nho de um cannario.
Picapáo do chão
Ord. Pas. Gen. Muscicapa Sp...
A fizionomia, o porte, as cores, e sobretudo a
matiz ou mescla de cinzentc e branco na guéla e
jugulo, e até a ultima falange do dedo exterior
unida ao do meio, o collocariam no Genero Turdis
a não obstarem as fortes . . . . . . . e base da
mandibula superior, sobre as ventas que ficain quasi
no meio della; a não ser a faux ciliata; nem
amarellada ; finalmente o bico muito recto, convexo
por baixo, e por cima achatado e largo-na base
emarginado e adunca a ponta superior, o desviam
do dito genero, e o poem no de Muscicapa : o
exame da lingua e a certeza dos seus costumes, e
sustento, parece ser a Sp. Cinerea; cuja curta
descripçäo só differe quanto o dizer imandibula su-
perior atra; inferior grisea; . . . . . . no Picapão
do chão é apardado todo o bico, e sómente mais
com curva a mandibula de cima; o que póde pro-
ceder da diversidade do clima de Cayenna ; para o
— 852 —
desta Capitania. Ie do tamanho do Sabiá pardo.
Fechadas as azas apparecem só duas cores princi-
paes: cinzento e ruivo mellado. Cinzento achumbado
na cabeça e parte superior do pescoço: cinza mes-
clado de branco na parte inferior do mesmo. Ruivo
mellado em tudo o mais, requeimado sobre os pès
e nas cobertas, mais claro e dovrado pelo ventre,
crisso, e uropigio. Porém as azas são pardas e
orladas de escuro . . . . . excepto a primeira re-
mige que é curta e os ultimos são totalmente da
d.* côr ruivo escuro. Pés e unhas pardos. Olhos
cv» + s « Cauda comprida, igual.
Tinga
Ord. Passer Gen. Muscicapa Sp. Tyrannus
Este passarinho que segundo Buffon, que o chama
Savana habita nas visinhanças do Rio da Prata, e
segundo Linneu tambem no Canadá e Surinam se
acha nesta (Capitania é provavelmente existirá nas
outras do Brasil, pois queo vemos quasi nas extre-
midade e no meio da America. Tão cumprido e
quasi linear e o bico desta especie da pagina ante-
cedente quanto é largo na base, achatado e um tanto
curto o do Tinga, além de ser pouco forte. Está
bem caracterisado por Linneu, mas differe alguma
cousa no mais ou menos carregado das cores. As
do Tinga são faceis de descrever, dizendo -se — Es-
curo por cima, branco por baixo. Mas em detalhe
sac: cabeça lados della, e nuca preto, com ama-
rello claro encoberto na crista, por serem as pontas
della preto. Cervix e costas pardo cinzento. As
azas pardas, cauda negra: a extremos, que são 30
polegadas de cumprido, tem a barba exterior muto
estreita; e o branco occupa a metade della para a
base. Toda a parte inferior desde a barba até o
crisso, branco. Bico e pés pretos. Olhos. . . Julgo
ser o Tinga o mesmo a que chamam Viúva em
outros lugares. O Xer. é quem lhe dá o nome de
1 inga.
bispo
F7
Andorinha do matto
Ord. Passer Gen. Turdus Sp....
A razäo porque chamam a este passarinho An-
dorinha do Matto, ignoro. EK’ sem duvida do Gen.
Turdus, porém näo esta descripto em Linneu. A
cor total he absolutamente a preta, que comprehende
bico, pestanas e pés e talvez os olhos: e sômente
divisa huma fina listra candida na extremidade das
grandes cobertas das azas porque as pontas dellas
são orladas do dito candido. Além disto he tambem
candido o interior das penas du capello ou da... diantei-
ramente das costas: mas só se vê o branco desar-
ranjando-se algumas pennas, que nesta parte são
largas, e grandes; aquella cor interior entre o preto
nunca vi em passaro algum. A cauda é grande
cuneada. O bico é recto e marginado em cima e em
baixo, mas liso, e menos anguloso na base, do que
os congeneres: o interior amarellado, e o exterior
muito preto, Capistro e barba avelludado, sem
sedas. Pennas compridas, unhas grandes, agudas,
principalmente a . . . dedo exterior unido ao do
meio na da phalange como é dos congeneres que
tenho examinado. E’ esbelto este passarinho. No
estado presente tem cde comprido até a ponta da
cauda 6 1/2 pollegadas. Azas curtas arredondadas.
Andorinha pequena
Ord, Passer Gen. Mirundo Sp.
EK” a mesma que habita na Cidade de S. Paulo,
e seus suburbios em grande abundancia na prima-
vera e veräo ; a qual descrevi entre as aves daquella
Capitania.
Ord. Aecipitr. Gen, Lanius Sp...
He este Lanio entre os que tenho, examinado,
não só algum tanto maior, mas com o bico grande
grosso, muito forte. . . emarginado na mandibula
superior, cuja ponta é adunca, e duas vezes mar-
ginada ; o inferior recto, convexo e meio angvloso
em cima. Cauda cuneada, comprida: azas curtas
e arredondadas. Cabeça grande, persoço curto. Pês
um tanto compridos, unhas pequenas, e pouco fortes.
Todo elle é preto malhado de branco candido em
forma de moscas, cu gottas pela cabeça e corpo ;
cujas pernas são muito proximas . . . que cobrem
o uropigio; e nas azas e cauda em manchas oblon
gas transversaes. Mas na guella é grizeo, e no peito
tem mais branco que preto: o ventre e crisso he.
alourado sujo. Pés e bico denegrido, olhos. .
Feroz
( Marcondes, 1807, vivo)
Ord. Pico Gen. Cerchia nova Sp, Feroz nova
Dei este nome de Ferôz a este passarinho,
porque em 24 horas, que viveu sem comer, mos-
trava grande fereza, mordendo, brigando fortemente
com as unhas quando pegava nelle. A viveza dos
olhos, que eram côr de telha ou. . . com pupillas
pretas muito grandes dava-lhe um aspecto raivoso.
Colloco no Gen. Cerchia não obstante ser o bico
recto; e ser a mandibula superior um tanto mais
comprida e levemente emarginada : he mais curto do
que o dos Sahys; forte fino e agudissimo com ventas
como a dos Sahys. Lingua plana quasi seca e linear
um tanto aguda e bifida ; compridas as pernas, curtos
os dedos fortes principalmente e... com unhas
fortes. Cores: bico denegrido. Pés achumbados
claros. . Corpo superior, cauda e orlas das azas,
azeitonas: peito jugulo e por baixo das azas limão.
ventre e crisso cinzento claro, cabeça e parte do pes-
coço cinzento pardo; mais escuro e esverdinhado no
vertex e frente. Cauda comprida de 12 pennas:
azas curtas pardas, orladas finamente por fóra de
azeitona e pela borda interior de amarello canna, a
1.º remigia muito curta. Do bico ao fim da cauda
D pollegadas, vôo 6 1/2.
Bemtevi-mirim
(a 23. de: Abril de, 1807)
Ord. Aeeip. Gen. Lannius Sp...
Este Bemtevi he mais pequeno que o Pitagaä :
parece-se muito com o outro, excepto com ter q
bico muito mais curto, com os dentes menos sen-
siveis : e em ter a crista escarlate mas encoberta
como a do outro A lingua he bifida.
Pomba Capoçoroba
(Fevereiro — 1813)
Ord Wasser. Gen. Columba. Sp...
Na fazenda da Samanibaia, sobre a Serra da
Estrella, examinei pela 1.º vez esta Pomba He do
tamanho das domesticas medianas e semelhante às
Juritis. A côr geral he parda; muito mais clara por
baixo, que fica em côr de pecego desmaiada. No
peito tem algumas moscas amarelladas : ellas fazem
o seu principal distinctivo. Bico e unhas pretas.
Pés vermelho carmezim com ouro. Pestana da dita
côr. Olhos, iris pardo arroxado.; pupilla preta. Tinha
o papo cheio de fructo da herva de passarinho.
- Examinei outra, em Marco de 1816, na mesma Fa-
zenda : era femea e não tinha o dito distinctivo das
moscas amarelladas ; talvez que a outra fosse macho.
Ciricuá
Trogon Sp. Wiridis.
Biguá do mangue
(Fevereiro — 1812)
Ord Anser. Gen. Plotus. Sp. Anhing:
Foi morto nos Pantanaes de Mazapicu ; e o 1.º
que vi, não obstante haver muitos nas vizinhanças
do mar. Comprimento da ponta do bico à dos pés,
2 p. 5 pol.: debaixo do bico se vê o principio da
.... pol. Cauda comprida. Bico verde amarellado =
Pés pardos, e entre os dedos amarellados. Ventre
cinzento, guella branquicenta: Lingua curta, e pe-
gada ; e sómente ... ou aparente huma pequena ex-
crescencia branca setieada, como tem alguns passa-
rinhos. O mais na forma descripta na Sp. pouco
mais ou menos.
Gavião Tiriba
( Fevereiro — 1816 )
Ord. Aceipit. Gen. Falco. Sp. Plumbleus?
Fulcones, minores, pedibus nulis.
Foi morto na Fazenda do Belmonte. Derão-lhe
diversos nomes: adoptei o de Tiriba porque. .
este Gavião persegue só os periquitos Tiribas. Hé
pequeno mas forte. Tem do bico aos pês 11 pol. e
ao fim da cauda 12 pol. Esta é de 12 pernas iguaes;
com 3 manchas pequenas, brancas, em cada uma,
excepto as duas do meio que são sómente pretas
como o resto das outras. Cera, bico, e unhas pretas,
pés açafroados. Olhos azulado escuro, com iris es-
carlatte. Toda a ave preta ou denegrida meio cin-
zento no ventre: Com uma grande mancha cor de
canella nas azas que comprehende oito pennas, de-
pois da 1.º mais curta. Talvez seja o Periquito
Plumbleus que se acha em Cayenna, não obstante
não se mencionar nella a dita mancha . . . viveu 8
dias.
Guaráponga
(23 de Fevereiro — 1816)
Ord, Passer. Gen. Ampelis. Sp. Carun-
culata.
{sta linda e rara Ave, morta na Fazenda Bel-
monte, é uma variedade da Sp. Carunculata ou tal-
“wx
>
vez a mesma, em que a plumagem nova ou a edade
faça a pequena differença de não ter o uropvgio,
cauda e azas paulisper flavicentibus no macho;
mostrando com . . . uma leve sombra desta cor em
parte das azas: podendo-se dizer totalmente candida
a Ave, excepto os pés, que são pardo escuro com
unhas pretas; o bico preto; frente genas, orbitas, e
por baixo do bico e parte do pescoço, que forma a
Carunculata, côr de verdette, salpicada.a dita carun-
cula de pellos, ou sedas raras. Era macho com testi-
culos . . . comprimento do bico à ponta dos. pês
111/2 poleg. e a da cauda pouco menos: vôo 19,
poleg. : cauda de 12 pennas iguaes : pês fories e cur-
tos. Cabeça grande achatada . . . bico muito largo
fino na ponta: ventas grandes descobertas totalmente ;
lingua cartilaginosa aguda . . . negra e todo o
interior da bocca e guella pelle do pescoço dene-
grida. O sea canto se ouve de muito longe he tal
como diz Linn da seguinte especie variegata.
Differe do genero quanto ao caracter. . . e só-
mente pouco convexo para a parte da. . . Olhos
azulados, iris pardos, paipebras negras. ( Seguem-se
dez linhas quasi illegiveis das quaes seis riscadas
pelo autor ).
Sacy
(27 de Outubro de 1819)
Ord. Pico. Gen. Cuculus Sp...
Tendo ouvido em Marapicü, no tempo mais
calmozo do anno o repettido e triste canto desta
Ave, que lhe da o nome de Sacy, que ella o solta
clara e expressivamente, nunca tive occasiäo de a
examinar. A gente supersticioza tem aversão ao
Sacy que reputam agoureiro de mortes. Este foi
morto nas vizinhanças do Rio Macacu, donde me
foi mandado logo por pessoa a quem tinha feito es-
sa recommendação. Era macho.
Tinha da ponta do bico até a da cauda 11 pol,
menos 2 linhas esta que he cuneada, he de 30 pen-
nas, 6 pol menos 2 lin. Vôo 3 porque as azas são
muito curtas em co nparação da cauda, bico do an-
gulo da abertura até a ponta 11 pol, e da base em
linha: recta de.cima 6 Jlin:.: Perhas até o 2548
].. lin : dedo do meio até o fim da unha 131...
3ico : a mandibula superior muito encurvada e
mais comprida que a de baixo, lizo achatada dos
lados, forte. sem emarginação. As ventas.
grandes chegadas a base, e na borda da mandibu-
la superior tem hua membrana raza pouco apparen-
te da parte de sima semelhante às ventas do Tin-
guassu da do mesmo genero pag. 92. Lingua fina
linear, curta, simples, cartilaginosa. Olhos com iris
sanguineo ..... na parte superior orbitas nuas
..... À cabeça he pequena. . . a base do: bico
he estreita com crista comprida de . . . pol, que o
saci ao cantarl levanta. Cores — Bico pardo por
cima e o mais esverdeado. Pés achumbados; de-
dos e unhas pardas. Azas e cauda pardo ferrugen-
to ou canella.... Crista.... Corpo todo superior e
cuberta das azas oeonado ou ferrugem amarellada
com manchas pardas escuras . . . cores são mais
lavadas pelo uropigio. . . . São muito compridas e
agudas e duas quasi igualão com os . . . compridas
da cauda; por isto é necessario muito cuidado para
não contar estas duas pennas com as da cauda por-
que esta tem sómente crisso, guella e parte do pes-
coço, louro carregado ou alourado sujo. O
resto do pescoço, corpo inferior e coxas cinzento.
Uma pequena mancha branca amarellado . . . dos
olhos. [Finalmente o total das cores superiors for-
mam uma plumagem bonita de mistura de louro
malhado e pardo, mais ou menos vivo.
Os pés são Scansorios como é do caracter do
Genero; mas à primeira vista parecem ambulato-
rios, por serem todos os dedos compridos e delga-
dos, sem escabrosidade por baixo e por se inclinar
facilmente para deante o dedo exterior que devia
estar atraz; e além disto o dedo interior nem é
muito mais curto e mais fino do que o do meio,
nem se encosta muito a este, como se vê nos pro-
o on
ae a
priamente Scansorios pois huma membrana que tem
na base entre um e outro é frouxa e da logar a
que se abram bem os dedos como nos ambulatorios.
Mergulhão do mar
(20 de Fevereiro de 1820)
Ord. Anser. Gen. Pelecanus Sp... Macho.
ROSTRO SERRATO
Chamam Mergulhão a esta ave maritima, por-
que lançando-se do ar com rapidez, mergulha e apa-
nha o peixe; tambem o denominam Malsim por in-
dicar onde andam.... da sardinha. Os pretos lhe
dão o nome de Atoba que na sua lingua signi-
ane os . pela razão de verem os Mergulhões
voar entre os que se acham pescando : andam em
bandos, pousam sobre o mar, criam nas ilhas fóra
da barra, onde um Pescador antigo viu um ninho
com 3 ovos já chocos Comem sómente peixe vivo.
Dimensões vôo — 5 pes pol. da ponta do bico a da
cauda 2 polegadas 31/2 pol; bico do angulo a
ponta 2 1/2 pol. e a base que é igual com toda a
frente 3 pol. e 8 lin.
Parecem-se os pés com os do Biguá, pag. 96,
excepto na côr que he branco palido; e por isto
deixo de descrevel-os; as unhas sac pardas. Cores....
Bico achumbado, menos adunco que o do Biguä,
serreado do meio para a ponta, muito mais grosso
para a base porque a cabeça he grande, com olhos
collocados na mesma base. . . obliquas, de sorte
que esta ave póde ver os objectos deanteiros sem
inclinar para os ladas a cabeça. Lingua branca, pe-
quenina, oblonga, na mesma posição da do Bigua ;
e com este a porção do sacco, excepto ser amarel-
Serer) = a Olhos orandes, vivos, com
iris largo e cinzento e pupilla negra, a qual togo
que a ave morreu dilatou-se muito. Todo o corpo
pardo, e só pelo ventre que tem algum branco sujo
— 860 —
por apparecerem as bases das pennas que säo desta
cor. Azas denegridas. Rabo ainda mais, com 12
epnnas rijas, 2gudas; arredondado e sempre aberto
em leque, curto. Tiradas as pennas bastas, o corpo
appareceu todo coberto de arminho branquissimo,
mas curto.
Alcatraz branco — João Grande
(Fevereiro — 1820)
Ord. Anser. Gen. Pelecanus. Sp... Macho.
ROSTRO E DENTULO
A 26 e 27 de Fevereiro, achando-me na ilha
‘de S. Antonio foram mortos a tiro no ar dous Alca-
trazes a que chamam, não sei porque João Grande,
branco e preto, os quaes andam sempre voando,
sem nunca pousarem no mar, onde não sabem na-
dar, nem em terra, senão nas ilhas fóra da Barra,
onde fazem sua criação. Comem sômente peixes mor-
tos, ou quasi que fluctuam em cima d’agua, apa-
nhando-os no vôo horizontal que dão depois de os
descobrirem de muito alto. Para se chegarem à
praia, atiraram-se sardinhas mortas ao mar, e logo
vieram: e sendo fuzilado um e retirado o caçador,
acudiram muitos a desfazerem a presa com fortes
grasnados.
Comprimento, vôo, 6 pés e 8 pol.: do bico ao
fim das penas lateraes da cauda, que he muito for-
cada e de 12 pennas, 2 pés e 10 pol. do... até o an-
gulo, à pol. eaté a aza superior do. . . . 2 pol.
Tem um caracter bem differente do Genero
quanto aos pés: pois são. . . . e por isso nem
pode andar em terra, nem nadar. .... e quando
viva esta ave, e já estava antes disso informado
desta circumstancia. As coxas são finas e curtas, a
tibias abaixo do joelho são curtas que nio.....
o dedo do meio mais comprido que os outros, com
a unha comprida e serreada, ehe com 4 phalanges
anni À
PORT E NU PE PS
o O O DO does de ts me D à à
ae
— 861 —
Brie exterior SOU Sp ate COM 2) 6 OA ate
com uma desapegado, e só com uma estreita mem-
brana. . . . . . . . communica com o do lado in-
terior. Tem crista baixa em toda a cabeça a qual
he mais que a do Mergulhão do mar. . . e igual-
mente pequenaa base do bico, cuja unha e gancho
he mais comprida, mais aguda, sendo ambas as man-
dibulas aduncas e com um forte dente em cada lado
superior onde principia c gancho. Os olhos rodea-
dos de pennas não são obliquos, como no Mergulhão,
mas grandes e proeminentes, de sorte que tambem
pode ver para diante os objectos só com o volvelos.
Cores : Olhos cinzentos vivos, pupilas negras. Bico
achumbado. Pés carne suja; unhas pardas. Cabeça
e todo o pescoço preto e ventre branco : tudo o mais
preto, excepto as cobertas superiores das azas, que
são sombreadas de cinzento. O sacco côr de carne,
descoberto até a entrada do peito. A lingua trian-
gular, carnosa e muito maior do que a do Mergu-
lhão. O bico he um tanto encurvado no meio supe-
rior, como o do Mergulhão : não tinha o arminho
ou plumagem que esta tem.
Alcatraz preto
(Fevereiro de 1820)
|
Ord. Amser. Gen. Pelecanus Sp... Macho
ROSTRO E DENTULO
Este Alcatraz é semelhante ao antecedente em
tudo, excepto nas cores e ter a crista mais alta, e
o sacco maior, mais descoberto, e dilatavel e maior
entrada sem pennas no alto da base do bico. que
parece tambem menos agudo na ponta. Cores....
Olhos; bico; sacco, é pois como o Alcatraz branco.
Toda a plumagem preta. (Cumprimento vôo, 6 pés
e 4 pollegadas aa ponta do bico a das pennas la-
teraes da cauda forcada e de 12 vennas, 2 pês e
10 pollegadas do angulo do bico . . . . . . . ponta
cinco polegadas e da base ( sem entrada) 2 polegadas.
== "802 —=
Macuco
Tendo visto em outros tempos esta ave, só
agora, depois de muitos annos, é que vi duas em
Belmonte, uma das quaes sOmente pude examinar e
ella era femea, e segundo as suas cores não.... com a
Sp. Totas. de Lin. e menos com outras. Parece-me
ser o inhambü mocoicogo de Azara o que Vieill,
( Gryptura solitaria ) descreve entre os Tinamüs no
N. D. d' H. N. por se conformar no tamanho e na
maior parte das suas cores, o que é bem sabido
de verificarem em algumas cousas no corpo sendo
só as remiges e rectrizes . . . nas constantes se-
gundo os sexos, idade, estação e clima. As unhas
dos Macuccs fazem excepção de regra dos demais
Inambüs, que tenho visto, e são justamente como se
diz no d” Diction. que assigna este caracter a toda
a familia dos Tinamus. Todas as unhas do Macuco
são do feitio das humanas, iguaes com os dedos,
isto é não excedem, nem o cumprimento nem a
largura delles e se ajustam bem com os mesmos.
O seu cumprimento era, da ponta do bico à do
rabo—3 pés e 7 polegadas: este. .... pol. Vôo
2 pés e 10 polegadas. Cores: na mandibula supe-
rior, preta; a inferior esbranquiçada. Pes azues e
unhas pardo escuro. Olhos grandes e pretos : Lin-
gua muito pequena e triangular. Cabeça pequena .
e pescoço fino por ser tanto ella como este
povoado de penmnhas estreitas e curtas por ser
mais vastas e lisas no alto da cabeça até a nuca,
de sorte que o pescoço parece mais fino e . . . por
seguirem. . . . . . como no resto de todo o corpo.
Ciricuá-verde
( 22 — Março — 1823 )
Comprimento 10 polegadas e & linhas. Vôo
13 polegadas e 9 linhas . . . 5 polegadas e 10 li-
nhas.—E” o Trogon viridis de Lin. ainda que mais
pequeno no cumprimento. Bico verde amarellado ;
pes esverdinhados. O verde dourado, parece em
certa posição, bronzeado. Creio que é a mesma Sp.
Curumi na qual só se não fallou na faixa verde
dourado no fim do pescoço, a qual é pouco aparen-
te e além disto nesta Sp. Ciricua se faz inenção
das cores do rabo, que convém com o Ciricuá que
examine posto que lhe faltam algumas pennas no
dito rabo. As cores verde dourado são faceis de
se confundir, pois sendo as pennas do corpo todo,
muito soltas com as bordas muito desunidas, e sen-
do a dita cor nas pontas e o resto escuro, facil-
mente se confundem. Os pês são como se diz .
no Gen. Scansorios; mais notei que nos dous tra-
zem. . . . . exterior é o mais fino e curto quando
= + 0) fino" e curto e notei” que no, Ci-
ricuä tambem os dedos mais pequenos dianteiros ficam
da parte exterior e nos Picapãos pela parte interior
de sorte que em uma e em outra ave os dedos
tanto os maiores como os mais curtos ficam do mes-
mo lado correspondente.
Examinei outro, a 22 de Abril, bem conservado
e sem diferença da mesma Specie do acima : Comtudo
é differente nas dimensões pois tem, desde a ponta
do bico à do rabo 9 — 10 lin. — Vôo 15 pol. e 12
lin. Rabo 5 pol. e 2 lin. Este fechado he egual
porque as 6 pennas dos mais são do mesmo com-
primento largas e.... sendo a primeira muito curta,
a segunda muito mais comprida e a terceira quasi
egual às seguintes.... barba exterior e a metade
e a interior branco candido; a segunda a mesma cor
na metade das bordas e a terceira sómente... por-
ção extrema ; sendo o restante dellas preto; mas na
terceira barba exterior preta tinha uma orla do mesmo
Le das do meio; nas terceira e quinta as barbas
exteriores verde carregado ; as interiores pretas. A
sexta verde mas todas ellas quarta, quinta e sexta
com as pontas pretas. Este verde em certas posi-
cões tinha reflexos azues. O verde do crisso que
cobre uma porção do rabo é verde esmeralda: o
mais com o das costas e hombros verde dourado.
Peito, ventre e crisso, amarello gemmado, ou côr
de esponja cabeça — frente, faces guella e parte do
pescoço preto; vertex e escuro com reflexos verdes :
Entre o peito do pescoço e amarello do peito e
ventre, um collar de verde azulado; mas como estas
pennas são soltas, confundem-se as cores. Azas
pretas com bases brancas, do qual apenas apparece
um pouco nas do meio, estando abertas; a......
e quinta remiges mais compridas e eguaes ; as co-
bertas das pennas secundarias bordadas finissima-
mente formam a côr cinzenta que é a mesma das
bordas exteriores dos remiges posteriores. Os pês
são o mesmo do acima. Palpebras amarellas e nas
de cima com pestanas grossas. Notei nesta que nos
dous dedos dianteiros o exterior só differe do in-
terior em ser este alguma cousa mais grosso, e ter
a unha muito mais comprida com rebordos que a
fazem concava, pois, são eguaes em comprimento
sem as urhas: mas o exterior trazeiro é muito mais
pequeno e fino do que o seu companheiro.
O CENTENARIO
DO
Museu Nacional
0 CEMTENARIO DO MEL MAGI .
A 6 de junho, do anno corrente de 1918, cele-
brou o grande Instituto que se aloja no Palacio de
S. Christovam, e decano dos estabelecimentos do seu
genero na America do Sul, o primeiro centenario de
sua fundação. Haviam exactamente decorrido vinte
fustros desde que D. João VI, bem inspirado por
um ministro culto, o probo e recto Thomaz Anto-
nio de Villanova Portugal, assignára a remodelação
da antiga Casa dos Passaros, a fundação do Vice-
Rei Luiz de Vasconcellos Souza, humilde tentativa,
primeira, para a organisação de um gabinete de his-
toria natural no Rio de Janeiro. Não nos assiste a
descabida pretenção de aqui fazer o retrospecto da
historia do Museu Nacional, no seculo que se escô-
ou de 1818 a 1918, e em que foi dirigido por Fr.
José da Costa Azevedo, Silveira Calleira, Fr. Cus-
todio Alves Serrão, Conselheiro Burlamaqui, Freire
Allemão, Ladisläu Netto, Domingos Freire, J. B. de
Lacerda e afinal Bruno Lobo, illustrado pelos tra-
balhos de botanicos como Luiz Riedel, Serrão, os
dous Freire Allemão, Schwacke, Ule, etc ; zoologos
como Descourtilz, Schreiner, Fritz Müller, Rumbel-
sperger, Goeldi, Ihering, etc., geologos e mineralogis-
tas como Capanema, Hartt, Orville Derby, Paulo
Oliveira, etc., ethnographos e anthropologos como La-
disläu Netto, Ferreira Penna, etc., biologos como
Couty, Lacerda, etc., archeologos como Porto Ale-
ere, Ferreira Lagos, Netto, para só falarmos dos
mortos e dos hoje desligados do Museu.
O pequeno instituto que Arago, Gardner, Cas-
telnau encontraram tão pobre, tao vasio e humilde
nos primeiros quarteis do seculo XIX tomou vigoroso
impulso. sobretudo depois que 20 espirito esclare
— 868 —
cido de Thomaz Coelho em 1875 acudiu a necessi-
dade imprescindivel da remodelação da instituição
sobre largas bases modernas, de accório com os
progressos da sciencia. A publicação dos Annaes,
realizando a extereorisação dos trabalhos do Museu
«vein como infundir largo hausto de vida ao mo-
dorrento instituto de até então. <A sua transferencia
para o palacio de S. Ghristovão deu-lhe a amplidão
de que tanto precisava. Na longa directoria do Dr.
J. B. de Lacerda continuou o Museu a sua marcha
ascendente, alargando os seus quadros, multiplican-
do as excursões zoologicas e botanicas, reforçando
collecções, creando novas secções. O actual director
Prof. Bruno Lobo, nos poucos annos em que o di
rige imprim:ù enorme vida aos serviços do Museu,
vitalidade que se traduz pela publicação de numerosos
tomos dos Annaes, então em atrazo, pelo subsidio
de valiosas campanhas scientificas, entre as quaes
convém destacar a de exploração à Ilha da Trin-
dade, o estabelecimento de varias officinas mecanicas
autonomisadoras de serviços do estabelecimento, inau-
guração de multiplas salas de exposição publica, re-
organização do archivo-bibliotheca, restauração de
collecções, etc. E isto sem contar que 4 actividade
incansavel do novo Director deve o Instituto haver
recebido o enorme material da extincta Inspectoria
de Pesca e outros contigentes valiosos de diversas
procedencias.
Constituido por um grupo de scientistas de alta
competencia como Alipio de Miranda Ribeiro, Car-
los Moreira, Edgard Roquette Pinto, Alberto Be-
tim Paes Leme, Alberto J. de Sampaio, Cesar
Diogo, Bourguy de Mendonça, Sergio de Carvalho,
Alfredo de Andrade, a quem acompanham auxiliares
do valor de Alberto Childe, Hugo de A. Braga,
Pinto Peixoto Velho, Antero Hence Octavio Jor-
ce, Oscar Publio de Mello, Mello Mattos, B. Tigre,
B. de Lacerda, ~ Mario G. de Araujo, em São
Christovam reside um nucleo que sobremaneira,
nonra a cultura do Brasil pelo saber, a dedicação
ao estudo e o patriotismo. Outr'ora separados por
uma questäo oriunda de rancores pessoaes e nascida
infelizmente no Ypiranga,. alheios se mantiveram
durante varios annos o Museu Nacional e o Pau-
lista, quando tudo aconselhava a solidariedade ou
pelo menos a cordialidade entre os dous insti-
tutos. Removidas as causas de semelhante anoma-
ha, nascidas de uma dissonancia nacional, sobre-
tudo, sente-se hoje feliz o Museu Paulista em saudar
c seu decano, desejando-lhe as maiores prosperida-
des para honra do Brazil e da sciencia universal.
Convidado o nosso instituto a se fazer repre-
sentar na festa commemorativa da data centenaria,
decidiu o Sr. Dr. Oscar Rodrigues Alves, digno Se-
cretario do Interior, que à sessão solenne de 6 de
Junho concorresse o Director do Museu Paulista,
em pessoa, representando não sô o estabelecimento,
como ainda o Governo do Estado de São Paulo.
Desempenhou elle a commissão honrosissima
que lhe fôra confiada, tendo o Professor Bruno Lobo
por especial gentileza, convidado a que tomasse a
palavra em primeiro logar, na sessão solenne com
que se festejou a passagem do centenario, sessão
presidida pelo Exmo. Sr. Presidente da Republica e
a que compareceram os Ministros de Estado, altas
patentes militares, representantes da Nação e dos
mais elevados Tribunaes do Brasil, representantes e
delegações de todos os altos estabelecimentos scien-
tificos do paiz, numerosissimas pessoas gradas, além
de grande concurso de simples curiosos. Foi esta
a allocução do Director do Museu Paulista:
« Diversas vezes, nos annos que acabam de es-
coar-se, tem visto o Rio de Janeiro solennidades no
genero da que hoje, tão festiva e agradavelmente,
neste recinto nos congrega.
Ainda, ha bem pouco, provocava a ultima destas
commemorações uma série tocante de cerimonias
do maior alcance civico, a celebração da epheme-
ride de 12 de Agosto de 1816, piedosa e elevada-
mente glorificada pela Escola Nacional de Bellas
Artes. E' que os varios e successivos millesimos
que percorremos, recordam cs centenarios das fun-
— 870 —
dações graças às quaes o Brasil intellectual se foi
despertando da modorra colonial, para exigir o seu
logar ao sol, no universo civilisado.
Bem sentia D. João VI — monarcha pesadäo,
mas perspicaz e reconhecido ao asylo carinhoso que
lhe offerecera o Brazil, quando forçado se vira a
voltar as costas a Ourique, a Aljubarrota, a Montes
Claros — bem sentira D. João VI, desde os dias da
chegada, a imminencia daquelles factos que, lucida
e syntheticamente, prophetisou em sua famosa re-
commendação ao filho, no momento do regresso a
Portugal. Jämais illudira ao principe braganção esse
estão das aspirações da nação, anciosa por se li-
bertar do liame lusitano. (Grato ao povo que o
abrigára, dotou-o, portanto, com essas instituições que
começaram tardonha e modesta, sinão humildemente,
mas viveram, vicejaram e vigorosamente aspiram
ao grande futuro a que lhes dá direito o bello
presente.
Realizando hoje um retrospecto secular da exis-
tencia podem ellas com desassombro afirmar que
efficientemente trabalharam pelo Brasil e pela Ilu-
manidade na esphera das sciencias e das artes.
Assim succedeu ao grande Instituto sob cujos
tectos nos achamos agora.
Não me cabe, senhores, certamente, traçar vos
a rememoração do que foi o lapso secular de 1818 —
1918. Cabe-me, e muito, porêm, como simples bra-
sileiro, lembrar quanto na consciencia da nação
fundo se enraiza o conceito de que o Museu repre-
senta um dos principaes motivos da legitima ufania
de nossa patria. E' a grande casa de estudo, cuja
producção de anno. para anno se avanteja, cujos pre-
goeiros, os fortes tomos dos « Archivos», repre-
tentam valiosissimo repositorio de segredos arran-
cados à Natureza.
Fóra do paiz, não menos fundamente, a voz se
acata dos que aqui trabalham e produzem, para
maior renome da cultura brasileira. Sobretudo ago-
ra, desde o inicio desse grande surto de vida intensa
que de varios annos para cá se estabeleceu. Mul-
— 871 —
tiplicaram-se as campanhas scientificas ; para junto
de Rondon correram apressurados cs naturalistas de
S. Christovam ; explorou-se a Trindade, os tomos
dos « Archivos » succederam-se uns aos outros, di-
vulgando monumentaes memorias. Ampliado o qua-
dro do pessoal scientifico, brilhantes e rigorosos con-
cursos trouxeram para o Instituto profissionaes de
real valia e maior dedicação; inauguraram-se os
cursos publicos e os laboratorios se viram franquea-
dos aos estudiosos de boa vontade.
Propulsor incansavel deste movimento patrio-
tico, ao sr. professor Bruno Lobo sobremaneira devem
a instituição e o paiz. Creador de iniciativas, ins-
pira-se na ancia de servir ao Brazil eá Sciencia.
Acompanha-o, cheia de devotamento e enthu-
siasmo a congregação do Museu nessa via de tra-
balho e apego à Gloria, essa congregação em que
se assentam scientistas do valor de Carlos Moreira,
Miranda Ribeiro, Roquette Pinto, Betim Paes Leme,
Alberto Sampaio, Bourguy de Mendonça, Sergio de
Carvalho, Alfredo de Andrade; dispondo de assis-
tentes e auxiliares do valor de Cesar Diogo, Publio
de Mello, Childe, Lahera, Hugo Braga, Peixoto Velho,
Octavio Jorge, Bastos Tigre, Anthero Ferreira, Mello
Mattos, Lacerda Araujo, etc.
iivestes senhores a gentilesa de me convocar
a esta festa. A mim nada mais grato do que ac-
ceder a tão cordial chamamento. Assim, trazendo-
vos as congratulações do Governo do Estado de S.
Paulo, que tenho a honra de representar, as da Es-
cola Polytechnica de S. Paulo, a cuja congregação
muito me prezo de pertencer, e a solidariedade do
Museu Paulista, que me desvaneço de dirigir, cor-
respondo ao vosso appello, exprimindo-vos quanto
me penhora associar-me à celebração da gloriosa
data centenaria de 6 de junho.
Em perfeita communhão de idéas e pontos de
vista com o Presidente Altino Arantes, promove o
sr. dr. Oscar Rodrigues Alves — com o maior afan
— e apesar das difficuldades da hora presente — o
engrandecimento das instituições scientificas que se
— 872 —
subordinam à sua pesada pasta. Com afinco, empe-
nha-se emas desenvolver, em as ampliar e remodelar.
Assim, a testa do serviço capital da defesa sanitaria
e do saneamento, a que se annexam tantos institutos
e laboratorios, collocou o sabio e formidavel tra-
balhador que é Arthur Neiva. Ao Instituto de Bu-
tantan, nome inseparavel de dois outros tão caros a
todos nós — os de Vital Brasil — sobremodo lhe
estendeu a efficiencia com a grande amplificação re-
cente. A” Escola Polytechnica e à Faculdade de
Medicina, a cuja frente se acham homens como Ra-
mos de Azevedo e Arnaldo Vieira de Carvalho. não
menos attenção dedica.
No grupo destas instituições figura o Museu
Paulista, onde muito ha que fazer e onde se procura
trabalhar. Empenha-se o governo de S. Paulo em
lhe dar o destaque que lhe impõe a proximidade da
magna e proxima commemoração de 22.
São algumas de suas collecções preciosas e al-
gumas modestas, outras ainda incipientes.
Em vinte e quatro annos não se pode formar
um grande museu, onde as diversas secções attin-
jam parallelamente grande desenvolvimento.
Subordinado ao criterio de se collecionarem cou-
sas do Brasil, sobretudo, já representa, porém, um
nucleo de exposições e um acervo de material para
estudos onde se concentram valiosos e avultados ele-
mentos.
Grandes são as suas aspirações, porém, e assim
se realizem, para que, naquelle magestoso edificio da
collina do Ypiranga, cada vez mais se engrandeça
— abrigada pelo padrão monumental e commemora-
tivo do gesto de Pedro | — uma casa da Sciencia
e da Tradição, cujo nome continne cada vez mais
familiar e mais acatado por todos os brazileiros e pelos
scientistas do universo. Para o desempenho deste
programma muito espera, e sobejos motivos para
tanto tem — da continuada solidariedade do seu de-
cano fluminense, afim de que se realize uma appro-
ximação perseverante das duas casas, a ambas pro-
veitosa.
Er =
Assim, cabe-me 6 dever grato de narrar quanto
nestes ultimos quinze mezes tem a actual direcção
do Museu Paulista merecido elevadas provas de sym-
pathia do Museu Nac'onal. do seu digno director,
dos sens chefes de serviço e auxiliares.
Miranda Ribeiro, Roquette Pinto, Betim Paes
Leme, Alberto de Sampaio, Childe, à sua revista
offertam artigos e memorias dignos da reputação de
seus autores.’ A’s exposições ethnograph cas de S.
Paulo carinhoso remodela Roquette Pinto, com a
con.petencia e o senso esthetico que seria injurio-
so qualificar. O eminente zoologo, o incançavel e
apaixonado admirador das cousas de nossa terra,
que é Miranda Ribeiro, durante mezes, diuturna-
mente estuda e revê o grande material ichtyologico
do Ypiranga. .
Ante taes demonstrações de amizade sente-se o
Museu Paulista cheio de um reconhecimento que me
desvaneço em proclamar.
Srs. memiros da Congregação do Museu Na-
cional :
Erige-se o vosso instituto em face de um dos
mais bellos scenarios do mundo. Em vosso antigo
e celebre palacio uma grande memoria habita, a de
uma das nobres figuras da Humanidade, a daquelle
brazileiro que, durante mais de meio seculo, aqui
viveu procurando servir à terra e à gente brazileira.
No velho paço imperial a que a Republica deu
o mais acertado destino, conservastes piedosamente
o trigramma magestatico do dynasta que repudion
o atavismo decorrente desses autocratas de que pro-
cedia, conductores dos miseros reJanhos humanos
à chacina, e tanto se apparentava com Washington.
A vossos mãos passando a casa de Pedro II,
nella e por vosso intermedio se prolonga essa atmo-
_sphera de patriotismo traduzido pelo afan, e a con-
sciencia com que estudaes a natureza brazileira.
Saudando-vos com verdadeira e commovida
effusäo ante o aspecto desta reunião repassada de tão
fundo brasileirismo, tenho a honra de apresentar-vos
as congratulações dos exmcs. srs. Presidente e Se-
cretario do Interior do Estado de S. Paulo, as da
Escola Polytechnica de S. Paulo e os protestos de
soliedariedade do Museu Paulista. »
Após a sandação do Director do Museu Pau-
lista tomou a palavra o Sr. Professor Brano Lobo
que fez o retrospecto secular do Instituto a que dirige
e uma exposição de motivos sobre o programma
actual do Museu Nacionale os seus planos de futuro,
proferindo magnifica oração, repassada de conceitos
tão brilhantes quanto exactos, com aquelle colorido
e vivacidade que tanto lhe caracterisam a intelligen-
cia clara. Não menos brilhantes os discursos dos
Professores Betim Paes Leme e Alipio de Miran-
da Ribeiro, precisos, syntheticos e modernos, o
primeiro sobre o systema da geologia do Brasile o
ultimo sobre a evolução dos estudos zoologicos, de
Linneu aos nossos dias e as necessidades do Musen
Nacional. O Sr. Professor Alberto de Sampaio,
que como chefe da secção botanica tambem devia
proferir uma allocução, por enfermo não poude oc-
cupar a tribuna. Seguiu-se pois com a palavra o
professor Alfredo de Andrade, que com verdadeira
elevação de idéias apreciou a posição da chimica
nas snas relações com as sciencias naturaes.
Foi a serie de discursos encerrada peia oração
calorosa do Prof. Roquette Pinto que numa arrou-
bada e felicissima saudação de agradecimento aos pre-
sentes soube com a sua real eloquencia e a feição
original do espirito pronunciar umas tantas phrases
encantadoras pela communicatividade vibrante e o
patriotismo dos conceitos.
Foi pois, a sessão magna de 6 de Jurho a mais
sympathica das solennidades, deixando aos que a
ella assistiram agradabilissimas recordações.
Reiterando à Congregação do Museu Nacional
os cumprimentos e parabens que verbalmente ex-
primiu o seu Director na ephemeride centenaria re-
nova-lhe a Revista do Museu Paulista os seus votos
de longa prosperidade e a expressão de sua solida-
riedade, em pról da grande patria brazileira.
DR NT Dr
TRES NATURALISTAS
(Langsdorff, Swainson e Waterton)
ROB:
Alfredo de Carvalho
Ce oN
ns ‘Te
0 BARÃO DE LANGSDORFF «!
POR:
Alfredo F. de Carvalho *
EK” facto hoje sobejamente comprovado, que
quasi todas as grandes creações poeticas das mo-
dernas literaturas de ficção, ainda as apparente-
mente mais inverosimeis, assentam na realidade e
imitam de perto.a natureza; isto é só mui rara-
mente brotam armadas «de pied en cap» da ima-
ginação do artista, sem a suggestão apreciavel de
um modelo cbjectivo.
Assim o celebre « Corsario » de Byron, existiu
de facto na pessoa de seu amigo Edward John Tre.
lawny ; a « Madame Bovary » de flaubert, teve
RUI) Vd. Revista do Museu Paulista (V. 5, p. 13), 0 ar-
tigo do Dr. Hermann von Ihering: « Natterer e Langsdorft >.
(2} Poueos conheceram as cousas do Brasil como
Alfredo de Carvalho cuja prodigiosa erudição e extraordina-
ria capacidade de trabalho veiu a morte aniquilar em pleno
viço da idade madura e do talento, aos 45 annos, em 1916.
Tudo quanto de sua penna fecunda sahiu traz o cunho do
inedito e do original. Jámais incidiu na repetição ou na
falta de interesse dos assumptos tratados. Tinha particular
‘predileccao em effectuar pesquizas sobre a acção dos estran-
geiros illustres, visitantes do Brasil e trabalhava ardente-
mente numa bibliographia xeno-brasileira para a qual ja
reunira milhares de fichas quando a morte o surprehendeu.
Nos seus Estudos Pernambucanos, hoje tão injustamente
deslembrados, consagrou excellentes artigos aos dous cele-
bres crnithologistas inglezes estudos que para as nossas paginas
trasladamos assim como o presente artigo sobre o Barão de
Langsdorff, publicado na revista Heliopolis, do Recife, pou-
co antes do seu fallecimento.
(N. da R.)
por prototypo uma leviana burgueza de Lyon, e, nao
ha muito, falleceu em Edinburgo, o profossor de ma-
thematicas, cuja prodigiosa acuidade analytica Conan
Doyle emprestou ao sen já por demais famoso
Sherlock Holmes; por outro lado, é sabido como
em « Volupté », Sainte-Beuve retraton a si proprio,
e Champfleurv affirma que os contos tenebrosos de
Hoffmann não passam de uma longa autobiographia.
Só o macabro e enfadonho Ponson du Terrail, ao
que nos conste, costumava inspirar-se em grotescos
bonecos de trapos, por elle feitos e baptisados ; em
compensação a sua obra volumosa e nulla ficou
«hors de la littérature» no conceito drastico de
Anatole France.
Uma das figuras mais originaes e curiosas, que
o engenho fino e subtil do Visconde de Taunay
encartou entre os personagens typicos da sua admi-
ravel « Innocencia », é sem duvida, a do extranho
e excentrico naturalista allemão, cujos dispauterios
propinam as notas mais hilariantes à fabulação da-
quella encantadora novella sertaneja.
Ao traçal-a, tão veridica, teria 0 eximio escri-
ptor em mente alguma individualidade real?
Será Wilheim Tembel Meyer apenas creação
brilhante de sua lucida fantasia, ou moldou-lhe —
o romancista— as rasgadas feições caracteristicas
em retrato, ou caricatura de algum dos nümerosos
«savants » estrangeiros que na primeira metade do
seculo XIX, perlustraram tão extensa e proficua-
mente as terras brasileiras ?
A supposição nada tem de desarrazoada, se
attendermos à indole literaria do nosso inolvidavel
Xenophonte.
O Visconde de Taunay alliava a uma rara pro-
bidade artistica e ao instincto pinturesco herdado de
seus maiores, o dom singular de rapida e completa
visão dos homens e das cousas e a faculdade de
copial-as do natural, com evocadora exactidão ver-
bal.
O « Encilhamento », por exemplo, é um verda-
deiro «roman à clef», no qual facil seria ainda hoje
Eni 879 seis
substituir os nomes convencionaes de protagonistas
e de comparsas, pelos dos individuos mais em des-
taque no pandemonio financeiro, gerado pelos des-
varios economicos do nosso primeiro governo re-
publicano.
O seu illustre pae, o Barão Felix Emilio de
Taunay, conviveu, aliás, proximamente com varios
dos sabios forasteiros, contemporaneos de Spix e de
Martius, e, provavelmente, em palestras intimas, te-
ria transmittido ao filho as impressões recebidas de
seus habitos e maneiras mais ou menos exquisitas.
Ora dentre todos aquelles naturalistas europeus,
que affluiram ao Brazil nos dias de D. João Vle
de D. Pedro I, nenhum se avantajou em excentri-
cidade ao desventurado Barão de Langsdorffe a este
sabemos que Felix Emilio conheceu pessoalmente e
o Visconde consagrou minucioso estudo biographico.
Seria elle o original de Wilhelm Tembel Meyer ?
Langsdorif morreu louco e parece mesmo que,
durante a maior parte de sua vida, jamais gozou
de perfeito equilibrio mental; isto, porém, não im-
pedio conquistasse posições officiaes, grangeasse hon-
rarias e alcançasse cel-bridade scientifica, attestado
pelo nome de « Langsdorffia », corferido por Mar-
tius a um vegetal brazileiro da familia das Balano-
phoraceas.
Allemão da naturalidade, pois nasceu, em Wolls-
tein, no Hesse Rhenano, a 18 de Abril de 1773, 0
futuro naturalista doutorou se em medicina, na Uni-
versidade de Goetingue, e acompanhou, em caracter
profissional, ao Principe Christiano de Waldeck,
quando este, em 1797, foi a Portugal assumir 0 com-
mando em chefe dc respectivo exercito; fallecendo
no anno seguinte o seu protector, demorou-se ainda
algum tempo clinicando particularmente em Lishoa,
onde introduziu a pratica da vaccina, e, em 1801,
engajou-se como cirurgiäo-môr das tropas inglezas
em guerra contra a Hespanha; licenciado, após a
a paz de Amiens, regressou à patria em principios
de 1802.
— 880 —
O decidido pendor para o estudo da historia na-
tural, ao qual se dedicära assiduamente em Portugal,
incitava-o a emprehender viagens longiquas, e sa-
bendo do apresto da expedição russa que, sob o com-
mando do capitão Krusensteru se destinava à explo-
ração do Noroéste da America, conseguio ser in-
corporado à mesma, que acompanhou até ao Kam-
tschatka, voltando a Europa, pela Siberia, em 1807.
No decurso desta longa viagem, quando o pa-
vilhão russo fluctuon pela primeira vez às brisas do
hemispherio austral, teve ensejo de visitar Santa
Catharina, onde a expedição se deteve de 20 de
Dezembro de 1805 a 2 de Fevereiro de 1804, tempo
que Langsdorff aproveitou em frequentes excursões, :
na ilha e no continente visinho, colhendo abundan-
tes e valiosas observações da. terra e da gente e
numerosos especimens da vida animal e vegetal.
Ignoramos si já nesta época manifestava symp-
tomas da morbida agitação que apresentou nais
tarde; entretanto, o propositado silencio que a seu
respeito manteve Krusenstern tão prodigo em cari-
nhosos elogios a todos os seus companheiros de via-
gem, faz suspeitar que a sua conducta não foi de
todo normal.
E' evidente, porém, que então recebeu da na-
tureza tropical impressão vivissima, e de taes artes
usou que, captando a confiança do czar Alexandre
I, voltou ao Brasil, em 1813, como consul geral da
Russia no Rio de Janeiro, onde permaneceu durante
sete annos, consagrando-se com ardor a pesquizas
de historia natural, sobretudo prestimosas nos do-
minios da botanica o da entomologia; só de borbo-
letas, conta o inglez Hendeson, reunio cerca de mil
e seiscentas especies differentes.
Attrahido pelos labores agricolas, adquirio, ao
sopé da Serra da Estrella, uma vasta propriedade
rural, à qual denominou da « Mandioca », e onde,
auxiliado de numerosos escravos e trabalhadores livres,
se entregou às mais exraordinarias e fantasticas ex-
periencias economicas.
L
— O81 —
Mau grado suas maneiras prazenteiras e osten-,
siva robustez intellectual a marcha traçoeira da en-
fermidade terrivel era nelle cada vez mais apparente
a quantos o visitavam naquelle aprazive: retiro.
Assim ao consciencioso botanico francez Au.
gusto de Saint-Hilaire não passou despercebida a
perturbação mertal do consul da Russia.
Partindo juntos do Rio de Janeiro em 7 de
Dezembro de 1816, delle dá o seguinte caracteristico
retrato: «Na companhia do sr. Langsdorff, o
homem mais activo e infatigavel que jamais en-
contrei na minha vida, aprendi a viajar. Era sempre
a partida o momento critico. O meu companheiro
ia, vinha, agitava-se, chamava a este, ralhava com
aquelle, comia, escrevia o seu jornal, classificava as
suas borboletas e corria de um lado para outro sem
parar um só instante. Punha em movimento toda
a sua pessõa, levando para a frente a cabeça e os
braços, como que a accusarem de lentidão o resto do
corpo; em bórbotões sahiam-lhe as palavras dos
labios, offegante, de respiração oppressa, à maneira
de quem ierminára extensa carreira. Da minha
parte eu me apressava quanto podia, todo medroso
de fazelo esperar; tambem ao sahir do pouso, já me
sentia mais cançado do que no fim da jornada ».
No registro de Parahybuna o irrequieto viajante
despio o fraque, para mostrar a uns alfaiates a per-
feição do córte e da costura. Entretanto « c'était »,
diz Saint-Hilaire, «la redingote la plus mal faite
peut-être que jai vu de ma vie».
O naturalista austriaco Emmanuel Pohl, que
esteve em Mandióca, no anno de 1818, alli não en-
controu Langsdorff, e sim um seu digno emulo, na
pessoa de um taxidermista suecco, o qual timbrava
em andar descalço e vestido apenas de camisa, e
comia os passaros, cuja pelle empalhava, assados à
chamma fumarenta de uma candeia de azeite.
Em 1820 o consul da Russia voltou 4 Europa,
e, em 1823, realisou uma excursão às montanhas
do Ural. Mas, já em 1825, estava novamente a
= $62 —
caminho do Brasil, à frente de uma expedição scien-
tifica, estipendiada pelo czar Alexandre 1.
Os resultados desta viagem, encetada sob os
melhores auspícios, a 3 de Setembro de 1825, e termi-
nada, após frequentes accidentes, em principios 1829,
foram tristemente precarios. Varios dos membros
da commissão, entre elles o imallogrado jovem Amadeu
Adriano Taunay, morreram em caminho; outros
como o astronomo Rubzoff, ficaram para sempre
invalidos.
Logo à sahida da expedição, de Porto Feliz,
em São Paulo, occorreu um episodio escandaloso,
no qual figurou como principal personagem o pro-
prio Langsdorff: acompanhado até ao porto pela
melhor gente da localidade e esperado à margem do
Tietê pelo vigario, que abençoou, todo paramentado,
a expedição embarcada em trinta e duas canôas e bate-
loes, teimou em levar comsigo ostensivamente uma
moça alleman, de costumes mais que levianos, fazendo-a
embarcar antes de todos n'um escaler em que flu-
ctuava à pôpa a bandeira imperial da Russia.
Este e outros factos similhantes geraram grave
sizania entre os expedicionarios, determinando a sua
divisão em dois grupos, já na marcha atravez de
Matto Grosso.
| « De Cuyabä em diante, conta o Visconde de
Taunay, o estado mental do Barão de Langsdorff
gradualmente se foi aggravando, o que deu lcgar a
muitos episodios penosos, um delles de irresistivel
comico, quando a expedissão atravessava a zona dos
indios « Apiacás », no rio Arinos.
Tendo apparecido numa extensa praia grande
numero desses selvicolas e no meio delles um com
certos distinctivos vistosos de «capitão », julgou o
bom do consul russo, que tambem devia envergar o
seu grande uniforme e lá foi para terra mettido em
farda de gala, espadim ao lado, chapév armado a
cabeça e condecorações no peito. Imagine-se a fi-
gura no meio daquelles indigenas nús em pello, que
mostravam fundo pasmo e bestial alegria ao con-
templarem tamanha ostentação e esbugalhavam 03
Es ak!
olhos ante tantos bordados a ouro e brilhantes te-
teias. Afinal, uma india perguntou por gestos si
aquillo era vestimenta, ou a propria pelle de tão
alto personagem e, melhor informada, pedio para
que elle lh’a cedesse por um pouco. Langsdorff,
que não resistia aos caprichos do bello sexo, civili-
sado ou não, immediatamente despio a farda e a
passou à rapariga que de golpe nelle se enfiou, pas-
seando muito ufana com o seu singular adorno, em
quanto o consul ficava em mangas de camisa, mas
com calças de galão, espadim e chapeo armado. Nem
parou ahi a aventura. De repente, a india dispa-
rou para o matto seguida de todos os mais, e o es-
poliado poz-se a corrrer como um desesperado atraz
da sua veste de gala, na maior e mais grotesca fu-
ria. E a commissão perdeu dois dias à espera de
uma restituição que, naturalmente não se deu. »
« De então por diante quasi totalmente se apa-
gou a intelligencia do infeliz. Tendo perdido a con-
sciencia de si, praticava actos desatinados que con-
frangiam dolorosamente o coração de seus subordi-
nados. Chegando a (Commissão a Santarem, em
principios de 1829, foi Langsdorff transportado para
a Europa, onde viveu, ou melhor vegetou, ainda por
longos annos em completa alienação mental. »
Não obstante o lamentoso fracasso da expedi-
ção e das grossas quantias inutilmente dispendidas,
Nicoiau I, com a generosidade propria aos auto-
cratas moscovitas e em homenagem á memoria de
seu illustre irmão, concedeu ao infeliz viajante a pin-
gue pensão annual de 1.100 rublos, até que elle se
finou obscuramente, em Freiburg, no Brisgau, a 29
de Junho de 1852.
Apaixonado caçador de borboletas, excentrico
até a vezania, não teria sido o Barão Langsdorff o
original do exdruxnlo naturalista, a quem o Vis-
conde de Taunay fez descobrir o irisado e mirificc
« Papilio Innocentia ? »
William Swainson
Bem pouco desenvolvidas são as biographias que a este
illustre naturalista consagram os diccionarios encyclopedicos.
Basta dizer que jamais mereceu um artigo proprio em qual-
quer das numerosas edições da Encyclopedica Britannica.
Verdade é que a falar de ornithologia fez-lhe ella impor-
tantes referencias.
No Dictionaire Universel du XIX”: Siècle, de La-
rousse, encontrámos alguns apontamentos de que nos ser-
vimos para dizer alguma cousa acerca da vida e dos traba-
balhos do tão sympathico naturalista cujo nome se acha
intimamente ligado ao estudo das sciencias naturaes no Brasil.
« Nascido nas vinhanças de 1799 (1) empregou grande
parte da mocidade em viajar em differentes partes do mundo
onde fez colleeções de objectos de historia natural, sobre-
tudo de passaros e insectos. De 1820 a 1841 época em que
com a familia foi estabelecer-se na Nova Zelandia, publicou
grande numero de obras entre as quaes se citam: Jllustra-
ções zologicas ou Fiqu'as originaes e descripções de ani-
maes novos raros ow interessantes, (1820); Conehicl gia
exoticr, (1821); Guia do naturalista, (1822); Os passaros
da Africa Oriental, (1837); As aves de rapina, (1838):
Tratado de malacologia ou classificação natural das conchas e
dos peixes de conchas, (1840); Os passaros do Brasil e do
Mexico, (1835-1841). Escreveu ainda, para a Encyclope-
dica de gabinete de Londres: Discurso preliminar sobre o
estudo da historia natural, (1834); A geographia e a elas -
sificação dos animaes, (1835); A geographia e a classifica-
ção dos quadrupedes, | 1835 ); Historia Natural e classificação
dos passaros, (1836); Historia Natural e classificação dos
peixes amphibios e reptis, (1838-1839): Os animaes em ca-
ptiveiro, (1838): Habito e instincto dos animaes, (1840).
Em todas estas obras, Swainson desenvolveu um novo sys-
tema de classificação dos animaes, conhecido pelo nome de
arranjo quinario. Deve-se-lhe ainda, em collaboração com
Shuckard um Tratado sobre a historia e o arranjo natural
dos insectos, (1840). Collaborou na Fauna boscalis ame-
ricana de John Richardson, ( 1831); e escreveu grande cópia
de memorias para o Jornal de Instituição-Real, o Jornal Zoo-
logico e a Revista de Historia Natural.
(1) Em Liverpool, a 8 de Outubro de 1786, diz Alfredo de Carvalho.
No Brasil, onde esteve de 1816 a 1818, o que mais attra-
hiu Swainson foi o estudo da ornithologia e da entomologia.
Viajou por Pernambuco, Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro.
Tambem colleccionou muitos peixes e fez um herbario de
mais de 1.200 especies.
Grande numero dos passaros então apanhados desenhou
inserindo-lhes as estampas relativas nas suas Zoological Illus-
trations, publicados em tres séries em 1821, 1829 e 1833.
« Todas as estampas foram desenhada pelo autor, diz a
Encyclopedia Britannica. Como artista ornithologico não
tinha elle rival no seu tempo « Nao é que todas as suas
estampas estejam isentas de critica; os peiores desenhos, po-
rém, revelam mais conhecimento da vida dos passarros do
que as melhores producções de seus contemporaneos francezes
e inglezes >.
A theoria do systema quinario attribuida a Swainson,
é realmente de William Sharpe Mac Leay, naturalista de grande
talento que a applicou aos insectos em 1819. Vigors estendeu-
lhe as conclusões a ornitholegia. Foi porém Swainson o
ardente e incansavel propagador e defensor de semelhantes
idéas, durante longos annos. Em 1835 synthetisara os seus
pontos de vista em cinco proposições, claras e concisas que
muito deram que discutir aos mestres e auctores, em geral,
das sciencias naturaes.
Atacado vigorosamente por homens de valor como Fle-
ming e sobretudo Strickland o systema quinario ruiu com-
pletamente, o seu principal e mais ardente paladino acabou
pelo silencio, confessando-se vencido com o publicar a sua
Bibliographia da Z:ologia. KE’ preciso dizer que fora do
mundo britannico nenhum nome prestigioso tomara o defesa
dos principios de Mac Leay e de Swainson.
Das obras de Swainson uma das mais apreciadas, alias
rarissima, vem a ser os Pissaros do Brasil, magnificamente
illustrada.
Na ornithologia do nosso paiz numerosas e justissimas
homenagens foram feitas à memoria do illustre naturalista
inglez. Citemos entre os passaros que lhe lembram o nome:
Entre os accipitriformes dous falconideos um da sub-
familia dos buteoninæ o buteo swainsoni Bp. e outro da sub-
familia dos aquiline o gampsenyx swainsoni, Vig.
Entre os scansores, um da sub-ordem dos buccones,
familia dos bucconide, o bucco swainsoni Gray ou João do
Matto.
Entre os passeriformes, sub-ordem dos mesomyodi, di-
visão dos tracheophona, familia dos tyrannidw: o onycho-
rhynchus swaensoni, Pelz ou papa mosca real.
Emfim ainda um quinto passaro sul-americano ligaram
o nome de Swainson o Hylocyehla swainsoni, Baird uma
ave dos turdidæ que vive da America Central 4 Republica
Argentina.
— 886 —
Quanto as descobertas de Swainson na ornithologia bra-
sileira, foram ellas t&o numerosas quanto valiosas.
Basta lembrar que revelou a existencia da juruty,
Leptotilea rufaxilla; a Rynchops nigra melanura, ave ma-
ritima, das laride, um pernalta o tigrisoma ou socó-boi, o
quiri-quiri ( sparverius cinnamomimus ) rapineiro ; um peri-
quito ( passerina G'uianensis ); um surucuá (trogon mela-
nurus); um aragary ( pteroglossus inscriptus ); varios pica-
päus (brachygalba lugubris); (chrysochloris brasiliensis ),
( chorysochloros rubiginosus ), (ruficeps afinis); varios for-
micartide : Thannophilus ambiguus e torquatus, Pyriglena
atra.
Citemos ainda entre os dendrocolaptidæ : furnarius
leucopus; entre os tyrannide: Rinchocyclus megacephalus ;
entre os cotingidæ: Tityra brasiliensis (a araponguira) e
phenicircus nigricollis ; entre os troglodytide: heleodytes gri-
seus; entre os mniotiltide o basilenturus auricapillus ; en-
tre os vireonide o vireolanius leweotis; entre os tanagridw
duas sahyras a calospiza melanomota e a calospiz1 cyano-
ptera ; a tanagra cana, um tié, o tachyphonus pheniceus ;
entre os fringilide a poospiza personata, o arremon semi-
torquatus e entre os icteride — xanthornus tibialis etc.
A Swainson deve a ornithologia o estabelecimento de
um grande numero de generos occurrentes no Brasil, como
por exemplo: chordeiles ( caprimulgidæ ) phoetornius e cam-
pylopterus (trochilidæ ); colaptes, chrysoptilius e leuconer-
pes ( picide ) formicivora ( formicariide ) geositta, lochmias,
sclerurus sittasomus e dendroplex ( dendrocolaptide ) fluvi-
cola, culicivora, cyanotes e pitangus (tyrannidæ ) ptilochlo-
ris (pipride) lathria phenicircus (cottingide) cyclorhis
( vireonide ) pipracidea e lamprotes ( tanagride ) tiaris ( frin-
gillide) dolichonix, molothrus e leistes ( icteridæ ) dendro-
cygna ( anatide ) ete.
Por esta resenha se vé quanto na historia da ornitho-
logia brasileira cabe assignalado papel a William Swainson.
(N. da R.)
WILLIAM SWAINSON |
Com a derrocada final do poderio napoleonico,
em 1815, calaram-se de subito os temerosos ruidos
marciaes, que havia mais de três lustros alvorota-
vam, numa borrasca calamitosa e sangrenta, toda a
Europa Occidental, e, firmada em Vienna a Santa
Alliança, penhor intangivel de concordia internacio-
nal, os governos, forros de onerosos dispendios bel-
licos, volveram as suas attenções e recursos para O
incremento das artes mais beneficas e fecundas da
paz, fomentando o commereio, protegendo as indus-
trias, propagando a instrucção e subsidiando, em
generosa emulação, o apresto de expedições scienti-
ficas destinadas ao estudo da natureza nas regiões
menos conhecidas do pianeta.
Da Russia, da Suecia, da Austria, da Prussia,
da Baviéra, da França e até do Grão-Ducado de
Toscana, partiu então, rumo aos maravilhosos paizes
tropicaes, uma legião de diligentes e idoneos inves-
tigadores, cuja mésse opulentissima tanto contribuiu
para rasgar ao seculo XIX a sua feição tão pro-
fundamente naturalistica.
No paroxysmo deste movimento expansivo, re-
acção logica contra a anterior reclusão imposta pelo
odiento bloqueio continental, muitos jovens movidos
do ardente desejo de peregrinar em remotas para-
gens, ou animados do mais nobre intuito de contri-
buir para o progresso das sciencias que affeiçoavam,
lançarani-se na esteira das grandes expedições offi-
ciaes, e uv resultado do seu labor mais duma vez
sobrepujou ao daquellas.
William Swainson é um exemplo typico deste
ultimo genero de «franco-atiradores » da sciencia,
e merece tanto mais o nosso apreço, porque, depois
— 888 —
de Markgraf e de Piso, no seculo X VII, foi, talvez,
quem melhor estudou a flora e a fauna pernambu-
canas.
Nascido em Liverpool, a 8 de Outubro de 1786,
cêdo se sentiu inclinado ao estudo da historia na-
tural, ao qual se dedicou com tamanho afinco que,
ao iniciar-se aquella agitação benefica, o seu nome
já gosava, na Inglaterra, de certo credito entre os
naturalistas.
Isto o resclveu a concorrer tambem ao grande
prélio incruento, em que foi, dos mais illustres com-
batentes. Numa extensa carta, mais tarde dirigida
ao Professor Jameson, de Edimburgo (1) e que
constitue a mais copiosa fonte de informações sobre
a sua viagem a Pernambuco, Swaison expõe os
motivos que o induziram a preferir o Brasil para
campo de suas pesquizas.
« Deliberei ir a America Meridional no outono
de 1816, escreveu elle. A politica liberal que, ao
ser restaurada a paz geral, determinou varios sobe-
ranos do (Continente a enviar scientistas afim de
explorarem os thesouros que o Brasil offerecia 4
investigação philosophica, levou-me a suppôr que
tambem o nosso governo acolheria favoravelmente
quaesquer propostas que sobre o assumpto lhe fos-
sem dirigidas. »
Neste designio o joven sabio dirigiu-se a Sir.
Joseph Banks, famoso botanico e extrenuo protector
das sciencias, que acolheu com muito applauso a
sua resolução e o recommendou vivamente.
Enthusiasmado com este incitamento, Swainson,
comquanto o seu primeiro impulso tivésse sido ditado
pelo simples desejo de se instruir, aspirou ampliar
mais os seus projectos, «dilatando a esphera das
(1) Esta carta, muito incorrectamente traduzida para
o portuguez, foi publicada no Jornal Encyclopedzco de Lisbôa,
de José de Agostinho de Macedo, 1830, Vol. 1.º pp. 1243
e seguintes; é provavel que o original tenha antes appare-
cido em algumas das Revistas especiaes da Inglaterra; mas
neste particular as nossas pesquizas foram infructiferas.
a O
8895
suas observações. « Considerando na exiguidade dos
seus proprios recursos, propoz ao governo inglez
enviar para os museus e jardins botanicos do seu
paiz collecgdes de historia natural as mais completas
que conseguisse reunir, isto mediante adequado auxi-
lio pecuniario ou mesmo apenas o patrocinio nomimal
de Naturalista do Governo Britannico. Ambos estes
favores lhe foram, pcrém, recusados e assim, redu-
zido aos elementos de que pessoalmente dispunha,
elle lamentou que os resultados de suas investiga-
ções e viagens ficassem encerrados em limites muito
mais estreitos do que os que de outra forma pode-
riam ter tido.
« Em logar de seguir o exemplo de outros,
viajantes, escreven, indo primeiro ao Rio de Janeiro,
aportei, em fins de Dezembro de 1816 ao Recife,
na provincia de Pernambuco, a 8.º do Equador. »
« Esta provincia não havia ainda sido visitada
por nenhum naturalista moderno, e achei, que tanto
na sua geographia, como em historia natural, tinha
um aspecto summamente diverso das provincias
meridionaes. Depois de adquirir idéas geraes sobre
o clima e os costumes dos seus habitantes, preparei-
me para emprehender uma jornada ao Sertão, no
que fui subitamente frustrado pelo rompimento da
memoravel revolução de 5 de Marco de 1817, da
qual fui testemunha occular. »
Quanto é para lamentar que o naturalista inglez
não nos tenha deixado a narração do que então
presenciou ! São tão escassos e seriam tão preciosos
os depoimentos de contemporaneos não interessados
directamente nos successos daquelle tragico movi-
mento! Basta lembrar as Notes Dominicales, de
L. F de Tollenare.
« Aquelle acontecimento, continúa Swainson,
circumscreveu as minhas indagações a uma limitada
zona em volta da cidade; mas, ainda assim, era
tamanha a copia de obejctos novos e admiraveis
alli encontrados, que me empreguei utilmente du-
rante todo o tempo em que o paiz esteve em estado
de perturbação. »
— 890 —
« Quando se restituin o socego, puz em ordem
todas as minhas collecções e desenhos, e enviei tudo
para a Inglaterra. Sahi, em Junho de 1817, do Re-
cife, com pouco trem e encaminhei-me, por uma
estrada de rodeio do iado do Sertão, para o grande
Rio S. Francisco. O aspecto e as producções das
partes interiores do paiz differem muitissimo das da
costa. A agva naquelles aridos campos é sempre
muito escassa e a excessiva secca que tinha havido,
mui frequentes vezes nus expôz a grandes privações
e até mesmo perigos; algumas vezes foi o nosso
unico recurso a agua achada nas fendas e depres-
sões das rochas e esta mesmo já corrompida por
vegetaes em decomposição. »
« Chegamos finalmente à aldeia ou villa de Pe-
nedo em principio de Agosto. Os specimens bota-
nicos reunidos no decurso desta jornada foram nu-
merosos € interessantes, particularmente os de plantas
parasitas e cryptogamicas, as quaes, assim como os
passaros, insectos, etc. eram pela maior parte novas.
A secca, que abrasava o Sertão, tornava impossivel
proseguir pela mesma estrada para S. Salvador, e
por isso embarquei para aauella cidade em uma
canôa e alli cheguei com oito dias de viagem.
Encontrei na Capital da Bahia os dois natura-
listas prussianos Sellow e Freyreiss, que tinham vin-
do, por terra, do Rio de Janeiro em companhia do
Principe de Neuwied e haviam ficado na cidade por
estarem um pouco adoentados e para arranjarem as
suas collecções. Eu os deixei em breve e fiz quasi
o giro completo em torno da Bahia, e depois paru
de novo para o Sertão, onde continuei, ora aqui,
ora alli, até o seguinte mez de Março, tendo du-
rante este espaço de tempo feito immensas colle-
cções em todos os ramos da historia natural, prin-
cipalmente na ornithologia do interior, que differe
tanto em especies como em novidades, das aves que
os viajantes prussianos juntaram na costa. Consi-
derei muito mais essencial, nas observações que fiz
naquelle paiz. examinar a natureza no seu conjun-
cto do que esmiuçar-lhe os pequenos pormenores,
estudando as suas operações nos habitos e afinida-
des naturaes de cada classe, ou tribu particular de
animaes ou plantas
A formacão dos systemas e generos pertence
ao naturalista, quando no seu gabinete; mas os ha-
bitos e modos de vida que caracterisam cada ser
no seu estado natural, são summamente interessan-.
tes, e a sua exacta observação conduz necessaria-
mente a exaltar e dilatar o espirito do homem. »
Esta preoccupação em attender cuidadosamente
às observações biologicas, notando todas as circum-
stancias relativas ao habitat e à vida das especies
colligidas, constitüe uma das feições mais pronun-
ciadas da obra de Swainson e contribüe para collo-
cal-o muito acima de varios dos meros collecciona-
dores que então, e ainda depois, percorreram o nos-
so paiz.
Em Abril de 1818, novamente de regresso a
Bahia, elle embarcou para o Rio de Janeiro, mais
no designio de comparar as regiões meridionaes ás
equinociaes do Brasil, do que no, desejo de avolumar
as suas opulentas collecções numa zona já assäs ex-
plorada.
Apezar de encontrar o verão já quasi termina-
do, experimentou na Corte muito mais calor do que
em Pernanbuco, não obstante as diflerenças da
latitude.
Achavam-se então alli, prosegue Swainson, via-
jantes e sabios das côrtes da Austria, França, Rus-
sia e Toscana; poucos delles, porém haviam pas-
sado alem da provincia do Rio de Janeiro e, não
sei bem porque motivo, cinco dos austriacos regressa-
ram ao seu paiz pouco depois da minha chegada. »
« Entre estes viajantes contava-se o Professor
Raddi, Director do Museu de Florença, que era in-
fatigavel em reunir uma bella collecçäo dos fructos
e grãos do Paiz. Em sua companhia fiz uma ex-
cursão à immensa serra chamada dos Orgams, que
está na extensão de leguas coberta de mattas quasi
impenetraveis, abundando em fetos, melastomaceas e
dos insectos que lhes são peculiares ».
892 —
O naturalista inglez é fertil em louvores ao
Barão de Langsdorf, então consul geral da Russia
no Brasil, que lhe prestou o maior auxilio e as
maximas attenções, facilitando-lhe transportar-se com
as suas collecções à Inglaterra, onde chegou em
Agosto de 1818.
A importancia destas collecções, juntas as que
já anteriormente enviára de Pernambuco e da Bahia,
era verdadeiramente excepcional, não só pelo nu-
mero das especies — que elle provrio não sabia com-
putar — como pela sua excellente conservação.
« SO de passaros, escrevia ao Professor Jame-
son, ha 760 specimens, e neste numero muitas es-
pecies novas e outras summamente raras, com espe-
cialidade do genero Trochilus, cuja familia estou
agora tratando de classificar; ha dois ou tres Tu-
canos novos, um Caprimulgo singular de cauda bi-
furcada, etc.
Os insectos sóbem a mais de 20.000, e com-
quanto forçosamente haja muitas duplicatas, posso
atfirmar com segurança que costituem collecçäo mais
completa do que quantas da America Meridional
existem no nosso paiz. À familia Hespera (ee La-
treille ) só por si excede a 280 especies. e, graças
aum processo particular de conservação de que usei,
esta parte das minhas collecções está em um estado
tão bello como não é vulgar.
Executei egualmente desenhos e ae des-
cripções de quasi 120 espécies de peixes, os mais
delles desconhecidos, trazendo daquelles, cujo ta-
manho © permitia, exemplares conservados em alcool.
Tenho enviado sementes de muitas plantas novas
poucos conheciadas a Kew e outros Jardirs Bota-
nicos, onde já florecem.
O meu herbario, contendo obra de 1.200 es-
pecies, está particularmente bem conservado, tendo
as plantas sidos seccas por um novo processo que
habilita o botanico nos climas tropicaes a seccar
perto de 400 plantas em tres dias; é além disto
muito rico em especies de grammineas e outros ge-
neros pouco conhecidos dos tropicos.
RÉ À à é
Estes avultados materiaes, porém, jämais foram
publicados em conjunto, sendo apenas parte delles
aproveitada pelo proprio colleciconador na confecção
das obras que posteriormente deu à luz, como Zoo-
logical Illustration (1820) Exotic Conchology
(1821), Naturalists Guide Ornitholgoical Drawin;s
(1834-41), e Natural History und Classification
of Birds (1836) que, diz o illustre dr. Emilio
Goeldi, é um excellente tratado geral.
De interesse mais directo para o nosso paiz é
sem duvida a sua magnifica e rarissima (1) inco-
nographia Birds of Brasil (sem texto e sem data)
constando de oitenta e tantas bellas estampas repre-
sentando as especies mais caracteristicas da nossa
avifauna ; desta obra monumental se faz menção em
todas as posteriores sobre a ornithologia brasileira,
e com especialidade na — Systematische Uebersicht
der Thiere Brasiliens., de Burmeister.
Da parte entmologica das suas collecçües sup-
pomos que se servio para a elaboração da History
and Natural Arrangement of Insects, publicada em
companhia de Shuchard; e da brtanica divulgou
varias especies de cryptogamos Sir. William Jacob-
son Hooker, director do Jardim Botanico de Kew,
no seu Museu Fxotrer.
William Swainson nunca mais voltou ao Brasil,
tendo, porém, visitado depois varios paizes, sempre
como naturalista, até que veio a fallecer na Nova
Zelandia, em meiados do seculo passado.
Esparsas por alguns museus da Inglaterra exis-
tem ainda partes dos seus manuscriptos e desenhos da
nistoria natural, e ali provavelmente se encontram
tambem, ineditos e ignorados, os seus diarios de
(1) O Dr. Emilio Goeldi informa-nos que levou dez
a nos para adquirir esta obra, tendo pago pelo xemplar que
possue cerea de 2008000. P. Lee Phillips, na sua Brazilian
Bibliography ( Washington, 1901, pag. 79), cita de William
Swainson uma Selection of the Birds of Brasil and Mexico
( London, 1884, in 8.º) que presumimos ser outra obra, ou
talvez parte dos Ornithological Drawings acima mencionados
is
a
viagem; itinerarios e mappas das regiões de Per-'
nambuco e da Bahia que visitou, bem como, em
delicadas aquarellas, as vistas mais pittorescas que
lhe depararam e que tudo declara ter levado para a
patria.
Escrevendo esta breve e incompleta noticia da
actividade do operoso naturalista inglez entre nós,
tivemos sobretudo em vista chamar a attenção para
estes ultimos materiaes, onde por ventura estarão
contidos informes valiosos e dignos de publicação,
suspeita que comnosco folgarão em vêr confirmada
todos os amadores das cousas patrias.
WATERTON
Waterton ( Carlos ), naturalista e viajante inglez, nas-
ceu em Walton Hall, perto de Pontefract, Yorkshire, a 3 de
Junho de 1782 e ahi falleceu a 22 de Maio de 1865. Edu-
cou-se no collegio catholico de Stonyhurst e depois de via-
jar algum tempo pela Hespanha partiu para a Guyana In-
gleza com o fito de alli visitar propriedades de sua familia.
Na sua primeira viagem encetada em 1812 atravessou toda
a colonia até então quasi desconhecida, no sentido Norte
Sul pelos rios Demerara e Essequibo até attingir a fronteira
brasileira. Durante annos percorreu estas ignotas regiões
organizando culleeções de historia natural e fazendo nume-
rosas observações diversas que lhe valeram renome nos cir-
culos scientificos. Em 1816 estava de regresso a Inglaterra ;
decidiu pouco depois voltar à America do Sul. Demorou-se
algum tempo em Pernambuco de onde partiu para Cayenna,
dahi seguindo para a Guyana Ingleza, novamente. Em 1820
emprehendeu nova viagem à Demerara e em 1824 viajou
pelos Estados Unidos, visitando depois muitas ilhas antilha-
nas. Em fins deste anno ainda regressou à Guyana.
Em 1828 publicou os seus Wanderings on South
America, que foram largamente apreciados pelos naturalis-
tas e pelo publico em geral. Era Waterton um observador
tão criterioso quanto intelligente e suas observações trazem um
cunho de leveza de phrase raro entre naturalistas.
Casando-se em 1829 não mais deixou a terra natal,
dedicando-se a seus negocios, a observações de historia na-
tural e a assumptos economicos. Por diversas vezes publi-
cou em 1838, 1844 e 1857 o resultado de seus estudos pre-
dilectos subordinados ao titulo Essays on Natural History.
Morreu victima de um accidente aos 83 annos. Seu unico
filho Edmundo Waterton foi um antiquario, distincto collec-
cionador sobretudo de anneis. (Grande parte de suas ricas
colleeções acha-se incorporada ao museu de South Kensin-
gtoz (Victoria and Albert ).
Na ornithologia brasileira é o nome de Waterton lem-
brado por um beija-flor o Thalurania watert ni, observado
da Guyana a Bahia e assim denominado por Bourcier em
honra ao naturalista de Walton Hall.
(N. da R.)
CHARLES WATERTON
Desde o tempo de Purchas e de Hakluyt as
narrativas de viagem constituem leitura predilecta
do publico inglez, e é conhecida a notavel predo-
minancia deste genero de publicações na actual
producção literaria do Reino Unido.
Mas, a «curiosidade geographica» dos seus
habitantes é tão intensa, que não basta. para satis-
fazel-a o continuo apparecimento de livros novos;
muitas obras de antigos viajantes são alli frequen-
temente reimpressas, encontrando sempre adinira-
dores.
A julgar pelo numero das suas reedições per-
tence a esta classe favorita as Perigrinações na
America do Sul (1) de Charles Waterton, um dos
raros naturalistas europeus que no começo do se-
culo XIX, escolheram Pernambuco para o campo
das suas pesquisas.
O acolhimento dispensado ao sen livro é expli-
cavel pela amenidade pittoresca das descripções, a
singeleza poetica do estylo e a ingenua phantasia
das observações, mais do que pelo maravilhoso das
aventuras, a importancia das descobertas ou a no-
vidade dos paizes visitados.
A relação da sua viagem a Pernambüco, se-
gunda que emprehenden ao Novo Mundo, não en-
cerra notas pessoaes de flagrante relevo, nem re-
gistra factos ou aspectos ignorados ou não descriptos ;
é apenas documento aproveitavel para a fixação dos
característicos da nossa capital e dos costumes dos
seus habitantes, no que então de mais apparente
(1) Wanderings in South America. — London, J.
Mawman, 1825, in 4.º VII — 326 pags.
oo
F
offereciam à attenção de um estrangeiro recem-
chegado ; somos demasiado pobres em depoimentos
desta natureza para que possamos orgulhosamente
desdenhar ainda os de menor interesse.
E é quas: tal que o apresentamos ao leitor.
Waterton partiu de Liverpool dois dias antes
do equinocio do verão de 1816, e, comquanto a es-
tação não lhe fosse particularmente propicia, soube
aproveitar a longa travessia do Atlantico para ir
notando o que podia observar da fauna marinha:
peixes voadores, bonitos, albacóras e golfinhos.
Ao descortinar as plagas pernambucanas a sua
primeira impressão é a de um naturalista, ou antes
de um ornithologo : as gaivotas mergulhando rapi-
das nas ondas verdes em busca da preza invisivel.
Logo o deslumbra a belleza do scenario da
costa, que qualifica de encantador. « As collinas alcati-
fadas de verdura sobem gradualmente para o inte-
rior, sem attingirem desmesurada altura. Um sin-
gular recife de rochas corre ao longo da praia e
forma o porto de Pernambuco. Os navios, fundea-
dos entre elle e a cidade, estão ac abrigo das bor-
rascas. Na entrada do ancoradouro ergueu-se, so-
bre a ponta do recife, um forte. Os outeiros de
Olinda, semeados de casas e conventos, ficam à
mão direita, e uma ilha, densamente plantada de
coqueiros, fórma o fundo à esquerda. Ha egual-
mente dois fortes consideraveis entre Olinda e Per-
nambuco, e no meio um pilar para guiar os pilotos.
Pernambuco contêm provavelmente para mais de
cincoenta mil almas. Assenta em uma planicie e é
dividida em tres partes; uma ilha, uma peninsula e
o continente. Comquanto situada a poucos grãos
do equador, o seu clima é admiravelmente salubre
e quasi que temperado, em consequencia da refri-
gerante brisa do mar. Se a estas vantagens natu-
raes se houvesse alliado a arte e o discernimento,
Pernambuco hoje seria um magestoso ornamento da
costa do Brasil.
« Observa-se, porém, que cada casa foi con-
struida segundo o capricho do dono, sem que se
attendesse 4 conveniencia publica. Desejar-se-ia que
esta cidade, täo formosa pelo seu porto, tao afor-
tunada pelo seu clima e tão bem situada para o
commercio, se tivesse erguido sob a bandeira de
Dido de preferencia à de Bragança. »
« Para quem percorre as ruas, o aspecto das
casas não é muito em seu favor. Algumas são
muito altas, outras muito baixas; algumas caiadas
de fresco, outras sujas, enlameadas e abandonadas,
como se não tivessem donos.
As janellas offerecem tambem um aspecto lu-
gubre e sombrio; não são abertas, como na maio-
ria das cidades tropicaes, e sim fechadas por gra-
des estreitas.
« Ha lamentavel falta de limpeza nas ruas. As
impuresas das casas e a accumulação dos excremen-
tos das bestas de carga são espectaculos desagra-
daveis à vista do transeunte extrangeiro, que lasti-
ma a falta de asseio e, quando sopra o vento, sente
o nariz e os olhos invadidos por nuvens de poeira
fetida.
« Quando se vê o porto de Pernambuco, repleto
de navios de todas as nações; quando se sabe que
os mais ricos productos da Europa, Africa e Ásia
são para alli levados; quando se observa a immensa
quantidade de algodão, madeiras de tinturaria e os
fructos mais selectos enchendo a cidade, não se pôde
deixar de admirar a pouca attenção que este povo
presta aos commodos vulgares que sempre se pre-
sunem encontrar em uma grande e opulenta cidade.
« Comtudo, se os habitantes estão satisfeitos nada
ha que dizer. Se acaso algum dia se convencerem
de que existem inconvenientes, e que os Incommodos
são demasiados frequentes, têm o remedio en suas
mãos. Presentemente, com certeza, parecem não
sentil-os : o Capitão General de Pernambuco percor-
re as suas ruas com a apparente gravidade e com-
postura com que um estadista inglez desce Charing-
Cross. . O habito concilia todas as cousas. Dentro
de uma ou duas semanas mesmo o estrangeiro começa
a reparar menos nas cousas que tanto o incommo-
— 899 —
davam à principio, e depois de algurs mezes de
permanencia não pensa mais nellas, emquanto par-
tilha da hospitalidade e gosa da elegancia e do es-
plendor, a portas a dentro, desta grande cidade. »
A vista do palacio do governador, cujo aspecto
exterior logo lhe revelou o seu primitivo destino,
proporciona ao viajante occasião para extensa ana-
lyse dos inconvenientes resultantes da abolição da
Companhia de Jesus, cuja memoria ainda encontrou
viva e saudosa entre os habitantes, e de descrever
a sua expulsão.
« Uma manhã todos os padres do collegio de
Pernambuco, alguns já bem velhos e enfermos, foram
convocados ao refeitorio. Havia já noticias da fatal
borrasca, devido à piedade do governador mas nem
um só abandonou o seu posto. Tinham cumprido
o seu dever e nada haviam de temer. Submettiam-
se com resignação à vontade do céu. Logo que
chegaram ao refeitorio foram trancados-e não mais
viram as suas cellas, os seus amigos, discipulos e
conhecidos. Ao cair da noite seguinte um forte
destacamento de soldados os enxoton literalmente
pelas ruas até a beira-mar. Dali foram levados em
botes para bórdo de um navio e enviados para a
Bahia. Os que escaparam ao barbaro tratamento
inflingido pelas creaturas de Pombal foram finalmente
mandados para Lisboa. O collegio de Pernambuco
foi saqueado e algum tempo depois guardavam al
um elephante.
« Assim a mão arbitraria do poder em uma
noite destruiu e expulsou as sciencias, a que succe-
deram as baixas chocarrices vulgares de um saltim-
banco. Virgilio e Cicero cederam logar a um ani-
mal selvagem da Angoia, e agora uma sentinella
guarda a mesma porta, onde outr'ora os pobres eram
diariamente alimentados. »
As cercanias do Recife pareceram bellissimas
a Waterton.
«Em todas as direcções vêem-se casas e O
apparecimento de cannaveaes aqui e alli alegra o sce-
nario. Palmeiras, coqueiros, laranjeiras, limoeiros e
todas as fructas peculiares ao Brasil existem em
grande abundancia.
« Em Olinda ha um jardim botanico nacional,
necessitando de espaço, cultivo e desenvolvimento.
As florestas, que se acham a distancia de varias le.
guas, abundam em passaros, quadrupedes, insectos e
reptis. Além da brilhante plumagem muitos dos pas-
saros têm ellissimo canto. Uma especie de melro,
notavel pelas suas cores vivas, canta deliciosamente
nos arredores de Pernambuco. Pouco antas de nascer
o dia um pintasilzo de cabeça vermelha, e maior
do que o pardal da Europa, despede os seus doces
e variados gorgeios, em companhia de duas especies
de wrens.
« Ha tambem varias especies de tordos de canto
um tanto differente do da Europa, e duas especies
de pinta-roxos, cujo canto é tão suave e dôce que
os condemna ao captiveiro das gaiolas. Um passaro,
aqui chamado de sangue de boi não péde deixar de
prender a attenção; é da tribu dos passaros e muito
commum perto das casas; as azas e as caudas são
pretas e todo o resto do corpo de um vermelho
flammejante. Na Guyana ha uma especie exacta-
mente egual no tamanho, no canto e nos habitos,
mas differindo na côr; o seu corpo é todo como de
velludo negro e só no peito apresenta uma pinta
vermelha. Assim determinou a natureza que essa
pequena Tangará ande de luto ao norte do Equador
e traje de escarlate ao sul. »
Os nossos tradicionaes « passamentos da festa »
tambem interessaram ao naturalista inglez ; alguns
dos pontos então preferidos estão hoje incluidos no
perimetro urbano da nossa capital e permanente-
mente habitados. « Durante tres mezes todos os an-
nos os arradores de Pernambuco animam-se além de
toda a descripção. De Novembro a Março o tempo
è em geral magnifico; então é que ricos e pobres,
moços e velhos, nacionaes e extrangeiros, todos sáem
da cidade para gosar do campo até a approxima-
ção do outono, quando regressam. Povoados e lo-
garejos, onde dantes só se viam trapos, ostenta en-
tao toda a elegancia de custosos vestidos ; cada casa,
quarto ou alpendre se torna habitavel para pessoas
que, poucas semanas antes, só forçadas por extrema
necessidade teriam vivido nellas ; algumas tomam
parte em danças joviaes, e outras passeiam acima e
abaixo sob os laranjaes, e à tarde os caminhos scin-
tillam na profusão das sedas e das joias. As mesas
de jogo estão sempre occupadas, e nellas ganha-se
e perdem-se milhares, de dia e de noite, e indivi-
duos ha que tentam a sorte das cartas em frente às
portas.
« Cerca de seis ou sete milhas distante de Per-
nambuco está situado um pequeno povoado chamado
Monteiro; o rio corre proximo e as suas bellezas
ruraes parecem exceder a todas as da vizinhança ;
alli reside o Capitão General de Pernambuco du-
rante esta época de divertimento e alegria.
«O viajante que dispõe de uma parte do seu
tempo para observar os seus similhantes nos seus
folgares, e se acostuma a lêr a historiazinha de cada
um nos seus olhares e gestos quando se divertem,
pode achar occupaçäo por uma vu duas horas todos
os dias, nesta estação, em meio das variadas scenas
em volta do aprazivel povoado do Monteiro.
«Nos grupos sentados à tarde em frente ás
casas, poderá alguma vez perceber de relance como
a fortuna e o favor d'um principe fazem um pas-
cacio passar por um Solon, emquanto que talvez
um pobre (Camões desdenhado jáz silencioso à dis-
tancia, intimidado pelo brilho deslumbrante da opu-
lencia e do poder. Afastato da estrada poderá ver
a pobre Maria, sentada sob a palmeira, a cabeça
apoiada sobre as mãos, pranteiando o seu desfeito
consorcio. E mais além ouvirá talvez a voz plan-
gente de alguma nympha pezarosa, carpindo as
maguas de desditoso amor ».
Naturalista, e naturalista apaixonado, Waterton
embrenhava-se nos mattos 4 cata de insectos e certo
dia, nas proximidades do Monteiro, teve uma aven-
tura que por um triz não pôz termo fatal ás suas
peregrinações.
aa 902 —
«Seis ou sete pardaes, conta elle, agitavam-se
ruidosamente passando e repassando nos galhos de
uma arvore em um laranjal abandonado e invadido
pela vegetação marinha. No basto capinzal ao pé
da arvore apparentemente debatia-se um gafanhoto
verde-pallido, como que enredado nas hervas. Quando
se imagina que o objecto para o gual se olha é
realmente o que se presume ser, quanto mais se
olha mais convencido se fica. No caso presente
tratava-se indubitavelmente de um gafanhoto, e nada
mais restava a fazer do que esperar com paciencia
até que deixasse de se agitar, para não correr risco
de quebrar-lhe alguma perna procurando agarral-o
emquanto em movimento; mas continuando a de-
bater-se, foi se approximando mansamente e quando
quiz agarral-o eis surge dentre o capim ao lado, a
cabeça de uma grande cascavel; um salto instan-
taneo para traz previnio consequencias fataes. O
que elle suppunha ser um gafanhoto era na reali-
dade a cauda levantada da cobra no acto de annun-
ciar que estava preparada, mas não disposta, a der
uma arremetida certeira e mortal. Pouco depois
a viu deslizar vagarosamente, por debaixo das la-
ranjeiras, para o matto proximo na encosta de uma
colllina ; parecia ter cerca de oito pés de compri-
mento.
« Foi ella que prendeu a attenção dos passaros
e os distrahio de um outro perigo; ergueram o
vôo quando a cobra se retirou: um, porém, deixou
a vida no ar destinado a tornar-se um specimen,
mudo e immovel, para a inspecção dos curiosos em
um clima distante ».
Adiantando-se a estação invernosa e começando
os passaros a muda, Waterton, depois de haver reu-
nido cincoenta e oito specimens dos mais bonitos
dos arredores de Pernambuco, resolveu-se a peri-
grinar em outra região.
O transporte para o interior em costas de ani-
maes e a espectativa de chuvas copiosas, expunham
as suas collecções a estrago quasi certo. A jorna-
da do Maranhão, por terra, exigia: pelo menos qua-
renta dias. O caminho não era bastante selvagem
para captivar a attenção de um explorador, nem
assis civilisado para offerecer a um viajante as
commodidades vulgares. Communicaçôes por mar.
não as havia, excepto por navios negreiros. A”
vista disto aproveitou estar a fazer-se de véla um
brigue portuguez e a seu bordo seguiu para Cay-
enna.
nu ant
pee
sc
g ar oy! on "i os PA 4
Ce
di
Ni
ba
Ap
i
a
NECROLOGIA
I ORVILLE ADALBERTO DERBY
II. RICARDO KRONE.
ORVILLE ADALBERTO DERBY |
Orville Adalberto Derhy
(1851-1915 )
Nasceu, Orville Adalberto Derby em 28 de Ju-
lho de 1851, na pequena cidade de Kelloggville,
Estado de Nova York. Pertenciam seus pais à
classe numerosa e importante dos intelligentes pro-
prietarios dos districtos ruraes da grande nação
americana.
Passou a infancia na cidade natal, onde fre-
quentou a excellente escola publica alli existente,
ahäs como em teda a parte do Estado de Nova York.
Fez os primeiros preparatorios na Escola Nor-
mal de Albany, uma das melhores deste genero, e
principiou a seguir os “ursos da Universidade de
Cornell em 1868. Durante a vida escolar foi sem-
pre um estudante intelligente e trabalhador, pelo
que foi chamado pelo prcfessor Carlos Frederico Hartt
a fazer parte da expedição scientifica que explorou
os nossos rios Amazonas, Tocantins etc.
De volta aos Estados Unidos, completou os
cursos da Universidade de Cornell e em 1873 obteve
o grão de doutor, defendendo uma these sobre «La-
mellibranchios». Nesse mesmo anno foi nomeado
professor adjunto de geologia e zoologia.
Em 1874 achava-se novamente no Brasil, na
qualidade de geologo da Comuiissäo Geologica do
Imperio, chefiada pelo professor Hartt. Esteve nesta
Commissäo até a morte de Hartt, sendo nomeado
Director da secção de geologia do Museu Nacional
a 1 de Junho de 1879.
Neste cargo prestou ao paiz o enorme serviço
de salvar do vlvido os numerosos trabalhos da Com-
missão Geologica, que fora extincta com a morte
do chefe. Publicou valiosissimas monographias sobre
a geologia do baixo Amazonas e uma memoria so-
bre a geologia da regiäo diamantina da Provincia
do Paraná, na qual definio com tanta felicidade as
feições physicas e geologicas da Provincia, que os
trabalhos posteriores não têm sido mais do que
preenchimento de detalhes.
Em 1886 foi nomeado Director da Commissäo
Geographica de S. Paulo, na qual teve como pri-
meiros collaburadores os engenheiros Gonzaga de
Campos, Theodoro Sampaio e Paula Oliveira. Ac-
cumulou este cargo com o de Director da secção
do Museu até 1892, nada recebendo pelo do Museu.
Nesse anna deixou o cargo do Museu para
dedicar-se exclusivamente à Commissäo (reologica
de S. Paulo, à qual votava tal amor, que rejeitou
diversas propostas de grandes vantagens em todos
os sentidos.
Em 1905 deixou o lugar de Director da Com-
missão de S. Paulo, sendo então convidado para
fazer estudos das jazidas diamiantiferas da India, que
recusou por não desejar sahir do Brasil
Fora valiosissima a contribuição scientifica que
a commissão trouxera ao paiz sob a direcção de
Derby.
Soubera elle congregar em tornó de si homens
de alta envergadura scientifica e capacidade tech-
nica elevada como Gonzaga de Campos, Paula Oli-
veira, Theodoro Sampaio, já citados, Eugenio Hus-
sack, Guilherme Florence. Joviano Pacheco, Assis
Moura, Alberto Lifgren, H. Williams, etc..
Já em 1882 representavam os trabalhos de
Derby tão grande e valiosa contribuição para a geo-
logia, que da Sociedade Geologica de Londres, re-
cebeu o premio de « Wollaston Donation Fund »,
premio cujo valor pôde ser aquilatado quando se
souber que na sua lista figuram os nomes de W.
Smith, Agassiz, Brogniart, E. de Beaumont, Du-
frenoy, Darwiv, Murchison, d’Orbigny, Danna, etc.,
isto é alguns dos maiores geologos do mundo.
\e
E não só à seiencia de sua predilecção e espe-
cialidade consagrava o seu tempo e o seu amor o gran-
de trabalhador que era o illustre geologo americano.
Pôz-se com afinco a estndar a nossa geographia e a
nossa historia e especialisou-se sobretudo em ques-
tões cartographicas, reconstituição de roteiros e iti-
nerarios de descobridores primevos, localisação das
primeiras descobertas de jazidas de metaes nobres,
dahi provindo numerosa série de contribuições tão
variadas quanto preciosas e eruditas.
Na questão de limites entre S. Paulo e Minas
prestou Derby o mais valioso contingente aos in-
teresses paulistas anxiliando ardorosamente Antonio
de Toledo Piza na confecção do volume X/ dos
Documentos interessantes para a historia e costu-
mes de S. Paulo, onde toda a documentacäo des-
coberta se imprimiu, acompanhada de optimos com-
mentarios.
Ao ser admittido socio do Instituto Historico
e Geographico do Brasil, o ilustrado Dr. Felisberto
Freire, deu o seguinte parecer, subscripto pelo Sr.
Rocha Pombo :
« Tendo a Commissão Auxiliadora de Geogra-
phia de apurar sobre a proposta feita ao instituto
Historico e Geographico Brasileiro para admittir
como socio correspondente o Dr. Orville A. Derby,
podia dispersar-se de ler o trabalho que acompanha
a proposta, porque o Dr. Derby é um homem de
reputação feita na sciencia e na historia natural ».
Um dos sovios fundadores do Instituto Histo-
rico de S. Paulo, prestou Derby a esta associação
assigualados serviços na primeira phase de sua exis-
tencia, época em que o novo Instituto viveu dias
de verdadeiro brilho e proveito para o estudo das
tradições paulistas e brasileiras.
Ao mesmo tempo ia a Commissão Geologica,
sob sua direcção estendendo a área do territorio
paulista levantado e divulgado em: excellentes folhas
de grande escala.
Desintelligencias com o Secretario de Agricul-
tura levaram o velho e illustre scientista a exone-
rar-se do cargo que tanto honrara, em 1905, como
ja dissemos.
Nesse mesmo anno foi convidado pelo Governo
da Bahia para fazer o estudo das jazidas diamanti-
tiferas do Estado e, posteriormente, nomeado Director
do Serviço Geologico Nacional, creado pelo Dr. Mi-
guel Calmon.
As suas publicações sobre a geologia, paleonto-
logia, petrographia, geographia e historia elevam-se
a mais de uma centena e quasi todos os escriptores
que se occuparam da geologia do Brasil têm-se far-
tamente subsidiado na sua rica armazenagem de in-
formações.
Além de suas contribuições directas, foi graças
à sua iniciativa e intervênção que muito dos me-
lhores especialistas do mundo cooperaram no estudo
e descripção de collecçües especiaes brasileiras. Entre
as mais extensas monographias organizadas por sua
iniciativa podemos citar as do paleontologista ame-
ricano John M. Clarke sobre a « Fauna paleologica
do Para» wo sobre « Fosseis devoniamos do Estado
do Parana ».
Por suggestão sua e de accordo com o Dr.
Arrojado Lisboa, o pessoal do serviço geologico per-
correu a região do nordeste do paiz, levantando cartas
geologicas, topographicas e organizando diversos re-
latorios que constituem indubitavelmente a base in-
dispensavel à elucidação dos numerosos problemas
que se relacionam com as seccas.
O ultimo seu trabalho, em elaboração devia tratar
de certas madeiras fosseis de Casa Branca, de es-
tructura tão singular que os paleontologistas ainda
não tinham formado opinião sobre o valor della.
A morte interrompeu repentinamente esse tra-
balho, bem como. ontros, que muita luz trariam cer-
tamente a numerosos problemas que sua lucida in-
telligencia estudava. -
Como chefe do serviço, primava Derby pelo
extremo amor ao trabalho e excessiva bondade para
com o pessoal. Infelizmente, a má administração do
Ministerio da Agricultura não permittio que se ti-
Ba aad
rasse dos seus profandos conhecimentos toda utilidade
material, applicavel ao desenvolvimento do paiz.
Morreu o illustre geologo inas seu nome ficarä gra-
vado no coraçäo dos amigos e discipulos como um
dos mais eminentes geologos que têm tido o paiz,
brilhando ao lado de Eschwege e Hartt, os funda-
dores da geologia brasileira.
Commentando o facto tão tragico do suicidio
de 28 de Novembro de 1915 se exprimiu o Jor-
nal do Commercio :
« Ha talvez alguma cousa a considerar neste caso
tragico do suicidio de Orville Derby. O ilustre
sabio americano vinha ha longos annos dirigindo o
serviço geologico e mineralogico. Era esse o as-
sumpto de sua especialidade e ninguem no nosso
paiz conhecia tão bem como elle os problemas h-
gados à formação de nosso sôio. Arrojado Lisboa,
Pandia Calogeras, Miguel (Calmon, Lauro Muller,
Pires do Rio, quantos entre nós se tenham voltado
um dia para esses assumptos, tão de perto ligados
à riqueza do Brasil, prestavam à auctoridede scien-
tifica do Professor Orville Derby merecido culto e
respeito. Elle era o traço de união entre os espe-
cialistas desse genero no Brasil e os da Universidade
de Stanford, nos Estados Unidos, onde se estuda mais
do que aqui a nossa geologia e onde culmina a com-
petencia do Professor Branner. a quem o Brasil
deve extraordizarios serviços.
A Orville Derby devemos a vinda de White
para estudar o nosso carvão e de Coock, para ten-
tar os processos de lavoura secca.
Elle era um trabalhador infatigavel. Mas o
nosso meio não comportava um technico de sua
estirpe. Delle se póde dizer que foi um homem
de sciencia esmagado pelo peso alvar da burocracia.
Esse famoso Ministerio da Agricultura, que ainda
ah: está como uma montanha de papelorio asphy-
xiando as aptidões scientificas e convertendo o pro-
blema da terra, o problema maximo do Brasil, num
incidente administrativo susceptivel de solução por
circulares, portarias e avisos, foi o apparelho de
tortura que conduzio Orville Derby ao suicidio.
Elle lidara com homens de saber e preparo
que respeitavam a sua esphera de acção. Não pôde
lutar com a insciencia prepotente, que lhe foi ne-
cando tudo o que acabou por lhe diminuir os orde-
nados, dando-lhes ainda por cima escripturarios,
quando elle pedia geclogos.
O suicida de hoje ficará representando o homem
de sciencia martyrizado pela incompetencia admi-
nistrativa e conduzido, de desgosto em desgosto,
até esse extremo de dar um tiro nos miolos...»
Grande impressão causou dentro e fóra do paiz
o fim tão tragico do illustre homem de sciencia,
que à vida supprimiu num momento de desanimo,
num gesto de cansaço e de desesperança motivado
por causas a que sua susceptibilidade excessiva ligára
como que irreductivel ponto de honradez. Em tor-
no de seu tumulo deu-se verdadeira demonstração
de sentimento de gratidão brasileira
A esta consagração associando-se lembra a re-
dacção da Revista do Museu Paulista quanto Orville
A. Derby era affeiçoado à Instituição do Ypiranga, e
saúda, cheia de respeito e gratidão, a memoria do
eminente geologo que na nossa historia figurará
como um dos mais dedicados filhos que o Brazil
sozbe affeicoar a sua vida nazional.
A lista bibliographica abaixo mostra quanto Der-
by conhecia todas as questoes da sciencia da terra.
Era paleontologista, geologo e petrographo : foi
um excellente geographo sendo tido coma um dos
nossos mais eminentes historiadores contemporaneos :
Eis a Jista:
1873 — Hints to Geological Students. Cornell
Review, vol. |, p. 66-70, Ithaca. N. Y. 1873.
{874 — On the carboniferous Brachiopoda of
Itaituba. Rio Tapajós, Province of Pará. Brasil.
Bulletin of Cornell University ( Science). Vol. I.
N. 2, pp. 1-63. Plates 1-IX, Ithaca, N. Y., 1874.
Abstract: — O Novo Mundo (Aug. 28. 1874, p IV)
206. New York 1874. Amer. Jour. Sci. VII (CV TI.
p. 144, New Haven. 1874.
1875 — Notice of the palzeozoic fossils (accompa-
nying a memoir entitled « Exploration of Lake Tita-
caca» by Alexander Agassiz and S. W. Garmon)
Bulletin of The Museum of Comparative Zoology
Vol. Ill, n. 13. pp. 279-286. Cambridge. Mass. 1875.
1876 — Note on the Fossils from the River
Pichis. Pert in Ortons’ Andes and Amazon, 3rd.
ed. New York. 1876.
1877 — Contribuição para a gelogia da região
do Baixo Amazonas. Archivos do Museu Nacional.
Vol. Il, pp. 77-104, Rio de Janeiro, 1877. English
version: Procedings of the American Philosophi-
cal Society. XVII, pp. 155-178. Philadelphia. 1878.
1878 — A Bacia Cretacea da Bahia de Todos
os Santos Archivos do Museu Nacional, v. I, pp.
131-158. Rio de Janeiro. 1878.
1878 — The artificial mounds of the Island of
Marajô. Brasil. American Naturalist. Abril. 1879,
pp. 224-229. Versio portugueza: O Novo Mundo,
Abril. 1878. VIE, p. 90. New York. 1878.
1878 — Observações Geologicas na Estrada de
Ferro Sorocabana. Revista do Instituto Polytech-
nico de 8. Paulo, I, pp. 46-53. São Paulo. 1878.
1878 — Geologia da região diamantifera da Pro-
vincia do Paraná no Brasil. Archivos do Museu
Nacional do Rio de Janeiro, HI, pp. 89-96, Rio
de Janeiro, 1878. Versäo ingleza: Proc. Am. Phil,
Soc. XVIII, 251 258. Philadelphia. 1879. Abstract :
American Jounal of Science, 3.2 ser. VIII (GV),
p. 310. New Haven, 1879. Notice: Popular Scien-
ce Monthly, XVI, pp. 423-424. New York, 1880.
1878 — As Manchas Sulares e as seccas. Dia-
rio Official, June, 8th, 9th, 1878, Rio de Janeiro,
Revista de Engenharia (com addições) Abril 28
th (pp. 85-86) e Mappa 14 th (pp. 101-103 com
estampa) Kio de Janeiro, 1885.
1879 — Contribuições para o estudo da Geolo-
gia do Valle do Rio S. Francisco. Archivos do Mu-
seu Nacional, 1V, pp. 121-132. Rio de Janeiro, 1879.
pee 916 fo
1879 — Observações sobre algumas rochas dia-
mantiferas de Minas Geraes. Archivos do Museu
Nacional, IV, pp. 87-119. Rio de Janeiro, 1879.
1880 — Reconhecimento geologico do Valle de
S. Francisco, pp. 1-24. Annexo no Relatorio de W.
Milnor Roberts, Engenheiro Chefe da Commissäo
Hydraulica sobre o exame do rio S. Francisco.
Rio de Janeiro. Typographia Nacional, 1889. Re-
vista de Engenharia, Ill, pp. 93-94; 125-127; 159-
143 ; 172-175; 188-190. Rio de Janeiro. 1881.
1880 — Geology of the Rio S. Francisco. Bra-
sil. American Jour. Sci. 3rd. series XIX (CXIX),
p. 236. New Haven, March, 1880.
1880 — On the age of the Brazilian greiss se-
ries. Discovery of Eozoon. Amer. Jour. Science
ord. series XIX, pp. 324-5. New Haven, April, 1890.
Revista de Engenharia, 1, pp. 115-116. Rio de
Janeiro. 1880.
1881 — ( Com Luiz Montei o de Barros). Ja-
zidas de phosphato de cal existentes na Ilha Rata, do
archipelago de Fernando de Noronha. Relatorio da
Commissão nomeada para examinar as jazidas. Rio
de Janeiro, 7 de Fevereiro de 1881. Relatorio do
Ministro da Agricultura, 1882. Annexos. Revista
de Engenharia, WI. pp. 26 e seq. Rio de Janeiro,
1881. Revista Agricola do Imperial Instituto de
Agricultura, vol. XII, n. 2, pp. 55-61. Rio de Ja-
neiro, junho de 1881. A Liha de Fernando de No-
ronha, por Francisco Augusto Pereira da Costa,
Pernambuco, 1887.
1882 — Geology of the diamond. Amer. Jour.
Sci., 3rd serie, XXIII (G XXIII), pp. 97-99, New
Haven, 1882. The Rio News IX, March 15th. 1882.
p. 3. Rio de Janeiro. 1882. Revista de Engenha-
ria, Il, p. 63. Rio de Janeiro. 1882: Auxiliador
da Industria Nacional n. 5, Maio de 1884. Rio
de Janeiro, 1884.
1882 — On the gold-bearing rocks of the pro-
vince of Minas Geraes, Brasil. Amer. Jour. Scr,
ord. serie, XXIII (CXXII) p. 178. New Haven.
March. 1882. The Rio News, IX, Rio de Janeiro,
PE ml dou re LS
1882. Revista de Engenharia, Il, p. 4. Rio de Ja-
neiro, 1882.
1882 — Modes of occurrence of the diamond
in Brasil. Amer. Jour. Science, 3rd. séries, XXIV
(CXXIV), pp. 34-42. New Haven, July, 1882. Re-
vista de Engenharia, Il, pp. 197-199, 217-219,
Rio de Janeiro. 1882. Auxiliar da Industria Na-
cional, n. 5, Maio de 1884, 122. Rio de Janeiro,
1884. The Rio News, IX, Rio de Janeiro, 1882.
1882 — Relatorio apresentado ao sr. conselhei-
ro Manoel Alves de Araujo, Ministro da Agricul-
tura, Commercio e Obras Publicas, ácerca dos estu-
dos geologicos praticados nos valles dos rios das
Velhas e alto S. Francisco, p. 38. Rio de Janeiro.
Typ. Nacional. 1882.
1882 — On Brazilian specimen of Martite. Ame-
rican Journal Sci, Srd. series. XXIII (CXXIII).
pp. 373-374. New Haven. May. 1882: Abstract:
Neues Jahrbuch für Mineralogie. 1883. I, p. 194
(referate). Revista de Engenharia, p. 79. Rio de
Janeiro. 1882; Auxiliador da Industria Nacional
n. 9. Maic de 1884, Rio de Janeiro, 1884.
1883 — Plantas fosseis (no Brasil). Revista de
Engenharia, 23 de Dezembro de 1883. V. p. 348,
Rio de Janeiro. (Extrahido do Jornal do Commer-
cio. Rio de Janeiro, 1885).
1883 — Terrenos carboniferos das provincias de
S. Paulo e Paraná. Revista de Engenharia, 2 de
Agosto de 1883, V, pp. 228-229. (Extrahido do
Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, 1883.
Ausxiliador da Industria Nacional, p. 11. Nov.
1883, pp. 258-260, Rio de Janeiro, 1888.
{*83 — The human remains of the bone-caverns
of Brasil Science, vol. 1, p. 541. Boston, 1883.
1883 — The presente estate of science in Bra-
sil. Science, 1, p' 214, Boston, 1883. |
1883 — Fosseis de S. Paulo. Revista de Enge-
nharia, 28 de Outubro de 1884. VI, pp. 233-234 ( do
Jornal do Commercio). Rio de Janeiro. 1884.
1883 — Note on the decay of rocks in Brasil.
Amer. Jour. Sci., Feb. 1884, 3rd series. Vol. XXVII,
— 918 —
(CXXVID, pp. 138-9; Revista de Engenharia, 28
de Março de 1884, VI, p. 64, Rio de Janeiro. 1854.
1884 — Tree chapters (pp. 36-37) on the Phy-
sical Geography and Geology of Brasil in the Bra-
silian edition (in great part recast) of the geogra-
phical wook of Wappeus published under the title :
O Brasil geographico e historico: A terra eo ho-
mem, por J. E. Wappeus; Rio de Janeiro, 1884.
The Rio News, Dec. Sth 15th, 1884; Sezence, V.,
April 3d, 10ti. 1885: Geographischen Gesellschaft
für Thüringen. V. — Jena, 1886, Resumo de Geo-
logia, por A. Lapparent, traduzido pelo Dr. B. F.
Ramiz Galväo, pp. 333-343. Rio de Janeiro. 1881.
Abstract: Neues Jahrbuch fur Min, J, 1886, pp.
97-99.
1884 — Ghservacdes sobre os calcareos do Rio
de Janeiro, Minas e S. Paulo. Revista de Enge-
nharia, 14 de Fevereiro. 1884. Auxiliador da In-
dustria Nacional, n. 4, Abril de 1884. Uma parte
do mesmo artigo sob o titulo: « Limstone forma-
tions» The Rio News, Mar. 5, 1884, n. 3.
1884 — Calcareos hydraulicos de São Paulo.
Revista de Engenharia, 28 de Maio de 1884. VI,
pp. 146-117. Rio de Janeiro. 1884.
1884 — On the flexibility of itacolomite. Amer.
Jour. Sci., 3rd series. XXVIII, (CX XVIII) pp. 203-
205. New Haven. 1884.
1884 — Peculiar modes of occurrence of gold
in Brasil. Amer. Jour Sci, XXVIII, (CXXVIII),
pp. 440-447. New Hven. 1884.
1884 — Analyses of Brazilian minerals. Amer.
Jour. Sci, XXVUI (CKXVIIT), pp. 78-74. New
Haven, Jan. 1884. Abstract Neues Jahrbuch in
Mineralogie, 1885, I, p. 297 (referate).
1885 — The Santa Catharina meteorite. Aimer
Jour. Sci., XXIX (CXXIX) pp. 33-35, 496, New
Haven. 1885.
1885— Is Brasil a fertile country? The Rio
News, Mar. 5, 1885, XII, p. 3. Rio de Janeiro.
1885.
1885 — Note en Brasilian minerals. Amer. Jour.
Sci., X XIX (CXXIX), pp. 70-71. New Haven. 1885.
1885 — O Carbonifero do Amazonas. Revista
de Engenharia. 14 de Janeiro de 1885. VI, pp.
10-12 (from the Jornal do Commercio) Rio de Ja-
neiro. 1885.
1885 — Contribuição para o estudo da geogra-
phia physica do Valle do Rio Grande. Rev. Soc.
Geogr. do Rio de Janeiro. 1885, I, pp. 291-381.
Rio de Janeiro. 1585.
1886 — Letter refering to eruptive rocks in the
Province of Rio de Janeiro ( Assignado pelas iniciaes
Y. A..) Science VIII, pp. 479-478. New York. 1886.
1886 — Carta sobre a geologia da região diri-
vida ao Dr. P. de Mello Brandão em As aguas
mineraes de Araxá, pp. 9-15. Rio de Janeiro. Im-
prensa Nacional, 1886.
. 4887 — Mineral Novo no Brasil (Laavenite).
Revista de Engenharia, n. 168, 28 de Agosto de
1887, 1, p. 189. Rio de Janeiro. 1887. Do Neues
Jahrbuch fiir Mineralogy.
1887 — Observações sobre a taboa ( dos fosseis
cretaceos do Brasil) descriptos por O, A. White,
Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro,
VII, p. 269-273, Rio de Janeiro, 1887.
1887 — The Genesis of the Diamond. Science,
vol. IX, pp. 57-58. New York, 1887.
1887 — (1891 On Nepheline rocks in Brasil:
with special reference to, the association of Phono -
lite and Foyaite. Quart, Jour, Geol. Soc. XLII,
pp. 457-473, with sketch map and figures. London,
1887. Abstract of Part. I Neues Jahrbuch für
Mineralogie, 1889, I. p. 119 (referate ). Pt. IT,
The Thingua Mass. Quart. Jour. Geol. Scr. XLVII,
pp. 251-265. London 1891. Abstract of Par. H
in Neues Jahrbuch für Mineralogie 1892, I. p.
522 (referate). Versão portugueza, of Pt. I.: Re.
vista de Engenharia, n. 186. 28 de Maio de 188
X, II, p. 114, n. 487 14 de Julho de 1888, X,
pp. 421-123, n. 188, X. pp. 133-136. Rio de Ja-
neiro, 1888.
1888 — Relatorio apresentado ao Visconde de
Parnahyba pela Commissäo Geographica e Gec:o-
gica da Provincia de Säo Paulo, pp. 11-28, Säo
Paulo, 1888.
1888 — Ueber Spuren einer carbonen Eiszeit
in Siidamerika. Neues Jahrbuch fur Mineralogie,
1888, II, pp. 172-176, Stuttgart, 1888.
1888 — Notas sobre os meteoritos brasileiros.
Revista do Observatorio do Rio de Janeiro, vol.
TH; pp. 3-6, i Il, pp. 17-206) nT pps ma
Abstract: Amer. Jour. Sci. 3 rd séries, XXXVI
(CXXXVI) p. 157. New Haven, 1882. Abstract ot
abstract in Aner. Jour. Sci. Neues Jahrbuch für
Mineralogie, 1889, Il, p. 281 ( referate )
1889 — On the occurrence of Monazite as
an accessory element in rocks. Amer. Jour. Sci.
XXXVI, (CXXXVII), pp. 103-113. New Haven,
1889. Abstract: Bull. Soc. Francaise de Minera-
logie XII, p. 508. Pariz 1889.
1889 — Os Picos Altos do Brasil, Rev. da Soc.
de Geog. do Rio de Janeiro, 1889. V. pp. 129—
149; 1890 V. pp. 68-79: Abstract: Neues Jahr-
buch für Mineralogie 1891. Il, pp. 304-305, ( Re-
ferate) L'Etoile du Sud. Rio de Janeiro, 19 Janv.
1892: Bulletin de Geographie Commerciale de
Bordeaux, 2 me. série XV, pp. 156-157. Bordeaux
1892.
1889 — Retrospecto histcrico dos trabalhos geo-
graphicos e geologicos effectuados na Provincia de
S. Paulo. Bolletim n. t da Comissão Geographica
e Geologica da Provincia de S. Paulo, 26 pp. 8.º
São Paulo 1889.
1889 — Relatorio da Commissäo Geographica
e Geologica da Provincia de S. Paulo. pp. 5—42.
S. Paulo, 1889.
1890 — Holosidero do Bendegd, Revista de En-
genharia, n. 224, 28 de Outubro de 1890. XII, p.
261, Rio de Janeiro, 1890,
1891 — The Bendegó ( Brasil) meteorite (Abs-
tract): Pro. Amer. Ass. Adv. Sci. 1890 XXXIX,
p. 262, Salem. 1891.
{891 — Observations on the genesis of certains
magnetites. ( Abstract): — Proc..Amerc, Ass. Adv.
Sci. 1890, XXX X, p. 263. Salem, 1891.
1891 — Nepheline, bearing rocks in Brasil.
( Abstract ): — Proc. Ame. Assoc. Adv. Sci. 1890.
XXXIX p. 263. Salem, 1891.
1891 — On the Separation and Study of the
Heavy Accessories of Rocks. Proceedings of the
Rochester Academy of Science pp. 198-206, vol.
I, Rochester, N. Y., 1891.
1891 — Apatite no minerio de ferro de Ipane-
ma, Revista de Engenharia, n. 271, 14 de De-
zembro de 1891, XII, p. 634. (Do Diario Official
de S. Paulo, 1891), Rio de Janeiro, 1891.
1891 — On the occurrence of Xenotime as an
accessory element in rocks. American Jour. or
Science. XXI, pp. 308-311, New Havem, 1891.
1891 — Magnetite ore districts of Jacupiranga
and Ipanema, S. Paulo, Brasil, Amer. Jour, Scz.,
vol. XLI, pp. 311—321, For erratum v. p. 522,
New Haven, 1891, Tambem no: Neues Jahrbuch
für Mineralogie, 1894, I. p. 90.
1—A ilha de Marajó, vol. II, n. 2, pp. 163-
173.
IV — Reconhecimento do rio Maecurt, vol Jl,
n. 2, pp. 163-173.
VI— A Serra de Maxirá, vol. Il, n. 3, pp.
340-243.
VII — À Serra de Tajuri, vol. ll, n. 3, pp.
544-351.
X — O rio Trombetas, vol. Il, n. 3, pp. 266-382.
1892 — Is the S. Francisco do Sul ( Santa Ca-
tharina ) iron, a meteorite ? Science, XX, pp. 254-
255. Nova Yorck, 1892.
1893 — A study in consanguinity of eruptive
rocks, Journal of Geology, Voil 1, n. 6, pp, 997-
605. Chicago, 1893.
1893 — Humboldt and Brasil, Science, XX II,
1893, p. 91. Nova York, 1893.
1893 — ( With F. W. Dafer) — On the Sepa-
ration of Minerals of High Specific Gravity Pro-
— 922 —
ceedings of the Rochester Academy of Science,
vol. 2, pp. 122-123. Rochester, N. Y. 1895.
1894 — Tive Amazonian Upper Carboniferous
fauna. Journal of Geology, vol. II, n. 5, pp. 480-501.
Chicago. 1894. E
1894 — Origem sedimentaria dos minereos de
ferro. Revista Industrial de Minas Geraes. Anno
I, n. 7, 15 de Abril de 1894, pp. 159-159, Ouro
Preto. 1894.
1895 — Investigações geologicas do Brasil. Re-
vista Brasileira, Maio de 1895, Il, pp. 140-157.
Rio de Janeiro, 1895, Tambem como appendice ao
Resumo de Geologia por A. Lapparent, traduzi-
do da 3.º edição pelo Dr. B. F. Ramiz Galvão, pp.
312-333. Rio de Janeiro.
1895 — Constituents of The Cañon Diablo Me-
teorite. American Journal of Sciences, vol. XLIX,
1895, pp. 101-119. New Haven. 1895.
1895 — A denominaçäo «Serra da Mantiqueira».
Instituto Historico e Geographico, de S. Paulo, n.
do Pps SO, LSD: Paulo. 10;
1396 — Nota sobre a Geologia e paleontologia
de Matto-Grosso. Archivos do Museu Nacional do
Rio de Janeiro, vol. IX, pp. 50-88. ( Portuguez
e inglez ). Rio de Janeiro. 1896.
1896 — Estudo sobre o meteorito de Bendegé.
( Portuguez e inglez). Revista do Museu Na-
cional do Rio de Janeiro. |, pp. 89-184. Rio de
Janeiro. 1896, Abstr. : Amer. Jour. Sci., 3th séries.
IV, (CLIV.), pp. 159-160. Abstract.: Neues Ja-
hrbuch fii Mineralogie, 1898, II, pp. 27-28. ( Re-
ferate ).
1896 — Decomposition of rocks in Brasil, Jour-
nal of Geology, IV, pp. 929-540. Chicago. 1896.
1896 — Letter regarding the Cretaceous and
Tertiary of Brasil addressed to G. D. Harris. Bul-
letins of American Paloeontology, 1, 4, pp. 40-45,
Ithaca, Nova York, 1896.
1896 — Review of Branner’s «Decomposition
of rocks in Brasil». Revista Brasileira, VII, pp.
152-140. Rio de Janeiro, 1896.
as
1896 — Divisas de S. Paulo e Minas Geraes.
Collectanea de documentos publicada pela Repartiçäo
de Estatistica e Archivo do Estado de S. Paulo,
vol. XJ, pp. 1-414, 1-953, S. Paula, 1896.
1897 — Monazite and Xenotime in Eeropean
rocks. Min. Mag. and Jour. Mineralogical. Soc.,
X], pp. 304-310, London Pec., 1897.
1897 — Um mappa antigo de parte das Capi-
tanias de S. Paulo, Minas Geraes e Rio de Janeiro.
Rev. do Instituto Hist. e Geogruphco de 8. Paulo.
Vol. IL; pp; 197-220, 'S. Paulo; 1897,
1897 — Uma questão cartographica «O mappa
das Cortes e as suas cópias ». Revista Brasileira,
n. 60, Rio de Janeiro, 1397.
1897 — ( Com C. F. Hartt e H. H. Smith ).
Trabalhos restantes ineditos da Commissäo Geolo-
gica do Brasil, 1875-1878. Boletim do Museu Pa-
raense, vol. II, Pará, 1897-1898.
1898 — Bendego, the great Brazilian meteorite.
Extracts from articie by Mr. Derby. The Brazi-
lian Bulletin, Organ of Mackenzie College (S.
Paulo, Brasil). June 1898, vol. 1, n. 1, pp. 30-32.
1898 — On the accessory elements of Itacolu-
mite and the secondary enlargement of Tourmaline,
Amer. Jour. Scr. 4th séries, V, (CLV), pp. 187-
192. New Haven, 1898. /
1898 — Brazilian evidence on the genesis of
the diamond. Journal of Geology, VI, pp. 121-146.
Chicago, 1898. Abstracts: — Brazilian Bulletin,
vol. I, n. 2, Sept. 1898, pp. 65-67. Notice: Zei-
tschrift fur Praktische Geologie, Juin 1899, p.
213, ( Referate) pp. 213-219.
{898 — On the origin of certain siliceous rocks.
Journal of Geology, VI, pp. 366-371. Chicago, 1898.
1898 — A Estrada de S. Paulo ao Rio Grande
no seculo passado, Rev. do Inst. Hist. Geog. de
S. Paulo, vol. HI, pp. 174-199, S. Paulo, 1898.
1898 — Um documento antigo relativo 4 ques-
täo de limites entre S. Paulo e Minas Geraes, Rev.
do Inst. Hist. e Geog. de S. Paulo vol. II, pp.
278-284, S. Paulo, 1898.
Zz
Ran
199
Lu
£
\4
om
N
A de ÇA
+ As A
Q
LIBR
»
\
>"
Ve
SGICA/
; &
ARY |
MZ. E AE 2
ASE oy
/
1
ee
1898 — Questões de divisas entre S. Paulo e
Minas Geraes ( Assignado A. P.), Correio Paulistano.
Sept. 18th 1898. Separatum, 49 pp. S. Paulo. 1908.
1899 — Manganese in Brasil — Twentieth An-
nual Report of the U. Geol. Swreey, part VI pp.
140-142, Washington, 1899.
1899 — Roteiro de «ma das primeiras bandei-
ras paulistas. Rev. do Inst. Hist. e Geog. de 8.
Paulo, vol. IV, pp. 329-350, S. Paulo, 1899.
1899 — S. Paulo e Minas, antigas divisas. Rev.
do Inst. Hist. e Geog. de S. Paulo, vol. IV, pp.
454-65, S. Paulo, 1899.
1899 — On the association of argillaceous rocks
with quartz veins in the region of Diamantina, Brazil.
Amer. Journ. Scz., 4th series, VII ( CLVIL) pp.
3 43-356, New Haven, 1899. Abstract in Nues Jahrb,
fir Mineral, 1901,:1, pp. 412-413.
1990 — Notes on:Monazite, Amer. Journ. Scr..
X, pp. 217-221, New Haven, 1900.
1900 — Notes on certain schists of the gold
and diamond regions of eastern Minas Geraes, Brasil,
Amer. Journ. Sei, X, pp. 207-216, New Haven, 1900.
1900 — On the maganese ores of Brazil. ( Dis-
cussions of an article by H. K. Scott), Jowrn of
the Iron and Steel Institute, LVII, pp. 203-208,
London, 1900.
1900 — Primeira phase da questão de limites
entre S. Paulo e Minas Geraes no seculo XVIII,
Revista do Inst. Hist. e Geog. de S. Paulo, Vol.
V, pp. 196-220, S. Paulo, 1900.
1900 — Autoridades coloniaes nas raias de S.
Paulo e Minas Geraes, no seculo XVIII, Rev. do
Inst. Hist. e Geog. de S. Paulo, pp. 221-229, S.
Paulo, 1900, vol. V.
1901 — The supposed Tertiary Sea cf southern
Brazil. Science, XIII. March, 1, 1901, pp. 348-9,
New York, 1901.
1901 — On the manganese ore deposits of the
Queluz ( Lafayette ) District Minas Geraes, Brazil.
Amer Journ. Sci., XII, pp. 18-32, New- Haven,
July, 1901.
|
iF Fern EO de q
a QE tl lian la A Foe EE LAE AD SE a
ESD cin PP Ain ae
1901 — On the mode of occurrence ot Topaz
near Ouro Preto, Brazil, Amer. Journ. Sci, Ath.
sér. XI, Jan., pp. 25-24, New-Haven, 1901. Re-
view; Am. Chem. Rev., VII, p. 75.
‘ 1901 — Os primeiros descobrimentos de ouro
em Minas Geraes. Rev. do Inst. Hist. e Geoy. de
Sotelo ol! V., Ss Paulo, 1901, pp!:240;278, 8
Paulo, 1901.
1901 — Os primeiros descobrimentos de ouro
nos districtos de Sabará e Caethé, Rev. do Inst.
Hist. e Geog. de S. Paulo, vol. V, S. Paulo, 1901,
pp. 240-421.
1901 — Nota sobre a questão de limites entre
S. Paulo e Paraná, Rev. do Inst. Hist. e Geog. de
S Paulo; vol. VI. pp. 17-26, 1901.
1902 — Notes on Brazilian gold ores. Trans.
Amer. Inst. Min. Engineers, May, 1902, vol. 31,
pp. 282-287, New Haven, 1902. Eng. & Min.
Journ., LXXIV, pp. 142-143, 1902.
1902 — On the occurrence of monazite in iron
ore and in graphite. Amer. Journ. Sci, March
1962, XII (CLXIU), pp. 211-212. New-Haven,
1902.
1902 — Commissäo Geographica e Geologica
de S. Paulo. Resposta a uma critica feita 4 refe-
rida Commissão ( Reedição do Diario Official e
O Estado de 8. Paulo), 12.°, p. 13, S. Paulo, 1902.
1902 — Commissão Geographica e Geologica
de S. Paulo. Segunda resposta a uma critica feita
à referida Commissão. ( Reedição do Diario Offi-
crabe Estado de S. Paulo). 12º, p. 8, São
Paulo, April, 1902.
1992 — Trabalhos cartographicos da Commis-
são Geographica e Geologica de S. Paulo. ( Reedição
do O Estado de S. Paulo, de uma representação
ao Instituto Historico de S. Paulo), 12º, p. 16,
S. Paulo, 1902.
1902 — O serviço cartographico do Estado de
S. Paulo e o seu ultimo critico. ( Reedição do O
Estado der S. Paulo, Set; 24), 8º, p. 1, São
Paulo, 1902,
— 926 —
1903 — Um estudo em cartographia, O Esta-
do de S. Paulo; Ag; 2d, S.Paulo; 1908
1903 — Os mappas mais antigos do Brasil, Rev.
do Inst. Hist. e Geog. de S, Paulo, vol. VII, pp.
227-254 ; Separatum com 4 mappas S. Paulo, 1905.
1903 — As madeiras petrificadas do Estado de
S. Paulo, Almanach Mellilo de 1904, S. Paulo,
1903. |
1203 — As Bandeiras Paulistas ( 1601 a 1604 ),
Rev. do Inst. Hist. e Geog. de S. Paulo, vol. 8º,
pp. 399-423, São Paulo, 1903.
1903 — A costa nordeste do Brasil na carto-
graphia antiga, Livro do Tricentenario do Ceard,
Ceará, 1903, versão ingleza Science, vol. 19, n.
487, pp. 681-694, New York, 1904.
1902 — O Laudo de Roma, Rev. do Inst. Hist.
e Geog. de S. Paulo, vol. 8.º, pp. 463-678, 497- .
901, S. Paulo, 1903.
1905 — Um fossil interessarte do Museu Na-
cional ( Psaronius brasiliensis ), Jornal do Cominer-
cio, 12 de Marco de 1905, Annuario do Estado
do Rio Grande do Sul, 1908, pp. 176-178.
1905 — As lavras diamantinas da Bahia, Dia-
rio da Bahia. Maio de 1905. Boletim da Secre-
taria da Agricultura do Estado da Bahia, Abril
de 1905, pp. 217-225. Traducção ingleza por J. C.
_ Branner, Journal of Economic Geology, vol. 1, n.
2, pp. 134-142, 1905. Ann Rept. Smith, Inst.,
1906, pp. 215-222, Washington, 1907. Jornal do
Commercio, Maio de 1905.
1905 — O manganez na Bahia. Boletim da Se-
cretario da Agricultura do Estado da Bahia, \
pp. 62-65, Bahia, 1905. Braz. Min. Review.
1905 — Notas geologicas sobre o Estado da
3ahia. Boletim da Secretaria da Agricultura do
Estado da Bahia, VI, pp. 12-31, Bahia, 1909.
1905 — Os primeiros descobrimentos de dia-
mantes no Estado da Bahia. Boletim da Secreta-
ria da Agricultura do Estado da Bahia, VH, pp.
181-189, Bahia, 1906. Braz Min Eng Review, 3°,
pp. 81-84, Rio de Janeiro, 1906.
1906 — O regimen das chuvas nas regiões sec-
cas, Jornal do Commercio, Março 4. Rio de Ja-
neiro, 1906.
1406 — As possibilidades agricolas da região
das seccas, Jornal do Commercio, Out. 18. Rio
de Janeiro, 1906. |
1906 — O nome Pernambuco nos mappas an-
tigos. Seculo XX, 1, n. 6, pp. 7-13. Rio de Ja-
neiro, 1906. Revista do Instituto Archeologico e
Geographico Pernambucano, vol. Xl. Recife, 1906.
1907 — O regimen das chuvas nas regiões sec-
cas do Norte do Brasil. Jornal do Commercio,
Março 17. Rio de Janeiro, 1907.
1907 — Medidas contra os effeitos das seccas,
Jornal do Commercio, Out. 1. Rio de Janeiro,
1907.
1907 — Regimen das chuvas no sertão do Cea-
ra. Jornal do Commercio, Oct., 8th., Rio de Ja-
neiro, 1907.
1907 — The Serra do. Espinhaço, Brazil, Jour-
nal of Geology, XV, n. 3, pp. 394-401, Chicago,
1907.
1907 — The sedimentary belt of the coast of
Brazil, Journal of Geology, XV, n. 3, pp. 218-237,
Chicago, 1907.
1907 — Feições physicas e geologicas do Bra-
sil. Jornal do Commercio, Sept. 25, 1907; Ver-
säo ingleza, Brazilian Yearbrook, pp. 11-14, Rio
de Janeiro, 1908.
1907 — A entrada no sertäo de Martim de Sa,
em 1597, Jornal do Commercio, Nov. 23, Rio de
Janeiro, 1907.
1998 — O nome Maranhão. Jornal do Com-
mercio, Marco 27. Rio de Janeiro, 1908.
1908 — On the original type of the manganese
ore deposits of the Queluz district. Minas Geraes,
Brasil, Amer. Journ. Sci., pp. 213-216. New Ha-
ven, 1908.
1911 — Estructura do Psaronius brasiliensis.
A. Journal of Science, 1911, Out.
1911 — Mina de ouro da Passagem. Amer.
Journal of Science, Nov.
1911 — Um diamante notavel do Brasil. Am.
Journ. of Scrence, Nov.
1012 — Especulações sobre a genesis do dia-
mante. Journal of Geology, Set.
1913 — Especulações sobre a genesis do dia-
mante (segundo artigo). Amer. of Geology, Fev.,
1914 — Nota sobre a Tietea singularis. Am.
Journal of Science, Julho.
A esta lista organizada pelo biographo que no
Jornal do Commercio do Rio de Janeiro esboçou
os principaes actos da vida de Derby torna-se ne-
cessario accrescentar um pormenor que representa
uma lacuna a preencher: Em 1896 publicou o emi-
nente geologo norte americano no tomo Il da Re-
vista do Museu Paulista a biographia de Henrique
Bauer, em collaboração com Hussack.
aA
| eicango KONE |
RICARDO KRONE
(1861 — 1917)
Foi com verdadeiro pezar que quantos conhe-
ceram o homem erudito e modesto, consciencioso e
indefesso trabalhador, dedicado amigo do Brazil e
sobretudo da zona a que tanto se affeiçoara e onde
tantas amizades grangeara, foi com maior sentimento
que quantos privaram com Ricardo Krone vieram
a ter conhecimento de sua morte occorrida em Igua-
pe a 9 de Setembro de 1917. Bem sabiamos que
pouco tempo de vida lhe restava, cardiaco adianta-
do como estava ; nutriamos porém a esperança de
que alguma compensaçäo se estabelecesse, dessas que
frequentemente occorrem nas molestias circulatorias,
conservando por mais alguns annos, ao seu paiz de
adopção, aos amigos, a existencia cheia de serviços,
a pessoa tão sympathica do modesto scientista da
Ribeira. Infelizmente tal não succedeu; approuve
a Deus chamar a si Ricardo Krone; poucos dias
antes de expirar corrigira provas do exceliente ar-
tigo de prehistoria paulista que o presente tomo da
Revista insere e foi o seu canto do cysne: O ce-
miterio do Pombeva.
Nascido a 18 de Junho de 1861 em Dresda e
filho do Conselheiro Hermann Krone, lente da Es-
cola Technica Superior da Capital da Saxonia, fez
Ricardo Krone excellentes estudos humanisticos na
sua cidadade natal, onde tambem frequentou as au-
las da escola em que seu Pae professava. Conclu-
indo o curso de engenheiro geographo resolveu
emigrar para o Brasil onde, em 1884, veio estabe-
lecer-se, trabalhando como agrimensor e engenheiro
na provincia de S. Paulo. Entre outras commis-
Fire
sões que lhe couberam sabemos que exerceu o car-
go de engenheiro da construcção da Sorocabana, e
de uma companhia de nucleos agricolas. Viajando
pelo valle da Ribeira enlevou-se pela natureza da-
quelia região passando a fixar-se em Iguape onde
habitou uns vinte e muitos annos. Não lhe foi dif-
ficil, intelligente e instruído como era, arranjar alli
os meios de subsistencia, quer medindo terras, quer
como pharmaceutico licenciado, quer ainda como
correspondente de Museus da Europa, e dos Esta-
dos Unidos.
intelligencia summamente curiosa e orientada
para a sciencia, apaixonado da zoologia, da geologia,
e da anthropologia, não tardou a destacar-se pelos
estudos serios levados a effeito quer especialmente
em relação a aves e peixes, quer quanto à speleo-
logia da região, quer quanto ás pesquizas realizadas
nos sambaquis onde, com singular afinco e verda-
deira ancia, perscrutava as questões da prehistoria
paulista ainda incipientemente estudadas.
Magnificas collecções ornithologicas e ichtyo-
logicas ajuntou que forneceu aos grandes museus do
mundo, visitou detidamente as grandes cavernas da
zona sobretudo as de Iporanga, a elle se devendo a
campanha que tanto pôz em destaque estas maravi-
lhas do nosso territorio; «assignalou-lhes a fauna
icthyologica ao sabio especialista que é Alipio de
Miranda Pibeiro.
Os estudos que lhe deram maior destaque nas ro-
das scientificas foram, porém os de prehistoria. Fez
importantes descobertas nos sambaquis entre outras
a do celebre idolo anthropomorpho de Iguape, de-
duziu judiciosas consequencias dos elemementos ana-
tomicos exhumados, para uma serie de conclusões
anthropologicas valiosas.
Assim, entre os amigos, isto é, todos os habi-
tantes de Iguape — popularissimo em toda a região
da Ribeira como era o Major Ricardo — no meio
dos seus e dos queridos livros, das collecgdes z00-
logicas e anthropologicas que formara, excursionan-
do aqui e acolá com fins scientificos, viajando e es-
=
D | NE
tudando decorreram os ultimos decennios da vida
fecunda do amigo das sciencias.
Tinha em muito menor conta os seus conheci-
mentos do que realmente valiam ; numerosas foram
as sociedades scientificas que o chamaram ao seu
gremio espontaneamente, muitos os doutos que o
applaudiram sobremaneira elogiando-lhe os estudos ;
jamais lhe deram taes distincgdes o menor vislumbre
de vaidade. Era uma alma simples e bôa de eru-
dito, esse apaixonado da nossa natureza e do nosso
remoto passado precabralino.
A seu respeito escreveu sentido necrologio o
Dr. Edmundo Krug, na Tribuna de Santos de 13
de Setembro de 1917, artigo que transcrevemos para
maior homenagem à memoria do erudito e saudoso
amigo do Museu e collaborador da Revista.
« Não existe mais entre os vivos o modesto e
sympathico naturalista Ricardo Krone!
Poucos são os que, aqui em Santos, conhece-
ram de perto este incansavel investigador scientifico,
e muito poucos são ainda aquelles que privaram in-
timamente com elle.
Filho do professor Krone, da Universidade de
Dresde, teve Ricardo Krone uma boa educação ; mas,
avido de conhecer novas terras. levado pelo instincto
nato de futuro naturalista, Krone immigrou muito
cedo para o nosso lindo Brazil, tendo sido ajustado
como agrimensor por uma poderosa companhia agri-
cola, que possuia vasta extensão de terrenos no fer-
tilissimo valle da Ribeira de Iguape. Não tendo
muita inclinação para este officio, elle estabeleceu-se
como pharmaceutico em Iguape, de onde datam os
seus mais importantes estudos.
Dedicou-se à speleologia, à antropologia, à z00-
logia, sendo seu predilecto estado o da ornithologia.
No meu trabalho sobre a Ribeira de Iguape,
memoria mandada publicar em 19u8 pelo então se-
cretario da Agricultura, dr. Carlos Botelho, dizia eu
o seguinte :
« Quem visitar ou passar casualmente por Iguape,
não deve deixar de fazer o conhecimento de tres
Rg cane
senhores que ali vivem, sómente por amor ds scien-
cias. Eu digo por amor 4s sciencias, pois não posso
acreditar que pessoa que possua uma educação su-
perior ao nivel commum, possa viver num logar
morto e ermo. O primeiro destes senhores, Ernesto
Guilherme Young, prestou tão relevantes serviços ao
nosso Estado, que o Instituto Historico e Geogra-
phico de S. Paulo achou-se na agradavel contigen-
cia de conferir lhe o titulo de socio honorario.
O segundo, que compõe este «trio scientifico »,
é o pharmaceutico sr. Ricardo Krone, que estuda
com amor e perseverança os Sambaquis ( restos de
cosinha prehistoricos ) daquella zona; foi elle que
descobriu nas suas escavações muito assumpto e ob-
jecto novo para a sciencia. O nosso Museu do Ypi-
ranga, aqui em São Paulo, deve-lhe, incontestavel-
mente, muito sob este ponto de vista. Ha, mais ou
menos, um anno, osr. Krone emprehendeu, a pedido
do sr. von Ihering, uma viagem a Serra dos ltatins,
para colher dados anthropometricos dos indios ahi
residentes. A julgar pelas photographias, com as
quaes elle teve a gentileza de me contemplar, não
é dado duvidar do bom exito do emprehendimento.
Se não me engano, figura o resumo dos resul-
tados desta interessante excursão na exposição de 5.
Luiz; espero que este paciente observador me com-
munique os mesmos, para fazel-os publicar na Re-
vista da Sociedade Scientifica de S. Paulo.
O sr. Krone é tambem um excellente conhece-
dor da fauna ornithologica dos arrabaldes de Iguape,
e o seu museu particular, provido de uma extraor-
dinaria collecção de ovos, que é sómente mostrada
aos bons amigos e conhecedores do assumpto, prova
sufficientemente esta affirmativa.
Infelizmente, näo se affectuaram o estudo e as
investigações nas bellissimas grutas calcareas da zona
da Ribeira, de cujo estudo a cominissão botanica
austriaca encarregou o sr. Krone. Os motivos pelos
quaes não se affectuaram as pesquizas são-me desco-
rhecidos, parecendo-me, porém, que houve alguma
intrigasinha em jogo. Em todo o caso, é de se
LE Se ua
sentir que este senhor não faça estas explorações, :
pois sem duvida é elle o mais profundo speleologo
que possuimos em todo o Kstado. Teria descoberto
especimens importantissimos de animaes já desappa-
recidos, se tivesse tido a felicidade de levar a effeito
a incumbencia.
Ainda não perdi as esperanças de se effectuar
o emprehendimento; as importantes grutas calcareas
com os seus bellissimos stalactites e stalagmites, dos
quaes afguas tem o enorme diametro de 3a 4
metros, não são sómente dignas de serem estudadas
mas é tambem um dever scientifico conserval-as, pois
julgo que ha ahi depositos: de ossos antidiluvianos e
que nellas acham-se muitas fórmas ainda desco-
nhecidas ».
Decorreram, pois, 9 annos da data da publica-
ção do meu trabalho, e deste tempo para cá foi que
appareceu uma bôa porção de trabalhos de alto valor
deste infatigavel scientista.
Talvez devido à grande amizade que elle tinha
a Ernesto Guilherme Young, e instigado pela con-
tinua correspondencia que mantinha com alguns
socios de destaque da Sociedade cientifica de São
Paulo, o seu amor proprio de naturalista se desen-
volveu mais ainda; e o homem, que vivia mades-
tamente, examinando casas de vespas, ninhos e ovos
de passaros, barro cozido e caveiras achadas em
« ostreiras », tornou-se repentinamente conhecido nos
circulos scientificos de São Paulo.
O seu melhor trabalho foi aquelle que publicou
annexo ao relatorio da Expioraçäo do Rio Ribeira
de Iguape, feito pela Commissäo Geographica e Geo-
logica, sobre os Sambaqüis e Tumulos prehistoricos
existentes na zona ribeirinha, trabalho este denomi-
nado — « Informações ethnographicas do Valle do
Rio Ribeira de Iguape ».
Esta memoria foi lida, a meu convite, quando
presidente da Sociedade Scientifica de São Paulo,
nesta sociedade, perante selecto auditorio dos mais
reputados scientistas da capital. As revelações feitas
nesta noite por Krone causaram verdadeiro espanto,
e não houve um uico socio desta aggremiaçäo scien-
tifica que não tivesse saido satisfeito da sesão.
As investigações de Krone iam tão longe que
elle demonstrava positivamente que o povo dos sam-
baquis não conhecia louça, affirmava que os mora-
dores das ostreiras da Ilha do Mar iam caçar nos
morros da terra firme; expunha que a fractura de
um osso queixal, achado na ostreira, fora feita pelos
sambaquieiros para extrahir a gordura que nelle
existia; e com toda segurança dizia que os restos
humanos que foram encontrados, até hoje, nos mais
antigos sambaquis, não são suficientes para se fazer
uma pequena idéia do typo ethnico dos primitivos
moradores da Ribeira.
Chamando a attenção de Krone para a grande
messe de tumulos prehistoricos que encontrei no Rio
Turvo, um dos fertilissimos tributarios do Rio Pardo
sem perda de tempo elle para ahi se transportou,
para estudar este interessantissimo asumpto, e no
mesmo citado relatorio da Commissão Geographi-
ca e Geologica descreve os preciosos achados de
cemiterios prehistoricos na barra do Rio Tatu-
péra.
Como speleologo, isto é, como explorador das
grutas calcareas, da zona yporangueira, Krone é sim-
plesmente inatingivel. As intrigas que certos scien-
tistas fizeram em torno delle, quando recebeu ordem
da commissão austriaca para explorar as grandes e
magnificas grutas calcareas da zona da Ribeira pro-
vavelmente calaram mais ainda no seu espirito de
investigador, e alguns annos depois da publicação
de seu classico trabalho sobre os sambaquieiros re-
cebemos com verdadeira satisfação, o elegante li-
vrinho, mandado publicar pelo Museu Nacional, sobre
a exploração das grutas calcareas da Ribeira de
Iguape. Ahi está descripta a gruta do Monjolinho,
com os seus estalactites, que nos contam historias
passadas ha quasi 24 mil annos ; lêmos com verda-
deiro gozo, a descripção da belissima gruta da Ta-
pagem, da elegante gruta do Rio Frias ( errada-
mente assim chamada, por elle, pretendendo eu que
Dae É aaa
seja denominado a gruta do Rio Claro) e outras
sessenta de mais ou menos valor. |
O que eu tinha predito no meu modesto tra-
balho sobre a Ribeira, das grutas caleareas, tornou-
se verdade, pois nellas achou Krone vestigios de
ossos e esqueletos de animaes de épocas remotas,
cujos descendentes já não mais existem.
Finalmente, deu Krone um parecer luminosis-
simo sobre a conservação das grutas calcareas, quando
tratamos na Sociedade Scientifica de Sado Paulo da
desapropriação pelo governo, de algumas dellas. Este
parecer foi publicado na Revista da mesma socie-
dade e assignado conjunctamente com Young, que se
interessava igualmente pela conservação destes mo-
numentos caprichosos da riquissima natureza patria.
Como zoologo, foi Krone um incançavel : col-
leccionador de ovos de passaros da Ribeira de Iguape,
a sua colleccäo vale contos de réis e la estão re-
presentados os ovos de todos os passaros da zona.
Dedicou-se, finalmente, Krone ao conhecimento
dos peixes fluviaes da Ribeira de Iguape e classifi-
cados os seus especimens apanhados, pelo nosso maior
conhecedor de peixes, Alipio M. Ribeiro, este deter-
minou-os como pertencentes a quinze diversas espe-
cies, quatro dellas julgadas novas. A maior sensa-
ção causou. porém, a sua descoberta de peixes cegos
nas grutas calceraes da zona da Ribeira. Fui eu nova-
mente que o levei a tal facto, chamando-lhe a attenção
para oS animaes cegos que se encontraram nas grutas
calcareas austriacas. © que tinha predito, succedeu :
na caverna da Tapagem foram pescados os Typhlo-
bagrus Kronei, classificados novamente por Alipio
Ribeiro, e assim chamados em honra ao descobridor.
Eis ahi, em poucas palavras, quem foi Krone,
o amigo dos brasileiros, o estrangeiro abrasileirado
que amou a nossa patria mais do que muito nacional,
que pretende ser patriota !
Não se póde dizer que Krone tivesse sido um
sabio : para isso lhe faltava a instrucção solida de
profissional; mas elle foi um invstigador de bom
senso, que indicou a muito sabio o caminho que de-
— 938 —
via ser seguido para tirar grandes conclusões de pe-
quenos factos.
A morte de Krone foi para muitos dos seus co-
nhecidos uma surpreza, e para nós outros seus ami-
gos, que o vimos ultimamente e que conheciamos o
seu estado de saúde, uma inconsolavel dor.
Deixa Ricardo um museu de alto valor, que
provavelmente irá parar em mãos de pessoas que
não lhe saberão dar o devido apreço. Appello daqui
para o dignissimo Secretario do Interior, e princi-
palmente para o dr. Taunay, filho do saudoso Taunay,
autor da «Retirada da Laguna» e inseparavel amigo
de Hercules Florence, que ultimamente e tão acer-
tadamente, foi escolhido para director do nosso museu
paulistano, que adquiram esta preciosidade e que ins-
tallem uma sala no proprio museu, sobre cuja porta
se leia, escripto com letras douradas, o nome do
saudoso — Ricardo Krone. »
Embora saibamos que Krone publicou memorias
scientificas em numerosos pericdicos extrangeiros
inglezes, allemães e americanos, não nos foi possivel
porém colher apontamentos sobre estes trabalhos.
Assim apenas podemos dar resumida resenha bi-
bliographica de sua obra.
Na Revista do Instituto Historico e Geogra-
phico de S. Paulo encontramos : Contribuições para
a ethnologia paulista ( Tomo VIT) eo Idolo anthro-
pomorpho de Iguape ( Tomo XVI); nos Annaes do
Museu Nacional: Estudos sobre as cavernas do
valle do Rio Ribeira (Tomo XV); na Revista do
Museu Paulista: As grutas calcareas de Ypiranga
(Tomo Ill) e O cemiterio de Pombeva ( Tomo X);
nas publicações da Commissão Geographica e Geo-
logica do Estado de S. Paulo: Informações ethno-
graphicas do Valle do Rio Ribeira de Iguape.
Pertenceu o saudoso scientista a numerosas so-
ciedades scientificas e era correspondente de muitos
museus; entre estes citemos o Paulista, o Nacional,
os do Pará, Philadelphia, Washington, Vienna, Sto-
ckolmo, Tokio.
ENSAIO DE BIBLIOGRAPHIA
relativo às sciencias naturaes ou ás a ellas connexas
e referente, especialmente, ao Brazil
POR
Andréa Dó
Bibliothecario — Traductor do Museu Paulista
A Bibliographia seguinte comprehende apenas
a literatura remettida ao Museu Paulista pelos res-
pectivos autores ou pelas sociedades scientificas na-
cionaes e estrangeiras.
Em consequencia da conflagração universal e
da insegurança dos mares, varios institutos estran-
geiros interromperam a distribuição dos seus traba-
lhcs. Após a Guerra e recebidas as referidas pu-
blicações, registraremos o que mais interessa à scien-
cia brazileira no proximo volume da Revista.
E” o nosso fito ajudar preencher uma grande
lacuna existente para os scientistas e estudantes bra-
zileiros, a saber: uma bibliographia completa das
sciencias naturaes brazileiras. Assim é mistér que
todos os scientistas e sociedades scientificas patricias,
bem como estrangeiras, remettam pelo menos, um
exemplar dos seus respectivos trabalhos a Bibliothe-
ca do Museu Paulista.
E " q
MA te
ity
x Der pr
pe
°
PER RE od RU.
* Pee a
Periodicos Brazileiros
Memorias DO Instiruto Oswazpo Cruz — Rio
de Janeiro — Manguinhos.
As « Memorias » conseguiram, em bem poucos annos,
alcançar o primeiro logar entre as publicações scientificas
brasileiras sui generis. Restringimo-nos, em seguida, a ci-
tar apenas os trabalhos de 1913 a 1918 publicados que con-
têm algo de novo, sem critica, cumprindo assim a nossa ta-
refa de indicador bibliographico desta literatura.
Tomo VI. — 1914.
Figueiredo Vasconcellos : Trichophyton griseum, n. sp.,
p. 11 (com as estampas 2 e 3).
Arthur Neiva: Notas sobre os reduvidas hematopha-
gos da Bahia com a descripgio ae nova especie Triatoma
tenuis, n. sr. (p. 37).
A. Lutz e A. Neiva: As « Tabanide » do Estado do
Rio de Janeiro ( pp. 69-80 ).
A. Lutz: Contribuição para o conhecimento das Ce-
ratopogoninas do Brasil (pp. 82 ss.)
A. da Costa Lima: Sobre alguns cureulionide.s que
vivem nos bambús (p. 120).
R. de Almeida Cunha: Contribuição para o conheci-
mento dos siphonapteros brasileiros (pp. 124 ss. ).
Lauro Travassos: Contr. para o conhecimento da fau-
na helminthologic: brasileira (p. 139 e pp. 158 ss. ).
A. Lutz: Sobre a systematica dos tabanideos, sub-
familia Tabanine (chave para a determinação dos generos,
pp. 165 ss.).
A. M. da Cunha: Contr. para o conhecimento da
fauna de Protozoarios do Brasil (pp. 170 ss. ).
A Neiva e outros: Contribuições Parazitologicas ( pp.
182 ss. ).
A. M. da Cunha: Sobre os ciliados intestinzes dos
mammiferos ( pp. 213 ss. ).
A. da Costa Lima: Descripçäo dum novo genero com
uma nova especie de besouro Cholidio ( pp. 217 ss. ).
Idem. — Tomo VII. — 1915.
Alipio Miranda Ribeiro: Jararaca de Santa Maria no
Rio Corrente. E. da Bahia — Lachesis lutei.
4. Lutz: Taranidas do Brasil e de alguns Estados
visinhos (pp. 63 ss.). Chave para as especies brasileiras:
(pp. 74 ss.).
944
A. M. da Cunha: Sobre os ciliados intestinaes dos
mammiferos ( pp. 144 ss. ).
L. Travassos: Contr. para o conhecimento da fauna
helmintolojica brasileira.
Sobre as especies brasileiras do genero Capillaria Ze-
der, 1800. — Chave para a determinaçäo dos generos obser-
vados eutre nós. ( pp. 176 ss.)
R. de Almeida Cunha: Contribuição para o estudo
sifonapteros do Brasil. 1914 — Rio.
Este interessante trabalho do Instituto « Oswaldo Cruz »
resume a systematica e biologia dos sifonapteros indige-
nas accrescendo as discripções do novo genero Stenopsylla
(p. 129), das novas especies Stenopsylla cruzi (p. 131) e
Pulex conepati (p. 146), da nova variedade Pulex irritans
var. bahiensis (p. 148) e da especie nova Rothschildella
occidentalis (p. 170). Seguem as synopses dos sifonapte-
ros cuja presença tem sido assignalada no Brasil até 6 mea
de Março de 1914, da rapida identificação das referidas es-
pecies e dos hospedeiros (pp. 191 ss.). Finda o trabalho
volumoso com uma Bibliographia bastante completa sobre o
assumpto.
Memorias. Tomo VIII. 1916.
Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca: Estudos sobre
os flagellados parasitos dos mammiferos do Brasil.
Esta criteriosa monographia das protomonadinas para-
sitarias dos mammiferos, indigenas ou importados. existentes
no Brasil é o resultado de observações pessoaes do autor.
A remodelação da systematica, em parte, e um bom aceres-
cimo ao material até agora conhecido ( veja pp. 14, 36 e ss.)
bem como uma Bibliographia bem completa significam um
progresso saliente nesta parcella da historia natural e uma
valiosa contribuição para a sciencia veterinaria brasileira.
A. da Costa Lima: Sobre alguns Curculionidas que
vivem nos bambus ( p. 42 ss. ).
O. dUira e Silva e J. B. Arantes: Sobre uma he-
mogregariana da gamba (pp. 61 ss. ).
H. de Beaurepaire Aragão: Pesquizas sobre o Copro-
mastix prowazeki, n. g., n. sp.
Idem — Tomo IX. 1917.
Lauro Travassos: Contribuições para o conhecimento
da fauna helmintolojica brazileira. IV. Revisão dos acanto-
cefalos brazileiros. Parte I. Fam. Gigantorhynchidæ Haman,
1892.
« A fauna de acantocephalos brazileira é uma das mais
ricas do globo pelo que se póde deduzir dos estudos feitos
SE à © qo
sobre ella, os quaes s&o relativamente pouco numerosos. Da
lista de Gigantorhynchide que damos adiante vê-se que em
40 especies citadas, 16 encontram-se no Brazil, isto é 40 °/,
(p. 5). «Sobre a posição systematica dos acantocephalos não
ha accôrdo. (p. 8). « Collocaremos até segunda ordem, os
acantocephalos constituindo um ramo independente dos nefri-
diados... é esse o modo de vêr de Kaiser, (p. 9). « Chave
para distineção das familias dos acantocefalos » (p. 10 ss).
Adolpho Lutz: Contribuições ao conhecimento dos Oes-
trideos brazileiros. « Aproveitando-me dos trabalhos já ci-
tados, dou em seguida uma chave dos generos de Oesterinæ
observados por mim em territorio brazileiro », (p. 95 ss).
Arcuivos po Museu NacroxaL — Rio de Janeiro
Volume XVII (sem data e indicação da impressão ).
Summario: Alípio de Miranda Ribeiro:
1. — Fauna Brasiliense — Peixes ( Eleutherobranchios
aspiropharos ) — Physoclisti.
2.— O Museu Nacional e os processos de taxidermia.
3. — Lachesis Lutzi.
Os Physoclisti são mais uma continuação da obra gran-
diosamente desenhada da « Fauna Brasiliense > do illustre
ichthyologo brazileiro. |
Idem. vol. XVIII. — 1916. — Rio.
Do Summario: A.J. Sampaio: Contribuição da Flora
do Estado de Minas Geraes, pp. 1 ss.
Idem: Orchidaceæ, pp. 55 ss.
A. Childe: Autopsie d’un monstre céphalothoracophage
monosymétrique de race porcine, pp. 119 ss.
Eugenio Rangel: Contribuição para o estudo das Puc-
cinias das Myrtaceas, p. 147 ss.
Idem: Fungos do Brazil, novos ou mal conhecidos,
( p. 159 ss. ).
Idem, vol. XIX. — Rio. — 1916:
A. J. de Sampaio: A flora de Matto Grosso, pp. 1 ss.
A. da Costa Lama: Sobre alguns chalcidideos para-
sitas de sementes de myrtaceas, (p. 193 ss. ).
Idem, vol. XX. — 1917.
E. Roquette Pinto. — Rondonia : Anthropologia. Ethno-
graphia.
« A litteratura scientifica do Brazil foi ultimamente
enriquecida com duas obras notaveis — a « Rondonia » do
sr. Roquette Pinto, publicada na série dos Annaes do Museu
Nacional, dos quaes constitue um dos mais interessantes vo-
lumes e certamente o volume typographicamente mais es-
merado, fazendo honra aos nossos prélos officiaes »... ( Oli-
veira Lima, no « Estado de S. Paulo », 7 de Abril de 1918 ).
« O livro de R. P. é o mais interessante estudo pu-
blicado por um pratricio sobre um thema que até aqui in-
me ur
teressou muito mais aos extrangeiros do que a nós... dr. R.
Pinto é eminentemente comprehensivo. Sabe fazer livros
como os precisamos, livros que nos incutam sciencia « mai-
gré-nous ». ( Monteiro Lobato, 1. s. c. — 23 de Abril de 1918 ).
A situação geographica da nova terra « Rondonia »
define o seu auctor, dr. R. Pinto na « Revista do Brazil »
(anuo I, vol. II, pp. 169-172) de maneira seguinte: « Si
tivessemos de marcar a Rondonia, de um modo preciso e
absoluto, para fins politicos, sem duvica encontrar-nos-iamos
embaraçados, por emquanto. Mas, em summa, dentro dos seus
limites, ella abrange toda a larga faixa de terra cortada pela
linha telegraphica Cuyaba — S. Antonio, e os valles dos rios
que ahi nascem. Juruema e Madeira são seus lindos ex-
tremos... (p. 171).
Diversas publicações da Commissão DE Linnas TELE-
GRAPHICAS ESTRATEGICAS DE MATTO Grosso AO AMAZONAS.
Escriptorio Central: Rio de Janeiro, Rua General Camara, n.
106.
Raras vezes trabalhou uma commissao official com tanto
zelo e com tao bons resultados quanto a « Commissio Ron-
don ». — Destacamos das suas publicações apenas as seguintes :
« Rondonia », obra do Museu Nacional supra-citada
com material anthropologico colhido pela referida Commissão.
Geologia: Carl Carnier e João Brueggemann: Obser-
vações Geologicas-Geographicas e Ethnographicas sobre a
viagem de exploração de Cuyabä a Serra do Norte, passando
por São Luiz de Caceres. 1909.
Alberto Betim Paes Leme: Mimeralogia e Geologia.
EEB
Euzebio de Paula Oliveira: idem. — 1915.
Botanica: F. C. Hoehne. — 6 partes. — 1910-1915.
Idem: Monograpbia das Asclepiadaceas Brasileiras. —
Fascs. I e II. — 1916.
Zoologia : Alipio de Miranda Ribeiro : Mammiferos. 1914.
Idem: Peixes. 1912 ss.
Henrique de Beaureparre Aragão : Ixodidas, — 1916.
Ad Ifo Ducke: Hymenoptera. — 1916.
Adolpho Lutz: Tabanideos.
Carlos Moreira: Crustaceos. «Na parte referente aos
copepodes branchinos, referi-me às especies que se encon-
tram na colleccio e completei a lista com a citação de todos
que tem sido encontrados no Brasil, de fórma a dar uma
idéa do numero de especies brasileiras conhecidas, destes
crustaceos parasitas ».
Hermunn von Ihering : Molluscos. — 1915.
Ethnographia: Coronel Mariano da Silva Rondon:
Indios Parecis — Phrases soltas. Usos e costumes. — Indios.
Nhambiquaras etc. / sem anno ).
947 —
ARCHIVOS DA ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA E MEDICINA
VETERINARIA. — NICTHEROY. (E. do Rio ).
Vol. I. — 1917. — Rio de Janeiro.
Meilo Leitão: Generos e especies novas de Araneidos.
« Uloborridas — Com a descripçäo das cinco especies acima
referidas e que são novas para a sciencia, fica elevado a
nove o numero de especies brasileiras conhecidas. Estas
especies podem ser separadas de accôrdo com a seguinte
chave em a qual acceitamos a divisão do genero proposta
por Simon, hem como a suggestão ahi Pç de fórma
para cada divisão um sub-genero. » ( p. 6
A. da Costa Lima: Catalogo das especies de Cur-
culionideos do grupo Cholina.
« O Catalogo de Munich — trata avenas de 93 espe-
cies ; O presente catalogo comprehende 311 » (p. 35).
Material especialmente para o estudo dos microparasi-
tas encontram-se nas revistas seguintes que se remettem à
Bibliotheca deste Museu :
« A Gazeta Medica da Bahia » — Bahia.
« Annaes Paulistas de Medicina e Cirurgia » — S. Paulo.
« Brazil-Medico » — Rio de Janeiro.
« Therapeutica » — Sao Paulo.
« Parama-Medico » — Curityba.
« Chaedsas: e Quintaes » — São Paulo.
« Revista Medico-Veterinaria » — Olinda.
« Polymathica > — Fortaleza ( Ceará ).
« La Escuela de Medicina » — Guatemala.
nae,
Arrojadô Lisboa: O Problema do Combustivel Na-
cional. -- 1916 — Rio.
Euzebio Paulo de Oliveira: Regiões Carboniferas dos
Estados do Sul — Rio. — 1918.
Alberto Loefgren: Manual das Familias Naturaes
Phanerogamas. Com chaves dichotomicas das Familias e
dos Generos Brasileiros. Rio de Janeiro. — 1917, pp. I-X VIII
e 1-611.
R. von Thering: Os nomes zoologicos em portugues.
( Revista do Brasil, vol. IV. — São Paulo — p. 282 ss. )
Periodicos estrangeiros
GEOLOGIA
Proceedings of the American Philosophical Society ( held
at Philadelphia for promoting useful knowledge ). — Vol,
LIL. 193:
Olaf Bitt Jenkins: Geology of the Region about
“Natal. Rio Grande do Norte, Brasil, p. 431-467 ( Plates XV
XXII). «The State of Rio Grande do Norte is one of the
smallest in Brazil; it has an area of 57.485 square kilo-
meters, and lies wholly within the tropies. The climate, to-
pography and geology of this state may be taken as a type
of the geology of the northeastern coast of Brazil... «J.
C. Brauner» p. 432. . . « The most important results from
this work are as follows:
1. The determination of an unco formity between the
particolored sandstone and clay series and the underlying
limestones.
2. The finding of fossils in the limestones.
3. The determination that the limestones were laid
down as estuarine deposits, thus indicating a sunken coast
at that time such as exists now.
4. The proof that the coast has sunken recently, and
the commercial effect that this condition has had upon the
country in affording fine harbors, and in making good agri-
cultural land by the deposition of silt in the rivers forming
sterile valleys.
5. The effect wind blown sand upon the country in
damning streams and thus forming fresh-water lakes.
6. The large supply of good water in the region of
the sedimentaries in comparison to the lack of water in the
dry interior ».
l. s. c. vol. LV, pp. 1-20 ( Plates I-IV).
Ralph H. Soper: The Geology of Parahyba and Rio
Grance do Norte, Brazil.
« The data for the following paper was gathered in a
series of three expeditions made into the states of Parahyba
and Rio Grande do Norte; (p. 1). The states of Parahyba
and Rio Grande do Norte form three general topographic di-
visions. The first is a zone of low coastal sediments of
Cretaceous and Tertiary age. The second is a great plateau
which rises fron? the western edge of the coastal plain and
ti à
Ro QUE
sweeps clear acruss the two states thus embracing more than
two thirds of their area. The third division consists of a
series of high serras which rise abruptly from the surrouding
plain, and whose summits are often remarkable flat » ( p. 3).
Anales del Museo Nacional de Historia Natural de
Buenos Aires.- Tomo XXVII. 1915.
Annibal Cardoso: El Rio de la Plata desde su Gé-
nesis hasta la Conquista.
. . . « Las montaiias de la America del Sur, se agrupan
em tres sistemas independientes o mas as principales. El
primero, al norte del Ecuador, eompuesto por el macizo que
se estiende desde el valle del Orinoco al del Amazonas oc-
cupando la mitad de Venezuela, las Guayanas y parte del
noroeste del Brazil; el segundo, al sur de la linea y en la
región oriental del continente, formado por las s erras meri-
dionales del Brazil y continuando hasta el rio de la Plata
por las serranias de la Republica del Uruguay, cuyas ultimas
estribaciones visibles terminan alli con las islas de Martin
Garcia, San Gabriel, Farallon, ete, para resurgir, al parecer,
más al sur en el Cabo Corrientes y los macizos de Tandil y
Currumalan en plena pampa argentina; el tercero y ultimo,
que es el más importante, corre por la region occidental li-
mitado por el Pacífico y lo forma la cadena de los Andes com
tudos sus contrafuertes y estribaciones del costado oriental ».
« Dos grandes planicies separan estos tres grupos 0
sistemas. La primera es la cuenca vastissima del Amazonas
y sus afluentes; la segunda, la no menos dilatada de los
rios Paraguay, Parana y del Plata >. (p. 153).
PALEONTOLOGIA
JOURNAL OF THE ACADEMY OF NATURAL SCIENCES OF
PHILADELPHIA, vol. XV, 1912.
Sir William Turner Thiselton-Dyer : On the supposed
tertiary Antarctic Continent.—«... Gadow therefore postulates
the existence of a « great Permoc-carboniferous Gondwana-
land in its fullest imaginary extent, an enormous equatorial
and south temperate belt from South America to Africa,
South India and Australia, which seems to have provided
the foundation of the present southern continents, two of
which temporarly joined Antarctica «( Darwin and Modern
Science, p. 334). p. 238... An economy of hypothesis is
better served by assuming a norther origin and a dispersal
southward than by calling into existence a vast territory
from the Indian Ocean...» (p. 239. ).
Tue American JoursaL oF Scrmnce, vol. XXX VIII.
August 1914. Fourth Series, n. 224.
Orville A. Derby. Observations on the Crown Structure
of Psaronius Braziliensis. «...In the restoration of certain
Sd id
of the stem features of Psaronius brasiliensis (this Journal,
Nov. 1913) several vascular strands are represented as ri-
sing from the plane of the lowest cross section at hand,
into the higher lyng portions of the stem in the case of
fig. 2. and into the air in that of fig. 3. The latter figure
suggests the idea that when in te living plant the top of
the stem stood at this level, allits vascular strands here pas-
sed, in a similar manner, from the stem into the members of
the crown, standing free in the air, that they supplied...»
ANALES DEL Museo NaACIONAL DE Historia NATURAL DE
Buenos Aires. — Tomo XXVIII.
Franz Kuehn: El Arco de las Antillas Australes. — p.
391-407.
A. Windhausen : The Problem of the Cretaceous-tertiary
boundary in South-America ad the stratigraphic position of
the San Jorge-formation in Patagoria. (em: The American
Journal of Science. vol. XLIV. January, 1918). «... Onthe
other hand, the stratigraphy of the marine sediments covering
the border of the Brazilian Shield over a large tract between
the mouth of the Amazon River and Sergipe, is not yet en-
tirely clear. The fauna of Pirabas ( Pará) is said to con-
tain both Cretaceous and Tertiary elements; but according
to J. C. Branner the oil-bearing shales with dioroms and
the freshwater-deposits in the Bahia basin and more north-
ward, may be considered as of Eocene age. » (p.2) «... The
hiatus at the Cretaccous-Tertiary boundary corresponds to
the first phase of the Andine orogenetic movements. These
movements in the epirogenetic seuse caused the breaking
down of the Brazilo-Ethiopian Continent, the formation of |
the South Atlantis basin and the posthumous reopening of
the grabenlike depression between the Patagonian continental
platform, and the structural elements of Central and Nor-
thern Argentina...» (p. 50).
ANTHROPOLOGIA
ANALES DEL Musso NacronaL DE Historia NATURAL
DE Buenos Arres. — Tomo XXVII, 1915.
Outes, Felix F.— La gruta sepulcral de Cerrito de las
Calaveras. Con un examen anátomo-patólogico, por Angel
H. Roffo. Com 7 laminas.
« El naturalista viajero del Museo Nacional de Histo-
ria Natural de Buenos Aires, professor don Martin Doello-
Jurado, en el curso de las investigaciones zoologicas que
acaba de llevar a cabo en el litoral maritimo proximo a
Puerto Madryn ( gebernación del Chubut ), ha tenido la for-
tuna de verificar. ocasionalmente, diversos hallazgos antro-
+
pologicos y arqueologicos, a proposito de uno de los cuales,
que conceptúo de alta importancia, voy a occuparme en los
parrafos que siguen. » (365 ).
PROCEEDINGS OF THE AMERICON PHILISOPHICAL SOCIETY,
Philadelphia, vol. LVI, 1917, n. 3, pp. 281 ss.
Farabee, Willian Curtis: The South Americar. Indian in his
relation to Geographic Environment ».
« Every geographical factor had its influence in this
development. Sea and bay, lake ad river, mountain and
vailey, forest and desert, temperature and humidity, wind
and rain, sunshine and cloud, each and all had their effect
in isolating or uniting, separating or deflecting, expanding
or confining, the migrating peoples and in determining
their physical developmert, their forms of culture, their eco-
nomic and political organization. Man has followed no plan,
has no standard. Whatever advancement he has made has
been by chance rather than by choice, by accident rather
than by conscious direction ». ( p. 283).
University of Pennsylvania: The Museum Journal.
vol. III, p. 32. 1912.
« At the meeting of the Board, held on Mai 3rd, it
was decided to send an expedition for three years to the
Amazon Valley for the purpose of making ethnological col-
lections and studying various Indian tribes of this region.
At the same meeting Mr. Algot Lange was appointed leader
of this expedition. Mr. Lange will spend the summer making
his preparations and will be prepared to stard on this ex-
tended exploration in the autumn.» — 1. s. c. p. 58: «In
connection with the proposed Amazon expedition a one hun-
dred and eighty-two ton boat has been purchased and her
hull rebuilt and remodeled to fit her for the work contem-
plated. Owing to these extended preparations has been de-
layed and will probably not reach the field until the early
months of 1913 ». 1. s. c., vol. IV, pp. 1 ss.
« Ths Amazon River has challenged exploraticn since
men who conquered Peru passed over the Andes and launch-
ed their improvised craft on the waters that led them to
the Atlantic. To the Spanish and Portuguese adventurers
of the sixteenth century the greatest river system in the
world was not unknown, yet to-day ists shores present for
the most part an unbroken forest.
Though names as Bates, Wallace, Mareoy, Coudreau
and Agassiz are forever associated with the history of its
exploration, especially on account of their contributions to
to the natural history of the Amazon, the great wilderness
has not been conquered. These men and others who, for
the last four centuries, have followed its course from the
Andes to the Atlantic and traced many thousand miles of
its afluents could only guess what lay beyond the gloomy
forests on the shores. Their observations were confined to
the river itself. To go one hundred yards from the margin
of the stream to-day at almost any point is to enter unex-
plored country and whoever continued such a journey would
soon be swallowed up in the wilderness and to the world.
« The branches of the Amazon reach out into the
last large unexplored area of the earth’s habitable surface.
In forests where the rumors of civilization have not-yet reach-
ed and where the feet of white men have not made a
pathway, the aboriginal peoples still live unseen their pri-
mitive lives so far as we are able to form any opinion of
these isolated inhabitants of the carth, they are peaceful
and often so timid that the appearance of strangers is a
signal for their flight. They are pitoresque in the extreme
and live entirely on the natural products of the forest. They
are without knowledge of agriculture, yet in many of the
arts of life they present great skill and many of their so-
cial customs often show an elaboration of savage art and
practice quite remarkable»... Dr. Farabee, the leader of
the expedition (p. 4).. « The regions which especially in-
vite investigation are the following: the highlands lying
along the borders of Brazil on the one hand and British
and Dutch Guiana on the other; the region drained by the
Araguaya and the Tocantins, the upper waters of the Rio
Negro and its branches the Rio Branco and the Uapés, the
Ueayali, and lastly the regions lying between the Madeira,
the Purus, the Tapajoz and the upper Xingu.. «(p. 10)...
« In September the South American expedition had reached
the unexplored regions of the upper Uraricuera River in
northern Brazil, close to the Venezuelan boundary... On
the upper Uraracuera the expedition was on contact with
remnants of three tribes: the Porocotos, Ajamaras and Za-
pacas, remaining with them long enough to secure vocabu-
laries and other informations, as well as to make collections
and photographs. On the Majari River, a branch of the
Uraracuera, some archaeological data were obtained. ( p.170 ). .
Le. e. vol. VI. — pp. 1 Es; «. ., 86cond’ ‘jourevs...
Leaving Para early in July, the expedition proceeded up
the Ucayali River over three thousand miles from the mouth
of the Amazon (p. 21) .. He will ascend the Alto-Purus
River (p. 32).
l. s. c. vol. VI: The Conebo Pottery. (pp. 94 ss).
« The Conebo is one of several related tribes oceupy-
ing the territory along the Alto-Ucavali River speaking
dialects of the Pano language. Their cultures, while not
identical, are very similar. One tribe may excel in the
manufacture of one thing and supply its neighbors with
that particular article. For exemple, the Piros make the
best canoes and are the best canoemen; the Cashibos make
the best bows and arrows; the Amahuacas raise the best
dogs and trade them to their neighbors. The Conebos and
Shipibos are the best pottery makers in the whole Amazon
valley and furnish supplies to all their neighbors...:. The
women are the pottery makers and gather all the NES
while the men do most of the trading. » (p. 94 )..
ls. e. p. 101: «The Collins Day -- Expedition left
Philadelphia Christmas Day, 1914, and travelled by way of
Molendo in Peru to La Paz in Bolivia. From La Paz the ex-
pedition went to the headwaters of the Chapore aud descended
this river into the Mamore, and thence proceeded down the
Madeira and the Amazon. The main object of this interes-
ting and successful expedition was the collection of natural
history specimens. At the same time opportunities were
found for collecting data relative to the Indian tribes on
the Chapcre and the Mamore, especialiy the Yuracaras and
the Joaquinanos. »
1. s. e., vol. VII. pp. 210 ss: « The Indians of South
America are physically so similar to those of North Ame-
rica, and so unlike any other possible progenitors, that we
must believe that their ancestors migrated across the Isth-
mus of Panama in very early time. That migration ceased
so long ago that little resemblance remains in the langua-
ges or costums of the two continents. At the time of the
Discovery a return migration was in progress. Indians from
the Southern Continent were found passing over to dus is—
lands of the West Indies.
« When Columbus landed in the West Indies the peo-
ple whom he found were the Arawaks and the Caribs.
« The Arawaks, who were found trading from Cuba
to the mainland of North America, can be traced through
Venezuela, the Guianas, across the Amazon and the high-.
lands of Brazil, to the Paraguay river: from there westward
to the very foot of the Andes mountains.
«The Caribs at the same time were pressing the
Arawaks and were also beginning to occupy some of the
islands of the Antilles. They, too, by means of their Jan-
guage, can be traced southward to Central Brazil and west-
ward about as far as the head waters of the Amazon.
« The great Tupi stock, whose original home was in
the very southern point of Brazil, pus! bed their way north-
wards through other tribes of the uplands and around the
three thousand miles of coast in the Amazon valley, thus
coming into contact with the two other great stocks, and
so mingling customs and cultures.
« To the complications due to these great prehistoric
migrations of peoples are added others of more recent date.»
( veja: 1. e. vol. VIII, pp. 61-82).
iy PO? Oey
BOTANICA
Anales del Museo Nacional de Historia Naturai de
Buenos Aires. Tomo XXVII. 1915, p. 44 ss.
Hauman, Lucien: Les Dioscoréacées de |’ Argentine.
«... Dioscorea Lusnachtiana Kunth. (kunth. IX. p. 364;
Griesbach, IV. p. 156) Territoire de Misiones? Brésil Cen-
tral, Rio de Janeiro ». (p. 465), e mais pp. 470, 490 e 496.
ZOOLOGIA
INVERTEBRADOS
Protozoarios: Journal of the Academy of Natural
Sciences of Philadelphia. vol. XV.
Verrill, Addison E.: The Gorgonians of the Brazilian
Coast. Plates XXIX-XXXYV )
« The following article is based largely on collections
made by Prof. C. F. Hartt, during an expedition to Brazil
in 1867, anc others made by his associates, about 1876,
while he was engaged upon the Geological Survey of Brazil.
Most of the later collections were made by Mr. Richard
Rathbun Some were made by Mr. J.C. Branner... Ihave
also been able to add descriptions and figures of the spicu-
les of some long known but poorly described species, pre-
pared from the type specimens in European museums by
Prof. Albert Kôlliker and sent to me by himin 1867.—Hi-
therto the Alcyonarian fauna of Brazil has been very little
studied. Although a few species were briefly described by
Lamarck, Milne-Edwards, Ehrenberg and Gray, they are
isolated examples. «... About 24 species and named va-
rieties are now recorded, but a few are very superficially
‘known. About 19 appear to be valid species. sufficiently
described. » ( p. 374 )
MOLLUSCOS
Proceedings of the Academy of Natural Sciences of
Philadelphia. vol. LXV. 1913.
Baker, Frea.: ‘the land and fresh-water mollusks of
the Stanford Expedition to Brazil. ( Plates XXI-XXVII )
pp. 618-672.
«In the following list, the species and subspecies are
considered with reference to the three districts herein mark-
ed out, column one representing the first district including
Rio Grande do Norte and Ceara; column, two representing
the second district, extending from Maranhäo to the Rio
Tapajoz and its tributaries, and column three representing
the third district, including Itacoatiara and the whole of the
Madeira System ( Porto Velho)». p. 620.
aie bean
1. s. c.: Heath, Harold: The anatomy of two Brazil-
ian land shells, Anostoma depressum and Tomigerus clausus
(Plate XXXI) pp. 688-692.
« The specimens of Anostoma...were found in the
low country in the neighborhood of Baixa Verde, a small
settlement betwean 40 and 50 km to the northwest of Na-
tal» (p. 688).
Proceedings of the Unit. States Nat. Mus. — Vol. 47.—
1916.
Frierson, L. S.: A new pearly freshwater mussel of
the genus Hyria from Brazil. ( p. 363)
« Hyria amazonia, new species. ( Plate 12 ). — The
shell is decidedly novel, and really appears to be a connect-
ing link between the genera Hyria and Diplodon ». ( p. 363)
ARTHROPODA
CRUSTACEOS
Proceedings of the United States National Museum.
vol. 43 (1913).
Richardson, Harriet: Description of a new genus of
isopod crustaceans, and of two new species from South
America.
« New genus: Excirolana. — New species: Excirolana
chilensis, E. braziliensis. ( pp. 201-204 ).
ARACHNIDEOS
Bulletin of the Museum of Comparative Zoology at Havard
College, vol. LXI pp. 23-75: 1917. Chamberlin, Ralph: New .
Spiders of the Family Aviculariidæ (5 Plates). «... Pyc-
nothele perditus, sp. n. (pl. 1 fig. 1-4) Type: M. C. Z. 1
&- Brazil; Mendes, Rio Parahyba (p.27). Actinopus prin-
ceps, sp. n. Brazil, Rio de Janeiro. Nath. Thayer Exped.
(p- 31). . . Calopelma brasiliana, sp. n. (pl. 3 f. 3, 4) Rio
de Janeiro. ... Eurypelma regina. sp. n. Rio. (p. 49).
Lasiodora differens, sp. n. (p. 56) e Lassiodora curtior, sp. n.
(p. 58). Acanthoscurria natalensis, sp. n. (p. 64). Acan-
thoscurria cursor, sp. n.(p: 66). Acanthoscurria fracta, sp. n.
(p. 67), sendo todas as citadas especies novas brazileiras.
MYRIAPODOS
Bulletin of the Museum of Comparative Zoology at
Havard College, vo]. LVIII. (151-221): The Stanford Ex-
pedition to Brazil, 1911): Chamberlin, Ralph V.: The Chi-
lopoda of Brazil. «In the Brôlemann's Catalogue des My-
riopodes du Brésil (São Paulo, 1909. Catalogos da Fauna
Brazileira. II. issued by the Museu Paulista ), after the eli-
mination of manifest synonymous and nomina nuda, there
are mentioned sixteen genera and thirty-nine species of chi-
lopods. The present paper lists seventy-one species under
twenty-five genera. Of the additional forms, two families,
three genera and nineteen species have not been elsewhere
recorded as occurring in Brazil, and of these one genus and
seventeen species are described as new. . .».
INSECTOS
Proceedings of the United States Nacional Museum,
vol. 44, pp. 481-549.
Alexander, Charles P. A Synopsis of part of the neo-
tropical crane-flies of the sub-family Limnobinæ. — « The
present paper is the partial result of the study of some ex-
tensive collections of tropical American Tipulida or crane-
flies. In this paper the tribes Eriopterini and Limuophilini
are included. A second part will include the tribes Limno-
bini, Antochini aud Hexatomini, completing the Limnobinæ
and a third will treat of the Tipuline.
Besides describing all new forms and redeseribing such
species as are inadequately handled in previous descriptions,
I have thought it might be of same value to future students
to include keys to the genera and species of the regional
forms. It should be understood however, that the difficulties
in the way of such an attempt are such as to almost dis-
courage one from undertaking it. One must remember that
a very considerable number of the species have never been
rediscovered since their original description, many of these
descriptions are brief, vague and altogether unsatisfactory...»
(p. 481 ).
| eve. vol; 4659-1914):
Crawford, David L.: A contribution toward a Mono-
graph of the Homopterous insecis of the family Delnhacidæ
of North and South America. (pp. 557-640 ).
« Megamelus bifurcatus, new especies. pl. 47. fig. S.
Described from seven macropterous males aud one female from
Pará, Brazil ( baker ) (p. 612). «
Novitates Zoologice. Tring. vol. XIX, pp. 97-118.
Wagner, Hans. — Dahlen-Berlin. Neue Apionen des
Nord — und Sûdamerikanischeu Faunengebietes ( Illustriert ).
Aus den, an Apionen schier unerschôpflich reichen
Gebieten Nord-und namentlich Sûdamerikas, liegt mir wieder
eine Anzhal neuer Arten vor,... wenig Exemplare. die ich
s. Z. von der Firma Dr. O. Staudinger und A. Bang-Haas
erwarb, wurden vou mir unbekannter Seite im Gebiete des
Amazonas, Fonteboa, erbeutet ; « ( veja pp. 108, 112, 117 e 118)
)
]
ETA O Tr
Buczeri or THE Cour. ZooL. Mus. at Hav. CoLL. von. LX
Mann. William M. The aunts of Brazil.
»
O autor cita 223 especies de formigas collecionadas
pela Expedição Stanford, em 1911, nos estados do Norte do
Brazil entre as quaes 24 novas e 22 novas sub-especies resp.
variedades — isto é um bello resultado em vista do curto
prazo da expedição. Para podermos fazer uma comparação
convém lembrar que conhec:mos até hoje, do Estado de São
Paulo, 315 especies de formigas. O trabalho vem acompa-
nhado por 7 estampas illustradas. São de valor especial
as tres tabellas curtas para a determinação de Plathythyrea,
Dolichoderus e Dendromyrmex
ANNALS OF THE CARNEGIE Museum, VOL. IX, 1915 pr. 284-404
Brunner, Lawrence: Notes on Tropical American Tettigo-
noidea. ( Locustodea ). «The present paper is based on
several rather extensive et o ot Orthopteroid insects.
The majority of the material, however, comes from Brazil. . ye
The present paper. . . contains deseriptions of a number of
new genera and species. The types 1efered to in connect-
ion of the Carnegie Museum. Sub-order Tettigonoidea
( Locustodea ). Next in numbers and importance to the lo-
custs or short>horned, are the longhorned grasshoppers. In
some of the recent literature dealing with orthopteroid in-
sects the authors have shown a tendency toward considering
the group of more than crdinal value, some of them even
going so far as to suggest a sub- class comprising several
distinct orders and suborders. Two of these writers, Karny
and Handlirsch, agree ia calling each of the three so- called
families, which taken together bave been termed the « sal-
tatorial orthoptera », as sub-orders, and the subfamilies, fa-
milies. To this latter view I myself am inclined to agree,
since by so considering them the coufusion which has here-
tofore existid as to their afiinities is partially remedied.
The different members of this group vary among them-
selves to a much greater degree than do the Locustoidea
( Acridoidea ), altough the latter suborder contains a consi-
ae larger number of forms» ( p. 284, 1. s. c., vol. X,
pp. 344- 421 ).
Brunner, Lawrence: South American Crickets. Gry-
lotalpoidea, and Achetoidea. «... The present paper con-
tains descriptions of a number of apparently new forms.
While not presenting a complete syn Ge of the crickets of
the South America, I have included a number of Synopti-
eal tables for the separation of families, genera, and in
some instances of species as well.
There has been a tendency among systematic ento-
mologists during the past few years to consider the orthop-
teroid insects as being of more than ordinal. The present
writer, as a result of study of the group, shares this opinion.
In a recent paper he has given his views in a synoptical
key or table compiled from several sources. This table is
presented herewith and shows the relationships of the seve-
ral groups of insects wich he would include under the term
« orthopteroid insects ».
BULLETIN OF THE AMERICAN Museum OF NATURAL
History — Vol. XXXV. 1916 — New York.
Wheeler, Whilliam Morton: Ants collected in British
Guiana by the Expedition of the American Museum of the
Natural History during 1911. (Contribution from the Ento-
mological Laboratory of the Bussey Institution, Havard Uni-
versity, n. 105) LI. s. ce pp. 15-22: Townsend, Charles H.
T.— New and noteworthy Brasilian Muscoidea collected by
Herbert H. Smith.
« During the eighties of the past century Mr. Her-
bert H. Smith made rather an extensive collection of Dip-
tera in Brasil, mainly in the northern part of that coun-
try. The American Museum of Natural History has acquir-
ed by purchase, through Dr. 5. W. Williston, moss of this
collection, aud bas placed in the hands of the writer for
study the material in the muscoid groups. The present is
the first of a series of papers giving results of this study.
In aldition to the new forms, a record is presented of the
more noteworthy described forms secured.
The greater part of the material is labeled simply
« Chapada»... properly written Santa Anna da Chapada,
is a small village near Cuyaba, on the headwaters of the
Paraguay River, in the Proviuce of Matto Grosso ».
ANNALS OF THE CARNEGIE Museum, vol. VIII, 1913,
pp. 423-506. Brunner Lawrence. — South American Lo-
eusts ( Acridoidea ) II.
« The present paper is based chiefly on a rather ex-
tensive collection of these insects made by J. Steinbach in
eastern Bolivia and south-western Brasil, a region but little
explored heretofore. Other material, however, is also at
hand included that was taken by J. D. Haseman and one or
two other collections in the employ of the Carnegie Mu-
seum... As in the former reports (on South American
Tetrigidæ, 1. c. vol. VII. Notes on Tropical American,
Tettigonoidea 1. e. vol. IX and South American Crickets,
ete. 1. e. vol. X.— the relator) a number of syno ptical
tables of genera and species are included where itis thought
they will materially aid the student in the recognition of
these insects. »
/
o mt né
ay aA et
ANALE; DEL Musgo NacioNAL DE HisrortA NATURAL
pe Buenos-Aires. Tomo XXIV. 1913. — Brèthes, Juan:
Himenopteros de la America Meridional, pp. 25-166.
O autor descreve principalmente hymenopteros argen-
tinos inserindo, porém, a determinação de varias especies
brasileiras como p. e. de Iphiaulax friburguensis Bréthes, n.
sp. colleccionada em Novo Friburgo ( Est. do Rio), Iphiau-
lax proximus Bréthes, n. sp. da mesma procedencia, Iphiau-
lax fluminenses Br., n. sp.. do Rio de “Janeiro, ete. Mere-
ce especial attenção a « Clave de los Iphiaulax na pag. 80-
84. 1. e. pp. 195-197. —
Neiva, Arthur: Algunos Datos: sobre hemipteros he-
matófagos de la America del Sur, con la descripción de una
nueva especie.
O celebre scientista descreve mais uma especie de
Triatoma. Tr. Platensis, cujas parentes: são conhecidas, con-
forme os estudos do Dr. Carlos Chagas," Manguinhos, como
transmissores da terrivel tripanosomiase que tanto infesta as
populações brasileiras e argentinas.
1. s. c. Tome XXVI. — 1915. — Brèthes Jean: Con-
tribution à l'étude de Pepsis, pp. 235-360 (avec deux plan-
ches en couleurs et une carte ). — « Ayant en mains depuis
plusieurs années l’étude des Pepsis.... Mon but primitif avait
été simplement de classifier le matériel qui se trouve dans
les collections du Muséum National de Buenos-Aires. Sur
ma demande, les Muséums de S. Paulo (Drs. G. et R. von
Ihering ), ete... m’ont aimablement rémis- leur Matériel: il
m’a eté ainsi possible de faire connaitre un certain nombre
de ces hymenoptères, et afin d’en f'ciliter étude, dans la
mesure du possible, à de futurs travailleurs, j’ai commencé
par les tableaux dichotomiques, GRIP La d'un usage si
généralisé » (p. 235 ).
1. s. e. Tomo XXVIII, pp. 193- 218. — Bréthes, Juan :
Algunas notas sobre mosquitos argentinos. Con 9 figuras.
En relación con las enfermidades paludicas, etc., y descri-
pcion de tres especies nuevas.
« Desde pocos años a esta parte, el estudio de los mos-
quitos viene haciendose cada vez más escrupuloso. El per-
fecto conocimiento de las enfermedades de que son transmi-
sores esos insectos (las fiebras paludicas, la fiebra amariella
y otras varias ), justifican tales estudios.
on razon esos trabajos llaman la atención general»...
O autor entra em seguida em uma critica bem documentada
sobre uma memoria do nosso affamado scientista patricio Dr.
Arthur Neiva, assistente do Instituto « Oswaldo Cruz» e
actual laborioso director geral do Serviço Sanitario do Es-
tado de S. Paulo. 1. c. pp 241-252.
Gallardo, Angel: Notas acerca de la Hormiga Tra-
chymyrmex Pruinosus Emery.
« ... Trachymyrmex. — Este grupo comprende, ademas
de pruinosus ya mencionado, varias especies de los Estados
Unidos y de las Antillas... farinosus Emery del Brasil,
Irmgardae Forel de Columbia, Iheringi Emery del Brasil.
Oetkeri Forel del Brasil...» (p. 242).
l. s. ec — pp. 317-344. — Gallardo, Angel: Notes sys-
tématiques et éthologiques sur les Fourmis Attines de la
République Argentine. — «Il genere Atta é attualmente uno
dei piu difficili della intera famiglia dei Formicidi. Questo
vale sopratutto per le specie piccolle e mezzane che vanno
comprese nei sottogeneri Acromyrmex e Moellerius» (C.
Emery, 1905 ).
Cette tribu de la sous-famille Myrmicinw est exclu-
sivement américaine, si l’on en excepte le genre Proatta,
de Sumatra, récemment crée par Forel. Elle est surtout
néotropicale. Les antennes de l’ouvrière et de la femelle
sont de onze articles (de 12 chez les ouvrières de Prostta ),
avec le dernier plus long et plus épais, formant une sorte
de massure rudimentaire... Leur étude a une grande im-
portance économique à cause des dégâts causés par queiques
espèces, très nuusibles à la végétation spontanée ou cultivée,
spécialment à Misiones et au Brésil «( pp. 31718 ) >... Acro-
myrmex Lundi ( guérin ) Roger 1830-63 »... « Mais Emery
a introduit une confusion en décrivant Vouvritre sous le
nom de pubescens var. boariensis, tout en conservant le
nom de Lundi pour les mâles. Il a induit en erreur à M.
le Prof. von Ihering en déterminant comme Lundi les ou-
vrières de Moelierius Heyeri envoyé de Rio Grande, d’où
les différences signalées par von Ihering entre les moeurs
de Lundi décrites par Berg et celles qu’il observait.
«Je considère comme Lundi typique la forme très
foncées, poire ou presque noire, à pilosité obscure et pube-
scence peu abondante, commune dans toute la province de
Buenos Aires, d'où provenait Vouvritre dècrite par Roger.
Les exemplaire de Guerin — Ménéville étaient aussi de la
région orientale de l'Amérique, des côtés du Brésil austral
(p. 331).
« Von Ihering |’ (“Acromyrmex Meelierius ) Heyeri Forel
1890, o comp.,) a trouvé à Rio Grande do Sul ( Brésil ) et
Emery en la déterminant comme Lundi a introduit une
confusion qui ne faisait pas concorder les observations étho-
logiques de von Ihering, faites en réalité sur Heyeri, avec
celles de Berg sur Lundi, espèce à laquelle von Ihering
voulait les rapporter. Pour sa part Berg considèrait comme
hystrix à Heyeri »...
l. s. c. p. 345. Marelli, Carlos A.: La diferentes
Larvas de Langostas que acompañan à las grandes mangas
de la saltona de Schistocer a paranensis Burm.
l. s. e. pp. 427 ss.: Jérgensen, Pedro: Las Mariposas
Argentinas ( Lep. ), Familia Pieridæ.
— 961 —
e De las numerosas familias de mariposas diurnas, la
Pieridae es una de las más caracteristicas, con una gran
cantidad de especies, distribuidas en todas las regiones del
orbe, desde la más fria polar... hasta las zonas tropicales...
De los cinco continentes, la América es muy rica en géne-
ros, de los cuales se conoce actualmente en todo 40. De
estos cuarenta géneros 29 son exclusivamente americanos »...
De los 23 géneros americanos sólo uno ( Neophasia ) esta
limitado a Norte America»... I. s. ©. pp. 541 ss.
Holmberg, Eduardo L.: Las Especies Argentinas de
Coelioxys.
« En el trabajo actual sólo aparecen las diagnozes de
especies que considero nuevas... Clave para l:s especies
argentinas de Co-lioxys » ( pp. 553 ss. ).
l. sc. tomo XXVII. 1915.
Gallardo, Angel: Observaciones sobre algunas hor-
migas de la Republica Argentina. pp. I ss.
]. s. c. pp. 401 ss. Brethes, Juan: Hymenoptères Pa-
rasites de l'Amérique Méridionale.
« Les description qui font l’objet du présent article se
rapportent à des hyménoptéres parasites, Ichneumonidx, Bra-
conidæ, Proctotrupidæ e Chalcididæ... Les uns sont para-
sites d’autres insectes connus; quelques-uns sont hyperpa-
rasites dont il est difficile de reconnaître les victimes ; d’autres
enfin ont leur proie encore à découvrir. Quelques-uns sont
signalés parasites de Lépidoptères dont la description fera
> objet d'un article qui paraîtra sous peu»... (p. 401).
VERTEBRADOS
PEIXES
BULLETIN OF THE Am. Mus. or NAT. Hist.
vols AA NIV MOTS:
Nichols, John Treadwell: A new Characin Fish from
Brazil ( One text figure pp. 127-128) « Aphyocharax ana-
lis sp. n. «... am aquarium fish said to come from Manaos,
Brazil which has not previously been described ».
Annals & Magasin of Natural History. Series, vol. 12,
1913, p. 555.
Regan, C. Tate: Description of a new Loricariid Fish
of the Genus Plecostomus from Rio de Janeiro. — « Plecosto-
mus rachovii n. sp.»
Annals of the Carnegie Museum. vol. IX, 1915, pp.
226-272.
Eigenmann, C. H: The Serrasalminae and Mylinae.
( Plates XLIV — LVIII).
« The Serrasalminae and the Mylinae are highly spe-
cialised fresh water fisches. They are members of the fa-
— 962 —
mily of the Gharacidae, ubiquitous in South America, being
rather closely allied to the Tetragonopterinae and the Bryco-
ninae. They are compressed, deep fishes, with a series of
median spines along a greater or less part of the ventral
surface. The dorsal fin is longer than in most of the other
South American characins, and reaches its maximum Jength in
Myleus pacu, which has twenty-seven dorsal rays ». (p. 226 ).
« All of the species of the Serrasalminae have an evil
reputation as carnivores. — Stories of their depredations, from
cutting up fish-nets, mutilating other fishes, taking of fin-
gers or toes or otherwise mutilating man or beast, to ske-
letonizing a horse and rider, wlio tried crossing a stream
where they abound, are found in many boocks of travel,
from that of Fray Pedro Simon in 1535 to that of Colonel
Thecdore Roosevelt in 1914 (p. 227 ).
The Serralminae can readily be distinguished from the
Mylinae by the teeth. The former have a single series of
teeth in each jaw. The latter have two series of teech in
the premaxillary and frequently a pair of teeth behind the
front series of the lower jaw.» (p. 235)... Gastropristis
gen. novo... Rooseveltiella gen. nov. Pristobryon gen.
nov. etc. »
l.s.c.vol. X, pp. 71 ss. ( Plates XI-XII — Eigenmann,
Carl Hii On Apareiden, a new Genus of Characid fishes.
. Distribution. — Western Panama and Ecuador,
Rio San Francisco, La Plata. — Ty pe: Paradon piarcicabae
Eig ..
tá s. e. pp. 77, 86. — Eigenmann, Carl H: New and
rare fishes from South American Rivers. ( plates XUI-XVI).
« Several especies of fishes have recently been describ-
ed by myself, without figures (Indian University Studics
Ns. 20 & 23) and by Fowler ( Proceedings of the Academy
of Natural Sciences of Philadelphia ). Fowler’s species were
for the most part based on smsll specimens. The notes and
figures here intended to supplement these descriptions. This
paper also incluide the description of a new especies of Cha-
racin, ictus prior crenatus, and of seven new species of Ne-
matoguaths. » (p. 77) ibidem, pp. 87 ss. — Higenmann, C.
H. and Henn, Arthur W: Description of three new spe-
cies of Characid fishes. (Plate XVII) ibidem, pp. 91 s. —
Eignmann, Carl. H: On the Species of Salminus.
« The Species of the genus Salminus are salmon-like
characid fishes found in... the La Plata basin, aud north-
ward into the San Francisco basin, and sparingly »n the
Amazon and Orinoco basins ». ibidem. — pp. 93 ss. ( Plates
XVIII-XXI ). — Henn, Arthur W.: On various South Ane-
rican Poecillid Fishes.
« The genera defined or accepted in this paper
are largely: ‘based upon the variously arranged hooks and barbs
at the tip of the modified anal fin of the male and the ar-
rangement and shape of the teeth. Dr. Eigenmann (1907,
p. 425) first used the former characters in defining genera
of Poecilliids. He examined microscopically the anals, of a
number of species, and among others based the genera Pha-
loceros and Phalloptychus on theses characters...» (p. 94).
MEMORIAS OF THE CARNEGIE MUSEUM.
vol. VII, pp. 1 ss.
Eigenmann, Carl. H.: The Cheirodontinae, a subfa-
mily of Minute Characid fishes of South America. )
«... There are twenty-one genera and fifty — six
species and varities of Cheirodontinae now known. In the
present paper seven genera and seventeen species for the
first time are described. In all I have at one time or ano-
ther described fourteen genera and thirty — three species...»
Annals of the Carnegie Museum. —- vol. IX, pp. 92 ss.
— Cockerell, T. D. A.: The Seales of the South American
Characinid Fishes ( Plates XXITI-XXVIIT ).
«... The American Characinids are not -only much
more numerous, but also very much more diverse than those
of Africa...»
Annals of the Carnegie Museum. vol. VIII, pp. 384-413.
Ellis, Marion Durbin: The Plated Nematognaths.
«In the following pages are given a list of all known
species of the Callichthyidx, the « Sopra Serras », « Casca-
duras », or « Hassars » as they are called by the natives of
South America, and lists of the specimens at present in the
collection of the Carnegie Museum and of the Indiana Uni-
versity. . . I have given a reference to the first description
of each species, and, if this is incomplete, a reference to a
better one >. (p. 384).
Ibidem. vol. XI. pp. 297 — 302. — Ezgenmann, C. H.
and Vance, Lola: Some species of Farlowella. — « ... Ran-
ge. — Paraguay, Amazon, etc... The genus Farlowella was
reviewed in Eigenmann & Eigenmana. « Occasional Papers
of the California Academy of Sciences », vol. I, 1890, pp.
355-358, and by Regan, « Transactions of the Zoological
Society », London, vol. XVII, part III, 1904, pp. 302 — 305.
The most notable contribution since the last mentioned mo-
nographs is in Steindachner’s paper describing the new spe-
cies nattereri, boliviana and pseudogladiolus in the Anna-
len des K.K. Naturhistorischen Hofmuseums, Wien, 1910,
pp. 403 —406.
The known species of the genus Farlowella may be
distinguished by the following key: «( p. 297.)
AMPHIBIOS. — (BATKACHIA )
Proceedings of the Ac. of Nat. Sc. of Philadelphia,
vol. LXVIT 1915.
Fowler, Henry W.: Cold-blooded Vertebrates from
Florida, the West Indies, Costa Rica, and eastern Brazil.—
pp. 244 — 269.
« State Ceara, Brazil.
During November of 1913, M. C. F. Derby made a
small collection in the Rio Jaguribé at Barro Alto, in the
municipality of Igatu, and about 413 km due south from
Fortaleza. ( p. 262). »
Annals and Magasin of Natural History. Series 8.
vol. 14. p. 102.
Mueller, Lorenz: On a new Species of the Genus
Pipa from Northern Brazil. .
‘Among a number of Reptiles and Amphibians recent-
ly submitted to my inspection by Dr. Emilia Snethlage, the
distinguished, zoologist of the Para Museum, there are se-
veral examples of a « Surinam toad », which evidently be-
long to a well-characteris:d new species of that peculiar
Neotropical genus . . . I propose to name this interesting
form in honour of Dr. E. Snethlage Pipa snethlageae, sp.
n...0*
REPTIS
Annals of the Carnegie Museum. — vol. XI. pp. 304. —
320. — Griffin, Lawrence Edmonds: A list of Sonth Ame-
rican Lizards of the Carnegie Museum. with descriptions cf
four new species. ( Plates XXXII — XXXV.)
Memoirs of the Carnegie Museum, vol. VII. pp. 163-228.:
Griffin, Lawrence Esmonds: A Catologue of the
Ophidia trom South America at present ( June 1916) con-
tained in the Carnegie Museum with descriptions of some
new species. — ( À very good paper.)
Proceedings of the Biological Society of Washington.
vol. XXVII. pp. 199-200:
Barbour, Thomas: «A new Snake from Northern
Brazil ».
« Elapomorphus nuchalis sp. n..— Type, a single
specimen from Villa Bella on the Amazon River, above
Santarem, Brazil, Mus. Comp. Zool.. N. 1164, collected and
presented by Rev. J. C. Fletcher in 1863... »
Anales del Museo Nacional de Historia Natural de
Buenos Aires. — tomo XXVII. — 1915, — pp. 93 ss. — Serié,
Pedro: Suplemento a la Fauna Erpetologica Argentina.
« ... Este trabajo me ha sido singularmente facilitado
por el amable concurso del distinguido erpetdlogo del Insti-
tuto seroterapico de Butantan y del Museo de San Pablo
( Brasil) doctor J. Florencio Gomes, quien ha tenido opor-
tunidad, durante su ultima estadia en ésta, de examinar
nuestras colecciones y de identificar varias especies dudosas».
(Pp. 93).
PASSAROS
Bull. of the Am. Mus. of Nat. Hist.. vol. XXXIV. -
pp. 363-388 :
Chapman, Frank M.: Descriptions of proposed new
birds from Central and South America.
« The Races ot Leptotila rufaxilla (Rich. and Bern.) etc.
p. 368: Range: Guianas southward to the lower Amazon... »
Novitates Zoologicae. — Tring. — vol. — XXI. 1914. —
Helimayer, C. E.: Critical Notes ou the Types of little-
known species of Neotropical Birds pp. 158-179.
The Ibis. — A Quaterly Journal of Ornitholgy. — Tenth
Series. vol. I. 1913, pp. 315-317. — Brabourne and Chubb,
on the Birds of South America.
Idem, vol. I1.—1914. — p. 645: Snethlage, on the Birds
of the Amazon Valley.
Science Bulletin (of the Museum of the Brooklyn Ins-
titute of Arts and Sciences ).—vol. 2. pp. 133-374. (1916)
( It is more a monography than a contribution ).
Field Museum of Natural History. Zoological Series.
vol. XII. Chicago. — 1917:
Cory, Charles B.: Notes on little known species of
South American Birds with descriptions of new subspecies.
« Nyetipolus hirundinaceus cearae subsp. nov.. Type
from Quixada, Ceara, Brazil, ( p. 4). — Scardafella squain-
mata cearae subsp. nov. (p. 6). Leptoptila ochroptera
approximans subsp. nov.» etc.
Bull. of the Am. Mus. of Nat. Hist. New York.—
vol. XXXV. — 1916.
Cherrie, George K.: Some apparently undescribed
birds from the Collections of the Roosevelt South American
Expedition. ( pp. 183-190 ).
« ... Of the four-hundred-odd species and sub-species
represented in that collection, it is not surprising that there
should be a number that are new to the ornithologist... »
(Segue a descripçäo de 13 especies e sub-especies novas ).
1. s. c. pp. 391-397. Cherrie, George K.: New birds
from the Collection of the Collins-Day Expedition to South
America. «... from Brazil: Capito: dayi sp. n. ( Hab. Rio
Tapajos). Formicivera ruta chapmani subsp. nov... ».
Field Mus. of Nat. Hist.: Ornitholog. Series, vol. I n. 10.
Cory. Charles B.: Descriptions of apparently new South
American Birds, with notes on some httle known species, pp.
337-346.
1. s. e mn. 9. 1915: Cory, Charles B.: On South
American Birds.
Novitates Zoologicæ, vol. XXIV. 1917. Hartert, Ernst
Goodson, Arthur: Further Notes on South American Birds.
« Seateria naevia trinitatis, subsp. nov. (p. 499). O.
S. naevia we have before us . . . a female, collected by F.
Schwanda at Miritiba, State of Maranhão, Brazil, 18-11-1908.
This seems to be quite a new locality fcr this species, though
Dr. Snethlage records it from Pará, Ilha das Ongas, St. An-
tonio do Prata, and Rio Acará». (p. 500 — see also 1. e.
pp. 410-419 ).
MAMMIFEROS
Proceed. of the U. St. Nat. Mus., vol. 48.1915: Hol-
lister, N: Two new south American Jaguars. ( pp. 169-170
Plate 5).
Fig 1. Felis onça, Cat. . . Amazon River, near San-
tarem, Brazil. ..>».
Bull. of the Am. Mus. of Nat. Hist. N. York. volume
XXXII. 1914:
Allen, J. A: New South American Sciuride (pp.
5585-598 ).
«.. . Seiurus langsdorffii urucumus subsp. nov. Type,
n. 37068. 4 ad., Urucum (altitude 400 feet) Rio Paraguay
(at mouth of Rio Tacuari), Brazil, Dec. 1-1913: Leo F.
Miller ( Roosevelt Expedition ) etc.. ».
l. s. c. pp. 647-655. Allen, J. A.: New South Ame-
rican Monkeys.
«... Cacajão roosevelti sp. nov. Type n. 36906, &
Baron Megaço, Matto Grosso, head of the Rio Gy-Paraná,
March, 4-1914. . . Ateles longimembris sp. nov. Typ, N.
36.909 q ad., (as before). . .»
1.s. c. Allen, J. A.: Review of the South American
Sciuridæ. ‘Vol. XXXIV pp. 147-309. Plates I-XIV and
25 Tex-figures ).
« The present « Review » is an attempt to summarize
and correlate our present knowledge of the Tree Squirrels
of South America. The material on which it is based, while
far exceeding in amount that available to any previous in-
vestigator of the subject, is painfully insufficient for a sa-
tisfactory revision of the group, but the author hopes that
the results here brought together will be aid to future work-
ers in this field ». (p. 148).
Elliot, Daniel Girand: A « Review of the Primates »,
vols. I- III, New York; 1913: «Brasil with its immense
extent of territory and vast forests contains the greatest
proportion of the American Primates. It has two Senioce-
bus, S. bicolor and S. Martinsi; one Cercopithecus ursulus
etc., etc... Cacajão is entirely Brazilian and all its three
species are found within that territory,etc., ( vol. I,p . 1-X XIV
«... From the above recapitulation it will be seen that
the Brasilian Subregion is the home of the Primates in the
New World. Every genus save one, Oedipomidas, is repre-
ented within its boundaries, and two, Cacajäo and Brachy-
teleus are not found elsewhere » (pp. IXXV ).
«wr ad 22 A
Ds sen geito e Ms Ds
eve os 967 cay
Annals and Magasia of Natural History. Séries 8,
vol. 12 — 1913.
Pocock, R. I.: Description of a new Species of Agouti
( Myoprocta ).
« Myoprocta pratti, sp. n. (p. 110)—... One speci-
men (type) presented to the Zoological Society by Mr. B.
Chavez, wo brought in from the Amazonas ».
ls. e. pp. 567-5.4 — Thomas, Oldfield: New Mam-
mals from South America.
«... Callicebus personatus brunello, subsp. n.. Among
the Titi Monkeys ia the British Museum which have been
referred to Callicebus personatus there appear to be two
different forms, one from the N. E. corner of São Paulo, no
doubt that wich also occurs near Kio do Janeiro itself, and
another from the State of Espiritu Santo, where a good se-
ries of it were sent by M. A. Robert » (p. 568).
ls. e. vol. 13, pp. 345-363. — Thomas, Oldfield:
Oa various South-American Mammals’ « Callicebus lucifer,
sp. n... — Callimico g eldii, Thos... This is the first exem-
ple of Callimi-a of which the locality is known; (346)
... Felis emiliæ, sp. n....— Hab.: Ipú, Ceará, N. E. do
Brasil, 300 m... This adds another to the many striking
and interesting species Fräulein Snethlage has heen instru-
mental in discovering, and I have much pleasure in connect-
ing her name with it. (p. 349).
Proceedings of the Biological Society of Washington
vol. XXVII, 1914, pp. 215-219.
Hollister, N.: The systematic name of the Brazilian
Crabeating Rocoon ».
The name Procyon cancrivorous brasiliensis von the-
ring ( « Revista do Museu Paulista », vol. 8, p. 228, 1911)
applied to the crab-eating racoon of Brasil, is antedated
by P. (rocyon) nigripes Mivart ( Proc. Zool. Soc. London,
1885, p. 347). The latter name has been generally over-
looked. It is based on the blackfooted crab-eating racoon
of Selater (Proc. Zool. Soc. London. 1875, p. 421) from
« Brazil down to Paraguay ». It is clear from von Ihering’s
account that this name refers to the same subspecies, which
sheuld, therefore, be known as Procyon cancrivorous nigri-
pes Miv. ».
l. s. e., vol. 26 — 1913. — Miller, Gerrit S.: The Uni-
ted States Museum contains specimens of the following hi-
therto undescribed mammals from various parts of tropical
America.
Marmosa purui sp nov. Typy. — Adult male in al-
cohol... upper Purus River Brazil... Promops pamana sp.
De. Collected at Hyutanaham, upper Purus River, Brazil».
Bull. of the Aw. Mus. of Nat. Hist. — Vol. XXXV,
p. 49 ss.
Allen, J. A.: The proper generic name of the Macaques.
« Recently in the « Proceedings» of the Biological
Society of Washington Dr. M. W. Lyon, Jr., showed con-
clusively that the name Pithecus Geoffroy and Cuvier (1795 ),
adopted by the late Dr. D. G. Elliot in his « Review of
the Primates » was untenable as a generic name, being in-
determinate, lyon concludes. with the statement: « Hence
Pithecus must be dropped as the technical name of the ma-
caques and the more familiar Macaca be restored », ( p. 49 ).
1. s. c — pp. 83-89. — Allen, J. A.: New South Ame-
rican Mammals.
ls. c. — pp. 89-111. — Allen, J. A.: The Neotro-
pical Weasels. — « No weasel was known from Brazil till
1897, when Goeldi published his Putorius paraensis, p. 91.
(Zool. Jahrbuch. Z, Heft. 4, pp. 556-568 — pl. XXI. Sept.
1897 ).
ls. e — pp. 523-530. — Allen, J. A.: New Mammals
colleeted on the Roosevelt Brazilian Expedition.
« Six of the ten species of Mammals here recorded as
apparently new were collected on the Roosevelt Brazilian
Expedition in 1913-1914, in the State of. Matto Grosso,
Brazil. Of the others two { Oecomyemilial and Proechimys
boimensis ) are from eastern Brazil, one (Oecomys florenciae)
is from the Caqueta district of Columbia and the other
( Molossus daulensis ) fiom Ecuador ».
1. s. c. — pp. 559-610. — Allen, J. A.: Mammals col-
lected on the Roosevelt Brazilian Expedition with Field No-
tes by Leo E. Miller.
«In «Through the Brazilian Wilderness» Colonel Roose-
velt has given a most enlightening account of the country
traversed by his expedition with valuale natural history
field notes, while Leo E. Miller, mammologist of the expe-
dition, has supplemented this account with a brief but
most interesting description of the country where most of
the maminals were collected, namely, the vicinity of Tri-
nidad, and the Grand Chaco in Paraguay, and the country
bordering the upper Rio Paraguay and the Rio Gy-Paraná
in western Matto Grosso... The collection includes nearly
450 specimens, representing 97 species... The principal pre-
vious collections made within the same area those of Johann
Natterer, during the years 1825-1829, from which many new
species were briefly described by Andreas Wagner in 1845,
and more fully elaborated in 1847-48. In 1883 August
von Pelzeln published a formal report on Natterer’s Col-
lection of mammals, as he had previously done (in 1868 )
for the birds.
In 1882-86, Herbert H. Smith spent several years at
Chapada, Matto Grosso, making extensive collections of ver-
tebrates and insects... the mammals, reptiles and batrachians
Ss ~~,
were purchased by Professor Cope and are n’w in the Mu-
seum of the Philadelphia Academy of Natural Sciences,
Cope published a report on the mammals in 1889. ( On the
Mammalia obtained by the Naturalist Exploring Expedition
to Southern Brazil. By E. D. Cope Am. Nat. XXIII. pp.
128-150. Febr. 1889 ).
In 1902 another collection was made at Chapada by
A. Robert, in the interest of the natural history department
of the British Museum, which was reported upon by Old-
field Thomas in 1903. (Proc. Zool. Soc. London. 1903.
II, pp. 232-244 pl. XXVII ( Canis sladeri.)) p. 560
Field Museum of Natural History. — Zoological Series.
— vol. X.— Osgvod, Wilfred and Cory, Charles B.: New
Mammals from Brazil and Peru. ( pp. 187-198 ).
« Among mammals obtained hy the Field Museum
before its field work in South America was temporarely dis-
continued, are a few belonging to species or subspecies not
as yet described and named. Eight of these, of which the
status seems reasonably certain, are descrioed below. Two
new subgenera of rodents, the existence and relationship
of which were discovered as a result of the recent growth
of American collections of neotropical mammals, are also
included. »
l. s. c.— pp. 199-216. — Osgood, Wilfred H.: Mam-
mals of the Collins-Day South Americau Expedition. ( An
illustrated general account of this expedition written by
Mr. Day was published in the American Museum Journal
for January, 1916 )
« The collection of mammals numbers some 325 spe-
cimens belonging to 41 species and subspecies of which four
are new.» (p. 200).
]. s. e. pp. 23-32. — Osgood, Wilfred H.: Mammals
from the Coast and Islands of Northern South America.
« Tamandua tetradactyla instabilis Allen. . . .. If it
were assumed, as has been done, ( Allen, The Tamandua
Anteaters, Bull. Am. Mus. Nat. Hist. N. Y. XX, p. 391. Oct
1904 ), that Guiana is the type locality of tetradactula, it
might be safer on geographic grounds to refer our specimen
to that form. But ewamination of the principal literature
concerned is convincing that Brazil and not Guiana should
be regarded as the type locality of tetradactila. Linnaeus
based the name entirely on Marcgrave and Ray, these be-
ing the only authors cited in the sixth edition of the Sys-
tema, and only one, Seba, being added in the tenth edition.
Maregrave referred exclusively to Brazil, and apparently Ray
also, since he use the words, « Tamandua. In Brasiliensi-
bus » ( Vide: Erxleben, Syst. Regn. Anim. p. 95. 177. ) ete. »
aa =
Anales del Museo Nacional de Historia Natural de
Buenos Ayres. — Tomo XXVII. — pp. 431 — 441. — Car-
doso, Anibal: EY Fabuloso « Su» o « Succarath » y los pri-
mitivos Retratos de los Didelfideos.
« El doctor Carlos R. Eastman, en The American Na-
turalist { Número de octobre de 1915 ) publica bajo el titulo :
Eary portayals of the opossum, una curiosa colección de
figuras de marsupiales que se ha pretendido identificado con
la de aquel didelfideo. »
Museu Paulista, em 29 de julho de 1918.
QO
—— End Ba les
indice dos Autores
\
Alexander — 956. Allen — 966, 967, 968. Almeida
Cunha — 943, 944. Arantes — 944.
Baker — 954. Barbour — 964 Beaurepaire Aragão —
945, 946. Brabourne — 9€5. Bréthes — 959, 961.
Brunner — 957, 958.
Cardoso — 949, 970. Carnier — 945. Chamberlin — 955.
Cherrie — 965. Chapman — 965. Childe — 945. Cock-
erell — 963. Chubb — 965 Collins Day — 953.
Cope — 969. Cory — 965, 969. Costa Lima — 943,
944, 947. Crawford — 956.
O. A. Derby — 949. Ducke — 946.
Eastman — 970. Eigenmann — 961. 962, 963. El-
liot — 966, 968. Ellis — 963,
Farabee — 951 Frienson — 955. Fowler — 964.
Gallardo — 959, 960, 961. Goeldi — 968. Gomes —
964. Goodson — 965. Griffin — 964.
Hauman — 954. Hartert — 965. Heath — 955. Hell-
mayer — 965. Henn — 962. Hoehne — 945, 946.
Holmberg — 961. Hollister — 966, 967.
H. von Ihering — 945, 960, 967. R. von Ihering —
947. Jenkins — 948. Joergensen — 960.
Kuehn — 950.
Leitao — 947. O. Lima— 945. A. Lisboa — 947. M.
Lobato — 946. Loefgren — 947. Lutz — 943, 945, 946.
Mann — 957. Marelli — 960. Miller — 967, 968. Mi-
randa Ribeiro — 943, 945. 946. Moreira — 945, 946.
Mueller — 964.
Neiva — 943, 959. Nichols — 961.
: .E. P. Oliveira — 946, 947. Outes —- 950. Osgood — 969.
Paes Leme — 945, 946. Pocock — 967.
Rangel — 945. Regan — 961. Richardson — 955. Ri-
beiro da Fonseca — 944. Rondon — 945, 946. Roo-
sevelt — 968. Roquette Pinto — 945.
Sampaio — 945. Serié — 964. Smith, H. H. — 968.
Snethlage — 965. Steindachner — 963.
Thomas — 967, 969. Travassos — 943, 944. Turner
Thiselton-Dyer — 949.
d’Utra e Silva — 944.
Vance — 963. Vasconcellos — 943. Verill — 954.
W: Wagner, A. — 968. Wagner, H. — 956. Wheeler — 958
Windhausen — 950.
7 rw
Vois
LEE
Pe rss
' 4 o wise
4 4 \ - HR 24:
wa |
i) D A it é + ANT ’ .
“ A + ae d'A 4 '
b, Les ot ib
| , d i Le,
we Be,
f De a v! . L IG SI, WE
LEA 3445 Ed
À Nt to aque Je | GER: taf
N ” v o ME
! i = - fi yy 14%
i f AU AUX
(y € + i wits | ; dct
: É "y aT
ul i ph CVS af
Wa 4 ‘ | si tr UE i.
o y ; f d | (a E TE LU es a iy
OS A ATO | aN Mae li ta
- , mw TRS
+
7 L 4 a Le
1 “ads
PRA RR Ap.
‘ iy
- ‘ ‘ À 4
É = ms , j
» E V0 ASH ,
\ x “à
a dl
P sf uf Ve Ea
+ y
& E + ‘
. : ; +
: ‘
| HA t | ip
4 ‘ 4
a. 4 * ' - ' 44
' " ‘
; | . 14
i
i / x ‘ o
+ 7 ” 1
ve v
:
a À us ARR LE
, > À NT t
Ns
} 7 t bi
j + by
| ah?
' | i
q +
1 an x
1 i » P:
| LUE! LÊ
' 7 » A
i] © di h 4
4 é ree,
’ ha ‘
‘ n 4 Li: ] à
pa A + ti 4 É b 245 41 ces “sd Va
a8 a [Les nach
4 +
ni vs MA
RELATORIO
REFERENTE AO ANNO DE 1917
apresentado, a 2 de Janeiro de 1918,
ao Exmo. Snr. Secretario do Interior, Dr. Oscar Ro-
drigues Alves, pelo director, em commissao, do
— Museu Paulista —
AFFONSO D' E. TAUNAY.
Exmo. Sr. Dr. Oscar Rodrigues Alves
Dignissimo Secretario dos Negocios do Interior
A V. Excia. tenho a honra de ápresentar o relatorio
das occurrencias principaes do Museu Paulista referentes ao
anno de 1917, periodo em que o estabelecimento, com a sua
vida inteiramente normalisada gozou de profunda paz e real
prosperidade traduzida pelo desenvolvimento dos seus serviços.
Dolorosa repercussão nelle tiveram os acontecimentos
relativos do assalto covarde dos submarinos allemães aos
nossos navios de commercio navegando tranquillamente de
accérdo com os principios do direito internacional em aguas
abertas a todos os pavilhões. A ruptura de relações com o
imperio germanico e afinal a declaração de guerra a este
lançada pelos altos poderes nacionaes vieram dar solenne
demonstração de quanto é sensivel o pundonor brazileiro.
A unanimidade de vistas da nação nesta emergencia
foi a mais bella expressão da altivez brazileira, tão grave-
mente offensa pela aggressio inqualificavel, apoiando ella
com todas as veras da alma a attitude dos governantes do
paiz, na repulsa da gravissima injuria attentatoria dos di-
reitos primordiaes dos povos livres. Orgulhando-se de ser
um dos maiores symbolos da tradição brazileira, e depositario
de tão valiosos padrões da nossa vida nacional, não podia o
Museu Paulista alheiar-se ao grande movimento que abalou
a todo o paiz tão fundamente. Assim solidario com o surto
patriotico a cuja testa se acham o governo da Republica e
do Estado plenamente confia na eficiencia da sabia acção
impressa à politica brazileira em desaffronta de nossos brios
ultrajados.
Fôde o Museu em 1917 desenvolver-se graças sobre-
tudo a attenção com que V. Excia. jhe acompanhou a exis-
tencia. E realmente reduzido a uma dotação orçamentaria
que não dava sequer margem para a conservação regular
das colleccdes como succedia com essa verba de 200$000
mensaes, em que consistia todo o supprimento a elle feito,
ter-lhe-ia decorrido o anno de 1917 inteiramente esteril,
senão nefasto, se V. Excia. não #mparasse esta Directoria
com a abertura de creditos extraordinarios que foram limi-
tados de accôrdo com as exigencias da economia imposta
pelo momento que atravessamos. Assim mesmo permittiram
levar-se de frente os serviços normaes do estabelecimento e
attender as novas installações devidas à impaciencia com que
— 976
o Publico reclamava alguma alteração à semi-estagnação
em que viviam as que à attenção dos visitantes se offereciam,
desde a fundação do instituto, póde-se dizer, pois desde Se-
tembro de 1895 que se não abrira a frequentação publica
sala alguma a mais, além das primitivas. Aqui deixando
consignados os agradecimentos que o Museu e esta Directoria
a V. Excia. devem por tão efficiente apoio, nada mais faço
do que traduzir a expressão da simples verdade dos factos.
DIREGTORIA — TRABALHOS DA COMMISSAO DE SYNDICANCIA
INVENTARIO GERAL
A 26 de Fevereiro exonerou-se do cargo de Director
em Commissão do Museu o Sr. Dr. Armando da tilva Prado
que por V. Excia. fôra nomeado a 4 de Agosto de 1916 e
e effectivado na Directoria a 4 de Novembro-seguinte. Nos
seis mezes em que esteve o Dr. Armando Prado à testa do
Museu imprimiu à sua administração a directriz que tanto
se esperava de sua bella intelligencia e cultura, do seu amor
ao trabalho e patriotismo. Acompanhou de perto os traba-
lhos penosos e enfadonhos do inventario geral procedido pela
Commissão de Syndicancia, e nelles tomou grande parte.
Bibliophilo de real competencia procurou enriquecer a nossa
Bibliotheca quer activando-lhe o serviço de permutas, quer
adquirindo valiosas obras como ss que obteve da Bibliotheca
Eduardo Prado, em via de dispersão.
Foi tambem muito activa a sua correspondencia com
os Museus do Brazil e do exterior no sentido de promover
permuta de material scientifico, consulta a especialistas etc.
Interessado em angariar material novo determinou viagens
dos naturalistas e deu as maiores demenstrações de quanto
se identificára com as exigencias do estabelecimento sob sua
guarda. As exigencias da sua vida forense, do seu escripto-
rio largamente movimentado, vieram incompatibilisal-o com
o cargo que com real superioridade exercicia. Assim se
exonerou sendo a 22 de Fevereiro deste anno por V. Excia.
indicado ao placet do Exmo. Sr. Presidente do Estado :
modesto nome do signatario destas linhas, que a 27 tomou
em commissão posse da directoria. As palavras de louvor
que V. Excia. ao Dr. Armando Prado dirigiu, concedendo-
lhe a exoneração não podiam ser mais justas. Deve-lhe
realmente o nosso Instituto um periodo de fecunda existencia.
Pere naquelles dias os Srs. Drs. Antonio de Barros Barreto
e Reynaldo Ribeiro dados por findos os trabalhos de sua
commissäo de syndicancia e inventario geral do Museu, de
que os encarregara o Exmo. Sr. Dr. Eloy Chaves e confir-
a eee
mara V. Excia. foram ambos então dispensados. O terceiro
membro da commissão, Sr. Sebastião Felix de Abreu e Cas-
tro ainda esteve a trabalhar no Museu até 15 de Março,
data em que tambem se exonerou pois acabou de inventariar
as moedas e medalhas da sala A 4.
Os agradecimentos que V. Excia. endereçou 4a dissna
comissão tambem foram os mais justaments merecidos. como
já tive oceasião de o dizer no relatorio de 1916. Trabalhou
muito, fez em breve prazo uma das mais enfadonhas tarefas
qual a do arrolamento circumstanciado de tantos milhares
de objectos. O inventario organisado foi feito sob bases
muito racionaes, methodo perfeitamente orientado e verda-
deira intelligencia do assumpto, e a seu respeito nada mais
tenho a dizer senão repetir as palavras de merecido encomio
com que lhe comentei o valor, no relatorio de 1916. Ape-
nas deixou de ser inventariada a collecção numismatica ex-
posta na sala B 13, cinco vitrinas cheias de moedas e papel
moeda, brazileiras e estrangeiras que a Commissão não con-
seguiu catalogar por falta de tempo e acerca dos quaes
existiam apenas indicação do peso segundo ouvi da com-
missão! Encetei este serviço em pessoa quanto à paite
brazileira e portugueza e commetti o arrolamento das peças
estrangeiras ao amanuense Sr. Henrique Pinto Cardozo que
o vai desempenhando bem, sob minha superintendencia. O
serviço torna-se arduo devido ao facto de a elle só poder-
mos consagrar pouco tempo diariamente, reclamando largo
lapso o expediente diario do Museu, os serviços da Biblio-
theca, das salas de exposição etc..
Pessoal
A 26 de Fevereiro pediu sua exoneração do cargo de
Custos do Museu o Sr Dr. Rodolpho von Ihering, que
o exercicia desde 1901. Submetti a V. Excia. a ideia de se
lhe não preencher a vaga tomando um assistente para a
secção de botanica, afim de determinar o copioso material
existente no Museu e contractando por espaço de mezes,
successivamente um zoologo, um entomologo, etc.; até que
as condições geraes do Universo melhorassem e se pudesse
conseguir um bom naturalista fixo para o estabelecimento.
Acquiecendo V. Excia. 4 minha proposição convidei
para o lugar do botanico o dr. Frederico Carlos Hoehne, na-
turalista brazileiro, de nome feito nas nossas rodas scientifi-
cas, membro desde 1910 da Commissão Rondon, e autor de
numerosas e reputadas memorias sobre a nossa flóra. Desd»
principios do anno trabalha o dr. Hoehne no nosso herbario
botanico tendo já determinado numerosissimos especimens ve-
getaes, correspondendo perfeitamente ao que se esperava de
sua dedicação e competencia. Como V. Exc. sabe em princi-
pios do anno vindouro prometteu o sr. Professor dr. Alipio
PR
“A
Pi
NY
Low
o
GICA,
o 3 ;
Ae €
Miranda Ribeiro do Museu Nacional o eminente zoologo bra-
zileiro cujo saber tanto é acatado no paiz e no estrangeiro,
vir trabalhar no Museu por algum tempo, com o fim de de-
terminar o nosso rico material ichthyologico. Identica pro-
messa fez o sr. Professor dr. Edgard Roquette Pinto, o erudito
autor da Rondonia, cujos conhecimentos ethnograpbicos e
anthropologicos tão conhecidos e justamente celebrados são.
Precisam as nossas colleeções de ethnographia de um es-
pecialista de seu valor. A 2 de Março tomou posse do cargo
de amanuense o sr. Henrique Pinto Cardoso em substituição
ao sr. Fernando Azambuja, demittido, tendo sempre sido as-
siduo e cumpridor de seus deveres, fancionario muito correcto
e dedicado ao estabelecimento. Por vezes tem trabalhado na
Bibliotheca e no Inventario Geral.
A 21 de Maio acquiescendo a uma proposta minha
permittiu V. Exc. que contractasse os serviços do sr. José
Demingues dos Santos Filho como photographo-desenhista do
Museu. Havia muita falta de um funccionario que preen-
chesse a vaga deixada pelo dr. Lopes de Leão, e o sr. Do-
mingues tem se desempenhado cabalmente de suas funcções,
trabalhando em desenhos scientificos copias de mappas e figu-
ras, photographias ete. com grande apego ao cargo e boa
vontade real. Durante as ferias que no Rio de Janeiro
gozou copiou no Archivo da Secretaria das Relações Exte-
riores, para nossa coolleeção, o grande mappa não impresso e
tão valioso de Montesinhos.
Sendo muito penoso o serviço dos serventes do Museu,
sobretudo depois que se fez a inauguração das novas salas
de exposição propuz a V. Exec." em Setembro, contratar-se
um terceiro servente ao que tambem acquiesceu V. Exe." por
oficiou de 11 de Outubro. Ajustei pois os serviços do sr.
Hygino da Trindade Romano, pessoa minha conhecida, mo-
rigerado e trabalhador, que cumpre bem as obrigações de seu
emprego. Os demais funccionarios do Museu mantiveram-se
sempre a postos, assiduos fieis e dedicados. Nenhum delles
pediu licença durante o anno, merecendo o modo pelo qual
se houveram justos encomios, pois sempre se 1 ostraram
suminamente affeiçoados ao estabelecimento onde trabalham.
Visitantes do Muscu
Em 1917 foram as nossas salas visitadas por 74.021
pessoas ou sejam mais 7.774 do que em 1916, cu um «cres-
cimo correspondente a mais de doze por cento sobre o total
do anno transacto. Demonstram estes algarismos quanto e
cada vez mais é o Museu procurado pelo publico. Muito
maior seria o numero de visitantes não fora o #f:stamento
em que nos achamos do centro da cidade ea pouca frequen-
cia dos bondes, que ás quintas e domingos correm de 18 em
18 minutos, e nos demais dias de 36 em 36 minutos! À via-
at) e GENE
gem podia ser muito mais curta se os carros não viessem com
marcha tão vagorosa e sobretudo se a Light estabelecesse a
linha dupla até o portão do nosso parque. No corrente anno
duplicou ella a sua linha numa extensão de varias centenas
de metros mas não alterou o seu horario. Já foi no entanto
um melhoramento a suppressão de dous postes de signaes e
espera onde frequentemente se davam embaraços de manobra.
Com a abertura da grande avenida projectada certamente en-
curtara bastante o trajecto, galgando os vehiculos a collina
do Ypiranga em vez de a contornarem como agora lens o
que occasiona a perda de não poucos minutos.
Uma outra medida que todos os visitantes ep é
o calçamento a parallelipipedos da Avenida Independencia e
Rua Bom Pastor. No tempo secco e dias quentes transitam
os bonds sob verdadeiras nuvens de poeira que a muitos vi-
sitantes fazem perder a vontade de voltar ao Ypiranga.
Não se realisou no Museu nenhuma festa especial a 7
de Setembro; assim mesmo foi neste dia o estabelecimento
visitado por 2.494 pessoas.
Desde a sua inauguração, a 7 de Setembro de 1895:
foram as nossas salas percorridas por 1:095.985 visitantes as—
sim distribuidos :
Be RSIS stan, an Tapio Ar 43121 -ADIOOO
DRO nee as aban yr 82.385
mt MOSS | aes 30 325965
WMC ER PCA & Marti 32065
MW shi estas is honte a) 426484
meee ceria Habite Lt cou Mepis maia,
Be AO terne un es, (ea Oy 22115938
nee Al Ne ie Al hal vale “OATS
RATIO Sr Dona pt oe COL
Se TOU ar eue ee tenir ag 48158
ROG eset sank ae ll. ba n:44 649
MOG ls irão hat BA lis Ban cleo 40.880
ADS) Sealine US ag testi. E SADA
SAD SN Au adam) haut. q) prod AA
BRR LE mis cao ra por is ear BM LBA
PTA er ath pan ad pára Dito ( BLO2O
DMR AIRE AL tile 22 bri ES ADD
mp MEMES ada AS des éd tia eta [-682102
nt NU PA ara E as Lts toy ia ay 162.419
> S915) Au are! apa) à dou 164.062
Mi tibia, eee sobras > 66.247
SAO Li. 25 NME nO 1 2 4,021
A frequencia notada em 1911e 1912 foi exce-
peional e motivada pelas grandes festas patrioticas realisadas
no Museu a 7 de Setembro por iniciativa do Exm.° Sr. Dr.
Altino Arantes, então Secretario do Interior. Assim pois,
— 980 —
como desta estatistica se deprehende, foi no anno de 1917
que o maior numero de visitantes procurou o Museu, excepção
feita dos dous em que houve concurrencia extraordinaria,
motivada pelas solennidades civicas. A exemplo do que se
pratica universalmente lembro a V. Exe" a possivel conve-
niencia de se cobrarem modicas entradas dos visitantes das
terças e quintas por exemplo: 200 reis ás quintas e 500 réis
ás terças continuando gratuita a frequencia aos domingos,
applicande-se a pequena renda annual que d'alli decorresse,
dous ou tres contos de réis, a manutenção e melhoria do
Horto Botanico, por exemplo. Bem sei que seria talvez uma
innovação contraproducente no nosso meio provocando um de-
crescimv de visitantes. Não affectaria porém senão a pes-
soas de certa categoria pois os visitantes dos dias de se-
mana não são geralmente operarios nem proletarios.
Bibliotheca
A retirada de varios milhares de volumes da biblio-
theca particular do dr. Hermann von Ihering que se conserva-
vam de envolta com os livros pertencentes ao Estado causou
grande desarranjo nas nossas estantes o -que é peior o trun-
camento de numerosas colleeções de periodicos scientificos.
Causando muito má impressão a arrumação em que se
achavam os livros, misturados brochuras encadernados, as -
sumptos, linguas ete., decidi modifical-a com a remoção das
collecções de brochuras e a encadernação de numerosos vo-
lumes o aspecto da ante-sala da bibliotheca A-3 tornou-se
muito mais agradavel, o que se obteve sem prejuizo da distri-
buição dos livros pois os havia encadernados em numer)
sufliciente pelos moveis da grande sela A-2. A falta de es-
tantes sendo absolutamente insanavel visto como nos obri-
gava a remover para uma das torres, milhares de volumes, a
V. Exe." recorri pedindo-lhe o fornecimento de mobiliario
por parte do Almoxarifado da Secretaria do Interior e dessa
solicitação resultou a entrega de quatro grandes e excellentes
armarios, de largo fundo, para onde fiz transportar muitos
milhares de volumes brochados, tendo actualmente a grande
sala A-2 um aspecto incomparavelmente melhor e achando-se
quasi toda a bibliotheca a mão do bibliothecario.
Numerosissimos livros estavam em más condições de
conservação motivo pelo qual os fiz remover uns para a es-
tufa insecticida, outros para o encadermador.
Algumas centenas de volumes foram encadernados
durante o anno, a maioria nas officinas do Diario Official
e nas da Penitenciaria onde se trabalha muito bem e por
modicos preços. Assim mesmo numerosissimos volumes estão
a pedir capas.
A exiguidade de nossas verbas não nos permitte sa-
tisfazer esta exigencia. Acquisições por compra para a Bi-
de: 981 pue
bliotheca, foram limitadissimas, näo chegando a uma cen-
tena de mil réis. Em fins de 1916 comprära o Sr. Dr. Ar-
mando Prado cerca de 5:000$000 de livros da Bibliotheca
Eduardo Prado, fazendo excellente escolha de assumptos
que bem lhe revelam o criterio. Felizmente consegui obter
valiosas e avultadas dadivas para as nossas colleeções pro-
curando sobretudo nella formar uma braziliana, avultada
quanto possivel.
Neste sentido dirigi-me aos directores da Imprensa,
da Bibliotheca e do Archivo Nacionaes, do Instituto Histo-
rico e Geographico Brazileiro, ao de S. Paulo e congeneres
do resto do paiz, aos Estados, às particulares a autores na-
cionaes, ás Instituições publicas, de todos recebendo gene-
rosas contribuições e algumas até muito preciosas como da
Bibliotheca Nacional que remetteu ao Museu cerca de 300
volumes todos valiosos, do Instituto Historico Brazileiro, do
do Ceara ete.
Do Sr. Dr. Adolpho Botelho de Abreu Sampaio rece-
cebeu o Museu uma larga remessa de livros, encadernados
da Repartição de Estatistica e Archivo do listado. A mais
valiosa contribuiçäo scientifica foi porém, a que por inter-
vençäo de V. Excia., prestou a Secretaria de Agricultura
cedendo-nos a antiga bibliotheca da sua secção botanica,
algumas centenas de livros entre os quaes havia obras do
maior valurcomo o Sertum Palmarum, de Barbosa Rodrigues,
Die Pflanzenfamilien, de Engler e Prantl, o Pflanzen-Reich,
de Engler, a collecçäo da Hedwigia ete. Foi realmente uma
cessão valiosissima que ao Museu trouxe elementos de es-
tudo de primeira ordem.
A conflagração universal impediu que recebessemos nu-
merosissimos tomos de publicações scientificas. Assim mesmo
vieram ter-nos às mãos muitas publicações, sobretudo ame-
ricanas e canadenses.
Os trabalhos de catal.gação proseguem com morosi-
dade, pois, antes de qualquer serviço deste genero precisei
mandar inventariar as nossas colleeções de periodicos scien-
tificos, que formam o fundo da Bibliotheca e onde ha nu-
merosissimas lacunas como acima deixei dito. Já temos es-
cripto a numerosos Museus e estabelecimentos congeneres ao
nosso, solicitando a remessa dos volumes que nos faltam,
tendo boas promessas de que taes lacunas serão, quanto
possivel, preenchidas. Assim por exemplo quanto a que
tive do Dr. Eastman do Museu Nacional de Nova York, de
empenhar-se quanto possivel para que as ommissões de pro-
cedencia norte-americana desappareçam.
Os trabalhos da correspondencia estrangeira tomam
bastante tempo, assim como os de registro de entradas, da
remessa da Revista da entrega de livros aos encadernadores
de modo que o Bibliothecario se vê obrigado a ir prete-
rindo o serviço de catalogação.
es 982 ae
O movimento de entradas na Bibliotheca no anno de
1917, de 1.° de Janeiro 4 20 de Dezembro foi o seguinte ;
segundo as procedencias :
Brazilugo . po QU, 537 volumes
Estados Unidos ve ey tay 693 »
França e Monaco. . 164 »
Inglaterra, Canadá, Africa do Sul
o: Australia oti ra Minis 113 »
America hespanhola . . , . 66 >
Hespanharstes,<) mil da, HUE 37 >
Allemanha e Austria. . . . 25 »
LATE OL OD A PAINT, 22 » F
Paizes escandinavos . . . . 10 »
Portal pee rene dra Los
Tapio) Nes te oia 2 »
Hollanda e colonias. . . . 5 »
Rasage medo lh GERS 1 >
Diversos 40 V1 do AAFONNT Ras 3 >
ESTADIA
EG AT Tee tee A ps 31
Manasetiptos 2, ee 61
Durante o anno teve a Bibliotheca que responder a
186 consultas de diversas procedencias e remetteu 172 pu-
blicações do Museu, em permuta ou a pedido de instituições
scientificas.
Foram cerca de 300 os leitores que curante o anno
frequentaram a nossa Bibliotheca; para uma livraria tão
distante da cidade e fechada ao publico esta cifra mostra
quanto já ha quem em S. Paulo se interesse pelo estudo das
sciencias naturaes.
Para a encadernação fiz seguir as obras mais valiosas
cuja distribuição em fasciculos facilitava o truncamento como
a monumental Genera insectorum de Wytsman. Despendi
em serviços imprescindiveis desta natureza cêrca de 1:100$000.
Actualmente estão no Diario Official umas quatro cen-
tenas de volumes que deverão ser entregues em 1918. Para
a arrumação dos milhares de brochuras nos novos armarios
precisei mandar fazer mais de uma centena de descansa-
livros de ferro. Os unicos periodicos de assignatura paga
durante o anno foram The Science de Nova York e o Z90-
logical Record de Londres. Os demais vieram por permuta.
Secretaria e Archivo
Achei mal iustallados estes departamentos do Museu a
funccionar nas salas A 4 e A 7 sem necessidade alguina.
Assim pois concentrei todo o serviço na sala A 4 excelleute
— 983
e espaçoso conmodo para onde fiz remover um grande ar-
mario collocado em A 7. O Archivo do Museu estava tam-
bem mal organisado havendo grande mixtura de documen-
tos; no mez de Março occupei-me em separar os numero-
sos papeis pelos maços referentes aos diversos exercicios e
classificando-os de accôrdo com as suas diversas provenien-
cias.
Collecções e salas de exposição
Ao assumir a Directoria do Museu fiquei mal impres-
sionado com o estado de pouco aceio em que se mantinham
não só muitos dos moveis das salas de expos ção, com o
avultado material que parecia desde longos annos não haver
sofrido uma reforma por assim dizer indispensavel a muitos
exemplares. A’ primeira vista resaltava o descaso com que
desde longos annos viviam as colleeções destinadas ao pu-
blico. Logo a entrada do Museu, contrastando com a ele-
gancia e sumptuosidade do seu peristylo tão nobre, surgiam
aos olhos dos visitantes attonitos um camello e uma g rafa
lamentavelmente pellados, desbotados, sujos, pessimamente
preparados, specimens de uma taxidermia prehistorica. Nas
salas do andar superior nada mais desagradavel do que o
aspecto dos armarios onde se viam as collecções zoologicas,
mineralogicas, ethnographicas, numismaticas etc. Ja por si
feios, deseraciosos, pesados, pintados funereamente de preto
e amarello, encimados por um horrendo frontão, tinham o
interior em misero estado. Taboas desconjuntadas, abertas à
poeira, ars insectos, devoradores das peças empalhadas, como
que convite para o aninhamento de traças lepismas e ca-
runchos, resaltava em violento destaque quanto ás suas
prateleiras empenadas e abertas estavam desde longos annos
a pedir uma mão de tinta; pelo menos, em attenção ao pu-
blico. Tendo ouvido do pessoal do Museu que desde 1895
jamais haviam os moveis sido pintados ordenei que lhes fos-
sem tomadas as juntas com massa de vidraceiro e depois
pintados internamente. Resolvi tambem substituir a côr
preta do exterior pela branca, a exemplo do que vira na
Europa. Infelizmente o encarecimento geral não só do ma-
terial como da mão de obra não me permittiu fazer pintar
todos os armarios. Foram porém restauradas as salas B 4,
BS, B6, B9, E 10 pBAr e B 12... EmB2, -B 3; B 140
B 15 mandei que se tomassem as juntas dos armarios. Ainda
restam no Museu numerosos armarios das salas publicas
cujo deploravel desconjuntamento e a ausencia de pintura
são eloquentes attestados desse descaso pelo publico a que
me refiro. Maudei immediatamente que se pintasse o inte-
rior de alguns armarios, renovamento que desde muitos annos
se não fazia, segundo soube do pessoal do estabelecimento
e que infelizmente devido aos preços do material só pôde
ser feito restrictamente. Ao mesmo tempo incumbi os srs.
Ernesto Garbe e Germano Luederwaldt da substituiçäo dos
specimens mal conservados das salas de insectos, o sr. Er-
nesto Garbe da pintura dos peixes sunmamente descorados
pela longa exposição, e da reforma das salas de batrachios,
reptis e ophidios. Muitos passaros deteriorados, descorados,
sujos, e numerosos mammiferos apresentavam-se em más ou
mesmo em pessimas condições de conservação e deploravel
aspecto esthetico. Incumbi pois o sr. Lima, o nosso taxi-
dermista. de reformar as secções das aves e mammiferos.
Todos os tres desempenharam cabalmente as incum-
bencias recebidas. Os srs. Luderwaldt e Garbe mudaram o
papel das vitrinas dos insectos, velho e amarellecido e pas-
saram benzina nos specimens expostos, reforçando conside-
ravelmente muitas collecções. O sr. Garbe procedeu a pin-
tura de centenas de peças, substituiu numerosas por outras
de nossas duplicatas, augmentou muito o material exposto,
emfim conseguiu dar ás salas B6, B5 e B4 um aspecto
summamente agradavel e em vantajosa opposição ao que era.
Assim tambem o sv. João Leonardo de Lima.
Numerosas aves se recolheram, sendo substituidas por
novos specimens recem-montados e o mesmo quanto aos
mammiferos. Trabalharam os tres dignos funccionarios com
um afan que os recommenda. A tarefa maior coube ao sr.
Lima que continua a proceder à reforma das secções que lhe
foram adstrictas e onde muito ha ainda a fazer.
Procedi a uma verificação geral dos rotulos notando
que muitos havia impropriamente redigidos e sobretudo em
duvidoso vernaculo. A muitos fiz substituir. Este serviço
de substituição completa por etiquetas recentes, menos man-
chadas pelo tempo ainda se não concluiu, pelo muito serviço
adstricto ao amanuense unico do Museu.
O mobiliario do Museu é em geral muito pobre e in-
esthetico. Está além disto muito mal tratado. Jamais, ao que
ouvi do pessoal do estabelecimento, soffreu uma pintura.
Actnalmente fecham os armarios muito mal; as taboas do
fundo estã» todas separadas, com enormes fendas. LE’ im-
possivel me contestar que o mobiliario das salas destinadas
ao publico haja sido summamente maltratado desde a data
daabertura do Museu.
Outro facto que nos causou extranheza foi a vacui-
dade quer das salas abertas ao publico quer dos proprios
armarios e vitrinas. Espaço ha de sobra no Museu e mes-
mo espaço ba até de sobra nos moveis, para apresentar ex-
posições mais completas, occorrendo a circumstancia de que
sem dificuldade alguma poder-se-ia ter augmentado im-
menso as colleeções em exposição, existindo como existe, nas
colleecdes em series do Museu volumosissimo material. Ar-
marios e armarios encontrei em que a penuria do material
exposto era desoladora.
De ha muito que poderiam todas as salas do andar
superior ter recebido os armarios e vitrinas que a sua gran-
de area comporta e sobretudo o seu estado de voluntaria
pobresa exige. Actualmente caros como estao os moveis
vendendo-se por preços exhorbitantes, ha de ser longo e
custoso sanarem-se os inconvenientes que tanto ferem e com
razão os olhos do publico.
Novas salas de exposição
Havendo 22 annos que no Museu nenhuma nova sala
se abrira ao publico, o que era a causa de grandes e geraes
reparos, lembrei-me de inaugurar, com a brevidade possivel,
novas collecçôes a expor. Verifiquei que passando a secre-
taria para a sala A 4 teria a excellente sala A 7 comple-
tamente livre, larga e espaçosa, assim tambem removendo
o material de A 10 para A 13, commodo occupado para de-
posito, obteria uma segunda sala nas mesmas condições.
Lembrei-me de abrir ao publico a sala A 7 com a
exposição de parte das nossas collecções botanicas, material
abundante e rico, de p'antas de herbario e productos ve-
getaes de toda a especie. Concertado, pintado o commodo,
contractei com a Marcenaria Independencia o fornecimento
de seis armarios vitrinas, cujas portas permittissem a instal-
lação de specimens do herbario em numero de 550. Com-
pletou este mobiliario com a addicçäo de tres mezas vitrinas,
duas das quaes foram installadas dentro da sala e uma na ga-
leria em face da sua porta. Este mobiliario, sobrio e ele-
gante, foi fornecido em boas condições de preços e agradou
a todos pela solidez, capricho da factura e excellente dis-
posição. Entregues os armarios e mezas, encarregaram-se os
Srs. F. Hoehne e H. Luederwaldt da montagem da secção,
trabalhando com o maior affinco e verdadeira dedicação, pois
realmente foi penoso o serviço da escolha e preparação de
specimens e sobretudo rotulagem, dado o pequeno lapso de
tempo em que foi tudo feito. A 7 de Setembro pude abrir
ao publico a nova sala, causando ella muito boa impressão
geral, pelo harmonioso de sua disposição e o real valor das
exposições. Orientados pelo criterio scientifico moderno or-
ganizaram os dous botanicos uma das melhores exposições
do Museu, executada segundo um plano que se subordina
aos rigorosos principios scientificos. Com o intuito de pro-
porcionar ao publico interessado e estudioso, ensejo de adqui-
rir uma pequena ideia do systema vegetal tal qual é hoje
concebido, desenvolve-se ao longo dos muros da nova sala
do Museu, longa serie de quadros que synthetisa o se, ando
dos reinos da natureza
Organisada quasi exclusivamente com o material du-
plicata do herbario do estabelecimento, compõe-se a expo-
sição, na quasi t'talidade. de e-pecies br:zileiras, em grande
parte bastante ce nhecidas pelos leigos, e a sua dispesição
foi feita de forma a permittir formar-se uma ideia mais ou
menos perfeita da ordem em que as diversas plantas se se-
guem na evolução, segundo o systema criado pelo illustre
Engler e exposto na sua celebre obra: « As familias de
plantas naturaes ».
Entrando-se na s«la vêm-se à esquerd?, as formas
mais rudimentares do mundo vegetal — representadas, devido
as dimensões microscopicas, por meio de desenhos muito am-
pliados. As Acrassiales no primeiro quadro em cima, con-
stituem as primeiras.
De quadro em quadro, seguem então fórmas cada vez
mais complexas e perfeitas demonstrando pouco a pouco a
theoria da evolução, até que, em escala ascendente, se chega
numa volta completa pela sala, às Compostas da extremi-
dade direita junto à entrada.
Ao centro do commodo encontram-se nas mesas-arma-
rios, frutos e sementes, fibras, resinas, cêras e outros produ-
ctos vegetaes, madeiras do Brasil, lenhos mineralisados e
petrificados, curiosidades botanicas, cogumellos etc.
Na vitrina da galeria em face à sala, ha numerosos
specimens, alguns dos quaes preciosos, referentes à paleo-
botanica.
A segunda sala aberta ao publico, A 10, tambem cor-”
respondia a uma verdadeira necessidade. No Monumento do
Ypiranga, construido para a celebração do nosso magno
acontecimento nacional, como solennemente o declara a sua
grande placa inaugural da escadaria, cem todo o seu des-
taque, quasi nada havia que lembrasse a tradição brasileira
paulista. Em dous acanhados commodos, se espalhavam
objectos heterogeneos em arrumação defeituosa, quadros his-
toricos de envolta com moveis e objectos velhos, documen-
tes sem valor algum historico ou archeolcgico, alli ten o ido
parar ao acaso da boa vontade dos seus doadores.
Todo este material, alias, procedia do antigo Museu
Sertorio. Vinte annos havia que se paralysära quasi por
completo tão importante secção do Museu. Nas vitrinas fi-
guravam diversos objectos que alli não deviam estar, alguns
mesmos ridiculos e provocadores da risóta publica, dignos
“acompanhadores do celebre vaso nocturno que o Presidente
Campos Salies ordenára que se retirasse da exposição pu-
blica. E, além de tudo, numerosos eram os objectos a que
se attribuia altisonante procedencia, sem que nada documen-
tasse semelhante origem, com visivel postergação da verdade
dos factos da chronologia. Assim encontrei uma mesa attri-
tuida a José de Anchieta de visivel factura setecentista e
uma cadeirinha supposta da Marqueza de Santos quando o
facto desde muito fôra solennemente contestado pelo erudito
archivista ao Estado, sr. Antonio Egydio Martins.
Pertencera tal cadeirinha à ramilia do Sr. Martins e
eile a conhecera desde a sua infancia. Suas repetidas con-
testações de nada valeram porque reconhecel-as seria des-
lustrar o objecto, não havendo ao que parece dama de S.
Paulo a quem melhor coubesse o chjecto do que a celebre
favorita de D. Pedro I. Ouvi do sr. Coronel J. J. Raposo,
antiquario muito versado em cousas brasileiras de curiosidade
e cunhado do Sr. Sertorio, o fundador do Museu, nucleo do
nosso, que este seu parente honesto como raros, era de p:o-
digiosa bôa fé sendo assim victima muitas vezes dos mais
grosseiros embustes. Seus agentes, deshonestamente, e a
troco de boa remuneração assim Jhes haviam impivgido a
armadura de Martim Affonso de Souza e a mesa de An-
chieta. Fossem talvez mais conhecedores da historia de S.
Paulo e lhe teriam fornecido um arco de Tebyriçã e a es-
copêta de João Ramaiho, alguma carapuça de Braz Cubas
ou camisa do Padre Manoel da Nobrega.
Outro facto demonstra o abandono em que a chamada
e collecçäo historica » se achava. KE’ dificil explicar, por
exemplo porque fora uma tela representando a Fundaçäo de
São Vicente alcandorar-se por cima de um armario de mi-
neraes, na sala de mineralogia e geologia, a quasi 4 metros
acima do soalho Nada ou quasi nada no Museu Paulista
lembrava o passado de São Paulo, o que aqui viera ter che-
gara por acaso, de mero interesse dos offertantes. Achei pois
de toda a necessidade consagrar a nova sala 10 A _ nossa
tradição. Para ella reuni quatro bens quadros historicos
deslocados nas salas superiores como a Fundação de São Vi-
cente, os retratos de Bartholomeu Lourenço de Gusmão, Do-
mingos Jorge Velho, Padre José de Anchieta, todos de Be-
nedicto Calixto, e annexei-lhes uma collecçäo de documentos
e velhas cartas geographicas, dos seculos XVI, XVII e XVIII
27 quinhentistas, 10 seiscentistas e 9 setecentistas. Destas
39 referem-se à cartographia sul-americana e brazileira e 7
especialmente a paulista.
Por umas e outras, póde-se fazer uma idéia da evo-
Inção da geographia do nosso continente, desde o mappa de
Juan de la Cosa datado do proprio anno da descoberta do
Brazil até o das Côrtes, em 1750, carta official da demarcação
des territorios das coréas de Portugal e Hespanha, em virtude
do tratado de Madrid. Traçadas por cartographos portuguezes
hespanhoes, italianos, francezes, hollandezes flamengos, in-
glezes e allemães formam uma collecção valiosa. reunida pelo
illustre e saudoso Burão do Rio Branco, que o Sr. Dr. Nilo
Pecanha, attendendo a um pedido da Directoria do Museu,
gentilmente lhe offertou.
Dentre os mappas de São Paulo, havidos por cópia de
archivos e bibibliothecas brazileiras e européas, são muito
interessantes, sobretudo, o de D. Luiz de Cespedes Xeria,
valiosissimo datando de 1628. o mais velho esboço cartogra-
phico de terras do hinterland paulista, o mais antigo, talvez,
dos mappas de penetração do Brazil, as cartas de Fra. Giu-
seppe di Santa Teresa, de 1698; duas cartas copiadas de
originaes do Museu Britanico do seculo XVIII, um mappa
da demarcação de territorios paulistas e mineiros do capitão
general D. Luiz Antonio de Sousa Botelho e Mourão, Mor-
gado de Matheus em 1766, a excellente carta do littoral
paulista levantada em fins do seculo XVIII pelo coronel do
Real Corpo de Engenheiros João da Costa Ferreira, o grande
mappa de Montesinho, tão apreciado pelo Barão do Rio
Branco, etc. A estas diversas cartas, encimaraos os quadros
historicos de Benedicto Calixto, ja existentes no Museu e tão
apreciados pelo publico. Estão agora em posição para serem
detidamente examinados, recebendo melhor luz. Em tres
grandes mezas vitrinas, situadas no centro da sala, estão
expostos varios e interessantes codices e documentos esparsos
obtidos graças a generosos doadores como os Srs. Drs. Wa-
shington Luiz, Silva Leme e o saudoso Dr. Augusto de Si-
queira Cardoso.
E” dever de justiça consignar aqui quanto foi o Museu
favorecido pela bôa vontade do Sr. Dr. Adolpho Botelho de
Abreu Sampaio, digno director do Archivo do Estado em
fornecer-lhe, por emprestimo, codices e documentos isolados,
oficios, ete., de grande interesse evocativos de muitos dos
principaes factos da historia paulista. Assim na nova sala
A 10 estão reunidos inventarios de bandeirantes illustres,
uma carta de sesmaria assignada por Martim Affonso de
Sousa, contas de negocios dos seculos XVII e XVIII, róes
de remessas de ouro tirados do Sertão, roteiros de minas,
cartas setecentistas trocadas entre parentes e amigos registo de
cartas régias e actos officiaes, livros de motas tabellioaes,
autographos de personalidades notaveis — bandeirantes es-
criptores, homens de governo, ete. Numerosas peças do-
cumentaes, emfim, referentes às diversas phases da vida
paulista, num periodo que vae de 1550 a 1822.
Entre as maiores curiosidades expostas ha a notar, por
exemplo, o autographo do primeiro decreto talvez assignado
por D. Pedro I. após 7 de Setembro ; uma carta confidencial
do visconde de Barbacena capitão-general de Minas, ao go-
verno de São Paulo, communicando-lhe a descoberta da cons-
piração mineira. Para commodidade do publico traduzi quasi
todos os documentos escrevendo a seu respeito pequenas no-
ticias e apanhados biographicos e factos acerca das pessoas
a quem se referem.
As despesas de installação das novas salas importaram
em algarismos rodondos em 5:500$000 dos quaes 2:800$000
para 2 de botanica, assim discriminados :
MIGRA HSE <b eke Thay, Sr: 239008000
Adptação e pintura do commodo, etc. 1508000
Acquisição de material. . . . . 150$000
2:800$000
Os gastos relativos à instalação da segunda sala assim
se podem approximadamente notar :
EDER Da ASS Og fe a es, Ye. 102/01, 10,0,0)
Copias de mappas e estampas do Rio
dc ftanero europa.) vê, 8008000
Emquadramentos de mappas e gra-
TEC td E e 6008000
Construcção de uma parede, adaptação
do commodo, pinturas etc. . . 2808000
2:7008000
Penso poder dentro de seis mezes #brir uma terceira
sala ao publico já estando a organizar o material a ella
destinado
Collecções em série
Vive a maior e a mais agradavel surpeza verificando quão
rico era o material armazenado nos depositos do Museu, quão
extensas e valiosas as suas colleccdes em série angariadas
sobretudo graças aos resultados das extensas campanhas dos
naturalistas viajantes do Instituto. (Quasi todo este material
deve-se: por assim dizer ao sr. Ernesto Garbe, algum tanto
tambem aos srs. Giinther, Pinder Schwanda e João Leo-
nardo de Lima. O afan com que o antigo director, dr. [he-
ring, procedeu a acquisição desse enorme material zoologico
permittiu-lhe a obtenção de algumas das mais valiosas col-
lecções. O herbario de Museu fezse sobretudo graças a
entrada de outras já feitos e muito volumosos. As collec-
ções mineralogicas e paleonthologicas brasileiras pouco re-
presentam ainda. Admirei-me contudo de que se não hou-
vesse tomado providencias contra o desbotamento provocado
pela acção directa da luz sobre o material conservado em
alcool, de peixes, ophidios, erustaceos, ete. Ordenei que os
vidros dos armarios fossem pintados de preto e que se adap-
tassem cortinas ás estantes vedando a luz. Em varias das
colleeções precisava-se urgentemente trocar o alcool como por-
exemplo dos peixes e sobretudo morcegos, cujas condições
de conservação deixavam muito a desejar. Mandei que o
sr. Garbe, opportunamente realizasse este serviço.
A Revista do Museu
Desde que tomei posse da Directoria lembrei a V.
Excia. a conveniencia de se editar um novo tomo da Revista
do Museu Paulista, publicação interrompida desde 1914,
Obtendo a immediata acquiescencia e animação de V. Excia.
tratei de angariar collaboradores para o volume em projecto
obtendo logo a adhesäo de numerosos scientistas e estudicsos
das sciencias naturaes. Cabe-me aqui mencionar quanto neste
particular — devo e o Museu aos Srs. Drs. Arthur Neiva e
Henrique Aragão que me proporcionaram o ensejo de travar
relações com scientistas cuja collaboração poderia solicitar.
A Revista actualmente impressa até a pagina 336 faz-se
morosamente devido às difficuldades da época e a sobrecarga
de trabalhos que afilue ao « Diario Official». No tomo X
figuram contribuições zoologi:as, botanicas, ethnographicas,
geologicas, archeologicas etc., nellas snrgindo preciosas me-
morias que farão estou certo com que o orgão do Museu se
mantenha à altura do seu passado.
Para ella já concorreram com estudos e artigos varios
naturalistas e scientistas de valor, nacionaes e estrangeiros,
cujos nomes acatados, aqui menciono segundo a ordem de
entrega de originaes: G. Lüederwaldt : Notas myrmecologicas,
Ricardo Krone: Notas de pre-historia paulista, Dr. Alberto
Betim Paes Leme: As jazidas mineraes brazileiras ; D. Ama-
ro van Emelen: jUm caso de symbiose entre apideos; Dr.
Candido Firmino de Mello Leitão: Scytodidas e Pholcidas
do Braz |; Dr. Alvaro da Silveira: Uma nova myrtacea o
Mandapuçá: Dr. Adolpho Hempel: Sete novas especies de
coccidas e Nova especie de Aleur dido; Dr. Lauro Travassos :
Especies brazileiras do genero Thelazia; Dr. Alberto José
Sampaio: A Ipemea Glaziovii; Dr. Alipio de Miranda Ri-
beivo: Considerações sobre os generos Brachyplatistoma e
Pratistomatichthys de Bleeker; G. Liv derwaldt : O herbario
e o horto botanico do Museu Paulista; Dr. Adolpho Ducke :
Catalogo das vespos sociaes do Brazil; Alberto Childe: In-
dustrias metalúrgicos na antiguidode; Dr. Henrique Beau-
repaire Aragão: Notas Ixcdidologicas; Julio Melzer: Obser-
vações sobre os Cerambycidos do grupo de Compsocerini ;
Dr. F. C. Hoehne: Orchidaceas novas e menus conhecidas
dos arredores de 8. Paulo. Ha ainda a mencionar artiges pro-
mettidos do Dr. Edgard Roque tte Pinto sobre ethnographia bra-
sileira, do Dr. João Florencio Gomes, sobre ophidios brazilei -
ros e do sr. Benedicto Calixto sobre archeologia vicentina,
do Dr. Geraldo de Paula Sousa e do missionario Frei Man-
sueto de Val Floriana sobre os nossos Caingangs. As diffi-
culdades de toda a especie decorrentes da conflagração mun-
dial, vieram prejudicar a parte do volume referente ás il-
ustrações. Fez--e o que pode não tendo sido possivel a
inserção de memorias que trouxessem pranchas coloridas que
PE 2
tao bello aspecto deram aos volumes antecedentes. Com os
clichés referentes aos artigos dos srs. Luederwaldt e Krone
Drs. Mello Leitão, Travassos e Alberto José de Sampaio
despendeu o Museu cerca de um conto e quinhentos mil
réis Caleulo que com o augmento geral dos preços custam
outro tanto as demais illustrações do volume.
A expedição do tomo IX fez-se aos poucos de accor-
do com a exiguidade das verbas. Realizou-se tambem pe-
queno numero de permutas com os estabelecimentos conge-
neres, sobretedo da America Latina. A edição do primeiro
tomo da Revista está muito reduzida. Mandei expôr a ven-
da nas principaes livrarias, e em consignação, exemplares do
nosse periodico. A’ porta do Museu venderam-se muito pou-
cos tomos.
Não se reimprimiu o guia das colleeções por motivo
de economia. Penso poder fazel-o brevemente, acrescendo-
o de uma parte nova e referente às novas salas de exposição.
Permutas
Insignificaute sinão quasi nullo foi o movimento de:
permutas propostas ao Museu no anno de 1917, devido aos
factos da conflagração universal. Euviou v Snr. Dr. Frank
Chapman do Museu de Historia Natural de Nova York um
caixão com aves americanas, em troca dos nossos specimens
que a 21 de Setembro de 1916 levara. Cobrou a Alfande-
ga de Santos direitcs sobre a entrada deste material e como
estes impostos ascendessem a muitas centenas de mil réis,
de accordo com V. Excia., pedi isenção de pagamento ao
Exmo Sr. Ministro da Fazenda, não tendo tido ainda co-
nhecimento do seu despacho.
A unica remessa de materiaes em permuta que tive-
mos a occasião de fazer foi com o Sr. Juan Tremoleras, de
Montevideo a quem se enviaram umas duas dezenas de co-
leopteros.
A insegurança dos mares fez com que não pudesse-
mos cogitar na remessa de material em permuta para os es-
tabelecimentos nossos congeneres. Com a estada em S.
Paulo do Dr. R. Eastman de quem ja falámos obtive auc-
torização de V. Excia. para entregar-lhe material ichthyolo-
gico afim de promover a sua permuta com o Museu de quem
é o representante Assim tambem lhe mandei fornecer al-
guns specimens de peixes fosseis de Taubaté, apos previa
consulta a V. Exc.*
Consultas
Não foi avultado o numero de consultas recebidas pe-
lo Mus u durante o anno findo, tendo todas tido resposta.
Citemos entre ellas: quatro do Museu Dias da Rocha, da
Fortaleza, Ceará, pedindo determinação de numerosas aves ;
do Dr. Lauro Travassos, ainda sobre aves da região de An-
gra dos Reis; do Sr. C. A. Barbiellini, sobre coleopteros ;
quatro do Instituto Agronomico de Campinas, sobre aves é
mammiferos ; do Padre Consoni, sobre um pernalta; dos Srs.
Antonio José Ferreira da Silva Junior, Affonso Soares e
Luiz Ferrini sobre numismatica; do Snr. Cleophas Baptis-
ton, de Araras, sobre um arachnideo; do Snr. Antonio Ma-
galhães Junior, de Barra Bonita, sobre um neuroptero ; dos
Snrs. Carlos Lazarini, de Batataes, Sylvio de Barros, de Mo-
gy Guassú sobre cerambycidas; Americo Martins, de Santos,
sobre um orthoptero; dos Snrs. Dr. Luiz V. Figueira de
Mello, Prefeito do Bauru, Antonio J. Rodrigues Junior e
Virgilio Caldas (de Poços de Caldas ) e Antonio Vianna,
de S. Paulo, sobre taxidermia; do Dr. Oscar Freire de Car-
valho da Bahia, sobre formigas daquelle Estado,
As consultas mais importantes recebidas foram as do
Dr. Diogo de Faria que a nós se dirigia pedindo determi-
nação de um micro-lepidoptero, devastador de pelles e cou-
ros, de um coleoptero xylophago destruidor de mobilias do
Palavio dos Campos Elysios, e de um outro coleoptero mi-
nuscuio, bibliophago todos estes insectos encontrados no
Desinfectorio Central. Fil-os desenhar pelo desenhista do
Museu que os ampliou nctavelmente e como na nossa Bi-
bliotheca houvesse completa ausencia de litteratura para a
determinação do coleoptero bibliophago, recorri aos conhe-
cimentos do entomologo eminente que é o Dr. Costa Lima
de quem ja obtive algumas das determinações pedidas; ha-
vendo o entomologo Snr. Luederwarldt, respondido as de-
mais consultas do Sur. Dr. Diogo de Faria como a de todos
os mais que ao Museu recorreram sobre assumptos de sua
especialidade.
Trabalhos scientificos realisados
no Museu
Dentre os trabalhos realisados pelo pessoal do Museu
e scientistas que a elle vieram ter ou estudiosos das scien-
cias naturaes recorda-me citar os seguintes: os do Snr. Dr.
Heitor Maurano, illustrado clinico do Ypiranga, sobre a mos-
ca domestica; Julio Melzer, sobre cerambycidas, assumpto
em que se especialisou e alcançou merecida reputação; Gr.
Luederwaldt, sobre formigas e determinações botanicas; Dr.
Frederic» Hoehne, sobre orchidaceas, asclepiadaceas, lenti-
culareaceas em particular, e determinações do nosso herba-
rio em geral; Dr. Rodolpho Hermann sobre mammiferos da
America do Sul, sobretudo antas; J. Leonardo de Lima, so-
bre a biologia de varios passaros entre outros o curioso
João Bobo, Ricardo Krone, o saudoso e tão erudito conhe-
cedor da nossa pre-historia, sobre assumptos anthropologicos ;
pra rs
nome > + eas
Pharmaceutico Luiz Ayrosa Galväo sobre mineralogia. Con-
tinuando a sua desvelada e já longa assistencia ao Museu
proseguiu o Snr. Dr. João Florencio Gomes nas suas de-
terminações, revendo o nosso volumoso material de ophidios ;
Padre Fr. Thomaz Borgmeier sobre formigas, Dr. Alfredo
Usteri, antigo professor da nossa Escola Polytechuica, sobre
botanica e crnithologia. )
Material Scientifico do Museu de-
terminado
Graças à gentileza e serviçalismo de varios scientistas
de grande valor pôde avultado material do Museu ser rigo-
rosamente determinado. Continuou o Sr. Dr. João Florencio
Gomes, com a sua competencia tão acatada, a estudar os
numerosos ophidios que pertencem ás nossas collecções em
serie. O material de ixodidas foi revisto pela autoridade
que é o Sr. Dr. Henrique de Beaurepaire Aragão. Outro
assistente do Manguinhos, especialista de reputação formada
desde longos annos, o Sr. Dr. Lauro Travassos determinou
avultado material helminthologico nosso. Ultimamente re-
metti ao illustre zoologo, Professor Alipio de Miranda Ribeiro
cujos trabalhos sobre a ichthyologia tanto fazem honra ás
sciencias naturaes brazileiras, grande material de peixes
fluviaes e marinhos já tendo regressado ao Museu parte dos
numerosos specimens determinados por este scientista. Outra
parte do nosso material ichthyologico remetti, com autorisação
de V. Excia. ao Museu Nacional Americano de Historia Na-
tural, aproveitando-me do offerecimento generoso do Dr.
Charles Rochester Eastman, ichthyologo de nome consagrado,
que nos deu a honra de sua visita e promptificou-se a auxi-
liar-nos no que lhe fosse possivel. Assim tambem remetti
um pequeno numero de crustaceos a Miss Mary J. Rathbun do
Museu Nacional dos Estados Unidos da America do Norte,
em Washington, cuja autoridade é tão conhecida como a de
uma crustacologa de subido valor. Tive o ensejo de me
communicar com numerosos scientistas de merito que se
promptificaram a determinar o posso material como por exem-
plo o Professor Dr. Carlos Emery, de Bolonha e o Dr. J.
Santchi, de Kairuan, Tunisia, reputados myrmecologos. Fi-
quei com receio porém de aventurar o material do Museu
expondo-o aos riscos de guerra submarina, e assim agrade-
cendo a tão valiosas offertas pedi a estes naturalistas que
nos prestassem os seus serviços em época menos tormentosa.
Actualmente o Museu só tem fóra de seus depositos as re-
messas enviadas antes da guerra para a Allemanha e paia
a Italia, ao Dr. Silvestri, e para a Republica Argentina
ao Dr. Juan Brethes que ha annos tem em mãos material
nosso apezar de nossas reclamações,
am >< ru
Preparações do Taxidermista
FORNECIMENTO DE MATERIAL
Dnrante o anno teve o nosso taxidermista o ensejo de
preparar varias peças para attender a pedidos do Instituto
Agronomico de Campinas, de estabelecimentos officiaes de
ensino do Estado, do Museu Rocha do Ceara etc.
Havendo-me o Dr. Director da Secretaria do Interior
consultado si o Museu poderia fornecer à Escola Normal de
Casa Branca material de historia natural, consegui reunir
uns sessenta mammiferos, aves, retirados das nossas collecções,
por se acharem substituidos por exemplares mais perfeitos e
que mediante autorisação de V. Excia. forneci áquelle esta-
belecimento de ensino.
Como estamos renovando as nossas salas de exposição
numerosos specimens poderão ser fornecidos ás escolas do
Estado sem o menor prejuizo para as nossas collecções, em-
penhando-se o Museu em servil-as na medida de seus recursos.
Alargamento do Museu
Durante o anno, como já tive occasião de Jembrar a
V. Excia., duas novas salas do andar terreo do nosso edificio
foram abertas ao publico. No anno de 1918 espero inau-
gurar mais duas Alle A 12, actualmente servindo para col-
lecções em serie. Em À 11 estão as ornithologicas que
removo para A 13, commodo quasi vasio. As collecções de
A 12, crustaceos, vermes, arachnideos, etc. transfiro-as para
a grande sala A 8 de ophidios e commodos annexos onde ha
espaço sobejo. Uma vez utilisadas as duas salas para as
exposições publicas será muito difficil lançar mão de algum
novo commodo do Museu para semelhante fim. Assim, pois,
seria conveniente desde ja, ir pensando na conveniencia em
ter-se um edificio annexo ao Museu onde fossem installadas
a administração, as colleeções em serie, os depositos, a offi-
cina do taxidermista, ete., de modo a se poder abrir à visita
publica as dez outras salas do Monumento susceptiveis de
adaptação às exigencias das exposições.
O Edifício do Museu
Está o edificio muito bem conservado e as reparações
nelle feitas durante o anno foram por assim dizer insignifi-
cantes, consistindo no concerto de poucas goteiras, no des-
entupimento de uma calha que estava humedecendo a parede
do salão nobre e a substituição de uns vidros da claraboia
quebrados pelo granizo. Deutro do edificio fizeram-se apenas
muito pequenas modificações. A mais importante foi a
construeção de uma parede na sala A 10, novamente aberta
ao publico, destinada não só a mascarar a grande porta
aberta para um pequeno commodo contiguo, de despejo
Teas) Fe
como a obter maior area para a exposiçäo de quadros. Alem
desta obra mandei proceder as seguintes: 4 pintura de A7
onde ha a exposição botanica, a remoção das grades do cor-
redor terreo afim de deixar livre a entrada às salas AG e
A 7, A 10 e A 11, duas das quaes ja abertas ao publico e
duas a inaugurar-se com o tempo. Um dos commodos da torre
de leste foi adaptado para servir de camara escura photo-
graphica. Nella se collocou uma pia. Na torre de leste,
tambem, fiz installar um pequeno elevador destinado ao
transporte dos livros entre a Bibliotheca e o deposito de
revistas e jornaes e o quarto onde, por falta de espago, ainda
se conservam numerosas brochuras.
Construcções annexas ao Museu
As diversas casas que estäo sob a guarda desta Dire-
ctoria tambem se acham em bom estado de conservação.
Apenas houve pequenos reparos a fazer-se na casa dos jar-
dineiros, concertos estes motivados pelo furacão havido em
Novembro que lhe arrebatou numerosas telhas. As casas
alugadas ao Dr. Ihering e sua Snra. não precisaram du-
rante o anno senão de insignificantes reparos. A antiga es-
terqueira, continua como desde muitos annos abandonada e
com algumas avarias no telhado.
O parque e o horto botanico
O Parque em frente ao edificio do Museu continua
com o seu aspecto habitual. A falta de agua e de esterco
não permittem que os grammados se apresentem virentes
como tanto era de desejar. Como brevemente alli deve ha-
ver grande movimento de terras para as obras da Avenida,
de modo a fazer com que desappareça o actual jardim, li-
mitei-me a conserval-o sem dispendio extraordinario de re-
planta da gramma nem estercamento. O jardineiro e seu
auxiliar fizeram o possivel para attender às exigencias do ser-
viço. .A area é muito extensa é o encargo da rega penoso.
O Horto Botanico optima iniciativa do sr. Director
Dr. Ihering acha-se igualmente bem conservado. A terra
do Ypiranga é muito esteril e a vegetação cresce vagarosa-
mente, tant» mais quanto lhe falta agua e esterco. Em to-
do o caso o capão do Horto cerra cada vez mais a sua ve-
getação e as plantas transplantadas desenvolvem-se muito
satisfactoriamente.
Muito pequeno numero de exemplares novos foram,
durante o anno, plantados ou transplantados. Cresce diaria-
mente o concurso de aves refugiadas nessa pequena reserva
e abrigo de matta que o Museu lhes proporciona. IE’ ver-
dadeiramente encantador verificar como o nosso parque se tor-
nou um viveiro de passarinhos e columbinos que formam
verdadeiras revoadas.
— 996 —
O Horto com as suas dezenas de milhares de metros
quadrados apenas dispõe de um jardineiro que é um traba-
lhador consciencioso e traz o seu serviço em dia. Seria de-
sejavel podermos contar com um segundo jardineiro. Para
impedir a invasão de intrusos, separado como se acha o
nosso terreno do campo, por um vallo, apenas, determinei
que se estabelecesse uma larga sebe viva de bambús a
acompanhar a este. Assim ficará todo cercado e livre das
incursões de vagabundos e malfeitores. Como conservador
do Horto esteve durante o anno todo o Sr. Luederwaldt que
com devotamento se desempenha deste cargo.
Mais tarde, com o desenvolvimento dos serviços do
Museu, muito seria a desejar que ao estabelecimento podesse
ser annexado um jardim zoologico como succede ao Museu
Goeldi em Belém. A área de que actualmente dispomos
para tanto é insuficiente. Póde ainda o Estado adquirir
terrenos bastante vastos às margens do Ypiranga uns cem ou
duzentos mil metros quadrados attendendo ao futuro da nossa
Instituição. Estes terrenos ainda estão baldios felizmente, e
por vreços razoaveis. Sugerindo ao alto criterio de V.
‘Excia. semelhante lembrança como complemento ao seu
magnifico plano de obras commemorativas do centenario da
Independencia ouso esperar que a attenção de V. Excia. se
volte para esta ordem de idéias.
Visitantes eminentes do Museu
Em 1917 teve o Museu a honra de ser percorrido de-
tidamente por um pequeno grupo de srientistas de cuja pre-
sença muito se desvanece. Citemos entre elles os Srs. Dr.
Arthur Neiva, Director do Serviço Sanitario do Estado que
muito frequentemente percorreu as nossas salas examinando
as nossas collecçües, summamente interessado em as co-
nhecer circumstanciadamente, apaixonado cultor que é das
sciencias naturaes, que lhe devem tantos e tão relevantes ser-
viços; Dr. Henrique de Beaurepaire Aragão, uma das nossas
mais bellas formações scientificas, eminente protozoologo e figu-
ra do maior destaque da escola benemerita de Manguinhos ; Dr.
Alberto Betim Paes Leme, o tão acatado lente da Polytech-
“nica Fluminense e do Museu Nacional, autor de bellas e
numerosos trabalhos sobre a geologia brazileira ; Dr. Edgard
Roquette Pinto o ethnographo da Rondonia o jovem professor do
Museu Nacional que tão justa e já angariou; Dr.
Max Fleiuss, o erudito brazilologo e dedicadissimo secretario
perpetuo do Instituto Historico Brazileiro ; Dr. Alberto Childe,
o consagrado e erudito archeologo, conservador do Museu
Nacional; Professor Jorge Foetterle, entomologo versadissimo
em assumptos referentes aos lepidopteros ; Geraldo Kuhlmann,
jovem e acatado botanico brazileiro ; Dr. Joviano Pacheco, o
reputado geologo da nossa Commissão Geographica; Dr.
Manuel Cicero Peregrino da Silva a quem deve a Biblio-
LC JE
theca Nacional inestimaveis serviços e actual esclarecido Di-
rector da Instrucção Publica do Rio de Janeiro; Dr. Victor
Godinho, bacteriologista que tanto honra a nossa cultura ;
Dr. Adolpho Ducke, cuja reputação de entomologo é uni-
versalmente acatada e actualmente dedicadamente entregue
a estudos botanicos que já grangearam grande notoriedade.
Estrangeiros naturalistas apenas tivemos a visita do Pro-
fessor Charles Rochester Eastman, do Museu Nacional Ame-
ricano de Nova York, consumado ichthyologo de reputação desde
muito feita e a quem confiámos o estudo de parte do nosso
material de peixes; do Rev. Pe. Antonio Sala, O. P., philo-
logo, especialista em linguas amazonicas, e grandemente
versado em ethnographia brazileira.
Dadivas
Numerosos e generosos doadores fizeram presentes va-
liosos as nossas collecções, chegando algumas destas dadivas
a constituir preciosissimos mimos como peças de inestimavel
valor. Assim por exemplo quanto à Camara Municipal de S.
Vicente que nos offereceu uma lapide em que se encontra
gravada a mais velha inscripção conhecida do Estado, pois
data de 1559 e os restos do antigo pelourinho da villa, ve-
neravel reliquia quinhentista. Deve sobretudo o Museu estes
presentes à acção do Snr. Benedicto Calixto, e a bôa vontade
do Prefeito de S. Vicente, Coronel Bensdorp e dos dignos
vereadores seus companheiros de camara entre os quaes des-
tacaremos o Dr. Persio de Souza Queiroz, que calorosamente
advogou as pretenções do Museu. (Quanto... a antiguidades
paulistas ainda me cabe citar as dadivas da Camara Muni-
cipal de Porto Feliz que offereceu a ancora de uma grande
canoa de monção; e o Exm.º Sr. Dr. Luiz Albino Barbosa
de Oliveira a quem deve o Museu duas preciosas telas; os
retratos de seus avós Coronel Francisco Ignacio de Souza
Queiroz e D. Francisca Miquelina de Souza Queiroz dous
quadros perfeitamente conservados, documentos valiosissimos
do que era a pintura dos retratós em S. Paulo no tempo da
Independencia além da valia historica relativa a posse da
effigie do conhecido chefe reaccionario de 1822. Do Sr. Dr.
Washington Luiz, Prefeito de São Paulo, recebeu o Mu-
seu documentos de maior relevancia archeologica paulista,
como sejam; uma sesmaria de 1553 com o autographo
de Martim Affonso de Souza e uma serie de folhas de
um livro de notas de tabellião de São Vicente, datando de
meiado do seculo XVI. Do saudoso Dr. Augusto de Si-
queira Cardoso, tão versado na historia paulista, recebeu o
Museu varios documentos de subido valor referentes a época
e a personalidades eminentes do bandeirismo igualmente do
Dr. Luiz Gonzaga da Silva Leme, que lhe offereceu um ca-
derno autographo da Nobiliarchio. Paulistana de Pedro Taques.
Do Sr. Dr. José Freitas Valles, Deputado Estadoal, que ao
FRS
elevado conhecimento das cousas archeologicas, reune o mais
apurado senso esthetico, veio às collecgdes do Museu valio-
sissimo presente de joias egypcias de prata, diamantes e pe-
rolas, um collar e brinco. Foram os ultimos um pouco mo-
dificados por anterior proprietario mas o collor conserva a sua
feição rigorosamente antiga; o trabalho de ourivesaria, todo
feito à mão, é de grande dificuldade e o antigo ourives de
S. Paulo, o Sr. Achille Baudoin, pediu cinco contos de reis
a uma pessoa que desejava muito obter a reproducção exacta
da joia. Acerca destes objectos escreveu o antiquario e nu-
mismata Sr. Koppenhague uma justificação authenticadora
de sua procedencia, attribuindo-lhe cerca de dous mil annos,
pois entende que são da época ptolemaica, do 1.º ou 2.º se-
culo antes de Christo.
Relevante foi tambem a dadiva do Exm.º Sr. Dr. Nilo
Peçanha, Ministro das Relações Exteriores, que enviou as
publicações do Barão do Rio Branco sobre as nossas questões
de limites e uma extensa colleeção de magnificos « fac-similes »
de cartas geographicas antigas da America do Sul e do Bra-
zil, reun'das pelo grande chanceller, cartas que prestaram
enorme serviço para a montagem da sala A-10.
Do Dr. Americo Braziliense Filho, recebeu o Museu o
retrato a oleo e corpo inteiro de seu illustre Pae, pintura
de 1878.
Do Sr. Coronel J. J. Raposo, o conhecido antiquario
que em suas colleeções brazileiras tantos bons objectos conta
tambem vieram ter ao Ypiranga valiosos presentes, o de
onze velhas gravuras francezas e hollandezas dos seculos
XVI e XVII, sobretudo, reproduzindo aspectos de S. Vi-
cente e Santos. da Bahia, cartas geographicas, ete. quadros
outr'ora pertencentes 4 colleeção Eduardo Prado. De todas
estas estampas a mais interessante talvez venha a ser a con-
temporanea que representa a « Passarola» do padre Barto-
lomeu de L. de Gusmão, o glorioso santista precursor da
aerostaçäo. Além destas estampas offereceu ao Museu o Sr.
Coronel Raposo um velho alguidar colonial.
A Exma. Sra. D. Olivia Guedes Penteado offertoa um
album com vistas antigas de S. Paulo. A secção de nu-
mismatica enriqueceu-se com as seguintes e valiosas dadivas :
dos Srs. Dr. Oscar Roirigues Alves, Secretario do Interior,
uma série de beilas medalhas do professor A. Girardet, com-
memorativas abertura da Avenida Central no Rio de Ja-
neiro. Cap. Francisco Moreira, de Batataes, varias peças das
quaes diversas de valia. Cedulas do Segundo Imperio, duas ;
do Banco do Brazil, tres: moedas de prata commemorativas
do 4.º centenario da descoberta do Brazil de 48000, uma ;
de 28000, uma; de 18000, uma e de 400 réis, uma. Moedas
de ouro coloniaes, uma e de prata, seis. Dr. Jo é de Paula
Leite de Barros, 43 moedas antigas e recentes, de prata,
cobre e nickel do Brazil, Inglaterra, Prussia, Belgica, França,
20089 ==
Portugal, Hespanha, Uruguay, Argentina, Paraguay, Chile
e Japão; Dr. Antonio de Souza (Queiroz, tres moedas de
prata, duas de D. Pedro II, de Portugal e uma hespanhola
do seculo XVIII, das chamadas « columnares ». Dr. Theo-
doro Bayma, uma cedula rara das primeiras emissões de papel
moeda brazileiro. Professor Saulo Ferraz, uma cedula de
mil réis de 1831; Dr. Francisco Fernando de Barros uma
apolice do Estado de Pernambuco em 1892: H. Luede:waldt,
moeda de ferro allemã. Para a secção zoologica contri-
buiram com dadivas os Srs.: Dr. R. Novaes, de Avaré,
avultada collecção de aves brazileiras empalhadas; Dr. Go-
dofredo da Silva Telles, um grande saurio empalhado; Dr.
João Florencio Gomes uma mutillida; Capitão José de
Souza Nogueira, dous grandes tucanos; Pharmaceutico Can-
dido Cruz, um bezerro, caso teratologico ; Instituto Oswaldo
Cruz, 10 exemplares diversos de Ixodidas, Museu de Wa-
shington, 10 crustaceos diversos; Julio Melzer uma colle-
eção de cerambycidas e outra de borboletas; Andréa Do,
um exemplar de Cordiussop encontrado na agua potavel;
Dr. Florentino Fellippone tres exemplares de Unionide, e um
de Cleophocheilus oblongus ; Cleophos Baptiston, uma grande
mygale; C. Lazzarini e Sylvio de Barros, exemplares de
cerambycidas; Americo Martins. exemplares de Phybalosoma
phyllinum; Hs Luederwaldt e A. Amadio, varias lagartas e
larvas, Max Garbe uma vespa atacada por cogumellos; H.
Schwebel, varias formigas colleccionadas na Serra do Mar.
Para a secção mineralogica e geologica concorreram os Srs.
F. Ramouch, minerios de tungsteno, do Rio Grande do Sul;
Dr. Hoffmann, Sanden, 23 specimens deschistos de Fa-.
xina, cascalhos de diamantes do Tibagy, oca do Parana, etc. ;
Durval C. de Paula Novaes, curioso fossil achado nos tra-
balhos da represa de Itupararanga; pharmaceutico Schwei-
ger, um saurio fossil da bacia do Tibagy e a Camara de
Monte Alto preciosos fosseis achados no Municipio entre as
quaes um grande osso de dinosauro.
A's colleeções botanicas offereceram -dadivas os Srs.
H. Luederwaldt, fructos e sementes do Bosque da Saude;
Dr. F. Hoehne, 30 specimens differentes do seu herbario e
numerosas sementes; Horto Florestal, 15 arvores diversas
para o horto do Museu; Jardim da Luz, numerosos fructos
e sementes; Exma. Baroneza de Piracicaba, fructos e se-
mentes de sapucaia,
Excursões scientificas e outras
Durante o anno por diversas vezes caçaram e herbo-
risaram na Matta do Governo, em Itatiba e no Alto da
Serra os srs. João L. de Lima e H. Luederwaldt trazendo
de suas viagens bastantes specimens vegetaes e zoologicos.
Uma grande excursão foi a do naturalista viajante sr.
Ernesto Garbe que partindo de S. Paulo para Motto Grosso
—1000 —
em meiados de Agosto à nossa Capital regressou a 23 de
de Dezembro tendo passado tres mezes a cacar na zona de
Itapura — Corumba, em torno de Corumba e mais tarde no
municipio de S. Luiz de Caceres. Foi muito proveitosa o
sua viagem ; com a despesa de 2:500$000 approximadamente an-
gariou o Museu volumoso material como se pode notar da des-
criminaçäo seguinte : Mammiferos, 42 — Aves,243 — Peixes,
383 — Chelonios, 6 — Saurios, 5 — Crustaceos — Insectos :
Coleopteros, 280 — Lepidopteros, 380 — Hemipteros: Hete-
ropteros, 44 — e Homopteros, 14 — Orthopteros, 12 — Dipte-
ros, 74. Arachnideos grandes, 8 — Ophidios, 7 — Myriapo-
dos, 60 — 7 parasitas de aves — 37 parasitas de varios ani-
maes; grande quantidade de mosquitos, vermes, formigas e
carrapatos; conchas e molluscos recentes, 276 — 54 cogu-
mellos, 34 volumes de fructas e sementes sylvestres; varios
mineraes.
Neste avultado material muitas peças já sabemos vi-
rem preencher lacunas das nossas collecções. Dentro em
breve poderemos fazer ideia do valor real da campanha do
sr. Garbe que parece haver sido summamente proveitosa.
Realisei por conta do Museu uma visita à Fabrica do
Ipanema a 15 de Agosto. Alli recebido com summa geuti-
leza pelos distinctos officiaes, commandante da praca e dire-
ctor da fabrica, tenente-ceronel Rocha Freytag, 1.º tenente
dr. Antonio Mendes Teixeira deste ultimo obtive a promessa
ds armamento antigo e de munição fabricada no estabeleci-
mento, destinados às nossas collecções, destacando entre
estas um pequeno morteiro de assédio, fundido em 1814,
que representa real valia archeologica. Estas dadivas ainda
não nos foram entregues precisando o digno Director da
Febrica de competente auctorisação do exmo sr. Ministro da
Guerra.
Acquisições
Insignificantes foram, por assim dizer as acquisições
para as nossas collecções, no, anno de 1917. Cifraram-se em
menos de um conto de reis dos quaes 8004000 de cópias de
mappas e estampas no Rio de Janeiro e na Europa para a
exposição da sala A 10, 1208000 de objectos antigos e docu-
mentos comprados ao Sr. Paulino Baptista dos Santos, de
Marianna, etc.
São estas, Exmo. Sr. Dr., as principaes circumstancias
relativas à vida do estabelecimento em 1917 e sobre as quaes
me occorre representar a V. Excia.
A V. Excia. tenho a honra de apresentar os protestos
de minha mais alta consideração.
Affonso d'Escragnolle Taunay,
Director, em commissão, do Museu Paulista,
Md
NO TA
Um descuido fez com que desapparecesse do texto
da advertencia, com que abre o presente tomo, o trecho
no qual se consignam os agradecimentos da Redacção da
Revista a alguns funccionarios do Diario Ojjictal que, com
a maior amabilidade e serv çalismo, envidaram todos os es-
forços para que a confecção do volume sahisse a mais
cuidada. São elles os Snrs. Pascual Gonzalez, Albino Collazzi
e Antonio Correia Netto, a quem cabe a expressão do vivo
reconhecimento da Redacção, muito penhorada.
CATALOGO DAS VESPAS SOCTAES DO BRAZIL
Frrata e Addenda (*)
Pags.
317 — 5
| 326 — 44
327 — 15
329 — 17
330 — 18
331 — 19
332 — 20
Ibid
Linhas
6,7,9e 11
BS |
Onde se lé Leia-se
Minas Geraes, collecções | Minas Geraes, ha collecções
Milissaia Melissaia
mellificus
meliificus
chartergus chartarius chartergus globiventris
Ás linhas 6 e 7 intercale-se Synoeca cyanea, Saussure :
1853
Polybea e Metapolybea Polybia e Metapolybia
Polybea Polybia
saussura Saussure, 1853
Polybia juruana Polybia occidentalis juruana
338 — 26
340 — 28
341 — 29
Ibid
15
18 e 19
Supprimam-se as palavras R, von Ihering
Sericia Sericea
st SS Sees. ee Ea
1904 1853
superior superior e inferior
vespa pallida, ol Vespa pallida, Ol; 1791
Apoica thoracica Apoica pallida var, thoracica
Supprimam-se Buysson 1905
we)
A prineira indicação de paginação refere-se ao tomo X da Revista do Mu-
seu Paulista, a segunda 4 separata de autor feita para o artigo,
Less
“4
— 1003 —
Pags. |Linhas| Onde se lê | Leia-se
316 — 34 28 testaceus testacea
. 349 — 37 | 31 e 32 | Supprimam-se Bahia e A
Ibid 37 Supprimam-se Mischocyttarus labiatus F
2 | eee ee
351 — 39 31 ignobiles ignobilis
352 — 40 16 ajuntar a palavra Goyaz
Incluir nas paginas 355 e 43 depois da 3.2 linha?
Polybia mexicana Saussure 1853
Megacanthopus alfkeni Ducke 1904 ( A.)
Polybia basimacula Cameron 1906 ( A.)
e Distr. : Antilhas (33) e continente mexicano do Mexico (33) até o Rio
Grande do Sul e Paraguay (2)
Mus. Paul.: Perú oriental subandino, Marcapata ; Costarica ; Estado do
Pará, Macapá; Estado do Amazonas, Rio Japurá; Goyaz; Espirito Santo; Rio
Grande do Sul.
Pags. |Linhas| Onde se lê Leia-se
355 — 43 | 4. 5 e 7 | Filiformes Filiformis
Ibid 35 lanis lanio
356 — 44 { marribons' * marribous
361 — 49 23 Polystes polistes
367 — 55 14 Sampaioi sampaioi
368 — 56 38 Supprimir 77 — Liponvles lamellaria Moeb ( Mus, Belem ):
313 — Bl |, 38 Stelopolybia A Gymnopolybia
J
374 — 62 2 Stelopolybia | Gymnopolybia
|
Ibid 18 cinerasceus cinerascens
\
|
ENSAIO DE GRAMMATICA MAMIGAMG E CRITICA AO VOCARULARIO DO
VISCONDE DE TAUHAY
POR
FREI MANSUETO BARCATTA DE VAL FLORIANA
CORRICENDA ET ADDENDA“)
ERRATA CORRIGE
Pags
Bag. 8 — linhas 23; * Kates LMI Ra ae
536 — 8 — » ultima, “Aéred; Se TO NA ee keene
538 — 10 — » ultima mergulbiar, . mergulhar
541 — 13 — na penultima linha depois de ti, ponha- -se, fi
ES = AT — linha sos Péri RE o as tele
47 = ln Dixontanéti. 2075 MA sen ONA TE
546 — 18 — » 27 ommitta-se atôn , . . Ê
547 — 19 — » 18 ommitta-se o segundo de . -
19 — » 49na Sunt TRAD vies oh ge vate ET
19 = «Sok 20 HOT eed eaters D
550 — 92 — » henmerikemon., . . > « ... « enhôrikemon
29 — » AN EMEA TE LA Pre ES Nantira
552 =. (04 — #0» D IAONTAIO MH, des a NT RO eal
Bs = Gi —— “BU dom. UN on ate) aetna fais RO L
555 — Dq oo Diimergulhari o Moo o ni levantar subia
555 — 28 — » 4 oa DES Cost POR Po RARE
55903101: oe 10 pare AR Sa eee SN paira
563 — 35 — » 13 e he, o he
588 — 60 — Ponha-se a nota (9) da pagina “62, ao pé
da pag. 66... + ME sane
598 — 70, — linha, 2thembréia 2 00 lo wh Membre (tin)
599 — 71 — » JS CUS SRE ON OUR RD Er a RON
602 — 74 — » antipenultima, fie URI ia TRE)
604 — 76 — » penultima, ni, elle, omitta-se .
610 — (82 — 7,» = 26 queyene.. … Me A uevenesai®
Sn TP SOU) EE : s COUSIN LE TEE) ; |
611 — 83 — » O min es NET NET nt !
gi2 = BA —: » “ ASkanékre so SR E. kennexe
BE = à, 2B -togtan: 40 RENE ro ea
614 — 86 — » 30 ton A LS AS nen ONE DIL
86 — » 1 Breve gan oe a AD RE
616. — 88 = An AML TEL LA ee RR No eee
88 —:2 "» OF Ma Ka ET 2 te ee da EIA
88 — Penultima linha. Jakegrene. . . . . Jakegrena, M.
622 — 94 — linha ultima, gente, , , . . . . . « Toagmán:todaagente
624 — 96 — » 4 espinho? é So eee. Salat DIONE
98 — » 10 vacca. . oc OR NON TA CAE)
08:=—, w {4 Turuman 2:e , | Ud see EST UA
06 — MA TDRMESSA, "5 QUES le LOSS
697 — 90 Va Be; à UA are) On RICO
628 == 400. “Boma, "cm. 2 PO EE ROLE)
(1) A primeira indicação de paginação refere-se ao tomo X da Revista do
Museu Paulista, a seguinte 4 separata de autor feita para o artigo.
_ SR
oe a
Wars SAO PAULO he
“0 TYP. DO “DIARIO OFFICIAL” +4
) _ 1918 eae ib aN | À N
| AL" ied {
ow
os"
\ t
& x
\ ,
E
f q
Md ) Mig
“mr Sis’ a :
x ‘
} YO INT
t PAT
# NS tts t =
FL PR ary
EP AAAS
vee
ty
4
: s
LATE ap E
ace sr
Ye «
7 Cu {
o A
4
i
4
à \
e A
4
t
rad
~~
LA
q ?
* .
PBs:
Pal
o
v7 - o
+
; tra
PRA EM Gi i 1e
wet Ls ;
14
| [ALL [IL (| || ||] ||
init
|
HI]
||| |) ||
IH | | |
| || IN ||| || || | ||| 4
| | I || MI
| || IN ug
|| ||
||
Al
en Oe TS pa Es eve
E gr np Sa =
ML dinde cet : É
ço Tae pao is
Ct ig a